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PATOLOGIA FÍGADO

Resumo de patologia hepática: descreve hepatite B (formas clínicas, morfologia hepatocitária e papel da biópsia), hepatite fulminante, fisiopatologia e morfologia da doença hepática alcoólica (balonização, corpos de Mallory, reação neutrofílica), DHGNA e cirrose.

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BEATRICE CONSTANCE 
PATOLOGIA – FÍGADO 
HEPATITES 
O vírus da hepatite B pode produzir 
1. Hepatite aguda com recuperação e eliminação do vírus 
2. Hepatite crônica não progressiva 
3. Doença crônica progressiva terminando em cirrose 
4. Hepatite fulminante com necrose hepática maciça 
5. Estado de portador assintomático 
 
Morfologia: hepatócito em vidro despolido (hepatite crônica) 
• Macroscopia: 
o Aguda – aspecto normal ou 
avermelhado, podendo 
haver necrose. O fígado 
inteiro pode ser 
comprometido ou apenas 
áreas aleatórias. 
A distinção entre hepatite aguda e crônica é 
baseada no padrão de lesão celular e na 
gravidade da inflamação, com a hepatite 
aguda frequentemente apresentando menos 
inflamação e mais morte de hepatócitos do 
que a hepatite crônica, que possui um denso 
infiltrado mononuclear portal de constituintes 
variados. 
A lesão do hepatócito assume duas formas: 
• Tumefação (balonização) – produz células com citoplasma que parece vazio e em 
sequência morrem, se rompem e entram no processo de necrose (citólise). As células 
necróticas parecem ter desaparecido, deixando o arcabouço sinusoidal de reticulina e 
colágeno no local; os macrófagos que fagocitam os restos celulares indicam o local de 
desaparecimento. 
• Apoptose – hepatócitos retraem-se, tornam-se intensamente eosinofílicos e possuem 
núcleos fragmentados; as células T efetoras podem ainda estar presentes na vizinhança 
imediata. 
OBS.: A identificação clínica da hepatite crônica frequentemente necessita da realização de 
biópsia hepática para confirmar o diagnóstico clínico, determinar características 
histológicas associadas ao risco elevado de malignidade, graduar a extensão da lesão 
hepatocitária e estadiar a progressão da fibrose. Isso é importante para o prognóstico e para 
a escolha entre as opções terapêuticas. 
 
BEATRICE CONSTANCE 
HEPATITE FULMINANTE 
Definição: insuficiência hepática que progride em 2 a 3 semanas desde o início dos sintomas até 
encefalopatia hepática em indivíduos que não apresentam doença hepática crônica. 
Normalmente é causada por infecção por HBV. 
Morfologia: destruição completa dos hepatócitos em lóbulos contínuos, deixando apenas uma 
estrutura de reticulina colapsada e tratos portais preservados. Pode haver pouca reação 
inflamatória. 
DOENÇA HEPÁTICA ALCÓLICA 
Fisiopatologia: 
O excesso de álcool produzirá efeitos diretos e indiretos sobre o fígado. De uma forma direta, 
o etanol aumenta a permeabilidade da mucosa intestinal, permitindo entrada de bactérias que 
possuem LPS. Estas migram para o fígado via veia porta e estimulam as células de Kupffer a 
produzir TNF-alfa, induzindo a resposta inflamatória (hepatite). 
No fígado, o álcool é metabolizado a acetaldeído em uma reação que consome O2, levando a 
uma hipóxia centrolobular, reduzindo a atividade das mitocôndrias, que não irão realizar a 
oxidação de ácidos graxos. Os AGs se acumulam, provocando esteatose. Além disso, o 
acetaldeído provoca peroxidação direta das membranas dos hepatócitos e induz necrose, 
além de, quando se liga a proteínas, induz uma respota inflamatória, intensificando a hepatite. 
Fatores de risco: hepatites virais, obesidade, desnutrição, polimorfismo genético 
Morfologia: 
• Balonização dos hepatócitos - células ou focos de células isolados sofrem tumefação e 
necrose; como na esteatose, essas características são mais evidentes nas regiões 
centrolobulares. 
• Corpos de Mallory - eles consistem em emaranhados de filamentos intermediários 
(incluindo queratinas 8 e 18 ubiquitinizadas) e são visíveis como inclusões 
citoplasmáticas eosinofílicas nos hepatócitos em degeneração. 
• Reação neutrofílica - uma infiltração predominantemente neutrofílica permeia o lóbulo e 
acumula-se em torno dos hepatócitos em degeneração, particularmente aqueles que 
contêm corpos de Mallory. Linfócitos e macrófagos também entram nos tratos portais ou 
parênquima. 
 
BEATRICE CONSTANCE 
 
DOENÇA HEPÁTICA GORDUROSA NÃO ALCÓOLICA 
A doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) está associada com síndrome metabólica, 
obesidade, diabetes tipo 2 e dislipidemia e/ou hipertensão. 
A DHGNA pode apresentar todas as alterações associadas à doença hepática alcoólica: 
esteatose, esteato-hepatite (NASH) e cirrose, apesar de algumas características da esteato-
hepatite (como balonização do hepatócito, corpos de Mallory-Denk e infiltração neutrofílica) 
frequentemente serem menos proeminentes do que elas são na lesão relacionada ao álcool.
CIRROSE 
Definição: processo difuso irreversível caracterizado por 
fibrose e parênquima normal convertido em nódulos. 
Suas principais causas são infecções virais crônicas e 
esteato-hepatite alcoólica e não alcoólica (NASH), 
doenças autoimunes que afetam os hepatócitos e/ou 
canalículos biliares e sobrecarga de ferro. 
Fisiopatologia: 
Agressão → estimula células de Ito no espaço de Disse 
→ perda do depósito de vitamina A → proliferação + 
aumento do retículo endoplasmático → secreção de matriz extracelular → se tornam 
miofibroblastos → defenestração dos sinusoides hepáticos → diminuição do diâmetro → 
aumento da resistência vascular + deficiência de NO 
 
CARACTERÍSTICAS 
PRINCIPAIS DA CIRROSE: 
1) comprometimento da maior 
parte ou de todo fígado 
2) pontes de septos fibrosos 
3) nódulos parenquimatosos 
contendo um misto de 
hepatócitos senescentes e 
replicativos 
 
BEATRICE CONSTANCE 
NEOPLASIAS 
Os tumores hepáticos mais comuns são carcinomas metastáticos, com colón, pulmão e mama 
encabeçando a lista de sítios primários. 
TUMORES BENIGNOS 
• Hemangioma: neoplasia de linhagem mesenquimal, assintomática. São massas bem 
circunscritas que consistem em canais vasculares delineados por células endoteliais e 
um estroma interveniente. 
Sua principal importância clínica é não os confundir com tumores metastáticos; a sua 
perfuração em um procedimento de biópsia percutânea cega pode causar sangramento 
intra-abdominal grave. 
• Adenoma: geralmente ocorrem em mulheres em idade fértil que usaram pílulas 
anticoncepcionais orais e que regridem com a descontinuação de seu uso. Ao exame 
microscópico, os adenomas de células hepáticas são compostos de lâminas e cordões 
de células que podem assemelhar-se aos hepatócitos normais ou ter alguma variação 
no tamanho celular e nuclear. 
Os adenomas de células hepáticas são importantes por três razões: 
(1) quando se apresentam como massa intra-hepática podem ser confundidos 
com o mais ameaçador carcinoma hepatocelular; 
(2) adenomas subcapsulares têm tendência a romper-se, particularmente 
durante a gravidez (sob estimulação estrogênica), causando hemorragia 
intraperitoneal grave e 
(3) apesar de raramente sofrerem transformação maligna, os adenomas que 
portam mutações na b-catenina podem se desenvolver em um carcinoma 
hepatocelular. 
TUMORES MALIGNOS 
• Carcinoma hepatocelular 
o Principais causas: infecção por HVB ou HVC, cirrose alcóolica, exposição a 
aflatoxinas, hemocromatose, deficiência de A1AT. 
Na maioria dos casos, ele se desenvolve a partir de nódulos displásicos de alto grau com 
pequenas células em fígados cirróticos. Uma característica quase universal do 
carcinoma hepatocelular é a presença de anomalias cromossômicas estruturais e 
numéricas, um indicativo de instabilidade genômica 
Morfologia: pode aparecer macroscopicamente como 
(1) massa solitária; 
(2) tumor multifocal, constituído de nódulos de tamanhos variados ou 
(3) câncer difusamente infiltrante, permeando amplamente e às vezes comprometendo 
o fígado inteiro, fundido imperceptivelmente para dentro de um fundo de fígado cirrótico. 
Microscopicamente,os CHC variam de 
bem diferenciados, que reproduzem 
hepatócitos organizados em padrões de 
cordões, trabéculas ou glandulares a 
lesões indiferenciadas, frequentemente 
compostas de células gigantes 
multinucleadas altamente anaplásicas. 
Nos tumores diferenciados e 
moderadamente bem diferenciados, 
pode-se identificar glóbulos de bile no 
interior do citoplasma das células e nos 
pseudocanalículos entre as células.

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