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Apostila Zootecnia Geral

Apostila da disciplina Zootecnia Geral (Medicina Veterinária e Engenharia Agronômica). Aborda conceitos, objetivos e relações da zootecnia; domesticação e atributos do animal doméstico; nomenclatura externa (zebú, vaca de leite, suínos, aves); termos técnicos e figuras em bovinos.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE 
 
CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA 
NATUREZA 
 
CURSO DE MEDICINA VETERINÁRAIA 
 
CURSO DE ENGENHARIA AGRONÔMICA 
 
 
 
 
DISCIPLINA: ZOOTECNIA GERAL 
 
 
 
 
 
Elaboração: Prof. Ernesto Rodriguez Salas 
 Prof. Henrique Jorge de Freitas 
 Prof. Eduardo Mitke Brandão Reis 
 Prof. Felipe Berbari Neto 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2011
 
 
2 
 
ÍNDICE 
 
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 5 
2. ZOOTECNIA ................................................................................................................................... 5 
2.1. ZOOTECNIA COMO ARTE DE CRIAR...................................................................................... 5 
2.2. ZOOTECNIA COMO CIÊNCIA DE CRIAR ................................................................................ 5 
2.3. CONCEITOS DE ZOOTECNIA ................................................................................................... 6 
2.4. OBJETIVO DA ZOOTECNIA ..................................................................................................... 6 
2.5. OBJETO DA ZOOTECNIA ......................................................................................................... 6 
2.6. RELAÇÃO DA ZOOTECNIA COM OUTRAS CIÊNCIAS .......................................................... 6 
2.7. DIVISÃO DA ZOOTECNIA ........................................................................................................ 6 
3. O ANIMAL DOMÉSTICO .............................................................................................................. 7 
3.1. IMPORTÂNCIA DO ANIMAL DOMÉSTICO ............................................................................. 8 
3.2. FASES DA DOMESTICAÇÃO .................................................................................................... 8 
3.3. COMO SE DEU A DOMESTICAÇÃO ......................................................................................... 8 
3.4. ATRIBUTOS DO ANIMAL QUE SE TORNOU DOMÉSTICO .................................................... 9 
3.5. EFEITOS DA DOMESTICAÇÃO E COMO SE MANIFESTAM .................................................. 9 
3.6. DIVISÃO DAS ESPÉCIES DOMÉSTICAS ............................................................................... 10 
4. NOMENCLATURA DO EXTERIOR DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS ...................................... 11 
4.1. ZEBÚS ( BOS INDICUS ) ............................................................................................................... 11 
4.2. VACA DE LEITE (BOS TAURUS ) ................................................................................................ 12 
4.3. SUÍNOS .................................................................................................................................... 13 
4.4. AVES ........................................................................................................................................ 14 
5. TERMOS USADOS EM ZOOTECNIA ......................................................................................... 15 
5.1. ESPÉCIE ................................................................................................................................... 15 
5.2. RAÇA........................................................................................................................................ 18 
5.3. VARIEDADE ............................................................................................................................ 18 
5.4. FAMÍLIA .................................................................................................................................. 19 
5.5. LINHAGEM .............................................................................................................................. 19 
5.6. SANGUE ................................................................................................................................... 19 
5.7. INDIVÍDUO .............................................................................................................................. 19 
5.8. GENÓTIPO ............................................................................................................................... 19 
5.9. FENÓTIPO ................................................................................................................................ 19 
5.10.TIPOS ...................................................................................................................................... 20 
6. FIGURAS GEOMÉTRICAS OBSERVADAS NOS BOVINOS .................................................... 20 
6.1. BOVINOS DE LEITE ................................................................................................................ 20 
6.2. BOVINOS DE CORTE .............................................................................................................. 20 
7. ATRIBUTOS EXTERIORES DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS ................................................... 21 
7.1. CONFORMAÇÃO .......................................................................................................................... 21 
7.2. PORTE ........................................................................................................................................ 21 
7.3. COLORAÇÃO E PELAGEM ............................................................................................................. 22 
7.4. PELE, PELOS E MUCOSAS.............................................................................................................. 22 
7.5. PLUMAGEM DAS AVES ................................................................................................................ 23 
7.6. ORELHAS.................................................................................................................................... 23 
7.7. CRISTA ....................................................................................................................................... 23 
8. RAÇAS DE AVES .......................................................................................................................... 23 
9. RAÇAS DE SUÍNOS ...................................................................................................................... 27 
9.1. CARACTERÍSTICAS COMUNS ÀS RAÇAS DE SUÍNO TIPO BANHA .................................. 27 
9.2. CARACTERÍSTICAS COMUNS ÀS RAÇAS DE SUÍNO TIPO CARNE ................................... 28 
9.3. RAÇAS DE SUÍNOS ESTRANGEIRAS .................................................................................... 28 
 
 
3 
 
9.4. RAÇAS DE SUÍNOS NACIONAIS ............................................................................................ 32 
10. RAÇAS DE BOVINOS ................................................................................................................. 34 
10.1. CLASSIFICAÇÃO DOS BOVINOS ......................................................................................... 34 
10.2. CARACTERÍSTICAS COMUNS ÀS RAÇAS BOVINAS DE LEITE ....................................... 34 
10.3. PRINCIPAIS RAÇAS DE BOVINOS DE LEITE - ESTRANGEIRAS....................................... 35 
10.4. PRINCIPAIS RAÇAS DE BOVINOS DE LEITE - NACIONAIS .............................................. 37 
10.5. CARACTERÍSTICAS COMUNS ÀS RAÇAS BOVINAS DE CORTE ..................................... 37 
10.6. RAÇAS BOVINAS DE CORTE ............................................................................................... 38 
11. RAÇAS BUBALINAS...................................................................................................................42 
12. SINAIS DE FERTILIDADE ......................................................................................................... 44 
12.1. VACAS ................................................................................................................................... 44 
12.2. SINAIS DE SUB-FERTILIDADE ............................................................................................ 44 
12.3. SINAIS DE FERTILIDADE ..................................................................................................... 44 
12.4. SINAIS DE SUB-FERTILIDADE ............................................................................................ 45 
13. ATRIBUTOS FISIOLÓGICOS DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS .............................................. 45 
13.1. TEMPERAMENTO ................................................................................................................. 45 
13.2. CONSTITUIÇÃO ORGÂNICA ............................................................................................... 45 
13.3. IMUNIDADE .......................................................................................................................... 46 
13.4. ODOR E FARO ........................................................................................................................... 46 
14. CARACTERES MORAIS OU PSÍQUICOS DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS........................... 47 
14.1. MEMÓRIA .............................................................................................................................. 47 
14.2. INSTINTO DE IMITAÇÃO ..................................................................................................... 47 
14.3. ORIENTAÇÃO ........................................................................................................................ 47 
15. FUNÇÕES PRODUTIVAS DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS ..................................................... 48 
15.1. PRODUTOS PARA A ALIMENTAÇÃO HUMANA.............................................................................. 48 
15.2. MATÉRIA PRIMA PARA A INDÚSTRIA .......................................................................................... 48 
15.3. FORÇA MOTRIZ ......................................................................................................................... 48 
15.4. DESPOJOS E ADORNOS .............................................................................................................. 48 
15.5. DETRITOS E EXCREÇÕES............................................................................................................ 48 
15.6. FUNÇÃO AFETIVA ..................................................................................................................... 48 
15.7. FARO E CORAGEM DO CÃO ........................................................................................................ 48 
15.8. FUNÇÃO HUMANITÁRIA ............................................................................................................ 48 
15.9. CAPITAL VIVO .......................................................................................................................... 48 
16. ESPECIALIZAÇÃO DAS FUNÇÕES PRODUTIVAS DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS .......... 49 
16.1. FUNÇÃO E APTIDÃO PRODUTIVA ............................................................................................... 49 
17. AÇÃO DO MEIO AMBIENTE SOBRE OS ANIMAIS DOMÉSTICOS .................................... 49 
17.1. AMBIENTE ............................................................................................................................. 49 
17.2. HERANÇA BIOLÓGICA ........................................................................................................ 49 
17.3. CLIMA .................................................................................................................................... 50 
17.4. TEMPERATURA .................................................................................................................... 50 
18. REAÇÕES DAS DIFERENTES ESPÉCIES AO MEIO AMBIENTE TROPICAL ................... 50 
18.1. CLIMA TROPICAL E REPRODUÇÃO ................................................................................... 50 
18.2. PRODUÇÃO ........................................................................................................................... 50 
19. CARACTERES ECONÔMICOS DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS ............................................ 51 
19.1. PROLIFICIDADE .................................................................................................................... 51 
19.2. CRESCIMENTO ..................................................................................................................... 52 
19.3. PRECOCIDADE ...................................................................................................................... 52 
19.4. ENGORDA .............................................................................................................................. 52 
19.5. LACTAÇÃO ............................................................................................................................ 52 
 
 
4 
 
19.6. APTIDÃO LANÍGERA ........................................................................................................... 53 
19.7. APTIDÃO OVEIRA................................................................................................................. 53 
19.8. APTIDÃO DINÂMICA ........................................................................................................... 53 
20. MEIO AMBIENTE ....................................................................................................................... 53 
21. ACLIMAÇÃO E ACLIMAMENTO ............................................................................................ 54 
21.1. ACLIMAÇÃO INDIRETA ....................................................................................................... 54 
21.2. ADAPTAÇÃO ......................................................................................................................... 54 
21.3. ACOMODAÇÃO ..................................................................................................................... 54 
21.4. FALÊNCIA DAS RAÇAS ........................................................................................................ 54 
21.5. FATORES DE ÊXITO NA ACLIMAÇÃO................................................................................ 55 
22. RECONHECIMENTO DAS IDADES DE BOVINOS ................................................................. 56 
22.1. IDADE DOS BOVINOS ATENDENDO À DENTIÇÃO: .......................................................... 57 
22.2. EVOLUÇÃO DENTÁRIA: ...................................................................................................... 57 
23. MELHORAMENTO ANIMAL .................................................................................................... 58 
23.1. TIPOS DE MELHORAMENTO ............................................................................................... 58 
24. MODALIDADES DE CRUZAMENTOS ..................................................................................... 59 
24.1. OBTENÇÃO DO ANIMAL COM SANGUE 5/8 ........................................................................ 59 
24.2. CRUZAMENTOS CONTÍNUOS ............................................................................................. 59 
24.3. TREECROSS............................................................................................................................... 60 
25. BIBLIOGRAFIA .......................................................................................................................... 605 
 
ZOOTECNIA GERAL 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
O aparecimento do homem na terra ocorreu na Idade da Pedra, há mais de 700 mil anos. O homem 
Paleolítico vivia basicamente da caça, tendo nos animais a carne que os alimentava e a pele para vestir-se. Eles 
eram nômades, dependendo dos animais para se alimentar. Assim, quando os animais migravam de um lugar para 
outro, os homens também o faziam. Nestas condições, uma tribo poderia querer uma região onde já existisse outra 
tribo; nascia então a guerra, tão velha quanto o homem. Socialmente, o homem organizou-se em tribos, estando as 
mulheres encarregadas dos trabalhos e o homem, da caça e da guerra. 
No período Mesolítico observou-se um período de transição, no qual o homem aprendeu a domesticar 
alguns animais como: cão, boi, carneiro e porco; o que modificou gradativamente a sua vida. Nesta civilização 
pastoril, o homem não mais precisava sair ao acaso, em busca da caça, pois os animais estavam perto de si, tendo ao 
seu alcance: carne, leite, chifres, pele, gordura, em fim: o que precisasse. Desta forma, as andanças humanas se 
reduziram à procura de boas pastagens. 
Assim, parados em um determinado lugar, criando seus animais, o homem observava a natureza (uma 
semente lançada ao acaso, crescia e dava frutos; nos lugares onde havia esterco, a planta crescia mais rápido e era 
mais forte). No Período Neolítico, apareceu a Agricultura, com a aplicação da tração animal. 
 
2. ZOOTECNIA 
 
2.1. ZOOTECNIA COMO ARTE DE CRIAR 
A criação dos animais domésticos foi uma das primeiras realizações do homem primitivo, com a 
finalidade de satisfazer o Totemismo, a nutrição e proteger-se contra o frio. O primeiro contato pacífico do homem 
com os animais, foi criá-lo com intuito religioso. Por outro lado, a medida que os alimentos foram escasseando 
(frutos silvestres, caça e peixe), o homem primitivo começou a criar os animais para o seu sustento. A Arte de Criar 
apareceu com as primeiras necessidades da humanidade. No seu evoluir, a criação do gado passou primeiro por uma 
típica e fatalmente empírica fase e depois entrou em uma fase científica, na qual hoje se encontra, ou melhor 
dizendo, fase técnica de caráter científico. 
 
2.2. ZOOTECNIA COMO CIÊNCIA DE CRIAR 
Com a instalação do Instituto Agronômico de Versailles em 1.840, graças ao Conde de GASPERIN, a 
criação de animais domésticos começou a ser considerada como um ramo à parte, considerando-se a parte agrícola 
e a criação. Desligou-se assim da agricultura, constituindo assim um corpo independente de doutrinas, as quais 
GASPARIN batizara como Zootecnia, tirando este nome do Grego: 
 
ZOON → ANIMAL 
TECHNÊ → ARTE 
 
Este conceito foi utilizado pela primeira vez em seu livro denominado: “COURSE 
D’AGRICULTURE”. Até esta época a criação estava mergulhada no mais completo empirismo e, não havia 
nenhum corpo de doutrinas a guiá-la. 
Todos os tratadistas ao se referirem à Arte de Criar, faziam-no relatando a prática dos pastores das 
regiões que estudavam. A literatura desta época está cheia de obras que ensinavam a criar e cuidar dos animais 
domésticos, obras que não eram mais que um conjunto de regras empíricas, na maioria das vezes sob a forma de 
conselho, tratando da higiene, alimentação, descrição das espécies, tangenciando o modo de reprodução das 
mesmas. 
Epicarnos, em 540 A.C. o mais antigo autor de livro tendo como tema os animais domésticos, com o 
seu Tratado de Medicina Veterinária e Higiene do Gado; Heródoto com sua História; Xenofonte com sua 
Equitação; Aristóteles com sua História dos Animais; Magon de Cartago, considerado pelos autores latinos como o 
Pai da Agricultura, no seu livro fala sobre Agricultura e Animais Domésticos. 
Com Baudement (1.849), pode-se admitir, em fim, que nasceu a Zootecnia, com um corpo de 
Doutrinas carentes de uma base científica. No seu livro “Os Animais Domésticos São Máquinas” escreveu não no 
sentido figurado da palavra, são máquinas que dão serviços e produtos. Os animais são máquinas que consomem 
e se movem, produzem leite, carne e força. 
Como vimos a Arte de Criar Animais é remota, e a Ciência, relativamente nova. Até Baudement 
reinava o empirismo daí em diante, a Zootecnia deixa de ser apenas a Arte de Criar que se aprendia na lida com os 
animais, para ser também uma Ciência aplicada que deve ser aprendida nos livros e o animal doméstico passa a ser 
observado e submetido a experiências do domínio da Biologia. 
Claude Bernard considerou a Zootecnia como uma Zoologia Experimental, sendo assim; devemos 
 
 
6 
 
aprendê-la com o manuseio dos livros, que contém as observações e experiências de laboratório, submetendo os 
animais a ensaios biológicos, cujos resultados devem constituir o ensinamento para o criador, para explorar os 
mesmos, observando os vários meios de criação. 
Observar e Experimentar são os dois caminhos para tornar a Zootecnia uma ciência. 
A Zootecnia é uma ciência quando investiga por meio da observação e experimentação os fenômenos 
biológicos que se passam com os animais domésticos explorados pelo homem, em determinado ambiente natural 
e/ou artificial. 
É Arte quando o homem utilizando tais princípios teóricos cria o animal e orienta sua produção e 
multiplicação, disso auferindo lucros. 
Como ciência aplicada, temos a Zootecnia Geral que estuda o animal, a raça, a espécie, as leis que 
regem as variações e a transmissão genética dos atributos étnicos e os econômicos, os princípios da Bromatologia, 
etc., enfim, um conjunto de princípios biológicos que devem fornecer ao homem os meios de fazer o animal 
produzirem e melhorar a sua produção. 
Como Arte, temos a Zootecnia Especial ou Especializada, cujo interesse é a exploração econômica 
de determinada espécie animal, mediante regras tiradas daqueles princípios teóricos gerais e da própria experiência 
realizada na exploração zootécnica destes animais. 
 
2.3. CONCEITOS DE ZOOTECNIA 
 
- Baudement (1.848 - 1.849) – É o estudo da exploração dos animais domésticos pela Indústria Agrícola; 
 
- Cornevin (1.891) - Parte da história natural que trata dos animais domésticos; 
 
- Sanson - É a ciência da produção e exploração das máquinas vivas; 
 
- Raquet - É a parte da história natural que trata dos animais domésticos e ensina os princípios a seguir para 
produzi-los e explorá-los com proveito. 
 
Como conceito mais moderno de Zootecnia temos: “É a ciência que trata da Exploração Econômica 
dos Animais Domésticos num ambiente Natural e/ou Artificial”. 
 
 
2.4. OBJETIVO DA ZOOTECNIA 
Como já vimos a Zootecnia como Arte de criar, utiliza-se de princípios teóricos para criar e orientar a 
produção, tanto quanto a multiplicação dos animais domésticos. Assim, dentro do grande objetivo da Zootecnia, 
que é o Lucro. 
Para esta ciência toda a exploração tem que ser lucrativa, produto disso são os cruzamentos que têm 
levado à exploração econômica da criação de suínos, produção de leite, produção de ovos, cavalos de corrida, etc. 
 
2.5. OBJETO DA ZOOTECNIA 
O Objeto da Zootecnia é, sem dúvida, o Animal Doméstico. 
 
2.6. RELAÇÃO DA ZOOTECNIA COM OUTRAS CIÊNCIAS 
A Zootecnia não é uma Ciência Pura, já que necessita do concurso de outras, Ciências para alcançar 
seu objetivo. 
 
- Biologia - para compreender tudo o que se relaciona com a vida do animal; 
- Nutrição Animal - para o estudo da formulação de rações para a alimentação animal; 
- Bioquímica - para atender aos processos bioquímicos que ocorrem nos animais; 
- Ecologia - para o estudo do meio ambiente; 
- Agronomia - para o estudo do solo; 
- Forragicultura - para o estudo das pastagens a serem usadas na alimentação; 
- Matemática - para o registro e análise das provas de desempenho; 
- Estatística– para estudar, analisar e correlacionar o comportamento dos fenômenos da produção; 
- Agro-Climatologia - para o conhecimento dos elementos com os quais se possa estabelecer a seleção 
dos animais e do meio ambiente. 
 
2.7. DIVISÃO DA ZOOTECNIA 
A Zootecnia se divide em duas grandes partes: 
 
 
 
7 
 
1 - Zootecnia Geral 
 
2 - Zootecnia Especial 
 
2.7.1. ZOOTECNIA GERAL 
 
Na Zootecnia geral estudamos os animais domésticos como seres vivos que: 
 
A - Sofreram uma evolução e passaram por um processo de domesticação; 
 
B - Apresentam características muito próprias de natureza étnica e zootécnica; 
 
C - Que se deixam influenciar, como todos os seres vivos, pelos diversos fatores ambientais (clima) e artificiais 
(regulados pelo homem: alimentação e ginástica funcional produtiva); 
 
D - Se reproduzem conforme as leis da hereditariedade e, portanto, são sujeitos a sofrerem melhoramento genético 
ou racial. 
 
2.7.2. ZOOTECNIA ESPECIAL OU ESPECIALIZADA 
 
O estudo particulariza-se e se torna objetivo. Estudamos aqui, cada espécie em particular. Atende-se 
aos processos e regimes de criação variáveis com a finalidade de exploração e destino dos produtos, qualidade dos 
animais a multiplicar, etc. Temos assim, a zootecnia de cada espécie. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. O ANIMAL DOMÉSTICO 
A palavra “doméstica” vem do latim Domus que significa casa. Isto lembra logo que os animais 
domésticos são aqueles que vivem em casa, sob o domínio do homem. Em uma definição simples, animal 
doméstico é aquele criado e reproduzido pelo homem, em estado de cativeiro e mansidão natural, com a finalidade 
de obter dele, uma utilidade ou um serviço. KILLER (1.909 - 1.913) define os animais domésticos: como aqueles 
que contraíram com o homem uma simbiose durável e que, por ele utilizados com determinada finalidade 
econômica, reproduzem-se indefinidamente nestas condições, sendo ainda objeto de uma seleção artificial 
passageira ou contínua. Conclui-se que o animal doméstico é aquele que satisfaz à definição: 
 
“Ser criado e reproduzido pelo homem, viver em cativeiro e em estado de mansidão, 
devido a uma tendência natural para ser amansado e oferecer uma utilidade ou prestar um 
serviço.” 
 
Assim o papagaio, o macaco e a cotia, não pode ser incluído no grupo dos bois, cabras, carneiros, 
galinhas, etc. Na verdade, são mansos, vivem com o homem, podem ser ensinados como é o caso das focas, 
elefantes e demais animais de circo, mas, nunca domesticados. Estes animais quando soltos retornam à vida 
selvagem. 
 
 
Apicultura Abelha 
Avicultura Aves 
Bovinocultura Boi 
Camicultura Camarão 
Canicultura Cão 
Caprinocultura Cabra 
Cunicultura Coelho 
Eqüinocultura Eqüino 
Felinocultura Gato 
Ovinocultura Ovelha 
Piscicultura Peixe 
Ranicultura Rã 
Serecilcultura Bicho da seda 
Suinocultura Suíno 
 
 
8 
 
3.1. IMPORTÂNCIA DO ANIMAL DOMÉSTICO 
 
Segundo Phillips (1.962), a domesticação dos animais e o cultivo das plantas, ocorreram no mesmo 
nível das grandes invenções que permitiram o progresso da humanidade, como a descoberta do fogo, invenção da 
roda hidráulica, eletricidade e, finalmente, a fissão nuclear de nossos dias. Segundo este autor, é com o animal 
doméstico que o homem se alimenta, transporta-se e transporta seus produtos e mercadorias, lavra a terra e com a 
pele fabrica sapatos e casacos. Ele é motivo de afetividade e divertimento. 
 
3.2. FASES DA DOMESTICAÇÃO 
São três as fases ou estados de domínio do homem sobre os animais domésticos: 
 
A - Estado de Cativeiro; 
B - Estado de mansidão; 
C - Estado de Domesticidade. 
 
A - ESTADO DE CATIVEIRO 
É a fase mais inferior do domínio do homem sobre os animais domésticos. Aqui, o homem mantém o 
animal preso e dele não aufere lucro ou serviço. É o caso dos animais selvagens mantidos em gaiolas como material 
de estudo ou embelezamento (aves e mamíferos dos parques e jardins zoológicos). 
 
B - ESTADO DE MANSIDÃO OU AMANSAMENTO 
É a fase ou estado de convivência pacífica entre o animal e o homem. Muito próximo à 
domesticidade. Neste estado os animais já prestam serviços inestimáveis, embora não sejam domésticos. O elefante 
da Índia e África puxa toras, mas, sua biologia não lhes permite passar para o real estado de domesticidade. 
Atualmente já se consegue a reprodução desta espécie animal em cativeiro. 
 
C - ESTADO DE DOMESTICIDADE 
É o estado de simbiose em que se encontram os animais e o homem. Chama-se de domesticação ao 
ato de tornar domésticos os animais selvagens. Neste estado os animais vivem voluntariamente presos ou quase são 
naturalmente mansos e presta serviços, de tal forma que, sem eles seria difícil a vida do homem civilizado. 
 
Segundo Wilkens (1888) podemos distinguir duas fases de domesticação: 
 
1 - Fase Primária - Também chamada de remota que ocorreu na Pré-história. 
 
2 - Fase Secundária - Também chamada de recente já em plena civilização e diz respeito às espécies de menor 
importância. Ex: Abelha, pato, galinha, avestruz, faisão e coelho. Estes animais são 
chamados semi-domésticos. 
 
O Estado de Semi-Domesticidade é o estado transitório de certas espécies que, pelo seu 
comportamento, não podem ser considerados completamente como domésticos. É o caso do Búfalo e Rena, que 
voltam ao estado selvagem com relativa facilidade. 
 
3.3. COMO SE DEU A DOMESTICAÇÃO 
As teorias ou hipóteses que tentam esclarecer como se deu a domesticação dizem que: “O homem 
primitivo” que vivia no meio dos animais, produto de sua evolução, parece que aprisionou primeiramente os 
animais por distração e tudo leva a crer que também por motivo religioso (Saint-Hilarire & Hahn), posteriormente é 
que se fez por motivo utilitário. 
Wilfordd, C. (1.958) acreditava que, de qualquer forma, a domesticidade parece estar estreitamente 
ligada ao misticismo e a religião, com sacrifício de animais, como oferenda aos deuses, fornecendo carne para os 
banquetes cerimoniais. 
O primeiro emprego com fim utilitário foi quando o homem auxiliou-se do cão para a caça de outras 
espécies. Depois, dominou animais herbívoros para auxiliá-lo no transporte e na alimentação, quando a caça e o 
peixe já se tinham tornado escassos. 
Segundo Hipócrates, tudo parece indicar que a domesticação se deu de forma pacífica. Isto se apóia 
no fato conhecido de que os animais , quando surpreendidos pela primeira vez pelo homem, não se perturbavam, 
nem se afugentavam. Isto serve para provar que o homem primitivo deveria ter vivido em contato com as espécies 
hoje domesticadas, ainda quando em estado selvagem, não tendo sido preciso usar de meios violentos para mantê-
los em cativeiro, segundo a nossa premissa porque, provavelmente, não tinham manifestado medo dele, nem fugido 
do seu convívio. As caçadas, matanças e depredações é que fizeram nascer, nos animais, o receio e medo do 
 
 
9 
 
homem. 
Segundo Darwin, os mamíferos e as aves que têm sido pouco molestados pelo homem, não temem 
aos outros animais que vivem no mesmo habitat, pois já estão acostumados com sua presença. Outra hipótese sobre 
o processo de domesticação diz que houve o emprego da força e da violência, mas nunca da brandura para o 
aprisionamento, amansamento e domesticação dos animais, hoje domesticados. 
 
3.4. ATRIBUTOS DO ANIMAL QUE SE TORNOU DOMÉSTICO 
As condições próprias de todos os animais domésticossão: 
A – Sociabilidade; 
B - Tendência Hereditária à Mansidão; 
C - Conservação da Fecundidade em cativeiro. 
 
A - SOCIABILIDADE 
É uma característica própria dos animais que vivem em domesticidade que, com exceção dos gatos, 
manifestam sempre predileção pela vida em companhia, em bandos. Os animais sem esta qualidade se mostram 
rebeldes à domesticação. É o fato de serem sociáveis que determinou a aproximação ou, pelo menos, facilitou. 
 
B - TENDÊNCIA HEREDITÁRIA À MANSIDÃO 
É um atributo que essas espécies apresentam, mas, quando hereditária, são encontrados indivíduos 
mais mansos que não transmitem essa qualidade a sua descendência. Ex: Rena, búfalo e tigre. 
A mansidão, sendo resultado desta tendência hereditária, é um atributo que participa da condição de 
ser, em parte, adquirido no processo de criação do animal e que por isso deixa de se manifestar em certas 
circunstâncias. Ex: a abelha lhe falta mansidão já que ferra quem dela se aproxima. 
 
C - FECUNDIDADE EM CATIVEIRO 
Para o êxito da domesticação foi preciso que as espécies domesticadas conservassem a qualidade 
reprodutiva. Sem isso, não haveria o aumento da população dos animais em domesticidade. 
 
3.5. EFEITOS DA DOMESTICAÇÃO E COMO SE MANIFESTAM 
A diferença entre espécies domésticas e selvagens é muito grande: 
 
- Os animais selvagens estão sujeitos à seleção natural enquanto que, em domesticidade, a influência que sofrem 
é dirigida pelo homem (artificial), que deve ter efeito multiplicador, preferentemente: os mais úteis, os mais 
redondos, mais do seu gosto e que, mais de pronto, se adaptem às suas necessidades. Essa seleção, 
inicialmente, deve ter sido dirigida no sentido da escolha dos animais mais dóceis, mansos e domesticáveis; 
 
- As defesas dos animais selvagens se tornaram inúteis ou até nocivas na domesticidade, havendo atenuação ou 
desaparecimento total. Ex: chifres, unhas e dentes. A abelha constitui uma exceção, pois não perdeu o ferrão 
visto que sua reprodução só foi possível mais recentemente e vem sendo dirigida pelo homem. Ex: A abelha 
italiana é mais dócil e de maior produtividade; 
 
- O porte e o volume que eram uniformes nas raças primitivas hoje são variados até dentro da mesma Raça; 
 
- Os animais modificaram o seu esqueleto ficando, em geral, com ossos mais curtos e espessos, relativamente 
finos, com saliências articulares atenuadas; 
 
- A constituição do animal selvagem é, geralmente, rústica. O animal doméstico já possui uma constituição seca 
ou mesmo débil. No caso do animal selvagem, é o ambiente que regula as funções em sua influência ou em sua 
mansidão. No animal doméstico, como sabemos, houve especificação de funções e a ação do meio é 
atenuadora, já que pode ser regulada pelo homem. Ex: Sala de ordenha com música, etc; 
 
- A prolificidade é bem maior nas espécies domésticas. A galinha passou de uma postura de 15 ovos para duas a 
três centenas, também em períodos maiores. O coelho constitui uma exceção, pois se mostrou mais prolífico 
quando em estado selvagem. Há espécies influenciadas em cativeiro (Elefante). As espécies selvagens de 
mamíferos mostram, geralmente, cio estacional (primavera), no entanto, em certas espécies, ele aparece durante 
todo o ano (bovinos, ovinos, caprinos, suínos, etc), fugindo à influência direta do clima. Caso particular é o 
marreco (Anas boschas) que era monógamo e passou a ser polígamo em domesticidade (3 a 4 fêmeas por 
macho). A aptidão leiteira da cabra e vaca e a capacidade de postura das galinhas foram levadas a limites bem 
mais amplos do que poderiam prometer as espécies primitivas. 
 
 
 
10 
 
3.6. DIVISÃO DAS ESPÉCIES DOMÉSTICAS 
As espécies domésticas podem ser classificadas nos seguintes grupos ou classes: 
- Classe Mammalia - Classe Aves - Classe Insecta - Classe Pisces. 
Na primeira classe citaremos as espécies mais importantes e o maior numero delas. Nas aves, 
encontraremos poucas espécies domésticas, sendo, a galinha, a principal. Na classe Pisces, temos a carpa como o 
seu representante principal, não admitindo sua domesticidade. Na Classe dos Insectas contamos com os 
maravilhosos obreiros: Bicho da Seda e Abelha. 
 
3.7. NOMENCLATURA DAS ESPÉCIES DOMÉSTICAS 
CLASSE MAMMALIA 
1. Ordem PERISSODACTYLA 
1.1 Família Eqüidae Espécies Eqqus caballus Cavalo 
 Eqqus asinus Jumento 
2. Ordem ARTIODACTYLA 
A-Sub-Ordem Suiformes 
2.1. Família Suidae Espécies Sus domesticus Porco 
B-Sub-Ordem Tylophoda 
 Espécies Camelus bactrianus Camelo 
2.2.Família Camelidae Espécies Camelus dromedarius Dromedário 
 Espécies Lama glama Lhama 
 Lama pacos Alpaca 
2.3.Família Cervidae Espécies Rangifer tarandus Rena 
2.4.Família Bovidae 
2.4.1.Sub-Família Caprinae Espécies Capra hircus Cabra 
 Ovis aries Ovelha 
2.4.2. Sub-Família Bovinae Espécies Bos taurus Boi 
 Bos indicus Zebu 
 Buballus bubalis Búfalo 
3. Ordem CARNIVORA 
3.1.Família Felidae Espécies Felis domestica Gato 
3.2.Família Canidae Espécies Canis familiaris Cão 
4 Ordem LAGOMORPHA 
4.1.Família Leporidae Espécies Oryctolagus cuniculus Coelho 
5. Ordem RODENTIA 
5.1.Família Cavidae Espécies Cavia cobaia Gmlin Cobaia 
CLASSE AVES 
SUB-CLASSE Neornithes 
1. Ordem ANSERIFORMES 
 Anser domesticus Ganso 
1.1. Família Anatidae Espécies Anas boschas Marreco 
 Cairina moschata Pato 
 Cygnus olor Cisne 
2. Ordem GALLIFORMES 
2. 1. Família Phasianidae Gallus domesticus auct Galinha 
 Espécies Phasianus colchicus Faisão 
 Pavo cristatus Pavão 
2. 2. Família Penelopidae Espécies Meleagris gallopavo Peru 
3. Ordem COLUMBIFORMES 
3.3. Família Columbidae Espécies Columbia livia domestica Gm Pombo 
CLASSE PISCES ( * ) 
1. Ordem OSTARIOPHYSI 
1.1. Família Cyprinidae Espécies Cyprinus carpio Carpa 
 
 
11 
 
* Para alguns autores, estas espécies não devem ser consideradas como animais domésticos, embora sejam criados pelo homem. 
 
4. NOMENCLATURA DO EXTERIOR DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS 
 
Bovinos de corte (Bos indicus) 
 
 
4.1. ZEBÚS ( Bos indicus ) 
 
1 Inserção da cauda 13 Orelha 25 Cilhadouro 
2 Garupa 14 Chanfro 26 Costado 
3 Coxa 15 Ganacha 27 Prepúcio 
4 Anca 16 Barbela 28 Bainha 
5 Flanco 17 Espádua ou Paleta 29 Escroto 
6 Lombo 18 Peito 30 Perna 
7 Dorso 19 Braço 31 Jarrete 
8 Giba ou Cupim 20 Ante-Braço 32 Culote 
9 Pescoço 21 Joelho 33 Cauda 
10 Chifres 22 Canela 34 Vassoura da Cauda 
11 Marrafa 23 Boleto 35 Sobre-unha 
12 Fronte 24 Quartela 36 Casco 
 
 
 
 
12 
 
4.2. VACA DE LEITE (Bos taurus ) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 Inserção da cauda 13 Chanfro 25 Cilhadouro 
2 Garupa 14 Narina 26 Costado 
3 Coxa 15 Ganacha 27 Úbere 
4 Anca 16 Barbela 28 Tetos 
5 Flanco 17 Espádua ou Paleta 29 Casco 
6 Lombo 18 Peito 30 Sobre-unha 
7 Dorso 19 Braço 31 Jarrete 
8 Cernelha 20 Ante-Braço 32 Perna 
9 Pescoço 21 Joelho 33 Vassoura da Cauda 
10 Orelha 22 Canela 34 Nádega 
11 Chifre 23 Boleto 35 Cauda 
12 Fronte 24 Veias Mamárias 36 Ponta do Ísquio 
 
 
13 
 
4.3. SUÍNOS 
 
 
 
 
 
 
1 Focinho 11 Dorso 21 Perna 
2 Boca 12 Lombo 22 Boleto 
3 Mandíbula 13 Garupa 23 Cobre unha 
4 Papada 14 Cauda 24 Pé com unha 
5 Fronte 15 Barriga 25 Casco 
6 Olhos 16 Tetas 26 Pernil 
7 Orelhas 17 Flanco anterior 27 Canela 
8 Nuca 18 Costelas 28 Jarrete 
9 Cara 19 Flanco posterior 
10 Pescoço 20 Paleta 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
4.4. AVES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
 
5. TERMOSUSADOS EM ZOOTECNIA 
 
5.1. ESPÉCIE 
 
A - Conceito 
 
- BARON (1.888) considera que à mesma Espécie pertencem os indivíduos mais ou menos semelhantes entre si, 
ligados pela interfecundidade no espaço em que vivem e no tempo. 
 
- CUENOT (1.936) considera como definição clássica aquela que resulta duas coisas: 
 
 - Semelhança de formas; 
 - Fecundidade indefinida. 
 
Existem grupos específicos que fogem ora de um, ora de outro destes fundamentos de Espécie. 
 
Ex: O Jaguar (Panthera onça) e o Leopardo (Panthera pardus) duas espécies morfologicamente diferentes, 
vivendo, uma na América do Sul e outra na Ásia e África; são interfecundos e seus híbridos também. 
Ex: O Faisão Dourado (Chrysolopus pictus) e ou (Chrysolopus amherstiae) bem distintos morfologicamente, dão 
híbridos indefinidamente. O Búfalo (Bubalus bubalis) não é interfecundo com outras espécies como é o caso 
do Bos indicus e Bos taurus. A Notonecta glauca e a Notonecta furcata, dois hemípteros europeus, são 
infecundos entre si no Norte da Europa. 
 
 Desta forma, procurou-se estabelecer um critério para Espécie (CUENOT), embora artificial, em três 
bases: 
 
1 - Critério da Morfologia e Fisiologia, simbolizado pela letra M; 
2 - Critério da Ecologia e Distribuição Geográfica, simbolizado pela letra E; 
3 - Critério da Fecundidade Interior e Infecundidade Exterior, simbolizado pela letra I. 
 
Segundo este critério, uma espécie legítima seria aquela que apresenta a fórmula MEI. 
 
Outra divisão das Espécies foi realizada por DOBZHANSKY (1.943), dividindo-as em: 
1 - Simpátridas - Espécies que vivem no mesmo território; 
 
2 - Alopátridas - Espécies separadas Geograficamente. 
 
Temos ainda a classificação que separa as Espécies em Monogástricos ou não Ruminantes e 
Poligástricos ou Ruminantes. 
 
Monogástricos - Compreendem os animais que possuem somente um estômago. Ex: Aves, suínos, eqüinos e 
carnívoros. Estudaremos no nosso curso os suínos e as aves. 
 
 
 Aparelho Digestivo das Aves 
O aparelho digestivo das aves é formado de bico, boca, faringe, esôfago, papo, pró-ventrículo, moela, 
intestino delgado (duodeno, jejuno e íleo), intestino grosso (ceco, cólon e reto) e cloaca. 
O bico das aves funciona como órgão tátil que exerce função na apreensão e identificação dos 
alimentos. Na boca das aves observamos a língua que é uma estrutura córnea (endurecida). Após a boca 
encontramos a faringe, órgão comum ao aparelho digestivo e respiratório. Em seguida temos o esôfago que é um 
tubo curto que liga a boca ao pró-ventrículo. No esôfago observamos uma dilatação que recebe o nome de papa. A 
principal função do papo é reservar e umedecer os alimentos. O esôfago das aves não apresenta movimentos 
peristálticos daí as aves terem que erguer a cabeça para que os alimentos, por gravidade, desçam para o pró-
ventrículo. 
O Estômago das aves possui duas partes distintas e separadas por uma constrição. Consistem em um 
pequeno pró-ventrículo cranial (estômago glandular) e um grande estômago muscular que se chama moela. 
O estômago glandular ou pró-ventrículo é um órgão alongado que tem a função de produzir suco 
gástrico ácido e proteolítico que atua sobre o alimento para sua degradação. O estômago muscular (moela) é um 
grande órgão com o formato de uma lente biconvexa com parede muito grossa. A moela possui a função de 
trituração dos alimentos. 
 
 
16 
 
O intestino delgado das aves é formado por três partes: duodeno, jejuno e íleo. Neste compartimento 
ocorre absorção de nutrientes. O intestino grosso é formado por ceco, cólon e reto. A principal função do intestino 
grosso é a absorção de água e eletrólitos. As aves possuem dois cecos funcionais e é um local onde ocorre 
fermentação microbiana. 
No final do aparelho digestivo das aves temos a cloaca. A cloaca é uma estrutura comum ao aparelho 
digestivo, urinário e reprodutor. 
 
 Aparelho Digestivo dos Suínos 
O Aparelho Digestivo dos Suínos é representado por um tubo muscular longo, polimorfo que tem 
início na boca e termina no ânus, sendo revestido internamente, em toda a sua extensão, por uma membrana 
mucosa. 
Quanto ao aparelho digestivo os suínos são classificados como monogástricos, com ceco simples e 
não funcional. O estômago é pequeno, o que lhes permite uma pequena capacidade de armazenamento de 
alimentos e síntese de nutrientes. Por não digerirem as fibras, estes animais devem receber em sua dieta, alimentos 
concentrados, com pouca fibra. 
Os órgãos que participam no processo digestivo dos suínos são: Boca, Faringe, Esôfago, Intestino 
Delgado (Duodeno, Jejuno e Íleo), Intestino Grosso (Ceco, Cólon e Reto), Fígado, Vesícula Biliar e Pâncreas. 
 
As principais funções da boca dos suínos são: 
 
- Apreensão dos alimentos; 
- Mastigação doa Alimentos; 
- Insalivação e; 
- Formação do bolo alimentar. 
 
Os Suínos são animais difiodentes isto é, possuem duas dentições. 
- Dentes de Leite = 32 dentes; 
- Dentes Permanentes = 44 dentes. 
 
Os dentes são responsáveis pela mastigação e quebra dos alimentos para diminuí-los em partículas 
menores e permitindo a maior ação das enzimas sobre os mesmos. A língua é um órgão muscular grosso e 
móvel, onde são encontradas diversas papilas: filiformes, fungiformes, foleadas e circunvaladas. Todas elas 
possuem botões gustativos que são responsáveis pela percepção do sabor dos alimentos. 
Durante a mastigação os alimentos sofrem a ação da saliva, proveniente das glândulas parótidas, 
mandibulares e sublinguais. Uma das principais funções da saliva é o umedecimento dos alimentos, lubrificando-
os e protegendo as paredes do tubo digestivo. 
A Faringe é a continuação da boca. Nela se cruzam as vias respiratórias e digestivas. Quando 
ocorre a deglutição, a glote obstrui a faringe impedindo a passagem do alimento para as vias respiratórias e 
possibilitando a entrada do alimento na traquéia. Da faringe o bolo alimentar passa para o esôfago. 
O Esôfago se encontra situado do lado esquerdo da traquéia, e segue o seu cominho até o tórax. 
Passa pelo diafragma, entra na fenda esofágica do diafragma e desemboca no estômago. A principal função do 
esôfago é ligar a faringe ao estômago. 
Possui movimentos peristálticos que forçam a passagem do bolo alimentar em direção ao 
estômago. Na união do esôfago com o estômago existe uma estrutura muscular, denominada esfíncter, chamada 
cárdias, que tem como função impedir o retorno do alimento do estômago para a boca, em condições naturais. 
Isto só ocorre em caso de vômito. 
O estômago é uma dilatação do aparelho digestivo. É um órgão amplo e elástico, intercalado entre 
o esôfago e o intestino delgado, que recolhe os alimentos triturados e os encaminha pouco a pouco para o 
intestino delgado. 
 
No estômago podemos observar três regiões distintas: 
 
1 - Entrada = Cárdias (ligada ao esôfago); 
2 - Fundo = Região das glândulas gástricas; 
3 – Saída = Piloro (ligada ao duodeno). 
 
O Intestino Delgado é o segmento contíguo ao estômago e é fino daí, ser chamado de Intestino 
Delgado. Compõe-se de três partes: Duodeno, Jejuno e Ílio. No começo do duodeno, encontramos o canal 
colédoco, por onde é liberada a Bílis. No duodeno também é liberado o suco pancreático. Nos suínos a absorção 
de nutrientes é principalmente feita pelo Jejuno. 
 
 
17 
 
O Intestino Delgado liga-se ao Intestino Delgado através do Ílio e é constituído também de 3 
partes: Ceco, Cólon e Reto. 
O Pâncreas é uma Glândula acessória que secreta o Suco Pancreático e a Insulina. O Suco 
Pancreático é composto de três enzimas proteolíticas: Tripsina, Quimiotripsina e Carboxipeptidase. A função 
destas enzimas é: o ataque e desdobramento das proteínas, lipídios e o amido.O Fígado é a maior Glândula de nosso organismo. É o responsável pela produção da Bílis, que tem 
como função a emulsificação das gorduras. 
Os animais diferem entre si, pela maneira como apreendem os alimentos. A vaca usa, 
principalmente a língua enquanto o cavalo usa o lábio inferior e os suínos usam a língua, lábio inferior e dentes. 
A quantidade de alimentos ingerida é controlada por um desejo chamado fome e o centro 
controlador da sensação de fome está localizado no Hipotálamo. Quando o animal fica muito tempo sem comer o 
seu estômago apresenta contrações rítmicas, denominadas contrações da fome. Havendo diminuição do nível de 
açúcar no sangue (glicose), o animal procura comer. 
 
A - Mastigação 
O processo de mastigar tem a finalidade de reduzir mecanicamente as partículas maiores em 
menores, aumentando assim a superfície dos alimentos para que haja um maior ataque enzimático. 
 
B - Deglutição 
Consiste na passagem do alimento pela boca e posterior encaminhamento para outras partes do 
aparelho digestivo. Este ato possui três estágios: 
 
1 - Estágio voluntário: A língua ajuda a empurrar o bolo alimentar em direção à faringe; 
 
2 - Estágio faringeal: É um estágio automático. As narinas e a laringe se fecham enquanto o esôfago se abre para 
dar passagem aos alimentos. 
 
3 - Estágio esofageal: É também um estágio automático. Possui movimentos peristálticos que ajudam o 
transporte do bolo alimentar ao estômago. 
 
Quanto mais rápida for a passagem do alimento ao longo do tubo digestivo, menor será a absorção 
dos alimentos. Rações fareladas levam maior tempo para serem eliminadas do que rações mais finas. Alimentos 
úmidos passam mais rapidamente pelo tubo digestivo do que alimentos secos. 
 
 Aparelho Digestivo dos Ruminantes 
Ruminantes são todos os animais que possuem o estômago dividido em 4 compartimentos: 
- Rúmen ou pança; 
- Retículo; 
- Omaso ou Livro; 
- Abomaso ou Coagulador. 
 
A - Rúmen ou Pança. 
É o maior compartimento e ocupa a maior parte da metade esquerda da cavidade abdominal. Ele 
funciona como reservatório de alimentos é lugar de fermentação bacteriana e síntese de vitamina do Complexo B. 
 
B - Retículo 
Localiza-se cranialmente ao Rume, é piriforme e mais comprido. Está em contato com o diafragma, o 
qual, por sua vez, está em contato com o Pericárdio e com os Pulmões. Tem como função a captação de corpos e 
objetos estranhos (pregos, arames, pedras, etc.), os quais são engolidos em conseqüência da depravação do apetite 
por deficiência de minerais. 
 
C - Omaso ou Livro 
É de formato elipsóide e um tanto comprido entre suas faces parietal e visceral. É claramente 
separado dos demais compartimentos. A parte mais ventral está em contato com o assoalho abdominal. Tem como 
importante função, a trituração e desidratação dos alimentos. 
 
D - Abomaso ou Coagulador 
É um saco alongado que se situa, principalmente, no soalho abdominal une-se ao duodeno pelo 
piloro. Este é considerado o verdadeiro estômago dos ruminantes, daí que seja o compartimento mais desenvolvido 
quando nasce o animal, pois aí, está a região secretora de sucos, ácidos e enzimas proteolíticas que atuam sobre o 
 
 
18 
 
leite e outros alimentos. Na medida em que o animal cresce e deixa de ser lactente, este compartimento diminui e há 
o crescimento do Rume, estimulado pela ingestão de material fibroso e implantação de bactérias e protozoários. 
No Intestino Delgado ocorre, tanto nos ruminantes quanto nos monogástricos, a secreção da bílis 
(Fígado), através do canal colédoco, substância esta que tem como função a emulsificação das gorduras. No 
Intestino Delgado também ocorre a secreção da lipase, amilase, carboxipeptidase, enzimas importantes na 
degradação das gorduras (ácidos graxos e glicerol) e da proteína (proteoses, peptonas, peptídeos e aminoácidos). 
Esta última é a forma de absorção das Proteínas. 
 
5.2. RAÇA 
O termo Raça, no campo da Zootecnia, foi usado pela primeira vez por Olivier Desserres, no seu 
livro: Theatre de L’Agriculture, publicado em 1.600. Usava o termo Raça para se referir a determinada população 
de bovinos franceses. Posteriormente, em 1.672, é usado por um tratadista alemão, referindo-se a eqüinos. 
Anteriormente, a estas referências, cita-se Hipócrates, quem muito, remotamente, falou em raça, 
referindo a semelhança de indivíduos e da influência do meio ambiente sobre eles. 
 
5.2.1. Conceito 
Raça diz respeito a um conjunto de indivíduos pertencentes à mesma espécie, com origem comum, 
apresentando características particulares, inclusive atributos econômicos, que os torna semelhantes entre si, tanto 
quanto diferentes de outros agrupamentos da mesma natureza e que são capazes de gerar, sob as mesmas condições 
de ambiente ou semelhante, uma descendência com os mesmos caracteres morfológicos, fisiológicos e econômicos 
ou zootécnicos. 
 
5.2.2. Classificação das Raças 
A classificação das raças é realizada atendendo a dois aspectos: 
 
- Origem; 
- Influência do Meio Ambiente. 
 
A - Segundo a Origem 
Quanto à origem as Raças podem ser classificadas em: Raças Primitivas ou Naturais e Derivadas. 
 
Raças Primitivas ou Naturais 
São naturais de certas regiões e que se formaram por seleção natural e depois sofreram seleção 
artificial. Ex: Cavalo Árabe e Bovino Schwytz. 
 
Raças Derivadas 
Provém de outras Raças ditas primitivas ou naturais, por variedade ou cruzamento. Ex: Bovino Santa 
Gertrudes. 
As Raças Nativas ou Naturais podem constituir-se em nativas melhoradas, quando trabalhadas pela 
seleção artificial. Ex: Cavalo Nordestino, Jumento Nordestino, Carneiro Deslanado, Cavalo Mangalarga, Porco 
Pirapitinga e Porco Piau. 
 
B - Influência do Meio Ambiente 
De acordo com a Influência do Meio Ambiente, as Raças podem ser classificadas em: Mesológicas e 
Melhoradas. 
 
Raça Mesológica 
É aquela constituída de animais que foram, e são marcadamente influenciados pelo meio ambiente e, 
discretamente pelo homem. Ex: Cavalo Pantaneiro. 
 
Raças Melhoradas 
Em contraposição às mesológicas, são aquelas sensivelmente influenciadas pelo homem e cujas 
aptidões produtivas se expressam ao máximo, graças a intervenção dele em estabelecer ambiente favorável a essa 
expressão. Aqui, as funções produtivas, ultrapassam as necessidades do animal, cabendo essa sobra ao uso do 
homem. 
 
5.3. VARIEDADE 
Uma Raça quando espalhada numa área geográfica de determinada extensão, é provável que se 
formem agrupamento de indivíduos, mais ou menos isoladamente, que apresentam distinções sensíveis, de tal forma 
que permite diferenciá-los entre a Raça e os novos grupamentos. Essa variedade pode ser provocada ou mantida 
 
 
19 
 
pelo criador. Assim, as constituem dentro das Raças, as variedades, que podem ser chamadas de Sub-Raças. 
Na grande Raça de bovinos Holandesa, podemos encontrar três variedades: 
 
- Frísia ou Malhada de Preto (maior produção de leite); 
- Rootbond ou M.R.Y. (Mosa, Reno, Ysel) - Malhada de Vermelha com aptidão mista; 
- Groningem - Cabeça branca e corpo preto com predominância para corte devido sua conformação. 
 
Na Raça de Suínos Yorkshire, encontramos também três Variedades: 
 
- Large-White - de grande porte; 
- Middle-White - de médio porte; 
- Small-White - de pequeno porte. 
 
Nas Galinhas da Raça Plymouth Rock, temos duas Variedades: Branca e barrada. 
 
Assim, a formação de Raças e Variedades segue o mesmo princípio geral da formação das espécies: 
Variação Hereditária (espontânea ou proveniente da mistura de sangues diferentes), a Segregação Geográfica e a 
Seleção Natural ou Artificial. 
 
5.4. FAMÍLIA 
Segundo Zwaenepoel (1.922) a Família é constituídapela mãe e sua descendência direta. MARCO & 
LAHAYE coincidem com o primeiro autor. Martinolli (1925) define-a como sendo a descendência direta e colateral 
de um casal até a quarta geração. 
 
5.4.1. Conceito 
É o conjunto de descendentes diretos e colaterais de um casal até a 5ª geração. 
 
5.5. LINHAGEM 
É constituída ou são os indivíduos descendentes diretos de um genitor, macho ou fêmea, os quais 
devem apresentar, com notável fixidez, certos traços ou qualidades, que lhes foram legados por herança biológica, 
daquele antepassado comum. Para encabeçar a Linhagem, tanto podemos ter um reprodutor de sexo masculino 
como feminino. O mais comum, é o reprodutor macho, porque gerara muito mais descendente no mesmo espaço de 
tempo. Nos animais domésticos se fala em Linhagem pura, para estes ou aqueles caracteres fixos e puros nos 
descendentes diretos, partindo-se de determinado genitor. 
 
5.6. SANGUE 
Sob o ponto de vista Zootécnico, ao se falar em Sangue, se faz referência a parte hereditária, aquilo 
que é Herdado. Ex: Animais do mesmo sangue quer dizer que pertencem à mesma raça, descendem dos mesmos 
antepassados ou possuem antepassados comuns. Quando se fala em mistura de sangue, se faz alusão a um 
cruzamento de animais de raças diferentes. Puro sangue é o animal que só possui sangue de uma só raça. 
 
5.7. INDIVÍDUO 
É a unidade que não pode ser dividida. Os indivíduos nunca são totalmente iguais com outros da 
mesma Raça, Variedade ou Família. Cada um é portador de Herança Biológica diferente de seus antepassados. 
Mesmo entre irmãos existem maneiras de distingui-los, mesmo a raça seja fixa e homogênea. Somente nos gêmeos 
univitelinos é que verificamos identidade. Em uma comunidade de Indivíduos, bezerros da mesma idade, todos são 
parecidos, comportando as características da Raça. Da mesma forma que a criança, ao nascer, não apresenta 
semelhança nem com o pai nem com a mãe. À medida que se dá o crescimento, se acentuam as aparências com o 
pai ou com a mãe. Nos animais domésticos estas diferenças sofrem influência do trato (alimentação e manejo) 
próprios da criação. 
 
5.8. GENÓTIPO 
É a expressão que considera o Indivíduo segundo a sua Origem Genética ou Herança Biológica. 
 
5.9. FENÓTIPO 
É a expressão que compreende os caracteres raciais expressos somaticamente isto é, o que se vê (suas 
qualidades zootécnicas, sobretudo). 
 
 
 
 
 
20 
 
5.10.TIPOS 
 
5.10.1. TIPO ÉTNICO 
É o Tipo referente à Raça, não mais do que o Tipo Racial, a fisionomia, o conjunto dos caracteres 
exteriores e Hereditários de uma Raça. 
 
5.10.2. TIPO ZOOTÉCNICO 
Constitui uma expressão de exterior, designando uma conformação que corresponde a certa utilização 
do animal. Ex: Quando se fala em Tipo Leiteiro, refere-se à conformação do animal. Quando se fala em Tipo Carne, 
refere-se à conformação anatômica do indivíduo (massa muscular). Tipo de animal para corrida (animais de 
membros desenvolvidos, cujo trabalho explorado é a locomoção rápida). Tipo de Galinha para a postura de ovos 
(função oveira, com qualidades na coloração da casca do ovo). 
Segundo Pacci (1.947), tipo, nada mais é do que um Grupo Biológico com uma forma exterior sob a 
qual se modelam indivíduos de diversas origens, no entanto, caracterizados pela mesma atividade funcional. 
 
6. FIGURAS GEOMÉTRICAS OBSERVADAS NOS BOVINOS 
 
6.1. BOVINOS DE LEITE 
 O gado leiteiro, de forma geral, compreende indivíduos de Tipo Zootécnico de linhas finas e delicadas. O 
seu corpo acompanha o formato de cunhas e retângulos. Assim, de acordo com as posições com é olhado, 
apreciamos as seguintes figuras: 
 
VISTO DE LADO VISTO DE CIMA DE TRÁS PARA FRENTE 
 
Cernelha Cernelha 
  Asa do Íleo Asa do Íleo  
  
 
 
 
 ← Asa do Íleo 
 
 
 →Cernelha 
Aprecia-se pouca cobertura de massa muscular, levando ao formato de cunha. 
 
 
6.2. BOVINOS DE CORTE 
Em contraposição aos bovinos de leite, nos bovinos de corte observamos indivíduos corpulentos, 
corpo compacto e linhas redondas. Nos animais europeus, observamos forma cubóide. 
 
VISTO DE CIMA VISTO DE LADO VISTO DE TRAS 
 Asa do Íleo Cernelha  
  Asa do Íleo  
 
 
 Cernelha → 
 
 Asa do Íleo ← 
 
  
 
Cernelha 
 
 
 
 
 
 
 
 
21 
 
 
VISTO DE CIMA E DE LADO 
 
 
 Cernelha 
 Asa do Íleo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7. ATRIBUTOS EXTERIORES DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS 
Os Atributos que dizem respeito ao exterior dos animais, são os mais importantes na caracterização 
das raças, pois é mais fácil de serem distinguidas e de ser classificadas. Seu valor é intrínseco no caso de animais de 
utilização ornamental, nas Raças de luxo (função afetiva do animal), nos quais o que se procura é determinado 
exterior ou determinados atributos exteriores tais como: pelagem e plumagem. Seu valor é extrínseco, quando se 
procura por meio deles, descobrir ou determinar o valor econômico. 
 
Ex: 
Conformação leiteira - Relaciona o exterior do animal com a produção; 
Conformação de corte - Também relaciona o exterior com a produção. 
 
É pela pelagem ou coloração dos animais, pelos atributos como: conformação de certas regiões 
(cabeça, chifre, orelhas, crista e porte) que se descrevem as raças. Assim, certos atributos morfológicos dos animais 
domésticos são, muitas vezes, verdadeiras marcas de fábrica. No exame do exterior de um animal é preciso não 
confiar demais e, em cada caso, considerar a importância a ser conferida aos caracteres exteriores. 
 
7.1. Conformação 
É uma característica étnica de grande importância na divisão dos animais em Raças. As diversas 
regiões, em que se divide o animal, apresentam diferenças de conformação. 
 
Ex: 
- A cabeça pode ser de perfil côncavo ou convexo; 
- A marrafa pode ser alta ou baixa; 
- A garupa pode ser horizontal, inclinada ou oblíqua; 
- Os membros podem ser curtos ou longos. 
 
7.2. Porte 
O desenvolvimento do animal varia etnicamente,servindo até para separar os grupos raciais. 
 
Ex: O Suíno Yorkshire possui três variedades: grande, médio e pequeno. Atributo sensível do meio ambiente. 
 
O peso dos animais varia com o porte e, podemos distinguir três classes: 
 
- Animais Eumétricos Apresentam peso médio 
- Animais Hipométricos Apresentam peso abaixo da média 
- Animais Hipermétricos Apresentam peso acima da média 
 
Mais importante ainda, é o peso ao nascer e o peso à desmama, atributos de fundo hereditários, que 
variam conforme o indivíduo e a idade. Ex: Duroc Jersey e Hampshire. 
O peso ao nascer das primíparas (o peso das fêmeas) é menor que o das multíparas. As vacas mais 
pesadas geram bezerros mais pesados. 
Consideramos o peso ao desmame mais importante do que o peso ao nascer já que é o peso mais 
barato para os que vendem reprodutores. 
 
 
22 
 
O peso ao desmame depende de dois fatores importantes: 
 
- Carga genética do bezerro; 
- Capacidade criadeira da mãe (atributo hereditário), visto que o princípio é a lactação. 
 
7.3. Coloração e Pelagem 
 A cor dos animais é um atributo básico na distinção das raças, com poucas exceções. Não diferenciamos as 
raças de eqüinos por sua pelagem já que, uma determinada pelagem pode perfeitamente aparecer em diferentes 
Raças. Nas outras espécies animais ela é um caráter fixo e de marcada fixidez. 
 
Ex: Hereford (bovino de cor vermelha e cabeça branca); 
 Jersey (bovino amarelo fosco); 
 Yorkshire (suíno branco); 
 Leghorn (galinha branca); 
 Apaloosa (eqüino com diversas pelagens, mas com pequenas manchas na garupa e lombo); 
 Antílopes (manchas pretas na cabeça denotam agressividade); 
 Hamster (roedor que em posição de ataque mostra pelos pretos no ventre); 
 Carnívoros (pelagem branca no pescoço e ventre denota submissão - quando em desvantagem em brigas, 
deita-se em decúbito dorsal); 
 Cobra Coral (cor vermelha, amarela e preta demonstra veneno de caráter letal); 
 Anfíbios (os que possuem duas ou mais cores possuem princípios tóxicos no veneno); 
 Zebras (quando escondidas, dificultam sua localização para o predador); 
 Gazelas (pelagem branca facilita o deslocamento do rebanho à noite - refrata o calor); 
 Falsas corais (são exemplo de mimetismo). 
 
Trabalhos têm demonstrado que pelagens claras como a dos zebuínos refletem cerca de 22% do calor. 
Amarelo claro reflete 14%. Vermelho (bovino Santa Gertrudes) reflete 4% do calor. Preto (bovino Aberdeen 
Angus) reflete 2% de calor. As raças despigmentadas, que apresentam ausência de melanina, como é o caso dos 
suínos Landrace e Yorkshire, sofrem insolação e até o aparecimento de câncer de pele, em conseqüência da ação 
direta dos raios ultravioletas do sol sobre a pele desprovida de melanina. 
 
7.4. Pele, pelos e mucosas. 
A espessura da pele pode ser considerada uma característica Étnica. Em geral, as raças melhoradas 
possuem a pele fina, enquanto as raças rústicas possuem a pele grossa. Com tudo isso, há raças que conservam a 
pele grossa, apesar de melhoradas em suas funções produtivas. Ex: Raças bovinas Charolesa e Canchim. 
Anteriormente, pensava-se que a finura e untosidade da pele eram características de Raças destinadas 
à produção leiteira e mais, de leite gorduroso. Isto não foi confirmado experimentalmente. A frouxidão da pele quer 
dizer abundância de tecido conjuntivo e, portanto, com aptidão para engorda. Dentro das espécies domésticas, na 
subfamília dos Bovídeos, o Búfalo parece ter couro mais pesado (também mais grosso) do que o dos Bovinos. Esta 
observação foi realizada no matadouro de Belém, que dá para o Búfalo do Marajó, o peso de 49 Kg, enquanto que 
para os mestiços de zebu com outras raças, varia de 30 a 40 Kg. 
Os Zebuínos se caracterizam por apresentar uma pele cuja área é bem maior que a superfície corporal, 
parecendo ter sido talhada para um animal bem maior. Ela se mostra solta, formando dobras no pescoço e 
estendendo-se em forma de barbela até o umbigo. Worstell & Brody (1.953) verificaram que a área da superfície 
corporal do zebu é 12% maior que a do Jersey, quando comparamos animais como o mesmo peso corporal. A 
barbela do Zebu se mostra muito desenvolvida assim como o umbigo e a bainha dos machos. Isto parece favorecer 
a adaptação do animal ao clima quente e úmido dos trópicos, favorecendo a dissipação do calor, transpiração e 
dissipação pela pele, de modo mais eficiente, para agüentar as altas temperaturas. 
Outra diferenciação que se observa no couro é quanto ao número de glândulas sudoríparas. Segundo 
Kelley (1.932) e Yamane & Ono (1.936), os bovinos Zebuínos possuem maior número de glândulas sudoríparas, 
além de serem maiores e mais ativas. Dowlin (1.955) & Nay & Hay-Man (1.956) concluíram que o Zebu não só 
possui um maior numero de glândulas sudoríparas (cerca de 1,5% mais) do que o gado Europeu, como as mesmas 
são 2,5 vezes maiores e em forma de saco. Outra observação é que na barbela, são menos numerosas e ligeiramente 
menores do que no corpo. 
A coloração da mucosa, nas aberturas naturais ou mucosas visíveis, pode ser um caráter Étnico. 
 
Ex: - Raça Simental - Mucosa Clara; 
 - Raça Caracu - Mucosa Amarela; 
 - Raça Davon - Mucosa Rósea; 
 - Raça Holandesa - Mucosa Pigmentada ou Escura; 
 
 
23 
 
 - Raça Doberman - Capa Chocolate e Mucosa Rósea; 
 - Raça Hereford - Mucosa Rósea. 
 
A quantidade e dimensão dos pelos são atributos ligados a certas raças de modo característico. Temos 
como exemplo o cão dos esquimós e os que habitam a Cordilheira dos Andes: pelos longos, ásperos e duros. O 
coelho e o gato Angorá possuem o pelo longo e sedoso. A cabra Angorá possui pelos longos e crespos. O carneiro 
quando novo possui lã crespa e lisa quando adulto. 
Os chifres também constituem um atributo racial importante, seja pela sua ausência ou por sua 
variada conformação que apresentam certas Raças de Bovinos e Zebuínos. Como pontos opostos temos a raça 
Nativa Mocha (sem chifres) e a Junqueira (chifres desenvolvidos ao máximo). Nos bovinos Zebuínos é visível a 
diferenciação étnica por meio deles, apêndices córneos que se mostram bem diversos, quanto a sua implantação, 
direção e formas; nas raças Gir, Nelore, Guzerá e Indu-Brasil. Temos também a seção do chifre que varia 
hereditariamente: 
 
- Chifres de seção oval. 
- Cifres de seção circular. 
 
Enfim, encontramos chifres finos e curtos, finos e médios, médios e curtos além de grossos e longos. 
Existem chifres brancos com pontas escuras (Holandês), chifres claros com pontas afogueadas (Caracu) e chifres 
escuros (Raças Indianas). 
 
7.5. Plumagem das Aves 
A coloração da plumagem das aves constitui um elemento ou atributo de distinção étnica. Nas 
galinhas da Raça Leghorn, podemos encontrar as variedades: branca, perdiz, preta, etc. A Orpington possui as 
variedades branca, preta e amarela. Na Plymouth podemos encontrar as variedades branca e barrada. 
 
7.6. Orelhas 
Nas espécies domésticas, este atributo é de grande variabilidade, indo desde sua ausência até 
variações na dimensão e forma. Os Caprinos da Raça Nambi, se caracterizam por não possuírem orelhas. Nos 
Coelhos as orelhas medem de 12 a 14 cm. No caso da Raça Belier as orelhas são demasiadamente grandes, 
chegando a medir em torno de 69 cm de ponta a ponta. 
O Bovino da Raça Gir possui as orelhas grandes, encartuchadas e pendentes, que começam em forma 
de canudo, abrindo-se em boca de sino, terminando com uma dobra para dentro, formando o que se chama de 
gavião. O Bovino da Raça Guzerá tem a orelha grande e larga, acabanada, com a parte ventral voltada para dentro. 
O Bovino da raça Nelore possui orelhas menores em relação aos outros Zebuínos possuindo formato de concha e 
terminandoem ponta de lança. Nos suínos as orelhas são um atributo étnico, permitindo a distinção das Raças. 
Temos nestes, três tipos de orelhas: 
 
 Tipos de orelhas Formato 
Célticas Orelhas grandes e pendentes 
Ibéricas Médias com as pontas dobradas e caídas para frente 
Asiáticas Pequenas em pé ou quase em pé 
 
7.7. Crista 
É um Atributo Étnico que serve para diferenciar certas Raças e, ainda, Variedades: 
 
A - Crista Simples ou de Serra - Ereta no Galo e dobrada na Galinha; 
B - Crista de Ervilha - Reduzida a 3 ordens de glomérulos dispostos longitudinalmente ao eixo da cabeça; 
C - Crista de Rosa - Com base larga e cauda alongada, afilada para trás; 
D - Crista de Noz - Sua forma lembra uma amêndoa descascada; 
E - Crista Rudimentar ou Ausente - Como o nome indica, pode ser muito pequena ou não existir. 
 
8. RAÇAS DE AVES 
Existe uma grande quantidade de Raças de Aves, no entanto só nos preocuparemos com as mais 
exploradas no Brasil. 
 
8.1. Raça Leghorn Branca: 
Proveniente de galinhas Italianas ou Livornesas, criada possivelmente há mais de 2 mil anos. Foi 
introduzida e melhorada na Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha, Dinamarca, etc. Observa-se aqui, variedades 
 
 
24 
 
com pequenas diferenças, talvez devido a cruzamentos discretos ou a preferência do selecionador. 
 
A - Plumagem 
Branca pura isenta de qualquer cor. 
 
B - Cabeça 
De comprimento médio, inclinada e chata na parte superior ao em vez de redonda. Crista de serra, 
média, fina e com cinco pontas bem definidas, bem recortadas e sem torceduras. Bico médio e vigoroso, 
ligeiramente curvo e amarelo. Olhos grandes cheios e salientes. Barbela de tamanho médio, uniforme, sem pregas 
ou rugas, macia e redonda. 
 
C - Asas 
Grandes, bem redondas, mantidas sem cair. 
 
D - Costas ou Dorso 
Mais ou menos longos, moderadamente largos em toda sua extensão. 
 
E - Cauda 
Larga, cheia e bem aberta. Penas com boa espessura, formando um ângulo de 35º com o dorso. No 
galo a cauda é grande, bem aberta, com as penas caudais grandes e bem curvas. 
 
F - Peito 
Cheio, redondo e saliente. 
 
G - Coxas 
Moderadamente compridas no galo e de tamanho médio nas galinhas. Direitos quando vistos de 
frente. Dedos de comprimento médio, direitos e bem afastados. Canelas e dedos amarelos. Esta coloração, assim 
como a do bico, desaparece quando a ave se encontra em postura. 
 
H - Aptidão 
Especializada na postura de ovos brancos. É pequena e come pouco com relação a sua produção 
assim, o ovo custa menos para o produtor, em relação às outras Raças. Os ovos alcançam peso de 56 a 65 g. Sua 
carne é gelatinosa, pouca e com gordura amarela. A postura atinge de 230 a 260 ovos. Possui a variedade preta, 
amarela, prateada, vermelha, etc. 
 
8.2. Raça Rhode-Island-Red 
Raça criada em 1.845 no Estado de Rhode Island, na Inglaterra, através do cruzamento de galinhas 
locais rústicas com Shangais ou Cochinchinas e galos Malaios vermelhos. 
 
A - Plumagem 
Vermelho brilhante e uniforme, com a ponta das penas da gola e cauda pretas. O preto da plumagem 
em local não especificado, constitui defeito. 
 
B - Cabeça 
Média, horizontal e para frente. Bico médio, levemente curvo, córneo avermelhado. Olhos grandes, 
ovais e de cor castanho avermelhado. A crista é simples de serra, média e espessa na base, firme e ereta, podendo 
ser levemente flácida na fêmea em postura, com cinco pontas bem definidas, a da frente e a última são menores. 
Barbelas de tamanho médio, iguais, sem pregas ou rugas e brincos oblongos. Crista, barbela, face e brincos 
vermelhos brilhantes. 
 
C - Asas 
Bem dobradas, horizontais, de cor vermelho brilhante, nos encontros. 
 
D - Costas 
Largas, compridas, com as penas do manto abundantes e de comprimento médio, de coloração 
vermelho-vivo-brilhante. 
 
E - Cauda 
Na fêmea é curta, não muito aberta, fazendo um ângulo de 20º com o dorso, de coloração preta com 
exceção de duas penas superiores que podem ser orladas de vermelho. No galo o seu comprimento é médio, bem 
 
 
25 
 
arrumada, formando um ângulo de 30º com o dorso. 
 
F - Peito 
Largo, saliente, arredondado e vermelho vivo. 
 
G - Corpo 
Longo, profundo, com a quilha comprida, direita, alongando-se para frente com as penas unidas ao 
corpo. No ventre a cor das diversas regiões deve ser o mais uniforme possível. 
H - Patas ou Membros 
Apresentam coxas médias, cobertas de penas moles, tarsos e dedos de comprimento, médio, bem 
torneados, lisos, bem afastados entre si, carnudos, de rica coloração amarela ou córneo avermelhado. 
 
I - Aptidão e Qualidades 
Considera-se uma Raça mista, no entanto, quando se apura o desenvolvimento corporal, diminui-se a 
postura. Dentre as Raças mistas é a única que sob certas condições de seleção chegou a se igualar a Raça Leghorn 
na postura. Conforme o rebanho pode produzir de 180 a 240 ovos por período de postura. Os ovos são grandes, 
rosados ou pardos, coloração preferida do mercado. Choca muito raramente, permanecendo muito pouco tempo 
neste estado. É rústica e menos sujeita a variações meteorológicas. Os frangos produzem carne apreciada, mas sem 
a precocidade nem conformação dos frangos híbridos modernos para corte. 
 
8.3. Raça Plymouth Rock Barrada: 
É uma raça de origem americana, produto do cruzamento de galinhas caipiras dominicanas barradas 
com galinhas asiáticas, sobretudo as Cochinchinas, Bramas e Javas. 
 
A - Cabeça 
Relativamente grande, larga, de comprimento médio. Bico médio, relativamente curto, meio curvo e 
vigoroso nos galos. Olhos grandes e proeminentes, de cor castanho-avermelhados. Crista de textura fina, simples, 
relativamente pequena, firme e com cinco pontas bem definidas; a primeira e a última são menores, dando a 
aparência de ser semi-móvel. Barbelas médias, iguais, finas, ligeiramente arredondadas na parte inferior. Brincos 
oblongos, lisos, com 1/3 do comprimento da barbela. Face, brincos, crista e barbelas de cor vermelho vivo. 
 
B - Asas 
Médias, bem fechadas, com a parte anterior bem coberta pelas penas do peito. No galo, cobertas pelo 
manto da cauda. 
 
C - Dorso 
Comprido, largo em todo o seu comprimento, chato em nível das espáduas. 
 
D - Cauda 
Comprimento médio, bem aberta; formando ângulo de 20º com o dorso nas fêmeas e, ligeiramente 
aberta formando ângulo de 30º no macho, com plumagem abundante. Nos galos as penas grandes caudais são bem 
curvas. 
 
E - Peito 
Largo, ligeiramente saliente e arredondado. 
 
F - Corpo 
Comprido, ligeiramente profundo e cheio. Quilha longa e revestida de abundante plumagem. 
 
G - Patas 
Coxas de tamanho regular, bem cobertas de penas moles, tarsos médios em comprimento, vigorosos, 
lisos, amarelos e separados. Dedos de tamanho médios e bem abertos. 
 
 
H - Plumagem 
Branca acinzentada, cada pena cruzada por barras regulares, estreitas, paralelas, da mesma largura, 
bem definidas, de cor quase negra com fundo branco. As combinações das barras claras e escuras dão, ao conjunto, 
um tom azulado. Possui as variedades: branca, preta, amarela, perdiz, azul, etc. 
 
 
 
 
26 
 
I - Aptidões e Qualidades 
É uma ave mista, ótima poedeira, tem tendência a engorda, o que se observa após o primeiro período 
de postura. A carne é amarela, muito apreciada no interior. A postura é comparada a da Rhode-Island-Red, assim 
como os ovos em tamanho e cor. A variedade branca foi bastante melhorada para o corte assim, constitui a principal 
raça usada nos cruzamentos com a Cornish para a obtenção dos atuais híbridos para corte. 
 
8.4. Raça New-Hampshire: 
Esta Raça leva o nome do Estado Americanoonde recebeu o seu aperfeiçoamento. Provém da Raça 
Rhode-Island-Red, da qual constituía, a princípio, uma Variedade. Tudo parece indicar a existência de cruzamentos 
na sua formação. A partir de 1.935 foi reconhecida como Raça. 
 
A - Plumagem 
Castanha dourada, brilhante, uniforme, com a ponta da gola e cauda pretas. Constitui defeito a 
presença do preto e branco na plumagem em local não especificado. 
 
B - Cabeça 
Média, horizontal para frente. Bico médio, levemente curvo, córneo avermelhado. Olhos grandes, 
ovais e castanhos. Crista média, de serra, espessa na base, firme e ereta, podendo ser levemente flácida nas fêmeas 
em postura, com cinco pontas bem definidas, a da frente e a última são menores. A crista, barbela, face e brincos 
são vermelhos brilhantes. 
 
C - Asas 
Bem dobradas, horizontais, de cor brilhante, castanho vermelho no encontro. 
 
D - Costas 
Largas, compridas na horizontal, no galo com leve inclinação em curva até a cauda, com as penas do 
manto abundantes e de comprimento médio, coloração castanho-vivo, brilhantes no macho. 
 
E - Peito 
Largo, comprido, arredondado, saliente e castanho vivo no galo. 
 
F - Corpo 
Largo, profundo e comprido, com perfil de tendência triangular. Quilha comprida, direita, alongando-
se para frente. Ventre com penas moles, não muito abundantes. A cor interna deve ser pardo-amarela. 
 
G - Patas 
Coxas médias, cobertas de penas moles. 
 
H - Aptidões e Qualidades 
É uma Raça mista para produção de frango e ovos. Conseguiu desbancar as suas concorrentes 
anteriormente descritas. Teve participação na formação de alguns híbridos de poedeiras pesadas, e parece que 
também de corte. Seus ovos são pardos e grandes, porém, é uma ave de postura inferior a outras linhagens. 
 
8.5. HÍBRIDOS COMERCIAIS 
Não podemos considerar os Híbridos comerciais como Raças porque quando cruzados entre si, não 
reproduzem os caracteres dos pais. Possuem características e distintivos de alta eficiência econômica. Hoje em dia, 
se reconhece três grupos industriais de galinhas, segundo sua aptidão: 
 
- Poedeiras Leves de ovos brancos, tipo Leghorn, com peso médio em torno de 1850 g; 
- Poedeiras Semi-Pesadas de ovos vermelhos, tipo intermediário, com peso médio de 2500 g; 
- Reprodutoras Pesadas, com postura inferior às anteriores, para produção de pintos de corte; 
Peso Vivo em torno de 2800 g. 
 
8.6. POEDEIRAS LEVES DE OVOS BRANCOS 
Existem mais de 24 marcas de galinhas deste Tipo Leghorn produzidos nos Estados Unidos, Europa, 
Ásia e América do Sul. As diferenças nas diversas marcas podem passar despercebidas. Nos Estados Unidos os 
testes de progênie tem demonstrado não haver diferenças significativas entre as mais populares. A tendência é 
produzir uma galinha cada vez mais leve, sem prejuízo para seu vigor, para produção e eficiência na conversão de 
alimentos em ovos. 
Algumas marcas se caracterizam pela produção de ovos maiores, outros pela produção de ovos de 
 
 
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casca mais forte, outros de menor mortalidade, outras pela maior resistência a certas doenças, outras pelo 
temperamento mais ou menos nervoso, outras pela sua melhor adaptação ao regime de gaiolas, etc. Na escolha da 
Marca tem grande importância a idoneidade e capacidade técnica da granja produtora de matrizes, particularmente 
no que se refere ao grau de sanidade do rebanho. 
Os pintos comerciais são originados de galinhas cruzadas, provenientes de 2, 3 ou 4 linhagens ou 
Famílias de bom poder de combinação, retestados e rigorosamente acompanhados de registros estatísticos. Todos os 
produtores de matrizes mantêm em sigilo os seus métodos de acasalamento. 
 
8.7. POEDEIRAS SEMI-PESADAS DE OVOS VERMELHOS 
Estas poedeiras botam ovos grandes e vermelhos e, quase todas as marcas apresentam plumagem 
vermelha. Aparentemente, a maioria delas, deriva da Rhode-Island-Red, de alta postura com a Leghorn, não 
obstante outras Raças mistas possam contribuir. O seu peso é na ordem de 2.500 g na ave adulta assim, o consumo 
de ração por dúzia de ovos produzidos, é maior. Os ovos vermelhos e as galinhas descartadas alcançam, no 
mercado, uma procura maior do que a do Tipo Leghorn. 
 
8.8. CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DO FRANGO DE CORTE 
A - Alto peso às 6 semanas (1.750 a 2.200 g); 
B - Grande capacidade devido ao desenvolvimento muscular; 
C - Peito e coxas largas; 
D - Plumagem branca; 
E - Excelente conversão alimentar (1:1,8 e 1:2,0 Kg); 
F - Baixa mortalidade; 
G - Maior resistência a doenças; 
H – Precocidade; 
I - Emplumação precoce. 
 
8.9. GALINHAS PESADAS PARA PINTOS DE CORTE 
 
As matrizes para produção de pintos de corte são representadas por dois ramos distintos: 
 
- Um masculino de sangue Cornish; 
- Um feminino, denominado Plymouth Branca. 
 
9. RAÇAS DE SUÍNOS 
Existem Raças criadas exclusivamente para a produção de Banha (Lard Type) e outras para a 
produção de carne magra (Bacon Type). Existem outras que se prestam para os dois fins. O tipo pode depender da 
alimentação e do regime a que são submetidos. Os suínos tipo Bacon com peso oscilando entre 80 a 100 Kg, sua 
manta de toucinho é bastante reduzida a altura do lombo cerca de 3 a 4 cm. O suíno moderno deve ter a menor 
espessura possível de toucinho. Em vistas da preferência dos consumidores pelo suíno tipo carne, a descrição do 
suíno tipo banha, tem aqui, o primordial motivo de mostrar o contraste de caracteres dos dois tipos. 
 
9.1. CARACTERÍSTICAS COMUNS ÀS RAÇAS DE SUÍNO TIPO BANHA 
 
A - Pelagem 
A pelagem é variável. Os aspectos da pele e pêlos são importantes como indicador de qualidade. Os 
pêlos devem ser lisos, macios, abundantes e finos. Se forem demasiadamente finos, indicam fraqueza do animal. A 
pele deve ser lisa e macia, de maneira uniforme, não escamosa. As pregas, quando aparecem estão localizadas nas 
nádegas, garganta, face e lados, sobretudo no animal adulto, o que ocorre com mais freqüência, se o couro for 
grosso. 
 
B - Peso e Estatura 
Variável e com membros, via de regra, curtos. 
 
C - Cabeça 
Variável, segundo a Raça, curta de maneira geral, dependendo do comprimento do focinho, que deve 
ser curto e não grosseiro. Olhos bem afastados e visíveis. Orelhas variáveis em forma e tamanho, cobertas de pêlos 
finos. As bochechas devem ser cheias espessas, carnudas e arredondadas. 
 
D - Pescoço 
Curto, largo e profundo. Arredondado em cima, insensivelmente ligado à cabeça e pescoço. 
 
 
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E - Corpo 
Largo, profundo, simétrico, baixo liso e compacto. Peito largo e cheio, com as pontas projetadas para 
frente. Espáduas lisas e cheias, sobretudo em cima, bem cobertas de carne. O costado largo e profundo deve ter o 
cilhadouro cheio. Linha dorso-lombar comprida, uniformemente larga e arqueada. O arqueamento é variável com a 
Raça, nunca muito pronunciado, diminuindo com a idade. Lombo da mesma largura que o dorso e garupa na mesma 
linha. A garupa longa da mesma largura geral do corpo deve continuar suavemente a linha dorso-lombar. Cauda de 
inserção baixa, a maioria das vezes. Pernil largo, bem descido, liso, sem pregas e arredondado. Ventre bem 
suspenso, linha inferior direita, flancos cheios, espessos e baixos. 
 
F - Membros 
Curtos, fortes, afastados, dispostos no chão sob a forma de um retângulo. Boas quartelas e unhas não 
muito separadas, com curvilhão espesso e nítido. 
 
9.2. CARACTERÍSTICAS COMUNS ÀS RAÇAS DE SUÍNO TIPO CARNE 
 
Os suínos para a produção de carne (tipo carne ou tipo bacon) são animais mais esguios, compridos e 
pernudos, de pescoço mais longo do que o tipo banha, os quais são mais compactos e baixos. 
 
A - Pelagem 
Variável, de acordo com a Raça. Pelos finos, lisos e pelesem pregas, lisa. 
 
B - Peso e Estatura 
De médio para grande, de acordo com a idade e a Raça. Devem pesar de 80 a 100 Kg quando da 
matança que deve ocorrer por volta dos 150 a 180 dias. 
 
C - Cabeça 
Um pouco mais longa do que a do tipo banha, leve, com marrafa larga e cheia. Olhos bem espaçados, 
brilhantes e cheios. Orelhas moderadamente finas e com cerdas finas. Bochechas nítidas, não pendentes, de regular 
largura e musculatura. 
 
D - Pescoço 
Comprimento médio, musculoso e sem arqueamento dorsal. 
 
E - Corpo 
Longo, profundo, liso, bem equilibrado ou com o quarto posterior predominando. Peito largo e cheio, 
espáduas bem postas, bem cobertas e lisas. Linha superior uniformemente arqueada, variando o arqueamento com a 
Raça. Dorso e lombo regularmente largos, musculosos e fortes. Garupa da mesma largura das costas, comprida, em 
nível com a cauda, que apresenta inserção alta. Tórax cheio, costelas longas e arqueadas. Costado comprido, 
regularmente profundo e chato, no mesmo plano das espáduas, sem depressões no cilhadouro. Flanco cheio e baixo, 
ventre firme, espesso e bem sustido. Pernis cheios, carnudos, firmes, descidos e sem pregas. 
 
F - Membros 
Afastados, direitos, bem dispostos no solo. Fortes, porém não grosseiros; quartelas levantadas e 
cascos firmes. Membros anteriores de altura média e os posteriores um pouco compridos, de maneira geral. A 
fêmea diferencia-se do macho pela cabeça e corpo, mais leves e delicados. O pescoço é menos maciço, pêlos mais 
finos, especialmente no pescoço, e não menos do que 12 tetas bem separadas, com úbere glanduloso. 
 
9.3. RAÇAS DE SUÍNOS ESTRANGEIRAS 
 
9.3.1. Raça Wessex Saddleback 
Segundo o Pig-Book, este suíno era criado na Ilha de Puerbeck, na Grã-Bretanha, há mais de um 
século, que faz referencia a porcos pretos cintados. Este suíno foi melhorado na Inglaterra, com a introdução de 
sangue Napolitano e, provavelmente, Chinês. Assim, criou-se no condado de Wessex e na Irlanda. Este suíno 
parece ter dado origem ao Hampshire (americano). Segundo outros autores parece ser que na formação do 
Hampshire americano, interveio o Berkshire. 
 
A - Pelagem 
O corpo é, totalmente, preto, com exceção de uma faixa branca que desce da cruz pelas paletas e 
braços, até atingir as unhas. A coloração não deve ultrapassar 
2
/3 do comprimento do corpo. Não devem ocorrer 
 
 
29 
 
malhas brancas em outras regiões do corpo. Debaixo da malha a pele deve ser despigmentada. Os pêlos devem ser 
lisos, finos e bem assentados. 
 
B - Cabeça 
Um pouco comprida com focinho forte e regular. Fronte ligeiramente côncava. Orelhas largas, 
grandes, grossura média, dirigidas para frente e para baixo, sem taparem os olhos e nem caídas. 
 
C - Aptidão 
É um animal que se desenvolve bem em regime de pastoreio em todas as fases de criação. Considera-
se um animal intermediário, podendo ser usado também para produzir carne magra, principalmente nos 
cruzamentos com o Landrace. É prolífica e de boa produtividade, mansidão e excelentes mães, além de leiteiras. Os 
machos não têm tanta tendência a engorda como se observa em algumas Raças americanas, principalmente quando 
exploradas em regime de pastoreio. É rústica, suporta variações térmicas, tendo-se adaptado bem no Brasil. 
 
9.3.2. Raça Yorkshire 
Originou-se de uma antiga Raça de porcos grandes, pernudos e ossudos do Norte da Inglaterra. Em 
seu melhoramento ocorreram poucos cruzamentos, devendo-se quase que exclusivamente à seleção, contribuindo, 
para tal, as Raças Wainnan e Duckering. É a Raça mais numerosa e importante na Grã-Bretanha. Possui 3 
Variedades: 
- Large-White - Tamanho grande; 
- Middle-White - Tamanho médio; 
- Small-White - Tamanho pequeno. 
 
Quando nos referimos à Raça Yorkshire, referimo-nos à Variedade Large-White. 
 
A - Pelagem 
Branca com cerdas finas, sedosas e uniformemente distribuídas. Cerdas frisadas e pretas constituem 
defeito. As cerdas podem ser onduladas nos rins. A pele é rosada, não anêmica, macia, elástica, fina e sem rugas. 
Possui manchas azuis, que são condenadas quando em excesso e muito escuras. 
 
B - Cabeça 
Média e proporcional, perfil côncavo, fronte larga, olhos afastados e abertos. Focinho largo, sólido e 
não grosseiro. Orelhas de tamanho e largura média, finas, ligeiramente inclinadas para frente, com cerdas finas e 
vigorosas, caráter este mais acentuado nos adultos. Não possui papada. 
 
C - Corpo 
Comprido e profundo, de largura moderada e uniforme, com linha dorso-lombar arqueada. Espáduas 
oblíquas, musculadas, arredondadas, pouco salientes nas pontas. Dorso direito, durante a marcha, um pouco 
arqueado de repouso, flancos curtos, no mesmo plano das ancas. Ventre bem suspenso, com linha paralela ao solo. 
Seis a sete pares de tetas bem destacadas, globulosas e essencialmente glandulosas. Cauda alta, em prolongamento 
com a garupa, grossa na base e afinando na extremidade. 
 
D - Membros 
Altos e finos com articulações secas e sólidas, bem dispostos no solo e aprumados. Os joelhos não 
devem desviar-se para dentro e para trás. Coxas largas e nádegas espessas, terminando perto da ponta do jarrete, 
com excelentes pernis. 
 
E - Aptidão 
Produção de carne com toucinho uniformemente distribuído. Altamente precoce e de boa 
fecundidade. Apresenta grandes ninhadas com 10 a 12 leitões que se criam bem. É uma das raças mais perfeitas 
para a produção de carne magra, tipo bacon. 
 
9.3.3. Raça Landrace 
O suíno Landrace, de origem Dinamarquesa, tem sido e vem sendo aperfeiçoado por eles, visando, 
além de sua conformação ideal para a produção de carnes magras, suas excelentes qualidades criatórias. Esta última 
característica se obteve através de uma seleção racional, baseada nas provas de descendência. Hoje em dia, os 
melhores exemplares representam o que pode ser chamado de “Tipo Clássico”, do produtor de carnes magras. Foi 
introduzido em vários Países para melhorar as Raças: Canadá, Estados Unidos, Holanda, Alemanha, Inglaterra, 
Suécia, Finlândia, França, etc. As maiorias dos Landraces introduzidos no Brasil são de origem: Holandesa, Sueca 
e, em menor escala, Alemã e Inglesa. A Dinamarca não exporta reprodutores. 
 
 
30 
 
A - Cabeça 
Comprida de perfil côncavo, larga entre as orelhas e de queixadas leves. Orelhas finas e compridas, 
inclinadas para frente, do Tipo Céltico, que não devem ser muito grandes, pesadas nem eretas. 
 
B - Corpo 
De perfeita conformação para produção de carne, comprido, de igual largura e espessura em todo o 
comprimento. Dorso e lombo compridos, em ligeira ascensão, garupa alta e comprida, com inserção de cauda alta. 
Espáduas finas, leves e pouco aparentes. Costados profundos, bem arqueados, sem depressão e, finalmente, com 
ventre plano, linha inferior firme e com, no mínimo, 12 tetas bem colocadas. 
 
C - Membros 
Fortes, corretamente aprumados, com quartelas, articulações e tendões curtos e elásticos e unhas 
fortes e iguais. Pernis amplos, cheios até o jarrete, sem rugas horizontais. 
 
D - Pelagem 
Branca, fina e sedosa, sem redemoinhos ou pêlos crespos. Pele fina, solta e sem rugas, 
despigmentada, no entanto, nas Regiões tropicais, prefere-se coberta de manchas escuras. No padrão racial, pêlos 
crespos desclassificam o animal. 
 
E - Aptidão 
De alta prolificidade, precoce, produtivo, com pernis bem conformados, o que atende, perfeitamente 
ao padrão para produção de carne. No cruzamento com raças Exóticas ou Nacionais, melhora, consideravelmente, 
as carcaças, produzindo bons mestiços para carne. Este suíno, da mesma forma que os anteriormente citados, 
necessitam da proteção contra os raios solares, sendo que os animais puros sangue exigem sombreamentodos 
piquetes e abrigos. 
 
9.3.4. Raça Duroc-Jersey 
Originária do Noroeste dos Estados Unidos. Provém do cruzamento de porcos vermelhos de New-
Jersey (Jersey-Reds) e de cachaços vermelhos de New-York (The Durocs). As duas Raças que deram origem ao 
Duroc-Jersey, foram formadas por suínos trazidos pelos navios negreiros (Guinea Breed), outros importados de 
Portugal e Espanha e também os Red-Berkshires, todos de pelagem vermelha. É a Raça mais numerosa nos Estados 
Unidos, sendo muito popular em muitos Países Americanos como no Brasil e Canadá e, muitos Países Europeus. 
No Brasil, já foi a Raça estrangeira mais importante, hoje, participa apenas de cruzamentos com outras Raças mais 
aperfeiçoadas para a produção de carnes magras. 
 
A - Pelagem 
Vermelha cereja brilhante e uniforme. Há algumas famílias de coloração vermelha dourada, que 
parecem ter maior tendência para a produção de banha. As colorações; castanha, creme e violeta são indesejáveis. A 
cor castanha é associada a animais grosseiros e, os claros, a animais moles. Tonalidades claras no ventre e 
membros, são defeitos, como também manchas pretas na barriga, que só desclassificam se forem muito grandes. 
Cerdas pretas ou grandes são defeitos muito graves. O couro é moderadamente grosso e macio. 
 
B - Cabeça 
De comprimento médio e maior que a Polland-China, porém mais longa. Face pouco escavada, com 
perfil sub-côncavo. Focinho médio, fronte larga entre as orelhas e os olhos. Orelhas médias, inclinadas para frente 
e, ligeiramente para fora, com uma curva para frente e para baixo, não devendo cair sobre os olhos e face. Olhos 
vivos e brilhantes. Mandíbulas moderadamente largas, cheias, nítidas, lisas e sem papadas. 
 
C - Aptidão 
É grande produtor de banha e toucinho, transformando-se gradativamente em um tipo intermediário, 
para produzir carne e toucinho. Os criadores vêm demonstrando especial interesse em diminuir cada vez mais a 
manta de toucinho, com tendência a transformá-lo em animal do Tipo Carne, mais alto, comprido e delgado, no 
entanto, corre-se o risco de prejudicar suas qualidades de vigor e rusticidade. No Brasil tem-se comportado bem, 
porém, como nos outros Países, as matrizes são de baixa prolificidade e más criadeiras. Sua carcaça vale mais pela 
quantidade que pela qualidade. É raramente criado em estado puro, para a produção industrial, sendo cruzado com 
as matrizes de Raças Landrace, Yorkshire e Hampshire, para a produção de carne magra. Com as Raças Nacionais 
produz bons mestiços, em lugares onde a suinocultura é bastante atrasada. É muito precoce e suporta bem o clima e 
calor tropical. Seus mestiços, com porcas nacionais, são superiores quanto a conformação, precocidade e disposição 
para a engorda. Para os criadores de menor experiência, é a raça mais recomendada pelo seu desenvolvimento e 
adaptação, no entanto, os animais puros e seus mestiços são exigentes e podem degenerar pela deficiência de 
 
 
31 
 
proteínas, vitaminas e minerais. 
 
9.3.5. Raça Polland-China 
Raça originária dos Estados Unidos, dos condados de Butter e Warren em Ohio. Sua origem é pouco 
conhecida, parecendo ser o cruzamento de porcos locais de origem espanhola, com porcos brancos “Byfiel” e 
“Russo”, e também introduzido o suíno branco “Big-China”. A palavra Polland, parece guardar relação com a 
pelagem vermelha ou branca suja, naquele tempo, com essas denominações. Nos Estados Unidos foi tão importante 
quanto a Duroc-Jersey, no entanto, atualmente, é a segunda Raça mais criada. Também é criado no Canadá, Rússia 
e alguns outros Países americanos. 
 
A - Pelagem 
Preta lustrosa, com seis malhas brancas: quatro pés, focinho e vassoura da cauda. As malhas das patas 
devem atingir a metade da canela. Apresenta pêlos finos, macios e lisos, distribuídos uniformemente pelo corpo, 
sem tendência a ondular ou frisar. Couro com espessura média. 
 
B - Cabeça 
Média, larga, perfil sub-côncavo, focinho médio, forte, queixadas cheias, redondas e lisas. Olhos 
grandes e afastados. Orelhas médias em tamanho e espessura, afastadas e inclinadas para frente e ligeiramente para 
fora, não caídas sobre os olhos e face. 
 
C - Aptidão 
Criada para a produção de banha e toucinho, com notável predisposição para a engorda. Adquire 
rapidamente uma espessa camada de toucinho que, entretanto, não apresenta bastante firmeza e a sua distribuição 
não é uniforme. Podemos encontrar linhagens selecionadas para a produção de carne. É uma Raça bastante precoce, 
de maior mansidão que a Duroc-Jersey. Apresenta baixa prolificidade. Quando criada em consangüinidade, 
observamos baixa quantidade do número de leitões e até a esterilidade. Devido a esse fator, não teve maior 
expressão apesar de ser popular nas Américas. É recomendada para lugares onde existam muitos produtores, que 
efetuem trocas onde ocorrerá um refrescamento de sangue. Cruzamento com fêmeas comuns, apresenta bons 
mestiços. Pode ser recomendada para o cruzamento tríplice. 
 
9.3.6. Raça Hampshire 
Esta Raça na antigüidade era chamada de “Thin Rind”, diferindo grandemente da Raça de hoje, em 
sua forma. Originou-se em Kentucky e Sul de Indiana, derivados de porcos ingleses do Condado de Hampshire, 
introduzidos nos Estados Unidos em 1.825. A partir de 1.893 foi estabelecido o seu registro. O melhoramento e 
expansão são bem mais recentes. Na Inglaterra, existem outras Raças bem parecidas pela pelagem e outros 
atributos: 
- Wessex Saddleback; 
- Essex; 
- Sussex (menos conhecida). 
 
Suínos desta Raça introduzidos no Brasil eram freqüentemente chamados de Hampshire Inglês. Nos 
Estados Unidos, é uma Raça muito popular, criada principalmente para a produção de carne fresca. 
 
A - Pelagem 
Preta com uma faixa (cinta branca de 4 a 12 polegadas, com cerca de 31 cm), que abrange os 
membros anteriores. Quando a cinta é incompleta ou ocupa mais de ¼ do comprimento do corpo é considerado 
defeito. Os defeitos maiores que levam a desclassificação são: pés ou membros posteriores brancos, barriga branca, 
pequenas manchas pretas na cinta branca, pelagem inteiramente preta ou vermelha. O couro é fino e macio. As 
cerdas são de comprimento médio, finas, lisas e regularmente distribuídas. 
 
 B - Cabeça 
Deveria ser de comprimento médio, porém é, freqüentemente, um pouco comprida, de largura média. 
O perfil da fronte e focinho é quase direito (sub-côncavo), bochechas e ganachas leves, secas e finas, sem papada. 
Orelhas de comprimento médio, ligeiramente inclinadas para fora e para frente, direitas, não sendo quebradas nem 
caídas. Orelhas grandes constituem grave defeito. Os olhos devem ser vivos e sem pregas em volta. 
 
C - Aptidões 
É um suíno ativo, vigoroso, vivo, rústico, de aspecto atraente e um pouco esbelto. Sua aptidão 
dominante é a produção de carne fresca. A carcaça é considerada especial, devido a grande quantidade de carne 
limpa, com apenas uma mínima produção de carnes com cortes de Segunda categoria. A carne é magra com 
 
 
32 
 
revestimento de gordura um pouco mole e de presunto um pouco deficiente, não tão adequada para conserva. A 
prolificidade é regular, em torno de nove leitões por parição, chegando a criar cerca de 80% dos animais nascidos. 
As mães são cuidadosas e excelentes criadeiras, de boa precocidade e, quando cruzadas, transmitem, em grande 
parte, suas qualidades aos mestiços produzidos. Pode ser escolhida para cruzamentos industriais. 
 
9.3.7. Raça Master Line 
De lançamento recente, em relação às outras Raças, produzido pela Agroceres Pig. Este animal 
atende a maior procura do mercado, pela sua tendência de maior conformação muscular e menor concentração de 
gordura na carcaça. A fórmula usada para dar origem a este suíno é mantida em segredo,mas parece envolver a 
Raça Large-White (macho), produzida pela Empresa, para cruzamentos com o Landrace. 
 
A - Aptidão 
O cruzamento objetivou mascarar o gene “stress” presente em todos os animais melhorados, com alta 
conformação para a produção de carne, já que é comum, observar em granjas de animais melhorados, mortes 
súbitas quando os suínos são submetidos à tensão. Tudo parece indicar que este fenômeno não ocorre com estes 
animais e, se ocorre, é em menor escala. Inicia sua vida reprodutiva aos 190 dias de idade, sendo mais precoce que 
as demais Raças em torno de 10 a 15 dias. Consomem pouca Ração, com conversão alimentar na ordem de 2,4 : 1 
isto é, necessitam comer 240 Kg de ração para atingir 100 Kg de peso vivo. Apresentam 3% a mais de carne que os 
outros animais melhorados, com concentração de carne nas partes nobres (lombo e pernil). Seu rendimento de 
carcaça está em torno dos 80% enquanto as outras raças estrangeiras ficam entre 56 e 75%. Seu valor aumenta 
quando comparado com o rendimento médio das carcaças Nacionais, 48 a 49 %. 
 
9.4. RAÇAS DE SUÍNOS NACIONAIS 
No Brasil não existia o porco doméstico na época do seu descobrimento assim, os colonizadores, 
principalmente portugueses e espanhóis, foram os que trouxeram suínos de Raças Naturais e Primitivas. Estas 
Raças pertenciam aos três troncos originais das Raças atuais de suínos: 
 
- Célticos - Porcos grandes e tardios descendentes dos javalis europeus; 
- Asiáticos - Porcos pequenos, de orelhas curtas e grande tendência à engorda, descendentes do 
indiano; 
- Ibéricos - Porco intermediário, de hibridação antiga com os dois troncos. 
 
Os suínos Nacionais mais típicos representantes dos troncos citados são: 
 
- Tronco Céltico – Canastrão; 
- Tronco Ibérico - Canastra e Nilo Canastra; 
- Tronco Asiático - Tatu e Caruncho 
 
Todas são Raças sóbrias, pouco exigentes, pouco prolíficas, tardias, de má conformação, pouco 
musculadas e são criadas com o objetivo de produzir banha. Como, atualmente, este tipo deixou de ser econômico; 
e devido à procura maior pelo animal tipo carne, os criadores perderam o interesse em criar estes animais e sua 
tendência é desaparecer à medida que a civilização penetra para o interior. Faremos aqui uma descrição bastante 
sumária das Raças Nacionais. 
 
9.4.1. Raça Canastrão 
É uma Raça Nacional melhorada, derivada da Bizarra, de origem portuguesa. Filia-se ao Tronco 
Céltico, de corpo grande. 
 
A - Cabeça 
Grossa, perfil côncavo, fronte deprimida e pregueada, focinho grosso, orelhas grandes, pescoço longo 
e com papada. 
 
B - Corpo 
Linha dorso lombar sinuosa e estreita. 
 
C - Membros 
Compridos e fortes. 
 
D - Pelagem 
Preta ou vermelha, atendendo a variedade regional, pele grossa e pregueada, com cerdas fortes e 
 
 
33 
 
ralas. 
 
E - Aptidão 
Este tipo de suíno ainda é muito explorado nas regiões de sertão distante e, raríssimo, nas regiões 
populosas. É um animal Tipo Banha, muito tardio e as fêmeas são prolíficas e boas mães. 
 
9.4.2. Raça Canastra 
Sua origem é discutida. É do Tipo Ibérico e, aparentemente, origina-se das Raças Portuguesas 
Alentejada e Transgana. Foi criado em grande escala no Brasil e é conhecida por várias denominações: Meia perna, 
por exemplo. 
 
A - Cabeça 
Pequena e leve, de perfil sub-côncavo, focinho curto, bochechas largas e pendentes, as vezes com 
brincos. Orelhas médias e horizontais, oblíquas, para frente. Pescoço curto e largo. 
 
B - Corpo 
Médio, um pouco roliço, e com linha dorso-lombar um pouco selada. 
 
C - Membros 
Curtos, separados e de ossatura fina. 
 
D - Aptidão 
Produção de banha. 
 
9.4.3. Raça Canastrinho 
Compreendem um grupo de animais menores e do Tipo Asiático, introduzidos do Oriente por 
colonizadores portugueses, dando origem a algumas Variedades Regionais como: Nilo, Macau, Tatu, Baié, Perna 
Curta, Carunchinho, etc. Todas elas possuem conformação semelhante, apresentando diferenças de pelagem, 
orelhas, etc. São provenientes de porcos Chineses, Siameses, Cochinchinos, etc. 
 
A - Corpo 
Pequeno, baixo e compacto, com ventre desenvolvido. 
 
B - Membros 
Finos e curtos, de pouca ossatura e musculatura. 
 
C - Pelagem 
Pode ser preta, vermelha ou malhada. Pelos abundantes, ralos ou ausentes, variando com o tipo. 
 
D - Aptidão 
Especializado na produção de banha. Criado nas comunidades para consumo doméstico. São mansos, 
de prolificidade variável, dependendo do rebanho. 
 
9.4.4. RAÇA PIAU 
Piau é uma palavra indígena que quer dizer “Malhado” ou “Pintado”. Os leigos consideram que todo 
suíno de pelagem com fundo brancacento e malhas pretas ou escuras, redondas ou irregulares, é o Piau. Existem 
Piaus grandes, médios e pequenos. Os cruzados com Raças aperfeiçoadas estrangeiras, adquiriram reputação, tais 
como Goiano e Francano do Triângulo Mineiro. Coloração tordilha, de preferência branco-creme (cor de areia), 
com manchas pretas bem definidas e distribuídas proporcionalmente pelo corpo. Um tipo mais fixo e antigo é o 
Caruncho Piau, pouco maior que o Carunchinho e menor que o Piau. Possui uma variedade vermelha, a Sorocaba, 
de tamanho médio e aptidão intermediária, provavelmente pelo melhoramento após cruzamento com o Duroc-
Jersey. A sua criação vem sendo orientada para obtenção de um animal de fácil criação e que possa entrar nos 
cruzamentos para produção de carne. É considerada a melhor e a mais importante Raça Nacional. 
 
A - Aptidão 
Forte tendência a engorda, sendo classificado como tipo banha. 
 
9.4.5. Raça Nilo-Canastra 
É um porco antigo, considerado como uma Raça natural do Brasil. Parece ser resultado do 
cruzamento do Nilo (Tipo Asiático) com o Canastra (Tipo Ibérico). Foi melhorado pela Escola Superior de 
 
 
34 
 
Agronomia de Lavras (ESAL). O Ministério da Agricultura faz alguns investimentos em seu melhoramento, 
embora os resultados obtidos, que foram razoavelmente bons, não podem ser aproveitados com objetivo prático, a 
não ser em cruzamentos. Em Minas Gerais já houve criações importantes de Pirapitinga, o que difere do Nilo, pela 
cabeça, e vem dando lugar a outras Raças mais produtivas. Considera-se um porco de tamanho médio, de corpo 
comprido e estreito, com pouca musculatura e ossatura, prolificidade e precocidade médias, desprovidos de pêlos 
ou com cerdas talas, não se adaptando em Regiões frias. 
 
A - Aptidão 
É um animal rústico e criado para a produção de banha. 
 
10. RAÇAS DE BOVINOS 
 
10.1. CLASSIFICAÇÃO DOS BOVINOS 
O boi doméstico pertence à ordem dos Bissulcos, apresentam a extremidade dos membros 
locomotores fendida em duas partes. Apresentam como Sub-Ordem ruminantes, seu estômago dividido em quatro 
compartimentos. Estão incluídos na Família dos Bovideos, apresentando três Sub-famílias: Antílopes, Ovinos e 
Bovinos. 
A teoria aceita atualmente atribui a origem dos atuais bovinos domésticos às cinco formas primitivas 
observadas: Boi Primigênio, Boi Braquicero, Boi de Fronte Grande, Boi Mocho e Boi Braquicéfalo. 
A primeira prova de existência do Boi com Giba (Zebú), também conhecido como Boi Sagrado da 
Índia, foi obtida no Vale do Sindi, no território da Índia. Todas as raças zebuínas tiveram origem no início do 
Período Quaternário. Com base nos conhecimento atuais considera-se o Norte da Índia como o centro de origem e 
distribuição do boi zebu e do boi doméstico primitivo. 
 
10.2. CARACTERÍSTICAS COMUNS ÀS RAÇAS BOVINAS DE LEITE 
A aparência geral do Bovino de Leite em comparação com o Bovino de Corte, é de um animal menos 
musculoso, com ângulos e costelas salientes, porém, revelando vivacidade, vigor e saúde. 
 
1 - Peso e Estatura 
Variáveis de médioa grande, dependendo da Raça. 
 
2 - Pelagem 
Variável com a Raça, de couro médio ou fino, no geral mais fino do que no gado de corte, solto e 
bem coberto de pêlos finos e macios. 
 
3 - Cabeça 
Seca, entre média e fina, relativamente mais comprida e com a fronte mais cavada que nas Raças de 
Corte; a fronte é larga, com marrafa média, de acordo com a Raça; chanfro fino e focinho úmido, largo ou médio 
com narinas amplas e abertas; mandíbulas secas e separadas; olhos proeminentes e vivos; chifres finos; orelhas de 
tamanho médio, finas e alertas, mais expressivas que nas raças de corte. 
 
4 - Pescoço 
Tendendo para longo e leve, quase magro; deve ser fino na união com a cabeça e tornando-se mais 
largo e profundo, porém se une abruptamente com o corpo, de maneira bem definida, ao contrário do que acontece 
com os Bovinos de Corte. 
 
5 - Corpo 
Com linha dorso-lombar longa, aparente, direita ou enselada em certas raças. Larga no lombo, bacia 
comprida, ancas largas, garupa não muito cheia, cauda saindo em ângulo reto, não grosseiro e de bom 
comprimento. Quartos anteriores mais delgados que os posteriores. Espáduas apertadas e aparentes, em cima; peito 
largo em baixo mas não proeminente, com a ponta em forma de cunha, tórax largo e volumoso, costado longo e 
alto, costelas largas, bem separadas, arqueadas na parte de baixo; cilhadouro visível e sem depressões. Linha 
inferior mais ou menos pendurada devido ao grande desenvolvimento do ventre. Flanco fino, mas não enterrado. 
Nádegas direitas um pouco cavadas, com as pontas afastadas e proeminentes, períneo grande, alto e espaçoso. 
 
6 - Membros 
De tamanho médio, direitos, regularmente afastados (notadamente os posteriores) com ossatura fina; 
braços e antebraços pouco carnudos, coxas pouco musculosas, mais ou menos cavadas por dentro para dar lugar a 
um úbere volumoso. 
 
 
 
35 
 
7 - Úbere 
Comprido, largo e profundo, estendendo-se bem para frente e para trás. Bem conformado, glanduloso 
e fazendo pregas, quando vazio. Elástico, não carnudo, com veias aparentes, coberto de pelos macios, com tetas de 
tamanho médio, dispostos em quatro ou apontando um pouco para fora. As veias mamárias são grandes, tortuosas, 
de preferência ramificadas, grossas de acordo com a idade. 
As diferenças no touro são decorrentes da sexualidade; maior peso, ossatura mais forte, musculatura 
mais abundante, sobretudo no pescoço e quartos anteriores; cabeça forte e larga; tórax muito largo, sobretudo no 
cilhadouro; temperamento mais vivo, que em touros de Raças de Corte; costado e ventre amplos; finalmente, deve 
locomover-se com facilidade. 
 
10.3. PRINCIPAIS RAÇAS DE BOVINOS DE LEITE - ESTRANGEIRAS 
 
10.3.1. Raça Holandesa 
A Raça Holandesa Preta e Branca ou Holandesa da Frísia é natural de Noord Holland, Denthe e 
Região da Frísia. Sua origem remota dos tempos de Cristo onde, também, se apreciava a sua aptidão leiteira. Nos 
Estados Unidos esta Raça é conhecida como Holstein Friesian; na Inglaterra como British Friesian; na Alemanha 
como Frison; na Argentina, como Holando-Argentina. Esta Raça é explorada em grande escala: Estados Unidos, 
Argentina, Uruguai, Bélgica, Canadá, Brasil, Inglaterra, México e Israel. No Brasil, encontramos a Raça Holandesa 
em maior quantidade: Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A Raça Holandesa 
possui a variedade Vermelha e Branca. 
 
 Raça Holandesa Preta e Branca 
 
A - Pelagem 
A pelagem referente a esta Raça é Preta Malhada ou Malhada de Preto, possuindo três manchas pretas 
clássicas, bem definidas: 
 
a - Abrangendo cabeça e pescoço. 
b - Lombo e costado em forma de cela. 
c - Extremidade posterior do corpo, pegando a ponta da garupa, nádegas e base da cauda. 
 
OBS: As manchas pretas do padrão racial, não devem descer nos membros, abaixo da articulação do joelho ou 
curvilhão; estrela branca na testa, mucosa preta ou malhada de preto. 
 
B - Aptidão 
Alta produtora de leite magro, com cerca de 3,91% de gordura. Precoces sexualmente e, nos 
cruzamentos com vacas azebuadas, observam excelentes produtos meio sangue, resistentes ao clima tropical e com 
boa produção leiteira. O novilho Zebu ½ sangue apresenta excelente carcaça. 
 
 Sub-Raça ou Variedade Holandesa Vermelha e Branca: 
Anteriormente era considerada uma Variedade hoje em dia, é considerada uma Sub-Raça. A Sub-
Raça Holandesa Vermelha e Branca pode ser chamada de Holandesa Malhada de Vermelho; M.R.Y. (Mosa, Reno e 
Yssel) e Rootband. É criada na Região Oriental da Holanda, em Overyssel e Gueldre, nos Vales dos Rios Mosa, 
Reno e Yssel. A sua origem, pelos dados históricos, não é bem conhecida. Tudo parece indicar que ocorreu do 
tronco Preto e Branco. 
 
A - Pelagem 
Vermelha Malhada, possuindo malhas vermelhas grandes sobre fundo branco. As malhas vermelhas 
são mais escuras nos touros. As malhas não possuem a mesma regularidade da Frísia, podem ser mais recortadas, 
no entanto, de contornos bem definidos. Via de regra, são vermelhos a cabeça e pescoço e são brancos o ventre e as 
extremidades dos membros a partir da articulação do joelho ou jarrete e a cauda. 
 
B - Aptidão 
É considerada uma Raça mista para leite e carne, embora tenha a função leiteira como predominante. 
Seu padrão de gordura no leite está em torno de 3,32%. Do ponto de vista da produção de carne, sua carcaça é 
inferior em relação à Holandesa Preta e Branca, no entanto, suas carcaças são mais musculadas, sendo mais 
carnudas que a Holandesa Preta e Branca. Seus mestiços com Zebus são bons para corte. Requer condições 
idênticas à Frísia para sua exploração. Transmite bem suas qualidades nos cruzamentos. 
 
 
 
36 
 
10.3.2. Raça Guernsey 
Esta Raça é originária da Ilha Güernsey (França). Há cerca de mil anos, frades que migraram para a 
Bretanha, levaram consigo a Raça. Posteriormente, outros frades que vieram da Normandia trouxeram gado desta 
Região (Gado Normando). Pode-se admitir assim, que o Gado Güernsey, seja derivado do cruzamento do Gado 
Bretão com Normando, onde predominaram as características do último. 
 
A - Pelagem 
Amarela malhada com tonalidades que vão desde o amarelo claro até o amarelo pardo ou vermelho 
queimado. A cor preferida é a de intensidade média, amarelo escuro ou laranja. A vassoura da cauda, extremidade 
dos membros, úbere e baixo ventre devem ser brancos. O branco deve aparecer também na testa (estrela), na paleta 
e na anca. O contorno dos olhos e do focinho é claro e, a mucosa em torno do focinho e olhos são de cor âmbar, 
coloração que deve acompanhar os chifres e cascos. 
 
B - Aptidão 
Possui conformação tipicamente leiteira, sendo menos perfeita que a Jersey. Por possuir leite 
apresentando teor de gordura elevado (4,5%), é considerada como uma Raça manteigueira. Uma característica do 
seu leite são os glóbulos gordurosos grandes, permitindo fácil desnate. Tem capacidade de deixar passar para o 
leite, parte do caroteno, proporcionando leite de coloração dourada. Como animal de açougue, proporciona carcaças 
inferiores e com acúmulo de gordura amarela. Suporta melhor, que a Holandesa Preta e Branca, o clima quente dos 
trópicos e esta condição parece estar ligada, à coloração da pele. É considerada uma raça rústica. Seus cruzamentos 
demonstram a grande capacidade de transmissão de suas qualidades. Recomenda-se sua criação ao lado de vacas 
que produzam leite magro, dado que a mistura do leite, satisfaz a demanda do mercado. 
 
10.3.3. Raça Jersey 
Originária da Ilha Jersey (Inglaterra), localizada a poucos quilômetros da costa francesa, no Canal da 
Mancha. É uma Raça de origem remota, não se conhecendo bem a sua história. É provável que seja originária do 
cruzamentode animais provenientes da Normandia e Bretanha, predominando o sangue Bretão. A Jersey tipo 
americana é maior, com o corpo e cabeça mais longos. Acredita-se que as condições climáticas e o trato tenham 
influenciado nestas modificações. No Brasil, as maiores importações foram realizadas pelos Órgãos Oficiais dos 
Estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina. 
 
A - Pelagem 
Distinguem-se as tonalidades: amarelo fosco, cor de veado, amarelo mais ou menos claro, indo do 
pardo escuro até o quase negro nos machos, que se apresentam mais escuros que as fêmeas. Em volta do focinho se 
observa um anel de pêlos claros, apresentando manchas escuras na face extremidades do corpo. Prefere-se a 
pelagem uniforme, no entanto, admitem-se malhas brancas no úbere, ventre, flancos e peito. O focinho e língua são 
pretos ou cor de chumbo. Os chifres são de cor âmbar com pontas negras, de preferência. 
 
B - Aptidões e Qualidades 
É uma Raça manteigueira. A manteiga é firme, amarela, com glóbulos de gordura grandes, 
facilitando, assim, o desnate. A sua carne é de qualidade inferior, quando comparada com outras Raças e a gordura 
na carcaça apresenta coloração amarela. É a mais precoce das Raças leiteiras. 
Apresenta elevada tolerância ao calor tropical, adaptando-se com muita facilidade às regiões quentes 
e secas, dada esta rusticidade. Tem a característica de, nos cruzamentos, aumentar, consideravelmente a gordura dos 
rebanhos que produzem leite magro. 
 
10.3.4. Raça Schwythz ou Pardo Suiça: 
Esta Raça é de origem Suíça, onde se espalhou em todo o sudoeste, nas localidades de Schwytz, 
Lucerna, Uri, Zurique, Grisones, Glaris, etc. Sua formação remota a tempos antigos e, foi nos arredores de Schwytz, 
que recebeu seleção e fomento. Atualmente, esta raça é criada em quase todos os Países Europeus, destacando-se: 
Itália, Alemanha e Áustria. Nos Estados Unidos e Canadá, recebe o nome de Brownswis. No Uruguai, Argentina e 
Brasil, é encontrada em alguns centros de criação. 
 
A - Pelagem 
A cor preferida é a cinza escura (conhecida como pêlo de rato). Podemos ainda, observar as 
seguintes tonalidades: Cinza Claro, Pardo Claro e Pardo Escuro. 
 Os machos, via de regra, são mais escuros que as fêmeas. Observam-se, com freqüência, animais 
com pelagem clara em torno do focinho, na região interna dos membros e dorso. As mucosas são escuras. A 
pelagem clara acompanha todo o comprimento do dorso e é característica da Raça, se estendendo desde a nuca até o 
osso sacro (base da cauda). 
 
 
37 
 
 
B - Aptidões e Qualidades 
A sua principal finalidade é a produção de leite, que possui teor de gordura em torno de 3,88%. Os 
produtos de seu cruzamento com zebus, são altamente produtivos e adaptam-se bem ao clima tropical. Aproveita-se 
sua boa conformação e velocidade de crescimento, além da engorda. É usado também como animal de tração. 
 
10.4. PRINCIPAIS RAÇAS DE BOVINOS DE LEITE - NACIONAIS 
Dentre as Raças Leiteiras Nacionais, vamos nos referir apenas àquelas de maior expressão, pela 
produção alcançada. 
 
10.4.1. Raça Pitangueira 
Esta raça originou-se na Fazenda Três Barras no Município de Pitangueiras - Estado de São Paulo, 
através do cruzamento de vacas Raça Guzerá com touros da Raça Red-Polled, obtendo-se os indivíduos ½ sangue. 
O segundo procedimento foi o cruzamento dos indivíduos ½ sangue com touros puros da Raça Guzerá, obtendo-se 
animais ¾ Guzerá e ¼ Red-Polled. As novilhas obtidas deste cruzamento foram cobertas com touros da Raça Red-
Polled (
2
/4), obtendo-se indivíduos 
5
/8 Guzerá e 
3
/8 Red-Polled, que foram denominados Pitangueiras. Desta 
forma, os animais selecionados foram-se acasalando entre si. 
 
A - Pelagem 
Pelagem vermelha clara ou escura, com pêlos lisos e curtos, pele solta, flexível e macia. É possível o 
aparecimento de indivíduos com malhas brancas na região ventral (caráter referente ao Red Polled). 
 
B - Aptidão 
É um animal que possui dupla aptidão: corte e leite, podendo ser usado também para tração. 
 
10.4.2. Raça Caracu 
O gado Caracu, criado há muitos anos no Brasil, é de origem muito discutida. Parece que se deriva do 
antigo gado Minhoto e Alentejado, bovinos de Raças Portuguesas, chegadas ao nosso País, por ocasião do 
descobrimento. Esta Raça vem sendo criada, principalmente, no Vale do Rio Pardo (São Paulo) e no Vale do Rio 
Sapucai (Minas Gerais). Podemos encontrar rebanhos desta Raça também em Poços de Caldas e Papagaio, Minas 
Gerais. 
 
A - Pelagem 
Amarela Claro ou Amarelo Alaranjado, uniforme. Em torno do ventre, períneo, focinho e olhos, há a 
diminuição da intensidade da coloração. As mucosas são claras e sem pigmentação. Os chifres são ligeiramente 
compridos, leves, de cor clara e com pontas vermelhas, saindo para trás, para os lados, para frente e terminando 
com as pontas levantadas. As orelhas são pequenas e finas com abundância de pêlos no seu interior, principalmente 
na borda superior. 
 
B - Aptidão 
É difícil afirmar, devido a grande diferença de produção dos rebanhos formados. A produção de carne 
deixa a desejar, quando comparada com as Raças de Corte, assim como sua produção de leite, igualmente à Raça 
Pitangueiras. Podemos considerar a Raça Caracu como Mista e ainda como de tração. 
 
10.5. CARACTERÍSTICAS COMUNS ÀS RAÇAS BOVINAS DE CORTE 
As diferenças entre as Raças de corte permitem, com clareza, a diferenciação de seus atributos 
étnicos, que dizem respeito à pelagem, forma de chifres, etc. Estes caracteres peculiares dos bovinos de corte 
permitem reconhecer as Raças altamente especializadas para corte. As maiores diferenças se encontram no 
tamanho, proporções, precocidade e adaptabilidade. 
 
1 - Corpo 
 O seu corpo forma um bloco compacto, largo, profundo e, moderadamente comprido. Deve ser tão perfeito 
quanto possível, liso na união de diversas regiões, sem saliências nas espáduas, sacro e base da cauda. Sem 
depressões no cilhadouro e flancos, não devem ser barrigudos e devem ser bem proporcionados nas diversas partes. 
Devem-se locomover com facilidade. A linha superior deve ser direita, larga e bem musculada, desde o pescoço até 
a cauda. O quarto anterior deve ser largo, profundo e cheio. Quando visto de frente, deve apresentar bom espaço 
entre os membros e, o quarto posterior, deve ser comprido, largo e profundo. O corpo tem a forma de 
paralelepípedo ou de cilindro, isto, segundo a Raça: as Européias apresentam formato cubóide. Os quartos 
 
 
38 
 
dianteiros e traseiros são bem desenvolvidos. A pele deve ser solta e revelar uma musculatura macia e elástica à 
palpação. 
 
2 - Pelagem 
A pelagem é variável, segundo a Raça, com couro de espessura média, macio e elástico, em geral, 
bem coberto por pêlos finos e sedosos. 
 
3 - Peso 
Deve ser entre médio e grande. As raças pequenas não são satisfatórias para esta finalidade. 
 
4 - Estatura 
De preferência baixa, sem prejuízo do peso. 
 
5 - Cabeça 
Média, preferindo-se curta, seca, larga entre os olhos, coberta de pêlos finos, chanfro moderadamente 
fino, focinho largo e narinas grandes. Olhos grandes e plácidos, chifres ausentes ou não grosseiros, orelhas médias, 
antes largas do que longas, nem relaxadas nem muito abertas e cobertas de pêlos. 
 
6 - Pescoço 
Médio ou Curto, maior e mais fino nas fêmeas, bem unido com a cabeça, alargando-se e 
aprofundando-se gradativamente para trás, de maneira a unir-se insensivelmente com as espáduas. 
 
7 - Tronco 
Dorso e lombo largos, musculosos, nivelados, ancas cheias, garupa bem cheia em toda sua extensão, 
longa e larga, cauda grossa na base afinando na extremidade, saindo em nível com a garupa. Peito cheio, largo e 
alto. Ponta do peito arredondadoe tórax amplo. Espáduas bem desenvolvidas, não proeminentes, cheias e bem 
unidas na frente e atrás. Costado moderadamente longo, com costelas compridas, arredondadas e bem cheias de 
carne, mesmo no cilhadouro. Ventre bem suspenso, com linha inferior direita, sendo as fêmeas, mais barrigudas. 
Flanco posterior profundo, cheio e espesso. Nádegas bem descidas até o jarrete e espessa tanto do lado de dentro 
como do lado de fora. 
 
8 - Membros 
Braço e Antebraço largos, carnudos até o joelho. Coxas e pernas largas, afinando-se graciosamente 
até o curvilhão. Mocotós médios ou curtos, finos, bem aprumados e afastados. Ossatura regular, porém densa e com 
boa cobertura muscular. 
 
Principais diferenças entre Bos indicus e Bos tauros 
Bos indicus (Zebú) Bos taurus (Europeu) 
1-Elevada tolerância ao calor tropical; 1 - Pequena tolerância ao calor tropical; 
2-Resistência a ecto e endoparasitos; 2 - Menor resistência a endo e ectoparasitos; 
3-Boa capacidade de adaptação ao regime de 
pastoreio; 
3- Mais exigentes quanto às necessidades nutricionais 
pelo intenso melhoramento genético; 
4-Período de gestação em torno de 292 dias; 4-Período de gestação em torno de 281 dias; 
5-Pescoço curto, estreito, com barbela ampla e cupim 
desenvolvido nos machos; 
5-Pescoço curto e amplo, com barbela pouco 
desenvolvida e cupim ausente. Os machos apresentam 
bom desenvolvimento da massa muscular, da cernelha 
para o pescoço (cangote); 
6-Pele com pigmentação abundante, com pêlos curtos 
e lisos, favorecendo a eliminação do calor. 
6-Pele menos elástica que a do Zebu e os pêlos são 
menos longos. 
 
10.6. RAÇAS BOVINAS DE CORTE 
 Bovinos Indianos Bovinos Europeus 
Gir Hereford 
Guzerá Charolês 
Nelore Chianina 
Indu-Brasil Marchigiana 
Tabapuã ou Zebu Mocho Shorton 
Brahaman 
 
 
 
39 
 
BOVINOS DE CORTE – RESULTADOS DE CRUZAMENTOS 
 Brangus Bradford 
 Beef-Master Santa Gertrudes 
 Charbray Canchin 
 
 
10.8.1. Raça Nelore 
É uma Raça originária da Índia, considerado um animal muito resistente, prolífico e que se adapta 
muito bem ao regime de pasto. Possui a variedade Mocha e Malhada. 
 
A - Pelagem 
A pelagem predominante é a Branca e a Cinza Clara, podendo haver variações como a prateada e 
nuvem, com manchas escuras em torno dos olhos, boletos e quartelas. Via de regra as fêmeas são mais claras do 
que os machos. A vassoura da cauda é preta. A pele bem pigmentada, com pêlos curtos, finos e sedosos. Entre sua 
variedade de pelagem, podemos encontrar animais malhados (manchas pretas). 
 
B - Cabeça 
A cabeça apresenta tamanho médio com perfil sub-convexo e chanfro reto, curto nos machos e mais 
comprido nas fêmeas. Chifres curtos de forma cônica, escuros, grossos na base e finos nas pontas, dirigindo-se para 
fora, para trás e para cima. Assemelha-se a dois paus fincados simetricamente no crânio. 
 
C - Giba ou Cupim 
Firme e desenvolvido, assemelhando-se a uma castanha de caju. De menor tamanho nas fêmeas. 
 
D - Aparência Geral 
Aparência vigorosa, com ótimo desenvolvimento para a idade, constituição robusta, ossatura leve. 
Musculatura farta e bem distribuída, com ótima conformação para carne. 
 
 E - Aptidão 
No Brasil é criado exclusivamente para a produção de carne, dadas suas características. Adapta-se 
bem ao regime de pastoreio. Das Raças indianas é a mais usada nos programas de Inseminação Artificial, em gado 
de corte. Nos cruzamentos com outras Raças, tem dado bons resultados e elevada produtividade. 
 
10.8.2. Raça Guzerá 
Segundo a maioria dos autores, a Raça Guzerá do Brasil, corresponde ao Kan-Krej da Índia. É uma 
Raça com aptidão para a produção de carne e dá excelentes resultados nos cruzamentos para a produção de 
leite/carne. Como Raça Zebuína, é boa produtora de leite. 
 
A - Porte 
É um animal de porte grande como o Nelore. 
 
B - Pelagem 
A sua pelagem varia de cinza claro a cinza Escuro, observando-se tonalidades pardas e prateadas. Via 
de regra, a pelagem da cabeça, pescoço, quartos posteriores e extremidades, são mais escuras, chegando ao negro 
nos machos. A pelagem das fêmeas é mais clara que a dos machos. 
 
C - Cabeça 
Relativamente curta, larga e expressiva, com perfil sub-côncavo a retilíneo. Fronte moderadamente 
larga e quase plana. Olhos pretos e elípticos, protegidos, nos machos, por rugas de pele da pálpebra superior. 
Chifres grandes de coloração escura, saindo horizontalmente para fora e para cima em forma de lira, terminando 
para dentro e, ligeiramente, para trás. 
 
D - Cupim 
De tamanho médio, bem implantado na cernelha e um pouco inclinado para trás, em forma de 
castanha de caju, que se apresenta menor nas fêmeas. 
 
E - Úbere e Tetas 
Bem desenvolvidos, prolongando-se para frente e para trás. Pele macia e pregueadas, com tetas 
médias e bem desenvolvidas. 
 
 
40 
 
 
F - Aparência Geral 
Animal vigoroso e de bom porte e desenvolvimento, musculatura compacta e ossatura forte e fina, 
assemelhando-se ao Nelore. 
 
G - Aptidão 
Mista e é considerada a Raça Zebuína mais recomendada para cruzamentos com gado Europeu 
visando a produção de carne e leite. 
 
10.8.3. Raça Gir 
É uma Raça criada em toda a Índia e conhecida com o mesmo nome. 
 
A - Porte 
A Raça Gir apresenta porte mediano. 
 
B - Pelagem 
Podemos encontrar 12 tipos de variedades assim reconhecidas: 
 
- Vermelha, em todas as suas tonalidades; 
- Vermelha chitada; 
- Amarelo em tonalidades típicas da Raça; 
- Chitada de amarelo, dominando a cor branca, com orelhas e cabeça total ou parcialmente pretas; 
- Moura escura, com predominância da cor preta, orelhas e cabeça escura; 
- Moura clara, com predominância da cor branca. Orelhas e cabeça total ou parcialmente pretas; 
- Vermelha gargantilha; 
- Chitada de vermelho; 
- Amarela gargantilha; 
- Amarela chitada; 
- Chitada clara; 
- Rosilha clara (moura de vermelho), predominando a cor branca, com orelhas e cabeça total ou parcialmente 
vermelhas; 
 
A vassoura da cauda é preta mais, tolera-se a vassoura branca ou misturada, principalmente na 
pelagem chitada e moura. 
 
C - Cabeça 
Perfil ultra-convexo, fronte larga e proeminente, com a marrafa jogada para trás. Chifres médios, 
escuros, grossos na base, saindo para baixo, para trás e dirigindo-se um pouco para cima, encurvando-se para 
dentro. Orelhas longas, finas e pendentes, começando em forma de cano, com a porção superior enrolada para si 
mesma, abrindo-se gradualmente para fora, curvando-se para dentro e estreitando-se na ponta, que se volta para a 
face. 
 
D - Aparência geral 
Dócil, vigoroso e de boa conformação. 
E - Aptidão 
Sua função econômica principal é a produção de carne, sendo usada ainda nos cruzamentos para a 
produção de leite. 
 
10.8.4. Raça Indu-Brasil 
Foi formada no Brasil, na região do Triângulo Mineiro (1.920 - 1.935), resultado do cruzamento das 
Raças Gir, Guzerá e Nelore, esta última em menor proporção. A partir de 1.940 o produtor voltou-se para a 
exploração de raças puras e o Indu-Brasil perdeu a popularidade. 
 
A - Pelagem 
Cor uniforme, variando de branco a cinza, nas diversas tonalidades, destacando-se a fumaça e a 
azulejada. Nos machos as extremidades são, freqüentemente, mais escuras com pêlos finos, curtos e sedosos, com a 
vassoura da cauda preta. 
 
B - Cabeça 
Geralmente grande proporcional ao corpo. Perfil sub-côncavo e fronte de largura média, ligeiramente 
 
 
41 
 
saliente.Os chifres são escuros, saindo para trás e para cima, dirigindo-se para dentro, com pontas rombudas e 
convergentes. Orelhas longas, pendentes e largas, com pontas arredondadas e a face interna do pavilhão auditivo 
voltada para frente. Olhos escuros e protegidos por rugas da pele. Cílios longos e pretos. 
 
C - Giba ou Cupim 
No macho é bastante desenvolvida e em forma de castanha de caju. Menor nas fêmeas. 
 
D - Aparência Geral 
Constituição robusta e demonstrando mansidão. 
 
E - Aptidão 
Produção de carne, no entanto é um animal de ossatura grosseira, perdendo em rendimento de carcaça 
e desempenho para as outras Raças Zebuínas. Seu período de gestação é, em média, o mais curto entre as Raças 
Zebuínas. 
 
10.8.5. RAÇA TABAPUÃ OU NELORE MOCHO 
Esta Raça foi criada em 1.940, no Município de Tabapuã - SP, a partir de uma vaca Nelore que 
produziu um bezerro mocho, do sexo masculino. A partir deste touro, foram feitos cruzamentos usando vacas com 
predominância de sangue Nelore, havendo o crescimento do rebanho. 
 
A - Pelagem 
Branca ou cinza com variações de tonalidades. Pêlos finos, curtos e sedosos. Pele preta, fina, oleosa e 
flexível. 
 
B - Cabeça 
De comprimento e largura média, em forma oval ou circular, mais curta nos machos e, mais comprida 
nas fêmeas. Perfil sub-convexo ou retilíneo. Ausência de chifres e orelhas médias, relativamente largas, um pouco 
voltadas para a face, com ligeira reentrância na extremidade da borda interior inferior. Focinho totalmente preto. 
 
C - Giba ou Cupim 
Desenvolvido e firme, em forma de castanha de caju. Menor nas fêmeas. 
 
D - Aptidão 
Raça explorada para a produção de carne. Utilizada no cruzamento com outras Raças, resultando 
animais rústicos e de boa produtividade. 
 
10.8.6. Raça Brahaman 
É uma Raça dos Estados Unidos, originada do cruzamento das Raças: Nelore, Guzerá, Valley e Sindi, 
introduzidas naquele País. Os criadores da Raça não se preocuparam com as características raciais estéticas e sim, 
com uma seleção econômica, misturando as Raças Indianas importadas. 
 
A - Características Raciais 
Animal resistente às condições adversas do meio ambiente. É um bovino de grande porte, com 
desenvolvimento e aptidão para a produção de carne. 
 
B - Pele 
Grossa e com uma barbela muito extensa, quando comparada com outros Zebuínos. Sua pelagem 
varia desde o branco até o cinza, claro e escuro. 
 
C - Cabeça 
Perfil sub-convexo ou retilíneo, com narinas amplas e espelho nasal preto, como nas Raças Zebuínas. 
Apesar de ser resultado de cruzamentos de raças, os chifres são médios e pretos. As orelhas são médias, com as 
pontas lanceoladas e curvatura na borda superior. Quando levantadas, as pontas voltam-se para a face. 
 
D - Aptidão 
Especializada para a produção de carne. Nos cruzamentos com outras Raças, deu origem às Raças: 
Santa Gertrudes, Bradford e Brangus. Nas provas de desempenho, possui os resultados parecidos com o Nelore e o 
Guzerá. 
 
 
 
 
42 
 
11. RAÇAS BUBALINAS 
Na Índia, existem 12 raças de búfalos (Bubalus bubalis), mas, nos referiremos somente, àquelas 
registradas pela Associação Brasileira dos Criadores de Búfalos. 
No rebanho brasileiro, podemos observar, com freqüência, formas intermediárias entre as quatro mais 
criadas. Isto se deve aos cruzamentos entre as mesmas e também a influência de outras Raças, com as quais os seus 
antepassados foram miscigenados. Os bubalinos indianos que são chamados pelos ingleses de “búfalos da água”, 
foram introduzidos no Egito e depois na Itália, no Século VI. Os espanhóis, para designar uma espécie de porte 
menor, nas Ilhas Filipinas, adotaram a denominação Carabao, denominação esta usada também pelos Malaios, para 
designar uma espécie de porte menor existente nestas Ilhas. 
Esta espécie, depois de sofrer domesticação na Índia, expandiu-se para a China, Birmânia, Sião, Java, 
Malásia, Sumatra, Sudoeste da Ásia, Sul da África, Egito e Sul da Europa. Posteriormente, para a América Central 
e do Sul. Sua população mundial é estimada em 130 milhões de cabeças. 
 
11.1. Raça Jaffarabadi 
Originária do Oeste da Índia, é uma Raça pesada, boa produtora de leite no entanto, menos produtiva 
que a Murrah. As fêmeas não soltam o leite sem a presença da cria. 
 
A - Pelagem 
Preta uniforme, sem manchas, com pêlos raros, sendo quase ausentes nos animais adultos. 
 
B - Cabeça 
Mais pesada que a Murrah, mostrando uma fronte ultra-convexa, com marrafa arredondada e 
proeminente. Chifres longos saindo para trás, para baixo e para os lados, virando-se para cima nas pontas. As vezes, 
seguem reto para baixo. Orelhas inseridas junto aos chifres, dirigidas para os lados, horizontalmente. Olhos 
sonolentos e mortos, sempre pretos e pequenos. Chanfro retilíneo para sub-convexo. 
 
C - Pescoço 
Pesado e com barbela desenvolvida nos machos. 
D - Corpo 
Comprido e profundo, com peito amplo, linha dorso-lombar direita, com ligeira depressão e a garupa 
um pouco inclinada, terminando por uma cauda comprida e fina, com vassoura preta. Úbere relativamente bem feito 
e bem desenvolvido. 
 
E - Membros 
Fortes, ossudos e bem aprumados. Patas grandes e vigorosas. Os cascos são pretos ou cinza escuros. 
 
F - Aptidões 
É considerada uma Raça mista, produção de carne e leite. Produz leite gorduroso com teor de gordura 
em torno de 7%. Os machos castrados e bem manejados são bons ganhadores de peso. 
 
11.2. Raça Murrah 
Originária do Punjab, bastante difundida no Norte da Índia e Paquistão. Considera-se a melhor Raça 
leiteira e manteigueira, sendo de boa exploração econômica e, apresenta como característica importante, soltar o 
leite sem a presença da cria. 
 
A - Pelagem 
Pelagem preta ou acinzentada com pêlos ralos nos animais adultos. Os pêlos, as vezes, são ruivos. A 
pele é uniformemente preta, desprovida de manchas brancas. 
 
B - Cabeça 
De largura e comprimento proporcionais, leve no frontal e maciça nos maxilares; perfil ligeiramente 
côncavo. Fronte larga, com leves saliências nas laterais. Chifres curtos, pequenos, curvando-se para trás e para cima 
em forma de espiral, de seções ovaladas, quase triangular. Olhos proeminentes nas fêmeas e menores nos machos, 
de coloração preta. As orelhas são médias estreitas, às vezes pendentes. Chanfro estreito e reto. 
 
C - Pescoço 
De comprimento médio, grosso e forte nos machos e descarnados nas fêmeas. Sem barbela. 
 
D - Corpo 
Curto, profundo e com peito bem desenvolvido. Dorso largo e direito, com costelas bem arqueadas. 
 
 
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Garupa larga, um pouco inclinada no macho e, mais ainda na fêmea. Inserção da cauda relativamente alta. Coxas e 
nádegas cheias e carnudas. Úbere volumoso com tetas longas, bem separadas com as anteriores mais curtas. Veias 
do leite grossas e sinuosas. 
 
E - Membros 
Curtos, grossos e aprumados, com unhas pretas. 
 
F - Aptidão 
Na Índia, é tida como a melhor produtora de leite, com 7% de matéria gorda. 
 
11.3. Raça Mediterrânea 
Conhecida como “Preto ou Italianinho”. É encontrada no Estado do Pará e no Brasil Central. 
Importada da Itália onde, alguns rebanhos, sofreram seleção leiteira. Apresentam características da Murrah e 
Jaffarabadi. 
 
A - Pelagem 
De preferência preta, estendendo-se aos chifres, espelho nasal e mucosas aparentes. Apresenta pêlos 
escassos, predominando na parte anterior do corpo. Observam-se as cores pretas castanha, cinza castanha, no 
entanto, as pelagens branca ou clara, ou malhas brancas, são desclassificatórias da Raça para registro. 
 
B - Cabeça 
De tamanho médio, ligeiramente convexa, comprida e estreita. Apresenta pêlos nas bordas inferiores 
dos maxilares, fronte larga,chifre negros, grossos e fortes, de seção triangular, dirigido para fora, para trás e para 
cima, com as pontas voltadas para dentro ou não, superando a altura da marrafa. Olhos pretos, redondos, 
medianamente proeminentes. Orelhas bem abertas, dirigidas para os lados, horizontalmente. 
 
C - Pescoço 
Fino e quase sem barbela. 
 
D - Corpo 
Compacto, musculoso, profundo e de comprimento médio. As linhagens mais leiteiras mostram o 
corpo mais longo e menos musculoso. Seu dorso é curto, largo e em forma de sela. A garupa está em declive, 
terminando com cauda curta, bem inserida, provida de vassoura preta ou tufos de pêlos brancos. Úbere amplo e bem 
desenvolvido. 
 
E - Membros 
Fortes, de comprimentos médios e corretamente aprumados. 
 
F - Aptidão 
Produção de leite com teor de gordura em torno de 7,9%. 
 
11.4. Raça Carabao 
Esta Raça é conhecida como “Rosilha”, existe no Estado do Pará, principalmente, na Ilha do Marajó. 
É originária do Sudoeste da Ásia e chegou ao Brasil por volta de 1.890. 
 
A - Pelagem 
Cinza Clara ou Rosilha, com manchas de tonalidade clara ou branca nas patas, peito e tufos claros nas 
arcadas orbitárias superiores, comissuras labiais e ventre. 
 
B - Cabeça 
De tamanho médio, chanfro reto, relativamente pequena e com olhos arredondados, grandes, vivos e 
pretos. Orelhas de tamanho médio, horizontais, cobertas de pêlos longos e claros. Chifres longos, fortes, de seção 
triangular, saindo lateralmente em posição horizontal, para fora e para cima. 
 
C - Corpo 
Musculoso e um tanto cilíndrico, sem depressões. 
 
D - Membros 
Vigorosos, relativamente leves e aprumados. 
 
 
 
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E - Aptidões 
Bom para corte e para trabalho (tração e sela). Sua produção de leite é muito modesta e seu teor de 
gordura no leite varia entre 7,2 e 11%. 
 
OBS: Os Búfalos não transpiram pelo seu corpo, apenas o fazem pelo focinho daí, sentirem bastante as 
temperaturas elevadas e, por isso, gosta de mergulhar nos rios, lagos, tanques e áreas pantanosas. Nesta 
prática, são freqüentemente atacados por Leptospirose. 
 
12. SINAIS DE FERTILIDADE 
 
12.1. VACAS 
- Cabeça e bochechas magras e lisas. Mandíbula sem muito desenvolvimento. Olhos tranqüilos e femininos 
- Pescoço magro, relativamente plano com pêlos lisos e finos. 
- Espáduas isentas de depósito de gordura. 
- Peito sem proeminência, sem depósito de gordura e barbela estendendo-se em torno do peito. 
- Membros anteriores: parte superior magra, bem definidos e sem musculatura grossa. 
- Costelas anteriores curtas e bem arqueadas. 
- Ancas bem proeminentes, sem depósitos de gorduras. 
- Úbere bem desenvolvido (para zebuínos), pêlos curtos, tetas lisas e brilhantes. 
- Na primavera a troca de pêlos é rápida, sendo indicativo de uma excelente capacidade endócrina (utiliza-se na 
seleção de novilhas). 
 
12.2. SINAIS DE SUB-FERTILIDADE 
 
12.2.1. VACAS 
- Mandíbula inferior grossa, cabeça anovilhada. 
- Pescoço grosso e musculoso, pêlos longos, duros e ásperos por cima. 
- Espáduas grossas, camada com depósito de gordura. 
- Peito grosso, cheio, inclinando-se para frente e para baixo, com pouca barbela. 
- Espinha dorsal e lombo com depósitos de gordura, assim como entre as espáduas. 
- Braço musculoso. 
- Costelas anteriores compridas e planas. 
- Articulações (musculatura bem desenvolvida). 
- Articulações (musculatura bem desenvolvida). 
- Úbere mal desenvolvido e deficiente. 
- Nádegas bem desenvolvidas com gordura debaixo da vulva. 
- Canelas compridas e grossas. 
- Quarto anterior, excessivamente desenvolvido, carnudo e com depósito de gordura. 
- Quarto posterior mal desenvolvido, com depósito de gordura nas pernas e canelas (articulações da rótula, 
vulva e frente do úbere). 
 
12.3. SINAIS DE FERTILIDADE 
 
12.3.1. TOUROS 
- Cabeça marcadamente masculina. 
- Pescoço acentuadamente masculino com pêlos fortes e mais escuros (caracteres sexuais secundários no 
macho). O Nelore de pelagem acinzentada tem maior capacidade respiratória que o de pêlos brancos, pela 
maior capacidade de produção de hormônios. 
- Espáduas: bem musculadas e com a musculatura bem definida. 
- Peito carnudo. 
- Giba forte, musculada e bem implantada (sem pender para nenhum dos lados). 
- Membros anteriores curtos, sem musculatura excessiva, especialmente na parte superior do braço. 
- Costelas anteriores fortemente musculadas e bem arqueadas. 
- Costelas posteriores bem arqueadas com boa cobertura muscular. 
- Lombo com musculatura forte. 
- Bainha prepucial não muito pendente, abertura não muito larga, com pêlos na bainha prepucial. 
- Nádegas de musculatura forte. 
- Testículos bem conformados, suspensos e não muito fortes nem pendentes. 
 
 
 
 
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12.4. SINAIS DE SUB-FERTILIDADE 
 
12.4.1. TOUROS 
- Cabeça sem masculinidade e mandíbula inferior grossa. 
- Pescoço anovilhado e sem musculatura. 
- Peito magro, sem desenvolvimento muscular (estreito na frente). 
- Testículos pequenos. 
- Membros (ossatura) fina, com pouca massa muscular. 
- Corpo com expressão feminina. 
- Costelas sem curvatura e desprovidas de massa muscular. 
- Ausência de pêlos na abertura prepucial. 
- Posterior pouco desenvolvido (pouca massa muscular). 
 
13. ATRIBUTOS FISIOLÓGICOS DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS 
Os Caracteres Fisiológicos são de duas ordens: 
 
- Os puramente fisiológicos; 
- Os que se confundem com as funções produtivas ou faculdades econômicas. 
 
O temperamento, constituição orgânica, precocidade, velocidade de crescimento, prolificidade, odor, 
imunidade, instinto, memória, etc. que, embora não se confundam com as funções econômicas, apresentam 
importância econômica visto que permitem o melhor aproveitamento dos animais domésticos, na sua exploração 
pelo homem. A lactação, locomoção, formação de carne e gordura, produção de ovos e de lã, são também funções 
fisiológicas, mas, que o homem explora. Por tal razão, passaram para o rol das funções produtivas. 
Os atributos desta natureza são difíceis de ser verificados e medidos nos animais, à primeira vista. 
Principalmente, os caracteres econômicos, cuja presença e intensidade, no indivíduo, é preciso determinar para a 
sua exploração mais eficiente e que são medidos ou avaliados com o auxílio de métodos especiais de cálculos, 
pesagens, mensurações e análises, de modo a precisar, com certa precisão, a intensidade de sua manifestação. 
Os atributos Fisiológicos, em sua maioria, são influenciados pelo meio ambiente (alimentação, trato, 
etc.). Resta saber se tais atributos são de natureza étnica. É difícil prová-lo dado que tanto os fisiológicos quanto os 
econômicos são transmitidos de pais para filhos nos cruzamentos de Raças e Linhagens diferentes (transmissão 
biológica de tais atributos). 
Segundo Zwaenepoel (1922) um descendente de indivíduos de constituição orgânica robusta, poderá 
ter tal constituição. O herdeiro de um touro com tendência a engorda, também a terá. O descendente de uma boa 
produtora de leite, poderá também ser boa produtora de leite. 
Prova-se ainda que os Atributos Fisiológicos sejam atributos Étnicos já que, por meio deles, 
caracterizamos ou definimos Raças, Linhagens e Famílias de animais domésticos. Assim, existem Raças de: 
- Carne; 
- Leite; 
- Ovos brancos e vermelhos; 
- Produção de lã; 
- Constituição Orgânica robusta. 
13.1. TEMPERAMENTO 
Há animais com temperamento mais apagado, outros com temperamento mais agressivo (mecanismo 
de defesa - ação hormonal - descarga de adrenalina). 
 
Ex: 
Temperamento apagado - próprio dos animais dóceis: Búfalo, Jersey e Schwytz; 
Aves: Leghorn (temperamento nervoso) e Isa Brown (temperamento menos nervoso); 
Cavalos - Temperamento exageradamente nervoso; 
Suínos: Landrace(manso). Duroc e Hampshire ( mais nervosos); 
Bovinos Indianos: Nelore e Guzerá (temperamento mais nervoso). 
 
O temperamento é um atributo muito influenciado pelos fatores externos, em que sua ação é direta 
(alimentação e regime de criação); amansamento imperfeito gera cavalos que dão coices, malcriados, que pode ser 
corrigido, apesar de estar relacionado com a índole do animal. 
 
13.2. CONSTITUIÇÃO ORGÂNICA 
É a modalidade de reação do organismo em relação às condições do meio ambiente. Segundo 
Zwanepoel (1.922), a longevidade ou vida de um animal, é uma conseqüência da constituição orgânica e de sua 
 
 
46 
 
adaptação ao meio ambiente onde vive variando com as Raças. 
Comumente falamos de animais de “boa constituição” e de “má constituição”. Há assim, animais de 
notável resistência orgânica às enfermidades, mudança de clima, má ou irregular nutrição e rigor das estações. São 
os que pertencem a este grupo de “boa constituição”, correspondendo aos animais sempre mais sadios, onde há 
muito pouca perturbação de suas atividades fisiológicas. Existem outras que mal resistem às causas prejudiciais a 
sua saúde. 
Ao contrário, os menores males os atingem sempre de maneira severa e devastadora. Nas condições 
de penúria ou clima rigoroso, há de se ter os maiores cuidados com eles, pois pertencem ao grupo que classificamos 
como possuidores de “má constituição”. Quando um rebanho é submetido a rigorosa seleção, este atributo é de 
grande importância, dado que é de caráter hereditário. 
Esta diferença, fácil de verificar, é de fundo genético, reação natural do indivíduo ao meio: 
temperatura, umidade, ventos, luminosidade, pastagens, trato, agentes etiológicos como parasitas e bactérias, etc., 
têm origem na formação hereditária dele, e é inerente a cada indivíduo que nasce não sendo adquirida. 
A Constituição Robusta ou Rústica é própria dos animais criados em Sistemas Extensivos, sem 
especialização de funções e sujeitos à Seleção Natural. Possuem pele grossa, pelos compridos, duros e abundantes 
(clima frio) ou pêlos curtos, sentados e não abundantes (clima quente), ossos grossos, corpo volumoso, mas 
diferentes em suas partes úteis. 
A Constituição Seca ou Fina é observada em animais aperfeiçoados zootecnicamente. Possuem pele 
fina, solta, pêlos finos, curtos, macios, ossos reduzidos e espessos, com suas partes musculares úteis mais 
abundantes. 
A Constituição Débil ou Delicada se encontra nos animais demasiadamente especializados e, nos 
quais foi ultrapassado o limite da resistência do organismo, favorecendo os desequilíbrios funcionais. Possuem pele 
muito fina, quase ausência de pêlos, esqueleto externamente fino, coberto por uma musculatura deficiente, ou mal 
desenvolvida e degenerada pela formação de gordura e finalmente muito nervosos na maioria das vezes. 
 
13.3. IMUNIDADE 
Chama-se imunidade a certa resistência do indivíduo a contrair determinada doença. Ela pode ser: 
Adquirida, Ativa, Natural e Passiva. 
 
13.3.1. Imunidade Adquirida: 
Aparece no animal após a manifestação, nele, de uma moléstia infecciosa. É o caso da Tristeza 
Parasitária dos bovinos, assim como a Anaplasmose. Campos infectados com carrapatos transmitem a doença após 
picadas, e os animais se tornam imunes a esta doença. 
 
13.3.2. Imunidade Ativa: 
A vacinação confere este tipo de imunidade e consiste na inoculação de uma suspensão de bactérias 
mortas (bacterinas) ou vírus vivo atenuado (perdeu o poder infectante). 
 
13.3.3. Imunidade Inata ou Natural: 
É aquela que o indivíduo permanece refratário, qualquer que seja o grau de virulência do germe (são 
as barreiras naturais: lizosimas, macrófagos e leucócitos), etc. 
 
13.3.4. Imunidade Passiva: 
É aquela mediada pelo colostro (primeiro leite produzido pela glândula mamária logo após o parto). 
 
13.4. Odor e Faro 
O odor é um atributo hereditário que caracteriza certas espécies animais. A alimentação não tem 
nenhuma influência neste sentido. O caso do cheiro característico dos caprinos, principalmente do macho, assim 
como o do pato, é típico do cheiro ligado à Espécie. Ainda entre os caprinos, a Raça Nubiana é aquela onde os 
machos se mostram mais ou menos livres do forte odor. 
Chama-se faro ao olfato dos animais, particularmente, do cão, no qual este sentido é muito apurado, 
permitindo seu emprego na caça. Ao lado da coragem e inteligência, foi a razão de sua exploração pelo homem. 
 
Exemplos: 
 
 Cães de caça 
Raças Atividade Explorada 
Pastor Alemão e outros Cães de guarda 
Perdigueiro (cão brasileiro) Caça de aves 
 
 
47 
 
Pointer Caça de aves 
Setter Irlandês Caça de aves 
 
Pela sua coragem e inteligência, associado ao agudo faro, as raças acima citadas são empregadas para 
a caça. Ao contrário dos Dogues, Bulldogs que não apresentam faro tão sensível, chegando a não reconhecer o 
dono, podendo agredi-lo pela sua extrema ferocidade. 
 
14. CARACTERES MORAIS OU PSÍQUICOS DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS 
Os caracteres que dizem respeito ao Sistema Nervoso, são os Atributos Fisiológicos denominados 
Morais ou Psíquicos. Os que mais interessam são: o instinto e as qualidades morais, permitindo o adestramento dos 
animais. 
Os atos instintivos, de uma maneira geral, têm como finalidade a conservação do indivíduo e, 
indiretamente, da Espécie. Por instinto os animais executam certos atos inconscientes, independentes da vontade, 
levados pela excitação exterior e por uma vontade interior cega. 
 
- O pinto bica a casca do ovo para se livrar dela e nascer; 
- Os mamíferos que recém-nascidos sujam o peito materno; 
- O desencadeamento do parto, com a liberação de hormônios. 
 
Assim, os atos instintivos se transmitem de pais para filhos e são atributos hereditários e não 
adquiridos. Seu aperfeiçoamento nos animais superiores deu origem aos atos dirigidos pela inteligência. Se os 
instintos sofrem variações e se são hereditários, na presença da domesticação houve variações úteis ao fim 
zootécnico da criação. 
Como variações do instinto têm o enfraquecimento do apego materno: as mães se tornam menos 
zelosas e vigilantes com seus filhos, chegando mesmo a abandoná-los ou sacrificá-los por uma aberração do 
instinto. O maior exemplo são as vacas altas produtoras de leite. 
É também o caso destas vacas que se deixam ordenhar a mão ou à máquina, sem nenhum problema. 
Por outro lado, os bezerros destas vacas, aceitam facilmente o aleitamento artificial, enquanto os de Raças rústicas, 
não especializadas, adotam o aleitamento artificial com maior dificuldade. 
 
14.1. MEMÓRIA 
A experiência é adquirida pela repetição de certos atos, sempre os mesmos na qualidade e 
intensidade. Quanto a memória não podemos negar sua existência nos animais, porque psicologicamente ela não é 
mais do que um efeito aperfeiçoado de impressões repetidas, de excitações exteriores, sobre as células nervosas. 
 
14.2. INSTINTO DE IMITAÇÃO 
Entre os Instintos, devemos fazer especial referência ao chamado Instinto de Imitação, que é 
indispensável na explicação do adestramento. O Instinto de imitação é o ato pelo qual o indivíduo procura repetir o 
que vê o seu semelhante fazer. 
Basta colocar um animal não ensinado para um determinado serviço junto a outro já adestrado para 
que, aos poucos, levado pelo instinto, ele comece a executar o serviço, embora imperfeitamente, ao perceber o outro 
fazer. É através deste instinto que o animal novo passa natural e paulatinamente na Criação Extensiva, da 
amamentação para o verde, vendo e imitando a mãe. 
O adestramento é a operação pela qual o criador torna mais útil e eficiente, os seus animais, 
adquirindo hábitosnovos e eliminando ou modificando o seu instinto natural. Aqui, os hábitos são adquiridos por 
modificação ou educação do instinto, não sendo transmitido à sua descendência. O que faz o adestramento é o 
instinto e a memória. 
 
14.3. ORIENTAÇÃO 
É o fato conhecido em que os animais domésticos em geral, têm a faculdade de retornar ao lugar onde 
foram criados, quando daí afastado involuntariamente. O cão auxilia-se do seu faro. Os bovinos, eqüinos, jumentos, 
carneiros e cabras têm facilidade maior ou menor de retornar ao local de criação, fazendo longas caminhadas. 
Trata-se do comportamento dos animais criados extensivamente, das raças mesológicas, animais que 
são mais o produto do seu meio ambiente, do que da ação do homem. 
Esta faculdade culmina com o pombo-correio que, voa a grandes distâncias, e volta ao seu pombal. 
Estes animais se servem da memória e da visão para se orientar nos seus longos vôos de retorno. Rabaud (1.926) 
escreveu o seguinte: “Logo livres, os pombos alcançam-se na atmosfera, fazendo círculos concêntricos de rádio 
cada vez maiores, auxiliados pela aguda visão, registrando em sua memória topográfica, pontos que lhe permitem 
reconhecer sua área de moradia, assim rumam no horizonte à procura da viagem. De retorno, voam a grandes 
alturas, também em círculos concêntricos primeiramente maiores, e a partir da identificação dos pontos de 
 
 
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referencia registrados na memória, vão descendo com vôos em círculos concêntricos de rádio cada vez menor, até 
pousar no pombal.”. 
 
15. FUNÇÕES PRODUTIVAS DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS 
Os animais domésticos vivem e se multiplicam graças às funções fisiológicas dos órgãos do seu 
corpo. Algumas destas funções podem ser usadas pelo homem, tirando determinado proveito. Assim, destas funções 
fisiológicas resulta uma utilidade ou um serviço e são chamadas Funções Produtivas ou Econômicas ou ainda 
Funções Zootécnicas. Da função fisiológica da glândula mamária, resulta o leite, utilizado na alimentação. Por 
outro lado, o homem explora o serviço do aparelho locomotor do animal, explorando sua função locomotora. 
As Funções Produtivas variam de acordo com a Espécie, Raça, Sexo e gênero de exploração. 
Podemos dizer que são nove as modalidades de utilização dos animais domésticos: 
 
15.1. Produtos para a Alimentação Humana 
Carne, vísceras, leite, gordura, toucinho, manteiga, ovos e mel. As espécies capazes desta utilização 
são: bovinos, bubalinos, suínos, ovinos, caprinos, coelhos, aves, abelhas e cavalos. Nas regiões carentes de carne 
de bovinos, a cobaia é criada para alimentação como é o caso da Bolívia e Perú. 
 
15.2. Matéria Prima para a Indústria 
Lã, pêlos, seda, pele e couro. O carneiro, a cabra, bicho da seda, coelhos, bovinos e bubalinos. 
 
15.3. Força Motriz 
É o caso do aproveitamento do cavalo, jumento e, do seu híbrido, o burro. Além destes, o bovino, 
bubalino, camelo, lhama, rena e até o cão são empregados. 
 
15.4. Despojos e Adornos 
Temos a considerar o serviço de certas aves domésticas, cujas plumas e penas são utilizadas como 
adorno feminino ou na confecção de objetos de uso domésticos. Avestruz, pavão, araras, faisões e outros. 
 
15.5. Detritos e Excreções 
Inclui-se aqui, os produtos que pela sua classificação, seriam destinados ao abandono como é o caso 
do estrume que serve de adubo, do sangue que é usado para a fabricação de farinhas para a alimentação animal. 
Encontramos aqui os bovinos, bubalinos, cavalos, ovinos, caprinos, lhama e as aves. A quantidade de estrume 
produzido varia com a espécie. De um modo geral, o boi produz cerca de 50 Kg de esterco por dia, o cavalo em 
torno de 20 Kg enquanto os carneiros e porcos, não mais que três Kg. Estas quantidades variam com o peso dos 
animais. 
 
15.6. Função Afetiva 
Destaca-se o serviço afetivo do cão e do gato. O cão e o gato de luxo devem ser considerados como 
meros animais afetivos, habitantes do lar, amigos e companheiros do homem. São incluídas aqui todas as Raças de 
aves de finalidade ornamental: pavão, cisnes, galinhas e periquitos. 
 
15.7. Faro e Coragem do Cão 
Esta função não tem sido citada por nenhum autor ou tratadista nem por isso deve ser considerada 
sem valor ou inexistente. Aqui, se exploram duas coisas: 
 
- O olfato do cão, que é o mais perfeito entre as espécies domésticas; 
- Coragem - notável qualidade moral seja para a caça, policiamento, defesa do homem, etc. 
 
15.8. Função Humanitária 
É o serviço da cobaia, usada como clássico animal de laboratório. 
 
15.9. Capital Vivo 
Temos a considerar como um capital que cresce ou aumenta de valor, com a idade. Caso contrário das 
máquinas, que se depreciam com a idade. Por outro lado o animal, ao mesmo tempo que vai sendo explorado em 
suas Funções Produtivas, vai aumentando de valor. 
Desta forma, se está criando capital, enquanto da renda com a exploração paralela da sua Função 
Econômica própria. Uma novilha com 24 meses de idade, pode gerar uma cria, no entanto, continua a crescer isto é, 
aumentando seu valor. Os cavalos e os bovinos Zebús crescem até, mais ou menos, os cinco anos e conservam o seu 
valor máximo estacionário, até os sete ou 10 anos. Os reprodutores devem ser conservados o máximo de tempo 
possível no plantel, com o exame periódico do sêmen. 
 
 
49 
 
 
16. ESPECIALIZAÇÃO DAS FUNÇÕES PRODUTIVAS DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS 
 
A Especialização das Funções deve ser encarada sob dois pontos de vista: teórico e prático. 
 
- Teórico - O princípio consiste em desenvolver no animal uma única função zootécnica, com 
rendimento máximo. 
 
- Prático - Consideram-se alguns fatores que influenciam no processo de transporte, comercialização e 
consumo de certos produtos da pecuária como: leite, manteiga, queijo, etc. Deve-se observar a 
localização da fazenda, progresso social da região e mão de obra. É lógico que dentro da capital, o 
preço dos terrenos é mais elevado e os lucros imediatos e largamente compensados. Apesar disso não 
é razoável comprar terras nestes locais para a engorda de bois, mas, sim, para a criação de vacas 
leiteiras (consumo garantido e demanda menor área), no entanto, temos que selecionar animais de boa 
qualidade que garantam o retorno de capital. 
 
16.1. Função e Aptidão Produtiva 
Aptidão Zootécnica ou Produtiva é a disposição natural que o animal doméstico apresenta para esta 
ou aquela Função Econômica. A aptidão é a soma das virtudes produtivas que o animal transmite aos seus 
descendentes. Temos como exemplo a vaca leiteira que transmite a ótima ou a má aptidão leiteira para suas crias, 
idem para o reprodutor. Aptidão Produtiva então, é o ato fisiológico do qual resulta utilidade ou serviço para o 
homem, a qual nasce com o animal. A Função produtiva é provocada ou estimulada pelo homem, clima, 
alimentação, exercícios, etc. 
 
17. AÇÃO DO MEIO AMBIENTE SOBRE OS ANIMAIS DOMÉSTICOS 
A existência de um ser vivo impõe a necessidade de um ambiente. Trata-se de animais domésticos 
explorados, em que o ambiente cresce de importância devido a sua pronunciada influência que exerce sobre a vida 
em geral do indivíduo e sua produção econômica, que é o que interessa ao produtor. Dele depende em grande parte 
que o animal possa revelar a sua herança biológica e aptidão produtiva. 
Ele atua sobre os animais domésticos da seguinte forma: Animais de clima frio ou temperado, quando 
trazidos para regiões tropicais não se conseguem adaptar. Então, todas as características próprias do seu clima de 
origem vão se modificando, na tentativa de adaptação à nova região. Assim estes animais passam por drásticas 
modificações; redução da banha (reserva nutritiva e fonte de calor nas regiões frias), a pelagem abundante começa a 
cair,etc. Estas modificações chegam a levar o indivíduo à degeneração ou à morte. 
Assim, é muito mais fácil que o indivíduo possa se adaptar a um clima temperado ou frio, dado que as 
modificações que se processam no metabolismo do indivíduo são consideráveis (suínos Landraces criados a solta, 
carneiros lanados criados em climas tropicais, búfalos em regiões secas, cavalos no deserto, etc.). Outro exemplo 
são as novilhas da Raça Ayrshire, quando submetidas a uma temperatura de 40º C e 70-80% de umidade relativa do 
ar. 
O Fenômeno que se observa é: aumento dos batimentos cardíacos, aumento dos movimentos 
respiratórios, o que leva a tremendo desconforto em que o animal respira com a boca aberta, exposição da língua e 
salivação abundante, perda de peso e baixíssima produção de leite, fezes liquefeitas, constantes micções e 
desidratação, etc. 
 
17.1. AMBIENTE 
É constituído por todas as condições exteriores a que estão submetidos os seres vivos. 
Particularmente, no caso dos animais domésticos, temos a considerar: 
 
- Condições naturais - Clima, solo, pastagens, etc.; 
- Condições artificiais - Abrigos, alimentação, custeio, etc. 
 
Os Atributos Étnicos são hereditários na sua generalidade, mas, precisamos acrescentar que, na sua 
manifestação no indivíduo, pode depender de um ambiente favorável. Para que tais atributos se manifestem é 
necessário que o ambiente ajude ou que, pelo menos, não tenha qualquer influência contrária a sua manifestação. 
Tais atributos para que se manifestem dependem de circunstâncias adequadas de condições exteriores. 
 
17.2. HERANÇA BIOLÓGICA 
Há atributos que não dependem diretamente do meio ambiente para se expressarem. Temos como 
exemplo, os animais de Raças geneticamente mochas, os indivíduos não dependerão desta ou daquela condição 
exterior para nascer sem chifres. Um bovino mostrará suas orelhas conforme sua Raça, em dimensões e formas e, 
 
 
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as condições do meio ambiente serão incapazes de modificá-las. 
A Herança, sobre o ponto de vista genético, será o conjunto de determinantes internos a que se deu o 
nome de genes: é a fórmula Hereditária ou Genótipo. Da reação entre o Genótipo e as condições do meio ambiente, 
resulta o Fenótipo, que é a característica exterior dos animais. 
 
17.3. CLIMA 
Entre as condições naturais, pela sua importância, o clima está em primeiro lugar. Podemos 
considerá-lo como regulador fundamental da produção animal, assim como seu limitador, pois comanda a vida e o 
comportamento zootécnico dos animais domésticos. Segundo CORNEVIN, os climas extremos apresentam menor 
número de Espécies e de Raças, do que os climas temperados. 
O produtor pouco ou quase nada pode fazer contra o clima no sentido de modificá-lo e torná-lo mais 
favorável aos animais que cria. No entanto, o homem com os recursos técnicos atuais, pode criar ambientes 
artificiais, o que os torna anti-econômicos do ponto de vista zootécnico. Por isso o criador deve procurar a Raça 
para determinado meio ambiente. Devemos evitar generalizar, porque as reações dos animais às condições 
ambientais variam com a Espécie, Raça, Família e Indivíduos. 
Chama-se de Clima ao conjunto de fenômenos meteorológicos que influem na caracterização da 
condição ambiente de determinado lugar. É a constelação de variáveis como lhe chamou Brody (1.948). 
Os agentes do Clima são: calor, luz, umidade, pressão atmosférica, vento, radiação solar, chuvas, etc. 
A influência do clima sobre os animais se faz sentir muito diversamente e é muito fácil de isolar, com 
o devido rigor, a ação de cada um dos elementos do clima. Tem-se verificado que a temperatura é, para os animais 
domésticos, o fator climático mais importante, vindo, a seguir, a radiação solar, umidade, pressão atmosférica, 
chuvas, ventos dominantes e a luz. 
 
17.4. TEMPERATURA 
Como fator climático, a temperatura é importante porque é considerada como o agente principal na 
distribuição geográfica dos animais. A temperatura do ar se faz sentir sobre os animais, por condução. A pele mais 
quente do animal tende a perder o calor em contato com o ar mais frio. Se a temperatura do ar aumenta, diminui 
esta perda de calor, até dar-se uma operação inversa: o animal recebe calor do meio ambiente, quando a temperatura 
do ar é elevada e ele está sob a ação direta da radiação solar. 
Quando a temperatura se apresenta muito alta ou baixa, verifica-se o ajustamento do organismo 
animal e essas reações, devido a reações dos centros nervosos reguladores do calor corporal. Estes centros nervosos 
são extremamente sensíveis a mudanças de temperatura no sangue que passa através deles, como provavelmente 
impulsos nervosos que chegam a superfície do corpo ao contato com o ar ou objetos, cuja temperatura seja capaz de 
influenciá-los (Lee & Phillips, 1948). 
 
18. REAÇÕES DAS DIFERENTES ESPÉCIES AO MEIO AMBIENTE TROPICAL 
Poderíamos dizer se comporta como um modelador orgânico, causando variações ou modificações no 
organismo animal ou no indivíduo. Nas regiões de clima frio ou temperado, o animal necessita de proteção contra 
as intempéries (oscilações de temperatura) assim, dependendo do frio, acumula grandes massas de gordura, que 
além de protegê-los do frio, constituem uma grande reserva de carboidratos. 
Damos como exemplo o Urso Polar que hiberna. Por outro lado, observa-se crescimento de pêlos com 
a finalidade de proteção. Como o metabolismo é mais intenso (produção de energia calorífica), o próprio meio 
proporciona menor desgaste e, os animais com tendência a engorda, apresentam cio mais precocemente. Nas áreas 
de clima tropical, com as variações de temperatura, o fenômeno que se observa é inverso (desgaste na produção, 
verminoses, doenças, etc.). As camadas de gordura são reduzidas, o pêlo é curto e em menor quantidade, o alimento 
diminui, principalmente na época da seca, o que leva a consideráveis perdas de peso, com conseqüente retardo do 
crescimento, aparecimento do cio mais tardiamente, menor precocidade e maior consumo de líquidos. 
 
18.1. CLIMA TROPICAL E REPRODUÇÃO 
As regiões de clima tropical úmido se caracterizam por intensos períodos de chuva e calor, com 
umidade relativa alta, o que proporciona ou cria uma situação de injúria ao organismo, ora pelo calor, ora pela 
chuva, levando ao “stress”, o que incide diretamente na saúde do animal ou do indivíduo e nos aspectos de 
produção. É sabido que os animais em clima tropical alcançam a puberdade por volta dos oito meses e, nos animais 
de produção, com o ganho de peso aparece o cio. 
Nos bovinos, por exemplo, é comum que a vaca em produção suspenda o cio, pela perda de peso. Ao 
recuperar o peso, ocorre o aparecimento do cio novamente. A situação que se observa em áreas de clima tropical é o 
atraso do cio, incidindo, desta forma, na vida reprodutiva dos animais. 
 
18.2. PRODUÇÃO 
Do ponto de vista zootécnico, é o ato de se produzir zootecnicamente. Seria o conjunto de manobras 
 
 
51 
 
através do qual o homem explora os animais domésticos, extraindo deles produtos e lucro. 
O Holandês Preto e Branco pode ter o seu rendimento reduzido de 50 a 60% somente pelo efeito de 
temperatura acima de 26,6º C e o Holandês Vermelho e Branco, Jersey, Güernsey e Schwytz, acima de 29,4º C. O 
zebu não demonstrou, em tais experiências, alterações da sua lactação, nem a temperaturas mais altas, como a 32ºC 
Em condições naturais, nas que vivem e produzem os animais, não sofrem o efeito da temperatura 
elevada quando nos trópicos. A influência do ambiente tropical sobre o gado de corte, parece ser maior do que 
sobre o gado leiteiro (Findlay, 1950), O peso dos pulmões do gado de corte da Raça Angus, é típica “small lung 
size”, portadora de pulmões pequenos, não auxiliando naeliminação do calor pela respiração. 
Heitman & Huges (1949) estudaram a temperatura em ovinos e suínos, concluindo que, conforme o 
peso, a temperatura será mais favorável ou não, na utilização dos alimentos. No caso dos ovinos as conclusões de 
Miller; Monge & Accame (1.944) foram, que a produtividade, medida em porcentagem de cordeiros desmamados, 
ganho de peso até a desmama, está relacionada à manutenção da temperatura e o ritmo respiratório normal durante 
as temperaturas elevadas. 
As aves também eliminam calor pela respiração e dejetos orgânicos, consumindo também uma maior 
quantidade de água em clima tropical. 
A influência do meio ambiente sobre a fertilidade dos animais domésticos parece ser grande. A 
fertilidade de origem genética é de baixa ocorrência e, quando a fertilidade decresce, motivada por fatores 
genéticos, ela se apresenta sob a forma de anomalias dos órgãos genitais. O ambiente pode influir, provocando 
moléstias infecciosas ou então agindo através do clima ou aclimação. 
Entre os fatores do clima, o que mais importa é a temperatura. Assim, nos mamíferos domésticos e 
outras espécies, quando submetidos a temperaturas elevadas, podem-se tornar estéreis ou quase, devido a 
perturbação da espermatogênese. Desta forma, a temperatura elevada prejudica a formação do esperma e sua 
qualidade. 
O efeito das altas temperaturas faz-se sentir também nas fêmeas. Segundo Hammond (1.955), o 
embrião é muito sensível às altas temperaturas corporais, do que o bezerro depois de nascido; neste caso, a não 
gestação deve-se atribuir a morte do embrião e não a falta de concepção, como é o caso da baixa fertilidade das 
fêmeas de Raças de clima temperado, mantidas em condições tropicais. Segundo Yates (1.953), as ovelhas 
submetidas a altas temperaturas entram em cio, no entanto somente 50% dão cria, sugerindo-se que tal fenômeno 
deve-se repetir em bovinos. 
A gestação é uma causa de despesas orgânicas e, quando o animal não é bem alimentado, a fêmea 
lança mão de suas reservas próprias e, por isso, perde peso. A lactação que se segue ao parto, é outra fonte de 
despesa do organismo. Em condições naturais, a ação do clima sobre a fertilidade dos rebanhos se faz sentir sob 
duas formas: 
 
a - Diretamente sobre o animal; 
b - Indiretamente sobre suas possibilidades de alimentação em regime extensivo. 
 
O efeito direto se faz em dois sentidos: 
a - Sobre os machos (qualidade do esperma); 
b - Sobre as fêmeas (ciclo estral e sensibilidade do embrião ao calor). 
 
19. CARACTERES ECONÔMICOS DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS 
Os caracteres econômicos são atributos fisiológicos dos animais domésticos, dos quais o homem tira 
proveito. Constituem as Funções produtivas ou Zootécnicas. Trata-se de Atributos Hereditários que caracterizam 
certas Espécies e Raças. Mostram-se muito variáveis por isso, resultam do balanço de influências e relação entre 
Herança e Meio. Temos entre eles: 
 
19.1. PROLIFICIDADE 
É a capacidade de produzir ou gerar muitos filhos. Ela caracteriza certas espécies domésticas como o 
coelho, cobaia, porca, cabra, etc. Assim, verifica-se que o temo prolificidade aplica-se a fêmeas multíparas. Esta 
ligação parte do princípio de que o macho produz um número demasiadamente grande de espermatozóides e, desde 
que sejam normais, a prole será maior ou menor dependendo da quantidade de ovos férteis que a fêmea irá produzir, 
estando disponíveis para ser fecundados. No caso da porca, o tamanho da leitegada está na dependência da fêmea e, 
sobre ela se exerce a seleção. Idem na cabra e na ovelha. O macho pode influir desde que seja de Linhagem 
prolífica. 
No processo de domesticação uma das transformações mais importantes foi a prolificidade, que 
culminou na galinha capaz de gerar de duas a três centenas de ovos durante seu ciclo de postura, quando a espécie 
selvagem tinha a sua postura limitada a apenas uma estação do ano (primavera) e a alguns poucos ovos. 
 
 
 
 
52 
 
19.2. CRESCIMENTO 
É a manifestação da vida que começa com a formação da célula ovo e termina na idade adulta. 
Durante este período o animal aumenta de volume e de peso. A velocidade de crescimento pode ser maior ou 
menor, o que caracteriza as Raças e, dentro delas, a Família e as Linhagens. Trata-se assim de um caráter 
Hereditário de grande importância nas espécies exploradas para carne, nas quais o ganho de peso é uma qualidade 
essencial. Assim, quanto mais cedo um animal atinja determinado peso, mais depressa será aproveitado para 
consumo. 
 
19.3. PRECOCIDADE 
Consiste no acabamento do esqueleto prematuramente, pela soldadura das epífises com a diáfise dos 
ossos longos; justamente dos quais depende o crescimento. É a chegada prematura do estado adulto, quando o 
animal para de crescer, mas não de ganhar peso. A precocidade é um desenvolvimento rápido com a paralisação 
antecipada do crescimento (estado adulto). 
Os ossos longos têm suas extremidades (epífises) ligadas uma à outra, pela diáfise, que é parte 
mediana do osso. Separando as diáfises da epífise, existe uma região que se chama Zona de Crescimento do Osso, 
que é formada de tecido cartilaginoso. Enquanto esta zona não se ossifica, o osso cresce, e o animal também. 
Devido à ossificação mais rápida, os animais precoces possuem pouca altura já que seus membros são menores. 
O maior exemplo é o do frango de corte que é abatido hoje com 42 dias. Não podemos dizer que 
precocidade e o aparecimento da dentição sejam fenômenos correlatos. Prova disso é que a precocidade não se 
deixa influenciar tão prontamente pela alimentação, quanto à dentição. 
A precocidade é um atributo do gado de corte que exige clima e alimentação adequados para sua 
manifestação: o clima temperado é próprio das Raças precoces. Não se deve confundir precocidade somática com 
precocidade sexual. A Raça Jersey é um bom exemplo, pois tais indivíduos mostram notável madureza sexual, mas 
não apresentam precocidade somática. A precocidade pode ser avaliada através dos testes de ganho de peso. 
A prova de ganho de peso consiste em submeter um animal jovem (9 a 13 meses), a um regime 
intensivo de alimentação e manejo adequado durante 168 dias, ou seja, 24 semanas. Os animais alimentados à 
vontade com ração de concentrados em sistema de confinamento, sem acesso ao pasto. O alimento consumido é 
registrado para verificar a economia de ganho de peso. Cada animal é rigorosamente pesado ao entrar na prova e a 
cada 28 dias. O peso da última tomada, depois dos 186 dias de prova, dará o ganho de peso total, uma vez reduzido 
o peso inicial. 
 
19.4. ENGORDA 
O animal de corte, além de crescer rapidamente, tem que engordar. Depois de desmamado, o garrote 
entra na recria e, a seguir, na engorda. Assim, o animal precoce, como vem, para de crescer e começa a engordar, 
continuando a aumentar de peso. Por isso, seu tecido muscular é recoberto e invadido de gordura, bem como as 
vísceras. Há Raças especializadas na produção de carne e outras de gordura. Trata-se de Atributos fisiologicamente 
hereditários. A Raça Chinesa, que é obesa, serviu para a formação das Raças mestiças, igualmente obesas. 
A degeneração gordurosa do fígado é uma doença que ataca o homem e os animais. No entanto, é um 
atributo de certos tipos de gansos: o ganso Tolouse, criado especificamente para a produção de patê, no sul da 
França, é um caso típico. 
A formação da gordura no bovino de engorda, processa-se em certo ritmo e o exame exterior do 
animal gordo, pode nos permitir a verificação de como se deu a deposição desta gordura em certas partes do animal. 
Estes depósitos de gordura se chamam de maneios, que não se desenvolvem ao mesmo tempo. Os primeiros 
depósitos de gordura que aparecem são: orelha, peito, paletas, costelas, bordos,etc. Os últimos que verificamos são: 
escroto, entre-nádegas e cordão. A gordura sob a forma de sebo é indicada pelos maneios: em baixo da língua, 
escroto, entre-nádegas, etc. 
 
19.5. LACTAÇÃO 
O leite é o produto da secreção das glândulas mamárias das fêmeas dos animais classificados como 
mamíferos. O úbere da vaca é constituído de quatro glândulas mamárias independentes, duas de cada lado, 
anatomicamente separadas e cada uma com sua teta excretora, canal galactóforo e a cisterna, onde o leite vai-se 
depositar a medida que desce da glândula. Na ovelha e na égua o úbere é constituído de um par de glândulas, cada 
uma com sua teta. A porca, cadela, gata e coelha, possuem muitas glândulas, cada uma com sua teta, que se 
destacam aos pares, em duas fileiras, ao longo da região torácica posterior até a região inguinal. 
Quando se aproxima a puberdade, as glândulas mamárias mostram visível desenvolvimento nas 
fêmeas virgens, bem mais acentuado nas fêmeas de raças leiteiras. Isto ocorre porque a formação do leite esta, 
estritamente ligada à reprodução. Na última fase da gestação dar-se-á o desenvolvimento da glândula, despertando 
para entrar em funcionamento. É o que vulgarmente se chama de mojo. Terminada a lactação, as glândulas cessam 
sua produção ou atividade para reiniciá-la na parição seguinte. 
O desenvolvimento da glândula mamária ocorre pela influência do ovário que age sobre ela, através 
 
 
53 
 
dos estrógenos (estradiol), hormônio secretado pelo Folículo de Graaf (ovários), e pela ação da progesterona, 
secretada pelo Corpo Lúteo (ovários). Primeiramente, ocorre o desenvolvimentos do sistema de ductos mamários 
(ductos estrogênicos) e, posteriormente, a proliferação do sistema alveolar da glândula (progesterona). 
A formação do leite resulta da atividade da prolactina, também chamada de mamotropina. Rice et al. 
(1.957) apontam que a prolactina é produzida em maior escala no gado leiteiro e, em menor escala no gado de corte. 
Assim, o declínio na produção de leite, está relacionado com a baixa do hormônio, sendo, além do responsável pelo 
início da lactação, também pela persistência desta. 
A Tireóide é outra glândula que colabora na secreção do leite. A extirpação desta glândula provoca 
queda brusca na lactação. Quando a tiroxina é ministrada, neste caso, as vacas aumentam a produção. Parece estar 
relacionado ao estímulo do metabolismo. 
 
 19.6. APTIDÃO LANÍGERA 
É a qualidade fundamental das Raças Ovinas exploradas para a produção de lã. Esta aptidão se 
manifesta sob dois aspectos: 
- Qualitativo; 
- Quantitativo. 
Esta atividade é implantada, atendendo as exigências do mercado. 
 
19.7. APTIDÃO OVEIRA 
É a característica que as aves têm de botar ovos. A variação da aptidão oveira não é somente de 
ordem quantitativa, mas também de ordem qualitativa (tamanho dos ovos, coloração, etc). As Raças podem ser 
divididas em Linhagens leves, semi-pesadas e pesadas. 
 
19.8. APTIDÃO DINÂMICA 
É um atributo mais próprio dos eqüídeos, destacando-se: 
 - Força; 
- Velocidade. 
 
A velocidade e a força resultam da conformação adequada da estrutura óssea. Tal conformação 
hereditária segue-se indiretamente a aptidão para maior ou menor rendimento dinâmico, é um atributo hereditário: 
Corrida (PSI, Anglo-árabe), Tração (Percheiron, Belga e Clydesdale) e trabalho com o gado (Apaloosa e Quarto de 
Milha). 
O aparelho locomotor destinado à movimentação, e deslocamento dos animais, compreende duas 
partes: 
Partes Estruturas 
Uma ativa Músculos e nervos 
Outra passiva Ossos, articulações e tendões. 
 
O trabalho locomotor do animal é a resultante de três forças: 
 
- Força Muscular; 
- Comprimento e posição dos ossos; 
- Excitabilidade nervosa. 
20. MEIO AMBIENTE 
 
 A presença de um meio ambiente faz sentir a inserção de indivíduos nesse meio. Assim, um dos fatores 
mais importantes do clima, é a temperatura, que pode ser considerada como, fator modelador de adaptação dos 
indivíduos. Desta forma, as regiões de climas tropicais e subtropicais encontram-se situadas em limites de 30º de 
latitude norte e sul (Oart, 1970). Observa-se que em torno de 1/3 da superfície terrestre, corresponde a tal área. Os 
rebanhos destas áreas experimentam uma baixa produtividade. 
Reprodução e produção são fenômenos correlatos, e da adaptação dos animais domésticos ao clima, 
dependerá que tais indivíduos expressem sua função produtiva. Podemos considerar como exemplo, o baixo 
desempenho produtivo das raças leiteiras européias, quando importadas para regiões tropicais (Berbigier, 1989). No 
caso de raças importadas, tais indivíduos comportam-se de forma diferente ao clima de origem, com modificações 
de suas características raciais e produtivas. Fatores ambientais, tais como: clima, tipos de alimentos, qualidade e 
quantidade das pastagens, doenças, parasitas, etc. Tais fatores podem atuar como agentes limitantes das funções 
fisiológicas incidindo consideravelmente, no desempenho do animal (Johnson, 1987), em que os microclimas têm 
como componentes: temperatura do ar, altitude, umidade relativa, velocidade do vento, radiação térmica (Naas, 
1986). O meio ambiente então, pode ser considerado como um fator limitante no desempenho dos animais (ganho 
 
 
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de peso, eficiência da utilização da energia, produção de leite, etc.), principalmente em sistemas intensivos de 
produção. Observa-se entre os autores consultados que o maior problema encontrado nos aspectos de reprodução e 
produção nos trópicos é o estresse calórico (Benyie & Barro, 2000). 
 
20.1. Mecanismos de captação e eliminação de calor 
 A eliminação de calor se processa de três maneiras: 
 
20.1.1. Primeiro: quando a temperatura exterior é mais alta que a do corpo de indivíduo, passa-se a ganhar calor do 
meio ambiente. 
 
20.1.2. Segundo: quando a temperatura ambiente é baixa, o indivíduo passa a eliminar calor. Esta atividade é 
realizada através dos nódulos termo-reguladores localizados na pele dos animais. 
 
20.1.3. Formas de eliminação de calor: 
 
20.1.3.1. Radiação: O indivíduo irradia calor em ondas eletromagnéticas para outros objetos; 
 
20.1.3.2. Convexão (circulação de moléculas); 
 
20.1.3.3. Evaporação (sudorese). 
 
21. ACLIMAÇÃO E ACLIMAMENTO 
Aclimar é adaptar-se a um clima diferente ao clima nativo ou de origem. Assim, Aclimação é o 
processo pelo qual a Raça passa a adaptar-se a um novo clima. 
Chama-se de Aclimamento ao resultado do processo de aclimação ou adaptação a um novo clima. 
Estes dois pontos de vista são importantes e devem ser conhecidos para se compreender o problema da adaptação 
das Raças melhoradas européias aos climas tropicais e subtropicais, como os do nosso País. A “Tristeza Parasitária 
dos Bovinos” é um sério obstáculo a considerar-se na aclimação das raças bovinas nos climas temperados e frios, 
bem como a adaptações destes indivíduos a climas tropicais. 
 
21.1. ACLIMAÇÃO INDIRETA 
Lembrando, que o aclimamento é o resultado do processo de adaptação a um novo clima, para 
lograrmos êxito com tal acontecimento teríamos que considerar dois aspectos de suma importância. 
 
A - Procurar animais ou Raças de zonas idênticas, para que sofram o menos possível neste processo. 
 
B - Levar os animais primeiramente para Regiões de clima parecido ao clima da nova Região, porém, diferente do 
seu clima de origem, sem grandes diferenças para que não sintam também as novas zonas. 
 
21.2. ADAPTAÇÃO 
É o ajustamento ou apropriação do organismo às condições exteriores da existência. Assim o meio 
ambiente atua com um papel de crivo, como selecionador natural das Espécies e das Raças (exemplo é o cavalo do 
Pantanal). Nemsempre estes ajustamentos têm a mesma intensidade, variando com os seres vivos, com a sua 
capacidade de adaptação ao novo meio para onde foi levado por circunstâncias especiais. A adaptação, então, é um 
processo em que o animal tem função ativa e o ambiente, passiva isto é, age com a sua presença. É assim que 
devemos procurar no animal, aquilo que o torna adaptável ao meio ambiente. Os resultados de que os animais 
europeus não logram adaptar-se aos trópicos, apresentando modificações de sua fisiologia, põem em condição 
negativa a sua vitória sobre o meio ambiente. 
 
21.3. ACOMODAÇÃO 
É uma forma de aclimamento que consiste na acomodação do indivíduo que sofre modificações ou 
variações que permitem sua permanência e relativa prosperidade em um novo meio. Tais variações, como se sabe, 
não chega à herança biológica do animal. São os resultados de faculdades reguladoras, próprias do organismo, 
capazes de corrigir normalmente, até certo ponto, as deficiências e perturbações, que possam sobreviver no 
funcionamento do organismo. Geralmente esta é uma forma comum em nossas tentativas de introdução de Raças de 
gado nas condições tropicais. Os reprodutores importados assim, acomodam-se ao meio e, seus filhos, repetem o 
mesmo processo biológico. 
 
21.4. FALÊNCIA DAS RAÇAS 
A Falência das Raças ocorre quando, na tentativa de aclimação, não se passa da acomodação dos 
 
 
55 
 
animais importados ou esta nem chega a ocorrer. Nem os animais importados resistem ao clima, nem seus 
descendentes, dado que tal clima é impróprio. 
A vida dos reprodutores de corte das Raças Polled-Angus, Shorthorn, Aberdeen-Angus, Brangus e 
Charolês no sertão tropical seco do Nordeste ou úmido da Amazônia, se nota que, sua fisiologia é grandemente 
perturbada, de maneira que não se desenvolvem, não chegam a gerar descendentes e se geram, estes são de 
crescimento retardado e de baixa ou nula produtividade. 
Trata-se de uma inadaptabilidade da Raça ao meio. Apenas o cruzamento com Raças Nativas ou 
Zebus permitirá a formação de uma prole com capacidade para sobreviver, mas não para ser explorada com 
vantagens do que a crioulada degenerada, no sentido zootécnico. 
Uma Raça degenera quando se afasta dos padrões de origem e começam a aparecer graves defeitos 
que impedem sua exploração. Além de o clima levar a isso, temos a considerar a consangüinidade. 
 
21.5. FATORES DE ÊXITO NA ACLIMAÇÃO 
Entre os fatores que concorrem para o êxito da aclimação, temos a destacar: 
 
a – Os próprios animais 
b – Diferenças de climas 
c – Época da importação 
d – O criador 
 
21.5.1. O Animal 
O bom resultado da tentativa da aclimação depende do animal, de acordo com sua Espécie e Raça 
individualmente, e ainda de sua idade. Dentro disso, há Espécies e Raças de maior probabilidade de aclimação, 
logrando aclimar e atingir maiores áreas geográficas. No entanto, observa-se que o cão e a galinha, vivem em quase 
todos os climas. Outras Espécies como o Camelo, Lhama, Rena, etc., têm sua área geográfica estrita ou limitada. Na 
expansão das raças, o esforço do homem ajuda algumas delas, é o caso da Raça Holandesa, muito procurada na 
formação de rebanhos leiteiros, dado o alto índice de lactação e produção alcançada compensando os esforços para 
sua criação fora das zonas temperadas. 
Assim, o gado criado em estabulação ou semi-estabulação, alcança grandes probabilidades de viver 
em climas diversos, graças aos cuidados do produtor. De modo geral, as Espécies e Raças que dependem muito da 
ambiente natural, são as que menos se disseminam em diversas regiões (bovinos de corte criados extensivamente). 
O indivíduo também influi na aclimação, pois é um fenômeno que depende de condições internas do próprio ser 
vivo. 
A idade também influi na aclimação, pois animais novos mostram-se mais fáceis de adaptar às novas 
condições do meio. Quando muito jovens, não tendo adquirido suficiente resistência orgânica, são mais difíceis de 
aclimar. Animais adultos que completaram o seu desenvolvimento, se adaptarão com maior dificuldade, dado que é 
necessária certa modificação do seu organismo. A melhor idade para a Aclimação é a do período de crescimento, 
posterior à desmama, ao entrar em regime de vida independente de alimentação. 
 
21.5.2. Clima 
Quanto maior seja a diferença entre os climas, maiores problemas se sucederão na Aclimação. Assim 
os animais provenientes de Regiões Homoclimáticas, terão facilidade ou garantida sua aclimação. 
De maneira geral, a mudança ou transição do frio para o calor, é mais possível entre os animais, 
inclusive para o homem, do que no sentido inverso. Isto porque, no clima frio, o animal deve evitar a Radiação de 
calor corporal e produzir maior calor tropical. No clima quente, grande é o trabalho do animal na dissipação do seu 
calor em excesso, enquanto que é mais baixa a nutrição e deprimida a assimilação, fazendo-se mais lentamente a 
renovação do sangue. Um bom critério para a orientação da Aclimação é a aplicação das linhas isométricas, ou 
melhor, a escolha da Região por meio de Climógrafos. 
A época ou estação na qual se inicia o processo de Aclimação deve ser considerada a fim de que os 
animais não sofram transição brusca, entre os climas, considerando-se assim, melhor as temperaturas mais baixas, o 
que coincide com a deficiência das pastagens no Brasil Central. Assim sendo, os meses de inverno são os mais 
indicados para a importação de animais. 
 
21.5.3. O Criador 
O criador pode influir de duas maneiras: 
 
1 - Pelo estabelecimento de medidas externas com a finalidade de proteger e ajudar os animais no processo de 
Aclimação. 
 
 
 
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2 - Medidas que se referem ao próprio animal. 
O primeiro ponto contempla o transporte a ser usado, cercado de todos os cuidados. A imobilidade 
forçada e demorada é capaz de causar perda de apetite, enfraquecimento, congestão dos cascos e até aborto. Hoje, 
com o transporte aéreo, esta preocupação é menor. No caso do segundo ponto, deveremos escolher o animal para o 
meio. 
Com a chegada dos animais, as primeiras medidas devem ser de higiene e veterinária. Em animais 
provenientes de áreas de clima temperado, a primeira medida é a premunição dos animais contra a “Tristeza 
Bovina”. Seguem-se as medidas de conforto que podem regular, favoravelmente, sua fisiologia tais como: abrigos, 
sombreamento de capineiras, banhos (principalmente nas horas mais quentes do dia). 
A prática do banho é indispensável e a necessidade de abrigo e sombra, também. Pastos sombreados 
se recomendam em climas tropicais. Outra medida importante é a disposição dos alimentos na sombra, para evitar 
perda de tempo de pastar na sombra. Nos dias muito quentes, a aspersão do piso dos estábulos com água que se 
evapora, ajuda a provocar a queda da temperatura dentro das instalações, principalmente quando suas portas estão 
fechadas, com a finalidade de evitar a entrada de ar mais quente de fora. 
Quando se trata de animais de clima temperado com pêlos crescidos, uma medida para estimular a 
acomodação ao calor tropical, é a tosa dos pêlos. Para estimular o crescimento, recomenda-se o uso de rações ricas 
em proteínas, que não deve ser copiosa nem exagerada no teor de proteína, de preferência uma alimentação 
refrescante, dado que o animal tem necessidade de cobrir a água que perde pelos pulmões e pele, assim como os 
excrementos, para a regulação da temperatura corporal. 
Os animais nas condições tropicais, precisam de maior quantidade de água dado que, qualquer coisa 
que provoque perda de água, pela respiração ou pele, maior será o consumo de água e, quanto menor o consumo de 
água, maior será a elevação da temperatura corporal. 
O produtor ou criador para conduzir, o melhor possível, sua criaçãodeve demonstrar perícia: 
a - Na escolha dos animais a multiplicar; 
b - Acasalamento dos animais que estão no processo de Aclimação. 
 
A escolha deve ser feita ou se basear no conhecimento das reações observadas nos animais 
importados e sua descendência. Para isso se conta hoje com a “Prova Ibérica” que serve para avaliar a tolerância 
dos animais ao calor tropical. A escolha deve-se basear nos seguintes dados: 
 
a - Tolerância ao calor tropical; 
b - Pelagem e pelame dos animais e sua conformação; 
c - Hábitos de pastejo; 
d - Desenvolvimento e peso; 
e - Mantença do peso nos períodos de escassez; 
f – Fertilidade; 
g - Rendimento econômico; 
h - Resistência às moléstias e ectoparasitas. 
 
A escolha deve ser séria e tomar como base todos estes caracteres, e não apenas nos apoiar neste ou 
naquele. O filho de um animal importado pode ainda ser uma incógnita, quanto ao processo de Aclimação. Devem 
ser preferidos os que se adaptam melhor, com maior rigor, escolhendo já em gerações distanciadas dos importados. 
 
22. RECONHECIMENTO DAS IDADES DE BOVINOS 
Nos animais a idade pode ser avaliada, com razoável segurança, pela muda dos dentes e, alguns 
consideram, com um pouco de incerteza, a observação dos chifres. Vamos nos deter na avaliação da muda dos 
dentes já que a observação dos chifres pode sofrer alteração dependendo do sexo, raça e aclimação. 
Ao nascer ou, logo após o nascimento, encontram-se dois incisivos temporais e, dentro do primeiro 
mês de idade, vemos oito incisivos temporais. Os bovinos zebús apresentam suas mudas mais precocemente 
enquanto os bovinos de leite, mais tardiamente (18 e 25 meses respectivamente). 
 
Mudas no Bos indicus e Bos taurus 
 
Espécie Pinças 1º Médios 2º Médios Cantos 
Bos indicus 18-19 meses 26-27 meses 34-35 meses 42-45 meses 
Bos taurus 25-26 meses 32-34 meses 39-41 meses 46-48 meses 
 
 
 
 
 
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22.1. IDADE DOS BOVINOS ATENDENDO À DENTIÇÃO: 
 
Categoria 
 20 dentes 
Bovino jovem 12 molares 
 08 incisivos (Pinças, primeiros meios, segundos meios e cantos) 
 
Categoria 
 32 dentes 
Bovino adulto 24 molares 
 08 incisivos (Pinças, primeiros meios, segundos meios e cantos) 
 
Observação: Os incisivos da Primeira dentição são caducos e os incisivos da segunda dentição são definitivos. 
 
22.2. EVOLUÇÃO DENTÁRIA: 
 
Dividida em cinco períodos: Observam-se os incisivos. 
 
1º Período: Erupção dos dentes caducos. 
 
- O bezerro nasce com dois ou mais incisivos. 
- Até os 15 dias nascem os outros incisivos. 
- Os cantos crescem devagar e por volta de 3-4 meses a arcada apresenta-se redonda. 
 
2º Período: Nivelamento dos caducos. 
 
- O desgaste começa pelas pinças. 
- O nivelamento ocorre: 
 
Dentes Idade em meses 
Pinças 10 meses 
Primeiros médios 12 meses 
Segundos médios 16 meses 
Cantos 20 meses 
 
Obs.: Quando os cantos se nivelam as Pinças amolecem e caem. 
 
3º Período: Período de erupção dos definitivos: 
 
- Pinças: 20 meses. Aos dois anos estão crescidos, completo crescimento aos dois anos; 
- Primeiros meios: Aos dois anos e meio, estando crescidos aos três anos; 
- Segundos meios: Aos três e meio anos estão crescidos, completos aos quatro anos; 
- Cantos: Aos quatro e meio anos estão crescidos, completos aos cinco anos. 
 
4º Período de Nivelamento dos dentes definitivos: 
 
Tipo de dentes Idade 
Pinças 7anos 
Primeiros meios 08 anos 
Segundos meios 09 anos 
Cantos 10 anos 
 
5º Período: Afastamento dos dentes definitivos. 
 
- 11 Anos. Afastamento das Pinças entre si e dos Primeiros meios. 
- 12 Anos. Todos os dentes ficam afastados, com exposição do colo da raiz dentária. 
 
 
 
58 
 
Aos cinco anos, normalmente, os animais possuem os incisivos e extremos totalmente desenvolvidos. 
Entre cinco e seis anos as pinças permanentes começam a se desgastar e, os primeiros médios, ligeiramente. Aos 
sete anos, as pinças revelam desgaste notório. De oito a nove anos, os médios demonstram desgaste notório. 
Depois dos seis anos a arcada dentária perde o seu contorno arredondado e, ao chegar aos 12 anos, a 
arcada está quase que reta, os dentes perdem sua forma original e tornam-se de aspecto triangular. Notam-se 
visivelmente separados com exposição da raiz e mostram o colo bem acentuado. 
 
23. MELHORAMENTO ANIMAL 
Aparentemente, o Melhoramento Animal começou pela Seleção Natural. Posteriormente, houve a 
influência do homem, através da Seleção Artificial, ainda empírica no seu começo, mas que deixou bons resultados 
a sua época. Depois com a Seleção Racional, se resultados eficientes e seguros que, temos como exemplo a Raça 
Nelore e Chianina. 
 
23.1. TIPOS DE MELHORAMENTO 
São as modalidades usadas pelo homem para alcançar o seu objetivo na produção. Assim temos: 
 
23.1.1. Melhoramento Genético: 
Como a própria palavra indica, baseia-se na carga genética que o indivíduo tem, considerando-se 
também as linhagens. Exploram-se as diferentes Raças atendendo seus Atributos Fisiológicos e Funções 
Econômicas para atender a demanda comercial, com auxílio da Seleção Artificial. 
 
23.1.2. Melhoramento Zootécnico: 
É o melhoramento que se processa atendendo os aspectos dos animais (Fenótipo), explorando-se as 
Raças e Variedades dos animais domésticos, tendo como critério a Seleção Artificial, menos segura que a anterior. 
 
23.1.3. Cruzamentos: 
É o acasalamento de touros e vacas de diferentes Raças, sendo um dos processos mais utilizados para 
a melhoria do rebanho, principalmente quando o objetivo é o aumento da produtividade. 
 
 Ex: Acasalamos touros Holandeses com vacas zebus, com a finalidade de obter boas produtoras de leite e boa 
adaptação ao ambiente tropical. Os cruzamentos simples têm sido executados nas Raças de corte, resultando 
produtos vigorosos, rústicos, resistentes às condições tropicais e de crescimento rápido. A pecuária de leite visa, 
principalmente, a formação de rebanhos leiteiros de alta produção e rusticidade. O mesmo critério de acasalamento 
se aplica ao gado de corte, aproveitando-se a rusticidade do Zebú e a precocidade, conformação e rápido ganho de 
peso dos bovinos europeus. Devido a facilidade de aquisição de touros europeus, o cruzamento se inicia com o 
emprego destes reprodutores com matrizes selecionadas do rebanho já existente na fazenda. 
 
23.1.4. Mestiçagem: 
É uma modalidade de reprodução que consiste em se realizar o acasalamento de mestiços. O seu 
emprego deve obedecer a um esquema pré-estabelecido. Quando executado com critério, pode conduzir a formação 
de novas Raças como é o caso: Indu-Brasil, Santa Gertrudes e Pitangueiras. Após a mestiçagem se realiza a seleção 
rigorosa. 
 
23.1.5. Consangüinidade 
Consiste no acasalamento de machos e fêmeas da mesma Família isto é, animais com parentesco. 
Considera-se consangüinidade: pai com filha, filho com mãe, avô com neta, tio com sobrinha, sobrinho com tia, 
irmão com irmã, ocorrendo com muita freqüência. Muitas Raças foram estabelecidas e fixadas por este método só, 
que esta atividade, nem sempre melhora as características econômicas dos animais, podendo levar a resultados 
negativos. 
 
A - Vantagens da Consangüinidade 
- Aperfeiçoamento das Raças; 
- Aprimoramento da Raça em menor espaço de tempo; 
- Identificação dos defeitos hereditários em curtos períodos. 
 
B - Desvantagens da Consangüinidade 
- Degeneração do rebanho; 
- Diminuição da produção; 
- Diminuição da produtividade; 
- Infertilidade (Raça Suína - Polland-China);59 
 
- Susceptibilidade a doenças. 
 
24. MODALIDADES DE CRUZAMENTOS 
 
24.1. OBTENÇÃO DO ANIMAL COM SANGUE 
5
/8 
 
Ex: 
 
1º ACASALAMENTO: 
 
TOURO HOLANDÊS x VACA ZEBÚ 
= ½ SANGUE HOLANDÊS + ½ SANGUE ZEBÚ 
 
* Obtém-se assim, o animal chamado ½ sangue, que apresenta boa produtividade e boa adaptação ao meio tropical. 
 
2º ACASALAMENTO: 
 
Touro Holandês x Vaca ½ Sangue Holandês e ½ Sangue Zebú 
= ¾ Sangue Holandês + ¼ Sangue Zebu 
 
* Obtém-se neste acasalamento animais ¾ de Sangue Holandês e ¼ de Sangue Zebú. Predomina o Sangue 
Holandês, com maior aptidão leiteira, no entanto, aumentam as exigências de manejo. 
 
3º ACASALAMENTO: 
 
Touro Holandês x Vaca ¾ Sangue Zebú e ¼ Sangue Holandês 
= 5/8 Sangue Holandês + 3/8 Sangue Zebú 
 
* Boa produção, boa adaptação ao clima tropical e menor exigência no manejo. Pode ser usado para cruzamento de 
gado de corte. 
 
24.2. CRUZAMENTOS CONTÍNUOS 
O Cruzamento contínuo consiste no acasalamento de uma Raça única com vacas de outras Raças ou 
Mestiças. Os touros de Raças especializadas quando cruzados com vacas comuns, são predominantes nos caracteres 
raciais e o produto terá maior carga genética do touro melhorado. 
 
Para o Cruzamento Contínuo, é realizado o seguinte esquema: 
 
1º ACASALAMENTO 
 
Pais: Touro Holandês x Fêmea Zebu 
Filhos: ½ Sangue Holandês + ½ Sangue Zebu 
 
2º ACASALAMENTO 
 
Pais: Touro Holandês x Fêmea ½ Sangue Holandês + ½ Sangue Zebu 
Filhos: ¾ Sangue Holandês + ¼ Sangue Zebu 
 
3º ACASALAMENTO 
 
Pais: Touro Holandês x Fêmea ¾ Sangue Holandês + ½ Sangue Zebu 
Filhos: 
7
/8 Sangue Holandês + 
1
/8 Sangue Zebu 
 
4º ACASALAMENTO 
 
Pais: Touro Holandês x Fêmea 
7/8 Sangue Holandês + 
1/8 Sangue Zebu 
Filhos: 
15/16 Sangue Holandês + 
1/16 Sangue Zebu 
 
 
60 
 
5º ACASALAMENTO 
 
Pais: Touro Holandês x Fêmea 
15/16 Sangue Holandês + 
1/16 Sangue Zebu 
Filhos: 
31/32 SANGUE HOLANDÊS + 
1/32 SANGUE ZEBU 
 
Foi convencionado que os animais resultantes do 5º acasalamento são considerados “Puros por 
Cruza” ou simplesmente PC. Este tipo de Cruzamento Contínuo é um método econômico e prático. O seu emprego 
deve ser aconselhado, principalmente, em rebanhos de gado leiteiro, no entanto o criador não deve deixar de lado as 
condições gerais de manejo: alimentação, higiene e sanidade. 
No registro genealógico também podem ser identificadas as seguintes modalidades: 
 
 Classes Descrição 
P.C. Puro por Cruzamento 
P.C.I. Puro de Cruzamento Importado 
P.O. Puro de origem 
P.O.I. Puro de origem importado 
 
24.3. Treecross 
 É uma modalidade de cruzamento que consiste no acasalamento de dois indivíduos 
puros, obtendo-se primeiramente um ½ sangue. As fêmeas resultantes deste cruzamento serão acasaladas 
com reprodutor puro sangue, da seguinte forma: 
 
1º Cruzamento 
Pais: Touro Nelore x Fêmea Brahaman. 
Filhos: ½ Nelore + ½ Brahaman. 
 
2º Cruzamento: 
 
Pais: ½ Nelore + ½ Brahaman x Touro Simental. 
Filhos: 1/4 Nelore + 
1
/4 Brahaman + ½ Simental. 
 
25. BIBLIOGRAFIA 
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13, 1986. 
 
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10. TORRES, A. D, P.; JARDIM, W. R. Manual de Zootecnia. Raças que interessam ao Brasil, 2ª Ed., Edit. 
Agronômica CERES Ltda., São Paulo, 1.982.