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LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 1 Aula 3 (Leitura, compreensão e interpretação de textos. Estruturação do texto e dos parágrafos. Articulação do texto: pronomes e expressões referenciais, nexos, operadores sequenciais. Significação contextual de palavras e expressões.) Olá, pessoal! Como vocês estão? Estudando bastante? Olha, Natal e virada de ano estão aí, e o que mais nos preocupa é o “assédio de fim de ano”. Cuidado com as festas, os churrascos, isto é, tudo o que possa tirar vocês do foco. Isso ocorre mesmo. Não quero dizer que vocês não devam sair e se divertir, afinal precisam de descanso. Mas falo do excesso!!!! Quando estudamos, temos que tomar cuidado com as armadilhas que nós mesmos nos colocamos! Quer ver? Quantas vezes alguém já pediu sua companhia para comprar um presente ou para ir a um churrasquinho????!!!! Ser convidado é normal, aceitar todos os convites, não! Por exemplo, quem gosta de tomar uma cerveja e acha que vai conseguir sair com os amigos à tarde e estudar satisfatoriamente à noite está se enganando!!!!!.... Outra coisa: muitas vezes a própria família impõe obstáculos sem querer: aquele parente que vem de longe, o amigo que já está de folga do trabalho... Casa cheia é um problema!!! Isso vai ocorrer, certamente. Então, organize-se!!!!! Evite perder tempo de estudo e procure selecionar momentos de confraternização sem perda dos tempos de estudo. Seu sucesso na prova depende de estratégia e esta estratégia não depende só do dia da prova, mais importante é este momento agora! Não desvie seu estudo!!!!! Passemos agora a trabalhar com o texto. A partir da próxima aula, vou procurar inserir pelo menos um texto por aula para que nós possamos trabalhar bastante a interpretação, ok!!! Como nosso curso é de exercícios, vou evitar inserir base teórica. Vamos partir direto para as questões. Sabendo-se que temos nesta aula o dever de trabalhar os conteúdos acima elencados, isso será explorado ao longo da aula, de forma que gradualmente vamos falar sobre todos esses conteúdos. Outra coisa importante! Procurei explorar mais provas de nível analista, mas na realidade em minhas buscas de provas de nível técnico e analista da Consulplan, praticamente não percebi diferença. Observação: como não incluí nas aulas anteriores as questões de classe gramatical, ortografia e acentuação gráfica presentes nas provas comentadas a seguir, inseri esses temas como uma revisão. Vamos lá???!!! Língua Portuguesa para TSE – Exercícios (Técnico e Analista) LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 2 TRE RS 2008 Analista (banca Consulplan) A Criada Seu nome era Eremita. Tinha dezenove anos. Rosto confiante, algumas espinhas. Onde estava a sua beleza? Havia beleza nesse corpo que não era feio nem bonito, nesse rosto onde uma doçura ansiosa de doçuras maiores era o sinal da vida. Beleza, não sei. Possivelmente não havia, se bem que os traços indecisos atraíssem como água atrai. Havia, sim, substância viva, unhas, carnes, dentes, mistura de resistências e fraquezas, constituindo vaga presença que se concretizava porém imediatamente numa cabeça interrogativa e já prestimosa, mal se pronunciava um nome: Eremita. Os olhos castanhos eram intraduzíveis, sem correspondência com o conjunto do rosto. Tão independentes como se fossem plantados na carne de um braço, e de lá nos olhassem – abertos, úmidos. Ela toda era de uma doçura próxima a lágrimas. Às vezes respondia com má-criação de criada mesmo. Desde pequena fora assim, explicou. Sem que isso viesse de seu caráter. Pois não havia no seu espírito nenhum endurecimento, nenhuma lei perceptível. “Eu tive medo”, dizia com naturalidade. “Me deu uma fome”, dizia, e era sempre incontestável o que dizia, não se sabe por quê. “Ele me respeita muito”, dizia do noivo e, apesar da expressão emprestada e convencional, a pessoa que ouvia entrava num mundo delicado de bichos e aves, onde todos se respeitam. “Eu tenho vergonha”, dizia, e sorria enredada nas próprias sombras. Se a fome era de pão – que ela comia depressa como se pudessem tirá-lo – o medo era de trovoadas, a vergonha era de falar. Ela era gentil, honesta. “Deus me livre, não é?”, dizia ausente. Porque tinha suas ausências. O rosto se perdia numa tristeza impessoal e sem rugas. Uma tristeza mais antiga que o seu espírito. Os olhos paravam vazios; diria mesmo um pouco ásperos. A pessoa que estivesse a seu lado sofria e nada podia fazer. Só esperar. Pois ela estava entregue a alguma coisa, a misteriosa infante. Ninguém ousaria tocá-la nesse momento. Esperava-se um pouco grave, de coração apertado, velando-a. Nada se poderia fazer por ela senão desejar que o perigo passasse. Até que num movimento sem pressa, quase um suspiro, ela acordava como um cabrito recém nascido se ergue sobre suas pernas. Voltara de seu repouso na tristeza. Voltava, não se pode dizer mais rica, porém mais garantida depois de ter bebido em não se sabe que fonte. O que se sabe é que a fonte devia ser antiga e pura. Sim, havia profundeza nela. Mas ninguém encontraria nada se descesse nas suas profundezas – senão a própria profundeza, como na escuridão se acha a escuridão. É possível que, se alguém prosseguisse mais, encontrasse, depois de andar léguas nas trevas, um indício de caminho, guiado talvez por um bater de asas, por algum rastro de bicho. E – de repente – a floresta. Ah, então devia ser esse o seu mistério: ela descobrira um atalho para a floresta. Decerto nas suas ausências era para lá que ia. Regressando com os olhos cheios de brandura e ignorância, olhos completos. Ignorância tão vasta que nela caberia e se perderia toda a sabedoria do mundo. Assim era Eremita. Que se subisse à tona com tudo o que encontrara na LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 3 floresta seria queimada em fogueira. Mas o que vira – em que raízes mordera, com que espinhos sangrara, em que águas banhara os pés, que escuridão de ouro fora a luz que a envolvera – tudo isso ela não contava porque ignorava: fora percebido num só olhar, rápido demais para não ser senão um mistério. Assim, quando emergia, era uma criada. A quem chamavam constantemente da escuridão de seu atalho para funções menores, para lavar roupa, enxugar o chão, servir a uns e outros. Mas serviria mesmo? Pois se alguém prestasse atenção veria que ela lavava roupa – ao sol; que enxugava o chão – molhado pela chuva; que estendia lençóis – ao vento. Ela se arranjava para servir muito mais remotamente, e a outros deuses. Sempre com a inteireza de espírito que trouxera da floresta. Sem um pensamento: apenas corpo se movimentando calmo, rosto pleno de uma suave esperança que ninguém dá e ninguém tira. A única marca do perigo por que passara era o seu modo fugitivo de comer pão. No resto era serena. Mesmo quando tirava o dinheiro que a patroa esquecera sobre a mesa, mesmo quando levava para o noivo em embrulho discreto alguns gêneros da despensa. A roubar de leve ela também aprendera nas suas florestas. (Lispector, Clarisse. Felicidade clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, pág. 117/119) Questão 1: De acordo com o 1º e 2º parágrafos, é correto afirmar que a autora: A) Por mais que procurasse, não encontrou beleza alguma em Eremita. B) Refere-se a uma beleza, não necessariamente física. C) Nega qualquer possibilidade de atrativos na criada que possam conferir-lhe atributos estéticos. D) Estabelece uma oposição rígida entre carnes, dentes e unhas e a própria substância viva de Eremita. E) N.R.A.Comentário: Chamamos esse tipo de questão de “interpretação pontual”, estratégia muito usada nas provas da banca Fundação Carlos Chagas e também na Consulplan. Assim, sempre atente quando a questão apontar o local onde se encontra o pedido no texto. Esta questão apontou nossa observação apenas nos parágrafos 1 e 2. A alternativa (A) está errada, pois o pronome “alguma”, posicionado após o substantivo, é uma palavra categórica, isto é, não há qualquer beleza em Eremita. Mas isso não está em conformidade aos dois primeiros parágrafos, pois lá, dentre outros, foi dito que “Havia beleza nesse corpo que não era nem feio nem bonito”. A alternativa (B) é a correta, pois os dois primeiros parágrafos não apontam com certeza se há ou não beleza física, mas a doçura é apontada como uma importante característica. Assim, sua beleza não necessariamente seria física. A alternativa (C) está errada, pois o pronome “qualquer” é outra palavra categórica, que nega um vestígio sequer de atributos estéticos, mas percebemos no segundo parágrafo que há indícios de atributos de beleza, iniciado pela expressão “se bem que os traços indecisos atraíssem...” A alternativa (D) está errada, pois a expressão enumerativa “substância viva, unhas, carnes, dentes” são elementos que se complementam, por isso LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 4 não há ideia de oposição. Como achamos a alternativa (B) como correta, eliminamos a alternativa (E). Gabarito: B Questão 2: De acordo com os mesmos parágrafos 1º, 2º e parte do 3º, Eremita era: A) Avessa a trabalhos domésticos. B) Marcada por seu olhar libidinoso. C) Normalmente solícita em seus afazeres. D) De péssimo humor cotidiano. E) Extremamente descuidada. Comentário: Não há indícios nesses parágrafos de que Eremita fosse avessa a trabalhos domésticos, que tivesse olhar libidinoso, péssimo humor ou fosse extremamente descuidada. O que percebemos no segundo parágrafo é que sua cabeça era interrogativa e “prestimosa” (solícita). Além disso, foi dito no terceiro parágrafo que às vezes respondia com má-criação, mas sem que isso viesse de seu caráter. Isso reforça que devemos subentender que ela desempenhava bem o seu papel no trabalho (normalmente solícita nos seus afazeres). Gabarito: C Questão 3: Pela leitura do 3º parágrafo, pode-se afirmar que as expressões usadas por Eremita eram: A) Impróprias a qualquer criada. B) Agressivas em virtude da sua formação escolar. C) Muito cultas em relação ao nível escolar de Eremita. D) Inverossímeis. E) Simples e convincentes. Comentário: Note que no terceiro parágrafo é dito que ela às vezes respondia com má-criação, sem que isso viesse de seu caráter, que não havia em seu espírito nenhum endurecimento, havia naturalidade, era sempre incontestável o que ela dizia. Assim, mostrava-se gentil e honesta. Com base nisso, percebemos que as expressões usadas por ela não são impróprias a qualquer criada, não são agressivas por causa da sua educação escolar, também não são extremamente cultas. O adjetivo “inverossímeis” significa aquilo que não é verdade. Não há indício nessas expressões de que ela tivesse sido falsa em suas declarações. Assim, cabe a alternativa (E), pois ela se mostra uma pessoa simples, no seu jeito de agir e falar, e convincente (“sempre incontestável o que ela dizia”). Gabarito: E Questão 4: Nos parágrafos 4, 5 e 6, do texto, a autora descreve a criada como uma pessoa: A) Com momentos de introspecção que impressionavam. B) Impertinente. LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 5 C) De índole perigosa. D) Extremamente depressiva. E) Extremamente deprimente. Comentário: Ao descrever os momentos de ausência, a autora caracteriza os momentos de sua tristeza interior, como algo profundo, sem se poder fazer algo que a tirasse disso. Por isso, a alternativa correta é a (A). Note que as alternativas (B) e (C) estão bem fora do contexto. Você poderia ter ficado na dúvida nas alternativas (D) e (E), pois a tristeza que a tomava a levava a um aprofundamento de espírito. Mas note que a autora nos deixa claro no 6° parágrafo que “a fonte devia ser antiga e pura”, isto é, de alguma forma esse aprofundamento a ajudava, descaracterizando um estado extremamente depressivo ou deprimente. Gabarito: A Questão 5: De acordo com os 4 últimos parágrafos pode-se afirmar que a personagem Eremita, composta pela autora, era: A) Essencialmente subserviente. B) Resistente às ordens dos patrões. C) Capaz de aliar à sua condição de criada uma dose de altivez interior. D) Intempestiva nas relações interpessoais. E) Em nada diferente de qualquer criada. Comentário: Pelas características ali colocadas, notamos que não cabe a ela a característica de subserviente, concorda? Subserviente é aquele que é condescendente em demasia, isto é, aceita tudo sem objeção. Note que a alternativa (A) insere esta característica como essencial nela, isso só reforça o erro. A alternativa (B) está errada, pois não há indícios de que ela crie resistência às ordens dos patrões. A alternativa (C) é a correta e encontramos vestígios nos parágrafos 9° (“quando emergia era uma criada”) e 10° (“Ela se arranjava para servir muito mais remotamente, e a outros deuses. Sempre com a inteireza de espírito que trouxera da floresta. Sem um pensamento: apenas corpo se movimentando calmo, rosto pleno de uma suave esperança que ninguém dá e ninguém tira”). A alternativa (D) está errada, pois não há indícios de que ela fosse intempestiva (agir de modo súbito, imprevisto, inopinado) em seus momentos de introspecção. A alternativa (E) está errada, pois a palavra “nada” é categórica. A sua introspecção, as suas ações a fazem diferente. Gabarito: C Questão 6: No texto, haverá alteração de sentido, caso se substitua: A) “prestimosa” (2º §) por obsequiosa B) “enredada” (3º §) por envolvida C) “indício” (6º §) por sinal D) “atalho” (7º §) por vereda E) “emergia” (9º §) por escondia Comentário: Vamos direto à alternativa que modifica o sentido? Note que “emergia”, no 9° parágrafo marca o momento em que ela saía LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 6 de seu transe, de sua relação interpessoal. Assim, podemos entender que nesse momento ela reaparecia, voltava à vida comum. Assim, não cabe a substituição por “escondia”. As demais alternativas mantêm vocábulos de mesmo significado contextual. Gabarito: E Questão 7: O par de vocábulos, do texto, acentuados pela mesma razão é: A) atraíssem / espírito B) água / substância C) porém / caráter D) lá / até E) perceptível / mistério Comentário: Veja a regra de cada uma das palavras: “atraíssem” (hiato), “espírito” (proparoxítona), “água” e “substância” (paroxítonas terminadas em ditongos orais “ua” e “ia”, respectivamente), “porém” (oxítona terminada em “em”), “caráter” (paroxítona terminada em “r”), “lá” (monossílabo tônico), “até” (oxítona terminada em “e”), “perceptível” (paroxítona terminada em “l”), “mistério” (paroxítona terminada em ditongo oral “io”). Gabarito: B Questão 8: Em todas as frases abaixo, transcritas do texto, as formas verbais estão flexionadas no mesmo tempo, EXCETO em: A) “Onde estava a sua beleza?” B) “Beleza, não sei” C) “O rosto se perdia numa tristeza impessoal e sem rugas” D) “Eu tive medo” E) “...ela descobrira um atalho para a floresta” Comentário: A banca determinou a exceção dos mesmos tempos verbais a alternativa (D), mas isso não é verdade, e não podemos concordar só porquea banca não mudou o gabarito oficial. Isso pode ter ocorrido por muitas razões: simplesmente não houve recurso, ou, se houve, não estava dentro dos padrões formais etc. O fato é que “estava” e “perdia” estão flexionados no tempo pretérito imperfeito do indicativo, “sei” está flexionado no presente do indicativo, “tive” está flexionado no pretérito perfeito do indicativo e “descobrira” está flexionado no pretérito mais-que-perfeito do indicativo. A banca não anulou, mas, para nosso estudo ficar correto, temos que considerar a questão nula, ok! Observação: Uma saída da banca seria ter mudado a alternativa correta para (B), pois o único verbo que não se encontra no passado é “sei”, que está no presente do indicativo. Gabarito: Anulada Questão 9: “...ela acordava como um cabrito recém-nascido se ergue sobre as pernas”.A palavra sublinhada na frase anterior faz o plural da mesma forma que: LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 7 A) livre-pensador B) arco-íris C) ano-luz D) alto-falante E) curta-metragem Comentário: O adjetivo composto “recém-nascido” é formado pelo advérbio “recém” (o qual não se flexiona) e o adjetivo “nascido” (o qual pode se flexionar). Assim, sua flexão no plural é: recém-nascidos. O mesmo ocorre com a alternativa (D): alto-falantes, pois “alto” é um advérbio (o qual não se flexiona) e “falante” é um adjetivo (que se flexiona): alto-falantes. Veja o plural dos demais: livres-pensadores (as duas palavras são pluralizáveis), os arco-íris (invariável), anos-luz (o segundo substantivo é invariável, porque determina o primeiro), curtas-metragens (as duas palavras são pluralizáveis). Gabarito: D Questão 10: Assinale a opção em que a partícula “o” sublinhada aparece com o mesmo emprego que se apresenta no seguinte trecho do texto: “...e era sempre incontestável o que dizia...” (3º §) A) Este remédio foi o que o médico receitou. B) É necessário que se conheça a história do menino. C) Ela sempre o encontrava pelo caminho. D) Diga-me: o que você vai fazer hoje? E) Ela levava presentes para o noivo. Comentário: O vocábulo “o” está diante do vocábulo “que”, neste caso é um pronome demonstrativo, pois pode ser substituído por “aquilo”: “...e era sempre incontestável aquilo que dizia...” O mesmo ocorre na alternativa (A): Este remédio foi aquilo que o médico receitou. Nas alternativas (B) e (E), o vocábulo “o” é artigo definido, pois se encontra antes de substantivo (“menino”, “noivo”). Na alternativa (C), o vocábulo “o” é um pronome pessoal oblíquo átono, por ser o complemento direto do verbo “encontrava” e retomar nome anterior. Na alternativa (D), o vocábulo encontra-se antes da palavra “que”. Esta estrutura parece ser a mesma da alternativa (A), porém nessa há uma expressão interrogativa direta. Note o ponto de interrogação. Assim, dizemos que “o que” é uma expressão pronominal interrogativa. Gabarito: A Questão 11: “Ratificou” tem significado distintivo de seu parônimo “retificou”. Das frases abaixo, assinale a que houve troca na escolha dos parônimos entre parênteses: A) Ele foi preso em flagrante (flagrante – fragrante). B) Pede-se muito a descriminação da maconha (discriminar – descriminar). C) A alta do petróleo é o reflexo da conjetura econômica atual (conjuntura – conjetura). D) O deputado exerce o seu segundo mandato (mandato – mandado). LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 8 E) Agiu no restrito cumprimento do dever (cumprimento – comprimento). Comentário: Veja bem: o edital do TSE não especificou o tema parônimo, mas cabe trabalharmos esta questão, por se tratar de sentido de palavras. Assim, parônimos são palavras parecidas com significados diferentes. Portanto, “ratificou” significa confirmação, “retificou” significa correção. A alternativa (A) está correta, pois “flagrante” (a pessoa é surpreendida ao praticar algo). Mas “fragrante” não caberia, pois significa cheiro, fragrância, perfume. A alternativa (B) está correta, pois “descriminação” significa absolver do crime, inocentar, tirar a culpa. Já discriminar pode ter o sentido de diferenciar (diferenciar as marcas de um produto ou diferenciar outrem por preconceito). A alternativa (C) é a incorreta, pois “conjetura” (ou conjectura) significa opinião sem fundamento, por isso não cabe na frase. Já “conjuntura” é o mesmo que ocorrência, ocasião, acontecimento. Por isso seria a ideal na frase. A alternativa (D) está correta, porque “mandado” é uma determinação judicial, e “mandato” é o tempo em determinado cargo eletivo. Assim, este último foi bem empregado na frase. A alternativa (E) está correta, pois “cumprimento” é o ato ou efeito de cumprir. Assim, está bem empregado na frase. Já “comprimento” se refere à extensão de algo. Gabarito: C TRE RS 2008 Técnico (banca Consulplan) A cidade no alto da colina “Se ainda existe alguém que duvida que os EUA são um lugar onde tudo é possível, que ainda conjectura se os sonhos de nossos fundadores continuam vivos, que ainda questiona o poder de nossa democracia, esta noite é a resposta.” No discurso da vitória, no Grant Park de Chicago, Barack Obama foi adiante e falou ao mundo: “E para todos aqueles que se perguntam se o farol dos EUA ainda brilha com a mesma intensidade, esta noite nós provamos uma vez mais que a verdadeira força de nossa nação não emana da capacidade de nossas armas ou do tamanho de nossa riqueza, mas do poder persistente de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e inflexível esperança.” O novo presidente retomou um fio histórico muito antigo, conectando-se à tradição do excepcionalismo americano. (Demétrio Magnoli, O Globo, 13 de novembro de 2008 – fragmento) Questão 12: Considerando trechos transcritos no texto anterior do discurso de Barack Obama, avalie as seguintes afirmativas: I. Ao dizer a respeito de sonhos que ainda continuam vivos, Obama usa recursos que são capazes de sensibilizar e emocionar as pessoas que o ouviam. II. Obama afirma que a resposta para quaisquer dúvidas que porventura poderiam existir a respeito do poder da democracia norte-americana está naquela noite, referindo-se à sua vitória como presidente eleito. III. Para Obama, a força dos EUA não está apenas na capacidade de suas armas ou no tamanho de sua riqueza, mas também nos ideais LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 9 democráticos. Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s): A) I B) I e II C) III D) I e III E) I, II e III Comentário: A afirmativa I está correta, pois, ao fazer referência ao sonho americano, Barak Obama resgata o prestígio histórico da construção daquela nação, unindo as emoções atuais com as de outrora, procurando sensibilizar e emocionar (e conseguiu). A frase II está correta e é um dado literal das linhas 3 e 4 do texto. A frase III está errada, pois no discurso não caberia ostentar o poder das armas, concorda? Por isso, ele utilizou a expressão “não emana da capacidade de nossas armas” (a qual é muito grande) “ou do tamanho da nossa riqueza” (que também é grande). São dois dados importantes da hegemonia americana mas não foram utilizados como elemento mais importante que o “poder persistente” dos ideais americanos. Assim, ele valorizou o povo (seus valores, seus ideais) em detrimento do poder de fogo ou da riqueza. No discurso de Obama, não houve a mesma importância entre o material e o imaterial. Ele privilegiou o imaterial. Por isso, esta afirmativa está errada. Gabarito: B Questão 13: O discurso de Obama usandoa 1ª pessoa do plural demonstra: A) Supremacia de poder. B) Impessoalidade e consequente ausência de compromisso. C) A sutileza das suas palavras. D) Certa impessoalidade que garante que o discurso não é só dele, mas é também a voz do povo norteamericano. E) A garantia da veracidade do discurso. Comentário: Os textos utilizados em primeira pessoa normalmente fazem com que o autor inclua também o leitor no grupo defendido por ele. Esse é um recurso muito utilizado nos discursos, como ocorreu no de Barak Obama. Veja que com isso o presidente eleito divide a glória com o povo, enfatizando que a conquista não é só dele, mas do povo americano. Assim, a alternativa (D) é a correta. Gabarito: D Questão 14: Ao dizer que “O novo presidente retomou um fio histórico muito antigo, conectando-se à tradição do excepcionalismo americano”, o autor: A) Cria uma expectativa de que o novo presidente será rígido e tradicionalista. B) Confirma a soberania dos Estados Unidos falando sobre a sua tradição excepcional. C) Retoma a história norte-americana para atribuir veracidade ao texto. D) Atribui ao novo presidente uma condição de imaturidade e ao mesmo tempo sensibilidade para com o povo norte-americano. E) Indica que o novo presidente faz uma ligação com um histórico norte- americano de excepcionalismo, de possibilidades. LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 10 Comentário: Esta questão requereu uma interpretação com dados literais. Veja a última frase do texto: “O novo presidente retomou um fio histórico muito antigo, conectando-se à tradição do excepcionalismo americano.” Agora, compare com a alternativa (E), que é a correta literalmente: Indica que o novo presidente faz uma ligação com um histórico norte- americano de excepcionalismo, de possibilidades. A alternativa (A) está errada, pois não há indícios de que o novo presidente seria “rígido” e “tradicionalista”. A alternativa (B) está errada, pois não houve a intenção de confirmar a soberania dos Estados Unidos. A alternativa (C) está errada, pois a retomada dos ideais históricos não foram para dar veracidade ao texto, mas para emocionar, dar crédito ao seu governo, impactar e mostrar que seu governo tem os mesmos ideais das virtudes dos americanos. A alternativa (D) está errada, pois a palavra “imaturidade” é descabida no contexto. Gabarito: E TEXTO II Artigo Final Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, ou a semente do trigo e a sua morada será sempre o coração do homem. (Mello, Thiago de. Os estatutos do homem. 6.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1986. fragmento) Questão 15: A respeito das palavras acentuadas no texto é correto afirmar que: A) Todas as palavras receberam acento pelo mesmo motivo. B) O til da palavra coração também pode ser considerado um sinal de acentuação. C) Apenas as palavras será e dicionários receberam acento pelo mesmo motivo. D) Apenas as palavras pântano e dicionários receberam acento pelo mesmo motivo. E) Será, dicionários e pântanos são acentuadas por motivos diferentes. Comentário: O texto possui palavras acentuadas graficamente: “será” é oxítona terminada em “a”, “dicionários” é paroxítona terminada em ditongo oral, “pântano” é proparoxítona. Além disso, perceba que o til é chamado de notação léxica, isto é, uma LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 11 forma gráfica de apontar a nasalização da vogal “a”. Por isso, não é considerado uma acentuação gráfica. Assim, eliminamos as alternativas (A), (B), (C) e (D), e percebemos que a alternativa (E) é a correta. Gabarito: E Questão 16: O texto II é a última estrofe de um dos poemas mais conhecidos do poeta Thiago de Mello, intitulado “Os estatutos do homem”. A respeito da linguagem usada no fragmento transcrito é correto afirmar que: I. Predomina a linguagem coloquial para que o texto se torne claro e objetivo. II. Trata-se de uma linguagem técnica já que o poeta faz uma alusão à Declaração Universal dos Direitos Humanos. III. O autor aproveita poeticamente o formato e a linguagem do texto normativo para escrever o seu poema. Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s): A) I e II B) III C) II D) I E) I, II e III Comentário: Podemos dividir o poema “Artigo Final” em duas partes basicamente: a primeira parte é composta pelos dois primeiros versos e a segunda, pelos versos 3 a 9. Veja: Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, ou a semente do trigo e a sua morada será sempre o coração do homem. A frase I está errada. Linguagem coloquial é própria da fala, descuidada do rigor gramatical, e percebemos que o texto mantém a gramaticalidade. A frase II está errada, simplesmente porque não há indício no texto de que haja referência à Declaração Universal dos Direitos Humanos. A frase III está correta, pois percebemos que o poeta aproveita a estrutura inicial de uma linguagem técnica para em seguida ampliar os sentidos dos vocábulos a uma linguagem figurada e bem cuidada poeticamente. Gabarito: B Questão 17: A estrofe transcrita tem como tema principal: A) O coração do homem. B) Os direitos humanos. C) A declaração dos deveres humanos. D) A constante mentira em que as pessoas vivem. E) A liberdade. Linguagem técnica: própria de leis, estatutos etc. Linguagem poética, com palavras de sentido figurado LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 12 Comentário: Os versos mais importantes, como conteúdo do poema, são: “Fica proibido o uso da palavra liberdade” e “a liberdade será algo vivo e transparente”. Assim, o tema central envolve a liberdade. Gabarito: E TRE SC 2008 Técnico (banca Consulplan) O homem – gravador Dizer que ele era louco por música é pouco. Lionel Mapleson era filho do secretário musical da rainha Vitória, sobrinho de um dos maiores empresários ingleses de óperas e já havia estudado canto e violino. Mas só sossegou quando conseguiu, aos 25 anos, virar bibliotecário do Metropolitan Opera de Nova York, desde aquela época a maior casa americana de espetáculos de música erudita. Nascido na Inglaterra e radicado dos EUA, Mapleson era amigo pessoal de Thomas Edison, de quem adquiriu um fonógrafo. Naquele ano de 1900, esse aparelho enorme, com cilindros de cera em vez de discos e um cornetão do tamanho de uma pessoa, era o que havia de mais moderno em termos de gravação e reprodução de som. Fascinado com seu novo brinquedinho, Mapleson teve uma idéia genial: gravar as apresentações de ópera do Metropolitan para colecioná-las e ouvi- las quando quisesse. Até então, ninguém tinha tido a sacada de gravar shows ao vivo. Mesmo porque, como já foi possível perceber, aquele gravadorzinho do começo do século 20 estava longe de ser um aparelho de bolso. Só mesmo com muita influência para convencer os administradores da casa a colocar o trambolho dentro do ponto – um buraco na beira do palco de onde auxiliares sopravam o texto da ária para os cantores. Mas, como prejudicava a visão, o fonógrafo foi gongado pela platéia. O jeito foi levá-lo para a coxia, o que justifica a péssima qualidade das gravações: “É como ouvir concerto num camarim cheio de gente atravésde uma porta que fica abrindo e fechando”, definiu um amigo. Por 4 anos, Mapleson gravou centenas de cilindros de dois minutos, entre eles os únicos registros de óperas cantadas por Jean de Reszke, o maior tenor do mundo até aparecer Caruso. Também são dele as primeiras gravações de hits eruditos como a ária Ritorna Vincitor da ópera Aída, de Verdi, e o Coro dos Soldados, do Fausto de Gounod. Mas a festa acabou quando grandes gravadoras, pegando carona na idéia de Mapleson, fecharam contratos para registrar os recitais. Delicadamente, o Metropolitan pediu que ele levasse seu brinquedinho de volta para casa. E Mapleson voltou ao anonimato. Até tentou negociar com gravadoras londrinas para ter seus cilindros transformados em discos. Mas isso só aconteceu no final de sua vida, quando as gravações foram redescobertas por colecionadores e acabaram reeditadas em elepês. Mapleson morreu aos 72 anos, ainda como bibliotecário do teatro, sem imaginar que os frutos da sua inocente idéia traria muita alegria aos fãs de música erudita e inspiraria a maior dor de cabeça da indústria fonográfica: a pirataria. (Texto Ayrton Mugnaini Jr.Revista “ Superinteressante”. Julho/2008 p. 54.) LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 13 Questão 18: Duas palavras do texto que recebem acento gráfico em razão de regras ortográficas diferentes são: A) música – ópera B) é – já C) secretário – empresários D) idéia – platéia E) até – só Comentário: As palavras “música” e “ópera” são acentuadas por serem proparoxítonas, “é” e “já” são monossílabos tônicos terminados em “e” e “a”, respectivamente. As palavras “secretário” e “empresários” são acentuadas por serem paroxítonas terminadas em ditongo oral, “idéia” e “platéia” tinha acento gráfico por possuir o ditongo aberto tônico “éi”. A partir de 2009, esse acento gráfico deixou de ser utilizado, por ser uma palavra paroxítona. Na alternativa (E), há regras de acentuação gráfica diferentes, pois “até” é uma oxítona terminada em “e”, e o vocábulo “só” é um monossílabo tônico terminado em “o”. Gabarito: E Questão 19: No texto, haverá alteração de sentido, caso se substitua: A) “Fascinado com seu novo brinquedinho...” (3º§) por deslumbrado B) “Só mesmo com muita influência para convencer... (3º§) por prestígio C) “... sopravam o texto da ária para os cantores.” (3º§) por canção D) “E Mapleson voltou ao anonimato.” (4º§) por renomado E) “... aos fãs de música erudita e inspiraria a maior dor de cabeça...” (5º§) por influenciaria Comentário: A alternativa (A) está correta, pois o particípio “Fascinado” significa “deslumbrado”, “encantado”. A alternativa (B) está correta, pois “influência” significa, neste contexto, ação que uma pessoa exerce sobre a outra, poder, crédito, prestígio. A alternativa (C) está correta, pois “ária” significa “peça de música para uma só voz”, “melodia”, “cantiga”. Assim, “canção” é uma palavra que substitui plenamente o vocábulo “ária”. A alternativa (D) é a errada, pois o “anonimato” significa a pessoa que passa despercebido, sem renome, sem prestígio. Assim, “renomado” é justamente o contrário do vocábulo “anonimato”. A alternativa (E) está correta, pois inspirar significa, neste contexto, entusiasmar-se, influenciar-se. Assim, o verbo “inspiraria” é o mesmo que “influenciaria”. Gabarito: D Questão 20: A frase que NÃO apresenta qualquer exemplo de comparativo ou superlativo é: A) “... e já havia estudado canto e violino.” B) “... desde aquela época a maior casa americana...” C) “... havia de mais moderno em termos de gravação...” D) “... por Jean Reszke, o maior tenor de óperas cantadas do mundo...” E) “... e inspiraria a maior dor de cabeça da indústria...” LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 14 Comentário: A alternativa (A) não possui elemento comparativo, nem superlativo. Na alternativa (B), a expressão “a maior casa” apresenta o grau superlativo. Na alternativa (C), a expressão “mais moderno” apresenta o grau superlativo. Na alternativa (D), a expressão “o maior tenor” apresenta o grau superlativo. Na alternativa (E), a expressão “a maior dor” apresenta o grau superlativo. Gabarito: A Questão 21: Assinale a alternativa em que NÃO há relação entre o pronome destacado e a palavra ou expressão enunciada entre parênteses: A) “Dizer que ele era louco por música...” 1º§ (Lionel Mapleson) B) “O jeito foi levá-lo para a coxia...” 3º§ (fonógrafo) C) “mas isso só aconteceu no final...” 4º (cilindros transformados em discos) D) “... para colecioná-las...” 3º§ (apresentações de óperas) E) “... também são dele as primeiras gravações...” 4º§ (Caruso) Comentário: Esta questão trabalha diretamente o conteúdo previsto no edital, sobre o emprego de coesão dos pronomes, o qual vimos também na aula passada. Os pronomes podem retomar um termo (recurso anafórico) ou projetá- lo (recurso catafórico). Na alternativa (A), o pronome “ele” projeta o substantivo posterior (recurso catafórico) “Lionel Mapleson”. Dizer que ele era louco por música é pouco. Lionel Mapleson era filho do secretário musical da rainha Vitória... Na alternativa (B), o pronome “-lo” retoma (recurso anafórico) o substantivo “fonógrafo”: “...o fonógrafo foi gongado pela platéia. O jeito foi levá-lo para a coxia...” Na alternativa (C), o pronome “isso” normalmente retoma uma ação, como ocorreu com “cilindros transformados em discos”. Na alternativa (D), o pronome “-las” retoma a expressão também feminina e plural “apresentações de óperas”. A alternativa (E) é a errada, pois o pronome “dele” retoma o substantivo “Mapleson”, e não “Caruso”, pois Mapleson, além de gravar os únicos registros de óperas cantadas por Jean de Reszke, também gravou os hits eruditos como a ária Ritorna Vincitor da ópera Aída, de Verdi, e o Coro dos Soldados, do Fausto de Gounod. Gabarito: E Questão 22: Assinale a alternativa em que há ERRO de flexão verbal: A) Todos diziam que ele era louco por música. B) Não queiram destruir as gravações das óperas. C) Se as gravadoras proporem um bom negócio, ele concordará. LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 15 D) Peça a ele que leve seu brinquedinho de volta para casa. E) Quando o vir, fale com ele. Comentário: A alternativa (A) está correta, pois “diziam” e “era” são a flexão no pretérito imperfeito do indicativo do verbo “dizer” e “ser”, respectivamente. A alternativa (B) está correta, pois “queiram” é a flexão no presente do subjuntivo do verbo “querer”. A alternativa (C) é a flexão errada, pois o verbo “propor”, conjugado na terceira pessoa do futuro do subjuntivo é “propuserem”. O verbo “concordará” está corretamente flexionado no futuro do presente do indicativo. A alternativa (D) está correta, pois “Peça” é o imperativo afirmativo do verbo “pedir” e “leve” é o presente do subjuntivo do verbo “levar”. A alternativa (E) está correta, pois o verbo “ver” está conjugado no futuro do subjuntivo (Quando eu vir, tu vires, ele vir, nós virmos, vós virdes, eles virem). O verbo “fale” está corretamente flexionado na terceira pessoa do singular do imperativo afirmativo. Gabarito: C Questão 23: Segundo o texto: A) Mapleson estudou música no Metropolitan Opera de Nova York. B) As gravações de Caruso são referências na fonografia de Mapleson. C) As gravações de Mapleson acabaram contribuindo para a preservação de importante tesouro musical. D) A utilização da coxia proporcionou uma acentuada melhoria na qualidade das gravações de Mapleson. E)A gravação do Coro dos Soldados, da ópera Fausto, feita por Mapleson é considerada até hoje como uma das melhores do gênero. Comentário: A alternativa (A) está errada, porque o texto nos informa que “Mapleson” era o bibliotecário do Metropolitan Opera de Nova York. Ele estudou canto e violino, mas não há referência no texto de que ele tenha feito esse estudo naquela casa de espetáculos de música erudita. A alternativa (B) está errada, pois o 4° parágrafo nos informa que foram as gravações de “Jean de Reszke” as referências na fonografia de Mapleson. A alternativa (C) é a correta, pois no início do 4° parágrafo foi informado que Mapleson gravou centenas de cilindros de dois minutos e entre eles os únicos registros de óperas cantadas por Jean de Reszke, o maior tenor do mundo até aparecer Caruso e os hits eruditos como a ária Ritorna Vincitor da ópera Aída, de Verdi, e o Coro dos Soldados, do Fausto de Gounod. Isso certamente contribuiu para a preservação de importante tesouro musical. A alternativa (D) está errada, porque, no terceiro parágrafo, é expresso que a coxia justifica a péssima qualidade da gravação. A alternativa (E) está errada, pois o terceiro parágrafo nos mostra a péssima qualidade da gravação. Assim, a gravação do Coro dos Soldados não poderia ser considerada a melhor do gênero, se levarmos em conta a qualidade da gravação. Além disso, se levarmos em conta a qualidade do gênero musical, também não há qualquer indício no texto que informe que esse gênero tenha sido o melhor até hoje. LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 16 Gabarito: C Questão 24: O texto faz referência à pirataria porque: A) Mapleson copiava as gravações das audições musicais. B) A atitude de Mapleson era antiética. C) As gravações de Mapleson eram bem feitas. D) Desde a época de Mapleson, era comum a pirataria. E) N.R.A. Comentário: Considerando-se que o texto deixa claro que Mapleson não copiava gravações, mas as fazia diretamente do artista, percebemos que suas gravações não têm denotação antiética. Considerando-se também que no terceiro parágrafo foi afirmado que o som era de péssima qualidade e que não foi afirmado no texto que, à época de Mapleson, era comum a pirataria, percebemos que não há resposta correta para esta questão. Por isso devemos assinalar a alternativa (E). Gabarito: E CEAGESP 2008 Advogado (banca Consulplan) TRATAMENTO DE CHOQUE A refrigeração é uma questão delicada para os fruticultores. As baixas temperaturas, ao mesmo tempo em que são necessárias à conservação das frutas, também podem causar danos ao produto, se a exposição ao frio for prolongada. Essa contradição, entretanto, está com os dias contados. É o que promete um novo método desenvolvido por pesquisadores do Laboratório de Fisiologia e Bioquímica Pós-Colheita da Esalq – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. O processo, chamado de condicionamento térmico, consiste em mergulhar o fruto em água quente antes de refrigerá-lo. “O frio faz com que a fruta fique vulnerável à ação de substâncias que deterioram a casca, mas o uso da água quente ativa seu sistema de defesa”, afirma o pesquisador Ricardo Kluge. A temperatura da água e a duração do mergulho variam para cada espécie, mas, em média, as frutas são mantidas em 52 graus por poucos minutos. Em alguns casos, o tratamento aumenta a conservação em até 50% do tempo; se um produto durava 40 dias em ambiente frio, pode passar a durar 60. Resistência. A Esalq também desenvolveu um outro tipo de tratamento, o “aquecimento intermitente”. Essa técnica consiste em pôr a fruta em ambiente refrigerado e, depois de dez dias, deixá-la em temperatura ambiente por 24 horas, para então devolvê-la à câmara fria. “Isso faz com que o produto crie resistência ao frio e não seja danificado”, afirma Ricardo Kluge. Para o produtor de pêssegos Waldir Parise, isso será muito válido, pois melhora a qualidade final do produto. Ele acredita que a nova técnica aumentará o valor da fruta no mercado. “Acho que facilitará bastante nossa vida.” De acordo com o pesquisador Kluge, o grande desafio é fazer com que essa novidade passe a ser usada pelo produtor. “No começo é difícil, pois muitos apresentam resistência às novidades”, diz. Neste ano, os LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 17 pesquisadores trabalharão mais próximos dos agricultores, tentando ensinar- lhes a técnica. “Acho que daqui a três anos ela será mais usada”. O Chile já usa o método nas ameixas. As frutas tropicais devem ser as mais abordadas pelo estudo, pois não apresentam resistência natural às baixas temperaturas. A pesquisa testou o método só no limão taiti, na laranja valência e no pêssego dourado-2. (Luis Roberto Toledo e Carlos Gutierrez. Revista Globo Rural – Março/2006) Vamos estruturar este texto, como está previsto no edital do TSE? Isso é importante também para depois respondermos às questões. Todo texto veicula um assunto, que é especificado pela visão do autor, a qual chamamos de tema. O tema é a ideia principal do texto, é o resumo em uma palavra ou expressão do conteúdo central. Esse resumo pode ser expresso no título, e isso já nos ajuda muito na interpretação do texto. Candidato que realiza a leitura de um texto para interpretá-lo e não se lembra do título ou não entendeu seu emprego, é sinal de que não interpretou bem o texto, pois o título nos induz ao caminho principal das ideias do autor, ou pelo menos sugere. Muitas vezes o posicionamento do autor é expresso numa frase, a qual chamamos de tese. Essa tese normalmente é expressa na introdução do texto, mas pode aparecer também no seu final, na conclusão. O parágrafo de introdução: No texto ora lido, perceba que a primeira frase “A refrigeração é uma questão delicada para os fruticultores.” é a tese. Esta frase nos mostra que o assunto a ser tratado no texto impõe contrastes. Em seguida, ainda neste primeiro parágrafo, há uma explicação de a refrigeração ser interpretada como questão delicada para os fruticultores: as baixas temperaturas são necessárias, mas podem causar danos. Em seguida, é sugerida uma abertura de técnicas possíveis para solucionar o problema (final do primeiro parágrafo). Dessa forma, o autor introduziu o texto, gerando uma expectativa em sua leitura, o leitor vê necessidade de continuar lendo o texto para entender essas técnicas, que serão são desenvolvidas e explicadas nos parágrafos seguintes. Os parágrafos de desenvolvimento: Nesta parte do texto, o leitor observa que há uma ampliação dos argumentos iniciados na introdução. Agora, é hora de provar o que fora dito anteriormente. Para tanto, o autor pode se valer de contrastes (“mas o uso da água quente ativa seu sistema de defesa”, “mas, em média, as frutas são mantidas em 52 graus por poucos minutos.”), explicações (“O processo consiste em mergulhar o fruto em água quente antes de refrigerá-lo”, “Essa técnica consiste em pôr a fruta em ambiente refrigerado”, “pois melhora a qualidade final do produto.”), conformidade ou argumento de autoridade (“É o que promete um novo método desenvolvido por pesquisadores do Laboratório de Fisiologia e Bioquímica Pós-Colheita da Esalq – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz”, “afirma o pesquisador Ricardo Kluge”, “Para o produtor de pêssegos Waldir Parise,”, causa/consequência (“O frio faz com que a fruta LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 18 fique vulnerável”, “o uso da água quente ativa seu sistema de defesa”), dado estatístico ou estimativa (“aumentaa conservação em até 50% do tempo”) etc. O importante é você perceber que nos parágrafos de desenvolvimento são feitas as análises para provar o que foi afirmado na introdução do texto. O parágrafo de conclusão: Aqui, podemos perceber que, após toda a argumentação nos parágrafos de desenvolvimento, o autor chega a uma conclusão que confirma o que foi dito na introdução. Isto é, os dados elencados nos parágrafos de desenvolvimento servem para convencer o leitor sobre a opinião do autor, expressa pela tese do texto, a qual será ratificada (confirmada) no parágrafo de conclusão. É como se ele dissesse informalmente ao leitor: “Está vendo, leitor, como foi importante o meu discurso inicial? Com isso, devemos realizar tais ações... ou prestar atenção em tais aspectos... ou nos mover a evitar tais problemas... e assim por diante”. Com base em nossa conversa sobre o texto lido, agora vamos às questões!!!! Questão 25: Segundo o texto, entre a refrigeração e os fruticultores há uma: A) Oposição ideológica. B) Semelhança espacial. C) Utilização benéfica e maléfica. D) Ausência de utilidade. E) Utilização desnecessária. Comentário: Esta questão aborda justamente a tese do texto: “A refrigeração é uma questão delicada para os fruticultores.” Assim, entre a refrigeração e os fruticultores, há uma questão delicada, que será explicada em seguida: as baixas temperaturas são necessárias à conservação das frutas (utilização benéfica), mas também pode causar danos (utilização maléfica). Tudo vai depender do uso pelo fruticultor. Assim, explicitamente sabemos que a alternativa correta é a (C). Veja que a alternativa (A) está errada, porque não há oposição ideológica entre refrigeração e fruticultores. A alternativa (B) está errada, porque não se pode dizer que os dois ocupam o mesmo espaço. As alternativas (D) e (E) praticamente têm a mesma ideia: a pouca utilidade. Por isso, estão erradas. Gabarito: C Questão 26: O emprego das aspas no segundo parágrafo: A) Ressalta a importância da nova técnica. B) Serve para ressaltar a fala do autor da reportagem. C) Serve para ressaltar a fala do pesquisador. D) Serve para complementar a reportagem. E) Explica o que é o aquecimento intermitente. Comentário: A citação (trecho da afirmação de alguém) é uma forma de o autor confirmar o que está sendo argumentado no texto. Por isso, várias vezes no texto percebemos as falas de pesquisadores. Isso é feito para que o LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 19 leitor tenha uma maior confiança nos argumentos elencados pelo autor. Essa citação normalmente é limitada pelas aspas, para que o leitor não confunda o que é afirmado por ele ou pela citação da fala de alguém. Assim, cabe apenas a alternativa (C) como correta. Gabarito: C Questão 27: “No começo é difícil, pois muitos apresentam resistências às novidades”. Pelo processo da intertextualidade a alternativa que contém uma citação com o mesmo valor semântico do período acima é: A) “À mente apavora o que ainda não é mesmo velho”. B) “...o horror de um progresso vazio” C) “Oh! Mundo tão desigual! De um lado esse carnaval, de outro a fome total”. D) “Foste um difícil começo”. E) “Como vai explicar vendo o céu clarear sem lhe pedir licença”. Comentário: Primeiro, vamos entender o que significa: Intertextualidade: É o cuidado que se tem num texto de absorver os conhecimentos, conceitos, observações elencados em outros textos renomados, conhecidos. Normalmente isso é feito para levantar mais crédito ao argumento defendido pelo autor. Citação: É o recorte da fala de alguém ou de algum trecho de texto. Valor semântico: É a conservação do sentido de uma expressão por outra. A questão, então, quer saber se o candidato consegue verificar o sentido da expressão “No começo é difícil, pois muitos apresentam resistências às novidades”, contida no texto, com outras expressões retiradas de outros textos (citações). Isso é a intertextualidade: Neste trecho, a ideia de muitos apresentarem resistências às novidades significa que é fácil lidar com aquilo que já conhecemos, pois nos acomodamos com o velho. Por isso, a novidade traz receio. A alternativa (A) é a correta, pois o que ainda não é velho (conhecido plenamente por mim) apavora. Isso é o mesmo que muitos resistirem às novidades, concorda?!!!!! A alternativa (B) apresenta a expressão “...o horror de um progresso vazio”, a qual significa uma desaprovação à ascensão sem base. Isso não diz respeito à frase do texto. A alternativa (C) apresenta a expressão “Oh! Mundo tão desigual! De um lado esse carnaval, de outro a fome total”, que mostra os contrastes sociais, como uma crítica. Isso não tem relação com a frase do texto. A alternativa (D) apresenta a expressão “Foste um difícil começo”, a qual indica simplesmente que o começo foi difícil, mas não necessariamente que alguém tem medo desse começo. Por isso, está diferente da argumentação da frase do texto. A alternativa (E) apresenta a expressão “Como vai explicar vendo o céu clarear sem lhe pedir licença”, a qual nos remete à indagação da explicação de algo que não conhecemos. Gabarito: A LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 20 Questão 28: Assinale a frase em que o vocábulo destacado tem seu antônimo corretamente indicado: A) “A refrigeração é uma questão delicada para os fruticultores”: difícil B) “ ... se a exposição ao frio for prolongada”: rápida C) “ O frio faz com que a fruta fique vulnerável à ação de substâncias...” : desamparados D) “Acho que facilitará bastante nossa vida.”: suficientemente E) “No começo é difícil, pois muitos apresentam resistência às novidades...”: empecilho. Comentário: Antônio é o sentido contrário da palavra. Na alternativa (A), o adjetivo “delicada” tem seu sentido preservado com o adjetivo “difícil”. A alternativa (B) é a correta, pois o adjetivo “prolongada” é o oposto de “rápida”. Na alternativa (C), o adjetivo “desamparados” não mantém o mesmo sentido, mas também não marca a oposição. Por isso, está errada. Na alternativa (D), o advérbio “bastante” tem o seu sentido preservado no advérbio “suficientemente”. Na alternativa (E), o substantivo “resistência” tem o seu sentido preservado no substantivo “empecilho”. Gabarito: B Questão 29: “Para o produtor de pêssegos Waldir Parise, isso será muito válido...” A palavra sublinhada nessa frase tem como referente: A) “... a temperatura da água e a duração do mergulho...” B) “A refrigeração é uma questão delicada para os fruticultores”. C) “ ... o produto crie resistência ao frio e não seja danificado”. D) “Essa contradição, entretanto, está com os dias contados”. E) “ ... aumenta a conservação em até 50% do tempo...” Comentário: Esta questão trabalha especificamente a coesão referencial, isto é, o pronome trabalha em recurso anafórico e devemos saber contextualmente a que termo ele se refere. Para tanto, veja que o primeiro pronome “isso” retoma todo o período anterior, o qual se encontra sublinhado: “Essa técnica consiste em pôr a fruta em ambiente refrigerado e, depois de dez dias, deixá-la em temperatura ambiente por 24 horas, para então devolvê-la à câmara fria¹. “Isso¹ faz com que o produto crie resistência ao frio e não seja danificado²”, afirma Ricardo Kluge. Para o produtor de pêssegos Waldir Parise, isso² será muito válido, pois melhora a qualidade final do produto. Ele acredita que a nova técnica aumentará o valor da fruta no mercado. “Acho que facilitará bastante nossa vida.” Agora, veja que o segundo pronome “isso” retoma a expressão “o produtocrie resistência ao frio e não seja danificado” (em negrito). Assim, a alternativa correta é a (C). Gabarito: C LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 21 Manaus Energia 2006 Administrador (banca Consulplan) A ENERGIA E OS CICLOS INDUSTRIAIS No decorrer da história, a ampliação da capacidade produtiva das sociedades teve como contrapartida o aumento de consumo e a contínua incorporação de novas fontes de energia. Entretanto, até o século XVIII, a evolução do consumo e o aprimoramento de novas tecnologias de geração de energia foram lentos e descontínuos. A Revolução Industrial alterou substancialmente esse panorama. Os ciclos iniciais de inovação tecnológica da economia industrial foram marcados pela incorporação de novas fontes de energia: assim, o pioneiro ciclo hidráulico foi sucedido pelo ciclo do carvão, que por sua vez cedeu lugar ao ciclo do petróleo. Em meados do século XIX, as invenções do dínamo e do alternador abriram o caminho para a produção de eletricidade. A primeira usina de eletricidade do mundo surgiu em Londres, em 1881, e a segunda em Nova York, no mesmo ano. Ambas forneciam energia para a iluminação. Mais tarde, a eletricidade iria operar profundas transformações nos processos produtivos, com a introdução dos motores elétricos nas fábricas, e na vida cotidiana das sociedades industrializadas, na qual foram incorporados dezenas de eletrodomésticos. Nas primeiras décadas do século XX, a difusão dos motores a combustão interna explica a importância crescente do petróleo na estrutura energética dos países industrializados. Além de servir de combustível para automóveis, aviões e tratores, ele também é utilizado como fonte de energia nas usinas termelétricas e ainda, é matéria-prima para muitas indústrias químicas. Desde a década de 1970, registrou-se também aumento significativo na produção e consumo de energia nuclear nos países desenvolvidos. Nas sociedades pré-industriais, entretanto, os níveis de consumo energético se alteraram com menor intensidade, e as fontes energéticas tradicionais – em especial a lenha – ainda são predominantes. Estima-se que o consumo de energia comercial per capita no mundo seja de aproximadamente 1,64 toneladas equivalentes de petróleo (TEP) por ano, mas esse número significa muito pouco: um norte-americano consome anualmente, em média, 8 TEPs contra apenas 0,15 consumidos por habitante em Bangladesh e 0,36 no Nepal. Os países da OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que possuem cerca de um sexto da população mundial, são responsáveis por mais da metade do consumo energético global. Os Estados Unidos, com menos de 300 milhões de habitantes, consomem quatro vezes mais energia do que o continente africano inteiro, onde vivem cerca de 890 milhões de pessoas. (Magnoli, Demétrio, Regina Araújo, 2005. Geografia – A construção do mundo. Geografia Geral e do Brasil, Moderna – pg. 167) Questão 30: Observando-se o tipo de composição do texto, conclui-se que ele é: A) Dissertativo informativo B) Descritivo com inclusão de narração C) Narrativo com exclusão de descrição LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 22 D) Dissertativo polêmico E) Argumentativo opinativo Comentário: No edital do TSE não está explícita a cobrança dos tipos de texto. Assim, não temos que decorar quais são esses tipos de texto, mas isso vai nos ajudar a entender a estrutura dele, pois vai depender da intenção do texto. Basicamente, os tipos de texto são: Narrativo: conta-se uma história. Descritivo: há enumeração de elementos, características e ações. Dissertativo: informa-se, argumenta-se, debate-se sobre algum tema, algum assunto. O texto dissertativo basicamente significa falar sobre alguma coisa. A postura do autor perante essas informações são importantes para entendermos o seu ponto de vista. Assim, quando o autor evidencia suas opiniões no texto, dizemos que o texto é dissertativo-argumentativo (opinativo), mas, quando o autor apenas relata alguma informação, temos o texto dissertativo-expositivo (informativo). O texto desta questão relata-nos sobre o tema da evolução da energia, os ciclos industriais e a diferença de consumo entre países e regiões, dependendo do processo produtivo. Note que o autor não transparece nenhuma opinião individual, ele simplesmente relata as informações, ele não considera, julga, aprecia nenhum dado com base em sua opinião, ele apenas relata-nos o seu conhecimento sobre este tema. Portanto, o texto é dissertativo-expositivo (ou informativo). Gabarito: A Questão 31: Nos dois primeiros parágrafos do texto, o autor afirma que, EXCETO: A) O aumento de consumo foi uma contrapartida à ampliação da capacidade produtiva das sociedades. B) A eletricidade operou, nos processos produtivos, transformações profundas. C) As novas fontes de energia marcaram os ciclos iniciais de inovação tecnológica. D) Anteriormente ao século XVIII, o aprimoramento de novas fontes de energia e a evolução do consumo foram lentos e descontínuos. E) O panorama de evolução das novas fontes de energia foi alterado de forma fundamental pela Revolução Industrial. Comentário: A alternativa (A) está correta e expressa literalmente o que se diz no primeiro período do texto: “...a ampliação da capacidade produtiva das sociedades teve como contrapartida o aumento de consumo e a contínua incorporação de novas fontes de energia.” . A alternativa (B) é a errada, pois esta informação faz parte do terceiro parágrafo, e a questão pediu apenas a interpretação dos dois primeiros parágrafos. A alternativa (C) está correta, porque esta informação encontra-se no segundo período do segundo parágrafo: “Os ciclos iniciais de inovação tecnológica da economia industrial foram marcados pela incorporação de LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 23 novas fontes de energia”. A alternativa (D) está correta, pois relata o segundo período do primeiro parágrafo: “Entretanto, até o século XVIII, a evolução do consumo e o aprimoramento de novas tecnologias de geração de energia foram lentos e descontínuos.” A alternativa (E) está correta, pois relata o primeiro período do segundo parágrafo: “A Revolução Industrial alterou substancialmente esse panorama.”. Note que “esse panorama” retoma a expressão “o aprimoramento de novas tecnologias de geração de energia” do período anterior. Além disso, perceba que “substancialmente”, de acordo com o contexto, é o mesmo que “de forma fundamental”. Gabarito: B Questão 32: Ao mencionar que as invenções do dínamo e do alternador abriram caminho para a produção de eletricidade, o autor do texto mostra que: A) O setor industrial impulsionou a economia dos países subdesenvolvidos. B) As usinas de eletricidade forneciam energia para a iluminação. C) A partir dessas invenções o uso de energia elétrica em Londres e Nova York colocou essas duas cidades no topo da economia mundial. D) A partir dessas invenções o uso de energia elétrica se expandiu e provocou substanciosas mudanças na vida cotidiana das sociedades industrializadas. E) A partir do dínamo e do alternador as indústrias tomaram um novo rumo no século XVIII. Comentário: No terceiro parágrafo, note que a invenção do dínamo e do alternador abriram caminho para a eletricidade e esta “iria operar profundas transformações nos processos produtivos, com a introdução dos motores elétricos nas fábricas, e na vida cotidiana das sociedades industrializadas, na qual foram incorporados dezenasde eletrodomésticos”. Veja que a interpretação é literal dos dados do 3° parágrafo do texto. Por isso, a alternativa correta é a (D). Você poderia ter ficado na dúvida, porque esta alternativa não menciona as “transformações nos processos produtivos”, mas esta omissão não implica erro na informação de que a sociedade industrializada se beneficiou dessas transformações, ok! Gabarito: D Questão 33: A importância do petróleo se deve, EXCETO: A) Ao fato de servir de matéria-prima para indústrias químicas. B) Ao fato de servir de combustível para automóveis, aviões e tratores. C) Ao fato de ser fonte de energia eólica. D) Ao fato de ser fonte de energia nas usinas termelétricas. E) Ao fato de ser fonte de energia nas indústrias têxteis. Comentário: Questão simples com dados explícitos no 4° parágrafo. Você poderia ter ficado na dúvida entre as alternativas (C) e (E), pois não se encontra literalmente “energia eólica” e “indústrias têxteis”. Assim, devemos observar que “indústria têxtil” se enquadra na expressão “importância crescente do petróleo na estrutura energética dos LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 24 países industrializados”, aí se enquadrando as fábricas. Por outro lado, veja que a energia eólica é a energia captada do vento, nada tendo a ver com o petróleo, por isso a alternativa (C) é a errada. Assim, observe: tivemos um vestígio que nos permitiu subentender “indústrias têxteis”, mas não houve qualquer vestígio que nos fizesse subentender “energia eólica”. Gabarito: C Questão 34: Os dados estatísticos apresentados no texto: A) São utilizados como curiosidade. B) São utilizados para dar mais veracidade às informações contidas no texto. C) São sempre utilizados em reportagens. D) São utilizados como argumentos essenciais. E) São utilizados como informações superficiais. Comentário: Os números presentes no 4° e 5° parágrafos do texto são dados estatísticos do texto, os quais servem para dar mais credibilidade aos argumentos do texto. Assim, a alternativa correta é a (B). A alternativa (A) está muito fora do contexto, pois não há simplesmente a satisfação de uma curiosidade. A alternativa (C) está errada, pois a palavra “sempre” é categórica, isto é, palavra que não abre exceção à regra, e sabemos que nem todas as reportagens têm dados estatísticos. A alternativa (D) está errada, pois os procedimentos argumentativos, como explicação, causa/consequência, contraste, dados estatísticos, estimativas, exemplificações, são elementos complementares que auxiliam na fundamentação da tese do texto; essa, sim, elemento essencial do texto. A alternativa (E) está errada, pois esses dados não são superficiais, eles embasam os argumentos do texto. Em suma: esses dados estatísticos não são nem essenciais, nem superficiais: são importantes. Gabarito: B Manaus Energia 2006 Assist Administrativo (banca Consulplan) Quedas do Iguaçu Chegamos, e então aquilo tudo está acontecendo de maneira urgente, o mato, água, as pedras, o ar. Aquilo está havendo naquele momento, como o movimento de um grande animal bruto e branco morrendo, cheio de uma espantosa vida desencadeada, numa agonia monstruosa, eterna, chorando, clamando. E até onde a vista alcança, num semicírculo imenso, há montes de água estrondando nesse cantochão, árvores tremendo, ilhas dependuradas, insanas, se toucando de arco-íris, nuvens voando para cima, como o espírito das águas trucidadas remontando para o sol, fugindo à torrente estreita e funda onde todas essas cachoeiras juntam absurdamente suas águas esmagadas, ferventes, num atropelo de espumas entre dois muros altíssimos de rocha. E na terra em que pisamos junto ao abismo, a cara molhada, os pequenos bichos do mato se movem num perpétuo susto como se nosso LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 25 movimento fosse uma traição acobertada pelo estrondo dessa catedral caindo absurda para as nuvens de vapor e espuma com toda uma orquestra de órgãos estrondando. Um avião passeia sobre as cataratas, mas ele ronda alto, como se tivesse medo de ser tragado pela respiração do monstro de água vibrando no ar. Do lado argentino, uma longa ponte sobre os saltos e um sábio caminho entre a floresta nos leva à intimidade de muitos saltos, num passeio maravilhoso que é um equilíbrio entre o idílico e o trágico, entre o mais suave segredo do mato e da água, o mais tímido murmúrio nas pedras e o grande estrondo da massa precipitada no ar. Um bando de papagaios passa para um lado gritando; como em resposta vem depois, da mata escura, um bando de tucanos que, ao pousar, parecem estudar o equilíbrio entre o corpo e os grandes bicos coloridos. As borboletas invadem os caminhos e as picadas, bandos e mais bandos, amarelas, vermelhas, azuis, com todos os caprichos do desenho e da cor, avançando no seu vôo desarrumado e trêmulo, como flores tontas caídas da floresta sobre os caminhos úmidos. Não, não há como descrever as quedas do Iguaçu; seria preciso viver longamente aqui, nesse mato alto, entre cobras, veados, antas e onças, em volta desse estrondo – e vir, nas manhãs e nas noites, vagar entre as nuvens e a espuma, a um canto do abismo fundo, com terror e com unção. (Rubem Braga) Aqui cabe observarmos que o texto não defende uma tese, não conta uma história. Note uma coisa: se não tivéssemos visto o título do texto, a nossa leitura da introdução nos deixaria na dúvida sobre o que se está falando. Note o capricho do autor em abordar palavras de tom poético, que possuem sonoridade instigante e nos remetem à imagem de algo natural e majestoso, de grande poder. Este cuidado na seleção das palavras e na imagem a ser identificada pelo leitor, a omissão do referente no início do corpo do texto, tudo isso traz uma linguagem poética a um texto em prosa. A primeira questão aborda justamente a sua percepção sobre as expressões estilisticamente utilizadas pelo autor para evitar a repetição da expressão “cataratas do Iguaçu”. Sem teorias, vamos resolver a questão somente com a observação atenta no texto!!!! Veja: Questão 35: Na alternativa abaixo todos os elementos retomam, por meio anafórico, às cataratas do Iguaçu, EXCETO: A) catedral caindo absurda para as nuvens de vapor. B) orquestra de órgãos estrondando. C) longa ponte sobre os saltos. D) monstro de água vibrando no ar. E) movimento de um grande animal bruto e branco morrendo. Comentário: A alternativa (A) é uma linda imagem que o autor nos faz ver das cataratas do Iguaçu, por meio da seleção incomparável das palavras “catedral” (algo majestoso), “absurda” (fortemente, mostrando o poder natural), “nuvens de vapor” (figurativamente comparando às nuvens do céu, mostrando sua vastidão). LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 26 A alternativa (B) é outra bela imagem das cataratas, realçando a harmonia de som e imagem, com os vocábulos “orquestra” e “estrondando”. A alternativa (D) utiliza a expressão “monstro de água vibrando no ar” para intensificar a força da natureza, expressa nas cataratas. A alternativa (E) nos mostra uma grande imagem branca curvando-se de alto a baixo, retratando o escoamento das águas das cataratas como uma suave morte. Já na alternativa (C) a longa ponte está sobre os saltos, sobre as cataratas. Assim, são os saltos que retratam as cataratas, não a expressão “longa ponte sobre os saltos”. Gabarito: C Questão 36: A tipologia textual do texto em questão é: A) didática B) descritiva C) narrativa D) científica E) informativaComentário: Note como o texto não defende opinião, não conta nenhuma história, sua intenção é descrever, poeticamente, com suavidade, a beleza das cataratas do Iguaçu. Como o texto tem a intenção de elencar características, só pode ser descritivo. Veja como o próprio texto nos informa essa tipologia textual no início do último parágrafo: “Não, não há como descrever as quedas do Iguaçu; seria preciso viver longamente aqui...”. Gabarito: B Questão 37: O autor emprega no texto tons de: A) espanto e simpatia B) melancolia e angústia C) encantamento e medo D) despedida e suavidade E) religiosidade e rebeldia Comentário: “Matamos” esta questão por eliminação: é só notar que o texto não traduz por parte do autor “espanto”, “melancolia”, “despedida” ou “religiosidade”. Você pode ter ficado na dúvida em algumas passagens em que essas palavras caberiam, porém elas não registram o tom que o autor demonstrou no texto. Agora, veja a alternativa (C): há, sim, encantamento. Em todo o texto são mostrados a beleza e o encantamento do autor por aquele lugar. Diante de tamanha beleza, há espaço para o medo da grandiosidade, da força das águas. Esse contraste entre “encantamento” e “medo” está registrado nas expressões: “num passeio maravilhoso que é um equilíbrio entre o idílico e o trágico, entre o mais suave segredo do mato e da água, o mais tímido murmúrio nas pedras e o grande estrondo da massa precipitada no ar” e “a um canto do abismo fundo, com terror e com unção”. Gabarito: C LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 27 Questão 38: O sentido da expressão “do lado argentino” é: A) A visão das cataratas sob o ponto de vista de um argentino. B) A região menos bonita das quedas do Iguaçu. C) A região mais bonita das quedas do Iguaçu. D) A região que pertence à Argentina. E) A toda região das quedas do Iguaçu. Comentário: Note que nesta expressão não há distinção de beleza entre um lugar e outro, é tudo pleno e belo. Assim, objetivamente o autor apontou o lado argentino como sendo o lugar pertencente à Argentina. Gabarito: D Questão 39: Com relação ao significado das palavras empregadas no texto, todas as opções estão corretas, EXCETO: A) “ilhas dependuradas, insanas”: loucas B) “... espírito das águas trucidadas”: esmagadas C) “... numa agonia monstruosa...”: sofrimento D) “... num perpétuo susto...”: duradouro E) “... com terror e com unção”: tristeza Comentário: Questão certa que cairá na prova do TSE!!!! Para isso, basta o seu conhecimento aliado a um bom entendimento do texto. Na alternativa (A), “insanas” significa sem sanidade (mental): loucas. Logicamente há um sentido figurado no contexto. Na alternativa (B), o próprio contexto nos ajuda a entender a ideia de esmagamento das águas pela força da queda. Na alternativa (C), “agonia” e “sofrimento” são sinônimos. Na alternativa (D), “perpétuo” é o mesmo que “duradouro”. A alternativa (E) é a errada, pois “unção”, neste contexto, dá uma ideia de algo que comove. Veja o contexto: “com terror (medo) e unção (encantamento, comoção)”. Assim, não cabe o substantivo “tristeza”. Gabarito: E Prefeitura Tiradentes 2005 Analista (banca Consulplan) SEGREDO Há muitas coisas que a psicologia não nos explica. Suponhamos que você esteja em um 12º andar, em companhia de amigos, e, debruçando-se à janela, distinga lá embaixo, inesperada naquele momento, a figura de seu pai, procurando atravessar a rua ou descansando em um banco diante do mar. Só isso. Por que, então, todo esse alvoroço que visita a sua alma de repente, essa animação provocada pela presença distante de uma pessoa da sua intimidade? Você chamará os amigos para mostrar-lhes o vulto de traços fisionômicos invisíveis: “Aquele ali é papai”. E os amigos também hão de sorrir, quase enternecidos, participando um pouco de sua glória, pois é inexplicavelmente tocante ser amigo de alguém cujo pai se encontra longe, fora do alcance do seu chamado. Outro exemplo: você ama e sofre por causa de uma pessoa e com ela se encontra todos os dias. Por que, então, quando essa pessoa aparece à distância, em hora desconhecida aos seus encontros, em uma praça, em uma LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 28 praia, voando na janela de um carro, por que essa ternura dentro de você, e essa admirável compaixão? Por que motivo reconhecer uma pessoa ao longe sempre nos induz a um movimento interior de doçura e piedade? Às vezes, trata-se de um simples conhecido. Você o reconhece de longe em um circo, um teatro, um campo de futebol, e é impossível não infantilizar- se diante da visão. Até para com os nossos inimigos, para com as pessoas que nos são antipáticas, a distância, em relação ao desafeto, atua sempre em sentido inverso. Ver um inimigo ao longe é perdoá-lo bastante. Mais um caso: dois amigos íntimos se vêem inesperadamente de duas janelas. Um deles está, digamos, no consultório do dentista, o outro visita o escritório de um advogado no centro da cidade. Cinco horas da tarde; lá embaixo, o tráfego estridula; ambos olham distraídos e cansados quando se descobrem mutuamente. Mesmo que ambos, uma hora antes, estivessem juntos, naquele encontro súbito e de longe é como se não se vissem há muito tempo; com todas as graças da alma despertas, eles começam a acenar-se, a dar gritos, a perguntar por gestos o que o outro faz do outro lado. Como se tudo isso fosse um mistério. E é um mistério. (Paulo Mendes Campos) Você notou a tese? Aquela frase que apresenta a situação, a opinião do autor e certamente motivará a argumentação nos parágrafos seguintes? Ela nos ajuda a entender o perfil do texto. Confirmando a tese, temos o título, que normalmente traz um resumo da tese e do tema (ideia central do texto). Assim, o título “Segredo” é um resumo da tese “Há muitas coisas que a psicologia não nos explica.”. Lembra-se do que falamos anteriormente sobre a conclusão? Ela confirma a tese, o tema, a introdução do texto. Justamente isso ocorreu na última frase do texto: “E é um mistério”. Note a estrutura do texto: o parágrafo de introdução nos apresenta a tese. Em seguida, ambienta o leitor sobre uma situação para que este se identifique com ela e entenda os argumentos do texto. Os parágrafos seguintes apresentam novas situações que ilustram o tema do texto, com novas explicações. O terceiro parágrafo é uma pergunta. Essa pergunta consolida os dois exemplos dados anteriormente, e motiva o leitor a pensar, a aprofundar na questão. Nos parágrafos seguintes, o texto continua com mais exemplos para confirmar e nos familiarizar, para nos sentirmos parte desse tema. Quanto aos conectivos do texto, podemos perceber que há expressões que retomam palavras, como “isso”, “essa”, “lhes, “cujo”, “seu” etc. São recursos chamados anafóricos, pois retomam palavra ou expressão anterior para evitar a repetição viciosa. LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 29 Há, também, os chamados operadores sequenciais, isto é, palavras ou expressões que dão andamento, continuidade ao texto, aos argumentos. Veja no primeiro parágrafo: o vocábulo “assim” marca um desenvolvimento da ideia anterior: uma sequência. O vocábulo “E” (linha 8) faz o mesmo papel: dá prosseguimento à ideia explorada no enunciado anterior. Além desses, há exemplos clássicos, como o início do segundo parágrafo com “Outro exemplo”, ou no início do 6° parágrafo: “Mais um caso”. Dentro deste parágrafo, temos a combinação dos elementos sequenciais “Um deles” e “o outro”. Agora,vamos a algumas questões: Questão 40: Com relação ao significado das palavras empregadas no texto, todas as opções estão corretas, EXCETO: A) “... quase enternecidos” : amorosos B) “ ...essa ternura...” : meiguice C) “ ... inexplicavelmente tocante...” : comovente D) “ ... sempre nos induz...” : motiva E) “ ... o tráfego estridula...” : rompe Comentário: Questão simples, não é? “enternecidos” é gerado da palavra “ternura”, isto é, “amoroso”. Da mesma forma “ternura” tem o sentido contextual de “meiguice”, “tocante” é o mesmo que “comovente”, “induz” é o mesmo que “motiva”. Mas, mesmo que não soubéssemos o sentido de “estridula”, o contexto nos ajuda muito, concorda? Jogue essa palavra no texto, leia as frases em que ele se encontra: ”Mais um caso: dois amigos íntimos se vêem inesperadamente de duas janelas. Um deles está, digamos, no consultório do dentista, o outro visita o escritório de um advogado no centro da cidade. Cinco horas da tarde; lá embaixo, o tráfego estridula; ambos olham distraídos e cansados quando se descobrem mutuamente.” Mostra-se um ambiente urbano às cinco horas da tarde, isso só pode nos induzir a entender um tráfego agitado, intenso, barulhento. O radical do verbo “estridula” tem relação semântica com o do adjetivo “estridente”, isto é “barulhento”. Gabarito: E Questão 41: O tema central do texto é: A) Divagações sobre a amizade. B) Reflexões sobre encontros imprevistos. C) Indagações sobre momentos efêmeros. D) Mistérios do mundo moderno. E) Mistérios das atitudes incontidas. Comentário: Para entendermos o tema central, normalmente nos atemos à tese, ao título e à conclusão. Esses são elementos-chave que geralmente transmitem a ideia central do texto. Mas nesta questão não precisaríamos aprofundar tanto: basta trabalharmos com as alternativas por eliminação. Não há “divagações” no texto, por isso a alternativa (A) está errada. Note que divagar é o mesmo que andar sem rumo, sem direção. LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 30 Figurativamente, significa fantasiar, devanear, argumentar sem nexo. A alternativa (B) está correta, pois vemos nos parágrafos a estrutura de perguntas e respostas, tudo para buscar uma reflexão sobre encontros a distância. A alternativa (C) está errada, pois até percebemos que o texto possui indagações e que também se mostram momentos efêmeros, isto é, passageiros. Porém, não é essa a ideia central: o que se quer neste texto é mostrar a força, a beleza, a situação intrigante de avistar alguém conhecido ao longe e se sentir bem. A alternativa (D) está errada, porque não se quer mostrar mistérios do mundo moderno. A alternativa (E) está errada, porque não é foco no texto mostrar os mistérios das atitudes incontidas. Gabarito: B Questão 42: “Há muitas coisas que a psicologia não nos explica”. O período acima: A) Serve como reflexão. B) Exprime uma idéia secundária. C) É uma citação popular. D) Justifica o título do texto. E) Evidencia o valor da ciência. Comentário: Veja que a questão nos aponta a tese, para que nós possamos refletir sobre o seu papel na estrutura do texto. A alternativa (A) está errada, porque não corresponde à funcionalidade da tese deste texto. Esta tese serve para chamar-nos a atenção quanto ao que vai ser dito posteriormente. Normalmente, as frases que servem de reflexão são as perguntas retóricas, isto é, aquelas perguntas deixadas no final do texto, como que pedindo ao leitor para continuar pensando sobre o tema. Não foi o caso de frases deste texto, muito menos da tese. A alternativa (B) está errada, pois a tese é a ideia central, e não secundária. A alternativa (C) está errada, pois não há vestígios de que essa frase seja de um dito popular. A alternativa (D) é a correta, pois normalmente o título se baseia na tese, na ideia central, como um resumo, para chamar a atenção do leitor quanto à ideia central. Isso foi realmente trabalhado neste texto. O título “Segredo” resume a estrutura “a psicologia não nos explica”. A alternativa (E) está errada, pois, se a psicologia não nos explica, não há evidências de valorização da ciência. Gabarito: D Questão 43: “Você o reconhece de longe em um circo...”( 4º§). Por um processo anafórico, a palavra sublinhada na frase acima tem como referente no texto: LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 31 A) amigo B) pai C) conhecido D) inimigo E) dentista Comentário: Esta questão trabalha a coesão referencial, prevista no edital. Temos, então, que voltar ao trecho do texto e observar a que palavra se refere o pronome “o”: “Às vezes, trata-se de um simples conhecido. Você o reconhece de longe em um circo, um teatro, um campo de futebol, e é impossível não infantilizar-se diante da visão.” Assim, o pronome “o” é um recurso anafórico, pois retoma uma palavra anteriormente expressa: “conhecido”. Gabarito: C Questão 44: “Até para com os nossos inimigos, para com as pessoas que nos são antipáticas, a distância, em relação ao desafeto, atua sempre em sentido inverso.” Do excerto acima, depreende-se que, EXCETO: A) A distância aproxima as pessoas. B) O ser humano reage de forma programada. C) O ser humano é imprevisível. D) A distância modifica o comportamento das pessoas. E) Em terra estranha, conhecidos tornam-se amigos ainda mais íntimos. Comentário: Note que o texto todo nos mostra uma reflexão sobre os encontros imprevistos, vendo ao longe, o que nos leva a um momento de doçura e piedade. O trecho transcrito nesta questão reforça ainda mais esta ideia, pois até com os inimigos a visão a distância atua em sentido inverso: ver um inimigo ao longe é perdoá-lo bastante. Assim, sabemos que a visão ao longe é algo imprevisto, justamente isso motivou o texto e este trecho. Portanto, podemos notar que o ser humano não reage de forma programada, pois ele é imprevisível. Concluindo, a alternativa errada é a (B). Gabarito: B Questão 45: Assinale a alternativa que mantém uma intertextualidade com o texto “Segredo”: A) “Sei lá, sei não, a vida é uma grande ilusão”. (Vinícius de Moraes) B) “Em terra de cego quem tem um olho é rei”. (Ditado popular) C) “Existem dois lados em todas as questões: o meu e o errado”. (Oscar Levant) D) “Cínico é quem vê as coisas como são em vez de vê-las como deveriam ser”. (Oscar Wilde) E) “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que pensa nossa vã filosofia”. (Shakespeare) Comentário: Intertextualidade é o texto que explora os conhecimentos, conceitos, observações elencados em outros textos renomados, conhecidos. Normalmente isso é feito para levantar mais crédito ao argumento defendido pelo autor. Como o texto reflete sobre o segredo, isto é, algo que a ciência ainda não nos explica, podemos entender que a única alternativa que transmite esse LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 32 tema é a frase da alternativa (E). Gabarito: E Questão 46: Assinale a alternativa que contém uma frase em sentido conotativo: A) “E é um mistério”. B) “Cinco horas da tarde; lá embaixo...” C) “... em uma praia, voando na janela de um carro...” D) “Aquele ali é papai”. E) “Por que, então, todo esse alvoroço...” Comentário: Está previsto no edital do TSE o assunto “significação contextual de palavras e expressões”. Semanticamente, podemos dividir as palavras em sentido denotativo (sentido real) e conotativo (sentido figurado). O sentido figurado é gerado a partir do sentido real, é sua ampliação. Por exemplo: O tigre é umafera. A palavra “fera” tem o sentido denotativo, real, de animal feroz, ágil, bravio. Por extensão, podemos notar que este adjetivo pode ter, em outro contexto, um sentido figurativo. Veja: Ele é fera no computador. Agora, “fera” tem outro sentido, tem um valor ampliado do anterior. Como “fera” dá noção de esperteza, agilidade no animal, podemos ver esse sentido neste outro contexto, em que alguém, como o Tigre, também é ágil e esperto, porém esta agilidade ocorre no computador. Agora, vamos à questão! Devemos achar a frase com sentido figurativo, conotativo: As frases “E é um mistério”, “Cinco horas da tarde; lá embaixo...”, “Aquele ali é papai” e “Por que, então, todo esse alvoroço...” transmitem sentido denotativo, real. Porém, na alternativa (C), sabemos que não se quis dizer que alguém estaria voando na janela de um carro. O verbo “voando” está sendo usado em sentido figurativo, que mostra que o carro está se movendo rapidamente: “... em uma praia, voando na janela de um carro...” Gabarito: C Questão 47: O tom final do texto é, EXCETO: A) fúnebre B) inexplicável C) enigmático D) obscuro E) oculto Comentário: Note que a questão pediu a exceção!!! Notadamente não há um tom fúnebre no texto. Assim, só cabe a alternativa (A). Gabarito: A COFEN 2010 Analista de Pessoal (banca Consulplan) TEXTO: Quando confrontados pelos aspectos mais obscuros ou espinhosos da existência, os antigos gregos costumavam consultar os deuses (naquela época, não havia psicanalistas). Para isso, existiam os oráculos – locais LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 33 sagrados onde os seres imortais se manifestavam, devidamente encarnados em suas sacerdotisas. Certa vez, talvez por brincadeira, um ateniense perguntou ao conceituado oráculo de Delfos se haveria na Grécia alguém mais sábio que o esquisitão Sócrates. A resposta foi sumária: “Não”. O inesperado elogio divino chegou aos ouvidos de Sócrates, causando- lhe uma profunda sensação de estranheza. Afinal de contas, ele jamais havia se considerado um grande sábio. Pelo contrário: considerava-se tão ignorante quanto o resto da humanidade. Após muito meditar sobre as palavras do oráculo, Sócrates chegou à conclusão de que mudaria sua vida (e a história do pensamento). Se ele era o homem mais sábio da Grécia, então o verdadeiro sábio é aquele que tem consciência da própria ignorância. Para colocar à prova sua descoberta, ele foi ter com um dos figurões intelectuais da época. Após algumas horas de conversa, percebeu que a autoproclamada sabedoria do sujeito era uma casca vazia. E concluiu: “Mais sábio que esse homem eu sou. É provável que nenhum de nós saiba nada de bom, mas ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um tantinho mais sábio que ele exatamente por não supor saber o que não sei”. A partir daí, Sócrates começou uma cruzada pessoal contra a falsa sabedoria humana – e não havia melhor palco para essa empreitada que a vaidosíssima Atenas. Em suas próprias palavras, ele se tornou um “vagabundo loquaz” – uma usina ambulante de insolência iluminadora, movida pelo célebre bordão que Sócrates legou à posteridade: “Só sei que nada sei”. Para sua tarefa audaz, Sócrates empregou o método aprendido com os professores sofistas. Mas havia grandes diferenças entre a dialética de Sócrates e a de seus antigos mestres. Em primeiro lugar, Sócrates não cobrava dinheiro por suas “lições” – aceitava conversar com qualquer pessoa, desde escravos até políticos poderosos, sem ganhar um tostão. Além disso, os diálogos de Sócrates não serviam para defender essa ou aquela posição ideológica, mas para questionar a tudo e a todos sem distinção. Ele geralmente começava seus debates com perguntas diretas sobre temas elementares: “O que é o Amor?” “O que é a Virtude?” “O que é a Mentira?” Em seguida, destrinchava as respostas que lhe eram dadas, questionando o significado de cada palavra. E continuava fazendo perguntas em cima de perguntas, até levar os exaustos interlocutores a conclusões opostas às que haviam dado inicialmente – e tudo isso num tom perfeitamente amigável. Assim, o pensador demonstrava uma verdade que até hoje continua universal: na maior parte do tempo, a grande maioria das pessoas (especialmente as que se consideram mais sabichonas) não sabe do que está falando. (José Francisco Botelho. Revista Vida Simples, edição 91, abril de 2010 / com adaptações) Primeiramente, note como esse texto é recheado de exemplos de “operadores sequenciais". No segundo parágrafo, expressões como “Afinal de contas”, “Pelo contrário”, “Após”, “A partir daí”. No terceiro parágrafo, temos “Em primeiro lugar”, “Além disso”, “Em seguida”, “E”, “Assim”. LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 34 Note que todas essas expressões cuidam da evolução do texto, ligam o trecho anterior ao posterior, realizando um encadeamento, uma sequência. Por isso esse recurso é chamado de “operadores sequenciais”. Agora, vamos às questões! Questão 48: Analise as afirmativas a seguir: I. As conclusões que impulsionaram a cruzada pessoal de Sócrates contra a falsa sabedoria humana foram motivadas por um elogio divino. II. Ao saber que o conceituado oráculo de Delfos o havia considerado o maior sábio da Grécia, Sócrates prontamente chegou à conclusão de que transformaria sua vida. III. Os antigos mestres de Sócrates cobravam por suas “lições”. IV. Sócrates concluiu que era mais sábio do que um dos figurões intelectuais da época, pois, após conversar com ele, percebeu que este era incapaz de reconhecer a própria ignorância. Explícita ou implicitamente estão presentes no texto somente as ideias registradas nas afirmativas: A) I, II, IV B) I, III, IV C) II, III, IV D) II, IV E) I, II, III, IV Comentário: A afirmativa I está correta, pois o elogio divino está expresso na última frase do primeiro parágrafo “Certa vez, talvez por brincadeira, um ateniense perguntou ao conceituado oráculo de Delfos se haveria na Grécia alguém mais sábio que o esquisitão Sócrates. A resposta foi sumária: ‘Não’.”. Além disso, perceba que o segundo parágrafo nos mostra que “Sócrates começou uma cruzada pessoal contra a falsa sabedoria humana”. A afirmativa II está errada, pois o advérbio “prontamente” dá uma noção de que Sócrates, assim que ficou sabendo do elogio, passou à cruzada pessoal. Mas, no segundo parágrafo, foi informado que o elogio foi inesperado para ele. Assim, “Após muito meditar sobre as palavras do oráculo, Sócrates chegou à conclusão de que mudaria sua vida (e a história do pensamento).”. Por isso, não houve uma reação imediata, isso ocorreu após muito meditar. A afirmativa III está correta, pois no terceiro parágrafo é informado que “... havia grandes diferenças entre a dialética de Sócrates e a de seus antigos mestres. Em primeiro lugar, Sócrates não cobrava dinheiro por suas ‘lições’”. Se há diferença e ele não cobrava por suas lições, subentende-se que seus amigos cobravam. A afirmativa IV está correta e podemos exemplificar com a seguinte citação de Sócrates, expressa no segundo parágrafo: “Mais sábio que esse homem eu sou. É provável que nenhum de nós saiba nada de bom, mas ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um tantinho mais sábio que ele exatamente por não supor saber o que não sei”. Assim, a alternativa (B) é a correta. Gabarito: B LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 35 Questão49: Em “Quando confrontados pelos aspectos mais obscuros ou espinhosos da existência” (1º§), “percebeu que a autoproclamada sabedoria do sujeito era uma casca vazia” (2º§) e “Em seguida, destrinchava as respostas que lhe eram dadas” (3º§), as expressões destacadas são, respectivamente, exemplos de: A) Denotação, conotação, conotação. B) Denotação, denotação, conotação. C) Denotação, denotação, denotação. D) Conotação, conotação, conotação. E) Conotação, denotação, denotação. Comentário: Vimos em questões anteriores a diferença entre “denotação” (sentido real) e “conotação” (sentido figurado). Assim, sabemos que, literalmente, “aspectos” não tem espinhos. Então “espinhosos” está sendo usado em sentido figurativo, simbolizando dificuldades, obstruções. A palavra “sabedoria” é também algo abstrato, portanto não possui “casca” literalmente. Assim, casca é entendida figurativamente como uma aparência, rótulo. O verbo “destrinchar” significa literalmente dividir, cortar em pedaços menores, separar. Por extensão temos o sentido figurativo da análise, isto é, esmiuçar os argumentos, separar as explicações, aprofundar no conhecimento metodicamente. Assim, todas as palavras possuem sentido conotativo, figurativo. Gabarito: D Questão 50: NÃO haverá alteração do sentido do texto caso se substitua: A) “A resposta foi sumária” (1º§) por A resposta foi breve, rápida. B) “vagabundo loquaz” (2º§) por vagabundo incansável. C) “a autoproclamada sabedoria do sujeito” (2º§) por a sabedoria anunciada pelo próprio sujeito. D) “bordão” (2º§) por frase que se repete muito. E) “Para sua tarefa audaz” (3º§) por Para sua tarefa audaciosa. Comentário: Viu só como cai questão de significados de palavras???? Isso está previsto no edital do TSE e com certeza vai cair na prova!!!! Bom, cuidado com o pedido da questão. Muitas vezes a palavra “não” nos confunde. A questão pediu a alternativa que não altera o sentido. Assim, ela quer aquela que mantém o mesmo sentido. Eles não poderiam ser mais claros????? Pois é, fazem isso para nos confundir na hora da prova. Então cuidado! Realizando as questões em casa, na tranquilidade, naturalmente a gente percebe essa pegadinha, mas na hora da prova muita gente erra de bobeira!!!!! A questão perdida à toa. Então, cuidado, ok! A alternativa (A) está errada, porque “sumária” significa “resumido, breve, conciso, sintético”. Assim, o erro foi o vocábulo “rápida”. A alternativa (B) é a correta, porque “loquaz” tem o sentido contextual de falar muito, por isso, contextualmente, podemos subentender aquele que não se cansa de falar (“incansável”). A alternativa (C) está errada, porque “autoproclamada” significa proclamar ou atribuir características a si mesmo. Note que “a sabedoria anunciada pelo próprio sujeito” não tem o mesmo sentido, concorda? LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 36 A alternativa (D) está errada. Observe que um dos sentidos da palavra “bordão” é realmente uma palavra ou frase que se repete muito. Esse recurso muitas vezes é utilizado por humoristas, pois a repetição daquela expressão é o mote, é o fechamento da piada ou da situação cômica. Mas neste texto, não! Sócrates não repetia a sua célebre frase exaustivamente. Na realidade, neste contexto, “bordão” é a frase de apoio, é uma verdade, uma máxima, como a proferida por Sócrates no texto: “Só sei que nada sei”. A alternativa (E) está errada, pois “audaz” tem relação com ousadia, coragem, aquele que tem audácia. Já em “audacioso” o sufixo “-oso” dá uma noção de excesso, por isso cabe o entendimento de atitude além da necessária. Assim, entendemos que a tarefa de Sócrates não era audaciosa, mas “audaz”: corajosa. Gabarito: B Questão 51: Os termos destacados constituem elementos coesivos por retomarem termos ou ideias anteriormente registrados, EXCETO: A) “Para isso, existiam os oráculos” (1º§) B) “Afinal de contas, ele jamais havia se considerado um grande sábio.” (2º§) C) “Só sei que nada sei” (2º§) D) “Além disso, os diálogos de Sócrates não serviam para defender essa ou aquela posição ideológica” (3º§) E) “Em seguida, destrinchava as respostas que lhe eram dadas” (3º§) Comentário: Questão simples e rápida, pois não se pede o termo retomado, mas simplesmente se o termo retoma palavra ou expressão anterior. Veremos na aula de sintaxe que a palavra “que”, na alternativa (C), é uma conjunção integrante, isto é, serve apenas como ligação de uma oração a outra, ela não tem a intenção de retomar qualquer palavra anteriormente expressa. Gabarito: C Julgue a afirmativa como (C) CERTA ou (E) ERRADA Questão 52: Em “e a de seus antigos mestres” (3º§), a elipse do termo “dialética” evita uma repetição desnecessária, proporcionando coesão ao texto. Comentário: A elipse é o mesmo que omissão de palavra facilmente subentendida no texto. A omissão da palavra ocorre simplesmente para evitar que se repita o vocábulo, tornando o texto mais elegante. Assim, percebemos que o artigo “a” é utilizado antes da expressão “de seus antigos” para enfatizar a omissão da palavra “dialética”. “... havia grandes diferenças entre a dialética de Sócrates e a de seus antigos mestres. Gabarito: C Questão 53: Em “Quando confrontados pelos aspectos mais obscuros ou espinhosos da existência” (1º§), “Após muito meditar sobre as palavras do oráculo” (2º§), “então o verdadeiro sábio é aquele que tem consciência da própria ignorância” (2º§), “A partir daí, Sócrates começou uma cruzada pessoal contra a falsa sabedoria” (2º§), e “Mas havia grandes diferenças LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 37 entre a dialética de Sócrates e a de seus antigos mestres” (3º§), as expressões destacadas indicam, respectivamente, ideia de: A) Tempo, tempo, conclusão, conclusão, adversidade. B) Tempo, tempo, tempo, conclusão, adversidade. C) Tempo, tempo, conclusão, tempo, adversidade. D) Consequência, tempo, tempo, conclusão, adversidade. E) Tempo, tempo, tempo, conclusão, adição. Comentário: Esta questão é um exemplo de operadores sequenciais e nexos, previstos no edital do TSE. Na realidade, os nexos serão vistos nas nossas aulas de sintaxe, mas devemos observar contextualmente seus valores nesta questão. Note que os operadores sequenciais “Após” e “A partir daí”, marcam uma evolução temporal. O tempo também é marcado pela conjunção “Quando”, a qual trabalha como recurso coesivo chamado nexo. Assim, já sabemos que a alternativa correta é a (C). Note que o operador sequencial “então” transmite um valor de conclusão, resultado do que vinha ocorrendo antes, e o conectivo “Mas” transmite valor de oposição, contraste, adversidade. Gabarito: C Prefeitura Londrina 2011 Superior (banca Consulplan) A culpa é de Deus ou dos homens? Entra ano sai ano, as tempestades de verão continuam atormentando a vida de milhares de pessoas nos estados do sul e sudeste do país. Neste verão, a tragédia maior se concentrou na região serrana do Rio de Janeiro, castigando com maior intensidade o município de Nova Friburgo, onde centenas de pessoas perderam suas vidas e milhares viram suas casas serem literalmente arrastadas pela enxurrada. Sabemos que as enchentes não são um privilégio do Brasil, pois o noticiário internacional também nos mostra tragédias semelhantes em países como Austrália, Indonésia, Filipinas e outros. Mas o que nos distingue é o elevado número de mortes ocasionadas pelas enchentes e desabamentos. Na Austrália, por exemplo, onde uma cidade inteira ficou praticamente submersa, as mortes não chegaram a três dezenas, o que é quase nada comparado às centenas que ocorreramno estado do Rio de Janeiro. Essa diferença decorre basicamente, em nossa opinião, de dois fatores: primeiro, que na Austrália o sistema de alerta e prevenção funciona muito melhor do que no Brasil; segundo, que a ocupação territorial por lá se dá de forma mais racional e planejada. No Brasil, infelizmente não é prática corrente se realizar estudos geotécnicos do terreno antes de se erguer construções, principalmente quando se trata de residências. Portanto, não se conhece com rigor as características do solo, sua estabilidade e outros fatores que são essenciais para garantir solidez às construções. Caso fizessem tais estudos, as pessoas poderiam saber que existem áreas onde absolutamente não se pode construir. Da mesma forma, costuma-se, ao se projetar construções, fazer a terraplanagem do terreno, modificando-se a topografia que foi moldada, durante anos, pela ação dos ventos e da água. As consequências disso são LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 38 facilmente previsíveis: ao se fazer a terraplanagem, o solo que era firme fica solto. E por mais que se faça compactação – o que não ocorre, pelo menos em empreendimentos residenciais – ainda assim o solo não fica com a estabilidade que tinha antes de ser aplainado. Convém lembrar, também, que a terraplanagem retira tudo o que é mata e raiz do terreno, contribuindo para aumentar a instabilidade do solo. Cria-se, assim, o ambiente propício para a erosão e o carreamento de sólidos para os mananciais, provocando o seu assoreamento, o que facilita as enchentes, já que a água não escoa com a mesma facilidade de antes. Portanto, embora as pessoas comuns tendam a atribuir tais tragédias à fúria divina, na verdade elas deveriam questionar a si próprias se não são elas mesmas responsáveis por suas mazelas. É claro que uma parcela da culpa cabe ao poder público, que tem a responsabilidade de zelar pelo correto ordenamento territorial. Parece-nos absurdo que em pleno século XXI o Brasil não tenha precisamente definidas as áreas de risco, pelo menos nos aglomerados urbanos, para que possa coibir a sua ocupação. Também nos parece lamentável que o poder público faça vistas grossas à especulação imobiliária desenfreada que coloca em risco a vida de milhares de pessoas. E nos surpreende que não se tenha, pelo menos em áreas onde é comum a ocorrência das tempestades de verão, um sistema de alerta e prevenção que possibilite a evacuação rápida das populações dessas áreas de risco. (Francisco Alves. Revista Saneamento Ambiental – Ano XX – nº. 152 – Novembro/Dezembro – 2010) Questão 54: Com relação ao significado das palavras empregadas no texto, todas as alternativas estão corretas, EXCETO: A) “... as tempestades de verão continuam atormentando a vida de milhares de pessoas...” (1º§) – afligindo B) “... pessoas viram suas casas serem literalmente arrastadas pela enxurrada.” (1º§) – verdadeiramente C) “Sabemos que as enchentes não são um privilégio do Brasil...” (2º§) – sortilégio D) “... se não são elas mesmas responsáveis por suas mazelas.” (4º§) – aborrecimentos E) “... para que possa coibir a sua ocupação.” (4º§) – impedir Comentário: Como falamos, tipo de questão certa na sua prova!!!! Para isso, basta observarmos nossos conhecimentos dos vocábulos e aplicá-los no texto. Veja que a questão pede o sentido errado. Facilmente, podemos entender que “atormentando” é o mesmo “afligindo”, “supliciando”, “flagelando”; “literalmente” é o mesmo que “verdadeiramente”; “mazelas” é o mesmo que “aborrecimentos”, “desgostos”; e “coibir” é o mesmo que “impedir”, “reprimir”, “refrear”. Mas veja que “privilégio” é o mesmo que “prerrogativa”. Já a palavra “sortilégio” tem o sentido bem diferente: significa literalmente “escolha de sortes”, ou seja, saber predizer o futuro. Assim, é entendido como sedução ou fascinação exercida por dotes naturais ou por artifícios, maquinação, bruxaria, trama. Gabarito: C LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 39 Questão 55: Segundo o texto: A) A terraplanagem é a ação primordial para se preparar o terreno antes de qualquer tipo de construção. B) Realizar a terraplanagem pouco adianta se não for feita a compactação do terreno, fator que garante a construção segura. C) A terraplanagem deixa o solo vulnerável, mas aliada ao estudo geotécnico pode ser feita de forma que assegure uma construção satisfatória. D) O estudo geotécnico é o estudo imprescindível para se conhecer efetivamente as condições do solo que garantem solidez às construções. E) O estudo geotécnico garante a reestruturação do solo danificada, durante anos, pela ação dos ventos e da água. Comentário: Para responder a esta questão, vamos ao que o texto esclarece sobre a terraplanagem: modifica a topografia que foi moldada, durante anos, pela ação dos ventos e da água, o solo que era firme fica solto, retira tudo o que é mata e raiz do terreno, contribuindo para aumentar a instabilidade do solo, cria o ambiente propício para a erosão e o carreamento de sólidos para os mananciais, provocando o seu assoreamento, o que facilita as enchentes, já que a água não escoa com a mesma facilidade de antes. Agora, veremos o que se fala sobre a compactação: por mais que se faça compactação – o que não ocorre, pelo menos em empreendimentos residenciais – ainda assim o solo não fica com a estabilidade que tinha antes de ser aplainado. Não nos esqueçamos do estudo geotécnico: no Brasil, infelizmente não é prática corrente se realizar estudos geotécnicos do terreno antes de se erguer construções, principalmente quando se trata de residências. Portanto, não se conhece com rigor as características do solo, sua estabilidade e outros fatores que são essenciais para garantir solidez às construções. Caso fizessem tais estudos, as pessoas poderiam saber que existem áreas onde absolutamente não se pode construir. Com base nessas observações, percebemos que as alternativas (A), (B) e (E) estão bem equivocadas. A alternativa (D) é a correta. Basta relermos as observações acima sobre o estudo geológico, para visualizarmos literalmente como correta. Você poderia ter ficado na dúvida quanto à alternativa (C), pois os dois enunciados estão corretos: Realmente entendemos que a terraplanagem deixa o solo vulnerável. Realmente o estudo geotécnico assegura uma construção satisfatória. Porém, a junção dos dois enunciados não encontra amparo no texto. O estudo geotécnico é feito para saber onde há possibilidade de construção segura, não para a terraplanagem ser realizada e assegurar uma construção satisfatória. Gabarito: D Questão 56: “Mas o que nos distingue é o elevado...” A palavra que possui o sentido oposto de “distingue” é: A) Separa. B) Divide. C) Confunde. D) Iguala. E) Discrimina. LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 40 Comentário: O verbo “distingue” tem o sentido de diferenciar. Assim, o seu sentido oposto é “iguala”. Gabarito: D Pessoal! Com essas questões, conseguimos perceber a tendência da Consulplan, e você notou que a interpretação de texto se fundamenta muito nos dados explícitos do texto, isto é, não precisamos fazer aprofundamentos nas inferências para chegar a uma resposta. Para que nós fiquemos tranquilos para a prova, a partir da próxima aula, teremos pelo menos uma prova de interpretação de texto comentada. Possivelmente nas próximas aulas, entraremos, como já fizemos nesta, com questões de assuntos já vistos, como uma revisão. Lembre-se do que falamos do foco!!!! Não sedesespere no estudo, mas mantenha o foco, estude todos os dias!!!! Abraço a todos! Lista de questões TRE RS 2008 Analista (banca Consulplan) A Criada Seu nome era Eremita. Tinha dezenove anos. Rosto confiante, algumas espinhas. Onde estava a sua beleza? Havia beleza nesse corpo que não era feio nem bonito, nesse rosto onde uma doçura ansiosa de doçuras maiores era o sinal da vida. Beleza, não sei. Possivelmente não havia, se bem que os traços indecisos atraíssem como água atrai. Havia, sim, substância viva, unhas, carnes, dentes, mistura de resistências e fraquezas, constituindo vaga presença que se concretizava porém imediatamente numa cabeça interrogativa e já prestimosa, mal se pronunciava um nome: Eremita. Os olhos castanhos eram intraduzíveis, sem correspondência com o conjunto do rosto. Tão independentes como se fossem plantados na carne de um braço, e de lá nos olhassem – abertos, úmidos. Ela toda era de uma doçura próxima a lágrimas. Às vezes respondia com má-criação de criada mesmo. Desde pequena fora assim, explicou. Sem que isso viesse de seu caráter. Pois não havia no seu espírito nenhum endurecimento, nenhuma lei perceptível. “Eu tive medo”, dizia com naturalidade. “Me deu uma fome”, dizia, e era sempre incontestável o que dizia, não se sabe por quê. “Ele me respeita muito”, dizia do noivo e, apesar da expressão emprestada e convencional, a pessoa que ouvia entrava num mundo delicado de bichos e aves, onde todos se respeitam. “Eu tenho vergonha”, dizia, e sorria enredada nas próprias sombras. Se a fome era de pão – que ela comia depressa como se pudessem tirá-lo – o medo era de trovoadas, a vergonha era de falar. Ela era gentil, honesta. “Deus me livre, não é?”, dizia ausente. Porque tinha suas ausências. O rosto se perdia numa tristeza impessoal e sem rugas. Uma tristeza mais antiga que o seu espírito. Os olhos paravam vazios; diria mesmo um pouco ásperos. A pessoa que estivesse a seu lado sofria e nada podia fazer. Só esperar. LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 41 Pois ela estava entregue a alguma coisa, a misteriosa infante. Ninguém ousaria tocá-la nesse momento. Esperava-se um pouco grave, de coração apertado, velando-a. Nada se poderia fazer por ela senão desejar que o perigo passasse. Até que num movimento sem pressa, quase um suspiro, ela acordava como um cabrito recém nascido se ergue sobre suas pernas. Voltara de seu repouso na tristeza. Voltava, não se pode dizer mais rica, porém mais garantida depois de ter bebido em não se sabe que fonte. O que se sabe é que a fonte devia ser antiga e pura. Sim, havia profundeza nela. Mas ninguém encontraria nada se descesse nas suas profundezas – senão a própria profundeza, como na escuridão se acha a escuridão. É possível que, se alguém prosseguisse mais, encontrasse, depois de andar léguas nas trevas, um indício de caminho, guiado talvez por um bater de asas, por algum rastro de bicho. E – de repente – a floresta. Ah, então devia ser esse o seu mistério: ela descobrira um atalho para a floresta. Decerto nas suas ausências era para lá que ia. Regressando com os olhos cheios de brandura e ignorância, olhos completos. Ignorância tão vasta que nela caberia e se perderia toda a sabedoria do mundo. Assim era Eremita. Que se subisse à tona com tudo o que encontrara na floresta seria queimada em fogueira. Mas o que vira – em que raízes mordera, com que espinhos sangrara, em que águas banhara os pés, que escuridão de ouro fora a luz que a envolvera – tudo isso ela não contava porque ignorava: fora percebido num só olhar, rápido demais para não ser senão um mistério. Assim, quando emergia, era uma criada. A quem chamavam constantemente da escuridão de seu atalho para funções menores, para lavar roupa, enxugar o chão, servir a uns e outros. Mas serviria mesmo? Pois se alguém prestasse atenção veria que ela lavava roupa – ao sol; que enxugava o chão – molhado pela chuva; que estendia lençóis – ao vento. Ela se arranjava para servir muito mais remotamente, e a outros deuses. Sempre com a inteireza de espírito que trouxera da floresta. Sem um pensamento: apenas corpo se movimentando calmo, rosto pleno de uma suave esperança que ninguém dá e ninguém tira. A única marca do perigo por que passara era o seu modo fugitivo de comer pão. No resto era serena. Mesmo quando tirava o dinheiro que a patroa esquecera sobre a mesa, mesmo quando levava para o noivo em embrulho discreto alguns gêneros da despensa. A roubar de leve ela também aprendera nas suas florestas. (Lispector, Clarisse. Felicidade clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, pág. 117/119) Questão 1: De acordo com o 1º e 2º parágrafos, é correto afirmar que a autora: A) Por mais que procurasse, não encontrou beleza alguma em Eremita. B) Refere-se a uma beleza, não necessariamente física. C) Nega qualquer possibilidade de atrativos na criada que possam conferir-lhe atributos estéticos. D) Estabelece uma oposição rígida entre carnes, dentes e unhas e a própria substância viva de Eremita. E) N.R.A. LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 42 Questão 2: De acordo com os mesmos parágrafos 1º, 2º e parte do 3º, Eremita era: A) Avessa a trabalhos domésticos. B) Marcada por seu olhar libidinoso. C) Normalmente solícita em seus afazeres. D) De péssimo humor cotidiano. E) Extremamente descuidada. Questão 3: Pela leitura do 3º parágrafo, pode-se afirmar que as expressões usadas por Eremita eram: A) Impróprias a qualquer criada. B) Agressivas em virtude da sua formação escolar. C) Muito cultas em relação ao nível escolar de Eremita. D) Inverossímeis. E) Simples e convincentes. Questão 4: Nos parágrafos 4, 5 e 6, do texto, a autora descreve a criada como uma pessoa: A) Com momentos de introspecção que impressionavam. B) Impertinente. C) De índole perigosa. D) Extremamente depressiva. E) Extremamente deprimente. Questão 5: De acordo com os 4 últimos parágrafos pode-se afirmar que a personagem Eremita, composta pela autora, era: A) Essencialmente subserviente. B) Resistente às ordens dos patrões. C) Capaz de aliar à sua condição de criada uma dose de altivez interior. D) Intempestiva nas relações interpessoais. E) Em nada diferente de qualquer criada. Questão 6: No texto, haverá alteração de sentido, caso se substitua: A) “prestimosa” (2º §) por obsequiosa B) “enredada” (3º §) por envolvida C) “indício” (6º §) por sinal D) “atalho” (7º §) por vereda E) “emergia” (9º §) por escondia Questão 7: O par de vocábulos, do texto, acentuados pela mesma razão é: A) atraíssem / espírito B) água / substância C) porém / caráter D) lá / até E) perceptível / mistério LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 43 Questão 8: Em todas as frases abaixo, transcritas do texto, as formas verbais estão flexionadas no mesmo tempo, EXCETO em: A) “Onde estava a sua beleza?” B) “Beleza, não sei” C) “O rosto se perdia numa tristeza impessoal e sem rugas” D) “Eu tive medo” E) “...ela descobrira um atalho para a floresta” Questão 9: “...ela acordava como um cabrito recém-nascido se ergue sobre as pernas”.A palavra sublinhada na frase anterior faz o plural da mesma forma que: A) livre-pensador B) arco-íris C) ano-luz D) alto-falante E) curta-metragem Questão 10: Assinale a opção em que a partícula “o” sublinhada aparece com o mesmo emprego que se apresenta no seguinte trecho do texto: “...e era sempre incontestável o que dizia...” (3º §) A) Este remédio foi o que omédico receitou. B) É necessário que se conheça a história do menino. C) Ela sempre o encontrava pelo caminho. D) Diga-me: o que você vai fazer hoje? E) Ela levava presentes para o noivo. Questão 11: “Ratificou” tem significado distintivo de seu parônimo “retificou”. Das frases abaixo, assinale a que houve troca na escolha dos parônimos entre parênteses: A) Ele foi preso em flagrante (flagrante – fragrante). B) Pede-se muito a descriminação da maconha (discriminar – descriminar). C) A alta do petróleo é o reflexo da conjetura econômica atual (conjuntura – conjetura). D) O deputado exerce o seu segundo mandato (mandato – mandado). E) Agiu no restrito cumprimento do dever (cumprimento – comprimento). TRE RS 2008 Técnico (banca Consulplan) A cidade no alto da colina “Se ainda existe alguém que duvida que os EUA são um lugar onde tudo é possível, que ainda conjectura se os sonhos de nossos fundadores continuam vivos, que ainda questiona o poder de nossa democracia, esta noite é a resposta.” No discurso da vitória, no Grant Park de Chicago, Barack Obama foi adiante e falou ao mundo: “E para todos aqueles que se perguntam se o farol dos EUA ainda brilha com a mesma intensidade, esta noite nós provamos uma vez mais que a verdadeira força de nossa nação não emana da capacidade de nossas armas ou do tamanho de nossa riqueza, mas do poder persistente de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e inflexível esperança.” O LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 44 novo presidente retomou um fio histórico muito antigo, conectando-se à tradição do excepcionalismo americano. (Demétrio Magnoli, O Globo, 13 de novembro de 2008 – fragmento) Questão 12: Considerando trechos transcritos no texto anterior do discurso de Barack Obama, avalie as seguintes afirmativas: I. Ao dizer a respeito de sonhos que ainda continuam vivos, Obama usa recursos que são capazes de sensibilizar e emocionar as pessoas que o ouviam. II. Obama afirma que a resposta para quaisquer dúvidas que porventura poderiam existir a respeito do poder da democracia norte-americana está naquela noite, referindo-se à sua vitória como presidente eleito. III. Para Obama, a força dos EUA não está apenas na capacidade de suas armas ou no tamanho de sua riqueza, mas também nos ideais democráticos. Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s): A) I B) I e II C) III D) I e III E) I, II e III Questão 13: O discurso de Obama usando a 1ª pessoa do plural demonstra: A) Supremacia de poder. B) Impessoalidade e consequente ausência de compromisso. C) A sutileza das suas palavras. D) Certa impessoalidade que garante que o discurso não é só dele, mas é também a voz do povo norteamericano. E) A garantia da veracidade do discurso. Questão 14: Ao dizer que “O novo presidente retomou um fio histórico muito antigo, conectando-se à tradição do excepcionalismo americano”, o autor: A) Cria uma expectativa de que o novo presidente será rígido e tradicionalista. B) Confirma a soberania dos Estados Unidos falando sobre a sua tradição excepcional. C) Retoma a história norte-americana para atribuir veracidade ao texto. D) Atribui ao novo presidente uma condição de imaturidade e ao mesmo tempo sensibilidade para com o povo norte-americano. E) Indica que o novo presidente faz uma ligação com um histórico norte- americano de excepcionalismo, de possibilidades. TEXTO II Artigo Final Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 45 ou a semente do trigo e a sua morada será sempre o coração do homem. (Mello, Thiago de. Os estatutos do homem. 6.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1986. fragmento) Questão 15: A respeito das palavras acentuadas no texto é correto afirmar que: A) Todas as palavras receberam acento pelo mesmo motivo. B) O til da palavra coração também pode ser considerado um sinal de acentuação. C) Apenas as palavras será e dicionários receberam acento pelo mesmo motivo. D) Apenas as palavras pântano e dicionários receberam acento pelo mesmo motivo. E) Será, dicionários e pântanos são acentuadas por motivos diferentes. Questão 16: O texto II é a última estrofe de um dos poemas mais conhecidos do poeta Thiago de Mello, intitulado “Os estatutos do homem”. A respeito da linguagem usada no fragmento transcrito é correto afirmar que: I. Predomina a linguagem coloquial para que o texto se torne claro e objetivo. II. Trata-se de uma linguagem técnica já que o poeta faz uma alusão à Declaração Universal dos Direitos Humanos. III. O autor aproveita poeticamente o formato e a linguagem do texto normativo para escrever o seu poema. Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s): A) I e II B) III C) II D) I E) I, II e III Questão 17: A estrofe transcrita tem como tema principal: A) O coração do homem. B) Os direitos humanos. C) A declaração dos deveres humanos. D) A constante mentira em que as pessoas vivem. E) A liberdade. TRE SC 2008 Técnico (banca Consulplan) O homem – gravador Dizer que ele era louco por música é pouco. Lionel Mapleson era filho do secretário musical da rainha Vitória, sobrinho de um dos maiores empresários ingleses de óperas e já havia estudado canto e violino. Mas só sossegou quando conseguiu, aos 25 anos, virar bibliotecário do Metropolitan Opera de Nova York, desde aquela época a maior casa americana de espetáculos de música erudita. Nascido na Inglaterra e radicado dos EUA, Mapleson era amigo pessoal de Thomas Edison, de quem adquiriu um fonógrafo. Naquele ano de 1900, esse aparelho enorme, com cilindros de cera em vez de discos e um cornetão LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 46 do tamanho de uma pessoa, era o que havia de mais moderno em termos de gravação e reprodução de som. Fascinado com seu novo brinquedinho, Mapleson teve uma idéia genial: gravar as apresentações de ópera do Metropolitan para colecioná-las e ouvi- las quando quisesse. Até então, ninguém tinha tido a sacada de gravar shows ao vivo. Mesmo porque, como já foi possível perceber, aquele gravadorzinho do começo do século 20 estava longe de ser um aparelho de bolso. Só mesmo com muita influência para convencer os administradores da casa a colocar o trambolho dentro do ponto – um buraco na beira do palco de onde auxiliares sopravam o texto da ária para os cantores. Mas, como prejudicava a visão, o fonógrafo foi gongado pela platéia. O jeito foi levá-lo para a coxia, o que justifica a péssima qualidade das gravações: “É como ouvir concerto num camarim cheio de gente através de uma porta que fica abrindo e fechando”, definiu um amigo. Por 4 anos, Mapleson gravou centenas de cilindros de dois minutos, entre eles os únicos registros de óperas cantadas por Jean de Reszke, o maior tenor do mundo até aparecer Caruso. Também são dele as primeiras gravações de hits eruditos como a ária Ritorna Vincitor da ópera Aída, de Verdi, e o Coro dos Soldados, do Fausto de Gounod. Mas a festa acabou quando grandes gravadoras, pegando carona na idéia de Mapleson, fecharam contratos para registrar os recitais. Delicadamente, o Metropolitan pediu que ele levasse seu brinquedinho de volta para casa. E Mapleson voltou ao anonimato. Até tentou negociar com gravadoras londrinas para ter seus cilindros transformados emdiscos. Mas isso só aconteceu no final de sua vida, quando as gravações foram redescobertas por colecionadores e acabaram reeditadas em elepês. Mapleson morreu aos 72 anos, ainda como bibliotecário do teatro, sem imaginar que os frutos da sua inocente idéia traria muita alegria aos fãs de música erudita e inspiraria a maior dor de cabeça da indústria fonográfica: a pirataria. (Texto Ayrton Mugnaini Jr.Revista “ Superinteressante”. Julho/2008 p. 54.) Questão 18: Duas palavras do texto que recebem acento gráfico em razão de regras ortográficas diferentes são: A) música – ópera B) é – já C) secretário – empresários D) idéia – platéia E) até – só Questão 19: No texto, haverá alteração de sentido, caso se substitua: A) “Fascinado com seu novo brinquedinho...” (3º§) por deslumbrado B) “Só mesmo com muita influência para convencer... (3º§) por prestígio C) “... sopravam o texto da ária para os cantores.” (3º§) por canção D) “E Mapleson voltou ao anonimato.” (4º§) por renomado E) “... aos fãs de música erudita e inspiraria a maior dor de cabeça...” (5º§) por influenciaria LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 47 Questão 20: A frase que NÃO apresenta qualquer exemplo de comparativo ou superlativo é: A) “... e já havia estudado canto e violino.” B) “... desde aquela época a maior casa americana...” C) “... havia de mais moderno em termos de gravação...” D) “... por Jean Reszke, o maior tenor de óperas cantadas do mundo...” E) “... e inspiraria a maior dor de cabeça da indústria...” Questão 21: Assinale a alternativa em que NÃO há relação entre o pronome destacado e a palavra ou expressão enunciada entre parênteses: A) “Dizer que ele era louco por música...” 1º§ (Lionel Mapleson) B) “O jeito foi levá-lo para a coxia...” 3º§ (fonógrafo) C) “mas isso só aconteceu no final...” 4º (cilindros transformados em discos) D) “... para colecioná-las...” 3º§ (apresentações de óperas) E) “... também são dele as primeiras gravações...” 4º§ (Caruso) Questão 22: Assinale a alternativa em que há ERRO de flexão verbal: A) Todos diziam que ele era louco por música. B) Não queiram destruir as gravações das óperas. C) Se as gravadoras proporem um bom negócio, ele concordará. D) Peça a ele que leve seu brinquedinho de volta para casa. E) Quando o vir, fale com ele. Questão 23: Segundo o texto: A) Mapleson estudou música no Metropolitan Opera de Nova York. B) As gravações de Caruso são referências na fonografia de Mapleson. C) As gravações de Mapleson acabaram contribuindo para a preservação de importante tesouro musical. D) A utilização da coxia proporcionou uma acentuada melhoria na qualidade das gravações de Mapleson. E) A gravação do Coro dos Soldados, da ópera Fausto, feita por Mapleson é considerada até hoje como uma das melhores do gênero. Questão 24: O texto faz referência à pirataria porque: A) Mapleson copiava as gravações das audições musicais. B) A atitude de Mapleson era antiética. C) As gravações de Mapleson eram bem feitas. D) Desde a época de Mapleson, era comum a pirataria. E) N.R.A. CEAGESP 2008 Advogado (banca Consulplan) TRATAMENTO DE CHOQUE A refrigeração é uma questão delicada para os fruticultores. As baixas temperaturas, ao mesmo tempo em que são necessárias à conservação das frutas, também podem causar danos ao produto, se a exposição ao frio for prolongada. Essa contradição, entretanto, está com os dias contados. É o que LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 48 promete um novo método desenvolvido por pesquisadores do Laboratório de Fisiologia e Bioquímica Pós-Colheita da Esalq – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. O processo, chamado de condicionamento térmico, consiste em mergulhar o fruto em água quente antes de refrigerá-lo. “O frio faz com que a fruta fique vulnerável à ação de substâncias que deterioram a casca, mas o uso da água quente ativa seu sistema de defesa”, afirma o pesquisador Ricardo Kluge. A temperatura da água e a duração do mergulho variam para cada espécie, mas, em média, as frutas são mantidas em 52 graus por poucos minutos. Em alguns casos, o tratamento aumenta a conservação em até 50% do tempo; se um produto durava 40 dias em ambiente frio, pode passar a durar 60. Resistência. A Esalq também desenvolveu um outro tipo de tratamento, o “aquecimento intermitente”. Essa técnica consiste em pôr a fruta em ambiente refrigerado e, depois de dez dias, deixá-la em temperatura ambiente por 24 horas, para então devolvê-la à câmara fria. “Isso faz com que o produto crie resistência ao frio e não seja danificado”, afirma Ricardo Kluge. Para o produtor de pêssegos Waldir Parise, isso será muito válido, pois melhora a qualidade final do produto. Ele acredita que a nova técnica aumentará o valor da fruta no mercado. “Acho que facilitará bastante nossa vida.” De acordo com o pesquisador Kluge, o grande desafio é fazer com que essa novidade passe a ser usada pelo produtor. “No começo é difícil, pois muitos apresentam resistência às novidades”, diz. Neste ano, os pesquisadores trabalharão mais próximos dos agricultores, tentando ensinar- lhes a técnica. “Acho que daqui a três anos ela será mais usada”. O Chile já usa o método nas ameixas. As frutas tropicais devem ser as mais abordadas pelo estudo, pois não apresentam resistência natural às baixas temperaturas. A pesquisa testou o método só no limão taiti, na laranja valência e no pêssego dourado-2. (Luis Roberto Toledo e Carlos Gutierrez. Revista Globo Rural – Março/2006) Questão 25: Segundo o texto, entre a refrigeração e os fruticultores há uma: A) Oposição ideológica. B) Semelhança espacial. C) Utilização benéfica e maléfica. D) Ausência de utilidade. E) Utilização desnecessária. Questão 26: O emprego das aspas no segundo parágrafo: A) Ressalta a importância da nova técnica. B) Serve para ressaltar a fala do autor da reportagem. C) Serve para ressaltar a fala do pesquisador. D) Serve para complementar a reportagem. E) Explica o que é o aquecimento intermitente. Questão 27: “No começo é difícil, pois muitos apresentam resistências às novidades”. Pelo processo da intertextualidade a alternativa que contém uma LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 49 citação com o mesmo valor semântico do período acima é: A) “À mente apavora o que ainda não é mesmo velho”. B) “...o horror de um progresso vazio” C) “Oh! Mundo tão desigual! De um lado esse carnaval, de outro a fome total”. D) “Foste um difícil começo”. E) “Como vai explicar vendo o céu clarear sem lhe pedir licença”. Questão 28: Assinale a frase em que o vocábulo destacado tem seu antônimo corretamente indicado: A) “A refrigeração é uma questão delicada para os fruticultores”: difícil B) “ ... se a exposição ao frio for prolongada”: rápida C) “ O frio faz com que a fruta fique vulnerável à ação de substâncias...” : desamparados D) “Acho que facilitará bastante nossa vida.”: suficientemente E) “No começo é difícil, pois muitos apresentam resistência às novidades...”: empecilho. Questão 29: “Para o produtor de pêssegos Waldir Parise, isso será muito válido...” A palavra sublinhada nessa frase tem como referente: A) “... a temperatura da água e a duração do mergulho...” B) “A refrigeração é uma questão delicada para os fruticultores”. C) “ ... o produto crie resistência ao frio e não seja danificado”. D) “Essa contradição, entretanto, está com os dias contados”. E) “ ... aumenta a conservação em até 50% do tempo...”Manaus Energia 2006 Administrador (banca Consulplan) A ENERGIA E OS CICLOS INDUSTRIAIS No decorrer da história, a ampliação da capacidade produtiva das sociedades teve como contrapartida o aumento de consumo e a contínua incorporação de novas fontes de energia. Entretanto, até o século XVIII, a evolução do consumo e o aprimoramento de novas tecnologias de geração de energia foram lentos e descontínuos. A Revolução Industrial alterou substancialmente esse panorama. Os ciclos iniciais de inovação tecnológica da economia industrial foram marcados pela incorporação de novas fontes de energia: assim, o pioneiro ciclo hidráulico foi sucedido pelo ciclo do carvão, que por sua vez cedeu lugar ao ciclo do petróleo. Em meados do século XIX, as invenções do dínamo e do alternador abriram o caminho para a produção de eletricidade. A primeira usina de eletricidade do mundo surgiu em Londres, em 1881, e a segunda em Nova York, no mesmo ano. Ambas forneciam energia para a iluminação. Mais tarde, a eletricidade iria operar profundas transformações nos processos produtivos, com a introdução dos motores elétricos nas fábricas, e na vida cotidiana das sociedades industrializadas, na qual foram incorporados dezenas de eletrodomésticos. Nas primeiras décadas do século XX, a difusão dos motores a combustão LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 50 interna explica a importância crescente do petróleo na estrutura energética dos países industrializados. Além de servir de combustível para automóveis, aviões e tratores, ele também é utilizado como fonte de energia nas usinas termelétricas e ainda, é matéria-prima para muitas indústrias químicas. Desde a década de 1970, registrou-se também aumento significativo na produção e consumo de energia nuclear nos países desenvolvidos. Nas sociedades pré-industriais, entretanto, os níveis de consumo energético se alteraram com menor intensidade, e as fontes energéticas tradicionais – em especial a lenha – ainda são predominantes. Estima-se que o consumo de energia comercial per capita no mundo seja de aproximadamente 1,64 toneladas equivalentes de petróleo (TEP) por ano, mas esse número significa muito pouco: um norte-americano consome anualmente, em média, 8 TEPs contra apenas 0,15 consumidos por habitante em Bangladesh e 0,36 no Nepal. Os países da OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que possuem cerca de um sexto da população mundial, são responsáveis por mais da metade do consumo energético global. Os Estados Unidos, com menos de 300 milhões de habitantes, consomem quatro vezes mais energia do que o continente africano inteiro, onde vivem cerca de 890 milhões de pessoas. (Magnoli, Demétrio, Regina Araújo, 2005. Geografia – A construção do mundo. Geografia Geral e do Brasil, Moderna – pg. 167) Questão 30: Observando-se o tipo de composição do texto, conclui-se que ele é: A) Dissertativo informativo B) Descritivo com inclusão de narração C) Narrativo com exclusão de descrição D) Dissertativo polêmico E) Argumentativo opinativo Questão 31: Nos dois primeiros parágrafos do texto, o autor afirma que, EXCETO: A) O aumento de consumo foi uma contrapartida à ampliação da capacidade produtiva das sociedades. B) A eletricidade operou, nos processos produtivos, transformações profundas. C) As novas fontes de energia marcaram os ciclos iniciais de inovação tecnológica. D) Anteriormente ao século XVIII, o aprimoramento de novas fontes de energia e a evolução do consumo foram lentos e descontínuos. E) O panorama de evolução das novas fontes de energia foi alterado de forma fundamental pela Revolução Industrial. Questão 32: Ao mencionar que as invenções do dínamo e do alternador abriram caminho para a produção de eletricidade, o autor do texto mostra que: A) O setor industrial impulsionou a economia dos países subdesenvolvidos. LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 51 B) As usinas de eletricidade forneciam energia para a iluminação. C) A partir dessas invenções o uso de energia elétrica em Londres e Nova York colocou essas duas cidades no topo da economia mundial. D) A partir dessas invenções o uso de energia elétrica se expandiu e provocou substanciosas mudanças na vida cotidiana das sociedades industrializadas. E) A partir do dínamo e do alternador as indústrias tomaram um novo rumo no século XVIII. Questão 33: A importância do petróleo se deve, EXCETO: A) Ao fato de servir de matéria-prima para indústrias químicas. B) Ao fato de servir de combustível para automóveis, aviões e tratores. C) Ao fato de ser fonte de energia eólica. D) Ao fato de ser fonte de energia nas usinas termelétricas. E) Ao fato de ser fonte de energia nas indústrias têxteis. Questão 34: Os dados estatísticos apresentados no texto: A) São utilizados como curiosidade. B) São utilizados para dar mais veracidade às informações contidas no texto. C) São sempre utilizados em reportagens. D) São utilizados como argumentos essenciais. E) São utilizados como informações superficiais. Manaus Energia 2006 Assist Administrativo (banca Consulplan) Quedas do Iguaçu Chegamos, e então aquilo tudo está acontecendo de maneira urgente, o mato, água, as pedras, o ar. Aquilo está havendo naquele momento, como o movimento de um grande animal bruto e branco morrendo, cheio de uma espantosa vida desencadeada, numa agonia monstruosa, eterna, chorando, clamando. E até onde a vista alcança, num semicírculo imenso, há montes de água estrondando nesse cantochão, árvores tremendo, ilhas dependuradas, insanas, se toucando de arco-íris, nuvens voando para cima, como o espírito das águas trucidadas remontando para o sol, fugindo à torrente estreita e funda onde todas essas cachoeiras juntam absurdamente suas águas esmagadas, ferventes, num atropelo de espumas entre dois muros altíssimos de rocha. E na terra em que pisamos junto ao abismo, a cara molhada, os pequenos bichos do mato se movem num perpétuo susto como se nosso movimento fosse uma traição acobertada pelo estrondo dessa catedral caindo absurda para as nuvens de vapor e espuma com toda uma orquestra de órgãos estrondando. Um avião passeia sobre as cataratas, mas ele ronda alto, como se tivesse medo de ser tragado pela respiração do monstro de água vibrando no ar. Do lado argentino, uma longa ponte sobre os saltos e um sábio caminho entre a floresta nos leva à intimidade de muitos saltos, num passeio maravilhoso que é um equilíbrio entre o idílico e o trágico, entre o mais suave segredo do mato e da água, o mais tímido murmúrio nas pedras e o grande estrondo da massa precipitada no ar. Um bando de papagaios passa para um lado gritando; como em LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 52 resposta vem depois, da mata escura, um bando de tucanos que, ao pousar, parecem estudar o equilíbrio entre o corpo e os grandes bicos coloridos. As borboletas invadem os caminhos e as picadas, bandos e mais bandos, amarelas, vermelhas, azuis, com todos os caprichos do desenho e da cor, avançando no seu vôo desarrumado e trêmulo, como flores tontas caídas da floresta sobre os caminhos úmidos. Não, não há como descrever as quedas do Iguaçu; seria preciso viver longamente aqui, nesse mato alto, entre cobras, veados, antas e onças, em volta desse estrondo – e vir, nas manhãs e nas noites, vagar entre as nuvens e a espuma, a um canto do abismo fundo, com terror e com unção. (Rubem Braga) Questão 35: Na alternativa abaixo todos os elementos retomam, por meio anafórico,às cataratas do Iguaçu, EXCETO: A) catedral caindo absurda para as nuvens de vapor. B) orquestra de órgãos estrondando. C) longa ponte sobre os saltos. D) monstro de água vibrando no ar. E) movimento de um grande animal bruto e branco morrendo. Questão 36: A tipologia textual do texto em questão é: A) didática B) descritiva C) narrativa D) científica E) informativa Questão 37: O autor emprega no texto tons de: A) espanto e simpatia B) melancolia e angústia C) encantamento e medo D) despedida e suavidade E) religiosidade e rebeldia Questão 38: O sentido da expressão “do lado argentino” é: A) A visão das cataratas sob o ponto de vista de um argentino. B) A região menos bonita das quedas do Iguaçu. C) A região mais bonita das quedas do Iguaçu. D) A região que pertence à Argentina. E) A toda região das quedas do Iguaçu. Questão 39: Com relação ao significado das palavras empregadas no texto, todas as opções estão corretas, EXCETO: A) “ilhas dependuradas, insanas”: loucas B) “... espírito das águas trucidadas”: esmagadas C) “... numa agonia monstruosa...”: sofrimento D) “... num perpétuo susto...”: duradouro E) “... com terror e com unção”: tristeza LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 53 Prefeitura Tiradentes 2005 Analista (banca Consulplan) SEGREDO Há muitas coisas que a psicologia não nos explica. Suponhamos que você esteja em um 12º andar, em companhia de amigos, e, debruçando-se à janela, distinga lá embaixo, inesperada naquele momento, a figura de seu pai, procurando atravessar a rua ou descansando em um banco diante do mar. Só isso. Por que, então, todo esse alvoroço que visita a sua alma de repente, essa animação provocada pela presença distante de uma pessoa da sua intimidade? Você chamará os amigos para mostrar-lhes o vulto de traços fisionômicos invisíveis: “Aquele ali é papai”. E os amigos também hão de sorrir, quase enternecidos, participando um pouco de sua glória, pois é inexplicavelmente tocante ser amigo de alguém cujo pai se encontra longe, fora do alcance do seu chamado. Outro exemplo: você ama e sofre por causa de uma pessoa e com ela se encontra todos os dias. Por que, então, quando essa pessoa aparece à distância, em hora desconhecida aos seus encontros, em uma praça, em uma praia, voando na janela de um carro, por que essa ternura dentro de você, e essa admirável compaixão? Por que motivo reconhecer uma pessoa ao longe sempre nos induz a um movimento interior de doçura e piedade? Às vezes, trata-se de um simples conhecido. Você o reconhece de longe em um circo, um teatro, um campo de futebol, e é impossível não infantilizar- se diante da visão. Até para com os nossos inimigos, para com as pessoas que nos são antipáticas, a distância, em relação ao desafeto, atua sempre em sentido inverso. Ver um inimigo ao longe é perdoá-lo bastante. Mais um caso: dois amigos íntimos se vêem inesperadamente de duas janelas. Um deles está, digamos, no consultório do dentista, o outro visita o escritório de um advogado no centro da cidade. Cinco horas da tarde; lá embaixo, o tráfego estridula; ambos olham distraídos e cansados quando se descobrem mutuamente. Mesmo que ambos, uma hora antes, estivessem juntos, naquele encontro súbito e de longe é como se não se vissem há muito tempo; com todas as graças da alma despertas, eles começam a acenar-se, a dar gritos, a perguntar por gestos o que o outro faz do outro lado. Como se tudo isso fosse um mistério. E é um mistério. (Paulo Mendes Campos) Questão 40: Com relação ao significado das palavras empregadas no texto, todas as opções estão corretas, EXCETO: A) “... quase enternecidos” : amorosos B) “ ...essa ternura...” : meiguice C) “ ... inexplicavelmente tocante...” : comovente D) “ ... sempre nos induz...” : motiva E) “ ... o tráfego estridula...” : rompe Questão 41: O tema central do texto é: A) Divagações sobre a amizade. LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 54 B) Reflexões sobre encontros imprevistos. C) Indagações sobre momentos efêmeros. D) Mistérios do mundo moderno. E) Mistérios das atitudes incontidas. Questão 42: “Há muitas coisas que a psicologia não nos explica”. O período acima: A) Serve como reflexão. B) Exprime uma idéia secundária. C) É uma citação popular. D) Justifica o título do texto. E) Evidencia o valor da ciência. Questão 43: “Você o reconhece de longe em um circo...”( 4º§). Por um processo anafórico, a palavra sublinhada na frase acima tem como referente no texto: A) amigo B) pai C) conhecido D) inimigo E) dentista Questão 44: “Até para com os nossos inimigos, para com as pessoas que nos são antipáticas, a distância, em relação ao desafeto, atua sempre em sentido inverso.” Do excerto acima, depreende-se que, EXCETO: A) A distância aproxima as pessoas. B) O ser humano reage de forma programada. C) O ser humano é imprevisível. D) A distância modifica o comportamento das pessoas. E) Em terra estranha, conhecidos tornam-se amigos ainda mais íntimos. Questão 45: Assinale a alternativa que mantém uma intertextualidade com o texto “Segredo”: A) “Sei lá, sei não, a vida é uma grande ilusão”. (Vinícius de Moraes) B) “Em terra de cego quem tem um olho é rei”. (Ditado popular) C) “Existem dois lados em todas as questões: o meu e o errado”. (Oscar Levant) D) “Cínico é quem vê as coisas como são em vez de vê-las como deveriam ser”. (Oscar Wilde) E) “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que pensa nossa vã filosofia”. (Shakespeare) Questão 46: Assinale a alternativa que contém uma frase em sentido conotativo: A) “E é um mistério”. B) “Cinco horas da tarde; lá embaixo...” C) “... em uma praia, voando na janela de um carro...” D) “Aquele ali é papai”. E) “Por que, então, todo esse alvoroço...” LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 55 Questão 47: O tom final do texto é, EXCETO: A) fúnebre B) inexplicável C) enigmático D) obscuro E) oculto COFEN 2010 Analista de Pessoal (banca Consulplan) TEXTO: Quando confrontados pelos aspectos mais obscuros ou espinhosos da existência, os antigos gregos costumavam consultar os deuses (naquela época, não havia psicanalistas). Para isso, existiam os oráculos – locais sagrados onde os seres imortais se manifestavam, devidamente encarnados em suas sacerdotisas. Certa vez, talvez por brincadeira, um ateniense perguntou ao conceituado oráculo de Delfos se haveria na Grécia alguém mais sábio que o esquisitão Sócrates. A resposta foi sumária: “Não”. O inesperado elogio divino chegou aos ouvidos de Sócrates, causando- lhe uma profunda sensação de estranheza. Afinal de contas, ele jamais havia se considerado um grande sábio. Pelo contrário: considerava-se tão ignorante quanto o resto da humanidade. Após muito meditar sobre as palavras do oráculo, Sócrates chegou à conclusão de que mudaria sua vida (e a história do pensamento). Se ele era o homem mais sábio da Grécia, então o verdadeiro sábio é aquele que tem consciência da própria ignorância. Para colocar à prova sua descoberta, ele foi ter com um dos figurões intelectuais da época. Após algumas horas de conversa, percebeu que a autoproclamada sabedoria do sujeito era uma casca vazia. E concluiu: “Mais sábio que esse homem eu sou. É provável que nenhum de nós saiba nada de bom, mas ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um tantinho mais sábio que ele exatamente por não supor saber o que não sei”.A partir daí, Sócrates começou uma cruzada pessoal contra a falsa sabedoria humana – e não havia melhor palco para essa empreitada que a vaidosíssima Atenas. Em suas próprias palavras, ele se tornou um “vagabundo loquaz” – uma usina ambulante de insolência iluminadora, movida pelo célebre bordão que Sócrates legou à posteridade: “Só sei que nada sei”. Para sua tarefa audaz, Sócrates empregou o método aprendido com os professores sofistas. Mas havia grandes diferenças entre a dialética de Sócrates e a de seus antigos mestres. Em primeiro lugar, Sócrates não cobrava dinheiro por suas “lições” – aceitava conversar com qualquer pessoa, desde escravos até políticos poderosos, sem ganhar um tostão. Além disso, os diálogos de Sócrates não serviam para defender essa ou aquela posição ideológica, mas para questionar a tudo e a todos sem distinção. Ele geralmente começava seus debates com perguntas diretas sobre temas elementares: “O que é o Amor?” “O que é a Virtude?” “O que é a Mentira?” Em seguida, destrinchava as respostas que lhe eram dadas, questionando o significado de cada palavra. E continuava fazendo perguntas em cima de perguntas, até levar os exaustos interlocutores a conclusões opostas às que haviam dado inicialmente – e tudo isso num tom perfeitamente amigável. Assim, o pensador demonstrava uma verdade que até hoje continua universal: na maior parte do tempo, a grande maioria das pessoas (especialmente as que se consideram mais sabichonas) não sabe do que está falando. LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 56 (José Francisco Botelho. Revista Vida Simples, edição 91, abril de 2010 / com adaptações) Questão 48: Analise as afirmativas a seguir: I. As conclusões que impulsionaram a cruzada pessoal de Sócrates contra a falsa sabedoria humana foram motivadas por um elogio divino. II. Ao saber que o conceituado oráculo de Delfos o havia considerado o maior sábio da Grécia, Sócrates prontamente chegou à conclusão de que transformaria sua vida. III. Os antigos mestres de Sócrates cobravam por suas “lições”. IV. Sócrates concluiu que era mais sábio do que um dos figurões intelectuais da época, pois, após conversar com ele, percebeu que este era incapaz de reconhecer a própria ignorância. Explícita ou implicitamente estão presentes no texto somente as ideias registradas nas afirmativas: A) I, II, IV B) I, III, IV C) II, III, IV D) II, IV E) I, II, III, IV Questão 49: Em “Quando confrontados pelos aspectos mais obscuros ou espinhosos da existência” (1º§), “percebeu que a autoproclamada sabedoria do sujeito era uma casca vazia” (2º§) e “Em seguida, destrinchava as respostas que lhe eram dadas” (3º§), as expressões destacadas são, respectivamente, exemplos de: A) Denotação, conotação, conotação. B) Denotação, denotação, conotação. C) Denotação, denotação, denotação. D) Conotação, conotação, conotação. E) Conotação, denotação, denotação. Questão 50: NÃO haverá alteração do sentido do texto caso se substitua: A) “A resposta foi sumária” (1º§) por A resposta foi breve, rápida. B) “vagabundo loquaz” (2º§) por vagabundo incansável. C) “a autoproclamada sabedoria do sujeito” (2º§) por a sabedoria anunciada pelo próprio sujeito. D) “bordão” (2º§) por frase que se repete muito. E) “Para sua tarefa audaz” (3º§) por Para sua tarefa audaciosa. Questão 51: Os termos destacados constituem elementos coesivos por retomarem termos ou ideias anteriormente registrados, EXCETO: A) “Para isso, existiam os oráculos” (1º§) B) “Afinal de contas, ele jamais havia se considerado um grande sábio.” (2º§) C) “Só sei que nada sei” (2º§) D) “Além disso, os diálogos de Sócrates não serviam para defender essa ou aquela posição ideológica” (3º§) E) “Em seguida, destrinchava as respostas que lhe eram dadas” (3º§) Julgue a afirmativa como (C) CERTA ou (E) ERRADA Questão 52: Em “e a de seus antigos mestres” (3º§), a elipse do termo “dialética” evita uma repetição desnecessária, proporcionando coesão ao LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 57 texto. Questão 53: Em “Quando confrontados pelos aspectos mais obscuros ou espinhosos da existência” (1º§), “Após muito meditar sobre as palavras do oráculo” (2º§), “então o verdadeiro sábio é aquele que tem consciência da própria ignorância” (2º§), “A partir daí, Sócrates começou uma cruzada pessoal contra a falsa sabedoria” (2º§), e “Mas havia grandes diferenças entre a dialética de Sócrates e a de seus antigos mestres” (3º§), as expressões destacadas indicam, respectivamente, ideia de: A) Tempo, tempo, conclusão, conclusão, adversidade. B) Tempo, tempo, tempo, conclusão, adversidade. C) Tempo, tempo, conclusão, tempo, adversidade. D) Consequência, tempo, tempo, conclusão, adversidade. E) Tempo, tempo, tempo, conclusão, adição. Prefeitura Londrina 2011 Superior (banca Consulplan) A culpa é de Deus ou dos homens? Entra ano sai ano, as tempestades de verão continuam atormentando a vida de milhares de pessoas nos estados do sul e sudeste do país. Neste verão, a tragédia maior se concentrou na região serrana do Rio de Janeiro, castigando com maior intensidade o município de Nova Friburgo, onde centenas de pessoas perderam suas vidas e milhares viram suas casas serem literalmente arrastadas pela enxurrada. Sabemos que as enchentes não são um privilégio do Brasil, pois o noticiário internacional também nos mostra tragédias semelhantes em países como Austrália, Indonésia, Filipinas e outros. Mas o que nos distingue é o elevado número de mortes ocasionadas pelas enchentes e desabamentos. Na Austrália, por exemplo, onde uma cidade inteira ficou praticamente submersa, as mortes não chegaram a três dezenas, o que é quase nada comparado às centenas que ocorreram no estado do Rio de Janeiro. Essa diferença decorre basicamente, em nossa opinião, de dois fatores: primeiro, que na Austrália o sistema de alerta e prevenção funciona muito melhor do que no Brasil; segundo, que a ocupação territorial por lá se dá de forma mais racional e planejada. No Brasil, infelizmente não é prática corrente se realizar estudos geotécnicos do terreno antes de se erguer construções, principalmente quando se trata de residências. Portanto, não se conhece com rigor as características do solo, sua estabilidade e outros fatores que são essenciais para garantir solidez às construções. Caso fizessem tais estudos, as pessoas poderiam saber que existem áreas onde absolutamente não se pode construir. Da mesma forma, costuma-se, ao se projetar construções, fazer a terraplanagem do terreno, modificando-se a topografia que foi moldada, durante anos, pela ação dos ventos e da água. As consequências disso são facilmente previsíveis: ao se fazer a terraplanagem, o solo que era firme fica solto. E por mais que se faça compactação – o que não ocorre, pelo menos em empreendimentos residenciais – ainda assim o solo não fica com a estabilidade que tinha antes de ser aplainado. Convém lembrar, também, que a terraplanagem retira tudo o que é mata e raiz do terreno, contribuindo para LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 58 aumentar a instabilidade do solo. Cria-se, assim, o ambiente propício para a erosão e o carreamento de sólidos para os mananciais, provocando o seu assoreamento, o que facilita as enchentes, já que a água não escoa com a mesma facilidade de antes. Portanto, embora as pessoas comuns tendam a atribuir tais tragédias à fúria divina, na verdade elas deveriam questionar a si próprias se não são elas mesmas responsáveis por suas mazelas.É claro que uma parcela da culpa cabe ao poder público, que tem a responsabilidade de zelar pelo correto ordenamento territorial. Parece-nos absurdo que em pleno século XXI o Brasil não tenha precisamente definidas as áreas de risco, pelo menos nos aglomerados urbanos, para que possa coibir a sua ocupação. Também nos parece lamentável que o poder público faça vistas grossas à especulação imobiliária desenfreada que coloca em risco a vida de milhares de pessoas. E nos surpreende que não se tenha, pelo menos em áreas onde é comum a ocorrência das tempestades de verão, um sistema de alerta e prevenção que possibilite a evacuação rápida das populações dessas áreas de risco. (Francisco Alves. Revista Saneamento Ambiental – Ano XX – nº. 152 – Novembro/Dezembro – 2010) Questão 54: Com relação ao significado das palavras empregadas no texto, todas as alternativas estão corretas, EXCETO: A) “... as tempestades de verão continuam atormentando a vida de milhares de pessoas...” (1º§) – afligindo B) “... pessoas viram suas casas serem literalmente arrastadas pela enxurrada.” (1º§) – verdadeiramente C) “Sabemos que as enchentes não são um privilégio do Brasil...” (2º§) – sortilégio D) “... se não são elas mesmas responsáveis por suas mazelas.” (4º§) – aborrecimentos E) “... para que possa coibir a sua ocupação.” (4º§) – impedir Questão 55: Segundo o texto: A) A terraplanagem é a ação primordial para se preparar o terreno antes de qualquer tipo de construção. B) Realizar a terraplanagem pouco adianta se não for feita a compactação do terreno, fator que garante a construção segura. C) A terraplanagem deixa o solo vulnerável, mas aliada ao estudo geotécnico pode ser feita de forma que assegure uma construção satisfatória. D) O estudo geotécnico é o estudo imprescindível para se conhecer efetivamente as condições do solo que garantem solidez às construções. E) O estudo geotécnico garante a reestruturação do solo danificada, durante anos, pela ação dos ventos e da água. Questão 56: “Mas o que nos distingue é o elevado...” A palavra que possui o sentido oposto de “distingue” é: A) Separa. B) Divide. C) Confunde. D) Iguala. E) Discrimina. LÍNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCÍCIOS) PROFESSOR DÉCIO TERROR Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 59 GABARITO 1. B 2. C 3. E 4. A 5. C 6. E 7. B 8. X 9. D 10. A 11. C 12. B 13. D 14. E 15. E 16. B 17. E 18. E 19. D 20. A 21. E 22. C 23. C 24. E 25. C 26. C 27. A 28. B 29. C 30. A 31. B 32. D 33. C 34. B 35. C 36. B 37. C 38. D 39. E 40. E 41. B 42. D 43. C 44. B 45. E 46. C 47. A 48. B 49. D 50. B 51. C 52. C 53. C 54. C 55. D 56. D