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Disciplina: Micologia Geral Aula: ASCOMYCOTA Resumo Profa. Leonor Costa Maia Depto. de Micologia/UFPE Outubro/2017 Os Ascomycota vivem como sapróbios, parasitas ou simbiontes, nos mais diversos ambientes aquáticos e terrestres. Algumas espécies são encontradas em seus habitats a maior parte do ano; muitas não são vistas por serem inconspícuas e evidentes apenas a partir de seus efeitos nos hospedeiros (ex. parasitas que causam manchas nas folhas). Penicillium e Aspergillus crescem numa grande variedade de substratos orgânicos úmidos como os alimentos em geral, incluindo frutas, amendoim, arroz e feijão cozidos e pão envelhecido, paredes, papel, madeira, tecidos, etc. Alguns Ascomycota crescem sobre fezes (coprófilos). Ex: Ascobolus, Sordaria; outros crescem no córtex (= corticícolas), madeira (= lignícolas) e folhas de árvores (folíicolas). Ex: Xylaria, Cookeina. Poucos são subterrâneos - hipógeos (ex: Tuber). Vários Ascomycota formam associações simbióticas com algas, constituindo os líquens. Outros se associam às raízes de plantas, formando micorrizas. Os Ascomycota também formam outros tipos de associações: com plantas (endofíticos), com insetos (besouros e formigas). IMPORTÂNCIA Ambiental: muitos atuam como decompositores, contribuindo para a ciclagem de nutrientes no solo Micotoxinas: Penicillium e Aspergillus (aflatoxinas) → em grãos mal estocados. Medicamentos e alimentos: Penicillium → produção de antibióticos (penicilina), fabricação de queijos do tipo Camembert, Roquefort ou gorgonzola (Penicillium roqueforttii); Aspergillus → produção industrial de ácido cítrico, enzimas e outros; Saccharomyces cerevisae (Sacharon = açúcar) → produção de álcool, fermento do pão, da cerveja, vinho, etc. Patógenos de plantas: Claviceps purpurea, Glomerella cingulata, Ceratocystis fimbriata Patógenos de animais, incluindo o homem: - pé-de-atleta (Sporothrix schenkii); - pneumonia em pessoas com o sistema imunológico deficiente (Pneumocystis carinii) Parasitas de insetos: Laboulbenia Em associações simbióticas fungos + algas = líquens fungos + raizes = micorrizas Como endofíticos - vivem no interior da planta sem causar dano CARACTERÍSTICAS GERAIS - Miceliais: filamentoso, pluricelular, bem desenvolvido. O micélio é funcionalmente cenocítico porque os núcleos e outras organelas podem migrar através de poros de uma célula a outra. - Unicelulares: leveduras - Parede celular de quitina (celulose geralmente ausente) - Reprodução assexuada em geral por conídios; também são formados artrósporos e clamidosporos; as leveduras se reproduzem assexuadamente por brotação ou fissão. - Reprodução sexuada: copulação gametangial, contato gametangial, somatogamia ou espermatização (com plasmogamia, cariogamia e meiose). - Na reprodução sexuada forma-se a estrutura mais característica do grupo: o ASCO, que contem os ascósporos, em número de 8 ou múltiplo O ciclo de vida em geral apresenta 3 fases: haplóide (n), dicariótica (n + n) e diploide (2n). A fase haploide em geral caracteriza a fase somática, de crescimento do fungo (células com um núcleo masculino ou feminino); a fase dicariótica ocorre depois da plasmogamia [e dois núcleos compatíveis (n + n) ficam juntos numa mesma célula] – essa fase pode ser longa, até que ocorra a cariogamia (com a formação do zigoto – 2n), característica da fase diploide (2n). Os ascos podem estar em estruturas especializadas denominadas ASCOMAS, que são de 4 tipos básicos: - Com ascos dispersos 1- Cleistotécio: fechado - Com ascos arrumados numa base (himênio) 2- Peritécio: em forma de pera, com um poro (ostíolo) 3- Apotécio: em forma de taça, com himênio exposto 4- Ascostroma: ascos formados em cavidades (lóculos) dentro de um estroma que forma a parede do ascocarpo. Cleistotécio Peritécio Apotécio Ascostroma TIPOS DE ASCOS Prototunicados: sem abertura, com parede fina e delicada, liberando os esporos por desintegração. Unitunicados: ápice com abertura (fenda, poro ou opérculo) para liberação dos esporos. Bitunicados: a parede interna expande-se, separa-se da externa, que se rompe e os esporos são liberados por um poro. CLASSIFICAÇÃO Taphrinomycotina – leveduriformes ou com micélio pouco desenvolvido. Ascos de formato irregular, com 4 a 8 ascosporos. Uma classe: Schizosaccharomycetes, uma ordem Schizosaccharomycetales. Saccharomycotina – leveduras verdadeiras (Ex. Saccharomyces cerevisiae). Maioria unicelular, mas alguns formam hifas em abundância. Sem ascoma. Uma classe: Saccharomycetes, uma ordem: Saccharomycetales. Pezizomycotina – mais de 90% dos Ascomycota. Miceliais, reprodução sexuada com formação de ascoma. 11 classes. Taphrinomycotina Saccharomycotina Pezizomycotina TERMOS IMPORTANTES Fase Anamorfa – fungo na fase de reprodução assexuada Fase Teleomorfa – fungo na fase de reprodução sexuada Fungo anamórfico = que se encontra na fase anamorfa Fungo teleomórfico = que se encontra na fase teleomorfa Fungo holomórfico = completo, apresentando, ao mesmo tempo, as duas fases reprodutivas Pleomorfo – mais de uma forma (levedura e micelial) ou com as duas formas (sexuada e assexuada) Homotálico – fungo com ambos os sexos no mesmo talo = MONÓICO, MONOÉCIO (AUTO-FËRTIL) Heterotálico – micélios com sexos diferentes = DIÓICO (AUTO-ESTÉRIL), mesmo no caso de apresentar estruturas masculinas e femininas no mesmo talo. ...................................................................................................................................................................