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Febre Reumática
Definição: 
A febre reumática (FR) é uma doença inflamatória, sistêmica, deflagrada pelo agente infeccioso Streptococcus -hemolítico do grupo A de Lancefield, que ocorre em pessoas geneticamente predispostas.
É uma complicação não-supurativa de uma infecção por Streptococcus beta-hemolítico do grupo A de Lancefield. 
Deve ser tratada corretamente para evitar sequelas graves e caras, que podem ser prevenidas com o tratamento correto de uma amigdalite. 
Epidemiologia:
É uma doença característica de países em desenvolvimento, já que é quase extinta nos países desenvolvidos.
A incidência elevada em países subdesenvolvidos é explicada por famílias numerosas que coabitam a mesma casa. 
Aglomeração causa maior contágio. 
O uso incorreto de antibióticos para o tratamento de faringoamigdalite também contribui para febre reumática. 
Surtos de doença podem ser associadas a cepas específicas de estreptococos e cerca de 1% dos casos acontecem em endemias. 
Estima-se que afete mais de 33 milhões de pessoa, sendo uma grande causa de morte cardíaca durante os primeiros cinco anos de via. 
Incidência alta em crianças de cinca a quinze anos!!!
A cada 100.000 crianças em fase escolar (6-10 anos) 19 são afetadas em todo o mundo. 
As regiões de maior prevalência são as mais subnotificadas. 
O tratamento adequado de uma faringoamigdalite reduz em até 70% os casos de febre reumática. 
Amoxacilina durante 10 dias. 
A literatura afirma que as primeiras 72 horas de tratamento são feitas de maneira correta, e depois que houver a remissão dos sintomas há um desleixo com o fim do tratamento. 
Em pessoas com predisposição a doença reumática, essa falha no tratamento da faringoamigdalite vai propiciar a febre reumática. 
Etiopatogenia: 
A febre reumática sempre será consequência de estreptococcia. 
A faringoamigdalite é a única infecção claramente associada a febre reumática, embora em regiões tropicais as piodermites também possam causar a doença. 
Existe uma susceptibilidade individual. 
Por mais que a patogenia da febre reumática não seja completamente esclarecida, acredita-se fortemente na teoria imunológica, em que ela seria resultado de uma resposta imune anormal do hospedeiro a uma infecção estreptocócica. 
Uma forte possibilidade de gerar essa inflamação seria por uma reação cruzada, ou seja, um mimetismo molecular.
 
Acredita-se também uma certa hereditariedade. 
Fases: 
A febre reumática é composta por três fases distintas: 
Infecção da orofaringe
Febre alta 
Linfoadenomegalia 
Petéquias faríngeas 
Placas bacterianas na orofaringe 
Período de latência 
Duração: 7-14 dias 
Doença propriamente dita 
Critérios diagnósticos: 
Estabelecer diagnóstico de estreptococcia prévia: Para se diagnosticar a febre reumática, primeiramente deve haver uma estreptococcia. 
Maiores: 
Cardite 
Artrite 
Coreia de Sydenhan 
São movimentos desordenados, involuntários, abruptos, de grupos musculares estriados esqueléticos. As queixas são de tropeços à deambulação, fala arrastada ou “enrolada”, deixar cair ou jogar objetos, como pratos, copos, cadernos e escrita ruim. Atinge mais o sexo feminino, na faixa etária da adolescência. Há muita labilidade emocional, com facilidade para alternância entre choro e riso. 
É auto-limitada, com duração de 6 meses. 
Nódulos subcutâneos 
São raros 
Eritema marginatum 
Não é muito comum 
Temporário, e não necessita de tratamento específico. 
 
Obs.: As monoartrites e a poliartralgia podem ser consideradas critérios maiores, enquanto a monoartralgia pode ser considerada um critério menor. 
Menores 
Febre 
Artralgia 
Elevação das provas inflamatórias 
PCR 
AZO 
VHS – acima de 30. 
Aumento do intervalo PR no ECG 
Adicionais 
História familiar 
Dor abdominal 
Dor precordial 
Epistaxe 
Mal estar 
Taquicardia 
Elevação da pressão de pulso durante o sono
Dois critérios maiores 
 OU 
Um critério maior e dois menores 
 OU
Se o paciente tiver história de febre reumática com reinfecção estreptocócica o risco de recidiva é maior, por isso são necessários três critérios menores. 
Exceção: 
Coreia de sydnhan como única manifestação 
Cardite insidiosa como única manifestação meses após uma infecção estreptocócica aguda. 
Classificação do risco 
Risco leve:
Incidência menor ou igual a 2 afetados por 100.000 escolares por ano. 
Prevalência da cardite menor ou igual a 1/1000 na população geral. 
Risco moderado: 
Incidência igual a 2 afetados por 100.000 escolares por ano. 
Prevalência da cardite igual a 1/1000 na população geral. 
Sequelas: 
Cardiopatia 
Lesão mitral – é a válvula mais acometida. 
Lesão aorta 
Lesão tricúspide 
Lesão pulmonar 
Artropatia de Charcot 
Doença benigna que envolve estruturas periarticulares de mãos e pés. 
Poucos dias de duração. 
Tratamento: 
Objetivos do tratamento: 
Aliviar os sintomas da dor 
Erradicar a bactéria 
Acompanhar para não fazer novo surto 
Profilaxia das novasinfecções 
Educação do paciente 
Tratamento da artrite: utilizar até o fim dos sintomas. 
AINE 
Ibuprofeno 
Corticoide – quando as manifestações articulares forem mais graves. 
Tratamento da cardite 
Acompanhamento com Ecocardiograma 
Em caso de cardite severa (BAV, insuficiência cardíaca, cardiomegalia, falência cardíaca), é indicado o uso de glicocorticoides: 
Prednisona 
Tratamento da coreia 
Geralmente é autolimitada 
Ácido polipocroico 
Carbamazepinas 
Suporte neurológico 
Em caso de coreia severa ou falha terapêutica podem ser usados corticoides ou imunomoduladores. 
Tratamento de eritema marginatum 
Anti-histamínico quando houver gravidade do prurido. 
Prevenção: 
Primária: é a prevenção de pacientes sintomáticos 
Secundária: é a profilaxia da febre reumática.
Esquema: Penicilina G benzatina a cada 21 a 28 dias. 
Em caso de alergia, a medicação pode ser amoxacilina VO todos os dias até completar determinada idade. 
É feito até os 18 anos ou no mínimo de 5 anos de tratamento (Ex.: se o diagnóstico for feito aos 17, deverá ser feita a profilaxia até os 22 anos) se o paciente não fizer recidiva da doença, nem tiver sequelas. 
Obs.: Não é um consenso a duração da profilaxia da febre reumática em pacientes que tiveram sequelas dela. 
Fatores de risco para a recorrência da doença 
Falta de adesão na profilaxia 
Grande número de episódios anteriores 
Pequeno intervalo desde o último episódio 
Alto risco de exposição ao estreptococcos 
Baixa idade 
Presença de envolvimento cardíaco. 
Casos clínicos 
Menino, 14 anos, com queixa de dor em punho. A dor começou há 3 dias com uma dor no tornozelo que migrou para o punho. Relata que teve uma infecção de garganta há 10 dias e que não foi tratada corretamente. 
Menino, 11 anos, com queixa de dor de garganta. O diagnóstico foi de faringoamigdalite com indicação de tratamento com antibiótico via oral. Após 7 dias, o menino retorna com queixa de dor no joelho. 
“Febre reumática lambe as articulações e morde o coração”.

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