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01/08/2017 1 2º FASE CONSTITUCIONAL Prof. Paulo Nasser Habeas Data HABEAS DATA ARTIGO 5.º, LXXII, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E LEI 9.507/97 1. Conceito e finalidade do habeas data. Tutela o direito de informação e intimidade do indivíduo, assegurando ao impetrante o conhecimento de informações relativas à sua pessoa constantes em registros ou bancos de entidades governamentais ou de caráter público, bem como o direito de retificação dos dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo. 01/08/2017 2 2. Legitimidade do habeas data. a) Legitimidade ativa: São legitimados para o Habeas Data, como impetrantes, as pessoas naturais ou jurídicas que se afirmam titulares dos direitos negados à informações relativas à sua pessoa constantes em registros ou bancos de entidades governamentais ou de caráter público, bem como o direito de retificação dos dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo EXCEÇÃO: Cônjuge, Ascendente, Descendente e Irmão (CADI) do de cujos. b) Legitimidade passiva: Poderá ser sujeito passivo em habeas data qualquer instituição, pública ou privada, órgão público ou prestadora de serviço de interesse público, desde que mantenha bancos de dados. O artigo 1.º, parágrafo único, da Lei 9.507/2007, considera de caráter público todo registro ou banco de dados contendo informações que sejam ou que possam ser transmitidas a terceiros ou que não sejam de uso privativo do órgão ou entidade produtora ou depositária das informações. 01/08/2017 3 3. Objeto do habeas data. O direito de informação e intimidade do indivíduo, manifestado quando o Poder Público ou entidade de caráter público que detém bancos de dados abertos ao público se negar a conceder informações de natureza personalíssima da pessoa do impetrante ou retificá-las, e ainda para a anotação nos assentamentos do interessado, de contestação ou explicação sobre dado verdadeiro, mas justificável e que esteja sob pendência judicial ou amigável. 4. Liminar em habeas data. Apesar de não existir previsão expressa na lei regulamentadora desta garantia constitucional, em caso de extrema urgência e comprovada necessidade, nada obsta a concessão de liminar em habeas data. 5. Procedimento do habeas data. Artigo 8.º, parágrafo único da Lei 9.507/97 A petição inicial já deve trazer aos autos, as provas: a) da recusa ao acesso às informações ou do decurso de mais de dez dias sem decisão; 01/08/2017 4 b) da recusa em fazer-se a retificação ou do decurso de mais de 15 dias sem decisão; ou c) da recusa em fazer-se a anotação da explicação ou contestação do interessado sobre no cadastro do interessado de explicação ou contestação sobre dado, ainda que não inexato, desde que justificada. d) da recusa em fazer-se a anotação de explicação ou contestação de dado pelo interessado, justificando possível pendência sobre o fato objeto do dado (artigo 4.º, § 2.º, Lei 9.507/1997) ou do decurso de mais de quinze dias sem decisão. Ao despachar a inicial, o juiz ordenará que se notifique o coator do conteúdo da petição, entregando-lhe a segunda via apresentada pelo impetrante, com as cópias dos documentos, a fim de que, no prazo de dez dias, preste as informações que julgar necessárias. (Art. 9º da Lei 9507/97) A inicial será desde logo indeferida, quando não for o caso de habeas data, ou se lhe faltar algum dos requisitos previstos na Lei. (Art. 10 da Lei 9507/97) Feita a notificação, o serventuário em cujo cartório corra o feito juntará aos autos cópia autêntica do ofício endereçado ao coator, bem como a prova da sua entrega a este ou da recusa, seja de recebê-lo, seja de dar recibo. (Art. 11 da Lei 9507/97) 01/08/2017 5 Findo o prazo de dez dias, e ouvido o representante do Ministério Público dentro de cinco dias, os autos serão conclusos ao juiz para decisão a ser proferida em cinco dias. (Art. 12 da Lei 9507/97) Os processos de habeas data terão prioridade sobre todos os atos judiciais, exceto habeas corpus e mandado de segurança. Na instância superior, deverão ser levados a julgamento na primeira sessão que se seguir à data em que, feita a distribuição, forem conclusos ao relator. O prazo para a conclusão não poderá exceder de vinte e quatro horas, a contar da distribuição. (Art. 19 da Lei 9507/97) São gratuitos tanto o procedimento administrativo para acesso a informações e retificação de dados e para anotação de justificação, como a ação de habeas data. Art. 5º LXXVII da CF/88 e Art. 21 da Lei 9507/97 01/08/2017 6 6. Julgamento do habeas data. O julgamento do habeas data pode ser de competência originária ou recursal. a) competência originária: Supremo Tribunal Federal Art. 102, I, d, CF Contra atos do Presidente da República, das Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de Contas da União, do Procurador-Geral da República e do próprio Supremo Tribunal Federal. Superior Tribunal de Justiça Art. 105, I, b, CF Contra atos de Ministro de Estado, dos comandantes da Marinha Exército e Aeronáutica ou do próprio Tribunal. Tribunais Regionais Federais Art. 108, I, c, CF Contra atos do próprio Tribunal ou de juiz federal. Juiz Federal Art. 109 CF Contra ato de autoridade federal, excetuados os casos de competência dos tribunais federais. Tribunais Estaduais Segundo o disposto na Constituição do Estado. Juiz Estadual Nos demais casos. b) Competência Recursal: Supremo Tribunal Federal Art. 102, II a, CF Recurso Ordinário Quando a decisão denegatória for proferida em única instância pelos Tribunais Superiores. Superior Tribunal de Justiça Art. 20, II, b da Lei 9507/97 Quando a decisão for proferida em única instância pelos Tribunais Regionais Federais Tribunais Regionais Federais Art. 20, II, c da Lei 9507/97 Quando a decisão for proferida por juiz federal. Tribunais Estaduais Art. 20, II, d, da Lei 9507/97 Conforme dispuserem a respectiva Constituição e a lei que organizar a Justiça do Distrito Federal. 01/08/2017 7 7. Efeitos do habeas data. Art. 13 da Lei 9507/97 - Na decisão, se julgar procedente o pedido, o juiz marcará data e horário para que o coator: apresente ao impetrante as informações a seu respeito, constantes de registros ou bancos de dadas; ou apresente em juízo a prova da retificação ou da anotação feita nos assentamentos do impetrante. A decisão será comunicada ao coator, por correio, com aviso de recebimento, ou por telegrama, radiograma ou telefonema, conforme o requerer o impetrante. (Art. 14 da Lei 9507/97) Os originais, no caso de transmissão telegráfica, radiofônica ou telefônica deverão ser apresentados à agência expedidora, com a firma do juiz devidamente reconhecida. (Art. 14, parágrafo único da Lei 9507/97) Da sentença que conceder ou negar o habeas data cabe apelação. Quando a sentença conceder o habeas data, o recurso terá efeito meramente devolutivo. (Art. 15 da Lei 9507/97) Quando o habeas data for concedido e o Presidente do Tribunal ao qual competir o conhecimento do recurso ordenar ao juiz a suspensão da execução da sentença, desse seu ato caberá agravo para o Tribunal a que presida. (Art. 16 da Lei 9507/97) 01/08/2017 8 Resumindo Fundamento Artigo 5.º, LXXII, da Constituição Federal. Norma regulamentadora Lei 9.507/1997. Objeto Direito de informação e intimidade do indivíduo, manifestado quando o Poder Público ou entidade de caráter público que detém bancos de dados abertos ao público se negar a conceder informações de natureza personalíssima da pessoa do impetrante ou retificá-las, mesmo depois de um pedido administrativo.Competência Conforme a autoridade que negar a informação ou a retificação desta. 8. Passo a passo do habeas data – preenchendo seus requisitos: Endereçamento Conforme a autoridade que negar a informação ou a retificação desta. Partes Legitimidade ativa: qualquer indivíduo, desde que as informações sejam relativas à pessoa do impetrante, em razão do caráter personalíssimo dessa ação. EXCEÇÃO: Cônjuge, Ascendente, Descendente e Irmão (CADI) do de cujos. Legitimidade passiva: poderá ser sujeito passivo em habeas data qualquer instituição, pública ou privada, pertencente a órgão público ou prestadora de serviço de interesse público, desde que mantenha bancos de dados. 01/08/2017 9 Causa de Pedir (Tese a ser Desenvolvida) Demonstrar que houve negativa em conceder informações de natureza personalíssima da pessoa do impetrante ou retificá-las, mesmo depois de um pedido administrativo. Pedido Artigo 13, I e II, Lei 9.507/1997: • Apresente ao impetrante as informações a seu respeito, constantes de registros ou bancos de dadas; ou • Apresente em juízo a prova da retificação ou da anotação feita nos assentamentos do impetrante. Demais requisitos A petição inicial já deve trazer aos autos, as provas: • Da recusa ao acesso às informações ou do decurso de mais de 10 dias sem decisão; • Da recusa em fazer-se a retificação ou do decurso de mais de 15 dias sem decisão; ou • Da recusa em fazer-se a anotação de explicação ou contestação sobre dado, ainda que não inexato, desde que justificada. 9. Esquema de habeas data AO JUÍZO CÍVEL DA COMARCA [variável, pois depende da autoridade coatora] [Espaço de dez linhas] 01/08/2017 10 Nome do impetrante, nacionalidade, estado civil, a existência de união estável, a profissão portador da cédula de identidade RG n.º... e inscrito no CPF/MF sob n.º ..., e-mail, residente e domiciliado na Rua ..., n.º..., Bairro ..., Município ..., Estado ..., CEP ..., por seu advogado regularmente inscrito na OAB/... sob o número ..., com escritório situado na ..., vem respeitosamente a presença de Vossa Excelência., com fundamento no artigo 5.º, LXXII da Constituição Federal e na Lei 9.507/97, impetrar o presente HABEAS DATA em face da autoridade coatora responsável [qualificar], que vem causando lesão ao direito de informação do impetrante ao se negar prestar as informações da pessoa do Impetrante constantes em bancos de dados oficiais de sua competência conforme se comprovará. I – DA COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO DO PRESENTE MANDADO DE INJUNÇÃO. [Espaço de uma linha] [Espaço de duas linhas] 01/08/2017 11 II – DOS FATOS E DO ESGOTAMENTO DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS ANTES DA IMPETRAÇÃO DO PRESENTE “HABEAS DATA” [Espaço de uma linha] [Explicar resumidamente os fatos e o pedido administrativo negado] III – DA LEGITIMIDADE ATIVA [Espaço de uma linha] [São legitimados para o Habeas Data, como impetrantes, as pessoas naturais ou jurídicas que se afirmam titulares dos direitos negados à informações relativas à sua pessoa constantes em registros ou bancos de entidades governamentais ou de caráter público, bem como o direito de retificação dos dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo] [Espaço de duas linhas] IV – DA LEGITIMIDADE PASSIVA [Espaço de uma linha] Poderá ser sujeito passivo em habeas data qualquer instituição, pública ou privada, órgão público ou prestadora de serviço de interesse público, desde que mantenha bancos de dados de caráter público na forma do art. 1º parágrafo único e art. 7º, I da Lei 9705/97. [Espaço de duas linhas] V – DO DIREITO À INFORMAÇÃO DO IMPETRANTE NEGADO PELA AUTORIDADE COATORA [Demonstrar que houve negativa em conceder informações de natureza personalíssima da pessoa do impetrante ou ratificá-las, e a violação ao artigo 5.º, LXXII, da Constituição Federal e da Lei 9.507/1997] 01/08/2017 12 VI – DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS [Espaço de uma linha] Ante o exposto, requer-se a este Juízo: [Espaço de uma linha] a) incialmente informa que não há interesse na designação de audiência prévia de mediação e conciliação, nos termos do art. 319, VII do CPC b) a procedência do pedido de determinação à autoridade coatora para que apresente ao Impetrante as informações personalíssimas requeridas administrativamente pleiteadas e negadas, constantes de registros ou bancos de dados [ou apresente em juízo a prova da retificação ou da anotação feita nos assentamentos do impetrante, conforme artigo 13, I e II, da Lei 9.507/1997]; c) a notificação da Autoridade Coatora do conteúdo da petição, entregando- lhe a segunda via apresentada pelo impetrante, com as cópias dos documentos, a fim de que, no prazo de dez dias, preste as informações que julgar necessárias, conforme artigo 9.º da Lei 9.507/1997. d) a Oitiva do Ministério Público, no prazo de cinco dias, após findo o prazo da notificação da Autoridade Coatora prestar suas informações, conforme artigo 12 da Lei 9.507/1997. Dá-se o valor da causa R$... [Espaço de uma linha] Nesses termos, pede deferimento. [Espaço de uma linha] Local e data. [Espaço de uma linha] Advogado... 01/08/2017 13 10. Problema Resolvido – OAB (2008-1) José, cidadão estrangeiro, que residira durante trinta anos no Brasil e passara os últimos trinta anos de sua vida no exterior, sem visitar o Brasil, decidiu retornar a este país. Após fixar residência no Brasil, tomou a iniciativa de rever os conhecidos. Em uma conversa com um de seus mais diletos amigos, este lhe informou que ouvira um rumor de que constaria dos assentamentos do Ministério X que José havia se envolvido em atividade terrorista realizada no território brasileiro, trinta e cinco anos atrás. José decidiu averiguar a informação e apresentou uma petição ao Ministério X, requerendo cópia de todos os documentos de posse do referido ministério em que constasse o seu nome. Dentro do prazo legal, José obteve várias cópias de documentos. A cópia do processo entregue a José apresentava-o inicialmente como suspeito de participar de reuniões do grupo subversivo em questão. Porém, ao conferir a cópia que lhe foi entregue, José percebeu que, além de faltarem folhas no processo, este continha folhas não numeradas. Suspeitando de que as folhas faltantes no processo pudessem esconder outro documento em que constasse seu nome, José formulou novo pedido ao Ministério X. Dessa vez, novamente dentro do prazo legal, José recebeu comunicado de uma decisão que indeferia seu pedido, assinada pelo próprio Ministro da Pasta X, em que este afirmava categoricamente que o peticionário já recebera cópias de todos os documentos pertinentes. Incrédulo e inconformado com a decisão, José procurou os serviços de um advogado para tomar a providência judicial cabível. 01/08/2017 14 Na qualidade de advogado(a) de José, redija a peça jurídica mais adequada ao caso relatado na situação hipotética, atentando aos seguintes aspectos: a) competência do órgão julgador; b) legitimidade ativa e passiva; c) argumentos a favor do acesso a todos os documentos em que conste o nome de José, no Ministério X; d) requisitos formais da peça judicial proposta. SOLUÇÃO DO PROBLEMA Peça Habeas data. Competência Justiça Federal. Endereçamento Ao Colendo Superior Tribunal de Justiça. Partes Legitimidade ativa: (impetrante) José. Legitimidade Passiva: responsável pela negativa das informação – Ato do Ministro do Ministério “X”. Causa de Pedir (Tese a ser desenvolvida) Demonstrar que houve negativa em conceder informações de natureza personalíssima da pessoa do impetrante ou retificá-las, mesmo depois de um pedido administrativo.01/08/2017 15 Pedido Para que o impetrado apresente ao impetrante as informações a seu respeito, constantes de registros ou bancos de dados. Demais requisitos A petição inicial já deve trazer aos autos, as provas da recusa ao acesso às informações ou do decurso de mais de dez dias sem decisão, bem como da recusa em fazer-se a anotação de explicação ou contestação sobre dado, ainda que não inexato, desde que justificada. Ainda que não se constate a inexatidão do dado, se o interessado apresentar explicação ou contestação sobre o mesmo, justificando possível pendência sobre o fato objeto do dado, tal explicação será anotada no cadastro do interessado. PEÇA RESOLVIDA AO COLENDO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA [Espaço de dez linhas] 01/08/2017 16 O impetrante José, nacionalidade, estado civil, portador da cédula de identidade RG n.º... e inscrito no CPF/MF sob o n.º..., residente e domiciliado na Rua..., n.º..., bairro..., Município..., Estado..., CEP..., e-mail.... por seu advogado regularmente inscrito na OAB/... sob o número..., com escritório situado no endereço ..., vem respeitosamente a presença de Vossa Excelência, com fundamento no artigo 5.º, LXXII, da Constituição Federal, e da Lei 9.507/1997, impetrar o presente “HABEAS DATA” em face do ato da autoridade coatora Ministro de Estado do Ministério “X”, que vem causando lesão ao direito de informação do impetrante ao se negar prestar as informações da pessoa do impetrante constantes em bancos de dados oficiais de sua competência, bem como se recusa em fazer a anotação de explicação ou contestação sobre dado, conforme se comprovará. I – DA COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO DO PRESENTE MANDADO DE INJUNÇÃO. [Espaço de uma linha] Trata-se de Habeas Data impetrado contra ato do Ministrado de Estado com o qual a Constituição atribui competência ao Superior Tribunal de Justiça, na forma do art. 105, I, b, da CF. [Espaço de duas linhas] [Espaço de duas linhas] 01/08/2017 17 II – DOS FATOS E DO ESGOTAMENTO DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS ANTES DA IMPETRAÇÃO DO PRESENTE “HABEAS DATA” [Espaço de uma linha] Conforme se pode comprovar nos autos, o Impetrante requereu cópia de todos os documentos de posse do referido Ministério “X” em que constasse o seu nome. Dentro do prazo legal, obteve várias cópias de documentos. Na cópia do processo entregue, além de faltarem folhas, haviam folhas não numeradas, motivo pelo qual o Impetrante, novamente requereu administrativamente ao Ministério “X” Dessa vez, novamente dentro do prazo legal, o Impetrante recebeu comunicado de uma decisão que indeferia seu pedido, assinada pelo próprio ministro da Pasta X, em que este afirmava categoricamente que o peticionário já recebera cópias de todos os documentos pertinentes. Assim, estando comprovado o esgotamento da via administrativa junto ao Ministério “X”, bem como sua negativa expressa, estão preenchidos os requisitos do artigo 8.º, parágrafo único, I, da Lei 9.507/1997. [Espaço de duas linhas] III – DA LEGITIMIDADE ATIVA [Espaço de uma linha] São legitimados para o Habeas Data, como impetrantes, as pessoas naturais ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras que se afirmam titulares dos direitos negados à informações relativas à sua pessoa constantes em registros ou bancos de entidades governamentais ou de caráter público, bem como o direito de retificação dos dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo. Assim, mesmo sendo estrangeiro, José é legitimado para a propositura da ação. [Espaço de duas linhas] 01/08/2017 18 IV – DA LEGITIMIDADE PASSIVA [Espaço de uma linha] Poderá ser sujeito passivo em habeas data qualquer instituição, pública ou privada, órgão público ou prestadora de serviço de interesse público, desde que mantenha bancos de dados de caráter público. No caso em tela trata-se de informação constante de órgão público, de caráter público, negada por decisão do Ministro de Estado na forma do art. 1º parágrafo único e art. 7º, I da Lei 9705/97. V – DO DIREITO À INFORMAÇÃO DO IMPETRANTE NEGADO PELA AUTORIDADE COATORA [Espaço de uma linha] Resta demonstrado que o ato da autoridade coatora em entregar os documentos requeridos pelo Impetrante, sob o argumento que já tinha entregue toda a documentação pertinente, mesmo esta não tendo todas as folhas do processo requerido, além de ter folhas não numeradas, viola claramente o direito a informação de natureza personalíssima do Impetrante, conforme artigo 5.º, LXXII, da Constituição Federal, e artigo 7.º, I, da Lei 9.507/1997. [Espaço de duas linhas] 01/08/2017 19 VI – DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS [Espaço de uma linha] Ante o exposto, requer-se a este Juízo: a) incialmente informa que não há interesse na designação de audiência prévia de mediação e conciliação, nos termos do art. 319, VII do CPC b) O julgamento de mérito da ordem, com a procedência do pedido de determinação à autoridade coatora, Ministro “X”, que apresente ao Impetrante as informações personalíssimas completas, com todas as folhas e devidamente enumeradas, requeridas administrativamente e negadas, constantes de seus registros, conforme artigo 13, I, da Lei 9.507/1997. c) A notificação da Autoridade Coatora do conteúdo da petição, entregando- lhe a segunda via apresentada pelo Impetrante, com as cópias dos documentos, a fim de que, no prazo de dez dias, preste as informações que julgar necessárias, conforme artigo 9.º da Lei 9.507/1997. d) A oitiva do Ministério Público, no prazo de cinco dias, após findo o prazo da notificação da Autoridade Coatora prestar suas informações, conforme artigo 12 da Lei 9.507/1997. 01/08/2017 20 Dá-se o valor da causa R$... [Espaço de uma linha] Nesses termos, pede deferimento. [Espaço de uma linha] Local, data. [Espaço de uma linha] Advogado...