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Eletrônica Analógica 2018.1 1 Multivibradores e o gerador de onda triangular Yagho Teixeira 1,2 João Correa 1,2 Leonardo Freitas 1,2 Lucas Correa 1,2 Stephanie Pereira 1,2 1 Escola Politécnica de Pernambuco, Universidade de Pernambuco, Recife, Brasil, 2 Graduação em Engenharia de Elétrica - eletrotécnica, Escola Politécnica de Pernambuco, Pernambuco, Brasil, E-mail do autor principal: Yagho Teixeira yagho.teixeira@gmail.com Resumo Multivibradores são geradores de sinais utilizados em diversos equipamentos eletrônicos: osciloscópios, frequenciômetro, equipamentos de radar, entre outros. Os multivibradores compõem circuitos osciladores não lineares, podendo ser de três tipos: monoestáveis, biestáveis e astáveis. Nesta prática, o circuito terá pulsos retangulares de saída de um multivibrador biestável, que, após processados pelo sistema integrador, permitirá a geração de ondas triangulares, cuja frequência poderá ser regulada por um potenciômetro associado. A montagem e análise, em laboratório, foram precedidas por simulações em software, permitindo a realização das primeiras análises. Após o estudo feito em laboratório, foi possível verificar a onda triangular de saída do circuito. Palavras-Chave: Multivibradores; integradores; amplificador operacional; Abstract Multivibrators are signal generators used in various electronic equipment: oscilloscope, radar equipment, between and others. The multivibrators make in non-linear oscillator circuits, can be of there are types: monostable, bistable and astable. In this practice, the circuit will have rectangular output pulses from a bistable multivibrator that after being processed by the integrator system, will allow the generation of triangular waves, the frequency of which can be regulated by an associated potentiometer. The assembly and analysis, in the laboratory, were preceded by software simulations, allowing the realization of the first analyze. After the study done in the laboratory, it was possible to verify the triangular wave of circuit output. Key-words: Multivibrators; integrators; operational amplifier Multivibradores e Gerador de Onda Triangular 2 1 Introdução Na eletrônica analógica se faz presente a necessidade de trabalhar com quantidade ou sinais que podem ter valores que variam de modo contínuo numa determinada escala. Os valores dos sinais não precisam ser inteiros, um sinal de áudio, por exemplo, varia suavemente entre dois extremos, enquanto que um sinal digital só pode variar aos “saltos” [1], ou seja, em eletrônica analógica, é primordial gerar correntes que variam de acordo com certo ritmo de vibrações [2]. Os osciladores, geralmente, empregados como circuitos geradores de sinais, surgiram da necessidade de se utilizar ondas padronizadas, onde existem osciladores relacionados com circuitos integrados específicos; podendo ser separados por dois grandes grupos, os osciladores com elementos ativos (dispositivo amplificador e de rede de alimentação positiva) e osciladores com dispositivos de resistência negativa [3]. Os multivibradores são uma família de circuitos osciladores que produzem formas de onda de saída consistindo em um ou mais pulsos retangulares. O termo “multivibrador” origina-se do fato de seu tipo de forma de onda ser rico em harmônicos, isto é, “vibrações múltiplas”, além de usarem realimentação regenerativa (positiva). Os principais tipos de multivibradores são os monoestáveis, biestáveis e os astáveis. 2 Materiais e métodos Para a realização da prática foi necessária a utilização de 2 Amp OP LM324, 1 resistor de 10kΩ, 1 resistor de 15kΩ, 1 capacitor de 0,47µF,1 potenciômetro de 50kΩ, 1 protoboard, jumpers para realizar a ligação dos componentes. Além dos materiais citados foi necessária a utilização de equipamentos disponíveis no laboratório como: uma fonte de 10V, um osciloscópio e um multímetro para verificar as ligações e funcionamento dos componentes. 2.1 simulações e cálculos Utilizando-se de um multivibrador é possível gerar formas de ondas exponenciais e estas podem ser mudadas para outras formas de ondas. Para que fosse possível gerar uma forma de onda triangular é necessário a utilização de um integrador na saída do biestável, o integrador e faz com que o processo de carga e descarga do capacitor ocorra de forma linear, fornecendo assim um sinal triangular na saída do circuito integrador. Figura 1: simulação do circuito gerador de onda triangular A partir do circuito montado, conforme a figura 1, observa-se que é possível gerar duas formas de ondas, uma onda quadrada e a onda triangular desejada, como visto na figura 2. Figura 2: forma de onda formada pelo biestável e integrador. Para facilitar a analise do circuito, deve-se supor que a saída do circuito biestável esteja no seu pico positivo (L+). Devido à esta tensão, uma corrente circulará pelo resistor e pelo capacitor, fazendo com que a saída do integrador seja linearmente atenuada. Esta atenuação possui uma inclinação de: ∝= −𝐿+ 𝑅𝐶 (1) Eletrônica Analógica 2018.1 3 Quando o integrador atingir o limite inferior do circuito biestável, este último comutará de estado, fazendo com que sua saída seja negativa(L-). Devido à esta mudança, sua corrente inverterá, fazendo com que a saída do integrador amplifique linearmente, com inclinação: ∝= −𝐿− 𝑅𝐶 (1.1) Até atingir uma tensão que comute o biestável, gerando um novo ciclo. Assim, é possível ajustar a fase do sinal de saída, substituindo a resistência R por um potenciômetro e ao variar a resistência do potenciômetro a fase da onda será alterada. Como nota-se, o circuito apresenta uma associação em serie de uma resistência (potenciômetro) com um capacitor, alimentados por uma fonte. No instante inicial, o capacitor começa a ser carregado através da corrente i, que circula pela resistência (potenciômetro). Durante o processo de carga do capacitor, as seguintes equações descrevem os fenômenos, em função do tempo: 𝑉𝑐 = 𝑉(1 − 𝑒−𝑡/𝜏𝑐 ) (2) 𝜏𝑐 = 𝑅𝐶 (3) Durante o processo de descarga do capacitor o comportamento da constante de tempo permanece o mesmo, e a formula de descarga do capacitor fica: 𝑉𝑐 = 𝑉𝑒−𝑡/𝜏𝑑 (4) 𝜏𝑑 = 𝑅𝐶 (5) 3 Resultados Na figura 3 temos a montagem do circuito gerador de onda quadrada (biestável) na protoboard. Alimentamos o amplificador com tensões +10V e - 10V, e as mesmas tensões foram utilizadas na alimentação do circuito, já que a fonte origina apenas duas alimentações. Figura 3: Circuito montado na protoboard. Figura 4: Saídas do circuito . Nossa primeira tentativa de comparação de saídas , pegamos a saída do gerador de onda quadrada e a saída do gerador de onda triângular e observamos uma pequena declividade no topo da onda quadrada quando utilizamos a frequência de 500 kHz. Figura 5: Saídas do circuito . Após aumentar a frequência foi observado uma melhora significativa na onda quadrada. Multivibradores e Gerador de Onda Triangular 4 Quando modificado a resitência, através do potênciometro, observamos que a amplitude do gráfico é alterada. Portanto, verificou-se que a frequênciaacompanha a resistência de entrada do integrador de maneira diretamente proporcional. Figura 6: Circuito montado na protoboard com potenciometro. Figura 7: Comparador A figura 7 mostra a comparação do sinal de saída do circuito com uma onda triângular gerada pelo osciloscópio. Figura 8: Gráfico XY O próximo passo foi comparar o sinal de saída com o sinal do gerador de onda de mesma característica. O gerador foi parametrizado em 545Hz e 13Vpp. Acoplou-se um cabo do gerador ao osciloscópio e foi verificada as duas ondas. Resultando, numa grande similaridades das duas ondas. Foi averiguado a função XY do osciloscópio, verificando uma defasagem não invertida na saída do circuito, vide figura 8. Figura 9: Distorção da saída A partir da variação do potenciometro, e consequentemente da frequência, para o valores menores de frequência não ocorreram distorção no sinal. Contudo, a partir da frequência de 1,9 khz detectou-se pequenas distorções no sinal de saída, vide figura 09: distorção de saída. . Eletrônica Analógica 2018.1 5 4 Conclusões Na realização desta prática foi posto em evidência o trabalho em equipe e uma gerência eficaz de logística. A equipe encontrou diversos problemas na montagem da prática como por exemplo: As simulações não funcionavam, as simulações não apresentavam onda de saída no osciloscópio do Proteus 8.6, além de que as ondas observadas não estavam dentro do desejado. Os problemas foram resolvidos realizando alterações nos dispositivos utilizados na montagem do Proteus, principalmente com a especificação dos Amplificadores Operacionais. Contudo, após a solução dos problemas na simulação do projeto, também foram encontrados dificuldades na montagem do circuito na protoboard e bancada do laboratório. Inicialmente, o projeto considerava um capacitor de 100uF e durante as análises as ondas de saída não apresentavam resultados satisfatório, de maneira empírica o grupo decidiu alterar a capacitância do dispositivo para 0,47uF e a partir desse momento, as ondas de saída esperadas foram observadas no osciloscópio. Esta prática acrescentou ao grupo um vasto conhecimento prático no ramo de multivibradores, haja vista que esta área é muito importante para a eletrônica como um todo, sendo assim, esse projeto contribuiu bastante para a formação profissional da equipe. Referências [1] Newton C. Braga. Eletrônica Analógica e Digital – Sistemas de numeração. Disponível em: <http://www.newtoncbraga.com.br/index.php/eletro nica-digital/90-licao-1-eletronica-analogica-e-digital- sistemas-de-numeracao>. Acesso em: 16 maio 2018. [2] Prof. Dr. Edilson R. R. Kato. osciladores. Disponível em: <http://www2.dc.ufscar.br/~kato/Download/osci ladores.pdf>. Acesso em: 16 maio 2018. [3] Newton C. Braga. Osciladores – O que é preciso saber?(ART499). Disponível em: <http://www.newtoncbraga.com.br/index.php/eletro nica/52-artigos-diversos/3664-art499>. Acesso em: 16 maio 2018.