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1 Seduzindo a Escuridão Shiela Stewart Livro 01 da série The Darkness Disponibilidade: Leniria Tradução: Márcia de Oliveira Revisão Inicial e Formatação: Soryu Revisão Final: Rafa Leitura Final: Hana Tsuki 2 0 - Rendendo-se a Escuridão 1- Seduzindo a Escuridão 2- Desejando a Escuridão 3- Abraçando a Escuridão 4- Encantando a Escuridão 5- Tentando a Escuridão 6- Penetrando a Escuridão 7- Consumindo a Escuridão 8- Sobrevivendo a Escuridão Série Na Escuridão (The Darkness) Pégasus Lançamento 3 Olhar o 00 antes SINOPSE Abandonada pelo seu amante, Trinity Ford aprendeu a viver sozinha... Não era uma coisa fácil de fazer quando você é um vampiro. Trinity uma vez foi uma menina frágil. Mas ser seduzida pelo príncipe dos vampiros mudou sua vida. Descobri-lo nos braços de outra mulher mudou o destino. Sozinha, ela aprendeu rápido como ser forte, como sobreviver, e como proteger as pessoas em sua cidade do mal que se esconde no escuro. Ela estava conseguindo muito bem, até que Basil voltou para sua vida. Basil Hawthorn era o príncipe reinante de vampiros desde o banimento de seu pai para o Reino da Escuridão décadas atrás. Quando um sonho profético o faz perceber que a vida de Trinity está em perigo, ele decide afastá-la de sua vida para protegê-la da pior forma possível. Fazer isso não é fácil. Trinity é a única mulher que ele amou, e sempre amaria, mas ele não conseguia se afastar dela. Quando surgem rumores de um plano para ressuscitar o Rei das trevas, Avatur, e deixar a terra na escuridão, Trinity e Basil farão o possível para evitar essa catástrofe. Mesmo que isso signifique trabalhar juntos. Apesar da traição e das ameaças, eles se encontram atraídos um pelo outro. O amor não tem limites, especialmente em face do perigo. Mas eles serão capazes de interromper o ritual, antes que seja tarde demais? Ou será que a escuridão irá capturá-los? 4 Comentários da Revisora Soryu Eu gostei bastante desse livro, ele é muito legal, é um romance moderno cheio de aventuras. A estória gira em torno de vários personagens, deixando a trama bem dinâmica. O livro é cheio de ação, emoção, romance. Não é cansativo, é envolvente, e deixando o leitor ansioso por mais. Os personagens são bem legais. Os protagonistas são ótimos. Cada um com sua habilidade e peculiaridade. O Basil é um vampiro, à moda antiga, lindo de morrer, forte tudo de bom. Eu adorei o Dante, que é um investigador da série. Ele é cheio de energia, e parece ser uma máquina de sexo... kkkkkkkk. Pena que só vou descobrir no próximo livro. E também gostei da Trinity, ela é meio confusa, mas é bem determinada na sua vida. Eu recomendo o livro. E espero que gostem bastante desse trabalho. 5 Capítulo Um Jacob's Cove, 2025 Duas semanas antes do eclipse Solar Que maldita coceira entre as omoplatas, aquilo a estava enlouquecendo. Tinha começado cerca de uma semana atrás e não tinha parado. Não era o tipo de coceira que exigia ficar coçando direto, mas do tipo que a incomodava por dentro. O tipo que lhe dizia que havia uma má notícia no ar. Ela só não sabia quando isso iria acontecer. Ajeitando os ombros, Trinity foi para seu escritório. O sol estava se pondo e ela tinha cerca de duas horas antes de poder sair. Com sua caneca favorita preta na mão, ela se sentou em seu computador e o iniciou. — Olá, coisinha sexy. Como posso servi-la hoje? — A voz forte e masculina respondeu no computador. Sorrindo, Trinity levantou seu copo e bebeu. Ela nunca se cansaria dessa saudação humorada do seu amigo, Jonah, estava adicionado no seu menu inicial. Não havia muitas pessoas em que ela podia confiar, muito poucas com quem ela realmente se preocupava, mas Jonah era uma delas. Embora ela só o conhecesse há seis anos, ela se sentia tão próximo a ele como a um irmão. Se ela tivesse um irmão. Trinity ainda se lembrava do olhar em seu rosto quando ela lhe disse que era uma criatura da noite. Ele riu dela, e sorriu de forma gostosa e contagiante. Isso foi até ela se apresentar como o vampiro que era. Seu sorriso morreu rapidamente, mas, felizmente, o medo não tinha tomado seu lugar. Ele tinha jurado, usando diversas frases coloridas, até chegou perto e tocou com os dedos seus dentes incisivos afiados. — Mas que merda. — Então, ele se sentou e perguntou um milhão de coisas. Ela não tinha lamentado revela-lhe sua identidade. —Mostre-me as manchetes de hoje. Vamos lá. — Ela gritou para o computador. Pôs seu copo para baixo e lambeu o sangue restante de seus lábios. Havia uma boa porção de sangue na caneca. Observando as manchetes, Trinity fez uma careta. A polícia tinha perdido mais cinco oficiais. Era a terceira vez neste ano que vários policiais morriam. Malditos policiais, eles não poderiam lidar com as trevas e as criaturas que viviam nela. Se abrissem suas mentes para as possibilidades, então eles não se chocariam quando vissem um vampiro devorando sua presa. Não que ela aprovasse o que sua espécie fazia, tomar seres humanos inocentes como lanche, mas era um fato da vida. Havia forças das trevas no mundo, e era tempo das pessoas começarem a prestar atenção nisso. É aí 6 onde ela entrava. Como os policiais não sabiam como lidar com as criaturas da noite, ela tinha que resolver a parada. Ela continuou a verificar as manchetes dos jornais e viu vários arrombamentos em casas particulares. Dois assaltos à mão armada, brigas nas ruas, e alguns fogos que destruíram a vida de algumas famílias pobres. As pessoas estavam agindo como loucas recentemente. Havia algo no ar. Então a pequena foto de uma menina sorridente lhe chamou a atenção. Abaixo, a legenda não mais que três linhas indicavam que era uma menina desaparecida. Ficou enojada, com o minúsculo destaque que esse desaparecimento repercutiu. Era uma vida humana, e agora ela se foi, e todos os jornais importantes apenas apresentavam uma nota pequena no lado inferior esquerdo da página. Imbecis! Olivia Holloway tinha longos cabelos ruivos, olhos verdes profundos e tinha meros treze anos. Ela media um metro e oitenta aproximadamente e tinha sessenta quilos. Tinha sido vista pela última vez vestindo jeans e uma camisa azul, rumo à escola. Ela nunca chegou ao colégio. Trinity memorizou suas características e colocou o artigo ao lado da primeira menina desaparecida. Kari Tanner tinha acabado de completar dezesseis anos quando ela desapareceu três dias antes. Ela disse à mãe que estava indo para a loja e nunca mais voltou para casa. E era como se a polícia não tivesse pistas. Nada de novo, metade da força de polícia estava se dirigindo para lugares de fácil patrulhamento porque eram muito covardes para ficar e lidar com a realidade. Trinity fechou o documento, em seguida, verificou seu e-mail. Nele tinha um monte de piadas, como de costume, tudo vindo de Jonah. Duas afirmações de que suas contas venceriam em uma semana. Ela começaria a pagá-las amanhã. Três mensagens dos clientes e outra de um cliente potencial. Ela conferiu o primeiro potencial, leu sobre suas necessidades, em seguida, enviou-lhe uma resposta. Olhado como se chegasse outro trabalho em breve. Ótimo. Quanto mais, melhor; eles ajudaram a pagar as contas. Ela respondeu a outros clientes, então desligou seu computador. — Não me deixe! Eu estava gostando do seu toque. Rindo, Trinity bateu o botão de energia e desligar o computador. Jonah era um palhaço cômico. *** Seusguerreiros estavam ficando inquietos e ansiosos para sair e encontrar outro sacrifício. Desde que eles descobriram sobre a volta do rei, tinham ficado demasiadamente impacientes. Coube a Chaos mantê-los na 7 linha. Ele estava no comando de seu próprio exército pequeno de vampiros, súditos leais que olharam para ele para obter orientação e apoio. Alguns tinham estado com ele há décadas, alguns tão recentemente como o dia anterior. Mas ele sabia como controlar os seus soldados e impor obediência. Chaos não admitia desconfiança e decepção. Ele sabia o que seus súditos precisavam e dava a eles o que queriam. Desde que lhe obedecessem. Eles vieram como instruiu, para o grande salão da igreja onde se reuniam para cada reunião. Era a armadilha perfeita. Ninguém pensaria que uma igreja poderia abrigar uma raça de vampiros tão antiga quanto o tempo. E aqueles fiéis que entraram e olhavam para a orientação do Senhor eram mandados embora ou eram vítimas de uma mordida rápida. Foi assim que sua raça foi crescendo mais rápido a cada dia e seus inimigos diminuindo. Ele viu a multidão de vampiros confusa, conversando uns com os outros, é mais provável sobre o próximo levante. Foi um momento emocionante para um vampiro e ele entendeu a empolgação de todos. Mas era hora de sossegar. Chaos se levantou, seu quadro grande pairando sobre a multidão. Ele tinha orgulho de seu tamanho. Bem mais de seus dois metros de altura, pesando centro e treze quilos, bem pesado. Com seus ombros largos parecia ainda mais ameaçador com a capa de couro preto que ele usava habitualmente. Ele gostava dos seus olhos. Ele também gostava de afastar o cabelo de seu rosto para mostrar a força de suas feições e queixo. A única parte de seu rosto que ele não gostava era o amarelo dos olhos. Embora tivesse sido bem acolhido na família pelo rei Avadur, anos mais tarde do que ele podia se lembrar, ele não tinha os olhos azuis translúcidos ou as habilidades de seu criador. Houve apenas um sobrevivente descendente do rei e era inimigo do Chaos. Basil Hawthorn, o sobrenome era ridículo. Ele havia pegado a partir de um servente insignificante que o ajudou a fugir do domínio de Avadur. Basil era o herdeiro do rei, apenas no sangue, mas não merecedor do mesmo. Desde o exílio de Avadur, dez anos antes, Basil não tinha feito nada para impedir sua ruína. Tudo que ele tinha eram alguns vagabundos que se agarraram a ele simplesmente porque era agora o rei. Mas ele não fez nada para merecer isso. A raça humana ultrapassara os vampiros e Basil não fez nada para impedir. Foi aí que entrou Chaos. Quando ele abriu a boca para falar no microfone, seus dentes afiados deslizaram sobre o lábio inferior. Ele não falou, mas simplesmente fechou os lábios em torno de seu dedo indicador e o polegar e de um assovio que interrompeu a conversa. Todos os olhos se voltaram para ele, e o silêncio encheu a sala. — Obrigado a todos por terem vindo. Eu entendo que vocês estão animados e agitados, mas o tempo vai passar rápido o suficiente e logo 8 nossa hora vai chegar. Até então, vocês precisam ser pacientes. Nós não vamos recolher outro sacrifício por mais dois dias. Todos gemeram na sala por não fazê-lo. — Até então, eu arranjei uma pequena surpresa. — Ele acenou com a mão e quatro outros vampiros vestidos com túnicas pretas entraram na sala, cada um com um homem amarrado e amordaçado em suas garras. Dois homens e duas mulheres. — Liberte os doces da festa, — Chaos ordenou, com um sorriso nos lábios. Os homens vestidos liberam suas vítimas, em seguida, Chaos observou o espetáculo. O nível de ruído era horrendo, os vampiros correram para os brinquedos que tinham sido dados. Os gritos dos humanos mal podiam ser ouvidos ao longo da corrida. Chaos voltou e viu como os seus guerreiros, tomavam suas vítimas. Eles brincaram com cada pessoa, suas formas nuas eram tateadas, examinadas e agarradas. As bocas ainda não estavam prontas para sugar o sangue, então mordiscou a carne madura e pronta. Ele sorriu quando um grupo de vampiros levantou uma loira no ar enquanto outro devorava uma mulher madura entre as pernas. As roupas voaram pelo ar quando seu povo tirou. Sentou-se e deixou a calma o dominar. Ele gostava de ver o seu povo no trabalho, adorava a maneira como eles levavam o que queriam de uma raça que se recusava a acreditar ou aceitar a sua espécie. Para a maioria, o estupro era horrível, inaceitável. Para Chaos era uma alegria. Ele gostava de ver, gostava de participar. E ele adorou quando suas formas de vida foram tomadas em uma mordida rápida. A raça humana era tão deliciosa em todos os sentidos e ele tinha muitos brinquedos. Até o final do mês, ele teria muito mais. *** O sol já havia se posto a mais de três horas, mas tudo estava relativamente calmo. Onde estava todo mundo? Ou melhor, ainda onde estavam os vampiros? Normalmente, em sua patrulha, Trinity deparava com vários, que rondavam a região na tentativa de capturar a presa. Hoje à noite, foi estranhamente calma. Alguma coisa estava acontecendo. Por séculos, os vampiros haviam tomando suas vítimas como companheiras, ou como escravos de sexo ou de sangue, ou simplesmente para devorá-los e nutrirem-se. Embora ela fosse uma vampira de puro- sangue, Trinity optou por não seguir os passos de sua raça. Ela comprava seu sangue de um amigo em um açougue e era assim que gostava. 9 Claro, faltava sabor, um sabor que ela vinha desejando durante os últimos sete anos, mas o sangue que tinha sido sua salvação, não estava disponível para ela agora. E jamais estaria novamente. Basil tinha sido a sua fonte de sangue, seu amante, seu tudo. Até o desgraçado acabar com ela. Era melhor não pensar nisso novamente. Toda vez que ela pensava em Basil e em sua traição, seu coração ameaçava explodir. Ela remexeu os ombros novamente. Essa coceira maldita irritando-a. Sacudindo-se, Trinity continuou andando pelas ruas escuras. A seção de indigentes da cidade era a fonte primária de alimentação para os vampiros, mas nesta noite, tudo estava quieto. Ela não gostou. Claro, era ótimo que os seres humanos estivessem seguros, que não fossem perseguidos. Mas algo estava errado. Por que aquele maldito silêncio? Normalmente Chaos mandava seus homens patrulhar, mas nesta noite, não havia uma única alma. Trinity supostamente deveria estar agradecida porque se os homens de Chaos não estavam na área, isso não significava que Basil estava sumido. A última coisa que ela precisava era ir atrás de um sacana traidor, que tinha a infelicidade de ainda estar apaixonada. Ela trabalhou ao lado de Basil, uma vez, tentando manter Chaos, seu inimigo, afastado da raça humana. E agora que estava sozinha, ela continuou a perseguição. Cruzando as ruas a pé, Trinity viu como uma prostituta chegava até um carro, com suas longas pernas vestidas em longas meias vermelhas, a saia escura que usava mal cobrindo a bunda. Trinity moveu apenas um pouco mais perto, tentando pegar o cheiro da pessoa no carro, desconfiada de que ele pudesse ser um vampiro à espreita. Mas tudo o que ela cheirou era colônia barata, recuou e viu quando a mulher entrou no carro. Momentos depois, a cabeça da mulher desapareceu e o cheiro de excitação masculina encheu o ar. Alguém estava trabalhando. Por seus cálculos, não levou mais de dez minutos antes que a cabeça da morena aparecesse de volta. Ela saiu do carro, ajeitou a blusa e limpou a boca. O dinheiro que ela tinha acabado de receber, foi dobrado entre seu decote amplo. Em dez minutos aquelamulher provavelmente ganhou pelo menos cinquenta dólares. Não é ruim, se você conseguir lidar com o trabalho. Trinity gostava de sexo, claro, mas com certeza não estava a fim de dormir com um homem por dinheiro. Nem mesmo quando estava apertada com o dinheiro, jamais considerou uma opção tão baixa. Algumas coisas eram sagradas e seu corpo era um deles. Embora ela tivesse feito amor antes de completar vinte anos, ela tinha um corpo que a maioria das mulheres mataria para conseguir. Seus seios eram grandes, sua cintura era fina e ancas bem torneadas. Graças aos treinos e 10 exercícios pesados conseguiu um corpo fabuloso. Quando tinha vida sexual ativa, ela se orgulhava da sua resistência sexual. E mais uma vez seus pensamentos se voltaram para Basil. Será que ela nunca iria tirá-lo da sua mente, fora de seu sistema? Ela esperava que sim. Embora só fizesse poucos dias desde que saiu com ele, ela esperava que o tempo curasse seu coração partido. Nesse meio tempo, ela precisava manter sua mente no trabalho. E o que mais precisava era de uma boa luta. Agora, onde estavam todos os vampiros maus? *** Ele saiu das sombras e viu quando ela atravessou as ruas escuras. Ela era uma beleza, os cabelos longos da cor de sangue vermelho, deslizando para lá e para cá ao longo do casaco de couro preto que usava habitualmente, tocando a ponta daquele bumbum lindo, aquelas calças jeans apertadas que a favorecia tão bem. Ela era alta, magra, e tinha um corpo de fazer qualquer homem chorar para tocá-lo. Ele tinha feito muito isso no tempo que ela tinha sido sua. Ela era uma mulher dotada de seios fartos e gostava de mostrá-los. Ele amava quando ela os exibia em camisas apertadas, mostrando toda sua exuberância. Sua cintura era fina, quadris curvilíneos, e ele lembrava como era abraçar aqueles quadris enquanto ela galopava sobre ele. Trinity, seu amor. Ela sempre seria sua, mesmo que pensasse de forma diferente. Basil lembrou com clareza, como se sentia envolto em seus braços, como ela o provava e como gemia seu nome em êxtase. E ele sabia que era culpa dele não ser capaz de tê-la agora. A dor no peito não tinha silenciado nem um momento desde que ela saiu de sua vida e ele duvidava que jamais o fizesse. Ele amava Trinity agora, e desde o primeiro momento que a viu. Completamente. Mas teve que fazer isso, teve que fazê-la odiá-lo e tinha que fazê-la deixá- lo. Para sua própria segurança. Mesmo que ela não soubesse. Ela andava com graça. Não a de uma modelo de passarela, mas de uma mulher confiante de saber o que deseja e como conseguir. Ele ficou admirado ao pensar como ela conseguia entrar naquele jeans apertado que adorava usar. Ele se sentia agraciado por ter tido o prazer de tocar naquela bunda redonda e deliciosa, ele quase podia sentir cada parte íntima do corpo dela através do jeans. E sabia que ela não usava nada por debaixo daquele jeans. Ele havia sido um tolo e tinha perdido seu amor, mas isso não quer dizer que tinha qualquer intenção de ficar longe dela. Ele tinha que ter certeza que ela estava segura. 11 Basil viu Trinity atravessar a rua. Ele reconheceu sua inquietação em passos curtos rápidos quando ela parou. Ela estava frustrada e ele adivinhou que tinha algo a ver com a falta de vampiros hoje à noite. Basil tinha uma vaga ideia do por que estava tudo tão quieto e ele não gostou nem um pouco. Manteve sua distância, enquanto seguia Trinity. Ninguém iria machucá-la, enquanto ele estivesse vivo. 12 Capítulo Dois A primeira coisa que Dante Vega pensou quando entrou naquela casa exuberante foi, "uau!" Ele não nasceu em uma família rica, mas sempre quis isso. Ele não tinha sido abençoado com essa sorte, em vez disso, teve que lutar para conseguir tudo o que queria na vida. As pessoas que viveram nessa linda e sem dúvida muito cara casa, não deviam ter muitas preocupações. De repente, sentiu o seu valor quando foi levado para a sala de estar que era decorada para um príncipe morar. Ele usava um macacão desbotado, seus tênis estavam desgastados, e o cinza pálido da camiseta esticada sobre o peito musculoso ostentava que ele era uma máquina de sexo. Sua irmã sempre o irritou para que ele se vestisse melhor. Mas descobriu que sua boa aparência por si só, podia levá-lo longe. Ainda assim, ele passou a mão pelos seus cabelos negros tentando ajeitá-los, na esperança de se sentir menos estranho, em uma casa tão opulenta. — Aguarde a Senhora e Sr. Holloway por um instante, senhor Vega. Por favor, fique à vontade, — falou o mordomo secamente e saiu da sala. Confortável, ele não estava, mas ele sentou na cadeira alta, coberta de linho antigo. — Aguarde a Senhora e Sr. Holloway por um instante... — ele imitou a voz do arrogante mordomo. — Sinta-se confortável. Mas que merda. — Ele bufou e balançou a cabeça. Aquele maldito mordomo ganhava mais dinheiro em um ano do que ele. — Sr. Vega? — O único, eu mesmo. — Ele ficou em pé enquanto uma mulher elegante entrava na sala, com um homem alto, magro de cabelos castanhos ao seu lado. Olhe só para o Senhor e a Senhora Podre de rico, pensou. — Senhor e a Sra. Holloway. — Ele estendeu a mão esquerda em um gesto amigável. — Obrigado por ter vindo. Ficamos muito felizes em encontrar alguém disponível em um prazo tão curto. Ah, ele estava mais do que disponível. Na verdade ele estava numa fase seca, quando apareceu esse trabalho lucrativo. — Você tem sorte, por ter me conseguido. Eu acabei de sair de um caso complicado e estava pensando em tirar umas férias por alguns dias. — Ele mentiu suavemente. Que tipo de empresário ele seria se disse a seus clientes que estava desesperado? — Embora eu tenha certeza que você estava pensando numa folga, o que estamos dispostos a pagar vai compensar isso. Holloway assentiu enquanto se sentou no sofá ao lado de sua esposa. — Você recebeu o nosso fax? 13 — Sim, recebi. — A quantia que estavam dispostos a pagá-lo para encontrar sua filha desaparecida era o dobro do que ele normalmente cobrava e com isso poderia se dedicar mais tempo para resolver o caso. — É muito exaustivo, mas eu gosto de observar o aspecto pessoal também. É mais fácil ter uma ideia de quem eu estou procurando quando eu vejo onde eles vivem, como vivem, e o que eles amam. — Claro. — Holloway apertou a mão da esposa. — O que podemos fazer por você? — Algumas fotos dela seriam ótimas. Números de seus amigos, seus colegas, professores, outra pessoa que conhecia. Se ela tem um diário, eu gostaria de dar uma olhada nele. Ela poderia ter revelado alguma coisa lá dentro que poderia me levar a seu sequestrador. — Explicou Dante, quando a esposa abriu a boca para protestar. Ele sabia que era um item pessoal, mas se ele ajudaria a encontrar sua filha, então porque não concordar? — Não é um problema. — Holloway se virou para a esposa. — Anna, você pegaria para o Sr. Vega, por favor. Ela assentiu com a cabeça, puxando a mão de seu marido, em seguida, deixou a sala em silêncio. — Ela está devastada, — disse Holloway, chamando a atenção de Dante. — Olivia é a nossa única filha. Ela nunca nos deu nenhum tipo de problemas. Até agora, pensou Dante e tirou o bloco de notas do bolso da calça. — Eu não posso imaginar o que vocês estão passando, mas prometo que farei tudo ao meu alcance para encontrar sua filha. — Eu sei que você não é o investigador mais recomendado. Eu fiz a minha investigação, Sr. Vega, — disse Holloway. Dante estreitou os olhos um pouco. — Você está lutando e se controlando agora mesmo, e, francamente, eu gosto disso. Seique você precisa do dinheiro e fará todo o possível para encontrar minha filha. A partir de agora, este caso é a sua prioridade e eu vou facilitar a vida para você. Esta era uma das razões pelas quais ele odiava os ricos. Eles pensavam que poderiam intimidar as pessoas com dinheiro. Mas de fato, ele precisava do dinheiro, assim teria de suportar um pouco aquele tom de ameaça. Ele se levantou quando a Sra. Holloway entrou na sala, carregando uma pequena caixa floral. — Eu coloquei algumas fotos dela, aqui está seu diário e uma lista de nomes das pessoas das quais ela está familiarizada. — Ela segurou a caixa e a estendeu para Dante. — Eu espero que isso ajude. Ele pegou a caixa dela, a mão dela era fina, e ele não estava nem um pouco surpreso com a sua elegância. — Qualquer coisa que a Sra. me fornecer será de grande ajuda. Seria ótimo se eu pudesse ver o quarto dela. — Sim, claro. Vou chamar Frederico para lhe mostrar o caminho. Ela correu para fora da sala, e seus olhos brilhavam. 14 — Como eu disse, ela está arrasada. Traga nossa filha para casa Sr. Vega. — Disse Holloway. — E vamos fazer valer à pena. O que aquele cara estava pensando? Que a promessa de uma porrada de dinheiro lhe daria uma razão maior para olhar com mais atenção o caso da sua filha? Foda-se, as pessoas eram tão nojentas. Dinheiro não significa porra nenhuma quando a vida estava em risco. Ele investigaria um caso sendo a pessoa rica ou extremamente pobre. A vida não foi feita de dinheiro, a vida é sagrada. Toda vida é sagrada. Escoltado pelo mordomo para o segundo andar, Dante entrou no quarto da menina e sua testa enrugou. Obviamente Olivia gostava de rosa e renda. A maioria do quarto estava decorado nessa cor. As paredes eram de um rosa com estampas florais, as cortinas de seda fúcsia profunda. A cama de dossel era enorme e envolto em seda branca e laço. Havia suficiente rosa nas almofadas na cama para fornecer uma dúzia de camas com rosa. Tudo parecia elegante e rico. E quando ele entrou no quarto, seu tênis velho afundou no macio tapete branco de pelúcia. — Merda, — foi tudo o que ele disse quando entrou no quarto. Olivia definitivamente não devia gostar daquele quarto. Ele foi para perto da cama, resistindo à vontade de se sentar na cama, para descobrir se ela era tão macia e suave quanto aparentava ser. Abrindo a mesa de cabeceira ao lado da cama, ele encontrou um livro de bolso. Ele o pegou e folheou. Ela estava no capítulo quinze, e ele não se preocupou em lê-lo para ver qual era seu gosto. Ele colocou o livro na gaveta e caminhou até a penteadeira. Ele viu seu reflexo no espelho e franziu o cenho. Talvez precisasse se vestir um pouco melhor. Ele alisou seus cabelos escuros e sorriu. Roupas melhores aumentariam a sua boa aparência. Era algo a pensar. Ele voltou ao seu trabalho e examinou o conteúdo do guarda-roupa de Olivia. Maquiagem, escovas, cremes e produtos de limpeza, nada fora do comum aqui. Abriu a primeira gaveta e suspirou. Ela gostava de roupas, e ele acreditava que ela só usava o melhor. Seu guarda-roupa provavelmente custou mais do que ele ganhava em um ano. Ele fechou a gavetas e foi até o armário. Mais roupas e uma porrada de sapatos. — Jesus, porque as garotas gostam tanto de sapato? — Ele fechou a porta e caminhou até a cabeceira. Ele encontrou-o vazio e assumiu esse era o lugar onde seu diário tinha estado. Ela gostava de música pop e tinha uma grande variedade de álbuns na sua coleção. Ela era uma garota muito feminina, foi a impressão que teve. E com o relatório detalhado que teve dos pais, uma criança boa e muito leal. Então, como você se perdeu? *** Era pouco depois das três da tarde quando Trinity saiu do chuveiro. Ela saiu do banheiro de seu quarto, completamente nua, não se preocupando com as janelas abertas. A luz do sol não a incomodava porque cada janela 15 da loja e do apartamento foi substituída por janelas que refletiam a luz solar quando ela disse a Jonah sobre ser um vampiro. O sol ainda brilhava através das janelas, mas não com força letal. Se ela pudesse evitar queimaduras de terceiro grau, ela certamente evitaria. Sua pele estava ligeiramente enrugada e muito rosa por causa do vapor do chuveiro. Seu cabelo estava úmido, colocou-os para trás enquanto se dirigia para seu armário. Ela escolheu um jeans preto, camisa sem mangas. Escolheu o sutiã de renda preta de sua gaveta, ela ajeitou os seios úmidos, para fechar o fecho do sutiã. Ela os ajeitou para ficar confortáveis. Escorregando sua pele no jeans apertado, ela saltou para cima e para baixo, desenhando-os sobre o seu bumbum. Eles eram uma chatice para entrar, mas caia como uma luva nela. Vestiu a camisa. O sutiã de renda preto deu uma pitada tentadora na abertura de sua camisa que se estendia entre os seios. Puxou o cabelo para trás, ela amarrou num elástico em torno dele na parte de trás da cabeça dela. Ela raramente deixava seus cabelos soltos sempre os amarravam num rabo de cavalo. Diminuindo a chance de eles ficarem presos em alguma coisa e não era tão fácil alguém agarrá-los em uma luta. Ela decidiu não usar as lentes de contato. Hoje ela faria a maior parte do trabalho em casa, portanto não precisaria esconder seus olhos azuis esverdeados translúcidos. Outra característica que tinha herdado de Basil. Ela disse a si mesma para parar de pensar nele e salpicou umas gotas de perfume. Pegando os CDs de seu escritório, ela saiu pela porta e desceu a escada que levava ao lado dos escritórios de Jonah. Ela podia ouvir a sua música heavy metal familiar tocando levemente no fundo enquanto ela utilizava a chave. Quando o bip ficou verde e apitou para que ela pudesse entrar, puxou a porta e dirigiu-se na direção do som. A música era alta o suficiente para que ele muito provavelmente não a ouvisse entrar, se deslocou furtivamente. Ela gostava de assustá-lo em qualquer chance que tivesse. Seu dia não estava completo até ela fazê-lo. Revelando suas presas incisivas, ela se moveu para perto dele em silêncio enquanto ele trabalhava em seu escritório, onde brincava com o computador. Ela avançou, pronta para saltar sobre ele, mas Jonah levantou o braço e jogou água gelada no rosto de Trinity. — Um pouco menos de perfume e você poderia ter acabado comigo. Virando, ele soltou uma gargalhada. A água escorria do rosto de Trinity. — Filho da puta. — Ela passou a mão em seu rosto, irritada por não ter conseguido assustá-lo. — Essa é a maneira de falar com o homem que provem seu dinheiro? Ela não se preocupou em recolher seus dentes. — Nem venha com essa, seu idiota. Você sabe que seu computador poderia ter fritado com uma piada boba e imatura dessa. — Ela bateu os CDs que tinha em sua mão esquerda contra o peito. 16 — Não os coloque na discussão. Ele pegou os CDs e colocou-os em sua mesa. — Nah, esses bebês estão fritos, tão mortos que vou enterrá-los. Bateu na carcaça do computador. — Como os CDs estão selados em uma pasta, um pouco de água não irá matá-los. Diga por favor. Ele sorriu, oh, tão encantador, seu sorriso salientava as covinhas do seu rosto de forma ainda mais profunda. Ele tinha um tipo de rosto suave e elegante, que poderia facilmente abalar você e fazer seu coração amolecer. Ainda bem que ela era imune, em sua maior parte, os seus encantos. Ela mostrou seus dentes e disparou. — Em seus sonhos, amigo. — Ah, se você soubesse com o que eu sonho. Ele piscou para ela na forma como sempre fazia, depois voltou para a mesa. Era um pecado para um homem ter tais cílios longos e olhos grandes e sexy. Ele abriu a gaveta e tirou um envelope branco. — No final das contas me chame de Deus. — Eu vou chamá-lo de morto em um minuto se você nãoparar com isso. Ela arrancou o envelope das mãos e abriu-a. — Legal. — Sempre é. De repente a porta do escritório se abriu e ele olhou e sorriu. — Ei, linda. Como sempre, o rosto de Jonah, iluminou-se quando viu a esposa. Trinity invejava sua paixão um pelo outro. Isso a lembrava do amor que ela ainda sentia pelo homem que tinha quebrado o seu coração. Basil tinha olhado para ela daquele jeito, uma vez também. — Você me pôs na horizontal ontem à noite, até parar de me chupar. Ariel inclinou e beijou Jonah nos lábios antes de voltar sua atenção para Trinity. — Ei Trin, como vai? — O que eu disse sobre parar de falar sobre sua vida sexual na minha frente? Ugh! — Trinity estremeceu. — As coisas estão na mesma. E você? Ariel era uma mulher imponente com uma estrutura grande. Mas, curiosamente, o rosto dela, apesar de um pouco rude, tinha uma qualidade suave para ela que fazia sentir confortável ao redor dela. — Eu fui para cama, disse o suficiente. — Jesus. — Tremendo novamente, Trinity enfiou o envelope em seu bolso traseiro. Ela não tinha vontade de ouvir sobre a vida sexual dos outros. Havia apenas algumas coisas que Trinity acredita que não se deve compartilhar. — Os códigos e tudo mais da empresa Manchester está nos CDs. Se tiver qualquer problema... — Eu ligo para você. Ei, onde você vai? — Jonah perguntou quando ela se dirigiu para a porta. 17 — Para meu escritório. Tenho coisas novas para checar. Até mais tarde, Ariel. — Até mais, Trin. Com o cheque na mão, Trinity voltou para seu escritório. Ela tinha poucas horas de trabalho antes do pôr do sol. *** Trinity ficou nas sombras e observava quando um grupo de humanos sair de um local chamado Bar do Buckeye. A maioria das pessoas que saíam desse bar geralmente ia pela porta de trás e se dirigiam a um beco escuro. Em seguida, creu! Viravam comida de vampiro. As pessoas eram tão estúpidas. Porque achavam que tinham suas faculdades mentais em ordem quando se rendiam ao álcool? O cérebro ficava lento após vários drinks, assim, prejudicado o seu processo de pensamento. Então, é claro, bêbado idiota tropeçou no chão e se machucou. Quando eles aprenderiam? Considerando-se as últimas semanas, parecia que os vampiros estavam em pleno vigor. Ok, então as pessoas não querem acreditar que realmente existe sugadores de sangues, criaturas da noite, que residem na cidade. Basta olhar os jornais e ver a quantidade de corpos mortos sendo encontrado recentemente. Ainda assim, as pessoas nunca acreditaram que poderia acontecer a eles. Até que elas acabavam mortas. Ela viu um grupo de meninas, se elas eram maiores de idade ela mudaria de nome. As meninas tropeçaram perto do bar. Elas se separaram e duas saíram para a rua enquanto a última vagava bêbada para o beco escuro. Ah, sim, como isto ia acabar bem. — Cinco, quatro, três, dois, um. Bam! Ela colocou sua mão para fora, enquanto um vampiro saltava das sombras e parava a direita ao lado da garota estúpida. Balançando a cabeça, Trinity caminhou enquanto a menina gritava. Idiota. — Eu não acho que você queira fazer isso. O vampiro, alto e desengonçado, de cabelos castanhos se virou para Trinity. Seus dentes estavam prontos para a matança, seus olhos amarelos brilhavam, como se Trinity fosse sua próxima refeição. A pobre moça em seus braços chorava terrivelmente. Agora ela devia estar arrependida por caminhar em um beco escuro. — Mesmo? Trinity levantou uma sobrancelha, inclinou seu corpo para um lado e descansou a mão no quadril. — Ai, Jesus, você poderia ter dito algo mais empolgante? Deixe a menina ir embora e ninguém vai se machucar. — Bom, então isso não era 18 completamente verdade. Ele estaria mais do que machucado quando ela tivesse acabado. Ele seria pó. — Que tal se eu mantê-la e você ficar esperando contra a parede até eu terminar com ela? — Ele empurrou a menina para ele, puxando a cabeça para trás para expor seu pescoço. Ele estava prestes a morder quando Trinity colocou a mão em seu ombro. Ele olhou para cima e seu rosto congelou. — Bem eu não concordo. — Trinity mostrou os dentes afiados, seus dentes mostravam que ela não ia desistir. — Cai fora, criança. Ela segurou a mão no ombro de vampiros, suas unhas entraram na carne dele, enquanto ela virava a cabeça para a garota. Como ela tinha suspeitado, o cara era um covarde. Ele soltou a menina, que imediatamente saiu correndo gritando. — Agora, você vai cair fora, ou eu vou fazer uma bagunça no seu bonito rosto? — Perguntou sarcasticamente enquanto ela olhava para ele. — Você não pode lidar comigo, sua puta. — Ele bateu a mão livre, em seguida, fechou seus dedos num punho, deu um soco em seu rosto. Ela estava pronta e se abaixou desviando o golpe. Posicionando suas mãos para cima, socou o pescoço dele, cortando-o, fazendo-o desmoronar no chão. — Você não quer se meter comigo, idiota. — Ela o aconselhou até que pós um pé naquela jugular. As lâminas que estavam ligadas nas botas do pé tiram uma pequena quantidade de sangue cinzento, desoxigenado enquanto ela apertava com os pés um pouco abaixo do queixo. — Vá em frente ele é poeira, ele é inútil. Trinity olhou por cima do ombro do homem que tinha sido destinada e sentiu seu coração doer. Ela não podia deixar de admirar a beleza do homem diante dela. Seus longos cabelos escuros flutuando na brisa leve varrendo a partir de um rosto esculpido de ossos finos e pele delicada. Ele parecia tão sombrio e perigoso naquele longo e preto casaco de couro que usava sempre. Um olhar em seus olhos azuis translúcidos virou o seu coração para o sentimentalismo. Então, lembrou o quanto o detestava. Para mostrar que ela não era uma frouxa, Trinity pressionou seu pé mais forte, as lâminas cortaram o pescoço do vampiro. Os braços do vampiro batiam, tentando puxar seu pé para longe de seu pescoço. Suas pernas chutavam violentamente, mas Trinity era mais pesada uns quatro quilos a mais que o vampiro magro. Inclinando seu dedo do pé para baixo, ela cortou profundamente seu pescoço, finalmente cortou sua cabeça fora. Rapidamente ele se desintegrou em uma pilha de pó, seus últimos suspiros costumavam gritar o seu caminho até a morte. Ela respirou fundo, balançou os restos de uma vida inútil impresso na sua bota, em seguida, virou. — Basil. 19 — Trinity. — Eles se fitavam como os predadores que eram, não conseguiam tirar os olhos um do outro. — Você parece bem. Sua respiração ficou entalada na sua garganta, quando ela olhou para aqueles olhos azuis gelados dele. Ao contrário do resto de sua raça que tinha os olhos amarelos, ele tinha a cor de sua herança. Ele era real. — Então estou, mas você já sabe disso. — Ela o circulou, seus olhos nunca deixando o seu. Ela sabia o quão rápido ele poderia ser e estava preparada. — Ele era um dos seus? — Eu estaria sendo gentil se você tivesse feito poeira de um dos meus homens? — Sua mão deslizou para o seu bolso e puxou o maço de cigarros do bolso. — Como você está? — Perguntou Basil. Ela revirou os ombros, a coceira continuava irritando-a. — Melhor agora que eu o deixei. E não era estranho como uma mentira poderia ter um sabor acre, pensou Trinity. — Eu percebi que você recolheu seus pertences da nossa casa — Sua casa, — corrigiu ela, mantendo distância dele. Ela sabia muito bem que estar perto dele teria repercussões desastrosas. — Você já se estabeleceu em seu apartamento, então? Ele estava sendo tão bom, tão civilizado. Ela não gostou. — Porque você está aqui, Basil? — Eu poderia perguntar o mesmo de você, Trinity. — Ele acendeu o cigarro de forma harmoniosa e a chama mostrou seu rosto devastadoramentebonito, suas curvas, seu formato e sua força. — Eu estou protegendo os seres humanos, — ela comentou com uma ponta em sua voz. — Sempre uma guerreira, minha princesa do fogo. — Ele sorriu docemente enquanto inalava a fumaça do seu cigarro, em seguida, inteligentemente soprou um anel de círculos no ar. Tudo sem tirar os olhos dela. — Não me chame assim. — Odiava quando ele a chamava assim. Ok, uma vez há muito tempo, quando ele a chamou assim deixava-a excitada. Mas isso foi antes. Agora era outra coisa. — Para mim você sempre será assim. — Sim, eu era um tesouro, é por isso que decidiu trepar com outra mulher. Deixe-me sozinha, Basil. Em uma mudança rápida, que surpreendeu, ele estava na frente dela, com a mão presa em seu queixo quando ele inclinou o rosto para o seu. — Apesar da minha indiscrição, eu sempre vou amá-la. — Largou o cigarro na terra deixando sob sua bota. Ela o empurrou e rosnou: — Você tem um jeito engraçado de demonstrar isso. Agarrando-lhe o queixo novamente, desta vez ele segurou um pouco mais apertado. 20 — O amor tem muitas faces, minha querida. — Selou suas palavras com um forte beijo, os dentes raspando diretamente nos lábios inferiores então ele desapareceu na noite. Amaldiçoando, Trinity cuspiu no chão, querendo eliminar o sabor de sua língua. Bastardo, ele pensava que poderia voltar e agir como se nada tivesse acontecido. Foda-se! Ela ainda se lembrava muito claramente quando andava e se deparou com uma mulher rastejando sobre seu corpo nu. Libertando-se dele, Trinity foi embora. A última coisa que precisava era a memória de Basil beijando-a ou a sensação de seu toque em sua pele. O que precisava era de uma morte cruel. Se ela pudesse encontrar uma. *** Reaparecendo logo que possível, enquanto ela estava longe o suficiente para não perceber ele levou uma mão no peito enquanto o outro tocava os lábios. Ele não apenas sentiu-a, provou-a, mas ela era tão parte dele como o sangue que bombeava em suas veias. Ela era agora, como seria sempre, a única mulher que amaria para sempre. E se soubesse o motivo real, poderia ser estúpida o suficiente para voltar para ele. Por mais que quisesse que isso acontecesse, nunca poderia ser. A parte mais difícil de amar alguém... Era libertá-los. Ele afastou-se da mulher que amava e foi embora para a noite. Seu destino era viver sem esse amor. 21 Capítulo Três — Você sabe, Dante, se eu não fosse sua irmã, eu não iria mexer nessa merda. Sorrindo docemente, Dante se inclinou e beijou os cabelos escuros da sua irmã. — Você sabe que me ama. Ela bufou. — Claro, tenho que amar você. Se eu não fizer isso, ninguém vai fazer. O que você estava fazendo, afinal? Você está fedendo, mano. — Ela abanou com a mão na frente do rosto. — Eu estava finalizando um processo que envolvia estrume. Sem mais comentários. Vou tomar uma ducha enquanto você começar a trabalhar nesses arquivos. — Você tem que estar brincando comigo. — Ela bateu a mão na enorme pilha na mesa. — Deve haver pelo menos uma centena de arquivos aqui. — Cento e seis, para ser exato. E eles precisam ser colocados no computador e no disquete. Com o susto da semana passada, o fogo, eu percebi que seria melhor tomar cuidado com esses bebês. — Eu digo há anos para você atualizar suas coisas para o século XXI. Mas você escolhe agora para fazê-lo. — Sacudindo a cabeça novamente, Lexi abriu o primeiro arquivo. — Oh Meu Deus, eu devo ler essa pilha de documento? — Seja paciente. Eu estou indo para cima tomar uma ducha. Se alguém ligar... — Eu vou informá-los que o matei. Agora vá embora antes que seu fedor queime meus olhos e eu não possa fazer o seu trabalho. Merda, isso vai levar uma eternidade. — Enquanto ela resmungava e ajeitava o computador, Dante sorriu e dirigiu-se para seu apartamento. Ele não sabia o que faria sem a sua irmã. Todos eles foram tão próximos uma vez, antes que seu irmão gêmeo Danny fosse sequestrado. Desde esse episódio com seu irmão gêmeo Danny tanto ele como sua irmã se sentiam perdidos, desolados, e seus pais ficaram terrivelmente deprimidos. Depois disso, Dante ainda se sentia como se uma parte dele houvesse morrido, quando seu irmão foi tomado dele. Eles eram idênticos, em todos os sentidos, sem o seu irmão, ele só se sentia como um ser pela metade. Tinha sido difícil perder uma parte de si mesmo, ainda mais difícil de ter visto o monstro atacar seu irmão e levá-lo embora. Ninguém acreditou nele, quando disse, que um homem com dentes e olhos amarelos atacou Danny e o sequestrou, mas Dante sabia a verdade. Eles nunca encontraram o corpo de seu irmão, e foi duro, para a família e todos que conheciam Danny, aceitar a situação, principalmente ele. Então ele passou a vida procurando, investigando as criaturas que se escondiam no escuro na esperança de encontrar a pessoa que significava mais para ele do que a própria vida. 22 Puxou a camisa sobre a cabeça, ele a jogou nas proximidades do cesto, quando se dirigia para suas gavetas para achar uma camisa limpa, calças, cuecas e meias. A fotografia que estava brilhantemente na cômoda fez seu coração doer. Ela havia sido tirada em o seu décimo terceiro aniversário. Eles estavam felizes, então. Uma semana depois, sua vida tinha acabado. Ele levantou a imagem e deu a seu irmão um beijo. Colocou-a de volta na cômoda, Dante foi para o chuveiro. Quando encontrasse o bastardo que tinha levado seu irmão, o cara seria poeira ao vento. *** Ela sentiu mãos acariciando sua pele nua. Essas mãos sempre sabiam exatamente onde tocar para fazê-la tremer. Elas alisaram seus seios com a suavidade de um toque de pluma. Seus lábios brincavam com suaves sussurros das promessas. Ela queria desesperadamente se dar toda a ele. Seu coração doía por ele, seu corpo pedia por aquilo que só ele poderia dar para ela. E quando abriu os olhos e olhou para o azul suave dele, ela percebeu chocada o que estava prestes a fazer. Ainda atordoada, sentou-se, ofegante, apertou a mão no peito enquanto seu corpo vibrava de necessidade. Ver Basil durante suas patrulhas contra os vampiros, já era ruim, mas vê-lo em seu sono, quando ela estava indefesa, era pior. Ele veio em seu sono e fez coisas nela que haviam deixado seu corpo dolorido em certos lugares que não deveriam doer. E que Deus a ajudasse, ela queria mais. Bem, agora ela estava acordada e não mais indefesa. E o desgraçado ia pagar. Fechando a porta de seu carro, ela marchou pelas escadas na frente da grande casa de Basil. Ela não se importava se era bem-vinda ou não e todos que estivessem em seu caminho ia lamentar muito. Estava com sua estaca de metal, que tinha encontrado logo depois de sair da casa de Basil, sua estaca estava sempre em seu cinto pronta para ser utilizada. Enquanto ela martelava seu punho na porta de Basil, estava preparada para usá-la. Houve ocasiões em que pensava em usá-la em Basil para acabar com ele, mas sabia o inferno que causaria, se matasse o rei de sua raça. Mas, a mantinha em todos os momentos a partir de então, mas imaginou mais de uma vez como se sentiria arremessá-la no frio Basil, traindo seu coração. E, ao mesmo tempo, ela sentiu-se mal com o pensamento. Quando Cooper, seu fiel mordomo abriu a porta, ela não esperou por um convite e passou por ele. — Onde ele está? — Você não tem direito de estar aqui, senhorita. — Eu gosto de você, Cooper, então eu estou avisando não se intrometa. — Ele era um homem alto, com cabelos penteados para trás cor negra com 23 algum tipo de gel e um rosto que poderia lembrar o de um animal selvagem. Ela não tinha idéia de quantos anos tinha, mas sabia que ele estava com Basil desdeo seu nascimento. O cara era atraente demais, para ter mais de cem anos. — Eu não posso fazer isso, senhorita. Você já entrou onde não tem o direito de estar. Eu devo lhe pedir para se retirar. — Então caminhou em sua direção. Sim, ela sabia que não deveria estar aqui, agora. Embora esta casa tivesse sido sua. Mas quando deixou Basil, abandonou o direito de entrada em sua casa. Ela não tinha intenção de ficar. Só entregaria uma mensagem, e depois iria embora alegremente. Ela ficou ereta, ficando mais alta. — Não me faça fazer isso, Coop. — Eu receio que não fará. Agora, se você... — Cai fora. — Ela puxou o braço para longe antes que ele pudesse agarrá-la. Ela gostava dele, sempre gostou, mas se tivesse que fazer poeira dele para chegar a Basil, ela faria. — Você pode ir, Cooper, — afirmou Basil de onde estava no topo da escadaria. Apenas seus olhos se moveram, e quando o fizeram, ela ficou sem ar. Maldito, por ser tão lindo. Ele estava lá como um rei, e com razão, ele era um. Então, ela sentiu sua mão palpitar e se lembrou por que estava lá. Ela subiu as escadas correndo e ficou frente a frente com ele. Investiu contra ele com a estaca só para vê-lo desmaterializar e aparecer vários metros atrás dela. Trinity tropeçou e quase caiu de cara no degrau mais alto, antes disso ele pegou o braço dela. — Cuidado, essas coisas podem matar. Ela não estava com humor para escutar suas piadas sarcásticas e enquanto endireitou, girou e atacou mais uma vez. Ela não tinha intenção de matá-lo, apenas machucá-lo tanto quanto ela estava machucada agora. Ele pegou sua mão, desta vez, dominando-a, em seguida, puxando-a mais perto, pressionando-a contra seu peito. As respirações dos dois se misturavam e, ambos se encaravam. — Seu cheiro é sempre tão agradável. Ela empurrou a mão livre, tentado acertá-lo. — Maldito, bastardo. Como você se atreve invadir meus sonhos? Como se atreve a me violar de tal maneira? — Você veio a mim de bom grado, minha princesa ardente, — afirmou ele calmamente, os seus olhos nunca saíram dela. — Pare de me chamar assim, — ela cuspiu de volta. — E eu não fiz nada disso, seu bastardo! Você invadiu meus sonhos, enquanto estava indefesa. — Eu senti você me chamando em meu sono. Então fui a você, — comentou preguiçosamente, correndo os dedos pelos cabelos. — Você sabe 24 tão bem quanto eu que quando me chama, acordada ou dormindo, eu sou obrigado a ir a seu encontro. — Eu nunca o chamei, mas se por alguma forma, inacreditável e absolutamente impossível, eu o chamasse, seria por desdém. Trinity fechou seus punhos tão rigidamente que chegou a doer. Ele olhou para ela com uma calma absoluta. — Uma chamada é uma chamada. Como vou distinguir o motivo? Você gemeu meu nome. — Ele se aproximou ainda mais, encarando-a ainda mais. — E estava me implorando para tocá-la. Ela apertou a mandíbula, sua raiva borbulhou como um vulcão dentro dela. — Não me toque novamente, Basil, ou vai se arrepender. — Ela girou, pronta para uma luta, então ele a agarrou pelo braço e a virou costas. Ela teve um momento para pensar em algo para dizer a ele antes que boca de Basil descesse duro e quente em cima dela. A próxima coisa que ela percebeu era que ele estava prendendo-a contra a parede, com uma mão agarrando sua cabeça enquanto a outra descia sobre seu corpo. Ela queria derreter, mas a fúria falou mais alto. — Você quer o que só eu posso dar. — Eu quero que você morra, — ela cuspiu em seu rosto, exprimindo sua raiva. Olhando para ela com aqueles olhos azuis gelados fazendo seu corpo estremecer, ele mostrou suas presas, em seguida, tomou sua boca num beijo que lhe disse apenas o que ele tinha em mente. E quando sua mão escorregou seu corpo estremeceu. Acordou antes que ele pudesse cumprir o seu desejo e agora o corpo dela estava a traindo por querer que ele terminasse o que queria fazer. — Oh, Basil, — ela gemeu e abriu as pernas enquanto sua mão escorregou para o centro do seu calor. Ela o queria, e Deus ajudasse por isso. Ela não se conteve, precisava sentir sua carne. Rasgando sua camisa de seda, arranhou seu peito e suas mãos trabalhavam em um frenesi. A boca de Basil seduziu-a com tal precisão que só queria mais. Sua língua era macia enquanto ele deslizou entre os lábios, e quando ela mordeu-o e ouviu- o gemer, o fogo explodiu dentro dela. Não fez objeção quando ele puxou o zíper de sua calça para baixo, nem protestou quando ele arrancou-os. Chutou uma perna livre para levantar e enrolar em torno da cintura dele. Sentiu a mão entre eles quando ele se desfez de suas calças, em seguida, puxou para baixo ao longo de seus quadris. E quando ele ergueu-a e a penetrou, seus olhos se encontraram. Havia tanto amor no olhar dele que sentiu seu coração amolecer. Ele a levou as alturas, levou-a ao longo da última onda, sabia que ela tinha permitido. Ela tinha se dado a ele, mesmo quando ela jurou que nunca faria. — Você precisa de mim, — ele sussurrou em seu ouvido. 25 Suas palavras a chicotearam trazendo a realidade. — Você tem razão, Basil, eu preciso de você. — Ela puxou as mãos livres e com um sorriso letal, levantou o joelho e acertou direto em sua virilha. — Morto. Ele se desintegrou no chão, quase caindo pela longa escadaria e ela teve grande satisfação de machucá-lo. Ele fez com que sentisse tanta dor quando partiu seu coração. Ela puxou suas calças, sem preocupação, desceu as escadas, deixando-o se contorcendo no chão. — Se você não me quer por perto, então pare de ligar para mim. Ela declarou suas palavras logo depois bateu a porta e foi embora. *** Deveria chover. Ela se sentiu tão triste como o tempo. Só depois das quatro horas da tarde chegou na residência em Holloways. Sentia-se segura de andar durante o dia, sabendo que o tempo estava nublado e chuvoso durante uns dois dias. O sol não iria matá-la se ficasse exposta a luz do sol, mas com certeza iria queimar sua carne exposta, de forma a produzir grandes machas vermelhas que doía como o inferno. Trinity apressava seu carro para a porta da frente da casa, uma chuva torrencial caia sobre ela. Ela demorou um instante para admirar a beleza da casa de estilo vitoriano de dois andares antes de tocar a campainha. Quando as portas se abriram e um senhor alto, de terno cinza apareceu, ela se perguntava se ele era o pai de uma menina desaparecida. — Sr. Holloway? — Quem o procura, por favor? Ah, não o próprio pai, mas podia ajudá-la. Imaginou. Por que um cara rico atenderia sua própria porta? — Trinity Ford. Eu sou detetive. Estou aqui para falar com os Holloways sobre sua filha, Olivia. — Um momento, por favor. — Fechou a porta na cara dela, e o queixo de Trinity caiu. Ele tinha acabado de fechar a porta na cara dela. Que grosseria. Quando abriu novamente, estava pronta para dar-lhe um baita fora. Em seguida, ele a convidou para entrar. — Por aqui, senhorita Ford. Isso é mais parecido com ele. Ela entrou na casa luxuosa e seus olhos se arregalaram. Jesus, certamente eles mostravam que tinham dinheiro. O local era moderno, mais tinha uma boa dose de antigo. Como poderia uma pessoa viver assim? Tudo parecia tão branco, tão limpo, tão fresco. Dava-lhe calafrios. — Sr. Holloway estará com você em um instante. — Ele estendeu a mão para ela, indicando para esperar na sala à sua esquerda. 26 Ela assentiu com a cabeça e tomou um assento em uma cadeira de tecido acetinado em uma sala tão grande quanto seu apartamento. Sentia-se tão fora de lugar aqui, como em um museu. — Senhorita Ford. Ela observou quando um cavalheiro alto entrou no aposento. Ele usava um smoking, parecendo que iria para algum sarau. Ela tinha que saberque tipo de homem usava aquilo enquanto sua filha estava desaparecida. — Sr. Holloway? Ele balançou a cabeça. — Disseram-me que você tinha alguma informação sobre a minha filha Olivia? — Não exatamente. Estou investigando o desaparecimento dela e eu queria saber se pode falar comigo. Ele coçou o queixo pensando. — Nós já temos um investigador do caso. Quem a mandou? — Eu estou trabalhando para os pais da outra menina desaparecida e acredito que os dois casos estão interligados, — ela mentiu suavemente. — Ah, bem, então seria melhor você falar com o nosso investigador. Vou pedir que Jennings lhe forneça o número dele. Desculpe-me, tenho um jantar para atender. Saiu antes que ela tivesse uma chance de objetar. — Bem, não tente ajudar a encontrar sua filha, — ela murmurou para si mesma, revirando os olhos. Um jantar. Ela não entendia as pessoas às vezes. — Aqui está senhorita Ford. Ela deu um pulo ao escutar aquela voz e virou-se para o mordomo. Cara, ele foi rápido. — Uh, obrigado. — Ela pegou o cartão, ele estendeu e mostrou de forma inteligente a porta e enquanto se dirigia para seu carro, a chuva encharcava-a até o osso. Abrigando-se em seu carro, ela enxugou a chuva de seu rosto e olhou para o cartão. Investigações Vega. Ela colocou o cartão no bolso da camisa, decidindo checá-lo. Iniciando o carro, ela se afastou. Ela esperava que o cara cooperasse. Tudo que ela precisava era de alguma informação, em benefício próprio, para ver se as duas meninas estavam ligadas de alguma forma. Ela saiu do bairro de classe alta, sentindo-se mais à vontade agora. As pessoas ricas deixavam-na nervosa, embora tivesse vindo de uma boa família. Mas seus pais não ostentavam seu dinheiro. Ao contrário, eles viviam em uma modesta casa de quatro quartos, de dois andares em um bairro de classe média. Ela tinha sido criada por pais amorosos e tinha uma irmã mais nova, amada. Até que perdera todos eles. Chegando a uma calçada, Trinity viu-se diante de um edifício de tijolos pequenos, o nome Vega Investigações, impresso em frente à entrada. 27 Ela olhou ao redor das casas e edifícios degradados e sacudiu a cabeça. Este era o lado pobre da cidade. Por que alguém tão rico como John Holloway contrataria alguém que estava tão obviamente abaixo dele? Era desconcertante. Tinha que haver algo errado. Dando os ombros, Trinity deixou seu carro e entrou em um escritório muito bem organizado, com uma mulher de cabelos escuros trabalhando ocupada por trás da mesa, xingando como um marinheiro. — Ele é um homem morto, caralho. — Trinity limpou a garganta e a mulher levantou a cabeça. — Oh, cara, eu não ouvi você entrar. Bem-vinda a Investigação Vega. — Ela deu um sorriso encantador e obviamente tenso. — Como posso ajudá-la? — O Sr. Vega? — Aparentemente, a mulher não estava tendo um bom dia. Bem-vinda ao clube. — Ele está em uma chamada de conferência no momento. Você gostaria de esperar até que ele termine? — Sim, isso seria ótimo. — Seus olhos observaram a porta do escritório a direita da secretária e as maldições que se seguiram. — Parece que ele está no telefone. — Aparentemente. Não entendi o seu nome. — Trinity Ford e pode dizer que eu preciso falar com ele sobre Olivia Holloway. — Um minuto, por favor. Trinity esperou que a mulher desaparecesse atrás da porta. Ela ouviu vozes abafadas e não tentou entender o que eles estavam dizendo. Um momento depois, a mulher reapareceu com um sorriso falso. — Ele vai vê-la agora. — Ela abriu a porta com um grunhido. Cara, ela realmente estava tendo um dia ruim. Trinity entrou no escritório e viu a traseira de um cavalheiro agachado no chão, ocupado pegando um monitor que estava espatifado no chão. — Dia duro? — Ele parecia estar tendo. Ele virou a cabeça, seus olhos verdes cintilaram no escuro e Trinity admirou sua boa aparência. Seu cabelo estava uma bagunça, ele possuía um rosto rude bonito e barba por fazer. — Eu já tive dias melhores. — Ele se levantou, limpou as mãos na sua calça jeans desbotada antes de estender uma para ela. — Dante Vega. — Trinity Ford. — Seu aperto de mão era firme, mas não insuportável. — Hum, desculpe a bagunça. — Apressou-se em limpar uma cadeira que estava atualmente empilhada com arquivos. — Eu... Hum... Tenho estado muito ocupado. — É um grande esforço para deixar as coisas nesse estado, — disse ela zombeteiramente sentando na cadeira. Ele sorriu enquanto estava se sentado na cadeira de couro atrás de sua mesa. — É. Então, o que posso fazer por você? Lexi mencionou que queria falar sobre Olivia Holloway? 28 — Sim. — Ela ajeitou na cadeira, sentindo a fina almofada sob o seu bumbum. — Disseram-me que estavam investigando o seu desaparecimento. — É natural? — Ele deixou escapar. E quando ela inclinou a cabeça em confusão, ele explicou: — O cabelo é natural ou tingido? Ela era questionada o tempo todo. — O que você acha? Eu gostaria de colaborar de alguma forma, se você não se importar. — Eu achei que fosse tingido. É muito vermelho, você sabe de um vermelho falso. Não que isso não pareça bom. Só não parece natural. Ele estava tirando onda com ela agora. — Não significa que não é natural, é apenas um comentário. Agora, podemos discutir Olivia ou gostaria do número do meu cabeleireiro? Ele sorriu quando respondeu. — Para quem é você trabalha? Ela piscou para ele com um olhar completamente perplexo. — O quê? — Quem contratou você para investigar o desaparecimento de Olivia Holloway? — Ninguém. Estou aqui em um outro caso que acredito está ligado com o seu. — Qual? — Qual o que? — Qual é este o caso que você está trabalhando. Jesus, o cara estava fazendo sua cabeça girar. — Olha, tudo que eu quero fazer é trocar algumas informações. Veja o que tenho e ver se vai me ajudar no meu caso. Dante se inclinou para trás, dando-lhe um olhar profundamente superficial. — Você tem carteira de identidade? — Oh, por Cristo. — Ela deu um pulo da cadeira. — Tudo que quero é alguma informação maldita. Você está interessado em me ajudar a descobrir quem a raptou ou não? — Quem raptou? — Foda-se. — Ela jogou as mãos no ar e saiu da sala. Ele era sortudo por não comer humanos. 29 Capítulo Quatro Chaos foi observar como estava a iniciação. Dois novos recrutas estavam se formando, dois a mais para acrescentar aos muitos. Seu exército estava crescendo rápido, mas não suficientemente rápido. Mesmo que dois novos recrutas fossem formados, tinham perdido seis nesta semana. Quatro deles nas mãos daquela que havia sido banida. Trinity Ford. Aquele nome o deixava com raiva e ódio. Ela pertencia a sua espécie, mas perseguia-os na noite, matando sua raça, como se fossem formigas. Ele daria qualquer coisa para acabar com ela. Seus homens estavam fazendo atualmente um trabalho maravilhoso de iniciar os novos recrutas, chicoteando-os em sua apresentação. Mas a palavra final era sua, ele ditava o destino deles. O menor dos dois homens estava suando horrores, mas o outro parecia quase indiferente ao que estava acontecendo com eles. A rachadura do chicote ecoava na sala quando um dos homens gemeu. — Vocês prometem sempre ser fiel ao seu líder? — Sim! — Gritaram em uníssono. O sangue escoou na ferida do peito. O chicote estalou mais uma vez. — Vocês prometem dar sua vida para o seu mestre? — Sim! Chaos se aproximou do homem pendurado na viga de aço. O sangue dele escorregou do peito nu branco até os pés, deixando uma poça enlameada. — Por três dias, irá sofrer, durante três dias você terá fome, e no final desses três dias, você deve sobreviver, então será concedida a liberdade para servir a seu mestre.— Ele deu um passo para trás, à esquerda da sala. Ele entrou no pequeno escritório que reivindicou e andou até a janela larga na parede leste. — Fez um trabalho bom, Magnus. Você me deixa orgulhoso. — Obrigado, meu senhor. — Magnus inclinou a cabeça, as mãos juntas sob as mangas largas do seu roupão enquanto ele patrulhava os jovens. — Como estão nossas oferendas? — Quando ele perguntou isso, observou uma das fêmeas, uma loira, rolava na cama. Durante a maior parte do dia, elas eram sedadas. Somente na noite, eram autorizadas a sair de sua sedação para comer e tomar banho. Era imperativo que eles as mantiveram saudáveis e aqueles que se recusaram a comer eram forçados a se alimentar pela via intravenosa. — A morena parece estar resistindo à droga. Ela nos deu um pouco de dificuldade. Chaos olhou para a morena enquanto ela estava caída em um canto de sua cama. — Vocês não a machucaram, não é? 30 — Claro que não, meu senhor. Mas nós tivemos que bater nela com um dardo de dormir. Ela cortou um dos guardas com um utensílio e quase tirou os olhos dele. Chaos sorriu. Se ela não fosse necessária para a oferta, poderia desfrutar de mantê-la por perto. — Então foi merecido porque nenhum utensílio afiado deve ser dado a elas. — Virou-se para Magnus, percebendo que o homem ainda tinha que levantar a cabeça para encará-lo. — Uma lição que você não vai esquecer tão cedo, não é Magnus? Resumidamente, Magnus levantou a cabeça e mostrou o corte no seu lado esquerdo do rosto e olhos. — Não, senhor. — Eu vou mandar um grupo esta noite para capturar outra. Já tem as recomendações? — Taggert e Zane, assim como Brody e Moose seriam melhor. Um dos nossos membros foi morto na outra noite. Ele era fraco. Enviar o mais forte, eu acho, seria melhor, meu senhor. — Assim será. Você vai caçar a fêmea, Magnus. — Sim, meu senhor. — Quem foi? — Ele perguntou enquanto se voltou para as mulheres. Elas eram tão jovens, tão núbeis, seriam as oferendas perfeitas. — Gavin, senhor. Ele só está conosco há um ano. Não era forte o suficiente, ainda, Chaos pensou. — Quem o matou? Foi Basil? — Não, meu senhor. Foi Trinity. Os olhos de Chaos se estreitaram. — Trinity? Será que ela continuava sua cruzada para livrar o mundo de sua espécie, da espécie dela? Isso é três vezes só neste mês. E o mês apenas começou. — Sim, meu senhor. — Talvez ela precise ser lembrada de que ela não deve manter o nariz em nossos negócios. Virou a cabeça somente. — Resolva isso Magnus. — Sim, meu senhor. Há mais alguma coisa? — Nada, por enquanto. Você pode ir. — Ele voltou sua atenção para as mulheres à esquerda. Trinity era um espinho que ele estava ansioso para se livrar. Ela tinha se tornado ainda mais letal, pois tinha sido desprezada por seu amante, Basil, isso tinha se tornado uma dor real no seu cu. Ela matou a sua espécie, esnobou o nariz para sua própria raça, e tentava viver como se fosse humana. Bem, talvez fosse hora de lembrá-la de quem ela era e onde sua lealdade devia estar. *** 31 Ainda irritada horas mais tarde, Trinity vagava pelas vielas escuras e perigosas. Tudo o que queria era obter um pouco de informação do detetive, e tudo que ele tinha feito foi enfurecê-la. O homem era um palhaço. Ela deveria ter mostrado suas presas a ele, talvez o atacando e fingindo querer comê-lo se ele não desse o que precisava. Sorrindo, pensou como seria agradável tê-lo feito. E o homem merecia. Mas afinal, o sorriso desapareceu quando ela se lembrou que fazer isso poderia colocá-la em risco por se revelar como vampira. Ela não precisa disso. Basil. Então ela não era melhor agora do que tinha sido antes. Ela estupidamente foi atrás de um investigador burro sem informação. Duas meninas desapareceram e ela não estava chegando a lugar nenhum. O investigador idiota não ia ajudá-la e nem os policiais. Ela tinha tentado obter informação a partir deles, apenas para ser desprezada e rejeitada. Bem, poderia jogar duro também. A primeira coisa a fazer de manhã, era pedir a Jonah para entrar no banco de dados do computador da polícia e descobrir o que eles sabiam. O som de gritos abafados chamou sua atenção. Assim que sua audição detectou a direção do som, ela saiu em disparada numa corrida de vida ou morte, indo em direção ao grito. Ao longe, avistou dois vampiros em um beco escuro, um segurando a mulher que gritava, enquanto o outro tentava desesperadamente agarrar suas pernas. Havia fita na boca dela, mas fez o seu melhor para chamar a atenção para si por gritar tão alto quanto sua boca abafada permitiria. — É um lastima você sabe. — Ela disse enquanto chegou perto dos vampiros, — que vocês dois tenham que recorrer a amordaçar e amarrar uma menina apenas para ter sexo quando já foram inventadas as bonecas plásticas. O vampiro que prendia os braços da garota estreitou os olhos em sua direção, enquanto seu parceiro se virou para encará-la. Eles estavam bem cientes de quem ela era. — Vai tomar no cu, Trinity. — Oh, Moose, agora você feriu meus sentimentos. — Ela fez um giro rápido, levantando a perna esquerda para cima e chutou à direita da mandíbula. A pressão do osso ecoou no ar parado a noite e então o baque aconteceu, o corpo dele bateu no chão. — Veja o que acontece quando você fere meus sentimentos. Ele esfregou o queixo, só um pouco perturbado, e se levantou. — Porque você não vai à merda. — Ele investiu contra ela, os punhos prontos, o seu corpo preparado para uma luta. Ela estava preparada e se esquivou do golpe. Num movimento giratório, o acertou nos rins com o cotovelo e sentiu muito prazer quando um gemido 32 estridente saiu de sua boca. Moose era enorme, daí o motivo de seu nome, mas quando ferido, gritava como uma menina. — Deixe a garota ir, Zane, — alertou o outro vampiro. — Que porra, que vou. — Ele prendeu a mulher mais apertada, se afastando lentamente. De cima do ombro viu Moose chegar a seus pés, a expressão em seu rosto era o suficiente para assustar a morte. Boa coisa ela não se assustar facilmente. Mas então a menina presa por Zane começou a chorar e Trinity a olhou para se certificar que estava tudo bem. Ela ouviu o passo apenas alguns segundos antes que o corpo de Moose colidiu com a dela. Ela caiu no chão, Moose pesado em cima dela, seu rosto raspando no asfalto. — Droga, machucou meu rosto. — Ela virou, ou pelo menos tentou, mas Moose era uns cinquenta quilos mais pesado que ela. — Qual é o problema, garotinha? Não consegue se mover? — Rindo, ele se inclinou ainda mais perto de seu ouvido e lambeu o pescoço dela. — Oh, Jesus, Moose, isso é nojento. — Então, ela bateu a cabeça em seu nariz e mais uma vez ele soltou um grito alto, feminino. Ela levantou-se, pronto para o golpe seguinte, quando ela sentiu a fisgada no braço esquerdo. Virando-se, teve um momento para ver o rosto sombreado por trás dela antes de tudo ficar borrado. *** Basil entrou no quarto com uma batida da porta que abalou as paredes. Ele caminhou pelo quarto, a raiva registrando em cada etapa. Principalmente, porque ele estava furioso consigo mesmo, mas não receber qualquer informação relevante em sua busca das meninas desaparecidas, aumentando sua raiva. Parecia que ninguém queria dizer nada. Não que ele esperasse que seus inimigos dessem informações, mas pensou que seu convite persuasivo poderia ganhar algumas. Talvez se não estivesse tão mal-humorado, poderiam ter se aberto mais para ele. Ele não tinha sido capaz de melhorar seu humor desde que Trinity o deixou. Apertou sua própria mão, ele era muito grato de se recuperar rapidamente. Ele supunha que merecia. Mas ela tinha que ser tãomá? Não tinha controle quando ela o chamava, especialmente quando ele estava dormindo. Seu sangue estava nela e o dela nele. Eles eram ligados e se ela estava precisando, de qualquer coisa, ele era obrigado a ajudá-la. E mesmo que tivesse certeza que ela nunca mais voltaria para ele. Não podia fazer nada sobre sua necessidade, continuaria chamando-a. Só tinha que ter certeza de que ela estaria em segurança. 33 — Acho que você não foi bem sucedido? — Cooper perguntou, baixinho ao entrar na sala. — Desta vez, — acrescentou Basil, passando a mão pelos cabelos, frustrado. — Da próxima vez será melhor. Desculpe-me, não fui capaz de manter a Senhorita Ford fora na outra noite. — Não se estresse sobre ela, Cooper. — Ela poderia tê-lo matado, senhor. O parou com um aceno de mão. — Ela não poderia me matar mesmo que isso significasse a vida dela. — Ele saiu do quarto irritado da mesma forma que entrou. Não, ele tinha certeza que Trinity nunca iria acabar com sua vida. Embora ela se sentisse traída por ele, sabia no fundo do coração que seu amor ainda era forte. Seria preciso tempo para curar. Ele sentiu o formigamento dentro de sua mente e suspirou. E ainda assim ela o chamou. *** Dante estava em pé diante do domínio digital, feliz que ainda estava aberto e coçou a cabeça. Por que uma detetive trabalhava numa loja de informática? A menos que... Ela não fosse realmente uma investigadora. Ou ele poderia simplesmente ter pegado o endereço errado. Bem, é melhor entrar e descobrir a verdade do que ficar parado como um manequim na frente da loja. Alias você é um investigador. Balançando a cabeça, Dante abriu a porta e ouviu o tilintar dos sinos familiar. Não havia muitas pessoas que anunciavam a entrada de um cliente em uma loja, como antigamente. A maioria era digital ou eletrônica. — Você me pegou. Eu estava prestes a fechar. Como posso ajudar? Sorrindo para a morena bonita, Dante caminhou até o balcão da frente. — Eu não vou mantê-la por muito tempo. Estou procurando Trinity Ford. — Ela saiu. Se você me deixar o seu nome, vou dizer-lhe que você passou por aqui. O sorriso de Dante desapareceu lentamente. — Você sabe quando ela vai voltar? — Ela tem a sorte de fazer seu próprio horário. Ela vem e vai como lhe apetece. A mulher afirmou. — Porque não deixa o seu nome e número do telefone, para que ela possa entrar em contato com você. — Claro. Dante Vega. Será que ela trabalha com computadores? — Não. Ela cria programas e websites. Número? Mas ela não era uma investigadora, Dante pensou, enquanto recitava o número dele. 34 — Diga a ela para me ligar a qualquer hora. Diga que decidi que deveríamos falar mais sobre o assunto de ontem. — OK. — Obrigado. Vou ficar esperando. — Ele deixou o prédio perguntando quem Trinity Ford realmente era. 35 Capítulo Cinco Trinity estava em um quarto escuro que cheirava a mofo e a sujeira. Ela estava familiarizada com este cheiro. Muitas vezes, os vampiros mais velhos preferiram dormir perto da sujeira, mofo úmido onde não havia luz alguma e a temperatura fria mantinha seus órgãos bem. Nunca compreenderia. O cheiro da terra fez seu nariz queimar. Mas, novamente, a sua morte tinha sido feita por Basil em seu quarto com velas queimando com uma música suave e flores espalhadas pela sala. Ela nunca teve de viver nas adegas como a maioria dos outros vampiros. Afastando as lembranças, Trinity focou seus olhos em algo além da escuridão. Era útil que os vampiros pudessem enxergar no escuro. Ou aqueles nascidos a partir de um vampiro verdadeiro, como ela. Mas que merda, porque não podia parar de pensar em Basil. Havia uma enorme lança de madeira, esculpida em um ponto no final, manipulada por uma espécie de braço de metal que estava preso ao teto. O ponto da prancha estava dolorosamente batendo em seu peito direito sobre seu coração. Este não era um bom lugar para um vampiro estar. Foi então que ela percebeu que estava nua como no dia em que nasceu. Embora soubesse que não foi molestada, não poderia estar tão certa de que não havia sido acariciada enquanto eles a despiram-na. Ela estremeceu, sentindo-se muito suja. — Um movimento errado e você vai virar pó. Seus olhos se deslocaram a voz à sua esquerda. Ele caminhava em sua direção, Trinity simplesmente olhou para ele. De todos os vampiros do mundo, Chaos era o que ela mais odiava. Ele era um vampiro cruel achava a tortura tão agradável como saborear uma cerveja gelada em um dia quente. — Eu deveria estar aterrorizada agora? — Ela respondeu com um tom seco carregado de desprezo. Chaos se aproximou um pouco mais e sussurrou enquanto se movia. — Eu estaria se fosse você. — Bem, que sorte a sua de não esta no meu lugar. Qual é a graça disso... Colocar-me em uma ridícula posição submissa, Chaos? — Pare de matar o meu povo, — disse ele com uma voz grave. — Diga, por favor. — Ela mostrou os dentes para ele. — Eu não seria tão presunçoso, se fosse você, Trinity. Tenho a vantagem. — Acenando com a mão, a ponta da lança pressionou contra sua pele com um pouco mais de força. Ela não estremeceu ou gemeu, ou mesmo mostrou um pingo de medo. Isso daria a ele demasiada confiança. — E você sabe que me matando começaria a maior guerra de todos os tempos. Ele fechou a distância entre eles. 36 — Não tenho intenção de matá-la, minha querida. Quero que você veja suficientemente meu ponto de vista. — Você sabe, estamos conversando. Enquanto eu tenho uma faca no peito agora, engraçado não! Tudo o que eu teria que fazer é abrir a minha mente e chamar Basil e este seria o fim da nossa conversa. E você começaria a luta por sua vida. Chaos não mostrou nenhum sinal de perturbação. —Você o chamaria depois do que ele fez com você? Isso doeu. Será que todos saibam que ela tinha sido feita de boba por Basil? — Eu não disse que o estava chamando para me socorrer. Posso sair dessa perfeitamente bem, por minha conta. Pensei que você gostaria de uma visita de seu maior inimigo. Sua risada foi um som alto, estridente que percorreu o quarto escuro e úmido. —Ah, você ainda está magoada com o fato de que ele ter comido outra boceta, enquanto fingia amá-la? Chaos não foi rápido o suficiente para desviar-se da cuspida que Trinity jogou nele. Enquanto limpava sua face, ele rosnou para ela enquanto recuava. —Podem pegá-la meninos, mas não a deixem sem ar no final. Trinity teve um momento para pensar: Merda. Diante dos quatro animais rosnando que entraram na sala, com chicotes prontos. Se seus braços e pernas não estivessem amarrados a uma parede de tijolo e se não estivesse drogada de forma que suas habilidades ficassem entorpecidas, ela poderia ter lutado com eles facilmente. — Eu vou ter um grande prazer em passar meu tempo com você, coisinha doce. Ela rasgaria seus próprios braços para impedi-lo de ir mais longe. — Eu aposto que vou gostar muito. O que você acha Reggie, nós devemos prová-la? — Tente me parar. — Vá mais longe e vão morrer seus porcos. — Ela se contorcia, percebendo que estava muito drogada. Maldição. — Ooh, eu estou com medo. — Você deveria estar. — As quatro bestas se viraram enquanto Basil se materializava por trás deles. — Merda, — disse um deles enquanto corria para longe de Trinity. — Bom, agora o resto de vocês caiam fora e não teremos que começar nada, — avisou Basil, mostrando seus dentes. — Vá embora, Basil, eu posso me ajeitar sozinha. — Trinity lutou contra as cordas que a seguravam. Era duro saber que ele veio em seu socorro, mesmo sabendo que sem a sua ajuda, teria sido uma presa sem defesa contra as feras. E ele não estaria aqui se nãotivesse pensando nele em primeiro lugar. 37 — Claro que pode meu doce. Mas um verdadeiro cavalheiro como eu, não poderia deixar uma donzela em apuros, sem ajudá-la em sua recuperação. — Ah, foda-se. — Por que ele tinha que falar assim? Ele sempre deixava seu coração em desordem. — Vocês vão fugir? — Um dos animais desafiou. — Não seja um asno, Mudge. Você tem alguma idéia de quem é ele? — Outra besta comentou. — Uma ligeira ideia, — falou a besta, com o queixo saliente com seus dentes arreganhados. — Existe sempre um. — Balançando a cabeça, Basil começou a girar o dedo indicador e uma nuvem de poeira se formou no chão. — Um. —Vamos dar o fora daqui, — um dos homens gritou. — Foda-se, — o outro disse com olhos desafiadores. —Dois. — Basil rodou a mão, criando um vórtice de terra quase tão alto quanto ele. — Jesus, Basil, não posso respirar aqui. — Trinity tossiu, mantendo os olhos fechados. Odiava quando ele usava seus poderes daquela forma. Mas a criação de um tornado era uma ótima distração contra seus inimigos. Era uma boa arma, desde que não fossem apanhados em um fogo cruzado. — Eu não resolvi ceder, amigo, — desafiou a besta, segurando seu braço sobre sua boca, piscando os olhos rapidamente, a sujeira endurecia seu rosto. — Três. — Com um estrondo o vórtice varreu o ambiente, girando-os indefinidamente, sem qualquer esforço por parte de Basil. — Jesus, Basil, já é suficiente. Eu não posso te ver ou respirar. — Trinity esperou algo mais acontecer, até que sentiu ser puxada, depois os braços e pernas sendo liberado. Ela estava prestes a descer da plataforma quando sentiu ser arrebatada nos braços. — Ponha-me no chão. — Quando estivermos fora daqui. Se pendure em minhas costas. — Pode esquecer. — Ela empurrou-o, tentando descer. — É a maneira mais rápida de sair daqui, se pendure em minhas costas. Grunhindo, ela fez como ele pediu. Então ele se transformou em um lobo de prata, ela montou sobre suas costas e colocou os braços ao redor de seu pescoço. Ele atravessou a porta aberta e caminhou pelos corredores, evitando que os vampiros os seguissem. Seu rugido feroz e dentes afiados eram suficientes para mantê- los afastados de vampiros. Todo mundo sabia perfeitamente que ele poderia rasgá-los mais rápido do que poderiam tentar fugir. Basil num instante conseguiu saiu do complexo e ela puxou sua orelha. — Está ótimo, agora me deixe ir. — Puxou um pouco mais quando ele se recusou a parar. Bufou enquanto ele corria pelo portão da frente, descendo em uma estrada antes de parar. Trinity desceu de suas costas e limpou a sujeira de seus olhos. 38 — Eu não preciso de sua ajuda. Ele se virou para ela, ainda em forma de lobo e mostrou suas presas brancas antes de se transformar novamente em um homem. Movendo seu pescoço, Basil virou-se e observou seu corpo. — Pode ter me feito de bobo. Tome. Ele tirou o casaco longo e estendeu para ela. — Eu não quero suas roupas. — Resmungou, contorcendo os lábios. — Faça como quiser. Pessoalmente, gosto de olhar para você sem nada. — O quê? — Olhando para baixo, quase engasgou. Ela havia esquecido que estava nua. — Dê-me isso. — Ela pegou o casaco de Basil e vestiu. — Você está me seguindo agora? — Eu ouvi meu nome ser mencionado. Ela olhou para ele com uma grande dose de hostilidade. — Supere. — Você sabe, eu sou o único que deve estar chateado depois do que você fez com meu pau. — Você mereceu. — Segurando o casaco fechado, Trinity virou e saiu. — Nenhum homem merece isso. — Correu atrás dela. — Você não é um homem. — Ah! — Vá tomar no cu, Basil. — Trinity parou para se orientar. Ela não tinha idéia de quão longe de seu apartamento, ela estava. E a droga ainda estava em seu sistema, desorientando-a. — Continue em frente até os blocos seguintes, vire à esquerda, em linha reta por mais seis quadras, depois vire à direita, e você chegara a seu apartamento, — ele forneceu os dados enquanto a seguia de lado. — Ou eu poderia me transformar em um lobo e lhe dar uma carona para casa. Ela estreitou os olhos em sua insinuação. — Eu gosto de caminhar. — Ele a ajudou a clarear a mente. — Tudo bem, a pé. Quer me dizer por que os homens Chaos capturam- na? — Eu matei seus homens. Acho que ele não gostou muito. — Ela esfregou o braço, lembrando-se agora a fisgada que sentiu na sua briga com Moose. — Ele vai ouvir algumas palavras minhas. Ninguém, ninguém, pega a minha mulher e faz de refém. Ela parou abruptamente e ao fazê-lo, ele bateu em suas costas. — O que você acabou de me chamar? — Eu não vou deixar ninguém machucar você, Trinity. O tom de sua voz causou arrepios por todo seu corpo. Não foi a raiva que ela ouviu, mas o voto. — Sou uma menina grande, Basil e posso cuidar de mim muito bem. — Você pode pensar que é corajosa e capaz de cuidar de si mesma, mas ambos sabemos que precisa de mim. Se não houvesse vapor saindo de suas orelhas, ela ficaria surpresa. 39 — Como você ousa. Eu não preciso de sua ajuda, nunca precisei de sua ajuda. — Você e eu sabemos que não é verdade. Onde estaria agora, meu amor, se eu não tivesse aparecido em sua vida mudado-a? Ela se recusou a responder a isso porque ele iria provar que estava certo. Ela ficaria sozinha, sem dinheiro e muito provavelmente trabalhando como garçonete, mal conseguindo sobreviver. — Que diabos está acontecendo com você? Porque não pode simplesmente me deixar sozinha? — Ela virou-se para ele. — Porque, eu a amo, — ele disse simplesmente. Ela bufou. — Sim, você me amou tanto que você trepou com outra mulher em nossa cama. — Eu sei que cometi um erro. — Bravo para você. Agora foda-se. — Girando, ela andou sobre a calçada pavimentada em passos rápidos com raiva. — Você nunca cometeu um erro em sua vida? — Ele falou com ela, enquanto se aproximar ao seu ritmo. — Sim, permitir que você entrasse em minha vida em primeiro lugar. — Não se atreva a colocar a culpa em mim. Você me queria tanto quanto eu queria. Aliás, queria mais. Sim, ela queria mais que ele e era duro saber disso. — Basta sair do meu caminho, Basil. — Estamos conectados, Trinity. — Ele agarrou-a pelo braço e a fez enfrentá-lo. — E você sabe que precisa de mim tanto quanto eu preciso de você. — Se você precisou tanto de mim, por que me traiu? — Ela puxou o braço livre. — E, se você quer uma repetição do nosso último encontro, vá a merda e me deixe sozinha. Balançando a cabeça, virou-se e caminhou na direção oposta. — Maldição! — Chutando a sujeira, Trinity continuou o seu caminho. Por que ele tinha que virar seu interior cada vez que estava perto dela? E por que diabos ela ainda tinha que estar tão longe daquele canalha traidor? *** Sim, ele foi um canalha e ela tinha razão para odiá-lo pelo que ele tinha feito com ela. E era tão difícil ficar longe dela quando ela estava dentro dele, tão certo como o sangue que corria em suas veias. Ele a queria de volta em sua vida da pior maneira. Ele sabia que estava enviando seus sinais mistos; inferno, ele não estava se sentindo estável agora. Ele sabia que era melhor mantê-la fora de sua vida, mas ficar sem ela o estava matando. Ele precisava se lembrar por que ele estava fazendo isso. Seu pai estava de alguma forma encontrando um caminho através de sua expulsão para se 40 comunicar com ele e ameaçá-lo. O sonho tinha sido tão vivo, tão real que mesmo depois que ele acordou, Basil tinha sentido a presença de seu pai. E o aviso ainda ecoa dentro dele. — Eu não vou apenas fazer mal a você, meu filho, farei a aqueles que você mais ama. Ninguém estará a salvo se estiver perto de você. Sua mente se organizou logo em seguida. Ele deu um beijoude adeus em Trinity naquele dia que ela saiu para trabalhar e definir o seu próximo passo. A prostituta foi mais do que disposta a passar o dia com ele pela quantia que ele pagou a ela. E quando sua amada atravessou as portas entrando no seu quarto à noite, ela o encontrou envolvido nos braços de outra mulher. Ele havia quebrado o seu coração ao ouvir a dor em sua voz, mas era uma dor que ele estava disposto a suportar para a sua segurança. Até ele descobrir se seu pai iria voltar, ele teria de deixar que Trinity acreditasse que ele era um bastardo cretino. Mesmo que aquilo o matasse. 41 Capítulo Seis Outra garota tinha sido sequestrada e tinha sido diante dos seus olhos. Trinity olhou para a notícia do jornal e amaldiçoou. Se ela estivesse fazendo seu serviço e não tivesse Basil em sua mente, ela não teria sido apanhada desprevenida, drogada e sequestrada. E a pobre menina não teria sido sequestrada por aqueles desgraçados. Mesmo querendo culpar Basil, ela sabia que a culpa não era de ninguém, mas dela própria. Ela devia ser forte o suficiente para impedir seus pensamentos. Ela era forte e ela era mais do que capaz de cuidar de si mesma. Bem, ela ia provar a ele que não era fraca. A jaqueta de Basil pendurada sobre sua cadeira lhe a chamou atenção. Conferiu o papel em sua mesa, Trinity se ergueu, pegou seu casaco de couro preto e se dirigiu para a porta. Já passava das sete da noite e o sol estava baixo o suficiente para que ela pudesse sair para o beco atrás de seu apartamento. Quando a porta se fechou atrás dela, ela jogou a jaqueta no chão, em seguida, puxou uma caixa de fósforos. Ela ficaria imensamente feliz se queimasse aquela jaqueta. Ela ouviu a porta de saída abrir, o clique em fechar, mas não tirou os olhos da jaqueta. — O que você está fazendo? — Jonah perguntou, aproximando-se ao lado dela. — Vou me livrar de algum lixo. — Por que você vai queimar algo que se parece custar mais do que a minha vida? — Porque ela pertencia a um porco. — Ela acendeu outro fósforo e que caiu do lado de Jonah. Não estava queimando a jaqueta, mas o fósforo queimou e incinerou. — Essa jaqueta é Basil? Você não vai incendiá-la dessa maneira. Couro não queima bem, graças aos deuses. — Tudo bem, tudo bem, então eu vou tentar isso. — Em um movimento giratório, ela mergulhou no lixo procurando algum papel para adicionar ao casaco. O que ela precisava era de gravetos. — Por que você esta com a jaqueta de Basil? — Ele se afastou enquanto ela despejou uma caixa de pizza, como uma boa quantidade de jornais em cima da jaqueta. Essa jaqueta vai queimar rápido agora. — Porque ele é um porco. — Ela não queria entrar na questão. E ela não ia dizer ao Jonah que ela ainda amava Basil e isso a machucava todos os dias. — Bem, eu sei disso. O que ele fez agora? — Ele me deixa puta. — Acendeu outro fósforo, decidida a colocar todo tipo de papel sobre aquele fogo antes de colocar os restos na pilha de lixo. Para sua alegria, ele acendeu imediatamente e ela soltou um grito enquanto o fogo brilhante queimava a jaqueta. 42 — O que há de novo? Você ainda não me disse por que está com a jaqueta dele. — Acabei de dizer. Olha esta nojenta está queimando. — Ele ainda está vivo? — Quando ela inclinou a cabeça e olhou para ele mudou a pergunta. — Você deu um fora nele? — Não. — Então, como você conseguiu seu casaco? — Porque todas essas perguntas, Jonah? — Viu a jaqueta enquanto o fogo começava a derretê-la. Que visão maravilhosa. — Só por curiosidade. Você teve relações sexuais com ele, Trin? Ela se virou para ele, apertando sua mandíbula. — Afaste-se Jonah. — Oh, Trin. — Não, não oh Trin, eu... Eu não fui atrás dele, ele veio atrás de mim, nos meus sonhos. Ok, eu o chamei, mas eu estava dormindo, indefesa. Isso não quer dizer que ele tinha o direito de fazer o que quiser comigo. E sim, eu deixei ele me foder e acredite, eu me arrependo agora. Mas voltei para ele. Ela assistiu, a jaqueta queimar, não sentiu nada, mas ficou satisfeita. — Mas sobre queimar a jaqueta? — Bem, eu dei uma joelhada na virilha dele. Isso porque ele me salvou. O fogo estava acabando e a incomodou. Ela queria vê-lo queimar um pouco mais. — Me perdi. — Eu não quero entrar em detalhes agora, Jonah. O que você está fazendo aqui? — Ela pisou fora do fogo, em seguida, pegou o casaco em ruínas. Isso ela iria enviar-lhe para deixá-lo saber o que ela sentia por ele. Jonah correu seu cartão pelo alarme e abriu a porta. Agarrando a porta, ele deixou Trinity sair primeiro. — Eu tinha algumas coisas para terminar antes de ir para casa. Você tem algumas mensagens no fórum. O que você vai fazer com isso agora? — Respondê-las. — Ela pegou uma caixa empoeirada, em frente a caixa tinha uma boa quantidade de papel, papelão, em seguida, virou-se para pegar um bloco e uma caneta. Então, ela escreveu em letras grandes em negrito. "Venha perto de mim outra vez e isso será tudo o que eles vão achar de você”. — Eu estou tão feliz por nunca te chatear. — Você sempre me irrita, Jonah. Mas para sua sorte, eu gosto de você. — Deixou cair à carta sobre o pó de couro derretido, em seguida, fechou a caixa, escreveu o endereço em seguida, selou para enviar pelos correios. — Mensagens de quem? — Huh? Ah, para você? Não sei. Ariel disse que algum investigador passou por aqui. Ele era fofo também, bem foi o que ela disse. Ele revirou os olhos. 43 — O que ele queria? — Ela deu uma tapa na caixa do correio, e selou a encomenda para o correio da manhã pegar. — Como diabos eu deveria saber? Leia a nota. Você sabe, a única maneira que você vai se livrar dele para sempre é matá-lo. Ela virou-se para Jonah com surpresa em seu rosto. — Por que eu iria matá-lo? Eu mal o conheço. Agora o rosto de Jonah mudou para a confusão. — Basil? — O detetive. — Eu quis dizer Basil. — Ah. Você sabe que eu não posso. — Então por que você vive insinuando que vai fazer? Ele sabe que você pode ou não. Ele tinha um ponto. — Você está me irritando agora, Jonah. — Certo. — Você tem algum trabalho para mim? — Não neste momento. Ele não vai desistir de você, Trinity. — Boa noite, Jonah. — Girando, ela saiu do caminho de volta. Ela estava com disposição para matar. *** Era patético, realmente ele era e ele sabia disso. Era uma noite de sexta- feira e onde ele estava, mais uma vez? Em seu escritório, trabalhando. E daí? Quem disse que só porque era sexta-feira, ele tinha que ter uma data ou algum plano para fazer algo? Cristo, ele estava velho demais para se preocupar em fazer planos para a festa no fim de semana. Ele era um adulto agora. E por que ele estava se esforçando para convencer a si mesmo? Balançando a cabeça clara, Dante foi verificar o que ele tinha em arquivo já no seu caso. Seu informante na delegacia disse que sim, que os policiais estavam ligando todas as três meninas desaparecidas a um caso só. Três garotas desaparecidas no curso de um mês e meio, todas de idade semelhante. Você tem que pensar que tudo está relacionado. O som da porta da frente deu uma pausa, e ele se amaldiçoou por esquecer de travar. Instintivamente, Dante chegou à gaveta onde ele guardava sua arma. Agora, quem viria visitá-lo às oito da noite em uma sexta? Alguém que queria encrenca. Levantando-se da sua mesa, arma na mão, ele avançou em direção a porta. Em um movimento rápido, bem treinado, a arma foi para cima e apontado enquanto a pessoa caminhava em direção a porta do escritório. — Jesus. — Soltando um longo suspiro, ele abaixou a arma para seu lado. Trinity Ford devia agradecer sua estrela da sorte por ele não ter atirado devido ao nervosismo. — Te assustei?44 — Eu não costumo receber visitas esta hora da noite. — Ele desengatou sua arma enquanto se dirigia para sua mesa. — Então por que deixou sua porta aberta? — Trinity seguiu. — Eu esqueci de travá-la. — Ele colocou a arma de volta na gaveta, então, pegou sua cadeira. Você recebeu minha mensagem, pelo que vejo. — Não estaria aqui se não a tivesse recebido. — Ela pegou os papéis da cadeira e colocou-as em sua mesa. — Como você consegue viver assim? — Acho que é reconfortante. Você está aqui para consertar meu computador ou fingir ser uma investigadora? Ela ergueu o queixo e a luz do teto refletiu nos olhos dela e fez faísca. Ela tinha olhos de um azul-esverdeado deslumbrante que se encontrava incrivelmente sexy. — Bem, você me pegou. Principalmente trabalho com computadores. — Principalmente? — Trabalho com investigação. — Mas você não tem uma licença? — Isso é um problema para você? — Ela quase gritou para ele. Ele encolheu os ombros. — Veremos. — Como você me encontrou? Ele sorriu quando se inclinou para trás na cadeira. — Eu faço mais do que brincar como investigador. Outra menina foi raptada. — Eu li sobre isso. Conexão? Ele deu de ombros novamente. — Como você chegou a esta investigação? — Um amigo meu me pediu para investigar para ele. A filha de sua amiga é um dos desaparecidos. Ele sorriu quando se inclinou para a frente, apoiando o queixo sobre os dedos. — Um amigo de um amigo esse tipo de coisa. Sua mandíbula se apertou. — Certo. E você? Mentirosa. Mas ele decidiu deixar quieto. Ela poderia ter algo que poderia ajudar o seu caso. — Fui contratado por uma família da menina. O que pensa a respeito disso? — Acho que eles foram abduzidos por alienígenas ou talvez algum monstro as pegou e as usou como um lanche da noite. Ou um sequestrador em série. — Certo. — Ele perguntou o que ela pensaria se soubesse que tais coisas como monstros sugadores de sangue, na verdade existia. — Você quer ir beber um copo e nós podemos discutir isso mais um pouco? 45 — Claro, por que não? — Ótimo. Eu conheço este lugar, aperitivos grande. — Ok, está ótimo. *** Ela o seguiu em seu carro a um pequeno bar a dois quarteirões para baixo. Por um segundo, ela pensou que o lugar estava deserto, parecia tão escuro e tinha um monte de carros estacionados ao redor dele. Então no instante que ele abriu as portas, ela ouviu a música tocar, o que lhe disse que o local não estava deserto. O local era mal iluminado, com mesas redondas espalhadas. A música alta explodia nas caixas de som, e à sua esquerda, viu as pessoas realmente dançando em uma pequena pista de dança do tamanho da sua sala de estar. Trinity não estava muito certo, como ela e Dante iriam conversar com aquela música alta. — Ei, Dante, espere, espere apenas um maldito minuto. — Merda. — Ele abaixou a cabeça e apressou seus passos. — Basta ignorá-lo, tudo bem. — Quem é ele? — Trinity queria saber enquanto seguia Dante através da sala lotada. — Meu cunhado. Ignorá-lo aparentemente não estava funcionando, porque ele veio correndo na direção deles. Ele tinha um rosto barbudo e sua voz era rouca quando ele falou: — O que temos aqui? Um encontro amoroso, talvez? Murray Latruce e você? — Trinity, mas eu não estou namorando com ele, — afirmou enfaticamente. — Ah. — Seu rosto ficou sombrio. — Então, você está... O quê? — Nós dois estamos no mesmo caso. Podemos pegar uma sala? — Dante pediu rapidamente. — Claro. — Você pode me trazer uma cerveja e... — Dante virou-se para Trinity, à espera de sua ordem. — Quero uma cerveja também. — Claro que sim. — Obviamente decepcionado, Murray voltou para o bar. — Não pergunte. — Dante empurrou a porta aberta, esperando que ela entrasse primeiro. Ela levantou a sobrancelha, mas deixou para lá e entrou na sala. Ele parece ser o tipo de homem que gostava de segurar a porta para ela? A música não era tão alta aqui e a sala era mais brilhante que a área do bar. Trinity se perguntou para que esta sala era usada. 46 — Eu não estou interessada em sua vida amorosa, ou a falta dela. Vamos apenas ficar com as meninas desaparecidas. — Você não tem muita paciência, não é? — Ele segurou uma cadeira para ela. — Não quando se trata de pessoas desaparecidas. Todos os casos estão ligados. Ela foi à mesa, escolheu deliberadamente uma cadeira diferente da que ele escolheu para ela. Ela não era uma dama e não gostava de ser tratada como tal. — Eu concordo. Três meninas desaparecidas em um período tão curto de tempo é mais que uma coincidência. A idade dos jovens varia, mas nenhuma delas têm mais que dezesseis anos. Não há semelhanças na aparência. Eles não frequentam as mesmas escolas, igrejas, ou têm qualquer atividade extracurricular comum. — Obrigado. — Sorriu quando a garçonete trouxe as bebidas. — Então, meu palpite é que ele não está à procura de alguém em particular, ou compará-las com alguém em particular. Eu acho que é aleatório. — Você acha que é apenas uma pessoa fazendo isso? — Ela sabia que não era. Ela só queria saber a opinião dele e ver se ele tinha alguma ideia de onde as meninas podiam estar sendo mantidas e o porquê daquilo. Ele deu de ombros e tomou sua caneca de cerveja em cima da mesa. — A maioria dos sequestradores seriais trabalha sozinho. Ela colocou sua cerveja para baixo, lambendo o líquido restante de seus lábios. — A maioria. — Então o que você tem? — O mesmo que você. Não há semelhanças, nada os ligando de qualquer maneira. Afora o fato de que ela tinha certeza de que tudo tinha sido obra dos vampiros. Se elas ainda estavam vivas ou não, ninguém sabia. Ela esperava que estivessem, mas com vampiros envolvidos, é discutível. — Bem, isso foi proveitoso. — Levantando a caneca, Dante bebeu a cerveja antes de perguntar. — Como você maneja com computadores? Decepcionada que ela não tinha aprendido algo mais sobre os sequestros, Trinity recostou-se e decidiu ficar apenas com a conversa. — Nos dias de hoje, uma pessoa teria que ser estúpido para não saber trabalhar com computadores. Ele riu e ergueu a mão esquerda. — Oi, meu nome é estúpido. Sua testa franzida. — Você tem um computador em sua mesa. — Sim, mas eu sou tão analfabeto sobre eles como um bebê recém- nascido. 47 — Fala sério! — É verdade, sou honesto. Minha irmã, minha secretária, vem tentando me convencer a aprender mais sobre eles. Mas eu simplesmente não consigo entrar nele. — Não tem nada demais em mexê-los, realmente. — Fácil para você dizer. Ela encolheu os ombros, empurrando sua cerveja de lado meio vazia. — Bem, é melhor eu ir andando. — Ela não era de ficar parada por longos períodos de tempo, e, além disso, precisava patrulhar. — Tão cedo? — Ele limpou a garganta. — Eu quis dizer, a noite é uma criança. — Ele sorriu timidamente. — Eu tenho um amanhã, — acrescentou ela. — Me avise se você souber algo de novo. — Você também. *** Dante estava certo sobre uma coisa. A noite ainda era uma criança, para aqueles que viviam a noite. Ela não acha que as meninas estivessem vivas. Principalmente quando seus sequestradores eram vampiros. A única coisa que um vampiro queria com um ser humano era seu sangue e sexo, e mantê-los como escravos para ambos os fins. Ela só tinha que descobrir por que as meninas eram perseguidas e raptadas. A noite estava agitada, já que era em uma sexta-feira. Mesmo com as notícias que relatam três mulheres raptadas no último mês e meio, as jovens eram estúpidas o suficiente para aventurar-se, sozinhas. Ela estava tentando proteger aquelas pessoas, mesmo não as conhecendo. Ela escolheu o centrodos clubes, como de costume, onde conhecia alguns dos vampiros que ficavam por lá, esperando. A música rugia cada vez que a porta era aberta, permitindo mais pessoas entrarem. Por que alguém iria esperar horas para chegar a um lugar só para estar lotados e ficar como sardinhas em lata e ouvir uma música tão ruim? O cheiro de suor e a mistura de perfumes e colônia além do cheiro de cigarro o local era nauseante por si próprio. Em seguida, adicione bêbados, drogados e tesão, que fazia o lugar pior ainda. Em sua opinião, pelo menos. Essa coceira maldita tinha voltado e ela estava ficando louca. Sacudindo seus ombros, ela viu dois ruivos saírem do bar em direção a uma rua mal iluminada. Aqui vamos nós outra vez, ela manteve-se nas sombras, enquanto os seguia. Sem interferências, eles entraram no carro e partiram. Ela esperava que os policiais que patrulhavam esta noite, os prendessem devido à embriaguez. Voltando-se para o clube, ela esperou e observou para as próximas duas horas e nada aconteceu. Até agora. Mas a noite ainda era uma criança. — Você pode sentir o cheiro? 48 Ela não pulou, mas lentamente olhou para Basil, que apareceu ao lado dela. Ela odiava quando ele simplesmente aparecia do nada, mas sabia que ele amava essa entrada ao melhor estilo. — Seu mau cheiro? Sempre. Ele não revidou, mas lentamente, levantou a mão e acendeu o cigarro entre os dedos. — O cheiro do sangue humano. Será que ele ainda te chama, te faz faminta, faz você querê-lo? — Eu tenho força de vontade. — Deliberadamente, ela se afastou longe dele. Não era só a fumaça que a incomodava e sempre a incomodou, mas era o cheiro de Basil. Ficava irritada por ainda desejá-lo. Ela acenou com a fumaça irritante e deslocou um pouco mais longe. — Por que você está se escondendo, Basil? Porque se você está me seguindo, eu estou indo a fim de chutar o seu traseiro. — Eu estava no bairro. Ela olhou para ele e rosnou sua resposta. — Se você está aqui para se alimentar de alguém, deixe-me avisá-lo agora que eu não vou permitir isso. — De quem eu deveria me alimentar agora, já que não tomo mais seu sangue? Ela optou por não responder a isso. — Por que você parece estar sempre por perto, escondido no escuro, em torno dos lugares que não são seus redutos de costume? A menos que... Há uma razão? O pensamento esfaqueado dentro dela, e embora ela não queria acreditar, ela tinha que perguntar. — Você está tentando ter mais fêmeas do que seu próprio pai? Você está sequestrando as meninas? Com um movimento rápido e fácil, ele jogou o cigarro na escuridão. A ponta vermelha brilhava como ele voou pelo ar antes de pousar sobre o cascalho para saltar e cuspiu uma nuvem de fogo de artifício vermelho cintilante. — Eu não vou nem me prontificar a responder isso. — É tão óbvio, agora que penso nisso. Eu era jovem quando você me tomou e me fez sua. É isso que você está fazendo, Basil, fazendo outra companheira? Seus frios olhos azuis estreitaram perigosamente quando ele se aproximou. — Eu tenho uma companheira e pensar que você tem sequer esse pensamento me enjoa. — Você não precisa de mim, Basil. — Sua voz tornou-se perigosa. — Se eu estou tão errada, então porque não me explicar por que você está sempre na escuridão, escondido perto de todos estes jovens? — Pelo mesmo motivo que você está, minha querida. — Correu um dedo ao longo de sua face, fazendo-a carranca. 49 Ela bufou, afastando-se dele antes que ele decidisse fazer algo estúpido, como um beijo. — Por favor, eu não acho que você está aqui olhando para encontrar a pessoa ou pessoas responsáveis pela tomada de quatro meninas inocentes. Inclinando-se contra a construção por trás deles, Basil desviou o olhar na direção do bar e as pessoas esperando na fila para serem autorizados a entrar. — Você pensa tão pouco de mim e isso é uma vergonha. Mas suponho que eu fiz por merecer. Sim, Trinity, eu estou procurando saber quem levou as jovens, como você. E por que você quer saber? Ele caminhou na direção dela, deslizando perto e fazendo-lhe o pulso acelerar. Ele colocou os dedos em sua bochecha, depois, lentamente, deslizou-os ao longo de sua face. — Porque eu tenho um sentimento que eu estou conectado à razão de terem sido tomadas. Ela teve menos que um momento para abrir a boca e responder quando ele fechou-a com um entorpecido beijo, em seguida, se afastando, se transformou em um cachorro e foi embora. O que diabos ele quis dizer com isso? 50 Capítulo Sete Ela precisava ver Basil, apesar de estar perto dele só tornava mais difícil se afastar dele. Mas suas palavras na noite anterior a atingiu mais que sua curiosidade. E ela estava ciente de que ele poderia ter dito isso só para ela ir procurá-lo. Mas ela tinha que ter certeza. Abrindo com força a porta, ela realmente pulou um pouco quando viu Dante de pé sobre o outro lado. — Oi, eu estava esperando que você estivesse aqui. — Eu estava saindo. — Não vai demorar muito. Relutante, ela afastou-se, e assim, sentiu seu aroma. — Isso é sobre as meninas desaparecidas? — Não, na verdade. Eu pensei que se passasse por aqui você não se importaria de me ajudar se familiarizar com a tecnologia moderna. — Hein? Seus lábios se curvaram e as covinhas no rosto apareceram quando ele sorriu. — Computadores. Eu pensei que talvez pudéssemos criar um tempo para que você me ajude a utilizar essa modernidade. — Você tem uma estranha maneira de dizer as coisas. Eu não sou quem você deve procurar. Você deve conversar com Jonah, meu parceiro. Ele é um melhor professor do que eu. — Oh, bem... Eu só pensei, já que nos conhecemos e estamos trabalhando em conjunto neste caso, você poderia. — Ei, espere até lá. Nós não estamos trabalhando neste caso em conjunto. A decepção apareceu em seu rosto. — Certo, mas estamos colaborando. Olha, eu só pensei que eu iria me sentir mais confortável se você me ensinasse. Isso é tudo. Seus olhos se estreitaram quando ela começou a pensar sobre aquele pensamento. — Você quer que eu o ensine. — Sim, quero que me ensine como usar a informática. — Não. — Ela se inclinou um quadril contra a moldura da porta. — Você quer meu corpo, você quer tocá-lo e prová-lo, ah vá se foder. — Whoa, Jesus, fala de tirar a roupa né. — Ele passou a mão em seu rosto. — É a verdade. — Ela nunca foi de meias palavras. — Ok, sim, eu a acho atraente, mas, Jesus... — Ele passou a mão em seu rosto novamente. — Olha, tenho que sair agora antes que isso acabe de forma mais constrangedora ainda. Chame-me se você encontrar alguma coisa nova sobre as meninas desaparecidas. 51 Ele saiu com passos rápidos e eficientes. Trinity balançou a cabeça enquanto ele fechava a porta. A última coisa que ela precisava era de outro homem correndo atrás dela para fazer sexo. *** Foi uma noite agradável e ele adorava assistir o pôr do sol. Estava abaixo o suficiente no céu de forma que não podia fazer-lhe qualquer dano, de modo que escolheu para se sentar na varanda para desfrutar. Ao seu lado na mesa estava um copo de Chardonnay e um cigarro queimando no cinzeiro. O cheiro de ambos oscilou para cima para atacar seu nariz, mas foi o aroma do sabonete picante que chamou sua atenção. Ele sabia que era ela, mesmo sem se virar. — Eu tinha pensado em vê-la mais cedo do que agora. — Ele ergueu o cigarro aos lábios e deu uma tragada lenta e meticulosa antes de jogar. — Estava lutando com suas emoções? — Eu estava ocupada. Eu tenho um emprego, você sabe, — Trinity acrescentou quando apareceu na frente dele. Ele olhou para seu rosto encantador e a careta que ela segurava no lugar de modo diligente.— E como Jonah está? — Eu não vim para conversa fiada, Basil. Ele encolheu um ombro, levantando o seu vinho. — Recebi o seu presente esta manhã. Essa era uma jaqueta cara, eu quero que você saiba. — Mas foi a nota que disse sobre o que faria com ele que o aborreceu mais. Ela realmente se preocupava com ele. Será que ela conseguia perceber? — E agora é poeira. — Ela pegou uma cadeira em frente a ele, esticando suas longas pernas. — Que diabos você quis dizer na noite passada? — Eu disse um monte de coisas na noite anterior. O que em particular está falando? Ela apertou sua mandíbula. — Fala sério, Basil. Por que você acha que essas meninas desaparecidas têm haver com você? — Aceita uma taça de vinho? — Não, — ela disse abruptamente. Casualmente, ele tomou um gole de seu copo antes de responder. Ele gostava de fazê-la esperar. — Um rumor. — O que tem? — Eu ouvi um. — Colocou o copo para baixo e se recostou na cadeira. — Sobre o quê? — Ela perguntou com os dentes cerrados. — Meu pai. Seus olhos se animaram. — Fala sério? 52 Seu pai, o rei Avadur, foi o primeiro vampiro do sexo masculino a ser criado, há séculos atrás. Ele tinha sido escolhido pela rainha, Rajana, como sua companheira. Basil foi à única criança que tinham gerado, antes que seu pai tivesse abandonado a rainha com seu filho, aprisionando-a no Reino Místico. Mas Basil tinha a certeza de seu pai pagou por prendê-la, visto que foi aprisionado no Reino da Escuridão. Bem, trair sua mãe foi apenas uma das razões, para aprisioná-lo. Tentar dominar o mundo foi o principal motivo da sua decisão. — Como eu disse, um boato. — Ok, qual é boato, me fale sobre isso? Ele teve sua atenção agora. — Eu ouvi boatos de uma ressurreição. — O quê? Como? Ele encolheu os ombros e ergueu a taça mais uma vez. — Como eu disse, é um boato que ouvi casualmente. — E você decidiu prestar atenção sobre ele. Mas o que isso tem a ver com as meninas desaparecidas? — Eu não sei o que ele faz, mas estou curioso. — Não brinque comigo, Basil. Como o rapto dessas meninas tem haver com ele? — Há um pergaminho, — disse ele após um momento, — escondido por séculos, que conta a história de um feitiço de ressurreição com cinco mulheres virgens. A profecia se você quiser. — Cinco? Quatro já foram tomadas. — Sim de fato elas foram levadas por esse motivo. — Demasiada coincidência para mim. Onde está esse pergaminho? — Ele desapareceu nos últimos tempos. Sua sobrancelha se levantou. — Você o tem? — Não. — Ele tomou um gole. Seus olhos se estreitaram. — Você respondeu muito rápido. — Por que eu teria? — Parece apropriado para você tê-lo. Você pode usá-lo para ressuscitar seu pai. — Ele não está comigo e não o quero solto por ai. Há outra razão pela qual você veio me ver? — Você está fugindo da questão, Basil. — Sim, certamente. — Levantou-se agora, para deixar a taça de vinho sobre a mesa. — Você se lembra de todas as noites que nós nos sentamos aqui, vendo a noite chegar, fazer amor sob as estrelas? — Me dê Basil. — Dar o quê? — Disse inocentemente, tomando suas mãos, tocando com os dedos, imaginando-as acariciando suas costas, correndo através de seu cabelo. 53 — Tentando me ter de volta. — Ela tentou tirar as mãos deles. — Isso não vai acontecer. Você me magoou Basil e eu não vou consentir qualquer momento com você. — Levantou-se e finalmente conseguiu soltar suas mãos, em seguida, correu para a escuridão iminente. Fechando os olhos, Basil lembrou da primeira vez que ele a levou para sua cama. Como ela era inocente, tão ingênua, tão dócil. Ela estava tão carente, tão sozinha e ele tinha dado a ela tudo que ela precisava. Eles viveram felizes por muitos anos. Até que... Basil agarrou seu copo de vinho e bebeu o restante. Se ele pudesse mudar as coisas e tivesse permanecido fiel a ela, ele estaria muito feliz. Mas até ele soubesse quem estava tentando ressuscitar seu pai, ela estaria melhor sem ele. Tinha sido uma tarefa bastante difícil banir o seu pai para o reino das trevas, mas ele conseguiu. Ele não poderia ter seu pai assumindo o controle da raça humana do jeito que ele tinha planejado. Ao vê-lo criar um dos homens mais horrível do mundo, Hitler, e usá-lo para escravizar os seres humanos, e fazê-los de alimentos para os vampiros, tinha sido a gota d'água. Levou anos para encontrar o ritual certo e mais tempo para esperar o momento certo. Um eclipse total do sol. Ele sacrificou criaturas inocentes, mas não os seres humanos. E mandou seu pai longe, para ser tratadas pelos místicos das Trevas. E agora parecia que ele estava encontrando o seu caminho de volta. Basil estava determinado a impedir que, de qualquer forma, ele voltasse. *** Dante estava sentado atrás de sua mesa, braços cruzados sobre o peito. Talvez ele estivesse de mau humor, um pouco. Talvez estivesse se escondendo, também, mas tudo bem. Foi ao seu escritório, se ele queria se trancar dentro, então, que era a sua escolha. Além disso, ele tinha trabalho a fazer. As mulheres, quem poderia entendê-las? Ele nunca conheceu uma mulher, como Trinity antes. Ela era corajosa, forte, honesta e malditamente sexy para arrancar pedaços. Ela tinha o tipo de corpo que fazia um homem se sentar e pedir. Ela o fez se sentir tão baixo, coisa que ele não era. Ok, então ele queria algo com ela. Mas ela tinha que ser tão contundente sobre isso? — O quê é? — Eu tenho um arquivo para você olhar. — Passe sob a porta. — Eu não vou. Abra, Dante, ou eu vou abrir a porta. Eu tenho uma chave, você sabe. Que droga, resmungando, ele se levantou, pisou em cima de uma pilha de arquivos no chão e abriu a porta. 54 — Obrigado. — Ele tentou agarrar a pasta e fechou a porta, mas ela foi mais rápida. — Eu não penso assim. Precisamos conversar. — Ela deu um passo por ele. — Você esteve mal-humorado o dia todo. Que diabos esta acontecendo? — Eu não tenho nenhum problema. — Ele olhou de volta para sua mesa. Passando por cima dos arquivos, Lexi sacudiu a cabeça enquanto olhava para baixo na pilha de arquivos lixo no chão. — Eu pensei que você ia se livrar de todos estes arquivos. — Eventualmente, irei. — Você esta virando um acumulador, o que se passa? — Nada. — Ele não queria entrar no assunto, mas ele estava aborrecido com a sua irmã que estava importunando-lhe a vida. — Faça como quiser. Como você está de bom humor eu poderia torná-lo pior, — disse irritada. —Por que diabos você está olhando para o ocultismo? — Eu estava pensando em praticá-lo, — ele comentou casualmente enquanto olhava para o material. — Oh, Dante. Seus olhos se encontraram e a pena que ele viu o deixou doente. — Oh não, não venha com isso. — Você tem que parar com isso. É mais. Ele se foi e não há nada que você possa fazer para trazê-lo de volta. Dante empurrou sua mesa abruptamente, mandando a cadeira de rolamento para trás rapidamente que bateu na janela de trás. — Eu não estou tentando trazê-lo de volta, Lexi. Estou tentando encontrar os bastardos que o levou. — Já se passou 20 anos, Dante. Você precisa deixá-lo ir. — Nunca! — Ele agarrou-a, batendo as mãos sobre a mesa, enquanto se inclinou em sua direção. — Enquanto eu tiver fôlego nos meus pulmões, eu vou caçar o bastardo que o levou. — E você acha que vai encontrá-lo por se aprofundar nas áreas de magia negra? Vamos lá, Dante. Danny está morto. Morto não fala. É hora de você entender isso. — Eu não estou investigando, Lexi, eu estou procurando. Eu acredito que alguém envolvido em magia negra é responsável pelo desaparecimento de Danny, não a morte e eu não vou ficar parado até eu descobrir quem é. Ele se levantou e caminhou até a porta.— Dante. Ele bateu a porta em seu protesto. *** A conversa com Basil continuou a trabalhar dentro da mente de Trinity até mesmo horas depois que ela o tinha deixado. Se o que ele pensava fosse verdade, então se alguém estivesse sequestrando jovens, meninas virgens para usar como um sacrifício. 55 Mas se não fosse Basil. Quem iria querer ressuscitar o rei dos vampiros e com que finalidade? Os vampiros tinha se virado muito bem sem ele. Que razão haveria para trazê-lo de volta? Ele ia deixá-la sair com facilidade. Porra, ela não queria pensar nisso. Ela não queria pensar sobre seus sentimentos por Basil. No entanto, lá estavam eles, aprontando com ela novamente. Suspirando, Trinity chutou uma pedra em seu caminho. Desde que ela saiu da vida de Basil, tinha esperado que ele recobrasse o juízo. Ela o amava, além da razão, mas ele a machucou e por causa disso ela se mantinha longe dele. Será que ela, se ele prometesse ser fiel, voltaria para ele? Num piscar de olhos. No entanto, a lembrança de estar transando com aquela mulher era uma dor que não conseguia superar. Ele prometeu eterno amor a ela e lhe deu um anel. Um rubi lindo de duas camadas com diamantes ao longo da borda. Neste dia eles fizeram amor por horas, até que a exaustão os dominou. Dois dias depois, de passar o dia inteiro trabalhando com Jonah em um vírus particularmente teimoso que havia assumido um computador em empresas locais, ela correu para tomar um banho antes de voltar ao trabalho. E encontrou Basil, com outra mulher em sua cama. Ela teve um ataque, em seguida, jogou o anel em seu rosto e saiu. Ela não havia retornado desde então. E ela não iria voltar para ele agora, apesar da dor em seu coração. — Fancy disse que podia encontrá-la aqui. Sua cabeça virou até que viu Dante em pé diante dela. Ela podia sentir a tensão saindo dele como fumaça e sentiu semelhante a suas emoções. — Hey. — Vem sempre aqui? — Ela inclinou a cabeça e ele levantou as mãos para a rua escura à sua frente. — Não há clubes aqui, sem lojas, razão para ninguém estar aqui à meia-noite. — Eu estava andando. — O que não era uma completa mentira. — Um pouco longe de seu lugar, não é? Ela encolheu os ombros. — Eu gosto de manter a forma. O que você está fazendo aqui? — Eu? Eu... hum, decidi dar um passeio. — Ele sorriu e seus dentes brancos brilharam. — Recebeu uma ligação? — Nada de concreto. E você? Ela encolheu os ombros, olhando para dentro da noite escura, mantendo um olhar atento para qualquer sinal de atividade. — Nada de novo sobre o que conversamos. — Sobre isso... — Olha, se eu tiver alguma coisa que eu acho que poderia ajudar o seu caso, eu vou deixar você saber. Além disso, não precisamos falar. 56 — O que eu tenho em mente não envolve falar. Ela se afastou, sabendo muito bem o que era que ele queria. Ela não precisava de mais complicações em sua vida agora. — Olha, Dante. Ele pegou completamente de surpresa quando a agarrou pelo braço e puxou a boca contra a dele. Ela sentiu o calor dele sobre ela, a necessidade sexual que emanava em ondas. E quando a mão livre deslizou em volta da cintura para descansar em suas costas, ela o empurrou. — Isso não vai acontecer novamente, — disse ela com um dedo apontado. O que tinha os homens, pensando que poderia levar o que queriam, quando eles queriam? — Negócios, Dante, nada mais. — Alertou-o, mais irritada do que antes. Porra, ela precisava matar alguém. *** Uma comoção lhe chamou a atenção e quando ela olhou ao redor, viu de onde ela estava vindo. Uma loja de conveniência estava sendo roubada e do que ela poderia dizer, tinha acabado de começar. Trinity caminhou para a loja muito iluminada. Que diabos estava acontecendo com as pessoas, de repente? Talvez tivesse algo a ver com o eclipse solar chegando. Parecia sempre trazer pessoas malucas. Na sombra, ela observava através das janelas. Havia apenas dois deles. O rapaz que segurava a arma sobre o homem por trás da caixa registradora talvez tivesse dezoito anos. Ele tinha uma máscara preta no rosto e usava uma camisa preta e calças, mas seu corpo parecia jovem. Trinity achou que ele estava tão nervoso como um gato em uma sala cheia de bulldogs. O outro menino estava segurando uma arma e apontando para dois senhores apavorados, Trinity achou que ele tivesse a mesma idade que seu parceiro. Ele também usava tudo preto, mas ela podia ver a cauda loira do seu cabelo pendurado debaixo de sua máscara. Ambas as armas estavam carregadas e prontas para atirar. Sentindo que não estava caminhando para um final feliz, ela abriu a porta e entrou na loja. No som da campainha, os dois pistoleiros voltaram suas armas para ela. O garoto mais próximo a porta se contorceu e a arma disparou, pegando no ombro direito de Trinity. Foi o suficiente para mandá-la para trás, batendo na porta por onde tinha entrado. Agarrando seu ombro ferido, ela ouviu os dois pistoleiros argumentando. —Ah, foda-se. Foda-se! —Que diabos você pensa que está fazendo? —Eu me assustei, ok. Foda-se! —Ela está morta? —Eu não sei. 57 Ela não estava morta, mas a bala doía. Era como fogo no ombro dela e ela sabia que no instante em que a bala fosse retirada iria doer mais ainda. Mas isso teria que esperar. Ela tinha de lidar com o verme que tinha atirado nela primeiro. Com agilidade e velocidade de vampiro, ela atacou, carregando o menino que tinha atirado nela, derrubando a arma da sua mão enquanto ela o levou para baixo. A dor abalou seu ombro enquanto ela foi para o chão, rolando com o menino. Usando o cotovelo, ela deixou-o inconsciente, em seguida, pulou para ir atrás de outro cara. Ele disparou contra ela. Ela mergulhou, pegando-lhe nas pernas e levando-o para baixo. A arma saiu voando atrás deles, enquanto eles lutavam no chão. Este foi mais resistente do que o seu parceiro e tentou lutar. Levou tudo ao seu alcance para não deixar sua superfície demoníaca. Ela ouviu as sirenes da polícia no fundo e levantando o punho, bateu no nariz dele. A fissura do osso foi para fora, fazendo-o gritar, o sangue espirrou para fora quando ela bateu-lhe mais uma vez. Inconsciente, ele caiu no chão, sua cabeça batendo no linóleo. Meio atordoada Trinity percebeu que todos os olhos estavam sobre ela antes dela arrancar para trás. A última coisa que ela precisava era a polícia. Segurando seu ombro, sangue escoando por entre os dedos, ela atravessou as portas de saída que levaram ao beco e fugiu para dentro da escuridão. 58 Capítulo Oito Quando Trinity entrou em seu apartamento, estava se sentindo incrivelmente fraca e exausta. Seu ombro sentia-se como estivesse queimando e ela se amaldiçoou violentamente enquanto se dirigia ao banheiro. Ela odiava fazer isso, mas tinha que fazer. Se ela deixasse a bala embutida em sua pele, seu ombro inflamaria e começaria a apodrecer. As alegrias de ser um vampiro. Ela não ia ter infecções como um humano. Oh não, mas ela apodreceria coisa que ela não queria que acontecesse. Você não consegue disfarçar a podridão da carne com perfume. Ascendendo a luz, teve um vislumbre de si mesma no espelho. Ela parecia vinda do inferno, toda suada e sangrando, os olhos escuros. — Oh merda, eu gostava dessa camisa. Agora foi. Ela rasgou-a sobre a cabeça, encolhendo-se quando a dor atacou seu ombro. Jogando a camisa ao lado, ela procurou a pinça na gaveta. Depois de encontrá-la, ela pegou um pouco de água quente para esterilizar. Ela pegou a toalha na prateleira e respirou fundo. — Até agora tudo bem. — Ela inseriu a pinça no buraco. — Puta que pariu. — Ela amaldiçoou novamente, enquanto a dor queimava em seu braço. Mordeucom força, seus dentes rangeram, ela procurou a bala com a pinça. Ela sabia que não tinha ido até o fim, ou o ferimento estaria curado por agora. Então, onde diabos estava a bala? Quando ela achou a bala, deixou escapar um elogio fraco. Essa tinha sido a parte fácil. Fechando os olhos, contou até cinco e começou a mexer a pinça sob a pele, o som de carne esguichou enquanto ela começou apertar a bala. Porra ela estava presa num osso, caralho. Rangendo os dentes, ela percebeu que não seria capaz de fazer isso sozinha. Puxando a pinça do buraco, ela deixou cair na pia e pendurou a cabeça, tentando não "apagar”. Havia apenas uma pessoa que poderia ajudá-la agora, e caramba, ela odiava chamá-lo. — Basil, eu preciso de você, — ela falou em voz alta, sabendo que ele iria ouvi-la. Suas pernas tremiam e ela caiu no chão. Descansou a cabeça contra a parede e esperou. Tinha sido apenas alguns segundos, mas para ela parecia horas quando Basil finalmente apareceu. Ele deu uma olhada em seu braço e sacudiu a cabeça. — O que você aprontou agora? — Cale a boca e retire a bala. — Ela não estava muito certa quanta dor ela ainda poderia suportar. Achou a pinça ensanguentada na pia, levantou-a, em seguida, ligou a água quente. — Não conseguiu tirá-la. 59 — Está encaixado no osso. — Você quer algo para morder enquanto eu faço isso? — Ele perguntou enquanto se ajoelhava na frente dela. — Acabe logo com isso. — Quanto mais cedo melhor. Ele pegou o braço dela na mão, ajeitando-a para que pudesse obter um melhor ângulo e depois levantou a pinça. Ele cheirou o ar, se inclinou e cheirou-a. — Você esteve com outro homem. Ela abriu os olhos e ficou surpresa e viu o quão próximo ele realmente estava. — Vamos lembrar porque você está aqui, Basil. — Com um ser humano? — Ele a cheirou, depois fez uma careta. — Com um ser humano, — disse ele com nojo. — Eu não estava com ninguém. — Ela cutucou a cabeça em direção do braço. — Você se importa? Ele se levantou, irritado agora. — Sinto o cheiro dele em você. Sua colônia, seu cheiro. Não minta para mim. — Oh, pelo amor de Deus, Basil, estou com dor aqui. Venha. — Claro, ela poderia insistir que não tinha dormido com um homem, mas por um lado, estava com dor, e dois, ela gostava de fazê-lo pensar que ela tinha dormido com outro homem. Vê-lo sofrendo por uma vez. Ainda irritado, ele sentou-se no chão, tomando-lhe o braço e levantando a pinça, ele começou. — Foi ele que atirou em você? Ela sibilou enquanto ele inseriu a pinça para dentro do buraco no braço. — Não. — Um estranho então? — Ele perguntou enquanto sondou-lhe o braço. — Jesus, Basil, podemos deixar as vinte perguntas para depois de você retirar a bala maldita do meu braço? — A pinça atingiu a ponta da bala, e ela tentou respirar profundamente, mas a dor do ombro atingiu de forma que toda a parte do seu corpo estava dolorida, do ombro até os pés. — Você pode querer agarrar a algo. — Abriu a pinça um pouco mais dentro de seu braço e ela quase mordeu a língua. — Isso vai doer pra caramba. — Tanto faz. Acabe logo com isso. — Ela agarrou a cremalheira de toalha e segurou. — Este não é o momento de bravura. Eu poderia derramar sobre você uma bebida forte. — Acabe logo com isso, — ela insistiu e, abrindo os olhos, viu o olhar no dele. — Eu posso lidar com isso, honestamente, Basil. Ele respirou fundo, depois continuou. 60 Sentiu a pinça no osso, enquanto ele puxava a bala. O ar ao seu redor começou a faltar. — Não que você não foi o suficiente para mim Trinity, — ele falou enquanto retirava a bala para fora do osso. Ela estava com muita dor, para prestar atenção no que ele dizia. —Foda-se! — Ela amaldiçoou enquanto a bala saia do osso um pouco mais. — Quase, — prometeu ele, suavemente. Ela bateu no toalheiro com a força de seu aperto enquanto a bala escorregou de seu braço. — Merda! Merda! Merda! — Você gostaria de mantê-la, como uma lembrança? — Ele segurou a bala com sangue. — Não! Preciso de uma bebida. — A sensação de queimação ainda estava lá, embora não fosse tão ruim quanto antes. Ela ainda estava irritada. Ele jogou a bala na lixeira, em seguida, estendeu a mão para ela. — Você deve lavar o local com água morna e sabão. — Eu sei o que fazer. — Ela o deixou ajudá-la a se levantar — Obrigada. — De nada. Você teve relações sexuais com um humano, Trinity? Ele só não tinha deixado para lá e ela percebeu a mágoa em sua voz, aquilo fez doer seu coração. — Deixe para lá. Se eu dormi com alguém, não é da sua conta. Nós acabamos, lembra? Deixando-o sozinho no banheiro, ela foi para seu armário de bebidas e pegou uma garrafa de uísque na prateleira de cima. Ela abriu a garrafa e tomou um gole longo, em seguida, derramou uma boa dose no braço. — Porra! — Ela amaldiçoou quando o fogo irrompeu na ferida. — Um banho quente teria sido muito menos doloroso. Você pode pelo menos me dizer como você conseguiu receber um tiro no braço? — Eu parei um assalto à mão armada em andamento. — Um chuveiro quente teria funcionado, com certeza, mas o álcool esteriliza melhor que a água quente. E ela ia usar o analgésico que estava procurando também. — E recebeu um tiro no braço durante o processo. Era da polícia? — Não, foi de uma criança nervosa que achava que ele estava preparado para a tarefa de roubo. — Ela pegou a garrafa de volta. — Eu aprecio sua ajuda, mas estou meio cansada agora e gostaria de dormir. — Você tem alguma idéia de como vê-la assim está me dilacerando? — Foi só uma bala, minha vida não está ameaçada. Sua sobrancelha levantou e um sorriso leve ondulou sobre seus lábios. — Eu não estava falando sobre a bala. — Seus olhos brevemente se dirigiram aos seus seios, antes dele sorrir para ela e desaparecer. Ela olhou para baixo, viu sua nudez e amaldiçoou. Como ela poderia ter sido tão estúpida? Balançando a cabeça, tomou a garrafa e foi para sua cama rastejando por baixo dos panos e ficou por lá. 61 *** Eles já possuíam os cinco sacrifícios. Agora tudo o que restava a fazer era esperar. Chaos ficou na frente da janela de vidro da porta, admirando a nova virgem que tinha sido trazido para ele. Cinco virgens, cinco sacrifícios, tudo para seu rei. Agora, eles teriam que esperar. Uma semana, para que o ritual pudesse acontecer. Virando o punho, ele abriu a porta e entrou. Ele precisava vê-las de perto, tocar, sentir a sua pureza. Havia três loiras, uma ruiva e uma morena. Seria bom ter o rei de volta. Ele perdeu seu criador estimado. Tendo sido o primeiro assassinato do filho único do rei. Chaos havia sido trazido para a família e congratulou-se por ser aceito como um segundo filho. Ele nunca pensou em Basil como seu mestre, simplesmente porque tinha sido o rei que o ensinou a matar, como criar um outro ser. Ele daria sua vida para o rei e era o rei que ele chamava de seu criador. Até que o rei tinha sido levado embora. Chaos ainda sentia a dor de perder seu pai, visto que ele foi previamente banido do reino. E ele ainda estava ressentindo com Basil que tinha tomado a posse como rei reinante. Um rei, sem reino. Ele não tinha nenhum reino, apenas uns devotos inúteis que não havia o abandonado para pertencer à equipe de Chaos. Pelo menos ele ficava confortável com essa situação. Além do que em breve o reino teria seu verdadeiro rei, mais uma vez. Ele estendeu a mão para tocar a sedosidade dos cabelos macios da ruiva e no instante em que ele fez, ele ficou chocado. Furioso, ele se virou para tocar outras fêmeas. Quando ele não recebeu o choque, ele se voltou para a mais nova. Tomando o rosto nas mãos, sentiu a droga em seu sistema e as impurezas que estava dentrodela. Saiu abruptamente do quarto, derrubando tudo em seu rastro. — Magnus, — gritou em voz alta enquanto corria pelos corredores. — Magnus, — ele gritou mais alto. — Sim, meu senhor? — Magnus apareceu diante do Chaos, olhando atordoado e sonolento. — A mais recente não é virgem. Inclinando a cabeça, Magnus comentou lentamente. — Ela não é? — Não. Quem trouxe dentro? — Thaddeus. — Peguem-no. Agora! — Magnus correu enquanto Chaos caminhava pelos corredores. Seu povo sabia o que procurar e sabiam o que levar. Como aquela menina não era virgem? Isso não podia estar acontecendo. Eles tiveram todo o cuidado para achar e o tempo estava diminuindo. 62 — Sim, senhor? — Thaddeus perguntou com uma voz grogue enquanto entrava no quarto. Ele era um rapaz de cabelo castanho claro de pele clara. Chaos voltou-se para o jovem, apertando os olhos. — Foi você que trouxe a mais recente oferenda? — Sim, senhor. Esta noite. — Foi saindo dele ondas de calor. — E como você a encontrou? — Eu a peguei em seu quarto. — Isso foi antes ou depois que você transasse com ela? — O olhar de choque total no rosto do menino não agradou Chaos. — Seu imbecil!Ele deu um tapa na cara de Thaddeus. — Você sabe o que você fez? — Eu não consegui me controlar, senhor. Ela estava tão linda, tão... Saborosa. — Ele lambeu os lábios como um idiota. Em um flash, Chaos foi até dele, pressionando-o contra a parede, a mão apertando a garganta do garoto. — E por causa de sua insolência, vamos ter que procurar outra. — Liberou o menino assustado e se virou para Magnus. — Castrem-no. — O quê? Não! — O menino engasgou enquanto Magnus o agarrava. — E, Magnus, — disse ele enquanto se afastava. — Verifique se a lâmina está afiada. Isso irá ensinar ao menino a não brincar com o que não é dele. *** Tinha sido uma noite difícil para Trinity. Toda vez que ela se mexia, lembrava da bala que estava em seu braço. Era uma coisa boa que ela não tinha necessidade de sono regular, como os seres humanos tinham, mas ainda assim, algumas horas de paz seriam boas. A água quente do chuveiro soltou um pouco da rigidez, mas a dor ainda estava lá quando ela puxou a camisa sobre a cabeça. Ela escovou os cabelos para trás, em seguida, amarrou-os em um rabo de cavalo que pendia ao longo das costas. Abrindo a geladeira, ela pegou o frasco de sangue e o derramou até encher o copo. Ela precisava reabastecer depois da noite que ela teve. Com um pouco de canela, ela colocou no microondas e ele aqueceu durante vinte segundos. Apenas o suficiente para tirar o frio. Ela preferia o seu sangue quente, não gelado. Pegando o copo, ela se dirigiu a seu escritório. Iniciando o computador, a tela de iniciação engraçada, não a fez sorrir. Cara, ela estava se sentindo mal. —Mostre-me as manchetes de hoje, — ela instruiu o computador enquanto ela tomava um gole do seu copo. Enquanto as manchetes apareciam, ela revirou o ombro dolorido. Mesmo com suas habilidades de cura, ela sabia que ia demorar dias antes que seu ombro voltasse ao normal. — Pare computador, — ela ordenou e se inclinou mais perto da tela. Lá em baixo do jornal, mais uma vez uma pequena tarja. Que jornal desgraçado que destacava notícias de novas construções de estrada, a vida humanas. 63 O corpo da jovem de 17 anos, Candace Smart foi encontrado cedo esta manhã em um beco fora na Avenida. Ela estava desaparecida, há poucas horas. Seu corpo foi encontrado pelos coletores de lixo e a polícia foi chamada imediatamente. A polícia não disse muito, só que a sua morte não tinha ligação com os outros desaparecimentos. Trinity bufou. — Bastardos. — Ela disse enquanto se levantava de sua cadeira, furiosa consigo mesma por não ser capaz de salvar uma vida. Ela precisava de Jonah para invadir o banco de dados da polícia e obter mais informações. *** — Ótimo, você ainda parece mal humorado, — disse Lexi, tomando um assento através de seu irmão atrás de sua mesa. —Você viu isso? — Ele segurou o papel, apontando para a pequena noticia da última menina que tinha desaparecido, ignorando o comentário da irmã. Ela olhou a noticia, em seguida, assentiu. — Foi à notícia desta manhã. Tão triste. — Você sabe quantos desses casos, há a cada ano? Vítimas com a garganta rasgada e o sangue drenado do seu corpo. — Colocou o papel para baixo, ignorando o rosnado da irmã. — Eu não gosto de como você está ficando obcecado novamente, Dante. Você está me assustando. Seus olhos se encontraram e ele podia ver a tristeza em si. — Eu não sou obcecado, estou apenas fazendo meu trabalho. — É e às vezes eles se entrelaçam. — Ela estendeu a mão e pegou a mão dele. — Por favor, deixe-o ir. — Eu não posso, Lexi. Não até eu descobrir quem foi responsável. — O que faz você pensar que a pessoa ainda está aí? A polícia não tinha pistas e o caso foi encerrado anos atrás. Ele puxou a mão e apontou para o papel. — Devido a isso. Foram cerca de vinte casos, só este ano, de vítimas com suas gargantas rasgadas e o sangue drenado. E estamos apenas em Abril, Lexi. Isso não é trabalho de um ser humano, — ele esperou Lexi dizer alguma coisa. — Oh, Jesus, Dante. — Isso é exatamente o que aconteceu com Danny. — Dante, não. — Ninguém acreditou em mim então, mas eu sei o que vi. Um monstro o levou e rasgou-lhe a garganta e beberam seu sangue antes de arrastá-lo. — Pare com isso! Isso é ridículo. — Esse é o problema, Lexi, todos são como você. Negam... Há coisas, neste mundo, que não são normais, não são humanas. — Ficção. — Ela retrucou. 64 — Verdade. — Ele se levantou e dobrou o papel. — Eu tenho algumas pistas para checar. Vou passar a maior parte do dia fora, mas vou deixar o celular ligado se precisar de mim. — Dante... — Ele parou e virou para ela. — Por favor, não faça nada estúpido. Ele sorriu e esperou que ficasse a vontade. — Você deveria ter me dito isso, anos atrás, quando eu abri este negócio. Entendeu, irmã? — Acenou para ela enquanto partia, Dante gostaria que sua irmã não se preocupasse tanto. *** — Você acha que pode simplesmente estalar os dedos e eu vou fazer o que quiser? Você acha que eu posso simplesmente apertar um botão, ligar o computador e procurar a informação que você quer? Isso é ilegal, você sabe. E se eu for pego? — Já acabou? — Outra coisa, — Jonah falou. — Eu não sou um robô. Por favor, e obrigado seria muito bom. Trinity revirou os olhos, em seguida, colocou a mão no ombro de Jonah. — Por que temos que passar por isso toda vez que lhe peço um favor? — Porque é divertido, e... eu gosto de ver você se contorcendo. Ok, vamos colocar esse bebê para trabalhar e ver o que consigo. — Você realmente precisa de ajuda. — Puxando uma cadeira ao lado dele, Trinity observou como seus dedos voavam sobre o teclado com rapidez, movia-se de forma eficiente. Ele realmente era um gênio com a coisa. — Sim, eu sou um doente, o homem, doente. Quer tirar a minha temperatura? — Ele piscou para ela e balançou as sobrancelhas. — Claro, eu não tenho nada contra enfiar um termômetro no cu de uma pessoa e deixá-lo lá durante um longo tempo. — Merda, Trin, posso realmente sentir isso. — Ele estremeceu, soltou um grito quando o computador pegou a transmissão. — Estou dentro. — Bom, pegue tudo sobre a menina que foi encontrada nesta manhã e as quatro outras meninas que estão desaparecidos. — Me dê um segundo para encontrar as pastas. — Trabalhou com seus dedos sobre o teclado, digitando em seu pedido. — Por que o fascínio? — Elas são inocentes. Ele olhou para ela por alguns instantes. — Não é bom o suficiente. — Ele se virou para o computador. — Eu tenho um palpite de que há mais nisso do queapenas algumas garotas desaparecidas. — Um palpite, hein? Sim, eu consegui! Ei eu sou bom. — Levantou os braços no ar, ele balançou eles, aplaudindo, e ao fazer isso, esbarrou em seu ombro dolorido. 65 — Merda! — Ela estremeceu, agarrando-lhe no ombro. — Quer me matar enquanto você está aplaudindo? — O que aconteceu com seu braço? — Eu levei um tiro na noite passada. — E o desgraçado não tinha se curado com rapidez suficiente. — O quê? — Ele girou em sua cadeira, agarrando o braço dela para olhar. Ela puxou-o. — Basil removeu a bala e eu estou muito bem agora. Jonah olhou para ela com desaprovação olhos. — Basil? Ela conhecia aquele olhar. — Bem, eu teria chamado você, mas me lembrei da última vez que viu uma das minhas feridas. Você ficou chocado com um bebê. — Alguém tinha te cortado e deixado suas entranhas abertas. Desculpe- me por estar um pouco enjoado. Por que você levaria um tiro? — Preocupe-se em salvar os arquivos. — Ela deu um tapinha no monitor do computador. — Estou dentro. — Ele virou o monitor de frente para ela. — Será que ele passou a noite com você? — Não, ele foi embora depois que retirou a bala do meu braço. — Ela se inclinou para ler o conteúdo. Mesmo que a polícia não anunciasse ao público, eles sabiam dos vampiros enlouquecidos na cidade, relatando nos seus arquivos. — Eu sabia. Foi trabalho de um vampiro. Deixe-me ver os arquivos sobre as meninas desaparecidas. Jonah trabalhou os dedos sobre o teclado em um movimento rápido e fluido, abrindo o próximo arquivo. — Isso foi tudo que ele fez, tirou a bala de seu braço? — Sim, papai. Eu fui uma boa menina. Eu não dormi com o homem mau. —Ela bufou, enquanto lia o conteúdo do arquivo no monitor. —Você pode salvar isso para o meu computador? — Claro. — Ele enviou o arquivo para seu computador, em código, por isso não podia ser rastreada. — Você vai me dizer por que tudo isso é tão fascinante para você? — Você é virgem, Jonah? — Ela perguntou enquanto ele estava fazendo as coisas. — Um tempo atrás eu era, agora não. — Então você não tem nada para se preocupar. Vou pegar os arquivos depois. — Ela deixou o escritório, a caminho de sua suíte. 66 Capítulo Nove Fazia muito tempo desde a última vez que ele entrou no reino místico. E como o tempo, antes disso, ele vem perguntando sobre seu pai. Basil estava na sala de neblina branca, esperando para ser ouvido. — Eu venho em pedido de respostas. — O príncipe chega sem nenhuma oferta, de modo que o príncipe não receberá nenhuma resposta, — a voz suave feminina cantava para ele. — Eu tenho uma oferta. — Ele segurou em sua mão uma oferta, uma estátua de ouro que estava na palma de sua da mão. — É raro. — O ídolo Perpétuo da Sabedoria, — a voz respondeu para ele. —A oferta é digna. A estátua desapareceu de sua palma, e Basil esperava que fosse suficiente para conseguir o que ele queria. — Eu vim em busca de respostas para a profecia que indica o retorno de Avadur. — O rei está preso como estava antes e vai ficar lá até o sol se for. — Eu sei disso, mas eu ouvi rumores da sua ressurreição, de um ritual para ressuscitá-lo. — Cinco virgens mortas no dia do eclipse solar, no momento em que a lua for aprisionada. — Sim, eu sei. É verdade? — Cinco já foram aprisionadas, o sangue de uma não era puro, então outra será raptada. A voz ecoou na sala de neblina. — O eclipse solar é, em menos de uma semana. O que posso fazer para parar isso? — Basil estava disposto a fazer qualquer coisa para impedir que seu pai retornasse ao trono. Ele gostava de sua vida, gostava de estar vivo e ele sabia se seu pai fosse trazido de volta, a vida como ele conhecia iria acabar. — Impedir os sacrifícios. — Eu tenho tentado, mas... — Tente mais duro. Outra será raptada hoje à noite. Resolva essa situação meu filho. Você não pode deixar seu pai voltar, meu filho. Passando a mão sobre o rosto, Basil respirou fundo. Ele sabia que sua mãe queria Avadur preso, por tê-la traído e ele o queria preso para salvar a raça humana. Sua vida com seu pai depois que ele foi tirado de sua mãe não tinha sido fácil. Ele tinha sido forçado a criar, começando com a criação de Chaos e muitos outros depois. Apesar de Basil ser filho de uma das criaturas mais hediondas que o homem já conheceu, ele puxou a sua mãe. Ele tinha um coração bondoso. Basil não acreditava em levar uma vida sem razão e se absteve de matar inocentes depois que ele conseguiu se livrar de seu pai décadas anteriores. 67 Trinity foi o começo, mas quando a conheceu, ele sabia que ela nasceu para ser dele. Ela sempre seria sua. E logo que ele estivesse certo que seu pai estava bem trancado para o bem, ele iria explicar tudo a Trinity. Entretanto, ele tinha que parar o ritual. — Eu não vou falhar com você, mãe. Ele não podia. *** A escuridão era reconfortante, principalmente para uma criatura da noite. Porém, havia momentos que sentia a falta do sol, do jeito que ele aquecia seu rosto, sua pele. Do jeito que cintilava na água criando um efeito cintilante que parecia pequenos diamantes. Mas agora, porque ela tinha se transformado em um vampiro, o sol era um inimigo. Não, ela não iria se desintegrar se a atingisse, mas seria queimada e sua carne ia cozinhar, se ela ficasse muito tempo na luz do sol. Não era uma sensação agradável ou uma visão agradável. Era apenas após uma hora da manhã, o momento perfeito para um vampiro estar à espreita. Embora fosse um dia da semana, havia algumas jovens na rua. Ela saberia se uma seria sequestrada hoje à noite? Não. Mas ela não estava prestes a desistir. O relatório da polícia disse que a jovem encontrada morta foi retirada da segurança de seu próprio quarto. Que tipo de mundo era quando uma criança não estava segura em sua própria cama? Como ela podia supostamente protegê-las se estavam sendo perseguidas dentro de sua casa aconchegante, confortável e segura? Pelo menos ela tinha que tentar. Ela desejou saber mais sobre essa profecia dita. Por que alguém iria querer ressuscitar o rei? Qual o objetivo de trazê-lo? Aquela coceira maldita, que sentiu na semana passada estava de volta. Ajeitou os ombros, na região onde a bala tinha entrado ainda estava um pouco dolorido, ela se virou. E lá estava ele. — Eu deveria saber que você estaria por aqui, — ela sussurrou para Basil enquanto ele saiu das sombras. — Porque você está aqui? Você está me seguindo, de novo? — Eu não estou te seguindo, Trinity. Eu estava apenas à espreita. Ele parecia um homem à espreita. Seu cabelo escuro estava penteado para trás, acentuando o seu rosto suave. Ela não pôde deixar de notar que ele tinha comprado um casaco novo e que se encaixa perfeitamente ao seu corpo alto e magro. Que mulher não gostaria dele? Ela certamente ainda gostava. — Se você está procurando uma vadia para transar, vá encontrá-la em outro lugar. 68 Seus olhos escuros ficaram mais escuro quando ele falava. — Eu não estou procurando nenhuma mulher. Estou assistindo aos nossos irmãos. — Você está se encontrando agora com homens, Basil? — Ela sabia que estava sendo mal-intencionada, mas porra, ela estava sofrendo. Balançando a cabeça, Basil ergueu a mão à boca e tirou o cigarro entre os dedos. — Eu descobri que outra menina será sequestrada essa noite. Eu estou aqui para impedi-lo. Ela deu um gemido bastante indigno para ele, levantando os olhos com espanto. — Certo. — Acredite que você gosta, Trinity. — Soprou uma nuvem de fumaça no ar que ficou parado no meio da noite com menos brisa. Ele era um bobo quando não conseguiu o que queria. — Tudo bem, então eu digo que acredito em você.Quem te deu esta dica? Seu pé chutou o cascalho debaixo. — A rainha. Ela congelou por um breve segundo, então se virou para ele com interesse absoluto. — Você viu Rajana? — Basil raramente falava de sua mãe, mas ela sabia o suficiente para que se tivesse falado com ela agora, ele estava falando sério. — Eu falei com ela, sim. — Ele jogou o cigarro no chão e inclinando a cabeça, farejou o ar. — E? — Ela seguiu-o enquanto ele se movia ao longo do beco escuro. — E o quê? — O que ela te disse? — Onde ele estava indo? — Você vai parar um minuto, Basil e me diga o que você ouviu? Ele parou, mas não por causa de seu pedido. — Você não cheira? — Cheirar o quê? — Mas, quando ela baixou sua proteção, realmente sentiu o cheiro. — Sangue. — E era dela. Animal. E isso é mau. — Virou-se para o lixo enorme e tomou um olhar mais atento. — Há uma aqui. E eu não acho que ele encontrou o que procurava, por aqui. — Oh, pelo amor de Cristo, Basil, ele é um cachorro morto. Alguém provavelmente o matou em seguida, abandonou-o. O que a rainha disse? — Que outra menina seria sequestrada esta noite, porque na noite passada a outra era impura. Por que alguém simplesmente despeja a pobre criatura no lixo? Ele merece um enterro digno. — Basil, ele é apenas um cachorro. — Ela virou-o agora e viu a dor em seu rosto. — O quê? — É uma criatura inocente. 69 — Jesus, você é inacreditável. Podemos voltar ao que sua mãe disse? — Dá-me um momento. — Abrindo o casaco, puxou o isqueiro do bolso da camisa, em seguida, enfiou a mão na lata de lixo para alguns papéis. — Que diabos você está fazendo? — Enviá-lo para a sua paz. — Acendeu o isqueiro sobre o papel que pegou fogo imediatamente. Largou-o no lixo em seguida, viu como ele acendeu o cão. — Porra, isso é ridículo. — Ela segurou o braço sobre seu nariz para encobrir o cheiro de pêlos queimado e carne. — Ok, o cão se foi, podemos terminar a nossa conversa? — Ela nunca o tinha visto assim antes. Qual era o seu problema? — Você costumava ter um coração, Trinity. — Ele se virou para ela, mostrando a tristeza no rosto. — Sim, eu tinha, até que você rasgou-o com o seu adultério. A rainha? — Disse ela com impaciência. — Eu fiz o que fiz para sua segurança. — Que diabos isso significa? — Nada. Fui perguntar se o boato tinha fundamento. Ela me disse que tinha, mais ou menos. Ele realmente estava com um humor estranho hoje. — Ok, então o que é esse ritual, afinal? — Ela podia sentir o calor das chamas, uma vez que o cão ficou carbonizado, por isso ela se mudou ainda mais longe. — O sangue de cinco virgens deve ser derramado no dia do eclipse solar para ressuscitar o rei. Trinity ficou ali por um momento em uma confusão completa antes que ela falou. — Por isso estão sequestrando as meninas? — Sim. — Meu Deus! — Ela ficou enojada ao saber do destino das pobres meninas e o que aconteceria se elas não fossem resgatadas. — Como isso funciona? — Um círculo de sangue virginal deve ser feito no solo sagrado, dentro de um pentagrama, com cada virgem colocado em cada ponto. A oração é feita, pedindo o retorno do rei, então a garganta de cada menina é cortada e o solo encharcado de sangue virginal. Tudo antes que o sol retorne à sua potência máxima. Os místicos da escuridão deixaram o planeta na escuridão e o sol deixará de brilha. Logo depois o rei será ressuscitado. E a escuridão reinará para sempre. — Jesus! — Sua boca ficou realmente seca. — Ok, então alguém quer ressuscitar o rei. Mas por quê? — Por que não? — Ele voltou para a lata de lixo como o fogo lentamente diminuído. Ela estava intrigada com tudo isso e por um momento observou a fumaça encher o ar. 70 — Ok, então alguém o quer de volta. Por que você está tentando parar com isso? E não invente qualquer história, Basil. Eu quero a verdade. Ela o viu hesitar antes de finalmente responder. — O que você acha que vai acontecer comigo depois se o rei voltar? Eu o expulsei e o tranquei. Você acha que ele está feliz comigo? Ah, agora ela entendia. — Não, ele deve estar realmente chateado. — Bingo, acertou em cheio. — Então, quem gostaria de trazer o rei de volta? — Eu só conheço uma pessoa. Chaos. Intrigada, Trinity inclinou a cabeça enquanto falava. — Mas por que ele quer trazer o rei de volta? Ele tem uma boa vida agora e têm bastante seguidores. — Ele é café pequeno e ele sabe disso. Quando eu expulsei meu pai, Chaos era seu braço direito. Ele fazia tudo o que meu pai mandava, não importa quão horrível fosse. Meu pai tinha poder além do imaginável, e ele sabe disso. Meu pai estava muito próximo de conquistar o mundo e acabar com uma boa quantidade da população humana quando o bani. Chaos não estava feliz com isso. — Ou com você, eu presumo. — Agora, ela finalmente compreendeu a sua animosidade um para o outro. — Bem você sabe o quanto ele me odeia. — Sei. Como você planeja resolver essa situação? A rainha lhe disse que estavam tentando ressuscitar seu pai? —Não. — Ele colocou as mãos nos bolsos, o casaco longo era agitado pela brisa que passava. Ela o seguiu. Ele tinha sua atenção agora. — Então, como você ficou sabendo sobre o ritual para ressuscitá-lo? — Meu pai me contou. — Ele virou a esquina e continuou a pé. — Ei, espere aí. Você não pode simplesmente cair fora, após essa declaração. Ela chegou até ele, tomando posse de seu braço. — O que você quis dizer com isso? Como poderia seu pai dizer-lhe se ele está trancado? — Ele veio para mim no meu estado de sonho, que só significa que alguém está perto de soltá-lo. Após o sonho, eu fiz alguma investigação e descobri um pergaminho que implica um ritual para libertá-lo, recentemente desaparecido. Ela acelerou seus passos para alcançá-lo. — Há quanto tempo você tem esse sonho? — Isso não importa. — Importa para mim. Há quanto tempo você sabe sobre isso? — E por que ele não confiou nela mais cedo para lhe contar o que estava acontecendo? Eles eram tão unidos antes... antes de ele a trair. 71 — Você não precisa saber. — Virou-se e pisou em sua visão. — Desista Trinity. Ele era sombrio e perigoso em sua forma humana, mas quando ele mudava para sua forma natural, ele era devastador. Seus frios olhos azuis, os olhos de sua verdadeira herança, brilhavam com uma sexualidade que a atraiu desde a primeira vez que o viu como ele era. E ele ainda a abalava da mesma forma. — Não até você me dizer. Eu não vou desistir, Basil. Há quanto tempo você sabe sobre isso, e por que diabos não me disse antes? — Ela mostrou suas presas, mostrando-lhe que ela estava mais do que pronta para enfrentá-lo. — Porque eu estava tentando protegê-la, — ele rosnou baixo e selvagem. — Proteger-me de quê? — Ela resmungou de volta. — Do meu pai, — ele cuspiu para ela, seus olhos brilhando. — Que está preso. E, além disso, eu não preciso de sua proteção, Basil. Eu posso cuidar de mim muito bem. Ele balançou a cabeça e um riso escapou dos lábios. — Você não é nada, contra o meu pai, não pode se proteger. — Bem, você não precisa se preocupar comigo. Você desistiu deste direito na noite que você decidiu trepar com outra mulher em nossa cama. — Eu fiz isso por você, — ele gritou. — Desculpe-me? — Que diabos ele estava dizendo? — Eu fiz isso para te salvar, Trinity. — Agarrando-a pelos cotovelos, ele puxou contra seu peito, deixando-a sem ar. — Eu fiz isso porque eu sabia que seria a única coisa que a levaria para longe de mim. — Bem, funcionou. — Ela tentou se livrar dele agora, ele a abraçou mais apertado. — Sim, funcionou, e agora você estará segura. — Você está louco. Eu não tenho ideia do que... —Logo, uma ideia atravessou a mente de Trinity. —Ele te ameaçou? Ele ameaçou matá-lo e você não quer que eu lamente por você, por isso fez o que fez? — Se esse fosse o caso, o cara era um canalha completo. Ela sentiu por ele, mas ela ainda estava furiosa pela traição dele. — Oh, minha doce princesa de fogo. — Ele puxou para mais perto, seus lábios com um sussurro distante. — Eu poderia me importar menos sobre a minha vida. Eu não tenho vida sem você. — Puxou-a contra a boca e o beijo que ele deu nela era tão possessivo quanto ela sentia. E quando ele parou, ela se sentia mais instável do que há muito tempo. Até que ele falou. — Não era minha vida que foi ameaçada, meu amor. Era a sua. Ele desapareceu ante ela e a deixou perplexa, no escuro. *** Ele não tinha a intenção de contar tudo a ela, mas ela acabou de saber. 72 Ela se enfureceu, o que o levou a esquecer o seu bom senso e, claro, quando o bom senso ia embora, ele falava sem pensar. Agora que ela sabia a verdade a colocava ainda mais em perigo. Especialmente se ela decidisse voltar para ele. Ele tinha acabado de ter a certeza que não aconteceu. Ele perseguia a noite, camuflado como um cão, muito parecido com o que ele tinha enviado para a sua paz eterna minutos atrás. Embora muitos de sua espécie escolhessem se alimentar de animais, ele não. Ele era, afinal, muito mais uma parte deles. Ele não poderia se transformar em qualquer criatura que desejava? Claro que podia e por isso ele escolheu nunca se alimentar de um. Eram como uma família para ele, e como não tinha uma família, ele teve o que ele poderia obter. Ele esperava que Trinity fosse sua família A memória do olhar de dor em seu rosto quando ela o viu com uma prostituta era algo que ele nunca poderia superar. Ele nunca iria esquecer a mágoa que ela sentiu e a devastação que ele sentiu quando ela jogou o anel para ele. E agora ela sabia o motivo de sua infidelidade. Ele espreitava as ruas escuras e a falta de atividade vampírica era preocupante. Quer dizer que a última menina tinha sido encontrada, ou que ia ser uma noite longa. Rondando em forma de cão, ele aguardou e assistiu. Ele não tinha dúvida, agora que Chaos estava por trás do sequestro e a tentativa de ressuscitar o rei. Chaos sempre quis o poder e se esforçou desde seus primeiros dias para satisfazer o rei, ele sempre tinha sido o segundo melhor. Mas agora que Basil tinha traído seu pai, Chaos poderia começar a tentar realizar seus desejos. E Basil tinha medo que conseguisse. *** Trinity passou a maior parte da noite caminhando e pensando. As palavras de Basil giravam dentro de sua cabeça como um vórtice desagradável. Ele tinha dormido com outra mulher para forçá-la a deixá-lo, para salvá-la de seu pai. Maldição. Por que não lhe contou a verdade? Por que ele não lhe disse que ele tinha uma mensagem do seu pai e que sua vida estava ameaçada? Será que ele tinha que ser o macho para proteger a donzela em apuros? Ela era capaz de cuidar de si mesma. Maldição, tolo idiota. E, embora seu coração estivesse cheio de amor por ele antes, havia aumentado mais ainda. E mesmo que ela estivesse chateada que ele não tivesse confiado nela, machucá-la com sua traição, ele tocou-lhe ao dizer que tentava protegê-la. 73 Mesmo se ele tivesse tomado todas as medidas erradas. Condenação. Maldição, por ainda estar tão longe dele. E maldição por ela precisar dele agora. 74 Capítulo Dez Foi pouco antes do amanhecer, quando Trinity apareceu no quarto de Basil. Ele ainda estava dormindo na monstruosidade da seda vermelha de uma cama, que ela já compartilhou com ele. O quarto não tinha mudado desde que ela tinha estado aqui. Ainda era ricamente desenhado em tons de vermelho e branco em negrito. Paredes brancas, cortinas e roupas de cama em vermelho, persianas das janelas em preto para se proteger do sol. O laço branco puro ao redor da enorme cama flutuava na brisa leve da ventoinha no teto. Mesmo no escuro do quarto, ela podia vê-lo tão clara como o dia. E seu corpo ansiava. Ela afastou-se dele uma vez. Agora... agora ela queria. Muito discretamente, ela escorregou de suas roupas, então avançou a sua maneira para a cama. Ela precisava sentir suas mãos em seu corpo, para saborear seus lábios nos dela, para alimentar-se dele. Eles não se alimentam um do outro fazia muito tempo. Levantando o cobertor de seda que o cobria ficou satisfeita em ver que ainda dormia nu. Aconchegando-se a ele, se inclinou para mordiscar seu pescoço. Basil se mexeu, mas não totalmente acordado ainda. Sorrindo, ele cercou seu corpo com os braços. No instante em que sua boca tocou seus lábios, seus olhos se abriram. — Trinity? — Shh, — ela pôs um dedo contra seus lábios. — Eu preciso de você, — disse simplesmente, enquanto se acomodava sobre ele. No instante que seu pau duro, separou sua úmida, macia e sedosa vagina, ela sentiu uma necessidade envolvê-la. Sentando-se, montou-o com um abandono selvagem. As mãos de Basil puxaram-na para baixo e ela deu-lhe a boca tão ansiosamente enquanto dava o resto de si. E quando os dedos de Basil deslizaram sobre os cabelos dela, liberando o cordão que os segurava, ela sorriu maliciosamente. Ela sabia o quanto ele gostava de sentir o seu cabelo em sua pele nua. Levantou sua boca para encontrar a dele, acomodou-se, sorrindo enquanto seu cabelo caiu sobre os seios nus. Seu corpo estava em chamas. Todos os poros da sua pele estavam abertos e vivos. Ela podia sentir a brisa do ventilador do teto, que fazia cócegas na sua pele. As mãos de Basil urgentemente acariciavam seus seios, rolando o mamilo em seu polegar, seu corpo estava rígido enquanto a penetrava. — Eu quero mais, — ela exigiu, agarrando-o, segurando-o de forma que ambos ficassem na mesma altura. Ergueu as pernas, enrolando-as em torno de sua cintura, puxou-o para ela, arqueando as costas para que ele pudesse entrar dentro dela de forma mais profunda. 75 Agarrando os quadris de Trinity, ele se ergueu o máximo possível e mergulhou profundamente. O grito que ela soltou não era de dor, mas um grito animal que o fez gozar imediatamente. Basil moveu-se freneticamente, até cair em cima de Trinity, totalmente exausto. — Mais, — ela ofegou e jogou-o de costas, seu corpo caindo na cama. — O que diabos deu em você? — Conseguiu dizer, em seguida, seus olhos se cruzaram quando ela deslizou e o beijou. Ela adorava ver a emoção no rosto, enquanto deslizava sua boca sobre ele até chegar ao seu pênis e o provocou com a ponta da sua língua. E ela adorava escutar aqueles gemidos de prazer e dor, enquanto deslizava suas presas ao longo do seu pênis. Ela liberou seu pênis e deslizou sedutoramente para cima, arrastando sua língua para o centro de sua barriga e continuou subindo. Sentou-se em cima dele, acomodando seu pênis mais uma vez dentro dela, movendo os cabelos, enquanto rebolava dentro dele, o deixava louco. — Mais, — insistiu ela, deslizando de cima para baixo, freneticamente. Cravando suas unhas no peito dele. Ela podia sentir seu orgasmo chegar, mas queria muito mais do que apenas uma rápida liberação. E ela sabia que para alcançá-lo, ele teria que se alimentar dela. Levando as mãos a cabeça de Basil, ela elevou-a para cima, pressionado a cabeça dele contra seu pescoço. — Morda-me, — ela ordenou. Quando a língua de Basil deslizou para fora, sua cabeça caiu para trás, em antecipação. Mas ele deslizou sua língua, entre os vales dos seus seios, até achar seu mamilo duro e chupou com força. Seu corpo estava tenso, sua vagina ficava mais aperta e quente, pronta para gozar. A língua de Basil brincava com seus mamilos, ele chupava forte e quente. Quando ele apertouo outro mamilo com os dedos, ela sentiu que enlouqueceria. — Agora! — Trinity exigiu, o corpo dolorido, louco para gozar. Sorrindo, ele soltou o mamilo e brincou com os dentes. — Droga, Basil, agora. — Rindo, ele deslizou os dentes ao longo de seu seio e ela gemeu de prazer. Finalmente ele levou sua boca ao pescoço de Trinity, afundou seus dentes profundamente em sua artéria carótida, espetando sua carne e ela sentiu o calor do orgasmo disparar diretamente em sua barriga. — Simmmm, — ela gritou e baixou a cabeça em seu ombro. Revelou suas presas e o mordeu com força. Chupando-o descontroladamente, Trinity sentiu o sangue de Basil descendo por sua garganta, seu gosto era como o pecado, quente, picante. Sua essência a energizava, enquanto ela se alimentava. Jogando a cabeça para trás, ela gritou devido ao novo orgasmo que a invadiu. Exausto, Basil caiu de costas contra a cama, ofegante. — Merda. 76 Seus olhos se fecharam, Trinity saboreou o sabor dele em seu sistema e sorriu. Agora ele estava mais parecido com ele. — Está satisfeita? Ela estava, mas, apesar disso, ela sabia que precisaria de mais. — Por enquanto, sim, — sussurrou sedutoramente. Correndo o dedo ao longo de sua boca, ele chupou o resto de sangue que ainda estava impresso nos lábios de Trinity. — Estou sempre pronto para você, a qualquer momento. — Eu digo o mesmo. Você nunca demorou muito para ficar excitado novamente. — Como de costume, ele ainda estava duro dentro dela. — Apenas quando você está perto de mim. O que causou isso? — Você estava bancando o difícil quando eu vim para você. — Olhando para ele agora, olhando como um todo, ela podia ver as marcas de suas unhas em seu peito. Manchas vermelhas escorriam em sua pele pálida. Era muito sedutor e gratificante. — Eu estava sonhando com você, — disse com sua voz sexy. — Eu tenho certeza que sim. — Ela se levantou e se deitou ao seu lado e ele gemeu em protesto, fazendo-a se sentir super convencida e poderosa. — Você não mudou o quarto. — Por que mudaria? — Ele se deitou de lado, descansando em seus cotovelos, olhando para ela. Ela encolheu os ombros, puxando os cabelos para trás. — Eu pensei que depois que eu sai, você deixaria o quarto decorado ao seu gosto. Tinha sido sua escolha, deixar as paredes do quarto vermelhas, com uma cama rodeada de seda branca. — Isso me lembra de você, então eu a mantive. Seu rabo ainda é malditamente gostoso. Ela virou a cabeça e olhou para sua bunda, e sorriu, orgulhosa. — Obrigada. — Então, seu humor mudou drasticamente quando viu uma calcinha de renda, no chão. Agarrando a peça de renda, ela se levantou, cheia de raiva. — Você tinha alguém hoje aqui. Deus, quão estúpida que eu poderia ser. Você ainda estava duro, mas não foi por minha causa. Foi por causa dela. Ela jogou a liga em seguida, e furiosamente começou a se vestir. Droga. Maldita necessidade que sentia por ele. Ele saiu da cama e disse: — Você sentiu o cheiro de outra mulher, quando você chegou e fez amor comigo? — Não, mas... — Porque não havia nenhuma. — Ele pegou a mão dela e ela empurrou-a fora. — Trinity. — Então foi quando? — Ela perguntou, levantando seu jeans. Ela era uma boba. — Não, não me diga. Eu não deveria ter vindo aqui. — Agora ela sabia, mesmo quando seu corpo agradecia o imenso prazer que sentiu. 77 — Trinity. — Agarrando a roupa, ela saiu correndo de seu quarto para a noite, sem nem mesmo se preocupar em acabar de se vestir. *** Basil sentou na cama e segurou a liga em cima de um dedo. Se ela não tivesse sido tão prejudicada pela sua traição, ela deveria ter percebido que pertencia a ela. Não, ele não tinha mudado nada na sala, porque esperava tanto que ela iria voltar para ele. Permanentemente. E quando ele acordou e a encontrou, ele pensou que o tempo tinha chegado. Ele a havia traído, mesmo que tivesse sido por sua própria segurança. Mas uma traição ainda era uma traição e ainda feria o coração. Ele sabia que ela era frágil, mesmo quando se recusava a admiti-lo. E foi por isso que ele tinha ido para aquela traição em particular. E agora os dois estavam pagando por isso. A porra do seu pai. Ele quase arruinou-lhe uma vez e agora parecia que ele finalmente tinha conseguido isso. Basil não era nada sem sua Trinity. *** Sim, ok, então o sexo tinha sido ótimo. Sentia-se melhor agora do que tinha sido há muito tempo. Mas a dor da descoberta foi uma facada. Seu coração doía com a verdade. Ela ainda amava Basil, provavelmente, sempre o amaria e ele era o único homem que a preenchia completamente. Mas era muito ruim que ele fosse um filho da puta infiel. Deixando os pensamentos de lado, Trinity decidiu que a única coisa a fazer era mergulhar no trabalho. Ela se ausentou do seu papel de web design ultimamente e um de seus clientes queria o trabalho pronto em uma semana. Sentada na frente do computador, com as janelas fechadas, o sol brilhando no outro lado, Trinity começou a trabalhar. Dentro de uma hora, ela tinha um projeto feito e estava ansiosa para sair. A energia subindo em seu corpo a estava deixando impaciente e louca. Sabia perfeitamente que era o efeito de ter se alimentado de Basil e agora sua energia, sua força vital corria em suas veias. Ela precisava malhar e sabia que era a solução perfeita. Deslizando vestindo os calções de treino apertado e um top esportivo, Trinity dirigiu-se para a sala de exercícios e com ela ao equipamento de exercício. Ele a ajudava a manter a forma e manter sua mente concentrada no exercício. Então, ela malhou duramente. Ela estava no meio de esmurrar o saco de pancadas, depois de passar horas levantando pesos e correndo na esteira, quando Jonah entrou na sala de exercícios. Ela viu a ponta dos seus pés no banco contra a parede e em seguida, viu duas latas de cerveja ao lado dele. 78 Ela o ouviu murmurar: — Por que ela tem que ouvir essa porcaria? — Ei, eu ouvi isso, — informou ela, acertando um golpe acentuado à direita do saco e enviando-o girando para a esquerda. — Gosto musical dos vampiros, lembra? Ele franziu os lábios e tomou um gole de cerveja. — Não tinha certeza se você poderia ouvir alguma coisa além dessa música alta. Você está assustando os clientes à distância. — Passa das quatro horas. Eu duvido que o lugar esteja lotado. — Ela socou a direita, depois à esquerda, antes de agitar os braços pulando em seu lugar. — Quer uma cerveja? Ele levantou a segunda lata e a agitou. — Se você oferece, eu aceito. Agarrando a toalha na cadeira atrás dela, Trinity enxugou o rosto úmido, e se encaminhou para Jonah. — E, além disso, você não estaria me trazendo uma cerveja se a loja ainda estivesse aberta. Ela sabia que ele não bebia no trabalho. — Há sempre uma primeira vez para tudo. Você vai beber esta cerveja ou não? — Ele segurou a segunda cerveja. Sorrindo maliciosamente, ela arrebatou a cerveja da sua mão e tomou a metade. — Então, o que aconteceu? Ela sorriu com orgulho. — Nada. E com você? Trinity estava com a toalha pendurada no pescoço e o suor escorria pelas costas. — Estive ocupado consertando computadores. É a mesma merda de sempre. Meus sogros estão vindo para a cidade neste fim de semana, assim que Ariel deixar a casa pronta e totalmente limpa. — E isso está te deixando louco. — Ela sorriu, levantou a cerveja aos lábios. — Grande momento. — Cautelosamente, ele abriu outra lata de cerveja. Quando o murmurar acabou, ele sorriu para Trinity. — Algo está acontecendo com você. Ela balançou a cabeça, e engoliu. — Não. — Ela não gostava do jeito que ele estava olhando para ela. — Você é uma péssima mentirosa, Trin. — Eletocou a lata de cerveja ao dela. — Você sabe que pode falar comigo. Ela sabia disso e se sentia boba quando ele dizia isso. — Eu acabei de descobrir através de Basil que ele dormiu com aquela cadela para me salvar. A testa de Jonah levantou com interesse fingido. — Ok, comece de novo? 79 Ela soltou um longo suspiro, tomou um gole de sua cerveja, em seguida, e se aproximou mais dele. — O que você sabe sobre sacrifício de virgens? Seus olhos se arregalaram um pouco. — Tanto quanto eu sei sobre viagens interplanetárias. Novo hobby? Ela bufou. — Você nunca deixa de me surpreender com o seu humor estúpido. Descobri que haverá cinco virgens sacrificadas no dia do eclipse solar. — Bizarro. No mundo em que vivemos hoje. Acredito que você conseguiu essas informações através de Basil? Ela acabou com sua cerveja, em seguida, esmagou-a como se fosse nada mais do que um pedaço de papel. — Sim. — Eu estou perdido. O que isso tem a ver com aquele bastardo? Quero dizer, Basil, ter dormindo com outra mulher para salvá-la? — Há muito tempo atrás o pai de Basil foi banido para o reino Místico Escuro. Recentemente, seu pai veio a Basil em um sonho e fez algumas ameaças. Jonah esfregou as mãos ansiosamente. — Contra Basil? Ela balançou a cabeça. — Contra mim. — Ah. Ok, então ele fez algumas ameaças. Ele está trancado eu assumo, certo? Então, que mal pode ele ser? — Basil acredita que Chaos está tentando trazê-lo de volta. — Não é bom que isso aconteça? — É péssimo, horrível. — Ela precisava se movimentar, ainda se sentia tensa, cheia de energia. — Se você acha assustador caminhar no escuro agora, pior será se o rei for liberado. Ele é a criatura mais maléfica que já existiu. — Aquilo era o que Basil repetiu diversas vezes. Basil contou a ela sobre os abusos que sofreu nas mãos de seu pai, que a fazia ter pesadelos. Era triste ela saber que ele tinha sofrido tais horrores. — Porque ele é tão mal? Ela virou-se para Jonah, sacudindo a lata vazia na lixeira ao lado dele. — Avadur, o pai de Basil, criou Hitler. Eles tinham planejado a criação de uma super-raça de vampiros, e, para isso, tinham de capturar centenas de seres humanos e transformá-los de uma vez. Avadur gostava de fazer lavagem cerebral, torturas, fome de forma que suas criações só podiam confiar nele. Seus campos de concentração eram apenas isso. Formação de terra para o verdadeiro mal. — Chega! — Isso é o mínimo. Ele tinha um bom número de pessoas prontas para fazer seu plano dar certo, até que Hitler decidiu sair por conta própria. Avadur pôs um fim nele. Então Basil baniu Avadur logo depois. — Cristo. — Jonah passou a mão em seu rosto pálido. 80 Ela continuou. — Você sabe que Basil pode transportar a si mesmo, desaparecer e reaparecer à vontade? E que ele pode alterar sua forma física e se parecer com o que ele quer? Ele tem essas habilidades porque ele é a única criação original de dois vampiros. Mas o poder do rei é dez vezes superior ao de Basil e Basil é um dos únicos dos vampiros a possui todas essas habilidades. — Como assim? Não são todos eles descendentes do rei? — Não, Basil é a única linhagem verdadeira do rei e da rainha. O resto dos vampiros são mestiços, uma forma inferior de vampiros. Cada vez que um vampiro cria outro, seus poderes são diluídos. Eles não podem transformar ou mudar de forma. — Graças a Deus por isso. — Então, aparentemente Avadur chegou ao sono de Basil e me ameaçou. Eu não sei como, mas foi o suficiente para assustar Basil, e ele, bem, pensou na única maneira de manter-me segura, seria... — Ferindo você da pior maneira possível. Eu não posso dizer que perdôo suas ações, mas eram suas intenções honrosas. E se você disser a ele que eu disse isso eu vou chutar o seu traseiro. — Eu o adoro, Jonah... — ela suspirou. — Eu fui na casa para estar com ele. Para tê-lo de volta. E ele estava com outra pessoa. — Quando você chegou lá? Ela balançou a cabeça e, de repente ansiava por outra cerveja. — Não, mas em algum outro momento. Eu nunca na minha vida tive tantas emoções misturadas dentro de mim. E eu não tenho idéia do que fazer com elas. Eu o amo tanto que dói, mas... — Você está com medo dele te machucar novamente. Ela assentiu com a cabeça, enxugou o rosto suado sobre a toalha. — Mas eu não tenho tempo para lidar com meu coração partido agora. Eu tenho um ritual para parar e salvar as meninas inocentes. — Ela jogou a toalha em seu rosto quando ela passou por ele. — Obrigada pela cerveja. *** Dante viu Trinity sair de seu apartamento enquanto puxava para a calçada. Ela estava vestida com um par de jeans apertados azul e uma jaqueta jeans azul. Seu cabelo estava preso em uma longa cauda em chamas trançado vermelho que caiu até a cintura. Ela tinha uma mochila atirada sobre um ombro e parecia estar em uma missão. Saindo do carro, Dante a seguiu numa distância segura. Ele estava curioso onde ela estava indo e o que ela tinha planejado. Ele tinha uma sensação de que ela sabia mais sobre as meninas desaparecidas do que deu a entender. E talvez se ele a seguisse agora, descobria o que era. 81 Que mulher em sã consciência sairia às duas da manhã, andando pelas ruas escuras, sozinha? Ela queria morrer? Ela não sabia o quão perigoso as noites em Angra Jacob? Bem, teria apenas que ter certeza que nada aconteceria com ela. Com a lua brilhante no céu sem nuvens, Dante continuou sua perseguição. 82 Capítulo Onze Trinity sabia o que estava prestes a fazer era arriscado, mas estava preparada. Ela queria respostas, não importa o preço. Atravessando a rua, a escuridão a rodeava. Ficando alerta, ela continuou em seu caminho. Ela estava indo para o lugar que ela sabia onde os vampiros estavam. Era um clube underground onde os mortos-vivos poderiam fazer o que quisessem, ser como eram e beber sangue humano misturado com o máximo de álcool possível. Quando ela se aproximou da porta que leva ao túnel, ela tinha a vaga sensação de estar sendo seguida. Virando, ela só viu a escuridão. Ajeitou os ombros, sacudindo a inquietação, ela abriu a porta e continuou prosseguindo seu caminho. Ela viu o guarda no fundo das escadas, protegendo a entrada. Cuidadosamente, ela ergueu o braço deixando em suas costas, sua estaca de ferro. — Preciso ver alguma carteira de identidade, — disse o vampiro. Balançando a cabeça, Trinity apertou os dedos em volta da estaca, em seguida, em um movimento rápido, perfurou o peito do vampiro, direitamente sobre o coração. Ele teve apenas um momento para mostrar seu choque, antes de se desfazer em um monte de pó. — Está é minha identificação. — Ajeitando os ombros, Trinity colocou a sua arma em seu cinto, em seguida verificou se a cruz de metal e a garrafa de água benta ainda estavam intactas. Colocando o pacote por cima do ombro, ela abriu a porta. O som era ensurdecedor, ainda bem que sua raça não precisa se preocupar em perder a audição, os vampiros apreciavam música bem alta. Ela se surpreendeu ainda mais por não haver guardas no interior das portas. Como se eles pudessem fazer alguma coisa contra ela. Sorrateiramente, ela se encaminhou para a multidão, os vampiros e demônios se movimentam pelo ritmo da musica, apenas observando-a. Quando ela se aproximou do DJ, ela puxou o microfone dele, antes que ele pudesse falar. Usando a estaca, ela espetou-a no leitor digital, colocando um fim à música punk que tinha estado tocando. — Hey! — Alguém gritou. Ela virou-se e mostrou suas presas. — Confie em mim, estou fazendo um favor a todos. Essa música é uma porcaria. Agora, sabe dizer por que Chaos pretende ressuscitar o rei? — Preparadopara a reação dos vampiros, ela se posicionou com a estaca, pronta para matar. — Vá em frente, estou ansioso por mais uma morte. — Você não é bem-vinda aqui, Trinity. Os olhos dela se mudou para onde vinha a voz e viu um homem alto, desengonçado vampiro vestido com uma horrível camisa amarela e calça jeans floral vermelho. 83 — Eu te conheço? — Eu ouvi falar sobre você. — Bem, já que não conhecem uns aos outros, você vai se abster de utilizar o meu nome. — Tendo dito isso, ela puxou o arco e atirou uma flecha no idiota mal vestido e viu quando ele se virou pó. — Agora, eu vou perguntar de novo. Quem vai me dizer por que Chaos pretende ressuscitar o rei? — Vá para o inferno! Sem virar a cabeça, Trinity acertou a seta e detonou outro vampiro. — Eu posso fazer isso toda noite. — Por que você esta fazendo isso? Ela se virou e viu uma mulher jovem, apavorada, agarrada a um homem alto e grande ao lado dela. Ela era humana. Às vezes os humanos gostavam de frequentar os bares vamp, na esperança de ser transformado. Ela odiava esses seres humanos. Eles eram patéticos, pensando que a vida seria muito melhor como um vamp. — Porque eu estava entediada. Vá para casa, querida. Acredite, você não vai andar como sugadores de sangue para sempre. Agora, alguém...? — O Chaos tem seu plano, e você não é parte disso, — gritou alguém da multidão. — Cale a boca! — Não, não, deixe-o falar. — Seus olhos treinados observaram o demônio no centro da sala. — O que é esse plano? Diga. — Nós vamos reinar quando o rei chegar. — Cale a boca! — Realmente, e por que isso? — Porque as trevas serão permanentes. — Cale a boca. — O vampiro se transformou, puxou uma faca e cortou a garganta do demônio, pondo fim a algo mais que ele poderia ter dito. — Hmm, então ele planeja deixar o mundo escuro. Mais que explicado. — Ela já conhecia a maior parte daquela história, mas ela esperava que alguém dissesse algo mais. — Foda-se, Trinity, — outro vampiro berrou. — Ora, ora, isso não é muito agradável. — Ela ouviu o trinco da porta e seus olhos deslocaram-se para o fundo da sala e Dante entrou na sala. — Merda. Que diabos ele estava fazendo aqui? — O que você acha que está fazendo? Ela não se voltou para Basil que apareceu ao lado dela, mas em vez disso, se encaminhou para a multidão. — Salvando a vida de um inocente. Ela tinha visto os olhares dos vampiros quando notaram a presença de Dante e ela sabia exatamente o que eles estavam pensando em fazer. Carne fresca. Tirando o arco e fecha da bolsa, ela começou a flechar todos os vampiros a sua frente, chegando perto de Dante. Com o canto do olho viu 84 Basil se transformar em um lobo. Ela podia ouvir seus dentes rasgando a carne daqueles que ele atacou. Ela podia ver Dante tirar algo de sua jaqueta, em seguida, viu o vampiro virar pó na frente dele. Então o cara podia se proteger, ótimo, mas isso não significava que ela ia parar de ajudá-lo. — Que diabos você está fazendo aqui? — Ela perguntou drasticamente à medida que ela matava outro vampiro logo ao lado dele. — Atrás de você. À esquerda, — ele alertou enquanto outro vampiro se aproximada deles. Com um movimento do pulso dela, ela o acertou, fazendo virar poeira também. — Idiota! Agarrando o braço de Dante, ela empurrou-o para a porta, deixando-o seguro. Ela podia ouvir Basil mordendo e afastando a carne para trás e percebeu que poderia cuidar de si mesmo. Ele sempre podia. — Você quer se matar? — Ela gritou com Dante no instante em que estavam na superfície. — Eu sei como cuidar de mim mesmo. — Seus olhos diziam um pouco a mais enquanto ele olhava para ela. — Você é um deles. Ela lambeu os dentes pontiagudos antes de falar. — Como você sabe sobre minha espécie? A cabeça de Dante se virou para a porta aberta, ele ainda segurava uma estaca pronto para matar qualquer vampiro. Depois disso um lobo sedento de sangue vicioso apareceu, o sangue escorria de sua boca. Ele deu um passo na frente de Trinity para protegê-la. — Eu estou com você, não se preocupe. — Disse Dante Trinity franziu a testa, balançando a cabeça. — Eu não preciso de sua proteção, amigo. Este é Basil. Volte a sua forma humana Basil, antes que esse cara queira esfaqueá-lo. Dante arquejou enquanto Basil se transformava em um ser humano. — Que diabos é isso? — Eu deveria fazer essa pergunta para você. No que estava pensando, vir aqui armada, exigindo respostas? — Basil gritou com ela, ficando bem na sua cara. Ela sentiu a fúria de Basil flutuar sobre ela. — Eu não vim aqui armada, eu vim preparada. Os olhos de Basil se tornaram mais escuros, cheios de fúria. — Com um arco e fecha, com uma merda de um arco e flecha Trinity? Pelos céus Trinity, que estupidez é essa? — Cuidado com o que diz, Basil. — Trinity alertou Basil, pronta para uma briga. — Ele era um lobo. — Dante conseguiu falar em voz baixa, olhando para Basil com espanto. — Ótimo, só faltava essa! Escute Dante, porque diabos você estava me seguindo? 85 — Eu estava curioso em saber onde estava indo. Eu vim por... bem, não vamos entrar nisso agora. Você é um vampira, — disse ele com uma pitada de choque em sua voz. — Você trouxe um civil? Jesus, Trinity, você é estúpida, — Basil olhou para o lado dela. Ela virou-se bruscamente para Basil. — Eu não o trousse, ele me seguiu. Você está surdo? Não ouviu quando ele falou que me seguiu? E se você me chamar de idiota mais uma vez, eu vou me assegurar que você não use seu pau por muito tempo. — Eu deveria saber. Eu nunca vi você de dia, sempre à noite. E naquela noite, quando nos encontramos e eu a beijei, eu pensei que você estava um pouco... fria. Sem ofender. — Disse Dante — Ele fez o que? Jesus, esse é o cara? — Basil disse com mágoa na voz dele, enquanto Dante o olhou desconfiado. — Eu não quero falar sobre isso Basil. — Disse Trinity sacudindo a cabeça. — Você é o cara que dormiu com ela? — Perguntou Basil, de forma ameaçadora. — Deixa para lá, Basil. — Trinity alertou, voltando-se para ele. Ela não gostou do tom da sua voz ou do que ele estava perto de descobrir. Os olhos de Dante se arregalaram. — O quê? Não, não, não dormimos juntos. Eu quero, mas ela... Basil rosnou e Dante engoliu em seco. — Quem é você? Basil mudou a sua forma, para a de vampiro e deu um passo para Dante. — Sou seu pior pesadelo. — Mesmo? — Dante ergueu o corpo, tentando ficar mais alto, tentando parecer mais ameaçador. — Mesmo. — Basil o desafiou, mostrando suas presas. — Pare com isso! Jesus, o que diabos está acontecendo com os homens? Dê-lhes um pau e eles acham que dominam o mundo. — Trinity se colocou entre os dois, colocou uma mão em cada peito. — Parem com isso. — Ela empurrou os dois, fazendo-a tropeçar novamente. —Eu não tenho tempo para isso agora. — Você, vá para casa, — ela apontou para Basil. Então, para Dante, ela disse: — Dante onde está seu carro? — Eu não o trouxe. — Ótimo. Vamos lá então. — Ela agarrou seu braço e puxou-o junto com ela quando desceu a rua escura. Ela estreitou os olhos quando Basil apareceu ao lado dela. — Deixe para lá. — Não! — Que companheiro legal, não? Como você o conheceu? — Dante perguntou. 86 — Eu a criei, — Basil interrompeu orgulhosamente, mantendo-se com os dois. — Mas, você não é meu dono, Basil, — Trinity retrucou. — Basil? — Dante riu. — É um nick de internet. — Vá embora, Basil — Trinity avisou novamente. Ela sabia perfeitamente que ele estava prestes a rasgar a garganta de Dante. — Vá para casa, eu falo com você depois. — E deixar você sozinha com ele... — resmungou Basil. Ela parou e se virou para ele. — Eu não tenho nenhuma intençãode dormir com ele, se é isso que o preocupa. — Isso é o que vamos ver, — disse Dante desafiante. — Você não está ajudando, — ela se virou para Dante. Acalmar Basil irritado como ele estava, não era fácil. Respirando fundo, ela baixou o tom e falou. — Por favor, eu não posso resolver as coisas desse jeito. Tudo que eu quero é deixar Dante na casa dele. E depois ir para casa. — Meu carro está estacionado lá fora, — Dante informou. Ela ouviu o rosnado baixo de Basil enquanto ela se virava para Dante. — Porque seu carro está estacionado ao lado do meu? — Eu disse, eu vim te ver. — Ótimo para cacete. — Sacudindo a cabeça, ela agarrou Dante pelo braço e arrastou-o consigo. — A quanto tempo você é uma vampira? — Eu não quero falar sobre isso agora. — Eu quero falar com você sobre tudo isso, Trinity, — Dante insistiu. — Hoje não. — Hoje à noite. Por que não? Agora parece ser o momento perfeito, — Dante persistiu. Ela o arrastou junto, não diminuindo sua velocidade em tudo. Isso não agradou a ela, Basil não tinha escutado e ainda estava seguindo. — Eu não estou com vontade de falar com você. — Mas... Ela se virou para ele com um grunhido, interrompendo-o. — Não é o seu carro? Agora vá para casa, Dante, e não tente algo tão estúpido de novo. — Não era estúpido. Eu sei como cuidar de mim. Ela empurrou-o para seu carro. — Isso é o que todos dizem, bem antes de suas gargantas sejam arrancadas. Vá para casa. — Ela despediu dele enquanto se dirigia para a entrada de volta para sua casa. Basil endireitou sobre os calcanhares. Ele a seguiu até as escadas para o apartamento dela. E, embora por um breve momento ela pensou em bater a porta na cara dele, ela sabia que seria um esforço inútil. Ele tinha acabado de se materializar em sua suíte de qualquer maneira. 87 — Bebida? — Não, — disse ele secamente, enquanto se dirigia para a geladeira. — Aceite essa realidade. — Ela pegou a bolsa de sangue e derramou-a numa caneca, em seguida colocou no microondas. — Como você pôde deixar... aquele homem... te beijar, te tocar? — Disse ele finalmente. — Supere isso, Basil. — Ela virou para ele e franziu o cenho para sua expressão. Não parecia importar quantas vezes dissesse que não tinha dormido com ninguém, ele não acreditava nela. — Você o deseja? — Não, — ela disse bruscamente, tirando seu copo do microondas. — Então por que você o beijou? — Olha, Basil, o que faço com meu corpo agora é da minha conta. Nós não estamos juntos há tempo. — Você veio para mim há algumas horas atrás. Você veio para mim, — enfatizou. — Sim, e eu estupidamente pensei que poderia ter uma chance. Isso foi antes de eu encontrar o objeto da sua amante vadia. — Você não deveria falar de si mesma dessa maneira. Enfurecida e perplexa, ela se virou para ele. — De que diabos você está falando? Ele pegou na mão dela, segurou-a com firmeza enquanto ela tentava soltar-se. — Aquilo que você encontrou pertencia a você. Você usou quando veio para minha casa, no dia anterior. — De quando você me enganou? — Ela lembrou. Ele a puxou mais perto, seus lábios tocaram-na delicadamente. — Era seu, meu amor. Não houve nenhuma outra mulher desde aquele dia que você me encontrou nos braços de outra e nunca haverá outra vez. — São apenas palavras, Basil. — Como ela poderia acreditar nele? — Eu morro um pouco cada dia que estou sem você, meu doce, — Basil murmurou baixinho enquanto beijava de lado o pescoço ela. Ela queria derreter, ele sempre fazia isso com ela. Não era apenas suas palavras, mas do jeito que ele as dizia, do jeito que ele queria dizê-las... — Pare. — Sem você minha vida não tem sentido. — Ele murmurou contra seu ouvido. — Basil, por favor. — Ele estava fazendo a sua determinação desmoronar. — Você tem meu coração, Trinity, agora e para sempre. — Ele a pegou em seus braços e a levou para sua cama. Ele deitou-a delicadamente, em seguida, arrastou-se por cima dela, mordiscando sua orelha. — Eu preciso apenas de você para sobreviver. Ela estava perdida e se rendeu a ele. 88 Despiu-a de forma tão suave que ela mal percebeu quando ele deslizou sua roupa para fora. E beijando várias vezes seu corpo, com os lábios tão macios como seda enquanto a acariciava. Sua língua era quente, e percorreu todo seu corpo provocando uma onda de prazer no centro do seu corpo, que se propagou antes chegar no centro de sua feminilidade. Quando sua língua chegou a sua feminilidade seus olhos se encontraram, ele fez um círculo lento, com a língua nos grandes lábios úmidos, provocando-os com seus dentes. Então, com uma lambida ele deslizou a língua para dentro dela, fazendo-a gemer. Usando seus dedos, ele espalhara seus grandes lábios, em seguida, beijou o clitóris uma vez antes de passar rapidamente com a língua. Ele sabia o quão louco que ele poderia deixá-la. Ele chupou seu clitóris com a língua, seguido de uma parada para cada beijo e lambendo-o antes de continuar a chupá-lo. Seu corpo estava em chamas e com cada toque da sua língua, ela sentia o calor aumentar. Então ele pressionou um dedo dentro de sua vagina e sugou impiedosamente seu clitóris até que ela se contorceu pedindo mais. Ele mordeu dentro de suas pernas, a sensação de seus incisivos afiados penetrando sua carne, fez seu corpo estremecer, como um choque elétrico atravessando seu corpo. Ela ergueu os quadris, pedindo que Basil afundasse seu dedo, na parte mais íntima do seu corpo, enquanto isso a mão de Basil esfregava e friccionava seu clitóris fazendo-a explodir de desejo. Cobriu-a com a boca e bebeu sua essência enquanto o orgasmo a atravessava. Então ele a virou de quatro, puxou seus quadris para cima e falou baixinho perto do ouvido dela. — Você é a única que me molda, minha princesa de fogo, — afirmou enquanto penetrava sua carne, macia e sedosa. Ela se curvou para ele, recebendo-o, sentindo-o profundamente dentro dela. Naquele momento ela se sentia no paraíso, enquanto ele se juntava a ela. As mãos de Basil seguravam seus quadris, penetrando de novo e de novo, de tal forma que ela achava que não aguentaria mais. Na posição de quatro, com as mãos agarrando os lençóis, com as presas a amostra, seu corpo estava sendo totalmente fodido e ela estava alcançando o paraíso. Ela arqueou as costas, permitindo que ele a penetrasse mais profundamente, então ela sentiu um fogo atravessá-la, e ondas de calor atravessaram seu corpo enquanto ela gozava. Logo depois, ela gritou novamente quando sentiu o líquido quente do sêmen de Brasil inundá-la. 89 Capítulo Doze Três dias antes do eclipse O quarto estava escuro, mas havia as lanternas acessas penduradas nas paredes. Havia um cheiro no ar que era muito familiar. — Não é meu filho, meu orgulho, minha alegria... Basil virou para onde a voz vinha e não viu ninguém. Mas ele sabia, sem dúvida, que estava falando com ele. — O meu traidor. As lanternas balançaram quando uma rajada de vento passou pelo quarto escuro. Ele reconheceu-o agora. Ele estava em sua casa, na masmorra. No calabouço onde se pai mantinha os escravos, dos quais se alimentava. — Você não vai me assustar, pai, — advertiu Basil com uma voz ameaçadora. — Não é você que eu quero. As lanternas brilharam com um brilho forte. E Basil tentou enxergar algo que estava pendurado na parede... Na verdade era uma pessoa, uma mulher... — Trinity! — Ele correu para ela, mas ela desapareceu antes que ele pudesse alcançá-la. — Deixe-a em paz. Ela não tem nada a ver com isso, — ele gritou com o pai. — Você pode pensar que a tem agora, morna em sua cama, mas quando eu me libertar... — Basil sentiu o ar quente, o percorrer. — Vou fazê-la minha.Ele acordou suando frio e sentia certo conforto ao ver Trinity dormindo ao seu lado. Ela não estava segura com ele. Ele precisava ver alguém, para ajudá-lo com essa situação. Deixando-a dormir, Basil, vestiu-se, em seguida, se encaminhou à pessoa que ele esperava que pudesse ajudá-lo. **** Ele sabia que ir ali era perigoso, mas estava disposto a arriscar tudo para proteger o que amava. — Por que você veio aqui esta noite? Sua voz era como um trovão sedutor e vibrou durante todo ele. Embora ele não conseguia se lembrar como sua mãe se parecia, seu pai lhe dissera que ela era de uma beleza magnífica com longos cabelos brancos e olhos azuis como o céu. Ele desejou que ele pudesse vê-la agora e não a névoa branca que o cercava. — Venho para pedir um favor. — Mas eu não vejo você de joelhos, príncipe vampiro. 90 Sabendo que tinha de ser feito, ele abaixou a cabeça. — Perdão, minha senhora. — O que você veio implorar? — A voz cantava com uma vibração suave agora. — Proteger aquela que amo, como todo o coração. — Sentiu uma mão deslizar para debaixo do seu queixo para levantar a sua face. Ele não podia vê-la, mas ele podia senti-la e deixava uma profunda sensação de calor dentro de seu corpo. Como seria a sua vida se tivesse sido criado por ela? — Você acha que ela é fraca, mas não é. — Ele a ameaçou. Ele veio para mim em meu sono e ameaçou levá-la de mim. Ajude-me a protegê-la. — Pare o ritual. — Eu estou tentando, mas não estou chegando a lugar nenhum. — Eu não posso te ajudar. Isto é para você fazer, meu filho. Ele caiu de joelhos, sentindo o mundo ao seu redor entrar em colapso. — Eu não posso perdê-la, mãe. Eu não posso viver sem ela. — Sentia os braços de sua mãe rodearem-no e uma vaga lembrança mexeu no interior de sua mente. Ela segurou-o contra o peito e o embalou para dormir. — Seu destino, meu filho, repousa em suas mãos. Ele sentiu a sua libertação e seu coração ansiava por mais. Mas quando ela desapareceu, ele foi transportado de volta ao reino que ele conhecia, só havia uma coisa a fazer. Acabar com isso tudo antes de começar. *** Trinity acordou com um sinal sonoro constante em sua mesa de cabeceira. Sentindo-se incrivelmente relaxada, ela rolou, esperando sentir ao seu lado Basil. Quando tudo o que ela sentia era uma cama fria e vazia, ela abriu os olhos e suspirou. Seu peito doía. Ele a deixou, sem dizer uma palavra. Bem, o que ela espera? Ele era um traidor, depois de tudo. Se ela realmente achava que ele ia ficar o dia inteiro com ela, descansando na cama, possivelmente fazendo amor mais e mais? Sim. E ela era uma idiota por estar com ele de novo. Irritada, Trinity caiu de sua cama, e vestiu o jeans e a camisa que estava usando na noite anterior. A batida na porta só acrescentou à sua raiva e ela decidiu que apenas ignorá-la. Quando ele insistiu, ela cedeu e atendeu. Ela estava com um humor para matar de qualquer jeito. — O quê é? — Ela gritou no instante em que ela abriu a porta. — Bom dia para você também. Eu não tinha certeza se poderia vir durante o dia, mas... bem, parece que você está acordada, — disse Dante como ele passeou em seu apartamento. — Você não dorme durante o dia? 91 — Porque você está aqui, Dante? — Embora pudesse ser agradável dar umas mordidas nele, ela se lembrava de sua promessa de não comer seres humanos. Ele era sortudo. — Para conversar. Você tem café? — Perguntou, fazendo-se confortável no seu sofá. — Não. O que você quer falar? E seja rápido. — Nervosinha no período da manhã. Ok... eu vou chegar ao ponto. Meu irmão foi morto há 20 anos, quando eu tinha treze. Eu testemunhei isso e eu vi como o animal arrastou ele. Quer dizer, o vampiro. — E você tem uma ligeira impressão que foi eu quem fez isso? — Ela ainda não era uma vampira 20 anos antes. — Não, mas você pode saber quem o fez, ou... Levar-me a alguém que possa. — Foi por isso que me seguiu na noite passada? — Ela estava sentindo uma incômoda de sangue, então ela decidiu saciar-se com um copo de sangue. Ele já sabia que ela estava assim por que esconder isso. Ele se juntou a ela na cozinha. — Eu a segui porque estava curioso para saber onde estava indo. — Eu não tenho ideia de quem poderia ter matado seu irmão. Seu rosto afundado. — Por que você foi para o clube? — Eu queria respostas. Você tem alguma ideia de como aquele lugar é perigoso? — Ela puxou o copo do microondas, testou com o seu dedo mindinho, antes de decidir se era bom o suficiente para beber. Ele deu de os ombros. — Eu consegui viver para contar a história. Aquele cara que mudou a forma na noite passada, quem é ele? — Um vampiro, — disse ela, simplesmente, em seguida, bebeu de seu copo. — No entanto, ele pode manipular sua forma. — Sim, ele pode, — disse ela calmamente, mudando sua posição enquanto ela se encostou-se à parede. Viu o jeito que ele estava olhando para ela enquanto ela bebia. — Se você não está gostando amigo, pode ir caminhado. — Como isso é possível? — O quanto você sabe sobre vampiros? — Eles são animais sanguinários, são atualmente excluídos... eu acho... Os olhos de Trinity se estreitaram. — Eu não me alimento de humanos, mas você está me fazendo repensar sobre isso. Ok, é uma longa história, simplificando. Basil é descendente direto de dois vampiros originais. Seus pais são conhecidos como o rei e a rainha e a maioria dos vampiros os veneram. — A maioria? — Será que todos os homens adoram o mesmo Deus? — Quando ele sacudiu a cabeça, ela continuou. — Toda criatura, metamorfos, lobisomens, 92 vampiros, todos eles vieram a partir de dois seres originais. Mas com cada morte, o sangue real é diluído. É por isso que os vampiros modernos não podem se materializar, ou mudar de forma. — Eu não tinha idéia. Uau, isso é fascinante. — Agora que descobriu isso em poucas palavras o que você espera de mim? Trinity perguntou à queima-roupa. Ela não estava de bom humor e não estava com paciência com ninguém hoje. — Você poderia perguntar por aí, talvez, ver se alguém se lembrava desse dia. Se alguém sabe quem levou o meu irmão. — Eu não tenho tempo para ser seu bode expiatório. Eu tenho coisas melhores para fazer com meu tempo. — Ela tomou um gole do seu copo, bem consciente de que ele estava examinando ela. — Projetar seus sites? Seus olhos se estreitaram. — Eu faço websites de design, entre outras coisas. — Certo, certo. Então o que mais você faz? Além de sugar o sangue? — Eu não sugo sangue, — ela disse tranquilamente. Ele estava pegando pesado agora. — Não, então o que está no copo? — Ele ficou de pé. — É bom você sair agora, Dante. — Ela resmungou, colocando o seu copo no balcão. — Por que você não vai me ajudar? — Porque eu tenho coisas mais importantes para tratar. — Como o quê? Ele era um burro persistente. — Gostaria de descobrir por que alguém quer fazer o sol desaparecer. Agora, saia. — Ela caminhou até a porta e a abriu-a. — O quê? Alguém quer fazer o sol desaparecer? Você não pode simplesmente me jogar uma bomba dessas e esperar que eu parta. Trinity bufou, passou os dedos pelo cabelo bagunçado e gritou. — Bem, aqui vai um breve resumo. Essas meninas que estão desaparecidas são um meio de um vampiro malvado ressuscitar o rei vampiro e apagar o sol. — Porque os vampiros não podem sair ao sol. — Nós podemos, mas há consequências desagradáveis. Vesículas e bolhas não são divertidas e nem a doença que elas podem causar. Agora você sabe tanto quanto eu. Saia. Ela indicou a porta aberta. Rosnando, Dante foi para a porta. — Eu tinha um pressentimento que estes desaparecimentos não eram normais. Quero mais informações. — Agora não.Adeus, Dante. — Com uma mão firme, ela agarrou a manga da camisa dele e atirou-o para fora da porta. — Eu pensei que ele nunca iria embora. 93 Trinity se virou para ver Basil de pé atrás dela, um olhar soberbo em sua cara. Ela prontamente curvou os dedos em um punho e bateu em seu rosto. Tropeçando para trás, massageando seu nariz, Basil olhou para Trinity. — Porque, diabos, fez isso? — Ele limpou o sangue de seu nariz. — Por ser uma burra e por fazer me apaixonar por você de novo. Ela disse a queima roupa. — Cuidado, ou vou pensar que você elaborou essa declaração de amor. Ele mexeu o nariz e deu uma fungada. — Nem morta. — Ela não estava com vontade de falar com ele. — Oh, ótimo. Socou meu nariz e nem sequer me deu uma razão. — Eu lhe dei uma razão, — ela pegou sua xícara que ainda tinha sangue e o engoliu. — Eu me lembro de você me chamando de burro e de admitir que você ainda está apaixonada por mim, mas eu não me lembro de uma explicação. — Ele mexeu o nariz com os dedos. — Você poderia ter quebrado meu nariz. — Que bom! Eu deveria ter pensado melhor, mas não, eu deixei meu coração aberto e o que aconteceu? Ficou quebrado, mais uma vez. — Ela colocou a xícara na mesa, furiosa. — Eu acordei, satisfeita e feliz, me movi para o lado e o que acho? Nada! E por quê? Porque você foi embora, sem dizer uma palavra. Deixou-me depois de uma noite íntima que passamos juntos. Porque eu esperava que você pudesse realmente estar lá quando eu acordasse. E agora eu tenho esse buraco no meu coração Apenas saia. Deixe-me sozinha. — Trinity querida, deixe-me explicar. — Eu não quero ouvir nada do que tem a me dizer. — Deixei-lhe esta manhã para ver a minha mãe. Meu pai veio a mim novamente em meu sonho. Ela congelou. Ela olhou para ele um bom tempo, as suas palavras fazendo um loop infinito em seu cérebro. — E o que queria? — Ela finalmente conseguiu dizer. — Ele não vai ficar feliz até me ver sofrendo. Para isso acontecer ele teria que tirar você de mim. Fui para a minha mãe para pedir a ela para protegê- la contra ele. — Oh, Basil. — Ela deu um passo em direção a ele, mas ele se afastou, deixando-a completamente perplexa. — Há apenas uma maneira de impedi-lo de feri-la, de levá-la de mim. E até que eu possa conseguir isso... — Deixou escapar um suspiro longo sofrimento. — Nós não podemos estar juntos. — Não... Ele tomou-lhe as mãos, apertou-os para sua bochecha. — Eu te amo. E está me matando não tê-la completamente, mas eu prefiro muito mais o meu coração ser quebrado e saber que você está segura, do que tê-la e ele levá-la de mim. Ele beijou as mãos, em seguida, deu um passo para trás. 94 — Basil. — Ele desapareceu antes que ela pudesse lhe dizer o que queria. — Eu também te amo, — ela murmurou, baixando a cabeça entre as mãos. *** O tempo estava se esgotando. Eles tinham apenas três dias antes do eclipse total, três dias antes do ritual que ressuscitaria o rei. Seus homens tinham que aproveitar melhor o tempo. As moças em cativeiro estavam se tornando inquietas e irritadas. Elas haviam sido drogadas a maior parte do tempo, mas eles não podiam deixá-las muito drogada. Nunca sabia quando uma delas poderia sucumbir diante das drogas. Os seres humanos... seus corpos eram tão frágeis. Chaos via como as mulheres passeavam pela sala, cansadas e desesperadas para serem liberadas. Mal sabiam elas que nunca mais veriam a liberdade. — Senhor. Chaos voltou e reconheceu o homem por trás dele. — Diga-me você conseguiu outra? — Nós conseguimos. — Magnus se virou e ergueu a sua mão para os homens atrás dele. Chaos viu uma garota arrastada para a sala. Ela tinha cabelos cor de ouro, longo e amarrado para trás de um bonito e muito jovem rosto. — Quantos anos? — Quatorze. — Perfeito. E você tem certeza dessa vez que ninguém abusou dela? — Perfeitamente. Ela é doce. — Magnus sorriu, satisfeito. — Maravilhoso. — Inclinou-se para baixo, correu um dedo pela face da criança delicada. — Daqui ha pouco tempo nós vamos dominar o mundo. *** Trinity estava infeliz e quem se atrevesse a entrar em seu caminho ia se arrepender. Tropeçando no beco escuro, a cabeça para baixo, ela estava muito chateada. Sim, os vampiros ficavam chateados. E as coisas só estavam piorando. Por que a vida tem que ser tão cruel? Ela amava Basil e por culpa de Chaos que queria dominar o mundo e ressuscitar o rei, ela não podia estar com o homem que ela amava. Ela tinha dezoito anos quando Basil a encontrou, sozinha e solitária. Seus pais e a irmã morreram em um acidente de carro enquanto viajavam para as suas férias para uma estação de esqui, quando seu carro derrapou. Eles não tiveram nenhuma chance de escapar. Todos os três morreram instantaneamente. Ela estava em casa, estudando. 95 Tinha sido a sua escolha de não ir com eles. Sua escolha de ficar para trás. Ela estava na universidade durante três meses e adorava, mas as atribuições eram muitas. Trinity sabia que se ela tivesse viajado, ela nunca teria conseguido fazer qualquer trabalho. Quem diria, com toda aquela neve que implorando para ser usada? Então, ela optou por ficar para trás e começar a fazer seus trabalhos da faculdade. A polícia havia aparecido às seis da tarde e tinha mudado sua vida para sempre. Ela ficou devastada, para dizer o mínimo. As responsabilidades se acumularam desde o funeral, as contas, os enterros e ela tinha feito tudo sozinha. Seus pais eram filhos únicos, ela não tinha tios e tias em quem confiar e ambos os conjuntos de avós estavam mortos. Seus pais tinham amigos, mas nenhum que assumisse as responsabilidades de suas mortes e enterros. Assim, ela fez tudo sozinha. Basil apareceu em uma noite, quando ela estava sentada no seu quintal, chorando. Ele tinha sido tão amável, tão compreensivo e ouviu quando ela contou sua história. Ele não havia deixado-a, ele a abraçou enquanto ela chorava. Ela não tinha idéia de quem ele era, só que era gentil, bonito e sempre estava lá quando precisava dele. Depois de vários meses juntos, ele finalmente mostrou seu eu verdadeiro e ela não teve nenhum medo. Ele perguntou se ela queria se livrar daquele tormento, da dor de sua perda e de todas as suas responsabilidades, e ela disse que sim ansiosamente. Então ele perguntou se ela queria ficar livre de seu fardo, se iria permitir que ele tomasse a sua virgindade e ser seu para sempre e mais uma vez ela disse sim. Basil tinha lhe dado o momento mais glorioso, na sua primeira vez, ele ofereceu um lugar repleto de luz de velas, vinho e música romântica. E ela caiu em seus braços de bom grado. Quando os dentes dele tinham afundado em seu pescoço ela teve dúvidas, apenas uma fração de segundo depois ela soube que estava fazendo o certo. Então ela sentiu a dor no coração escapar, e ela sabia, sem dúvida, que isto era o que ela realmente queria. Ela tinha 18 anos de idade. Isso foi pouco mais de sete anos atrás e, embora a dor de perder sua família tivesse ido embora, a dor de não poder ter o homem que ela amava muito, não. Ela não tinha idéia de como se livrar dessa dor e gostaria que houvesse uma forma fácil de se livrar. Então ela teve uma ideia. Ela tinha que ver a rainha. 96 Capítulo Treze Ela nunca tinha feito isso antes e esperava estar na direção certa. Ela só tinha ouvido falar sobre a localização de outros vampiros, mas nunca tinha ido para a instalação real. Tomando os túneis subterrâneos, ela seguiu o caminho que esperava levar ao lugar certo. O Reino Místico era um templo místico onde a rainha estava e era equivalente a uma igreja, para os vampiros. Eles vinham até a rainha para pedir conselhos, ajuda, ou simplesmenteadorar. Esta era sua primeira vez aqui. Ela não tinha nenhuma razão para ver a rainha até agora. Os seres humanos não sabiam dessa área e mesmo se alguém pudesse cair acidentalmente na porta, eles não seriam capazes de abri-la, simplesmente por não terem o código de acesso. Você tinha que ser um sugador de sangue. Ela localizou a última porta à direita, pressionou a maçaneta de metal e sentiu um calor atravessar seu corpo. Trinity esperou a permissão de entrar. Quando a porta começou a abrir, ela deixou escapar um suspiro em silêncio. E agora? A sala era surpreendentemente brilhante, e enquanto ela entrava pela porta, instintivamente começou a proteger-se para evitar que a luz a queimasse. — Você não vai se queimar, filha. Trinity levantou a cabeça e olhou em volta. A voz trêmula parecia vir de todos ao seu redor, mas ela não viu ninguém. — Hum... oi. — Você trouxe uma oferta? — Uma oferta? Ah... como um presente? Um... —Trinity pensou. — Ah, e quanto a isso? — Ela levantou o pingente que ela usava no pescoço. Era uma estrela pequena, em forma de diamante que ela tinha encontrado em uma vítima de um vampiro há muito tempo. — Estrela do desejo. Ela vai servir. Trinity sentiu o pingente ser elevado do seu pescoço e na cabeça. A estrela do desejo, o que diabos era isso? — Qual é a razão da sua visita? — O pai de Basil. Eu quero saber como eu posso impedi-lo de voltar. Sentia-se boba falando com uma luz. — Pare o ritual. — Claro, ótimo, ótimo. Onde isso vai acontecer? — Eu não posso te ajudar com isso. — Ora, por que não? — Ela sentiu uma sensação de frescor na neblina sobre ela. — Se fosse tão fácil, eu teria revelando ao meu filho. 97 — Ok, certo. Eu entendi. E agora? Eu ainda estou na estaca zero. — Ela soltou um longo suspiro antes de falar novamente. — Existe alguma maneira de alguém me ajudar? Tem que haver um jeito. Por favor, eu imploro. Eu o amo, — ela disse baixinho, abaixando a cabeça. Ela sentiu o calor de uma mão cálida levantar a cabeça. Ainda assim não via ninguém. Beleza era o nome dela e ela era a luz. — Você é sua noiva? — Ele me criou, se é isso que você quer dizer. Beleza sorriu calorosamente. — Há mais do que apenas uma criação, quando é tomada virgindade. Você se tornou dele, unicamente dele. Será que ele sabe que você está aqui por ele? — Eu não estou aqui por ele. Estou aqui por mim. — Aquela afirmação soou bem egoísta, pensou Trinity. — O que eu quero dizer é... — O amor é a chave, minha filha. — Eu o amo. Com todo o seu corpo, mente e alma. — Então use a chave. — Eu não entendo. Você está me dizendo que tudo o que tenho a fazer é professar meu amor por Basil e nada de ruim vai acontecer a qualquer um de nós? Que meu amor por ele vai parar o ritual? — Isso era fácil demais para ser verdade. — Não. Há tanta coisa mais. — Ela se aproximou mais de Trinity, com a mão no queixo dela. — O amor tem que ser forte o suficiente para suportar tudo. O amor tem que ser forte o suficiente para o sacrifício. — Sacrifício? Eu não entendo. Não, não espere. — Mas já era tarde demais, ela sentiu a presença desaparecer e a porta se abriu atrás dela. — Ótimo. Eu odeio charadas enigmáticas. — Trinity saiu sentindo-se pior do que quando entrou. *** Basil estava à espreita. Neste momento ele desejava promover uma matança. Havia uma abundância de vampiros aqui para fazê-lo, e tudo que ele precisava era começar. Não era sangue que ele precisava, apenas matar um. Ele tinha tanta frustração dentro dele, e precisava liberá-la de alguma forma. Em seguida, Basil o viu. — É muito tarde para um ser humano na rua. — Basil teve grande prazer em ver Dante se assustar. — Eu estou preparado. Saiu para tomar um lanche de madrugada? — O comentário foi lançado com uma grande dose de sarcasmo. — Claro. Cuidado para não se oferecer demais. — Ele não gostava daquele cara e talvez se ele o matasse, ele deixaria Trinity em paz. — Eu vou passar sem obrigado. 98 — Então eu sugiro que você me deixe, seu tolo, enquanto você ainda tem sangue em suas veias. Dante permaneceu. — Então, você transformou Trinity em uma vampira. A paciência de Basil se esgotava. — Você quer morrer? — Eu vim preparado, como eu disse. — Ele puxou a cruz que ele usava no pescoço. Os olhos de Basil se estreitaram, mas ele permaneceu em seu lugar desafiante. — Isso não vai te ajudar. — Calmamente Basil agarrou a cruz em sua mão enquanto zombava do homem diante dele. Dante engoliu em seco. — Isso me dará tempo suficiente para usar isto. — Ele tirou uma estaca do bolso de trás. — Portanto, se você a transformou em uma vampira, isso significa que vocês dois eram... — Ela é minha, — afirmou Basil acentuadamente, com a voz cortante com uma lamina afiada. — Eu tenho a impressão de que ela não concorda. — Então, sua impressão é errada. Ela não vai ficar com você, humano, então você também pode desistir. — Basil agitou uma mão para ele com desdém. — Sou um homem determinado. — Dante manteve seu nível de olhos com Basil. Oh, aquele homem definitivamente tinha vontade de morte. — E se você valoriza sua vida, você vai recuar. — Então ele a viu, ao longe, e seu coração ansiava por tê-la. Ela parecia uma guerreira do jeito que caminhava. Sempre pronta, sempre vigilante. — Eu acho que ela é uma grande garota, e pode escolher com quem quer estar. Os lábios de Basil se levantaram em um sorriso malicioso que deixaria arrepiado qualquer homem. — Eu concordo. E uma vez que passei o dia e a noite fazendo amor com ela em sua cama, eu acredito que ela me escolheu. — Sentia-se orgulhoso e com razão. Deixando o ser humano patético ali, Basil foi se encontrar com Trinity. Então ele viu um vampiro sair das sombras, e estava pronto para saltar em defesa de seu amor. Mas em um movimento, que ele sempre achou excitante, Trinity fincou uma das pernas no chão, erguendo a outra, batendo o pé no rosto do vampiro. A mulher cambaleou para trás e caiu no chão. — Achou que ela precisa da nossa ajuda? Basil soltou um longo suspiro. Será que o cara não sabia quando deixar alguém sozinho? 99 — Não. — Acendeu um cigarro e observou sua menina trabalhar. Ele gostava de vê-la lutar. Ela realmente era uma visão. — Por que você ainda está aqui? — Pensei em ficar aqui por um tempo. Por que você ainda está aqui? — Dante revidou. — Eu sou uma criatura da noite. — Basil sacudiu as cinzas, enquanto Trinity continuava a bater naquela mulher. — Querida, eu poderia sugerir alguma coisa? — Cai fora, — Trinity disse a queima roupa, enquanto erguia a vampira para jogá-la no chão, de forma que a cabeça dela batesse. — É por isso que eu a amo. Querida, eu poderia sugerir você perguntar o que ela está fazendo aqui? — Por quê? Eu sei o que ela está fazendo aqui, — disse Trinity sem fôlego. — Sim, isso pode ser verdade, mas também penso que talvez ela também pudesse vir a calhar, em outros aspectos. — Ele apareceu diante dela enquanto Trinity chutou o rosto da mulher. — Ela é uma das criações de Chaos. Trinity levantou a cabeça para ele sem sequer parar o que ela estava fazendo. — Como você sabe disso? Ele se ajoelhou, levantou o cabelo da jovem vampira e mostrou o diamante em forma de C queimado em sua carne. — Todas as criações de Chaos usam esse anel. — Ah. — Trinity olhou para o pescoço da jovem vampira. — Você se importa de eu falar com ela um momento? — Ainda ajoelhado, Basil pegou o rosto da mulher. — Olá. Imagino que não esteja numa posição muito confortante. — Vá se foder, — a vampira grunhiu, lutando para se libertar. — Eu fico sem essa. Diga-me o que eu quero saber, ou ela vaiacabar com você. E se você acha que já sofreu o bastante, você vai ficar surpresa ao descobrir o quanto esta enganada. Ela gosta de brigar e isso pode durar horas. — Seus olhos se encontraram com os de Trinity e Basil lhe sorriu sensualmente. Ele se virou para a mulher; enquanto a bota de Trinity marcava o rosto da vampira e ele não poderia estar mais orgulhoso de sua menina. — Onde Chaos está mantendo as cinco meninas que ele capturou? — Cinco? — Trinity perguntou, apertando os pés no chão um pouco mais forte. — Mais uma foi levada na noite passada, — informou Basil. Trinity ainda não olhava para a vampira. — Eu não vou falar nada, porra! — a jovem cuspiu nele venenosamente, batendo os braços inutilmente. — Ela poderia desfrutar um pouco da sua tortura, meu amor. E eu não me importaria em vê-lo. — Ele se levantou e sorriu tortuosamente. 100 Trinity puxou a mulher para cima e bateu-a contra a construção, em seguida, puxou sua faca de bolso. — Faz pouco tempo que a usei, pode apostar que não esta enferrujada. — Não, não. Espere! Pare! Por favor, — implorou, então, em um movimento rápido, arrancou a estaca do cinto de Trinity e enfiou-a profundamente em seu próprio peito. — Droga. Eu precisava dela... — Disse Trinity — Nós vamos encontrar outro colaborador, querida. — Disse Basil. — Não é assim. Ela poderia ter nos ajudado a encontrar as meninas. Eu deveria ter sido mais esperta. Eu baixei a minha guarda enquanto ela estava pedindo. Droga! — Ela ajoelhou-se e recuperou a estaca, que a vampira suicida utilizou. — Duvido que ela tivesse dito alguma coisa. — Basil colocou a mão sobre o ombro para apoio. — Agora o que vamos fazer? Estamos correndo contra o tempo. — Eu poderia ser capaz de ajudá-lo. Tanto Trinity e Basil se viraram para Dante. — Que diabos você está fazendo aqui? — Trinity rugiu. — Patrulhando. — Disse Dante. — Nos vamos achar um jeito Trinity, — Basil disse para ela. — Então, como é que você acha que pode nos ajudar? — Ele rosnou para Dante. O homem realmente era patético, pensando que poderia ser de alguma utilidade para eles. — Bem, eu sou um investigador, afinal. — Você também é humano, — Trinity lembrou. — Eu te disse, eu posso me proteger. Você não vai me convencer ao contrario, Trin. Eu estou nessa agora, e eu quero me vingar. — Dante ergueu o corpo e encarou Trinity. — Mas por quê? — Trinity guardou a estaca no bolso da jaqueta. — Mataram o meu irmão. — Eu te disse, eu não fiz isso. — Não, — disse Dante, saindo das sombras. — Mas o Chaos fez. *** Para a segurança de Dante, todos eles decidiram se mudar para o apartamento de Trinity, que estava mais próximo, para conversar. Ela serviu todos com um copo de cerveja, e em seguida, se sentou confortável no sofá. Ela explicou tudo a Basil enquanto eles andavam, mas ele parecia não dar a mínima. Ele tinha estado muito ocupado. Dante o olhava com mau-olhado. —Você não sabe mesmo quem é Chaos. Porque você acha que ele matou seu irmão? — Trinity esticou os pés para fora em sua mesa de café. Se acomodando de forma confortável na poltrona, Dante descansou sua cerveja em seu joelho e começou. 101 — A tatuagem. Depois que o monstro atacou o meu irmão ele esquentou um anel com um isqueiro, e pressionou no pescoço do meu irmão, marcando-o. — Que idade tinha o seu irmão? — Basil perguntou, acendendo um cigarro. — Treze. — Ah, faz tempo, então. — Não faz tanto tempo assim, eu nunca esqueci essa noite em que ele foi levado de mim. Chaos sequestrou meu irmão e ninguém o viu desde então. — Como foi que você viu tudo isso e ainda esta vivo? — Basil perguntou meio que surpreso. Dante estreitou seus olhos enquanto respondia. — Nós somos gêmeos em todos os sentidos, do pé ao rosto, mas Danny era mais rebelde. Ele gostava de escapar de casa durante a noite e sair com seus amigos. Ele já havia recebido uma bronca na noite anterior e estava de castigo, então ele decidiu fugir a noite da nossa janela do quarto, eu corri atrás dele. Mas era tarde demais. Mas eu vi seu agressor e vi o anel quando o bruto aqueceu e marcou no pescoço do meu irmão. Eu nunca tive um nome de seu agressor, até agora. — Ei, amigo, — Trinity avisou. — Você não tem ideia da besteira que você vai fazer se for atrás de Chaos, sozinho. É melhor pensar direto no que vai fazer. Você não pode se meter com ele. — Então me ajude. Ela acenou para ele com a lata na mão. — Eu tenho outras coisas para fazer, como evitar que o mundo se acabe. — Não esta acabando, — Dante bufou, então engoliu alguns goles de sua cerveja. — Acabará se o rei for ressuscitado e a escuridão predominar, — acrescentou Basil, soprando anéis de fumaça no ar. — Ainda existem mais humanos que os vampiros. Basil riu com tanta ousadia que fez Dante ficar chateado. — Se a escuridão prevalece, quanto tempo você acha que esse número continuará? Mesmo que, digamos, exista uma centena de vampiros em nossa cidade, que, acredite em mim está longe do valor real, mas vamos supor uma centena. Vamos dizer que eles comecem a tomar um ser humano por vez, o que acho duvidoso, visto que eles se alimentam de vários ao mesmo tempo. Mas seria uma centena de seres humanos a menos e uma centena de vampiros mais. Em um dia. Pense em quanto tempo levaria para que eles governassem o mundo. — Foda-se! — Exatamente. E os seres humanos que não forem convertidos em vampiros serão mantidos como escravos sangue ou de sexo. Precisamos parar com isso, agora. — Levantando sua própria cerveja, Basil recostou-se ao lado de Trinity. — Mas como? — Dante tomou outro gole de sua cerveja. 102 — Essa é a pergunta do dia, não é? — Basil parou para encontrar um cinzeiro. — Na parte esquerda do armário, do lado direito inferior, — Trinity franzindo os lábios. — O que precisamos é pegar um dos seus homens, segurá-lo e arrancar algumas respostas dele. Alguém próximo de Chaos. — Eu vejo que você não apagou a sede de tortura ainda. — Basil sorriu quando voltou para a sala e se sentou ao lado dela. — Eu poderia achar a instalação de Chaos e sequestrar um dos homens dele. — Claro, igual aquela outra vampira. — Ela estalou os dedos. — E o que você sugere? — Perguntou Basil com uma mordida de sarcasmo, batendo para fora o seu cigarro. — Crianças, crianças. — Dante falou com sua voz firme. — O Investigador aqui sou eu, meu serviço é procurar e descobrir as coisas. — Posso acrescentar até nisso, mas você é humano, — enfatizou Trinity. — Eu poderia ir nessa instalação e distraí-los — ele continuou. Trinity bufou. — Sim, isso seria ótimo. Você daria um belo lanche para eles. Uma olhada em suas veias e você estaria cercado por vampiros famintos como formigas em um piquenique. — Este lugar está seguro, cheio de seguranças, em todo caso — Basil interrompeu. — Você não pode apenas chegar lá. Você precisa saber os códigos para entrar, ou saber como desativá-los. —Ah. Bem, isso não é impossível, já que temos um gênio do computador entre nós. Dante voltou sua atenção para Trinity. — Eu sei usar um computador, mas não sei como invadir-los. Mas eu sei de alguém que faz. — Ela pegou seu telefone e apertou o número de Jonah na discagem rápida. Quando ele respondeu com um grunhido mal humorado, ela checou o relógio e se encolheu. Eram três da manhã. — Desculpe, esqueci de ver à hora. Eu preciso de você. — Eu esperei toda a minha vida para ouvir isso. Seus lábios franzidos. — Nos seus sonhos. Eu preciso de suas habilidades no computador. — Claro que sim, essa é a primeira luz. Agora, deixe-me dormir mais um pouco tá. — Não, eu preciso de você agora. É uma questão de vida ou morte, Jonah. — Ei, o quão estúpido você achaque eu sou? Como eu vou acreditar nessa linha, Trin. — Ok, não apenas eu, mas a raça humana. Sério Jonah, eu estaria chamando-o agora se não fosse realmente importante? Houve uma pausa momentânea, antes que ele respondeu. — Eu estarei ai rapidinho. — Nós temos o moço do computador, — afirmou, desligando o telefone. — Ele é um de vocês? — Dante perguntou curiosamente. 103 —Ele é humano. — Virou-se para Basil agora. — Ok, como você planeja fazer isso? — Bem, se o Sr. Pasty aqui pode criar uma distração e Jonah pode mexer com os alarmes, eu posso entrar, talvez, aparecer como um... — Você pode se transformar em algo ou alguém? — Dante interrompeu. — Eu não posso me transformar em você ou em qualquer outro ser humano, se é isso que você está perguntando. Mas posso mudar a forma para qualquer outra criatura. Basil explicou cheio de impaciência. — Como você chegou até o porão? Você não disparou os alarmes, — Trinity perguntou. — Eu virei um morcego, e voei pelos túneis. — Seu sorriso aumentou. — Eu poderia fazer isso de novo. — E esperemos que, por esse tempo, Jonah vai ter mexido com os alarmes e você pode prender e executar. — E quando você estiver fazendo isso Trinity eu farei um desvio, tempo suficiente para você entrar, encontrar alguém e sair. — Perfeito. Quando? — Tem que ser hoje, — disse Basil, chegando a seus pés. — Nós só temos um pouco mais de 24 horas até o eclipse. Vou usar o calabouço do castelo e pronto, colocarei lá nosso prisioneiro. O queixo de Dante caiu. — Você realmente tem uma masmorra? — Claro. O que é um castelo sem um calabouço? — Ok, eu preciso dormir um pouco ou não vou ser de grande ajuda. Que horas começaremos isso? — Dante levantou-se, colocando sua lata de cerveja na mesa. — De noite, — Trinity informou. Ela não podia esperar. Já estava na hora de agir. — Por que tão tarde? Não deveríamos começar mais cedo? — Nós não temos o nosso homem da tecnologia agora e na hora que ele chegar aqui vai ser dia. Não podemos andar de dia, se não fritaremos. Só podemos agir a noite. — Ok. — Dante franziu os lábios. — Então, aonde vamos agora? — Para meu castelo. É o castelo perto da Valley Road, perto da colina. — Explicou Basil — Aquele local é seu? — Dante assobiou. — É um local muito bonito. Eu estarei lá. — Ele esfregou as mãos com entusiasmo. — Faz tempo que não me envolvia em algo tão empolgante assim. — Você acha que ele pode lidar com isso? — Basil perguntou no momento em que a porta se fechou e Dante foi embora. — Espero que sim. — Ela deu um passo em direção a ele, pronta para tomá-lo em seus braços. Quando ele se afastou, ela franziu o cenho. — O que foi? — É melhor eu sair e preparar as coisas. 104 — Eu pensei que talvez pudéssemos ter tempo para uma troca de olhares. Ela se aproximou um pouco mais, lambendo os lábios enquanto desabotoava a camisa. — Nós não temos muito tempo. — Ele colocou as mãos, impedindo-a. — Nós temos muito tempo. Pare de fazer isso, — ela exigiu enquanto ele se afastava um pouco mais. — Você precisa de mais do que eu posso dar, Trinity. — Não, o que eu preciso apenas você pode me dar. Ele a olhou sobre os ombros. — Jonah está aqui. Ela se virou para a porta e viu Jonah entrar e fez uma careta. — Porra, você é rápido. — Não rápido o suficiente, pelo que percebi. Oi Doninha, quero dizer, Basil. — Oi para você também, jumento. Vemo-nos a meia-noite, Trinity. — Então Basil desapareceu. — Ótimo. — Ela bufou. Agora ela estava tensa e ninguém podia aliviá-la. — Esqueceu de bater? — Não... Você disse que era urgente, por isso aqui estou. Por que ele estava aqui? — Eu o amo, Jonah e se as coisas acontecerem do meu jeito, ele vai estar na minha vida de novo, então se acostume com isso. — Ela colocou as mãos nos quadris. — Aqui está o que eu preciso que você faça. 105 Capítulo Quatorze Oito horas antes de o eclipse Solar Ele não tinha dormido nada desde que deixou Trinity. Não foi fácil sair de lá, especialmente quando ela estava tão disposta a dar-se a ele. Embora tivesse em mente que a melhor coisa a fazer era deixá-la livre, isso o estava matando. Mas até que ele tivesse certeza que seu pai ficasse aprisionado, ele tinha que mantê-la segura. O que significava abandoná-la. Mais uma vez. Terminando o banho, ele enrolou uma toalha em sua cintura e entrou em seu quarto. E encontrou Trinity deitada nua em sua cama. Ele levou vários momentos para criar coragem e falar. Não foi só vê-la nua em sua cama, que o excitou, era vê-la em sua cama, novamente. Desejou com todo seu coração, tê-la lá de forma permanente. Mas... — Você chegou uma hora mais cedo. — Apesar de sua necessidade, ele tinha que manter distância. — Parece que cheguei na hora certa. — Eu não sei como vai se sentir se Jonah vê-la nessa condição. Eu sugiro colocar alguma roupa antes dos nossos convidados chegarem. Ele virou as costas para ela e começou a puxar a roupa de sua gaveta. Ela o estava matando. — Eu vou me vestir depois que fizermos amor. — Basil se encolheu quando ela se aproximou dele e tocou seu ombro. Basil mal percebeu a aproximação. — Cara, eu adoro os seus músculos. Ele estremeceu e caminhou para seu armário. Esse simples toque foi suficiente para fazê-lo desmoronar. — É assim que você pensa em distrair nosso inimigo? — Perguntou, em seguida atirou-lhe uma das suas camisas. — Por que você está me evitando? — Ela apanhou, mas não a vestiu. — Temos trabalho a fazer e estamos correndo contra o tempo. — É por isso que eu vim mais cedo. — Deixou a camisa cair e foi em sua direção. — Pare, por favor, você está me matando. — Seu corpo estava gritando para possuí-la, sua mente dizia para se afastar. — Então me deixe tocá-lo e parar a dor. — Correu as unhas curtas sobre o peito, brincando com o cabelo escuro que cobria a maior parte. Ele agarrou os pulsos dela e os afastou. Por dentro estava morrendo para possuí-la. — Trinity, eu não posso. — Por que não? Você parece mais do que pronto para mim. — Seus olhos piscaram cheios de tesão, em seguida, volta-se a ele com um sorriso sedutor. 106 — Você não está segura quando está comigo. — Deu-lhe um empurrão em seguida puxou um par de calças pretas. — Eu já disse mais de mil vezes, eu posso me proteger. — Você acha que pode, meu amor, mas você não pode e nem eu poderei. Meu pai não só quer me machucar, ele quer me fazer sofrer e ele planeja usá-la para fazê-lo. — Basil. — Não discuta comigo sobre isso, Trinity. — A batida na porta era mais do que ele precisava para interrompê-la. — Por favor, — implorou a ela enquanto abria a porta. — Sim Cooper? — Você tem um convidado. O Sr. Jonah. — Obrigado, Cooper. — Ele fechou a porta e se virou para Trinity. — Eu acho que você precisa se vestir antes de descer. Deixando escapar um suspiro profundo, Basil colocou suas calças e, em seguida a camisa, antes de ir para baixo. Encontrou de pé Jonah em sua sala, olhando para a pintura das montanhas com o céu cor de sangue. — Você está adiantado. Jonah voltou para Basil, carrancudo. — Eu prefiro chegar adiantado. Além disso, eu queria falar com você antes de todo mundo aparecer. Eu gosto desta pintura, — disse ele em um tom que era mais descontraído do que as suas declarações anteriores e deixou Basil um pouco confuso. Ele certamente não estava disposto a dizer-lhe que Trinity já estava aqui. — Como quiser. Você quer falar sobre o quê? — Ele se moveu para a sala em sua graça habitual. — Trinity está em perigo? Ele certamente não esperava por isso. Não era segredo que Jonah o odiava desde que traiu Trinity da pior maneira. — Se ela ficar comigoe meu pai se libertar, sim. — Então, é melhor ficar longe dela. Basil voltou a Jonah com um leve sorriso. — Você podia dizer isso a ela. Estou tentando fazer o que é melhor para ela. Eu tentei protegê-la, mas é uma mulher determinada. Ela não vai ouvir a razão, de mim, pelo menos, mas talvez ela o ouça. Jonah levantou as sobrancelhas em surpresa. — Sabe, ela me disse o que você fez, a traiu porque seu pai a ameaçou. Mas parte de mim estava cético. Você a traiu, Basil, e me deixou puto. E agora você está aqui me pedindo para ajudá-lo a mantê-la longe de você e... bem, dane-se, você está me fazendo realmente gostar de você. — Eu poderia encontrar uma outra razão para você não gostar de mim. — Basil sorriu maliciosamente. — Vamos discutir o assunto. Ok. O que você quer que eu faça? — Convencê-la a deixar-me sozinho. — Seus olhos se voltaram para as escadas enquanto Trinity descia. — Agora seria um bom momento. 107 — Ela estava aqui com você? — Jonah disse baixinho. — Convença-a — ele reiterou baixinho e se afastou enquanto ela entrava na sala. — Por que está aqui tão cedo, Jonah? — Trinity perguntou. — Eu gosto de chegar adiantado. — Jonah disse simplesmente. — Vamos começar o show. — Dante não está aqui ainda, e eu preciso primeiro jantar. Basil esperava que Jonah tivesse mais sucesso com Trinity em convencê- la que ela estava melhor sem ele do que com ele. — Quem é Dante? — Jonah enfiou as mãos nos bolsos da calça e esperou por uma resposta. — Um investigador. Ele vai trabalhar com a gente para interromper o ritual. Você não poderia ter, só desta vez, ter chegado tarde? — Trinity bateu o punho no braço de Jonah forte o suficiente para fazê-lo gritar. — Eu pensei que você me disse que estava em perigo por estar com Basil? — Jonah resmungou, esfregando o braço. — Eu sei me cuidar. — Contra a criatura mais má do planeta. Pode ser duro, Trinity, mas você não está imune contra isso. Fique longe dele, antes que seja tarde demais. — Fique fora disso, — disse ela com os olhos apertados. — Alguém quer café? — Basil perguntou para acabar com o que poderia ser uma briga entre os dois. — Ou uma dose de uísque? — Pra mim está ótimo. — Jonah ignorou Trinity. — Sinta-se a vontade. — Servindo os copos, Basil esperava entorpecer a dor que estava sentindo no fundo do seu coração. *** Depois de Dante chegar, eles foram para a sala de Basil, enquanto Jonah batia nas teclas de seu laptop em busca das propriedades de Chaos. Graças à tecnologia, ele foi capaz de digitar o endereço das propriedades na seção de mapas do seu navegador e conseguiu uma visão aérea da propriedade e da construção. E era por isso que ele era o melhor homem para este trabalho. Embora tivesse levado mais de uma hora para chegar a ela, ele sabia exatamente o que fazer. — Parece uma igreja normal, — afirmou Dante, pairando sobre os ombros de Jonah, olhando para a tela. — A primeira vista sim, mas não é. Eu lhe garanto isso, — acrescentou Basil, puxando um cigarro e acendendo-o. — Eu pensei que vampiros não entrassem em igrejas. — Dante levantou e se aproximou de Trinity. — Isso é folclore, — explicou Basil, sacudindo as cinzas num cinzeiro de vidro na barra. — Se o vampiro fosse criado em uma igreja católica, criado para acreditar em céu e inferno, ensinado a acreditar que o mal não pudesse 108 atravessar um terreno religioso, então eles não seriam capazes de entrar na igreja. Mas realmente não existem problemas em entrar em uma. A maioria das pessoas ainda pensa em igrejas como um fundamento sagrado, e por isso que eles acreditam estar seguros, uma vez lá dentro. E é por isso Chaos tem seu acampamento em uma igreja. — As pessoas não suspeitariam de uma igreja, — Trinity complementou. — E no instante em que estamos lá dentro, bam! Eles te agarram e te transforma em um deles. Basil acenou com a cabeça. — Ou os usam como comida ou brinquedos para o seu povo. O lugar perfeito para se esconder e alimentar. — Assustador. — Dante estremeceu. — E é por isso que eu lhe disse para não ir atrás dele sozinho. — Trinity olhou severamente para Dante. — Então, vocês dois são inimigos, você e esse tal de Chaos. Mas se você é o príncipe, por que você não acaba com ele? — Enquanto ele se comporta, por assim dizer, eu não tenho nenhum problema com ele. — Ora, ora, ele ressuscitar um demônio do mal, não é se comportar mal? Então, ele usa uma igreja para atrair pessoas e criar mais vampiros. O que você faz para aumentar o seu número? — Eu espero por gente estúpida, como você, abrir a boca. — Basil não procede dessa forma. — Trinity interrompeu, sabendo que aquela discussão só iria terminar em uma luta. — Ele só transforma pessoas que não tem mais razão para viver. — Quanta nobreza. — Dante zombou. — Se amanhã você soubesse que só tinha uma semana de vida, você escolheria o que? Uma oportunidade de continuar vivendo ou a doença? — Basil perguntou disfarçadamente. — Então como você encontra essas pessoas desesperadas? — Você consegue detectar que tipo de sistema de alarme que ele está usando, Jonah? Trinity cortou a conversa, na esperança de lembrar os dois porque eles estavam aqui. — Eu posso, mas vai levar algum tempo. — Precisamos fazer isso agora, — insistiu Basil. — Estamos correndo contra o tempo. — Segurem suas presas, senhores mortos-vivos. Eu posso desativar o sistema daqui quando detectá-lo. — Jonah bateu no teclado. — Meu software foi criado com um detector que emite um barulho no instante em que está perto de qualquer tipo de sistema de segurança. Basil ergueu as sobrancelhas. — E com a ajuda disso, você consegue hackear todo tipo de programa? — Eu tenho meus segredos, — disse Jonah, com um sorriso orgulhoso. — Ele hackeou os computadores policial, em nosso escritório. 109 — Você contou nosso segredo Trinity, — Jonah espetou Trinity. — Eu posso fazer essas coisas, Basil. — Você é o melhor nisso. — Eu acredito nisso. — Disse Jonah Eles viram enquanto Jonah bateu os dedos sobre as teclas, xingando quando ele desativada um firewall após o outro, em seguida, clicou sobre as teclas mais uma vez. Parecia demorar uma eternidade e Trinity podia sentir o nervosismo que emanava de Basil enquanto ele rondava o quarto. — Eu consegui! — Jonah proclamou. — Até que enfim, — Basil bateu na mesa de Jonah. — Você pensa que é fácil? — Meninos, — exclamou Trinity, sabendo onde aquela conversa iria chegar se os dois começasse a criticar um ao outro. — O que você tem, Jonah? Jonah começou a explicar enquanto ele virava o laptop para que todos pudessem ver. — É o estado da arte, movimentos censurados, mas que também trabalha na temperatura do corpo. — Eu pensei que vampiros não registrassem a temperatura do corpo porque, bem... porque eles estão mortos. — Dante encolheu os ombros quando ele olhou para Trinity, em seguida, Basil. — Nós não estamos mortos, mas não completamente vivo assim nossa temperatura é mais baixa do que seres humanos, — informou Trinity. — Mas este tipo de detecção não foi concebida para detectar a temperatura do vampiro. Eu estou apostando que é para detectar os seres humanos. Estou certa? Basil acenou para a declaração dela. — Assim, um ser humano passa e bam, vampiros saltam de seu esconderijo e têm um lanche agradável, — declarou Jonah enquanto esfregava as mãos. — Ok, então o que se passa lá? — Dante perguntou com um estremecimento. — É uma configuração diferente. Mais sofisticado. — Jonah digitou mais algumas coisas. — Eu tenho todos os esquemas aqui. Um comando simples e ele está desconectado. — Mas como eles não sabem se forem desconectados? — Dante inclinou- se para a tela.— Porque eu vou enganar o sistema, fazendo-os pensar que ele funciona normalmente. — Jonah sorriu orgulhosamente e clicou o mouse e executou o programa. — Voila. — Só isso? — Dante levantou-se, esticando as costas novamente. — É isso aí, meu filho. — O homem que deixa as coisas parecerem tão simples. — É, se você soubesse como as coisas de fato funcionam. — Jonah deu uma palminha nas costas. 110 — Eu acho que eu poderia usar melhor os computadores. Poderia ser divertido tentar pelo menos, — Dante decidido. — Ok, agora o que todos nós temos que fazer é entrar. — Trinity se virou para Basil, respirou fundo. — Você está pronto para se transformar? — Estou pronto. — Basil mexeu o pescoço aliviando a tensão. — É estranha a sensação quando você se transforma? — Dante queria saber. — Não, não é. Tudo o que faço é dizer a minha mente para me transformar e me transformo. — Fala sério! Você usa o poder da mente? — Não é tão difícil se você tivesse essa habilidade. — Basil virou-se para Trinity. — Você tome cuidado. — Eu sempre tomo. — Mesmo? Você foi baleada não faz muito tempo. — Ele beijou o nariz dela fazendo-a franzir a testa, em seguida, desapareceu. — Te vejo mais tarde. — Sua voz ecoou. — Eu sou um gênio. — Jonah virou o monitor para que eles vissem. — Eu conectei meu computador na unidade central, então posso ver tudo o que eles fazem. — Bem, eu acho que significa que vamos à luta. — Movendo seu pescoço, Trinity se preparou para uma possível luta. Bem, estava ansiosa por uma. — Pronto? — Pode apostar que sim. — Dante acenou com a cabeça. — Há quanto tempo você e Basil se conhecem? — Ele seguiu Trinity para seu carro. — Faz sete anos. — Uau. Então, por que terminaram? — Ele subiu no lado do passageiro de seu carro. Ela olhou o motor e começou a ligar. — É complicado. — Eu vejo. Ele te traiu. Ela se virou para ele com surpresa. — Como você descobriu isso? — As pessoas acabam relacionamentos de longas datas, geralmente por esse motivo. E então descobriu o que vamos fazer para distraí-los? — Eu vou te usar como isca. 111 Capítulo Quinze Cinco horas de o eclipse solar Trinity estacionou em uma parada perto de um caminho deserto da estrada que levava a propriedade de Chaos. Ela não disse uma palavra a Dante, mesmo quando ele continuava a perguntar como ela o usaria como isca. Era melhor mantê-lo no escuro. Irritável. Os vampiros sentiam melhor o cheiro das pessoas quando elas estavam nervosas. — Olha, eu sei que fiquei entusiasmado com as novas descobertas sobre vocês. Mas isso não significa que eu queria ser um de vocês. A voz de Dante tremeu enquanto ele descia do carro. Ela pegou o braço dele, só para ter certeza de que não batesse pino, e o encaminhou para as instalações. — Não vai chegar tão longe. Confie em mim, — Trinity assegurou, em seguida, o empurrou caminho abaixo. — Eu espero que você esteja certa. Ah, foda-se Trinity. — Afastou-se quando dois homens corpulentos dirigiam os olhares para eles. — Olha nós temos um pouco de carne fresca para o jantar desta noite, — disse o vampiro. — Olá meninos. — Trinity saiu das sombras, preparado-se para a luta. Com uma manobra rápida, ela chutou um para a esquerda e bateu em outro. Ela gostava de lutar, sempre gostou e valorizava um bom adversário. Aquele com a cabeça raspada era definitivamente bom no que fazia. Deu tão bom como ele conseguiu. Tirou uma estaca do bolso e a jogou para Dante. — Acerte o coração, Dante. Ele a pegou e manobrou facilmente. — Eu sei. Eu assisti a filmes o suficiente para saber como matar um deles. Com as mãos tremendo mais do que um pouco, ergueu-o, pronto para matar. — Dante? Ele parou, a cabeça inclinada para o lado, quando alguém falou. — Amigo por acaso nos conhecemos? O jovem saiu das sombras, o seu largo sorriso mostrando seus dentes afiados. — Acho que sim. Nós dividimos um útero por nove meses. Dante congelou, sua mão parada no ar enquanto ele olhava para o jovem. — Danny? — Dante, mate-o! — Trinity gritou enquanto mais três vampiros saíram das sombras. Ela tinha as mãos cheias, enquanto ele observava o irmão. — Não! — Gritou para Trinity. — Danny? Oh meu Deus, Danny, é realmente você. 112 Com um movimento rápido, Trinity meteu a estaca no peito do vampiro e assistiu virar pó. — Então eu vou matá-lo. — Ela deu um pulo, pronto para matar. — Não! — Dante se posicionou na frente de seu irmão e Trinity acertou Dante. A ponta da estaca pegou no ombro, rasgando sua camisa e uma boa raspagem da pele, uma vez que fora cortado em seu ombro. — Porra. — Sua mão se aproximou de seu ombro. — Não o mate, Trinity, ele é meu irmão. E agora ele se foi. Merda! — O garoto era rápido também. Dante virou-se e viu seu irmão pular a cerca. — Danny, espere! Que diabos você está fazendo? — Ela o agarrou enquanto ele tentava correr atrás de seu irmão. — Deixe-me ir! — O que diabos eu vou. Porra, temos um trabalho a fazer, e você não está em condições de lutar. Venha. — Lançando-o por cima do ombro, Trinity começou a correr. — Me solte, me coloque no chão. — Não até estarmos em segurança no carro. Porra, por que diabos você ficou na minha frente quando eu estava a ponto de matá-lo? — Ela empurrou-o para o banco do passageiro do lado. — Jonah código vermelho. Idiota!, — Disse para Dante enquanto ela ligava o motor e saia em disparada. — Ele era meu irmão. — Seu braço estava sangrando bastante. — Ele é um vamp e você foi quase seu almoço. — Ele não teria... Como é que ele cresceu? Eu não entendo. Ele tinha treze anos quando ele foi levado. Como ele é um adulto? — Idade vampiresca. Ele é um vampiro impuro, a cada cinco anos humanos ele envelhece um. — Ela pôs o carro em marcha e acelerou ao virar da esquina. Ela esperava que eles não o estivessem os seguido. — Então ele estaria com... dezessete anos. Eu preciso voltar, preciso encontrá-lo. — É preciso sentar sua bunda e fazer pressão sobre a ferida antes que você desmaie. Seu total idiota. Eu poderia ter matado você. Balançando a cabeça, ela saiu em disparada para a casa de Basil. Ela esperava que Basil fosse capaz de lidar com isso melhor que ela. *** O ar em torno dele cheirava a ranço, obstruído seus pulmões enquanto andava pela entrada dos fundos. Basil nunca foi terrivelmente apaixonado por Jonah, mas agora, ele poderia realmente abraçar o cara. Os alarmes estavam desativados e tudo estava dando certo. Agora tudo o que tinha a fazer era encontrar o seu homem. 113 Fechando os olhos, Basil controlava sua mente, para permanecer na forma de rato enquanto andava pelas instalações procurando sua vitima. Na forma de rato Basil chamava menos atenção do que na forma de morcego. Visto que os ratos eram mais comuns e não chamaria a atenção de uma pessoa ou vampiro. Ele cheirou o ar, sentindo o cheiro familiar de sangue humano, mas continuou. Mas não havia humanos ali no momento, o sangue tinha cheiro de pessoas mortas há muito tempo. E não eram as mulheres jovens. Não havia nada puro sobre esse sangue. Não havia nada vivo nesta instalação, o que entristeceu muito. Visto que isso deixaria as coisas muito mais fáceis se pudesse encontrar as jovens sequestradas e as levá-las em segurança. Então ele viu a cabeça de sua presa, sentado em uma mesa, lendo algo no computador. E ele estava sozinho. Perfeito. Basil correu ao longo do chão. Ele passou vários vampiros, alguns dos quais ele reconheceu como sendo uma vez parte de sua equipe. Traidores. E se tivesse tempo, ele acabaria com eles por terem o traído. Tomando a esquerda no final do corredor, Basil correu para a porta. Usando suamente, ele abriu a porta, entrou então em silêncio. O toque no teclado disfarçava qualquer ruído do pequeno Basil. Ele se aproximou da mesa, em seguida, apareceu em sua forma original. Não era Chaos, mas ele serviria muito bem. — Olá, Magnus. Ele se virou em sua cadeira, seus olhos se estreitaram quando ele olhou para Basil. A mão de Magnus se deslocou para o painel de controle para a esquerda, e Basil o parou antes que ele pudesse pressionar o botão de alerta. — Nós precisamos conversar. — Apertando a mão no ombro de Magnus, Basil entrou na mente de Magnus, que desmaiou. Basil o pegou antes dele bater na mesa. — Você sempre foi fácil. — Levantando o cara para seus pés, Basil grunhiu enquanto mudou-o em posição, em seguida carregou-o para a porta. Ele ouviu o barulho e sorriu. Essa era a sua menina. Enviou um agradecimento mental a Trinity por fazer o seu serviço. Basil saiu com Magnus pelo corredor e chegou à porta dos fundos. Porra foi muito fácil. *** — O que diabos aconteceu? — Jonah ajudou Dante a se sentar no sofá, enquanto Trinity procurava alguns panos. — O idiota, estúpido ficou na minha frente enquanto eu estava prestes a fazer pó de alguém, — ela gritou enquanto corria para a cozinha. O cara era sortudo, ela parou a estaca no último segundo se não tivesse parado teria sido mais do que uma ferida. Maldição, idiota. 114 — Ele era meu irmão, — Dante disse fracamente, apertando com a mão o ferimento no ombro. — O vampiro era o seu irmão? Merda, isso é difícil. — Jonah pegou o pano de Trinity e aplicou no braço de Dante, pressionando com força. — Essa porra, — ele assobiou. — Não há dúvida. Vai precisar de pontos. — Jonah limpou o sangue para conseguir um olhar mais atento. — Apenas alguns, embora poderia ter sido pior. — Não me diga. E quanto a Basil? Qualquer palavra? — Ela sentiu as ondas de dor que emanava de Dante, enquanto o cheiro do sangue humano espalhava pelo ar. — Eu ouvi meu nome ser falado? — Basil saiu das sombras, com um largo sorriso no rosto bonito. — Sinto cheiro de sangue fresco. Oh, oba, temos um lanche. — Ele levantou suas presas enquanto caminhava na direção de Dante. — Comporte-se. — Porque ela não estava inteiramente certo se Basil estava brincando, Trinity decidiu que seria melhor manter os dois separados. — Eu prefiro tomar sangue um pouco mais refinado em qualquer caso. — Eu acho que deveríamos levá-lo ao médico, — informou Jonah enquanto ele lavava a ferida com água que Trinity tinha trazido. — Boa idéia. Chame-me e deixe-me saber como ele está. Jonah balançou a cabeça em Trinity. — Vamos, D, vou levá-lo para ser costurado. Jonah ajudou Dante a ficar de pé. — Bem? — Trinity finalmente perguntou depois que Dante e Jonah saíram. Ela não estava muito preocupada com Dante. Alguns pontos e ele estaria bem. — Será que isso vai funciona? Você realmente quis se alimentar dele? — Eu tenho alguém preso em minha gaiola, — Basil informou a Trinity. — Chaos? — Ele não estava nas instalações. Eu estou com Magnus. — Ótimo. Vamos ter uma conversa com ele. *** — Como você está se sentindo, D? — Jonah perguntou enquanto saia da garagem de Basil. Eles tinham, pelo menos, uns vinte minutos para sair do castelo e encontrar uma clínica que estivesse aberta no meio da noite. Apesar de ferida de Dante não ser fatal, ele estava perdendo um pouco de sangue e a ferida precisava ser fechada para evitar uma infecção. — Eu vou sobreviver. — Ainda está sangrando bastante? Dante puxou o pano de sua ferida e encolheu os ombros. 115 — Não está jorrando horrores de sangue. Eu realmente não acho que preciso de pontos. Jonah resmungou. — Não me diga que você tem medo de agulhas? — Eu levei um tiro no meu primeiro ano como um policial. Pegou no lado esquerdo. Confie em mim, depois disso, eu não tenho medo muito. — Acho que não. Então... o seu irmão é um vampiro? — Não havia nenhuma maneira fácil de fazer essa pergunta. — Sim. — Isso é difícil. Você sabia que ele era um vampiro? — Eu suspeitava, mas... — É difícil de entender. — Jonah sinalizou e saiu da garagem de Basil e entrou na estrada. — Eu tenho que encontrá-lo. Eu tenho tantas perguntas. — Tenho certeza que logo que este negócio com o pai de Basil for tratado, Trinity estará mais do que feliz em ajudá-lo a achá-lo. — Talvez. — Ele se mexeu na cadeira para olhar para Jonah. — Há quanto tempo você a conhece? — Seis anos. Você não pode achar nada melhor do que Trinity. — E esse cara Basil? — Antes de hoje eu teria dito que ele era uma chaga na humanidade, mas... ele tem provado seu valor, então eu vou dar uma folga. Ele é muito poderoso, embora... — Talvez ele seja a pessoa que eu deveria chamar para encontrar meu irmão. Ele tem todos aqueles poderes estranhos e outras coisas. Ele poderia ser mais útil do que Trinity... Jonah diminuiu a velocidade e virou na estrada que dava acesso a Jacob's Cove. — Como eu disse você não pode deixar Trinity de lado. Mas não faz mal ter os dois do seu lado. Como está o braço? Dante retirou o pano. — O sangramento parou. — Você ainda vai ser costurado, meu amigo. *** Trinity seguiu Basil pelo corredor que levava a masmorra. Eles não tinham muito tempo a perder e ambos decidiram que invadir a mente de Magnus era a melhor aposta na obtenção de informações sobre onde estavam as garotas. — Você sabe, em todos os anos que vivi aqui, eu acho que só vim aqui uma vez. — Lembro-me com carinho, do tanto que gostava em ser seu prisioneiro. Ele piscou enquanto segurava a porta para ela. 116 Ela se lembrava carinhosamente bem, e decidiu que logo que encontrasse as meninas e o pai de Basil estivesse aprisionado de forma segura, ela iria desfrutar de torná-lo seu prisioneiro novamente. — Tem certeza que você pode fazer isso? — Faz muito tempo desde que eu invadi a mente de alguém, mas tenho certeza que eu me lembro de como é feito. É como andar de bicicleta. Claro, ela sabia que ele poderia fazê-lo, mas também se lembrava dele dizendo que odiava fazê-lo porque sentia como bater a cabeça em uma parede de tijolos para chegar ao outro lado. — Se em algum momento você sentir algum problema... — Isso tem que ser feito, Trinity. — E, dizendo isso, dirigiu-se a cela onde estava detido Magnus e entrou por entre as grades. — Eu estou te dando uma chance de me dizer onde as meninas estão aprisionadas. — Eu não vou trair meu mestre, — afirmou Magnus com um queixo firme sobressaindo. — Como quiser. — Num piscar de olhos, ele levou Magnus à parede com uma mão em seu pescoço. Trinity sentia arrepios só em ver como a personalidade de Basil se alterou. — Vamos ver o que sua mente tem a dizer. Ela observou como Basil segurou Magnus na parede e desejou que ela pudesse ver o que estava vendo. Qual seria a sensação de entrar na mente de alguém? Então Magnus começou a tremer, os seus joelhos tremiam, e ela podia ver o poder nos braços de Basil, enquanto ele segurava o homem à parede. — Não tente resistir, Magnus. Isso só vai lhe causar mais dor. — Eu... vou... não trair... Trinity pulou quando o corpo de Magnus começou a convulsionar. Então Basil o deixou cair no chão e cambaleou para trás várias vezes. — Basil? — Ela estava bem na porta, pronto a vir em seu auxílio quando ele se virou para ela. Seus olhos estavam brancos. — Você tem o seu telefone celular? — Ele murmurou, levantando a mão para as têmporas. — Sim, por quê? — Eu vou chamar se eu encontrá-las. Ele desapareceu antes que pudesse dizer outra palavra. Ela ficou enfurecida com ele porque a deixou para trás. Eles deveriam fazer isso juntos. O som do riso alegre Magnuschamou sua atenção e virando-se para ele o viu rastejar. — O que é tão engraçado? — Você nunca vai encontrá-lo. — Onde você o enviou? — Se Basil estivesse em apuros, ela ficaria muito feliz em rasgar cada pedacinho de Magnus, membro a membro. Então, rapidamente, Basil reapareceu diante dela. 117 — Estou com vontade de brincar, Magnus. — Usando a mão, ele pressionou o rosto de Magnus contra a parede. — Onde elas estão? — Perguntou ele. — Onde Magnus o enviou? — Numa fábrica na periferia da cidade. — Agarrando a frente da camisa de Magnus, Basil o içou de pé. — Você vai me dizer agora, onde estão, ou desta vez não será tão fácil para você. Magnus cuspiu em Basil, acertando sua bochecha esquerda. Levantando-o acima dos pés, Basil o jogou com toda a força. Magnus bateu na parede com um estrondo feio antes de deslizar para o chão. — Vamos tentar isso de novo. — Agarrando Magnus pelo pescoço, ele enfiou as unhas na carne de Magnus, enquanto o encarava, olhou nos olhos. Desta vez, Magnus não apenas tremeu, ele se contorceu como se tivesse sendo eletrocutado. E mais uma vez, Basil entrou em sua mente e desapareceu. Ela desejava apenas uma vez saber onde Basil estava indo. — Você está com uma aparência péssima, Magnus. É melhor você ter indicado a localização correta a Basil. — Eu... não... vou trair... Ela deu dois passos para trás quando sentiu a força da entrada de Basil e viu como ele rasgou Magnus numa fúria cega. — Isso vai parar agora! — A voz dele sacudiu as barras das celas. — Não há mais tempos para jogos. Vou conseguir a verdade de você, de qualquer forma. — Posso ajudar? — Ela estava morrendo de vontade de entrar em ação. — Onde as meninas estão sendo mantidas? — Basil gritou para Magnus, em seguida, jogou para a parede da sala. — Eu... não vou — Suas palavras foram cortadas quando Basil investiu contra ele, levantando-o do chão. — Onde elas estão sendo mantidas? Ela ficou assistindo Basil agredir Magno com socos, jogando-o ao redor da sala, exigindo respostas. Ela sabia que o tempo estava passando e ela esperava que Magnus finalmente respondesse as perguntas. — Agora, você vai me dizer. — Basil agachou-se sobre Magnus enquanto estava caído no chão e agarrou na cabeça do vampiro. Mais uma vez Magnus convulsionou, assim como Basil. Trinity correu para o lado de Basil. — Basta! Basil cambaleou ofegante, as mãos segurando a cabeça. Seu rosto estava pálido e suado e seu corpo tremia em seus braços. De repente, Magnus começou a rir. — Posso tentar com ele? — Você está muito atrasada. — Magnus riu enquanto Trinity se virava e viu a luz do sol através da janela da pequena cela à sua direita. 118 Em um lampejo de um segundo, Magnus atacou Trinity, pegando a estaca que ela sempre carregava em seu cinto e enviado-a para o seu peito. 119 Capítulo Dezesseis O vento estava tão quieto quanto à morte. Era como se mundo soubesse que algo estava preparado para vir. Chaos ficou no centro do Pentagrama, uma menina virgem em cada ponto, um homem de cada lado. As facas estavam prontas, a matança era iminente. Todas as cinco estavam acorrentadas ao chão, choramingando. Nuas estremecendo com o ar da manhã. Cada um ia morrer nobremente e ajudar a finalmente levantar o rei. O dia tinha finalmente chegado. Chaos era alto, estava vestido de preto da cabeça aos pés, e nenhuma pequena parte da sua carne estava exposta ao sol torturante. Logo, ele teria o que ele mais queria. A luz estava começando a escurecer e o tempo havia finalmente chegado. — Neste dia, enquanto o fogo apaga, eu ofereço a você, Místicos da Escuridão, o sangue das cinco que foram consideradas sagradas. — Sua mão esquerda apontou à esquerda, indicando a primeira morte que seria feita. Ele revelou um grito, enquanto a menina era sacrificada, como a faca mergulhou em seu peito e o sangue foi drenado para o chão. Uma por uma, seu sangue era derramado e uma por uma das meninas estavam morrendo. Era realmente um bom dia para morrer. A luz esmaecida, Chaos ergueu a cabeça e gritou: — Eu dou a você, Místicos da Escuridão, a minha oferta. Conceda-me o meu desejo; liberte meu rei. Deixe-o subir mais uma vez. *** — Não! — Trinity gritou enquanto se lançava na direção de Magnus. Mas era tarde demais. Magnus se suicidou e desintegrou no chão em uma pilha de pó, e todo o trabalhado deles tinha sido em vão. — Eu falhei, — Basil murmurou enquanto estava de joelhos no chão de cimento frio. Ela correu para seu lado e levantou a cabeça, acariciando sua testa úmida. —Você não falhou. Ainda há tempo. Você precisa descansar. — Se alguém tinha culpa era ela. Foi estúpida por ter baixado a guarda. — Não há tempo para descansar. — Disse Basil finalmente se levantando. —Eu preciso encontrar Chaos. Precisamos parar o ritual. — Ele tropeçou, e ela o agarrou antes que ele caísse. — E como é que você vai fazer isso quando você mal pode ficar de pé? — Eu tenho que parar com isso antes. — Sua voz gelou quando ele se virou para a janela. — Não, não, não! Foi então que ela viu quão fraca a luz do lado de fora da janela se tornou. Através da escuridão atravessando a janela, ambos viram o sol ficar envolto nas trevas. 120 *** Chaos ficou no chão, uma vez que este tremia. Ele observou o céu e viu como o sol ficou completamente escuro e se pôs de joelhos. Ele sentiu o ar quente crescer, sentiu uma corrente elétrica percorrer seu corpo. E em um flash de luz cegante, o rei imergia e era ressuscitado. — Obrigado, Místico da Escuridão, obrigado. Completamente nu, Avadur estava deitado no chão frio numa posição fetal. Ele tremia e gemia e Chaos se preocupou se algo tinha dado errado. — Meu senhor! — Ele correu para Avadur, caindo ao seu lado. — Onde... eu estou? — O rei resmungou. — Você está de volta, ao lugar onde você pertence. — Leve-me para casa. *** Em qualquer outro momento, Trinity pensaria que o eclipse era uma coisa linda. Mas agora, sabendo que a vidas das cinco jovens estavam sendo sacrificadas para ressuscitar algo tão mal que pudesse apagar o sol, ela ficou enjoada. Enquanto a luz desaparecia, ela sabia em seu coração que eles estavam muito atrasados. — Você tem que me deixar, — afirmou Basil, agarrando-a pelos braços. — Corra, pegue o carro, ou arrume um avião, eu não me importo, apenas me deixe e não olhe para trás. — Não seja estúpido, Basil. Ele a sacudiu de forma bruta, os olhos azuis se alargaram, enquanto falava. — Você não está segura aqui, principalmente perto de mim. Vai, Trinity. Se você me ama, me deixe agora. — Eu não vou a lugar nenhum sem você. Jesus, Basil, você não pode mesmo nem ficar de pé direito. — Eu vou ficar bem. Eu não quero te perder, Trinity. Por favor, me deixe. Ela nunca o tinha visto chorar e ver seus olhos azuis brilhantes com as lágrimas fez seu coração doer. Ela passou a mão em seu rosto, em seguida, inclinou-se e tomou seus lábios. Ela silenciou-o com um beijo lento, apenas provando-o, tudo que ela precisa era senti-lo. E quando ela o soltou, segurou firmemente seu queixo. — Você não vai me perder, Basil. E não vai me manter afastada para me salvar. Deixe-me cuidar de mim e de você. — Ela o beijou novamente. — Precisamos de um plano. — Ele vai me procurar e se ele te encontra comigo, ele vai... Ela o beijou de novo, então cobriu o rosto nas mãos. — Ele não vai me encontrar. Ele não sabe onde eu moro, por isso vamos para minha casa. — Ajudando-a a erguer-se ela passou o braço em volta da 121 cintura dele. — Eu não vou deixar você dessa vez, Basil. Não importa o que aconteça. Ele era muito pesado, mas ela conseguiu ajudá-loa atravessar os túneis e chegaram ao seu carro. E enquanto eles saíam, avistavam uma escuridão em lugar do dia. — Ninguém estará a salvo agora. Ela o colocou no banco do passageiro de lado e rapidamente correu para o lado do motorista. — Acho que nosso trabalho só ficará um pouco mais difícil. — Ela arrancou o celular e discou o número de Jonah. — Onde está você? — Basta sair da ER. Jesus, Trin, está tudo escuro. — Nós não fomos bem sucedidos. Agarre Ariel e siga para a loja. Eu estou levando Basil para lá agora, e Jonah... faça o que você tem que fazer para se proteger. — Ela desligou e colocou o telefone de volta no bolso da camisa, enquanto ela olhava para Basil, ela viu que ele parecia estar distante, sem vida. Ele estava sendo tão valente, querendo protegê-la e salvá-la de seu maldoso pai, mas ela não era a única que precisa de proteção. Colocou o carro em marcha e saiu em disparada na direção de sua casa. *** Chaos ajudou Avadur a sair do carro e entrada na frente da casa que tinha sido sua. Ele esperava que Basil estivesse ali e ele pudesse ver o rei, a vingança do rei. A porta da frente estava trancada e Chaos entrou como se tivesse feito isso dezenas de vezes antes. — Eu preciso me alimentar, — Avadur resmungou. Chaos o levou para a sala e o colocou sobre o sofá. Então ele simplesmente se afastou e admirou o rei. Fazia muito tempo desde que ele pôs os olhos em seu mestre e Avadur era tão temível como ele se lembrava. Seus músculos bem moldados e esculpidos. Ele era uma criatura que todos em breve viriam a temer. Foi um momento alegre na vida de Chaos. Logo, seu mestre iria reinar mais uma vez e seu plano para dominar o mundo logo se tornaria realidade. — Eu não tinha ideia que estaria tão fraco quando chegasse, — Chaos disse finalmente. Quando a cabeça de Avadur se ergueu, Chaos deu um passo para trás. O brilho de seus olhos azuis cristalinos o congelou. — Eu não quis dizer isso, eu pensei que você estaria em sua plena força quando você chegasse. — E novamente o brilho o congelou. — Eu vou te trazer comida. Chaos pegou seu telefone celular e chamou Magnus. Depois de dez toques e não obtendo resposta, ele desligou o telefone e discou outro número, deu instruções a um de seus homens sobre o que trazer. Ele colocou o telefone longe, puxando uma respiração profunda antes de falar. 122 — Existe alguma coisa que eu posso fazer por você, meu senhor? — Basil, — ele resmungou, puxando o cobertor apertado para seu corpo. — Vou ver se ele está aqui. — Ele se foi. — Avadur olhou para Chaos. —Encontre-o. *** Era estranho ver o dia escuro. Mas o que era pior ainda, era ver as pessoas quebrando as lojas e arrastando os trabalhadores para fora. E esses eram os seres humanos. Eles não tinham ideia que estavam em perigo, podia se tornar escravos sexuais, escravos de sangue, ou coisa pior. Trinity estacionou na parte de trás do domínio digital, logo depois Jonah o fez. — Isso é um manicômio do caralho, — exclamou Ariel enquanto saia do seu veículo, seguida de Dante. — E isso só vai piorar. — Ela pegou Basil. — O que aconteceu com ele? — Jonah perguntou enquanto ajudava Trinity a tirar o corpo inconsciente de Basil do carro. — Ele está sobrecarregado, por tentar entrar na mente de Magnus. — Ela o ergueu, ficando a sua direita, enquanto Jonah estava à esquerda. — Como está seu ombro? — Ela perguntou a Dante. — Costurado e pronto para outra. O que vai acontecer agora? Ariel abriu a porta para eles, enquanto Trinity, Jonah e Basil subiam as escadas. — Ele está cansado. Eu preciso alimentá-lo para que ele recupere suas forças. Entretanto, vocês devem se trancar no apartamento vizinho, e esperar Basil e eu buscá-los. — Ela parou à sua porta. — Faça o que fizer, não vão lá fora. Abrindo a porta, ela arrastou Basil, enquanto os outros três se dirigiam para o corredor. Ela fechou a porta e o levou para sua cama. Deixou-o cair, levantou as pernas dele e posicionou-o na cama, logo depois se sentou ao lado dele. Ela nunca antes o tinha visto assim tão fraco. Ela puxou a camisa sobre a cabeça, pegou um estilete ao lado da cama e cortou sua veia do lado do pescoço. Tomando a cabeça nas mãos, ela apertou a boca de Basil ao seu pescoço para que ele pudesse beber seu sangue. — Beba, — ela ordenou, segurando-o no lugar. Não demorou muito para que ele acordasse e quando ele puxou o sangue de suas veias, ela acariciava seus cabelos. Ela não sabia o que ia acontecer agora, mas sabia que acontecesse o que acontecesse, nunca o deixaria novamente. Segurou-o contra ela enquanto ele a sugava, reabastecendo-se e drenando-a. Ela lhe daria tudo que tinha apenas para mantê-lo seguro. — Ora, ora. Isso é uma bebida maravilhosa, era o que eu estava precisando. — Suas mãos tocaram o rosto dela agora, enquanto ele puxou sua veia, e ela sentiu uma proximidade com ele, que ela não se sentia há 123 muito tempo. E quando ele deixou sua veia e ergueu a cabeça dela para encontrar seus olhos, sentia-se afogar naquele olhar. — Você se deu, agora me deixe dar a você. 124 Capítulo Dezessete Seu corpo ansiava por seu toque, enquanto ele se deitava na cama, ela se dava de bom grado. — Nós só temos esse tempo. Eu quero te dar tudo antes que seja tarde demais. Os lábios dele eram gentis, acariciando a pele de Trinity com beijos pequenos. Suas mãos tocaram-lhe, não com urgência, mas com necessidade de tê-la. Sabia que era estúpido buscar prazer num momento tão difícil como este, mas ela precisava do calor que Basil podia lhe fornecer, para preencher o vazio e a tristeza por ter falhado com as cinco meninas inocentes. Ela se entregou enquanto ele tirava as roupas. A boca de Basil cobriu seus seios, de forma lenta e meticulosa, sua língua lambia a ponta de seus mamilos que tremeram e endureceram. Ele fazia cócegas na sua pele com a ponta dos dedos enquanto os desviavam para o centro do seu corpo, para o centro do vértice entre suas pernas. Ela se estendeu para ele em expectativa e quando ele a tocou, ela tremeu. Novamente, não houve urgência, apenas um movimento circular suave acariciando a carne macia e úmida entre as pernas. Foi uma sedução meticulosa que a enchia completamente. — Se renda a mim, meu amor, nessa última vez. — Não é a nossa última vez, Basil, é só o começo. — Ela não sabia quando ele tinha tirado a roupa, mas quando se posicionou em cima dela, ela sentiu o peso, sentiu seu pênis duro pressionar sua entrada. Ele fitava seus olhos intensamente enquanto se posicionava. Posicionado em cima de Trinity, ele passou os dedos outra vez ao longo de seu rosto antes de tocar seus lábios nos dela. Enquanto sua boca o seduzia, ele entrou com fluidez dentro dela. Ela nunca sentiu aquele tipo de sensualidade nele, e algo dentro dela lhe dizia que nunca sentiria novamente. — Não, Basil. — Ela segurou seu rosto com as mãos, os olhos ardendo com lágrimas. — Não faça disso um adeus. Ele silenciou-a com a boca e a apertou enquanto a penetrava. Ela sentiu o prazer crescer ainda mais dentro dela, enquanto ele se movia, cada vez mais rápido, ela desejou que aquele momento nunca terminasse. Então ela gozou. Ela inclinou e o viu sair do quarto. Olhando-a mais uma vez, ele disse: — Lembre-se que eu vou sempre te amar. — Basil, não! — Gritou enquanto ele desaparecia. *** — Acho que eu sei onde Basil pode estar, meu senhor. — Chaos observa como o seu mestre sugava a vida de um macho que seus homens tinham 125 trazido. Era o terceiro que Avadur tinha devorado e Chaos esperava que ele recuperasse toda sua força de volta em breve. Eles conseguiram encontrar algumas roupas, não seencaixam bem nele mas pelo menos estava vestido agora. Avadur deixou cair o homem sem vida no chão, em seguida, estendeu suas costas e lambeu os beiços. — Onde? — Ele deve estar com Trinity, seu amor. Eu poderia mandar meus homens vasculharem o apartamento dela e ver se eles estão lá. — Suas palavras foram cortadas quando Basil apareceu diante deles. — Olá, Pai. Avadur levantou-se e olhou para seu filho. Ele tinha o cabelo escuro como Basil e seus olhos eram da mesma tonalidade de azul, mas a semelhança entre os dois acabava ali. — Você veio aqui para suplicar por sua vida? Basil dirigiu-se ao seu pai, erguendo seu queixo forte. — Não, eu vim para me entregar a você. Avadur riu e a risada vibrou na sala. — Tê-lo agora? Bem, que generoso de sua parte. E aqui eu estava esperando para uma luta. — Você não vai conseguir uma de mim. Avadur inclinou a cabeça e examinou o seu filho. — Você veio para mim cheirando a sua mulher e espera que eu tenha minha vingança sobre você, acabando com sua vida? — Ele sorriu e sua boca alargou-se, exibindo suas presas. — Bem, por que eu iria querer acabar com seu sofrimento de forma tão rápido quando eu posso prolongá-lo indefinidamente? — Deixe Trinity fora disto. Você me quer, não ela. — Não, — Avadur sorriu um pouco mais. — Eu acho que ela é a única coisa que eu quero. Ainda sorrindo, ele desapareceu. *** — Eu vou matá-lo. — Agarrando o jeans e a camisa, Trinity se vestiu depressa, em seguida, saiu de seu apartamento. Ela martelou seu punho na porta do outro lado do corredor antes de entrar. — Alguém está em pé de guerra. O que Basil fez agora? — Jonah perguntou sentado na mesa onde ele estava desfrutando uma xícara de café fumegante. — Ele me deixou. Dei o melhor momento da minha vida e ele desapareceu. Vou estrangulá-lo na primeira oportunidade que tiver. — Ótimo. — Quando Trinity tirou os olhos de Jonah, ele continuou. — Claro que ele a deixou. Você não está segura, enquanto estiver perto dele, especialmente com seu pai livre. 126 — Eu não quero pensar nisso agora. Eu preciso sair e trabalhar nas ruas. Alguém precisa proteger os humanos estúpidos de saquear por ai. Eu apenas queria que você soubesse que estou saindo. — Você não está sozinha, não pode ficar sozinha. — Jonah levantou-se, com as costas rígidas. — Eu posso me cuidar muito bem, Jonah, deixe de tentar bancar o herói. Onde estão Ariel e Dante? — Perguntou ela, observando o apartamento. — Ariel esta no quarto falando com os pais para que eles saibam que estamos bem e Dante foi ao banheiro. Você não vai sair sozinha, Trin, e ponto final. Ela plantou os punhos nos quadris e olhou para ele. — Como você pode me parar? — Talvez não sozinho, — disse Dante de trás dela. — Mas eu poderia ajudar. Você já olhou para fora recentemente? — Você acha que eu não sei o que está acontecendo lá fora? — Ela virou- se para Dante. — Todo mundo é presa fácil. E é por isso que eu tenho que chegar lá. — Então eu vou com você. Ela gargalhou de Dante. — Sim, você mostrou o quão bem você se cuida. Tudo o que você vai fazer é me atrasar. Você fica aqui, entendeu? — Ela enfiou um dedo no seu peito. Ele afastou o dedo. — Pelo que eu sei, eu decido o que fazer da minha vida. — Você não tem ideia do perigo que espreita lá fora. Eles cheirarão seu sangue e te atacarão num piscar de olhos. — E eles vão viram um monte de pó num piscar de olhos. — Mais que merda, porque os homens se acham deuses? Deixe-me dizer isso, os vampiros são dez vezes mais rápido do que você e bem mais fortes. Você acha que pode lidar com eles quando você nem sabe quando eles irão se aproximar? — Eu acho que posso tratá-los muito bem. — Ele girou-a, prendendo-a na parede próxima a eles. Revirando os olhos Trinity jogou a cabeça para trás e bateu no rosto de Dante. Ela se virou enquanto ele caiu de quatro. — Ah sim, você pode se virar bem! — Porque você é tão cabeça-dura? — Disse Jonah. Ela se virou para Jonah atrás dela. — Eu não sou cabeça dura, eu sou realista e o máximo que vai acontecer com vocês dois é virar comida de vampiro. O som de vidro estilhaçando chamou a atenção de todos. — Oh, Jesus. Estão saqueando a loja — Jonah gemeu. — Pegue Ariel e leve Dante para a adega, Jonah. É seguro lá. — Nós não estamos deixando-a sozinha para resolver a situação. Você quer parar de discutir comigo e deixe-nos ajudá-la? 127 Ela mostrou suas presas para Jonah, bufando. — Tudo bem, mas fiquem atrás de mim. — Ariel, temos que correr agora, — Jonah chamou e quando sua esposa saiu do quarto, ele pegou sua mão. — Fique atrás de mim. Entendeu? Ela assentiu, agarrando a sua mão. Trinity abriu a porta com cautela, examinando a sala antes de permitir que alguém saísse atrás dela. Ela liderou o caminho, Dante atrás dela, seguido por Jonah e Ariel. O alarme de segurança estava tocando alto e irritante, mas em vez de desligá-lo, Trinity entrou pela porta e se preparou para uma luta. Entrando na área do lobby frente a loja de informática, ela parou completamente quando viu em homem grande por lá. Não precisava ser apresentada, para saber quem era. — Saiam daqui, — ela gritou para Jonah enquanto ficou na frente deles na proteção. — Nós não vamos deixar você, — ele insistiu. — Você tem alguma ideia de quem é ele? Esse bastardo perverso, que saiu do inferno é o pai de Basil. O inferno acabou de chegar. — Ninguém vai sair daqui. — Avadur falou, enquanto caminhava para eles. No fundo, seu corpo tremia como uma tempestade. Então este era o homem que havia torturado o seu único filho e o apavorou, ela não tinha ideia de como iria manter seus amigos seguros. — Você não pode mantê-los seguros, — Avadur declarou, sorrindo maliciosamente. — Não há realmente nenhuma necessidade de falar quando eu posso ler sua mente. O medo é como um perfume inebriante. — Ele cheirou o ar, com os olhos fechados e desenhou o aroma. — Não há realmente nada melhor que isso. — É a mim que você quer, não a eles. Deixe-os ir. — Seus olhos se abriram e Trinity foi atingida por aquele olhar vazio. — Oh, é você que eu quero, mas eles vão me servir também para fortalecer meu corpo e mente. Vinde a mim, linda. Ela sentiu a força de Avatur puxá-la, embora tentasse resistir e foi atraída para o rei. Ele tocou seu rosto e ela sentiu a frieza dele percorrer todos os seus ossos. — Não é de se admirar que ele seja louco por você. Você não é qualquer uma não é? Acho que vou gostar de fazê-la minha — Disse Avatur. — Deixe-a em paz. Do canto do olho ela viu quando Basil apareceu. — Mantenha-se longe dela, — alertou, preparado para lutar por seu amor. O riso do rei retumbou na sala como um trovão, vibrando no fundo de seu corpo. — Oh, que lindo. Meu menino agora precisa ajudar essa pobre senhorita. — Deixe-a em paz — Basil se adiantou. 128 — Cuidado com o que você chama de pobre — Trinity rosnou profundamente dentro de sua garganta. Ela não dava a mínima para quem ele era, ela não gostou em nada de ser chamada de pobre senhorita. — E valente também. Olhe com quem fala, mulher. Ela estreitou os olhos e endireitou os ombros, mostrando que não era de se intimidar com de ninguém. — Trinity, pare! — Basil ficou entre eles e os empurrou para longe. — Eu posso lidar com isso. — Ele se virou para seu pai, deu um passo em direção a ele e falou em um tom assustador. — É a mim que você quer, não ela. — Não, me cansei de você. Trinity sentiu a pressão do ar cheia de eletricidade e viu o rei levantar suas mãos e seus olhos azuis brilharem de uma forma estranha e sabia exatamente o que ele estava prestes a fazer. Ela não permitiria que ele matasse o únicohomem que ela amava. Ela iria se sacrificar, para salvar sua vida. — Basil, se mova. — ela gritou e se empurrou, ficando na frente de Basil. Ela sentiu a carga atingir seu peito e uma luz ofuscante e branca atravessou seu corpo, fazendo-a voar pelos ares. Ela caiu contra uma janela quebrada e sentiu a dor de algo atravessar seu peito. Quando ela olhou, viu o caco de vidro quebrado como uma faca que atravessou seu peito. — Trinity! — Basil gritou, correndo em sua direção. Ela levantou a cabeça e sorriu. — Eu te amo, Basil. — Fechou os olhos e tudo desapareceu. 129 Capítulo Dezoito — Trinity meu amor, não! Ele estendeu a mão enquanto ela se desintegrava. Sua essência o deixou e permaneceram flutuando sobre suas mãos até que desceram ao chão, aos seus pés. Ela tinha ido embora. Sua cabeça chicoteava e ele olhou para seu pai. Ele rugiu de forma que balançou o chão. O vento agitava com uma poderosa força, levantado madeira, vidro quebrado e enviou qualquer objeto que não estivesse bem fixado, fazendo os objetos virarem loucamente no vórtice que ele criou. Através de sua fúria, ele viu seu pai se afastar. — Você vai pagar por isso, — prometeu Basil, sua voz como um grito do demônio. Quando seu pai desapareceu, sua fúria só tornou-se mais intensa. Os computadores giraram, juntamente com todos os restos do chão. E quando a sua ira foi se dissipando, ele caiu no chão, chorando. O que sobrou do seu amor não era mais que uma pequena dispersão de poeira. Ele reuniu todo pó e o abraçou. Ela tinha ido embora. Como ela poderia ter ido? — Basil? Ele virou-se, os dentes arreganhados, sibilando. — Acalme-se. Sou eu, — disse Jonah, mãos no ar. — Será que ela...? Basil curvou seus dedos ao redor dos pequenos restos empoeirados e gemeu enquanto ele falava. — Sim. Ela se foi. — Ele desapareceu, levando a tempestade com ele. *** Jonah viu a destruição à sua volta atordoado. Ele tinha acabado de testemunhar a sua amiga, a mulher que ele considerava parte da sua família desmoronar em um monte de pó diante dele. — Ela não pode ter morrido. Ele ouviu os soluços de sua esposa e estremeceu. Virando-se para ela, pegou os braços e simplesmente puxou contra seu peito. Ele a manteve, sentindo os soluços enquanto apertaram seu corpo. — Ela simplesmente se desintegrou... — murmurou Dante. Jonah fechou os olhos sobre a declaração e os eventos horríveis que ocorreram desabaram sobre ele. Ele segurou a sua esposa enquanto ele deixou as lágrimas deslizarem pelo rosto. *** As janelas se quebraram quando Basil entrou em sua casa. Ele sentia a presença de seu pai, saiu à caça dele. Qualquer pessoa que estivesse em seu caminho iria pagar. 130 Ele viu o jovem vampiro e foi em sua direção, com uma só mão levantada, o fez voar para outro lado da sala. Ele fez o mesmo para os outros três que ousaram ficar em seu caminho. — Onde ele está? — Perguntou com sua voz potente. — Você não tem esperança contra ele, — um vampiro riu. Basil simplesmente o pegou pelo pescoço e o suspendeu no ar. — E você acha que tem alguma esperança comigo? — Ele agarrou seu pescoço com a mesma facilidade que pegava um galho. E acabou com ele. Caminhou até o próximo e, levantando-o como fez com o outro, rosnou em seu pedido. — Onde ele está? — Eu vou morrer por ele. — Como quiser. — Em um movimento rápido, Basil bateu com o punho na mesa de madeira encostada na parede no hall de entrada, em seguida, tomou uma lasca, enviou-o através do coração do garoto. — Quem é o próximo? — Eu não quero morrer. Basil se voltou para mulher que choramingava no canto, antes que ele chegasse em sua direção. Ela se enrolou com um manto no canto, e ele pensou que aquilo era inútil. Ele a pegou pela camisa. — Então me dê o que eu quero. — Eu não sei onde ele está, não, não. — Ela encolheu-se enquanto ele levantou a mão, com a lasca de madeira ainda agarrada com força em seus dedos. — Mas eu tenho uma ideia de onde ele possa estar. As meninas, ele pode estar no local do ritual com as meninas. Ele vai precisar de sangue para se restabelecer completamente. — Onde? — No cemitério fora da cidade. Largou-a como um trapo e desapareceu. Claro que devia estar em um cemitério. Eles precisavam de solo sagrado para ressuscitar seu pai. E ele foi burro por não pensar nisso antes. Se ele tivesse percebido isso antes, as meninas não teriam sido sacrificadas, e Trinity... não estaria morta. *** Chaos correu através dos túneis, fugindo de Basil. Quando ouviu o barulho, foi ver o que estava acontecendo. Ele ficou chocado ao ver Basil lá e em um acesso de raiva. Ele podia sentir a dor que Basil exalava e isso o agradou. O rei, obviamente, cumpriu suas palavras e fez Basil sofrer. Ele queria ter estado lá para vê-lo. E tudo o que o rei fez foi separar Basil de sua preciosa Trinity, isso foi o suficiente para deixá-lo louco. Mas enquanto Basil estivesse em pé de guerra, ninguém estava a salvo. Nem o rei e nem ele próprio. Ele precisava se esconder até que fosse seguro. Ele sabia que o rei poderia cuidar de si mesmo. Ninguém, nem mesmo Basil, podia derrotar Avadur. 131 Ele percorreu os túneis e abriu a porta de aço e observou a manhã escura. Seu plano deu mais que certo. Ficou preocupado com a possibilidade de Basil ou Trinity interromperem o ritual. Nada o agradou mais do que quando o rei apareceu. Eles teriam dias gloriosos, tal como tinham sido antes. O rei estava criando uma super-raça de vampiros que ajudaria a dominar o mundo. Os humanos estariam sob seu controle a partir de agora e ninguém seria capaz de detê-los. Claro, Chaos desejou que seu mestre fosse seu pai, em vez de seu filho ingrato. Ele teria algumas das habilidades do rei e poderia ajudá-lo ainda mais em seus planos. Mas ser seu braço direito era tão bom. E logo que o rei cuidasse de seu filho, Chaos certamente governaria. *** Basil chegou ao campo e olhou em volta. Ele tinha pensado que seu pai tivesse se alimentado daquelas crianças. Ele não conseguia entender por que não tinha. Chaos não sabia que o rei tinha que se alimentar delas imediatamente, a fim de recuperar sua força total? Todos ao redor dele morreram. Ele sentiu a dor da sua própria perda sufocar seu coração em um aperto feroz. Ele havia perdido a única pessoa que o importava. Como ele viveria sem ela? Mesmo quando ele a empurrou para fora de sua vida para sua segurança, ele sabia que ela estaria lá na hora que precisasse vê-la. Mas agora... agora ela se foi e ele não sabia como poderia ir em frente. — Procurando por mim? Basil virou-se para ver seu pai de pé uns meros dois centímetros atrás dele. A dor da sua perda alimentava a raiva dentro dele enquanto encarava seu pai. No último segundo, seu pai desapareceu o que fez Basil tropeçar para frente. Um riso maléfico saiu da boca do rei. — Oh, filho, como é inútil sua tentativa de se vingar. — Basil girou, enquanto ele continuava a falar. — Isso te corta por dentro, não é, de saber que ela se foi. Eu posso sentir a sua dor e é uma coisa maravilhosa. Duas pessoas poderiam jogar o seu jogo. Ele desapareceu e reapareceu atrás de seu pai. — Ela era a única coisa boa neste mundo, e você vai pagar por levá-la longe de mim. Basil caiu de cara no chão quando seu pai desapareceu. Antes que ele pudesse se levantar, ele sentiu a bota nas costas pressionando-o para baixo. — Você honestamente acha que tem alguma chance contra mim? Eu tenho dez vezes o seu poder. — Isso pode ser verdade, — advertiu Basil diretamente antes de desaparecer. — Mas você também não está em na sua plena força, — Basil 132 disse enquanto reaparecia atrásde seu pai, envolvendo um braço em volta de seu pescoço. — Você vai pagar por tirar a vida dela. — Eu não a matei, você que o fez. *** Ela não conseguia se lembrar da última vez que sentira tanto calor. Não desde que ela era humana, pelo menos. O calor atravessou Trinity aquecendo o interior de sua alma. Ela sabia que estava morta, sabia que tinha que estar em um lugar feito para os mortos, e embora seu coração doesse por ter partido, sabia que não havia outra escolha para ela. Você não pode se tornar mortos-vivos. Ela pensou em Basil, o jeito que ele olhou para ela logo antes que ela desaparecesse para a luz brilhante. E lembrou-se do jeito que ele a tocou pela última vez que eles estiveram juntos. Ela estava feliz, por terem um último momento juntos. Esse momento a confortaria em sua solidão. — Ele chora por você também. A voz angelical ficou no ar como uma suave brisa. Trinity olhou ao redor, mas não viu ninguém. Mas ela sabia quem tinha falado. A Rainha. — Será que ele está seguro? — O calor que sentia parecia agitar ao seu redor, até que diante dos seus olhos, observou uma bela visão. O rosto da rainha era puro, seus olhos tão cristalinos como o de Basil, e quando ela falava, suas presas brilhavam como pérolas na luz. — Seu destino está fora de suas mãos agora, minha filha. — Eu só preciso saber que ele estará seguro. — Sua mão deslizou pelo cabelo de Trinity e ela sentiu um amor maternal, pela primeira vez em muitos anos. — Mesmo agora na sua morte se preocupa com ele. — Eu sempre vou me preocupar com ele. — Mesmo agora, no reino dos mortos, ela iria se preocupar com ele. Ela o amava e nem sequer a morte iria mudar isso. Os dedos da rainha deslizaram pelas costas do cabelo de Trinity tão suavemente como a respiração. — Você deu sua vida por ele. Trinity sentiu algo molhado deslizar pelo seu rosto enquanto ela limpava. Trinity percebeu que era uma lágrima. — E eu faria isso novamente. Ele é meu amor, minha vida. — Era uma criança tão nobre. Meu filho foi abençoado por ter tido você. Ela fechou os olhos, lembrando do rosto doce de Basil, das mãos que acariciou seu corpo, o som de sua voz. — Eu sou a única pessoa que foi abençoada. — Ela abriu os olhos. —Ele está seguro? Eu preciso saber que ele está seguro. — Você fez o melhor possível para salvá-lo. 133 — Não, não, ele não pode morrer. Você tem que parar com isso. Eu farei qualquer coisa que você me peça contanto que você o mantenha seguro. Por favor, ele é seu filho. A rainha flutuavam ao seu redor, até que ela parou na frente de Trinity. — Qualquer coisa? — Sim, — disse Trinity, sem hesitação. — Quanta nobreza. Lutar como um guerreiro. —Ela tocou a mão na cara de Trinity, inclinando-se. — Você faz nossa raça orgulhosa. Trinity sentiu um calor em seu interior, envolvendo seu coração. E enquanto ela olhava nos olhos da primeira criação de sua raça, ela sentiu algo mais. A dor a atravessou como um raio em seu coração. Ela estremeceu, suspirou, os braços e pernas bateram freneticamente enquanto um flash de luz branca e quente corria em suas veias. Trinity sentiu-se de repente poderosa. Então uma luz apareceu. *** Basil olhou nos olhos de seu pai sem nenhum temor. O homem pode tê- lo assustado antes, mas foi antes de ele perder tudo. Ele ficaria satisfeito com a morte agora. E seu pai sabia disso. — Como se sente ao ser o único responsável pela morte de sua amante? Seu coração doí? Você sente a culpa corroer sua alma como os vermes fazem na carne podre? Basil não iria admitir a seu pai que ele estava certo. Ele se sentia culpado, e por causa disso, ele ficou ainda mais enfurecido. — Você deveria ter ficado trancado para sempre. — Reunindo tudo o que tinha, usando toda sua força, Basil atacou toda sua fúria contra seu pai. Ele não conseguiu prejudicá-lo. Não foi sequer suficiente para estragar o seu cabelo. O rei riu com ousadia, que só enfureceu Basil mais. — Você não pode me fazer mal, meu filho. — Não, mas eu posso. Os homens se viraram para a luz ofuscante que surgiu. Basil protegeu os olhos e sentiu uma sensação de calor encher o peito. Por um breve segundo ele pensou que poderia morrer. Então, diante de seus olhos, Trinity apareceu. 134 Capítulo Dezenove Talvez ele tivesse morrido. Foi à única explicação do por que ele estava olhando para Trinity agora. E, senhor, ela estava linda. Havia um brilho de luz branca ao redor de seu corpo que a fez aparentar inocência e estava absolutamente encantadora. Seus longos cabelos vermelhos flutuando no vento da brisa, que mexia cada fio. Mas era a cor dos olhos dela que atraiu toda a sua atenção. Normalmente, um verde azulado, que agora eram de um azul translúcido. E quando ela levantou e sorriu para ele, o coração de Basil inchou de amor. — Sentiu minha falta? — Ela perguntou com um sorriso arrogante. Avadur estava paralisado. — Eu matei você. — Sim, você o fez, e isso me deixou puta. Eu tinha grandes esperanças de acabar com você. — Trinity se aproximou, a luz a seguia. — Mas você jogou água nos meus planos, não é? — Eu matei uma vez, eu vou te matar de novo, — disse Avadur arrogante. Ele levantar a mão, mas Trinity congelou o rei em seu lugar e Basil ficou para trás assistindo com admiração. Ele ainda estava tentando entender o que estava realmente acontecendo. — Sim, sobre isso. Você tinha o poder antes, mas eu o tenho agora. — Ela deu um passo até ficar cara a cara com ele, seus lábios num sorriso malicioso. — Ora, ora o homem poderoso está com pressa. Eu me sinto tão espremida, tão energizada, como se cada gota de mim estivesse eletrificada e em sintonia com tudo ao meu redor. Já teve esse sentimento? — Trinity? — Basil falou, apesar de sua voz parecer muito vazia. — Sim, sou eu. Vou explicar tudo isso em um minuto. Primeiro, eu tenho que lidar com isso. Basil realmente desejava saber o que estava acontecendo, mas agora estava mais do que feliz, mesmo não estando a par da situação e ver o desenrolar dos acontecimentos. Porra ela ficava sexy quando estava no comando. — Liberte-me, mulher inferior, — Avadur atacou com sua voz. — Ora, ora essa sua postura não está só me irritando, mas sua esposa também. Ela não está feliz com você agora. Além de privá-la da companhia do seu único filho, você a trancou no Reino Místico, para nunca mais ser libertada. Ela não ficou feliz de ver seu filho crescer sem ela, especialmente quando um canalha insensível como você começou a atormentar sua criança. E mulher inferior é a vovozinha, seu canalha. Basil sorriu, aquela era sua garota. — Então, agora, ela o quer de volta e se você não quer dormir na casa do cachorro no próximo século ou dois, é bom começar a rastejar. Segurando a mão dela em torno de sua garganta, ela levantou-o do chão. O que ela fez em seguida surpreendeu Basil. 135 Ela começou a brilhar. Uma luz azul a rodeava, iluminando a área em torno dela, e ela parecia divina. Ela pegou a mão livre e colocou diretamente no centro do peito do rei. Lentamente, ele começou a brilhar. Ela lançou-lhe, deixando-o pendurado no ar. Dando um passo para trás, ela inclinou a cabeça para trás e jogou as mãos para os lados. Em um flash, o rei desapareceu com um grito forte. O brilho desapareceu e Trinity desabou no chão. Rapidamente, Basil chegou ao seu lado, amparando-a em seus braços. Sentir seu corpo, em carne e osso, era a maior felicidade que Basil podia ter. — Uau, estou vendo um monte de você, — ela riu, inclinando a cabeça em seu ombro. — Você está viva. Oh preciosa, você está viva. — Ele beijou várias vezes seu rosto até beijar seus lábios. E então ele foi lento. A sensaçãode ter seus lábios contra o seu era um prazer que ele pensou que nunca mais iria sentir novamente. Sentir o gosto de Trinity, era como um paraíso, fazendo-o suspirar. Depois de prová-la o suficiente, ele simplesmente a segurou em seus braços, seu rosto em repouso no topo de sua cabeça. — Um, isso foi ótimo. Mas quem é você? Basil a encarou, seus olhos se arregalaram e seu queixo caiu. Trinity começou a gargalhar. — Estou brincando. Eu só queria te sacudir um pouco. Cara, você é lindo. — E você está viva. — Ele se reposicionou então ela sentou em seu colo. — Como isso é possível? Eu vi você morrer... Ela tocou a mão no rosto dele, virando a cabeça dele enquanto falava. — É um presente para seu único filho. Rajana queria que você fosse feliz, e ela sabia o quanto ia fazê-lo feliz me trazendo de volta. Ele riu e beijou-a profundamente. — Ela estava tão certa. Foi um presente perfeito. Mas como? Como é possível? Ela acariciou-lhe com seus dedos ao longo do seu rosto enquanto explicava. — Magia. Não pergunte, eu não sei se tem logica. Eu só sei que ela me ofereceu uma segunda chance desde que eu fizesse um favor. A garganta de Basil garganta. — Oh, Trinity. Você nunca vai ter nada de graça. — Ei, estou viva. E não quero nada de graça. — O que foi pedido em troca? — Ele perguntou com cautela. Sim, ele estava em êxtase por ter ela de volta, mas muitas vezes o preço por querer algo grande, especialmente ressuscitar uma vida, não valia a pena. — Assumir como líder da raça dos vampiros. Lamento dizer, meu caro Basil, mas mamãe quer que você seja despojado de sua classificação. Ela 136 disse que era hora de uma mulher assumir o comando e deixar as coisas direitas. — Eu não me importo, desde que eu tenha você. — Ele não dava nenhum valor em ser um líder de qualquer maneira. — Eu te amo, Trinity. Com todo o meu coração. E eu prometo que nunca vou fazer você se arrepender de voltar para mim. — Opa, quem disse que eu estou voltando para você? — Os olhos de Basil se arregalaram e ela sorriu. — Brincadeira. — Pare de fazer isso. — Ele bateu na perna. — Eu fiquei louco quando você morreu, literalmente. Devo a Jonah uma loja totalmente nova. Eu meio que a destruí em minha raiva. — Ela sorriu e ele continuou. —Tudo o que eu queria era vingança. Eu ia matar o meu pai por levá-la longe de mim. — Ele teria matado você, Basil. — Eu não me importava. Tudo o que importava era você e você tinha ido, bem... Oh, eu estou tão excitado agora. Você está de volta. — Porque ele ainda não podia acreditar, ele tinha que sentir o gosto dela para ter certeza. Ele passou as mãos sobre o rosto enquanto a beijava, então deslizou os braços e entrelaçou seus dedos com os dedos dela. Ele separou seus lábios e simplesmente olhou para ela. — Você está realmente de volta. Ela sorriu para ele, tocando-lhe as mãos ao rosto. — Eu realmente estou. — Nunca me deixe novamente, — disse ele, dando-lhe um robusto aperto, depois de envolvê-la nos seus braços. — Eu acho que é um ótimo começo. E você está preso a mim. Ele estava mais do que feliz em estar preso a ela para sempre. — Você foi brilhante. Como foi isso possível? — Eu não sei. Tudo isso faz parte das minhas habilidades novas. Ela me deu tudo que tinha na sua forma mais forte. Ela disse que eu precisaria de tudo para salvar o mundo. — O sol não vai voltar? — Basil perguntou, olhando para o céu. — Para onde você mandou meu pai? — Para a sua mãe. Ela tem planos para ele. — Ela franziu a testa, olhando para o céu. — Somente um dos participantes envolvido no sacrifício foi eliminado. Até que todos eles sejam eliminados, o sol não voltará a brilhar. — Chaos? — Sim. — Bem, eu acho que precisamos encontrá-lo. — Ele se levantou e estendeu a mão para ela. Ela sorriu e estendeu sua mão. — Sua Majestade. Com os lábios franzidos, ela tomou sua mão. — Não me chame assim. — Ela gritou quando ele puxou em seus braços. — Tente me parar. *** 137 Não havia necessidade de usar um veículo quando você tinha a capacidade de enviar a si mesmo em qualquer lugar do mundo, e isso era algo que Trinity ia ter que se acostumar. Estava livre do trânsito, ela pensou quando chegou no que havia sido o domínio digital. — Você fez isso? — Eu estava sofrendo, — explicou Basil, com um encolher de ombros. Ela balançou a cabeça, sorrindo. — Tenho certeza que impressionou Jonah. — E quando ela ouviu o som de passos, reagiu sem pensar. Com um aceno de mão, ela congelou todos em seu lugar. — O que você fez? — Basil perguntou ofegante. — Eu não sei. — Diante dela havia Jonah, Ariel e Dante, congelados no canto, como se fossem manequins. — Merda, merda! Agora, como vou descongelá-los? — Eu não posso fazer isso. Como é que você pode fazer isso? — Ele parecia um pouco com um bebe chorão. — Isso fazia parte das habilidades de sua mãe. Merda! Ok, ok. Libertem- se, — ela gritou e, para sua completa alegria, viu os três voltaram à vida. — Puta merda! — Basil exclamou. — Trinity? — Olha, me desculpe que eu fiz isso. É... bem, simplesmente aconteceu. Uau! — Ela estava completamente surpresa quando Jonah voou em seus braços. — Você está viva. Como você está viva? — Perguntou ele, finalmente, segurando-a no comprimento dos braços. — É uma longa história que eu vou contar em breve. Você está bem? — Ela olhou por cima do ombro. — Você está bem? — Nós estamos bem. — Ariel sorriu. — Legal, — afirmou Dante. — Melhor agora que você está aqui. — Jonah fez algo que nunca tinha feito em todos os anos que ela o tinha conhecido. Ele a beijou na bochecha. — Porra, é bom ter você de volta. — É bom estar de volta. Mas temos um problema. — O sol ainda está escondido. — Dante apareceu ao lado dela e estendeu a mão. Ela pegou, num gesto de congratulação. — Sim. — Então o rei ainda está lá fora? Será que precisamos de cobertura? — Ariel queria saber. — O rei se foi, — Basil informou. Jonah inclinou a cabeça. — Então porque o sol não apareceu? — Chaos ainda está livre, e enquanto ele estiver à escuridão reinará. — Ótimo. Então tudo o que temos a fazer é encontrar Chaos e matá-lo, e o sol voltará a brilhar. 138 Ela se virou para Dante. — Como se fosse assim tão fácil. — Nada é tão fácil, — Jonah suspirou. — Hey, — disse Basil, recebendo a atenção de todos. —Não vamos esquecer quem temos do nosso lado. — Ele tomou a mão de Trinity e sorriu. — Nós temos a toda poderosa rainha Trinity. — Hã? — Os três disseram juntos. — É uma longa história. Isso não vai ser fácil e todos nós vamos ter que ficar juntos. Se alguém não está pronto para aceitar isto, fale agora. Jonah fitou intensamente Trinity e pegou em suas mãos. — Estou dentro. — Você sabe que eu estou com ele, — afirmou Ariel e pegou a mão do marido. — Eu não vou cair fora. — Dante pegou a mão de Ariel, deixando sua mão livre para Basil, segurá-la. Chegando perto dos quatro, Basil posou sua mão em cima da de Dante. Assim os cinco tinham um compromisso. — Então está decidido. — Trinity olhou pessoa por pessoa. — Vamos pegar esse desgraçado e trazer de volta o sol. 139 Epílogo O rei tinha ido embora. Chaos destruiu seu quarto como uma criança em um acesso de raiva. Atirou cadeiras, seguido da cama e quebrou a mesa de madeira em uma dúzia de peças quando a jogou. Como ele deveria governar o mundo sem o seu mestre para guiá-lo? Maldita Trinity por arruinar todos os seus planos. Ele não se importava quão poderosa ela se tornara, ele ia ter certeza que ela pagaria por ter levado seu mestre para longe. Terminado com sua birra, marchou para fora de seu quarto e ao sistema de intercomunicaçãono escritório do outro lado da sala. Ele clicou no intercomunicador e limpou a garganta antes de começar. — Atenção, servos. Reunir no auditório para uma reunião, imediatamente. Ele desligou e saiu da sala. Seus passos eram afiados quando ele andou pelo corredor dos quartos. Parando no décimo quarto, ele martelou o punho na porta e esperou que abrisse. Quando abriu, ele não perdeu tempo. — Eu quero que você seja meu próximo no comando, Daniel. Com os olhos arregalados, Danny respondeu: — Sim, senhor. Ficaria honrado em ser o seu próximo no comando. — Você será o responsável para que os homens fiquem mantidos em linha. Eles querem desviar agora e sair por conta própria. É você mostrará quem é o mestre aqui. — Sim, senhor. Eu não vou deixar você. — Certifique-se que não. Nós precisamos aprisionar os seres humanos e não deve ser difícil agora que a luz está fora do caminho. Precisamos ser cuidadosos. Agora que Trinity está de volta e tem novas habilidades, ela vai estar nos observando com muito cuidado. Vou precisar ficar no subsolo e esta será a primeira ordem de negócios hoje. Precisamos encontrar uma nova instalação. Já que esta foi descoberta. — Eu vou providenciar isso, senhor. — Você me serviu bem durante todos esses anos, Daniel. Eu valorizo seus serviços. Deixando-o, Chaos se dirigiu ao auditório para a reunião. Ele precisa de uma instalação segura com um refúgio subterrâneo onde poderia se esconder. Ele sabia perfeitamente bem que Trinity e Basil estariam procurando-o, já que precisavam dele para trazer o sol de volta. Enquanto ele estivesse vivo, a escuridão reinaria. *** continua **** 140