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ESCALAS PARA AVALIAÇÃO FUNCIONAL Escala de Tinett A escala de Tinetti é uma escala de equilíbrio e mobilidade desenvolvida por Tinetti em 1986. Segundo Tinetti (1996), a mobilidade é a habilidade de se locomover num ambiente, sendo uma função complicada e, composta de múltiplas manobras. Estas manobras, por sua vez, dependem de uma integração de múltiplos características: físicas, cognitivas e psicológicas. A avaliação desta escala pode ser utilizada clinicamente para identificar: 1. Componentes da mobilidade da pessoa que provavelmente estão a afectar as actividades da vida diária; 2. Possíveis justificativas para dificuldades em manobras particulares (a observação directa da função orienta a procura para a compreensão das anormalidades); 3. Outros problemas, que a pessoa é susceptível (por exemplo: quedas); 4. Intervenções que auxiliam na reabilitação e na prevenção e que podem melhorar a mobilidade. Consiste numa escala de 16 tarefas que são avaliadas por meio da observação do examinador. A cada tarefa a resposta pode ser classificada como: normal:0, adaptável:1 e anormal:2. São atribuídos pontos de 0-2 na realização das tarefas totalizando no máximo 48 pontos. O valor abaixo de 19 pontos e entre 19 e 24 pontos representam respectivamente um alto e moderado risco de quedas. O Índice de Tinetti é compreendido por duas escalas: de equilíbrio e de marcha. A primeira possui 9 itens: equilíbrio sentado, levantar da cadeira, tentativas de levantar, equilíbrio em pé, equilíbrio ao girar. Já a segunda possui 7: início da marcha, comprimento e altura dos passos, simetria dos passos, continuidade dos passos, direcção, tronco e distância dos tornozelos. Nas tarefas/manobras em que é necessário o uso de uma cadeira, o paciente inicia a avaliação numa cadeira rígida, sem braços e costas erectas. Para definir o equilíbrio e a marcha, o Índice de Tinetti é bem aplicado, uma vez que detecta alterações na locomoção, diagnostica e quantifica a gravidade do comprometimento e prediz o risco de quedas (FREITAS et al., 2002; CHONG, 1995). ESCALA DE ASHWORTH A Escala de Ashworth é a mais citada na literatura para avaliação do tônus muscular em pacientes que apresentam disfunção do SNC. É uma escala qualitativa para avaliação do grau de espasticidade, que é medida de acordo com a resistência oferecida ao movimento angular de um segmento movido de forma rápida e passiva por um examinador. Temos utilizado esta escala tanto para avaliar quanto para controlar métodos de intervenção em reabilitação, pois é uma ótima maneira de verificar se a intervenção utilizada está aumentando ou não o tônus muscular. MEDIDA DA INDEPENDÊNCIA FUNCIONAL A Medida de Independência Funcional – MIF – emprega uma escala de 7 pontos para avaliar 18 itens em éreas de cuidados pessoais, controle dos esfíncteres, mobilidade, locomoção, comunicação e cognição social. Esta avaliação foi projetada para mensurar o nível de dependência do paciente em um contexto de enfermaria. A pontuação é feita ou por entrevista com o paciente e/ou cuidador, ou ainda pela observações direta do desempenho das atividades. A MIF apresenta boa confiabilidade, além de ser de fácil e rápida aplicação, porém tem sido discutida sua validação. Em ambulatórios, a escala tem nos ajudado em estudos descritivos para avaliar o nível de dependência, bem como o comparar com qualidade de vida, retorno ao trabalho, etc. Em centros de Reabilitação é uma ótima opção para triagem do paciente, pois os itens avaliados atendem as diversas especialidades de reabilitação. Verifica-se também que em muitos centros de reabilitação é a avaliação desfecho para alta hospitalar. Em pesquisas verificamos que a MIF têm sido utilizada com frequencia como variável de desfecho, contudo observamos uma tendência na utilização de avaliações cada vez mais específica para determinadas populações e contextos. TIMED UP AND GO (TUG) Consiste em levantar-se de uma cadeira, sem ajuda dos braços, andar a uma distância de três metros, dar a volta e retornar. No início do teste, o paciente deve estar com o dorso apoiado no encosto da cadeira e, ao final, deve encostar novamente. O paciente deve receber a instrução “vá” para realizar o teste e o tempo será cronometrado com a partir da voz de comando até o momento em que ele apoie novamente o dorso no encosto da cadeira. O teste deve ser realizado uma vez para familiarização e uma segunda vez para tomada do tempo. a) menos de 20 segundos para realização, correspondendo a baixo risco para quedas b) de 20 a 29 segundos, a médio risco para quedas c) 30 segundos ou mais, a alto risco para quedas. Alguns estudos apontam que pacientes com tomadas de tempo superior a 14 segundos apresentam alto risco de sofrer quedas. ÍNDICE DE BARTHEL Os fisioterapeutas possuem um corpo de conhecimento único, relacionado à identificação, tratamento e prevenção da disfunção dos movimentos. Assim, eles estão ativamente envolvidos na avaliação do funcionamento físico através de testes baseados no desempenho, entre eles, o Índice de Barthel. O Índice de Barthel especificamente mede o grau de assistência exigido por um indivíduo em 10 itens de AVD, envolvendo mobilidade e cuidados pessoais. São eles: alimentação, banho, higiene pessoal, vestimenta, controle esfincteriano intestinal, controle miccional, transferências na cama e banheiro, deambulação e subir escadas. A pontuação global varia de 0 a 100 (soma dos itens classificados em 5, 10 e 15 pontos, conforme independência ou necessidade de ajuda para executar a atividade). O paciente com escore <60>80 pontos, o paciente é independente. Isto é, de modo que zero equivale à completa dependência em todas a 10 AVDs, e 100, equivale à completa independência em todas as atividades. O Índice de Barthel tem sido amplamente utilizado na monitoração das alterações funcionais em indivíduos que estejam recebendo uma reabilitação, enquanto internos. Embora não tenha sido completamente avaliadas, suas propriedades psicométricas, o Índice de Barthel tem atingido elevadas correlações com outras medidas da incapacidade física. A vantagem do indicador de Barthel é a sua simplicidade e utilidade na avaliação de pacientes antes, durante e após o tratamento. É funcionalmente orientado e pode ser mais bem usado acompanhado por uma avaliação clínica.