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Universidade Paulista – UNIP
Escola de Ginástica Francesa
Limeira
2017
 
Escola de Ginástica Francesa
 Relatório de trabalho para avaliação no segundo semestre letivo do curso de Educação Física apresentado a Universidade Paulista- UNIP.
Orientador: Ana Cristina Ribeiro Silva
Limeira
2017
Histórico da Ginástica Francesa
De acordo com Dodô, Reis, a ginastica francesa no século XIX teve uma forte influência baseando-se nas ideias dos alemães Jahn e Guts Muths. Por sua vez, eram ideias inspiradas nas doutrinas pedagógicas onde haveria um desenvolvimento social. Os principais fundadores para o Método Frances foram Francisco de Amoros e Georges Demeny, onde todos os exercícios eram totalmente explicados cientificamente. Amoros foi um professor e militar espanhol, naturalizado francês (2014, p.1).
O grande intuito da ginastica francesa era promover a saúde da população sistematizando então três tipos de ginastica: civil, militar e médica (HAUFFE, JUNIOR,2014). De acordo com HAUFFE, JUNIOR, “Haveria, ainda, uma quarta ginástica: a cênica ou funambulesca. Contudo, ele criticava a última, pois considerava que o nobre fim da ginástica aí era sacrificado ao frívolo prazer de distrair, tornando-a um espetáculo” (2014, p.552). Denominando-se como Ginastica Pedagógica, tornou-se obrigatória para a população francesa a pratica de atividades regulares como parte do currículo escolar.
Na visão de Demeny, a ginástica tinha maior importância científica baseada na tecnologia de treinamento e eficiência dos movimentos. Preocupava-se com a má desenvoltura dos exercícios e a prática em excesso de atividades físicas sem sistematização.
 “ [...] se baseava na economia de esforços. Assim, os exercícios eram prescritos a partir de orientações higiênicas para não estafar (fadiga mental) e fatigar o praticante, assim como controlar o tempo de duração da atividade, o horário, a temperatura climática ideal, o uniforme adequado e o local ” (JUNIOR, 2014, p.146).
No momento a preocupação de Demeny era a prática de ginástica em cima das ciências físicas e biológicas e contestar os exercícios espontâneos. Foi preciso construir algo para chamar a atenção sobre os benefícios de uma ginástica racional e os perigos de uma atividade física não estruturada.
Contudo, na Europa durante todo o século XIX, a ginástica científica teve um grande significado perante a sociedade. De acordo com Junior, “no fim do século XIX na França ganha importância uma representação de ginástica caracterizada pela racionalidade científica” (SOARES,2001 apud JUNIOR, 2014, p.145). O foco era destinado aos exercícios físicos para adestrar o corpo, ordem ditada pela sociedade burguesa onde se exibia um corpo ereto, rígido e simétrico. Na França, a manifestação das práticas gímnicas (ginástica geral) corporais apresentou diversas fases, desde o treino de soldados, civis e também pelo interesse em compreender os exercícios corporais sob rigorosa investigação científica.
Características da Ginástica Francesa
Até o século XVIII a ginástica era pouco vista, excluída da escola e quase rejeitada pelo mundo da cultura, a partir de 1800 a ginástica desperta e retorna com força nos vários países Europeus, nas mais variadas formas de ensinamento da educação física, inúmeras escolas surgiram com várias linhas de chefes de escolas e concepções diferentes.
Abordaremos a escola francesa, de acordo com Ramos, “esse movimento teve como principais representantes o Método Francês desenvolvido por D. Francisco de Amoros e Ondeaño (1770-1848), George Demeny (1850-1917) e o Método Natural pensado por Hébert (1875- 1957)” (RAMOS apud DODÔ, REIS, 2014, p.1).
O sistema francês tem como característica desde o início século XVIII como pressuposto que o lado físico contribua para a construção do Homem ideal para sociedade. Através da “ginástica” (movimentos coreografados e coordenados) seria possível a formação ética, (disciplina) social (resistência as adversidades da guerra) e higiênica (aumentando saúde força corporal).
A ginástica apareceu como elemento essencial para educação do homem, pois servia para enriquecer o espírito e enobrecer a alma e fortalecer corpo. As atividades físicas deveriam ser aplicadas de forma a atingir fins éticos, sociais e higiênicos; (éticos porque eram considerados um válido instrumento de disciplina e formação da juventude, sociais porque fortificavam seu patriotismo para fins militares e os tornando mais resistentes a fadiga da guerra, higiênicos porque eram indispensáveis esse meio para fortalecer o organismo e manter a saúde corporal).
As atividades nas escolas ginastas francesas eram baseadas em exercícios calistênicos de forma que trabalhavam membros superiores e inferiores repetidas vezes no auge da escola higienista no ano de 1930, Dom Francisco Amoros.
Em 1816 naturalizou-se francês, iniciou seus empreendimentos para a criação dos ginásios a partir de 1820 começou a publicar seus estudos sobre a ginástica. Amoros morreu em Paris em 8 de agosto de 1848, aos 78 anos de idade SOARES (1996).
Introduziu a ginástica francesa e a dividiu em ginástica civil e industrial, militar, médica e cênica e foi percursor na utilização de aros, escada de cordas, máquina para testar a força e trapézio.
A principal característica da sua ginástica foi o espírito de tradição militar que conduziu seu trabalho para a formação moral e física do povo. Através desta ginástica pretendia proporcionar preparo físico e aprimoramento do caráter que seriam de utilidade para a defesa e formação da pátria, usou o canto e a poesia em seu método como formas de refinar o espírito.
Influências
No século XIX os exercícios ginásticos não sistematizados pela sociedade francesa foram criticados pelos médicos, pois eram executados de uma forma irracional. Exercícios esses que debilitariam o homem e não o preparariam fisicamente. Metodizar a ginástica segundo os médicos era necessário, pois precisava torná-la atual nas teorias da fisiologia. No entanto, para os médicos o objetivo era poupar energia no treinamento e evitar desgastes físicos. 
Esse argumento ganhou importância no fim do século XIX na França, pois representava uma ginástica racional e cientifica, [...] não há absolutamente algum exercício que é melhor do que todos os outros: o melhor exercício é aquele que produz os efeitos fisiológicos mais consistentes com o resultado desejado. (LAGRANGE apud JUNIOR, 2014, p.145).
Contudo, as novas práticas corporais tiveram uma repercussão tardia na França. Porém as mesmas ocasionaram diferentes formas de pensar sobre exercício físico e o corpo. Baseado no método da ginástica cientifica francesa por Georges Demeny, Fernando de Azevedo importante educador brasileiro pode compreender o ensino da ginástica na educação física brasileira. “Assim, a ginástica estabelecia-se no Brasil como uma prática racional, sistematizada, propícia para o disciplinamento da população, e amalgamava proposições diferenciadas” (JUNIOR, 2014, p.148). Na França a ginástica era considerada eclética, o que cooperou ainda mais para a ideia de que o método francês seria o mais adequado para a cultura brasileira.
Curiosidades
Em 8 de Maio de 1903, ele lidera a evacuação da cidade Saint Pierre, um vulcão se inicia no Monte Pelair e provoca a morte de mais 30 mil pessoas. Esse acontecimento deixa George abalado, talvez mais pessoas pudessem ter sido salvas, se estivessem preparadas.
Abalado com a tragédia, George Hérbert achava que poderia ter sido salva muitas vidas, se houvesse maior preparo físico e maior altruísmo nas pessoas. Nasceu assim o Método Natural. George Hérbert foi um marinheiro francês e observava tribos indígenas africanas, sem nenhum tipo de ginástica específica, eles eram mais fortes e resistente apenas com convívio na natureza.
Também foi altamente influenciado por movimentos naturista de médicos e pedagógicos que estavam em alta na época, assim George Hérbert se tornou o percurso do treinamentovia método natural que influenciou e influencia várias gerações e treinamentos. (O Parkour surgiu através da filosofia do método natural).
A primeira participação em Jogos Olímpicos foi em Atenas 1896.
No século II A.C, ginastas corriam em direção a um touro, seguravam os chifres do animal e saltavam realizando uma acrobacia. Daí a origem do salto sobre o cavalo.
Referência Bibliográfica
DODÔ, Aline Menezes; REIS, Lorena Nabanete Dos. Século XIX e o Movimento Ginástico Europeu: o processo de sistematização da ginástica. EFDeportes.com, Revista Digita, Buenos aires, n. 190, mar. 1. Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd190/seculo-xix-e-o-movimento-ginastico-europeu.htm>. Acesso em: 30 ago. 2017.
SOARES, CARMEN LUCIA. Imagens da educação no corpo: ESTUDO A PARTIR DA GINASTICA FRANCESA NO SECULO XIX. 3 ed. CAMPINAS: AUTORES ASSOCIADOS, 2005. 86 p.
HAUFFE, Mirian Kormann; JUNIOR, Edivaldo Goís. A EDUCAÇÃO FÍSICA E O FUNÂMBULO: entre a arte circense e a ciência (SÉCULO XIX E INÍCIO DO SÉCULO XX). Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbce/v36n2/0101-3289-rbce-36-02-00547.pdf>. Acesso em 30 ago.2017.
ARAUJO,AngélicaSegóvia; GUZZONI, Cristiane Vianna. Ginástica Geral. Disponível em: <http://adm.online.unip.br/img_ead_dp/74069.pdf> . Acesso em: 01 ago. 2017.
JUNIOR, Edivaldo Góis. Georges Demeny e Fernando de Azevedo: uma ginástica científica e sem excessos (Brasil, França, 1900-1930). Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32892015000200144>. Acesso em: 02 ago. 2017.

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