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SDE0389- FISIOPATOLOGIA DA NUTRIÇÃO E DIETOTERAPIA I Doenças do Esôfago Trato Digestório Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Stanfield, CL, 2013 Visão Geral dos Processos Digestórios Básicos Principais Estruturas Anatomia e Fisiologia Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Martini FH et al., 2014 Boca O processo digestório é iniciado ao colocar o alimento na boca Boca- secreção e motilidade • O bolo alimentar é simultaneamente umedecido e lubrificado pela saliva* • Três pares de glândulas salivares (sublingual, submandibular e parótida)- 1,0 a 1,5L de saliva diariamente *A saliva contém anticorpos que ajudam a controlar a população de bactérias orais 70% 20% 10% Anatomia e Fisiologia Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Martini FH et al., 2014 Faringe Cavidade revestida por membrana mucosa posterior ao nariz e à boca Passagem comum para alimentos sólidos, líquidos e ar O alimento passa pela orofaringe e pela laringofaringe em direção ao esôfago Anatomia e Fisiologia Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Dellege MH, 2016 Esôfago Estrutura tubular muscular 30 cm de comprimento 2 a 3 cm de largura, parte mais estreita do tubo digestivo Esôfago proximal, médio e distal Função: propulsão do bolo alimentar em direção ao estômago Desde a origem até a terminação, o esôfago atravessa necessariamente a parte inferior do pescoço, a cavidade torácica, o diafragma e a parte superior da cavidade abdominal EES Anatomia e Fisiologia Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Dellege MH, 2016 Esfíncter Esofagiano Superior Limite proximal do esôfago Age como barreira entre a faringe e o esôfago, prevenindo a entrada de ar no trato digestório Previne o refluxo do material do esôfago para a faringe durante a deglutição Esfíncter Esofagiano Inferior Localiza-se no hiato diafragmático Barreira antirrefluxo Em contração tônica 15-30 mmHg Refluxo pode ocorrer caso esta pressão seja inferior a 5 mmHg Fonte: Shills EES EEI Peristaltismo do Esôfago Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Stanfield CL, 2013 O alimento deglutido é empurrado da extremidade proximal à distal do esôfago e à seguir ao intestino por uma contração muscular onduliforme → PERISTALTISMO O PERISTALTISMO é produzido por uma série de reflexos localizados em resposta à distensão das paredes do sistema digestório provocada pelo bolo alimentar Eventos do Reflexo de Deglutição Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Stanfield CL, 2013 Fases da Deglutição – 3 fases Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Oral Faríngea Esofágica Preparatória (voluntária) Transporte do bolo alimentar até esôfago Até estômago involuntários Fases da Deglutição Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Martini FH et al., 2014 Fase Oral A língua pressiona a comida contra o palato duro, forçando-a para a faringe Fonte: Anatomia e Fisiologia Humana, 2014 Fases da Deglutição Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Martini FH et al., 2014 Fase Faríngea As ondas peristálticas forçam o bolo alimentar entre os pilares tonsilares O palato mole se eleva para fechar a nasofaringe, e a respiração cessa momentaneamente A faringe sequencialmente se contrai enquanto o esfíncter esofágico superior relaxa permitindo que o alimento passe para o esôfago A respiração retorna no final da fase faríngea Fonte: Anatomia e Fisiologia Humana, 2014 Fases da Deglutição Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Martini FH et al., 2014 Fase Esofágica O bolo alimentar continua através do esôfago até o estômago, e é completamente involuntária Fonte: Anatomia e Fisiologia Humana, 2014 Manifestações Clínicas Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Stenson, 2003;Beyer, 2011 Pirose (azia)- sensação de queimação retroesternal que geralmente ocorre dentro de 30 minutos a 2 horas após as refeições Disfagia- dificuldade de deglutição Odinofagia- deglutição dolorosa Regurgitação Ácida- retorno de conteúdo ácido ou alimentos para a cavidade oral Hematêmese: vômito contendo sangue, que pode ser de cor vermelha brilhante ou mais escurecida pela sua reação com HCl do estômago * Perda involuntária de peso, alteração no apetite, ingestão alimentar atípica... Diagnóstico Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Moraes-Filho JPPM et al., 2010 Endoscopia Digestiva Alta (EDA) com Biópsia Esofágica Manometria Esofágica (mede peristaltismo do esôfago) Exame Radiológico Contrastado do Esôfago Cintilografia Esofágica pHmetria 24h EDA com Biópsia Esofágica Método de escolha para avaliar a mucosa do esôfago e detectar anomalias estruturais Inspeção visual: fissuras, úlceras, estenoses, lesões da mucosa (esôfago de Barrett e hérnia hiatal) Fonte: Clínica Médica, 2009 Doenças do Esôfago Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Dellege MH, 2016 Etiologia: condição que geralmente envolve um processo que afeta o revestimento esofagiano (mucosa) ou o componente muscular do esôfago Disfagia Orofaríngea Disfagia Esofágica (Acalasia) Hérnia Hiatal Doença do Refluxo Gastresofágico e Esofagite Câncer de Esôfago Fonte: www.cancer.org.br Disfagia Orofaríngea Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Moraes-Filho JPPM et al., 2010 Decorrente de anormalidades que afetam o mecanismo neuromuscular de controle do movimento do palato, faringe e esfíncter esofágico superior. Comum ocorrência de engasgos de forma silenciosa (diagnosticada com avaliação do fonoaudiólogo) Etiologia Problemas no SNC (acidente vascular encefálico, doença de Parkinson, esclerose múltipla, neoplasias) Distúrbios neuromusculares (miastenia grave, poliomielite bulbar) SNC- sistema nervoso central Escala Funcional da Ingestão Oral (EFIO) Crary e cols, 2005 Gravidade da Disfagia Padovani e cols, 2007 1Grau de Disfagia e Dieta Sugerida/ 2Assistência Fonoaudiológica e Nutricional Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Carvalho & Sales, 2014 Fonte: Nestlé, 2014 Fonte: Nestlé, 2014 1 2 Sugestão para Adaptação da Consistência Conforme o Grau de Disfagia Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Carvalho & Sales, 2014 Disfagia Esofágica (Acalasia) Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Caruso L, 2014 • Também chamada de dissinergia esofágica, é um distúrbio de motilidade do EEI. • O número diminuído de células ganglionares no plexo de Auerbach → falência do EEI para relaxar e abrir durante a deglutição, não relaxa com a deglutição • → disfagia ou dificuldade de deglutição • “tipo uma estenose” Tratamento Fonte: A.D.A.M Disfagia Esofágica (Acalasia) Fisiopatologia da Nutrição eDietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Caruso L, 2014 Etiologia Idiopática Infecção pelo Tripanosoma cruzi (Doença de Chagas) Sintomas Disfagia, regurgitação, dor, pirose, sialorreia, perda ponderal Recomendação Nutricional Dieta hipercalórica, hiperproteica, normoglicídica e normolipídica Disfagia Esofágica (Acalasia) Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Caruso L, 2014 Tratamento Fonte: A.D.A.M Tratamento • Principal objetivo: alívio da obstrução • Bloqueador de canais de cálcio (ex: nifedipina): relaxa fibras musculares lisas do EEI ↓ pressão no EEI • Dilatação mecânica (balão pneumático) risco de perfuração • Dilatação cirúrgica Hérnia de Hiato Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Chemin M, 2007 Protusão de parte do estômago sobre o músculo diafragmático. A hérnia de hiato favorece o aparecimento do refluxo gastroesofágico Etiologia Incompetência do hiato diafragmático (velhice- frouxidão do tecido) Aumento da pressão intra-abdominal (obesidade, constipação, vômitos persistentes...) Sintomas Semelhantes aos do RGE e esofagite, podendo apresentar ainda soluço; hematêmese e melena; dispneia, tosse, vertigem, taquicardia e palpitação Fonte: Centro de Clínica Cirúrgica * hiato diafragmático Doença do Refluxo Gastroesofágico Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Moraes-Filho JPPM et al., 2010 Afecção crônica, decorrente do fluxo retrógrado de parte do conteúdo gastroduodenal para o esôfago ou órgãos adajcentes ao mesmo, acarretando variável espectro de sintomas e/ou sinais esofágicos e/ou extra esofágicos, associados ou não a lesões teciduais Sintomas Refluxo de secreção ácida Episódios de azia com dor subesternal Eructações Espasmos esofagianos Doença do Refluxo Gastroesofágico Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Moraes-Filho JPPM et al., 2010 Etiologia Hérnia hiatal (funcionamento inadequado da barreira antirrefluxo) Distensão gástrica (após refeições) Aumento da pressão intra-abdominal (obesidade, inspiração profunda, tosse, exercício físico, manobra de Vasalva, constipação, roupas apertadas) Postura (predominante em decúbito supino ou lateral direito) Complicação - Esôfago de Barrett* (condição onde o epitélio colunar associado a metaplasia intestinal substitui o epitélio escamoso normal que recobre o esôfago distal) *Chance 30 a 40 vezes maior de ter câncer de esôfago do que a população normal Esofagite Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Caruso L, 2014 Inflamação da mucosa esofágica, decorrente do refluxo do conteúdo acido péptico gástrico diminuição da pressão do EEI, que não se contrai adequadamente após a passagem dos alimentos para o estômago, permitindo o retorno do conteúdo gástrico Etiologia Esofagite Aguda Esofagite Crônica Hérnia hiatal; tabagismo Pressão reduzida do EEI Pressão abdominal aumentada Esvaziamento gástrico retardado Vômitos recorrentes Úlcera péptica com presença de H pylori Ingestão de agente corrosivo Radiação Inflamação viral Intubação EEI- esfíncter esofagiano inferior Fonte: Anatomia e Fisiologia Humana, 2015 Doenças do Esôfago Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Moraes-Filho JPPM et al., 2010 Medidas Comportamentais no Tratamento da Doença do Refluxo Gastroesofágico Fármacos de excelência: Inibidores da Bomba de Prótons Fonte: Folha de São Paulo Doença do Refluxo Gastroesofágico e Esofagite Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Caruso L, 2014 Características Recomendação Nutricional Valor Energético Total Suficiente para manter o peso ideal. Se necessário promover a perda de peso Lipídios Hipolipídica (< 20% das calorias totais). Evitar preparações gordurosas. Colecistoquinina e secretina diminui a pressão do EEI Proteínas Hiperproteica, em decorrência da liberação de gastrina, que aumenta a pressão do EEI Hidrato de Carbono Normo tendendo a hipoglicídica, para evitar a fermentação e o desconforto abdominal Consistência Fase aguda: líquida ou semilíquida com evolução até a dieta geral ( com melhora da disfagia) Fracionamento 6 a 8 refeições de pequenos volumes para evitar o refluxo*** Excluir Alimentos que diminuem a pressão EEI: café, mate, chá preto, bebidas alcoólicas, chocolate Alimentos que irritam a mucosa inflamada: sucos e frutas cítricas, tomate, refrigerantes, condimentos (pimenta vermelha e do reino), alimentos ásperos (batatas fritas, bolachas crocantes e cascas secas) EEI-esfíncter esofagiano inferior Câncer de Esôfago Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO www.inca.gov.br Epidemiologia 6º mais frequente entre os homens e 13º entre as mulheres Tipos Histológicos Carcinoma epidermoide escamoso (96% dos casos)- terços médio e inferior do esôfago Adenocarcinoma- parte distal do esôfago Etiologia Alcoolismo, tabagismo, acalasia, esôfago de Barret, chá quente, alimentos defumados Sintomas Disfagia, odinofagia, dor retroesternal, náuseas, vômitos e perda do apetite Fonte: Saúde plena Câncer de Esôfago Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO www.inca.gov.br Diagnóstico Esofagoscopia com biópsia e citologia Tratamento Clínico-Cirúrgico Cirurgia, radioterapia e quimioterapia, de forma isolada ou combinada Cirurgia- esofagectomia total ou distal + remoção do nervo vago + gastrectomia proximal • Complicações mais comuns- deiscência de sutura e vazamento pela anastomose; estenose da anastomose; fístula esofágica Cuidados paliativos- dilatações com endoscopia, colocação de próteses auto expansivas e braquiterapia*; GTT ou JTT para hidratação e alimentação *radioterapia com sementes radioativas; GTT- gastrostomia; JTT- jejunostomia Câncer de Esôfago Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Waitzberg D, 2009 Tratamento Nutricional Pós-operatório: repouso da região da anastomose por 5 a 12 dias Esofagectomia 1º ao 8º DPO- nutrição enteral via JTT ou SNE 8º ao 10º DPO- esofagografia. Iniciar via oral líquida 10º DPO em diante (sem complicações)- evoluir dieta para semilíquida, pastosa, branda Suspensão da dieta enteral- 75% das necessidades por via oral (VO) Atentar para o restabelecimento da VO- problemas adaptativos cirúrgicos, ansiedade DPO- dia de pós-operatório; JTT- Jejunostomia; SNE-sonda nasoentérica Dieta hipercalórica, hiperproteica, normoglicídica e normolipídica Fonte: Guias de Medicina Ambulatorial e Hospitalar da UNIFESP Considerações Finais Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Pacientes submetidos a cirurgias grandes do aparelho digestório podem necessitar de terapia nutricional por meses ou anos e, para esse sucesso, a família e o paciente devem ser orientados a um acompanhamento periódico com o nutricionista Cabe ao profissional nutricionista avaliar as condições clínicas, nutricionais e socioeconômicas para traçar o melhor plano terapêutico A intervenção ambulatorial tem relação direta com o aumento da sobrevida e a melhor reabilitação do paciente ao convívio socialBibliografia Complementar Fisiopatologia da Nutrição e Dietoterapia I AULA X: DOENÇAS DO ESÔFAGO Cuppari, L. Nutrição Clínica no Adulto. 3ª ed. Editora Manole, 2009. Cap.: 12 (págs.: 297-302). Stanfield, CL. Fisiologia Humana. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2013. Cap.: 20 (págs.: 658-720). Martini FH, Ober WC, Bartholomew EF, Nath JL. Anatomia e Fisiologia Humana: uma abordagem visual. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. Cap.: 15 (págs.: 520-532) Mahan, L. Kathleen; Escott-Stump, Sylvia. Krause - Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 12 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. Cap.: 26 (págs.: 654-658). Diretriz Brasileira Obesidade, 2016. Projeto Diretrizes Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, 2008. Waitzberg, D L. Nutrição Oral, Enteral e Parenteral na Prática Clínica. Editora Atheneu, 2009. Assuntos da próxima aula: 1. Motilidade Gástrica 2. Gastrite 3. Úlcera Gástrica x Duodenal 4. Câncer de Estômago