Prévia do material em texto
FACULDADE DE MEDICINA DEPARTAMENTO DE FISIOLOGIA E FARMACOLOGIA Profa. Letícia Lotufo SIMULAÇÃO DA ATIVIDADE ELÉTRICA EM NEURÔNIO I. INTRODUÇÃO A membrana plasmática é composta por fosfolipídios e proteínas dispostos num arranjo tipo mosaico fluido, delimitando as células. Do ponto de vista elétrico, a membrana plasmática pode ser representada por um componente capacitivo, a bicamada lipídica, e um componente resistivo, associado aos canais iônicos. A diferença de potencial entre os lados intra e extracelulares é determinada pelos seguintes fatores: assimetria na distribuição de cargas, permeabilidade da membrana e funcionamento da bomba de sódio-potássio. O conjunto desses fatores confere uma polaridade à membrana, sendo o lado interno negativo em relação ao externo. Essa diferença varia entre os diversos tipos de células, mas nos tecidos excitáveis, gira em torno de –90 mV. Sabe-se, ainda, que estes tecidos podem responder a um estímulo elétrico com uma despolarização transiente da membrana, a qual chamamos potencial de ação. O potencial de ação é a base da excitabilidade celular, e inicia diversos processos fisiológicos tais como: a transmissão nervosa e a contração muscular. Representação esquemática de um potencial de ação. Fonte: GREENSTEIN & GREENSTEIN, Color atlas in Neuroscience, 1999. ������ � � � �� � �� � � ������ � ��� �� � �� � ��� � ���� � ���� � ��� �� � �� �� � ��� �� � �� � ���� � � ���� � � � II. OBJETIVOS Discussão dos conceitos de voltagem, corrente e condutância e sua relação com a excitabilidade celular. Demonstrar os mecanismos básicos para geração de potencial de ação. III. PROCEDIMENTOS Utilizaremos o programa de simulação AXOVACS (Axon Instruments Inc.). O programa AXOVACS 2.0, baseado no modelo proposto por Hodgkin e Huxley (1952) (J.Physiol. 117. 500) para produção de potenciais de ação em axônios de lula, apresenta três subprogramas para simulação: 1. fixação de corrente 2. fixação de voltagem 3. cinética de canais iônicos. Para entrar no programa, tecle axovacs <enter>. Ao iniciar o programa, aparecerá o MENU PRINCIPAL que permitirá fazer a escolha dos subprogramas. IV. EXERCÍCIOS 1 - Potencial de Ação (Escolha a opção 5) As informações contidas na parte superior direita, apresentam valores de potencial de membrana e dos estímulos. Este programa pode simular até 2 estímulos subsequentes. Para visualizar um gráfico pressione a tecla r. Para alterar os valores a serem utilizados numa dada simulação, pressione a tecla e, como descrito na parte direita. Nesse momento, aparecerá uma outra janela na qual os valores poderão ser modificados. Para realizar a simulação, depois de introduzidos os novos valores, basta apertar a tecla r. Para apagar o que foi simulado anteriormente, aperte a tecla c. Muitas vezes será interessante manter os gráficos de uma simulação na tela para comparar com a nova simulação com valores diferentes. Neste caso, não se deve pressionar a tecla c; após cada edição, basta rodar a simulação novamente (a sequência de teclas e e r pode ser usada diversas vezes sucessivas sem problemas). QUESTÃO 1: Relação entre potencial de ação e condutância iônica. a) Qual a relação entre ativação das condutâncias de Na+ e K+ e o potencial de membrana? Utilize as condições pré-estipuladas pelo programa. b) Varie a intensidade do estímulo (60, 70, 100 e 200 µA/cm2). O que ocorre com a velocidade de despolarização, repolarização e pico do potencial? A intensidade do estímulo interfere nas curvas de condutância ao Na+ e K+? Explique. QUESTÃO 2: Avalie a relação entre 2 estímulos subsequentes: a) Qual a importância do intervalo entre os estímulos? Os dois estímulos devem ter 60 µA/cm2 de amplitude e 0,1 ms de duração. Varie o intervalo entre os estímulos (5, 4, 3, 2, 1 ms de duração). b) Qual a relação entre intensidade do estímulo e a geração de um segundo potencial de ação? O primeiro estímulo deve ter 100 µA/cm2 com 0.1 ms de duração. Aplique um segundo estímulo de 100 µA/cm2 com início 3, 4, 7 e 8 ms após o primeiro. Em seguida, aumente a amplitude do segundo estímulo para 600 µA/cm2 e repita o protocolo anterior. Realize diversos experimentos variando a intensidade do segundo estímulo e o tempo desde o início de sua aplicação. Observe o que ocorre com as condutâncias ao Na+ e ao K+ c) Em que condições ocorre potencial de ação? Discuta as prováveis razões. Retorne para o MENU PRINCIPAL (pressione <esc> e <y>). 2 - Geração do Potencial de Ação (Escolha a opção 6) aperte a tecla r QUESTÃO 3: Avalie relação temporal entre as correntes de Na+ e K+ explicando as mudanças que ocorrem para a geração do potencial de ação. digite c QUESTÃO 4: Avalie o que ocorre quando a intensidade de estímulo é diminuída para 60 µA/cm2. QUESTÃO 5: Avalie o que ocorre quando é introduzido um segundo estímulo. 1o estímulo: 60µA/cm2, 0,1 ms de duração. 2o estímulo: 60µA/cm2, 0,1 ms de duração, 5, 4, 3, ou 2 ms após o primeiro. Em que condições ocorre o potencial de ação? Comente sobre as correntes de sódio e potássio. Retorne para o MENU PRINCIPAL (pressione <esc> e <y>). 3 - Bloqueio dos Canais de Na+ ou K+ (Escolha a opção 7) aperte a tecla r QUESTÃO 6: Avalie o efeito do bloqueio dos canais dependentes de voltagem de Na+ ou K+, usando os antagonistas seletivos saxitoxina (STX) e tetraetilamonio (TEA). Faça a simulação de experimentos em que são aplicadas as doses de: STX 0, 1 e 10 nM TEA 0, 1 e 10 mM Para melhor visualização do efeito das drogas, aplique cada uma delas separadamente. Registre os efeitos em escala temporal rápida e escala temporal longa. Explique as alterações que ocorrem na: 1. geração do potencial de ação, 2. velocidade de despolarização, 3. repolarização. Explique o fenômeno observado após o registro de potenciais de ação em escala longa na presença de TEA. Experimente aplicar TEA (10 mM) sem estimular. Comente a importância da condutância ao potássio para a manutenção do potencial de repouso da membrana e também para a geração de potencial de ação.