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Mineração na Amazônia:
Estado, Empresas e Movimentos Sociais
www.forumcarajas.org.br 
São Luís/Maranhão/Brasil
2010
Centro dos Direitos das Populações da Região de Carajás - Fórum Carajás
Programa: Siderurgia na Amazônia- Projeto “Políticas Públicas e Sustentabilidade da Região de Carajás”.
Coordenação Executiva do Fórum Carajás:
Antonio Gomes de Morais, Edmilson Pinheiro e Jean Carlos Santos
Conselheiros: José Maria Araújo, Izabel Santos Lisboa, José Raimundo Rodrigues, Carlos Augusto Velo-
so, Maria Carmélia Costa Borges, Fábio Pierre Fontenelle Pacheco, Alberto Cantanhede Lopes, João Fon-
seca dos Santos, Raimundo José Pereira Ferreira, Josefa Andreza Alves, Maria da Graças Costa Martins, 
Saulo Pastor dos Santos, Elton Carlos Araújo Alves e Diarmondes Alves Paixão.
Apoio: Misereor
Textos: Rogério Almeida, Marluze Pastor; Padre Dario Bossi, Padre Edilberto Sena, Gilvandro Santa 
Brígida, Raimundo Gomes, Manoel Paiva, Airton Pereira, José Batista Afonso.
Capa: Carlos Latuff (www.latuff2.deviantart.com)
Projeto Gráfico: Linna di Castro
Organização: Rogério Almeida (http://rogerioalmeidafuro.blogspot.com/) 
Colaboração: Cristiane Rocha / Edmilson Pinheiro (Secretario Executivo)
Fotos: Rogério Almeida, Nils Vanderbolt, Guto, Murilo Santos, Roberto K-Zau, Gilvandro Santa Brígida, 
Arquivo Fórum Carajás
Fórum Carajás
Avenida João Pessoa, Q. 09, Casa 19- Filipinho
CEP: 65040-000 São Luís/MA/Brasil
Site: www.forumcarajas.org.br 
http://twitter.com/forumcarajas 
http://territorioslivresdobaixoparnaiba.blogspot.com/ 
http://reentrancias-ma.blogspot.com/ 
E-mail: forumcarajas@forumcarajas.org.br 
Fone/fax: (098) 3249-9712 
04
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59
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07
63
Mineração na Amazônia: Estado, Empresas e 
Movimentos Sociais 
Contrário me dê licença para contar essa história
Impactos e resistências em Açailândia, profundo 
interior do Maranhão.
Itupanema em meio ao projeto Albras - Alunorte: 
o desencantamento do mundo.
Energia limpa na ponta e desgraça na fonte, 
 resultado de mega hidrelétricas na Amazônia.
Geração de energia na Amazônia caso de Estreito 
em questão.
Grandes Projetos na Amazônia: mineração em 
 Juruti e a produção de energia.
Grandes projetos no município de Barcarena: 
conflitos sociais e ambientais
A exploração mineral e suas consequências na 
Amazônia brasileira
O extrativismo tem regido a econo-mia na Amazônia. O ciclo mais re-cente é o mineral, iniciado a partir 
da década de 1950 do século passado, no estado do 
Amapá, quando o mesmo ainda tinha o status de ter-
ritório. 
A exploração do manganês na Serra do Navio 
foi ponta pé inicial. A experiência durou apenas cin-
co décadas. Ficou apenas o buraco, literalmente. 
A exploração mineral no Amapá, considera-
da a primeira na Amazônia, foi ativada pela empresa 
estadunidense de Daniel Ludwig, a Bethlehem Ste-
el Company em sociedade com o empresário Augus-
to Trajano de Azevedo Antunes, dono da Indústria e 
Comércio de Mineração S/A (ICOMI). 
O ciclo da mineração ganhou maiores pro-
porções na Amazônia a partir da região de Carajás; 
com a presença da Vale na extração do minério de 
ferro na década de 1980, no sudeste do Pará, é com 
as atividades de prospecção inauguradas no regime 
militar. 
O processo da transição democrática des-
cortinou outros cenários na economia, política e na 
sociedade civil brasileira. Ainda que prepondere o 
constrangimento econômico e político em processos 
de definição de instalação de grandes projetos, há 
alguns avanços no campo normativo. 
No entanto, tais avanços - se tratados assim 
- carecem de aperfeiçoamento ou uma refundação. 
Para a instalação de grandes projetos o empreende-
dor é obrigado a atender uma série de exigências. 
Como o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Re-
latório de Impacto Ambiental (Rima), que devem ser 
apresentados em audiências públicas. Sob um grave 
problema, a assimetria de forças entre as parte en-
volvidas: grandes empreendedores versus comuni-
dades tradicionais. 
O processo é marcado por uma infinidade 
de limites, que passa pela incorreção e manipulação 
dos EIA/RIMA, não publicização das informações e 
a cobertura da mídia marcada pela parcialidade. O 
que denuncia a fragilidade da democracia nacional, 
que não universaliza o acesso ao direito. E, que às 
vezes, exibe as nuances autoritárias do Estado. 
E por falar em Estado, ele ainda é o princi-
pal indutor da economia. Se no período da ditadura 
o Banco da Amazônia (Basa) e a Superintendência 
de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) confi-
guraram-se com as principais instituições, nos dias 
atuais o protagonismo recai sobre o Banco Nacional 
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 
Ladeado pelo Banco Interamericano de Desenvolvi-
mento (BID). 
A atuação da instituição tem ultrapassado a 
fronteira nacional. Advoga-se que a mesma exerce 
um papel estratégico em escala continental. E as 
agências multilaterais são o centro de gravidade na 
definição de políticas de desenvolvimento para o 
Brasil e a América Latina. 
Observa-se ainda outras diferenças nas polí-
ticas para a Amazônia. Na ditadura imperaram os 
MINERAÇÃO NA AMAZÔNIA: 
ESTADO, EMPRESAS E MOVIMENTOS SOCIAIS 
 5 Fórum Carajás outubro de 2010
pólos de produção, madeira pecuária e extrativismo 
mineral. Enquanto hoje despontam os eixos de in-
tegração, transporte multi-modal, comunicação e 
infraestrutura. 
É creditado a Eliezer Batista, ex-executivo 
da Vale, a construção do mapa das riquezas naturais 
na América do Sul. Batista é pai de Eike, festejado 
como o novo bilionário nacional. Obra do acaso?
Os levantamentos de Batista foram encomen-
dados pela Corporação Andina de Fomento (CAF). 
A CAF é um dos agentes do projeto de Integração da 
Infra-estrutura Regional Sul-Americana (IIRSA). 
Do conjunto de 10 eixos de integração, qua-
tro se destacam, por suas riquezas naturais e pos-
sibilidades de conexões: o Amazonas, A Hidrovia 
Paraná-Paraguay, o Capricórnio e o Andino. O obje-
tivo central, prima em facilitar a circulação de mer-
cadorias. 
O eixo do Amazonas compreende os seguin-
tes países: Colômbia, Peru, Equador e Brasil. Visa 
criar uma rede eficiente de transportes entre a bacia 
Amazônica e o litoral do Pacífico, com vista à ex-
portação.
No mundo do Brasil, alguns se arriscam em 
pontuar que o Programa de Aceleração do Cresci-
mento (PAC) é uma miniatura do IIRSA. 
Há algo de novo o ‘front’?
Parece que sim. O aprofundamento da pres-
são sobre as riquezas naturais, a organização das 
grandes empresas em consórcio, em particular para 
a construção de hidrelétricas. No Maranhão, Pará e 
Tocantins surgiram inúmeras frentes de extrativis-
mo mineral. No Pará há registros da amplificação 
do extrativismo que ultrapassa a celebrada mina de 
Carajás. 
A oeste do estado o município de Juriti acaba 
de entrar no clube dos municípios minerários. Em 
Juruti a empresa estadunidense, Alcoa explora bau-
xita. Matéria prima para a produção de alumínio. 
Num processo de instalação marcado por capítulos 
nebulosos, que exigiu a mediação do Ministério Pú-
blico Federal (MPF). Dois ex-secretários de meio 
ambiente do estado respondem a processos por con-
ta de não atenderem a recomendações do MPF. 
Já no sudeste a Vale inicio a exploração de 
cobre no município Canaã dos Carajás, e outros mi-
nérios em São Félix do Xingu, Xinguara, Ourilândia 
do Norte e tantos outros. No município de Barcare-
na as fábricas de produção de alumina e alumínio da 
Vale passam por uma ampliação da produção, que 
dialoga com o aumento da produção de energia da 
hidrelétrica de Tucuruí e a construção de outras usi-
nas hidrelétricas e mesmo termoelétrica. A energiaé 
o principal insumo das empresas de eletro-intensivo, 
como as de produção de alumínio. 
A construção de termoelétrica no município 
de Açailândia, oeste do Maranhão, a presença da 
empresa Suzano Celulose, a construção da Ferrovia 
Norte Sul, bem como a construção da Hidrelétrica 
de Estreito constituem elementos recentes que re-
configuram a paisagem física, econômica e humana 
da região. Assim como em São Luís, capital do Ma-
ranhão, os portos experimentam uma ampliação. 
Não se sabe exatamente o que vem ocorren-
do na região. Há informações fragmentadas compar-
tilhada nos espaços de encontros e desencontros que 
as redes de organizações sociais proporcionam. 
É nesse sentido que nasce o projeto em aglu-
tinar neste livro artigos que atualizem as dinâmicas 
nos municípios de São Luís, Açailândia e Bacabeira 
no estado do Maranhão; e no município de Barcare-
na e regiões sudeste e sudoeste, Carajás e Tapajós/
Xingu no Pará. 
MINERAÇÃO NA AMAZÔNIA: 
ESTADO, EMPRESAS E MOVIMEN-
TOS SOCIAIS reúne sete trabalhos que buscam 
pontuar elementos que podem ser considerados no-
vos, e outros nem tanto assim, como a condição co-
lonial. Condição econômica baseado no extrativis-
mo. 
 Os trabalhos iformam que empresas pressio-
nam sobre a terra e os recursos naturais. Indicam os 
impactos dos investimentos para as áreas e popula-
ções afetadas, e questionam o papel do Estado e as 
ações que as organizações de base promovem para a 
ampliação de direitos. 
A Engenheira Agrônoma Marluze Pastor recu-
pera a ação do Fórum Carajás no acompanhamento 
das frentes de mineração na Amazônia, em particu-
lar na região de Carajás. O padre Dario Bossi pontua 
as questões que afetam o município de Açailândia, e 
Fórum Carajás outubro de 2010 6
oeste do Maranhão, em particular sobre o pólo de 
gusa, os passivos sociais e ambientais. E as lutas e 
mobilizações da comunidade de Pequiá. Além de 
explicar o nascimento da iniciativa Justiço nos Tri-
lhos. 
Raimundo Gomes, Airton Pereira e José Ba-
tista Afonso investigam as recentes tensões no sul e 
sudeste do Pará, em particular da Vale e as formas 
de resistência das comunidades tradicionais. O pa-
dre Edilberto Sena, do município de Santarém, faz 
uma leitura que ajuda a entender os novos grandes 
projetos a oeste do estado, em diálogo com as ma-
cro-políticas. Trata-se de uma peça esclarecedora. 
Manoel Paiva e Gilvandro Santa Brígida, ex 
dirigentes sindicais no município de Barcarena, es-
clarecem sobre o embate entre as grandes empresas 
que operam na cidade. Entre elas a Alunorte e Al-
bras, controladas pela Norsk Hidro (Noruega). Não 
escapam às análises dos autores a Imerys Rio Capim, 
Pará Pigmentos e a Rio Campi Caulim. E mesmo os 
projetos em andamento, como a construção de uma 
termoelétrica e a Companhia de Alumina do Pará 
(CAP). Rogério Almeida, jornalista, aborda o po-
lêmico projeto de extração de bauxita no município 
de Juruti, no oeste do Pará e a construção da hidrelé-
trica de Estreito, no município homônimo, no oeste 
do Maranhão. 
Os autores dos artigos conhecem com proxi-
midade as realidades aqui tratadas. Apesar de serem 
realidades ocorridas em estados diferentes estão en-
laçadas por questões comuns, como a subordinação 
da terra ancestral à lógica do capital, a partir da pos-
se privada em detrimento da coletiva. 
A obra denuncia passivos sociais e ambien-
tais, o poder das empresas e a coerção que o capital 
acaba provocando para atropelar os marcos legais. E 
ainda as mobilizações das comunidades ancestrais e 
de assessoria. As tensões registradas e os constran-
gimentos para a aprovação dos empreendimentos 
evidenciam a delicada situação da democracia na-
cional. 
Mesa: O conflito entre a Vale e o Meio Ambiente no Fórum Social Mundial, Belém-PA / 2009 (foto: Fórum Carajás)
Marluze Pastor, Engenheira Agrônoma, MSc em 
Agroecologia é consultora do Fórum Carajás1 
A liberdade é para todos nós 
Não tem censura para calar nossa voz 2
A história do Fórum Carajás, iniciada em1992, é resultado de iniciativas adotadas pela socie-dade civil, para intervir nas políticas, nos projetos e plantas industriais causadores de danos sociais e ambientais. Na época, Fernando Collor de Melo era presidente do Brasil, Edson 
Lobão e Jader Barbalho eram governadores, respectivamente, do Maranhão e do Pará. Os conflitos de terra 
nesses estados recrudesciam, entre 1985 e 1995. Neste período foram computadas pela Comissão Pastoral 
daTerra( CPT) 45 mortes no campo no Maranhão e 67 no Pará. A concentração fundiária estava no seu 
patamar mais alto, conforme Índice de Gini3 , em torno de 0,85 %; os recursos naturais eram utilizados para 
acelerar o processo de enriquecimento de grupos econômicos. A região e Carajás era área atrativa para 
investimentos. Várias siderúrgicas( convidadas pela CVRD) já estavam instaladas: Companhia Siderúrgica 
do Pará (COSIPAR), (1988) em Marabá a Siderúrgica Viena, (1988) e Vale do Pindaré, (1988) Açailandia. 
1 Este texto teve a colaboração de Edmilson Pinheiro, Secretario Executivo do Fórum Carajás.
2 Música de Zé Lopes, samba enredo da Favela do Samba em homenagem a César Teixeira.
3 Coeficiente de Gini é uma medida de desigualdade, quanto mais próximo de um maior a desigualdade
Contrário me dê licença para 
contar essa história 
Fórum Carajás outubro de 2010 8
Em Barcarena já estavam a Albrás, (1985) Alunorte, 
(1978), em São Luís a ALUMAR e a ELETRONOR-
TE, em Tucuruí. Havia também um grande número 
de fazendas e madeireiras. 
Nesse contexto o Grupo de Trabalho Ama-
zônico (GTA) e outras entidades do Maranhão e do 
Pará, desencadearam um processo de articulação de 
grupos sociais atingidos pelas políticas e projetos. A 
partir daí surgiu a proposta de organizar um seminá-
rio internacional sobre os grandes projetos na região, 
precedido de um conjunto de estudos para permitir 
uma intervenção qualificada do Movimento Social. 
Esse processo foi nominado de Seminário Consulta 
Carajás.
Naquele período eram poucas as organiza-
ções ambientalistas na região, que se concentravam 
no Sul e Sudeste do Brasil, atuavam na proteção de 
ecossistemas naturais, porém havia um distancia-
mento dessas organizações com outros movimentos, 
as ambientalistas ignoravam as questões sociais e as 
demais organizações não incorporavam a qualida-
de ambiental nos discursos. Eram as ambientalistas 
compostas por universitários, funcionários/as de ór-
gãos públicos. 
O Fórum se estrutura enquanto rede socio-
ambiental envolvendo sindicatos urbanos e rurais, 
pesquisadores/as e organizações internacionais 
de igrejas e ambientalistas, ONGs, associações de 
moradores, grupos de jovens, grupos de mulheres, 
organizações de pescadores/as, de professores, se-
ringueiros e quebradeiras de coco entre outras ex-
trativistas.
 A primeira ação foi conhecer os projetos, pois 
era necessário possuir conhecimentos para intervir, 
discutir o desenvolvimento da região, saber como 
eram as relações entre a indústria e meio ambien-
te, analisar seus impactos. Assim uma série de estu-
dos, pesquisas e treinamentos foram realizados com 
a participação de professores e pesquisadores das 
Universidades do Pará e do Maranhão e ligados aos 
movimentos sociais. A pesquisa precisava ser ime-
diatamente útil, os/as pesquisadores/as participavam 
das reuniões com informações e análises dos dados 
levantados. Assim, pesquisas científicas tiveram o 
propósito apoiar na discussão dos problemas loca-
lizados, bem como na promoção da capacidade de 
planejar, de tomar decisões, fortalecer o sentimento 
de pertencimento e poder de negociação.
A pretensão era intervir nas políticas públi-
cas e privadas, mudar o curso da história, relacionar 
justiçasocial com meio ambiente, mas, era preci-
so capacitar as organizações e as lideranças. Foram 
Fonte: documento do Fórum Carajás
 9 Fórum Carajás outubro de 2010
criados grupos de estudos para a construção de um referencial teórico e alternativas para região. As or-
ganizações foram habilitadas para participar de conselhos de gestão, comissões, acordos de negociação; 
foram disseminados conhecimentos e informações sobre os impactos na região utilizando inclusive rádios 
comunitárias, teatro, música, artes visuais, cursos, oficinas, encontros regionais, nacionais e intencionais. 
Foram elaborados livros, mapas, revistas e diversos textos (Verificar em referências bibliográficas).
As relações internacionais 
O desafio era grande, foi necessário identificar e conquistar parceiros em órgãos públicos, estimular 
o apoio de legislativos, promover audiências públicas. Assim as relações com as organizações internacio-
nais especialmente com organizações da Alemanha foram fundamentais para iniciar o processo de interlo-
cução e reconhecimento do Fórum, por parte do setor público e privado.
Um primeiro projeto foi encaminhado a Pão para o Mundo (BROT FÜR DIE WELT- PPM)4, e 
Misereor5 com a interveniência da Coordenadora Ecumênica de Serviços (CESE). Naquela oportunidade, 
a Conferência Conjunta Igreja e Desenvolvimento (Gemeinsame Konferenz Entwicklung und Kirche-
GKKE), organização das igrejas alemãs, que já atuava com programa de diálogo iniciou um novo progra-
ma, tendo como centro de atividades a Tanzânia e Brasil sobre justiça internacional e de proteção ao meio 
ambiente com grupos representativos da sociedade civil da Alemanha, e, no caso do Brasil, com indústrias 
siderúrgicas alemãs e entidades populares da região de Carajás. Aqui se buscou estabelecer e ampliar re-
lações com organizações internacionais, avançar nas relações Norte-Sul, nos acordos internacionais e na 
responsabilidade global. 
Além das organizações da Igreja da Alemanha o Fórum desenvolveu outras relações internacionais 
com o GREEPEACE, FIAN, KOBRA, Cooperação Técnica Alemã (GTZ), IG Metal, International Rivers 
Network, PARC-FASE 6.
Primeira fase da articulação, o Seminário Consulta Carajás 
De 1992 até a realização da Mesa Redonda Internacional, em 1995, foram realizados encontros e 
seminários, oficinas, estudos voltados para a realização de um evento que discutisse os projetos e políticas 
públicas para região com o Estado, empresas, consumidores internacionais, trabalhadores das empresas, 
grupos e comunidades atingidas. Vale destacar que o Projeto Ferro Carajás era o carro chefe dos projetos. 
4 agência de cooperação da Alemanha
5 agência de desenvolvimento da Igreja Católica da Alemanha
6 O Greenpeace é uma organização global e que atua na defendesa do meio ambiente; a FIAN (“Food First Information & Action Network), 
é uma organização internacional de direitos humanos que trabalha pelo direito a alimentação; a KOBRA ( Kooperation Brasilien) é uma rede 
de pessoas e grupos de países de língua alemã, de solidariedade ao Brasil; a Deutsche Gesellschaft für Technische Zusammenarbeit (GTZ), 
é uma empresa pública de direito privado, de cooperação internacional; o IG Metall, é sindicato de metalúrgicos da Alemanha; International 
Rivers Network (IRN), é uma rede internacional de guardiões dos rios; o PARC-FASE é um grupo de Pesquisa e intercâmbio com o Japão. 
Quadro 01: Principais eventos na primeira fase do Fórum Carajás
Fórum Carajás outubro de 2010 10
A Mesa Redonda Internacional 
(MRI)
Na MRI realizada em maio de 1995 em São 
Luís/MA, participaram 174 pessoas, autoridades fe-
derais e estaduais de órgãos ambientais, do planeja-
mento, e da questão agrária; parlamentares brasilei-
ros e alemães; entidades eclesiásticas brasileiras e 
alemães; Banco Mundial; representantes de comu-
nidades indígenas; lideranças de entidades sindicais 
rurais e urbanas; organizações não governamentais 
brasileiras e alemães. A MRI foi precedida por um 
cuidadoso processo de organização no que concerne 
a logística do evento (hospedagem, transporte, re-
gimento interno do evento), como na formação dos 
participantes do movimento social, coordenação e 
mediação dos trabalhos. 
A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) rea-
giu não participando e incentivando a não participa-
ção de empresas e de setores da Igreja Católica. 
Carvoeiros 7
A usina converte em aço,
a paisagem e em cinzas, 
o coração dos homens
O lingote é o filho aceso 
da usina que oculta no seu fogo 
a lógica do deserto. 
Segunda fase: as cadeias de produção
A partir da avaliação da MRI o Fórum pas-
sa se identificar como Fórum Carajás e se empenha 
em discutir as políticas a partir de temas regionais, 
incentivando a incorporação de aspectos de susten-
tabilidade ambiental e justiça social nas lutas nas 
atividades das entidades. Elencou como prioridades 
para atuação as cadeias de produtos identificadas 
na primeira fase como as mais impactantes: ferro; 
alumínio; madeira nativa/carvão; eucalipto/celulo-
se. Na avaliação do Fórum realizada 1997 e 1998 
aponta dois eixos temáticos como unificadores das 
diversas lutas e temas que se tornaram programas 
de trabalho: 
• Agricultura familiar e grandes projetos, 
envolve as problemáticas rurais. Os destaques nes-
se programa foram a questão do eucalipto e a 
7 Versos do poema carvoeiro de Pedro Tierra
implantação de fábrica de celulose na região tocan-
tina, a exploração de madeira nativa e a expan-
são da sojicultura. Aqui se destaca a iniciativa das 
organizações do Sul do Maranhão, coordenadas 
pela Associação Camponesa (ACA) e o programa 
da movimento sindical coordenado pela Federação 
dos Trabalhadores(as) na agricultura do Estado do 
Maranhão (FETAEMA) sobre os impactos da soji-
cultura; 
• Privatização e desemprego, esse programa 
aglutinou problemáticas urbanas, tais como impac-
tos sociais, ambientais e econômicos causados pela 
privatização e terceirização, mineração e siderurgia. 
A privatização de estatais, terceirização dos serviços 
e desemprego nas áreas de produção do alumínio 
e ferro motivaram estudos, audiências públicas na 
Câmara Federal dos Deputados e Câmara dos Depu-
tados do Pará. Com relação as injustiças ambientais, 
o Fórum denunciou os danos ambientais causados 
pelo vazamento de óleo no rio Gapara, pela CVRD 
e, acompanhou a comunidade São Raimundo do Ga-
para em maio de 2000. Por outro lado o contínuo 
e rápido desmatamento para a produção de carvão 
vegetal no corredor Carajás e as relações de traba-
lho nas carvoarias levou a realização de Encontro de 
carvoeiros e carvoeiras em 2002 e acompanhamento 
da categoria e dos impactos ambientais. 
• Os caminhos do alumínio, programa que 
trata sobre a cadeia do alumínio realizou seminários 
internacionais no Brasil e na Alemanha, intitulados 
“Diálogo Internacional sobre Alumínio: Responsabi-
lidade Global da Extração ao Consumo” sobre im-
pactos no setor do alumínio. O seminário no Brasil 
foi realizado no Praia Mar Hotel, São Luis/MA, no 
período de 23 a 26 de março de 1999. Teve como 
objetivo a discussão, com os setores envolvidos, dos 
problemas causados pela exploração da bauxita, ge-
ração de energia pela usina hidrelétrica de Tucuruí 
e produção de alumina e alumínio, com a intenção 
de encontrar soluções para os problemas sócio-am-
bientais gerados, com a elaboração de um projeto de 
desenvolvimento regional sustentável. Nesse grupo 
temático o destaque foi a criação sindicato de quí-
micos de Barcarena e participação desse sindicato 
no processo. 
• Barragens e energia. Estava proposto 
construção de 14 barragens no Araguaia Tocantins. 
Como açãode resistência, o Fórum juntamente com 
outras organizações da região criaram Campanha 
 11 Fórum Carajás outubro de 2010
Contra as Barragens do Araguaia e Tocantins atra-
vés de reuniões, debates, levantamento e sistemati-
zação de estudos sobre as barragens, produção de 
material impresso, seminários regionais, seminário 
interestadual em Imperatriz/MA e ato público em 
Itaguatins/TO. 
• A mulher e os grandes projetos. Esse pro-
grama “Mulher e os Grandes Projetos: impactos dos 
grandes projetos na vida das mulheres’’, objetivava 
identificar as condições de vida das mulheres frente 
aos grandes projetos, com ênfase para os aspectos 
da saúde, trabalho, salário e meio ambiente;bem 
como dar visibilidade aos trabalhos desenvolvidos 
por essas mulheres nas empresas, nas organizações 
e nas comunidades onde vivem; promover a cria-
ção de novas organizações de mulheres eviden-
ciando suas atividades. O estudo sobre “Mulher e 
os Grandes Projetos: Diálogo sobre Gênero e Meio 
Ambiente na Região do Carajás”, realizado junto às 
mulheres ao longo de oito meses nas Regiões Eco-
lógicas Litoral/Baixada, Pré-Amazônia Maranhense 
e Chapadas do Sul do Maranhão e Sudeste do Pará 
participaram 237 mulheres e 10 homens em oito ofi-
cinas realizadas nos municípios de São Luís, Impe-
ratriz, Açailândia, São Raimundo das Mangabeiras, 
Parauapebas, Presidente Juscelino, Presidente Mé-
dici, Rosário e Marabá. Após a realização de ofici-
nas regionais em nove municípios, foi promovido o 
Seminário Filhas da Terra, Gênero e Meio Ambien-
te na Região Carajás, em dezembro, em São Luís 
onde participaram 131 pessoas, sendo 96 mulheres 
e quatro homens trabalhadoras/trabalhadores rurais, 
de 32 municípios do Maranhão e do Pará, represen-
tantes do poder Executivo e legislativo Municipal, 
representantes da MAMA, dos Conselhos Estadual 
da Condição Feminina do Pará e do Rio de Janeiro, 
bem como representantes de órgãos financiadores 
internacionais CESE, DFID, ELO. 
• O Programa “BOCA DE FORNO”, jo-
vens rurais, arte e o meio ambiente. O Programa in-
cluiu parcialmente os Estados do Maranhão e Pará 
envolvendo diretamente 279 pessoas dos seguintes 
municípios: São Luís, comunidades de Taim, Rio 
dos Cachorros, Porto Grande, Limoeiro e Vila Ma-
ranhão; Itapecuru-mirim; Santa Rita; Morros; Presi-
dente Juscelino; Açailândia; Imperatriz; Cidelândia; 
São Pedro da Água Branca; João Lisboa; Senador 
La Roque; Eldorado; Marabá; Tucuruí e Parauape-
bas. Perfazendo um total de nove oficinas, no perío-
do de maio a novembro de 2000, com jovens filhos/
as de pescadores/as e agricultores/as. Nas oficinas 
buscou, nas expressões, artísticas fazer compreen-
der a Natureza, os impactos ambientais dos grandes 
projetos bem como incentivou atitudes promotoras 
da sustentabilidade e autolimitação. O Programa 
incentivou os projetos Camurim I de formação de 
jovens em beneficiamento de pescado em 2000, e, o 
Projeto Camurim II de criação agroflorestal de pei-
xes e crustáceos, em 2001.
Evento Local Data 
Audiência Pública da CELMAR, levantamento 
cartorial das áreas compradas pela CELMAR 
contestação de áreas adquiridas ilegalmente 
Imperatriz - MA 1997 
5° Encontro Interestadual Parauapebas - PA 07.e 08.09.96 
Audiência com Banco Mundial e IBAMA Brasília - DF Dezembro 96 
Seminário Internacional ”Pequeno Produtor e 
Grandes Projetos” 
Balsas - MA 09 a 01.05.97 
Encontro “Grito de Tucuruí” Tucuruí - PA 14.03.97 
Seminário sobre os Grandes Projetos no Baixo 
Parnaíba 
Brejo - MA 03.e 04.05.97 
Audiências com deputados federais e assessores Brasília - DF Agosto/Setembro 97 
Diálogo Internacional sobre Alumínio: 
Responsabilidade global da extração ao consumo 
São Luís - MA Março de 1999 
“Seminário ‘Gênero e meio ambiente” São Luís - MA Dezembro de 1999 
Seminário Carajás: Mineração e Desemprego Parauapebas - PA 14, a 16.04. 2000 
Reunião sobre grilagem no Parque do Mirador
 
Imperatriz - MA Fevereiro de 2001 
Seminário sobre agricultura familiar Açailândia - MA Dezembro de 2001 
Produção de vídeo sobre a expansão da soja em 
Vão das Salinas 
Balsas - MA Maio de 2001 
Oficina alternativas de sobrevivência Escola 
Sindical de Balsas 
Balsas - MA Junho de 2001 
Seminário sobre meio Ambiente e Cidadania Capinzal - MA Junho de 2001 
Oficina sobre arte, cidadania e meio ambiente Taim - MA Jul/dez 2001 
Oficina sobre “noções de organização, projetos Barcarena - PA Março de 2001 
Encontro de Trabalhadoras em Carvoarias São Luís - MA Fevereiro de 2002 
Oficinas durante o II Fórum Social Mundial sobre 
as cadeias de produção de soja e alumínio 
 Porto Alegre - RS Fevereiro de 2002 
Campanha em defesa da criação da reserva 
extrativista das ilhas do lago de Tucuruí 
 
Seminário outro lado da ilha: impactos no interior 
da ilha de são Luís, alternativas e organização das 
comunidades 
Taim - São Luís - MA dezembro de 2002 
 
Oficina a cadeia de produção da soja 
Fórum Social Panamazônico 
Belém - PA 
 
 
 
Pará 2002
2003
Quadro 2: Principais eventos na segunda fase do Fórum Carajás
Fórum Carajás outubro de 2010 12
Estrutura organizativa
Uma estrutura político-administrativa par-
ticipativa, as tomada de decisões, desde encontros 
estaduais e interestaduais, reuniões da coordenação 
e grupos temáticos eram discutidas por todas as en-
tidades-membro. 
Os Núcleos facilitavam a socialização das 
questões e a realização de atividades: 
• Núcleo de Tucuruí participam organizações 
de Tucuruí, Novo Repartimento, Tailândia, Breu 
Branco,
• Núcleo de Marabá participam organizações 
de Marabá, Parauapebas, Eldorado, Paragominas, 
Curionópolis,
• Núcleo de Imperatriz participam organizações 
de Imperatriz, João Lisboa, Estreito, Cidelândia,
• Núcleo de Açailândia participam organiza-
ções de Açailândia, Buriticupu e Santa Luzia.
A Coordenação era representada por todas as 
regiões e categorias de organizações integrantes do 
Fórum:
• Associação Agroecológica Tijupá;
• Associação de Mulheres do Bico do Papagaio/
TO (ASMUBIP); 
• Associação em Áreas de Assentamento no Es-
tado do Maranhão (ASSEMA); 
• CÁRITAS Regional de São Luís/MA; 
• Centro de Educação e Cultura do Trabalhador 
Rural (CENTRU) Imperatriz/MA;
• Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria 
Sindical e Popular (CEPASP) Marabá/PA;
• Coordenadoria Ecumênica de Serviços 
(CESE) Salvador/BA;
• Cooperativa Agroextrativista de Paraupebas/PA , 
• FASE/MARABÁ; 
• Federação do Tocantins Araguaia (FATA) 
Marabá/PA;
• Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de 
Metais Básicos (METABASE) Carajás/PA; 
• Movimento Nacional dos Pescadores (MO-
NAPE); 
• Movimento Interestadual de Quebradeiras de 
Coco Babaçu (MIQCB); 
• Sindicato dos Metalúrgicos de Açailândia e 
Imperatriz (SIMETAL); 
• Sindicato dos Metalúrgicos do Maranhão (SI-
METAL);
• Sociedade Maranhense dos Direitos 
Humanos; 
• Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras 
Rurais de Açailândia; 
• Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras 
Rurais de Balsas; 
• Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras 
Rurais de Imperatriz/MA; 
• Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras 
Rurais de João Lisboa; 
• Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras 
Rurais de Novo Repartimento; 
• Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras 
Rurais de Parauapebas; 
• Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras 
Rurais de Tucuruí.
Intercâmbios
• Viagem de comitiva alemã para a região de 
extração do minério de ferro em Carajás, 17 pessoas, 
representantes dos sindicatos alemães de mineração, 
setor químico e energético(IGBCE); do setor meta-
lúrgico (IG Metall) da Confederação dos Sindicatos 
Alemães (DGB), representantes da GKKE e asses-
sores do Fórum Carajás;
 13 Fórum Carajás outubro de 2010
• Seminário envolvendo delegação alemã e 
38 dirigentes sindicais brasileiros do setor mineral 
(CNTSM-CUT) e do setor siderúrgico (CNM-CUT), 
em Belo Horizonte, Minas Gerais, na sede da Escola 
Sindical 7 de Outubro. Participaram 10 representan-
tes do Fórum Carajás;
• Programa EXPO 2000 del proyecto‚ salud, 
seguridad y medio ambiente en el local de trabajo’ 
Alemanha, con la participação de 30 brasileiros, 7 
espanhois, 7 suecos e 15 alemãs. Participaram 7 sin-
dicalistas do Fórum Carajás, em outubro de 2000;
• Conferência: “concepção de uma cadeia da 
soja sustentável nas relações Brasil/Alemanha”. Em 
Loccum na Alemanha, em maio de 2001. Participa-
ram três representantes do Fórum Carajás;
• Intercâmbio internacional para um desen-
volvimento sustentável (Arbeits- und Studienaufen-
thalte in Lateinamerika – ASA) objetiva promover 
troca de experiências entre organismos não gover-
namentais do Brasil e da Alemanha. Jovens alemães 
participam de algum projeto no Brasil (Fase Sul) 
um profissional brasileiro desenvolve uma atividade 
complementar na Alemanha (Fase Norte). O tema 
principal do intercâmbio é energias renováveis e 
aprendizagem global em Alemanha e Brasil. Tema 
priorizado para 2010 – alternativas energéticas e 
aprendizagem global na Alemanha e Brasil. 
Salve a Terra8 
Salva, Salvaterra
vives o teu tempo de guerra
não construístes armas
plantastes cupuaçu
Salva, Salvaterra 
refinaria te ocupou
o teu povo sente dor
pau d’arco cai a flor
 Salva, Salvaterra
Quem salvará tua terra?
O que será do teu povo?
Salva Terra, Salva Terra, Salvaterra
8 Versos da poesia de Zeca Pereira ou Zeca do Sindicato de Rosá-
rio sobre a comunidade Salvaterra de Rosário que foi desapropriada 
pelo governo do Maranhão para implantação de refinaria Premium 
da Petrobás
Terceira fase
A implantação, ampliação e/ou consolidação 
de refinarias de petróleo, termelétricas, aciária, ex-
ploração de minas de bauxita e de ouro e outros 
empreendimentos que exaurem as riquezas e poten-
cialidades locais, desterritorializa povos e comuni-
dades, entretanto, a oferta de empregos desmobiliza 
grupos e movimentos o que tornam esse momento 
um desafio maior. 
Por outro lado novas organizações se incor-
poram ao Fórum bem como outros temas, destaca-se 
as organizações das regiões de cerrado, da Baixada 
Maranhense e de Barcarena no Pará, que por sua 
vez passaram a influenciar as prioridades. O Fórum 
passa a participar de outras organizações e/ou espa-
ços de discussão como Fórum da Amazônia Oriental, 
Conselho Nacional de Recursos Hídricos,Conselho 
Estadual de Direitos Humanos , Conselho Estadual 
de Desenvolvimento Sustentável, Rede de Interven-
ção em Polítcas Públicas, Rede Manguemar Brasil, 
Redmanglar internacional , Campanha Justiça nos 
Trilhos, Fórum do Baixo Parnaiba, Rede de Tecno-
logia Social, Fórum Estadual de Mulheres, Fórum 
em Defesa das Populações do Cerrado Sul Mara-
nhense, Associação Brasileira de Ong`s, Rede de 
Agroecologia do Maranhão, Associação Nacional de 
Agroecologia, Rede Brasileira de Justiça Ambiental, 
Fórum Brasileiro de Ong´s e Movimentos Sociais, 
Movimento Reage São Luís, Movimento SalvaTerra 
e Comissão Justiça nos Trilhos. 
Dentre os principais programas trabalhados 
pelo Fórum Carajás,destacamos: 
Expansão da sojicultura e a fronteira agrí-
cola. Programa de educação ambiental, monitora-
mento e alternativas para as comunidades afetadas 
pela expansão da sojicultura, seguem os projetos : 
• Sonhem: Monitoramento e educação am-
biental nos Cerrados Maranhenses, projeto desen-
volvido em comunidades da bacia do Rio Parnaíba, 
no município de Loreto/MA;
• Alternativas para o Cerrado, projeto em de-
senvolvimento pela ACA na região dos Gerais de 
Balsas; 
• Ciranda Agroecológica, projeto desenvolvi-
do no município de Mata Roma com jovens qui-
lombolas; 
Fórum Carajás outubro de 2010 14
• Chapada Limpa: desdobramento de uma 
proposta de conservação ambiental para o Baixo 
Parnaíba, em desenvolvimento na Reserva Reserva 
Extrativista Chapada Limpa, no município de Cha-
padinha;
• Comunidade Tradicional e a Sustentabilida-
de do Extrativismo do Bacuri, projeto em desenvol-
vimento no município de Urbano Santos;
• Arte e Meio Ambiente: educação ambiental 
para comunidades quilombolas, projeto em desen-
volvimento no município de Mata Roma;
• O Programa Territórios Livres do Baixo 
Parnaíba, em desenvolvimento em toda a região do 
Leste Maranhense, parceria com SMDH, CCN e 
FDBPM.
Mineração e siderurgia. O aumento das 
carvorias para abastecimento do Pólo Siderúrgico 
Carajás, acarretou novas mudanças ambientais 
tornando os povos e comunidades tradicionais espe-
cialmente vulneráveis. A exemplo dos danos causa-
dos pelas 13 empresas do Pólo Siderúrgico Carajás 
que consomem 7.314.404 ton/ano de carvão e, conse-
quentemente, 13.194.949,46 ton/ano de lenha (IBA-
MA, 2005). O Fórum acompanha e denuncia essas 
atividades e seus danos. 
Participou do Movimento Reage São Luís, 
contra a implantação de um pólo siderúrgico na Ilha 
de São Luís, inclusive, com oficina no Fórum Social 
Mundial; participa da coordenação da Campanha 
Justiça nos Trilhos; coordena o Movimento Salva 
Maranhão, de denúncia de irregularidades e mobi-
lização social sobre os projetos que não oferecem 
equilíbrio entre crescimento econômico, equidade 
social, diversidade cultural e a proteção ambiental.
Revitalizando os Manguezais, objetiva dar 
visibilidade aos ecossistemas manguezais, tornando 
os moradores/as e organizações que vivem nos en-
tornos, capazes de manejar, proteger e impedir a 
destruição dessas florestas remanescentes. Entre os 
projetos destacou -se o de Comunicação e Educa-
ção Ambiental que tinha como finalidade elaborar 
propostas e fomentar discussões sobre questões 
ambientais com comunidades afetadas pelos grandes 
projetos no interior no interior da Ilha de São Luís 
durante os anos 2004 e 2005. Desenvolve atualmente 
o Projeto Bequimão na região da Baixada Maranhense.
Rosa Negra, é um projeto do Programa Mu-
lher e os Grandes Projetos: impactos dos grandes pro-
jetos na vida das mulheres, objetiva apoiar as alterna-
tivas de renda e de organização de mulheres rurais 
possibilitando a manifestações culturais reforçando 
e reafirmando a identidade negra e novas relações de 
gênero.
Barragens e Energia, o Fórum acompanha 
a implantação de barragens na bacia do Araguaia/
Tocantins e Parnaíba denunciando irregularidades e 
produzindo materiais de apoio as comunidades atin-
gidas. Tem assento na Câmara Técnica de Análise de 
Projeto (CTAP) do Conselho Nacional de Recursos 
Hídricos (CNRH) intervindo para a melhoria dos pla-
nos das bacias hidrográficas das regiões hidrográficas 
Bacia do Araguaia-Tocantins, Parnaíba e Nordeste 
Ocidental.
Quadro 3: Principais eventos na terceira fase do Fórum Carajás
 15 Fórum Carajás outubro de 2010
O Fórum Carajás superou o modelo tradi-
cional de organização política, na abrangência 
e diversidade, congrega grupos e organizações 
populares e sindicais, entidades eclesiais nacionais 
e parceiros internacionais.
A cultura e arte vitalizam todos os processos, 
facilitando a compreensão das problemáticas e en-
volvendo artistas das regiões. Em a Filha da Chuva, 
compilação de poesias que mostrava comoo desen-
volvimento afeta os sentimentos, as emoções e os 
valores das pessoas; em Percussão em Movimento, 
utilizou-se variados sons através de instrumentos e 
dos próprios corpos para mostrar ao público sons 
da natureza e dos ambientes em que vivem. Em 
outros espetáculos como o Recital dos Carvoeiros, o 
Seminário “Rosa Negra” Mulheres Rurais, Danças e 
Tambores, homenageava os atingidos e fazedoras de 
cultura popular. O espaço Cumbuca de Saber é um 
espaço informal de discussão político/cultural onde 
foram lançados livros e CDs, no programa Boca de 
Forno e no concurso “Artístico e Literário Fórum 
Carajás” o Fórum buscou despertar a criatividade 
artística nos/as jovens filhos/as de pescadores/as e 
agricultores/as. 
O Fórum é uma teia sócio-ambientalista de 
caráter permanente que assume o enfrentamento 
de questões específicas e gerais. Proporciona um 
maior entendimento das relações regionais, urbanos 
e rurais, integração nas diversas lutas existentes na 
região e incorporação da proteção ambiental como 
uma dimensão relevante. Causa impacto na opinião 
pública, influência organismos estatais de meio 
ambiente, legislativos, pesquisadores e o empre-
sariado. 
Os materiais específicos como relatórios, car-
tilhas, vídeos, fotos e mapas são usados como mate-
rial didático em escolas de ensino fundametal e médio, 
como material de apoio a trabalhos de parlamentares 
e pesquisa acadêmica.
Uma conclusão
Fo
to
: 
Ro
be
ro
 K
-Z
au
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M
es
a 
R
ed
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da
 In
te
rn
ac
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na
l -
M
R
I
Fórum Carajás outubro de 2010 16
 17 Fórum Carajás outubro de 2010
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2001
_____________Carta do Fórum Carajás em Soli-
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território. São Luís: Fórum Carajás, 
_____________Centro de Referência de Saúde do 
Trabalhador. São Luís: Fórum Carajás, 
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e 04, 2004 
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 19 Fórum Carajás outubro de 2010
N.º Nome da organização Tipo de organização
01 ABIPA Axixá/TO Organização de cooperação
agrícola
02 APOIO - Balsas/MA ONG
03 Associação Agroecológica Tijupá - São Luís/MA ONG
04 Associação de Donas de Casa de Açailândia/MA Grupo de mulheres
05 Associaçãode Mulheres do Bico do Papagaio/TO –
ASMUBIP
Grupo de mulheres rurais
06 Associação de Moradores de Boa Vista dos Pinhos/MA Associação de agricultor@s
07 Associação de Moradores de Porto Alegre/MA Associação de agricultor@s
08 Associação de Moradores da Vila Bom Jardim/MA Associação de bairro
09 Associação de Moradores da Vila Tancredo/MA Associação de bairro
10 Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Lago do
Junco/MA
Grupo de mulheres rurais
11 Associação de Mulheres Extrativista de Cidelândia/MA Associação de mulheres
12 Associação dos Sindicatos Unidos do Médio Meariam/MA –
ASUMEM
Articulação de STTRs
13 Associação do Trabalhadores Rurais Agroextrativista e
Pescadores Artesanais de Tucuruí/PA
Organização de cooperação
agrícola
14 Associação em Áreas de Assentamento no Estado do
Maranhão - ASSEMA/MA
ONG rural
15 Associação Nossa Senhora do Rosário em Penalva/MA Organização de mulheres
16 Associação dos Pequenos Produtores Projeto de Assentamento
Angelim
Associação de agrcultor@s
17 Caixa de Ararás - Marabá/PA Cooperativa agrícola
18 Caixa Agrícola dos Pequenos Produtores de São João do
Araguaia/PA
Cooperativa agrícola
19 Cáritas Regional de São Luís/MA Entidade da Igreja Católica
20 Cáritas Diocesana de Brejo/MA Entidades da Igreja Católica
21 Central Única dos Trabalhadores do Sudeste do Pará Central Sindical
22 Central Agroambiental do Tocantins - CAT - Marabá/PA ONG
23 Centro de Educação e Cultura do Trabalhador rural - CENTRU -
Imperatriz/MA
ONG
24 Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria Sindical e Popular -
CEPASP - Marabá/PA
ONG
25 Centro de Estudos e Ação Social - CEAS - Salvador/BA ONG urbana
26 Centro de Cultura Negra - São Luís/MA Movimento Negro
27 Colônia de Pescadores de Tucuruí/PA Sindicato de pescadores
28 Comissão Pastoral da Terra de Marabá/PA Entidade da Igreja católica
29 Comissão Pastoral da Terra da Palestina/PA Entidade da Igreja católica
30 Comissão Pastoral da Terra do Maranhão Entidade da Igreja católica
31 Comissão Pastoral da Terra do Bico do Papagaio/To Entidade da Igreja católica
32 Comunidade Tucumã - Índios Gavião da Montanha - Área
Indígena Mãe Maria- Marabá/PA
Organização indígena
33 Conselho Indigenista Missionário - CIMI/MA Entidade indigenista da Igreja
34 Conselho Nacional dos Seringueiros - CNS - Marabá/PA Articulação de Extrativistas
35 Cooperativa Pequenos Agricultores Agroextrativistas de
Esperantinópolis/MA – COPPAESP
Cooperativa
36 Cooperativa de Pequenos Agricultores Agroextrativistas de Lago
do Junco/MA
Cooperativa
37 Cooperativa de Pequenos Agricultores Agroextrativistas de Lima
Campos/MA – COPPELC
Cooperativa
38 Cooperativa de Pequenos Agricultores Agroextrativistas de São
Luís Gonzaga/Ma – COPPAES
Cooperativa
39 Cooperativa de Pequenos Rurais de Parauapebas/PA Cooperativa
40 Cooperativa de Pequenos Produtores Agroextrativistas de
Imperatriz/MA – COPPAI
Cooperativa
41 Colônia de Pescadores de Abaetetuba/PA Sindicato de pescadores
42 Coordenadoria Ecumênica de Serviços - CESE- Salvador/BA ONG ecumênica
43 Equipe de Educação Popular de Parauapebas/PA – EEPP ONG
44 Federação do Tocantins Araguaia -FATA - Marabá/PA ONG
45 Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará - FETAGRI Federação de STTTR
46 GREENPEACE ONG ambientalista
47 Grupo de Mulheres da Ilha - São Luís/MA Organização feminista
48 Grupo de Trabalho Amazônico Bico do Papagaio/TO - GTA – Bico Articulação de entidades
49 Grupo de Trabalho Amazônico do Babaçu/MA - GTA – Babaçu Articulação de entidades
50 Grupo de Trabalho Amazônico Nacional - GTA - Nacional Articulação de entidades
51 Grupo de Jovens de Oiteiro/MA Grupo de jovens
52 Grupo de Jovens de Rosário /MA Grupo de jovens
53 Grupo de Jovens de Cajueiro/MA Grupo de jovens
54 Grupo de Jovens de Taim /MA Grupo de jovens
55 Igreja Evangélica Luterana de Balsas/MA Igreja evangélica
56 Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua Movimento
57 Movimento dos Sem Terra de Parauapebas/PA Movimento
58 Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade/PA Grupo de mulheres
59 Movimento de Educação de Base - MEB - Imperatriz/MA Entidade de Igreja Católica
60 Movimento de Educação de Base - MEB - Buriticupu/MA Entidade de Igreja Católica
61 Movimento de Educação de Base - MEB - Marabá/PA Entidade da Igreja Católica
62 Movimento de Mulheres do Araguaia -/PA Movimento de mulheres
63 Movimento de Mulheres do Sudeste do Pará - Marabá/PA Movimento de mulheres
64 Movimento dos Pescadores do Maranhão - MOPEMA Movimento de pescadores
65 Movimento dos Pescadores do Pará – MOPEPA Movimento pescadores
66 Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra Marabá/PA Movimento
67 Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu Movimento de mulheres rurais
68 Movimento Nacional dos Pescadores – MONAPE Movimento de pescadores
69 Pastoral da Mulher e da Criança de Buriticupu/MA Entidade de Igreja Católica
70 Paróquia de Confissão Luterana de Belém/PA Igreja Evangélica
71 Pastoral Popular de Marabá/PA Entidade da Igreja Católica
72 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Barcarena/PA STTR
73 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Buriticupu /MA STTR
74 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Fortaleza de
Nogueiras/MA
STTR
75 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Açailândia/MA STTR
76 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Altamira/PA STTR
77 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Amarante/MA STTR
78 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Anapurus/MA STTR
79 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Balsas/MA STTR
80 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Brejo Grande do
Araguaia /PA
STTR
81 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Breu Branco/MA STTR
82 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Carolina/MA STTR
83 Sindicato dos Trabalhadores /as Rurais de Eldorado dos
Carajás/PA
STTR
84 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Esperantinópolis/Ma STTR
85 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Estreito/MA STTR
86 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Imperatriz/MA STTR
87 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Itupiranga/PA STTR
88 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Jacundá/PA STTR
89 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de João Lisboa /MA STTR
90 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Lago da Pedra/MA STTR
91 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de do Junco/MA STTR
92 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Lima Campos/MA STTR
93 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Loreto/MA STTR
94 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Magalhães de Almeida STTR
95 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Marabá/PA STTR
96 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Mata Roma/MA STTR
97 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Novo Repartimento/PA STTR
98 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Palestina/PA STTR
99 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Paragominas/PA STTR
100 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Parauapebas/PA STTR
101 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Paulo Ramos/MA STTR
102 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Pio XII /MA STTR
103 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Pitinga/MA STTR
104 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Poção de Pedras/MA STTR
105 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais Riachão/Ma STTR
106 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de São Domingos de
Araguaia/PA
STTR
107 Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São João do Araguaia/PA STTR
108 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de São Luís Gonzaga/MA STTR
109 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de São Raimundo das
Mangabeiras/MA
STTR
110 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Tasso Fragoso/MA STTR
111 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Tucuruí STTR
112 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Cidelândia/PA STTR
113 Sindicato dos trabalhadores/as Rurais de Presidente Médici /MA STTR
114 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Nova Colina /MA STTR
115 Sindicatodos Trabalhadores/as Rurais de Santa Rita/MA STTR
116 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de São Luís/MA STTR
117 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Rosário /MA STTR
119 Sindicato dos Urbanitários do Pará - Marabá/PA Sindicato urbano
120 Sindicato dos Comerciários de Parauapebas/PA Sindicato urbano
121 Sindicato dos Empregados em Entidades de Assistência Social e
Educacional - SENALBA - Imperatriz/MA
Sindicato urbano
122 Sindicato dos Ferroviários Sindicato operário
123 Sindicato dos Fotógrafos Açailândia /MA Sindicato urbano
124 Sindicato dos Jornalistas de Imperatriz/MA Sindicato urbano
125 Sindicato dos Metalúrgicos de Açailândia e Impera triz MA Sindicato operário
126 Sindicato dos Químicos Barcarena/PA Sindicato operário
127 Sindicato dos Metalúrgicos do Maranhão Sindicato operário
128 Sindicato dos Metalúrgicos do Pará - SIMETAL Sindicato operário
129 Sindicato dos Trabalhadores/as da Saúde do Pará -SINTESP -
Marabá/PA
Sindicato urbano
130 Sindicato dos Trabalhadores/as da Indústria de Metais Básicos -
METABASE- Carajás/PA
Sindicato operário
131 Sindicato dos Trabalhadores/as em Educação Pública do Pará -
SINTEPP- Marabá/PA
Sindicato urbano
132 Sindicato dos Trabalhadores na Indústria e construção Civil de
Açailândia/MA
Sindicato operário
133 Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação do
Estado do Pará - Marabá/PA
Sindicato operário
134 Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Madeireiras de
Eldorado/PA
Sindicato operário
135 Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Madeireiras de
Construção Civil de Açailândia/MA
Sindicato operário
136 Sindicato dos Trabalhadores nas Indústria Madeireiras de
Movelaria de Açailândia/Ma
Sindicato operário
137 SINTRAFE - Marabá/PA Sindicato urbano
138 Sociedade Maranhense dos Direitos Humanos ONG
139 Sociedade Paraense de Direitos Humanos ONG
Organizações participantes do Fórum Carajás 
Fórum Carajás outubro de 2010 20
N.º Nome da organização Tipo de organização
01 ABIPA Axixá/TO Organização de cooperação
agrícola
02 APOIO - Balsas/MA ONG
03 Associação Agroecológica Tijupá - São Luís/MA ONG
04 Associação de Donas de Casa de Açailândia/MA Grupo de mulheres
05 Associação de Mulheres do Bico do Papagaio/TO –
ASMUBIP
Grupo de mulheres rurais
06 Associação de Moradores de Boa Vista dos Pinhos/MA Associação de agricultor@s
07 Associação de Moradores de Porto Alegre/MA Associação de agricultor@s
08 Associação de Moradores da Vila Bom Jardim/MA Associação de bairro
09 Associação de Moradores da Vila Tancredo/MA Associação de bairro
10 Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Lago do
Junco/MA
Grupo de mulheres rurais
11 Associação de Mulheres Extrativista de Cidelândia/MA Associação de mulheres
12 Associação dos Sindicatos Unidos do Médio Meariam/MA –
ASUMEM
Articulação de STTRs
13 Associação do Trabalhadores Rurais Agroextrativista e
Pescadores Artesanais de Tucuruí/PA
Organização de cooperação
agrícola
14 Associação em Áreas de Assentamento no Estado do
Maranhão - ASSEMA/MA
ONG rural
15 Associação Nossa Senhora do Rosário em Penalva/MA Organização de mulheres
16 Associação dos Pequenos Produtores Projeto de Assentamento
Angelim
Associação de agrcultor@s
17 Caixa de Ararás - Marabá/PA Cooperativa agrícola
18 Caixa Agrícola dos Pequenos Produtores de São João do
Araguaia/PA
Cooperativa agrícola
19 Cáritas Regional de São Luís/MA Entidade da Igreja Católica
20 Cáritas Diocesana de Brejo/MA Entidades da Igreja Católica
21 Central Única dos Trabalhadores do Sudeste do Pará Central Sindical
22 Central Agroambiental do Tocantins - CAT - Marabá/PA ONG
23 Centro de Educação e Cultura do Trabalhador rural - CENTRU -
Imperatriz/MA
ONG
24 Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria Sindical e Popular -
CEPASP - Marabá/PA
ONG
25 Centro de Estudos e Ação Social - CEAS - Salvador/BA ONG urbana
26 Centro de Cultura Negra - São Luís/MA Movimento Negro
27 Colônia de Pescadores de Tucuruí/PA Sindicato de pescadores
28 Comissão Pastoral da Terra de Marabá/PA Entidade da Igreja católica
29 Comissão Pastoral da Terra da Palestina/PA Entidade da Igreja católica
30 Comissão Pastoral da Terra do Maranhão Entidade da Igreja católica
31 Comissão Pastoral da Terra do Bico do Papagaio/To Entidade da Igreja católica
32 Comunidade Tucumã - Índios Gavião da Montanha - Área
Indígena Mãe Maria- Marabá/PA
Organização indígena
33 Conselho Indigenista Missionário - CIMI/MA Entidade indigenista da Igreja
34 Conselho Nacional dos Seringueiros - CNS - Marabá/PA Articulação de Extrativistas
35 Cooperativa Pequenos Agricultores Agroextrativistas de
Esperantinópolis/MA – COPPAESP
Cooperativa
36 Cooperativa de Pequenos Agricultores Agroextrativistas de Lago
do Junco/MA
Cooperativa
37 Cooperativa de Pequenos Agricultores Agroextrativistas de Lima
Campos/MA – COPPELC
Cooperativa
38 Cooperativa de Pequenos Agricultores Agroextrativistas de São
Luís Gonzaga/Ma – COPPAES
Cooperativa
39 Cooperativa de Pequenos Rurais de Parauapebas/PA Cooperativa
40 Cooperativa de Pequenos Produtores Agroextrativistas de
Imperatriz/MA – COPPAI
Cooperativa
41 Colônia de Pescadores de Abaetetuba/PA Sindicato de pescadores
42 Coordenadoria Ecumênica de Serviços - CESE- Salvador/BA ONG ecumênica
43 Equipe de Educação Popular de Parauapebas/PA – EEPP ONG
44 Federação do Tocantins Araguaia -FATA - Marabá/PA ONG
45 Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará - FETAGRI Federação de STTTR
46 GREENPEACE ONG ambientalista
47 Grupo de Mulheres da Ilha - São Luís/MA Organização feminista
48 Grupo de Trabalho Amazônico Bico do Papagaio/TO - GTA – Bico Articulação de entidades
49 Grupo de Trabalho Amazônico do Babaçu/MA - GTA – Babaçu Articulação de entidades
50 Grupo de Trabalho Amazônico Nacional - GTA - Nacional Articulação de entidades
51 Grupo de Jovens de Oiteiro/MA Grupo de jovens
52 Grupo de Jovens de Rosário /MA Grupo de jovens
53 Grupo de Jovens de Cajueiro/MA Grupo de jovens
54 Grupo de Jovens de Taim /MA Grupo de jovens
55 Igreja Evangélica Luterana de Balsas/MA Igreja evangélica
56 Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua Movimento
57 Movimento dos Sem Terra de Parauapebas/PA Movimento
58 Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade/PA Grupo de mulheres
59 Movimento de Educação de Base - MEB - Imperatriz/MA Entidade de Igreja Católica
60 Movimento de Educação de Base - MEB - Buriticupu/MA Entidade de Igreja Católica
61 Movimento de Educação de Base - MEB - Marabá/PA Entidade da Igreja Católica
62 Movimento de Mulheres do Araguaia -/PA Movimento de mulheres
63 Movimento de Mulheres do Sudeste do Pará - Marabá/PA Movimento de mulheres
64 Movimento dos Pescadores do Maranhão - MOPEMA Movimento de pescadores
65 Movimento dos Pescadores do Pará – MOPEPA Movimento pescadores
66 Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra Marabá/PA Movimento
67 Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu Movimento de mulheres rurais
68 Movimento Nacional dos Pescadores – MONAPE Movimento de pescadores
69 Pastoral da Mulher e da Criança de Buriticupu/MA Entidade de Igreja Católica
70 Paróquia de Confissão Luterana de Belém/PA Igreja Evangélica
71 Pastoral Popular de Marabá/PA Entidade da Igreja Católica
72 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Barcarena/PA STTR
73 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Buriticupu /MA STTR
74 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Fortaleza de
Nogueiras/MA
STTR
75 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Açailândia/MA STTR
76 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Altamira/PA STTR
77 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Amarante/MA STTR
78 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Anapurus/MA STTR
79 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Balsas/MA STTR
80 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Brejo Grande doAraguaia /PA
STTR
81 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Breu Branco/MA STTR
82 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Carolina/MA STTR
83 Sindicato dos Trabalhadores /as Rurais de Eldorado dos
Carajás/PA
STTR
84 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Esperantinópolis/Ma STTR
85 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Estreito/MA STTR
86 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Imperatriz/MA STTR
87 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Itupiranga/PA STTR
88 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Jacundá/PA STTR
89 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de João Lisboa /MA STTR
90 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Lago da Pedra/MA STTR
91 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de do Junco/MA STTR
92 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Lima Campos/MA STTR
93 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Loreto/MA STTR
94 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Magalhães de Almeida STTR
95 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Marabá/PA STTR
96 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Mata Roma/MA STTR
97 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Novo Repartimento/PA STTR
98 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Palestina/PA STTR
99 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Paragominas/PA STTR
100 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Parauapebas/PA STTR
101 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Paulo Ramos/MA STTR
102 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Pio XII /MA STTR
103 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Pitinga/MA STTR
104 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Poção de Pedras/MA STTR
105 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais Riachão/Ma STTR
106 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de São Domingos de
Araguaia/PA
STTR
107 Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São João do Araguaia/PA STTR
108 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de São Luís Gonzaga/MA STTR
109 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de São Raimundo das
Mangabeiras/MA
STTR
110 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Tasso Fragoso/MA STTR
111 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Tucuruí STTR
112 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Cidelândia/PA STTR
113 Sindicato dos trabalhadores/as Rurais de Presidente Médici /MA STTR
114 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Nova Colina /MA STTR
115 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Santa Rita/MA STTR
116 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de São Luís/MA STTR
117 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Rosário /MA STTR
119 Sindicato dos Urbanitários do Pará - Marabá/PA Sindicato urbano
120 Sindicato dos Comerciários de Parauapebas/PA Sindicato urbano
121 Sindicato dos Empregados em Entidades de Assistência Social e
Educacional - SENALBA - Imperatriz/MA
Sindicato urbano
122 Sindicato dos Ferroviários Sindicato operário
123 Sindicato dos Fotógrafos Açailândia /MA Sindicato urbano
124 Sindicato dos Jornalistas de Imperatriz/MA Sindicato urbano
125 Sindicato dos Metalúrgicos de Açailândia e Impera triz MA Sindicato operário
126 Sindicato dos Químicos Barcarena/PA Sindicato operário
127 Sindicato dos Metalúrgicos do Maranhão Sindicato operário
128 Sindicato dos Metalúrgicos do Pará - SIMETAL Sindicato operário
129 Sindicato dos Trabalhadores/as da Saúde do Pará -SINTESP -
Marabá/PA
Sindicato urbano
130 Sindicato dos Trabalhadores/as da Indústria de Metais Básicos -
METABASE- Carajás/PA
Sindicato operário
131 Sindicato dos Trabalhadores/as em Educação Pública do Pará -
SINTEPP- Marabá/PA
Sindicato urbano
132 Sindicato dos Trabalhadores na Indústria e construção Civil de
Açailândia/MA
Sindicato operário
133 Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação do
Estado do Pará - Marabá/PA
Sindicato operário
134 Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Madeireiras de
Eldorado/PA
Sindicato operário
135 Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Madeireiras de
Construção Civil de Açailândia/MA
Sindicato operário
136 Sindicato dos Trabalhadores nas Indústria Madeireiras de
Movelaria de Açailândia/Ma
Sindicato operário
137 SINTRAFE - Marabá/PA Sindicato urbano
138 Sociedade Maranhense dos Direitos Humanos ONG
139 Sociedade Paraense de Direitos Humanos ONG
N.º Nome da organização Tipo de organização
01 ABIPA Axixá/TO Organização de cooperação
agrícola
02 APOIO - Balsas/MA ONG
03 Associação Agroecológica Tijupá - São Luís/MA ONG
04 Associação de Donas de Casa de Açailândia/MA Grupo de mulheres
05 Associação de Mulheres do Bico do Papagaio/TO –
ASMUBIP
Grupo de mulheres rurais
06 Associação de Moradores de Boa Vista dos Pinhos/MA Associação de agricultor@s
07 Associação de Moradores de Porto Alegre/MA Associação de agricultor@s
08 Associação de Moradores da Vila Bom Jardim/MA Associação de bairro
09 Associação de Moradores da Vila Tancredo/MA Associação de bairro
10 Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Lago do
Junco/MA
Grupo de mulheres rurais
11 Associação de Mulheres Extrativista de Cidelândia/MA Associação de mulheres
12 Associação dos Sindicatos Unidos do Médio Meariam/MA –
ASUMEM
Articulação de STTRs
13 Associação do Trabalhadores Rurais Agroextrativista e
Pescadores Artesanais de Tucuruí/PA
Organização de cooperação
agrícola
14 Associação em Áreas de Assentamento no Estado do
Maranhão - ASSEMA/MA
ONG rural
15 Associação Nossa Senhora do Rosário em Penalva/MA Organização de mulheres
16 Associação dos Pequenos Produtores Projeto de Assentamento
Angelim
Associação de agrcultor@s
17 Caixa de Ararás - Marabá/PA Cooperativa agrícola
18 Caixa Agrícola dos Pequenos Produtores de São João do
Araguaia/PA
Cooperativa agrícola
19 Cáritas Regional de São Luís/MA Entidade da Igreja Católica
20 Cáritas Diocesana de Brejo/MA Entidades da Igreja Católica
21 Central Única dos Trabalhadores do Sudeste do Pará Central Sindical
22 Central Agroambiental do Tocantins - CAT - Marabá/PA ONG
23 Centro de Educação e Cultura do Trabalhador rural - CENTRU -
Imperatriz/MA
ONG
24 Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria Sindical e Popular -
CEPASP - Marabá/PA
ONG
25 Centro de Estudos e Ação Social - CEAS - Salvador/BA ONG urbana
26 Centro de Cultura Negra - São Luís/MA Movimento Negro
27 Colônia de Pescadores de Tucuruí/PA Sindicato de pescadores
28 Comissão Pastoral da Terra de Marabá/PA Entidade da Igreja católica
29 Comissão Pastoral da Terra da Palestina/PA Entidade da Igreja católica
30 Comissão Pastoral da Terra do Maranhão Entidade da Igreja católica
31 Comissão Pastoral da Terra do Bico do Papagaio/To Entidade da Igreja católica
32 Comunidade Tucumã - Índios Gavião da Montanha - Área
Indígena Mãe Maria- Marabá/PA
Organização indígena
33 Conselho Indigenista Missionário - CIMI/MA Entidade indigenista da Igreja
34 Conselho Nacional dos Seringueiros - CNS - Marabá/PA Articulação de Extrativistas
35 Cooperativa Pequenos Agricultores Agroextrativistas de
Esperantinópolis/MA – COPPAESP
Cooperativa
36 Cooperativa de Pequenos Agricultores Agroextrativistas de Lago
do Junco/MA
Cooperativa
37 Cooperativa de Pequenos Agricultores Agroextrativistas de Lima
Campos/MA – COPPELC
Cooperativa
38 Cooperativa de Pequenos Agricultores Agroextrativistas de São
Luís Gonzaga/Ma – COPPAES
Cooperativa
39 Cooperativa de Pequenos Rurais de Parauapebas/PA Cooperativa
40 Cooperativa de Pequenos Produtores Agroextrativistas de
Imperatriz/MA – COPPAI
Cooperativa
41 Colônia de Pescadores de Abaetetuba/PA Sindicato de pescadores
42 Coordenadoria Ecumênica de Serviços - CESE- Salvador/BA ONG ecumênica
43 Equipe de Educação Popular de Parauapebas/PA – EEPP ONG
44 Federação do Tocantins Araguaia -FATA - Marabá/PA ONG
45 Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará - FETAGRI Federação de STTTR
46 GREENPEACE ONG ambientalista
47 Grupo de Mulheres da Ilha - São Luís/MA Organização feminista
48 Grupo de Trabalho Amazônico Bico do Papagaio/TO - GTA – Bico Articulação de entidades49 Grupo de Trabalho Amazônico do Babaçu/MA - GTA – Babaçu Articulação de entidades
50 Grupo de Trabalho Amazônico Nacional - GTA - Nacional Articulação de entidades
51 Grupo de Jovens de Oiteiro/MA Grupo de jovens
52 Grupo de Jovens de Rosário /MA Grupo de jovens
53 Grupo de Jovens de Cajueiro/MA Grupo de jovens
54 Grupo de Jovens de Taim /MA Grupo de jovens
55 Igreja Evangélica Luterana de Balsas/MA Igreja evangélica
56 Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua Movimento
57 Movimento dos Sem Terra de Parauapebas/PA Movimento
58 Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade/PA Grupo de mulheres
59 Movimento de Educação de Base - MEB - Imperatriz/MA Entidade de Igreja Católica
60 Movimento de Educação de Base - MEB - Buriticupu/MA Entidade de Igreja Católica
61 Movimento de Educação de Base - MEB - Marabá/PA Entidade da Igreja Católica
62 Movimento de Mulheres do Araguaia -/PA Movimento de mulheres
63 Movimento de Mulheres do Sudeste do Pará - Marabá/PA Movimento de mulheres
64 Movimento dos Pescadores do Maranhão - MOPEMA Movimento de pescadores
65 Movimento dos Pescadores do Pará – MOPEPA Movimento pescadores
66 Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra Marabá/PA Movimento
67 Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu Movimento de mulheres rurais
68 Movimento Nacional dos Pescadores – MONAPE Movimento de pescadores
69 Pastoral da Mulher e da Criança de Buriticupu/MA Entidade de Igreja Católica
70 Paróquia de Confissão Luterana de Belém/PA Igreja Evangélica
71 Pastoral Popular de Marabá/PA Entidade da Igreja Católica
72 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Barcarena/PA STTR
73 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Buriticupu /MA STTR
74 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Fortaleza de
Nogueiras/MA
STTR
75 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Açailândia/MA STTR
76 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Altamira/PA STTR
77 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Amarante/MA STTR
78 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Anapurus/MA STTR
79 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Balsas/MA STTR
80 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Brejo Grande do
Araguaia /PA
STTR
81 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Breu Branco/MA STTR
82 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Carolina/MA STTR
83 Sindicato dos Trabalhadores /as Rurais de Eldorado dos
Carajás/PA
STTR
84 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Esperantinópolis/Ma STTR
85 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Estreito/MA STTR
86 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Imperatriz/MA STTR
87 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Itupiranga/PA STTR
88 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Jacundá/PA STTR
89 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de João Lisboa /MA STTR
90 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Lago da Pedra/MA STTR
91 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de do Junco/MA STTR
92 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Lima Campos/MA STTR
93 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Loreto/MA STTR
94 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Magalhães de Almeida STTR
95 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Marabá/PA STTR
96 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Mata Roma/MA STTR
97 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Novo Repartimento/PA STTR
98 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Palestina/PA STTR
99 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Paragominas/PA STTR
100 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Parauapebas/PA STTR
101 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Paulo Ramos/MA STTR
102 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Pio XII /MA STTR
103 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Pitinga/MA STTR
104 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Poção de Pedras/MA STTR
105 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais Riachão/Ma STTR
106 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de São Domingos de
Araguaia/PA
STTR
107 Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São João do Araguaia/PA STTR
108 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de São Luís Gonzaga/MA STTR
109 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de São Raimundo das
Mangabeiras/MA
STTR
110 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Tasso Fragoso/MA STTR
111 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Tucuruí STTR
112 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Cidelândia/PA STTR
113 Sindicato dos trabalhadores/as Rurais de Presidente Médici /MA STTR
114 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Nova Colina /MA STTR
115 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Santa Rita/MA STTR
116 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de São Luís/MA STTR
117 Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Rosário /MA STTR
119 Sindicato dos Urbanitários do Pará - Marabá/PA Sindicato urbano
120 Sindicato dos Comerciários de Parauapebas/PA Sindicato urbano
121 Sindicato dos Empregados em Entidades de Assistência Social e
Educacional - SENALBA - Imperatriz/MA
Sindicato urbano
122 Sindicato dos Ferroviários Sindicato operário
123 Sindicato dos Fotógrafos Açailândia /MA Sindicato urbano
124 Sindicato dos Jornalistas de Imperatriz/MA Sindicato urbano
125 Sindicato dos Metalúrgicos de Açailândia e Impera triz MA Sindicato operário
126 Sindicato dos Químicos Barcarena/PA Sindicato operário
127 Sindicato dos Metalúrgicos do Maranhão Sindicato operário
128 Sindicato dos Metalúrgicos do Pará - SIMETAL Sindicato operário
129 Sindicato dos Trabalhadores/as da Saúde do Pará -SINTESP -
Marabá/PA
Sindicato urbano
130 Sindicato dos Trabalhadores/as da Indústria de Metais Básicos -
METABASE- Carajás/PA
Sindicato operário
131 Sindicato dos Trabalhadores/as em Educação Pública do Pará -
SINTEPP- Marabá/PA
Sindicato urbano
132 Sindicato dos Trabalhadores na Indústria e construção Civil de
Açailândia/MA
Sindicato operário
133 Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação do
Estado do Pará - Marabá/PA
Sindicato operário
134 Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Madeireiras de
Eldorado/PA
Sindicato operário
135 Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Madeireiras de
Construção Civil de Açailândia/MA
Sindicato operário
136 Sindicato dos Trabalhadores nas Indústria Madeireiras de
Movelaria de Açailândia/Ma
Sindicato operário
137 SINTRAFE - Marabá/PA Sindicato urbano
138 Sociedade Maranhense dos Direitos Humanos ONG
139 Sociedade Paraense de Direitos Humanos ONG
 21 Fórum Carajás outubro de 2010
Impactos e resistências em Açailândia, 
profundo interior do Maranhão
 Açailândia: terra do açaí
Dário Bossi1, em abril de 2010
O osantigos romanos costumavam dizer “nomen omen” (o destino de algo está em seu pró-prio nome); no caso de Açailândia, cidade do açaí, o ditado foi desmentido e a identidade do município foi rapidamente alterada em “cidade do ferro”.
Ainda pior o que aconteceu com uma de suas periferias. Piquiá era o nome que os moradores esco-
lheram, valorizando uma das árvores mais elegantes da região. Mas logo que as empresas chegaram, trans-
formaram o mesmo nome no acrônimo “Parque Industrial Químico Açailândia”!
Atrás dessa violação de identidade há uma violência simbólica sobre a vocação de um território e de 
um povo. Nesse artigo tentaremos detalhar os passos dessa violência e mostrar os movimentos de resistên-
cia e organização popular.
1 Missionário Comboniano, residente no município de Açailândia, oeste do Maranhão e militante da campanha ‘Justiça nos Trilhos’- www.
justicanostrilhos.org
 23 Fórum Carajás outubro de 2010
Açailândia tem pouco mais de cem mil habi-
tantes distribuídos numa área de cerca de 5.806 Km². 
O Produto Interno Bruto (PIB) é de 1.410.298.000 
R$2 . Com o preço do ferro-gusa antes da crise, ape-
nas uma siderúrgica no município exportava por ano, 
produtos com valor correspondente amais de 600 
milhões de R$3 .
Por que a siderurgia guseira decidiu investir 
nessa cidade?
 
Açailândia se encontra no eixo de duas im-
portantes rodovias: a BR 010 Belém-Brasília e a BR 
222, que liga o município a São Luís. O trânsito de 
caminhões e veículos é intenso. O município é pon-
to de passagem para várias regiões do país, como a 
Norte e Nordeste. 
Em Açailândia cruzam-se também duas im-
portantes ferrovias: os 892 Km da Estrada de Ferro 
Carajás, que une Parauapebas no Pará com o porto 
de Itaqui em São Luís; e a Ferrovia Norte-Sul, 720 
Km de trilhos, até Palmas no Tocantins (parte ainda 
está em construção). Ambas estão cedidas em con-
cessão à mineradora Vale, que garante o escoamento 
de mercadorias e recursos e lucra a partir disso. 
A abundância de terra livre na região foi des-
de sempre um grande atrativo para os investimen-
tos no território. A bibliografia de estudos sobre a 
região indica que tudo começou no final da década 
de 1960. Numa seqüência altamente destrutiva, que 
passou pelos ciclos da madeira nobre, das serrarias, 
dos pastos e gado, do carvão e do eucalipto.
A região tornou-se interessante também devi-
do à relativa riqueza de água: rios, córregos e lagoas 
hoje desfrutados também pelas empresas instaladas 
no local. Em razão de tudo isso, a cidade tornou-se 
uma etapa obrigatória do dito desenvolvimento, que 
infelizmente passa por ela sem deixar amadurecer 
muitos frutos no local. Minério e ferro vão e vêm, 
mas o retorno econômico e o tal de ‘progresso’ para 
em Açailândia somente nas mãos de poucos. 
2 IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Contas Nacionais, 
2006.
3 www.vienairon.com.br – Exportação anual de 500.000 ton de ferro 
gusa, com um preço antes da crise de 750 $ por tonelada.
 Os atores do “desenvolvimento” e 
suas vítimas
a. O Projeto Grande Carajás e a Estrada de Fer-
ro Carajás4 
O Programa Grande Carajás (PGC), criado 
pelo Governo Federal em 1980, foi o fator que pro-
piciou a instalação do setor siderúrgico na região. O 
PGC surge como um incentivo adicional do governo 
para os investimentos privados na região amazônica, 
juntamente com o Projeto Minério de Ferro Carajás 
(PMFC), localizado no município de Marabá (PA)5 e 
controlado pela companhia Vale. O projeto controla 
10,6% do território nacional. O PGC foi considerado 
um dos maiores programas de desenvolvimento in-
tegrado numa área de floresta tropical úmida. 
A chegada da ferrovia e suas operações cres-
centes determinaram boa parte dos investimentos 
industriais na região. Ao lado da ferrovia, no distri-
to industrial de Piquiá, instalou-se um grande polo 
Petroquímico, estação de redistribuição para Mara-
nhão, Pará e Tocantins do combustível que chega de 
navio em São Luís. 
No final dos anos 80 instalaram-se também 
várias usinas siderúrgicas (atualmente 11 no Pará e 
7 no Maranhão). Pelo Projeto Grande Carajás, esse 
deveria ser o primeiro passo rumo a “um complexo 
industrial metal-mecânico”, tendo como primeiro 
estágio as indústrias sídero-metalúrgicas. Foi pre-
visto que “os encadeamentos para frente das ativida-
des siderúrgicas engendrariam a criação de um par-
que metal-mecânico, cujo porte ensejaria a criação 
de pelo menos 44 mil empregos diretos no ano de 
2010”6 
As promessas desse grande investimento in-
dustrial, como quase sempre acontece, nunca se re-
alizaram nessas proporções. Açailândia, segundo 
maior pólo de produção siderúrgica, entre os qua-
4 Relatório Social Instituto Carvão Cidadão, 2005 - http://www.car-
vaocidadao.org.br/ata/relatorio_social.htm
5 CARNEIRO, Marcelo Sampaio. Crítica social e responsabilização 
empresarial. Análise das estratégias para a legitimação da produção 
siderúrgica na Amazônia Oriental, Cad. CRH v.21 n.53 Salvador 
maio/ago. 2008, disponível em www.scielo.br
6 BRASIL. 1989. Secretaria de Planejamento da Presidência da Repú-
blica. Programa Grande Carajás. Secretaria Executiva. Plano-diretor 
do Corredor da Estrada de Ferro Carajás. Brasília, NATRON. 536p.
Fórum Carajás outubro de 2010 24
tro localizados ao longo da EFC, no final do ano de 
2007 empregava no setor de transformação (princi-
pal mas não unicamente siderúrgico) somente 2.568 
pessoas!7 Ao contrário, como veremos logo a seguir, 
o impacto sócio-ambiental desses novos empreendi-
mentos na região foi enorme.
A ferrovia influiu pesadamente sobre o de-
senvolvimento da região e determinou a construção 
de uma cadeia completa de extração e elaboração 
do ferro. A cadeia é voltada para a exportação, com 
agregação de valor muito baixa para o povo mara-
nhense. A economia extrativa é marcada por várias 
contradições: por exemplo, o contraste entre os va-
lores que diariamente passam pelos trilhos e a mi-
séria de muitos barracos que há anos permanecem 
à beira da ferrovia em condições indignas de seres 
humanos.
No ano passado a Vale transportou cerca de 
100 milhões de toneladas de minério. Ao preço de 
2009, uma tonelada de minério custava R$71,00. 
Portanto, a cada dia Vale transporta mediamente 
333.000 toneladas, por um valor de R$ 21,3 milhões. 
Isto quer dizer que a cada dia passam em frente do 
povo de Açailândia cerca de R$50 milhões. Conside-
rando que essa exportação é desonerada de impostos, 
por conta da Lei Kandir, pode-se imaginar os níveis 
de lucro da grande companhia multinacional.
Vamos conhecer mais de perto os trilhos da 
Estrada de Ferro Carajás (EFC), sobre os quais des-
de abril de 2008 corre o maior trem do mundo: 330 
vagões, cerca de 3.500 metros de extensão e capa-
cidade para transportar 40 mil toneladas. Quatro lo-
comotivas para cada trem, uma frota total de 205. A 
cada dia passa uma média de 10 trens de minério. 
Mais dois ou três de soja; e dois ou três com outros 
produtos, como minério para siderúrgicas e combus-
tível para o pólo petroquímico, etc. 
Sem falar dos trens vazios que voltam de São 
Luís para serem recarregados na mina. 
Ao contrário, o trem de passageiros, - uma 
obrigação da Vale pela concessão estadual de uso 
da ferrovia - é garantido somente uma vez a cada 
dois dias. No fim de 2009, antes da representação 
7 Ministério do Trabalho e Emprego/Cadastro Geral de Empregados 
e Desempregados. 
escrita do Sindicato dos Ferroviários ao Ministério 
Publico do Estado (MPE) e à Agência Nacional de 
Transportes Terrestres (ANTT), a rotina da viagem 
era marcada pelo atraso. Havia queixas ainda sobre 
a postura pouco ética da companhia para com os 
passageiros. 
 Os moradores na beira dos trilhos não conse-
guem conviver com o barulho provocado pelos trens. 
Um incômodo permanente. As casas mais próximas 
dos trilhos sofrem com rachaduras. Os acidentes são 
freqüentes, com um número significativo de mortes 
por atropelamento de pessoas e animais. Até o ins-
tante não existe uma política específica da empresa 
para lidar com esse problema. Segundo Relatório de 
Sustentabilidade da própria empresa, o número de 
acidentes de trem nos últimos anos foram 59 (2005), 
63 (2006) e 46 (2007). A vida das pessoas, pelo jeito, 
é menos importante do que o transporte de minério, 
que tem mais ‘peso’. 
Uma análise desse tipo é confirmada também 
pelo fenômeno dos “Meninos do trem”. Trata-se de 
meninos e meninas que viajam de maneira irregular 
nos trens de minério da Companhia Vale ao longo da 
Estrada de Ferro Carajás. São crianças e adolescen-
tes que têm acesso de maneira clandestina ao trem, 
viajando de Marabá ou Parauapebas até São Luís, 
ou vice-versa. Quando descobertos pela segurança 
da Companhia, são entregues ao Conselho Tutelar 
mais próximo, cuja tarefa será de fazer o registro de 
ocorrência e devolvê-los (a custo da Vale) às suas 
famílias em seus municípios de origem. 
O fenômeno tem crescido consideravelmente 
a cada ano e tem complicado muito aatuação ordi-
nária dos Conselhos Tutelares da região. O MPE en-
trou com uma representação a respeito, com o título 
“Meninos do Trem da Vale – Situação de Risco”8 . 
Os meninos do trem estão expostos a toda sorte de 
perigos. Desde a contaminação pelo minério, até as 
condições climáticas diversas, além da viagem sem 
a proteção ou orientação de um adulto responsável.
“Pelos vagões do trem de ferro, quem leva a 
carga são os meninos. Com uma realidade que os ex-
pulsa, em péssimas condições socioeconômicas, em 
8 Procedimento n. 116/05 – Ministério Público do Estado do Mara-
nhão
 25 Fórum Carajás outubro de 2010
Estados com baixo Índice de Desenvolvimento Hu-
mano (IDH), sem a atenção dos órgãos competentes, 
sem políticas públicas específicas para a criança e o 
adolescente e sem acesso aos bens básicos para uma 
vida digna, resta a estes meninos e meninas pegar 
carona naquele que parece ter sido um dos motivos 
de tamanha desordem social. O trem de carga, que 
carrega minérios e meninos, parece anunciar através 
do seu apito que esta carga está pesada demais, es-
pecialmente para os meninos do trem” 9. 
A perspectiva da duplicação dos trilhos, já 
planejada e em fase de realização, assusta os mora-
dores de Açailândia e do corredor inteiro, devido à 
evidente duplicação de todos os problemas até agora 
mencionados. 
b. As usinas siderúrgicas 
Em Açailândia encontram-se cinco empre-
sas siderúrgicas: Viena Siderúrgica (capital próprio, 
em operação desde 1988), Simasa e Pindaré (Gru-
po Queiróz-Galvão, 1993), Gusa Nordeste (Grupo 
Ferroeste, 1993), Fergumar (Grupo Aterpa, 1996). 
A tabela seguinte dá as dimensões das usinas, com 
dados de 2006 (em itálico os dados de algumas side-
rúrgicas de Marabá):
9 SOUZA, Emilene Leite. “De passagem”. Universidade Federal do 
Maranhão/UFMA Imperatriz - CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS, 
SAÚDE E TECNOLOGIA/CCSST 2009
Desde suas instalações, as guseiras da re-
gião de Carajás receberam colaboração financeira 
através de recursos públicos oriundos do Fundo de 
Investimentos do Nordeste (FINOR) e do Fundo de 
Investimentos da Amazônia (FINAM). Uma vez 
aprovados os projetos, seus signatários recebiam até 
75% do valor total indicado como necessário à im-
plantação do parque industrial e à aquisição de áreas 
destinadas ao desenvolvimento de supostos projetos 
de “manejo florestal” ou de reflorestamento10. 
A aprovação dos projetos exigiu só formal-
mente uma série de condicionantes ligadas ao licen-
ciamento ambiental. É muito difícil conseguir junto 
à Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA) os 
documentos de licenciamento. Nossa equipe de pes-
quisa reiterou o pedido à SEMA e a visitou várias 
vezes antes de conseguir dados somente de três das 
cinco siderúrgicas, recebendo inclusive três proces-
sos de licenciamento vencidos e não renovados.
Parece claro que, pela facilidade de instala-
ção e a ausência/cumplicidade do poder público, as 
siderúrgicas da região de Carajás acumularam enor-
mes lucros ao longo dos últimos anos. No período 
entre 2000 e 2008 o volume de ferro gusa exportado 
duplicou, mas o valor dessa exportação quase decu-
plicou, passando de cerca de US$ 165 milhões em 
10 MONTEIRO, Maurílio de Abreu . Siderurgia na Amazônia Orien-
tal brasileira e a pressão sobre a floresta primária. In: II Encontro da 
Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Ambiente e 
Sociedade - ANPPAS, 2004, Indaiatuba-SP. Anais do II Encontro da 
Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Ambiente e 
Sociedade. Indaiatuba : ANNPAS, 2004. v. 1. p. 1-19
Siderúrgica
Nº de alto -
fornos
Nº de
funcionários
próprios
Produção média
anual de ferro
gusa (em ton)
Consumo médio
anual de
carvão(emm
3
)
Relação
consumo/
produção
FERGUMAR 2 234 216.000 480.000 2,22
GUSA NORDESTE 2 218 216.000 540.000 2,50
SIMASA/ PINDARÉ 5 650 564.000 1.440.000 2,55
VIENA 5 560 480.000 900.000 1,88
FERRO GUSA CARAJÁS 2 243 400.000 1.057.000 2,64
USIMAR 2 500 180.000 360.000 2,00
Fonte: Pesquisa de Campo IOS. Elaboração: Instituto Observatório Social.
Fórum Carajás outubro de 2010 26
2000 para US$ 1,5 bilhão em 2008. Este crescimen-
to tornou-se possível pelo salto do preço médio do 
ferro gusa exportado, que passou de US$ 99,6/ton 
para US$ 445,6/ton no mesmo período”11.
Também em tempos de crise, apesar de um 
discurso preocupado e resignado à solução inevitá-
vel da demissão dos funcionários, as siderúrgicas 
não pararam de vender e lucrar. Carneiro e Ramalho 
(2009) sinalizam que, até o final de 2008, uma pe-
quena redução na quantidade exportada, pouco mais 
de 67 mil toneladas, foi mais do que compensada 
pelo valor exportado, com um aumento de cerca de 
498 milhões de dólares quando comparado ao ano 
anterior. 
Ainda conforme os dados de Carneiro e Ra-
malho (2009), os dados oficiais das exportações 
brasileiras, demonstram de forma inequívoca que as 
empresas guseiras do Pará e Maranhão finalizaram o 
ano de 2008 com grandes lucros. Sem dúvida, as de-
missões podiam ser evitadas ou atrasadas, sem que 
o peso da crise pesasse somente sobre as costas dos 
mais fracos.
Além de desempregada, a população compar-
tilha o pesado impacto sobre o meio ambiente. É ela 
quem socializa os desastres ambientais ao longo de 
mais de duas décadas. Dados tabulados por Mon-
teiro (2004), indicam que para produção de uma 
tonelada de ferro-gusa são necessários 875 kg de 
carvão vegetal, cuja produção, por sua vez, requer a 
utilização de pelo menos 2.600 kg de madeira seca, 
que – quando se utiliza lenha originária de matas 
11 CARNEIRO, M e RAMALHO, R. A crise econômica mundial e 
seu impacto sobre as empresas de ferro-gusa: algumas informações 
sobre o desempenho recente das empresas guseiras e o desemprego 
no município de Açailândia. 2009.
nativas – corresponde a um desmatamento de pelo 
menos 600 m² de matas primárias.
Em 2005, por exemplo, as empresas siderúr-
gicas da região de Carajás produziram 4 milhões de 
toneladas de ferro-gusa12, o que corresponderia ao 
consumo de 240.000 hectares de mata nativa. Na-
quele ano, conforme dados da Associação das Si-
derúrgicas de Carajás – ASICA, a percentagem de 
origem do carvão vegetal era de 49,6% da mata na-
tiva e 50,4% de reflorestação com espécies exóti-
cas. Portanto, somente em 2005, as siderúrgicas da 
região de Carajás queimaram para produzir carvão 
cerca de 120.000 hectares de mata nativa.
Vamos fazer um outro exemplo no caso do 
eucalipto. Para produzir uma tonelada de ferro gusa 
precisa de 3,8 m³ de eucalipto (ou 5,8 m³ de mata 
nativa). A siderúrgica Viena atualmente produz 
500.000 toneladas de ferro gusa por ano; precisaria 
portanto, uma vez que se tornar auto suficiente com 
seu parque de monocultura, de 54.000 hectares de 
eucalipto ao ano, 1,6% da superfície do Maranhão.
Veja na tabela a seguir as previsões que as 
empresas fizeram em 2005 a respeito da interrupção 
do corte de mata nativa (fonte: ASICA). 
Nos últimos anos, com a intensificação da 
fiscalização nas fazendas pelo Grupo Especial de 
Fiscalização Móvel, as empresas siderúrgicas da re-
gião foram acusadas pelo Ministério Público Fede-
ral de se beneficiarem da escravidão para produzir o 
ferro gusa. Muitas delas tiveram que pagar quantias 
elevadas em indenizações para os trabalhadores que 
produzem o carvão.
12 Relatório Social Instituto Carvão Cidadão, 2005.
Siderúrgica
Área
adquirida
para plantio
(em ha)
Área plantada
(em ha)
% de carvão
produzido em
carvoarias próprias
Ano meta para ser
auto-suficiente
FERGUMAR 10.000 6.000 0% Não há previsão
GUSA NORDESTE 27.000 10.000 0% 2010
SIMASA/ PINDARÉ56.000 17.500 20% 2012
VIENA 52.000 20.000 55% 2011
FERRO GUSA CARAJÁS 75.000 32.000 100% Já é
USIMAR 3.000 0 0% Não há previsão
 27 Fórum Carajás outubro de 2010
Em 1999, visando adequar o trabalho desen-
volvido nas carvoarias, as siderúrgicas do estado do 
Maranhão firmaram um Termo de Ajustamento de 
Conduta (TAC) junto ao Ministério Público do Tra-
balho (MPT) e à Procuradoria Regional do Trabalho, 
envolvendo, também, empreiteiros e fornecedores 
.Hoje13, percebe-se uma melhoria efetiva das condi-
ções de trabalho nas carvoarias, mesmo assim ainda 
existem numerosas carvoarias clandestinas.
Além do desmatamento e do trabalho escravo, 
há em Açailândia o grave problema da poluição, que 
afeta povoados inteiros, parcialmente preexistentes 
à instalação das siderúrgicas. É o caso de Piquiá de 
Baixo. Em abril de 2008 a Associação Comunitária 
de Pequiá de Baixo procurou o Centro de Defesa 
da Vida e dos Direitos Humanos de Açailândia (CD-
VDH) e a Paróquia São João Batista. A parceria visa 
enfrentar o problema da poluição provocada pelas 
siderúrgicas no distrito industrial. 
A Associação Comunitária há tempo buscava 
denunciar a situação, batendo sem sucesso à porta 
de diferentes instituições. A aliança dos moradores 
de Piquiá de Baixo com o CDVDH e a Paróquia São 
João permitiu coordenar melhor as ações, partindo 
da oportunidade de um primeiro processo instituído 
contra uma das siderúrgicas: a Gusa Nordeste.
De fato, em novembro de 2005, 21 famílias 
moradoras de Piquiá de Baixo ( mais próximas fi-
sicamente à empresa) denunciaram por danos a po-
luição produzida pela a siderúrgica Gusa Nordeste, 
exigindo indenização. Depois de quase quatro anos, 
apesar da pressão e do apoio popular, repetidas ve-
zes solidário à causa daquelas famílias, os procedi-
mentos legais ainda não se concluíram.
 Com o objetivo de verificar a existência de 
relação entre os casos denunciados pelas famílias14 
com as atividades da empresa, a juíza da segunda 
vara da Comarca de Açailândia encomendou uma 
perícia ambiental nas dependências da empresa e 
nas residências das famílias . Esse estudo somou-se 
a um outro, encomendado pelo CDVDH, a respeito 
da poluição hídrica pelas siderúrgicas15.
13 Relatório Social Instituto Carvão Cidadão, 2005.
14 Relatório de Perícia Ambiental apresentado à Segunda Vara Judi-
cial da Comarca de Açailândia, dr. Ulisses Brigatto Albino, Impera-
triz 2007. Perícia realizada dia 05 de Dezembro de 2006.
15 Estudo preliminar da situação ambiental da população de Piquiá, 
eng. Mariana de la Fuente Gómez, Açailândia 2007.
Os estudos demonstram várias formas de po-
luição geradas pelas usinas. As águas de resfriamen-
to, por exemplo, são bombeadas do ribeirão Piquiá, 
escorrem pela superfície externa dos alto fornos e 
logo voltam ao rio Piquiá aquecidas e contendo fer-
ro e outros solutos, passando nesse percurso pelos 
quintais das casas próximas às siderúrgicas.
Além de problemas ao meio ambiente, o pro-
cesso pode gerar contaminação para os moradores 
por meio da alimentação. O excesso de ferro arma-
zenado e não absorvido pelo organismo pode gerar 
graves conseqüências para o fígado e as células car-
díacas das pessoas. Pela ausência de uma rede de 
captação das águas fluviais internas ao pátio, toda 
a escória de ferro e carvão da produção acaba es-
correndo também no mesmo riacho logo abaixo dos 
empreendimentos.
A escória vitrificada não é devidamente tra-
tada, mas descartada no ambiente, podendo gerar 
intoxicação de plantas, animais e pessoas. O vento 
levanta a poeira e o “pó de balão”. O pó é uma sobra 
da produção amontoada em cúmulos ao lado das ca-
sas. O próprio britador que reduz a sobra em partícu-
la do fino levanta muita poeira, que cai em cima das 
casas. No fim de 2009, uma das cinco siderúrgicas 
encontrou uma maneira de evitar esses depósitos.
Outro aspecto relevante: nenhuma das cha-
minés dos 14 alto fornos das siderúrgicas possui 
filtro de manga. À fumaça acrescenta-se partícula 
do fino de carvão que se levanta em grandes nuvens 
pretas toda vez que a combustão não é regular e pre-
cisa “desentupir” o forno.
Recentemente a Gusa Nordeste instalou uma 
termelétrica alimentada pelas próprias emissões de 
seus fornos. Isso lhe garante a produção de energia 
elétrica para uso interno e, posteriormente, a possi-
bilidade de obter recurso com a venda de créditos de 
carbono. Apesar disso, o sistema não consegue con-
ter todas as emissões das chaminés dos alto fornos, e 
o povo continua tendo sua dívida de oxigênio.
Em setembro de 2001, mais um acidente ter-
rível humilhou e fez violência sobre o povo. Acon-
teceu com Gilcivaldo, 7 anos, em busca de alguns 
pedaços de carvão para esquentar a comida em seu 
barraco. Avançou demais no monte de ‘munha’, uma 
escória incandescente depositada pelos caminhões 
das siderúrgicas, numa área livre e não protegida, ao 
lado do povoado.
Fórum Carajás outubro de 2010 28
A munha esfria-se em superfície, mas se 
mantém muito quente logo abaixo. O amontoado de 
escória amoleceu e as pernas do adolescente acaba-
ram se queimando até a bacia. Depois de 20 dias 
de agonia, Gilcivaldo faleceu. Acidentes desse tipo 
aconteceram também com outras pessoas e animais 
que acabaram se queimando e prejudicando a pele e 
às vezes parte das pernas.
Por causa de toda essa injustiça, o povo de 
Piquiá de Baixo vive revoltado e luta há anos por 
direitos e moradia. Quase todos os moradores estão 
de acordo em sair do lugar. Negociam com as usinas 
e o poder público o deslocamento do povoado para 
uma nova região. A mediação é do Ministério Pú-
blico e a assessoria do CDVDH e da Paróquia São 
João Batista. 
Sobre a situação ainda ambígua das siderúr-
gicas na região de Carajás, Monteiro (2004:1) dis-
para que: 
Em que pese a produção siderúrgica ainda hoje 
estar presente no discurso de diversos e amplos 
segmentos sociais como elemento de moderni-
zação regional, ela cumpre um papel distinto, 
conquanto amplia a pressão sobre a mata pri-
mária, caotiza diversos espaços urbanos; refor-
ça segmentos sociais que articulam a sua lógica 
produtiva à exploração predatória dos recursos 
naturais, como os madeireiros, ou com grupos 
sociais para os quais a grande propriedade fun-
diária é fonte de poder social, como os fazendei-
ros; amplia as tensões no campo e os conflitos 
fundiários; e intensifica os esquemas de submis-
são da força de trabalho à baixa remuneração e a 
condições de trabalho insalubres.
 
c. A aciaria – um capítulo recente
Em maio de 2008 o Estado do Maranhão e 
a Gusa nordeste de Açailândia assinaram um pro-
tocolo de intenções para a instalação de uma acia-
ria na cidade. O novo empreendimento prospecta a 
produção de 500.000 toneladas anuais de tarugo de 
aço (Billet), que tem tanto uso industrial doméstico 
como para exportação. O Billet é o semi acabado 
utilizado como matéria-prima para a laminação de 
aços longos (vergalhões, fio máquina, perfis, barras 
mecânicas etc.).
Para produzir a capacidade total, serão ne-
cessárias aproximadamente 450 mil toneladas/ano 
de ferro gusa em estado líquido, transportado por 
caminhões especiais que saem da Gusa Nordeste e 
das outras siderúrgicas de Açailândia. Para a produ-
ção do aço precisará esquentar ulteriormente o ferro 
gusa. O processo acontecerá inteiramente (ao dizer 
dos empresários) pela queima de oxigênio líquido, 
material muito caro que deverá vir do sul do País.
Para o esfriamento do processo de produção, 
serão necessários 200 m³ de água por hora. O Rela-
tório de Impacto Ambiental (RIMA) da aciaria ga-
rante que toda essa água será mantida em constante 
circulação interna e bombeada através de poços ar-tesianos. A construção da usina deve durar três anos 
e a estimativa de geração de emprego gira em torno 
de 1.000 postos. Existe a promessa de geração de 
mais 1.000 empregos entre diretos e indiretos, no 
ápice da produção. 
Os movimentos populares acolhem com sa-
tisfação a aciaria, pois ela traz o tão esperado iní-
cio da verticalização da produção no contexto local, 
permitindo a valorização do trabalho maranhense e 
dos recursos de nosso subsolo.
Porém existem inúmeras dúvidas e inquietu-
des. Uma das maiores recai sobre os investimentos 
para a construção desse novo empreendimento. O 
Banco do Nordeste irá financiar 300 milhões de re-
ais somente na primeira fase. Por que, perguntam os 
movimentos numa carta aberta à cidade - tão grande 
investimento sem ter resolvido ainda os graves pro-
blemas de poluição e impacto que o resto das ativi-
dades está gerando há vinte anos?
Mais uma vez a lógica do lucro incondicional 
parece prevalecer acima de qualquer outro direito.
d. Os fornos de Califórnia
Ao lado do assentamento Califórnia, com 
mais de 1.800 moradores assentados há 13 anos, ins-
talou-se em 2005 o empreendimento da Ferro Gusa 
Carajás (FGC). A empresa controlada pela Vale se 
dedica à produção de carvão vegetal destinado a ali-
mentar a siderúrgica da Vale em Marabá. O empre-
endimento é conhecido como Unidade de Produção 
de Redutor (UPR), que é o carvão para siderurgia.
A Licença de Instalação foi emitida pelo Pro-
cesso nº. 2334/03, prevendo um pátio de carboni-
zação composto por 64 fornos retangulares e uma 
 29 Fórum Carajás outubro de 2010
estimativa de produzir 94 ton/
dia de redutor (carvão vegetal) . 
Na realidade, foram construídos 
72 fornos retangulares e 7 for-
nos de tamanho menor (fornos a 
meia laranja), ocupando ao todo 
uma área de 1.185m². Cada forno 
retangular tem capacidade para 
102m³ de madeira enfornada, ou 
83m³ de carvão cada. 
Cada queimador de gás é 
planejado por oito fornos, portan-
to deveriam ter sido implementa-
dos 9 queimadores de gases. Na 
realidade, atualmente existem 
somente 2 queimadores. O pri-
meiro começou a funcionar em 
novembro de 2008, o segundo 
em fevereiro de 2009. Atualmen-
te, ambos estão quebrados e não 
funcionam.
Pode-se concluir, então, 
que de 2005 até 2009 os mora-
dores do assentamento Califórnia 
respiraram a fumaça emitida por 
todos os fornos em funcionamen-
to. Recentemente, a FGC fechou 
metade dos fornos para diminuir 
as emissões. Ao dizer da empre-
sa, isso foi devido à preocupação 
pela poluição. Sabe-se porém 
que a escolha deve-se à redução 
de produção de ferro gusa em de-
corrência da crise mundial. Atu-
almente funcionam só 4 das 11 
unidades que alimentavam a si-
derúrgica da Vale em Marabá. A 
perspectiva em médio prazo para 
a FGC de Marabá é queimar car-
vão mineral da África.
A medição da qualidade 
do ar nem sempre foi efetiva. No 
Plano de Gestão da Qualidade, o 
artigo previa a execução de um 
programa de avaliação da quali-
dade do ar e de acompanhamento 
da operação do queimador. Con-
forme o Relatório de Controle 
Ambiental, para a avaliação da 
qualidade do ar deveria ser mo-
nitorado o parâmetro ‘partículas 
totais em suspensão’ (PTS). Para 
isso, deveria ser instalado um 
equipamento do tipo Hi-Vol a ju-
sante da área do empreendimento, 
com relação à direção predomi-
nante dos ventos.
Também nesse caso, foi so-
mente em 2008 que dois medido-
res foram instalados. Até outubro 
do mesmo ano, a SEMA nunca 
recebeu um relatório oficial sobre 
a poluição do ar; só chegaram al-
guns relatórios por e-mail. A pró-
pria Secretaria Estadual de Meio 
Ambiente não quis levar até o fim 
a ação contra a FGC. Apenas no-
tificou a firma novamente em ou-
tubro de 2008, mas nunca recebeu 
resposta a essa notificação, nem 
assumiu nenhuma providência 
por isso. 
Há exemplos em profusão. 
Os assentados entregaram um lau-
do médico à SEMA dando conta 
Fórum Carajás outubro de 2010 30
de vários problemas respiratórios, 
de pele e de vista em função da 
fumaça dos fornos, especialmente 
para com idosos, bebês e crian-
ças. 
No decorrer dos três anos 
de difícil convivência com a 
carvoaria, a comunidade de Ca-
lifórnia por diversas vezes enca-
minhou denúncias ao Instituto 
Brasileiro dos Recursos Naturais 
Renováveis (IBAMA), ao Minis-
tério Público Estadual e Federal, 
à Vigilância Ambiental, às Secre-
tarias Municipais de Saúde e de 
Meio Ambiente. Representantes 
do assentamento estiveram várias 
vezes em audiências com repre-
sentantes destes órgãos cobrando 
providencias, chegando inclusive 
a convidar estes para duas assem-
bléias no assentamento. Ninguém 
da representação pública compa-
receu. 
O povo de Califórnia é 
conhecido pelo histórico de luta. 
Em março de 2008 os assentados, 
com o apoio do MST, promove-
ram um ato político de ocupação 
simbólica da fazenda Monte Líba-
no e de interrupção temporária da 
BR 010. O ato tornou-se notícia 
nacional e facilitou a mobilização 
dos órgãos públicos e da fiscali-
zação da área. Infelizmente, ainda 
hoje em muitos casos o povo con-
segue se fazer escutar pelo gover-
no somente engrossando a voz.
e. A Suzano e o deser-
to verde
No meio de todos esses 
conflitos sócio-ambientais, o que 
os movimentos temiam se fez 
concreto: a Suzano chegou. A em-
presa logo alcançou certa fama na 
região. “No período de 05 a 31 de 
agosto a fábrica paulista Suzano 
Celulose estará consolidando o 
seu programa de retirada compul-
sória de comunidades tradicionais 
da região dos cocais e do Tocan-
tins. (…) O complexo de planta-
ção do eucalipto envolve, só na 
região dos cocais, 21 cidades e 
atinge centenas de povoados, co-
munidades tradicionais: quilom-
bolas e agricultores familiares, 
atingindo principalmente seu 
modo de viver, produzir e repro-
duzir-se socialmente.” .
A própria empresa utilizou 
a expressão “bota-fora” em seu 
termo de referencia (Projeto SPC 
1008). Um dos principais motivos 
que leva a Suzano a instalar-se no 
Maranhão é o grande volume de 
água necessário para atender às 
demandas de produção de celulo-
se. O medo dos moradores da re-
gião é o que vai acontecer de suas 
reservas de água e da esperança 
cada vez mais fraca de refloresta-
mento com espécies nativas.
As florestas vendidas à Su-
zano eram anteriormente da Vale. 
Somam 84.500 hectares de terra, 
sendo 34.500 hectares plantados 
com eucaliptos. A implantação 
de mais esta indústria de celulose 
tem como objetivo elevar a capa-
cidade de produção de celulose e 
papel, das atuais 4,3 milhões de 
toneladas por ano até 7,2 milhões 
de toneladas.
Os investimentos da Suza-
no podem chegar a US$ 700 mi-
lhões entre 2008 e 2015 na forma-
ção florestal no Maranhão . São 
Luiz do Paraitinga (SP), Nazária 
(PI), Santa Quitéria (MA), Euná-
polis (BA): a lista de municípios 
e territórios em conflito com a Su-
zano é grande. Inquieta imaginar 
que talvez mais esse desafio re-
caia sobre Açailândia. Uma terra 
marcada por uma distorcida visão 
de desenvolvimento.
As respostas organizadas 
do povo
Apesar dos conflitos, ou 
talvez exatamente em função 
deles, o povo de Açailândia, as 
comunidades e movimentos não 
desanimam e tentam se organizar. 
Um primeiro sinal disso é a re-
sistência teimosa dos moradores 
de Piquiá de Baixo e de Califór-
nia. Humildes e iniciantes na luta, 
mas corajosos e até agora muito 
unidos. 
A própria arte se coloca a 
serviço dessa resistência e tenta 
moldar junto ao povo um sonho 
concreto de libertação. Os jovens 
do grupo Juventudes pela Paz (Ju-
paz) montaram uma peça a partir 
das histórias e dos contos dos mo-
radores de Piquiá. Ver-se repre-
sentados no corpo e nas vozes de 
outros redobra as energias e espe-
ranças dos lutadores daquele bair-
ro, e multiplica na consciência de 
outros uma luta que deve ser de 
todos e todas.
Um outro eixo de denúncia 
e proposta articulada de alternati-
vas é a campanha “Justiça nos Tri-
lhos”, que tem em Açailândia uma 
de suas bases e pontos de divulga-
ção. A campanha visa desmasca-
rar a violência da companhia Vale 
e seus impactos sócio-ambientais. 
Além disso, propõe mecanismos 
concretos de repartição do lucro 
ao longo dos trilhos e articula as 
vítimas da multinacional em nível 
de Brasil e exterior. Nasceu no 
final de 2007 sob a coordenação 
de Missionários Combonianos, 
Fórum Carajás, Sociedade Maranhense de Direitos 
Humanos, Fórum Reage São Luís, Cáritas Mara-
nhão, Sindicato dos Ferroviários e CUT. A campa-
nha alcançou em breve tempo os atingidos pela Vale 
em MA, MG, PA, RJ, Peru, Argentina, Chile, Equa-
dor, Moçambique e Canadá . 
Ainda em Açailândia, em tempos de crise e 
desemprego, uma aliança entre movimentos sociais 
permitiu a criação do “Movimento Popular em fa-
vor da Justiça e da Dignidade Humana”. Trata-se de 
uma rede de entidades, associações de moradores, 
sindicatos, comunidades cristãs em busca de enca-
minhamentos locais para minimizar o impacto da 
crise e buscar alternativas e enriquecimentos para 
o modelo produtivo de Açailândia, marcado pela 
fragilidade e pouca diversificação. Esse movimento 
organizou em maio de 2009 um grande seminário 
sobre crise e desemprego. Um marco importante no 
município para provocar uma reflexão comum sobre 
temas tão delicados.
Último sinal de esperança e de organização 
popular é a Rede de Cidadania. Ela existe há dois 
anos e junta lideranças populares do município., 
onde a construção da cidadania, do controle social e 
de todos os mecanismos de participação acontecem 
de forma interativa, mediante a pesquisa coletiva e 
a troca de saberes. Será desse curso e a partir dessa 
rede que Açailândia terá novos conselheiros de di-
reito, mais preparados/as e fortalecidos pelas alian-
ças transversais que deverão se tecer nos próximos 
meses.
“Que desenvolvimento é esse?” - pergun-
tava o povo de Piquiá de Baixo com seus cartazes 
na manifestação em frente ao Fórum da Comarca 
de Açailândia. É a pergunta que ressoa ao longo de 
todo esse texto: qual é o mundo que sonhamos e que 
gostaríamos de entregar para nossos filhos? E os 
moradores, filhos primogênitos desse jovem muni-
cípio de somente 26 anos, que mundo receberam no 
começo da cidade? O que sobrou de tanta riqueza 
natural? Em que direção queremos trilhar o tal de 
‘progresso’?
Voltará o município a ser a “cidade do açaí”, 
à sombra dos saudosos piquiás?
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 31 Fórum Carajás outubro de 2010
Referências 
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Contas Nacionais, 2006
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CARNEIRO, Marcelo Sampaio Crítica social e res-
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Estrada de Ferro Carajás. Brasília, NATRON. 536p
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Procedimento n. 116/05 – Ministério Público do es-
tado do Maranhão
SOUZA, Emilene Leite. “De passagem”. Univer-
sidade Federal do Maranhão/UFMA Imperatriz 
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TECNOLOGIA/CCSST 2009
MONTEIRO, Maurílio de Abreu . Siderurgia na 
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Indaiatuba : ANNPAS, 2004. v. 1. p. 1-19
CARNEIRO, M e RAMALHO, R. A crise econô-
mica mundial e seu impacto sobre as empresas de 
ferro-gusa: algumas informações sobre o desempe-
nho recente das empresas guseiras e o desemprego 
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Relatório Social Instituto Carvão Cidadão, 2005
Relatório de Perícia Ambiental apresentado à Se-
gunda Vara Judicial da Comarca de Açailândia, dr. 
Ulisses Brigatto Albino, Imperatriz 2007. Perícia re-
alizada dia 05 de Dezembro de 2006
Estudo preliminar da situação ambiental da popu-
lação de Piquiá, eng. Mariana de la Fuente Gómez, 
Açailândia 2007
Trabalho sim, Poluição não! - Carta aberta à cidade 
de Açailândia e às autoridades sobre a nova aciaria 
em construção no Piquiá - Paróquia São João Ba-
tista, Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Hu-
manos, Sindicato dos Metalúrgicos, Associação dos 
Moradores de Piquiá, Centro Comunitário Frei Tito, 
Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, 
Sintrasema, Sindimotaa, Associação Rádio Comu-
nitária Açailândia
Parecer Técnico da Superintendência de Fiscaliza-
ção, Licenciamento e Defesa dos Recursos Naturais 
da Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Mara-
nhão - Antônio Cesar Carneiro de Souza e Cláudia 
Cristina Ewerton Dominice, abril de 2008
CARNEIRO, Denilton - Povos, comunidades tra-
dicionais, políticas étnicas e desenvolvimento sus-
tentável. http://www.ecodebate.com.br/2009/08/15/
fabrica-de-celulose-promovera-bota-fora-nas-regio-
es-dos-cocais-e-tocantins-no-maranhao-artigo-de-
denilton-santos-carneiro/. Capturado no dia 15 de 
agosto de 2009.
Peça teatral “E ao pó voltaremos” - direção Xico 
Cruz – Açailândia 2009
Fórum Carajás outubro de 2010 32
Itupanema em meio ao projeto 
Albras – Alunorte: o desencanto do mundo
1Gilvandro Ferreira Santa Brígida
 
A literatura sobre os grandes projetos na Amazônia sinaliza sobre os passivos sociais e ambien-tais. Os mais comuns são a pressão sobre os recursos naturais, o deslocamento de populações consideradas tradicionais, o inchaço das cidades, a elevação do preço da terra e de aluguéis. 
Assim o foi a experiência na comunidade conhecida como Itupanema, no município de Barcarena, 
norte do Pará. O município abriga as principais indústrias da cadeia produtiva do alumínio do Brasil. O pre-
sente artigo tenta fazer o registro sobre o processo da presença das empresas Albrás e Alunorte, vinculadas 
a Vale (a Vale Transferiu em Maio/2010 todas as suas participações na Albrás, Alunorte e da Companhia 
de Alumina do Pará-CPA para a Norsk Hydro) e a desagregação social e ambiental em Itupanema, numa 
peleja marcada pela desigualdade entre as partes envolvidas. 
O trabalho coletivo na terra é uma prática social desenvolvida secularmente pelos agricultores/ribei-
rinhos e extrativistas da Amazônia. Entre as particularidades tem-se a distribuição de tarefas por gêneros 
ou por faixa etária. A reprodução das práticas é produto de socialização no meio familiar. A relação de 
colaboração permite que os grupos familiares enfrentem as adversidades.
1 Sou bacharel e licenciado pleno em Ciências Sociais, com ênfase em Sociologia. UFPA. 
Fórum Carajás outubro de 2010 34
As famílias praticam a agricultura de subsis-
tência, na qual o agricultor procura assegurar para 
sua família o alimento necessário. E só depois co-
mercializa o que sobrou. Esse processo de comércio 
erarealizado de vez em quando através da “marreta-
gem ”.2 
O processo de urbanização no município co-
aduna-se com a chegada do projeto ALBRAS/ALU-
NORTE, na década de 1980. As empresas integram 
o portfólio da Vale, hoje Norsk Hydro. As radicais 
transformações consistiram na expulsão de grupos 
familiares de seus sítios, na desagregação das famí-
lias camponesas, onde a terra perde a condição de 
fornecedor de meio de subsistência, para transfor-
mar-se em mercadoria.
Tudo começou antes. Lá nos anos 1970. A 
pressão sobre a terra e as riquezas vegetais e mine-
rais, através dos grandes projetos, agrava os emba-
tes sociais e a agressão ao meio ambiente na região 
amazônica. 
Os grandes projetos constituem-se em prin-
cipal instrumento da política desenvolvimentista 
concebida pelo governo militar de 1964. Tal política 
ressalta o potencial dos recursos naturais da região, 
em particular as riquezas minerais e a hidrográfica. 
Aos olhos dos estrategistas, a Amazônia não passava 
de vazio demográfico. Indígenas, ribeirinhos, qui-
lombolas e tantas outras variações do campesinato 
local nunca existiam na cabeça dos militares. 
Os problemas ocasionados por esse mode-
lo de desenvolvimento só serão medidos nos anos 
posteriores, a partir do deslocamento das famílias de 
suas terras e convívio com questões até então total-
mente desconhecidas. 
A luta pela terra: grandes corporações 
versos comunidades tradicionais 
Nos anos 1980 instala-se em Barcarena o 
complexo de alumínio ALBRAS/ ALUNORTE, 
parte do programa grande Carajás, provocando a 
desapropriação de aproximadamente quinhentas fa-
mílias. O modelo de projeto instalado em Barcarena 
não internaliza riqueza no local. Assim explicam os 
tratados das academias. 
A Associação dos Desapropriados de Barca-
rena nasce anos mais tarde. Emerge pela necessi-
2 O processo consistia na mobilização de moradores para otimizar o 
transporte de mercadorias até Belém.
dade de fazer frente ao processo de expansão e de 
desenvolvimento econômico das empresas e contra 
a pauperização imposta aos antigos moradores do 
espaço onde a fábrica se instalou.
O problema da desapropriação volta à cena 
nos anos 1990, com a instalação das empresas do 
projeto Caulim – Pará Pigmentos S/A e Rio Capim 
Caulim S/A, também vinculada ao grupo Vale. Em 
1993, a Companhia de Desenvolvimento Industrial 
do Pará (CDI) desapropriou famílias que moravam 
na localidade de Ponta da Montanha. Os moradores 
do local, situado em frente ao rio Pará, foram trans-
feridos para a área do Curuperé, situada nos limites 
da Vila do Conde3. A comunidade da Montanha ce-
deu lugar para a construção do terminal portuário de 
exportação do caulim.
Esta ocupação causou profundas transforma-
ções na estrutura produtiva, e no modo de vida da 
população residente nas áreas atingidas. E princi-
palmente quando estas mudanças não cessaram por 
completo, pois a cada dia surgem novos desafios. 
Entre eles como as “comunidades” atingidas devem 
criar novas estratégias de organização e de sobrevivên-
cia, diante da força do capital que se implanta na Ama-
zônia, em particular em Bacarena.
Barcarena registra novas tensões entre morado-
res tradicionais e empresas do grande capital em fase 
de instalação no município, como a refinaria chamada 
Companhia de Alumina do Pará (CAP)4. O projeto ado-
ta um processo de expulsão mais sofisticado e cruel do 
que há trinta anos. A instalação da CAP tem derrubado 
casas dos moradores locais. Assim ficam impedidos 
de voltar. A expulsão dos moradores assemelha-se a 
um regime de exceção. 
Há resistências, ainda que débeis. Mas, o iso-
lamento e as técnicas de terror promovidas pela em-
presa acabam por fazer com que os moradores dei-
xem suas casas em troca de indenizações miseráveis, 
que não garantem a compra de outro imóvel com as 
mesmas características do anterior. O que assusta 
neste modelo é que tudo é feito com a conivência do 
estado, ou seja, institucionalizado. Como resultado 
deste modelo tem-se a pauperização crescente do tra-
balhador rural, embora havendo algumas exceções.
3 Considerada conglomerado urbano de Barcarena, onde outras famí-
lias de antigos posseiros já habitavam.
4 O projeto transferido da Vale para a empresa norueguesa Norsk Hi-
dro (20%) e deve produzir 1,9 milhão de tonelada/ano na primeira 
fase e 7,4 toneladas no apogeu da produção. U$$2,2 bilhões devem 
ser investidos. A previsão é a produção se inicie em 2011.
 35 Fórum Carajás outubro de 2010
O Município de Barcarena
30 km separam o município de Barcarena de 
Belém, em linha reta. Na verdade, encontra-se sepa-
rado de Belém pelo rio Pará e pela ilha das Onças, 
sem os quais poderia ser visualizado a partir de Be-
lém. O município está estruturado para efeito admi-
nistrativo com a seguinte configuração geopolítica: 
Barcarena, sede e Distrito de Murucupi – (Vila dos 
Cabanos, Vila do Conde, Vila de São Francisco, Vila 
de Itupanema, Vila Nova e Vila do Laranjal).
Segundo ROCQUE (1994), reza a tradição, 
que o nome “Barcarena” se originou do fato de ter 
existido, naquela localidade, quando ainda era uma 
Missão Gibirié, uma barca muito grande denomina-
da Arena. Apesar da deterioração da barca, as pes-
soas continuavam chamando aquela área de “Bar-
caarena”; simplificando, então, para a denominação 
“Barcarena”. Esta denominação foi usada para bati-
zar o local que ainda existia em uma enseada pedre-
gosa, coberta por uma grande casa chamada “Casa 
das Canoas”, do lado esquerdo da Matriz.
Sua elevação à categoria de “Vila” aconteceu 
mediante a promulgação da Lei Estadual nº 94, de 
10 de maio de 1897, ocorrendo sua instalação em 02 
de janeiro de 1898, conforme determinado no De-
creto nº 513, de 13 de dezembro de 1897. Somente 
em 1956 foi reconhecida sua composição territorial, 
formada por dois distritos: Barcarena (sede) e Muru-
cupi, permanecendo esta configuração territorial até 
os dias de hoje.
VILA DE ITUPANEMA E A ORGANIZA-
ÇÃO SOCIAL TRADICIONAL
A Vila de Itupanema está situada na região 
Noroeste do município de Barcarena, à margem di-
reita do rio Pará. A Vila corresponde a um peque-
no núcleo urbano, servindo de área residencial de 
população ocupada em atividades agrícolas, pesca 
e pequeno comércio. Uma pequena parcela destes 
moradores trabalha nas empresas prestadoras de ser-
viços para a ALBRAS – Alumínio Brasileiro S/A, e 
a ALUNORTE – Alumina do norte do Brasil entre 
outras. 
Itupanema constitui uma antiga ocupação, 
como a sede de Barcarena e a Vila do Conde. Dife-
rindo das ocupações mais recentes, que surgiram em 
função do projeto ALBRAS – ALUNORTE, como: 
Laranjal, bairro Pioneiro bairro Novo e Romeu Tei-
xeira (CHAGAS, 2002). Entretanto, não se pode 
deixar de frisar que a expansão de Vila de Itupane-
ma, deu-se em função da implantação do projeto Al-
brás e Alunorte.
A Vila de Itupanema tinha seus mais antigos 
registros de moradores vinculados à Freguesia de 
Beja, ou São Miguel de Beja, não se sabe ao certo.
Segundo os moradores mais antigos a deno-
minação “Itupanema” deriva do nome de uma praia, 
cuja enseada chamava-se Panema. Na frente dessa 
praia havia uma grande quantidade de pedras, que 
os índios e os moradores chamavam de “Itu” (que 
em Tupi Guarani significa grande). 
Na época os pescadores e todos os navegan-
tes que seguiam rumo a Belém, paravam na praia 
de Panema, usando-a como abrigo, a fim de se pro-
tegerem dos temporais e marés fortes, além de re-
duzir o tempo e agilizar a viagem. Os navegantes 
acostumaram-se a dizer: “vamos parar aqui na praia 
de Itu-panema”, a partir daí denominou-se a vila 
surgida posteriormente, revela Odineide Valente, 
líder comunitária.
A origem de Itupanema, em si, não seria re-
levante,não fosse à insistência do mito de origem, a 
demonstrar a existência de uma tradição, que tem o 
papel de legitimadora de direito a terra, em oposição 
aos invasores recém-chegados.
A partir da década de 80 a população da Vila 
de Itupanema cresceu, pois, à vila original foram 
agregados dois outros núcleos: Vila Nova e Vila 
União. A primeira criada para abrigar as pessoas 
que residiam nas terras onde foram instaladas as 
empresas Albrás e Alunorte. E posteriormente por 
trabalhadores atraídos pelo projeto e, embora não 
conseguindo se inserir neste, permaneceram nas 
proximidades das fábricas.
O bairro de Vila Nova surgiu em 1982, quan-
do a ALBRAS reservou uma grande área para trans-
ferir a população que residia nos sítios onde estão 
localizadas as instalações das fábricas e a zona por-
tuária. Assim como a área do núcleo urbano, onde 
foram construídas as casas para os trabalhadores da 
Albrás e Alunorte. A partir daí o bairro vem tendo 
um crescimento totalmente desordenado, sem ne-
Fórum Carajás outubro de 2010 36
nhum planejamento por parte do poder público. O 
Centro Comunitário de Vila Nova ficou com a res-
ponsabilidade de organizar o loteamento das pesso-
as que chegavam ao lugar.
O bairro da Vila União é o mais extenso e o 
mais densamente ocupado. Na mesma proporção es-
tão os problemas, em virtude do seu acelerado cres-
cimento, não há saneamento básico e infra-estrutura 
urbana. Este bairro se tornou uma grande área de 
ocupação, que foi muito combatida pelas empresas 
Albrás e a Companhia de Desenvolvimento de Bar-
carena (Codebar), que tentou de todas as maneiras 
evitar a ocupação, usando inclusive a força policial. 
Vários líderes comunitários foram presos durante a 
ocupação, mas as empresas não conseguiram evitar 
o assentamento. O que vemos hoje na Vila União é o 
retrato do descaso de uma administração avessa aos 
interesses da população.
A Vila de Itupanema, durante muito tempo, 
teve um povoamento muito lento, constituindo-se, 
portanto, em um pequeno vilarejo de sitiantes rurais. 
Na década de 80, seu crescimento era ainda relativa-
mente baixo. O aumento da população, assim como 
a expansão territorial acontece a partir do início da 
década de 90. Momento em que a vila recebe muitas 
pessoas excluídas do Projeto ALBRAS, e também 
trabalhadores oriundos da construção da Alunorte, 
que ajudam a fundar inúmeras áreas periféricas em 
Itupanema. 
Após o assentamento das pessoas interessa-
das, e com pouco tempo novas ocupações voltaram 
a acontecer. Foram impulsionadas pela migração de 
mineiros, maranhenses, gaúchos, entre outros. Para 
os antigos moradores de Itupanema é clara a aversão 
aos trabalhadores oriundos de outros estados, trata-
dos como “os de fora”. Eles são responsabilizados 
pelos problemas provocados no lugar após a implan-
tação das Empresas. Entre eles: roubo, prostituição, 
formação de gangues, etc, assemelhando-se à situa-
ção relatada por Norbert Elias (op. cit.).
Os movimentos migratórios em Itupanema 
refletem, como em toda a Amazônia, o que ocorre 
no seu espaço, como reflexo do processo de ocupa-
ção territorial e de mobilização da força de trabalho. 
Esta força de trabalho muitas vezes sem a qualifi-
cação exigida para trabalhar diretamente nas em-
presas, acaba ficando em áreas próximas ao projeto. 
E constituem-se em bolsões de reserva de mão-de-
obra barata e disponível para qualquer serviço pou-
co qualificado.
BECKER, B. (1991) destaca o papel des-
ta população flutuante, no sentido de viabilizar as 
grandes obras, os grandes projetos. Entretanto, há 
outro lado da questão a ser ressaltada. Esta popu-
lação, que é atraída para área deste tipo, promove, 
também, um problema de natureza social pelo fato 
de não ser assimilada, em sua maior parte, nestes 
empreendimentos. Na medida, também, em que as 
atividades econômicas praticadas tradicionalmen-
te nesta área (extrativismo vegetal, pesca, pequena 
agricultura) estão em crise, não podendo absorver 
outras pessoas. 
Boa parte dos moradores mais antigos de 
Vila de Itupanema possuía sítios nas áreas ocupadas 
pela ALBRAS e pela ALUNORTE. A CODEBAR e 
a Companhia de Desenvolvimento Industrial (CDI) 
desapropriaram os terrenos localizados à beira do 
rio Pará. Nestes sítios eles trabalhavam nas roças, 
nas quais plantavam mandioca, milho, arroz, feijão, 
melancia, amendoim, como também pescavam, ca-
çavam e coletavam muitas frutas. Entre elas: pupu-
nha, bacuri, uxi, cupuaçu, biriba, piquiá, entre ou-
tros, e ainda extraíam carvão.
Estes moradores se referem com muito pe-
sar a estas perdas, pois não perderam simplesmente 
seus sítios, mas, como dizem na região, formas de 
sobrevivência. Pois de lá tinham como adquirir ali-
mentos básicos importantes, sem estas alternativas, 
passaram a comprar estes produtos ou consumi-los 
em menor quantidade, e até deixar de consumir os 
de menor importância na dieta alimentar. Tem-se as-
sim mais uma questão, a segurança alimentar. 
Os moradores destas áreas ocupadas pela AL-
BRAS – ALUNORTE moveram uma ação na justi-
ça através da Associação em Defesa de Barcarena 
(ADEBAR) exigindo indenizações pelos seus sítios, 
já que apenas uma parte da população recebeu inde-
nização. Esta ação se estende há quase trinta anos, 
sem resultado favorável para os moradores.
Segundo alguns dos antigos moradores, após 
a instalação da ALBRAS e da ALUNORTE; ocor-
reu uma diminuição significativa na quantidade e 
tamanho dos peixes, que costumavam pescar nos 
“pesqueiros” (locais onde os peixes se concentra-
 37 Fórum Carajás outubro de 2010
vam), e que também, são encontrados, com freqüên-
cia, peixes mortos na orla, mais próximo ao terreno 
daquelas empresas. 
Entre os anos de 2003 a 2008 aconteceram 
vários acidentes ambientais nas praias de Itupane-
ma, com o registro da mortandade de peixes. Fato 
registrado nos jornais de grande circulação do Esta-
do, e também através de informações do Sindicato 
dos Químicos de Barcarena. A entidade representa 
os trabalhadores da Alunorte, empresa responsável 
por algumas das contaminações.
O processo de redefinição do território no 
município de Barcarena tem inúmeras implicações, 
a exemplo do que ocorreu para a construção do nú-
cleo urbano ou Vila dos Cabanos. A expulsão das 
populações tradicionais para a implantação do pro-
cesso industrial inviabilizou a agricultura familiar. 
A pequena dimensão dos lotes na Vila Nova, local 
de reassentamento dos moradores, onde atualmen-
te se encontra a área do projeto Albrás/Alunorte é 
revelador sobre assunto. As áreas foram entregues 
totalmente desmatadas, sem as plantas e árvores fru-
tíferas da região e o solo impróprio para o plantio.
Atualmente apenas uma pequena parcela da 
população de Itupanema se dedica às atividades 
agrícolas, embora morando na área urbana. Exercem 
um misto de atividades, pelo que pode ser observa-
do, trabalhando em pequenas roças e também prati-
cando atividade de natureza urbana, como pequenas 
vendas, e fazendo “bicos” diversos como estratégia 
de sobrevivência. Isso mostra o quanto é importante 
o apego a terra. Mesmo com todas as intervenções 
praticadas, a pequena agricultura, embora de forma 
restrita ainda resiste.
A pesca artesanal também é considerada uma 
atividade fundamental para a sobrevivência da po-
pulação local. Existem poucos pescadores, em torno 
de trinta famílias que resistem nesta atividade. Como 
já citado, a quantidade de peixe sofreu redução em 
função das contaminações e o constante trânsito de 
navios que trazem e levam matéria prima para as 
empresas.
Na visão capitalista trazida junto com as em-
presas, vida rural é parte do passado, e por isso há 
uma necessidadeurgente em urbanizar Barcarena. A 
população local, no planejamento dos grandes pro-
jetos, aparece como um entrave, como um obstáculo 
para o desenvolvimento da região, que deve ser re-
movido em nome do progresso.
Hoje na Vila de Itupanema o passado é repre-
sentado pela igreja católica que esta localizada na 
Praça Matriz, a escola Presidente Dutra que data de 
1950 e o cemitério da cidade. Fora isso, tudo mu-
dou, o lugar calmo e bucólico está presente apenas 
na memória dos antigos moradores.
A realidade de Itupanema é apresentada de 
forma mais crua pelos filhos dos agricultores, que no 
momento das desapropriações eram crianças. Hoje, 
adultos, não encontram terra suficiente para plantar. 
Por isso não podem ser agricultores, nem tão pouco 
pescadores, já que a pesca ficou inviável com a cria-
ção do Porto da Vila do Conde e as contaminações 
ambientais ocorridas no rio Pará. Por outro lado, 
também não tiveram a oportunidade de estudar para 
adquirir uma profissão. A geração de jovens de hoje 
não possui, a princípio, as condições adequadas para 
pleitear um emprego na região. Restou para estas 
duas gerações o direito de assistir ao crescimento es-
pantoso das empresas ALBRAS/ALUNORTE e per-
ceber o quanto o sonho de trabalhar ficou distante.
Durante estes longos anos de projeto não foi 
apresentado qualquer projeto de inclusão para os 
jovens de Itupanema. Percebemos o crescimento 
da violência, prostituição infantil, o alcoolismo e 
a mendicância no município, são problemas tipica-
mente urbanos.
Do outro lado, as empresas da Vale apresen-
tam os melhores índices de crescimento econômico 
de sua história, principalmente as apresentadas nes-
te artigo. Hoje as empresas da área de alumínio são 
as “meninas de ouro” da Vale, mas as comunidades, 
em nenhum momento são lembradas. As empresas 
esquecem a divida social, que em três décadas de 
projeto em solo Barcarenense se amplifica. Ao lon-
go dos anos de exploração de Alumínio e Alumina 
na região, o que tem ficado é o rejeito enterrado na 
terra que alimentava os filhos e filhas de Itupanema.
Memória e Desencantamento
 A história oral pode fornecer elementos difí-
ceis de serem encontrados em documentos ou livros. 
Pode fornecer informações novas, bem como a cha-
ve explicativa de fatos. Apesar dos depoimentos que 
envolvem a memória, se constituírem em história 
construída a posteriori, contém marcos temporais 
Fórum Carajás outubro de 2010 38
pessoais e coletivos que permitem contar a história 
de outra maneira. Nos relatos, encontramos certa 
idealização do passado e uma construção dramáti-
ca do passado mais recente, no entanto, trabalhar os 
depoimentos relacionalmente (BOURDIEU, 1989) 
permite evitar a naturalização dos depoimentos. 
 Memória de Itupanema - a linha da história 
através do olhar de um pescador
O depoimento do pescador aposentado Euri-
co, que mora na região desde 1928, ajuda a elucidar 
o processo de redefinição da realidade de Itupanema. 
O pescador rememora que em 1940 o número de 
famílias era pequeno, a iluminação garantida através 
do querosene, as casas cobertas de palha e o lazer vi-
nha de bandas do vizinho município de Abaetetuba. 
Aqui o pescado era farto, não tinha bandida-
gem. Cada um tinha a sua roça, seu forno de farinha, 
lembra Eurico. Conforme o pescador, o quadro co-
meçou a ser alterado a partir da década de 1950. E 
se agravou com a instalação das empresas da Vale. 
Sobre a redução do peixe pondera que: “a Alunorte 
despeja aquele licor dela. Com essa soda cáustica, 
morre muito peixe. Morreu muito. Hoje tem gente 
aqui que passa até fome. Tem apenas alguns pés de 
manga”. As transformações se aceleram em 1985, 
sublinha o pescador. 
 Além do processo de reconfiguração do ter-
ritório da região, Eurico salienta o papel coercitivo 
da empresa. Segundo Eurico, a Albras tem mandado 
até prender quem entra em áreas controladas pela 
empresa e proibir a produção de carvão:
Gilvandro - Por que as empresas da Vale proibiram 
de fazer carvão?
Eurico - Por que é tudo dela isso aí. Enganaram o 
pessoal que está até para Brasília. São 580 famílias 
que estão na justiça O dinheiro está lá nós já demos 
50 cruzeiros e mais 50 para o advogado, está corren-
do há mais de dez anos. E nada foi resolvido. Teve 
gente que pegou 20 cruzeiros de indenização, o que 
dá isso?
Gilvandro - Mas o que foi esses 20 cruzeiros? Para 
que?
Eurico - Para pagar a casa e o terreno. Nós lá em 
cima trabalhávamos com o japonês, Tako Yamada. 
Ele disse: Eu dou 800. O terreno é grande. Mede 
100 por 200 metros que eu vejo para ti. Foi ai que 
eles foram na casa do Dr. César...
Gilvandro - César Bentes?
Eurico - Sim, eu fui também. Olha, viram os pés 
de planta, os seis fornos, duas tarefas de roça, uma 
casa de farinha e a casa. Ele disse : vamos pagar 
só o forno, com a casa da farinha e as roças. O sítio 
com as casas fica pra depois. Vamos dar 20. Eu dis-
se: não, 60. Aí fiquei com 60. Fiquei com dinheiro. 
Eles primeiro davam cheque. Aí peguei os 60, 20 e 
depois 40. Aí não pagaram. Fui chamado em Barca-
rena. Não veio o da casa, só o do forno com a roça 
e a casa de farinha. Tem um dinheiro para a gente lá. 
Mas nunca mais veio.
Gilvandro - Vocês entraram na justiça?
Eurico - Foi o advogado que botou, mas está lá em 
Brasília... O padre está no meio, também.
Gilvandro - Qual padre?
Eurico - Eu me esqueço o nome do padre. Acho 
que é o padre Primo.
Gilvandro - Na época ele estava aqui em Itupane-
ma?
Eurico - Sim. Na época ele estava aqui.
Gilvandro - A igreja tinha terra, também?
Eurico - Ele estava a favor da gente.
Gilvandro - Ah, ele ajudou.
Gilvandro - Como foi essa organização de vocês 
para entrar na justiça contra a Albras?
Eurico - Eles vieram de Belém, o meu concunhado 
tinha também um terreno, deu cincoenta, encheu o 
centro paroquial lá de Barcarena. Eles falaram isso 
custa muito a justiça talvez uns três ou quatro anos, 
já tem mais de 20 anos e nada. Este dinheiro esta lá 
em Brasília.
Gilvandro - Quantas famílias na sua época foram 
desapropriada?
Eurico - Quinhentas e oitenta, agora já botaram oi-
tocentas, novecentas, mas é mentira é somente qui-
nhentas e oitenta famílias.
Gilvandro - Quinhentas e oitenta famílias foram de-
sapropriadas aqui em Itupanema?
Eurico - Praticamente sem nada, pois deram uma 
besteirazinha, compraram terreno aí na Vila Nova 
onde estão morando, outros estão lá pro CDI, lá pra 
colônia.
Gilvandro - A Vila Nova eram pessoas que mora-
vam lá no núcleo urbano?
 39 Fórum Carajás outubro de 2010
Eurico - Não eram do Murucupi, do centro que cha-
mavam assim.
Gilvandro - Aonde é a Albras e a Alunorte hoje?
Eurico - Não na Albrás e Alunorte era o pessoal do 
Conde, era muita gente do Conde. Era a turma que 
morava aqui pra trás.
Gilvandro - Onde foram desapropriadas as terras?
Eurico – Foi.
Gilvandro - E ai formou a Vila Nova?
Eurico - Formou a Vila Nova, e aqui pra trás foi a Code-
bar que desapropriou. Depois invadiram.
Gilvandro - O Jardim cabano era terras de vocês?
Eurico - É todinho invadido. 
Gilvandro - Eram terras dos moradores?
Eurico - Pra cá os Valentes, pra lá era de outros mo-
radores.
Gilvandro - Itupanema basicamente era da família 
Valente, ou tinham outras famílias?
Eurico - Aqui atrás tinha a família Valente, ali em 
baixo os Cruz. Não era muita gente. Era bem dizer 
mais ou menos uns quinze. Com os filhos era mais. 
Gilvandro - Não se faz mais farinha, carvão, não se 
tem mais terra?
Eurico - Tem, mas eles tomaram.
Gilvandro - Tem terra, mas não é mais dos mora-
dores?
Eurico - Ficaram com as terras. Nós tivemos duas 
audiências. Uma lá na câmara que foi o pessoal da 
Alunorte, deixa estarpor ali falou e tal. Ai do Muru-
cupí ganharam. Estão ganhando 15 cestas básicas.
Gilvandro - Da época da contaminação?
Eurico - São agora os daqui de fora não, veio o pes-
soal da Alunorte ai. Veio pessoal da ação social, as 
duas secretárias. A Michelle, que é a presidente fi-
cou de vir mais não veio, pois vinha o presidente da 
colônia. 
Gilvandro - Mais pra falar com os pescadores?
Eurico - É... que elas ainda disseram: cesta básica 
era bom. Amanhã a gente vem aqui pra conversar. 
Eu disse não, é o seguinte: por que isso aí, vai ser 
todo o tempo, vai chegar um tempo da gente pisar 
na praia e encher o pé todo de piche. Vai ter mais 
fábrica aqui, já estão fazendo outra pra bando de 
Conde de novo. 
Gilvandro - Como é a situação dos pescadores 
hoje?
Eurico - Ah, é muito difícil com a Alunorte. Disse: 
olha pra Alunorte e a Albrás dez ou quinze barcos 
com redes é o mesmo que dar um doce pra uma 
criança. Não é nada.
- eu vou lhe explicar logo aqui na Albrás e na Alu-
norte, uma barcada desses com alumínio, paga tudo 
e ainda sobra. Dá muito resultado isso.
Gilvandro - Quem falou foi o Funcionário da Alu-
norte?
Eurico - Sim, ele disse vamos ver como é. Ficaram 
de vir e não vieram mais. 
Gilvandro - Essa reunião foi com os pescadores?
Eurico - Foi só com os pescadores.
Gilvandro - Existe colônia dos pescadores em Itu-
panema?
Eurico - Não, tem em Barcarena. Na sede tinha um 
rapaz aqui. Mas, só fazia cadastrar os pescadores.
Gilvandro - Quem é o presidente da comunidade?
Eurico - Era o seu Morais e o Pancho. Agora eles 
estão fora porque vai ter eleição que é pra ver quem 
é fica de novo. 
Gilvandro - Existe outro centro comunitário?
Eurico - Tem o outro centro da Vila Nova.
Gilvandro - E como é a relação de Itupanema com 
os moradores de Vila Nova? Como é que vocês se 
entendem?
Eurico - Isso aí é tudo Itupanema. Lá só botaram o 
apelido de Vila Nova, mas é tudo Itupanema. Tem 
uma igreja lá. Uma festa do livramento acontece em 
maio. A nossa é em setembro, Nossa Senhora das 
Dores é a padroeira.
Gilvandro - E a Vila União?
Eurico - Vila União é pra trás da invasão
Gilvandro - Invasão?
Eurico - É invasão. O Moraes falou se ganhasse a 
eleição, ele ia fazer um troço muito bacana. Ele me 
disse: olhe seu Eurico eu vou fazer minha prestação 
de conta aqui então eu falei: vamos ver se ele vai 
fazer mesmo. Entra prefeito sai prefeito aqui não faz 
nadinha. O Laurival Cunha só botou água.
Gilvandro - As Empresas desenvolvem algum tra-
balho na comunidade?
Eurico - Se fez alguma coisa foi a Albrás.
Gilvandro - O que ela fez?
Eurico - Há... isso aqui, né?
Gilvandro - Bloquete?
Eurico - Bloquete. Ajeitou a praça. Em Vila Nova 
Fórum Carajás outubro de 2010 40
fez uma, como é que chama essa coisa de bater 
bola?
Gilvandro - Quadra.
Eurico - E a Igreja lá que eles ajudaram a forrar o 
telhado ficou bonito. Nós não temos ajuda de nada, 
o prefeito não ajuda em nada.
Gilvandro - O senhor passou toda estas mudanças 
depois que vieram as empresas, a vida aqui do povo 
de Itupenema, como ficou?
Eurico - Em parte piorou. O pessoal daqui não tem 
trabalho. Quando aparece ele pedem dois, três anos 
de experiência. Daqui não tem quatro pessoas na Al-
brás.
Gilvandro - Aqui de Itupanema?
Eurico - Da Vila Nova parece que tem dois. Daqui 
agora não tem nenhum.
Gilvandro - Tem muito jovem aqui na idade de tra-
balhar?
Eurico - Tem. O que não tem é emprego.
Gilvandro - Não tem emprego?
Eurico - Se você vai numa firma atrás de emprego, 
eles mandam para o Serviço Nacional de Emprego 
(SINE). Lá eles distribuem senhas. E mandam voltar 
no outro dia. Lá no SINE eles distribuem sopa para 
as pessoas desempregadas. Tem gente que vai só pra 
beber aquela sopa e volta.
Gilvandro - Há muito desemprego aqui em Itupa-
nema?
Eurico - Muito desemprego. Principalmente o pes-
soal que mora na beirada que vive da pesca. O pre-
feito podia nos ajudar.
Gilvandro - Como seu Eurico?
Eurico - Assim, com uma cesta básica para as famí-
lias. Eu não. Eu e a minha mulher já estamos apo-
sentados pela pesca. Hoje tem gente passando fome 
aqui.
Gilvandro - Quantos pescadores existem ainda aqui 
em Itupanema?
Eurico - Quinze.
Gilvandro - Quinze pescadores ou quinze famí-
lias?
Eurico - Só quinze pessoas.
Gilvandro - Só quinze que pescam, e os outros?
Eurico - Temos pouco pescador aqui.
Gilvandro - Mais antigamente tinha muito pesca-
dor?
Eurico - Tinha um bocado de pescador. Uns já mor-
reram, outros já trabalham em outro serviço.
Gilvandro - Trabalham onde?
Eurico - Fazem bico por aí e vão vivendo a vida.
Gilvandro - Bico?
Eurico - Trabalho de carpinteiro e pedreiro. Não 
tem emprego pra eles.
Gilvandro - Mudaram de profissão para poder so-
breviver?
Eurico - Sim. Agora os quinze que tem aí tem que 
ser da pesca mesmo.
Gilvandro - Eles continuam pescando?
Eurico - Sim. 
Gilvandro - Eles possuem barco?
Eurico - Não. Só canoa pequena.
Gilvandro - Canoa pequena?
Eurico - Arranjam normalmente da bóia. Então, 
esse da Alunorte disse: Olha o barco servia pra vo-
cês. Era bom o barco porque daria pra pegar peixe 
mar afora.
Gilvandro - Pra poder pegar peixe maior, seu Euri-
co, tem que ter um barco maior?
Eurico - Um barco pelo menos para duas toneladas.
Gilvandro - Para poder ir mais fora?
Eurico - Sim, para poder ir lá pra baixo.
Gilvandro - Porque tem que ir mais fora?
Eurico - Porque não tem peixe aqui na beira?
Gilvandro - Não tem mais peixe?
Eurico - É Pra baixo mesmo, daqui mais duas horas 
de viagem. Lá pra baixo. Pra gente topar com peixe. 
Aqui perto não tem mais. Tem besteira de peixe.
Gilvandro - Antes do projeto Albrás/ Alunorte dava 
muito peixe aqui em Itupanema?
Eurico - Dava muito... deixa eu ver... Faz trinta 
anos. Foi na década de 70. Tinha dia de 18 geleiras 
na boca do arrozal. Enchia duas, três, quatro e ia 
embora.
Gilvandro - Pra onde seu Eurico?
Eurico - Tudo pra Belém. Gente de lá do Pacoval. 
Gente de Soure, Vigia, Icoaraci, Mosqueiro, Marudá 
e até de Bragança. Tudo pescava nesta área. Tinha 
muito peixe aqui.
Gilvandro - Qual o peixe que dava?
Eurico - Piramutaba. Muita piramutaba. Dava piraí, 
peixe pra 80 quilos. E começou tudo. 
Gilvandro - Começou o que?
Eurico - As Empresas... Sumiu o peixe, de uma hora 
pra outra. Sumiu pouquinho, a piaba não veio mais.
 41 Fórum Carajás outubro de 2010
Gilvandro - Dava muita piaba?
Gilvandro - O senhor que em sua Itupanema pre-
senciou fartura depois viu também o sumiço dos 
peixes. O que o senhor acha que poderia resolver 
este problema aqui dos pescadores e suas famílias? 
Senhor falou que as empresas vão permanecer em 
Barcarena?
Eurico - Sim daí pra frente não vai diminuir mais não.
Gilvandro - O que o senhor acha que pode resolver 
a vida desses trabalhadores que estão aí sofrendo 
por conta da falta do peixe?
Eurico - Uma coisa eu disse no dia da reunião que 
fizeram com a Alunorte. O barco era bom. E depois 
do barco era fazer um cadastro dos quinze pesca-
dores para receber um salário mínimo pra ajudar as 
famílias.
Gilvandro - Melhoraria a vida deles?
Eurico - É. Cadastrava os quinze pescadores que 
tem aí pra pegar aquele salário mínimo todo mês, se 
não os barcos.
Gilvandro - O senhor acha que os barcos poderiam 
ser comprados pelas empresas?
Eurico - Sim, porque isso cada vez mais vai ficar 
pior.
Gilvandro - O senhor costuma conversar com os 
outros pescadores ?
Eurico - Sim.
Gilvandro - Tem acontecido contaminação aqui?
Eurico - Teve umas duas vezes no tempo do inver-
no. Ali tem uma “baciona” , que tem o licor. Vem a 
bauxita bota soda caustica e aí vasa pro rio. Mata o 
peixe. É tui, é piabinha, doradinha, pescada, arraia. 
Deu até na televisão.
Gilvandro - Ocorreram outras contaminações?Eurico - A primeira vez foi uma balsa que foi pro 
fundo. Não sei quantos litros de óleo que derramou 
no rio. Apareceu também na televisão. Eles deram 
quatrocentos e poucos mil. A presidente da comuni-
dade foi esperta. Ela disse o seguinte: nós estamos 
precisando de água em Itupanema. Eles deram em 
serviço.
Gilvandro - Não indenizaram os pescadores?
Eurico - Esse dinheiro era pra dar ao menos 1000 
para cada um, e ficasse com o resto. Eles fizeram o 
serviço na Vila Nova que não prestou.
Gilvandro - Eles fizeram a caixa d’água e não deu 
certo?
Eurico - Não deu certo. Não fizeram a caixa d’agua. 
Só as tubulações. Enganaram a gente.
Gilvandro - Tem água em Itupanema?
Eurico - Tem, tem bastante água. Lá é da Compa-
nhia de Saneamento do Pará (Cosanpa). 
Gilvandro - Quer dizer que lá já foi a prefeitura que 
fez no caso e não dá água?
Eurico - Não. É da Cosanpa. Vem direto pra lá
Gilvandro - Funciona o abastecimento?
Eurico - Agora aqui é de poço. Nós pagamos 5,00 
para o presidente da comunidade. Agora lá na Vila 
Nova eles pagam 7,50 no correio para a Cosanpa.
Gilvandro - E os jovens hoje, o senhor tem filhos?
Eurico - Os meus filhos já têm famílias.
Gilvandro - Como é que você vê os jovens aqui em 
Itupanema sem essa oferta de emprego?
Eurico - Já tem muito molecote. Olha outra coisa 
que vou dizer os meninos daqui com dez, doze anos 
tinham seus fornos, seu carvão, eles pescavam, fa-
ziam roças e ajudavam muito os pais. Depois que 
Albrás veio. Veio maranhense, piauiense, vem de 
tudo e a maconha veio no meio. Muitos desses é da 
maconha.
Gilvandro - Muita droga?
Eurico - Gangue no meio. São poucas as famílias 
que tem filhos legais. Alguns estudam, quando tem 
uma folga metem um pererê. 
Gilvandro - O que o senhor acha que seria necessá-
rio para melhorar a vida desses jovens?
Eurico – Olha, eles botaram karatê pra luta. Tinham 
que botar era uma oficina
Gilvandro - Oficina.
Eurico - Uma oficina para aprender negócio de mó-
veis. Uma escola pra aprender mecânica. Essas coi-
sas assim seria muito bom.
Gilvandro - Profissionalizante?
Eurico - Seria bom para os meninos. Eles pegavam 
gosto e iam trabalhar.
Gilvandro - Nunca aconteceu nem um curso profis-
sionalizante aqui?
Eurico - Nada. Um tempo que apareceu para ele-
tricista e encanador. Alguns jovens daqui fizeram e 
pegaram emprego. O menino, o filho do meu com-
padre Vanildo é eletricista. O Elizeu é eletricista. 
Ainda tem mais quatro ou cinco eletricistas e alguns 
encanadores. Os cursos deviam acontecer sempre. 
Fórum Carajás outubro de 2010 42
Gilvandro - Essas pessoas de fora são mais ou me-
nos de qual estado?
Eurico - Piauí, Maranhão, Parnaíba e Rio Grande 
do Norte.
Gilvandro - E como vocês se relacionam com as 
pessoas de fora?
Eurico - Agente se dá. Conversa com eles. São ba-
canas.
Gilvandro - O senhor falou em sítios, como eram 
esses sítios?
Eurico - Sítio é quando tem Açaizeiro, Mangueira, 
Abacabeira.
Gilvandro - Mas era vocês que plantavam mesmo?
Eurico - Agente tinha sítios plantados. A Albrás to-
mou conta de tudo.
Gilvandro - Vocês vendiam pra quem?
Eurico - Vendia pro marreteiro, que levava pra Be-
lém.
Gilvandro - E dava algum dinheiro?
Eurico - Dava. Deus o livre. Esse que veio aqui ago-
ra o compadre Bené dava era duas viagem por sema-
na. Ele ia cheio de pupunha, uxi, abacate, cupuaçu. 
Itupanema era o 1° produtor de cupuaçu daqui.
Gilvandro - Era mesmo?
Eurico - Era sim, laranja dava muito, acabou tudo. 
Eu me sinto meio triste. Tanta gente passando fome 
aí. Não tem nada. Era muito farto aqui o que estra-
gou foi isso aí.
Gilvandro - As empresas?
Eurico - É lá no Conde tá tudo seco. O menino dis-
se: a minha mãe vem morar pra cá, o vento joga pra 
lá todinho a fumaça das empresas. Os açaizeiros tão 
todo vermelho na beirada. Olha não era tão calor 
agora é mais calor que de antigamente porque a po-
luição sobe se pega com o sol e dispara muito calor.
Gilvandro - O senhor se sente muito triste por 
tudo?
Eurico - É porque tem gente que não tinha nenhum 
ganho e ia pra fora pegar um peixe. Dez quilos de 
pescada eu pegava de linha de mão. Se eu botasse a 
rede era de vinte quilos. Agora pega um quilo, dois 
é triste mesmo. Não tem fruta pra vender. Tem que 
comprar a farinha. Tem que comprar o carvão.
Gilvandro - O sr. estava falando sr. Eurico das pes-
soas que foram remanejadas do Conde e das pesso-
as que moravam aqui.Eles vieram pra cá, para Vila 
Nova?
Eurico - Para Vila Nova, não só as pessoas que tava 
daí mesmo. O de lá de onde era Alunorte/Albrás fo-
ram tudo para Bacuri, Colônia Nova, CDI, Massara-
pó, e agora criam peixes. Está bom lá pra eles. Falei 
com uma comadre... Ah compadre, graças a Deus. 
Tem Rio Capim, para subir em cima do terreno deles 
pagaram 40 mil, e ainda deram um lugar para eles. 
O pessoal tem cooperativa para lá: maracujá. Agora 
peixe. Vão fazer gaiola para criar peixe.
Gilvandro - Aqui em Itupanema, sr. Eurico, tinha 
condição de fazer esse trabalho, tipo cooperativa?
Eurico - Aqui não adianta mais.
Gilvandro – Qual o motivo? 
Eurico - A terra está tomada. Olha, aqui para bai-
xo tem mais ou menos 4 km. Daqui até no Caripi a 
Albrás não deixa tirar nem uma vara. Não tem nin-
guém aí. Nem um morador.
Gilvandro - Mas porque, o que ela alega?
Eurico - Porque é dela.
Gilvandro - Mas ela faz algum trabalho?
Eurico - Meio Ambiente. Não pode derrubar. Não 
pode morar. Lugar até pra lá que já é CODEBAR a 
pessoa pode até entrar, fazer uma casinha. Mas aqui 
não. Deus me livre. E o pescador que fez lá uma 
casa, pescava camarão. Há muitos anos lá. Chegou 
a Albrás. Tira sua casa daí, que não pode. Deram 
dinheiro para ele, comprou telha para ele e tábua. 
Fez a casinha dele. Ele vendeu, foi embora. Aí um 
rapazinho fez uma puxada na praia. Foram lá. Quei-
maram a barraca dele. E ele era pescador.
Gilvandro - Mas quem queimou a barraca dele?
Eurico - O pessoal da Albrás
Gilvandro - Que ano foi isso?
Eurico - Está fazendo uns cinco anos.
Gilvandro - E era pescador aqui de Itupanema?
Eurico - Filho da Ilha. Mas casou com uma mulher 
daqui, que a mulher ficou até aí. Não pode. Quando 
chegou uns dias aí estava queimada a casa. Era uma 
pena. Era uma puxada de palha.
O depoimento de seu Eurico é de grande ri-
queza e mostra como os moradores de Itupanema 
vivenciaram o processo de desapropriação, implan-
tação e operação das fábricas. Alguns dos muitos 
pontos levantados são dignos de nota e serão co-
mentados a seguir.
A memória permite a reconstrução de paisa-
gens perdidas. seu Eurico descreve vividamente as 
árvores, os botecos, os lampiões, as casas de palha 
e a banda que alegrava as festas. Talvez não haja 
qualquer imagem desta paisagem, mas a descrição 
de seu Eurico permite a reconstrução da paisagem.
Nota-se o interlocutor trabalha como é fre-
quente encontrarmos nos depoimentos de pessoas 
que vivenciaram grandes perturbações, uma cons-
trução feita de oposições, marcada pela temporali-
dade de um evento: a chegada das fábricas. Assim, 
antes, a natureza distribuía copiosamente seus frutos 
e o peixe abundava nos rios. Um passado que, por 
melhor que tenha sido, é vivido de forma idealizada. 
Por outro lado, o depois fica imerso na tragédia e é 
marcado pela falta, pelo bem limitado, pela fome. 
A fome parece ser a categoria crítica definidora do 
antes e do depois.
Outra categoria associada ao depois é o “en-
gano”. As empresas enganam, enquanto que o antes 
era marcado pela confiança e pela solidariedade. O 
evento das desapropriações - que mais foram expro-
priações ou expulsões - é o marco temporal central e 
o seu promotor lembrado por muitos pelo nome.
A construção mais reveladora se dá em torno 
da poluição. Essa é apropriada e descrita segundo 
uma lógica nativa baseada nas relações com a natu-
reza, mas tambémé o instrumento de reivindicação. 
A ideia da compensação dos danos perpassa as rela-
ções com a empresa. A poluição coloca a empresa 
em dívida, por isso podem ser cobrados desde os 
barcos ao salário mínimo, à infraestrutura urbana ou 
o reparo da igreja.
Por outro lado, a empresa manipula as obras, 
disputando espaço de poder com a prefeitura do mu-
nicípio. A implantação das indústrias de alumina e 
alumínio não atendeu a expectativa de desenvolvi-
mento da grande maioria da população de Barcare-
na. Pois esses projetos fizeram uma opção por um 
modelo fundamentado nos princípios capitalistas e 
privilegiaram alguns grupos econômicos, em detri-
mento da agricultura familiar tradicionalmente utili-
zado na região. 
Estes agricultores receberam pouco apoio, 
uma vez que nenhuma política foi criada para mini-
mizar os impactos provocados pelo modelo de pro-
dução trazido para o município, constatando que a 
agricultura familiar sempre ocupou um lugar secun-
dário na sociedade brasileira (Wanderley, 1996).
 43 Fórum Carajás outubro de 2010
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Energia limpa na ponta e desgraça na 
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Amazônia
Edilberto Sena1 
 O consumismo capitalista, tanto nacional com internacional, olha a Amazônia com olhos de cifrão, 
eldorado, lucro, mesmo que para isso aconteça o saque, a destruição e os impactos sociais e ambientais. 
Como o alarme mundial, por causa do aquecimento climático, se intensificou nos últimos 20 anos: o sis-
tema fantasiou o chamado desenvolvimento sustentável para continuar o saque do eldorado amazônico. A 
partir do ano 2.000 o saque se intensificou, mineradoras, agronegócio, madeireiras, fazendas de gado e 
também mais recente, as obras do tal Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC. 
1 Rádio Rural de Santarém e Frente em defesa da Amazônia.
Fórum Carajás outubro de 2010 46
 Como entender o PAC do 
governo federal, num momento 
histórico em que se discute os 
efeitos das mudança climáticas 
no planeta e a Amazônia é um dos 
pontos chaves para esse controle? 
Será ele o prosseguimento do an-
terior “Avança Brasil” do gover-
no FHC? E se for, o que parece, 
o que estará por trás desses pro-
gramas megalomaníacos, mesmo 
quando se fala em defesa da Ama-
zônia, controle do desmatamento 
e coisas parecidas? 
Como não há transparência 
da parte das autoridades federais, 
é preciso se buscar causas que 
são camufladas por presentinhos 
amansadores da população regio-
nal. Daí, o PAC reserva alguns 
milhões de reais para saneamento 
básico aqui e ali, alguns milhões 
para alguns programas ambientais 
aqui e por ali, tudo para as popu-
lações se iludirem que o PAC veio 
para melhorar a vida dos nativos. 
Santarém, por exemplo, tem pre-
vistos R$ 75 milhões do PAC para 
saneamento básico da cidade. 
Porém, do total previsto 
(504 bilhões de reais) para ser 
gasto em cinco anos, até 2012, 
dois terços serão gastos em gran-
des projetos tais como, rodovias, 
hidrovias, ferrovias, hidrelétricas 
e telecomunicações. Então, os re-
cursos do PAC na maior parte, não 
são para beneficiar as populações 
em si, mas o crescimento econô-
mico. E todas essas obras estão 
previstas num outro plano maior 
e mais abrangente de crescimen-
to econômico, o IIRSA (Iniciati-
va de Integração da Infraestutura 
Regional Sul-Americana), criado 
já no ano 2.000 entre os presiden-
tes dos países da América do Sul, 
sob inspiração do Banco Intera-
mericano de Desenvolvimento, o 
BID. Tal plano tem o objetivo de 
interligar os países da América do 
Sul desde o oceano Atlântico ao 
Pacífico, através de corredores de 
circulação de transportes de pro-
dutos ainda abundantes neste con-
tinente e ansiosamente procurados 
pelos países do G-8 e os emergen-
tes que estão crescendo, apesar da 
crise econômica mundial.
 É neste contexto que se 
deve compreender os grandes 
projetos do PAC. Entre outros, 
cinco hidrelétricas só na bacia do 
rio Tapajós, num total de cerca de 
15 mil mega wattz de energia, que 
o presidente da república costu-
ma alardear que é abundância de 
energia limpa. Grupos da socieda-
de civil organizada em Santarém, 
Itaituba, entre os índios Munduru-
cus e até em coordenações de uni-
dades de conservação no entorno 
da bacia to rio Tapajós se pergun-
tam – energia limpa e abundante 
para quem? Indagado quatro me-
ses atrás em Brasília por um inter-
locutor da Amazônia, o ministro 
do meio ambiente, Carlos Minc 
desviou a resposta e só disse 
que era para o desenvolvimento 
da Amazônia. O interlocutor riu 
ironicamente do ministro que se 
fazia de bobo, porque sabia que 
a resposta honesta seria – para 
atender às empreiteiras que con-
trolam os contratos de construção 
de barragens no Brasil inteiro e, 
principalmente atender à fome de 
eletricidade intensiva das grandes 
empresas mineradoras que estão e 
vão se instalar na região, especial-
mente no oeste do Pará.
 A Eletronorte já vem tra-
balhando no programa de cinco 
hidrelétricas no Tapajós/Jaman-
xim há mais de 10 anos, silen-
ciosamente e sem dialogar com 
as populações ribeirinhas e da re-
gião do Baixo Amazonas queserá 
toda impactada pelas obras fara-
ônicas. Apenas nos dois últimos 
anos, alguns grupos do movimen-
to popular organizado descobri-
ram que a coisa era urgente para o 
Ministério das Minas e Energia e 
a Eletronorte. Os estudos já esta-
vam bem adiantados e nunca eles 
chamaram a sociedade regional 
e menos ainda os moradores, os 
indígenas e os responsáveis pelas 
áreas de conservação que serão 
atingidas pelas barragens. 
Segundo dados da Eletro-
norte o cronograma está assim 
montado: o estudo de viabilidade 
já foi feito, agora chega o pedido 
de licença para o EIA RIMA, se 
possível ainda antes do fim deste 
ano. Em 2.012 deve ser dada a li-
cença de operação, depois de fala-
ciosas audiências públicas, como 
foram as de Belo Monte dias atrás. 
E assim por diante, de forma que 
se não houver entraves, até o ano 
2.018 as primeiras turbinas esta-
rão gerando 6.000 megawatts em 
São Luiz do Tapajós. 
Em recente encontro em 
Itaituba (21/08) a convite do Con-
selho Consultivo do Parque Na-
cional da Amazônia, estiveram 
em confronto duas exposições, 
com visões opostas de Amazô-
nia e de desenvolvimento. Três 
técnicos da Eletronorte (dois de 
Brasília e um de Manaus) compa-
receram para expor o cronograma 
e as vantagens das construções 
de cinco hidrelétricas na bacia do 
Tapajós. Logo após, apresentei 
um contraponto àquela exposição 
que chamei de propaganda para 
“inglês ver”. Eles mostraram as 
vantagens das hidrelétricas para o 
crescimento econômico “do Bra-
sil” (Alcoa, Rio Tinto, Vale, Cai-
ma e demais empresas explorado-
ras de minérios na Amazônia). 
Mostraram eles um docu-
mentário bem feito, ilustrativo de 
como as hidrelétricas no Tapajós 
serão modelo mais moderno, com 
mínimos impactos ambientais e 
sociais. Oito ou dez minutos de 
propaganda que me fez lembrar a 
estratégia de Goebels e Hitler na 
Alemanha nazista (uma mentira 
repetida muitas vezes parece ver-
dade...). Depois descobrimos que 
o próprio presidente Luiz Inácio 
determinou que todas as embai-
xadas brasileiras tivessem uma 
cópia do filmete para mostrar a 
todos os visitantes e contatos, em 
línguas diferentes. 
Isto é, o presidente parece 
estar preocupado com as lutas que 
a sociedade civil está assumindo 
em Belo Monte, Jirau, Santo An-
tonio e Tapajós. Surpreendente-
mente, os três técnicos não contes-
taram minhas argumentações que 
mostravam a desgraça para os ha-
bitantes da região, caso as hidre-
létricas venham a ser construídas. 
Apenas, em certo momento um 
disse que eles são técnicos e só 
respondiam a questões técnicas, 
já as questões políticas das obras 
só o governo podia responder.
Como ele costuma dizer, 
“nunca antes neste país...” um 
presidente decidiu enfiar goela 
abaixo, dez mega hidrelétricas na 
Amazônia, sem respeitar os mo-
radores da região. Estes são en-
traves ao crescimento, indígenas, 
ribeirinhos, quilombolas, ONGs e 
Ministério Público Federal. Para 
ele o que interessa é o PAC a ser-
viço do grande Plano IIRSA. Os 
entraves que possam aparecer 
devem ser afastados com lei, ou 
novas normas.
No momento atual, um 
movimento está iniciando em de-
fesa dos rios Tapajós e Jamanxin. 
Três encontros já aconteceram em 
Itaituba e um em São Luiz do Ta-
pajós, desde novembro de 2008. 
Três seminários fora promovidos 
pelo movimento BR.163 susten-
tável em aliança com o Movimen-
to popular Frente em Defesa da 
Amazônia (FDA), de Santarém. O 
mais recente encontro foi promo-
vido pelo Conselho Consultivo do 
Parque nacional da Amazônia. 
Em Santarém foram reali-
zados dois seminários, organiza-
dos pela Diocese de Santarém em 
aliança com a Frente em Defesa 
da Amazônia. Encontros já foram 
realizados na cidade de Aveiro, 
nas comunidades Tauaraí e Pinhel, 
no baixo Tapajós. A FDA orga-
nizou uma exposição a ser feita 
num confronto com pessoal da 
Eletronorte em sessão especial na 
Câmara de Vereadores em Santa-
rém, em outubro. 
Na primeira semana de no-
vembro, membros da FDA estarão 
na missão Cururu, entre os índios 
Mundurucus em três dias de en-
contro. A organização dos frades 
e freiras franciscanos, que estão 
há cem anos na missão entre os 
Mundurucus, está organizando os 
encontros com lideranças indíge-
nas para refletir sobre os danos e 
invasões que as cinco hidrelétri-
cas farão nas terras e costumes 
deles.
Assim alguns movimentos 
populares estão sensibilizando as 
comunidades, cidades e povos so-
bre a gravidade dos projetos hidre-
létricos promovidos pelo governo 
“Brasil de Todos” contra a Ama-
zônia e seus povos. Infelizmente 
ainda é pequena a participação 
popular. Mesmo organizações de 
moradores, sindicatos, professo-
res continuam indiferentes, como 
se os projetos hidrelétricos, como 
os outros grandes projetos não os 
atingissem. Outros raciocinam 
como se aqueles viessem trazer 
empregos e desenvolvimento. Mas 
a luta continua como continua em 
Porto Velho e no Xingu. Tapajós 
viverá.
 47 Fórum Carajás outubro de 2010
Geração de energia na Amazônia-
caso de Estreito em questão1 
Rogério Almeida2 
O presidente Lula inaugurou no dia 04 de outubro de 2008 a segunda casa de força da hidrelétrica de 
Tucuruí, no sudeste do Pará. A UHE de Tucuruí é a maior hidrelétrica genuinamente nacional e foi erguida 
no rio Tocantins há 24 anos para alimentar com energia subsidiada empresas de produção de alumínio no 
Pará, Albrás e Alunorte, do grupo Vale e a Alumar, no Maranhão, da estadunidense Alcoa. 75% da produção 
de energia de Tucuruí vão para a exportação e o estado possui uma das tarifas domésticas mais caras do país. 
O derradeiro reajuste foi de 16%. 
1 Reportagem publicada originalmente no blogue FURO em novembro de 2008 e reproduzida no site do www.forumcarajas.org.br, que apoio 
o trabalho.
2 Colaborador da rede Fórum Carajás, mestre em Planejamento do Desenvolvimento pelo Núcleo de Altos Estudos da Amazônia (NAEA/
UFPA).
 49 Fórum Carajás outubro de 2010
A segunda casa tem potên-
cia instalada de 4,1 mil megawatts. 
Junto com a primeira casa de for-
ça a potência instalada de Tucuruí 
vai ser de 8,3 mil megawatts. O 
maior empreendimento do setor 
de energia encontra-se em cons-
trução no mesmo rio, na fronteira 
do estado Maranhão com o To-
cantins, no município de Estreito. 
A construção de hidrelétri-
cas na Amazônia integra um por-
tfólio de projetos baseados no uso 
intensivo dos recursos naturais da 
região. O modelo de desenvol-
vimento tem na concentração da 
terra, renda e do poder político 
e econômico seus pilares e ativa 
tensões entre populações conside-
radas tradicionais e grandes cor-
poração do capital mundial. 
No caso de Estreito, tais 
projetos tensionam com comuni-
dades indígenas Krahô, Apinajé, 
no estado do Tocantins, e Gavião 
e Krikati no Maranhão. Na fron-
teira há ainda pescadores, extrati-
vistas e camponeses, ladeados por 
reservas como a Serra das Mesas 
do lado maranhense e um sítio de 
árvores fossilizadas no Tocantins. 
A hidrelétrica de Estreito prestes 
a completar o segundo ano em 
fevereiro de 2009, avança sobre 
o rio. 
Estreito em questão – um 
mapa de enclaves 
A BR-010 corta o muni-
cípio de Estreito, oeste do Mara-
nhão. A cidade há três anos tinha 
uma população estimada em 10 
mil habitantes localizados na sede 
de um total de 26.490, conforme 
os dados do ano de 2007 do Ins-
tituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística (IBGE). Ainda confor-
me o IBGE, até 2001 a população 
total do município era calculada 
em torno de 22.930, bem antes do 
início da obra, fevereiro de 2007. 
O município de Estreito 
encontra-se numa região repletaem implantação de grandes proje-
tos púbicos e privados. A cidade 
dista 100 km do pólo de soja con-
siderado um dos mais importantes 
do país, na cidade de Balsas, sul 
do Maranhão e tem como vizinha 
Aguiarnopólis, cidade do norte do 
Tocantins e fica mais de 500 km 
da capital do estado, São Luís. Os 
economistas tratam o modelo eco-
nômico de enclave, traduzindo, 
não dinamiza a economia local. 
Além do pólo de soja, im-
pactam o município a implanta-
ção da ferrovia Norte-Sul, a am-
pliação da BR-010 e a construção 
do maior projeto hidrelétrico do 
país, a hidrelétrica de Estreito, no 
rio Tocantins. Não muito distante 
dali, no município de Açailândia, 
um pólo de gusa dinamiza uma 
cadeia de destruição ambiental e 
de trabalho escravo para a produ-
ção do carvão vegetal. 
O grotão e o planeta 
O empreendimento da 
UHE de Estreito pluga o grotão 
marcado por inúmeras chacinas 
de camponeses ao resto do mun-
do através da geração de energia. 
O empreendimento pertence ao 
Consorcio Ceste, que aglutina as 
grandes corporações do quilate 
da Camargo Corrêa (4.44%), AL-
COA (25.49%), Vale (30%) e a 
belga Suez-Tractebel (40.07%).
O custo da obra é estimado 
em 2.5 bilhões de reais para que 
Estreito gere 1.087 MW de ener-
gia. Os barramentos no rio devem 
ultrapassar a casa das 50 unidades 
entre grandes e Pequenas Centrais 
Hidrelétricas (PCH’s). As PC’s 
produzem no máximo 3 mil kw. 
Ambientalistas que tratam sobre 
barragens advertem que caso se 
sacramente o planejamento esta-
tal, o rio Tocantins deve se trans-
formar num grande lago, onde os 
impactos ambientais e cumulati-
vos são imensuráveis. 
A radical alteração do ciclo 
de reprodução dos peixes, des-
truição da mata ciliar e inundação 
de florestas nativas que abrigam 
animais silvestres são alguns dos 
impactos pontuados. Empreendi-
mentos de grande porte tendem a 
atrair grandes contingentes de mi-
grantes. 5.500 operários da cons-
trução civil estão no canteiro de 
obras atualmente. Cabe interro-
gar: para onde essa população irá 
após a conclusão da obra, prevista 
para 2010? 
 Estreito e Carolina no Es-
tado do Maranhão, e Aguiarnópo-
lis, Babaçulândia, Barra do Ouro, 
Darcinópolis, Filadélfia, Goiatins, 
Itapiratins, Palmeirante, Palmei-
ras do Tocantins e Tupiratins se-
rão os municípios afetados direta-
mente pela obra. 
As cidades abaladas pelo 
empreendimento tendem a ter os 
preços da terra, do aluguel e venda 
de imóveis inflacionados. As pe-
riferias proliferam ladeadas pela 
marginalidade, aumento de con-
sumo de álcool e a criminalidade. 
Até três anos atrás no município 
de Estreito não se via mendigos 
Fórum Carajás outubro de 2010 50
nas ruas. Um passeio na rodovi-
ária local indica a alteração dessa 
realidade. 
Carros das empresas sina-
lizados com uma bandeira verme-
lha com um X, homens fardados 
de variadas indumentárias que 
indicam a variedade de empresas 
que atuam no canteiro de obras da 
barragem, ônibus que os carregam 
agora fazem parte da paisagem na 
cidade. O trabalho é terceirizado. 
A hidrelétrica de Estreito 
encontra-se em croquis dos plane-
jadores de velha data. Localiza-se 
na bacia Araguaia-Tocantins, con-
siderada a maior em potencial de 
geração de energia hidroelétrica 
do Brasil. Tal modelo de empre-
endimento ratifica uma economia 
baseada no uso intensivo dos re-
cursos naturais, ou seja, extrativa.
O hoje ministro das Minas 
e Energia, Edson Lobão, reco-
nhecido pelos serviços prestado 
à ditadura, integrante do ninho 
da família Sarney, ainda quando 
senador foi um dos mais fervoro-
sos defensores da implantação da 
hidrelétrica de Estreito. Dono de 
meios de comunicação na região 
Tocantina, cedeu os veículos que 
controla para que alardeassem as 
“benesses” da instalação do em-
preendimento. 
A Tractebel em Goiás
Bento Rixen, da Comissão 
Pastoral da Terra (CPT) de Goi-
ás em artigo publicado em 2003, 
numa publicação do Fórum Cara-
jás, “Escritos sobre a água” alerta 
sobre os passivos sociais e am-
bientais provocados pela empre-
sa na construção da hidrelétrica 
de Cana Brava, nos município de 
Minaçu e Cavalcante. 
Por conta da indiferen-
ça dos diretores da Tractebel em 
relação às populações atingidas 
a CPT mobilizou a visita de um 
grupo de representantes de ONGs 
belgas. Os militantes internacio-
nais puderam conhecer o cotidiano 
das famílias que foram expulsas 
de suas terras, e os desdobramen-
tos do lago que surgiu depois da 
construção da barragem. 
Rixen em um artigo expli-
cita que a indenização proposta 
aos atingidos pela barragem fi-
cou no patamar de R$ 5.300,00. 
O militante da CPT adverte que 
muitos não aceitaram esse valor 
considerado uma “mixaria”. No 
Ministério Público de Brasília e 
em Goiânia um documento enu-
mera 804 famílias cadastradas 
como atingidas. 
O reassentamento é uma 
das questões mais delicada no 
processo de implantação de hi-
drelétricas. Em geral não se con-
segue reproduzir as mesmas con-
dições de reprodução de vida das 
origens dos trabalhadores rurais. 
Esse tem sido um questionamento 
constante, e a construção de La-
jeado e Serra da Mesa, erguidas 
no estado do Tocantins ratificam 
a tese sobre a questão. 
A equipe de belgas visi-
tou uma área de 26 famílias reas-
sentadas pela empresa Tractebel. 
Apesar de boa casa e uma parce-
la de 20 ha, eles não estão bem. 
Entrevistados reclamam que só é 
possível produzir em um hecta-
re. Posto ter de manter a reserva 
ambiental e a impossibilidade de 
plantar sobre os morros. Segundo 
a família, a plantação tem de ser 
irrigada, entretanto, eles não pos-
suem dinheiro para pagar a ener-
gia da bomba de irrigação, revela 
Rixen. 
Um grupo de 42 famílias 
na época vivia debaixo da lona 
preta na periferia de Minaçu. Os 
belgas denunciaram que eles fica-
ram sem comida, sem água potá-
vel e sem emprego. A “moradia” 
ficava a 500 metros de uma área 
de mineração de amianto, em um 
terreno que a própria prefeitura 
cedeu.
Em outro local de visita 
da equipe as terras férteis vira-
ram brejos por conta da proxi-
midade com o lago da barragem. 
Tornou-se impossível produzir os 
alimentos para sustento da famí-
lia. O cheiro de fermentação e os 
mosquitos completavam o quadro 
crítico. 
Desenvolvimento para 
quem?
O Banco Nacional de De-
senvolvimento Econômico e So-
cial (BNDES) é o principal agen-
te financiador da obra, ou seja, a 
sociedade financia um modelo de 
desenvolvimento arcaico. Não se-
ria mais prudente o Estado induzir 
um modelo de desenvolvimento 
contrário, em setores intensivos 
em tecnologia, por exemplo? 
Artigo no jornal Le Mon-
de Diplomatique Brasil, edição 
de outubro de 2008, do profes-
sor João Roberto Lopes Pinto, da 
Pontifícia Universidade Católica 
(PUC/RJ), baseado em relatórios 
do próprio BNDES, indica que tal 
opção de desenvolvimento inten-
siva no uso dos recursos naturais, 
induz a um crescimento menor de 
renda e da produtividade, onde 
prevalecem a ocupação informal, 
 51 Fórum Carajás outubro de 2010
precária e de baixa qualificação. 
Gozam da gentileza do Estado 
o setor da mineração, celulose e 
etanol. 
Tal modelo de desenvol-
vimento induzido pelo Estado 
tende a fortalecer ainda mais as 
desigualdades existentes no país. 
Nesse sentido um conjunto de 
organizações sociais e políticas 
organizaram a frente “Platafor-
ma BNDES,” explica o artigo do 
professor Pinto. A frente deseja 
pressionar o governo para que 
reoriente a política do BNDES 
em favor de um desenvolvimento 
que busque a superação das desi-
gualdades e promova os direitos 
sociais. 
Pinto reflete que a Plata-
forma argumenta quese faz ne-
cessário, entre outros pontos, a) 
fortalecer a economia de base 
camponesa e familiar, que garan-
te produção para o mercado in-
terno; b) descentralizar o crédito 
e que fomente a diversificação 
produtiva e a inovação técnica; c) 
incentivar a participação pública 
em obras de infraestrutura social, 
como uma política de saneamento 
básico. 
Comissão Mundial de 
Barragens Adverte
Entre os anos de 1997 a 
2000 uma comissão realizou es-
tudos sobre a construção de bar-
ragens em todo o mundo. Tucuruí 
foi o caso selecionado na América 
Latina. A construção de barragens 
do Brasil é responsável por 40% 
do valor da dívida externa. En-
tre os impactos da construção de 
barragens como a de Estreito os 
estudos organizados pela Comis-
são Mundial de Barragens (Banco 
Mundial, construtores, atingidos 
por barragens, pesquisadores) 
verificaram-se:
a) Alagamento e saliniza-
ção afetam um quinto das terras 
irrigadas no mundo, incluindo 
terras irrigadas por grandes bar-
ragens e apresentam graves im-
pactos de longo prazo, muitas 
vezes permanentes, sobre a terra, 
a agricultura e a subsistência da 
população;
b) as grandes barragens 
provocam impactos cumulativos 
sobre a água, inundações naturais 
e a composição de espécies quan-
do várias barragens são implanta-
das em um só rio (caso da bacia 
Araguaia-Tocanstins); c) as gran-
des barragens provocam destrui-
ção da floresta e locais selvagens, 
o desaparecimento de espécies e 
a destruição das áreas de captação 
à montante devido à inundação da 
área do reservatório;
d) as grandes barragens 
provocam o deslocamento de 40 
a 80 milhões de pessoas em todo 
o mundo; muitas das pessoas des-
locadas não são reconhecidas (ou 
cadastradas) como tal e, portanto, 
não são reassentadas ou indenizadas.
Histórias de garimpeiros
Na região as histórias de 
venturas e desventuras sobre a 
busca de riqueza fácil em garim-
pos no Pará é generosa. Francis-
co foi o moto-taxista que serviu 
como guia na ensolarada Estreito. 
Ele soma uns 40 anos e é filho de 
migrantes do Ceará, estado que 
nunca chegou a retornar após ter 
ficado adulto. O nosso guia pe-
rambulou pelos garimpos do su-
deste do Pará nos município de 
Xinguara, Rio Maria, Redenção e 
São Félix do Xingu. 
Mamão, Pedra Rica, Ca-
muru são alguns dos garimpos em 
que Francisco passou. Num deles 
ganhou um pouco de dinheiro com 
o ouro encontrado. Fala que não 
guardou muito da sorte que teve 
na década de 1980. “Dinheiro de 
garimpo parece que é amaldiçoa-
do. Nunca durou muito”, reflete o 
moto-taxista. Francisco informa 
que passou no maior garimpo a 
céu aberto do mundo, o de Serra 
Pelada, mas não ficou por lá. 
Ele lembra de pessoa que 
“bamburou“ (achou muito ouro) 
até 300 quilos de ouro. Teve for-
tuna em fazendas de gado e casas, 
como o caso de um garimpeiro 
que mora em Estreito conhecido 
como Índio. O afortunado é do 
município de Codó. Quando ele 
pegou o dinheiro comprou uma 
penca de carros e invadiu a cida-
de natal exibindo o “sucesso” em 
terras paraense, conta Francisco. 
Nas idas e vindas de Fran-
cisco ao Pará em busca de riqueza 
perdeu dois irmãos. A perda mais 
trágica foi a do caçula. Francisco 
lembra que o irmão tinha apenas 
16 anos, e que era muito generoso 
com as pessoas ao redor. Mas, a 
realidade do garimpo não permite 
tal atitude. 
Após achar uma peque-
na porção de ouro foi tocaiado e 
morto por parceiros de farra em 
bebidas e cabarés. Um outro ir-
mão não tem notícia faz mais de 
15 anos. Francisco acredita que 
ele mora em Redenção, sudeste 
do Pará. 
A busca pelas fotos
Falo a Francisco do inte-
resse em fazer fotos da obra da 
UHE de Estreito. Ele sugere que 
alugue uma canoa. Somente ela 
pode levar você até o local onde 
a construção começou. Numa via-
gem até um portinho tenho sorte, 
deparo-me com José Antônio por 
volta das 11h da manhã de um dia 
escaldante. Antônio entre outras 
atividades é pescador, feirante e 
dono de sítio. 
Passou toda a manhã numa 
exaustiva viagem, onde foi buscar 
a esposa e uns porcos para criar 
no sítio que tem na periferia do 
município de Estreito. Acusando 
cansaço resistiu em pegar a em-
preitada de uma viagem que du-
rou mais de uma hora ida e volta 
no caudaloso Tocantins até o can-
teiro da obra. A viagem ganha em 
emoção posto o motor da canoa 
padecer de panes quando esquen-
ta. O jeito é parar e apreciar a pai-
sagem. 
No portinho algumas em-
barcações. Uma barraca comercia-
liza bebidas. Moradores se diver-
tem no rio e tomam umas pingas. 
As casas são humildes. Destoam 
do gigantismo da obra vizinha. A 
arquitetura de compensado e co-
bertura de palha socorre os mora-
dores nos dias de chuva. Antônio 
limpa a merda dos porcos da ca-
noa e iniciamos a viagem. Ainda 
de onde saímos é possível avistar 
o local. 
Dragas, barcos de vigilân-
cia, numa paisagem onde é possí-
vel se avistar babaçuais e outros 
tipos de vegetação antecipam a 
nossa chegada. A passagem de 
uma embarcação veloz conhecida 
como voadeira forma banzeiros e 
faz a nossa canoa sacudir no meio 
do Tocantins. Antônio sugere cui-
dado. 
O pescador avisa que os 
vigilantes do barco ficam ali para 
impedir que a passagem dos ribei-
rinhos quando usam dinamite na 
obra. Segundo ele, as explosões 
são comuns no raiar do dia e no 
apagar da tarde. 
Há luz nos grotões?
A instalação da hidrelétri-
ca de Estreito coleciona inúmeros 
capítulos. Os relatórios de impac-
tos sócio-ambientais amplamente 
criticados, as ações nos Minis-
térios Públicos do Maranhão e 
Estreito, mobilizações do Movi-
mento dos Atingidos por Barra-
gens (MAB), apoiados pelo MST, 
atentado à bala de um gerente de 
operações contra militantes con-
trários a instalação da barragem, 
greve de operários do canteiro de 
obras por conta da péssima quali-
dade da comida e assédio moral 
de um gerente, que acabou sendo 
espancado pelos operários. 
O progresso, geração de 
emprego e desenvolvimento são 
os argumentos dos alinhados na 
 53 Fórum Carajás outubro de 2010
defesa do projeto. Qualquer voz 
que destoe de tal perspectiva é tra-
tada como ressonância de forças 
externas que não desejam o pro-
gresso do país. É comum a ojeriza 
a movimentos sociais e manifes-
tações de xenofobia a análises e 
ONG´s internacionais que fazem 
oposição ao modelo do empreen-
dimento. 
Isso foi verificado desde 
o processo de audiências públi-
cas. A força da “grana” coopta de 
clérigos a políticos, passa pelo in-
centivo a criação de associações 
de fachada, como o caso da As-
sociação de Atingidos pela Barra-
gem, entre outras. As audiências 
que seriam um espaço de debate 
possuem ares de congresso de 
“partido único”, isso na capital ou 
interior.
 
A propaganda é a alma 
do negócio?
Os boletins do Ceste ce-
lebram uma série de ações junto 
aos mais diversos segmentos da 
sociedade. Um posto de atendi-
mento ao migrante localizado na 
pequena rodoviária indica para 
que as pessoas façam ficha no 
Sistema Nacional de Emprego 
(SINE), sempre com filas enor-
mes. Escritórios do consórcio se 
espraiam em cidades estratégicas 
nos dois estados. 
Os jornais do consórcio 
celebram ainda cursos que pas-
sam pela “inclusão digital” com a 
Colônia de Pescadores- Z-35, que 
se manifestou contra o acampa-
mento do MAB, doação de ambu-
lância, doação de computadores a 
unidades de saúde. O que traduz 
uma confusão sobre o papel do 
Estado e o da empresa. São ofer-
tados ainda em parcerias com o 
Serviço Nacional de Aprendiza-
gem Industrial (SENAI), cursos 
de panificação e costura. 
Não raro os boletins inun-
dam suas páginas com depoimen-
tos de famílias que já foram desa-propriadas pelo Consórcio. Tudo 
é flor nesse jardim? Uma série de 
reportagens de Beatriz Camargo, 
pública no site Repórter Brasil, 
no mês de julho indicam que não. 
Sobre a especulação imobiliária, 
a série indica que houve pressão 
por parte de pessoas de empresas 
terceirizadas na compra de imó-
veis, com vistas a serem desa-
propriados com um melhor preço 
pelo consórcio. 
A não inclusão dos povos 
indígenas como setores que po-
dem ser afetados pela constru-
ção é um outro ponto. O certo é 
que desde o começo do processo 
há uma série de temas nublados. 
Enquanto isso as obras avançam 
sobre o rio, sobre as histórias das 
populações locais, a reconfigurar 
uma região prenhe em conflitos 
na disputa pele terra e os recursos 
naturais nela existentes. 
Sindicato dos Trabalha-
dores Rurais (STR)
Raimundo Carvalho, co-
nhecido como Cabeça Branca, 
dirigente sindical rural de Estrei-
to, explica que no começo todo 
mundo achava que a barragem ia 
ser boa. Aos poucos o povo vai 
aprendendo que não é bem assim. 
Carvalho foi operário na constru-
ção da barragem de Boa Esperan-
ça, no rio Parnaíba, no estado do 
Piauí na década de 1960, e tam-
bém um atingido pela própria 
obra que ajudou a erguer. 
 Carvalho lembra que o di-
nheiro que ganhou não conseguiu 
comprar nem metro de terra de-
pois. “Com a terra a gente comia 
todos os dias, ganhava um dinhei-
rinho e podia trabalhar a família 
por muito tempo. Dinheiro não é 
tudo na vida”, arremata o senhor. 
Ele alerta que a média de inde-
nização tem sido de 30 mil reais. 
Ele teme pelos idosos. “Tenho um 
colega que mora só. Vai ser desa-
brigado. Tem uns 80 anos. O que 
ele vai fazer aqui na cidade?”, in-
terroga o sindicalista. 
Construção civil - sindi-
cato em construção
Delfino Araújo é o presi-
dente do recém criado Sindicato 
da Construção Civil de Estreito, 
que tem 140 sócios como funda-
dores. Ele explica que o registro 
para a criação do sindicato foi 
publicado no Diário Oficial em 
fevereiro deste ano. O sindicato 
ainda está em fase de construção, 
é o que se conclui após a conversa 
com o dirigente. 
Araújo ainda não sabe 
quantificar quantas empresas es-
tão no canteiro de obras da hidre-
létrica e nem o número preciso de 
operários. Ele informa que já so-
licitou os dados para o setor res-
ponsável. 
Sobre a paralisação de 
11 dias dos operários no mês de 
julho, Araújo relata que as con-
dições precárias de trabalho e a 
ração foram os motivadores. O di-
rigente alerta que o sindicato ne-
cessita tomar pé dos dados, para 
que possa garantir uma interven-
ção qualificada. 
 
Grandes Projetos na Amazônia:
mineração em Juruti e a produção
de energia1 
Rogério Almeida
1.500 pessoas ocuparam no dia 28 de janeiro de 2009 uma área de operação da empresa estaduniden-
se Alcoa, no município de Juruti, oeste do Pará. No local é explorada uma mina de bauxita, matéria-prima 
para a produção de alumina que é em seguida transformada em alumínio.
O empreendimento fica na bacia do Amazonas. Um bilhão de reais deve ser aplicado para produzir 
1 Trabalho publicado no site www.plataformabndes.org.br em fevereiro de 2009
 55 Fórum Carajás outubro de 2010
quatro milhões de toneladas do 
minério. Desse total de investi-
mento a sociedade brasileira vai 
entrar com 500 milhões através 
do Banco Nacional de Desenvol-
vimento Econômico e Social (BN-
DES) a juros módicos.
A companhia é uma das 
maiores mineradoras do mundo 
e opera em 32 países nos quatro 
continentes. No Maranhão man-
tém uma empresa de produção de 
lingotes de alumínio. A Alumar, 
desde a década de 1980, em so-
ciedade com a BHP Billiton e que 
deverá incrementar a produção 
de 368 mil para 420 mil tonela-
das. Por isso o interesse na mina 
de Juruti, que também vai eman-
cipar a Alcoa do fornecimento da 
Mineração Rio do Norte, da Vale, 
que extrai a bauxita no município 
de Oriximiná, na mesma região. 
Além das frentes de mineração o 
baixo Amazonas tem em pauta a 
construção de hidrelétricas no rio 
Tapajós e é impactado pela mono-
cultura de grãos e pelo porto da 
Cargill.
Além de negócios no Ma-
ranhão e agora no Pará, a Alcoa 
também é acionista majoritária 
do consórcio Baesa, responsável 
pela usina hidrelétrica de Barra 
Grande, localizada na região Sul 
do país. Junto com o grupo Vo-
torantim, a Alcoa foi denuncia-
da pela violação das Diretrizes 
para Empresas Multinacionais 
da Organização para Cooperação 
e Desenvolvimento Econômico 
(OCDE).
A Alcoa e o grupo Voto-
rantim foram denunciados pelo 
Movimento de Atingidos de Bar-
ragens (MAB) no ano de 2005. As 
empresas aproveitaram a Avalia-
ção de Impacto Ambiental apre-
sentada, em 1999, pela empresa 
Engevix Engenharia S. A., que 
atestava de modo fraudulento a 
viabilidade ambiental da explora-
ção do potencial hidroelétrico no 
rio Pelotas, afluente do rio Uru-
guai, informa nota do MAB.
No caso do Pará, os mili-
tantes denunciam os danos aos re-
cursos hídricos, redução do pesca-
do, impedimento do direito de ir e 
vir dos ribeirinhos, diminuição da 
coleta da castanha do Brasil, andi-
roba e outras fontes de proteína e 
recursos da flora usados para fins 
medicinais.
O projeto representa tam-
bém um risco de morte aos traba-
lhadores, por conta da construção 
da ferrovia que escoará o minério. 
Eles explicam que não há túneis 
ou desvios nos trechos que cor-
tam os projetos de assentamento 
impactados pela obra.
Durante a ocupação, a tro-
pa de choque da Polícia Militar foi 
acionada. Os policiais usaram gás 
de pimenta e bombas de gás lacri-
mogêneo contra os manifestantes. 
Crianças e mulheres foram atingi-
das. Afinal, quem é o inimigo?
Documento sistematizado 
por Raimundo Gomes da Cruz 
Neto, sociólogo que visitou as 
comunidades atingidas, escla-
rece que a mina está localizada 
numa área de floresta densa, nas 
cabeceiras do lago Juriti Grande, 
caracterizada por três platôs. A 
ferrovia atravessa dois projetos 
de assentamento de agricultores, 
criados pelo Instituto Nacional de 
Colonização e Reforma Agrária 
(INCRA).
Um deles é o Socó, com 
420 famílias, das quais 43 tive-
ram seus lotes atravessados pela 
ferrovia, que receberam por inde-
nização R$ 0,24/metro quadrado, 
por força de um acordo entre o 
sindicato e a empresa, enquanto 
reivindicavam R$ 3,00. O porto 
está colado à cidade sede do mu-
nicípio de Juruti, de onde várias 
famílias estruturadas social e eco-
nomicamente no bairro Terra Pre-
ta foram expulsas.
Gerdeonor Pereira, diri-
gente no Projeto de Assentamento 
Extrativista (PAE) Juruti Velho, 
informa que 80% do minério es-
tão no PAE. O militante informa 
que pelo menos 50 mil hectares 
de floresta devem ser derrubados.
“O projeto trouxe para a 
cidade umas 15 mil pessoas. O 
município não tem estrutura para 
cuidar desse povo com moradia, 
saúde e escola. Hoje a empresa 
já iniciou as demissões porque 
as construções estão em fase de 
conclusão. Para onde esse povo 
vai”, interroga Pereira? Há infor-
mes que por conta de migração o 
município passou por dois surtos 
de hepatite. A fase de construção 
é considerada onde a prefeitura 
mais fatura com arrecadação do 
Imposto Sobre Serviço (ISS). A 
estimativa é de um milhão por 
mês desde 2006.
A presença da empresa 
também incrementou o mercado 
de prostituição, drogas, especula-
ção imobiliária e ocupações.
Os passivos socioambien-
tais já experimentados nas 60 
comunidades onde vivem cerca 
de quatro mil famílias num total 
aproximado de nove mil pessoas 
foram omitidos nos estudos de 
impactos ambientais, realizados 
pela empresa CNEC Engenharia 
Fórum Carajás outubro de 201056
e apresentado pela Alcoa para ob-
ter a licença. 
A CNEC é a mesma em-
presa que realizou os estudos 
para a construção da hidrelétrica 
de Estreito, onde a Alcoa é sócia 
da Vale, da Suez Energy, da BHP 
Billiton e da Camargo Correa.
A hidrelétrica de Estreito 
está sendo erguida no rio Tocan-
tins, fronteira do Maranhão com 
o estado do Tocantins e é conside-
rado o maior empreendimento do 
setor no Brasil. No caso de Estrei-
to, entre as omissões consta que 
as áreas indígenas nos dois esta-
dos, Krahô, Apinajé, no estado do 
Tocantins, e Gavião e Krikati no 
Maranhão não serão afetadas pela 
obra. Informação que foi contes-
tada pelas comunidades indígenas 
e pelos defensores dos direitos 
humanos.
As omissões nos relatórios 
que indicam os impactos ambien-
tais da exploração da bauxita do 
Pará estão entre as motivações da 
ação movida na justiça pelos Mi-
nistérios Públicos Federal e Es-
tadual (MP) desde 2005. Nestes 
termos, a Alcoa funciona na ile-
galidade em terras do Pará, posto 
as contestações dos MP sobre o 
processo de licenciamento da ex-
ploração de bauxita.
O não cumprimento da 
recomendação dos MP também 
resvala no governo do estado do 
Pará. Gabriel Guerreiro, deputa-
do estadual (PV) e Walmir Orte-
ga, ambos ex-secretários do meio 
ambiente, respondem por impro-
bidade administrativa. O primeiro 
pela aprovação da licença de ope-
ração da Alcoa e o segundo pela 
manutenção, contrariando a reco-
mendação dos MP, que decidiram 
pela suspensão.
Assim a Alcoa, como a 
Cargil que produz grãos no mu-
nicípio vizinho de Santarém, que 
ergueu um porto ao arrepio da lei, 
finaliza a construção de rodovia, 
ferrovia, porto e tanques de con-
tenção de rejeitos para a extração 
do minério.
O MPF e o MPE consi-
deram que o Instituto Brasileiro 
dos Recursos Renováveis e do 
Meio Ambiente (IBAMA) deve-
ria licenciar o projeto Juruti e não 
a Secretaria de Meio Ambiente, 
como ocorreu: Os elementos que 
demonstram a necessidade de que 
o licenciamento se dê no âmbito 
federal são:
1 - a área na qual estão lo-
calizadas as minas de bauxita per-
tence à União, tendo sido objeto 
de arrecadação administrativa e, 
hoje, encontra-se em processo de 
regularização fundiária, tendente 
a permitir a fixação dos clientes 
da reforma agrária;
2 - todas as atividades para 
a obtenção da bauxita (escavações 
e deposição de rejeitos nas cavas) 
ocorrerão sobre o aquífero Alter-
do-Chão, importante reserva de 
água doce que atravessa dois es-
tados (Pará e Amazonas);
3 - o porto está localizado 
às margens do rio Amazonas, rio 
internacional, sem que tal impac-
to tenha sido nem mesmo correta-
mente mensurado ou nem sequer 
estudado; 
4 - todo o Projeto Juruti 
está contido na bacia hidrográfi-
ca do Amazonas, sob jurisdição 
federal;
5 - há o registro de 73 ocor-
rências de sítios arqueológicos na 
Área de Influência Direta (AID), 
até esta fase; 
6 - na AID existem espé-
cies vegetais (castanheiras, pau-
cravo, pau rosa) protegidas pela 
legislação ambiental; 
7 - na AID existem os ecos-
sistemas de várzeas.
Negociações - Após a mo-
bilização da população atingida 
pelo grande projeto de minera-
ção que deve durar entre 80 a 100 
anos, uma rodada de negociação 
foi realizada entre 9 a 11 de feve-
reiro, no município pólo da região, 
Santarém.
Além dos atingidos pelo 
projeto, participaram dos deba-
tes o representante da Alcoa na 
América Latina, Franklin Feder, 
os Ministérios Públicos, Prefei-
tura de Juruti e representantes 
do Governo do Estado. A rodada 
teve várias divisões. Dia de de-
bate com todos os envolvidos na 
questão, dia dedicado ao debate 
entre os atingidos e a empresa e 
uma rodada de negociação encer-
ra com a participação de Walmir 
Ortega, então Secretário de Meio 
Ambiente do Pará, informa Perei-
ra.
Reivindicações – A Asso-
ciação das Comunidades de Juruti 
Velho exige entre outras coisas, 
a participação de 1,5 % nos lu-
cros da empresa, investimentos 
em educação, saúde e moradia 
e a definição de uma agenda de 
compromisso. Gerdeonor Pereira 
esclarece que a primeira reivindi-
cação já foi atendida.
Tal tipo de empreendimen-
to na Amazônia coloca em lados 
opostos grandes corporações com 
staff de capacidade internacional 
de negociação e populações con-
sideradas tradicionais. Tanto no 
caso do Pará como na fronteira 
do Maranhão com o Tocantins, a 
empresa apresenta um discurso 
de redenção da pobreza através 
do grande empreendimento, que 
deve ser seguido como se fosse 
um mantra da prosperidade. 
A cooptação de políticos e 
agentes que representem algum 
tipo de liderança consta como 
agenda da ação da empresa, em 
particular para fazerem coro pró-
empreendimento nas audiências 
públicas onde são apresentados os 
estudos de impactos ambientais.
A empresa também não 
se descuida em “convencer” os 
meios de comunicação locais da 
sua nobre causa. É raro algum ve-
ículo de comunicação dar visibi-
lidade sobre as mazelas dos gran-
des projetos. No caso da Alcoa 
nenhum veículo informou que a 
mesma opera de forma ilegal. O 
destaque conferido recaiu sobre 
a nota da empresa sobre os possí-
veis prejuízos.
Tanto no caso da usina de 
Estreito, como no caso da explo-
ração mineral em Juruti, o fato foi 
verificado. Qualquer questiona-
mento que soe a ambientalismo é 
logo satanizado. E os portadores 
de inquietações sobre os impactos 
Fórum Carajás outubro de 2010 58
socioambientais tratados como agentes que defen-
dem o “atraso” do lugar.
O processo de licenciamento das obras e 
as populações tradicionais locais são classificados 
como os grandes entraves pelos empreendedores. 
Os mesmos podem ter em breve as suas demandas 
aceitas no que tange ao processo de licenciamento 
de obras na Amazônia. Ao menos, se depender do 
esforço de Mangabeira Unger, que deseja azeitar o 
já delicado processo.
O desenvolvimento e o progresso formam a 
dorsal do discurso de defesa dos grandes empreen-
dimentos, que segundo as empresas, vai fazer ger-
minar como se fosse leite e mel, o emprego e a fortu-
na nos rincões. Numa clara linha de desinformação 
sobre a lógica que conforma tais empreendimentos 
nas periferias do planeta, o enclave. Ou seja, o saque 
dos recursos naturais.
Mineração na Amazônia e os eixos de inte-
gração do continente
O extrativismo tem regido a economia na 
Amazônia. O ciclo mais recente é o mineral, inicia-
do a partir da década de 1950, no estado do Amapá, 
quando o mesmo ainda tinha o status de território.
A exploração do manganês na Serra do Navio 
foi o pontapé inicial, e que em apenas cinco décadas 
se exauriu, restando apenas o buraco, literalmente. 
A exploração mineral no Amapá, considerada a pri-
meira na Amazônia, foi protagonizada pela empresa 
estadunidense de Daniel Ludwig, a Bethlehem Steel 
Company em sociedade com o empresário Augusto 
Trajano de Azevedo Antunes, dono da Indústria e 
Comércio de Mineração S. A. (ICOMI).
O ciclo da mineração ganhou maiores pro-
porções na Amazônia a partir da região de Carajás 
com a presença da Vale na extração do minério de 
ferro na década de 1980, no Pará. 
É creditado a Eliezer Batista, ex-executivo 
da Vale, a construção do mapa das riquezas naturais 
na América do Sul. Batista é pai de Eike, festejado 
como o novo bilionário nacional. Obra do acaso? Os 
levantamentos de Batista foram encomendados pela 
Corporação Andina de Fomento (CAF). A CAF é 
um dos agentes do projeto de Integração da Infraes-
trutura Regional Sul-Americano (IIRSA).
Do conjunto de 10 eixos de integração, qua-
tro se destacam, por suas riquezas naturais e pos-
sibilidades de conexões: o Amazonas, o Hidrovia 
Paraná-Paraguay, o Capricórnio e o Andino. O obje-
tivo central prima em facilitar acirculação de mer-
cadorias.
O eixo do Amazonas compreende os seguin-
tes países: Colômbia, Peru, Equador e Brasil e visa 
criar uma rede eficiente de transportes entre a bacia 
amazônica e o litoral do Pacífico, com vista à expor-
tação.
Nesse sentido o BNDES exerce protagonis-
mo continental, financiando obras de integração 
além de nossas fronteiras. Outro ator importante no 
longa metragem de extração das riquezas do conti-
nente é o Banco Interamericano de Desenvolvimen-
to (BID).
No mundo do Brasil, alguns se arriscam em 
pontuar que o Programa de Aceleração do Cresci-
mento (PAC) é uma miniatura do IIRSA.
Antes do fim
No dia 16 de setembro de 2009 o Pará viveu 
um dia histórico. Em Belém o aparato policial foi 
usado contra populares numa audiência pública so-
bre o projeto da hidrelétrica de Belo Monte. Já no 
município de Juruti a governadora Ana Júlia Carepa 
(PT) cortava a fita do projeto de mineração de bau-
xita da Alcoa. Além de cortar a fita a governadora 
plantou uma árvore. Uma exacerbação do marke-
ting.
Os dois projetos estão localizados na mesma 
região, sudoeste do estado. Numa foto de um diário 
local a governadora aparece amparada pelo repre-
sentante da Alcoa na América Latina, Franklin Feder. 
Ainda na mesma foto destaque para o ministro das 
Minas e Energia, Edson Lobão, uma figura íntima 
do senador José Sarney. Desde o regime de exceção. 
Essa tal de governabilidade... 
Mais irônico, o Instituto de Pesquisa Aplica-
da (IPEA), acabava de apresentar relatório onde in-
dica que a produção de alumínio é um desastre para 
região amazônica.
Grandes projetos no município
de Barcarena: conflitos sociais e
ambientais 
Manoel Maria de Morais Paiva1 
Meu nome é Manoel Paiva. Sou engenheiro ambiental e ex - presidente do Sindicato dos Químicos 
de Barcarena. Atualmente coordeno a Organização Não Governamental (ONG) Ecologia Sócio Ambiental 
da Amazônia (Ecosaam), com sede em Barcarena/Pará. E acumulo a direção da CTB e estou presidente do 
diretório municipal PC do B. 
 Resido em Barcarena desde 25 de setembro de 1985. Faz 25 anos que convivo com o projeto Albras 
e Alunorte. Entre 1985 a 1995 fui funcionário da Albras, trabalhando como operador de manuseio, forno e 
ponte rolante, até julho de 1995. 
 Em agosto de 1995 passei a trabalhar como funcionários da Alunorte. Em 2001 foi eleito presi-
dente do Sindicato dos Químicos, que representa os trabalhadores da planta química da Alunorte. Fiquei 
liberado até 2007, quando perdemos a eleição para chapa que a Empresa Alunorte montou. 
 Em todos esses anos o que menos se viu em todas as ações das empresas em Barcarena, foi justi-
1 ex-presidente do Sindicato dos Químicos de Barcarena, engenheiro ambiental. mmmpaiva@yahoo.com.br (91) 37544965 / 88713621}
Fórum Carajás outubro de 2010 60
ça. Desde a implantação do pólo 
Industrial de Barcarena o capital 
tem atropelado as comunidades, 
trabalhadores e o meio ambiente. 
O poder do recurso financeiro tem 
preponderado. O passivo social e 
ambiental que ficará para Amazô-
nia, ao final desse ciclo será in-
calculável. Hoje são centenas de 
homens e mulheres mutilados em 
todos os sentidos, em decorrência 
dos ataques aos seus direitos. 
 Temos capital suficiente 
para articular um grande debate 
sobre a situação de cada comuni-
dade afetada pelos grandes pro-
jetos. Sejam eles da Vale, Alcoa, 
MMX ou CCM. Necessitamos 
apresentar propostas que possam 
garantir a permanência de famí-
lias tradicionais em seu habitat. 
E as suas terras, suas raízes, suas 
culturas, sua identidade e meio 
ambiente. 
 Os passivos sociais e am-
bientais se repetem a cada projeto. 
O que acresce são a crueldade e 
a injustiça. Podemos citar como 
exemplos os ribeirinhos do rio 
Murucupi. Os mesmos tiveram de 
deixar suas casas, por não pode-
rem mais usar o rio em decorrên-
cia da contaminação da água. O 
rio foi a garantia por muitos anos 
da segurança alimentar e fonte de 
renda de milhares de ribeirinhos, 
pescadores, camaroeiros. Era co-
mum em tempos de abastança a 
presença de turistas que encosta-
vam nas tabernas para beber uma 
pinga, cerveja ou comer um tira 
gosto. 
 A matemática dos grandes 
socializa a miséria e os desastres 
sociais e ambientais. A máxima 
de geração de emprego desapare-
ce quando se faz um paralelo com 
os desempregados indiretamente. 
E as pessoas que não tiveram a 
oportunidade de conhecer a fortu-
na dos rios. Os grandes projetos 
na Amazônia têm deslocado co-
munidades centenárias, subtrain-
do chances de ao menos reclamar. 
Os protagonistas das nossas dores 
nunca aparecem em cena. 
 A saúde do trabalhador é 
delicada. Há um montante signi-
ficativo de operários reclamando 
seus direitos. E outros que não 
têm a mesma iniciativa. Por conta 
da estratégia do calar. A regra con-
siste em empregar filhos, filhas ou 
parentes dos ex-funcionários para 
que os mesmos fiquem presos no 
cordão umbilical da fábrica. Por 
conta do medo do desemprego 
agonizam calados. Dores que eles 
dividem somente com as famílias. 
 A demissão é um fantas-
ma constante. O futuro para as 
empresas quem faz é o próprio 
trabalhador, quando deposita seu 
INSS, descontado em seu contra 
– cheque todo mês. Pois todo tra-
balhador que chega a essa condi-
ção de aposentadoria é um peso a 
menos para as empresas, que não 
garantem absolutamente nada 
aos trabalhadores por mais que 
os trinta e não sei quantos anos 
para a aposentadoria tenham si-
dos trabalhados somente naquela 
empresa. Deveria haver leis que 
garantissem pelo menos plano de 
saúde vitalício para trabalhadores 
que prestaram serviços por cinco, 
dez ou vinte anos para grandes 
empresas. 
Pois ao se aposentar o tra-
balhador gasta metade do seu ren-
dimento com medicação, princi-
palmente na cultura do nosso país 
que quanto mais velho mais caro. 
 A Amazônia, em espe-
cial o Estado do Pará, se destaca 
pela exuberância de suas riquezas, 
minérios, rios, floresta e biodiver-
sidades. Tudo dentro de um equi-
líbrio que garante a sustentabili-
dade dos ecossistemas terrestres e 
aquáticos. 
 Não queremos dizer com 
isso que vamos envelopar a Ama-
zônia. Mas, não podemos mais 
aceitar sermos meros exportado-
res de matérias primas para países 
desenvolvidos. Ditos do primeiro 
mundo, à custa do sofrimento do 
nosso povo. 
 O saque aos nossos re-
cursos tem se repetido desde os 
tempos coloniais. Desde o des-
cobrimento, até os dias de hoje. 
Os ciclos econômicos saqueiam 
nossas riquezas e não deixam 
para nosso povo reflexos positi-
vos. Foi assim com ciclo com do 
pau brasil, borracha, ouro e pe-
dras preciosas. E agora entramos 
na era dos minérios primários. Os 
mesmos são tratados aqui para se-
rem exportados, sem o perigo de 
contaminação pela geração de re-
jeitos perigosos. Até que tentaram 
sangrar o coração da Amazônia 
com a Estrada de Ferro Madeira 
Mamoré. A natureza não permitiu. 
Onde estão os primeiros 
habitantes das comunidades que 
existiam nas proximidades do 
projeto Albras /Alunorte? Deve-
riam no mínimo ter um endereço 
que servisse como referência para 
o resgate de sua cultura. Famílias 
inteiras foram esfaceladas para 
dar espaço para a construção das 
grandes fabricas de alumina, alu-
mínio e caulim. 
 O povo do Pará tem fama 
de ser um povo hospitaleiro, ale-
gre, falante e de fácil relaciona-
mento. Mas, o que percebemos 
hoje no semblante das pessoas 
que foram remanejadas das suas 
comunidades não é o das referên-
cias acima. A atitude hoje é des-
confiança, revolta, sentimento de 
terem sido enganadas e desprezadas. 
O projeto não trouxe a elas 
nenhuma perspectivas de melho-
ria de vida. Como as empresas ha-
viam propagado. Em particular os 
responsáveis pelas mentirasque 
convenceram os moradores tra-
dicionais a saírem de suas terras. 
Terras que passaram centenas de 
anos sem ter um dono. O direi-
to da propriedade privada se so-
brepôs a posse ancestral da terra. 
Com os s grandes projetos apare-
ceram donos de todo que é lado: 
União, Estado, Município e até as 
próprias empresas que estão che-
gando e as aqui instaladas. 
 Essa questão da terra não 
é muito diferente dos conflitos 
agrários. Esses que a mídia ten-
ta reproduzir de forma distorcida, 
quando “satanizam” os integran-
tes do MST. A questão é mais 
complexa e envolve os gover-
nos federal, estadual e municipal. 
Além de políticas públicas que 
possam garantir a distribuição de 
terras e incentivo à produção da 
agricultura familiar.
É preciso levar em con-
ta que cada comunidade vive de 
acordo com suas disponibilidades 
e facilidades. Portanto não podem 
ser avaliadas e deslocadas para 
qualquer lugar. É necessário res-
peitar cada atividade lucrativa de 
sustento das famílias. Por exem-
plo: pescador em área propicia 
a pesca e agricultores em áreas 
agricultáveis. Para evitar que haja 
conflitos no repasse das ativida-
des as novas gerações. 
 Muitos dos remanejados 
para a implantação dos grandes 
projetos não conseguem assimi-
lar, nem aceitar as ofertas feitas 
pelos grupos de interessados pelo 
projeto. Há registros de pessoas 
ganhando muito bem pra fazer a 
menor oferta possível às famílias. 
Muitas delas quase sempre des-
providas de informações das reais 
intenções acabam ficando entre-
gue a própria sorte. 
O estado que deveria dis-
ponibilizar profissionais capacita-
dos para fazer as primeiras abor-
dagem, e servir como o mediador 
não o faz. A perspectiva nos im-
Gilvandro, Damasceno e Manoel Paiva durante lançamento do livro Alumínio na Amazônia em Belém(PA) - foto: arquivo Fórum Carajás
 61 Fórum Carajás outubro de 2010
Fórum Carajás outubro de 2010 62
postos que o projeto poderá gerar, 
acaba deixando de lado as comu-
nidades a serem remanejadas. 
 Em tal contexto as comu-
nidades tornam-se alvo fácil pe-
rante a pressão das grandes empre-
sas. Quando existe resistência de 
uma ou outra família, as empresas 
usam de estratégias. Cooptam as 
pessoas mais esclarecidas, como 
se essas fossem funcionárias das 
empresas. Os empreendedores fo-
mentam visitas a outras empresas, 
geralmente em outros estados. O 
objetivo é que elas possam ser as 
futuras formadoras de opinião e 
defendam os interesses das em-
presas. 
 Após o convencimento é 
comum as empresas enviarem as 
comunidades de interesse delas 
olheiros (as). A missão consiste 
em realizarem levantamento das 
debilidades das políticas publicas, 
e necessárias ao atendimento das 
pessoas. A partir desse diagnósti-
co passam a fazer um grande ma-
rketing para vender a imagem de 
uma empresa cidadã. Geralmente 
criam cooperativas para reciclar 
lixo, criação de animais, confec-
ção de uniformes, fabricação de 
papel reciclado, produção de brin-
quedos com restos de madeiras 
das fábricas e outros. As iniciati-
vas sobrevivem até atenderem os 
interesses das empresas. 
 As empresas nunca per-
mitem que as próprias comunida-
des toquem o projeto. As iniciati-
vas são na verdade uma exigência 
dos agentes financiadores, como 
Banco Nacional do Desenvolvi-
mento Econômico e Social (Bn-
des), Caixa Econômica Federal, 
Banco da Amazônia (Basa) e a 
Superintendência de Desenvolvi-
mento da Amazônia (Sudam). E 
outros agentes que condicionam a 
liberação do financiamento para a 
efetivação de um projeto social. 
Um exemplo: a gestão pas-
sada do Sindicato dos Químicos 
exigiu das empresas a construção 
das casas para os operários. Tudo 
acertado no acordo coletivo que 
obriga a empresa a construir ca-
sas aos trabalhadores. Por conta 
disso a Caixa Econômica exigiu 
um projeto social, que foi decidi-
do entre empresa e construtora. A 
escolha foi troca de lajotas e a cor 
de pintura. Tentamos descobrir 
qual foi o projeto apresentado a 
Caixa Econômica Federal, porém 
até o final de nossa gestão não nos 
foi informado. É assim que fun-
ciona. 
 Os próximos anos se de-
senham como de grandes confli-
tos. Pois estão em processo de 
licenciamento dois grandes pro-
jetos: o da termoelétrica e o da 
Companhia de Alumina do Pará 
(CAP). Todos dois ainda sobre 
conflitos não resolvidos. Alguns 
moradores chegam até a acusar 
o Governo Estadual de receber 
dinheiro da Vale, e ainda não ter 
repassados aos moradores que 
precisam deixar a área. A termoe-
létrica a carvão mineral, esta com 
o Estudo de Impacto Ambien-
tal (EIA) e Relatório de Impacto 
Ambiental (RIMA), questionado 
pelo ministério publico. Mas que 
pela prepotência da Vale já existe 
até peças da estrutura da usina em 
depósitos de Vila do Conde. 
 Na década de 70, eles 
faziam da maneira deles, hoje ou 
discutem com a sociedade ou não 
fazem. Pois o povo não perdeu 
oportunidade de buscar conheci-
mento para jogar um papel impor-
tante nas decisões de seus desti-
nos. Prova recente disso foram 
as manifestações contrárias a im-
plantação da usina termoelétrica, 
e a não permissão para aceitar o 
lixo do município de Abaetetuba. 
Dois projetos que não jus-
tificam seu licenciamento. Se le-
varmos em conta as discussões 
sobre aquecimento global, onde o 
Brasil apresentou em Copenhagen, 
na Dinamarca sua contribuição 
para diminuição do aquecimento 
do planeta, usar carvão mineral é 
remar contra maré. Maior contri-
buinte para emissão de gases do 
efeito estufa. 
 Além da pressão sobre as 
terras das populações originárias, 
as contaminações ambientais têm 
sido denunciadas constantemente. 
Sinalizo isso como avanço da so-
ciedade civil organizada local. Os 
crimes ambientais são aos órgãos 
competentes. Tem sido freqüente 
acidentes nos locais de operações 
das grandes empresas. Algumas 
vezes por conta da perda de con-
trole do processo das empresas. 
Outras vezes por conta do descaso 
com a segurança, o que podemos 
qualificar como consciente. 
 Não podemos ver a Ama-
zônia como uma alternativa para 
geração de artefatos primária de 
interesse do capital internacional. 
Acima de qualquer especulação 
financeira precisamos saber se o 
projeto será bom também para 
nossa terra, nossa água, nossa 
gente. Saber se realmente have-
rá retorno em forma geração de 
emprego e renda, com respeito às 
comunidades tradicionais, ribei-
rinhos, pescadores, agricultores, 
caçadores e operários. E princi-
palmente para preservação das 
espécies entre elas o homem e a 
mulher. 
 A exploração mineral e suas
consequências na Amazônia brasileira 1
Airton dos Reis Pereira [1]
José Batista Gonçalves Afonso [2]
Raimundo Gomes Cruz Neto [3]
1 – Introdução
 Hoje, o que mais se ouve é que as grandes empresas são meios essenciais ao desenvolvimento eco-
nômico e tecnológico do país. Na propaganda e nos discursos oficiais de governantes e de políticos influen-
tes elas são apresentadas como símbolo do desenvolvimento, do progresso e da geração de empregos. E 
por estarem atreladas a mercados bem mais amplos que os regionais e por serem estratégicas no marketing 
internacional, não por acaso, recebem gigantescos investimentos do Estado. 
1 Trabalho publicado originalmente no Relatório Sobre Violência da Comissão Pastoral da Terra (CPT), 2009.
Fórum Carajás outubro de 2010 64
Na Amazônia brasileira, 
grandes empresas do ramo da mi-
neração são beneficiadas com in-
fra-estrutura (estradas, ferrovias, 
hidrovias, portos, energia, etc.) 
financiadas com dinheiro público, 
créditos subsidiados, isenção de 
impostos,etc. Controlam a “coisa 
pública”, os principais meios de 
comunicação e extensos territó-
rios, onde exercem gestão autôno-
ma criando enclaves que causam 
impactos sobre a organização so-
cial regional e o meio ambiente. 
Para essas empresas, a Amazônia 
assume um alto valor estratégico, 
pois ao controlar recursos e o es-
paço regional, fortalecem sua he-
gemonia.
O crescimento da produ-
ção industrial nos últimos anos e 
o consequente aumento do valor 
dos principais minérios no mer-
cado internacional tem provocado 
uma corrida cada vez mais acele-
rada do capital internacional sobre 
as reservas minerais existentes. 
Na Amazônia esse processo é ex-
tremamente visível. São dezenas 
de projetos de exploração mineral 
em funcionamento e tantos outros 
em fase de instalação, resultado 
de uma política nacional vergo-
nhosa e entreguista que coloca o 
país na condição de mero forne-
cedor de matéria-prima e de sub-
serviência aos interesses do capi-
tal internacional. São projetos que 
evidenciam poucas possibilidades 
de incremento à economia local 
e têm trazido sérios prejuízos às 
comunidades de camponeses e ao 
meio ambiente.
2 - Exploração mineral: 
da garimpagem à atividade em-
presarial
A exploração mineral na 
Amazônia brasileira não é algo re-
cente, muitos foram os garimpos 
de extração de ouro, diamante e 
cristal, nas margens dos rios Ara-
guaia, Tocantins, Tapajós, Xingu 
e Madeira e em vários de seus 
afluentes. Há casos de “ciclos” 
de extração aurífera, embora 
de forma isolada e fragmentada 
ainda no período colonial como, 
por exemplo, no Amapá e Mato 
Grosso. Mas a partir do final da 
década de 1950 e início dos anos 
1960 tornou-se uma prática quase 
que intensiva como, por exemplo, 
com a descoberta da província 
aurífera do médio rio Tapajós e 
de cassiterita, em Rondônia e em 
São Felix do Xingu (PA).
Na década de 1980, as ati-
vidades auríferas se intensifica-
ram nos estados do Pará, Roraima 
e Rondônia. No Pará os garimpos 
de ouro em Serra Pelada, Cumaru 
e nos arredores de Itaituba e Jaca-
reacanga atraíram milhares de ga-
rimpeiros de quase todas as partes 
do Brasil [4].
A exploração mineral de 
forma empresarial teve início em 
meados da década de 1940 com 
a extração de manganês pela em-
presa Indústria e Comércio de Mi-
nérios S/A (ICOMI), no Amapá. 
Em 1947 essa empresa assinou 
contrato de concessão para explo-
ração mineral e em 1953, assinou 
o contrato de concessão para a 
atividade portuária e ferroviária, 
considerado o marco zero da ex-
ploração mineral na Amazônia 
[5]. 
Atualmente, embora se 
possa constatar que a exploração 
mineral esteja espalhada por toda 
a Amazônia, é possível considerar 
que essa prática seja mais inten-
sa e de efeitos trágicos às comu-
nidades camponesas em quatro 
grandes pólos: “Amapá” com a 
exploração de bauxita, manga-
nês, caulim e ouro; “Oeste do 
Pará” com a extração da bauxita 
pela Aluminium Limited of Ca-
nadá (Alcan) e a Mineração Rio 
do Norte (MRN); “Carajás”, com 
a exploração de ferro, manganês, 
cobre, níquel e ouro por diversas 
empresas, entre elas a Compa-
nhia Vale do Rio Doce, a Vale, e 
“Paragominas” com a retirada de 
bauxita e caulim pela Vale e Pará 
Pigmentos S/A.
É visível que a Amazônia 
tem um peso significativo na ativi-
dade de extração e transformação 
mineral realizada em território 
brasileiro, considerando a ocor-
rência na região de diversos mi-
nerais que influenciam na balança 
comercial do país, sendo o Pará o 
segundo maior estado exportador 
de minérios [6]. Em 2008, a ex-
tração do nióbio colocou o Brasil 
em 1º lugar no ranking internacio-
nal, em 2º com a extração do ferro, 
manganês e alumínio (bauxita), e 
em 5º com o caulim e o estanho. 
O estado do Amazonas participa 
com 12% do nióbio extraído no 
Brasil, e com 60% do estanho. Já 
o minério de ferro de Carajás, no 
sudeste paraense, ocupa o 2º lugar 
na extração nacional, colocando o 
Pará atrás apenas de Minas Gerais 
[7]. 
A tendência para 2009, de-
pendendo das condições da crise 
na economia mundial, é de que 
haja um crescimento significativo 
na extração da bauxita, cobre, ní-
quel, fosfato e ferro, considerando 
a entrada em operação das minas 
 65 Fórum Carajás outubro de 2010
de cobre e níquel, da Vale, em Ca-
rajás, a mina de bauxita da Alcoa, 
em Juruti, e o salto da extração 
de ferro de Carajás de 96 milhões 
de toneladas em 2008, para 126 
milhões de toneladas, em 2009. 
Há de se considerar ainda que na 
Amazônia, enquanto a extração 
mineral responde por 25% do 
total das exportações, a transfor-
mação (ferro gusa, alumina e alu-
mínio) responde por 21%. [8]. É 
importante ressaltar ainda que o 
extrativismo mineral representou 
59,2% dos 8 bilhões de dólares 
produzidos pela indústria mineral 
do estado do Pará.
Tratando-se de reservas 
conhecidas, o Brasil ocupa o ter-
ceiro lugar no ranking mundial 
em bauxita, com depósitos con-
centrados em três distritos princi-
pais: Trombetas (médio Amazo-
nas), Almeirim (baixo Amazonas) 
e Paragominas-Tiracambú (plata-
forma Bragantina). Já os depósi-
tos de caulim estão distribuídos 
em três principais distritos: Ma-
naus (médio Amazonas), Almei-
rim (baixo Amazonas) e Capim 
(plataforma Bragantina). O ouro 
e cassiterita estão distribuídos pe-
las mais diversas áreas da região 
amazônica. Serra Pelada, no su-
deste do Pará, por exemplo, ain-
da representa grande potencial 
aurífero, fato que causa entreve-
ros entre a Vale e cooperativas 
de garimpeiros, no município de 
Curionópolis. As jazidas de ferro 
em Carajás, com seus 18 bilhões 
de toneladas de minério, corres-
pondem à maior concentração de 
alto teor já localizada no planeta, 
distribuídas em quatro setores 
principais: Serra Norte, Serra Sul, 
Serra Leste e Serra de São Félix 
ou Serra Arqueada.
Vale considerar que a pes-
quisa, extração e transformação 
mineral no estado do Pará ocor-
rem em quatro principais regiões: 
no Oeste, envolvendo os municí-
pios de Oriximiná, Juruti, Monte 
Alegre, Alenquer e Óbidos; no 
Nordeste, compreendendo os 
municípios de Paragominas, São 
Domingos do Capim e Barcare-
na; no sudeste destaque para os 
municípios de Marabá, Cuirionó-
polis, Parauapebas e Canaã dos 
Carajás; e no Sul, os municípios 
de Xinguara, Ourilândia do Nor-
te, Tucumã, São Félix do Xingu, 
Rio Maria, Floresta do Araguaia, 
Santa Maria das Barreiras e Con-
ceição do Araguaia.
3 – As conseqüências
A extração e transforma-
ção mineral na Amazônia efetiva-
da pelas principais empresas do 
ramo: a Companhia Vale, a Anglo 
Americana, a ALCOA, a Albras, 
a Aluminum Limited of Canadá, 
a Alunorte, Rio Tinto, a Mine-
ração Rio do Norte, Companhia 
Brasileira de Alumínio (CBA), 
Imerys Rio Capim Caulim S/A, 
Caulim da Amazônia S/A (CA-
DAM/Vale), ICOMI, Pará Pig-
mentos S/A (PPSA/Vale), X Trata 
e Caraíba Metais, com o apoio e 
incentivo dos governos estaduais 
e federal vem se dando de forma 
espoliatória e predatória, desterri-
torializando populações tradicio-
nais e degradando o meio ambien-
te. É notória a poluição do ar, do 
solo e das bacias hídricas, além 
do desflorestamento, destruição 
de habitat natural, de animais sil-
vestres e de sítios arqueológicos 
[9]. São projetos dirigidos de fora 
para dentro da região, sem que a 
população da Amazônia tenham a 
oportunidade de discutir e opinar 
sobre a viabilidade, necessidade e 
conseqüências desses empreendi-
mentos.
O que se percebe é que o 
impacto da mineração é localiza-
do, desestruturante e ao mesmo 
tempo estruturante, ao modo que 
interessa às empresas. Desestru-
tura as comunidades locais (urba-
nas ou rurais), além de provocar a 
migração de milhares de pessoas. 
Diversassão aquelas que chegam 
de outras regiões do país acredi-
tando que as atividades dessas 
empresas vão melhorar as suas 
vidas. É visível o aumento, sem 
controle, da população no entor-
no dos projetos mineralógicos. 
Não só os núcleos urbanos próxi-
mos dessas áreas passam por rápi-
das e indesejáveis transformações 
com o crescimento populacional, 
como também surgem outros 
aglomerados urbanos. O emprego 
esperado não aparece. Para sobre-
viver muitos são aqueles que se 
enveredam nos trabalhos tempo-
rários e informais. Assim, grande 
é o contingente de trabalhadores e 
trabalhadoras itinerantes, de vida 
marcada pela provisoriedade e 
mobilidade, e de mão-de-obra po-
livalente que lutam cotidianamen-
te pela sobrevivência. Os efeitos 
até então incontroláveis, nessas 
regiões, têm sido a elevação do 
índice de violência com destaque 
para os homicídios, comércio de 
drogas, prostituição e acidentes 
de trânsito [10]. 
A própria Vale encaminhou 
uma pesquisa nesses municípios e 
constatou que entre 2000 e 2005 
o crescimento populacional foi 
de 22,9% e a projeção de cresci-
mento do ano de 2005 para o ano 
de 2010 será de 92,9%. No ano 
de 2000 essa área contava com 
334.386 habitantes, em 2005, com 
423.361. Na projeção para o ano 
de 2010, se forem desenvolvidos 
todos os investimentos previstos, 
segundo esta pesquisa, essa área 
contará com 817.268 habitantes [11]. 
Os migrantes que ali che-
gam diariamente, sem alternativa, 
se aventuram na formação de no-
vos bairros (ocupações) compos-
tos por casas, às vezes precárias, 
sem água encanada e sem esgoto 
sanitário. São, em sua maioria, 
trabalhadores pobres, analfabe-
tos ou de baixa escolaridade, sem 
profissão definida. 
Os povos indígenas es-
tão sendo cercados, não somen-
te pelos latifúndios e exploração 
madeireira, mas também pela ex-
ploração mineral. O próximo alvo 
do setor minerário é conseguir a 
liberação da mineração em ter-
ras indígenas, que ocupam hoje 
22% do território amazônico. [12] 
Como exemplo dos danos cau-
sados a esses povos, no sudeste 
do Pará, os índios Gaviões tive-
ram as suas terras atravessadas 
pela rodovia BR-222, pela linha 
de transmissão de energia elétri-
ca de alta tensão da Eletronorte, 
que sai de Tucuruí rumo ao nor-
deste brasileiro, e pela Estrada 
de Ferro Carajás. Agora se vêem 
na iminência de ter parte do seu 
território inundada pela hidrelé-
trica de Marabá, no rio Tocantins. 
Os Xikrins do Cateté estão sendo 
ameaçados pela Vale a partir da 
execução dos projetos Salobo, de 
extração de cobre, no município 
de Marabá, e pelo projeto de ex-
tração de níquel na Serra do Puma, 
em Ourilândia do Norte. Além de 
impactar diretamente sobre esses 
povos que ali habitam, são sérios 
os riscos de degradação ambien-
tal com alterações significativas à 
biodiversidade. 
Por outro lado, o impacto 
da mineração é estruturante ao 
modo que interessa às empresas. 
Elas se aproveitam da conivência 
e submissão do Estado, das pre-
cárias condições em que vive a 
maioria da população dos muni-
cípios onde elas se instalam, para 
através da manipulação da consci-
ência das pessoas, com o discurso 
da chegada do desenvolvimento e 
do progresso, criar um ambiente 
favorável para sua implantação e 
domínio. Desse modo, os gover-
nantes municipais, governadores 
dos estados e não raros deputados 
e políticos influentes assumem o 
discurso e a defesa dessas empre-
sas além de lhes possibilitar infra-
estrutura, colaboração financeira 
e isenções tributárias, com vistas 
a fornecer-lhes condições com-
petitivas e asseguratórias ao bom 
funcionamento dos seus empreen-
dimentos.
 67 Fórum Carajás outubro de 2010
Uma das situações emble-
máticas que até hoje tem gerado 
consequências negativas ao meio 
ambiente e à população local é a 
exploração do manganês, em Ma-
capá, no estado do Amapá. De-
pois da retirada de quase todo o 
minério, crateras de até 170 me-
tros de profundidade ficaram a 
céu aberto. Enormes também são 
os estoques de rejeitos. “Calcula-
se, que em Santana, estão estoca-
das cerca de 70.000 toneladas de 
rejeito provenientes do processo 
de pelotização e que apresenta 
um percentual de arsênio supe-
rior ao encontrado no minério in 
natura. A Fundação Evandro Cha-
gas (Belém), depois de inúmeros 
exames laboratoriais, recomenda 
a imediata retirada desses rejei-
tos para que não se tenha risco de 
contaminação de qualquer natu-
reza às pessoas ou comunidades 
próximas a estes locais”. [13]
Em Oriximiná (PA), a Mi-
neração Rio Norte (MRN) que 
explora as reservas de bauxita 
nesse município, provocou de-
gradação do meio ambiente com 
os rejeitos da mineração a partir 
da emissão de partículas sólidas e 
material estéril, como argila, bau-
xita fina e areia. O maior desastre 
foi causado no lago do Batata. As 
populações locais, formadas em 
sua maioria por camponeses e ri-
beirinhos foram alijadas de seus 
direitos sobre as áreas de casta-
nhais que ficam ao norte da Flo-
resta Nacional de Sacará-Taquera, 
onde a mineradora está situada. 
Já a Alumínio Brasil S/A (AL-
BRAS) e a Alumina Norte Brasil 
S/A (ALUNORTE), grandes pro-
dutoras nacionais de alumina e 
alumínio instaladas no município 
de Barcarena (PA), têm causado 
enormes prejuízos às comunida-
des locais com o carreamento de 
poluentes compostos com dióxido 
de alumino e soda cáustica para 
os cursos d’água. A Pará Pigmen-
tos S/A (PPSA) é outra empresa 
que tem causado sérios danos am-
bientais às comunidades no norte 
do estado do Pará. O beneficia-
mento de caulim, no município de 
Ipixuna tem contaminado cursos 
d’água afetando tragicamente as 
comunidades ribeirinhas. A Vale 
tem trazido sérios prejuízos às 
comunidades de quilombolas de 
Jambuaçú e outras comunidades 
dos municípios de Acará e Mojú 
com a construção de 180 quilô-
metros de mineroduto (transporte 
de bauxita) e linhas de transmis-
são de energia elétrica. Não só a 
produção agrícola foi prejudicada, 
mas vilas e povoados foram im-
pactados diretamente pelos em-
preendimentos. 
Casos notórios são tam-
bém aqueles causados pela Vale 
no sudeste do Pará. A explora-
ção do ouro no igarapé Bahia es-
palhou substâncias químicas na 
região por conta do uso de soda 
cáustica e cianeto para a separa-
ção do minério da rocha primária. 
Não muito distante, a empresa 
construiu uma barragem de con-
tenção no igarapé Gelado para o 
barramento de rejeitos oriundos 
da exploração do minério de ferro 
na Serra de Carajás. Em 1992 esta 
barragem transbordou e inundou 
áreas de camponeses da região 
causando sérios prejuízos econô-
micos e ambientais. Desde então 
são ameaçados por outras inunda-
ções. Recentemente esta empresa 
tem causado danos aos assenta-
dos do Projeto de Assentamento 
Cinturão Verde, município de 
Marabá. Os serviços de prospec-
ção efetivados pela empresa têm 
contaminado nascentes de águas 
e danificado estradas e cercas de 
arame dos camponeses. A Mine-
ração Buritirama S/A, instalada 
dentro desse mesmo assentamen-
to vem contaminando as águas dos 
igarapés Bandeira e Grotão com a 
exploração do manganês. Traba-
lhadores têm reclamado que no 
período chuvoso os rejeitos pro-
venientes da lavagem do minério 
têm alcançado os cursos d’água, 
impossibilitando o seu uso.
Em 2003, a mineradora 
Canico do Brasil, da Specific In-
ternational Scientific Cooperation 
Activities (INCO), empresa cana-
dense, proprietária dos direitos 
minerários do projeto de extração 
de níquel nas serras do Onça e do 
Puma, no município de Ourilân-
dia do Norte, sul do Pará, expul-
sou 82 famílias através de compra 
ilegal dos lotes nos projetos de 
assentamentos Campos Altos e 
Tucumã, danificou reservas flo-restais, contaminou os igarapés 
e desestruturou a comunidade 
com os serviços de pesquisas. Em 
2006, a Vale adquiriu o controle 
do projeto e continuou causando 
danos ambientais, econômicos e 
sociais, inviabilizando a vida de 
centenas de famílias assentadas 
que ainda resistem nos referidos 
assentamentos. Agora essa em-
presa pleiteia a expulsão de mais 
93 famílias assentadas. A direção 
nacional do Instituto de Coloniza-
ção e Reforma Agrária (INCRA) 
tem sido totalmente conivente 
com os desmandos da empresa e 
omisso no que diz respeito aos di-
reitos dos trabalhadores rurais.
Fórum Carajás outubro de 2010 68
As empresas de mineração 
na Amazônia são beneficiadas 
pela Lei Complementar nº 87, de 
1996, também conhecida como 
Lei Kandir. Como elas exportam 
produtos considerados matérias-
primas são isentas de pagar Im-
postos sobre Circulação de Mer-
cadorias (ICMS). Os valores dos 
royalties ou da Contribuição Fi-
nanceira pela Exploração de Re-
cursos Minerais (CFEM) repassa-
do pelas empresas aos municípios 
são extremamente baixos. Eles 
variam entre 1 e 3% do fatura-
mento líquido. Como os cálculos 
são feitos pelas próprias empresas 
mineradoras, a União, o Estado e 
os municípios são lesados. O mu-
nicípio de Parauapebas (PA), após 
uma auditoria, identificou que foi 
lesado pela Vale em mais de 700 
milhões, como a Vale não se pro-
põe pagar, a reclamação está na 
justiça [14].
4 – Resistências
Em quase todas as regiões 
onde se desenvolvem trabalhos 
de extração e de transformação 
mineral pelas grandes empresas 
do ramo, com apoio quase que in-
condicional do Estado, os movi-
mentos sociais têm demonstrado 
alguma reação. Os camponeses, 
sobretudo, têm implementado, 
embora que em âmbito local, di-
versas ações contrárias a esta ló-
gica perversa do capital.
Na região Guajarina, pro-
ximidades de Belém, as comuni-
dades quilombolas do Jambuaçu, 
no ano de 2006, após muitos dias 
de mobilização e protesto, derru-
baram uma torre de transmissão de 
energia elétrica da Vale para que 
a empresa concordasse em nego-
ciar as compensações pelos danos 
ambientais, sociais e econômicos 
causados em seu território com a 
construção de um mineroduto que 
leva bauxita de Paragominas para 
Barcarena.
Na região de Carajás, em 
junho 2003, os índios Xicrin com 
flechas e bordunas ocuparam as 
instalações do Projeto Sossego, 
da Vale, em Canaã dos Carajás, no 
sul do Pará. Eles exigiam a cons-
trução de uma estrada até a aldeia, 
escola e casas. Haviam-se com-
pletado dez anos de promessas 
não cumpridas da empresa às al-
deias Cateté e Djudjecô [15]. Em 
outubro de 2006, os Xicrin ocupa-
ram por mais de três dias a mina 
de ferro de Carajás na tentativa de 
obrigar a Vale a negociar valores 
referentes a direitos dos índios, 
em decorrência dos impactos so-
fridos pelo projeto Ferro Carajás. 
No final de 2007 e início de 2008, 
povos indígenas e trabalhadores 
rurais ligados ao Movimento dos 
Trabalhadores Rurais Sem Terra 
(MST) e à Via Campesina fize-
ram várias manifestações com 
ocupações dos trilhos da Estrada 
de Ferro de Carajás administrada 
pela Vale. Essas ações culmina-
ram com a criação do Movimento 
dos Trabalhadores na Mineração 
(garimpeiros) e o lançamento de 
um manifesto intitulado Manifes-
to da Mobilização dos Campone-
ses de Marabá.
Em setembro de 2008, no 
município de Ourilândia do Norte, 
mais de 200 trabalhadores rurais 
dos Projetos de Assentamento 
Tucumã e Campos Altos, interdi-
taram, por três dias, uma estrada 
usada pela Vale, que dá acesso à 
área de mineração da Serra Onça, 
onde a empresa iniciou trabalhos 
para a extração de níquel. Os 
trabalhadores só deixaram o lo-
cal depois que representantes da 
Companhia se dispuseram a dis-
cutir com a comunidade os pro-
blemas sociais e ambientais cau-
sados por ela. 
No final de janeiro de 2009, 
em Juruti, oeste do Pará, trabalha-
dores atingidos pela extração e 
transformação de bauxita pela mi-
neradora ALCOA iniciaram ferre-
nha luta pelos seus direitos. Uma 
manifestação que começou com 
800 trabalhadores, terminou com 
2.500. A manifestação que durou 
uma semana, resultou numa ne-
gociação entre os trabalhadores 
e o representante da empresa en-
volvendo órgãos estaduais e os 
ministérios públicos estadual e 
federal. 
Se por um lado é possível 
perceber que os amazônidas e os 
movimentos sociais vêm toman-
do consciência dos impactos dos 
projetos de mineração, por outro, 
lideranças e suas organizações so-
frem com o processo crescente de 
difamação, ameaças e criminali-
zação, orquestrado pelas minera-
doras, grupos políticos ligados a 
elas, os meios de comunicação e o 
poder judiciário. Devido a Prela-
zia do Xingu, através do seu bispo 
Dom Erwin Klauter, ter se colo-
cado em defesa das comunidades 
indígenas e contra a construção 
da hidrelétrica de Belo Monte, no 
Rio Xingu, o religioso vem sen-
do vítima de uma campanha de 
difamação movida pelos meios 
de comunicação ligados à Vale e 
tem sido ameaçado de morte ten-
do, inclusive, que andar protegido 
por policiais militares. 
No Sudeste do Pará, o ad-
vogado da CPT, José Batista Gon-
çalves Afonso, que atua na defesa 
dos trabalhadores e lideranças 
indiciadas ou processadas em de-
corrência de conflitos com a Vale, 
foi vítima de uma condenação pela 
Justiça Federal de Marabá, em ju-
nho de 2008. Ele foi condenado 
a uma pena de 2 anos e 5 meses 
de prisão sem direito à pena alter-
nativa. Acredita-se que a pesada 
condenação imposta pelo juiz foi 
em razão da atuação do advoga-
do em defesa dos trabalhadores e 
contra os interesses da Companhia. 
Nessa mesma região, em setembro 
de 2008, uma liderança do MST 
e duas lideranças do Movimento 
dos Trabalhadores na Mineração 
(garimpeiros) foram condenadas 
pelo mesmo juiz ao pagamento 
de uma multa de 5 milhões e 200 
mil reais por elas terem participa-
do de mobilizações que resultaram 
na interdição da Estrada de Ferro 
Carajás. Contrariando o que diz a 
própria Lei, o juiz atribui às três 
pessoas uma condenação que, te-
ria que ser aplicada a cada uma das 
quinhentas pessoas que participa-
ram da interdição. A explicação do 
juiz é que eles eram lideranças e, 
por esta razão, deveriam ser con-
denados.
5 – Considerações Finais
As características do ca-
pitalismo são as mesmas em 
qualquer parte do mundo: con-
centração dos meios de produ-
ção; desenvolvimento das forças 
produtivas; exploração da força 
de trabalho; acumulação da mais-
valia por poucos; e geração de po-
breza e miséria para a maioria.
Na Amazônia, a expansão 
da exploração mineral, como foi 
demonstrada, nada mais é do que 
a expansão do próprio capitalis-
mo destruidor e perverso, que ex-
propria e explora intensivamente 
a terra, as águas, as florestas e a 
força dos trabalhadores.
São projetos baseados no 
extrativismo, de curta duração, 
que não agregam riquezas para as 
localidades, mas desestruturam re-
lações de trabalho, comunidades 
e desterritorializam pessoas num 
processo de estruturação de uma 
sociedade do caos: aglomerados 
populacionais com alto índice de 
desemprego, criminalidade, com 
péssimas condições de habitação, 
saneamento básico e educação.
O Estado, entreguista e ar-
recadador de migalhas na defesa 
do capital, coloca à disposição das 
corporações todo seu aparato jurí-
dico e policial, para facilitar a im-
plantação dos empreendimentos 
e seu funcionamento ao mesmo 
tempo que reprime e repreende os 
movimentos sociais que venham 
a se opor a esta lógica. 
É necessário e urgente fazer 
com que os bens naturais da Ama-
zônia sejam colocados à disposição 
de seus povos e não para aumentar 
os lucros das grandes empresas. Os 
minérios, ao contrário do que vem 
acontecendoaté o momento, devem 
gerar benefícios para as populações 
locais e diminuir as desigualdades e 
a pobreza. Não é justo e nem lícito 
que as empresas com direta partici-
pação do Estado continuem causan-
do sérios prejuízos às comunidades 
camponesas e ao meio ambiente. 
Não interessa para a socie-
dade amazônica a extração e trans-
formação mineral, na forma de 
saque como está sendo feita, com 
a geração de crateras que jamais 
possam ser recuperadas. Não inte-
ressa os rejeitos tóxicos, as matas 
devastadas, o solo e águas poluídas. 
Pelo contrário, torna-se um desafio 
a desconstrução do atual modelo 
imposto pelo capital e a construção 
de um modelo sustentável e racio-
nal de aproveitamento dos recursos 
minerais na Amazônia.
Fórum Carajás outubro de 2010 70
CRUZ NETO, Raimundo Gomes da. Impacto so-
cioambiental da mineração na região de Carajás, 
Marabá: CEPASP, 2008 (Fotocópia).
CVRD e Diagonal. Diagnostico Integrado em So-
cioeconomia para os empreendimentos da CVRD. 
2006.
CORREIO DO TOCANTINS, Marabá, 10 a 
12/01/2009.
INSTITUTO BRASILEIRO DE MINERAÇÃO 
(IBRAM). Informações e Análises da Economia 
Mineral Brasileira, 3ª edição, IBRAM, 2008.
__________. Indústria da Mineração, IBRAM, Ano 
III, nº. 20, 2008.
FÓRUM PARAENSE DE DESENVOLVIMENTO. 
50 Anos de Mineração na Amazônia, Belém: Cejup, 
2003.
O LIBERAL, Belém, 13/06/03.
SANTOS, Breno Augusto dos. Recursos Minerais 
da Amazônia, 2002. 
SCHMINK, Marianne and WOOD, Charles H. 
Contested Frontiers in Amazonia. New York: Co-
lumbia University Press, 1992.
_______________________________________
[1] Historiador e Agente da Comissão Pastoral da Terra, em 
Marabá.
[2] Advogado e Agente da Comissão Pastoral da Terra, em 
Marabá.
[3] Sociólogo e Agrônomo do Centro de Educação, Pesquisa e 
Assessoria Sindical e Popular.
[4]Marianne Schmink and Charles H. Wood Contested Fron-
tiers in Amazonia. New York: Columbia University Press, 
1992.
[5] Fórum Paraense de Desenvolvimento. 50 anos de minera-
ção na Amazônia. Belém: Cejup, 2003.
[6] A situação dos minérios mais extraídos na Amazônia é esta: 
em primeiro lugar, o ferro, que em 2008, respondeu por 35,2% 
do total nacional. Em segundo lugar, a alumina (bauxita) com 
17,6%, em terceiro, o alumínio com 15,1% e em quarto, o co-
bre com 11,3%. O manganês da Mina do Azul, em Carajás, 
e da Buritirama, em Marabá, contribuíram com mais de 50% 
da extração nacional, dos 2,4 milhões de toneladas extraídas 
em 2008. O estado do Pará é ainda responsável por 100% da 
extração nacional do caulim, 85% da bauxita, 60% do cobre 
e 10% do ouro (Companhia Vale do Rio Doce. Relatório de 
Produção, 2008).
[7] O município de Parauapebas, no sudeste paraen
se, participou com 35,8% (minério de ferro), Barcarena com 
33,3% (alumina e alumínio), Canaã dos Carajás com 10% (co-
bre), Marabá com 7,1% (ferro gusa e manganês), Oriximiná 
com 6,3% (bauxita), contribuindo significativamente para o 
crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) estadual. O muni-
cípio de Belém participou com 28,21%, para o PIB do estado, 
em segundo lugar, Barcarena com 8,03%, Parauapebas com 
6,72%, Marabá com 5,91%, Ananindeua com 5,56%, Canaã 
dos Carajás com 1,58% e Oriximiná com 1,42%.
[8] Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). Informa-
ções e Análises da Economia Mineral Brasileira, 3ª edição, 
IBRAM, 2008.
[9] O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos 
Naturais Renováveis (IBAMA) já lavrou 56 autos de infração 
contra a Vale, desde que foi privatizada, o que resultou em 37 
milhões de reais em multas não pagas.
[10] Os registros mostram que na área de influência da Vale, no 
sudeste paraense (municípios de Marabá, Parauapebas, Canaã 
dos Carajás, Eldorado dos Carajás, Curionópolis, Ourilândia 
do Norte e Tucumã), as mortes por causas violentas aumenta-
ram em 23% de 2007 para 2008, considerando os corpos que 
passaram pelo Instituto Médico Legal (IML) de Marabá. No 
ano de 2008, os municípios de Marabá e Parauapebas foram os 
que mais registraram mortes por assassinato. Marabá saltou de 
187 assassinatos, em 2007, para 266, em 2008, e Parauapebas, 
saltou de 62, em 2007, para 94, em 2008 [10].
6 – Bibliografia
[11] CVRD e Diagonal Urbana Consultoria. Diagnóstico 
Integrado em Socioeconomia para os empreendimentos da 
CVRD. 2006.
[12] Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 
1610/96 com o objetivo de regulamentar o art. 231 da Consti-
tuição Federal que impede a atividade em território indígena.
[13] (Fórum Paraense de Desenvolvimento. 50 Anos de Mine-
ração na Amazônia, Belém: Cejup, 2003).
[14] Em 1997, do faturamento de mais de 2 bilhões de dólares 
das empresas com a movimentação da bauxita extraída, em 
Oriximiná, e da produção de alumínio, em Barcarena, somente 
30 milhões de dólares foram recolhidos aos cofres públicos, o 
que representa apenas 1,5% do faturamento. Em 2008, o reco-
lhimento de 700 milhões de reais representou somente 1,44% 
do faturamento. Significa que nem os 2%, como manda a Lei 
que determina o valor da CFEM, para o caso da bauxita, está 
sendo cumprido. 
[15] O LIBERAL, Belém, 13/06/03.
LINKS DE INTERESSE
www.forumcarajas.org.br
www.justicanostrilhos.org 
http://relicariominado.blogspot.com
http://rogerioalmeidafuro.blogspot.com
http://mineracaosudesteparaense.wordpress.com 
www.faor.org.br 
www.forumsocialpanamazonico.org
www.justicaambiental.org.br
http://racismoambiental.net.br 
http://atingidospelavale.wordpress.com
www.gta.org.br
 71 Fórum Carajás outubro de 2010
Integrantes do Fórum Carajás, Sindmetal e pesquisadores alemães (ASA) em 
visita a Alcoa.
Alcoa em Juruti/PA
Carvoarias no Baixo Parnaíba Maranhense Mineração Aurizona em Godofredo Viana/MA
Visita de Sussane (Assessora de mineração/MISEREOR ) ao Escritó-
rio do Fórum Carajás.
Reunião do Grupo Salvaterra em Rio do Cachorros, São 
Luís/MA
Fórum Carajás outubro de 2010 72

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