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2 CONHECIMENTO CIENTÍFICO Prof. Ms. COSME LUIZ CHINAZZO1 INTROCUÇÃO Neste capítulo, iremos abordar sobre o conhecimento científico, partindo da concepção de que o homem é o único animal que faz a pergunta do “por quê? que questiona sobre a sua existência, sobre o cosmo. Esta inquietação perante o universo o torna um ser singular, complexo e inquieto por natureza. Como já afirmava Aristóteles apud Zilles: “Todos os homens têm, por natureza, o desejo de conhecer” (1994, p.15). Existem múltiplas formas de conhecer, por isso, um objeto poderá ser analisado por diferentes olhares, e sobre determinado objeto poderão ser construídas diferentes compreensões, desse modo, na segunda parte desse capítulo vamos identificar e estudar cinto tipos diferentes de conhecimento. 2.1 O QUE É CONHECIMENTO? O conhecimento está presente no nosso cotidiano de forma muito natural, desde cedo somos instigados e alertados pelos nossos pais, parentes, professores ... a conhecer. Desse modo, vamos recebendo as informações e adquirindo uma compreensão sobre as coisas do mundo, sobre as relações humanas sobre as questões sociais, culturais, políticas que estão e acontecem no nosso entorno. Mas as questões pertinentes são: o que é conhecer? É possível o conhecimento? O que é verdade? Como é produzido o conhecimento? É importante mencionar que desde da Antiguidade muitos pensadores pré-socráticos já se preocupavam com o problema do conhecimento humano e com a verdade. Esse conhecimento era chamado de filosofia da natureza que tinha a preocupação em compreender de forma racional a natureza das coisas e do homem e dos deuses. A epistemologia2 ou teoria do conhecimento é um ramo da filosofia “que indaga pela possibilidade, origem, essência, limites, pelos elementos e pelas condições do conhecimento”. Composta de dois termos gregos – episteme 1 Possui graduação de LICENCIATURA PLENA EM FILOSOFIA pela Faculdade de Filosofia Nossa Senhora da Imaculada Conceição – Viamão/RS; Especialização SENSU LATO em ADMINISTRAÇÃO EDUCACIONAL; MESTRADO EM EDUCAÇÃO pela UFRGS. Atualmente é professor na UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL – ULBRA - Canoas/RS, na modalidade EAD, atuando em vários cursos e na modalidade presencial ministrando a disciplina de Instrumentalização Científica. 2 O termo epistemologia é usado pelos anglo-saxões. Entre os povos de língua neolatina, a teoria do conhecimento é também chamada de gnosiologia. “ciência” e logia “conhecimento” – a palavra epistemologia significa conhecimento filosófico sobre a ciência. Como seu próprio nome indica, a teoria do conhecimento tem como objetivo explicar ou interpretar filosoficamente o conhecimento humano. Busca um critério de certeza sobre o conhecimento, ou seja, a adequação entre o objeto do conhecimento e seu conteúdo, a coerência entre o pensamento e a realidade por ele intencionada. Etimologicamente, da língua francesa temos connaissance que quer dizer conhecimento: con quer dizer com e naissance significa nascer. Logo, conhecimento = nascer com. Assim, no ato de conhecer, o sujeito conhecedor nasce como ser pensante e, concomitantemente com ele, nasce o objeto que ele pensa e conhece. O processo de produção do conhecimento mostra aos homens que eles jamais são alguma coisa pronta, na medida em que estão sempre nascendo de novo, quando têm coragem de se mostrarem abertos diante da realidade. Em outras palavras, o homem é um ser aberto para o conhecimento. Para que exista o ato de conhecer, é indispensável o relacionamento de dois elementos básicos: sujeito e objeto. Conforme a corrente filosófica será dada maior ênfase ao SUJEITO ou ao OBJETO, assim, sabemos que os racionalistas3 dão maior importância ao sujeito, enquanto que os empiristas4 dão maior importância ao objeto. O ato de conhecer envolve o dualismo sujeito e objeto onde encontram- se frente a frente. Neste dualismo encontramos a essência do conhecimento. Este é o resultado da relação entre os dois elementos. É relação e ao mesmo tempo correlação, porque o sujeito só é sujeito para um objeto e o objeto só é objeto para um sujeito. Mas tal correlação não é reversível, pois ser sujeito é algo completamente distinto de ser objeto. E a função do sujeito é a de apreender o objeto, e a função do objeto é de ser apreendido pelo sujeito. “O sujeito, no caso que nos interessa aqui, é o ser humano que construiu a faculdade da inteligibilidade, construiu um interior capaz de apropriar-se simbólica e representativamente do exterior, conseguindo, inclusive, operar de forma abstrata com seus símbolos e representações. O objeto é o mundo exterior ao sujeito, que é representado em seu pensamento a partir da manipulação que executa com eles” (LUCKESI, 1995, p.16). 3 Racionalismo é uma corrente filosófica que dá a prioridade à razão, como instrumento na construção do conhecimento, onde a razão é mais importante do que os sentidos no ato conhecer. 4 Empirismo é uma corrente filosófica que dá prioridade aos sentidos como via para a obtenção do conhecimento. A palavra empirismo significa experiência. Como dizia John Locke nada existe na mente do ser humano que não tenha sua origem nos sentidos. Neste tocante se impõe um questionamento filosófico e cientifico, ou seja, é possível o homem apreender o objeto? Historicamente formaram-se três versões filosóficas sobre esta questão: ceticismo, dogmatismo e criticismo. O CETICISMO é uma corrente filosófica que iniciou no século IV a.C com o filósofo Górgias que dizia: “o ser não existe; se existisse não poderíamos conhecê-lo; e se pudéssemos conhecê-lo, não poderíamos, comunicá-lo aos outros “. (GÓRGIAS apud COTRIM, 2010, p.161). Em outras palavras, o homem não tem a possibilidade de conhecer a verdade. O DOGMATISMO é um termo usado pela filosofia, que vem do grego e significa opinião, na qual acredita que o homem pode atingir a verdade absoluta e indiscutível. Filosoficamente são pensamentos contrários ao ceticismo, acredita na possibilidade de o homem conhecer a verdade. CRITICISMO – surgiu com a proposta de superar as divergências entre ceticismo e dogmatismo. A proposta de refletir a questão do conhecimento com critérios que conduzem a uma análise com fundamentação teórica para fins de se obter um conhecimento. O conhecimento é a compreensão inteligível da realidade exterior que no interior do homem forma um pensamento abstrato, que lhe permite expressar como é, por que é, a realidade. Permitindo assim, uma ação e uma adequação do homem sobre essa mesma realidade. Sem dúvida, conhecer é sempre um ato desafiador em busca de sentidos e significados das coisas, é esclarecer o que estava duvidoso, é clarear o que estava obscuro, é iluminar o que estava na escuridão. 2.2 TIPOS DE CONHECIMENTO Existem várias formas de descrever a realidade, ou seja, sobre um mesmo objeto ou sobre uma determinada situação as análises e as interpretações poderão tomar rumos diferentes e específicos. Há uma multiplicidade de tipos de conhecimentos possíveis, por questões didáticas, passamos a caracterizar apenas cinco, quais sejam: mito, senso comum, teológico, filosófico e cientifico. 2.2.1 O CONHECIMENTO MÍTICO O ser humano, desde os tempos mais remotos, sempre buscou explicações para compreender os fenômenos do mundo e a sua própria existência. Mesmo antes de inventar a escrita os seres humanos já buscavam explicações dos fenômenos da natureza com o intuito de aquietar suas angustias e suas dúvidas perante o desconhecido. O mito, historicamente é considerado a primeira forma narrativa de explicação e compreensão sobre a origem do mundo, do homem e dos deuses. O mito constitui uma compreensão espontânea e intuitiva de o homem situar-se no mundo. São expressões que estão vinculadas as questões emocionais, sentimentais e afetivas vivenciadas no cotidiano, portanto, não constituem compreensões racionais e nem científicas. Não são oriundas de reflexões conduzidas com rigor de um método cientifico. No entanto, não são desprezíveis, pois constituem verdades intuídas que representam o mundo real de uma determinada situação. “Uma leitura apressada nos faria entender o mito como uma maneira de explicar a realidade ainda não justificada pela razão. Sob esse enfoque, os mitos seriam lendas, fábulas, credencies e portanto uma forma menor de conhecimento, prestes a ser superado por explicações mais racionais. No entanto, o mito é mais complexo e mais rico do que supõe essa visão redutora. Mesmo porque não são só os povos “primitivos” que elaboram mitos, a consciência mítica persiste em todos os tempos e culturas como componente indissociável da maneira humana de compreender a realidade” (ARANHA, 2003, p. 72). As explicações míticas fundamentam-se nas tradições e nas questões culturais que regulam a vida dos seres humanos de uma determinada comunidade. O mito não é uma expressão delirante de um narrador, nem é uma simples mentira, mas traduz um modo de vida humana que está inundada de sentimentos, de intuições, de angustias, de medos e etc. são os sentimentos mais genuínos do ser humano perante o mundo desconhecido. 2.2.1.1 MÉTODO DO MITO As explicações míticas, dos povos primitivos, eram realizadas através de narrações que passavam de geração para geração de forma oral. “A voz desempenha um papel primordial nas sociedades orais, nas quais as palavras são dotadas de um poder mágico. [...] as sociedades primitivas creem basicamente no que se fala e no que se ouve” (MATTAR, 2015, p. 35). Tais narrativas sempre constituíam representações da realidade vivenciada, ou seja, narravam os acontecimentos mais significativos e que traduziam traços de identificação cultural. As narrativas míticas forneciam suporte para conduzir a continuidade da vida em comunidade, vinculando os membros dessa comunidade a um passado histórico no qual todos se identificavam e acomodavam suas inquietudes. Portanto, a comunicação oral tinha a função de aquietar as angustias psíquicas do homem e também, de memorizar os aprendizados e os registros da cultura. “As sociedades orais em geral são nômades. Nelas, a linguagem sonora e a audição são essenciais, e a memória é a única maneira de registar o conhecimento. A informação transmitida pela voz de uma forma poética, por meio de repetições, fórmulas rítmicas, métricas, rimas etc. Os poemas homéricos, por exemplo, eram recitados e decorados de geração para geração. Nesse sentido, as sociedades orais implicam um envolvimento mais profundo das pessoas e uma consciência mais intensa do contexto em que ocorre a comunicação” (MATTAR, 2015, p. 35-6). A verdade do mito é uma verdade autêntica, isto é, sua origem está intimamente ligada as tradições constituídas e praticadas por sucessivas gerações que orientavam suas vidas a partir de valores, regras, narrativas que cultivavam e idealizavam como modelo para as diferentes atividades humanas. 2.2.2 O CONHECIMENTO DO SENSO COMUM O conhecimento do senso comum também é denominado como conhecimento ‘popular’ ou ‘vulgar’. “A forma ordinária de o homem criar suas representações é através do senso comum, que surge da necessidade de resolver problemas imediatos da vida cotidiana. É, portanto, uma forma espontânea e assistemática de representar a realidade, sem aprofundar os fundamentos da mesma através de um método adequado” (DVORANOVSKI, 1997, p. 20). Esse conhecimento está presente no dia-a-dia de todas as pessoas sem necessidade de realizar maiores investigações ou reflexões. 2.2.2.1 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO SENSO COMUM - Superficialidade e imediaticidade – limita-se nas evidências concretas com o que aparece num primeiro momento, não se preocupa em levantar hipóteses e ultrapassar as aparências; - Emotividade e subjetividade – restrito aos aspectos das percepções sensoriais, afetivas e emoções vivenciadas no cotidiano, depende das elaborações individuais de cada pessoa, não opera uma sistematização que possa aplicar o conhecimento de forma geral ou universal. Não chega sintetizar uma compreensão mais aprofundada; - Acriticidade - não se preocupa em investigar as causas utilizando métodos e técnicas adequadas com critérios para conhecer averiguar a ‘verdade’, ou seja, aceita a primeira explicação, não procede com questionamentos que exijam aprofundamento, nem investigação das causas e consequências; - Valorativo – fundamenta-se a partir de parâmetros de valores ligados a subjetividade de quem avalia e determina sua validação, muito particularizada; - Fatalidade – com frequência atribui ou projeta os acontecimentos no destino ou em Deus; - Dogmaticidade – “a Dogmaticidade se apresenta como uma espécie de “porto seguro”, no qual o indivíduo se ancora e permanece com medo de se aventurar. No “porto seguro”, o indivíduo se abriga em suas próprias ideias, noções e valores. Sua concepção de mundo resiste a modificações.” (DVORANOVSKI, 1997, p. 22); - Falibilidade – em função das características descritas acima, dependendo de sua aceitação e aplicação, o senso comum poderá induzir ao erro; - Fragmentação - o senso comum produz conhecimentos fragmentados, soltos, ou seja, sua validade e aplicação é particularizada, não pode ser aplicado de forma universal. 2.2.2.2 MÉTODO DO SENSO COMUM Os procedimentos de produção do conhecimento do senso comum são muito semelhantes ao método de construção do conhecimento mítico, ou seja, origina-se de forma espontânea baseado nas experiências vivenciadas no cotidiano. Um procedimento muito usual no senso comum é a comparação ou a dedução casual, é comum expressar-se das seguintes formas: “sempre foi assim, então, assim continuará”; “deu certo para fulano, então, vai dar certo para mim”. Outro procedimento muito corrente no senso comum é da veracidade da palavra falada e/ou escrita, normalmente se expressa das seguintes formas: “porque fulano falou assim ...”; “porque todos estão dizendo assim ...”; “está escrito no jornal”. Também é frequente no senso comum atribuir créditos aos sentidos, por isso, são frequentes justificativas como: “eu vi com meus próprios olhos”; “eu estava lá”; “eu percebi que”. Devemos salientar que o senso comum é um conhecimento que apresenta determinadas fragilidades, no entanto, não pode, nem deve ser desconsiderado, na verdade, muitas das suas compreensões tornam-se o ponto de partida para investigações científicas, filosóficas ou teológicas. 2.2.3 CONHECIMENTO TEOLÓGICO Manifestações de caráter religioso são encontradas em todas as culturas, desde os primórdios da humanidade. Evidentemente, tais manifestações são expressas de formas diversificadas, no entanto, em todas elas encontramos a mesma essência, a relação do ser humano com o sagrado. 2.2.3.1 MÉTODO DO CONHECIMENTO TEOLÓGICO A teologia trabalha a partir das diretrizes da fé, fundamenta seus argumentos a partir do dom sobrenatural da fé. O dom da fé confere luz especial à mente humana. O pressuposto fundamental do conhecimento religioso é que “DEUS EXISTE” e tem ciência infinita, tem poder infinito, portanto, tem poder de se comunicar com os homens, fazendo-os participantes de seus próprios conhecimentos. (RUIZ, 2002, p. 105). Uma das maneiras de Deus se comunicar com os homens foi a revelação, isto é, falou aos profetas que transmitiram aos outros humanos. E, o que Deus revelou está escrito nos livros sagrados que compõe a Bíblia. Os seguidores do conhecimento religioso acreditam que tudo que está escrito na Bíblia constitui a ciência divina revelada aos homens e que os conhecimentos contidos na Bíblia são autênticos e verdadeiros, pois foram escritos através da inspiração divina. O conhecimento teológico através do ato de fé, supõe e fundamenta-se na existência de Deus e em sua magistral autoridade e poder, a esse tipo de aceitação e ato de fé denominamos de dogma. Dogma é uma verdade aceita como incontestável, ou seja, aceita-se sem impor questionamentos e/ou levantar hipóteses. Portanto, o conhecimento religioso não se define por uma atitude analítica, racional ou científica, mas atende e responde as questões importantes da vida humana, principalmente, na esfera da afetividade e da ética, pois a religião estabelece princípios éticos e critérios de justiça. 2.2.4 O CONHECIMENTO FILOSÓFICO O conhecimento filosófico surgiu na Antiga Grécia quando os pensadores gregos começaram a pensar o mundo, o homem e os deuses com base na capacidade racional do ser humano. Na Grécia antiga a razão tornou-se o instrumento primordial para analisar e interpretar a realidade, assim a filosofia foi se constituindo como ciência que procura encontrar a verdade através da razão. Filosofia é uma palavra grega que significa "amor à sabedoria" e consiste no estudo de problemas fundamentais relacionados à existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem. 2.2.4.1 MÉTODO DO CONHECIMENTO FILOSÓFICO Conforme descrito acima o instrumento primordial da filosofia é a razão. O termo RAZÃO deriva da palavra LOGOS, que significa contar, reunir, juntar, calcular. Esses verbos sempre reivindicam a capacidade de refletir e estabelecer relações. Estamos falando da reflexão realizada com método sistematizado que resulta em argumentos claros e com lógica racional fundamentada. A razão é o instrumento que possibilita desvendar o verdadeiro ser das coisas é ela que possibilita estabelecer, analisar e refletir sobre as múltiplas relações existentes entre as coisas que são objetos de investigação, assim, pela capacidade racional o pesquisador poderá, reunir, separar, calcular para estabelecer relações e análises exaustivas e aprofundadas para descrever as coisas como elas são na sua essência. A principal exigência do método racional é que as argumentações sejam lógicas e convincentes no plano racional, ou seja, sem a necessidade de apelar para graças divinas, recorre unicamente para as capacidades da razão humana. Em outras palavras, é um conhecimento que sustenta sua argumentação na coerência e na lógica do raciocínio. 2.2.4.2 CARACTERÍSTICAS DA FILOSOFIA A principal característica da filosofia é a atividade da reflexão. Reflexão no sentido de retomar, reconsiderar os dados disponíveis, voltar para trás visando retornar com nova concepção. Saviani (1975), conceitua a filosofia como uma reflexão e nos convence que uma reflexão, para ser considerada como filosófica, deve observar três requisitos: deve ser radical, rigorosa e de conjunto. - RADICAL: no sentido de que o filósofo deve se aprofundar, ir às raízes das questões, isto é, não pode aceitar explicações ou respostas superficiais. - RIGOROSA: o filósofo deve proceder com rigor, isto é, ter método de investigação, para justificar suas argumentações com uma coerência lógica e convincente. - DE CONJUNTO: a filosofia procura manter uma análise de investigar as questões dentro de uma visão universal, busca produzir conceitos e teorias que sejam aplicáveis dentro de uma abrangência globalizante, mantém uma perspectiva de totalidade. Enquanto que outras ciências se fixam em particularidades; a filosofia busca o todo. É importante mencionar que o conhecimento filosófico se caracteriza por ver o todo da questão e não somente uma parte desse todo, como também, não é um conhecimento fechado e absoluto. Uma das principais características do método filosófico são os questionamentos, as perguntas, para muitos filósofos as perguntas são mais importantes que as respostas. “E talvez uma das características da questão filosófica seja o fato de suas respostas, ou tentativas de respostas, jamais esgotarem a questão, que permanece assim com sua força de questão, a convidar outras respostas e outras abordagens possíveis” (IGLÉSIAS, 1991, p. 12). Para Chauí uma das características da atitude filosófica é negativa, isto é, saber dizer um não ao senso comum, aos pré-conceitos, aos pré-juízos, às experiências simplórias do dia-a-dia, ao estabelecido. É colocar entre parênteses nossas crenças para poder interrogar quais são as causas e qual é o seu sentido. Outra característica da atitude filosófica é positiva, isto é, uma interrogação sobre o que são as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os comportamentos, os valores, nós mesmos. É também uma interrogação sobre o porquê disso tudo e de nós, e uma interrogação sobre como tudo isso é assim e não de outra maneira. O que é? Como é? Por que é? Essas são as indagações fundamentais da atitude filosófica. A face negativa e a face positiva da atitude filosófica constituem o que chamamos de atitude crítica. (CHAUÍ, 2003, p. 18). 2.2.5 CONHECIMENTO CIENTÍFICO O conhecimento científico se apresenta com a pretensão de desvendar a dinâmica interna dos fenômenos, identificar e conhecer os elementos específicos que compõem cada fenômeno, busca a real constituição do objeto investigado, pretende atingir o fenômeno nas suas causas, “na sua constituição íntima, caracterizando-se, desta forma, pela capacidade de analisar, de explicar, de desdobrar, de justificar, de induzir ou aplicar leis” (RUIZ, 2002, p. 96). 2.2.5.1 MÉTODO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO Na base do conhecimento científico encontramos o método experimental. A experimentação se desenvolve através de procedimentos rigorosos que permitem ao pesquisador manipular e controlar as variáveis do fenômeno investigado. Os resultados de uma experimentação sempre são demonstrados de forma concreta, o pesquisador tem condições reais de provar e comprovar seus argumentos. Salientamos para o detalhe que o método experimental pode ser aplicado nas mais diversas áreas do conhecimento humano, ou seja, sua aplicação não fica restrita apenas para ambientes de laboratórios. 2.2.5.2 CARACTERÍSTICAS DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO - É programado, sistemático, metódico e orgânico, ordena os enunciados de forma lógica estabelecendo as interligações e subordinações existentes entre os mesmos. (RUIZ, 2002, p. 97); - É crítico, rigoroso, objetivo e exige demonstração e comprovação dos resultados apresentados. (RUIZ, 2002, p. 97); - Nasce da dúvida e se consolida na certeza das leis demonstradas, justifica e demonstra os motivos e fundamentos de sua certeza. (RUIZ, 2002, p. 97); - Procura as relações entre os componentes do fenômeno para enunciar as leis gerais constantes que regem estas relações. (RUIZ, 2002, p. 97); - Estabelece leis válidas para todos os casos da mesma espécie que venham a ocorrer nas mesmas condições. (RUIZ, 2002, p. 97); - Fundamenta-se na objetividade e na evidência dos fatos; e porque essa objetividade e evidência são demonstradas experimentalmente ou logicamente, adquire um caráter objetivo de validade geral. (RUIZ, 2002, p. 101). 2.2.5.3 CIÊNCIA E MÉTODO Muito frequentemente o método científico é apresentado como uma "receita" para se fazer ciência, inclusive com etapas delimitadas. Sabemos que muitos já escreveram textos mais profundos sobre o assunto, mas aqui estão algumas explicações e informações sobre o método científico. Os cientistas aprenderam a destacar e determinar certas regras por meio da tentativa e do erro ao longo de toda a história da ciência. Existem métodos e existem técnicas, todos nós sabemos. Porém, quando, tomamos de um modo muito amplo, os dois termos podem proporcionar pequenas confusões entre si. No entanto, raciocinando com maior rigor sobre o significado de cada um deles pode-se notar a existência de uma diferença fundamental entre ambos. Método = significa caminho para chegar a um fim ou pelo qual se atinge um objetivo. Técnica = é a maneira de fazer da forma mais hábil, segura, perfeita algum tipo de atividade, arte ou oficio. Fazendo uma simples comparação pode-se dizer que o método é a estratégia da ação. O método indica o que fazer é o orientador geral da atividade. A técnica é a tática da ação. Ela resolve o como fazer a atividade, soluciona a maneira especifica e mais adequada pelo qual a ação se desenvolve em cada etapa. Assegura a instrumentalização especifica da ação em cada etapa do método. Este por seu turno estabelece o caminho correto para chegar ao fim, por isso é mais amplo mais geral. Embora os procedimentos variem de uma área da ciência para outra, consegue-se determinar certos elementos que diferenciam o método científico de outros métodos. Primeiramente os pesquisadores propõem hipóteses para explicar certos fenômenos, e então desenvolvem experimentos que testam essas previsões. Então teorias são formadas juntando-se hipóteses de uma certa área em uma estrutura coerente de conhecimento. Isto ajuda na formulação de novas hipóteses, bem como coloca as hipóteses em um conjunto de conhecimento maior. No dizer de Cervo, (2007, p. 30-31), “Existe, pois, um método fundamental idêntico para todas as ciências, que compreende um certo número de procedimentos ou operações científicas levadas a efeito em qualquer tipo de pesquisa. Estes procedimentos (...), podem ser resumidos da seguinte maneira: a) formular questões ou propor problemas e levantar hipóteses; b) efetuar observações e medidas; c) registrar tão cuidadosamnte quanto possível os dados observados com o intuito de responder às perguntras formuladas ou comprovar a hipótese levantada; d) elaborar explicações ou rever conclusões, ideias ou opiniões que estejam em desacordo com as observações ou com as respostas resultantes; e) generalizar, isto é, estabelecer conclusões obtidas a todos os casos que envolvem condições similares; a generalização é tarefa do processo chamado indução; f) prever ou predizer, isto é, antecipar que, dadas certas condições, é de se esperar que surjam certas relações. Mesmo assim, o método pode e deve ser adaptado às diversas ciências, à medida que a investigação de seu objeto impõe, ao pesquisador, lançar mão de técnidcas especializadas”. Portanto podemos dizer que a importância do método é evidente. O método tem como fim disciplinar o espírito, excluir de suas investigações o capricho e o acaso, adaptar o esforço a empregar segundo as exigências do objeto, determinar os meios de investigação e a ordem da pesquisa. Ele é, pois, fator de segurança e economia. Mas não é o suficiente a si mesmo, e Descartes exagera a respeito da importância do método, quando diz que as inteligências diferem apenas pelos métodos que utilizam. O método, ao contrário, exige, para ser fecundo inteligência e talento. Ele lhes dá a potência, mas não os substitui jamais. Em suma, a ciência através de seu método cientifico busca a verdade, os resultados científicos não são verdades absolutas, os cientistas estão permanentemente questionando sua própria verdade. E toda a pesquisa é sempre um convite para que outros pesquisadores questionem a precisão. RECAPITULANDO Ao produzir conhecimento o ser humano apropria-se do objeto que conhece, concomitantemente, essa posse torna-o um ser consciente e com possibilidades de avançar para além das realidades concretas, consequentemente, pode produzir sua existência com liberdade, visando atingir sempre novos status de realização pessoal e humana. Qualquer tipo de conhecimento se for bem usado poderá ser muito útil para humanidade, também é verdade que qualquer um deles se for usado de forma inadequada poderá provocar incalculáveis consequências desastrosas para os seres humanos e para o planeta terra. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: Introdução à Filosofia. 3. ed. revisada. São Paulo: Moderna, 2003. CERVO, Amado Luiz; BREVIAN, Pedro Alcino; SILVA, Roberto da. Metodologia Científica. 6. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 13.ed. São Paulo: Ática, 2003. COTRIM, Gilberto; FERNANDES, Mirna. Fundamentos de Filosofia. São Paulo: Saraiva, 2010. DVORANOVSKI, Clovis. As relações homem-mundo e a produção de conhecimento. In: JOHANN, Jorge Renato. Introdução ao Método Cientifico: conteúdo e forma do conhecimento. Canoas: ULBRA, 1997. IGLÉSIAS, Maura. In: REZENDE, Antonio (Org.). Curso de Filosofia. 4. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1991. LUCKESI, Cipriano Carlos; PASSOS, Elizete Silva. Introdução à Filosofia. São Paulo: Cortez, 1995. MATTAR, João. Introdução à Filosofia. São Paulo: Pearson, 2015. RUIZ, João Álvaro. Metodologia Científica: Guia para eficiência nos estudos. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2002. SAVIANI, Dermeval. Educação Brasileira. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1975. ZILLES, Urbano. Teoria do Conhecimento. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1994. ATIVIDADES 1) Por que o homem é o único animal que faz a pergunta do porquê? 2) O que é o conhecimento? 3) Qual a função do mito? 4) Qual seria a consequência se um indivíduo baseasse sua existência no senso comum? 5) Qual a diferença entre método e técnica? Capítulo 2 1) Resposta da questão discursiva referente à questão 1. Porque o ser humano é um ser dotado de razão que abre possibilidades de questionar, por isso, torna-se um ser inquieto perante os mistérios dos fenômenos da natureza bem como de sua própria existência. 2) Resposta da questão discursiva referente à questão 2. O conhecimento é a compreensão inteligível da realidade que o homem, na condição de sujeito, adquire realizando uma confrontação com a realidade. 3) Resposta da questão discursiva referente à questão 3. Aquietar as angustias do homem perante os fenômenos da natureza e da sua existência. 4) Resposta da questão discursiva referente à questão 4. Seria um indivíduo a-crítico, alienado que não desenvolve suas capacidades de criar. 5) Resposta da questão discursiva referente à questão 5. Método é entendido como o caminho que orienta para atingir um determinado resultado é a estratégia da ação. O método indica o que fazer é o orientador geral da atividade. Técnica é a maneira prática de fazer algo. A técnica é a tática da ação. Ela resolve o como fazer a atividade, soluciona a maneira especifica e mais adequada pelo qual a ação se desenvolve em cada etapa.