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ESCOLA BATISTA DE SÃO FIDÉLIS Investindo na Formação Integral do Aluno Aluno (a): ______________________________________________________________________ Tia Líllyan Ano: 3º Data: ____/____/_____ O coelho de Oz Eu tinha seis ou sete anos, não sei ao certo. A casa era simpática, tinha um jardinzinho em volta. Um dia, ganhei um coelho. Quem trouxe foi o Tio Hans. Eu gostava muito daquele tio e passei a gostar muito do coelho. Tio Hans trouxe o coelho, falando assim: – Este coelho saiu da cartola de um mágico. Cuidado com ele! Se ele encontrar uma cartola de mágico, pode entrar nela novamente e virar abracadabra! O coelho era branco, com olhos vermelhos, uma gracinha! Já veio com o nome de Oz, por causa de um mágico de Oz e por ele ser coelho de cartola mágica, segundo meu tio. Um dia, mamãe preparou um jantar no terraço. Convidou a família toda, preparou saladas, pois era verão e fazia muito calor. Oz andava pela casa, igual a cachorro: subia escadas, acompanhava a gente, sempre interessado em tudo, com o focinho mexendo. Subia escada. Descer, não descia, porque as patas da frente eram curtas, só serviam pra pular. Para o jantar, veio a minha avó fantástica. Eu tive uma avó fantástica, completamente fora do comum: o nome dela era Malva. Tinha olhos azuis, era gorda, uma alegria, só de olhar. Vieram também meus tios Herbert, Lisa, Ena. Tio Hans não veio, porque morava em São Paulo. Veio ainda Erwin, casado com tia Ena e minha outra avó Clara, mãe de mamãe. Na sala, tinha um piano. Vovó Clara começou a tocar valsas vienenses. Minha família era de Viena, que é uma cidade cheia de valsas, tortas e um rio marrom, que todo o mundo chama de Danúbio Azul e que inventam que é azul. Sabem como é, as pessoas preferem azul a marrom, por causa de preconceito de cor. Criança pode achar lindo um rio marrom, cheio de lama, lambuzado, mas adulto, faz questão de Danúbio “azul”. Vovó Clara era professora de canto. Eram noites musicais aquelas, todos cantando mal, atormentando a vizinhança. Vovó Malva era verdadeira: sempre me explicou que o Danúbio era marrom, da cor de café com leite e que minha família cantava mal. Falava isso baixo, fazendo croché, rindo muito, me cutucando, dizendo que criança não deveria, NUNCA, levar adulto a sério. Que adulto era defeituoso: mentia, fingia para as crianças. Mamãe tinha preparado várias saladas e armado a mesa no terraço. Aí, Oz, o coelho, fugiu da sala. Fomos todos para o terraço, onde as saladas estavam dispostas, enfeitadas de rabanetes, alfaces, frios sortidos, tudo muito bonito,sobre uma toalha bordada.No meio de uma saladeira, Oz mastigava cenouras, roc, roc, felicíssimo. Mamãe ficou danada. Pegou Oz pelas orelhas, jogou fora a salada e prendeu Oz no banheiro, coitado! Eu chorava, não sei se por causa de Oz, ou da salada. O jantar ficou meio sem graça. Tio Erwin perguntava: – Será que o coelho não pisou dentro de todos os pratos? Mamãe garantia que não, aflita, pois não tinha outra comida para oferecer. Falava assim: – Tenho certeza de que Oz só pisou dentro da salada que joguei fora! Podem comer tranquilos. Não sei por que, ninguém sentiu fome e todos voltaram para o piano. Eu fui ver Oz. Estava no banheiro e tinha caído dentro da privada, coitado, só com a cara de fora! Aí, peguei Oz pelas orelhas com carinho e levei para a sala gotejando. Foi um horror: todo o mundo com nojo do pobre Oz! Somente vovó Malva, a maravilha, falou baixinho pra mim: – Dá toda a salada pro coelho, ele merece! Foi o que fiz, enquanto as visitas saíam mais cedo, acho que para comer num restaurante. Adulto é fogo! “Amai-vos uns aos outros. eu amei a vós, assim deveis amar uns aos outros.” (João 13.34)