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ATIVOS ANTIACNE A acne é uma doença multifatorial inflamatória crônica da unidade pilossebácea. Acomete aproximadamente 80% da população entre 11 e 30 anos de idade, exercendo um intenso impacto psicossocial, e tem grande potencial para evoluir com lesões cicatriciais e desfigurações. Sua fisiopatologia ocorre pela interação de vários fatores, como hiperprodução de sebo glandular, hiperqueratinização folicular, colonização bacteriana folicular e liberação de mediadores da inflamação no folículo e na derme adjacente. O estímulo da glândula sebácea está diretamente ligado aos hormônios androgênicos, especialmente a testosterona, mas o aumento da secreção de sebo pela glândula sebácea também pode estar relacionado a alguns fatores: • aumento na produção de andrógenos; • aumento da disponibilidade de andrógenos livres; • diminuição da globulina carreadora dos hormônios sexuais (SHBG); • aumento da resposta do órgão-alvo (glândula sebácea), que pode aumentar a produção de sebo. PATOGÊNESE Encontramos na flora folicular e na superfície da pele três micro-organismos: o Propionibacterium acnes, o Staphylococcus epidermidis e o Malassezia furfur, sendo o primeiro, seguramente, o mais importante e predominante na formação da acne. O sebo constitui-se de uma mistura de lipídios, principalmente colesterol, esqualeno, cera, ésteres esteroides e triglicérides. O papel de cada um desses lipídios na patogênese da acne não é totalmente conhecido, mas há evidências de que alterações na composição e/ou na quantidade da secreção sebácea colaborariam no desenvolvimento da doença por alterar tanto a queratinização do duto glandular quanto a proliferação bacteriana (Propionibacterium acnes). O aumento da produção de sebo leva à proliferação do Propionibacterium acnes, que hidrolisa os triglicérides do sebo, liberando ácidos graxos livres que irritam a parede do folículo, estimulando a hiperqueratose. O processo continua, gerando uma pressão dentro do folículo, que se rompe, liberando ácidos graxos livres e micro-organismos na derme circunjacente, iniciando um processo inflamatório. ATIVOS COSMÉTICOS PARA TRATAMENTO DE PELES OLEOSAS E ACNEICAS Os ativos cosméticos indicados para o tratamento de peles oleosas e acneicas atuam da seguinte forma: • inibindo a enzima 5-alfarredutase, que transforma o hormônio testosterona em DHT (di-hidrotestosterona), estimulando a atividade da glândula sebácea; • controlando o processo inflamatório; • controlando a secreção de sebo pelas glândulas sebáceas; • reduzindo o processo de hiperqueratinização; • controlando a proliferação bacteriana. PRINCÍPIOS ATIVOS UTILIZADOS NO TRATAMENTO DA ACNE • Azeloglicina: derivado do ácido azelaico, tem ação normalizadora da secreção sebácea, esfoliante, antibacteriana, anti-inflamatória e despigmentante. • Betapur: é um princípio ativo capaz de estimular a produção de peptídeos antibacterianos, naturalmente secretados pelas células da pele, sem desencadear um processo inflamatório. Atua especificamente no combate à bactéria Propionibacterium acnes. • Óleo de melaleuca: extraído da Melaleuca alternifolia (árvore nativa da Austrália), é utilizado como antisséptico tópico. • Enxofre: apresenta ação queratolítica ou queratoplástica, dependendo da concentração utilizada, levando a uma normalização da queratinização, e também controla a produção de sebo. • Sebonormine: reduz a ação da enzima 5-alfarredutase, controlando a produção de sebo, e tem ação antimicrobiana. • Asebiol: tem ação adstringente, regula a secreção sebácea, é calmante e antipruriginoso. • Argila verde: possui ação absorvente, secativa, antisséptica, bactericida, cicatrizante, analgésica e combate edemas. Esses princípios ativos são utilizados na maioria dos produtos para o tratamento da acne e o controle da oleosidade, em forma de loções secativas, sabonetes e loções tônicas, entre outros.