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SANTO SUDÁRIO, UM MITO?SANTO SUDÁRIO, UM MITO?SANTO SUDÁRIO, UM MITO?SANTO SUDÁRIO, UM MITO?SANTO SUDÁRIO, UM MITO?
Shroud of Turin, a myth?
Joaquim Blessmann*
Resumo:Resumo:Resumo:Resumo:Resumo: Em Ciência, ao se tratar de um tema, deve-se
obrigatoriamente começar por um criterioso estudo de tudo o
que de sério e bem fundamentado já exista sobre ele.
Apresentaremos alguns dos cerca de 300 indícios fortes e provas
que levam à conclusão da legitimidade do Santo Sudário,
contrariamente ao que é dito no artigo que vamos comentar. Nas
últimas décadas o argumento fundamental para negar a
autenticidade do Sudário está baseado nos testes efetuados com
carbono 14. Estes testes teriam provado que essa relíquia é uma
falsificação do século 13 ou 14. Na realidade, esses testes levaram
a uma falsa conclusão, como foi reconhecido por membros dos
três laboratórios que os fizeram. Erros fragorosos já foram
constatados com esses testes, alguns dos quais serão aqui citados.
Palavras-chave: Palavras-chave: Palavras-chave: Palavras-chave: Palavras-chave: Santo Sudário — Carbono 14 — Igreja Católica.
Abstract: Abstract: Abstract: Abstract: Abstract: In Science, when dealing with a theme, one must
necessarily begin with a thorough study of all serious and well
reasoned statements that already exist about it. We will present
some of the nearly 300 strong evidences and proofs which lead
to the logical assertion of the Shroud of Turin’s legitimacy, in
opposition to what is said in the article to be commented. In
recent decades, the fundamental argument to deny the authenticity
of the Shroud is based on tests made with Carbon-14. These tests
supposedly have proven that this relic is a forgery of the 13th or
14th century. In fact, these tests led to a false conclusion, as
recognized by members of the three laboratories that made them.
Terrible errors have already been detected with these tests, some
of which are mentioned here.
Keywords: Keywords: Keywords: Keywords: Keywords: Shroud of Turin – Carbon-14 – Catholic Church
* Engenheiro Civil. Mestre e Doutor em Ciências pelo Instituto Tecnológico de
Aeronáutica (ITA). Professor Emérito da UFRGS.
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No jornal Zero Hora de 6/10/09, apareceu na página 33,
com destaque, um artigo intitulado “Santo Sudário, uma fraude
confirmada”.
Informa o jornal que essa fraude foi confirmada por uma
pesquisa financiada pela Comissão para a Investigação de
Alegações de Paranormalidade e por uma organização italiana
de agnósticos e ateus. Terão sido imparciais? Pelas alegações
apresentadas como prova, parece-nos que não. Vejamos tópicos
do que afirmaram, seguidos de comentários pertinentes.
1 — “1 — “1 — “1 — “1 — “Estudos científicos feitos com carbono 14 já haviam
revelado, em 1988, que a mortalha datava dos séculos 13 ou 14,
na Idade Média”.
ComentáriosComentáriosComentáriosComentáriosComentários — Em Ciência, se uma pesquisa diverge
frontalmente de dezenas de outras, concordantes entre si, é essa
pesquisa que deve ser posta sob suspeita, examinada e
reproduzida cuidadosamente. É o caso da datação do tecido do
Sudário por meio de teste do carbono 14 (C-14). Ele contradisse
cerca de 300 outros criteriosos estudos, feitos em vários ramos da
ciência e da tecnologia. Decorridos alguns anos desse teste, o
erro foi reconhecido, inclusive por membros das equipes que, em
três laboratórios, tentaram datar o tecido do Sudário. Vejamos a
razão desse erro.
É bem conhecido dos arqueologistas que uma amostra
arqueológica destinada a testes com o C-14, uma vez obtida,
deve ser imediatamente encerrada em uma caixa metálica,
hermeticamente fechada, para evitar contaminação com o ar
ambiente, carregado de gás carbônico, pó, polens,
microorganismos, etc. A amostra não pode ser tocada com as
mãos nuas, nem se admite caixa de madeira, para evitar qualquer
contaminação pelo carbono da madeira. Eis o que recomenda
Eugênia Nitowski, citada em E. Marinelli:
Quando uma amostra é colhida no campo por um
arqueólogo para datação com C-14, deve ser observada
uma série de precauções: ninguém deve fumar nas
imediações, a amostra deve ser removida com um
instrumento estéril e não deve ser tocada com as mãos,
não deve ser embrulhada em papel ou papelão, nem
ser posta em recipiente orgânico, e deve ser analisada
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no laboratório antes que passe muito tempo depois de
sua retirada.1
Repare o leitor que o Santo Sudário está muito longe de ter
sido tratado de acordo com essas exigências, necessárias para
que qualquer teste feito com o C-14 tenha certa credibilidade.
Cremos que quase dois milênios não podem ser considerados
como pouco tempo para uma análise em laboratório... Durante
todos esses séculos, o Santo Sudário esteve submetido a muitos
tipos de contaminações: incêndios, suor e toque humano,
respiração de multidões de fiéis em recintos fechados, fumaça de
archotes, velas e incenso, poeira, além de alterações no teor de
Carbono 14 por matéria orgânica que foi se depositando no tecido
durante séculos. Fungos, esporos, pólen e outros elementos
microscópicos de pó não só se depositaram sobre o tecido, mas
foram impregnando-o de tal modo que a retirada total dessas
impurezas acabaria por destruir as próprias fibras do tecido.
O Professor Leoncio Garza-Valdés, do Instituto de
Microbiologia da Universidade de San Antonio, Texas, conseguiu
uma amostra do tecido do Sudário. Ele afirma ter encontrado
nela uma “camada bacteriana” que, como um melaço não-
eliminável, cobre uniformemente os fios do tecido, com isso
falsificando a datação pelo C-14. O próprio Harry Gove, um dos
idealizadores da técnica utilizada para a datação do Sudário pelo
C-14, afirmou que “a ideia não é absurda. Uma alteração de mais
de mil anos (na datação) é uma grande mudança, mas não é
inadmissível”. Em um artigo, Gove afirmou:
Recentemente, porém, o Dr. Garza-Valdés, de San
Antonio, Texas, forneceu provas consistentes a respeito
de um tipo de contaminação de carbono produzida
nos fios do Santo Sudário por um certo tipo de bactéria
que os procedimentos de limpeza utilizados pelos três
laboratórios poderiam não ter removido.2
1 MARINELLI, E. O Sudário: uma imagem “impossível“. São Paulo: Paulus, 1998,
p. 110.
2 Apud PACI, S.M. “Resurrexit sicut dixit“. 30 Dias, ano 16, n. 3, (1998), p. 54-
56.
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Dependendo da espessura desta contaminação, continua
Gove, ela “pode fazer com que a data fornecida pelos três
laboratórios seja falsa”.
Também Timothy Jull, geofísico da Universidade de Tucson,
que participou do exame com C-14 do Santo Sudário, crê ser
possível que a contaminação devida à camada bacteriana tenha
falsificado os resultados.3
O Sudário sofreu dois ou três incêndios. No de
consequências mais graves, o de Chambéry, em 1532, houve até
chamuscamento e queima de tecido. O Sudário estava guardado
em um cofre de carvalho e prata, forrado internamente com
veludo. A fumaça da combustão, que chegou a derreter a prata,
certamente contaminou o tecido, o qual foi também danificado
por pingos da prata derretida. A própria água usada para apagar
o fogo também deve ter colaborado na contaminação do tecido
por carbono.
Pelo que vimos, o problema é o da contaminação, causa
de erros clamorosos já observados em datações pelo C-14. Eis
alguns exemplos:
— Na revista “Science”, de dezembro de 1988, é indicado
o caso de cascas de caracóis ainda vivos terem sido datadas
como tendo 26 mil anos.
— A revista “Antarctic”, especializada em biologia e
geologia, publicou o caso de uma foca recém-morta para a qual
o teste de C-14 indicou uma idade de 1.300 anos.
— O periódico “Radicarbon” cita o caso da pele de um
mamute da pré-história, comprovadamente de 26 mil anos, que
foi datado como tendoapenas 5.600 anos.
— O Conselho de Pesquisas da Inglaterra enviou a 38
laboratórios de vários países objetos de idades conhecidas.
Somente sete resultados foram aceitáveis.
— Um fio, subdividido e com suas partes datadas na
Universidade da Califórnia, teve sua idade fixada tanto em 200
d.C. como em 1000 d.C.
— O Diretor do Laboratório de Zurique (um dos três do
exame do Sudário) obteve, para datação de uma toalha de linho,
que seguramente não tinha mais de 50 anos, a idade de 350
anos. O diretor atribuiu a culpa do erro aos detergentes...
3 Ibidem.
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— O Laboratório de Tucson (outro dos três) datou um
capacete viking como sendo do ano 2006 d.C. Sim, isso mesmo,
datou no futuro, ele ainda não existia quando foi datado!
— Um absurdo semelhante foi obtido na datação de peças
arqueológicas de muitos séculos: elas continham mais C-14 que
seres vivos. Razão: havia uma central nuclear nas proximidades
que emitia radioatividade.
— Com rochas do terciário e do pré-cambriano deu-se um
“fenômeno” inverso: elas foram datadas como sendo sete vezes
mais velhas que nosso planeta!
— Uma múmia do “British Museum” foi datada como tendo
entre 800 e 1.000 anos a mais do que a idade comprovadamente
conhecida das faixas que a envolviam.
— Uma árvore, cuja datação indicou sua morte há vários
séculos, na realidade continuava viva, plantada à beira de uma
estrada muito movimentada. Razão do erro: absorção dos gases
de escapamento de veículos (combustível obtido do petróleo de
muitos milhares de anos).
Estes exemplos mostram que os testes de datação pelo C-
14 não são ainda muito confiáveis. Não pelo método científico
em si, mas por alterações que podem ter ocorrido no teor de C-
14 ao longo do tempo, por causas as mais diversas, as quais,
parece-nos, podem ser resumidas em uma palavra: contaminação.
Esta imprecisão por vezes absurda na datação está muito
bem definida no seguinte pronunciamento de Michel Winter,
especialista nestes testes: “Se uma datação com C-14 confirma as
nossas teorias, nós a colocamos no texto principal; se as contradiz
em parte, colocamos em uma nota de rodapé; se contradiz
completamente, omitimos”.4
2 — “2 — “2 — “2 — “2 — “Na época [1988], os cientistas não conseguiram
descobrir como a fraude teria sido feita”.
ComentáriosComentáriosComentáriosComentáriosComentários — Que fraude? São cerca de 300 provas e
fortes indícios de que o Sudário é autêntico e do 1º século.
Citaremos alguns.
 A imagem no Sudário é a de um negativo fotográfico.
Esta é uma das provas de que o Sudário não pode ter sido forjado
na Idade Média. Naquela época ainda não existia o conceito de
negativo fotográfico, tampouco técnica que o permitisse simular.
4 Apud PACI, S.M. “O caso não está encerrado“, 30 Dias, ano 5,. 6, (1990), p. 51.
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O processo fotográfico, com o respectivo conceito de negativo,
só apareceu no século XIX (entre 1835 e 1840).
Em 1978, algumas dezenas de pesquisadores e especialistas
reuniram-se em Turim, no chamado Projeto STURP (Shroud of
Turin Research Project — Projeto de Pesquisa sobre o Sudário
de Turim), com uma tríplice finalidade: verificar a autenticidade
do Sudário, como se formara a imagem e estudar sua conservação.
Só dos Estados Unidos chegaram cerca de 40 toneladas de
equipamento. Foram gastas 120 horas de medidas, análises e
registros diretamente sobre o Sudário e 600 horas de observação
em microscópio eletrônico, a partir desses registros e de pequenas
amostras tiradas do tecido. No total foram despendidas cem mil
horas-homem em estudos diversos, dos quais surgiram 85 novos
quesitos, muitos deles ainda sem resposta.
Entre outras pesquisas, trabalharam com fotografias e
microfotografias especiais, radiografia completa do tecido do
Sudário, inspeção com raios infravermelhos e espectro da luz
obtido por fluorescência. Concluíram que a imagem do Sudário
não é uma pintura, mas que originou-se por uma modificação
bem superficial dos fios de linho do tecido. O que pode ter causado
essa modificação veremos mais adiante. Além do que, trata-se de
uma imagem tridimensional.
Um estudo mais científico desta tridimensionalidade foi feito
por dois físicos e oficiais da Força Aérea Norte-americana no
Laboratório de Armas da Força Aérea, em Albuquerque, Novo
México, dentro do já citado Projeto STURP. Estes dois oficiais,
John Jackson e Eric Jumper, juntamente com o colega Bill Mottern,
verificaram que a intensidade da figura está matematicamente
relacionada com a distância entre o corpo e o tecido: a
intensidade da imagem é inversamente proporcional ao quadrado
da distância entre tecido e corpo. Onde o corpo tocava o tecido
(como as costas, nariz, testa e sobrancelhas) a figura é mais forte,
sendo tanto mais fraca quanto maior a distância entre a parte do
corpo e o tecido (como as cavidades oculares, as partes laterais
da face e de todo o corpo). Estes físicos tinham a sua disposição
um equipamento sofisticado, chamado Analisador de Imagens
VP-8, utilizado para, a partir de fotos de objetos distantes, como
os planetas e suas luas, determinar o relevo de suas superfícies.
Com este equipamento obtiveram uma fotografia em relevo do
corpo do Sudário, isto é, uma imagem em três dimensões: como
se fora uma estátua, e não a fotografia dela. O VP-8 permitiu
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obter imagens tridimensionais com vários ângulos de observação.
Apareceram detalhes não perceptíveis a olho nu, o que também
comprova que não se trata de uma pintura, pois não seria possível
pintar detalhes não-visíveis e que só apareceram com um
tratamento matemático complexo e em um equipamento
sofisticado. Entre esses detalhes, apareceu o cabelo trançado na
nuca, bem como foi percebida a existência de objetos
arredondados sobre as pálpebras, mais tarde identificados como
moedas.
A imagem tridimensional, sem distorção, do Sudário, é única
no mundo; não há técnica artística que tenha podido reproduzi-
la. Outras tentativas de obter imagens tridimensionais de outras
fotos ou pinturas fracassaram. Só imagens deformadas puderam
ser obtidas, o que prova que o Sudário esteve em contato com
um corpo humano.
O Sudário é um lençol de linho, de dimensões 4,30m x
1,10m, atualmente de cor amarelo pálido. Em um incêndio
ocorrido em 1532, em Chambéry, França, o pano, além de
chamuscado, foi queimado em 12 locais, tendo os buracos sido
remendados com pano de linho pelas irmãs Clarissas, em 1534.
O linho é a planta têxtil com os registros históricos mais
antigos; entre eles citamos as pinturas relativas ao cultivo do
linho e confecção de tecido existentes em sepulcros do Egito
Antigo. É originário do Oriente Médio, região da antiga Síria,
tendo sido cultivado há milhares de anos, inclusive em terras do
atual Israel. Na época de Cristo, tecidos de linho eram usados
nas vestes rituais e nos funerais judaicos.
O principal componente de suas fibras é a celulose,
responsável pela coloração amarelada que o tecido, mesmo
quando originariamente branco, vai tomando com o decorrer do
tempo. Cada fio do Sudário é composto de muitas fibrilas, cujo
número varia de 70 a 120, cada uma delas com um diâmetro de
cerca de 1/10 do diâmetro de um fio de cabelo. O diâmetro dos
fios é bastante variável, de torcedura em Z (torcidos no sentido
horário), a mesma torcedura encontrada em panos daquela época
na Síria, Iraque e no deserto da Judeia. A torcedura em S (sentido
anti-horário) era mais comum no Egito.
O tecido do Sudário, bastante irregular, foi feito em um tear
manual rudimentar. O professor Gilbert Raes, do Instituto Ghent
de Tecnologia Têxtil, Bélgica, examinou alguns fios retirados do
Sudário em 1973 e constatou, entre as fibras de linho, a existência
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de vestígios de algodão da espécie Gossypium Herbaceum. Silvio
Curto, professor Adjunto de Egiptologia da Universidade de Turim
e membro da comissão de cientistas italianos que examinou o
Sudário em 1973, confirmou esta descoberta. Estes vestígios de
algodão explicam-se pelo fato de o mesmo tear ter sido usado
tanto para linho como para algodão. O algodão chegou ao Oriente
Médio, procedente da Índia, no século I a.C. E são da espécie
então muito difundida naquela região os traços de algodão
encontrados no Sudário. Este é outro argumento para refutar a
tese de ser o Sudário uma farsa medieval, na Europa: nem no
tempo de Cristo, tampouco na Idade Média, o algodão era
cultivado na Europa. Os materiais mais usados na Europa medieval
para roupas eram a lã, para as classes mais pobres, e o linho, para
as mais abastadas.
No Sudário, não há vestígios de fibras de origem animal (lã).
Este é mais um indício a favor de sua autenticidade, pois, como
comenta Marinelli, “isso faz pensar num ambiente hebraico, no
qual se respeitava a lei mosaica (Dt 22,11), a qual prescrevia que
se mantivesse a lã separada do linho.”5
No Sudário está impressa a imagem, frente e costas, do
corpo de um homem com cerca de 1,80m de altura e pesando
aproximadamente 80 quilos, de boa constituição física e
musculoso, com idade entre 30 e 35 anos. Rebeca Jackson,
pesquisadora de origem judaica, informa que o rosto da imagem
apresenta características de judeu: proximidade dos olhos, raiz e
comprimento do nariz e dimensões do lábio inferior.
 Como já vimos, essa imagem equivale a um negativo
fotográfico e apresenta as marcas da paixão de Cristo. Também
foi constatado que a imagem é estável, tendo resistido a altas
temperaturas (no incêndio de Chambéry a temperatura próxima
ao Sudário chegou a 900°C, fundindo peças de prata da caixa de
carvalho que guardava o Sudário) e a água (usada para apagar
esse incêndio). Consta, sem comprovação, que o lençol foi fervido
em óleo para verificar sua autenticidade e excepcionalidade. Além
disso, a coloração amarela da imagem não foi dissolvida, clareada
ou alterada por agentes químicos padronizados. A imagem torna-
se fluorescente quando submetida a raios ultravioletas.
A imagem é monocromática, levemente amarelada e muito
superficial (como se fosse um estampado). Só atinge duas ou três
das fibrilas que estão próximas à superfície do tecido. Alguém
5 MARINELLI, E. Op.cit., p.14.
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encontrou vestígios de materiais corantes, mas foi provado que
eles provinham de outro pano, pintado, que por vezes cobria o
Sudário. Os tons mais fortes são devidos a um maior número de
fibrilas que foram amareladas quando a imagem se formou. A
tonalidade de cada fibrila afetada é sempre a mesma, o que varia
é o número de fibrilas afetadas na unidade de área, à semelhança
de um clichê tipográfico em preto e branco: o número de pontos
por unidade de área define a tonalidade de cinza do clichê. A
hipótese de ser uma pintura tem sido refutada com diversos
argumentos. Já no início do século XX, o biólogo e artista francês,
Paul Vignon, baseado em várias experiências, concluiu que a
imagem não podia ser uma pintura. O químico Alan Adler,
professor da Universidade Estadual do Oeste de Connecticut,
EUA, ateu, disse o seguinte: “É impossível que seja uma pintura.
O tecido tem várias camadas de fibras, e apenas a mais superficial
delas apresenta outra tonalidade, criando o desenho. Mesmo o
mais habilidoso dos artistas, com traços levíssimos, atingiria duas
camadas, no mínimo”.
Também no Projeto STURP foi confirmado que não se trata
de uma pintura. Não só por não haver vestígios de tintas ou
pigmentos, mas também porque a figura não é direcional, isto é,
nada há que indique os movimentos da mão do suposto pintor.
A propósito, o fotógrafo deste projeto, Barrie Schwortz, conta
que, no início dos estudos em Turim, pensou que, ao entrar na
sala que abrigava o Sudário, caminharia até ele, olharia as
pinceladas (pensava, preconceituosamente, que era uma pintura)
e iria embora. Não foi o que aconteceu: permaneceu firme em
seu trabalho e, “no final do estudo”, conta ele, “não conseguimos
dizer o que a imagem é; só o que ela não é.”
Em uma das verificações iniciais, o tecido foi separado de
seu forro em cerca de 10cm e uma câmara endoscópica foi
colocada entre os dois tecidos, para analisá-lo pelo verso. Foi
constatado que, apagando-se as luzes da sala e iluminando por
trás do pano, a imagem desaparecia, o que era mais uma prova
de que não era uma pintura, pois tal fenômeno não ocorreria em
uma pintura.
A microanálise das fibras mostrou que a imagem foi formada
por uma modificação localizada na celulose que compõe o linho.
Mais precisamente, uma rápida desidratação e oxidação das fibrilas
de celulose do tecido. Além disso, foi provado que a imagem não
pode ter surgido de uma reação química entre a mirra e aloés
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(usados antes do sepultamento) e o sangue, soro sanguíneo e
suor do cadáver, ou pelo uso de um ácido.
Eis o que escreveram a respeito dois componentes do
projeto STURP:
Não há nenhuma substância estranha sobre o Sudário
que possa ter sido responsável pela formação da figura.
Não há vestígios de pinceladas ou de outro tipo de
aplicação. Para completar, a pintura não poderia ser
responsável pelas propriedades observadas na figura.
Do mesmo modo, os processos naturais, tais como o
contato direto ou a vaporgrafia, não podem ser
considerados responsáveis pela formação da imagem.
Tanto as hipóteses de fraude como os processos
naturais apresentam-se falhos quando se pretende tomá-
los como causa de tais fenômenos, pois não conseguem
justificar a qualidade tridimensional, superficial e não-
direcional da figura, bem como o fato de não existir
superposição de camadas ou pontos de saturação sobre
suas fibras. Tais hipóteses são também refutadas com
base na densidade ou intensidade da figura, na falta
de distorção, nas sombras e na distribuição de cor. Os
estragos decorrentes do incêndio e da água usada para
extinguir o fogo em 1532 não alteraram sua estrutura
química, como certamente teria acontecido se ela fosse
uma pintura. Ela não foi produzida por difusão a vapor,
porque o vapor não se espalha em linhas retas ou
paralelas. Em outras palavras, estudos científicos
revelam que a figura do Sudário não pode ter sido
criada por contato direto, por fraude nem por vapores.6
Mais recentemente, em março de 2000, 40 cientistas de
dez países, reunidos em um simpósio organizado pelo Centro de
Sindologia (estudo do Sudário, Sindon em italiano), confirmaram
que “pesquisas físicas e químicas e análises por computador
permitiram estabelecer que a imagem humana visível na tela não
é uma pintura”.7
6 STEVENSON K.E.; HABERMAS, G.A. A verdade sobre o udário. 3. ed., São
Paulo: Paulinas, 1986, p. 186-87.
7 ZER0 HORA. Porto Alegre, 16/3/00, p. 57, “RELIGIÃO”
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Também a teoria do chamuscamento (semelhante ao
produzido por um ferro de passar roupa demasiadamente quente)
é facilmente refutada: a imagem não aparece quando iluminada
com luz ultravioleta. Porém, continuam visíveis os
chamuscamentos oriundos do incêndio de Chambéry.
A hipótese mais plausível é a de que a imagem tenha sido
produzida por calor, luz intensa ou outra radiação, provindos do
próprio cadáver. Assim sendo, a causa não pode ter sido
puramente natural, pois os cadáveres não emitem luz ou calor,
concluem os cientistas do Projeto STURP. A imagem pode ter
sido formada por uma radiação, rápida e intensa, emitida pelo
corpo de Jesus no momento de sua Ressurreição. Como
justificativa é lembrado o caso de Hiroshima. Os dois já citados
cientistas da NASA, Jumper e Jackson (Projeto STURP),
concordam com esta explicação. Eles constataramque as figuras
de objetos e corpos de pessoas, formadas em paredes ou no solo
pela radiação atômica, em Hiroshima, apresentam semelhanças
com a imagem do Sudário. Eles admitem que esta imagem tenha
sido causada por uma radiação calórico-luminosa emanada do
corpo do homem do Sudário. Esta radiação teria “chamuscado”
superficialmente o tecido. A hipótese da radiação explica porque
as partes do corpo que não estavam em contato direto com o
lençol também estão reproduzidas na imagem.
Anteriormente, a hipótese da radiação já tinha sido lançada
por Noguier de Malijay em 1930 e reapresentada por Geoffrey
Ashe em 1966.
Luigi Gonella, do Instituto Politécnico de Turim, também
admite esta hipótese. Diz ele: “Do ponto de vista físico-fotométrico,
a imagem aparece como se tivesse sido formada por um fluxo de
radiação colimada (isto é, um feixe de raios paralelos) e atenuada
com a distância. Qualquer que seja o mecanismo de formação
da imagem, o seu resultado global é igual ao que seria produzido
por uma radiação colimada”. Continuando seu raciocínio, Gonella
descarta a possibilidade de ser uma pintura: “Obter esse resultado
através da coordenação entre os olhos e as mãos de um artista
parece tecnicamente impossível, considerando os limites de
resolução de contraste do olho humano, e não corresponde a
nenhuma técnica pictórica conhecida”.
Além disso, a imagem não é visível a menos de dois metros de
distância. Ela só pode ser observada em todos seus detalhes a
uma distância de cerca de quatro até seis metros. O pintor teria
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que usar um pincel de cerca de dois metros, com uma cerda
finíssima, a fim de pintar isoladamente só as fibrilas mais próximas
à superfície, fibrilas essas que têm um diâmetro muito pequeno,
em torno de 15 milésimos de milímetro (inferior às cerdas dos
pincéis mais delicados).
Resumindo, a imagem apresenta as seguintes características:
1 - É superficial, afetando, no máximo, três fibrilas da
camada externa do tecido.
2 - É termicamente estável. Não foi afetada pelas altas
temperaturas a que foi submetida no incêndio de
Chambéry. Se fosse pintura, o calor teria afetado a
imagem, mudando sua cor, com uma alteração
proporcional à temperatura em cada parte da imagem,
conforme a distância entre tecido e chamas.
3 - Sob radiação ultravioleta, não emite fluorescência
(as partes chamuscadas no incêndio de Chambéry
emitem).
4 - É hidrologicamente estável. No incêndio acima
referido, o Sudário foi mergulhado em água, para apagar
o incêndio, e não houve alterações na imagem.
5 - É quimicamente estável. O uso de 25 solventes
padronizados de laboratório não conseguiu dissolver
nem ao menos alterar a imagem.
6 - Não apresenta pigmentos, tintas ou vernizes.
7 - Não há direcionalidade, característica de qualquer
pintura.
8 - É um negativo fotográfico.
9 - É tridimensional, com a intensidade da imagem
variando inversamente com a distância entre corpo e
tecido.
John Jackson, do Projeto STURP, assim se manifestou: “Com
base nos processos físico-químicos até hoje conhecidos, teríamos
motivos para dizer que a imagem do Sudário não pode existir,
mas ela é real, embora não possamos explicar como ela se
formou.”8
E Solé, em seu histórica e cientificamente muito bem
fundamentado livro, conclui o seguinte:
8 MARINELLI, E. Op.cit., p. 71.
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Jesus queria deixar-nos uma “reportagem gráfica de
sua paixão e morte” e um “testemunho de sua
ressurreição” [...] Queria deixar-nos um testemunho
digno de fé de sua ressurreição gloriosa, e lançou mão
- em seu poder omnímodo - no momento de ressuscitar,
de uma energia termo-luminosa, não-natural, emanada
de seu próprio corpo [...].
Em síntese, apenas uma radiação de tipo preternatural,
emanada do corpo de Jesus no momento de ressuscitar,
pode explicar tudo que a ciência descobre com
surpresa no Sudário, sem poder decifrar nada.
Tal energia nada tem a ver, em sua essência e
comportamento, com as energias radioativas conhecidas
da natureza. Por isso, quanto mais os sábios estudam
o fenômeno com seus aparelhos tão sofisticados, mais
misteriosas e inexplicáveis se lhes apresentam as
imagens do Sudário”.9
Em 1973, o Sudário foi examinado pelo botânico e
criminólogo suíço Max Frei, professor da Universidade de Zurique,
fundador e por 25 anos diretor do serviço científico da polícia de
Zurique. Com auxílio de uma lupa, ele notou a presença de pó
sobre o tecido. Obtida permissão para tirar amostras deste pó,
com a ajuda do professor Aurelio Ghio e usando fita adesiva
comum, aplicada a diversas regiões do tecido, conseguiu 12
amostras.
Levado por sua curiosidade científica e “sem preconceitos
religiosos de espécie alguma”, como ele mesmo salientou, dedicou-
se em caráter particular a classificar as dezenas de tipos de pólen
que encontrou neste pó. Para isso, além de consultar manuais de
botânica e arquivos de polens, visitou diversos jardins botânicos
na Europa e empreendeu sete viagens ao Oriente Médio, por sua
conta, para examinar plantas na época de floração. E, mais ainda,
examinou restos fossilizados de dois mil anos extraídos do lodo
do fundo do lago de Genesaré e do mar Morto.
Frei constatou que o pólen mais frequente era idêntico ao
pólen que mais aparece nos estratos sedimentares acima referidos.
Além disso, perto de Jerusalém, Frei encontrou a assueda, planta
9 SOLÉ, M. O Sudário do Senhor. São Paulo: Loyola, 1993. 414 p.
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que só cresce na Palestina. No total, classificou 25 plantas da
Palestina, que florescem na primavera, algumas delas já extintas.
Das outras, embora algumas sejam encontradas na Europa
(acácia, amieiro, bétula, carpino, centeio, faia, loureiro, murta,
plátano, etc.), nove só crescem nas estepes meridionais da Turquia
(região da Anatólia) e nos arredores de Constantinopla.
Os primeiros resultados das pesquisas de Frei foram
publicados em 1976. No II Congresso Internacional de Sindologia,
Turim, em 1978, Frei informou que já tinha identificado 48 tipos
de pólen. Eis um trecho de seu pronunciamento, citado por Solé:
Três quartas partes das espécies encontradas sobre o
Sudário crescem na Palestina. Dessas, treze espécies
são muito características e exclusivas do Negueb e da
região do mar Morto (plantas halófilas). Portanto, a
palinologia permite afirmar que o Sudário permaneceu
na Palestina no curso de sua história (compreendido o
período de sua fabricação).
Segundo a palinologia, o Santo Sudário deve também
ter sido exposto ao ar livre na Turquia, já que vinte
das espécies encontradas são abundantes em Anatólia
(Urfa e Edessa), e quatro nas imediações de
Constantinopla, e completamente inexistentes na
Europa central e ocidental.10
Vemos, pois, que os polens classificados por Frei
correspondem a plantas de locais em que a tradição e/ou
documentos informam que o Sudário esteve: Jerusalém, Edessa e
Constantinopla (ambos na Turquia), Lirey e Chambéry (ambos na
França) e, finalmente, Turim. A partir da exposição pública em
Lirey, em 1357, a existência e localização do Sudário estão
historicamente comprovadas.
Nesse mesmo ano, 1978, Frei coletou outras amostras de
pólen do Sudário e continuou seus estudos até sua morte, em
1983, sem ter podido classificar 19 espécies de pólen. O último
relato de suas pesquisas é de 1981, no “II Convegno Nazionale”,
Bolonha, em 27 e 28 de novembro, quando informou que já
tinha classificado um total de 57 espécies de plantas, ou seja,
mais nove após o II Congresso de Sindologia de 1978. Com as
10 Ibidem, p.103.
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19 espécies não-classificadas, chega-se a um total de 76 espécies
de plantas cujos polens foram encontrados no Sudário por Frei.
Frei não era católico, mas, sobre uma possívelfalsificação,
assim tinha se manifestado no Congresso de 1978:
Posto que o lençol sagrado está sob estrito controle
há pelo menos cinco séculos (desde 1356), a falsificação
teria de ter sido perpetrada durante a Idade Média e
provavelmente na França. Naquele tempo, o estudo
do pólen ainda não era conhecido. Se um falsário
qualquer tivesse procurado um pedaço de tecido de
linho da Palestina (com dificuldades evidentes)
impregnado com pólen daquela parte do mundo,
seguramente não teria feito vir o pó da Anatólia ou de
Constantinopla para simular um passado em sua obra
fraudulenta, que naquele tempo não estava em
discussão. Portanto, o espectro polínico permite excluir
uma falsificação na França durante os tempos
medievais, pois a região não tem essa flora oriental
cujo pólen, em contrapartida, se acha sobre a superfície
do Sudário.11
Na zona do rosto da imagem há uma quantidade de pólen
maior que no restante do Sudário, o que “poderia significar uma
exposição maior dessa parte da tela ao ar, nos primeiros séculos,
quando o Sudário era dobrado de modo a deixar ver só o rosto e
quando era venerado como Mandylion (“lenço”) em Odessa”12.
Uri Baruch, o maior perito em pólen de Israel, confirma os
estudos de Frei. Informa que 58 tipos de pólen já estavam
identificados até a data em que fez essa declaração. Dessas,
acrescenta ela, 28 são de plantas que só existem no Oriente
Médio. Entre elas, a Fagonia molis, de folha muito espinhosa, à
qual pertence a maioria do pólen encontrado no Sudário.
Pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém confirmam
que o Sudário contém polens de plantas exclusivas da região de
Jerusalém, algumas delas há muito tempo extintas.
Além de pólen, também microorganismos (ácaros) das
mesmas épocas e regiões foram detectados no Sudário, bem como
sinais de aloés e mirra.
11 Apud SOLÉ, M. Op.cit., p. 104.
12 MARINELLI, E. Op.cit., p. 28.
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Também bactérias e mofos foram encontrados no Sudário.
A maioria dos mofos absorve muito anidrido carbônico do ar e o
introduzem em seu organismo (sem fotossíntese). Se esses
elementos não forem completamente eliminados das amostras
submetidas ao teste do C-14, a datação dessas amostras será
prejudicada.
Nas fitas adesivas em que coletou material, Frei encontrou
também esporos e fungos. Posteriormente, L. A. Garza-Valdés e
F. Cervantes-Ibarrola identificaram o fungo Lichenotelia, que forma
uma película contínua sobre as superfícies em que se aloja.
Alan Whanger, Professor da “Duke University”, Durham,
USA, sua esposa Mary e o Professor Avinoam Danin, da
Universidade Hebraica de Jerusalém, com o emprego de luz
polarizada e técnicas sofisticadas, conseguiram fotografias com
um grande aumento dos contrastes, tornando visíveis imagens de
flores não observáveis a olho nu, com lupa ou microscópio. Estas
imagens foram comparadas com desenhos publicados em Flora
Palestina, um clássico da botânica regional. Eles identificaram
imagens de 28 flores, todas elas com florescimento, na Palestina,
entre março e abril (primavera e Páscoa, exatamente na época
em que ocorreu a crucifixão de Cristo). Dessas, Frei havia
classificado o pólen de 25. Esta pesquisa foi iniciada em 1995 e
terminada em 1997. Eles concluíram, entre outras coisas, que o
Sudário foi tecido na Palestina. Em um Congresso internacional
de botânica realizado em S. Louis, USA, em agosto de 1999,
Danin confirmou suas declarações anteriores: “Identificamos no
Sudário, por meio de imagens de plantas e grãos de pólen, espécies
que só são encontradas nas imediações de Jerusalém”. Danin
identificou uma concentração alta de pólen de uma espécie da
erva Gundelia tournefortii e de um tipo específico de alcaparra.
As duas espécies, segundo ele, coexistem apenas em uma área
bastante limitada, em uma única região do mundo: em torno de
Jerusalém.
No já citado estudo sobre a tridimensionalidade da figura
do Sudário, os três cientistas da NASA, John P. Jackson, Eric J.
Jumper e R. W. Mottern (Projeto STURP), observaram a existência
de pequenos objetos, semelhantes a botões, sobre os olhos. Eles
julgaram que se tratava de moedas, o que foi confirmado por
estudos posteriores, como veremos a seguir.
Em 1979, o Professor Pe. Francis L. Filas S.J., da
Universidade de Loyola, Chicago, verificou que o “botão” situado
183
sobre o olho direito da imagem era na realidade uma moeda, um
lepton, cunhado por Pôncio Pilatos entre 14 e 37 d.C.
Posteriormente, Mario Moroni, especialista em numismática,
identificou mais especificamente esta moeda: tratava-se de uma
dilepton lituus, cunhada por Pôncio Pilatos no final do ano 29
d.C., em homenagem a Julia, mãe do Imperador Tibério. Além
disso, Whanger, com a técnica de sobreposição com luz
polarizada, encontrou 74 pontos de congruência entre essa moeda
e a imagem sobre o olho direito, número de pontos de
concordância mais do que suficiente para a identificação. E em
1981, uma ampliação computadorizada dessa região da imagem
do Sudário, efetuada pela E/Interpretations Systems, Kansas, USA,
mostrou que o “botão” sobre o olho direito era fortemente
tridimensional, com o relevo próprio de uma moeda.
Em 1996, dois cientistas italianos da Universidade de Turim,
Prof. Dr. Luigi Baima-Bollone (médico) e Prof. Nello Balossino
(perito em pesquisas computadorizadas), utilizando sofisticada
tecnologia computacional, verificaram que a moeda, cujos
vestígios apareciam sobre o olho esquerdo da imagem, tinha sido
cunhada no 16º ano do reinado do imperador romano Tibério,
que começou a reinar em 14 d.C. Isto é, a moeda, uma lepton
simpulum, foi cunhada no ano 29 d.C. Eles chegaram a esta
conclusão comparando as características da moeda sobre o olho
da imagem com moedas consideradas como autênticas peças do
tempo de Cristo, que se encontram no catálogo de moedas da
Palestina guardadas no Museu Britânico. Outra comprovação: há
uma exata correspondência com um exemplar de moedas
romanas da coleção do italiano Cesare Colombo.
Esta notável descoberta fez o Professor Bollone declarar:
“Não precisamos mais apelar para testes ou cálculos. Temos agora
uma prova intrínseca, claramente estampada, podemos dizer, sobre
o próprio Sudário. Nenhum artista medieval poderia ter realizado
tal obra.” E isto, acrescentamos, não poderia ter sido falsificado
mesmo que o falsário tivesse conseguido essas moedas, pois como
conseguiria fazer aparecer na imagem indícios muito tênues de
moedas, os quais só foram detectados por sofisticados processos
computacionais?
Lembramos que foi constatado que os judeus do primeiro
século de nossa era colocavam pedacinhos de cerâmica ou
moedas sobre as pálpebras dos olhos dos mortos para mantê-los
fechados. Em um cemitério judeu perto de Jericó, que tinha sido
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usado no século I de nossa era até 68, ano em que esta cidade
foi destruída, foram encontrados esqueletos com moedas nas
caveiras. O mesmo foi constatado em um ossário do século I, em
Jerusalém, e em um esqueleto do século II em Boqeq, no deserto
da Judeia; neste último, as moedas ainda estavam nas cavidades
orbitais. Este costume desapareceu durante o século II.
Além do pólen e das moedas, há também no Sudário
vestígios de materiais terrosos nos pés, joelho esquerdo e nas
escoriações do nariz da imagem. Nos fios do tecido
correspondentes a um dos calcanhares, há muita poeira, indicando
que o condenado caminhou descalço. Joseph Kohlbeck,
cristalógrafo da “Hercules Aerospace Laboratory”, Utah, USA,
entre os minerais da poeira situada na região dos pés, identificou
uma forma rara da calcita, a aragonita, composta de carbonato
de cálcio com pequenas quantidades de estrôncio e ferro. Esta
calcita é encontrada só na região de Jerusalém, o que foi
confirmado por pesquisadores da Universidade Hebraica de
Jerusalém.
No caminho para o Calvário, Jesus caiu algumas vezes,
batendo comos joelhos e nariz no chão. Como o sepultamento
foi feito às pressas, dado o avançado da hora (estava para começar
o descanso semanal dos judeus), o corpo não pode ser
convenientemente limpo, o que explica os vestígios de pó e
aragonita. Bendito rigorismo dos preceitos judaicos, que permitiu
que chegasse até nós esta comprovação da historicidade da
Paixão: a aragonita.
3 — “3 — “3 — “3 — “3 — “O Santo Sudário mostra imagem de um homem
crucificado, com rastros do que seria sangue escorrendo de
ferimentos nas mãos e nos pés. [...]. A equipe usou linho tecido
da mesma forma que o Santo Sudário e envelhecido artificialmente
por aquecimento e por lavagem. O pano foi colocado, então,
sobre um estudante que usava uma máscara e esfregado com um
pigmento vermelho muito usado na Idade Média”.
Comentários — Comentários — Comentários — Comentários — Comentários — Esta errônea afirmação já perdeu
originalidade há muitas décadas. Houve época em que afirmaram
ser um pigmento natural, óxido de ferro, e não sangue. Depois foi
afirmado que eram manchas de sangue de porco. É impressionante
como há pessoas que escrevem sem estudar o assunto. Já em
1950, no I Congresso Internacional de Estudos sobre o Santo
Sudário, o cirurgião francês Pierre Barbet provou que se tratava
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de sangue humano, o que foi confirmado posteriormente por
outros pesquisadores. E em 1982 os pesquisadores italianos Baima-
Bollone, Jorio e Massaro, concluíram que se tratava de sangue do
grupo AB. Esta descoberta foi confirmada por John H.Heller,
cientista ateu e um dos maiores hematologistas dos Estados Unidos.
Antes disso, Heller, juntamente com Adler, tinha detectado a
hemoglobina, um dos componentes do sangue.
Recentemente, Marcelo Canali, do Instituto de Medicina
Legal da Universidade de Gênova, examinando amostras
fornecidas em 1978 pelo médico e professor Luigi Baima-Bollone,
da Universidade de Turim, detectou a presença de DNA masculino
e feminino no Sudário. O DNA feminino é explicado pela
manipulação feminina do Sudário no decurso dos séculos.
Também Victor Trynon, bioquímico molecular
estadounidense, constatou a existência de DNA masculino em
fio retirado do Sudário em 1982.
Na região craniana da imagem aparecem feridas pequenas,
que coincidem com as que seriam produzidas por uma espécie
de capacete de espinhos, e não por uma coroa, que é a
apresentação tradicional. Barbet julga que a coroa foi feita com
ramos do arbusto Zizyphus Spina Christi, com espinhos longos e
muito agudos. Parece-lhe provável que houvesse um monte de
ramos deste arbusto no pátio do pretório, para as fogueiras que
aqueciam os soldados (e junto às quais esteve Pedro, como relatam
os Evangelhos). Estimam-se em cerca de 50 os espinhos que
penetraram no couro cabeludo, provocando dores intensas e
abundante sangramento, o qual, misturado com suor, impregna
os cabelos.
 Em algumas dessas feridas foi reconhecido sangue arterial,
em outras, sangue venoso, dependendo da posição. A importância
da distinção entre sangue arterial e venoso para refutar a acusação
de fraude é muito bem ressaltada pelo Dr. Rodante Sebastiano:
E chego à conclusão de que a perfeita correspondência
dos coágulos de sangue da fronte, impressos no lençol, se
sobrepõe claramente à veia e à artéria estudadas, dando-
nos a certeza de que aquele tecido envolveu o cadáver de
um homem que em vida tinha sofrido a lesão desses vasos
sanguíneos.13
13 Citado em SOLÉ, M. Op.cit., p.183.
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A diferença entre sangue venoso e arterial foi descoberta
em 1593 e tornada pública em 1628. Como poderia um falsário
do século XIII saber isso?
No Sudário, os cravos aparecem cravados nos pulsos (espaço
de Destot) e não nas palmas. Com essa localização dos cravos, os
polegares dobram-se sobre as palmas das mãos e só apareceram
em fotografias tiradas com luz ultravioleta. Que falsário da Idade
Média poderia ter esse conhecimento e com que técnica teria
feito isso?
Mas afinal, o que formou a imagem? Atualmente, a hipótese
mais plausível é a de que a imagem foi formada por uma radiação
rápida e intensa, emitida pelo corpo de Jesus no momento de sua
ressurreição. Com essa explicação concordam dois cientistas da
NASA, Jumper e Jackson, que fizeram parte do STURP (Projeto
de Pesquisa sobre o Sudário de Turim).
Mais informações sobre o que foi aqui tratado, bem como
sobre outros tópicos referentes ao Santo Sudário, são encontradas
em livro de minha autoria: BLESSMANN, J. O Santo Sudário,
uma farsa medieval? Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002. 85 p.
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