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Assuntos da Rodada DIREITO EMPRESARIAL: Empresário Individual. Microempresa e empresa de pequeno porte (Lei Complementar n. 123, de 2006). Prepostos. Teoria da empresa. Atividades econômicas civis: cooperativas e profissional intelectual. Atos do registro de empresa. Empresário irregular. Estabelecimento empresarial. Nome empresarial. Teoria Geral do Direito Societário: conceito de sociedade empresária. Personalização da sociedade empresária. Classificação das sociedades empresárias. Desconsideração da pessoa jurídica. Constituição das sociedades contratuais: natureza do ato constitutivo da sociedade contratual; requisitos de validade do contrato social; cláusulas contratuais; forma do contrato social; alteração do contrato social. Sociedade limitada: responsabilidade dos sócios, deliberação dos sócios; administração; conselho fiscal. Dissolução da sociedade contratual: espécies e causas de dissolução total e parcial; dissolução de fato. Sociedades por ações: características gerais da sociedade anônima; classificação, constituição; valores mobiliários; ações; capital social; órgãos sociais; administração da sociedade; poder de controle; lucros, reservas e dividendos; dissolução e liquidação; transformação, incorporação e fusão; sociedade de economia mista; sociedade em comandita por ações. Teoria Geral do Direito Cambiário. Nota promissória. Cheque. Duplicata. Cédula de crédito bancário. Recuperação judicial e extrajudicial. Falência. Rodada #5 Direito Empresarial Professor Carlos Antônio Bandeira DIREITO EMPRESARIAL 2 Recados importantes! Ø ATENÇÃO: NÃO AUTORIZAMOS a venda de nosso material em qualquer outro site. Não apoiamos, nem temos contrato com qualquer prática ou site de rateio. Ø A reprodução indevida, não autorizada, deste material ou de qualquer parte dele sujeitará o infrator a multa de até 3 mil vezes o valor do curso, à responsabilidade reparatória civil e à persecução criminal, nos termos dos arts. 102 e seguintes da Lei n. 9.610, de 1998. Ø Tente cumprir as metas na ordem que determinamos. É fundamental para o perfeito aproveitamento do treinamento. Ø Lembre-se que você poderá fazer mais questões desta disciplina no teste semanal online. Ø Qualquer problema com a meta, envie uma mensagem para o WhatsApp oficial da Turma de Elite (35) 9106 5456. Abraços e excelentes estudos! Carlos Antônio Bandeira DIREITO EMPRESARIAL 3 a. Teoria Sociedade Anônima 1. Sociedade Anônima (S/A) – A sociedade anônima (S/A) se de uma das sociedade por ações. A outra é a sociedade em comandita por ações (C/A). As sociedades por ações são chamadas de sociedades de capital, pois admitem, livremente, o ingresso de novas pessoas no quadro social, mediante a aquisição de ações. 1.1. Características gerais da Sociedade Anônima (S/A): a) Sinônimo de Companhia: se algum enunciado mencionar “companhia”, você já sabe, que se trata mesmo de uma S/A; b) Tipo Societário: a S/A é um tipo de sociedade (art. 983, caput, do Código Civil), normalmente usado para grandes empreendimentos. Apenas para relembrar, existem: i. cinco tipos de sociedade: sociedade em nome coletivo (N/C), sociedade em comandita simples (C/S), sociedade limitada (Ltda.), sociedade anônima (S/A) e sociedade em comandita por ações (C/A); e, ii. quanto à natureza, existem duas possibilidades de sociedades em geral: empresarial e simples. c) Sociedade Empresária: a S/A é sempre uma sociedade empresária, independentemente do objeto social (art. 982, parágrafo único, do Código Civil); por isso, sujeita-se ao registro empresarial, realizável na Junta Comercial. DIREITO EMPRESARIAL 4 d) Lei das Sociedades por Ações (Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 19761): a S/A é regida por essa Lei; nos casos omissos, aplicam-se as disposições do Código Civil (art. 1.089, do Código Civil). e) Governança Corporativa (“corporate governance”): além das regras da LSA, as companhias vêm sendo estimuladas para aderir as regras do Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA), principalmente para demonstrar maior confiança ao mercado, com: i. opção pela arbitragem para a resolução de conflitos de interesses entre acionistas; ii. existência de conselho de administração com, no mínimo, 5 membros; iii. prestação de contas por conceitos uniformes (“accountability”); iv. instituição de código de ética, dentre outras. f) Sociedade Estatutária (ou institucional): a S/A é constituída por meio de estatuto social; por outro lado, a N/C, a C/S e a Ltda. são formadas por contrato social, por isso são chamadas por sociedades contratuais. g) Capital Social: dividido em ações, que terão partes iguais (podem circular livremente e ser penhoradas). h) Acionistas: são os sócios da S/A. 1 http://www.planalto.gov.br/Código Civilivil_03/leis/L6404compilada.htm. DIREITO EMPRESARIAL 5 i) Responsabilidade Limitada dos Acionistas: a responsabilidade é limitada ao preço de emissão das ações subscritas e das já integralizadas (adquiridas, quitadas, que são a mesma coisa!). j) É uma Sociedade de Capital (“intuito pecuniae”, “em razão do capital”): é mais relevante o capital que ingressa do que as qualificações pessoais do investidor. Por isso, é livre o ingresso de terceiros estranhos ao capital social; ou seja, é exatamente ao contrário da sociedade de pessoas (“intuito personae”, “em razão das pessoas”), as quais podem impedir a entrada de novos sócios na sociedade. Muito bem! Pode até parecer um pouco estranho, mas temos que mencionar algumas expressões latinas para vocês, porque não é impossível de serem cobradas em prova! E sempre é melhor prevenir; k) Denominação Social: a S/A pode usar apenas denominação social no nome empresarial (art. 1.160, do Código Civil, e art. 3o, da LSA): i. com o uso de expressão linguística ligada ao objeto social, pelo principio da veracidade (ex.: Melodia, para sociedade que explore atividade economia ligada à música; nesse caso, seria errado utilizar a expressão Flores do Cerrado!); ii. pode ser utilizado o nome do fundador, sócio ou pessoa que tenha contribuído para o bom êxito da sociedade; iii. descrição obrigatória do objeto social (“Instrumentos Musicais”, por exemplo); ATENÇÃO: a atribuição de nome de pessoa estranha ao quadro de sócios, em denominação de S/A, constitui exceção ao DIREITO EMPRESARIAL 6 princípio da veracidade, previsto na Lei do Registro Empresarial (art. 34, da Lei n. 8.934, de 18 de novembro de 1994). Lei do Registro Empresarial: “Art. 34. O nome empresarial obedecerá aos princípios da veracidade e da novidade.” Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 3o A sociedade será designada por denominação acompanhada das expressões "companhia" ou "sociedade anônima", expressas por extenso ou abreviadamente mas vedada a utilização da primeira ao final. § 1o O nome do fundador, acionista, ou pessoa que por qualquer outro modo tenha concorrido para o êxito da empresa, poderá figurar na denominação.” iv. é também obrigatória a aplicação de uma das seguintes expressões: “Sociedade Anônima”, “S/A”, “Companhia” ou “Cia.”; as duas últimas só podem ser no início ou no meio do nome empresarial, nunca no final (art. 3o, § 1o, da LSA); v. Exs.: Melodia Instrumentos Musicais Sociedade Anônima; Companhia Melodia Instrumentos Musicais; Luís Pereira InstrumentosMusicais S/A; Cia. Luís Pereira Instrumentos Musicais. l) Podem ser Abertas ou Fechadas: i. Fechadas: não negociam as suas ações no mercado de capitais; ii. Abertas: podem negociar suas ações no mercado de capitais, composto pela Bolsa de Valores e Mercado de Balcão, autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que é uma autarquia federal; DIREITO EMPRESARIAL 7 ATENÇÃO: mercado de capitais! ⇒ Mercado de Balcão: composto pelas sociedades corretoras e instituições autorizadas financeiras pela CVM: • atua no mercado primário: operações de subscrição e emissão de ações e outros valores mobiliários; • atua no mercado secundário: operações de compra e venda desses valores “fora” da Bolsa de Valores. ⇒ Bolsas de Valores: são associações civis (privadas), formadas por sociedades corretoras. Só atuam no mercado secundário (só vendem, não emitem novas ações!). m) Toda Sociedade de Economia Mista deve adotar o tipo de S/A (sociedades constituídas de capital público e privado): art. 235, da LSA (ex.: Banco do Brasil S/A); n) Empresas Públicas (capital 100% pertencente ao Poder Público): podem assumir qualquer tipo de sociedade, inclusive o de S/A [exs.: Caixa Econômica Federal (CAIXA), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)]. o) Subsidiária Integral: uma sociedade brasileira pode ser a única sócia de uma S/A. Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 251. A companhia pode ser constituída, mediante escritura pública, tendo como único acionista sociedade brasileira.” DIREITO EMPRESARIAL 8 2. Requisitos para Constituição de S/A - O que vimos até agora, nesta aula, foram as características gerais de uma S/A. Se forem questionados sobre os requisitos para elas serem criadas, devem saber que uma S/A, tanto a fechada, quanto a aberta, de acordo com o art. 80, e seguintes, da LSA, precisa ser constituída pela: a) Subscrição Irretratável de Ações: por pelo menos duas pessoas de todas as ações em que se divide o capital social descrito no estatuto social; b) Integralização (entrada): de pelo menos 10% em dinheiro, do preço da emissão das ações subscritas; ou de 50% se for uma instituição financeira; c) Depósito do Capital Social Realizado em Dinheiro: em instituição financeira autorizada pela CVM; d) A Constituição pode ser de duas Modalidades: i. realização de assembleia dos subscritores, por instrumento particular (art. 88, da LSA); ou ii. por lavratura de escritura pública em cartório (art. 95, da LSA). e) Arquivamento e Publicação: após arquivados na Junta Comercial da sede da S/A, os documentos relativos à constituição da companhia, devem ser publicados, em 30 dias, juntamente com a certidão de arquivamento, em órgão oficial do local de sua sede (art. 98, caput, da LSA); Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 94. Nenhuma companhia poderá funcionar sem que sejam arquivados e publicados seus atos constitutivos.” f) A companhia não responde pelos atos ou operações praticados pelos primeiros administradores antes de cumpridas as formalidades de DIREITO EMPRESARIAL 9 constituição, salvo deliberação da Assembleia Geral em contrário (art. 99, parágrafo único, da LSA). 3. Capital Social - Sobre o CAPITAL SOCIAL, que é a contribuição dos sócios para a formação do patrimônio da S/A, queremos frisar o seguinte: a) Pode ser Integralizado: em dinheiro ou qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro (art. 8o, da LSA). b) Acionista Remisso (art. 107, da LSA; é o acionista que não integralizou as ações que subscreveu): pode ser cobrado judicialmente para pagar pelo valor das ações; ou, ainda, a S/A pode vender as ações subscritas em Bolsa de Valores, por conta e risco do acionista. c) Pode ser Aumentado o Capital Social (art. 166, da LSA): i. por deliberação da assembleia geral ordinária para correção da expressão monetária do seu valor; ii. pela emissão de ações autorizadas no estatuto; iii. por conversão de debêntures e partes beneficiárias em ações; iv. pelo exercício de direitos convertidos por bônus de subscrição ou opção de compra de ações; v. por deliberação da assembleia geral extraordinária ou por capitalização dos lucros ou reservas (que alteram o valor nominal das ações); ou vi. pela distribuição de ações novas. DIREITO EMPRESARIAL 10 d) Pode ser Reduzido: por deliberação da assembleia, se: houver perda, for excessivo em relação ao objeto social (art. 173, da LSA). 4. Ações - Como se trata de sociedade de capital, uma S/A aberta ou fechada pode emitir determinados títulos de investimento, também chamados de valores mobiliários. Esses valores são circuláveis, negociáveis. O principal deles é a ação, que constitui representação de parcela do capital social. 4.1. Conceito: ações são frações do capital social que conferem a seu titular a qualidade de acionista; são consideradas bens móveis; e são indivisíveis em relação à S/A. 4.2. Classificações: 4.2.1. Quanto aos Direitos e Obrigações a) Ações Ordinárias: conferem direitos comuns ao acionista, ou seja, não possuem nenhum direito especial em relação aos demais acionistas. Podem ser de três classes (art. 106, da LSA): i. conversíveis em ações preferenciais; ii. exigência de nacionalidade brasileira do acionista; ou iii. com direito de voto em separado para o preenchimento de determinados cargos de órgãos administrativos. ATENÇÃO: o voto não é um direito essencial dos acionistas! Por isso, ele pode ser restringido para qualquer tipo de acionista. DIREITO EMPRESARIAL 11 Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 109. Nem o estatuto social nem a assembleia geral poderão privar o acionista dos direitos de: I - participar dos lucros sociais; II - participar do acervo da companhia, em caso de liquidação; III - fiscalizar, na forma prevista nesta Lei, a gestão dos negócios sociais; IV - preferência para a subscrição de ações, partes beneficiárias conversíveis em ações, debêntures conversíveis em ações e bônus de subscrição, observado o disposto nos artigos 171 e 172; V - retirar-se da sociedade nos casos previstos nesta Lei.” b) Ações Preferenciais, podem conceder (art. 107, da LSA): i. prioridade na distribuição de dividendos, fixos ou mínimos; ii. prioridade no reembolso do capital, com prêmio ou sem ele, ou ambos; iii. pode acumular as duas formas de vantagens descritas; iv. obs.: não podem passar de 50% do total das ações emitidas; ATENÇÃO: “golden share” é uma ação preferencial especial do ente público desestatizante, que está vendendo o controle de sua S/A, mas permanece com poderes de voto: • Ao alienar o controle de companhias, o Estado conserva ações preferenciais especiais (“golden share”), que lhe conferem direito de veto para determinadas deliberações (art. 17, § 7o, da LSA). DIREITO EMPRESARIAL 12 • Pode ser conferida em companhias privadas também (art. 17, § 2o). Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 17. .............................................................................................................. § 2o Deverão constar do estatuto, com precisão e minúcia, outras preferências ou vantagens que sejam atribuídas aos acionistas sem direito a voto, ou com voto restrito, além das previstas neste artigo. ............................... § 7o Nas companhias objeto de desestatização poderá ser criada ação preferencial de classe especial, de propriedade exclusiva do ente desestatizante,à qual o estatuto social poderá conferir os poderes que especificar, inclusive o poder de veto às deliberações da assembleia- geral nas matérias que especificar.” c) Ações de Fruição ou de Gozo: distribuíveis aos acionistas titulares de ações ordinárias ou preferenciais que optaram pela amortização (art. 44, da LSA): ATENÇÃO: a amortização consiste na distribuição aos acionistas, a título de antecipação e sem redução do capital social, de quantias que lhes poderiam tocar em caso de liquidação da companhia (p.ex.: alguém que esteja precisando de dinheiro, pode antecipar o dinheiro com a companhia, e, assim, passará a ser titular de ação de fruição. 4.3. Quanto à Forma de Transferência a) Nominativas: i. os nomes de seus titulares estão expressamente no Livro de registro de Ações Nominativas; ii. são emitidos certificados; DIREITO EMPRESARIAL 13 iii. exige ato solene de transferência de ação, mediante registro no Livro de Transferência de Ações Nominativas, datado e assinado pelo cedente e pelo cessionário (quem está recebendo a ação) ou representante; iv. todas as ações devem ser nominativas, pois a Lei no 8.021, de 12 de abril 1990, proibiu a emissão de títulos ao portador, motivo por que deve ser considerada como tacitamente revogada a parte da LSA que prevê a figura das ações ao portador. b) Escriturais: i. são mantidas pelas chamadas conta de depósito; ii. sua transferência não se dá pelo registro Livro de Transferências de Ações Nominativas; iii. na prática, são ações nominais, não são emitidos certificados e a propriedade é comprovada pela mera exibição do certificado de conta de depósito. 5. Divisão em Classes 5.1. Companhias Abertas: • Ações ordinárias: não podem ser divididas em classes (segundo os direitos que possuem); • Ações preferenciais: podem ser divididas em classes; 5.2. Companhias Fechadas: • Ações ordinárias e preferenciais podem ser divididas em classes (segundo os direitos que possuem). DIREITO EMPRESARIAL 14 6. Valores das Ações a) Valor Nominal: calculado em moeda corrente; b) Ágio: diferença entre o preço de emissão e o valor nominal; c) Valor Patrimonial: leva-se em conta o patrimônio líquido da S/A (patrimônio líquido se calcula subtraindo as dívidas do valor do ativo da sociedade); d) Valor de Negociação: valor de compra e venda; e) Valor Econômico: resultante de estudos de avaliação. 7. Acionista Controlador: a) é aquele que possui a maior quantidade de ações com direito a voto, de modo permanente, com o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia (elemento objetivo); e b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia (elemento subjetivo); 8. “Tag control” - É ferramenta que protege os acionistas minoritários em casos de venda do controle acionário (art. 254-A, da LSA): “A alienação, direta ou indireta, do controle de companhia aberta somente poderá ser contratada sob a condição, suspensiva ou resolutiva, de que o adquirente se obrigue a fazer oferta pública de aquisição das ações com direito a voto de propriedade dos demais acionistas da companhia, de modo a lhes assegurar o preço no mínimo igual a DIREITO EMPRESARIAL 15 80% (oitenta por cento) do valor pago por ação com direito a voto, integrante do bloco de controle.” 9. Acordo de Acionistas (art. 118, da LSA): a) Vincula a sociedade quando arquivados na sua sede; b) Pode gerar execução específica, em caso de descumprimento; c) Pode versar sobre os seguintes assuntos: compra e venda de suas ações; preferência para adquiri-las, exercício do direito a voto; ou do poder de controle. Lei n. 6.404, de 1976: Art. 118. Os acordos de acionistas, sobre a compra e venda de suas ações, preferência para adquiri-las, exercício do direito a voto, ou do poder de controle deverão ser observados pela companhia quando arquivados na sua sede. § 1º As obrigações ou ônus decorrentes desses acordos somente serão oponíveis a terceiros, depois de averbados nos livros de registro e nos certificados das ações, se emitidos. § 2° Esses acordos não poderão ser invocados para eximir o acionista de responsabilidade no exercício do direito de voto (artigo 115) ou do poder de controle (artigos 116 e 117). § 3º Nas condições previstas no acordo, os acionistas podem promover a execução específica das obrigações assumidas. § 4º As ações averbadas nos termos deste artigo não poderão ser negociadas em bolsa ou no mercado de balcão. § 5º No relatório anual, os órgãos da administração da companhia aberta informarão à assembléia-geral as disposições sobre política de reinvestimento de lucros e distribuição de dividendos, constantes de acordos de acionistas arquivados na companhia. DIREITO EMPRESARIAL 16 § 6o O acordo de acionistas cujo prazo for fixado em função de termo ou condição resolutiva somente pode ser denunciado segundo suas estipulações. § 7o O mandato outorgado nos termos de acordo de acionistas para proferir, em assembléia-geral ou especial, voto contra ou a favor de determinada deliberação, poderá prever prazo superior ao constante do § 1o do art. 126 desta Lei. § 8o O presidente da assembléia ou do órgão colegiado de deliberação da companhia não computará o voto proferido com infração de acordo de acionistas devidamente arquivado. § 9o O não comparecimento à assembléia ou às reuniões dos órgãos de administração da companhia, bem como as abstenções de voto de qualquer parte de acordo de acionistas ou de membros do conselho de administração eleitos nos termos de acordo de acionistas, assegura à parte prejudicada o direito de votar com as ações pertencentes ao acionista ausente ou omisso e, no caso de membro do conselho de administração, pelo conselheiro eleito com os votos da parte prejudicada. § 10. Os acionistas vinculados a acordo de acionistas deverão indicar, no ato de arquivamento, representante para comunicar-se com a companhia, para prestar ou receber informações, quando solicitadas. § 11. A companhia poderá solicitar aos membros do acordo esclarecimento sobre suas cláusulas.” ATENÇÃO: a emissão de ações é importante para a captação de recursos para a companhia. Mas há outras hipóteses de captação de recursos para as companhias, quais sejam: • Partes Beneficiárias; • Debêntures; • Bônus de Subscrição; e • “Commercial Paper”. DIREITO EMPRESARIAL 17 10. Partes Beneficiárias - Continuando com os valores que podem ser emitidos pelas companhias, para angariar recursos temos as partes beneficiárias, que títulos negociáveis, sem valor nominal e estranhos ao capital social. IMPORTANTE: as partes beneficiarias só podem ser emitidas em companhias fechadas! Não possui valor nominal, pois confere uma expectativa do direito de receber lucro anual. 10.1. Características: a) Conferem os seguintes direitos: • direito de crédito eventual, consistente na participação dos lucros anuais, até o limite de 10% da S/A; • direito de fiscalizar os atos dos administradores; b) Quanto à forma, podem ser nominais ou escriturais; c) Não se dividem em classes ou séries; d) São conversíveis em ações, se for permitido pelo estatuto social: essa conversão é realizável por meio de capitalização de reserva criada para esse fim. 11. Debêntures - Outra espécie de emissão, visando à captação de recursos, é o caso das debêntures, que são títulos negociáveis, estranhos aocapital social, que servem para captar dinheiro para a companhia. 11.1. Características: DIREITO EMPRESARIAL 18 a) Conferem direitos de crédito contra a companhia, nas condições constantes da escritura de emissão, e, se houver, de certificado; b) Correspondem a um empréstimo tomado pela S/A, a médio e longo prazo, junto a investidores; c) A resgate dos valores deverá ocorrer no prazo e termos fixados na escritura de emissão; d) Podem ser: • com garantia real; • com garantia flutuante; • quirografárias; • subordinadas; ou • subquirografárias. 12. Bônus de Subscrição - São valores mobiliários, nominativos ou escriturais, que conferem direito de subscrição de ações por ocasião do aumento do capital social. Eles são alienados pela companhia ou atribuídos, como vantagem adicional, aos subscritores de emissões de suas ações ou debêntures. 13. “Commercial paper” - São espécies de notas promissórias (títulos de crédito) que servem para a captação de recursos no mercado de capitais, sendo restituídos DIREITO EMPRESARIAL 19 aos investidores de curto prazo, sob a forma regida pela Instrução Normativa CVM n. 134, de 1o de novembro de 19902. 13.1. Nesse caso, a CVM não criou uma nova espécie de título, apenas regulamentou o uso das notas promissórias por companhias: a) para companhias fechadas: 30 dias (mínimo), 180 dias (máximo); b) para companhias abertas: 30 dias (mínimo), 360 dias (máximo); IN CVM no 134, de 1990: “Art. 1o As companhias poderão emitir, para colocação pública, notas promissórias que conferirão a seus titulares direito de crédito contra a emitente. ............................................. Art. 7o O prazo de vencimento das notas promissórias, contado a partir da data da emissão, será de: (NR)* I - trinta dias, no mínimo, e cento e oitenta dias, no máximo, quando emitidas por companhia fechada; II - trinta dias, no mínimo, e trezentos e sessenta dias, no máximo, na hipótese de emissão por companhia aberta. §1o Na data de vencimento, a nota promissória deve ser liquidada. §2o A emissora pode, havendo anuência expressa do titular, resgatar antecipadamente as notas promissórias. §3o O resgate da nota promissória implica a extinção do título, vedada sua manutenção em tesouraria. §4o O resgate parcial deve ser efetivado mediante sorteio ou leilão, observado o prazo mínimo deste artigo. Art. 8o Para todos os fins e efeitos, a data de emissão das notas promissórias deverá ser a data de sua efetiva integralização, a qual será́ feita em moeda corrente, à vista, quando da subscrição.” 2 http://www.cvm.gov.br/asp/cvmwww/atos/exiato.asp?file=\inst\inst134consolid.htm. DIREITO EMPRESARIAL 20 ATENÇÃO: Muito bem! Agora que concluímos sobre as emissões de papéis circuláveis das companhias, devemos conhecer melhor o funcionamento de uma S/A, que é gerida, basicamente, por intermédio da atuação de seus órgãos societários: assembleia geral (que é o mais importante de todos); conselho de administração; diretoria; e conselho fiscal. CUIDADO: todos os demais órgãos previstos na LSA são obrigatórios para as companhias. Apenas a existência do conselho de administração é facultativa, salvo nos seguintes casos, em que será obrigatória: • companhia aberta; • sociedades de capital autorizado; e • sociedades de economia mista. Órgãos de Funcionamento da S/A 14. Assembleia Geral – Constitui reunião de todos os acionistas, com ou sem direito a voto, com poder para resolver todas as questões concernentes ao objeto da empresa (art. 121 e seguintes, da LSA): a) possuem regras próprias da lei ou do estatuto social para convocação e quórum para instalação, votação e aprovações; b) Competências: i. reformar o estatuto social; DIREITO EMPRESARIAL 21 ii. eleger ou destituir, a qualquer tempo, os administradores e fiscais da companhia, ressalvado o disposto no inciso II do art. 142; iii. tomar, anualmente, as contas dos administradores e deliberar sobre as demonstrações financeiras por eles apresentadas; iv. autorizar a emissão de debêntures, ressalvado o disposto nos §§ 1o, 2o e 4o do art. 59; v. suspender o exercício dos direitos do acionista (art. 120); vi. deliberar sobre a avaliação de bens com que o acionista concorrer para a formação do capital social; vii. autorizar a emissão de partes beneficiárias; viii. deliberar sobre transformação, fusão, incorporação e cisão da companhia, sua dissolução e liquidação, eleger e destituir liquidantes e julgar-lhes as contas; e ix. autorizar os administradores a confessar falência e pedir concordata. c) Suas atas devem ser registradas na Junta Comercial; d) Convocações de S/A fechada: 8 dias (1a convocação) e 5 dias de antecedência (2a convocação); e) Convocações de S/A aberta: 15 dias (1a convocação) e 8 dias de antecedência (2a convocação); f) Quóruns de instalação: 1/4 do capital votante ou 2/3 do capital votante se houver proposta de reforma dos estatutos (1a chamada) e qualquer número de acionistas (2a chamada); DIREITO EMPRESARIAL 22 g) Quóruns de deliberação: maioria dos presentes, salvo quórum estatutário nas companhias fechadas (matérias do art. 129, da LSA) e quórum qualificado, ou seja, acionistas que representem metade, no mínimo, das ações com direito a voto, salvo no quórum instituído pelas companhias fechadas (matérias do art. 136, da LSA); h) Assembleia geral ordinária: ocorre anualmente, nos quatro meses seguintes ao término do exercício social para: tomada de contas dos administradores, deliberação acerca do destino do lucro e distribuição dos dividendos; eleição dos administradores e membros do conselho fiscal; aprovação de correção da expressão monetária do capital social; i) Assembleia geral extraordinária: pode ser convocada a qualquer tempo, para deliberação de qualquer matéria não privativa da assembleia ordinária. 15. Conselho de Administração: órgão de deliberação colegiada a quem compete fixar orientação geral dos negócios da companhia e fiscalizar a gestão dos diretores, composto por, no mínimo, três acionistas, com mandato de, no máximo, 3 anos, permitida a reeleição (art. 138 e seguintes, da LSA). a) É facultativo, salvo: nos casos de companhia aberta e sociedades de capital autorizado (art. 138, § 2o, da LSA) e para as sociedades de economia mista (art. 239); b) Competências (art. 140, da LSA): i. fixar a orientação geral dos negócios da companhia; DIREITO EMPRESARIAL 23 ii. eleger e destituir os diretores da companhia e fixar-lhes as atribuições, observado o que a respeito dispuser o estatuto; iii. fiscalizar a gestão dos diretores, examinar, a qualquer tempo, os livros e papéis da companhia, solicitar informações sobre contratos celebrados ou em via de celebração, e quaisquer outros atos; iv. convocar a assembleia geral quando julgar conveniente, ou no caso do art. 132, da LSA; v. manifestar-se sobre o relatório da administração e as contas da diretoria; manifestar-se previamente sobre atos ou contratos, quando o estatuto assim o exigir; vi. deliberar, quando autorizado pelo estatuto, sobre a emissão de ações ou de bônus de subscrição; vii. autorizar, se o estatuto não dispuser em contrário, a alienação de bens do ativo não circulante, a constituição de ônus reais e a prestação de garantias a obrigaçõesde terceiros; viii. escolher e destituir os auditores independentes, se houver. 16. Diretoria - Órgão responsável pela representação da companhia e pratica dos atos necessários a seu funcionamento regular, composta por dois ou mais membros, acionistas ou não, com mandato de, no máximo, 3 anos, permitida a reeleição (art. 143 e seguintes, da LSA). a) Competências (art. 140, da LSA): i. previsão em estatuto (art. 143, inciso IV, da LSA); DIREITO EMPRESARIAL 24 ii. no silêncio do estatuto e inexistindo deliberação do conselho de administração (artigo 142, n. II e parágrafo único), competirão a qualquer diretor a representação da companhia e a prática dos atos necessários ao seu funcionamento regular (art. 144, da LSA); iii. nos limites de suas atribuições e poderes, é lícito aos diretores constituir mandatários da companhia, devendo ser especificados no instrumento os atos ou operações que poderão praticar e a duração do mandato, que, no caso de mandato judicial, poderá ser por prazo indeterminado (art. 144, parágrafo único). 17. Conselho Fiscal: pela fiscalização dos atos dos administradores e verificação do cumprimento de seus deveres legais e estatutários (art. 161 e seguintes, da LSA). a) Competências (art. 140, da LSA): i. fiscalizar, por qualquer de seus membros, os atos dos administradores e verificar o cumprimento dos seus deveres legais e estatutários; ii. opinar sobre o relatório anual da administração, fazendo constar do seu parecer as informações complementares que julgar necessárias ou úteis à deliberação da assembleia geral; iii. opinar sobre as propostas dos órgãos da administração, a serem submetidas à assembleia geral, relativas a modificação do capital social, emissão de debêntures ou bônus de subscrição, planos de investimento ou orçamentos de capital, distribuição de dividendos, transformação, incorporação, fusão ou cisão; DIREITO EMPRESARIAL 25 iv. denunciar, por qualquer de seus membros, aos órgãos de administração e, se estes não tomarem as providências necessárias para a proteção dos interesses da companhia, à assembleia geral, os erros, fraudes ou crimes que descobrirem, e sugerir providências úteis à companhia; v. convocar a assembleia geral ordinária, se os órgãos da administração retardarem por mais de 1 (um) mês essa convocação, e a extraordinária, sempre que ocorrerem motivos graves ou urgentes, incluindo na agenda das assembleias as matérias que considerarem necessárias; vi. analisar, ao menos trimestralmente, o balancete e demais demonstrações financeiras elaboradas periodicamente pela companhia; vii. examinar as demonstrações financeiras do exercício social e sobre elas opinar; viii. exercer essas atribuições, durante a liquidação, tendo em vista as disposições especiais que a regulam. 18. Demonstrações Financeiras - As companhias estão sujeitas ao dever de escrituração contábil de todo empresário (art. 1.179, do Código Civil, e art. 176 e seguintes, da LSA): • balanço patrimonial; • demonstrativo dos lucros ou prejuízos acumulados; • demonstrativo dos resultado; DIREITO EMPRESARIAL 26 • demonstração dos fluxos de caixa; e • demonstração do valor adicionado (se for aberta). 18.1. Conceitos: para compreender melhor as distinções entre lucros, reservas e dividendos das companhias, e principais características, devemos examinar os seguintes conceitos: a) Lucros: total auferido pela sociedade, abatidas as participações estatutárias dos empregados, administradores e partes beneficiarias, prejuízos acumulados e pagamento de impostos (arts. 189/192, da LSA). Sujeitam-se às seguintes regras: i. necessidade de dedução de prejuízos e imposto sobre a renda, antes da distribuição; ii. participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias serão determinadas, sucessivamente e nessa ordem, com base nos lucros que remanescerem depois de deduzida a participação anteriormente calculada; iii. lucro líquido: resultado do exercício que remanescer depois de deduzidas as participações (letra “b”); iv. destinação: apresentada pelos órgãos da administração da companhia à assembleia geral ordinária, juntamente com as demonstrações financeiras do exercício. b) Reservas: usadas para assegurar a integralidade do capital social e só podem ser usadas para compensar prejuízos ou aumentar o capital (arts. 193, da LSA); DIREITO EMPRESARIAL 27 c) Dividendos: parcela dos lucros estabelecida no estatuto a ser distribuída entre os acionistas (arts. 201/205, da LSA). Sociedade em Comandita por Ações (C/A) 19. Sociedade em Comandita por Ações (C/A) – Trata-se de outro tipo possível de sociedade por ações. É sempre sociedade empresária, sujeita a registro empresarial. É também estatutária, pois é instituída por estatuto social. 19.1. Agora, vamos falar apenas das diferenças em relação à S/A (arts. 1.090/1.092, do Código Civil, e arts. 280/284, da LSA), para o caso de cair em prova e você estar capaz de identificá-las facilmente! 19.1.1. Dois tipos de sócios: a) Sócios Comanditados: i. são os que podem ocupar os cargos de administração da sociedade; ii. cargos de diretor também são chamados de gerente; iii. esses sócios respondem de forma subsidiária, ilimitada e solidariamente (entre si) pelas obrigações sociais (é uma responsabilidade que não traz segurança para seu patrimônio particular desses sócios!); b) Sócio Comanditário: i. são os sócios que não ocupam cargo de administração na sociedade; DIREITO EMPRESARIAL 28 ii. respondem limitadamente pelas obrigações sociais (art. 1.091, do Código Civil). CUIDADO: se algum sócio inserir seu nome civil ao nome empresarial de C/A, com ela responderá ilimitada e solidariamente. Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 281. A sociedade poderá comerciar sob firma ou razão social, da qual só farão parte os nomes dos sócios-diretores ou gerentes. Ficam ilimitada e solidariamente responsáveis, nos termos desta Lei, pelas obrigações sociais, os que, por seus nomes, figurarem na firma ou razão social. Parágrafo único. A denominação ou a firma deve ser seguida das palavras "Comandita por Ações", por extenso ou abreviadamente. Art. 282. Apenas o sócio ou acionista tem qualidade para administrar ou gerir a sociedade, e, como diretor ou gerente, responde, subsidiária mas ilimitada e solidariamente, pelas obrigações da sociedade. § 1º Os diretores ou gerentes serão nomeados, sem limitação de tempo, no estatuto da sociedade, e somente poderão ser destituídos por deliberação de acionistas que representem 2/3 (dois terços), no mínimo, do capital social. § 2º O diretor ou gerente que for destituído ou se exonerar continuará responsável pelas obrigações sociais contraídas sob sua administração.” 19.2. Nome empresarial: a) pode adotar firma (também chamada de razão social), com o nome dos sócios comanditados; ou b) utilizar denominação social: aditar a expressão “Comandita por Ações” ou “C/A”. DIREITO EMPRESARIAL 29 19.3. Distinções de regência: a Lei n. 6.404, de 1976, excluiu de sua aplicação à C/A, as regras sobre: • conselho de administração; • autorização estatutária de aumento de capital; e • emissão de bônus de subscrição. Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 284. Não se aplica à sociedade em comandita por ações o disposto nesta Lei sobre conselho de administração,autorização estatutária de aumento de capital e emissão de bônus de subscrição.” Código Civil: “Art. 1.090. A sociedade em comandita por ações tem o capital dividido em ações, regendo-se pelas normas relativas à sociedade anônima, sem prejuízo das modificações constantes deste Capítulo, e opera sob firma ou denominação. Art. 1.091. Somente o acionista tem qualidade para administrar a sociedade e, como diretor, responde subsidiária e ilimitadamente pelas obrigações da sociedade. § 1o Se houver mais de um diretor, serão solidariamente responsáveis, depois de esgotados os bens sociais. § 2o Os diretores serão nomeados no ato constitutivo da sociedade, sem limitação de tempo, e somente poderão ser destituídos por deliberação de acionistas que representem no mínimo dois terços do capital social. § 3o O diretor destituído ou exonerado continua, durante dois anos, responsável pelas obrigações sociais contraídas sob sua administração. Art. 1.092. A assembléia geral não pode, sem o consentimento dos diretores, mudar o objeto essencial da sociedade, prorrogar-lhe o prazo de duração, aumentar ou diminuir o capital social, criar debêntures, ou partes beneficiárias.” DIREITO EMPRESARIAL 30 b. Mapas mentais DIREITO EMPRESARIAL 31 DIREITO EMPRESARIAL 32 DIREITO EMPRESARIAL 33 c. Revisão 1 QUESTÃO 1 - FGV - AUDITOR DO TESOURO MUNICIPAL - PREFEITURA DE RECIFE-PE - 2014 Relacione as reservas previstas na Lei n. 6.404/76 às respectivas finalidades. 1. Reserva legal 2. Reserva estatutária 3. Reserva para contingências 4. Reserva de capital ( ) É criada pelo estatuto com indicação precisa e completa de sua finalidade; os critérios para determinar a parcela anual dos lucros líquidos destinados à sua constituição; e o limite máximo da reserva. ( ) Pode ser utilizada, dentre outras hipóteses, para resgate, reembolso ou compra de ações; resgate de partes beneficiárias; incorporação ao capital social; pagamento de dividendo a ações preferenciais, quando essa vantagem lhes for assegurada. ( ) É formada por destinação de parte do lucro líquido, mediante deliberação da assembleia-geral, por proposta dos órgãos da administração. Tem por finalidade compensar, em exercício futuro, a diminuição do lucro decorrente de perda julgada provável, cujo valor possa ser estimado. ( ) Tem por fim assegurar a integridade do capital social e somente poderá ser utilizada para compensar prejuízos ou aumentar o capital. É constituída pela aplicação DIREITO EMPRESARIAL 34 de 5% (cinco por cento) do lucro líquido do exercício, antes de qualquer outra destinação, não excedendo 20% (vinte por cento) do capital social. Assinale a alternativa que indica a relação correta, de cima para baixo. a) 1 – 3 – 2 – 4. b) 1 – 4 – 2 – 3. c) 4 – 2 – 3 – 1. d) 2 – 4 – 3 – 1. e) 4 – 3 – 2 – 1. QUESTÃO 2 - FGV - AUDITOR-FISCAL TRIBUTÁRIO DA RECEITA MUNICIPAL - SEFAZ- MT - 2014 De acordo com a Lei n. 6.404/76, nas companhias ou sociedades anônimas, o prejuízo do exercício será obrigatoriamente absorvido, nessa ordem, a) pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva de capital. b) pelas reservas de lucros, pela reserva legal e pelos lucros acumulados. c) pela reserva de capital, pelos lucros acumulados e pela reserva legal. d) pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal. e) pela reserva legal, pelos lucros acumulados e pelas reservas de lucros. QUESTÃO 3 - FGV - PGM-NITERÓI - PROCURADOR DO MUNICÍPIO - 2014) DIREITO EMPRESARIAL 35 Sobre o Conselho Fiscal na sociedade anônima de economia mista, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a Errado. ( ) O estatuto deverá prever a existência do Conselho Fiscal na companhia de economia mista, que será um órgão permanente. ( ) O mandato dos conselheiros fiscais é de 3 (três) anos, permitida reeleição sucessiva, para coincidir com o mandato dos conselheiros de administração. ( ) Os acionistas titulares de ações ordinárias minoritários poderão eleger um conselheiro e seu suplente; outro conselheiro e suplente poderá ser eleito pelos titulares de ações preferenciais, se houver. ( ) A competência para a eleição do Conselho Fiscal é da Assembleia Geral, exceto se o estatuto a outorgar ao Conselho de Administração. ( ) O número mínimo de conselheiros é de 4 (quatro), sendo pelo menos três conselheiros eleitos com os votos do acionista controlador. As afirmativas são, respectivamente, a) V, F, V, F e F. b) F, V, F, F e V. c) V, F, F, V e V. d) F, F, V, V e V. e) V, F, F, F e V. QUESTÃO 4 - FGV - PROCURADOR DO MUNICÍPIO - PGM-NITERÓI - 2014 DIREITO EMPRESARIAL 36 Os diretores da companhia aberta “X” deixaram de comunicar um fato relevante ocorrido em seus negócios por entenderem que sua divulgação poderia colocar em risco o legítimo interesse da companhia além de frustrar a realização da operação, que deveria ser mantida no mais absoluto sigilo por cláusula de confidencialidade durante as tratativas. Com base nas disposições da Lei de Sociedades por Ações, assinale a afirmativa correta. a) Os diretores descumpriram o dever de informar porque deveriam ter divulgado pela imprensa o fato relevante e comunicado às autoridades do mercado de valores mobiliários e à Bolsa de Valores. b) Os diretores não descumpriram o dever de informar por se tratar de assunto interno da companhia e que não deve ser divulgado ao mercado nem comunicado às autoridades do mercado de valores mobiliários c) Os diretores descumpriram o dever de informar porque não poderiam ter omitido o fato relevante da Comissão de Valores Mobiliários, a quem cabe, exclusivamente, a discricionariedade de avaliar se a informação colocará ou não em risco o interesse da companhia. d) Os diretores descumpriram o dever de informar porque caberia à Assembleia Geral avaliar a conveniência e oportunidade da divulgação do negócio ao mercado e às autoridades regulatórias e) Os diretores não descumpriram o dever de informar, porém a Comissão de Valores Mobiliários, a pedido de qualquer acionista, ou por iniciativa própria, poderá decidir sobre a prestação de informação e responsabilizar os administradores, se for o caso, pela omissão. DIREITO EMPRESARIAL 37 QUESTÃO 5 - FGV - OAB - 2014 A Comissão de Valores Mobiliários poderá impor aos infratores de suas Resoluções, das normas da Lei n. 6.404/76 (Lei das Sociedades por Ações) e da Lei n. 6.385/76 (Lei do Mercado de Valores Mobiliários), dentre outras, a penalidade de inabilitação temporária, até o máximo de 20 (vinte) anos, para o exercício do cargo de administrador nas entidades relacionadas a seguir, à exceção de uma Assinale-a. a) Companhia Aberta. b) Distribuidora de Valores Mobiliários. c) Sociedade em Comum. d) Bolsa de Valores. QUESTÃO 6 - FGV - OAB - 2013 Com relação às sociedades anônimas, assinale a opção correta. a) As ações preferenciais são sempre ações sem direito de voto e com prioridade no recebimento de dividendos fixos e cumulativos. b) A vantagem das ações preferenciais de companhia fechada pode consistir exclusivamente em prioridade no reembolso do capital. c) A primeira convocação de assembleia geral de companhiafechada deverá ser feita no prazo de 15 (quinze) dias antes de sua realização. d) O conselho de administração é órgão obrigatório em todas as sociedades anônimas fechadas, com capital autorizado e de economia mista. DIREITO EMPRESARIAL 38 QUESTÃO 7 - FGV - OAB - 2012 Sobre os direitos dos acionistas, é correto afirmar que a) o direito de voto é garantido a todo acionista, independente da espécie ou classe de ações de que seja titular. b) os acionistas deverão receber dividendos obrigatórios em todos os exercícios sociais. c) o acionista terá direito de se retirar da companhia caso cláusula compromissória venha a ser introduzida no estatuto social. d) o acionista tem o direito de fiscalizar as atividades sociais e sendo titular de mais de 5% do capital poderá requerer judicialmente a exibição dos livros da companhia, caso haja suspeita de irregularidades dos administradores. QUESTÃO 8 - FGV - CONSULTOR JURÍDICO - SENADO FEDERAL - 2012 Quais prerrogativas previstas expressamente na Lei Federal no 6.404/76 associados à detenção de uma golden share podem ser titularizadas pelo poder público? a) Participação acionária majoritária e poder de veto. b) Participação acionária majoritária e direito de eleger administradores. c) Direito de eleger administradores e poder de dissolução unilateral da sociedade. d) Poder de dissolução unilateral da sociedade e poder de veto. e) Poder de veto e direito de eleger administradores. QUESTÃO 9 - FGV - AUDITOR-FISCAL DA RECEITA ESTADUAL - SEFAZ-RJ - 2011 DIREITO EMPRESARIAL 39 A Companhia CBA Tintas, sociedade anônima cujo capital social fixado no projeto do estatuto, no valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais), foi dividido em oitenta ações ordinárias no valor total de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) a serem subscritas pelos sócios João e José, em partes iguais, e vinte ações preferenciais no valor total de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) a serem subscritas pelo sócio Joaquim, é considerada regularmente constituída somente a partir a) do arquivamento dos documentos relativos à constituição no Registro Público de Empresas Mercantis e a sua subsequente publicação, em até trinta dias, em órgão oficial do local de sua sede. b) da assembleia geral de constituição, desde que aprovada a proposta por votos de acionistas que representem, ao menos, metade do capital social. c) do depósito realizado em estabelecimento bancário autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários, da parte do capital realizado em dinheiro. d) do arquivamento da ata da assembleia de constituição da companhia perante o Registro Público de Empresas Mercantis. e) da realização, como entrada, de dez por cento, no mínimo, do preço de emissão das ações subscritas em dinheiro. QUESTÃO 10 - FGV - OAB - 2010 As Sociedades Anônimas têm uma pesada estrutura, necessitando, assim, de vários órgãos para atingir seu desiderato, cada um com sua função específica. Um desses órgãos é a Diretoria, sendo seus diretores efetivamente os administradores da companhia. Esses diretores possuem alguns deveres para com a sociedade empresarial e para com o mercado. DIREITO EMPRESARIAL 40 Entre esses deveres encontra-se o desclosure, que é o dever a) que os diretores possuem de convocar os acionistas para deliberar sobre determinado assunto ou vários assuntos que devem constar de uma pauta previamente escolhida. b) de fiscalizar os gastos da sociedade e se ela está cumprindo o que está disposto no estatuto social. c) que os administradores têm para com o mercado de informar todas as operações em que a companhia estiver envolvida e que possam influir na cotação das suas ações, das debêntures e dos valores mobiliários. d) que os administradores possuem de agir de forma diligente, respeitando o estatuto social, de forma a não causar prejuízos aos acionistas, podendo responder de forma pessoal com seu patrimônio caso violem esse dever. QUESTÃO 11 - FCC - PROCURADOR - BACEN - 2006 A sociedade anônima de capital aberto denominada "Companhia de Tecidos Sigma" tem seu capital integralmente dividido em ações preferenciais das classes "A", "B" e "C", conforme a seguinte tabela: Classe % do capital Direito de voto? Preferências outorgadas A 50 Sim Prioridade no reembolso de capital B 25 Não Dividendo mínimo de R$ 0,05 por ação C 25 Não Dividendo máximo de R$ 0,01 por ação e direito de serem incluídas em oferta de DIREITO EMPRESARIAL 41 alienação de controle nas mesmas condições das ações classe “A” Dada esta situação, a) a distribuição do capital é inconsistente com o que prevê a legislação societária aplicável. b) a sociedade não poderia negociar suas ações em mercado de valores mobiliários. c) podem ser admitidas à negociação no mercado de valores mobiliários apenas as ações classe "A". d) podem ser admitidas à negociação. o no mercado de valores mobiliários apenas as ações classes "A" e "B". e) podem ser admitidas à negociação no mercado de valores mobiliários apenas as ações classes "A" e "C". QUESTÃO 12 - CESPE - ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCE-TO - 2009 Considera-se empresária a sociedade por ações, como a sociedade anônima. QUESTÃO 13 - CESPE - JUIZ DO TRABALHO - TRT 1A REGIÃO - 2010 A sociedade anônima que tem por objeto social atividades eminentemente rurais deve ser constituída na forma societária simples. QUESTÃO 14 - CESPE - OAB - 2009 DIREITO EMPRESARIAL 42 A sociedade anônima pode adotar a forma simples, desde que o seu objeto social compreenda atividades tipicamente civis. QUESTÃO 15 - CESPE - TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS - TJ-RR - 2013 A constituição da companhia por subscrição particular do capital pode ser feita por deliberação dos subscritores em assembleia-geral ou por escritura pública, considerando-se fundadores todos os subscritores. Essa representação na escritura pública por procurador com poderes especiais é chamada pela doutrina de serviços de underwriting. DIREITO EMPRESARIAL 43 d. Revisão 2 QUESTÃO 16 - CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA - STJ - 2012 Os responsáveis por empresa criada por decisão de assembleia geral ou mediante escritura pública devem arquivar no registro do comércio um exemplar do estatuto social assinado por todos os subscritores e a relação completa dos subscritores autenticada pelos fundadores, entre outros documentos. QUESTÃO 17 - CESPE - JUIZ - TJ-PI - 2012 Para a constituição da sociedade anônima, são necessárias a subscrição, por pelo menos três pessoas, de todas as ações em que se divide o capital social e a realização, como entrada, de 30%, no mínimo, do preço de emissão das ações subscritas em dinheiro. QUESTÃO 18 - CESPE - TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS - TJ-RR - 2013 A exigência de integralização do capital social não se aplica à participação de incapaz em sociedades anônimas e em sociedades com sócios de responsabilidade ilimitada nas quais a integralização do capital social não influa na proteção do incapaz. QUESTÃO 19 - CESPE - JUIZ - TJ-PI - 2012 O capital social das sociedades anônimas pode ser formado por dinheiro ou bens imóveis, e estes últimos serão avaliados por dois peritos nomeados em assembleia DIREITO EMPRESARIAL 44 geral dos subscritores, convocada por meioda imprensa e presidida por um dos fundadores, instalando-se em primeira convocação com a presença de subscritores que representem dois terços do capital social. QUESTÃO 20 - CESPE - PROCURADOR - TC-DF - 2013 O estatuto social da companhia não pode excluir ou restringir o direito dos acionistas preferenciais de participar dos aumentos de capital decorrentes da capitalização de reservas ou lucros, salvo no caso de acionistas portadores de ações com dividendo fixo. QUESTÃO 21 - CESPE - PROCURADOR - TC-DF - 2013 O reembolso é a operação pela qual, nos casos previstos em lei, a companhia paga aos acionistas dissidentes de deliberação da assembleia geral o valor de suas ações, ao passo que o resgate consiste no pagamento do valor das ações para retirá-las definitivamente de circulação. QUESTÃO 22 - CESPE - PROCURADOR - TC-DF - 2013 As ações preferenciais são reconhecidas como valores mobiliários que outorgam ao seu titular vantagens e outras preferências, tais como a prioridade na distribuição de dividendo fixo ou mínimo, de reembolso de capital e de direito a voto. QUESTÃO 23 - CESPE - TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS - TJ-RR - 2013 DIREITO EMPRESARIAL 45 Quanto aos direitos e obrigações, as ações classificam-se como ordinárias, preferenciais ou de fruição, sendo as ações ordinárias da companhia fechada e as ações preferenciais da companhia aberta e fechada apenas de uma classe. QUESTÃO 24 - CESPE - TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS - TJ-RR - 2013 Na sistemática da legislação acionária, admite-se a emissão de ações sem valor nominal, cujo preço será fixado, na constituição da companhia, pelos fundadores e, no aumento de capital, pela assembleia-geral ou pelo conselho de administração, vedando-se, contudo, a emissão de novas ações emitidas pela companhia com valor superior ao valor nominal. QUESTÃO 25 - CESPE - DEFENSOR PÚBLICO - DPE-RO - 2012 Valor de negociação ou de mercado é o resultado de estudo específico no qual peritos verificam o valor que as ações possivelmente alcançariam se fossem negociadas no mercado. QUESTÃO 26 - CESPE - JUIZ - TJ-PI - 2012 Nos certificados das ações devem constar a denominação da companhia, sua sede e prazo de duração, e a omissão dessas declarações confere ao acionista direito a indenização por perdas e danos contra a companhia e contra os diretores na gestão dos quais os certificados hajam sido emitidos. DIREITO EMPRESARIAL 46 QUESTÃO 27 - CESPE - JUIZ - TRF 2a REGIÃO - 2011 No que se refere à forma de transferência ou circulação, as ações podem ser classificadas em nominativas escriturais e nominativas registradas: as nominativas escriturais são mantidas em conta de depósito em nome de seus titulares, em instituição financeira designada pela companhia e autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários; as nominativas registradas são aquelas cujo título de propriedade se comprova mediante contrato de compra e venda, recibo ou declaração. QUESTÃO 28 - CESPE - JUIZ DO TRABALHO - TRT 1A REGIÃO - 2010 Por ser titular de direitos de sócio que lhe asseguram, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembleia-geral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia, o acionista controlador não pode ser responsabilizado por danos que causar à companhia por abuso de poder, uma vez que seus interesses e os da companhia são necessariamente convergentes. QUESTÃO 29 - CESPE - OAB - 2010 De acordo com o que dispõe a Lei das Sociedades por Ações, as ações, conforme a natureza dos direitos ou vantagens que confiram a seus titulares, podem ser ordinárias, preferenciais ou de fruição. As ações de fruição a) constituem títulos que podem ser atribuídos aos acionistas após suas ações serem integralmente amortizadas. b) conferem aos titulares apenas os direitos comuns de acionista sem quaisquer privilégios ou vantagens. DIREITO EMPRESARIAL 47 c) conferem ao titular algum privilégio ou vantagem de ordem patrimonial, sem que, entretanto, o acionista tenha direito de participação nos lucros reais. d) são tipicamente usadas por acionistas especuladores, ou por aqueles que não têm interesse na gestão da sociedade. QUESTÃO 30 - CESPE - JUIZ - TJ-PI - 2012 Compete à sociedade anônima emitir partes beneficiárias que confiram aos titulares direito de crédito determinado contra ela, nas condições constantes da escritura de emissão e, se houver, do certificado. DIREITO EMPRESARIAL 48 e. Revisão 3 QUESTÃO 31 - CESPE - ANALISTA LEGISLATIVO - CÂMARA DOS DEPUTADOS - 2014 Julgue o próximo item, relativo ao direito societário. Os juros sobre o capital próprio pagos pela companhia aos debenturistas têm, segundo a jurisprudência dominante, a natureza jurídica de dividendos. QUESTÃO 32 - CESPE - TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS - TJ-RR - 2013 O vencimento da debênture deve constar da escritura de emissão e do certificado, podendo a companhia estipular amortizações parciais de cada série, criar fundos de amortização e reservar-se o direito de resgate antecipado, parcial ou total, dos títulos da mesma série; contudo, não poderá a debênture assegurar ao seu titular participação no lucro da companhia. QUESTÃO 33 - CESPE - JUIZ - TJ-PI - 2012 A garantia flutuante conferida à debênture assegura privilégio geral sobre o ativo da companhia e impede a negociação dos bens que compõem esse ativo, diversamente do que ocorre com a garantia real. QUESTÃO 34 - CESPE - JUIZ - TJ-PB - 2011 DIREITO EMPRESARIAL 49 Mediante a emissão de debêntures, meio utilizado para a captação de recursos no mercado, os prestadores de capital tornam-se sócios da companhia. QUESTÃO 35 - CESPE - JUIZ DO TRABALHO - TRT 1a REGIÃO - 2010 Por ser titular de direitos de sócio que lhe asseguram, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembleia-geral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia, o acionista controlador não pode ser responsabilizado por danos que causar à companhia por abuso de poder, uma vez que seus interesses e os da companhia são necessariamente convergentes. QUESTÃO 36 - CESPE - JUIZ DO TRABALHO - TRT 1a REGIÃO - 2010 Bônus de subscrição são valores mobiliários que conferem ao seu titular, nas condições constantes do certificado, direito de subscrever, em momento futuro, ações do capital social da companhia emissora. QUESTÃO 37 – PROF. CARLOS ANTÔNIO BANDEIRA – PONTO DOS CONCURSOS – TURMA DE ELITE A Comissão de Valores Mobiliários (CVM autorizou as companhias a emissão dos chamados “commercial papers”, que são espécies de notas promissórias que servem para a captação de recursos no mercado de capitais, sendo restituídos aos investidores de curto prazo. QUESTÃO 38 - CESPE - PROCURADOR - AGU - 2010 DIREITO EMPRESARIAL 50 Em assembleia realizada pelo órgão administrativo da pessoa jurídica Zeta S.A., foi deliberado a respeito da alienação de imóvel pertencente à empresa, ficando consignado que o imóvel seria transferido para Epta S.A., outra empresa do grupo a que pertence Zeta. Augusto, administrador participante da assembleia, não consentiu com a referida deliberação e solicitou que fosse oposta na ata a sua divergência. Nessa situação, sabendo-se que, de acordo com o estatuto social, a deliberação que tenha por objeto a alienaçãode imóvel dependerá da anuência de, pelo menos, 50% dos acionistas, serão pessoalmente responsáveis pelos eventuais prejuízos que advierem dessa deliberação, com exceção de Augusto, todos os administradores partícipes da assembleia. QUESTÃO 39 - CESPE - JUIZ DO TRABALHO - TRT 1a REGIÃO - 2010 Nas companhias abertas, as atribuições do conselho de administração, que é órgão social de constituição facultativa, podem ser conferidas ao conselho fiscal. QUESTÃO 40 - CESPE - PROCURADOR - TC-DF - 2013 O conselho fiscal é órgão da companhia responsável pela missão precípua de fiscalização, sendo, portanto, órgão de existência facultativa. QUESTÃO 41 - CESPE - JUIZ FEDERAL - TRF 3a REGIÃO - 2011 Uma das características do mundo globalizado é a adoção de normas internacionais em diversos setores da sociedade. Na área da contabilidade, por exemplo, houve, nos últimos anos, alterações significativas introduzidas pela Lei das Sociedades por Ações. DIREITO EMPRESARIAL 51 No que se refere à classificação dos componentes patrimoniais, assinale a opção correta com base nas normas legais atualmente aplicáveis. a) Os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte devem ser classificados no grupo “realizável a longo prazo”. b) O que antes era contabilizado no grupo “investimentos” passou a sê-lo no grupo “imobilizado”. c) O grupo “ativo imobilizado” manteve-se como parte do grupo “investimentos”. d) As despesas pré-operacionais devem ser registradas como parte do grupo “diferido”. e) Todos os ativos que não devam ser contabilizados no “ativo circulante” devem sê-lo no “ativo não circulante”. QUESTÃO 42 - CESPE - TRF 2a REGIÃO - JUIZ - 2011 O modelo da sociedade anônima foi concebido originalmente para viabilizar grandes empreendimentos, constituindo instrumento próprio para a captação de recursos perante número expressivo de investidores. A companhia fechada de pequeno porte, mesmo que faça parte de um grupo de sociedades, como controladora ou filiada, está isenta de diversas obrigações comuns às demais sociedades. Contudo, não está dispensada de publicar os documentos da administração, tais como o relatório sobre os negócios sociais e os principais fatos administrativos do exercício, as demonstrações financeiras e o parecer dos auditores independentes, ainda que tais documentos sejam arquivados no registro do comércio. DIREITO EMPRESARIAL 52 QUESTÃO 43 - CESPE - JUIZ - TJ-CE - 2012 A sociedade em comandita por ações, ao contrário das sociedades anônimas, não conta com conselho de administração, não pode ter capital autorizado, por meio de autorização estatutária, para aumento do capital social, e não pode emitir bônus de subscrição. QUESTÃO 44 - CESPE - JUIZ - TJ-PB - 2011 Nas sociedades em comandita por ações, todos os sócios, incluindo-se o que exerça a função de diretor, respondem somente pelo valor das respectivas ações. QUESTÃO 45 - CESPE - JUIZ - TJ-PB - 2011 No que tange à responsabilidade dos acionistas, o tratamento dispensado pelo direito às sociedades anônimas e às em comandita por ações é exatamente o mesmo. DIREITO EMPRESARIAL 53 f. Normas comentadas Código Civil: “Art. 974. .............................................................................................................................. .................... § 3o O Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais deverá registrar contratos ou alterações contratuais de sociedade que envolva sócio incapaz, desde que atendidos, de forma conjunta, os seguintes pressupostos: I – o sócio incapaz não pode exercer a administração da sociedade; II – o capital social deve ser totalmente integralizado; III – o sócio relativamente incapaz deve ser assistido e o absolutamente incapaz deve ser representado por seus representantes legais. ü MUITO CUIDADO: Enunciado n. 466, do CJF: “Art. 974, § 3o. A exigência de integralização do capital social prevista no art. 974, § 3o, não se aplica à participação de incapazes em sociedades anônimas e em sociedades com sócios de responsabilidade ilimitada nas quais a integralização do capital social não influa na proteção do incapaz.” Art. 982. ................................................................................................................................ Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa. DIREITO EMPRESARIAL 54 Art. 1.090. A sociedade em comandita por ações tem o capital dividido em ações, regendo-se pelas normas relativas à sociedade anônima, sem prejuízo das modificações constantes deste Capítulo, e opera sob firma ou denominação. Art. 1.091. Somente o acionista tem qualidade para administrar a sociedade e, como diretor, responde subsidiária e ilimitadamente pelas obrigações da sociedade. § 1o Se houver mais de um diretor, serão solidariamente responsáveis, depois de esgotados os bens sociais. ü ATENÇÃO: na C/A, as responsabilidades dos sócios são da seguinte forma estabelecidas pelo legislador: • Sócio comanditado: responsável subsidiária e ilimitadamente, e solidariamente com outros administradores; • Sócio comanditário: responsável limitadamente. § 2o Os diretores serão nomeados no ato constitutivo da sociedade, sem limitação de tempo, e somente poderão ser destituídos por deliberação de acionistas que representem no mínimo dois terços do capital social. § 3o O diretor destituído ou exonerado continua, durante dois anos, responsável pelas obrigações sociais contraídas sob sua administração. Art. 1.092. A assembléia geral não pode, sem o consentimento dos diretores, mudar o objeto essencial da sociedade, prorrogar-lhe o prazo de duração, aumentar ou diminuir o capital social, criar debêntures, ou partes beneficiárias.” Lei das SAs (Lei n. 6.404, de 1976): DIREITO EMPRESARIAL 55 “Art. 3o A sociedade será designada por denominação acompanhada das expressões "companhia" ou "sociedade anônima", expressas por extenso ou abreviadamente mas vedada a utilização da primeira ao final. § 1o O nome do fundador, acionista, ou pessoa que por qualquer outro modo tenha concorrido para o êxito da empresa, poderá figurar na denominação.” ü ATENÇÃO: a atribuição de nome de pessoa estranha ao quadro de sócios, em denominação de S/A, constitui exceção ao princípio da veracidade, previsto na Lei do Registro Empresarial (art. 34, da Lei n. 8.934, de 18 de novembro de 1994). ................. Art. 17. As preferências ou vantagens das ações preferenciais podem consistir: I - em prioridade na distribuição de dividendo, fixo ou mínimo; II - em prioridade no reembolso do capital, com prêmio ou sem ele; ou III - na acumulação das preferências e vantagens de que tratam os incisos I e II. § 1o Independentemente do direito de receber ou não o valor de reembolso do capital com prêmio ou sem ele, as ações preferenciais sem direito de voto ou com restrição ao exercício deste direito, somente serão admitidas à negociação no mercado de valores mobiliários se a elas for atribuída pelo menos uma das seguintes preferências ou vantagens: I - direito de participar do dividendo a ser distribuído, correspondente a, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) do lucro líquido do exercício, calculado na forma do art. 202, de acordo com o seguinte critério: DIREITO EMPRESARIAL56 a) prioridade no recebimento dos dividendos mencionados neste inciso correspondente a, no mínimo, 3% (três por cento) do valor do patrimônio líquido da ação; e b) direito de participar dos lucros distribuídos em igualdade de condições com as ordinárias, depois de a estas assegurado dividendo igual ao mínimo prioritário estabelecido em conformidade com a alínea a; ou II - direito ao recebimento de dividendo, por ação preferencial, pelo menos 10% (dez por cento) maior do que o atribuído a cada ação ordinária; ou III - direito de serem incluídas na oferta pública de alienação de controle, nas condições previstas no art. 254-A, assegurado o dividendo pelo menos igual ao das ações ordinárias. § 2o Deverão constar do estatuto, com precisão e minúcia, outras preferências ou vantagens que sejam atribuídas aos acionistas sem direito a voto, ou com voto restrito, além das previstas neste artigo. ............................... § 7o Nas companhias objeto de desestatização poderá ser criada ação preferencial de classe especial, de propriedade exclusiva do ente desestatizante, à qual o estatuto social poderá conferir os poderes que especificar, inclusive o poder de veto às deliberações da assembleia-geral nas matérias que especificar. ....................... Art. 109. Nem o estatuto social nem a assembleia geral poderão privar o acionista dos direitos de: I - participar dos lucros sociais; II - participar do acervo da companhia, em caso de liquidação; DIREITO EMPRESARIAL 57 III - fiscalizar, na forma prevista nesta Lei, a gestão dos negócios sociais; IV - preferência para a subscrição de ações, partes beneficiárias conversíveis em ações, debêntures conversíveis em ações e bônus de subscrição, observado o disposto nos artigos 171 e 172; V - retirar-se da sociedade nos casos previstos nesta Lei. ................. Art. 118. Os acordos de acionistas, sobre a compra e venda de suas ações, preferência para adquiri-las, exercício do direito a voto, ou do poder de controle deverão ser observados pela companhia quando arquivados na sua sede. § 1º As obrigações ou ônus decorrentes desses acordos somente serão oponíveis a terceiros, depois de averbados nos livros de registro e nos certificados das ações, se emitidos. § 2° Esses acordos não poderão ser invocados para eximir o acionista de responsabilidade no exercício do direito de voto (artigo 115) ou do poder de controle (artigos 116 e 117). § 3º Nas condições previstas no acordo, os acionistas podem promover a execução específica das obrigações assumidas. § 4º As ações averbadas nos termos deste artigo não poderão ser negociadas em bolsa ou no mercado de balcão. § 5º No relatório anual, os órgãos da administração da companhia aberta informarão à assembléia-geral as disposições sobre política de reinvestimento de lucros e distribuição de dividendos, constantes de acordos de acionistas arquivados na companhia. DIREITO EMPRESARIAL 58 § 6o O acordo de acionistas cujo prazo for fixado em função de termo ou condição resolutiva somente pode ser denunciado segundo suas estipulações. § 7o O mandato outorgado nos termos de acordo de acionistas para proferir, em assembléia-geral ou especial, voto contra ou a favor de determinada deliberação, poderá prever prazo superior ao constante do § 1o do art. 126 desta Lei. § 8o O presidente da assembléia ou do órgão colegiado de deliberação da companhia não computará o voto proferido com infração de acordo de acionistas devidamente arquivado. § 9o O não comparecimento à assembléia ou às reuniões dos órgãos de administração da companhia, bem como as abstenções de voto de qualquer parte de acordo de acionistas ou de membros do conselho de administração eleitos nos termos de acordo de acionistas, assegura à parte prejudicada o direito de votar com as ações pertencentes ao acionista ausente ou omisso e, no caso de membro do conselho de administração, pelo conselheiro eleito com os votos da parte prejudicada. § 10. Os acionistas vinculados a acordo de acionistas deverão indicar, no ato de arquivamento, representante para comunicar-se com a companhia, para prestar ou receber informações, quando solicitadas. § 11. A companhia poderá solicitar aos membros do acordo esclarecimento sobre suas cláusulas. ............. Art. 240. O funcionamento do conselho fiscal será permanente nas companhias de economia mista; um dos seus membros, e respectivo suplente, será eleito pelas ações ordinárias minoritárias e outro pelas ações preferenciais, se houver. ...................... DIREITO EMPRESARIAL 59 Art. 282. Apenas o sócio ou acionista tem qualidade para administrar ou gerir a sociedade, e, como diretor ou gerente, responde, subsidiária mas ilimitada e solidariamente, pelas obrigações da sociedade. § 1o Os diretores ou gerentes serão nomeados, sem limitação de tempo, no estatuto da sociedade, e somente poderão ser destituídos por deliberação de acionistas que representem 2/3 (dois terços), no mínimo, do capital social. § 2o O diretor ou gerente que for destituído ou se exonerar continuará responsável pelas obrigações sociais contraídas sob sua administração. ............... Art. 284. Não se aplica à sociedade em comandita por ações o disposto nesta Lei sobre conselho de administração, autorização estatutária de aumento de capital e emissão de bônus de subscrição. DIREITO EMPRESARIAL 60 g. Gabarito 1 2 3 4 5 D D A E C 6 7 8 9 10 D D E A C 11 12 13 14 15 E C E E E 16 17 18 19 20 E E C E C 21 22 23 24 25 C E E E E 26 27 28 29 30 C E E C E 31 32 33 34 35 E E E E E 36 37 38 39 40 C C C E E 41 42 43 44 45 E E C E E DIREITO EMPRESARIAL 61 h. Breves comentários às questões QUESTÃO 1 - FGV - AUDITOR DO TESOURO MUNICIPAL - PREFEITURA DE RECIFE-PE - 2014 Relacione as reservas previstas na Lei n. 6.404/76 às respectivas finalidades. 1. Reserva legal 2. Reserva estatutária 3. Reserva para contingências 4. Reserva de capital ( ) É criada pelo estatuto com indicação precisa e completa de sua finalidade; os critérios para determinar a parcela anual dos lucros líquidos destinados à sua constituição; e o limite máximo da reserva. ( ) Pode ser utilizada, dentre outras hipóteses, para resgate, reembolso ou compra de ações; resgate de partes beneficiárias; incorporação ao capital social; pagamento de dividendo a ações preferenciais, quando essa vantagem lhes for assegurada. ( ) É formada por destinação de parte do lucro líquido, mediante deliberação da assembleia-geral, por proposta dos órgãos da administração. Tem por finalidade compensar, em exercício futuro, a diminuição do lucro decorrente de perda julgada provável, cujo valor possa ser estimado. ( ) Tem por fim assegurar a integridade do capital social e somente poderá ser utilizada para compensar prejuízos ou aumentar o capital. É constituída pela aplicação DIREITO EMPRESARIAL 62 de 5% (cinco por cento) do lucro líquido do exercício, antes de qualquer outra destinação, não excedendo 20% (vinte por cento) do capital social. Assinale a alternativa que indica a relação correta, de cima para baixo. a) 1 – 3 – 2 – 4. b) 1 – 4 – 2 – 3. c) 4 – 2 – 3 – 1. d) 2 – 4 – 3 – 1. e) 4 – 3 – 2 – 1. Primeira Afirmação”: reserva estatutária. Segunda Afirmação: reserva decapital. Terceira Afirmação: reserva para contingências. Quarta Afirmação: reserva de capital. Lei n. 6.404, de 1976: “Reserva Legal Art. 193. Do lucro líquido do exercício, 5% (cinco por cento) serão aplicados, antes de qualquer outra destinação, na constituição da reserva legal, que não excederá de 20% (vinte por cento) do capital social. § 1º A companhia poderá deixar de constituir a reserva legal no exercício em que o saldo dessa reserva, acrescido do montante das reservas de capital de que trata o § 1º do artigo 182, exceder de 30% (trinta por cento) do capital social. § 2º A reserva legal tem por fim assegurar a integridade do capital social e somente poderá ser utilizada para compensar prejuízos ou aumentar o capital. (Quarta Afirmação) DIREITO EMPRESARIAL 63 Reservas Estatutárias Art. 194. O estatuto poderá criar reservas desde que, para cada uma: I - indique, de modo preciso e completo, a sua finalidade; II - fixe os critérios para determinar a parcela anual dos lucros líquidos que serão destinados à sua constituição; e III - estabeleça o limite máximo da reserva. (Primeira Afirmação) Reservas para Contingências Art. 195. A assembléia-geral poderá, por proposta dos órgãos da administração, destinar parte do lucro líquido à formação de reserva com a finalidade de compensar, em exercício futuro, a diminuição do lucro decorrente de perda julgada provável, cujo valor possa ser estimado. § 1º A proposta dos órgãos da administração deverá indicar a causa da perda prevista e justificar, com as razões de prudência que a recomendem, a constituição da reserva. § 2º A reserva será revertida no exercício em que deixarem de existir as razões que justificaram a sua constituição ou em que ocorrer a perda. (Terceira Afirmação) ...................... Reserva de Capital Art. 200. As reservas de capital somente poderão ser utilizadas para: I - absorção de prejuízos que ultrapassarem os lucros acumulados e as reservas de lucros (artigo 189, parágrafo único); II - resgate, reembolso ou compra de ações; III - resgate de partes beneficiárias; IV - incorporação ao capital social; V - pagamento de dividendo a ações preferenciais, quando essa vantagem lhes for assegurada (artigo 17, § 5º). Parágrafo único. A reserva constituída com o produto da venda de partes beneficiárias poderá ser destinada ao resgate desses títulos.” (Segunda Afirmação) Gabarito: D. DIREITO EMPRESARIAL 64 QUESTÃO 2 - FGV - AUDITOR-FISCAL TRIBUTÁRIO DA RECEITA MUNICIPAL - SEFAZ- MT - 2014 De acordo com a Lei n. 6.404/76, nas companhias ou sociedades anônimas, o prejuízo do exercício será obrigatoriamente absorvido, nessa ordem, a) pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva de capital. b) pelas reservas de lucros, pela reserva legal e pelos lucros acumulados. c) pela reserva de capital, pelos lucros acumulados e pela reserva legal. d) pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal. e) pela reserva legal, pelos lucros acumulados e pelas reservas de lucros. Vejamos a ordem legal obrigatória para a absorção do prejuízo do exercício: a) lucros acumulados; b) reservas de lucros; c) reserva legal; e d) reserva de capital. Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 189. Do resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o Imposto sobre a Renda. Parágrafo único. O prejuízo do exercício será obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, nessa ordem. ............. Art. 200. As reservas de capital somente poderão ser utilizadas para: DIREITO EMPRESARIAL 65 I - absorção de prejuízos que ultrapassarem os lucros acumulados e as reservas de lucros (artigo 189, parágrafo único); II - resgate, reembolso ou compra de ações; III - resgate de partes beneficiárias; IV - incorporação ao capital social; V - pagamento de dividendo a ações preferenciais, quando essa vantagem lhes for assegurada (artigo 17, § 5º). Parágrafo único. A reserva constituída com o produto da venda de partes beneficiárias poderá ser destinada ao resgate desses títulos.” Gabarito: D. QUESTÃO 3 - FGV - PGM-NITERÓI - PROCURADOR DO MUNICÍPIO - 2014) Sobre o Conselho Fiscal na sociedade anônima de economia mista, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a Errado. ( ) O estatuto deverá prever a existência do Conselho Fiscal na companhia de economia mista, que será um órgão permanente. ( ) O mandato dos conselheiros fiscais é de 3 (três) anos, permitida reeleição sucessiva, para coincidir com o mandato dos conselheiros de administração. ( ) Os acionistas titulares de ações ordinárias minoritários poderão eleger um conselheiro e seu suplente; outro conselheiro e suplente poderá ser eleito pelos titulares de ações preferenciais, se houver. ( ) A competência para a eleição do Conselho Fiscal é da Assembleia Geral, exceto se o estatuto a outorgar ao Conselho de Administração. DIREITO EMPRESARIAL 66 ( ) O número mínimo de conselheiros é de 4 (quatro), sendo pelo menos três conselheiros eleitos com os votos do acionista controlador. As afirmativas são, respectivamente, a) V, F, V, F e F. b) F, V, F, F e V. c) V, F, F, V e V. d) F, F, V, V e V. e) V, F, F, F e V. Primeira Afirmação, correta. Prevê a Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 240. O funcionamento do conselho fiscal será permanente nas companhias de economia mista; um dos seus membros, e respectivo suplente, será eleito pelas ações ordinárias minoritárias e outro pelas ações preferenciais, se houver.” Segunda Afirmação, errada. A eleição dos conselheiros fiscais ocorre, anualmente, em assembleia geral. Portanto, seus mandatos possuem duração de um ano (e não de três anos). Ademais, a Lei n. 6.404 prevê a possibilidade de reeleição de Conselheiro Fiscal, segundo a Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 161. ...................................................................................................................................... ............... § 6o Os membros do conselho fiscal e seus suplentes exercerão seus cargos até a primeira assembléia-geral ordinária que se realizar após a sua eleição, e poderão ser reeleitos. § 7o A função de membro do conselho fiscal é indelegável.” Terceira Afirmação, correta. Porém, uma observação: a proposição não refletiu a ressalva legal de que os acionistas minoritários podem eleger membro do Conselho DIREITO EMPRESARIAL 67 Fiscal desde que representem, em conjunto, dez por cento ou mais das ações com direito a voto, conforme a Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 161. ..................................................................................... ............... § 4º Na constituição do conselho fiscal serão observadas as seguintes normas: a) os titulares de ações preferenciais sem direito a voto, ou com voto restrito, terão direito de eleger, em votação em separado, 1 (um) membro e respectivo suplente; igual direito terão os acionistas minoritários, desde que representem, em conjunto, 10% (dez por cento) ou mais das ações com direito a voto; b) ressalvado o disposto na alínea anterior, os demais acionistas com direito a voto poderão eleger os membros efetivos e suplentes que, em qualquer caso, serão em número igual ao dos eleitos nos termos da alínea a, mais um.” Quarta e Quinta Afirmações, erradas. Os membros do Conselho Fiscal são eleitos pelos acionistas na forma do art.161, § 4º, cuja regra não prevê delegação de poder de eleição ao Conselho de Administração, o número mínimo de membros é três (e não quatro), e o Acionista Controlador não tem direito de eleger três membros! Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 161. A companhia terá um conselho fiscal e o estatuto disporá sobre seu funcionamento, de modo permanente ou nos exercícios sociais em que for instalado a pedido de acionistas. § 1º O conselho fiscal será composto de, no mínimo, 3 (três) e, no máximo, 5 (cinco) membros, e suplentes em igual número, acionistas ou não, eleitos pela assembléia- geral. ............... § 4º Na constituição do conselho fiscal serão observadas as seguintes normas: a) os titulares de ações preferenciais sem direito a voto, ou com voto restrito, terão direito de eleger, em votação em separado, 1 (um) membro e respectivo suplente; igual direito terão os acionistas minoritários, desde que representem, em conjunto, 10% (dez por cento) ou mais das ações com direito a voto; DIREITO EMPRESARIAL 68 b) ressalvado o disposto na alínea anterior, os demais acionistas com direito a voto poderão eleger os membros efetivos e suplentes que, em qualquer caso, serão em número igual ao dos eleitos nos termos da alínea a, mais um.” Gabarito: A. QUESTÃO 4 - FGV - PROCURADOR DO MUNICÍPIO - PGM-NITERÓI - 2014 Os diretores da companhia aberta “X” deixaram de comunicar um fato relevante ocorrido em seus negócios por entenderem que sua divulgação poderia colocar em risco o legítimo interesse da companhia além de frustrar a realização da operação, que deveria ser mantida no mais absoluto sigilo por cláusula de confidencialidade durante as tratativas. Com base nas disposições da Lei de Sociedades por Ações, assinale a afirmativa correta. a) Os diretores descumpriram o dever de informar porque deveriam ter divulgado pela imprensa o fato relevante e comunicado às autoridades do mercado de valores mobiliários e à Bolsa de Valores. b) Os diretores não descumpriram o dever de informar por se tratar de assunto interno da companhia e que não deve ser divulgado ao mercado nem comunicado às autoridades do mercado de valores mobiliários c) Os diretores descumpriram o dever de informar porque não poderiam ter omitido o fato relevante da Comissão de Valores Mobiliários, a quem cabe, exclusivamente, a discricionariedade de avaliar se a informação colocará ou não em risco o interesse da companhia. DIREITO EMPRESARIAL 69 d) Os diretores descumpriram o dever de informar porque caberia à Assembleia Geral avaliar a conveniência e oportunidade da divulgação do negócio ao mercado e às autoridades regulatórias e) Os diretores não descumpriram o dever de informar, porém a Comissão de Valores Mobiliários, a pedido de qualquer acionista, ou por iniciativa própria, poderá decidir sobre a prestação de informação e responsabilizar os administradores, se for o caso, pela omissão. A Lei das Sociedades por Ações prevê, expressamente, que os administradores podem deixar de divulgar informações, mediante justificativa de que sua revelação porá em risco interesse legítimo da companhia. Não obstante, cumpre à CVM, a pedido dos administradores, de qualquer acionista, ou por iniciativa própria, decidir sobre a prestação de informação e responsabilizar os administradores, se for o caso. Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 157. O administrador de companhia aberta deve declarar, ao firmar o termo de posse, o número de ações, bônus de subscrição, opções de compra de ações e debêntures conversíveis em ações, de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo, de que seja titular. § 1º O administrador de companhia aberta é obrigado a revelar à assembléia-geral ordinária, a pedido de acionistas que representem 5% (cinco por cento) ou mais do capital social: a) o número dos valores mobiliários de emissão da companhia ou de sociedades controladas, ou do mesmo grupo, que tiver adquirido ou alienado, diretamente ou através de outras pessoas, no exercício anterior; b) as opções de compra de ações que tiver contratado ou exercido no exercício anterior; c) os benefícios ou vantagens, indiretas ou complementares, que tenha recebido ou esteja recebendo da companhia e de sociedades coligadas, controladas ou do mesmo grupo; DIREITO EMPRESARIAL 70 d) as condições dos contratos de trabalho que tenham sido firmados pela companhia com os diretores e empregados de alto nível; e) quaisquer atos ou fatos relevantes nas atividades da companhia. § 2º Os esclarecimentos prestados pelo administrador poderão, a pedido de qualquer acionista, ser reduzidos a escrito, autenticados pela mesa da assembléia, e fornecidos por cópia aos solicitantes. § 3º A revelação dos atos ou fatos de que trata este artigo só poderá ser utilizada no legítimo interesse da companhia ou do acionista, respondendo os solicitantes pelos abusos que praticarem. § 4º Os administradores da companhia aberta são obrigados a comunicar imediatamente à bolsa de valores e a divulgar pela imprensa qualquer deliberação da assembléia-geral ou dos órgãos de administração da companhia, ou fato relevante ocorrido nos seus negócios, que possa influir, de modo ponderável, na decisão dos investidores do mercado de vender ou comprar valores mobiliários emitidos pela companhia. § 5º Os administradores poderão recusar-se a prestar a informação (§ 1º, alínea e), ou deixar de divulgá-la (§ 4º), se entenderem que sua revelação porá em risco interesse legítimo da companhia, cabendo à Comissão de Valores Mobiliários, a pedido dos administradores, de qualquer acionista, ou por iniciativa própria, decidir sobre a prestação de informação e responsabilizar os administradores, se for o caso. § 6o Os administradores da companhia aberta deverão informar imediatamente, nos termos e na forma determinados pela Comissão de Valores Mobiliários, a esta e às bolsas de valores ou entidades do mercado de balcão organizado nas quais os valores mobiliários de emissão da companhia estejam admitidos à negociação, as modificações em suas posições acionárias na companhia.” Gabarito: E. QUESTÃO 5 - FGV - OAB - 2014 A Comissão de Valores Mobiliários poderá impor aos infratores de suas Resoluções, das normas da Lei n. 6.404/76 (Lei das Sociedades por Ações) e da Lei n. 6.385/76 (Lei do Mercado de Valores Mobiliários), dentre outras, a penalidade de inabilitação temporária, DIREITO EMPRESARIAL 71 até o máximo de 20 (vinte) anos, para o exercício do cargo de administrador nas entidades relacionadas a seguir, à exceção de uma Assinale-a. a) Companhia Aberta. b) Distribuidora de Valores Mobiliários. c) Sociedade em Comum. d) Bolsa de Valores. Os sócios da sociedade em comum (sociedade despersonalizada regulada pelo Código Civil, a qual não possui atos constitutivos ou não foram esses inscritos no cartório de registro competente) não estão no alcance das competências da CVM, de acordo com a Lei n. 6.385, de 19763: “Art. 11. A Comissão de Valores Mobiliários poderá impor aos infratores das normas desta Lei, da lei de sociedades por ações, das suas resoluções, bem como de outras normas legais cujo cumprimento lhe incumba fiscalizar, as seguintes penalidades: I - advertência; II - multa; III - suspensão do exercício do cargo de administrador ou de conselheiro fiscal de companhia aberta, de entidade do sistema de distribuição ou de outras entidades que dependam de autorização ou registro na Comissão de Valores Mobiliários; IV - inabilitação temporária, até o máximo de vinteanos, para o exercício dos cargos referidos no inciso anterior;” Gabarito: C. QUESTÃO 6 - FGV - OAB - 2013 3 DIREITO EMPRESARIAL 72 Com relação às sociedades anônimas, assinale a opção correta. a) As ações preferenciais são sempre ações sem direito de voto e com prioridade no recebimento de dividendos fixos e cumulativos. b) A vantagem das ações preferenciais de companhia fechada pode consistir exclusivamente em prioridade no reembolso do capital. c) A primeira convocação de assembleia geral de companhia fechada deverá ser feita no prazo de 15 (quinze) dias antes de sua realização. d) O conselho de administração é órgão obrigatório em todas as sociedades anônimas fechadas, com capital autorizado e de economia mista. É sutil o erro da Letra A, pois a lei admite ações preferenciais com ou sem direito a voto. Quanto à Letra B, observe que, na companhia fechada, a prioridade no reembolso do capital pode ser a única vantagem das ações preferenciais. Recomendo memorizar a informação de que o Conselho de Administração é obrigatório para as companhias abertas e as de capital autorizado (Letra D). Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 17. As preferências ou vantagens das ações preferenciais podem consistir: I - em prioridade na distribuição de dividendo, fixo ou mínimo; II - em prioridade no reembolso do capital, com prêmio ou sem ele; ou III - na acumulação das preferências e vantagens de que tratam os incisos I e II. (Letra B) ................ Art. 111. O estatuto poderá deixar de conferir às ações preferenciais algum ou alguns dos direitos reconhecidos às ações ordinárias, inclusive o de voto, ou conferi-lo com restrições, observado o disposto no artigo 109. (Letra A) DIREITO EMPRESARIAL 73 § 1º As ações preferenciais sem direito de voto adquirirão o exercício desse direito se a companhia, pelo prazo previsto no estatuto, não superior a 3 (três) exercícios consecutivos, deixar de pagar os dividendos fixos ou mínimos a que fizerem jus, direito que conservarão até o pagamento, se tais dividendos não forem cumulativos, ou até que sejam pagos os cumulativos em atraso. (Letra A) § 2º Na mesma hipótese e sob a mesma condição do § 1º, as ações preferenciais com direito de voto restrito terão suspensas as limitações ao exercício desse direito. § 3º O estatuto poderá estipular que o disposto nos §§ 1º e 2º vigorará a partir do término da implantação do empreendimento inicial da companhia. ............... Art. 124. A convocação far-se-á mediante anúncio publicado por 3 (três) vezes, no mínimo, contendo, além do local, data e hora da assembléia, a ordem do dia, e, no caso de reforma do estatuto, a indicação da matéria. § 1o A primeira convocação da assembléia-geral deverá ser feita: I - na companhia fechada, com 8 (oito) dias de antecedência, no mínimo, contado o prazo da publicação do primeiro anúncio; não se realizando a assembléia, será publicado novo anúncio, de segunda convocação, com antecedência mínima de 5 (cinco) dias; (Letra C) II - na companhia aberta, o prazo de antecedência da primeira convocação será de 15 (quinze) dias e o da segunda convocação de 8 (oito) dias. ............... Art. 138. A administração da companhia competirá, conforme dispuser o estatuto, ao conselho de administração e à diretoria, ou somente à diretoria. § 1º O conselho de administração é órgão de deliberação colegiada, sendo a representação da companhia privativa dos diretores. § 2º As companhias abertas e as de capital autorizado terão, obrigatoriamente, conselho de administração.” (Letra D) Gabarito: D. QUESTÃO 7 - FGV - OAB - 2012 DIREITO EMPRESARIAL 74 Sobre os direitos dos acionistas, é correto afirmar que a) o direito de voto é garantido a todo acionista, independente da espécie ou classe de ações de que seja titular. b) os acionistas deverão receber dividendos obrigatórios em todos os exercícios sociais. c) o acionista terá direito de se retirar da companhia caso cláusula compromissória venha a ser introduzida no estatuto social. d) o acionista tem o direito de fiscalizar as atividades sociais e sendo titular de mais de 5% do capital poderá requerer judicialmente a exibição dos livros da companhia, caso haja suspeita de irregularidades dos administradores. O erro Letra A reide no fato de que a lei admite ações preferenciais com ou sem direito a voto. É sutil o equivoco da Letra B, pois a percepção de dividendos “obrigatórios” está relacionada à existência de lucro. Logo, se não houver lucro em dado exercício, não haverá o que ser distribuído. ATENÇÃO: observe que a Letra C está ultrapassada, pois, desde 2015, foi previsto o direito de retirada do acionista em caso de inclusão de cláusula compromissória (essa cláusula permite a utilização de arbitragem para resolver conflitos), nos casos descritos no art. 136-A. Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 105. A exibição por inteiro dos livros da companhia pode ser ordenada judicialmente sempre que, a requerimento de acionistas que representem, pelo menos, 5% (cinco por cento) do capital social, sejam apontados atos violadores da lei ou do estatuto, ou haja fundada suspeita de graves irregularidades praticadas por qualquer dos órgãos da companhia. (Letra D) DIREITO EMPRESARIAL 75 ............. Art. 109. Nem o estatuto social nem a assembléia-geral poderão privar o acionista dos direitos de: I - participar dos lucros sociais; II - participar do acervo da companhia, em caso de liquidação; III - fiscalizar, na forma prevista nesta Lei, a gestão dos negócios sociais; (Letra D) IV - preferência para a subscrição de ações, partes beneficiárias conversíveis em ações, debêntures conversíveis em ações e bônus de subscrição, observado o disposto nos artigos 171 e 172; V - retirar-se da sociedade nos casos previstos nesta Lei. .............. Art. 111. O estatuto poderá deixar de conferir às ações preferenciais algum ou alguns dos direitos reconhecidos às ações ordinárias, inclusive o de voto, ou conferi-lo com restrições, observado o disposto no artigo 109. (Letra A) § 1º As ações preferenciais sem direito de voto adquirirão o exercício desse direito se a companhia, pelo prazo previsto no estatuto, não superior a 3 (três) exercícios consecutivos, deixar de pagar os dividendos fixos ou mínimos a que fizerem jus, direito que conservarão até o pagamento, se tais dividendos não forem cumulativos, ou até que sejam pagos os cumulativos em atraso. (Letra A) § 2º Na mesma hipótese e sob a mesma condição do § 1º, as ações preferenciais com direito de voto restrito terão suspensas as limitações ao exercício desse direito. § 3º O estatuto poderá estipular que o disposto nos §§ 1º e 2º vigorará a partir do término da implantação do empreendimento inicial da companhia. ............... Art. 124. A convocação far-se-á mediante anúncio publicado por 3 (três) vezes, no mínimo, contendo, além do local, data e hora da assembléia, a ordem do dia, e, no caso de reforma do estatuto, a indicação da matéria. Art. 112. Somente os titulares de ações nominativas endossáveis e escriturais poderão exercer o direito de voto. (Letra A) Parágrafo único. Os titulares de ações preferenciais ao portador que adquirirem direito de voto de acordo com o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 111, e enquanto dele DIREITO EMPRESARIAL 76 gozarem, poderão converter as ações em nominativas ou endossáveis, independentemente de autorização estatutária.............. Art. 136. É necessária a aprovação de acionistas que representem metade, no mínimo, das ações com direito a voto, se maior quorum não for exigido pelo estatuto da companhia cujas ações não estejam admitidas à negociação em bolsa ou no mercado de balcão, para deliberação sobre: I - criação de ações preferenciais ou aumento de classe de ações preferenciais existentes, sem guardar proporção com as demais classes de ações preferenciais, salvo se já previstos ou autorizados pelo estatuto; II - alteração nas preferências, vantagens e condições de resgate ou amortização de uma ou mais classes de ações preferenciais, ou criação de nova classe mais favorecida; III - redução do dividendo obrigatório; IV - fusão da companhia, ou sua incorporação em outra; V - participação em grupo de sociedades (art. 265); VI - mudança do objeto da companhia; VII - cessação do estado de liquidação da companhia; VIII - criação de partes beneficiárias; IX - cisão da companhia; X - dissolução da companhia. .............. Art. 136-A. A aprovação da inserção de convenção de arbitragem no estatuto social, observado o quorum do art. 136, obriga a todos os acionistas, assegurado ao acionista dissidente o direito de retirar-se da companhia mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 45. (Letra C) § 1o A convenção somente terá eficácia após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, contado da publicação da ata da assembleia geral que a aprovou. § 2o O direito de retirada previsto no caput não será aplicável: (Letra C) I - caso a inclusão da convenção de arbitragem no estatuto social represente condição para que os valores mobiliários de emissão da companhia sejam admitidos à DIREITO EMPRESARIAL 77 negociação em segmento de listagem de bolsa de valores ou de mercado de balcão organizado que exija dispersão acionária mínima de 25% (vinte e cinco por cento) das ações de cada espécie ou classe; II - caso a inclusão da convenção de arbitragem seja efetuada no estatuto social de companhia aberta cujas ações sejam dotadas de liquidez e dispersão no mercado, nos termos das alíneas “a” e “b” do inciso II do art. 137 desta Lei. Art. 137. A aprovação das matérias previstas nos incisos I a VI e IX do art. 136 dá ao acionista dissidente o direito de retirar-se da companhia, mediante reembolso do valor das suas ações (art. 45), observadas as seguintes normas: (...). (Letra C) ............. Art. 202. Os acionistas têm direito de receber como dividendo obrigatório, em cada exercício, a parcela dos lucros estabelecida no estatuto ou, se este for omisso, a importância determinada de acordo com as seguintes normas: (Letra B) I - metade do lucro líquido do exercício diminuído ou acrescido dos seguintes valores: (Letra B) a) importância destinada à constituição da reserva legal (art. 193); e b) importância destinada à formação da reserva para contingências (art. 195) e reversão da mesma reserva formada em exercícios anteriores; II - o pagamento do dividendo determinado nos termos do inciso I poderá ser limitado ao montante do lucro líquido do exercício que tiver sido realizado, desde que a diferença seja registrada como reserva de lucros a realizar (art. 197); (Letra B) III - os lucros registrados na reserva de lucros a realizar, quando realizados e se não tiverem sido absorvidos por prejuízos em exercícios subseqüentes, deverão ser acrescidos ao primeiro dividendo declarado após a realização.” (Letra B) Gabarito: D. QUESTÃO 8 - FGV - CONSULTOR JURÍDICO - SENADO FEDERAL - 2012 Quais prerrogativas previstas expressamente na Lei Federal no 6.404/76 associados à detenção de uma golden share podem ser titularizadas pelo poder público? DIREITO EMPRESARIAL 78 a) Participação acionária majoritária e poder de veto. b) Participação acionária majoritária e direito de eleger administradores. c) Direito de eleger administradores e poder de dissolução unilateral da sociedade. d) Poder de dissolução unilateral da sociedade e poder de veto. e) Poder de veto e direito de eleger administradores. Letras A e B: erradas. “Golden share” é uma ação preferencial especial do ente público desestatizante (que está vendendo o controle de sua S/A). Pela lógica, não pode se tratar de prerrogativa de participação majoritária, uma vez que a companhia está sendo desestatizada! Quanto ao poder de veto, está de acordo com o art. 17, § 7o, da LSA. Eliminamos também as Letras C e D, uma vez que o poder de dissolver unilateralmente está descartado ao desestatizante, já que o Estado não mais possuirá o controle da companhia, o que torna essas alternativas incompatíveis com o art. 136, inciso X, da LSA. Portanto, essa questão estava fácil. Era só eliminar as hipóteses impossíveis e marcar a Letra E! Há questões que podem ser resolvidas dessa maneira! Acrescente-se que o poder de eleger administradores poderá ser conferido pelo estatuto, vez que o art. 17, § 2o, da LSA, é meramente exemplificativo, ou seja, o estatuto pode criar outros direitos na “golden share”, além do poder de veto em assembleia geral nas matérias que especificar. Lei n. 6.404, de 1976: Art. 17. As preferências ou vantagens das ações preferenciais podem consistir: I - em prioridade na distribuição de dividendo, fixo ou mínimo; II - em prioridade no reembolso do capital, com prêmio ou sem ele; ou DIREITO EMPRESARIAL 79 III - na acumulação das preferências e vantagens de que tratam os incisos I e II. ..................... § 7o Nas companhias objeto de desestatização poderá ser criada ação preferencial de classe especial, de propriedade exclusiva do ente desestatizante, à qual o estatuto social poderá conferir os poderes que especificar, inclusive o poder de veto às deliberações da assembléia-geral nas matérias que especificar. (Letras A, B, C e D) (Letra E) .................................... Art. 136. É necessária a aprovação de acionistas que representem metade, no mínimo, das ações com direito a voto, se maior quorum não for exigido pelo estatuto da companhia cujas ações não estejam admitidas à negociação em bolsa ou no mercado de balcão, para deliberação sobre: I - criação de ações preferenciais ou aumento de classe de ações preferenciais existentes, sem guardar proporção com as demais classes de ações preferenciais, salvo se já previstos ou autorizados pelo estatuto; II - alteração nas preferências, vantagens e condições de resgate ou amortização de uma ou mais classes de ações preferenciais, ou criação de nova classe mais favorecida; III - redução do dividendo obrigatório; IV - fusão da companhia, ou sua incorporação em outra; V - participação em grupo de sociedades (art. 265); VI - mudança do objeto da companhia; VII - cessação do estado de liquidação da companhia; VIII - criação de partes beneficiárias; IX - cisão da companhia; X - dissolução da companhia.” Gabarito: E. QUESTÃO 9 - FGV - AUDITOR-FISCAL DA RECEITA ESTADUAL - SEFAZ-RJ - 2011 DIREITO EMPRESARIAL 80 A Companhia CBA Tintas, sociedade anônima cujo capital social fixado no projeto do estatuto, no valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais), foi dividido em oitenta ações ordinárias no valor total de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) a serem subscritas pelos sócios João e José, em partes iguais, e vinte ações preferenciais no valor total de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) a serem subscritas pelo sócio Joaquim, é considerada regularmente constituída somente a partir a) do arquivamento dos documentos relativos àconstituição no Registro Público de Empresas Mercantis e a sua subsequente publicação, em até trinta dias, em órgão oficial do local de sua sede. b) da assembleia geral de constituição, desde que aprovada a proposta por votos de acionistas que representem, ao menos, metade do capital social. c) do depósito realizado em estabelecimento bancário autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários, da parte do capital realizado em dinheiro. d) do arquivamento da ata da assembleia de constituição da companhia perante o Registro Público de Empresas Mercantis. e) da realização, como entrada, de dez por cento, no mínimo, do preço de emissão das ações subscritas em dinheiro. Letra A, correta. Prevê a Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 94. Nenhuma companhia poderá funcionar sem que sejam arquivados e publicados seus atos constitutivos. ......................................... Art. 95. Se a companhia houver sido constituída por deliberação em assembleia geral, deverão ser arquivados no registro do comércio do lugar da sede: (...). Art. 96. Se a companhia tiver sido constituída por escritura pública, bastará o arquivamento de certidão do instrumento. ......................................... DIREITO EMPRESARIAL 81 Art. 98. Arquivados os documentos relativos à constituição da companhia, os seus administradores providenciarão, nos 30 (trinta) dias subsequentes, a publicação deles, bem como a de certidão do arquivamento, em órgão oficial do local de sua sede. (Letra A) Letras B, C, D e E, erradas. Não podiam ser marcadas como corretas, porque representam apenas os requisitos preliminares da constituição de uma S/A, segundo a Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 80. A constituição da companhia depende do cumprimento dos seguintes requisitos preliminares: I - subscrição, pelo menos por 2 (duas) pessoas, de todas as ações em que se divide o capital social fixado no estatuto; II - realização, como entrada, de 10% (dez por cento), no mínimo, do preço de emissão das ações subscritas em dinheiro; (Letra E) III - depósito, no Banco do Brasil S/A., ou em outro estabelecimento bancário autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários, da parte do capital realizado em dinheiro. (Letra C) Parágrafo único. O disposto no número II não se aplica às companhias para as quais a lei exige realização inicial de parte maior do capital social. ......................................... Art. 87. A assembleia de constituição instalar-se-á, em primeira convocação, com a presença de subscritores que representem, no mínimo, metade do capital social, e, em segunda convocação, com qualquer número. ......................................... § 3o Verificando-se que foram observadas as formalidades legais e não havendo oposição de subscritores que representem mais da metade do capital social, o presidente declarará constituída a companhia, procedendo-se, a seguir, à eleição dos administradores e fiscais. (Letra B) § 4o A ata da reunião, lavrada em duplicata, depois de lida e aprovada pela assembleia, será assinada por todos os subscritores presentes, ou por quantos bastem à validade das deliberações; um exemplar ficará em poder da companhia e o outro será destinado ao registro do comércio.” (Letra D) DIREITO EMPRESARIAL 82 Letra D, errada. Não basta o arquivamento, é necessário também que se façam as publicações exigidas pelo referido art. 98, da LSA. Gabarito: A. QUESTÃO 10 - FGV - OAB - 2010 As Sociedades Anônimas têm uma pesada estrutura, necessitando, assim, de vários órgãos para atingir seu desiderato, cada um com sua função específica. Um desses órgãos é a Diretoria, sendo seus diretores efetivamente os administradores da companhia. Esses diretores possuem alguns deveres para com a sociedade empresarial e para com o mercado. Entre esses deveres encontra-se o desclosure, que é o dever a) que os diretores possuem de convocar os acionistas para deliberar sobre determinado assunto ou vários assuntos que devem constar de uma pauta previamente escolhida. b) de fiscalizar os gastos da sociedade e se ela está cumprindo o que está disposto no estatuto social. c) que os administradores têm para com o mercado de informar todas as operações em que a companhia estiver envolvida e que possam influir na cotação das suas ações, das debêntures e dos valores mobiliários. d) que os administradores possuem de agir de forma diligente, respeitando o estatuto social, de forma a não causar prejuízos aos acionistas, podendo responder de forma pessoal com seu patrimônio caso violem esse dever. Cabem observações a essa prova do CESPE: a palavra correta do inglês é “disclosure”, que significa “divulgação”, “revelação”. DIREITO EMPRESARIAL 83 O dever de informar que cabe aos administradores está assim previsto na Lei n. 6.404, de 1976, para as companhias abertas: “Art. 157. ..................................................................................... § 4o Os administradores da companhia aberta são obrigados a comunicar imediatamente à bolsa de valores e a divulgar pela imprensa qualquer deliberação da assembleia geral ou dos órgãos de administração da companhia, ou fato relevante ocorrido nos seus negócios, que possa influir, de modo ponderável, na decisão dos investidores do mercado de vender ou comprar valores mobiliários emitidos pela companhia.” Gabarito: C. QUESTÃO 11 - FCC - PROCURADOR - BACEN - 2006 A sociedade anônima de capital aberto denominada "Companhia de Tecidos Sigma" tem seu capital integralmente dividido em ações preferenciais das classes "A", "B" e "C", conforme a seguinte tabela: Classe % do capital Direito de voto? Preferências outorgadas A 50 Sim Prioridade no reembolso de capital B 25 Não Dividendo mínimo de R$ 0,05 por ação C 25 Não Dividendo máximo de R$ 0,01 por ação e direito de serem incluídas em oferta de alienação de controle nas mesmas condições das ações classe “A” Dada esta situação, DIREITO EMPRESARIAL 84 a) a distribuição do capital é inconsistente com o que prevê a legislação societária aplicável. b) a sociedade não poderia negociar suas ações em mercado de valores mobiliários. c) podem ser admitidas à negociação no mercado de valores mobiliários apenas as ações classe "A". d) podem ser admitidas à negociação. o no mercado de valores mobiliários apenas as ações classes "A" e "B". e) podem ser admitidas à negociação no mercado de valores mobiliários apenas as ações classes "A" e "C". Bem complexa a questão, não é verdade?! Vamos utilizar a lógica para decifrá-la! Primeiramente, descarte o foco na Letra A. Tente examinar as demais opções (B, C, D e E), que possuem uma descrição centralizada na possibilidade ou não de negociação em mercado de valores mobiliários. Muito bem! A primeira observação a se fazer é que todas as três classes de ações são preferenciais, segundo o enunciado, as quais possuem as seguintes preferências outorgadas: ⇒ CLASSE “A”: prioridade no reembolso de capital (art. 17, inciso II, da LSA), com direito a voto; ⇒ CLASSE “B”: prioridade na distribuição do dividendo mínimo (art. 17, inciso I, da LSA), sem direito a voto; ⇒ CLASSE “C”: prioridade na distribuição do dividendo fixo (art. 17, inciso II, da LSA), sem direito a voto. DIREITO EMPRESARIAL 85 Uma vez que as ações da CLASSE “A” possuem direito a voto, elas podem ser negociadas em mercado de valores mobiliários (letras C, D e E). As ações de CLASSE “B” não possuem direito de voto e nãopreenchem nenhum dos requisitos do art. 17, § 1o, incisos I e II, portanto, elas não podem ser negociadas em mercado de valores mobiliários. As ações de CLASSE “C” não possuem direito de voto, mas têm direito de serem incluídas na oferta pública de alienação de controle, portanto, elas PODEM SER NEGOCIADAS EM MERCADO DE VALORES MOBILIÁRIOS (alternativa “E”). Estabelece a Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 17. As preferências ou vantagens das ações preferenciais podem consistir: I - em prioridade na distribuição de dividendo, fixo ou mínimo; (CLASSES “B” e “C”) II - em prioridade no reembolso do capital, com prêmio ou sem ele; ou (CLASSE “A”) III - na acumulação das preferências e vantagens de que tratam os incisos I e II. § 1o Independentemente do direito de receber ou não o valor de reembolso do capital com prêmio ou sem ele, as ações preferenciais sem direito de voto ou com restrição ao exercício deste direito, somente serão admitidas à negociação no mercado de valores mobiliários se a elas for atribuída pelo menos uma das seguintes preferências ou vantagens: I - direito de participar do dividendo a ser distribuído, correspondente a, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) do lucro líquido do exercício, calculado na forma do art. 202, de acordo com o seguinte critério: a) prioridade no recebimento dos dividendos mencionados neste inciso correspondente a, no mínimo, 3% (três por cento) do valor do patrimônio líquido da ação; e b) direito de participar dos lucros distribuídos em igualdade de condições com as ordinárias, depois de a estas assegurado dividendo igual ao mínimo prioritário estabelecido em conformidade com a alínea a; ou II - direito ao recebimento de dividendo, por ação preferencial, pelo menos 10% (dez por cento) maior do que o atribuído a cada ação ordinária; ou DIREITO EMPRESARIAL 86 III - direito de serem incluídas na oferta pública de alienação de controle, nas condições previstas no art. 254-A, assegurado o dividendo pelo menos igual ao das ações ordinárias. (CLASSE “C”) § 2o Deverão constar do estatuto, com precisão e minúcia, outras preferências ou vantagens que sejam atribuídas aos acionistas sem direito a voto, ou com voto restrito, além das previstas neste artigo. § 3o Os dividendos, ainda que fixos ou cumulativos, não poderão ser distribuídos em prejuízo do capital social, salvo quando, em caso de liquidação da companhia, essa vantagem tiver sido expressamente assegurada. § 4o Salvo disposição em contrário no estatuto, o dividendo prioritário não é cumulativo, a ação com dividendo fixo não participa dos lucros remanescentes e a ação com dividendo mínimo participa dos lucros distribuídos em igualdade de condições com as ordinárias, depois de a estas assegurado dividendo igual ao mínimo. § 5o Salvo no caso de ações com dividendo fixo, o estatuto não pode excluir ou restringir o direito das ações preferenciais de participar dos aumentos de capital decorrentes da capitalização de reservas ou lucros (art. 169). § 6o O estatuto pode conferir às ações preferenciais com prioridade na distribuição de dividendo cumulativo, o direito de recebê-lo, no exercício em que o lucro for insuficiente, à conta das reservas de capital de que trata o § 1o do art. 182. § 7o Nas companhias objeto de desestatização poderá ser criada ação preferencial de classe especial, de propriedade exclusiva do ente desestatizante, à qual o estatuto social poderá conferir os poderes que especificar, inclusive o poder de veto às deliberações da assembléia-geral nas matérias que especificar.” Gabarito: E. QUESTÃO 12 - CESPE - ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCE-TO - 2009 Considera-se empresária a sociedade por ações, como a sociedade anônima. A sociedade anônima (S/A) é uma sociedade por ações, que, por convenção legal, será sempre empresária, de acordo com o Código Civil: DIREITO EMPRESARIAL 87 “Art. 982. ............................................................................... Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa.” Gabarito: Certo. QUESTÃO 13 - CESPE - JUIZ DO TRABALHO - TRT 1A REGIÃO - 2010 A sociedade anônima que tem por objeto social atividades eminentemente rurais deve ser constituída na forma societária simples. É verdade que, quando se tratar de atividade empresarial rural, o registro societário dos atos constitutivos deve feito na Junta Comercial. Ocorre que a companhia será sempre empresarial, independentemente do objeto. Código Civil: “Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa. ............................... Art. 984. A sociedade que tenha por objeto o exercício de atividade própria de empresário rural e seja constituída, ou transformada, de acordo com um dos tipos de sociedade empresária, pode, com as formalidades do art. 968, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da sua sede, caso em que, depois de inscrita, ficará equiparada, para todos os efeitos, à sociedade empresária. Parágrafo único. Embora já constituída a sociedade segundo um daqueles tipos, o pedido de inscrição se subordinará, no que for aplicável, às normas que regem a transformação.” Gabarito: Errado. DIREITO EMPRESARIAL 88 QUESTÃO 14 - CESPE - OAB - 2009 A sociedade anônima pode adotar a forma simples, desde que o seu objeto social compreenda atividades tipicamente civis. Ao contrário, as sociedades simples (que explorem atividades tipicamente civis) é que podem adotar a forma (melhor ainda dizendo, o tipo) de sociedade anônima (S/A), com base no art. 982, caput, do Código Civil. Toda e qualquer sociedade por ação, independentemente do objeto, é uma sociedade empresária. Código Civil: “Art. 982. ............................................................................... Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa.” Gabarito: Errado. QUESTÃO 15 - CESPE - TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS - TJ-RR - 2013 A constituição da companhia por subscrição particular do capital pode ser feita por deliberação dos subscritores em assembleia-geral ou por escritura pública, considerando-se fundadores todos os subscritores. Essa representação na escritura pública por procurador com poderes especiais é chamada pela doutrina de serviços de underwriting. DIREITO EMPRESARIAL 89 Observe novamente as possibilidades de constituição de uma companhia descritas nos quadros abaixo, e note as diferenças! Porém, note que o art. 88, § 2o, da LSA, não admitiu a subscrição por meio de procuração. Esse é o detalhe que torna falsa a proposição. a) Subscrição Pública: • Registro prévio: depende de prévio registro da emissão na Comissão de Valores Mobiliários (CVM); • Intermediação obrigatória: deve ser feita somente ser efetuada com a intermediação de INSTITUIÇÃO FINANCEIRA! b) Subscrição Particular: • Deliberação em assembleia geral: pode ser feita por deliberação dos subscritores em assembleia geral; • Escritura pública dos fundadores: pode ser feita, também, por intermédio de ESCRITURA PÚBLICA, considerando-se fundadores todos os subscritores. Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 82. A constituição de companhia porsubscrição pública depende do prévio registro da emissão na Comissão de Valores Mobiliários, e a subscrição somente poderá ser efetuada com a intermediação de instituição financeira. § 1o O pedido de registro de emissão obedecerá às normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários e será instruído com: a) o estudo de viabilidade econômica e financeira do empreendimento; b) o projeto do estatuto social; c) o prospecto, organizado e assinado pelos fundadores e pela instituição financeira intermediária. DIREITO EMPRESARIAL 90 § 2o A Comissão de Valores Mobiliários poderá condicionar o registro a modificações no estatuto ou no prospecto e denegá-lo por inviabilidade ou temeridade do empreendimento, ou inidoneidade dos fundadores. ............................ Art. 88. A constituição da companhia por subscrição particular do capital pode fazer- se por deliberação dos subscritores em assembléia-geral ou por escritura pública, considerando-se fundadores todos os subscritores. § 1o Se a forma escolhida for a de assembléia-geral, observar-se-á o disposto nos artigos 86 e 87, devendo ser entregues à assembléia o projeto do estatuto, assinado em duplicata por todos os subscritores do capital, e as listas ou boletins de subscrição de todas as ações. § 2o Preferida a escritura pública, será ela assinada por todos os subscritores, e conterá: a) a qualificação dos subscritores, nos termos do artigo 85; b) o estatuto da companhia; c) a relação das ações tomadas pelos subscritores e a importância das entradas pagas; d) a transcrição do recibo do depósito referido no número III do artigo 80; e) a transcrição do laudo de avaliação dos peritos, caso tenha havido subscrição do capital social em bens (artigo 8o); f) a nomeação dos primeiros administradores e, quando for o caso, dos fiscais.” Gabarito: Errado. QUESTÃO 16 - CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA - STJ - 2012 Os responsáveis por empresa criada por decisão de assembleia geral ou mediante escritura pública devem arquivar no registro do comércio um exemplar do estatuto social assinado por todos os subscritores e a relação completa dos subscritores autenticada pelos fundadores, entre outros documentos. DIREITO EMPRESARIAL 91 A proposição descreve o modo de subscrição particular. E, nesse caso, os subscritores serão os fundadores. Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 88. A constituição da companhia por subscrição particular do capital pode fazer-se por deliberação dos subscritores em assembléia-geral ou por escritura pública, considerando-se fundadores todos os subscritores. § 1o Se a forma escolhida for a de assembléia-geral, observar-se-á o disposto nos artigos 86 e 87, devendo ser entregues à assembléia o projeto do estatuto, assinado em duplicata por todos os subscritores do capital, e as listas ou boletins de subscrição de todas as ações. § 2o Preferida a escritura pública, será ela assinada por todos os subscritores, e conterá: a) a qualificação dos subscritores, nos termos do artigo 85; b) o estatuto da companhia; c) a relação das ações tomadas pelos subscritores e a importância das entradas pagas; d) a transcrição do recibo do depósito referido no número III do artigo 80; e) a transcrição do laudo de avaliação dos peritos, caso tenha havido subscrição do capital social em bens (artigo 8o); f) a nomeação dos primeiros administradores e, quando for o caso, dos fiscais.” Gabarito: Errado. QUESTÃO 17 - CESPE - JUIZ - TJ-PI - 2012 Para a constituição da sociedade anônima, são necessárias a subscrição, por pelo menos três pessoas, de todas as ações em que se divide o capital social e a realização, como entrada, de 30%, no mínimo, do preço de emissão das ações subscritas em dinheiro. DIREITO EMPRESARIAL 92 As quantidades estão erradas, para menos e para mais. Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 80. A constituição da companhia depende do cumprimento dos seguintes requisitos preliminares: I - subscrição, pelo menos por 2 (duas) pessoas, de todas as ações em que se divide o capital social fixado no estatuto; II - realização, como entrada, de 10% (dez por cento), no mínimo, do preço de emissão das ações subscritas em dinheiro; III - depósito, no Banco do Brasil S/A., ou em outro estabelecimento bancário autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários, da parte do capital realizado em dinheiro. Parágrafo único. O disposto no número II não se aplica às companhias para as quais a lei exige realização inicial de parte maior do capital social.” Gabarito: Errado. QUESTÃO 18 - CESPE - TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS - TJ-RR - 2013 A exigência de integralização do capital social não se aplica à participação de incapaz em sociedades anônimas e em sociedades com sócios de responsabilidade ilimitada nas quais a integralização do capital social não influa na proteção do incapaz. Código Civil: “Art. 974. ..................................................................................... .......................................... § 3o O Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais deverá registrar contratos ou alterações contratuais de sociedade que envolva sócio incapaz, desde que atendidos, de forma conjunta, os seguintes pressupostos: DIREITO EMPRESARIAL 93 I – o sócio incapaz não pode exercer a administração da sociedade; II – o capital social deve ser totalmente integralizado; III – o sócio relativamente incapaz deve ser assistido e o absolutamente incapaz deve ser representado por seus representantes legais.” Agora, vejamos o Enunciado do CJF, em matéria de Direito de Empresa, que embasou a resposta do gabarito: Enunciado n. 466, do CJF: “Art. 974, § 3o. A exigência de integralização do capital social prevista no art. 974, § 3o, não se aplica à participação de incapazes em sociedades anônimas e em sociedades com sócios de responsabilidade ilimitada nas quais a integralização do capital social não influa na proteção do incapaz.” Gabarito: Certo. QUESTÃO 19 - CESPE - JUIZ - TJ-PI - 2012 O capital social das sociedades anônimas pode ser formado por dinheiro ou bens imóveis, e estes últimos serão avaliados por dois peritos nomeados em assembleia geral dos subscritores, convocada por meio da imprensa e presidida por um dos fundadores, instalando-se em primeira convocação com a presença de subscritores que representem dois terços do capital social. A banca inseriu quantidades equivocadas. O certo é a avaliação por três peritos (e não dois!) e a primeira convocação deverá contar com a presença de subscritores que representem pelo menos a metade do capital social (e não dois terços!)! Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 7o O capital social poderá ser formado com contribuições em dinheiro ou em qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro. DIREITO EMPRESARIAL 94 Art. 8o A avaliação dos bens será feita por 3 (três) peritos ou por empresa especializada, nomeados em assembléia-geral dos subscritores, convocada pela imprensa e presidida por um dos fundadores, instalando-se em primeira convocação com a presença desubscritores que representem metade, pelo menos, do capital social, e em segunda convocação com qualquer número.” Gabarito: Errado. QUESTÃO 20 - CESPE - PROCURADOR - TC-DF - 2013 O estatuto social da companhia não pode excluir ou restringir o direito dos acionistas preferenciais de participar dos aumentos de capital decorrentes da capitalização de reservas ou lucros, salvo no caso deacionistas portadores de ações com dividendo fixo. Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 17. As preferências ou vantagens das ações preferenciais podem consistir: I - em prioridade na distribuição de dividendo, fixo ou mínimo; II - em prioridade no reembolso do capital, com prêmio ou sem ele; ou III - na acumulação das preferências e vantagens de que tratam os incisos I e II. ........................ § 5o Salvo no caso de ações com dividendo fixo, o estatuto não pode excluir ou restringir o direito das ações preferenciais de participar dos aumentos de capital decorrentes da capitalização de reservas ou lucros (art. 169). ..................... Art. 169. O aumento mediante capitalização de lucros ou de reservas importará alteração do valor nominal das ações ou distribuições das ações novas, correspondentes ao aumento, entre acionistas, na proporção do número de ações que possuírem. § 1o Na companhia com ações sem valor nominal, a capitalização de lucros ou de reservas poderá ser efetivada sem modificação do número de ações. DIREITO EMPRESARIAL 95 § 2o Às ações distribuídas de acordo com este artigo se estenderão, salvo cláusula em contrário dos instrumentos que os tenham constituído, o usufruto, o fideicomisso, a inalienabilidade e a incomunicabilidade que porventura gravarem as ações de que elas forem derivadas. § 3o As ações que não puderem ser atribuídas por inteiro a cada acionista serão vendidas em bolsa, dividindo-se o produto da venda, proporcionalmente, pelos titulares das frações; antes da venda, a companhia fixará prazo não inferior a 30 (trinta) dias, durante o qual os acionistas poderão transferir as frações de ação.” Gabarito: Certo. QUESTÃO 21 - CESPE - PROCURADOR - TC-DF - 2013 O reembolso é a operação pela qual, nos casos previstos em lei, a companhia paga aos acionistas dissidentes de deliberação da assembleia geral o valor de suas ações, ao passo que o resgate consiste no pagamento do valor das ações para retirá-las definitivamente de circulação. a) Resgate: • Retira ações de circulação: é o pagamento do valor das ações para retirá-las definitivamente de circulação; • Consequências para o capital: poderá haver redução ou não do capital social. Em caso de ser mantido o mesmo capital, será atribuído, quando for o caso, novo valor nominal às ações remanescentes! b) Reembolso: • Pagamento aos dissidentes: nos casos previstos em lei, a companhia paga aos acionistas dissidentes de deliberação da assembléia-geral o valor de suas ações. DIREITO EMPRESARIAL 96 Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 44. O estatuto ou a assembléia-geral extraordinária pode autorizar a aplicação de lucros ou reservas no resgate ou na amortização de ações, determinando as condições e o modo de proceder-se à operação. § 1o O resgate consiste no pagamento do valor das ações para retirá-las definitivamente de circulação, com redução ou não do capital social, mantido o mesmo capital, será atribuído, quando for o caso, novo valor nominal às ações remanescentes. ................................. Art. 45. O reembolso é a operação pela qual, nos casos previstos em lei, a companhia paga aos acionistas dissidentes de deliberação da assembléia-geral o valor de suas ações.” Gabarito: Certo. QUESTÃO 22 - CESPE - PROCURADOR - TC-DF - 2013 As ações preferenciais são reconhecidas como valores mobiliários que outorgam ao seu titular vantagens e outras preferências, tais como a prioridade na distribuição de dividendo fixo ou mínimo, de reembolso de capital e de direito a voto. No caso, o direito a voto não é previsto entre as preferências ou vantagens. Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 17. As preferências ou vantagens das ações preferenciais podem consistir: I - em prioridade na distribuição de dividendo, fixo ou mínimo; II - em prioridade no reembolso do capital, com prêmio ou sem ele; ou III - na acumulação das preferências e vantagens de que tratam os incisos I e II.” Gabarito: Errado. DIREITO EMPRESARIAL 97 QUESTÃO 23 - CESPE - TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS - TJ-RR - 2013 Quanto aos direitos e obrigações, as ações classificam-se como ordinárias, preferenciais ou de fruição, sendo as ações ordinárias da companhia fechada e as ações preferenciais da companhia aberta e fechada apenas de uma classe. A LSA prevê que as ações ordinárias da companhia fechada e as ações preferenciais da companhia aberta e fechada poderão ser de uma ou mais classes. Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 15. As ações, conforme a natureza dos direitos ou vantagens que confiram a seus titulares, são ordinárias, preferenciais, ou de fruição. § 1o As ações ordinárias da companhia fechada e as ações preferenciais da companhia aberta e fechada poderão ser de uma ou mais classes. § 2o O número de ações preferenciais sem direito a voto, ou sujeitas a restrição no exercício desse direito, não pode ultrapassar 50% (cinqüenta por cento) do total das ações emitidas.” Gabarito: Errado. QUESTÃO 24 - CESPE - TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS - TJ-RR - 2013 Na sistemática da legislação acionária, admite-se a emissão de ações sem valor nominal, cujo preço será fixado, na constituição da companhia, pelos fundadores e, no aumento de capital, pela assembleia-geral ou pelo conselho de administração, vedando-se, contudo, a emissão de novas ações emitidas pela companhia com valor superior ao valor nominal. DIREITO EMPRESARIAL 98 Está correto dizer que “Na sistemática da legislação acionária, admite-se a emissão de ações sem valor nominal, cujo preço será fixado, na constituição da companhia, pelos fundadores e, no aumento de capital, pela assembleia-geral ou pelo conselho de administração”. Todavia, é vedada a emissão de novas ações emitidas pela companhia com valor inferior ao valor nominal. Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 11. O estatuto fixará o número das ações em que se divide o capital social e estabelecerá se as ações terão, ou não, valor nominal. § 1o Na companhia com ações sem valor nominal, o estatuto poderá criar uma ou mais classes de ações preferenciais com valor nominal. § 2o O valor nominal será o mesmo para todas as ações da companhia. § 3o O valor nominal das ações de companhia aberta não poderá ser inferior ao mínimo fixado pela Comissão de Valores Mobiliários. ......................... Art. 13. É vedada a emissão de ações por preço inferior ao seu valor nominal. § 1o A infração do disposto neste artigo importará nulidade do ato ou operação e responsabilidade dos infratores, sem prejuízo da ação penal que no caso couber. § 2o A contribuição do subscritor que ultrapassar o valor nominal constituirá reserva de capital (artigo 182, § 1o). Art. 14. O preço de emissão das ações sem valor nominal será fixado, na constituição da companhia, pelos fundadores, e no aumento de capital, pela assembléia-geral ou pelo conselho de administração (artigos 166 e 170, § 2o). Parágrafo único. O preço de emissão pode ser fixado com parte destinada à formação de reserva de capital; na emissão de ações preferenciais com prioridade no reembolso do capital, somente a parcela que ultrapassar o valor de reembolso poderá ter essa destinação.” Gabarito: Errado. DIREITO EMPRESARIAL 99 QUESTÃO 25 - CESPE - DEFENSOR PÚBLICO - DPE-RO - 2012 Valor de negociação ou de mercado é o resultado de estudo específico no qual peritos verificam o valor que as ações possivelmente alcançariam se fossem negociadas no mercado. A banca apontouo conceito de valor econômico da ação. O valor de negociação da ação é livremente obtido mediante: • negociação privada: fora da bolsa de valores; ou • negociação em mercado de capitais: na bolsa de valores ou no mercado de balcão. Gabarito: Errado. QUESTÃO 26 - CESPE - JUIZ - TJ-PI - 2012 Nos certificados das ações devem constar a denominação da companhia, sua sede e prazo de duração, e a omissão dessas declarações confere ao acionista direito a indenização por perdas e danos contra a companhia e contra os diretores na gestão dos quais os certificados hajam sido emitidos. Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 24. Os certificados das ações serão escritos em vernáculo e conterão as seguintes declarações: I - denominação da companhia, sua sede e prazo de duração; II - o valor do capital social, a data do ato que o tiver fixado, o número de ações em que se divide e o valor nominal das ações, ou a declaração de que não têm valor nominal; DIREITO EMPRESARIAL 100 III - nas companhias com capital autorizado, o limite da autorização, em número de ações ou valor do capital social; IV - o número de ações ordinárias e preferenciais das diversas classes, se houver, as vantagens ou preferências conferidas a cada classe e as limitações ou restrições a que as ações estiverem sujeitas; V - o número de ordem do certificado e da ação, e a espécie e classe a que pertence; VI - os direitos conferidos às partes beneficiárias, se houver; VII - a época e o lugar da reunião da assembléia-geral ordinária; VIII - a data da constituição da companhia e do arquivamento e publicação de seus atos constitutivos; IX - o nome do acionista; X - o débito do acionista e a época e o lugar de seu pagamento, se a ação não estiver integralizada; XI - a data da emissão do certificado e as assinaturas de dois diretores, ou do agente emissor de certificados (art. 27). § 1o A omissão de qualquer dessas declarações dá ao acionista direito à indenização por perdas e danos contra a companhia e os diretores na gestão dos quais os certificados tenham sido emitidos. § 2o Os certificados de ações emitidas por companhias abertas podem ser assinados por dois mandatários com poderes especiais, ou autenticados por chancela mecânica, observadas as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários.” Gabarito: Certo. QUESTÃO 27 - CESPE - JUIZ - TRF 2a REGIÃO - 2011 No que se refere à forma de transferência ou circulação, as ações podem ser classificadas em nominativas escriturais e nominativas registradas: as nominativas escriturais são mantidas em conta de depósito em nome de seus titulares, em instituição financeira designada pela companhia e autorizada pela Comissão de DIREITO EMPRESARIAL 101 Valores Mobiliários; as nominativas registradas são aquelas cujo título de propriedade se comprova mediante contrato de compra e venda, recibo ou declaração. Quanto à forma de transferência ou circulação, as ações podem ser classificadas em nominativas ou escriturais. Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 31. A propriedade das ações nominativas presume-se pela inscrição do nome do acionista no livro de "Registro de Ações Nominativas" ou pelo extrato que seja fornecido pela instituição custodiante, na qualidade de proprietária fiduciária das ações. § 1o A transferência das ações nominativas opera-se por termo lavrado no livro de "Transferência de Ações Nominativas", datado e assinado pelo cedente e pelo cessionário, ou seus legítimos representantes. § 2o A transferência das ações nominativas em virtude de transmissão por sucessão universal ou legado, de arrematação, adjudicação ou outro ato judicial, ou por qualquer outro título, somente se fará mediante averbação no livro de "Registro de Ações Nominativas", à vista de documento hábil, que ficará em poder da companhia. § 3o Na transferência das ações nominativas adquiridas em bolsa de valores, o cessionário será representado, independentemente de instrumento de procuração, pela sociedade corretora, ou pela caixa de liquidação da bolsa de valores. ...................... Art. 34. O estatuto da companhia pode autorizar ou estabelecer que todas as ações da companhia, ou uma ou mais classes delas, sejam mantidas em contas de depósito, em nome de seus titulares, na instituição que designar, sem emissão de certificados. § 1o No caso de alteração estatutária, a conversão em ação escritural depende da apresentação e do cancelamento do respectivo certificado em circulação. § 2o Somente as instituições financeiras autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários podem manter serviços de escrituração de ações e de outros valores mobiliários. § 3o A companhia responde pelas perdas e danos causados aos interessados por erros ou irregularidades no serviço de ações escriturais, sem prejuízo do eventual direito de regresso contra a instituição depositária. DIREITO EMPRESARIAL 102 Art. 35. A propriedade da ação escritural presume-se pelo registro na conta de depósito das ações, aberta em nome do acionista nos livros da instituição depositária. § 1o A transferência da ação escritural opera-se pelo lançamento efetuado pela instituição depositária em seus livros, a débito da conta de ações do alienante e a crédito da conta de ações do adquirente, à vista de ordem escrita do alienante, ou de autorização ou ordem judicial, em documento hábil que ficará em poder da instituição. § 2o A instituição depositária fornecerá ao acionista extrato da conta de depósito das ações escriturais, sempre que solicitado, ao término de todo mês em que for movimentada e, ainda que não haja movimentação, ao menos uma vez por ano. § 3o O estatuto pode autorizar a instituição depositária a cobrar do acionista o custo do serviço de transferência da propriedade das ações escriturais, observados os limites máximos fixados pela Comissão de Valores Mobiliários.” Gabarito: Errado. QUESTÃO 28 - CESPE - JUIZ DO TRABALHO - TRT 1A REGIÃO - 2010 Por ser titular de direitos de sócio que lhe asseguram, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembleia-geral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia, o acionista controlador não pode ser responsabilizado por danos que causar à companhia por abuso de poder, uma vez que seus interesses e os da companhia são necessariamente convergentes. Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 117. O acionista controlador responde pelos danos causados por atos praticados com abuso de poder. § 1o São modalidades de exercício abusivo de poder: a) orientar a companhia para fim estranho ao objeto social ou lesivo ao interesse nacional, ou levá-la a favorecer outra sociedade, brasileira ou estrangeira, em prejuízo da participação dos acionistas minoritários nos lucros ou no acervo da companhia, ou da economia nacional; DIREITO EMPRESARIAL 103 b) promover a liquidação de companhia próspera, ou a transformação, incorporação, fusão ou cisão da companhia, com o fim de obter, para si ou para outrem, vantagem indevida, em prejuízo dos demais acionistas, dos que trabalham na empresa ou dos investidores em valores mobiliários emitidos pela companhia; c) promover alteração estatutária, emissão de valores mobiliários ou adoção de políticas ou decisões que não tenham por fim o interesse da companhia e visem a causar prejuízo a acionistas minoritários, aos que trabalham na empresa ou aos investidores em valores mobiliários emitidos pela companhia; d) eleger administrador ou fiscal que sabe inapto, moral ou tecnicamente; e) induzir, ou tentar induzir, administrador ou fiscal a praticar ato ilegal,ou, descumprindo seus deveres definidos nesta Lei e no estatuto, promover, contra o interesse da companhia, sua ratificação pela assembléia-geral; f) contratar com a companhia, diretamente ou através de outrem, ou de sociedade na qual tenha interesse, em condições de favorecimento ou não equitativas; g) aprovar ou fazer aprovar contas irregulares de administradores, por favorecimento pessoal, ou deixar de apurar denúncia que saiba ou devesse saber procedente, ou que justifique fundada suspeita de irregularidade. h) subscrever ações, para os fins do disposto no art. 170, com a realização em bens estranhos ao objeto social da companhia. § 2o No caso da alínea e do § 1o, o administrador ou fiscal que praticar o ato ilegal responde solidariamente com o acionista controlador. § 3o O acionista controlador que exerce cargo de administrador ou fiscal tem também os deveres e responsabilidades próprios do cargo.” Gabarito: Errado. QUESTÃO 29 - CESPE - OAB - 2010 De acordo com o que dispõe a Lei das Sociedades por Ações, as ações, conforme a natureza dos direitos ou vantagens que confiram a seus titulares, podem ser ordinárias, preferenciais ou de fruição. As ações de fruição DIREITO EMPRESARIAL 104 a) constituem títulos que podem ser atribuídos aos acionistas após suas ações serem integralmente amortizadas. b) conferem aos titulares apenas os direitos comuns de acionista sem quaisquer privilégios ou vantagens. c) conferem ao titular algum privilégio ou vantagem de ordem patrimonial, sem que, entretanto, o acionista tenha direito de participação nos lucros reais. d) são tipicamente usadas por acionistas especuladores, ou por aqueles que não têm interesse na gestão da sociedade. As ações de fruição constituem títulos que podem ser atribuídos aos acionistas após suas ações serem integralmente amortizadas. Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 44. O estatuto ou a assembleia geral extraordinária pode autorizar a aplicação de lucros ou reservas no resgate ou na amortização de ações, determinando as condições e o modo de proceder-se à operação. ......................................... § 2o A amortização consiste na distribuição aos acionistas, a título de antecipação e sem redução do capital social, de quantias que lhes poderiam tocar em caso de liquidação da companhia. ......................................... § 5o As ações integralmente amortizadas poderão ser substituídas por ações de fruição, com as restrições fixadas pelo estatuto ou pela assembleia geral que deliberar a amortização; em qualquer caso, ocorrendo liquidação da companhia, as ações amortizadas só concorrerão ao acervo líquido depois de assegurado às ações não amortizadas valor igual ao da amortização, corrigido monetariamente.” O citado artigo da Lei das SA não faz as distinções mencionadas nas Letra B e C, que estão, portanto, erradas. DIREITO EMPRESARIAL 105 Letra D, errada. Vejamos bem que, por um motivo qualquer, o acionista poderá pedir essa liquidação antecipada, como, por exemplo, estar precisando de dinheiro naquele dado momento. Gabarito: A. QUESTÃO 30 - CESPE - JUIZ - TJ-PI - 2012 Compete à sociedade anônima emitir partes beneficiárias que confiram aos titulares direito de crédito determinado contra ela, nas condições constantes da escritura de emissão e, se houver, do certificado. A banca descreveu parcialmente a previsão legal de partes beneficiárias. O erro está no cálculo: o direito de crédito contra a companhia deve basear-se na participação dos lucros anuais. Em verdade, no caso das debêntures é que seus titulares terão direito de crédito contra ela, nas condições constantes da escritura de emissão e, se houver, do certificado. Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 46. A companhia pode criar, a qualquer tempo, títulos negociáveis, sem valor nominal e estranhos ao capital social, denominados "partes beneficiárias". § 1o As partes beneficiárias conferirão aos seus titulares direito de crédito eventual contra a companhia, consistente na participação nos lucros anuais (artigo 190). § 2o A participação atribuída às partes beneficiárias, inclusive para formação de reserva para resgate, se houver, não ultrapassará 0,1 (um décimo) dos lucros. § 3o É vedado conferir às partes beneficiárias qualquer direito privativo de acionista, salvo o de fiscalizar, nos termos desta Lei, os atos dos administradores. § 4o É proibida a criação de mais de uma classe ou série de partes beneficiárias. DIREITO EMPRESARIAL 106 ..................... Art. 52. A companhia poderá emitir debêntures que conferirão aos seus titulares direito de crédito contra ela, nas condições constantes da escritura de emissão e, se houver, do certificado.” Gabarito: Errado. QUESTÃO 31 - CESPE - ANALISTA LEGISLATIVO - CÂMARA DOS DEPUTADOS - 2014 Julgue o próximo item, relativo ao direito societário. Os juros sobre o capital próprio pagos pela companhia aos debenturistas têm, segundo a jurisprudência dominante, a natureza jurídica de dividendos. O STJ decidiu que juros de capital próprio investido não se confundem com dividendos: “TRIBUTÁRIO. COFINS. PIS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO QUE A PESSOA JURÍDICA INVESTE EM OUTRA EMPRESA. INCIDÊNCIA. 1. Os juros recebidos de capital próprio investido pela sociedade empresarial em outra empresa constituem receitas financeiras. 2. Juros de capital próprio investido não se confundem com dividendos. Entidade com configurações jurídicas e efeitos não assemelhados. Regime jurídico diferenciado a eles praticado. 3. As Leis ns. 10.637, de 2002, e 10.883, de 2003, determinam, expressamente, os acontecimentos negociais que não compõem a base de cálculo da Cofins e PIS. Inexiste previsão excluindo a receita dos juros sobre o capital próprio da referida base de cálculo. 4. Impossibilidade do Poder Judiciário criar situação de não-incidência tributária por interpretação analógica da lei. Obediência a princípio da legalidade. 5. Os juros sobre o capital próprio tem por finalidade remunerar o capital do investidor. São calculados sobre as contas do patrimônio líquido da pessoa jurídica. Os dividendos representam parcela do lucro distribuído pela empresa aos seus sócios. DIREITO EMPRESARIAL 107 Entidades que, pelas suas próprias características, não se confundem a que recebem tratamento tributário diferenciado. 6. Os juros recebidos por capital próprio empregado em outra empresa integram a receita bruta do favorecido. Incide sobre eles cofins e PIS. 7. Recurso especial não-provido.” (REsp 952.566-SC, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 18/7/2007, publicado em 25/2/2008). Gabarito:. Errado. QUESTÃO 32 - CESPE - TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS - TJ-RR - 2013 O vencimento da debênture deve constar da escritura de emissão e do certificado, podendo a companhia estipular amortizações parciais de cada série, criar fundos de amortização e reservar-se o direito de resgate antecipado, parcial ou total, dos títulos da mesma série; contudo, não poderá a debênture assegurar ao seu titular participação no lucro da companhia. Somente a primeira parte está correta (art. 55, “caput”, da Lei das Sociedades por Ações). Lembre-se que a debênture poderá assegurar ao seu titular: • juros, fixos ou variáveis; • participação no lucro da companhia; e • prêmio de reembolso! Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 55. A época do vencimento da debênture deverá constar da escritura de emissão e do certificado, podendo a companhia estipular amortizações parciais de cada série, criarfundos de amortização e reservar-se o direito de resgate antecipado, parcial ou total, dos títulos da mesma série. DIREITO EMPRESARIAL 108 ............. Art. 56. A debênture poderá assegurar ao seu titular juros, fixos ou variáveis, participação no lucro da companhia e prêmio de reembolso.” Gabarito: Errado. QUESTÃO 33 - CESPE - JUIZ - TJ-PI - 2012 A garantia flutuante conferida à debênture assegura privilégio geral sobre o ativo da companhia e impede a negociação dos bens que compõem esse ativo, diversamente do que ocorre com a garantia real. A garantia flutuante conferida à debênture assegura privilégio geral sobre o ativo da companhia, mas não impede a negociação dos bens que compõem esse ativo. Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 58. A debênture poderá, conforme dispuser a escritura de emissão, ter garantia real ou garantia flutuante, não gozar de preferência ou ser subordinada aos demais credores da companhia. § 1o A garantia flutuante assegura à debênture privilégio geral sobre o ativo da companhia, mas não impede a negociação dos bens que compõem esse ativo. § 2o As garantias poderão ser constituídas cumulativamente. § 3o As debêntures com garantia flutuante de nova emissão são preferidas pelas de emissão ou emissões anteriores, e a prioridade se estabelece pela data da inscrição da escritura de emissão; mas dentro da mesma emissão, as séries concorrem em igualdade. § 4o A debênture que não gozar de garantia poderá conter cláusula de subordinação aos credores quirografários, preferindo apenas aos acionistas no ativo remanescente, se houver, em caso de liquidação da companhia. § 5o A obrigação de não alienar ou onerar bem imóvel ou outro bem sujeito a registro de propriedade, assumida pela companhia na escritura de emissão, é oponível a terceiros, desde que averbada no competente registro. DIREITO EMPRESARIAL 109 § 6o As debêntures emitidas por companhia integrante de grupo de sociedades (artigo 265) poderão ter garantia flutuante do ativo de 2 (duas) ou mais sociedades do grupo.” Gabarito: Errado. QUESTÃO 34 - CESPE - JUIZ - TJ-PB - 2011 Mediante a emissão de debêntures, meio utilizado para a captação de recursos no mercado, os prestadores de capital tornam-se sócios da companhia. As debêntures são valores que apenas conferem a seus titulares direto de crédito contra a companhia. Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 52. A companhia poderá emitir debêntures que conferirão aos seus titulares direito de crédito contra ela, nas condições constantes da escritura de emissão e, se houver, do certificado.” Gabarito: Errado. QUESTÃO 35 - CESPE - JUIZ DO TRABALHO - TRT 1a REGIÃO - 2010 Por ser titular de direitos de sócio que lhe asseguram, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembleia-geral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia, o acionista controlador não pode ser responsabilizado por danos que causar à companhia por abuso de poder, uma vez que seus interesses e os da companhia são necessariamente convergentes. Somente com a prévia aprovação do BACEN, as companhias brasileiras poderão emitir debêntures no exterior com garantia real ou flutuante de bens situados no país. DIREITO EMPRESARIAL 110 Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 73. Somente com a prévia aprovação do Banco Central do Brasil as companhias brasileiras poderão emitir debêntures no exterior com garantia real ou flutuante de bens situados no País. § 1o Os credores por obrigações contraídas no Brasil terão preferência sobre os créditos por debêntures emitidas no exterior por companhias estrangeiras autorizadas a funcionar no País, salvo se a emissão tiver sido previamente autorizada pelo Banco Central do Brasil e o seu produto aplicado em estabelecimento situado no território nacional. § 2o Em qualquer caso, somente poderão ser remetidos para o exterior o principal e os encargos de debêntures registradas no Banco Central do Brasil. § 3o A emissão de debêntures no estrangeiro, além de observar os requisitos do artigo 62, requer a inscrição, no registro de imóveis, do local da sede ou do estabelecimento, dos demais documentos exigidos pelas leis do lugar da emissão, autenticadas de acordo com a lei aplicável, legalizadas pelo consulado brasileiro no exterior e acompanhados de tradução em vernáculo, feita por tradutor público juramentado; e, no caso de companhia estrangeira, o arquivamento no registro do comércio e publicação do ato que, de acordo com o estatuto social e a lei do local da sede, tenha autorizado a emissão. § 4o A negociação, no mercado de capitais do Brasil, de debêntures emitidas no estrangeiro, depende de prévia autorização da Comissão de Valores Mobiliários.” Gabarito: Errado. QUESTÃO 36 - CESPE - JUIZ DO TRABALHO - TRT 1a REGIÃO - 2010 Bônus de subscrição são valores mobiliários que conferem ao seu titular, nas condições constantes do certificado, direito de subscrever, em momento futuro, ações do capital social da companhia emissora. Lei n. 6.404, de 1976: DIREITO EMPRESARIAL 111 “Art. 75. A companhia poderá emitir, dentro do limite de aumento de capital autorizado no estatuto (artigo 168), títulos negociáveis denominados "Bônus de Subscrição". Parágrafo único. Os bônus de subscrição conferirão aos seus titulares, nas condições constantes do certificado, direito de subscrever ações do capital social, que será exercido mediante apresentação do título à companhia e pagamento do preço de emissão das ações.” Gabarito: Certo. QUESTÃO 37 – PROF. CARLOS ANTÔNIO BANDEIRA – PONTO DOS CONCURSOS – TURMA DE ELITE A Comissão de Valores Mobiliários (CVM autorizou as companhias a emissão dos chamados “commercial papers”, que são espécies de notas promissórias que servem para a captação de recursos no mercado de capitais, sendo restituídos aos investidores de curto prazo. Outra possibilidade de emissão pelas companhias é a do “commercial papers”, que são espécies de notas promissórias que servem para a captação de recursos no mercado de capitais, sendo restituídos aos investidores de curto prazo. a) Esse assunto é regido pela Instrução Normativa CVM n. 134, de 1o de novembro de 1990. b) Na verdade, a CVM não criou uma nova espécie de título, apenas regulamentou o uso das notas promissórias por companhias: • para companhias fechadas: 30 dias (mínimo), 180 dias (máximo); • para companhias abertas: 30 dias (mínimo), 360 dias (máximo); IN CVM no 134, de 1990: DIREITO EMPRESARIAL 112 “Art. 1o As companhias poderão emitir, para colocação pública, notas promissórias que conferirão a seus titulares direito de crédito contra a emitente. ............................................. Art. 7o O prazo de vencimento das notas promissórias, contado a partir da data da emissão, será de: (NR)* I - trinta dias, no mínimo, e cento e oitenta dias, no máximo, quando emitidas por companhia fechada; II - trinta dias, no mínimo, e trezentos e sessenta dias, no máximo, na hipótese de emissão por companhia aberta. §1o Na data de vencimento, a nota promissória deve ser liquidada. §2o A emissora pode, havendo anuência expressa do titular, resgatar antecipadamente as notas promissórias. §3o O resgate da nota promissória implica a extinção do título, vedada sua manutenção em tesouraria. §4o O resgate parcial deve ser efetivado mediante sorteio ou leilão, observado o prazo mínimo deste artigo. Art. 8o Para todos os fins e efeitos, a data de emissão das notas promissórias deverá ser a data de suaefetiva integralização, a qual será́ feita em moeda corrente, à vista, quando da subscrição.” Gabarito: Certo. QUESTÃO 38 - CESPE - PROCURADOR - AGU - 2010 Em assembleia realizada pelo órgão administrativo da pessoa jurídica Zeta S.A., foi deliberado a respeito da alienação de imóvel pertencente à empresa, ficando consignado que o imóvel seria transferido para Epta S.A., outra empresa do grupo a que pertence Zeta. Augusto, administrador participante da assembleia, não consentiu com a referida deliberação e solicitou que fosse oposta na ata a sua divergência. Nessa situação, sabendo-se que, de acordo com o estatuto social, a deliberação que tenha DIREITO EMPRESARIAL 113 por objeto a alienação de imóvel dependerá da anuência de, pelo menos, 50% dos acionistas, serão pessoalmente responsáveis pelos eventuais prejuízos que advierem dessa deliberação, com exceção de Augusto, todos os administradores partícipes da assembleia. Nessa situação, houve violação de regra do estatuto (necessidade de anuência de, pelo menos, metade dos acionistas para alienar imóvel, o que caracteriza o art. 158, inciso II, da LSA), e apenas o administrador Augusto não consentiu com a venda, o que foi registrado na ata da assembleia. Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 158. O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão; responde, porém, civilmente, pelos prejuízos que causar, quando proceder: I - dentro de suas atribuições ou poderes, com culpa ou dolo; II - com violação da lei ou do estatuto. § 1o O administrador não é responsável por atos ilícitos de outros administradores, salvo se com eles for conivente, se negligenciar em descobri-los ou se, deles tendo conhecimento, deixar de agir para impedir a sua prática. Exime-se de responsabilidade o administrador dissidente que faça consignar sua divergência em ata de reunião do órgão de administração ou, não sendo possível, dela dê ciência imediata e por escrito ao órgão da administração, no conselho fiscal, se em funcionamento, ou à assembléia-geral. § 2o Os administradores são solidariamente responsáveis pelos prejuízos causados em virtude do não cumprimento dos deveres impostos por lei para assegurar o funcionamento normal da companhia, ainda que, pelo estatuto, tais deveres não caibam a todos eles. § 3o Nas companhias abertas, a responsabilidade de que trata o § 2o ficará restrita, ressalvado o disposto no § 4o, aos administradores que, por disposição do estatuto, tenham atribuição específica de dar cumprimento àqueles deveres. § 4o O administrador que, tendo conhecimento do não cumprimento desses deveres por seu predecessor, ou pelo administrador competente nos termos do § 3º, deixar de comunicar o fato a assembléia-geral, tornar-se-á por ele solidariamente responsável. DIREITO EMPRESARIAL 114 § 5o Responderá solidariamente com o administrador quem, com o fim de obter vantagem para si ou para outrem, concorrer para a prática de ato com violação da lei ou do estatuto.” Gabarito: Certo. QUESTÃO 39 - CESPE - JUIZ DO TRABALHO - TRT 1a REGIÃO - 2010 Nas companhias abertas, as atribuições do conselho de administração, que é órgão social de constituição facultativa, podem ser conferidas ao conselho fiscal. Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 138. A administração da companhia competirá, conforme dispuser o estatuto, ao conselho de administração e à diretoria, ou somente à diretoria. § 1o O conselho de administração é órgão de deliberação colegiada, sendo a representação da companhia privativa dos diretores. § 2o As companhias abertas e as de capital autorizado terão, obrigatoriamente, conselho de administração. Art. 139. As atribuições e poderes conferidos por lei aos órgãos de administração não podem ser outorgados a outro órgão, criado por lei ou pelo estatuto.” Gabarito: Errado. QUESTÃO 40 - CESPE - PROCURADOR - TC-DF - 2013 O conselho fiscal é órgão da companhia responsável pela missão precípua de fiscalização, sendo, portanto, órgão de existência facultativa. Guarde bem que: a) Existência: a existência do Conselho Fiscal da companhia é obrigatória; DIREITO EMPRESARIAL 115 b) Funcionamento: poderá ser facultativo, a depender do que for estabelecido no estatuto, que poderá prever: • seu funcionamento permanente; ou • depender de solicitação dos acionistas! Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 161. A companhia terá um conselho fiscal e o estatuto disporá sobre seu funcionamento, de modo permanente ou nos exercícios sociais em que for instalado a pedido de acionistas. § 1o O conselho fiscal será composto de, no mínimo, 3 (três) e, no máximo, 5 (cinco) membros, e suplentes em igual número, acionistas ou não, eleitos pela assembléia- geral. § 2o O conselho fiscal, quando o funcionamento não for permanente, será instalado pela assembléia-geral a pedido de acionistas que representem, no mínimo, 0,1 (um décimo) das ações com direito a voto, ou 5% (cinco por cento) das ações sem direito a voto, e cada período de seu funcionamento terminará na primeira assembléia-geral ordinária após a sua instalação. § 3o O pedido de funcionamento do conselho fiscal, ainda que a matéria não conste do anúncio de convocação, poderá ser formulado em qualquer assembléia-geral, que elegerá os seus membros. § 4o Na constituição do conselho fiscal serão observadas as seguintes normas: a) os titulares de ações preferenciais sem direito a voto, ou com voto restrito, terão direito de eleger, em votação em separado, 1 (um) membro e respectivo suplente; igual direito terão os acionistas minoritários, desde que representem, em conjunto, 10% (dez por cento) ou mais das ações com direito a voto; b) ressalvado o disposto na alínea anterior, os demais acionistas com direito a voto poderão eleger os membros efetivos e suplentes que, em qualquer caso, serão em número igual ao dos eleitos nos termos da alínea a, mais um. § 5o Os membros do conselho fiscal e seus suplentes exercerão seus cargos até a primeira assembléia-geral ordinária que se realizar após a sua eleição, e poderão ser reeleitos. DIREITO EMPRESARIAL 116 § 6o Os membros do conselho fiscal e seus suplentes exercerão seus cargos até a primeira assembléia-geral ordinária que se realizar após a sua eleição, e poderão ser reeleitos. § 7o A função de membro do conselho fiscal é indelegável.” Gabarito: Errado. QUESTÃO 41 - CESPE - JUIZ FEDERAL - TRF 3a REGIÃO - 2011 Uma das características do mundo globalizado é a adoção de normas internacionais em diversos setores da sociedade. Na área da contabilidade, por exemplo, houve, nos últimos anos, alterações significativas introduzidas pela Lei das Sociedades por Ações. No que se refere à classificação dos componentes patrimoniais, assinale a opção correta com base nas normas legais atualmente aplicáveis. a) Os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte devem ser classificados no grupo “realizável a longo prazo”. b) O que antes era contabilizado no grupo “investimentos” passou a sê-lo no grupo “imobilizado”. c) O grupo “ativo imobilizado” manteve-se como parte do grupo “investimentos”. d) As despesas pré-operacionais devem ser registradas como parte do grupo “diferido”. e) Todos os ativos que não devam ser contabilizados no “ativo circulante” devem sê-lo no “ativo não circulante”. Lei n. 6.404, de 1976: DIREITO EMPRESARIAL 117 “Art. 178. No balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem,e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia. § 1o No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nelas registrados, nos seguintes grupos: I – ativo circulante; e II – ativo não circulante, composto por ativo realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível. § 2o No passivo, as contas serão classificadas nos seguintes grupos: I – passivo circulante; II – passivo não circulante; e III – patrimônio líquido, dividido em capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados. § 3o Os saldos devedores e credores que a companhia não tiver direito de compensar serão classificados separadamente.” Gabarito: E. QUESTÃO 42 - CESPE - TRF 2a REGIÃO - JUIZ - 2011 O modelo da sociedade anônima foi concebido originalmente para viabilizar grandes empreendimentos, constituindo instrumento próprio para a captação de recursos perante número expressivo de investidores. A companhia fechada de pequeno porte, mesmo que faça parte de um grupo de sociedades, como controladora ou filiada, está isenta de diversas obrigações comuns às demais sociedades. Contudo, não está dispensada de publicar os documentos da administração, tais como o relatório sobre os negócios sociais e os principais fatos DIREITO EMPRESARIAL 118 administrativos do exercício, as demonstrações financeiras e o parecer dos auditores independentes, ainda que tais documentos sejam arquivados no registro do comércio. Os deveres de publicação descritos no art. 133, da LSA, só podem ser substituídos por cópias autenticadas, arquivados no registro de comércio juntamente com a ata da assembléia que sobre eles deliberar. Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 133. Os administradores devem comunicar, até 1 (um) mês antes da data marcada para a realização da assembléia-geral ordinária, por anúncios publicados na forma prevista no artigo 124, que se acham à disposição dos acionistas: I - o relatório da administração sobre os negócios sociais e os principais fatos administrativos do exercício findo; II - a cópia das demonstrações financeiras; III - o parecer dos auditores independentes, se houver. IV - o parecer do conselho fiscal, inclusive votos dissidentes, se houver; e V - demais documentos pertinentes a assuntos incluídos na ordem do dia. § 1o Os anúncios indicarão o local ou locais onde os acionistas poderão obter cópias desses documentos. § 2o A companhia remeterá cópia desses documentos aos acionistas que o pedirem por escrito, nas condições previstas no § 3o do artigo 124. § 3o Os documentos referidos neste artigo, à exceção dos constantes dos incisos IV e V, serão publicados até 5 (cinco) dias, pelo menos, antes da data marcada para a realização da assembléia-geral. § 4o A assembléia-geral que reunir a totalidade dos acionistas poderá considerar sanada a falta de publicação dos anúncios ou a inobservância dos prazos referidos neste artigo; mas é obrigatória a publicação dos documentos antes da realização da assembléia. § 5o A publicação dos anúncios é dispensada quando os documentos a que se refere este artigo são publicados até 1 (um) mês antes da data marcada para a realização da assembléia-geral ordinária. .......................... DIREITO EMPRESARIAL 119 Art. 294. A companhia fechada que tiver menos de vinte acionistas, com patrimônio líquido inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), poderá: I - convocar assembléia-geral por anúncio entregue a todos os acionistas, contra- recibo, com a antecedência prevista no artigo 124; e II - deixar de publicar os documentos de que trata o artigo 133, desde que sejam, por cópias autenticadas, arquivados no registro de comércio juntamente com a ata da assembléia que sobre eles deliberar. § 1o A companhia deverá guardar os recibos de entrega dos anúncios de convocação e arquivar no registro de comércio, juntamente com a ata da assembléia, cópia autenticada dos mesmos. § 2o Nas companhias de que trata este artigo, o pagamento da participação dos administradores poderá ser feito sem observância do disposto no § 2o do artigo 152, desde que aprovada pela unanimidade dos acionistas. § 3o O disposto neste artigo não se aplica à companhia controladora de grupo de sociedade, ou a ela filiadas.” Gabarito: Errado. QUESTÃO 43 - CESPE - JUIZ - TJ-CE - 2012 A sociedade em comandita por ações, ao contrário das sociedades anônimas, não conta com conselho de administração, não pode ter capital autorizado, por meio de autorização estatutária, para aumento do capital social, e não pode emitir bônus de subscrição. Vejamos as seguintes distinções da sociedade em comandita por ações, que, ao contrário da sociedade anônima, não possui: • conselho de administração; • autorização estatutária de aumento de capital; e • emissão de bônus de subscrição. DIREITO EMPRESARIAL 120 `Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 284. Não se aplica à sociedade em comandita por ações o disposto nesta Lei sobre conselho de administração, autorização estatutária de aumento de capital e emissão de bônus de subscrição.” Gabarito: Certo. QUESTÃO 44 - CESPE - JUIZ - TJ-PB - 2011 Nas sociedades em comandita por ações, todos os sócios, incluindo-se o que exerça a função de diretor, respondem somente pelo valor das respectivas ações. Nas sociedades em comandita por ações (C/A), os sócios que exercem a função de diretor, respondem subsidiária, mas ilimitada e solidariamente: Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 282. Apenas o sócio ou acionista tem qualidade para administrar ou gerir a sociedade, e, como diretor ou gerente, responde, subsidiária mas ilimitada e solidariamente, pelas obrigações da sociedade. § 1o Os diretores ou gerentes serão nomeados, sem limitação de tempo, no estatuto da sociedade, e somente poderão ser destituídos por deliberação de acionistas que representem 2/3 (dois terços), no mínimo, do capital social. § 2o O diretor ou gerente que for destituído ou se exonerar continuará responsável pelas obrigações sociais contraídas sob sua administração.” Gabarito: Errado. QUESTÃO 45 - CESPE - JUIZ - TJ-PB - 2011 No que tange à responsabilidade dos acionistas, o tratamento dispensado pelo direito às sociedades anônimas e às em comandita por ações é exatamente o mesmo. DIREITO EMPRESARIAL 121 Sociedades em comandita por ações (C/A): a) sócios que exercem a função de administrador (gerente ou diretor), que são os comanditados: respondem subsidiária, mas ilimitada e solidariamente (art. 282, da LSA), ou seja, respondem com seu patrimônio pessoal para pagar as dívidas sociais, caso os bens da sociedade não seja, suficientes para honrar seus compromissos; b) sócios que não exercem a função de administrador, que são os comanditários: têm responsabilidade limitada ao valor das ações subscritas ou adquiridas (já integralizadas); Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 281. A sociedade poderá comerciar sob firma ou razão social, da qual só farão parte os nomes dos sócios-diretores ou gerentes. Ficam ilimitada e solidariamente responsáveis, nos termos desta Lei, pelas obrigações sociais, os que, por seus nomes, figurarem na firma ou razão social.” Sociedade Anônima (S/A): a responsabilidade do acionista é limitada ao preço das ações subscritas ou adquiridas (já integralizadas), de acordo com o art. 1o, da LSA. Por isso, após integralizada a ação, o acionista de S/A não terá responsabilidade adicional, nemmesmo em caso de falência. Gabarito: Errado.