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1 Alguns detalhes de formas de madeira para concreto. Boletim Técnico nº 50 - ABCP Fôrmas de Madeira para Concreto Armado em Edifícios Comuns A execução de estruturas de concreto armado exige a construção de fôrmas com dimensões internas correspondendo exatamente às das peças da estrutura projetada. A não ser em casos de peças de grandes vãos e grandes alturas cujas fôrmas exigem projetos e cálculos especiais - não se calculam, em geral, as fôrmas para estruturas de edifícios comuns, as quais são executadas de acordo com a prática, dos mestres de obra e superficialmente verificadas pelos construtores. 1. GENERALIDADES As fôrmas para concreto armado devem satisfazer aos seguintes requisitos de ordem geral: Ser executadas rigorosamente de acordo com as dimensões indicadas no projeto e ter a resistência necessária para não se deformarem sensivelmente sob a ação dos esforços que vão suportar, isto, é, sob a ação conjunta do peso próprio, do peso e pressão do concreto fresco, do peso das armaduras e das cargas acidentais. Nas peças de grande vão, devem ter a sobre-elevação necessária para compensar a deformação inevitável sob a ação das cargas. Ser praticamente estanques, condição esta de grande importância para que não haja perda de cimento arrastado pela água. Para esse fim, é preciso que as tábuas sejam bem alinhadas, para que se justaponham o melhor possível, e as fendas que apareçam sejam tomadas cuidadosamente com papel ou pano. Deverá merecer cuidado particular a ligação das tábuas que formem ângulos (arestas de vigas e de pilares, juntas de vigas com lajes, etc.). Ser construídas de forma que permita a retirada dos seus diversos elementos com relativa facilidade e, principalmente, sem choques. Para esse fim o seu escoramento deve apoiar-se sobre cunhas, caixas de areia ou outros dispositivos apropriados. Ser projetadas e executadas de modo que permita o maior número de utilizações das mesmas peças (1). Ser feitas com madeira aparelhada, nos casos em que o concreto deva constituir superfície aparente definitiva. Na execução dos trabalhos de concreto armado, deverão ser tomadas algumas precauções importantes, em seguida indicadas, para que a estrutura não seja prejudicada, quer no tocante à resistência, quer quanto ao aspecto exterior: Antes do lançamento do concreto as fôrmas devem ser limpas internamente; para esse fim, devem ser deixadas aberturas, denominadas "janelas", próximas ao fundo, nas fôrmas de pilares, paredes e vigas estreitas e profundas. Antes do lançamento do concreto as fôrmas devem ser molhadas até a saturação, para que não absorvam água necessária à pega do cimento. O escoamento da água em excesso, empregada para esse fim, far-se-á por furos convenientemente localizados (2). Na execução de estruturas localizadas abaixo do nível do solo ou contíguas a um paramento de terra, as fôrmas verticais (paredes, colunas, pilares) podem ser dispensadas desde que, pela consistência do terreno, não haja a temer desmoronamentos. Em caso contrário, devem ser feitos revestimentos de tijolos ou concreto magro. 2 Quando se deseje evitar a ligação de muitos ou pilares a construir, com outros já existentes, a face de contacto deverá ser recoberta com papel, graxa, feltro, reboco fraco de cal e areia, ou simplesmente pintura de cal, A retirada das fôrmas deve obedecer sempre à ordem e aos prazos mínimos abaixo indicados, de acordo com o estipulado no art. 71 da Norma Brasileira NB-1, referindo-se a 1º coluna ao cimento portland comum e a 2º ao cimento de alta resistência inicial: Esta operação deve ser feita sem choques, e, quanto possível, por carpinteiros ou operários experimentados, para que as fôrmas possam ser aproveitadas mais vezes. Obs.: (1) Normalmente pode-se admitir que e as tábuas sejam utilizadas de 1,5 a 3 vezes, e os pés-direitos e pontaletes de 3 a 5 vezes, aplicando-se os máximos indicados nos casos de edifícios com muitas lajes e vigamentos iguais. (2) Existem na praça alguns preparados especiais que se adicionam à água para impedir a absorção da água do concreto pelas formas e que podem ser aplicados por meio de pulverizador comum usado na lavoura (Fig. 1). Esses preparados destinam-se também a facilitar a retirada das fôrmas. Com a mesma finalidade emprega-se água com sabão e óleo lubrificante usado, não devendo este último ser empregado em caso de concreto aparente. Devem ser aplicados antes da colocação das armaduras, para que não prejudiquem a aderência entre esta e o concreto, e não dispensam o umedecimento das fôrmas imediatamente antes do lançamento do concreto. São ainda pouco usados em nosso meio; facilitando, porem, a retirada das fôrmas, esses produtos podem proporcionar economia. Local cimento portland comum (dias) cimento de alta resistência inicial (ARI) (dias) Paredes, pilares e faces laterais de vigas 3 2 Lajes até 10 em de espessura 3 3 Lajes de mais de 10 cm de espessura e faces inferiores de vigas até 10 m de vão. 21 7 Arcos e faces inferiores de vigas de mais de 10 m de vão 28 10 2 Denominações usuais. As denominações dadas às diversas peças que compõem as fôrmas e seu escoramento são muito variadas e dependem, em geral, da nacionalidade dos mestres carpinteiros. As de uso mais generalizado, no sul do Brasil, merecedoras, por isso, de consagração, são as indicadas a seguir. 2.1 Painéis Superfícies planas, de dimensões várias formadas de tábuas de 2,5 cm (1") de espessura, ligadas, geralmente por sarrafos de 2,5 x 10,0 cm (1"x 4"), de 2,5 x 15,0 cm (1"x 6") ou por caibros de 7,5 x 7,5 cm (3" x 3") ou 7,5 x 10,0 cm (3" x 4"). Os painéis formam os pisos das lajes e as faces das vigas, pilares, paredes e fundações. 3 2.2 Travessas Peças de ligação das tábuas dos painéis de vigas, pilares, paredes e fundações; são feitas de sarrafos de 2,5 x 10,0 cm ( 1" x 4") e 2,5 x 15,0 cm (1 " x 6") e de caibros de 7,5 x 10,0 cm (3" x 4"). Como medida de economia, são elas em geral, utilizadas como elementos constitutivos das gravatas, podendo ser pregadas de chato (deitadas, ao baixo) ou de cutelo (de prumo, de espelho, ao alto). A distancia entre as travessas é geralmente constante no mesmo painel, de modo que a sua fixação pode ser feita com facilidade e rapidez, por meio de mesas previamente bitoladas. 2.3 Travessões Peças. de suporte empregadas somente nos escoramentos dos painéis das lajes; são em geral feitas de caibros de 7,5 x 7,5 cm (3"x 3") ou 7,5 x 10,0 cm (3" x 4") e trabalham como vigas contínuas apoiadas nas guias. 2.4 Guias Peças de suporte dos travessões; trabalham como vigas contínuas apoiando-se sobre os pés-direitos. São feitas, em geral, de caibros de 7,5 x 10,0 cm (3"x 4"), As tábuas de 2,5 x 30,0 cm (1" x 12") podem também ser usadas como guias trabalhando de cutelo, isto é, na direção da maior resistência. Neste caso, os travessões são suprimidos. 2.5 Faces das vigas (painéis das vigas) Painéis que formam os lados das fôrmas das vigas, cujas tábuas são ligadas por travessas verticais de 2,5 x 10,0 cm ( 1" x 4") ou de 2,5 x 15,0 cm ( 1 " x 6") ou por caibros de 7,5 x 10,0 cm (3" x 4"), em geral pregados de cutelo. 2.6 Fundos das vigas Painéis que constituem a parte inferior das fôrmas das vigas (fig. 4, 8 e 9), com travessas de 2,5 x 10,0 cm (1" x 4") ou 2,5 x 15,0 cm (1" x 6"), geralmente pregadas de cutelo. 2.7 Travessas de apoio Peças fixadas sobre as travessas verticais das faces da viga, destinadas a servir de apoio para as extremidades dos painéis das lajes e das respectivas peças de suporte (travessões e guias). 2.8 Cantoneiras (chanfrados ou meios-fios) Pequenas peças triangulares pregadas nos ângulos internos das fôrmas, destinadasa evitar as quinas vivas dos pilares, vigas, etc. 2.9 Gravatas (gastalhos) Peças que ligam os painéis das fôrmas dos pilares, colunas e vigas, destinadas a reforçar essas fôrmas, para que resistam aos esforços que nelas atuam na ocasião do lançamento do concreto. As gravatas, embora possam ser independentes das travessas dos painéis, por medida de economia, são, em geral, formadas por essas travessas, pregadas em posição que permita sejam ligadas pelas extremidades. 2.10 Montantes Peças destinadas a reforçar as gravatas dos pilares. Feitas em geral de caibros de 7,5 x 7,5 cm (3" x 3") ou 7,5 x 10,0 cm (3" x 4"), reforçam ao mesmo tempo várias gravatas. 4 Os montantes colocados em faces opostas de pilares, paredes e fundações, são ligados entre si por ferros redondos ou tirantes. 2.11 Pés-direitos (pernas) Suportes das fôrmas das lajes, cujas cargas recebem por intermédio das guias. Feitos usualmente de caibros de pinho, de 7,5 x 10,0 cm (3" x 4"), ou de peroba, de bitolas comuns, são em geral de comprimento constante num mesmo pavimento. 2.12 Pontaletes (pernas) Suportes das fôrmas das vigas, que sobre eles se apóiam por meio de caibros curtos de seção normalmente idêntica à do pontalete e independentes das travessas da fôrma. Num mesmo pavimento o comprimento dos pontaletes varia, naturalmente, com a altura das vigas. São, como os pés-direitos, feitos comumente de caibros de pinho, de 7,5 x 10,0 cm (3" x 4"), ou de caibros de peroba, de bitolas comuns. 2.13 Escoras (mãos-francesas) Peças inclinadas trabalhando a compressão, empregadas freqüentemente para impedir o deslocamento dos painéis laterais das fôrmas de vigas, escadas, blocos de fundação, etc. 2.14 Chapuzes Pequenas peças feitas de sarrafos de 2,5x10,0 cm, de cerca de 15 a 20 cm de comprimento, geralmente empregadas como suporte e reforço de pregação das peças de escoramento, ou como apoio dos extremos das escoras. 2.15 Talas Peças idênticas aos chapuzes, destinadas à ligação e à emenda das peças de escoramento. São, em geral, empregadas nas emendas de pés-direitos e pontaletes e na ligação dessas peças com as guias e travessas. 2.16 Cunhas (palmetas) Peças prismáticas, geralmente usadas aos pares, com a dupla finalidade de forçar o contacto íntimo entre os escoramentos e as fôrmas, para que não haja deslocamento durante o lançamento do concreto e facilitar, posteriormente, a retirada desses elementos. Devem ser feitas, de preferência, de madeiras duras, para que não se deformem ou inutilizem facilmente. 2.17 Calços Peças de madeira sobre as quais se apóiam os pontaletes e pés-direitos, por intermédio das cunhas; são geralmente, feitas de pedaços de tábuas de aproximadamente 30 cm de lado. Mediante a superposição de calços e variação do encaixe das cunhas, podem ser eliminadas as pequenas diferenças de comprimento dos pés-direitos e pontaletes de um mesmo escoramento, ou podem estas peças ser adaptadas ao escoramento de vigas e lajes de alturas ou espessuras várias. 2.18 Espaçadores Pequenas peças feitas de sarrafos ou caibros, empregadas nas fôrmas de paredes e fundações, para manter a distância interna entre os painéis; à medida que se faz o enchimento das fôrmas, vão sendo retiradas e, para facilitar essa operação, quando feitas de caibros, devem ser apertadas com cunhas. 5 2.19 Janelas (bocas) Aberturas localizadas na base das fôrmas dos pilares e paredes, ou junto ao fundo das vigas de grande altura, destinadas a facilitar-lhes a limpeza imediatamente antes do lançamento do concreto. 2.20 Travamento Ligação transversal das peças de escoramento que trabalham à flambagem (carga de topo), destinada a subdividir-lhes o comprimento e aumentar-lhes a resistência. 2.21 Contraventamento (travamento, amarração) Ligação destinada a evitar qualquer deslocamento das fôrmas assegurando a indeformabilidade do conjunto. Consiste na ligação das fôrmas entre si, por meio de sarrafos e caibros, formando triângulos Nas construções comuns o contraventamento, em geral, é feito somente em planos verticais, destinando-se a impedir o desaprumo das fôrmas dos pilares e colunas, sendo desnecessário no plano horizontal, visto que as fôrmas das lajes geralmente já impedem a deformação do conjunto, nesse plano. 3 A Madeira. O material geralmente empregado na execuçã a madeira; para ligação e reforço, são utiliza sendo estas empregadas também sob forma d A madeira para execução das fôrmas deve ter • Elevado modulo de elasticidade e resistência • Não ser excessivamente dura, de modo a fa penetração e a extração dos pregos. • Baixo custo. • Pequeno peso específico. 4 Figuras 4.1 Disposição comum do escoramento de o das fôrmas é, salvo casos especiais, dos pregos e barras de ferro redondo, e tirantes. as seguintes qualidades: razoável. cilitar a serragem, bem como a uma laje a) painel d) guias o) tala q) calços c) Travessões k) pés-direitos p) cunhas 6 4.2 Ligação do painel da laje com a fôrma da viga tábuas normais à viga a) painel d) guia f) fundo da viga c) travessão e) faces da viga g) travessa de apoio i) gravatas (gastalhos) 4.3 Ligação do painel da laje com a fôrma da viga tábuas paralelas à viga a) painel e) faces da viga i) gravatas (gastalhos) c) travessão f) fundo da viga k) pé-direito o) tala d) guia g) travessa de apoio l) pontalete 4.4 Escoramento de fôrma de laje com guias de tábuas 7 colocadas de cutelo (sem travessão) a) painel g) travessa de apoio k) pé-direito o) tala d) guia n) chapuzes l) pontalete 8