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ESTADO DE MATO GROSSO SECRETARIA DE ESTADO DE SEGURANÇA PÚBLICA POLÍCIA JUDICIÁRIA CIVIL DELEGACIA DE POLÍCIA DE ARIPUANÃ-MT EXCELENTÍSSIMA SENHORA DOUTORA JUÍZA DE DIREITO DA VARA ÚNICA DA COMARCA DE ARIPUANÃ – ESTADO DE MATO GROSSO. A POLÍCIA JUDICIÁRIA CIVIL DO ESTADO DE MATO GROSSO, representada pelo Delegado de Polícia in fine subscrito, em exercício na Delegacia de Polícia de Aripuanã-MT, no uso de suas atribuições legais, conferidas pelo art. 144, § 4º da Constituição Federal e artigos 1º e 2º da Lei nº 12.830/2013, vem mui respeitosamente à presença de Vossa Excelência, com fuste nos artigos 311, 312 e 313 do Código de Processo Penal, REPRESENTAR pela DECRETAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA de ALEX MAIKOM DIAS BATISTA, por se tratar de medida indispensável ao prosseguimento das investigações levadas a efeito no bojo do INQUÉRITO POLICIAL Nº 112/2017, conforme fundamentos fáticos e jurídicos adiante alinhavados. I – DA SINTESE DOS FATOS Era o dia 04/06/2017, os raios da aurora se alvoroçavam e consumiam a noite, quando GLEICE OLIVEIRA DA COSTA, 26 anos, desafortunada mulher, flagrou seu cônjuge ALEX MAIKOM DIAS BATISTA, 23 anos, no interior da casa de sua vizinha MAIARA, depois de com ela despojar-se. Os 7 (sete) anos de convivência mútua, nem mesmo os 3 (três) filhos que juntos geraram, foram capazes de impedir o infortúnio. ALEX MAIKOM DIAS BATISTA e MAIARA (covardes, insensíveis e levianos seres) irritados com a presença da vítima no terreiro, saltaram a janela da casa e Rua São Francisco de Assis, 157, bairro Centro – Aripuanã-MT – CEP 78.325-000 Telefone: (66) 3565-1433, e-mail: maripuana@pjc.mt.gov.br 1 ESTADO DE MATO GROSSO SECRETARIA DE ESTADO DE SEGURANÇA PÚBLICA POLÍCIA JUDICIÁRIA CIVIL DELEGACIA DE POLÍCIA DE ARIPUANÃ-MT passaram a esbofetear GLEICE OLIVEIRA DA COSTA com chutes e pontapés. Não bastasse tamanha crueldade, seu verdugo esposo, valeu-se de um instrumento contundente (mais precisamente um lenho utilizado para encabar foice) e o golpeou, repetidas vezes, contra a cabeça de seu mártir, produzindo um agressivo hematoma na região frontal de seu rosto, além das rubefações, escoriações e edemas traumáticos esparsos por todo o corpo. Pasme, Excelência! Depois do que parece ser o fim, de ser levada a exaustão, de sentir vertigem porque os ânimos já se iam, depois, Excelência, de ser subjugada, a vítima foi atropelada por MAIARA, amante de seu cônjuge, que dirigiu contra sua pessoa em frangalhos uma motocicleta. Não se poderia esperar outro resultado, GLEICE não aguentou aos ataques e desmaiou-se. Tão logo, fora socorrida por seus vizinhos à unidade de atendimento à saúde mais próxima. Porque importa, eu repiso a declaração da vítima, “...QUE quando o marido escutou a declarante, pulou a janela, juntamente com a amante MAIARA, e ambos começaram a bater na declarante com murros e pedaço de pau; QUE ALEX desferiu várias pauladas na cabeça da declarante, causando-lhe um grande hematoma em sua testa; QUE após os golpes sentiu tontura; QUE ALEX saiu correndo para a casa da declarante para pegar as roupas, e MAIARA embarcou na motocicleta e saiu em direção da declarante, vindo a colidir a motocicleta com ela, causando-lhe uma lesão na perna direita; QUE após a colisão veio a desmaiar...” Narra a vítima, em Termo de Declarações, que, passada a saraivada, ALEX MAIKOM DIAS BATISTA reuniu algumas de suas roupas e tomou rumo à chácara de sua mãe, no Distrito de Conselvan, na companhia de MAIARA. Chegada à noite, o carrasco retornou à sua casa. Incontinenti, GLEICE foi até ao Núcleo da Polícia Militar do Distrito anunciando o fato. Na sequência, os agentes de segurança pública foram à residência da vítima, revisitaram o local, mas não o encontraram. Rua São Francisco de Assis, 157, bairro Centro – Aripuanã-MT – CEP 78.325-000 Telefone: (66) 3565-1433, e-mail: maripuana@pjc.mt.gov.br 2 ESTADO DE MATO GROSSO SECRETARIA DE ESTADO DE SEGURANÇA PÚBLICA POLÍCIA JUDICIÁRIA CIVIL DELEGACIA DE POLÍCIA DE ARIPUANÃ-MT Logo após, segura de que ALEX lá não mais estava, GLEICE abriu a porta da casa, ocasião em que fora surpreendida por seu algoz que, de forma sorrateira e atrevida, agarrou violentamente em seu braço, ameaçando-lhe tirar a vida. Só depois de sentir forte dor e alardear, o selvagem a deixou ir. Novamente acionados, os Policiais Militares do Distrito de Conselvan estiveram na residência da vítima, porém não encontraram o seu agressor. Ademais, segundo a narrativa do boletim informativo nº 2017.187173, ao perceber que GLEICE OLIVEIRA DA COSTA se deslocara do Distrito de Conselvan a esta cidade, seu cônjuge e a sua amante tomaram o mesmo destino, a fim de constranger a vítima a não levar o caso à polícia. Para ultimar, ressalve-se que, apesar de parcialmente recuperada de tal desventura, e mesmo que decorridas algumas horas do fatídico, esta autoridade policial ainda pode se assombrar com a intensidade do hematoma produzido no rosto da vítima, evidenciando que, acertado numa região um pouco mais sensível de seu crânio, certamente, teria resultado na letalidade. II – DAS RAZÕES DE DIREITO a) Dos Pressupostos da Prisão Cautelar a.1) Do fumus comissi delicti Vocifera o legislador cauteloso, no artigo 312, caput, in fine, do Código de Processo Penal, que a prisão preventiva, enquanto ratio da extrema ratio, só poderá ser decretada se houver prova da existência do crime e, ao menos, indício suficiente da autoria. Ora, o fumus comissi delicti exsurge da narrativa do boletim informativo nº 2017.187173, corroborado à declaração da vítima, os quais acenam, categoricamente, que ALEX MAIKOM DIAS BATISTA, em concurso com MAIARA DE TAL praticou o crime de HOMICÍDIO, NA MODALIDADE TENTADA, QUALIFICADO POR MOTIVO FÚTIL, Rua São Francisco de Assis, 157, bairro Centro – Aripuanã-MT – CEP 78.325-000 Telefone: (66) 3565-1433, e-mail: maripuana@pjc.mt.gov.br 3 ESTADO DE MATO GROSSO SECRETARIA DE ESTADO DE SEGURANÇA PÚBLICA POLÍCIA JUDICIÁRIA CIVIL DELEGACIA DE POLÍCIA DE ARIPUANÃ-MT insculpido do art. 121, § 2º, II, em adequação típica mediata temporal com o artigo 14, II, todos do Código Penal Brasileiro, c/c a Lei nº 11.340/2006, em desfavor da vítima GLEICE OLIVEIRA DA COSTA. Frise-se, ALEX e MAIARA esbofetearam-na com socos e pontapés; aquele, não satisfeito, desferiu-lhe vários golpes na cabeça, valendo-se de um lenho; esta, por sua vez, ainda não contente, dirigiu uma motocicleta contra a vítima em farrapos. Nesta hora, imperioso destacar, quem ofende o mártir, repetidas vezes, na cabeça, não tem o desígnio apenas de lesionar; quem, de outro modo, lança mão de um veículo contra outrem, não busca ofender tão só sua integridade corporal; pelo contrário, ambos malfeitores agiram de forma animalesca e com unidade de propósito de dar cabo à vida de GLEICE, portanto o animus necandi é clarividente. De mais mais, o exame de corpo de delito evidencia que a paciente foi vítima de agressões físicas e, ato contínuo, de atropelamento de motocicleta, apresentando hematomas na parte frontal do crânio, além de outras lesões esparsas nos membros inferiores e antebraço esquerdo. Estas últimas, muito certamente, provocadas quando a vítima tentava se desvencilhar dos ataques atrozes de seus algozes. Nesse diapasão, entende-se presentes indício suficiente de autoria e prova da materialidade do cometimento da infração penal pelos facínoras. a.2) Do periculum libertatis O periculum libertatis é coevo, decorre da necessidade manifesta e implacável de se garantir a ordem pública, uma vez que, solto, ALEX MAIKOMDIAS BATISTA pode por termo a empreitada criminosa que deflagara. Nesse passo, ao cotejar detidamente a narrativa do boletim informativo nº 2017.187173 e o termo de declarações, a ofendida descreve que tem receio do que seu cônjuge desalmado possa fazer contra a sua própria vida, pois, no último sábado, o viu portando uma arma de fogo, aparentemente um revólver. Rua São Francisco de Assis, 157, bairro Centro – Aripuanã-MT – CEP 78.325-000 Telefone: (66) 3565-1433, e-mail: maripuana@pjc.mt.gov.br 4 ESTADO DE MATO GROSSO SECRETARIA DE ESTADO DE SEGURANÇA PÚBLICA POLÍCIA JUDICIÁRIA CIVIL DELEGACIA DE POLÍCIA DE ARIPUANÃ-MT Fato outro, mais ainda ligado aos mesmos elementos de informação prefalados, narra a vítima que, depois do fatídico, seu marido esteve em sua residência por, pelo menos, duas vezes, empregando-lhe violência e ameaçando-lhe tirar a vida. Em casos que tais, só não foi preso em flagrante pela Polícia Militar porque conseguiu se desvencilhar das sentinelas. Por fim, ao que parece, o marido e a amante sondam os passos da vítima, pois esta afirma no boletim de ocorrência, que ao deixar o Distrito de Conselvan sentido Aripuanã, a fim de noticiar o infortúnio nesta Delegacia de Polícia, foi seguida pelo casal mancomunado a fazer o mal. Ora, não se pode fechar os olhos as evidenciais. A vítima, em frangalhos, procurou esta autoridade policial e pediu que lhe fossem garantidas as medidas protetivas catalogadas na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06), Todavia, Excelência, parece-me que elas não serão suficientes para garantir a saúde e até mesmo a vida da ofendida, razão pela qual entendo que o enclausuramento de ALEX MAIKOM DIAS BATISTA é a melhor medida. O bicho não é um homem, mas um carrasco, um monstro! Não respeita as regras mínimas da convivência mútua. Não sabe viver em sociedade, logo, tenho que inferir, categoricamente, que merece conhecer o cárcere, pois tenho receio de que, SOLTO, possa vir a consumar a empreitada criminosa que dera ensejo em outrora. Neste sentir, teme-se que a ordem pública esteja ameaçada e, não obstante, mereça que seja resguardada pelo estandarte da mais meridiana justiça. d) Das Hipóteses de Admissibilidade da prisão Preventiva Segundo comando vazado no artigo 313 do Código de Processo Penal, são pelo menos duas as hipóteses autorizadoras da prisão preventiva para o caso em celeuma, vale dizer, a uma, o homicídio (cuja pena máxima em abstrato é de reclusão de vinte anos), ainda que tivesse sua pena reduzida pela maior fração da causa de diminuição (gize-se: 2/3), decorrente da tentativa (artigo 14, II, do CP), perpassaria e Rua São Francisco de Assis, 157, bairro Centro – Aripuanã-MT – CEP 78.325-000 Telefone: (66) 3565-1433, e-mail: maripuana@pjc.mt.gov.br 5 ESTADO DE MATO GROSSO SECRETARIA DE ESTADO DE SEGURANÇA PÚBLICA POLÍCIA JUDICIÁRIA CIVIL DELEGACIA DE POLÍCIA DE ARIPUANÃ-MT muito aos quatro anos de reclusão (artigo 313, I, CPP); a duas, a infração penal foi praticada com violência doméstica e familiar contra a mulher (artigo 313, III, CPP). III – DO PEDIDO Do exposto, abroquelado em todos os fundamentos de fato e de direito acima expendidos, requer a autoridade policial que esta subscreve, após manifestação do Ministério Público, que seja decretada a PRISÃO PREVENTIVA de ALEX MAIKOM DIAS BATISTA, 23 anos, união estável, serviços gerais, filho de FRANCISCO SILVA e MARTA DIAS BATISTA, residente na rua Jatobá, Distrito de Conselvan, Aripuanã-MT. Aripuanã-MT, 07 de junho de 2017. Alexandre da Silva Nazareth Delegado de Polícia Rua São Francisco de Assis, 157, bairro Centro – Aripuanã-MT – CEP 78.325-000 Telefone: (66) 3565-1433, e-mail: maripuana@pjc.mt.gov.br 6