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FISIOLOGIA DOS SEIOS PARANASAIS Sessão Clinica 21/03/2018 Thaís Dias da Fonseca – Residente do segundo ano REFLEXOS PARANASAIS • Espirros: resultados de estímulos químicos e mecânicos à mucosa nasal • Associados a fenômenos congestivos e secretórios • Mediados pelo nervo trigêmeo, sistema nervoso autônomo e músculos respiratórios. • Reflexo nasobrônquico: receptores da cavidade nasal => trigêmeo => encéfalo => vago => musculatura lisa regional => contração da musculatura brônquica • AFERENTE = TRIGEMEO • EFERENTE = VAGO IMUNOLOGIA • IgA secretora: encontrada naS secreções nasossinusais, primeira linha de defesa contra agentes infecciosos do trato respiratório => inibe a aderência de microorganismos à superfície celular; • IgG: também encontrada nas secreções e atua em conjunto com IgA, => atinge a via aérea por transudação, em bem menor quantidade; • Lisozima: enzima que destrói polissacarídeos e mucopeptídeos encontrados nas membranas celulares de organismos Gram-positivos • Lactoferrina: produzida localmente e inibe o crescimento bacteriano por meio de mecanismos depletores de ferro IMUNOLOGIA • Interferon: inibe a replicação viral e favorece as atividades fagocíticas dos macrófagos; • Neutrófilos, eosinófilos e macrófagos: auxiliam a defesa mediante liberação de fatores quimiotáticos, como calicreína, substância de reação lenta e outros peptídeos; • Óxido nítrico: relacionado com a regulação da atividade mucociliar, com propriedades antibacterianas => nos seios paranasais sua liberação é constante => tóxica para bactérias, vírus, fungos e células tumorais • Obs: aumento de NO na rinite alérgica, enquanto da discinesia primária é quase nula a produção. IMUNOLOGIA • Em qualquer ato cirúrgico que a envolve a manipulação da mucosa nasal => alteração sutil nesse microssistema; • Portanto, deve-se atuar de maneira delicada e conservadora, pois não se pode produzir o errôneo conceito mecanicista na abordagem da obstrução nasal, risco de iatrogenias permanentes. Semiologia do Nariz e dos Seios Paranasais Sessão Clínica – Otorrinolaringologia UFF - HUAP ANAMNESE • Criar um ambiente de respeito e confiança → paciente forneça informações de forma espontânea. • Deve possibilitar ao profissional compreender : • o verdadeiro motivo da consulta • localizar e definir o problema • tempo de evolução • forma de apresentação • possíveis agravantes ou atenuantes • tentar dimensionar sua repercussão sobre a qualidade de vida dos pacientes e seus familiares. • Colher história mórbida pregressa, hábitos fatores de exposição → completar e possibilitar o diagnóstico de doenças sistêmicas, familiares e/ou de exposição. ANAMNESE • Principais queixas: • obstrução nasal • coriza/rinorreia • Dor • Espirros • Prurido • alteração do olfato • Cacosmia • Cefaleia • Epistaxe • Voz anasalada. ANAMNESE • A obstrução nasal, apesar de comum, é de difícil quantificação • Quando crônica e desde a infância pode gerar alterações do desenvolvimento craniofacial. • Os respiradores bucais podem apresentar: • fácies alongada • hipoplasia das maxilas • mordida aberta • encurtamento de lábios. • Nem todo paciente com fácies de respirador bucal apresenta obstrução nasal. ANAMNESE • Pacientes assintomáticos podem apresentar alterações anatômicas importantes, bem como pacientes com queixas de sintomas incapacitantes podem ter um exame normal ou pouco alterado. INSPEÇÃO • Ambiente bem iluminado. • Pode ser realizado a olho desarmado ou com auxílio de foco frontal, lupa ou microscópio. • Objetivo: • Analisar a pirâmide nasal • Detectar dismorfias • Avaliar distúrbios do desenvolvimento e desvios (traumas) • Revelar sinais sugestivos de processos infecciosos como: hiperemias, edemas e abaulamentos (esses achados quando associados a assimetrias no nível do nariz e regiões correspondentes às dos seios paranasais, devem fazer suspeitar imediatamente da presença de processos expansivos) A presença do traço sobre o dorso nasal (saudação alérgica) pode ser vista em pacientes alérgicos PALPAÇÃO • Percepção tátil e a compressão da pele permitem detectar sinais flogísticos como calor local, dor à palpação, flutuações e mudanças na espessura, consistência e dureza da pele. • Em pacientes com história de trauma nasal ou em face, devem-se procurar traços de fratura, crepitações e dor. • Abaulamentos: • avaliados quanto a sua extensão, aderências a planos profundos, presença de dor e flutuação, que sugerem lesões expansivas, exigindo investigação complementar imediata. PERCUSSÃO • Sobre as regiões dos seios frontal, etmoidal e maxilares é possível verificar a presença de dor. • Isoladamente a dor é um sintoma inespecífico, podendo estar presente nos processos alérgicos, infecciosos ou expansivos. RINOSCOPIA ANTERIOR • Exame das cavidades nasais anteriores com iluminação por uma fonte de luz externa (fotóforo, espelho frontal ou lanterna). • Com auxílio de um espéculo nasal, de tamnho adequado, promove-se a lateralização da asa do nariz RINOSCOPIA ANTERIOR • Deve ser realizada primeiro com o paciente olhando de frente para o examinador, para avaliar: • Inferiormente: o assoalho da cavidade nasal e verificar a presença de secreções ou lesões anormais. • Lateralmente: a cabeça da concha inferior, observando a coloração da mucosa, que pode variar de róseo (normais), para pálido-violáceo (atópicos), até a vermelha (processos infecciosos agudos); a hipertrofia ou degeneração polipode do corneto inferior. • Medialmente: presença de deformidades, perfurações (doenças granulomatosas, traumas, pós-cirurgicas) e abaulamentos (abscessos) no septo. Fornece a ideia da permeabilidade nasal pela relação e/ou proximidade do septo com a concha inferior RINOSCOPIA ANTERIOR • Solicita-se que o paciente recline a cabeça para trás, a fim de avaliar as porções altas das cavidades nasais: • Lateralmente: cabeça do corneto médio e meato médio. No nível do meato médio escorrem as secreções dos seios frontal, maxilar e etmoidal anterior. Hipertrofias e conchas bolhosas dos cornetos médios, assim como abaulamentos, edemas, secreções anormais, pólipos ou lesões expansivas nos meatos médios. RINOSCOPIA POSTERIOR • Avaliação inicial da rinofaringe e suas estruturas: • Com a língua relaxada, apoiada no assoalho da boca e assim mantida com auxílio do abaixador de língua • Introduz-se o espelho de laringe pequeno, previamente aquecido, em direção à parede posterior da orofaringe até ultrapassar os limites do palato mole. • A imagem indireta, refletida no espelho, mostra as paredes da rinofaringe, as coanas, a cauda da concha inferior, a porção posterior do septo, o tamanho das tonsilas faríngeas e a tuba auditiva bilateralmente. • Muitas vezes faz-se necessário a aplicação de anestésico tópico na mucosa do palato mole e na parede posterior da faringe para reduzir os reflexos nauseosos que dificultam ou até mesmo impedem a realização do exame. Corte sagital da cabeça demonstrando rinoscopia posterior. EXAMES COMPLEMENTARES ENDOSCOPIA NASAL • Os endoscópios, tanto rígidos quanto flexíveis, revolucionaram o diagnóstico e o tratamento das patologias do nariz e seios paranasais. • Tornaram o diag e o tto precisos, precoces, pouco invasivos e possíveis até em pacientes com reflexos nauseosos intensos. • Permitem uma visão global e uma ideia da relação das diferentes estruturas da cavidade nasal entre si, além de revelar detalhes mínimos. EXAMES COMPLEMENTARES ENDOSCOPIA NASAL • 1º avalia-se o meato inferior até a rinofaringe (endoscópio posicionado no vestíbulo nasal e direcionadoposteriormente até a rinofaringe). • Nesse trajeto pode-se observar a posição do septo nasal, a presença de secreções anormais no assoalho da cavidade nasal, a coloração da mucosa do corneto inferior e sua dimensão e extensão até a rinofaringe. EXAMES COMPLEMENTARES ENDOSCOPIA NASAL • 2º avalia-se o meato médio: seguindo em direção antero-posterior, pode-se ver o processo uncinado (1ª lamela do labirinto etmoidal), seguido pela bula etmoidal (2ªlamela). O hiato semilunar se delimita anteriormente pelo processo uncinado e posteriormente pela bula etmoidal, por onde tem-se o acesso ao infundíbulo etmoidal (3ª lamela). • 3º passo objetiva-se a visualizar o recesso esfenoetmoidal, para visualizar o corneto superior, o meato superior, o óstio natural do esfenoide e o arco da coana. EXAMES COMPLEMENTARES TRANSILUMINAÇÃO • Método que consiste em tentar visualizar a difusão da luz através dos seios paranasais anteriores (maxilares, etmoidais anteriores e frontal). • É utilizada uma fonte luminosa intensa (lâmpada elétrica montada em um diafanoscópio). • O diafanoscópio é aplicado sob o ângulo interno da órbita ou cavidade oral em contato com o palato. EXAMES COMPLEMENTARES TRANSILUMINAÇÃO • A transiluminação do frontal proporciona o aparecimento de uma mancha luminosa rósea nas regiões supraciliar e frontal, cuja dimensão está na dependência direta do volume da cavidade do seio. • Nos seios maxilares revela um crescente luminoso infraorbitário, da pupila, e luminosidade na parede externa da cavidade nasal. • Edemas, congestão, exsudato e tumores, quando presentes, interferem na difusão da luz com subsequente diminuição ou desaparecimento do crescente infraorbitário (Sinal de Heryng), da pupila (Sinal de Vohsen-Davidson) e da parede nasal externa (Sinal de Robertson) EXAMES COMPLEMENTARES RINOMANOMETRIA • Teste objetivo que quantifica a resistência ao fluxo de ar pelas cavidades nasais. • O resultado do exame é expresso na forma de um gráfico de pressão transnasal versus fluxo de ar durante a respiração nasal, e a resistência nasal é igual a diferença de pressão/fluxo aéreo (Rn=ΔP/V) • Resistência nasal é determinada pela razão entre a diferença de pressão entre a máscara facial do paciente e a pressão da rinofaringe e o fluxo aéreo. EXAMES COMPLEMENTARES EXAME DA FUNÇÃO OLFATÓRIA • Tem como objetivo analisar a resposta subjetiva de um paciente quando exposto a substâncias com odores característicos. • Essa avaliação deve ocorrer após anamnese minuciosa quanto ao grau de sua perda, tempo de evolução, piora progressiva e possíveis fatores desencadeantes. Avaliar o estado geral de saúde, pesquisar doenças sistêmicas (hipotireoidismo) e outros sintomas de relevância, tais como alteração visual, cefaleias, sangramento nasal e obstrução nasal. EXAMES COMPLEMENTARES EXAME DA FUNÇÃO OLFATÓRIA • O comprometimento do olfato pode se dar por bloqueio mecânico, quando existe dificuldade de os odorantes atingirem o epitélio olfatório. • Pode haver alteração do receptor ou da função do nervo olfatório (perda sensorial) ou comprometimento das vias centrais relacionadas ao olfato (perda central) → diferenciar: investigar história de processos alérgicos, viroses, infecções, traumas, medicações tóxicas, radioterapia e a avaliação da capacidade intelectual (excluir doenças neurodegenerativas como doença de Alzheimer, Parkinson e EM) EXAMES COMPLEMENTARES EXAME DA FUNÇÃO OLFATÓRIA • A deficiência olfatória pode ser: • parcial (hiposmia) • total (anosmia) • distorção do olfato (parosmia) • aumento da sensibilidade(hiperosmia) • dificuldade de diferenciar os odorantes. Quando unilateral, geralmente passa despercebida pelo paciente EXAMES COMPLEMENTARES EXAME DA FUNÇÃO OLFATÓRIA • Exame da função olfatória: três odores diferente e conhecidos (café, canela e pimenta por exemplo) → quando o paciente apresentar resposta errada, deverá ser submetido a um teste mais minucioso com até 40 itens. • Devem ser pesquisados a discriminação olfativa e o limiar olfativo (menor concentração da substância em que o paciente apresenta resposta). EXAMES COMPLEMENTARES EXAME DA FUNÇÃO OLFATÓRIA • Deve-se realizar uma TC de SPN para pacientes com resposta alterada • alterações nasossinuais correspondem a 80% das causas • se normal → realizar RM para avaliação de causas centrais. • Avaliação em conjunto com neurologia e psiquiatria pode contribuir para um diagnóstico preciso e completo. EXAMES COMPLEMENTARES CULTURA, CITOLOGIA E BIÓPSIA NASAL • O número de pacientes sem resposta aos tratamentos clínicos e com RS de repetição tem sido cada vez maior. • Deve-se muitas vezes ao uso empírico e indiscriminado de antimicrobianos. • Cultura pode orientar a conduta médica e promover sucesso terapêutico → descontinuar o antibiótico por período mínimo de 48h. • Com auxílio de um swab estéril colhe-se material do meato médio ou do óstio do seio maxilar. EXAMES COMPLEMENTARES CULTURA, CITOLOGIA E BIÓPSIA NASAL • Em pacientes com RS refratárias e recorrentes com alterações anatômicas intranasais e/ou dos seios paranasais pode ser necessária a punção do seio maxilar via fossa canina ou meato inferior. • Essa punção permite coleta de secreções ou biópsia da mucosa para cultura, estudo citológico ou hitopatológico, principalmente para pacientes imunodeficientes ou transplantados. EXAMES COMPLEMENTARES CULTURA, CITOLOGIA E BIÓPSIA NASAL • A biópsia nasal tem indicação nos pacientes com suspeita de lesões granulomatosas ou de alterações ultraestruturais dos cílios. • Na suspeita de tumores nasossinusais, quando na presença de uma massa nasal ou facial, obstrução nasal unilateral, dor facial ou dentária, edema ou tumoração da região maxilar, rinorreia ou epistaxe • a bx deve ser realizada somente após investigação minuciosa desses pacientes para excluir tumores vasculares ou encefaloceles → epistaxes de difícil controle ou rinoliquorreia.