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Aula 1 1a fase - O casamento era vínculo indissolúvel, salvo algumas exceções. Força do pai - o pai era estrutura predominante da estrutura familiar. A mulher, quando casava, se colocava em situação de incapacidade, tinha redução desta. Deveria ser assistida pelo marido em todos os atos da vida civil, não tinha capacidade para exercer esses direitos. 2a fase - Com o tempo, a família de caráter sagrado, indissolúvel cede, chegando à segunda fase, que é a família de interesse social. A família deixa de representar estrutura sagrada, divina, indissolúvel, mas a sociedade ainda tem interesse em sua integridade. Uma família estruturada é importante. A lei do divórcio marca a passagem para essa fase. Essa lei dependeu de uma operação constitucional. Até 1977, a família era constituída por vínculo indissolúvel. Quando esse termo é retirado por EC, abre-se espaço para a lei do divórcio. Acreditava-se ser o fim da família, as famílias então iriam se desfazer. No entanto, o vínculo não se restringia ao casal, mas a filiação também dependia desse vínculo. Filhos fora do casamento não tinham direitos de filhos, não havia vínculo jurídico, por não haver casamento. Eram os filhos espúrios. O direito mudou, passou a permitir a legitimação desse filho fora do casamento, desde que não fosse incestuoso ou adulterino. A esposa tinha que concordar com essas legitimações. A família se desprende desse modelo indissolúvel, mas o divórcio não se baseia na vontade, mas em alguma causa. Não pode ser pelo mero desejo. Seria preciso ou imputar ao cônjuge uma grave violação dos deveres do casamento. A violação desses deveres era sancionada, através de proibição do uso do nome, perda de guarda, etc. 3a fase - A família como espaço de realização pessoal. A família deixa de ser de interesse da sociedade, para ser instituição de interesse das pessoas que a integram. O divórcio não é mais submetido a nenhuma espécie de condição ou termo, é direito potestativo. Só há duas possibilidades de oposição ao pedido de divórcio: se não for casado (não tem o vínculo jurídico originário) ou quando estão presentes as hipóteses de anulação (ex: por erro de pessoa, casa com pessoa que se revela ser estelionatária) ou nulidade (ex: duas pessoas casadas descobrem ser irmãos). Quando se anula, gera efeitos ex tunc. Não gera efeitos, como regime de bens. Há prazo decadencial para anulação do casamento. O fim do crime de adultério acontece com o início dessa fase. Esse passa a ser um problema do casal, não do Estado. O casal pode desfazer o vínculo ou resolver de outras maneiras. O limite é a violação aos direitos da personalidade, pois o casamento não pode ser uma blindagem. Essa relação também muda na relação de pais e filhos. O poder dos pais é um poder-dever. Há duas formas do exercício de poder no direito: poder potestas e poder dever. No primeiro caso, exerce-se o poder de acordo com o seu próprio interesse (ex: divórcio). No poder-dever, recebe-se da ordem jurídica um poder para cumprir dever, nesse caso, o interesse de outra pessoa (ex: o juiz recebe poder jurisdicional para cumprir interesse da sociedade). Por isso, o poder dos pais não pode ser abusivo, deve ser feito sob a ótica do interesse dos filhos. Lei 6515/77, art 5o, caput. Com base na lei, quem deveria obter a guarda deve ser quem não deu causa ao divórcio, ou seja, quem não descumpriu os deveres do casamento. No entanto, não se analisa mais sob esse ponto de vista, mas de acordo com o que é melhor para a criança Art 10. Não há mais a presunção de que os filhos devam ficar com a mãe. Princípio da igualdade. A análise é feita através do melhor interesse da criança. O que é família? Vínculo biológico/afetivo. A CF de 88 não define família. Art 226, caput, CF. A opção do constituinte foi apresentar modelos de família, não defini-la. Há basicamente dois modelos, os modelos de vínculos baseados na conjugalidade, em que há o casamento e a união estável, e os vínculos de parentalidade ou parentesco. O vínculo familiar, portanto, deriva da formação conjugal ou de companheirismo e dos vínculos de parentesco. Aula 2 É preciso se habilitar ao casamento. É preciso apresentar os documentos que a lei exige para que se case, a fim de demonstrar capacidade para casar e falta de impedimento para tal. Fase prévia - habilitação Celebração Efeitos - registro Todos reguladas pela lei civil. Se alguém se casa no religioso, a lei reconhece os direitos civis desse casamento. A princípio isso vale para toda e qualquer religião. No entanto, tem que respeitar as exigências da lei civil quanto às regras mínimas para a existência de um casamento válido. Por exemplo, manifestação de vontade dos nubentes. Sem a habilitação civil, o casamento não será registrado, que é o último ato para realizar o casamento. Art. 1.511 - primeiro artigo que fala da família - até 1722. Há diversos conflitos acerca do que se aplica a casamento e união estável. §3o - a constituição optou por não definir família, mas deu exemplos: casamento, união estável. Até 88, se não houvesse casamento, não havia constituição de família. Era discutido como dissolução de sociedade com divisão do patrimônio constituído. Outra saída era prestação de serviço (direito trabalhista). Também não tinha como se pedir alimentos. A família deixa de ser restrita ao casamento com a CF/88 e é abrangida à família. Art. 1723 - requisitos para reconhecimento de união estável. Requisitos: Convivência pública - elemento objetivo - publicidade ligada ao fato de que a relação é identificada pelos demais. Contínua e duradoura - elemento objetivo - a lei não estabeleceu critério objetivo. Não há prazo. Até 2010 ninguém poderia se divorciar sem que antes tivesse se separado. Era exigida a prévia separação de fato (de pelo menos 2 anos) ou por violação de dever do casamento. Foi proposto então utilizar o mesmo critério temporal para a união estável. No entanto, o entendimento dos tribunais é quanto mais os outros requisitos estejam fortes, menos o requisito temporal será um elemento fundamental. Se os demais não estão muito fortes, o requisito temporal pode ser fundamental. Objetivo de constituição de família - elemento subjetivo - essa é a diferença de união estável para o namoro. Não exige manifestação expressa e formal de vontade, como no casamento. Pode ser feita um documento declaratório de união estável. O documento constitutivo tem natureza de substância. O casamento, até ser celebrado, não está constituído. O documento da união estável, por outro lado, é meramente declaratório. É meramente um elemento de prova, podendo ser desconstituído. Obs: a certidão de nascimento não pode, pelo princípio da igualdade, distinguir os filhos por sua origem. Filho de brasileiro, nascido no exterior, a partir de 18 anos, residindo no Brasil, poderá optar pela nacionalidade brasileira (brasileiro nato). É possível fazer documento de declaração negativa, isto é, que declare a não existência de união estável. Seu objetivo é inverter o ônus da prova. A união estável declara da realidade dos fatos, não de documento. Este é meramente elemento probatório. União estável se dá entre homem e mulher. - Ação direta de inconstitucionalidade e uma ADPF que buscaram a interpretação conforme a CF do Art. 1723 CC. O que essa ADPF é ADIN buscaram? Interpretar o artigo 1723 de acordo com a CF. A interpretação conforme a constituição desse artigo não pode ser limitadora. Não se trataria apenas de homem e mulher, este é apenas um modelo. De acordo com igualdade, liberdade e dignidade humana, a orientação sexual não pode ser obstáculo para a formação de união estável. O STF aceita essa interpretação e foi além, dizendo que os modelos familiares apresentados na CF não são taxativos. Não se limitam àqueles propostos pela CF. A evolução dos costumes pode fazer surgir novos modelos de família não previstos pelo legislador. O nosso estado de direito então passa a reconhecer a família homoafetivacomo um modelo familiar. A partir da resolução 175 do CNJ, reconhece-se o casamento homoafetivo, visto que é possível a união estável. Os cartórios foram proibidos de vetar casamento em razão dos nubentes serem do mesmo gênero. Quando houver vínculo afetivo, o direito de família não pode ignorar. A paternidade socioafetiva é como a união estável. Os seus requisitos se parecem também (trato, nome, etc). Dependem da realidade vivida, não do formalismo. Art. 1521 - não podem casar Pessoas casadas - a pessoa separada de fato pode constituir união estável. Caso: homem tinha 9 filhos com mulher e era casado com outra, com quem tinha 11 filhos. Recurso Extraordinário 397.762 Art. 1723 Aula 3 Princípio da dignidade da pessoa humana, da livre orientação sexual e da igualdade. Todas as CF antes de 88 definiam a família, a de 88 decidiu não definir. O STF estabeleceu que podem haver outros modelos de família que o constituinte não previu, como as homoafetivas. Já as simultâneas ou paralelas encontram obstáculos nos tribunais superiores. A família paralela não é considerada família. Ao chamá-la de família já se comete equívoco juridicamente falando. Sob o fundamento de que há impedimento na lei (art. 1521, VI e 1723, §1o), não pode ser considerado o segundo casamento. A capacidade é aptidão genérica, adquirida com a maioridade ou emancipação. No caso do casamento, o CC exige a maioridade. Exige um mínimo de 16 anos para o casamento, no entanto é necessária autorização dos pais. A ausência de autorização é causa de anulabilidade do casamento (prazo decadencial de 180 dias). A presença dos pais ou qualquer indicação de aceitação dos pais por atos retira essa possibilidade. Gravidez também retira causa de anulabilidade. Enquanto for menor de idade, esses 6 meses serão para os pais anularem. Quando completar 18 anos, por outro lado, os nubentes terão esse mesmo prazo de 6 meses para anular. Legitimidade - posso ser maior de idade e não tenho legitimidade para casar com ascendente ou descendente. Há um impedimento legal para isso. Casamentos nulos - incestuosos e simultâneos. Para quem está de boa-fé, a sentença de nulidade produzirá os seus efeitos ex nunc. Os efeitos entre a celebração e a sentença de nulidade se produzem. Para quem não está de boa-fé, o efeito é ex tunc. Se um homem casado se casa com outra compra um apartamento, terá que dividir com a 2a mulher. Por outro lado, se ela compra, não terá que dividir com ele, pois os efeitos do casamento retroagem apenas para ela que está de boa-fé. União estável putativa -> O casamento provê estabilidade formal. A união estável deve ser garantida pelo ponto de vista existencial, mas elas não podem impor a sua escolha pela informalidade, gerando riscos a situações jurídicas formais. STJ decidiu para as situações patrimoniais do Estado que agora a união estável putativa tem os mesmos efeitos do casamento putativo. Quem tem união estável registrada - precisa de outorga para situações patrimoniais. Quem não tem registro - não precisa. Obs: A clandestinidade afasta a união estável. A família poliafetiva é uma espécie de triângulo amoroso. Não tem a putatividade. Não é reconhecida pela jurisprudência. Anaparental - é um modelo de família em que se reconhece que um determinado vínculo vai receber outro tratamento a partir de sua realidade existencial. Como na união estável. Ex: duas irmãs casadas com um mesmo homem. Sendo o homem retirado, isso é relação de irmãs ou de casamento? Essa relação tem que receber o tratamento jurídico do casamento, da união estável. A irmã terá direito à herança, a pensão, como o cônjuge. Busca-se retirar as formas jurídicas aparentes ou estruturais e olhar como a relação é materialmente. Aula 4 O povo contra larry flint Anaparental - idealização - laços de uma determinada característica e imprimir a ele outra natureza de relacionamento. ex: caso das irmãs. Uma vez absorvida essa tese, se uma falecer, a outra seja o cônjuge, podendo ser beneficiaria na linha sucessória. Não é modelo familiar previsto e envolve certa subversão, a transformação de um modelo em outro. Quem a defende, afirma que essa relação já existe. No entanto, poderia fazer um testamento em favor desta irmã, afirmam os críticos. O fato é que há dificuldades em definir regime de bens, etc num relacionamento. Antes, o estupro de cônjuge não configurava crime, pois havia um excludente de ilicitude por se tratar de dever do casamento. Incestuosa - o incesto é o rompimento da primeira lei. Essa lei não é apenas voltada à disciplinas patrimoniais, mas à formação do sujeito. É preciso viabilizar que essa pessoa tenha o seu desenvolvimento de forma livre, não violada, o que não ocorre, por exemplo, a uma criança que sofre abuso e, ao crescer, deseje ter um relacionamento com o pai que abusou dela. Essas pessoas já possuem todas as garantias patrimoniais de família (uso do nome, direito sucessório, direito de alimentos, etc). A família incestuosa é vedada pelo ordenamento jurídico (art. 1521). Parentes afins - parentes do cônjuge. Parentesco por afinidade: sogro, sogra, enteado, enteado. É vedado o casamento entre ex cônjuge e algum parente afim. Vale para ascendente e descendente. Também configura incesto. Na adoção também. Se o adotado já foi casado, o adotante não poderá casar-se com seu ex cônjuge e vice-versa. Irmãos - não podem se casar sendo bilaterais ou unilaterais. Até o 3o grau são vedados (tios com sobrinhos). Decreto 2200/1941 - diz que os parentes de 3o grau poderão casar se tiverem laudo médico garantindo que não há risco nem à saúde deles nem à da futura prole. Já que há o decreto, deve ser retirado a vedação da lei. O impedimento por questões médicas apenas não é razoável. Família mosaico - família reconstituída - é fruto das novas estruturas familiares. Ex: filhos de padrasto/ madrasta convivendo juntos. É quando essa relação se torna uma família. A lei 6015/73 foi alterada e passou a permitir que se acrescente o sobrenome do padrasto ou madrasta ao sobrenome, em razão da identificação que se teve afetivamente. Será que uma enteada pode cobrar do padrasto que continue pagando a escola quando se separou da mãe? Avalia-se a capacidade/ possibilidade de pagar alimentos do padrasto e a necessidade da mãe; é feita uma planilha (filha 1, filha 2, enteada). O resultado = $$$. Esse dinheiro é das duas filhas, mas a mãe divide pelas 3. Assim, ele faz vista grossa para que a enteada também receba alimentos. Ser pai de alguém não necessariamente deriva do vínculo biológico, existe a paternidade sócio-afetiva. O que diferencia um padrasto de um pai é a formação da relação. Padrasto/madrasta é família afim. Não necessariamente haverá relação de pai/mãe. Elementos que definem essa diferenciação: tratamento, Multiparental -O padrasto só vira pai na ausência do pai? O direito admite a simultaneidade no que diz respeito à parentalidade? Há quebra do paradigma da exclusividade na paternidade/maternidade. A multiparentalidade permite isso. Não há previsão na lei, pois quando a lei foi feita, não se pensava nessa possibilidade. Esse entendimento foi sendo criado ao longo do tempo. Há algumas dificuldades em relação à multiparentalidade. Ex: se o pai não quer que o filho tenha um outro pai. Monoparental - art. 226, §4o CF - é também família a relaçãozinha entre qualquer ascendente e descendente. Uma pessoa gay sempre pôde adotar sozinho. Como não havia como casar/ união estável antes, não havia como adotar conjuntamente, o que iria contra os interesses da criança. Obs: isso hoje é uma modalidade da família padrão. Família monoparental não exige que se tenha uma mãe e um pai. Independe da existência de uma relação primitiva. Eudemonista e unipessoal não são modelos de família. O bem de família é de proteção da pessoa, não da família. Eudemonismo é associado à adoração própria. Busca da realização pessoal. Tem origem de práticas pagãs,coisa que não representa essa situação. A família Eudemonista se conecta ao objetivo da família, focada na pessoa e menos focada na instituição. Aula 5 Princípio da afetividade O afeto não se limita a sentimentos positivos, mas também se estende às faltas, às angústias, limites e às dificuldades inerentes às relações familiares. Ter afeto significa afetar e ser afetado diretamente por aquele relacionamento. Há uma complexidade de sentimentos, de interação subjetiva, que criam, regulam e desfazem o vínculo familiar. O afeto nos auxilia no reconhecimento daquele elemento subjetivo para a constituição da união estável. Para saber se há união estável, é preciso avaliar a intenção de constituir família, além de relação pública, duradoura e continua. A separação judicial põe fim ao dever de fidelidade, de coabitação e ao regime de bens. (Art.1576) - A jurisprudência entende que a separação de fato põe fim ao regime de bens, para evitar enriquecimento sem causa. O que caracteriza a separação de fato é a diluição de afeto. Antes, a lei exigia um dado formal e concreto, a jurisprudência permite que uma situação fática seja suficiente. Hoje a separação pode ser feita extrajudicialmente (quando não há filhos menores). A partilha de bens, quando desigual, gera pagamento de imposto de transmissão, pois o fisco entende como havendo doação de um ex cônjuge para o outro. Quando há transmissão igualitária, não cabe imposto. Sobre a partilha de bens, é irrelevante o registro. A titularidade decorre deste bem-estar ou não incluído nas hipóteses que a lei tipifica como bem comum. O regime da comunhão parcial não considera quando cada um ganhar, mas a solidariedade do casal. Não é uma lógica societária, de quanto cada um investiu financeiramente, mas de que ambos viveram aquela vida e proporcionaram tudo que foi conquistado. O próprio casamento, que é ato formal, não se desfaz pelo fim do afeto, mas uma longa separação afetiva leva ao fim da produção de efeitos do casamento, entre estes do regime de bens. No entanto, o afastamento afetivo não faz do cônjuge uma pessoa divorciada. Não é possível se casar duas vezes, mas se houver separação de fato, pode haver união estável, ainda que seja casado. 1723, §1o O legislador abriu as portas para que uma mera formalidade não perde impedimento diante de uma realidade. A presunção é favorável a quem está casado (se houver dúvidas quanto à alguém ter uma relação afetiva com o marido/esposa ou com quem vive uma união estável) É possível mudar o regime de bens durante o casamento. Há bens dos cônjuges que não se comunicam, sendo só de um deles. O regime da separação obrigatória acaba sendo regulado como comunhão parcial de bens (S. 377 do STF)*. *Essa súmula foi editada na vigência do código anterior, portanto há discussão acerca dela. Qual a modalidade de paternidade baseada no afeto? A paternidade sócio-afetiva (Art. 1584, caput, §2o e §5o) Guarda: A regra geral é que os pais escolham, baseado no princípio da privacidade. A princípio, quem sabe o que é melhor para os filhos são os pais. O estado só deve interferir quando o interesse do menor estiver em risco ou quando os pais não conseguirem definir sozinhos. Se não se conseguir chegar a um acordo ou se verificar que os pais não são recomendáveis para acompanhar o crescimento de uma criança, para definir a guarda, o grau de afetividade é fundamental. São reverenciados os graus de parentesco. 1729 - escolha de tutor: princípio da privacidade. Os pais sabem quem é o melhor para exercer essa tutela. Há a possibilidade de escolha. 1731 - quando não há tutela, os parentes consanguíneos. Caso do Chico (filho da Cássia Eller): Como interfere a afetividade? Como o Chico chamava a mulher da mãe? De mãe também. Princípio do melhor interesse da criança - eleva a criança a sujeito de direito. Tudo que diz respeito à criança deve ser analisado sob a ótica do seu interesse e não dos pais. Os pais têm a primazia de escolha da tutela, mas se viola o interesse da criança, será revista. Tudo que é objeto de análise referente à criança, tem que ser visto à luz do interesse da criança. A afetividade é um princípio. O fato de estar na Guarda e não na tutela, não quer dizer que não se aplique lá também. Uma análise principiológica permite sua aplicação também na tutela. O princípio da privacidade vem consagrado no Art. 226, §§ 7 e 8 da CF. A lei brasileira não pode impor à igreja que siga as suas leis. A igreja não é obrigada a ceder seus valores e dogmas em favor da lei civil. Portanto, não se pode obrigar a igreja a casar pessoas do mesmo sexo. A privacidade tem que respeitar um valor de sociabilidade da presença da criança na escola. No caso de os pais decidires que os filhos estudem em casa, isso vai contra o princípio do melhor interesse da criança. §8o - estar em família não significa abrir mão da sua privacidade - privacidade do ponto de vista interno. Ex: se a mulher viola o e-mail do marido, essa prova é ilícita, pois configura violação de correspondência. Aula 6 The right of privacy - the right to be left alone. Direito de que as informações ao meu respeito sejam controladas por mim. Não é possível a invasão da minha vida íntima, minha imagem, individualidade sem meu consentimento. A privacidade é o espaço de escolhas existenciais autônomas, livres de interferências. Sempre que se está diante de escolha existencial, o princípio da privacidade diz que se deve proteger ao máximo esse espaço. - Casais homoafetivos. Por que o estado deveria interferir nessa escolha de como formar o espaço familiar? Interessam mais as escolhas do indivíduo a respeito de sua própria vida. O espaço da privacidade é um espaço inviolável. Prova que fere esse princípio é ilícita? Depende. Violação de sigilo bancário seria prova ilícita sob a ótica do princípio da privacidade, mas é admitida no direito de família na ação de alimentos. Esse princípio do melhor interesse da criança, associado ao princípio da paternidade responsável, faz que não seja possível se escudar no princípio da privacidade. Diante da segurança, também perde o princípio da privacidade. O dever de cuidado é mais importante. Ex: mãe que pega as senhas da filha porque suspeita que ela esteja envolvida com tráfico de drogas. Como isso poderia repercutir? Reversão da guarda da mãe. No entanto, o direito da privacidade cede. Princípio da paternidade responsável Poder potestas (um círculo circunscrito no outro) - o direito me dá o poder e o interesse também é meu. O detentor do poder e do interesse jurídico é a mesma pessoa. Ex: divórcio, partilha de bens, extinção do condomínio (aquele que não quer mais ser proprietário tem o direito potestativo de encerrar a copropriedade). Pátrio-poder dos pais. Exerciam seu poder em relação aos filhos em seu próprio interesse. Os filhos eram uma espécie de propriedade dos pais. Hoje, a visão não é mais, essa. Hoje se enquadra no poder-dever. Poder-dever (dois círculos separados) - Poder familiar - baseado na paternidade responsável e melhor interesse da criança. O poder é dos pais, mas o centro de interesse é de outra pessoa. O poder não é exercido para satisfazer interesse próprio, mas para garantir interesse do outro A paternidade responsável traz o dever de cuidado, de garantir o melhor interesse da criança. Art. 227, CF Dever da família, mas também do Estado e da sociedade. A proteção da criança e do adolescente é prioritário, está afim daquele que o protege Para se garantir o melhor interesse da criança, é preciso viabilizar direito à vida, saúde, alimentação, educação, lazer, profissionalização, cultura, dignidade, respeito, liberdade e à convivência familiar e comunitária. Direito à convivência -> não se fala mais em regime de visitação com o pai que não detém a guarda. Aquele pai também faz parte de sua própria existência. É ação de regulaçãode convivência, não mais de direito à visitação. Um pai não visita seus filhos, participa de sua vida. Não é um colaborador financeiro, mas alguém que participa no tempo de convivência. A guarda não se limita à distância física, mas às escolhas, à participação na vida. A guarda deve ser sempre compartilhada. Os avós também têm direito à convivência, assim como o resto da família, pois se garante o interesse da criança. Padrasto - hoje há padrasto/madrasta pedindo direito à convivência sem se configurar paternidade socio-afetiva. É de melhor interesse da criança garantir isso em muitos casos. Surgiram dois institutos novos: Abandono afetivo -> acontece quando um dos pais ou ambos viola ou dever de afeto. Se o pai não dedica afeto ao filho, poderá ser cobrado danos morais pelo abandono afetivo. Crítica: esse sentimento só pode existir se for espontâneo. Não há como o direito impor a exigência de um pai amar seu filho. No entanto, se refere ao direito de cuidado, não amor. Ele precisa afetar a vida do filho de forma direta. STJ teve as primeiras decisões no sentido de não ser possível essa indenização, mas as últimas decisões reconheceram essa possibilidade. É um pedido juridicamente possível, no entanto só é deferido em casos específicos. Essa ausência nem sempre é fruto de um desejo consciente, pode ser uma dificuldade de se relacionar dos pais. Alienação parental -> surge como o contrapeso do abandono afetivo. Surge do afastamento do outro da convivência com a criança. Criam-se mecanismos de afastamento. Aula 7 Princípio da igualdade, assim como o princípio da privacidade tem duas perspectivas. Se manifesta: Em relação aos filhos (o sistema jurídico atual não aceita nenhuma distinção entre os filhos, ou seja, independentemente da origem da filiação, não pode haver tratamento diverso). O fato de os pais estarem ou não separados não altera o vínculo jurídico entre pais e filhos. As certidões de nascimento não podem identificar a origem da filiação. Se o filho é filho por adoção, natural, filiação sócio-afetiva, etc. A certidão de nascimento expressará apenas "filho de" sem qualquer referência à essa origem. Em relação à conjugalidade - casamento ou companheirismo Art. 226, §5o - "homem e mulher". Hoje, qualquer artigo que no direito de família apresente tratamento diverso entre homem e mulher é considerado não recepcionado pela constituição. Ex: quem tem a preferência para a guarda da criança? Nenhum dos dois. O gênero não é requisito de definição para a guarda. Questão: um bebê que ainda mama no peito - princípio do melhor interesse da criança. Fica com a mãe, por ainda ser lactante. Como fica a relação de convivência com o pai? Esse contato com o pai também é importante para um bebê lactante. É possível, na própria sentença, identificar qual será a evolução dessa convivência, já que enquanto mama, fica difícil ficar muito tempo com o pai. Requisitos para ação de alimentos: Art. 1694 CC - preenche o primeiro requisito da ação de alimentos -> existência de vínculo jurídico. Indica quem pode pedir alimentos para quem. A relevância será a análise de outros requisitos quando se tratar de cônjuge, pois juridicamente há possibilidade. Proporção da necessidade de quem reclama. Binômio: necessidade ou capacidade. Necessidade de quem pede e possibilidade de quem paga -> 1695 CC - apresenta a definição de capacidade e necessidade. Alimentos entre cônjuges é exceção no direito brasileiro para o STJ. Essa situação de necessidade tem que decorrer de incapacidade genérica, abstrata para prover seu próprio sustento. Não basta uma situação de impossibilidade circunstancial decorrente de escolhas da pessoa. A regra hoje é não dar alimentos para cônjuge. Há, por outro lado, um princípio de solidariedade no casamento. Art. 1511 CC. Comunhão plena de vida - vida em comum. Isso faz com que muitas vezes sejam feitas escolhas em prol do relacionamento. Qual a solução dada pelo judiciário? Alimentos transitórios. É uma criação da jurisprudência. Os alimentos transitórios viabilizariam uma passagem desse momento de dedicação à família para o mercado de trabalho. Caso: pato e Stephanie Brito. Ele a levou para morar em Milão. Ela, no entanto, era jovem e tinha profissão já consolidada. A família, por outro lado, se fundamenta na solidariedade, é isso que a diferencia da sociedade, por exemplo. É preciso chegar a um caminho do meio. A sentença de alimentos não faz coisa julgada (lei 5478). Os processualistas dizem o contrário, visto que não há como recorrer daquela sentença. A ação cabível tem objeto diferente. Necessidade e capacidade mudam muito. - Ação revisional para rever o valor dos alimentos quando a capacidade é reduzida com o decorrer do tempo, por exemplo. Aula 8 Casamento Há duas grandes teorias jurídicas acerca do casamento: Casamento como instituição Essa linha doutrinária parte do pressuposto de que o casamento impõe um modelo único, independentemente da vontade das partes, diferente do contrato, no qual a vontade é um elemento fundamental para determinar não apenas a formação, mas também o conteúdo do vínculo obrigacional. No casamento o conteúdo desse vínculo subjetivo que nasce entre as partes é dado pela lei. É como se fosse um modelo previamente determinado, no qual a parte escolhe aderir a esse modelo. O legislador usa a palavra "contraentes". A visão é no sentido de que se recebe algo ou adere a algo previamente determinado pelo ordenamento jurídico. Nesse sentido, há o Art. 1566. Deveres dos cônjuges: fidelidade recíproca. Não é possível afastar esse dever no pacto antinupcial. É um dever inerente ao casamento. Vida em comum no domicílio conjugal - dever de coabitação - não se limita ao dever de morar no mesmo teto, é mais amplo. Deve-se ter uma vida em comum dentro do domicílio. É desse dever que deriva o débito conjugal - dever de manter relações sexuais com o cônjuge. Mútua assistência - moral e material. Significa colaborar com o outro em qualquer situação. Proteção mútua. Ex: o padrasto que busca o filho da mulher numa festa para ajudá-la. Não enseja a paternidade afetiva necessariamente. A mútua assistência material é o dever de colaborar para a subsistência da família. É uma lógica de proporcionalidade, não de solidariedade. É a outra face do regime de bens. O regime de bens não interfere nesse dever de sustento. Não é porque há separação de bens que cada um deve pagar suas contas na vigência do casamento. Inc. IV - ligado à parentalidade - dever de guarda, sustento, educação dos filhos. Esse não é um papel só da mulher, mas de ambos. respeito e consideração mútuos - 1724 CC deveres da união estável comparados aos deveres do casamento. Fidelidade recíproca não está aqui. A monogamia é algo muito importante para a família. Quando na união estável se fala em dever de lealdade, a fidelidade seria conteúdo dessa lealdade. Não há espaço para a união estável com maior espaço para a negociação dos comportamentos existenciais. A idealização da união estável não foi abraçada pelo sistema, continuou reproduzindo na união estável os parâmetros comportamentais exigidos no casamento. A figura do 1566 mostra que é isso que se escolhe quando a pessoa decide se casar. A noção de casamento como um modelo jurídico de convergência de interesses. Não é uma relação de prestação e contraprestação, mas de mutualidade, convergência de interesses. Art. 186 CC - se viola o dever de fidelidade, é preciso indenizar? Quando se viola a mútua assistência, pode gerar indenização? Há divisão doutrinária: Casamento como contrato - contrato suis generis Critica: O fato de se ter acordo de vontades, espaço para negociações, não transforma num contrato, que possui natureza econômica, prestação e contraprestação. O direito de família não se baseia na vontade, mas no afeto. Parte do ponto de vista da formação do casamento. O casamento se forma a partir de acordo de vontades. Aqui não basta o acordo devontade, é preciso de um terceiro investido de poder pelo estado, que declare que aquelas vontades foram manifestadas de acordo com a lei. Esta pessoa é a autoridade celebrante. É o resquício das solenidades. O casamento é solene, é necessária sua celebração com presença de testemunhas em local público e na presença de autoridade celebrante. Casamento sem autoridade celebrante é considerado inexistente, salvo o casamento nucompativo (quando a pessoa está à beira da morte). Esse casamento terá que ser reconhecido em juízo posteriormente. Acordo de vontades + solenidade Fase de habilitação - escolhe-se o regime de bens. Regime legal supletivo -> regime imposto pela lei àqueles que não fazem pacto antenupcial. Para escolher outro regime, é preciso de pacto. Trata-se da comunhão parcial de bens. Antes de 77 era a comunhão universal de bens. Antes, o casamento era indissolúvel, não fazia sentido separar o patrimônio entre os cônjuges. A partir do surgimento da possibilidade de divórcio, tornou-se comunhão parcial, pois há a possibilidade de divórcio. Pacto antenupcial é escritura pública, exige acordo de vontades. Requisitos: Exige acordo de vontade e forma pública. O pacto tem natureza contratual, faz-se no ofício de notas, onde se realizam contratos. É registrado. Na habilitação, juntam-se todos os documentos exigidos por lei. Na habilitação se junta o pacto. O nome integra o direito da personalidade, ao casar-se, se a pessoa assume o sobrenome do seu cônjuge, esse nome passa a ser seu. Requisito para eficácia - celebração do casamento Questão que gera divisão doutrinária: pacto antenupcial feito, mas não há casamento. Há união estável. O pacto produz ou não efeitos jurídicos? A interpretação literal é de que não gerou efeitos jurídicos. A união estável permite que se escolha o regime de bens. No silêncio, também é comunhão parcial. No entanto, é possível disciplinar a escolha patrimonial, exigindo somente a forma escrita. Não exige que seja instrumento público. É possível pegar um regime de bens e colocar cláusulas que se pareçam mais com outros regimes. (Isso também vale para o casamento). Ex: regime de separação total, mas os bens imóveis se comunicam. É possível fazer adaptação à realidade de cada casal. Aquela escolha deve reger a relação de união estável. É ineficaz para o casamento, mas deve ser eficaz para a união estável. Há discussão doutrinária a respeito, visto que a interpretação literal é diversa. Se a pessoa resolve disciplinar o regime de bens depois de 10 anos, é legal? Há discussão. Há quem diga que sim, e retroage. Para outras, seria uma modificação do regime de bens, que acarretaria com as consequências trazidas por essa. Não se pode no pacto disciplinar deveres existenciais do casamento, só deveres patrimoniais e administração dos bens. É possível incluir a indenização pela infidelidade como cláusula? Os tribunais têm condenado por infidelidade, portanto, para o professor, deveria ser aceito, no entanto, há controvérsia. Não se regula o dever de fidelidade em si, mas afere-se um valor patrimonial para a quebra desse dever. A maior parte da doutrina tem sito refratária, por se acreditar prever dever existencial. Apesar de não se poder abrir mão de alguns deveres em concreto, há o princípio da privacidade. Se uma mulher aceita que o marido a traia, não afasta o dever em abstrato, mas o perdão e a tolerância afastam a alegação de infidelidade como causa da separação. A busca jurídica de se proteger é nova. Antes, essas questões não eram consideradas. Um reforço da teoria contratual, embora não se possa alterar os deveres do casamento, em concreto são reguladas pelas partes. A legitimidade é delas. Quem defende a natureza contratual, alega que hoje se tem cada vez mais feição privada menos institucional e pública do casamento. A lei 11441 permite que o divórcio seja extrajudicial, então se não há consenso, se há litígio, mas partes precisam de uma tutela jurisdicional, assim como quando houver filho menor de idade (princípio do melhor interesse da criança). O CPC também disciplina isso. Voltando à questão da traição, há o problema de que muitas vezes a traição vem de uma situação ruim do casal, etc. Se há perdão, o dever continua existindo. Se houver nova traição, esta poderá ser usada como motivação para a separação. O judiciário do rio exige que se entre com as ações em separado. Se for litigioso não se pode entrar com uma ação. Entende que é preciso entrar com ação de divórcio, ação de alimentos, ação de guarda, ação de cada coisa em separado, a fim de que uma coisa não se condicione à outra. Aula 9 Habilitação para o casamento Casamento como ato jurídico complexo > ato jurídico com várias fases, caracterizado pelo formalismo e pela solenidade. Se a união estável independe de qualquer manifestação de vontade, ou seja, basta a caracterização dos requisitos constitutivos da união estável para que esta ocorra no mundo jurídico (Art. 1723 CC). Os companheiros não precisam jamais conversar sobre o que representa o relacionamento e mesmo assim ter uma união estável. A escritura declaratória de união estável; > não é constitutiva! O que constitui a união estável é a convivência pública, contínua, com a intenção de constituir família. A escritura de união estável é meio de prova apenas. Documento ad probationem - apenas prova direito. Ad substantiem - necessário para a existência do direito Por um lado, há um sistema jurídico que não exige qualquer solenidade ou requisito formal, sem mesmo a necessidade de se discutir isso. É o direto dando significado aos fatos. Esta convive com outra de mesma hierarquia, que é o ato mais solene do direito brasileiro. Exige habilitação, celebração e registro. Para ser eficaz, é preciso que se some a essas três fases a ausência de impedimentos ou de causas de anulabilidade. Tendo um impedimento ou causa de anulabilidade (submetida à decadência, é como vício oculto), haverá um casamento ou válido e ineficaz ou inválido e ineficaz (impedimento). No casamento putativo, terá sua validade até o momento da anulação (efeitos ex nunc). Quando houver impedimento, a regra geral é de efeitos ex tunc, retroagindo até a data de celebração do casamento. Na habilitação, se garantem duas coisas: 1- tempo de reflexão: o OJ busca garantir que a vontade para o casamento seja livre. A vontade é causa de anulabilidade. A idade também é cogitada. Entre 16 e 18 anos, é necessária a autorização dos pais para o casamento. É possível buscar o suprimento dessa outorga em juízo. Se não for dada, é causa de anulabilidade. 6 meses para os pais desde a data do casamento. E para o nubente, 6 meses após completar 18 anos. Se os pais foram na celebração, cai a causa de anulabilidade. Se após o casamento os pais, por qualquer forma, demonstrarem aceitação àquele casamento, a causa de anulabilidade também é afastada. Causas de anulabilidade: erro quanto à pessoa, Art.1525, I. A certidão de nascimento é o primeiro documento que precisa ser apresentado, porque garante a idade núbia, a identidade das pessoas. Art. 1550, I e III. O primeiro vício da vontade está no Art. 1557 - erro quanto à pessoa. Erro quanto à identidade. Casamento do José Dirceu - volta do exílio com nome diferente. A mulher estava em erro quanto à sua identidade. Esse erro essencial sobre a pessoa do cônjuge é também um erro no que diz respeito à sua identidade, honra e boa fama. Requisitos para o erro quanto à pessoa: I - fato desconhecido; II- o fato tem que ser anterior ao casamento; III - tem que tornar insuportável a vida em comum. Exemplos: prostituição anterior ao casamento? Há divergência doutrinária; uma parte diz que não, pois seria violação da privacidade, vida íntima da pessoa. Não teria um dever jurídico de revelar todas as experiências vividas individualmente para a pessoa com quem irá se casar. Vários tribunais anulam. No RJ, é mais dividido, por entender fazer parte da vida íntima exclusivamente. A causa de anulabilidade decorre de exercícioanterior. A pessoa pode mudar no decorrer do casamento. Impotência coeundi - incapacidade de manter relações sexuais. Situações médicas. Considerada causa de anulação, não por erro, mas por defeito físico irremediável. Dentro da lógica de débito conjugal, dever de fidelidade, etc. Hoje é algo em desuso, visto que a experiência sexual nadador parte acontece antes do casamento. Tem que ser geral, não pode ser especial. A pessoa pode apenas ter uma incompatibilidade com o marido ou a esposa. Se não é algo geral, não é defeito físico, é psíquico. Impotência generandi - a pessoa tem capacidade para o ato, mas não tem capacidade de procriar. Trata-se da esterilidade. A doutrina é unânime em dizer que não é causa de anulabilidade. A procriação não é causa mais do fim do casamento. Nas causas de anulabilidade há prazo decadencial de 3 anos da celebração. Quando a pessoa aceita a situação, perde-se a causa de anulabilidade. Depois disso, a hipótese é de divórcio. Crime antes do casamento - também é causa de anulação, que também torna insuportável a vida conjugal. (1557, II) - qualquer crime? Alguns dizem que se fosse descumprimento de ordem judicial, não seria causa de anulação do casamento, assim como o crime culposo. Há divergência. Aqui vale o mesmo, se for perdoado, perde-se o direito à anulação. Caso: Araçatuba - uma mulher atropelou a outra, causando sua morte. Foi condenada por homicídio culposo. Nesse trâmite, se apaixonou pelo marido da falecida. O casamento foi permitido. 1548 - Casamento nulo - incapaz de manifestar vontade. Não há mais como fazer essa avaliação genérica. É preciso analisar o caso concreto. Lei 13146/2015. Mudou artigos do CC. Lei da pessoa portadora de deficiência. A doença mental também era causa de anulação. Hoje não é mais. Aos enfermos mentais hoje é garantido patrimônio. Era causa ou de nulidade ou anulabilidade. Hoje, tem garantido o direito de casarem-se. Essa lei é de 2015, ainda não se sabe como será direito. Coação - também hipótese de anulação do casamento. O prazo decadencial é de 4 anos da data da celebração (1560, IV e 1550, II c/c 1558). O temor reverencial não é considerado coação. O temor reverencial é o pastor, padre, pai. O fato de respeitar a autoridade de outra pessoa é diferente de coação. Esta é a ameaça de uma pessoa. A habilitação tem como finalidade evitar casamentos inválidos, nulos. Faz-se exame prévio dos nubentes para evitar a ocorrência de casamento nulo. Aula 10 Causas de anulabilidade. O direito tem o querer, o poder e o dever. O CC/16 trazia impedimentos para o casamento. Esses impedimentos eram: Dirimentes públicos - não pode Dirimentes privados - não quer Impedientes - não deve No CC de 2002, limita ao que eram os dirimentes públicos. Art. 1521 CC Esse casamento não está submetido a prazo decadencial. A qualquer tempo descoberta a causa de impedimento, este casamento terá sua nulidade reconhecida. Os impedimentos são: não podem casar ascendentes com descendentes. Esse risco é meramente genético? Com colaterais não se pode casar até 3o grau, salvo se tiver laudo médico no caso de 3o grau (dec. 3200/1941). É uma regra eugenista, visa que haja trocas genéticas, evitando doenças congênitas. A principal questão é a da formação do indivíduo. Isso pode criar traumas, dramas, dificuldade de relacionamentos e de exercício da vida adulta, além dos desvios psíquicos. Um dos fundamentos na revista do direito de família cita uma família na qual todas as filhas tiveram sua primeira relação sexual com o pai. A criança abusada se sente cúmplice do abuso, por não ter os instrumentos intelectuais nesse estágio da vida para compreender que aquilo é violador. Pode achar a experiência prazerosa. É preciso estabelecer limites. Para isso servem a religião e o direito. Além de proteger a questão psíquica, visa-se proteger o próprio Estado, para que pessoas da mesma família não se casem para ficar com pensão. O direito não permite que seja feito acordo que se libere a paternidade de uma das partes (paternidade biológica). Um contrato em que se diga que não é necessário o dever de cuidado da criança. O abandono afetivo gera indenização. Há dever jurídico de afeto, no sentido de cuidado, fundamentado no princípio do melhor interesse da criança. Uma mãe pode esconder do pai que ele tem um filho? Cabe indenização? Bruno entende que cabe, pois o pai foi privado dessa convivência. Se ele tem que registrar a paternidade, então deve ser indenizado. O que a alienação parental faz é que a pessoa tenha bloqueios psíquicos contra o pai ou mãe. Isso impossibilita o laço de afeto. Transformar para a criança um peso psíquico conviver com o pai ou a mãe. Art. 976 CC. Gera indenização a alienação parental. Se ao invés de o pai não buscar o convívio, a mãe violar isso, deve também gerar indenização. A lei não prevê a indenização, mas o sancionamento, como aumentar tempo de convivência com o alienado. Tanto a criança quanto o pai têm pretensão contra a mãe. Aula 11 Art 1528, VI - não pode se casar a pessoa casada. É o único impedimento relativizado na união estável. Não é absoluto nesse caso. As pessoas separadas judicialmente ou separadas de fato podem constituir união estável. Há situações em que se visa proteger o patrimônio. O terceiro de boa-fé é protegido em relação às atitudes do casal. Exigência de outorga (Art. 1647 CC) - situações jurídicas que o cônjuge não pode fazer sem autorização do outro, salvo quando o regime de casamento for da separação absoluta dos bens. A união estável, quando trata do regime de bens, estabelece que no silêncio das partes se aplicará o regime da comunhão parcial de bens no que couber. A interpretação dos tribunais superiores tem sido que não produz efeitos a fiança. O acesso à moradia exige facilitação para o locador receber o seu crédito. O fiador, se for casado em qualquer regime que não seja o de separação de bens, precisa da outorga do seu cônjuge. Caso contrário, a fiança não produzirá efeitos. E quando a pessoa se declarou solteiro quando virou fiador e aparece uma companheira que com ele vive em união estável? Pode anular essa fiança? Era entendido que sim, exige outorga. No entanto, esse entendimento mudou. Do ponto de vista existencial não pode haver diferença entre a união estável e o casamento, mas a pessoa que opta por uma união estável opta por uma situação de fato é não pode colocar em risco a segurança jurídica de quem se relaciona com ela patrimonialmente. A união estável não gera novo estado civil, então a pessoa não age de má-fé ao se declarar como solteiro. Muitas vezes a pessoa pode achar que sequer vive uma união estável, enquanto na realidade vive. Como se trata de uma situação de fato, muitas vezes a pessoa acredita não vivê-la. Hoje o STJ tem afastado a necessidade de outorga na união estável. Se a pessoa opta pela informalidade, não se pode colocar em risco aquele que gere seus negócios com segurança. O novo casamento exige um rompimento do prévio vínculo de casamento. Não pode por meio de declaração para o cartório alegando que está separado de fato, alcançar essa possibilidade. Para novo vínculo de casamento é necessário apresentar certidão de divórcio, é uma formalidade necessária. Vedação ao retrocesso social - pontos em que se avançou seria inconstitucional se retroceder. Ex: estatuto da família (tradicional) - seria inconstitucional retroceder. É vedada a família paralela ou simultânea, salvo quanto aos efeitos daquele que contrai o segundo casamento de boa-fé. Os efeitos serão mantidos até a sentença que declarar nulo (o casamento paralelo é nulo). As varas previdenciárias costumam, por outro lado, reconhecer famílias paralelas, reconhecendo a dependência econômica. A grande diferença entre os efeitos de um casamento nulo e um anulável estão no fato de que o anulável está submetido a prazo decadencial, enquanto o nulo nunca convalescerá. Os impedimentos dirimentes privados estãono campo do querer (Art. 1550) - tratam-se de uma vontade contaminada, seja pela idade, pelo erro, coação, pela incompetência da autoridade celebrante, revogação do mandato (casamento por procuração). A solenidade é a exigência da participação em espécie de ritual, ainda que não precise ser religioso, a lei civil exige o ritual. Quando o casamento vai ser feito por procuração, está deve ser: 1) por instrumento público; 2) com poderes especiais para celebração de casamento; 3) a procuração de casamento deve ser com pessoa determinada e identificada na procuração, sob pena de invalidade do instrumento. O enfermo mental. Lei 13.146 - buscou trazer tratamento mais humano para essas pessoas, criando série de direitos fundamentais. O fato de a pessoa não ter o discernimento para celebrar negócios não retira a sua capacidade para as relações existências. Essa lei garante a essas pessoas o direito ao matrimônio (Art. 6o, I). Não há nulidade nesse casamento. Decisão assistida - a sentença terá que determinar que atos o enfermo mental necessita de apoio ou não para decidir. O matrimônio, pela lei, não precisa de apoio. No entanto, há situações em que sim, é preciso, visto que envolve situações patrimoniais. O 1548, I foi revogado. Uma vez anulado ou declarado nulo, os efeitos retroagem à data da celebração. Além disso, há as chamadas causas suspensivas (impedimentos impedientes). As causas suspensivas são as pessoas que não devem se casar (Art. 1.523 CC). Não impedem o casamento, não tornam nem nulo nem anulável. Seus efeitos são meramente patrimoniais (Art. 1.641 CC). Quem casa sob causa suspensiva, casa no regime da separação obrigatória de bens. Todas as causas suspensivas se ligam a evitar confusão ou aproveitamento patrimonial. É possível fazer o divórcio e deixar a partilha para um momento posterior. O tutor é um administrador da vida alheia, não podendo durante seu exercício, se casar com a pessoa que está sob sua cutela/ curatela e a prestação de contas cesse. Os incisos I, III e IV podem ser afastados, provando-se a inexistência de prejuízos, como quando não há bens a partilhar, quando o tutelado ou curatelado não tiver patrimônio. A mulher viúva que teve casamento nulo ou anulado, e agora o divórcio tem que estar dentro desse inciso. Em tese, esse artigo (1.523) serve para ser aproximado do divórcio Art. 1.597, caput e II CC- novamente não há o divórcio. Há presunção de paternidade dos filhos nascidos no casamento. O casamento gera presunção da própria paternidade. A partir de 6 meses (180 dias) de casamento, há essa presunção. Essa presunção vai até 300 dias ou 10 meses (um artigo fala 10 meses e outro 300 dias), mesmo que haja divórcio antes disso. Quanto ao filho, para evitar a aplicação da causa suspensiva, prova que o filho já nasceu ou que não estava grávida. São regras que ficaram um pouco obsoletas por conta da existência do exame de DNA. As causas suspensivas dizem que não se deve casar, mas o direito não impede o casamento para essas pessoas. Se é verificado durante o processo de habilitação a existência de algum desses casos do 1.523. É preciso avaliar se a partilha de bens foi homologada, afastando a causa suspensiva. Se não foi homologada, há causa suspensiva. Quem casa sem ter feito a partilha de bens, casa obrigatoriamente com separação obrigatória. As causas suspensivas querem evitar a confusão patrimonial. O casamento tem previsto na lei os deveres dos cônjuges. Esses deveres estabelecidos na lei, de forma abstrata, não podem ser alterados pelas partes. Os deveres do casamento estão no Art. 1.566 CC. Esses deveres não são deveres cuja tutela específica possa ser exigida pelas partes. A não ser os de natureza patrimonial. Embora o casamento tenha o dever de fidelidade, não há nenhum instrumento para exigir essa fidelidade do cônjuge. Não há como fixar multa, etc. A vida em comum no domicílio conjugal é a mesma coisa. O débito conjugal não pode ser exigido coercitivamente. Esse dever não tem natureza obrigacional. Não é um dever jurídico ao qual corresponde um direito subjetivo, mas a qualificação da existência de um relacionamento familiar. Então esses deveres jurídicos são qualificadores daquela relação. A observância desses deveres é que demonstra a existência daquela relação familiar. O abandono a esses deveres é a possibilidade da caracterização do instituto da separação de fato. Esses deveres são o vetor interpretativo da efetiva existência de um relacionamento. Muitas pessoas criticam que esses deveres ainda constem na lei, alegando que deveriam ser da liberdade de cada casal. A união estável estabelece que são seus deveres a lealdade, respeito e assistência. Guarda, sustento e educação dos filhos. Faltam a fidelidade e vida em comum no domicílio conjugal. Dizem que está presente quando se fala em respeito. Mas o artigo do casamento fala nos dois. A legitimidade ativa e passiva da ação do divórcio é exclusiva dos cônjuges. Se a minha mulher viola o dever do casamento, ninguém pode pedir o divórcio por afronta à ordem pública, a legitimidade é exclusiva, dos cônjuges. A resposta do direito à violação dos deveres familiares tem sido as ações indenizatórias. Há três teorias... Aula 12 Responsabilidade civil Ha três linhas de pensamento relativas à responsabilidade civil no direito de família. O CC de 2002 quando estava no projeto, o art. 186 trazia uma previsão de que suas regras se aplicavam também ao direto de família. Foi vetada essa parte relacionada às relações familiares. Qual a linha de discussão aqui? Ha uma linha que trabalha defendendo que o art. 186 é abrangente e trata da responsabilidade civil extracontratual de uma forma genérica, sem distinguir qual a relação jurídica. Se agindo ilicitamente causo dano a alguém, tenho o dever de reparar esse dano. Essa construção pega os deveres existenciais do casamento e diz que se o cônjuge violar os deveres do casamento, comete ato ilícito e, se esse ato causar dano a alguém, há o dever de reparar. O dano pode ser material ou moral, então desse inadimplemento surge o dano moral. A segunda linha defende que no sistema jurídico brasileiro, até a possibilidade de romper o vínculo sem discutir culpa, esta era inerente ao processo de rompimento do vínculo. Era preciso causa (art. 1.572) para dissolver o casamento. O direito de família atual não quer mais que se impute violação ao outro de dever do casamento para poder se separar. O fato de ter sido violado dever do casamento hoje é irrelevante para o rompimento vínculo do casamento. Possui relevância meramente psicológica, não jurídica. Art. 1.573 CC. O adultério é conjunção carnal. A jurisprudência entende que entra numa interpretação ampla do quase adultério - atos preparatórios, que precedem a conjunção carnal. Não é preciso esperar a consumação para ter a prova da violação. Essas questões eram exigidas para a separação. Sevícia - práticas sexuais não usuais. Abandono voluntário do lar conjugal. Condenação por crime infamante ou conduta desonrosa. "Outros fatos que impossibilitem a vida em comum" - o legislador não conseguiu imaginar tudo que acontece num casamento que possa ser violador. O fim do afeto torna impossível a vida em comum, por exemplo. O 1.573 deu válvula de espace. Começou a ser interpretado esse dispositivo de forma que não era necessário mais violar os deveres do casamento. Família sagrada - indissolúvel - precisava de causa (culpa) para a dissolução do casamento. Os filhos menores ficavam com o cônjuge que não deu causa à separação. EC 66 O nosso ordenamento jurídico impede que essas causas sejam discutidas. Faz parte da liberdade da pessoa se separar. Não é relevante para o direito a causa. É importante a expressão de liberdade. Dar causa à separação não é relevante para decidir a guarda das crianças. O princípio que rege essa escolha é o do melhor interesse da criança, preservar seu lugar de afeto. O divórcio é extrajudicial, salvo quando há filhos menores. Hoje, aspessoas com não conseguem mais discutir isso nos processos de família, porque perdeu a relevância, discutem em processos de responsabilidade civil. A responsabilidade civil é ligada ao direito obrigacional, aos direitos jurídicos de cunho patrimonial. A resposta que o direito de família dá para o marido infiel é o divórcio. Mas ele tendo o dever de fidelidade, a ele não corresponde um direito subjetivo. Não há como exigir o cumprimento desse dever. Para aqueles que são contra o dano moral, é mais fácil pagar do que enfrentar a situação. A perda do poder familiar, por exemplo. Se a mãe recebe multa porque o pai não pega a criança no seu final de semana. Se o pai não quiser participar mesmo, pra ele é mais fácil pagar. 1a corrente - 186 CC - cabe 2a: direito de família é um campo próprio com respostas próprias - não cabe 3a: cabe responsabilidade no direito de família quando houver elemento que viole não apenas a expectativa familiar, mas quando houver violação do direito da personalidade. Ex: se o fato praticado fosse praticado por alguém de fora da família geraria dano moral? Se sim, então por que não teria quando praticado pelo cônjuge? Aula 13 REGIME DE BENS As relações de família se resumem basicamente em três conflitos: regime de bens, alimentos e a guarda e convivência com os filhos. O regime de bens pertence a esfera da liberdade e privacidade. Nesse sentido, a escolha do regime de bens é de livre decisão do casal. É ajustada no momento de habilitação através do pacto antenupcial. O oficial do registro civil deve apresentar aos nubentes as possibilidades. O regime legal supletivo é o da comunhão parcial de bens. Isso quer dizer que se o casal não escolhe previamente, este será o seu regime de bens. Até 1977 quando foi promulgada a lei do divórcio, o regime legal supletivo era o da comunhão universal, uma vez que o casamento era indissolúvel e sagrado. O princípio da liberdade e privacidade está positivado no art. 1.639 CC, mas encontra restrição no art. 1.641 CC que impõe a determinadas pessoas um regime obrigatório da separação de bens. Essas pessoas são: 1. Todas as pessoas que casam sob causas suspensivas. As pessoas que não devem casar e casam, não tem o seu casamento anulado ou nulificado. Mas, não podem escolher o regime de bens. O casamento é válido e eficaz. 2. Maiores de 70 anos. Até 2010 eram os maiores de 60 anos. Em 2010, houve alteração do inciso 2 do art. 1.641. Esse inciso é considerado inconstitucional, porque reduz a capacidade abstratamente de pessoas plenamente capazes. O fato da pessoa ter 70 anos, não tira dela o discernimento necessário para escolher o regime de bens sob o qual irá casar. O princípio da solidariedade, ligado ao princípio da afetividade, estabelece um dever jurídico muitas vezes de sustento. Seria um dever jurídico de partilha de bens independente da contribuição de cada um financeiramente. A ideia é de que a pessoa te ajudou a construir o seu patrimônio. Assim, em teses, aos 70 anos a pessoa já construiu o seu patrimônio, motivo pelo qual não precisa dividi-lo. Entende-se que a pessoa que casar com o maior de 70 poderia estar enriquecendo ilicitamente e, muitas vezes, estaria interferindo nos direitos sucessórios. Pode, no pacto, optar por um regime de bens, mas trazer disposições relativas a outros. Ex: regime da comunhão parcial, mas que estabelece que os bens imóveis não se comunicam. Ou, regime de separação absoluta em que apenas os bens imóveis se comunicam. Regimes de bens: a. Comunhão parcial de bens: Compartilham os frutos e as benfeitorias dos bens que foram adquiridos antes do casamento. Ex: homem tem um apartamento que ele coloca para alugar. Os alugueres têm que ser para os dois. ****. Lucros e participação patrimonial não é a mesma coisa que benfeitorias e frutos. O cônjuge não tem direito aos lucros e participações patrimoniais de um bem particular. A valorização também não se comunica. b. Comunhão universal de bens: Todos os bens pertencem aos dois não importando o tempo em que foram adquiridos. c. Participação final nos aquestos Bens adquiridos depois do casamento. d. Regime de separação absoluta e. Regime da separação obrigatória (s. 377 STF) – regime legal obrigatório. A origem dessa súmula: STF ao interpretar o art. 258 e 259 do CC/16, no silêncio do pacto aplicam-se as regras do regime de comunhão total dos bens. Essa súmula pacificou o entendimento de que ao regime da separação obrigatória, aplicam-se as regras da comunhão parcial dos bens adquiridos depois do casamento. Hoje o regime de bens é mutável. O efeito é ex nunc a partir da alteração. A alteração exige acordo de vontades e deve ser feita pela via judicial. Ação judicial voluntária. A ação precisa ser motivada. Sendo ex nunc, a alteração não viola o direito de terceiros de boa-fé. Essa alteração previne o “falso divórcio”. Como não podia mudar o regime, as pessoas se divorciavam e casavam de novo sob novo regime. Aula 14 O pacto antenupcial tem que ser por escritura pública, firmada por ambos os cônjuges. Assim, ele é sempre decorrente do acordo de vontade. Não há como impor a outra parte um regime de bens diverso daquele que é o regime de bens supletivo. Esse pacto tem a sua eficácia submetida a uma condição suspensiva que é a realização do casamento. Ou seja, só produz efeitos se realizado o casamento. Na união estável, o legislador optou pela mesma sistemática no que diz respeito a ausência de escolha de um regime de bens. Isto é, se os companheiros não escolherem um regime de bens, eles estarão submetidos ao regime da comunhão parcial de bens. Mas, o legislador exigiu apenas a forma escrita, não exigiu pacto antenupcial por escritura pública, pode ser por instrumento particular. O pacto antenupcial não seguido de casamento, mas verificada a união estável, ele produz efeitos ou não? O STJ tem duas correntes de Ministros. O último julgamento, por maioria, entendeu o pacto como válido. Como a união estável exige menos formalidades do que o casamento, se as pessoas utilizarem um meio mais formal, como desprezá-lo? A linha vencida entendeu que o pacto antenupcial tem a sua eficácia contida, depende da realização do casamento. Logo, o para eles, o pacto não teria eficácia. Não se pode afirmar que esta é a intenção deles para a união estável. Irrenunciabilidade ao recebimento de alimentos – você pode dizer que não quer alimentos na hora do divórcio. Mas, não pode fazer isso no pacto antenupcial. Isso porque não tem como você saber a priori se você precisará ou não deles, no caso de seu casamento ou união estável acabar. Também não pode fazer uma espécie de cláusula penal relacionada aos deveres do casamento. “Se não cumprir, paga”. Questão das 3 teorias (responsabilidade civil). Também não pode afastar os deveres do casamento. O pacto está ligado a questões patrimoniais e não à questões existenciais. Aula 15 Posso escolher o regime da comunhão parcial de bens e estabelecer que minhas participações em sociedades empresariais não se comunicarão, por exemplo. Admite-se também a situação temporal ou condicional no pacto. Ex: regime da separação total, mas os bens imóveis se comunicarão se desse casamento sobrevierem filhos. Hoje há o princípio da mutabilidade do regime de bens. Como já vimos, pode-se alterar o regime de bens. Efeitos: ex nunc (REsp 1533179 – trata da possibilidade de se fazer a alteração do regime de bens e partilha, mesmo que não ocorra a separação ou o divórcio). Pode fazer a alteração do regime de bens no curso do casamento. O Código de Processo Civil trouxe disposições expressas sobre a alteração do regime de bens. Isso porque essa alteração tem que ser necessariamente consensual e em processo judicial. Tanto o CC, quando o CPC, dizem que essa alteração do regime de bens tem que ser fundamentada e será ineficaz em relação a terceiros no que diz respeito aos seus direitos de crédito. A alteração do regime de bens não pode servir como uma burla para quea pessoa fuja de seus credores. Nesse sentido, é muito bom fazer a partilha no momento em que se faz a operação no regime de bens (mas não é obrigatória). A partilha não é obrigatória nem no divórcio. Arts. 693/699 CPC. Esses artigos nos informam que o divórcio e a partilha não precisam ocorrer simultaneamente. Se faço, tenho que seguir o rito de partilha reservado ao processo de divórcio. Se não, sigo o rito de partilha previsto para as sucessões. Aquele que ocupa o bem privativamente, terá que remunerar a pessoa privada de ocupá-lo. O STJ firmou o entendimento de que essa cobrança só poderá ser feita depois da partilha. Por quê? Porque a comunhão é uma universalidade de bens: todos os bens adquiridos pelo casal na constância do casamento. O que vai caber a cada um? Superior Tribunal de Justiça entende que só quando souber o que efetivamente cabe a cada um é que se saberá se há ou não o enriquecimento sem causa de alguma das partes. Muitas vezes, consegue-se em primeiro grau o pagamento da taxa de ocupação. Quando? Quando mesmo não tendo ocorrido a partilha, o único bem a ser partilhado é aquele ocupado por apenas uma das partes. Quando há o envolvimento de participações societárias, diante dessa interpretação do Superior Tribunal de Justiça, o que tem sido feito, e cada vez mais a doutrina e jurisprudência têm abraçado essa causa, são os alimentos compensatórios. Estes são alimentos devidos por aquele que usufrui exclusivamente do patrimônio comum até que seja dada a partilha. Pode ser que os estatutos não prevejam ou vedem a entrada de cônjuge, sucessores. Mas, isso não tira dessa pessoa o direito de receber os proveitos daquilo. Então, ou se faz uma liquidação parcial aplicando à quota o seu real valor, ou recebe a parte que lhe cabe diante dessa avaliação. Até isso acontecer, os alimentos compensatórios são uma forma de aquela pessoa que está retirando o lucro daquela atividade compense a outra privada de de fazer o mesmo. A partilha de bens não incide nenhum imposto de transmissão a não ser que ocorra desequilíbrio na partilha. Se é feita 50%/50% não há tributação porque não há transferência de propriedade, patrimônio. Há exclusivamente uma dissolução de propriedade comum, de comunhão (o que era comum passa a ser partilhado). Incide imposto se essa divisão é desigual, ex: 60%/40%. O imposto incidirá sobre 10%. Não pode doar bens que ultrapassem 50% do seu patrimônio individual, por configurar ofensa à legítima. Quando o bem comum é alcançado por uma dívida de apenas uma das partes, a penhora cai sobre todo o bem e não somente sobre a parte do cônjuge devedor. O produto dessa alienação será entregue ao cônjuge não devedor na proporção da sua participação daquele bem, ainda que o bem não supere o valor da dívida. Nesses casos, ocorre dessa forma porque a dívida é anterior ao casamento ou posterior à separação. Somente a outra pessoa perde a sua parte se ficar provado que o motivo da dívida foi proveitoso a ambos. A igualdade entre homem e mulher reflete no campo patrimonial no sentido de que ambos devem prover o sustento da família proporcionalmente e ambos administram livremente o seu patrimônio. A gente pode colocar no pacto cláusula conferindo a um ou a outro a administração exclusiva do patrimônio comum. Ex: estou casado e temos um bem imóvel. Eu posso, com essa cláusula, administrar livremente. Entretanto, há atos que não podem ser administrados livremente – art. 1.647 CC. Determinados bens, sejam particulares ou comuns, o legislador criou restrições para a administração isolada. Em alguns casos, restrição-administração e, em outros, alienação. O CC/16 dizia que essa regra de que cada cônjuge administra os seus bens não é assim. Isso porque, ao se casar, a mulher passava a precisar da autorização ou assistência do marido para todos os atos da vida civil. Todas as regras que lidam com incapacidade são regras de proteção – essa era a visão do código. O CC/2002, a partir da igualdade prevista na Constituição Federal, determinou que cada um administra os seus bens. A outorga uxória é a outorga que a mulher dá ao homem e a outorga marital é a que o homem dá à mulher. A outorga conjugal não é exigida no regime de separação absoluta de bens. Nele, ninguém precisa de outorga dos atos previstos no art. 1.647 CC. Quais são os atos para o qual eu preciso de outorga uxória ou marital (= conjugal)? Art. 1.647 CC – I) nenhum dos cônjuges pode sem a autorização do outro alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis, não importando se o bem é comum ou particular. II) pleitear como autor ou réu acerca desses direitos: CPC também prevê essa necessidade (art. 73). Ações reivindicatórias, etc. Algumas o legislador entendeu que não precisa, ex: cobrança de quotas condominiais, pois não tem natureza de real. Logo, não precisaria citar todos os cônjuges. III) prestar fiança ou aval. Essa necessidade é uma proteção do endividamento familiar. A fiança permite que se afaste a natureza do bem como bem de família. A outorga é um instituto muito mais para os bens particulares, do que nos bens comuns. A outorga de um para venda de bens particulares do outro pode ser suprida em juízo. Aula 16 O regime da comunhão parcial apresenta uma regra geral: nesse regime, integrarão os bens que sobrevierem ao casal na constância do casamento. O que cada um tinha ao se casar não será bem comum, não se comunica. Não importa no nome de quem o bem é registrado, se for adquirido na constância do casamento, é bem comum. O art. 1.659 apresenta as exceções à essa regra geral. Regime de comunhão de bens Art. 1659. Se eu recebo um bem por doação, esse bem não se comunicará com meu cônjuge. Não há esforço para aquisição desse bem. A natureza gratuita faz com que não haja a comunhão, a partilha desse bem. Também não se comunicam os adquiridos por sucessão. Se eu, como herdeira (vocação hereditária) ou legatária (testamento) de alguém, esse bem que entra no meu patrimônio, mesmo que na constância do casamento, não se comunicará com os bens do meu cônjuge. "Os sub-rogados em seu lugar." O que são os bens sub-rogados? São aqueles adquiridos como produto da venda do bem particular. Eu herdo da minha mãe um apartamento, vendo esse apartamento e compro uma casa. Essa casa não foi recebida por herança. Como a compra dessa casa foi produto do dinheiro de um bem particular, ele mantém a mesma natureza de bem incomunicável. Se coloco esse dinheiro num fundo de investimento, terá a mesma natureza. Os frutos, seja do investimento, seja do apartamento, se comunicam. Os frutos seguem a regra geral. Cuidados: tentar ao máximo deixar clara essa sub-rogação. Cabe a quem alega essa sub-rogação prová-la em juízo. A presunção é de que o bem é comum se no RGI constar data posterior ao casamento. Pode-se colocar na própria escritura de compra que os valores para sua compra são produtos da venda de bem particular. O cônjuge deve assinar esse documento. Pode ser parte bem particular e parte bem comum. Ex: 50% do pagamento com o dinheiro do bem particular e 50% de outra fonte de renda, esses 50% serão dos dois. Quem comprou terá 75% nesse caso. A sub-rogação não se limita ao que for recebido por herança ou testamento. O bem particular anterior ao casamento também tem essa característica. Traz a interpretação de que as obrigações assumidas na constância do casamento integram a comunhão. Nao se partilham apenas os bens adquiridos, tudo que soma ao patrimônio. As dividas, as obrigações constituídas na constância do casamento também são partilhadas. No caso de enriquecimento ilícito, se a esposa se beneficia, divide também a responsabilidade desses atos ilícitos. Se não houver benefício da família, como no caso de um dos cônjuges atropelar um pai de família e dever indenização, alimentos, não atingirá os bens particulares de seu cônjuge. Bens de uso pessoal - roupas, escova de dentes, etc. Joias? Investimento ou bem de uso particular? Se as joias são investimento da família, caem como bem comum. A regra geralencara como bens particulares. É preciso se analisar o caso concreto. Um médico monta um consultório, o que há nesse consultório é bem particular. Mas o STJ tem considerado parte do patrimônio da família como deslocado para aquele bem quando é muito expansivo. É uma zona muito limítrofe. Obs: os bens móveis presumem-se adquiridos na constância do casamento. É, portanto, recomendável fazer um arrolamento no pacto antenupcial. Os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge não se comunicam. Salário - bem particular. Gasto como quiser. 1/3 custos de vida. 1/3 previdência, investimentos, 1/3 para gastar com o que desejar. Esse dinheiro investido deixa de ter natureza de provento do trabalho, passando a ser bem comum. Ele não se sub-roga, é considerado bem comum. O FGTS tem que partilhar. O STJ tem decidido que o FGTS do período do casamento tem que ser partilhado. Não é em recurso repetitivo, isto é, nada impede que seja discutido caso a caso. Mesmo havendo divisão, não pode haver saque, salvo quando se concretizar pela lei. (Lei 8037) Norma extensiva do inciso anterior. A fonte de renda não precisa ser necessariamente fruto do trabalho. (Montepio - atividades religiosas). Seguem a mesma lógica seguida no inciso anterior. Aula 17 Caso que chegou ao STJ: Primeiro o Superior Tribunal de Justiça admitiu a cláusula indenizatória pelo rompimento do casamento. Isso estava previsto no pacto (R$ 500.000,00) e foi entendida como válida a cláusula. A cláusula não estava vinculada ao descumprimento de dever familiar. Criticaram muito a cláusula como indenizadora de descumprimento do dever familiar, uma vez que os deveres do casamento são existenciais e não patrimoniais. O pacto não discute infidelidade, dono da vontade de terminar o casamento etc, a aceitação da indenização nesse julgado por parte do STJ está relacionada ao fato de que as disposições do pacto antenupcial deveriam ser livremente estabelecidas, assim como ocorre em um contrato. O pacto antenupcial tem natureza contratual. Caso em que o casal se separou e o homem saiu de casa (apartamento dele). Estabeleceu que ela ficaria lá com a filha, gratuitamente, por dois anos. No fim desse prazo, como pegar o imóvel de volta? Junto ao divórcio, faz um contrato de comodato. Dessa forma, essa questão será vista pelo direito civil como relação contratual. Mas aí teve conflito de competência entre a vara de família e a vara cível. A vara de família pode alegar que o imóvel, a moradia é alimento in natura. A lei de alimentos diz expressamente que a sentença de alimentos não transita em julgado. Do ponto de vista processual, isso não procede. Para os processualistas o transito em julgado é um fenômeno preclusivo. Mas, no caso dos alimentos, a questão seria que há uma nova causa de pedir. Essa causa de pedir seria uma mudança na balança necessidade de quem recebe/possibilidade de quem paga. Dessa forma, rever a sentença é possível. Art. 1.660 CC – Bens que entram na comunhão. Reforça os “óbvios” e integra também aqueles que em tese não entrariam, mas entram. I) regra geral. Inciso quis reforçar que, ainda que o bem esteja no nome de um deles, o bem é comum. II) bens advindos de jogos de azar devem ser partilhados entre o casal independente de apenas um ter jogado. “Se você deu sorte, é porque ela/ele está ao seu lado”. Se a pessoa ganha prêmio pelo trabalho, também deve ser partilhado. Se não for caracterizado como doação ou sucessão, há a partilha, é bem comum. III) alguém, em testamento, deixa bem para o casal, logo o bem é comum. V) frutos e benfeitorias dos bens particulares também são bens comuns. Ex pendente: vaca grávida - Separação do casal – bezerrinho é bem comum, mesmo tendo nascido fora da constância do casamento. O fruto vem para frente, mas o direito a ele surge antes. Questão: madrinha da mulher deixa para ela e o “marido” um apartamento no testamento. Quando ela escreveu isso, a mulher estava casada com João. Quando a madrinha morreu, estava casada com Pedro. Qual a solução? Ou ficará para o João ou será nula a cláusula por não identificar a pessoa. Pode-se dizer que se a madrinha não mudou o testamento, é porque interessa a ela que o marido atual tenha direito ao patrimônio. Doação ≠ testamento. O testamento só tem eficácia com a morte. A doação opera os seus efeitos no momento da doação. Se você faz uma doação para uma filha, você deve dispensá-la da colação. Se não, na hora de partilhar pelo testamento, esse bem doado “volta” e integra a conta de divisão como se tivesse sido um “adiantamento de herança”. Art. 1.661 CC – Mas, se o bezerro nasce na constância do casamento, mas a vaca engravidou antes, o bezerro não é bem comum. O ônus da prova é do dono do bem. Outro exemplo: compro apartamento em maio/2000. Caso em set/2000 e só registro o apartamento em dez/2000. O apartamento é bem particular. Art. 1.662 CC – presunção relativa de que os bens móveis são adquiridos na constância do casamento. Se não for caracterizado como doação ou sucessão, serve para reforçar o caráter de exceção para a comunicação dos bens no casamento. Se for na sorte, se comunicam. Ex: se a pessoa ganhar na loteria, divide com o cônjuge. Se for deixado para o casal herança, se comunica. Só não se comunica se for deixado para pessoa exclusivamente. Se no testamento uma tia deixa para o casal, mas esse casal se separou. Ela, que era sobrinha, casou-se de novo. Qual a solução? Ou fica para o primeiro marido também, ou há nulidade dessa cláusula. Poderia ficar também ficar para o segundo marido, se não ficasse explicito que se tratava do primeiro marido. Há confusão. O testamento só tem eficácia com a morte. 1.660, V - frutos dos bens comuns percebidos na constância do casamento. Os frutos e benfeitorias dos bens particulares são bens comuns. 1.661 - muitas vezes ele entra no meu patrimônio quando estou casado, mas a causa é anterior ao casamento. O bem continua sendo particular, no entanto, o ônus da prova é do cônjuge de mostrar que o bem é dele apenas. 1.662 - Presunção relativa de que os bens móveis são adquiridos na constância do casamento. É recomendável fazer um inventário dos bens que possuía ao se casar. Aula 18 Outros regimes: O regime da comunhão parcial é o regime legal supletivo, quem não escolher o seu regime de bens por meio de pacto antenupcial está regido sob esse regime. Na união estável pode-se fazê-lo por escritura particular e caso não o faça, está submetido a esse mesmo regime. Quando o casamento era indissolúvel, era natural que o regime fosse da comunhão total. A partir do momento em que passa a ser dissolúvel, o regime da comunhão parcial passa a ser considerado mais justo. Pelo regime da comunhão parcial, somente os bens que ingressam no patrimônio do cônjuge depois de casados é que constituem essa comunhão. Na comunhão universal, os bens anteriores ao casamento também se comunicam com os do cônjuge, além daqueles que sobrevierem ao casamento. Na comunhão universal há, no entanto, bens que não se comunicam. As primeiras três categorias de bens que não se comunicam são os incisos V a VII do art. 1.659. Esses bens são considerados personalíssimos. Vale a mesma regra interpretativa de que o instrumento do trabalho tem sido flexibilizado e dividido quando for de valor muito elevado. Ex: consultório de dentista. Há muitos objetos e aparelhos caros, que deverão ser divididos, embora sejam instrumentos de trabalho. Bens recebidos por doação ou herança só não se comunicam se estiverem marcados com a cláusula de incomunicabilidade no caso da comunhão universal. Quanto à comunhão parcial, não se comunica. O salário, as rendas não se comunicam como direito em abstrato, mas se esse direito se transmuda, essa nova natureza é bem comum. Ex: recebo meu salário, enquanto está na minha conta, é bem particular. A partir do momento em que pego parte desse dinheiro e invisto em alguma coisa, ele passa a ser comum. Não se pode, no entanto, sutilizar dessa previsão de que a conta corrente se trata de bem particular para ocultar patrimônio. Por lógica de solidariedade, o ônus da prova incumbe a quem alega a separação de fato. Não seria justo que eu, ja separado de alguém, me escorasse apenas em um vínculo formal para retirar patrimônio do ex cônjuge, que ja tinha se separado de fato. Art. 1.668 CC Inc. II - Também não se comungam os bens cravados em fideicomisso. O fideicomisso é um instituto jurídico sucessório em que o bem fica com uma determinada pessoa, mas ingressa no patrimônio dessa pessoa sob condição resolutiva. Quando essa condição acontece, já está determinado para quem vai. A condição para quem recebe é suspensiva. Difere do usufruto no sentido de que, no usufruto o direito nunca se converterá. Aquele direito seguirá a ordem sucessória do proprietário, não de quem tem o usufruto. No caso do fideicomisso, se o fidussiante morrer, pode se consolidar a posse na mão daquela pessoa. O último bem que não se comunica são as dívidas anteriores ao casamento, salvo se tiverem duas características: I) dívidas com os próprios custos do casamento; II) dívidas anteriores ao casamento, se provado proveito comum. SEPARAÇÃO DE BENS Esse regime é um regime lacônico. Art. 1.687 O regime da separação é regido em absoluto pelo pacto. Essa incomunicabilidade do regime da separação será do tamanho previsto no pacto. Via de regra, o pacto prevê a incomunicabilidade absoluta. É também conhecido como regime da separação absoluta, portanto. Isso, por outro lado, não impede que seja previsto no pacto a comunicabilidade de determinada categoria de bens. O STF, antes de 1988, disse que o regime da separação obrigatória (quem casa sob condição suspensiva e maiores de 70 anos) é diferente da separação absoluta. Há dois regimes de separação, assim como há dois de comunhão. Súmula 377 do STF. No regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento. Essa interpretação foi feita a partir dos arts. 258 e 259 do CC/1916. No silêncio do pacto, aplica-se ao regime de bens as disposições do regime da comunhão parcial. Se o pacto for silente, aplicar-se-ão as regras da comunhão parcial. Os bens adquiridos na constância do casamento se comunicam, pois aqui não havia pacto. No silêncio do pacto, aplicava-se a comunhão parcial. Nessa época, as mulheres com mais de 50 e os homens com mais de 60 eram impostos ao regime de separação total. Essa proibição visa proteger o enriquecimento sem causa, o golpe do baú. A jurisprudência passou a entender que o esforço comum era baseado na solidariedade. O casamento tem a lógica do afeto. Todos os bens adquiridos na constância do casamento passaram a ser entendidos como compartilhados. A separação obrigatória acabou recebendo o tratamento da comunhão parcial. O casamento não deve ser forma de enriquecimento sem causa. O enriquecimento tem que ser junto, construído pelo casal. Por isso, o mais normal seria impedir a comunhão universal. No entanto, a lei vedou que seja feito pacto para as pessoas acima de 70 anos. Os cartórios geralmente não aceitam isso. Fazem o que está na lei. A lei quer que seja visto casa casamento da forma que é. A separação total só se alcança mediante decisão judicial. O regime da separação obrigatória é regido pela comunhão parcial, como define a súmula. A pessoa pode não querer comunicar seus bens, então vai a justiça pedir um pacto mais protetivo. Muitas vezes, os juízes deferem. Estão começando a ter decisões voltando a exigir participação financeira para se partilhar bens na separação obrigatória. A jurisprudência está começando a mudar a interpretação da súmula, sob o argumento de que são outros tempos e deve haver esforço comum financeiro. Aula 19 REGIME DA PARTICIPAÇÃO FINAL NOS AQUESTOS. Aquestos: bens adquiridos na constância do casamento. Aprestos: bens adquiridos antes do casamento. Esse regime é novidade do CC de 2002. Esse regime segue a lógica do regime da separação absoluta durante o casamento. No momento da dissolução do casamento, há uma espécie de “encontro de contas", aplicando-se a regra da comunhão parcial para partilhar os bens adquiridos com esforço comum na constância do casamento. A fim de evitar que um dos cônjuges viole essa meação, esse direito que o outro cônjuge tem na participação dos bens que estão em seu nome, a lei determina que os bens transferidos por doação que deveriam integrar a meação retornem ao monte contabilmente. Ou seja, a doação não é tornada ineficaz: o donatário não precisa restituir o bem, mas o valor daquele bem é contabilizado para se fazer a partilha. art. 1672, CC. Cada cônjuge possui patrimônio próprio e lhe cabe à época da dissolução da sociedade conjugal, direito a metade dos bens adquiridos pelo casal a título oneroso na constância do casamento. art. 1673 - Integram o patrimônio próprio os bens que cada cônjuge possuía ao casar e os por ele adquiridos a qualquer título na constância do casamento. Ou seja, aplica-se uma lógica de separação absoluta na constância do casamento. O patrimônio próprio, isto é, bens particulares de cada cônjuge, é tudo o que ele possuía ao casar e tudo o que adquirir, a qualquer título na constância do casamento. art 1674 - bens adquiridos antes do casamento ou na constância por doação ou herança não entram na meação, são bens particulares. art 1675. Importante! Ao determinar o montante dos aquestos, computar-se-á o valor das doações feita por um dos cônjuges sem a necessária autorização do outro. Se não houver autorização, o bem pode ser reivindicado pelo cônjuge ou declarado no monte partilhado o valor equivalente ao da época da dissolução. No regime da separação final dos aquestos - art. 1656 - pode se convencionar a não necessidade de outorga para alienação dos bens imóveis próprios (particulares de cada cônjuge). Nesse caso, aqueles que não vão integrar a futura meação. Ou seja, só os adquiridos antes do casamento ou que recebeu por doação ou sucessão na constância do casamento. Os bens que na comunhão parcial não integrariam meação, podem ser alienados nesse regime da separação final de aquestos sem a necessidade de outorga. CONTUDO, isso tem que estar escrito no pacto. Se o pacto só optar pelo regime da separação final de aquestos, aplica-se a regra geral de necessidade de autorização dos cônjuges para a alienação ou gravação de ônus reais bem imóveis (art. 1647). Qualquer pessoa casada em regime sem ser o da separação absoluta de bens, para alienar imóvel, independentemente de ser bem particular ou comum, precisa de autorização do cônjuge. No regime da participação final dos aquestos precisa dessa autorização, já que o art. 1647 não previu esse regime como uma exceção à necessidade de outorga. Contudo, quando o CC trata das regras a respeito do pacto antenupcial diz que quem opta pela participação final dos aquestos, poderá no pacto liberar a necessidade de outorga para a alienação de bens imóveis desde que particulares. O problema desse art 1675 e que na participação final dos aquestos os bens são tratados como próprios na constância do casamento e só no final se verifica se eles são aquestos (bens adquiridos onerosamente na constância do casamento), logo, isso gera dificuldade. O importante, portanto, para aquele que vai comprar o imóvel, se tiver a cláusula no pacto permitindo a venda sem outorga para os bens particulares, é verificar se o bem foi adquirido na constância do casamento ou antes do casamento (apresto - bem particular). Se ingressou no patrimônio do alienante na constância do casamento é necessário verificar o modo de aquisição daquele bem que está comprando. A autorização que se coloca no pacto é só para livrar de outorga a venda de bens particulares. Portanto, o comprador, para confirmar que pode comprar aquele bem sem outorga tem que ver se ele é anterior ao casamento, ou se adquirido na constância do casamento, se foi transferido por herança ou doação - vai serisso na escritura pública ou no rol de bens inventariados. Se não tiver pacto vai precisar de outorga para a venda de qualquer bem. Se a venda foi feita sem a autorização nos casos em que é exigida, o cônjuge prejudicado pode pedir evicção por ação reivindicatória da propriedade ou somente pedir o retorno contábil ao patrimônio. Nesse regime é possível que os cônjuges administrem individualmente seus bens na constância do casamento (exceto a venda que precisa de outorga. Mas podem realizar contratos de comodato por ex. e outras ações relativas ao bem). O que acontece nesse regime é que não necessariamente vai ter que partilhar os bens, vai poder partilhar só o valor. A ideia dele é que torne as pessoas menos amarradas uma a outra durante o casamento. Para que elas possam administrar os seus bens com mais liberdade (mas só se tiver no pacto permitindo a venda de bens particulares sem outorga). Nos outros regimes não se pode colocar essa cláusula no pacto permitindo a livre venda de bens particulares sem outorga. obs. Hoje há pactos que dizem que não vai haver pagamento de alimentos - hoje, ao ver do Bruno, tal cláusula não é possível. O que seria possível é fixar a quantia, o valor dos alimentos (5 salários min por ex.) e o tempo (por ex. 2 anos). Apesar de a lei não falar nada sobre a cláusula de permissão de venda sem outorga para os outros regimes, valem 2 regras: a) o pacto não pode contrariar expressa disposição de lei - se a lei não permitiu que houvesse essa cláusula de liberdade na venda de imóvel, o pacto não poderia contrariar. b) quando a própria disposição da lei sobre um determinado regime abre uma exceção, isso reforça a ideia de que os outros regimes não podem. Como ocorre no caso do regime de participação final nos aquestos -> como a lei determinou que ele pode, uma exceção, isso reforça a ideia de que os outros pactos não podem. obs. Comunhão parcial. Se um cônjuge compra um apto com parte dos valores sub-rogados em bem particular (herança por ex. ou um investimento anterior ao casamento) e parte dos valores adquiridos depois do casamento. Essa partilha é feita da seguinte forma: aquilo que a pessoa tinha antes de casar é particular, e o que acrescentou vai ser bem comum. A discussão é: o que é bem comum: o percentual do imóvel ou o valor aplicado na compra do imóvel? O entendimento que tem sido aplicado nesse tipo de caso é o percentual do imóvel. Bruno acha isso mais justo porque o casal compartilha os resultados daquele investimento que foi feito. Isso dá muita confusão, e nesse caso não tem sido usado o imóvel mais sim o dinheiro colocado naquele imóvel quando se trata de financiamento de imóvel e a partilha for feita antes de ser quitado o pagamento daquele imóvel. Ex. Se o casal decide comprar o imóvel a prazo, e na metade do tempo que tinha para pagar resolve se separar. Como o bem ainda não integra ao patrimônio, o casal teria apenas o direito sobre aquisição daquele bem, e, nesses casos, o entendimento é de que se devolverá para a outra parte (que não vai ficar com o bem) o valor correspondente ao já investido. Nessa situação se opta pelo valor e não pelo bem. art 1683. DISSOLUÇÃO DO VINCULO E DA SOCIEDADE CONJUGAL O momento final do regime de bens é o momento da separação de fato de acordo com a JURISPRUDENCIA. O art. 1576 diz que é a separação judicial. Mas a jurisprudência determinou que pela lógica de solidariedade não faz sentido que um vínculo meramente formal fazer com que alguém participe dos bens adquiridos por uma pessoa com quem ela não tem mais uma relação afetiva. Tem que se provar que está separado de fato, contudo (prova testemunhal etc.). Caso interessante TJRJ. Reconhecimento de união estável post mortem é possível. Caso: se separou da mulher, segundo alegou aquela que pedia união estável, mas não saiu de casa porque a mulher estava tetraplégica. O STJ e o TJ não permitiram a produção dessa prova dentro da casa do casal, não permitiram que entrassem na casa para determinar se eles ainda mantinham relações sexuais etc. O marco para o final do regime de bens é a dissolução da sociedade conjugal. Existe a SOCIEDADE E O VINCULO CONJUGAL. A sociedade conjugal está ligada aos deveres de vida em comum no domicilio conjugal (dever de fidelidade, coabitação de regime de bens- se extinguem com a separação). A separação é um instituto jurídico que põe fim a sociedade conjugal. O vínculo conjugal só se extingue por divórcio ou morte. A anulação ou nulidade não são hipóteses de dissolução do vínculo conjugal porque na verdade o vínculo nem se formou. Logo, o casamento válido só se extingue pelo divórcio ou morte. Durante muito tempo, até 1977 (L. 6.515) o divórcio era vetado pelo direito brasileiro. O divórcio entra no direito brasileiro em 1891 - D. 181 - tratado como uma hipótese de separação e não como entendemos o divórcio hoje: naquele tempo o divórcio não rompia a o vínculo, mas apenas a sociedade conjugal. O CC de 1916 afasta essa figura jurídica e vai sob a égide do casamento absoluto. Mas com a lei do divórcio se torna possível o rompimento do vínculo, mas ele exigia: 1) prévia separação por 1 ano (separação judicial) ou por 2 anos (separação de fato) (sistema binário: não poderia se divorciar sem que estivesse antes separado 2) precisava estar "quite" com as obrigações assumidas na separação, ou seja, tinha que demonstrar que estava cumprindo aquilo que foi determinado na separação, ex. pagamento de alimentos, regras de visitação etc.). Essa separação anterior ao divórcio tinha um prazo mínimo para que pudesse pedir divórcio: antes de decorrido o prazo de 2 anos (se fosse separação de fato) ou 1 ano se fosse uma separação judicialmente determinada, não se poderia pedir divórcio. Se você queria o divórcio, ainda que os dois quisessem a lei impedia a concretização dessa vontade pela ideia de um interesse social. Divórcio exige reflexão, e muitas vezes essa reflexão nos faz mudar de ideia, e por isso a lei determinou esse tempo de separação para uma reflexão. O que se fazia era "enganar", quando casar deixar algumas contas ainda em outro endereço para quando quisesse separar usasse aquelas contas para "provar" que estavam separados há mais de dois anos. Na separação judicial, quando não tinha 1 ano ainda era pedida uma medida cautelar de separação de corpos - um modo de garantir que ninguém estava violando deveres do casamento. A separação de fato colocava o cônjuge que saia de casa em risco: poderia se configurar a hipótese de abandono do lar (hoje isso é meio irrelevante - não totalmente devido à uma espécie de usucapião). Do deferimento da medida cautelar é que começava a contar o prazo de um ano. Logo, antes de esperar o desenrolar todo da separação judicial, o prazo de 1 ano já estava contando. A proteção ao casamento era tão intensa que a separação consensual exigia um ano de casado. Se pedisse para se divorciar antes, o juiz determinava a impossibilidade jurídica do pedido. O Estado pressionava as pessoas. Com a CF de 1988, ela estabeleceu que para se divorciar tem que estar há pelo menos 2 anos separado de fato ou um ano separado judicialmente. A doutrina revogou o arts. da lei do divórcio que exigiam o cumprimento das obrigações estabelecidas na separação porque o legislador infraconstitucional não pode criar mais requisitos do que a CF para o divórcio. Se o ex não está pagando alimentos, deve entrar com ação de alimentos, mas o divórcio não pode parar por isso. Mas, ainda assim, a CF determinou a necessidade de separação. EC66 /2010 - redação atual do art. 226, CF ANTIGO §6º - “O casamento pode ser dissolvido pelo divórcio desde que haja separação ..." Hoje a redação é: "o casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio". Unanimidade na doutrina e jurisprudência: esse dispositivo extinguiu a necessidade de separação para o divórcio, ele pode ser sempre direto. Hoje, ninguém mais precisa se separar de fato ou judicialmente para divorciar. O divórcio pode ser judicial ou extrajudicial. Para queseja extrajudicial é necessário: 1) acordo de vontades (ou seja, não pode haver divórcio extrajudicial litigioso) 2) que não haja filhos menores, incapazes e /ou nascituro. Logo, a mulher grávida não pode fazer divórcio extrajudicial - cada vez mais a figura do nascituro interfere na esfera jurídica das pessoas - alimentos gravídicos existem, por ex. (art. 733, CPC) CPC regula no art. 693 a 699 as ações de família. Os processos litigiosos envolvendo direito de família observarão a regra do art. 693, CPC. As diferenças para o rito dos processos de uma forma geral (rito comum nos processos hoje): 1) no processo civil, há uma fase prévia de conciliação ou mediação, no processo de família não se pode renunciar a essa conciliação ou mediação art. 344, § 4º - permite que se abra mão da conciliação nos processos comuns, mas nos processos de família não pode. 2) Nos processos de família não há limite temporal para essa fase de conciliação. art. 344, § 2º , nos processos de forma geral criaram um limite de tempo para que essa fase não se arraste. art. 694, CPC - ideia do processo de família é que as partes continuarão se relacionando. Nos outros processos há uma questão negocial, contratual, e o processo encerra a relação entre as partes naquele momento. No direito de família a participação das pessoas para a obtenção do resultado do processo é considerada fundamental para a satisfação das partes naquele processo familiar. 3) no processo de família, a citação não será acompanhada da contrafé, o réu não recebe a petição inicial. O objetivo disso é facilitar a conciliação. Se a pessoa lê a petição antes da fase de conciliação as chances de conciliar vão ser mínimas. Isso porque a outra parte pode trazer fatos na inicial que vão irritar a outra parte. A ideia do legislador, foi não receber a inicial, mas sabe que há uma ação, não sabe sobre o que é, mas ainda não está correndo o prazo de contestação. Somente se não houver acordo é que o réu receberá a inicial e começa a contar o prazo. Se a primeira audiência não der certo pode combinar outras Os juízes do TJR entendem que isso é inconstitucional. O que acontece hoje é que praticamente toda as varas de família encaminham a citação com a inicial, entendendo que isso é um cerceamento de defesa. Não é possível ver isso online porque os processos de família correm em segredo de justiça. O Advogado critica muito esse dispositivo - já faz o agravo logo depois de indeferidas provas. Não cabe oposição ao divórcio: só há duas oposições: 1) se não for casado; 2) se entrar com ação de nulidade ou anulação antes do divórcio. O que vai se discutir são os alimentos, guarda, etc. A ação de alimentos não segue o rito de 693, § único, CPC mas sim da lei 5478. Há um rito para ação de alimentos durante o processo de conhecimento (pela lei 5478) O rito é concentrado, como nos juizados especiais: é convocado para audiência de conciliação e não havendo esta ela é convolada para ação de instrução em julgamento. A lei da ação de alimentos não prevê o rito do cpc de que é convocado apenas para audiência de conciliação; apenas se não houver esta é que começa a correr o prazo - porque se entrega a contestação. À lei de alimentos só se aplica, contudo, a fase de conhecimento. A execução de alimentos segue o disposto no cpc. art. 528: para o cumprimento de sentença que fazia obrigação de pagar alimentos. art. 911- se a obrigação alimentar for fundada em título executivo extrajudicial. Ações de família 693 CPC - exceção. Ação de alimentos - Lei 5474/68 (somente processo de conhecimento). A fase de execução dessa lei foi revogada pelo CPC - recorre-se ao art. 528 ou 911. O 528 tem dois ritos de cumprimento de sentença. Um previsto no § 3º que é um rito que autoriza o pedido de prisão do devedor de alimentos. O credor de alimentos pode promover a execução sob o rito do § 3º no qual o devedor é intimado para pagar sob pena de prisão. CPC positivou algo que a jurisprudência já tinha definido: para que se valha do rito do § 3º, ou seja, para que possa se pedir prisão, esses alimentos têm que ser no máximo dos últimos 3 meses. SE os alimentos pedidos são mais antigos, tem que se valer do rito do §8º do art. 528 - remete ao cumprimento de sentença de obrigação de pagar quantia certa, ou seja, o credor vai atrás do patrimônio do devedor de alimentos. Se o devedor de alimentos não paga alimentos há 11 meses. Pode-se fazer duas execuções: cobrar os alimentos de novembro, outubro e setembro na forma do art. 528, § 3º (requer citação para pagar sob pena de prisão - se não pagar vai preso e se pagar é liberado - não é uma pena, mas um meio coercitivo para obrigar o pagamento. Se passarem 3 meses e ele não paga, é solto e segue pelo rito do § 8º, indo atrás do patrimônio). E os outros meses anteriores à setembro, que não permitem a prisão, serão exigidos através do pagamento pelo outro rito. A justificativa para que os alimentos de antes de 3 meses não podem gerar prisão civil é que os alimentos são para subsistência e por isso é que a prisão é válida, para exigir o pagamento de um crédito tão essencial. Se a pessoa passa 3 meses sem cobrar, é porque esse crédito não é mais para sua subsistência, virou uma dívida de valor, é um crédito como qualquer outro, não é mais necessário para subsistência (a pessoa arrumou outra forma de subsistir). obs. A ação de alimentos permite que se incluam os créditos vencidos e vincendos. Ação de alimentos é imprescritível, mas a pretensão prescreve em 2 anos. A qualquer tempo pode entrar com ação pedindo alimentos depois do divórcio, mas o prazo para a cobrança de alimentos fixados em sentença é de 2 anos. O direito a alimentos não prescreve, o que prescreve são as parcelas que vencem quando ultrapassam dois anos. Caso: Mãe entrou com ação de alimentos contra avós paternos. STJ determina litisconsórcio passivo necessário dos 4 avós: não pode entrar só contra os avós paternos. A avó materna também foi condenada a pagar. Do nada, a avó materna, mãe da autora da ação, morre. Se a neta for dependente da avó e essa dependência for provada, e no caso era por causa da condenação por essa ação - basta isso para que a neta seja nomeada pensionista. Aula 20 O divórcio, no art. 334, §4, é regulado pela via litigiosa. As principais diferenças do rito para ações de família de uma forma geral é que: 1) não se pode dispensar as fases de mediação e conciliação, diferentemente do que é disposto no CPC. 2) no §5 há um limite temporal para a audiência de mediação e conciliação no CPC que não se aplica ao direito de família. 732/733 – Rito para o divórcio consensual. Quando o CPC trata das ações litigiosas, ele não vai direto ao ponto sobre o que efetivamente deve ser decidido dessas ações. Se a ação é consensual, estabelece-se os alimentos entre as partes e em relação aos filhos. Sendo consensual, é tudo colocado no mesmo processo: apresenta a pretensão do divórcio e coloca a questão dos alimentos. Se não for consensual, a ação de alimentos tem que ser em separado – L. 5478/68. Na hora de executar, aplica-se o CPC, art. 528, §3 ou §8 (se for cumprimento de sentença) ou 911 (título executivo extrajudicial). O parágrafo 3 do art. 528 está relacionado aos últimos 3 meses e as parcelas vincendas e o parágrafo 8, penhora. Quem pode o parágrafo terceiro, pode o parágrafo oitavo. A prisão está no §3 do art. 528. Ao pagar, a pessoa é liberada. Não há como afastar a dívida alimentar pretérita se eu não promovi ação revisional. A penhora não encontra as restrições do bem-de-família. A lei que criou o bem de família é taxativa ao dizer que a restrição não se aplica ao credor de alimento. Muitas vezes se tem uma condição econômica boa, mas de repente a pessoa perde todos os ativos. Essa penhora não encontra as restrições do bem de família (lei 8.009 é taxativa ao dizer isso). É preciso rever o pagamento de alimentos, se não o fizer, não retira sua obrigação. O novo CPC diz que no momento da execução, se poderia fazerconstrição de até 50% do rendimento da pessoa? Há então um teto para a fixação do valor de alimentos? Geralmente são 30%. Quando há mais de um filho, esse valor é rateado. No entanto, na lei material, não há um limitador. A penhora então, geralmente se limita a 30% do valor do rendimento, segundo versa a jurisprudência, no entanto não há nenhuma restrição na lei para que seja superior a esse valor. Se foram fixados alimentos, podem prescrever as parcelas do pagamento dos alimentos em 2 anos, no entanto não é o direito que prescreve, apenas a parcela. É preciso promover duas execuções. Uma com os últimos 3 meses (que autoriza o 528, §3o, de pedir a prisão) O resto do valor entra no §8o - que autoriza penhora. A jurisprudência já tinha criado que os valores anteriores a 3 meses não podem ensejar prisão, pois se a pessoa já subsistiu, não há razão para isso. Agora o novo CPC positivou isso. Quando a ação de alimentos não for consensual, o que eu coloco no meu processo quando for fazer inicial? Vínculo jurídico que autoriza pedir alimentos àquela pessoa (art. 1.694 CC) - parentes, cônjuges e companheiros. 1.697 – 1º lugar: ascendentes. Na falta dos ascendentes, a obrigação cabe aos descendentes, guardada a ordem de sucessão. Colaterais vem depois. Irmãos após os ascendentes e descendentes. O direito brasileiro limita ao 4o grau o exercício de direitos. Para alimentos é até o segundo grau apenas. A ação de alimentos prevê os chamados alimentos provisórios. Estes eram tratados no antigo CPC como antecipação de tutela. Hoje tratam-se de tutela de urgência. Para isso, é preciso vínculo jurídico (certidão de nascimento nos autos). Se não constar na inicial, o juiz vai pedir que seja emendada. União estável - não tem escritura, estou com ele há 40 anos e nunca trabalhei. Nos separamos. O que fazer? Primeiro tenho que entrar com ação para reconhecer a existência do vínculo para só depois buscar alimentos. No antigo CPC havia medida cautelar típica - alimentos provisionais. Tem natureza cautelar. Hoje há os arts. 300 e 305 que viabilizam a tutela antecedente ou incidental, que pode ser de natureza cautelar. Alimentos ad litem - alimentos para que se consiga litigar. Investigação de paternidade - ainda não há reconhecimento do vínculo - pode-se pedir alimentos provisionais. Muitas vezes não se pode aguardar o fim do processo. Os alimentos provisórios têm natureza de antecipação de tutela - já há vínculo jurídico, mas não se pode esperar o fim do processo para demonstrar necessidade/possibilidade. Há possibilidade de processar ex-padrastro para pedir alimentos? O reconhecimento voluntário de filho pode ser feito por documento particular, público, em processo (mesmo quando a causa não for essa) e é irrevogável - adoção à brasileira. Litisconsórcio passivo necessário - caso dos avós. O STJ entende que se for para pedir alimentos para os avós por eles terem mais condições que os pais, tem que colocar todos no polo passivo (litisconsórcio). Não é solidariedade, cada um ajuda nos termos que pode. Necessidade - incapacidade de promover o próprio sustento - uma noção abstrata e não mais concreta. Não é para sustentar ócio. Pós-graduação - não tem que pagar. Alimentos transitórios - solidariedade. Paga-se alimentos durante um prazo para a pessoa se recolocar no mercado. Capacidade - possibilidade. É importante mostrar quanto se ganha na inicial. A lei 11.804/2008 - alimentos gravídicos. Estes não exigem prova, apenas indícios de paternidade. Ex: se a pessoa namora há mais de 2 anos. Incluem internação, ginecologista, gastos da gravidez. Depois muda para o filho. A mãe pode entrar com revisional para rever o valor (aumentar). O pai entra com declaratória de paternidade ou ação negatória de paternidade.