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Resumo 
ABC do Desenvolvimento Urbano 
Autor: Gabriel de Sousa Santos, graduando em Arquitetura e Urbanismo 
pela Faculdade Capixaba de Nova Venécia - MULTIVIX 
Introdução 
 
O Brasil é um pais predominantemente urbano, com 82% da população ocupando 
essas áreas, segundo IBGE 2000. Já a América Latina concentra ¾ de sua população 
em zonas urbanas, enquanto que mundialmente metade da população fixa-se nessas 
áreas, apenas países com baixo desenvolvimento econômico é predominantemente 
rural. 
Muitas cidades apesar de atender necessidades básicas (materiais e imateriais), 
apresentam altos índices de poluição, violência, criminalidade e as discussões sobre 
esta dualidade restringem-se a ambientes acadêmicos e quando veiculados pela 
imprensa, são analisados de forma superficial, podendo amplificar estereótipos e 
preconceitos. 
Entender a cidade e seus problemas é uma condição prévia para estratégias e 
instrumentos transformadores, entretanto, esta não pode ser uma discussão apenas 
entre pesquisadores, mas também entre cidadãos. 
 
1 O que faz de uma cidade uma cidade? 
 
Conceituar o tema cidade é uma tarefa difícil, Walter Christaller diz que há grande 
número de literaturas que buscam solucionar isto: Weber afirma que cidade é um local 
de mercado, onde se dá um intercâmbio regular de mercadorias; Christaller contribui 
com o conceito de Weber dizendo que, a cidade é uma localidade central, que 
dependendo da sofisticação dos bens e serviços que oferece, atrai compradores das 
redondezas, de uma região inteira ou até de outros países. 
As cidades possuem característica centrípeta (atraem os consumidores do tecido 
urbano para a área central de negócios, com diversificada atividade econômica), 
enquanto que aldeias e povoados atraem os moradores para suas bordas, onde estão 
localizadas as áreas agropecuárias ou extrativistas, característica centrífuga. Além de 
ser centro econômico, a cidade também é centro cultural e do poder religioso e 
político. 
A cidade possui produções não-agrícola, entretanto, é possível encontrar áreas de 
produção primária em seu interior (plantações de hortaliças, verduras e legumes) e 
nas áreas periurbanas (zona de transição entre cidade e espaço rural). Deve-se 
observar que as áreas periurbanas são regiões de especulação imobiliária, 
aguardando o momento de serem loteadas ou transformadas em condomínios 
fechados. 
No Brasil os núcleos urbanos são as cidades e as vilas, onde as cidades são as sedes 
municipais e as vilas seus distritos. A elevação do status vila para cidade, dependerá 
da emancipação com surgimento de novo município. Essa lógica brasileira permite 
que, como exemplo, uma cidade nordestina, em virtude de seu baixo desenvolvimento 
regional e baixa renda de seus habitantes, seja menor e menos diversificada que uma 
vila paulistana. 
Devido fatores históricos, desenvolvimento econômico, aumento demográfico, etc., 
cidades próximas podem tornar-se uma única mancha urbana, devida união de seu 
tecido no fenômeno de conurbação. Este fenômeno propicia o movimento pendular 
diário, caracterizado pelo fluxo de trabalhadores entre cidades, do lugar de residência 
para o lugar de trabalho e vice-versa. 
O fenômeno de conturbação dá origem a aglomerações (minissistema urbano com 
duas ou mais cidades de pequeno e médio porte, com influência local), metrópole ou 
megacidade (aglomeração urbana com influência regional), megalópole (sistema 
constituído por duas ou mais metrópoles fortemente articuladas por transporte de 
massa e excelentes rodovias), todas estas com característico movimento pendular 
diário. 
A criação de áreas metropolitanas formais nos anos 70, possui razão na racionalidade 
do fornecimento integrado entre municípios de serviços básicos, como coleta de lixo, 
fornecimento de água, etc., e no interesse em facilitar o controle dessas importantes 
regiões durante o regime militar em 1964. Com a constituição de 1988, a incumbência 
de criar regiões metropolitanas passa a ser dos estados. 
 
2 Quando e como surgiram as primeiras cidades? 
 
A primeira cidade, que data de 8000 a.C, foi Jericó, as margens do rio Jordão, na 
Palestina. Posteriores a ela surgiram Çatal na Turquia, Harappa e Mohenjo-Daro do 
Paquistão, Ur na mesopotâmia e Susa na Pércia. Se comparadas às cidades 
importantes da atualidade, possuem dimensões intimistas. 
O surgimento das cidades é oportunizado pela revolução agrícola, que permitiu que o 
homem se tornasse sedentário e a produção excedente de alimentos facilitasse o 
surgimento de atividades diferentes às agropastoris. Para isto também ocorreram 
mudanças da ordem social, impérios passaram a ser disseminadores de cidades a fim 
de manter sua supremacia militar. 
 
3 Da cidade individual à rede urbana. 
 
Todas as cidades encontram-se ligadas entre si, diretamente ou indiretamente, pelo 
fluxo de informações, bens e pessoas, nenhuma cidade existe isolada, sendo assim, 
podemos dizer que a rede urbana acontece a nível regional, nacional e global. 
As cidades desempenham dois papeis: teatros de acumulação e centros de difusão. 
Como teatro de acumulação, elas tem a função de extração e captação do excedente 
alimentar (consomem, beneficiam e armazenam produtos extraídos do campo), 
drenagem da renda fundiária (os donos das terras, que moram parcialmente ou 
definitivamente nas cidades, chamados absenteístas, investem seus lucros no 
consumo pessoal e familiar, em imóveis na cidade e mercado financeiro), acumulação 
propriamente de capital (exploração do trabalho industrial, concentração do comércio 
e serviços e dependência do setor produtivo do bancário-financeiro). Já como Centros 
de Difusão, disseminam bens (roupas, brinquedos, maquinário, etc.) e ideias 
(tecnologia, moda, diretrizes, etc.). Por tudo isto, nota-se que o campo encontra-se 
submetido à cidade do ponto de vista econômico, político-social, mas isto não foi 
sempre assim, no período feudal, o campo era autossuficiente e os senhores feudais 
eram soberanos. Marx e Engels previram que com a advento do capitalismo o campo 
tornar-se-ia dependente dos bens e serviços das cidades, como pode-se observar 
atualmente. 
A rede urbana é um sistema hierarquizado, que vai do centro de zona à metrópole 
nacional a nível de país, podendo ser estendido a nível mundial até cidade global, 
como São Paulo, que além de ser importante centro de referência nacional, também 
possui papel de destaque no MERCOSUL. 
A metrópole nacional é assim classificada sobretudo por sua importância econômica. 
A exemplo, Brasília e Washington, que concentram as decisões políticas, não são 
metrópoles nacionais. Outros exemplos a serem observados são as cidades turísticas, 
que sediam eventos internacionais e cidades que possuem importantes pátios fabris, 
também não são assim classificadas, dada a natureza efêmera do turismo e o fato 
das fábricas serem dependentes da administração sediada nas metrópoles nacionais, 
ou seja, escolher construir a fábrica distante da sede administrativa tem em seus 
motivos intrínsecos as vantagens econômicas, como mão de obra mais barata e 
menor custo imobiliário. 
A globalização exerce grande influência sobre a rede urbana, cidades globais de 
países de primeiro mundo interferem e aproveitam das disparidades com outras do 
terceiro mundo de tal forma que estas passam a ter hábitos de consumo mais 
semelhantes do que com as cidades do próprio país sede. 
 
 
4 A cidade vista por dentro. 
 
Uma cidade apresenta diferentes tipos de espaços, áreas residenciais, espaços 
industriais e espaços comerciais. Muitas delas apresentam claramente áreas centrais 
que abrigam grandeconcentração de comércios e serviços, “CBD”. À medida que a 
cidade se expande, o CBD cresce, mas as distâncias também aumentam, forçando o 
surgimento de novos subcentros, com características econômicas próprias da 
circunvizinhança. O declínio de um CBD pode ocorrer com o melhor desenvolvimento 
de um subcentro, ou com o surgimento de um shopping Center (maior segurança), 
inclusive este empreendimento comercial vem desbancando muitos subcentro por 
propor adequação às condições até mesmo de bairros periféricos, surgindo assim 
Shopping popular. 
As áreas residenciais também encontram-se divididas, muito em decorrência de 
fatores econômicos, raciais, religiosos, etc., que definem o lugar onde se “deve” morar: 
no âmbito econômico, os donos dos meios de produção ocupam áreas mais nobres, 
providas de melhor infraestrutura, enquanto que a massa trabalhadora reside nas 
periferias; do ponto de vista racial, afrodescendentes e indígenas são a maior parte 
da população que ocupa as favelas; em relação à religião, a exemplo da Europa, até 
meados do século XX, judeus ocupavam os guetos. 
O modelo capitalista agravou a segregação residencial, à medida que criou locais de 
morar e trabalhar, sendo que as condições do local de morada do industrial e do 
proletário, são muito diferentes. Além disto, a segregação em países de sistema 
capitalista pode apresentar diferenças motivacionais: no Brasil, este fenômeno tem 
como agente a pobreza, enquanto que nos EUA, motivos étnicos. 
Outro fator de estratificação de áreas residenciais é a auto-segregação, onde pessoas 
escolhem afastar-se da cidade por considera-la violenta, caótica, barulhenta, etc. Há 
uma distinção muito profunda entre a segregação e auto-segregação, visto que esta 
última é uma escolha. 
Ao longo do século XX surgiram modelos que buscam representar a organização 
interna das cidades, o mais famoso modelo, de E. Burgues é conhecido como 
abordagem de “Ecologia Humana”, outros modelos são de H. Hoyt, variação do 
anterior com divisões por setores e o de Harris e Ulmann, modelo de múltiplos núcleos. 
 
5 Problemas urbanos e conflitos sociais. 
 
Quais são os problemas urbanos? 
Existem problemas especificamente urbanos, ou apenas problemas sociais gerais da 
cidade? 
A violência manifesta-se tanto na zona urbana como na zona rural, entretanto, há 
certas manifestações tipicamente urbanas como: violência no trânsito, conflitos entre 
quadrilhas, gangues ou bairros diferentes, quebra-quebras em protestos, etc. 
Outros problemas fortemente associados às cidades são a pobreza e segregação 
residencial. A pobreza, apesar de presente em zonas rurais, sobretudo em países de 
terceiro mundo, nas cidades são peculiares tanto por questões espaciais (favelas, 
periferias, etc.), quanto pelas formas de sobrevivência induzidas por esse quadro 
(tráfico de drogas, comércio ambulante). Quanto a segregação residencial, ela é fruto 
da pobreza, do não cumprimento do papel do estado e do favorecimento da elite, o 
que intensifica o preconceito, a intolerância, baixa-estima coletiva. 
Acrescentados a estes podemos falar da degradação ambiental e o tráfego ineficiente. 
A degradação é causada tanto por parte da classe que ocupa as encostas (por não 
terem opção, sofrendo assim com deslizamentos), quanto por parte da elite através 
de suas fábricas, que poluem ar e água da própria região onde a classe proletária 
pobre habita, o que não é motivo de preocupação do dono da manufatura, por este 
não morar na região afetada; o tráfego ineficiente das cidades brasileiras 
supervaloriza o transporte particular anti-ecológico e caro em detrimento da circulação 
pública sobre trilhos, afetando não só classes baixas, mas também as médias, presas 
em engarrafamentos. 
Sistemas de transporte e consequências sócio-espaciais: 
O transporte sobre rodas tem por consequências mais gastos com infra-estrutura 
urbana, maior consumo de combustíveis, mais poluição atmosférica, tendência à 
formação de grandes vazios urbanos associada à especulação imobiliária, enquanto 
que, em oposição, o transporte sobre trilhos direciona a expansão, infra-estrutura mais 
bem direcionada, menor dispêndio de combustível, menos poluição atmosférica, 
menor tendência de formar vazios no tecido urbano. 
Como as pessoas reagem aos problemas urbanos? 
As reações variam de acordo com a classe social. As elites em um processo de auto-
segregação se distanciam da cidade e se fecham em condomínios protegidos por 
guardas e monitorados por câmeras, enquanto que a classe pobre, sofre com os 
danos gerados por parcela que escolhe, em decorrência das mazelas, a via ilegal para 
sobrevivência. 
O estado também contribui para o agravamento da segregação, quando, incentivado 
pelo mercado imobiliário, investe e estimula de forma desigual em áreas residenciais, 
zoneia e normatiza a ocupação do solo “colocando os pobres em seu devido lugar”. 
Estes fatos acabam por causar a fragmentação do tecido sociopolítico-espacial, com 
consequente abandono dos espaços públicos, por serem considerados perigosos e o 
comércio passa a se concentrar em shopping centers, mais confortáveis e seguros 
para a classe média. 
 
6 O que devemos entender por desenvolvimento urbano? 
 
Em países capitalistas, sobretudo periféricos, bens materiais e cultura são apropriados 
de forma seletiva, os danos ambientais são grandes, devida pressão para crescimento 
econômico, a diversidade não é bem vista, pois gera dificuldades na disseminação de 
padrões, beleza natural e histórica são ignorados. Diferentemente, países tidos como 
de “Primeiro Mundo”, que evidentemente enfrentam problemas, mas historicamente 
foram beneficiados pela exploração de suas colônias, fato que atualmente se reflete 
nas disparidades entre estes países (exploradores) e países de Terceiro Mundo 
(explorados). 
O desenvolvimento urbano que importa não é somente econômico, mas, de forma 
mais abrangente, deve ser sócio-espacial. 
Desenvolvimento econômico pode ser entendido pela combinação de crescimento 
econômico e modernização tecnológica (fatores não determinantes para melhoria de 
indicadores sociais), entretanto, deve-se buscar também mudanças no sistema 
político, valores e padrões culturais, organização espacial, para que se consiga 
influenciar bem-estar e justiça social na sociedade. 
Portanto, desenvolvimento urbano não é somente um aumento da área urbana e 
sofisticação ou modernização desse espaço, mas também melhor qualidade de vida 
e justiça social, que são consequências da diminuição de disparidades econômicas 
entre classes, preservação do meio ambiente e patrimônio histórico-arquitetônico, 
diminuição da violência urbana, etc. 
 
7 Das falsas explicações sobre os problemas urbanos às falsas 
receitas para superá-los 
 
A explicação para os problemas urbanos não está simplesmente no tamanho do 
espaço urbano e nem é proporcional a ele, assim como a explicação para a violência 
urbana não é puramente a pobreza. Os problemas urbanos são frutos de processos 
históricos, cidades com bem-estar e justiça social ameaçados, quando pressionadas 
a crescer, o quadro tenderá a se agravar. Já a criminalidade, além do fator pobreza, 
devem ser analisados a cultura e as instituições policiais e judiciárias. 
Quanto às receitas para superar os problemas urbanos, muito se atribui à falta de 
planejamento e falta de vontade política, a responsabilidade pelas mazelas da cidade, 
o que não é uma verdade. Mais planejamento e planejamento melhor não resolvem 
os problemas, por trás devem ser considerados fatores institucionais, econômicos e 
culturais; muitos planejadores não estão ética e tecnicamente preparados; o aparelhoadministrativo serve à política e interesse econômico, em detrimento da adequação 
técnica das ações; escassez de recursos para investimentos. Quanto à vontade 
política, os líderes políticos tem a capacidade resolutiva dos problemas restringida por 
fatores econômicos, institucionais, político-ideológicas, não que estes não devam ser 
cobrados individualmente, mas deve ser compreendido que instituições precisam ser 
transformadas ou eliminadas para resolução dos problemas. 
 
8 Reforma urbana: conceito protagonistas e história. 
A reforma urbana deve ser social estrutural, objetivando a qualidade de vida da 
população, principalmente a pobre, e elevar o nível de justiça social. Ao contrário 
disso, a Reforma Passos em 1902 e 1906 do centro do Rio de Janeiro, de natureza 
econômica, sociopolítica e ideológico-simbólico, foi autoritária e conservadora, 
exigindo sacrifícios a proprietários de imóveis, negociantes e sobretudo aos 
moradores pobres. 
Os objetivos específicos da reforma urbana são: 
1- Coibir a especulação imobiliária. 
2- Reduzir o nível de disparidade socioeconômico-espacial intra-urbana. Dentro 
deste tópico podemos citar objetivos auxiliares: garantir segurança jurídica para 
população de área carente de regularização fundiária; gerar renda para os 
pobres urbanos (evitar “expulsão branca”, garantindo que a população 
beneficiada pela regularização fundiária permaneça no local, após valorização 
do imóvel com ônus tributário). O maior investimento em áreas residenciais 
negligenciadas promovem uma redistribuição indireta de renda, o local de 
moradia poderá, com incentivos, tornar-se suporte para atividades econômicas, 
além de, com obras de urbanização, absorver mão-de-obra local. 
3- Democratizar o mais possível o planejamento e a gestão do espaço urbano. 
Quem pode mudar o quê? Quem são os protagonistas da reforma urbana? Será que 
tudo depende do estado, do poder público? 
A resposta para as mudanças não se encontram nos sistemas econômico e político 
somente, cabe à sociedade civil, organizada em associações e entidades autônomas, 
conquistar e manter espaços de ação, elaborando propostas de políticas públicas que 
pressionem e balizem as ações do estado, e fiscalizando a fim de diminuir a corrupção 
e intransparência. 
Com o golpe militar, o debate sobre reforma urbana foi interrompido, após este 
período, fazia-se necessário a elaboração de uma nova constituição, e a ela foi 
proposta a incorporação de emendas populares, uma delas, falava sobre reforma 
urbana, que após ser podada, permaneceram os artigos 182 (fala sobre os objetivos 
da política do desenvolvimento urbano no âmbito social e do bem-estar) e o 183 (sobre 
usucapião). 
Após a constituição e aprovação do estatuto da cidade, não que estas não sejam 
importantes, vê-se uma reforma urbana de cima para baixo, e o contexto social 
encontra-se muitas vezes banalizado e negligenciado. Além disso, os movimentos 
populares pela reforma vivem altos e baixos, há conflitos de interesses e a causa é 
pouco divulgada. É necessário portanto divulgar o ideário da reforma urbana, superar 
os conflitos de interesse e criar propostas claras e operacionais, e não ignorar 
problemas sociais como o racismo, que gera segregação residencial e injustiças 
sociais. 
 
9 Os instrumentos da reforma urbana 
 
Para alcançar os objetivos específicos da reforma urbana podemos elencar 
ferramentas: 
1- Coibir a especulação imobiliária, com amparo na constituição que diz sobre o 
cumprimento da função social da propriedade, temos as ferramentas: 
a. Notificação com prazo para parcelar ou edificar a área ociosa; 
b. Aplicar alíquotas progressivas no tempo sobre o IPTU, dentro de um 
prazo; 
c. Desapropriação, com indenização mediante títulos da dívida pública, 
resgatáveis em até 10 anos. 
Outros instrumentos de natureza tributária: 
d. Contribuição de melhoria, tributo previsto pelo Decreto-lei 195, 
justificado pela valorização do imóvel decorrente de melhorias e obras 
públicas; 
e. Outorga onerosa do direito de construir, justificada pela sobrecarga da 
infra-estrutura pública, por como exemplo, altos prédios. 
2- Reduzir o nível de disparidade socioeconômico-espacial intra-urbana: 
a. Fundos de desenvolvimento urbano, que trata-se da concentração de 
recursos, auferidos, como por exemplo, com o recolhimento do IPTU 
progressivo, para o desenvolvimento urbano priorizando áreas como 
favelas, loteamentos irregulares e áreas de proteção ambiental. 
b. Zoneamento de prioridades, que pode ser dos tipos: zoneamento de uso 
do solo, caracterizado pela divisão do tecido urbano por zonas, que 
favorecem o agrupamento de imóveis conforme a natureza de sua 
atividade; zoneamento de densidade, que limita o número de 
pavimentos ou o percentual do terreno que se pode construir, a fim de 
balancear a ocupação, evitando saturação da infra-estrutura, ou outro 
extremo, a ocupação rarefeita; 
c. Usucapião, como instrumento de regularização fundiária, aplicável a 
área de até 250m², ocupada por no mínimo 5 anos sem reivindicação, 
para a moradia familiar, que não seja do Estado. 
3- Democratização do planejamento e gestão: conquistada com participação 
popular efetiva, que aprova e fiscaliza o cumprimento das leis. 
 
10 Os obstáculos e o alcance da reforma urbana 
 
 Pouco conhecimento sobre o assunto por parte da sociedade civil. 
 Obstáculos políticos: detrimento dos instrumentos técnicos para favorecer 
interesses políticos de classes altas. 
 Obstáculos culturais/de mentalidade: deturpação do ideário da reforma urbana 
por entidades de classes dominantes, utilizando-se até mesmo da propaganda, 
criando senso comum entre a população, para favorecer seus próprios 
interesses. 
 Obstáculo econômicos: além da resistência de grupos economicamente 
dominantes, a escassez de recursos decorrentes da desatualização de 
cadastros imobiliários, endividamento dos municípios, etc. 
 Obstáculos jurídicos-internacionais: deficiências legislativas que respaldem a 
reforma urbana e imperfeição do estatuto da cidade. 
 Dificuldades gerenciais: escassez de quadro técnico, dificuldades de 
implementação, ineficiência burocrática. 
 Obstáculo sociopolítico: enclaves territoriais controlados por grupos criminosos 
que tutelam, manipulam e ameaçam a população residente. 
 Dinâmica geoeconômica: dinâmica do capitalismo e globalização, que vão 
muito além da esfera nacional. 
 
11 Irmãos e primas da reforma urbana: orçamentos participativos e 
organizações de economia popular 
 
Orçamento participativo pode ser definido por delegar poder aos próprios cidadãos 
para, diretamente, decidirem sobre o destino a ser dado aos investimentos públicos. 
A estrutura do orçamento participativo consiste: informação da prefeitura para grupos 
da sociedade civil da previsão orçamentária do ano e gastos do ano anterior, eleição 
de representantes da sociedade para atuarem como delegados, ajudando a organizar 
e monitorar o processo, organização da sociedade para se discutir necessidades e 
estabelecer prioridades, criação de conselho técnico para orientar os delegados, é o 
conselho que consolidará as demandas das bases sociais. Porto Alegre foi o pioneiro 
e é um bom exemplo de orçamento participativo aplicado. Este modelo é criticado 
como não sendo legal, por não haver grupo de leis específicas que a regulamentam, 
entretanto, encontramos na Lei de Responsabilidade Fiscal e Estatuto da Cidade 
amparo para sua legitimidade, fato interessante por permitir que a própria sociedade 
dite as regras e possa muda-las para aprimoramento. 
Economia popular, que não deve ser confundida com economia informal (abrangedesde comercio ambulante até atividades criminosas), são o conjunto de atividades 
apoiadas ou não pelo estado, gerida pelos próprios pobres, que se organizam em 
cooperativas e outras modalidades de associação de trabalhadores. A economia 
popular articula-se com a reforma urbana quando massas de desempregados e 
subempregados são solicitados em esforços de urbanização de espaços segregados, 
ou quando são estimulados a formar cooperativas e desenvolver atividades de 
economia popular. Os estímulos governamentais podem ser microcréditos, cursos de 
capacitação e treinamento, etc., no entanto, o Estado deve abster-se de paternalizar 
as organizações, estas devem ser autônomas para que a esperança e criatividade 
não sejam sufocadas. 
 
 
 
 
Conclusão: Das tribos à globalização – a aventura humana e o 
papel das cidades 
 
Atualmente a população é majoritariamente urbana. Esse avanço da urbanização, 
principalmente em países pobres agrava problemas econômico-sociais tais como: 
pobreza, segregação, criminalidade, poluição, abandono dos espaços públicos, etc. 
Apesar da cidade oferecer tudo o que o homem precisa, é nela que encontramos 
profundas disparidades de classes, exploração de uns sobre outros. 
Controvérsias para pesquisas empíricas e formulações teóricas: 
 Densidade urbana: cidade espraiada ou cidade compacta? A densidade 
ideal nunca será uma constante universal, visto que depende da matriz 
cultural e momento histórico. 
 Fragmentação do tecido sociopolítico-espacial da cidade: 
 Globalização: 
 Participação popular no planejamento e gestão da cidade: 
 Como combinar o conhecimento técnico-científico, com o saber local? 
 Mais estado ou menos estado? Qual o conteúdo desejável das 
intervenções e da regulação estatais? 
 Sustentabilidade 
 Competição interurbana 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BIBLIOGRAFIA 
 
SOUZA, Marcelo Lopes de. ABC do Desenvolvimento Urbano - 2ª ed. - 
Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005. 192 p.

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