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Casas Enxaimel - Paulo Volles 
 
Rua Gustavo Zimmermann 1051. 89062-100 Blumenau – SC 
47 3339-3872 pvolles@hotmail.com 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Restauração Completa 
Casa Righetto 
Blumenau/Bombinhas-SC 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Paulo Volles 
Abril / 2011 
 
Casas Enxaimel - Paulo Volles 
 
Rua Gustavo Zimmermann 1051. 89062-100 Blumenau – SC 
47 3339-3872 pvolles@hotmail.com 
 
 
 
 
 
Apresentação 
 
 
 
 
 
 
 Este relatório tem como objetivo divulgar nosso trabalho de Restauração Completa 
em casas enxaimel. Trata-se de um tema complexo e polemico. Muitos criticam esse tipo de 
restauro, inclusive com a remoção da casa de seu local original, alegando perda de “contexto 
histórico” em relação ao local onde está situada. Respeitosamente discordamos disto porque 
estamos testemunhando muitas casas desaparecerem por leis rígidas e falta de uma política 
de sustentabilidade. Não há sentido então manter tal restrição. É preciso torna-las habitáveis 
novamente e assim perpetuar a existência destas casas. 
Nosso trabalho é baseado em exemplos e métodos recentes da Alemanha onde há 10 
anos já mudaram a forma de restauro KaputtSanierung (restauro do quebrado) para 
KomplettSanierung (restauração completa) onde a restauração é feita desde o fundamento 
trocando e renovando conforme aspectos técnicos antes de históricos. Nada mais correto, 
porque é preciso primeiro garantir a segurança e saúde dos moradores e depois manter o 
máximo possível do histórico. 
Não é um trabalho simples. Requer pessoal altamente qualificado e dedicado. É 
preciso também normalizar a forma de restauro para evitar que materiais inadequados sejam 
aplicados. Assim como o registro da enorme quantidade de informações encontradas durante 
os trabalhos. Temos plena certeza, que pela forma como foi restaurada, daqui a 100 anos 
esta casa poderá ainda existir. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Casas Enxaimel - Paulo Volles 
 
Rua Gustavo Zimmermann 1051. 89062-100 Blumenau – SC 
47 3339-3872 pvolles@hotmail.com 
 
 
 
 
A casa antiga... 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A casa estava situada no bairro Vorstadt a Rua Itajaí, Nr1886. Aos fundos de um 
grande jardim, com muitas árvores que a escondiam e deixavam aparecer apenas a parte 
central onde havia um portal de madeira pintado de azul claro. Poucas pessoas percebiam 
sua existência e nem podia ser admirada devido a sua localização. 
 Não encontramos um histórico preciso desta casa. A família Gropp residente do local 
afirmou que já existia quando a família adquiriu o local e por muito tempo foi utilizada 
como escritório para a Estrada de Ferro Santa Catarina. Nos últimos anos foi alugada e 
transformada num escritório novamente. No entanto, devido aos problemas de umidade e 
cupins acabou sem uso. A data de construção consta no arquivo histórico como 1867. No 
entanto, durante os trabalhos de desmonte e restauro encontramos evidencias que indicam 
que ela seja anterior a essa data. Algumas amostras foram coletadas e vão ser futuramente 
analisadas na Alemanha onde é possível datar de forma precisa a data do corte da madeira. 
Em nosso trabalho, não levantamos em conta os fatores específicos que levaram a 
mudança da casa. Em geral são motivos bastante conhecidos por todos como: crescimento 
desordenado da cidade, falta de recursos e profissionais em restauro, falta de cuidado pela 
comunidade e autoridades etc. A vontade do cliente em salvar a casa era muito grande e sua 
dedicação nos inspirou a realizar essa tarefa. Nosso objetivo é sempre recuperar o Enxaimel, 
readaptar a casa para o uso atual como moradia e dar condições para resistir outros 100 
anos. 
 
Casas Enxaimel - Paulo Volles 
 
Rua Gustavo Zimmermann 1051. 89062-100 Blumenau – SC 
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 De início, ao vê-la com a vegetação e enfeites removidos, tivemos uma sensação de 
já ter visto esta casa em algum outro lugar. E realmente, logo percebemos que se tratava de 
uma casa idêntica a de Hermann Wendeburg de 1858, no museu da Família colonial. Ou 
seja, o carpinteiro que a construiu era o mesmo. Podemos notar isso por vários detalhes 
como: estilo da casa, padrão de encaixes, medidas utilizadas, a medida de janelas e portas, a 
inclinação das escoras, a numeração secundária etc. Dificilmente algum carpinteiro iria 
mudar de técnica aqui no Brasil e a tropicalização das casas ainda iria demorar algumas 
décadas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Casa Wendeburg no Museu da Família Colonial... ...e a casa Righetto pronta. Trabalhos de um mesmo carpinteiro 
 
 
A fachada da casa já impressionava. Era composta com 4 imensas janelas, bem típicas da 
Alemanha onde era necessário obter o máximo de luz do dia. No centro, a porta de entrada 
protegida por um muito bem trabalhado portal em madeira de Canela, com 2 portas de abrir. 
Uma questão estranha na frente da casa era uma escora do lado esquerdo, menor que a do 
outro lado. Estranho, porque a simetria é uma característica fundamental no enxaimel. 
 
 Detalhe da escora menor num dos cantos da casa. 
 
 
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Como observamos em vários pontos que era um carpinteiro habilidoso, é difícil aceitar isso 
como um erro e neste caso nos leva a 2 hipóteses. É provável que teria sido um dos 
primeiros trabalhos e que na dependência de se usar madeiras disponíveis teve que adaptar 
seus projetos. No entanto, a adaptação seria feita na última peça e não na primeira como é o 
caso (seguindo a numeração existente). Outra hipótese é que a casa estava construída em 
outro local, tenha sido atingida por alguma grande enchente de 1852 ou 1855 e teve parte 
deste extremo danificado. Como não é possível fazer enxertos numa parte tão crítica e para 
não substituir todas as peças, foi desmontada e reconstruída com essa parte reduzida. Essa 
hipótese é reforçada porque na fachada da casa os furos eram maiores, tipo “repassados”. 
Alguns tinham medida de 18 enquanto que no resto da casa eram 16mm. Ou seja, essa casa 
já estava montada em outro lugar antes. 
Dentro, havia divisórias no centro da casa, dividindo em 4 partes. Sendo um pequeno 
quarto no lado esquerdo/fundos. As portas eram maciças com almofadas e tinham medidas 
de 2x1 e 2x0,9. Nas paredes internas era bem visível como a umidade se alastrava. 
Nos fundos da casa, havia um anexo, tipo “puxado” feito apenas de tijolo. Uma 
adição mais recente, pois já utilizaram telhas de amianto e assoalho de 8 cm de largura. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Lay-out da casa somente com a parte enxaimel. 
 
 
 
 
 
 
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 Detalhe do forro de tábuas, portas baixas e divisórias Detalhe da umidade alastrando 
 
 
 Na sala, à esquerda, de jantar, havia um forro típico barroco, feito de finas tábuas de 
madeira, de formas triangulares formando um quadrado.Existe um idêntico a esse no museu 
da família colonial. Na sala maior à direita, o forro era de tábuas simples. Nota-se que era 
uma casa luxuosa para a época. Inclusive havia uma escada de madeira do tipo “Schwung 
Treppe”, bem ergonômica e confortável de subir. Esse tipo de escada é extremamente dificil 
de se fazer e provavelmente foi um marceneiro altamente qualificado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nos fundos da casa, havia um anexo, tipo “puxado” feito apenas de tijolo. Uma 
adição mais recente, pois já utilizaram telhas de amianto e assoalho de 8 cm de largura. 
 
 
 
 
 
 
Schwung treppe – (Sem tradução em português). Seria como uma escada suspensa. Suas peças encaixadas formam uma geometria rígida 
autosustentável. 
 
 
 
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A casa tinha estranhas dimensões de 7,02 por 9,91 e nas madeiras da estrutura 
medidas de 13,5 cm. Nestes detalhes já constatamos que se tratava de algo muito especial. 
São medidas em polegada e de uma época na Alemanha que o sistema métrico ainda não 
tinha sido implantado e mesmo em polegada havia diferenças regionais. Ou seja, confirmava 
que a casa era muito antiga, pois o sistema métrico foi implantado em 1868 na Alemanha. 
Outro detalhe eram os dentes assimétricos. Normalmente a norma para enxaimel recomenda 
que o dente do encaixe seja no centro da madeira, mas este era deslocado 36 mm da face 
externa das madeiras. O que nos leva a associar que a polegada daquela região e época era 
36 mm. Hoje estranhamos isso, pois sabemos que a polegada é de 25,4mm. Mas na época, 
como eram baseadas em parâmetros corporais era comum encontrar medidas de polegada 
diversas de 20 a 40 mm. Essa disparidade nas medidas era tão comum que até as prefeituras 
colocavam na parede externa um gabarito com as medidas padrões locais como forma de 
evitar conflitos. Essa situação só se regularizou com a implantação do sistema métrico e 
proibindo qualquer outra forma. 
 
Medidas padrão/conversão na parede de uma prefeitura na Alemanha. Dente da casa, assimétrico e o padrão simétrico tradicional. 
 
 Esta característica de dentes assimétricos tem boas vantagens. Nos extremos da casa, 
onde há o encontro dos encaixes, não é necessário reduzir o tamanho do dente para evitar a 
interferência. Também auxilia muito a montagem da casa evitando equívocos de colocar a 
parte interna para fora. Indica também a aplicação de processo de corte. O carpinteiro pode 
usar um mesmo gabarito independente da espessura da madeira e tamanho da casa. No 
entanto, tal técnica só poderia ser aplicada se houvesse uma excelente qualidade de corte dos 
encaixes para manter-los paralelos. Essa qualidade é traduzida como uso de gabaritos de 
corte, no qual é feito manualmente com uma serra de arco sobre guias. 
 De acordo com Stefan Pfitzner, há na Alemanha lugares que adotaram tal sistema de 
encaixe como padrão como na região do Harz na Baixa Saxônia. Certamente, será possível 
descobrir a origem do construtor e até talvez casas idênticas na Alemanha. 
 
Outro detalhe construtivo que nos chamou atenção foi de encontrar vários dentes 
inclinados para fazer inserções na estrutura já pronta. Trata-se de um dente cortado em seu 
topo com inclinação. Este tem a finalidade de se encaixar dentro da estrutura com a casa 
montada durante uma reforma. Foram encontrados junto a portas internas. É provável que a 
casa fosse mais simples no início e que colocaram as divisórias e algumas portas 
posteriormente. A colocação de uma peça nessa técnica exige muita força e chegaria a 
levantar parte do telhado. Observando na ponta do encaixe notamos as marcas em 
escalonado que essa pressão fez. É um detalhe interessante, pois em outras casas o que mais 
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se encontra são simplesmente peças cortadas e esquadrias inseridas sem nenhum cuidado ou 
reforço na estrutura. Atualmente se utiliza um “dente falso” para esse tipo de alteração numa 
casa enxaimel. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Detalhe do dente normal e o “de inserir” Aplicação prática deste tipo de dente. 
 
Também encontramos um encaixe “não convencional” em 2 extremos da casa, mas estava 
reforçado por pregos o que indica que não funcionou adequadamente. Interpretamos que a 
idéia foi para reforçar o tradicional “meio dente” aplicado nos finais da estrutura. No entanto 
pela dureza das madeiras daqui, isso é desnecessário. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Encaixe com dente “não convencional”. Exemplo de um “Meio dente” em extremo. 
 
Nas escoras ainda constatamos um detalhe. Já estava utilizando uma técnica de 
escora com encaixe entrelaçado que só se tornou técnica comprovada a partir de 1900. Isso é 
raro até na Alemanha. Considerando isto e também a questão do dente assimétrico, o 
carpinteiro desta casa era um profissional a frente de sua época. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Encaixe de entrelaçar na escora. Inovação na época Forma tradicional com peças separadas. 
 
 
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Apesar de todo o conteúdo e riqueza de detalhes, a casa estava em processo de 
colapso. Numa das últimas reformas, típicas na década de 60 a 80, removeram todos os 
baldrames de madeira junto ao fundamento da casa e a substituíram por tijolos e cimento. 
Esse procedimento foi um erro gravíssimo. Isso fez com que a estrutura perdesse toda sua 
estabilidade e a proteção contra a umidade. Iniciou um processo de apodrecimento das 
madeiras. Quase todas as colunas de madeiras apodreceram em média 30 cm devido a 
fungos tipo Hausschwam. A casa estava simplesmente apoiada sobre seu enchimento. 
Houve casos em que constatamos até 1 metro de dano interno. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Paredes manchadas com a umidade pela retirada do baldrame. 
 
 
Sem um apoio correto, nos fundos e numa lateral, as colunas estavam arqueadas em 
4 cm. Ao retirar os baldrames, cortaram os dentes de encaixe das coluna. Estas partes 
cortadas, agora sem a proteção do tratamento aplicado, permitiram ainda que os cupins 
entrassem na madeira agravando o problema. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 A retirada do baldrame de madeira comprometeu todas as colunas 
 da casa. 
 
 
 
 
 
 
 O fungo se alastrando internamente até 1 m. 
 
 
 
 
 
 
 
Hausschwam- Tipo de fungo que se alastra pela madeira. Quando atinge o cerno, utiliza a capilaridade e a umidade como meio de se 
propagar. Uma vez dentro da madeira, é difícil de localizar e combater. 
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 Aspecto de “queimado” da parte atingida pelo fungo. Peças atacadas totalmente por cupins. 
 Externamente aparentava estar normal. 
 
Algumas madeirastinham outra prova de um ponto bastante discutido, que é sobre o 
processo de corte das madeiras. Sendo esta uma das primeiras casas de Blumenau, já tinha à 
disposição o corte mecanizado. É possível ver em boa parte das madeiras onde não foi 
aplicado o reboco, as marcas de corte da serra. Está bem claro que foi feito por uma serra 
mecanizada vertical com riscos constantes 90° graus em relação a madeira. O avanço da 
madeira, no entanto, ainda era manual. Caso fosse através de serra manual as marcas teriam 
ângulos variáveis. 
 
 
 
 
Detalhe da textura das madeiras 
 Serraria de época, movida por roda dágua. (foto Wikipédia) 
 
O telhado nos deu uma prova que algumas casas aqui, no período da colonização, 
inicialmente usavam Chapas onduladas de aço galvanizado como telhado, ao invés de telhas 
cerâmicas. É um tema polemico, pois muitos não concebem a possibilidade dos colonos 
terem a disposição algo tão “moderno” para a época. E na verdade em outras colônias 
alemãs como Ivoti no RS são bem mais antigas e sua aplicação era bastante comum. Na 
casa, o distanciamento entre vigas e caibros do sótão é de 1,2m. Onde normalmente para 
suportar telhas cerâmicas deveria ser pelo menos de 0,8m. Um erro por parte de um 
carpinteiro não poderia ser. O telhado já foi concebido dessa forma e reformado cerca de 40 
a 50 anos mais tarde, depois que as chapas onduladas aqui se deterioraram. É a hipótese 
mais provável, pois entre as telhas, havia uma com o controle da queima, com a data de 
1919. E o telhado foi reforçado posteriormente com sarrafos entre os caibros para suportar o 
novo, então com telhas cerâmicas. 
 
 
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 Caibros com afastamento de 120 cm. O primeiro telhado era com chapas de aço onduladas. 
 
 
 
 
Casa enxaimel em Ivoti-RS. Uma das colônias mais antigas do 
Brasil e que teve início em 1824 e boa parte das casas ainda possuem os 
telhados de chapas. Na época, a Inglaterra possuía um intenso comercio 
com o Brasil. O Enxaimel dessa região é diferente do nosso, com menos 
madeiras aplicadas (sem travessões) pois vem de um período na Alemanha 
que racionava o uso da madeira nas casas e era priorizada para as fábricas 
na revolução industrial. (foto: Jorge Stocker Jr) 
 
 
 O sótão também tinha seus problemas graves. Analisando nas laterais, muitas peças 
não possuíam seqüência na numeração ou padronização de medidas. Era como se fossem 
oriundas de outra estrutura/casa. Inclusive algumas peças estavam simplesmente pregadas e 
sem o cuidado tradicional do enxaimel. 
Possivelmente uma reforma posterior e realizada por um pedreiro comum. Inclusive 
percebemos que na parte inferior da casa tinha algum tipo de tratamento nas madeiras e na 
parte de cima nada foi aplicado. De tão atacado por cupins, nada do telhado pode ser 
aproveitado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O telhado estava com várias peças de outras construções enxaimel e utilizando pregos ao invés de encaixes. 
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Algumas partes da casa estavam com madeiras chamuscadas, indicando que houve 
um princípio de incêndio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Frente ainda com a vegetação cobrindo. Lateral chamuscada por um incendio 
 
Outro indício de incendio estava no sótão, bem ao centro no assoalho, também havia 
partes chamuscadas escondidas por um antigo tapete de vinil colado. Várias plantas 
trepadeiras envolviam e danificavam as madeiras. Durante os trabalhos de restauro 
encontramos raízes em até 3 cm dentro das madeiras. No teto, várias partes cobertas pelo 
forro estavam tão infestadas de cupins e usados como ninhos de gambás, morcegos e outros 
animais que era extremamente arriscado até manusear as madeiras. 
As paredes utilizavam 3 tipos de tijolos, todos de medidas diferentes e nenhum no 
padrão “Reichsformat”, bastante comum na região. Alguns eram toscos e mau acabados, 
aparentemente misturados manualmente e que necessitavam de um cuidado maior, pois 
eram bem frágeis. A fragilidade vinha devido à presença do Chamote, uma espécie de argila 
refratária. Outros tijolos eram normais na sua composição. Foi encontrado um tijolo com as 
iniciais K. V. De acordo com alguns oleiros este era produto da antiga Cerâmica Koch. A 
telha de controle também possuía esse nome Koch, porém com a inicial W. 
Os tijolos eram assentados apenas com barro comum. Não constatamos nenhuma 
presença de outro elemento como areia ou cal. Cal em pasta foi utilizado como acabamento 
das fugas. Este estava bem deteriorado e soltava com facilidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Tijolo com Chamote (pontos brancos) e as iniciais K. V. Barro para assentar os tijolos e massa de cal para as juntas 
 
 
 
Reichsformat- “Formato imperial” Padrão oficial de medida implantado na Alemanha em 1871. 
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 Bambu para fixar estuque. Ninhos de insetos. As paredes estavam todas infestadas. 
 
Uma das paredes de divisória utilizava ripas de bambu pregado e se revelou ser bem 
eficiente para fixação do estuque. 
É sabido que o uso destes tijolos na época mantinha o ambiente interno mais 
agradável. No entanto, descobrimos muitos ninhos de insetos que se proliferaram entre os 
tijolos e as madeiras. Mesmo se tivesse possibilidade de se manter, não seria saudável para 
os moradores. Algumas paredes haviam sido pintadas com tinta sintética, o que prejudicou 
em muito o estuque. Perdendo sua permeabilidade este se soltava com facilidade nestes 
locais. As paredes internas eram preenchidas com tijolos de barro comum, do tipo marrom 
encontrado nas encostas do rio Itajaí-açu. Guardamos inclusive um tijolo para arquivo e 
estudos posteriores. De qualquer forma, o mau estado interno da casa reforça uma 
recomendação da Alemanha para se refazer o estuque a cada 100 anos devido à saturação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Paredes de tijolos de barro perdendo o reboco Vigas do teto completamente destruídas pelos cupins. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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A Desmontagem. 
 
Antes dos trabalhos de desmontagem da casa, nos preocupamos com o pouco espaço 
e o acesso, já que caminhões pesados não poderiam entrar na propriedade. Decidimos 
centralizar nos fundos da casa onde não era enxaimel e a lateral de pior estado como locais 
de descarte para todo o material que não usaríamos. O importante era preservar o máximo 
possível da estrutura e cuidar com a segurança das pessoas envolvidas no trabalho. O tempo 
era um fator importante, como Novembro é uma época de trovoadas, cada dia de sol deveria 
ser bem aproveitado. Assim como os custos do projeto, que prevemos 7 dias para todo o 
trabalho. A preocupaçãoem documentar era também constante, todo o pessoal foi orientado 
para informar algum indício de registro histórico como marcas em tijolos, madeiras etc. 
Sempre havia a disposição, câmera, trenas e prancheta para anotações. 
 
A desmontagem seguiu com a seguinte seqüência: retirada dos tijolos e enchimentos 
internos, retirada das telhas, tijolos externos, telhado (totalmente descartado), assoalhos e 
estrutura da casa. 
Nosso trabalho previa a restauração do enxaimel. Portas, janelas e outros itens foram 
enviados para restauradores e marceneiros especializados. 
O material retirado foi colocado em nosso galpão e tratado com cupincida e 
desinfetantes. Após 1 mês de cura poderíamos iniciar os trabalhos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Fotos da desmontagem. Não é um trabalho bonito. É carregado de dúvidas e lamentações. Realmente se perde muito nesse processo e 
há duvidas constantes da possibilidade de recuperar isso. 
 
 
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A pré-montagem 
 
Já em nosso galpão, como parte tradicional do processo, a estrutura seria totalmente 
remontada e seguindo novas disposições conforme necessidade do cliente. As alterações não 
foram muitas em relação ao lay-out original. No entanto portas, divisórias e acessos agora 
seriam colocados corretamente. Na casa antiga 2 portas foram grotescamente inseridas 
tirando até metade de uma coluna, usando um enxó e inserindo tábuas pregadas. 
Provavelmente executado por um pedreiro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Detalhes nas paredes onde peças enxaimel foram cortadas a enxó para colocar portas 
 
 Era preciso, adicionar uma cozinha, colocar um banheiro adequadamente e 
divisórias apropriadas. Também foram previstos acesso a churrasqueira e fundos de forma 
correta. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
D 
 Detalhe do local de trabalho e das peças da casa sendo colocadas na seqüência original com baldrame novamente. 
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Na base da casa, como todas as colunas de sustentação estavam apodrecidas ou 
atacadas por cupins, todas essas peças necessitavam ser repassadas. Por regra, somente 
deve-se aplicar 1 enxerto a cada 3 seguidos Ou seja, neste caso enxertos estavam foram de 
cogitação. Apenas em poucos casos foram usados porque as peças estavam com bom estado 
no restante ou porque continham informação que deveria ser mantida, como escora ou pelo 
outro encaixe seguinte ser sob medida. Este repasse, era refazer os dentes de todas as 
colunas reduzindo consequentemente 16 cm da sua altura original, mas possibilitaria salvar 
o restante. Com os dentes novos era possível inserir novamente o baldrame na casa. A casa 
voltaria a ser 100% enxaimel. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Local de trabalho e de algumas ferramentas e instrumentos utilizados 
 
 
 
 
 
 
Um dos pouco enxertos aplicados. Peças como escoras eram 
muito importantes de se manter pois possuem um conteúdo técnico 
muito grande. A forma como realizaram os cortes, as medidas em 
polegada antiga, as evidencias de alterações etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Detalhe da aplicação de esticadores para recuperar o alinhamento perfeito durante a montagem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Estrutura pronta. O cliente podia visitar e já tendo a sensação de “se sentir em casa” 
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O telhado foi totalmente refeito, mantendo as dimensões e encaixes antigos e o 
posicionamento simétrico correto. Se alguém analisar cuidadosamente o telhado, notará que 
a parte de baixo não coincide com o telhado em alguns pontos. Isso é uma característica da 
casa e deve ser mantida. Volta a questão anterior, que essa casa foi anteriormente remontada 
de um provável conserto e a parte de cima era um reaproveitamento, adaptação de uma outra 
casa. Neste ponto entra em discussão a questão de se manter ou corrigir um erro nas 
restaurações. Em nosso ponto de vista, se o “erro” é nocivo deve ser corrigido. O telhado 
anterior era uma adaptação nas laterais, já descaracterizado por reformas incorretas. Como 
no caso não se podia aproveitar nada do telhado, (não é possível restaurar o que não existe 
mais), fizemos da forma tradicional. O cliente também optou por alterar para duas janelas 
num lado e porta dupla de correr no outro, servindo como acesso a um elevado anexo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Pequeno desalinhamento observado na linha vermelha. A parte de cima é simétrica e toda nova. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Uma das 4 paredes novas do telhado. Seguindo a tradicional forma construtiva correta 
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47 3339-3872 pvolles@hotmail.com 
 
 
O tratamento das madeiras é outra parte fundamental do restauro completo. 
Atualmente sua aplicação é inexistente em qualquer restauro atual por considerar 
desnecessário e por se basearem no mito que as madeiras são duras e nestas o cupim não 
entra. Ou no máximo, utilizam apenas um veneno para cupins simples e barato. É preciso 
prever a longevidade destas madeiras para outros 100 anos. 
 
 
 
 
 
 
 
No caso foi aplicado um tratamento a base de óleo por funcionar também para repelir 
a umidade. O tratamento é feito por imersão de alguns minutos, em tachos especialmente 
projetados e o produto é elaborado por nós mesmos. O tempo de permanência é determinado 
na analise de uma amostra. Quando correto, o liquido chega a penetrar até 3 mm dentro da 
madeira. E dessa forma cria um barreira duradoura. Considerando que em alguns casos o 
liquido se propaga por toda a madeira pelos túneis de cupins antigos, rachaduras naturais da 
madeira e pelos encaixes é provável que nunca mais seja atacada por cupins novamente. . 
Nesta casa foram utilizados cerca de 300 litros. 
 
 Uma recomendação atual para se aumentar a durabilidade das madeiras e criar 
ambientes charmosos, é deixar expostas internamente na casa. Em alguns casos a 
dificuldade é recuperar a superfície devido a danos naturais como furos e apodrecimentos, 
cupins etc. Colas expansivas e massas de enchimento a base de sintéticos não duram mais 
que 10 anos apesar das propagandas que fazem. 
 Uma forma muito antiga é utilizando o breu, uma resina de pinheiro de cor amarela, 
que solidifica ao sair da casca. Quando aquecida numa panela ou através de uma chama de 
maçaricoà gás, derrete e se torna líquida por alguns segundos. O suficiente para se derramar 
sobre a madeira e preencher imensos buracos de cupim, partes apodrecidas ou rachaduras. O 
breu não tem grande resistência mecânica, mas possui grande aderência e extrema 
durabilidade. O aspecto no final é parecido com resina de fibra de vidro. Pode-se no final 
lixar, dando um acabamento de fosco. Aceita inclusive tintas e vernizes de qualquer tipo. 
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Partes apodrecidas ou atacadas por cupins recuperadas com breu. Ao ser envernizado aparentará ser madeira. 
 
 
 
Peça com partes bem danificadas (acrescentado com calços de madeira) e depois de aplicado o breu. Finalizado com lixa. 
 
 
Na casa, muitas peças foram recuperadas utilizando essa técnica. O desuso dessa 
técnica se deve a falta melhoria de processo. Em nosso caso, foi o uso de lixadeiras 
industriais e maçaricos portáteis que tornou viável. Não é uma técnica para se aplicar no 
local e só pode ser usada nas peças em posição horizontal, conforme a área a recuperar. O 
resultado é a recuperação total da madeira sem afetar sua estrutura natural ou inserindo 
meios irreversíveis. 
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 Observações importantes 
 
Algumas informações registradas durante os trabalhos de restauro não foram 
devidamente estudadas por falta de tempo e recursos. Mas poderão ser utilizadas como 
referencias ou esclarecidas de acordo com novas evidencias e em seu devido tempo. 
 
 
Um detalhe intrigante foi percebido durante a limpeza das peças. Ao serem lixadas 
algumas madeiras, principalmente da parte térrea da casa exalavam um forte odor de 
amônia, algumas sabíamos que eram devido a madeira ser Peroba e possui esse odor 
característico, mas em outras, como Canela e Massaranduba também foi percebido, levando 
a hipótese de ser um tratamento químico ou que foi residual do estuque. Sabemos que na 
época existia um tipo de conservante de madeiras chamado Carboleum e que teria um cheiro 
similar. O importante é que funcionou muito bem, porque os cupins atacaram em parte onde 
a umidade se alastrou e eliminou o provável tratamento aplicado. Algumas amostras foram 
guardadas para uma analise química posterior. Esperamos ter uma oportunidade de examinar 
isso quando tivermos recursos disponíveis. 
 
 
Alguns símbolos encontrados na casa não são comuns na técnica enxaimel. 
Enviamos para alguns de nossos contatos na Alemanha, mas até o momento, não tivemos 
nenhuma resposta conclusiva para o caso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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A montagem 
 
 
Ao se fazer uma restauração completa, deve ser dada atenção especial para o 
fundamento. É preciso prever o que irá acontecer no local escolhido para os próximos 100 
anos. Certamente ainda estaremos usando rodas e os veículos terão mais capacidade e 
velocidade. Basta olhar 100 anos atrás e lembrar que os carros então pesavam máximo 1 
tonelada e andavam a máximos 60km/h. Ou seja, devemos sempre prever que será mais do 
que necessitamos. Também a própria forma de utilidades (água, esgoto, gás e energia) pode 
mudar e prever um acesso para estes por meio de lajes e túneis é uma boa opção. 
No caso, o engenheiro recomendou por um fundamento de concreto armado com 
laje. As vantagens são por isolar melhor da umidade e possibilitar manutenção. Não há 
relação do fundamento com a casa enxaimel. A estrutura pode ser colocada sobre qualquer 
superfície, seja de pedras, tijolos ou cimento. Podemos observar na maioria das casas 
antigas, o fundamento era feito com algum material existente no local. 
Outra vantagem de se usar o fundamento de concreto armado é de se aplicar um piso 
cerâmico. Muitos podem achar isso descaracterização da casa enxaimel, mas na verdade no 
Brasil as casas tinham assoalhos de tábuas pela abundancia de madeiras. A Alemanha 
também passou por um período de racionalização e faz muito tempo que as casas lá são 
construídas sem assoalho na parte inferior. Como hoje aqui, a madeira deve ser preservada, 
não é mais recomendado usar, quando um piso cerâmico pode ser aplicado. Para se fazer 
tábuas de assoalho de boa qualidade, muita madeira é desperdiçada. 
 
 
 
 Fundamento sendo erguido conforme normas atuais, mas prevendo possibilidades de alteração no futuro. 
 
A montagem da casa requer um planejamento bem elaborado e com previsão de 
tempo bom por uma semana. Interromper os trabalhos expondo a estrutura à chuvas pode 
prejudicar os tratamentos e encaixes. A montagem se inicia com a aplicação de pasta de 
asfalto para isolamento, espessa ao máximo. Em seguida os baldrames vão sendo 
chumbados ao fundamento. Uma vez fixados as peças vão sendo colocadas conforme a 
respectiva seqüência numérica. 
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 Baldrames sendo fixados ao fundamento com chumbadores. O isolante de asfalto evita a passagem da umidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 A estrutura sendo montada conforme a numeração das peças 
 
A montagem transcorreu normalmente. Levou 5 dias para concluir a parte inferior e 
nenhum encaixe teve de ser refeito ou modificado. Havia na montagem o carpinteiro de 
enxaimel alemão Stefan Pfizner (naturalizado brasileiro) e seu aprendiz neo-zelandes 
Richard Eden que fazia o seu “Wanderschaft” oportunamente nesta montagem. 
 
 
Wanderschaft: Uma antiga tradição dos carpinteiros da Alemanha. Ao termino de seu aprendizado de 3 anos, devem sair de 
sua região vagando de cidade em cidade e até fora do pais sobrevivendo com o que conseguem. Carrega apenas seu traje de carpinteiro e 
uma bolsa. Ao termino de 1 ano retornam ao local de saída para ser oficializado como carpinteiro. Essa aventura tem um objetivo bem 
específico: de abrir a mente do aprendiz e medir sua capacidade de auto-suficiencia. Também traz benefícios para o ofício, aprimorando 
com novas técnicas e conhecimento adquirido nessa jornada. 
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 O aprendiz de carpinteiro com seu traje típico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Vista geral da montagem 
 
 
 
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Uma única dificuldade, foi não dispor de guindastes apropriados para erguer as peças 
mais pesadas. Por motivos de segurança, normalmente as vigase caibros do telhado são 
colocadas por meio de guindaste. Mas como em Bombinhas não havia equipamento 
adequado e a locação por outra cidade inviabilizava o projeto, a opção foi montar o telhado 
da forma manual e armando estaleiros para segurança. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Telhado sendo montado manualmente e com uso de estaleiros. Detalhe nos uniformes típicos de carpinteiros. 
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 Estrutura concluída após 2 semanas 
 
Em seguida foi iniciada a colocação de telhas. Neste caso o proprietário optou 
por uma telha diferente da tradicional telha chata. Como a região está sujeita a ventos 
fortes, a opção foi por telhas germânicas esmaltadas. Um desenho moderno, projeto 
alemão que aos poucos vem ganhando espaço e tem ótima aceitação neste tipo de 
casa. De menor peso, mais pontos de fixação e maior durabilidade. Inclusive mesmo 
em casos normais deve-se optar por telhas melhores. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Telhas germânicas esmaltadas sendo colocadas 
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Telhado pronto. Detalhe das abertura inseridas no sótão 
 
 
Preenchimento 
 
O preenchimento das paredes recebeu alguns novos conceitos. A massa a base de 
barro para assentar os tijolos não poderia mais ser aplicada, pois atualmente não é segura 
contra arrombamentos. Foi utilizada uma massa a base de Cal e com apenas 10% de 
cimento. O resultado é uma parede firme e também com certa flexibilidade para suportar as 
dilatações térmicas entre a madeira e o preenchimento. Nas paredes externas foram 
colocados os respectivos tijolos de cada parede original. Internamente estas paredes foram 
rebocadas e pintadas de branco. Já nas paredes internas, foram aplicados tijolos com furos 
convencionais de 9x30x30. Estas paredes foram rebocadas de ambos os lados. Esta medida 
de aplicar tijolos com furos internamente também é aplicada em todas as casas novas. A 
argila é uma matéria prima não renovável e precisa ser utilizada de forma econômica para 
não faltar num futuro. Os tijolos com furos também são práticos para aplicar instalações 
elétricas e hidráulicas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tijolos maciços originais na paredes externas e novos com furos na parte interna. Os arames servem para fixar o reboco. 
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 Parede da casa sendo preenchida com seus respectivos tijolos. A massa esbranquiçada é à base de cal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Pedreiro colocando tijolos. Interior da casa com as paredes rebocadas e madeiras aparentes. 
 
Algumas preferências do proprietário foram incluídas na casa como: paredes 
somente com a parte de madeira, tijolos de vidro em algumas partes e algumas de tijolos 
aparentes também internamente em algumas partes para realçar o ambiente. Neste relatório 
não vamos detalhar a parte de acabamentos internos. Há trabalhos de outros profissionais 
envolvidos e não estão relacionados com a parte de restauro. 
 
 
 
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Detalhe da escada “schwungtreppe” 
agora restaurada e junto a uma parede de 
tijolos internos, aplicação de tijolos de vidro 
e uma parede rebocada e pintada de branco. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Vista da frente da casa após 2 meses de trabalho. Agora com janelas novas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 Vista dos fundos da casa. 
 
 
 
 
 
 Casa finalizada, com a recolocação do portal, janelas do sótão e grades internas. 
 
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 Agradecimentos 
 
 
Agradecemos à Família Righetto pela oportunidade em realizar o trabalho, pela 
dedicação e preocupação em preservar este legado de nossos colonizadores. 
 
Agradecemos à Família Gropp pelas informações e cooperação. 
 
Agradecemos a todos nossos colaboradores que se empenharam e nos auxiliaram 
nesta obra. 
 
Arno Diel Pedreiro Ituporanga 
Divo Pazzeto Pedreiro Francisco Beltrão, PR 
Gisele Diel Coordenação Blumenau 
Max Diel Volles Aprendiz Blumenau 
Richard Eden Visitante/Aprendiz Nova Zelandia 
Stefan Pfitzner Carpinteiro Feldberg, Alemanha 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Fim.

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