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Leishmania Prof. Daniel Lira Introdução • Gênero Leishmania – Protozoários – Heteroxenos – Paramastigotas e promastigotas • Trato digestivo do hospedeiro invertebrado – Amastigota • Parasito intracelular obrigatório do sistema fagocítico mononuclear dos hospedeiros vertebrados – Hospedeiro invertebrado • Fêmeas de insetos hematófagos – Flebotomíneos Leishmania Introdução • Gênero Leishmania – Hospedeiro vertebrado • Grande variedade de mamíferos – Transmissão através da picada do inseto infectado • Momento da hematofagia de fêmeas de flebótomos Leishmania Espécies do gênero Leishmania, parasitos de humanos e animais de acordo com a classificação proposta por Lainson e Shaw, 1987 (revisada em 2005) Subgênero Leishmania Subgênero Viannia L. (Leishmania) donovani L. (L.) enrietti** L. (Viannia) braziliensis* L. (L.) infantum infantum L. (L.) aristidesi L. (V.) guyanensis* L. (L.) infantum chagasi* L. (L.) pifanoi L. (V.) panamensis L. (L.) archibaldi L. (L.) gamhami* L. (V.) peruviana* L. (L.) tropica L. (L.) hertigi** L. (V.) lainsoni* L. (L.) aethiopica L. (L.) deanei L. (V.) naiffi* L. (L.) major L. (L.) forattini L. (V.) shawi* L. (L.) gerbilli** L. (L.) forattini L. (V.) colombiensis* L. (L.) mexicana* L. (V.) equatoriensis L. (L.) amazonensis* L. (V.) lindenberg* L. (L.) venezuelensis* L. (V.) utingensis * Espécies encontradas parasitando humanos no Brasil ** Espécies exclusivamente de animais Leishmania Classificação Taxonômica Atual Leishmaniose Leishmaniose Tegumentar Leishmaniose Visceral Leishmania Leishmaniose Tegumentar Americana Leishmaniose Tegumentar Americana Introdução • Doença de caráter zoonótico que acomete humanos • Pode se manifestar de diversas formas clínicas – Cutânea localizada • Lesões ulcerosas, indolores, únicas ou múltiplas – Cutaneomucosa • Lesões mucosas agressivas – Regiões nasofaríngeas – Disseminada • Múltiplas úlceras cutâneas – Disseminação hematogênica ou linfática – Difusa • Lesões nodulares não ulceradas http://www.faerp.hpg.ig.com.br/parasito-leishmaniose-geral01.htm Leishmaniose Tegumentar Americana Contexto Histórico Contexto Histórico Leishmaniose Tegumentar Americana • As lesões encontradas eram referidas de acordo com a região onde ocorriam – Ferida de Balkh • Cidade do norte do Afeganistão – Botão-de-Aleppo • Síria – Botão-de-bagdá • Iraque – Botão-do-oriente • No Novo Mundo – Período pré-inca • Peru e Equador – Oviedo (1535) • Primeiras descrições clínicas – Cerqueira (Brasil, 1855) • Lesões de pele semelhantes ao botão-do-oriente – Construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (1908, Bauru) • Úlcera de Bauru Contexto Histórico Leishmaniose Tegumentar Americana • Segundo OMS, 12 milhões de casos em 2010 – Diversas formas de leishmaniose • 350 milhões de pessoas se encontram em área de risco para aquisição da infecção • Subnotificação – Dos dois milhões de casos previstos anualmente, apenas 600 mil são oficialmente declarados. • Notificação obrigatória em apenas 32, dos 88 países onde essas doenças são prevalentes. • Está entre as seis doenças mais importantes do mundo. • Urbanização das leishmanioses Importância Leishmaniose Tegumentar Americana • Agente etiológico – LTA é causada por diferentes espécies do gênero Leishmania – Espécies que provocam LTA em humanos, no Brasil: • L. (Viannia) braziliensis • L. (V.) guyanensis • L. (V.) lainsoni • L. (V.) shawi • L. (V.) naiffi • L. (Leishmania) amazonensis Aspectos Biológicos Leishmaniose Tegumentar Americana • Morfologia – Amastigotas • Ovoides (ou esféricas) sem flagelos livres • Corantes derivados de Romanovsky (Giemsa ou Leishman) • Encontrados no interior de células fagocitárias, ou livres Aspectos Biológicos Leishmaniose Tegumentar Americana • Morfologia – Promastigotas • Formas alongadas, possuem um flagelo livre • Encontradas no trato digestivo do vetor ou em culturas Aspectos Biológicos Leishmaniose Tegumentar Americana • Morfologia – Paramastigotas • Ovais ou arredondadas • Possuem um pequeno flagelo livre • Encontradas no trato digestivo do vetor, aderidas ao epitélio através de hemidesmossomas. Aspectos Biológicos Leishmaniose Tegumentar Americana • Reprodução – Divisão binária • Produção de um segundo flagelo • Mudança no cinetoplasto • Divisão do núcleo • Divisão no cinetoplasto • Separação longitudinal do corpo do parasito. Aspectos Biológicos Leishmaniose Tegumentar Americana • Invertebrados – Pequenos insetos do gênero Lutzomyia • Neles ocorre parte do ciclo biológico do parasito – Espécies envolvidas na transmissão no Brasil • Lutzomyia whitmani • L. wellcomei • L. pessoai • L. intermedia • L. umbratilis • L. flaviscutellata Hospedeiros Leishmaniose Tegumentar Americana • Invertebrados Hospedeiros Leishmaniose Tegumentar Americana • Invertebrados – Habitat • É mais encontrado em lugares úmidos, escuros, de grande vegetação (matas, mangues, florestas), depósito de entulhos e galinheiro. • Tem voo baixo e saltitante, aparecendo ao anoitecer. Hospedeiros Leishmaniose Tegumentar Americana • Vertebrados – Roedores – Edentados – Marsupais – Canídeos – Primatas, incluindo o homem Hospedeiros Leishmaniose Tegumentar Americana Ciclo Biológico Leishmaniose Tegumentar Americana • Picada de insetos hematófagos pertencentes ao gênero Lutzomyia – Fêmea do flebotomíneo corta com suas mandíbulas o tecido subcutâneo, inoculando as formas promastigostas metacíclicas • Região anterior do trato digestivo Transmissão Leishmaniose Tegumentar Americana Patogenia Leishmaniose Tegumentar Americana Promastigotas inoculadas na derme Atração de macrófagos → Fagocitose Promastigotas → Amastigotas Divisões binárias sucessivas → Macrófagos Lesão primária → Infiltrado inflamatório (linfócitos e macrófagos) • Período de incubação – Duas semanas a três meses • Evolução – Lesões iniciais semelhantes em todas as espécies Patogenia Leishmaniose Tegumentar Americana As lesões ~ o d e m assumir. entretanto, outras formas me- nos características: seca e hipercerastósica, vegetativa framboesiforme, com exsudato seropurulento, lembrando a framboesia (bouba). simultaneamente, ou em seguida ao aparecimento da lesão inicial, pode ocorrer disseminação lin- fática ou hematogênica, produzindo metástases cutânea, subcutânea ou mucosa. Seguido a um tratamento com sucesso, forma-se no lo- cal, em substituição a úlcera, uma cicatriz característica. Em geral a área cicatricial está despigmentada, com uma leve depressão na pele, com uma fibrose sob a epiderme, que es- tá h a (Fig. 8.5). Um amplo espectro de formas pode ser visto na leishma- niose tegumentar americana, variando de uma lesão auto- resolutiva a lesões desfigurantes. Esta variação está intima- mente ligada ao estado imunológico do paciente e as es- pécies de Leishmania. Apesar da ampla variedade de formas clínicas encon- trada em pacientes com LTA, podemos agrupá-las em três tipos básicos: leishmaniose cutânea (LC), leishmaniose cu- taneomucosa (LCM) e leishmaniose cutânea difusa (LCD). Estas formas clínicas são provocadas por diferentes es- pécies de Leishmania e estão associadas ao estado imune do hospedeiro, como já dissemos. A Tabela 8.1 resume as principais caracteristicas destas formas clínicas. A leishmaniose cutânea é caracterizada pela formação de úlceras únicas ou múltiplas confinadas na derme, com a epi- derme ulcerada. Resultam em úlceras leishmanióticastípicas, ou, então, evoluem para formas vegetantes verrucosas ou fiamboesiformes. A densidade de ara si tos nos bordos da úlcera formada é grande nas fases iniciais da infecção, com tendência a escassez nas úlceras crônicas. A leishmaniose cutâneo-disseminada é uma variação da forma cutânea e ge- ralmente está relacionada com pacientes imunossupnmidos ( m s ) . As espécies de Leishmania que produzem esta forma clínica nas Américas Central e do Sul pertencem aos com- plexos mexicana e braziliensis. No Brasil, as espécies que têm sido encontradas parasitando o homem são: L. braziliensis Provoca no homem lesões conhecidas por úlcera-de- Bauru, ferida brava, ferida seca e bouba. As lesões primári- as são usualmente únicas, ou em pequeno número, mas fie- quentemente de grandes dimensões, com úlceras em forma de cratera (Fig. 8.6C). O curso da infecção é geralmente ir- regular e crônico; e a tendência para cura espontânea, que depende em parte do tipo e da localização das lesões, varia grandemente de uma região geográfica para outra. Esta es- pécie é responsável pela forma cutânea mais destrutiva den- tre as demais conhecidas. ESTAGIO HISTOLOGIA Nódulo Epiderme intacta, forte infiltrado de macrófagos, numerosos parasitos Ulceração superficial, Ulceração forte infiltrado de inicial linfócitos, macrófagos numerosos parasitos Úlcera profunda, Úlcera processo inflamatório estabilizada ativo na periferia, com lesões-satélites, lesão-satélite poucos parasitos Leve depressão na pele epiderme fina, Lesão cicatrizada fibrose dérmica, ausência de parasitos Fig. 8.5 - Evolução da lesão ulcerada na leishmaniose tegumentar americana. 54 Capitulo 8 Formas Clínicas Leishmaniose Tegumentar Americana Leishmaniose Cutânea Leishmaniose Cutânea Difusa Leishmaniose Cutaneamucosa Formas Clínicas Leishmaniose Tegumentar Americana • Úlceras únicas ou múltiplas – Confinadas na derme – Úlceras leishmanióticas típicas – Leishmaniose cutâneo-disseminada • Paciente imunossuprimidos – Quatro espécies de Leishmania produzem esta forma clínica no Brasil. Leishmaniose Tegumentar Americana Leishmaniose Cutânea Formas Clínicas • L. (V.) braziliensis – Provoca as lesões conhecidas como úlcera de Bauru – Lesões primárias são frequentemente únicas • Pequeno número • Grandes dimensões • Úlceras em forma de crateras • Curso irregular e crônico – Tendência para cura espontânea • Forma cutânea mais destrutiva Formas Clínicas Leishmaniose Tegumentar Americana Leishmaniose Cutânea • L. (V.) guyanensis – Lesões cutâneas conhecidas como pian bois • Úlcera única • Dissemina-se pelo corpo originando úlceras similares • Metástases linfáticas – Nódulos subcutâneos móveis – Aderem a pele e ulceram Formas Clínicas Leishmaniose Tegumentar Americana Leishmaniose Cutânea • L. (L.) amazonensis – Lesões ulceradas simples e limitadas – Pouco comum em humanos • L. (V.) laisonsi – Nova espécie isolada em 8 pacientes no Pará – Produz úlcera cutânea única Formas Clínicas Leishmaniose Tegumentar Americana Leishmaniose Cutânea • Conhecida como espúndia ou nariz de anta • L. (V.) braziliensis • Lesões destrutivas secundárias envolvendo cartilagens e mucosas – Meses ou anos após lesões primárias • Nariz, faringe, boca e laringe – Áreas mais comumente afetadas – Em muitos casos ocorre a destruição de toda a área cartilaginosa do nariz. Leishmaniose Cutaneamucosa Formas Clínicas Leishmaniose Tegumentar Americana • Lesões difusas não ulceradas por toda a pele • L. amazonensis é o agente etiológico no Brasil • Úlcera única → lesões difusas – Metástases do parasito de um sítio para outro através de vasos linfáticos – Migração de macrófagos parasitados • Associada a imunodeficiência do paciente • Não respondem ao teste de Montenegro • Não responde ao tratamento – Curso crônico e progressivo por toda a vida do paciente Leishmaniose Cutânea Difusa Formas Clínicas Leishmaniose Tegumentar Americana • As espécies que parasitam o homem estão distribuídas em todo o mundo • Endêmica no México, América Central, todos os países da América do Sul – Exceto Chile • Brasil – Ocorre em todos os estados • Maior incidência no Norte Epidemiologia Leishmaniose Tegumentar Americana Epidemiologia Leishmaniose Tegumentar Americana Brasil - Casos de 1985 a 2003 Leishmaniose Tegumentar Americana ATLAS DE LEISHMANIOSE TEGUMENTAR AMERICANA 11 1.2 Epidemiologia A LTA tem sido descrita em quase todos os países americanos, do sul dos Estados Unidos ao norte da Argentina, com exceção do Uruguai e do Chile (LAINSON, 1983; SHAW et al, 1976). No Brasil, a doença apresenta ampla distribuição por todas as re- giões geográfi cas (FURTADO; VIEIRA, 1982; SAMPAIO et al., 1980). Ao analisar-se a evolução da LTA, observa-se uma expansão geográfi ca no início da década de 80, quando foram registrados casos em 19 unidades federadas e, em 2003, todos os esta- dos registraram autoctonia. A partir da década de 90, o Ministério da Saúde notifi cou uma média anual de 32 mil novos casos de LTA. Analisando-se os dados pertinentes em 2003, verifi cou-se a seguinte situação: a Região Norte notifi cou aproximadamente 45% dos casos, pre- dominando os estados do Pará, Amazonas e Rondônia; a Região Nordeste, 26% dos casos, principalmente no Maranhão, Bahia e Ceará; a Região Centro-Oeste, 15% dos casos, com maior freqüência em Mato Grosso; a Região Sudeste, 11% dos casos, pre- dominantemente em Minas Gerais; e a Região Sul, 3,0%, destacando-se o Paraná (fi - guras 1, 2 e 3). Figura 1. Número de casos e coefi cientes anuais de detecção de casos autóctones de LTA Brasil – 1985 a 2003 0 5 10 15 20 25 N.º de Casos Coef. Detecção N.º de Casos 13.639 25.153 28.449 35.103 35.748 30.030 31.303 21.801 32.439 34.639 37.713 34.156 31.343 Coef. Detecção 10,45 17,99 19,36 22,83 22,94 19,12 19,6 13,47 19,78 20,85 22,41 19,55 17,7 1985 1988 1991 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 0 5.000 10.000 15.000 20.000 25.000 30.000 35.000 40.000 Fonte: MS/SVS/DEVEP/CGDT/COVEV • Controle difícil nas vastas áreas florestais • Uso de inseticida em larga escala nas florestas – Inviável • Controle químico com uso de inseticidas – Áreas novas, em surto, transmissão ocorrendo em ambiente domiciliar • Proteção individual – Repelentes e mosquiteiros de malha fina • Construção de casas a uma distância mínima de 500 metros Profilaxia Leishmaniose Tegumentar Americana • Não são recomendadas ações para o controle de animais silvestres e domésticos hospedeiros das espécies de Leishmania causadoras de LTA • SOLUÇÃO IDEAL – Desenvolvimento de uma vacina Profilaxia Leishmaniose Tegumentar Americana • Clínico – Característica da lesão • Associada a anamnese e dados epidemiológicos • Laboratorial – Pesquisa de parasito • Exame direto de esfregaços corados • Exame histopatológico • Cultura • Inóculo em animais Diagnóstico Leishmaniose Tegumentar Americana • Pesquisa do DNA do parasito – Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) • Nova opção de diagnóstico de LTA • Métodos imunológicos – Teste de Montenegro • Teste imunológico mais utilizado no Brasil • Sensibilidade: 82,4 a 100% • Diversos antígenos – Promastigotas mortas – Reação de imunofluorescência indireta (RIFI) • Sensibilidade relativamente alta Diagnóstico Laboratorial Leishmaniose Tegumentar Americana • Teste de Montenegro – Inóculo de 0,1 mL de antígeno pela via intradérmica na face interna do braço • Positivo → Reaçãoinflamatória local formando um nódulo que atinge o auge em 48-72 horas, regredindo em seguida – Nódulo ≥ 5mm – Forma cutânea simples: a reação pode variar – Forma mucosa: reação intensa, podendo provocar necrose – Forma difusa: geralmente negativo – Pacientes tratados: positividade indefinida Diagnóstico Laboratorial Leishmaniose Tegumentar Americana • Antimoniais pentavalentes (Sb+5) – N-metilglucamina – Sb+5 em mg/peso do paciente kg/dia • 17 mg Sb+5/kg peso/dia durante 10 dias – intervalo de 10 dias – outra série de tratamento por mais 10 dias (depende da progressão da doença) – Via de administração: IM, podendo ser IV • Não usar em cardíacos nem grávidas Tratamento Leishmaniose Tegumentar Americana Leishmaniose Visceral Americana • Causada por parasitos do complexo Leishmania donovani – África, Ásia, Europa e Américas – Na Índia é conhecida como Kala-Azar • Doença crônica, grave, de alta letalidade se não tratada – OMS: 60.000 mortes por ano – Terceira enfermidade mais relevante transmitida por vetores Introdução Leishmaniose Visceral Americana • Incidência anual – 500.000 novos casos • Fatores de risco – Desnutrição – Fármacos imunosupressores – Drogas ilícitas – HIV Introdução Leishmaniose Visceral Americana • Índia, 1885 – Cunningham → Primeira observação do parasito • 1903 (William Leishman e Charles Donovan) – Descrição do agente etiológico • Na América do Sul – 1913, Paraguai, primeiro caso relatado • Paciente proveniente do Brasil – 1934, Penna • Primeiros relatos de encontro do parasito no Brasil História Leishmaniose Visceral Americana • Causada em todo o mundo por parasitos do complexo L. donovani – Leishmania (Leishmania) donovani – Leishmania (Leishmania) infantum • L. (L.) infantum chagasi → (Américas) • L. (L.) infantum infantum → (Velho Mundo) Agente Etiológico Leishmaniose Visceral Americana • Doença infecciosa sistêmica de evolução crônica – Febre irregular • intensidade média e longa duração – Esplenomegalia – Hepatomegalia – Sinais biológicos • Anemia • Leucopenia • Trombocitopenia • Hipergamaglobulinemia • Hipoalbuminemia - Emagrecimento - Edema - Estado de debilidade progressiva - Caquexia e óbito Importância Leishmaniose Visceral Americana • Morfologia semelhante a outras espécies de Leishmania • Ciclo biológico semelhante a outras espécies de Leishmania • Mecanismos de Transmissão – Picada da fêmea de Lutzomyia longipalpis • Promastigotas metacíclicas inoculadas durante repasto sanguíneo Biologia Leishmaniose Visceral Americana • Mecanismos de transmissão – Uso de drogas injetáveis – Transfusão sanguínea – Transmissão congênita e venérea • Raras e sem importância epidemiológica – Manipulação em laboratórios • Autoinoculação • Imunidade – Incapacidade de macrófagos em destruir amastigotas – A presença de anticorpos específicos é importante, principalmente para o diagnóstico Biologia Leishmaniose Visceral Americana • Pele como porta de entrada • Pode evoluir para cura espontânea • Migração dos parasitos – Linfonodos mais próximos – Vísceras • Alterações esplênicas – Esplenomegalia • Achado mais importante e frequente no calazar • Alterações hepáticas – Hepatomegalia Patogenia Leishmaniose Visceral Americana Leishmaniose Visceral Americana • Alterações no tecido hematopoiético • Alterações renais • Alterações dos linfonodos • Alterações pulmonares • Alterações no Aparelho Digestivo • Alterações cutâneas – Mais comum no Velho Mundo Patogenia Leishmaniose Visceral Americana Frequência de Sinais e Sintomas em Pacientes Infantis com Leishmaniose Visceral Crônica* Sinais e sintomas % Esplenomegalia 99 Febre 95 Hepatomegalia 90 Palidez 85 Anemia 98 Perda de peso 90 Dor abdominal 50 Tosse 40 Edema 40 Aumento de linfonodos 35 Anorexia 30 Diarreia 15 *Dados médios compilados de várias fontes. Quadro Clínico Leishmaniose Visceral Americana • Assintomática – Sintomatologia pouco específica • Tosse seca, febre baixa, diarreia, etc. – Cura espontânea ou nenhuma evolução clínica por toda a vida • Aguda – Período inicial da doença • Febre alta, palidez de mucosas e hepatoesplenome-galia discreta – Não ultrapassa dois meses – Confundida com várias enfermidades • Malária, toxoplasmose, esquistossomose, doença de Chagas, etc. Formas Clínicas Leishmaniose Visceral Americana • Sintomática Crônica ou Calazar Clássico – Evolução prolongada • Febre irregular • Agravamento dos sintomas – Emagrecimento progressivo • Desnutrição proteico-calórica • Caquexia acentuada – Hepatoesplenomegalia • Aumento do abdome – Infecções comuns • Pneumonia e broncopneumonia • Tuberculose • Diarreia e disenteria • Otite, gengivite, estomatite... Formas Clínicas Leishmaniose Visceral Americana • A rotina baseia-se nos sinais e sintomas clínicos, parâmetros epidemiológicos, achados hematológicos e bioquímicos e na grande produção de anticorpos • Diagnóstico Clínico – Sinais e sintomas associados à histórico de residência em áreas endêmicas Diagnóstico Leishmaniose Visceral Americana • Pesquisa de parasitos – Observação direta do parasito • Preparações de material obtido de aspiração de medula óssea, baço, fígado e linfonodos – Punção de medula óssea é considerada simples e com pouco risco para o paciente. • Esfregaços corados com Giemsa • Isolamento em meio de cultura • Inoculação em animais de laboratório – Pesquisa de DNA de Leishmania em amostras biológicas • PCR Diagnóstico Laboratorial Leishmaniose Visceral Americana • Métodos imunológicos – Característica marcante • Hipergamaglobulinemia – Produção de IgG e IgM – Permite uma variedade de testes imunológicos – Reação de Imunofluorescência Indiferta (RIFI) – Ensaio Imunoenzimático (ELISA) – Teste Rápido Imunocromatográfico – PCR – Intradermorreação de Montenegro • Negativa até seis meses após a cura! Diagnóstico Laboratorial Leishmaniose Visceral Americana • Quimioterapia – Tratamento específico – Antimoniais pentavalentes • Antimoniato de N-metilglucamina – Imunoquimioterapia • Interferon gama humano recombinante – Pacientes com Leishmaniose Visceral Aguda ou refratários ao tratamento apenas com antimoniais • Tratamento Inespecífico – Medidas paralelas • Corrigir manifestações clínicas – Anemia, desnutrição, fenômenos hemorrágicos... Tratamento Leishmaniose Visceral Americana Brasil - Casos de 1985 a 2002 Leishmaniose Visceral Americana 11 2 Características Epidemiológicas 2.1 Situação epidemiológica No Brasil, a LV inicialmente tinha um caráter eminentemente rural e, mais recente- mente, vem se expandindo para as áreas urbanas de médio e grande porte, sendo também conhecida por: Calazar, barriga d’água, entre outras denominações menos conhecidas. Segundo o Ministério da Saúde, em 19 anos de notifi cação (1984-2002), os casos de LVA somaram 48.455 casos (anexo 1), sendo que aproximadamente 66% deles ocorreram nos estados da Bahia, Ceará, Maranhão e Piauí. Nos últimos dez anos, a média anual de casos no País foi de 3.156 casos, e a incidência de dois casos/100.000 hab.(Figura 1). Figura 1 – Número de casos e coefi ciente de incidência de leishmaniose visceral, Brasil – 1985 a 2002 A doença é mais freqüente em crianças menores de 10 anos (54,4%), sendo 41% dos casos registrados em menores de 5 anos. O sexo masculino é proporcionalmente o mais afetado (60%). A razão da maior susceptibilidade das criançasé explicada pelo estado de relativa imaturidade imunológica celular agravado pela desnutrição, tão comum nas áreas endê- 0 1.000 2.000 3.000 4.000 5.000 6.000 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 N˚ de Casos Incidência N˚ de Casos 2.224 816 1.510 3.426 3.885 3.246 2.570 1.977 3.624 4.858 3.646 3.102 Incidência 1,89 1,32 1,03 2,23 2,49 2,09 1,61 1,33 2,29 2,23 1,72 1,95 1985 1988 1991 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Fonte: COVEV/ CGDT/DEVEP/SVS/MS • Reservatórios – Raposas • Reservatórios silvestres primitivos – Cães • Reservatórios domesticos • Principal elo na cadeia de transmissão do calazar Epidemiologia Leishmaniose Visceral Americana • Diagnóstico e tratamento dos doentes • Eliminação dos cães com sorologia positva • Combate às formas adultas do inseto vetor • Outras medidas – Aplicação de uma vacina eficaz, em grande escala, contra leishmaniose canina • Duas registradas no Brasil • Indicadas para imunização de cães com sorologia negativa. Profilaxia e Controle Leishmaniose Visceral Americana Leishmaniose em Alagoas 4 APRIMORAMENTO DOS PROCESSOS DE ANÁLISE E MONITORAMENTO DA SITUAÇÃO DE SAÚDE 4.1 Indicadores de qualidade dos dados Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) Tabela 9 Proporção (%) de casos de doenças de notificação compulsória encerrados oportunamente (a), segundo agravo selecionado e ano de notificação. Alagoas, 2003 a 2008 Agravo 2003 2004 2005 2006 2007 2008 (b) Doença de Chagas Aguda 14,0 37,2 54,3 47,8 43,3 39,3 Cólera 63,9 71,9 87,6 96,2 60,0 100,0 Coqueluche 66,7 59,7 67,4 70,0 92,3 66,7 Febre Hemorrágica de Dengue (c) nna nna nna nna 88,7 64,1 Difteria 100,0 100,0 nna nna 100,0 nna Febre Amarela nna nna nna nna nna 50,0 Febre Maculosa (c) nna nna nna nna nna nna Febre Tifóide 92,8 92,6 89,7 91,4 91,7 89,7 Hantavirose nna nna - nna nna nna Hepatites virais 62,2 77,4 78,2 77,5 65,2 63,0 Leptospirose 95,0 92,2 96,3 93,9 94,3 88,2 Leishmaniose Tegumentar 65,4 58,7 73,3 82,2 85,1 85,6 Leishmaniose Visceral 83,9 78,9 84,3 93,1 81,4 76,7 Malária 80,0 88,2 100,0 100,0 (d) (d) Meningite 96,9 95,1 93,1 93,7 85,1 88,3 Paralisia Flácida Aguda 14,3 66,7 100,0 100,0 47,4 54,5 Peste nna nna nna nna nna nna Raiva 100,0 nna - 50,0 nna nna Rubéola 46,3 39,8 63,5 68,9 76,7 64,0 Sarampo 51,9 39,8 63,5 100,0 66,7 50,0 Síndrome da Rubéola Congênita nna nna nna - - - Tétano Acidental 90,5 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Tétano neonatal 100,0 nna 100,0 nna nna nna Total 65,6 74,7 79,3 79,7 72,3 66,7 Fonte: Sinan/SVS/MS Nota: Os resultados foram obtidos com dados da base do ano seguinte ao avaliado (a) Método de cálculo do indicador: (nº de notificações com investigação encerrada dentro do prazo considerado oportuno para cada agravo / nº de notificações na unidade federada de residência e ano de notificação) x 100. (b) Dados de 2008 sujeitos à revisão. (c) Agravo incluído no cálculo do indicador a partir de 2007. (d) Não analisado por falta do campo Data de encerramento na ficha. nna Nenhuma notificação no ano - Houve notificação no ano, porém nenhuma encerrada oportunamente. Secretaria de Vigilância em Saúde/MS 24 4 APRIMORAMENTO DOS PROCESSOS DE ANÁLISE E MONITORAMENTO DA SITUAÇÃO DE SAÚDE 4.1 Indicadores de qualidade dos dados Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) Tabela 9 Proporção (%) de casos de doenças de notificação compulsória encerrados oportunamente (a), segundo agravo selecionado e ano de notificação. Alagoas, 2003 a 2008 Agravo 2003 2004 2005 2006 2007 2008 (b) Doença de Chagas Aguda 14,0 37,2 54,3 47,8 43,3 39,3 Cólera 63,9 71,9 87,6 96,2 60,0 100,0 Coqueluche 66,7 59,7 67,4 70,0 92,3 66,7 Febre Hemorrágica de Dengue (c) nna nna nna nna 88,7 64,1 Difteria 100,0 100,0 nna nna 100,0 nna Febre Amarela nna nna nna nna nna 50,0 Febre Maculosa (c) nna nna nna nna nna nna Febre Tifóide 92,8 92,6 89,7 91,4 91,7 89,7 Hantavirose nna nna - nna nna nna Hepatites virais 62,2 77,4 78,2 77,5 65,2 63,0 Leptospirose 95,0 92,2 96,3 93,9 94,3 88,2 Leishmaniose Tegumentar 65,4 58,7 73,3 82,2 85,1 85,6 Leishmaniose Visceral 83,9 78,9 84,3 93,1 81,4 76,7 Malária 80,0 88,2 100,0 100,0 (d) (d) Meningite 96,9 95,1 93,1 93,7 85,1 88,3 Paralisia Flácida Aguda 14,3 66,7 100,0 100,0 47,4 54,5 Peste nna nna nna nna nna nna Raiva 100,0 nna - 50,0 nna nna Rubéola 46,3 39,8 63,5 68,9 76,7 64,0 Sarampo 51,9 39,8 63,5 100,0 66,7 50,0 Síndrome da Rubéola Congênita nna nna nna - - - Tétano Acidental 90,5 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Tétano neonatal 100,0 nna 100,0 nna nna nna Total 65,6 74,7 79,3 79,7 72,3 66,7 Fonte: Sinan/SVS/MS Nota: Os resultados foram obtidos com dados da base do ano seguinte ao avaliado (a) Método de cálculo do indicador: (nº de notificações com investigação encerrada dentro do prazo considerado oportuno para cada agravo / nº de notificações na unidade federada de residência e ano de notificação) x 100. (b) Dados de 2008 sujeitos à revisão. (c) Agravo incluído no cálculo do indicador a partir de 2007. (d) Não analisado por falta do campo Data de encerramento na ficha. nna Nenhuma notificação no ano - Houve notificação no ano, porém nenhuma encerrada oportunamente. Secretaria de Vigilância em Saúde/MS 24 Leishmaniose em Alagoas • Pesquisa sobre Leishmaniose Visceral Canina. • Leitura do artigo encontrado no portal • RECOMENDAÇÕES – LEITURAS • Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral • Atlas de Leishmaniose Tegumentar Americana – Diagnóstico Laboratorial e Clínico Atividade Discente Leishmaniose Visceral Americana