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Resumo - Fundamentos socioantropológicos da saúde 
Rayane Vital - Fisioterapia UNESA 2018 
1 
 
Sociologia 
 A sociologia, assim, será a ciência que estuda a estrutura das sociedades, ou dos homens organizados 
em grupo. 
A sociologia é o estudo da vida social humana, dos grupos humanos e das sociedades. O objeto de 
estudo são os grupos sociais, a divisão da sociedade em classes, a mobilidade social , bem como os 
processos de cooperação, competição e conflito na sociedade. 
O surgimento da Sociologia foi decorrente da necessidade de: 
Observar, medir e comprovar as regras que tornasse possível através da razão, prever os fenômenos 
sociais. 
A sociologia é uma das disciplinas que compõe as chamadas ciências sociais. Criada no século XIX, tem 
como fundador o filósofo Auguste Comte (1798-1857), um dos principais representantes do positivismo. 
Comte pretende estudar as sociedades utilizando-se do rigor metodológico das ciências da natureza, a 
exemplo da física. Dessa forma, pretende romper com toda forma especulativa ou mística de 
compreender a realidade, substituindo pelo modelo científico fundamentado na razão, observação, 
mensuração (medida) e busca de leis gerais de funcionamento das sociedades. 
Ciência social 
A ciência social tem como função organizar e racionalizar a vida coletiva, o que demanda a necessidade 
de entender suas regras de funcionamento e suas instituições forjadas historicamente. 
Antropologicamente podemos definir cultura como: 
Manifestação tipicamente humana marcada pela multiplicidade de expressões. As culturas estão 
diretamente relacionadas à especificidade das condições de vida de cada grupo, isto é, estão 
relacionadas às condições particulares que possibilitaram sua criação e desenvolvimento. 
A cultura é uma expressão baseada em simbolismos e em interpretações variadas da realidade. 
Conhecimento científico 
Transcende os fatos e os fenômenos em si, analisa-os para descobrir suas causas e concluir as leis gerais 
que os regem. 
Aspectos da Revolução Industrial que mais influenciaram a formulação de problemas e conceitos pela 
sociologia: 
A situação da classe trabalhadora, a transformação da propriedade, a cidade industrial, a tecnologia e o 
sistema fabril. 
A religiosidade e a situação dos trabalhadores rurais não são fenômenos pertinentes em relação ao 
surgimento da sociologia. 
Cientistas sociais 
Os cientistas sociais estudam fenômenos complexos, situados em planos de casualidade e determinação 
complicados. 
 
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Rayane Vital - Fisioterapia UNESA 2018 
2 
 
Grupo social 
Refere-se a um “conjunto de indivíduos que agem de maneira coordenada, autorreferida ou recíproca.” 
Os grupos sociais são classificados em: 
 Primários (família, vizinhança), onde há forte vínculo emocional; 
 Secundários (trabalho, exército etc.), mais formais e menos íntimos; 
 De referência, que servem de modelo para ações individuais. 
Socialização 
Processo pelo qual o indivíduo assimila os valores, as normas e as experiências sociais de um grupo ou 
de uma sociedade. 
A socialização é a responsável pela transmissão e manutenção das normas e valores da sociedade que 
cria mecanismos de controle social, de sanções que reprovam comportamentos não esperados 
socialmente. 
 Socialização primária: A transmissão dos valores e da cultura é feita pela família. 
 Socialização secundária: A transmissão é assumida por outros grupos, como a escola e os 
grupos de referência. 
Endoculturação 
Entende-se que o comportamento dos indivíduos depende de um processo de aprendizagem. 
Normas sociais 
São mecanismos que asseguram a regularidade da vida social e a existência de suas instituições. As 
normas sociais são aprendidas (introjetadas) pelos indivíduos ao longo de seu processo de socialização. 
A ausência de normas e regras sociais, ou o não reconhecimento delas, chama-se anomia. 
Para que as normas sociais possam ser introjetadas e a socialização ocorra, é necessária certa “pressão”. 
Esta pressão é exercida por diversos dispositivos sociais e resume-se no conceito de coerção social. 
É importante notar que a coerção social não é, a princípio, algo ruim ou negativo, como poderíamos 
pensar, mas a possibilidade de existência e manutenção da sociedade. Através dos vários sistemas 
coercitivos, a sociedade se mantém coesa, isto é, unida e funcionando adequadamente. 
Papel social 
Conjunto de normas, direitos, deveres e expectativas que envolvem uma pessoa no desempenho de 
uma função junto a um grupo ou dentro de uma instituição. 
Instituição social 
O termo designa uma organização que abranja pessoas, como por exemplo um hospital, uma prisão ou, 
no ponto que aqui nos interessa, uma universidade. De outro lado, também é ligado às grandes 
entidades sociais que o povo enxerga quase como um ente metafísico a pairar sobre a vida do indivíduo, 
como o Estado, a economia, ou o sistema educacional. 
 
Resumo - Fundamentos socioantropológicos da saúde 
Rayane Vital - Fisioterapia UNESA 2018 
3 
 
Etnocentrismo 
Visão de mundo na qual o centro de tudo é o próprio grupo a que o indivíduo pertence. No 
etnocentrismo, temos a identificação pelo indivíduo com a cultura do seu grupo e a suposição de que os 
padrões por ele exibidos são os melhores e os mais corretos. 
Evolucionismo cultural (Darwinismo social) 
A lógica evolucionista (cultural) supõe que existam grupos humanos mais evoluídos, social e 
culturalmente, que outros, “justificando” a intervenção nas culturas e sociedades julgadas inferiores. 
Relativismo cultural 
O relativismo cultural designa a ideia de que qualquer parte do comportamento deve ser julgada 
primeiramente em relação ao lugar por ela ocupado na estrutura da cultura em que ocorre e em termos 
do sistema de valor específico daquela cultura. 
Diferentemente dos conceitos de etnocentrismo e evolucionismo cultural, a perspectiva relativista 
procura compreender os eventos socioculturais presentes nos diversos grupos e sociedades a partir do 
próprio grupo. 
Um olhar relativista permite que se compreenda a realidade social de um grupo “como se fosse” alguém 
do próprio grupo. 
Concepções sobre doença 
Concepção fisiológica 
Considera-se o sujeito como um todo, bem como seu ambiente. A doença é algo que fala de uma 
totalidade e não de particularidades, como órgãos corporais específicos. 
Concepção ontológica 
Diferente da concepção fisiológica, a concepção ontológica defende que as doenças são “entidades‟ 
exteriores ao organismo, que o invadem para se localizar em várias das suas partes. 
Os significados destas “entidades” não são sempre os mesmos: poderão ser consideradas processos 
mágico-religiosos ou castigos divinos, ou ainda vírus. 
A concepção ontológica busca um diagnóstico preciso, relacionando órgãos corporais e agentes 
perturbadores. 
Período pré-cartesiano 
Marcado pela insistência no distanciamento das práticas médicas de concepções mágico-religiosas 
típicas da Mesopotâmia e do Egito. 
Hipócrates - Para ele, os procedimentos terapêuticos têm como objetivo os efeitos nocivos das forças 
naturais. Para compreender os estados de saúde, deve-se considerar as influências do ar, da água, do 
ambiente e da alimentação. 
A medicina hipocrática apoia-se na concepção de que a natureza é formativa, construtiva e curativa: “O 
corpo humano tende a curar a si próprio”. 
Resumo - Fundamentos socioantropológicos da saúde 
Rayane Vital - Fisioterapia UNESA 2018 
4 
 
Assim, não fazer mal é o princípio fundamental no tratamento das doenças. Este é um dos quatro 
princípios fundamentais (o da não maleficência) da mais conhecida teoria bioética, chamada 
principialismo.Período científico ou biomédico 
Descartes - Os seres vivos são constituídos e funcionam de forma semelhante às máquinas, das quais o 
relógio é o grande modelo: formados por peças que se encaixam e podem ser decompostas, cada uma 
delas com uma função própria e observável. 
Para Descartes, sendo o corpo humano uma máquina, o homem doente seria um relógio avariado, 
assim como um homem saudável seria um relógio funcionando perfeitamente. Assim, o funcionamento 
dos homens é regido por uma natureza que lhe é externa. O modelo cartesiano ou mecanicista concebe 
o mundo como uma grande máquina ou um grande relógio. 
O modelo biomédico concebe a doença, a exemplo da lógica cartesiana, como uma avaria, temporária 
ou permanente, de um dos componentes da “máquina”. Curar significaria consertar ou reparar esta 
máquina. 
Para a compreensão dos estados de doença, admite-se a interferência de agentes patogênicos. 
Primeira revolução da saúde 
É um desdobramento do modelo biomédico marcado pelo início da atenção à saúde pública. 
A evolução da compreensão dos processos saúde-doença, neste momento, permite o desenvolvimento 
de estratégias capazes de barrar o avanço e disseminação de agentes patogênicos. 
Por exemplo, através de medidas sanitárias como esgotamento e distribuição de água potável, bem 
como, já em pleno século XX, na utilização de vacinas ou a utilização de antibióticos. 
Podemos ver que, aos poucos, os conceitos de saúde e doença vão se encaminhando rumo à 
consideração de fenômenos multicausais, isto é, deles participando uma série de agentes e 
determinantes. 
Segunda revolução da saúde 
Termo utilizado em 1979 por Julius Richmond, sublinha as mudanças necessárias para responder às 
novas exigências no campo da saúde. 
Concluindo... 
Modelo biomédico se centrou na doença. 
Primeira revolução da saúde se centrou na prevenção da doença. 
Segunda revolução da saúde se centrou na saúde. 
Definição de saúde, segundo a OMS 
Um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas ausência de enfermidade ou 
doença. 
 
Através da definição acima nos permite concluir que: A saúde é um fenômeno multideterminado. 
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Rayane Vital - Fisioterapia UNESA 2018 
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Declaração de Alma-Ata 
Em 1978 foi realizada a Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde. 
A Declaração de Alma-Ata expressa as necessidades dos governos e das organizações que trabalham no 
campo da saúde que centrem seus esforços no sentido de promoção da saúde para todos os povos do 
mundo. 
A carta de Ottawa 
Resultado da I Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, realizada em novembro de 1986. É 
uma carta de intenções que tem por objetivo contribuir com as políticas de saúde desenvolvidas pelos 
países envolvidos na Conferência. Na Carta de Ottawa, o ponto central é a ideia de promoção da saúde. 
São condições e recursos para a saúde: paz, habitação, educação, alimentação, renda, ecossistema 
estável, recursos sustentáveis, justiça social e equidade. 
*Obs.: As datas sublinhadas são importantes. 
Políticas públicas 
“As políticas públicas podem ser definidas como conjuntos de disposições, medidas e procedimentos 
que traduzem a orientação política do Estado e regulam as atividades governamentais relacionadas às 
tarefas de interesse público. São também definidas como todas as ações de governo, divididas em 
atividades diretas de produção de serviços pelo próprio Estado e em atividades de regulação de outros 
agentes econômicos”. 
Políticas públicas em saúde 
“As políticas públicas em saúde integram o campo de ação social do Estado orientado para a melhoria 
das condições de saúde da população e dos ambientes natural, social e do trabalho. Sua tarefa 
específica em relação às outras políticas públicas da área social consiste em organizar as funções 
públicas governamentais para a promoção, proteção e recuperação da saúde dos indivíduos e da 
coletividade”. 
O período anterior à promulgação da Constituição Federal de 1988 foi marcado por muitas lutas em 
favor de um sistema de Seguridade Social universal, configurado com um tripé: Saúde, Previdência e 
Assistência. 
Políticas públicas de saúde no Brasil 
A história das políticas públicas no Brasil permite localizar a Constituição Federal de 1988 como marco 
fundamental. 
Vimos que, na Carta Magna do nosso país, saúde é definida como “direito de todos e dever do Estado”. 
A responsabilidade do Estado pelas condições de saúde de sua população é materializada nos princípios 
de universalidade, equidade e integralidade. 
CREAS 
Os CREAS se destinam à proteção social especial. Estão dirigidos a “indivíduos que se encontram em 
situação de alta vulnerabilidade pessoal e social, bem como a crianças e adolescentes, jovens, idosos e 
pessoas com deficiência nas várias situações caracterizadas como de risco pessoal”. 
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Cidadania 
 
Implica no reconhecimento de pertencimento de um indivíduo a uma comunidade organizada – um 
país, por exemplo –, que atribui aos indivíduos que dela participam um conjunto de direitos e 
obrigações, expressos em uma Constituição. 
Cidadania formal 
 
A cidadania formal diz respeito à maneira como a cidadania está descrita formalmente nos documentos 
e leis de um país, nas Constituições, e que garante direitos aos indivíduos. Estabelece uma relação de 
pertencimento de um indivíduo a um Estado Nação. 
 
Cidadania substantiva 
A cidadania substantiva (ou cidadania real) diz respeito à maneira como a cidadania é vivida na prática, 
no dia a dia. Relaciona-se à posse efetiva de direitos civis, políticos e sociais. 
Globalização 
1ª fase  Marcada pelas grandes navegações e pela expansão mercantilista. Neste período, a 
globalização é caracterizada pelo comércio entre a Europa, África e América. Todo este processo 
possibilita ampliar a produção e o comércio de artesãos e industriais na Europa. 
2ª fase  É caracterizada pelo expansionismo industrial-imperialista e colonialista. Profundas 
transformações no campo tecnológico e político marcam a transição da primeira para a segunda fase: 
industrialização da Inglaterra, seguida da França, Bélgica, Alemanha e Itália; utilização da máquina a 
vapor nos transportes marítimos e terrestres; interesses da indústria e das finanças; ascensão da 
burguesia industrial e bancária. 
Esta segunda fase também é marcada pelas Grandes Guerras Mundiais e o fim dos impérios dinásticos. 
Após a II Guerra, restam apenas duas superpotências: os Estados Unidos e a União Soviética. 
A globalização propriamente dita  Pode ser localizada a partir de 1989, marcada pelo 
enfraquecimento da União Soviética e pela queda do muro de Berlim, em 1989, o que possibilitou a 
reunificação da Alemanha, em 1990. Esta fase da globalização se estende até o presente, ainda que 
acrescida de novas características. 
Em conclusão, estes dados nos mostram que a globalização tem empobrecido países e ampliado a 
pobreza, a exclusão e as iniquidades econômicas e sociais. Estas, por sua vez, repercutem pesadamente 
sobre a saúde de indivíduos e da população como um todo”.

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