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Compressibilidade/Adensamento e Recalque 
Compressibilidade é uma característica de todos os materiais, quando submetidos 
a forças externas (carregamentos), de se deformarem. 
O que difere o solo dos outros materiais é que ele é um material natural, com uma 
estrutura interna que pode ser alterada pelo carregamento, com deslocamento 
e/ou ruptura de partículas. 
 
Depende do tipo de solo: 
Em areias (solos não-coesivos) a compressibilidade ocorrerá rapidamente, devido a 
sua alta permeabilidade, pois a água poderá drenar facilmente. 
Nas argilas (solos coesivos) a saída de água é lenta devido à baixa permeabilidade, 
portanto, as variações volumétricas (deformações/recalques) dependem do 
tempo, até que se conduza o solo a um novo estado de equilíbrio, sob as cargas 
aplicadas. Essas variações volumétricas que ocorrem em solos finos saturados, ao 
longo do tempo, constituem o processo de adensamento. 
Processo de adensamento - solos finos saturados 
A compressibilidade dos solos advém da grande porcentagem de vazios (e = Vv/Vs) 
em seu interior, pois os níveis de tensão encontrados usualmente nos trabalhos de 
engenharia não são capazes de causar variação de volume significativa nas 
partículas sólidas. 
→ Pode-se dizer que a variação de volume do solo é inteiramente resultante da 
variação de volume dos vazios. 
Reduções de volume ocorrem com a alteração da estrutura, à medida que esta 
suporta maiores cargas: quebram-se ligações inter-partículas e há distorções. Disto 
resulta um menor índice de vazios e uma estrutura mais densa. Uma forma 
conveniente de estudar o fenômeno é através da analogia mecânica sugerida por 
TERZAGHI (1943). 
Modelo mecânico TERZAGHI (1943): 
O modelo compõe-se basicamente de um pistão com uma mola provido de uma 
saída (figura). Inicialmente (antes de t = 0), o sistema encontra-se em equilíbrio. No 
tempo inicial, há um incremento de pressão externa instantânea (ΔP) que provoca 
um aumento idêntico de pressão na água. Como não houve tempo para o 
escoamento da água (variação de volume), a mola não sofre compressão e, 
portanto, não suporta carga. 
 
 
 
Há, a partir daí, processo de variação de volume com o tempo, pela saída da água, 
e, simultaneamente, ocorre à dissipação da pressão do líquido. Gradativamente, 
aumenta a tensão na mola e diminui a pressão da água até atingir-se a condição 
final da figura 8.2(e). Uma vez que a pressão externa está equilibrada pela pressão 
da mola, não há mais compressão e o adensamento está completo. 
A mola representa o esqueleto mineral e a tensão que ela suporta é denominada 
de tensão efetiva; a água representa o líquido no interior dos poros ou vazios do 
solo e sua pressão é dita poro-pressão ou pressão neutra; a pressão externa será 
sempre equilibrada pela poro-pressão e/ou pela tensão efetiva. 
A diferença fundamental de comportamento é que os solos continuam 
apresentando alguma variação de volume, mesmo após o final do que se denomina 
adensamento primário (e que corresponde à analogia de Terzaghi). Há saída de 
água mesmo com poro-pressão praticamente nula (compressão secundária). 
Algumas observações, obtidas a partir do modelo, que são importantes: 
a) a diferença de altura entre o inicio e o final do fenômeno (h0 - hf) depende da 
rigidez da mola e seu comprimento e do incremento de tensão vertical (ΔP); 
b) o tempo para atingir-se a condição final, isto é, de (Δu = 0), varia com a abertura 
da válvula de saída de água. 
Nos solos, o fenômeno comporta-se de modo similar: 
a) o recalque total depende da rigidez da estrutura do solo, da espessura da 
camada e do incremento de carga vertical; 
b) o tempo de dissipação da pressão neutra depende da permeabilidade do solo e 
das condições de drenagem que há nos contornos da camada. 
A partir dos princípios da Hidráulica, Terzaghi elaborou a sua teoria para o modelo 
de solo utilizado, tendo entretanto que fazer algumas simplificações: 
a) solo homogêneo e saturado; 
b) partículas sólidas e a água contida nos vazios do solo são incompressíveis; 
c) compressão (deformação) e drenagem unidimensionais (vertical); 
d) propriedades do solo permanecem constante (k, mv, Cv); 
e) validade da lei de Darcy ( v = k . i ); 
f) há linearidade entre a variação do índice de vazios e as tensões aplicadas. 
 
• Teoria de adensamento (TERZAGHI, 1943): a) Há relação linear entre o 
índice de vazios e a variação de pressões; b) Toda variação volumétrica se deve à 
expulsão de água dos vazios, se afastando em muitos casos da realidade, pois 
ocorrem juntamente com o adensamento, deformações elásticas e outras, sob 
tensões constantes, porém crescentes com o tempo. 
A figura 8.4 a seguir mostra um perfil de solo: uma camada de solo saturado 
compressível intercalada entre outras camadas pouco compressíveis. 
 
Analisando a pressão neutra (u) dentro da camada, observa-se que ela será zero 
(ou igual a um valor hidrostático inicial constante, dependente do lençol freático 
na areia) no contato superior. A areia possui uma permeabilidade muito alta em 
relação à argila e fornece uma condição de drenagem livre. 
O carregamento que foi imposto é do tipo unidimensional, isto é, não há distorção 
lateral do solo. Esta forma de solicitação ocorre quando a largura do carregamento 
é muito maior do que a espessura da camada (ex.: aterros de aeroportos, aterros 
rodoviários, tanques de combustível, aterros industriais, etc). 
Na figura 8.4 b mostra um elemento de solo da camada na qual o incremento de 
carga aplicada foi ΔP. 
 
 
O coeficiente (mv) é determinado experimentalmente e denomina-se coeficiente 
de deformação volumétrica (ou variação volumétrica). 
Quanto maior esse coeficiente, maior será a variação de volume unitário do solo 
para certo incremento de tensão efetiva. O coeficiente de variação volumétrica é o 
inverso do módulo de elasticidade (mv = 1/E). (Módulo de elasticidade E = σ / ε) 
Como o fluxo no elemento de solo é unidimensional (por definição do 
carregamento), toda a variação de volume se dará na dimensão de “z”. 
Haverá uma variação da velocidade originada pelo aumento de vazão, isto é, há 
uma diferença entre o volume que sai e o que entra no elemento de solo, devido à 
própria variação de volume do elemento (solo saturado). 
Esta expressão é conhecida como equação diferencial do adensamento. Sendo esta 
uma equação diferencial de derivadas parciais de 2° ordem que rege o fenômeno 
do adensamento unidimensional.
 
Desta equação define-se o coeficiente de consolidação (ou de adensamento), pela 
seguinte expressão: 
 
Quanto maior o valor do Cv, tanto mais rápido se processa o adensamento do solo. 
Assim como mv e k, o Cv é uma propriedade dos solos. 
Solução para equação diferencial do adensamento: 
⇒ t = 0 e 0 < z < H (2Hd) , u = ΔP (trabalhamos apenas com o excesso de poro-
pressão, isto é, considerando u0 = 0). 
 
Com base nestas condições, pode-se resolver a equação diferencial do 
adensamento por meio de séries de Fourier. A resolução completa pode ser 
encontrada em Taylor (1948): 
é 
chamado fator tempo (T) e representa uma variável independente, sendo um 
número adimensional. 
O progresso do processo de adensamento em um ponto pode ser expresso pela 
porcentagem de adensamento definida como: 
 
Nesta expressão, ΔVt representa a variação de volume após um tempo “t”; ΔVt = ∞ 
representa a variação de volume, após completado o adensamento e Uz é a 
porcentagem de adensamento ou grau de adensamento de um elemento de solo, 
situado a uma profundidade “z”, num tempo “t”. 
Em termos de pressões neutras, temos: Δut e Δut = ∞, são as pressões neutras, 
após um tempo “t”e após um “t = ∞“; ue é a sobrepressão hidrostática, logo após 
a aplicação da carga ; e u é a sobrepressão num tempo “t” e u0 é pressão neutra 
existente na água. 
 
Exercício 01. Um depósito de argila da Baixada Fluminense tem drenagem através de uma 
camada de areia embaixo e livre por cima. Sua espessura é de 12m. O coeficiente de 
adensamento obtido em laboratório é Cv = 1,0 x 10-8 m2/s. Obtenha o grau de adensamento 
e a poro-pressão residual, cinco anos após o carregamento unidimensional de 100 kN/m2 , 
nas profundidades de z = 0, 3, 6, 9 e 12m. 
Solução: para t = 0 a pressão neutra aumentou de 100 kN/m2 em todos os pontos. 
 
 
 
� Altura de drenagem (Hd) 
Definindo-se a altura de drenagem (ou distância) - Hd, como a máxima distância 
que uma partícula de água terá que percorrer, até sair da camada compressível, 
teríamos neste caso, Hd = H/2. 
No caso da Figura 8.6(b), a Hd = H, pois uma partícula de água situada 
imediatamente sobre a camada impermeável teria que percorrer toda a espessura 
da camada compressível até atingir uma face drenante. 
 
As curvas de igual fator tempo (T), denominadas isócronas, representam o quanto 
o solo já adensou efetivamente. Assim, para um mesmo tempo (ou T adimesional), 
o grau de adensamento é maior próximo às camadas drenantes do que no meio da 
camada compressível. Por exemplo, para T = 0,20, no meio da camada, terá 
ocorrido 23 % do recalque, enquanto que em ¼ da espessura total terá ocorrido 
44%. O conhecimento da distribuição de Uz tem interesse no projeto de aterros 
sobre solos moles. 
 
 
Ensaio de adensamento ou compressão confinada (ABNT-NBR 12007/90): 
O método requer que um elemento de solo, mantido lateralmente confinado, seja 
axialmente carregado em incrementos, com pressão mantida constante em cada 
incremento, até que todo o excesso de pressão na água dos poros tenha sido 
dissipado. 
Durante o processo de compressão, medidas de variação da altura da amostra são 
feitas e estes dados são usados no cálculo dos parâmetros que descrevem a 
relação entre a pressão efetiva e o índice de vazios, e a evolução das deformações 
em função do tempo. Os dados do ensaio de adensamento podem ser utilizados na 
estimativa tanto da magnitude dos recalques totais e diferenciais de uma estrutura 
ou de um aterro, com da velocidade desses recalques. 
A aparelhagem é constituída de um sistema de aplicação de carga (prensa de 
adensamento ou edômetro) e da célula de adensamento. A prensa permite a 
aplicação e manutenção das cargas verticais especificadas, ao longo do período 
necessário de tempo. A célula de adensamento é um dispositivo apropriado para 
conter o corpo de prova que deve proporcionar meio para aplicação de cargas 
verticais, medida da variação da altura do corpo de prova e sua eventual 
submersão. 
 
Consiste de uma base rígida, um anel para conter o corpo de prova (anel fixo ou 
flutuante), pedras porosas e um cabeçote rígido de carregamento (Figura: prensa 
de adensamento e a célula de adensamento). 
O procedimento para execução do ensaio é iniciado com a colocação da célula de 
adensamento no sistema de carga. Transmite-se cargas a célula de adensamento, 
em estágios, para obter pressões totais sobre o solo de aproximadamente 10, 20, 
40, 80, 160, ... Kpa, mantendo-se cada pressão pelo período de tempo de 24 horas 
(dependendo do solo). 
Para cada um dos estágios de pressão, faz-se leituras no extensômetro da altura ou 
variação de altura do corpo de prova, imediatamente antes do carregamento 
(tempo zero) e, a seguir, nos intervalos de tempo 1/8, 1/4, 1/2, 1, 2, 4, 8, 15, 30 
min; 1, 2, 4, 8, e 24h. Completadas as leituras correspondentes ao máximo 
carregamento empregado, efetua-se o descarregamento do corpo de prova em 
estágio, fazendo leituras no extensômetro. 
O primeiro trecho representa uma recompressão do solo, até um valor 
característico de tensão, correspondente à máxima tensão que o solo já sofreu na 
natureza; de fato, ao retirar a amostra indeformada do solo, para ensaiar em 
laboratório, estão sendo eliminadas as tensões graças ao solo sobrejacente, o que 
permite à amostra um alívio de tensões e, consequentemente, uma ligeira 
expansão. Tal reta apresenta um coeficiente angular denominado índice de 
recompressão (Cr). 
 
 
 
O índice de compressão ou compressibilidade é utilizado para o cálculo de 
recalque, em solos que se estejam comprimindo, ao longo da reta virgem de 
adensamento. Por último, o terceiro trecho corresponde à parte final do ensaio, 
quando o corpo de prova é descarregado gradativamente, e pode experimentar 
ligeiras expansões. 
 
 
 
Tensão de Pré-Adensamento: 
Os solos possuem comportamento não-elástico, apresentando memória de carga. 
Quando um solo sofre um processo de carga-descarga, seu comportamento 
posterior fica marcado até este nível. 
A utilização da escala logarítmica para a tensão vertical efetiva prende-se ao fato 
de que, desta forma, a curva tensão x índice de vazios típica dos solos apresenta 
dois trechos os aproximadamente retos e uma curva suave que os une. 
A tensão na qual se dá a mudança de comportamento é uma indicação da máxima 
tensão vertical efetiva que aquela amostra já sofreu no passado. Esta tensão tem 
um papel muito importante em Mecânica dos Solos, pois divide dois 
comportamentos tensão-deformação bem distintos, sendo denominada de tensão 
ou pressão de pré-adensamento do solo (σ’vm = σ’a). 
 
Tensão de Pré-Adensamento: Processo de Casagrande . 
Para a determinação de σ’vm, segue-se os seguintes passos: 
a) Obter na curva índice de vazios x logaritmo da tensão efetiva o ponto de maior 
curvatura ou menor raio (R); 
b) Traçar uma tangente (t) e uma horizontal (h) por R; 
c) Determine e trace a bissetriz do ângulo formado entre (h) e (t); 
d) A abscissa do ponto de intersecção, da bissetriz com o prolongamento da reta 
virgem corresponde à pressão de pré-adensamento. 
 
Tensão de Pré-Adensamento: Processo de Pacheco Silva 
Para a determinação de σ’vm, segue-se os seguintes passos: 
a) Traçar uma horizontal passando pela ordenada correspondente ao índice de 
vazios inicial; 
b) Prolongar a reta virgem e determinar seu ponto de intersecção (p) com a reta 
definida no item anterior; 
c) Traçar uma reta vertical por (P) até interceptar a curva índice de vazios x 
logaritmo da tensão efetiva (ponto Q); 
d) Traçar uma horizontal por (Q) até interceptar o prolongamento da reta virgem 
(R). A abscissa correspondente ao ponto (R) define a pressão de pré-adensamento. 
 
Uma vez estabelecida a pressão de pré-adensamento é possível definir o índice de 
pré-adensamento ou “over consolidation ratio” (OCR): 
 
onde σ’v0 é a tensão efetiva que age na atualidade sobre o ponto do qual foi 
retirada a amostra, podem-se ter três situações distintas: 
 
a) Solos Normalmente Adensados: quando a tensão ocasionada pelo solo 
sobrejacente (σ’v0) ao local onde foi retirada a amostra é igual à tensão de pré-
adensamento (σ’vm). Diz-se que o solo é normalmente adensado (NA), isto é, a 
máxima tensão que o solo já suportou no passado corresponde ao peso atual do 
solo sobrejacente. Portanto o valor do índice de pré-adensamento (OCR) é 
aproximadamente igual a 1,0. 
b) Solos Pré-Adensados: quando a tensão efetiva atual é menor que a tensão de 
pré-adensamento, isto é, o peso atual de solo sobrejacente é menor que o máximo 
já suportado. Diz-se que a argila é pré-adensada (PA) e o OCR > 1,0. Qualquer 
acréscimo de carga de modo que σ’v0 + Δσ’v < σ’vm implica recalques insignificantes, 
pois estamos no trecho quase horizontal da curva índice de vazios x logaritmo da 
tensão efetiva. 
c) Solosem Adensamento: Por último, temos o caso em que σ’v0 > σ’vm, isto é, a 
argila ainda não terminou de adensar, sob efeito de seu próprio peso. 
b) Solos Pré-Adensados: 
Muitos fatores podem tornar um solo pré-adensado, destacando-se a erosão, que 
com a retirada de solo, diminui a tensão que age atualmente, bem como 
escavações artificiais ou o degelo. A variação do nível d’água é uma das causas 
frequentes do pré-adensamento, pois, se o nível d’água sofrer uma elevação no 
interior do terreno, as tensões efetivas serão aliviadas, ocasionando o pré-
adensamento. 
O ressecamento devido a variações de nível d’água próximo a superfície de um 
depósito de argila normalmente adensada, que provoca o aparecimento de uma 
crosta pré-adensada. A lixiviação que é o fenômeno de precipitação de elementos 
químicos solúveis, como compostos de sílica, alumina e carbonatos pode ocorrer 
nos solos, nas camadas superiores devido a chuva. Tais elementos, se precipitados 
nas camadas inferiores, podem provocar a cimentação entre os grãos, gerando 
tensões de pré-adensamento em argilas porosas. 
Segundo Vargas (1977) o fenômeno do pré-adensamento não se restringe aos 
solos sedimentares. Os solos residuais também podem apresentar um pré-
adensamento virtual, relacionado com ligações inter-granulares provenientes do 
intemperismo da rocha. 
 
Determinação do Coeficiente de Consolidação ou Adensamento 
O valor do coeficiente de adensamento está relacionado à permeabilidade do solo 
e, portanto, ao tempo de recalque. Quando, em cada estágio de carregamento, 
registram-se as deformações do corpo de prova, ao longo do tempo, busca-se 
determinar, por meio de analogia com as curvas teóricas U = f (T), o coeficiente de 
adensamento. Há dois processos de determinação de Cv através do ensaio de 
adensamento: o processo da raiz quadrada dos tempos (Taylor) e o que utiliza o 
logaritmo dos tempos (Casagrande). 
Processo de Casagrande 
a) Para cada incremento de carga escolhido, desenhar a curva de adensamento, 
marcando-se no eixo das ordenadas a altura do corpo de prova e no eixo das 
abscissas o logaritmo do tempo; 
b) Determinar o ponto correspondente a 100% do adensamento primário pela 
intersecção das retas tangentes aos ramos da curva que definem as compressões 
primária e secundária. 
Transportar o ponto encontrado para o eixo das abscissas, obtendo-se a altura 
H100; 
 
Processo de Casagrande 
c) Para determinar o ponto correspondente a 0% do adensamento primário, 
selecionar duas alturas do corpo de prova (H1 e H2) correspondentes 
respectivamente aos tempos (t1 e t2), cuja relação t2 /t1 seja igual a 4. A altura do 
corpo de prova correspondente a 0% de adensamento primário, é calculada por: 
H0 = H1 + (H1 - H2); 
d) A altura do corpo de prova, correspondente a 50% do adensamento primário, é 
obtida pela expressão: H50 = (H0 - H100)/2; 
e) Calcular o coeficiente de adensamento pela expressão: 
 
 
Processo de Taylor 
a) Para cada incremento de carga escolhido, desenhar a curva de adensamento, 
marcando-se no eixo das ordenadas a altura do corpo de prova e no eixo das 
abscissas a raiz quadrada do tempo; 
b) Determinar o ponto correspondente a 0% do adensamento primário, 
prolongando-se a reta definida pelos pontos iniciais da curva de adensamento até 
o eixo das ordenadas; 
 
 
 
 
Processo de Taylor 
c) Traçar por esse ponto uma linha reta com coeficiente angular igual a 1,15 vezes 
o coeficiente angular da reta obtida no item anterior. A intersecção desta reta com 
a curva de adensamento primário, cujas coordenadas são respectivamente t90 e 
H90; 
d) A altura do corpo de prova, correspondente a 50% do adensamento primário, é 
obtida pela expressão: H50 = H0 - 5/9 (H0 - H90); 
e) Calcular o coeficiente de adensamento pela expressão: 
 
Recalques por Adensamento 
O cálculo de recalques é de muita importância em obras como aterros rodoviários, 
fundações diretas, pistas de aeroportos, barragens, etc. 
Embora o problema maior esteja nos recalques diferenciais, pois são estes que 
provocam o aparecimento de fissuras e falhas, não há meios de avaliá-los 
previamente. 
A experiência geotécnica tem demonstrado que os danos às estruturas, devido a 
tais recalques, estão associados à magnitude do recalque total. Na realidade, o 
recalque final que uma estrutura sofrerá será composto de outras parcelas, como, 
por exemplo, o recalque imediato ou elástico (Teoria da Elasticidade). 
Como não existe uma relação tensão-deformação capaz de englobar todas as 
particularidades e complexidades do comportamento real do solo, as parcelas de 
recalque de um solo são estudadas separadamente. 
O cálculo do recalque total que um solo sofrerá no campo, que se processam no 
decorrer do tempo, deve-se a uma expulsão de água dos vazios do solo (dados 
obtidos do ensaio de adensamento). 
Para o cálculo do recalque total (ΔH) admite-se que uma camada de solo 
compressível de espessura “H” passou por uma variação do índice de vazios (Δe) 
(Fig. 8.16). 
 
Admitindo que a compressão seja unidirecional e que os sólidos sejam 
incompressíveis, tem-se: 
 
Os resultados do ensaio de adensamento, normalmente, são apresentados num 
gráfico semi-logarítmico (Fig. 8.10) em que nas ordenadas se têm as variações de 
volume (representados pelos índices de vazios finais em cada estágio de 
carregamento) e nas abscissas, em escala logarítmica, as tensões aplicadas.
 
Utilizando os dados obtidos no ensaio de adensamento (Fig. 8.10), o recalque total 
devido a uma variação do índice de vazios, numa camada compressível é dado por: 
 
 
 
 
 
Solos Pré-Adensados (PA): σ’v0 + Δσ’v > σ’vm 
Para argilas PA o cálculo do Δe do índice de vazios depende da magnitude do 
incremento de tensão. Se o acréscimo de tensão efetiva gerado por um 
carregamento externo mais a tensão efetiva atual for superior à tensão de pré-
adensamento o solo sofrerá re-compressão e compressão virgem, então teremos: 
 
 
Solos Pré-Adensados (PA): 
Para argilas pré-adensadas quando o acréscimo de carga somado com a tensão 
efetiva atual não ultrapassar a tensão de pré-adensamento. 
 
Recalques devido ao Rebaixamento do Lençol Freático 
Um caso interessante de recalques ocorre em algumas áreas urbanas onde há 
bombeamento da água subterrânea (cidade do México, Veneza e outras). 
Esses recalques são provocados pelo rebaixamento do nível d’água no solo, em 
consequência do aumento do seu peso específico aparente - não mais sujeito ao empuxo 
hidrostático - um acréscimo de pressão entre as partículas constituintes do terreno (Fig. 
8.17). 
 
 
 
A compressão secundária corresponde à variação adicional de volume, que se 
processa após total dissipação da sobre-pressão hidrostática (excesso de pressão efetiva 
gerado por um carregamento), isto é, a variação de volume que ocorre a um valor 
constante de tensão efetiva (seria o “creep” no solo). É uma variação de volume que 
começa durante o adensamento primário (Adensamento de Terzaghi). 
Esta componente de deformação parece ser devida ao deslizamento lento das ligações 
inter-partículas e alguns outros fenômenos de escala microscópica. 
A magnitude da compressão secundária pode ser expressa pela inclinação no gráfico, 
definida como: 
 
 
 
 
 
Recalques por Colapso (colapsividade) 
Certos tipos de solos não saturados, cujos poros são muito grandes, são chamados de 
porosos; quando sob uma pressão qualquer maior que o peso de terra que está 
atuando nele, for saturado por inundação, ocorre uma súbita compressão com o 
surgimento de recalques imediatos.O fenômeno ocorre porque os grãos são simplesmente ligados pelo contato entre si, ou 
fracamente cimentados ou mantidos unidos pelas forças capilares que devido a 
inundação provoca o colapso da estrutura do solo e consequentemente os recalques 
imediatos. A inundação, ou seja, a saturação destes solos pode se dar por vários 
motivos, como chuvas, lançamento de água servida, vazamentos de redes de água 
pluviais e esgotos, elevação do lençol freático, etc. 
Recalques são deslocamentos verticais que todas as fundações apresentam. Em geral, 
deve-se classificar os recalques de fundações diretas em recalque imediato (elástico), 
recalque por adensamento, e compressão secundária (creep). 
∆H = ∆Hi + ∆Ha + ∆Hcs 
∆Hi = recalque imediato ou recalque elástico resultante da distorção do solo a volume 
constante, presente em todos os materiais; 
∆Ha = recalque por adensamento resultante da dissipação do excesso de pressão 
neutra, típico de solos argilosos saturados (recalques ocorrem ao longo do tempo); 
∆Hcs = recalque secundário evolui com o tempo, porém a tensões efetivas constantes. 
Este aumento do peso específico gera um acréscimo de pressão, e em consequência, o 
aparecimento de recalques. 
Se o solo for constituído por camadas de areia e pedregulho (materiais permeáveis), o 
recalque se produz simultaneamente com o rebaixamento do nível d’água e é, em geral, 
de pouca importância. 
� O mesmo já não acontece quando no terreno encontram-se camadas de argila 
compressível. 
� A sobrecarga decorrente do rebaixamento provocará o adensamento desta camada, 
podendo assim dar lugar a recalques, e surgindo atrito negativo em estacas e 
tubulões.

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