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FUNDEP e FUMARC: Tecnologia do concreto; Concretos, propriedades, fator água/cimento, resistência mecânica e durabilidade; Aços para concreto armado: classificação e propriedades; Estruturas em concreto armado: Cálculo e dimensionamento 1 Escopo 1.1 O projeto de estruturas de concreto armado é regido pela ABNT NBR 6118, que estabelece os requisitos básicos exigíveis para o projeto de estruturas de concreto simples, armado e protendido, excluídas aquelas em que se empregam concreto leve, pesado ou outros especiais. 1.2 Esta Norma aplica-se às estruturas de concretos normais, identificados por massa específica seca maior do que 2 000 kg/m3, não excedendo 2 800 kg/m3, do grupo I de resistência (C20 a C50) e do grupo II de resistência (C55 a C90), conforme classificação da ABNT NBR 8953. Entre os concretos especiais excluídos desta Norma estão o concreto-massa e o concreto sem finos. 1.3 Esta Norma estabelece os requisitos gerais a serem atendidos pelo projeto como um todo, bem como os requisitos específicos relativos a cada uma de suas etapas. 1.4 Esta Norma não inclui requisitos exigíveis para evitar os estados-limites gerados por certos tipos de ação, como sismos, impactos, explosões e fogo. Para ações sísmicas, consultar a ABNT NBR 15421; para ações em situação de incêndio, consultar a ABNT NBR 1200. 1.5 No caso de estruturas especiais, como de elementos pré-moldados, pontes e viadutos, obras hidráulicas, arcos, silos, chaminés, torres, estruturas off-shore, ou estruturas que utilizam técnicas construtivas não convencionais, como formas deslizantes, balanços sucessivos, lançamentos progressivos e concreto projetado, as condições desta Norma ainda são aplicáveis, devendo, no entanto, ser complementadas e eventualmente ajustadas em pontos localizados por Normas Brasileiras específicas. 3 Termos e definições Para os efeitos deste documento, aplicam-se os seguintes termos e definições. 3.1 Definições de concreto estrutural 3.1.1 concreto estrutural: termo que se refere ao espectro completo das aplicações do concreto como material estrutural 3.1.2 elementos de concreto simples estrutural: elementos estruturais elaborados com concreto que não possuem qualquer tipo de armadura, ou que a possuem em quantidade inferior ao mínimo exigido para o concreto armado (ver 17.3.5.3.1 e Tabela 17.3) 3.1.3 elementos de concreto armado: aqueles cujo comportamento estrutural depende da aderência entre concreto e armadura, e nos quais não se aplicam alongamentos iniciais das armaduras antes da materialização dessa aderência. 3.1.4 elementos de concreto protendido: aqueles nos quais parte das armaduras é previamente alongada por equipamentos especiais de protensão, com a finalidade de, em condições de serviço, impedir ou limitar a fissuração e os deslocamentos da estrutura, bem como propiciar o melhor aproveitamento de aços de alta resistência no estado-limite último (ELU). 3.1.5 armadura passiva: qualquer armadura que não seja usada para produzir forças de protensão, isto é, que não seja previamente alongada 3.1.6 armadura ativa (de protensão): armadura constituída por barras, fios isolados ou cordoalhas, destinada à produção de forças de protensão, isto é, na qual se aplica um pré- alongamento inicial 3.1.7 concreto com armadura ativa pré-tracionada (protensão com aderência inicial): concreto protendido em que o pré-alongamento da armadura ativa é feito utilizando-se apoios independentes do elemento estrutural, antes do lançamento do concreto, sendo a ligação da armadura de protensão com os referidos apoios desfeita após o endurecimento do concreto; a ancoragem no concreto realiza-se somente por aderência 3.1.8 concreto com armadura ativa pós-tracionada (protensão com aderência posterior): concreto protendido em que o pré-alongamento da armadura ativa é realizado após o endurecimento do concreto, sendo utilizadas, como apoios, partes do próprio elemento estrutural, criando posteriormente aderência com o concreto, de modo permanente, através da injeção das bainhas 3.1.9 concreto com armadura ativa pós-tracionada sem aderência (protensão sem aderência): concreto protendido em que o pré-alongamento da armadura ativa é realizado após o endurecimento do concreto, sendo utilizadas, como apoios, partes do próprio elemento estrutural, mas não sendo criada aderência com o concreto, ficando a armadura ligada ao concreto apenas em pontos localizados 3.1.10 junta de dilatação: qualquer interrupção do concreto com a finalidade de reduzir tensões internas que possam resultar em impedimentos a qualquer tipo de movimentação da estrutura, principalmente em decorrência de retração ou abaixamento da temperatura 3.1.11 junta de dilatação parcial: redução de espessura igual ou maior que 25 % da seção de concreto. Conceitos fundamentais do Concreto O concreto é um material composto por água, cimento e agregados. Associando esses materiais entre si, resulta: Pasta: cimento+água; Argamassa: pasta+agregado miúdo; Concreto: Argamassa+agregado graúdo; Microconcreto: concreto em que o agregado graúdo tem dimensões reduzidas: e Concreto de alto desempenho (CAD): considera-se, em geral, o concreto cuja resistência à compressão supera os 40 MPa. Inicialmente, era denominado concreto de alta resistência, mas passou a ser chamado de concreto de alto desempenho por causa da melhoria de outras propriedades que, principalmente, elevam a durabilidade das estruturas. Para obtê-lo, geralmente é preciso incorporar micro sílica e aditivos químicos. Concreto é uma mistura de cimento, água e materiais inertes (geralmente areia, pedregulho, pedra britada ou argila expandida) que, empregado em estado plástico, endurece com o passar do tempo, devido à hidratação do cimento, isto é, sua combinação química com a água. Quando o concreto é convenientemente tratado, seu endurecimento continua a desenvolver-se durante muito tempo após haver adquirido a resistência suficiente para a obra e torna-se mais forte ao invés de enfraquecer. Esse aumento contínuo da resistência é qualidade peculiar do concreto que o distingue dos demais materiais de construção. Podemos classificar o concreto, de acordo com a sua finalidade, conforme segue. Concreto para pavimentação - a pavimentação de concreto é uma pavimentação cara, a inversão de recursos para execução de placas de concreto é vultosa e sofre a concorrência de outros tipos de pavimentação que procuram substituí-Ia tecnicamente e apresentar vantagens do ponto de vista econômico. Hoje, entretanto, essa idéia de que outros tipos sejam mais econômicos que o concreto pode ser contraditória, porque no campo econômico deve entrar não só a inversão inicial como a manutenção, a amobilidade do pavimento, a fim de que se possa fazer o levantamento do custo ao longo de toda a vida do pavimento. Uma placa de concreto para pavimentação deve ter uma superfície de rolamento que ofereça conforto e segurança ao usuário, deve ter dimensionamento para suportar as cargas atuantes. Além dessas superfícies apresentarem uma elevada resistência ao desgaste a que vão ser submetidas. Na pavimentação das placas de concreto, desenvolvem as tensões de tração que são as que governam o dimensionamento das placas. Concreto leve - é aquele que tem massa específica inferior ao do concreto comum, respectivamente: concreto leve -1 800 a 2000 kg/m3; concreto comum - 2200 a 2400 kg/m3. Concretos leves são aqueles feitos com agregados leves. A definição, como se vê, não é bem clara. Existem autores que tentam fixar a massa específica aparente do concreto, entretanto ainda não existe uniformidade nesses valores. Os primeirosconcretos leves que apareceram, tinham finalidade de isolamento térmico e não de sustentação estrutural e tinham valores de massa específica muito baixos, mas posteriormente começaram a ser usados em estruturas; com essa finalidade estrutural ampliou-se a definição do que era concreto leve. O uso do concreto leve foi evoluindo e a sua utilização primeira, que era muito restrita, passou a ser feita em concreto armado, sendo hoje feita até em concreto protendido. Existem várias maneiras de se obter o concreto leve, e que consiste em reduzir de maneira sensível a massa específica. Essa redução da massa específica é feita sempre em detrimento da resistência mecânica, mas com outras vantagens. A maneira mais freqüente da obtenção do concreto leve é: a) eliminar o agregado graúdo e introduzir o ar, gás ou uma espuma estável (é chamado impropriamente de concreto, mas na realidade é uma argamassa); b) retirar o agregado miúdo, faz-se apenas o concreto aglomerante e o agregado graúdo; c) uso de agregados leves, usando agregados que têm massa específica aparente inferior à da massa específica dos agregados correntes, que é de mais ou menos 2,65 kg/m3; d) essa quarta categoria - uns consideram-na concreto, outros não - é uma espécie de madeira transformada, ligada com cimento. concretos com aditivos - são aqueles concretos que além dos aglomerantes, agregados, de água, sempre se coloca um quarto elemento (aditivo) com o fito de modificar a sua propriedade exaltando uma ou algumas propriedades específicas. Concreto massa - os concretos para grandes massas são concretos com baixo teor de cimento. Sua característica fundamental é, pois, ter muito baixo consumo de cimento, o qual seria na ordem de 130 a 150 kg/m3 (não ultrapassando 200kg/m3). Esses concretos-massa deverão ser trabalháveis em função do tipo de obra que se executa, do tipo de equipamento, etc. Esse concreto-massa deverá apresentar após uma certa idade uma resistência mecânica compatível com o projeto estrutural, a qual apresenta a seguinte peculiaridade em relação aos concretos usuais. É que são tensões bem mais baixas, pois em virtude do próprio funcionamento da estrutura, projetada para que não se verifique tensões de tração na estrutura. Temos que dar dimensões tais às peças, que resulte tensões de compressão bastante reduzida. Concreto comum - são aqueles concretos que são utilizados nas estruturas de edifícios e obras de edifícios e obras de arte normais. Como nosso objetivo é a construção do edifício, iremos desenvolver mais detalhadamente esse tipo ,de concreto. Nesse concreto iremos seguir a seqüência: a) dosagem, b) tensões mínimas, c) padrão de qualidade, d) consistência, e) amassamento, f) transporte, g) lançamento, h) adensamento, 'i) cura, j) junta de concretagem ou junta fria. 2 Materiais constituintes do concreto: 2.1 Agregados: 1 - Materiais granulosos, naturais ou artificiais, divididos em partículas de formatos e tamanhos mais ou menos uniformes, cuja função é atuar como material inerte nas argamassas e concretos aumentando o volume da mistura e reduzindo seu custo. 2 - Segundo Petrucci (1970) define-se agregado como o material granular, sem forma e volume definidos, geralmente inerte de dimensões e propriedades adequadas para a engenharia. Os agregados conjuntamente com os aglomerantes, especificamente o cimento, formam o principal material de construção, o concreto. Classificação: Quanto à origem: Naturais: são os agregados que não sofreram nenhum processo de beneficiamento, sendo encontrado na natureza já na forma particulada e com dimensões aplicáveis a produção de produtos da construção, como argamassas e concretos. Ex.: areia de rio e seixos. Artificiais: são os agregados que sofreram algum processo de beneficiamento por processos industriais, como por exemplo, britagem. Ex.: britas, argilas expandidas, escória granulada de alto forno, vermiculita Quanto à Massa Unitária: Agregados leves: são os agregados com massa unitária inferior a 1120 kg/m3, sua aplicação principal é na produção de concretos leves, essa menor massa é devido a sua microestrutura celular e altamente porosa. Ex. agregados artificiais como vermiculita expandida, escória expandida, entre outros. Agregados normais (médios): são os agregados com massa unitária entre 1500 e 1800 kg/m3, sua principal aplicação é na produção de concretos convencionais. Ex. areia lavada de rio, britas graníticas e calcárias, entre outras. Agregados pesados: são os agregados com massa unitária superior a 1800 kg/m3, sua aplicação principal é na produção de concretos pesados, utilizados para blindagens de radiação. A maior massa destes agregados é devido à presença dos minerais de bário, ferro e titânio na estrutura dos agregados. Ex. Barita, hematita entre outros. Quanto a dimensão das partículas - Granulometria Agregado miúdo: 0,075mm < φ < 4,8mm. Ex: pó de pedra, areia e siltes. Esses fragmentos passam na peneira com 4,8 mm de abertura. Agregado graúdo: φ ≥ 4,8mm. Ex: seixo rolado, brita e argila expandida. Esses fragmentos são retidos na peneira com abertura de 4,8 mm. 2.2. Agregados miúdos 2.2.1. Areias Obtidas da desagregação de rochas apresentando-se com grãos de tamanhos variados. Podem ser classificadas, pela granulometria, em: areia grossa, média e fina. Deve ser sempre isenta de sais, óleos, graxas, materiais orgânicos, barro, detritos e outros. Podem ser usadas as retiradas de rio e ou do solo (jazida). Não devem ser usadas a areia de praia (por conter sal) e a areia com matéria orgânica, que provocam trincas nas argamassas e prejudicam a ação química do cimento. As areias são usadas em concretos e argamassas e para isso merecem alguns cuidados como veremos a seguir: Areias para concreto: Utiliza-se nesse caso a areia retirada de rio (lavada), principalmente para o concreto armado, com as seguintes características: Grãos grandes e angulosos (areia grossa); Limpa: quando esfregada na mão deve ser sonora e não fazer poeira e nem sujar a mão. Observar também: umidade, pois quanto maior a umidade destas, menor será o seu peso específico. Areia para alvenaria: Na primeira camada do revestimento de paredes (emboço) usa-se a areia média. Para o revestimento final chamado reboco ou massa fina, areia fina. Para assentamento de alvenaria deve-se utiliza areia média ou grossa. Obs: é difícil encontrar uniformidade nas dimensões de grãos de areia de mesma categoria. Essa desigualdade é conveniente, pois contribui para obtenção de melhores resultados em seu emprego, já que diminui a existência de vazios na massa e para a diminuição do volume dos aglomerantes, cimento e cal, na mistura, que são materiais de maior custo. Substâncias Nocivas As substancias nocivas nas areias, não devem exceder aos seguintes limites: Torrões de argila: 1,5 %; Matérias carbonosas: 1,0 %; Material pulverulento passando na peneira n° 200 (abertura da malha igual a 0,074mm); Impurezas orgânicas: realizado de acordo com a MB-10. Caso a solução que esteve em contato com o agregado apresentar coloração mais escura que a solução padrão, será o agregado considerado suspeito; Outras impurezas: esses limites deverão ser fixados pelo engenheiro fiscal, ou técnico da obra; essas impurezas são, micas, detritos vegetais e etc. Procedência das Areias Dos Rios: mais puras, portanto as preferidas; Do Mar: só podem ser usadas, depois de bem lavadas em água doce, ou expostas às intempéries em camadas finas, de modo a perder os sais componentes. De Minas: encontram-se à superfície da terra em camadas, em filões ou em covas,quando expurgadas de certas impurezas, torna-se melhor que a de rio. Classificação (Série de Taylor) a) Grossa: 1,2 mm a 4,8 mm (alvenaria de pedra); b). Média: 0,3 mm a 1,2 mm. (alvenaria de tijolo e nos emboços). c). Finas: de 0,05 mm a 0,3 mm (reboco de paredes e teto). Requisitos da Areia a) Não conter terra, o que se conhece por não crepitar ou ranger quando apertada na mão, e não turvar a água em que for lançada. b) Possuir grãos de dimensões variadas, e angulosos. A areia deverá ser sílico-quartzosa, de grãos inertes e resistentes, limpa e isenta de impurezas e matéria orgânica. A areia poderá ser considerada de boa qualidade para execução do concreto quando, na peneira normal de 0,06 mm, apresentar uma porcentagem acumulada de 65 a 85%. A umidade da areia será sempre determinada entre 3 a 4% do seu peso. Função Entra na composição das argamassas, e contribuem para diminuição da contração volumétrica da argamassa, tornando-a mais econômica. 2.2.2. Pó de pedra Material mais fino que o pedrisco. Sua graduação genérica, mas não rigorosa é 0/4, 8 mm. É a mistura de pedrisco e filler, não sendo, no entanto recomendado para argamassas. 2.2.3 Fíler É um pó mineral de grande finura, seus grãos são da mesma ordem de grandeza dos grãos de cimento. Sua graduação varia de 0,005/0,075 mm. 2.3 Agregado graúdo ou grosso Agregados Grossos são todos os materiais granulosos de diâmetro superior a 4,8 mm. Os principais agregados grossos são: seixos rolados, pedras britadas, argilas expandidas, escórias, etc. Terminologia: 2.3.1. Britas A brita é o agregado obtido a partir de rochas compactas que ocorrem em depósitos geológicos - jazidas, pelo processo industrial da cominuição, ou fragmentação controlada da rocha maciça. Os produtos finais enquadram-se em diversas categorias. A Pedra britada é a brita produzida em cinco graduações, denominadas, em ordem crescente de diâmetros médios: pedrisco, pedra1, pedra 2, pedra 3 e pedra 4, designadas por p1, p2, p3 e p4. Provêm da desagregação das rochas em britadores e que após passar em peneiras selecionadoras são classificadas de acordo com sua dimensão média, variável de 4,8 a 76 mm. São normalmente utilizadas para a confecção de concretos, podendo ser obtidas de pedras graníticas e ou calcárias. Britas calcárias apresentam menor dureza e normalmente menor preço. Para concreto armado a escolha da granulometria baseia-se no fato de que o tamanho da brita não deve exceder 1/3 da menor dimensão da peça a concretar. As mais utilizadas são as britas número 1 e 2. As britas podem ser utilizadas também soltas sobre pátios de estacionamento e também como isolante térmico em pequenos terraços. As britas são comercializadas de acordo com seu diâmetro máximo, sendo classificadas na prática como: Classificação das Britas As principais características determinadas para esses agregados são granulometria, massa unitária, massa específica e capacidade absorção. A determinação da granulometria do agregado graúdo é realizada da mesma maneira que a realizada para o agregado miúdo, mudando apenas a série de peneiras utilizadas (Tabela 3) e a amostra mínima que deve ser determinada pela Tabela 4. Tabela 3. Peneiras Série Normal e Intermediária Tabela 4 – Amostra mínima para ensaio A determinação da massa unitária do agregado graúdo é realizada da mesma maneira que a realizada para o agregado miúdo, já a massa específica pode ser feita por imersão de uma amostra de agregado graúdo seco ao ar em uma proveta graduada de 1000 ml, que contenha cerca de 500 ml de água. A massa específica é determinada pela divisão da massa da amostra pelo volume de água deslocado. Qualidades exigidas das britas: Limpeza: ausência de matéria orgânica, argila, sais, etc.; Resistência: no mínimo possuírem a mesma resistência à compressão requerida do concreto; Durabilidade: resistir às intempéries e às condições adversas; Serem angulosas ou pontiagudas: para melhor aderência. BRITA: deverá ser constituída de cascalho ou granito - gnaisses ou basalto, arestas bem vivas, bem graduados, limpos, isentas de argilas e de partes em decomposição - pedregulho (ou seixos rolados) que deve ser bastante duro e livre das mesmas impurezas que prejudicam a areia, e ter forma cúbica ou esférica. Quando o agregado graúdo tiver mais de 3% de pó de pedra deverá o mesmo ser lavado. Recebimento. Medido no caminhão ou basculante. Armazenamento. As britas deverão ser armazenadas separadamente, segundo seus diâmetros, em caixotes, de acordo como foi explicado na instalação do canteiro. 2.3.2. Brita corrida É a mistura de britas, sem classificação prévia, com pó de pedra, onde todos os tamanhos estão misturados. 2.3.3. Cascalho ou pedra-de-mão É o agregado com grãos de maiores dimensões sendo retidos na peneira 76 mm (pode chegar até a 250 mm). Utilizados normalmente na confecção de concreto ciclópico e calçamentos. 2.3.4. Seixos rolados Encontrado em leitos de rios deve ser lavado para serem utilizados em concretos. O concreto feito com esse material apresenta boa resistência, inferior, porém, ao feito com brita. Classificação 2.3.5 Restolho Material granular, de grãos em geral friáveis. Pode conter uma parcela de solo. 2.3 ADITIVOS. São produtos químicos ou resinas, que são adicionados ao concreto durante a mistura, além dos constituintes normais, com o fito de alterar ou comunicar algumas propriedades ao concreto. O aditivo não tem por função corrigir as deficiências que por ventura um concreto tenha, como um mal proporcionamento, um mal adensamento e, de um modo geral, uma má fabricação do concreto. Ao se decidir usar um determinado aditivo, devemos verificar a possibilidade do mesmo trazer alguma vantagem. Assim, caso haja uma determinada dificuldade técnica (de lançamento, de pega, etc.) procura-se ver qual o aditivo que pode ser usado para superá-Ia. Eventualmente ele poderá trazer uma economia na execução da tarefa. O aditivo de modo geral age beneficamente sobre uma determinada propriedade, mas poderá agir negativamente para outras propriedades, e isso deve ser levado em consideração, a fim de que o engenheiro não seja colhido de surpresa e possa corrigir as deficiências que porventura surgirem. Não havendo incompatibilidade de aditivos pode ser usado mais de um tipo. A classificação dos aditivos é: a) aceleradores, b) agentes redutores de água e reguladores de pega, c) difusores, d) incorporadores de ar, e) expulsores de ar, f) formadores de gás, g) expansores, h) minerais finamente divididos (inertes, pozolânicos, cimentícios), i) impermeabilizantes, j) Iigantes, I) redutores da reação álcali-agregados, m) inibidores de corrosão, n) fungicidas, germicidas, inseticidas, o) agentes floculantes, p) colorantes. 2.4 Cimento Portland DEFINIÇÃO Cimento Portland é o produto obtido pela pulverização de clinker constituído essencialmente de silicatos hidráulicos de cálcio, com uma certa proporção de sulfato de cálcio natural, contendo, eventualmente, adições de certas substâncias que modificam suas propriedades ou facilitam seu emprego. O clinker é um produto de natureza granulosa, resultante da calcinação de uma mistura daqueles materiais, conduzida até a temperatura de sua fusão incipiente. CONSTITUINTES Os constituintes fundamentais do cimento Portland são a cal (CaO), a sílica (SiO2), e alumina(Al2O3), o óxido de ferro (Fe2O3), certa proporção de magnésia (MgO) e uma pequena porcentagem de anidrido sulfúrico (SO3), que é adicionado após a calcinação pararetardar o tempo de pega do produto. Tem ainda, como constituintes menores impurezas, óxido de sódio (Na2O), óxido de potássio (K2O), óxido de titânio (TiO2) e outras substâncias de menor importância. Os óxidos de potássio e sódio constituem os denominados álcalis do cimento. Cal, sílica, alumina e óxido de ferro são os componentes essenciais do cimento Portland e constituem, geralmente, 95 a 96% do total na análise de óxidos. A magnésia, que parece permanecer livre durante todo o processo de calcinação, está usualmente presente na proporção de 2 a 3%, limitada, pelas especificações, a um máximo permissível de 5%. No Brasil, esse limite é um pouco superior (6,4%). Os óxidos menores comparecem em proporção inferior a 1%, excepcionalmente 2%. A mistura de matérias-primas que contenha, em proporções convenientes, os constituintes anteriormente relacionados, finamente pulverizada e homogeneizada, é submetida à ação do calor no forno produtor de cimento, até a temperatura de fusão incipiente, que resulta na obtenção do clinker. Nesse processo ocorrem combinações químicas, principalmente no estado sólido, que conduzem formação dos seguintes compostos: - silicato tricálcico (3CaO • SiO2 = C3S); - silicato bicálcico (2CaO • SiO2 = C3S); - aluminato tricálcico (3CaO • Al2O3 = C3A); - ferro aluminato tetracálcico (4CaO • Al2O3 • Fe2O3 = C4AFe). A análise química dos cimentos Portland resulta na determinação das proporções dos óxidos inicialmente mencionados. As propriedades do cimento são, entretanto, relacionadas diretamente com as proporções dos silicatos e aluminatos. As proporções destes últimos podem ser determinadas a partir do resultado da análise em óxidos. Denomina-se essa operação a determinação da composição potencial do cimento. Normalmente, usa-se para cálculo o chamado método de Bogue. A importância do conhecimento das proporções dos compostos constituintes do cimento reside na correlação existente entre estes e as propriedades finais do cimento também do concreto. O silicato tricálcico (C3S) é o maior responsável pela resistência em todas as idades especialmente até o fim do primeiro mês de cura. O Silicato bicálcico (C2S) adquire maior importância no processo de endurecimento em idades mais avançadas, sendo largamente responsável pelo ganho de resistência a um ano ou mais. O aluminato tricálcico (C3A) também contribui para a resistência, especialmente o primeiro dia. O ferro aluminato de cálcio (C4AFe) em nada contribui para a resistência. O aluminato de cálcio (C3A) muito contribui para o calor de hidratação, especialmente no início do período de cura. O silicato tricálcico é o segundo componente em importância no processo de liberação de calor. Os dois outros componentes contribuem pouco para a liberação de calor. O aluminato de cálcio, quando presente em forma cristalina, é o responsável pela rapidez de pega. Com a adição de proporção conveniente de gesso, o tempo de hidratação é controlado. O silicato tricálcico (C3S) é o seguindo componente com responsabilidade pelo tempo de pega do cimento. Os outros constituintes se hidratam lentamente, não tendo efeito sobre o tempo de pega. 2.4.1 Propriedades físicas As propriedades físicas do cimento Portland são consideradas sob três aspectos distintos; propriedades do produto em sua condição natural, em pó, da mistura de cimento e água e proporções convenientes de pasta e, finalmente, da mistura da pasta com agregado padronizado – as argamassas. As propriedades da pasta e argamassa são relacionadas com o comportamento desse produto quando utilizado, ou seja, as suas propriedades potenciais para a elaboração de concretos e argamassas. Tais propriedades se enquadram em processos artificialmente definidos nos métodos e especificações padronizados, oferecendo sua utilidade quer para o controle de aceitação do produto, quer para a avaliação de suas qualidades para os fins te utilização dos mesmos. 2.4.1.1 Densidade A densidade absoluta do cimento Portland é usualmente considerada como 3,15, embora, na verdade, possa variar para valores ligeiramente inferiores. A utilidade do conhecimento desse valor se encontra nos cálculos de consumo do produto nas misturas geralmente feitas com base nos volumes específicos dos constituintes. Nas compactações usuais de armazenamento e manuseio do produto, a densidade aparente do mesmo é da ordem de 1,5. Na pasta do cimento, a densidade é um valor variável com o tempo, aumentando à medida, que progride o processo de hidratação. Tal fenômeno; de natureza extremamente complexa, é conhecido pelo nome de retração. Esta ocorre nas pastas, argamassas e concretos. Pode atingir, em 24 horas, cerca de 7mm por metro na pasta pura, 4,5mm por metro na argamassa-padrão e 2mm por metro em concretos dosados a 350kg/cimento/m3. Dada a excepcional importância que o fenômeno da retração tem na tecnologia do concreto, ele será tratado pormenorizadamente no estudo das propriedades do concreto endurecido. 2.4.1.2 Finura A finura do cimento é uma noção relacionada com o tamanho dos grãos do produto. É usualmente definida de duas maneiras distintas: pelo tamanho máximo do grão, quando as especificações estabelecem uma proporção em peso do material retido na operação de peneiramento em malha de abertura definida, e, alternativamente, pelo valor da superfície específica (soma das superfícies dos grãos contidos em um grama de cimento). A finura, mais precisamente a superfície específica do produto, é o fator que governa a velocidade da reação de hidratação do mesmo e tem também sua influência comprovada em muitas qualidades de pasta, das argamassas e dos concretos. O aumento da finura melhora a resistência, particularmente a resistência da primeira idade, diminui a exsudação e outros tipos de segregação, aumenta a impermeabilidade, a trabalhabilidade e a coesão dos concretos e diminui a expansão em autoclave. Exsudação é o fenômeno que consiste na separação espontânea da água de mistura, que naturalmente aflora pelo efeito conjunto da diferença de densidades entre o cimento e a água e o grau de permeabilidade que prevalece na pasta. É um tipo de segregação, fenômeno mais geral, entendido como separação dos diversos constituintes das argamassas e dos concretos por via de ação de diferentes causas, conduzindo, finalmente, a uma heterogeneidade indesejável. A coesão nos concretos e argamassas frescas é responsável pela estabilidade mecânica dos mesmos, antes do início da pega, e é medida pelo valor de resistência do cisalhamento Trabalhabilidade é uma noção subjetiva, aproximadamente definida como o estado que oferece maior ou menor facilidade nas operações de manuseio com as argamassas e concretos frescos. São todos atributos importantes das misturas frescas, tratadas minuciosamente no capítulo correspondentes da mistura fresca. A finura do cimento é determinada naturalmente durante o processo de fabricação para controle do mesmo, côo também nos ensaios de recepção do produto, quando deve estar dentro dos limites de determinados nas especificações correspondentes. As especificações brasileiras NBR 5732 (EB-1) e NBR 5733 (EB-2) prescrevem limite de retenção na peneira nº 200 de malha de 75 micra de abertura. Para o cimento Portland comum, o resíduo deixado nessa peneira não deve exceder 15% em peso. Para os cimentos Portland de alta resistência inicial, tal índice não deve baixar a 6%. A especificação admite, nesse caso, a determinação das superfícies específicas pelo turbidímetro de Wagner, não devendo, então, ser superior a 1900cm2/g o valor obtido para essa superfície. As peneiras normalizadas empregadas na determinação da misturade materiais pulvurulentos têm características geométricas diferentes de um país para outro. No Brasil, são geralmente utilizadas as peneiras americanas padronizadas pela ASTM. Verificou-se ser impraticável a operação de separação de grãos de tamanhos inferiores a 60 micra. Desenvolveram-se, entretanto, processos indiretos de análises granulométricas que se baseiam na medida de tempo de sedimentação de suspensões, na medida da permeabilidade à passagem de determinados fluidos através dos vazios intergranulares de amostras de cimento etc. 2.4.1.3 Tempo de pega O fenômeno da pega do cimento compreende a evolução das propriedades mecânicas da pasta no início do processo de endurecimento, propriedades essencialmente físicas, conseqüente, entretanto, a um processo químico de hidratação. É um fenômeno artificialmente definido como o momento em que a pasta adquire certa consistência que a torna imprópria a um trabalho. Tal conceituação se estende, evidentemente, tanto à argamassa quanto aos concretos nos quais a pasta de cimento está presente e com missão aglutinadora dos agregados. No processo de hidratação, os grãos de cimento que inicialmente se encontram em suspensão vão-se aglutinando paulatinamente uns aos outros, por efeito de floculação, conduzindo à construção de um esqueleto sólido, finalmente responsável pela estabilidade da estrutura geral. O prosseguimento da hidratação em subseqüentes idades conduz ao endurecimento responsável pela aquisição permanente de qualidades mecânicas, características do produto acabado. A pega e o endurecimento são dois aspectos do mesmo processo de hidratação do cimento, vistos em períodos diferentes – a pega na primeira fase do processo e o endurecimento na segunda e última fase do mesmo. A partir de um certo tempo após a mistura, quando o processo de pega alcança determinado estágio, a pasta não é mais trabalhável, não admite operação de remistura. Tal período de tempo constitui o prazo disponível para as operações de manuseio das argamassas e concretos, após o qual esses materiais devem permanecer em repouso, em sua posição definitiva, para permitir o desenvolvimento do endurecimento. A caracterização da pega dos cimentos é feita pela determinação de dois tempos distintos – o tempo de início e o tempo de fim de pega. Os ensaios são feitos com pasta de consistência normal, noção detalhada mais adiante, e, geralmente, com o aparelho de Vicat. Nesse aparelho mede-se, em última análise, a resistência à penetração de uma agulha na pasta de cimento. Têm sido tentados outros procedimentos para a medida de outras características físicas da mistura que conduzissem a uma melhor caracterização de fenômenos da pega. A medida da evolução do valor do atrito interno da pasta de cimento mostra claramente pontos de estreita correlação com os ensaios de penetração de agulha, confirmando, pelo crescimento rápido desse valor no intervalo entre o tempo de início e o fim de pega, a ocorrência de uma aglomeração de marcantes características mecânicas no interior da massa durante essa fase do processo de hidratação. Medições feitas sobre os valores de velocidade de propagação do som durante o início de hidratação das pastas têm mostrado pontos característicos coincidentes com os tempos de início e fim de pega definidos por penetração da agulha. O mesmo ocorre no exame dos valores de resistência elétrica a correntes de alta freqüência, onde as curvas também mostram pontos característicos coincidentes com os tempos de início e fim de pega. Não há dúvida de que, embora artificialmente definido o fenômeno, ele corresponde a uma realidade física caracterizada por pontos importantes no desenvolvimento do processo de endurecimento de aglomerante nos seus primeiros tempos de vida. 2.4.1.4 Pasta de cimento A ocorrência da pega do cimento deve ser regulada tendo-se em vista os tipos de aplicação do material, devendo-se processar ordinariamente em períodos superiores a uma hora após o inicio da mistura. Nesse prazo são desenvolvidas as operações de manuseio do material, mistura, transporte, lançamento e adensamento. Há casos, entretanto, em que o tempo de pega deve ser diminuído ou aumentado. Nas aplicações em que se deseja uma pega rápida, como, por exemplo, nas obturações de vazamentos, são empregados aditivos ao cimento, conhecidos com o nome de aceleradores de pega. Tais aditivos serão tratados mais adiante, cabendo, no momento, a citação de dois exemplos de aceleradores, o cloreto de cálcio e o silicato de sódio. Contrariamente, em outros processos tecnológicos, ressalta-se a conveniência de um tempo de pega mais longo, como, por exemplo, nas operações de injeção de pastas e argamassas e nos lançamentos de concretos sob água, quando então se empregam aditivos denominados retardadores. Entre estes, citam-se os açucares ordinários, a celulose e outros produtos orgânicos. Alguns cimentos oferecem raramente o fenômeno da falsa pega, que tem as características da pega ordinária, ocorrendo em período mais curto e não correspondendo, entretanto, à evolução já descrita para o fenômeno. Trata-se de uma anomalia, geralmente atribuída ao comportamento do gesso adicionado ao cimento, no processo de manufatura, e que pode ser corrigida por destruição do incipiente esqueleto sólido e formação mediante ação enérgica de mistura ou remistura. O tempo de pega do cimento é determinado, como já foi dito, por ensaio do aparelho de Vicat. A pasta é misturada em proporção que conduz a uma consistência denominada normal. Essa consistência normal é verificada no mesmo aparelho de Vicat, utilizando-se a chamada sonda de Tetmajer, um corpo cilíndrico, metálico, liso de 10 mm de diâmetro e terminado em seção reta. A sonda é posta a penetrar verticalmente em pasta fresca por ação de um peso total (incluindo a sonda) de 300g. Na Fig. 3.5 está representado o aparelho de Vicat. No ensaio de consistência da pasta, a sonda penetra e estaciona a uma certa distancia do fundo do aparelho. Essa distancia, medida em milímetros, é denominada índice de consistência. A pasta, preparada para ensaios de tempo de pega, deve ter uma consistência normal de 6mm, isto é, a sonda de Tetmajer deve estacionar à distância de 6mm do fundo da amostra. Essa amostra de consistência normal é ensaiada nesse mesmo aparelho à penetração de uma agulha corpo cilíndrico circular, com 1mm2 de área de seção e terminando em seção reta. A amostra é ensaiada periodicamente à penetração pela agulha de Vicat, determinando-se o tempo de início da pega quando esta deixa de penetrar até o fundo da pasta, ou melhor, ao ficar distanciada do fundo 1mm. Os ensaios são prosseguidos até a determinação do tempo de fim de pega, quando a agulha não penetra nada mais na amostra, deixando apenas uma imperceptível marca superficial. Na obra procede-se – quando necessário, por exemplo, para eliminar a suspensão de um cimento geralmente em processo muito lento de pega – a um ensaio grosseiro, que consiste na moldagem de uma série de pequenas bolas com pastas de consistência semelhante à normal de laboratório. Submetendo-as a posteriores esmagamentos com os dedos, quando o esmagamento deixa de ser plástico, tem-se, grosseiramente, o início da pega; quando as bolas se esfarinham por ação de esforço muito maior, tem-se o fim da pega. 2.4.1.5 Resistência A resistência mecânica dos cimentos é determinada pela ruptura à compressão de corpos de prova realizados com argamassa. A forma do corpo de prova, suas dimensões, o traço da argamassa, sua consistência e o tipo de areia empregado são definidos nas especificações correspondentes, e constituem características que variam de um paíspara outro. Quase todos adotam cubos de arestas de 5 a 7cm, predominando esta última dimensão. Apenas no Brasil e no Uruguai empregam-se corpos-de-prova de forma cilíndrica. No Brasil, o corpo-de- prova e um cilindro de 10cm de altura por 5cm de ∅. A consistência da argamassa é determinada pelo ensaio de escorregamento da argamassa normal sobre mesa cadente. O processo é descrito pormenorizadamente no método NBR 7215 (MB-1) da ABNT. Molda-se com argamassa um corpo-de-prova de formato tronco de cone, tendo como diâmetros das bases 125 e 80mm e como altura 65mm sobre uma plataforma lisa de um mecanismo capaz de promover quedas de 14mm de altura. No ensaio são executadas trinta quedas em trinta segundos (ver fig. 3.6). A base inferior do cone moldado espalha-se, e a medida do diâmetro final é definida como índice de consistência da argamassa. Diz-se que a consistência é normal quando esse diâmetro alcança 165mm. A argamassa é constituída pela mistura de cimento e areia normal nas proporções de 1:3 em peso, materiais secos. A água a ser adicionada será determinada para se conseguir a consistência normal anteriormente definida. O ensaio requer, portanto, algumas tentativas. A areia utilizada nesse ensaio é a chamada areia normal, definida no método NBR 7215 (MB-1) como areia natural, proveniente do rio Tietê em São Paulo, lavada e peneirada com a composição granulométrica fixada pela Tab. 3.3. Os corpos-de-prova assim executados são conservados em câmara úmida por 24 horas, e a seguir imersos em água até a data do rompimento. Este se processa, geralmente nas idades de 1,3,7 e 28 dias. Para o cimento Portland ordinário, a especificação brasileira NBR 5732 (EB-1) exige, aos três dias de idade, resistência mínima de 8 MPa. Aos sete dias, 15 MPa e, aos 28 dias, 25 MPa. 2.4.1.6 Exsudação A exsudação é um fenômeno de segregação que ocorre nas pastas de cimento. Os grãos de cimento, sendo mais pesados que a água que os envolve, são forçados por gravidade, a uma sedimentação, quando possível. Resulta dessa tendência de movimentação dos grãos para baixo um afloramento do excesso de água, expulso das porções inferiores. Esse fenômeno ocorre, evidentemente, antes do início da pega. A água que se acumula superficialmente é chamada exsudação e é quantitativamente expressa como percentagem do volume inicial da mesma, na mistura. É uma forma de segregação que prejudica a uniformidade, a resistência e a durabilidade dos concretos. Já foi dito que a finura do cimento influi na redução da exsudação, o que se compreende facilmente, considerando-se que a diminuição dos espaços intergranulares aumenta a resistência ao percurso ascendente da água. PROPRIEDADES QUÍMICAS As propriedades químicas do cimento Portland estão diretamente ligadas ao processo de endurecimento por hidratação. Ainda não se conhecem com muita precisão as reações e os compostos envolvidos no processo de endurecimento, restando muitas questões a serem esclarecidas. O processo é complexo, admitindo-se, atualmente, que se desenrole em desenvolvimentos que compreendem a dissolução na água, precipitações de cristais e gel com hidrólises e hidratações dos componentes do cimento. Inicialmente, o silicato tricálcico (C3S) se hidrolisa, isto é, separa-se em silicato bicálcico (C2S) e hidróxido de cal. Este último precipita como cristal da solução supersaturada de cal. A seguir, o silicato bicálcico existente, resultante da hidrólise, combina-se com a água no processo de hidratação, adquirindo duas moléculas de água e depositando-se, a temperaturas ordinárias, no estado de gel. Esse processo, quando conduzido em temperaturas elevadas, resulta numa estrutura de natureza cristalina. Os dois últimos constituintes principais do cimento, o aluminato tricálcico e o ferro aluminato de cálcio, se hidratam, resultando, do primeiro, cristais de variado conteúdo de água e, do segundo uma fase amorfa gelatinosa. Esse processo é realmente rápido no clinker simplesmente pulverizado. O aluminato tricálcico presente é, de um modo geral, considerado o responsável pelo início imediato do processo de endurecimento. O produto, nessas condições, é de pega rápida. Como se sabe, o cimento, nessas condições, é material inútil para o construtor, impossibilitando qualquer manuseio pela rapidez da pega. Também é conhecido que a correção se efetua pela adição de sulfato de cálcio hidratado natural, gipsita, ao clinker antes da operação de moagem final. As investigações demonstraram que a ação do gesso no retardamento do tempo de pega se prende ao fato de ser muito baixa a solubilidade dos aluminatos anidros em soluções supersaturadas de gesso. O processo prossegue em marcha relativamente lenta pela absorção do sulfato, mediante a produção de sulfoaluminato de cálcio e outros compostos que, precipitados, abrem caminho para a solubilização dos aluminatos mais responsáveis pelo inicio da pega, já então em época conveniente. O fenômeno de falsa pega não é ainda claramente compreendido. Admite-se, em geral, que as causas mais freqüentes da falsa pega são a desidratação do gesso a formas instáveis de sulfato de cálcio, ocorridas durante a operação de moedura, onde a temperatura se eleva acima de 130ºC. Nessas circunstâncias, o cimento produzido contém sulfato de cálcio hidratável, que seria o responsável pela falsa pega. Estabilidade A estabilidade do cimento é uma característica ligada à ocorrência eventual de indesejáveis expansões volumétricas posteriores ao endurecimento do concreto e resulta da hidratação de cal e magnésia livre nele presentes. Quando o cimento contém apreciáveis proporções de cal livre (CaO), esse óxido, ao se hidratar posteriormente ao endurecimento, aumenta de volume, criando tensões internas que conduzem a microfissuracao, e pode terminar na desagregação mais ou menos completa do material. Isso pode ocorrer quando prevalecem temperaturas superiores a 1900ºC no processo de fabricação do clinker e resulta na supercalcinação da cal. Este óxido, como se sabe, hidrata-se de maneira extremamente lenta, conduzindo a indesejável expansão em época posterior ao endurecimento do material. Tal fenômeno ocorre com maior razão com o óxido de magnésio, motivo pelo qual as especificações limitam a proporção da presença desses constituintes no cimento. Determina-se a estabilidade do cimento pelos ensaios de expansão em autoclave onde a pasta de cimento é submetida a um processo acelerado de endurecimento em temperatura elevada, de modo a fazer aparecer, em sua provável grandeza, a expansão resultante da hidratação, tanto da cal quanto da magnésia livre. No Brasil, utiliza-se, para esse ensaio, a chamada agulha de Le Chatelier, que é constituída por uma forma cilíndrica de chapa de latão com 30mm de altura e 30mm de diâmetro, com uma fenda aberta segundo uma geratriz. Soldadas às bordas dessa fenda estão duas hastes destinadas a multiplicar a medida da abertura, que aumenta com a expansão do núcleo de pasta soldada no interior do cilindro. No método MB 3435 da ABNT, esse ensaio é descrito em detalhe e é constituído, em linhas gerais, da moldagem, cura do corpo-de- prova imerso em água na temperatura ordinária, durante 12 horas, e subseqüente aquecimento do corpo-de-prova em água conduzida lentamente à fervura, durante cinco horas ou mais. O valor da expansibilidade é medido nas pontas das agulhas em milímetros, não podendo ultrapassar os limites descritos pelas especificações de qualidade do cimento (no Brasil, a NBR 5732 e a NBR5733). Este ensaio também pode ser feito a frio. Calor de Hidratação Durante o processo de endurecimento do cimento, considerável quantidade de calor se desenvolve nasreações de hidratação. Essa energia térmica produzida é de grande interesse para o engenheiro, principalmente pela elevação de temperatura, resultante nas obras volumosas, a qual conduz ao aparecimento de trincas de contração ao fim do resfriamento da massa. O desenvolvimento de calor varia com a composição do cimento, especialmente com as proporções de silicato e aluminato tricálcicos. O valor do calor de hidratação do cimento Portland ordinário varia entre 85 e 100cal/g, reduzindose a 60 a 80cal/g nos cimentos de baixo calor de hidratação. Os valores do calor de hidratação dos constituintes do cimento são os seguintes: C3S – 120cal/g C2S - 62 cal/g C3a - 207 cal/g C4AF - 100 cal/g Magnesia - 203 cal/g Cal - 279 cal/g O método mais comum para a determinação do calor de hidratação do cimento é o calor de dissolução. Amostras secas de cimento em pó e de cimento parcialmente hidratado e subseqüentemente pulverizado são dissolvidas em mistura de ácidos nítrico e clorídrico numa garrafa térmica. A elevação de temperatura devidamente corrigida pela eliminação dos fatores estranhos ao fenômeno determina as medidas do calor de dissolução das amostras. Por diferença, o calor de hidratação do cimento é calculado. O interesse do conhecimento do valor do calor de hidratação do cimento reside na possibilidade do estudo da evolução térmica durante o endurecimento do concreto em obras volumosas. Basicamente, trata-se de multiplicar o calor de hidratação do cimento pelo peso do cimento contido no metro cúbico de concreto e dividir o resultado pelo calor específico do concreto. Esse cálculo aproximado não se desenvolve, evidentemente, com essa simplicidade esquemática, devendo ser considerados vários outros fatores que intervêm na evolução do fenômeno, tais como a velocidade de reação, o coeficiente de condutibilidade térmica do concreto, a variação do calor especifico do concreto com a temperatura etc. Resistência aos Agentes Agressivos Nos concretos em contato com a água e com a terra podem ocorrer fenômenos de agressividade. As águas, como as terras, podem conter substâncias químicas suscetíveis a reações com certos constituintes do cimento presentes nos concretos. Nestes últimos, o cimento constitui o elemento mais suscetível ao eventual ataque, já que os agregados são de natureza predominantemente inerte. Os silicatos de cálcio mais ou menos hidratados e principalmente a cal hidratada, presentes no cimento hidratado, são os elementos submetidos a ataque químico. O hidróxido de cálcio presente na proporção de 15 a 20% do peso do cimento original constitui o ponto mais vulnerável. As águas puras, de fontes graníticas ou oriundas do degelo atacam o cimento hidratado por dissolução da cal existente. Essa dissolução alcança cerca de 1,3 grama por litro nas temperaturas correntes. Águas puras renovadas acabam levando toda a cal existente no cimento hidratado, após o que começam, com menor intensidade, a dissolver os próprios silicatos e aluminatos. As águas ácidas, como, por exemplo, a água de chuva, com certa proporção de gás carbônico dissolvido, agem sobre a cal do cimento hidratado segundo processo que varia em função da concentração do anidrido carbônico. Se a concentração é baixa, o sal formado é o carbonato de cálcio, pouco solúvel, que obstrui os poros, constituindo proteção a ataques posteriores. Se a concentração é relativamente forte, o carbonato formado é dissolvido como bicarbonato, prosseguindo o ataque até completa exaustão da cal presente. Os sais de cálcio são atacados em seguida. As águas podem ser igualmente agressivas quando contêm outros ácidos, como acontece com os resíduos industriais e águas provenientes de charcos contendo ácidos orgânicos. Tanto num caso como no outro, há exaustão da cal, e um ataque posterior dos sais constituintes do cimento hidratado deixa no concreto um esqueleto sem coesão e inteiramente prejudicado nas suas características mecânicas e outras. Para estimar a resistência química de um cimento à água pura e acida, é útil conhecer seu índice de Vicat, isto é, a relação sílica mais alumina dividida por cal. Se é inferior a 1, tem-se o cimento rico em cal, como o Portland, portanto um cimento facilmente atacável. Se, ao contrário, o índice é superior a 1, cimento aluminoso, cimento metalúrgico, cimento pozolânico, trata-se de material pobre em cal e capaz de resistir à agressividade da água dissolvente. A água sulfatada ataca o cimento hidratado por reação do sulfato com aluminato, produzindo um sulfoaluminato com grande aumento de volume. Essa expansão interna é responsável pelo fissuramento que, por sua vez, facilita o ataque, conduzindo o processo a completa deterioração do material. Águas parada, contendo mais de meio grama de sulfato de cálcio/litro, e águas correntes com mais de 0,3g podem, em geral, ser consideradas perigosas. Reação Álcali-Agregado. Identifica-se como reação álcali-agregado a formação de produtos gelatinosos acompanhada de grande expansão de volume pela combinação dos álcalis do cimento com a sílica ativa finamente dividida, eventualmente presente nos agregados. Trata-se de fenômeno estudado em época recente que, embora não tenha sido, até agora, constatado objetivamente no Brasil, por constituir importante risco na durabilidade dos concretos, merece detalhada investigação quando do uso de agregados oriundos de novas fontes, sem experiência anterior. Tal assunto será examinado no capítulo correspondente os agregados. CLASSIFICAÇÃO Os cimentos foram originariamente fabricados segundo as especificações dos consumidores que encomendavam, das fábricas, o produto com certas características convenientes a um trabalho. A partir de 1904, quando as primeiras especificações da ASTM foram introduzidas, a indústria limitou-se a produzir alguns tipos de cimento. Em cada país, a indústria produz os cimentos padronizados pelo organismo normalizador nacional e alguns outros fora de normas, mas sempre um número limitado de tipos. Não se encontram todos os tipos, entretanto, disponíveis no mercado. Muitos deles, destinados a usos especiais, são obtidos mediante encomenda. No Brasil são produzidos vários tipos de cimento, oficialmente normalizados. Fabrica-se também, para emprego ordinariamente não estrutural, o cimento branco, que é um cimento Portland ordinário, praticamente isento de óxidos de ferro, e que se consegue mediante cuidados adequados na escolha da matéria-prima e na condução do processo de fabricação. Ao final da apostila estão apresentadas as principais características dos cimentos normalizados brasileiros. FABRICAÇÃO O cimento Portland é atualmente produzido em instalações industriais de grande porte, localizadas junto às jazidas que se encontram em situação favorável quanto ao transporte do produto acabado aos centros consumidores. Trata-se de um produto de preço relativamente baixo, que não comporta fretes a grandes distâncias. As Matérias-primas utilizadas na fabricação do cimento Portland são, usualmente, misturas de materiais calcários e argilosos em proporções adequadas que resultem em composições químicas apropriadas para o cozimento. O condicionamento econômico do empreendimento, combinado com a natureza das jazidas disponíveis, determina os materiais que podem ser utilizados na manufatura do cimento Portland. Entre os materiais calcários utilizados encontram-se o calcário propriamente dito, conchas de origem marinha etc. Entre os materiais argilosos encontram-se a argila, xistos, ardósia e escórias de alto-forno. A fabricaçãodo cimento Portland comporta seis operações principais, a saber: - extração da matéria-prima; - britagem; - moedura e mistura; - queima; - moedura do clinker; - expedição. A extração da matéria-prima se faz pela técnica usual de exploração de pedreiras quando se trata de rochas e xistos; por escavação, segundo a técnica usual de movimentação de terras, quando se trata de argila, e por dragagens, quando é o caso. A técnica de exploração de pedreiras será desenvolvida mais adiante, quando se tratar da produção de agregados. A Matéria-prima, quando rochosa, é submetida a uma operação de beneficiamento com o propósito de reduzir o material à condição de grãos de tamanho conveniente. Trata-se da britagem, operação também comum no processo de exploração de pedreiras para a produção de agregados. Os materiais britados, calcário, por exemplo, são encaminhados a depósitos apropriados, onde são processados segundo duas linhas principais de operação: via seca e via úmida. No processamento por via seca, a matéria-prima é inicialmente conduzida a uma estufa, onde é convenientemente secada. Secos, os materiais argilosos e calcários são proporcionados e conduzidos aos moinhos e silos, onde se reduzem a grãos de pequeno tamanho em mistura homogênea. Utilizam-se, para esse fim, moinhos, usualmente de bolas, associados em série e conjugados a separadores de peneira, ou ciclones, por cuja ação se conduz o processo na produção da mistura homogênea de grãos de pequeno tamanho, intimamente misturados, das matérias-primas. Essa mistura é conduzida por via pneumática para os silos de homogeneização, nos quais a composição básica da mistura é quimicamente controlada e são eventualmente feitas as correções. A mistura homogênea é armazenada em silos apropriados, onde aguarda o momento de ser conduzida ao forno para a queima. No processo por via úmida, onde se emprega a argila natural como matéria-prima, esta é inicialmente misturada com água, formando uma lama espessa. O calcário britado proveniente dos silos é proporcionado e misturado com a lama de argila e conduzido para os moinhos, também usualmente de bolas, onde a rocha calcária é reduzida a grãos de tamanho muito pequeno. Esses moinhos trabalham também com equipamentos separadores, neste caso, câmaras de sedimentação que proporcionam meio eficaz de controle dos tamanhos dos grãos de calcário em suspensão na lama. A lama, após a operação de moedura do calcário, é bombeada para os silos de homogeneização,nos quais, como se procedeu na via seca, se controla a composição química e se fazem as eventuais correções. A mistura, devidamente controlada e homogeneizada, é conduzida para os silos de armazenamento do cru. Nesta altura, os dois processos novamente se encontram, procedendo-se à alimentação do forno, com a mistura pulverulenta proveniente da via seca ou com a lama proveniente da via úmida. O forno, como é utilizado atualmente, é constituído por um longo tubo de chapa de aço, revestido internamente de alvenaria refratária, girando lentamente em torno de seu eixo, levemente inclinado, tendo na extremidade mais baixa um maçarico onde se processa a queima de combustível e recebendo pela sua boca superior o cru. A operação de queima da mistura crua devidamente proporcionada num forno onde, pela combustão controlada de carvão, gás ou óleo, a temperatura é elevada aos níveis necessários a transformação química que conduz a produção do clinker, subseqüentemente resfriado, é, talvez, a mais importante fase na fabricação do cimento. O material submetido ao processamento das queimas percorre o forno rotativo de uma ponta a outra em cerca de 3 horas e meia a 4 horas. O clinker produzido sai do forno em elevada temperatura, incandescente, e é resfriado mediante corrente de ar ou mesmo por ação de água. O clinker resfriado é conduzido a depósitos apropriados, onde aguarda o processamento da moagem. A operação de moagem do clinker é realizada em moinhos de bola conjugados com separadores a ar. Sendo o clinker um material extremamente duro, a moagem é uma operação dispendiosa, onde são consumidas as esferas de aço duro utilizadas dentro do moinho. O clinker entra no moinho já de mistura com a parcela de gipsita utilizada para controle do tempo de pega do cimento. Para facilitar a operação de moagem, a indústria manufatureira de cimento tem utilizado como aditivos certas substancias que facilitam essa operação, os aditivos de ajuda na moagem. O clinker pulverizado é conduzido pneumaticamente para os separadores de ar, um ciclone que reconduz ao moinho os grãos de tamanho grande e dirige os de menor tamanho, o cimento propriamente dito, para os silos de estocagem. O produto acabado, o cimento Portland artificial, é então ensacado automaticamente em sacos de papel apropriado ou simplesmente encaminhado a granel para os veículos de transporte. O edifício até sua cobertura Dosagem do Concreto: Para execução de qualquer obra, ressalta-se a importância do tipo de concreto a ser utilizado, sempre tendo em vista a finalidade a que se destina e o fator econômico. Não devemos usar um mesmo tipo de concreto utilizado numa residência para construção de pontes, barragens ou estradas. Conhecida, então, a finalidade a que se destina a obra, devemos obter um concreto que tenha as características impostas, Em geral, a mais importante entre as características exigidas para todas as obras é a sua resistência à compressão, sendo de se notar que as demais propriedades correm normalmente paralelas à resistência à compressão, Assim, a escolha de um ou de outro tipo de concreto dependerá: a) do tipo de obra a executar-se, b) da facilidade ou dificuldade de peças a concretar-se, c) das propriedades finais que se pretendam obter, d) do custo dos materiais. Para perfeita execução da obra, não bastam estudar somente as características, mas também analisar a qualidade do concreto, a qual dependerá primeiramente da qualidade dos materiais componentes, isto é, cimento, agregado miúdo, agregado graúdo e água. Impõe-se, portanto, quando se deseja um concreto superior, uma seleção cuidadosa desses materiais. Necessária ainda se torna, na massa do concreto, a mistura íntima do cimento com a água e a distribuição uniforme da pasta resultante nos vazios dos agregados miúdo e graúdo, que, por sua vez, também devem ser convenientemente misturados. Em suma, para se obter as qualidades essenciais do concreto - facilidade de emprego quando fresco, resistência mecânica, durabilidade, impermeabilidade e constância de volume depois de endurecido -, sempre tendo em vista o fator econômico, são necessários: a) seleção cuidadosa dos materiais (cimento, agregados, água e aditivos se for o caso) quanto ao tipo e qualidade, uniformidade; b) proporcionamento correto - do aglomerante em relação ao inerte, - do agregado miúdo em relação ao graúdo, - da quantidade de água em relação ao material seco, - do aditivo em relação ao aglomerante ou à água utilizada; c) cura cuidadosa Para atingir a dosagem correta do concreto a ser utilizado na obra a que se destina, é necessário obedecer às seguintes normas: 1) o concreto deverá ser dosado racionalmente; 2) a dosagem racional poderá ser feita por qualquer método, baseado na relação entre a quantidade de água e o peso de cimento, desde que devidamente justificado; 3) para o concreto serão dosados traços para as tensões mínimas que foram requeridas, para elementos estruturais que necessitem de uma dosagem especial, quando houver variação sensívelna granulometria dos agregados ou na qualidade do aglomerante, e quando houver emprego de aditivos; 4) as proporções corretas de cimento, areia e brita, que deverão entrar na mistura do concreto, serão rigorosamente observadas; 5) a medição de água de amassamento a qual deverá ser feita com exatidão, e cujo erro não poderá ser superior a 3%; 6) o cimento deverá ser medido em peso, o que poderá ser feito pela contagem de sacos; 7) a dosagem empírica será permitida somente para obras de pequeno vulto. O traço tanto pode ser indicado pelas proporções em peso como em volume, e algumas vezes adota-se uma indicação mista: o cimento em peso e os agregados em volume (o que é mais usado). Seja qual for a forma adotada, toma-se sempre o cimento como unidade e relacionam-se as demais quantidades à quantidade de cimento. A unidade (quantidade de cimento) pode ser 'indicada por 1 kg ou 1 litro, pela quantidade contida num saco de cimento, ou ainda, pela quantidade contida num metro cúbico de concreto. Lançamento O concreto deve ser lançado, assim que misturado, não sendo permitido intervalo superior a 1h entre o amassamento e o lançamento. Não se admite o uso de concreto remisturado. Quando o lançamento deve ser feito a seco em recintos sujeitos à penetração de águas, deve-se cuidar para que não haja água no local de lançamento, nem que o concreto possa ser por ela lavado. Antes de colocar o concreto, deve-se molhar as fôrmas, para impedir a absorção da água de amassamento. As fôrmas devem ser estanques, para não permitir a fuga da nata de cimento. Ao sair da betoneira, há forças internas e externas que tendem a provocar a segregação dos constituintes do concreto. É difícil conseguir uma separação completa entre o transporte e o lançamento do concreto, sendo que muitas vezes os próprios meios de transporte são os lançadores, como por exemplo em alguns casos de bombas, calhas e caçambas, etc. Quando o concreto é lançado de grande altura ou é deixado a correr livremente, haverá tendência à separação entre a argamassa e o agregado graúdo. Para se evitar a separação e incrustação da argamassa nas fôrmas e armaduras, o concreto, em peças muito delgadas, como muros, deve ser colocado através de canaletes de borracha ou tubos flexíveis, chamados de "trombas de elefante". A altura de lançamento, em concretagens comuns, deve ser, no máximo, igual a 2 m. Quando a altura é superior, como pilares, o concreto deve ser lançado por janelas abertas na parte lateral, que vão sendo fechadas à medida que avança o concreto. O concreto deve ser lançado o mais próximo possível de sua posição final, não devendo fluir dentro das fôrmas. As camadas de lançamento devem ter altura igual a, aproximadamente, 3/4 da altura do vibrador. O concreto preparado na obra deve ser lançado logo após o amassamento, não sendo permitido intervalo superior a 1 hora após o preparo. No concreto bombeado, o tamanho máximo dos agregados não deve ser superior a 1/3 do diâmetro do tubo no caso de brita ou 2/5 no caso de seixo rolado. Em nenhuma hipótese o lançamento pode ocorrer após o início da pega. Nos pilares, a altura de queda livre do concreto não pode ser superior a 2 m, pois pode ocorrer a segregação dos componentes. Nas lajes e vigas, o concreto deve ser lançado encostado à porção colocada anteriormente, não devendo formar montes separados de concreto para distribuí-lo depois. Esse procedimento deve ser respeitado, pois possibilita a separação da argamassa que flui à frente do agregado graúdo. Nas lajes, se o transporte do concreto for realizado com jericas, é necessário o emprego de passarelas ou caminhos apoiados sobre o assoalho da fôrma, para proteger a armadura e facilitar o transporte. a colocação de trombas de chapa ou de lona no interior da fôrma; o emprego de concreto mais plástico e rico em cimento no início da concretagem, até se obter, concreto menos plástico e menos rico, porém de mesma resistência; a colocação de 5 a 10 cm de espessura de argamassa de cimento, feita com o mesmo traço do concreto que vai ser utilizado, porém sem o agregado graúdo. O agregado graúdo vai chegar primeiro à superfície, encontrará uma camada de argamassa, que o absorverá, evitando a formação do defeito ―ninho de pedra‖, que é constituído de agregado com pouca ou nenhuma argamassa para ligá-lo, formando o concreto. PLANO DE CONCRETAGEM; JUNTAS- Para grandes estruturas requer-se um planejamento para o lançamento do concreto, levando-se em consideração o projeto do escoramento e as deformações que nele serão provoca das pelo peso próprio do concreto fresco e pelas eventuais cargas de serviço. Para limitar ou prevenir as tensões desenvolvidas pelas variações sofridas, as estruturas de concreto são providas de juntas. Além dessas juntas originárias dos prováveis deslocamentos possíveis de afetar a estrutura, ainda podem ser feitas outras, em função da interrupção do trabalho de execução, segundo o cronograma da obra. Podemos reunir as juntas em dois tipos: a) juntas propriamente ditas, que têm por fim permitir os deslocamentos da estrutura; b) juntas de construção, feitas de acordo com as interrupções da execução. As juntas propriamente ditas são destinadas a permitir deslocamentos provindos de retrações, expansões e contrações devidas a variações de umidade e temperatura, bem como escorregamentos e empenamentos devidos às mesmas causas, e também de flexões causadas pelo carregamento ou condição do solo de fundação. Quando as construções devem conter água, as juntas deverão ser construídas de maneira a impedir vazamentos e a suportar pressões interiores. As juntas podem ser completas - quando são separadas as duas partes adjacentes da estrutura, e muitas vezes pintadas as seções em contato, com material betuminoso -, ou parciais, com um enfraquecimento da seção, com o aparecimento de fissuras na região. Nesse caso, a armadura é contínua, permitindo, assim, a junta, apenas pequenos movimentos. Muitas vezes intercalamos na junta um elemento, que, não lhe dificultando os movimentos da estrutura, lhe dá continuidade. As juntas são, pois, de contração, de dilatação, de escorregamento, ou de empenamento. As do primeiro tipo atendem aos deslocamentos causados pela retração, somados, ocasionalmente, aos devidos abaixamentos de temperatura ou diminuição do teor de umidade. As do terceiro tipo são construídas para eliminar os riscos de deslocamentos de carregamentos excessivos ou de recalques diferenciais. As juntas de construção são utilizadas para simplificar a execução da estrutura. As juntas puramente de construção não são próprias para eliminar os ricos oriundos dos deslocamentos, sejam quais forem as causas. É útil, na organização do programa de execução, que a interrupção da concretagem se dê numa junta propriamente dita, aproveitando-a como junta de construção. Freqüentemente, pela impossibilidade técnica ou econômica de lançar, continuamente, determinado volume de concreto, somos forçados a fazer juntas de construção, para não multiplicarmos as juntas propriamente ditas. Se o concreto deve ser lançado em camadas sucessivas, a interrupção entre duas camadas dá origem a uma junta de construção horizontal. Quando não pudermos evitar a junta de construção, ou substituí-Ia por junta efetiva, devemos tomar as precauções a seguir. a) Tornar a superfície do concreto antigo rugosa, mediante esfrega com escova de aço, jato de areia ou jato de água (seo concreto ainda está novo), de modo que o agregadomiúdo e a camada de pasta sejam removidos, e o agregado graúdo fique aparente. No lançamento do concreto devem-se tomar providências para que o acabamento da camada não torne a superfície lisa. b) A superfície deve ser perfeitamente limpa, livre de material solto, pó, etc. A limpeza pode ser feita por jato de água ou de ar comprimido, caso seja necessário. c) No caso de não ser utilizado jato de água, a superfície deve ser abundantemente molhada. d) Espalha-se sobre o concreto uma camada de argamassa, de composição idêntica à que faz parte do concreto (traço da ordem de 1:3 e fator água-cimento o mesmo do concreto). e) O concreto é lançado a seguir, misturando ambas as camadas no adensamento, se for concreto novo. Se desejarmos eliminar o efeito da retração, é possível utilizar uma junta de construção, a qual ficará aberta até que se tenha verificado a maior parte da retração, sendo depois preenchida. Nesse caso, a estrutura deverá ser protegida das variações de temperatura e não pode haver recalques diferenciais, pois para ambos os incidentes, a junta é ineficiente. Juntas e disposições construtivas (NBR 6118) As juntas de dilatação devem ser previstas pelo menos a cada 15 m. No caso de ser necessário afastamento maior, devem ser considerados no cálculo os efeitos da retração térmica do concreto (como consequência do calor de hidratação), da retração hidráulica e das variações de temperatura. Qualquer armadura eventualmente existente no concreto simples deve terminar pelo menos a 6 cm das juntas. Interrupções de concretagem só podem ser feitas nas juntas. Adensamento do concreto O adensamento do concreto lançado tem por objeto deslocar com esforço, os elementos que o compõem e orientá-Ios para se obter maior capacidade, obrigando as partículas a ocupar os vazios e a desalojar o ar do material. Os processos de adensamento podem ser manuais, socamento ou apiloamento, e mecânicos, por meio de vibrações ou centrifugação. Além disso, podem-se considerar processos especiais de adensamento, tais como a concretagem a vácuo, etc. O adensamento manual é o modo mais simples, consiste em facilitar a colocação do concreto na fôrma e entre as armaduras, mediante uma barra metálica, cilíndrica e fina, ou por meio de soquetes mais pesados. Tanto num caso como no outro, o concreto deve ter consistência muito plástica. No caso da barra, esta deve atravessar a camada de concreto e penetrar parcialmente na inferior. Quando se utilizam soquetes, submete-se a camada de concreto a golpes repetidos, sendo mais importante o número de golpes do que a potência de cada um, desde que a potência de cada golpe ultrapasse um valor determinado. A espessura das camadas não deve exceder a 20cm. Esses processos só se aplicam a peças de pequena responsabilidade, pequena espessura e pouca armadura. A vibração permite também, além da desaeração, dar ao concreto uma maior fluidez, sem aumento da quantidade de água, e determina a ascensão à superfície do excesso da água de amassamento e da pasta de cimento. Com isso, são melhoradas sensivelmente todas as características do concreto: compacidade, resistência à compressão, impermeabilidade, aderência, retração e durabilidade. A vibração aplicada diretamente à armadura tem sérios inconvenientes, pois, ao entrar em vibração, pode deixar um espaço vazio a seu redor, eliminando assim a aderência. Para evitar isso, após a vibração da armadura, deve-se dar uma passada final no concreto, evitando qualquer contato com a ferragem. No caso de peças pré-fabricadas em usina, utiliza-se o vibrador externo sob a forma de mesa vibratória. Fabricam-se, assim, peças ornamentais, blocos, telhas, postes, dormentes, etc. A centrifugação é particularmente interessante no caso de fabricação de elementos de revolução pré-fabricados: postes, tubos, etc. Dada a natureza do sistema, produz-se, durante o processo, uma classificação em tamanhos. Os elementos mais graúdos são lançados para a parte exterior da peça, ficando no interior uma alta concentração de pasta de cimento. No caso de tubos, isso não apresenta inconvenientes, pois fica assegurada alta impermeabilidade ao tubo e uma superfície interior com pouca rugosidade. As fôrmas são metálicas e giram com velocidade reduzida durante o carregamento, aumentando- se esta (cerca de 12 a 24 m/s), uma vez cheia a fôrma. O tempo de centrifugação varia com o tamanho da peça; em geral, vai de 2 a 10 minutos. Um excesso de tratamento pode prejudicar o produto final pela separação excessiva em tamanhos. Conforme sua aplicação, distinguem-se três tipos de vibradores de imersão ou internos, de superfície e externos ou de fôrmas, podendo ser elétricos, com motor de explosão, a ar comprimido e eletromagnéticos. As características principais de um vibrador são a freqüência, a amplitude e a potência. Quanto à freqüência, os vibradores podem ser: de baixa freqüência, 1500 vibrações/min; de média freqüência, 3000-6000 vibrações/min; de alta freqüência, 6000-20000 vibrações/min. Cada grão da granulometria total do concreto tem uma freqüência própria de vibração, isto é, a freqüência para a qual ele vibra em ressonância com a fonte vibratória. A baixa freqüência põe em movimento os grãos maiores do agregado graúdo e a alta freqüência vibra a argamassa. A vibração à baixa freqüência exige, portanto, maior potência do vibrador, pois deve movimentar os grãos maiores do agregado graúdo, de maior massa. Os vibradores de argamassa são, sob esse aspecto, mais econômicos. A argamassa, quando em vibração, atua como um lubrificante entre os agregados graúdos, facilitando sua acomodação. Raio de ação de um vibrador: é a distância além da qual o vibrador não exerce mais sua influência. O efeito da vibração diminui quando nos afastamos do vibrador, segundo uma lei aproximadamente parabólica. O raio de ação de um vibrador pode ser determinado experimentalmente, deixando-se uma vara de ferro cravada no concreto fresco, a diferentes distâncias do vibrador, e medindo-se sua vibração. O raio de ação é proporcional à raiz quadrada da potência: para duplicar-se o raio é necessário quadruplicar-se a potência. O raio de ação depende, além da potência do vibrador, das características do concreto, não ultrapassando, porém, 60 cm. A aplicação de um vibrador deve ater-se aos seguintes cuidados: a) as posições sucessivas devem estar a distâncias inferiores ou iguais ao raio de ação do vibrador; ou, seja, oito a dez vezes o diâmetro da agulha; b) o aparecimento de ligeira camada de argamassa na superfície do concreto, assim como a cessação quase completa de desprendimento de bolhas de ar, correspondem ao término do período útil de vibração; daí em diante, o efeito da vibração será negativo pela separação cada vez maior dos elementos da mistura, determinando heterogeneidade e segregação; c) as camadas de concreto lançadas devem ter altura inferior ao comprimento da ponta vibrante dos vibradores de imersão, a fim de homogeneizar perfeitamente o concreto em toda a altura da peça; d) a inserção da ponta vibrante no concreto deve ser rápida e sua retirada muito lenta, ambas com o aparelho em funcionamento. A retirada demasiado rápida ou com o vibrador desligado poderá deixar um vazio na massa de concreto; e) a ponta da agulha deverá penetrar na camada anteriormente vibrada, cerca de 10 cm a fim de assegurar uma perfeita adesão entre esta e a camada que está sendo depositada na fôrma. Cura Para se obter uma estrutura de qualidade, o lançamento do concretodeverá ser seguido por um processo de cura durante os primeiros estágios de endurecimento. Esse processo se caracteriza por uma série de procedimentos que visam a impedir a evaporação da água necessária à hidratação do cimento e, por conseguinte, ao incremento de resistência do material (Souza, Ripper, 1998; Neville, Brooks, 2013). A inobservância desses procedimentos afeta não apenas a resistência, mas também a durabilidade do concreto, com efeitos negativos relacionados à permeabilidade, à resistência à abrasão, à estabilidade volumétrica, à resistência ao congelamento/ degelo e à resistência aos agentes agressivos. A perda de água, agravada pelo processo de cura inadequado, ocorre principalmente na camada mais superficial do concreto (figura 1), responsável pela proteção das armaduras contra ataques químicos (Aïtcin, 2000; Neville, Brooks, 2013). Apesar disso, a cura do concreto é usualmente negligenciada, já que os procedimentos recomendados tendem a interferir negativamente na velocidade de execução da obra e não são percebidos como essenciais para a sua durabilidade. Isso se deve ao fato de que as patologias decorrentes das práticas inadequadas não são, muitas vezes, observadas nas primeiras idades do concreto. Desse modo, verifica-se que a atenção com o processo de cura é de fundamental importância para que a estrutura de concreto armado apresente o desempenho esperado ao longo de sua vida útil. A cura do concreto deve ser iniciada imediatamente após o endurecimento superficial. Porque curar? As razões mais importantes são: Ganho de resistência: Testes de laboratórios mostram que concretos expostos a ambientes secos chegam a perder 50% de sua resistência à compressão quando comparado com um mesmo concreto que foi curado. Concretos expostos a temperaturas elevadas ganharão uma maior resistência inicial, porém a resistência final (28 dias) provavelmente será menor. Já concretos expostos a temperaturas baixas levarão mais Figura 1 - Fissuras por cura inadequada do concreto (vista superior da laje) tempo para atingir certa resistência inicial levando a atrasos na retirada das formas e, consequentemente, atrasos na construção. Maior durabilidade: Um concreto bem curado apresenta uma superfície de melhor qualidade, mais durável e mais resistente à abrasão. Além disso, deixa também o concreto mais impermeável, dificultando a entrada de agentes nocivos e, consequentemente, aumentando sua vida útil. Melhor aparência: Fissuras em alguns casos são inevitáveis, principalmente em grandes vãos horizontais, porém um concreto mal curado quando comparado a um curado corretamente apresenta fissuras de diversos tipos e no geral um mal acabamento devido a sua menor resistência. A cura reduz bastante esses tipos de problemas. Como curar? Alguns dos métodos utilizados para cura do concreto são: Cura úmida: deve-se manter a superfície do concreto úmida por meio de aplicação de água na sua superfície, manter o concreto coberto com água ou totalmente imerso em água para evitar que ocorra evaporação da mesma. No caso da cura úmida, podemos utilizar folhas de papelão, lonas plásticas ou até mesmo somente molhar o concreto de tempo em tempo. Cura química: consiste num produto que forma uma película na superfície do concreto e que impede que haja evaporação da água do concreto Cura ao ar do concreto: não são tomados cuidados especiais para se evitar a evaporação prematura da água necessária para a hidratação do cimento. Cura térmica: feita em câmaras, contribui para a otimização do traço ao mesmo tempo em que garante a umidade necessária ao concreto, acelerando a velocidade de ganho de resistência pelo aquecimento. É considerada a cura mais eficiente e é muito utilizada em empresas que trabalham com concreto pré-moldado. Cuidados gerais com a peça após a concretagem A cura do concreto deve ser feita logo após o endurecimento superficial da peça; No caso de superfícies horizontais (vigas, lajes, chão e etc), o processo de cura deve ser feito de duas a quatro horas depois de aplicado o concreto; No caso das superfícies verticais (pilares, colunas, muros e etc) é necessário saturar as formas com água antes do lançamento do concreto, após a concretagem é importante manter as formas umedecidas por pelo menos 7 dias. NOTA: Molhar as formas antes do lançamento do concreto não serve para facilitar a desmontagem das mesmas como muitos pedreiros costumam falar, mas sim para ajudar no processo de cura do concreto. Viabilidade do concreto armado O concreto armado é um material de construção composto, constituído de concreto e barras de aço nele imersas. O funcionamento conjunto dos dois materiais só é viabilizado pelas três propriedades abaixo: Aderência aço-concreto: esta talvez seja a mais importante das propriedades, uma vez que é a responsável pela transferência das tensões de tração não absorvidas pelo concreto para as barras da armadura, garantindo assim o perfeito funcionamento conjunto dos dois materiais; Coeficientes de dilatação térmica do aço e do concreto praticamente iguais: esta propriedade garante que para variações normais de temperatura, excetuada a situação extrema de incêndio, não haverá acréscimo de tensão capaz de comprometer a perfeita aderência aço- concreto; Proteção da armadura contra a corrosão: esta proteção que está intimamente relacionada com a durabilidade do concreto armado acontece de duas formas distintas: a proteção física e a proteção química. A primeira é garantida quando se atende os requisitos de cobrimento mínimo preconizado pela NBR 6118 que protege de forma direta as armaduras das intempéries. A proteção química ocorre devido à presença da cal no processo químico da produção do concreto, que envolve a barra de aço dentro do concreto, criando uma camada passivadora, cujo "ph" se situa acima de 13, criando condições inibidoras da corrosão. Quando a frente de carbonatação, que acontece devido à presença de gás carbônico (CO2) com a cal, produzindo ácidos que abaixam o "ph" desta camada para níveis iguais ou inferiores a 11,5, criando condições favoráveis para o processo eletroquímico de corrosão se iniciar. A corrosão pode acontecer independentemente da carbonatação, na presença de cloretos (íon cloro CL-), ou sulfatos (S--) Vantagens do concreto armado O concreto armado tem uma elevada resistência à compressão em comparação aos outros materiais de construção. Devido à armação, o concreto armado também pode suportar uma boa quantidade de esforços de tração. O custo de manutenção do concreto armado é muito baixo. Uma estrutura em concreto armado pode ser moldada de diversas maneiras e formatos. Exige mão de obra menos qualificada para sua execução, em comparação com estruturas metálicas, por exemplo. Boa resistência ao fogo e ao tempo. Uma estrutura de concreto armado é mais durável do que qualquer outro sistema de construção. Boa resistência ao desgaste mecânico como choques e vibrações. Desvantagens do concreto armado A resistência à tração do concreto armado é cerca de um décimo da sua resistência à compressão. Por ser muitas vezes produzido in loco, a resistência final do concreto pode ser afetada devido a erros durante os processos de mistura e cura. O concreto armado utiliza-se de formas de madeira ou metálicas, encarecendo o projeto. Uma estrutura de concreto armado gera muitos resíduos e lixos de construção. Para uma construção de um edifício de vários andares, a seção dos pilares para uma estrutura em concreto armado é maior do que a seção dos pilaresem uma estrutura metálica. O concreto armado tem grande peso próprio (2.500 kg/m3). Tempo de execução maior do que outros sistemas de construção, devido ao tempo de cura (pode ser reduzido com uso de aditivos). A demolição de uma estrutura em concreto armado é de difícil execução, podendo ser inviáveis devido ao custo. Ensaios não destrutivos para avaliar a durabilidade do concreto Definição: O que é um ensaio não destrutivo? ➔ Consiste em uma alternativa mais moderna de avaliar as características das estruturas metálicas e de concreto, sem a remoção de amostras. Pouco ou nenhum dano é causado à estrutura. Tornou-se mais comum com o avanço da tecnologia: os dados coletados ficaram mais precisos. Por que utilizar ensaios não destrutivos? O procedimento de extrair testemunhos da própria estrutura nem sempre é recomendada dependendo da geometria dos elementos. Pode danificar ou comprometer o desempenho da estrutura. Por isso, ensaios não destrutivos passam a ser uma alternativa mais atraente, apresentando diversas vantagens. Vantagens: Sem prejuízo estrutural. Podem ser realizados com a estrutura em uso. Rápida obtenção de dados (―in situ‖) Permite a identificação de problemas em estágio inicial da obra Ensaios: Os principais ensaios não destrutivos são: Esclerometria ou ensaio de dureza superficial; Ultrassom; Resistividade elétrica superficial; Ensaio de resistência à penetração; Ensaio de permeabilidade à água; Ensaio de potencial de corrosão. Esclerometria Método empregado para determinação do valor aproximado da resistência à compressão superficial do concreto endurecido e de sua uniformidade. A realização do ensaio consiste em uma massa martelo que, impulsionada por mola, choca-se com a área a ser ensaiada. Quanto maior a dureza da superfície, menor a parcela da energia que se converte em deformação permanente, e maior deve ser o recuo ou a reflexão da massa martelo. O equipamento utilizado no ensaio é chamado de esclerômetro de reflexão. Os métodos de ensaio desenvolvidos para medir a dureza superficial do concreto são baseados na realização de um entalhe na superfície ou no princípio do ricochete. O método da indentação consiste principalmente no impacto de uma determinada massa com uma dada energia cinética sobre a superfície do concreto, sendo medida a profundidade do entalhe resultante. O método baseado no princípio do ricochete, mais aceito e praticado mundialmente, consiste em medir o retorno de uma força no regime elástico após seu impacto com a superfície do concreto (Malhotra & Carino, 2004). O esclerômetro é um equipamento leve, simples de operar e barato. Com esse instrumento é possível avaliar a uniformidade da resistência mecânica do concreto "in loco", com danos praticamente nulos à superfície do material (Evangelista, 2002), mas os valores obtidos não são precisos já que dependem da uniformidade da superfície, da condição de umidade, da carbonatação superficial e da rigidez do elemento estrutural (Mehta & Monteiro, 2008), mesmo se corrigindo a localização do êmbolo. Sobre o Ensaio Avalia a dureza superficial do concreto. Pode ser realizada ―in loco‖. Consiste no impacto de uma determinada massa com certa energia cinética na superfície do concreto, sendo medida o retorno da força. Utiliza-se normalmente o Martelo ou Esclerômetro de Schmidt. Martelo de Schmidt Método não destrutivo mais utilizado mundialmente para avaliar o concreto. O Martelo teste bate na superfície e o próprio equipamento mede a recuperação de energia do impacto. Com esse dado, é possível achar a resistência à compressão (valores tabelados). Obtém-se o índice esclerométrico (I.E.) Precisa ser realizado com o martelo, bem calibrado, a 90º de uma superfície plana e lisa, fazendo 12 leituras em cada ponto (descartando a maior e a menor). Dá apenas uma indicação da propriedade de resistência do concreto. Ultrassom O método do ultrassom é baseado no conceito de que a velocidade de um pulso de ondas longitudinais através de um material depende de suas propriedades elásticas e densidade. O instrumento consiste de um gerador e um transmissor para a produção e introdução de um pulso de onda no concreto e de um receptor para detectar a chegada do pulso e medir com exatidão o tempo de trânsito do pulso pelo concreto. No mundo todo há equipamentos portáteis disponíveis para a execução do ensaio de ultrassom em estruturas de concreto (figura 7). No Brasil, o procedimento de ensaio pelo método do ultrassom é estabelecido na NBR 8802:1994. O método do ultrassom pode ser usado para a detecção de defeitos no interior do concreto, bem como de alterações decorrentes da deterioração devido a um ambiente agressivo e a ciclos de gelo-degelo. Além disso, esse método de ensaio possibilita estimar a resistência à compressão do concreto tanto em corpos de prova moldados durante a concretagem, quanto em testemunhos e na própria estrutura (Malhotra & Carino, 2004). Porém, essa estimativa é influenciada por diversos fatores relacionados com a composição (dimensão, granulometria, tipo e teor de agregados), cura do concreto, geometria da peça ensaiada e presença de armadura. Figura 7 - Instrumento utilizado para execução do ensaio de ultrassom em estruturas de concreto (Malhotra & Carino, 2004) Os ensaios de ultrassom realizados no concreto para detectar descontinuidades variam entre 20 kHz e 150 kHz. O equipamento ultrassônico é composto de uma fonte, à qual se conectam dois transdutores, um transmissor e outro receptor. O transmissor emite para dentro da estrutura ondas acústicas com frequência ultrassônica, que são recebidas pelo receptor. A determinação da velocidade de propagação das ondas indica as características do concreto, sendo que, quanto maior for, melhor será a qualidade do material. ―Podemos também associar o conceito de que a velocidade de propagação é maior em um elemento mais íntegro do que naqueles que apresentam descontinuidades internas‖, informa Neris. Método do Ultrassom - NBR-8802/94 : Verificação da Uniformidade e Homogeneidade do concreto através da velocidade das ondas longitudinais. Resultados influenciados pelas propriedades elásticas (granulometria, tipo e teor de agregado) e pela densidade do material. Possibilita estimar resistência à compressão. Permite encontrar defeitos no concreto. Ações de deterioração de um ambiente agressivo e ciclos gelo-degelo. Ensaio não destrutivo de Ultrassom: Parâmetro de medição: Velocidade de onda que percorre na estrutura Vantagem: Relativamente rápido Custo: Moderado Desvantagem: - Dificuldade de um bom acoplamento do transmissor e do receptor à superfície; - Necessidade de graxas ou vaselinas p/ acoplar Medição mais lenta. Velocidade média de propagação depende da Natureza do Material (porosidade, relação a/c, entre outros) Aparelho de Ultrassom O instrumento consiste de um gerador e um transmissor (transdutor piezoelétrico) para a produção de um pulso de onda no concreto e de um receptor para detectar a chegada do pulso e medir com exatidão o tempo de trânsito da onda pelo concreto. Frequência de ondas acima de 20kHz. Resultados encontrados: Falhas internas na concretagem. Profundidade de fissuras. - Porosidade. Monitorar variações ao longo do tempo. Aplicações mais comuns: Pilares, vigas e estacas de concreto; Paredes; Reservatórios de água; Outros. Outras Aplicações: O ensaio não destrutivodo Ultrassom é muito utilizado para se determinar Módulo de Elasticidade de determinado material: Há alguns estudos no Brasil que utilizam esse método para a determinação do Módulo de Elasticidade para vigas de madeira, como espécies de Eucalipto e Pinos. Correlação entre o módulo de elasticidade à flexão e o módulo de elasticidade dinâmico. Ensaio de Resistência à Penetração Para medir a resistência à penetração de concretos, tanto em laboratório quanto em campo, utiliza-se o penetrômetro Windsor. Esse equipamento emprega um dispositivo ativado à base de pólvora (pistola finca-pinos) para disparar um pino constituído de uma liga de elevada dureza contra o concreto (figura 2). O comprimento do pino que fica exposto é uma medida da resistência à penetração do concreto e pode ser relacionada com sua resistência à compressão (Mehta & Monteiro, 2008). Conhecido comercialmente como: Ensaio da Agulha de Windsor. Ensaio do Penetrômetro de Windsor Ensaio da Pistola de Windsor. Desenvolvido na década de 60 - EUA; Correlacionar a resistência à compressão do concreto com a profundidade de penetração do pino. ASTM C803 e BS 1881; Adaptado pelo Engenheiro Pontes Vieira, 1978; Figura 2 - (A) Equipamento penetrômetro Windsor composto pela pistola (1), pino (2), modelo de sonda simples (3) e escala calibrada de profundidade (4); (B) Execução do ensaio de resistência à penetração em uma amostra de concreto (Malhotra & Carino, 2004) Ensaio americano denominado Windsor Probe Não existe norma Brasileira; Como o método de resistência à penetração é basicamente um método de medida da dureza de um material, não se deve esperar que ele resulte em valores absolutos ou precisos da resistência do concreto de uma estrutura. Porém, é utilizado para medir o desenvolvimento de resistência do concreto nas primeiras idades, a fim de se determinar o momento adequado para a remoção de fôrmas (Mehta & Monteiro, 2008). Vantagens e Desvantagens Vantagens: Maior profundidade de análise; Simplicidade e velocidade de execução; Realização sobre formas de madeira; o Medir o desenvolvimento da resistência do concreto nas primeiras idades. Desvantagens Mais caro, quando comparado com o ensaio de esclerometria; O Método Utilização de uma pistola ativada a pólvora (pistola finca-pinos); o No Brasil pistola da marca Walsywa. Disparo de um pino de alta dureza contra uma peça de concreto; A leitura do pino exposto é realizado com um paquímetro, e é possível calcular o valor do pino cravado; O comprimento do pino que fica exposto é uma medida de resistência à compressão (Mehta & Monteiro, 2008); Fatores que Afetam a Resistência à Penetração Resistência do Concreto; o ASTM C308, BS 1881 Tipo de Agregado Graúdo; o ASTM C308, BS 1881 Dimensão Máxima do Agregado; o Evangelista Tipo de Cimento; o Evangelista Tipo de Forma; o ASTM C308 Tipo de Acabamento; o ASTM C30 Ensaio de absorção e permeabilidade do concreto: Com este ensaio é possível medir características importantes do concreto, que são a absorção e a permeabilidade. A absorção é o potencial de sucção dos poros da superfície do concreto, enquanto que a permeabilidade mede o fluxo de um líquido através do material submetido a ação de um gradiente de preção. Para medir o potencial de absorção do concreto é realizado o ensaio de absorção superficial inicial, que correlaciona o fluxo de água na superfície do material pela unidade de área. Os ensaios de absorção envolvem a entrada de um fluido devido à sucção capilar nos poros do concreto, enquanto os ensaios de permeabilidade medem o fluxo de um líquido ou de um gás dentro do concreto sob a ação de um gradiente de pressão (Malhotra & Carino, 2004). Existem diversos métodos de ensaio para medir a sucção capilar, a resistência à penetração de água e a permeabilidade em laboratório, porém, para medida em campo, existem dois métodos básicos (figura 6): o ensaio de absorção superficial inicial (Isat) e o método Figg. No Isat uma coluna de pressão constante é aplicada sobre a superfície do concreto, sendo medida a taxa resultante de fluxo de água pelo material por unidade de área. O método Figg consiste em fazer um furo perpendicular à superfície do concreto e, após o preparo devido, é inserida uma agulha hipodérmica pelo tampão de espuma quando, então, é aplicada uma coluna d'água, sendo medido o volume de água absorvida em um tubo capilar calibrado; para determinar a permeabilidade ao ar substitui-se a seringa por uma bomba a vácuo e um manômetro de pressão (Mehta & Monteiro, 2008). Método da maturidade O método da maturidade é uma técnica não destrutiva para estimar o ganho de resistência do concreto com base no histórico da temperatura desenvolvida durante a cura do material. Os efeitos combinados do tempo e da temperatura sobre o ganho de resistência são quantificados por meio de uma função de maturidade: assume-se que amostras das mesmas misturas de concreto de mesma maturidade atingirão a mesma resistência, independentemente das combinações tempo-temperatura que levam àquela maturidade (Mehta & Monteiro, 2008). As principais aplicações desse método estão relacionadas com o monitoramento do desenvolvimento da resistência à compressão nas idades iniciais do concreto, visando à retirada das fôrmas e do escoramento. Suas limitações devem-se ao fato do ensaio estar relacionado com medições pontuais, sendo que para investigar as variações internas do concreto uma grande quantidade de pontos seria necessária, encarecendo o ensaio (Evangelista, 2002). Método da frequência de ressonância Figura 6 - (A) Configuração do ensaio de absorção superficial inicial (Isat); (B) configuração do método de Figg (Mehta & Monteiro, 2008) Uma propriedade dinâmica importante de qualquer sistema elástico corresponde à sua frequência fundamental de ressonância. Como a frequência fundamental de um material está relacionada principalmente com seu módulo de elasticidade dinâmico e sua densidade, é possível avaliar a integridade de uma estrutura a partir de correlações matemáticas entre eles (Malhotra & Carino, 2004). Embora o equipamento básico e o procedimento de ensaio associados ao método de frequência de ressonância tenham sido normalizados em diversos países e há equipamento de ensaio disponível comercialmente, a utilização desse método é limitada. Diversas tentativas têm sido feitas para se estabelecer relações empíricas entre o módulo de elasticidade dinâmico e a resistência do concreto. Algumas relações obtidas parecem se manter para tipos particulares de concretos, mas há dúvida de que uma relação generalizada qualquer possa ser estabelecida entre as propriedades em questão. Porém, apesar das limitações, a determinação da frequência de ressonância tem sido empregada positivamente no estudo dos efeitos de ciclos de gelo-degelo e de condições ambientais agressivas em amostras de concreto, além da avaliação do dano sofrido pela ação do fogo e da deterioração decorrente da reação álcali-agregado. As vantagens com a utilização desse método se devem ao fato de que sucessivas determinações podem ser realizadas em uma mesma amostra, sendo capaz de identificar, com precisão, as alterações na microestrutura do concreto (Malhotra & Carino, 2004). Termografia infravermelha A termografia infravermelha constitui uma técnica não destrutiva de sensoriamento remoto que tem se mostrado como um método de ensaio eficiente, útil e econômicopara avaliação do concreto. É baseada no princípio fundamental de que anomalias abaixo da superfície dos materiais afetam o fluxo de calor através dos mesmos. Assim, com esse método, é possível detectar, com precisão, grandes defeitos e delaminações no interior de estruturas de concreto, tais como tabuleiros de pontes, pavimentos de estradas, pisos de garagens, pavimentos de estacionamento e muros de arrimo. Como uma técnica de ensaio, destaca-se dentre suas qualidades a precisão, a repetitividade, a economia e a não inconveniência ao público durante a execução do ensaio (Malhotra & Carino, 2004). Métodos de emissão acústica De uma maneira geral, emissões acústicas são definidas como fenômenos em que ondas elásticas transitórias são geradas devido à rápida liberação de energia por fontes localizadas dentro do material, indicando mudanças irreversíveis. No concreto, as emissões acústicas devem- se principalmente à fissuração do concreto, à perda de aderência entre o concreto e a armadura, e à fratura ou descolamento das fibras em concretos reforçados com fibras. As ondas geradas se propagam através do material e sua chegada na superfície pode ser detectada por transdutores piezoelétricos (Malhotra & Carino, 2004). Os métodos de emissão acústica podem ser bastante úteis para a complementação de medidas em laboratório de outras propriedades do concreto, porém sua utilização em campo permanece problemática. Perspectivas para a utilização de método não-destrutivos na construção civil A prática corrente no emprego de ensaios não-destrutivos para se avaliar o desempenho mecânico de uma estrutura de concreto tem sido restrita ao uso do ensaio de dureza superficial e de velocidade de propagação de ondas ultrassônicas. Estas ferramentas permitem analisar a uniformidade da estrutura e orientam a definição dos locais para extração de testemunhos destinados à determinação da resistência à compressão, racionalizando o processo de avaliação. Este procedimento, mesmo que confiável, é lento, de custo elevado, além de causar danos nas estruturas. Nos últimos anos, verificou-se um grande avanço tecnológico na área de medições com auxílio da eletrônica, o que permitiu o desenvolvimento de equipamentos modernos e mais precisos para avaliar as propriedades dos materiais, sem danos ao mesmo. Em paralelo, a construção civil teve um crescimento considerável, com desenvolvimento de novos materiais e aprimoramento das propriedades do concreto. Porém, em função da heterogeneidade do material, as tecnologias mais avançadas de medida de propriedades por técnicas não-destrutivas empregadas em outros materiais não têm sido aplicadas com a eficiência e nem com a freqüência necessárias no campo do concreto. A carência de normalização nacional e internacional correspondente reflete o cenário tecnológico e, ao mesmo tempo, dificulta a sua aplicação na indústria da construção civil. Neste contexto, a equipe do Laboratório de Materiais de Construção Civil do IPT está atuando no âmbito do desenvolvimento de um procedimento para a caracterização de estruturas de concreto por meio de métodos de ensaios não-destrutivos, a fim de definir parâmetros adequados e confiáveis, de avaliação das estruturas. Com isso, prospecta-se contribuir para o estabelecimento de uma metodologia nacional necessária que seja atualizada, otimizada e, na medida do possível, econômica para a caracterização de estruturas de concreto. 6.3 Mecanismos de envelhecimento e deterioração 6.3.1 Generalidades Dentro desse enfoque devem ser considerados, ao menos, os mecanismos de envelhecimento e deterioração da estrutura de concreto, relacionados em 6.3.2 a 6.3.4. 6.3.2 Mecanismos preponderantes de deterioração relativos ao concreto 6.3.2.1 Lixiviação É o mecanismo responsável por dissolver e carrear os compostos hidratados da pasta de cimento por ação de águas puras, carbônicas agressivas, ácidas e outras. Para prevenir sua ocorrência, recomenda-se restringir a fissuração, de forma a minimizar a infiltração de água, e proteger as superfícies expostas com produtos específicos, como os hidrófugos. 6.3.2.2 Expansão por sulfato É expansão por ação de águas e solos que contenham ou estejam contaminados com sulfatos, dando origem a reações expansivas e deletérias com a pasta de cimento hidratado. A prevenção pode ser feita pelo uso de cimento resistente a sulfatos, conforme a ABNT NBR 5737. 6.3.2.3 Reação álcali-agregado É a expansão por ação das reações entre os álcalis do concreto e agregados reativos. O projetista deve identificar no projeto o tipo de elemento estrutural e sua situação quanto à presença de água, bem como deve recomendar as medidas preventivas, quando necessárias, de acordo com a ABNT NBR 15577-1. 6.3.3 Mecanismos preponderantes de deterioração relativos à armadura 6.3.3.1 Despassivação por carbonatação É a despassivação por carbonatação, ou seja, por ação do gás carbônico da atmosfera sobre o aço da armadura. As medidas preventivas consistem em dificultar o ingresso dos agentes agressivos ao interior do concreto. O cobrimento das armaduras e o controle da fissuração minimizam este efeito, sendo recomendável um concreto de baixa porosidade. 6.3.3.2 Despassivação por ação de cloretos Consiste na ruptura local da camada de passivação, causada por elevado teor de íon-cloro. As medidas preventivas consistem em dificultar o ingresso dos agentes agressivos ao interior do concreto.O cobrimento das armaduras e o controle da fissuração minimizam este efeito, sendo recomendável o uso de um concreto de pequena porosidade. O uso de cimento composto com adição de escória ou material pozolânico é também recomendável nestes casos. 6.3.4 Mecanismos de deterioração da estrutura propriamente dita São todos aqueles relacionados às ações mecânicas, movimentações de origem térmica, impactos, ações cíclicas, retração, fluência e relaxação, bem como as diversas ações que autam sobre a estrutura. Sua prevenção requer medidas específicas, que devem ser observadas em projeto, de acordo com esta Norma ou Normas Brasileiras específicas. Alguns exemplos de medidas preventivas são dados a seguir: — barreiras protetoras em pilares (de viadutos pontes e outros) sujeitos a choques mecânicos; — período de cura após a concretagem (para estruturas correntes, ver ABNT NBR 14931); — juntas de dilatação em estruturas sujeitas a variações volumétricas; — isolamentos isotérmicos, em casos específicos, para prevenir patologias devidas a variações térmicas. 6.4 Agressividade do ambiente 6.4.1 A agressividade do meio ambiente está relacionada às ações físicas e químicas que atuam sobre as estruturas de concreto, independentemente das ações mecânicas, das variações volumétricas de origem térmica, da retração hidráulica e outras previstas no dimensionamento das estruturas. 6.4.2 Nos projetos das estruturas correntes, a agressividade ambiental deve ser classificada de acordo com o apresentado na Tabela 6.1 e pode ser avaliada, simplificadamente, segundo as condições de exposição da estrutura ou de suas partes. 6.4.3 O responsável pelo projeto estrutural, de posse de dados relativos ao ambiente em que será construída a estrutura, pode considerar classificação mais agressiva que a estabelecida na Tabela 6.1. 7 Critérios de projeto que visam a durabilidade 7.1 Simbologia específica desta seção De forma a simplificar a compreensão e, portanto, a aplicação dos conceitos estabelecidos nesta Seção, os símbolos mais utilizados, ou que poderiam gerar dúvidas, encontram-se a seguir definidos. A simbologia apresentada nesta seção segue a mesma orientação estabelecida na Seção 4.Dessa forma, os símbolos subscritos têm o mesmo significado que os apresentados em 4.3. cmin – cobrimento mínimo cnom – cobrimento nominal (cobrimento mínimo acrescido da tolerância de execução) UR – umidade relativa do ar ∆c – tolerância de execução para o cobrimento 7.2 Drenagem 7.2.1 Deve ser evitada a presença ou acumulação de água proveniente de chuva ou decorrente de água de limpeza e lavagem, sobre as superfícies das estruturas de concreto. 7.2.2 As superfícies expostas horizontais, como coberturas, pátios, garagens, estacionamentos e outras, devem ser convenientemente drenadas, com a disposição de ralos e condutores. 7.2.3 Todas as juntas de movimento ou de dilatação, em superfícies sujeitas à ação de água, devem ser convenientemente seladas, de forma a tornarem-se estanques à passagem (percolação) de água. 7.2.4 Todos os topos de platibandas e paredes devem ser protegidos. Todos os beirais devem ter pingadeiras e os encontros em diferentes níveis devem ser protegidos por rufos. 7.3 Formas arquitetônicas e estruturais 7.3.1 Disposições arquitetônicas ou construtivas que possam reduzir a durabilidade da estrutura devem ser evitadas. 7.3.2 Deve ser previsto em projeto o acesso para inspeção e manutenção de partes da estrutura com vida útil inferior ao todo, como aparelhos de apoio, caixões, insertos, impermeabilizações e outros. Devem ser previstas aberturas para drenagem e ventilação em elementos estruturais onde há possibilidade de acúmulo de água. 7.4 Qualidade do concreto de cobrimento 7.4.1 Atendidas as demais condições estabelecidas nesta seção, a durabilidade das estruturas é altamente dependente das características do concreto e da espessura e qualidade do concreto do cobrimento da armadura. 7.4.2 Ensaios comprobatórios de desempenho da durabilidade da estrutura frente ao tipo e classe de agressividade prevista em projeto devem estabelecer os parâmetros mínimos a serem atendidos. Na falta destes e devido à existência de uma forte correspondência entre a relação água/cimento e a resistência à compressão do concreto e sua durabilidade, permite-se que sejam adotados os requisitos mínimos expressos na Tabela 7.1 7.4.3 Os requisitos das Tabelas 7.1 e 7.2 são válidos para concretos executados com cimento Portland que atenda, conforme seu tipo e classe, às especificações das ABNT NBR 5732, ABNT NBR 5733, ABNT NBR 5735, ABNT NBR 5736, ABNT NBR 5737, ABNT NBR 11578, ABNT NBR 12989 ou ABNT NBR 13116, com consumos mínimos de cimento por metro cúbico de concreto de acordo com a ABNT NBR 12655. 7.4.4 Não é permitido o uso de aditivos à base de cloreto em estruturas de concreto, devendo ser obedecidos os limites estabelecidos na ABNT NBR 12655. 7.4.5 A proteção das armaduras ativas externas deve ser garantida pela bainha, completada por graute, calda de cimento Portland sem adições ou graxa especialmente formulada para esse fim. 7.4.6 Atenção especial deve ser dedicada à proteção contra corrosão das ancoragens das armaduras ativas. 7.4.7 Para o cobrimento deve ser observado o prescrito em 7.4.7.1 a 7.4.7.7. 7.4.7.1 Para atender aos requisitos estabelecidos nesta Norma, o cobrimento mínimo da armadura é o menor valor que deve ser respeitado ao longo de todo o elemento considerado. Isto constitui um critério de aceitação. 7.4.7.2 Para garantir o cobrimento mínimo (cmín), o projeto e a execução devem considerar o cobrimento nominal (cnom), que é o cobrimento mínimo acrescido da tolerância de execução (∆c). Assim, as dimensões das armaduras e os espaçadores devem respeitar os cobrimentos nominais, estabelecidos na Tabela 7.2, para ∆c = 10 mm. 7.4.7.3 Nas obras correntes, o valor de∆c deve ser maior ou igual a 10 mm. 7.4.7.4 Quando houver um controle adequado de qualidade e limites rígidos de tolerância da variabilidade das medidas durante a execução, pode ser adotado o valor ∆c = 5 mm, mas a exigência de controle rigoroso deve ser explicitada nos desenhos de projeto. Permite-se, então, a redução dos cobrimentos nominais, prescritos na Tabela 7.2, em 5mm. 7.4.7.5 Os cobrimentos nominais e mínimos estão sempre referidos à superfície da armadura externa, em geral à face externa do estribo. O cobrimento nominal de uma determinada barra deve sempre ser: a) cnom ≥ φ barra; b) cnom ≥ φ feixe = φn = φ 𝑛 c) cnom ≥ 0,5 φ bainha. 7.4.7.6 A dimensão máxima característica do agregado graúdo utilizado no concreto não pode superar em 20 % a espessura nominal do cobrimento, ou seja: dmáx ≤ 1,2 cnom Para concretos de classe de resistência superior ao mínimo exigido, os cobrimentos definidos na Tabela 7.2 podem ser reduzidos em até 5mm. 7.5 Detalhamento das armaduras 7.5.1 As barras devem ser dispostas dentro do componente ou elemento estrutural, de modo a permitir e facilitar a boa qualidade das operações de lançamento e adensamento do concreto. 7.5.2 Para garantir um bom adensamento, é necessário prever no detalhamento da disposição das armaduras espaço suficiente para entrada da agulha do vibrador. 7.6 Controle da fissuração 7.6.1 O risco e a evolução da corrosão do aço na região das fissuras de flexão transversais à armadura principal dependem essencialmente da qualidade e da espessura do concreto de cobrimento da armadura. Aberturas características limites de fissuras na superfície do concreto, dadas em 13.4.2, em componentes ou elementos de concreto armado, são satisfatórias para as exigências de durabilidade. 7.6.2 Devido à sua maior sensibilidade à corrosão sob tensão, o controle de fissuras na superfície do concreto na região das armaduras ativas deve obedecer ao disposto em 13.4.2. 7.7 Medidas especiais Em condições de exposição adversas, devem ser tomadas medidas especiais de proteção e conservação do tipo: aplicação de revestimentos hidrofugantes e pinturas impermeabilizantes sobre as superfícies do concreto, revestimentos de argamassas, de cerâmicas ou outros sobre a superfície do concreto, galvanização da armadura, proteção catódica da armadura e outros. 7.8 Inspeção e manutenção preventiva 7.8.1 O conjunto de projetos relativos a uma obra deve orientar-se sob uma estratégia explícita que facilite procedimentos de inspeção e manutenção preventiva da construção. 7.8.2 O manual de utilização, inspeção e manutenção deve ser produzido conforme 25.3. 8.2 Concreto 8.2.1 Classes Esta Norma se aplica aos concretos compreendidos nas classes de resistência dos grupos I e II, da ABNT NBR 8953, até a classe C90. A classe C20, ou superior, se aplica ao concreto com armadura passiva e a classe C25, ou superior, ao concreto com armadura ativa. A classe C15 pode ser usada apenas em obras provisórias ou concreto sem fins estruturais, conforme a ABNT NBR 8953. 8.2.2 Massa específica Esta Norma se aplica aos concretos de massa específica normal, que são aqueles que, depois de secos em estufa, têm massa específica (ρc) compreendida entre 2 000 kg/m 3 e 2 800 kg/m3. Se a massa especifica real não for conhecida, para efeito de cálculo, pode-se adotar para o concreto simples 2400 kg/m3 e para o concreto armado 2500 kg/m3. Quando se conhecer a massa específica do concreto utilizado, pode-se considerar para valor da massa específica do concreto armado aquela do concreto simples acrescida de 100 kg/m3 a 150 kg/m3. 8.2.3 Coeficiente de dilatação térmica Para efeito de análise estrutural, o coeficiente de dilatação térmica pode ser admitido como sendo igual a 10-5/°C. 8.2.4 Resistência à compressão As prescrições desta Norma referem-se à resistência à compressão obtida em ensaios de corpos de prova cilíndricos, moldados segundo a ABNT NBR 5738 e rompidoscomo estabelece a ABNT NBR 5739. Quando não for indicada a idade, as resistências referem-se à idade de 28 dias. A estimativa da resistência à compressão média, fcmj, correspondente a uma resistência fckj especificada, deve ser feita conforme indicado na ABNT NBR 12655. A evolução da resistência à compressão com a idade deve ser obtida por ensaios especialmente executados para tal. Na ausência desses resultados experimentais, pode-se adotar, em caráter orientativo, os valores indicados em 12.3.3. 8.2.5 Resistência à tração A resistência à tração indireta fct,sp e a resistência à tração na flexãofct,f devem ser obtidas em ensaios realizados segundo as ABNT NBR 7222 e ABNT NBR 12142, respectivamente. A resistência à tração direta fct pode ser considerada igual a 0,9fct,sp ou 0,7 fct,f, ou, na falta de ensaios para obtenção de fct,sp e fct,f, pode ser avaliado o seu valor médio ou característico por meio das seguintes equações: fctk,inf = 0,7 fct,m fctk,sup = 1,3 fct,m — para concretos de classes até C50: fct,m = 0,3 fck2/3 — para concretos de classes C55 até C90: fct,m = 2,12 ln (1 + 0,11 fck) onde fct,m e fck são expressos em megapascal (MPa). Sendo Fckj ≥ 7 MPa, estas expressões podem também ser usadas para idades diferentes de 28 dias. 8.2.6 Resistência no estado multiaxial de tensões Estando o concreto submetido às tensões principaisσ3 ≥ σ2 ≥ σ1, deve-se ter: σ1 ≥ – fctk σ3 ≤ fck + 4 σ1 sendo as tensões de compressão consideradas positivas e as de tração negativas, o estado multiaxial de tensões deve ser verificado conforme ilustrado na Figura 8.1 8.2.8 Módulo de elasticidade O módulo de elasticidade (Eci) deve ser obtido segundo o método de ensaio estabelecido na ABNT NBR 8522, sendo considerado nesta Norma o módulo de deformação tangente inicial, obtido aos 28 dias de idade. Quando não forem realizados ensaios, pode-se estimar o valor do módulo de elasticidade inicial usando as expressões a seguir: A deformação elástica do concreto depende da composição do traço do concreto, especialmente da natureza dos agregados. Na avaliação do comportamento de um elemento estrutural ou seção transversal, pode ser dotado módulo de elasticidade único, à tração e à compressão, igual ao módulo de deformação secante Ecs. No cálculo das perdas de protensão, pode ser utilizado em projeto o módulo de elasticidade inicial Eci. O módulo de elasticidade em uma idade menor que 28 dias pode ser avaliado pelas expressões a seguir: 8.2.9 Coeficiente de Poisson e módulo de elasticidade transversal Para tensões de compressão menores que 0,5fc e tensões de tração menores que fct, o coeficiente de Poisson ν pode ser tomado como igual a 0,2 e o módulo de elasticidade transversal Gc igual a Ecs/2,4. 8.2.10 Diagramas tensão-deformação 8.2.10.1 Compressão Para tensões de compressão menores que 0,5fc, pode-se admitir uma relação linear entre tensões e deformações, adotando-se para módulo de elasticidade o valor secante dado pela expressão constante em 8.2.8. Para análises no estado-limite último, podem ser empregados o diagrama tensão-deformação idealizado mostrado na Figura 8.2 ou as simplificações propostas na Seção 17. 8.2.11 Fluência e retração Em casos onde não é necessária grande precisão, os valores finais do coeficiente de fluência ϕ (t∞,t0) e da deformação específica de retração εcs(t∞,t0) do concreto, submetidos a tensões menores que 0,5fc quando do primeiro carregamento, podem ser obtidos, por interpolação linear, a partir da Tabela 8.2. A Tabela 8.2 fornece o valor do coeficiente de fluência ϕ(t∞,t0) e da deformação específica de retração εcs (t∞,t0) em função da umidade média ambiente e da espessura fictícia A2c /u, onde Ac é a área da seção transversal eu é o perímetro da seção em contato com a atmosfera. Os valores desta Tabela são relativos a temperaturas do concreto entre 10 °C e 20 °C, podendo-se, entretanto, admiti-los como válidos para temperaturas entre 0 °C e 40 °C. Esses valores são válidos para concretos plásticos e de cimento Portland comum. Deformações específicas devidas à fluência e à retração mais precisas podem ser calculadas segundo indicação do Anexo A. 8.3 Aço de armadura passiva 8.3.1 Categoria Nos projetos de estruturas de concreto armado deve ser utilizado aço classificado pela ABNT NBR 7480, com o valor característico da resistência de escoamento nas categorias CA-25, CA-50 e CA-60. Os diâmetros e seções transversais nominais devem ser os estabelecidos na ABNT NBR 7480. 8.3.2 Tipo de superfície aderente Os fios e barras podem ser lisos, entalhados ou providos de saliências ou mossas. A configuração e a geometria das saliências ou mossas devem satisfazer também o que é especificado nesta Norma, nas Seções 9 e 23. Para os efeitos desta Norma, a capacidade aderente entre o aço e o concreto está relacionada ao coeficiente η1, cujo valor está estabelecido na Tabela 8.3. 8.3.3 Massa específica Pode-se adotar para a massa específica do aço de armadura passiva o valor de 7 850 kg/m3. 8.3.4 Coeficiente de dilatação térmica O valor de 10-5/°C pode ser considerado para o coeficiente de dilatação térmica do aço, para intervalos de temperatura entre -20 °C e 150 °C. 8.3.5 Módulo de elasticidade Na falta de ensaios ou valores fornecidos pelo fabricante, o módulo de elasticidade do aço pode ser admitido igual a 210 GPa. Este diagrama é válido para intervalos de temperatura entre -20 °C e 150 °C e pode ser aplicado para tração e compressão. 8.3.7 Características de dutilidade Os aços CA-25 e CA-50, que atendam aos valores mínimos de fst/fy e εuk indicados na ABNT NBR 7480, podem ser considerados de alta dutilidade. Os aços CA-60 que obedeçam também às especificações desta Norma podem ser considerados de dutilidade normal. Em ensaios de dobramento a 180°, realizados de acordo com a ABNT NBR 6153 e utilizando os diâmetros de pinos indicados na ABNT NBR 7480, não pode ocorrer ruptura ou fissuração. 8.3.8 Resistência à fadiga Ver 23.5.5. 8.3.9 Soldabilidade Para que um aço seja considerado soldável, sua composição deve obedecer aos limites estabelecidos na ABNT NBR 8965. A emenda de aço soldada deve ser ensaiada à tração segundo a ABNT NBR 8548. A força de ruptura mínima, medida na barra soldada, deve satisfazer o especificado na ABNT NBR 7480, e o alongamento sob carga deve ser tal que não comprometa a dutilidade da armadura. O alongamento total plástico medido na barra soldada deve atender a um mínimo de 2%. 8.4 Aço de armadura ativa 8.4.1 Classificação Os valores de resistência característica à tração, diâmetro e área dos fios e das cordoalhas, bem como a classificação quanto à relaxação, a serem adotados em projeto, são os nominais indicados na ABNT NBR 7482 e na ABNT NBR 7483, respectivamente. 8.4.2 Massa específica Pode-se adotar para a massa específica do aço de armadura ativa o valor 7 850 kg/m3. 8.4.3 Coeficiente de dilatação térmica O valor de 10-5/°C pode ser considerado para coeficiente de dilatação térmica do aço, para intervalos de temperatura entre -20°C e 100°C. 8.4.4 Módulo de elasticidade O valor do módulo de elasticidade deve ser obtido em ensaios ou fornecido pelo fabricante. Na falta de dados específicos, pode-se considerar o valor de 200 GPa para fios e cordoalhas. 8.4.5 Diagrama tensão-deformação, resistência ao escoamento e à tração O diagrama tensão-deformação deve ser fornecido pelo fabricante ou obtido através de ensaios realizados segundo a ABNT NBR 6349. 8.4.6 Características de dutilidade Os fios e cordoalhascujo valor de εuk for maior que o mínimo indicado nas ABNT NBR 7482 e ABNT NBR 7483, respectivamente, podem ser considerados como tendo dutilidade normal. O número mínimo de dobramentos alternados dos fios de protensão, obtidos em ensaios segundo a ABNT NBR 6004, deve atender ao que é indicado na ABNT NBR 7482. 8.4.7 Resistência à fadiga Ver 23.5.5. 8.4.8 Relaxação A relaxação de fios e cordoalhas, após 1 000 h a 20 °C (Ψ1000) e para tensões variando de 0,5fptk a 0,8 fptk, obtida nos ensaios descritos na ABNT NBR 7484, não pode ultrapassar os valores dados nas ABNT NBR 7482 e ABNT NBR 7483, respectivamente. Para efeito de projeto, os valores de Ψ1000 da Tabela 8.4 podem ser adotados. 13.2 Dimensões-limites 13.2.1 Introdução A prescrição de valores-limites mínimos para as dimensões de elementos estruturais de concreto tem como objetivo evitar um desempenho inaceitável para os elementos estruturais e propiciar condições de execução adequadas. 13.2.2 Vigas e vigas-parede A seção transversal das vigas não pode apresentar largura menor que 12 cm e a das vigas- parede, menor que 15 cm. Estes limites podem ser reduzidos, respeitando-se um mínimo absoluto de 10 cm em casos excepcionais, sendo obrigatoriamente respeitadas as seguintes condições: a) alojamento das armaduras e suas interferências com as armaduras de outros elementos estruturais, respeitando os espaçamentos e cobrimentos estabelecidos nesta Norma; b) lançamento e vibração do concreto de acordo com a ABNT NBR 14931. 13.2.3 Pilares e pilares-parede A seção transversal de pilares e pilares-parede maciços, qualquer que seja a sua forma, não pode apresentar dimensão menor que 19 cm. Em casos especiais, permite-se a consideração de dimensões entre 19 cm e 14 cm, desde que se multipliquem os esforços solicitantes de cálculo a serem considerados no dimensionamento por um coeficiente adicional γn, de acordo com o indicado na Tabela 13.1 e na Seção 11. Em qualquer caso, não se permite pilar com seção transversal de área inferior a 360 cm2. Para o projeto das lajes nervuradas, devem ser obedecidas as seguintes condições: a) para lajes com espaçamento entre eixos de nervuras menor ou igual a 65 cm, pode ser dispensada a verificação da flexão da mesa, e para a verificação do cisalhamento da região das nervuras, permite-se a consideração dos critérios de laje; b) para lajes com espaçamento entre eixos de nervuras entre 65 cm e 110 cm, exige-se a verificação da flexão da mesa, e as nervuras devem ser verificadas ao cisalhamento como vigas; permite-se essa verificação como lajes se o espaçamento entre eixos de nervuras for até 90 cm e a largura média das nervuras for maior que 12 cm; c) para lajes nervuradas com espaçamento entre eixos de nervuras maior que110 cm, a mesa deve ser projetada como laje maciça, apoiada na grelha de vigas, respeitando-se os seus limites mínimos de espessura. 13.2.4.3 Lajes pré-moldadas Aplica-se a ABNT NBR 9062. No caso uso de lajes alveolares protendidas, deve ser obedecido o que estabelece a ABNT NBR 14861. 13.2.5 Furos e aberturas Quando forem previstos furos e aberturas em elementos estruturais, seu efeito na resistência e na deformação deve ser verificado e não podem ser ultrapassados os limites previstos nesta Norma, obedecido o disposto em 21.3. De maneira geral os furos têm dimensões pequenas em relação ao elemento estrutural enquanto as aberturas não. Um conjunto de furos muito próximos deve ser tratado como uma abertura. 13.2.5.1 Furos que atravessam vigas na direção de sua largura Em qualquer caso, a distância mínima de um furo à face mais próxima da viga deve ser no mínimo igual a 5 cm e duas vezes o cobrimento previsto para essa face. A seção remanescente nessa região, tendo sido descontada a área ocupada pelo furo, deve ser capaz de resistir aos esforços previstos no cálculo, além de permitir uma boa concretagem. Devem ser respeitadas, simultaneamente, para dispensa da verificação, as seguintes condições: a) furos em zona de tração e a uma distância da face do apoio de no mínimo 2h, onde h é a altura da viga; b) dimensão do furo de no máximo 12 cm e h/3; c) distância entre faces de furos, em um mesmo tramo, de no mínimo 2h; d) cobrimentos suficientes e não seccionamento das armaduras (ver Seção 7). 13.2.5.2 Aberturas que atravessam lajes na direção de sua espessura Em lajes lisas ou lajes-cogumelo, a verificação de resistência e deformação previstas em 13.2.5 deve sempre ser realizada. 13.2.6 Canalizações embutidas Consideram-se canalizações embutidas as que resultem em aberturas segundo o eixo longitudinal de um elemento linear, contidas em um elemento de superfície ou imersas no interior de um elemento de volume. Os elementos estruturais não podem conter canalizações embutidas nos seguintes casos: a) canalizações sem isolamento adequado, quando destinadas à passagem de fluidos com temperatura que se afaste em mais de 15 °C da temperatura ambiente, a menos que seja realizada uma verificação específica do efeito da temperatura; b) canalizações destinadas a suportar pressões internas maiores que 0,3 MPa; c) canalizações embutidas em pilares de concreto, quer imersas no material ou em espaços vazios internos ao elemento estrutural, sem a existência de aberturas para drenagem. 13.4 Controle da fissuração e proteção das armaduras 13.4.1 Introdução A fissuração em elementos estruturais de concreto armado é inevitável, devido à grande variabilidade e à baixa resistência do concreto à tração; mesmo sob as ações de serviço (utilização), valores críticos de tensões de tração são atingidos. Visando obter bom desempenho relacionado à proteção das armaduras quanto à corrosão e à aceitabilidade sensorial dos usuários, busca-se controlar a abertura dessas fissuras. Nas estruturas com armaduras ativas (concreto protendido), existe também, com menor probabilidade, a possibilidade de aparecimento de fissuras. Nesse caso as fissuras podem ser mais nocivas, pois existe a possibilidade de corrosão sob tensão das armaduras. De maneira geral, a presença de fissuras com aberturas que respeitem os limites dados em 13.4.2, em estruturas bem projetadas, construídas e submetidas às cargas previstas na normalização, não implicam em perda de durabilidade ou perda de segurança quanto aos estados-limites últimos. As fissuras podem ainda ocorrer por outras causas, como retração plástica térmica ou devido a reações químicas internas do concreto nas primeiras idades, devendo ser evitadas ou limitadas por cuidados tecnológicos, especialmente na definição do traço e na cura do concreto. 13.4.2 Limites para fissuração e proteção das armaduras quanto à durabilidade A abertura máxima característica wk das fissuras, desde que não exceda valores da ordem de 0,2 mm a 0,4 mm, (conforme Tabela 13.4) sob ação das combinações frequentes, não tem importância significativa na corrosão das armaduras passivas. Como para as armaduras ativas existe a possibilidade de corrosão sob tensão, esses limites devem ser mais restritos e função direta da agressividade do ambiente, dada pela classe de agressividade ambiental (ver Seção 6). Na Tabela 13.4 são dados valores-limites da abertura característica wk das fissuras, assim como outras providências, visando garantir proteção adequada das armaduras quanto à corrosão. Entretanto, devido ao estágio atual dos conhecimentos e da alta variabilidade das grandezas envolvidas, esses limites devem ser vistos apenas como critérios para um projeto adequado de estruturas. Embora as estimativas de abertura de fissuras feitas em 17.3.3.2 devam respeitar esses limites,não se deve esperar que as aberturas de fissuras reais correspondam estritamente aos valores estimados, isto é, fissuras reais podem eventualmente ultrapassar esses limites. 13.4.3 Controle da fissuração quanto à aceitabilidade sensorial e à utilização No caso das fissuras afetarem a funcionalidade da estrutura, como, por exemplo, no caso da estanqueidade de reservatórios, devem ser adotados limites menores para as aberturas das fissuras. Para controles mais efetivos da fissuração nessas estruturas, é conveniente a utilização da protensão. Por controle de fissuração quanto à aceitabilidade sensorial, entende-se a situação em que as fissuras passam a causar desconforto psicológico aos usuários, embora não representem perda de segurança da estrutura. Limites mais severos de aberturas de fissuras podem ser estabelecidos com o contratante. 14.2.2 Premissas necessárias à análise estrutural A análise estrutural deve ser feita a partir de um modelo estrutural adequado ao objetivo da análise. Em um projeto pode ser necessário mais de um modelo para realizar as verificações previstas nesta Norma. O modelo estrutural pode ser idealizado como a composição de elementos estruturais básicos, conforme definido em 14.4, formando sistemas estruturais resistentes que permitam representar de maneira clara todos os caminhos percorridos pelas ações até os apoios da estrutura. No caso de modelos baseados no método dos elementos finitos, diferenças finitas ou analogia de grelha, entre outros, a discretização da estrutura deve ser suficiente para não trazer erros significativos para a análise. O modelo deve representar a geometria dos elementos estruturais, os carregamentos atuantes, as condições de contorno, as características e respostas dos materiais, sempre em função do objetivo específico da análise. A resposta dos materiais pode ser representada por um dos tipos de análise estrutural apresentados em 14.5.1 a 14.5.5. Em casos mais complexos, a interação solo-estrutura deve ser contemplada pelo modelo. No caso de estruturas protendidas, a análise estrutural deve considerar a migração da protensão para elementos adjacentes. Para minimizar tal efeito, pode-se diminuir a rigidez desses elementos ou usar procedimentos construtivos, de modo a garantir a deslocabilidade adequada à realização efetiva da protensão. Análises locais complementares devem ser efetuadas nos casos em que a hipótese da seção plana não se aplica (ver Seções 21 e 22). Análises locais complementares também devem ser efetuadas quando a não linearidade introduzida pela fissuração for importante, como, por exemplo, na avaliação das flechas. 14.2.3 Aplicação dos resultados obtidos com os modelos de análises em regime linear Os resultados obtidos na análise estrutural, particularmente com modelos bi e tridimensionais em elementos finitos, podem ser aplicados em projeto somente em duas situações: a) para a visualização do caminhamento das cargas via, por exemplo, trajetória de tensões principais, separando trechos comprimidos de tracionados, de modo a facilitar a criação de modelos de bielas e tirantes, conforme definido em 21.2; b) para a determinação de esforços solicitantes em elementos estruturais, em geral por integração de campos de tensões. O dimensionamento desses elementos deve ser feito para esses esforços solicitantes pela teoria de concreto estrutural, conforme definido pelos critérios gerais desta Norma, especificamente das Seções 16, 17 e 19, bem como os requisitos de detalhamento das Seções 9, 18 e 20. O dimensionamento das armaduras não pode ser realizado apenas a partir dos esforços ou das tensões resultantes desta análise, por exemplo de tração, numa certa região do modelo.As armaduras devem sempre respeitar as quantidades necessárias, mínimas e máximas exigidas por esta Norma segundo a teoria de concreto estrutural, bem como os critérios de detalhamento prescritos por ela. 14.2.4 Aplicação dos resultados obtidos com os modelos de análises em regime não linear Os resultados obtidos na análise estrutural considerando meios contínuos que representem adequadamente a reologia do concreto e sua interação com a armadura, simulando as não linearidades do concreto (diagrama tensão-deformação e fissuração) e da armadura (diagrama tensão-deformação), podem ser usados para avaliar o desempenho da estrutura em serviço ou mesmo na ruptura. O dimensionamento das armaduras não pode ser realizado apenas a partir dos esforços ou das tensões resultantes desta análise, por exemplo de tração, numa certa região do modelo.As armaduras devem sempre respeitar as quantidades necessárias, mínimas e máximas exigidas por esta Norma segundo a teoria de concreto estrutural, bem como os critérios de detalhamento prescritos por ela. 14.3 Hipóteses básicas 14.3.1 Condições de equilíbrio As condições de equilíbrio devem ser necessariamente respeitadas. As equações de equilíbrio podem ser estabelecidas com base na geometria indeformada da estrutura (teoria de 1ª ordem), exceto nos casos em que os deslocamentos alterem de maneira significativa os esforços internos (teoria de 2ª ordem, ver Seção 15) 14.3.2 Condições de compatibilidade Quando as condições de compatibilidade não forem verificadas no estado-limite considerado, devem ser adotadas medidas que garantam dutilidade adequada da estrutura no estado-limite último, resguardado um desempenho adequado nos estados-limites de serviço. 14.3.3 Carregamento monotônico Admite-se carregamento monotônico até o estado limite considerado, nas estruturas usuais, desde que a resposta a ciclos de carga e descarga, em serviço, não solicite o concreto a tensões de compressão acima de 0,5 fck. 14.4 Elementos estruturais Os elementos estruturais básicos são classificados e definidos de acordo com a sua forma geométrica e a sua função estrutural, conforme 14.4.1 e 14.4.2. 14.4.1 Elementos lineares São aqueles em que o comprimento longitudinal supera em pelo menos três vezes a maior dimensão da seção transversal, sendo também denominados barras. De acordo com a sua função estrutural, recebem as designações definidas em 14.4.1.1 a 14.4.1.4. 14.4.1.1 Vigas Elementos lineares em que a flexão é preponderante. 14.4.1.2 Pilares Elementos lineares de eixo reto, usualmente dispostos na vertical, em que as forças normais de compressão são preponderantes. 14.4.1.3 Tirantes Elementos lineares de eixo reto em que as forças normais de tração são preponderantes. 14.4.1.4 Arcos Elementos lineares curvos em que as forças normais de compressão são preponderantes, agindo ou não simultaneamente com esforços solicitantes de flexão, cujas ações estão contidas em seu plano. 14.4.2 Elementos de superfície Elementos em que uma dimensão, usualmente chamada de espessura, é relativamente pequena em face das demais, podendo receber as designações apresentadas em 14.4.2.1 a 14.4.2.4. 14.4.2.1 Placas Elementos de superfície plana, sujeitos principalmente a ações normais a seu plano. As placas de concreto são usualmente denominadas lajes. Placas com espessura maior que 1/3 do vão devem ser estudadas como placas espessas. 14.4.2.2 Chapas Elementos de superfície plana, sujeitos principalmente a ações contidas em seu plano. As chapas de concreto em que o vão for menor que três vezes a maior dimensão da seção transversal são usualmente denominadas vigas-parede. 14.4.2.3 Cascas Elementos de superfície não plana. 14.4.2.4 Pilares-parede Elementos de superfície plana ou casca cilíndrica, usualmente dispostos na vertical e submetidos preponderantemente à compressão. Podem ser compostos por uma ou mais superfíciesassociadas.Para que se tenha um pilar-parede, em alguma dessas superfícies a menor dimensão deve ser menor que 1/5 da maior, ambas consideradas na seção transversal do elemento estrutural.