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1 
3 - Sondagens rotativas e mistas 
A sondagem rotativa emprega equipamentos e processos que se mostram capazes de perfurar 
materiais impenetráveis para as sondagens à percussão, tais como rochas, pedras (matacões) ou 
outros obstáculos encontrados no subsolo, inclusive concreto. 
São executadas por meio de equipamentos (sondas rotativas), ferramentas e processos a seguir 
apresentados 
 
3.1 – Equipamentos 
 
3.1.1 - Sonda rotativa 
Compreende uma máquina montada sobre chassis de aço apoiado em "esquis" para locomoção, 
dispondo de motor, em geral diesel, acoplado a transmissão em geral formada por embreagem e 
caixa de marchas, que aciona um cabeçote (fuso) composto por engrenagens tipo coroa e pinhão 
que transformam o movimento de rotação de um eixo horizontal num movimento de rotação de 
uma haste vertical que atravessa o referido cabeçote. Existe ainda neste cabeçote, um sistema 
hidráulico que através de pistões permite a movimentação da haste na direção vertical, para cima 
ou para baixo. 
 
3.1.2 - Haste de perfuração 
São hastes cilíndricas de aço, de paredes grossas, disponíveis em diversos diâmetros e 
comprimentos e emendáveis entre si por roscas macho e fêmea. 
 
3.1.3 - Revestimento 
É composto por tubos de aço, de paredes grossas, disponíveis em diversos diâmetros e 
comprimentos e emendáveis entre si por roscas macho e fêmea. Servem para sustentar as paredes 
do furo, sendo mais usualmente empregados nos seguintes diâmetros (a primeira letra indica o 
diâmetro e a segunda o tipo de rosca utilizado) 
 
DESIGNAÇÃO DIÂMETRO (mm) 
BW / BX 73,0 
NW / NX 88,9 
HW / HX 114,3 
 
3.1.4 - Barriletes 
São amostradores de aço, cilíndricos, que conectados na extremidade inferior das hastes servem 
para coletar as amostras (testemunhos) do material perfurado. 
Podem ser de dois tipos: 
- Parede simples: são aqueles nos quais o testemunho fica em contacto direto com a parede externa 
do barrilete, que gira quando da perfuração e a água de limpeza e refrigeração passa entre a 
amostra e a parede. 
- Duplo giratório: são os que dispõe de tubo interno não giratório, preso ao amostrador por 
rolamento, permitindo que o testemunho fique protegido da rotação da parede externa, bem como 
da água de perfuração. 
 
3.1.5 - Coroas 
São ferramentas de corte que vão conectadas à extremidade inferior dos barriletes e que dispõe de 
superfície revestida por material de grande dureza (widia ou diamante) capaz de cortar o material 
perfurado por abrasão. 
 
 
 
 
 
 
2 
3.1.6 - Alargadores ou calibradores 
São peças em formato de luva cilíndrica, dispondo de sua superfície lateral externa revestida por 
diamantes e, que vão intercaladas entre o barrilete e a coroa e servem para calibrar o diâmetro do 
furo executado. 
3.1.7 - Caixa de mola e mola 
Constituem conjunto de peças tronco-cônicas que retêm o testemunho no interior do barrilete. 
3.1.8 - Sapatas 
São ferramentas de corte similares às coroas, utilizadas na extremidade inferior dos revestimentos 
para permitir o corte complementar da rocha, já previamente perfurada pelo barrilete, durante o 
seu avanço. Podem ser também de widia ou diamante 
3.1.9 - Conjunto moto-bomba 
Compreende uma bomba de elevada capacidade de vazão e pressão, em geral de pistão e 
movimentada por motor diesel, responsável pela injeção, através das hastes, da água requerida 
para remoção dos resíduos da perfuração, bem como refrigeração da coroa. 
3.1.10 - Tripé 
Formado por tubos de aço sustenta em seu topo polia através da qual cabo de aço acionado por 
guincho existente na sonda, permite a manipulação das ferramentas de perfuração 
As figuras 13 a 21 a seguir mostram detalhes do equipamento descrito. 
FIGURA 13 - O Equipamento de sondagem rotativa 
 
 
 
3 
 
FIGURA 14 - Foto de uma sonda rotativa 
 
 
 
FIGURA 15 - Foto de uma sonda rotativa com o fuso inclinado para perfuração de tirantes 
 
 
 
 
4 
 
FIGURA 16 - Barrilete simples FIGURA 17 - Barrilete duplo giratório 
 
 FIGURA 18 - Coroa diamantada FIGURA 19 - Coroa de widia 
 
 
 
 
5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 20 - Calibrador ou FIGURA 21 - Calibrador, caixa de mola, mola e coroa 
 Alargador 
 
 
3.2 - Execução da sondagem - Procedimentos 
A execução da sondagem rotativa consiste na perfuração do material através da realização de 
manobras consecutivas, nas quais a composição de perfuração formada pelas hastes e barrilete, 
conectado à sua extremidade inferior, é girada pela sonda, ao mesmo tempo que é empurrada ( 
pull down ) na direção e sentido do furo. Por abrasão, a coroa vai assim cortando o material, sendo 
durante todo o processo, mantida a circulação de água injetada pela bomba, que tem como função 
a remoção dos resíduos oriundos do corte, bem como a refrigeração do sistema. 
O comprimento máximo de cada manobra é limitado pelo comprimento do barrilete, que é em 
geral, de 1,5 a 3,0 m. 
Ao fim de cada manobra o barrilete é alçado do furo e a amostra obtida no seu interior 
(testemunho), é retirada e colocada em caixas especiais com separação e, obedecendo a ordem de 
avanço da perfuração. 
No boletim de campo da sondagem são anotadas as profundidades de início e término das 
manobras e o comprimento dos testemunhos recuperados, medidos na caixa após sua arrumação 
cuidadosa. 
A figura 19 mostra foto de uma caixa de testemunhos. 
Constam ainda do boletim de sondagem as demais informações pertinentes, tais como local da 
obra, número do furo, diâmetros de revestimentos utilizados, número de fragmentos de cada 
amostra, descrição do material perfurado e nível d'água. 
 
3.2.1 - Percentagem de recuperação 
Define-se a percentagem de recuperação de uma amostra como sendo a relação percentual entre 
seu comprimento medido, após arrumação na caixa, e o comprimento da manobra realizada. 
Este índice foi originariamente criado objetivando avaliar a qualidade da rocha. Assim elevadas 
percentagens de recuperação denotariam rochas sãs ou quase sãs, não fraturadas ou pouco 
fraturadas, enquanto que baixos valores indicariam material extremamente alterado ou 
decomposto, extremamente fraturado ou em fragmentos. 
 
 
 
6 
 
 
 FIGURA 22 - Foto de uma caixa de testemunhos 
 
3.2.2 - Rock Quality Designation (RQD) 
Com o desenvolvimento dos barriletes, principalmente após a introdução dos barriletes duplos 
giratórios, onde o testemunho fica totalmente protegido no interior da camisa interna e, assim não 
sujeito à ação destrutiva causada pelo giro da camisa externa, nem em contacto direto com a água 
de perfuração (no barrilete simples tais fatos ocorrem), altas percentagens de recuperação podem 
ser obtidas em rochas de baixa qualidade e, mesmo em solos. Isto veio a tornar a percentagem de 
recuperação um índice, às vezes não adequado, para designar a qualidade da rocha. Foi então 
criado o índice denominado RQD (abreviação de Rock Quality Designation) que é definido como 
a percentagem de recuperação obtida quando se eliminam da amostra as porções de solo e os 
fragmentos de rocha menores que 10cm. 
A figura 23 ilustra tais conceitos. 
 
3.3 - Apresentação dos resultados 
A apresentação dos resultados é feita em perfis análogos aos de sondagens à percussão, onde além 
dos dados referentes à identificação do local, número do furo, data de execução, cota da boca 
quando da execução, posição do nível d'água, são também mostradas as posições (profundidades) 
das diversasmanobras, a classificação do material perfurado, o número de fragmentos de cada 
amostra, sua percentagem de recuperação e seu RQD. 
A classificação do material é, em geral, feita segundo os critérios de sua classificação litológica 
que se baseia na gênese da formação geológica incluindo tipo da rocha ou solo, mineralogia, 
textura, cor, estado de alteração e grau de fraturamento. 
O estado de alteração é bastante subjetivo por expressar a opinão pessoal do classificador, mas, em 
geral, obedece aos seguintes critérios: 
 
 
 
 
7 
 
 FIGURA 23 - Percentagem de recuperação e RQD 
 
 
Extremamente alterado ou decomposto 
O material encontra-se homogeneamente decomposto, podendo, entretanto conter características 
da rocha original tais como xistosidade, planos de fraturamento, diaclasamento, etc. Constitui o 
que normalmente chamamos solo em engenharia 
Muito alterado 
O material apresenta-se predominantemente como o acima descrito, mas contém porções de rocha 
menos alterada. 
Medianamente alterado 
O material é predominantemente pouco alterado ou são, mas contém trechos ou porções 
extremamente alterados. 
Pouco alterado 
A rocha é predominantemente sã mas apresenta descoloração geral, ou, de alguns minerais. 
São ou quase são 
A rocha não apresenta nenhum vestígio de ter sofrido alterações físicas ou químicas dos seus 
minerais. 
O grau de fraturamento é, em geral, expresso pelo número de fragmentos por metro, obtido 
dividindo-se o número de fragmentos obtidos em uma amostra pelo comprimento em metros desta 
amostra. O critério de denominação obedece o exposto na tabela a seguir: 
 
 
 
 
8 
 
Grau de fraturamento Número de fraturas por metro 
Ocasionalmente fraturado 1 
Pouco fraturado 2 a 5 
Medianamente fraturado 6 a 10 
Muito fraturado 11 a 20 
Extremamente fraturado >20 
Em fragmentos Pedaços de diversos tamanhos caoticamente dispersos 
 
 TABELA 2 - Grau de fraturamento 
 
3.4 - Sondagens mistas 
A sondagem mista é aquela realizada com a sonda rotativa, executando-se, nos trechos em solo, a 
amostragem com o amostrador padrão de percussão e o ensaio SPT e, nos trechos em rocha, ou 
material impenetrável, emprega-se os processos de perfuração e amostragem próprios das sondagens 
rotativas. O diâmetro mínimo do furo deverá ser BW ou BX para que o amostrador de percussão possa 
ser utilizado.

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