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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA XX VARA CRIMINAL DO ESTADO DE XX Autos nº. xxxxxxxx TÍCIO, já qualificado nos autos do processo criminal em epígrafe que lhe move o Ministério Publico por suposta infração com base no Artigo 125 do Código Penal. Com base nos artigos 396 e 396-A, ambos do Código de Processo Penal, em atenção ao ato ordinatório de fls.x, vem respeitosamente à presença de Vossa Excelência, por meio de seu advogado infra citado, apresentar ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS nos termos do artigo 403,§ 3º, CPP, pelos fatos e fundamentos que passa a expor: I. FATOS Tício, solidário a gravidez de sua amiga Maria, ofereceu carona á ela após o fim de mais um expediente na empresa em que trabalham juntos. Acontece que Tício, de forma imprudente no caminho de volta, para casa acaba usando de velocidade excessiva, sem ter o devido cuidado, pois queria chegar a tempo de assistir o jogo de futebol do seu time do coração que seria transmitido em rede nacional naquela noite. Assim, Tício, ao fazer uma curva fechada, perdeu o controle do veículo automotor que consequentemente acabou capotando. Os bombeiros que prestaram socorro ao acidente encaminharam Maria para o Hospital mais próximo onde ficou constatado que a ela não havia sofrido qualquer lesão. Contudo, na mesma ocasião constatou-se que a gravidez de Maria havia sido interrompida em razão da violência do acidente automobilístico, conforme comprovou o laudo do Instituto Médico Legal, às fls. 14 dos autos. Por fim, para seu espanto, recebeu a notícia em sua residência, de uma denúncia promovida pelo Ministério Público Estadual, devido ao aborto de Maria. Em alegações finais, o Parquet requer a condenação do Réu, nos termos propostos na exordial, sem ao menos concedê-lo o direito de explanar sobre o erro em que o acometera. Conforme exposto, esta tese não merece continuar, pelos motivos abaixo, vejamos. II. MÉRITO Ao analisar fato que motivou a propositura da referida demanda, interposta pelo Ex. º promotor d se justiça do MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL, pode-se alegar ao Douto Juízo e aos ilustres membros que com põe o Tribunal do Júri que, de fato, ao analisar o artigo 125 do Código Penal, para consumação do referido crime, é imprescindível a conduta dolosa do agente, que, sem consentimento da gestante, provoca aborto na mesma. Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante: Via de consequência, após analisar todos os fatos, pode-se afirmar aos ilustríssimos membros do Júri que e demais membros integram este Tribunal que a conduta do réu ocorreu na modalidade culposa, por tanto, há atipicidade na conduta do agente, tornando a tipificação em que se lastrou esta denúncia, um fato atípico. Por tanto, de acordo com os fatos narrados nesta peça de Alegações finais por Memoriai solicita-se pela consonância, declarando o fato a típico o caso em tela, via de consequência, nos moldes do art. 415, III do Código de Processo Penal, Art. 415. O juiz, fundamentadamente, absolverá desde logo o acusado, quando: II – provado não ser ele autor ou partícipe do fato; Pede-se pela procedência do pedido de ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA do réu, devido não constituir o fato infração penal . III- DO DIREITO O ministério Público Estadual denunciou Tício que ao dar carona a suposta vítima, sob forma imprudente, ao retornar para casa dirigindo seu veículo automotor, imprimiu velocidade excessiva na via, pois queria retornar a sua residência mais cedo, em decorrência do jogo do seu time de coração, quando sem ter a intenção, em uma curva fechada, perdeu o controle da direção vindo a capotar. Fora constatado pelos bombeiros que os socorreram que a vítima não sofrera qualquer lesão, porém em laudo realizado pelo Instituto Médico Legal viera a sofrer aborto em decorrência do acidente. Conforme o Artigo 125 do Código Penal versa que será penalizado aquele que provocar, sem o consentimento da vítima. O aborto tem o tipo subjetivo de crime, sendo somente aceito em sua forma DOLOSA e NUNCA em sua forma culposa. Entendendo assim a jurisprudência: PROCESSUAL PENAL - ABORTO PROVOCADO - AUSÊNCIA DE DOLO - IMPRONÚNCIA - LAUDO ASSINADO POR UM ÚNICO PERITO - POSSIBILIDADE. 1. Diante dos princípios ""pas de nullité sans grief"" e da instrumentalidade das formas, previstos nos artigos 563 e 566, do CPP, não se decreta a nulidade de nenhum ato processual que dele não resulte prejuízo para a acusação ou para a defesa, bem como o que não tenha influído na apuração da verdade substancial ou na decisão da causa. 2. De acordo com a jurisprudência sedimentada nos Tribunais Superiores, bem como na Súmula 28 deste Tribunal, não é nulo o exame pericial realizado por um único perito oficial, pois a exigência de dois peritos aplica-se aos casos em que a perícia for realizada por peritos leigos. 3. Diante da ausência do elemento subjetivo do dolo específico na conduta do agente, denunciado por crime de aborto provocado sem o consentimento da gestante, ainda que o médico faça opção por procedimento pouco recomendável para o caso, não há elementos para se afirmar que agiu dolosamente, com intenção de provocar o aborto da gestante e a morte do feto, impondo-se, nos termos do art. 409, do CPP, a sua impronúncia. Preliminares rejeitadas. Recursos desprovidos. (TJ-MG 104700502364420011 MG 1.0470.05.023644-2/001(1), Relator: ANTÔNIO ARMANDO DOS ANJOS, Data de Julgamento: 04/03/2008, Data de Publicação: 09/04/2008) Tício não teve objetivo de prejudicar ou interromper a gravidez de Maria. Sua intenção foi somente a de, como amigos que eram, dar uma carona e proporcionar maior conforto no retorno do trabalho. Portanto, não havendo o DOLO DIRETO OU EVENTUAL de provocar o acidente e gerar o resultado aborto, torna-se a denúncia do Ministério Público ATÍPICA, na forma do Artigo 415, III DO Código de Processo Penal. IV. PEDIDOS E REQUERIMENTOS Ante o exposto, vem requer a Vossa Excelência: a) Que a presenta peça processual seja JULGADAS PROCEDENTE, absolvendo o Réu das acusações infundadas do Ministério Público, nos termos do art. 397, III, CPC; b) Requer a absolvição do réu, com base no art. 386, III, do CP P, por ausência de tipicidade; f) Requer que as futuras intimações sejam publicadas em nome do Procurador que a esta subscreve, no endereço xxxxxxx, sob pena de tornarem-se nulas. g) A produção de todos os meios de prova em direito admitidas. Pede Deferimento. XXXXXX, 14 de fevereiro de 2017. Advogado OAB XXXX