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Gestão da Inovação Gestão da Inovação Organizado por Universidade Luterana do Brasil Universidade Luterana do Brasil – ULBRA Canoas, RS 2015 Mauro Corte Real Conselho Editorial EAD Andréa de Azevedo Eick Ângela da Rocha Rolla Astomiro Romais Claudiane Ramos Furtado Dóris Gedrat Honor de Almeida Neto Maria Cleidia Klein Oliveira Maria Lizete Schneider Luiz Carlos Specht Filho Vinicius Martins Flores Obra organizada pela Universidade Luterana do Brasil. Informamos que é de inteira responsabilidade dos autores a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem prévia autorização da ULBRA. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei nº 9.610/98 e punido pelo Artigo 184 do Código Penal. ISBN: 978-85-5639-036-3 Dados técnicos do livro Diagramação: Marcelo Ferreira Revisão: Igor Campos Dutra Dados Internacionais de Catalogação na Publicação – CIP Setor de Processamento Técnico da Biblioteca Martinho Lutero – ULBRA/Canoas R288g Real, Mauro Corte Gestão da inovação / Mauro Corte Real ; organizado por Universidade Luterana do Brasil. – Canoas: Ed. ULBRA, 2015. 293 p. : il. 1. Administração - inovação. I. Universidade Luterana do Brasil. II. Título. CDU 658.5 Apresentação O tempo todo existe um enorme somatório de ideias dentro das em-presas, mesmo das consideradas não inovadoras. O problema é de como transformar as ideias em inovação e, por consequência, em resulta- dos econômicos. Esse é um desafio que diz respeito à gestão. A gestão da inovação, objeto deste texto de apoio a esta disciplina. Vivemos hoje uma tendência global da construção de um futuro sus- tentável ancorado em inovação sustentável, inovação em cadeias de valor, operacionalização da extraordinária explosão de informações que constitui o big data, convivendo com a quebra de paradigmas, novos modelos de negócios, a Internet das coisas e a criatividade exponencial e sem limites da tecnologia. A exploração do tema gestão da Inovação, tão atual quanto indispen- sável, é também crítico para o gestor, o administrador, o planejador ou o estrategista das organizações no milênio atual. Nunca, na história da civili- zação dita moderna ou pós-moderna, atual ou contemporânea, o foco na inovação e sua correspondente gestão foi tão premente e relevante. Desenvolvemos nosso aprendizado em dez partes ou capítulos que procuram encaminhar o gestor e a empresa no rumo da inovação, capaz de exercer uma liderança que se fundamente na endogenização do DNA inovador e busque alcançar o crescimento e desenvolvimento novo, sus- tentado e orgânico. Iniciamos por apresentar, na primeira parte, os conceitos introdutórios que devem ser conhecidos para o estudo da gestão da inovação. Come- çando por responder a questão fundamental de o porquê estudar esse tema. Procura-se clarificar a respeito do que seja inovação distinguindo-a da invenção e apresentam-se múltiplos conceitos e ideias sobre a inova- Apresentação v ção, em suas concepções tradicionais e atualizadas, para que o aluno possa estabelecer suas próprias concepções. Conclui-se por apresentar a inovação como processo e o papel das pessoas como a essência do de- senvolvimento de inovações. Em seguida, na segunda parte, trata-se de apresentar os conceitos essenciais de gestão e valor, as funções essenciais de gestão, de obter e gerir informação, comunicação, planejamento, organização, liderança, direção, tomada de decisão e controle. Seguem-se a relação gestão e inovação e conclui-se por apresentar e analisar as relações entre gestão, empreendedorismo e inovação, a partir de um modelo de sistema em que se inserem essas relações. Na terceira parte, trata-se de apresentar, em primeiro lugar, a ideia fundamental da indissociável parceria que caracteriza a inovação e o em- preendedorismo. Caracteriza-se e define-se empreendedorismo como uma atividade conjugada com a inovação. Segue-se apresentando o empre- endedorismo como um processo e o ciclo da inovação na empresa. Na inovação colaborativa, é apresentado o modelo da hélice tríplice: univer- sidade-empresa-governo e os tipos de empreendedorismo, concluindo-se por analisar os pecados mortais da inovação empreendedora. Na parte seguinte, a quarta, são apresentados os conceitos de ca- pacidade, trajetórias e difusão tecnológica aplicada à inovação. Tratam- -se das forças de desenvolvimento que lhes deram origem. Apresentam-se também múltiplos conceitos e ideias sobre a tipologia da inovação, em suas concepções, para que o aluno possa estabelecer sua própria tipo- logia. Há propostas de diversas ordens, categorias ou tipos de inovação, que constituem uma rica e variada tipologia, em acordo com os diversos autores e seus vieses. Cada gestor fará uso das tipologias de acordo com suas necessidades. Na quinta parte, trata-se de apresentar os aspectos legais, mais especi- ficamente as leis relativas à inovação no Brasil. Considerando três vertentes do marco regulatório, apresenta-se em primeiro lugar a enunciação das próprias vertentes e seguem-se as principais leis que constituem esse mar- vi Apresentação co. A Lei da Inovação, A Lei do Bem, a Lei da Propriedade Industrial e A lei dos Direitos Autorais. Espera-se, que o conhecimento dessas leis, ainda que de forma introdutória, seja capaz de situar o administrador/gestor em relação à essência do marco regulatório pertinente à inovação e a sua gestão, em nível nacional. Nesta sexta parte, surgem as diferentes fontes de que se vale a empresa para inovar. Inicialmente, apresentam-se as formas das fontes, começan- do pelo desenvolvimento próprio na área de P&D. A seguir, as formas de aprendizado cumulativo. Seguem-se as fontes interno/externas e as alian- ças estratégicas para apropriar fontes de inovação. Discute-se sobre as diferenças entre as fontes de inovação fechadas e abertas e conclui-se por apresentar a inovação aberta, open innovation, como uma alternativa im- prescindível para ser um player efetivo na arena competitiva de um futuro próximo. Na sétima parte, são apresentadas algumas das ferramentas que au- xiliam o desenvolvimento da gestão da inovação. Inicialmente, são indica- dos os manuais disponíveis sem ônus para baixar, Frascati, Oslo e outros. Segue-se a matriz SWOT que é um ponto de partida estratégico para a gestão da inovação, seguido da Inteligência Competitiva que fornece infor- mação para essa gestão, e o radar da inovação que propicia a avaliação da gestão. Conclui-se com o ciclo de vida e a análise da curva de adoção de inovações de produtos, serviços e processos pelo mercado. Na oitava parte, trata-se de apresentar as relações entre gestão, estra- tégia e inovação. Inicia-se por apresentar os fundamentos da estratégia e propor a formulação de uma arquitetura estratégica da inovação. É feita uma releitura das forças competitivas, estratégias genéricas e estratégias de mercado de Porter, focada nas ordens de inovação que a elas se associam. Segue-se a apresentação do paradigma das organizações que aprendem e conclui-se com a apresentação de um modelo de gestão da inovação e liderança estratégica. Nesta parte, a nona, são apresentados os indicadores de gestão da inovação. Primeiramente, trata-se do BSC – balanced scorecard, uma fer- Apresentação vii ramenta múltipla que, tanto quanto a de identificar indicadores de de- sempenho, mostra-se capaz de promover a integração entre a gestão da inovação e a estratégia na empresa. Procura-se apresentar outras formas de indicador, começando por Indicadores de insumos ou esforços de ino- vação, seguindo com indicadores de produto. Depois de mostrar os Indi- cadores de competência do gestor de inovação, apresenta-seo Innovation Scorecard e conclui-se com um modelo dos Indicadores para avaliação de entrada-processo-saída da gestão de inovação Décima parte. E é chegado o momento de integrar tudo na gestão da inovação. A síntese da gestão, da inovação, do empreendedorismo e da estratégia. Isso será tratado nesta parte. Apresentam-se, em primeiro lugar, princípios da prática da gestão inovadora na empresa. Seguem-se as es- sências dessa prática. Na continuação, são apresentados diversos modelos de gestão da inovação, dos mais diversos autores, inclusive um modelo contemplando uma rede social corporativa. Finalmente, conclui-se o texto com um desafio. O importante, o fundamental, é ter foco na inovação. E isso não sig- nifica apenas falar sobre, constar nas missões das empresas, nos seus pla- nejamentos. Significa, isso sim, se posicionar, preparar e agir para ter a inovação no “core” da organização. No foco da gestão da inovação está a oportunidade. A oportunidade empreendedora. A gestão estratégica da inovação é um processo estrutura- do e contínuo que possibilita que uma organização vislumbre novas formas de criar valor e de antever demandas e tendências sociais e tecnológicas. As organizações estão percebendo que investimentos e esforços em prol da inovação e sustentabilidade resultam em redução de custos, au- mento de receita, market share, vantagem competitiva e, consequentemen- te, no aumento da lucratividade. Bom estudo, com inovação e sustentabilidade. Mauro Corte Real 1 Conceitos Introdutórios .........................................................1 2 Inovação e Gestão ..............................................................26 3 Empreendedorismo e Inovação ...........................................51 4 Tipologia da Inovação.........................................................79 5 Aspectos Legais sobre a Inovação .....................................101 6 Fontes de Inovação na Empresa ........................................132 7 Ferramentas da Gestão da Inovação .................................157 8 Inovação e Estratégia ........................................................190 9 Indicadores de Gestão da Inovação ..................................218 10 Prática da Gestão da Inovação na Empresa .......................250 Sumário Capítulo 1 Conceitos Introdutórios 1 Mauro Corte Real é professor dos Cursos de Administração e Graduação Tecno- lógica da ULBRA. Mestre em Administração com ênfase em Tecnologia e Produção pela Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Foi bolsista do CNPq e da FAPERGS como pesquisador assistente, Diretor da Diretoria de Ciências da SEC-RS, do Museu Riograndense de Ciências Naturais, do Grupo Habitasul e da Demanda Propaganda. Criou e coordenou o Projeto de Visão/Planejamento Estratégico do Centro de Excelência Empresarial – CENEX, foi CLO – Chief Learning Office da Datasul Brasil, foi também diretor de empresas de turismo, hotéis e prestadoras de serviço. É autor de diversos livros entre os quais “Perfil da Indústria Brasileira de Biotecnologia Focado nas Relações com o Mer- cado”, “Marketing de Tecnologia para Empresas de Base Tecnológica”, “Gestão Empresarial”, “Paris Gourmet” e “O Ritual do Vinho”. Mauro Corte Real1 2 Gestão da Inovação Introdução Neste capítulo, trata-se de apresentar os conceitos introdutó- rios que devem ser conhecidos para o estudo da gestão da inovação. Inicia-se por responder a questão fundamental do porquê estudar este tema. Procura-se clarificar a respeito do que seja inovação, distinguindo-a da invenção, e apresentam- -se múltiplos conceitos e ideias sobre a inovação, em suas concepções tradicionais e atualizadas, para que o leitor possa estabelecer suas próprias concepções. Conclui-se por apre- sentar a inovação como processo e o papel das pessoas como a essência do desenvolvimento de inovações. 1 Por que estudar gestão da inovação? Introdução Gestão da inovação ou gestão para a inovação? Podemos considerar que, no contexto atual, ambas as expressões repre- sentam o mesmo conceito. O importante, o fundamental, é ter foco na inovação. E isso não significa apenas falar sobre, constar nas missões das empresas, nos seus planejamentos. Significa, isso sim, se posicionar, preparar e agir para ter a inovação no “core” da organização. Por que estudar gestão da inovação? Simplesmente devi- do ao fato de as organizações que não inovarem, terão sua continuidade, sua sobrevivência ameaçada. “Estacionarão” no mercado “comerão poeira” das inovadoras, ficarão para Capítulo 1 Conceitos Introdutórios 3 trás, perdendo competitividade, reduzindo sua lucratividade, resultando inviáveis. Não se trata de inovar esporadicamente, mas de inovar continuamente. Aprender a inovar, incorporar a inovação à sua estratégia, ao seu dia a dia, à sua cultura organizacional, ao seu DNA corporativo. Isso independente do tamanho da organização, do tamanho da empresa. Sejam grandes ou pe- quenas, com ou sem fins lucrativos, empresas de negócios ou instituições sociais, ONGS ou sociedades. Existem razões de sobra para estudar gestão da inovação ou para a inovação. E isso não é apenas uma opinião isolada ou pessoal. Está muito mais para uma posição lúcida, objetiva, racional e coerente. Trata-se de “pensar o futuro”. De pensar em sobrevivência com competitividade e resultado. Hamel & Prahalad (1995) já afirmaram, em sua premonitó- ria lucidez, tratar-se de uma realidade competitiva emergente na qual uma empresa incapaz de imaginar o futuro, preparan- do-se para tal, não estará lá para desfrutar dele. Por outro lado, “o termo inovação virou palavra da moda. Essa palavra ganhou até mesmo as páginas dos jornais menos especializados e, com isso, virou chavão. O termo inovação virou tábua de salvação” (Zawislak in Trott, 2008). Por que estudar a inovação? Simplesmente por interesse da empresa. Por que a empresa quer crescer no longo prazo, como empresa, e ver o seu lucro líquido também crescer. 4 Gestão da Inovação O imperativo da inovação é conduzir o crescimento de longo prazo da receita e do lucro líquido da empresa. (Davila et al., 2007, p. 25). E o resultado empresarial é a sobrevivência com competi- tividade. 2 O que é inovação? Um dos temas mais discutidos é sobre qual a diferença fun- damental entre invenção e inovação? De uma maneira geral, a ideia de inovação está associada a “novidade, renovação”, enquanto a invenção está associada a “criação, descoberta”. Essa pergunta não é fácil de responder, e muita gente confun- de uma e outra. Para deixar bem claro:  Invenção é a geração de uma ideia, que poderá re- sultar em um produto ou serviço. Ela está associada à criação, à invenção, à descoberta, ao invento, indepen- dentemente de sua viabilidade.  Inovação é a conversão da ideia gerada em negócio. Ela está ligada à novidade viável, prática e economica- mente, à renovação, à mudança. Isso pode ser melhor compreendido por meio de uma equação sintetizada na seguinte fórmula: Capítulo 1 Conceitos Introdutórios 5 Inovação = invenção + exploração econômica Uma outra forma de ver a relação entre ideia e invenção é a Barbieri; Cajazeira e Álvares (2009), em sua obra “Gestão de ideias para inovação contínua”, comentam que a inovação é definida pela seguinte equação: Inovação = ideia + implementação + resultados Ao contrário das simples invenções, as inovações devem ter valor de troca e conhecimento socioeconômico, não bas- tando o simples valor de uso. Viabilidade econômica. Isso é essencial. Inovação é uma palavra da moda, ou melhor, inovação é uma palavra que está sempre na moda. (Fleury in Tigre, 2014 p. xiii). Considera-se que, de uma maneira geral, a ideia de ino- vação está associada à de“novidade, renovação”. Muitos são os conceitos relativos à inovação conforme sejam focados os diversos campos dos negócios e da administração em geral e do marketing. Autores referem que esse conceito abrange um conjunto de realidades complexas e multiformes, com contor- nos imprecisos, e que inovação deve ter um sentido amplo, considerando as que ocorrem ao nível dos produtos e serviços, mas também ao nível das rotinas, procedimentos e processos (Freitas & Lesca, 1992). 6 Gestão da Inovação Considerando que as organizações se inserem em um am- biente concorrencial, em que buscam a capacidade de expan- são de mercados, Schumpeter (1961) refere que a competição envolve necessariamente a mudança técnica, as variações de qualidade, os esforços de vendas e a apropriação do conhe- cimento, premiando a empresa com a sua permanência no mercado. Para o autor, a inovação possui características eco- nômicas e o seu sucesso depende do mercado, e a inovação é entendida como um conhecimento aplicado aos produ- tos e processos que são transferidos, comercializados ou incorporados à produção. É através dessa forma de ver as coisas que “a inovação passa a se tornar elemento endóge- no ao sistema econômico, transformando-se no motor de sua evolução” (Cruz, 1988, p. 444). Considerando que toda a empresa atua no mercado, e se analisarmos o foco do marketing, a inovação pode ser vista como a criação e a introdução de soluções originais para as necessidades que tenham sido ou que possam ser identificadas. Ou ainda como “produto, serviço ou ideia que é percebida como algo novo pelos consumidores” (Toffler & Imber, 1994, p. 277). Essa também é a visão de Ko- tler (2000) e pode ser percebida como uma combinação origi- nal entre necessidades constatadas, a filosofia de satisfazê-las, os ingredientes necessários para tal fim, as tecnologias e os meios viabilizadores. Além do foco mercadológico, a inovação é vista desde o foco competitivo. Porter (1991), partindo da competitividade, refere que, entre os processos evolutivos importantes das orga- nizações, se encontram a inovação do produto, no marketing Capítulo 1 Conceitos Introdutórios 7 e no processo. Em outro trabalho, considera também Porter (1992) que a inovação é importante se afetar a vantagem competitiva, o que ocorre por meio da interferência da inova- ção na cadeia de valor. Com uma abordagem relativa, a gestão, Zawislak (1995) refere que o processo de inovação se acha inserido em um processo mais amplo de solução de problemas, no qual se dá a inversão do mecanismo usual, adotando-se um processo de resolução e até mesmo de previsão de problemas. E, ao contrário de simples invenções, as inovações devem ter valor de troca e reconhecimento socioeconômico, não bastando o simples valor de uso. Conclui por definir as condicionantes do processo inventivo: aceitação social, valor de troca e viabilida- de econômica. O fato econômico no processo inovativo é também ressal- tado por Barbieri (1990) que refere que a inovação se confi- gura como a invenção aplicada, a sua transformação em algo comercializável (produtos, serviços, processos), constituindo-se em um fato simultaneamente técnico e econômico. 3 Múltiplos conceitos de inovação Byrd & Brown (2003) consideram a inovação como a com- binação entre a criatividade e a tomada de risco. Em suma, inovação não é apenas algo novo. É algo novo que traz resul- tados para a empresa. 8 Gestão da Inovação Scherer & Carlomagno (2009, p. 8) afirmam que, para que uma empresa se desenvolva, cresça e reforce sua posição competitiva, ela precisa incorporar a inovação a sua fisiologia. E isso ocorre de acordo com três pontos: 1. A inovação deve ser um processo continuado e não episó- dico. 2. A inovação deve ser um processo gerenciado. 3. A indução e a gestão da inovação devem ser feitas por métodos e ferramentas específicas. Segundo Coral et al. (2009, p. 3), o manual de Oslo apre- senta o seguinte conceito de inovação: “Uma inovação é a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações ex- ternas.” “A temática da inovação sempre acompanhou a humani- dade. Contudo, recentemente, a necessidade de inovar e ca- racterizar o que é novo – e também como se faz isso – ganhou dimensão mundial. Governos, academia e iniciativa privada passaram a tratar este tema com muita ênfase.” (Coral et al. 2009). Foi Peter Drucker quem chamou a atenção do mundo para a importância contemporânea da inovação, conjuntamente com o foco no empreendedorismo, em seu livro Inovação e es- Capítulo 1 Conceitos Introdutórios 9 pírito empreendedor: prática e princípios, publicado em 1986 e até hoje referência oportuna e essencial (Drucker, 1986). Complementarmente, o autor publicou artigo na Harward Business Review, novembro-dezembro de 1998, com o título “The Discipline of Innovation” (Drucker, 1998). O autor trata de inovação como o ato que contempla os recursos com a nova capacidade de criar riqueza. A inovação não precisa ser técnica, não precisa sequer ser uma “coisa”. Poucas inovações técnicas podem competir em impacto com inovações sociais, como o jornal, o seguro, as compras a prazo, o hospital, a administração, a própria pesquisa cien- tífica. Segundo Drucker (1986, p. 43-44): “inovação, portanto, é um termo econômico ou social, mais que técnico. Ela pode ser definida como podendo mudar o rendimento dos recursos. Ou ela pode ser definida em termos de demanda em vez de termos de oferta, isto é, como capaz de mudar o valor e a sa- tisfação obtidos pelo consumidor”. Na sequência, afirma que “é a mudança o que sempre proporciona a oportunidade para o novo e o diferente” (p. 45). Drucker, citado em Barbieri et al. (2009, p. ix), define que “a inovação sistemática consiste na busca deliberada e organi- zada de mudanças e na análise sistemática das oportunidades que tais mudanças podem oferecer para a inovação econô- mica ou social”. Tidd et al. (2008), em sua obra indispensável Gestão da inovação, também citam Drucker, considerando-o pioneiro, autor de grande valor, mais visionário que empírico, atribuindo-lhe o mérito de implantar um marco indiscutível. 10 Gestão da Inovação Davila et al. (2008, p. 25), em sua obra As regras da ino- vação: como gerenciar, como medir e como lucrar, citam Dru- cker, explicando que “inovação é o esforço para criar mudan- ças objetivamente focadas no potencial econômico ou social de um empreendimento”. Ainda sintetizam a inovação em uma expressão de gran- de força: inovação é o poder de redefinir a indústria. Essa afirmação tem um significado extraordinário. Não é apenas a oportunidade de crescer e sobreviver, mas, também, a de influenciar decisivamente os rumos da indústria em que se insere. E continuam afirmando que o imperativo da inovação é conduzir o crescimento de longo prazo da receita e do lucro líquido. Indiscutivelmente, Peter Drucker foi um grande pensador, um inovador e um empreendedor invulgar, senão único, re- lativo às inteligências da área da gestão universal. A partir de sua base, muitos outros contribuíram para a compreensão do “conceito inovador”. Outros autores referem a definição da IBM para inovação: “capacidade de criar novo valor na intersecção entre negócios e tecnologia” (Davila et al. 2008, p. 49). “Num mundo que muda de forma cada vez mais acelerada, a inovação é a única segurança contra a irrelevância.” (Hamel, 2000) Capítulo 1 Conceitos Introdutórios 11 O Manual de Oslo apresenta como definição de inovação o seguinte texto: Uma inovação é a implementação de um produto (bem ouserviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, na or- ganização do local de trabalho ou nas relações externas. (Coral et al., 2009, p. 3) Já Tidd et al. (2008, p. 23-24) referem que: A inovação é movida pela habilidade de estabelecer re- lações, detectar oportunidades e tirar proveito das mes- mas. A inovação não consiste apenas na abertura de novos mercados – pode também significar novas formas de servir a mercados já estabelecidos e maduros. A tec- nologia sempre desempenha um papel fundamental na disponibilização de opções radicalmente novas. No ou- tro extremo da balança tecnológica, há espaço para a inovação incremental, a melhoria de um produto antigo, um serviço ou processo usual. Gary Hamel foi um professor da London Business School que tornou-se colaborador da Harvard Business Review, revista destinada a gestores – e não a acadêmicos. Mudou-se para o Vale do Silício motivado a ajudar as empresas a inventar novas práticas gerenciais, que considerava serem críticas na nova economia. Em 2000, publicou “Liderando a revolução”, um livro tão revolucionário quanto o próprio autor, que queria confrontar o conservacionismo da estratégia até então disse- 12 Gestão da Inovação minada na academia. Hamel (2000, p. 37) focou na verdadei- ra inovação com a seguinte afirmação: “É impossível corresponder às expectativas crescentes dos investidores sem de fato criar nova riqueza. Para criar nova riqueza, é preciso inovar – de maneira que os concorrentes não consigam imitar. E a inovação não é algo que se compre como ‘produto de prateleira’, nas mesmas empresas de consultoria obsoletas e ofe- gantes dos concorrentes. A maioria das empresas que empolgaram os investidores são verdadeiras inovado- ras. Elas criaram novos setores, novos produtos, novos serviços, tudo com fundamento em novos modelos de negócio.” A vantagem competitiva podia advir de tamanho ou patri- mônio, entre outros fatores, mas está gradativamente mudan- do em favor das organizações que mobilizam conhecimento e avanços tecnológicos e concebem a criação de novidades em suas ofertas de produtos e serviços, bem como nas for- mas como criam e lançam essas ofertas. Tal forma de obter vantagem competitiva parece se apresentar como o motor da economia moderna, transformando ideias e conhecimento em produtos e serviços (Tidd et al., 2008). Segundo Andreassi (2007), definir inovação no contexto empresarial não é simples, e cada publicação apresenta expli- cações distintas, mas que, de certa forma, não são totalmente excludentes. Capítulo 1 Conceitos Introdutórios 13 Voltando a Tidd et al. (2008, p. 25): “As pesquisas sugerem que há uma forte correlação entre o desempenho mercadológico e a inserção nesse mer- cado de novos produtos ou serviços. Produtos e serviços novos permitem capturar e reter novas fatias de mercado, além de aumentar a lucratividade em tais mercados. No caso dos produtos mais maduros e estabelecidos, o cres- cimento da competitividade nas vendas é o resultado não apenas da capacidade de oferecer preços mais baixos, mas também de uma infinidade de fatores não econômi- cos: modelo, customização e qualidade.” Foster (1988) afirmava que inovação não deixa de ser uma disputa pelo mercado, entre inovadores ou seguidores atacan- tes, ambos tentando ganhar dinheiro por meio da mudança, e líderes defensores, esses protegendo seu fluxo de caixa. Ora, em um mundo em que o ciclo de vida dos produtos é cada vez menor, afirmam Tidd et al. (2008), a capacidade de substituir produtos por versões mais modernas, com frequência é cada vez mais importante. E também competir com o tem- po, não somente introduzir novos produtos no mercado, como também fazê-lo mais rapidamente que seus concorrentes. Hoje, na “sociedade do conhecimento”, acontecem grandes mudanças nos espaços sociais, econômicos e produtivos, tornan- do-se o conhecimento o principal fator de produção e interferin- do diretamente no desenvolvimento das organizações, empresas, corporações e até mesmo dos países (Calle et al. 2008). “O desenvolvimento de novos produtos é uma capaci- dade importante, pois o meio ambiente está constantemente 14 Gestão da Inovação mudando. Alternâncias no campo econômico, mudanças na legislação, aumento nas exigências para produtos ecologica- mente orientados”, afirmam Tidd et al. (2008, p. 25). E continuam (p. 26): “enquanto os novos produtos são en- carados como líderes de inovação no mercado, a inovação de processos desempenha um papel estratégico também impor- tante. Conseguir fazer algo que ninguém mais pode, ou fazê- -lo melhor do que os outros, é uma vantagem significativa.” A inovação também pode ainda ser atingida pelo reposi- cionamento da percepção de uma ideia, produto, serviço ou processo já estabelecidos em um contexto de uso específico. Scherer & Carlomagno (2009, p. 7) referem que “diversos autores desenvolveram as ideias de Schumpeter e, como con- sequência, proliferaram definições de inovação, ampliando ou restringindo o conceito originalmente desenvolvido”. Os mesmos autores definem inovação de uma forma extre- mamente ilustrativa, citando diversos autores. Organizamos as definições de forma separada (os grifos são nossos) por con- siderarmos que cada uma delas apresenta um foco ou forma que merece uma atenção especial (p. 7-8):  “Inovação é um processo que envolve geração, adoção, implementação e incorporação de novas ideias, práticas ou artefatos dentro da organização”.  “Inovação como o reconhecimento de oportunidades até sua adoção na prática”. Capítulo 1 Conceitos Introdutórios 15  “Inovação como um processo que fornece valor adicio- nado e um nível de novidade para a organização e para seus fornecedores e clientes através do desenvolvimento de novos procedimentos, soluções, produtos e serviços e também novos métodos de comercialização”.  “Inovação é a combinação entre a criatividade e a to- mada de risco”. Quando se trata de definições ou conceitos de inovação, um autor e seus colaboradores vêm fazendo contribuições re- centes e importantes. Trata-se de Christensen (1997) que apre- sentou, em diversas obras, o que Tidd et al. (2008) chamam de “teoria da inovação de ruptura”. Mais adiante, Christensen (2007) define inovação de uma forma sintética e objetiva: “Tudo aquilo que cria novos recur- sos, processos ou valores, ou amplia recursos, processos ou valores de uma empresa existente”. 4 Processo e pessoas na inovação Mas pensar a inovação como simplesmente um conjunto de ações não corresponde à realidade. Como bem o disse Araújo et al. (2013, p. 3): A inovação pode ser compreendida como um processo que se desenvolve ao longo do tempo, consistindo em uma série de ações e decisões. 16 Gestão da Inovação Mesmo compreendendo a inovação como um processo, não devemos esquecer que a raiz da inovação está nas pessoas. Como bem o disse Vasconcelos in Barbieri et al. (2009, p. ix): Os personagens principais das organizações inovadoras são as pessoas. São elas que apresentam ideias, compartilham conhe- cimento, constituem o ambiente inovador e, em última análise, conduzem o processo de inovação. Segundo Gibson (2008), se analisarmos a maioria dos exemplos de inovação, veremos que as inovações têm em co- mum a observação do mundo pelas pessoas, sob novas pers- pectivas, o que o autor chama de “lentes diferentes”. Muitas vezes, um modo alternativo de ver as coisas, que permite ver o inusitado mesmo no familiar. Assim explicou as “quatro lentes perspectivas” em que os inovadores, pessoas, tiveram os seus insights. I - Desafiando ortodoxias: II - Tirando proveito de descontinuidades: III - Alavancando competênciase qualidades estratégicas: IV - Entendendo necessidades não articuladas: questionando dogmas a respeito do que impulsiona o sucesso. identificando padrões despercebidos que poderiam mudar significativamente as regras do jogo. vendo as empresas como um portfolio e não como um fornecedor de produtos ou serviços. desenvolvendo empatia com sentimentos não articulados e identificando necessidades não atendidas. Figura 1 As quatro lentes. Fonte: quatro lentes perspectivas em que os inovadores tiveram os seus insights (inspirado em Gibson, 2008, p. 44). Capítulo 1 Conceitos Introdutórios 17 Recapitulando Estuda-se gestão da inovação simplesmente devido ao fato de as organizações que não inovarem, terão sua continuidade, sua sobrevivência ameaçada. “Estacionarão” no mercado, fi- carão para trás, perdendo competitividade, reduzindo sua lu- cratividade, resultando inviáveis. O imperativo da inovação é conduzir o crescimento de longo prazo da receita e do lucro líquido da empresa. E o resultado empresarial é a sobrevivên- cia com competitividade. Por que inovação? Invenção é a geração de uma ideia, que poderá resultar em um produto ou serviço. Inovação é a conversão da ideia gerada em negócio. Inovação é invenção mais exploração econômica. Inovação é ideia mais implemen- tação e consequente resultado. Inovação é uma palavra da moda, ou melhor, inovação é uma palavra que está sempre na moda. A inovação é entendi- da como um conhecimento aplicado aos produtos e processos que são transferidos, comercializados ou incorporados à pro- dução. A inovação pode ser vista como a criação e a introdu- ção de soluções originais para as necessidades que tenham sido ou que possam ser identificadas. Produto, serviço ou ideia que é percebida como algo novo pelos consumidores. A inovação como a combinação entre a criatividade e a tomada de risco. Uma inovação é a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhora- do, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, na or- ganização do local de trabalho ou nas relações externas. Tudo 18 Gestão da Inovação aquilo que cria novos recursos, processos ou valores, ou am- plia recursos, processos ou valores de uma empresa existente. Inovação é um termo econômico ou social, mais que técni- co. Ela pode ser definida como podendo mudar o rendimento dos recursos. Ou ela pode ser definida em termos de demanda em vez de termos de oferta, isto é, como capaz de mudar o valor e a satisfação obtidos pelo consumidor. A inovação siste- mática consiste na busca deliberada e organizada de mudan- ças e na análise sistemática das oportunidades que tais mu- danças podem oferecer para a inovação econômica ou social. Inovação é o poder de redefinir a indústria, não é apenas a oportunidade de crescer e sobreviver, mas, também, a de influenciar decisivamente os rumos da indústria em que se in- sere. O imperativo da inovação é conduzir o crescimento de longo prazo da receita e do lucro líquido. Capacidade de criar novo valor na intersecção entre negócios e tecnologia. Em um mundo que muda de forma cada vez mais acelerada, a inova- ção é a única segurança contra a irrelevância. Uma inovação é a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um pro- cesso, ou um novo método de marketing, ou um novo méto- do organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas. Forma de ob- ter vantagem competitiva se apresentando como o motor da economia moderna, transformando ideias e conhecimento em produtos e serviços. A inovação não deixa de ser uma disputa pelo mercado, entre inovadores ou seguidores atacantes, am- bos tentando ganhar dinheiro por meio da mudança, e líderes defensores, esses protegendo seu fluxo de caixa. Capítulo 1 Conceitos Introdutórios 19 Enquanto os novos produtos são encarados como líderes de inovação no mercado, a inovação de processos desempe- nha um papel estratégico também importante. Conseguir fazer algo que ninguém mais pode, ou fazê-lo melhor do que os outros é uma vantagem significativa. A inovação pode ser compreendida como um processo que se desenvolve ao longo do tempo, consistindo em uma série de ações e decisões. As personagens principais das organizações inovadoras são as pessoas, que apresentam ideias, comparti- lham conhecimento, constituem o ambiente inovador e condu- zem o processo de inovação. As inovações tem em comum a observação do mundo pelas pessoas, sob novas perspectivas: desafiando ortodoxias; tirando proveito de descontinuidades; alavancando competências e qualidades estratégicas; enten- dendo necessidades não articuladas. Referências ANDREASSI, Tales. Gestão da inovação tecnológica. São Paulo: Thomson, 2007. ARAUJO, Luis César G. de; CARMO, Maria Scartel do: MA- TESCO, Karen. Ações estratégicas: desafios e caminhos para a gestão contemporânea. São Paulo: Atlas, 2013. BARBIERI, José Carlos; ALVARES, Antonio Carlos Teixeira; CA- JAZEIRA, Jorge Emanuel Reis. Gestão de ideias para ino- vação contínua. 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( ) Invenção é a conversão da ideia gerada em negócio. Ela está ligada à novidade viável, prática e economi- camente, à renovação, à mudança. ( ) Inovação é a conversão da ideia gerada em negócio. Ela está ligada à novidade viável, prática e economi- camente, à renovação, à mudança. ( ) Inovação e invenção são a mesma coisa. 2) Sobre o conceito de inovação de acordo com Schumpeter, assinale somente uma assertiva como verdadeira. ( ) A inovação é entendida como um prática aplicada aos produtos e de processos que são transferidos, comer- cializados ou incorporados à produção. ( ) A inovação é entendida como um conhecimento apli- cado aos produtos e processos que não são transferi- dos, comercializados ou incorporados à produção. ( ) A inovação é entendida como um conhecimento apli- cado aos produtos e processos que são transferidos, comercializados ou incorporados à produção. 24 Gestão da Inovação ( ) A inovação é entendida como um conhecimento apli- cado aos produtos e processos que são transferidos, comercializados ou não incorporados à produção. ( ) Nenhuma das assertivas é verdadeira. 3) Sobre o que afirmou Drucker relativamente à inovação, assinale somente as assertivas verdadeiras. ( ) Inovação é um termo técnico ou social, mais que eco- nômico. ( ) A inovação sistemática consiste na busca deliberada e organizada de mudanças e na análise sistemática das oportunidades que tais mudanças podem oferecer. ( ) A inovação intuitiva consiste na busca deliberada e or- ganizada de mudanças e na análise sistemática das oportunidades que tais mudanças podem oferecer. ( ) Inovação é um termo econômico ou social, mais que técnico. ( ) Nenhuma das assertivas é verdadeira. 4) Sobre inovação, processo e pessoas, assinale somente as alternativas verdadeiras. ( ) A inovação pode ser compreendida como um proces- so que se desenvolve ao longo do tempo, consistindo em uma série de suposições e decisões. ( ) Os personagens principais das organizações inovado- ras são as pessoas. São elas que apresentam ideias, compartilham conhecimento, constituem o ambiente Capítulo 1 Conceitos Introdutórios 25 inovador e, em última análise, conduzem o processo de inovação. ( ) A inovação pode ser compreendida como um proces- so que se desenvolve ao longo do tempo, consistindo em uma série de ações e decisões. ( ) Pensar a inovação como simplesmente um conjunto de ações corresponde à realidade. ( ) Todas as assertivas são verdadeiras. 5) Sobre as quatro lentes perspectivas em que os inovadores têm os seus insights, assinale a resposta verdadeira. ( ) Desafiando heterodoxias; tirando proveito de desconti- nuidades; alavancando competências e qualidades es- tratégicas; entendendo necessidades não articuladas. ( ) Nenhuma das assertivas é verdadeira. ( ) Desafiando ortodoxias; tirando proveito de continuida- des; alavancando competências e qualidades estraté- gicas; entendendo necessidades não articuladas. ( ) Desafiando ortodoxias; tirando proveito de desconti- nuidades; alavancando competências e qualidades táticas; entendendo necessidades não articuladas. ( ) Desafiando ortodoxias; tirando proveito de desconti- nuidades; alavancando competências e qualidades es- tratégicas; entendendo necessidades não articuladas. Mauro Corte Real1 Capítulo 2 Inovação e Gestão 1 Mauro Corte Real é professor dos Cursos de Administração e Graduação Tecno- lógica da ULBRA. Mestre em Administração com ênfase em Tecnologia e Produção pela Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Foi bolsista do CNPq e da FAPERGS como pesquisador assistente, Diretor da Diretoria de Ciências da SEC-RS, do Museu Riograndense de Ciências Naturais, do Grupo Habitasul e da Demanda Propaganda. Criou e coordenou o Projeto de Visão/Planejamento Estratégico do Centro de Excelência Empresarial – CENEX, foi CLO – Chief Learning Office da Datasul Brasil, foi também diretor de empresas de turismo, hotéis e prestadoras de serviço. É autor de diversos livros entre os quais “Perfil da Indústria Brasileira de Biotecnologia Focado nas Relações com o Mer- cado”, “Marketing de Tecnologia para Empresas de Base Tecnológica”, “Gestão Empresarial”, “Paris Gourmet” e “O Ritual do Vinho”. Capítulo 2 Inovação e Gestão 27 Introdução Neste capítulo, trata-se de apresentar os conceitos essenciais de gestão e valor, as funções essenciais de gestão, de obter e gerir informação, comunicação, planejamento, organização, liderança, direção, tomada de decisão e controle. Seguem- -se a relação gestão e inovação e conclui-se por apresentar e analisar as relações entre gestão, empreendedorismo e ino- vação, a partir de um modelo de sistema em que se inserem essas relações. 1 O que é gestão? Nas últimas décadas, a gestão descobriu sua verdadeira ca- pacidade, a de transformar complexidade e especialização em desempenho. O gênio real da gestão está em converter a complexidade e a especialização em desempenho. A função da gestão é construir organizações que funcionem (Magretta, 2002). Gestão significa gerenciamento, administração. Originá- ria do latim gestione, a palavra se refere ao ato de gerir, gerenciar, administrar. Portanto, o mesmo que administração (Ferreira, 2008). Gestão pode ser considerada a mais im- portante combinação de técnica, tecnologia, ciência, arte e disciplina para buscar o sucesso empresarial na atualidade. Por outro lado Magretta (2002) reflete sobre o mesmo tema e conclui: “Por que trabalhamos juntos e como o fazemos? 28 Gestão da Inovação Gestão é a disciplina que torna possível o desempenho con- junto”. Com que objetivos se pratica tudo isso no ato de gerir ou administrar? Existe um sentido para tudo isso. Exatamente o de realizar os objetivos da empresa. Daft (2007) disse muito pro- priamente que gestão ou administração é a realização dos objetivos organizacionais de uma forma eficaz e eficiente por meio das funções administrativas essenciais. Atingir, alcançar ou realizar os objetivos de forma eficaz e eficiente implica compreender bem o sentido desses dois ter- mos que são tão parecidos (semanticamente) e tão diferentes (objetivamente).  A eficácia se refere ao desempenho, ao atingimento efetivo dos resultados. A eficácia organizacional é o grau no qual uma empresa alcança um objetivo estipu- lado. Significa que a organização é bem-sucedida no alcance daquilo que querrealizar. A organização atinge os resultados programados.  A eficiência se refere à qualidade das ações e dos re- cursos utilizados para atingir o objetivo estipulado. É o fazer de forma bem feita. É o atingir os objetivos bem. A melhoria da qualidade, o aumento da produtividade e a otimização de recursos e processos é eficiência. E como isso é feito? Praticando as funções essenciais de gestão. Capítulo 2 Inovação e Gestão 29 2 Funções essenciais da gestão As funções essenciais de gestão são (Real, 2006):  Obter e gerir informações  Comunicar  Planejar  Organizar  Liderar  Dirigir, tomar decisões, executar  Controlar Obter e gerir informações Obter e gerir informações. “Saber”. Essa é a matéria-prima essencial para a gestão. É a principal ferramenta de gestão. Não há gestão possível sem informação. E informações não são dados recolhidos e caoticamente justapostos, montanhas de dados agrupados ou empilhados. Informações são dados com significação: dados organizados, estruturados, em fun- ção das informações que deles devam ser extraídas. É eviden- te que nós precisamos organizar e preparar os dados para obter informações. E, a partir desses dados, geri-las de forma a que elas suportem, subsidiem e potencializem a nossa ação de gestão. Há muitas formas de organizar as informações. Pode ser um SIG ou SI, que são nada mais do que sistemas de infor- 30 Gestão da Inovação mações gerenciais, de gestão ou de informações executivas, procedimentos para reunir, classificar, analisar, avaliar e dis- tribuir informações necessárias, oportunas e precisas para os tomadores de decisões, os gestores (Kotler, 2000). Trata-se de uma função contínua e voltada para o futuro. A TI, a tecnologia da informação, desenvolveu sistemas e softwares para a coleta e extração de dados ou organização de informações, que facilitam muito a vida do gestor. São co- nhecidos e utilizados pela maioria das médias e grandes em- presas os sistemas ERP – Enterprise Resource Planing, softwa- res de informações, planejamento, direção e controle, também chamados de softwares de gestão. Comunicar O gestor observa o tempo todo, ouve tudo o que consegue, e fala o tempo necessário e suficiente. A comunicação está por toda parte e tudo é comunicação: gestão é comunicação, o gestor é um comunicador, pois a comunicação, a boa co- municação, facilita tudo, aumenta a eficiência e a eficácia da empresa. O gestor é um comunicador que recebe informações exter- nas à empresa, recebe informações internas, dissemina inter- namente as informações externas e internas necessárias à boa gestão e serve como porta-voz da empresa para o externo da mesma e, quando conveniente, comunica externamente. No diagrama a seguir, o gestor-comunicador: Capítulo 2 Inovação e Gestão 31 Informações externas Informações e representação externa Disseminação de informações Utilização da informação GESTOR COMUNICADOR EXTERN A M EN TE TE IN TERN A M EN TE TE Figura 1 O Gestor Comunicador. Fonte: adaptado de Real, 2006. Planejar Planejar é utilizar um método para dirigir, coordenar e con- trolar o futuro. Planejar significa definir objetivos ou metas e a forma de alcançá-los, a seleção de objetivos e a maneira de realizá-los. Os objetivos são futuro e, por isso, o planejamen- to define onde a empresa deseja estar no futuro. Planejamen- to significa definir objetivos ou metas para o desempenho organizacional futuro e decidir sobre as tarefas, as ações e o uso dos recursos necessários para a sua realização (Daft, 2007). Podemos considerar que os aspectos centrais do planeja- mento são (autor citado) os apresentados no diagrama que segue: 32 Gestão da Inovação PL A N EJ A M EN TO EX EC U Ç Ã O ESTABELECER OBJETIVOS DEFINIR CURSOS DE AÇÃO DETERMINAR NECESSIDADE DE RECURSOS ESTABELECER TEMPOS PARA ATINGIR OS OBJETIVOS Figura 2 Diagrama dos aspectos centrais do planejamento. Fonte: original do autor, 2014. Ao conjunto de medidas prioritárias e suficientes para se atingir a meta ou objetivos, dá-se o nome de plano (Falconi, 1996). O plano é o documento formal do planejamento. É ele que contém as medidas para monitorar o que acontece do planejado e verificar se o planejamento atingiu o seu objetivo. Pensa-se o planejamento, escreve-se o plano. O planejamento não é uma camisa de força, mas uma antecipação de futuros possíveis e a forma de influir neles. O planejamento é a principal ferramenta de sinergia na empre- sa. Ele começa por ser uma abordagem disciplinada de como atingir os objetivos e chega a uma ação coordenada de várias pessoas, áreas ou unidades empresariais. Coordenação é a relação entre elementos que funcionam de forma articulada dentro de uma totalidade ordenada (Ferreira, 1999). Capítulo 2 Inovação e Gestão 33 Organizar Toda a empresa caracteriza-se por um padrão de tarefas inter- -relacionadas, que é essencial ao seu funcionamento eficiente. Essa organização identificável consiste em uma rede ou cadeia relativamente estável de interligações entre pessoas e o traba- lho que realiza a empresa (Wagner III et al., 2000). Uma organização é um arranjo sistemático de duas ou mais pessoas que cumprem papéis distintos e formais e com- partilham objetivo comum (Robbins, 2008). A organização acompanha o planejamento e reflete o esforço da empresa em preparar-se para realizar seus planos. A função organização envolve (Daft, 2007):  Designação de tarefas.  Agrupamento de tarefas em unidades operacionais.  Alocação de recursos nessas unidades.  Designação de responsabilidades para a execução das tarefas das unidades. A organização é intencionalmente construída e reconstruída, a fim de realizar seus planos para atingir objetivos específicos. Liderar O sucesso das empresas na arena competitiva do milênio de- manda mais do que um bom sistema de informações, um bom planejamento, uma boa organização eficientemente coorde- nada. Os desafios nos negócios empresariais integram estra- 34 Gestão da Inovação tégia e coordenação, envolvem mais do que a empresa, o am- biente, as variáveis externas, a inteligência competitiva. Nesse cenário, a eficácia da gestão depende mais da liderança dos gestores que da eficiência dos sistemas organizacionais. A liderança efetiva é um indicador básico da excelência do comportamento humano dentro das organizações (Cury, 1994). Liderança é o uso da influência para motivar os funcio- nários a atingirem as metas organizacionais. De acordo com Daft (2007), liderar: “Significa criar uma cultura e sistema de valores comuns à em- presa, transmitir a todos a ideia dos objetivos e metas e incutir ou despertar neles o desejo de se empenhar em um nível mais elevado, motivando-os.” Líder é aquele que conduz os demais, não importa o cargo ou função que teórica ou formalmente ocupe – trata-se de um reconhecimento tácito da competência do líder por parte dos liderados. Visto de outra forma, o líder consegue influenciar os liderados, motivando-os e moldando culturas, bem como transmitindo o conhecimento e conduzindo-os na consecução dos objetivos comuns. Ele consegue transmitir sua visão para toda a empresa e estimular seus liderados à ação. Capítulo 2 Inovação e Gestão 35 Dirigir, tomar decisões, executar Dirigir é tomar decisões. Os gestores passam o tempo todo tomando decisões. Uma decisão é uma escolha feita dentre as alternativas disponíveis ou imagináveis. A escolha é apenas uma parte da tomada de decisão. A tomada de decisão é o processo de identificar problemasou oportunidades e então resolvê-los. Envolve certeza, risco, incerteza e ambiguidade. Informações adequadas podem re- duzir riscos e incertezas. Segundo Daft (2007), independentemente do modelo de- cisório que tenha sido seguido pelo gestor, ele passará suces- sivamente pelas seguintes etapas: 1. Reconhecimento da necessidade. 2. Diagnóstico e análise das causas. 3. Desenvolvimento de alternativas. 4. Escolha da alternativa desejada. 5. Implementação da alternativa escolhida. 6. Avaliação e feedback. “Nenhuma estratégia produz resultados, a menos que seja convertida em ações específicas.” Bossidy & Charan (2002). E, continuam esses autores, não menos importante, proces- sos que são executados – não só planejados e organizados, liderados. O grande desafio das empresas é fazer acontecer, gestão é execução. 36 Gestão da Inovação Controlar Controlar é o conjunto de procedimentos formais baseados na informação utilizada pelos gestores para manter ou alterar padrões em atividades organizacionais (Hitt et al., 2002). É monitorar as atividades e ações do planejamento para verifi- car se o programado está sendo feito no tempo, por quem de direito e na forma adequada. mensurar, monitorar as atividades da empresa em seu ambiente possíveis desvios relativamente aos objetivos, metas, planos de ação e desempenho das funções da organização corretivamente, tomando as decisões necessárias, em tempo hábil, no sentido de garantir o atingimento dos objetivos empresariais OBSERVAR VERIFICAR ATUAR Figura 3 As funções do controle. Fonte: inspirado em Daft, 2007. Os gestores precisam certificar-se o tempo todo de que a empresa esteja caminhando rumo aos seus objetivos e metas e de que irá alcançá-los. “Controlar é reduzir ao mínimo o grau de incerteza de que os objetivos da empresa serão alcança- dos.” (Daft, 2007). Capítulo 2 Inovação e Gestão 37 Antigamente, todo o controle era centralizado. Hoje, as empresas vêm evoluindo para a diluição e disseminação do controle por toda a empresa: todos são controladores. Todos velam pelo cumprimento dos objetivos e metas e pela realiza- ção das ações que os garantam. 3 Gestão da inovação Quando tratamos de gestão da inovação, tratamos de um pro- cesso que tem foco na inovação e que busca a inovação. Tem a inovação como escopo. Mas não deixa de ser gestão e, como tal pratica as suas funções essenciais. Quadro 1 Funções essenciais da gestão da inovação  OBTER E GERIR INFORMAÇÕES PARA INOVAR  COMUNICAR PARA INOVAR  PLANEJAR PARA INOVAR  ORGANIZAR PARA CHEGAR À INOVAÇÃO  LIDERAR PARA A INOVAÇÃO  DIRIGIR, TOMAR DECISÕES, EXECUTAR PARA INOVAR  CONTROLAR PARA CHEGAR À INOVAÇÃO Fonte: original do autor, 2014. Mas se a gestão é o alcançar os objetivos empresariais, o que representam esses objetivos ou o que é representado por eles? Valor. Em nenhum tempo da história se tratou tanto desse conceito. Estamos vivendo a “Era do Valor”. E nenhum conceito é mais importante, associado à gestão, do que ele. 38 Gestão da Inovação Pois gestão é atingir objetivos e estes são criar, desenvolver ou agregar valor a uma organização. Criando ou agregando valor ao seu negócio, você tem as referências práticas para traduzir a exigência do cliente por maior valor em novas e eficazes fontes de vantagem competi- tiva (Thucker, 1999). Vantagem competitiva é uma estratégia que gera valor, e que sua empresa consegue praticar com competência maior do que os concorrentes, sendo difícil ou muito dispendiosa de ser imitada (Hisrich, 2002). No mundo empresarial de hoje, a criação e a manutenção de vantagem competitiva pode significar diferença entre a vida e a morte de uma organização (Wagner III, 2000). A inovação consegue criar ou agregar valor aos produtos, serviços ou processos da empresa, apropriando uma vantagem competitiva. E, dessa forma, garantindo a competitividade, a permanência da empresa no mercado, a sua sustentabilidade. “Hoje, para ser competitivo em qualquer mercado ou situação social, é preciso inovar”. (Zogbi, 2008, p. 2) Como isso pode ser visualizado em um diagrama? RESULTA EM INOVAÇÃO VANTAGEM COMPETITIVA DESENVOLVE VALOR GESTÃO DA INOVAÇÃO SUSTENTABILIDADE Figura 4 Da gestão à sustentabilidade. Fonte: original do autor, 2014. Capítulo 2 Inovação e Gestão 39 E a sustentabilidade? Toda a organização atual visa a sus- tentabilidade. O termo vem do latim sustentare, cujo significado é a ati- tude de sustentar, apoiar, conservar. Existem três braços ou subsistemas que são conhecidos como os “pilares da sustenta- bilidade”, formando uma espécie de tripé. O conjunto consti- tui o sistema da sustentabilidade. No caso da empresa, não é diferente. Os pilares são: eco- nômico, social e ambiental. Para que a empresa tenha pereni- dade, é preciso que seja sustentável nesses três pilares. Veja- mos brevemente cada um deles:  Sustentabilidade econômica – competência geren- cial, maximização do retorno do capital do investidor, empreendedor, lucratividade, crescimento econômico.  Sustentabilidade social – cidadania, geração de em- prego socialmente justo, responsabilidade social, saúde, ética.  Sustentabilidade ambiental – preservação ambiental, ecoeficiência, energias renováveis. A inovação pode propiciar vantagens competitivas para a organização nos três pilares. Ela pode e deve visar a susten- tabilidade da empresa, gerando ganhos econômicos, sociais e ambientais. A inovação na empresa é hoje a maior garantia de sustentabilidade. 40 Gestão da Inovação 4 Relações gestão, empreendedorismo e inovação Existe uma profunda relação entre a gestão com a inovação e a atividade empreendedora. A empresa domina a variável tecnoló- gica quando ela internaliza o processo de inovação, administra a função de P&D e promove o espírito empreendedor. Bungelman & Maidique (1988) afirmam que a atividade empreendedora é um elemento fundamental no processo de inovação. E propõem um modelo originário de Kosnik & Poel das relações entre os conceitos-chave concernentes à inovação e a gestão. O modelo, que é apresentado a seguir, integra os pres- supostos básicos da gestão da inovação que desenvolvemos nesta disciplina. Mundo técnico Empreendedorismo Mundo comercial Capacidades administrativas Resultados Atividades Invenções / descobertas Tecnologias Novos produtos/ serviços e sistemas de produção/entrega Invenções / descobertas Pensadores experimen- tadores Atividades de pesquisa científica Atividades de desenvolvimen- to tecnológico Atividades de desenvolvimen- to de produto / processo Atividades de desenvolvimen- to do mercado Figura 5 Modelo de sistema de relações entre gestão e inovação. Fonte: Kosnik & Poel, in Burgelman & Maidique. Strategic management of tech- nology and inovation, Illinois: Irwin, 1988, p. 33. Capítulo 2 Inovação e Gestão 41 De acordo com Real (2002, p. 27-26, de sua Disserta- ção de Mestrado), no desenho são evidentes as relações entre o mundo teórico e o mundo comercial que se integram no papel da atividade empreendedora (entrepreneurship). Dessa atividade, associando, e a partir das capacidades de gestão competente, se configuram os resultados em termos de inven- ções/descobertas científicas, desenvolvimento de tecnologias, criação de novos produtos/processos e sistema de produção e entrega (distribuição e logística), em atendimento às necessi- dades do mercado. Para o atingimento desses resultados, são relacionadas as atividades concernentes a invenções e descobertas, que são as de “pensar” (thinkering) e “experimentar”, bem como as ati- vidades de pesquisa científica. As concernentes a tecnologias queconsistem nas atividades de desenvolvimento tecnológico. As concernentes a novos produtos/serviços e aos sistemas de logística e distribuição, constituídas por atividades de desen- volvimento de produtos e processos, e as concernentes às ne- cessidades do mercado, constituídas do desenvolvimento das atividades de relações com o mercado. Todas essas atividades se relacionam, como pode ser vis- to nas múltiplas flechas que indicam esse relacionamento no modelo. A necessidade de um relacionamento intenso entre as diferentes áreas da organização visando à potencialização de sua eficácia é também referida por Vasconcelos (1992) e Figueiredo (1993). As iniciativas bem-sucedidas empresarial- mente, apresentam a constante caracterizada por “uma cultu- ra empreendedora que assegure uma disposição e uma per- 42 Gestão da Inovação cepção voltadas às inovações e oportunidades” (Cerantola, 1991, p. 255). Recapitulando O gênio real da gestão está em converter a complexidade e a especialização em desempenho. Gestão ou administração é a realização dos objetivos organizacionais de uma forma eficaz e eficiente por meio das funções administrativas essenciais. As funções essenciais de gestão são: obter e gerir informações; comunicar; planejar; organizar; liderar; dirigir, tomar decisões, executar; controlar. Obter e gerir informações é a matéria-prima essencial para a gestão, a principal ferramenta. Não há gestão possível sem informação. Há muitas formas de organizar as informações. Pode ser um SIG ou SI, ou softwares de gestão como o ERP. O gestor é um comunicador que recebe informações ex- ternas à empresa, recebe informações internas, dissemina in- ternamente as informações externas e internas necessárias à boa gestão e serve como porta-voz da empresa e, quando conveniente, comunica externamente. Planejar é utilizar um método para dirigir, coordenar e con- trolar o futuro. Planejar significa definir objetivos e a forma de alcançá-los, a seleção de objetivos e a maneira de realizá- -los. Os objetivos são futuro e, por isso, o planejamento define onde a empresa deseja estar no futuro. Planejamento significa definir objetivos para o desempenho organizacional e decidir Capítulo 2 Inovação e Gestão 43 sobre as tarefas, as ações e o uso dos recursos necessários para a sua realização. Uma organização é um arranjo sistemático de duas ou mais pessoas que cumprem papéis distintos e formais e com- partilham objetivo comum. A organização acompanha o pla- nejamento e reflete o esforço da empresa em preparar-se para realizar seus planos. A organização envolve: designação de tarefas; agrupamento de tarefas em unidades operacionais; alocação de recursos nessas unidades; designação de respon- sabilidades para a execução das tarefas das unidades. A eficácia da gestão depende mais da liderança dos ges- tores que da eficiência dos sistemas organizacionais. A lide- rança efetiva, dinâmica e racional é um indicador básico da excelência do comportamento humano dentro das organiza- ções. Liderar significa criar uma cultura e sistema de valores comuns à empresa, transmitir a todos a ideia dos objetivos e metas e incutir ou despertar neles o desejo de se empenhar em um nível mais elevado, motivando-os. Visto de outra for- ma, o líder consegue influenciar os liderados, motivando-os e moldando culturas, bem como transmitindo o conhecimento e conduzindo-os na consecução dos objetivos comuns. Ele con- segue transmitir sua visão para toda a empresa e estimular seus liderados à ação. Dirigir é tomar decisões. Os gestores passam o tempo todo tomando decisões. Uma decisão é uma escolha feita dentre as alternativas disponíveis ou imagináveis. A decisão segue as se- guintes etapas: reconhecimento da necessidade; diagnóstico e análise das causas; desenvolvimento de alternativas; escolha 44 Gestão da Inovação da alternativa desejada; implementação da alternativa escolhi- da; avaliação e feedback. Controlar é o conjunto de procedimentos formais baseados na informação utilizados pelos gestores para manter ou alterar padrões em atividades organizacionais. É monitorar as ativida- des e ações do planejamento para verificar se o programado está sendo feito no tempo, por quem de direito e na forma adequada, de forma a reduzir ao mínimo o grau de incerteza de que os objetivos da empresa serão alcançados. Quando tratamos de gestão da inovação, tratamos de um processo que tem foco na inovação e que busca a inovação. Tem a inovação como escopo. Mas não deixa de ser gestão e, como tal, pratica as suas funções essenciais. Estamos vivendo a “Era do Valor”. E nenhum conceito é mais importante, associado à gestão do que ele. Pois gestão é atingir objetivos e estes são criar, desenvolver ou agregar valor a uma organização. A inovação consegue criar ou agregar valor aos produtos, serviços ou processos da empresa, apro- priando uma vantagem competitiva. E, dessa forma, garan- tindo a competitividade, a permanência da empresa no mer- cado, a sua sustentabilidade. Hoje, para ser competitivo em qualquer mercado ou situação social, é preciso inovar. Toda a organização atual visa a sustentabilidade, cujo significado é a atitude de sustentar, apoiar, conservar. Exis- tem três subsistemas que são conhecidos como os pilares da sustentabilidade. O conjunto constitui o sistema da sus- tentabilidade: econômica, social e ambiental. A inovação Capítulo 2 Inovação e Gestão 45 pode propiciar vantagens competitivas para a organização nos três pilares. Ela pode e deve visar a sustentabilidade da empresa, gerando ganhos econômicos, sociais e ambien- tais. A inovação na empresa é hoje a maior garantia de sustentabilidade. Existe uma profunda relação entre a gestão com a inova- ção e a atividade empreendedora. A empresa domina a variá- vel tecnológica quando ela internaliza o processo de inovação, administra a função de P&D e promove o espírito empreende- dor. A atividade empreendedora é um elemento fundamental no processo de inovação. O modelo de Kosnik & Poel ilustra as relações entre os conceitos-chave concernentes à inovação e à gestão. 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( ) Gestão pode ser considerada a mais importante com- binação de técnica, tecnologia, ciência, não arte e disciplina, para buscar o sucesso empresarial na atua- lidade. 2) Sobre informação e comunicação, assinale somente uma assertiva como verdadeira. ( ) Nenhuma das assertivas é verdadeira. ( ) Dados são informações com significação: informações organizadas, estruturadas, em função dos dados que delas devam ser extraídas. ( ) O gestor é um gestor, não um comunicador; uma coi- sa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. ( ) Os sistemas de informações gerenciais, de gestão ou de informações executivas, são procedimentos para reunir e classificar, não para analisar, avaliar e dis- tribuir informações necessárias, oportunas e precisas para os tomadores de decisões. Capítulo 2 Inovação e Gestão 49 ( ) Informações são dados com significação: dados orga- nizados, estruturados, em função das informações que deles devam ser extraídas. 3) Sobre planejamento, assinale as assertivas verdadeiras. ( ) Os aspectos centrais do planejamento são: estabele- cer objetivos, definir cursos de ação, determinar neces- sidades de recursos, estabelecer tempos para atingir os objetivos. ( ) Ao conjunto de medidas prioritárias e suficientes para se atingir a meta ou objetivos, dá-se o nome de plano. ( ) O plano é o documento informal do planejamento. ( ) O planejamento é uma camisa de força, mas uma antecipação de futuros possíveis e a forma de influir neles. ( ) Nenhuma das assertivas é verdadeira. 4) Sobre liderança, assinale somente as alternativas verda- deiras. ( ) A liderança efetiva não é um indicador básico da ex- celência do comportamento humano dentro das orga- nizações. ( ) Liderar significa criar uma cultura e sistema de valores comuns à empresa, transmitir a todos a ideia dos obje- tivos e metas e incutir ou despertar neles o desejo de se empenhar em um nível mais elevado, motivando-os. 50 Gestão da Inovação ( ) O líder consegue influenciar os liderados, motivando- -os e moldando culturas, bem como transmitindo o co- nhecimento e conduzindo-os na consecução dos ob- jetivos comuns. Ele consegue transmitir sua visão para toda a empresa e estimular seus liderados à ação. ( ) Liderança é o uso da influência para motivar os funcio- nários a atingirem as metas organizacionais. ( ) Todas as assertivas anteriores são verdadeiras. 5) Sobre controle, assinale a resposta verdadeira. ( ) Controlar é o conjunto de procedimentos informais baseados na informação utilizados pelos gestores para manter ou alterar padrões em atividades organizacio- nais. ( ) Controlar é observar e registrar. ( ) Controlar é observar, mensurar, monitorar as ativida- des da empresa fora de seu ambiente. ( ) Controlar é o conjunto de procedimentos formais ba- seados na informação utilizados pelos gestores para manter ou alterar padrões em atividades organizacio- nais. ( ) Nenhuma das assertivas é verdadeira. Mauro Corte Real1 Capítulo 3 Empreendedorismo e Inovação 1 Mauro Corte Real é professor dos Cursos de Administração e Graduação Tecno- lógica da ULBRA. Mestre em Administração com ênfase em Tecnologia e Produção pela Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Foi bolsista do CNPq e da FAPERGS como pesquisador assistente, Diretor da Diretoria de Ciências da SEC-RS, do Museu Riograndense de Ciências Naturais, do Grupo Habitasul e da Demanda Propaganda. Criou e coordenou o Projeto de Visão/Planejamento Estratégico do Centro de Excelência Empresarial – CENEX, foi CLO – Chief Learning Office da Datasul Brasil, foi também diretor de empresas de turismo, hotéis e prestadoras de serviço. É autor de diversos livros entre os quais “Perfil da Indústria Brasileira de Biotecnologia Focado nas Relações com o Mer- cado”, “Marketing de Tecnologia para Empresas de Base Tecnológica”, “Gestão Empresarial”, “Paris Gourmet” e “O Ritual do Vinho”. 52 Gestão da Inovação Introdução Neste capítulo, trata-se de apresentar, em primeiro lugar a ideia fundamental da indissociável parceria que caracteriza a inovação e o empreendedorismo. Caracteriza-se e defini- -se empreendedorismo como uma atividade conjugada com a inovação. Segue-se apresentando o empreendedorismo como um processo e o ciclo da inovação na empresa. Na inovação colaborativa, é apresentado o modelo da hélice tríplice: uni- versidade-empresa-governo. Segue-se apresentando os tipos de empreendedorismo e conclui-se por analisar os pecados mortais da inovação empreendedora. 1 A inovação empreendedora É impossível pensar em inovação sem ação empreendedora e empreendedorismo sem ação inovadora. Se por um lado o empreendedor se vale da inovação para desenvolver um novo empreendimento, para empreender, por outro lado, o inova- dor se vale do empreendimento para inovar, e em inovando cabe empreender para chegar ao mercado com sucesso. O sucesso, entendido como resultado, é uma constan- te tanto para o empreendedor como para o inovador. Mais ainda, estou convicto de que não há empreendedor que não seja inovador, nem inovador que não seja empreendedor. Sem esquecer que inovar é chegar com algo inédito ao mercado, de forma economicamente viável. Empreendedor e inovador comungam com esse escopo. Capítulo 3 Empreendedorismo e Inovação 53 Iniciei o capítulo sobre inovação e empreendedorismo de um e-book que escrevi para os cursos de pós-graduação em gestão da universidade com um pensamento que agora, mes- mo agora, já tendo transcorrido alguns anos, creio que é a melhor forma de começar este capítulo, aqui e agora. Por isso transcrevo parte do texto, de minha autoria, a seguir: E o que é empreendedorismo? Segundo Drucker (1986, p. 27) o economista J. B. Say, em 1800, cunhou o termo “empre- endedor”, afirmando que ele “transfere recursos econômicos de um setor de produtividade mais baixa para um setor de produtividade mais elevada e de maior rendimento”. O economista Schumpeter (1961) agregou definitivamente um conceito de características econômicas à inovação, tor- nando-a elemento endógeno do próprio sistema econômico. De certa forma, associou a inovação ao empreendimento. Mas foi o próprio Peter Drucker (1986) que associou de for- ma inquestionável e de forma permanente inovação e empre- endedorismo. A partir do seu livro paradigmático “Inovação e espírito empreendedor: prática e princípios”, a inovação e o empreendimento passaram a ser vistos comotarefas de pro- pósito deliberado, que podem ser organizadas – e precisam ser organizadas – como um trabalho sistematizado. Ele trata da inovação e do empreendimento como parte integrante do trabalho do executivo (p. xv). Em seu livro, a inovação e o empreendimento são discuti- dos em três tópicos principais: 54 Gestão da Inovação a. Na sua primeira parte, ele trata sobre a prática da inovação, apresenta esta tanto como tendo um propó- sito deliberado como constituindo uma disciplina. Ela mostra onde e como o empreendedor busca oportuni- dades inovadoras. b. Na segunda parte, ele explora a prática do empreen- dimento, enfoca a instituição onde ocorre a inovação em três áreas: a empresa existente; a instituição de ser- viço público; a nova venture (joint venture) – negócio tipicamente de risco. c. Na terceira parte, ele analisa as estratégias empreen- dedoras, fala de como levar com sucesso uma inova- ção até o mercado. O autor deixa claro que, afinal, o teste de uma inovação não está em ser uma novidade, em seu conteúdo científico, ou na sua engenhosidade, mas, sim, no seu sucesso no mercado. (p. xvi). Na verdade, ao contrário das simples invenções, as inovações devem ter “valor de troca e reconhecimento socioe- conômico”, não bastando o simples “valor de uso”. Devem ter viabilidade econômica. Drucker (op. cit.) deixa claro, também, que o que está acontecendo na sociedade é um redirecionamento profundo na economia, de “gerencial” para “empreendedora”. E vai mais além. Afirma ainda que: “A inovação é o instrumento específico dos empreende- dores, o meio pelo qual eles exploram a mudança como Empreendedorismo. Liderar em busca dos sonhos uma Capítulo 3 Empreendedorismo e Inovação 55 oportunidade para um negócio diferente. Ela pode bem ser apresentada como uma disciplina, ser aprendida e praticada. Os empreendedores precisam buscar, com propósito deliberado, as fontes de inovação, as mudan- ças e seus sintomas que indicam oportunidades para que uma inovação tenha êxito. E os empreendedores preci- sam conhecer e por em prática os princípios da inovação bem-sucedida”. (p. 25) “A inovação é o instrumento específico dos empreendedo- res, o processo pelo qual eles exploram a mudança como uma oportunidade para um negócio diferente ou um ser- viço diferente”. Drucker (1987) Mas o que é empreendedorismo afinal? Vejamos algumas definições de empreendedorismo ou empreendedor. Hirisch & Peters (2004) em seu livro “Empreendedorismo” define empreendedorismo como: “o processo de criar algo di- ferente e com valor, dedicando tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos financeiros, psicológicos e sociais corres- pondentes e recebendo as consequentes recompensas da sa- tisfação econômica e pessoal”. (p. 29) Já Degen (2009) em seu livro “Empreendedor: empreender como opção de carreira”, define empreendedor como: “o que empreende o novo negócio e assume os riscos comerciais, legais e pessoais do empreendimento”. (p. 7). Chiavenato (2008) em seu livro “Empreendedorismo: dando asas ao espírito empreendedor” define empreendedor 56 Gestão da Inovação como: “a pessoa que inicia e/ou opera um negócio para reali- zar uma ideia ou projeto pessoal assumindo riscos e responsa- bilidades e inovando continuamente”. (p. 3). E segue afirman- do que ele é a energia da economia, a alavanca de recursos, o impulso de talentos, a dinâmica das ideias. Dornelas em seu livro “Empreendedorismo: transformando ideias em negócios” (2008) explica que “o empreendedor é aquele que detecta uma oportunidade e cria um negócio para capitalizar sobre ela, assumindo riscos calculados. O empre- endedor é aquele que faz as coisas acontecerem, se antecipa aos fatos e tem uma visão futura da organização.” E continua afirmando que, em qualquer definição de em- preendedorismo encontram-se os seguintes aspectos (p. 23):  “Tem iniciativa para criar um novo negócio e paixão pelo que faz.  Utiliza os recursos disponíveis de forma criativa, transfor- mando o ambiente social e econômico onde vive.  Aceita assumir os riscos calculados e a possibilidade de fracassar”. 2 Processo empreendedor Baron & Shane (2007) em seu livro “Empreendedorismo: uma visão de processo”, consideram que o empreendedorismo deve ser visto mais como um processo em andamento do que como um evento único. Capítulo 3 Empreendedorismo e Inovação 57 Um empreendedor é alguém que está engajado em um empreendimento, reconhece viável uma ideia para um pro- duto ou serviço, um negócio, e o leva adiante. Ele também assume os riscos e colhe os resultados dos negócios. Esse processo empreendedor pode ser apresentado no dia- grama a seguir, inspirado nos mesmos autores: LANÇAMENTE DO NOVO EMPREENDIMENTO GESTÃO DO CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO COLHER AS RECOMPENSAS REUNIÃO DE RECURSOS FINANCEIROS HUMANOS TECNOLÓGICOS PARA DESENVOLVER A OPORTUNIDADE GERAÇÃO DE UMA IDEIA PARA UM NOVO NEGÓCIO RISC O S SUCESSO RECONHECIMENTO DE UMA OPORTUNIDADE Figura 1 Processo Empreendedor. Fonte: inspirado em Baron & Shane (2007). Da geração ou o aproveitamento de uma ideia para um novo negócio, dado o reconhecimento ou identificação de uma oportunidade, o empreendedor parte para a busca ou reunião de recursos financeiros, humanos e tecnológicos para desenvolver a oportunidade de novo negócio, segue o lança- mento do novo empreendimento, é feita a gestão para o cres- 58 Gestão da Inovação cimento e desenvolvimento e o empreendedor colhe as recom- pensas do sucesso, enquanto correu riscos controláveis. Esse é, esquematicamente, o processo empreendedor. No dizer de Baron & Shane (2007): “O empreendedorismo é a inserção entre oportunidades valio- sas e indivíduos realizadores.” E que melhor oportunidade do que a ideia de algo novo, capaz de ser inovador? Os indivíduos empreendedores pos- suem determinadas características. Uma delas é a de realizar ao máximo suas ideias e o seu potencial. Os empreendedores não temem correr riscos. Para eles, o risco é inerente ao ne- gócio. A personalidade empreendedora é peculiar e apresenta as seguintes características: alto nível de energia, autoconfiança, controle da situação interna, tolerância à ambiguidade, no- ção de passagem do tempo e necessidade de realização (Real, 2006). Se considerarmos também os papéis do administrador (Mintzberg, 1973) como um conjunto, dentre eles encontrare- mos entre os informacionais, interpessoais e de decisão, o de monitorar, disseminar, ser porta-voz, ser figura de proa, liderar, servir de ligação, resolver problemas, administrar recursos, ne- gociar e ser empreendedor. Ao considerar a realização de suas ideias e potencial, os empreendedores inovam, são inovadores. No livro “A ação Capítulo 3 Empreendedorismo e Inovação 59 empreendedora” (2010) Lenzi e Santiago explicitam empreen- dedorismo e inovação na seguinte forma: “Quando falamos sobre empreendedorismo, pressupo- mos um conjunto de ações que podem levar uma pes- soa a alcançar resultados que satisfaçam suas intenções. Dentre todas as concepções de empreendedorismo, a atitude positiva na geração de resultados deve ser a maior relação com a definição de ação empreendedora, pois configura o envolvimento, a iniciativa e a inovação em todas as etapas de um negócio e de uma carreira de sucesso”. (p. 14) Tom Peters, em entrevista ao HSM Manegement, afirma que: “Duas forças estão transformando o mundo: a tecnolo- gia da informação-comunicação (as TICs) e a globaliza- ção. Elas estão obrigando as empresas a mudar. Quem está ganhando o jogo da globalização? Essa resposta é fácil: os empreendedores. Nossa únicasalvação, aliás, é acender o maior número de fogueiras empreendedoras e depois rezar para que alguma se transforme em uma Microsoft.” Bessant & Tidd recentemente escreveram um livro intitulado “Inovação e empreendedorismo” (2009) em que escreveram: “O problema de um pode vir a se tornar a oportunidade de outro, e a natureza da inovação está fundamentalmente ligada ao empreendedorismo.” 60 Gestão da Inovação Os autores afirmam que é preciso unir criatividade, em- preendedorismo e inovação. E que o estudo da inovação e do empreendedorismo podem ser abordados a partir de três diferentes perspectivas (p. 60):  “Pessoal ou individual, que enfatiza o papel da criativi- dade.  Coletiva ou social, que enfatiza a contribuição de equi- pes e grupos.  Contextual, que focaliza estruturas, o ambiente, os pro- cessos e as ferramentas.” 3 O ciclo da inovação e a Hélice Tríplice Quando focamos no aspecto criatividade, no sentido am- plo de criar ou ter ideias, não podemos deixar de levar em consideração a contribuição de Gary Hamel, nesse sentido. Em seu livro “Liderando a revolução” (2000) apresenta um modelo para o desenvolvimento de ideias internamente na empresa. Trata de inovação endógena. Sabemos que as em- presas podem utilizar inovações criadas ou desenvolvidas ex- ternamente, ou mesmo associadas a instituições de pesquisa, mas vamos nos focar, neste momento, no empreendedorismo inovador interno, também chamado de empreendedor cor- porativo. Hamel disseminou um modelo que chamou de “ciclo da Inovação”. Ele afirma que as chances de uma empresa criar Capítulo 3 Empreendedorismo e Inovação 61 nova riqueza, ou seja, criar valor, são diretamente proporcio- nais ao número de ideias fomentadas e ao número de expe- rimentos, ou melhor, de “empreendimentos” novos iniciados. O ciclo das ideias de inovação é um ciclo empreendedor. O conjunto, estoque ou carteira de inovações de uma em- presa é chamado de portfólio empreendedor de inovações. O portfólio empreendedor de inovações de uma empresa é constituído de três conjuntos: a. O primeiro é o portfólio de ideias, ou seja, de concei- tos de negócio confiáveis, mas não testados (imaginar & desenhar). b. O segundo é o portfólio de experimentos; as ideias do portfólio anterior são validadas por meio de incur- sões de baixo custo no mercado (experimentar & ava- liar). c. O terceiro é o portfólio de novos empreendimentos, quando a meta é aumentar a escala dos experimentos das ideias para lograr resultados econômicos e por- tanto chegar a uma verdadeira inovação empreende- dora (subir na escala). As fases do ciclo de inovação podem ser resumidas em uma palavra: IDEAS. I – Imaginar D – Desenhar E – Experimentar 62 Gestão da Inovação A – Avaliar S – Subir na escala ou ganhar “escala” (volume) Em um quadro, os portfólios e as fases são associados da seguinte forma: Quadro 1 Portfólios e fases 1º portfólio Ideias Imaginar Desenhar 2º portfólio Experimentos Experimentação Avaliação 3º portfólio Novos empreendimentos Ganhar Escala (volume) Fonte: inspirado em Hamel (2000). Na verdade, isso ocorre em uma sequência lógica: as ideias imaginadas e desenhadas (design) levam a realização de experimentos reais e práticos, que são observados e avalia- dos, e quando os indícios forem positivos e forem identificadas características de viabilidade econômica, resultam em novos empreendimentos em que existem ganhos de escala (volume) capazes de os viabilizar no mercado. Esses eventos ocorrem continuamente, como um CICLO, ou melhor, dois ciclos concêntricos. Por isso chamamos de ci- clo da inovação empreendedora. Fica claro que a inovação não “surge do nada”, “ao aca- so”, por “sorte” da empresa. Quanto maior for o seu estoque de ideias, experimentos e empreendimentos em curso, maior será a probabilidade de a empresa vir a inovar antes do que a concorrência e lograr uma vantagem competitiva. Capítulo 3 Empreendedorismo e Inovação 63 Muitas empresas líderes perdem posições, e como um bom contra-ataque inovativo-empreendedor pode vir a ser a melhor defesa. Segundo o guru da administração Tom Peters in Kanter (1998) as empresas que empreendem esforços em meio ao caos pela constante inovação são as únicas destinadas a so- breviver nos anos que virão. Como a arena concorrencial está em permanente mudan- ça, e como a principal missão estratégica da empresa é so- breviver de forma competitiva e se desenvolvendo, podemos considerar que gerenciar empresas é gerenciar mudanças em- preendedoras. O modelo do ciclo de Hamel é relativo a quando a ino- vação se desenvolve internamente. Mas também serve para inovações desenvolvidas em parcerias estratégicas, em joint ventures ou em associações com centros de pesquisa, univer- sidades e centros tecnológicos. Existe um outro modelo, voltado para a interação interno- -externa no processo de inovação, chamado de hélice tríplice, por envolver universidade, empresa (indústria) e governo. As inovações radicais, disruptivas, dificilmente se desenvolvem in- ternamente, em uma só organização empresarial. É preciso jun- tar esforços, chegando até a possibilidade da inovação aberta. Etzkowitz, que lançou um livro em congresso internacional de inovação realizado no Brasil, em Porto Alegre, no ano de 2009, apresenta um capítulo (p. 37) que intitulou “Universi- dade empreendedora”. O empreendedorismo chega a univer- sidade ao governo, em interação sinérgica, condição para o desenvolvimento de inovações de maior significação. 64 Gestão da Inovação O autor afirma que as interações da tríplice hélice empreen- dedora são a chave para a inovação em sociedades cada vez mais baseadas em conhecimento. Existe um novo sentido de “ino- vação em inovação”, a reestruturação e a melhoria dos arranjos organizacionais e dos incentivos que fomentam a inovação. Figura 2 Hélice Tríplice. Fonte: edição lançada em 2007 no Congresso Internacional de Inovação em Porto Alegre. Disponível em: <http://www.triple-helix.uff.br/sobre.html>. Acesso em: jul 2014. 4 Os tipos de empreendedorismo e os pecados mortais Sabemos que há diversos tipos de empreendedorismo e de empreendedores. De acordo com a finalidade com que em- preendem e de acordo com o modo ou local em que em- preendem. Disso resulta que podemos desenvolver tipologias Capítulo 3 Empreendedorismo e Inovação 65 diferentes de empreender. São as seguintes as tipologias do empreendedorismo:  Empreendedorismo interno ou corporativo: quando são promovidas mudanças dentro da empresa, orga- nização ou corporação; “reinventadas”, ampliadas ou transformadas as empresas ou os negócios.  Empreendedorismo externo, serial ou de negócios: quando são identificadas oportunidades no mercado, planejando, organizando novos negócios, novas empre- sas, novas organizações.  Empreendedorismo social ou comunitário: quando, diferentemente do tradicional, que almeja a maximiza- ção dos lucros, dos resultados, da mudança, é promo- vida a maximização dos retornos sociais, em instituições sem fins lucrativos ou ONGs. A transição para a socie- dade sustentável. Mas nem tudo são flores. Em grande número de empresas existe uma resistência ao empreendedorismo inovador. Robert (1995) identificou os pecados mortais da estagnação da em- presa. São pecados dos quais a empresa de sucesso ou que almeja o sucesso deve evitar cometer. Os pecados podem ser identificados em afirmações como essas:  A nossa empresa e o mercado estão maduros. Não há mais possibilidade de inovação.  Temos que proteger a nossa “galinha dos ovos de ouro” a qualquer custo. Inovar é perigoso! 66 Gestão da Inovação  A criação de novos produtos e serviços é muito arriscada.  Inovadores já nascem feitos.Nós não os temos conosco.  Não dispomos dos recursos necessários para inovar. Isso é para empresa grande.  Somos muito pequenos para inovar. Não temos gente para isso.  Somente empreendedores de pequenas empresas po- dem inovar. É preciso criar ou desenvolver o espírito da inovação na cultura organizacional. Converter a inovação em capacidade organizacional arraigada. E não estamos tratando apenas de pequenas inovações ou inovações incrementais. Mas sim, e principalmente, de inovações radicais. Afinal de contas, inovação e empreendedorismo andam juntos. E como transcreve Dornelas (2008, p. 5): “O empreendedorismo é uma revolução silenciosa, que será para o século XXI mais do que a Revolução Industrial foi para o século XX.” (Timmons, 1990) E se queremos desenvolver inovações radicais, disruptivas, que realmente modifiquem o mercado a nosso favor, um dos fatores que será fundamental para impulsioná-las é um merca- do de talentos que seja flexível, incentive os empreendedores e a aceitação do risco (Christensen, 2007). Capítulo 3 Empreendedorismo e Inovação 67 Recapitulando É impossível pensar em inovação sem ação empreendedora e empreendedorismo sem ação inovadora. Se por um lado o empreendedor se vale na inovação para desenvolver um novo empreendimento, para empreender, por outro lado, o inova- dor se vale do empreendimento para inovar, e em inovando cabe empreender para chegar ao mercado com sucesso. A inovação se nutre na mudança. A mudança proporciona oportunidade para a inovação. O empreendedor usa a inova- ção, que se nutre na mudança, para “criar valor. O empreen- dedor transfere recursos econômicos de um setor de produtivi- dade mais baixa para um setor de produtividade mais elevada e de maior rendimento. A inovação tornou-se elemento endó- geno do próprio sistema econômico. O teste de uma inovação não está em ser uma novidade, em seu conteúdo científico, ou na sua engenhosidade, e sim no seu sucesso no mercado. A inovação é o instrumento específico dos empreendedores, o meio pelo qual eles exploram a mudança como Empreende- dorismo. Liderar em busca dos sonhos uma oportunidade para um negócio diferente. Ela pode bem ser apresentada como uma disciplina, ser aprendida e praticada. Os empreendedo- res precisam buscar, com propósito deliberado, as fontes de inovação, as mudanças e seus sintomas que indicam oportu- nidades para que uma inovação tenha êxito. E os empreen- dedores precisam conhecer e por em prática os princípios da inovação bem-sucedida. A inovação é o instrumento específi- co dos empreendedores, o processo pelo qual eles exploram a 68 Gestão da Inovação mudança como uma oportunidade para um negócio diferente ou um serviço diferente. Empreendedorismo é o processo de criar algo diferente e com valor, dedicando tempo e o esforço necessários, assumin- do os riscos financeiros, psicológicos e sociais correspondentes e recebendo as consequentes recompensas da satisfação eco- nômica e pessoal. Empreendedor é o que empreende o novo negócio e assume os riscos comerciais, legais e pessoais do empreendimento. A pessoa que inicia e/ou opera um negócio para realizar uma ideia ou projeto pessoal assumindo riscos e responsabilidades e inovando continuamente. Ele é a energia da economia, a alavanca de recursos, o impulso de talentos, a dinâmica das ideias. O empreendedor é aquele que detecta uma oportunidade e cria um negócio para capitalizar sobre ela, assumindo riscos calculados, é aquele que faz as coisas acontecerem, se antecipa aos fatos e tem uma visão futura da organização. Tem iniciativa para criar um novo negócio e paixão pelo que faz. Utiliza os recursos disponíveis de forma criativa, transformando o ambiente social e econômico onde vive. Aceita assumir os riscos calculados e a possibilidade de fracassar. O empreendedorismo deve ser visto mais como um proces- so em andamento do que como um evento único. Um empre- endedor é alguém que está engajado em um empreendimen- to, reconhece viável uma ideia para um produto ou serviço, um negócio, e o leva adiante. Ele também assume os riscos e colhe os resultados dos negócios. Da geração ou o aproveita- mento de uma ideia para um novo negócio, dado o reconhe- cimento ou identificação de uma oportunidade, o empreen- Capítulo 3 Empreendedorismo e Inovação 69 dedor parte para a busca ou reunião de recursos financeiros, humanos e tecnológicos para desenvolver a oportunidade de novo negócio, segue o lançamento do novo empreendimento, é feita a gestão para o crescimento e desenvolvimento e o empreendedor colhe as recompensas do sucesso, enquanto correu riscos controláveis. O empreendedorismo é a inserção entre oportunidades valiosas e indivíduos realizadores. A personalidade empreendedora é peculiar e apresenta as seguintes características: alto nível de energia, autoconfiança, controle da situação interna, tolerância à ambiguidade, noção de passagem do tempo e necessidade de realização. Quando falamos sobre empreendedorismo, pressupomos um conjunto de ações que podem levar uma pessoa a alcançar resultados que satisfaçam suas intenções. Dentre todas as concepções de empreendedorismo, a atitude positiva na geração de re- sultados deve ser a maior relação com a definição de ação empreendedora, pois configura o envolvimento, a iniciativa e a inovação em todas as etapas de um negócio e de uma car- reira de sucesso. O problema de um pode vir a se tornar a oportunidade de outro, e a natureza da inovação está funda- mentalmente ligada ao empreendedorismo. As chances de uma empresa criar nova riqueza, ou seja criar valor, são diretamente proporcionais ao número de ideias fomentadas e ao número de experimentos ou melhor, de “em- preendimentos” novos iniciados. O ciclo das ideias de inova- ção é um ciclo empreendedor. O conjunto, estoque ou car- teira de inovações de uma empresa é chamado de portfólio empreendedor de inovações. O portfólio empreendedor de inovações de uma empresa é constituído de três conjuntos: o 70 Gestão da Inovação primeiro é o portfólio de ideias, ou seja, de conceitos de ne- gócios confiáveis, mas não testados; (imaginar & desenhar); o segundo é o portfólio de experimentos; as ideias do portfólio anterior são validadas por meio de incursões de baixo custo no mercado; (experimentar & avaliar); o terceiro é o portfó- lio de novos empreendimentos, quando a meta é aumentar a escala dos experimentos das ideias para lograr resultados econômicos e chegar a uma verdadeira inovação empreen- dedora; (subir na escala). Na verdade, isso ocorre em uma sequência lógica: as ideias imaginadas e desenhadas (design) levam à realização de experimentos reais e práticos, que são observados e avaliados, e quando os indícios forem positivos e forem identificadas características de viabilidade econômica, resultam em novos empreendimentos em que existem ganhos de escala (volume) capazes de os viabilizar no mercado. Existe um outro modelo, voltado para a interação interno- -externa no processo de inovação, chamado de hélice tríplice, por envolver universidade, empresa (indústria) e governo. As inovações radicais, disruptivas, dificilmente se desenvolvem internamente, em uma só organização empresarial. É preci- so juntar esforços, chegando até a possibilidade da inovação aberta. O empreendedorismo chega da universidade ao go- verno, em interação sinérgica, condição para o desenvolvi- mento de inovações de maior significação. As interações da tríplice hélice empreendedora são a chave para a inovação em sociedades cada vez mais baseadas em conhecimento. Sabemos que há diversos tipos de empreendedorismo e de empreendedores. De acordo com a finalidade com que empre- endem e de acordo com o modo ou local em que empreendem. Capítulo 3 Empreendedorismo e Inovação71 As tipologias do empreendedorismo são: empreendedorismo interno ou corporativo; empreendedorismo externo, serial ou de negócios; empreendedorismo social ou comunitário. Se queremos desenvolver inovações radicais, disruptivas, que realmente modifiquem o mercado a nosso favor, um dos fatores que será fundamental para impulsioná-las é um merca- do de talentos que seja flexível, e incentive os empreendedores à aceitação do risco na inovação. Referências BARON, Robert A. & SHANE, Scott A. Empreendedorismo: uma visão do processo. São Paulo: Thomson, 2007. BESSANT, John & TIDD, Joe. Inovação e empreendedoris- mo. Porto Alegre: Bookman, 2009. 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Se por um lado o empreendedor se vale da inovação para desenvol- ver um novo empreendimento, para empreender, por outro lado, o inovador se vale do empreendimento para inovar, e em inovando cabe empreender para chegar ao mercado com sucesso. Sobre inovação e empreendedorismo assi- nale somente as assertivas verdadeiras. ( ) Empreendedor é o que empreende o novo negócio e assume os riscos comerciais, legais, mas não pessoais do empreendimento. ( ) O empreendedor é aquele que detecta uma oportuni- dade e cria um negócio para capitalizar sobre ela, as- sumindo riscos calculados. O empreendedor é aquele que faz as coisas acontecerem, se antecipa aos fatos e tem uma visão futura da organização. ( ) A inovação é o instrumento específico dos empreen- dedores, o meio pelo qual eles exploram a mudança 74 Gestão da Inovação como Empreendedorismo. Liderar em busca dos so- nhos uma oportunidade para um negócio diferente. ( ) Empreendedorismo é o processo de criar algo diferen- te e com valor, dedicando tempo e o esforço neces- sários, assumindo os riscos financeiros, psicológicos e sociais correspondentes e recebendo as consequêntes recompensas da satisfação econômica e pessoal. ( ) Empreendedor é a pessoa que inicia e/ou opera um negócio para realizar uma ideia ou projeto pessoal não assumindo riscos e responsabilidades e inovando continuamente. 2) O empreendedorismo deve ser visto mais como um pro- cesso em andamento do que como um evento único. Con- siderando o processo, assinale somente a assertiva verda- deira. ( ) Da geração ou o aproveitamento de uma ideia para um novo negócio, dado o reconhecimento ou identi- ficação de uma oportunidade, o empreendedor par- te para a busca ou reunião de recursos financeiros, humanos e tecnológicos para desenvolver a oportuni- dade de novo negócio, segue o lançamento do novo empreendimento, é feita a gestão para o crescimento e desenvolvimento e o empreendedor colhe as recom- pensas do insucesso, enquanto correu riscos controlá- veis. ( ) Da geração ou o aproveitamento de uma oportuni- dade para um novo negócio, dado o reconhecimento Capítulo 3 Empreendedorismo e Inovação 75 ou identificação de uma ideia, o empreendedor par- te para a busca ou reunião de recursos financeiros, humanos e tecnológicos para desenvolver a oportuni- dade de novo negócio, segue o lançamento do novo empreendimento, é feita a gestão para o crescimento e desenvolvimento e o empreendedor colhe as recom- pensas do sucesso, enquanto correu riscos controlá- veis. ( ) Da geração ou o aproveitamento de uma ideia para um novo negócio, dado o reconhecimento ou identi- ficação de uma oportunidade, o empreendedor par- te para a busca ou reunião de recursos financeiros, humanos e tecnológicos para desenvolver a oportuni- dade de novo negócio, segue o lançamento do novo empreendimento, é feita a gestão para o crescimento e desenvolvimento e o empreendedor colhe as recom- pensas do sucesso, enquanto correu riscos controlá- veis. ( ) Da geração ou o aproveitamento de uma ideia para um novo negócio, dado o reconhecimento ou identi- ficação de uma oportunidade, o empreendedor par- te para a busca ou reunião de recursos financeiros, humanos e tecnológicos para desenvolver a oportuni- dade de novo negócio, segue o lançamento do novo empreendimento, é feita a gestão para o crescimento e desenvolvimento e o empreendedor colhe as recom- pensas do sucesso, enquanto não correu riscos contro- láveis. 76 Gestão da Inovação ( ) Nenhuma das assertivas é verdadeira. 3) Gary Hamel, em seu livro “Liderando a revolução” (2000), apresenta um modelo para o desenvolvimento de ideias internamente na empresa. Sobre esse modelo, assinale so- mente as assertivas verdadeiras. ( ) Hamel disseminou um modelo que chamou de “ci- clo da Inovação”. Ele afirma que as chances de uma empresa criar nova riqueza, ou seja criar valor, são inversamente proporcionais ao número de ideias fo- mentadas e ao número de experimentos ou melhor, de “empreendimentos” novos iniciados. ( ) Nenhuma das assertivas é verdadeira. ( ) As ideias imaginadas e desenhadas (design) levam a realização de experimentos reais e práticos, que são observados e avaliados, e quando os indícios forem positivos e forem identificadas características de in- viabilidade econômica, resultam em novos empreen- dimentos em que existem ganhos de escala (volume) capazes de os viabilizar no mercado. ( ) Hamel disseminou um modelo que chamou de “ciclo da Inovação”. Ele afirma que as chances de uma em- presa criar nova riqueza, ou seja, criar valor, são di- retamente proporcionais ao número de ideias fomen- tadas e ao número de experimentos, ou melhor, de “empreendimentos” novos iniciados. ( ) As ideias imaginadas e desenhadas (volume) levam a realização de experimentos reais e práticos, que são Capítulo 3 Empreendedorismo e Inovação 77 observados e avaliados, e quando os indícios forem positivos e forem identificadas características de viabi- lidade econômica, resultam em novos empreendimen- tos em que existem ganhos de escala (design) capazes de os viabilizar no mercado. 4) Há diversos tipos de empreendedorismo e de empreende-dores, de acordo com a finalidade com que empreendem e de acordo com o modo ou local em que empreendem. Sobre os tipos, assinale somente as assertivas verdadeiras. ( ) Empreendedorismo externo, serial ou de negócios: quando, diferentemente do tradicional, é promovida a maximização dos retornos sociais, em instituições sem fins lucrativos ou ONGs. ( ) Empreendedorismo externo, serial ou de negócios: quando são promovidas mudanças dentro da empre- sa, organização ou corporação; “reinventadas”, am- pliadas ou transformadas as empresas ou os negócios. ( ) Empreendedorismo interno ou corporativo: quando, diferentemente do tradicional, é promovida a maxi- mização dos retornos sociais, em instituições sem fins lucrativos ou ONGs. ( ) Empreendedorismo externo, serial ou de negócios: quando são identificadas oportunidades no mercado, planejando, organizando novos negócios, novas em- presas, novas organizações. ( ) Empreendedorismo social ou comunitário: quando, diferentemente do tradicional, é promovida a maxi- 78 Gestão da Inovação mização dos retornos sociais, em instituições sem fins lucrativos ou ONGs. 5) Existem “pecados” os quais a empresa de sucesso ou que almeja o sucesso deve evitar cometer. Os pecados podem ser identificados em afirmações. Assinale somente as as- sertivas verdadeiras como pecados a evitar apresentados. ( ) A nossa empresa e o mercado estão verdes. Não há possibilidade de inovação. ( ) Temos que proteger a nossa “galinha dos ovos de ouro” a qualquer custo. Inovar é perigoso! ( ) Inovadores já nascem feitos. Nós não os temos conos- co. ( ) Somente empreendedores de grandes empresas po- dem inovar. ( ) Todas as assertivas são verdadeiras. Mauro Corte Real1 Capítulo 4 Tipologia da Inovação 1 Mauro Corte Real é professor dos Cursos de Administração e Graduação Tecno- lógica da ULBRA. Mestre em Administração com ênfase em Tecnologia e Produção pela Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Foi bolsista do CNPq e da FAPERGS como pesquisador assistente, Diretor da Diretoria de Ciências da SEC-RS, do Museu Riograndense de Ciências Naturais, do Grupo Habitasul e da Demanda Propaganda. Criou e coordenou o Projeto de Visão/Planejamento Estratégico do Centro de Excelência Empresarial – CENEX, foi CLO – Chief Learning Office da Datasul Brasil, foi também diretor de empresas de turismo, hotéis e prestadoras de serviço. É autor de diversos livros entre os quais “Perfil da Indústria Brasileira de Biotecnologia Focado nas Relações com o Mer- cado”, “Marketing de Tecnologia para Empresas de Base Tecnológica”, “Gestão Empresarial”, “Paris Gourmet” e “O Ritual do Vinho”. 80 Gestão da Inovação Introdução Neste capítulo, trata-se de apresentar os conceitos de capaci- dade, trajetórias e difusão tecnológicas aplicadas à inovação. Trata-se das forças de desenvolvimento que lhes deram ori- gem. Apresentam-se múltiplos conceitos e ideias sobre a tipo- logia da inovação, em suas múltiplas concepções, para que o leitor possa estabelecer sua própria tipologia. Há propostas de diversas ordens, categorias ou tipos de inovação, que consti- tuem uma rica e variada tipologia, em acordo com os diversos autores e seus vieses. Cada gestor fará uso das tipologias de acordo com suas necessidades. 1 As empresas e suas capacidades, trajetórias e difusão tecnológicas A tipologia da inovação depende intimamente das atividades das empresas. Que dependem das tecnologias que utilizam. As empresas podem apresentar diferentes níveis de atividades de produção e desenvolvimento, que constituem a sua capa- cidade tecnológica, consubstanciada pelo conjunto das suas aptidões e de suas habilidades, tanto as originárias, como as desenvolvidas e acumuladas ao longo do tempo (Real, 2002). Elas podem ser consideradas verdadeiros “estoques” de competências centrais que podem resultar em vantagens com- petitivas (estratégicas), e ser agrupadas em três categorias (Lall, 1992):  Básica (simples rotina, baseada na experiência). Capítulo 4 Tipologia da Inovação 81  Intermediária (adaptativa, duplicativa, baseada na busca).  Avançada (inovativa, arriscada, baseada em pesquisa). A categoria avançada é a que dá origem e é responsável pela maioria das inovações. As capacidades tecnológicas, por sua vez, determinam ou influenciam as trajetórias tecnológicas das organizações, fru- to de suas competências centrais. As trajetórias tecnológicas podem ser agrupadas em (Pavit, 1984; Dosi, 1988):  Dominadas pelos fornecedores.  De produção intensiva (de escala intensiva ou de forne- cedores especializados).  Baseadas em ou na ciência. Os mesmos autores também explicam que as diferenças encontradas nessas três categorias dependem ou se explicam a partir dos fatores: fontes de energia (externas ou internas), necessidades das empresas (competitividade, oportunidades, exigências, atualização, novas demandas) e meios de apro- priação dos benefícios da tecnologia (transferência, procedi- mentos, facilidades, entraves). A medida que se propagam no mercado, as trajetórias re- sultam no processo de difusão tecnológica que é essencial- mente um processo de aprendizado pelo mercado, e pode se apresentar em diferentes estágios que, de acordo com Zawis- lak (1995), podem considerar-se como: 82 Gestão da Inovação  Nascente – uma tecnologia que se situa na fronteira do conhecimento.  Paradigmática – quando a tecnologia já está em pleno processo de difusão.  Estabilizada (madura, tradicional) – quando já está ple- namente difundida. A partir de sua terceira edição, publicada em 2005, o Ma- nual de Oslo, editado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), responsável pelas definições mundialmente adotadas sobre inovação, traz uma importante modificação: expandiu o conceito de inovação, in- cluindo o setor de serviços e retirando a palavra “tecnológica” da definição de inovação, ou seja, é possível se fazer inovação em produtos, em processos, em serviços, em marketing e em sistemas organizacionais. Está evidente que as inovações decorrentes das capacida- des, trajetórias e difusão tecnológicas apresentadas, por ana- logia, também podem ser consideradas, no mercado, como:  Inovações nascentes – uma inovação que se situa na fronteira do conhecimento e do mercado.  Inovações paradigmáticas – quando a inovação já está em pleno processo de difusão.  Inovações difundidas e estabilizadas – que deixam de ser inovação, quando o mercado assim as considerar. Capítulo 4 Tipologia da Inovação 83 Especificamente em relação ao mercado, as inovações po- dem ser agrupadas em dois grandes grupos, segundo as for- ças de desenvolvimento que lhes deram origem: a. Empurradas pela tecnologia (technology push). b. Puxadas pelo mercado (market pull). É lícito esperar que a situação de “puxada pelo mercado” evidencie uma postura potencialmente mais competitiva do que a situação “empurrada pela tecnologia”. Já Tigre (2014) trata de indutores da mudança e inova- ção, citando como forças indutivas básicas da mudança:  A que aponta para as necessidades explicitadas pelos usuários e consumidores (demand- pull).  A definida pela tecnologia como um fator quase autôno- mo derivado da ciência (technology push). E conclui (p. 79), que “a geração de inovações tende a ser induzida pela oferta de novos conhecimentos, enquanto a difusão é, predominantemente, determinada pela demanda”. Mais adiante afirma: A technology push deriva do processo de aprendizado tecnológico, da difusão de novos conhecimentos e tec- nologias, de novos procedimentos de gestão da inova- ção e do conhecimento, e da oferta de novos insumos produtivos. Para aproveitar tais oportunidades,é neces- sária uma capacitação consistente ao nível da empresa. 84 Gestão da Inovação Já a demand-pull deriva de mudanças nas condições de oferta e procura, de alterações nos preços relativos de insu- mos e materiais e da identificação de demandas latentes ain- da inexploradas. Envolve esforços de melhoria da eficiência econômica, da qualidade e da aderência a novos padrões técnicos e ambientais. Visa também atender as crescentes ne- cessidades de segurança, aumento da customização e conve- niência do usuário. A relação tecnologia, capacidade, gestão, inovação e mer- cado, pressupõem uma efetiva gestão dessa relação. Esse é o foco da disciplina. A tecnologia chega ao mercado a partir dessa gestão. 2 Tipos de inovações Existem múltiplas e variadas formas de apresentar ou classificar os tipos de inovações. Todas apresentam algum foco, causa ou coerência. Quanto a uma tipologia de inovação, aos tipos possíveis de inovação, segundo certos critérios ou focos, cada autor ou escola apresenta uma tipologia com objetivo parti- cular, foco específico, viés pertinente ou percepção diferencia- da. Vamos apresentar as que consideramos mais importantes e que poderão ser consultadas ou utilizadas de acordo com as necessidades específicas do gestor. Conforme o seu objetivo, pode utilizar a ou as tipologias convenientes. Ao analisar os conceitos e ideias centrais da inovação, já verificamos que existem inovações em produtos, serviços, Capítulo 4 Tipologia da Inovação 85 ideias, designs, processos, e também ao nível de procedimen- tos, rotinas, métodos, técnicas, tecnologias, abertas, fechadas. Existem também inovações de conceitos, qualidade, paradig- mas, modelos de negócios, organizacionais, de marketing, de distribuição e logística, cadeia de valor, abrangência, setores, ordens, amplitude, origem e assim por diante. Não há limite quando se pensa em possibilidades de inovação. Entretanto existem algumas constantes na maioria das relações. Vejamos algumas tipologias apresentadas por alguns au- tores. Comecemos pelo iniciador da visão contemporânea de inovação, Schumpeter (1961). Andreassi (2007, p. 6) mencio- na cinco tipos de inovação:  Introdução de um novo bem ou de uma nova qua- lidade de um bem com o qual os consumidores não estejam familiarizados.  Introdução de um novo método de produção que te- nha sido gerado à partir de uma nova descoberta cien- tífica; ou um novo método de tratamento comercial de um commodity.  Abertura de um novo mercado no qual uma área da indústria ainda não tenha penetrado.  Conquista de uma nova fonte de matéria-prima ou de bens parcialmente manufaturados.  Aparecimento de uma nova estrutura de organi- zação, com criação de uma posição de monopólio ou quebra de monopólio existente. 86 Gestão da Inovação Na terceira edição do Manual de Oslo, publicada em 2005, editado pela Organização para a Cooperação e o De- senvolvimento Econômico (OCDE), responsável pelas defini- ções mundialmente adotadas sobre inovação, são apresenta- dos quatro tipos de inovação (Coral et al. 2009, p. 3):  Inovações de produto – a introdução de um benefício ou serviço novo ou significativamente melhorado, em re- lação às suas características ou usos pretendidos.  Inovações em processo – a implementação de um novo ou significativamente melhorado processo produ- tivo ou entrega.  Inovações organizacionais – referem-se à implemen- tação de novos métodos organizacionais, podendo ser mudanças em práticas de negócio, na organização do ambiente de trabalho, ou nas relações externas da em- presa.  Inovações em marketing – envolvem a implementação de novos métodos de marketing. Tidd et al. (2008, p. 30) apresentam os “4 Ps” da inovação, que consideram ser categorias abrangentes:  Inovação de produto – mudança nas coisas (produtos/ serviços) que uma empresa oferece.  Inovação de processo – mudanças na forma em que os produtos/serviços são criados e entregues.  Inovação de posição – mudanças nos contextos em que os produtos/serviços são introduzidos. Capítulo 4 Tipologia da Inovação 87  Inovação de paradigma – mudanças nos modelos mentais subjacentes que orientam o que a empresa faz. Outra forma, segundo o mesmo autor, é o reposiciona- mento da percepção de um produto ou processo já estabe- lecido em um contexto de uso específico. Ainda o mesmo autor apresenta uma segunda dimensão de mudança e inovação de acordo com o grau de novidade envolvido. Há diferentes graus de novidade, desde melhorias incrementais menores, até mudanças bem radicais. Elas trans- formam a forma como usamos ou como vemos as coisas. Em um eixo que vai do incremental até o radical. Voltando aos “Quatro Ps”, em cada um deles a mudança e inovação podem transitar no eixo incremental até radical. Tidd et al. (2008) cha- mam esse espaço de “espaço da inovação”. Segundo Szabó (1995) com um foco em marketing, no mercado, as inovações podem ser de três ordens:  Inovação substitutiva – apresenta-se quando se de- senvolvem processos que substituam vantajosamente os anteriores, já existentes no mercado, cumprindo as mes- mas funções.  Inovação total – quando se desenvolvem produtos que respondam a necessidades que não se havia podido sa- tisfazer mediante os produtos anteriores.  Inovação integrativa – quando se desenvolve no sen- tido de facilitar um aproveitamento melhorado, tanto de produtos como de rejeitos ou resíduos sem aproveita- 88 Gestão da Inovação mento, no sentido de contribuir para melhorar a rentabi- lidade (financeira ou social) da cadeia produtiva. É lícito presumir que as organizações que mais se aplicam às ações de relações com o mercado, fruto de um conceito ou filosofia predominantemente mercadológico, alavancadas por uma postura market pull, também demonstrem uma maior prontidão para a inovação. Isso não se verifica, por exemplo, quando se trata de co- mercialização de produtos com demanda elástica, como as commodities, ou institucionais, ligados ao interesse público e social, como a saúde e a educação, como a agropecuária, em que o desempenho, a eficácia e o custo do objeto técni- co (produto ou serviço) importam mais do que sua grandeza como inovação. Real (2002) apresenta os seguintes conceitos para as cate- gorias de inovações incrementais e radicais:  Inovações incrementais são as modificações ou me- lhorias de pequeno porte apropriadas aos produtos e serviços, de forma mais ou menos contínua. Por isso são chamadas também de inovações ou melhorias contí- nuas.  Inovações radicais são modificações amplas, de gran- de porte, apropriadas aos produtos ou serviços de forma abrupta ou descontínua. Por isso são também chamadas de inovações descontínuas. As inovações radicais possuem um potencial competitivo maior do que as incrementais e são capazes de sustentar van- Capítulo 4 Tipologia da Inovação 89 tagens competitivas por mais tempo e apropriar recursos de caixa mais significativos. Tigre (2014) descreve as inovações incrementais como pe- quenos melhoramentos e modificações cotidianas, e radicais como saltos descontínuos na tecnologia de produtos e proces- sos. O autor também apresenta duas outras categorias: novo sistema e novo paradigma. Sendo (p. 76):  Novo sistema – mudanças abrangentes afetando mais de um setor e dando origem a novas atividades econô- micas.  Novo paradigma – mudanças que afetam toda a eco- nomia envolvendo mudanças técnicas e organizacio- nais, alterando produtos e processos, criando novas indústrias e estabelecendo trajetórias de inovações por várias décadas. Zogbi (2008 p. 36-39) apresenta o que chama de versões ou tipos da inovação:  Melhoria contínua – é a inovação incremental, tam- bém chamada diferencial, ou de manutenção(da vida útil), Nessa versão, inovação é a mola propulsora da evolução do produto ou serviço em questão.  Inovação de ruptura – é a inovação não incremental, também chamada de arquitetural ou descontínua. Essa versão trata daquilo que é um lançamento inédito no mercado. 90 Gestão da Inovação  Inovação de disrupção – é a inovação que visa atingir aos chamados não clientes, que são também comumen- te chamados de clientes aspiracionais. Eles não conso- mem determinado produto ou serviço por falta de intimi- dade com os mesmos. Podemos ainda considerar o tipo de inovação segundo o grau de novidade, como:  Relativa – é nova para a empresa.  Absoluta – é nova para o mercado. Dávila et al. (2007 p. 57-76) mesmo sendo em parte re- dundante (incremental e radical), apresenta os seguintes tipos gerais de inovação:  Inovação incremental – leva a melhorias moderadas nos produtos e processos de negócios em vigor. Mu- danças pequenas em uma ou mais das seis alavancas. É extremamente valiosa para fornecer proteção em re- lação à corrosão causada pela concorrência, traduzida na redução da fatia de mercado, na lucratividade ou em ambas. Uma vacina contra a comoditização.  Inovação semirradical – Mudança significativa em uma ou mais das seis alavancas, e pequena em uma ou mais das mesmas. Consegue alavancar, no ambiente competitivo, mudanças cruciais inviáveis mediante uma inovação incremental. Envolve mudança substancial no modelo de negócios ou na tecnologia da organização. Mas não em ambos. Capítulo 4 Tipologia da Inovação 91  Inovação radical – é o conjunto de novos produtos e/ ou serviços fornecidos de maneiras inteiramente novas. Mudanças significativas em duas ou mais das seis ala- vancas. É aquela que afeta simultaneamente tanto o modelo de negócios quanto à tecnologia da empresa. Significa mudança fundamental no cenário competitivo.  Inovação disruptiva – concentra-se em um dos efeitos da inovação especificamente a alteração por ela provo- cada no mercado concorrente. Revoluciona o setor ou a indústria. A “Cartilha Gestão da Inovação”, do SEBRAE e CNI (2010, p. 15) apresenta uma classificação abrangente da inovação que, mesmo sendo em parte repetitiva em relação às classi- ficações anteriores do texto, é interessante, pois propõe uma visão geral. Quanto à natureza:  Produto  Processo  Negócio Quanto à forma:  Tecnológica  Organizacional Quanto à abrangência: 92 Gestão da Inovação  Empresa  Mercado  Mundo Quanto à intensidade:  Incremental  Semirradical  Radical Quanto ao propósito:  Ocasional (serendipity)  Intencional (sistemática) Quanto ao nível de difusão dentro da empresa:  Localizada (departamental)  Sistêmica Quanto ao uso de sistemas, métodos e ferramentas:  Empírica  Sistemática/Metodológica Há propostas de diversas ordens, categorias ou tipos de inovação, que constituem uma rica e variada tipologia que vimos, em acordo com os diversos autores e seus vieses. Cada gestor fará uso das tipologias de acordo com suas ne- cessidades. Capítulo 4 Tipologia da Inovação 93 Recapitulando A tipologia da inovação depende intimamente das atividades das empresas, que dependem das tecnologias que utilizam. As empresas podem apresentar diferentes níveis de atividades de produção e desenvolvimento, que constituem a sua capacida- de tecnológica, consubstanciada pelo conjunto das suas apti- dões e de suas habilidades, tanto as originárias, como as de- senvolvidas e acumuladas ao longo do tempo. Elas podem ser consideradas verdadeiros “estoques” de competências centrais que podem resultar em vantagens competitivas (estratégicas), e ser agrupadas em três categorias: básica, intermediária e avançada. As capacidades tecnológicas, por sua vez, determi- nam as trajetórias tecnológicas das organizações, fruto de suas competências centrais. As trajetórias tecnológicas podem ser agrupadas em: dominadas pelos fornecedores; de produção intensiva; baseadas em ciência. A medida que se propagam no mercado, as trajetórias re- sultam no processo de difusão tecnológica que é essencial- mente um processo de aprendizado pelo mercado, e pode se apresentar em diferentes estágios: nascente, paradigmática e estabilizada, quando já está plenamente difundida. As inova- ções decorrentes das capacidades, trajetórias e difusão tec- nológicas apresentadas também podem ser consideradas, no mercado, como: inovações nascentes, uma inovação que se situa na fronteira do conhecimento e do mercado; inovações paradigmáticas quando a inovação já está em pleno processo de difusão, e inovações difundidas e estabilizadas, que deixam de ser inovação, quando o mercado assim as considerar. 94 Gestão da Inovação Especificamente em relação ao mercado, as inovações po- dem ser agrupadas em dois grupos, segundo as forças de de- senvolvimento que lhes deram origem: empurradas pela tecno- logia (technology push) e puxadas pelo mercado (market pull). São os indutores da mudança e inovação: a força que aponta para as necessidades explicitadas pelos usuários e consumido- res (demand-pull) e a que é definida pela tecnologia como um fator quase autônomo derivado da ciência (technology push). Existem múltiplas e variadas formas de apresentar ou clas- sificar os tipos de inovações. Todas apresentam algum foco, causa ou coerência. Algumas tipologias apresentadas por al- guns autores. Comecemos por Schumpeter que menciona cin- co tipos de inovação: introdução de um novo bem ou de uma nova qualidade; introdução de um novo método de produção; abertura de um novo mercado; conquista de uma nova fonte de matéria-prima ou de bens parcialmente manufaturados; e aparecimento de uma nova estrutura de organização. No Manual de Oslo, são apresentados quatro tipos de ino- vação: inovações de produto; inovações em processo; inova- ções organizacionais; e inovações em marketing. Tidd apre- senta os “4 Ps” da inovação: inovação de produto; inovação de processo; inovação de posição; e inovação de paradigma. Outra forma, é o reposicionamento da percepção de um pro- duto ou processo já estabelecido em um contexto de uso espe- cífico. Uma segunda dimensão de mudança e inovação seria de acordo com o grau de novidade envolvido. Szabó com um foco em marketing, sugere que as inovações podem ser de três ordens: inovação substitutiva – substituem vantajosamente os anteriores; inovação total – quando se desenvolvem produtos Capítulo 4 Tipologia da Inovação 95 que respondam a necessidades que não se havia podido satis- fazer; inovação integrativa – quando se desenvolve no sentido de facilitar um aproveitamento melhorado. Outra classifica- ção apresenta os conceitos: inovações incrementais são as modificações ou melhorias de pequeno porte; são chamadas também de inovações ou melhorias contínuas. E inovações radicais, modificações amplas, de grande porte, apropriadas de forma abrupta ou descontínua. São também chamadas de inovações descontínuas. Tigre apresenta duas outras categorias: novo sistema – mu- danças abrangentes afetando mais de um setor; novo para- digma – mudanças que afetam toda a economia. Zogbi apre- senta versões de inovação: melhoria contínua; inovação de ruptura, arquitetural ou descontínua; inovação de disrupção, é a inovação que visa atingir aos chamados não clientes. Há propostas de diversas ordens, categorias ou tipos de inovação, que constituem uma rica e variada tipologia que vimos, em acordo com os diversos autores e seus vieses. Cada gestor fará uso das tipologias de acordo com suas necessidades. Referências ANDREASSI, Tales. Gestão da inovação tecnológica. São Paulo: Thomson, 2007. CORAL, Eliza; OGLIARI, André; ABREU, Aline França de. (org). Gestãointegrada da inovação: estratégia, organização e desenvolvimento de produtos. São Paulo: Atlas, 2009. 96 Gestão da Inovação DAVILA, Tony; EPSTEIN, Marc J.; SHELTON, Robert. As regras da inovação. Porto Alegre: Bookman, 2007. DOSI, Giovani. The nature of inovative process. In DOSI et al. Technical change and economic theory. London: Pinter, 1988. LALL, Sanjaya. Technological capabilities and industrializa- tion. World Development, London, vol. 20, n. 2, p. 165- 186, 1992. MANUAL DE OSLO. OCDE, FINEP, 2005 PAVITT, Keith. Sectoral Patterns of technical change: to- wards a taxonomy and a theory. Research Policy, New York, North Holland n. 13, p. 343-347, jan. 1984. REAL, Mauro Corte. Marketing de tecnologia para empre- sas de base tecnológica. Porto Alegre: SEBRAE, 1999. REAL, Mauro Corte. Gestão empresarial: conceitos e fun- ções. Cadernos Universitários. Tecnológico. 005. Canoas: Ed. ULBRA, 2005. ________________. Gestão empresarial. Curitiba: IESDE, 2006. ________________. Gestão da inovação. E-book. Texto de apoio para os cursos de Pós Graduação em Gestão em EAD da ULBRA. Canoas: ULBRA, s/d. ________________. Perfil da indústria brasileira de biotec- nologia focado nas relações com o mercado. Porto Ale- gre: AGE, 2002. Capítulo 4 Tipologia da Inovação 97 SCHERER, Felipe Ost & CARLOMAGNO, Maxiliano Selistre. Gestão da inovação na prática: como aplicar conceitos e ferramentas para alavancar a inovação. São Paulo: Atlas, 2009. SCHUMPETER, Joseph. A. A teoria do desenvolvimento econômico. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1961. SZABÓ, Zoltan. La inovación en la biotecnologia. In: Ana- les. VI Seminario Latinoamericano ALTEC’ 95. Concepción, p. 1-18, sep. 1995. TIDD, Joe; BESSANT, John; PAVITT, Keith. Gestão da inova- ção. Porto Alegre: Bookman, 2008. TIGRE, Paulo Bastos. Gestão da inovação: a economia de tecnologia no Brasil. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. ZAWISLAK, Paulo Antônio. Gestão da inovação tecnológica. Porto Alegre: UFRGS/PPGA, 1995. (mimeo). ZOGBI, Edson. Competitividade através da gestão da ino- vação. São Paulo: Atlas, 2008. Atividades 1) As empresas podem apresentar diferentes níveis de ativida- des de produção e desenvolvimento, que constituem a sua capacidade tecnológica, consubstanciada pelo conjunto das suas aptidões e de suas habilidades. Sobre capacida- de tecnológica, assinale somente a assertiva verdadeira. 98 Gestão da Inovação ( ) Pode ser agrupada em três categorias: básica, inter- mediária e paradigmática. ( ) Pode ser agrupada em três categorias: dominadas pe- los fornecedores, de produção intensiva e baseadas na ciência. ( ) Pode ser agrupada em três categorias: nascente, para- digmática e estabilizada. ( ) Pode ser agrupada em três categorias: básica, inter- mediária e avançada. ( ) Pode ser agrupada em três categorias: nascente, inter- mediária e estabilizada. 2) Especificamente em relação ao mercado, as inovações po- dem ser agrupadas em grandes grupos, segundo as forças de desenvolvimento que lhes deram origem. Assinale so- mente as assertivas verdadeiras. ( ) Empurradas pela tecnologia (market pull). Puxadas pelo mercado (technology push). ( ) Empurradas pela tecnologia (technology push). Puxa- das pelo mercado (market pull). ( ) Nenhuma das assertivas é verdadeira. ( ) A que aponta para as necessidades explicitadas pelos usuários e consumidores (demand- pull). ( ) A definida pela tecnologia como um fator quase autô- nomo derivado da ciência (technology push). Capítulo 4 Tipologia da Inovação 99 3) Na visão contemporânea de inovação de Schumpeter, existem cinco tipos de inovação. Assinale somente uma assertiva como verdadeira. ( ) Introdução de um antigo bem ou de uma nova quali- dade de um bem. Introdução de um novo método de produção. Abertura de um novo mercado. Conquista de uma nova fonte de matéria-prima. Aparecimento de uma nova estrutura de organização. ( ) Introdução de um novo bem ou de uma nova quali- dade de um bem. Introdução de um novo método de produção. Abertura de um novo mercado. Conquista de uma falsa fonte de matéria-prima. Aparecimento de uma nova estrutura de organização. ( ) Introdução de um novo bem ou de uma nova quali- dade de um bem. Introdução de um novo método de produção. Abertura de um novo mercado. Conquista de uma nova fonte de matéria-prima. Aparecimento de uma antiga estrutura de organização. ( ) Introdução de um novo bem ou de uma nova quali- dade de um bem. Introdução de um novo método de produção. Abertura de um novo mercado. Conquista de uma nova fonte de matéria-prima. Aparecimento de uma nova estrutura de organização. ( ) Nenhuma das assertivas é verdadeira. 4) No Manual de Oslo, aparecem alguns tipos de inovação. Assinale somente as assertivas verdadeiras. 100 Gestão da Inovação ( ) Inovações de produto, inovações em processo. ( ) Inovações de posição, inovações de paradigma. ( ) Inovações organizacionais, inovações em marketing. ( ) Inovações substitutivas, inovações integrativas. ( ) Inovações de sistema, inovações paradigmáticas. 5) Sobre inovações incrementais e radicais, assinale somente as alternativas verdadeiras. ( ) Inovações radicais são modificações amplas, de gran- de porte, apropriadas aos produtos ou serviços de forma abrupta ou descontínua. Por isso, são também chamadas de inovações descontínuas. ( ) Inovações incrementais são constituídas de mudanças abrangentes afetando mais de um setor e dando ori- gem a novas atividades econômicas. ( ) Inovações incrementais são as modificações ou melho- rias de pequeno porte apropriadas aos produtos e ser- viços, de forma mais ou menos contínua. Por isso, são chamadas também de inovações ou melhorias contí- nuas. ( ) Inovações radicais são mudanças que afetam toda a economia envolvendo mudanças técnicas e organiza- cionais, alterando produtos e processos, criando novas indústrias e estabelecendo trajetórias de inovações por várias décadas. ( ) Todas as assertivas são verdadeiras. Mauro Corte Real1 Capítulo 5 Aspectos Legais sobre a Inovação 1 Mauro Corte Real é professor dos Cursos de Administração e Graduação Tecno- lógica da ULBRA. Mestre em Administração com ênfase em Tecnologia e Produção pela Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Foi bolsista do CNPq e da FAPERGS como pesquisador assistente, Diretor da Diretoria de Ciências da SEC-RS, do Museu Riograndense de Ciências Naturais, do Grupo Habitasul e da Demanda Propaganda. Criou e coordenou o Projeto de Visão/Planejamento Estratégico do Centro de Excelência Empresarial – CENEX, foi CLO – Chief Learning Office da Datasul Brasil, foi também diretor de empresas de turismo, hotéis e prestadoras de serviço. É autor de diversos livros entre os quais “Perfil da Indústria Brasileira de Biotecnologia Focado nas Relações com o Mer- cado”, “Marketing de Tecnologia para Empresas de Base Tecnológica”, “Gestão Empresarial”, “Paris Gourmet” e “O Ritual do Vinho”. 102 Gestão da Inovação Introdução Neste capítulo, trata-se de apresentar os aspectos legais, mais especificamente as leis relativas à inovação no Brasil. Considerando três vertentes do marco regulatório, apresenta- -se em primeiro lugar a enunciação das próprias vertentes e seguem-se as principais leis que constituem esse marco. A Lei da Inovação, A Lei do Bem, a Lei da Propriedade Industrial e A lei dos Direitos Autorais. Espera-se que o conhecimento dessas leis, ainda que de forma introdutória, consiga situ- ar o administrador/gestor em relação à essência do marco regulatório pertinente à inovação e a sua gestão, em nível nacional. 1 Vertentes do marco regulatório à inovação No Brasil, a questão à inovação tem um marco regulatório for- madopor um conjunto de leis em vigor atualmente (Lacerda, 2007). De acordo com a Cicco & Santos (s/d, p. 19-21), o marco regulatório da inovação está organizado em torno de três ver- tentes, a saber: Capítulo 5 Aspectos Legais sobre a Inovação 103 Vertente I Vertente II Vertente III Constituição de ambiente propício às parcerias estratégicas entre as universidades, institutos tecnológicos e empresas. Estimulo à participação de instituições de ciência e tecnologia no processo de inovação. Incentivo à inovação na empresa. Figura 1 Vertentes do marco regulatório. Fonte: inspirado em Cicco & Santos (s/d, p. 19-21). Material disponível na Internet e de grande valia para um cenário geral sobre a inovação e seus marcos regulatórios é a Cartilha de propriedade intelectual e inovação, INME- TRO, s/d. com texto dos autores referidos, disponível em: www.inmetro.gov.br/inovacao/pdf/cartilha_pi_tt.pdf. Quanto à parte legal, de forma especial podemos conside- rar algumas leis e regulamentações entre as quais sobressaem a chamada Lei da Inovação, a chamada Lei do Bem, e a re- gulamentação dos incentivos fiscais às pesquisas tecnológicas e desenvolvimento da inovação. Também assim, a Lei da Pro- priedade Industrial e A lei dos direitos Autorais. Comecemos por apresentar o marco maior, a Lei 10.973 conhecida como Lei da Inovação. 104 Gestão da Inovação 2 Lei da Inovação A chamada Lei da Inovação é a Lei 10.973, de 2 de dezembro de 2004. Ela dispõe sobre incentivos à inovação e à pesqui- sa científica e tecnológica no ambiente produtivo e dá outras providências. Em seu Art. 1º, essa Lei estabelece medidas de incentivo à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo, com vistas à capacitação e ao alcance da autono- mia tecnológica e ao desenvolvimento industrial do País, nos termos dos artigos 218 e 219 da Constituição do Brasil. O que dizem esses artigos? Vejamos cada um deles: “O Art. 218 – O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacita- ção tecnológicas. § 1º – A pesquisa científica básica receberá tratamento prioritário do Estado, tendo em vista o bem público e o progresso das ciências. § 2º – A pesquisa tecnológica voltar-se-á preponderan- temente para a solução dos problemas brasileiros e para o desenvolvimento do sistema produtivo nacional e re- gional. § 3º – O Estado apoiará a formação de recursos hu- manos nas áreas de ciência, pesquisa e tecnologia, e concederá aos que delas se ocupem meios e condições especiais de trabalho. Capítulo 5 Aspectos Legais sobre a Inovação 105 § 4º – A lei apoiará e estimulará as empresas que invis- tam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos hu- manos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, par- ticipação nos ganhos econômicos resultantes da produti- vidade de seu trabalho. O Art. 219 – O mercado interno integra o patrimô- nio nacional e será incentivado de modo a viabili- zar o desenvolvimento cultural e sócio-econômico, o bem-estar da população e a autonomia tecnológica do País, nos termos de lei federal”. Voltando a Lei da Inovação, ela em seu Art. 2º dispõe: “Para os efeitos desta Lei, considera-se: I – agência de fomento: órgão ou instituição de natu- reza pública ou privada que tenha entre os seus objetivos o financiamento de ações que visem a estimular e pro- mover o desenvolvimento da ciência, da tecnologia e da inovação; II – criação: invenção, modelo de utilidade, desenho industrial, programa de computador, topografia de circuito integrado, nova cultivar ou cultivar essen- cialmente derivada e qualquer outro desenvolvi- mento tecnológico que acarrete ou possa acarretar o surgimento de novo produto, processo ou aper- feiçoamento incremental, obtida por um ou mais criadores; 106 Gestão da Inovação III – criador: pesquisador que seja inventor, obtentor ou autor de criação; IV – inovação: introdução de novidade ou aperfeiço- amento no ambiente produtivo ou social que resulte em novos produtos, processos ou serviços; V – Instituição Científica e Tecnológica – ICT: órgão ou entidade da administração pública que tenha por missão institucional, dentre outras, executar atividades de pesquisa básica ou aplicada de caráter científico ou tecnológico; VI – núcleo de inovação tecnológica: núcleo ou órgão constituído por uma ou mais ICT com a finalidade de gerir sua política de inovação; VII – instituição de apoio: instituições criadas sob o am- paro da Lei no 8.958, de 20 de dezembro de 1994, com a finalidade de dar apoio a projetos de pesquisa, ensino e extensão e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico; VIII – pesquisador público: ocupante de cargo efetivo, cargo militar ou emprego público que realize pesquisa básica ou aplicada de caráter científico ou tecnológico; e IX – inventor independente: pessoa física, não ocupan- te de cargo efetivo, cargo militar ou emprego público, que seja inventor, obtentor ou autor de criação.” Capítulo 5 Aspectos Legais sobre a Inovação 107 Em seu Capítulo II, Do estímulo à construção de am- bientes especializados e cooperativos de inovação, a lei prescreve em seu “Art. 3o A União, os Estados, o Distrito Federal, os Muni- cípios e as respectivas agências de fomento poderão es- timular e apoiar a constituição de alianças estratégi- cas e o desenvolvimento de projetos de cooperação envolvendo empresas nacionais, ICT e organizações de direito privado sem fins lucrativos voltadas para atividades de pesquisa e desenvolvimento, que ob- jetivem a geração de produtos e processos inova- dores. Parágrafo único. O apoio previsto neste artigo po- derá contemplar as redes e os projetos internacio- nais de pesquisa tecnológica, bem como ações de empreendedorismo tecnológico e de criação de am- bientes de inovação, inclusive incubadoras e par- ques tecnológicos.” Mais adiante, em seu “Capítulo IV, Do estímulo à inovação nas empresas, a Lei prevê, em seu Art. 19. A União, as ICT e as agên- cias de fomento promoverão e incentivarão o de- senvolvimento de produtos e processos inovadores em empresas nacionais e nas entidades nacionais de direito privado sem fins lucrativos voltadas para atividades de pesquisa, mediante a concessão de recursos financeiros, humanos, materiais ou de in- fra-estrutura, a serem ajustados em convênios ou 108 Gestão da Inovação contratos específicos, destinados a apoiar ativida- des de pesquisa e desenvolvimento, para atender às prioridades da política industrial e tecnológica nacional. § 5o Os recursos de que trata o § 4o deste artigo serão objeto de programação orçamentária em categoria es- pecífica do FNDCT, não sendo obrigatória sua aplicação na destinação setorial originária, sem prejuízo da aloca- ção de outros recursos do FNDCT destinados à subven- ção econômica. Art. 20. Os órgãos e entidades da administração públi- ca, em matéria de interesse público, poderão contratar empresa, consórcio de empresas e entidades nacionais de direito privado sem fins lucrativos voltadas para ati- vidades de pesquisa, de reconhecida capacitação tec- nológica no setor, visando à realização de atividades de pesquisa e desenvolvimento, que envolvam risco tecno- lógico, para solução de problema técnico específico ou obtenção de produto ou processo inovador. Art. 21. As agências de fomento deverão promover, por meio de programas específicos, ações de estí- mulo à inovação nas micro e pequenas empresas, inclusive mediante extensão tecnológica realizada pelas ICT”. Como se pode ver pelo teor da lei, ela dispõe sobre in- centivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica, noambiente produtivo, inclusive nas empresas ou em parcerias com elas. Capítulo 5 Aspectos Legais sobre a Inovação 109 Na linha da vertente II a Lei contempla diversos mecanis- mos de apoio e estímulo à constituição de alianças estratégi- cas e ao desenvolvimento de projetos cooperativos entre uni- versidades, institutos tecnológicos e empresas nacionais, entre os quais a:  Estruturação de redes e projetos internacionais de pesquisa tecnológica.  Ações de empreendedorismo tecnológico.  Criação de incubadoras e parques tecnológicos. Fica claro que a lei procura estimular: A construção de ambientes cooperativos especializados em inovação. A inovação nas empresas em cooperação com as instituições científicas. A colaboração Universidade & Empresa. O inventor independente. A estruturação de fundos de fomento e investimentos em inovação Figura 2 Estímulos da lei. Fonte: inspirado na Lei da Inovação, nº 10.973. 110 Gestão da Inovação A Lei da Inovação pode ser encontrada em sua integrali- dade em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.973.htm 3 Lei do Bem O segundo marco regulatório fundamental para a inovação, no contexto brasileiro, é a chamada Lei do Bem. A Lei 11.196 de 21 de novembro de 2005, conhecida como Lei do Bem, dispõe sobre incentivos fiscais para inovação tecnológica. No site do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, é apre- sentado o Capítulo III, que diz respeito à inovação. É o seguin- te texto: “A Lei n.º 11.196, de 21 de novembro de 2005, co- nhecida como Lei do Bem, em seu Capítulo III, artigos 17 a 26, e regulamentada pelo Decreto nº 5.798, de 7 de junho de 2006, que consolidou os incentivos fis- cais que as pessoas jurídicas podem usufruir de forma automática desde que realizem pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica. Esse Capítulo foi editado por determinação da Lei n.º 10.973/2004 – Lei da Inovação, fortalecendo o novo marco legal para apoio ao desenvolvimento tecnológico e inovação nas empresas brasileiras. Os benefícios do Capítulo III da Lei do Bem são basea- dos em incentivos fiscais, tais como: Capítulo 5 Aspectos Legais sobre a Inovação 111  Deduções de Imposto de Renda e da Contribuição so- bre o Lucro Líquido – CSLL de dispêndios efetuados em atividades de P&D.  A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI na compra de máquinas e equipamentos para P&D.  Depreciação acelerada desses bens.  Amortização acelerada de bens intangíveis.  Redução do Imposto de Renda retido na fonte inciden- te sobre remessa ao exterior resultantes de contratos de transferência de tecnologia (revogado pela MP 497, de 27 de julho de 2010).  Isenção do Imposto de Renda retido na fonte nas re- messas efetuadas para o exterior destinada ao registro e manutenção de marcas, patentes e cultivares. ou subvenções econômicas, incorporada a linha de fi- nanciamento Finep Inova Brasil, concedidas em virtude de contratações de pesquisadores, titulados como mes- tres ou doutores, empregados em empresas para realizar atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação tec- nológica. Consta também da referida lei que: ____________________________________________________ 112 Gestão da Inovação “considera-se inovação tecnológica a concepção de novo produto ou processo de fabricação, bem como a agregação de novas funcionalidades ou características ao produto ou processo que implique melhorias incre- mentais e efetivo ganho de qualidade ou produtividade, resultando maior competitividade no mercado”. ____________________________________________________ Fica evidente que a lei contempla tanto o novo produto ou processo que implique em inovação disruptiva ou radical, quanto à melhoria incremental que implique ganho, sempre tendo em mira a competitividade no mercado. A Lei do Bem pode ser encontrada em sua integralidade em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11196.htm O site do MCTI – Ministério de Ciência, Tecnologia e Ino- vação, apresenta também quais as atividades que têm diretos aos benefícios, tendo em foco a área de P&D – Pesquisa e Desenvolvimento – da empresa. “Os benefícios visam estimular a fase de maior incerteza quanto à obtenção de resultados econômicos e financeiros pelas empresas no processo de criação e testes de novos pro- dutos, processos ou aperfeiçoamento dos mesmos (risco tec- nológico). Capítulo 5 Aspectos Legais sobre a Inovação 113 As atividades de P&D não precisam se relacionar ne- cessariamente à atividade fim da empresa, bastando que sejam classificadas como no Decreto nº 5.798/2006: - Pesquisa básica dirigida: os trabalhos executados com o objetivo de adquirir conhecimentos quanto à com- preensão de novos fenômenos, com vistas ao desenvol- vimento de produtos, processos ou sistemas inovadores; - Pesquisa aplicada: são os trabalhos executados com o objetivo de adquirir novos conhecimentos, com vistas ao desenvolvimento ou aprimoramento de produtos, pro- cessos e sistemas; - Desenvolvimento experimental: são os trabalhos sistemáticos delineados a partir de conhecimentos pré- -existentes, visando a comprovação ou demonstração da viabilidade técnica ou funcional de novos produtos, pro- cessos, sistemas e serviços ou, ainda, um evidente aper- feiçoamento dos já produzidos ou estabelecidos; - Atividades de tecnologia industrial básica: tais como aferição e calibração de máquinas e equipamen- tos, o projeto e a confecção de instrumentos de medida específicos, a certificação de conformidade, inclusive os ensaios correspondentes, a normalização ou a documen- tação técnica gerada e o patenteamento do produto ou processo desenvolvido; - Serviços de apoio técnico: são aqueles indispensá- veis à implantação e à manutenção das instalações ou dos equipamentos destinados exclusivamente à execução 114 Gestão da Inovação dos projetos de pesquisa, desenvolvimento ou inovação tecnológica, bem como à capacitação dos recursos hu- manos a eles dedicados.” O endereço do site do MCTI é o seguinte: www.mct.gov.br/index.php/content/view/8563.html Para orientar o apoio e incentivos que podem ser usados no desenvolvimento da inovação, a ANPEI, Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Ino- vadoras e o Ministério de Ciência e Tecnologia organizaram o “Guia Prático de Apoio à Inovação: Onde e como conseguir apoio para promover apoio em sua empresa”. O guia está disponível em sua versão eletrônica e pode ser acessado pelos sites seguintes: www.anpei.org.br e http://proinova.isat.com.br/Home.htm. Capítulo 5 Aspectos Legais sobre a Inovação 115 Figura 3 Guia Prático de Apoio à Inovação. Fonte: ANPEI. 4 Lei da Propriedade Industrial Lei 9.279 de 14 de maio de 1996 que regula direitos e obri- gações relativos à propriedade industrial. Nas disposições pre- liminares, o artigo segundo explica que: Art. 2º A proteção dos direitos relativos à propriedade in- dustrial, considerado o seu interesse social e o desenvolvimen- to tecnológico e econômico do País, efetua-se mediante: I concessão de patentes de invenção e de modelo de utilidade; II concessão de registro de desenho industrial; 116 Gestão da Inovação III concessão de registro de marca; IV repressão às falsas indicações geográficas; e V repressão à concorrência desleal”. E mais adiante a lei explicita, em seu “Art. 5º Consideram- -se bens móveis, para os efeitos legais, os direitos de proprie- dade industrial”. Para o escopo da Cartilha Propriedade Intelectual e Ino- vação do INMETRO, (s/), a propriedade industrial será consi- derada como os bens intangíveis protegíveis sob a forma de: – Patente de invenção ou de Modelo de utilidade;– Registro de Desenho Industrial – Registro de Marcas. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI é uma autarquia federal vinculada ao Ministério do Desenvolvimen- to, Indústria e Comércio Exterior, responsável por registros de marcas, concessão de patentes, averbação de contratos de transferência de tecnologia e de franquia empresarial, e por registros de programas de computador, desenho industrial e indicações geográficas, de acordo com a Lei da Proprie- dade Industrial (Lei nº 9.279/96) e a Lei de Software (Lei nº 9.609/98). O que o INPI registra? Patentes de invenção, registro de desenho industrial e registro de marca. Capítulo 5 Aspectos Legais sobre a Inovação 117 Figura 4 O que o INPI registra. Fonte: inspirado na Lei de Propriedade Industrial. Patente de invenção De acordo com a cartilha do INMETRO, para ser encaminhado um pedido de registro de patente, a invenção deve apresentar características listadas no quadro a seguir apresentado (p. 7-8). Quadro 1 Características da patente de invenção CARACTERÍSTICAS DA PATENTE DE INVENÇÃO Novidade A solução apresentada no pedido de patente para resolver determinado problema técnico deve ser inédita, isto é, não pode ter sido divulgada antes da data do depósito. Atividade inventiva A solução apresentada não deve ser óbvia para um técnico no assunto. Aplicação industrial O invento pode ser fabricado industrialmente. Fonte: inspirado na cartilha do INMETRO. 118 Gestão da Inovação Registro de desenho industrial Considera-se desenho industrial a forma plástica ornamental de um objeto ou o conjunto ornamental de linhas e cores que possa ser aplicado a um produto, proporcionando resultado visual novo e original na sua configuração externa e que possa servir de tipo de fabricação industrial. Registro de marcas Uma marca é todo sinal distintivo, visualmente perceptível, que identifica e distingue produtos e serviços de outros análogos. A Lei da Propriedade Industrial pode ser encontrada em sua integralidade em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm 5 Lei dos Direitos Autorais As chamadas genericamente de Leis dos Direitos Autorais refe- rem-se aos direitos de autores sobre suas obras ou produções intelectuais, sejam estas de ordem literária, artística ou cientí- fica. O ECAD diz que: “direito autoral é um conjunto de prerro- gativas conferidas por lei à pessoa física ou jurídica criadora da obra intelectual, para que ela possa gozar dos benefícios morais e patrimoniais resultantes da exploração de suas cria- Capítulo 5 Aspectos Legais sobre a Inovação 119 ções.” (http://www.ecad.org.br/pt/direito-autoral/o-que-e- -direito-autoral). No Portal Brasil, consta que: “No Brasil, a Lei nº 9.610, de 1998 regula os direitos au- torais, cuja gestão está a cargo da Diretoria de Direitos Intelectuais, do Ministério da Cultura (MinC). Pela legis- lação brasileira, o criador de toda obra intelectual deve ser recompensado pelo uso dessa produção. Obras e invenções que não sejam de caráter literário, artístico ou científico, como programas de computador, embora sejam protegidas pelos direitos autorais, estão sob responsabilidade do Ministério da Ciência e Tecno- logia (MCT) e são reguladas pela Lei nº 9.609, também de 1998.” Antes de mais nada, o que diz a Constituição Federal à respeito dos direitos autorais? Em seu artigo 5º, XXVII – aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar. A chamada Lei dos Direitos Autorais é a 9.610 de 1998. E assim trata do tema, em uma seleção de partes que nos in- teressam: “Art. 1º. Esta Lei regula os direitos autorais, entendendo- -se sob esta denominação os direitos do autor e os que lhe são conexos. Art. 5º. Para os efeitos desta Lei, considera-se: 120 Gestão da Inovação I – publicação – o oferecimento da obra literária, artística ou científica ao conhecimento do público, com o conhe- cimento do autor, ou de qualquer outro titular de direito de autor, por qualquer forma ou processo;................ IV – distribuição – colocação à disposição do público do original ou cópia de obras, mediante a venda, locação ou qualquer outra forma de transferência de propriedade ou posse;.............. VI – reprodução – a cópia de um ou mais exemplares de uma obra literária incluindo qualquer armazenamento permanente ou temporário por meios eletrônicos, ou qual- quer outro meio de fixação que venha a ser desenvolvido; VII – contrafação – a reprodução não autorizada; VIII – editor – a pessoa física ou jurídica à qual se atri- bui o direito exclusivo de reprodução da obra e o dever de divulgá-la, nos limites previstos no contrato de edi- ção............... Art. 7º. São obras intelectuais protegidas as criações de espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer su- porte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, como: I – os textos de obras literárias, artísticas ou científi- cas;........... Art. 22. Pertencem ao autor os direitos morais e pa- trimoniais sobre a obra que criou................. Capítulo 5 Aspectos Legais sobre a Inovação 121 Art. 24. São direitos morais do autor:................... IV – o de assegurar a integridade da obra, opondo-se a quaisquer modificações ou à prática de atos que, de qualquer forma, possam prejudicá-la ou atingi-la, como autor em sua reputação ou honra; A Lei dos Direitos Autorais pode ser encontrada em sua integralidade em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9610.htm Recapitulando No Brasil, a questão à inovação tem um marco regulatório formado por um conjunto de leis em vigor atualmente. O mar- co regulatório da inovação está organizado em torno de três vertentes: I) Constituição de ambiente propício às parcerias es- tratégicas entre as universidades, institutos tecnológicos e em- presas. II) Estimulo à participação de instituições de ciência e tecnologia no processo de inovação. III) Incentivo à inovação na empresa. Quanto à parte legal, podemos considerar algumas leis e regulamentações entre as quais a chamada Lei da Inovação, a chamada Lei do Bem, e a regulamentação dos incentivos fiscais às pesquisas tecnológicas e desenvolvimento da inova- ção. Também assim, a Lei da Propriedade Industrial e A lei dos direitos Autorais. 122 Gestão da Inovação A chamada Lei da Inovação é a Lei 10.973 e dispõe sobre incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo e dá outras providências, nos termos dos artigos. 218 e 219 da Constituição do Brasil, que dizem, o Art. 218, o Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas. E o Art. 219, o mercado interno integra o patrimônio nacional e será incentivado de modo a viabilizar o desenvolvimento cultural e sócio-econômico, o bem-estar da população e a autonomia tecnológica do País. No Art. 2º a lei da inovação dispõe sobre agência de fo- mento, criação, invenção, modelo de utilidade, desenho in- dustrial, programa de computador, topografia de circuito in- tegrado, nova cultivar ou cultivar essencialmente derivada e qualquer outro desenvolvimento tecnológico que acarrete ou possa acarretar o surgimento de novo produto, processo ou aperfeiçoamento incremental, obtida por um ou mais criado- res. Dispõe também sobre criador, pesquisador que seja in- ventor, obtentor ou autor de criação. Explicita inovação como a introdução de novidade ou aperfeiçoamento no ambiente produtivo ou social que resulte em novos produtos, processos ou serviços. Dispõe ainda sobre Instituição Científica e Tecno- lógica – ICT, núcleo de inovação tecnológica, instituição de apoio, pesquisador público einventor independente. Em seu Capítulo II, do estímulo à construção de ambientes especializados e cooperativos de inovação, no art. 3º trata da constituição de alianças estratégicas e o desenvolvimento de projetos de cooperação envolvendo empresas nacionais, organizações sem fins lucrativos voltadas para atividades de pesquisa e desenvolvimento, apoio a atividades de pesquisa Capítulo 5 Aspectos Legais sobre a Inovação 123 e desenvolvimento, que objetivem a geração de produtos e processos inovadores. O apoio poderá contemplar as redes e os projetos interna- cionais de pesquisa tecnológica, bem como ações de empre- endedorismo tecnológico e de criação de ambientes de inova- ção, inclusive incubadoras e parques tecnológicos. No estímulo à inovação nas empresas, a Lei prevê que as agências de fomento promoverão e incentivarão o desenvol- vimento de produtos e processos inovadores em empresas na- cionais e nas entidades nacionais de direito privado sem fins lucrativos voltadas para atividades de pesquisa, mediante a concessão de recursos financeiros, humanos, materiais ou de infraestrutura, a serem ajustados em convênios ou contratos específicos, destinados a apoiar atividades de pesquisa e de- senvolvimento, para atender às prioridades da política indus- trial e tecnológica nacional. Reza também que as agências de fomento deverão promo- ver, por meio de programas específicos, ações de estímulo à inovação nas micro e pequenas empresas, inclusive mediante extensão tecnológica realizada pelas ICT. Como se pode ver pelo teor da lei, ela dispõe sobre in- centivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica, no ambiente produtivo, inclusive nas empresas ou em parcerias com elas. Na linha da vertente II, a Lei contempla diversos mecanis- mos de apoio e estímulo à constituição de alianças estratégi- cas e ao desenvolvimento de projetos cooperativos entre uni- 124 Gestão da Inovação versidades, institutos tecnológicos e empresas nacionais, entre os quais a: estruturação de redes e projetos internacionais de pesquisa tecnológica; ações de empreendedorismo tecnológi- co e criação de incubadoras e parques tecnológicos. A Lei do Bem, o segundo marco regulatório fundamental para a inovação, no contexto brasileiro, dispõe sobre incenti- vos fiscais para inovação tecnológica. No Capítulo III, que diz respeito à inovação, consolidou os incentivos fiscais que as pessoas jurídicas podem usufruir de forma automática desde que realizem pesquisa tecnológica e desenvolvimento de ino- vação tecnológica. Os benefícios da Lei do Bem são baseados em incentivos fiscais, tais como: deduções de Imposto de Renda e da Con- tribuição sobre o Lucro Líquido; a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados na compra de máquinas e equipa- mentos para P&D; depreciação acelerada desses bens; amor- tização acelerada de bens intangíveis; redução do Imposto de Renda retido na fonte; isenção do Imposto de Renda retido na fonte nas remessas efetuadas para o exterior destinada ao re- gistro e manutenção de marcas, patentes e cultivares; ou sub- venções econômicas, incorporadas à linha de financiamento Finep Inova Brasil, concedidas em virtude de contratações de pesquisadores, titulados como mestres ou doutores, emprega- dos em empresas para realizar atividades de pesquisa, desen- volvimento e inovação tecnológica. Na referida lei que considera-se inovação tecnológica a concepção de novo produto ou processo de fabricação, bem como a agregação de novas funcionalidades ou característi- Capítulo 5 Aspectos Legais sobre a Inovação 125 cas ao produto ou processo que implique melhorias incremen- tais e efetivo ganho de qualidade ou produtividade, resultando maior competitividade no mercado. Fica evidente que a lei contempla tanto o novo produto ou processo que implique em inovação disruptiva ou radical, quanto à melhoria incremental que implique ganho, sempre tendo em mira a competitividade no mercado. Os benefícios visam estimular a fase de maior incerteza quanto à obtenção de resultados econômicos e financeiros pelas empresas no processo de criação e testes de novos pro- dutos, processos ou aperfeiçoamento dos mesmos (risco tec- nológico). As atividades de P&D não precisam se relacionar neces- sariamente à atividade fim da empresa, bastando que sejam classificadas como: pesquisa básica dirigida; pesquisa aplica- da; desenvolvimento experimental; atividades de tecnologia industrial básica e serviços de apoio técnico. A Lei da Propriedade Industrial, nº 9.279 de 14/04/1996 regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial. Explica que a proteção dos direitos relativos à propriedade industrial, considerado o seu interesse social e o desenvolvi- mento tecnológico e econômico do País, efetua-se mediante: a concessão de patentes de invenção e de modelo de utilidade; a concessão de registro de desenho industrial; a concessão de registro de marca; a repressão às falsas indicações geográfi- cas e a repressão à concorrência desleal. A lei explicita que consideram-se bens móveis, para os efeitos legais, os direitos de propriedade industrial. 126 Gestão da Inovação A propriedade industrial será considerada como os bens intangíveis protegíveis sob a forma de: patente de invenção ou de modelo de utilidade; registro de desenho industrial; registro de marcas. A Lei dos Direitos Autorais, nº 9610 de 1988, refere-se aos direitos de autores sobre suas obras ou produções intelectu- ais, sejam estas de ordem literária, artística ou científica. Pela legislação brasileira, o criador de toda obra intelectual deve ser recompensado pelo uso dessa produção. O ECAD diz que direito autoral é um conjunto de prerrogativas conferidas por lei à pessoa física ou jurídica criadora da obra intelectual, para que ela possa gozar dos benefícios morais e patrimoniais re- sultantes da exploração de suas criações. Antes de mais nada, o que diz a Constituição Federal à respeito dos direitos auto- rais? Em seu artigo 5º, XXVII – aos autores pertence o direi- to exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar. Para os efeitos desta Lei, considera-se: publicação; distribui- ção; reprodução; contrafação – a reprodução não autorizada, e editor. Pertencem ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou. Referências AMPEI e Ministério de Ciência e Tecnologia. Guia Prático de Apoio à Inovação: onde e como conseguir apoio para promover apoio em sua empresa”. Disponível em: <www. Capítulo 5 Aspectos Legais sobre a Inovação 127 anpei.org.br> e <http://proinova.isat.com.br/Home. htm>. Acesso em: 20 set 2014. BRASIL. Lei da Inovação. Disponível em: <http://www.pla- nalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.973. htm>. Acesso em: 16 set 2014. BRASIL. Lei da Propriedade Industrial. Disponível em: <www. planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm>. Acesso em: 18 set 2014. BRASIL. Lei do Bem. Disponível em: <http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11196.htm>. Acesso em: 17 set 2014. BRASIL. Lei dos Direitos Autorais. Disponível em: <http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9610.htm>. Acesso em: 19 set 2014. CICCO, Marcelo de & SANTOS, José Soler Soleira dos. Car- tilha de propriedade intelectual e inovação. INMETRO, s/d. Disponível em: <www.inmetro.gov.br/inovacao/pdf/ cartilha_pi_tt.pdf>. Acesso em: 15 set 2014. LACERDA, Nizete. Focalizando a lei da inovação. Revista Jurídica Consulex/Dialex, Ano XXV, Edição nº 73. Brasília: 2007. MCTI. Site. Disponível em: <http://www.mct.gov.br/index. php/content/view/8563.html>. Acesso em: 21 set 2014. 128 Gestão da Inovação Atividades 1) No Brasil, a questão à inovação tem um marco regulatório formado porum conjunto de leis em vigor atualmente. O marco regulatório da inovação está organizado em torno de três vertentes. Sobre as vertentes, assinale somente as assertivas verdadeiras. ( ) Vertente 1 – Constituição de ambiente propício às par- cerias estratégicas entre as universidades, institutos tecnológicos e empresas. ( ) Vertente 1 – Estruturação de redes e projetos interna- cionais de pesquisa tecnológica. ( ) Vertente 2 – Estimulo à participação de instituições de ciência e tecnologia no processo de inovação. ( ) Vertente 2 – Ações de empreendedorismo tecnológico e criação de incubadoras e parques tecnológicos. ( ) Vertente 3 – Incentivo à inovação na empresa. 2) Lei da Inovação é a Lei 10.973, de 2 de dezembro de 2004. Sobre ela, assinale somente as assertivas verdadeiras. ( ) Estabelece medidas de incentivo à inovação e à pesqui- sa científica e tecnológica no ambiente produtivo, com vistas à capacitação e ao alcance da autonomia tecno- lógica e ao desenvolvimento industrial do País, nos ter- mos dos artigos. 218 e 219 da Constituição do Brasil. ( ) Dispõe sobre incentivos fiscais para inovação tecnoló- gica. Capítulo 5 Aspectos Legais sobre a Inovação 129 ( ) Regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial. ( ) Referem-se aos direitos de autores sobre suas obras ou produções intelectuais, sejam estas de ordem literária, artística ou científica. ( ) Dispõe sobre incentivos à inovação e à pesquisa cien- tífica e tecnológica no ambiente produtivo e dá outras providências. 3) Sobre a Lei 11.196 de 21 de novembro de 2005, conhe- cida como Lei do Bem, assinale somente uma assertiva como verdadeira. ( ) A lei contempla o novo produto ou processo que im- plique em inovação disruptiva ou radical, e não a me- lhoria incremental que implique ganho, sempre tendo em mira a competitividade no mercado. ( ) A lei contempla tanto o novo produto ou processo que implique em inovação disruptiva ou radical, quanto à melhoria incremental que implique ganho, sempre ten- do em mira a competitividade no mercado. ( ) A lei trata de concessão de patentes de invenção e de modelo de utilidade; concessão de registro de de- senho industrial; concessão de registro de marca; re- pressão às falsas indicações geográficas; repressão à concorrência desleal. ( ) A lei trata de um conjunto de prerrogativas conferidas por lei à pessoa física ou jurídica criadora da obra in- 130 Gestão da Inovação telectual, para que ela possa gozar dos benefícios mo- rais e patrimoniais resultantes da exploração de suas criações. ( ) Nenhuma das assertivas é verdadeira. 4) Sobre a Lei 9.279 de 14 de maio de 1996 que regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial, as- sinale somente as assertivas verdadeiras. ( ) A lei diz respeito à concessão de patentes de invenção e de modelo de utilidade; concessão de registro de desenho industrial. ( ) A lei diz respeito aos direitos de autores sobre suas obras ou produções intelectuais, sejam estas de ordem literária, artística ou científica. ( ) A lei diz respeito a incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo e dá outras providências. ( ) A lei diz respeito a repressão às falsas indicações geo- gráficas e repressão à concorrência desleal. ( ) A lei diz respeito à concessão de registro de marca. 5) Sobre a chamada Lei dos Direitos Autorais nº 9.610 de 1998, assinale somente as alternativas verdadeiras. ( ) Esta Lei regula os direitos autorais, entendendo-se sob esta denominação os direitos do autor e os que lhe são conexos. Capítulo 5 Aspectos Legais sobre a Inovação 131 ( ) Esta lei regula sobre contrafação – a reprodução não autorizada. ( ) Estabelece que pertencem ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou. ( ) Estabelece que pertencem ao editor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra. ( ) Todas as assertivas anteriores são verdadeiras. Mauro Corte Real1 Capítulo 6 Fontes de Inovação na Empresa 1 Mauro Corte Real é professor dos Cursos de Administração e Graduação Tecno- lógica da ULBRA. Mestre em Administração com ênfase em Tecnologia e Produção pela Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Foi bolsista do CNPq e da FAPERGS como pesquisador assistente, Diretor da Diretoria de Ciências da SEC-RS, do Museu Riograndense de Ciências Naturais, do Grupo Habitasul e da Demanda Propaganda. Criou e coordenou o Projeto de Visão/Planejamento Estratégico do Centro de Excelência Empresarial – CENEX, foi CLO – Chief Learning Office da Datasul Brasil, foi também diretor de empresas de turismo, hotéis e prestadoras de serviço. É autor de diversos livros entre os quais “Perfil da Indústria Brasileira de Biotecnologia Focado nas Relações com o Mer- cado”, “Marketing de Tecnologia para Empresas de Base Tecnológica”, “Gestão Empresarial”, “Paris Gourmet” e “O Ritual do Vinho”. Capítulo 6 Fontes de Inovação na Empresa 133 Introdução Neste capítulo, trata-se de apresentar as diferentes fontes de que se vale a empresa para inovar. Inicialmente, apresentam-se as formas das fontes, começam pelo desenvolvimento próprio na área de P&D. A seguir, trata-se das formas de aprendizado cumulativo. Seguem-se as fontes interno/externas e as alian- ças estratégicas para apropriar fontes de inovação. Discute-se sobre as diferenças entre as fontes de inovação fechadas e abertas e conclui-se por apresentar a inovação aberta, open innovation, como uma alternativa imprescindível para ser um player efetivo na arena competitiva de um futuro próximo. 1 Fontes de inovação A inovação não é exógena e tampouco é endógena à em- presa. Existem diferentes fontes de inovação, tanto de origem interna quanto externa que são usadas pela empresa. Todas podem ser usadas para lançar novos produtos, para melhorar processos, adotar novos métodos de gestão organizacional e aumentar a competitividade (Tigre, 2014, p. 93). As fontes de inovação de que se apropria a empresa para desenvolver a inovação são diversas e variadas. As principais, segundo o mesmo autor, classificadas segundo a origem da informação e do conhecimento utilizado:  Desenvolvimento tecnológico próprio.  Transferência de tecnologia. 134 Gestão da Inovação  Tecnologia incorporada em bens de capital e insumos críticos.  Conhecimento codificado.  Conhecimento tácito.  Aprendizado cumulativo.  Alianças estratégicas. A mais básica e tradicional é o desenvolvimento tecnológi- co na própria empresa, no setor ou área de P&D, pesquisa e desenvolvimento. Vejamos em que consistem cada uma dessas fontes de ino- vação, conforme o apresentado no quadro a seguir: Quadro 1 Fontes de Inovação FONTES DE INOVAÇÃO EXEMPLOS DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO PRÓPRIO P&D, engenharia reversa, experimentação, participação em redes de pesquisa. CONTRATOS DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA Licenças e patentes, contratos com universidades e centros de pesquisa. TECNOLOGIA INCORPORADA Máquinas, equipamentos e software embutido. CONHECIMENTO CODIFICADO Livros, manuais, revistas técnicas, Internet, feiras e exposições, software aplicativo, cursos e programas educacionais. CONHECIMENTO TÁCITO Aprendizado cognitivo, contratação de RH experiente, consultores, informações de clientes e fornecedores, estágios e treinamento prático. APRENDIZADO CUMULATIVO Processo de aprender fazendo, usando, buscando, interagindo, devidamente documentado e difundido na empresa. Fonte: fontes de inovação mais utilizadas na empresa (adaptado de Tigre, 2014, p. 94). Capítulo 6 Fontes de Inovação na Empresa 135 O mesmo autor (Tigre, 2014) explica que, relativamente, as atividades de P&D,elas podem ser: Atividades internas de P&D (correspondentes a 22% dos gas- tos com inovação).  Trabalho criativo e experimental sistemático.  Ampliação do estoque de conhecimento.  Desenvolvimento de novas aplicações de produtos e processos.  Representam produtos e processos. Aquisição externa de P&D (correspondentes a 6% dos gastos com inovação).  Contratos de assistência técnica: para solucionar pro- blemas e iniciar produção, solucionar problemas e lan- çar produtos.  Licenças de fabricação e uso de marcas.  Serviços técnicos e de engenharia.  Contratação de P&D externo. Ao invés de desenvolver a tecnologia na área de P&D, pode ser feita a transferência de tecnologia. As formas de transfe- rência de tecnologia são:  Contratos de assistência técnica: para solucionar pro- blemas e iniciar produção, solucionar problemas e lan- çar produtos.  Licenças de fabricação. 136 Gestão da Inovação  Uso de marcas.  Serviços técnicos e de engenharia. A fonte de tecnologia também pode ser da tecnologia incor- porada ou embutida em máquinas ou equipamentos adquiridos pela empresa. Durante um tempo, essa era a forma mais usual. Tecnologia incorporada em máquinas e equipamentos Constitui a principal fonte de tecnologia na indústria brasileira (correspondente a 50% das inovações). É a etapa fácil da inova- ção, mas novos equipamentos necessitam de capacitação técnica e integração aos processos para atingir a produtividade normal. Conhecimento codificado  Livros, manuais, revistas técnicas, feiras e exposições, software aplicativo, relatórios, patentes, desenhos, cur- sos e programas educacionais.  Buscas na Internet e bases de dados.  Uso de ferramentas de informação é um suporte essencial. Conhecimento tácito  Capacitação de indivíduos e grupos para operar, desen- volver ou aperfeiçoar produtos e processos.  Depende da experiência e do aprendizado contínuo na solução de problemas. Capítulo 6 Fontes de Inovação na Empresa 137  Está associado ao treinamento, contratação de consul- tores e experimentação prática (aprendizado ativo).  Mais difícil de adquirir do que o conhecimento codificado. 2 Aprendizado cumulativo É o processo de aprender fazendo, usando, buscando, inte- ragindo, devidamente documentado e difundido na empresa. Aprender fazendo, usando, procurando, interagindo. No quadro a seguir apresentado, podem ser vistas as características do aprendizado cumulativo, desde o simples aprender fazendo, usando, até procurando, interagindo, por meio de spill overs industriais e com a absorção de novos co- nhecimentos externos. Quadro 2 Conhecimento cumulativo APRENDER CARACTERÍSTICAS FAZENDO Processo de aprendizado interno à empresa, relacionado com o processo produtivo. USANDO Relacionamento com o uso de insumos, equipamentos e software. PROCURANDO Baseado em busca de informações e atividades específicas de P&D. INTERAGINDO Interno e externo, relacionado com fontes a montante (fornecedores) e jusante (clientes) da cadeia produtiva, além da participação em redes virtuais temáticas. COM SPILL OVERS INTERINDUSTRIAIS Externo, através da imitação e contratação de técnicos experientes de concorrentes. COM O AVANÇO DA CIÊNCIA Externo à empresa, relacionado com a absorção de novos conhecimentos gerados pelo sistema internacional de C&T. Fonte: taxonomia dos processos de aprendizagem, Tigre, (2014 p. 105) apud Malerba (1992). 138 Gestão da Inovação Aprender interagindo O aprender interagindo é interno e externo, relacionado com fontes a montante (fornecedores) e jusante (clientes) da cadeia produtiva, além da participação em redes virtuais temáticas, pode ser apresentado em um modelo em que aparecem os insumos críticos, fornecedores da empresa, o feedback dos usuários clientes, enquanto treinados, as tecnologias internas (processos de distribuição, tecnologias de processo e de pro- duto), mais os aportes externos por meio de alianças estratégi- cas, joint ventures e consórcios de pesquisa. O modelo é original de Tigre (2014) e destaca que a em- presa pode se beneficiar do treinamento de usuários, dos pro- cessos de distribuição, das tecnologias de processo e das tec- nologias de produto, bem como participar ou se beneficiar de parceria ou alianças estratégicas, joint ventures e consórcios de empresas. Este é o modelo de aprender interagindo, inspi- rado no autor anteriormente citado. JOINT VENTURES ALIANÇAS ESTRATÉGICAS CONSÓRCIOS DE PESQUISA PROCESSOS DE DISTRIBUIÇÃO TECNOLOGIAS DE PROCESSO TECNOLOGIAS DE PRODUTO INSUMOS CRÍTICOS FEEDBACK DE USUÁRIOS TREINAMENTO DE USUÁRIOS FORNECEDORES EMPRESA CLIENTES Figura 1 Modelo do aprender interagindo. Fonte: aprender interagindo, segundo Tigre (2014, p. 106). Capítulo 6 Fontes de Inovação na Empresa 139 3 Alianças estratégicas Trott (2012) anuncia a queda da estratégia do “eu sozinho” e a ascensão da “estratégia de polvo”, realizando alianças estratégicas e redes entre empresas com capacidades comple- mentares e inserção de tecnologias, e o estabelecimento de rotinas de compartilhamento entre empresas. E apresenta as seguintes formas de alianças estratégicas:  Licenciamento  Relações de fornecimento  Terceirização  Joint Venture  Colaboração sem contrato  Consórcios de P&D  Clusters industriais  Redes de inovação  “Empresas virtuais” As empresas cooperam a partir de uma necessidade mútua e compartilham riscos a fim de alcançar um objetivo comum (p. 228). Isso potencializa recursos e esforços para inovar. Tra- ta-se, portanto, de um acordo de parceria a partir de arranjos cooperativos. A rede de inovação é uma forma de “organiza- ção virtual”. 140 Gestão da Inovação Trott (2012) descreve a formação de uma aliança estratégi- ca para a inovação da seguinte forma:  Seleção de um (ou mais) parceiro(s) adequado(s).  Negociação das necessidades de cada um levando em conta o conhecimento e o comercial.  Gestão contínua pela colaboração para assegurar be- nefício para ambas as partes. Isso pode ser visualizado no seguinte diagrama: SELEÇÃO DE PARCEIRO(S) ADEQUADO(S) 1.2. 1.3. NEGOCIAÇÃO DAS NECESSIDADES DE CADA UM CONHECIMENTO TÉCNICO CONHECIMENTO COMERCIAL GESTÃO PELA COLABORAÇÃO GESTÃO CONTÍNUA PARA ASSEGURAR BENEFÍCIO PARA AMBAS AS PARTES Figura 2 Processo de formação de uma aliança estratégica. Fonte: o processo de formação de uma aliança estratégica. Adaptado de Trott (2012, p. 244). Tradicionalmente, a inovação se realizava de forma cir- cunscrita ao setor de P&D da empresa. Ficou claro que isso vem mudando radicalmente, e o estabelecimento de parcerias ou alianças estratégicas, a aquisição e transferência de tecno- logia inovativa, a absorção de novas tecnologias embutidas em equipamentos e processos, a necessidade de viabilizar a Capítulo 6 Fontes de Inovação na Empresa 141 inovação a custos viáveis para a empresa, tudo isso vem le- vando a uma mudança de paradigma, da inovação fechada para a inovação aberta. “A busca da inovação extrapolou os limites físicos e geo- gráficos da empresa. A necessidade de ampliar a produtivida- de da inovação tem ensejado empresas de diferentes portes e setores a obterem o auxílio externo para inovar. As diferentes fases da cadeia de valor da inovação podem ser alavancadas com o aproveitamento de competências disponíveis em outras empresas, profissionais liberais, institutos de pesquisa, acade- mia e clientes.” (Scherer et al. 2009). O modelo da inovação fechada,utilizado principalmente no passado, apresentava uma receita desproporcionalmente maior do que os custos de desenvolvimento interno (quatro por um). Já o modelo aberto, que hoje é mais praticado, apresenta uma maior relação entre a receita e os custos de desenvolvi- mento externo (quase um por um), e o tempo de vida do pro- duto é menor, e maiores os riscos com inovação. 4 Inovação aberta – open innovation O modelo aberto, que começa a ser praticado, e será prati- cado principalmente no futuro, tem uma receita proporcional- mente maior do que os custos de desenvolvimento interno e externo que são reduzidos, bem como o tempo de dedicação, devido à colaboração externa. Novos mercados, spin-offs e royalties acrescentam novas receitas. O resultado é uma recei- 142 Gestão da Inovação ta final várias vezes maior do que os custos de desenvolvimen- to interno e externo. Vamos apresentar a seguir uma comparação, partindo das atividades de P&D, entre os paradigmas da inovação fechada e aberta, com destaque à propriedade intelectual (PI), adapta- da de Rondani (2013). Quadro 3 Comparação entre inovação fechada e aberta INOVAÇÃO FECHADA INOVAÇÃO ABERTA  Uso exclusivo de P&D  Tecnologia desenvolvida e levada para o mercado pela mesma empresa  Controle total da inovação: desde a pesquisa até a co- mercialização  Tecnologia explorada ape- nas por modelo de negócio interno  PI como barreira de entrada e não como fonte de receitas  Empresas frequentemente vendendo e não comprando PI  Mercados intermediários pouco ativos  Uso de P&D interno e externo cor- respondente a um modelo de ne- gócio em particular  Abertura para novos modelos de negócio  Variedade de geradores e colabo- radores de PI (empresas, universi- dades & ICTs)  Uso proativo da PI  PI é um ativo que pode ser gerido  Uso de métodos mais complexos para valoração de PI devido à in- tensidade e diversidades dos mo- delos de comercialização  Mercados intermediários muito ati- vos Fonte: adaptado de Rondani (2013). Capítulo 6 Fontes de Inovação na Empresa 143 Scherer et al. (2009) já haviam apresentado uma compa- ração baseada na equipe de P&D, no onde fazer a P&D, na origem das tecnologias, no pioneirismo, na quantidade/quali- dade e na propriedade intelectual. Consideramos que as duas comparações não se excluem, mas são complementares. A seguir, o modelo de Scherer et al. (2009): Quadro 4 Modelo fechado x modelo aberto MODELO FECHADO MODELO ABERTO Equipe de P&D Pessoas talentosas trabalham para gente Devemos trabalhar com pessoas talentosas de dentro e de fora da empresa Onde fazer a P&D Para ter lucro com P&D, manter internamente o descobrimento, desenvolvimento e comercialização P&D externo pode gerar um significativo valor e a P&D interno é necessário para garantir a realização desse valor Origem das tecnologias Se nós originamos uma tecnologia, vamos levar a tecnologia ao mercado primeiro Não temos que originar a pesquisa para ter lucro com ela Pioneirismo Uma companhia que lança uma inovação no mercado primeiro, irá vencer Construir um melhor modelo de negócio é mais importante do que ser o primeiro no mercado Quantidade & qualidade Se criarmos a maioria e as melhores ideias no mercado, vamos vencer Fazendo uso mais eficiente das ideias internas e externas, vamos vencer Propriedade Intelectual Deveríamos controlar nossas patentes, para que nossos concorrentes não possam se aproveitar de nossas ideias Deveríamos aproveitar do uso de nossas patentes por terceiros e licenciar tecnologias desenvolvidas por outros, sempre que elas vierem a contribuir para o nosso crescimento. Fonte: adaptado de Scherer et al. 2009, p. 49. 144 Gestão da Inovação Modelo aberto de fontes de inovação “As organizações inovadoras são aquelas capazes de rapidamen- te abandonar uma trajetória para agarrar uma nova oportunida- de” (Koulopoulos, 2011, p. 107). É isso que está acontecendo com as empresas que estão adotando o modelo aberto de fontes de inovação. E isso é um determinante da sustentabilidade. Open Innovation é um termo cunhado por Chesbrough (2003), que traduz uma reflexão sobre as novas abordagens na geração de inovações tecnológicas. O modelo da inova- ção aberta pressupõe que as empresas devem utilizar fontes externas de ideias a fim de aumentar sua competitividade na geração de novas tecnologias e a possibilidade da comercia- lização de ideias geradas internamente que não se adequam ao “core” da empresa (Tigre, 2014). Se pensarmos em modelos de inovação, e compararmos o modelo de fontes de inovação em um modelo de inovação fe- chada, com inovação aberta, teremos no primeiro caso, como fontes exclusivamente as internas/externas habituais que mu- niciam as entradas, o estágio de pré-desenvolvimento (fuzzi- -front-end), a base tecnológica interna e a captação de ideias e tecnologias. Muitas ideias entrarão no funil da inovação e passarão à segunda fase que é a do desenvolvimento de ideias e oportunidades, o P&D, quando serão reduzidas até chegar ao final do funil, na saída, comercialização e marketing, no mercado corrente, poucas ideias que se tornarão inovações. Já no segundo caso, modelo de fontes de inovação com inovação aberta, teremos nas entradas, o estágio de pré-de- senvolvimento (fuzzi-front-end), fontes internas/externas habi- tuais, a base tecnológica interna e a captação de ideias e tec- Capítulo 6 Fontes de Inovação na Empresa 145 nologias, mais uma base tecnológica externa. Na segunda etapa, que é a do desenvolvimento de ideias e oportunidades, o P&D, teremos a possibilidade de introdução de licenciamen- to, spin ins e propriedade intelectual. Ao mesmo tempo em que recebe mais insumos de fontes de inovação, inputs, a empresa, também aberta, pode fazer licen- ciamentos, spin offs, ceder propriedade intelectual para tercei- ros, em parcerias e trocas ou gerando receitas extraordinárias. A seguir, apresentamos uma figura que representa os dois modelos. FUNIL DA INOVAÇÃO FECHADA FUNIL DA INOVAÇÃO ABERTA C C C C FUNIL DA INOVAÇÃO FECHAD C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C FUNIL DA INOVAÇÃO FECHAD C C ENTRADAS PRÉ-DESENVOLVIMENTO DESENVOLVIMENTO P&D SAÍDAS MARKETING BASE TECNOLÓGICA INTERNA BASE TECNOLÓGICA EXTERNA BASE TECNOLÓGICA INTERNA CAPTAÇÃO DE IDEIAS E TENDÊNCIAS CAPTAÇÃO DE IDEIAS E TENDÊNCIAS LICENCIAMENTO SPIN IN PROPRIEDADE INTELECTUAL LICENCIAMENTO SPIN OFF PROPRIEDADE INTELECTUAL MERCADO CORRENTE NOVOS MERCADOS MERCADOS DE OUTRAS EMPRESAS NOVAS APLICAÇÕES MERCADO CORRENTE NOVAS OPORTUNIDADES Figura 3 Modelos do funil de inovação com as fontes de inovação. Fonte: original do autor, 2014. 146 Gestão da Inovação Resulta evidente que a empresa tem potencializada a sua capacidade de inovação e, em resultado, mais inovações são geradas, para o mercado corrente, para mercados novos, para novas aplicações e para mercados de outras empresas. Além do surgimento de novas oportunidades. Dessa forma, os outputs, saídas, marketing ou comercialização serão enriquecidos. Vamos reproduzir um modelo de inovação aberta que foi criado por Henry Chesbrough, com o lançamentodo do livro “Open Innovation” em 2003. Segundo Chesbrough (2006), o conceito aberto ilustra um funil de ideias, porém diferente do modelo de funil fechado. Esse é um funil poroso, ondese aproveitam mais as oportunidades externas, dentro de um ambiente aberto, explorando tecnologias e recursos, conforme mostra a figura a seguir apresentada. Figura 4 Modelo do funil de open innovation de Chesbrough (2006). Fonte: <http://ipetpr.org.br/modelo-de-inovacao-aberta-open-innovation/>. Acesso em: 15 set 2014. Capítulo 6 Fontes de Inovação na Empresa 147 Como afirma Barbieri (2009), a organização inovadora é aquela em que a inovação está sempre sendo realizada de forma sistemática. É permeada por um processo contínuo e permanente de produção de inovações, de qualquer natureza, devido às fontes de inovação. Fontes múltiplas. E, continua o autor, não obstante, o recurso mais valioso de que uma organização pode se valer para inovar, é a capa- cidade empreendedora dos seus funcionários. Recapitulando A inovação não é exógena e tampouco é endógena à em- presa. Existem diferentes fontes de inovação, tanto de origem interna quanto externa que são usadas pela empresa. Todas podem ser usadas para lançar novos produtos, para melhorar processos, adotar novos métodos de gestão organizacional e aumentar a competitividade. As principais fontes de inovação de que se apropria a empresa para desenvolver a inovação, são classificadas segundo a origem da informação e do co- nhecimento utilizado: desenvolvimento tecnológico próprio – P&D, engenharia reversa, experimentação, participação em redes de pesquisa; transferência de tecnologia – licenças e patentes, contratos com universidades e centros de pesquisa; tecnologia incorporada em bens de capital e insumos críticos – máquinas, equipamentos e software embutido; conhecimento codificado – livros, manuais, revistas técnicas, Internet, feiras e exposições, software aplicativo, cursos e programas educa- cionais; conhecimento tácito – aprendizado cognitivo, contra- tação de RH experiente, consultores, informações de clientes e 148 Gestão da Inovação fornecedores, estágios e treinamento prático. Mais aprendiza- do cumulativo e alianças estratégicas. As atividades de P&D podem ser: atividades internas de P&D (correspondentes a 22% dos gastos com inovação); aqui- sição externa de P&D (correspondentes a 6% dos gastos com inovação); transferência de tecnologia; tecnologia incorpora- da em máquinas e equipamentos que constitui a principal fon- te de tecnologia na indústria brasileira (correspondentes a 50% das inovações); conhecimento codificado; conhecimento táci- to e aprendizado cumulativo, que é o processo de aprender fazendo, usando, buscando, interagindo, devidamente docu- mentado e difundido na empresa. Aprender fazendo, usando, procurando, interagindo. O aprender interagindo é interno e externo, relacionado com fontes a montante (fornecedores) e jusante (clientes) da cadeia produtiva, além da participação em redes virtuais temáticas, pode ser apresentado em um modelo em que aparecem os insumos críticos, fornecedores da em- presa, o feedback dos usuários clientes, enquanto treinados, as tecnologias internas (processos de distribuição, tecnologias de processo e de produto), mais os aportes externos através de alianças estratégicas, joint ventures e consórcios de pesquisa. Realizando alianças estratégicas e redes entre empresas com capacidades complementares e inserção de tecnologias, e o estabelecimento de rotinas de compartilhamento entre em- presas, a empresa apresenta as seguintes formas de parceria: licenciamento; relações de fornecimento; terceirização; joint venture; colaboração sem contrato; consórcios de P&D; clus- ters industriais; redes de inovação; empresas virtuais. A forma- ção de uma aliança estratégica para a inovação se faz da se- Capítulo 6 Fontes de Inovação na Empresa 149 guinte forma: seleção de um (ou mais) parceiro(s) adequado(s); negociação das necessidades de cada um levando em conta o conhecimento e o comercial; gestão contínua pela colabora- ção para assegurar benefício para ambas as partes. A inovação pode ser feita em modelo de inovação fecha- da e aberta. A comparação mostra a inovação fechada como tendo: uso exclusivo da P&D; tecnologia desenvolvida e leva- da para o mercado pela mesma empresa; controle total da inovação: desde a pesquisa até a comercialização; tecnologia explorada apenas por modelo de negócio interno; PI como barreira de entrada e não como fonte de receitas; empresas frequentemente vendendo e não comprando PI; mercados in- termediários pouco ativos. Já a inovação aberta mostra: uso de P&D interno e externo correspondente a um modelo de ne- gócio em particular; abertura para novos modelos de negócio; variedade de geradores e colaboradores de PI (empresas, uni- versidades & ICTs); uso proativo da PI; PI é um ativo que pode ser gerido; uso de métodos mais complexos para valoração de PI devido à intensidade e diversidades dos modelos de comer- cialização; mercados intermediários muito ativos. Open Innovation é um termo que traduz uma reflexão sobre as novas abordagens na geração de inovações tecnológicas. O modelo da inovação aberta pressupõe que as empresas devem utilizar fontes externas de ideias a fim de aumentar sua competitividade na geração de novas tecnologias e a possibi- lidade da comercialização de ideias geradas internamente que não se adequam ao “core” da empresa. Se pensarmos em modelos de inovação, e compararmos o modelo de fontes de inovação em um modelo de inovação fechada, com inovação 150 Gestão da Inovação aberta, teremos, no primeiro caso, como fontes, exclusivamen- te as internas/externas habituais que municiam as entradas, o estágio de pré-desenvolvimento (fuzzi-front-end), a base tecno- lógica interna e a captação de ideias e tecnologias. Muitas ideias entrarão no funil da inovação e passarão à segunda fase que é a do desenvolvimento de ideias e oportu- nidades, o P&D, quando serão reduzidas até chegar ao final do funil, na saída, comercialização e marketing, no mercado corrente, poucas ideias que se tornarão inovações. No caso do modelo de fontes de inovação com inovação aberta, teremos, nas entradas, o estágio de pré-desenvolvi- mento (fuzzi-front-end), fontes internas/externas habituais, a base tecnológica interna e a captação de ideias e tecnologias, mais uma base tecnológica externa. Na segunda etapa, que é a do desenvolvimento de ideias e oportunidades, o P&D, tere- mos a possibilidade de introdução de licenciamento, spin ins e propriedade intelectual. Ao mesmo tempo que recebe mais insumos de fontes de inovação, inputs, a empresa também aberta, pode fazer licenciamentos, spin offs, ceder proprieda- de intelectual para terceiros, em parcerias/trocas, gerando re- ceitas extraordinárias. Resulta evidente que a empresa tem potencializada a sua capacidade de inovação e, em resultado, mais inovações são geradas, além das para o mercado corrente, para mercados novos, para novas aplicações e para mercados de outras em- presas. Além de novas oportunidades. Dessa forma, os outputs, saídas, marketing ou comercialização serão enriquecidos. Capítulo 6 Fontes de Inovação na Empresa 151 Referências BARBIERI, José Carlos; ALVARES, Antonio Carlos Teixeira; CA- JAZEIRA, Jorge Emanuel Reis. Gestão de ideias para ino- vação contínua. Porto Alegre: Bookman, 2009. CHESBROURG, Henry. Open Innovation. 2006. Disponível em: <http://ipetpr.org.br/modelo-de-inovacao-aberta-open-innova- tion/>. Acesso em 15 set 2014. CORAL, Eliza; OGLIARI, André; ABREU, Aline França de. (org). Gestão integrada da inovação: estratégia, orga- nização e desenvolvimento de produtos. São Paulo: Atlas, 2009. DOCHERTY. Funil da inovação aberta, 2006 in Modelos para a gestão da inovação: revisão e análise da literatura. Prod. vol. 24 n. 2. São Paulo April/June 2014. Epub Sep 03, 2013 Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S0103- 65132013005000059>.Acesso 23 de set 2014. KOULOPOULOS, Thomas M. Inovação com resultado: o olhar além do óbvio. São Paulo: Gente/SENAC, 2011. REAL, Mauro Corte. Gestão da inovação. E-book. Texto de apoio para os cursos de Pós Graduação em Gestão em EAD da ULBRA. Canoas: ULBRA, s/a. ________________. Gestão empresarial. Curitiba: IESDE, 2006. 152 Gestão da Inovação ________________. Perfil da indústria brasileira de biotec- nologia focado nas relações com o mercado. Porto Ale- gre: AGE, 2002. RONDANI, Bruno. Proteção de Ativos Intangíveis em um ambiente de Inovação Aberta, 2013. Palestra em ppt. Disponível em: <www.unisc.br/portal/images/stories/a_ unisc/estrutura_administrativa/nitt/eventos/palestra_bru- no_rondani.pdf>. SCHERER, Felipe Ost & CARLOMAGNO, Maxiliano Selistre. Gestão da inovação na prática: como aplicar conceitos e ferramentas para alavancar a inovação. São Paulo: Atlas, 2009. TIGRE, Paulo Bastos. Gestão da inovação: a economia da tecnologia no Brasil. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. TROTT, Paul. Gestão da inovação e desenvolvimento de novos produtos. Porto Alegre: Bookman, 2012. Atividades 1) As fontes de inovação de que se apropria a empresa para desenvolver a inovação, são diversas e variadas. Assinale somente as assertivas verdadeiras sobre quais são as prin- cipais fontes de inovação na empresa, segundo a origem da informação e do conhecimento utilizado: Capítulo 6 Fontes de Inovação na Empresa 153 ( ) Desenvolvimento tecnológico próprio; transferência de tecnologia; tecnologia incorporada em bens de capital e insumos críticos. ( ) Desenvolvimento tecnológico incorporado; transferên- cia de tecnologia; tecnologia incorporada em bens de capital e insumos típicos. ( ) Conhecimento codificado; conhecimento tácito. ( ) Conhecimento codificado; conhecimento tático. ( ) Aprendizado cumulativo; alianças estratégicas. 2) O aprender interagindo é interno e externo. Assinale so- mente as assertivas verdadeiras sobre o tema. ( ) Relaciona fontes a montante (fornecedores) e jusante (clientes) da cadeia produtiva, além da participação em redes virtuais temáticas. ( ) Pode ser apresentado em um modelo em que apare- cem fornecedores da empresa, e o feedback dos usuá- rios clientes, enquanto treinados. ( ) Pode ser apresentado em um modelo em que apare- cem as tecnologias internas (processos de distribuição, tecnologias de processo e de produto), mais os aportes externos através de alianças estratégicas, joint ventures e consórcios de pesquisa. 154 Gestão da Inovação ( ) Relaciona fontes a jusante (fornecedores) e montante (clientes) da cadeia produtiva, além da participação em redes virtuais temáticas ( ) Pode ser apresentado em um modelo em que apare- cem fornecedores da empresa, e o feedback dos usuá- rios clientes, enquanto não treinados. 3) Assinale somente as assertivas verdadeiras sobre as carac- terísticas de uma inovação fechada: ( ) Uso exclusivo de P&D. ( ) Tecnologia explorada apenas por modelo de negócio interno. ( ) PI como barreira de entrada e não como fonte de re- ceitas. ( ) Empresas frequentemente comprando e não vendendo PI. ( ) Mercados intermediários muito ativos. 4) Assinale somente as assertivas verdadeiras sobre as carac- terísticas de uma inovação aberta: ( ) Abertura para novos modelos de negócio. ( ) Variedade de geradores e colaboradores de PI – pro- priedade intelectual (empresas, universidades & ICTs). ( ) Uso reativo da PI. Capítulo 6 Fontes de Inovação na Empresa 155 ( ) Uso de métodos menos complexos para valoração de PI devido à intensidade e diversidades dos modelos de comercialização. ( ) Uso de métodos mais complexos para valoração de PI devido à intensidade e diversidades dos modelos de comercialização. 5) Sobre fontes de inovação, assinale somente a assertiva verdadeira: ( ) A organização inovadora é aquela em que a inovação está sempre sendo realizada de forma sistemática. É permeada por um processo contínuo e permanente de produção de inovações, de qualquer natureza, devido às fontes de inovação. Fontes únicas. ( ) A organização inovadora é aquela em que a inovação está sempre sendo realizada de forma sistemática. É permeada por um processo descontínuo e permanente de produção de inovações, de qualquer natureza, de- vido às fontes de inovação. Fontes múltiplas. ( ) A organização inovadora é aquela em que a ino- vação não está sempre sendo realizada de forma sistemática. É permeada por um processo contínuo e permanente de produção de inovações, de qual- quer natureza, devido às fontes de inovação. Fontes múltiplas. 156 Gestão da Inovação ( ) A organização inovadora é aquela em que a inovação está sempre sendo realizada de forma sistemática. É permeada por um processo contínuo e permanente de produção de inovações, de qualquer natureza, devido às fontes de inovação. Fontes múltiplas. ( ) Nenhuma das assertivas anteriores é verdadeira. Mauro Corte Real1 Capítulo 7 Ferramentas da Gestão da Inovação 1 Mauro Corte Real é professor dos Cursos de Administração e Graduação Tecno- lógica da ULBRA. Mestre em Administração com ênfase em Tecnologia e Produção pela Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Foi bolsista do CNPq e da FAPERGS como pesquisador assistente, Diretor da Diretoria de Ciências da SEC-RS, do Museu Riograndense de Ciências Naturais, do Grupo Habitasul e da Demanda Propaganda. Criou e coordenou o Projeto de Visão/Planejamento Estratégico do Centro de Excelência Empresarial – CENEX, foi CLO – Chief Learning Office da Datasul Brasil, foi também diretor de empresas de turismo, hotéis e prestadoras de serviço. É autor de diversos livros entre os quais “Perfil da Indústria Brasileira de Biotecnologia Focado nas Relações com o Mer- cado”, “Marketing de Tecnologia para Empresas de Base Tecnológica”, “Gestão Empresarial”, “Paris Gourmet” e “O Ritual do Vinho”. 158 Gestão da Inovação Introdução Neste capítulo, trata-se de apresentar algumas das ferramen- tas que auxiliam o desenvolvimento da gestão da inovação. Inicialmente, são indicados os manuais disponíveis sem ônus para baixar, Frascati, Oslo e outros. Segue-se a matriz SWOT que é um ponto de partida estratégico para a gestão da inova- ção, seguido a Inteligência Competitiva que fornece informa- ção para essa gestão, e o radar da inovação que propicia a avaliação da gestão. Conclui-se com o ciclo de vida e a aná- lise da curva de adoção de inovações de produtos, serviços e processos pelo mercado. 1 Manuais A palavra “ferramenta” é utilizada por ser um termo simples e também por ser uma expressão que indica um benefício prá- tico direto, Além de indicar que o usuário da ferramenta con- trola o como deve ser aplicado e como se utiliza. (Natume et al., 2008). Quando buscamos as ferramentas para a gestão da ino- vação, encontramos manuais, processos, técnicas, modelos e sistemas. Iniciaremos pelos manuais. Dois manuais são refe- renciados em toda e qualquer obra destinada à inovação e sua gestão: o Manual Frascati e o Manual de Oslo. Capítulo 7 Ferramentas da Gestão da Inovação 159 O Manual Frascati O Manual Frascati, intitula-se “Proposta de Práticas Exempla- res para Inquéritos sobre Investigação e Desenvolvimento Ex- perimental. Proposta de Práticas Exemplares para Inquéritos”, OCDE e Iniciativas, no Brasil, em versão de 2007 é uma fer- ramenta fundamental para consulta para quem vai trabalhar com gestão da inovação. Disponível inclusive no site do Minis- tério de Ciência, Tecnologia e Inovação. O conteúdo do manual é o seguinte: objetivo e alcance do Manual. Definições e convenções básicas. Classificações institucionais. Distribuições funcionais. Medição do pessoal afeto à ID. Medição dasdespesas dedicadas à ID. Métodos e procedimentos para a elaboração de inquéritos. Classificação dos créditos orçamentais públicos de ID por objetivo socioe- conômico. Em Junho de 1963, a OCDE reuniu especialistas nacionais em estatísticas sobre Pesquisa e Desenvolvimento, na Villa Fal- cioneri em Frascati, Itália. O resultado foi a primeira versão oficial que se propôs a padronizar a terminologia utilizada pe- los diversos países membros da OCDE, quando da execução de pesquisas nas áreas de P&D. O assim chamado Manual Frascati foi lançado em 1994 e auxiliou o entendimento geral da importância da P&D e da inovação como elementos-chave das economias baseadas em conhecimento, transformando-se em um poderoso instrumento, capaz de possibilitar a compa- ração e o monitoramento estatístico das ações de inovação em diversos países. 160 Gestão da Inovação A versão em português do manual está disponível para consulta e para baixas, fazer dowload, entre outros, no seguin- te endereço: www.reppittec.org.br/ArquivosUpload/1/File/Manual_de_Frascati.pdf O Manual de Oslo O Manual de Oslo intitula-se ”Proposta de Diretrizes para Co- leta e Interpretação de Dados sobre Inovação Tecnológica.” É uma publicação com 136 páginas da OECD, a Organi- zação para Cooperação Econômica e Desenvolvimento. De- partamento Estatístico da Comunidade Europeia (1997) Uma publicação conjunta de OCDE e Eurostat e, no Brasil, editado com a FINEP, Financiadora de Estudos e Projetos. Em tercei- ra edição. É importante utilizar esta edição por estar bastante modificada em relação à anterior. Posterior ao Manual Frascati, o Manual de Oslo repre- senta a fonte mais atualizada no que diz respeito à padro- nização das terminologias utilizadas pelos pesquisadores da OCDE. A OCDE é um fórum único, no qual os governos de 30 democracias trabalham juntos para auxiliar a resolver os desafios econômicos, sociais e ambientais da globaliza- ção da economia e de questões como a sustentabilidade e a inovação. A OCDE Publishing dissemina amplamente os resultados dos levantamentos estatísticos e pesquisas da or- Capítulo 7 Ferramentas da Gestão da Inovação 161 ganização sobre questões econômicas, sociais e ambientais, bem como sobre convenções, diretrizes e padrões acordados por seus membros. O Manual de Oslo tem o objetivo de orientar e padroni- zar conceitos e metodologias, bem como estabelecer as bases estatísticas e indicadores de pesquisa de P&D de países in- dustrializados. A primeira edição do Manual de Oslo data de 1990. A primeira tradução para o português foi produzida e divulgada pela FINEP, em meio eletrônico, em 2004. O manual possui 8 capítulos, sendo seus temas os seguin- tes: objetivos e escopo do manual. Teorias da inovação e ne- cessidades de mensuração. Definições básicas. Classificações institucionais. Interações no processo de inovação. A mensura- ção nas atividades de inovação. Objetivos, obstáculos e resul- tados da inovação. Procedimentos das pesquisas. Texto fundamental para consulta por quem vai trabalhar com gestão da inovação, a versão em português do manual está disponível para consulta e para baixar, fazer dowload, en- tre outros, no seguinte endereço: www.mct.gov.br/upd_blob/0026/26032.pdf 162 Gestão da Inovação Figura 1 Manual de Frascati e Manual de Oslo. Fonte: OCDE, FINEP e E. Iniciativas. Disponíveis em: <www.reppittec.org.br/ ArquivosUpload/1/File/Manual_de_Frascati.pdf>; <www.mct.gov.br/upd_ blob/0026/26032.pdf>. Acesso em: set 2014. Cartilha de Inovação SEBRAE-CNI A “Cartilha Gestão da Inovação SEBRAE e CNI, Confedera- ção Nacional da Indústria”, 2010, foi produzida pelo Sebrae e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A cartilha tem como principal objetivo auxiliar os empresários que par- ticipam da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEIn) a entender os conceitos básicos da Gestão da Inovação (GI) e estimular a implantação de metodologias capazes de promo- ver a inovação como um processo sistemático e sistêmico nas Capítulo 7 Ferramentas da Gestão da Inovação 163 empresas. A MEIn visa sensibilizar empresários e altos execu- tivos das empresas para o desafio de construir uma agenda positiva para a inovação no Brasil. Os autores do texto são José Fernando Mattos, Hiparcio Rafael Stoffel e Rodrigo de Araújo Teixeira. Disponível para dowload, entre outros, no seguinte ende- reço: www.ipdmaq.org.br/Portal/Principal/Arquivos/Do- wnloads/Documentos/DETI/Cartilha%20Gestao%20 Inova%C3%A7%C3%A3o%20CNI.pdf Cartilha de Propriedade Intelectual e Inovação A cartilha já foi referenciada no Capítulo 5, nos aspectos le- gais da inovação. E trata especialmente da inovação e seus marcos regulatórios, bem como de conceitos, tipos, difusão da inovação, inovação no Brasil. É a Cartilha de propriedade intelectual e inovação, do INMETRO, com textos de Marcelo De Cicco e Paulo José Soler Teixeira dos Santos. Disponível para dowload, entre outros, no seguinte ende- reço: www.inmetro.gov.br/inovacao/pdf/cartilha_pi_tt.pdf. 164 Gestão da Inovação Figura 2 Cartilhas Gestão da Inovação e Propriedade Intelectual. Fonte: endereço dos dowloads referidos. 2 Análise SWOT Conhecer o ambiente concorrencial é condição essencial para a empresa sobreviver, competir e crescer, desenvolvendo-se e inovando. E a principal ferramenta estratégica disponível para esse fim é a análise situacional. A análise situacional ou da situação (situational analysis) também conhecida como análise SWOT é uma combinação de análise ambiental com análise interna da empresa (Toffler, 1994). Capítulo 7 Ferramentas da Gestão da Inovação 165 A sigla SWOT, em inglês, vem de forças – strenghts, fraque- zas – weaknesses, oportunidades – opportunities e ameaças – threats. As forças e fraquezas são os pontos fortes e fracos da organização, as oportunidades e ameaças, a relação desses pontos com o ambiente, o mercado e a concorrência. A análise da situação, quando se refere à análise interna, estabelece os pontos fortes e fracos da empresa. Todas as orga- nizações têm pontos fortes e fracos. Os pontos fortes são as ca- racterísticas internas positivas que a empresa pode explorar para atingir suas metas. Os pontos fracos são as carências internas. Os pontos fortes podem ser explorados para, a partir deles, desenvolver inovações que potencializem a competitividade. Relativamente aos pontos fracos, a empresa pode desenvolver inovações e transformá-los em pontos fortes. Oliveira (2003) apresenta uma terceira categoria a dos pontos neutros, que são variáveis, identificada pela empresa como intermediária (nem forte, nem fraca) ou sobre os quais, no momento, não existem critérios ou parâmetros de avaliação. Entretanto a empresa deve ter máxima atenção aos pon- tos neutros, pois eles podem evoluir para fracos e resultar em ameaça não percebida. Da mesma forma, os pontos neutros podem ser trabalhados no sentido de se constituírem em fortes, se não o forem fortes da concorrência. Na análise da situação externa relativa ao mercado e a concorrência, uma oportunidade se configura potencial- mente quando um ponto forte da empresa corresponde a 166 Gestão da Inovação uma apetência ou demanda significativa do mercado e se configura como fraqueza da concorrência. Uma ameaça quando confronta no mercado potencialmente um ponto fraco da empresa que se configura como ponto forte da concorrência. A gestão eficiente e eficaz fará essa análise periodicamente e buscará reduzir ou eliminar os pontos fracos, transformar os pontos neutros em fortes e potencializar ou aproveitar os pon- tos fortes da empresa. As prioridades poderão ser definidas pelas oportunidades e ameaças ambientais, associadas aos índices de probabilidade de aproveitar as oportunidades e deevitar as ameaças. Quando utilizada corretamente a análise em questão pode impulsionar a criação de um plano consis- tente, capaz de identificar as vantagens estratégicas a serem exploradas pela empresa. A análise de situação se constitui no primeiro passo para a elaboração do planejamento estratégico da empresa. Na rea- lidade, mais do que uma forma de planejamento, um processo da organização. Um processo orientador de tudo o mais, pois responde a perguntas como “onde estamos?” e “onde quere- mos estar?” Para potencializar o aproveitamento de oportunidades ga- nhando mais e para evitar ameaças à empresa, pondo em ris- co a sua competitividade e resultante sobrevivência, a empresa precisa mudar & inovar ou inovar & mudar. Capítulo 7 Ferramentas da Gestão da Inovação 167 3 Inteligência competitiva “O processo de inteligência competitiva consiste na sistema- tização das informações que são levantadas a partir das ne- cessidades identificadas por parte de uma organização. É um processo que, mediante a antecipação, visa manter a com- petitividade por meio do monitoramento de informações pro- venientes de fontes internas e externas.” (Coral et al. 2009, p. 119). As informações cobrem, de forma especial, as áreas rela- tivas ao ambiente, aos mercados, clientes, concorrentes, pro- dutos & serviços, tecnologias. A sistematização de informações é insumo para a geração de novos conhecimentos. As redes informacionais são mecanismos eficazes para a captura de informações para a inteligência competitiva. É fundamental ainda o desenvolvimento de redes de relacionamento pessoal para a coleta de informações. Hoje, com a globalização, a evolução das comunicações e a Internet, todas as organizações podem ter acesso a infor- mações de várias culturas e diferentes ambientes, ampliando assim a sua capacidade de se colocar no mercado. O maior desafio é lidar com a incerteza, a turbulência e a instabilidade em um mundo em permanente transformação. Nesse contex- to, o que fazer para garantir uma vantagem competitiva diante dos concorrentes? Antecipando-se a mudanças, vislumbrando ameaças e, sobretudo, oportunidades, monitorando continu- amente o fluxo de informações pertinentes ao seu negócio. 168 Gestão da Inovação Como? Com um bom sistema de inteligência competitiva. (Gomes & Braga, 2001) A utilização de ferramentas juntamente com sistemas de inteligência competitiva é o diferencial para a competitivida- de tanto das grandes como das pequenas e médias empresas (Souza et al., 2002). A Inteligência Competitiva busca identificar tendências do mercado, desenvolver análises estratégicas, descobrir opor- tunidades e mapear riscos através de metodologias cientí- ficas. É a atividade de coletar, analisar e aplicar, informa- ções relativas às capacidades, vulnerabilidades e intenções dos concorrentes, ao mesmo tempo monitorando o ambiente competitivo em geral. (Associação Brasileira de Inteligência Competitiva). Um Sistema de Inteligência Competitiva busca transformar dados em informação e estes em inteligência. Trata das tec- nologias associadas ao processo de transformação de dados em inteligência, abordando algumas metodologias de imple- mentação de um ambiente de inteligência competitiva nas empresas. Quais seriam as fases ou etapas em um processo de inte- ligência competitiva? O quadro a seguir apresentado procura responder a essa questão. Capítulo 7 Ferramentas da Gestão da Inovação 169 Quadro 1 Etapas da Inteligência Competitiva ETAPAS DA INTELIGÊNCIA COMPETITIVA 1 a) Levantar demandas ou necessidades de informação (clientes da IC). b) Realizar prospecção contínua de dados, indicadores e informações, potencial, conforme focos e interesses dos clientes da IC: econômicos; políticos; sociais; tecnológicos; mercadológicos. Levantar dados Prospectar dados 2 Planejar e programar a coleta de dados e informações e a prospecção contínua (focos, interesses dos clientes de IC). Planejar coleta de dados 3 Capturar, coletar, colecionar, interiorizar, processar, organizar, hospedar os dados, indicadores e informações buscados. Coletar dados 4 Analisar dados, indicadores e informações buscados. Analisar dados 5 Processar, organizar os dados e indicadores captados visando dar-lhes significado, transformando-os e gerando informação. Gerar informação 6 Analisar e classificar a informação gerada. Analisar informação 7 Disseminar informação, encaminhar informação aos clientes de IC. Disseminar informação 8 Entregar informação aos clientes de IC, gerar conhecimento. Entregar informação 9 Avaliar informação pelos clientes de IC. Avaliar informação 10 Usar inteligência:  No planejamento (planejadores)  Na decisão (tomadores de decisão)  Na gestão (gestão da inovação) Usar informação Fonte: original do autor, 2014. 170 Gestão da Inovação 4 O radar da inovação e o MAPEL O chamado “radar da inovação” é uma ferramenta de diag- nóstico de gestão da inovação, originária de Sawhney et al. (2006) em Mattos et al. 2010, que se baseia em quatro prin- cipais “âncoras” do negócio:  O que a organização cria e oferta?  A que clientes atende? Quem atende?  Como faz isso? Que processos utiliza para fazê-lo?  Onde entrega? Como faz para chegar ao mercado? A partir dessas quatro “âncoras”, o radar fornece uma vi- são de 360º, levando as empresas a inovarem em 12 diferen- tes áreas que são (adaptado de Mattos et al., 2010): 1. Oferta – O que? Desenvolver novos produtos ou serviços inovadores. 2. Plataforma – Uso de plataforma para criar e desenvolver a oferta. 3. Soluções – Criar oferta integrada e personalizada que atenda a necessidade do cliente. 4. Clientes – Quem? Identificar segmentos de clientes ainda não servidos ou necessidades não supridas. 5. Experiência do cliente – Redesenhar as interações. 6. Captação de valor – criar novas e inovadoras possibilida- des de retorno. Capítulo 7 Ferramentas da Gestão da Inovação 171 7. Processos – Como? Redesenhar. 8. Organização – focar no foco do cliente. 9. Cadeia de fornecimento – Pensar diferente a cadeia de va- lor. 10. Presença – Onde? Novos canais de distribuição. 11. Networking – trabalho em rede. 12. Marca – Como um diferencial efetivo. O radar da inovação fornece uma vista geral da maturidade relativa das inovações em determinados domínios. Visualmen- te, o radar da inovação aprece como na figura que se segue. Figura 3 O radar da inovação. Fonte: baseado em Mattos et al., na Cartilha do SEBRAE & CNI, 2010, p. 25 e Teixeira, 2011, adaptado de Shawhney et al., 2006. 172 Gestão da Inovação Segundo a mesma Cartilha da Inovação, do SEBRAE & CNI (2010, p. 27-32), a ferramenta MAPEL se baseia nas seis di- mensões capazes de avaliar o grau de maturidade da empresa na gestão da inovação. São elas:  Método (busca deliberada de mudanças, prática siste- mática, cultura para inovar de forma sistêmica).  Ambiente (desafiador, propício, aberto e flexível).  Pessoas (sistemas capazes de identificar, recrutar, man- ter e capacitar, reconhecer e recompensar pessoas com competência inovadora).  Estratégia (desenvolvendo as pessoas em agentes de criação e transformação).  Liderança (fomentadora da cultura e comportamento vol- tados para a inovação, construindo um ambiente adequa- do).  Resultados (só existe inovação quando existem resul- tados, com nexo causal, fruto da gestão da inovação). A GEI, gestão estratégica da inovação pode ser conside- rada como um processo estruturado apoiado na ferramenta MAPEL apresentada. 5 A curva de adoção da inovação Outra ferramenta que pode ser utilizada na gestão da inovação é a curva de adoção da inovação. Moore (1996) tornou conhe- Capítulo7 Ferramentas da Gestão da Inovação 173 cido o modelo do ciclo de vida e a curva de adoção de inova- ções, provavelmente inspirado em modelo anterior de Rogers. Praticamente todo o pensamento contemporâneo sobre es- tratégia de marketing de tecnologia e inovação tem suas raízes no seu ciclo de vida de adoção, baseado em como as diferen- tes comunidades reagem frente às inovações descontínuas ou radicais, que requerem do usuário final do produto ou serviço uma mudança substancial de comportamento. (Moore, 1996). Ao lançar novos produtos, os gestores da inovação devem levar em consideração que não existe uma relação direta e proporcional entre o lançamento de novos produtos e a per- cepção de valor dos clientes. E, em consequência, muitas ve- zes não existe uma “decolagem” das vendas. Pessoas com per- fis diferentes assumem comportamentos diversos em relação à aquisição de produtos inovadores. O ideal é “semear” novos produtos entre os do primeiro grupo (inovadores, pioneiros, entusiastas), de modo que eles ajudem a “educar” ou contaminar o segundo grupo (primeiros adeptos, early-adopters, visionários). Conquistado o interesse do segundo grupo, torná-los consumidores/clientes satisfeitos, de maneira a servirem de boas referências para o terceiro gru- po (maioria inicial, pragmáticos). Obter a maior receita pos- sível desse grupo, tornando-se líder de mercado. Alavancar o sucesso com esse grupo para ter confiabilidade junto ao quarto grupo (maioria tardia, conservadores). O último grupo é residual (retardatários, céticos). Moore (1996). Falta considerar o abismo (a falha, o salto, o furacão, the chasm). Na prática, isso que foi descrito não acontece com frequência. É preciso vencer um obstáculo entre o segundo e 174 Gestão da Inovação o terceiro grupo, entre os visionários (primeiros adeptos) e os pragmáticos (maioria inicial). Muitas vezes, o mercado empaca e a empresa, por assim dizer, cai em um “abismo” e não consegue seguir adiante na adoção de seus produtos inovadores. As vendas cedem ou despencam, após um início promissor. Mas, passado esse ris- co, transposto esse abismo, realizado esse salto, a maioria ini- cial faz o caixa da empresa, e possivelmente a maioria tardia também adota o produto e ele tem sucesso no mercado. Considerando que o ciclo do produto costuma ser de intro- dução, crescimento, maturidade e declínio, no caso das inova- ções, muitas vezes, isso se dá de forma peculiar. Vejamos isso no quadro a seguir apresentado: Quadro 2 Ciclo de vida e curva de adoção das inovações ADOÇÃO DAS INOVAÇÕES INTRODUÇÃO Inovadores Pio- neiros Entusiastas 2,5% Utilidade Imunes ao risco MERCADO INICIAL CRESCIMENTO Early-adopters Primeiros adeptos Visionários 13,5% Funcionalidade Risco O ABISMO, A FALHA, O SALTO, THE CHASM MATURIDADE Maioria inicial Pragmáticos 34% Novidade Inovação MERCADO PRINCIPAL Maioria tardia Conservadores 34% Preço Competição DECLÍNIO Retardatários Céticos 16% Preço Aversão ao risco Capítulo 7 Ferramentas da Gestão da Inovação 175 Fonte: original do autor, 2014, inspirado em Rogers e Moore (1996). Na fase que se costuma chamar de introdução, apenas 2,5% dos consumidores adquirem ou experimentam o produ- to (muitos o recebem para experimentar, em uma espécie de “degustação”). São os chamados, de acordo com o autor, de inovadores, pioneiros, entusiastas. Eles focam na utilidade do novo produto, são imunes ao risco e constituem parte do mer- cado inicial. Na fase do que se costuma chamar de crescimento, apenas 13,5% dos consumidores adquirem o produto, são os chama- dos de primeiros adeptos, early-adopters, focam na funcionali- dade e também constituem parte do mercado inicial. Depois vem o abismo, a falha, o salto, the chasm, que deve ser transposto para levar a fase dos ganhos, do caixa. A meta para transpor o abismo, segundo Moore (1996) é consolidar- -se em um nicho de mercado desenvolvido o mais rapidamen- te possível. E chegar à fase de maturidade, com os pragmáti- cos da maioria inicial. Já na fase que se costuma chamar de maturidade, existem dois conjuntos de consumidores: um primeiro, constituído por 34% de adquirentes, são chamados de maioria inicial, prag- máticos, focam a novidade (estes sim), novidades embutem risco que aceitam correr, e constituem parte do mercado prin- cipal. O outro conjunto, também com 34% de adquirentes, são chamados de maioria tardia, conservadores, focam no preço e na competição e constituem também parte do merca- do principal. 176 Gestão da Inovação Na fase que se costuma chamar de declínio, apenas 16% de adquirentes são chamados de retardatários, céticos, focam no preço, são completamente avessos ao risco. Constituem a última parte do mercado principal. Entretanto o mundo mudou e em parte assumiu um “tem- peramento” fashion tecnológico. A tecnologia se impõem a tudo e a todos. E hoje temos assistido a um ciclo de adoção encurtado e simplificado, quase irracional, muitas vezes fruto do modismo, ou do mimetismo cultural de status. O lança- mento de um equipamento ou tecnologia pode se tornar de “consumo viral”, exponencial, antes mesmo da experimenta- ção do mercado. E o recall passou a ser uma incompetência quase consentida. Tudo isso nos faz refletir e observar. As ferramentas existem para serem usadas e conferem mais segurança e confiabili- dade de resultados e sustentabilidade do que a intuição ou a paixão, aos que as usam com propriedade. Por isso as estuda- mos. Mas estejamos atentos para alternativas mais disruptivas ainda. Afinal, se tiver viabilidade e for sucesso econômico, é inovação. Recapitulando A palavra “ferramenta” é utilizada por ser um termo simples e também por ser uma expressão que indica um benefício prático direto, Além de indicar que o usuário da ferramenta controla o como deve ser aplicado e como se utiliza. Quando Capítulo 7 Ferramentas da Gestão da Inovação 177 buscamos as ferramentas para a gestão da inovação, encon- tramos manuais, processos, técnicas, modelos e sistemas. Ini- ciaremos pelos manuais. Dois manuais são referenciados em toda e qualquer obra destinada a inovação e sua gestão: o Manual Frascati e o Manual de Oslo. O Manual Frascati, intitula-se “Proposta de Práticas Exem- plares para Inquéritos sobre Investigação e Desenvolvimento Experimental. Proposta de Práticas Exemplares para Inquéri- tos”, OCDE e Iniciativas, no Brasil, em versão de 2007 é uma ferramenta fundamental para consulta para quem vai traba- lhar com gestão da inovação. O Manual de Oslo intitula-se ”Proposta de Diretrizes para Coleta e Interpretação de Dados sobre Inovação Tecnológica.” É uma publicação da OECD e, no Brasil, editado com a FINEP, em terceira edição bastante modificada em relação à anterior. Posterior ao Manual Fras- cati, o Manual de Oslo representa a fonte mais atualizada no que diz respeito à padronização das terminologias utilizadas pelos pesquisadores. Ambos os manuais se encontram dispo- níveis para dowload. A “Cartilha Gestão da Inovação SEBRAE e CNI”, 2010, tem como principal objetivo auxiliar os empre- sários que participam da Mobilização Empresarial pela Ino- vação (MEIn) a entender os conceitos básicos da Gestão da Inovação (GI) e estimular a implantação de metodologias ca- pazes de promover a inovação como um processo sistemático e sistêmico nas empresas. Disponível para baixar. A “Cartilha de Propriedade Intelectual e Inovação”, trata especialmente da inovação e seus marcos regulatórios, bem como de conceitos, tipos, difusão da inovação, inovação no Brasil. É a Cartilha de propriedade intelectual e inovação, do INMETRO, disponível para dowload. 178 Gestão da Inovação Conhecer o ambiente concorrencial é condição essencial para a empresa sobreviver, competire crescer, desenvolvendo- -se e inovando. E a principal ferramenta estratégica disponí- vel para esse fim é a análise situacional. A análise situacio- nal ou da situação também conhecida como análise SWOT é uma combinação de análise ambiental com análise interna da empresa. A análise da situação, quando se refere à aná- lise interna, estabelece os pontos fortes e fracos da empresa. Todas as organizações têm pontos fortes e fracos. Os pontos fortes são as características internas positivas que a empresa pode explorar para atingir suas metas. Os pontos fracos são as carências internas. Os pontos fortes podem ser explorados para, a partir deles, desenvolver inovações que potencializem a competitividade. Relativamente aos pontos fracos, a empresa pode desenvolver inovações e transformá-los em pontos fortes. A análise da situação externa relativa ao mercado e à concor- rência, uma oportunidade se configura potencialmente quan- do um ponto forte da empresa corresponde a uma apetência ou demanda significativa do mercado e se configura como fraqueza da concorrência. Uma ameaça quando confronta no mercado potencialmente um ponto fraco da empresa que se configura como ponto forte da concorrência. O processo de inteligência competitiva consiste na sistema- tização das informações que são levantadas a partir das ne- cessidades identificadas por parte de uma organização. É um processo que, mediante a antecipação, visa manter a compe- titividade por meio do monitoramento de informações prove- nientes de fontes internas e externas. A Inteligência Competitiva busca identificar tendências do mercado, desenvolver análises estratégicas, descobrir oportunidades e mapear riscos através Capítulo 7 Ferramentas da Gestão da Inovação 179 de metodologias científicas. É a atividade de coletar, analisar e aplicar, informações relativas às capacidades, vulnerabilidades e intenções dos concorrentes, ao mesmo tempo monitorando o ambiente competitivo em geral. São etapas da inteligência competitiva: levantar demandas ou necessidades de informa- ção; planejar e programar a coleta de dados e informações e a prospecção contínua; capturar, coletar, colecionar, interio- rizar, processar, organizar, hospedar, os dados, indicadores e informações buscados; analisar dados, indicadores e informa- ções buscados; processar, organizar os dados e indicadores captados visando dar-lhes significado, transformando-os e ge- rando informação; analisar e classificar a informação gerada; disseminar informação, encaminhar informação; entregar in- formação, gerar conhecimento; avaliar informação; usar inte- ligência no planejamento, na decisão; na gestão da inovação. O radar da inovação é uma ferramenta de diagnóstico de gestão da inovação que se baseia em quatro principais ân- coras do negócio: o que a organização cria e oferta? A que clientes atende? Quem atende? Como faz isso? Que proces- sos utiliza para fazê-lo? Onde entrega? Como faz para che- gar ao mercado? A partir dessas quatro “âncoras”, o radar fornece uma visão de 360º, levando as empresas a inovarem em 12 diferentes áreas que são: oferta – o que? Plataforma; soluções; clientes – quem? Experiência do cliente; captação de valor; processos – Como? Organização; cadeia de forne- cimento; presença – Onde? Networking; marca. O radar da inovação fornece uma vista geral da maturidade relativa das inovações em determinados domínios. A ferramenta MAPEL se baseia nas seis dimensões capazes de avaliar o grau de matu- ridade da empresa na gestão da inovação. São elas: método 180 Gestão da Inovação (busca deliberada de mudanças, prática sistemática, cultura para inovar de forma sistêmica); ambiente (desafiador, propí- cio, aberto e flexível); pessoas (sistemas capazes de identificar, recrutar, manter e capacitar, reconhecer e recompensar pes- soas com competência inovadora); estratégia (desenvolvendo as pessoas em agentes de criação e transformação); lideran- ça (fomentadora da cultura e comportamento voltada para a inovação, construindo um ambiente adequado); resultados (só existe inovação quando existem resultados, com nexo causal, fruto da gestão da inovação). Outra ferramenta que pode ser utilizada na gestão da ino- vação é a curva de adoção da inovação. Praticamente todo o pensamento contemporâneo sobre estratégia de marketing de tecnologia e inovação tem suas raízes no seu ciclo de vida de adoção, baseado em como as diferentes comunidades reagem frente às inovações descontínuas ou radicais, que requerem do usuário final do produto ou serviço uma mudança substancial de comportamento. Ao lançar novos produtos, os gestores da inovação devem levar em consideração que não existe uma relação direta e proporcional entre o lançamento de novos produtos e a percepção de valor pelos clientes. E, em consequ- ência, muitas vezes não existe uma “decolagem” das vendas. Pessoas com perfis diferentes assumem comportamentos diver- sos em relação à aquisição de produtos inovadores. O ideal é “semear” novos produtos entre os do primeiro grupo (entusias- tas), de modo que eles ajudem a “educar” ou contaminar o segundo grupo (primeiros adeptos, visionários). Conquistado o interesse do segundo grupo, torná-los consumidores/clientes satisfeitos, de maneira a servirem de boas referências para o terceiro grupo (maioria inicial, pragmáticos). Obter a maior Capítulo 7 Ferramentas da Gestão da Inovação 181 receita possível desse grupo, tornando-se líder de mercado. Alavancar o sucesso com esse grupo para ter confiabilidade junto ao quarto grupo (maioria tardia, conservadores). O úl- timo grupo é residual (retardatários, céticos). Falta considerar o abismo (a falha, o salto). Na prática, o que foi descrito não acontece com frequência. É preciso vencer um obstáculo entre o segundo e o terceiro grupo, entre os visionários (primeiros adeptos) e os pragmáticos (maioria inicial). Muitas vezes, o mercado empaca, e a empresa, por assim dizer, cai em um “abismo” e não consegue seguir adiante na adoção de seus produtos inovadores. As vendas cedem ou despencam, após um início promissor. Mas, passado esse risco, transposto esse abismo, realizado esse salto, a maioria inicial faz o caixa da empresa, e possivelmente a maioria tardia também adota o produto, e ele tem sucesso no mercado. As ferramentas exis- tem para serem usadas e conferem mais segurança e confiabi- lidade de resultados e sustentabilidade do que a intuição ou a paixão, aos que as usam com propriedade. Por isso as estuda- mos. Mas estejamos atentos para alternativas mais disruptivas ainda. Afinal, se tiver viabilidade e for sucesso econômico, é inovação. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE INTELIGÊNCIA COMPETITIVA. Disponível em: <http://www.abraic.org.br/>. Acesso em mar 2014. 182 Gestão da Inovação CICCO, Marcelo De & SANTOS, Paulo José Soler Teixeira dos. Cartilha de Propriedade Intelectual e Inovação. INME- TRO. Disponível em: <www.inmetro.gov.br/inovacao/pdf/ cartilha_pi_tt.pdf>. Acesso em: set 2014. CORAL, Eiza: OGLIARI, André; ABREU, Aline França. 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As fraquezas e as forças são os pontos fortes e fracos da organização; as oportu- nidades e ameaças, a relação desses pontos com o ambiente, o mercado e a concorrência. ( ) A sigla SWOT vem de forças, fraquezas, oportunida- des e ameaças em inglês. As forças e fraquezas são os pontos fortes e fracos da organização; as oportu- nidades e ameaças, a relação desses pontos com o ambiente, o mercado e a concorrência. ( ) A sigla SWOT vem de falhas, fraquezas, oportunida- des e ameaças em inglês. As falhas e fraquezas são os pontos fortes e fracos da organização; as oportu- Capítulo 7 Ferramentas da Gestão da Inovação 185 nidades e ameaças, a relação desses pontos com o ambiente, o mercado e a concorrência. ( ) Na análise da situação externa relativa ao mercado e à concorrência, uma oportunidade se configura potencial- mente quando um ponto forte da empresa corresponde a uma apetência ou demanda significativa do mercado e se configura como fraqueza da concorrência. ( ) Na análise da situação externa relativa ao mercado e a concorrência, uma ameaça se configura quando confronta no mercado potencialmente um ponto fra- co da empresa que se configura como ponto forte da concorrência. 2) O processo de inteligência competitiva consiste na siste- matização das informações que são levantadas a partir das necessidades identificadas por parte de uma organi- zação. Um processo que, mediante a antecipação, visa manter a competitividade por meio do monitoramento de informações provenientes de fontes internas e externas. As- sinale somente as alternativas verdadeiras sobre inteligên- cia competitiva. ( ) As suas etapas são: levantamento de demandas e prospecção; planejamento da coleta de informações e prospecção; coleta de informação análise da informa- ção e da prospecção; gerar dados; analisar, disseminar e entregar informação; avaliar e usar informação. ( ) As suas etapas são: levantamento de demandas e prospecção; planejamento da coleta de dados e pros- 186 Gestão da Inovação pecção; coleta de dados e informações; análise dos dados e da prospecção; gerar dados; analisar, disse- minar e entregar dados; avaliar e usar dados. ( ) As suas etapas são: levantamento de demandas e prospecção; planejamento da coleta de dados e pros- pecção; coleta de dados e informações; análise dos dados e da prospecção; gerar informação; analisar, disseminar e entregar informação; avaliar e usar infor- mação. ( ) Usar inteligência no planejamento (planejadores), na decisão (tomadores de decisão) e na gestão (gestão da inovação). ( ) Usar dados no planejamento (planejadores), na de- cisão (tomadores de decisão) e na gestão (gestão da inovação). 3) Quanto à ferramenta radar da inovação, assinale somente as assertivas verdadeiras: ( ) O chamado “radar da inovação” é uma ferramenta de diagnóstico de gestão da inovação que se baseia em quatro principais “âncoras” do negócio: O que a or- ganização cria e oferta? A que clientes atende, como faz isso? A quem atende, que processos utiliza para fazê-lo? Onde entrega, como faz para chegar ao mer- cado? ( ) O radar da inovação fornece uma vista geral da ma- turidade relativa das inovações em determinados do- mínios. Capítulo 7 Ferramentas da Gestão da Inovação 187 ( ) O chamado “radar da inovação” é uma ferramenta de diagnóstico de gestão da inovação que se baseia em quatro principais “âncoras” do negócio: O que a organização cria e oferta? A que clientes atende, quem atende? Como faz isso, que processos utiliza para fazê-lo? Onde entrega, como faz para chegar ao mercado? ( ) A partir de quatro “âncoras”, o radar fornece uma vi- são de 180º, levando as empresas a inovarem em 12 diferentes áreas que são: Oferta, Plataforma, Soluções Clientes, Experiência do cliente, Captação de valor, Processos, Organização, Cadeia de fornecimento, Presença, Networking, Marca. ( ) A partir de quatro “âncoras”, o radar fornece uma vi- são de 360º, levando as empresas a inovarem em 12 diferentes áreas que são: Oferta, Plataforma, Soluções Clientes, Experiência do cliente, Captação de valor, Processos, Organização, Cadeia de fornecimento, Presença, Networking, Marca. 4) Assinale somente a assertiva verdadeira sobre as caracte- rísticas da ferramenta MAPEL. Baseia-se nas seis dimen- sões capazes de avaliar o grau de maturidade da empresa na gestão da inovação. São elas: ( ) Método, ambiente, pessoas, estratégia, coordenação e resultados. ( ) Método, ambiente, pessoas, estratégia, liderança e avaliação. 188 Gestão da Inovação ( ) Método, ambiente, sistemas, estratégia, liderança e re- sultados. ( ) Método, ambiente, pessoas, estratégia, liderança e re- sultados. ( ) Método, coordenação, pessoas, estratégia, liderança e resultados. 5) Uma ferramenta que pode ser utilizada na gestão da ino- vação é a curva de adoção da inovação. Sobre esse tema, assinale somente as assertivas verdadeiras: ( ) Na fase que se costuma chamar de introdução, ape- nas 2,5% dos consumidores adquirem ou experimen- tam o produto (muitos o recebem para experimentar, em uma espécie de “degustação”). São os chamados de inovadores, pioneiros, entusiastas. Eles focam a uti- lidade do novo produto, são imunes ao risco e consti- tuem parte do mercado inicial. ( ) Na fase do que se costuma chamar de crescimento, apenas 13,5% dos consumidores adquirem o produto, são os chamados de primeiros adeptos, focam a fun- cionalidade e também constituem parte do mercado inicial. ( ) Já na fase que se costuma chamar de maturidade, existemdois conjuntos de consumidores: um primeiro, constituído por 34% de adquirentes, são chamados de maioria inicial, pragmáticos, focam a novidade (estes sim), novidades embutem risco que aceitam correr, e constituem parte do mercado principal. O outro con- Capítulo 7 Ferramentas da Gestão da Inovação 189 junto, também com 36% de adquirentes, são chama- dos de maioria tardia, conservadores, focam o preço e a competição e constituem também parte do mercado principal. ( ) Na fase que se costuma chamar de declínio, apenas 8% de adquirentes são chamados de retardatários, cé- ticos, focam o preço, são completamente avessos ao risco. Constituem a última parte do mercado principal. ( ) Existe o abismo, a falha, o salto, que deve ser trans- posto para levar a fase dos ganhos, do caixa. A meta para transpor o abismo é consolidar-se em um nicho de mercado desenvolvido o mais rapidamente possí- vel. E chegar à fase de maturidade, com os pragmáti- cos da maioria inicial. Mauro Corte Real1 Capítulo 8 Inovação e Estratégia 1 Mauro Corte Real é professor dos Cursos de Administração e Graduação Tecno- lógica da ULBRA. Mestre em Administração com ênfase em Tecnologia e Produção pela Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Foi bolsista do CNPq e da FAPERGS como pesquisador assistente, Diretor da Diretoria de Ciências da SEC-RS, do Museu Riograndense de Ciências Naturais, do Grupo Habitasul e da Demanda Propaganda. Criou e coordenou o Projeto de Visão/Planejamento Estratégico do Centro de Excelência Empresarial – CENEX, foi CLO – Chief Learning Office da Datasul Brasil, foi também diretor de empresas de turismo, hotéis e prestadoras de serviço. É autor de diversos livros entre os quais “Perfil da Indústria Brasileira de Biotecnologia Focado nas Relações com o Mer- cado”, “Marketing de Tecnologia para Empresas de Base Tecnológica”, “Gestão Empresarial”, “Paris Gourmet” e “O Ritual do Vinho”. Capítulo 8 Inovação e Estratégia 191 Introdução Neste capítulo, trata-se de apresentar as relações entre gestão, estratégia e inovação. Inicia-se pelos fundamentos da estraté- gia e propõem-se a formulação de uma arquitetura estratégica da inovação. É feita uma releitura das forças competitivas, es- tratégias genéricas e estratégias de mercado de Porter, focada nas ordens de inovação que a elas se associam. Segue-se a apresentação do paradigma das organizações que aprendem e conclui-se com a apresentação de um modelo de gestão da inovação e liderança estratégica. A busca da competitividade é a alma da estratégia. (Hitt et al., 2002) 1 Estratégia A visão estratégica e a postura estratégica da empresa que pretende inovar, precisa contemplar isso em suas estratégias gerais, em seu planejamento estratégico, em suas “estratégias de cada dia”. Inovar na prática começa por ter inovação como estratégia. Antes de mais nada, vamos entender o que é estratégia. Quando se pensa estratégia, pensa-se futuro. Estratégia é a arte de prever o futuro e se posicionar nele. De certa forma, podemos dizer que estratégia é um plano de médio e longo prazo. Para ser competitivo e sobreviver. 192 Gestão da Inovação Toda estratégia possui um objetivo, antecede a adoção de medidas às quais se aplica e demonstra um entendimento co- mum da intenção e missão da empresa. A estratégia no nível dos negócios espelha a convicção de uma empresa de onde e como possuir uma vantagem em relação aos seus rivais, aten- dendo a um ou mais segmentos do mercado. Vejamos o conceito de estratégia segundo alguns dos au- tores mais conceituados: “Estratégia é um padrão, isto é, consistência em compor- tamento ao longo do tempo” (Mintzberg, 1995, p. 17). É lícito pensar em padrão centrado na competitividade para resultar em sobrevivência e desenvolvimento. “A concorrência (competitividade) está no âmago do suces- so ou do fracasso das empresas, determinando a adequação das atividades que podem contribuir para seu desempenho, como inovações” (Porter, 1992, p. 1). Outros autores definem estratégia como “um conjunto inte- grado e coordenado de compromissos e ações, cujo objetivo é explorar as competências essenciais e alcançar uma vantagem competitiva” (Hitt et al., 2002, p. 144). “Administração estratégica é o conjunto de decisões e ações usadas para formular e implementar estratégias que proporcionarão uma adequação competitivamente superior entre a organização e o seu ambiente para que a empresa possa alcançar suas metas” (Daft, 2007, p. 172). Estratégia é o “caminho, maneira ou ação formulada e adequada para alcançar, preferencialmente, de maneira di- Capítulo 8 Inovação e Estratégia 193 ferenciada, os objetivos e desafios estabelecidos, no melhor posicionamento da empresa perante seu ambiente” (Oliveira, 2003, p. 326). A empresa usa suas competências essenciais para imple- mentar estratégias de agregar valor e satisfazer às necessida- des dos clientes. Desse modo, a estratégia no nível dos negó- cios espelha a convicção de uma empresa de onde e como possuir uma vantagem em relação aos seus rivais, atendendo a um ou mais segmentos do mercado. Toda estratégia possui um objetivo, antecede a adoção de medidas às quais se aplica e demonstra um entendimento co- mum da intenção e missão da empresa. A estratégia se desenvolve e evolui no tempo, para enfren- tar as condições em mutação impostas pelo mundo real. Kaplan & Norton, 2001. 2 Arquitetura estratégica da inovação Uma arquitetura estratégica (Hamel & Prahalad, 1995) define “o que precisamos fazer agora” para interceptar o futuro. Uma arquitetura estratégica é o vínculo essencial entre o hoje e o amanhã, entre o curto prazo e o longo prazo. A arquitetura estratégica é um plano amplo para abordar a oportunidade. A pergunta feita pela arquitetura estratégica não é o que precisamos fazer para maximizar o nosso faturamento ou fatia de mercado de um produto ou serviço existente, mas sim o 194 Gestão da Inovação que precisamos fazer hoje, em termos de aquisição de compe- tências, inclusive da competência de inovação, para nos pre- pararmos para capturar uma fatia significativa de faturamento futuro em uma arena de oportunidades emergente (Hamel & Prahalad, 1995). Gibson & Sharzynski 2008 tratam de uma arquitetura da inovação. E explicam que usam a metáfora da arquitetura para lembrar a sequência de construção de uma casa, partindo da imaginação e utilizando etapas. Analogamente, na arquitetura da inovação, o objetivo é criar uma base lógica estratégica ampla para os esforços de inovação da empresa, que dissemi- na um foco claro. Partindo do amplo, mas utilizando um alto grau de concentração. “Uma arquitetura de inovação é mais do que uma missão corporativa. É um plano de transformação estratégica e do se- tor – um ponto de vista comum amplo e explícito sobre como a empresa fará para se diferenciar hoje e daqui a cinco ou dez anos” (p. 141). Já vimos anteriormente, no Capítulo 1, que os mesmos au- tores, no sentido de construir a base para insights estratégicos inéditos propuseram a observação do mundo sob a perspec- tiva nova das quatro lentes da inovação. Propiciando insights capazes de abrir oportunidades importantes para a inovação, desafiando as ortodoxias. Agora os autores sugerem que a criação de uma arqui- tetura da inovação a fim de moldar o portfólio da empresa, implica uma fase de divergência e outra de convergência (p. 1222-123). A primeira, da divergência, com a geração de um Capítulo 8 Inovação e Estratégia 195 portfólio rico e diversificado de ideias e opções estratégicas e a segunda, da convergência, agrupando as ideias em grupos que conduzam a empresa em uma direção estratégica clara, com vistas a se diferenciar da concorrência. Isso os autoresapresentam em um modelo. Figura 1 Modelo de arquitetura da inovação. Fonte: Gibson & Sharzynski 2008, p. 133. Partindo do modelo apresentado, a pergunta inicial é: o que somos hoje? E a final: em que podemos nos tornar? Entre elas, a fase da divergência e a da convergência. Divergir crian- do opções. Convergir criando direção. E o conjunto de oportu- nidades cria uma nova plataforma de crescimento na empresa. 3 O cenário competitivo e as estratégias de Porter Porter (1986) estudou o cenário competitivo das empresas nos diferentes setores e concluiu que a intensidade da concorrên- 196 Gestão da Inovação cia não é uma questão de coincidência ou da sorte. Vai bem além do comportamento dos atuais concorrentes e depende de cinco forças competitivas básicas. E apresentou as cinco forças que afetam a competição, em um modelo original: 1. Rivalidade entre as empresas. Como centro do modelo se situa a força dessa rivalidade que cada uma das em- presas apresenta em relação aos seus concorrentes. Tudo leva a crer que a rivalidade entre as empresas possa ser potencializada pela inovação tanto em produtos/serviços como nos processos e na própria estrutura do negócio das empresas participantes da arena competitiva. 2. Novos entrantes potenciais. A ameaça de novos con- correntes na arena competitiva na qual a empresa se in- sere é permanente. Por outro lado, novos entrantes poten- ciais podem apresentar inovações altamente competitivas ou terem surgido do próprio redesenho do mercado por inovações disruptivas e radicais. 3. Poder de barganha dos fornecedores. O seu poder de negociação paira sempre na arena competitiva. O poder de barganha dos fornecedores pode ser afetado por ino- vações nos produtos/serviços ou processos. 4. Poder de barganha dos compradores. Mais ainda do que a dos fornecedores (esses você pode trocar) o poder de barganha dos clientes ou compradores é o determinan- te maior da arena competitiva. O poder de barganha dos compradores, é altamente suscetível à inovação. Quanto mais inovação, maior o poder de barganha dos compra- dores. Capítulo 8 Inovação e Estratégia 197 5. Produtos ou serviços substitutos. A ameaça de novos produtos ou serviços substituírem, por razões diversas, os atuais, paira constantemente na arena competitiva. Os produtos ou serviços substitutos, o serão por razões de mar- keting, de logística, de preço, de conveniência. Entretanto, devemos contemplar também a possibilidade altamente provável de a substituição ser por inovação diferencial, com maior atratividade do que o produto a ser substituído. No diagrama apresentado a seguir, as cinco forças são apresentadas. ENTRANTES COMPRADORES SUBSTITUTOS FORNECEDORES RIVALIDADE ENTRE AS EMPRESAS Figura 2 As cinco forças que afetam a competição. Fonte: inspirado em Porter (1986). 198 Gestão da Inovação Estratégias competitivas genéricas Tratemos primeiro das estratégias competitivas genéricas. Por- ter (1986) estabeleceu que as estratégias de negócios ou ge- néricas, ou ainda opções estratégicas, dizem respeito à posi- ção da empresa no setor em comparação a seus concorrentes, visando a competitividade. Há somente três opções ou tipos para ser competitivo: I. Liderança total em custos – a empresa busca estabelecer uma base de custos menores e oferecer preços mais baixos que os concorrentes. Com isso, obtém uma grande partici- pação de mercado. As comodities podem utilizar essa op- ção. Não para produtos e serviços de alto valor agregado, como conhecimento. II. Diferenciação – a empresa busca conseguir um desem- penho superior aos concorrentes em uma área importante de benefícios ao cliente, valorizada por grande parte do mercado. Os atributos e as características singulares do produto de uma empresa, que não o custo/preço, geram valor para os clientes. Aplica-se a produtos ou serviços de alto valor agregado, como conhecimento. III. Foco – a empresa busca concentrar-se ou especializar-se em um ou mais “nichos de mercado” (segmentos restritos), buscando aí a liderança em custos ou a diferenciação. Tam- bém aplica-se à produtos ou serviços de alto valor agre- gado, como conhecimento. Nesse grupo, encontram-se os consumidores por indução ou os compulsórios, como, por exemplo, a insulina para diabéticos, ou os produtos contra Capítulo 8 Inovação e Estratégia 199 a queda de cabelos para os indivíduos que perdem mais cabelos do que o normal, os produtos light para os que têm tendência à obesidade e assim por diante. As estratégias competitivas genéricas de Porter podem ser contempladas com inovações de diversas ordens. No quadro apresentado a seguir, relacionamos as estratégias e as ordens de inovações que mais podem ser utilizadas para desenvolver a competitividade: Inovações incrementais, melhoramentos, para a maioria dos produtos/serviços. Inovações radicais e disruptivas, para produtos/serviços de alto valor agregado. Inovações radicais e disruptivas para alcançar a diferenciação radical e altamente competitiva. Inovações incrementais para liderança total em custos no nicho. Inovações radicais e disruptivas para diferenciação radical e altamente competitiva no nicho. I - Liderança total em custos II - Diferenciação III - Foco Figura 3 Relação estratégias genéricas e ordens de inovação. Fonte: original do autor, 2014. Independentemente da estratégia genérica definida, a tare- fa essencial de qualquer negócio é fornecer valor ao mercado, de forma lucrativa, obtendo nisso, lucro. E isso pode ser alcan- çado através do desenvolvimento de inovações. 200 Gestão da Inovação Estratégias de mercado Porter (in Tidd et al. p. 141) também apresenta duas estratégias de mercado para decisão das empresas e que se relacionam especificamente à inovação: 1. Liderança da inovação – baseada em liderança tecno- lógica, quando as empresas buscam ser as primeiras, se posicionando como líderes, o que exige intenso domínio da tecnologia e do comportamento dos consumidores, em ações de risco. 2. Acompanhamento da inovação – baseada na imitação, quando as empresas buscam se posicionar como segui- dores, imitando, copiando, fazendo benchmarket ou en- genharia reversa (com os produtos), visando aprender e reduzir custos de fabricação. Quadro 1 Estratégias de mercado ESTRATÉGIAS DE MERCADO LIDERANÇA DA INOVAÇÃO ACOMPANHAMENTO DA INOVAÇÃO Fonte: inspirado em Porter (in Tidd et al. p. 141). Charles Handy (in Vasconcelos Filho & Pagnocelli, 2001) é um renomado professor da London Business School e provoca as empresas estacionadas na zona de conforto, quando afirma que, no Século XXI, as empresas vencedoras serão as que pra- ticarem a estratégia de ficarem à frente na curva de mudança, Capítulo 8 Inovação e Estratégia 201 criando novos mercados, novos caminhos, impondo novas re- gras, inovando para competir e desafiando o status quo. Zona de conforto é aquela em que se situam empresas na curva de distribuição normal, em uma situação nem tão má que precise necessariamente ser mudada de imediato, nem tão boa que garanta a sobrevivência e liderança da empresa. Apresenta uma farta cartela de pontos neutros (nem fortes nem fracos). Cresce: um crescimento discreto. É lucrativa: um lucro discreto. Muito confortável para ser instada a mudar radical- mente. As empresas que “habitam” a zona de conforto são avessas à inovação. Quando inovam, o fazem apenas em melhora- mentos, inovações incrementais, nunca com inovações radi- cais e disruptivas. 4 Organizações que aprendem Talvez uma das mais radicais inovações ou mudanças de pa- radigma da gestão do nosso milênio seja a de organizações estruturadas e estáveis para organizações em estruturação e instáveis, devido e através do aprendizadoe inovação contínu- os. As “organizações que aprendem” ou learning organization. No novo paradigma, a responsabilidade principal da adminis- tração é a de criar capacidade de aprendizado e inovação em toda a organização. Essa mudança é tão radical que as organizações estão ”se reinventando”. Os princípios da divisão do trabalho e da es- 202 Gestão da Inovação pecialização que deram início à administração científica foram para o espaço. Todos na organização participam da identifi- cação e da solução dos problemas, em um contínuo experi- mento, desenvolvimento e aumento de capacidade, invenção, experiência e inovação. A organização que aprende não é um programa ou projeto, mas sim uma filosofia permanente que permeia e envolve toda a empresa. E o que é uma organização que aprende? Aquela em que todos estão engajados na identificação e solução dos proble- mas, permitindo à organização continuamente experimentar a mudança, melhorar e inovar, errar e acertar, aumentando assim sua capacidade de crescer, de aprender, de competir e atingir o seu propósito. A cultura relativa a organizações que aprendem surgiu de um livro de Peter Senge, intitulado “A quinta disciplina: arte e prática da organização que aprende” (2010). Para o autor, construir uma organização que aprende é uma questão dos gestores desenvolverem cinco disciplinas, sendo uma comple- mento da outra. São elas:  O domínio pessoal.  Modelos mentais.  Visão compartilhada.  Aprendizagem em equipe. Capítulo 8 Inovação e Estratégia 203  Pensamento sistêmico. Esta última é a mais importante, pois constitui o alicerce da organização que aprende. 5 Modelo de gestão da inovação e liderança estratégica A inovação apenas deve estar alinhada à estratégia. Nos pa- rece que é bem mais do que isso. A inovação deve estar en- dogenizada na estratégia, no seu DNA, fazer parte essencial dela. E, consequentemente, em toda a gestão da empresa, da organização. Esta é condição essencial para a gestão da ino- vação deixar a retórica para ser realmente praticada. Nada é menos verdade na maioria absoluta das empresas que atuam no mercado. Gestão da inovação? Fala-se muito, pratica-se pouco. Quando muito de uma restrita área de P&D em que se sonha muito em ser empresa inovadora, inserida em uma empresa tradicional e nada ou minimamente inova- dora. Urge passar da retórica para a ação. Não se faz inovação sem estratégia. Estratégia para inovar. Estratégia inovadora. A inovação é uma função estratégia do pensar e do agir administrativo atual, de ponta. Bessant et al. (2009, p. 477) deixam claro a relação entre a inovação como dependente da estratégia: “A inovação não acontece no vácuo – está sujeita a uma série de influências externas e internas que configura o 204 Gestão da Inovação que é possível e o que realmente emerge. Em especial, ela precisa de liderança e de orientação estratégicas cla- ras, mais o comprometimento de recursos para fazer com que isso aconteça. Nenhuma organização possui recur- sos para desperdiçar livremente – a inovação precisa de estratégia”. A organização inovadora participa com a liderança estra- tégica do futuro da empresa. Os mesmos autores apresentam um diagrama que ilustra essa cumplicidade administrativa. Vínculos proativos, sob a influência da liderança estraté- gica da organização inovadora, geram, selecionam e imple- mentam inovações de alto valor estratégico. Esse é o modelo simplificado da gestão da inovação na empresa. Esta é a for- ma de aprender a gerenciar a inovação. VÍNCULOS PROATIVOS LIDERANÇA ESTRATÉGICA ORGANIZAÇÃO INOVADORA GERAM SELECIONAM IMPLEMENTAM INOVAÇÕES Figura 4 Modelo de gestão da inovação e estratégia. Fonte: modelo simplificado para a gestão da inovação, adaptado de Bessant et al., 2009, p. 478. Os vínculos proativos geram possibilidades de inovação, que são submetidos à seleção estratégica e de viabilidade, para serem implementadas, tornando a inovação uma reali- Capítulo 8 Inovação e Estratégia 205 dade, uma vez criadas condições para a inovação eficiente. Inclusive no próprio modelo da própria organização. Do pró- prio negócio. E assim a organização que tiver integrado estratégia e ino- vação terá futuro. Irá participar dele. E de forma competiti- va. Para sempre? Sim, se conseguir inovar e reinventar-se, a si mesma, tantas vezes quantas forem necessárias. Inovando sempre. E existindo sempre. A metodologia do BSC – balanced scorecard – trata de traduzir a missão e as estratégias da empresa em metas e in- dicadores específicos. O BSC permite a integração da gestão com a estratégia e a inovação e reúne, em um único relatório gerencial, muitos dos elementos aparentemente desconexos da agenda competitiva da empresa. Dessa forma, minimiza a sobrecarga de informação que os gestores recebem, ao res- tringir o número de indicadores. Poderíamos apresentar aqui o BSC como integrador entre gestão, estratégia e inovação. Ou no Capítulo 6, como ferramenta de gestão estratégica de ino- vação. Entretanto, preferimos fazê-lo no Capítulo 9 que trata dos indicadores de inovação. Recapitulando A visão estratégica e a postura estratégica da empresa que pretende inovar, precisa contemplar isso em suas estratégias gerais, em seu planejamento estratégico, em suas “estratégias de cada dia”. Inovar na prática começa por ter inovação como 206 Gestão da Inovação estratégia. Quando se pensa estratégia, pensa-se futuro. Es- tratégia é a arte de prever o futuro e se posicionar nele. Estra- tégia é um padrão, isto é, consistência em comportamento ao longo do tempo. É lícito pensar em padrão centrado na com- petitividade para resultar em sobrevivência e desenvolvimento. A concorrência (competitividade) está no âmago do sucesso ou do fracasso das empresas, determinando a adequação das atividades que podem contribuir para seu desempenho, como inovações. Estratégia é um conjunto integrado e coordenado de compromissos e ações, cujo objetivo é explorar as com- petências essenciais e alcançar uma vantagem competitiva. Administração estratégica é o conjunto de decisões e ações usadas para formular e implementar estratégias que propor- cionarão uma adequação competitivamente superior entre a organização e o seu ambiente para que a empresa possa al- cançar suas metas. Estratégia é o caminho, maneira ou ação formulada e adequada para alcançar, preferencialmente, de maneira diferenciada, os objetivos e desafios estabelecidos, no melhor posicionamento da empresa perante seu ambiente. A empresa usa suas competências essenciais para implementar estratégias de agregar valor e satisfazer às necessidades dos clientes. Desse modo, a estratégia no nível dos negócios espe- lha a convicção de uma empresa de onde e como possuir uma vantagem em relação aos seus rivais, atendendo a um ou mais segmentos do mercado. Uma arquitetura estratégica define o que precisamos fa- zer agora para interceptar o futuro. Uma arquitetura estraté- gica é o vínculo essencial entre o hoje e o amanhã, entre o curto prazo e o longo prazo. A arquitetura estratégica é um plano amplo para abordar a oportunidade. A pergunta feita Capítulo 8 Inovação e Estratégia 207 pela arquitetura estratégica não é o que precisamos fazer para maximizar o nosso faturamento ou fatia de mercado de um produto ou serviço existente, mas sim o que precisamos fazer hoje, em termos de aquisição de competências, inclusive da competência de inovação, para nos prepararmos para captu- rar uma fatia significativa de faturamento futuro em uma arena de oportunidades emergente. Quanto a uma arquitetura da inovação, o objetivo é criar uma base lógica estratégica ampla para os esforços de ino- vação da empresa, que disseminaum foco claro. Partindo do amplo, mas utilizando um alto grau de concentração. Uma arquitetura de inovação é mais do que uma missão corporativa. É um plano de transformação estratégica e do se- tor – um ponto de vista comum amplo e explícito sobre como a empresa fará para se diferenciar hoje e daqui a cinco ou dez anos. Partindo do modelo apresentado, a pergunta inicial é: o que somos hoje? E afinal: em que podemos nos tornar? Entre elas, a fase da divergência e a da convergência. Divergir criando opções. Convergir criando direção. E o conjunto de oportunidades cria uma nova plataforma de crescimento na empresa. Construir a base para insights estratégicos inéditos propuseram a observação do mundo sob a perspectiva nova das quatro lentes da inovação. Propiciando insights capazes de abrir oportunidades importantes para a inovação, desafian- do as ortodoxias. Nos cenários competitivos de Porter, tudo leva a crer que a rivalidade entre as empresas possa ser potencializada pela inovação tanto em produtos/serviços como nos processos e 208 Gestão da Inovação na própria estrutura do negócio das empresas participantes da arena competitiva. Por outro lado, novos entrantes potenciais podem apresentar inovações altamente competitivas ou terem surgido do próprio redesenho do mercado por inovações dis- ruptivas e radicais. O poder de barganha dos fornecedores pode ser afetado por inovações nos produtos/serviços ou pro- cessos. Da mesma forma, o poder de barganha dos compra- dores. Esse determinante maior da arena competitiva é alta- mente suscetível à inovação. Quanto mais inovação, maior o poder de barganha dos compradores. Os produtos ou serviços substitutos, segundo Porter, o serão por razões de marketing, de logística, de preço, de conveniência. Entretanto, devemos contemplar também a possibilidade altamente provável de a substituição ser por inovação diferencial, com maior atrativida- de do que o produto a ser substituído. Em relação às estratégias genéricas e ordens de inovação, na liderança total em custos as ordens de inovação, são as inovações incrementais, melhoramentos, para a maioria dos produtos/serviços; inovações radicais e disruptivas, para pro- dutos/serviços de alto valor agregado. Na diferenciação, Ino- vações radicais e disruptivas para alcançar a diferenciação radical e altamente competitiva. Na estratégia de foco, Ino- vações incrementais para liderança total em custos no nicho; inovações radicais e disruptivas para diferenciação radical e altamente competitiva no nicho. Nas estratégias de mercado, a liderança da inovação – baseada em liderança tecnológica, quando as empresas buscam ser as primeiras, se posicionan- do como líderes, o que exige intenso domínio da tecnologia e do comportamento dos consumidores, em ações de risco Capítulo 8 Inovação e Estratégia 209 e o acompanhamento da inovação – baseada na imitação, quando as empresas buscam se posicionar como seguidores, imitando, copiando, fazendo benchmarket ou engenharia re- versa (com os produtos), visando aprender e reduzir custos de fabricação. E o que é uma organização que aprende? Aquela em que todos estão engajados na identificação e solução dos proble- mas, permitindo à organização continuamente experimentar a mudança, melhorar e inovar, errar e acertar, aumentando assim sua capacidade de crescer, de aprender, de competir e atingir o seu propósito. A organização que aprende não é um programa ou projeto, mas sim uma filosofia permanente que permeia e envolve toda a empresa. A inovação apenas deve estar alinhada à estratégia. Nos parece que é bem mais do que isso. A inovação deve estar endogenizada na estratégia, no seu DNA, fazer parte essencial dela. E, consequentemente, em toda a gestão da empresa, da organização. A inovação não acontece no vácuo – está sujeita a uma série de influências externas e internas que configura o que é possível e o que realmente emerge. Em especial, ela precisa de liderança e de orientação estratégicas claras, mais o com- prometimento de recursos para fazer com que isso aconteça. Nenhuma organização possui recursos para desperdiçar livre- mente – a inovação precisa de estratégia. Vínculos proativos, sob a influência da liderança estratégica da organização ino- vadora, geram, selecionam e implementam inovações de alto valor estratégico. Esse é o modelo simplificado da gestão da inovação na empresa. Essa é a forma de aprender a gerenciar a inovação. 210 Gestão da Inovação Referências BESSANT, John & TIDD, Joe. Inovação e empreendedoris- mo. Porto Alegre: Bookman, 2009. DAFT. Richard L. Administração. Rio de Janeiro: LCT, 2007. GIBSON, Rowan & SKARZYNSKY, Peter. Inovação Prioridade 1: o caminho para a transformação nas organizações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. HAMEL, Gary & PRAHALAD, C. K. Competindo pelo futuro: estratégias inovadoras para obter o controle do seu setor e criar os mercados de manhã. Rio de Janeiro: Campus, 1995. HITT, Michael; IRELAND, R. Duane: HOSKISSON, Robert E. Administração estratégica: competitividade e globaliza- ção. 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( ) Estratégia é um conjunto integrado e coordenado de compromissos e ações, cujo objetivo é explorar as competências essenciais e alcançar uma vantagem competitiva. ( ) Estratégia é o caminho, maneira ou ação formulada e adequada para alcançar, preferencialmente, de ma- neira indiferenciada, os objetivos e desafios estabele- cidos, no melhor posicionamento da empresa perante seu ambiente. ( ) Estratégia é um padrão, isto é, consistência em com- portamento ao longo do tempo. ( ) Estratégia é o caminho, maneira ou ação formulada e adequada para alcançar, preferencialmente, de ma- neira diferenciada, os objetivos e desafios estabeleci- dos, no melhor posicionamento da empresa perante seu ambiente. ( ) Estratégia é o planejamento estratégico.Capítulo 8 Inovação e Estratégia 213 2) Tratando de arquitetura estratégica, usa-se a metáfora da arquitetura para lembrar a sequência de construção de uma casa, partindo da imaginação e utilizando etapas. Analogamente, na arquitetura da estratégia, o objetivo é criar uma base lógica estratégica ampla para os esforços da empresa, que dissemina um foco claro. Assinale ape- nas a assertiva correta. ( ) Uma arquitetura estratégica define o que precisamos fazer agora para interpretar o futuro. Uma arquitetura estratégica é o vínculo essencial entre o hoje e o ama- nhã, entre o curto prazo e o longo prazo. A arquitetura estratégica é um plano amplo para abordar a oportu- nidade. ( ) Uma arquitetura estratégica define o que precisamos fazer agora para interceptar o futuro. Uma arquitetu- ra estratégica é o vínculo essencial entre o hoje e o amanhã, entre o médio prazo e o longo prazo. A ar- quitetura estratégica é um plano amplo para abordar a oportunidade. ( ) Uma arquitetura estratégica define o que precisamos fazer agora para interceptar o futuro. Uma arquitetura estratégica é o vínculo essencial entre o hoje e o ama- nhã, entre o curto prazo e o longo prazo. A arquitetura estratégica é um plano amplo para abordar a oportu- nidade. ( ) Uma arquitetura estratégica define o que precisamos fazer agora para interceptar o futuro. Uma arquitetura estratégica é o vínculo essencial entre o hoje e o ama- 214 Gestão da Inovação nhã, entre o curto prazo e o longo prazo. A arquitetura estratégica é um plano amplo para aproveitar a ideia. ( ) Uma arquitetura estratégica define o que precisamos fazer agora para interceptar o futuro. Uma arquitetura estratégica é o vínculo lateral entre o hoje e o amanhã, entre o curto prazo e o longo prazo. A arquitetura es- tratégica é um plano amplo para abordar a oportuni- dade. 3) Porter estudou o cenário competitivo das empresas nos di- ferentes setores e concluiu que a intensidade da concor- rência não é uma questão de coincidência ou da sorte. Assinale apenas as assertivas verdadeiras. ( ) O comportamento dos atuais concorrentes depende de cinco forças competitivas básicas: rivalidade en- tre as empresas; novos entrantes potenciais; poder de barganha dos clientes; poder de barganha dos com- pradores; produtos ou serviços substitutos. ( ) Estabeleceu as estratégias de negócios ou genéricas, ou ainda opções estratégicas, dizem respeito à posi- ção da empresa no setor em comparação a seus con- correntes, visando a competitividade. Há somente três opções ou tipos para ser competitivo: Liderança total em custos; diferenciação; e diversificação. ( ) O comportamento dos atuais concorrentes depende de cinco forças competitivas básicas: cooperação en- tre as empresas; novos entrantes potenciais; poder de Capítulo 8 Inovação e Estratégia 215 barganha dos fornecedores; poder de barganha dos compradores; produtos ou serviços substitutos. ( ) O comportamento dos atuais concorrentes depende de cinco forças competitivas básicas: rivalidade en- tre as empresas; novos entrantes potenciais; poder de barganha dos fornecedores; poder de barganha dos compradores; produtos ou serviços substitutos. ( ) Estabeleceu as estratégias de negócios ou genéricas, ou ainda opções estratégicas, dizem respeito à posi- ção da empresa no setor em comparação a seus con- correntes, visando a competitividade. Há somente três opções ou tipos para ser competitivo: Liderança total em custos; diversificação; e foco. 4) Talvez uma das mais radicais inovações ou mudanças de paradigma da gestão do nosso milênio seja a de organiza- ções que aprendem ou learning organization. Em relação a essas organizações, assinale apenas a assertiva verda- deira. ( ) São uma mudança, de organizações estruturadas e es- táveis para organizações em estruturação e instáveis, devido e através do aprendizado e inovação contínuos. ( ) No novo paradigma, a responsabilidade principal da administração é a de criar capacidade de inovação em toda a organização. ( ) É uma questão dos gestores desenvolverem cinco dis- ciplinas, sendo uma complemento da outra. São elas: o domínio pessoal; modelos comportamentais; visão 216 Gestão da Inovação compartilhada; aprendizagem em equipe; pensamen- to sistêmico. ( ) São uma mudança, de organizações estruturadas e estáveis para organizações em reestruturação e está- veis, devido e através do aprendizado e inovação con- tínuos. ( ) É uma questão dos gestores desenvolverem cinco dis- ciplinas, sendo uma complemento da outra. São elas: o domínio pessoal; modelos mentais; visão comparti- lhada; aprendizagem em série; pensamento sistêmico. 5) Sabe-se que não se faz inovação sem estratégia. Estratégia para inovar. Estratégia inovadora. A inovação é uma fun- ção estratégia do pensar e do agir administrativo atual, de ponta. Assinale apenas as assertivas verdadeiras. ( ) A inovação não acontece no vácuo, está sujeita a uma série de influências externas e internas que configura o que é possível e o que realmente emerge. Em especial, ela precisa de liderança e de orientação estratégicas claras, mais o comprometimento de recursos para fa- zer com que isso aconteça. ( ) Vínculos proativos, sob a influência da liderança estra- tégica da organização inovadora, geram, selecionam e implementam inovações de alto valor estratégico. ( ) Os vínculos proativos geram possibilidades de inova- ção, que são submetidos a seleção estratégica e de viabilidade, para serem implementadas, tornando a Capítulo 8 Inovação e Estratégia 217 inovação uma realidade, uma vez criadas condições para a inovação eficiente. ( ) A inovação deve estar endogenizada na estratégia, no seu DNA, fazer parte essencial dela. E, consequente- mente, em toda a gestão da empresa, da organização. ( ) Todas as assertivas anteriores estão corretas e devem ser assinaladas, inclusive esta. Mauro Corte Real1 Capítulo 9 Indicadores de Gestão da Inovação 1 Mauro Corte Real é professor dos Cursos de Administração e Graduação Tecno- lógica da ULBRA. Mestre em Administração com ênfase em Tecnologia e Produção pela Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Foi bolsista do CNPq e da FAPERGS como pesquisador assistente, Diretor da Diretoria de Ciências da SEC-RS, do Museu Riograndense de Ciências Naturais, do Grupo Habitasul e da Demanda Propaganda. Criou e coordenou o Projeto de Visão/Planejamento Estratégico do Centro de Excelência Empresarial – CENEX, foi CLO – Chief Learning Office da Datasul Brasil, foi também diretor de empresas de turismo, hotéis e prestadoras de serviço. É autor de diversos livros entre os quais “Perfil da Indústria Brasileira de Biotecnologia Focado nas Relações com o Mer- cado”, “Marketing de Tecnologia para Empresas de Base Tecnológica”, “Gestão Empresarial”, “Paris Gourmet” e “O Ritual do Vinho”. Capítulo 9 Indicadores de Gestão da Inovação 219 Introdução Neste capítulo, trata-se de apresentar os indicadores de ges- tão da inovação. Primeiramente, trata-se do BSC – balanced scorecard, uma ferramenta múltipla que, tanto quanto a de identificar indicadores de desempenho, mostra-se capaz de promover a integração entre a gestão da inovação e a es- tratégia na empresa. Procura-se apresentar outras formas de indicador, começando por Indicadores de insumos ou esforços de inovação, seguindo com indicadores de produto. Depois de mostrar os Indicadores de competência do gestor de inova- ção, apresenta-se o Innovation Scorecard e conclui-se com um modelo dos Indicadores para avaliação de entrada-processo- -saída da gestão de inovação. 1 O Balanced Scorecard da inovação A maioria das organizações de hoje opera por meio de uni- dades de negócio, muito mais próximas dos clientesdo que a administração central ou a matriz. Essas empresas reconhecem que a sua maior vantagem competitiva deriva mais de recursos intangíveis, como conhecimento, a inovação, competências e relacionamentos com os clientes, criadas e mantidas pelos em- pregados, do que de investimentos em ativos físicos e acesso ao capital. Por isso a implantação da estratégia da empresa exige que todas as unidades de negócio, unidades de apoio e emprega- dos estejam alinhados e conectados com a estratégia. O pro- 220 Gestão da Inovação cesso de formulação e a implementação da estratégia devem converter-se em processo contínuo e participativo. O sucesso exige que a estratégia se transforme em tarefa cotidiana de todos. Permeie o DNA da empresa. Sendo impossível estar fisicamente presente na rede de relacionamentos das unidades estratégicas (network), para acompanhar, monitorar e controlar isso, e promover o alinha- mento constante que garante que todos trabalhem na mesma direção estratégica, é necessário fazer uso de indicadores. Quais seriam os indicadores objetivos, realistas, suficientes e relevantes para esse fim? As mensurações financeiras são indicadores defasados, pois concentram-se em resultados (ex post facto) de ações passadas. Isso, muitas vezes, comprome- teu a criação do valor de longo prazo pelo desempenho de curto prazo. Por tudo isso Kaplan & Norton (2000) propuseram o ba- lanced scorecard – BSC. O modelo surgiu como ferramen- ta de avaliação de desempenho e resultado. Apresentamos, aqui, com dois objetivos: o primeiro de oferecer uma gama de indicadores de resultado, no nosso caso, de inovação. O segundo, porque o BSC promove a integração entre a gestão e a estratégia da empresa. E a estratégia, no nosso caso, é a estratégia da inovação. A nova abordagem preservou os indicadores do desempe- nho financeiro (que eles chamam de retardatários), mas com- plementou a mensuração com outros indicadores de desem- penho futuro. E correlacionaram o desempenho à estratégia. Capítulo 9 Indicadores de Gestão da Inovação 221 A tese dos autores é que todos os indicadores, sejam eles financeiros ou não, devem emanar da visão e da estratégia da empresa. O que deve ser avaliado é a competência em reali- zar a estratégia. Resultados financeiros são consequência da satisfação dos clientes, compras e recompras que a estratégia e a atividade propiciaram. O balanced scorecard cria uma atitude mental voltada para o desempenho ao adotar um novo conjunto de valores e prioridades mais sensíveis aos clientes e à estratégia. O siste- ma induziu a empresa a olhar além dos indicadores financei- ros imediatistas e concentrar a atenção nos fatores que criam valor econômico, como a aprendizagem, o potencial de de- senvolvimento e a capacidade de inovar. A função estratégica do BSC é traduzir, priorizar, focar e alinhar os objetivos pessoais dos profissionais com a visão, os valores e a missão da empresa. É um instrumento para apoiar o modelo de gestão que a organização escolheu. (Lemos et al., 2012). Além disso, o novo sistema desenvolvido por Kaplan & Norton (2000) apresenta um conjunto equilibrado de indica- dores que permite aos gestores visualizar a empresa sob vá- rias perspectivas ao mesmo tempo. Uma visão rápida, embora abrangente, da empresa. O BSC tornou-se uma metodologia de gestão estratégica levando em conta indicadores e apren- dizagem, potencial de desenvolvimento e inovação. Essa metodologia inclui indicadores financeiros (que mos- tram o resultado das ações no passado), mas também mos- 222 Gestão da Inovação tra três conjuntos de indicadores operacionais: os relaciona- dos com a satisfação dos clientes, com os processos internos e, especialmente, com a capacidade da organização de aprender (o conhecimento é a maior fonte de inovação) e melhorar – melhorias contínuas = inovação incremental e potencial para inovação radical, disruptiva, atividades que agregam valor, impulsionam o desempenho futuro e a competitividade. A metodologia trata de traduzir a missão e as estratégias da empresa em metas e indicadores específicos. O BSC permi- te ao gestor visualizar o desempenho da empresa sob quatro perspectivas estratégicas e fundamentais: 1. Perspectiva financeira 2. Perspectiva do cliente 3. Perspectiva interna 4. Perspectiva de aprendizado, desenvolvimento e ino- vação Ou, visto de outra forma, responder as seguintes perguntas (mesmo autor): 1. Como parecemos para os acionistas? (financeira) 2. Como os clientes nos veem? (clientes) 3. Em que devemos ser excelentes? (interna) 4. Seremos capazes de continuar nos desenvolvendo, melhorando e criando valor através da inovação e aprendizado contínuo? Capítulo 9 Indicadores de Gestão da Inovação 223 A quarta perspectiva do modelo integra três focos essenciais à inovação. O primeiro é a própria inovação. O segundo é o da aprendizagem, do desenvolvimento do conhecimento. E sabemos que o conhecimento é a fonte da maioria das inova- ções. Por isso, aprender continuamente é condição primordial para o desenvolvimento de uma estratégia com visão inova- dora, tanto quanto a competência para inovar em si mesma. O terceiro, o do desenvolvimento contínuo. A empresa sempre em movimento. O BSC reúne em um único relatório gerencial muitos dos elementos aparentemente desconexos da agenda competitiva da empresa. Dessa forma, minimiza a sobrecarga de infor- mação que os gestores recebem, ao restringir o número de indicadores. A cada meta estabelecida, é atribuído um indicador cor- respondente. Os gestores são forçados a se concentrarem em poucos indicadores de maior importância. Em cada uma das perspectivas são propostas as metas relevantes e atribuídos os indicadores correspondentes. Esses indicadores de desempe- nho são interconectados. Dentro da perspectiva sistêmica e contingente das organizações. Adiante, apresentamos o modelo do BSC adaptado de Ka- plan & Norton in Balanced scorecard: indicadores que impul- sionam o desempenho, Harvard Business Review, 2000. 224 Gestão da Inovação PERSPECTIVA FINANCEIRA Como parecemos aos nossos acionistas? (financeiramente) Metas Indicadores PERSPECTIVA DO CLIENTE PERSPECTIVA INTERNA Como os nossos clientes nos veem? (posicionamento) Em que devemos ser excelentes? (internamente) Metas Metas Indicadores Indicadores PERSPECTIVA FUTURA Seremos capazes de continuar melhorando e criando valor? (desenvolvimento, inovação e aprendizado contínuo) Metas Indicadores Figura 1 Modelo do BSC. Fonte: adaptado de Kaplan & Norton in Balanced scorecard: indicadores que im- pulsionam o desempenho, Harvard Business Review, 2000. O BSC permite a integração excepcional entre dois aspec- tos relevantes da gestão: alinhamento e foco, além das resul- Capítulo 9 Indicadores de Gestão da Inovação 225 tantes convergência e consistência dos recursos limitados da organização. O BSC exige que os gestores traduzam a decla- ração da missão ampla e dos objetivos nas perspectivas dos acionistas, dos clientes, interna e na perspectiva de inovação e aprendizado, constantes do planejamento estratégico, em me- tas e indicadores específicos que reflitam os fatores realmente importantes para eles. Para colocar em ação o BSC, as empresas precisam definir metas de prazo, de qualidade e de desempenho, para depois converter essas metas em indicadores específicos. Isso é feito no planejamento estratégico e é necessário existir uma íntima relação entre ele e o BSC. O BSC exige que os gestores traduzam a declaração da missão ampla e dos objetivos nas perspectivas dos acionistas, dos clientes, interna e na perspectiva de desenvolvimento, ino- vação e aprendizado,constantes do planejamento estratégico, em metas e indicadores específicos que reflitam os fatores re- almente importantes para eles. Quem organiza o quadro de metas e indicadores do BSC? Ele deve ser estruturado por todos os que irão ser responsáveis pelo seu acompanhamento e controle, bem como por todos que executam ações, projetos, em suma por toda a empresa. Todos são responsáveis. É claro que, mesmo que sejam ouvi- dos todos os funcionários da organização, de forma especial os lideres & gestores, um grupo menor será responsável pela sua elaboração. Esse grupo deve representar todo o DNA da empresa. 226 Gestão da Inovação 2 Indicadores de insumos ou esforços de inovação Existem variados e diferenciados indicadores de inovação. Po- demos considerar que se agrupam em dois grandes conjuntos: a. Os que medem os insumos ou esforços. b. Os que medem os produtos ou processos, os resul- tados da inovação. Vamos iniciar apresentando alguns indicadores que me- dem os insumos ou esforços de inovação. (Furtado & Queiroz, s/d). Eles indicam os esforços realizados pelas empresas em P&D, pesquisa e desenvolvimento. Existem três objetivos estratégicos para a P&D segundo Roussel et al.(1992)in Martin (2001): 1. Defender, apoiar e expandir o negócio atual, o que en- volve modificar os produtos para melhorar a aceitação do cliente, adaptá-los a diferentes padrões de mercado ou regulamentações, usando diferentes matérias primas, ou melhorias nos processos de produção. 2. Impulsionar novos negócios, que consiste em oferecer oportunidades para novos negócios usando tecnologias novas ou existentes. 3. Ampliar e aprofundar as capacidades tecnológicas da em- presa, que se referem a um negócio atual ou novo, depen- Capítulo 9 Indicadores de Gestão da Inovação 227 dendo da oportunidade percebida e da posição competiti- va da empresa. Andreassi (2007) afirma que os indicadores baseados em estatísticas de P&D, como os gastos em P&D ou mão de obra alocada à P&D, são os mais antigos e ainda estão entre os mais utilizados para medir a inovação. Mas esses dados re- presentam apenas uma parte e não se relacionam diretamente com os resultados. E aplicam-se melhor a alguns setores e empresas grandes (Patel & Pavitt, 1995). A relação entre os gastos com P&D e o faturamento bruto da empresa é o indicador mais encontrado. Mas não permite avaliar o grau de inovação. Conforme o Manual Frascati, apresentado no Capítulo 6, as atividades de P&D compreendem a pesquisa básica, apli- cada e o desenvolvimento experimental, com a construção e teste de protótipos. E os insumos ou esforços são medidos pelo dispêndio e pelo recurso humano utilizado. E chamados de intensidade de P&D ou tecnológica, sendo calculado pela razão entre o dispêndio com P&D e as vendas, ou valor agregado da empresa. Fica implícito que esse indicador varia muito de acordo com o setor da indústria em que se insere a empresa. O recurso humano pode ser de pesquisadores (cien- tistas ou engenheiros), pessoal técnico e pessoal de apoio. E a forma de mensurar é o tempo de dedicação da pessoa em equivalente tempo integral. Conforme o Manual de Oslo, apresentado no Capítulo 6, e que trata de produto ou processo, os insumos apropriados aos 228 Gestão da Inovação custos de inovação compreendem mais do que P&D, estando incluídos projeto industrial, licenciamento de tecnologia, aqui- sição de máquinas e marketing de primeiros produtos. Nesse caso, o indicador é chamado de intensidade inovativa e é obtido pelos custos da inovação, são divididos pela receita ou valor agregado da empresa. 3 Indicadores de produto O mais usado é a patente de invenção, considerado o seu depósito ou o seu registro. É o indicador mais objetivo. É claro que, devido às diferenças dos sistemas de patentes entre os países, é apenas um indicador interno. E também dentro do mesmo setor, devido às diferenças naturais. Mesmo interna- mente em um país e setor, ainda existem problemas de peso ou impacto relativo e o marketing falacioso que pode fazer depósitos fictícios, para confundir os concorrentes. (Furtado & Queiroz, s/d). O número de patentes é o mais usado, tanto o número absoluto, como o número de patentes por funcionário de P&D. (Andreassi, 2007). Freeman & Soete (1997) comentam que as patentes são mais uma medida do esforço do que do sucesso inovador. No caso brasileiro, o tema é ainda mais delicado. As patentes funcionam mais como um instrumento de reserva de mercado para inovações desenvolvidos no exterior por Capítulo 9 Indicadores de Gestão da Inovação 229 empresas interessadas no mercado brasileiro. Os indicado- res bibliométricos, a verificação de artigos científicos ou citações em artigos científicos, também é usada. Bem como técnicas semiquantitativas como a conversão em uma uni- dade métrica impressões sobre desempenho e avaliação de desempenho das pessoas e do departamento de P&D. (An- dreasssi, 2007). O Manual de Oslo já referido, considera o indicador taxa de inovação como o mais importante. A taxa é calculada me- dindo o número relativo de empresas que introduziram pelo menos uma inovação tecnológica em um determinado perío- do sobre o conjunto total de empresas. Geralmente, o tempo é de três anos. Essa taxa se refere às inovações introduzidas e não às geradas pelas empresas. E inovações geradas para a empresa e não para o mercado. Não serve para analisar o comportamento de uma empresa, serve para grupos ou con- juntos. Outro indicador é o número absoluto de inovações em um determinado período, introduzidas por uma determinada empresa no mercado. Mais um indicador, relativo a produto, seria o impacto econômico da inovação segundo sua partici- pação no total das vendas da empresa. Zogbi (2008) sugere que se adote métricas para a gestão da inovação. Cada empresa adotará as que achar mais viá- veis ou criará as próprias. Davila et al. (2008) lembra que, na empresa, só o que é medido é realizado, e afirma que medir é fundamental para o 230 Gestão da Inovação sucesso da gestão da inovação. E explica que a monitoração é feita para acompanhar a execução dos projetos de inova- ção a fim de avaliar mudanças no ambiente, intervir apenas quando indispensável, e avaliar o desempenho. E também para aprender sobre novas soluções, novos negócios e opor- tunidades. O autor define três partes em um modelo de negócio inte- grado ao sistema de indicadores de inovação (adaptado):  Recursos necessários (para o P&D, relacionamentos ex- ternos, humanos, financeiros).  A maneira de combinar esses recursos a fim de que pos- sam gerar inovação (ação).  Como a inovação se traduz em valor de negócio (resul- tado). Bautzer (2009) sugere que o gestor de inovação é peça crucial no sucesso das atividades de desenvolvimento ino- vador. E também que a sua atitude seja controlada, isto é, acompanhada e monitorada. Essa atitude pode ser indica- dora de alcance ou não de resultados na gestão da inova- ção. No quadro a seguir apresentado, são explicitadas as di- ferenças entre o gestor operacional e o gestor de inovação (adaptado). Capítulo 9 Indicadores de Gestão da Inovação 231 Quadro 1 Gestor operacional x gestor de inovação CARACTERÍSTICAS GESTOR OPERACIO- NAL GESTOR DE INOVA- ÇÃO Liderança Direciona e controla Inspira e guia Maior ativo Conhecimento Conhecimento & imaginação Foco no trabalho Execução, implemen- tação, acerto, eficiên- cia Experimentação, acerto & erro, apren- dizagem Busca por resulta- dos financeiros Curto prazo Médio & longo prazo Estabelece Objetivos & metas Grandes desafios Comunica Metas e resultados atingidos Valores, cultura e lições aprendidos Estimula Eficácia, diminuição de riscos, comparti- lhamento demelhores práticas Eficácia, riscos cal- culados, discussão, aprimoramento, criar novas práticas Pensamento Sistêmico/analítico Analítico/sistêmico Fonte: adaptado de Bautzer, gestor operacional x gestor de inovação, p. 40, 2009. 4 Innovation Scorecard Em métricas para a inovação, (Scherer et al., 2009, p. 66- 71) “A Imnoscience propõe um innovation scorecard, estru- 232 Gestão da Inovação turado através de quatro perspectivas que evidenciam a lógica de causa-efeito da geração de resultados da inovação:  Contexto – está relacionado com a forma como a em- presa cria o ambiente adequado para a inovação a par- tir das oito dimensões do octógono.  Processo – mede a eficiência da geração, seleção, ava- liação e implementação das ideias inovadoras, através das etapas da cadeia de valor, criando-se indicadores específicos.  Tipos – expressam o perfil de inovação demandado, deixando claro quais são as inovações desejadas pela empresa.  Resultados – reflete as expectativas de resultados espe- rados pelas atividades de inovação.” O octógono cria o ambiente adequado para a inovação a partir de oito dimensões. São elas:  Estratégia  Cultura  Estrutura  Pessoas  Processo Capítulo 9 Indicadores de Gestão da Inovação 233  Funding  Liderança  Relacionamentos O octógono pode ser visualizado na seguinte figura: Estratégia Lide ran ça C ul tu ra Pes soa sEstrutura Processo Fu nd in g GESTÃO DA INOVAÇÃO Relacionam ento Figura 2 Octógono da inovação. Fonte: Imnoscience in Scherer et al., 2009, p. 75. E continua o autor: as métricas da atividade de inovação devem estar alinhadas com a estratégia da empresa, que irá condicionar o desdobramento das quatro perspectivas e os in- dicadores a serem utilizados. Isso aparece no quadro a seguir apresentado. 234 Gestão da Inovação Quadro 2 Perspectivas e indicadores de gestão da inovação Perspectiva O que mede Indicadores Resultados Mede os resul- tados esperados com a atividade inovadora  % da receita de produtos vendi- dos nos últimos três anos Tipos Mede a conse- cução dos tipos de inovação in- tencionados pela empresa  Número de inovações radical/ total de inovações Processo Mede a eficácia das fases da ca- deia de valor da inovação  Número de novas patentes  Número de novas ideias gera- das  % de ideias selecionadas para experimentação  Tempo médio de experimentação  % de projetos implementados dentro do orçamento  % de inovações externas à em- presa Contexto Mede o ambien- te de fomento à inovação  Número de horas médias de treinamento em inovação por colaborador  % de lideranças avaliadas con- forme inovação  % da receita investido em ino- vação Fonte: Scherer et al., 2009, p. 69. Capítulo 9 Indicadores de Gestão da Inovação 235 5 Indicadores de entrada, processo e saídas da gestão da inovação “Identificar os resultados da inovação é essencial para avaliar se os esforços e os investimentos realizados estão trazendo o retorno esperado. Por meio de indicadores, é possível fazer uma análise global no desempenho da gestão da inovação.” (Coral et al. 2009, p. 192). Cada empresa deve identificar quais os grupos de indica- dores são os mais adequados para os seus objetivos e missão. Podemos ter indicadores de entrada, de processo e de saída (out put).  Indicadores de entrada – possibilitam verificar a dispo- sição da empresa para assumir os riscos relacionados à inovação.  Indicadores de processos – é importante que os pro- cessos sejam monitorados, pois são eles que atuam nos componentes de entrada, com o objetivo de transformá- -los em resultados.  Indicadores de saídas – mensuram as respostas obtidas pela empresa através do processo de inovação. E quais são esses indicadores? Na figura a seguir apresen- tada, são mostrados os indicadores sugeridos pelo autor. 236 Gestão da Inovação ENTRADA PROCESSO SAÍDA ∙ Percentual do faturamento investido pela empresa em atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) ∙ Percentual de colaboradores envolvidos no processo de inovação ∙ Percentual de ideias geradas que foram aprovadas ∙ Índice de desistência ∙ Taxa de atraso no cronograma de projetos ∙ Taxa de extrapolação no orçamento de projetos ∙ Número de produtos lançados ∙ Percentual de patentes concedidas à empresa ∙ Percentual de faturamento proveniente de produtos lançados nos últimos dois anos ∙ Retorno sobre o investimento dos novos produtos (ROI) Figura 3 Indicadores para avaliação do processo de inovação. Fonte: baseado em Coral et al., 2009, p. 194. A utilização de indicadores é essencial. Sabemos que é pre- ciso monitorar os indicadores e, para isso, é preciso medir. É preciso reduzir praticamente tudo a números. Números podem ser acompanhados e comparados. Podem também indicar tendências. Mas sabemos que, na inovação e na gestão da inovação, isso é difícil de realizar. Mas é preciso tentar. E, por isso, apresentaremos a seguir um quadro com indicadores numéricos e sua periodicidade indicada, sugerido por Coral et al. (2009). Capítulo 9 Indicadores de Gestão da Inovação 237 Quadro 3 Fórmulas para cálculo dos indicadores Indicadores Fórmula Período Entradas Percentual do faturamento investido pela empresa em atividades de pesquisa e desenvolvimento ((P&D) (valor investido em P&D x 100)/ faturamento líquido anual Percentual de colaborado- res envolvidos no processo de inovação Número de colaboradores envol- vidos no processo de inovação/ número de colaboradores da empresa mensal Percentual de ideias gera- das que foram aprovadas (número de ideias aprovadas x 100)/número de ideias geradas mensal Processos Índice de desistência (%) (1 indicador para cada estágio) (número de ideias do estágio em avaliação x 100)/número de ideias em estágio anterior mensal Taxa de atraso no crono- grama de projetos (%) [(tempo de execução do projeto – tempo planejado de execução do projeto) x 100]/tempo planejado de execução do projeto por projeto Taxa de extrapolação no orçamento de projetos [(investimento realizado na exe- cução do projeto – investimento planejado para a execução do projeto) x 100]/investimento plane- jado para a execução do projeto por projeto Saídas Número de produtos lançados Número total de novos produtos semestral Percentual de patentes concedidas à empresa (número de patentes concedi- das x 100)/número de patentes solicitadas anual Percentual de faturamento proveniente de produtos lançados nos últimos dois anos (faturamento proveniente de novos produtos x 100)/faturamento total da empresa semestral Retorno sobre o investi- mento dos novos produtos (ROI) Investimentos realizados para o novo produto/lucro líquido prove- niente desse novo produto anual Fonte: adaptado de Coral et al., 2009, p. 197. 238 Gestão da Inovação Para ter maior efetividade em levar inovações ao mercado, controlar é preciso, monitorar, usar indicadores e, mesmo as- sim, como afirmam dois dos maiores mentores de gestão da inovação do mundo, Rowan Gibson e Peter Sharzynsky (2008, p. 92), “é” difícil aceitar (e argumentar internamente) que, de todas as ideias geradas, somente 10% garantirão experimen- tos dos quais 90% não surtirão o aprendizado esperado”. Mas não há alternativa. Valerá a pena. No mundo atual, no mercado global da comunicação universal, é inovar ou de- saparecer. Melhor fazer uma boa gestão da inovaçãoe buscar a sustentabilidade. Recapitulando A maioria das organizações de hoje opera por meio de uni- dades de negócio, muito mais próximas dos clientes do que a administração central ou a matriz. Sendo impossível estar fisicamente presente na rede de relacionamentos das unidades estratégicas (network), para acompanhar, monitorar e controlar isso, e promover o alinha- mento constante que garante que todos trabalhem na mesma direção estratégica, é necessário fazer uso de indicadores. O balanced scorecard – BSC é um modelo que surgiu como ferramenta de avaliação de desempenho e resultado. Nós o apresentamos com dois objetivos: o primeiro de ofere- cer uma gama de indicadores de resultado, no nosso caso, de inovação. O segundo, porque o BSC promove a integração Capítulo 9 Indicadores de Gestão da Inovação 239 entre a gestão e a estratégia da empresa. E a estratégia, no nosso caso, é a estratégia da inovação. A nova abordagem preservou os indicadores do desempenho financeiro e com- plementou com outros indicadores de desempenho futuro. E correlaciona o desempenho à estratégia. O sistema induziu a empresa a olhar além dos indicadores financeiros imediatistas e concentrar a atenção nos fatores que criam valor econômi- co, como a aprendizagem, o potencial de desenvolvimento e a capacidade de inovar. Além disso, o novo sistema desen- volvido por Kaplan & Norton (2000) apresenta um conjunto equilibrado de indicadores que permite aos gestores visualizar a empresa sob várias perspectivas ao mesmo tempo. Inclui in- dicadores financeiros (que mostram o resultado das ações no passado), mas também mostra três conjuntos de indicadores operacionais: os relacionados com a satisfação dos clientes, com os processos internos e, especialmente, com a capacida- de da organização de aprender (o conhecimento é a maior fonte de inovação) e melhorar – melhorias contínuas = inova- ção incremental e potencial para inovação radical, disruptiva, atividades que agregam valor, impulsionam o desempenho fu- turo e a competitividade. O BSC permite ao gestor visualizar o desempenho da empresa sob quatro perspectivas estratégicas e fundamentais: perspectiva financeira; perspectiva do clien- te; perspectiva interna; perspectiva de aprendizado, desenvol- vimento e inovação. Perguntas que devem ser respondidas: Como parecemos para os acionistas? (financeira); como os clientes nos veem? (clientes); em que devemos ser excelentes? (interna); Seremos capazes de continuar nos desenvolvendo, melhorando e criando valor através da inovação e aprendi- zado contínuo? A cada meta estabelecida é atribuído um in- 240 Gestão da Inovação dicador correspondente. Os gestores são forçados a se con- centrarem em poucos indicadores de maior importância. Em cada uma das perspectivas são propostas as metas relevantes e atribuídos os indicadores correspondentes. Esses indicadores de desempenho são interconectados. Dentro da perspectiva sistêmica e contingente das organizações. Existem variados e diferenciados indicadores de inovação. Geralmente, eles se agrupam em dois grandes conjuntos: os que medem os insumos ou esforços; os que medem os produ- tos ou processos, os resultados da inovação. Iniciando com os insumos ou esforços, gastos em P&D ou mão de obra alocada à P&D, são os mais antigos e ainda estão entre os mais uti- lizados. A relação entre os gastos com P&D e o faturamento bruto da empresa é o indicador mais encontrado. Mas não permite avaliar o grau de inovação. O Manual Frascati indica que os insumos ou esforços são medidos pelo dispêndio e pelo recurso humano utilizado. E chamados de intensidade de P&D ou tecnológica, sendo calculado pela razão entre o dispêndio com P&D e as vendas, ou valor agregado da empresa. Fica implícito que esse indicador varia muito de acordo com o setor da indústria em que se insere a empresa. O Manual de Oslo trata de produto ou processo, e o indicador é chamado de intensidade inovativa e é obtido pelos custos da inovação divi- didos pela receita ou valor agregado da empresa. Quanto aos Indicadores de produto, o mais usado é a patente de invenção, considerado o seu depósito ou o seu registro. É o indicador mais objetivo. O número de patentes é o mais usado, tanto o número absoluto, como o número de patentes por funcionário de P&D. Capítulo 9 Indicadores de Gestão da Inovação 241 Entretanto, as patentes são mais uma medida do esforço do que do sucesso inovador. No caso brasileiro, as patentes fun- cionam mais como um instrumento de reserva de mercado para inovações desenvolvidos no exterior por empresas inte- ressadas no mercado brasileiro. Existem ainda os indicadores bibliométricos, a verificação de artigos científicos ou citações em artigos científicos, bem como técnicas semiquantitativas como a conversão em uma unidade métrica impressões sobre desempenho e avaliação de desempenho das pessoas e do departamento de P&D. O Manual de Oslo considera o indica- dor taxa de inovação como o mais importante. A taxa é calcu- lada medindo o número relativo de empresas que introduziram pelo menos uma inovação tecnológica em um determinado período sobre o conjunto total de empresas. Geralmente, o tempo é de três anos. Essa taxa se refere às inovações intro- duzidas e não às geradas pelas empresas. Outro indicador é o número absoluto de inovações em um determinado período, introduzidas por uma determinada empresa no mercado. Mais um indicador seria o impacto econômico da inovação segundo sua participação no total das vendas da empresa. O gestor de inovação é peça crucial no sucesso das ativi- dades de desenvolvimento inovador. É também crucial que a sua atitude seja controlada, isto é, acompanhada e monito- rada. Essa atitude pode ser indicadora de alcance ou não de resultados na gestão da inovação. Em métricas para a inovação, a Imnoscience propõe um in- novation scorecard, estruturado através de quatro perspectivas que evidenciam a lógica de causa-efeito da geração de resul- tados da inovação: Contexto – está relacionado com a forma 242 Gestão da Inovação como a empresa cria o ambiente adequado para a inovação a partir das oito dimensões do octógono. Processo – mede a eficiência da geração, seleção, avaliação e implementação das ideias inovadoras, através das etapas da cadeia de valor, criando-se indicadores específicos. Tipos – expressam o perfil de inovação demandado, deixando claro quais são as inova- ções desejadas pela empresa. Resultados – reflete as expec- tativas de resultados esperados pelas atividades de inovação. O octógono cria o ambiente adequado para a inovação a partir de oito dimensões: estratégia, cultura, estrutura, pesso- as, processo, funding, liderança e relacionamentos. Podem ser apreciadas as seguintes perspectivas e indicadores de gestão da inovação: resultados; tipos; proceso; contexto. Resultados mede os resultados esperados com a atividade inovadora. Ti- pos mede a consecução dos tipos de inovação intencionados pela empresa. Processo mede a eficácia das fases da cadeia de valor da inovação. Contexto mede o ambiente de fomento à inovação. Uma outra série de indicadores é a de entrada, que possi- bilitam verificar a disposição da empresa para assumir os ris- cos relacionados à inovação; de processos, pois é importante que os processos sejam monitorados, pois são eles que atuam nos componentes de entrada, com o objetivo de transformá- -los em resultados; e indicadores de saídas que mensuram as respostas obtidas pela empresa através do processo de inova- ção. A utilização de indicadores é essencial. Sabemos que é preciso monitorar os indicadores e, para isso, é preciso medir. É preciso reduzir praticamente tudo a números. Números po- dem ser acompanhados e comparados. Podem também indi- car tendências. Mas sabemos que, na inovaçãoe na gestão da Capítulo 9 Indicadores de Gestão da Inovação 243 inovação, isso é difícil de realizar. Mas é preciso acompanhar e monitorar. Referências ANDREASSI, Tales. Gestão da inovação tecnológica. São Paulo: Thomson, 2007. BAUTZER, Deise. Inovação: repensando as organizações. 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Gestão da inovação na prática: como aplicar conceitos e ferramentas para alavancar a inovação. ZOGBI, Edson. Competitividade através da gestão da ino- vação. São Paulo: Atlas, 2008. Atividades 1) A maioria das organizações de hoje opera por meio de unidades de negócio, e a implantação da estratégia da empresa exige que todas as unidades de negócio estejam alinhadas com a estratégia. Sendo impossível estar fisica- mente presente na rede, é necessário fazer uso de indica- dores. O balanced scorecard, BSC é uma ferramenta de indicadores. Assinale as assertivas corretas. ( ) O BSC apresenta um conjunto equilibrado de indica- dores que permite aos gestores visualizar a empresa sob várias perspectivas, cada uma a seu tempo. ( ) O BSC permite ao gestor visualizar o desempenho da empresa sob quatro perspectivas: perspectiva financei- ra; perspectiva do cliente; perspectiva interna; e pers- pectiva de aprendizado, desenvolvimento e renovação. ( ) O BSC apresenta um conjunto equilibrado de indica- dores que permite aos gestores visualizar a empresa sob várias perspectivas ao mesmo tempo. 246 Gestão da Inovação ( ) O BSC permite ao gestor visualizar o desempenho da empresa sob quatro perspectivas: perspectiva financei- ra; perspectiva do cliente; perspectiva interna; e pers- pectiva de aprendizado, desenvolvimento e inovação. ( ) O BSC reúne em um único relatório gerencial muitos dos elementos aparentemente desconexos da agenda competitiva da empresa. Dessa forma, minimiza a so- brecarga de informação. 2) Existem variados e diferenciados indicadores de inovação. Podemos considerar que se agrupam em dois grandes conjuntos: os que medem os insumos ou esforços; os que medem os produtos ou processos, os resultados da inova- ção. Considerando esses conjuntos, assinale a assertiva que está correta. ( ) Os indicadores baseados em estatísticas de P&D, como os gastos em P&D ou mão de obra alocada à P&D, a relação entre os gastos com P&D e o faturamento bru- to da empresa, são indicadores do grupo que medem os produtos ou processos. ( ) O Manual de Oslo apresenta o indicador intensidade de P&D ou tecnológica, calculado pela razão entre o dispêndio com P&D e as vendas, ou valor agregado da empresa. Esse indicador pertence ao conjunto dos que medem insumos ou esforços. ( ) O Manual Frascatti apresenta um indicador que é cha- mado de indicador de intensidade inovativa. Capítulo 9 Indicadores de Gestão da Inovação 247 ( ) Patente de invenção, o número de patentes, tanto o número absoluto, como o número de patentes por fun- cionário de P&D são indicadores do grupo que medem insumos ou esforços. ( ) Os indicadores baseados em estatísticas de P&D, como os gastos em P&D ou mão de obra alocada à P&D, a relação entre os gastos com P&D e o faturamento bru- to da empresa, são indicadores do grupo que medem os insumos ou esforços. 3) O innovation scorecard, é estruturado através de quatro perspectivas que evidenciam a lógica de causa-efeito da geração de resultados da inovação. Sobre esse modelo, assinale somente as assertivas corretas. ( ) Processo – está relacionado com a forma como a em- presa cria o ambiente adequado para a inovação a partir das oito dimensões do octógono. ( ) Contexto – mede a eficiência da geração, seleção, avaliação e implementação das ideias inovadoras, através das etapas da cadeia de valor, criando-se indi- cadores específicos. ( ) Resultados – expressam o perfil de inovação deman- dado, deixando claro quais são as inovações deseja- das pela empresa. ( ) Tipos – reflete as expectativas de resultados esperados pelas atividades de inovação.” 248 Gestão da Inovação ( ) Tipos – expressam o perfil de inovação demandado, deixando claro quais são as inovações desejadas pela empresa. 4) Sobre os indicadores de entrada, processo e saídas da gestão da inovação, assinale somente as assertivas verda- deiras. ( ) Os Indicadores de entrada possibilitam verificar a dis- posição da empresa para assumir os riscos relaciona- dos à inovação. ( ) Os indicadores de processos indicam que é importan- te que os processos sejam monitorados, pois são eles que atuam nos componentes de entrada, com o obje- tivo de transformá-los em resultados. ( ) Os Indicadores de saídas mensuram as respostas obti- das pela empresa através do processo de inovação. ( ) Os Indicadores de saídas possibilitam verificar a dispo- sição da empresa para assumir os riscos relacionados à inovação. ( ) Os indicadores de entrada mostram que é importan- te que os processos sejam monitorados, pois são eles que atuam nos componentes de entrada, com o obje- tivo de transformá-los em resultados. 5) Sabe-se que para ter maior efetividade em levar inova- ções ao mercado, controlar é preciso, monitorar, usar in- dicadores e, mesmo assim, é difícil aceitar (e argumentar internamente) que, de todas as ideias geradas, somente Capítulo 9 Indicadores de Gestão da Inovação 249 uma parte garantirá experimentos dos quais outra parte não surtirá o aprendizado esperado. Assinale a assertiva correta em relação às proporções divulgadas pelos maio- res especialistas do tema. ( ) De todas as ideias geradas, somente 5% garantirão experimentos dos quais 95% não surtirão o aprendiza- do esperado. ( ) De todas as ideias geradas, somente 60% garantirão experimentos dos quais 70% não surtirão o aprendiza- do esperado. ( ) De todas as ideias geradas, somente 50% garantirão experimentos dos quais 50% não surtirãoo aprendiza- do esperado. ( ) De todas as ideias geradas, somente 10% garantirão experimentos dos quais 90% não surtirão o aprendiza- do esperado. ( ) De todas as ideias geradas, somente 20% garantirão experimentos dos quais 85% não surtirão o aprendiza- do esperado. Mauro Corte Real1 Capítulo 10 Prática da Gestão da Inovação na Empresa 1 Mauro Corte Real é professor dos Cursos de Administração e Graduação Tecno- lógica da ULBRA. Mestre em Administração com ênfase em Tecnologia e Produção pela Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Foi bolsista do CNPq e da FAPERGS como pesquisador assistente, Diretor da Diretoria de Ciências da SEC-RS, do Museu Riograndense de Ciências Naturais, do Grupo Habitasul e da Demanda Propaganda. Criou e coordenou o Projeto de Visão/Planejamento Estratégico do Centro de Excelência Empresarial – CENEX, foi CLO – Chief Learning Office da Datasul Brasil, foi também diretor de empresas de turismo, hotéis e prestadoras de serviço. É autor de diversos livros entre os quais “Perfil da Indústria Brasileira de Biotecnologia Focado nas Relações com o Mer- cado”, “Marketing de Tecnologia para Empresas de Base Tecnológica”, “Gestão Empresarial”, “Paris Gourmet” e “O Ritual do Vinho”. Capítulo 10 Prática da Gestão da Inovação na Empresa 251 Introdução E é chegado o momento de integrar tudo na gestão da inova- ção. A síntese da gestão, da inovação, do empreendedorismo e da estratégia. Isso será tratado no capítulo atual. Neste ca- pítulo, trata-se de apresentar em primeiro lugar princípios da prática da gestão inovadora na empresa. Seguem-se as essên- cias dessa prática. Na continuação, são apresentados diversos modelos de gestão da inovação, dos mais diversos autores inclusive um modelo contemplando uma rede social corporati- va. Finalmente conclui-se o texto com um desafio. 1 Prática da gestão da inovação na empresa A gestão da inovação constitui o processo de obter o empenho conjunto e coordenado para atingir objetivos, obter resulta- dos, agregar valor a processos, produtos e serviços, inovar, potencializar a competitividade e alcançar a sustentabilidade. Fazer a gestão da inovação é o resultado de uma prepa- ração que procuramos desenvolver nos capítulos deste livro, Começamos pelos conceitos introdutórios de inovação, em que consiste e o porquê da inovação. Seguimos com os funda- mentos da gestão, preparando-a para a inovação. Desvenda- mos as tipologias da inovação e analisamos a íntima relação essencial entre a inovação e o empreendedorismo. Continu- amos por apresentar e discutir as leis e os aspectos legais da inovação. Estudamos as fontes de inovação nas empresas e 252 Gestão da Inovação as ferramentas da gestão da inovação. Entramos na estratégia da inovação sem a qual não é possível se tornar uma empresa inovadora. Fizemos a proposta de uma avaliação da gestão da inovação com indicadores de performance e chegamos ao capítulo atual, onde faremos a síntese com o desenvolvimento da prática da gestão da inovação. A gestão da inovação não se atém a algumas práticas, ela tem a ver com um desempenho multidirecional. Não é mágica. É um processo de atitudes e de comportamentos que são apre- endidos e praticados continuamente. De forma sustentável. No foco da gestão da inovação está a oportunidade. A oportunidade empreendedora. Como pode ser visto no texto a seguir: “A Gestão Estratégica da Inovação é um processo estru- turado e contínuo que possibilita que uma organização vislumbre novas formas de criar valor e de antever de- mandas e tendências sociais e tecnológicas. O Processo de Inovação articula a identificação de oportunidades tecnológicas (‘o que torna-se possível fazer’) com a iden- tificação de oportunidades sociais e de mercado (‘o que torna-se necessário, desejado ou oportuno’). Dessa arti- culação entre a potencial mudança social e a potencial mudança técnica nasce a potencial oportunidade empre- endedora”. (Disponível em: <www.via6.com>. Acesso em nov 2009) Quando tratamos de gestão da inovação, pensamos em tudo aquilo que se refere à administração de uma organiza- ção com vistas a promover o “espírito empreendedor & inova- Capítulo 10 Prática da Gestão da Inovação na Empresa 253 dor” na sua atividade cotidiana, na sua maneira de ser. Afinal, como já vimos, gestão é ação, é realização. Vejamos como pode nos auxiliar a penetrar nos escaninhos da gestão inova- dora, uma matéria publicada pela Revista Exame: “A Revista Exame perguntou a presidentes de empresas brasileiras os traços por eles desejados para diretores e gerentes do século XXI. O item mais votado foi: ‘Com- petência para gerenciar Inovações bem-sucedidas’. A gestão da inovação sustentável objetiva vencer a con- corrência, remunerando o investidor, envolvendo aspec- tos estratégicos e táticos relacionados com a gestão do capital intelectual, a concepção do modelo de negócio e a incorporação de aprimoramentos tecnológicos que permitam diferenciar produtos e serviços. Empresas inovadoras são aquelas que sabem diferenciar seus produtos (bens e serviços) e beneficiar-se de pro- cessos produtivos mais eficientes, conseguindo não ape- nas melhorar sistematicamente sua produção corrente, como inovar com sucesso, sem omitir-se da responsabi- lidade socioambiental. A gestão da inovação, porém, é complexa e arriscada, impondo o uso de competências gerenciais distintas daquelas requeridas para a gestão da rotina. O seu caráter multidisciplinar e multifuncional impõe uma estreita colaboração entre todas as áreas da empresa. A gestão do conhecimento, da tecnologia e da inova- ção difere substancialmente das abordagens adminis- trativas tradicionais, na medida em que reconhece que 254 Gestão da Inovação o avanço dos conhecimentos técnico-científicos cria, ao mesmo tempo, oportunidades para a obtenção de van- tagens competitivas e ameaças para a sobrevivência em- presarial. Sendo assim, as empresas precisam adquirir uma competência – traduzida em forma de conceitos, atitudes, habilidades e instrumentos – que lhes permita administrar o componente técnico e o processo de ino- vação de modo abrangente, envolvendo não somente todas as partes da organização, mas os demais elos de sua cadeia de valor.” (Disponível em: <www.fia.com.br >. Acesso em nov 2009) 2 Essências da gestão da inovação Qual a essência da gestão da inovação? Bessant et al. (2009, p. 26) referem que a gestão da inovação é essencialmente centrada em três fatores principais:  Geração de novas ideias.  Seleção das melhores.  Implementação. O processo de inovação, como é um negócio, pode ajudar a empresa a suplantar seus concorrentes. A inovação é, por assim dizer, a “fonte de juventude” da empresa. O combustível da sua longevidade. Por isso é estratégico incutir o pensamen- to inovador na cultura da organização. Capítulo 10 Prática da Gestão da Inovação na Empresa 255 É preciso criar ou desenvolver o espírito da inovação na cultura organizacional. Converter a inovação em capacidade organizacional arraigada. E não estamos tratando apenas de pequenas inovações ou inovações incrementais. Mas sim, e principalmente, de inovações radicais. O processo é empre- endedor. Jonas Gomes e Victor Taveira no Valor Econômico nos apresentam um texto extremamente esclarecedor sobre o em- preendedorismo e a gestão da inovação. Vejamos o texto: “Existe uma literatura razoavelmente extensa sobre em- preendedorismo, inovação e gestão de tecnologia. Claro que há uma relação clara entre esses temas, e, ao nosso ver, o gene dominante é o da inovação. No mundo cor- porativo ela consiste em levar a tecnologia para o mer- cado mediante o uso de um modelo de negócios. Essa cadeia de valores, que fornece a metodologiapara se passar do nível das ideias para os negócios, constitui o que chamamos de pipeline de inovação. Desse ponto de vista, a inovação é o uso de novas ideias para melhorar os processos ou para diferenciar os produtos ou serviços. Portanto, não basta ter novas ideias, elas devem refle- tir nos negócios da empresa, e a cadeia de valores que leva do universo das ideias ao dos negócios. Gestão da inovação é, na realidade, a gestão desse pipeline que envolve ideias, modelos de negócio e mercado. É uma área multidisciplinar e multifuncional que abrange tan- to pesquisa e desenvolvimento, como produção, opera- ções, marketing e desenvolvimento organizacional. (Va- 256 Gestão da Inovação lor Econômico – Carreira Page 1 of 3 <www.valoronline. com.br>. Acesso em: 10/15/2003) De outro lado, Tidd et al. (2008) identificam quatro grupos de comportamentos que representam as rotinas importantes no sucesso da gestão da inovação:  Se baseiam em estratégia.  Dependem de relacionamentos internos e externos efi- cazes.  Exigem mecanismos implementadores que possibilitem que a mudança aconteça.  Acontecem em um contexto organizacional apoiador. Isso pode ser visualizado no diagrama a seguir apresentado: FASES DO PROCESSO DE INOVAÇÃO ESTRATÉGIA MECANISMOS DE IMPLEMENTAÇÃO CONTEXTO ORGANIZACIONAL APOIADOR RELACIONAMENTOS EFICAZES Figura 1 Comportamentos importantes na gestão da inovação. Fonte: comportamentos importantes no sucesso da gestão da inovação, adaptado de Tidd et al., 2008, p. 578. Capítulo 10 Prática da Gestão da Inovação na Empresa 257 Os mesmos autores indicam serem três os ingredientes es- senciais da estratégia de inovação: 1. A posição da empresa em relação a produtos, processos, tecnologias e contexo. 2. Os caminhos tecnológicos que se abrem devido às suas competências acumuladas. 3. Os processos organizacionais que integram a aprendiza- gem estratégica para a inovação. É evidente que tudo isso insere a organização que pretenda utilizar eficazmente a gestão para a inovação, em uma learning organization, em uma organização que aprende. Os mesmos autores também sugerem que os processos de aprendizagem são induzidos por inputs que permitem apreender a gerenciar a inovação. São eles:  O compartilhamento de experiências.  A introdução de novos conceitos e novas ideias a respei- to de ferramentas e técnicas.  A experimentação.  A reflexão estruturada em relação ao como a inovação é gerenciada. O benchmarking pode contribuir no processo de aprendi- zagem por oferecer uma motivação para a mudança, median- te a comparação desfavorável com outras empresas em que a gestão da inovação é notoriamente líder. 258 Gestão da Inovação A gestão da inovação se realiza em etapas. As etapas da gestão de inovação na empresa (Araújo, 2013, p. 21) são as seguintes: 1. Fazer um diagnóstico do nível de maturidade da gestão da inovação na empresa. Usar a ferramenta MAPEL (método, ambiente, pessoas, estratégia e liderança, vista no capítulo das ferramentas para a gestão da inovação). 2. Identificar pontos fortes e oportunidades de melhoria. 3. Monitorar o atual programa de gestão da inovação na empresa. 4. Organizar uma estrutura de governança da inovação e de- finir suas competências e responsabilidades. 5. Estruturar um pequeno grupo para conduzir o processo de gestão e definir os objetivos, as metas, as equipes, capaci- tações, projetos, orçamentos e recursos necessários. 6. Analisar as instituições nacionais e estaduais de fomento e financiamento à inovação. 7. Ter sempre presente informações atualizadas sobre a em- presa: sua cadeia de valor; seu estágio de capacitação tecnológica; o tipo de gestão da inovação mais adequado para o seu perfil. Capítulo 10 Prática da Gestão da Inovação na Empresa 259 3 Modelos de gestão da inovação Para facilitar a prática multidisciplinar da gestão da inovação, serão apresentados modelos de gestão da inovação, diferentes modelos dos diversos autores que aparecem na rica literatura pertinente. Queremos que, com o conhecimento desses mo- delos, o leitor possa fazer uso do que lhe for mais adequado, diretamente ou adaptando-o às circunstâncias e necessidades da sua empresa. Não há modelo perfeito nem modelo ideal. Há modelos diferentes. Para contingências diferentes. Comecemos por um modelo simples. A organização vol- tada à inovação vê a inovação como um processo associado à sobrevivência e ao crescimento, que pode e deve ser con- tinuamente melhorado. Adiante, vamos apresentar o modelo de Tidd et al. (2008 p. 87-88), que vê a inovação como um conjunto central de atividades de um processo central para a organização, distribuídas em um dado período de tempo. Fundamentalmente, esse processo envolve: 1. Procurar – análise ambiental e de cenário interno e exter- no, identificar ameaças e oportunidades. 2. Selecionar – considerando a estratégia da empresa as prioritárias. 3. Implementar – traduzir o potencial da ideia prioritária em algo novo e lançar em um mercado interno ou externo. 260 Gestão da Inovação Essa implementação consiste em:  Adquirir – aquisição de conhecimentos para possibilitar a inovação.  Executar – o projeto sob condições de imprevisibilidade.  Lançar – a inovação no mercado e gerenciar o seu pro- cesso de adoção.  Sustentar – a adoção e uso da inovação no mercado. A organização tem, durante esse ciclo, a oportunidade de aprender, de forma a melhorar (via feed-back) o próprio ciclo. A seguir, apresentação diagramática do modelo. (Adquirir, Executar, Lançar, Sustentar ) APRENDER Feedback Figura 2 Modelo do processo de inovação de Tidd. Fonte: modelo simplificado do processo de inovação baseado em Tidd et al. (2008, p. 88). Capítulo 10 Prática da Gestão da Inovação na Empresa 261 São conhecidos uma série de outros modelos de inovação. Um deles é atribuído a Cooper (1986) in Barbieri (2009). É conhecido como modelo das sete fases de Cooper. E parte de uma ideia. Não há modelo que não tenha partido de uma ideia. (Barbieri, 2009, p. 22). Assim, o modelo de Cooper parte da ideia. Vejamos suas partes:  Ideia  Avaliação preliminar  Conceito  Desenvolvimento  Testes  Produção experimental  Lançamento 262 Gestão da Inovação Em diagrama, o modelo é assim apresentado: IDEIA AVALIAÇÃO PRELIMINAR CONCEITO DESENVOLVIMENTO TESTES PRODUÇÃO EXPERIMENTAL LANÇAMENTO Figura 3 Modelo de inovação de Cooper. Fonte: baseado no modelo de inovação das sete fases de Cooper, 1986, p. 48 in Barbieri et al. 2009, p. 23. Outro modelo é o de inovação linear. As inovações lineares partem da pesquisa básica ou aplicada, passam por um de- senvolvimento experimental, engenharia do produto e do pro- cesso, até chegar a produção e o lançamento comercial. Ou partem das necessidades operacionais e de mercado para a geração de ideias, a seleção e desenvolvimento dessas ideias, engenharia do produto e do processo, até chegar a produção e lançamento comercial. (Barbieri et al., 2009). Capítulo 10 Prática da Gestão da Inovação na Empresa 263 Do modelo da inovação linear combinado, apresentamos a visualização. A sequência pode ser inferida na observação e leitura do próprio modelo, sequência e interação entre as partes:  Nova necessidade (da sociedade e do mercado) ou nova tecnologia (fruto do estado da arte e da produção)  Geração de ideias  Desenvolvimento das ideias  Montagem de Protótipo  Manufatura do novo produto  Marketing e vendas  Ida para o mercado NOVA NECESSIDADE NOVA TECNOLOGIA MARKETING& VENDAS MANUFATURA PROTÓTIPO DESENVOLVIMENTO NECESSIDADES DA SOCIEDADE E DO MERCADO ESTADO DA ARTE DA TECNOLOGIA E DA PRODUÇÃO GERAÇÃO DE IDEIAS MERCADO Figura 4 Modelo de inovação linear. Fonte: modelo de inovação linear combinado baseado em Rotwell, 1992, p. 222 in Barbieri et al. 2009, p. 26. 264 Gestão da Inovação Esse mesmo modelo pode ser apresentado de outra forma, representada no chamado funil da inovação. O funil, como todo mundo sabe, tem uma entrada maior e uma saída menor. Muitas ideias (entrada) resultam poucas inovações (saída). Vejamos o outro diagrama proposto por Rotwell (1992), em estágios, adaptado. Do primeiro para o segundo estagio, e do segundo para o terceiro existem filtros que reduzem as ideias iniciais, primeiro para melhores, e da análise destas, o desenvolvimento dos projetos aprovados. PROBLEMAS E OPORTUNIDADES MERCADOLÓGICOS E OPERACIONAIS OPORTUNIDADES CIENTÍFICAS E TECNOLÓGICAS GERAÇÃO DE IDEIAS E DESENVOLVIMENTO CONCEITUAL DETALHAMENTO E ANÁLISE DAS MELHORES IDEIAS DESENVOLVIMENTO DOS PROJETOS APROVADOS PRODUTO PROCESSO NEGÓCIO FILTRO FILTRO MERCADO Figura 5 Funil da inovação linear em versão de estágios. Fonte: modelo de inovação linear combinado em versão de estágios. Adaptado de Rotwell (1992) in Barbieri (2009, p. 26). Mas há muitos outros modelos. Vejamos mais alguns. Apre- sentamos a seguir o modelo do Instituto Inovação, que parte do direcionamento, passa à detecção, seguindo a seleção, o Capítulo 10 Prática da Gestão da Inovação na Empresa 265 aparelhamento, a implementação e o apoio, a conscientiza- ção e a aprendizagem. Direcionar as atividades de inovação, detectar, selecionar, aparelhar, implementar, apoiar, conscien- tizar e aprender. O fluxo do valor inovativo. Cada fase é expli- cada no modelo. Figura 6 O fluxo do valor inovativo. Fonte: instituto inovação. Disponível em: <www.instiututoinovacao.com.br>. Aces- so em: nov 2009. Outro modelo bastante utilizado na gestão da inovação é o do pipeline, de Maria Vitória G. Miron; Flávio de Cou- to Bezerra Cavalcanti; Pedro Wongtschowski apresentado em Química Nova (2005). 266 Gestão da Inovação Figura 7 Modelo do pipeline da inovação de Miron et al. Fonte: vol. 28 supl. 0, São Paulo Nov./Dec. 2005. Disponível em: <www.scielo. br>. Acesso em: ago de 2012. O pipeline da inovação aparece, e a partir da tecnologia e do mercado, com muitas ideias, é feita uma classificação, seleção e priorização de ideias, que com a cooperação nas universidades e centros de tecnologia, são lançados entre os concorrentes, no mercado. Um conselho científico, outro di- retor e um de gestão são responsáveis pela inteligência do processo. Um modelo apresentado no livro Gestão integrada da ino- vação de Eliza Coral et al., (2009), é o do NUGIN, Núcleo de apoio ao planejamento de gestão de inovação em empresas de pequeno e médio porte, em uma parceria da FIESC e da UFSC. A metodologia “foi desenvolvida visando estabelecer um processo de gestão da inovação integrado e sistêmico, Capítulo 10 Prática da Gestão da Inovação na Empresa 267 maximizando esforços de desenvolvimento da empresa e a ampliação de sua base competitiva” (Coral et al. 2009, p. 31). Em primeiro lugar, vem a organização para a inovação, seguindo-se o planejamento estratégico da inovação e o pro- cesso de desenvolvimento de produtos. A ferramenta de inteli- gência competitiva recebe e municia o processo. Vejamos a figura do modelo. Figura 8 Modelo de metodologia NUGIN de gestão da inovação. Fonte: Coral et al. 2009, p. 31. 268 Gestão da Inovação A seguir, vamos apresentar um modelo apresentado pela revista Época Negócios digital em 2011 em uma matéria que trata de gestão da inovação e gestão do risco. No modelo, a base para fazer a gestão da inovação, da esquerda para a direita, a primeira atividade é a de geração e seleção de “ideias efetivas”, que entram no funil da inova- ção, e devem ser implantadas com eficiência. Observe-se o To, tempo para lançar no mercado, seguido do tempo de lan- çamento – Tl, o tempo para começar a dar lucro (To + Tl), e o tempo do lucro. A linha gráfica mostra a relação financeira, negativa (investimento) no To, subindo no Tl e positiva (lucro) no tempo do lucro. Gerar “ideias efetivas” e implantar as ideias com eficiência é a chave. Figura 9 Modelo da Revista Época Negócios. Fonte: <http://colunas.revistaepocanegocios.globo.com/ideiaseinova- cao/2011/12/09/gestao-da-inovacao-e-gestao-do-risco-ii/>. Capítulo 10 Prática da Gestão da Inovação na Empresa 269 4 Rede social corporativa Uma das questões mais importantes da gestão da inovação é responder a seguinte pergunta: como fazer a inovação dar resultado? Uma indicação é seguindo as regras da inovação (Davila et al., p. 30-31). Quais são elas? 1. Exercer sólida liderança sobre os rumos e as decisões de inovação. 2. Integrar a inovação à mentalidade do negócio. 3. Alinhar a inovação com a estratégia da empresa. 4. Administrar a tensão natural entre criatividade e captação de valor. 5. Neutralizar os anticorpos organizacionais. 6. Cultivar uma rede de inovação além dos limites da organi- zação. 7. Criar indicadores de desempenho e recompensas adequa- das à inovação. Um modelo que cultiva uma rede de inovação além dos limites da organização, e inclui nesta rede as sociais, é o de Roberto Simões, da Scrumex que tem como missão: “propor alternativas para alavancar o desenvolvimento de inteligência coletiva nas empresas através da adoção de práticas ágeis de gestão de projetos e, como resultado, viabilizar a entrega de produtos de alto valor agregado”. 270 Gestão da Inovação No modelo, da esquerda para a direita, colaboradores, canais, clientes e outros aportam ideias à rede social cola- borativa, as ideias evoluem recebendo apoios e comentários, sendo algumas ideias descartadas e ficando outras em stand by e com acompanhamento e participação são configura- das e selecionadas oportunidades de inovação, que uma vez priorizadas e transposto o backlog (funcionalidades deseja- das), através da priorização de projetos, chegam finalmente ao portfólio de projetos de inovação. De início, muitas ideias, mas chegam poucas. Figura 10 O funil da rede social corporativa. Fonte: disponível em: <http://scrumex.com.br/blog/?p=2282>. Acesso em: set 2014. Redes sociais e inovação Postado em 6 de outubro de 2011 por rsimoes 01. Capítulo 10 Prática da Gestão da Inovação na Empresa 271 5 Concluindo Na apresentação do 6º Congresso Internacional de Inovação realizado em 2014 na Federação das Indústrias do Rio Gran- de do Sul, aparece um texto que trata de tendência. Ele afirma: “As tendências mundiais mostram que a inovação está no cerne dos processos e decisões empresariais, institui- ções e governos. Por meio da inovação é possível obter ganhos de eficiência, seja nos processos produtivos, fi- nanceiros, na gestão, além de gerar novos modelos de negócios para os mercados globais. A inovação leva ao aumento da competitividade, sendo amplamente consi- derada fator fundamental no crescimento e desenvolvi- mento econômico e social. Neste cenário ressalta a dis- cussão da sustentabilidade, onde cada vez mais se faz necessário um equilíbrio entre as questões ambientais, sociais e econômicas. Desta forma, as organizações es- tão percebendo que investimentos e esforços em prol da inovação e sustentabilidade resultam em redução de cus- tos, aumento de receita, market share, vantagem compe- titiva e, consequentemente, no aumento da lucrativida- de. Assim, muitas empresas estão incorporando medidas relacionadas à inovação e sustentabilidade(ambiental, social e econômica) em seus modelos de negócio e es- tratégias”. (Disponível em: <http://www.fiergs.org.br/ inovacao2014>. Acesso em: 30 set 2014) Existem três tipos de empresas: as que fazem as coisas acontecerem, as que ficam observando o que acontece e as que ficam se perguntando o que aconteceu? (Kotler, 2002) 272 Gestão da Inovação Fazer acontecer, esse é o desafio. E os três processos-chave da execução, segundo Bossidy & Charan (2002) são: unir es- tratégia e operações; unir pessoas e operações; unir estraté- gias e pessoas. Para juntos inovarem. Vivemos uma era de mudança, inovação e incerteza. E como bem o disse Arrow, a incerteza é o complemento do conhecimento (Oliveira, 2003). Por isso, a melhor maneira de prever o futuro é inventá-lo. (Kotler, 2002). Como? Inovando. Ou sua empresa vai ficar “perguntando o que aconteceu?”. Esse é o desafio. Este texto visou desenvolver competências na gestão da inovação. Não se esqueça que é essencial o desenvolvimento de competências voltadas para a inovação e para a gestão da inovação. Sempre são as competências que possibilitam resultados. Boas inovações! O autor. Recapitulando A gestão da inovação constitui o processo de obter o empenho conjunto e coordenado para atingir objetivos, obter resulta- dos, agregar valor a processos, produtos e serviços, inovar, potencializar a competitividade e alcançar a sustentabilidade. A gestão da inovação não se atém a algumas práticas, ela tem a ver com um desempenho multidirecional. Não é mágica. É Capítulo 10 Prática da Gestão da Inovação na Empresa 273 um processo de atitudes e de comportamentos que são apre- endidos e praticados continuamente. De forma sustentável. No foco da gestão da inovação está a oportunidade. A oportu- nidade empreendedora. A gestão estratégica da inovação é um processo estruturado e contínuo que possibilita que uma organização vislumbre novas formas de criar valor e de ante- ver demandas e tendências sociais e tecnológicas. A gestão da inovação sustentável objetiva vencer a concorrência, remune- rando o investidor, envolvendo aspectos estratégicos e táticos relacionados com a gestão do capital intelectual, a concepção do modelo de negócio e a incorporação de aprimoramentos tecnológicos que permitam diferenciar produtos e serviços. As empresas precisam adquirir uma competência – traduzida em forma de conceitos, atitudes, habilidades e instrumentos – que lhes permita administrar o componente técnico e o processo de inovação de modo abrangente, envolvendo não somente todas as partes da organização, mas os demais elos de sua cadeia de valor. São essências da gestão da inovação: gera- ção de novas ideias; seleção das melhores; implementação. São rotinas importantes no sucesso da gestão da inovação: se baseiam em estratégia; dependem de relacionamentos inter- nos e externos eficazes; exigem mecanismos implementadores que possibilitem que a mudança aconteça; acontecem em um contexto organizacional apoiador. São ingredientes essenciais da estratégia de inovação: a posição da empresa em relação a produtos, processos, tecnologias e contexto; os caminhos tecnológicos que se abrem devido as suas competências acu- muladas; os processos organizacionais que integram a apren- dizagem estratégica para a inovação. Igualmente importante: o compartilhamento de experiências; a introdução de novos 274 Gestão da Inovação conceitos e novas ideias a respeito de ferramentas e técnicas; a experimentação; a reflexão estruturada em relação ao como a inovação é gerenciada. As etapas da gestão de inovação: 1) Fazer um diagnóstico do nível de maturidade da gestão da inovação na empresa. Usar a ferramenta MAPEL (método, ambiente, pessoas, estra- tégia e liderança). 2) Identificar pontos fortes e oportunidades de melhoria. 3) Monitorar o atual programa de gestão da ino- vação na empresa. 4) Organizar uma estrutura de governança da inovação e definir suas competências e responsabilidades. 5) Estruturar um pequeno grupo para conduzir o processo de gestão. 6) Analisar as instituições nacionais e estaduais de fo- mento e financiamento à inovação. 7) Ter sempre presente in- formações atualizadas sobre a empresa, sua cadeia de valor, seu estágio de capacitação tecnológica. Modelos de gestão da inovação. Simples como: procurar; selecionar; implementar. A implementação é adquiri conhe- cimentos; executar o projeto; lançar a inovação no mercado e gerenciar o seu processo de adoção; sustentar a adoção e uso da inovação no mercado. Outro modelo: ideia; avaliação preliminar; conceito; desenvolvimento; testes; produção expe- rimental; lançamento. Inovação linear: nova necessidade (da sociedade e do mercado) ou nova tecnologia (fruto do estado da arte e da produção); geração de ideias; desenvolvimento das ideias; montagem de Protótipo; manufatura do novo pro- duto; marketing e vendas; ida para o mercado. Funil da ino- vação linear em versão de estágios: primeiro estágio a gera- ção de ideias e desenvolvimento conceitual, um primeiro filtro, o detalhamento e análise das melhores ideias, um segundo Capítulo 10 Prática da Gestão da Inovação na Empresa 275 filtro, o desenvolvimento dos projetos aprovados, até chegar no negócio, produto, processo, no mercado. O modelo do fluxo do valor inovativo: direcionamento, detecção, seleção, o aparelhamento, a implementação e o apoio, a conscientiza- ção e a aprendizagem. Direcionar as atividades de inovação, detectar, selecionar, aparelhar, implementar, apoiar, conscien- tizar e aprender. Modelo do pipeline da inovação: a partir da tecnologia e do mercado, com muitas ideias, é feita uma clas- sificação, seleção e priorização de ideias, que com a coope- ração nas universidades e centros de tecnologia, são lançados entre os concorrentes, no mercado. Um conselho científico, outro diretor e um de gestão são responsáveis pela inteligên- cia do processo. No modelo NUGIN, em primeiro lugar vem a organização para a inovação, seguindo-se o planejamento estratégico da inovação e o processo de desenvolvimento de produtos. A ferramenta de inteligência competitiva recebe e municia o processo. No modelo, a base para fazer a gestão da inovação, a primeira atividade é a de geração e seleção de “ideias efetivas”, que entram no funil da inovação, e devem ser implantadas com eficiência. Observe-se o tempo para lan- çar no mercado, seguido do tempo de lançamento, o tempo para começar a dar lucro e o tempo do lucro. A linha gráfica mostra a relação financeira, negativa (investimento) e positiva (lucro) no tempo do lucro. Gerar “ideias efetivas” e implantar as ideias com eficiência é a chave. Como fazer a inovação dar resultado: exercer sólida lide- rança sobre os rumos e as decisões de inovação; integrar a inovação à mentalidade do negócio; alinhar a inovação com a estratégia da empresa; administrar a tensão natural entre cria- tividade e captação de valor; neutralizar os anticorpos organi- 276 Gestão da Inovação zacionais; cultivar uma rede de inovação além dos limites da organização; criar indicadores de desempenho e recompensas adequadas à inovação. No funil da rede social corporativa, colaboradores, canais, clientes e outros aportam ideias à rede social colaborativa, as ideias evoluem recebendo apoios e co- mentários, sendo algumas ideias descartadas e ficando outras em stand by e com acompanhamento e participação são con- figuradas e selecionadas oportunidades de inovação, que uma vez priorizadas e transposto o backlog (funcionalidades dese- jadas), através da priorização de projetos, chegam finalmente ao portfólio de projetos de inovação. De início, muitas ideias, mas chegam poucas. As organizações estão percebendo que investimentos e esforços em prol da inovação e sustentabilida- de resultam em redução decustos, aumento de receita, market share, vantagem competitiva e, consequentemente, no aumen- to da lucratividade. Assim, muitas empresas estão incorporan- do medidas relacionadas à inovação e sustentabilidade. Referências ARAUJO, Luis César G. de; CARMO, Maria Scartel do: MA- TESCO, Karen. Ações estratégicas: desafios e caminhos para a gestão contemporânea. São Paulo: Atlas, 2013. BARBIERI, José Carlos; ALVARES, Antonio Carlos Teixeira; CA- JAZEIRA, Jorge Emanuel Reis. Gestão de ideias para ino- vação contínua. Porto Alegre: Bookman, 2009. Capítulo 10 Prática da Gestão da Inovação na Empresa 277 BESSANT, John & TIDD, Joe. Inovação e empreendedoris- mo. Porto Alegre: Bookman, 2009. BOSSIDY, Larry & CHARAN, Richard. Desafio: fazer acontecer. Rio de Janeiro: Campus, 2002. CORAL, Eiza: OGLIARI, André; ABREU, Aline França. Gestão integrada da inovação: estratégia, organização e desen- volvimento de produtos. São Paulo: Atlas, 2009. DAVILA, Tony; EPSTEIN, Marc J.; SHELTON, Robert. As regras da inovação. Porto Alegre: Bookman, 2007. ÉPOCA NEGÓCIOS <http://colunas.revistaepocanegocios. globo.com/ideiaseinovacao/2011/12/09/gestao-da- -inovacao-e-gestao-do-risco-ii>. FIERGS. 6º Congresso Internacional de Inovação. Disponí- vel em: <http://www.fiergs.org.br/inovacao2014>. Aces- so em: set 2014. INSTITUTO INOVAÇÃO, O fluxo do valor inovativo. Dis- ponível em: <institutoinovacao.com.br>. Acesso em: nov 2009. GOMES. Jonas & e TAVEIRA, Victor. Valor Econômico. Dis- ponível em: <www.valoronline.com.br>. Acesso em: out 2003. KOTLER, Philip. Marketing para o século XXI: como criar, conquistar e dominar mercados. São Paulo: Futura, 2002. MIRON, Maria Vitória G.; CAVALCANTI, Flávio de Couto Be- zerrai; WONGTSCHOWISKI, Pedro. Modelo do pipeline 278 Gestão da Inovação da inovação. Apresentado em Química Nova (2005). Dis- ponível em: <www.scielo.br>. Acesso em: ago 2012. MIRON, Maria Vitória G.; CAVALCANTI, Flávio de Couto Be- zerrai; WONGTSCHOWSKI, Pedro. Apresentado em Quí- mica Nova, (vol. 28 supl. 0 São Paulo Nov./Dec. 2005. Disponível em: <www.scielo.br>. Acesso em: set 2014. OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças de. Planejamento es- tratégico: conceitos, metodologias e práticas. São Paulo: Atlas, 2003. REAL, Mauro Corte. Gestão empresarial: conceitos e fun- ções. Cadernos Universitários. Tecnológico. 005. Canoas: Ed. ULBRA, 2005. ______________. Marketing de tecnologia para empresas de base tecnológica. Porto Alegre: SEBRAE, 1999. REVISTA EXAME. Disponível em: <www.fia.com.br>. Acesso em: nov 2009. SIMÕES, Roberto. Redes sociais e inovação. Postado em 6 de outubro de 2011 por rsimoes 01. Disponível em: <http:// scrumex.com.br/blog/?p=2282>. Acesso em: set 2014. TIDD, Joe; BESSANT, John; PAVITT, Keith. Gestão da inova- ção. Porto Alegre: Bookman, 2008. Capítulo 10 Prática da Gestão da Inovação na Empresa 279 Atividades 1) Assinale somente as assertivas verdadeiras sobre as essên- cias ou rotinas importantes no sucesso da gestão da ino- vação. ( ) Geração de novas ideias; seleção das melhores; com- plementação. ( ) Geração de novas ideias; seleção das melhores; Im- plementação. ( ) Se baseiam em estratégia; dependem de relaciona- mentos internos e externos eficazes; exigem mecanis- mos implementadores que possibilitem que a mudança aconteça; acontecem em um contexto organizacional apoiador. ( ) Se baseiam em estratégia; dependem de relaciona- mentos internos e externos eficazes; exigem mecanis- mos implementadores que possibilitem que a mudança aconteça; acontecem em um contexto organizacional desafiador. ( ) A posição da empresa em relação a produtos, proces- sos, tecnologias e contexto; os caminhos tecnológicos que se abrem devido as suas competências acumu- ladas; os processos organizacionais que integram a aprendizagem estratégica para a inovação. 2) Assinale somente as assertivas verdadeiras sobre um mo- delo de gestão da inovação: 280 Gestão da Inovação ( ) Esse processo envolve: procurar – análise ambiental e de cenário interno e externo, identificar ameaças e oportunidades; selecionar – considerando a estratégia da empresa as prioritárias; implementar – traduzir o potencial da ideia não prioritária em algo novo e lan- çar em um mercado interno ou externo. ( ) Esse processo envolve: procurar – análise ambiental e de cenário interno e externo, identificar ameaças e oportunidades; selecionar – considerando a estratégia da empresa as não prioritárias; implementar – traduzir o potencial da ideia prioritária em algo novo e lançar em um mercado interno ou externo. ( ) Esse processo envolve: procurar – análise ambiental e de cenário interno e externo, identificar ameaças e oportunidades; selecionar – considerando a estratégia da empresa as prioritárias; implementar – traduzir o potencial da ideia prioritária em algo novo e lançar em um mercado interno ou externo. ( ) A implementação consiste em: adquirir – aquisição de conhecimentos para possibilitar a inovação; executar – o projeto sob condições de imprevisibilidade; lançar – a inovação no mercado e gerenciar o seu processo de adoção; sustentar – a adoção e uso da inovação no mercado. ( ) A implementação consiste em: adquirir – aquisição de conhecimentos para possibilitar a inovação; executar – o projeto sob condições de previsibilidade; lançar – a inovação no mercado e gerenciar o seu processo de Capítulo 10 Prática da Gestão da Inovação na Empresa 281 adoção; sustentar – a adoção e uso da inovação no mercado. 3) Assinale somente as assertivas verdadeiras sobre o modelo de inovação linear. São partes: ( ) Geração de ideias. ( ) Desenvolvimento das ideias descartadas. ( ) Montagem de Estereótipo. ( ) Manufatura do novo produto. ( ) Marketing e vendas. 4) No modelo da revista Epoca Negócios, assinale somente as assertivas verdadeiras. ( ) A primeira atividade é a de geração e seleção de “ideias efetivas”, que entram no funil da inovação, e devem ser implantadas com eficiência. Observe-se o tempo para lançar no mercado, seguido do tempo de lançamento, o tempo para começar a dar lucro e o tempo do lucro. ( ) A primeira atividade é a de geração e seleção de “ideias efetivas”, que entram no funil da inovação, e devem ser implantadas com eficiência. Observe-se o tempo para lançar no mercado, antecedido do tempo de lançamento, o tempo para começar a dar lucro e o tempo do lucro. 282 Gestão da Inovação ( ) A linha gráfica mostra a relação financeira, negativa (investimento) no To, subindo no Tl e positiva (lucro) no tempo do lucro. ( ) A linha gráfica mostra a relação financeira, positiva (investimento) no To, subindo no Tl e negativa (lucro) no tempo do lucro. ( ) Nenhuma das assertivas anteriores é verdadeira. 5) Assinale somente as assertivas verdadeiras em como fazer a inovação dar resultado. ( ) Integrar a inovação à mentalidade do negócio. ( ) Neutralizar os anticorpos organizacionais. ( ) Cultivar uma rede de inovação além dos limites da organização. ( ) Criar indicadores de desempenho e recompensas ade- quadas à inovação. ( ) Administrar a tensão artificial entre criatividade e cap- tação de valor. Capítulo 10 Prática da Gestão da Inovação na Empresa 283 Gabarito ATIVIDADES (assinalas alternativas corretas) CAPÍTULOS a b c d e 1 1 X X 2 X 3 X X 4 X X 5 X 2 1 X X X 2 X 3 X X 4 X X X 5 X 3 1 X X X 2 X 3 X 4 X X 5 X X 4 1 X 2 X 3 X 4 X X 5 X X 5 1 X X X 2 X X 3 X 4 X X X 5 X X X 6 1 X X X 2 X X X 3 X X X 4 X X X 5 X 7 1 X X X 2 X X 3 X X X 4 X 5 X X X 284 Gestão da Inovação CAPÍTULOS a b c d e 8 1 X X X 2 X 3 X X 4 X 5 X X X X X 9 1 X X X 2 X 3 X 4 X X X 5 X 10 1 X X X 2 X X 3 X X X 4 X X 5 XX X X