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1/7 Indicadores de Morbidade - prevalência e a incidência Em Saúde Pública, os indicadores utilizados com mais frequência para avaliar o risco de um problema de saúde ou para descrever a situação de morbidade em uma comunidade são as duas medidas básicas da frequência: a prevalência e a incidência. Prevalência A prevalência indica qualidade daquilo que prevalece. Portanto, prevalência implica acontecer e permanecer existindo em um momento considerado. A taxa de prevalência (TP) é mais utilizada para doenças crônicas de longa duração, como hanseníase, tuberculose, Aids e diabetes. Casos prevalentes são os que estão sendo tratados (antigos) mais aqueles que foram descobertos ou diagnosticados (novos). Portanto, a prevalência é o número total de casos de uma doença, novos e antigos, existentes em um determinado local e período. A prevalência, como ideia de acúmulo, de estoque, indica a força com que subsiste a doença na população. A taxa de prevalência constitui uma medida que permite estimar e comparar, no tempo e no espaço, a ocorrência de uma dada doença em relação a variáveis referentes à população: idade, gênero, ocupação, raça, entre outras. Define-se prevalência como a relação entre o número de casos conhecidos de uma determinada doença e a população de origem dos casos, com referência a um lugar definido, multiplicando-se o resultado pela base referencial da população que é a potência de 10, em geral 100, ou por 1.000, 10.000, 100.000. Prevalência = no de casos conhecidos de uma doença em determinado período de tempo x 10n no de pessoas na população 2/7 Para o cálculo da prevalência, o período de tempo de referência é essencialmente importante para o significado do resultado e sua interpretação. Por isso, deve ser considerado caso a medida se refira a um ponto do período (um dia, por exemplo) ou fizer referência a um mês ou um ano. Dentro desse contexto, é importante destacar que o número de casos conhecidos de certa doença mede o número total de casos existentes ou que sobreviveram até a data limite para o cálculo do indicador. Isto é, mede a soma dos “casos anteriormente conhecidos e que ainda existem” com os “casos novos” que foram diagnosticados desde a data de contagem anterior. A figura a seguir esclarece a dinâmica do número de casos de uma doença. Para facilitar a compreensão, observe o exemplo a seguir: Fonte: ALMEIDA FILHO, Naomar de; BARRETO, Maurício Lima. Epidemiologia & Saúde: fundamentos, métodos, aplicações. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. 3/7 Em 31 de julho de um dado ano eram conhecidos trinta casos de uma determinada doença transmissível. No decorrer do mês de agosto, essa quantidade, por motivos diversos, sofreu baixa em cinco dos casos antigos e acréscimo de dez casos novos diagnosticados. A prevalência dessa doença será de 35 casos no último dia do mês, referente a todo mês de agosto. Dessa forma, fica claro que a variação da frequência de pessoas doentes depende, por um lado, do número daqueles que são excluídos por curas, óbitos e doentes emigrados, e, por outro lado, do quantitativo dos que aí são incorporados, que inclui os casos novos eclodidos na comunidade e os imigrantes já doentes que aí chegam. Incidência A taxa de incidência (TI) é o número de casos novos de uma doença em um dado local e período, relativo a uma população exposta. Reflete a intensidade com que acontece uma doença em uma população e, dessa maneira, mede a frequência ou a probabilidade de ocorrência de casos novos dessa doença na população. Alta incidência significa alto risco coletivo de adoecer. Quando se usa a expressão “três casos novos de uma doença por dia” se pretende indicar a rapidez com que novos casos estão surgindo e sendo diagnosticados, como resultado da dinâmica de ocorrência da doença na população, por unidade de tempo. Porém, para tratar esta medida de maneira relativa e para a sua aplicação ao estudo comparativo da incidência de doenças, em uma mesma população, em épocas diferentes, ou em populações diversas, em uma mesma época, usa-se o coeficiente de incidência. 4/7 O número de casos de Aids expresso nas tabelas a seguir é um exemplo do uso da incidência medida pela frequência absoluta de casos. A taxa de incidência é definida como a proporção entre o número de casos novos de uma doença ocorridos em um determinado intervalo de tempo e a população exposta ao risco de adquirir a referida doença, no mesmo período e no mesmo local, multiplicado o resultado por uma potência de 10. Quando calculada dessa forma, a taxa de incidência é conhecida como incidência cumulativa ou proporção de incidência, sendo considerada medida de risco em Epidemiologia. Taxa de incidência= no de novos casos de uma doença em determinado período x 10n no de pessoas expostas ao risco de adquirir a doença no mesmo período 5/7 É uma medida do risco de adoecer ou de sofrer agravo, sendo considerada uma peça fundamental nos estudos dos fatores de risco de doenças, considerando-se que alta incidência significa alto risco pessoal ou comunitário. Assim, o conceito de risco, definido como a probabilidade de que um indivíduo livre de uma doença no início de um período de tempo desenvolva ou adquira esta doença durante este período, pode ser expresso com o cálculo da incidência cumulativa. Dessa forma, esse indicador pode ser aplicado na orientação aos indivíduos expostos a situações de risco de doenças ou de agravos e na formulação, implementação e avaliação de programas de prevenção e controle de doenças. Relação entre Prevalência e Incidência Fonte: ALMEIDA FILHO, Naomar de; BARRETO, Maurício Lima. Epidemiologia & Saúde: fundamentos, métodos, aplicações. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. 6/7 Os termos “prevalecer” e “incidir” possuem em comum a ação de ocorrer. Por prevalecer deve ser compreendida a sequência das ações de ocorrer e permanecer acontecendo em um momento considerado, enquanto, incidir está relacionado simplesmente à ação de ocorrência. Esses conceitos em Epidemiologia foram incorporados aos termos incidência e prevalência. Conforme estudamos anteriormente, incidência está relacionada à ideia da intensidade com que acontece a morbidade em uma população, ou seja, à intensidade com que novos casos surgem na população enquanto prevalência refere-se ao volume das doenças existentes nas coletividades, isto é, expressa o total de indivíduos doentes em um período. Características da Incidência e Prevalência Característica Incidência Prevalência Numerador Novos casos que ocorrem durante um período de tempo em um grupo inicialmente livre da doença. Todos os casos contados em um único inquérito ou exame de um grupo. Denominador Todas as pessoas susceptíveis sem a doença no começo de cada período. Todas as pessoas examinadas, incluindo casos e não casos. Tempo Duração do período. Um único ponto ou um período. Fonte: FLETHER, R.H. & FLETCHER, S.W. EpidemiologiaClínica. 4ª Ed. Porto Alegre: Artmed, 2006. 7/7 Por que é tão importante estudar e distinguir a incidência e prevalência? Para responder às duas questões: 1. Qual a proporção de um grupo de pessoas que tem a condição clínica avaliada? 2. Qual a taxa de surgimento de novos casos com o passar do tempo em uma população definida? Dentro desse contexto, vale a pena ressaltar que os casos prevalentes são os incidentes que persistiram em uma população.