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ALCIONE MAZUR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CIÊNCIA E CONHECIMENTO 
 
Série Metodologia do Trabalho Científico, 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Curitiba 
2013 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
 
 
 
M476 Mazur, Alcione. 
 Ciência e conhecimento [recurso eletrônico] / Alcione Mazur. – 
 Curitiba: FESP, 2013. 
 17 p. – (Metodologia do trabalho científico; 1) 
 
 
 Modo de acesso: <http://ead.fesppr.br> 
 ISBN 978-85-88215-12-2 
 
 
 1. Pesquisa - Metodologia. I. Título. 
 
 
 
 CDD 001.42 
UNIDADE DE ESTUDO 1 - CIÊNCIA E CONHECIMENTO 
 
A DISCIPLINA DE METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO 
 
Agora que você já conheceu um pouco da importância da disciplina de 
Metodologia do Trabalho Científico vamos aprofundar a reflexão sobre a sua presença 
no seu curso. 
Você deve estar se perguntando: que conhecimentos essa disciplina me trará 
e porque tenho que aprender sobre isso? 
Para responder a essa e outras possíveis dúvidas precisamos compreender a 
etimologia1 do termo“Metodologia Científica”. 
Inicialmente vamos compreender o sentido da palavra método. 
 
Na Grécia antiga, a palavra methodos significava “caminho para se chegar a 
um fim”. Hoje, depois de tantos anos, o seu significado estendeu-se um pouco 
mais e vários autores apresentaram diferentes definições para essa palavra. 
No entanto, o conceito de método continua tendo uma ligação muito forte com 
o sentido grego original, e é precisamente esse ponto que nos interessa: falar 
do método como um caminho para se chegar a um fim. (FONSECA, 2008, p. 
21) 
 
Os métodos fazem parte de nossa vida. Galliano (1986, p. 4) diz que “qualquer 
pessoa civilizada é uma espécie de ilha cercada de métodos por todos os lados, ainda 
que nem sempre tenha consciência disso”. 
Todas as ações que excutamos cotidianamente são baseadas em métodos, 
desde as ações mais simples como preparar uma refeição, dirigir e até estudar. 
“Método” representa caminho, e “logia” significa estudo e ciência, saber. Assim 
a metodologia científica pode ser traduzida como disciplina que estuda o caminho a 
se chegar ao saber científico. 
 
O método, portanto, constitui um dos pontos centrais nas formas do ser 
humano. Ao levarmos esse conceito para a aquisição do conhecimento em 
ciência, teremos um método chamado científico. Este, por sua vez, 
caracteriza-se por um conjunto de procedimentos racionais e preestipulados 
de que o pesquisador se utiliza para atingir uma determinada meta. 
(FONSECA, 2008, p. 21) 
 
 
1
 Estudo da origem e formação das palavras de determinada língua. (MICHAELIS ONLINE - 
http://michaelis.uol.com.br) 
 É sobre esse “conjunto de procedimentos racionais e pré-estipulados” que 
vamos conversar durante toda essa disciplina. Além disso, você conhecerá também, 
a arte da leitura, da análise e da interpretação de textos para que se prepare para a 
jornada de acadêmico crítico e não de aluno-copista que apenas reproduz o que os 
outros disseram. Mas essas habilidades de leitura crítica, análise, interpretação e 
escrita científica irão depender da sua participação ativa no processo de ensino-
aprendizagem. Aqui apresentaremos as ferramentas, dominá-las e utiliza-las depende 
de você. 
 Nesse ponto da sua leitura novas questões devem ter surgido em sua mente: 
O que é ciência? O que é exatamente pesquisa científica? Quais são esses 
procedimentos racionais e pré-estipulados do método científico?O que é ser 
pesquisador? 
 Todas essas questões serão trabalhadas e respondidas no decorrer das 
próximas páginas. 
 
 
O QUE É CIÊNCIA? 
 
 Imagine o que os homens pré-históricos pensavam ao se depararem com 
fenômenos naturais como raios e trovões. Que tipo de sentimentos eles tinham nesse 
momento? Que explicações eles davam a tudo isso? 
 
A partir do momento em que o homem tomou conhecimento de sua existência 
no mundo, começou a explicar os fenômenos com os quais se deparava 
constantemente. Inicialmente, o fez de uma forma intuitiva, criando mitos para 
justificar aquilo que não compreendia. Durante algum tempo, essas 
explicações bastaram ao homem, porém, a sua capacidade pensante fez 
surgir nele a necessidade de uma outra explicação, que fosse racional, sobre 
si próprio, sobre o mundo e os seus inúmeros fenômenos. (FONSECA, 2008, 
p. 11) 
 
Dessa necessidade humana de saber o porquê dos acontecimentos é que 
surgiu a ciência. (LAKATOS; MARCONI, 2003, p.84). 
 
 
O homem queria uma nova explicação para o mundo, por isso partiu em 
busca de verdades decorrentes de um pensamento lógico e coerente. Essa 
busca o tornou cada vez mais exigente com o conhecimento que adquiria e 
transmitia. (FONSECA, 2008, p. 11) 
 
Percebesse que a curiosidade humana é a mola propulsora da ciência que 
busca a verdade sobre os acontecimentos. 
 
A ciência é, essencialmente, o fascínio do conhecimento, a busca incessante 
para a compreensão dos fenômenos que nos cercam. É a resposta para 
nossas indagações diante da vida, dos males que afligem as espécies e 
assim por diante. A busca das suas verdades, sempre instáveis e mutáveis. 
Verdade e certeza absolutas são inatingíveis. Aquilo que temos apenas 
provisórios, que construímos, para entrar um pouco no mundo misterioso do 
desconhecido.(QUADROS, 2007, p. 90). 
 
Quando faz referência à ciência, Oliveira (2002, p.47) afirma que: 
 
Trata-se do estudo, com critérios metodológicos, das relações existentes 
entre causa e efeito de um fenômeno qualquer no qual o estudioso se propõe 
a demonstrar a verdade dos fatos e suas aplicações práticas. É uma forma 
de conhecimento sistemático, dos fenômenos da natureza, dos fenômenos 
sociais, dos fenômenos biológicos, matemáticos, físicos e químicos, para se 
chegar a um conjunto de conclusões verdadeiras, lógicas, exatas, 
demonstráveis por meio da pesquisa e dos testes. 
 
É importante ressaltar que ciência não é algo pronto e acabado, muito pelo 
contrário, ela está em constante atualização. 
 
Logo, a ciência é, em sua essência, um processo social, dinâmico, contínuo, 
volátil e cumulativo. Há séculos, influencia a humanidade, rompe fronteiras e 
convicções, modifica hábitos, gera leis, provoca acontecimentos, e mais do 
que tudo amplia, de forma contínua, as fronteiras do 
conhecimento(TARGINO, 2005 apudQUADROS, 2007, p. 90). 
 
 
Mas de nada adianta fazer ciência e não divulga-la. A pesquisa científica e a 
divulgação dos seus resultados caminham juntas, ou seja, não existe pesquisa 
científica sem a sua divulgação. Se os grandes pesquisadores da humanidade, 
cientistas, filósofos, matemáticos, físicos não divulgassem as descobertas de suas 
pesquisas nossa evolução estaria prejudicada e provavelmente não conheceríamos 
muitas das tecnologias atuais. 
Você pode perceber que o sentido da palavra ciência é “conhecimento”, mas 
nem todos os tipos de conhecimento são científicos. Existem outros como o vulgar, 
por exemplo, também conhecido como “senso comum”. Esse e outros tipos de 
conhecimentos veremos a seguir. 
 
 
 
A NATUREZA DO CONHECIMENTO 
 
 O objetivo da ciência é a busca pelo conhecimento, mas você sabe exatamente 
o significado da palavra conhecimento? 
Conhecer é elucidar a realidade. Elucidar vem do latim lucere, que significa 
trazer luz. Então, conhecer é trazer luzà realidade. 
“Dependendo da forma como o homem vê o mundo e de como o interpreta e o 
interioriza, surge a dimensão de seu entendimento e ação.”(MAGALHÃES, 2007, p. 
03). 
Mas você já parou para refletir sobre os diversos tipos de conhecimento 
existentes? 
Existem ao menos quatro níveis de conhecimento fundamentais: empírico 
(popular/senso comum), científico, filosófico e teológico (religioso). 
É importante conhecer e distinguir cada um desses conhecimentos para saber 
diferenciá-los, mas lembre-se que academicamente utilizamos apenas conhecimento 
científico. 
Oliveira (2003) apresenta sinteticamente as características desses quatro tipos 
de conhecimento apresentados: 
 
 
QUADRO 1 - As várias formas de conhecimento 
 
VULGAR CIENTÍFICO FILOSÓFICO RELIGIOSO 
Valorativo 
Reflexivo 
Falível 
Assistemático 
Verificável 
Inexato 
Real 
Contingente 
Falível 
Sistemático 
Verificável 
Exato 
Valorativo 
Racional 
Infalível 
Sistemático 
Não verificável 
Exato 
Valorativo 
Inspiracional 
Infalível 
Sistemático 
Não verificável 
Exato 
 
FONTE: OLIVEIRA (2003, p. 37) 
 
 
 
 
CONHECIMENTOEMPÍRICO 
 
 Ao contrário do conhecimento científico que busca a verdade por meio de 
explicações racionais o conhecimento empírico, também conhecido como popular 
e/ou senso comum é um tipo de conhecimento construído na vida cotidiana ou ao 
acaso. 
De acordo com AnderEgg (1978 apud CRUZ; RIBEIRO, 2003, p. 21) o 
conhecimento vulgar apresenta características como: 
- superficialidade – conforma-se apenas com a aparência. 
- sensitivo – referente às vivências. 
- subjetivo – é o próprio sujeito que organiza suas experiências e 
conhecimentos. 
- assistemático – a organização da experiência não visa a uma sistematização 
das ideias. 
- acrítico – verdadeiro ou não, a pretensão de que esses conhecimentos o 
sejam, não se manifesta sempre de uma forma crítica. Exemplo: quando 
cortamos os cabelos na lua crescente, eles crescem mais rápido do que, 
quando os cortamos em outras luas. 
 Assim como esse exemplo de conhecimento popular você deve conhecer 
inúmeros outros que passam de geração para geração. 
 Vale ressaltar que o fato de um conhecimento ser popular não significa que ele 
não pode ser comprovado cientificamente. Muitos desses conhecimentos nos dão 
pistas para que fenômenos sejam observados mais atentamente com olhar científico, 
e assim, analisados e verificados. 
Agora pare e pense: você conhece algum exemplo de conhecimento empírico 
que se tornou científico? 
 
 
CONHECIMENTO FILOSÓFICO 
 
Conhecimento filosófico tem por origem a capacidade de reflexão do homem. 
Por meio desse tipo de conhecimento procura-se conhecer a realidade em seu 
contexto universal. 
Ele não produz soluções definitivas para grande número das questões 
analisadas, mas possibilita o entendimento melhor do sentido da vida. 
Cervo e Bervian (2002) apresentam alguns exemplos para esclarecer esse 
conceito: 
- A máquina substituirá o homem? 
- As conquistas espaciais comprovam o poder ilimitado do homem? 
- O que é valor hoje? 
 
 
CONHECIMENTO TEOLÓGICO/RELIGIOSO 
 
 Retrata o estudo das questões referentes ao conhecimento da divindade, 
baseando-se na fé e na crença em algo superior ao ser humano. 
 
Provém das revelações do mistério do oculto, por algo que é interpretado 
como mensagem ou manifestação da divindade. O conhecimento revelado – 
relativo a Deus – aceito pela fé teológica constitui o conhecimento teológico. 
É aquele conjunto de verdades a que os homens chegaram, não com o auxílio 
de sua inteligência, mas mediante a aceitação dos dados da revelação divina. 
(MAGALHÃES, 2007, p. 07). 
 
Um bom exemplo desse conhecimento são os conhecimentos adquiridos e 
praticados pelos homens tendo como fundamento os textos de livros sagrados como 
a Bíblia Sagrada ou outros. 
Esse conhecimento é totalmente oposto à ciência. Ele não é colocado à prova 
e nem pode ser verificado. 
 
 
CONHECIMENTO CIENTÍFICO 
 
 O conhecimento científico é real e sistemático, ele advém muitas vezes do 
conhecimento empírico. 
 
O conhecimento científico resulta da pesquisa metodológica, sistemática, do 
contexto factual; procura analisar os fatos e os fenômenos da realidade, a fim 
de descobrir suas causas e concluir as leis gerais que o orientam. É 
verificável, na prática por demonstrações ou por testagem, explica e 
demonstra com clareza e precisão, descobre relações de predomínio, 
igualdade ou subordinação com outras descobertas, e estabelece leis gerais 
e universais válidas para todos os casos da mesma espécie. O conhecimento 
científico vai além do empírico, procurando conhecer, além do fenômeno, 
suas causas e leis. (MAGALHÃES, 2007, p. 06). 
 
 Como já destacamos anteriormente o conhecimento científico não é entendido 
como pronto, acabado e definitivo, sendo assim, pode-se dizer que ele tem um caráter 
provisório, pois busca constantemente a verdade, suas explicações e soluções, que 
podem ser revistas e reavaliadas a qualquer momento de posse de novos métodos e 
instrumentos de pesquisa, pois segundo Cervo e Bervian (2002), a ciência é um 
processo em construção. 
O conhecimento científico pode ser: contingente (hipóteses traduzem resultado 
através da experimentação); sistemático (procedimento ordenado forma um sistema 
encadeado de ideias); verificável (afirmações podem ser comprovadas); falível (novas 
proposições podem mudar as teorias existentes); real (lida com o real, conforme 
ocorrência dos fatos) isso é o que enfatiza Oliveira (2003, p. 39-40). 
 
 
TRABALHOS CIENTÍFICOS 
 
 Como já vimos, a metodologia cientifica trata das formas de se fazer ciência, 
mais especificamente dos procedimentos, das ferramentas e dos caminhos para se 
atingir a realidade teórica e prática, pois essa é a finalidade da ciência (DEMO, 1985). 
 São vários os caminhos que a metodologia nos oferece para se fazer ciência, 
cabe ao pesquisador/cientista optar e utilizar a alternativa mais adequada ao seu 
objetivo. 
Durante o seu curso você irá desenvolver diversos trabalhos científicos e 
precisa conhecer um pouco sobre cada um deles para poder realiza-los em 
conformidade com os objetivos e especificidades de cada um. 
 Agora você conhecerá alguns dos trabalhos científicos mais comuns em cursos 
de graduação. Mas além deles, você poderá se deparar com outros, se isso acontecer 
vale colocar em prática um hábito importante: pesquisar. 
 
 
 
 
 
RESENHA 
 
É um resumo crítico de determinada obra/livro. “Geralmente é requerida como 
tarefa intermediária complementar a uma disciplina de curso ou é solicitada como 
artigo para divulgação em publicações periódicas”. (FONSECA, 2008, p. 06). Essas 
resenhas são geralmente elaboradas por especialistas no assunto abordado ou por 
estudantes como forma de exercitar a compreensão e desenvolver a crítica. 
 
 
RESUMO E SÍNTESE 
 
 Ambos são classificados como textos reduzidos escritos com as próprias 
palavras de quem os redige.O resumo “é um exercício de leitura, depende da 
capacidade de interpretação e síntese do texto (...). Procura-se guardar fidelidade ao 
texto original.” (MAGALHÃES, 2007, p. 71). E a síntese é a “exposição simplificada 
(em síntese) do assunto tratado em uma obra. Contém de forma reduzida todas as 
partes da obra”. (MAGALHÃES, 2007, p. 72). 
 
 
ARTIGO CIENTÍFICO 
 
 É um documento escrito por um ou mais autores que pode representar uma 
ideia, uma pesquisa, o resultado de um estudo, entre outros. Os artigos são 
geralmente publicados em revistas especializadas com o objetivo de comunicar 
resultados e/ou novidades sobre um determinado assunto/tema. 
 Existem diversos tipos de artigos: 
 
Artigos de opinião. Argumentos favoráveis ou contráriosa um pinto de vista. 
Artigos de análise ou meta-análise. Análise de cada elemento que constitui o 
assunto; definição, classificação, descrição dos tópicos; revisão sistemática. 
Artigos classificatórios. Ordenar, organizar e sistematizar, classificando a 
temática. Explicação dos critérios usados para classificação. 
Artigos de revisão, atualização, relatos de caso. Síntese de tudo o que já foi 
escrito sobre o tema até a data. 
Artigos de atualização. Enfoque em assunto a partir de novas descobertas 
que promovam modificação de comportamento. 
Relatos de caso. Descrição de determinado acontecimento ou fenômeno com 
maior número de variáveis intervenientes explicitadas. (MAGALHÃES, 2007, 
p. 73). 
PROJETO DE PESQUISA 
 
Como o próprio nome retrata, projeto de pesquisa é um planejamento da 
pesquisa em si. É o documento escrito solicitado como primeira etapa de uma 
pesquisa que se pretende desenvolver. Nesse planejamento são descritos elementos 
como delimitação do tema, as fontes, a metodologia, o cronograma de 
desenvolvimento, entre outros. Aprofundaremos esse assunto “projeto de pesquisa” 
em outro momento dessa disciplina. 
 
 
MONOGRAFIA OU TRABALHO DE CONCLUSÃO 
 É o relato escrito de uma pesquisa que foi realizada, geralmente proposta como 
tarefa final de um curso de graduação ou de especialização. 
“Monos (um só); graphein (escrever) – monografia é o estudo por escrito de um 
único tema específico, bem delimitado” (SALOMON, apud MARTINS; LINTZ, 2000, 
p.21). 
Para a escrita da monografia é exigido que ela aborde com precisão, clareza e 
encadeamento lógico um tema de relevância social e científica. Ela é composta de 
três partes inevitáveis, ou seja: introdução, desenvolvimento e conclusões ou 
recomendações. Segundo Fonseca, (2007), essas partes são distribuídas em 
elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais. 
Veremos especificamente cada um desses elementos em um capítulo 
específico sobre o tema. 
Agora que você já conheceu os tipos de trabalhos científicos, principalmente, 
“projeto de pesquisa” e “monografia” vamos conversar um pouco sobre a escolha do 
tema de pesquisa, pois ele é a base de uma pesquisa. 
 
 
A ESCOLHA DO TEMA DE PESQUISA 
 
 O seu curso de graduação oferece diversas vertentes e temáticas de estudo e 
atuação, por isso a escolha do tema de pesquisa muitas vezes não é uma tarefa fácil. 
Como você já viu anteriormente, o termo monografia nos indica que dentre todas as 
opções de tema que a sua área/curso oferece você deve optar por apenas um para o 
desenvolvimento de sua pesquisa. 
 
 
COMO ESCOLHER O TEMA DE PESQUISA? 
 
 Essa escolha precisa estar intimamente ligada a sua área de atuação 
profissional, ou seja, ao seu curso e pode envolver também a sua experiência pessoal. 
 
Isso torna o trabalho de desenvolvimento monográfico muito mais 
interessante e eficiente, porque o estudante já possui conhecimentos prévios 
que poderão facilitar a interpretação de textos, ideias e jargões da área, além 
de orientar a busca de bibliografia e consulta a profissionais especializados. 
(FONSECA, 2008, p. 29). 
 
 E para te ajudar nesse processo de escolha do temapodem ser utilizadas 
diversas fontes de ideias, como: experiências individuais; materiais escritos como 
livros, revistas, periódicos, entre outros; conversas com professores, profissionais 
diversos envolvidos com a sua área e até colegas de curso; observações de 
fenômenos e fatos; participação em eventos como seminários, encontros, congressos, 
etc.; 
 Opte por um tema que além de relevância científica lhe desperte também o 
interesse pessoal, para tenha prazer em desenvolver sua pesquisa a cerca dele. 
 
 
COMO FORMULAR UM PROBLEMA? 
 
 Toda pesquisa se inicia com algum tipo de problema ou indagação. Mas o que 
é problema de pesquisa? 
Consiste em dizer de maneira explícita, clara, compreensível e operacional, 
qual adificuldade com a qual nos defrontamos e que pretendemos resolver. 
Mas segundo Gil (1991), nem todo problema é passível de tratamento científico, 
é precisoidentificar o que é científico daquilo que não é. Um problema é de natureza 
científica quandoenvolver variáveis que podem ser tidas como testáveis. 
Gil (1996, p. 29) ainda aponta algumas regras básicas para a formulação de 
problemas científicos: 
- O problema deve ser formulado como pergunta: Exemplo: se alguém disser 
que vai pesquisar a “falência das empresas”, fica difícil compreender exatamente o 
que se vai pesquisar. Mas, se lermos a questão: “Que fatores provocam a falência das 
empresas?”, então compreendemos o problema da pesquisa. 
- O problema deve ser claro e preciso: Imagine o seguinte problema de 
pesquisa: “Como funciona a mente?” como ele não está claro e também não é preciso, 
não se pode ter a noção do que exatamente será pesquisado. Agora se propusermos 
o seguinte: “Quais os mecanismos psicológicos envolvidos no processo de 
memorização?”. 
- O problema não deve ter base exclusivamente empírica: eles não devem 
referir-se a valores, percepções pessoais, mas a fatos empíricos. É bastante complexo 
investigar certos problemas que já trazem em si uma carga muito grande de juízos de 
valor. Por exemplo, "a mulher deve realizar tarefas tipicamente masculinas?" Estes 
problemas conduzem inevitavelmente a julgamentos morais e, consequentemente, a 
considerações subjetivas, invalidando os propósitos da investigação científica, que 
tem a objetividade como uma das mais importantes características. 
- O problema deve ser suscetível de solução:Um problema pode ser claro, 
preciso e referir-se a conceitos empíricos, mas, se não for possível coletar os dados 
necessários à sua resolução, ele torna-se inviável. Por exemplo, "ligando-se um 
computador à memória de um homem, é possível realizar transferência de dados?". 
Esta pergunta só poderá ser respondida quando a tecnologia neurofisiológica 
progredir a ponto de possibilitar a obtenção de dados relevantes. 
Para formular adequadamente um problema é preciso ter o domínio da 
tecnologia adequada à sua solução. 
- O problema deve ser delimitado a uma dimensão viável: É preciso cuidar para 
que o problema não seja muito amplo. Por exemplo, "o que pensam os jovens?". Seria 
necessário ainda delimitar os muitos aspectos, tais como: percepção, religião, sociais, 
econômicos, políticos, psicológicos, profissionais etc. Então seria mais delimitado o 
seguinte problema: “O que pensam os jovens sobre a escolha da carreira 
profissional?”. 
Uma vez formulado o problema, com a certeza de ser cientificamente válido, 
propõe-seuma resposta “suposta”, provável e provisória, isto é, uma hipótese. Ambos, 
problema e hipótesesão enunciados de relações entre variáveis, a diferença reside 
em que o problema constitui sentençainterrogativa e a hipótese sentença afirmativa. 
(LAKATOS, 1991). 
 
 
COMO CONSTRUIR HIPÓTESES? 
 
Após a formulação do problema o próximo passo é oferecer uma solução 
possível, ou seja, a formulação de hipóteses. 
Vários são os conceitos de hipóteses, enumerados por Lakatos (1996): 
“Hipótese é uma proposição enunciada para responder, tentativamente a um 
problema” (Pardinas). 
“A hipótese de trabalho é a resposta a um problema para cuja solução se realiza 
toda a investigação” (Bourdon). 
“A hipótese é uma proposição antecipatória à comprovação de uma realidade 
existencial. É umaespécie de pressuposição que antecede a constatação dos fatos. 
Por isso se diz também que ashipóteses de trabalho são formulações provisórias do 
que se procura conhecer e, em consequência,são supostas respostas para o 
problema ou assunto da pesquisa”. (Trujillo). 
Mas para a formulação dessas hipóteses é preciso atentar-se aos seguintes 
requisitos destacados por Benge citado por Lakatos (1996). 
- A hipótese deve ser formalmente correta e nãose apresentar “vazia” 
semanticamente. 
- A hipótese deve estar fundamentada até certo ponto, em conhecimento 
anterior, casocontrário, volta a inspirar o pressuposto já indicado de que deve ser 
compatível, sendocompletamente nova em matéria de conteúdo, com o corpo do 
conhecimento cientifico jáexistente. 
As hipóteses podem ser testadas e julgadas como provavelmente verdadeiras 
ou falsas ao final da pesquisa. Veja a seguir na fala de Fonseca (2008, p. 32) o que 
acontece em cada caso. 
 
Como ilustração considere-se o seguinte problema: Quem se interessa por 
Marketing? A hipótese poderia ser a seguinte: “Pessoas que trabalham em 
campanhas publicitárias tendem a manifestar interesse por Marketing”. 
Suponha-se que mediante a coleta e a análise dos dados a hipótese tenha 
sido confirmada. Nesse caso, o problema terá sido solucionado porque a 
pergunta formulada pôde ser respondida. Pode ocorrer, no entanto, que não 
se consiga obter informações claras que indiquem ser aquela qualidade fator 
determinante no interesse por Marketing. “Neste caso, a hipótese não terá 
sido confirmada e, consequentemente, o problema não terá sido 
solucionado.” (GIL, 1996, p.35). 
 
O processo de elaboração das hipóteses depende muito do nível de 
envolvimento e conhecimento do pesquisador sobre o tema de pesquisa. E diversas 
são as fontes de busca dessas informações: 
- Observação (senso comum): O estabelecimento assistemático de relações 
entre os fatos no dia-a-dia é que fornece os indícios para a solução dos problemas 
propostos pela ciência. 
- Resultados de outras pesquisas: Hipóteses elaboradas com base nos 
resultados de outras investigações geralmente conduzem a conhecimentos mais 
amplos que aquelas decorrentes da simples observação. À medida que as hipóteses 
vão sendo testadas, e vão sendo encontrados os mesmos resultados, diz-se que 
esses resultados possuem significativo grau de confiabilidade. 
- Teorias: Hipóteses derivadas de teorias proporcionam ligação clara com o 
conjunto mais amplo de conhecimentos das ciências. 
- Intuição: São palpites que não deixam de ser tirados também do processo de 
observação. 
 
Frente a tudo isso se reforça novamente a importância da leitura para todo o 
processo de pesquisa, não apenas para identificação do tema, mas a proposição do 
problema de pesquisa e suas hipóteses. É sobre essa temática que iremos prosseguir 
a nossa disciplina, na unidade de estudo seguinte veremos o processo da leitura à 
redação do texto científico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia científica.5.ed. São 
Paulo: Prentice Hall, 2002. 
 
DEMO, Pedro. Introdução à metodologia da ciência. 2.ed. São Paulo: Atlas, 1985. 
 
FONSECA, Regina Célia Veiga.Como elaborar projetos de pesquisa e 
monografias. Curitiba: Imprensa Oficial, 2007. 
 
_______________. Metodologia do Trabalho Científica. Curitiba: IESDE Brasil S.A., 
2008. 
 
GALLIANO, A. Guilherme. O método científico: teoria e prática. São Paulo: Harbra, 
1986. 
 
GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 3a.ed. São Paulo: Altas. 
1996. 
 
QUADROS, MariveteBassetto. A importância da disciplina de metodologia da 
pesquisa científica na universidade.In: ANAIS – VII CONGRESSO DE 
EDUCAÇÃO DO NORTE PIONEIRO – Educação e Interdisciplinaridade. 2007. 
FAFIJA, Jacarezinho, 2007. P. 88 – 98. ISSN 18083579. Disponível em: 
<http://formacaodigital.com.br/wp-content/uploads/2009/08/QUADROSan2007.pdf> 
Acesso em: 30/11/2012. 
 
LAKATOS, Eva Maria & MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia Cientifica. 
2a.ed. SãoPaulo: Editora Atlas. 1991. 
 
_______________. Fundamentos de metodologia científica. 5.ed. São Paulo: 
Atlas, 2003. 
 
MAGALHÃES, Luzia Eliana Reis. O trabalho científico: da pesquisa à monografia. 
Curitiba: Fesp, 2007. 
 
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