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1: Esmalte 2: Dentina coronária 3: Dentina radicular 4: Cemento 5: Cavidade pulpar POLPA Tecido Conjuntivo Frouxo (mucoso) Células - odontoblasto- responsável pela síntese da dentina - fibroblasto – o fibroblasto é o principal tipo celular responsável pela produção da matriz extracelular da polpa - leucócitos- células de defesa. - células endoteliais – forma a parede dos vasos sanguíneos e linfáticos Os vasos* penetram na polpa pelo forame periapical e vão se ramificando. O grau máximo de ramificação ocorre na periferia da polpa, quando os vasos sanguíneos formam uma extensa rede de capilares que penetra entre os odontoblastos. *têm a função de nutrir e oxigenar as células, que permanecem metabolicamente ativas durante toda a vida do dente. nervos – a polpa apresenta apenas axônios (não tem corpo celular), os estímulos nervosos da polpa dental são traduzidos principalmente como dor pelo sistema nervoso central. Assim como os vasos sanguíneos os feixes nervosos contendo axônios penetram pelo forame apical e vão se ramificando conforme se aproximam da camada de odontoblastos. Os axônios* formam uma extensa rede entre os odontoblastos podendo inclusive penetrar nos canalículos dentinarios. *axônios penetram apenas alguns micrometros nos canalículos dentinários, nunca atravessam toda a extensão da dentina. Matrix Extracelular - colágeno tipo I e III O colágeno I é o principal componente protéico da polpa dental e o colágeno III existe em menor quantidade. Estas moléculas possuem a capacidade de se polimerizar e formarem fibrilas que dão sustentação para os componentes celulares da polpa. - Glicoproteínas - Proteoglicanas - sais e H2O Zonas Topográficas da Polpa: 1 - Zona (camada) odontoblástica 2 - Região subodontoblástica a) Zona pobre em células ( Camada Acelular de Weil) : tem aproximadamente 40μm de espessura, pode estar ausente na raiz, apresenta o plexo nervoso de Raschkow e o plexo capilar subodontoblástico, além dos prolongamentos das células subodontoblásticas. b)Zona rica em células: rica em células ectomesenquimais indiferenciadas e há presença de fibroblastos. 3 - Região central da polpa: formada por tecido conjuntivo frouxo (mucoso), contendo escassas fibras imersas em abundamte substância fundamental. Presença de muitos vasos e nervos, além de células como: fibroblastos, células ectomesenquimais indiferenciadas, macrófagos e outras células de defesa. Fig. : Corte de dente humano descalcificado mostrando: camada de odontoblastos (O), pré-dentina (PD), dentina (D) e polpa (P). Os núcleos das células aparecem como pequenos pontos escuros. Observe vasos sanguíneos (v) e feixe nervoso (n). Alterações fisiológicas (envelhecimento) - Diminuição do tamanho- em função da síntese permanente da dentina fisiológica da dentina. No entanto a diminuição do volume da polpa pode ser acelerada pela síntese da dentina de reparação. - Diminuição dos componentes celulares. A diminuição da vascularização tem como conseqüência à diminuição da capacidade regenerativa da polpa. Assim sendo, a idade do indivíduo é um fator importante no planejamento do tratamento odontológico da exposição da polpa. - Diminuição do número de fibras nervosas na polpa dental o que causa uma diminuição progressiva da sensibilidade. - Aparecimento de calcificações (nódulos pulpares). Geralmente independentes da dentina. Estes nódulos podem crescer ocupando um tamanho relativamente grande e fundirem-se com a dentina. Nestes casos estas estruturas podem se tornar um fator complicador do tratamento endodôntico. DENTINA Funções de dureza e elasticidade Equilíbrio entre os componentes mineral e orgânico que formam este tecido. - porção mineral - cristais de hidroxiapatita aproximadamente 70% da massa do tecido. - matriz orgânica - aproximadamente 20% da massa da dentina, principalmente por colágeno I (rede tridimensional sobre a qual se depositam os cristais de hidroxiapatita. - Os 10% restantes são constituídos de água. O odontoblasto é uma célula cilíndrica que apresenta um prolongamento que chamamos de processo odontoblástico. Observe nesta figura os odontoblastos (setas), a pré-dentina e a dentina em formação durante a dentinogênese A unidade estrutural básica da dentina são os Túbulos (canalículos) Dentinários e a Matriz Intertubular. Túbulos Dentinários - pequenos canais que se estendem perpendicularmente à superfície dental desde o limite com a polpa até o limite com o esmalte na coroa ou com o cemento na região da raiz (com prolongamentos dos odontoblastos) Durante a síntese da dentina os odontoblastos sintetizam inicialmente a matriz protéica, que forma uma camada entre os odontoblastos e a dentina mineralizada. Esta camada é denominada de pré- dentina, que será num futuro próximo mineralizada transformando-se na dentina. Figura 8. Corte de dente humano descalcificado, corado por HE mostrando: camada de odontoblastos (O), pré-dentina (PD), dentina (D). Note a grande quantidade de canalículos dentinários presentes na dentina. A dentina fisiológica - formada desde o início da odontogênese até o final da vida do indivíduo. A sua velocidade de formação é de aproximadamente 4 µm/dia durante a odontogênese, que se prolonga até aproximadamente a formação do ápice da raiz. A dentina de reparação - formada em resposta a um estímulo físico (temperatura) ou químico (toxinas de bactérias da cárie, substâncias liberadas pelos materiais restauradores, etc) na dentina ou polpa. Esta dentina é formada em um ritmo mais acelerado sendo por isso menos calcificada e menos organizada. Os canalículos são tortuosos e freqüentemente se observam odontoblastos que não conseguiram acompanhar o ritmo de crescimento e são aprisionados na matriz dentinária. *A dentina de reparação, também chamada de dentina terciária, é feita numa tentativa de se isolar a polpa do estímulo agressor. Classificação histotopográfica: 1 - Dentina do manto: é a primeira camada de dentina secretada pelos odontoblastos recém-diferenciados e varia de 20 a 150 μm de espessura. 2 - Dentina circumpulpar: ocupa o maior volume do dente, é mais mineralizada que a anterior e sofre mineralização globular, através dos calcosferitos. .:A:. Esmalte .:B:. Dentina do manto .:C:. Dentina circumpulpar .:D:. Câmara pulpar 3 - Pré-dentina: camada de dentina não mineralizada que separa os odontoblastos da dentina mineralizada; varia de 10 a 40 μm de espessura. .:A:. Dentina mineralizada .:B:. Pré-dentina .:C:. Polpa .:A:. Dentina mineralizada .:B:. Pré-dentina .:C:. Calcosferitos .:D:. Odontoblastos .:E:. Polpa Classificação histogenética: 1 - Dentina primária (natureza fisiológica): é aquela formada desde a primeira camada de dentina até a raiz estar formada e o dente estar em oclusão. 2 - Dentina secundária (natureza fisiológica): depositada após a raiz estar formada, durante toda a vida, de forma mais lenta. Há uma mudança na direção dos túbulos dentinários. 3 - Dentina terciária (natureza patológica): decorrente de agentes externos , como cáries ou traumas. Pode ser classificada em: a)Reacional: dentina depositada devido à agentes externos crônicos e de baixa intensidade como uma cárie crônica. Os odontoblastos conseguem migrar e secretá-la, não sendo aprisionados na matriz. b) Reparadora: dentina depositada devido à agentes externos agudos e de alta intensidade como uma cárie aguda. O trauma é tão forte, que os odontoblastos morrem e as células mesenquimais indiferenciadas que estão sob eles, se diferenciam em novos odontoblastos e secretamuma nova dentina, aprisionando os odontoblastos originais em sua matriz. Variações regionais: 1 - Dentina interglobular: é mais comum na região coronária. Devido à mineralização da dentina circumpulpar ocorrer através de glóbulos (calcosferitos), pequenas áreas entre os glóbulos são hipomineralizadas e, quando é feito um preparo por desgaste, podemos notá- las como áreas escuras, ou seja, onde havia pouco tecido mineralizado 2 - Camada granulosa de Tomes: também é formada por zonas de dentina que não foram mineralizadas, só que desta vez, pelas ramificações dos prolongamentos odontoblásticos adotarem a forma de alças terminais (formato helicoidal) na região mais periférica da dentina radicular (próxima ao cemento). ESPAÇOS DE CZERMACK (DENTINA INTERGLOBULAR) São espaços que aparecem na periferia da dentina coronária e às vezes na dentina radicular (próximo à região cervical). OBS: Na verdade, a denominação de 'espaços' não é correta, pois nessa região existe uma matriz orgânica mineralizada ou não-mineralizada, que corresponde à dentina interglobular. Mas nas lâminas por desgaste, a dentina interglobular é perdida, e observamos apenas os espaços correspondentes. 1: Dentina 2: Espaços de Czermack 3: Camada granulosa de Tomes 4: Cemento JUNÇÃO AMELODENTAL: Esta região possui um relevo irregular que aumenta de tamanho na região incisal ou oclusal (onde incidem os impactos da mastigação). Acredita- se que este padrão serve para aumentar a adesão entre o esmalte e a dentina Assim como no esmalte dental existem linhas que marcam variações no ritmo de crescimento da Dentina. Linhas incrementais que marcam a variação no ritmo de crescimento diário da dentina podem ser observadas com o uso de técnicas especiais. Existem ainda linhas que demarcam um ritmo de 5 dias no crescimento da dentina. Estas linhas denominadas de linhas incrementais de von Ebner. Da mesma maneira que o esmalte dental as alterações metabólicas (linha neonatal da dentina), processos patológicos ou ingestão de drogas ou medicamentos durante a formação da Dentina podem ficar registrados neste tecido sob a forma de linhas que acompanham o contorno das linhas de von Ebner. Alterações fisiológicas Durante o envelhecimento a luz dos canalículos dentinários vai lentamente diminuindo. Este processo ocorre devido à síntese progressiva da dentina intratubular. A síntese desta dentina pode levar a oclusão dos canalículos, num processo chamado de esclerose dentinária. ESMALTE 1. Composição química: Mineral (hidroxiapatita) = 96% Orgânico (proteínas) + água = 4% Devido ao alto conteúdo mineral o esmalte dental é duro e friável (quebradiço) sendo translúcido em condições normais. A superfície externa do esmalte é formada por uma camada fina e homogênea onde os cristais de hidroxiapatita são paralelos entre si. Esta camada é dita aprismática (sem prismas). A maior parte do esmalte é formada por prismas ou bastões . Cada prisma se origina na junção entre a dentina e o esmalte (junção amelodental) e segue até a região próxima a superfície do esmalte. Os prismas são formados devido à variação na orientação dos cristais de hidroxoapatita. A diferença de orientação dos cristais entre dois prismas vizinhos faz com que o limite entre estes seja visível. Orientação dos cristais de hidroxiapatita nas camadas aprismática (A) e prismática (P) do esmalte dental. Notar que no esmalte aprismático os cristais são paralelos entre si e perpendiculares à superfície do esmalte dental. A orientação dos cristais varia em um mesmo prisma e que na região que delimita dois prismas () a diferença de orientação dos cristais é máxima. os dentes são freqüentemente submetidos a forças de impacto e abrasão pelo contato oclusal entre os dentes opostos durante a mastigação A variação da orientação dos cristais de hidroxiapatita ajuda a distribuir as forças mastigatórias que incidem sobre o esmalte (Esquema 1, Figura 6), melhorando as propriedades físicas desta estrutura o esmalte possui uma estrutura mais complexa, onde os prismas seguem um trajeto tortuoso, além disto grupos de prismas seguem direções distintas formando as bandas de Hunter-Schreger. As fraturas que normalmente ocorrem no esmalte dental são detidas quando chegam a regiões onde os grupos de prismas se cruzam. Corte do esmalte dental humano. Identifique os prismas ou bastões na Fig. 3 inferior. Observe as bandas de Hunter-Schreger que estão indicadas por parênteses na figura menor e por setas na figura maior. D=Dentina. E=Esmalte. - Bandas de Hunter-Schreger: camadas de prismas com alternância regular de direções. - Resistem a mais de 400º C; - Podem ser usados para identificação humana (são únicos para cada pessoa). Impressão dental Linhas incrementais A formação do esmalte se inicia na ponta das cúspides ou das regiões incisais. A primeira camada de esmalte dental é sintetizada sobre a dentina e prossegue até que seja completada toda a espessura do esmalte. O esmalte é sintetizado por células denominadas de ameloblastos, sendo que estas células são sensíveis as variações metabólicas que ocorrem no organismo. O organismo humano possui um ciclo chamado de cercaceptano que ocorre aproximadamente a cada 9 dias. No final de cada ciclo aparece uma linha chamada de estria de Retzius. Quando chega a superfície do esmalte estas linhas formam ondulações chamadas de Periquimáceas. Dente por desgaste. As setas apontam as estrias de Retzius, que são linhas de crescimento aposicional do esmalte. Estrias mais evidentes podem ser formadas por alterações metabólicas oriundas de processos patológicos como desnutrição, febre, intoxicação por flúor ou metais pesados durante a formação do esmalte dental. Estrias também podem ser formadas por ingestão de medicamentos que se incorporam ao esmalte dental, sendo a tetraciclina o melhor exemplo. A linha neonatal do esmalte, que se forma durante a transição da vida intra e extra-uterina (trauma do parto), pode ser observada em caninos e primeiros molares decíduos, pois o esmalte destes dentes é formado no final da gestação. As lamelas são áreas de hipocalcificação que cruzam toda a extensão do esmalte. Os fusos são os prolongamentos dos odontoblastos que se estendem até o esmalte. Encontram-se ao nível da junção amelodentinária. Os tufos do esmalte são grupos de prismas do esmalte hipomineralizados ricos em proteínas do esmalte. Partem da junção amelodentinária. 1: Esmalte 2: Lamela 3: Tufos do esmalte 4: Dentina coronária 1: Esmalte 2: Dentina coronária 3: Tufos do esmalte 4: Lamela Setas: Fusos O organismo humano e da maioria dos vertebrados também possui um ciclo diário denominado de ciclo circadiano que é comandado pelo hormônio melatonina. Este ciclo também fica registrado no esmalte dental na forma de linhas tênues transversais nos prismas. As estrias transversais podem ser utilizadas em estudos onde se procura comparar a velocidade de crescimento do esmalte durante suas diferentes fazes de formação ou para se comparar a velocidade de formação do esmalte entre pessoas normais e portadores de patologias. Considerações clínicas. Manchas superficiais no Esmalte podem ser causadas por pigmentos contidos nos alimentos ou bebidas ou mais comumente no cigarro emfumantes. Estas manchas podem ser facilmente removidas pela escovação ou polimento do esmalte dental. Manchas mais profundas não são simplesmente removidas. Manchas escurecidas causadas por pigmentos orgânicos podem ser removidas por agentes clareadores. Manchas esbranquiçadas oriundas de alterações durante a formação do esmalte podem ter tratamento mais complexo (quando tratáveis) e devem ser avaliadas caso a caso. O ataque ácido é feito para se aumentar a adesão de braquets ortodônticos, aplicação de selantes em dentes e em restaurações em dentes anteriores. O ataque ácido se fundamenta na dissolução diferencial dos prismas do esmalte. O ácido vai dissolver mais efetivamente os cristais de hidroxiapatita que estão orientados perpendicularmente a superfície do esmalte. Este processo resulta na formação de microreentrâncias na superfície do esmalte que aumentam a adesão do material aplicado.