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Universidade Nove de Julho Medicina Bioquímica e Fisiologia Celular LISTA DE EXERCÍCIOS 02 01. Qual a relação entre pKa e o intervalo útil de um tampão? O Intervalo útil de um tampão é igual ao pK a .± 1 02. Qual é a razão TRIS/TRIS-H+ em um tampão N-tris[hidroximetil] aminoetano (TRIS) com pH 8,7? Dado: pKa = 8,3 TRIS/TRIS-H+ = 2,5 03. Qual é a razão de HEPES/HEPES-H+ em um tampão N-2-hidroxietilpiperazina-N’-2-etano sulfonato (HEPES), dado pK a = 7,55, se: a. pH 6,55? HEPES/HEPES-H+= 0,1 b. pH 7,55? HEPES/HEPES-H+= 1 c. pH 8,55? HEPES/HEPES-H+= 10 04. Calcule o pH de uma solução tampão preparada misturando-se 75 mL de ácido lático 1,0 mol/L e 25 mL de lactato de sódio 1,0 mol/L. Dado: pKa = 3,86 AH = 75 mL, 1,0 mol/L diluído para 100 ml = 0,75 mol/L A- = 25 mL, 1,0 mol/L diluído para 100 ml = 0,25 mol/L pH=pKa +log(A- /AH) pH=3,86 + log(0,25/0,75) = 3,38 05. A urina tem um pH em torno de 6. Se uma pessoa excreta 1.700 mL de urina em um dia, quantos gramas de H+ (íon hidrônio) são perdidos? pH=-log[H+] 6=-log[H+] [H+]=10-6 mol/L em 1,7 L existem 1,7x10-6 mol de H+ 1 mol de H+ tem massa 1 g 1,7x10-6 mol de H+= 1,7x10-6 g ou 1,7μg Como este hidrogênio é reposto para manter o pH do organismo? Através da oxidação da glicose, que gera gás carbônico e água. O gás carbônico gerado forma ácido carbônico em água. O ácido carbônico se dissocia liberando H+ C6 H12O6 + 6 O2 → 6 CO2 + 6 H2O CO 2 + H2O → H2CO 3 H2 CO3 → H+ + HCO3- 06. O pH da água a 25º é 7,0. Todavia, a 37º C (temperatura fisiológica), a constante de ionização da água é de 2,42x10-14 . a. Qual o pH da água neutra nesta temperatura? [H+]x[OH- ]=2,42x10-14 se a água é pura, então [H+]=[OH-] portanto, [H+]2=2,42x10-14 [H+]=1,555x10-7 se, pH=-log[H+] pH=-log 1,555x10-7 = 6,80 b. A água continua neutra? Sim, a água ainda é neutra, pois [H+]=[OH-] 07. Se uma solução tem uma concentração de íons hidrogênio de 10 -5 mol/L, qual é seu pH? pH=-log[H+] pH=-log 10-5= 5 Essa solução é ácida ou básica? Ácida 1 08. Seria a amônia (pKa= 9,78) ou a piperidina (pK a= 11,12) um melhor tampão em pH 9? A amônia, pois seu pKa é mais próximo de 9 Qual das duas é o ácido mais forte? A amônia, pois seu pKa é mais baixo, indicando que ela perde o seu H+ mais facilmente 09. Dê a forma ionizada predominante dos seguintes aminoácidos em pH 7,0: ácido glutâmico, leucina, treonina, histidina e arginina. 10. Desenhe as estruturas dos seguintes aminoácidos, indicando a forma carregada que existe em pH 4,0: histidina, asparagina, triptofano, prolina e tirosina. 2 11. Demonstre as diferentes formas ionizadas e calcule o ponto isoelétrico de cada um dos aminoácidos a seguir: ácido glutâmico, serina, histidina, lisina, tirosina e arginina. PIGlu = (2,19 + 4,25)/2 = 3,22 3 PISer = (2,21 + 9,15)/2 = 5,68 PIHis = (6,00 + 9,17)/2 = 7,59 PILys = (8,95 + 10,53)/2 = 9,74 4 PITyr = (2,20 + 9,11)/2 = 5,66 PIArg = (9,04 + 12,48)/2 = 10,76 12. Observe a proteína de membrana abaixo e responda as questões que seguem: 5 a. Dentre os diferentes tipos de aminoácidos, quais você consideraria abundantes na região que atravessa a membrana plasmática? Os aminoácidos com cadeias laterais apolares, ou seja: Gly, Ala, Val, Leu, Ile, Pro, Phe e Trp b. Dentre os diferentes tipos de aminoácidos, quais você consideraria abundantes nas regiões extracelular e intracelular? Os aminoácidos com cadeias laterais polares e/ou ionizadas, ou seja: Glu, Asp, Lys, Arg, His, Gln, Asn, Ser, Tyr, Thr e Cys 13. O crescente entendimento de como as proteínas se dobram permite que os pesquisadores façam predições sobre a estrutura de uma proteína, com base em dados sobre sua sequência primária de aminoácidos. Considere a seguinte sequência de aminoácidos: Ile Ala His Thr Tyr Gly Pro Phe Glu Ala Ala Met Cys Lys Trp Glu Ala Gln Pro Asp Gly Met Glu Cys Ala Phe His Arg a. Onde devem ocorrer dobras ou voltas β ? As voltas β ocorrem nas regiões da cadeia peptídica onde a sequência de resíduos de aminoácidos apresenta uma glicina (Gly) e uma prolina (Pro). b. Onde devem se formar ligações dissulfeto intramoleculares? As ligações dissulfeto se formam entre resíduos de cisteína (Cys) c. Assumindo que esta sequência é parte de uma proteína globular maior, indique a localização provável (na superfície externa ou no interior da proteína) dos seguintes resíduos de aminoácido: Asp, Ile, Thr, Ala, Gln, Lys. Explique sua resposta. Os resíduos de Asp, Thr, Gln e Lys devem estar na superfície externa da proteína, pois estes são resíduos de aminoácidos polares, hidrofílicos, capazes de formar ligações polares e ligações de hidrogênio com a água na superfície da proteína. Os resíduos Ile e Ala devem estar no interior da proteína pois estes são resíduos de aminoácidos apolares que sofrem o efeito hidrofóbico, isto é, eles buscam minimizar o contato com a água permanecendo no interior da proteína. 14. A respeito da estrutura de proteínas, qual(is) a(s) força(s) química(s) responsável(is) pela manutenção: a. da estrutura primária. A estrutura primária é mantida por ligações covalentes (ligações peptídicas). b. da estrutura secundária. A estrutura secundária é mantida por ligações de hidrogênio entre os átomos da cadeia principal. c. da estrutura terciária. A estrutura terciária é mantida por ligações não covalentes (ligações iônicas, ligações de hidrogênio, interações hidrofóbicas) e por ligações covalentes do tipo pontes dissulfeto. d. da estrutura quaternária. A estrutura quaternária é mantida apenas por ligações não covalentes como ligações iônicas, ligações de hidrogênio e interações hidrofóbicas. 15. Na presença de certos solventes, as proteínas sofrem alterações tanto em sua estrutura espacial quanto em suas propriedades biológicas. No entanto, com a remoção do solvente, voltam a assumir sua conformação e propriedades originais. Essas características mostram que a conformação espacial das proteínas depende de qual tipo de estrutura de suas moléculas? A estrutura espacial (terciária) de uma proteína depende da sequência de seus aminoácidos, ou seja, de sua estrutura primária. As proteínas desnaturadas por temperatura, extremos de pH ou agentes desnaturantes reassumem suas estruturas nativas e suas atividades biológicas se retornarem às condições nas quais as estruturas nativas são estáveis. Esse processo é chamado de Renaturação. 16. Diferencie proteínas fibrosas de proteínas globulares. Cite um exemplo de cada. 6 Proteínas fibrosas apresentam estrutura alongada, em forma de fibras. São insolúveis em água e desempenham papel estrutural. Ex: Queratina e Colágeno. Proteínas globulares apresentam estrutura final, aproximadamente esférica, são solúveis em água e desempenham diversas funções dinâmicas no organismo. Ex: Hemoglobina, Imunoglobulinas (anticorpos), Albumina, diferentes enzimas, Mioglobina etc. 17. Uma prática comum entre competidores de corrida de curta distância é a respiração rápida e profunda (hiperventilação) por cerca de meio minuto para remover o excesso de CO2 de seus pulmões um pouco antes da corrida começar. Expliquequais seriam os benefícios deste procedimento. A hiperventilação promove uma redução na pCO2, acarretando em alcalose respiratória. Durante a corrida, é esperado que o metabolismo celular seja acentuado e libere grandes quantidades de CO2 e, por anaerobiose, também lactato. Compostos que acidificam o sangue. A hiperventilação prévia, portanto, seria uma forma de garantir que o pH sanguíneo, durante a corrida, não se torne ácido. 18. Explique a etiologia e a patogenia do escorbuto. A carência nutricional de vitamina C acarreta em baixa síntese de hidroxiprolina, aminoácido modificado e fundamental para garantir a estrutura adequada do colágeno. No escorbuto, as fibras de colágenos são frágeis (pela falta de hidroxiprolina), o que promove hemorragias severas, baixa capacidade de cicatrização, feridas na pele, quedas de dentes e tudo que se relaciona a um colágeno com baixa resistência. 19. Explique o mecanismo pelo qual a hemoglobina auxilia no tamponamento sanguíneo (Efeito Böhr). Em pH mais ácido, como nos tecidos, a hemoglobina libera oxigênio, estabilizando o estado T, o qual apresenta uma ligação iônica entre a histidina C-terminal da cadeia β e um resíduo de aspartato mais interno da mesma cadeia. Essa ligação iônica promove uma elevação no valor de pKr da cadeia lateral da histidina, o qual passa de 6,0 para 8,0. Em pKr = 8,0 (maior que o pH sanguíneo), a histidina permanecerá predominantemente protonada. Esta protonação faz com que a [H+] não fique muito elevada. Em pH mais alcalino, como nos pulmões, a hemoglobina se liga ao oxigênio, estabilizando o estado R, o qual não apresenta a ligação iônica entre a Histidina e o Aspartato. Assim, o pKr da histidina retorna a valor 6,0, o que em pH fisiológico, acarreta em histidina predominantemente desprotonada. Esta desprotonação libera H+ na solução, impedindo que a [H+] fique muito reduzida. Assim, podemos resumir que nos tecidos, em pH mais ácido a hemoglobina atua como uma base de Brönsted, recebendo prótons (ao mesmo tempo em que libera O2). Ao passo que nos pulmões, em pH mais alcalino, a hemoglobina atua como um ácido de Brönsted, doando prótons à solução (ao mesmo tempo que recebe O2). 20. Já foram descritos nos seres humanos cerca de 500 tipos de hemoglobinas diferentes da hemoglobina presente em adultos saudáveis (HbA). Essas hemoglobinas anormais apresentam 7 substituição de um aminoácido, como mostra a tabela a seguir. Todas causam doenças, de gravidade variável, com exceção da última, que não tem manifestações clínicas. Que suposições podem ser feitas sobre a troca de aminoácidos na molécula proteica? Hemoglobina anormal Aminoácido da HbA Aminoácido da Hb anormal Hb Hammersmith Fenilalanina Serina Hb Bristol Valina Aspartato Hb Bibba Leucina Prolina Hb Savannah Glicina Valina Hb Philly Tirosina Fenilalanina Hb E Glutamato Lisina Hb Hammersmith: a substituição de uma Phe (apolar aromático) por uma Ser (Polar) desestabiliza a ligação do grupo Heme à subunidade beta. Hb Bristol: a substituição de uma Val (apolar) por um Asp (polar negativo), desestabiliza a ligação do grupo Heme à subunidade beta. Hb Bibba: a adição de uma Pro, no lugar de uma Leu, promove uma dobra na estrutura espacial da molécula, o que acarreta em perda de estrutura secundária e terciária. Hb Savannah: a substituição de uma Gly por Val acarreta em perda de estrutura molecular pois a Valina apresenta cadeia lateral mais complexa (radical isopropil) do que a Gly (hidrogênio). Hb Philly: a substituição de uma Tyr (polar) por uma Phe (apolar) resulta em perda de ligação de hidrogênio. HbE: A substituição de Glu por Lys, neste caso, por estes resíduos estarem na superfície da molécula, não resulta em alteração funcional. Caso estes resíduos estivessem em uma região interna, a substituição de um aminoácido negativo por um aminoácido positivo pode resultar em perda de ligação iônica e perda de estrutura. (é importante lembrar, entretanto, que a mutação que acarreta na substituição de Glu por Lys, adiciona um sítio de splicing alternativo no gene da β hemoglobina, o que resulta em uma falha na síntese da cadeia β). 20. Qual a consequência para a função da hemoglobina no caso de uma mutação estabilizar a molécula no estado R? Qualquer alteração que estabilize o estado R, acarreta em Hb com maior afinidade pelo Oxigênio e prejuízo na oxigenação dos tecidos. 21. Qual a consequência para a função da hemoglobina no caso de uma mutação estabilizar a molécula no estado T? Qualquer alteração que estabilize o estado T, acarreta em Hb com menor afinidade pelo Oxigênio e prejuízo na oxigenação dos tecidos. 22. O gráfico mostra a curva de saturação por oxigênio da mioglobina e as curvas de saturação da hemoglobina em diferentes valores de pH. 8 a. Uma solução de hemoglobina, mantida sob pO2 de 30 torr, apresentava pH = 7,4. Em experimentos separados, foi adicionado HCl ou NaOH à solução, até que os valores de pH fossem, respectivamente, 7,2 e 7,6. Em qual dos experimentos houve liberação de O2 pela hemoglobina? Houve liberação no experimento com HCl, pois a saturação passou de 60% para 40%. b. Uma solução de hemoglobina a pH 7,4 estava submetida a pO2 de 100 torr. Que fenômeno deve ocorrer com a hemoglobina se a pO 2 baixar para 30 torr? E com a mioglobina? Haverá liberação de oxigênio por parte da hemoglobina, pois a saturação passou de 100% para 80%. Já a mioglobina não libera oxigênio, uma vez que a saturação permanece em 100%. c. O pH plasmático nos alvéolos pulmonares (pO2 = 100 torr) é 7,4 e nos tecidos (pO2 = 40 torr) é 7,2. Que fenômeno deve ocorrer com a hemoglobina nos pulmões e nos tecidos? O que aconteceria se, em vez de hemoglobina, houvesse mioglobina no sangue? Espera-se que nos pulmões a hemoglobina capture moléculas de oxigênio (saturação 100%) e as libere nos tecidos, onde a saturação é de 40%. Se no sangue houvesse mioglobina, que é uma proteína com alta afinidade pelo oxigênio, haveria prejuízo na oxigenação dos tecidos. d. A mioglobina, sob uma mesma pO2, deve doar ou receber oxigênio da hemoglobina? A mioglobina apresenta alta afinidade por oxigênio e, sob uma mesma pO2 apresenta maior saturação, assim, a mioglobina recebe oxigênio da hemoglobina. e. Comparar a curva de saturação por oxigênio da hemoglobina fetal com a curva de HbA. Como a HbF não apresenta afinidade por 2,3-Bifosfoglicerato (BPG), a afinidade desta molécula pelo oxigênio é maior do que a afinidade da hemoglobina materna (HbA). Assim, na circulação placentária, a HbF pode capturar o oxigênio transportado pela HbA. 9 23. Por que o gene que codifica para a hemoglobina S se encontra em maior frequência na população afrodescendente? A presença do gene hbs, em heterozigose, acarreta em uma vantagem adaptativa em regiões endêmicas para a malária, como a África. Assim, portadores desta alteração tendem a viver mais tempos (menor risco de morrerem por conta dos sintomas malária) etransmitirem o gene a seus descendentes. 24. De que maneira a administração de hidroxiuréia auxilia na condução terapêutica de anemia falciforme? - O metabolismo de hidroxiuréia resulta em maior concentração de óxido nítrico, um importante vasodilatador. - A hidroxiuréia reduz a degradação de Arginina, cujo metabolismo resulta em maior concentração de óxido nítrico, também. - A hidroxiuréia promove uma elevação na síntese de cadeias γ-hemoglobinas, reduzindo a formação de tetrâmeros α2β2 S (HbS) em favor da formação de HbF (α2γ2). Isso dificulta a formação de polímeros de HbS e reduz a falcização dos eritrócitos. 25. Paciente A.G.S. 30 anos, feminino chega ao setor de Emergência em estado de coma, apenas respondendo aos estímulos dolorosos. Sua respiração é superficial e com frequência baixa. Familiares encontraram próximo a ela diversas caixas de tranquilizantes vazias. Gasometria Arterial pH 7,2 pCO2 80 mmHg [HCO3-] 23 mEq/L a) Qual é o distúrbio ácido-básico apresentado? Como o pH está menor que 7,35 trata-se de uma acidose. A pCO2 maior que 45 mmHg mostra que existe um importante componente respiratório. Portanto o distúrbio ácido-básico é acidose respiratória. b) Qual é a causa mais provável desse distúrbio? O mecanismo do distúrbio nesta paciente é a diminuição da eliminação de CO2 por redução da ventilação alveolar; insuficiência respiratória, tipo hipoventilação. A causa provável, em função da história, é depressão do centro respiratório por excesso de tranquilizantes. Parâmetros normais de Gasometria Arterial: pH = 7,35 – 7,45 pCO2 = 35 – 45 mmHg pO2= 80 – 100 mmHg [HCO3-] = 22 – 26 mEq/L 26. A paciente no caso anterior foi submetida à respiração mecânica e após 3 horas apresentou os seguintes resultados de gasometria arterial: 10 pH (?) pCO2 29 mmHg pO2 160 mmHg HCO3- 26 mEq/L a) Qual é o distúrbio ácido-básico apresentado? Como a pCO2 está alterada sugere um componente respiratório. Essa alteração da pCO2 menor que 35 mmHg levou a diminuição da [ H+], e aumento do pH (alcalose). Em função disto o distúrbio ácido-básico é alcalose respiratória. b) Qual é a causa mais provável desse distúrbio? O mecanismo mais provável neste caso é ventilação alveolar excessiva, que aumenta a eliminação de CO2 , e o acúmula O2. A causa mais provável é a regulagem inadequada do ventilador mecânico, gerando ventilação alveolar muito elevada (hiperventilação mecânica). 27. Paciente R.O.M. 42 anos, masculino deu entrada no setor de Emergência do H.C., desorientado, não recordando o nome da esposa, nem a data atual. A esposa que o acompanhava relatou que o marido se alimentou em grande quantidade de alimentos gordurosos, apresentando vários episódios de diarréia com fezes de aspecto pastoso-líquido, e que o paciente também era asmático. Após exame de gasometria arterial, o médico observou que o paciente tinha um distúrbio ácido-básico. a) Qual é o distúrbio ácido-básico apresentado pelo paciente? Acidose metabólica (e respiratória, caso o paciente estivesse em uma crise asmática no momento da avaliação). b) Qual é a causa mais provável desse distúrbio? Houve perda excessiva de bicarbonato pelas fezes, acarretando em acúmulo de H+ na circulação. Caso o paciente estivesse em crise asmática, haveria também uma maior pCO2, o que resultaria em maior concentração de ácido carbônico e, consequentemente, maior concentração de H +. d) Qual seria o tipo de compensação? Em uma acidose metabólica causada por diarréia, o mecanismo inicial de compensação será a hiperventilação. Entretanto, se o paciente em questão apresentar um quadro asmático, este mecanismo torna-se ineficiente e, assim, o distúrbio no equilíbrio ácido-base poderá permanecer até que o sistema renal (caso esteja funcional), eleve a excreção de H+ e inicie a compensação. 28. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 270 milhões de pessoas de todos os continentes carregam genes que determinam a presença de hemoglobinas anormais. No Brasil, a miscigenação entre os povos colonizadores favoreceu a dispersão desses genes anormais, cujas conseqüências fisiopatológicas são variáveis: de uma anemia discreta até uma forma grave, que pode levar a uma transfusão sangüínea ou até mesmo à morte. No Brasil, temos relatos de identificação de hemoglobinas anormais desde a década de 40, com a eletroforese, que é um teste básico de diagnóstico, realizado por laboratórios de pesquisa e de rotina. a) Dado a eletroforese abaixo, identifique a Hemoglobinopatia de cada paciente (1 a 9). 11 Paciente 1: Adulto Normal. (~98% HbA1, ~1,5% HbA2, ~0,5% HbF). Paciente 2: β-talassemia Maior ou Major (Homozigose, não produz nenhuma HbA1). Paciente 3: α-Talassemia, produz apenas a subunidade gama da hemoglobina (Hb Bart). Paciente 4: Homozigoto para HbS (Anemia Falciforme). Paciente 5: Heterozigoto para HbS (Traço Falciforme). Paciente 6: Recém Nascido. Paciente 7: Heterozigoto para HbS (Traço Falciforme). Paciente 8: Heterozigoto para HbC. Paciente 9: Criança até 6 meses em heterozigose para HbS ou Adulto heterozigoto para HbS fazendo tratamento com hidroxiuréia. b) Explique, sucintamente, a diferença entre os pacientes 4 e 5, comparando a gravidade de suas hemoglobinopatias. Paciente 4: Homozigoto para HbS (Anemia Falciforme). Paciente 5: Heterozigoto para HbS (Traço Falciforme). A hemoglobina S (HbS) é uma das alterações hematológicas hereditárias de maior freqüência. Diferentemente dos portadores em homozigose para a Hb S (Hb S/S), os indivíduos com traço falciforme (Hb A/S) não apresentam sintomas vasoclusivos sob condições fisiológicas. Alguns sinais clínicos associados ao traço falciforme somente ocorrem sob condições que propiciam o processo de falcização, como no estado de hipóxia (falta de O2). A expectativa de vida é semelhante ao do resto da população. Assim, a condição de portador assintomático não deve ter nenhum impacto no estilo e qualidade de vida, além de ser resistente à malária. 12