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Termorregulação em Bubalinos

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TERMORREGULAÇÃO EM BUBALINOS SUBMETIDOS A DUAS 
TEMPERATURAS DE AR E DUAS PROPORÇÕES DE VOLUMOSO: 
CONCENTRADO1 
 
CÉLIA MARIA COSTA GU IMARÃES 2 
JOSÉ EGMAR FALCO 3 
EVALDO ANTONIO LENCI ONI TITTO 4 
RAUL FRAZOLIN NETO 4 
JOEL AUGUSTO MUNIZ 5 
 
RESUMO - Avaliaram-se as reações fisiológicas de 
termorregulação em bubalinos submetidos a duas 
temperaturas e a duas dietas com diferentes proporções 
de volumoso:concentrado. Foram utilizados oito 
machos bubalinos inteiros, com idade de 12 meses e 
296kg, em média, alojados em gaiolas metabólicas, 
dispostas em câmara bioclimática (ambiente aquecido: 
30,9 a 36,0°C) e galpão (ambiente natural: 26,2 a 
32,0°C), recebendo dietas na proporção 80:20 e 50:50. 
O delineamento experimental consistiu de 2 quadrados 
latinos 4x4, em arranjo fatorial 2x2, em 4 períodos 
(5dias) consecutivos. Foram registradas a temperatura 
retal, a freqüência respiratória (9h e 17h), a taxa de 
sudação (16h duas coletas por período). Os resultados 
demonstraram que os animais alojados na câmara 
bioclimática apresentaram valores superiores (P<0,01) aos 
da temperatura retal, freqüência respiratória e taxa de 
sudação, caracterizando estresse calórico em relação aos do 
galpão. Verificou-se que não houve diferença estatística na 
temperatura retal entre os búfalos alimentados com as 
diferentes dietas; entretanto, houve aumento significativo 
(P<0,01) da freqüência respiratória e taxa de sudação, para 
os búfalos que consumiram a dieta (50:50). Com base nos 
resultados, concluiu-se que os bubalinos em temperatura 
ambiente de 36°C entram em estresse calórico, mesmo 
utilizando suas vias evaporativas, e no que se refere à 
influência da alimentação no equilíbrio térmico, houve 
controvérsias, o que leva à necessidade de novos 
estudos. 
TERMOS PARA INDEXAÇÃO: Bubalino, termorregulação, dieta. 
 
THERMOREGULATION IN BUFFALOES SUBMITTED TO TWO AIR 
TEMPERATURES AND TWO ROUGHAGE: CONCENTRATE RATIOS 
 
ABSTRACT - The physiological reactions of 
thermoregulation were evaluated on buffaloes 
submitted to two temperatures, and two diets with 
different roughage:concentrate ratios. Eight uncastrated 
12-month-old male buffaloes, with average weight of 
about 296 kg, were used. They were kept in metabolism 
cages, half of which were installed in a climatic 
chamber (heated environment at 30.9 to 36.0°C) and 
the other half in an open barn (natural environment at 
26.2 to 32.9°C), and fed on two diets with the following 
roughage:concentrate ratios: 80:20 and 50:50. The 
experimental design consisted of two (4x4) latin 
squares in (2x2) factorial arrangement in four 
successive (5 day) periods. Rectal temperature and 
breath was recorded at 9:00 h and 17:00 h, breath 
frequency and sweat rate at 16:00 h (two samples per 
period). The results showed that animals housed in the 
climatic chamber presented higher values (P<0.01) of 
rectal temperature, breath and sweat rate, 
characterizing heat stress, compared with those in the 
open barn. No statistical difference in rectal 
temperature among the buffaloes fed on the 
different 
 
 
1. Parte da dissertação de mestrado do primeiro autor apresentada à Universidade Federal de Lavras(UFLA). 
2. Engenheiro Agrônomo, Mestre, Departamento de Zootecnia/UFLA. 
 
Ciênc. agrotec., Lavras, v.25, n.2, p.437-443, mar./abr., 2001 
438
3. Zootecnista, M.Sc., Professor Titular., UFLA/DZO. 
4. Medico Veterinário, Doutor, Professor Titular, FZEA-USP, Departamento de Zootecnia, Caixa Postal 23, 
 13.630- 000, Pirassununga, SP. 
5. Engenheiro Agrônomo, Doutor, Professor Titular, UFLA/DEX. 
diets was found. However, it was observed that there 
was a significant increase (P<0.01) in breath frequency 
and sweat rate, of the buffaloes that consumed the diet 
50:50. It can be concluded that the buffaloes 
experienced heat stress at 36oC in spite of the efficient 
use of the transpiration pores, whilst with respect to the 
food influence on the thermal balance, results were not 
clear, and require further investigation. 
INDEX TERMS: Buffalo, thermoregulation, diets. 
 
INTRODUÇÃO 
O búfalo (Bubalus bubalis L.), originário do 
continente asiático e de algumas regiões da Itália, é 
hoje encontrado em amplo espaço geográfico em vários 
continentes. Foi introduzido no Brasil ao final do 
século XIX, na Ilha de Marajó, Estado do Pará, estando 
atualmente disseminado em todo o País. Segundo 
Marques e Cardoso (1997), estima-se que o rebanho 
nacional seja formado por 3 milhões de cabeças. 
 Apesar da adaptabilidade às mais variadas 
condições ambientais, os búfalos possuem 
particularidades estruturais e funcionais específicas, 
como forte concentração de melanina na pele e no pêlo, 
baixa quantidade de glândulas sudoríparas, baixa 
densidade de pêlos e pele escura, sendo, portanto, 
especialmente sensíveis à radiação solar (Harvey, 
1963). Assim, os búfalos utilizam outros meios de 
aclimatação aos trópicos, como a via respiratória, com 
alta habilidade fisiológica para eliminar o excesso de 
calor (Villares, Ramos e Rocha, 1979). 
Titto, Russo e Lima (1997) submeteram búfalos 
às condições típicas de clima tropical, reproduzidas em 
câmara bioclimática (temperatura do ar de 28,2 a 
34,7°C), causando aumento significativo na 
temperatura retal (de 38,3 para 39,1°C), na freqüência 
respiratória (de 22,6 para 48,4 movimentos por minuto) 
e na taxa de sudação ( 107,3 para 252,2g.m-2.h-1). 
Vieira et al. (1995) observaram que búfalos da 
raça Mediterrâneo, submetidos ao estresse térmico, 
apresentaram 39,8°C de temperatura retal, 118 
movimentos por minuto (mov./min.) de freqüência 
respiratória e 79g.m-2.h-1 de taxa de sudação, sendo 
esses resultados mais elevados do que os encontrados 
nos búfalos em termoneutralidade. 
Nogueira Filho e Lucci (1981) observaram que o 
uso de feno ou feno mais concentrados não influenciou 
as respostas obtidas quanto às freqüências respiratórias, 
mas teve influência na temperatura interna dos animais 
mantidos dentro da câmara bioclimática. 
Para Lucci (1977), rações com baixo teor de 
volumoso seriam mais indicadas para as condições 
tropicais, em função de um menor incremento calórico. 
Segundo Hafez (1973), rações compostas 
exclusivamente de volumoso traduzem-se em maiores 
temperaturas corporais e maiores freqüências 
respiratórias, em relação às rações ricas em 
concentrado. 
Objetivou-se com o presente trabalho avaliar as 
reações fisiológicas de termorregulação em bubalinos 
submetidos a duas temperaturas ambientais e em dietas 
com diferentes proporções de volumoso: concentrado, 
visando a contribuir para o estabelecimento de técnicas 
de manejo e alimentação mais adequadas à 
produtividade animal em condições tropicais. 
 
MATERIAL E MÉTODOS 
O experimento teve duração de 73 dias, no 
período de janeiro a março de 1997, no Laboratório de 
Biometeorologia da Faculdade de Zootecnia e 
Engenharia de Alimentos da Universidade de São 
Paulo (USP)- Campus de Pirassununga, localizado a 
21080¢00² de latitude sul e 47025¢42² de longitude 
oeste, a uma altitude de 634m, apresentando clima do 
tipo CWa, segundo classificação de Köppen (Oliveira e 
Prado, 1987). 
 Utilizaram-se oito bubalinos (Bubalus bubalis 
L.) machos da raça Mediterrâneo, com cerca de 12 
meses de idade e peso vivo médio de 296kg, 
vermifugados e vacinados. Esses animais foram 
alojados em gaiolas metabólicas dispostas em câmara 
bioclimática (ambiente aquecido: 30,9°C a 36,0°C) e 
galpão (ambiente natural: 26,2°C a 32,0°C). Os 
animais receberam duas dietas compostas de feno 
moído de Coast-cross (Cynodon dactylon (L.) Pers.), 
rolão de milho (grão, palha e sabugo), farelo de soja, 
milho grão moído e mistura mineral, conforme 
observa-se na Tabela 1. O concentrado foi misturado ao 
feno e oferecido em trêsrefeições diárias (8h,15h e 
21h). As dietas foram balanceadas em duas proporções 
volumoso : concentrado e calculadas para bovinos de 
350kg, conforme o NRC (1989). 
 439
O delineamento experimental consistiu de 2 
quadrados latinos 4x4, em arranjo fatorial 2x2, em 4 
períodos (5dias) consecutivos, de forma que todos os 
animais passaram pelos 4 tratamentos. Os dados foram 
analisados pelo programa GLM do SASÒ (1985). 
Foram registradas duas vezes ao dia (9h e 17h) a 
temperatura retal, com termômetro clínico e a 
freqüência respiratória, pela observação dos 
movimentos torácicos por minuto. A taxa de sudação 
foi medida às 16h, pelo método de Schleger e Turner 
(1965). 
TABELA 1 - Formulação e composição bromatológica das dietas. 
 
 % na Dietas Ingredientes (%) 
A1 B2 
Feno (Coast-cross) 80,0 50,0 
Milho - 39,2 
Rolão de milho 9,5 - 
Farelo de soja 9,5 9,8 
Mistura mineral * 1,0 1,0 
Total 100 100 
Nutrientes (% na MS) 
Matéria seca 91,71 91,04 
Proteína bruta 11,31 13,63 
FDN 74,53 50,48 
FDA 40,90 27,68 
Energia bruta (Mcal/kg) 4,16 4,21 
Extrato etéreo 1,38 1,91 
Mistura mineral 6,75 4,98 
Extrato não nitrogenado 49,56 60,17 
Ca 0,61 0,48 
P 0,28 0,31 
1. Dieta com proporção 80% feno e 20% concentrado) 
2. Dieta com proporção 50% feno e 50% concentrado) 
* Mistura mineral (níveis de garantia por kg do produto), 90g de fosfato (P); 135g de cálcio (Ca); 10g de 
magnésio (Mg); 12g de enxofre (S); 120g de sódio (Na); 185g de cloro (Cl); 6000mg de zinco (Zn); 1600mg de 
cobre (Cu); 1250mg de manganês (Mn); 2800mg de ferro (Fe); 200mg de cobalto (Co); 150mg de iodo (I); 
20mg de selênio (Se); 900mg de flúor (Fl) (máximo); 500mg de palatabilizante e solubilidade do fósforo (P) 
em ácido cítrico a 2% (1:100). 
 
RESULTADOS E DISCUSSÃO 
Temperatura retal 
Observou-se neste trabalho que o tipo de dieta 
fornecida aos búfalos, com diferentes proporções de 
volumoso:concentrado, não influenciou (P>0,01) a 
temperatura retal. Mas houve influência significativa 
(P<0,01) do ambiente sobre essa variável. Os valores 
médios de temperatura retal matutina e vespertina dos 
búfalos na câmara bioclimática foram maiores que os 
valores de temperatura retal dos animais no galpão 
(Figura 1), o que era de se esperar. 
 
Ciênc. agrotec., Lavras, v.25, n.2, p.437-443, mar./abr., 2001 
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A zona de termoneutralidade dos búfalos, segundo 
Goswami e Narain (1962), está na faixa de 15,5 a 
21,2°C. Entretanto, os mesmos demostram estresse 
térmico quando a temperatura ultrapassa 29,0°C. No 
presente trabalho, verificou-se que os búfalos entraram 
em estresse térmico em temperatura de 36,0°C, bem 
acima de sua zona de conforto. Titto, Russo e Lima 
(1997) observaram aumentos na temperatura retal em 
búfalos submetidos à temperatura ambiente de 34,7°C e 
as observações de Chikamune (1987) e Vieira et al. 
(1995) mostram que a temperatura interna dos búfalos 
aumenta com a elevação da temperatura do ar, o 
que 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 1 - Valores médios da temperatura retal matutina (TRM) e vespertina (TRV), °C, em câmara 
bioclimática (30,9 a 36,0°C) e galpão (26,2 a 32,9°C). 
 
demostra que os bubalinos possuem uma zona de 
termoneutralidade bem maior do que a sugerida por 
Goswami e Narain (1962). 
Freqüência respiratória 
Observou-se que a freqüência respiratória dos 
animais mantidos na câmara bioclimática foi superior 
(P<0,01) à dos mantidos no galpão, tanto no período da 
manhã quanto no período vespertino (Figura 2). Esses 
resultados assemelham-se aos obtidos por Titto, Russo e 
Lima (1997), que observaram um aumento na atividade 
respiratória de 26,6 para 48,4mov./min, em 
temperaturas 
de 28,3 e 34,7°C, respectivamente. E concorda com 
outros autores, Veiga et al. (1963); Campos, et al. 
(1987); Chikamune (1987) e Vieira et al. (1995), que o 
aumento da freqüência respiratória é uma resposta 
comum à elevação da temperatura ambiente, como 
forma de dissipar calor. 
Com respeito às dietas, os valores da 
freqüência respiratória foram significativamente 
maiores (P<0,05) nos animais submetidos à dieta com 
mais concentrado no período vespertino, não havendo 
diferença significativa no período matutino (Figura 3). 
 
 
 
 
 
 
37,5
38
38,5
39
39,5
40
Câmara Galpão
TRM
TRV
 
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FIGURA 2 - Valores médios da freqüência respiratória matutina (FRM) e vespertina (FRV), mov./min., em 
câmara bioclimática (30,9 a 36,0°C) e galpão (26,2 a 32,9°C). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 FIGURA 3 - Valores médios da freqüência respiratória matutina (FRM) e vespertina (FRV), mov./min, em função 
das dietas A (80:20) e B (50:50). 
 
Informações sobre a influência do fornecimento 
de alimentos sobre a freqüência respiratória são 
escassas na literatura. Nogueira Filho e Lucci (1981) e 
Hafez (1973) relataram que, em bovinos, o 
fornecimento de concentrado resultou em menor 
temperatura corporal e freqüência respiratória, 
provavelmente em conseqüência do menor incremento 
calórico gerado pela digestão desse alimento. 
Observando a Tabela 2, veremos os valores de 
consumo médio diário das dietas e das mesmas na 
câmara e no galpão. Esse parâmetro é discutido mais 
detalhadamente no trabalho de dissertação (Guimarães, 
1998). 
Embora os resultados do presente trabalho 
revelem valores significativamente maiores de 
freqüência respiratória para os búfalos que consumiram 
a dieta B, com predominância de concentrado, tanto no 
ambiente quente como no natural, a diferença entre 
essas freqüências respiratórias médias na câmara 
bioclimática (59,0mov./min.) e no galpão 
(62,5mov./min.) é de 3mov./min., considerada pequena 
para causar grandes alterações biológicas. 
 
Taxa de sudação 
Neste experimento, observa-se a influência 
significativa do ambiente (P<0,01) sobre a taxa de 
sudação dos búfalos. Na câmara bioclimática, a taxa 
de sudação média foi superior (115,5±5,38g.m-2.h-1) 
à taxa de sudação média no galpão, 47,2±2,58g.m-
2.h-1 (Figura 4). 
Esses resultados confirmam que sob 
temperaturas elevadas há um aumento na sudação, 
mesmo no caso dos búfalos que possuem poucas 
glândulas sudoríparas, corroborando com Titto, Russo e 
Lima (1997), que verificaram aumento, na taxa de 
sudação de búfalos, de 107,3 para 252,2 em 
temperatura ambiente de 28,2 a 34,7°C. Da mesma 
forma, Vieira et al. (1995) constataram aumentos na 
taxa de sudação e freqüência respiratória em bubalinos 
0
50
100
150
Câmara Galpão
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FRV
 
Fr
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submetidos a 38°C, não sendo, porém, suficiente para 
evitar a hipertermia. 
Na Figura 5 observamos que a taxa de sudação 
foi significativamente (P<0,05) maior nos búfalos que 
consumiram a dieta rica em concentrado, 87,8g.m-2.h-1, 
o que eqüivale a um aumento de 12,9gm-2h-1 em relação 
ao valor obtido nos animais tratados com dieta rica em 
volumoso, que foi de 74,9g.m-2.h-1. De acordo com 
Nogueira Filho e Lucci (1981) e Lucci (1977), rações 
com maior quantidade de fibra traduzem-se por maior 
temperatura retal, freqüência respiratória e taxa de 
sudação, em relação a rações ricas em concentrado, o que 
neste trabalho não foi observado, pois os valores médios de 
taxa de sudaçãoforam maiores nos búfalos que 
consumiram a dieta com maior proporção de concentrado. 
O mesmo foi verificado na freqüência respiratória, já 
comentado anteriormente. Da mesma forma, não foram 
encontrados trabalhos que pudessem esclarecer o assunto 
em questão. Sugerindo, assim, a necessidade de estudos 
mais profundos a respeito dos parâmetros fisiológicos, 
não só em bubalinos, mas em outras espécies de 
ruminantes. 
 
TABELA 2 - Consumo médio diário das dietas e o consumo médio diário das dietas nos ambientes. 
 
Dieta Ambiente Consumo 
A B 
 
Câmara Galpão 
 
Kg/MS/dia 
 
5,55 
 
5,98 
 
5,11 
 
6,42 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 4 - Valores médios da taxa de sudação (TS), g.m-2.h-1, em câmara bioclimática (30,9 a 36,0°C) e galpão 
(26,2 a 32,9°C). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
0
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100
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Câmara Galpão 
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 FIGURA 5 - Valores médios da taxa de sudação (TS), gm-2h-1, em função das dietas A (80:20) e B (50:50). 
 
CONCLUSÕES 
Com base nas condições experimentais e nos 
dados obtidos, pode-se concluir que os bubalinos 
submetidos à temperatura ambiente de 360C entraram 
em estresse calórico mesmo utilizando com eficiência o 
seu sistema termorregulador, a fim de manter o 
equilíbrio térmico. Por outro lado, esses animais 
superaram a sua faixa de termoneutralidade. 
· O aumento no nível de concentrado da dieta 
de 20% para 50% na MS não exerceu efeito 
significativo na temperatura retal; no entanto, 
promoveu aumentos na freqüência respiratória e na 
taxa de sudação; aumentos que dentro da variação 
fisiológicas são considerados pequenos para 
desencadear grandes alterações biológicas. 
 
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