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SISTEMA URINÁRIO 
Aline Lima da Silva 
 
1) Introdução 
O sistema urinário é constituído por dois rins, dois ureteres, uma bexiga e uma 
uretra. Os rins produzem a urina, a qual é guiada até a bexiga pelos ureteres, 
sendo eliminada para o meio externo através da uretra. Por minuto, é produzido 
125 ml de urina que contém diversos resíduos metabólitos, além de água, 
eletrólitos e não eletrólitos, os quais estão em excesso no organismo. 
A excreta desse sistema auxilia na manutenção da homeostase, ou seja, na 
manutenção do equilíbrio dinâmico do organismo, por meio dos processos de 
filtração, absorção ativa e passiva, além da excreção de substâncias presentes 
no sangue, processos que ocorrem ao longo dos túbulos urinários. Outra função 
exercida pelos rins é a de secreção de substâncias, tais como a enzima renina 
que regula a pressão arterial, a glicoproteína eritropoietina (EPO), responsável 
pela estimulação da síntese de eritrócitos na medula óssea e participa juntamente 
com o fígado e com a pele na ativação da vitamina D3. 
A figura abaixo mostra a disposição anatômica dos órgãos do sistema urinário 
tanto no homem quanto na mulher. 
Figura 1: SISTEMA URINÁRIO 
 
Fonte: https://sites.google.com/site/sistemaurinarioereprodutor/ (Acesso: 20/03/2018) 
A manutenção do meio interno pelos rins é realizada pelo equilíbrio entre a 
perda, através da sudorese, umidificação das vias aéreas e por meio das fezes, e o 
ganho de água, por meio da alimentação e da ingestão. Em resumo, o organismo está 
em constante movimento entre ativar o centro da sede ou formar a urina. Desse modo, 
percebe-se que o aumento da ingestão de líquidos ativa o sistema urinário, 
estimulando a produção de urina, ao passo que a queda dessa ingesta desloca o 
equilíbrio para a diminuição da produção de urina e para a ativação do centro da sede. 
 
2) Rim 
Macroscopicamente, os rins apresentam um formato de “feijão”, por ter uma região 
mais larga e convexa e outra mais estreita e côncava, chamada de hilo renal. 
Recobrindo externamente o órgão, tem-se uma cápsula de tecido conjuntivo denso, 
rica em colágeno tipo I. O hilo é o local de entrada e de saída de artéria e veia renais, 
entrada de nervos e saída do ureter. Internamente, percebe-se que essa estrutura 
abre-se na pélvis renal, porção mais superior e dilatada do ureter, a qual apresenta 
tecido adiposo unilocular e dois a três cálices 
Anatomicamente, os rins podem ser divididos em duas regiões: a cortical, mais 
externa, e a medular, próxima ao hilo. A medula apresenta de 10 a 18 pirâmides 
renais cujos ápices desembocam na pélvis renal, através de uma porção dilatada 
chamada de papilas renais, as quais apresentam orifícios (área crivosa), permitindo a 
passagem da urina até o ureter. Já das bases piramidais partem os raios medulares, 
estruturas retilíneas, que penetram na zona cortical. 
Outra divisão que o rim pode sofrer é em lobo renal, área que compreende uma 
pirâmide renal e o tecido conjuntivo ao seu redor, e em lóbulo renal, região delimitada 
por duas artérias interlobulares, abrangendo um raio medular e o tecido conjuntivo ao 
seu redor. 
Embriologicamente, o túbulo urinífero apresenta duas áreas distintas: o néfron e o 
túbulo coletor. O primeiro é a responsável pela produção de urina, sendo classificado 
como unidade funcional dos rins, enquanto o segundo é responsável pelo transporte 
da urina até os ductos coletores. 
 
 
3) Néfron 
Agora será apresentada uma visão geral das estruturas que compões o néfron. 
A primeira estrutura é o corpúsculo renal, o qual é formado pela arteríola 
aferente, a qual penetra no corpúsculo através do polo sanguíneo, e pela cápsula de 
Bowman. Esse vaso sanguíneo sofre diversas ramificações até tornarem-se vários 
capilares enovelados cujo conjunto é passa a ser chamado de glomérulo. 
Posteriormente, esses capilares anastomosam-se, formando a arteríola eferente que 
sairá do corpúsculo. O outro componente desta estrutura é a cápsula de Bowman, a 
qual é composta por dois folhetos e pelo espaço entre eles. Comunicando-se com o 
pólo urinário do corpúsculo, existe uma estrutura chamada de túbulo contorcido 
proximal, depois será a estrutura alça de Henle, primeiramente a alça descendente 
com seus segmentos espesso e delgado, seguida da alça ascendente, também com 
seus dois segmentos. Por último, a alça de Henle desemboca no túbulo contorcido 
distal, finalizando o néfron. A partir disso, começa os túbulos coletores que 
receberam a urina do TCD e desembocará no ducto coletor que, por sua vez, 
desemboca na papila renal localizada no ápice da pirâmide renal. Observa-se que um 
ducto é responsável por receber a urina de diversos néfrons, além disso, a estrutura 
denominada de raio medular, nada mais é do que esses ductos coletores. 
Existem dois tipos de néfrons: justamedulares e os corticais. O primeiro tipo está 
próximo ao limiar da região cortical com a medular e, por isso, apresenta parte da alça 
de Henle na porção medular, enquanto todas as outras estruturas estão na porção 
cortical. Já o segundo tipo, encontra-se exclusivamente na porção mais externa do rim 
e, por esse motivo, apresenta o segmento descendente delgado da alça de Henle 
muito curta e não apresenta o segmento ascendente delgado. 
Figura 4: NÉFRON 
 
Fonte: https://www.todamateria.com.br/nefron/ (Acesso: 25/03/2018) 
 
4) Corpúsculo Renal 
 
Como dito anteriormente, o glomérulo é um conjunto de capilares enovelados, 
fenestrados (com poros) e sem diafragma. Adiantando um pouco a matéria de sistema 
cardiovascular, pode-se afirmar que o capilar é o vaso sanguíneo de menor calibre 
(diâmetro) que existe em nosso corpo, sendo constituído pelo tecido epitelial de 
revestimento pavimentoso e simples (endotélio), o qual suas células formam os 
poros (fenestras/ aberturas) que servem de canal dentro do endotélio, sendo que não 
há uma membrana (diafragma) fechando esse poro, permitindo uma troca mais livre 
entre o sangue e a cápsula de Bowman. 
Dessa forma, nota-se que a função do capilar determinará se o endotélio será 
contínuo, fenestrado com ou sem diafragma. Do mesmo modo, se o tecido precisa de 
muita, pouca ou nenhuma proteção contra os vasos, por exemplo, o sistema nervoso 
apresenta somente capilares contínuos, dificultando a troca entre o sangue e o tecido. 
Em contrapartida, o fígado apresenta os sinusoides (capilares fenestrados sem 
diafragma) que permite uma intensa troca das substâncias presentes no sangue com 
os hepatócitos. 
A filtração ocorre por meio da ação da pressão arterial na arteríola aferente, já 
que essa pressão, por ser muito alta, promove uma força centrífuga do plasma 
sanguíneo contra a parede do vaso, forçando o plasma bem como as pequenas 
partículas (glicose, cálcio, sódio e potássio, por exemplo) a sair do capilar em direção 
ao espaço capsular, enquanto retém as moléculas maiores (hemácia, plaqueta e 
macrófagos, por exemplo) no interior do vaso. Além disso, essa pressão hidrostática é 
muito maior do que a pressão osmótica (pressão exercida pelas proteínas 
intravascular) e do que a pressão do líquido da cápsula. 
 A cápsula, como dito anteriormente, é composta pelo folheto externo, espaço 
capsular e folheto interno. O folheto mais externo é chamado de parietal e é 
classificado, histologicamente, como tecido epitelial de revestimento simples e 
pavimentoso, já o folheto mais interno é chamado de visceral, pois se encontra 
intimamente relacionado com o glomérulo e é composto pelas células semimóveis 
chamadas de podócitos, células epiteliais modificadas que apresentam actina no 
citoesqueleto dos prolongamentos citoplasmáticos (tanto nos primários quanto nos 
secundários),permitindo que haja sua movimentação. 
O folheto visceral participa da filtração através dos prolongamentos 
secundários dos podócitos, os quais envolvem os capilares e obstruem muitas 
fenestras, permitindo a passagem somente em algumas. Esse processo ocorre entre 
os espaços criando entre dois ou mais prolongamentos chamados de fendas de 
filtração, a qual apresenta uma pequena película de nefrina. Entre os podócitos e o 
endotélio existe a membrana basal que envolve todo o capilar, inclusive as fenestras, 
sendo a única barreira de filtração, ou seja, é o único obstáculo pelo qual o filtrado 
precisa passar para chegar ao espaço capsular. A membrana permite a passagem de 
partículas menores de 10ηm, sendo composta por uma lâmina rara interna (localizada 
em contato com o endotélio), uma lâmina rara externa (localizada em contato com os 
podócitos) e uma lâmina densa (localizada entre as duas) constituída por colágeno do 
tipo IV, laminina e proteoglicanos negativos. 
As células mesangiais estão presentes entre os glomérulos e atuam na regulação 
da pressão arterial. Elas são contráteis e se ligam aos capilares, além disso, são 
receptores de angiotensina II, na presença desse peptídeo, as células mesangiais 
contraem, fazendo vasoconstrição nos capilares e reduzindo o fluxo sanguíneo no 
glomérulo, consequentemente, reduzindo a filtração. Outro receptor presente na 
superfície dessas células é o receptor para o fator natriurético, hormônio sintetizado no 
coração cuja ação é dilatar as mesangiais, causando a vasodilatação dos capilares, 
aumentando o fluxo sanguíneo no glomérulo e, consequentemente, aumentado o 
volume de filtrado. Portanto, as células mesangiais atuam no controle do fluxo 
sanguíneo dentro do glomérulo. Além desse controle, as células mesangiais atuam na 
sustentação estrutural, na fagocitose de substâncias normais ou patogênicas retidas 
pela barreira de filtração, na síntese da matriz extracelular e na produçã de 
prostaglandinas e endotelinas (gera a contração da musculatura lisa das arteríolas 
aferente e eferente). 
A pressão arterial é um fator que influencia no volume de filtrado. Quando a 
pressão está alta, o volume de filtrado aumenta em virtude do aumento da força 
centrífuga. Já em casos de pressão baixa, o volume diminui em razão à queda na 
força centrífuga. Por sua vez, a pressão arterial é regulada pelo sistema renina-
angiotensina-aldosterna, no qual o rim participa através da produção da enzima 
renina que transformará o angiotensinogênio em angiotensina que atua aumentando a 
pressão. A renina é produzida pelas células mesangiais e liberadas na corrente 
sanguínea através da ação da mácula densa, células modificadas do túbulo contorcido 
distal. 
O túbulo contorcido proximal reabsorverá a maior parte dessas substâncias que 
foram parar no filtrado bem como as outras partes do néfron. A glicose é um exemplo 
de substância que permanece na urina quando há um excesso desse carboidrato no 
sangue ou os capilares e/ ou os túbulos apresentam algum problema estrutural ou 
funcional, ocasionando indicativo de diabetes no exame de urina. 
 Figura 5: DESEENHO ESQUEMÁTICO DO CORPÚSCULO RENAL 
 
 Fonte: http://slideplayer.com.br/slide/294039/ (Acesso: 25/03/2018) 
 
Figura 6: CORTE HISTOLÓGICO DO CORPÚSCULO RENAL 
 
Fonte: http://mor.ccb.ufsc.br/cortex-coluna/corpusculo-renal/ (Acesso: 25/03/2018) 
 
5) Túbulo Contorcido Proximal 
É onde se inicia o processo de reabsorção, já que grande parte das substâncias 
encontradas no filtrado são essenciais para o bom funcionamento organismo, como o 
sódio e a glicose. Histologicamente é classificado como tecido epitelial de 
revestimento simples cúbico com microvilosidades, aumentando a superfície de 
contato o que permite uma melhor absorção das substâncias que são glicose, 
aminoácidos e água (por transporte passivo), cloreto de sódio e íons cálcio e fosfato. 
Além da absorção, esse trecho é responsável, também, pela excreção, uma vez que 
as substâncias que não são absorvidas continuam no filtrado para serem eliminadas. 
Outra função do TCP é a secreção tubular, já que ele secreta creatinina (substância 
utilizada para a avaliação da função renal) e substância estranha ao organismo (ácido 
úrico e paraaminohipúrico [PAH] e penincilina), retirando-as do interstício renal. 
Como característica desse trecho do néfron, as células são mais largas e mais 
altas em virtude da presença da borda em escova, além de serem mais acidófila 
devido à quantidade elevada de mitocôndrias no citoplasma, já que a célula necessita 
de muita energia para realizar o transporte ativo (do lúmen desse túbulo para a 
circulação peritubular) promovido pelas bombas iônicas presentes na superfície. Além 
da porção apical, essas células apresentam invaginações na porção basal. Essa 
porção do néfron é responsável por absorver 100% da glicose e dos aminoácidos (por 
meio do transporte ativo) do filtrado glomerular, além de 70% da água (por meio do 
transporte passivo), bicarbonato e do cloreto de sódio (através do transporte ativo), por 
fim, as proteínas com peso molecular menor que 70KDa (através de pinocitose) e os 
íons cálcio e fosfato. 
A coloração mais avermelhada é uma das formas de distinção dos túbulos 
contorcidos proximais e distais, já que os distais apresentam menos mitocôndrias e, 
por isso, são menos corados. Outra maneira de diferenciar esses dois túbulos é pelo 
lúmen: o proximal apresenta um lúmen estreito, muitas vezes imperceptível na 
microscopia, justamente pela presença dos microvilos, ao passo que o lúmen do distal 
é mais dilatado, já que essa estrutura não apresenta essa especialização apical. 
 Figura 7: MICROSCOPIA DO TÚBULO CONTORCIDO PROXIMAL 
 
 Fonte: http://danielemalikoski.blogspot.com.br/2013/11/sistema-urinario.html (Acesso: 25/03/2018) 
 
6) Alça de Henle 
Estrutura continuada com o túbulo contorcido proximal, a Alça de Henle apresenta 
um segmento espesso descendente e depois delgado descendente, posteriormente, 
passará a ser um segmento ascendente delgado e, por último, espesso ascendente, 
desembocando no túbulo contorcido distal. 
É caracterizado como estrutura em forma de “U”, sendo a porção espessa 
semelhante ao túbulo contorcido distal, pois é classificado como tecido epitelial de 
revestimento simples cúbico, enquanto a porção delgada é classificada como 
tecido epitelial de revestimento simples pavimentoso, apresentando um lúmen 
maior do que a porção espessa. 
A função desse trecho é tornar a urina hipertônica, pois é absorvido do filtrado 
muito cloreto de sódio, consequentemente, muita água é absorvida de modo indireto. 
A urina hipertônica é a urina concentrada, ou seja, muito soluto e pouco solvente. Isso 
ocorre em virtude da permeabilidade à água nos segmentos delgado descendente e 
espesso descendente, contudo o ascendente inteiro é impermeável à água. Outro fato 
interessante da urina hipertônica é a reabsorção de NaCl faz com que a osmolaridade 
do interstício renal nas extremidades das pirâmides seja, aproximadamente, quatro 
vezes maior do que no sangue. 
 Figura 8: MICROSCOPIA DA REGIÃO MEDULAR DO RIM 
 
 Fonte: https://pt.slideshare.net/sekebela/rim-2248941/6 (Acesso: 25/03/2018) 
 
7) Túbulo Contorcido Distal 
Histologicamente é classificado como tecido epitelial de revestimento simples 
cúbico cujas células são menos coradas (menos acidófilas) em virtude de a 
concentração mitocondrial ser menor (presente nas projeções basolaterais), pois o 
processo de absorção nesse trecho é menos intenso, além de serem menores e mais 
numerosas do que no túbulo contorcido proximal. 
Como curiosidade, o TCD passa por entreas arteríolas aferentes e eferentes do 
mesmo néfron para depois desembocar nos túbulos coletores. A porção que está em 
contato com as duas arteríolas sofre uma modificação e passam a ser chamadas de 
mácula densa, as células passam a ser classificadas como cúbicas altas ou 
cilíndricas baixas. Essa estrutura é importante, porque as células são sensíveis ao 
conteúdo iônico do filtrado bem como ao volume de água dentro do túbulo. Após a 
análise do filtrado, a mácula pode ativar a liberação da renina na circulação. Essa 
enzima é sintetizada pelas células musculares lisas modificadas (chamadas de 
células justaglomerulares) presentes nas arteríolas, principalmente, eferentes. 
A principal função do túbulo contorcido distal é a troca iônica, ou seja, na 
presença do hormônio aldosterona cuja ação sistêmica será detalhada no item 
Aparelho Justaglomerular, mas de forma resumida, esse hormônio ocasiona a 
absorção intensa de sódio aumentando a pressão arterial, ao passo que há uma 
intensa eliminação de potássio. 
Além disso, esse trecho é responsável pela eliminação de íons hidrogênio e de 
amônia para a urina, tornando o rim um dos órgãos envolvidos no controle do 
equilíbrio ácido-básico do sangue. 
 
Figura 9: MICROSCOPIA DA REGIÃO CORTICAL DO RIM 
 
 Fonte: http://danielemalikoski.blogspot.com.br/2013/11/sistema-urinario.html (Acesso: 25/03/2018) 
 
8) Túbulos e Ductos Coletores 
Os túbulos coletores é a ligação entre o túbulo contorcido distal e o ducto coletor. 
A classificação histológica dos túbulos é tecido epitelial de revestimento simples 
cúbico. 
Os ductos coletores, por sua vez, desembocam no ápice das pirâmides renais, na 
poção medular do rim, em uma região chamada de papila renal. Eles apresentam 
trajeto retilíneo desde a porção cortical (raios medulares) até a papila renal. A 
classificação histológica dos ductos é tecido epitelial de revestimento simples 
cilíndrico. Um ducto é responsável por receber a urina de diversos néfrons, além de 
atuar na absorção de água. Na prática, podem ser reconhecidos por serem pouco 
corados e com o limite entre as células bem nítido. 
Figura 10: MICROSCOPIA DA REGIÃO MEDULAR DO RIM 
 
Fonte: http://danielemalikoski.blogspot.com.br/2013/11/sistema-urinario.html (Acesso: 25/03/2018) 
1: Ducto coletor / 2: Segmento delgado da Alça de Henle 
 
9) Aparelho Justaglomerular 
É a região que compreende a mácula densa, as células justaglomerulares e as 
células mesangiais extraglomerulares (isto é, não se encontram no interior do 
glomérulo), sendo que a função dessas últimas é pouco conhecida. 
As células justaglomerulares são células musculares lisas modificadas dos 
capilares desprovidos da lâmina elástica interna, as quais apresentam grânulos 
citoplasmáticos que participam da regulação da pressão do sangue através da 
capacidade de produzir renina. Essa enzima, de modo resumido, aumenta a pressão 
arterial, pois estimula a síntese na glândula suprarrenal e a liberação de aldosterona 
na circulação. 
O controle da pressão é realizado do seguinte modo: caso as células da mácula 
densa identificar uma queda na concentração de sódio no filtrado, a mácula estimula a 
liberação de renina na corrente sanguínea. Essa enzima converterá o 
angiotensinogênio (sintetizado no fígado) em angiotensina I, o qual será convertido em 
angiotensina II pela enzima ECA. A angiotensina II tem a capacidade de estimular a 
glândula adrenal a produzir o hormônio aldosterona cuja função é inibir a excreção de 
sódio nos rins. 
Em termos de pressão arterial, a hipotensão ocasiona em menos volume de 
filtrado, fazendo com que a mácula densa no túbulo contorcido distal estimule a 
liberação da renina que, no final do processo, liberará aldosterona. Esse hormônio 
inibe a excreção de sódio, consequentemente, retém mais líquido na circulação, 
acarretando o aumento da volemia e da pressão arterial. A angiotensina II, também 
auxilia no controle da pressão, por meio da sua ação no cérebro (ativação do centro 
da sede) e nos vasos sanguíneos (vasoconstrição), as quais somadas à ação da 
aldosterona aumentam a pressão arterial. 
Logo, é perceptível que o aparelho justaglomerular apresenta um desempenho 
importante no controle do equilíbrio hídrico e iônico do meio interno. 
Figura 11: DESENHO ESQUEMÁTICO DO APARELHO JUSTAGLOMERULAR 
 
Fonte: https://br.pinterest.com/pin/244672192233004674/visual-search/?x=18&y=13&w=530&h=398 
(Acesso 25/03/2018) 
 
Figura 12: DESENHO ESQUEMÁTICO DO SISTEMA RENINA-ANGIOTENSINA-ALDSTERONA 
 
Fonte: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Sistema_renina_angiotensina.png (Acesso 25/03/2018) 
 
10) Circulação Sanguínea 
A vascularização do rim começa no hilo com a artéria renal, a qual se ramifica, 
formando as artérias interlobares, localizadas entre as pirâmides renais. Estas 
também se ramificam, formando as artérias arciformes, localizadas na base das 
pirâmides cujo formato de arco deu origem ao seu nome. Após passar pela base e se 
dividir, novamente, as elas passam a ser chamadas de artérias interlobulares, 
encontradas entre os raios medulares na região cortical. Essas artérias se ramificam e 
formam as artérias aferentes dos glomérulos. Depois de mais uma ramificação 
passam a ser chamadas de arteríolas aferentes que se anastomosam e formam as 
arteríolas eferentes. Em uma última ramificação, tornam-se os capilares 
peritubulares. Esses vasos se confluem, originando as veias estreadas, localizadas 
na porção superficial do córtex renal, posterior a isso, elas se unem para formar as 
veias interlobulares, depois as veias arciformes, em seguida tornam-se as veias 
interlobares e, por último, veia renal. Essa é a vascularização detalhada dos néfrons 
corticais. 
 Existe uma peculiaridade na circulação sanguínea dos néfrons 
justaglomerulares, os quais apresentam a circulação igual à citada acima até as 
arteríolas eferentes, essas se ramificam, formando os vasos retos cujo endotélio do 
ramo descendente é contínuo, enquanto o ramo ascendente é fenestrado. Outra 
particularidade desse vaso é que ele não contribui para a hipertonicidade da região 
medular, sendo responsável, somente, por sua nutrição e drenagem. Os vasos retos 
desembocaram na veia arciforme e, a partir disso volta a ser igual ao dos néfrons 
corticais. 
Figura 13: DESENHO ESQUEMÁTICO DA VASCULARIZAÇÃO RENAL 
 
Fonte: JUNQUEIRA, 12ª ed. 
 
11) Interstício Renal 
É o tecido conjuntivo cujas células sintetizam prostaglandinas, prostaciclinas 
(quando encontradas na medula) e 85% da eritropoietina (EPO) do organismo (quando 
encontradas no córtex). Isso quer dizer que, caso haja quaisquer danos no rim, seja 
por Insuficiência Renal seja por destruição de partes do órgão, o indivíduo apresentará 
um quadro grave de anemia, pois a EPO é a responsável pela produção das hemácias 
na medula óssea. Os outros 15% de EPO são produzidos no fígado. 
O interstício pode ser encontrado nos espaços entre os néfrons, os túbulos e 
ductos coletores, bem como entre os vasos sanguíneos e linfáticos. Além disso, há 
uma diferença na concentração entre as regiões do rim, sendo escasso no córtex e 
abundante na medula. 
A composição do tecido conjuntivo do interstício é fibroblastos, algumas fibras 
colágenas e, principalmente na medula, uma substância fundamental amorfa muito 
hidratada e rica em proteoglicanos. 
 
12) Bexiga e Vias Urinárias 
A urina, depois de ser formada nos néfrons, será transportada até a pélvis renal 
através dos túbulos e ductos coletores. Na região do hilo, a excreta é direcionada até a 
bexiga pelos ureteres, sendo eliminada através da uretra. 
As vias urinárias assim como a bexiga apresentam a funçãode conduzir e 
armazenar temporariamente a urina até ela ser eliminada. Os ureteres e a bexiga 
possuem a estrutura muito semelhante, mas a constituição histológica é a mesma, ou 
seja, ambos apresentam uma mucosa (camada mais interna que reveste o órgão) 
formada por tecido epitelial de revestimento estratificado de transição e uma 
lâmina própria de tecido conjuntivo denso e frouxo, seguida de uma camada 
muscular composta por camadas de tecido muscular liso e, mais externamente, uma 
camada de túnica adventícia. 
A diferença consiste no diâmetro do lúmen, o qual é menor e estrelado na uretra, 
enquanto é maior e com formato de vesículas fusiformes na bexiga vazia ou lúmen 
mais retilíneo quando ela está cheia. Outra diferença entre esses órgãos consiste na 
quantidade de camadas da musculatura lisa que, no ureter, são duas (longitudinal 
interna e circular externa), enquanto na bexiga são três camadas (circular média, 
oblíqua interna e longitudinal externa). Além disso, a musculatura da bexiga forma 
um esfíncter na divisa com a uretra a fim de controlar a micção, uma sobrecarga na 
região da pelve pode fazer com que o esfíncter não permaneça no local, ocasionando 
a micção involuntária, como nos casos de levantamento de peso e mulheres grávidas. 
Por último, a camada mais externa de todo o ureter é chamada de adventícia, ao 
passo que na bexiga essa camada é alterada na porção superior pela camada 
serosa, uma vez que essa região está em contato com o peritônio. 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 24: HISTOLOGIA COMPARATIVA DA BEXIGA (1) E DO URETER (2) 
 
Fonte: http://danielemalikoski.blogspot.com.br/2013/11/sistema-urinario.html (Acesso:26/03/2018) 
 
As células mais superficiais apresentam a membrana apical modificada para se 
tornar uma barreira osmótica, protegendo os fluidos corporais da urina, sendo o 
cerebrosídeo o principal lipídeo que compõe essa membrana. Além dessa 
especialidade, as células de transição apresentam um halo branco ao redor do núcleo 
cuja função é protegê-lo durante o achatamento das células na distensão tecidual. 
 
Figura 35: HISTOLOGIA COMPARATIVA DA BEXIGA CHEIA E VAZIA 
 
Fonte: http://histologiameduesb.blogspot.com.br/2015/09/bexiga-e-vias-urinarias.html (Acesso: 
26/03/2018) 
 
A uretra é o órgão que faz a ligação da bexiga com o meio externo, sendo o último 
órgão do sistema urinário. Existem diferenças entre as uretras masculina e feminina e, 
por essa razão, serão discutidas separadamente. 
A uretra masculina apresenta três regiões distintas: a prostática, a membranosa e 
a peniana, sendo que cada uma possui uma constituição histológica. A primeira é 
formada pelo tecido epitelial de revestimento estratificado de transição, ao passo 
que a segunda é constituída por tecido epitelial de revestimento 
pseudoestratificado, enquanto a última é formada por tecido epitelial de 
revestimento pseudoestratificado e simples pavimentoso. Já a uretra feminina é 
mais simples do que a masculina, pois apresenta apenas uma região, sendo 
semelhante à região peniana da masculina, ou seja, histologicamente é classificada 
como tecido epitelial de revestimento pseudoestratificado e simples 
pavimentoso. 
Figura 46: HISTOLOGIA URETRA MASCULINA 
 
Fonte: http://histologiameduesb.blogspot.com.br/2015/09/uretra.html (Acesso: 26/03/2018) 
 
 
 
Figura 57: HISTOLOGIA URETRA FEMININA 
 
Fonte: http://histologiameduesb.blogspot.com.br/2015/09/uretra.html (Acesso: 26/03/2018) 
 
A título de curiosidade, a uretra masculina participa tanto do sistema urinário 
quanto do sistema reprodutor, ao passo que a feminina é exclusiva do sistema 
urinário. Outro detalhe envolvendo a diferença entre essas estruturas é o tamanho e a 
propensão de se adquirir uma infecção urinária. Já que o uretra feminina é menor é 
mais comum esse tipo de infecção em mulheres, sendo que a microbiota nessa região 
é transitória, podendo se locomover até a bexiga e, às vezes, até os rins, 
apresentando um caso grave de infecção. 
 
13) Funcionamento Anormal dos Rins 
O funcionamento anormal do rim, geralmente, reduz a capacidade desse órgão de 
depuração/ purificação do sangue. Esse excesso de produtos/ metabólitos fica retido 
nos líquidos corporais, intoxicando o indivíduo, ocasionando um desequilíbrio entre a 
quantidade de água e de eletrólitos nesses fluidos. 
Um problema que esse órgão pode apresentar é o bloqueio renal que pode ser 
abrupto e total, como no caso de envenenamento por metais pesados (as células 
param de funcionar imediatamente após englobarem os metais), de entupimento dos 
túbulos renais por hemoglobina (após reação de transfusão) e de destruição dos 
túbulos (choque circulatório prolongado, acarretando em quadros de hipoxemia e 
morte celular). Em casos de bloqueio completo, a pessoa pode morrer dentro de 8 a 
14 dias. 
Uma enfermidade bem comum nesse órgão é o Cálculo Renal que a partir da 
filtração, os cristais podem se acumular em quaisquer das regiões tanto do néfron 
quanto do ducto coletor, sendo mais frequente na região da papila renal. Esse 
acúmulo pode se desprender da região indo em direção ao ureter e o paciente pode 
expelir. Alguns tratamentos visam à fragmentação desses cálculos por meio da 
inserção de uma sonda na uretra até o local e do disparo de laser contra essa 
obstrução, possibilitando a saída mais fácil. Há um fator genético que pré-dispõe o 
indivíduo a acumular esses cristais, somada à alimentação. 
 
Figura 68: EXEMPLOS DE LOCALIZAÇÃO DO CÁLCULO RENAL 
 
Fonte: https://www.fotosantesedepois.com/wp-content/uploads/2015/04/C%C3%A1lculo-renal.jpg 
(Acesso: 26/03/2018) 
 
Outra anormalidade é a perda de néfrons que pode ser progressiva e não ser 
observada pelo indivíduo, uma vez que existem milhares de néfrons dentro de um 
único rim. Essas estruturas não conseguem se regenerar, ou seja, uma vez 
destruídos, o organismo não consegue repor, logo, os néfrons remanescentes 
precisam trabalhar com certa sobrecarga, pois a circulação será redirecionada para 
eles, fazendo com que o volume sanguíneo recebido seja maior. Essa perda pode ser 
gerada a partir de infecções, traumas, anormalidades congênitas, envenenamento, 
toxicidade ou bloqueio dos vasos sanguíneos renais. Vale ressaltar que até dois terços 
dos néfrons podem ser destruídos que os rins ainda conseguem exercer sua função. 
Essa situação, com o passar dos anos, pode levar a um bloqueio renal. 
Uma patologia muito comum é a glomerulonefrite aguda ou crônica não é uma 
inflamação do glomérulo, mas sim uma consequência de inflamação em outra parte do 
corpo. As bactérias estreptocócicas ativam o sistema imunológico, gerando o 
complexo antígeno-anticorpo que é retido no glomérulo, gerando o processo infeccioso 
nessa área o que pode levar a obstrução dos glomérulos por proliferação celular. 
Lembrando que os glomérulos não obstruídos funcionam com sobrecarga e, por esse 
motivo, sua permeabilidade aumenta, permitindo a passagem de macromoléculas e 
alterando a filtração glomerular. Essa condição pode levar à falência completa ou 
insuficiência renal crônica a partir da deterioração contínua dos rins. 
De modo resumido, a glomerulonefrite pode ser descrita como alterações na 
membrana basal, ou seja, alterações na barreira de filtração. Essa doença permite que 
partículas se depositem na estrutura, aumentando a sua espessura, bem como 
permite o aumento das fenestra, ocasionando na expulsão de moléculas maiores 
como albumina (proteinúria) e hemácia (hematúria) para o espaço capsular. 
 
Figura 79: HISTOLOGIA COMPARADA DE UM RIM NORMAL (DIREITA) E UM RIM COM 
GLOMERULONEFRITE CRÔNICA 
 
Fonte: http://rins2010.blogspot.com.br/2010/03/(Acesso: 26/03/2018) 
 
Em casos de lesões renais graves, os metabólitos precisam ser retirados 
artificialmente da corrente sanguínea, processo conhecido por hemodiálise. O sangue 
é retirado do corpo, passa por um tubo, o qual contém um líquido dializador que 
apresenta uma constituição química própria para retirar os metabólitos da circulação. 
O sangue e o líquido são separados por uma membrana, na qual ocorre a mudança de 
substâncias do sangue para o dializador, sendo que o líquido é retido em um 
recipiente após a troca, enquanto o sangue desintoxicado retorna ao paciente. 
Contudo os efeitos colaterais desse procedimento são complicados, já que se utiliza 
heparina (anticoagulante) para evitar a coagulação do sangue no aparelho, 
intoxicando o paciente, além da abertura de fístulas onde as agulhas são inseridas. 
Por essas complicações, o transplante renal continua sendo o melhor tratamento para 
as doenças renais graves. 
 Figura 20: ESQUEMA DE UMA HEMODIÁLISE 
 
Fonte: https://ceticismo.net/2015/03/17/hemodialise-e-ciencia-de-foguetes-sim/ (Acesso: 26/03/2018) 
 
 
14) Histologia Aplicada 
 
a) Alguns estudos mostram que bebês que nascem abaixo do peso apresentam 
um número menor de néfrons e maiores volumes glomerulares, gerando um 
sistema de compensação. Contudo essa hiperfiltração é prejudicial como visto 
anteriormente. Algumas glomerulopatias geram o espessamento da membrana 
basal, como na diabetes e nas doenças auto-imunes, enquanto outras 
aumentam a permeabilidade dos capilares, permitindo a passagem de 
proteínas (proteinúria) e hemácias (hematúria); 
 
b) Hemorragias extensas, assim como quadros de hipotensão e desidratação 
ativam o sistema renina-angiotensina-aldosterona, acarretando no aumento da 
pressão arterial através do aumento da volemia.

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