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PROCESSOS DE USINAGEM DOS METAIS
1. Introdução
Usinagem é um processo de fabricação mecânica onde a peça
acabada é obtida através da retirada de cavacos (aparas de metal) de
uma peça bruta, através de ferramentas adequadas.
A usinagem confere à peça uma precisão dimensional e um
acabamento superficial que não podem ser obtidos por nenhum outro
processo de fabricação
É por este motivo que a maioria das peças, mesmo quando obtidas
através de outros processos, recebe seu formato final através de
usinagem.
É claro, entretanto, que quanto maior o grau de precisão exigido no
acabamento, mais sofisticado se torna o processo de usinagem e,
portanto, com maiores custos.
É possível executar-se a retirada de cavacos através de trabalho
manual (limagem, serragem, etc) ou por meio de trabalho mecânico
executado através de máquinas que usam ferramentas apropriadas
para a execução de cada etapa do processo de fabricação de uma
peça.
Essas máquinas são conhecidas como "Máquinas operatrizes" ou
"Máquinas-ferramentas" e podemos destacar como principais as
seguintes: tornos, fresas, furadeiras e retíficas.
2. Operação de torneamento.
Operações de torneamento são aquelas executadas através das
máquinas operatrizes denominadas "tornos mecânicos", nos quais a
retirada de cavaco da peça é executada por uma ou mais ferramentas
que possuem o movimento de avanço e translação, enquanto a peça
que se trabalha tem o movimento de rotação.
2.1. Operações fundamentais.
Obtêm-se diferentes formas de corpos de revolução mediante diversas operações de torneamento.
Podemos destacar como principais as seguintes:
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2.2. Tipos de tornos mecânicos.
Devido à variedade de peças que são torneadas, bem como das Operações que são executadas,
existe uma diversidade bastante grande de tipos e tamanhos de tornos disponíveis no mercado.
Como principais tipos poderíamos citar: horizontal ou universal, de placa, vertical, revólver, copiador,
automático, automático com CNC e especiais.
2.3. Movimentos para obtenção de uma peça no torno
O movimento de rotação da peça a trabalhar designa-se como movimento principal de corte
O movimento longitudinal da ferramenta que causa a retirada progressiva e uniforme do cavaco é
conhecido pelo nome de avanço.
A ferramenta é graduada para uma determinada profundidade ou espessura de cavaco. Este
movimento é chamado de penetração.
2.4. Torno mecânico universal (horizontal)
O torno universal é o mais conhecido e o mais usado, principalmente devido a sua versatilidade, que
permite trabalhar os mais variados tipos de peças. Entretanto, não é um torno recomendado para
grande produção em série, pois seu trabalho é lento quando comparado, por exemplo, com tornos
revólver ou automáticos.
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2.4.1. Partes principais do torno mecânico universal
Cabeçote fixo
No cabeçote fixo está montada a árvore principal
ou de trabalho, por meio da qual a peça recebe o
movimento de rotação. Esta árvore gira apoiada
em mancais (de escorregamento ou de
rolamento) e é feita dos melhores aços. A maioria
das vezes, é uma árvore furada através da qual
se pode, por exemplo, passar uma barra que
será trabalhada no torno.
As partes da árvore que se apoiam nos mancais
são temperadas e retificadas.
A árvore deve girar nos mancais sem folga. Caso
exista folga, aparecerão marcas indesejáveis
deixadas pela ferramenta na peça, como
conseqüência da vibração transmitida pela árvore. Além disso, as peças com forma de corpos de
revolução podem não ficar perfeitamente redondas. A ponta externa da árvore está dotada duma
rosca que serve para fixação de dispositivos.
A árvore principal recebe o seu acionamento através da caixa de velocidades principal, a qual pode
trabalhar através de um cone de polias ou através de engrenagem, como mostram as figuras abaixo:
Movimento principal obtido através de "cone de polias"
Transmissão por caixa de engrenagem com 6 velocidades
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Caixa de mecanismos de avanço (Caixa Norton)
Para que a ferramenta sofra um movimento de avanço, é necessário o deslocamento longitudinal do
carro principal do torno. Isto pode se dar através de comando manual ou automático. O comando
automático acontece com o acoplamento de mecanismos do carro à vara ou ao fuso que estão
animados de movimento circular (vide desenho de conjunto do torno universal).
Os movimentos circulares da vara e do fuso são obtidos através da caixa de mecanismos de avanço a
qual, por sua vez, obtém sua força motora por intermédio da caixa de velocidades principal.
A caixa de mecanismos mais conhecida é a "caixa Norton" (vide figura).
Mecanismo de inversão do sentido de rotação da vara e do fuso
A fim de que o carro principal do torno possa
deslocar-se, tanto da esquerda para a direita,
como em sentido inverso, é necessário que o
fuso e a vara possuam um mecanismo de
reversão de rotações acoplado à caixa de
avanços.
Um exemplo deste mecanismo pode ser visto
na figura ao lado onde, por deslocamento da
alavanca X, a engrenagem b muda seu sentido
de rotação.
O carro e seus mecanismos
O carro que apoia-se sobre o barramento do torno é chamado de carro principal ou longitudinal. Ele
oferece apoio à ferramenta e proporciona os movimentos de avanço e penetração.
Além do carro longitudinal, que apoia-se sobre o barramento, e ao qual está ligado o avental, que é
atravessado pelo fuso e pela vara; existem, também, o carro transversal sobre o qual está montado o
limbo graduado; e o carro superior, onde estão montados a espera e o porta-ferramentas.
Os carros devem mover-se nas guias respectivas sem folga alguma.
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a) carro principal ou
longitudinal
b) carro transversal
c) carro superior
(espera)
d) porta ferramenta
e) avental
Os carros longitudinal e transversal podem ser deslocados através de comando manual ou por meio
do fuso ou da vara acionados pela caixa de avanços.
Avental
O mecanismo de engrenagens incorporado no avental do carro longitudinal tem a missão de
transformar o movimento de rotação do fuso ou da vara em movimento longitudinal ou transversal,
além de permitir estes movimentos através de manivelas externas.
Embora o carro possa avançar por meio do fuso, isto só deve ser feito para execução de rosca, para
evitar-se desgaste e perda de precisão. O avanço para outros tipos de trabalho deve ser dado pela
vara.
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Carro sendo conduzido através do comando manual pelo engate do pinhão na cremalheira
Carro sendo conduzido pelo fuso através da porca bi-partida
Movimento automático dos carros longitudinal e transversal, respectivamente.
Cabeçote móvel
A base e o corpo do cabeçote são fixos
às guias do barramento por um
parafuso de fixação. Com esse
parafuso frouxo, o cabeçote pode
mover-se nos dois sentidos ao longo do
barramento e ser fixado na posição
desejada. Soltando-se outro parafuso,
situado geralmente na parte de trás do
cabeçote, o corpo do cabeçote pode ter
um pequeno deslocamento transversal
ao barramento. Isso permite a usinagem de peças com pequena conicidade.
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BarramentoO barramento suporta
todas as partes principais
do torno. É sobre ele que
deslocam-se o carro
longitudinal e o cabeçote
móvel.
As guias prismáticas em
"V" tem sido as mais
utilizadas, pois são as
mais precisas e que
resistem melhor.
O cabeçote móvel é
montado sobre as guias
interiores (2 e 3); o carro é
montado nas guias
externas (1 e 4).
Placas:
Placa de arrasto
É uma placa simples, provida de rasgo no qual é introduzida o grampo "cavalinho", que torna a peça
solidária à arvore de trabalho, transmitindo seu movimento de rotação.
Placa lisa
A placa lisa fornece uma superfície plana, para
apoio de peças de formatos irregulares.
A placa lisa tem várias ranhuras que permitem a
utilização de parafusos para fixar a peça.
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Placa de castanhas independentes
Este tipo de placa permite fixar firmemente peças de qualquer forma e centrar com precisão qualquer
ponto da peça.
As castanhas podem ser retiradas e colocadas em posição inversa, permitindo centrar pela parte
interna peças com furos.
Placa universal
Neste tipo, as castanhas
movem-se
simultaneamente pela
ação de chave introduzida
em um dos furos
existentes.
Estas placas servem para
fixar peças de seção
circular ou poligonal
regular, podendo centrar a
peça com uma
excentricidade de 0,07
mm. Ela é comumente
usada para o torneamento
de peças curtas que,
seguras por ela,
dispensam o uso da contra
ponta do cabeçote móvel.
Elas são equipadas com
dois jogos de castanhas,
um para prender a peça
por fora e o outro por
dentro.
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2.5. Ferramentas para o torneamento
Para um bom torneamento é necessário que se tenha a ferramenta com o formato apropriado, feita do
material adequado, com o gume de corte afiado e bem apoiada para evitar-se vibrações.
O material tem de possuir as seguintes propriedades:
Dureza, tenacidade, dureza às temperaturas elevadas e resistência ao desgaste.
a) ferramenta comum de aço
ferramenta ou aço de corte
rápido
b) ferramenta com pastilha
de metal duro, soldada
c) diamante com suporte.
2.5.1. Materiais mais usados para a confecção de ferramentas
- Aço ferramenta ao carbono (0,5 a 1,5% C).
A uma temperatura de 250oC já perde sua dureza, o que o torna proibitivo para grandes velocidades
de corte. (V < 25m/min)
- Aço ferramenta ligado
Contém além do carbono, tungstênio, vanádio, cromo, molibdênio, etc. É conhecido por aço rápido,
possuindo alta resistência ao desgaste e perdendo sua dureza somente a 600oC. É de alto custo e,
normalmente, somente a parte cortante da ferramenta é feita desse aço ("bit") ou "pastilha", que pode
ser montada ou soldada em um cabo.
- Metais duros ou carbonetos sinterizados
Os componentes principais são o tungstênio e o cobalto, podendo também estar presentes o titânio, o
tântalo e o nióbio.
O metal duro também é de custo elevado sendo, portanto, produzido em pastilhas que, montadas a
um cabo (soldadas ou aparafusadas), podem trabalhar em temperaturas de até 900oC, em altas
velocidades de corte, dando um ótimo acabamento à superfície torneada.
- Diamantes
São muito duros e resistentes ao desgaste. São utilizados para trabalhos de alta precisão em
máquinas especiais.
- Materiais cerâmicos
Possuem alta dureza e são também produzidos em forma de pastilhas, sendo usados para o
torneamento de metais bastante duros, tais como o ferro fundido, em altas velocidades de corte.
Mantém a dureza em temperaturas de até 1600oC.
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2.5.2. Ângulos e arestas da ferramenta
A forma fundamental de todas as ferramentas para retirada de cavaco é a cunha.
Por gume ou corte, designa-se a linha de interseção das faces da cunha.
α = ângulo de incidência ou
folga
ß = ângulo de corte ou da
cunha
γ = ângulo de saída
g = gume principal (aresta
principal)
h = gume secundário
(aresta secundária)
Ângulo de incidência (α)
A função do ângulo de incidência é evitar o atrito entre a peça e o flanco da ferramenta e permitir que
o gume penetre no material e corte livremente. Quando este ângulo não é grande o suficiente, a
ferramenta perde o corte rapidamente é há um sobre-aquecimento da mesma devido ao atrito com a
peça.
Ângulo de cunha (β)
A função do ângulo de cunha é prover a ferramenta de resistência mecânica suficiente para resistir ao
momento dado pela rotação da peça, sem se deformar ou romper.
Ângulo de saída do cavaco (γ)
Sua função é facilitar a saída do cavaco. É muito importante, influindo na força e na potência
necessárias ao corte, no acabamento obtido e no calor gerado.
Valores usuais para os ângulos de ferramentas de torno
aço rápido material a ser usinado metal duro
α β γ α β γ
8 68 14 aço sem liga c/ resistência até 70 kgf/mm² 5 75 10
8 72 10 aço fundido c/ resistência até 50 kgf/mm² 5 79 6
8 68 14 aço ligado c/ resistência até 85 kgf/mm² 5 75 10
8 72 10 aço ligado c/ resistência até100 kgf/mm² 5 77 8
8 72 10 ferro fundido maleável 5 75 10
8 82 0 ferro fundido cinzento 5 85 0
8 64 18 cobre 8 64 18
8 82 0 latão / bronze 5 79 6
12 48 30 alumínio 12 48 30
12 64 14 ligas de alumínio para fundir 12 60 18
8 76 6 ligas de magnésio 5 79 6
12 64 14 baquelite 12 64 14
12 68 10 papel endurecido com resinas 12 68 10
porcelana 5 85 0
α
γ
β α
β
γ
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2.5.2. Quebra-cavacos
Os cavacos contínuos formados na usinagem de materiais de alta ductilidade apresentam os
seguintes problemas:
a) São afiados e quentes, podendo ferir o operador.
b) No caso de serem empregadas máquinas de alta velocidade,em pouco tempo o cavaco estará
ocupando todo espaço disponível, inclusive podendo interferir na usinagem.
Há, portanto, necessidade das ferramentas serem equipadas com quebra-cavacos.
A função destes é quebrar os cavacos em pequenos pedaços através de seu dobramento até que o
limite de ruptura do material seja atingido.
Uma das formas de se obter isto é empregando um ângulo negativo de saída na ferramenta, a outra
consiste de um rebaixo no topo da ferramenta, conforme figura acima. No caso de pastilhas fixadas
mecanicamente, o próprio sujeitador da pastilha pode ser adaptado à função de quebra-cavacos.
2.5.3. Tipos de ferramentas de corte
Cada tipo de trabalho exige um respectivo tipo de ferramenta. Deste modo, temos ferramentas
específicas para desbastar, acabar, facear, rosquear, etc.
- Ferramentas de desbaste
O desbastar é a operação em que há uma grande
retirada de cavaco em curto espaço de tempo.
Por este motivo, devem ser de construção
robusta.
Conforme a posição do gume principal, a
ferramenta é designada por direita ou esquerda.
Ferramenta direita é aquela que corta da direita
para a esquerda (a e c).
Ferramenta esquerda é aquela que avança da
esquerda para a direita (b e d)
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- Ferramentas de acabamento
Ao tornear-se uma peça, deixa-se algum sobremetal após o desbaste, para o acabamento fino. Por
meio de ferramentas de acabar consegue-se uma superfície de bom acabamento. Normalmente a
ferramenta de acabar tem o gume arredondado, embora também exista com gume largo (vide figura
abaixo)
Ferramentas de Facear
São usadas para tornear faces, reentrâncias
ou saliências de cantos vivos.
A ferramenta de facear deve mover-se no
sentido do eixoda peça para a periferia.
Ferramentas de sangrar (bedame)
Usada para abrir ranhuras ou para o corte.
Ferramentas de perfilar e de rosquear
As ferramentas de perfilar são
especiais, tendo o gume de corte o
formato do perfil que se quer obter.
A ferramenta de abrir roscas possui
a ponta com a forma do filete a ser
cortado.
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Ferramentas de broquear
Usadas para o corte interno
(alargamento de furos)
Bits
Devido ao custo elevado dos aços usados na fabricação de ferramentas, é usual a montagem de
"bits" (que são a parte cortante da ferramenta com pequeno prolongamento) em suportes adequados
para serem colocados nos porta-ferramentas dos tornos.
2.6. Velocidade de corte
É a velocidade com a qual se dá a retirada do cavaco. Normalmente, ela é expressa em [m/min]
V
d n
. .
1000
Onde:
d = diâmetro da peça [mm]
n = número de rotações da peça por
minuto [rpm]
2.7. Avanço e profundidade de corte
Para um bom rendimento no torno, necessitamos ter, além de uma velocidade de corte adequada, de
um avanço e uma profundidade (espessura de cavaco) corretos.
Avanço é o espaço longitudinal percorrido pela ferramenta durante uma volta da peça. É expresso em
[mm / rotação]
Profundidade é o espaço transversal que a ferramenta percorre ao ser regulada para dar um
determinado passe na peça. É dado em [mm].
A relação entre avanço e profundidade deve variar entre 1 : 5 a 1 : 10.
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2.8. Tipos de cavaco
a) Cavaco arrancado (quebradiço): típico de materiais frágeis como o ferro fundido e o bronze.
b) Cavaco cortado: típico de materiais dúcteis como o aço, quando cortados à baixa velocidade.
c) Cavaco plástico: típico de materiais dúcteis e alta velocidade de corte.
2.9. Exemplo de trabalhos de torneamento
Dar a seqüência de operações (folha de processo) para a fabricação da peça abaixo, partindo-se de
um tarugo de 34 x 65 mm.
Folha de Processos
Fase do Trabalho Ferramenta
1) Fixação do tarugo no torno Placa Universal
2) Torneamento da face de topo Ferram. de facear
3) Desbaste Ferram. de desbastar
4) Acabar e rebarbar Ferram. de acabar de ponta redonda e de ponta chata
5) Sangrar Ferram. de sangrar
6) Torneamento da 2ª. face e rebarbamento Ferram. de facear e Ferram. de acabar de ponta chata
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2.10. Outros tipos de tornos
2.10.1. O torno revólver
Num torno
universal normal é
muito demorada a
troca de
ferramentas, bem
como a inversão
de peças.
Para a produção
em série, é muito
mais adequado o
torno revólver.
Neste tipo de
torno, todas as
ferramentas
necessárias para o
torneamento são
fixadas na torre
revólver (castelo)
ou nos carros
anterior e
posterior.
Guiando-se a torre
revólver, as
ferramentas atuam
na peça, uma
após a outra.
O torno revólver
possibilita a
usinagem de
várias peças
iguais, de maneira
idêntica, usando-
se uma série de
ferramentas que
serão aplicadas
sucessivamente,
sem remoção da
peça e sem
alteração da
colocação da
ferramenta.
Normalmente, os tornos revólver são projetados para um determinado no de ferramentas que varia de
4 a 12.
Os tornos revólver são semelhantes aos tornos comuns, com a diferença do barramento que é mais
curto e apresenta o castelo ou torre revólver porta-ferramenta e não possui cabeçote móvel.
Normalmente, as mudanças de posição das ferramentas são automáticos, enquanto que o avanço
pode realizar-se automaticamente por meio de um fuso ou ser controlado manualmente.
tipo torpedo tipo sela
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2.10.2. Torno de Placa
É um torno usado para usinar
peças de grandes diâmetros e
pequena espessura, tais como
rodas, volantes, etc.
Por este motivo existe um vão,
conhecido como cava, em frente ao
carro, para permitir a colocação de
peças de grande diâmetro.
2.10.3. Torno Vertical
É semelhante ao torno
horizontal, diferindo apenas
na posição da árvore de
trabalho que está na vertical
e por não possuir cabeçote
móvel.
A peça a ser torneada é
fixada na placa vertical, o
que exige menor esforço e
facilita a centragem de
peças de grande peso.
A saída do cavaco é
dificultada mas, em
compensação, não cai
sobre o barramento o que,
em tornos horizontais, pode
provocar desgastes
prematuros, quando preso
entre o carro e a guia do
barramento.
Os tornos verticais podem
ser do tipo revólver, como
mostra a figura.
Uma outra grande vantagem
do torno vertical é ao
trabalhar peças grandes, de formato irregular que, no caso de serem trabalhadas em torno horizontal,
necessitam a colocação de contrapesos para evitar o desbalanceamento e, por conseguinte,
vibrações.
O torno vertical geralmente trabalha com baixas velocidades de corte, grande seção de cavaco e com
várias ferramentas atuando simultaneamente.
2.10.4. Tornos Automáticos
Nos tornos automáticos a peça em bruto, geralmente em forma de barra, é introduzida pela árvore
furada do cabeçote fixo e fixada mediante um dispositivo.
O torno irá automaticamente executar o torneamento da peça após o que a barra avançará, sempre
automaticamente, pelo furo da árvore e uma nova peça será executada. Assim prosseguirá
sucessivamente até o término da barra.
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Todos os movimentos, tais como o avanço e o recuo do carro, a mudança de posição da torre
revólver, o soltar, o avançar e o fixar de novo a barra, efetuam-se automaticamente.
Um único operador pode, por esta razão, cuidar de várias máquinas ao mesmo tempo.
2.10.5. Torno Copiador
Por meio de torneamento por chapelona em tornos copiador, pode obter-se com rapidez e precisão
peças em série.
Um apalpador ou guia de contato desloca-se ao longo duma peça (chapelona) que serve de modelo.
Ao apalpador está ligada a ferramenta de corte que, ao acompanhar o movimento descrito pelo
apalpador, reproduz o modelo com fidelidade absoluta. Os tornos copiadores podem ser considerados
como tornos semi-automáticos.
O torno copiador é empregado, geralmente, para a produção em série de perfis cônicos, esféricos ou
complicados.
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2.Componentes usados na automatização de máquinas-ferramentas
2.1. Introdução
No desenvolvimento histórico das máquinas-ferramentas sempre se procurou soluções que
permitissem aumentar a produtividade, com a máxima qualidade e o mínimo custo.
A evolução dos tornos, fresas, furadeiras, retíficas, etc iniciou-se pela automação mecânica e elétrica,
com o emprego principalmente de eixos com cames, engrenagens e reles, nos idos da década de 50.
Em paralelo a esse desenvolvimento houve grandes progressos na área de materiais, inclusive os
usados para a confecção de ferramentas de corte. A essas exigências foram agregadas outras, tais
como a fabricação de lotes reduzidos e o sincronismo com outras unidades produtivas, surgidas com
o advento da teoria da produção puxada e da distribuição das máquinas em células de produção.
Assim, partimos do aço rápido, passamos pelas ligas de metal duro e chegamos aos modernos
insertos de cerâmica, que cada vez mais dominam o mercado. A par disso, novas condições de
precisão dimensional, acabamento, prazos e preços passaram a ser impostas pelo mercado.
Assim aquelas máquinas que apresentavam alta complexidade, grandes restriçõesde programação e
manutenção cara e constante passaram a não mais atender os desejos dos clientes.
A partir da década de 80, com a evolução acelerada da eletrônica, principalmente da ciência da
computação, começou uma nova era para a automação industrial. Em particular, para as máquinas-
ferramentas, marcou o início da fabricação das máquinas com comando numérico (C N) que,
literalmente, significa ser comandada através de números e se traduzia na época em controlar o
movimento de seus eixos posicionadores por dados introduzidos por via eletrônica.
Essa idéia, a princípio simples, veio evoluindo até os nossos dias sendo que hoje o chamado C N C -
CONTROLE NUMÉRICO COMPUTADORIZADO faz todo o controle,supervisão e diagnóstico da
máquina, além de permitir a interação da mesma com computadores que estabelecem seus
programas e sincronizam sua produção com as demais unidades produtivas da fábrica, permitindo
assim uma produção totalmente automatizada.
Antes de prosseguirmos, vamos definir o que se entende por C N C: Podemos definir Comando
Numérico Computadorizado, como sendo um equipamento eletrônico capaz de receber informações
através de entrada própria de dados, compilar as mesmas e transmití-las, em forma de comando à
máquina, de modo que esta, sem a intervenção do operador, realize as operações na seqüência
programada. A par disso, ele faz total gerenciamento de toda as funções importantes da máquina,
num sistema de malha fechada.
2.2. Principais itens comandados das máquinas-ferramentas.
Os principais itens gerenciados pelo C N C são os seguintes:
Eixos de avanço,
Acionamentos de avanço,
Árvore principal,
Meios de fixação da peça,
Dispositivos de troca de ferramentas,
Torre porta-ferramentas,
Fluido de lubrificação e refrigeração,
Motores (velocidades de corte e avanço),
Temperaturas críticas,
Cargas (torques) e
Ferramentas (desgaste).
2.3. Componentes básicos ligados ao sistema de automação
Para que uma máquina possa obedecer, de forma eficiente, ao comando CNC várias modificações,
de origem mecânica e elétrica, foram feitas.
A seguir descrevemos algumas das principais:
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Motores de corrente contínua
São usados para o acionamento do avanço, sendo regulados por um circuito de potência e podendo
acionar ou frear em ambas as direções de movimento.
É importante lembrar que os movimentos dos fusos da máquina devem ser realizados sem ter a
influência de forças atuantes. Neste caso é importante uma alta rigidez da máquina. Além do mais, os
acionamentos de avanço devem satisfazer às exigências a respeito da uniformidade dos movimentos
e da rapidez de reação na alteração da velocidade.
Motores passo a passo
São também utilizados nos acionamentos de avanço.
Eles têm a capacidade de subdividir uma rotação em passos fixos (até 48), que através de impulsos
do comando podem ser realizados em qualquer número desejado.
Para altas velocidades de usinagem há necessidade de um torque elevado na partida e na frenagem,
não sendo possível manter-se com segurança o número exato de passos. Assim a sua aplicação fica
limitada a pequenos torques.
Servo-Motor
Esse motor, pelas características de trabalhar com alto torque e baixa rotação, vem sendo largamente
usado para os movimentos de avanço.
O servo-motor deve ser comandado por um módulo de regulação(servo drive), que converte os sinais
eletrônicos recebidos do comando em energia para o movimento do motor.
Eles apresentam alta resolução e elevado grau de posicionamento e repetibilidade, através do ciclo
interno de regulação do acionamento, com resolução de até 1/2.000.000 de rotação.
Os transdutores lineares de posição (sensores) usados em conjunto com esses motores podem
indicar o posicionamento dos eixos controlados com precisão de até 0,002 mm.
A interface de regulação, com comunicação em tempo real, trabalhando em conjunto com
transdutores que podem medir não só a posição dos eixos mas também a rotação do motor
(tacômetros), bem como controlar a velocidade e a posição através de um sistema de interpolação
fina.
Motores assíncronos,sem escovas, C.A.
Esses motores são usados para movimentar a árvore principal da máquina que realiza o movimento
principal de corte, através da rotação da peça ou da ferramenta.
São motores de alta potência e alta velocidade, controlados por microprocessadores que, em conjunto
com transdutores incrementais e interface de programação pode ter comandado os seguintes
parâmetros: velocidade, carga,temperatura, potência e posição alcançada.
A nova concepção desse motor é o motor compacto, com refrigeração forçada,que é montado
diretamente na árvore de comando da máquina, evitando todo o sistema de transmissão.
Transmissão por eixo de esferas recirculantes
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Essa transmissão é composta de um fuso e uma porca de esferas, sendo garantida uma transferência
de força, isenta de atritos e com grande precisão, além de minimizar os desgastes. O rendimento
mecânico, nesse caso, é da ordem de 98%.
O seu funcionamento é dado pelo movimento de rotação do fuso, movendo assim a porca no sentido
longitudinal, fazendo deslizar o carro correspondente ao longo das guias da máquina, com a máxima
rigidez e suavidade.
Transdutores (sensores)
São responsáveis pelas medições micrométricas do posicionamento dos eixos ou do posicionamento
angular nos eixos.
O funcionamento desses sistemas de medição está baseado na leitura ótica de uma escala de
medição. Essa medição pode ser linear ou rotativa e pode ser feita de maneira direta ou indireta. A
medição direta de posicionamento é feita medindo-se de avanço dos carros, independentemente do
movimento dos fusos . Já a indireta é feita através da medição da rotação dos fusos. Além disso a
medição pode ser absoluta ou incremental. Na medição absoluta as medidas são feitas em relação a
um ponto “zero”, que é a referência da máquina . Na medição incremental as medidas são feitas
sempre em relação à posição anterior de origem.
Meios de fixação da peça de trabalho (efetuadores)
Nos tornos, em geral, é possível programar-se os movimentos de abertura e fechamento das pinças
ou castanhas que fixam as peças às placas..
A escolha da pressão de fixação deve ser feita de acordo com a rotação da árvore e do torque
transmitido.
Devido à força centrífuga nas castanhas é necessário aumentar-se a pressão de fixação, à medida
que a velocidade de rotação vai aumentando. Dependendo da rotação e do torque transmitido, o
processo de fixação pode ser pneumático ou hidráulico.
Sistema de troca de ferramentas (efetuadores)
Com o avanço das máquinas-ferramentas, cada vez mais são usados os “centros de usinagem”, que
são máquinas de alta capacidade e que podem executar a usinagem de determinada peça de ponta a
ponta, através da utilização de diversas ferramentas. Hoje existem centros de usinagem que podem
trocar até 48 ferramentas durante um processo de usinagem.
Os dispositivos de troca de ferramentas podem ser do tipo magazine porta- ferramentas ou do tipo
torre revólver.
Numa torre revólver, a troca significa o giro da torre até colocar a ferramenta desejada em posição de
trabalho. Esse comando pode ser elétrico ou hidráulico.
Num magazine a troca é realizada com um sistema de garras. Isto significa que a usinagem é
interrompida pelo programa e o trocador de ferramentas tira a nova ferramenta do magazine trocando-
a pela ferramenta que estava atuando.
Essa, por sua vez, é colocada de volta na respectiva posição do magazine.
A troca automática demora cerca de 1 segundo.
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Porta ferramentas
Para permitir um sistema de troca de ferramentas, o porta-ferramentasdeve ser padronizado, em
geral de acordo com as normas VDI, DIN ou ISO.
As medidas da ferramenta transmitidas à máquina pelo programa CN baseiam-se em um ponto de
referência definido no assento do porta ferramentas.
2.4. Elementos do comando CNC
A principal parte do comando CNC é constituído por um processador, no qual todos os cálculos e
combinações lógicas são efetuados.
O comando CNC representa um vínculo entre o operador e a máquina e, para isso, é necessário que
exista dois elementos de interfaceamento.
O primeiro é o elemento de interfaceamento para o operador, que é constituído pelo painel e diversas
conexões para a entrada de informações por disquetes, fitas perfuradas ou porta serial para
comunicação direta com o computador.
O segundo é o elemento de interfaceamento para máquina, que é constituído substancialmente por
um comando de interfaceamento CLP - Controlador Lógico Programado, pelo módulo de acionamento
do avanço dos eixos e por um circuito de potência
Com ponent es Bás ic os para Aut om at izaç ão
Cabeçote
Motor
principal
Comando
CNC
Tacômetro
Interfaceamento
de entrada
Comando
dos eixos
Fuso
Torre
Carro
Transdutor
Transdutor
Circuito de
potência
Servo motor
22
A entrada de dados no primeiro elemento de
interfaceamento pode ser feita de várias maneiras.
A forma mais completa é a elaboração de um
programa que tem início em um projeto elaborado
em CAD e processado em CAM ou através da
entrada digitalizada da cópia de um modelo, pela
varredura do mesmo com um sensor, seguindo-se
o processamento em CAM.
O programa processado poderá ser testado
através de softwares de simulação, havendo neste
caso necessidade de introduzir-se parâmetros
das ferramentas (medidas, tempo de utilização
etc) e da máquina (máxima rotação da árvore,
máximo avanço, máximo torque e graus de
liberdade dos eixos).
O programa pronto poderá ser introduzido no
painel da máquina, seja por disquetes ou fitas
perfuradas ou ainda pela entrada serial através de
ligação direta com o computador central.
O painel de comando CNC, por sua vez é
composto de vídeo, luzes de sinalização, botões
de operação que podem acionar manualmente
motores, deslocamentos de eixos, etc. e de elementos operacionais para programação que permitem
introduzir novos dados num programa ou ainda fazer-se correções. Para isto, existe no painel um
teclado de números, de letras e/ ou símbolos das funções de programação.
Comando CNC
Os comandos CNC são constituídos por um processador no qual existem microprocessadores e
memórias.
Nos microprocessadores são processados os dados do programa introduzidos na memória e, então,
transferidos `a máquina através de impulsos de comando.
Ao mesmo tempo, é feita uma interação entre os microprocessadores e o sistema de medição, para
verificar se o ponto atingido corresponde ao impulso emitido pelo comando, em um sistema de malha
fechada (comparação desejável/real).
Na realidade, o microprocessador lê uma informação de deslocamento do programa, calcula qual
deve ser o ponto atingido, liga o acionamento (atuador) necessário para o deslocamento, recebe a
informação do sistema de medição, compara esta posição com a desejada e continua atuando até
que a mesma tenha sido atingida.
Sistemas de medição
23
Interface comando - máquina
O processador de um comando CNC não pode executar diretamente as funções da máquina. Assim,
torna-se necessário transformar os impulsos entre o processador e a máquina através de um sistema
intermediário de interfaceamento. Esse sistema atua nas funções da máquina, de tal forma que todas
as condições necessárias da máquina, relativas ao impulso, sejam levadas em consideração. Por
exemplo: Porta da máquina fechada, pressão do óleo correta, pressão nas castanhas de aperto da
peça adequada, etc. Além disso, ativa outras funções secundárias relacionadas, tais como: lâmpadas
de controle, sinais sonoros, etc. Da mesma forma determina funções que não devem atuar
simultaneamente e que, portanto, devem permanecer desativadas.
No comando CNC existem dois módulos de interfaceamento com a máquina: um de baixa potência,
que comanda os eixos e o sistema de medição e, para acionar o motor principal, as bombas e
válvulas, que demandam maior potência elétrica que a gerada pelos impulsos de comando, existe um
módulo, chamado de circuito de potência, com a finalidade de ampliar e elevar a potência dos
impulsos elétricos.
3. Operação de fresamento
Através do fresamento podemos obter os mais diversos tipos de peças, com superfícies planas,
curvas, com entalhes, com dentes, etc, conforme os exemplos abaixo:
3.1. Movimentos para fresamento de uma peça
No fresamento, os cavacos são arrancados por meio da rotação de uma ferramenta multicortante,
conhecida por fresa, que é provida de arestas cortantes, dispostas simetricamente ao redor de um
eixo.
Método de Trabalho do Processador
Painel
Entrada
de dados
M
em
ór
ia
Comando CNC Máquina
Desejado
M
icr
o-
pr
oc
ess
ad
or
In
ter
fac
e
de
sa
ída
Atuadores
Sensores
Real
Desejado
24
A fresa possui o movimento de rotação e, cada aresta da ferramenta, como no caso das usadas para
o torneamento, possui um formato de cunha, o que facilita sua introdução no material a ser cortado.
Ao movimento de rotação da fresa dá-se o nome de movimento principal ou de corte.
Para obter-se a forma e dimensão desejada no corte, ainda é necessário um movimento retilíneo de
avanço, que normalmente é dado pela peça que se encontra fixada à mesa da máquina.
O movimento de penetração é o
responsável pela espessura do
cavaco e, normalmente também é
dado pela peça, ou seja, pela mesa
da fresadora.
Durante o fresamento, cada aresta
de corte da fresa está em contato
com a peça por apenas um curto
espaço de tempo. No resto do tempo
de rotação da ferramenta, a aresta
gira em vazio e pode ser refrigerada.
Portanto, a solicitação ou esforço a
que é submetida não é tão forte
como no caso do torno, onde a
aresta da ferramenta está cortando
continuamente.
3.2. Processos de fresamento
3.2.1. Fresamento tangencial
Neste caso, o eixo da fresa é paralelo à
superfície de trabalho da peça.
O cavaco produzido tem o formato de uma
vírgula.
No fresamento tangencial as fresas são ditas
cilíndricas ou tangenciais.
25
As fresas tangenciais ou cilíndricas podem operar segundo o fresamento concordante, quando o
sentido do movimento de avanço coincide com o sentido do movimento rotatório da fresa, ou através
de fresamento discordante, quando o movimento de avanço da peça é contrário ao sentido de rotação
da fresa.
O fresamento discordante é o processo mais antigo empregado com fresas cilíndricas. Neste caso, a
espessura de corte do cavaco aumenta progressivamente de zero a um valor máximo.
Inicialmente, há um forte atrito entre a ferramenta e a peça. Quando a pressão da aresta cortante
atinge um valor capaz de vencer a elasticidade do material, a mesma penetra na peça e retira uma
porção de cavaco em forma de vírgula. No fim da operação de cada dente há uma tendência de
levantamento da peça da mesa.
No fresamento concordante as arestas da fresa começam a retirada de cavaco, partindo do ponto de
maior espessura. A peça é fortemente comprimida contra a mesa e há o perigo da peça ser puxada
para debaixo da fresa, podendo sofrer avarias, tanto a peça como a ferramentae a máquina.
Portanto, para trabalhar-se neste sistema, é necessário que a máquina seja robusta e que não haja
folgas no fuso da mesa.
A utilização de ângulo de saída negativo e pastilhas de metal duro nas fresas cilíndricas, possibilita
em vários casos, principalmente para peças delgadas e para grandes profundidades de corte, o
emprego do movimento concordante, obtendo-se um ótimo acabamento superficial e maior produção.
Fresamento frontal ou de topo
Neste caso, o eixo da fresa fica perpendicular à superfície de trabalho e as arestas cortantes não são
somente as da periferia, mas também as de topo.
O cavaco é de espessura uniforme.
No fresamento tangencial, a fresadora suporta uma carga irregular em virtude da forma em vírgula
dos cavacos. É difícil evitar um reduzido impacto na periferia da fresa, cuja conseqüência é um sulco
ondulado que se forma na superfície fresada a cada rotação completa da fresa. Na fresa de topo,
cada dente arranca um cavaco de espessura uniforme. Por esta razão, a carga da fresadora é
uniforme.
O rendimento de corte do cavaco é em geral 15 a 20% mais elevado do que no caso do fresamento
tangencial. As superfícies obtidas por fresamento de topo são perfeitamente lisas, sem apresentar
pequenas ondulações.
26
3.3. Tipos de máquinas fresadoras
3.3.1. Fresadora horizontal
a) corpo da máquina b) árvore principal c) caixa de velocidades do movimento principal
d) caixa do avanço e) suporte móvel da mesa f) carro transversal g) mesa h) suporte da árvore
i) suporte auxiliar j) eixo extensível k) parafuso sem-fim
Esta máquina presta-se para toda espécie de trabalhos de fresamento. A sua característica principal
consiste no fato do mandril porta-ferramentas estar colocado horizontalmente.
O corpo da fresadora suporta a árvore principal disposta na horizontal, os mecanismos para
acionamento do movimento principal da árvore e do movimento de avanço da mesa.
A árvore principal gira apoiada em mancais de bronze ou rolamentos e é feita em aço liga,
devidamente retificado.
A caixa de velocidades que produz o movimento de rotação da árvore principal e, portanto, da
ferramenta, possui a possibilidade de fornecer várias velocidades através de mecanismos de polias
ou engrenagens, como acontece também nos tornos.
A peça a ser trabalhada é fixada sobre a mesa. Para poder aproximar - se a peça da fresa, o suporte
móvel da mesa é acionado, bem como o carro transversal e a mesa.
Estes movimentos são feitos através de acionamento manual. A mesa pode, além disso, deslocar-se
por meio do mecanismo de avanço. Este recebe seu acionamento diretamente da caixa de
velocidades ou por meio de um motor especial para este fim.
Para ligação do mecanismo de avanço com o fuso da mesa, utiliza-se um eixo extensível e um
mecanismo de parafuso sem fim.
A amplitude do avanço pode limitar-se por meio de "chaves fim de curso".
fixação da peça no torno e na fresadora
27
3.3.2. Fresadora vertical
Com esta máquina executam-se trabalhos de
fresamento frontal.
A árvore principal gira verticalmente no cabeçote
vertical. Este cabeçote é giratório, de tal maneira
que a árvore pode também tomar uma posição
inclinada. A caixa de velocidade e o mecanismo de
avanço assemelham-se ao de uma fresadora
horizontal.
3.3.3. Fresadora universal
A característica principal desta máquina é o fato de sua mesa poder ser girada para a direita ou para a
esquerda.
Por tal motivo, é possível a execução de trabalhos, tais como a fresagem de ranhuras helicoidais.
3.3.4. Fresadora paralela
Trata - se de uma
fresadora de
produção, que
trabalha com dois
cabeçotes frontais
ao mesmo tempo,
podendo fresar os
dois lados de
determinada peça
ao mesmo tempo
ou mais de uma
peça
simultaneamente.
Utilizada
principalmente
para o fresamento
de peças
pesadas.
28
3.3.5. Fresadora para superfícies planas
Usada para produção de superfícies
planas, com o uso de uma fresa
tangencial.
O cabeçote com a árvore principal pode
ser deslocado, aproximando-se ou
afastando-se da mesa.
3.4. Ferramentas de fresar
Material
As fresas são normalmente de aço de corte rápido ou usam pastilhas de metal duro ou ainda pastilhas
de cerâmica.
Os aços ferramenta só são utilizados para baixas velocidades de corte.
Ângulos da fresa e passo entre dentes
α =ângulo de incidência ou folga
β =ângulo de cunha
γ =ângulo de ataque ou saída
Quanto ao passo
a) Passo pequeno - é apropriado para o fresamento de aço duro.
b) Passo médio - conveniente para o fresamento de aço doce.
c) Passo grande - ideal para o fresamento de metais leves.
29
Disposição dos dentes
Nas fresas de dentes retos, as
arestas paralelas ao eixo da fresa
começam a cortar o metal de uma
só vez, com rendimento reduzido.
(a)
Fresas de dentes helicoidais são
mais produtivas e trabalham de
maneira mais silenciosa. Quando
uma aresta está saindo do
material, uma outra já começou a
cortar. O cavaco escoa para o
lado. (b)
As arestas helicoidais podem ter inclinação à direita ou à esquerda, dando lugar no arranque do
cavaco a uma força transversal na direção do eixo da fresa (força axial). Esta força deve ser dirigida
contra o cabeçote da fresadora pois, caso o contrário, o mandril porta-fresa da árvore poderia soltar-
se.
Tamanho das fresas
As fresas de
pequeno diâmetro
apresentam menor
percurso e
pequeno momento
de torção, mas têm
menos massa para
a troca de calor e
seus dentes são
menores.
30
Forma dos dentes
Os dentes podem ser fresados (ou agudos), detalonados (ou de perfil constante) e postiços.
Dentes fresados ou agudos:
É a forma mais comum e
mais simples de ser feita.
Como exemplo, podemos
citar o "dente de serra"
que apresenta a
desvantagem de ser
pouco resistente. As
afiações sucessivas
conduzem a uma variação
progressiva da forma dos
dentes e a uma vida
pequena para a
ferramenta.
De maneira geral, as
fresas com dentes agudos
prestam-se para serviços
de desbaste e
acabamento de superfícies planas.
Dentes detalonados:
É a forma empregada nas fresas de perfil.
Os dentes são afiados apenas na
superfície de saída, o que mantém sempre
o perfil original.
Dentes postiços:
É a solução mais econômica para fresas de
grande diâmetro. É o caso típico das fresas
frontais para faceamento.
As pastilhas são presas nos dentes por solda
ou parafusos.
31
Forma de fresas
32
4. Furação
A furação é um dos mais importantes processos de usinagem, visto que a grande maioria das peças é
dotadas de furos.
Para abertura destes furos são usadas, preferencialmente, as furadeiras, embora possam ser usadas
outras máquinas, tais como os tornos.
4.1. Movimentos para furação de uma peça
A ferramenta normalmente utilizada para a abertura de
furos é a broca helicoidal com duas arestas de corte. Para
que ela execute o corte, são necessários dois movimentos:
a) Movimento principal de corte- que é a rotação da broca
em torno de seu eixo.
Este movimento é que determina a velocidade de corte em
[m/min]
b) Movimento de avanço - que é o movimento longitudinal
da broca em direção à peça.
Este movimento é medido em [MM/rot.]
Mediante a combinação dos movimentos principal e de
avanço, cada aresta de corte descreve um movimento
helicoidal que dá origem à formação de um cavaco
contínuo.
4.2. Furadeiras e mandriladoras
Dependendo do tipo de furação exigida (dimensões, precisão, quantidade, acabamento), existe um
determinado modelo de furadeira mais adequada:
Furadeira manual
Pode ser elétrica ou pneumática; é ideal, pela sua versatilidade, para furação de pequenos diâmetros,
que não exijam grande precisão, em produção não seriada.
Furadeira de bancada
Tem este nome por ser colocada sobre a
bancada de trabalho. De pequena potência,
também é usada para pequenos diâmetros em
produção não seriada.
33
Furadeira de coluna
É o tipo mais usado de furadeira. Ela é fixada através
de uma base e possui uma mesa que pode deslocar-
se em altura, onde é fixada a peça a ser furada.
Possui várias velocidades e o avanço pode ser feito
manual ou automaticamente.
a) base
b) coluna
c) caixa de velocidades
d) árvore porta-brocas
e) acionamento do mecanismo de avanço
f) mesa
Caixa de velocidades e avanços:
a) engrenagens da caixa de velocidade para o
movimento principal
b) alavanca de engate
c) derivação para o movimento de avanço por meio de
coroa e sem-fim
d) engrenagens do sistema de avanço
e) coroa, sem-fim e cremalheira para produzir o
avanço
Furadeira de coluna, com carro móvel
Trata-se de uma máquina mais pesada, com uma coluna em
forma de caixa de alta rigidez.
Pelas guias da coluna, podem movimentar-se a mesa e o
carro porta-broca onde está alojado o mecanismo de avanço.
O movimento de avanço é realizado pelo carro, evitando que,
em furos profundos, a árvore principal fique com uma grande
parte em balanço, como ocorre com a furadeira de coluna
comum.
Portanto, esta furadeira é ideal para grandes diâmetros e para
furos profundos.
a) coluna com guias
b) carro porta-broca
34
Furadeira de precisão
Usada para furos com rigorosa distância entre centros
(até 0,001 mm). Sua mesa permite movimentação
longitudinal e transversal. Possui alta rigidez estrutural
e sua árvore está perfeitamente apoiada, não
havendo permissão para nenhuma folga. Usada em
ferramentaria.
Furadeiras em série
Montadas em série, com uma mesa
comum, são usadas para a realização
contínua de várias operações em uma
peça, tais como: furar, escarear e
alargar determinado furo.
Furadeira múltipla
Possui várias árvores que são acionadas em conjunto
podendo, portanto, executar vários furos ao mesmo
tempo. Ideal para produção em série.
35
Furadeira de coluna
É o tipo mais usado de furadeira. Ela é fixada através
de uma base e possui uma mesa que pode deslocar-
se em altura, onde é fixada a peça a ser furada.
Possui várias velocidades e o avanço pode ser feito
manual ou automaticamente.
a) base
b) coluna
c) caixa de velocidades
d) árvore porta-brocas
e) acionamento do mecanismo de avanço
f) mesa
Caixa de velocidades e avanços:
a) engrenagens da caixa de velocidade para o
movimento principal
b) alavanca de engate
c) derivação para o movimento de avanço por meio de
coroa e sem-fim
d) engrenagens do sistema de avanço
e) coroa, sem-fim e cremalheira para produzir o
avanço
Furadeira de coluna, com carro móvel
Trata-se de uma máquina mais pesada, com uma coluna em
forma de caixa de alta rigidez.
Pelas guias da coluna, podem movimentar-se a mesa e o
carro porta-broca onde está alojado o mecanismo de avanço.
O movimento de avanço é realizado pelo carro, evitando que,
em furos profundos, a árvore principal fique com uma grande
parte em balanço, como ocorre com a furadeira de coluna
comum.
Portanto, esta furadeira é ideal para grandes diâmetros e para
furos profundos.
a) coluna com guias
b) carro porta-broca
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Furadeira de precisão
Usada para furos com rigorosa distância entre centros
(até 0,001 mm). Sua mesa permite movimentação
longitudinal e transversal. Possui alta rigidez estrutural
e sua árvore está perfeitamente apoiada, não
havendo permissão para nenhuma folga. Usada em
ferramentaria.
Furadeiras em série
Montadas em série, com uma mesa
comum, são usadas para a realização
contínua de várias operações em uma
peça, tais como: furar, escarear e
alargar determinado furo.
Furadeira múltipla
Possui várias árvores que são acionadas em conjunto
podendo, portanto, executar vários furos ao mesmo
tempo. Ideal para produção em série.
37
Furadeira radial
A furadeira radial permite o
deslocamento do carro porta-
broca através de um braço,
que, por sua vez, pode
deslocar-se em torno da
coluna, bem como se mover
verticalmente.
Graças a sua multiplicidade de
movimentos, permite que uma
determinada peça seja furada
em vários pontos sem que
tenha de ser deslocada. É ideal
para furação de peças
pesadas, de pequena
mobilidade.
Mandriladora horizontal
a) árvore porta-ferramenta
b) carro ou cabeçote
c) coluna com guias
d) luneta
e) mesa
f) barra de mandrilar
Detalhe de uma barra de mandrilar não passante:
a) barra de madrilar
b) ferramenta
c) parafuso de fixação
d) parafuso de ajuste
38
A operação de mandrilamento consiste em alargar furos através de uma ferramenta similar a usada
no torno, que é fixada em uma barra porta ferramenta chamada barra de mandrilar.
Se o furo for passante, a barra ficará fixada entre a placa do cabeçote da máquina e um suporte
conhecido por luneta. Caso contrário, usa -se uma barra curta presa apenas no cabeçote.
A mandriladora pode ser utilizada para trabalhos de furação, mandrilamento, fresagem e torneamento
em peças complicadas e de difícil manuseio. A árvore porta-ferramentas está disposta
horizontalmente e nela podem ser fixadas as ferramentas de furar, mandrilar ou fresar. A árvore pode
avançar no sentido longitudinal, enquanto que o cabeçote onde está fixada, pode deslocar-se em
altura. A mesa, onde é fixada a peça, é giratória e pode deslocar-se nos sentidos longitudinal e
transversal. As mandriladoras são equipadas com caixas de velocidades que permitem várias
velocidades de rotação e avanço da árvore porta-ferramentas.
4.3. Ferramentas de furar
4.3.1. A broca helicoidal
A broca helicoidal tem trêspartes principais: ponta, corpo e haste.
A ponta é a extremidade cortante. O corpo é a parte situada entre a ponta e a haste, e têm dois
sulcos ou ranhuras que se denominam estrias.
A haste (paralela ou cônica) é a extremidade, ou punho, da broca que encaixa no mandril ou suporte
da máquina perfuratriz.
39
A ponta da broca deve ser cuidadosamente formada em todas as características para que o corte
seja eficiente, e o furo do tamanho certo. A aresta transversal situada no vértice da ponta se
denomina centro morto.
A ação cortante da broca fica a cargo das duas arestas cortantes, formadas pela interseção das
estrias e a ponta cônica.
A aresta transversal não corta, mas sim comprime o material para fora do centro do furo, à frente das
arestas principais de corte, consumindo assim em torno de 40% do esforço de avanço da broca.
A parte traseira de cada aresta cortante é rebaixada, para que a aresta possa penetrar o material, e
para que ele não roce no mesmo. Ao fazer girar a broca sob pressão, as duas arestas cortam o metal,
formando cavacos, permitindo que a broca vá se aprofundando cada vez mais.
A parte rebaixada dá o formato de cunha e é uma das características mais importantes da ponta.
4.3.2 Alargadores
Alargadores servem para alargar furos pré-furados, aumentando a precisão dimensional
De modo geral, o alargador tem três partes: chanfro; corpo e haste
O chanfro é a parte que efetua o corte do alargador, e é formado com ângulo uniforme em cada
lâmina. O esmerilhamento é feito de tal maneira que haja um ângulo de folga atrás de cada aresta.
O corpo compreende um número de estrias ou ranhuras e lâminas. As lâminas estão situadas entre
as estrias. Na parte superior de cada lâmina há uma beira ou fase que corre desde o chanfro até a
extremidade traseira da estria. A aresta traseira da fase é rebaixada, formando um ângulo de folga
que se denomina ângulo de folga do corpo. Na maioria dos alargadores a aresta de cada lâmina se
acha inclinada com relação à linha que atravessa o centro da face dianteira do alargador. Este ângulo
se denomina ângulo do chanfro.
A haste é a parte do alargador que se encaixa no mandril ou suporte da máquina.
40
5. Aplainamento
É um processo usado para usinagem de superfície planas ou curvas que concorre com o fresamento.
O cavaco é arrancado em forma de fita, em virtude de o movimento principal ser retilíneo.
5.1. Plainas ou Limadoras
A operação de aplainamento pode ser feita pela plaina ou pela limadora.
A diferença básica entre limadoras e plainas é que nas primeiras o movimento principal de corte é
feito pela ferramenta, enquanto que nas plainas, é feito pela peça, através do movimento de vai-e-
vem da mesa da máquina.
As limadoras são usadas para pequenos trabalhos em oficinas e as plainas para produção industrial.
a) curso útil
b) curso em vazio (a ferramenta se
desloca através de sistema de
articulação, evitando riscar a peça)
A velocidade de corte no
aplainamento é dada em [m/min] e é
medida durante o movimento da
ferramenta no curso útil.
A velocidade, durante o curso em
vazio, denomina-se velocidade de
recuo.
41
A limadora é uma máquina limitada, usada para executar cortes verticais, horizontais e inclinados em
peças de pequenas dimensões.
A plaina, por sua vez, é indicada para aplainar e fresar peças grandes. Possui dois cabeçotes e uma
mesa que realiza movimento retilíneo alternado.
5.2. Movimento para o aplainamento de uma peça através da limadora
O aplainamento é feito através de três movimentos:
a) Movimento principal ou de corte: é executado pela ferramenta que avança em linha reta no
sentido de corte (curso útil) e retorna à posição inicial, após executar o corte (curso em vazio).
b) Movimento de avanço: é o movimento dado pela peça (aplainamento horizontal) ou pela
ferramenta (aplainamento vertical), manual ou automaticamente, a cada vai e vem da ferramenta, na
execução do movimento de corte.
c) Movimento de ajuste: é dado pela ferramenta no aplainamento horizontal e pela peça no vertical,
antes de iniciar-se a operação de corte.
a) curso útil de corte b) curso em vazio c) avanço d) movimento de ajuste
5.3. Movimento para o aplainamento de uma peça através da plaina
Nas plainas, o movimento principal é realizado pela mesa, enquanto que, a ferramenta realiza o
movimento de avanço. As ferramentas de corte são semelhantes às da limadora, porém, em geral,
são maiores.
Movimento na plaina:
a) curso útil de corte
b) curso em vazio
c) avanço
d) movimento de ajuste
42
5.3. Ferramentas de aplainar
As ferramentas de aplainar são semelhantes com as de tornear.
6. Brocheamento
Na fabricação em
grande série de
peças, como as da
figura ao lado, um
dos processos mais
competitivos de
usinagem é o
brocheamento.
No brocheamento, a
ferramenta é
puxada, de maneira
que seus dentes
cortem a superfície a
ser usinada.
Existem, basicamente, dois tipos de brocheamento: o interno o externo.
No interno, a ferramenta é introduzida através de um furo previamente aberto e começa a ser puxada.
Suas dimensões são progressivas, de modo que a peça vai sendo usinada aos poucos, até atingir
suas dimensões finais, quando a ferramenta termina seu curso.
No brocheamento externo, a ferramenta é passada longitudinalmente ao longo da face a ser usinada.
43
O brocheamento confere à peça ótimo acabamento e excelente precisão, entretanto, o preço da
ferramenta é elevado, o que limita sua aplicação às grandes séries de peças. Por este processo,
consegue-se a fabricação de até 200 peças/hora.
6.1. Brocheadoras
Estas máquinas são relativamente simples, porque só necessitam executar o movimento principal
retilíneo para deslocamento da brocha. O movimento de avanço é obtido pelo próprio formato da
ferramenta que vai aumentando de dimensões ao longo de seu comprimento.
a) peça
b) apoio
c) mesa de trabalho
d) brocha
e) cilindro hidráulico
f) êmbolo
g) bomba de óleo
6.2. As brochas de corte
As brochas possuem dentes em forma de cunha, com uma aresta cortante. Os dentes aumentam
gradualmente, tendo no final exatamente a forma de perfil desejado.
No sistema de dentes, podemos distinguir a parte cortante e a de calibração.
A diferença de altura entre dois dentes consecutivos varia de 0,02 a 0,12 mm, sendo que os últimos 4
a 6 dentes possuem a mesma dimensão e tem a finalidade de calibrar o furo exatamente nas
dimensões requeridas.
7. Retífica
É o processo pelo qual se remove material, estabelecendo-se contato entre a peça e o rebolo girando
à alta velocidade.
A retífica confere à peça exatidão de medidas e elevada qualidade de acabamento superficial.
A espessura do cavaco retirado através de retífica varia de 0,0025 a 0,03 mm.
A superfície retificada apresenta menor coeficiente de atrito e maior resistência à fadiga.
7.1. Tipos de retificação
Abaixo, mostramos os movimentos relativos entre o rebolo e a peça nos processos de retífica mais
comuns:
44
Retificação frontal plana
Essa operação
pode ser feita em
máquinas de eixo
vertical. Ela
consiste na
retificação externa
de superfícies
planas. Ela pode
ter avanço retilíneo
ou circularda peça.
Retificação tangencial plana
Essa operação pode ser feita em máquinas
de eixo horizontal. Ela consiste na
retificação externa de superfícies planas.
Ela tem avanço retilíneo da peça.
Retificação cilíndrica
A retificação de peças cilíndricas se faz por dois métodos:
- entre centros: quando a obra é mantida na máquina entre duas pontas.
Ela pode ser externa ou interna, como mostrado na figura.
Na retificação interna, em virtude do pequeno diâmetro dos rebolos, torna-se necessário utilizar altas
rotações para obter- se a velocidade tangencial desejada. O rebolo e a peça devem girar em sentidos
opostos na região de contato.
- sem centros (centerless): quando a
peça não é suportada entre centros
fixos, mas pela combinação de uma
placa de apoio, um rebolo de encosto e
um rebolo de corte.
O rebolo de encosto causa a pressão
da peça contra o rebolo abrasivo e
controla sua rotação. A peça avança
longitudinalmente.
45
Retificação Cônica
A conicidade pode ser obtida por inclinação da peça, do rebolo, ou ainda, através da inclinação da
mesa da máquina, quando a conicidade for pequena.
Retificação de perfis
Neste caso o rebolo deverá ter um perfil desenhado de acordo com a superfície da peça a ser
usinada.
7.2. O rebolo
Os rebolos são usados com três finalidades distintas:
Eliminar rebarbas através de esmerilhamento, afiar o gume de ferramentas e dar acabamento e
exatidão às peças através da retífica.
7.2.1. Composição dos rebolos
Os rebolos são constituídos por grãos abrasivos reunidos através de um aglutinante.
Os materiais abrasivos mais usados são os da tabela abaixo
Abrasivo
Aplicação
Símbolo Material
A Óxido de Alumínio Aço carbono sem tratamento térmico,
forjado, fundido, etc.
C Carbono de Silício Ferro fundido, não ferrosos e não
metálicos
AA Óxido de Alumínio Branco (99%
de pureza)
Aços temperados, aço rápido, vidros, etc.
GC Carboneto de Silício Verde Materiais extremamente duros: Carbureto
de tungstênio (Vídia)
Os materiais abrasivos são triturados em moinhos, obtendo-se diversos tamanhos de grãos. Os grãos
são classificados por peneiramento, sendo designados por meio do número da peneira.
Os grãos grossos são usados para desbaste, porque apresentam grande rendimento, embora a
superfície obtida seja áspera.
Grãos finos são ideais para operações de acabamento, porque a superfície obtida com este tipo de
rebolos é lisa, porém seu rendimento é pequeno.
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Para a obtenção do rebolo é necessário aglutinar-se o abrasivo através de alguma liga.
Os aglutinantes mais usados são:
Resina sintética, vitrificação, borracha, goma-laca, silicato e oxicloreto.
A escolha do aglutinante depende do tipo de serviço a ser executado.
É o aglutinante que determina a dureza do rebolo e não os grãos abrasivos.
Menor dureza é indicada para o trabalho de materiais duros porque, neste caso, os grãos abrasivos
soltam-se com facilidade da massa aglutinante dando lugar a novos abrasivos de pontas aguçadas.
Rebolos duros são indicados para materiais macios. A dureza do rebolo é indicada através de letras.
A ação do rebolo depende também de sua velocidade periférica. Quanto menor a velocidade, mais
branda é ação do rebolo.
Outra característica importante dos rebolos é sua porosidade, ou seja, a quantidade de grãos
abrasivos, aglutinantes e poros que ele apresenta.
Quanto maior tenha de ser o rendimento do rebolo, tanto mais porosa deve ser a estrutura, para que
os cavacos que se soltam possam ser absorvidos pelos poros. A porosidade é designada através de
números.
7.2.2. Classificação dos rebolos
Quadro de Identificação Normal de Rebolos
Exemplo: Rebolo AA46,5K6V10
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7.2.3. Formas de rebolos
Basicamente, um rebolo pode ter qualquer formato que se queira. Entretanto, existem alguns formatos
padronizados que são os mais usados para os tipos normais de serviços.