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Melhoramento Genético Animal
Melhoramento Genético: Conjunto de processos e técnicas que visa aumentar a frequência de
alelos, ou suas combinações desejáveis em uma população.
O melhoramento genético tem por objetivo escolher o melhor material genético para maximizar a
produção nas condições ambientais existentes.
O melhoramento genético animal tem por finalidade aperfeiçoar a produção dos animais que
apresentam interesse para o homem através de ferramentas como seleção e cruzamentos com o
objetivo de selecionar genes de interesse econômico.
Sabe-se que o fenótipo de um indivíduo, ou seja, as características observáveis, é resultado da
interação entre o genótipo e o meio ambiente e só será atingido um verdadeiro melhoramento
genético se a nutrição e a saúde adequadas forem alcançadas.
Interação dos fatores herança e ambiente → O animal é aquilo que herdou e tem aquilo que lhe é
dado: manejo, instalações, condições de higiene, entre outros, e será aquilo que produzir que deve
ser entendido como a resposta.
Genótipo + Ambiente = Fenótipo ou Herança + Manejo = Produtividade.
Cruzamento: reprodução entre animais de raças distintas.
Acasalamento: reprodução entre animais da mesma raça.
Fenótipo: características apresentadas por um indivíduo, sejam elas morfológicas, fisiológicas e
comportamentais. Também fazem parte do fenótipo características microscópicas e de natureza
bioquímica, que necessitam de testes especiais para a sua identificação.
Genótipo: refere-se à constituição genética do indivíduo, ou seja, aos genes que ele possui. Estamos
nos referindo ao genótipo quando dizemos, por exemplo, que uma planta de ervilha é homozigota
dominante (VV) ou heterozigota (Vv) em relação à cor da semente.
1. ORGANIZAÇÃO DO MATERIAL GENÉTICO
ÁCIDOS NUCLÉICOS: São definidos como polinucleotídeos ligados em cadeia. Por controlarem a
atividade celular, são considerados as “moléculas mestras” dos seres vivos. Normalmente,
encontram-se associados às proteínas, das quais constituem grupos prostéticos. Tais proteínas são
denominadas nucleoproteínas.
Existem dois tipos de ácidos nucleicos: ácido desoxirribonucleico (DNA) e ácido ribonucleico (RNA).
NUCLEOTÍDEOS: São as unidades formadoras dos ácidos nucleicos. Cada nucleotídeo é formado por:
a) Uma molécula de ácido fosfórico
b) Uma molécula de pentose
c) Uma molécula de base nitrogenada
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Observa-se que o ácido fosfórico se liga à pentose que, por sua vez, se liga à base nitrogenada.
Existem dois tipos de pentoses que entram na constituição dos nucleotídeos: ribose, encontrada nos
nucleotídeos do RNA e desoxirribose, encontrada nos nucleotídeos do DNA.
As bases nitrogenadas que entram na constituição dos nucleotídeos podem ser de dois tipos: púricas
formadas por dois anéis de átomos de carbono e nitrogênio e pirimídicas, formadas por um anel de
átomos de carbono e nitrogênio.
BASES NITROGENADAS PÚRICAS (As bases nitrogenadas púricas são comuns ao DNA e ao RNA)
• ADENINA (A)
• GUANINA (G)
BASES NITROGENADAS PIRIMÍDICAS
• CITOSINA (C)
• TIMINA (T)
• URACILA (U)
- Citosina é comum ao DNA e ao RNA
- Timina é exclusiva do DNA e uracila é exclusiva do RNA
Formação de um Polinucleotídeo
fosfórico de um nucleotídeo se liga à pentose de outro, e assim por diante na formação do ácido
nucleico.
2. ÁCIDOS NUCLEICOS –
� DNA (ÁCIDO DESOXIRRIBONUCLEICO
A molécula de DNA é constituída por duas cadeias
na forma de dupla hélice. Os eixos das hélices são
desoxirribose, enquanto as bases nitrogenadas se dispõem
estrutura e voltadas para dentro dela. As bases nitrogenadas de
nitrogenadas da hélice complementar através de ligações denominadas
se estabelecem de forma altamente específica da seguinte maneira: Adenina
através de duas pontes de hidrogênio enquanto Guanina e Citosina se unem através
de hidrogênio.
O DNA está presente principalmente no núcleo das células, fazendo parte, juntamente com as
proteínas, da estrutura dos cromossomos. Pode ser também encontrado no interior de cloroplastos e
mitocôndrias, presentes no citoplasma de certos tipos celu
Funções do DNA: O DNA é o responsável pela determinação das características hereditárias, além de
comandar o funcionamento celular e promover a síntese do RNA.
Formação de um Polinucleotídeo: A união de vários nucleotídeos forma um polinucleotídeo. O ácido
nucleotídeo se liga à pentose de outro, e assim por diante na formação do ácido
– DNA E RNA
ÁCIDO DESOXIRRIBONUCLEICO)
A molécula de DNA é constituída por duas cadeias de nucleotídeos enroladas uma ao redor da outra
na forma de dupla hélice. Os eixos das hélices são formados por moléculas de ácido fosfórico e
quanto as bases nitrogenadas se dispõem perpendicularmente ao eixo principal da
estrutura e voltadas para dentro dela. As bases nitrogenadas de uma hélice se unem às bases
nitrogenadas da hélice complementar através de ligações denominadas pontes de hidrog
se estabelecem de forma altamente específica da seguinte maneira: Adenina
através de duas pontes de hidrogênio enquanto Guanina e Citosina se unem através
A = T
C ≡ G
O DNA está presente principalmente no núcleo das células, fazendo parte, juntamente com as
estrutura dos cromossomos. Pode ser também encontrado no interior de cloroplastos e
no citoplasma de certos tipos celulares.
O DNA é o responsável pela determinação das características hereditárias, além de
celular e promover a síntese do RNA.
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A união de vários nucleotídeos forma um polinucleotídeo. O ácido
nucleotídeo se liga à pentose de outro, e assim por diante na formação do ácido
de nucleotídeos enroladas uma ao redor da outra
formados por moléculas de ácido fosfórico e
perpendicularmente ao eixo principal da
uma hélice se unem às bases
pontes de hidrogênio, que
e Timina se unem
através de duas pontes de hidrogênio enquanto Guanina e Citosina se unem através de três pontes
O DNA está presente principalmente no núcleo das células, fazendo parte, juntamente com as
estrutura dos cromossomos. Pode ser também encontrado no interior de cloroplastos e
O DNA é o responsável pela determinação das características hereditárias, além de
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� RNA (Acido Ribonucleico)
A molécula de RNA é constituída por uma única cadeia de nucleotídeos (fita simples). Os
nucleotídeos de RNA apresentam:
O RNA está presente no núcleo das células, livre no citoplasma, no interior de cloroplastos e
mitocôndrias e fazendo parte da estrutura dos ribossomos.
Função do RNA: Transportando informação genética do DNA que o formou, o RNA participa
diretamente do processo de síntese proteica.
Cromossomos: O cromossomo é constituído por uma longa fita dupla de DNA. É composto de
proteínas chamadas histonas, que se arranjam em grupos de oito, e são envolvidas pela molécula de
DNA. Estes grupos de oito histonas, enroladas pelo DNA são chamados de nucleossomos. Há muitos
nucleossomos na molécula de DNA.
Os nucleossomos ajudam no enovelamento do cromossomo. Na intérfase, o cromossomo encontra-
se totalmente descondensado, formando a cromatina. Já na metáfase ele encontra-se máximo de
sua condensação.
Gene: É a parte funcional do DNA. No caso do Genoma Humano, por exemplo,
por genes. O resto é apenas, agrupamentos de proteínas que não cont
genes, portanto, são sequências especiais de centenas ou até milhares de pares (do tipo A
que oferecem as informações básicas para a produção de todas as proteínas que o corpo precisa
produzir.
O gene é uma região da molécula do DNA, podendo conter de algunspares a milhões de pares
de nucleotídeos. É o trecho do DNA que, na maioria das vezes, codifica uma proteína.
A parte do DNA chamada de DNA não codificante não possui genes.
Genoma: o genoma é toda a informação hered
organismo que está codificada em seu DNA (ou, em alguns vírus, no RNA). Isto inclui tanto os genes
como as sequências não-codificadoras que são muito importantes para a regulação gênica, dentre
outras funções.
Sequenciamento do Genoma ou DNA
que ordem as bases (letras) contidas no DNA, se encontram. Quando se diz que um genoma foi
sequenciado queremos dizer que foi determinada a ordem que as in
colocadas no genoma.
3. Replicação
A replicação é a duplicação de uma molécula de DNA. Isso ocorre porque nossas células estão
constantemente em divisão, e como todas as células somáticas possuem a mesma quantidade de
DNA, precisamos sempre duplicar nosso DNA antes da célula se dividir.
A replicação do DNA é semiconservadora, o material pré
processo.
É a parte funcional do DNA. No caso do Genoma Humano, por exemplo,
por genes. O resto é apenas, agrupamentos de proteínas que não contêm nenhuma informação. Os
genes, portanto, são sequências especiais de centenas ou até milhares de pares (do tipo A
que oferecem as informações básicas para a produção de todas as proteínas que o corpo precisa
écula do DNA, podendo conter de alguns pares a milhões de pares
É o trecho do DNA que, na maioria das vezes, codifica uma proteína.
A parte do DNA chamada de DNA não codificante não possui genes.
é toda a informação hereditária (passa para seus descendentes) de um
organismo que está codificada em seu DNA (ou, em alguns vírus, no RNA). Isto inclui tanto os genes
codificadoras que são muito importantes para a regulação gênica, dentre
equenciamento do Genoma ou DNA: O sequenciamento é a técnica utilizada para determinar em
que ordem as bases (letras) contidas no DNA, se encontram. Quando se diz que um genoma foi
sequenciado queremos dizer que foi determinada a ordem que as informações (
é a duplicação de uma molécula de DNA. Isso ocorre porque nossas células estão
constantemente em divisão, e como todas as células somáticas possuem a mesma quantidade de
e duplicar nosso DNA antes da célula se dividir.
A replicação do DNA é semiconservadora, o material pré-existente vai continuar intacto ao
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É a parte funcional do DNA. No caso do Genoma Humano, por exemplo, apenas 3% é formado
êm nenhuma informação. Os
genes, portanto, são sequências especiais de centenas ou até milhares de pares (do tipo A-T ou C-G)
que oferecem as informações básicas para a produção de todas as proteínas que o corpo precisa
écula do DNA, podendo conter de alguns pares a milhões de pares
É o trecho do DNA que, na maioria das vezes, codifica uma proteína.
itária (passa para seus descendentes) de um
organismo que está codificada em seu DNA (ou, em alguns vírus, no RNA). Isto inclui tanto os genes
codificadoras que são muito importantes para a regulação gênica, dentre
O sequenciamento é a técnica utilizada para determinar em
que ordem as bases (letras) contidas no DNA, se encontram. Quando se diz que um genoma foi
formações (genes) estão
é a duplicação de uma molécula de DNA. Isso ocorre porque nossas células estão
constantemente em divisão, e como todas as células somáticas possuem a mesma quantidade de
existente vai continuar intacto ao final do
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As pontes de hidrogênio que mantêm a dupla cadeia desnaturam-se para que cada uma das cadeias
simples possa servir de "forma" ou molde ao longo da qual vai ser sintetizada, no sentido 5' → 3‘. O
processo de replicação celular ocorre na fase S do ciclo celular (intérfase).
Na célula, a replicação do DNA tem início em locais específicos do genoma denominadas origens de
replicação. Mais especificamente, inicia-se numa zona da cadeia denominada tripleto de iniciação.
• Neste local as helicases começam a abrir a cadeia para ambos os lados da origem quebrando
as ligações de hidrogênio existentes entre as bases complementares e dando origem a uma
"bolha de replicação" que é constituída por duas forquilhas de replicação.
• As proteínas de ligação (SSB) mantém a fita aberta.
• Em seguida liga-se às cadeias de DNA a enzima RNA primase que sintetiza um primer, que
consiste numa sequência de bases de RNA que iniciam a síntese, visto que a DNA polimerase
III não tem a capacidade de o fazer pela ausência de grupos hidroxila expostos.
• Após a síntese do primer, a DNA polimerase III vai continuar o processo que ocorre no
sentido da extremidade 5' para a extremidade 3' da nova cadeia. Como a DNA polimerase vai
atuar para ambos os lados da origem de replicação, por cada cadeia simples de DNA
existente, uma parte da nova cadeia será sintetizada na direção da replicação. Esta cadeia é
sintetizada de modo contínuo e denomina-se "cadeia contínua".
• Existe uma outra parte da cadeia em que a direção da replicação é contrária à direção da
síntese, esta cadeia é sintetizada descontinuamente, isto é, a RNA primase vai sintetizar
vários primers ao longo da cadeia, inicialmente próximo da origem de replicação e
posteriormente a maior distância.
• Os fragmentos formados são denominados fragmentos de Okazaki. Entre estes fragmentos
existem primers que serão removidos e substituídos por DNA, pela ação de outra DNA
polimerase, a DNA polimerase I.
• Como a DNA polimerase não consegue estabelecer a ligação entre esses nucleotídeos e os
que se encontram nas extremidades dos fragmentos de Okazaki, formam-se lacunas entre o
grupo fosfato de um e o carbono 3' do outro. Esses nucleotídeos são posteriormente ligados
pela DNA ligase. A esta cadeia chama-se "cadeia descontínua".
• As partes finais da cadeia de DNA denominadas telômeros são sintetizadas pela
enzima telomerase. A telomerase é uma DNA polimerase com atividade de transcriptase
reversa. Apresenta um molde interno de RNA e a partir daí é capaz de sintetizar o DNA das
extremidades cromossômicas, evitando a perda progressiva e encurtamento dos telômeros.
Durante todo o processo de replicação atuam outras enzimas entre elas as SSB e
as topoisomerases que têm como função evitar o enrolamento da cadeia durante a síntese.
Assistir: https://www.youtube.com/watch?v=IFEqWNpWh5o
https://www.youtube.com/watch?v=NMObWWt_yrc#t=37
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Resumindo:
• A enzima Helicase vai abrindo a fita e formando as bolhas de replicação.
• A fita líder é a que está na orientação correta 5` → 3`.
• A DNA Polimerase III sintetiza a fita nova, na fita líder, no sentido 5` → 3` sem problemas.
O DNA apresenta uma orientação antiparalela entre as duas fitas, isso significa que se uma fita está
na orientação correta, a outra não está, essa fita é chamada de fita retardada (3` → 5`).
• Na fita retardada a RNA primase faz o RNA primer, sintetizando um trecho de RNA no sentido
contrário ao da helicase, expondo o carbono 3 e a ponte de hidrogênio para que a
polimerase possa grudar.
• A DNA polimerase III vem e sintetiza a nova fita.
• A DNA polimerase I retira o RNA e substitui por DNA deixando fragmentos, chamados de
Fragmentos de Okazaki.
• A DNA ligase vem e fecha esses fragmentos.
4. Expressão Gênica
A expressão da informação genética envolve duas etapas.
A primeira é a Transcrição, na transcrição o DNA é usado como molde para fazer a molécula de RNA.
A segunda etapa é a Tradução, na tradução o RNA é usado como molde para fazer a proteína.
� Transcrição
Acontece no núcleo da célula.
RNA, porém não é qualquer trecho do DNA que pode ser transcrito em RNA. Apenas ostrechos do
DNA chamados de genes podem ser transcritos em RNA
A transcrição do DNA é feita pela enzima
DNA chamado de promotor.
O promotor apresenta uma sequencia de bases que a enzima RN
se liga ao promotor e abre a dupla hélice, percorre o gene, e à medida que percorre o gene, ela
sintetiza a molécula de RNA.
Ela coleta nucleotídeos de RNA que estão soltos e vai unindo uns aos outros fazendo a molécula de
RNA.
A sequencia de bases do RNA é determinada pela sequencia de bases do DNA.
Depois de percorrer todo o gene, a enzima RNA polimerase se solta, o DNA volta a s
molécula de RNA está pronta
Acontece no núcleo da célula. Na transcrição o DNA é usado como molde para f
m não é qualquer trecho do DNA que pode ser transcrito em RNA. Apenas os trechos do
podem ser transcritos em RNA.
A transcrição do DNA é feita pela enzima RNA polimerase, sempre antes do gene haverá o trec
O promotor apresenta uma sequencia de bases que a enzima RNA polimerase reconhece, ela então
se liga ao promotor e abre a dupla hélice, percorre o gene, e à medida que percorre o gene, ela
eta nucleotídeos de RNA que estão soltos e vai unindo uns aos outros fazendo a molécula de
A sequencia de bases do RNA é determinada pela sequencia de bases do DNA.
Depois de percorrer todo o gene, a enzima RNA polimerase se solta, o DNA volta a s
molécula de RNA está pronta.
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ra fazer a molécula de
m não é qualquer trecho do DNA que pode ser transcrito em RNA. Apenas os trechos do
sempre antes do gene haverá o trecho do
polimerase reconhece, ela então
se liga ao promotor e abre a dupla hélice, percorre o gene, e à medida que percorre o gene, ela
eta nucleotídeos de RNA que estão soltos e vai unindo uns aos outros fazendo a molécula de
A sequencia de bases do RNA é determinada pela sequencia de bases do DNA.
Depois de percorrer todo o gene, a enzima RNA polimerase se solta, o DNA volta a se fechar e a
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Assistir: https://www.youtube.com/watch?v=slbqqALkCaA#t=563
https://www.youtube.com/watch?v=fynGKohVYHw
Existem três tipos de RNA que participam diretamente do processo de síntese proteica. São eles:
- RNA mensageiro (RNA m)
- RNA transportador (RNA t)
- RNA ribossômico (RNA r)
Os genes não são contínuos, possuem trechos chamados éxons e íntrons. Os éxons codificam
proteínas e os íntrons não.
Quando uma célula transcreve um gene, ela transcreve tanto os trechos que são éxons como os
íntrons, esse RNA contendo éxons e íntrons é chamado de RNAm Primário.
A célula então faz o Splicing do RNA, a célula retira os trechos que são íntrons e religa os éxons.
Apenas os éxons vão para a tradução, os íntrons são retirados.
A célula eucarionte faz o chamado Processamento Alternativo do RNA, ou seja, na hora que ela
retira os íntrons, ela pode religar os éxons em sequencias diferentes, isso dá a elas a capacidade de
produzir mais de uma proteína a partir de um mesmo gene.
Controle da expressão gênica: Todas as células do corpo possuem o mesmo gene, o que as
diferencia é que elas transcrevem conjuntos diferentes de genes.
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Assistir: https://www.youtube.com/watch?v=n6EPT29Ab2k
� Tradução
A tradução é a segunda etapa do processo da expressão gênica, acontece no citoplasma. Na tradução
o RNA é usado como molde para fazer a proteína.
Na hora de transcrever, cada base do DNA determina uma base do RNA, então na transcrição o
processo é base a base, mas na tradução não.
Na tradução, a cada 3 bases do RNA, é acrescentado um aminoácido na proteína.
As proteínas são feitas de aminoácidos, só que cada proteína tem uma sequencia específica de
aminoácidos. A informação na célula sobre qual é a sequencia de aminoácidos correta de uma
proteína está no gene.
Ex: se a célula for traduzir uma proteína como a hemoglobina, ela transcreve o gene da hemoglobina
em RNA e depois traduz o RNA em hemoglobina.
De DNA para RNA se chama transcrição porque não mudou a linguagem, a linguagem do DNA é
baseada em nucleotídeos e a do RNA também.
De RNA para proteína é chamado de tradução porque ocorre uma mudança na linguagem, o RNA
tem uma linguagem baseada em nucleotídeo e a proteína tem uma linguagem baseada em
aminoácido.
Para cada 3 bases do RNA mensageiro, entra um aminoácido na proteína.
Cada trio de bases do RNAm recebe o nome de códon.
A tabela do código genético informa qual aminoácido vai entrar na proteína, dependendo do trio de
bases, ou seja, do códon presente no RNAm.
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Três tipos de RNA estão relacionados com o processo de síntese proteica. São eles:
- RNA mensageiro – RNAm: seu papel na síntese é levar uma mensagem genética do DNA que o
formou ao citoplasma, para que a proteína possa ser sintetizada.
- RNA transportador - RNAt também denominado RNA solúvel: captura e transporta aminoácidos
até os ribossomos, para que a proteína possa ser sintetizada. Cada RNAt é específico em relação ao
aminoácido transportado.
- RNA ribossômico – RNAr: Apresenta função estrutural, já que faz parte da estrutura dos
ribossomos.
A tradução ocorre nos ribossomos, que apresentam uma subunidade menor e uma maior que
geralmente ficam separadas, o ribossomo só é montado quando se liga ao RNAm.
O processo de tradução tem início quando a subunidade do ribossomo se liga ao RNAm.
O RNAt se liga ao RNAm, a sua função é transportar aminoácidos.
A tradução sempre se inicia quando aparece o primeiro códon AUG no RNAm, então o RNAt com o
anticódon UAC pareia a ele.
• O RNAm se liga a subunidade menor do ribossomo.
• Quando aparecer o primeiro códon AUG no RNAm, vem o RNAt com o anticódon UAC e
pareia ao códon AUG. Esse RNAt chega trazendo um aminoácido.
• A subunidade maior do ribossomo chega e se une à subunidade menor.
• Um novo RNAt chega e pareia o anticódon dele ao códon, trazendo outro aminoácido.
• O primeiro aminoácido se solta do RNAt e se une ao aminoácido do segundo RNAt, através
de uma ligação peptídica.
• O primeiro RNAt sai e chega outro RNAt com outro aminoácido, então o segundo RNAt solta
o aminoácido dele que se junta ao aminoácido do terceiro RNAt através de uma ligação
peptídica.
• O processo se repete várias vezes, sempre unindo um aminoácido ao outro...
• Até que entra no ribossomo um códon chamado de códon de parada, quando os códons de
parada entram no ribossomo, ao invés de vir um RNAt parear a ele, vem uma estrutura
chamada de fator de liberação.
• Quando o fator de liberação entra no ribossomo e pareia o seu anticódon ao códon, todos os
componentes se separam, a subunidade menor da maior, o RNAm, e a Proteína está pronta
para exercer suas funções.
Códon de parada: tem a função de indicar que a tradução chegou ao fim (UAA, UAG e UGA).
A tradução é a capacidade do RNAm em reconhecer o aminoácido para que a proteína seja
formada. O processo de síntese proteica consome energia na forma de ATP e pode ser assim
resumido.
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O código genético é degenerado, isso significa que mais de um códon pode codificar o mesmo
aminoácido. Ex: tanto o códon UUU quanto o UUC codificam o aminoácido fenilalanina.
Mas o código não é ambíguo, isso significa que um códon só pode codificar um aminoácido.
Ou seja, um aminoácido pode ser codificado por mais de um códon, mas um códon só pode codificar
um aminoácido.
Assistir: https://www.youtube.com/watch?v=B7XEaafYNNk
https://www.youtube.com/watch?v=bsLtaeETwX8
5. Herdabilidade
A herdabilidade é a proporção de variância genética sobre a variância fenotípica total, ou seja, a
proporção herdávelda variabilidade total. Esta proporção herdável é alterada pelo efeito do
ambiente. Portanto, com o aumento da variabilidade proporcionado pelo efeito do ambiente, a
seleção de novos genótipos torna-se mais difícil. Pode ser dividida em dois tipos: herdabilidade no
sentido amplo e herdabilidade no sentido restrito.
É o parâmetro de maior importância, pois determina a estratégia a ser usada no melhoramento da
característica em questão;
Para características quantitativas, uma parte da variação observada tem origem genética e outra é
resultado de fatores ambientais;
Se a maior parte da variação é genética de origem, esperamos que as diferenças de produção sejam
devidas aos genes que os indivíduos possuem e então, serão em grande parte transmitidos a sua
progênie;
Se a proporção maior das diferenças entre os animais é devida ao ambiente, estes efeitos não são
transmitidos à progênie;
A HERDABILIDADE expressa a confiança que se pode ter no fenótipo do animal como um guia para
predizer seu valor de cria;
HERDABILIDADE: É a fração da variância fenotípica (que tem origem genética aditiva).
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- Característica econômica: toda característica que você utiliza do animal através da exploração
genética, de acordo com a demanda do ser humano.
As características econômicas dos animais domésticos são de natureza poligênica, isto é são
controladas por um grande número de pares de genes. Até o momento, é impossível precisar o
número de pares de genes que afetam a expressão destas características. Assim sendo, os indivíduos
são avaliados pelos seus fenótipos, no caso por quaisquer características que podem ser observadas
ou mensuradas. O fenótipo não é o resultado somente da constituição genética do indivíduo, mas
também da interação dos seus genes com os vários efeitos não genéticos ou de ambiente. Não faz
sentido perguntar se uma característica é hereditária ou ambiente. Para que os genes possam
provocar o desenvolvimento de uma característica é preciso que disponham de ambiente adequado.
Por outro lado, as modificações que o ambiente pode causar no desenvolvimento de uma
característica são limitadas pelo genótipo do indivíduo.
Gene + Ambiente = Fenótipo
� MODOS DE AÇÃO GENICA
O genótipo de um indivíduo representa o conjunto de seus genes e atua como se fosse uma unidade.
Do ponto de vista do melhoramento genético, o interesse é avaliar a ação deste conjunto de genes
sobre o fenótipo do próprio indivíduo. A despeito da unidade gênica que representa o indivíduo há a
segregação gênica por ocasião da formação dos gametas (espermatozoides ou óvulos), de tal forma
que cada gameta contém uma amostra que representa metade dos genes presentes no indivíduo.
Num mesmo genótipo, os modos de ação gênica podem ser os mais diversos: dois ou mais genes
podem cooperar, interagir quando juntos ou, mesmo, interferir na manifestação do outro. Do ponto
de vista quantitativo, o interesse é no efeito médio dos genes em relação ao fenótipo do indivíduo.
Basicamente, dois modos de ação gênica têm importância nas características econômicas dos
animais: aditiva e não aditiva.
• Ação gênica Aditiva: Ação genética aditiva é aquela em que cada gene dos que constituem o
genótipo (em relação a uma característica qualquer) provoca um acréscimo no valor
fenotípico do indivíduo, independentemente dos outros genes presentes.
O acréscimo ou retirada ou substituição de um gene por outro ou por se alelo provoca o mesmo
efeito sobre o fenótipo do indivíduo, não importando o número e o tipo dos genes envolvidos na
característica. A ação aditiva é, portanto, aquela em que não há dominância entre os alelos e o efeito
de cada gene adiciona-se ao efeito dos demais determinando um efeito médio total ou seja, o
fenótipo do indivíduo.
Exemplo desse tipo de ação gênica ocorre na determinação da plumagem da raça de marrecos
conhecida pelo nome de Andaluz Azul. A coloração das penas das aves dessa raça pode ser
facilmente classificada em três categorias. Existem aves com plumagem totalmente branca, aves com
plumagem totalmente preta e aves cuja plumagem é uma mistura de penas brancas e pretas. É esta
última categoria que é conhecida como o verdadeiro marreco Andaluz Azul. A base genética dessa
característica é simples. As aves brancas e as aves pretas são homozigotas e aquelas conhecidas
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como Andaluz Azul são heterozigotas. O resultado do acasalamento entre aves de plumagem
misturada (Andaluz Azul) resulta numa progênie com 25% de aves brancas, 50% de aves Andaluz Azul
e 25% de aves pretas. O exemplo ilustra o fato de que o gene para plumagem branca e o gene para
plumagem preta agem aditivamente quando se combinam para formar o heterozigoto. Outro
exemplo de ação gênica aditiva ocorre na determinação da pelagem da raça de bovinos Shorthorn.
Animais vermelhos e animais branco creme são homozigotos enquanto os animais rosilhos (mistura
de pelos brancos e pelos vermelhos) são heterozigotos.
Na genética, a ação dos genes é não aditiva. As características econômicas são todas “não aditivas”,
porque existe uma poligenia muito grande e sempre têm dominantes.
Consequências da ação aditiva dos genes
1. A média fenotípica do F., é igual a média dos pais e do F2. O valor fenotípico do F1 é sempre
intermediário ao dos pais, quando estes são diferentes;
2. A distribuição do F2é simétrica, originando sempre uma curva normal;
3. A descendência de qualquer indivíduo tem média igual ao seu valor fenotípico. O acasalamento de
indivíduos fenotipicamente superiores produz descendência também superior. Esta propriedade
indica que a seleção dos melhores fenótipos é eficiente em termos de melhoramento genético;
4. A variação do F2 é maior do que a do F, e dos pais, o que foi demonstrado na Tabela 5.1, onde a
produção de leite variou de 2000 kg a 2400 kg na geração F2.
Se todas as características poligênicas e de interesse econômico obedecessem ao esquema aditivo, o
progresso genético seria rápido e de fácil consecução. Há, entretanto, outros modos de ação gênica
que fogem ao esquema aditivo e fazem com que sejam adotados específicos programas de
melhoramento genético, tendo em vista ao maior ou menor efeito aditivo.
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• Ação gênica não aditiva: Nesta ação os genes que afetam o caráter dependem dos outros
presentes, devido aos fenômenos da DOMINÂNCIA, SUPERDOMINÂNCIA e da EPISTASIA.
Dominância: toda e qualquer tipo de expressão gênica que seja dominante. Um exemplo de um par
de genes ou de alelos que exibem ação do tipo dominante-recessiva pode ser encontrado na raça
Hereford. A coloração de pelagem branca da face dos animais dessa raça é controlada por um único
gene dominante. Quando touros Hereford são cruzados com vacas de outras raças, por exemplo,
com vacas leiteiras para produzir animais de corte, os bezerros cruzados têm todos a face branca que
identifica o Hereford. Esse fato encontra aplicação prática permitindo distinguir novilhas que só
servem para corte daquelas que podem ser usadas como animais de reposição do rebanho leiteiro.
Um gene similar existe também na raça Simental, que hoje está muito difundida no Brasil.
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Superdominância: O termo superdominância se refere à ação gênica verificada num loco onde a
expressão fenotípica do heterozigoto supera aquelas de ambos os homozigotos. Um bom exemplo
desse tipo de ação gênica é encontrado na raça de aves White Wyandotte. Esta raça apresenta dois
tipos de crista, rosa e simples, que são determinados por um só par de genes. O gene para crista
rosa, R, é dominante sobre o gene paracrista simples, r. O fenótipo estabelecido para a raça era
crista rosa e por muitos anos não se sabia porque a crista simples persistia na população apesar dos
esforços para diminuir sua frequência através da seleção para crista rosa. Mais tarde foi verificado
que a fertilidade do macho homozigoto RR é menor em relação que àquelas dos outros dois
genótipos, principalmente do heterozigoto Rr. Dessa forma, o efeito desse loco no fenótipo da raça
pode ser sumariado como se segue:
Sexo
Genótipo e Fenótipo
RR, Rosa Rr, Rosa rr, Simples
Macho Baixa fertilidade Fertilidade normal Fertilidade normal
Fêmea Fertilidade normal Fertilidade normal Fertilidade normal
Ao selecionar machos com o fenótipo crista rosa, os avicultores não podiam fazer a distinção
entre o homozigoto e o heterozigoto. Entretanto, por causa da desvantagem seletiva, o homozigoto
deixava menos descendentes que o heterozigoto e assim o gene recessivo permanecia na população.
Heterose: é a superioridade média dos filhos com relação a media dos pais, geralmente acontece
quando se cruza raças distintas.
Epistasia: é a capacidade que um gene recessivo tem de controlar o efeito de um dominante.
17
O termo epistasia se refere à situação em que há interação entre genes em dois ou mais locos, de
maneira que o fenótipo para uma determinada característica é controlado por mais de um loco, em
conjunto agindo de forma não-aditiva. Um exemplo bem conhecido de ação gênica epistática é o
controle genético do tipo de crista em galinhas. Além de cristas simples e rosa, existem também
cristas tipo ervilha e tipo castanha. A crista ervilha é determinada por um gene dominante em
relação ao gene para crista simples, mas num loco separado daquele para crista rosa. O tipo de crista
castanha se manifesta em qualquer indivíduo que tenha em seu genótipo pelo menos um gene para
crista rosa e um gene para crista ervilha. Assim os genótipos e seus correspondentes fenótipos são:
Loco para crista rosa
RR Rr rr
Loco para crista
ervilha
PP RR PP
Castanha
Rr PP
Castanha
rr PP
Ervilha
Pp RR Pp
Castanha
Rr Pp
Castanha
rr Pp
Ervilha
pp RR pp
Rosa
Rrpp
Rosa
rr pp
Simples
Ex. animais com extremidades escuras. São escuras porque a temperatura permite a expressão do
gene preto. As extremidades são mais frias, quando a temperatura é mais alta, o gene não consegue
expressar.
Diz-se que a constituição cc é EPISTÁTICA para outros genes de cor. A palavra EPISTÁTICA significa
literalmente “que esta sobre” na condição homozigota o alelo c “fica sobre” a expressão dos outros
genes relacionados com a cor da pelagem.
18
INTERPRETAÇÃO DO CONCEITO:
Uma característica é hereditária ou ambiente?
• Para os genes provocarem o desenvolvimento de uma característica é preciso que
disponham de ambiente adequado.
• As modificações que o ambiente pode causar no desenvolvimento de uma característica são
limitadas pelo genótipo do individuo.
• Todavia é preciso reconhecer que a variabilidade observada em algumas características pode
ser causada pelas diferenças gênicas entre os indivíduos.
• As características econômicas dos animais domésticos são de natureza poligênica, é difícil
precisar o número de pares de genes que afetam a expressão destas.
• O progresso alcançado nessas características possibilita precisão em avaliar os genótipos por
meio dos fenótipos dos indivíduos.
A herdabilidade pode ser considerada baixa, média e alta. Varia de 0 a 1 ou de 0 a 100%
Baixa: inferior a 10% (ou 0,1)
Média: 11 a 30%
Alta: superior a 30%
O percentual equivale ao gene, se a herdabilidade baixa, média e alta equivale a 30%, os outros 70%
equivalem ao ambiente. A maioria das características econômicas não ultrapassam 10% de
herdabilidade.
Herdabilidade: função entre a relação das diferentes variâncias. Os indivíduos são diferentes porque
uns podem herdar mais e outros menos.
Se uma característica é influenciada por variação ambiental = Herdabilidade baixa.
Por outro lado se a mesma característica em condições ambientais mais estáveis = Herdabilidade
alta.
Quando duas populações mantidas sob condições igualmente variáveis, mas uma delas é Homozigota
p/ característica desejável (consanguinidade), a herdabilidade é baixa por causa do pouco efeito
aditivo. Sempre com genes consanguíneos a herdabilidade é baixa porque a consanguinidade apura
defeito.
A herdabilidade é um conceito estatístico que varia de uma população para outra, de característica
para outra e de uma época para outra.
Então herdabilidade é a capacidade que um pai tem de passar a informação para o filho e o filho
herdar.
Herdabilidade alta é quando é acima de 30% a capacidade do gene de expressar certas características
com o ambiente influenciando o mínimo possível.
Se o ambiente influenciar pouco, a herdabilidade é alta, se o ambiente influenciar muito, a
herdabilidade é baixa.
19
6. Repetibilidade
O termo repetibilidade (t) refere-se a expressão da mesma característica (por exemplo: produção de
leite, produção de ovos em certo período, número de leitões por leitegada, peso da lã em diferentes
tosquias etc.) em diferentes épocas da vida do mesmo animal. O valor da característica do mesmo
indivíduo tende a repetir-se e depende, parcialmente, do genótipo, que é constante durante toda a
vida do animal, muito embora a atividade de alguns genes possa mudar com a idade, sob influências
específicas do meio-ambiente. Por tanto, a repetibilidade mede a correlação média entre duas
produções de um mesmo indivíduo.
Em geral, os criadores tendem a manter no rebanho aqueles animais querevelaram-se melhores na
primeira produção e, que, em geral, serão também superiores na próxima produção. Da mesma
forma, os piores animais na primeira produção, em geral, serão os piores na seguinte. Assim sendo, é
importante determinar até que ponto o desempenho do animal se repete. A isto chama-se
repetibilidade.
Exemplos:
• Produção de leite em lactações sucessivas;
• Peso ao desmame como uma característica da mãe;
• Tamanho da leitegada;
• Etc.
A variância de uma característica, em diferentes etapas de vida animal, pode ser analisada sob dois
componentes:
a) Variância dentro dos indivíduos - mede as diferenças temporárias no desempenho de um mesmo
indivíduo. Como exemplo de efeitos ambientes temporários podem ser citados: a qualidade da
alimentação, que sofre variações estacionais em função de maior ou menor pluviosidade; a
qualidade da suplementação alimentar; as diferenças humanas na habilidade de ordenhar uma
mesma vaca durante o mesmo período de lactação etc.
b) Variância entre indivíduos - é parcialmente genética e parcialmente ambiente, sendo que a parte
ambiente é causada por circunstâncias de meio que afetam os indivíduos permanentemente, como,
por exemplo, a perda de tetas em consequência de mamites ou outras causas que afetam os
indivíduos pelo resto de suas vidas produtivas.
O cálculo da repetibilidade é feito para avaliar se o animal está produzindo o mínimo esperado.
� Considerações sobre a repetibilidade
• Mede a proporção das diferenças de produção entre os animais que é atribuída a causas
permanentes.
• Genótipo e ambiente.
• É específica da característica medida e da população.
• Assume valores de 0 a 1.
20
• Quanto mais alta a repetibilidade de uma característica, maior é a possibilidade de uma
única medida representar sua real capacidadede produção.
• Os melhores animais, na primeira produção, continuam sendo os melhores nas próximas
produções.
� Aplicações da repetibilidade
• Estabelece o limite superior para o cálculo da herdabilidade, tanto no sentido restrito, como
no amplo. Os valores para a repetibilidade são sempre maiores do que a herdabilidade,
devido ao fato de que a repetibilidade inclui, além dos efeitos aditivos dos genes, os efeitos
não aditivos e alguma diferença de ambiente permanente existente entre os indivíduos de
um mesmo grupo.
• Supondo que cada indivíduo seja medido n vezes, a variância dessas n medidas como
proporção da variância característica simples pode ser expressa em termos de repetibilidade.
• Permite a predição de desempenho futuro de um animal.
• Indica a acurácia das mensurações múltiplas. À medida que se aumenta o número de
informações do mesmo indivíduo há redução da variância devida aos efeitos temporários do
ambiente, com a consequente redução da variância fenotípica.
7. Parentesco e Consanguinidade
a) PARENTESCO:
Dois indivíduos quaisquer são parentes quando têm, pelo menos, um ascendente comum:
• Dois irmãos completos têm os mesmos pais;
• Dois meio irmãos têm um pai ou mãe em comum;
• Dois primos em 1° grau têm no mínimo, um de seus avós em comum e assim
sucessivamente.
A avaliação do parentesco é importante pelo fato de um indivíduo ser descendente do outro
(parentesco direto) ou pelo fato de apresentarem um ascendente comum na genealogia de ambos
(parentesco colateral).
No melhoramento genético o objetivo de avaliar o parentesco é avaliar o percentual de genes
idênticos entre os parentes, para depois acasalar os indivíduos e fazer a consanguinidade.
A medição dessa semelhança genética adicional é feita pelo coeficiente de parentesco:
Rxy = probabilidade de X e Y receberem gen
genes idênticos de B.
� Cálculo do grau de parentesco
O cálculo do grau de parentesco é
que ligam dois indivíduos ao ascendente
parentesco. É preciso saber que cada seta ou caminho representa 1
dá metade dos seus genes para cada filho. O
foi idealizado pelo professor Sewall Wright (1922) e
existentes entre os dois indivíduos (cujo parentesco está sendo
comuns. Vê-se que o grau de parentesco é a so
pela seguinte fórmula:
Rxy = ΣΣΣΣ(0,5)ⁿ⁺ⁿ′
Onde:
Rxy: Grau de parentesco entre os indivíduos X e Y
probabilidade de X e Y receberem genes idênticos de A + probabilidade de X e Y receberem
Cálculo do grau de parentesco
O cálculo do grau de parentesco é um processo bastante simples. A utilização de setas ou "caminhos"
que ligam dois indivíduos ao ascendente comum é o processo mais usual para estimar o grau de
saber que cada seta ou caminho representa 1/2 ou 50%, uma vez que cada pai
dá metade dos seus genes para cada filho. O processo algébrico para medição
r Sewall Wright (1922) e consiste na contagem do número de gerações
indivíduos (cujo parentesco está sendo determinado) e seus ascendentes
se que o grau de parentesco é a soma de potências de 1/2 ou 0,5 e
Grau de parentesco entre os indivíduos X e Y
21
bilidade de X e Y receberem
ou 0,5.
utilização de setas ou "caminhos"
ais usual para estimar o grau de
/2 ou 50%, uma vez que cada pai
processo algébrico para medição do grau de parentesco
consiste na contagem do número de gerações
determinado) e seus ascendentes
ma de potências de 1/2 ou 0,5 e pode ser calculado
n: número de gerações entre os ascendentes comuns e um animal X
n’: número de gerações entre o ascendente comum e um animal Y
ΣΣΣΣ: somatória
Exemplo 1:
Observa-se que neste pedigree X e Y são
Significa que X e Y têm 25% dos seu
número de gerações entre os ascendentes comuns e um animal X
número de gerações entre o ascendente comum e um animal Y
se que neste pedigree X e Y são meio irmãos, pois tem um dos parentes em comum (A)
Significa que X e Y têm 25% dos seus genes idênticos.
22
irmãos, pois tem um dos parentes em comum (A).
Exemplo 2:
Observa-se que neste pedigree X e Y são pare
Rxy = ∑ (0,5)ⁿ⁺ⁿ′, tem-se: 6,25%
que dois indivíduos quaisquer da mesma população.
se que neste pedigree X e Y são parentes, pois apresentam um ascendente em comum (C)
6,25% - Significa que X e Y têm 6,25% dos seus genes idênticos a mais do
que dois indivíduos quaisquer da mesma população.
(0,5)
4
=0,0625 ou 6,25%
23
ntes, pois apresentam um ascendente em comum (C).
genes idênticos a mais do
Exemplo 3:
↓
24
25
� Aplicação Prática do Parentesco
O conhecimento do grau de parentesco entre dois indivíduos permite estimar o valor gênico de um
com base em informações sobre o valor gênico do outro. Há várias situações práticas em que este
princípio se aplica. Uma delas é o aproveitamento do patrimônio genético de indivíduos que não
estão disponíveis para a reprodução (em razão de morte, idade avançada, distância, etc.). Pode-se,
então, utilizar um seu parente, conhecendo-se, com base no coeficiente de parentesco, que fração
dos genes do indivíduo pode ser de fato aproveitada.
Outra situação é aquela em que se deseja conhecer o valor gênico de um indivíduo, sobre cujo
desempenho se tem pouca ou nenhuma informação, mas que tem um parente próximo com
registros conhecidos.
b) Endogamia / Consanguinidade
Conceitos:
É um sistema de acasalamento que consiste na união de indivíduos com certo grau de parentesco.
Favorece a homozigose, mas também apura defeito.
O fato de os pais de um indivíduo serem geneticamente semelhantes aumenta a probabilidade de
que ele receba de seus pais genes idênticos, que representam cópias de um mesmo gene presente
em um ancestral comum. O resultado dessa maior semelhança genética entre os pais é o aumento da
homozigose, em grau superior ao obtido quando os pais do indivíduo não são parentes.
A consanguinidade favorece a homozigose, conseguindo manter características importantes, mas
também pode aumentar o problema (apura defeito).
Pode ser importante para restaurar a informação genética de um ancestral.
Pais parentes → Aumento da homozigose
O coeficiente de consanguinidade pode ser definido de várias formas:
• Mede a percentagem provável de genes em homozigose que o indivíduo consanguíneo tem a
mais quando comparado com outro não consanguíneo;
• Expressa a percentagem de homozigose a mais em relação a uma população base onde os
acasalamentos são ao acaso;
• A probabilidade de dois alelos serem idênticos, no zigoto consanguíneo, devido ao
parentesco dos pais.
Assim, quando o coeficiente de consanguinidade de um indivíduo é igual a 0,25 ou 25% significa que
este, provavelmente, será homozigoto para 25% dos pares de genes para os quais seus pais eram
heterozigotos.
� Tipos de Consanguinidade
A consanguinidade pode ser vista sob diferentes aspectos:
Quanto ao parentesco entre os indivíduos que se acasalam:
26
• Estreita: quando o grau de parentesco entre os pais é igual ou superior a 50%. É o que ocorre
nos acasalamentos: Pai x filha / Mãe x filho / Entre irmãoscompletos etc.
• Larga: quando o grau de parentesco entre os pais é menor que 50%. É o que ocorre nos
acasalamentos: meios-irmãos / Entre primos / Tio e sobrinha, etc.
A consanguinidade larga evita doenças.
A consanguinidade não deve ser feita se houver histórico de doenças genéticas entre os parentes.
� Efeitos Genéticos da Consanguinidade
• O efeito principal da consanguinidade é aumentar a homozigose do rebanho e, em
consequência, reduzir a heterozigose. Este efeito é tanto maior quanto maior for o
parentesco entre os indivíduos que se acasalam.
• A consanguinidade é um sistema de acasalamento que não altera a frequência gênica. A
única força capaz de alterar a frequência gênica é a seleção. Como a consanguinidade
aumenta a homozigose, tanto para genes dominantes como recessivos, é necessário que
haja seleção se estes são preferidos em relação aos heterozigotos.
• A consanguinidade ao reduzir a heterozigose favorece a identificação de genes recessivos
indesejáveis ou de efeitos deletérios. A identificação destes recessivos é extremamente
importante sob o ponto de vista de melhoramento animal. A maioria destes genes está
relacionada com baixa fertilidade, alta mortalidade, redução do vigor e do valor adaptativo
dos animais.
• A consanguinidade contribui para aumentar a variabilidade fenotípica de um rebanho, pela
separação da população em famílias distintas e uniformes dentro de si, mas bastante
diferentes umas das outras. Isto permite a realização da seleção entre as famílias formadas,
o que seria impossível se os acasalamentos ocorressem ao acaso.
� Cálculo do Coeficiente de Consanguinidade
O coeficiente de consanguinidade (F) mede a probabilidade de um indivíduo, em um determinado
"locus", apresentar dois alelos que são idênticos por descendência. Indica a percentagem de genes
que eram heterozigotos nos pais e que se tornaram homozigotos nos filhos porque os pais eram
parentes.
A fórmula para calcular o coeficiente de consanguinidade foi determinada por Wright (1922) e é a
seguinte:
Fx = ∑(0,5)ⁿ⁺ⁿ′⁺¹
Interpretação: 12,5% dos “locus
Em geral, os pedigrees relatam nomes e não letras.
locus” que eram heterozigotos em C se tornaram homozigot
Em geral, os pedigrees relatam nomes e não letras.
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que eram heterozigotos em C se tornaram homozigotos em X.
Dado o pedigree do reprodutor Nelore Nãsur, qual é o seu coeficiente de consanguinidade?
Dado o pedigree do reprodutor Nelore Nãsur, qual é o seu coeficiente de consanguinidade?
28
Dado o pedigree do reprodutor Nelore Nãsur, qual é o seu coeficiente de consanguinidade?
29
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� EFEITOS:
• Aumento da homozigose e diminuição da heterozigose;
• Não altera a frequência gênica;
• Detecção de genes indesejáveis ou deletérios.
� Vantagens da Consanguinidade
1. A consanguinidade, pelo aumento da homozigose, permite "apurar" geneticamente os animais,
sendo importante para fixação e refinamento do tipo desejado.
2. O aumento da homozigose ocorre tanto para genes dominantes como para recessivos. Quando a
homozigose ocorre para genes dominantes os indivíduos assim obtidos, quando acasalados com
outros não consanguíneos, tendem a imprimir, com maior intensidade, suas características e isto é
chamado de prepotência.
3. Permite a seleção mais eficiente pela separação da população em famílias diferentes, facilitando a
eliminação das piores.
4. Forma linhagens consanguíneas distintas que quando acasaladas entre si contribuem para
aumentar a heterose em características econômicas.
5. As dificuldades encontradas para a aclimação de raças taurinas nos trópicos tornam recomendável
o uso controlado da consanguinidade entre os mestiços, visando a formação de linhagens resistentes
ao ambiente tropical.
� Desvantagens
A consanguinidade apura tanto defeitos como qualidades, dependendo do estoque de genes
existentes na população antes do início da consanguinidade. Os efeitos desfavoráveis da
consanguinidade são caracterizados pela redução geral da fertilidade, sobrevivência e vigor dos
animais. Estes efeitos dependem da intensidade da consanguinidade e as diferentes características
são afetadas por intensidades de consanguinidade diferentes. Raça, sexo e linhagem também são
causas importantes de variação nos efeitos da consanguinidade.
Mas o que é coeficiente de endogamia e endogamia?
Coeficiente de endogamia de um indivíduo é a metade do grau de parentesco entre seus
pais, que é medido pelos ancestrais em comum que os mesmos possuem. Quanto mais e mais
próximos forem os ancestrais em comum, maior o grau de parentesco e consequente maior
endogamia no acasalamento, e isto se dá pelo fato de parentes possuírem um maior percentual de
genes idênticos por descendência, que são cópias do mesmo gene presente no cromossomo do
ancestral comum, ou seja, mesmo gene do cromossomo dos pais vão para os dos filhos.
Se entendermos que todos os animais dentro de uma população têm alguma relação, pois
descenderam em algum lugar no tempo de um ancestral comum, a definição de endogamia mais
técnica pode ser: o acasalamento de indivíduos com um parentesco maior do que o parentesco
médio da população ou raça.
Exemplo de alguns acasalamentos endogâmicos e seus respectivos coeficientes de endogamia:
31
Até aqui tudo Ok, mas como isso acontece?
Sabe-se que cada animal recebe 50% de seus genes do pai (espermatozoide), e 50% dos
genes da mãe (óvulo), sendo que quanto mais aparentados forem eles, maiores são as
probabilidades ou chances da progênie possuir dois genes presentes em um determinado loco,
idênticos por descendência.
Gene = unidade física básica que constitui o DNA, em outras palavras é um “pedacinho” do material
genético de um indivíduo.
Loco = localização específica de um gene em um cromossomo.
Cromossomo = uma de várias longas cadeias, ou fitas, de DNA que compõe o material genético
localizado no núcleo de cada célula que compõe o ser vivo.
Então o principal efeito da consanguinidade é o aumento da homozigose e em consequência
redução da heterozigose. E heterozigose tem uma relação direta com heterose, que é o que se
consegue em aumento de produtividade e vigor em função do acasalamento de raças ou linhagens
mais distantes.
Mas heterose não é consequência do cruzamento entre raças?
Lógico que, quanto maior for a distância genética entre os indivíduos cruzados (entre raças)
ou acasalados (mesma raça), maiores vão ser os ganhos com heterose, obviamente que no
cruzamento a distância deve ser maior, mas a heterose entre linhagens também existe.
Outra pergunta muito comum é: A utilização da endogamia traz “problemas” ou anomalias
congênitas ou genéticas?
A consanguinidade não cria nenhum gene deletério na população, o que ocorre de fato, é
que a endogamia leva a um aumento de pares de genes em homozigose, e muitas anomalias
congênitas se manifestam somente em homozigose recessiva. Vale ressaltar que, a grande maioria
destas são de herança mendeliana simples, ou seja, ligadas somente a um par de genes.
Sendo Z o exemplo fictício do gen, podemos ter: ZZ homozigoto dominante e normal, Zz
heterozigoto, não manifestando a anomalia, mas portando um gen z, podendo transmiti-lo a seus
filhos e zz homozigoto recessivo manifestando a anomalia.
Mas a endogamia pode ser utilizada?
Sim, pode, e as principais finalidades são:
Detecção de genesrecessivos deletérios, que podem estar “camuflados” em heterozigose, e seleção
descartando os indivíduos portadores;
(Trecho retirado do Texto: MITOS E REALIDADE SOBRE CONSAGUINIDADE OU ENDOGAMIA - William
Koury Filho)
32
� EXOGAMIA
É o cruzamento entre indivíduos não aparentados (de mesma raça ou espécie, ou então de raças ou
espécies diferentes).
8. Métodos de Seleção
Melhoramento genético através da SELEÇÃO: É a escolha das características desejáveis (sejam
produtivas, ou reprodutivas), dentro de indivíduos geneticamente semelhantes, aumentando a
FREQUÊNCIA GÊNICA favorável e consequentemente, reduzindo a frequência dos genes de efeitos
desfavoráveis.
Seleção é o processo decisório que indica quais animais de uma geração tornar-se-ão pais da
próxima, e quantos filhos lhes será permitido deixar. Em outras palavras, pode-se entender seleção
como sendo a decisão de permitir que os melhores indivíduos de uma geração sejam pais da geração
subsequente.
A seleção, de modo geral, tem o objetivo de melhoria e/ou fixação de alguma característica
de importância. Isso quer dizer que ela tem por finalidade aumentar, na população, a frequência de
alelos favoráveis.
A melhoria obtida em características quantitativas vai depender da herdabilidade da característica
em questão, e do diferencial de seleção. No entanto, é importante ressaltar que a seleção, apesar de
possibilitar a mudança da frequência gênica da população, aumentando a frequência de alelos
favoráveis, não cria novos genes.
A mudança na frequência dos genes é resultado da definição de quais serão os pais da geração
subsequente e do número de filhos que estes pais deixarão.
A seleção / escolha de indivíduos para a produção e/ou reprodução pode ser:
• Natural
Pode-se dizer que a seleção natural atua no sentido de preservar o valor adaptativo
conferindo ao indivíduo a habilidade em sobreviver e reproduzir.
A escolha é determinada pela adaptação das características do gameta ou do indivíduo para
sobreviver no ambiente em que terão que viver.
• Artificial
Aumenta a representação genética de indivíduos com características de interesse humano.
Tem menor valor adaptativo.
A escolha é determinada pala ação do Homem, dando preferência a animais que apresentem
características de seu interesse.
O objetivo implícito da seleção artificial é mudar, num período compreendido por algumas
gerações, as frequências gênicas na população, de tal modo que os genótipos produzidos tenham as
características desejadas pelo criador.
− Seleção fenotípica morfológica
33
− Seleção fenotípica produtiva
� Considerações gerais sobre SELEÇÃO:
1) Seleção é processo de melhoramento genético, mas não é o sistema de acasalamento;
2) A seleção não é capaz de criar novos genes. Simplesmente age fazendo a passagem de genes e/ou
combinação gênica favoráveis para mais filhos que outros indivíduos;
3) As mudanças genéticas obtidas pela seleção são permanentes - a menos que haja seleção no
sentido contrário;
4) A seleção sempre é mais eficiente quando a Frequência Gênica for próximo de 0,5;
5) Não fixa heterozigoto;
6) São necessários muitas gerações para tornar abundante um gene que é raro na população.
A Seleção pode ser:
• Seleção contra um gene recessivo: A remoção de um gene recessivo homozigoto de uma
população é um processo lento, principalmente porque os heterozigotos ocultam esses
genes e, se há dominância completa, torna-se impossível identificar fenotipicamente os
indivíduos homozigotos dominantes dos heterozigotos.
• Seleção contra um gene dominante: A seleção contra um gene dominante indesejável é um
processo relativamente simples. Assim, num rebanho da raça Holandesa onde os indivíduos
de pelagem vermelha são os desejáveis pelo criador e a nenhum animal de pelagem preta e
branca é permitido reproduzir-se, a próxima geração será constituída, inteiramente, de
animais de pelagem vermelha (homozigotos recessivos).
• Seleção Indireta: A seleção indireta se justifica quando é mais interessante selecionar para
uma característica correlacionada do que para a principal diretamente. Para melhorar X a
seleção é feita para Y, mesmo quando o objetivo primário é obter ganho genético em X.
� Métodos para Aumentar o Ganho Genético
Observando-se fórmula para estimar o ganho genético vê-se que são três os fatores que afetam o
ganho genético anual: diferencial de seleção, herdabilidade da característica e intervalo de gerações.
• Diferencial de seleção
A diferença entre o valor médio do critério de seleção dos indivíduos selecionados (Ps) e a média do
rebanho, antes da seleção (Pu), é denominada diferencial de seleção e denotada por DS.
Quanto mais intensa for a seleção maior será o diferencial de seleção. Assim, se na população
disponível são escolhidos apenas 5% dos animais superiores, o diferencial de seleção será maior do
que se 10% fossem os selecionados.
Outro aspecto, ligado ao diferencial de seleção, é a variação genética da população disponível.
Quanto maior a variação de natureza genética maior será o diferencial de seleção, a despeito desta
reduzir a variação entre os pais selecionados.
34
O número de características também exerce efeito sobre a magnitude do diferencial de seleção. À
medida que aumenta o número de características diminui o diferencial de seleção numa proporção
de 1/Vn , onde n é o número de características a selecionar.
• Herdabilidade
A herdabilidade pode ser aumentada pela diminuição da variância de meio ou pelo aumento da
variância aditiva. Um exemplo de variância devido ao meio é o de que fêmeas jovens (primíparas)
produzem animais mais leves em relação àquelas adultas, sendo necessário fazer correções para
eliminar esta causa de variação.
• Intervalos de Gerações
O intervalo de gerações mede o tempo necessário para que os genes sejam transferidos dos pais aos
filhos sendo, portanto, de grande importância no progresso genético das características
selecionadas.
Na Tabela 9.4 podem-se ver os intervalos médios de gerações em diferentes espécies domésticas.
Todos os aspectos que resultam em baixa eficiência reprodutiva também contribuem para alongar o
intervalo de gerações. Todas as medidas capazes de aumentar a eficiência reprodutiva resultam em
diminuição do intervalo de gerações. Diminuição do intervalo de gerações implica na manutenção de
animais no rebanho em menor número de anos, o que resulta na diminuição de progênie deixada
pelos animais e maior necessidade de reposições e, consequentemente, menor diferencial de
seleção. Em cada situação particular há um ótimo número de anos em que os animais devem ser
mantidos no rebanho, processo conhecido como otimização genética.
Epistasia (ação gênica não aditiva) nas quais diminuem a correspondência entre genótipo e fenótipo,
e provocam confusão ou falhas na escolha fenotípica dos reprodutores, a média da geração
descendente não é a média do grupo de reprodutores. E sim, fica entre ela e a da população total na
qual se seleciona o grupo.
ENTÃO O GANHO GENÉTICO NÃO É O DS, PORÉM UM VALOR MENOR DO QUE ELE, DEVIDO À
REGRESSÃO DOS DESCENDENTES PARA A MÉDIA GERAL DA POPULAÇÃO DA QUAL PROVIERAM.
35
� Intensidade Seletiva (i)
É a relação entre o diferencial de seleção (S= Ps – P) e o desvio padrão fenotípico (σp).
A intensidade de seleção, i, depende somente da proporção da população incluída no grupo
selecionado e, desde que a distribuição dos valores fenotípicos seja normal, ela pode ser
determinada a partir de tabelas das propriedades da distribuição normal.
Há vários fatoresque limitam a intensidade seletiva (i):
- Atenção especial para a porcentagem de animais que o criador deve guardar para manter o seu
rebanho matriz.
- Se toda população fosse ser reproduzida para isso, o DS seria igual a zero.
- Por outro lado a porcentagem de animais depende de cada espécie.
Usa-se apresentar o diferencial de seleção em termos de desvio padrão, relacionado a essa
porcentagem de animais que deve ser mantida.
Tal critério é obtido partindo-se da curva de distribuição dos caracteres econômicos que, na maioria
dos casos, é de distribuição normal.
De posse das tabelas o cálculo do progresso genético esperado torna-se fácil, conhecendo o desvio
padrão do caráter em questão e a herdabilidade.
36
Ex.: Rebanho ovino para seleção do peso de lã. O Desvio padrão do peso de lã em 1 ano de produção
é = 1kg, na tabela A= para ovinos devemos separar:
- 45 – 55 ou seja 50% das fêmeas para reprodução = 0,80 x o desvio padrão
- 2 – 4% ou seja 3% dos machos para reprodução = 2,27 x desvio padrão de acordo coma a tabela B
Assim temos:
DS das fêmeas= 0,80 x 1 = 0,80
DS dos machos= 2,27 x 1 = 2,27
DS de machos e fêmeas = 0,80 + 2,27 = 1,53
2
Admite-se, para o caso, uma herdabilidade de 0,33 ou 33% para o caráter peso da lã teríamos um
progresso final de:
1,53 = 0,51 no peso da lã por geração.
3
Esta geração esta sendo de 4 anos de intervalo (tabela A) daria um progresso ANUAL de:
0,51 = 0,13kg
4
Na propriedade em que você foi contratado para aumentar a intensidade seletiva e
consequentemente aumentar o ganho genético. Como você realizaria a pressão de seleção para
obter resultados satisfatórios na produção de leite e assegurar o seu emprego?
R1: Pressão de seleção: pode ser alta ou baixa, independente da intensidade seletiva, portanto
quanto maior a pressão de seleção sobre a intensidade seletiva, melhor o ganho genético alterando a
velocidade de resposta.
R2: Implementação de estratégias: como o uso da tabela A para assegurar um ganho genético
maior, ou seja, respeitando o percentual de animais selecionados para serem reprodutores.
� Ganho ou progresso genético
• Depende da intensidade de seleção (i)
• Depende da herdabilidade
• Intervalos entre gerações
� Seleção de várias características
O interesse usual do criador é a seleção simultânea de várias características. Raramente uma única
característica é objetivo de seleção. A eficiência dos animais de interesse zootécnico guarda uma
relação estreita com as características que provocam maior retorno econômico para a atividade. O
produtor de suínos, por exemplo, tem forte interesse no melhoramento do tamanho da leitegada, da
37
eficiência da conversão alimentar, da porcentagem de carne magra na carcaça e da qualidade da
carne entre outras. Já o criador de bovinos de corte procura, via seleção, melhorar as características
que resultam em maior lucratividade como fertilidade, os pesos e os ganhos de peso à várias idades,
precocidade, qualidade da carcaça etc. O mesmo interesse é do criador de bovinos de leite que visa,
prioritariamente, melhorar não somente a quantidade de leite como o seu conteúdo e a sua
qualidade, a fertilidade, a resistência às doenças, conformação e tipo etc.
Em função dos interesses seletivos múltiplos, a seleção deve ser direcionada para características de
real importância e que causam impacto econômico na atividade.
No caso da seleção para várias características, o estabelecimento de prioridades é decisão
indispensável. A seleção para mais de uma característica, no entanto, pode reduzir a pressão de
seleção para outra qualquer.
O aumento do número de características provoca, inevitavelmente, redução nas intensidades
seletivas.
Eleger características desejáveis e economicamente importantes, além de correlacionadas entre si, é
decisão correta para construção de índices de seleção, que propiciarão aumento maior no mérito
genético do indivíduo do que a ênfase em apenas uma.
Um animal zootécnico ou animal de estimação (pet) deve atender diferentes aspectos, direta ou
indiretamente.
• Resistência a doenças
• Boa capacidade de conversão de alimentos
• Fertilidade
• Longevidade
• Alta performance
• ↑ herdabilidade e repekbilidade etc.
Na seleção para várias características, três métodos são recomendados pela literatura a respeito:
a) Método unitário ou "tandem"
Por este método, a seleção de uma característica é feita por várias gerações até que se atinja o
melhoramento desejado para a mesma. Cada característica é selecionada de cada vez. Uma vez
melhorada e atingida a meta desejável para ela, inicia-se o processo de melhoramento da outra
característica e assim sucessivamente.
A maior limitação deste método é o tempo gasto para a sua efetivação que, em alguns casos, pode
penalizar o ganho genético anual.
A eficiência deste método de seleção depende, em grande parte da correlação genética entre as
características de interesse econômico. Quando a correlação genética é positiva, o melhoramento de
uma resultará em melhoramento de outras não selecionadas com as quais se vincula. Se, por outro
lado, as características não são geneticamente correlacionadas e, portanto, independentes uma das
outras, a eficiência do método unitário, ou "tandem", é pequena. Há, ainda, o risco de que, após
algumas gerações de seleção em apenas uma característica, possam ocorrer mudanças
desencorajadoras para o criador, como por exemplo, novas exigências ditadas pelo mercado
consumidor que acabam por interromper o processo seletivo.
38
b) Níveis independentes de eliminação (Método dos níveis de rejeição)
Este método consiste no estabelecimento de níveis mínimos que o animal deve atingir em cada
característica de interesse do criador. Os animais que não atingem os patamares mínimos fixados
para cada característica são descartados.
Suponha que o criador fixe como meta para seu rebanho leiteiro uma produção média superior a
4.000 kg/lactação e como teor de gordura superior a 4%. Se a produção de gordura for inferior a 4%,
independentemente da produção, a vaca será descartada, mesmo que sua produção supere a 5.000
kg/lactação, por exemplo.
Uma das restrições mais notáveis deste método é o decréscimo que provoca na intensidade de
seleção de cada característica individualmente. À medida que o número de características envolvidas
na seleção aumenta, ocorre diminuição na intensidade de seleção.
Se a seleção é direcionada apenas para uma característica e o criador escolhe 25% dos melhores
indivíduos para a reprodução, o diferencial de seleção praticado corresponderá a 1,30 desvios-
padrão. Se incluir mais uma característica na seleção, esta somente poderá ser efetivada entre os
50% superiores e o diferencial de seleção praticado corresponderá apenas a 0,8 desvio-padrão para
cada característica individualmente.
A despeito desta restrição, o progresso genético da população resultante desta seleção para ambas
as características será maior do que aquele obtido para seleção de apenas uma. (1,30 + 0,80 = 2,10
desvios-padrão).
Cabe ressaltar que quando as características envolvidas apresentam correlações genéticas negativas,
a intensidade de seleção decresce ainda mais.
c) Índice de seleção (Método dos pontos)
Este método de seleção permite predizer o mérito genético de um indivíduo agrupando diferentes
características de interesse econômico em apenas uma, para a qual é atribuída um escore. Os
animais com os escores mais elevados são, então, mais utilizados na reprodução. A influência de
cada característica no escore final é determinadapor pesos, ou seja, pela importância maior ou
menor de cada uma delas no conjunto. A quantificação dos pesos depende do valor econômico
relativo de cada característica, uma vez que nem todas as características são igualmente
importantes.
É o melhor, porque considera, simultaneamente, os caracteres mais importantes (fenotípico – falho).
Também é simples, pois cada animal é representado por um número, permitindo comparação
quantitativa.
Índices seletivos:
• Importância econômica da característica
• Importância da característica no valor fenotípico
• Herdabilidade
• Correlações
� Auxílios à Seleção
A seleção individual ou massal é eficiente quando as características mostram herdabilidade alta,
onde os fenótipos constituem uma indicação segura do valor genético dos indivíduos. Para
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características de baixa herdabilidade, onde os fenótipos não indicam o real valor genético dos
indivíduos, medidas complementares contribuem para aumentar a eficiência de seleção.
Basicamente, três razões justificam a utilização de medidas auxiliares a seleção:
1. Quando se exige maior segurança, o que pode ser obtido através do uso de médias de observações
repetidas, como produção de leite, número de leitões por leitegada ou produção de ovos em
diferentes posturas.
2. Quando a seleção mais precoce pode ser obtida, resultando intervalos de gerações mais curtos e,
em consequência, ganhos genéticos maiores.
3. Quando a seleção massal é impraticável, como ocorre para as características limitadas pelo sexo
(produção de leite ou de ovos, número de leitões por leitegada etc.) ou para características que não
podem ser medidas diretamente no animal, como as características de carcaça.
Basicamente três medidas auxiliares a seleção podem ser utilizadas:
a) Uso de medidas repetidas
A utilização de médias de produções do mesmo animal, em diferentes etapas da sua vida produtiva,
contribui para aumentar a precisão na identificação dos melhores genótipos da população.
O uso da média de n observações repetidas é um dos modos mais eficientes de se controlar erros e
confusões que de outra maneira poderiam resultar dos efeitos temporários ambientes. Tendo-se a
média de n produções pode-se obter a sua capacidade provável de produção (CPP), que inclui os
efeitos permanentes de meio, além do valor genético do animal.
b) Seleção pelo pedigree
A seleção tendo por base o "pedigree" consiste na escolha de animais de acordo com o desempenho
dos ascendentes. É um processo útil, notadamente para as características de baixa ou média
herdabilidade, onde os fenótipos dos indivíduos não permitem a estimativa real dos seus genótipos.
A seleção pelo "pedigree" permite realizar uma avaliação mais precoce dos animais, uma vez que a
referência será o desempenho dos seus ascendentes e não a dos próprios indivíduos.
A análise do "pedigree" é útil como acessório à seleção individual, especialmente quando se conhece
o mérito genético do indivíduo. A despeito desta utilidade, a seleção pelo "pedigree" nunca deve
substituir a seleção individual. É importante que os "pedigrees" tenham informações confiáveis,
produtivas e econômicas dos animais como subsídios à seleção. No Brasil, raramente os "pedigrees"
têm informações produtivas. Limitam-se a apresentar relações nominais ou numéricas dos
ascendentes, muitas vezes explorando mais as conquistas individuais de premiações ou a beleza
estética dos ascendentes do que as qualidades funcionais.
c) Seleção pelo teste de progênie
O teste de progênie consiste na avaliação do valor genético dos reprodutores pelo desempenho de
suas progênies. O valor genético corresponde a duas vezes o desvio de sua progênie da média da
população. Em termos numéricos, se o peso a desmama, por exemplo, é de 150 kg e a progênie do
reprodutor apresenta peso médio a desmama de 160 kg, o seu correspondente valor genético é de
170 kg, o que equivale a duas vezes o desvio de sua progênie em relação à média da população.
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Em termos mais simples, pode-se dizer que o teste de progênie é um teste de comparação de
reprodutores, sendo básico para qualquer programa de melhoramento genético.
O teste de progênie visa estimar o valor gênico do indivíduo ("breeding value") com base nas
informações de desempenho extraídas de sua progênie.
Do ponto de vista genético-quantitativo, o que se deseja é obter o coeficiente de regressão do valor
gênico do indivíduo em função da média da progênie de n meio irmãos.
Indicações
• O teste de progênie é recomendado para características de baixa herdabilidade, onde o
fenótipo do indivíduo não indica, com precisão, o valor genético do reprodutor. Para estas
características o teste de progênie contribui para aumentar a eficiência da seleção individual.
• Quando a característica não pode ser medida em um sexo, como produção de leite, por
exemplo, ou quando somente pode ser medida após a morte do animal, como as
características de carcaça.
• Ser o tamanho da população grande, especialmente quando a inseminação artificial é
utilizada intensamente, o que permite assegurar o máximo de melhoramento genético por
unidade de tempo, otimizando o ganho genético.
Limitações Práticas
• É um teste de custo elevado, que deve ser subsidiado por entidades governamentais ou por
associações de raça, com a colaboração dos criadores.
• Contribui para aumentar o intervalo de gerações e, por isto, tende a reduzir a taxa anual de
melhoramento genético. Assim, o teste só se justifica na medida em que contribui para
aumentar a precisão na escolha dos reprodutores.
• Dificuldades de organização, peculiares a cada espécie animal em que se realiza o teste de
progênie. Entre as principais dificuldades destacam-se as seguintes: deficiência de
conhecimento na determinação dos parâmetros genéticos e ambientes, definição das
características a investigar, ausência de informações nos registros disponíveis, número
limitado de descendentes disponíveis etc.
Problemas de Interpretação
• Semelhanças no manejo dos membros da mesma progênie, conduzem a diferenças entre
grupos de progênie, que podem ser confundidas com diferenças entre os valores genéticos
dos reprodutores. Com isto torna-se impossível separar os efeitos genéticos dos
reprodutores daqueles resultantes de diferenças de manejo em diferentes rebanhos. Este
problema não pode ser evitado simplesmente pelo aumento do número de descendentes,
notadamente porque implica em gastos mais elevados. As progênies devem ser comparadas
em ambientes similares.
• Métodos de interpretação dos registros de progênie - quanto mais acurados os registros da
progênie mais úteis serão na avaliação dos reprodutores superiores. Em nossas condições,
este aspecto é uma das limitações para o delineamento de um teste de progênie, devido a
pouca fidedignidade das informações dos registros.
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• Comparações devem ser feitas entre reprodutores com número idêntico de progênies, o que
frequentemente não ocorre. Quando o número de progênies entre os reprodutores é
diferente, a solução teórica para esta situação é fazer a regressão da média de todos os
grupos de progênie para a média da população, através de um fator que dependerá do
número de progênie na média. No caso da produção de leite, teoricamente, um touro
necessita de, pelo menos, cinco filhas, para ser avaliado com segurança, assumindo uma
herdabilidade de 25% para a característica.
• Uma fonte importante de erro no teste de progênie é quando há seleção dentro dos grupos
de progênie. Geralmente, os criadores omitem as produções inferiores, considerando apenas
as superiores. Isto pode resultar em erros na avaliaçãodos melhores genótipos, uma vez que
reprodutores inferiores ou médios podem ser classificados como superiores.
• Evidentemente, metade da herança de cada descendente origina-se da mãe e se estas
constituem um grupo selecionado, a identificação dos reprodutores superiores pode ser
prejudicada.
Vantagens da Associação Teste de Progênie - Inseminação Artificial
São grandes as vantagens da utilização da inseminação artificial nos esquemas de seleção,
notadamente para os bovinos. Isto se deve ao pequeno tamanho dos rebanhos, a baixa taxa
reprodutiva, longos intervalos de gerações e a baixa herdabilidade da maioria das características
economicamente importantes, além de algumas características serem limitadas pelo sexo. Por outro
lado, a estrutura hierárquica dos rebanhos permite que criadores de animais de elite possam
transferir genes superiores para as populações comerciais e esta ligação pode ser extremamente útil
com a inseminação artificial. No Brasil, estima-se que 2-3% da população bovina existente pertence a
criadores de elite e a inseminação artificial é a conexão mais "democrática" entre esses criadores e
os comerciais, que, em geral, têm animais de baixo valor genético. Esta é uma das razões sociais para
a utilização do teste de progênie.
Com a maior difusão da inseminação artificial outras vantagens sobressaem:
• As progênies são mais numerosas, o que proporciona uma estimativa mais segura do valor
genético dos reprodutores;
• As progênies podem ser distribuídas em muitos rebanhos, reduzindo-se os erros sistemáticos
do meio ambiente;
• Os reprodutores podem ser provados em idade inferior do que em caso de monta natural;
• Permite reduzir o número de reprodutores em atividade, e, em consequência, maior
intensidade de seleção;
• Permite uma maior e mais eficiente utilização dos reprodutores.
9. Melhoramento Genético em Equinos
Qual o grande interesse pelos criadores em desenvolver programas de melhoramento genético em
equinos?
• Crescente demanda de cavalos para esporte
• Crescente demanda de cavalos para lazer
• Crescente demanda de cavalos de companhia
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• Cavalos de tração
Qual é o grande objetivo final na criação de equinos?
• Obter animais com alto desempenho em competições (Hípica)
Quais parâmetros têm sido utilizados para quantificar o sucesso ou não de animais em diferentes
provas?
• Tempo de corrida
• Classificação final
• Os prêmios em dinheiro por corrida
• Número de corridas
• A idade à primeira prova
• A conformação morfológica
• A agilidade
• Desempenho no trabalho
Qual é a primeira etapa no desenvolvimento de um programa de melhoramento genético de
equinos?
• Definir objetivos – quais características se devem selecionar?
- Herdabilidade, correlações genéticas e fenotípicas.
Num cruzamento sempre se procura selecionar animais superiores à média do rebanho, para
produção de gerações seguintes.
� Métodos de Seleção Tradicionais
• Seleção pelo desempenho individual (performance)
• Seleção genealógica ou pelo pedigree
• Seleção pela progênie
• Seleção pela família ou linhagem
• Seleção pelos parentes colaterais
• Combinações de todos os métodos
• Seleção pelo desempenho individual (performance)
Os reprodutores são escolhidos pelas suas performances individuais tais como:
- Produção
- Exterior
- Velocidade em corrida
- Passo
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- Marcha
- Habilidade para lida com o gado
- comparados entre si por medidas das expressões de suas características.
Quais os possíveis erros de avaliação no que se refere a qualidades do animal?
- Manejo geral
- Prejudicados ou favorecidos em corridas
- Prejudicado ou favorecido em provas de manejo
- Prejudicado ou favorecido em provas de adestramento
- Habilidade do jóquei etc.
• Herdabilidade de algumas características equinas.
• Seleção pela genealogia ou pelo pedigree
A escolha dos reprodutores é feita por meio dos valores fenotípicos médios de seus ancestrais.
Ela se apoia na semelhança genética existente entre indivíduos parentes.
Coeficiente ou grau de parentesco: Rxy = ∑(0,5)ⁿ⁺ⁿ′
• Seleção pela progênie
A escolha dos reprodutores é feita através do valor fenotípico médio de seus descendentes.
Sempre lembrar que o teste em garanhões é mais seguro do que nas éguas.
Hoje o cavalo de corrida, nada mais precisa provar após os 4 anos para entrar na reprodução, porque
o exigido no turfe comercial é precocidade de velocidade.
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• Seleção pela combinação de todos os métodos
É realizada através da disponibilidade dos dados das performances dos indivíduos, de seus pais e se
possível de suas progênies.
� Objetivos gerais do melhoramento genético em equinos
a) Reconstruir uma raça ou tipo equino que tenha sido extinto ou em via de extinção.
• União de características desejadas encontrada em diferentes raças
• Ex.: Cavalo Tarpan (Europa) x cavalo pantaneiro
b) Preservar uma raça
• É o objetivo das Associações de criadores, que mantém o melhoramento através de registros
genealógicos.
c) Formar uma raça equina nova
• O criador procura desenvolver um cavalo adequado para cumprir com uma aptidão ou que possua
uma característica.
� Objetivos específicos do melhoramento genético em equinos
a) Cavalos de corrida
• PSI – Origem dos 3 garanhões: “Mediterrâneo X éguas nativas inglesas”
• A partir daí teve início o processo de melhoramento seletivo – garanhões reservados x melhores
éguas = ótimo resultado na pista.
• Em 1791 James Weatherby publicou o vol1 do STUD BOOK (listou o pedigree de 387 éguas
traçando ascendência com os 3 garanhões primitivos.
• Depois de 6 volumes o STUD BOOK foi absorvido pelos Jockey Club
• Atualmente a integridade do STUD BOOK é o pilar da raça PSI.
• Hoje os Jockey Club utilizam ferramentas computacionais – 1,8 milhões de dados.
b) Cavalo de lida (apartação ao gado)
• O cavalo para esta finalidade não deve ser muito grande
• Deve mover-se com facilidade
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• Bom temperamento
• Dorso-lombo curto
• Membros torácicos um pouco mais baixo do corpo
• Pernas dianteiras afastadas
• Bom pescoço e cabeça para facilitar o balanço do corpo
• Ter bom equilíbrio e resistência
c) Cavalo de trabalho esporte e lazer
• O objetivo desta modalidade de seleção é observado através da funcionalidade destes animais.
• O cavalo deverá mostrar aptidão
• Mostrar sua maneabilidade através do passo, marcha, galope do recuo.
d) Cavalo de Salto
O salto é um ato complexo que envolve:
• Morfologia
• Reflexos nervosos
• Treinamento
A seleção pela performance é mais eficiente do que outro método de seleção.
� CONCLUSÕES DE UM PROGRAMA DE MELHORAMENTO GENÉTICO EQUINO
Um programa de melhoramento genético deve resultar da combinação entre os métodos de seleção
e os sistemas de acasalamento que serão praticados.
Criador criterioso em relação às qualidades dos cavalos (estética, velocidade, agilidade, força,
resistência) – devido a grande variabilidade.
Pequeno número de progênie, devido ao período gestacional longo e 1 filhote por cria.
Morfologia externa possui alto poder econômico – deve-se obter animais que possuem morfologia e
funcionalidade.
Para estabelecer um programa de melhoramento genético para equinos são necessários:
• Determinar os objetivos da seleção
• Padronizar critérios para mensurações das características a serem selecionadas
• Estimar modelos estatísticos para avaliar valores gênicos e parâmetros genéticos de animais
de raças nacionais para contribuir com as associações.• Ação do Ministério da Agricultura – Exercendo ações de coordenação nos trabalhos das
Associações de raças – Órgão de fomento – pesquisa etc.
� Endogamia e Tamanho Efetivo
Em todas as espécies de animais domésticos, os criadores usam ou fizeram uso da endogamia como
auxílio à seleção. Este é um dos principais erros realizados com frequência pelos criadores de
equinos, pois sabe-se que a endogamia pode resultar em efeitos danosos devido à depressão
endogamia. Levantamentos realizados em raças nacionais (Procópio, 2000), demonstram haver
crescente aumento do coeficiente de endogamia, sendo resultante, principalmente, da excessiva
valorização dos animais premiados em exposições das diversas raças e da não permissão do registro
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de animais de origem desconhecida. A pequena variabilidade genética faz com que raças embora
muitas vezes de rebanhos numerosos, apresentem reduzido tamanho efetivo, sendo agravados pela
crescente utilização de biotecnologias como a inseminação artificial (IA) e a transferência de
embriões (TE). A principal consequência da diminuição do tamanho efetivo é a formação do círculo
vicioso, diminuição da variabilidade, limitação do ganho genético, aumento da endogamia e deriva
genética, o que pode levar à extinção de raças ou rebanhos.
� Intervalo de gerações
O intervalo médio de gerações é calculado pela idade média dos pais quando nascem seus filhos
(Lush, 1964), levando em consideração todo o período da vida reprodutiva do reprodutor ou
reprodutriz. Os equídeos possuem maiores intervalos de gerações em relação às demais espécies
como bovinos e, principalmente, suínos e aves. Isto ocorre de forma natural no caso das éguas pelo
período de gestação de 11 meses e pelo fato de não ser intenção dos criadores, diminuírem a idade
ao primeiro parto das éguas, para permitir a doma e treinamento desses animais.
Como o ganho genético anual está inversamente relacionado ao intervalo de gerações, é importante
que o criador faça estrategicamente a reposição de seus animais em reprodução por indivíduos mais
jovens e melhorados.
� Parâmetros genéticos
Quanto maior a herdabilidade, maior a correlação entre fenótipo e genótipo, ou seja, a característica
será transmitida com maior eficiência dos pais para suas progênies. As características relacionadas à
conformação, em equídeos, possuem herdabilidades de média a altas, enquanto características de
desempenho possuem herdabilidades de média a baixas com grandes oscilações. Quanto maior a
correlação genética entre duas características, a seleção em uma irá refletir em seleção na outra.
� Genética para o Desempenho
Não diferentes das caracterizações econômicas de outras espécies, as funções zootécnicas dos
equinos, como a capacidade para marchar, correr e saltar, a aptidão para tração e a resistência física
para cavalgadas, enduros e provas funcionais dependem da ação de vários pares de genes, em ação
aditivo e ou em interações: dominância, superdominância, epistasia. Aliados a este sistema genético,
atuam fatores de ambiente como o clima, a alimentação, o manejo, os treinamentos, os diversos
tipos de arreamentos e pistas, sendo as características apresentadas pelos animais resultantes da
ação combinada desses fatores (Jones, 1987).
� Provas para Avaliação Genética
Em geral, as provas de desempenho são importantes quando a característica é expressa no animal do
sexo em que é avaliada, a herdabilidade é de moderada a alta e quando a correlação genética entre
os testes de desempenho e de progênie é pelo menos moderada (Huizinga et ai.,1991a.).
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� Seleção
Várias raças equinas distinguem-se pela habilidade em desempenhar alguma atividade em particular.
Estas adquiriram, historicamente, características marcantes devido à seleção subjetiva de linhagens
de criação, antes mesmo do desenvolvimento de teorias modernas as quais poderiam estimar mérito
genético de garanhões e reprodutrizes. Desta forma, selecionaram-se a raça Árabe, bem como a PSI,
que vem sendo selecionada há mais de 200 anos para velocidade de corrida ao galope. Outras raças
são selecionadas para velocidade ao trote, outras para capacidade de puxar carga, trabalho na lida
com gado, salto e outros esportes e outras ainda para desempenho de diferentes formas de
andamentos (Evans, 1987).
O princípio básico da seleção é fazer com que indivíduos que possuam melhor combinação genética
se reproduzam, de forma que a geração seguinte tenha, na média, maior quantidade de genes
desejáveis.
� Objetivo de Seleção
As diferentes raças de equinos possuem objetivos diferenciados e boa parte delas são criadas para
múltiplos propósitos. Para que um indivíduo seja considerado bom, independente da raça, ele deverá
possuir um somatória de boas características relacionadas ao seu objetivo de criação. Uma raça por
meio de sua associação de criadores deve definir quais são as características e os principais atributos
de um bom exemplar, priorizando objetivamente qual a função ou aptidão daquela da raça.
10. Heterose e Cruzamentos
a) Heterose
Utiliza-se o termo heterose, ou vigor híbrido, para caracterizar a superioridade média dos filhos em
relação à média dos pais, independente da causa.
O termo, também, se aplica ao fenômeno no qual a descendência de acasalamentos entre linhagens
consanguíneas, ou entre populações de raças puras, apresenta desempenhos superiores à média das
duas populações, excedendo a melhor destas. Outros autores referem-se a heterose como o
aumento do vigor da progênie em relação ao dos pais, quando indivíduos não aparentados são
acasalados (Bowman, 1959; Lasley, 1972; Sheridam, 1981).
Resultados de heterose, em diferentes espécies animais, têm evidenciado que o nível de heterose é
inversamente proporcional à herdabilidade da característica. Assim, em bovinos, a heterose é de
pequena magnitude para as características de crescimento pós-desmama, eficiência de conversão
alimentar ou composição da carcaça, que são de herdabilidade alta.
Por outro lado, níveis mais altos de heterose são relatados para características de baixa
herdabilidade, como a fertilidade, sobrevivência e outras características relacionadas com a
reprodução.
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� Tipos de Heterose
Heterose individual: aumento na performance, vigor etc., em um animal individualmente (em
relação à média de seus pais) que não é atribuível aos efeitos maternos, ou paternos ou ainda ligados
ao sexo. É função das combinações gênicas presentes na geração corrente.
Heterose materna: refere-se à heterose na população atribuível a utilização de fêmeas cruzadas ao
invés de puras, (como, por exemplo, a produção de leite, melhoria do ambiente pré-natal, tamanho
da leitegada etc.).
Heterose paterna: refere-se a qualquer vantagem na utilização de cruzados versus reprodutores
puros sobre a performance da progênie. Tanto a heterose paterna como a materna são funções de
combinações gênicas presentes na geração anterior. Por exemplo, as heteroses materna e paterna
para taxa de concepção dependem das combinações gênicas existentes nas mães e nos pais.
� Fatores que Afetam a Heterose
O grau de heterose, obtido nos cruzamentos, depende dos seguintes fatores segundo Fries (1996):
a) dos níveis de heterozigoses materna e individual;
b) da distância genética entre as raças envolvidas;
c) das frequências gênicas na população;
d) da característica de interesse e de suas interações com o ambiente.
� Estimativa da Heterose
O grau de heterose (%) é avaliado pela superioridade da média do F₁ em relação a média dos pais
mediante a seguinte expressão:
h = Média de F₁- Média dos Pais
Média dos Pais
b) Cruzamento
Cruzamento: quando ocorre com indivíduos de raças diferentes
Hibridação: quando ocorre entre indivíduos de espécies diferentes
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Os cruzamentos visam explorar os benefícios de heterose nas características econômicas,
especialmente naquelas em que a seleção individual ou massal é pouco efetiva. A opção por este ou
aquele sistema de cruzamento é tarefa que depende de vários fatores entre os quais se destacam:
a) número de vacas disponíveis no rebanho para uso em cruzamentos;
b) disponibilidade de pastagem compatível com o sistema de produção;
c) disponibilidade de mão de obra qualificada para implementar e consolidar o programa proposto;
d) facilidades de uso da inseminação artificial;
e) mercado de fácil acesso e que ofereça retorno aos investimentos dispensados ao programa.
Teoricamente, segundo Euclides Filho (1996), um sistema de cruzamentos ideal deveria preencher os
seguintes requisitos:
a) permitir que as fêmeas de reposição sejam produzidas no próprio sistema, o que dá
independência ao programa e, ao mesmo tempo, assegura a indispensável qualidade genética pelo
conhecimento da potencialidade dos animais disponíveis;
b) possibilitar o uso de fêmeas mestiças, que pela maior habilidade maternal, resultam em aumento
do peso a desmama dos seus produtos;
c) explorar efetivamente a heterose procurando obter vantagens econômicas com a sua utilização;
d) possibilitar que tanto machos quanto fêmeas sejam adaptados ao ambiente onde eles e suas
progênies serão criados;
e) utilizar as grandes diferenças entre raças para a grande maioria das características bioeconômicas
de forma a otimizar o desempenho dos animais.
� Estratégias de Cruzamentos
1) Definição das condições ambientais
2) Escolha da raça mais adequada p/ exploração comercial
3) Definição das características que devem ser geneticamente melhorada
4) Sistema de registro de controle zootécnico – sobrevivência, fertilidade, IP, características de
crescimentos, eficiência biológica etc.
5) Estabelecimento de programas de avaliações de reprodutores – sempre na mesma condições
ambientes onde serão criadas suas progênies
� Objetivos do cruzamento
1) Produção de HETEROSE
2) Otimizar o mérito genético aditivo de diferentes raças – explorando a variação genética existentes
entre as raças como resultado da seleção direcionada para objetivos específicos como tamanho,
produção de leite, habilidade materna, adaptabilidade etc.
3) Complementariedade – tendo como conceito proposto o cruzamento de raças para maximizar o
impacto de características desejáveis e ao mesmo tempo minimizar o impacto de características
indesejáveis.
4) Permitir o formação de raças “Sintéticas ou Compostas” que apresentam versatilidade genética
para utilização em ambientes e sistemas de produção mais adversos
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� Sistemas de Cruzamento
• Cruzamento Simples ou Industrial
É também conhecido como cruzamento de primeira geração. Envolve o acasalamento de duas raças
puras com produção, na primeira geração de mestiços ou F₁ (cruzado). Este tipo de cruzamento
permite a obtenção do nível de heterose máximo.
Há reconhecimento consensual de que a composição genética obtida na geração F₁ é aquela que
oferece resultados econômicos mais vantajosos em função da expressão máxima da heterose. O F₁
produz satisfatoriamente bem e em condições ambientes bastante variáveis, tornando-o
comercialmente muito apreciado pelos produtores.
A pergunta mais comum neste sistema de cruzamento simples é: o que fazer após a geração F₁?
Uma alternativa comumente praticada pelos criadores para esta situação é realizar o
retrocruzamento em que o produto F₁ é acasalado com uma das raças parentais. Este esquema está
apresentado na Tabela abaixo:
É óbvio que esta redução na expressão da heterose resulta em diminuição no desempenho daquelas
características mais fortemente influenciadas por efeitos heteróticos, como a produção de leite e a
eficiência reprodutiva. Esta redução pode ser amenizada por forte pressão seletiva na geração F₁,o
que demanda disponibilidade quantitativa de animais e elevados índices de descarte, o que pode
inviabilizar o sistema.
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• Cruzamento Contínuo ou Absorvente
Por este sistema de cruzamento, a raça considerada nativa é absorvida pelo uso contínuo de
reprodutores da raça julgada geneticamente superior. O resultado é a produção de animais
conhecidos como "puros por cruzamentos" ou PC.
Vê-se que, neste sistema de cruzamento, a heterozigose é reduzida a metade à cada geração. A
grande vantagem deste sistema é que produz suas próprias fêmeas de substituição. É óbvio que a
medida que aumenta a fração de genes da raça superior também aumentam as exigências quanto ao
manejo, alimentação, cuidados profilático-sanitários, demandados pelo melhor qualificação genética
para a produção nos animais mais puros.
• Cruzamento Rotacional ou Alternativo
Este sistema originalmente foi conhecido como "criss-cross". Consiste no uso alternado de
reprodutores de raças diferentes a cada geração. Pode ser de duas ou mais raças. Entre as suas
vantagens destacam-se as seguintes:
a) as fêmeas produzidas em cada geração são incorporadas ao rebanho e os machos destinados à
comercialização;
b) mantêm elevado grau de heterose, que se estabiliza com valores de 67% e 86%, respectivamente,
com o uso de duas e três raças;
c) o sistema permite maior pressão de seleção nas fêmeas que serão retidas no rebanho.
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A consistência só é possível se as raças usadas no rodízio são semelhantes do ponto de vista
biológico. Não é recomendável, por exemplo, em gado de corte, usar uma raça com excelente
habilidade leiteira e outra excelente em termos da taxa ou velocidade de crescimento, que seria, em
tese, a desejada complementaridade, sem que haja produção de bezerros que diferem nestas
características e, por isto, são desuniformes.
Sistemas rotacionais envolvendo maior número de raças produziriam níveis mais elevados de
heterose, mas apresentam algumas limitações, tais como:
a) dificuldade de manejar grupos genéticos que se modificam a cada geração;
b) dificuldade de se encontrar, nas várias raças, a compatibilidade desejada e valores gênicos
apropriados para os programas de seleção;
c) para as regiões tropicais, com escassez crônica de alimentos, especialmente no período da seca, o
sistema é operacionalmente complicado e pouco exequível.
11. Melhoramento Genético em Ovinos
A diferença entre ovinos e caprinos está na cauda:
• Ovinos: cauda p/ baixo
• Caprinos: cauda p/ cima
Os ovinos têm grande importância para os mais diversos povos, seja nas criações de subsistência,
seja como atividade complementar, nas produções comerciais ou nas grandes indústrias nacionais
como as da Nova Zelândia, Austrália e Reino Unido. A espécie oferece uma ampla gama de produtos
e há grande variação entre raças, no tocante aos fenótipos e às aptidões de cada uma. Poucos são os
ambientes onde nenhum grupo genético ovino se adapta. Com ampla distribuição pelo globo, os
ovinos povoam desde regiões quentes e desérticas até regiões frias e úmidas, planícies e montanhas.
Nos meados do século XX os preços internacionais de lã impulsionaram o crescimento da
ovinocultura no SUL DO BRASIL.
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O Rio Grande do Sul concentrou o maior contingente ovino brasileiro, formado principalmente pelas
raças laneiras Merino e Ideal, e especialmente pela raça Corriedale, de produção mistacarne-lã.
Na década de 70, tendo em vista a melhoria da produtividade e da qualidade de lã, iniciaram as
primeiras avaliações objetivas para seleção de ovinos no Brasil.
O trabalho de Seleção levou a produção média de lã dos ovinos no Brasil:
- de 1,5 kg nos anos 40,
- a 2,5 kg nos anos 70,
- e daí para 3.0 kg na década de 90.
O início dos anos noventa foi marcado por uma grande crise mundial no mercado da lã e a já
combalida produção laneira nacional entrou em processo de franca decadência. Num primeiro
momento, os ovinocultores gaúchos tentaram se prevenir mantendo os rebanhos da raça Corriedale
(raça de dupla aptidão para carne e lã) como um meio caminho entre a volta à produção de lã e a
mudança para a carne. A crise, entretanto, foi seguida por uma ligeira recuperação e logo depois por
um profundo agravamento, com fechamento de grandes e tradicionais cooperativas de produtores
de lã.
Diante da grande crise da lã a ovinocultura de corte brasileira iniciou sua ascensão. Muitos criadores
de Corriedale começaram a importar reprodutores das raças Hampshire Down, Suffolk, lie de France
e Texel, especializadas em produção de carne, e a produzir cordeiros "meio sangue" para o abate.
Outros iniciaram cruzamentos absorventes com essas raças, na intenção de atender ao mercado já
ávido por animais para corte.
É interessante notar que a maior parte das criações do Nordeste continua sendo de subsistência, mas
muitas passaram a ter caráter comercial e mesmo empresarial. As raças deslanadas brasileiras
(naturalizadas) ganharam importância devido a sua rustícidade e adaptação ao ambiente de escassez
alimentar e também por sua não estacionalidade reprodutiva. Apesar da importância reconhecida,
não há programas de melhoramento abrangentes para estas raças, e as importações de raças
exóticas, na busca de solucionar rapidamente os problemas de produtividade do rebanho nacional,
continuam. A raça Dorper foi introduzida no Nordeste por iniciativa da Emepa, Empresa da Pesquisa
Agropecuária da Paraíba, e espalhou-se pelo país. Mostrando boa adaptação, a raça tornou-se mais
uma opção para a ovinocultura de corte.
A raça Santa Inês, que representa o maior efetivo entre as deslanadas, e talvez entre todas as raças
no Brasil, tem sofrido um processo de seleção bastante questionável, como veremos adiante, mas
poderá ser a base da indústria ovina brasileira, do Estado de São Paulo para cima, desde que sejam
tomadas as devidas medidas para sua preservação e melhoramento.
As raças locais, por serem adaptadas, têm sido usadas ao redor do mundo como a base materna para
cruzamentos. A lógica é utilizar os recursos naturais, e, portanto mais baratos, para a manutenção da
categoria mais numerosa: a das matrizes. É desejável, portanto, que as ovelhas possuam boas
características maternas e peso adulto não muito elevado. Enfim, uma matriz deve produzir bem,
criar bem e comer pouco! Para os cruzamentos utilizam-se as raças terminadoras, que permitirão a
produção de cordeiros com boa conversão alimentar e boa cobertura muscular.
Estudos sobre o valor econômico das características têm mostrado que, de um modo geral, a
prolificidade e a sobrevivência de cordeiros (relacionada diretamente à habilidade materna) estão
entre as mais importantes a serem selecionadas.
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� Melhoramento genético das características da produção de carne ovina
Quando se fala de carne ovina estamos nos referindo ao produto oriundo de animais jovens, com
idade entre os 4 e 6 meses (cordeiros). Animais mais velhos são também aproveitados, a qualidade
do produto é excelente, porém o aproveitamento é mais restrito às carnes processadas.
As principais características que precisam ser melhoradas em nosso rebanho são:
• Ganho de peso diário;
• Idade ao abate
• Rendimento de carcaça.
Entenda-se que a melhoria no ganho de peso diário e a redução da idade ao abate devem ser
conseguidas principalmente através de seleção e não somente por melhoria na nutrição dos animais.
De acordo com as herdabilidades e correlações encontradas nos poucos estudos com a raça Santa
Inês vê-se que se pode selecionar facilmente para características de produção de carne.
Exemplo de melhoramento:
Pode-se selecionar as ovelhas com maior capacidade para transmitir ganho de peso, melhor
cobertura muscular, para permanecerem com carneiros Santa Inês, melhorando assim o próprio
rebanho. Ou criar cordeiros meio-sangue, com o cruzamento de reprodutores Dorper e ovelhas
Santa Inês, melhorando também a cobertura muscular e a conformação dos animais.
A utilização de técnicas de avaliação de carcaças in vivo tem auxiliado na seleção de reprodutores. O
ultrassom já é utilizado com relativa frequência no Brasil e a área-de-olho-de-lombo, altamente
correlacionada com a musculosidade total do indivíduo, é utilizada como referência nesse tipo de
avaliação. No Reino Unido e na Nova Zelândia o uso de tomografia computadorizada vem se
tornando uma técnica auxiliar na seleção in vivo. Por ser uma técnica cara, reprodutores pré-
selecionados em outros testes são "escaneados" no tomógrafo, que tem a capacidade de avaliar a
composição percentual dos tecidos e até de prever a qualidade nutricional e maciez da carne.
� Melhoramento na produção de lã
Embora a produção de lã seja hoje, em volume, uma atividade pouco importante no Brasil, há que se
ressaltar que este produto ainda não pôde ser substituído em suas propriedades por quaisquer
produtos sintéticos. Produtos feitos com pura lã de ovinos têm mercado cativo. Muitas fazendas nos
Estados Unidos, Austrália e outros países pelo mundo produzem e beneficiam sua lã de forma
artesanal, mas com extrema preocupação com a qualidade, o que rende bom retorno financeiro para
os proprietários. Também a lanolina, subproduto nobre da lavagem da lã, tem sido aproveitada, nas
próprias fazendas e na indústria, na confecção de cosméticos muito valorizados. O mercado mundial
da lã, porém, é bastante disputado entre os países grandes produtores, como a Austrália, Nova
Zelândia, China e Rússia.
Características de qualidade da lã são principalmente:
• Diâmetro das fibras;
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• Comprimento das mechas;
• Resistência, brilho e maciez.
A lã branca é preferida por propiciar o tingimento com qualquer cor desejada, mas ultimamente,
devido às preocupações com as questões ambientais, tem havido seleção para tonalidades de cores
naturais.
Neste contexto ganham importância as raças naturalizadas como a Crioula Lanada Brasileira e a
Karakul, que apresentam animais com diversas variações de cores de lã, do rosado ao esverdeado,
passando por tons azulados.
� Melhoramento nas características reprodutivas de ovinos
A diversidade das aptidões dos ovinos pode ser observada também em relação às características
reprodutivas. Algumas raças apresentam alta prolificidade, como é o caso das raças Romanov e
Finnsheep, e entre as nossas "nativas" o da Morada Nova.
Um caso muito interessante em relação ao melhoramento das características reprodutivas dos
ovinos é o dos Merinos da linhagem Booroola. A seleção intensiva para aumento do número de
partos duplos e triplos levou à obtenção de uma linhagem com altos índices de partos múltiplos.
Mais tarde verificou-se que esta condição era devida a um gene de efeito maior cujo lócus foi
chamado "FecB" que se encontra no cromossomo 6. Em média cada alelo "Fec B" soma de 1 a 1,5
óvulos à taxa normal de ovulação. Quando em homozigose, o "FecB" produz um espantoso aumento
sobre o número de cordeiros nascidos por parto, com as ovelhas chegando a parir quíntuplos e até
sêxtuplos.
Gene Fec B – Cromossomo6 – alta taxa ovulação.
Estes números nem sempre são desejados, dada a dificuldade para a ovelha amamentar tantos
cordeiros, e também porque os cordeiros nascidos em partos múltiplos tendem a ser mais fracos que
os de parto simples.
No Brasil a introdução de animais portadores do "gene FecB" teve repercussão negativa, uma vez
que ovelhas mal alimentadas tendem a ter agravados os problemas das gestações múltiplas.
É preciso lembrar que ao mesmo tempo em que se seleciona para maior prolificidade há que se
selecionar a habilidade materna, para evitar que as ovelhas tenham mais de um cordeiro e não
consigam criá-los.
Para criar seus cordeiros as ovelhas precisam de boa produção leiteira.
É necessária a seleção de matrizes com maior habilidade materna, e o descarte de ovelhas com
pouca ou nenhuma habilidade materna. Esse procedimento é necessário para que não ocorra a
perpetuação desse problema genético no rebanho.
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� Melhoramento na produção de leite das ovelhas
Quando falamos em melhorar a prolificidade, a sobrevivência de cordeiros e seu ganho de peso, uma
maior produção leiteira da ovelha é fundamental. Também é característica de grande importância a
resistência às mamites.
Milhões de ovelhas são ordenhadas pelo mundo afora, especialmente para a produção de queijos. O
leite de ovelha possui mais proteína, gordura e sais minerais que os leites de cabra e de vaca,
possibilitando grande rendimento para o fabrico de queijos finos.
Na produção leiteira são características importantes:
• Rusticidade;
• Volume e a qualidade (porcentagem de gordura e proteína) produzidos;
• Conformação de úbere e tetas para favorecer a ordenha;
• A persistência da lactação também é importante.
Aparentemente a raça naturalizada mais apta para a produção de leite é a Bergamácia, mas devido
ao pequeno número de animais existentes, a seleção para este tipo de exploração ficaria
prejudicada. Talvez seja mais interessante, para aqueles que desejem produzir leite de ovelha no
Brasil, iniciar com fêmeas de raças adaptadas, ou mesmo sem raça definida, em cruzamentos com o
próprio Bergamácia ou com raças melhoradas como a Lacaune, que já existe no Brasil e a East
Friesian, que começa a chegar.
Ex: Bergamácia X Santa Inês
No caso das ovelhas leiteiras, poderia ser utilizado o mesmo sistema do rebanho de corte. O manejo
de gestação e nutrição é necessário da mesma forma, pois é preciso o nascimento de cordeiros
pesados para que haja o desmame rápido, não exigindo tanto da ovelha para que o leite possa ser
comercializado.
� Melhoramento na produção de pele
A pele dos ovinos deslanados tem qualidade superior á pele dos lanados e até de caprinos, atingindo
alta cotação no mercado internacional. Apesar disto, pouca importância é dada a este produto em
nosso país e não se têm realizado estudos para o melhoramento genético de características de
qualidade da pele de ovinos. Isto ocorre pelo fato de o produtor não receber nenhum incentivo para
isso. Os preços pagos por uma pele de boa qualidade, em relação a uma de média ou uma outra
ruim, não pagam os custos de se buscar essa condição.
Não existiam ovinos no Brasil antes da chegada dos portugueses, por isso pode-se dividir as raças
ovinas criadas aqui em dois grupos: o das raças naturalizadas, e o das raças exóticas. Dentro desses
grupos encontraremos raças deslanadas (possuem pelos no lugar de lã), raças lanadas especializadas
na produção de lã, raças lanadas especializadas na produção de carne, raças leiteiras e raças de
produção mista.
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O conhecimento do potencial produtivo de cada raça é importante no momento da preparação de
qualquer programa de melhoramento.
12. Melhoramento Genético em Caprinos
Aproximadamente, dois terços da população mundial de caprinos estão localizadas dentro da
latitude de 30° do Equador, em regiões de clima seco e árido e adversas para a exploração agrícola e
pecuária. Na maior parte deles, os caprinos são a fonte de alimentos e de renda dos habitantes. O
Brasil é o sexto produtor mundial de caprinos, com população estimada em 6,2 milhões de cabeças.
Deste total, 89,8% do efetivo localiza-se no Nordeste Brasileiro, sendo os Estados da Bahia, Ceará,
Piauí e Pernambuco os principais produtores do rebanho regional.
Em geral, a exploração dos caprinos e ovinos, no Nordeste, caracteriza-se por um sistema de criação
extensiva, sem nenhum cuidado de natureza sanitária e profilática. A precariedade das condições
alimentares e manejo deficiente resultam em alta mortalidade e baixa rentabilidade da exploração.
Vivendo o homem nordestino em penúria, qualquer programa de melhoramento da caprinocultura,
executado na região, trará reflexos sociais na vida dos habitantes, justificando-se, assim, a
implementação de programas na área.
Os produtos obtidos da caprinocultura são:
• Leite e derivados;
• Carne;
• Couro e pelos;
• Esterco.
� Raças Nativas
No Nordeste brasileiro existem cinco raças e/ou tipos de caprinos nativos, introduzidos pelos
colonizadores, que, através de cruzamentos desordenados, deram origem às raças ou tipos definidos
como nativos. É inegável que a seleção natural exerceu papel importante na evolução destas raças
e/ou tipos, dotando-as de maior capacidade de sobrevivência e multiplicação limitada às condições
ambientes da região. Esse processo de ajustamento biológico às condições ambientes resultou em
animais de grande rusticidade, pequeno porte, baixa capacidade de crescimento e de reprodução,
além de aptidão leiteira reduzida. Entre estas raças e/ou tipos destacam-se as seguintes:
1. Moxotó - São animais de pequeno porte, destinados à produção de carne e pele, com peso
adulto médio de 35 kg.
2. Canindé - Animais de pequeno porte, prolíficos, de razoável aptidão leiteira.
3. Repartido - Os animais são de pequeno porte, adultos pesam de 35-40 kg. Tem sido pouco
estudada.
4. Marota - também conhecida como Curaça. São animais de pequeno porte e peso adulto
médio de 36 kg. Numericamente, é a segunda raça nacional em importância.
5. SRD (Sem Raça Definida) - representa o grupamento étnico mais importante dos caprinos do
Nordeste Brasileiro. Os animais variam muito em tamanho, pelagem e conformação. Sua
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formação resulta de miscigenação entre raças exóticas introduzidas no Nordeste e tipos
nativos aí existentes.
� Raças Exóticas
1. Toggenburg - É a mais velha raça leiteira reconhecida oficialmente. Cabras adultas pesam,
em média, de 56-90 kg. São animais de temperamento vivo. Pelagem pardo-avermelhada.
Úberes bem desenvolvidos. Como raça leiteira, apresentam úbere rico em tecido secretor,
tetas bem feitas e veias mamárias desenvolvidas.
2. Nubiana - originária do norte da África. São leiteiras e produzem alto teor de gordura (7%).
São animais com peso adulto superior a 64 kg.
3. Saanen – É uma das maiores raças entre as de origem suíça. Cabras adultas pesam, em
média, 64 kg ou mais e medem 75 cm na cernelha. Machos são sempre mais pesados.
Pelagem branca ou creme. Tem sido reconhecida amplamente pela sua capacidade leiteira.
4. Alpina - Cabras apresentam peso médio de 55 kg. A Alpina francesa se assemelha a um
veado. Apresenta amplas variações de pelagem e padrões raciais.
5. Murciana - Peso médio de 60 kg nos machos e de 50 kg nas fêmeas. Altura de 75 cm nos
machos e 70 cm nas fêmeas. Membros finos e úbere muito amplo.
6. La Mancha - única raça totalmente desenvolvida nos Estados Unidos. Na sua formação
entraram cabras espanholas acasaladas com reprodutores de outras raças, na década de 20 e
30.
7.Damasco - Pesos variam de 60 kg para as cabras e 80 kg para os bodes. São resistentes e
alcançam produções satisfatórias nas condições ambientes em que são exploradas.
8. Bôer - desenvolvidas na África do Sul. Talvez seja a raça mais desenvolvida para produção de
carne. É originária do cruzamento da Nubiana, ou de cabras indianas, com grupos nativos.
São animais de bom crescimento e desempenho reprodutivo. Também pode ser explorada
para leite.
9. Cashmere, Angorá e Don - raças usadas para produção de fibras. Angorá é de origem turca e
é considerada melhor raça para produção de fibras. A Cashmere é bem difundida na China,
Mongólia, Irã e Afeganistão, enquanto a Don é encontrada na União Soviética.
� Produção de Leite
A maioria das informações disponíveis refere-se a produção de leite observada em países de clima
temperado, onde as condições gerais da criação permitem níveis mais altos. Em condições tropicais,
o desempenho leiteiro das raças de origem temperada é sensivelmente reduzido, como resultado do
"stress" térmico e das condições de alimentação e manejo deficientes. Para fins de escolha dos
genótipos mais favoráveis para produção de leite em climas tropicais, é indispensável o
estabelecimento de programas de avaliação comparativa das diferentes raças leiteiras, tendo em
vista o objetivo de alcançar produções satisfatórias e econômicas, sem comprometimento da
capacidade de adaptação dos animais. Da mesma forma que nos bovinos, a produção de leite das
raças caprinas temperadas é sensivelmente reduzida nos trópicos mas, mesmo assim, é ainda
superior à das raças nativas não selecionadas.
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No Brasil, o rebanho caprino leiteiro é constituído, principalmente, pelas raças Alpinas, Saanen,
Anglo-Nubiana e seus mestiços. A produção e produtividade desses genótipos são baixas se
cotejadas com as obtidas nos países temperados. Obviamente, as causas que justificam o fraco
desempenho dessas raças nos trópicos são múltiplas e de variadas naturezas: as ambientes: como
clima, nutrição e mineralização inadequados; controle sanitário-profilático deficiente, manejo geral
limitado, especialmente o manejo reprodutivo; as genéticas pela oferta limitada de material genético
qualificado e pelo desconhecimento, quase generalizado, dos criadores de técnicas de
melhoramento genético capazes de resultar em aumento da eficiência econômica da atividade.
Os cruzamentos entre raças especializadas para produção de leite e de origem exótica com raças
nativas é uma forma de melhoramento que vem sendo avaliada por pesquisadores brasileiros que
trabalham no semiárido nordestino.
� Produção de carne
Apesar de ser ainda muito baixo o consumo de carne caprina no Brasil, nos últimos anos, observam-
se sinais de crescimento, principalmente nas grandes cidades, mas ainda faltam regularidade e
qualidade de animais para produção de carcaças exigidas pelo mercado. Enquanto o consumo per
capita é estimado em menos de 1,0 kg, o consumo em países Árabes e da Europa varia de 4,0 a 8,0
kg. Somente nos últimos anos, a carne e caprina está sendo encontrada em supermercados,
açougues e restaurantes finos das grandes cidades, quebrando o paradigma do consumo apenas
rural e em pequenas cidades do interior (Couto 2001). Com isso verificou-se também a implantação
de agroindústrias, notadamente frigoríficos e abatedouros em todo Brasil.
Sousa (2003) comenta que a produção de peles de caprinos são atividades complementares. De fato,
dependendo do mercado, a pele de boa qualidade pode agregar até 20% do valor do produto final
(animal destinado ao abate) pago ao produtor (Couto Filho, 1999). A escassez de carne e pele faz
com que abatedouros, frigoríficos e curtumes para pequenos ruminantes instalados no país
trabalhem com alta margem de ociosidade, chegando, em alguns casos, a operar com valores
inferiores a 10% da capacidade instalada.
� Eficiência Reprodutiva
A obtenção de alta eficiência reprodutiva é o objetivo de qualquer exploração animal. Do ponto de
vista de melhoramento genético, alta eficiência reprodutiva permite maior intensidade de seleção,
devido ao maior número de animais disponíveis para seleção no rebanho, consequentemente
resultando em ganhos genéticos maiores. Em geral, os caprinos têm alta taxa reprodutiva e
intervalos curtos de partos, o que permite lograr progressos genéticos mais rápidos do que aqueles
observados em bovinos.
• Puberdade: A maioria dos caprinos alcança a puberdade em idade relativamente jovem. Há
considerável variação devido à raça e à alimentação. Recomenda-se a separação dos sexos
aos seis meses de idade. A entrada dos animais em serviço não deve ocorrer antes de um
ano e meio de idade. É muito comum, nos países de clima temperado, anestro estacional
resultante do fotoperiodismo, retardando o inicio da atividade sexual. Nos trópicos, o
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problema maior parece estar relacionado com a alimentação, principalmente com os níveis
de energia e de minerais dos alimentos. Como regra geral, não é aconselhável o
acasalamento antes que o animal atinja 60 – 70 % do seu peso adulto.
Como a idade à puberdade relaciona-se diretamente com a idade à primeira parição, justifica-se a
ênfase em sua seleção valorizando-se os animais que apresentam maiores taxas de crescimento pós-
desmama e, como consequência, maior precocidade reprodutiva. Em geral, as taxas de crescimento
pós-desmama são negativamente relacionadas com a idade à puberdade, o que significa que fêmeas
mais velozes em ganho de peso tendem a alcançar a idade à puberdade mais precocemente.
• Idade à Primeira Parição: A idade à primeira parição é resultante, obviamente, da idade à
puberdade. Idade à primeira parição mais precoce resulta em maior número de crias durante
a vida útil, o que ocorre quando os intervalos de partos são igualmente curtos. Otimizar a
manifestação da idade à primeira cria e a duração dos interpartos é condição fundamental
para a obtenção de índices de eficiência reprodutiva satisfatórios. Comumente, as raças
nativas apresentam idade tardia à primeira parição e longos intervalos de partos, tornando-
as limitadas sob o ponto de vista reprodutivo. Essa constatação decorre das restrições
impostas por limitações de qualidade genética dos animais associadas às condições
ambientes, principalmente as nutricionais e sanitárias, que, em geral, são pobres.
O desafio do melhoramento da eficiência reprodutiva está intimamente associado às mudanças de
natureza ambiente ou utilizando-se dos benefícios genéticos decorrentes da heterose.
Parece lógico associar o débil desempenho reprodutivo de nossas raças nativas aos processos de
seleção natural, que penalizaram a reprodução em troca da sobrevivência aos ambientes, muitas
vezes inóspitos, em que estavam submetidas.
• Intervalos de Partos: O intervalo de partos, pela facilidade de mensuração, é a característica
que tem mais impacto no melhoramento da eficiência reprodutiva, a despeito das
dificuldades técnicas em quantificá-lo corretamente. Em geral, os intervalos de partos de
raças caprinas exploradas no Brasil tem duração muito variável: de 246 a 426 dias. O anestro
pós-parto, decorrente de problemas nutricionais e sanitários, é responsável, em parte, pelo
alongamento do intervalo de partos, além das causas já sobejamente conhecidas.
• Duração do Ciclo Estral: São numerosos os trabalhos de pesquisa sobre a duração do ciclo
estral da cabra. Os resultados sugerem que os ciclos estrais têm duração média de 19 - 21
dias.
• Duração do Período de Estro: Parece ser altamente variável, devido às dificuldades na
identificação dos sinais iniciais. O mais comum é de 36 horas.Em condições de monta
natural, aconselha-se observar o rebanho de fêmeas mais de uma vez ao dia. A ovulação,
geralmente, ocorre poucas horas após o término do cio.
• Período de Gestação: A gestação tem duração média de 149 dias, com variações de 136 –
161 dias. Além da raça, o tipo de parto influencia a duração da gestação, com as de parto
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simples apresentando gestação mais curta do que as de parto múltiplo, algo em torno de 2
dias.
• Taxa de Ovulação: Pouco se sabe sobre a taxa de ovulação. Taxas de nascimento são
razoavelmente altas na maioria das raças caprinas, em boas condições de alimentação e
sanidade.
• Problemas Reprodutivos: As cabras parecem ser mais suscetíveis ao aborto de que outras
espécies de animais domésticos, fato cuja explicação é duvidosa e complexa. Parece que a
competição entre as exigências nutricionais do feto e a produção de fibras pela mãe concorre
para isto. A maioria dos abortos ocorre entre 90 - 110 dias de gestação. Melhores cuidados
de nutrição, manejo e sanidade reduzem essas ocorrências. Outro problema é o do anestro
prolongado em cabras leiteiras de alta produção, concorrendo para alongar o intervalo de
partos.
É evidente que a quase totalidade da população mundial de caprinos vive em condições nutricionais
deficientes. Sob tais condições, qualquer melhoramento na nutrição do rebanho resultará em
aumento significativo na produção de cabritos. Sabe-se que a exigência de proteína é mais alta nos
caprinos do que na maioria das espécies economicamente exploradas pelo homem. Quanto aos
outros nutrientes, ainda não foram definidas as exigências específicas para a reprodução.
� Avaliação de Parâmetros Genéticos
O melhoramento genético depende, basicamente, da existência de variação genética nas
características econômicas, da intensidade de seleção e do intervalo de gerações. O passo inicial é,
portanto, avaliar as diferenças genéticas na população disponível, que são dadas pela herdabilidade
das características. No Brasil, são raros os dados, até o momento, das herdabilidades de
características econômicas mais importantes dos caprinos.
As estimativas de herdabilidade estão sujeitas a variações muito amplas, devendo ser calculadas para
cada rebanho ou região antes da definição do programa de melhoramento a ser aplicado. Em geral, a
maioria das características econômicas dos caprinos tem herdabilidade moderada, indicando que
respostas positivas podem ser obtidas pela seleção massal.
Semelhantemente às vacas leiteiras, as cabras de maior produção tendem a apresentar intervalos de
partos mais longos, o que leva a suspeitar da existência de possíveis antagonismos genéticos entre
produção de leite e características reprodutivas. A maioria das características reprodutivas tem
herdabilidades baixas, cujo melhoramento pode ser feito pela utilização racional dos cruzamentos ou
por melhorias nas condições gerais da criação, principalmente na alimentação, profilaxia e manejo
geral do rebanho.
62
� Características de Crescimento
O caprino, para as regiões pobres do nordeste brasileiro, é uma das principais fontes de proteína da
população de baixa renda. Logo, o seu aperfeiçoamento tem implicações sociais muito importante
para aquela região.
Lamentavelmente, os dados disponíveis sobre controle de desenvolvimento ponderal são raros e só
recentemente têm sido analisados. Semelhantemente aos bovinos, são relevantes as informações
ponderais relativas ao nascimento, desmama e pós-desmama, bem como os ganhos de peso entre
essas idades padrão.
• Algumas conclusões podem ser extraídas dos estudos que envolvem características de
crescimento: os machos são sempre mais pesados do que as fêmeas, confirmando a
existência do dimorfismo sexual em relação ao peso;
• Animais nascidos de partos simples são, geralmente, mais pesados do que os de partos
múltiplos;
• Animais de partos duplos tendem a apresentar ganho compensatório pós-desmama em
relação àqueles de partos simples.
As baixas estimativas levaram o autor a contraindicar a seleção massal como método de
melhoramento genético das características consideradas. Neste caso, a seleção e uso de
reprodutores provados em teste de progênie é a forma mais conveniente para a promoção de
ganhos genéticos mais rápidos.
� Programas de Melhoramento Genético existentes
Nos últimos anos algumas iniciativas de implantação de programas de melhoramento genético de
caprinos foram feitas por iniciativas de pesquisadores vinculando-os a algum projeto de pesquisa.
Porém, apesar dos esforços desses pesquisadores a participação dos criadores e das associações
nesses programas foi bastante limitada e inerte.
O melhoramento dos rebanhos de caprinos no Brasil ainda se utiliza basicamente das raças exóticas,
especializadas na produção de leite e carne, sendo a melhoria dos rebanhos feita por meio da
importação de animais e embriões, principalmente da Europa, Estados Unidos e África do Sul, onde
existem programas de melhoramento com avaliação genética. Entretanto, é conhecido que os
objetivos de seleção para as diferentes raças desses países são diferentes dos que por acaso se
estabeleçam aqui no Brasil, trazendo consequências, por exemplo; para ocorrência dos efeitos da
interação genótipo-ambiente, de maneira que o reprodutor com melhor avaliação genética nesses
países pode não ser o melhor aqui, ocasionando uma inversão na ordem de classificação desses
animais.
• Ferramentas utilizadas no melhoramento genético
Os dois instrumentos disponíveis para provocar o melhoramento genético em quaisquer espécies são
a seleção e o cruzamento. A seleção pode ser definida como sendo a decisão de permitir que os
melhores indivíduos de uma geração sejam pais da próxima geração. A seleção, de modo geral, tem
como objetivo a melhoria e/ou fixação de alguma característica de importância. Essa melhoria
63
alcançada nas características quantitativas vai depender da herdabilidade da característica em
questão e do diferencial de seleção.
Por outro lado, o cruzamento é uma forma de se obter ganhos genéticos de produção e de
produtividade pela heterose e complementaridade de aptidões entre duas ou mais raças ou
linhagens. Entretanto, isso não elimina a necessidade, e nem diminui a importância da seleção como
processo de melhoramento genético a ser realizado simultaneamente. A seleção, além de
fundamental para a melhoria das raças puras, tem de ser componente essencial em um programa de
cruzamentos.
O cruzamento sem seleção resulta em vantagens facilmente superáveis pela seleção em raça pura,
ao passo que a ação conjunta das duas conduz a uma contribuição simultânea positiva na
característica.
• Programa de Melhoramento dos Caprinos leiteiros
No ano de 2005, a Embrapa Caprinos e Ovinos por meio de projetos de pesquisa retomou ações
visando o melhoramento genético de caprinos leiteiros no Brasil.
Está em andamento o primeiro teste de progênie de bodes no Brasil, realizado pela EMBRAPA. Com a
utilização de sêmen de bodes nacionais provados, a IA se tornará mais acessível e mais barata,
promovendo um maior progresso genético no rebanho nacional.
O objetivo é o de promover o melhoramento genético das principais raças de caprinos leiteiros
exploradas no Brasil por meio da identificação e seleção de reprodutores jovens geneticamente
superiores para as características de produção e de conformação.
• Programa de Melhoramento dos Caprinos de corte
A atual pressão exercida pelos frigoríficos bem como pelo mercado de carne caprina no Brasil tem
sido bastante significativa. Noentanto, o setor produtivo não tem respondido de forma satisfatório
com oferta de animais que produza carcaça de qualidade nem atendem com regularidade esse
mercado. Isto tem causado um artifício na comercialização da carne caprina onde essa é substituída
pela carne ovina.
No que diz respeito aos genótipos utilizados nesse processo, é de fundamental importância que se
desenvolvam e se intensifiquem ações de seleção e/ou cruzamentos voltados para a melhoria dos
animais ofertados e consequentemente das qualidades das carcaças e isso tem estreita ralação com
o peso e ganho de peso, bem como para a precocidade de acabamento, aliadas a melhoria da
nutrição/alimentação, reprodução, adaptabilidade e a sanidade animal.
13. Melhoramento Genético em Bovinos de Corte
A pecuária bovina de corte do Brasil é atividade econômica de fundamental importância no
agronegócio.
Em termos mundiais, a pecuária bovina brasileira destaca-se não somente pela grandeza de sua
população (205 milhões de cabeças), mas, sobretudo, pela sua inesgotável potencialidade de
crescimento que, com políticas corretas, em curto prazo, tornarão o Brasil um celeiro de produção de
proteínas de origem bovina.
64
O Brasil detém o segundo maior rebanho bovino do mundo, perdendo apenas para a índia. Em
termos de produção mundial de carne, o Brasil ocupa o primeiro lugar, superando a Austrália e os
EUA, com produção anual de 7,5 milhões de toneladas de carne.
Pelo tamanho do seu efetivo e pela qualidade potencial de crescimento do rebanho nacional
certamente o Brasil se consolidará como o maior produtor mundial de carne bovina. Para tanto, a
prioridade é dar precocidade ao nosso material genético, melhorar a qualidade da carne produzida e
obter desempenhos reprodutivos mais compatíveis com a moderna pecuária bovina.
Não é exagero afirmar que as raças Zebus promoveram uma verdadeira "ocupação genética" de
vastas áreas tropicais do Brasil. Hoje temos, sem dúvida, o maior rebanho comercial do mundo, cuja
potencialidade produtiva não encontra rivalidade em nenhum outro país.
� Avaliação da Eficiência Reprodutiva das Fêmeas
A expressão eficiência reprodutiva tem uma significação ampla e de difícil caracterização, porque se
relaciona com todas as fases da vida do animal, desde sua fecundação até o nascimento e morte. Nas
fêmeas, a eficiência reprodutiva abrange, entre outros, os seguintes eventos:
• Puberdade;
• Ovulação;
• Regularidade de ciclos estrais;
• Idades à primeira concepção e primeiro parto;
• Período de serviço (do parto até início de nova gestação);
• Intervalo de partos.
• Número de crias produzidas ao longo da vida útil;
• Longevidade;
• Facilidade de parição; etc.
Variações na eficiência reprodutiva são expressões fenotípicas resultantes de ações que envolvem
fatores genéticos e ambientes.
Dois métodos do melhoramento genético animal que são utilizados com muita frequência para se
obter um ganho genético com relação a eficiência produtiva:
• O criador, pela importância econômica da fertilidade, deve adotar critérios rígidos de seleção
visando a valorização funcional daquelas fêmeas que, no mesmo ambiente, revelam-se
superiores e melhores adaptadas.
• A partir daí o médico veterinário pode utilizar da exogamia.
A discussão da eficiência reprodutiva das fêmeas ficará restrita às seguintes características:
fertilidade, mortalidade, puberdade, idade à primeira cria ou parto, intervalo de partos e número de
crias produzidas ao longo da vida útil. A opção por estas características tem a lógica da praticidade,
pois são as comumente utilizadas pelos criadores nos seus registros zootécnicos.
65
• Fertilidade
Significa a capacidade que a fêmea tem em produzir, regularmente, crias viáveis. É a característica
que sintetiza a expectativa econômica da atividade.
Qual seria o critério mais confiável para medição da fertilidade? Na verdade, a resposta é difícil e
depende de vários fatores, destacando-se os seguintes: qualidade dos registros disponíveis das
informações reprodutivas, qualificação do pessoal de campo, sistema de monta utilizado no rebanho,
o tamanho da população de animais a ser mensurada e a prioridade dada pelo criador ao conjunto
de características associadas à fertilidade. Os critérios mais comumente usados são os seguintes:
a) Fertilidade = n° de bezerros desmamados x 100
n° de fêmeas aptas a reprodução
Nesta relação, todas as fêmeas em condições de procriação e que eventualmente não o fazem, bem
como a mortalidade de bezerros, usualmente alta na fase de aleitamento, são levados em
consideração. O valor assim obtido constitui uma radiografia das condições gerais da criação,
sinalizando para as medidas corretivas necessárias para otimização do seu valor.
b) Número de serviços por concepção: critério útil em rebanhos onde a inseminação artificial é
praticada. Como a IA atinge percentual irrisório em gado de corte, possivelmente 1-2%, este
critério tem pouca utilidade prática.
c) Intervalos de partos: a prática mais comum entre os criadores é estimar a fertilidade com
base na duração média dos intervalos de partos. Considera-se que a duração ótima, ideal, é
de 12 meses, o que permite obter um bezerro/vaca/ano. O intervalo de partos, pela
facilidade de mensuração (basta anotar o tempo decorrido entre um parto e o subsequente),
é o critério mais usado para quantificar a fertilidade teórica do rebanho.
d) Taxa de não retorno ao cio: tem sido utilizada para avaliar o índice de fertilidade,
principalmente nos rebanhos em que se utiliza a inseminação artificial. Tal avaliação é difícil
de ser obtida em condições de monta natural, tornando-a impraticável para as condições
extensivas.
Estimativas da percentagem de fertilidade do nosso rebanho bovino giram em torno de 50%,
usualmente resultantes de avaliações baseadas no intervalo de partos, o que atesta o baixo nível do
desempenho reprodutivo de nossa população bovina de corte. Em rebanhos de gado de corte de
elite, tal índice pode ser mais elevado (estima-se de 60 a 65%), mas este valor não retrata a realidade
da quase totalidade de nossa população bovina. Com índice de fertilidade tão baixo, o número de
animais disponíveis não permite nenhuma intensidade de seleção, com reflexos economicamente
importantes. O aumento da taxa de fertilidade está associado a melhorias na alimentação,
notadamente no período de seca, no controle higiênico-sanitário e no manejo geral da criação.
• Mortalidade em Geral
A literatura estrangeira registra, em gado de leite, dois picos de mortalidade pré-natal: na segunda
semana pós-inseminação ou monta natural e no segundo mês de gestação.
A mortalidade pós-natal, principalmente na fase de aleitamento, é, geralmente, alta. Admite-se
mortalidade média de 15% durante a fase de aleitamento e de 5% na fase pós-desmama.
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• Puberdade
A puberdade indica a maturidade sexual e o início efetivo da reprodução da fêmea e pode ser
avaliada pelo primeiro cio. Sob o ponto de vista genético, a puberdade é uma característica
extremamente importante, porque expressa a precocidade da fêmea para reproduzir;
Obviamente, se ela entra em reprodução mais cedo, sua vida útil será maior, bem como o número de
produtos por vaca, permitindo intensidade maior de seleção, com reflexos evidentes na mudança da
composição genética dos animais.
A idade à puberdade varia consideravelmente, por razões de ordem alimentar, manejo, clima,
diferenças raciais e individuais. Dados apontam para idade a puberdade acima de 32 meses.
• Idade ao Primeiro Parto
A idade ao primeiroparto é reflexo direto da taxa de crescimento. No Brasil Central, as fecundações
alcançam valores máximos em dezembro, período que corresponde à época das chuvas e,
consequentemente, com maior disponibilidade de forragens, tanto em qualidade como em
quantidade. O resultado é maior concentração de nascimento em setembro e desmame dos bezerros
no início da seca, período de escassez de forragens e de valor nutritivo baixo, notadamente em
energia. Esta alternância de qualidade e quantidade das forragens reflete na taxa de crescimento,
retardando a idade à puberdade e, por via de consequência, a idade ao primeiro parto.
No seu conjunto, as raças Zebus mostram idade média ao primeiro parto de 44,5 meses. Este valor é
demasiado alto e tem sido alto ao longo dos últimos 50 anos, visto que em trabalhos anteriores a
1946 a situação era a mesma. O diagnóstico, neste caso, é simples: não houve nenhum progresso no
desempenho reprodutivo das raças Zebus nos últimos cinquenta anos.
Há ainda outra agravante: a maioria dos resultados publicados refere-se a populações de gado
registrado, onde as condições gerais de criação, teoricamente, são superiores.
Em geral, novilhas que apresentam maior velocidade de crescimento atingem a puberdade e idade
ao primeiro parto mais precocemente.
• Intervalo de Partos
Individualmente, o intervalo de partos constitui a característica mais importante na avaliação da
eficiência reprodutiva. A duração ideal é de 365 dias, ou seja, um bezerro/vaca/ano. Considerando-se
que o intervalo de partos é formado de dois componentes (período de serviço + período de
gestação), significa que a vaca deverá ser fecundada em torno de 75-80 dias após o parto, uma vez
que o período de gestação médio das raças Zebus é, em torno, de 290 dias e não pode ser alterado.
A realidade de nossas fêmeas Zebus mostra intervalos de partos demasiadamente longos, podendo
chegar a 16 meses, diminuindo o número de bezerros produzidos pelas vacas e reduzindo o
progresso genético nas características de interesse econômico. Nas fazendas comerciais, onde as
condições de manejo e alimentação são mais deficientes, estima-se que a média geral do intervalo
de partos seja superior a 20 meses.
Em todas as características associadas à eficiência reprodutiva das fêmeas, é indiscutível a influência
do plano de nutrição sobre o desempenho reprodutivo. Há evidências, na literatura de gado de corte
estrangeira, de que o nível de energia tem relação positiva, dentro de certos limites, com o
desempenho reprodutivo.
Atraso do cio pós-parto, importante causa de alongamento do período de serviço e,
consequentemente, do intervalo de partos, pode ser evitado, com o aumento do nível de energia,
67
principalmente em gado de corte, onde tradicionalmente o consumo é baixo (Sreenam, 1979). O
intervalo parto-primeiro cio pode ser encurtado em até 40 horas, aumentando-se o nível de energia.
A condição corporal (CC) é uma condição da fêmea comumente associada à fertilidade. É uma
avaliação simples e objetiva e, por isso, fácil de ser implementada. É uma razão entre as quantidades
de tecidos gordurosos e não-gordurosos no corpo do animal. Apesar de sua avaliação permitir
alguma subjetividade, a condição corporal tem se constituído num importante instrumento de
melhoria da fertilidade. O escore atribuído mediante o uso de pontos da condição corporal e a
mudança de peso no período pós-parto são elementos diretamente relacionados com o desempenho
reprodutivo.
Assim, é importante dispensar às vacas no pré e pós-parto manejos que propiciem boas condições
corporais e que facilitam o retorno à atividade cíclica normal e, portanto, de melhor fertilidade. Esta
condição corporal desejável está intimamente vinculada à boa nutrição e mineralização das fêmeas,
tanto nas nulíparas como nas multíparas.
• Número Médio de Crias
Como resultado das idades elevadas à puberdade e à primeira parição e da alta mortalidade até a
idade adulta, o número de crias produzidas pelas vacas Zebus é bastante baixo, algo em torno de 4,0.
Esse número limitado de produtos/vaca impõe restrições ao melhoramento genético animal,
reduzindo a intensidade de seleção e o resultado líquido é o lento progresso genético.
• Aspectos Genéticos da Eficiência Reprodutiva das Fêmeas Zebus
Os eventos associados à eficiência reprodutiva, segundo informações disponíveis na literatura de
melhoramento animal, mostram valores baixos de herdabilidade para a maioria das características.
As conclusões extraídas de tais estimativas sugerem que o melhoramento genético da eficiência
reprodutiva é tarefa difícil e que resultados imediatos podem ser obtidos através de melhoria das
condições ambientes, especialmente da nutrição, manejo profilático-sanitário e do manejo geral da
criação. No entanto, parece que há substancial variação quantitativa nas características reprodutivas,
em geral causadas pela mistura complexa de fatores genéticos e ambientes. As conclusões extraídas
dos trabalhos de pesquisas apontam que há significativa variação genética para a maioria das
características, porém a herdabilidade é baixa devida à grande variância de meio. Em situações onde
o manejo e alimentação são de boa qualidade, as variações genéticas das características de eficiência
reprodutiva são mais evidentes e permitem ações seletivas no sentido de melhorá-las.
� Demanda de Reprodutores
Reconhece-se que o Brasil tem enorme déficit de reprodutores geneticamente qualificados para
atender a demanda dos produtores comerciais de gado de corte. Sem qualidade genética é
impossível alcançar eficiência econômica na atividade.
Considerando-se que o rebanho bovino brasileiro está estimado em 160 milhões de cabeças e que se
80% deste efetivo tem na sua composição influência genética do Zebu, o resultado é algo em torno
de 128 milhões de cabeças de zebuínos. Se o número de fêmeas aptas a reprodução for de 40%, o
que parece razoável, tem-se um efetivo de cerca de 50 milhões de matrizes que, na relação
touro:vaca de 4% (1:25) requer, aproximadamente, um milhão de touros. Admitindo-se que a vida
útil, ou tempo médio de permanência reprodutiva do reprodutor seja de 4-5 anos, a demanda anual
68
é de 200-250 mil reprodutores. Ledic (2000) informou que o número de reprodutores registrados na
ABCZ é de, aproximadamente, 12.000, o que daria para atender apenas 5% da demanda anual de
reprodutores.
O Brasil apresenta enorme déficit de reprodutores genéticamente qualificados devido a baixa
qualidade genética.
Qual alternativa você adotaria para acelerar o ganho genético nos programas de melhoramento
animal? Utilizando biotecnologias reprodutivas bem como a Inseminação artificial que poderia ter
uma ação decisiva na solução deste déficit de qualidade, mais infelizmente é pouco difundida
atingindo apenas 5% da população bovina.
� Avaliação da Eficiência Reprodutiva dos Machos
Os criadores de elite, na sua imensa maioria, valorizam, em seus processos seletivos, características
ligadas à beleza estética dos animais e, em menor intensidade, atributos relacionados com o peso e
ganho em peso. Geralmente, tratam a performance reprodutiva como característica secundária e de
menor importância em termos seletivos.
Nos machos, as características mais importantes para o melhoramento de eficiência reprodutiva são
as seguintes: puberdade, circunferência escrotal, libido, capacidade de serviço e qualidade do sêmen.
• Puberdade
Basicamente, são três os fatores que caracterizam a puberdade nos machos:
a) presença da libido ou do desejo pela fêmea;
b) produção de espermatozoides em quantidade e qualidade satisfatórias;
c) desenvolvimentodos órgãos sexuais primários que possibilitam a cópula.
A puberdade pode variar em função da raça, das condições nutricionais e climáticas e com a própria
individualidade. Do ponto de vista genético, animais que apresentam maior velocidade de
crescimento, avaliado pelos pesos e ganhos de peso, tendem a alcançar a puberdade mais
precocemente.
• Circunferência Escrotal (CE)
A mensuração rotineira da CE, às idades-padrão de 205, 365 e 550 dias, justifica-se pelas seguintes
razões:
a) fácil obtenção;
b) apresenta herdabilidade de valor de média a alto;
c) as correlações genéticas são favoráveis com características de crescimento e de reprodução,
inclusive com a fertilidade de suas filhas;
d) possui repetibilidade alta e reduz erros decorrentes da subjetividade do avaliador.
• Libido e Capacidade de Serviço
Libido avalia a espontaneidade do touro para montar e efetuar a cópula. Em outras palavras, é o
apetite sexual do touro.
A capacidade de serviço (CS) define o número de montas que o touro é capaz de efetuar num
determinado tempo. É um processo de seleção amplamente usado na seleção de touros europeus.
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• Qualidade do Sêmen
A qualidade do sêmen é uma característica andrológica de vital importância na seleção de
reprodutores, principalmente quando se tem em conta que a pecuária de corte do Brasil é
caracterizada, na sua quase totalidade, por monta natural e em condições extensivas de exploração.
Principais aspectos genéticos e ambientais que afetam a eficiência reprodutiva e crescimento do
bovino de corte:
• DEP – Diferença Esperada da Progênie
São estimativas de ganho na progênie, das características econômicas.
Exemplo:
- Touro A: estimativa de DEP para peso ao desmame (205 dias de idade) de +16 kg.
- Touro B (da mesma raça) tem DEP para a mesma característica de + 5 Kg.
São acasalados com grupos semelhantes de vacas.
Resultado: o peso médio aos 205 dias de idade dos filhos do touro A deverá ser superior aos
apresentados pelos filhos do touro B.
Cada estimativa de DEP de um touro é acompanhada pela estimativa de sua precisão (ACC- accuracy)
que é a confiabilidade da estimativa.
Depende da quantidade de informação do touro (desempenho produtivo, dados de sua progênie e
de seus parentes).
Varia de 0 a 1 ou 0 a 100%.
Dados de desempenho:
• Peso ao nascer
• Peso a desmama ajustado para 205 dias de idade
• Pesos ao sobreano ajustados para 365 dias de idade
• Notas para facilidade de parto,
• Tamanho do esqueleto,
• Circunferência escrotal,
• Fertilidade,
• Habilidade materna.
As estimativas das DEPs não são uma garantia absoluta do desempenho dos filhos, pois a maioria das
características de produção de carne apresentam herdabilidade entre 20 e 30% e o filho recebe 50 %
do material genético da mãe e 50% do pai.
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14. Melhoramento Genético em Bovinos de Leite
Produção de leite = atividade econômica com papel social;
População leiteira estimada em 20 milhões de matrizes = produzem aproximadamente 20 bilhões de
litros de leite/ano (insuficientes para atender a demanda);
A autossuficiência da produção de leite é meta possível de ser alcançada, desde que se estabeleçam
políticas de fixação de preços justos aos produtores e de rigoroso controle de importações;
A meta do produtor de leite, ao executar um programa de melhoramento genético, é o de mudar a
herança dos seus animais pela incorporação de novos genes capazes de imprimir-lhes maior
produção e produtividade;
Em termos técnicos, seu objetivo é o de aumentar o ganho genético pelo uso racional de métodos de
seleção e de reprodução;
� Causas de Variação do Tipo em Gado Leiteiro
A literatura tem registrado, como causas de variação do tipo em gado leiteiro, os seguintes fatores:
classificador, idade dos animais, estação do ano, estágio da lactação, rebanho e reprodutor.
Classificador: A subjetividade da avaliação do tipo conduz a variações próprias de cada inspetor,
notadamente na quantificação dos pontos dados a cada animal no registro seletivo.
Idade: As modificações morfofisiológicas dos animais, com o avanço da idade, resultam em variações
de tipo. Muitos componentes do tipo se alteram, à medida que o animal se torna mais velho. Alguns
defeitos tendem a ser corrigidos com a idade; outros se acentuam com ela.
Estação do Ano e Estágio da Lactação: Em geral, os efeitos destes dois aspectos são significativos,
como causa de variação na avaliação pelo tipo. O efeito da estação tem sido estudado nos países de
clima temperado e há evidências de que o úbere traseiro é o mais afetado, frequentemente com
escores mais altos na primavera que no outono. O efeito do estágio da lactação, quando esta foi
dividida em três partes, mostra uma tendência dos escores mais baixos na segunda parte,
recuperando-se, parcialmente, na terceira. Há autores que também mencionam que o estágio da
lactação afeta o escore final, aparência externa, característica leiteira, capacidade corporal e sistema
mamário. Resultados mais altos são obtidos no início e final da lactação.
Rebanho e Reprodutor: Diferenças devidas ao rebanho retratam variações em alimentação, manejo
e composição genética dos animais, que no seu conjunto são responsáveis por diferenças de tipo
entre os animais. O efeito do reprodutor é, em grande parte, de natureza genética.
Na análise comparativa dos animais avaliados pelos registros seletivos para tipo, esses aspectos
devem ser levados em conta, diminuindo as diferenças entre eles e permitindo comparações mais
seguras entre os animais e maior segurança na avaliação dos indicadores de produção.
71
� Herdabilidade das Características Lineares de Tipo em Gado Leiteiro
A herdabilidade das características de tipo determina, em grande parte, a sua utilidade potencial nos
programas de melhoramento genético. As estimativas de herdabilidade estão sujeitas a grandes
variações nas diferentes raças leiteiras. Entretanto, é evidente na literatura disponível que a maioria
das características de tipo são herdáveis e que respondem a seleção individual ou massal, cuja
intensidade de resposta depende do valor da estimativa da característica obtida.
Classificação linear:
Força leiteira:
• Estatura;
• Abertura de peito;
• Capacidade corporal;
• Ângulo de garupa;
• Largura de garupa;
• Característica leiteira.
Pernas e pés:
• Pernas vistas por trás;
• Pernas traseiras lateral;
• Diagonal de casco.
Úbere:
• Inserção de úbere anterior;
• Altura de úbere posterior;
• Profundidade de úbere;
• Ligamento suspensor médio;
• Colocação de tetos anterior;
• Colocação de tetos posterior;
• Comprimento dos tetos.
Pode-se afirmar que as características lineares de tipo, por apresentarem herdabilidades de
magnitudes moderadas, podem ser selecionadas e oferecerão respostas genéticas desejáveis.
� Tipo como Indicador de Produção
A justificativa inicial da inclusão das características de tipo nos registros seletivos, ou nos julgamentos
de animais em exposições, é a sua possível associação com as características de produção de leite.
As correlações genéticas indicam o grau de associação genética entre duas características quaisquer.
Se a correlação genética entre características lineares de tipo e as de produção é alta e positiva, a
seleção para apenas uma delas resultará em melhoramento da outra e vice-versa. Caso contrário, se
72
a correlação for negativa ou nula, a seleção para uma não provocará modificações na outra. Podeaté
haver prejuízo para uma delas.
Embora os resultados que vinculam correlações genéticas entre características lineares de tipo estão
sujeitas a variações consideráveis nas suas estimativas, reconhece-se que são de moderada
magnitude e oferecem alguma aplicação prática. É preciso ainda considerar que seleção exclusiva
para produção de leite pode ocasionar mudanças desfavoráveis em algumas características do úbere.
Paradoxalmente, seleção restrita para produção de leite, considerando ao mesmo tempo algumas
características do úbere, levaria à redução de 15% na resposta para produção de leite em relação à
seleção exclusiva para produção de leite.
� Tipo Associado com Longevidade
Tem sido sugerido que as características de conformação estão relacionadas com a vida útil e
longevidade das vacas leiteiras. A sugestão de incluir longevidade nos programas de melhoramento
genético foi feita por Robertson & Rendei (1950) que arrolaram as seguintes vantagens:
a) redução no custo anual das substituições;
b) aumento na produção média do rebanho, devido ao aumento do número de vacas superiores nele
retidas;
c) redução do número de substituições que devem ser criadas, permitindo um aumento potencial do
rebanho leiteiro;
d) aumento das possibilidades de seleção e eliminação.
As desvantagens foram mencionadas por King (1970):
a) embora a produção de leite seja mais alta nas vacas mais velhas, a qualidade do leite, em termos
de composição, é mais baixa;
b) algumas doenças são mais frequentes com o aumento da idade;
c) ocorre declínio gradual da fertilidade, em torno de 6 anos de idade.
Reconhece-se que vacas de tipo bom ou superior mostram maior longevidade. Obviamente, vacas
com membros fortes, úberes bem implantados e com bons ligamentos, possuem melhor chance de
uma vida produtiva mais longa, embora as razões para justificar esta tendência sejam desconhecidas.
� Conclusões
No estudo das características lineares de tipo em gado leiteiro, as seguintes conclusões podem ser
tiradas:
• A maioria das características lineares de tipo são herdáveis e as correlações genéticas entre
estas são positivas e alta, de modo que seleção para tipo resulta em mudança genética na
aparência externa dos animais;
• As correlações genéticas entre tipo e produção de leite são baixas ou negativas. Portanto,
melhoramento do tipo acarreta pouco ou nenhum melhoramento na produção de leite. Se o
criador deseja melhorar a produção de leite do seu rebanho, selecionando apenas para tipo
os resultados serão pífios;
73
• Seleção para melhoria estética só se justifica em rebanhos de elite e de alta produção de
leite. Para a maioria dos produtores comerciais de leite, a única e eficaz alternativa é
selecionar para produção de leite. Vaca não é artigo de decoração!
� Seleção para fertilidade em bovinos
Fertilidade: Capacidade da fêmea em apresentar puberdade precoce, altas taxas de ovulação e
concepção, sobrevivência do embrião e do feto, pequeno intervalo entre parto e concepção (período
de serviço) e regularidade na reprodução durante a vida útil.
No macho é a capacidade do reprodutor em produzir gametas viáveis em qualidade e quantidade
suficientes para efetuar a fecundação.
Características de fertilidade possuem herdabilidade muito baixas ou próximas a zero, são pouco
influenciadas pelos genes aditivos e dependem da qualidade da alimentação, cuidados profiláticos
sanitários, manejo reprodutivo, etc..
� Antagonismos Genéticos entre Produção e Reprodução
Reprodução e produção de leite são eventos fisiológicos determinantes da rentabilidade econômica
da pecuária leiteira.
Problemas reprodutivos: alongamento do intervalo entre partos, redução da produção de leite, do
número de bezerros nascidos, da intensidade seletiva e ganhos genéticos advindos da seleção.
Por outro lado, em raças tipicamente leiteiras a seleção tem priorizado a produção de leite, e alta
produção de leite tem sido associada com reprodução deficiente.
� Interpretação Genética dos Catálogos dos Reprodutores
HT - habilidade de transmissão
DP - diferença prevista ou diferença predita (PD - predicted difference = DP)
PTA - predicted transmitting ability – Habilidade de transmissão predita.
TA transmitting ability
Todos esses termos tem o mesmo significado genético, o de uso atual é o PTA.
PTA - estima a superioridade ou inferioridade genética esperada, em cada lactação das futuras filhas
de um dado reprodutor, quando comparadas com as companheiras de rebanho com mérito genético
médio da raça.
Portanto, estima o potencial de um animal em transmitir aquela característica em particular para a
sua progênie. Como o reprodutor só passa a metade da herança para cada filha(o), então seu valor
gênico é 2 vezes o PTA.
Um PTA igual a zero indica que o reprodutor tem o mesmo mérito genético das vacas nascidas no
mesmo ano;
74
Se um touro apresenta um PTA de + 1000 libras para leite significa que a média de suas filhas
avaliadas é de 1000 libras acima do valor da base genética (esta é estabelecida a cada 5 anos).
PTA para leite (PTAM)
PTA para proteína (PTAP)
PTA para gordura (PTAF)
TPI- Total performance index- reúne proteína, gordura ,tipo e compostos de úbere, pernas/pés na
proporção 3:1:1:0,65:0,35
PTA para Tipo (PTAT)
PTA- contagem de células somáticas (PTA-CCS) – para aumentar a resistência às mastites, quanto
menor melhor.
� Seleção de fêmeas em rebanhos Leiteiros
Utilização de Biotecnologias da Reprodução:
• Superovulação e TE
• Fertilização in vitro
Estas técnicas elevam o potencial de uma vaca em produzir bezerros de um para mais de vinte por
ano, propiciando maior pressão de seleção sobre vacas escolhidas para produzir fêmeas de reposição
e tourinhos dentro do rebanho, consequentemente, maior ganho genéticas na produção de leite.
15. Melhoramento Genético em Suínos
A carne suína é a carne mais consumida no mundo, sendo responsável por cerca de 50% do consumo
global. Em dados numéricos, o Brasil detém o quarto maior plantei suíno, com um rebanho superior
a 37 milhões de cabeças que, em 2007, foi responsável por uma produção de três milhões de
toneladas.
O país exporta 25% das 3 milhões de toneladas que produz, principalmente para a Rússia, Hong Kong
e Ucrânia.
Em relação ao consumo per capita, no Brasil é de 12,7 Kg/h/ano, contra 44 e 30 Kg/h/ano na União
Europeia e EUA, respectivamente. O desafio é o de reduzir o diferencial em relação ao consumo per
capita de frango, que é da ordem de 32,7 Kg, cujo custo de produção é, notadamente, mais baixo.
O desempenho produtivo nacional não se reflete no consumo interno, o Brasil é apenas o 15º no
ranking de consumo per capita.
� Impacto do Melhoramento Genético
As mudanças produtivas promovidas pelo melhoramento genético dos animais são estáveis e
permanentes, enquanto as mudanças ambientes têm caráter transitório e não são transferidas de
uma geração para outra. Apesar dos ganhos genéticos, obtidos pelo melhoramento, apresentarem
75
valores aparentemente pequenos, são expressivos por serem acumulativos com o correr dos anos,
justificando-se pelo retorno econômico que proporcionam.
As respostas dos suínos aos programas de melhoramento genético e do ambiente, especialmente da
nutrição, têm sido notáveis. Segundo Irgang (1998) a melhoria no desempenho dos suínos, verificada
nas últimas décadas, pode ser assim expressa:
a) redução da idade à puberdade das fêmeas de 7-8 meses para 4-5 meses;
b) aumento do número de leitões nascidos por leitegadade 7-8 para 10-12;
c) a redução da duração do período de aleitamento concorreu para aumentar a prolificidade, com as
porcas passando de 15-16 leitões/ano para 22 a 24;
d) na década de 70, os suínos alcançavam 100 kg de peso vivo aos 180 dias de idade, a conversão
alimentar era de 3,5 kg de ração por kg de ganho de peso e o rendimento da carcaça era inferior a
48%. Atualmente, o peso aos 100 kg é atingido aos 150-160 dias de idade, a conversão alimentar
passou a 2,5 - 2,6 kg de ração por kg de ganho de peso vivo e rendimento da carcaça alcança valores
de 53-55%.
No passado, há 20-30 anos, para produzir 500-600 kg de carne por ano de progênie havia a
necessidade de 5-6 toneladas de ração. Atualmente, com essa mesma quantidade de ração, a
produção alcança 800-900 kg de carne por ano da mesma unidade de produção. É óbvio que nem
todo esse progresso é de natureza genética. Melhorias de natureza ambiente como o das
instalações, dos cuidados sanitário-profiláticos e da nutrição ocupam especial relevância nos
processos alcançados.
� Objetivos
Apontar fatores relacionados ao melhoramento genético dos suínos que impulsionaram as principais
mudanças na suinocultura:
• o aumento de produtividade
• a queda do % de gordura
Ênfase
• Idade à puberdade
• Número de leitões por leitegada
• Taxa de crescimento
• Conversão alimentar
• Deposição de carne em carcaça
Biotecnologia
• Reprodutiva
• Genética e Molecular
A seleção assistida por marcadores moleculares associados a dados fenotípicos resulta, dentre
outras, as seguintes vantagens:
a) aumenta a precisão dos processos seletivos;
76
b) não sofre influência dos efeitos de ambiente;
c) permite avaliar características de difícil quantificação como resistência a doenças, qualidade da
carne e tamanho da leitegada;
d) permite identificar precocemente animais geneticamente superiores, encurtando o intervalo de
gerações e aumentando potencialmente o ganho genético;
e) possibilita a detecção de animais portadores de genes indesejáveis;
f) otimiza o uso de raças tradicionais para criação pura ou em cruzamentos comerciais.
� Consumo interno
Pesquisa da Associação Catarinense de Criadores de Suínos revelam quando o brasileiro consome
carne de porco: Grande maioria, de duas a três vezes por ano, Natal, Ano Novo, Páscoa.
• Dados revelam DESCONHECIMENTO e PRECONCEITO.
• Produção suína passou por REVOLUÇÃO últimas décadas.
• Alterações na QUALIDADE DA CARNE e nos ÍNDICES DE PRODUTIVIDADE.
• Criado em instalações higiênicas.
• Alimentado com ração balanceada e de qualidade.
• Mantido em boas condições sanitárias.
Em 30 anos, houve enorme redução no percentual de gordura da carne suína.
Há outros índices que demonstram que houve avanços na produtividade nacional, mas que ainda há
muito a avançar.
Um desses índices é o de PROLIFICIDADE DO REBANHO.
A suinocultura comercial se volta à qualidade de carcaça:
• Introdução da IA
• Mudanças de manejo
• Investimento nos animais cuja morfologia favorece a deposição de carne em regiões de
cortes nobres;
No mundo há 350 raças de suínos. No Brasil, a produção se sustenta em raças exógenas.
• Cruzados (46,42%)
• Landrace (22,04%)
• Large White (20,63%)
• Duroc (8,56%)
• Pietrain (1,04%)
• Outros (1,3%)
Rebanho nacional dominado pelos animais híbridos, com exploração máxima da heterose, baseada
em cinco raças.
• Landrace
• Large White
• Duroc
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• Meishan
• Pietrain
Pré-requisito: VARIABILIDADE
Objetivo: aumentar a frequência dos genes desejáveis ou das boas combinações genéticas em uma
população ou a diminuir a frequência dos genes indesejáveis ou das combinações ruins.
Desafios: CORRELAÇÕES entre as características.
Qual o primeiro passo do programa de melhoramento genético?
• IDENTIFICAR CARACTERÍSTICA DESEJADA MERCADO
• SELECIONAR MACHOS E FÊMEAS DE ALTO VALOR GENÉTICO PARA O
• PLANTEL DE REPORDUTORES DIFERENCIAL DE SELEÇÃO
Em 1995, o Centro Nacional de Suínos e Aves da Embrapa relacionou, segundo o valor genético, os
50 melhores machos e as 200 melhores fêmeas do plantel nacional. As duas melhores fêmeas Large
White _Mana Lift Sadiagr SPF 1018 e Lily Bona Planalto 307_ geravam, em média, 16 leitões por
leitegada: um diferencial de seleção de 5,64 sobre a média da raça.
� Estrutura de melhoramento genético de suínos
� Eficiência Reprodutiva dos Suínos
Do ponto de vista estritamente econômico, o resultado líquido da
avaliado pelo número de leitões desmamados por
indicador depende do sucesso de
interativa. Segundo Piva (1991) os principais fatores envolvidos são os seguintes:
Estrutura de melhoramento genético de suínos
Eficiência Reprodutiva dos Suínos
Do ponto de vista estritamente econômico, o resultado líquido da eficiência reprodutiva pode ser
avaliado pelo número de leitões desmamados por porca por ano. No entanto, a obtenção deste
indicador depende do sucesso de uma série de eventos, que atuam sinergicamente e de forma
Piva (1991) os principais fatores envolvidos são os seguintes:
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eficiência reprodutiva pode ser
nto, a obtenção deste
uma série de eventos, que atuam sinergicamente e de forma
Piva (1991) os principais fatores envolvidos são os seguintes:
79
� Melhoramento da Eficiência Reprodutiva
Em todos os mamíferos, o melhoramento da eficiência reprodutiva é tarefa complexa para a qual os
resultados não são muito alentadores. Os suínos não são exceção a esta regra geral.
O melhoramento da eficiência reprodutiva das fêmeas suínas tem na característica tamanho da
leitegada seu principal foco de atenção. O tamanho da leitegada é característica reconhecidamente
de baixa herdabilidade, com valor de 0,10 ou menos. A baixa herdabilidade tem sido atribuída às
seguintes causas:
a) pequena variância genética aditiva;
b) excessiva variação devida às influências ambientes;
c) correlação negativa entre os efeitos genéticos e maternos.
Desafios
Baixa herdabilidade (0,10 ou menos)
Muitas variáveis:
• taxa ovulatória da porca
• fertilização dos óvulos
• sobrevivência dos embriões
Correlação negativa:
• taxa de ovulação
• sobrevivência embrionária
Exemplo:
• Escolhe fêmeas com DS que culmine em ganho de 2% por leitegada.
• Para aumentar de 10 para 14 leitões/ano/média = 20 gerações.
• Se intervalo entre gerações é de 1,5 ano.
• Salto de produtividade demorará 30 anos.
Cruzamentos têm sido mais eficazes para avanços reprodutivos mais rápidos. Heterose benéfica para
características de baixa herdabilidade.
80
Com todas as dificuldades inerentes à seleção para tamanho da leitegada justifica-se a sua inclusão
nos programas genéticos de seleção para fertilidade das porcas. Uma alternativa viável de seleção é
a formação de grupos de fêmeas de alta prolificidade e acasalá-las com machos dotados de elevada
velocidade de crescimento. Nesse caso, os cruzamentos constituem o mecanismo mais eficaz para a
melhoria da performance reprodutiva das porcas, tendo em conta que a heterose obtida, em termos
gerais, beneficia mais as características de baixa herdabilidade. A mesma estratégia pode ser
utilizada no melhoramento da idade ao primeiro parto, número de serviços/concepção ou intervalo
de partos.
Não bastam leitegadas maiores, precisam ser mais cedo.
Redução da idade à puberdade = menor idade acasalamento= menor idade à parição = menos
alimento = maior rapidez no retorno do investimento.
� Características de Crescimento
A medida mais eficiente para avaliar o crescimento é o peso ou ganho em peso em certa fase da vida
do animal. Peso ao nascimento da leitegada tem sido mencionado como característica de baixa
herdabilidade, em torno de 0,05.
A despeito da baixa herdabilidade, deve-se dar atenção ao peso ao nascimento da leitegada, pela sua
relação com o vigor e potencial de crescimento dos leitões. Peso da leitegada a desmama mostra
estimativa de herdabilidade de 0,15 e é importante levar em conta essa característica. Animais mais
pesados a desmama tendem alcançar mais rapidamente o peso de abate. Além disso, o peso a
desmama reflete a fertilidade da porca, sua capacidade materna e leiteira, vigor, capacidade de
crescimento dos leitões e saúde geral da leitegada.
Peso por idade é outro aspecto a considerar-se nos esquemas de seleção, por constituir-se em
indicativo do índice de ganho e eficiência alimentar. Sob o ponto de vista econômico, o índice de
ganho em peso e a eficiência de conversão alimentar são duas características muito importantes e
geneticamente relacionadas. O índice de ganho em peso da desmama ao abate é característica de
herdabilidade em torno de 0,30 e a ênfase em sua seleção é importante porque está altamente
relacionada com a eficiência de ganho em peso, com o peso ao abate e, consequentemente, com os
custos de produção da exploração.
81
O índice de ganho em peso não deve exceder a limites capazes de comprometer a qualidade da
carne, pelo acúmulo excessivo de gordura, o que é indesejável.
Outra característica economicamente importante é a eficiência de conversão alimentar, que é de
herdabilidade moderada. Seleção individual pode ser utilizada.
� Características de Carcaça
O mercado consumidor de carne suína exige qualidade, notadamente nos países economicamente
mais desenvolvidos. Ênfase tem sido dada no sentido de obter-se animais de carne magra, com
pouca espessura de toucinho e maiores carcaças. Em geral, essas características são de herdabilidade
alta e respondem à seleção individual.
O aumento da demanda de carne magra e os preços competitivos têm intensificado a seleção de
suínos para rápidos ganhos em peso, alta eficiência de conversão alimentar e com alta proporção de
carne magra na carcaça. Essas três características estão incluídas, obrigatoriamente, em todos os
programas de melhoramento genético dos suínos nos diferentes países.
Como a espessura da gordura já foi reduzida para 10 mm ou menos, avalia-se que já tenha atingido
seu limite inferior e, por isso, tende a ser colocada em segundo plano nos programas de seleção. Esta
redução de espessura da gordura acabou por provocar redução na gordura intramuscular
responsável pela suculência da carne. A gordura intramuscular apresenta alta herdabilidade e forte
correlação positiva com espessura de toucinho.
A despeito dos progressos apreciáveis alcançados para essas características não tem havido
melhoramento na qualidade da carne. Por qualidade de carne entende-se o conjunto de
propriedades organolépticas que influem na aceitação do produto pelos consumidores. Cor, textura,
sabor, suculência, capacidade de retenção de água etc., são fatores importantes na qualidade do
produto, bem como o valor nutritivo em proteínas, minerais, vitaminas e ácidos graxos não
sintetizados pelo homem.
� Gene Halotano
Teste disponível em 1991
Locus – cromossomo 6
Fisiologia
• Codifica de forma alterada os receptores de rianodina (proteínas que atuam como canais
liberadores de cálcio no músculo).
• Acarreta liberação desordenada de cálcio.
• Rápida redução do pH logo após o abate.
• Queda produz uma forte desnaturação de proteínas e consequente redução na retenção de
água e nas propriedades da carne.
• O resultado é um produto pálido, mole e exsudativo (PSE), qualidades sensoriais que afetam
sua comercialização.
82
Origem do nome
Suínos homozigotos recessivos apresentam rigidez muscular e hipertermia quando expostos ao gás.
Exposição identifica homozigotos no rebanho.
Contras
• Produto pálido, mole e exudativo (PSE), qualidades sensoriais que afetam sua
comercialização.
• Aumento de casos de Síndrome de Estresse Suíno.
Prós
• Efeitos genéticos aditivos favoráveis de até 4% sobre o rendimento da carcaça.
O animal que tem esse gene apresenta reação ao anestésico Halotano.
Cruzando um recessivo aa (portador) com um dominante AA, nasce um cruzado Aa, que vai ser
portador mas não vai manifestar a doença, esse animal tem 4% de aumento no rendimento de
carcaça.
A necessidade de se produzir animais de carcaças superiores, tanto em qualidade como em
quantidade, provocou o surgimento de problemas decorrentes de falta de adaptação ao "stress" aos
quais os animais estão, invariavelmente, sujeitos na rotina das granjas. Esta sensibilidade levou o
suíno a apresentar defeitos de qualidade de carne, em particular a carne mole, pálida e exsudativa
("Pale, soft and exsudative" - PSE), que caracteriza a síndrome da tensão suína.
Em determinados indivíduos, submetidos às condições estressantes, surge, em pouco tempo, um
conjunto de reações muito características e que constituem a síndrome de tensão ou síndrome da
hipertermia maligna. Entre essas reações podem ser citadas: enrijecimento generalizado, elevação
rápida da temperatura corporal, manchas na pele, perturbações circulatórias, dificuldade aguda de
respiração, morte súbita e rigidez cadavérica de imediato.
A etiologia é genética e atribuída a um gene autossômico recessivo e de alta penetrância. O animal
reagente é homozigoto recessivo e o não reagente pode ser heterozigoto ou homozigoto dominante.
O teste de sensibilidade é realizado utilizando-se o anestésico halotano.
Consiste em provocar anestesia geral do animal pela inalação de oxigênio e halotano e observar a
resposta do mesmo. Aquele que é sensível apresenta, em poucos minutos, reações características
semelhantes aos submetidos a um "stress" físico, além de espasmos musculares. Para estes, a
anestesia deve ser interrompida, pois pode provocar a morte do animal. Já aquele não reagente
permanece completamente relaxado após a anestesia e é considerado negativo.
� Conclusão
1) Suinocultura tem função relevante com a transformação de cereais, subprodutos, resíduos e
alimentos não convencionais em carne nobre e de alto valor proteico.
2) Eficiência dessa transformação depende da adoção de técnicas de melhoramento genético, com a
seleção de reprodutores de alto nível e divergências genéticas entre eles.
83
3) Cruzamento entre raças de suínos é recomendado devido às vantagens da heterose para os
índices de produtividade e o retorno econômico, principalmente para características reprodutivas de
baixa herdabilidade.
4) Os ganhos produtivos e de qualidade do produto, no entanto, são resultando de persistente
processo de melhoramento genético, no qual:
• Nenhuma característica pode ser considerada isoladamente;
• Dificilmente as pressões de seleção extremas se mostram as mais produtivas;
• A seleção deve sempre considerar a herdabilidade da característica desejada, sua relação
com as demais características de interesse econômico e a demanda do mercado consumidor.
5) As características relacionadas com a qualidade da carne não têm sido melhoradas com a mesma
intensidade verificada nas demais características econômicas da suinocultura, em razão das
dificuldades de avaliação das mesmas nos animais candidatos à seleção.
6) A intensificaçãodos trabalhos com genética molecular tenta reverter esse cenário, pois a seleção
assistida por marcadores moleculares associados a dados fenotípicos resulta, entre outras, nas
seguintes vantagens:
• Aumento da precisão dos processos seletivos;
• Ausência de influência dos efeitos de ambiente;
• Possibilidade de avaliação de características de difícil quantificação, como resistência a
doenças, qualidade da carne e leitegada;
• Possibilidade de detecção de animais com genes indesejáveis.
16. Melhoramento Genético em Aves
A avicultura é a atividade da agropecuária que apresentou os maiores índices de evolução nas
últimas décadas. Os pilares do desenvolvimento avícola estão assentados na utilização de genética
avançada, modernas técnicas de manejo, sanidade, alimentação e instalações compatíveis com as
exigências altamente competitivas dos mercados produtivo industrial e consumidor.
Indicadores que endossam a atividade da avicultura no Brasil:
• 2° maior produtor mundial de frangos
• Cerca de 4 milhões de toneladas/ano
• É o quarto maior exportador de carne de frango – 439 mil ton/ano
• É o 7° maior produtor mundial de ovos – 14,9 bilhões/ano
• A produção de frango tem evoluído 10%/ano
• Em 1976 uma ave chegava aos 56 dias com 1,456kg
• Em 1984 uma ave chegava aos 45 dias com 2,045kg
• Atualmente uma ave chega aos 30 dias com 2,0kg
Segundo Sluis (1992) há ainda expectativa de ganhos genéticos anuais apreciáveis, tanto para
poedeiras como para frangos de corte.
Em relação à avicultura de corte os ganhos esperados são os seguintes para frangos de corte:
• Peso corporal, 2,5%;
• Conversão alimentar, -0,02 unidades;
84
• Rendimento da carcaça, 0,25%;
• Gordura abdominal, -0,1%;
• Rendimento de peito, 0,15%;
• Idade de abate -0,4 dias.
Em relação às poedeiras, as expectativas de ganhos genéticos anuais são as seguintes:
• Ovos incubáveis por fêmea, 1,0-1,5;
• Viabilidade (recria), 0,25%;
• Viabilidade (reprodução), 0,5%
• Conversão alimentar, -1,6 g ração por ovo incubável.
� Gargalos da Avicultura no Brasil
Reconhece-se que a avicultura brasileira é uma atividade econômica moderna e altamente
competitiva em termos internacionais. A despeito de toda essa pujança, a atividade é quase que
inteiramente dependente da importação de material genético de outros países, principalmente dos
EUA, França, Inglaterra, Alemanha e Holanda.
Com a globalização e intensificação do comércio internacional, o maior risco para a avicultura pode
estar relacionado com a introdução de novas doenças ou surtos das já existentes em nosso país.
Portanto, um rígido programa profilático sanitário é decisão inadiável, bem como da necessidade do
Brasil desenvolver suas próprias linhagens produtoras de frangos e ovos.
O Centro Nacional de Pesquisa de Suínos e Aves (CNPSA) vem trabalhando nesta direção ao conceber
um programa de pesquisa e desenvolvimento de linhagens nacionais de aves para corte e para
postura de ovos brancos e castanhos, absorvendo antigo programa comercial da Granja Guanabara.
Segundo Figueiredo et ai. (1999) como resultado do programa do CNPSA já está sendo
comercializado, para a avicultura de postura, um pacote denominado:
• Embrapa-011, formado por linhas puras da raça Leghorn, selecionadas e cruzadas entre si
nas condições brasileiras.
• Embrapa-021, formado pelas linhas puras das raças Cornish branca e Plymouth Rock branca,
também cruzadas entre si e já disponibilizadas para a produção de frango de corte.
• Embrapa-031, formado por linhas puras das raças Plymouth Rock branca e Rhode Island Red,
selecionadas para a produção comercial de ovos de mesa, cor marrom, foi finalizado em
dezembro de 1998.
Estas investigações são estratégicas para o país sob vários aspectos:
a) redução dos riscos de introdução de doenças exóticas;
b) geração de tecnologia nacional com potencialidade de exportação;
c) independência das restrições impostas por outros países;
d) economia de divisas, pequena, mas expressiva do ponto de vista nacional;
e) produção de materiais genéticos adaptados às nossas condições de criação, etc.
85
� Projeto Genômica das aves
A equipe da Embrapa Suínos e Aves vem desenvolvendo, desde 1999, pesquisas em análise genômica
de aves. Os objetivos dessa linha de pesquisa são:
• Formar uma população de aves específica para análise genômica de aves.
• Identificar marcadores moleculares e regiões genômicas associadas a características de
desempenho, carcaça e qualidade da carne em aves.
• Identificar novos genes em tecidos de importância para produção e qualidade de carne.
• Identificar marcadores moleculares que possam ser utilizados para melhorar a eficiência
produtiva e a qualidade do produto final do frango de corte, beneficiando toda a cadeia
produtiva, incluindo o consumidor.
• Disponibilizar para a indústria avícola, marcadores moleculares ou genes para serem
utilizados na seleção precoce de animais com melhor eficiência produtiva e qualidade de
carne.
� Avanço do Melhoramento Genético da Avicultura
A evolução no desempenho de linhagens de frango de corte e postura comerciais tem sido
acentuada nas últimas décadas. Os conhecimentos da genética quantitativa, aliados ao uso de
técnicas computacionais e estatística, têm assegurado um progresso genético contínuo de todas as
características de produção. Estudos demonstram que 80% das melhorias obtidas nas linhagens de
aves de corte e postura foram decorrentes do processo de seleção, sendo estas acompanhadas pelo
aprimoramento em instalações, manejo, nutrição, ambiente e sanidade.
A maioria do progresso genético obtido nas características quantitativas (características de
produção) tem sido decorrente da seleção baseada no fenótipo do animal ou na estimativa do valor
genético derivado do fenótipo. Essa seleção é realizada sem o conhecimento do número de genes
que atuam na característica de interesse nem do efeito de cada gene. Por isso, a arquitetura genética
das características tem sido considerada como uma caixa preta, quando se utiliza a genética
quantitativa no melhoramento animal. Apesar disto, as taxas de ganho genético que foram e ainda
estão sendo obtidas em programas de melhoramento demonstram claramente o poder do uso da
genética quantitativa na seleção.
O desenvolvimento de técnicas moleculares tem permitido o conhecimento de como determinados
genes atuam na determinação de características de interesse econômico. Nos últimos anos, essa
nova dimensão tornou mais acessível a análise genética de animais através da habilidade de
clonagem dos genes responsáveis pela expressão de características de produção e pelo
reconhecimento de que polimorfismos de DNA podem ser utilizados como marcadores genéticos.
Novas biotecnologias têm permitido a identificação e manipulação direta de seqüências de DNA. Nas
próximas décadas, o conhecimento sobre o controle genético de características econômicas irá
aumentar drasticamente, possibilitando a complementação dos métodos tradicionais de
melhoramento, visando ganhos genéticos adicionais. Para tal, há a necessidade de otimizar a
integração entre a genética molecular e quantitativa no melhoramento animal.
86
� Formação de linhagens comerciais
Raças precursoras de linhagens:
• New Hampshire
• Plymouth Rock Barrada
• Plymouth Rock Branca
• Cornish Vermelha
• Cornish Branca
Frango híbrido:
Cruzamento de 3 ou 4 linhagens
Objetivos da produção de híbridos
• Heterose
• Complementariedade
• Especificidade
• Segurança do patrimônio genético
Característicasimportantes de um híbrido:
• Habilidade materna
• Ganho de peso
• Eficiência alimentar
• Viabilidade
− Mortalidade
− Refugagem
− Condenação
• Rendimento de carcaça e partes
• Sexagem
� Fatores que podem interferir no desempenho zootécnico de um lote de frangos:
• Média geral
• Linhagem
• Sexo
• Densidade de alojamento
• Ração
• Idade ao abate
• Manejo sanitário no melhoramento
� Objetivos do melhoramento das linhagens de frangos de corte
• Taxa de crescimento
• Eficiência alimentar
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• Conformação do corpo
• Rendimento de carne
• Peso do frango
• Maturidade sexual
� Objetivos do melhoramento das linhagens de produção de ovos
• Produção de ovos
• Taxa de eclosão
• Conversão alimentar
• Peso do ovo
• Forma do ovo
• Fertilidade
• Qualidade da casca
• Maturidade sexual
• Resistência a doenças etc.
� Definições:
HOMOZIGOTO - indivíduos que apresentam genes alelos iguais em seus cromossomos homólogos, (Mendel
chamou de puro, VV ou vv)
HETEROZIGOTO - indivíduos que apresentam genes alelos diferentes (Mendel chamou de híbrido, Vv).
Com relação a um par de genes, os indivíduos podem ser classificados em:
• homozigoto dominante (VV)
• homozigoto recessivo (vv)
• heterozigoto (Vv)
HERANÇA AUTOSSÔMICA DOMINANTE
Na herança autossômica dominante um alelo mutante é suficiente para expressar o fenótipo, ou seja, este é
expressado da mesma maneira em homozigotos e heterozigotos. Cada pessoa afetada tem um genitor afetado
(50% de chance de a prole ser afetada). O gene em questão está presente nos autossomos.
- Critérios da Herança Autossômica Dominante
• O fenótipo aparece em todas as gerações, e toda pessoa afetada tem um genitor afetado.
• Qualquer filho de genitor afetado tem um risco de 50% de herdar o fenótipo.
• Pais fenotipicamente normais não transmitem o fenótipo para seus filhos.
• Homens e Mulheres têm a mesma probabilidade de transmitir o fenótipo aos filhos de ambos os sexos.
• O fenótipo tem incidência semelhante em ambos os sexos.
• O alelo mutado expressa-se em todos os indivíduos que o recebem.
HERANÇA AUTOSSÔMICA RECESSIVA
Os distúrbios autossômicos recessivos expressam-se apenas em homozigotos, que, portanto, devem ter herdado
um alelo mutante de cada genitor.
88
O risco dos filhos receberem o alelo recessivo de cada genitor, e serem afetados é de 25%. A maioria dos genes
dos distúrbios autossômicos recessivos está presente em portadores dos genes. Eles podem ser transmitidos nas
famílias por numerosas gerações sem jamais aparecer na forma homozigótica. A chance de isto acontecer é
aumentada se os pais forem aparentados. A consanguinidade dos genitores de um paciente com um distúrbio
genético é uma forte evidência em favor da herança autossômica recessiva daquela característica.
- Critérios da Herança Autossômica Recessiva
• O fenótipo é encontrado tipicamente apenas na irmandade do probando (transmissão horizontal) e o
fenótipo salta gerações.
• Os afetados, em geral, possuem genitores normais; portanto, não afetados podem ter filhos afetados.
• O risco de recorrência para cada irmão do probando é de 25%.
• Os pais do indivíduo afetado em alguns casos são consanguíneos.
• Ambos os sexos têm a mesma probabilidade de serem afetados.
Inseminação artificial (IA)
Transferência de embriões (TE)
Fertilização in vitro (FIV)
DEP: diferença esperada na progênie: A DEP prediz o valor genético aditivo do animal como pai. Este valor
genético é transmitido de pai para filho por meio dos gametas. Assim sendo, a DEP é a predição do mérito
genético médio dos gametas produzidos por um determinado indivíduo (um touro ou uma vaca). As DEPs
seguem a distribuição normal e esta comparação envolve o conceito da média.
ACURÁCIA: A “certeza” ou “segurança” com que cada DEP é estimada também varia. Para animais com grande
número de informações, significando principalmente uma progênie numerosa, a “certeza” da DEP é elevada.
Para animais com poucas informações, a “certeza” da DEP pode ser baixa. A esta “certeza” ou “segurança”
atribui-se o nome de acurácia que tem sido utilizado.
FREQUÊNCIA GÊNICA: Sob o ponto de vista genético, uma população de animais pode ser considerada como
uma população de genes. Para a descrição da constituição genética de um grupo de indivíduos, deve-se
identificar as proporções dos diferentes genótipos e dos distintos alelos de um gene na população.
Fontes de Pesquisa:
http://coral.ufsm.br/melhoramentoanimal/textos%20reunidos.pdf
Melhoramento genético aplicado à produção animal - Jonas Carlos Campos Pereiro