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TEORIAS DA SUBJETIVIDADE. 2
QUESTÕES 44
QUESTÕES GABARITADAS E COM ENTADAS 59
Aula 4
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Teorias da subjetividade.
Teorias da subjetividade... O que vem a ser esse tópico? Se já possuíssemos
uma banca em mente, certamente a tarefa seria mais fácil. Mas, imagine o seguinte
cenário: acabamos de falar de desenvolvimento infantil e da teoria geral dos
sistemas. Se houver coerência entre os temas pedidos pelo nosso edital (e acredito
que tenha), devemos enveredar pela forma com a qual as grandes escolas da
psicologia explicam a subjetividade humana. Em outras palavras, trataremos de uma
parte fundamental do tópico “teorias da personalidade” pincelado com algumas
considerações sobre teorias e técnicas psicoterápicas.
Ok Professor Alyson, mas quais autores?
Na dúvida, todos os que eu conseguir passar para vocês!
Para não nos perdermos, vamos seguir um padrão lógico de autores. Sim,
vocês vão sentir falta de alguns, mas prometo atualizar (caso seja necessário), após
definirem a banca. É impossível tratar de toooodos os possíveis autores. E tem mais
um ponto importante, boa parte dos autores de hoje já foram tratados na aula 2. Não
falaremos aqui, portanto, de Freud, Klein ou Winnicott. Muito menos de Erikson e
Skinner. Combinado?
Sangue nos olhos agora! A pergunta central para cada autor é por que somos
como somos?
Fritz Perls
Segundo o Wikipédia – sim, ele mesmo, desculpe –
Friederich Salomon Perls, mais conhecido como Fritz Perls,
foi um psicoterapeuta e psiquiatra de origem judaica que,
junto com sua esposa Laura Perls, desenvolveu uma
abordagem de psicoterapia que chamou de Gestalt-terapia.
Cabe destacar, antes de tudo, que para Perls todo
organismo é capaz de encontrar equilíbrio ótimo consigo e
com o seu meio. Todo mundo é capaz de experimentar o
crescimento psicológico. Ele definia a saúde e a maturidade
psicológicas como sendo a capacidade de emergir do apoio e
da regulação ambientais para um auto-apoio e uma autorregulação. O elemento
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crucial no auto-apoio e na autorregulação é o equilíbrio. Uma das proposições básicas
da teoria da Gestalt é que todo organismo possui a capacidade de realizar um
equilíbrio ótimo consigo e com seu meio. As condições para realizar este equilíbrio
envolvem uma conscientização desobstruída da hierarquia de necessidades.
Uma apreciação plena desta hierarquia de necessidades só pode ser realizada
através da conscientização que envolve todo organismo, uma vez que necessidades
são experienciadas por cada parte do organismo e sua hierarquia é estabelecida por
meio de sua coordenação.(hierarquia fluída de necessidade)
Perls considera o ritmo de contato/fuga com o meio ambiente como
componente principal do equilíbrio do organismo. A imaturidade e a neurose
implicam uma percepção imprópria do que constitui este ritmo ou uma incapacidade
de regular seu equilíbrio.(imaturidade e neurose são antagonistas do equilíbrio ótimo)
Indivíduos auto-apoiados e auto-regulados se caracterizam pelo livre fluir e
pelo delineamento claro da formação figura-fundo (definição de sentido) nas
expressões de suas necessidades de contato e retraimento. Tais indivíduos
reconhecem sua própria capacidade de escolher os meios de satisfazer necessidades à
medida que estas emergem. Têm consciência das fronteiras entre e eles mesmos e os
outros e estão particularmente conscientes da distinção entre suas fantasias sobre os
outros (ou o ambiente) e o que experienciam através do contato direto. Desse modo,
indivíduos saudáveis são mais conscientes da realidade e, por isso, fazem escolhas
mais saudáveis.
Perls associou-se à maioria dos existencialistas, insistindo que o mundo
vivencial de um indivíduo só pode ser compreendido por meio da descrição direta
que o próprio indivíduo faz de sua situação única.
Para ele mente e corpo são uma coisa só, assim como sujeito e objeto e
organismo e meio.
O conceito de intencionalidade é básico, tanto para o existencialismo e
fenomenologia quanto para o trabalho de Perls. A mente ou consciência é entendida
como intenção e não pode ser compreendida à parte do que é pensado ou
pretendido. Todo ato psíquico é intenção, e toda intenção deve ser compreendida em
seus próprios termos, e não em termos de um ato psíquico mais básico. (como o
sexual)
Entre o pensamento existencialista, dois temas são da maior importância; a
experiência do nada e a preocupação com a morte e o medo. Ao examinar a visão que
Perls tem da neurose, veremos que esses mesmos temas também constituem
elementos importantes em sua teoria sobre o funcionamento psicológico.
Perls sugeriu que as pistas para este ritmo de contato e afastamento são
ditadas por uma hierarquia de necessidades. As necessidades dominantes emergem
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como ou figura contra o fundo da personalidade total. A ação efetiva é dirigida para a
satisfação de uma necessidade dominante. Os neuróticos são frequentemente
incapazes de perceber quais de suas necessidades são dominantes ou de definir sua
relação com o meio, de forma a satisfazer tais necessidades. Assim, a neurose
acarreta alterações nos processos funcionais de contato e afastamento,e acabam
causando uma distorção na existência do indivíduo enquanto organismo unificado.
A visão holística levou Perls a dar ênfase particular à importância da auto
percepção presente e imediata que um indivíduo tem de seu meio. Os neuróticos são
incapazes de viver no presente, pois carregam cronicamente consigo situações
inacabadas (gestalten incompletas) do passado. Sua atenção é, pelo menos em parte,
absorvida por essas situações e eles não têm nem consciência nem energia para lidar
plenamente com o presente.
Visto que a natureza destrutiva destas situações inacabadas aparece no
presente, os indivíduos neuróticos sentem-se incapazes de viver com sucesso. Assim,
a Gestalt-terapia não investiga o passado com a finalidade de procurar traumas ou
situações inacabadas, mas convida o paciente simplesmente a se concentrar para
tornar-se consciente de sua experiência presente, pressupondo que os fragmentos de
situações inacabadas e problemas não resolvidos do passado emergirão
inevitavelmente como parte desta experiência presente. À medida que estas
situações inacabadas aparecem, pede-se ao paciente que as represente e experimente
de novo, a fim de completá-las e assimilá-las no presente.
Perls definiu ansiedade como a lacuna, a "tensão entre o agora e o depois". A
inabilidade das pessoas para tolerar essa tensão, sugeria Perls, leva-as a preencher a
lacuna com planejamentos, ensaios e tentativas de tornar o futuro seguro. Isto não
apenas desvia a energia e a atenção do presente, criando assim situações inacabadas
perpetuamente, mas também impede o tipo de abertura para o futuro, decorrente do
crescimento e da espontaneidade.
Perls descreve vários modos pelos quais se realiza o crescimento psicológico.
O primeiro envolve o completar situações ou resolver gestalten inacabadas. Ele
também sugere que a neurose pode ser vagamente considerada como um tipo de
estrutura em cinco camadas, e que o crescimento psicológico (e eventualmente a
libertação da neurose) ocorre na passagem através destas cinco camadas.
Perls denomina a primeira camada de camada dos clichês ou da existência
dos sinais. Ela inclui todos os sinais de contato: "bom dia", "oi", "o tempo está bom,
não é?" A segunda camada é a dos papéis ou jogos. É a camada do "como se" em que
as pessoas fingem que são aquelas que gostariam de ser. Assim, o homem de
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negócios sempre competente, a menininha sempre bonitinha, a pessoa muito
importante.
Depois de termos reorganizado essas duas camadas, Perls sugere que
alcançamos a camada do impasse, também denominada camada da anti-
existência ou do evitar fóbico. Aqui experienciamos o vazio, o nada, é o ponto em
que, geralmente, interrompemos nossa tomada de consciência e retrocedemos à
camada dos papéis para evitarmos o nada. Se, no entanto, formos capazes de manter
nossa autoconsciência neste vazio, alcançaremos a morte ou camada implosiva.
Esta camada aparece como morte ou medo da morte, pois consiste numa paralisia de
forças opostas. Experienciando esta camada contraimo-nos e comprimimo-nos, ou
seja, implodimos.
No entanto, se pudermos ficar em contato com esta morte, alcançare-mos a
última camada, a camada explosiva. Perls sugere que a tomada de consciência deste
nível constitui a emergência da pessoa autêntica, do verdadeiro self, da pessoa capaz
de experienciar e expressar suas emoções. E Perls adverte:
"Agora, não se apavorem com a palavra explosão. A maior parte de
vocês sabe dirigir um carro. Existem milhares de explosões por minuto
dentro do cilindro. Isto é diferente da violenta explosão do catatônico:
esta seria como a explosão num tanque de gasolina. Outra coisa, uma
única explosão não quer dizer nada. As assim chamadas quebras de
couraça da teoria reichiana tem tão pouca utilidade quanto o insight
da psicanálise. As coisas ainda precisam ser trabalhadas."
Fonte: http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=189
Entre as teorias de Freud e de Perls alguns dos correlatos podem ser
facilmente encontrados. Esses pontos de congruência podem ser vistos: na Catexia
de Freud, correspondendo à figura-fundo de Perls; na libido de Freud,
correspondendo à excitação básica de Perls; na associação livre de Freud,
correspondendo ao continuum de consciência de Perls; na consciência de Freud,
conscientização de Perls, no enfoque de Freud na resistência e o enfoque de Perls na
fuga da conscientização; na compulsão à repetição de Freud e as situações inacabadas
de Perls; na regressão de Freud, correspondendo ao retraimento do meio ambiente
de Perls; no terapeuta que permite e encoraja a transferência em Freud, e no
terapeuta que é um "habilidoso frustrador" em Perls; na configuração neurótica de
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defesa contra impulsos de Freud, e na formação rígida da gestalten de Perls; na
projeção transferencial de Freud e na projeção de Perls, e assim por diante.
O Self não é prioritário para Perls. O "eu" é simplesmente um símbolo para
uma função de identificação. O "eu" identifica-se com qualquer que seja a experiência
emergente da figura em primeiro plano; todos os aspectos do organismo saudável
(sensorial, motor, psicológico e assim por diante) identificam-se temporariamente
com a gestalt emergente, e a experiência do "eu" é essa totalidade de identificações.
Função e estrutura, como já vimos antes, são idênticas.
Os três principais conceitos da abordagem de Perls são - organismo com um
todo, a ênfase no aqui e agora, e a preponderância do como sobre o porquê. A ênfase
no aqui e agora postulada por Perls acentua muito a importância de estar consciente
das preferências pessoais e ser capaz de agir sobre elas, porque, segundo ele, o
conhecimento das preferências leva ao conhecimento das necessidades.
Um ponto fundamental para Perls é que a pessoa pode escolher a forma de
se relacionar com o meio; somos auto-apoiados e auto-regulados quanto ao fato de
que reconhecemos nossa própria capacidade de determinar como nos apoiamos e
nos regulamos dentro de um corpo que inclui muito mais que nós mesmos".
Deste modo, os indivíduos saudáveis, auto-regulados, caracterizam-se pelo
livre fluxo e pela clara delimitação da formação figura-fundo nas expressões das
necessidades. Tais pessoas, tem consciência da sua capacidade de escolher os meios
para satisfazer suas necessidades à medida que estas emergem.
Carl Rogers
Carl Ransom Rogers, foi um Psicólogo estadunidense
atuante na terceira força da psicologia e desenvolvedor da
Abordagem Centrada na Pessoa.
Na sua famosa “técnica de reflexão”, Rogers propõe que o
terapeuta conduza a terapia de modo que o paciente se sinta
ouvido e entendido. Para isso, o terapeuta deve retornar a
sua compreensão do que é dito pelo paciente para que o
mesmo seja capaz de entender o que acabou de relatar. Como
desdobramento desse aumento de confiança na relação
terapêutica, o paciente s sente motivado a continuar conversando e se
aprofundando em um assunto sem que qualquer pergunta direta seja feita (é o
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próprio paciente que aprofunda e o terapeuta auxilia no processo). Uma indicação
que Rogers faz para tal técnica é que o terapeuta não faça qualquer interpretação,
inflexão ou adicione um tom pessoal no momento de devolver ao paciente tais
constructos. Destaco, por fim, que não é uma mera repetição do que o paciente diz,
como caricatamente ficou conhecido tal ato, mas a postulação do entendimento do
terapeuta sobre o que foi expresso.
Rogers vai além e enumera habilidadesque o terapeuta deve ter para
aprimorar a técnica de reflexão (não são sine qua non):
a) Aceitação Incondicional - respeito ao paciente
b) Congruência - autenticidade e honestidade com o paciente
c) Empatia - capacidade de sentir o que o paciente sente
Outro ponto importante a ser destacado é que Rogers teve três fases
distintas que são caracterizadas por distinções na forma de atuação do terapeuta e
da proposta teórica. No entanto existem divergências (para variar) quanto à
esquematização destas fases. Comumente se estabelecem três grandes etapas para o
pensamento de Rogers que podem ser melhor observadas pelos seguintes autores:
Punete Hart & Tomlinson e
Wood
Hart e Dijkhuis
1) A fase do Insight (1940-
1945).
1) Psicoterapia Não-
Diretiva (1940-1950)
1) Terapia Não-Diretiva
2) A fase da Congruência
(1946-1957)
2) Psicoterapia Reflexiva
(1950-1957)
2) Terapia Centrada no
Cliente
3) A fase do Experiencing
(1957- )
3) Psicoterapia
Experiencial (1957-1970)
3) Terapia Experiencial
Mas Alyson, como vou decorar tudo isso? Não vai. Observe a linha de
pensamento abaixo, desenvolvida por Adriano Holanda
(http://xa.yimg.com/kq/groups/17837977/952939725/name/Repensando) com
base na classificação de Wood e Hart & Tomlinson:
I - Psicoterapia Não—Diretiva (1940—1950)
Rogers segue uma orientação “eclética” onde acreditava que o terapeuta.
Voltava-se para o insight do cliente em um nível intelectual (ainda não preocupado
em ser vivencial). Ele acreditava em conceitos básicos para a postura do terapeuta,
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como: neutralidade, técnica de reflexão, permissividade, não—intervencionismo,
não-diretividade (abstenção de intervenções que possam vir a se interpor ao
processo do cliente), postura de aceitação e clarificação do comportamento do cliente
e certas restrições ao atendimento. O paciente precisava ter um desenvolvimento
cognitivo mínimo para gerar os insights (capacidade intelectual e analítica)
preconizados. Rogers considera que a própria relação terapêutica é uma experiência
de crescimento para o cliente, constituindo a própria mudança. O interesse maior é o
indivíduo, que é o centro, o objetivo, e não o problema em si. Pretende—se ajudar o
indivíduo a crescer, ao invés de simplesmente ajudá—lo a resolver suas pendências.
Nessa fase NÃO existe ainda a percepção da totalidade do ser humano. No entanto
podemos identificar: l.) o impulso ao crescimento; 2.) maior ênfase ao afetivo do que
ao intelectual; 3.) importância do presente; 4.) a relação terapêutica como
experiência de crescimento.
II - Terapia Centrada no Cliente (1950—1957)
Existe a evolução para a nomeclatura “Terapia Centrada no Cliente”, pois
ocorre uma significativa mudança postural global no pensamento e na prática de
Rogers. Existe a adoção de uma postura um pouco mais diretiva/ativa e focada no
cliente. A função do terapeuta é de evitar ameaça ao cliente, além de promover o
desenvolvimento da congruência do seu conceito de self e do campo fenomenológico.
É ainda uma fase onde o reflexo de sentimentos ainda é muito usado, mas agora
surgem, na postura do terapeuta, as condições consideradas “necessárias e
suficientes” ao crescimento e à mudança: a empatia, a autenticidade e a consideração
positiva incondicional. Há um amadurecimento das perspectivas não—diretivas
ligadas à compreensão da psicologia do eu, com atitudes como o abandono de um
interesse diagnóstico, voltando—se para a capacidade inerente do cliente. Neste
momento, Rogers privilegia a ação facilitadora e a presença do terapeuta. Agora já se
percebe um reconhecimento da universalidade do conceito de tendência atualizante,
um pouco limitada na primeira fase.
III - Terapia Experiencial (1957—1970)
O objetivo nesta fase é ajudar o cliente a usar plenamente sua experiência,
promovendo uma maior congruência do self e desenvolvimento relacional. A ênfase
do processo recai aqui na vida inter e intrapessoal do individuo, onde se percebe
mais consideração em termos de totalidade de existência. Em termos posturais, há
um aumento da variação dos comportamentos do terapeuta, com maior significado
na relação terapêutica como um encontro existência com uma intervenção
caracterizada pelo abandono da técnica e pela focalização na experiência do cliente e
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na expressão das experienciações do terapeuta. Há uma total reformulação do
conceito de processo psicoterápico e uma considerável ênfase na congruência do
terapeuta. Rogers se vê influenciado em especial, pelo conceito de experiencing de
Eugene Gendlin, definido como um dado sentido com referência direta da pessoa em
relação à sua consciência fenomênica. Trata-se de um conceito pré—lógico,
experiencial, vivencial, sendo um processo vivido organicamente. Rogers passa de
uma perspectiva positivista e lógica para uma orientação existencialista.
Mesmo com essas três fases distintas, podemos destacar alguns pontos
básicos (pressupostos) da teoria de Rogers:
a) Aceitar-se a si mesmo é um pré-requisito para uma aceitação mais
fácil e genuína dos outros.
b) As pessoas usam sua experiência para se definir.
c) Há um campo de experiência único para cada indivíduo. Este campo
de experiência ou "campo fenomenal" contém tudo o que se passa no organismo em
qualquer momento, e que está potencialmente disponível à consciência. Inclui
eventos, percepções, sensações e impactos dos quais a pessoa não toma consciência,
mas poderia tomar se focalizasse a atenção nesses estímulos. É um mundo privativo
e pessoal que pode ou não corresponder à realidade objetiva.
d) toda e qualquer motivação humana está sempre relacionada ao desejo
de crescimento, buscando substituir aspectos falsos de sua personalidade por
características reais do seu verdadeiro eu (self real).
e) Para Carls Rogers, a consideração positiva produz efeitos benéficos no
desenvolvimento da personalidade da pessoa. Essa necessidade de consideração
positiva é de natureza aprendida e consiste em uma avaliação positiva que ela recebe
de outra pessoa.
Em sua teoria da personalidade, Rogers postulou a existência de duas
estruturas que compõem a personalidade do sujeito: o organismo e o self. O
organismo é o local da experiência vivida pelo sujeito, também denominado de
campo fenomenal.
De acordo com a teoria humanista desenvolvida por Rogers, o self (a
individualidade da pessoa como um ser consciente) pode ser subdividido em self real
e o self ideal. O self real está relacionado com as qualidades reais da pessoa no que se
refere às suas potencialidades e tendências de realizações. O self ideal está
relacionado com o que a pessoa gostaria de ser. A incongruência entre o self ideal e o
self real gera conflitos que podem ser evitados por mecanismos de defesa. Dessa
forma, a redução da distância entre o self ideal e o self real, através da aceitação do
self real, reduz a ocorrência de conflito e gera saúde mental.
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O Self ou auto-conceito é a visão que uma pessoa tem de si própria, baseada
em experiências passadas, estimulações presentes e expectativas futuras. Rogers
encara o Self como o foco da experiência, ele está mais interessado na percepção, na
tomada de consciência e na experiência do que num construto hipotético, o Self. A
personalidade que funciona plenamente é uma personalidade em contínuo estado de
fluxo, uma personalidade constantemente mutável. E, principalmente, consistente
com seu self.
A pessoa de funcionamento integral tem diversas características distintas,a
primeira das quais é uma abertura à experiência. Há pouco ou nenhum uso das
"subcepções", estes primeiros sinais de alerta que restringem a percepção consciente.
A pessoa está continuamente afastando-se de suas defesas na direção da experiência
direta. A pessoa está mais aberta a seus sentimentos de receio, de desânimo e de
desgosto. Fica igualmente mais aberto aos seus sentimentos de coragem, de ternura
e de fervor. Torna-se mais capaz de viver completamente a experiência do seu
organismo, em vez de a impedir de atingir a consciência.
Uma segunda característica é viver no presente, realizar-se completamente
cada momento. Este engajamento contínuo e direto com a realidade permite dizer
que o eu (Self) e a personalidade emergem da experiência, em vez de dizer que a
experiência foi traduzida ou deformada para se ajustar a uma estrutura preconcebida
do eu. Uma pessoa é capaz de reestruturar suas respostas à medida que a experiência
permite ou sugere novas possibilidades.
Uma característica final é a confiança nas exigências internas e no
julgamento intuitivo, uma confiança sempre crescente na capacidade de tomar
decisões. Quando uma pessoa está melhor capacitada para coletar e utilizar dados, é
mais provável que ela valorize sua capacidade de resumir esses dados e de responder.
Self Ideal é o conjunto das características que o indivíduo mais gostaria de
poder reclamar como descritivas de si mesmo. Assim como o Self, ele é uma
estrutura móvel e variável, que passa por redefinição constante. A extensão da
diferença entre o Self e o Self Ideal é um indicador de desconforto, insatisfação e
dificuldades neuróticas. Aceitar-se como se é na realidade, e não como se quer ser, é
um sinal de saúde mental.
Rogers chegou à elaboração da técnica da reflexão, que tinha como foco
permitir que o cliente se sentisse escutado e, consequentemente, possibilitasse que
se sentisse cada vez mais à vontade no ambiente criado pelo psicólogo. Esta técnica
consistia na disposição do psicólogo em se centrar apenas no discurso de seu cliente,
não opondo a ele nenhuma interpretação ou conselho, favorecendo assim cada vez
mais sua riqueza e complexidade. Um dos principais expedientes dessa técnica
consistia no psicólogo devolver ao cliente a maneira como compreendia sua fala,
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favorecendo com que ele percebesse que estava sendo compreendido e continuasse a
desenvolver sua fala.
Os seres-vivos têm a tendência para realização ou atualização de suas
potencialidades em níveis cada vez maiores de integração e complexidade. Essa
capacidade de atingir a plenitude do potencial de vida recebe o de tendência
atualizante ou tendência de auto-atualização. Porém, é fundamental esclarecer
que isso não implica na tendência do homem ao moralmente correto, pois isso é algo
que é da esfera de sua consciência. Além disso, essa tendência pode ser favorecida ou
não pelo meio e/ou pela consciência.
Moreno e o Psicodrama
O processo psicoterapêutico no psicodrama é bem diferente do apresentado
no modelo tradicional do setting ortodoxo. Nesse caso específico, sai o divã e o papel
fixo do terapeuta e cliente para uma margem quase infinita de configurações
interpretadas em um palco terapêutico. Aqui, a representação dramática é o núcleo
do processo terapêutico. O psicodrama é um método de ação profunda e
transformadora, que trabalha tanto as relações interpessoais como as ideologias
particulares e coletivas que as sustentam. Destaca-se, ainda, que é uma abordagem
que pode ser tanto individual como grupal.
O psicodrama ocorre em um palco ou cenário (o lugar da ação dramática)
com um protagonista, (indivíduo ou grupo), que catalisa o foco da ação. O
coordenador dos trabalhos e diretor da ação dramática pode ser auxiliado por outros
profissionais, chamados egos auxiliares, que têm por principais funções: encarnar
pessoas ausentes importantes na estruturação dos conflitos, assumirem o lugar do
cliente, explicitar sentimentos ocultos, criar novas ressonâncias e contrapontos às
experiências causadoras de sofrimento.
Tal método de ação encena histórias, encarna personagens internos ou
míticos, desenvolve enredos, cria realidades suplementares. No aqui e agora são
representadas cenas que podem retratar lembranças do passado, situações vividas de
maneira incompleta, conflitos, sonhos, e até, formas de lidar adequadamente com
acontecimentos futuros. Ficam evidentes modos singulares de ser, sentidos sociais e
culturais do vivido, que podem ser transformados.
No desenvolvimento da ação psicodramática, três momentos podem ser
identificados:
a) Aquecimento: é a preparação e a focalização da atenção no trabalho
que será desenvolvido.
b) Representação: é o ato de experienciar, em si, a cena dramática. Aqui
ganham importância os eu-auxiliares, que serão os encarregados de encenar os
personagens contracenando com o protagonista os personagens reais ou fantasiosos,
aspectos do paciente, símbolos do seu mundo.
c) Compartilhamento: é o retorno do protagonista ao grupo, momento
em que o grupo compartilha seus sentimentos e vivências, tudo o que lhes foi
acontecendo durante a cena, as ressonâncias que ele produziu.
Moreno, tomando do modelo teatral seus elementos, distingue para a cena
psicodramática, cinco elementos ou instrumentos:
a) Cenário: neste continente desdobra-se a produção e nele podem-se
representar fatos simples da vida cotidiana, sonhos, delírios, alucinações.
b) Protagonista: o protagonista pode ser um indivíduo, uma dupla ou um
grupo. É quem, em Psicodrama, protagoniza seu próprio drama. Representa a si
mesmo e seus personagens são parte dele. Palavra e ação se integram, ampliando as
vias de abordagem.
c) Diretor: o psicoterapeuta do grupo é também o diretor psicodramático.
Sua função é propiciar e facilitar o bom desenvolvimento da cena dramática.
d) Egos-auxiliares: São as pessoas que contracenam com o protagonista,
podendo ser profissionais ou participantes do público que são convidados a subir no
palco terapêutico.
e) Público ou plateia: são os membros do grupo que participam assistindo a
cena dramática.
Por fim, destaco que o Psicodrama possui alguns conceitos base, como:
§ o conceito de espontaneidade-criatividade:
catarse/espontaneidade que gera criatividade;
§ a teoria dos papéis: possibilidade de representar vários “eus”;
§ a psicoterapia grupal: o grupo é terapêutico em si.
Alfred Adler
Como muitos devem saber, a teoria de
Adler foi fortemente influenciada pelo seu
histórico de vida. Quando era criança, era frágil,
raquítico, por diversas vezes foi atropelado por
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carruagens e teve pneumonia, tinha desempenho escolar insatisfatório, e, ainda
segundo ele mesmo, era desprovido de atrativos. Provavelmente uma explicação S=R
concluiria que existe um novo fator contingente: o azar (exagero meu, claro).
Um fato curioso sobre Adler é que foi ele quem deu fama a ideia de que a
personalidade humana é influenciada pela ordem de nascimento m uma família.
Adler observou que as personalidades do primogênito, do filho do meio e do caçula
tendiam a ser bem diferentes. Como isso não cairá em seu concurso e carece de
evidências críveis, não será abordado nesse curso.
Uma interessante distinção pode ser feita entre Freud, Jung e Adler quanto
aos motivos da conduta humana. Enquanto Freud acreditava que o sexo dava forma
à personalidade, Jung acreditava nos padrões primordiais de pensamento e Adler no
interesse social. Adler destronou o sexocomo fundamento da natureza humana (o
que trouxe alívio para muitos na época). Assim, em contraste com a suposição
freudiana de comportamento motivado por instintos e a posição junguiana de
comportamento motivado por arquétipos, Adler creditou as razões da conduta
humana aos impulsos sociais. Ele dotou os humanos de altruísmo, cooperação,
criatividade, singularidade, consciência e protagonismo na construção da própria
personalidade.
Adler discute as três maiores tarefas com que o indivíduo se defronta:
trabalho, amizade e amor. Essas tarefas devem ser vistas à luz do interesse social,
pois somente a partir deste que podem ser significados e construídos de modo
saudável. O interesse social consiste em ajudar a sociedade a alcançar a meta de uma
sociedade perfeita. Para Adler, essa é a verdadeira e inevitável compensação de todas
as fraquezas naturais dos seres humanos. Para ele, os humanos adotam um estilo de
vida predominantemente social. Esse interesse social é inato (somos sociais por
natureza), porém, o modo como esse interesse se expressa e desenvolve a
personalidade irá depender diretamente das experiências que o sujeito vivenciar. Ele
mesmo definiu esse interesse social como o "senso de solidariedade humana, a
relação de um homem com outro, a mais ampla conotação de um senso de
fraternidade na comunidade humana”.(Interesse Social)
Outra grande contribuição de Adler, além do interesse social, no
entendimento da personalidade humana é o seu conceito de self- criativo. O self,
para Adler, é um sistema subjetivo altamente personalizado, que interpreta e dá
sentido às experiências do sujeito. Esse self é responsável por constituir a
personalidade humana na medida em que indica o estilo de respostas mais indicado
para cada situação. Ainda que o self não tenha subsídios para indicar tais estilos de
respostas, é possível que ele tente criar novos significados. O self-criativo, por sua
vez, é unitário, soberano e consistente na estrutura da personalidade. Esse self-
criativo é construído pelo material bruto da hereditariedade e das experiências e é o
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caminho para uma personalidade saudável à medida que supera as estruturas
neuróticas.
Para Adler, o indivíduo neurótico compensa rigidamente as inferioridades
percebidas. Suas metas grandiosas centram-se no auto-engrandecimento e no
egoísmo, ao invés de interesse social enquanto que o indivíduo saudável compensa
sua inferioridade com mecanismos flexíveis e voltados para o interesse social. As
neuroses são interpretáveis e de fundamento defensivo, representando super
compensações rígidas das inferioridades percebidas. Suas metas são egoístas e
centradas no interesse pessoal ao invés do interesse social. A incapacidade dos
neuróticos em lidar com os problemas da vida os leva a criar salvaguardas. Essas
salvaguardas são análogas aos mecanismos de defesa descritos por Freud, e servem
para proteger o sujeito da baixa auto-estima em lidar com problemas ligados à
inferioridade e ao fracasso. Para Adler, existem apenas três tipos de salvaguardas:
a) Desculpas: refere-se a qualquer tentativa de evitar a culpa pelos fracassos
da vida;
b) Agressão: envolve culpar os outros pelos fracassos;
c) Distanciamento: procrastinações, alegações de impotência ou tentativas de
evitar problemas.
Adler tinha uma ênfase na singularidade da personalidade e acreditava que a
consciência era o centro da personalidade. Para ele, os seres humanos estão
conscientes de seus atos, metas e de suas inferioridades. Além disso, os humanos são
capazes de planejar e orientar suas ações com total consciência de seu significado
para a sua auto-realização. Um exemplo dessa capacidade de planejamento é o
conceito de finalismo ficcional. Esse conceito, advindo da teoria de Vaihinger,
supõe que os humanos vivem de acordo com ideias puramente ficcionais, sem,
necessariamente, um equivalente real. Isso faz com que os humanos vivam de forma
mais efetiva na hora de lidar com a realidade. Esse finalismo ficcional é um conjunto
de constructos ou suposições (e não hipóteses) que podem ser testadas e
confirmadas (assim como descartadas quando não são mais úteis). Assim, para
Adler, esse finalismo ficcional representa a base para afirmar que somos mais
motivados pelas nossas expectativas de futuro que pelas experiências do passado.
Nessa expectativa de futuro estabelecemos metas e metodologias para
alcançarmos objetivos de vida (metas finais). O objetivo de vida de cada indivíduo é
influenciado por experiências pessoais, valores, atitudes e personalidade. Apesar de
nos motivar, nem sempre é claro e conscientemente escolhido. Esses objetivos
formaram-se antes, no início da infância, e permaneceram um tanto obscuros e em
geral inconscientes. Essas metas finais, mesmo que irreais, constituem explicações
para a conduta. É fácil perceber que esse conceito representa uma oposição às ideias
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de um passado determinante. Assim, enquanto Freud pressupunha um princípio da
causalidade, Adler acreditava no princípio do finalismo. Por fim, ainda na seara do
finalismo ficcional, Adler acreditava que era possível se livrar dessas ficções quando
necessário (a menos que a pessoa seja neurótica). A pessoa neurótica busca auto-
estima, poder e auto-engrandecimento (metas egoístas) enquanto as pessoas
normais buscam metas sociais.
Outro ponto significativo para a formação da personalidade humana é a
compreensão do conceito adleriano de busca de superioridade. Esse conceito
apresentou evoluções nessa teoria. Inicialmente, na busca das metas humanas,
Adler, inicialmente em sua teoria, pressupôs que nos motivamos através da
agressividade (conceito contrário a passividade), posteriormente pela busca do poder
e, finalmente, pela busca de superioridade. Essa última evolução, de busca de
superioridade, foi onde a maior parte da teoria de Adler se desenvolveu. Essa luta
pela superioridade é inata, pois se não fosse, nenhuma forma de vida poderia se
preservar. Esse conceito de superioridade é a busca de uma completude perfeita.
Significa crescimento e não está necessariamente ligado à competição. Observe que
para Adler essa busca de superioridade é inata e mediada pela vontade (sinônimo de
luta pela superioridade e realização de objetivos de vida). Além disso, a luta
construtiva pela superioridade e o forte interesse social e cooperação são os traços
básicos do indivíduo saudável.
Adler criou o termo "complexo de inferioridade" e afirmava que todas as
crianças são profundamente afetadas por um sentimento de inferioridade,
conseqüência inevitável do tamanho da criança e de sua falta de poder. Observe que,
para este autor, a formação da personalidade gira em torno da percepção que o
sujeito tem em relação ao seu próprio sentimento de inferioridade. A criança busca,
necessariamente, superar o seu sentimento de inferioridade para se afirmar no
mundo. Essa busca de superioridade serve para compensar o sentimento de
inferioridade (físico ou psicológico) e dura toda a vida. Esse sentimento é universal e
se expressa de forma singular em cada um. Essa busca de superação desse
sentimento de inferioridade ocorre de forma contínua. O ciclo de compensação de
inferioridades não termina, assim, quando uma inferioridade é satisfeita (corrigida)
outra motiva o comportamento para a própria resolução.
O sentimento de inferioridade nasce na infância e, Adler, descreveu três
razões que predispõe a um estilo de vida defeituoso (isolamento, falta de interesse
social e desenvolvimento de um estilo não-cooperativo) baseado no objetivo irreal
de superioridade pessoal:a) Crianças com inferioridades orgânicas: sentem-se naturalmente
inadequadas e tendem se tornar fortemente auto-centradas.
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b) Crianças mimadas (superprotegidas): não desenvolvem um senso social
cooperativo.
c) Crianças negligenciadas (rejeitadas): tornam-se adultos inseguros e avessos
a regras sociais.
Adler observou que pessoas com fraquezas orgânicas graves tentarão
compensá-las e através dessa compensação órgãos antes fracos poderiam tornar-se
fortemente desenvolvido por meio de treino e exercícios. Isso resultaria em maior
habilidade ou força do indivíduo. Ele achava que em quase todas as pessoas é
possível encontrar alguma imperfeição orgânica, ficando com a impressão de que
essas pessoas foram dolorosamente testadas no início de suas vidas, mas lutaram e
superaram as dificuldades. Adler salienta, contudo, que as crianças que superam suas
dificuldades tendem a compensar sua fraqueza original além da média e
desenvolvem suas habilidades num grau incomum.
Crianças superprotegidas e mimadas também têm dificuldades em
desenvolver um sentimento de interesse social e cooperação. Ao invés de
cooperarem com outros, essas crianças tendem a fazer exigências unilaterais aos
amigos e à família. Crianças rejeitadas, por sua vez, não conseguem desenvolver
essas adequadamente as competências de amor e cooperação. Tais crianças não têm
confiança em suas habilidades para serem úteis e obterem afeição e estima dos
outros. Quando adultos, tendem á tornar-se frias inimigas da sociedade.
Nos três casos, essas razões podem ser minimizadas ou extintas caso os pais
sejam compreensivos e encorajadores para que seus filhos transformem suas
fraquezas em força.
Tudo o que as pessoas fazem é em busca de suas metas maiores e, essas
metas, são adquiridas através de um rol de comportamentos coerentes com seu
estilo de vida (princípio que explica a singularidade da pessoa). Este é o princípio do
sistema, segundo o qual funciona a personalidade individual, é o todo que comanda
as partes. A pessoa percebe, aprende e retém aquilo que se ajusta ao seu estilo de
vida, e ignora o restante.
O estilo de vida (princípio idiográfico) coordena o sentido geral do organismo
na sua seleção de respostas. Ele é responsável pela coerência global da personalidade
do sujeito e determina como esta enfrentará os três problemas da vida da idade
adulta: relações sociais, ocupação, e amor e casamento. Por volta dos quatro a cinco
anos de idade o estilo de vida está se formando, e a partir daí as experiências são
assimiladas e utilizadas de acordo com esse estilo de vida único. As atitudes, os
sentimentos e as percepções tornam-se fixos e mecanizados e, segundo Adler, é
praticamente impossível que este estilo mude depois disso.
Quando o sujeito lida com esses problemas pelo interesse social, ele está no
lado útil da vida. Quando ela é orientada por interesses pessoais acima dos interesses
sociais (egoísmo), está no lado inútil da vida.
Adler descreveu, para propósitos de estudo, quatro estilos de vida diferentes,
cada um conceituado em termos do grau de interesse social e atividade:
A- Tipo dominante: tem muita atividade e pouco interesse social. Tais pessoas
tentam lidar com os problemas da vida dominando-os.
B- Tipo obtentor: é o mais frequente, espera que lhe dêem tudo de que precisa.
C- Tipo evitante: tenta não ser derrotado pelos problemas da vida evitando os
próprios problemas. Tem pouco interesse social e atividade.
D- Tipo socialmente útil: é ativo a serviço dos outros, enfrentam as tarefas da vida
e tentam resolvê-las de uma maneira consistente de acordo com as necessidades dos
outros indivíduos.
Erich Fromm
O tema base de Fromm é a necessidade de o
homem moderno escapar da liberdade, ou melhor, da
solidão e do isolamento que a liberdade proporciona.
O indivíduo se sente solitário e isolado, pois se
separou da natureza e das outras pessoas. Desse
modo, ele deve buscar um lugar na ordem social. Para
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•Muita atividade
•Pouco Interesse Social
•Muita Atividade
•Muito Interesse Social
A D
C B
•Pouca Atividade
•Pouco Interesse Social
•Pouca Atividade
•Muito Interesse Social
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Fromm, conforme os humanos conquistaram mais liberdade através dos tempos,
eles passaram a se sentir mais sozinhos. A liberdade se torna, então, uma condição
negativa da qual tentam escapar.
Segundo Fromm, a solução desse dilema da liberdade é unir-se a outras
pessoas no espírito do amor e do trabalho compartilhado. No caso sadio, a pessoa
usa sua liberdade para desenvolver uma sociedade melhor, no caso não sadio, ela
passa a viver em uma nova servidão. Assim, outra saída desse dilema da liberdade, de
forma não sadia, é tentar escapar dela através de três vias:
a) Autoritarismo: reflete a fuga através da submissão masoquista a pessoas mais
poderosas ou a tentativa sádica de tornar-se a autoridade poderosa.
b) Destrutividade: tentativa de escapar da impotência destruindo os agentes e as
instituições sociais que produzem o senso de desamparo e isolamento.
c) Conformidade de autômato: adoção de um pseudo-self.
Para Fromm, os humanos possuem uma natureza social inata e a sociedade é
criada pelos humanos para realizar essa natureza essencial. No entanto, a ordem
social presente é inadequada para atender às cinco necessidades básicas do
homem:
- De relacionamento (disposição para o afeto).
- De transcendência (superar sua natureza animal).
- De segurança (quer ser parte integrante do mundo).
- De identidade (procura se identificar com pessoas ou grupos).
- De orientação (um modo estável de perceber e compreender o mundo).
Mesmo acreditando que nenhuma das sociedades até agora foi capaz de
atender integralmente às necessidades básicas da existência humana, ele ainda
acreditava que era possível criar tal tipo de sociedade. Sugeriu, inclusive, um nome
para essa sociedade: Socialismo Comunitário Humanista. Ele, ainda, afirmava que
somente em um mundo onde os homens cooperem para criar uma sociedade sadia,
todas as necessidades do homem poderão ser satisfeitas.
Fromm acreditava que as manifestações específicas dessas necessidades eram
determinadas pelos arranjos sociais de acordo com os quais ela vive. A personalidade
se desenvolve em concordância com as oportunidades que uma determinada
sociedade oferece à pessoa.
Essas necessidades básicas orientam o homem e são de fácil compreensão
pelo candidato apenas pelos seus enunciados. Apenas uma necessidade necessita de
explicação para não restar confusa. A necessidade de transcendência diz respeito à
necessidade do ser humano de erguer-se acima de sua natureza animal, de tornar-se
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uma pessoa criativa no lugar de um mero instinto animal. Nesse ponto merece
destaque a percepção de Fromm de que os humanos possuem tanto uma natureza
animalesca como uma natureza humana e que, esta última, deve ser cultivada junto
ao desenvolvimento social e igualitário. Assim, existem experiências exclusivamente
humanas, como os sentimentos de afeição, amor e compaixão, atitudes de interesse,
responsabilidade, identidade e integridade, vulnerabilidade, transcendência e
liberdade, valores e normas.
Por fim, Fromm identificou e descreveu cinco tipos de caráter social
encontrados na sociedade atual:
a) Receptivo
b) Explorador
c) Açambarcador
d) Comerciante
e) Produtivo
Esses tipos constituem diferentes maneiras pelas quais o sujeito se relaciona
com o mundoe com os outros. Ao que pese essa taxonomia da personalidade, todo
indivíduo é uma combinação desses cinco fatores e apenas o último fator pode ser
considerado saudável.
George Kelly
George Alexander Kelly desenvolveu a Teoria
dos Construtos Pessoais em 1955, que diz que o
homem desenvolve sistemas antecipatórios para lidar
com os eventos que vivencia. Porém, quando esses
sistemas antecipatórios não preveem alguns eventos, o
seu criador pode tomar decisões e os reformular. A
sólida posição de Kelly na psicologia humanística é
adquirida por meio de sua formulação central de que as
pessoas são sempre capazes de reinventar a si mesmas.
Para Kelly, a realidade é flexível e existe convite,
criatividade e renovação. Em anos mais recentes, o
trabalho de Kelly tem sido mais prontamente associado ao construtivismo, uma série
de abordagens psicológicas que enfatizam o papel central que os seres humanos
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desempenham na construção e vivência de acordo com seus significados psicológicos
pessoais.
Essa abordagem confere à personalidade a suposição de que os indivíduos
constroem a própria realidade e que suas respostas às vicissitudes da vida são
originadas em suas experiências prévias similares para antecipar as consequências do
comportamento. Apresenta uma perspectiva otimista e simples na explicação da
personalidade humana, pois acreditava que as pessoas são livres para escolher como
querem ver o mundo. Observe que o comportamento depende sempre de como
vemos o mundo (como interpretamos o mundo) e que somos livres para mudarmos
essas concepções de mundo com o decorrer do tempo. Nesse ponto não se deve
categorizar as interpretações em certas ou erradas, mas sim compreender o impacto
que elas têm em cada contexto.
Nas palavras de Kelly:
“Os homens mudam as coisas primeiro mudando a si mesmos e só atingem seus
objetivos se pagarem o preço de mudarem a si mesmos”.
“...o próprio mundo está em processo. Ele está constantemente mudando, de modo
que uma compreensão adequada do mundo requer uma contínua reinterpretação dele.”
Kelly acreditava que os seres humanos tendem a antecipar acuradamente as
consequências de suas ações (o que caracteriza o funcionamento sadio). Uma
diferença fundamental desse autor em relação aos anteriores é que não achava
importante discutir as necessidades específicas ou os outros motivos. Na verdade, a
própria percepção de que a motivação é um vetor do comportamento humano é
rejeitada por Kelly. Para ele, a conduta humana deve ser explicada pela interpretação
que o indivíduo tem, e escolhe, de sua própria e singular realidade. A personalidade é
vista, aqui, como uma tendência particular de interpretar a realidade e não como um
conjunto de motivações, self ou padrões de comportamentos. O conceito de
motivação, em especial, é visto como um constructo desnecessário e redundante,
pois além das pessoas já são ativas por natureza, o conceito não é capaz de explicar
melhor as condutas de uma pessoa do que a percepção de escolhas ocorrida pela
interpretação de mundo. Perceba esse postulado central da obra de Kelly: nos
movemos em função de nossas interpretações e não de nossas motivações.
Outra oposição de Kelly frente seus antecessores teóricos da personalidade é
refletida na sua discordância com o conceito de Self. É possível mudar esse self e não
deve-se buscar rótulos para o mesmo. A cada momento a pessoa é entendida como
um sistema de algum tamanho mais ou menos definido. Contudo, isso não informa
nada, necessariamente, sobre o que a pessoa é capaz de vir a ser no futuro. Para
Kelly, o self é um rótulo semi-estático e inútil para a compreensão da personalidade
humana, pois essa é mutável e fluída. Tudo está intimamente relacionado à nossa
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interpretação pessoal e ao nosso constructo pessoal. O constructo pessoal é
definido como a capacidade de identificar uma distinção em que dois objetos são
semelhantes e diferentes de um terceiro objeto. Esse constructo pessoal serve como
parâmetro de julgamento da realidade (interpretação) e é apresentado de forma
dicotômica: bom/ruim, saudável/nocivo, agradável/desagradável, etc.
Esse sistema de constructos pessoais é usado para compreender o mundo e,
ao mesmo tempo em que limitam as nossas possibilidades, também nos oferecem
caminhos de liberdade e movimento. No julgamento da realidade, criamos escalas
de comparação entre constructos pessoais onde atribuímos gradações. Exemplo:
gosto do meu colega de trabalho, mesmo ele sendo incompetente para o trabalho,
pois é responsável, agradável e aberto ao diálogo.
O conceito de constructo engloba, analogamente, o conceito de finalismo
ficcional de Adler, pois orienta-nos em direção ao futuro. A pessoa é vista em sua
antecipação do que virá depois e usa o que aconteceu antes para criar uma
expectativa de futuro. Criam-se hipóteses (previsões) em relação a como as coisas
são e o rumo que deveriam tomar. Para Kelly, é importante que a pessoa antecipe o
futuro com o objetivo de dimensionar investimentos. Esse conceito é análogo,
também, ao que a neuropsicologia chama de “memória prospectiva”. Esse
planejamento e dimensionamento de investimentos é importante para que a
escolha, na visão da pessoa, ofereça mais possibilidade de crescimento e
desenvolvimento total de seu sistema de construto.
Para Kelly, todas as nossas interpretações estão sujeitas à revisão e/ou a
reorganização. Sempre existem algumas construções alternativas que se pode
escolher ativamente para lidar com o mundo. Essa posição filosófica adotada em sua
teoria recebeu o nome de alternativismo construtivista.
Outro ponto importante de sua teoria é o conceito de homem-cientista.
Kelly adotou a metáfora de que as pessoas adotam uma postura diante da própria
vida como se fossem cientistas: formulando hipóteses para fenômenos da vida e as
consequências de seus comportamentos. Um bom cientista é aquele que é capaz de
reformular suas hipóteses para conseguir explicar satisfatoriamente os efeitos de seu
comportamento. Por outro lado, um mal cientista é aquele que não consegue mudar
a sua teoria e continua a ter consequências inadequadas para os seus
comportamentos.
A teoria dos construtos pessoais está organizada com base num postulado
fundamental justificado por meio de 11 corolários:
· Postulado fundamental – os processos de uma pessoa são psicologicamente
canalizados pelas maneiras nas quais ela antecipa eventos.
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· Corolário da construção – uma pessoa antecipa eventos construindo suas
réplicas
· Corolário da individualidade – as pessoas diferem umas das outras nas suas
construções de eventos.
· Corolário da organização – cada pessoa, caracteristicamente, desenvolve, para
sua conveniência na antecipação de eventos, um sistema construção incorporando
relações ordinais entre construtor.
· Corolário da dicotomia – o sistema de construção de uma pessoa é composto de
um número finito de construtos dicotômicos (dividido ou subdividido em dois).
· Corolário da escolha - a pessoa escolhe para si aquela alternativa, em um
construto dicotomizado, através da qual ela antecipa a maior possibilidade de
extensão e definição de seu sistema de construção.
· Corolário do âmbito – um construto é conveniente apenas para a antecipação de
um âmbito limitado de eventos.
· Corolário da experiência – o sistema de uma pessoa varia à medida que ela
constrói, sucessivamente, réplicas de eventos.
· Corolário da modulação – a variação no sistema de construção de umapessoa é
limitada pela permeabilidade dos construtos dentro dos âmbitos de conveniência em
que as variantes se situam.
· Corolário da fragmentação – uma pessoa pode empregar, sucessivamente, uma
variedade de subsistemas de construção que são inferencialmente incompatíveis
entre si.
· Corolário da comunalidade (“Commonality”) – na medida em que uma pessoa
emprega uma construção da experiência que é similar àquela empregada por outra
pessoa, seus processos psicológicos são similares ao de outra pessoa.
· Corolário da sociabilidade – na medida em que uma pessoa constrói os processos
de construção de outra, ela pode ter um papel em um processo social envolvendo a
outra pessoa.
Uma atenção especial deve ser dada ao corolário da experiência. Quando a
realidade não corresponde à réplica construída, a pessoa pode modificar o seu
sistema de construção. Esse processo de reconstrução, para Kelly, está relacionado à
ideia de aprendizagem, que, segundo ele, não ocorre apenas nas escolas ou em
situações especiais, mas se liga diretamente à vivência de uma experiência. Nessa
perspectiva, somente ocorre a experiência quando ocorre a aprendizagem
(mudança). Portanto, a pessoa não aprende com a experiência, mas experimenta
quando aprende (Lima, 2012).
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Por fim, a psicologia do construto pessoal afirma explicitamente que nossas
construções do mundo determinam nossas experiências com o mundo. Desse modo,
na medida em que as pessoas interpretam a si mesmas (ou aos seus problemas) como
imutáveis, as perspectivas de crescimento terapêutico ficam limitadas.
Kurt Lewin
Kurt Lewin deixou uma importante herança
para a psicologia ao legar seus conhecimentos sobre
Ciências do Comportamento, Psicologia Social e
Relações Humanas para o campo das
organizações/grupos e da personalidade humana.
Lewin criou a Teoria de Campo, o conceito de
Pesquisa Ação e a Dinâmica de Grupo. Apesar de
nosso foco ser as suas contribuições sobre a
personalidade humana, uma breve abordagem de
seus conceitos de Pesquisa Ação, Dinâmica de Grupo
e o Processo de Mudança se faz necessária.
A Pesquisa-Ação é uma metodologia de investigação que é constituída por
múltiplos passos, onde são consideradas as dimensões da informação, interação e
colaboração. Consiste em quatro passos: Planejamento, Ação, Observação e Reflexão.
O diferencial em relação aos outros processos metodológicos de pesquisa é que, na
perspectiva de Lewin, os participantes são ao mesmo tempo sujeitos e objeto da
experiência.
A Dinâmica de Grupo, por sua vez, é o estudo das forças que agem no seio
dos grupos, suas origens, conseqüências e condições modificadoras do
comportamento do grupo. Sua importância para a sociedade ou para a organização é
a de que a variação no comportamento do grupo é de conhecimento vital para o líder.
O comportamento é resultante de um equilíbrio de forças de impulsão e
restrição. No Processo de Mudança deve haver um equacionamento entre essas
forças. A figura que segue, expõe o modelo mencionado:
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No diagrama, a linha inferior representa o nível atual de atividade ou
desempenho. A linha tracejada acima representa o nível desejado ou aquilo que
poderia ser denominado o "objetivo" do esforço de mudança. As setas voltadas para
baixo em direção à primeira linha são as "forças restritivas", e as setas para cima são
as "forças impulsionadores". O nível atual de desempenho ou comportamento
representa o estado de equilíbrio entre as forças impulsionadoras e restritivas.
A essência da abordagem de personalidade de Lewin, que pode ser
considerada uma abordagem gestaltica, é a suposição fundamental de que o
comportamento é função do campo no qual ocorre o comportamento. O
comportamento deriva da coexistência dos fatos e essa coexistência dos fatos cria
um campo dinâmico. Esse conceito apresentado significa que o estado de qualquer
parte do campo depende de todas as outras partes. Além disso, para Lewin, o
comportamento depende do campo atual ao invés do passado ou do futuro.
Vamos agora para a parte central da teoria de Lewin: a Teoria de Campo.
Essa teoria não é uma teoria no sentido habitual, mas um "método de análise das
relações causais e de elaboração dos construtos científicos. De acordo com essa
teoria, o comportamento é derivado da totalidade de fatos coexistentes ao seu redor
e esses fatos têm o caráter de um campo dinâmico, no qual cada parte do campo
depende de uma interação-relação com as demais outras partes. Dessas duas
pressuposições podemos entender que o comportamento humano não depende
essencialmente das disposições presentes (e não do passado e do futuro). Esse
espaço presente, “campo dinâmico”, é o espaço de vida que contém a pessoa e seu
ambiente psicológico. A título de comparação, para Freud havia uma perspectiva de
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causalidade entre os fenômenos que deveriam ser estudados e o comportamento
humano (passado influenciando o presente), para Adler havia a consequencialidade
(o presente é influenciado pelo finalismo ficcional) enquanto que para Lewin o mais
importante era o momento presente.
Além disso, as variações individuais do comportamento humano são
condicionadas pela tensão entre as percepções que o indivíduo tem de si mesmo e
pelo ambiente psicológico em que se insere, o espaço vital. Para explicar melhor a sua
teorização sobre o campo e a ênfase no presente, Lewin propôs, didaticamente, a
seguinte fórmula:
C = f(P,M).
Onde:
C = Comportamento Humano
P = interação entre as pessoas
M = Meio Ambiente (situação social em que se encontra)
Logo, o Comportamento Humano é função direta da interação entre as
pessoas e o meio ambiente. Somos seres eminentemente sociais. Para exemplificar a
abrangência desse conceito é interessante discutir o conceito de moral. Para Lewin o
conceito de moral pode ser definido como uma decorrência do estado motivacional,
uma atitude mental provocada pela satisfação ou não satisfação das necessidades do
indivíduo. O moral elevado pressupõe a satisfação das necessidades e provoca no
indivíduo uma atitude de interesse e colaboração para com o seu próprio grupo. O
moral baixo sugere a não satisfação das necessidades e provoca no indivíduo uma
atitude negativa, de desinteresse e apatia para com a o grupo onde está inserido.
Lewin agregou outros conceitos para explicar o comportamento humano. Um
deles é o de espaço de vida, que remete ao conjunto de fatos existentes para um
indivíduo em um dado momento. Dentro desse espaço de vida existe o ambiente
psicológico (ou ambiente comportamental) que é o ambiente do ponto de vista do
indivíduo. Remete ao que é percebido e interpretado pela pessoa e é relacionado com
as atuais necessidades do indivíduo. Alguns objetos, pessoas ou situações, podem
adquirir valência no ambiente psicológico, determinando um campo dinâmico de
forcas psicológicas.
A visão topológica (estrutural) de Lewin parte da representação gráfica do
sujeito separado de todo o resto do universo. Suas representações gráficas
significaram uma tentativa didática de explicitar seus conceitos. Deve-se destacar
que essas representações são momentâneas.
Segundo Hall, Lindzey e Campbell (2000), a separação da pessoa do resto do
universo é realizada desenhando-se uma pessoa fechada. As fronteiras da figura
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definem os limites da entidade conhecida como pessoa. Tudo o que está dentro da
figura P (a pessoa) e tudo que está fora das fronteirasé não-P. A região entre os dois
perímetros é o ambiente psicológico A. A área total dentro da elipse, incluindo o
círculo, é o espaço de vida, V.
Assim:
P + A = Espaço de Vida, V
O Espaço de vida constitui toda a realidade psicológica. Contém a totalidade
dos fatos possíveis capazes de determinar o comportamento de um indivíduo. Assim,
o comportamento é uma função do espaço de vida:
C = f(V)
Os fatos que existem na região externa e adjacente à fronteira do espaço de
vida (invólucro exterior do espaço de vida) podem influenciar materialmente o
ambiente psicológico. Isso quer dizer que fatos não-psicológicos podem influenciar
os fatos ditos psicológicos (fenômeno que Lewin chamou de ecologia psicológica),
pois a fronteira entre o espaço de vida e o mundo é permeável. Destaca-se que a
fronteira entre a pessoa e o ambiente também é uma fronteira permeável.
Para compreender a natureza humana, é imprescindível compreender os
fatos que existem na fronteira do espaço de vida, pois esses ajudam a determinar o
que é e o que não é possível acontecer na realidade do indivíduo. Por conta disso,
Lewin acreditava que era simplório descrever a personalidade humana a partir de leis
psicológicas. Uma observação importante é que, para Lewin, embora uma pessoa
esteja cercada pelo ambiente psicológico, ela não é uma parte dele, nem está incluída
nele.
Lewin foi além em sua esquematização da personalidade humana diante do
campo onde ela está inserida. Dentro do círculo P (pessoa), existe a parte externa
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(região perceptual-motora) e um núcleo (região intrapessoal). Esse núcleo é separado
em dois tipos diferentes de células, as periféricas (que ficam nas adjacências do
núcleo) e as células centrais (que ficam no meio do núcleo).
Cada uma dessas células representa uma região e contém um fato psicológico.
O número de regiões no espaço de vida é determinado pelo número de fatos
psicológicos separados que existem em um dado momento. Atente-se para a
diferença de que um fato psicológico é qualquer fato sentido ou inferido e que esses
fatos, quando ligados a várias regiões, representam eventos. Desse modo, dizemos
que duas regiões estão conectadas quando um fato em uma região está em
comunicação com o fato de outra região.
Os principais fatos da região intrapessoal são chamados de necessidades,
enquanto que os fatos dos ambientes psicológicos são chamados de valências. Cada
necessidade ocupa uma célula separada na região intrapessoal e cada valência ocupa
uma região separada no ambiente psicológico.
Nesse arranjo para representar a relação da pessoa com o ambiente, e na
organização dos fatos da vida, o próprio Lewin optou por classificar essas células a
partir de três eixos dicotômicos para representar as maiorias das conexões possíveis
no espaço de vida.
a) proximidade-distância: grau de acessibilidade ou influência entre as regiões
(representada na posição apresentada de cada fato da vida).
b) firmeza-fragilidade: grau de resistência oferecida entre as fronteiras
(representada no traço).
c) fluidez-rigidez: grau de resistência à mudanças (representada no
preenchimento utilizado).
Além dessa visão topológica, Lewin legou, através da sua teoria de campo,
uma perspectiva dinâmica. Assim, definiu termos que nos ajudam a compreender
como os processos humanos de motivação, aproximação e afastamento ocorrem.
Inicialmente ele postulou que existe uma energia psíquica que realiza o trabalho
psicológico. Essa energia psíquica é liberada quando a pessoa busca retornar ao
equilíbrio depois de se encontrar em um estado de desarmonia. Essa desarmonia
(desequilíbrio) é produzida pelo aumento de tensão em uma parte do sistema
relativo ao restante do sistema. O repouso irá ocorrer quando a tensão em todo o
sistema voltar a ficar equilibrada (a saída de energia é interrompida).
A tensão é um estado de uma região intrapessoal relativo a outras regiões
intrapessoais. Os meios pelos quais a tensão se equaliza são chamados processos. O
aumento de tensão ou a liberação de energia em uma região intrapessoal é causado
pelo surgimento de uma necessidade. Uma necessidade é uma motivação e equivale
aos conceitos de desejo, pulsão e impulso. Entenda que a tensão não move o
comportamento, mas ativa as necessidades específicas para que determinada ação
ocorra. Ressalta-se que Lewin evitou discutir a natureza, a fonte, o número e os tipos
de necessidades.
Lewin distinguiu as necessidades das quase-necessidades. As primeiras
ocorrem em função de um estado interno (como fome e a sede) enquanto que as
quase-necessidades equivalem a uma satisfação sob determinados critérios
(exemplo, satisfazer a sede tomando coca-cola).
Para fecharmos a compreensão dinâmica da pessoa segundo Lewin, devemos
estudar ainda dois tópicos, a valência e a força (vetor). A valência está coordenada
com uma necessidade e é uma propriedade conceitual de uma região do ambiente
psicológico. Os objetos, pessoas ou situações adquirem para o indivíduo uma
valência positiva (quando podem ou prometem satisfazer necessidades presentes do
indivíduo) ou valência negativa (quando podem ou prometem ocasionar algum
prejuízo). Os objetos, pessoas ou situações de valência positiva atraem o indivíduo e
os de valência negativa o repelem. A atração é a força ou vetor dirigido para o objeto,
pessoa ou situação enquanto que a repulsa é a força ou vetor que o leva a se afastar
do objeto, pessoa ou situação, tentando escapar. A região de valência positiva tem a
propriedade de reduzir a tensão quando está diante de um objeto-meta enquanto
que a região de valência negativa irá aumentar a tensão diante das mesmas
circunstâncias. Essas qualidades de valência possuem intensidade, assim, podemos
ter duas regiões com valência positiva, mas com graus diferentes de importância (e
necessidades).
A força, ou vetor, existe no ambiente psicológico, enquanto que a tensão é
uma propriedade do sistema intrapessoal. A força possui direção, potência e ponto
de aplicação e essas características da força são representadas na forma de um vetor.
Um vetor tende sempre a produzir locomoção em uma certa direção. Se existir
apenas um vetor sobre uma pessoa, haverá uma tendência à locomoção unificada.
Quando dois ou mais vetores atuam sobre uma mesma pessoa ao mesmo tempo, a
locomoção é uma espécie de resultante de forças.
C. G. Jung
Para Jung, a personalidade (psique) é um
conjunto de sistemas isolados, mas que atuam uns
sobre os outros de forma dinâmica e o objetivo de sua
terapia analítica é de integrar essa psique de forma
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flexível. Para ele, cada uma das principais estruturas da personalidade seriam
Arquétipos, incluindo o Ego, a Persona, a Sombra, a Anima, o Animus e o Self. Esse
processo de confrontação de arquétipos visa obter a individuação.
Antes de tudo, é importante destaca que a personalidade NÃO se confunde
com o termo persona. Como veremos adiante, a persona é um arquétipo junguiano.
É interessante, de início, fazermos uma breve comparação da visão de Jung
com a visão freudiana ortodoxa de personalidade. Os dois trabalhavam com a análise
dos sonhos e com a influência do inconsciente no comportamento humano. Porém,
as semelhanças são limitadas. A teoria junguiana de personalidade, por exemplo, não
prevê uma sequência de estágios em relação ao desenvolvimento da personalidade
humana, diferentemente de Freud. Além disso, Jung enfatizou que os processos na
vida adulta são os mais importantesno desenvolvimento da personalidade (ao
contrário de Freud que creditava à infância esse papel).
Apesar dos dois enfatizarem o inconsciente, o modo como cada um abordou
foi bem diferente. Para Jung, por exemplo, o inconsciente é um processo, e remete
não só ao inconsciente individual como também ao inconsciente coletivo. Se
conjugarmos essas duas instâncias ao ego, à persona, à anima ou animus e à sombra,
teremos a figura do self.
O ego é o responsável pela identidade e também é conhecido como mente
ou consciente. Ele é constituído de percepções, memórias, pensamentos e
sentimentos conscientes. Ele fornece um sentido de consistência e direção em nossas
vidas conscientes. Ele tende a contrapor-se a qualquer coisa que possa ameaçar esta
frágil consistência da consciência e tenta convencer-nos de que sempre devemos
planejar e analisar conscientemente nossa experiência. Inicialmente, para Jung, a
psique é apenas o inconsciente e somente a partir de numerosas experiências é que o
Ego emerge, desenvolvendo a divisão entre o inconsciente e o consciente.
Para Jung, os conteúdos do inconsciente pessoal são aquisições da
existência individual, ao passo que os conteúdos do inconsciente coletivo são
arquétipos que existem sempre e a priori. É importante observar que os dois
inconscientes se expressam primariamente através de símbolos e quanto mais um
símbolo (pessoal) se alinha com o material arquetípico (coletivo) inconsciente, mais
ele evocará uma resposta intensa e emocionalmente carregada. O inconsciente
individual é uma região adjacente ao ego, e consiste de experiências que foram
reprimidas, suprimidas, esquecidas ou ignoradas. Diferentemente da visão ortodoxa
freudiana, Jung considerava que tais conteúdos eram acessíveis à consciência e havia
uma relação de troca entre os dois. Atente para o detalhe que não há elementos
inconscientes no Ego, apenas conteúdos conscientes derivados da experiência
pessoal.
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Por outro lado, existe o inconsciente coletivo, que se define como sensações,
pensamentos e memórias compartilhadas por todos os seres humanos. O
inconsciente coletivo é constituído de arquétipos, ou (imagens primordiais). Esses
arquétipos são experiências comuns e inatas a toda humanidade, são simbólicos, mas
não possuem forma ou conteúdo específico. Elementos comuns de todas as culturas
ajudam a formar esses arquétipos, como por exemplo, contos de fadas, a religião, a
fé, etc. Observe que o termo arquétipo não tem por finalidade denotar uma ideia
herdada, mas sim um modo herdado de funcionamento psíquico.
Jung acreditava que ocorria uma materialização do arquétipo através do
símbolo e que essa materialização dependia da relação do sujeito com o seu meio.
Ele caracterizou os arquétipos que mais nitidamente afetam o eu: a persona
(máscara usada pelo indivíduo em resposta às solicitações da convenção e da tradição
social e às suas próprias necessidades arquetípicas internas), a anima (feminilidade
que faz parte do inconsciente do homem), o animus (masculinidade que faz parte do
inconsciente da mulher) e a sombra (lado animal da natureza humana geralmente
vivenciado como perigoso ou mau).
O conceito de persona corresponde à imagem representacional do arquétipo
de adaptação, pois somente através da persona é que o indivíduo consegue se
adaptar ao mundo. Quando a persona é mal-formada, ocorre uma limitação do eu.
Essa limitação pode ser tão nociva quanto uma persona rígida demais (ocorre
quando o ego se confunde com a persona). Nesse caso, a pessoa em questão se
identifica com o papel que desempenha e não consegue olhar para o seu eu.
A sombra desempenha um papel de oposição à persona. Ela apresenta
aspectos obscuros da personalidade e constitui um problema de ordem moral que
desafia a personalidade do eu como um todo. É o centro do Inconsciente Pessoal e
representa o núcleo do material que foi reprimido da consciência. A Sombra inclui
aquelas tendências, desejos, memórias e experiências que são rejeitadas pelo
indivíduo como incompatíveis com a Persona e contrárias aos padrões e ideais
sociais. A Sombra representa aquilo que consideramos inferior em nossa
personalidade e também aquilo que negligenciamos e nunca desenvolvemos em nós
mesmos. Assim, na interpretação da personalidade junguiana, quanto mais clara a
persona, mais escura será a sombra. A lógica por detrás dessa metáfora é que quanto
mais identificação houver entre o que se representa no mundo mais repressão
haverá em relação aos elementos que não se coadunam com tal representação.
A anima e o animus são arquétipos daquilo que é o inteiramente oposto em
cada sexo. A anima é considerada o Eros materno e representa o feminino eterno
(mãe, irmã, amada, donzela, bruxa,...). No homem representa tudo o que uma
mulher pode ser. O animus, por sua vez, é considerado o Logos paterno e, na mulher,
pode ser identificada como a personificação do papel masculino da razão. Para Jung,
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esses arquétipos aparecerão personificados em sonhos, visões ou fantasias, ou seja,
representarão personalidades inconscientes com os quais o ego deverá lidar.
Jung chamou o Self (si-mesmo) de arquétipo central por essa ser uma
instância de junção entre consciente e inconsciente. Eles nem sempre estão em
oposição, mas estão em complementariedade para estabelecerem uma totalidade: a
personalidade. Dele emana todo o potencial energético de que a psique dispõe. É o
ordenador dos processos psíquicos. Integra e equilibra todos os aspectos
do inconsciente, devendo proporcionar, em situações normais, unidade e
estabilidade à personalidade humana. O Self é o centro da personalidade total (e não
a personalidade em si), assim como o ego é o centro do campo do consciente e a
Sombra é o centro do campo da inconsciência individual. O Self é um fator interno
de orientação, muito diferente e até mesmo estranho ao Ego e à consciência.
Para se alcançar a completude/totalidade, se faz necessário, como pré-
requisito indispensável, defrontar-se com a anima ou com o animus, a fim de
alcançar uma união. Dessa totalidade decorre o que Jung chamou de individuação.
A individuação é um processo pelo qual o sujeito tornar-se um ser único e integrado.
Para ele é o “realizar-se do Si-Mesmo". Lembre-se que a expressão “si-mesmo” é
sinônimo de “self”. Essa individuação é um processo através do qual o ser humano
evolui de um estado infantil de identificação para um estado de maior diferenciação,
o que implica uma ampliação da consciência. O sujeito troca, gradualmente, as
identificações com o meio para buscar as condutas e valores encorajados pelo seu self
e os outros arquétipos individuais. A doença e o sofrimento são causados, segundo
Jung, por eventuais resistências que não permitem o desenrolar natural do processo
de individuação.
O Crescimento Psicológico (Individuação) apresenta passos fixos na
integração de várias partes da psique (self, ego, persona, sombra, anima ou animus e
outros Arquétipos inconscientes):
PRIMEIRO PASSO: desnudamento da Persona.
SEGUNDO PASSO: confronto com a Sombra.
TERCEIRO PASSO: confronto com a Anima ou Animus.
QUARTO PASSO: desenvolvimento do Self.
Devemos agora, nos aprofundar na caracteriologia da personalidade para
Jung. Para este autor, cada indivíduo pode ser caracterizado como sendo
primeiramente orientado para seu interior (introversão) ou para o exterior
(extroversão), sendo que a energia dos introvertidos se dirige em direção a seu
mundo interno, enquanto a energia do extrovertido é mais focalizada no mundo
externo. Um dospassos necessários para a individuação seria a assimilação das
quatro funções (sensação, pensamento, intuição e sentimento), conceitos definidos por
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Jung em sua teoria dos tipos psicológicos. Essas quatro funções psicológicas são
fundamentais e cada uma dessas funções pode ser experienciada tanto de maneira
introvertida quanto extrovertida.
As díades pensamento/sentimento e sensação/intuição são
polarizações do modo como tomamos decisões e do modo como aprendemos
informações, assim:
Modos de tomar decisões Modos de aprender informações
O Pensamento: pessoas com essa
função desenvolvida são mais reflexivas e
planejadoras.
A Sensação: experiência direta, na
percepção de detalhes, de fatos
concretos. A Sensação reporta-se ao que
uma pessoa pode ver, tocar, cheirar. É a
experiência concreta e tem sempre
prioridade sobre a discussão ou a análise
da experiência. Os tipos sensitivos
tendem a responder à situação vivencial
imediata, e lidam eficientemente com
todos os tipos de crises e emergências.
Em geral eles estão sempre prontos para
o momento atual, adaptam-se
facilmente às emergências do cotidiano,
trabalham melhor com instrumentos,
aparelhos, veículos e utensílios do que
qualquer um dos outros tipos.
O Sentimento: pessoa voltada para
valores mais pessoais/emocionais.
A Intuição: experiência passada,
objetivos futuros e processos
inconscientes.
Desse modo, podemos finalizar com o quadro de comparação tipológico de
Jung para atitudes fundamentais e funções psicológicas:
Funções Psicológicas
Pensamento Sentimento Sensação Intuição
Introversão
Pensamento
Introvertido:
Interessado mais
em ideias do que
em fatos. Presta
pouca atenção às
outras pessoas
Sentimento
Introvertido:
Reservado mas
simpático.
Afetuoso mas
pouco efusivo.
Compreensivo
com amigos
próximos e com
pessoas
necessitadas.
Sensação
Introvertida:
Dá grande valor
à experiência
provocada
pelos
acontecimentos
do que aos
acontecimentos
em si. É o caso
dos músicos e
artistas
Intuição
Introvertida:
Pessoa em
contato com o
inconsciente.
Mais
preocupado
com as
possibilidades
do que o que
está
acontecendo
no presente.
Extroversão
Pensamento
Extrovertido:
Lógico. Reprime
emoções e
sentimentos.
Despreza amigos
e
relacionamentos.
Interessado em
fatos e objetos
externos.
Sentimento
Extrovertido:
Pessoa
interessada em
relacionamentos
humanos. Muito
bem adaptado
ao seu meio
social.
Sensação
Extrovertida:
Pessoa que
enfatiza
detalhes do
objeto que leva
a uma
experiência
agradável.
Intuição
Extrovertida:
Pessoa
aventureira.
Embora
preserve a
família, busca
possibilidade
de mudança
do mundo
externo.
Harry Stack Sullivan
Apesar de ser um teórico psicanalista (logo,
psicodinâmico), Sullivan abordou a personalidade
humana mais como um conjunto de relações
interpessoais que processos intrapsíquicos. Para ele a
personalidade é um o padrão relativamente duradouro
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de relações interpessoais que caracterizam uma vida humana.
A teoria de Sullivan é fundamentalmente uma teoria de necessidades e
ansiedade. As necessidades são as necessidades por satisfação e as necessidades por
segurança. A ansiedade ocorre quando necessidades fundamentais estão em perigo
de não ser satisfeitas; a ansiedade é o motivador primário do comportamento
humano. Necessidades por satisfação incluem necessidades físicas - como ar, água,
comida e calor - e necessidades emocionais, especialmente por contato humano e por
expressar os próprios talentos e capacidades.
O conceito fundamental da teoria de Sullivan é o de empatia. Esse conceito
é central para explicar toda sua teoria. Esse conceito é usado para indicar um estágio
que precede qualquer separação (estado de unidade primitiva, natural). A empatia
ocorre desde a infância, quando ocorre a união emocional entre o bebê e a mãe. O
bebê forma com ela uma única unidade de sentimento, onde pode ocorrer um
contágio emocional. Assim, a criança é "contagiada" pela mãe com sentimentos,
bem como com a imaginação e expectativas ligadas a esses sentimentos. A mãe é um
significant other. Esse significante representa a influência externa que irá se
comunicar com a criança. O bebê está preso à esfera da mãe, move-se na ondulação
do seu estado de ânimo. Se a mãe está inquieta, o bebê fica inquieto, se a mãe está
tranqüila, o bebê fica tranquilo. A empatia é um canal de comunicação entre a mãe e
o bebê, enquanto que o contágio emocional seria, para Sullivan, a mensagem desse
canal.
O estado de empatia caracteriza completamente a criança nos primeiros
dois até dois anos e meio de vida. Com o tempo, o poder dessa soberana começa a se
desfazer, apesar da mãe ter sido o primeiro significante adulto da esfera da criança,
transmitindo-lhe, inclusive, medos, regras de aprovações e reprovações. A mãe que
aprova, que é para a criança a boa mãe, leva a criança à consciência (implícita) de ser
uma boa criança. A mãe que reprova, a mãe ruim, leva a criança à consciência de ser
uma criança má. A partir desses pressupostos de vinculação, Sullivan estendeu o
conceito de empatia para toda a esfera da vida humana. Assim como a criança não se
distingue da sua mãe, o adulto também não se distingue das pessoas influentes.
O eu surge de experiências interpessoais sempre em desenvolvimento. O
auto-sistema é dividido em três partes - eu bom, eu mau e não eu. O eu bom é um
conjunto de imagens, experiências e comportamentos associados a respostas não
ansiosas, temas, empáticas e aprovadoras e aceitadoras do ambiente. O eu mau vem
a tornar-se associado a idéias, ações e percepções que provocam ansiedade e
desaprovação de cuidadores. Algumas situações, no entanto, provocam ansiedade
tão intensa que elas são inteiramente desautorizadas e desapropriadas; elas se
tornam parte do não eu. Por fim, a ligação empática torna-se desnecessária e o auto-
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sistema opera de forma autônoma dentro da pessoa, desenvolvendo meios cada vez
mais complexos e sutis de manejar a ansiedade da pessoa.
O eu, para Sullivan, é a personalidade humana e sua existência não se
encontra onde está o sujeito, mas nos contatos que ele mantém (situações
interpessoais). É nesses contatos sociais que se manifesta o que de fato é próprio da
pessoa. Além disso, destaca-se que não há nenhuma repartição dentro de nós com
acontecimentos intrapsíquicos. Esse eu, defende seu limite entre significant others e é
um autodinamismo. Sullivan classifica o eu como um autodinamismo, pois
acredita que ele seja uma organização móvel e inconstante de defesa e asseguração,
nascido na longa aula de educação e formação, isto é, de aculturação, com a
finalidade de evitar a angústia ou, caso a angústia surgisse inesperadamente, de
reduzi-la ao mínimo.
O autodinamismo foi definido por Sullivan como o dinamismo que é
responsável por evitar ou reduzir ansiedade. Esse sistema existe dentro de uma
estrutura interpessoal. O auto-sistema desenvolve um conjunto de mecanismos,denominado operações de segurança que reduz a ansiedade. A segurança é, para
Sullivan, a ausência de ansiedade. Necessidades por segurança incluem a necessidade
de evitar, prevenir ou reduzir ansiedade. Já que nenhuma mãe é perfeita, a
ansiedade é inevitável e torna-se o motor primário no desenvolvimento da
personalidade.
É pelo mecanismo da empatia, descrito anteriormente, que a ideologia
social, os valores de uma religião ou a moral é perpassada para o indivíduo. Essa
mecanismo não só constitui a identidade humana como também nos vincula uns aos
outros (através de processos de amizade e amor, por exemplo). A empatia
transforma a existência humana em uma sociedade.
É importante distinguir, a partir do conceito de empatia, a diferença entre o
sentimento de euforia e disforia.
a) Euforia: gerado pela empatia da boa mãe/boa criança.
b) Disforia: gerado pela empatia da má mãe/má criança.
A euforia é considerada para Sullivan como um estado de felicidade sem
tensão, de longa duração, um ponto final de uma viagem. A disforia, por sua vez,
motiva para a ação (transformar a mãe ruim em uma boa mãe), o ponto de partida de
uma ação.
A mãe má pode reprovar de uma maneira óbvia ou de um modo implícito.
Quando esta se distancia muito claramente, é como se despedisse do filho. Isso faz
com que esta mãe torne-se ausente para a criança e, conseqüentemente, a criança
também se torna ausente para si mesma, essa situação será acompanhada, na
criança, de angústia. A angústia é uma disforia aumentada e tem a função de
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separar (diferentemente da euforia) a criança da mãe e a criança de si mesma (é um
alienante). É a angústia que cria o inconsciente e constitui o limite (separação) de
consciente e inconsciente.
É importante observar que esse processo ocorre, também, na fase adulta.
Nesse caso, a angústia traça o limite neurótico entre aquilo que se é na verdade e
aquilo que se pretende, também na verdade, não ser. A perturbação neurótica surge
na relação com os outros, gerando angústia e separando o que é conhecido do que é
desconhecido. Admite-se, para Sullivan, pela relação com um terapeuta e com os
outros, essa relação neurótica possa desaparecer.
Semelhante aos conceitos de mecanismos de defesa, temos, para Sullivan, as
Operações de segurança. Diferentemente da fundamentação inconsciente
psicanalítica, os mecanismos de segurança encontram seu motor nas relações
interpessoais (observações ou experiências reais). São elas: apatia, desapego
sonolento e desatenção seletiva. Estas operações de segurança foram extraídas da
observação de como os bebês e crianças novas reagem a interações dolorosas, como
repreensão dos seus pais. Constituem defesas do ego à situações presentes na relação
com outros e são fundamentais para a neurose e a alienação do eu. A desatenção
seletiva, por exemplo, é uma ação, coordenada, de tornar a pessoa desatenta para o
que pode e não pode perceber. Ocorre um filtro e o sujeito ouve e vê aquilo que é
oferecido aos seus sentidos na medida em que baste para não perceber a parte
angustiante do mesmo. Mais tarde, somente se lembrará da parte não angustiante e
do acontecimento total apenas saberá fazer uma narração inocente.
Apesar de Sullivan evitar a palavra inconsciente (preferia a palavra
“desconhecido”) sua visão sobre consciente e inconsciente diferia da visão tradicional
freudiana em alguns pontos e ia adiante em outros (em especial no papel do outro na
internalização de conceitos). O limite entre consciente e inconsciente, por exemplo,
não deve ser procurado no indivíduo, mas encontra-se entre as pessoas
(corporalmente presentes ou não) em torno do respectivo indivíduo. O tamanho do
consciente é igual ao tamanho do grupo dos significant others (corporalmente ou não)
presentes e o tamanho do inconsciente é igual ao tamanho do grupo dos significant
others (corporalmente ou não) ausentes. Desse modo, o limite entre consciente e
inconsciente é o limite entre significant others presentes e ausentes (corporalmente
presentes ou não).
Ainda, para Sullivan, existem três modos cognitivos desenvolvimentais de
experiência cujo grau de persistência na fase adulta é importante para entender a
psicopatologia. A prototaxia é caracterizada pela experiência de uma série de
percepções desconectadas e fragmentadas, sem qualquer relacionamento lógico ou
temporal. A parataxia, por sua vez, começa a delinear uma sequência lógica (mas
ainda elementar) dos fatos interpessoais e sentidos simbólicos. Ainda não existe,
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aqui a organização de regras lógicas. E, por fim, o modo sintático representa o
desenvolvimento máximo da linguagem e, em conjunto com a percepção das regras
dos outros, apresenta uma validação consensual de regras lógicas. É nessa fase de
desenvolvimento cognitivo que a criança consegue organizar sequências temporais, a
validade externa e consistência interna de suas ideias. A maturidade pode ser
entendida como o predomínio extensivo do modo sintático de experimentar.
Modo
cognitivo
Período de Formação Déficits associados
Prototaxia Primeira infância e infância Experiências místicas e
esquizofrenia
Parataxia Infância Transferência, lapsos de língua e
ideação paranóide
Sintaxia Final da infância Imaturidade
Por fim, para Nicolau (2012), Sullivan dividiu a terapia em quatro estágios
distintos: incepção, reconhecimento, levantamento detalhado e término. A incepção
envolve o comecinho, freqüentemente apenas uma parte da primeira entrevista,
durante a qual o contrato e os papéis são estipulados. Reconhecimento pode
prosseguir por tantas quantas 15 sessões, durante as quais o terapeuta identifica os
padrões recorrentes dos pacientes e avalia suas qualidades adaptativas e mal-
adaptativas. O levantamento detalhado é um processo prolongado de explorar os
pensamentos, sentimentos e memórias do paciente e de avaliar e reavaliar dados de
estágios anteriores, buscando reconhecer, esclarecer e mudar distorções paratáxicas
persistentes. Os padrões recorrentes são discutidos dentro do contexto da história
desenvolvimental do paciente, necessidades, ansiedades, fracassos e sucessos. Há
freqüentemente muito intercâmbio em andamento entre paciente e psiquiatra à
medida que sentimentos e percepções são validados ou questionados dentro do
contexto de intercâmbio emocional mútuo em cada sessão. O término é um produto
do contrato em evolução e entendimento entre o paciente e o terapeuta e pode
refletir metas extensivas ou limitadas. Sullivan enfatizou a constante reavaliação de
metas pelo terapeuta e o poder de negociação e renegociação continuada do contrato
terapêutico para revelar e mudar distorções paraléxicas. As metas finais da
psicoterapia são obter tanta experimentação dentro do modo sintáxico quanto
possível e ampliar o repertório do auto-sistema. No momento que estas metas são
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atingidas, os pacientes são capazes de tornar-se responsáveis por seu crescimento
em andamento através de interações interpessoais subseqüentes.
Karen Horney
Karen Horney enfatizou a neurose na definição de seus constructos sobre a
personalidade e construiu seus conceitos a partir das
suas objeções a alguns conceitos centrais da psicanálise.
Os fundamentos de seu trabalho, apesar de ser
psicanalista, partem do pressuposto de influências
sociais e culturais acima do desenvolvimento
psicossexual, assim, ela transformou o foco instintual e
libidinoso de Freud em um foco cultural. Segundo ela “a
minha convicção, resumidamente, é que apsicanálise
deve superar as limitações decorrentes de ser uma
psicologia instintiva e genética”. Para ela, o
desenvolvimento da personalidade resulta da interação
de forças biológicas e psicossociais que são singulares
para cada pessoa. O centro da personalidade é o self
real, que tem de lidar com as necessidades humanas e
as pressões da sociedade.
Horney compartilhava com Freud a crença no desenvolvimento da
personalidade nos primeiros anos da infância, mas insistia em que a personalidade
continuaria a sofrer mudanças por toda a vida. Ela discordava dos conceitos das
etapas de desenvolvimento universal, tais como a fase oral ou anal. Sugeria que, se a
criança apresentasse alguma tendência de personalidade do tipo oral ou anal, seria
derivada do comportamento dos pais. Nenhum aspecto do comportamento infantil
era universal; todas as características dependiam dos fatores social, cultural e
ambiental.
A certeza de que o padrão geral da vida humana e a perturbação neurótica
são condicionados pela cultura, levou Horney a não aceitar alguns princípios da
psicanálise tradicional. Ela adota o ponto de vista da antropologia cultural, que revê
os conceitos individualistas e analíticos tradicionais em favor de uma visão mais
social e cultural. Diferentemente de Freud, e das teorias correntes da época, Karen
Horney rejeita a premissa inata implícita na teoria da libido e na das fases
constitucionalmente determinadas da sexualidade infantil. Não existe, afirma
Horney, um quantum de libido biologicamente determinado, cujo consumo,
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distribuição e retorno estabelecem a sorte do indivíduo. Enquanto para Freud as
experiências decisivas da infância são relativamente poucas e em sua maioria de
natureza sexual, para Horney o somatório das experiências da infância é responsável
pelo desenvolvimento neurótico. As coisas dão errado em função de todos os eventos
e indivíduos na cultura, nas relações com os pares e especialmente na família, que
fazem a criança se sentir insegura, desamada e sem valor e que dão origem à
ansiedade básica.
Ela também discorda da premissa historicista expressa na afirmação de que
só o passado determina e esclarece o que acontece no presente. Para ela, o sentido do
presente encontra-se no presente e orientada para o futuro. Horney duvidava que a
infância pudesse ser precisamente recuperada, uma vez que necessariamente a
reconstruímos da perspectiva de nossas necessidades, crenças e defesas presentes.
Além disso, discordou das premissas vitorianas (e misóginas) da teoria freudiana: o
homem é a norma do que é tipicamente humano; o pai é o chefe indiscutível da
família; o homem impõe as normas ao filho e fiscaliza a observância das mesmas; etc.
A determinação dos papéis sociais é eminentemente cultural e isso serviu para que
Horney criasse sua própria psicologia feminina.
Horney também rejeita a premissa individualista em favor de um estudo da
cultural e social. Ela não acreditava que os grandes fenômenos sociais possam ser
explicados pela problemática do indivíduo. A vida humana individual explica-se a
partir da existência de todos os homens e o indivíduo, por mais singular que seja a
sua vida, essa vida baseia-se no padrão de vida que a sociedade lhe oferece. Outro
ponto importante que Horney rejeitava era o conceito de neutralidade ética dos
investigadores. O psicoterapeuta que pretende ser eticamente neutro, torna-se de
fato irreal. Por fim, acreditava que a repressão e a sublimação de impulsos biológicos
não são os determinantes primários do desenvolvimento da personalidade.
O conceito fundamental dessa cientista da mente é o de ansiedade básica,
assim definida: “... o sentimento que a criança tem, de estar isolada e desamparada
em um mundo potencialmente hostil. Uma ampla cadeia de fatores adversos no meio
pode produzir esta insegurança na criança: dominação direta ou indireta,
indiferença, comportamento irregular, desrespeito às necessidades da criança,
ausência de orientação, atitudes de desprezo, excesso ou ausência de admiração, falta
de calor seguro, ter de tomar partido nos desentendimentos entre os pais, muita ou
nenhuma responsabilidade, superproteção, isolamento de outras crianças, injustiça,
discriminação, promessas dos adultos não cumpridas, atmosfera hostil, e assim por
diante”.
Como estudamos anteriormente, a infância não é um período determinista
na condição humana, mas pode ser uma fase onde as neuroses apareçam. Isso ocorre
quando as neuroses dos pais os impedem de amar a criança ou até de pensar “nela
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como o indivíduo particular que ela é”. Essa relação de neuroses dos pais com a
criança faz com que ela desenvolva um sentimento de ansiedade básica que a
impede “de relacionar-se com os outros com a espontaneidade de seus sentimentos
reais”, forçando-a a desenvolver estratégias defensivas (mecanismos de
enfrentamento estereotipados). Essa condição de ansiedade pode bloquear o
desenvolvimento saudável que, por sua vez, pode ser retomado quando o sujeito
remove os bloqueios internos. Horney definia esse conceito como "o sentimento de
isolamento e de desamparo da criança em um mundo potencialmente hostil". Essa
definição caracteriza os sentimentos da infância (mas não é inato). A ansiedade
básica resulta de atitudes paternas dominadoras, bem como a falta de proteção e de
amor e o comportamento errático. Qualquer ato que perturbe a relação segura entre
pais e filhos pode provocar a ansiedade básica.
Caso esse conceito caia na sua prova, utilize a própria definição resumida de
Horney: ansiedade básica é tudo o que perturba a segurança da criança em relação
aos pais. Horney desenvolveu esse tema e chegou a conclusão que tudo que é capaz
de gerar esse estado de necessidade básica é um mal básico (fatores adversos). Esse
mal básico provoca uma hostilidade básica. As crianças lidam com a hostilidade
básica reprimindo-as, seja por precisar dos outros, por ter medo dos outros ou pelo
medo de perder os outros. Para Horney, decorrente do modo como as crianças lidam
com a ansiedade, três atitudes podem ser tomadas: a criança pode ficar hostil, pode
tornar-se submissa ou pode tornar-se alienada de si mesmo (visão irrealista) para
compensar o sentimento de inferioridade.
Na definição dos seus pressupostos sobre personalidade, Horney identificou
duas forças motivacionais primárias para a personalidade: a preocupação com a
segurança e a alienação intrapsíquica e interpessoal. Essas forças atuam na
personalidade para atingir um falso senso de segurança. O ser humano, no esforço
para encontrar solução para os seus problemas, desenvolve necessidades neuróticas,
que ela listou em dez necessidades:
1. Necessidade neurótica de afeto e aprovação.
2. Necessidade neurótica de um “parceiro” do qual possa depender.
3. Necessidade neurótica de restringir a vida a círculos estreitos.
4. Necessidade neurótica de poder.
5. Necessidade neurótica de explorar os outros.
6. Necessidade neurótica de prestígio.
7. Necessidade neurótica de admiração pessoal.
8. Ambição neurótica de realização pessoal.
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9. Necessidade neurótica de auto-suficiência e independência.
10. Necessidade neurótica de perfeição.
Para lidar com essas necessidades cada indivíduo desenvolve um tipo de
tendência neurótica:
a) Tendência de aproximar-se dos outros para compensar o seu
desamparo;
b) Tendência de afastar-se dos outros para se sentir independente; e
c) Tendência de ir contra as pessoas (hostilidade) para delimitar o seu
espaço.
É importanteobservar que enquanto o indivíduo saudável consegue
integrar as três tendências de forma adaptativa e plástica, o indivíduo neurótico
adota uma delas de forma rígida.
Decorrente dessas estratégias para lidar com os outros, Horney identificou
formas de nos relacionarmos com os outros e que qualificam três principais tipos de
caráter:
a) Tipo self-apegado: anuente resulta da operação defensiva de agarrar-se
a outros. Tais pessoas tentam obter o favor dos outros através de lisonja,
subordinam-se aos outros e são relutantes em discordar por medo de perder favor.
b) Tipo expansivo, agressivo resulta de manobrar contra outros e colocar
forte confiança em poder e domínio como um meio de obter segurança.
c) Tipo desapegado, resignado resulta de afastar-se de outros para evitar
tanto dependência como conflito. Eles são pessoas muito privadas que, embora se
recusando a competir abertamente, vêem-se como se elevando acima dos outros.
Horney via a característica central da neurose como alienação do eu real
por causa de forças opressivas no ambiente. A neurose é uma perturbação não
apenas de nossos relacionamentos com os outros, mas também de nosso
relacionamento com nós mesmos. Desse modo, para Horney, a neurose é definida
tanto em termos intrapsíquicos como interpessoais. A alienação, por sua vez, resulta
da combinação entre negação repetida da realidade externa e a repressão de
pensamentos, sentimentos e impulsos genuínos. À medida que o processo de
alienação continua, as pessoas neuróticas perdem contato com o cerne do seu ser e
não mais podem determinar ou agir sobre o que é certo para elas. Seus sentimentos
podem variar de incerteza e confusão à morte e vazio internos.
A causa das neuroses, apesar de ser um efeito cultural, deve ser procurada
principalmente em uma infância afetivamente desfavorável. Mas, com isso, ela não
pretende colocar uma vinculação puramente causal, como se a incompreensão
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afetiva ou a falta de afeto na infância tivesse como conseqüência inevitável uma
neurose na vida subseqüente. A incompreensão ou a falta de afeto traça tendências
neuróticas ("neurotic trends") sobre as quais o indivíduo constrói sua neurose. A
corrente neurótica leva o paciente a conservar vivo seu passado desfavorável.
Determina, além disso, de que forma o neurótico vai viver sua neurose, ditada pela
cultura contemporânea. Em breves palavras, a corrente neurótica, por mais que
venha do passado, possui seu significado no presente do paciente. Karen Horney não
aceita a repetição compulsiva.
Karen Horney distingue neuroses de situação e neuroses de caráter. As
Neuroses de situação são neuroses situacionais e que ocorrem em função de
circunstâncias incidentalmente agravantes (guerras, emigração, promoção, etc.).
Neuroses de caráter, por sua vez, são neuroses psíquicas crônicas, neuroses
"verdadeiras", que se manifestam no caráter do paciente e no seu habitual modo de
agir.
O mal neurótico não é inato e não está na natureza humana (ou natureza
sexual) e sim na estrutura e configuração da sociedade. Para Horney, as sociedades
apresentam contradições, como: concorrência e competição quando prega humildade
e amor ao próximo; a criação social contínua de necessidades sem que a mesma
ofereça condições reais para a satisfação das mesmas (senão com limites); a
propagação da ideologia de liberdade quando há um emaranhado de regulamentos e
prescrições. Tudo isso significa que a sociedade parte contradições múltiplas que
impedem a criança de tornar-se adulto em tempo relativamente breve e que obriga o
adulto a uma série de compromissos e que precipita alguns, vulneráveis por
natureza, na neurose.
Além dos conceitos de neurose, ansiedade básica e alienação, o estudante
deve entender os mecanismos pelos quais o self se desenvolve no decorrer da vida.
Durante seus anos de adolescência, os futuros pacientes neuróticos criam uma
imagem ideal fantasiada que, caso alcançada, promete terminar com seus
sentimentos dolorosos e supre o autopreenchimento. Essa imagem idealizada o
aliena de seu verdadeiro self em favor de um self idealizado para reduzir a
ansiedade. Essa imagem idealizada cobre todas as contradições, oculta a natureza
defensiva do seu comportamento e restaura um senso de integridade. A energia
anteriormente disponível para a auto-realização é usada em esforços para tornar-se
como a imagem idealizada e gera uma autodepreciação por não alcançar esse eu
ideal. Esse self idealizado coexiste com uma série de auto expectativas rígidas,
criando o que Horney chamou de “a tirania do deveria” e a “busca da glória”. Apesar
da autodepreciação, as pessoas neuróticas esperam ser tratadas como se fossem seus
eus ideais. Quando a pessoa percebe que os outros não respeitam o seu eu ideal,
reage com ansiedade e agressividade. Quando esse conflito de papéis é pessoal, surge
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o auto-ódio, que é resultado da ameaça que as pessoas neuróticas têm de serem
incapazes de atingir seus eus idealizados.
À medida que os pacientes mobilizam suas forças construtivas, eles
experimentam a luta entre o sistema de orgulho e o eu real, No processo, eles
experimentam incerteza, dor psíquica e auto-ódio. À medida que o conflito central é
resolvido exitosamente, os pacientes passam para a fase final do tratamento, a
descoberta e o uso dos seus eus internos reais.
Uma harmonia artificial entre as percepções humanas (incluindo as
discrepâncias entre os eus) é obtida pelo uso de mecanismos mentais (semelhantes
aos mecanismos de defesa) como: pontos cegos, comportamentalização,
racionalização e técnicas de enfrentamento como autocontrole excessivo,
arbitrariedade, elusividade, cinismo e externalização.
Horney percebeu que seus pacientes queixavam-se não das neuroses
sintomáticas como fobias e compulsões, mas de infelicidade, bloqueio e falta de
preenchimento no trabalho e inabilidade de estabelecer ou manter relacionamentos.
Eles tinham complexos sistemas de padrões defensivos autoperpetuantes contra a
ansiedade básica que iniciou na primeira infância (neuroses de caráter). No alívio
dessa tensão gerada pela ansiedade, as crianças movem-se psicologicamente em três
direções na busca de segurança:
a) buscam afeto e aprovação
b) se tornam hostis
c) se retraem.
As crianças por fim usam a estratégia de enfrentamento que melhor satisfaz
suas necessidades, mas se apenas uma estratégia básica é usada, as crianças tornam-
se limitadas em seu repertório de enfrentamento em sua experiência de si mesmas e
do seu mundo. Seu senso de segurança é tênue porque elas têm perigo vindo de
dentro de sentimentos e impulsos suprimidos ou reprimidos. Se as condições
ambientais desfavoráveis continuam, seus sentimentos conflitantes são dirigidos
para o inconsciente e tais crianças são deixadas com um senso de desconforto,
ansiedade e apreensão e com um senso de self inseguro. Nesta junção, seu ponto de
referência é externalizado, padrões de comportamento enrijecem e crescentes
bloqueios ao crescimento se desenvolvem. Horney designou estas atitudes
complexas, relativamente fixas em direção ao eu e aos outros como tendências
neuróticas (Nicolau, 2012).
Segundo Horney, os indivíduos, em um processo natural, tentam lidar com
sua ansiedade básica adotando uma solução em busca de auto-realização.
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Por fim, para Horney, o objetivo da terapia é ajudar os pacientes a
abandonarem suas defesas, aceitarem-se como são, e substituírem sua busca de
glória por uma luta de auto-realização. Os terapeutas podem ajudarseus pacientes a
formular e esclarecer informações, mas os pacientes devem fornecê-las revelando-se
a si mesmos. Objetiva-se, com isso, que os pacientes “sintam-se solidários” consigo
mesmo e experimentem a si mesmos “como não sendo particularmente
maravilhosos ou desprezíveis, mas como seres humanos lutadores e muitas vezes
atormentados” que são.
Questões
1. CESPE - 2008 - TJ-DF - Analista Judiciário - Psicologia
Julgue a correção da associação proposta entre reconhecidos teóricos da
personalidade e grandes categorias de teorias da personalidade.
Freud, Carl Jung, Alfred Adler: teorias psicodinâmicas
( ) Certo ( ) Errado
2. CESPE - 2010 - DPU - Psicólogo
As teorias da personalidade dividem-se em teorias psicodinâmicas, teorias
estruturais, teorias experienciais e teorias da aprendizagem. (Hall, Lindzey e
Campbell). Acerca de tais teorias, assinale a opção correta.
a) As teorias da aprendizagem enfatizam a base aprendida das tendências de
resposta, com ênfase no processo de aprendizagem, e não nas tendências
resultantes.
b) As teorias psicodinâmicas enfatizam os motivos conscientes e os inconscientes
dos comportamentos humanos.
c) As teorias estruturais baseiam-se em uma tendência de comportamento humano.
d) As teorias experienciais baseiam-se em experimentos e testes.
e) As teorias da aprendizagem baseiam-se na memória, na acuidade visual, na
orientação espacial, entre outras.
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3. CESPE - 2010 - DPU - Psicólogo
Hall, Lindzey e Campbell defendem que as teorias da personalidade têm sua
aceitação ou rejeição determinadas por sua utilidade. No que se refere às teorias da
personalidade, assinale a opção correta.
a) O norteador empírico (pesquisas, testes etc.) não é importante, visto que
determinada teoria da personalidade constituída pós eventos é construída a partir do
que já foi observado, não sendo capaz de predizer comportamentos humanos.
b) As teorias da personalidade devem ser consideradas verdadeiras ou falsas.
c) Tais teorias devem ser capazes de responder a qualquer comportamento humano.
d) Não é essencial que determinada teoria da personalidade gere predições sobre
comportamentos humanos, uma vez que estes não podem ser padronizados.
e) O termo utilidade refere-se à verificabilidade e à abrangência das predições.
4. PUC-PR - 2010 - COPEL - Psicólogo
A definição de um conceito de personalidade tem sido objeto de vários teóricos
da Psicologia. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA a
respeito dos estudos da personalidade:
I. As teorias psicodinâmicas da personalidade focam a importância dos
motivos, das emoções e das forças internas, supondo que a personalidade se
desenvolve à medida que os conflitos psicológicos são resolvidos, geralmente
durante a infância.
II. As teorias fenomenológicas definem que os indivíduos associam
continuamente significados às informações que adquirem. Segundo essas teorias,
todas as pessoas confrontam realidades ligeiramente diferentes. Assim o self é
entendido como um conceito interno, que evolui com a interação entre as pessoas.
III. As teorias behavioristas enfatizam rigorosos métodos científicos,
examinando ações observáveis em situações específicas. Ao procurar explicar uma
conduta, ressaltam o ambiente e experiências, principalmente a aprendizagem.
IV. O principal estudioso das teorias psicodinâmicas é Carl Rogers.
a) Apenas a assertiva IV está correta.
b) Apenas as assertivas II e III estão corretas.
c) Apenas as assertivas I e IV estão corretas.
d) Apenas as assertivas I, II e III estão corretas.
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e) Todas as assertivas estão corretas.
5. ACEP - 2010 - Prefeitura de Quixadá - CE - Psicólogo
Segundo Skinner, em seu pensamento behaviorista, o comportamento humano
pode ser explicado a partir da observação e da experimentação sistemática. Com seu
conjunto de princípios, estruturou diversos termos específicos. Assinale a alternativa
que apresenta o termo correspondente a seguinte definição: "é capaz de fortalecer
uma reação quando esta remove algum estímulo aversivo".
a) Condicionamento operante.
b) Reforço Positivo.
c) Reforço Negativo.
d) Condicionamento respondente.
6. CESPE TCU - Auditor Federal de Controle Externo – 2011
Acerca da teoria kleiniana, julgue os itens subsequentes.
A teoria kleiniana diverge em relação à teoria freudiana ao considerar que
a criança sempre direciona seus desejos a objetos relacionados à mãe, ou seja, ao seio
bom e ao seio mau. Segundo a teoria freudiana, a criança pode ter o pênis como
objeto.
( ) Certo ( ) Errado
7. CESPE TCU - Auditor Federal de Controle Externo – 2011
A criança, a partir da experiência com o seio bom, via introjeção, tenta proteger-
se da ameaça de aniquilação.
( ) Certo ( ) Errado
8. CESPE TCU - Auditor Federal de Controle Externo – 2011
A criança direcionaria seus desejos a objetos sempre relacionados à mãe,
ou seja, seio bom e seio mau. Não seria possível à criança ter o pênis como objeto.
Essa é uma divergência da teoria kleiniana em relação à teoria freudiana.
( ) Certo ( ) Errado
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9. CESPE TCU - Auditor Federal de Controle Externo – 2011
Segundo essa teoria, as relações interpessoais do indivíduo são
influenciadas pelo fato de que, quando criança, ele se relaciona com objetos totais,
entre os quais se inclui o seio.
( ) Certo ( ) Errado
10. CESPE TCU - Auditor Federal de Controle Externo – 2011
A representação psíquica dos objetos introjetados pela criança é enviesada
pelas fantasias.
( ) Certo ( ) Errado
11. FCC – TRT 18˚ Região - 2013
Jung identificou quatro funções psicológicas fundamentais: pensamento,
sentimento, sensação e intuição, sendo que classificou a sensação e a intuição juntas
como as formas de
(A) realizar reflexões.
(B) tomar decisões.
(C) aceitar opiniões.
(D) elaborar julgamentos.
(E) apreender informações.
12. FCC - TRE-CE - Analista Judiciário – Psicologia - 2012
Para Carl Gustav Jung, a mandala representa
a) a persona.
b) o consciente coletivo.
c) a imagem perfeita do ego.
d) o self perfeito.
e) a imagem do superego.
13. FCC – TRT 18˚ Região – 2013
Sempre que Antônio se comporta mal, sua mãe bate nele com um cinto. O
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menino chega a ter medo só de ver o cinto. Nesta situação, o estímulo condicionado
é
(A) o medo.
(B) o espancamento.
(C) o cinto.
(D) a mãe.
(E) o mau comportamento.
14. FCC – TRT 18˚ Região – 2013
Combinando bebida alcoólica com drogas que produzem doenças, os
sentimentos positivos a respeito do álcool podem ser substituídos por negativos em
alguns alcoolistas. O papel desempenhado pelas drogas no processo de
contracondicionamento é de
(A) estímulo incondicionado.
(B) resposta incondicionada.
(C) estímulo neutro.
(D) estímulo condicionado.
(E) resposta condicionada.
15. FCC – TRT 18˚ Região – 2013
Considere as duas situações abaixo.
I. Um supervisor que busca afirmar-se violentamente como um chefe
competente pode estar ocultando, de todos, uma dificuldade
significativa em termos de liderança.
II. O indivíduo que passa seu tempo de trabalho procurando planejar e
organizar, impondo cegamente seu planejamento, pode estar
sentindo-se seriamente comprometido quanto à sua real capacidade
de planejamento, pois provavelmente já tenha falhado em relação aesse aspecto.
Toda reação violenta, em geral, esconde um mecanismo de defesa do tipo
(A) compensação.
(B) sublimação.
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(C) racionalização.
(D) formação de reação.
(E) esquiva.
16. FCC – TRT 18˚ Região – 2013
O mecanismo que frustra a liberação de energia instintiva, criando um bloqueio
ao instinto de modo que ele não pode tornar-se consciente ou expressar-se em forma
de comportamento aberto, é
(A) a sublimação.
(B) a repressão.
(C) o recalque.
(D) o conflito psíquico.
(E) a identificação.
17. FCC – TRT 18˚ Região - 2013
Estudos e pesquisas de Piaget sobre o desenvolvimento humano demonstraram
que existem formas de perceber, compreender e se comportar diante do mundo,
próprias de cada faixa etária. A passagem do pensamento concreto para o
pensamento formal, abstrato, ocorre dos
(A) 0 aos 2 anos.
(B) 11 ou 12 anos em diante.
(C) 2 aos 7 anos.
(D) 7 aos 11 ou 12 anos.
(E) 4 a 7 anos.
18. FCC – TRT 12˚ Região - 2013
Freud aborda a motivação de forma dinâmica, pressupondo forças internas que
(A) são impulsionadas por comportamentos regredidos e devem ser controladas.
(B) atraem os indivíduos e geram escolhas racionais.
(C) são fonte de condutas antissociais e levam a comportamentos inadequados.
(D) motivam o comportamento humano e são representadas pelos instintos.
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(E) estimulam comportamentos positivos e são representadas pelo superego.
19. FCC – TRT 12˚ Região - 2013
A teoria freudiana propõe que o ego é originalmente criado pelo id na tentativa
de enfrentar a necessidade de reduzir a tensão e aumentar o prazer, mas para fazer
isto, o ego, por sua vez, tem de controlar ou regular os impulsos do id de modo que o
indivíduo possa buscar soluções
(A) mais rápidas e menos fantasistas.
(B) mais imediatas e menos realistas.
(C) menos rápidas e mais fantasistas.
(D) menos imediatas e mais realistas.
(E) nem realistas e nem demoradas.
20. FCC - 2012 - TRE-CE - Analista Judiciário - Psicologia
Freud comparava o inconsciente a um grande salão de entrada no qual um
grande número de pessoas, cheias de energia e consideradas de má reputação,
movem-se desordenadamente, agrupam-se e lutam incansavelmente para escapar
até um pequeno salão contíguo. No entanto, um guarda atento protege o limiar
entre o grande salão de entrada e a pequena sala de recepção. O guarda possui dois
métodos para prevenir que elementos indesejáveis escapem do salão de entrada: ou
os recusa na porta de entrada ou expulsa aqueles que haviam ingressado
clandestinamente na sala de recepção. O efeito nos dois casos é o mesmo: os
indivíduos ameaçadores e desordeiros são impedidos de entrar no campo de visão de
um hóspede importante que está sentado no fundo da sala de recepção, atrás de uma
tela. O significado da analogia é óbvio. As pessoas no salão de entrada representam
as imagens inconscientes.
A pequena sala de recepção é
a) a representação de um mecanismo de defesa consciente.
b) a consciência
c) a pré-consciência.
d) o superego.
e) o ego.
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21. FCC - TRE-AP - Analista Judiciário – Psicologia - 2011
A premissa inicial de Freud era de que há conexões entre todos os eventos
mentais. Quando um pensamento ou sentimento parece não estar relacionado aos
pensamentos e sentimentos que o precedem, as conexões estão
a) no pré-consciente.
b) na consciência.
c) no subconsciente.
d) no prazer.
e) no inconsciente.
22. FCC - TRF - 3ª REGIÃO - Analista Judiciário – Psicologia - 2007
Para Sigmund Freud, a personalidade forma-se ao redor de três estruturas: o
id, o ego e o superego. O id
a) funciona às vezes pelo princípio do prazer e às vezes pelo princípio de realidade,
sendo pré- consciente.
b) controla as atividades de pensamento e raciocínio, sendo parte consciente e parte
inconsciente.
c) age consciente, pré-consciente e inconscientemente e é responsável pela
consciência dos padrões morais.
d) funciona pelo princípio de realidade e o seu conteúdo pode ser facilmente
recuperado.
e) é completamente inconsciente e consiste de desejos e impulsos que buscam
expressar-se permanentemente.
23. FCC - METRÔ-SP - Analista Treinee - Psicologia - 2008
As etapas evolutivas na formação da personalidade da criança não são
estanques e nem de uma progressão absolutamente linear - antes, elas se
transformam, superpõem e interagem permanentemente entre si. Os diferentes
momentos evolutivos deixam impressos no psiquismo aquilo que Freud denominou
de pontos de fixação, em direção aos quais eventualmente qualquer sujeito pode
fazer um movimento de regressão. Os pontos de fixação formariam-se a partir de
uma exagerada
a) gratificação ou frustração de uma determinada zona erógena.
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b) resistência a fazer vir à tona lembranças esquecidas.
c) frustração gerada a partir de uma experiência de abuso sexual.
d) repressão que o ego faz de toda percepção que cause algum sofrimento.
e) reação comportamental negativa (RCN).
24. FCC - TRT - 3ª Região (MG) - Analista Judiciário – Psicologia - 2009
Sigmund Freud propôs três componentes básicos estruturais da psique. A parte
do aparelho psíquico que está em contato com a realidade externa e tem a tarefa de
garantir a saúde, segurança e sanidade da personalidade é o:
a) ego.
b) id.
c) superego.
d) alterego.
e) consciente pessoal.
25. FCC - TJ-SE - Analista Judiciário – Psicologia - 2009
Erik H. Erikson tratou da organização da identidade na evolução do ciclo vital
humano, relacionando as fases descritas por Freud às crises psicossociais. A crise
psicossocial que corresponde à fase anal no pensamento freudiano denomina-se
a) autonomia × vergonha e dúvida.
b) confiança básica × desconfiança.
c) iniciativa × culpa.
d) indústria × inferioridade.
e) identidade × confusão de papéis.
26. FCC - TJ-SE - Analista Judiciário – Psicologia - 2009
De acordo com o modelo dinâmico da estruturação da personalidade, proposto
por Sigmund Freud, o EGO
a) funciona pelo princípio do prazer.
b) é o responsável pelo processo primário.
c) dá juízo de realidade.
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d) é responsável pela internalização das normas referentes ao que é moralmente
proibido.
e) não domina a capacidade de síntese.
27. FCC - TRT - 3ª Região (MG) - Analista Judiciário – Psicologia - 2009
Carl Rogers, na perspectiva centrada no paciente, define a personalidade e a
identidade como uma gestalt contínua e aponta que nossa personalidade torna-se
visível a nós por meio
a) da dinâmica entre os processos conscientes e inconscientes.
b) da percepção de nossas crenças.
c) das experiências emocionais objetivas.
d) do relacionamento com os outros.
e) da percepção de nosso estilo nas vivências passadas.
28. FCC - TJ-SE - Analista Judiciário – Psicologia - 2009
B. F. Skinner definiu a personalidade como:
a) o produto decorrente dos comportamentos espontâneos e recorrentes.
b) um conjunto de traços específicos de um indivíduo.
c) o conjunto dos comportamentos reflexos e de estímulos respondentes.
d) uma coleção de padrões de comportamento.
e) a estrutura subjacente à matriz de identidade do indivíduo.
29. FCC - TRE-RS - Analista Judiciário – Psicologia - 2010
B. F. Skinner apontou que o comportamento operante é fortalecido ou
enfraquecido pelos eventos que seguem a resposta e que enquanto o comportamentorespondente é controlado por seus antecedentes, o comportamento operante é
controlado por
a) processos autônomos.
b) suas consequências.
c) emoções do indivíduo.
d) pensamentos automáticos do indivíduo.
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e) experiências subjetivas.
30. FCC - TJ-PI - Analista Judiciário – Psicologia - 2009
Rogers empregava o termo organismo para se referir ao locus focal de toda
experiência psicológica. O organismo é o campo completo da experiência de um
indivíduo, enquanto o self é parte do
a) "id" do organismo.
b) "eu" do organismo.
c) "ego" do organismo.
d) "superego" do organismo.
e) "todo" do organismo.
31. Questão Inédita – Alyson Barros
Sobre as teorias de personalidade psicanalíticas, não é correto afirmar que:
a) Freud, Carl Jung, Alfred Adler desenvolveram teorias psicodinâmicas
b) Para Freud, a simbolização é a manifestação de símbolos guardados no
inconsciente, considerado um baú de símbolos e o porão da consciência.
c) Tanto para Freud como para Jung, a mente ou psique atua no nível consciente e
no inconsciente.
d) Klein, diferentemente de Freud, diferenciou inveja, ganância e ciúme como
manifestações do instinto agressivo.
e) É comum a presença do conceito de Determinismo Psíquico nas teorias de
personalidade psicanalíticas.
32. Questão Inédita – Alyson Barros
Freud inicia seu pensamento teórico assumindo que não há nenhuma
descontinuidade na vida mental. Ele afirmou que nada ocorre ao acaso e muito
menos os processos mentais. Há uma causa para cada pensamento, para cada
memória revivida, sentimento ou ação. Cada evento mental é causado pela intenção
consciente ou inconsciente e é determinado pelos fatos que o precederam. Uma vez
que alguns eventos mentais "parecem" ocorrer espontaneamente, Freud começou a
procurar e descrever os elos ocultos que ligavam um evento consciente a outro.
O ponto de partida dessa investigação é o fato da consciência.
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Edualdo Freitas Medrado
http://www.famedrado.kit.net/Canal%2005/02.htm
De acordo com a leitura do texto e da teoria de personalidade desenvolvida por
Freud, podemos afirmar que:
a) O inconsciente é governado pelo princípio do prazer, sendo, portanto, alógico,
atemporal e aespacial.
b) De acordo com a teoria freudiana, o caráter se desenvolve durante a fase oral, o
que torna quase impossível um trabalho preventivo no desenvolvimento da
personalidade.
c) Uma das maiores contribuições freudianas ao estudo da personalidade humana foi
a percepção da influência ambiental na formação das patologias.
d) O recalque é uma estratégia que o ego utiliza para encaminhar seus conteúdos
para o pré-consciente.
e) Deslocamento é a satisfação de um impulso inaceitável através de um
comportamento socialmente aceito. Expressão de impulso recalcado de forma
criativa e produtiva.
33. FGV – Detran/Rn 2010
Em J. Laplanche / J.B. Pontalis encontramos “o Complexo de Édipo não é
redutível a uma situação real, à influência efectivamente exercida sobre a criança
pelo casal parental. Ele retira sua eficácia do facto de fazer intervir uma instância
interditória (proibição do incesto) que barra o acesso à satisfação naturalmente
procurada e que liga inseparavelmente o desejo à lei (ponto que J. Lacan acentuou).
Isto reduz o alcance da objecção introduzida por Malinovski e retomada pela
chamada escola culturalista, segundo a qual, em determinadas civilizações em que o
pai é desprovido de toda a função repressiva, não existiria Complexo de Édipo, mas
um complexo nuclear característico de tal estrutura social: na realidade, nessas
civilizações, os psicanalistas procuram descobrir em que personagens reais, e mesmo
em que instituição, se incarna a instância interditória, em que modalidades sociais se
especifica a estrutura triangular constituída pela criança, o seu objeto natural e o
portador da lei.” Considerando os estudos psicanalíticos presentes na citação, sobre
o Complexo de Édipo, podemos afirmar:
a) Em determinadas civilizações em que o pai é desprovido da função repressiva, não
ocorre a vivência do Complexo.
b) O Complexo de Édipo não é universal.
c) A interdição do incesto não é a lei universal que diferencia cultura e natureza.
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d) A relação triangular constituída pela criança, com sua instância interditória pode
se especificar em diferenciadas modalidades sociais.
e) O que irá ser interiorizado para a estruturação psíquica da pessoa, é somente o
processo de interdição vivido pela criança em sua relação com o casal parental.
34. FGV – Tecnologista em Saúde Pública – FIOCRUZ/2010
A expressão "mecanismo de defesa" aparece, entre outros, nas obras
metapsicologicas de 1915 escritas por Freud, em duas acepções um tanto distintas:
(1) designa o conjunto dos processos defensivos em geral ou de determinada neurose
e (2) exprime a utilização defensiva de um ou outro “destino pulsional”.
Assim, podemos afirmar serem mecanismos de defesa os seguintes processos:
a) recalque, retorno da pulsão sobre a própria pessoa e a própria projeção.
b) Narcisismo, retorno da pulsão sobre a própria pessoa e projeção.
c) Recalque, projeção e processo primário
d) Narcisismo, recalque e projeção
e) Recalque, retorno da pulsão sobre a própria pessoa e fixação.
35. FGV – Tecnologista em Saúde Pública – FIOCRUZ/2010
Ao longo de sua obra, Freud pouco alude ao que chamou de
contratransferência, ou seja, ao conjunto das reações inconscientes do analista à
pessoa do analisando e, mais particularmente, à transferência deste. Do ponto de
vista técnico, analise as orientações que o psicanalista deveria seguir face o
estabelecimento de um processo contratransferencial.
I. Elaborar ao máximo as manifestações contratransferenciais através da
análise pessoal para que a situação analítica se estruture eminentemente pela
transferência do paciente.
II. Utilizar, controladamente, as manifestações contratransferenciais no
trabalho analítico, já que, segundo Freud, o inconsciente do analista é um
instrumento que não deve ser totalmente desprezado na situação analítica.
III. Guiar-se principalmente pelos processos contratransferenciais na situação
analítica.
Analise:
a) se apenas a I é adequada.
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b) se apenas a II é adequada.
c) se apenas a I e a III são adequadas.
d) se apenas a I e a II são adequadas.
e) se todas são adequadas.
36. FGV – Tecnologista em Saúde Pública – FIOCRUZ/2010
Assinale a afirmativa que apresenta o conceito psicanalítico de transferência.
a) A atualização para o sujeito de etapas ultrapassadas do seu desenvolvimento e a
passagem a modos de expressão e de comportamento de nível inferior do ponto de
vista da complexidade, da estruturação e da diferenciação.
b) Um dos modos essenciais do funcionamento dos processos inconscientes que
consiste em que uma única representação representa por si só várias cadeias
associativas em cuja interseção ela se encontra.
c) O processo pelo qual os desejos inconscientes se atualizam sobre determinados
objetos no quadro de um certo tipo de relação estabelecida com eles e,
eminentemente, no quadro da relação analítica.
d) O conjunto das reações inconscientes do analista relativos à pessoa do analisando.
e) O mecanismo de formação de sintomas que opera na histeria e consiste na
transposição de um conflito psíquico e numa tentativa de resolvê-lo em termos de
sintomas somáticos, motores ou sensitivos.
37. Questão Inédita – AlysonBarros
Julgue o item a seguir de acordo com a teoria de personalidade de Adler:
A incapacidade dos neuróticos em lidar com os problemas da vida os leva a
criar salvaguardas. Essas salvaguardas são análogas aos mecanismos de defesa
descritos por Freud, e servem para proteger o sujeito da baixa auto-estima em lidar
com problemas ligados à inferioridade e ao fracasso.
( ) Certo ( ) Errado
38. FUNCAB - 2010 - DETRAN-PE - Psicólogo
A teoria do Campo Psicológico, formulada por Kurt Lewin, afirma que:
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a) o comportamento humano básico independe da coexistência dos fatos, sendo o
resultado das tendências genéticas trazidas pelo espaço vital que orienta a
pregnância das influências ambientais.
b) as tendências individuais advindas de "heranças psíquicas" criam o que nomeou de
campo dinâmico, determinando a atualização virtual em comportamento dentro do
espaço vital, ou seja, do campo familiar triangular.
c) as variações individuais do comportamento humano com relação à norma são
condicionadas pela tensão entre as percepções de si e o ambiente psicológico em que
se insere o espaço vital.
d) o campo é a função do comportamento que existe no momento em que a
tendência vital e o vetor familiar se tensionam, teoria representada pela equação C=
f (T, V).
e) os indivíduos participam de um número determinado de espaços vitais (ex:
família, escola, trabalho, igreja etc) que devem ser descriminados pelo psicólogo, e
esses foram construídos por um número determinado de vetores de força familiares.
39. FGV - 2010 - CAERN – Psicólogo
Cássio casou-se recentemente, assumiu diversos compromissos financeiros e
por questões de corte de custos foi demitido de seu emprego. Está com sérias
dificuldades em conseguir nova inserção profissional, o que o tem deixado bastante
tenso e preocupado. Portanto, pode-se considerar que a dinâmica da personalidade
de Cássio está em uma fase de retorno ao equilíbrio. Sob a ótica da teoria da
personalidade de Kurt Lewin, considere as afirmações abaixo:
I. O objetivo final de todos os processos psicológicos é o retorno da pessoa a
um estado de equilíbrio.
II. O melhor processo de recuperação do estado de equilíbrio consiste na
realização de uma locomoção adequada no meio psicológico.
III. Para atingir-se o equilíbrio é importante que a tensão do sistema em
desequilíbrio não se difunda pelos outros sistemas.
Está(ao) correta(s) apenas a(s) afirmação(ões)
a) I e III.
b) II.
c) III.
d) I.
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e) II e III.
40. Questão Inédita – Alyson Barros
A personalidade humana é orientada, segundo Adler através da constante
busca de superação. Para esse autor, quais são as três maiores tarefas com que o
indivíduo se defronta?
a) trabalho, amizade e amor.
b) paridade, relacionamento e sociabilização.
c) sociabilização, ritmo e vetor
d) tensão, vetor e permeabilidade
e) superação, finalismo ficcional e self-criativo
Questões Gabaritadas e Comentadas
1. CESPE - 2008 - TJ-DF - Analista Judiciário - Psicologia
Julgue a correção da associação proposta entre reconhecidos teóricos da
personalidade e grandes categorias de teorias da personalidade.
Freud, Carl Jung, Alfred Adler: teorias psicodinâmicas
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: C
Comentários: As teorias psicodinâmicas de personalidade são teorias que afirmam
que o comportamento é resultado de forças psicológicas que atuam dentro do
indivíduo, geralmente fora da consciência. Nesse ponto, existem pontos básicos de
convergência dessas teorias:
- uma parte significativa da vida mental é inconsciente.
- processos mentais ocorrem de forma paralela (o que pode gerar conflitos)
- os padrões estáveis de personalidade não só começam a se formar na infância
como as experiências precoces têm um forte efeito no desenvolvimento da
personalidade.
- as representações mentais que temos de nós mesmos e dos demais tendem a
guiar nossas interações com outras pessoas
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- o desenvolvimento da personalidade implica em aprender a regular os
sentimentos sexuais e agressivos, assim como implica em buscar a independência
social
2. CESPE - 2010 - DPU - Psicólogo
As teorias da personalidade dividem-se em teorias psicodinâmicas, teorias
estruturais, teorias experienciais e teorias da aprendizagem. (Hall, Lindzey e
Campbell). Acerca de tais teorias, assinale a opção correta.
a) As teorias da aprendizagem enfatizam a base aprendida das tendências de
resposta, com ênfase no processo de aprendizagem, e não nas tendências
resultantes.
b) As teorias psicodinâmicas enfatizam os motivos conscientes e os inconscientes
dos comportamentos humanos.
c) As teorias estruturais baseiam-se em uma tendência de comportamento humano.
d) As teorias experienciais baseiam-se em experimentos e testes.
e) As teorias da aprendizagem baseiam-se na memória, na acuidade visual, na
orientação espacial, entre outras.
Gabarito: A
Comentários: Relembremos:
As teorias psicodinâmicas enfatizam os motivos inconscientes e o
conflito intrapsíquico resultante;
As teorias estruturais focalizam as diferentes tendências
comportamentais que caracterizam os indivíduos;
As teorias experimentais observam a maneira pela qual a pessoa
percebe a realidade e experiência seu mundo;
As teorias da aprendizagem enfatizam a base aprendida das tendências
de respostas, com uma ênfase no processo de aprendizagem em vez de
nas tendências resultantes.
3. CESPE - 2010 - DPU - Psicólogo
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Hall, Lindzey e Campbell defendem que as teorias da personalidade têm sua
aceitação ou rejeição determinadas por sua utilidade. No que se refere às teorias da
personalidade, assinale a opção correta.
a) O norteador empírico (pesquisas, testes etc.) não é importante, visto que
determinada teoria da personalidade constituída pós eventos é construída a partir do
que já foi observado, não sendo capaz de predizer comportamentos humanos.
b) As teorias da personalidade devem ser consideradas verdadeiras ou falsas.
c) Tais teorias devem ser capazes de responder a qualquer comportamento humano.
d) Não é essencial que determinada teoria da personalidade gere predições sobre
comportamentos humanos, uma vez que estes não podem ser padronizados.
e) O termo utilidade refere-se à verificabilidade e à abrangência das predições.
Gabarito: E
Comentários: Essa é resolvida pela interpretação simples das alternativas. Umas
teorias são mais aceitas, em detrimento de outras, em função da sua aplicabilidade. A
teoria de Maslow, por exemplo, é interessante, mas pouco aceita (por não ser
testável)
4. PUC-PR - 2010 - COPEL - Psicólogo
A definição de um conceito de personalidade tem sido objeto de vários teóricos
da Psicologia. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA a
respeito dos estudos da personalidade:
I. As teorias psicodinâmicas da personalidade focam a importância dos
motivos, das emoções e das forças internas, supondo que a personalidade se
desenvolve à medida que os conflitos psicológicos são resolvidos, geralmente
durante a infância.
II. As teorias fenomenológicas definem que os indivíduos associam
continuamente significados às informações que adquirem. Segundo essas teorias,
todas as pessoas confrontam realidades ligeiramente diferentes. Assim o self é
entendido como um conceito interno, que evolui com a interação entre as pessoas.
III. As teorias behavioristas enfatizam rigorososmétodos científicos,
examinando ações observáveis em situações específicas. Ao procurar explicar uma
conduta, ressaltam o ambiente e experiências, principalmente a aprendizagem.
IV. O principal estudioso das teorias psicodinâmicas é Carl Rogers.
a) Apenas a assertiva IV está correta.
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b) Apenas as assertivas II e III estão corretas.
c) Apenas as assertivas I e IV estão corretas.
d) Apenas as assertivas I, II e III estão corretas.
e) Todas as assertivas estão corretas.
Gabarito: D
Comentários: Lembre-se que Rogers não apresenta uma teoria psicodinâmica. Você
é capaz de lembrar qual o tipo de teoria que ele descreve? (resposta: humanista-
existencial).
5. ACEP - 2010 - Prefeitura de Quixadá - CE - Psicólogo
Segundo Skinner, em seu pensamento behaviorista, o comportamento humano
pode ser explicado a partir da observação e da experimentação sistemática. Com seu
conjunto de princípios, estruturou diversos termos específicos. Assinale a alternativa
que apresenta o termo correspondente a seguinte definição: "é capaz de fortalecer
uma reação quando esta remove algum estímulo aversivo".
a) Condicionamento operante.
b) Reforço Positivo.
c) Reforço Negativo.
d) Condicionamento respondente.
Gabarito: C
Comentários: Vejamos o quadro abaixo:
Consequência após a
resposta
Apresentação da
Consequência
Retirada da
Consequência
Reforço
Aumenta a aparição da
resposta (reforço positivo)
Reduz a aparição da
resposta (punição
negativa)
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Estímulo Aversivo
Reduz a aparição da resposta
(punição positiva)
Aumenta a aparição da
resposta (reforço
negativo)
Consequência Inócua Extinção da resposta Extinção da resposta
6. CESPE TCU - Auditor Federal de Controle Externo – 2011
Acerca da teoria kleiniana, julgue os itens subsequentes.
A teoria kleiniana diverge em relação à teoria freudiana ao considerar que
a criança sempre direciona seus desejos a objetos relacionados à mãe, ou seja, ao seio
bom e ao seio mau. Segundo a teoria freudiana, a criança pode ter o pênis como
objeto.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: E
Comentário: Essa questão é perniciosa e de nível difícil, mas interessante para
revisarmos a teoria. Recomendo, enfaticamente, que observe a questão várias vezes
antes de ler o meu comentário. Voltou para a questão?
Essa questão deve ser relida várias vezes. Antes da resposta farei algumas
considerações. As posições descritas na teoria de Melanie Klein correspondem à fase
oral, logo não é possível comparar as posições esquizoparanóide e depressiva
diretamente com a fase fálica de Freud. Outro ponto importante é que a psicanálise
diferencia pênis de falo. Mas, esse detalhe é perdoável. Um olhar mais desatento aos
detalhes julgaria a assertiva correta, mas um olhar no português da questão permite
encontrar o erro da mesma. A questão fala das relações objetais a partir da mãe
através do seio bom e seio mau. Porém, também temos as relações objetais, na fase
depressiva, da mãe boa e da mãe má (o que não foi citado na questão).
7. CESPE TCU - Auditor Federal de Controle Externo – 2011
A criança, a partir da experiência com o seio bom, via introjeção, tenta proteger-
se da ameaça de aniquilação.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: C
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Comentário: Questão de nível fácil, mas sutil. Essa tentativa de proteção da ameaça
à aniquilação ocorre no contato com o seio bom, pois só depois de introjetar o seio
bom é que é capaz de perceber a perda. Decorrente disso que a relação, e
diferenciação, entre seio bom e seio mau ocorre. Após a experiência com o seio bom
(e a questão poderia ser completa e falar também do contato com o seio mau), a
pulsão de morte se expressa. Essas pulsões provocam internamente a “angústia de
aniquilamento” ou “ansiedade de morte”. É neste contexto que o ego rudimentar do
recém-nascido assume a posição de defesa contra a angústia através de mecanismos
primitivos, como a negação onipotente, a dissociação, a identificação projetiva, a
introjeção e a idealização.
8. CESPE TCU - Auditor Federal de Controle Externo – 2011
A criança direcionaria seus desejos a objetos sempre relacionados à mãe,
ou seja, seio bom e seio mau. Não seria possível à criança ter o pênis como objeto.
Essa é uma divergência da teoria kleiniana em relação à teoria freudiana.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: E
Comentário: Outra questão difícil e que deve ser resolvida pelo viés interpretativo.
As definições estão certas, porém referem-se aos bebês e não às crianças. Para Freud,
não há de se falar em investigação no mundo psíquico dos babes uma vez que esses
não têm acesso a linguagem ou possuem uma mínima formação egóica para lidarem
com a realidade. Diferentemente, para Klein, propôs que existem atividades
psíquicas, mesmo através de um ego parcial, desde o nascimento. Logo, a questão
erra ao referir-se a “crianças”
9. CESPE TCU - Auditor Federal de Controle Externo – 2011
Segundo essa teoria, as relações interpessoais do indivíduo são
influenciadas pelo fato de que, quando criança, ele se relaciona com objetos totais,
entre os quais se inclui o seio.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: E
Comentário: Nessa teoria o bebê se relaciona com objetos cindidos (cisão), tanto na
posição esquizoparanóide quanto na posição depressiva.
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10. CESPE TCU - Auditor Federal de Controle Externo – 2011
A representação psíquica dos objetos introjetados pela criança é enviesada
pelas fantasias.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: C
Comentário: Definição perfeita à teoria das relações objetais.
11. FCC – TRT 18˚ Região - 2013
Jung identificou quatro funções psicológicas fundamentais: pensamento,
sentimento, sensação e intuição, sendo que classificou a sensação e a intuição juntas
como as formas de
(A) realizar reflexões.
(B) tomar decisões.
(C) aceitar opiniões.
(D) elaborar julgamentos.
(E) apreender informações.
Gabarito: E
Comentários: Estamos falando aqui da caracteriologia de Jung. É importante que o
candidato lembre que as díades pensamento/sentimento e sensação/intuição são
polarizações do modo como tomamos decisões e do modo como aprendemos
informações respectivamente:
Modos de tomar decisões Modos de aprender informações
O Pensamento: pessoas com essa
função desenvolvida são mais reflexivas e
planejadoras.
A Sensação: experiência direta, na
percepção de detalhes, de fatos
concretos. A Sensação reporta-se ao que
uma pessoa pode ver, tocar, cheirar. É a
experiência concreta e tem sempre
prioridade sobre a discussão ou a análise
da experiência. Os tipos sensitivos
tendem a responder à situação vivencial
imediata, e lidam eficientemente com
todos os tipos de crises e emergências.
Em geral eles estão sempre prontos para
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o momento atual, adaptam-se
facilmente às emergências do cotidiano,
trabalham melhor com instrumentos,
aparelhos, veículos e utensílios do que
qualquer um dos outros tipos.
O Sentimento: pessoa voltada para
valores mais pessoais/emocionais.
A Intuição: experiência passada,
objetivos futuros e processos
inconscientes.
12. FCC - TRE-CE - Analista Judiciário – Psicologia - 2012
Para Carl Gustav Jung, a mandala representa
a) a persona.
b) o consciente coletivo.
c)a imagem perfeita do ego.
d) o self perfeito.
e) a imagem do superego.
Gabarito: D
Comentários: C. G. Jung recorre à imagem da mandala para designar uma
representação simbólica da psique, cuja essência nos é desconhecida. A mandala é a
representação simbólica do átomo nuclear da psique humana perfeita.
13. FCC – TRT 18˚ Região – 2013
Sempre que Antônio se comporta mal, sua mãe bate nele com um cinto. O
menino chega a ter medo só de ver o cinto. Nesta situação, o estímulo condicionado
é
(A) o medo.
(B) o espancamento.
(C) o cinto.
(D) a mãe.
(E) o mau comportamento.
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Gabarito: C
Comentários: Toda vez que o menino vê o cinto, uma reação reflexa é ativada. Essa
reação ao estimulo “cinto” foi aprendida. Assim, o cinto tornou-se um estímulo
condicionado.
14. FCC – TRT 18˚ Região – 2013
Combinando bebida alcoólica com drogas que produzem doenças, os
sentimentos positivos a respeito do álcool podem ser substituídos por negativos em
alguns alcoolistas. O papel desempenhado pelas drogas no processo de
contracondicionamento é de
(A) estímulo incondicionado.
(B) resposta incondicionada.
(C) estímulo neutro.
(D) estímulo condicionado.
(E) resposta condicionada.
Gabarito: A
Comentários: O contracondicionamento consiste em condicionar uma resposta
contrária aquela produzida pelo estímulo condicionado. As drogas aqui provocam
uma reação não-aprendida, por isso, entram nesse sistema de aprendizagem como
um estímulo incondicionado. Lembre-se que um estímulo incondicionado forte
tipicamente leva a um condicionamento mais rápido.
15. FCC – TRT 18˚ Região – 2013
Considere as duas situações abaixo.
I. Um supervisor que busca afirmar-se violentamente como um chefe
competente pode estar ocultando, de todos, uma dificuldade
significativa em termos de liderança.
II. O indivíduo que passa seu tempo de trabalho procurando planejar e
organizar, impondo cegamente seu planejamento, pode estar
sentindo-se seriamente comprometido quanto à sua real capacidade
de planejamento, pois provavelmente já tenha falhado em relação a
esse aspecto.
Toda reação violenta, em geral, esconde um mecanismo de defesa do tipo
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(A) compensação.
(B) sublimação.
(C) racionalização.
(D) formação de reação.
(E) esquiva.
Gabarito: D
Comentários: Esse é o mecanismo de defesa conhecido como Formação Reativa. Ele
ocorre quando o sujeito utiliza um comportamento, ação ou pensamento oposto a
um desejo recalcado. Essa substituição ocorre, via de regra, em função deste
comportamento ser mais aceito socialmente que o que se busca esconder. Por
exemplo, a homofobia pode ser um comportamento que o sujeito adota para
rechaçar de si um desejo homossexual inconsciente.
16. FCC – TRT 18˚ Região – 2013
O mecanismo que frustra a liberação de energia instintiva, criando um bloqueio
ao instinto de modo que ele não pode tornar-se consciente ou expressar-se em forma
de comportamento aberto, é
(A) a sublimação.
(B) a repressão.
(C) o recalque.
(D) o conflito psíquico.
(E) a identificação.
Gabarito: B
Comentários: Temos um sério problema aqui: a diferenciação entre recalque e a
repressão. Fundamentalmente temos diferenças, porém, por erros de tradução ou de
evolução de conceitos, o termo recalque já foi traduzido algumas vezes como
repressão. Para Zimmerman1, temos a seguinte definição:
Racalcar/Recalque: o termo original do alemão, empregado por Freud,
Verdrangung, habitualmente aparece traduzido como recalque ou reacalcamento, ou,
ainda, como repressão. Fundamentalmente, o conceito de recalque está ligado a um
processo pelo qual o sujeito procura repelir, empurrar algo par ao fundo do seu
inconsciente; (dz) seria viável a possibilidade de que recalcar seja uma espécie de
1 Zimerman, David E. Etimologia de Termos Psicanalíticos. Editora Artmed. 2012.
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metáfora de que, com o calcanhar, o sujeito empurre para o fundo do seu
inconsciente, tudo o que for indesejável e, dai, ter surgido o verbo recalcar, com os
derivados recalque e recalcamento.
Repressão: este termo, muito em voga na atualidade, surgiu nos estudos pioneiros
de Freud em que ele queria demonstrar que diante de fantasias e desejos
inconfessáveis, determinado sujeito, como uma forma de negar esses “pecados”, os
abafava, de modo que eles ficavam alojados no inconsciente. Muitos autores
consideram que os termos recalque ou recalcamento (pelo menos no idioma
português essas duas expressões, possivelmente, provem de calcanhar) como uma
forma de pressionar para o fundo da mente aquilo que não é desejável. Assim, existe
certa confusão entre nomes diferentes para dizer praticamente a mesma coisa, o que
aumenta ainda mais a confusão com a inclusão do termo supressão, que alude ao
mecanismo de exclusão para for a da consciência, não necessariamente para o
inconsciente, daquilo que o sujeito não quer tomar conhecimento.
Assim, em minha modesta opinião, as duas respostas são possíveis.
17. FCC – TRT 18˚ Região - 2013
Estudos e pesquisas de Piaget sobre o desenvolvimento humano demonstraram
que existem formas de perceber, compreender e se comportar diante do mundo,
próprias de cada faixa etária. A passagem do pensamento concreto para o
pensamento formal, abstrato, ocorre dos
(A) 0 aos 2 anos.
(B) 11 ou 12 anos em diante.
(C) 2 aos 7 anos.
(D) 7 aos 11 ou 12 anos.
(E) 4 a 7 anos.
Gabarito: B
Comentários: Temos aqui a fase da entrada da adolescência. Sobre isso:
“A adolescência traz consigo consideradas e intensas alterações, não somente
na imagem do indivíduo e na forma de interagir com sigo mesmo e com as demais
pessoas, porém estende-se nova forma de pensamentos. Isto é, ocorre a passagem do
pensamento concreto para o pensamento formal, abstrato, portanto, o adolescente
realiza as alterações no plano das ideias sem necessitar de manipulações ou
referencias concretas, como exemplo disso, a capacidade de lidar com conceitos
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como justiça, liberdade e etc. Ele domina, progressivamente, a capacidade de abstrair
e generalizar, cria teorias sobre o mundo, principalmente sobre aspectos que gostaria
de reformular.”2
É salutar ter em mente essa tabela de estágios e faixas de idades do
desenvolvimento para Piaget:
Estágio Idade
Estágio sensório-motor de 0 a aproximadamente 2 anos
Estágio objetivo-simbólico (pré-
operatório)
aproximadamente de 2 a 6 ou 7 anos
Estágio operacional-concreto aproximadamente de 7 a 11 ou 12 anos
Estágio operacional-abstrato de 11 ou 12 anos a 14 ou 15 anos
18. FCC – TRT 12˚ Região - 2013
Freud aborda a motivação de forma dinâmica, pressupondo forças internas que
(A) são impulsionadas por comportamentos regredidos e devem ser controladas.
(B) atraem os indivíduos e geram escolhas racionais.
(C) são fonte de condutas antissociais e levam a comportamentos inadequados.
(D) motivam o comportamento humano e são representadas pelos instintos.
(E) estimulam comportamentos positivos e são representadas pelo superego.
Gabarito: D
Comentários: Muito provavelmente a questão foi “inspirada” no seguinte
parágrafo: Freud aborda a motivação de forma dinâmica, pressupondo forças
internas que direcionam o comportamento. Segundo Freud, as forças internas
motivam o comportamento humano e são representadas pelos instintos, que
fornecem uma fonte contínua e fixa de estimulação (id). Os instintosvisam objetivos
próprios, mas que podem ser modificados. Para ele, os seres humanos podem derivar
diferentes motivações de um motivo original. A energia do instinto deve ser liberada
2 (2013, 05). Do Pensamento Formal à Mudança Conceitual Na Adolescencia.
TrabalhosFeitos.com. Retirado 05, 2013, de http://www.trabalhosfeitos.com/ensaios/Do-
Pensamento-Formal-%C3%A0-Mudan%C3%A7a-Conceitual/844396.html
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e os indivíduos podem aprender a atingir certos objetivos que possibilitam a
liberação dessa energia. Ao colocar os instintos (libido) a fonte de estimulação
humana, Freud explicita o determinismo biológico, isto é, para ele, os instintos, que
são herdados, determinam o comportamento humano. Ao analisar a abordagem
freudiana da motivação, Bolles (1975) mostra que a teoria freudiana pode ser
considerada a teoria dos objetivos do comportamento humano, pois, em sua
essência, lida com a identificação desses objetivos e com a forma pela qual eles se
tornaram objetivos”3.
19. FCC – TRT 12˚ Região - 2013
A teoria freudiana propõe que o ego é originalmente criado pelo id na tentativa
de enfrentar a necessidade de reduzir a tensão e aumentar o prazer, mas para fazer
isto, o ego, por sua vez, tem de controlar ou regular os impulsos do id de modo que o
indivíduo possa buscar soluções
(A) mais rápidas e menos fantasistas.
(B) mais imediatas e menos realistas.
(C) menos rápidas e mais fantasistas.
(D) menos imediatas e mais realistas.
(E) nem realistas e nem demoradas.
Gabarito: D
Comentários: A questão saiu, provavelmente desse trecho4: “Assim sendo, o ego é
originalmente criado pelo Id na tentativa de melhor enfrentar as necessidades de
reduzir a tensão e aumentar o prazer. Contudo, para fazer isto, o Ego tem de
controlar ou regular os impulsos do Id, de modo que a pessoa possa buscar soluções
mais adequadas, ainda que menos imediatas e mais realistas”.
Em suma, podemos diferenciar a segunda tópica de Freud da seguinte forma:
Id Ego Superego
1. Contém tudo o que é 1. Está em contato com a 1. Estrutura desenvolvida
3 Aguiar, Maria Aparecida Ferreira. Psicologia aplicada à Administração -
Globalização, Pensamento Complexo, Teoria Crítica e a Questão Ética nas
Organizações. 3ª edição. Excellus Editora. 2002.
4 Ballone, G. J., Sigmund Freud – Psiqweb. Disponível em:
http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=190
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herdado e que é realidade externa a partir do Ego.
instintivo. O que é
herdado vem da
constituição humana e o
que é instintivo vem da
(planejando, executando e
controlando
comportamentos) e com o
ID (gerenciando os
2. É um juiz ou censor
sobre as atividades e
pensamentos do Ego.
organização somática. instintos e as tensões). 3. Funciona como depósito
2. Estrutura original e
básica do ser humano.
2. Desenvolve-se a partir
do ID
dos códigos morais,
modelos de conduta e dos
parâmetros que
3. Não é regido por leis 3. Protege o Id e, ao constituem as inibições da
lógicas do pensamento. mesmo tempo, extrai dele personalidade.
4. Abriga os impulsos.
5. É o reservatório de
energia de toda a
personalidade.
a energia suficiente para
suas realizações.
4. Sua função é garantir a
saúde, segurança e
sanidade da
4. Possui, de acordo com
Freud, as seguintes
funções: consciência, auto-
observação e formação de
ideais.
6. Seus conteúdos são
quase totalmente
inconsciente. Abriga
materiais mentais que
nunca serão conscientes e
outros que foram
afastados da consciência.
personalidade.
5. O ego se esforça pelo
prazer e busca evitar o
desprazer.
6. Regula os impulsos do
ID para buscar soluções
mais adequadas, ainda que
menos imediatas e mais
realistas.
5. Opera tanto
conscientemente quanto
inconscientemente.
Quando atua
inconscientemente,
apresenta restrições
indiretas que podem
aparecer sob a forma de
compulsões ou proibições.
20. FCC - 2012 - TRE-CE - Analista Judiciário - Psicologia
Freud comparava o inconsciente a um grande salão de entrada no qual um
grande número de pessoas, cheias de energia e consideradas de má reputação,
movem-se desordenadamente, agrupam-se e lutam incansavelmente para escapar
até um pequeno salão contíguo. No entanto, um guarda atento protege o limiar
entre o grande salão de entrada e a pequena sala de recepção. O guarda possui dois
métodos para prevenir que elementos indesejáveis escapem do salão de entrada: ou
os recusa na porta de entrada ou expulsa aqueles que haviam ingressado
clandestinamente na sala de recepção. O efeito nos dois casos é o mesmo: os
indivíduos ameaçadores e desordeiros são impedidos de entrar no campo de visão de
um hóspede importante que está sentado no fundo da sala de recepção, atrás de uma
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tela. O significado da analogia é óbvio. As pessoas no salão de entrada representam
as imagens inconscientes.
A pequena sala de recepção é
a) a representação de um mecanismo de defesa consciente.
b) a consciência
c) a pré-consciência.
d) o superego.
e) o ego.
Gabarito: C
Comentários: Aluno nosso responde isso com um pé nas costas!
21. FCC - TRE-AP - Analista Judiciário – Psicologia - 2011
A premissa inicial de Freud era de que há conexões entre todos os eventos
mentais. Quando um pensamento ou sentimento parece não estar relacionado aos
pensamentos e sentimentos que o precedem, as conexões estão
a) no pré-consciente.
b) na consciência.
c) no subconsciente.
d) no prazer.
e) no inconsciente.
Gabarito: E
Comentários: Essa é para todo mundo acertar.
22. FCC - TRF - 3ª REGIÃO - Analista Judiciário – Psicologia - 2007
Para Sigmund Freud, a personalidade forma-se ao redor de três estruturas: o
id, o ego e o superego. O id
a) funciona às vezes pelo princípio do prazer e às vezes pelo princípio de realidade,
sendo pré- consciente.
b) controla as atividades de pensamento e raciocínio, sendo parte consciente e parte
inconsciente.
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c) age consciente, pré-consciente e inconscientemente e é responsável pela
consciência dos padrões morais.
d) funciona pelo princípio de realidade e o seu conteúdo pode ser facilmente
recuperado.
e) é completamente inconsciente e consiste de desejos e impulsos que buscam
expressar-se permanentemente.
Gabarito: E
Comentários: Outra que todo mundo deve acertar. Apenas para relembrar: o ID
funciona pelo principio do prazer, é ilógico, irracional e atemporal e totalmente
inconsciente.
23. FCC - METRÔ-SP - Analista Treinee - Psicologia - 2008
As etapas evolutivas na formação da personalidade da criança não são
estanques e nem de uma progressão absolutamente linear - antes, elas se
transformam, superpõem e interagem permanentemente entre si. Os diferentes
momentos evolutivos deixam impressos no psiquismo aquilo que Freud denominou
de pontos de fixação, em direção aos quais eventualmente qualquer sujeito pode
fazer um movimento de regressão. Os pontos de fixação formariam-se a partir de
uma exagerada
a) gratificação ou frustração de uma determinada zona erógena.
b) resistência a fazer vir à tona lembranças esquecidas.
c) frustração gerada a partir de uma experiência de abuso sexual.
d) repressão que o ego faz de toda percepção que cause algum sofrimento.
e) reação comportamental negativa (RCN).
Gabarito: A
Comentários:Essa é um pouco mais trabalhosa e envolve um conhecimento um
pouco mais avançado da própria psicanálise. Mesmo que você não saiba da resposta
(inicialmente), é importante relembrar que a fixação é um processo pelo qual o
indivíduo permanece vinculado a modos de satisfação ou padrões de comportamento
característicos de uma fase anterior de seu desenvolvimento libidinal. A fixação
ocorre a partir de experiências significativas associadas, inconscientemente, a
determinadas zonas erógenas. Desse modo, os pontos de fixação são aqueles
momentos do desenvolvimento libidinal que foram perturbados e dos quais o
indivíduo permanece fixado ou dos quais regride em estado de tensão.
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24. FCC - TRT - 3ª Região (MG) - Analista Judiciário – Psicologia - 2009
Sigmund Freud propôs três componentes básicos estruturais da psique. A parte
do aparelho psíquico que está em contato com a realidade externa e tem a tarefa de
garantir a saúde, segurança e sanidade da personalidade é o:
a) ego.
b) id.
c) superego.
d) alterego.
e) consciente pessoal.
Gabarito: A
Comentários: Mesmo quem só passou o olho pela matéria sabe a resposta.
25. FCC - TJ-SE - Analista Judiciário – Psicologia - 2009
Erik H. Erikson tratou da organização da identidade na evolução do ciclo vital
humano, relacionando as fases descritas por Freud às crises psicossociais. A crise
psicossocial que corresponde à fase anal no pensamento freudiano denomina-se
a) autonomia × vergonha e dúvida.
b) confiança básica × desconfiança.
c) iniciativa × culpa.
d) indústria × inferioridade.
e) identidade × confusão de papéis.
Gabarito: A
Comentários: Erikson dividiu o desenvolvimento da personalidade em oito estágios
psicossociais, sendo os quatro primeiros semelhantes às fases oral, anal, fálica e de
latência propostas por Freud. As outras fases são inovações. A fase eriksonianana de
“autonomia versus vergonha” corresponde à fase anal freudiana.
26. FCC - TJ-SE - Analista Judiciário – Psicologia - 2009
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De acordo com o modelo dinâmico da estruturação da personalidade, proposto
por Sigmund Freud, o EGO
a) funciona pelo princípio do prazer.
b) é o responsável pelo processo primário.
c) dá juízo de realidade.
d) é responsável pela internalização das normas referentes ao que é moralmente
proibido.
e) não domina a capacidade de síntese.
Gabarito: C
Comentários: É a instância do Ego é que confere o juízo de realidade à psique
humana. É ele que faz a distinção entre o real e o imaginário, é o mediador entre os
desejos do ID, o Superego e o mundo externo. Além disso, domina a capacidade de
síntese e tem controle sobre todas as funções cognitivas e intelectuais (processo
secundário). O ID funciona pelo princípio do prazer (que também é responsável pelo
processo primário).
27. FCC - TRT - 3ª Região (MG) - Analista Judiciário – Psicologia - 2009
Carl Rogers, na perspectiva centrada no paciente, define a personalidade e a
identidade como uma gestalt contínua e aponta que nossa personalidade torna-se
visível a nós por meio
a) da dinâmica entre os processos conscientes e inconscientes.
b) da percepção de nossas crenças.
c) das experiências emocionais objetivas.
d) do relacionamento com os outros.
e) da percepção de nosso estilo nas vivências passadas.
Gabarito: D
Comentários: Carl Rogers apresenta uma teoria de relações entre o sujeito e o seu
ambiente social. Assim, nossa personalidade é expressa na sua relação com os outros.
28. FCC - TJ-SE - Analista Judiciário – Psicologia - 2009
B. F. Skinner definiu a personalidade como:
a) o produto decorrente dos comportamentos espontâneos e recorrentes.
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b) um conjunto de traços específicos de um indivíduo.
c) o conjunto dos comportamentos reflexos e de estímulos respondentes.
d) uma coleção de padrões de comportamento.
e) a estrutura subjacente à matriz de identidade do indivíduo.
Gabarito: D
Comentários: A definição mais simples de personalidade que provavelmente você
ouvirá será a de Skinner: a personalidade é um conjunto de padrões de
comportamentos.
29. FCC - TRE-RS - Analista Judiciário – Psicologia - 2010
B. F. Skinner apontou que o comportamento operante é fortalecido ou
enfraquecido pelos eventos que seguem a resposta e que enquanto o comportamento
respondente é controlado por seus antecedentes, o comportamento operante é
controlado por
a) processos autônomos.
b) suas consequências.
c) emoções do indivíduo.
d) pensamentos automáticos do indivíduo.
e) experiências subjetivas.
Gabarito: B
Comentários: Molezinha essa, não é?
30. FCC - TJ-PI - Analista Judiciário – Psicologia - 2009
Rogers empregava o termo organismo para se referir ao locus focal de toda
experiência psicológica. O organismo é o campo completo da experiência de um
indivíduo, enquanto o self é parte do
a) "id" do organismo.
b) "eu" do organismo.
c) "ego" do organismo.
d) "superego" do organismo.
e) "todo" do organismo.
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Gabarito: B
Comentários: A noção de ‘eu’ é um conceito importante para se compreender o
desenvolvimento do homem como pessoa. Refere-se a maneira pela qual a pessoa se
percebe, atuando no meio. Essa imagem se desenvolve quando a pessoa se relaciona
com outras pessoas – é como uma auto-imagem. O Self faz parte do “eu” do
organismo.
31. Questão Inédita – Alyson Barros
Sobre as teorias de personalidade psicanalíticas, não é correto afirmar que:
a) Freud, Carl Jung, Alfred Adler desenvolveram teorias psicodinâmicas
b) Para Freud, a simbolização é a manifestação de símbolos guardados no
inconsciente, considerado um baú de símbolos e o porão da consciência.
c) Tanto para Freud como para Jung, a mente ou psique atua no nível consciente e
no inconsciente.
d) Klein, diferentemente de Freud, diferenciou inveja, ganância e ciúme como
manifestações do instinto agressivo.
e) É comum a presença do conceito de Determinismo Psíquico nas teorias de
personalidade psicanalíticas.
Gabarito: B
Comentário: As teorias psicodinâmicas de personalidade são teorias que afirmam
que o comportamento é resultado de forças psicológicas que atuam dentro do
indivíduo, geralmente fora da consciência (alternativa A está correta).
Para Sigmund Freud a simbolização não é a manifestação de símbolos que
traríamos guardados, então, em nosso inconsciente. A manifestação de símbolos
ocorre através de sonhos, mitos, folclores, religião e não através da
simbolização. Simbolismo, e não simbolização, é o modo de representação
indireta e figurada de uma ideia, de um conflito, de um desejo inconsciente e não
de símbolos (a alternativa B está errada).
Para Freud e para Jung, a mente atua tanto em níveis conscientes
quanto inconscientes (Alternativa C está correta).
Klein foi adiante de Freud no estudo o instinto agressivo quando diferenciou
inveja, ganância e ciúme como manifestações do instinto agressivo (alternativa D
está correta).
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O conceito de determinismo psíquico parte do pressuposto que existe uma
continuidade nos eventos mentais e que esses são historicamente desenvolvidos
(alternativa E está correta).
32. Questão Inédita – Alyson Barros
Freud inicia seu pensamento teórico assumindo que não há nenhuma
descontinuidade na vida mental. Ele afirmou que nada ocorre ao acaso e muito
menos os processos mentais. Há uma causa paracada pensamento, para cada
memória revivida, sentimento ou ação. Cada evento mental é causado pela intenção
consciente ou inconsciente e é determinado pelos fatos que o precederam. Uma vez
que alguns eventos mentais "parecem" ocorrer espontaneamente, Freud começou a
procurar e descrever os elos ocultos que ligavam um evento consciente a outro.
O ponto de partida dessa investigação é o fato da consciência.
Edualdo Freitas Medrado
http://www.famedrado.kit.net/Canal%2005/02.htm
De acordo com a leitura do texto e da teoria de personalidade desenvolvida por
Freud, podemos afirmar que:
a) O inconsciente é governado pelo princípio do prazer, sendo, portanto, alógico,
atemporal e aespacial.
b) De acordo com a teoria freudiana, o caráter se desenvolve durante a fase oral, o
que torna quase impossível um trabalho preventivo no desenvolvimento da
personalidade.
c) Uma das maiores contribuições freudianas ao estudo da personalidade humana foi
a percepção da influência ambiental na formação das patologias.
d) O recalque é uma estratégia que o ego utiliza para encaminhar seus conteúdos
para o pré-consciente.
e) Deslocamento é a satisfação de um impulso inaceitável através de um
comportamento socialmente aceito. Expressão de impulso recalcado de forma
criativa e produtiva.
Gabarito: A
Comentários: Essa questão é de um nível um pouco mais fácil. A alternativa A está
simples. Deu a definição objetiva do inconsciente. Na prova encontraremos
assertivas simples e objetivas que nos farão duvidar dos nossos conhecimentos (a
FGV em especial). Como os antigos diziam: não procure cabelo em ovo! Alternativa
correta.
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Na assertiva B temos um erro teórico grande: apenas o caráter oral se
desenvolve a partir da fixação na fase oral. Nenhum dos outros tipos de caráter tem
relação com esta fase.
Na alternativa C ocorre um erro de atribuição ao mencionar “influência
ambiental” no lugar de “motivos psicodinâmicos” (ou qualquer outro sinônimo).
Freud não teve ênfase nas questões ambientais.
Na alternativa D ocorre a confusão entre os conceitos de “recalque” e
“repressão”. É na repressão que os conteúdos são levados ao nível pré-consciente. No
recalque, eles são levados ao inconsciente.
Na alternativa E, mais uma vez, encontramos conceitos trocados. A definição
explicitada refere-se ao mecanismo de defesa conhecido como “sublimação”. Destaca-
se que esse é o mecanismo de defesa mais saudável e socialmente aceito que existe.
Deslocamento, segundo Laplanche e Pontalis, tem a seguinte definição "Fato de a
importância, o interesse, a intensidade de uma representação ser suscetível de se
destacar dela para passar a outras representações originariamente pouco intensas,
ligadas à primeira por uma cadeia associativa. Esse fenômeno, particularmente
visível na análise do sonho, encontra-se na formação dos sintomas psiconeuróticos
e, de um modo geral, em todas as formações do inconscientes" Trata-se, portanto, de
um conceito que diz respeito à psicodinâmica do inconsciente.
33. FGV – Detran/Rn 2010
Em J. Laplanche / J.B. Pontalis encontramos “o Complexo de Édipo não é
redutível a uma situação real, à influência efectivamente exercida sobre a criança
pelo casal parental. Ele retira sua eficácia do facto de fazer intervir uma instância
interditória (proibição do incesto) que barra o acesso à satisfação naturalmente
procurada e que liga inseparavelmente o desejo à lei (ponto que J. Lacan acentuou).
Isto reduz o alcance da objecção introduzida por Malinovski e retomada pela
chamada escola culturalista, segundo a qual, em determinadas civilizações em que o
pai é desprovido de toda a função repressiva, não existiria Complexo de Édipo, mas
um complexo nuclear característico de tal estrutura social: na realidade, nessas
civilizações, os psicanalistas procuram descobrir em que personagens reais, e mesmo
em que instituição, se incarna a instância interditória, em que modalidades sociais se
especifica a estrutura triangular constituída pela criança, o seu objeto natural e o
portador da lei.” Considerando os estudos psicanalíticos presentes na citação, sobre
o Complexo de Édipo, podemos afirmar:
a) Em determinadas civilizações em que o pai é desprovido da função repressiva, não
ocorre a vivência do Complexo.
b) O Complexo de Édipo não é universal.
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c) A interdição do incesto não é a lei universal que diferencia cultura e natureza.
d) A relação triangular constituída pela criança, com sua instância interditória pode
se especificar em diferenciadas modalidades sociais.
e) O que irá ser interiorizado para a estruturação psíquica da pessoa, é somente o
processo de interdição vivido pela criança em sua relação com o casal parental.
Gabarito: D
Comentários: Você deve se lembrar que o Complexo de Édipo é universal e
independe da presença real do pai. Assim, as duas primeiras assertivas estão erradas.
E, assim como o complexo, a interdição do incesto é universal também (discutida em
Totem e Tabu -1913). A alternativa D está correta, pois reflete adequadamente a
perspectiva de que a interdição que o pai realiza terá impacto em vários âmbitos
sociais. A última assertiva erra ao afirmar que somente o processo de interdição é
apropriado pela criança (pois o complexo de Édipo apresenta outras consequências
que não se limitam apenas a essa parte).
34. FGV – Tecnologista em Saúde Pública – FIOCRUZ/2010
A expressão "mecanismo de defesa" aparece, entre outros, nas obras
metapsicologicas de 1915 escritas por Freud, em duas acepções um tanto distintas:
(1) designa o conjunto dos processos defensivos em geral ou de determinada neurose
e (2) exprime a utilização defensiva de um ou outro “destino pulsional”.
Assim, podemos afirmar serem mecanismos de defesa os seguintes processos:
f) recalque, retorno da pulsão sobre a própria pessoa e a própria projeção.
g) Narcisismo, retorno da pulsão sobre a própria pessoa e projeção.
h) Recalque, projeção e processo primário
i) Narcisismo, recalque e projeção
j) Recalque, retorno da pulsão sobre a própria pessoa e fixação.
Gabarito: A
Comentários: Caso procuremos os nomes dos mecanismos de defesa nas
alternativas não iremos encontrar. O bom dessa questão é o excelente exemplo que
ela oferece para nos mostrar que não devemos brigar com a banca ou com a questão.
Devemos nos centrar no enunciado da questão que explicita as acepções dos
mecanismos de defesa. O recalque entra nessa definição, o narcisismo não (pois não
é entendido como uma defesa em si). No processo primário a energia tende a escoar
livremente, passando de uma representação para outra e procurando a descarga de
maneira mais rápida e direta possível, o que caracteriza o princípio do prazer. Na
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projeção temos o sentido mais clássico de mecanismo de defesa. A fixação é um
mecanismo de defesa, e um processo pelo qual o indivíduo permanece vinculado a
modos de satisfação ou padrões de comportamento característicos de uma fase
anterior de seu desenvolvimento libidinal. Por fim, o retorno da pulsão sobre a
própria pessoa exprime a utilização defensiva de um ou outro “destino pulsional”
(segunda concepção de mecanismo de defesa descrito no enunciado da questão).
Opa, então temos duas certas? A e E? Sim, a A e a E estão certas! Porém, a
FGV considerou apenas a A (suspeite que para essa banca a Fixação não é um
mecanismo de defesa).
35. FGV – Tecnologista em Saúde Pública – FIOCRUZ/2010
Ao longo de sua obra, Freud pouco alude ao que chamou decontratransferência, ou seja, ao conjunto das reações inconscientes do analista à
pessoa do analisando e, mais particularmente, à transferência deste. Do ponto de
vista técnico, analise as orientações que o psicanalista deveria seguir face o
estabelecimento de um processo contratransferencial.
I. Elaborar ao máximo as manifestações contratransferenciais através da
análise pessoal para que a situação analítica se estruture eminentemente pela
transferência do paciente.
II. Utilizar, controladamente, as manifestações contratransferenciais no
trabalho analítico, já que, segundo Freud, o inconsciente do analista é um
instrumento que não deve ser totalmente desprezado na situação analítica.
III. Guiar-se principalmente pelos processos contratransferenciais na situação
analítica.
Analise:
a) se apenas a I é adequada.
b) se apenas a II é adequada.
c) se apenas a I e a III são adequadas.
d) se apenas a I e a II são adequadas.
e) se todas são adequadas.
Gabarito: D
Comentários: Essa questão remete a postura clínica do analista diante do analisado.
É questão própria da próxima aula, mas fiz questão de colocar aqui para que você
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atente para a forma como a FGV tende a organizar as suas questões. A discrepância
ocorre, em um percentual bastante significativo de questões, por palavras soltas que
acabam por mudar o sentido das frases. Você consegue identificar qual a palavra que
está fora de contexto? A palavra é “principalmente”. Apesar da contratransferência
ser de observação necessária para o contexto clínico, não é ela quem principalmente
conduz a situação analítica.
36. FGV – Tecnologista em Saúde Pública – FIOCRUZ/2010
Assinale a afirmativa que apresenta o conceito psicanalítico de transferência.
a) A atualização para o sujeito de etapas ultrapassadas do seu desenvolvimento e a
passagem a modos de expressão e de comportamento de nível inferior do ponto de
vista da complexidade, da estruturação e da diferenciação.
b) Um dos modos essenciais do funcionamento dos processos inconscientes que
consiste em que uma única representação representa por si só várias cadeias
associativas em cuja interseção ela se encontra.
c) O processo pelo qual os desejos inconscientes se atualizam sobre determinados
objetos no quadro de um certo tipo de relação estabelecida com eles e,
eminentemente, no quadro da relação analítica.
d) O conjunto das reações inconscientes do analista relativos à pessoa do analisando.
e) O mecanismo de formação de sintomas que opera na histeria e consiste na
transposição de um conflito psíquico e numa tentativa de resolvê-lo em termos de
sintomas somáticos, motores ou sensitivos.
Gabarito: C
Comentários: Essa questão é mais fácil que a anterior. A definição está cristalina na
alternativa C.
37. Questão Inédita – Alyson Barros
Julgue o item a seguir de acordo com a teoria de personalidade de Adler:
A incapacidade dos neuróticos em lidar com os problemas da vida os leva a
criar salvaguardas. Essas salvaguardas são análogas aos mecanismos de defesa
descritos por Freud, e servem para proteger o sujeito da baixa auto-estima em lidar
com problemas ligados à inferioridade e ao fracasso.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: C
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Comentários: A alternativa está correta. É válido lembrar que existem apenas três
tipos de salvaguardas: desculpas, agressão e distanciamento.
38. FUNCAB - 2010 - DETRAN-PE - Psicólogo
A teoria do Campo Psicológico, formulada por Kurt Lewin, afirma que:
a) o comportamento humano básico independe da coexistência dos fatos, sendo o
resultado das tendências genéticas trazidas pelo espaço vital que orienta a
pregnância das influências ambientais.
b) as tendências individuais advindas de "heranças psíquicas" criam o que nomeou de
campo dinâmico, determinando a atualização virtual em comportamento dentro do
espaço vital, ou seja, do campo familiar triangular.
c) as variações individuais do comportamento humano com relação à norma são
condicionadas pela tensão entre as percepções de si e o ambiente psicológico em que
se insere o espaço vital.
d) o campo é a função do comportamento que existe no momento em que a
tendência vital e o vetor familiar se tensionam, teoria representada pela equação C=
f (T, V).
e) os indivíduos participam de um número determinado de espaços vitais (ex:
família, escola, trabalho, igreja etc) que devem ser descriminados pelo psicólogo, e
esses foram construídos por um número determinado de vetores de força familiares.
Gabarito: C
Comentários: A Letra D está com as palavras de comportamento e campo
invertidas. A Letra E está errada pois só devem ser discriminados os espaços que
tiverem relevância (estiverem dentro do campo) para o sujeito. Lembre-se que esse é
um campo psicológico e não um campo físico. Outro ponto a ser comentado é que
Lewin não descartava a influência dos fatores genéticos na natureza humana, mas
que o objeto de estudos para a compreensão do comportamento humano são os fatos
da vida. O campo dinâmico é formado pelo campo atual (independe do passado ou do
futuro), assim, o estudo de heranças não foi contemplado por Lewin.
39. FGV - 2010 - CAERN – Psicólogo
Cássio casou-se recentemente, assumiu diversos compromissos financeiros e
por questões de corte de custos foi demitido de seu emprego. Está com sérias
dificuldades em conseguir nova inserção profissional, o que o tem deixado bastante
tenso e preocupado. Portanto, pode-se considerar que a dinâmica da personalidade
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de Cássio está em uma fase de retorno ao equilíbrio. Sob a ótica da teoria da
personalidade de Kurt Lewin, considere as afirmações abaixo:
I. O objetivo final de todos os processos psicológicos é o retorno da pessoa a
um estado de equilíbrio.
II. O melhor processo de recuperação do estado de equilíbrio consiste na
realização de uma locomoção adequada no meio psicológico.
III. Para atingir-se o equilíbrio é importante que a tensão do sistema em
desequilíbrio não se difunda pelos outros sistemas.
Está(ao) correta(s) apenas a(s) afirmação(ões)
a) I e III.
b) II.
c) III.
d) I.
e) II e III.
Gabarito: A
Comentários: Lewin postulou que existe uma energia psíquica que é liberada
quando a pessoa busca retornar ao equilíbrio depois de se encontrar em um estado
de desarmonia. Essa desarmonia (desequilíbrio) é produzida pelo aumento de tensão
em uma parte do sistema relativo ao restante do sistema. O repouso irá ocorrer
quando a tensão em todo o sistema voltar a ficar equilibrada (a saída de energia é
interrompida). Porém, para Lewin, o processo de recuperação do estado e equilíbrio
não envolve uma locomoção, mas a resolução de necessidades.
40. Questão Inédita – Alyson Barros
A personalidade humana é orientada, segundo Adler através da constante
busca de superação. Para esse autor, quais são as três maiores tarefas com que o
indivíduo se defronta?
a) trabalho, amizade e amor.
b) paridade, relacionamento e sociabilização.
c) sociabilização, ritmo e vetor
d) tensão, vetor e permeabilidade
e) superação, finalismo ficcional e self-criativo
Gabarito: A
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Comentários: Toda a obra de Adler visou explicar os processos que ocorrem para
lidarmos com o trabalho, a amizade e o amor. Perceba que intencionalmente repeti
verbetes em assertivas diferentes. O candidato que se acha mais astucioso que a
banca e que estudou pouco, irá olhar para as alternativas e achar que a alternativacerta está entre a B e a C. Cuidado!
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