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COMPLEMENTAÇÃO 
PEDAGOGICA 
2º LICENCIATURA 
 
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EDUCAÇÃO EM DIREITOS 
HUMANOS 
 
 
 
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DIREITOS HUMANOS 
 
 
 
Primeiramente, ao se iniciar uma reflexão sobre o papel dos direitos humanos 
em nossa sociedade, é importante considerar sua dimensão histórica e social, ou 
seja, o modo como tais direitos evoluíram ao longo do tempo e os contextos onde se 
inseriam. De acordo com Norberto Bobbio (1992), declarar que os homens nascem 
livres e iguais em direitos, como fizeram as primeiras declarações de direitos 
humanos modernas, é uma exigência da razão, mas não um dado histórico ou uma 
constatação da realidade. De fato, os homens não são livres nem iguais. A efetiva 
garantia de direitos implica um processo muito mais lento e incerto, permeado por 
disputas de poder e projetos de sociedade. Um exemplo disso é a própria evolução 
do que se entende por direitos humanos, ao longo dos séculos, até a formulação da 
noção contemporânea de direitos humanos que hoje nos serve de referência. 
As declarações de direitos humanos do mundo moderno surgiram a partir de 
correntes filosóficas influenciadas pelo racionalismo e jus naturalismo, nas quais os 
intelectuais europeus do século XVIII estiveram imersos. Esse período foi 
caracterizado como o do apogeu do Iluminismo ou Ilustração. Sustentava-se, 
basicamente, que o homem, enquanto tal, teria direitos naturais. Contudo, 
historicamente, a idéia de direito natural não surge com o jus naturalismo moderno; 
remonta, antes, ao pensamento cristão e clássico, aos grandes moralistas, poetas e 
escritores da Antigüidade, especialmente a Sófocles. Antígona, uma de suas 
melhores tragédias, trouxe como questão central o confronto entre o direito natural e 
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o direito positivo do Estado e serviu de inspiração e reflexão para pensadores como 
Hegel, Kant, Rousseau. Nesse sentido, a novidade trazida pelo Iluminismo foi à 
tradução do direito natural em lei escrita e positiva, por meio das declarações de 
direito, como a Declaração Americana de Direitos, de 1776, e a Declaração 
Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789. 
De acordo com Marilena Chauí, 
 
 
 
“A prática de declarar direitos significa, em primeiro lugar, que não é um fato óbvio 
para todos os homens que eles são portadores de direitos e, por outro lado, significa 
que não é um fato óbvio que tais direitos devam ser reconhecidos por todos. A 
declaração de direitos inscreve os direitos no social e no político, afirma sua origem 
social e política e se apresenta como objeto que pede o reconhecimento de todos, 
exigindo o consentimento social e político” (1989, p. 20). 
 
 
 
Nesse momento, predominava, enquanto noção de direitos humanos, uma 
concepção individualista e liberal de sociedade, em que o indivíduo, dotado de um 
valor em si, era o seu fundamento, consagrando-se o direito de liberdade como 
forma de limitar o poder de atuação do Estado em relação à ação do indivíduo. 
Contudo, no século XIX, definido por Eric Hobsbawn como a “era das revoluções”, a 
luta por direitos buscou incorporar aos direitos civis e políticos também os direitos 
sociais. O movimento operário, principal protagonista das transformações ocorridas 
no período, exigia mais do que a igualdade civil reconhecida pelas declarações de 
direito até então. Na Declaração Russa dos Direitos do Povo Trabalhador e 
Explorado, de 1918, por exemplo, garantia-se o direito ao trabalho, à educação, à 
saúde, à moradia. Altera-se, desse modo, a relação estabelecida entre indivíduo e 
Estado. De uma idéia de não interferência nos direitos individuais, ou seja, de uma 
postura negativa do Estado, passa-se a exigir deste uma ação positiva e ativa na 
garantia dos direitos sociais. 
A questão dos direitos humanos assumiu novas dimensões diante dos 
horrores decorrentes da II Guerra Mundial em meados do século XX, com a 
emergência do fenômeno do totalitarismo nazista e fascista. Ao final do conflito, a 
Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), aprovada em 1948, assume 
nesse momento pretensões globais e procura articular os direitos civis e políticos 
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aos direitos econômicos, sociais e culturais, estabelecendo sua universalidade, 
indivisibilidade e interdependência. Ou seja, incorporou-se na DUDH não apenas 
aquilo que se convencionou chamar de primeira geração de direitos humanos, que 
consiste no direito às liberdades fundamentais – de locomoção, religião, 
pensamento, opinião, aprendizado, voto –, mas também os direitos de segunda 
geração, que abrangem os direitos econômicos, sociais e cultuais como educação, 
saúde, oportunidades de trabalho, moradia, transporte, previdência social, 
participação na vida cultural da comunidade, das artes, manifestações artísticas. 
A Declaração Universal dos Direitos Humanos traz ainda, como objetivo 
comum a ser atingido por todos os povos e nações, que o Estado, cada indivíduo e 
cada órgão da sociedade se esforcem, por meio do ensino e da educação em geral, 
por promover o respeito aos direitos humanos proclamados e pela adoção de 
medidas progressivas de caráter nacional e internacional, para assegurar sua 
observância universal e efetiva, tanto entre os povos dos próprios Estados- 
membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição. 
A educação, na DUDH, assume papel especial na promoção dos direitos 
humanos; ela é, ao mesmo tempo, um direito humano em si e condição para a 
garantia dos demais direitos. Em seu artigo 26 , a Declaração especifica algumas 
características do direito à educação: 
 
 
 
§1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos 
graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A 
instrução técnico profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, 
baseada no mérito. 
§2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da 
personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e 
pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância 
e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as 
atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz. 
 
 
 
Nos anos seguintes, a DUDH e também vários pactos, acordos e convenções 
foram ampliando a abrangência de tais direitos e fortalecendo sua apropriação por 
meio dos Estados signatários, valendo ressaltar, dentre eles: 
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- Convenção relativa à Luta contra a Discriminação no Campo do Ensino (1960); 
 
- Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (1966); 
 
- Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (1966); 
 
- Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação 
 
Racial (1966); 
 
- Convenção sobre a Eliminaçãode Todas as Formas de Discriminação contra a 
 
Mulher (1979); 
 
- Convenção sobre os Direitos da Criança (1989); 
 
- Convenção para proteção e promoção da diversidade de expressões culturais 
 
(2005). 
 
 
 
Recentemente, foi acrescida à noção de direitos humanos também uma 
terceira geração de direitos, que abrange o direito a um meio ambiente equilibrado e 
não poluído, uma qualidade de vida saudável, o direito à autodeterminação dos 
povos, direito ao progresso, direito à paz, bem como a outros direitos difusos e 
coletivos, não mais restritos a indivíduos ou a grupos específicos, mas a toda a 
coletividade. 
No início do século XXI, a noção contemporânea de direitos humanos com a 
qual se trabalha vem abarcar todas as gerações de direitos, consideradas 
igualmente fundamentais, sem hierarquizações, prevalecendo sua universalidade, 
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indivisibilidade e interdependência, a partir de uma postura ativa do Estado como 
garantidor desses direitos. 
 
 
 
 
A SOCIEDADE BRASILEIRA E OS 
DIREITOS HUMANOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
No Brasil, a Constituição Federal de 1988 representa o principal marco 
jurídico do processo de transição democrática e de institucionalização dos direitos 
humanos. Ao instituir o Estado Democrático de Direito, define como seus 
fundamentos a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores 
do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. Vale ainda ressaltar que a 
República Federativa no Brasil, regendo-se em suas relações nacionais e 
internacionais pelo respeito aos direitos humanos, traz como seus objetivos 
fundamentais, dentre outros, a erradicação da pobreza e da marginalização e a 
redução das desigualdades sociais e regionais. Indica, desse modo, sua 
consonância com a concepção contemporânea de direitos humanos, que abrange a 
garantia não apenas de direitos políticos e civis, mas também de direitos 
econômicos, sociais e culturais. 
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Associados no regime militar à defesa dos direitos de presos políticos, diante 
da violência institucional praticada pelo Estado, os direitos humanos no Brasil se 
estenderam aos presos comuns e acabaram por ser identificados na sociedade 
como “direitos de bandidos”. Apesar de essa visão ainda predominar em alguns 
setores, inclusive como um legado histórico do autoritarismo que marca nossa 
sociedade, os trabalhos atuais de direitos humanos vêm enfatizando quão reduzida 
é esta perspectiva diante do que se entende hoje por direitos humanos. Essa é a 
concepção de direitos humanos presente, por exemplo, no Plano Nacional de 
Direitos Humanos (PNDH) aprovado pelo Governo Federal em 1996 e, 
especialmente, no Plano revisado em 2002. 
No entanto, apesar dos avanços nas declarações de direitos, na elaboração 
do PNDH e na ampliação do conceito de direitos humanos, ainda são necessários 
esforços no sentido de sua materialização na sociedade brasileira, promovendo o 
fortalecimento de uma cultura de direitos humanos no país nas várias esferas 
sociais. Um aspecto a ser enfrentado para que se alcance esse objetivo relaciona-se 
com o reconhecimento de todo cidadão brasileiro enquanto sujeito de direitos, capaz 
de participar das decisões do país. Para tanto, é fundamental que se passe de uma 
cidadania passiva – aquela que é outorgada pelo Estado, com a idéia moral da tutela 
e do favor – para uma cidadania ativa – aquela que institui o cidadão como portador 
de direitos e deveres, mas essencialmente criador de direitos para abrir espaços de 
participação e possibilitar a emergência de novos sujeitos políticos (cf. Benevides, 
1998, p.150). 
 
Há que se atentar também em nosso país para a hierarquização entre tipos 
diferentes de cidadãos de acordo com a classe social à qual pertencem, sendo ainda 
comum a criminalização da pobreza e a associação generalizada das classes 
populares ao banditismo e à violência: 
“As classes populares são geralmente vistas como „classes perigosas‟, ameaçadoras 
pela feiúra da miséria, ameaçadoras pelo grande número, ameaçadoras pelo 
possível desespero de quem nada tem a perder, e, assim, consolida-se o „medo 
atávico das massas famintas‟. (...) 
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“Esta é uma maneira de circunscrever a violência, que existe em toda a sociedade, 
apenas aos „desclassificados‟, que, portanto, mereceriam todo o rigor da polícia, da 
suspeita permanente, da indiferença diante de seus legítimos anseios” (Benevides, 
2004, p. 50). 
 
 
 
A construção e a consolidação de uma cultura em direitos humanos no Brasil 
implicam, desse modo, enfrentar essa série de desafios e contradições, ainda 
presente em nossa sociedade, que afeta todos os brasileiros em termos da sua 
qualidade de vida e das possibilidades de seu pleno desenvolvimento enquanto 
pessoa humana. A educação, nesse contexto, aparece como um espaço privilegiado 
para a promoção dessa cultura de direitos humanos, contribuindo para a difusão de 
atitudes, valores e práticas coerentes com esses princípios, seja por meio da 
educação escolar, no nível básico ou superior, seja pela educação não-formal, por 
meio da atuação de organizações da sociedade civil, pela mídia e os sistemas de 
justiça e segurança. 
 
 
 
 
A EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS 
 
 
 
A preocupação e o interesse com a promoção de uma educação orientada 
para os direitos humanos ganham maior projeção em meados dos anos 90 com a 
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definição, em 1995, da década da educação em direitos humanos, encerrada, em 
 
2004, com a aprovação, no ano seguinte, do Programa Mundial de Educação em 
Direitos Humanos (PMEDH) e seu Plano de Ação. Esse debate repercute no Brasil 
no mesmo período, especialmente no âmbito das organizações da sociedade civil e, 
em 2003, ganha maior institucionalidade, com a criação do Comitê Nacional de 
Educação em Direitos Humanos e o início da elaboração de uma primeira versão do 
Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH) no país, finalmente 
aprovado em sua forma final em 2006. 
Considera-se o PNEDH um instrumento orientador e fomentador das ações 
de educação em direitos humanos, especialmente por parte das políticas públicas 
nas áreas da educação básica, superior, educação não-formal, dos sistemas de 
justiça e segurança e da mídia. O Plano visa, sobretudo, promover e difundir uma 
cultura de direitos humanos no país. A educação, por sua vez, é entendida como um 
meio privilegiado para atuar nessa direção (cf. PNEDH, 2006). 
No entanto, o que significa educar em direitos humanos? É possível ensinar 
direitos humanos? De acordo com o PNEDH, a educação em direitos humanos deve 
ser promovida em três dimensões: 
“a) conhecimentos e habilidade: compreender os direitos humanos e os mecanismos 
existentes para a sua proteção, assim como incentivar o exercício de habilidades na 
vida cotidiana; 
b) valores, atitudes e comportamentos: desenvolver valores e fortalecer atitudes e 
comportamentos que respeitem os direitos humanos; 
c) ações: desencadear atividades para a promoção,defesa e reparação das 
violações aos direitos humanos” (2006, p. 23). 
Considera-se, segundo essa definição, a educação em direitos humanos 
como uma educação permanente e global, que não trabalha apenas com a 
dimensão da razão e da aprendizagem cognitiva, mas envolve também aspectos 
afetivos e valorativos que precisam ser sentidos, vivenciados. É preciso 
experimentar os direitos à liberdade, à igualdade, à justiça e à dignidade para 
entender o que significam e, principalmente, para que se consiga difundi-los 
(BENEVIDES, 2001). Desse modo, “de nada adiantará levar programas de direitos 
humanos para a escola se a própria escola não é democrática na sua relação de 
respeito com os alunos com os pais, com os professores, com os funcionários e com 
a comunidade que a cerca” (Benevides, 2001, p. 40). Por outro lado, a introdução 
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dessa discussão na escola pode servir para questionar suas próprias contradições e 
conflitos cotidianos, propiciando a busca de formas para enfrentá-los. 
A proposta é que a educação em direitos humanos seja um eixo central do 
trabalho desenvolvido nas escolas e permeie o currículo como um todo, a formação 
inicial e continuada dos profissionais da educação, o projeto político-pedagógico da 
instituição, os materiais didático-pedagógicos, o modelo de gestão e de avaliação e 
as metodologias e práticas desenvolvidas no conjunto do espaço escolar. Como 
observa Vera Candau (2003), é essencial enfatizar processos que utilizem 
metodologias participativas e de construção coletiva, superando estratégias 
pedagógicas meramente expositivas, e que empreguem uma pluralidade de 
linguagens e materiais de apoio, orientados para mudanças de mentalidade, atitudes 
e práticas individuais e coletivas. 
A educação em direitos humanos vai além de uma aprendizagem de 
conteúdos; inclui o desenvolvimento social e emocional de todos os envolvidos no 
processo de ensino aprendizagem. 
Seu objetivo é desenvolver uma cultura em direitos humanos, em que os 
direitos humanos são praticados e vividos na comunidade escolar e demais 
instituições públicas, em interação com a comunidade local. Para tanto, é essencial 
garantir que o ensino e a aprendizagem da educação em direitos humanos ocorram 
em um ambiente direcionado para os direitos humanos. É fundamental assegurar 
que os objetivos, práticas e organização das instituições sejam consistentes com os 
seus valores e princípios. Uma escola assim orientada caracteriza-se pelo 
entendimento mútuo, pelo respeito e pela responsabilidade; almeja a igualdade de 
oportunidades, o sentido de pertencimento, a autonomia, a dignidade e a autoestima 
de todos os membros da comunidade escolar (PMEDH, 2005). 
Considera-se, por fim, que a defesa, a proteção e a promoção da educação 
em direitos humanos, como práticas a serem difundidas pelas várias esferas da 
sociedade, exigem que as escolas e demais instituições públicas assumam um 
compromisso permanente com o fortalecimento de uma cultura de direitos humanos 
no país, consolidando o Estado Democrático de direito e contribuindo para a 
melhoria da qualidade de vida da população brasileira. 
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NOMENCLATURA DOS DIREITOS 
HUMANOS 
 
 
Encontramos na literatura diversas nomenclaturas para o conjunto de direitos 
essenciais ao ser humano: Direito das gentes, direitos humanos, liberdades 
públicas, direitos fundamentais etc.. O constituinte originário utilizou a 
denominação direitos fundamentais para aqueles que estão positivados em nossa 
Carta de 1988. 
“Em suma, a expressão direitos fundamentais é a mais precisa. Primeiro, 
pela sua abrangência. O vocábulo direito serve para indicar tanto a situação em que 
se pretende a defesa do cidadão perante o Estado como os interesses jurídicos de 
caráter social, político ou difuso protegidos pela Constituição. De outro lado, o termo 
fundamental destaca a imprescindibilidade desses direitos à condição humana.” 
 
 
“Direitos humanos é expressão preferida nos documentos internacionais. 
Contra ela, assim, contra a terminologia direitos do homem, objeta-se que não há 
direito que não seja humano ou do homem, afirmando-se que só o ser humano pode 
ser titular de direitos. Talvez já não mais assim, porque, aos poucos, se vai 
transformando um direito especial de proteção dos animais.” Grifos no original. 
 
 
“Direitos fundamentais do homem constitui a expressão mais adequada a este 
estudo, porque, além de referir-se a princípios que resumem a concepção do mundo 
e informam a ideologia política de cada ordenamento jurídico, é reservada para 
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designar, no nível do direito positivo, aquelas prerrogativas e instituições que ele 
concretiza em garantias de uma convivência digna, livre e igual de todas as 
pessoas.” 
 
 
OBS.: A Constituição utiliza a nomenclatura direitos fundamentais e os tratados 
internacionais utilizam a nomenclatura direitos humanos. 
 
 
É preciso enfatizar, que a dignidade da pessoa humana – alçada a princípio 
fundamental pela Constituição Brasileira (CF/88, art. 1º, III) é vetor para a 
identificação material dos direitos fundamentais – apenas estará assegurada quando 
for possível ao homem uma existência que permita a plena fruição de todos os 
direitos fundamentais. 
 
 
DIGNIDADE HUMANA 
 
 
 
A dignidade da pessoa humana não é vista pela maioria dos autores como um 
direito, pois ela não é conferida pelo ordenamento jurídico. Trata-se de um atributo 
que todo ser humano possui independentemente de qualquer requisito ou condição, 
seja ele de nacionalidade, sexo, religião, posição social etc. É considerada como o 
nosso valor constitucional supremo, o núcleo axiológico da constituição. 
Considerada o núcleo em torno do qual gravitam os direitos fundamentais. 
Para que possa ser protegida e concedida, a Dignidade da Pessoa Humana (DPH) é 
protegida pela CF/88 através dos direitos fundamentais, confere caráter sistêmico e 
unitário a esses direitos. 
Existem direitos fundamentais que estão mais próximos (derivações de 
primeiro grau: liberdade e igualdade) e outros que estão mais afastados (derivações 
de segundo grau). 
A dignidade da pessoa humana é uma qualidade intrínseca, inseparável de 
todo e qualquer ser humano, é característica que o define como tal. Concepção de 
que em razão, tão somente, de sua condição humana e independentemente de 
qualquer outra particularidade, o ser humano é titular de direitos que devem ser 
respeitados pelo Estado e por seus semelhantes. É, pois, um predicado tido como 
inerente a todos os seres humanos1 e configura-se como um valor próprio que o 
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identifica. Pode-se trazer à baila a visão antropológica de Leonardo Boff, quando do 
ultraje da dignidade: Nada mais violento que impedir o ser humano de se relacionar 
com a natureza, com seus semelhantes, com os mais próximos e queridos, consigo 
mesmo e com Deus. Significa reduzi-lo a um objeto inanimado e morto. Pela 
participação, ele se torna responsável pelo outro e con-cria continuamente o mundo, 
como um jogo de relações, como permanentedialogação. 
Carmem Lúcia Antunes Rocha, ao comentar o Art. 1º da Declaração dos 
Direitos Humanos, o festejado dispositivo que decreta a igualdade de todos os seres 
humanos em dignidade e direitos, faz as seguintes considerações: Gente é tudo 
igual. Tudo igual. Mesmo tendo cada um a sua diferença. Gente não muda. Muda o 
invólucro. O miolo, igual. Gente quer ser feliz, tem medos, esperanças e esperas. 
Que cada qual vive a seu modo. Lida com as agonias de um jeito único, só seu. Mas 
o sofrimento é sofrido igual. A alegria, sente-se igual. 
A ausência de dignidade possibilita a identificação do ser humano como 
instrumento, coisa – pois viola uma característica própria e delineadora da própria 
natureza humana. Todo ato que promova o aviltamento da dignidade atinge o cerne 
da condição humana, promove a desqualificação do ser humano e fere também o 
princípio da igualdade, posto que é inconcebível a existência de maior dignidade em 
uns do que em outros. Pode-se valer da explicação de José Afonso da Silva acerca 
do conceito de dignidade da pessoa humana, a fim de se entender o significado para 
além de qualquer conceituação jurídica, posto que a dignidade é, como dito, 
condição inerente ao ser humano, atributo que o caracteriza como tal: A dignidade 
da pessoa humana não é uma criação constitucional, pois ela é um desses 
conceitos a priori, um dado preexistente a toda experiência especulativa, tal como a 
própria pessoa humana. 
A explicação de José Afonso da Silva se adere ao entendimento de Ingo 
Wolfgang Sarlet ao informar sobre as dificuldades de uma definição precisa e 
satisfatória de dignidade da pessoa humana. E como relembra este autor, foi Kant 
quem definiu o entendimento de que o homem, por ser pessoa, constitui um fim em 
si mesmo e, então, não pode ser considerado como simples meio, de modo que a 
instrumentalização do ser humano é vedada. Tal definição tem inspirado os 
pensamentos filosófico e jurídico na modernidade. A dignidade não pode ser 
renunciada ou alienada, de tal sorte que não se pode falar na pretensão de uma 
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pessoa de que lhe seja concedida dignidade, posto que o atributo lhe é inerente 
dada a própria condição humana. 
 
 
FILOSOFIA GRECO-ROMANA: BASEADA 
NA SUA RACIONALIDADE HUMANA 
 
 
O conhecimento filosófico vai ser resultado do exercício e do processo de 
filosofar, buscando a verdade sem querer possuí-la. O ser humano busca um 
sentido para sua existência e um sentido mais amplo da realidade. A questão central 
da filosofia: quem é o ser humano e qual é o sentido da vida, da realidade. 
Preocupa-se em conhecer a si próprio e com o destino da humanidade. As 
conclusões filosóficas são sempre parciais e as respostas levam sempre a novas 
perguntas. 
 
 
O pensar 
 
 
 
Há diferença entre pensar e ter pensamentos. O pensar é uma atividade: “O 
pensamento é o passeio da alma”, diz um filósofo grego desconhecido. Pensar é um 
movimento, uma atividade, uma ação. É uma atividade pela qual a inteligência 
coloca algo diante de si para atentamente considerar, avaliar, pesar, equilibrar, 
entender. 
Por meio do pensamento manifestamos nossa capacidade de elaborar regras, 
normas, leis e princípios. Nós pensamos e sabemos que pensamos. Essa 
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capacidade de refletir sobre o nosso próprio pensamento nos permite encadear 
processos de abstração. São esses processos de abstração que nos levam a 
conhecer a realidade e atribuir significados a essa realidade. 
Isso é possível por que o homem é dotado de razão, da capacidade de 
raciocinar. O pensamento conta com seu mais poderoso invento: a palavra. É a 
palavra que confere ao homem essa capacidade de pensar. O pensamento nos 
familiariza com o mundo e nos leva a compreender o significado dos objetos, das 
pessoas e das relações entre uns e outros. 
Nem todos os pensamentos levam à verdade, ou seja, resultam de uma forma 
lógica correta. Para chegar ao conhecimento verdadeiro, o pensar deve ser movido 
pelo raciocínio, com uma lógica e argumentos válidos. O processo de pensar pode 
levar a uma realidade cada vez mais aprimorada. A abstração filosófica nos permite 
sair da aparência para a essência. 
Segundo diversas teorias, só é considerado livre o ser humano que é 
autônomo, capaz de pensar por si mesmo e dar respostas originais a si próprio e ao 
mundo. E acredita-se que isso é um aprendizado, ou seja, fruto de educação – é 
possível por meio de a educação oferecer as condições de aprimorar sua 
capacidade de pensar. 
O mundo é feito de ideias. As ideias são frutos do pensamento. Um pensar 
pobre não produz ideias, gera um mundo pobre. 
Perguntas que devemos fazer: 
 
_ Minhas crenças correspondem a um saber verdadeiro a um conhecimento? 
A minha fala é coerente? _ O que orienta minha atitude? Qual o sentido de minha 
ação? 
 
 
O pensamento, a linguagem e o conhecimento 
 
 
 
O pensamento é a fala internalizada, enquanto a linguagem é a expressão do 
pensamento. A linguagem permite a comunicação com o mundo, com os outros. O 
fazer humano deve ser resultado do conhecimento. E o conhecimento é resultado 
de um pensar correto. O fazer humano deve modificar a realidade exterior, formar 
os homens, aproximá-los entre si e enriquecer o mundo de valores. 
Existem várias formas de conhecer e interpretar a realidade, com diferentes 
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_ O mito – imagens, símbolos e significados. História e narrativa. 
 
_ O senso comum – herança, tradição, experiências 
 
_ A ciência – estrutura seu saber pelo método científico 
 
_ A Filosofia – reflexão rigorosa, sistemática 
 
_ A religião – fé, transcendência da vida humana 
 
_ A arte - intuição e sensibilidade 
 
 
 
Senso comum 
 
 
 
 
 
É o conhecimento recebido por tradição e que ajuda a nos situarmos no 
cotidiano, para compreendê-lo e agir sobre ele. É um conjunto de crenças, baseadas 
no conhecimento espontâneas e não-crítico, mas que revelam o esforço de buscar 
soluções para a nossa vida cotidiana. Essas noções podem esconder ideias falsas e 
preconceituosas. No entanto, não podemos desprezar o senso-comum, pois essa 
forma de conhecimento tão universal contém muita sabedoria essencial para o 
desenvolvimento e organização da humanidade (ex: a roda e o fogo). 
O que caracteriza o senso comum não é sua verdade ou falsidade, é a 
ausência de crítica, fundamentação e coerência dessas concepções. O senso 
comum é transmitido no cotidiano, por meio da cultura e hábitos, de pende de 
julgamento e de valores. Muitas vezes essas concepções do senso comum se 
transformam em ditados populares. O senso comum lida com opiniões e pré- 
conceitos, noções parciais e com julgamentos da realidade. 
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Ciência 
 
 
 
 
 
A ciência produz um conhecimento sistemático e empiricamente 
fundamentado, a partir de um método racional. A partir da observação rigorosa, a 
ciência busca conhecer explicar a realidade forma objetiva, sem interferência de 
valores e julgamentos. A ciência trabalha com conceitos, quesão as noções 
elaboradas, testadas rigorosamente, comprovadas. Busca descobrir leis gerais que 
sejam válidas para várias situações particulares. 
 
 
Dogmatismo 
 
 
 
Dogmas são conhecimentos inquestionáveis, são noções estabelecidas sem 
contestação e crítica. O dogmatismo é a nossa crença de que o mundo existe e é 
exatamente igual ao que percebemos, por isso não é necessário criticar e refletir 
sobre a realidade. 
A atitude dogmática é a aceitação natural e espontânea diante das coisas do 
mundo: acreditamos e percebemos o mundo pronto e conhecido. É uma atitude 
conservadora, ou seja, queremos conservar o mundo e as coisas como já são 
naturalmente. Criamos idéias preconcebidas e rígidas em defesa desse mundo. 
A Atitude filosófica é o oposto da atitude dogmática - A atitude filosófica 
pressupõe a dúvida e a crítica, não aceitar como naturais as coisas, os fatos, as 
ideias os comportamentos, os valores da nossa vida cotidiana. É preciso desconfiar 
das opiniões e crenças estabelecidas pela sociedade e cultura, e, também, 
desconfiar das próprias opiniões e crenças. É a atitude que nos leva a analise, 
reflexão e critica. Ir além da aparência e buscar a essência das coisas, dos fatos, 
dos valores, opiniões. 
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Procurar saber o que é (significado), como é (estrutura) e por que é (causa) 
 
de algo. 
 
 
 
ÉTICA – DEFINIÇÃO 
 
 
 
O termo ética deriva do grego ethos (caráter, modo de ser de uma pessoa). 
Ética é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana 
na sociedade. A ética serve para que haja um equilíbrio e bom funcionamento social, 
possibilitando que ninguém saia prejudicado. Neste sentido, a ética, embora não 
possa ser confundida com as leis, está relacionada com o sentimento de justiça 
social. 
 
A ética é construída por uma sociedade com base nos valores históricos e 
culturais. Do ponto de vista da Filosofia, a Ética é uma ciência que estuda os valores 
e princípios morais de uma sociedade e seus grupos. 
Cada sociedade e cada grupo possuem seus próprios códigos de ética. Num 
país, por exemplo, sacrificar animais para pesquisa científica pode ser ético. Em 
outro país, esta atitude pode desrespeitar os princípios éticos estabelecidos. 
Aproveitando o exemplo, a ética na área de pesquisas biológicas é denominada 
bioética. 
Além dos princípios gerais que norteiam o bom funcionamento social, existe 
também a ética de determinados grupos ou locais específicos. Neste sentido, 
podemos citar: ética médica, ética de trabalho, ética empresarial, ética educacional, 
ética nos esportes, ética jornalística, ética na política, etc. 
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Uma pessoa que não segue a ética da sociedade a qual pertence é chamado 
de antiético, assim como o ato praticado. A ética pode ser interpretada como um 
termo genérico que designa aquilo que é frequentemente descrito como a "ciência 
da moralidade", seu significado derivado do grego, quer dizer 'Casa da Alma', isto é, 
suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a 
determinada sociedade, seja de modo absoluto. 
Em Filosofia, o comportamento ético é aquele que é considerado bom, e, 
sobre a bondade, os antigos diziam que: o que é bom para a leoa, não pode ser bom 
à gazela. E, o que é bom à gazela, fatalmente não será bom à leoa. Este é um 
dilema ético típico. Portanto, de investigação filosófica, e devidas subjetividades 
típicas em si, ao lado da metafísica e da lógica, não pode ser descrita de forma 
simplista. Desta forma, o objetivo de uma teoria da ética é determinar o que é bom, 
tanto para o indivíduo como para a sociedade como um todo. Os filósofos antigos 
adotaram diversas posições na definição do que é bom, sobre como lidar com as 
prioridades em conflito dos indivíduos versus o todo, sobre a universalidade dos 
princípios éticos versus a "ética de situação". Nesta, o que está certo depende das 
circunstâncias e não de qualquer lei geral. E sobre se a bondade é determinada 
pelos resultados da ação ou pelos meios pelos quais os resultados são alcançados. 
O homem vive em sociedade, convive com outros homens e, portanto, cabe- 
lhe pensar e responder à seguinte pergunta: “Como devo agir perante os outros?”. 
Trata-se de uma pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de ser respondida. Ora, 
esta é a questão central da Moral e da Ética. Enfim, a ética é julgamento do caráter 
moral de uma determinada pessoa. Como Doutrina Filosófica, a Ética é 
essencialmente especulativa e, a não ser quanto ao seu método analítico, jamais 
será normativa, característica esta, exclusiva do seu objeto de estudo, a Moral. 
Portanto, a Ética mostra o que era moralmente aceito na Grécia Antiga 
possibilitando uma comparação com o que é moralmente aceito hoje na Europa, por 
exemplo, indicando através da comparação, mudanças no comportamento humano 
e nas regras sociais e suas consequências, podendo daí, detectar problemas e/ou 
indicar caminhos. 
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Como Doutrina Filosófica, a Ética é essencialmente especulativa e, a não ser 
quanto ao seu método analítico, jamais será normativa, característica esta, exclusiva 
do seu objeto de estudo, a Moral. Portanto, a Ética mostra o que era moralmente 
aceito na Grécia Antiga possibilitando uma comparação com o que é moralmente 
aceito hoje na Europa, por exemplo, indicando através da comparação, mudanças 
no comportamento humano e nas regras sociais e suas consequências, podendo 
daí, detectar problemas e/ou indicar caminhos. Além de tudo ser Ético é fazer algo 
que te beneficie e, no mínimo, não prejudique o "outro". 
Eugênio Bucci, em seu livro Sobre Ética e Imprensa, descreve a ética como 
um saber escolher entre "o bem" e "o bem" (ou entre "o mal" e o mal"), levando em 
conta o interesse da maioria da sociedade. Ao contrário da moral, que delimita o que 
é bom e o que é ruim no comportamento dos indivíduos para uma convivência 
civilizada, a ética é o indicativo do que é mais justo ou menos injusto diante de 
possíveis escolhas que afetam terceiros. 
 
 
VISÃO 
 
 
 
A ética tem sido aplicada na economia, política e ciência política, conduzindo 
a muitos distintos e não-relacionados campos de ética aplicada, incluindo: ética nos 
negócios e Marxismo. 
Também tem sido aplicada à estrutura da família, à sexualidade, e como a 
sociedade vê o papel dos indivíduos, conduzindo a campos da ética muito distintos e 
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não-relacionados, como o feminismo e a guerra, por exemplo. A visão descritiva da 
ética é moderna e, de muitas maneiras, mais empírica sob a filosofia Grega clássica, 
especialmente Aristóteles. 
Inicialmente, é necessário definir uma sentença ética, também conhecido 
como uma afirmativa normativa. Trata-se de um juízo positivo ou negativo (em 
termos morais) de alguma coisa. Sentenças éticas são frases que usam palavras 
como bom, mau, certo, errado, moral, imoral, etc. 
Aqui vão alguns exemplos: 
 
• “Salomão é uma boa pessoa” 
 
• “As pessoas não devem roubar” 
 
• “A honestidade é uma virtude”Em contraste, uma frase não ética precisa ser uma sentença que não serve 
para uma avaliação moral. Alguns exemplos são: 
• “Salomão é uma pessoa alta” 
 
• “As pessoas se deslocam nas ruas” 
 
"João é o chefe". 
 
 
 
ÉTICA NAS CIÊNCIAS 
 
 
 
 
 
 
 
A principal lei ética na robótica é que: 
 
• Um robô jamais deve ser projetado para machucar pessoas ou lhes fazer mal na 
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• Um assunto que é bastante polemico é a clonagem: uma parte dos ativistas 
considera que, pela ética e bom senso, a clonagem só deve ser usada, com seu 
devido controle, em animais e plantas somente para estudos biológicos - nunca para 
clonar seres humanos. 
Podemos pensar sobre moral de três maneiras diferentes. Primeiro, podemos 
indagar se uma ação particular ou tipo de ação é certa ou errada. O aborto ou a 
eutanásia são certos ou errados? Mentir pode ser admissível? Esse tipo de 
pensamento é chamado ética prática, e todos que já defenderam ou condenaram 
alguma ação com base na moral adotaram algum tipo de ética prática. 
Como encontrar as respostas para perguntas desse tipo? A ética normativa, 
que determina o pensar sobre certo e errado ou bom e mau, desenvolve teorias 
gerais sobre o que é certo e o que é bom que podemos usar em casos práticos. 
Podemos tentar entender essas ideias considerando nossas próprias ações; ou 
examinando suas consequências; ou considerando o tipo de pessoas que podemos 
ser ou nos tornar. 
A terceira maneira de pensar crítica e reflexivamente sobre moral é a 
metaética (“meta” é uma palavra grega que significa “acima”, “além” ou “após”). A 
metaética é o estudo das próprias ideias de certo e errado, bom e mau – os 
conceitos que a ética presume. 
A ideia de que a moral se funda na natureza humana foi usada na ética 
normativa e na metaética. A moral diz respeito não só a situações práticas, mas a 
ideias sobre a natureza humana e sobre como “valores morais” se inserem em 
nossa concepção científica do mundo. 
 
 
 
ÉTICA DA VIRTUDE 
 
 
 
 
 
Veja a charge e reflita! Essa situação parece ser brincadeira, mas infelizmente 
acontece nas melhores cidades. 
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Essa charge serve para pensarmos sobre o que é ser uma pessoa virtuosa. 
 
Uma pessoa virtuosa é alguém que tem traços de caráter moralmente bons. 
Podemos afirmar que uma ação é certa se for uma ação que uma pessoa virtuosa 
praticaria. Uma ação certa expressará, então traços de caráter moralmente bons e é 
isso que a torna certa. P. ex., dizer a verdade expressa sinceridade. 
O caráter envolve as propensões de uma pessoa ligada ao que, em diferentes 
circunstâncias, ela sente e pensa, ao modo como reage, aos tipos de escolhas que 
faz e ações que pratica. Assim, alguém é irascível se é propenso a se irritar 
rapidamente e com frequência, ou imoderado se fica bêbado muitas vezes e 
excessivamente. Uma virtude de caráter é um traço de caráter que nos dispõe a 
sentir desejos e emoções “bem”, e não “mal”. 
Nosso principal objetivo, portanto, deveria ser desenvolver as virtudes, pois 
então saberemos o que é certo fazer e desejaremos fazê-lo. Aristóteles afirma que 
virtudes são qualidades que nos ajudam a “viver bem”: uma conquista definida pela 
natureza humana. Seu termo para “viver bem”- eudaimonia - foi traduzido por 
“felicidade”, mas a ideia é mais próxima de “florescimento”. Temos uma ideia do que 
é “florescer” para uma planta ou animal, e podemos fazer uma análise de suas 
necessidades e julgar quando serão atendidas. Segunda a teoria da virtude, a 
filosofia moral deveria se ocupar de definir condições similares para o crescimento 
nas vidas dos seres humanos. Viver envolve, sobretudo, escolher e agir, mas 
também a natureza de nossas relações com outrem e o estado de nossa “alma”. 
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Virtude e razão 
 
 
 
Por ser racional, para viver o bem o 
ser humano deve viver “em conformidade 
com a razão.” Se sentimos emoções e 
desejos, e fazemos escolhas “bem” 
(virtuosamente), sentimos e escolhemos 
“nos momentos certos, com referência aos 
objetos certos, com respeito às pessoas 
certas, com o motivo certa e da maneira 
certa”. A virtude da sabedoria prática nos ajuda a saber o que é “certo” em cada 
 
caso. 
 
Trata-se de conhecimento prático de como viver uma boa vida. Eu preciso ser 
capaz de compreender minha situação e como agir nela. Mas as circunstâncias 
sempre diferem e assim, afirma Aristóteles, a compreensão ética não é algo que 
possa ser ensinado, pois o que pode ser ensinado é geral, não particular. Regras e 
princípios raramente se aplicam de maneira clara a situações reais. O conhecimento 
moral só é adquirido através da experiência. 
 
 
O meio-termo 
 
 
 
Aristóteles defende a ideia de que uma resposta ou ação virtuosa é 
intermediária: assim como há um momento certo para se irritar (ou sentir qualquer 
emoção em particular), algumas pessoas podem se zangar demais, por causa de 
coisas demais, com pessoas demais etc. Outras podem não se zangar o suficiente, 
ou em relação a objetos e pessoas suficientes (talvez não percebam que outros 
estão se aproveitando delas). A virtude é o estado intermediário entre os dois vícios, 
“demais” e “de menos”. Essa doutrina do meio-termo não afirma que, quando nos 
zangamos, deveríamos ficar apenas moderadamente zangados; devemos ficar tão 
zangados quanto à situação exige. 
A doutrina do meio-termo não ajuda muito na prática. Primeiro “demais” e “de 
menos” não são quantidades numa única escala. Saber o “momento certo, o objeto 
certo, a pessoa certa, o motivo certo, a maneira certa” é bem complicado. Segundo, 
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utos ou por cobiça, as ações po 
rais são uma parte real do mu 
expressões de crenças que po 
o o mudo é – das propriedades
 
 
 
não há uma noção independente de “intermediário” que nos indique com que 
frequência e em que grau devemos nos zangar. 
No entanto, a teoria da virtude não pretende fornecer um método exato para 
tomar decisões. A virtude prática não é um conjunto de regras, mas fornece algum 
tipo de orientação. Sugere que concebamos as situações em termos das virtudes. 
Em vez de perguntar “Poderiam todos fazer isto?”, como Kant sugere, ou “O que 
trará as melhores consequências?”, como o utilitarismo sugere, podemos fazer uma 
série de perguntas: “Essa ação seria bondosa/corajosa/leal...?” Se concebemos as 
ações como expressões de virtude, essa abordagem pode ser muito útil. 
 
 
 
A REALIDADE DA MORALIDADE 
 
 
 
O estudo de conceitos éticos – certo e 
errado, bom e mau – e de sentenças que 
usam esses conceitos é chamado metaética. 
Na metaética, os filósofos debatem se há 
verdades morais universais, ou se a 
moralidade é simplesmente uma expressão 
de emoções ou costumes culturais. 
O “realismo moral” afirma que bom e 
mau são propriedades de situações e 
pessoas, e certo e errado são propriedades 
de ações. Assim como podem ser altas ou 
velozes, as pessoaspodem ser boas ou más. 
Assim como podem ser praticadas em dez min dem 
ser certas ou erradas. Essas propriedades mo ndo. 
Declarações como “Assassinato é errado” são dem 
ser verdadeiras ou falsas, dependendo de com que 
uma ação, pessoa ou situação realmente têm. 
O realismo moral é, para muitos, a posição de “senso comum” em ética. 
Muitos acreditam que as coisas são realmente certas ou erradas; não são nossas 
ideias que as tornam assim. Nossa experiência da moralidade também sugere o 
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realismo moral. Primeiro, podemos cometer erros. As crianças fazem com 
frequência; precisamos ensinar-lhes o que é certo e errado. Se certo e errado na 
moral não envolvessem fatos, não seria possível cometer erros. 
Segundo, a moralidade parece uma exigência feita a partir de “fora”. Sentimo- 
nos responsáveis por um padrão de comportamento que independe do que 
queremos. A moralidade não é determinada pelo que pensamos a seu respeito. 
Terceiro, muitos acreditam em progresso moral. Mas como isso é possível, a 
menos que algumas ideias sobre moralidade sejam melhores que outras? E como 
isso é possível, a menos que haja fatos sobre a moralidade? Mais que um 
sentimento? 
Por outro lado, sabemos que há diferenças culturais em crenças morais, o 
que pode levar alguns a abandonar o realismo moral pelo relativismo. Mas a 
tolerância das diferenças culturais tende a ser muito limitada. P. ex., poucos 
parecem pensar que, pelo fato de o assassinato de membros de outras tribos ou a 
circuncisão feminina serem moralmente permissíveis em algumas sociedades, isto 
os tornam certos, até mesmo nessas sociedades. Mas sabemos que, diferentemente 
de outras crenças, a moralidade desperta fortes emoções e é difícil resolver disputas 
morais. Se tendermos a pensar que isso ocorre porque não há fatos morais, 
podemos ser levado ao emotivismo. 
 
 
Fatos e Valores 
 
 
 
Eis a questão: se há fatos sobre 
certo e errado, de que tipo são? Como 
pode um valor (um “fato” moral) ser algum 
tipo de fato? Valores relacionam-se com 
avaliações. Se ninguém avaliasse nada, 
haveria valores? Fatos são parte do 
mundo. O fato de que dinossauros 
vagaram pela Terra há milhões de anos 
seria verdade, mesmo se nunca 
tivéssemos descoberto isso. Mas é mais 
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difícil acreditar que valores “existam” independentemente de nós e de nosso 
 
discurso sobre eles. 
 
Essa comparação é injusta. Há muitos fatos – relativos p.ex. a estar 
enamorado, ou à música – que “dependem” de seres humanos e de suas atividades 
(não haveria amor se ninguém amasse). Mas continuam sendo fatos, porque 
independem de nossos juízos e são tornados fatos pelo modo como o mundo – 
nesse caso o mundo humano – é. Podemos nos enganar quanto a alguém estar 
apaixonado, ou quanto a uma música ser de estilo barroco ou clássico. 
A teoria da virtude propõe uma explicação possível para a relação entre fatos 
morais e fatos naturais. Afirma que julgar um ato como certo depende de ser ele 
algo que uma pessoa virtuosa faria. Uma pessoa virtuosa é alguém que tem 
virtudes: traços de caráter que lhe permitem viver uma boa vida. O que é uma boa 
vida depende da natureza humana, e esta é uma questão de fato objetiva. Assim, 
fatos morais sobre boa vida e sobre ações certas estão estreitamente relacionados 
com a natureza humana, nossos desejos universais, necessidades e capacidades 
de raciocinar. 
 
 
A moralidade é relativa? 
 
 
 
Como explicar que a moralidade 
varie de cultura para cultura? 
Poderíamos alegar que diferentes 
culturas, com suas diferentes práticas 
éticas, tentam todas chegar à verdade 
sobre a ética, tal como cientistas tentam encontrar a verdade sobre o mundo. Ou 
podemos dizer que práticas éticas são apenas parte do modo de vida de uma 
cultura. Isto é o que dirá o relativista. Segundo ele, duas culturas que discordem 
sobre uma prática moral estão de fato fazendo afirmações que são “verdadeiras 
para cada uma delas”. 
Não tendemos a dizer o mesmo sobre afirmações científicas (p.ex., segundo 
algumas culturas as estrelas eram alfinetadas no tecido do céus –mas elas estavam 
erradas). Por que não? Porque temos uma ideia diferente de como discordâncias 
científicas podem ser resolvidas. No caso da ciência, a melhor explicação é que as 
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teorias científicas acerca das quais concordamos representam como o mundo é ou 
seja, o mundo guia nossas investigações, e confirmamos ou refutamos hipóteses 
através de experimentos, até chegarmos a certo entendimento sobre como é o 
mundo. A ciência investiga o mundo físico. Examinando a história da cultura e o 
desenvolvimento das práticas áticas, é difícil ver como diferentes culturas poderiam 
descobrir “a verdade” sobre moralidade e conduta ética para um único mundo ético. 
Segundo relativismo, as práticas éticas se desenvolveram para ajudar as 
pessoas a se orientarem no mundo social. Mas há muitos mundos sociais e muitas 
culturas, e ao longo do tempo as pessoas desenvolveram diferentes maneiras de 
fazer as coisas. 
Assim, não há um único mundo social que possa guiar práticas éticas pra 
uma concordância geral. Isto não significa que todas as práticas sócias sejam 
aceitáveis – que nenhum indivíduo ou prática possa ser condenado moralmente. As 
pessoas erram o tempo todo, e o relativismo não o nega. Mas afirma que, para 
condenar uma ação ou prática, deveríamos usar recursos da cultura à qual ela 
pertence. Não podemos julgar uma prática de fora de suas culturas. 
 
 
OBJETO E OBJETIVO DA ÉTICA 
 
 
 
A Ética, enquanto ramo do 
conhecimento tem por objeto o 
comportamento humano do interior 
de cada sociedade. O estudo desse 
comportamento, com o fim de 
estabelecer os níveis aceitáveis que 
garantam a convivência pacífica 
dentro das sociedades e entre elas, 
constitui o objetivo da ética. 
Lisboa (1997, p.22) diz que, o 
objeto da ética é o comportamento 
humano no interior de cada sociedade e o estudo desse comportamento, com o fim 
de estabelecer os níveis aceitáveis que garantam a convivência pacifica dentro das 
sociedades e entre elas, constitui o objetivo da ética. Tudo o que está envolvido na 
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sociedade para uma boa convivência com referência às regras morais e ao 
comportamento humano, faz parte do objeto e objetivo da Ética. 
Para Srour (2000, p.29), os costumes das coletividades e as morais formam 
os objetos da ética. O objetivo é a melhor maneira de agir coletivamente, 
qualificando o bem e o mal, o permitido e o proibido, o certo e o errado, a virtude e o 
vício. Então, o que é realmente estudado pela Ética? As morais históricas, as 
relações e as condutas dos agentes sociais. E o que é a moral? Conjunto de regras 
consideradas válidas, de modo absoluto, para qualquer tempo ou lugar, grupo ou 
pessoa determinada; discursosque servem de trilhos para as relações sociais e aos 
comportamentos dos agentes. 
Segundo Stoner (1995, p.77), são os objetos da ética: os direitos e deveres 
das pessoas, as regras morais. E o objetivo é a melhor maneira de tomar decisões 
referentes ao convívio com as pessoas. 
 
 
FUNÇAO DA ETICA 
 
 
 
Em qualquer sociedade que 
se observe, será sempre notada a 
existência de dilemas morais em seu 
interior. Os dilemas morais são um 
reflexo das ações das pessoas, e 
surgem a partir do momento em que, 
diante de uma situação qualquer, a 
ação de um indivíduo ou de um 
grupo de indivíduos, contraria aquilo 
que genericamente a sociedade 
estabeleceu como padrão de comportamento para aquela situação. 
 
O comportamento das pessoas, enquanto fruto dos valores nos quais cada 
um acredita, sofre alterações ao longo da história. Tal fato significa que aquilo que 
sempre foi considerado como um comportamento amoral pode, a partir de 
determinado momento, passar a ser visto como um comportamento adequado à luz 
da moral. Quando, por exemplo, um país se envolve em uma guerra, os habitantes 
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desse país (ou pelo menos grande parte deles) estão assumindo um comportamento 
que normalmente condenam em tempo de paz, qual seja, matar seus semelhantes. 
Os problemas relacionados com o comportamento do ser humano encontram- 
se inseridos no campo de preocupações da Ética. Ainda que não torne os indivíduos 
“moralmente perfeitos”, a Ética tem por função investigar e explicar o comportamento 
das pessoas ao longo das várias fases da história. Essa função apresenta-se como 
de grande relevância, tanto no sentido de se entender o passado, quanto de servir 
como parâmetro para fixação de comportamentos “padrões”, aceitos pela maioria, 
visando a diminuir o nível de conflitos de interesses dentro da sociedade. 
 
 
HISTÓRICO 
 
 
 
Historicamente, a ideia de Ética 
surgiu na antiga Grécia, por volta de 500 
– 300 a.C, através das observações de 
 
Sócrates e seus Discípulos. 
 
 
 
Ética Grega 
 
 
 
A ética surge na Grécia, quando os filósofos de cultura ocidental apontam 
suas teorias aos “contemporâneos dos mistérios do universo e das forças cósmicas 
(cosmogonia), para a essência moral e o caráter dos indivíduos” (GALVÃO, 2002, p. 
4), então o homem passa a ser objeto de pesquisa, iniciando a temática do discurso 
moral e político como forma de enquadramento social, e essa tendência movimenta 
o mundo das ideias, que, percorre em diversos períodos na visão de filósofos até os 
dias atuais. 
Sócrates (470-399 a.C.) considerou o problema ético individual como o 
problema filosófico central e a ética como sendo a disciplina em torno da qual 
deveriam girar todas as reflexões filosóficas. Para ele ninguém pratica 
voluntariamente o mal. Somente o ignorante não é virtuoso, ou seja, só age mal, 
quem desconhece o bem, pois todo homem quando fica sabendo o que é bem, 
reconhece-o racionalmente como tal e necessariamente passa a praticá-lo. Ao 
praticar o bem, o homem sente-se dono de si e consequentemente é feliz. A virtude 
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seria o conhecimento das causas e dos fins das ações fundadas em valores morais 
identificados pela inteligência e que impelem o homem a agir virtuosamente em 
direção ao bem. 
Platão (427-347 a.C.) ao examinar a ideia do Bem a luz da sua teoria das 
ideias, subordinou sua ética à metafísica. Sua metafísica era a do dualismo entre o 
mundo sensível e o mundo das ideias permanentes, eternas, perfeitas e imutáveis, 
que constituíam a verdadeira realidade e tendo como cume a ideia do Bem, 
divindade, artífice ou demiurgo do mundo. 
Aristóteles (384-322 a.C.), não só organizou a ética como disciplina 
filosófica, mas além disso, formulou a maior parte dos problemas que mais tarde 
iriam se ocupar os filósofos morais: relação entre as normas e os bens, entre a ética 
individual e a social, relações entre a vida teórica e prática, classificação das 
virtudes, etc. Sua concepção ética privilegia as virtudes (justiça, caridade e 
generosidade), tidas como propensas tanto a provocar um sentimento de realização 
pessoal àquele que age quanto simultaneamente beneficiar a sociedade em que 
vive. A ética aristotélica busca valorizar a harmonia entre a moralidade e a natureza 
humana, concebendo a humanidade como parte da ordem natural do mundo sendo, 
portanto uma ética conhecida como naturalista. 
 
 
Ética Medieval 
 
 
 
Na idade média, os valores éticos são marcados pela influência da religião 
católica e suas doutrinas. O cristianismo que se tornou a religião oficial de Roma a 
partir do século IV, sobreviveu ao fim do império e ganhou força sobre as ruínas da 
sociedade antiga imperou seu domínio por dez séculos. Neste período a igreja 
enriqueceu e manteve um forte domínio sobre o modo de pensar fazendo com que o 
teocentrismo passasse a definir as formas de ver e sentir, contribuindo para a 
formação ética medieval. Para a ética cristã medieval a igualdade só podia ser 
espiritual ou no futuro para um mundo sobrenatural e a mensagem cristã tinha um 
conteúdo moral, não havendo proposta por uma igualdade real dos seres 
humanos.Com isto, a ética cristã procura regular o comportamento dos humanos 
com vistas ao outro mundo, sendo o valor supremo encontrado em Deus. 
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Teorias Éticas Fundamentais 
 
 
 
Santo Agostinho (354-430). Fundamentou a moral cristã, com elementos 
filosóficos da filosofia clássica. O objetivo da moral é ajudar os seres humanos a 
serem felizes, mas a felicidade suprema consiste num encontro amoroso do homem 
com Deus. Só através pela graça de Deus podemos ser verdadeiramente felizes. 
St. Tomás Aquino (1225-1274). No essencial concorda com Santo 
Agostinho, mas procura fundamentar a ética tendo em conta as questões colocadas 
na antiguidade clássica por Aristóteles. 
 
 
Ética Moderna (Séc. XV-XVII) 
 
 
 
A filosofia moderna reduz o 
homem à Razão. A ética doutrinante 
deste século é a ética moderna. Aqui 
neste período, a ética se caracteriza 
pelo contraste à ética Teocêntrica e 
Teológica da Idade Média. A ética 
moderna surge com a sociedade que 
sucede a sociedade feudal da Idade 
Média, moldada pelas consequências da Reforma Protestante que provoca um 
retorno aos princípios básicos da tradição cristã, porém o individuo passa a ter 
responsabilidades, tomadas como mais importantes que obediências aos ditames 
religiosos e a autoridades e costumes, assim, com essa transformação, em varias 
ordens, leva o surgimento da ética moderna. 
Neste período ocorrem mudanças na Ciência, na Política, na Economia, na 
Arte e principalmente na Religião, onde se transfere o centro de Deus para o homem 
que passa a adquirir um valor pessoal, que “[...] acabará por apresentar-se como o 
absoluto, ou como o criador ou legislador em diferentes domínios, incluindo nestes a 
moral” (VASQUEZ, 1978, p. 248). 
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Teorias éticas fundamentais da idade moderna 
 
 
 
Descartes (1596-1650). Este filósofo simboliza toda a fé que a IdadeModerna deposita na razão humana. Só ela nos permitiria construir um 
conhecimento absoluto. Em termos morais mostrou-se, todavia muito cauteloso. 
Neste caso reconheceu que seria impossível estabelecer princípios seguros para a 
ação humana. Limitou-se a recomendar uma moral provisória de tendência estóica: 
O seu único princípio ético consistia em seguir as normas e os costumes morais que 
visse a maioria seguir, evitando deste modo rupturas ou conflitos. 
John Locke (1632-1704). Este filósofo parte do princípio que todos os 
homens nascem com os mesmos direitos (Direito á Liberdade, à Propriedade, à 
Vida). A sociedade foi constituída, através de um contrato social, que visava garantir 
e reforçar estes mesmos direitos. Neste sentido, as relações entre os homens 
devem ser pautadas pelo seu escrupuloso respeito. 
David Hume (1711-1778). Defende que as nossas ações são em geral 
motivadas pelas paixões. Os dois princípios éticos fundamentais são a utilidade e a 
simpatia. 
 
 
Ética contemporânea (Séc. XIX-XX) 
 
 
 
 
 
O Utilitarismo ou Universalismo 
Ético. Este é formulado por Jeremy 
Bentham (1748-1832). A maior felicidade 
para o maior número de pessoas. Esta 
ética é chamada “moral do bem estar”, o 
bem é útil para o individuo e o coletivo. 
A ética contemporânea também 
surge numa época de progressos em 
varias ordens, e exercem seus influxos 
até os dias de hoje. “No plano filosófico, a ética contemporânea se apresenta em 
suas origens como uma reação contra o formalismo e o racionalismo abstrato 
kantiano” (VASQUEZ, 1978, p. 251), e também no racionalismo de Hegel. 
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Éticas Fundamentais Contemporâneas 
 
 
 
Kant (1724-1804). Partindo de uma concepção universalista do homem, 
afirma que este só age moralmente quando, pela sua livre vontade, determina as 
suas ações com a intenção de respeitar os princípios que reconheceu como bons. O 
que o motiva, neste caso, é o puro dever de cumprir aquilo que racionalmente 
estabeleceu sem considerar as suas consequências. A moral assume assim, um 
conteúdo puramente formal, isto é, não nos diz o que devemos fazer (conteúdo da 
ação), mas apenas o princípio (forma) que devemos seguir para que a ação seja 
considerada boa. 
Sartre. A moral é uma criação do próprio homem que se faz a si próprio 
através das suas escolhas em cada situação. O relativismo é total. Mas este fato 
não o desculpa de nada. A sua responsabilidade é total dado que ele é livre de agir 
como bem entender. A escolha é sempre sua. 
Habermas (1929). Após a 2ª Guerra Mundial, Habermas surge a defender 
uma ética baseada no diálogo entre indivíduos em situação de equidade e 
igualdade. A validade das normas morais depende de acordos livremente discutidos 
e aceites entre todos os implicados na ação. 
Hans Jonas (1903-1993). Perante a barbárie quotidiana e a ameaça da 
destruição do planeta, Hans Jonas, defende uma moral baseada na 
responsabilidade que todos temos em preservar e transmitir às gerações futuras 
uma terra onde a vida possa ser vivida com autenticidade. Daí o seu princípio 
fundamental: "Age de tal modo que os efeitos da tua ação sejam compatíveis com a 
permanência da uma vida humana autêntica na terra". 
Crítica. Ao longo de todo o século XIX e XX sucederam-se as teorias que 
denunciaram o caráter repressivo da moral, estando muitas vezes ao serviço das 
classes dominantes (Karl Marx, 1818-1883) ou dos fracos (Nietzsche,1844- 
1900).Outros demonstram a falta de sentido dos conceitos éticos, como "Dever", 
"Bom" e outros (Alfred J.Ayer), postulando o seu abandono por se revelarem pouco 
científicos. Sigmund Freud (1856-1939) demonstrou o caráter inconsciente de 
muitas das motivações morais. Um das correntes que maior expressão teve no 
século XX, foi a que procurou demonstrar que as raízes biológicas da moral, 
comparando o comportamento dos homens e de outros animais. 
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Aquilo que denominamos por "ética" é apresentado como uma forma 
camuflada ou racionalizada de instintos básicos da nossa natureza animal idênticos 
a outros animais. 
Novas Problemáticas. As profundas transformações sociais, culturais e 
científicas das nossas sociedades colocaram novos problemas éticos, 
nomeadamente em domínios como a tecnociência (clonagem, manipulação 
genética, eutanásia, etc), ecologia, comunicação de massas, etc. 
 
 
IMPORTÂNCIA DA ÉTICA 
 
 
 
 
A importância da ética hoje se dá 
pela necessidade, por uma questão de 
sobrevivência; considerando que a 
humanidade passa por um momento de 
anseio por uma vida melhor e acima de 
tudo digna e feliz. Podemos dizer que o 
tema mais ecumênico que existe 
atualmente é o da dignidade humana, 
vida com qualidade e por fim, a felicidade. No entanto percebemos que o mundo se 
tornou um caos, e o homem como um todo se encontra perdido em meio a tanta 
confusão; é o verdadeiro “jogo dos interesses”. O comportamento ético não consiste 
exclusivamente em fazer o bem a outrem, mas em exemplificar em si mesmo o 
aprendizado recebido. É o exercício da paciência em todos os momentos da vida, a 
tolerância para com as faltas alheias, a obediência aos superiores em uma 
hierarquia, o silêncio ante uma ofensa recebida. 
 
 
CIDADANIA 
 
 
 
É muito importante entender bem o que é cidadania. Trata-se de uma palavra 
usada todos os dias, com vários sentidos. Mas hoje significa, em essência, o direito 
de viver decentemente. 
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Cidadania é o direito de ter uma ideia e poder expressá-la. É poder votar em 
quem quiser sem constrangimento. É poder processar um médico que age de 
negligencia. É devolver um produto estragado e receber o dinheiro de volta. É o 
direito de ser negro, índio, homossexual, mulher sem ser descriminado. De praticar 
uma religião sem se perseguido. 
Há detalhes que parecem insignificantes, mas revelam estágios de cidadania: 
respeitar o sinal vermelho no transito, não jogar papel na rua, não destruir telefones 
públicos. Por trás desse comportamento está o respeito ao outro. 
 
 
Conceito: 
 
 
 
No sentido etimológico da palavra, cidadão deriva da palavra civita, que em 
latim significa cidade, e que tem seu correlato grego na palavra politikos – aquele 
que habita na cidade. 
Segundo o Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, “cidadania é a 
qualidade ou estado do cidadão”, entende-se por cidadão “o indivíduo no gozo dos 
direitos civis e políticos de um estado, ou no desempenho de seus deveres para com 
este”. Cidadania é a pertença passiva e ativa de indivíduos em um estado - nação 
com certos direitos e obrigações universais em um específico nível de igualdade 
(JANOSKI, 1998). 
No sentido ateniense do termo, cidadania é o direito da pessoa em participar 
das decisões nos destinos da Cidade através da Ekklesia (reunião dos chamados de 
dentro para fora) na Ágora (praça pública, onde se agonizava para deliberar sobre 
decisões de comum acordo). Dentro desta concepção surge a democracia grega, 
onde somente 10% da população determinavam os destinos de toda a Cidade (eram 
excluídos os escravos, mulheres e artesãos). 
 
 
O que é ser cidadão?Ser cidadão é respeitar e participar das 
decisões da sociedade para melhorar suas vidas e 
a de outras pessoas. Ser cidadão é nunca se 
esquecer das pessoas que mais necessitam. A 
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cidadania deve ser divulgada através de instituições de ensino e meios de 
comunicação para o bem estar e desenvolvimento da nação. 
A cidadania consiste desde o gesto de não jogar papel na rua, não pichar os 
muros, respeitar os sinais e placas, respeitar os mais velhos (assim como todas às 
outras pessoas), não destruir telefones públicos, saber dizer obrigado, desculpe, por 
favor e bom dia quando necessário... até saber lidar com o abandono e a exclusão 
das pessoas necessitadas, o direito das crianças carentes e outros grandes 
problemas que enfrentamos em nosso mundo. 
 
 
 
DIREITOS E DEVERES DO CIDADÃO 
 
 
 
Na constituição brasileira os artigos referentes a esse assunto podem ser 
encontrados no Capítulo I, Artigo 5º que trata dos Direitos e Deveres Individuais e 
Coletivos. Cada um de nós tem o direito de viver, de ser livre, de ter sua casa, de ser 
respeitado como pessoa, de não ter medo, de não ser pisado por causa de seu 
sexo, de sua cor, de sua idade, de seu trabalho, da cidade de onde veio da situação 
em que está, ou por causa de qualquer outra coisa. 
Qualquer ser humano é nosso 
companheiro porque tem os mesmos 
direitos que nós temos. Esses direitos são 
sagrados e não podem ser tirados de nós; 
se forem desrespeitados, continuamos a 
ser gente e podemos e devemos lutar 
para que eles sejam reconhecidos. Às 
vezes cidadãos se veem privados de 
usufruírem de seus direitos por que vivem 
cercados de preconceito e racismo é 
incrível, mas ainda nos dias de hoje 
encontramos pessoas que se sentem no direito de impedir os outros de viverem uma 
vida normal só porque não pertencem a mesma classe social, raça ou religião que a 
sua. Nós cidadãos brasileiros temos direitos e devemos fazer valer o mesmo 
independente do que temos ou somos, ainda bem que a cada dia que passa muitas 
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pessoas estão se conscientizando e acabando com o preconceito e aquelas que 
acabam sofrendo por isso estão correndo atrás de seus direitos. 
Mas como cidadãos brasileiros não têm apenas direitos, mas deveres para 
com a nação, além de lutar pelos direitos iguais para todos, de defender a pátria, de 
preservar a natureza, de fazer cumprir as leis e muito mais. Ser cidadão é fazer valer 
seus direitos e deveres civis e políticos, é exercer a sua cidadania. Com o não 
cumprimento do dever o cidadão brasileiro pode ser processado juridicamente pelo 
país e até mesmo privado de sua liberdade. Seguem abaixo alguns trechos da 
declaração dos direitos humanos e do cidadão. 
 
 
Declaração dos direitos humanos e do cidadão (alguns artigos) 
 
 
 
I - Os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos; as distinções 
sociais não podem ser fundadas senão sobre a utilidade comum. 
II - O objetivo de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e 
imprescritíveis do homem; esses direitos são, à liberdade, à propriedade, à 
segurança e a resistência à opressão. 
III - O princípio de toda a soberania reside essencialmente na razão; nenhum corpo, 
nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela não emane diretamente. 
IV - A liberdade consiste em poder fazer tudo que não prejudique a outrem. Assim, o 
exercício dos direitos naturais do homem não tem limites senão aqueles que 
asseguram aos outros membros da sociedade 
o gozo desses mesmos direitos; seus limites 
não podem ser determinados senão pela lei. 
V - A lei não tem o direito de impedir senão as 
ações nocivas à sociedade. Tudo o que não é 
negado pela lei não pode ser impedido e 
ninguém pode ser constrangido a fazer o que 
ela não ordenar. 
VI - A lei é a expressão da vontade geral; 
 
todos os cidadãos têm o direito de concorrer, pessoalmente ou por seus 
representantes, à sua formação; ela deve ser a mesma para todos, seja protegendo, 
seja punindo. Todos os cidadãos, sendo iguais a seus olhos, são igualmente 
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admissíveis a todas as dignidades, lugares e empregos públicos, segundo sua 
capacidade e sem outras distinções que as de suas virtudes e de seus talentos. 
VII - Nenhum homem pode ser acusado, detido ou preso, senão em caso 
determinado por lei, e segundo as formas por ela prescritas. Aqueles que solicitam, 
expedem ou fazem executar ordens arbitrárias, devem ser punidos; mas todo 
cidadão, chamado ou preso em virtude de lei, deve obedecer em seguida; torna-se 
culpado se resistir. 
VIII - A lei não deve estabelecer senão penas estritamente necessárias, e ninguém 
pode ser punido senão em virtude de uma lei estabelecida e promulgada ao delito e 
legalmente aplicada. 
IX - Todo homem é tido como inocente até o momento em que seja declarado 
culpado; se for julgado indispensável para a segurança de sua pessoa, deve ser 
severamente reprimido pela lei. X - Ninguém pode ser inquietado por suas opiniões, 
mesmo religiosas, contanto que suas manifestações não perturbem a ordem pública 
estabelecida em lei. 
XI - A livre comunicação dos pensamentos e opiniões é um dos direitos mais 
preciosos do homem; todo o cidadão pode, pois, falar, escrever e imprimir 
livremente; salvo a responsabilidade do abuso dessa liberdade nos casos 
determinados pela lei. 
XII - A garantia dos direitos do homem e do cidadão necessita de uma força pública; 
essa força é então instituída para vantagem de todos e não para a utilidade 
particular daqueles a quem ela for confiada. 
XIII - Para a manutenção da força pública e para as despesas de administração, 
uma contribuição comum é indispensável; ela deve ser igualmente repartida entre 
todos os cidadãos, em razão de suas faculdades. 
XIV - Os cidadãos têm o direito de constatar, por si mesmos ou por seus 
representantes, a necessidade da contribuição pública, de consenti-la livremente e 
de vigiar seu emprego, de determinar sua quota, lançamento, recuperação e 
duração. 
XV - A sociedade tem o direito de pedir contas de sua administração a todos os 
agentes do poder público. 
XVI - Toda a sociedade na qual a garantia dos direitos não é assegurada, nem a 
separação dos poderes determinada, não tem constituição. 
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XVII - A propriedade, sendo um direito inviolável, e sagrado, ninguém pode ser dela 
privado senão quando a necessidade pública, legalmente constatada, o exija 
evidentemente, e sob a condição de uma justa e prévia indenização. 
 
 
 
 
AS INSTITUIÇÕES SOCIAIS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O que você acha de obedecer regras, de cumprir ordens, de seguir caminhos 
que já foram preestabelecidos para você? É provável que você e muitos de seus 
colegas digam que não gostam de obedecer regras, e alguns cheguem mesmo a 
afirmar com uma pontinha de orgulho que só fazem aquilo que gostam ou que têm 
vontade... 
Pois saibam que não é bem assim que as coisas acontecem. Mesmo que 
você se considere um rebelde, você está muito mais dentro da ordem que imagina, 
principalmente se vocêé um aluno devidamente matriculado Neste curso, e está 
lendo este texto na universidade ou em sua casa. Por que estamos falando disso? 
Para dizer que vivemos numa sociedade totalmente institucionalizada, ou 
seja, vivemos “imersos” em instituições sociais, portanto, somos continuamente 
levados a realizar coisas que não escolhemos, e na maioria das vezes as realizamos 
“naturalmente”, sem questionar de onde e de quem partiu aquela ideia ou aquela 
ordem. 
Todo o nosso pensamento e nossa ação foram aprendidos e continuam 
constantemente sendo construídos no decorrer de nossa vida. Muito do que 
fazemos foi pensado e estabelecido por pessoas que nem existem mais. Desde o 
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momento de nosso nascimento até a nossa morte estamos sempre atendendo às 
várias expectativas dos vários grupos que participamos. 
Por isso, nosso objetivo com este estudo é 
colocá-lo em contato com algumas instituições sociais 
muito presentes e atuantes em nossa sociedade, mais 
especificamente três: a escola, a religião e a família. 
Colocar em contato quer dizer conhecer um 
pouco das origens históricas das instituições, ou como 
foram construídas pelas diversas sociedades ao longo 
do tempo; perceber as transformações que foram 
sofrendo e como se configuram hoje, conhecer as 
diversas possibilidades de leitura oferecidas pela Sociologia, e, principalmente, nos 
enxergarmos como parte integrante dessas instituições. Não como uma peça num 
tabuleiro de um jogo, mas como sujeitos atuantes e com capacidade de mudar as 
regras do jogo quando considerarmos necessário. 
Nossa intenção ao propor este tema de estudo vai muito além da simples 
informação de conteúdos da Sociologia, avalizados pelos grandes nomes dessa 
ciência. Pretendemos que você, com auxílio dos instrumentais teóricos da 
Sociologia, possa compreender a dinâmica da sociedade contemporânea, aprenda a 
questionar as “verdades” que lhe são colocadas, e possa inserir-se de forma crítica e 
criativa nas diversas instituições sociais que compõem o sistema social. 
 
 
Vamos pontuar alguns aspectos destas três instituições: família, escola 
e religião. 
 
 
Nascemos todos em algum lugar da sociedade: num bairro de periferia, num 
edifício no centro da cidade, numa favela, num condomínio fechado, e pertencemos 
quase sempre a algum tipo de família. É dentro da família que aprendemos os 
primeiros valores do grupo e da sociedade a que pertencemos. Os pais (ou aqueles 
que cumprem este papel), criam e provêm os filhos de condições para a 
subsistência e esperam desses respeito e obediência. A sociedade espera que os 
pais trabalhem e tenham uma vida honesta, às mães cabe o amor incondicional, 
capaz de fazê-las abrir mão da própria vida para ver a felicidade de seus filhos. Isso 
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pode parecer um pouco exagerado, mas, às vezes, a caricatura de uma situação 
nos permite enxergá-la melhor. 
Bem, crescemos ouvindo que a família é um lugar “sagrado”, que devemos 
respeitar nossos pais, que tanto sacrifícios fizeram por nós. Crescemos ouvindo que 
é o bem mais importante de um homem, e 
quando finalmente crescemos, “desejamos” 
formar outra família, porque é isto que 
esperam de nós. Mas se não agirmos dessa 
forma esperada, se não nos transformarmos 
no pai trabalhador, na “mãe santa”, no filho 
respeitoso? Se escolhermos outro caminho e 
outros valores? Aí sofreremos o que a 
Sociologia chama de coerção social – 
significa que seremos coagidos e pressionados 
pelo grupo familiar e pelas pessoas próximas desse, a retomar os valores 
preestabelecidos. 
É o grupo familiar que também vai nos indicar os caminhos escolares e 
profissionais. Para algumas famílias, percorrer toda a carreira escolar sem 
interrupção é algo indiscutível, e desviar-se deste caminho previsto pode ser 
traumático. Novamente não escolhemos, mas as escolhas já estão feitas. Quase 
sempre fazemos o que é esperado. 
Passemos agora para a escola. Essa instituição ensina-nos novos padrões de 
comportamento, ou reforça aqueles que já trazemos de nossa classe social e tenta 
nos fazer acreditar que somos todos iguais, 
porque podemos nos sentar igualmente nas 
carteiras escolares. Mas tão logo os alunos 
percebem que para haver igualdade é 
necessário mais do que um lugar na escola, 
começam as reações contrárias à ordem. São 
as chamadas questões disciplinares. A escola 
valoriza a ordem, a disciplina, o bom 
rendimento. Os adolescentes vêem neste 
momento de suas vidas a oportunidade de 
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rebelar-se contra os padrões de comportamento estabelecidos, de agredir tudo que 
representa autoridade, de desprezar o que não atende a seus interesses imediatos. 
Há uma outra instituição social com a qual você provavelmente também 
convive. Caso tenha sido batizado ou iniciado em alguma religião em sua infância, e 
tenha crescido seguindo os ensinamentos de sua igreja, você desenvolveu o que se 
chama de pensamento sagrado. Você explica fenômenos da vida e da morte de 
acordo com os preceitos de sua fé. Você conhece os rituais de sua igreja e respeita, 
ou ao menos sabe o significado das principais datas religiosas. Se, em algum 
momento de sua vida, você resolver se desligar de sua religião, esteja certo de que 
sofrerá forte pressão de seu grupo religioso, o qual muito o indagará a respeito de 
sua decisão, e mais do que isso, fará tudo para demovê-lo de sua decisão. 
Com esses exemplos é possível perceber o quanto as instituições direcionam 
nossas ações, às vezes de forma tão sutil que não percebemos que as situações 
vivenciadas cotidianamente são em sua maioria reproduções de antigas instituições 
sociais. Também será possível que um dia você chegue à conclusão de que uma ou 
todas as instituições não são assim tão importantes para a sua vida. Você verá 
sobre isto nos Folhas a seguir, que em diversos momentos da história, alguns 
grupos sociais e alguns indivíduos negaram a necessidade da autoridade, fosse esta 
política, familiar, religiosa, educacional ou qualquer outra. Acreditavam na 
capacidade de autogoverno do ser humano, na liberdade e na autonomia de 
pensamento. Aliás, hoje é possível encontrar em diversas partes do mundo, 
inclusive no Brasil, pessoas que vivem em comunidades alternativas, que negam os 
valores do pensamento dominante, e constroem suas próprias regras, com base na 
visão que têm da sociedade e do planeta. Mas para chegar até isso, e quem sabe 
superar este modelo de sociedade e de instituições sociais a que estamos sujeitos 
hoje, é preciso muito estudo e a construção de projetos coletivos. E é isto que 
estamos lhe propondo nestes textos que se seguem. 
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A INSTITUIÇÃO ESCOLAR 
 
 
 
 
 
 
 
A escola, tal como conhecemos hoje, intitulada pelos historiadores da 
educação como Escola Moderna, começou a se configurar em fins do século XVI e 
ao longo do século XVII. 
Antes disso, nas sociedades antigas e medievais, já havia a preocupação 
com a educação de seus jovens, os quais estudavam ouindividualmente, sob a 
orientação de um mestre, ou em pequenos grupos, independentes de idade ou 
seriação. Adultos e crianças frequentavam a mesma classe durante o tempo que 
desejassem ou precisassem, e isso não era considerado um problema. As teorias da 
psicologia da aprendizagem, que estabelecem etapas para o desenvolvimento 
humano, virão muitos anos depois. 
 
 
MAS A ESCOLA MODERNA ORGANIZA-SE INICIALMENTE COM 
CARACTERÍSTICAS QUE JÁ CONHECEMOS BEM: 
 
 
• a preocupação em separar os alunos em classes seriadas, de acordo com a 
faixa etária; 
• a divisão sistemática dos programas de acordo com cada série; 
 
• os níveis de estudos passam a ter um encadeamento: a escola elementar (ler, 
escrever e contar), com a escola média ou profissional e os estudos 
superiores; 
• o tempo para o estudo e para o cumprimento dos programas para ma 
determinada série também passam a ser preestabelecidos. 
Não será mais o ritmo de aprendizado do aluno que dirá de quanto tempo ele 
necessita para aprender, mas sim o ritmo imposto pela instituição. Outros elementos 
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muito comuns em nossa prática escolar também passaram a ser utilizados, como o 
registro das aulas, o controle de frequência (chamada), a elaboração de textos 
simplificados para cada disciplina (livros didáticos). Junto com isso teremos maior 
rigor disciplinar, com a criação de normas e regimentos de conduta. Enfim, são 
práticas que têm a função de organizar, disciplinar e controlar, e que hoje nos 
parecem naturais e quase imutáveis. 
Desnaturalizar a instituição escolar significa saber que ela foi pensada e 
construída por pessoas como professores, 
religiosos ou governantes que tinham interesses e 
necessidades próprias daquele momento histórico. 
E que, antes desse modelo escolar, existiram 
outras formas criadas pelas sociedades para 
transmitirem às suas crianças e jovens os saberes 
necessários para a vida social. Portanto, cabe a 
nós e às próximas gerações também pensarmos e 
construirmos escolas que estejam mais próximas 
de nossas necessidades e nossos sonhos! 
 
 
TEXTO PARA REFLETIR: 
 
Há um descompasso crescente entre os modelos tradicionais de ensino e as 
novas possibilidades que a sociedade já desenvolve informalmente e que as 
tecnologias atuais permitem. A maior parte do que se ensina não é percebido pelos 
alunos como significativo. 
Uma boa escola depende fundamentalmente de contar com gestores e 
educadores bem preparados, remunerados, motivados e que possuam comprovada 
competência intelectual, emocional, comunicacional e ética. Sem bons gestores e 
professores nenhum projeto pedagógico será interessante, inovador. Não há 
tecnologias avançadas que salvem maus profissionais. 
São poucos os educadores e gestores pró-ativos, inovadores, que gostam de 
aprender e que conseguem por em prática o que aprendem. 
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Temos muitos profissionais que preferem repetir modelos, obedecer, seguir 
padrões, que demoram para avançar. São mais os que adotam uma postura 
dependente do que os autônomos, criativos, pró-ativos. Sem pessoas autônomas é 
mito difícil ter uma escola diferente, mais próxima dos alunos que já nasceram com a 
Internet e o celular. 
Uma boa escola precisa de professores mediadores de processos de 
aprendizagem vivos, criativos, experimentadores, presenciais-virtuais. De 
professores menos “falantes”, mais orientadores; de menos aulas informativas e 
mais atividades de pesquisa, experimentação, desafios projetos. 
Uma escola que fomente redes de aprendizagem, entre professores e entre 
alunos; que aprendam com os que estão perto e também longe, conectados, com os 
mais experientes ajudando aos que têm mais dificuldades. 
Uma escola com apoio de grandes bases de dados multimídia, de multi-textos 
de grande impacto (narrativas, jogos de grande poder de sensibilização), com 
acesso a muitas formas de pesquisa, de desenvolvimento de projetos. 
Uma escola que privilegie a relação com os alunos, a afetividade, a 
motivação, a aceitação, o reconhecimento das diferenças. Que dê suporte 
emocional para que os alunos acreditem em si, sejam autônomos, aprendam a 
analisar situações complexas e a fazer escolhas cada vez mais libertadoras. 
Uma escola que se articule efetivamente com os pais (associação de pais), 
com a comunidade, que incorpore os saberes dela, que preste melhores serviços. 
A escola pode estender-se fisicamente até os limites da cidade e virtualmente 
até os limites do mundo. A escola pode integrar os espaços significativos da cidade: 
museus, centros culturais, cinemas, teatros, parques, praças, ateliês, centros 
esportivos, centros comerciais, centros produtivos, entre outros. A escola pode trazer 
as manifestações culturais e artísticas próximas, fazendo dos alunos espectadores 
críticos e produtores de novos significados e produtos. Pode inserir atividades 
teóricas com as práticas, a ação com a reflexão. Trazer pessoas com diversas 
competências para mostrar novas possibilidades vocacionais para os alunos. 
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A escola e a universidade precisam reaprender a aprender, a serem mais 
úteis, a prestar serviços mais relevantes à sociedade, a saírem do casulo em que se 
encontram. A maioria das escolas e universidades se distancia velozmente da 
sociedade, das demandas atuais. Sobrevivem porque são os espaços obrigatórios e 
legitimados pelo Estado. Os alunos freqüentam muitas aulas porque são obrigados, 
não porque sintam que vale a pena. As escolas deficientes e medíocres atrasam o 
desenvolvimento da sociedade, retardam as mudanças. 
A educação poderá tornar-se cada vez mais participativa, democrática, 
mediada por profissionais competentes. Teremos muitas instituições que optarão por 
uma postura mais conservadora, que manterão o sistema disciplinar, o foco no 
conteúdo; mas, mesmo nelas, o ensino-aprendizagem não se fará somente na sala 
de aula. Haverá maior flexibilidade de tempos, horários e metodologias do que há 
atualmente. Outras – e esperamos que muitas – caminharão para tornar-se ou 
continuar sendo organizações democráticas, centradas nos alunos; que 
desenvolvem situações ricas de aprendizagem, sem asfixiar os alunos, incentivando- 
os; que desenvolvem valores de colaboração, de cidadania em todos os 
participantes. 
Escolas não conectadas são escolas incompletas (mesmo quando 
didaticamente avançadas). Alunos sem acesso contínuo às redes digitais estão 
excluídos de uma parte importante da aprendizagem atual: do acesso à informação 
variada e disponível on-line, da pesquisa rápida em bases de dados, bibliotecas 
digitais, portais educacionais; da participação em comunidades de interesse, nos 
debates e publicações on-line, em fim, da variada oferta de serviços digitais. 
Quanto mais tecnologias avançadas, mais a educação precisa de 
pessoas humanas, evoluídas, competentes, éticas. A sociedade torna-se cada 
vez mais complexa, pluralista e exige pessoas abertas, criativas, inovadoras, 
confiáveis. O que faz a diferença no avanço dos países é a qualificação das 
pessoas. Encontraremos na educação novos caminhos de integração do humano e 
do tecnológico; doracional, sensorial, emocional e do ético; do presencial e do 
virtual; da escola, do trabalho e da vida em todas as suas dimensões. 
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CONTEXTO HISTÓRICO DO NASCIMENTO 
DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR 
 
 
As revoluções burguesas, 
principalmente a inglesa (séc.XVIl) e a 
francesa (séc. XVIIl), vão encerrar 
definitivamente o feudalismo e 
inaugurar um novo modo de produção 
– o capitalismo. A burguesia, classe 
social em ascensão, irá conceber uma 
nova doutrina social ou uma nova ideologia para o capitalismo que se denominará 
liberalismo. Os princípios do liberalismo são: o individualismo, a propriedade, a 
liberdade, a igualdade e a democracia. Explicando os princípios: 
• A doutrina do individualismo coloca no esforço individual toda a 
responsabilidade para que as pessoas atinjam o sucesso ou o progresso, 
desconsiderando as condições econômicas e sociais nas quais estejam 
vivendo. Para o liberalismo, os indivíduos serão tão mais livres quanto menor 
for a ação do Estado, ou seja, o Estado não deve interferir e despender 
recursos para serviços públicos. 
• Quanto ao princípio da propriedade, significa que todos têm direito à 
propriedade desde que se esforcem e trabalhem para isso. 
• A igualdade, como é tratada no liberalismo, não se refere à igualdade social, 
mas sim à igualdade perante a lei. Já devem ter ouvido a frase: “Todos são 
iguais perante a lei”. Pois é, mas em relação às desigualdades sociais, a 
conversa é outra. Os liberais consideram natural que existam pobres e ricos, 
uma vez que nem todas as pessoas são talentosas ou esforçadas da mesma 
forma. 
• A democracia, defendida pelos liberais, resume-se à democracia 
representativa, isto é, o direito de todos escolherem seus representantes 
políticos. No entanto, democracia é mais do que isto, é o direito de 
usufruirmos igualmente os bens produzidos em nossa sociedade. 
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Outro importante movimento que se desenvolve à partir do século XVII, foi a 
chamada “revolução científica”. A filosofia, e as ciências físicas, químicas e 
matemáticas sofrem um grande desenvolvimento e há uma supervalorização do 
pensamento racional e científico. O filósofo e matemático René Descartes 
(França,1596 – 1650) é considerado o fundador desta doutrina. 
Observe que não fica difícil estabelecer relações entre a doutrina liberal, 
 
o pensamento racionalista e o surgimento da escola moderna, tal como essa foi 
descrita anteriormente. 
Vocês viram até aqui uma breve história da instituição escolar, organizada de 
forma mais ou menos semelhante em grande parte das sociedades. 
 
 
 
PERSPECTIVAS ATUAIS DA EDUCAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nas últimas duas décadas do século XX assistiu-se a grandes mudanças 
tanto no campo socioeconômico e político quanto no da cultura, da ciência e da 
tecnologia. Ocorreram grandes movimentos sociais, como aqueles no leste europeu, 
no final dos anos 80, culminando com a queda do Muro de Berlim. Ainda não se tem 
ideia clara do que deverá representar, para todos nós, a globalização capitalista da 
economia, das comunicações e da cultura. As transformações tecnológicas tornaram 
possível o surgimento da era da informação. 
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É um tempo de expectativas, de perplexidade e da crise de concepções e 
paradigmas não apenas porque inicia-se um novo milênio – época de balanço e de 
reflexão, época em que o imaginário parece ter um peso maior. O ano 2000 exerceu 
um fascínio muito grande em muitas pessoas. Paulo Freire dizia que queria chegar 
ao ano 2000 (acabou falecendo três anos antes). É um momento novo e rico de 
possibilidades. Por isso, não se pode falar do futuro da educação sem certa dose de 
cautela. É com essa cautela que serão examinadas, neste artigo, algumas das 
perspectivas atuais da teoria e da prática da educação, apoiando-se naqueles 
educadores e filósofos que tentaram, em meio a essa perplexidade, apesar de tudo, 
apontar algum caminho para o futuro. A perplexidade e a crise de paradigmas não 
podem se constituir num álibi para o imobilismo. 
No início deste século, H. G. Wells dizia que “a História da Humanidade é 
cada vez mais a disputa de uma corrida entre a educação e a catástrofe”. A julgar 
pelas duas grandes guerras que marcaram a “História da Humanidade”, na primeira 
metade do século XX, a catástrofe venceu. No início dos anos 50, dizia-se que só 
havia uma alternativa: “socialismo ou barbárie” (Cornelius Castoriadis), mas chegou- 
se ao final do século com a derrocada do socialismo burocrático de tipo soviético e 
enfraquecimento da ética socialista. E mais: pela primeira vez na história da 
humanidade, não por efeito de armas nucleares, mas pelo descontrole da produção 
industrial, pode-se destruir toda a vida do planeta. Mais do que a solidariedade, 
estamos vendo crescer a competitividade. Venceu a barbárie, de novo? Qual o papel 
da educação neste novo contexto político? Qual é o papel da educação na era da 
informação? Que perspectivas 
podemos apontar para a educação 
nesse início do Terceiro Milênio? 
Para onde vamos? Para iniciar, 
verifica-se o significado da palavra 
“perspectiva”. 
A palavra “perspectiva” vem 
do latim tardio “perspectivus”, que 
deriva de dois verbos: perspecto, 
que significa “olhar até o fim, 
examinar atentamente”; e perspicio, 
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que significa “olhar através, ver bem, olhar atentamente, examinar com cuidado, 
 
reconhecer claramente” (Dicionário Escolar Latino-Português, de Ernesto Faria). 
 
A palavra “perspectiva” é rica de significações. Segundo o Dicionário de 
filosofia, do filósofo italiano Nicola Abbagnano, perspectiva seria “uma antecipação 
qualquer do futuro: projeto, esperança, ideal, ilusão, utopia. O termo exprime o 
mesmo conceito de possibilidade, mas de um ponto de vista mais genérico e que 
menos compromete, dado que podem aparecer como perspectivas coisas que não 
têm suficiente consistência para serem possibilidades autênticas”. Para o Dicionário 
Aurélio, muito conhecido entre nós, brasileiros, perspectiva é a “arte de representar 
os objetos sobre um plano tais como se apresentam à vista; pintura que representa 
paisagens e edifícios a distância; aspecto dos objetos vistos de uma certa distância; 
panorama; aparência, aspecto; aspecto sob o qual uma coisa se apresenta, ponto 
de vista; expectativa, 
esperança”. 
Perspectiva significa 
ao mesmo tempo 
enfoque, quando se 
fala, por exemplo, 
em perspectiva 
política, e 
possibilidade, crença 
em acontecimentos 
considerados 
prováveis e bons. 
 
Falar em perspectivas é falar de esperança no futuro. 
 
Hoje muitos educadores, perplexos diante das rápidas mudanças na 
sociedade, na tecnologia e na economia, perguntam-se sobre o futuro de sua 
profissão, alguns com medo de perdê-la sem saber o que devem fazer. Então, 
aparecem, no pensamento educacional, todas as palavras citadas por Abbagnanoe 
Aurélio: “projeto” político-pedagógico, pedagogia da “esperança”, “ideal” pedagógico, 
“ilusão” e “utopia” pedagógica, o futuro como “possibilidade”. 
Fala-se muito hoje em “cenários” possíveis para a educação, portanto, em 
“panoramas”, representação de “paisagens”. Para se desenhar uma perspectiva é 
preciso “distanciamento”. É sempre um “ponto de vista”. 
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Todas essas palavras entre aspas indicam uma certa direção ou, pelo menos, 
um horizonte em direção ao qual se caminha ou se pode caminhar. Elas designam 
“expectativas” e anseios que podem ser captados, capturados, sistematizados e 
colocados em evidência. 
 
 
 
UM PASSADO SEMPRE PRESENTE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A virada do milênio é razão oportuna para um balanço sobre práticas e teorias 
que atravessaram os tempos. Falar de “perspectivas atuais da educação” é também 
falar, discutir, identificar o “espírito” presente no campo das idéias, dos valores e das 
práticas educacionais que as perpassa, marcando o passado, caracterizando o 
presente e abrindo possibilidades para o futuro. Algumas perspectivas teóricas que 
orientaram muitas práticas poderão desaparecer, e outras permanecerão em sua 
essência. Quais teorias e práticas fixaram-se no ethos educacional, criaram raízes, 
atravessaram o milênio e estão presentes hoje? Para entender o futuro é preciso 
revisitar o passado. No cenário da educação atual, podem ser destacados alguns 
marcos, algumas pegadas, que persistem e poderão persistir na educação do futuro. 
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EDUCAÇÃO TRADICIONAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Enraizada na sociedade de classes escravista da Idade Antiga, destinada a 
uma pequena minoria, a educação tradicional iniciou seu declínio já no movimento 
renascentista, mas ela sobrevive até hoje, apesar da extensão média da 
escolaridade trazida pela educação burguesa. A educação nova, que surge de forma 
mais clara a partir da obra de Rousseau, desenvolveu-se nesses últimos dois 
séculos e trouxe consigo numerosas conquistas, sobretudo no campo das ciências 
da educação e das metodologias de ensino. 
O conceito de “aprender fazendo” de John Dewey e as técnicas Freinet, por 
exemplo, são aquisições definitivas na história da pedagogia. Tanto a concepção 
tradicional de educação quanto a nova, amplamente consolidadas, terão um lugar 
garantido na educação do futuro. 
A educação tradicional e a nova têm em comum a concepção da educação 
como processo de desenvolvimento individual. Todavia, o traço mais original da 
educação desse século é o deslocamento de enfoque do individual para o social, 
para o político e para o ideológico. A pedagogia institucional é um exemplo disso. A 
experiência de mais de meio século de educação nos países socialistas também o 
testemunha. A educação, no século XX, tornou-se permanente e social. É verdade, 
existem ainda muitos desníveis entre regiões e países, entre o Norte e o Sul, entre 
países periféricos e hegemônicos, entre países globalizadores e globalizados. 
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Entretanto, há idéias universalmente difundidas, entre elas a de que não há idade 
para se educar, de que a educação se estende pela vida e que ela não é neutra. 
 
 
EDUCAÇÃO INTERNACIONALIZADA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
No início da segunda metade deste século, educadores e políticos 
imaginaram uma educação internacionalizada, confiada a uma grande organização, 
a Unesco. Os países altamente desenvolvidos já haviam universalizado o ensino 
fundamental e eliminado o analfabetismo. Os sistemas nacionais de educação 
trouxeram um grande impulso, desde o século passado, possibilitando numerosos 
planos de educação, que diminuíram custos e elevaram os benefícios. 
A tese de uma educação internacional já existia deste 1899, quando foi 
fundado, em Bruxelas, o Bureau Internacional de Novas Escolas, por iniciativa do 
educador Adolphe Ferrière. Como resultado, tem-se hoje uma grande uniformidade 
nos sistemas de ensino. Pode-se dizer que hoje todos os sistemas educacionais 
contam com uma estrutura básica muito parecida. No final do século XX, o 
fenômeno da globalização deu novo impulso à idéia de uma educação igual para 
todos, agora não como princípio de justiça social, mas apenas como parâmetro 
curricular comum. 
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NOVAS TECNOLOGIAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As conseqüências da evolução das novas tecnologias, centradas na 
comunicação de massa, na difusão do conhecimento, ainda não se fizeram sentir 
plenamente no ensino – como previra McLuhan já em 1969 –, pelo menos na 
maioria das nações, mas a aprendizagem a distância, sobretudo a baseada na 
Internet, parece ser a grande novidade educacional neste início de novo milênio. A 
educação opera com a linguagem escrita e a nossa cultura atual dominante vive 
impregnada por uma nova linguagem, a da televisão e a da informática, 
particularmente a linguagem da Internet. A cultura do papel representa talvez o 
maior obstáculo ao uso intensivo da Internet, em particular da educação a distância 
com base na Internet. 
Por isso, os jovens que ainda não internalizaram inteiramente essa cultura 
adaptam-se com mais facilidade do que os adultos ao uso do computador. Eles já 
estão nascendo com essa nova cultura, a cultura digital. Os sistemas educacionais 
ainda não conseguiram avaliar suficientemente o impacto da comunicação 
audiovisual e da informática, seja para informar, seja para bitolar ou controlar as 
mentes. Ainda trabalha-se muito com recursos tradicionais que não têm apelo para 
as crianças e jovens. Os que defendem a informatização da educação sustentam 
que é preciso mudar profundamente os métodos de ensino para reservar ao cérebro 
humano o que lhe é peculiar, a capacidade de pensar, em vez de desenvolver a 
memória. Para ele, a função da escola será, cada vez mais, a de ensinar a pensar 
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criticamente. Para isso é preciso dominar mais metodologias e linguagens, inclusive 
a linguagem eletrônica. 
 
 
 
EDUCAÇÃO POPULAR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O paradigma da educação popular, inspirado originalmente no trabalho de 
Paulo Freire nos anos 60, encontrava na conscientização sua categoria 
fundamental. A prática e a reflexão sobre a prática levaram a incorporar outra 
categoria não menos importante: a da organização. Afinal, não basta estar 
consciente, é preciso organizar-se para poder transformar. Nos últimos anos, os 
educadores que permaneceram fiéis aos princípios da educação popular atuaram 
principalmente em duas direções: na educação pública popular – no espaço 
conquistado no interior do Estado –; e na educação popular comunitária e na 
educação ambiental ou sustentável, predominantemente não governamentais. 
Durante osregimes autoritários da América Latina, a educação popular 
manteve sua unidade, combatendo as ditaduras e apresentando projetos 
“alternativos”. Com as conquistas democráticas, ocorreu com a educação popular 
uma grande fragmentação em dois sentidos: de um lado ela ganhou uma nova 
vitalidade no interior do Estado, diluindo-se em suas políticas públicas; e, de outro, 
continuou como educação não-formal, dispersando-se em milhares de pequenas 
experiências. Perdeu em unidade, ganhou em diversidade e conseguiu atravessar 
numerosas fronteiras. Hoje ela incorporou-se ao pensamento pedagógico universal e 
orienta a atuação de muitos educadores espalhados pelo mundo, como o 
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testemunha o Fórum Paulo Freire, que se realiza de dois em dois anos, reunindo 
educadores de muitos países. 
As práticas de educação popular também constituem-se em mecanismos de 
democratização, em que se refletem os valores de solidariedade e de reciprocidade 
e novas formas alternativas de produção e de consumo, sobretudo as práticas de 
educação popular comunitária, muitas delas voluntárias. O Terceiro Setor está 
crescendo não apenas como alternativa entre o Estado burocrático e o mercado 
insolidário, mas também como espaço de novas vivências sociais e políticas hoje 
consolidadas com as organizações não-governamentais (ONGs) e as organizações 
de base comunitária (OBCs). Este está sendo hoje o campo mais fértil da educação 
popular. 
 
 
Diante desse quadro, a educação popular, como modelo teórico 
reconceituado, tem oferecido grandes alternativas. Dentre elas, está a reforma dos 
sistemas de escolarização pública. A vinculação da educação popular com o poder 
local e a economia popular abre, também, novas e inéditas possibilidades para a 
prática da educação. 
O modelo teórico da educação popular, elaborado na reflexão sobre a prática 
da educação durante várias décadas, tornou-se, sem dúvida, uma das grandes 
contribuições da América Latina à teoria e à prática educativa em âmbito 
internacional. A noção de aprender a partir do conhecimento do sujeito, a noção de 
ensinar a partir de palavras e temas geradores, a educação como ato de 
conhecimento e de transformação social e a politicidade da educação são apenas 
alguns dos legados da educação popular à pedagogia crítica universal. 
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CARACTERÍSTICAS GERAIS DO SISTEMA 
EDUCACIONAL 
 
 
Níveis e modalidades de ensino 
 
 
 
De acordo com o art. 21 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 
 
(Lei n.º 9.394/96), a educação escolar compõe-se de: 
 
I. Educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino 
médio; 
II. Educação superior. 
 
A educação básica «tem por finalidade desenvolver o educando, assegurar- 
lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe 
meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores» (art. 22). Ela pode ser 
oferecida no ensino regular e nas modalidades de educação de jovens e adultos, 
educação especial e educação profissional, sendo que esta última pode ser também 
uma modalidade da educação superior. 
«A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade 
o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos 
físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da 
comunidade» (art. 29). A educação infantil é oferecida em creches, para crianças de 
zero a três anos de idade, e pré-escolas, para crianças de quatro a seis anos. 
O ensino fundamental, cujo objetivo maior é a formação básica do cidadão, 
tem duração de oito anos e é obrigatório e gratuito na escola pública a partir dos 
sete anos de idade, com matrícula facultativa aos seis anos de idade. A oferta do 
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ensino fundamental deve ser gratuita também aos que a ele não tiveram acesso na 
idade própria. 
O ensino médio, etapa final da educação básica, objetiva a consolidação e 
aprofundamento dos objetivos adquiridos no ensino fundamental. Tem a duração 
mínima de três anos, com ingresso a partir dos quinze anos de idade. Embora 
atualmente a matrícula neste nível de ensino não seja obrigatória, a Constituição 
Federal de 1988 determina a progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade 
da sua oferta. 
A educação superior tem como algumas de suas finalidades: o estímulo à 
criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo; 
incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando o 
desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, 
desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive. Ela 
abrange cursos seqüenciais nos diversos campos do saber, cursos de graduação, 
de pós-graduação e de extensão. O acesso à educação superior ocorre a partir dos 
18 anos, e o número de anos de estudo varia de acordo com os cursos e sua 
complexidade. 
No que se refere às modalidades de ensino que permeiam os níveis 
anteriormente citados, tem-se: 
• Educação especial: oferecida, preferencialmente, na rede regular de ensino, 
para educandos portadores de necessidades especiais. 
• Educação de jovens e adultos: destinada àqueles que não tiveram acesso ou 
continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria. 
• Educação profissional: que, integrada às diferentes formas de educação, ao 
trabalho, à ciência e à tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de 
aptidões para a vida produtiva. É destinada ao aluno matriculado ou egresso 
do ensino fundamental, médio e superior, bem como ao trabalhador em geral, 
jovem ou adulto (art. 39). 
Além dos níveis e modalidades de ensino apresentados, no Brasil, devido à 
existência de comunidades indígenas em algumas regiões, há a oferta de educação 
escolar bilíngüe e intercultural aos povos indígenas. Esta tem por objetivos: «i – 
proporcionar aos índios, suas comunidades e povos, a recuperação de suas 
memórias históricas; a reafirmação de suas identidades étnicas; a valorização de 
suas línguas e ciências; ii – garantir aos índios, suas comunidades e povos, o 
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acesso às informações, conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional 
e demais sociedades indígenas e não-índias» (art. 78). 
 
 
 
 
POLÍTICAS GERAIS 
 
 
 
De acordo com o Plano Nacional de Educação (Lei n.º 10.172/2001), uma das 
principais prioridades refere-se à garantia de acesso ao ensino fundamental 
obrigatório de oito séries a todas as crianças de 7 a 14 anos. Conforme a legislação 
educacional brasileira, cabe aos Estados e Municípios a responsabilidade pela oferta 
do ensino fundamental. No entanto, há que ressaltar o papel da União na assistência 
técnica e financeira às demais esferas governamentais, a fim de garantir a oferta da 
escolaridade obrigatória. 
A consecução desse objetivo tem sido associada a políticas e ações 
governamentais relacionadas, entre outras, à regularização do fluxo escolar, à 
formação de professores e à elaboração de diretrizes curriculares. 
No que se refere à regularização do fluxo escolar, as altas taxas de 
defasagemidade-série presentes nas estatísticas nacionais têm conduzido a 
formulação e implementação de políticas para correção e adequação das idades dos 
alunos à série escolar correspondente. Duas políticas são de grande relevância para 
a consecução desse objetivo: a) a implementação de programas de aceleração de 
aprendizagem que, com o suporte de materiais didático-pedagógicos específicos, a 
ênfase na elevação da auto-estima do aluno e a oferta de infra-estrutura adequada 
aos professores, possibilita o avanço progressivo do aluno às séries e períodos 
subseqüentes; b) a reorganização do tempo escolar através da implantação dos 
ciclos escolares, agrupando os alunos de acordo com as etapas de desenvolvimento 
do indivíduo. 
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As políticas de regularização do fluxo escolar têm sido implementadas tanto 
pelo governo federal em parceria com outras instituições como através da iniciativa 
dos próprios Estados e Municípios. A reorganização do tempo escolar vem sendo 
amplamente discutida nessas esferas governamentais, de modo que a sua adesão 
tem sido crescente. 
No que diz respeito à formação de professores, ações têm sido direcionadas 
para garantir formação inicial e continuada dos professores, bem como infra- 
estrutura adequada para o desenvolvimento do seu trabalho, tais como remuneração 
adequada, tempo para estudo, atualização e tempo de carreira. Entre essas ações, 
destacam-se: 
 
 
• Garantia de formação mínima, ou seja, que todos os professores tenham o 
curso superior completo como formação mínima. 
• Programas de formação de professores a distância, com a utilização de 
recursos tecnológicos, como a TV Escola, com o objetivo de formar 
professores leigos, principalmente em localidades onde o número de 
professores nessa situação é maior. 
As políticas relativas à formação de professores são de responsabilidade de 
todas as esferas governamentais. Esforços têm sido empreendidos a fim de que 
sejam obtidas parcerias com instituições de ensino superior, organizações não- 
governamentais e agências de financiamento, de modo a tornar possível a formação 
mínima exigida pela legislação educacional, que, a partir de dezembro de 2007, será 
a licenciatura plena, obtida em cursos de nível superior. 
A definição de referenciais e diretrizes curriculares para os diversos níveis e 
modalidades de ensino também se encontra entre as prioridades das esferas 
governamentais. Cabe à União, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal 
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e os Municípios, estabelecer as «competências e diretrizes para a educação infantil, 
o ensino fundamental e o ensino médio, que nortearão os currículos e seus 
conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica comum» (LDBEN, art. 
9º, inciso IV). 
 
A concretização de ações com esse direcionamento resultou na definição de: 
a) referenciais curriculares nacionais para a educação infantil; b) referenciais 
curriculares para a educação indígena; c) proposta curricular para a educação de 
jovens e adultos; d) parâmetros nacionais curriculares para o ensino fundamental 
(de 1ª a 4ª e de 5ª a 8ª série); e) adaptações curriculares para a educação de alunos 
com necessidades educacionais especiais; f) parâmetros curriculares para o ensino 
médio; e g) diretrizes curriculares para todos os níveis e modalidades de ensino. 
 
 
CULTURA E SOCIEDADE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Todos nós adquirimos nossas características humanas em um contexto 
sociocultural. Essa condição básica da vida humana levou o filósofo espanhol 
Ortega e Gasset a dizer: “Eu sou eu e a minha circunstância”. Isso significa que 
cada um de nós constrói sua identidade a partir do seu ambiente. “Quem sou eu?” é 
a pergunta que mais cedo ou mais tarde todos nós fazemos. De maneira mais ou 
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menos consciente nos interrogamos sobre nossa identidade pessoal e percebemos 
quanto os valores e os comportamentos das pessoas que nos rodeiam e que 
conhecemos mais de perto influenciam nossas ações e ideias. Aprendemos muito 
do que nos torna seres humanos em um ambiente cultural, aquele em que 
nascemos e nos desenvolvemos. 
Poucas pessoas percebem como a vida, e mesmo a personalidade de cada 
um de nós, é influenciada pela sociedade da qual somos parte. Nascer no Brasil e 
crescer como membro da sociedade brasileira constitui uma experiência de vida 
muito diferente da de crescer e ser educado na França, no Japão ou na Índia, por 
exemplo. E isso tem consequências fundamentais e diversas para o resto de nossas 
vidas. 
 
O estudo das sociedades humanas é importante não só para melhor 
conhecermos a nós mesmos, mas, também, para melhor compreendermos as 
pessoas que vivem em outros contextos socioculturais. Nunca como hoje, tantos 
aspectos da vida humana mudam tão rapidamente e para tantas pessoas ao redor 
do planeta. E isso tem ocorrido em todas as áreas: nas artes, nas ciências, na 
religião, na moralidade, na educação, na política, na família e na economia. Todas 
são afetadas. Nessas circunstâncias, não é surpresa que tenha aumentado de 
maneira significativa o interesse pelo estudo das sociedades humanas, embora 
constituam um fenômeno dos mais complexos e as ciências sociais integrem um 
campo de pesquisa jovem em que predomina o debate e a controvérsia. 
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A sociedade é uma forma de organização que se desenvolveu aos poucos, 
em correntes animais distintas e, em inúmeras vezes, independentemente uma das 
outras. A forma societal é encontrada não apenas entre os humanos, mas, também, 
entre muitas espécies de mamíferos, pássaros, peixes e mesmo entre insetos, 
facilitando, através da adaptação, a sobrevivência e a multiplicação. 
Estudos comparativos de sociedades animais desenvolvidos pela Biologia 
Evolutiva mostram que a individualidade tende a ser suprimida em sociedades de 
insetos, por exemplo, em que os mecanismos genéticos são responsáveis por 
regular a vida social do grupo (pense nas sociedades de abelhas e de formigas). O 
sociólogo Gerhard Lenski, em seu livro As Sociedades Humanas (em inglês, 
Human Societies) desenvolve uma análise que muito nos ajuda a compreender a 
importância da dimensão cultural para a nossa vida individual e a sobrevivência da 
espécie humana. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na perspectiva do processo de evolução das espécies animais, Lenski 
assinala que de forma contrastante com outras espécies, “a individualidade é 
marcante nas sociedades dos mamíferos o que, por sua vez, significa que a unidade 
social, tão importante para a sobrevivência das espécies, depende em grande parte 
de comportamentos a serem aprendidos”. Dessa forma, quanto mais a 
individualidade ganha realce em uma espécie, maior é a importância dos processos 
de aprendizagem para a realização e desenvolvimento de cada membro assim como 
da espécie como um todo. O fato de que todas as espécies de macacos e primatas 
vivem em grupos sociais sugeriu uma questão aos pesquisadores da área: por queIPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
 
 
 
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isso ocorre? Os estudos sobre comportamento de primatas permitiram concluir que a 
razão principal reside no aumento de oportunidades de aprendizagem que a 
organização em sociedade oferece. Foi observado que “o grupo é o lugar de 
conhecimento e experiência que ultrapassa em muito o do membro como indivíduo”. 
É no grupo que as experiências tornam-se mais vantajosas e com benefício mútuo, 
recíproco. Entretanto, todos nós percebemos o quanto os humanos são diferentes 
na sua capacidade de aprendizagem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sobre isto Lenski escreveu: “se comparamos os humanos, do ponto de vista 
físico, com outros antropóides, as diferenças são menores do que as que separam 
esses antropóides dos outros animais. Do ponto de vista comportamental, 
entretanto, ocorre o oposto. (...) O ser humano ultrapassou um ponto crítico no 
processo de evolução com apenas pequena mudança genética, abrindo o caminho 
para um extraordinário avanço comportamental. Esse curioso desenvolvimento está 
ligado à imensa capacidade para aprender que os humanos possuem. Isto tornou 
possível um modo original e próprio de adaptação ao ambiente que os cientistas 
sociais chamam de cultural. Essa é uma característica crucial da vida humana.” 
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O QUE É CULTURA? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Uma pergunta retorna sempre e tem se mostrado de difícil resposta: o que 
constitui, então, a natureza humana? Gradualmente, observa Lenski, começamos a 
perceber de forma um pouco mais clara isso que chamamos de “natureza humana”. 
Com as descobertas relativamente recentes do DNA, RNA, do código genético e de 
todas as pesquisas biológicas atuais, é possível entender um pouco melhor o que 
influencia nossa maneira de ser e de agir. Dessa forma,“muitos cientistas sociais 
consideram que o termo natureza humana não se refere ao que é mais específico do 
comportamento humano – como as pessoas se vestem, como casam, o que comem, 
como enterram seus mortos, como praticam suas crenças. Esses são costumes 
socialmente determinados e que variam intensamente.” Consequentemente, o termo 
natureza humana tende a ser utilizado mais em relação a tendências básicas 
enraizadas em nossa herança genética comum e que, portanto, independem do que 
é específico de cada sociedade e dos comportamentos que as pessoas aprendem 
no ambiente social em que vivem. 
Nessa perspectiva, o termo “natureza humana” estaria referenciado às 
“necessidades biológicas básicas do ser humano, à sua motivação geneticamente 
programada para satisfazê-las, à sua dependência, geneticamente baseada, de 
sistemas socioculturais e, também, ao seu potencial, geneticamente estabelecido 
para a construção cultural”. 
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Para acentuar a diferença que distingue os humanos do resto do mundo 
animal, os antropólogos buscaram vincular o termo cultura ao conceito de 
“símbolos”. Podemos garantir tudo que é fundamental em uma definição de cultura 
se a consideramos como “os sistemas de símbolos da humanidade e todos os 
aspectos da vida humana que deles dependem”. De um modo geral esse é o 
aspecto que mais nos distingue de todos os outros seres vivos. Mas o que são 
“símbolos” e “sistemas de símbolos”? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Lenski esclarece que todos os mamíferos são capazes de comunicar com 
outros de sua espécie e o fazem através de “sinais”. Só os humanos, no entanto, 
usam “símbolos” tanto quanto “sinais”. Símbolos e sinais são veículos de 
transmissão de informação. Mas há uma fundamental diferença: o significado de um 
sinal é amplamente determinado de forma genética, é uma resposta geneticamente 
determinada por um estímulo específico. Um exemplo clássico de um sinal é o grito 
de dor emitido por um animal ferido. Outro membro do grupo responde 
instintivamente a esse som ou pode aprender através da observação e experiência a 
associá-lo com os humores e ações dos demais membros de seu grupo. E, com 
isso, ele pode ajustar o seu comportamento. Os sinais são extremamente úteis para 
ordenar as relações sociais entre os membros de um grupo. 
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Os animais aprendem a associar experiências e por meio de sinais 
comunicam aos outros de sua espécie, informações essenciais – como uma ameaça 
de perigo – através de movimentos do corpo, secreções glandulares ou outros 
métodos e suas combinações. Em geral, no entanto, os sinais são muito limitados 
em seu poder de comunicação. Os símbolos, em contraste, como não são 
condicionados geneticamente, são flexíveis e podem ser modificados facilmente. 
Pense na história de qualquer linguagem. Símbolos linguísticos foram modificados 
ao longo dos tempos enquanto seus significados permaneceram os mesmos e vice- 
versa. Isso ocorre porque os significados dos símbolos são atribuídos pelos grupos 
sociais de maneira arbitrária, adotados pelos seus membros e, portanto, não estão 
submetidos a regras prèviamente definidas e podem modificar-se com o tempo e as 
circunstâncias. 
A invenção da escrita, por exemplo, 
significou uma revolução na história da 
humanidade porque possibilitou aos seres 
humanos acumular informação muito além 
das suas capacidades biológicas. E isso só 
foi possível através de um sistema de 
símbolos – as letras do alfabeto. Pela 
combinação e recombinação das letras 
somos capazes, indefinidamente, de formar 
palavras e frases, transmitindo informações 
de todos os tipos às gerações que se 
sucedem. E fazemos isso ultrapassando em muito nossa capacidade de memória 
individual e independentemente do contato pessoal. Considere, também, a grande 
transformação cultural que ocorre nos nossos dias com o uso ampliado da Internet. 
São criações humanas que ampliam e atribuem novas formas e 
características ao mundo em que vivemos. Podemos dizer, portanto, que os 
símbolos são veículos culturalmente determinados para a transmissão de 
informações de qualquer natureza. O antropólogo Clifford Geertz, em seu livro A 
Interpretação das Culturas, ao analisar a relação entre o desenvolvimento da 
cultura e a evolução da mente humana considera que foi no período pré-histórico da 
Era Glacial que foram forjadas quase todas as características da existência do ser 
humano que são mais impressivamente humanas. Em uma mesma época da 
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história evolutiva desenvolveram-se de forma combinada e interativa a totalidade do 
sistema nervoso do cérebro humano, a estrutura social baseada no tabu do incesto 
e a capacidade de criar e usar símbolos. “O fato de que essas características 
distintivas de humanidade”, escreveu Geertz, “emergiram juntas e em interação 
complexa uma com a outra (...) é de excepcional importância na interpretação da 
mentalidade humana, porque sugere que o sistema nervoso humano não apenastorna o homem capaz de adquirir cultura mas demanda positivamente que ele assim 
o faça para que possa funcionar.” 
Hoje, as pesquisas da neurociência tem comprovado a importância das 
atividades de natureza cultural que, associadas às atividades físicas, são a melhor 
maneira de avançar em idade de forma saudável e com lucidez. Nas sociedades 
tecnologicamente avançadas dos nossos dias, o volume de informação transmitido 
de geração para geração tornou-se tão grande que nenhum membro individual 
consegue dominá-lo. Assim, diz Lenski, “se os indivíduos são os portadores da 
cultura, a cultura em sua totalidade é a propriedade de uma sociedade. Nesse 
sentido podemos dizer que os sistemas de símbolos tem uma função do ponto de 
vista cultural, semelhante ao do sistema genético. Ambos são mecanismos que 
facilitam a adaptação de populações ao seu ambiente, através da aquisição, de 
acúmulo, da transmissão e uso de 
informações relevantes”. 
 
Através da criação de sistemas 
de símbolos os seres humanos foram 
capazes de modificar seus 
comportamentos de maneira 
significativa, tornando sua adaptação 
ao ambiente cada vez mais eficiente e 
isso sem qualquer transformação 
orgânica importante. O antropólogo Clifford Geertz, sob a influência do grande 
cientista social Max Weber, acredita que “o ser humano é um animal envolvido em 
teias de significados que ele próprio teceu”. Cultura, para Geertz, são essas redes e 
sua análise deve ser um estudo interpretativo de seus significados. Para analisar e 
conhecer uma cultura é preciso interpretar os sinais e símbolos que são utilizados 
nos processos de comunicação de um grupo social, de um povo ou de uma nação. 
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O conceito de cultura está entre os mais usados na Sociologia e refere-se às 
formas de vida dos membros de uma sociedade ou de grupos dentro da sociedade, 
incluindo todas as formas de arte, com suas linguagens próprias (a literatura, a 
música, as artes plásticas, etc.), as várias formas de expressão que se manifestam 
no modo de vestir das pessoas, em seus costumes, em seus padrões de 
comportamento, os seus rituais religiosos, as suas ideias, crenças e princípios 
orientadores da vida (como as teorias científicas, as doutrinas religiosas e as 
ideologias). 
 
O mundo da cultura é 
constituído de uma trama 
complexa dos elementos que 
contribuem para a 
organização da vida 
cotidiana, como os estilos de 
vida familiar e as atividades 
de lazer que caracterizam 
nosso ambiente de 
convivência, e dos 
mecanismos sociais desenvolvidos para a resolução dos problemas da vida coletiva, 
como as formas de organização da vida escolar, da política ou da produção da vida 
material. A cultura é um vasto campo que abrange tanto as ideias abstratas que 
traduzem a vida da imaginação e do pensamento, com suas linguagens próprias, 
quanto os arranjos sociais e os instrumentos que permitem e favorecem a 
cooperação entre as pessoas nas formas das organizações sociais, possibilitando 
melhorar nossa habilidade em alcançar o que precisamos e desejamos para nós 
mesmos. Dessa forma a noção de cultura envolve tanto aspectos “intangíveis” - 
como valores, crenças, ideias, teorias e normas sociais- quanto aspectos “tangíveis” 
– como objetos, produtos do trabalho, das artes, da ciência e da tecnologia. Os 
valores e as normas sociais definem o que é considerado fundamental e desejável 
para a orientação da vida das pessoas em suas interações sociais. Os valores 
informam nossas crenças morais dando sentido e direção às nossas vidas, enquanto 
as normas são regras comportamentais que definem o que é esperado das ações 
individuais no contexto da convivência social. 
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As normas dizem o que devemos fazer ou é proibido fazer em situações 
específicas. Em alguma medida as normas sociais, escritas ou não na forma de leis, 
refletem os valores predominantes de uma cultura em uma determinada sociedade. 
Todos esses elementos, tangíveis e intangíveis, são constitutivos da cultura e são 
compartilhados pelos membros da sociedade, formando um contexto comum para 
os seus integrantes e dando sentido às suas vidas, ações e atividades. 
 
 
AS DIVERSIDADES CULTURAIS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
É fácil percebermos, quando entramos em contato com aspectos da vida de 
outras sociedades, como seus ambientes culturais e os comportamentos de seus 
membros são diferentes dos nossos e, às vezes, de forma acentuada. Quando 
temos a oportunidade de conhecer e comparar diversas culturas, por leituras e 
estudos ou em viagens, adquirimos consciência da importância da dimensão cultural 
para as nossas vidas e para a vida coletiva em geral. Isso também ajuda a 
esclarecermos o conceito sociológico de cultura. Sociedades de tempos históricos 
diversos ou em espaços geográficos diferentes, desenvolveram modos de vida, 
valores e crenças que em muitos aspectos e, às vezes, de maneira bastante radical, 
diferem e divergem dos nossos. 
Ao comparar e comentar diferentes culturas deve-se prestar atenção para 
eventuais manifestações de “etnocentrismo”, a tendência que desenvolvemos em 
julgar elementos de outras culturas com base nos padrões da nossa cultura, o que 
torna difícil simpatizar com as ideias ou aceitar os comportamentos das pessoas de 
uma cultura diferente. Os problemas envolvidos nas comparações e avaliações 
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culturais levantam uma questão que tem se tornado fonte de grande debate, 
transformando-se em foco de tensão no mundo da política global, especialmente 
para os que lidam na esfera internacional dos direitos humanos. Trata-se do 
significado e abrangência do relativismo cultural no mundo contemporâneo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A questão é a seguinte: é possível avaliarmos os valores e normas de outra 
cultura? Baseados em que critérios podemos julgar outra forma de vida cultural 
como melhor ou inferior à nossa? Essa é uma questão polêmica que provoca 
grandes debates nas ciências sociais. O sociólogo Anthony Giddens pergunta: no 
Afeganistão, “as políticas do Talibã para as mulheres são aceitáveis no início do 
século XXI?” O relativismo cultural –“ou seja, suspender suas próprias crenças 
culturais profundamente sustentadas e examinar uma situação de acordo com os 
padrões de outra cultura – pode ser repleto de incerteza e desafio”.( ...) “ Questões 
preocupantes são levantadas. O relativismo cultural significa que todos os costumes 
e comportamentos são igualmente legítimos? Haveria padrões universais aos quais 
todos os humanos deveriam aderir?” Giddens acrescenta, “não há soluções simples 
para esse dilema e para dúzias de outros casos nos quais normas e valores culturais 
não coincidem.” ...E ensina uma lição básica para todo o estudante de Sociologia: “O 
papel do sociólogo é evitar “respostas automáticas” e examinar questões complexas 
cuidadosamente a partir de tantos ângulos diferentes quanto possível.” 
Essas inúmeras questões são um alerta e devem intensificar nossa 
disposição para conhecer os diversos sistemas socioculturais para melhor 
compreenderos mecanismos que facilitam assim como os que dificultam a 
convivência humana, necessariamente, de cunho social. De um lado a cooperação, 
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a convivência mais equilibrada e harmoniosa, de outro, os antagonismos, os 
conflitos e as guerras. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os processos da globalização econômica, da revolução na informática, da 
mídia, da superação das barreiras geográficas vem transformando o mundo em uma 
grande “aldeia global”. Em que medida esses fenômenos estão produzindo uma 
cultura universal, válida para todos os povos? Em que sentido podemos afirmar 
isso? Quais os possíveis danos para a vida das pessoas e para os diferentes grupos 
sociais com raízes histórico-culturais distintas? Como fenômeno humano as culturas 
dos povos são dinâmicas e sofrem mudanças. Os indivíduos agem e reagem às 
influências do ambiente em que vivem e às transformações de seu tempo. Os 
grupos sociais se mobilizam e movimentam-se no sentido de alterar as suas 
condições de vida. Continuidade e mudança são dimensões inerentes à vida das 
sociedades e das culturas. As mudanças podem ocorrer de forma mais lenta,como 
nos tempos mais antigos, como podem tornar-se rápidas e permanentes como tem 
ocorrido desde os tempos modernos. 
É importante observar que “as culturas ultrapassam seus criadores”, como diz 
Lenski. Cada um de nós nasce em uma sociedade com uma cultura estabelecida e é 
somente através do domínio dessa cultura que somos capazes de satisfazer nossas 
necessidades e aspirações. Mas, no processo de dominar a cultura, a cultura tende 
a nos controlar e fazer de nós suas criaturas. Em um sentido, ela define mesmo 
nossos objetivos na vida e dá forma aos padrões de nossos pensamentos. Por isso 
encontramos dificuldade em desaprender o que aprendemos no passado. E isso é 
especialmente marcante nas pessoas mais velhas. Por outro lado é sempre possível 
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uma adaptação consciente e deliberada a um novo ambiente ou a uma mudança 
cultural. Isso implica que processos de mudança cultural ocorrem e podem até ser 
controlados e mesmo planejados. Esse tema, o da mudança cultural, é 
especialmente importante na medida em que envolve o debate em torno das 
questões que dizem respeito às transformações da sociedade. 
Em geral, novos elementos culturais são acrescentados em uma base de 
continuidade. Em certos momentos ocorre o abandono de componentes culturais 
que são substituídos por outros novos. Se nós pensarmos nos vários instrumentos 
de comunicação utilizados através dos séculos nós teremos uma boa amostra das 
significativas mudanças culturais e das consequências dessas mudanças para a 
vida das pessoas. Mas muitas mudanças envolvem, ao mesmo tempo, continuidade, 
como é o caso do alfabeto que usamos há mais de três mil séculos, assim como o 
conceito de justiça que perdura desde tempos ainda mais antigos. 
 
 
SOCIALIZAÇÃO: UMA APRENDIZAGEM 
PERMANENTE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O processo através do qual aprendemos a cultura da sociedade em que 
vivemos é o que chamamos de socialização. De um modo geral, os seres humanos 
são dotados de uma grande capacidade para aprender a agir de maneira 
socialmente responsável. A socialização é um processo sócio-psicológico bastante 
complexo que se inicia no momento do nascimento. O objetivo principal de tal 
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processo é adaptar o indivíduo aos costumes, comportamentos e modos da cultura 
do seu ambiente social para que possa aprender a sobreviver por si mesmo e ser 
capaz de, gradativamente, controlar seu comportamento de acordo com as 
exigências da vida em sociedade. 
Ao aprender o significado que a Sociologia atribui ao processo de 
socialização e as maneiras como este processo se desenvolve, podemos ampliar 
nossa visão e conhecimento sobre os mecanismos que operam nas sociedades e 
que dizem respeito à vida cultural. Isso possibilita uma melhor compreensão do 
modo e estilos de vida da sociedade em que nascemos e no qual nossas 
identidades, pessoal e de grupo, se desenvolvem. 
Através do processo de socialização nos tornamos, gradualmente, pessoas 
autoconscientes e capazes de lidar de forma competente com o mundo a nossa 
volta. O estudo dos processos de socialização pode contribuir para uma melhor 
compreensão de fatores que influenciam na construção das identidades pessoais 
(auto-identidade) e das identidades dos grupos sociais a que pertencemos como a 
família, o gênero, o grupo religioso, o grupo de convivência social, o profissional e 
outros. 
O processo de socialização é 
o principal mecanismo que uma 
sociedade possui para a 
transmissão da cultura através do 
tempo e das gerações. A 
socialização, além de estar 
diretamente relacionada com as 
identidades sociais, deve ser vista 
como um processo que dura a vida 
toda na medida em que as nossas 
ideias e o nosso comportamento 
são continuamente influenciados pelos relacionamentos sociais e pelo ambiente em 
que vivemos. É através da socialização que aprendemos e incorporamos os hábitos, 
os costumes, valores e normas da vida cultural de nossa sociedade. Desde o 
nascimento, através da infância e da adolescência e mesmo na vida adulta, estamos 
continuamente a aprender comportamentos e formas de interagir em diversos e 
novos ambientes a que somos expostos em nossa trajetória de vida. Nossa 
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identidade se modifica ao atingirmos diferentes estágios de desenvolvimento e ao 
assumirmos papéis sociais diversos que se alternam e multiplicam ao longo da vida. 
 
 
GLOBALIZAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A rapidez da internet parece uma ação meio mágica, além das relações que 
os indivíduos estabelecem no cotidiano. Veja que a internet imprime uma velocidade 
à vida cotidiana como se todos fossem ficar com mais tempo livre para o lazer. Será 
que realmente é assim, no cotidiano das pessoas que trabalham e necessariamente 
precisam da internet como instrumento de trabalho? Você conhece alguém que 
aumentou ou que diminuiu a sua jornada em função desta “mágica”? Com ela 
parece que o mundo ficou menor, ou mais Global? 
Por exemplo, já reparou na roupa e nos acessórios que os jovens de outros 
lugares do mundo usam? Não é da mesma marca que o seu tênis, o seu celular, a 
sua televisão? No cinema, as estréias são mundiais, o que significa que você e os 
habitantes de outras regiões do globo podem assistir ao filme em uma curta 
diferença de tempo. 
E o que tudo isto têm haver com você? Você consome produtos, utiliza a 
internet, vai ao cinema... parece que tem muito!. Mas para entendermos o quanto ela 
interfere na sua vida vamos entender porque é que ficamos com a impressão de que 
o mundo ficou menor ou mais global. 
Para isso vamos começar lendo os trechos das notícias que seguem: 
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Aumenta tensão às vésperas da cúpula do G-8 
 
Gênova – Cerca de 20.000 policiais patrulhavam a cidade italiana de Gênova e seus 
arredores enquanto cerca de 50.000 pessoas realizavam nesta quinta-feira, às 
vésperas do início da cúpula do Grupo dos Oito (G-8), o primeiro de uma série de 
protestos contra a globalização e de maneira geral contra as políticas do Primeiro 
Mundo em relação aos países mais pobres. 
Foi um evento pacífico contra as restrições aos imigrantes. Em tom festivo, os 
participantes carregavam cartazes e gritavam palavras de ordem. Ambientalistas 
seguravam enormes balões verdes e uma banda tocava música. 
Mas a tensão aumentou no norte da Itália por causa de três falsas suspeitas de 
bomba, uma em Milão, outra em Florença e uma em Turim. A polícia italiana 
permanece em alerta máximo e mantém rígido controle nos 27 postos fronteiriços do 
país. (...) 
Grupos de imigrantes da África e da América Latina lideravam o cortejo, alguns 
carregando bandeiras de Colômbia, Argentina e Peru. Havia cartazes com as mais 
diversas reivindicações, como a de integrantes da comunidade curda na Europa, 
pedindo a libertação do líder rebelde Abdullah Ocalan e “paz no Curdistão”. 
 
 
 
Polícia bloqueia acesso a local de reuniões da OMC em Hong Kong 
 
Polícia e manifestantes contra a OMC (Organização Mundial do Comércio) voltaram 
 
a se enfrentar nas ruas de Hong Kong neste sábado, no dia dos confrontos mais 
violentos desde o início da reunião da organização, na terça-feira (13). As principais 
entradas do centro de convenções onde acontece a reunião foram trancadas e 
guardadas por grupos de policiais. 
Os grupos de manifestantes são formados principalmente por agricultores 
sulcoreanos e ativistas de países do sudeste asiático e europeus que se opõem à 
liberalização do comércio global. 
De acordo com a rede de TV local, cerca de 30 pessoas ficaram feridas. A polícia, 
no entanto, informou que o confronto deixou cinco feridos, incluindo um policial. 
Cerca de 10 mil ativistas antiglobalização estão em Hong Kong para protestar contra 
a reunião da organização, que tenta chegar a um acordo sobre a liberalização do 
comércio mundial. Dos manifestantes, 2.000 são fazendeiros sul-coreanos, 
considerados o grupo asiático que mais se opõe à abertura do comércio agrícola. 
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(...) 
 
A manifestação começou de forma pacífica, com os manifestantes levando rosas e 
balões amarelos, nos quais se lia o slogan “Não, não OMC”. O aumento no número 
de ativistas, no entanto, levou alguns deles, mais próximos às barreiras, a empurrar 
alguns policiais. 
(...) 
 
 
 
Com a leitura dos trechos das notícias acima você pôde perceber que existem 
reuniões entre os representantes dos países ricos, em alguns lugares do mundo e 
que existem pessoas que são contra elas. Se você leu com atenção observou que 
essas pessoas se reúnem para protestar contra o G-8., FMI, OMC. São siglas que 
vão aparecer nos noticiários de jornais e são relativas à globalização. Globalização 
novamente! 
O que isto tem a ver com a sociedade em que vivemos? Bem, vivemos numa 
sociedade capitalista que está organizada a partir da valorização do capital, isto é, a 
riqueza que é propriedade do capitalista. Esta é empregada no processo produtivo – 
novas tecnologias, novas matérias-primas, novas fábricas – e possibilita que um 
novo acúmulo de riqueza/capital seja gerado. Este acúmulo ocorre a partir da 
extração da mais-valia que pode ser absoluta quando o trabalho se estende em 
jornadas longas ou além da jornada estipulada legalmente, ou relativa que é 
gerada pela produção de mais produtos via a utilização de novas tecnologias 
que intensificam a produção. 
 
 
LENDO E REFLETINDO A REALIDADE 
 
 
 
A globalização e a crise do 
social 
Haroldo Abreu 
 
 
 
O atual padrão mundial de 
acumulação e desenvolvimento, 
assentado no domínio das 
informações, do saber e das 
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novas tecnologias - reduz a oferta de empregos produtivos e reforça as tendências 
de exclusão de uma parcela cada vez maior de seres humanos das condições e dos 
frutos do desenvolvimento, agravando o desemprego, a miséria e as diversas formas 
de alienação. Ao valorizar a competição que favorece o mais poderoso e/ou mais 
apto (e nesse sentido revalorizando a desigualdade em detrimento da solidariedade, 
da justiça e da equidade), a reestruturação em curso vem estimulando novos e 
velhos preconceitos sociais, religiosos, nacionais, étnicos. 
O desenvolvimento capitalista - universalizador e diferenciador da 
humanidade - é hoje soberano e reina em todos os quadrantes do planeta 
praticamente sem concorrência. A globalização da sociedade humana se consuma 
sob a égide desse modo de produção e de seu estilo de vida social. O planeta 
configura-se hoje como um espaço social unificado e desigualmente dividido. A 
divisão do trabalho e da riqueza entre norte e sul articula-se com as profundas 
diferenças intra-regionais e nacionais. Os indicadores de miséria e exclusão social 
são assustadores na Ásia, na África e na América Latina. Mas também estão 
presentes, embora em outra escala, nas sociedades de capitalismo avançado, de 
consumo de massa e welfare state. 
Situação, aliás, que vem se agravando nas duas últimas décadas, marcadas 
por períodos de recessão, endividamento internacional, concentração da riqueza, 
reestruturação produtiva e liberalização indiscriminada dos mercados. O 
desemprego e o subemprego, estruturalmente críticos e endêmicos no chamado 
'Terceiro Mundo', crescem em proporções ameaçadoras à estabilidade sócio-política 
nas nações capitalistas. A OCDE (Organização de Cooperação e de 
Desenvolvimento Econômico) admite a existência de mais de 35 milhões de 
desempregados entre seus 24 países membros; outros tantos perderam emprego 
com a reestruturação forçada no antigo bloco soviético; enquanto mais da metade 
da população economicamente ativa na África, Ásia e América Latina situa-se fora 
do mercado formal de trabalho e, assim, do acesso aos meios de desenvolvimento e 
de exercício dos direitos de cidadania. 
No caso brasileiro, esta crise/esgotamento do modelo de regulação do Estado 
tornou-se ainda mais explícita com a exigência da sociedade civil e as reivindicações 
de diferentes categorias e movimentos sociais por direitos de cidadania. As 
instituições estatais-corporativas de controle e coerção perderam progressivamente 
a sua eficácia, deixando, assim, de serem funcionais à reprodução da ordem. 
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Por tudo isso, parece razoável supor que a crise do Estado brasileiro se 
insere em uma crise dos Estados nacionais de suas formas objetivas de regulação. 
Esta crise torna-se mais ampla e complexa quando a associamos à desarticulação 
das entidades coletivas das classes subalternas, enquanto atores sociais e políticos, 
e à restruturação da economia mundial e das relações internacionais. 
 
 
 
 
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS 
HUMANOS 
 
 
Preâmbulo 
 
 
 
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os 
membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o 
fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo; 
Considerando que o desconhecimentoe o desprezo dos direitos humanos 
conduziram a atos de barbárie que 
revoltam a consciência da Humanidade e 
que o advento de um mundo em que os 
seres humanos sejam livres de falar e de 
crer, libertos do terror e da miséria, foi 
proclamado como a mais alta inspiração 
humanos; 
Considerando que é essencial a 
 
proteção dos direitos humanos através de um regime de direito, para que o homem 
não seja compelido, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão; 
Considerando que é essencial encorajar o desenvolvimento de relações 
amistosas entre as nações; 
Considerando que, na Carta, os povos das Nações Unidas proclamam, de 
novo, a sua fé nos direitos fundamentais humanos, na dignidade e no valor da 
pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres e se 
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declararam resolvidos a favorecer o progresso social e a instaurar melhores 
condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla; 
Considerando que os Estados membros se comprometeram a promover, em 
cooperação com a Organização das Nações Unidas, o respeito universal e efetivo 
dos direitos humanos e das liberdades fundamentais; 
Considerando que uma concepção comum destes direitos e liberdades é da 
mais alta importância para dar plena satisfação a tal compromisso: 
A Assembléia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos 
humanos como ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim 
de que todos os indivíduos e todos os órgãos da sociedade, tendo-a constantemente 
no espírito, se esforcem, pelo ensino e pela educação, por desenvolver o respeito 
desses direitos e liberdades e por promover, por medidas progressivas de ordem 
nacional e internacional, o seu reconhecimento e a sua aplicação universais e 
efetivos tanto entre as populações dos próprios Estados membros como entre as 
dos territórios colocados sob a sua jurisdição. 
 
 
Artigo 1° 
 
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. 
Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito 
de fraternidade. 
 
 
Artigo 2° 
 
Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na 
presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de 
sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou 
social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, não 
será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional 
do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território 
independente, sob tutela, autônomo ou sujeito a alguma limitação de soberania. 
 
 
Artigo 3° 
 
Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. 
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Artigo 4° 
 
Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos 
escravos, sob todas as formas, são proibidos. 
 
 
Artigo 5° 
 
Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos 
ou degradantes. 
 
 
 
 
Artigo 6° 
 
Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento, em todos os lugares, da sua 
personalidade jurídica. 
 
 
Artigo 7° 
 
Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual proteção da lei. 
Todos têm direito a proteção igual contra qualquer discriminação que viole a 
presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação. 
 
 
Artigo 8° 
 
Toda a pessoa tem direito a recurso efetivo para as jurisdições nacionais 
competentes contra os atos que violem os direitos fundamentais reconhecidos pela 
Constituição ou pela lei. 
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Artigo 9° 
 
Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado. 
 
 
 
Artigo 10° 
 
Toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa seja equitativa e 
publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial que decida dos seus 
direitos e obrigações ou das razões de qualquer acusação em matéria penal que 
contra ela seja deduzida. 
 
 
Artigo 11° 
 
1. Toda a pessoa acusada de um ato delituoso presume-se inocente até que a sua 
culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que 
todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas. 
2. Ninguém será condenado por ações ou omissões que, no momento da sua 
prática, não constituíam ato delituoso à face do direito interno ou internacional. Do 
mesmo modo, não será infligida pena mais grave do que a que era aplicável no 
momento em que o ato delituoso foi cometido. 
 
 
Artigo 12° 
 
Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu 
domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra 
tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a proteção da lei. 
 
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Artigo 13° 
 
1. Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no 
interior de um Estado. 
2. Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o 
seu, e o direito de regressar ao seu país. 
 
 
Artigo 14° 
 
1. Toda a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar de 
asilo em outros países. 
2. Este direito não pode, porém, ser invocado no caso de processo realmente 
existente por crime de direito comum ou por atividades contrárias aos fins e aos 
princípios das Nações Unidas. 
 
 
Artigo 15° 
 
1. Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade. 
 
2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacionalidade nem do direito de 
mudar de nacionalidade. 
 
 
Artigo 16° 
 
1. A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir 
família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. Durante o 
casamento e na altura da sua dissolução, ambos têm direitos iguais. 
2. O casamento não pode ser celebrado sem o livre e pleno consentimento dos 
futuros esposos. 
3. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à 
proteção desta e do Estado. 
 
 
Artigo 17° 
 
1. Toda a pessoa, individual ou coletivamente, tem direito à propriedade. 
 
2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua propriedade. 
 
 
 
Artigo 18° 
 
Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; 
 
este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a 
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liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em 
público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos. 
 
 
Artigo 19° 
 
Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o 
direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, 
sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de 
expressão.Artigo 20° 
 
1. Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas. 
 
2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação. 
 
 
 
Artigo 21° 
 
1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direção dos negócios, públicos do 
seu país, quer diretamente, quer por intermédio de representantes livremente 
escolhidos. 
2. Toda a pessoa tem direito de acesso, em condições de igualdade, às funções 
públicas do seu país. 
3. A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos: e deve 
exprimir-se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio 
universal e igual, com voto secreto ou segundo processo equivalente que 
salvaguarde a liberdade de voto. 
 
 
 
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Artigo 22° 
 
Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode 
legitimamente exigir a satisfação dos direitos econômicos, sociais e culturais 
indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de 
harmonia com a organização e os recursos de cada país. 
 
 
Artigo 23° 
 
1. Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições 
equitativas e satisfatórias de trabalho e à proteção contra o desemprego. 
2. Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual. 
 
3. Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe 
permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana, e 
completada, se possível, por todos os outros meios de proteção social. 
4. Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar 
em sindicatos para defesa dos seus interesses. 
 
 
Artigo 24° 
 
Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres, especialmente, a uma limitação 
razoável da duração do trabalho e as férias periódicas pagas. 
 
 
Artigo 25° 
 
1. Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua 
família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, 
ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais 
necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na 
viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por 
circunstâncias independentes da sua vontade. 
2. A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as 
crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozam da mesma proteção social. 
 
 
Artigo 26° 
 
1. Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos 
a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é 
obrigatório. O ensino técnico e profissional dever ser generalizado; o acesso aos 
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estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu 
mérito. 
2. A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço 
dos direitos humanos e das liberdades fundamentais e deve favorecer a 
compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos 
raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das atividades das Nações 
Unidas para a manutenção da paz. 
3. Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o gênero de educação a dar 
aos filhos. 
 
 
Artigo 27° 
 
1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da 
comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios 
que deste resultam. 
2. Todos têm direito à proteção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer 
produção científica, literária ou artística da sua autoria. 
 
 
Artigo 28° 
 
Toda a pessoa tem direito a que reine, no plano social e no plano internacional, uma 
ordem capaz de tornar plenamente efetivos os direitos e as liberdades enunciadas 
na presente Declaração. 
 
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Artigo 29° 
 
1. O indivíduo tem deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o 
livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade. 
2. No exercício destes direitos e no gozo destas liberdades ninguém está sujeito 
senão às limitações estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a promover o 
reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos outros e a fim de 
satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar numa 
sociedade democrática. 
3. Em caso algum estes direitos e liberdades poderão ser exercidos contrariamente 
aos fins e aos princípios das Nações Unidas. 
 
 
Artigo 30° 
 
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a 
envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a 
alguma atividade ou de praticar algum ato destinado a destruir os direitos e 
liberdades aqui enunciados. 
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BIBLIOGRAFIA 
 
 
 
 
 
 
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MELLO, Celso Antonio Bandeira de. Conteúdo jurídico do princípio da igualdade. 
São Paulo: Malheiros Editores, 2002. 
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TRINDADE, Antonio Augusto Cançado. A proteção internacional dos direitos 
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