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IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 COMPLEMENTAÇÃO PEDAGOGICA 2º LICENCIATURA IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 DIREITOS HUMANOS Primeiramente, ao se iniciar uma reflexão sobre o papel dos direitos humanos em nossa sociedade, é importante considerar sua dimensão histórica e social, ou seja, o modo como tais direitos evoluíram ao longo do tempo e os contextos onde se inseriam. De acordo com Norberto Bobbio (1992), declarar que os homens nascem livres e iguais em direitos, como fizeram as primeiras declarações de direitos humanos modernas, é uma exigência da razão, mas não um dado histórico ou uma constatação da realidade. De fato, os homens não são livres nem iguais. A efetiva garantia de direitos implica um processo muito mais lento e incerto, permeado por disputas de poder e projetos de sociedade. Um exemplo disso é a própria evolução do que se entende por direitos humanos, ao longo dos séculos, até a formulação da noção contemporânea de direitos humanos que hoje nos serve de referência. As declarações de direitos humanos do mundo moderno surgiram a partir de correntes filosóficas influenciadas pelo racionalismo e jus naturalismo, nas quais os intelectuais europeus do século XVIII estiveram imersos. Esse período foi caracterizado como o do apogeu do Iluminismo ou Ilustração. Sustentava-se, basicamente, que o homem, enquanto tal, teria direitos naturais. Contudo, historicamente, a idéia de direito natural não surge com o jus naturalismo moderno; remonta, antes, ao pensamento cristão e clássico, aos grandes moralistas, poetas e escritores da Antigüidade, especialmente a Sófocles. Antígona, uma de suas melhores tragédias, trouxe como questão central o confronto entre o direito natural e IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 o direito positivo do Estado e serviu de inspiração e reflexão para pensadores como Hegel, Kant, Rousseau. Nesse sentido, a novidade trazida pelo Iluminismo foi à tradução do direito natural em lei escrita e positiva, por meio das declarações de direito, como a Declaração Americana de Direitos, de 1776, e a Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789. De acordo com Marilena Chauí, “A prática de declarar direitos significa, em primeiro lugar, que não é um fato óbvio para todos os homens que eles são portadores de direitos e, por outro lado, significa que não é um fato óbvio que tais direitos devam ser reconhecidos por todos. A declaração de direitos inscreve os direitos no social e no político, afirma sua origem social e política e se apresenta como objeto que pede o reconhecimento de todos, exigindo o consentimento social e político” (1989, p. 20). Nesse momento, predominava, enquanto noção de direitos humanos, uma concepção individualista e liberal de sociedade, em que o indivíduo, dotado de um valor em si, era o seu fundamento, consagrando-se o direito de liberdade como forma de limitar o poder de atuação do Estado em relação à ação do indivíduo. Contudo, no século XIX, definido por Eric Hobsbawn como a “era das revoluções”, a luta por direitos buscou incorporar aos direitos civis e políticos também os direitos sociais. O movimento operário, principal protagonista das transformações ocorridas no período, exigia mais do que a igualdade civil reconhecida pelas declarações de direito até então. Na Declaração Russa dos Direitos do Povo Trabalhador e Explorado, de 1918, por exemplo, garantia-se o direito ao trabalho, à educação, à saúde, à moradia. Altera-se, desse modo, a relação estabelecida entre indivíduo e Estado. De uma idéia de não interferência nos direitos individuais, ou seja, de uma postura negativa do Estado, passa-se a exigir deste uma ação positiva e ativa na garantia dos direitos sociais. A questão dos direitos humanos assumiu novas dimensões diante dos horrores decorrentes da II Guerra Mundial em meados do século XX, com a emergência do fenômeno do totalitarismo nazista e fascista. Ao final do conflito, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), aprovada em 1948, assume nesse momento pretensões globais e procura articular os direitos civis e políticos IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 aos direitos econômicos, sociais e culturais, estabelecendo sua universalidade, indivisibilidade e interdependência. Ou seja, incorporou-se na DUDH não apenas aquilo que se convencionou chamar de primeira geração de direitos humanos, que consiste no direito às liberdades fundamentais – de locomoção, religião, pensamento, opinião, aprendizado, voto –, mas também os direitos de segunda geração, que abrangem os direitos econômicos, sociais e cultuais como educação, saúde, oportunidades de trabalho, moradia, transporte, previdência social, participação na vida cultural da comunidade, das artes, manifestações artísticas. A Declaração Universal dos Direitos Humanos traz ainda, como objetivo comum a ser atingido por todos os povos e nações, que o Estado, cada indivíduo e cada órgão da sociedade se esforcem, por meio do ensino e da educação em geral, por promover o respeito aos direitos humanos proclamados e pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, para assegurar sua observância universal e efetiva, tanto entre os povos dos próprios Estados- membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição. A educação, na DUDH, assume papel especial na promoção dos direitos humanos; ela é, ao mesmo tempo, um direito humano em si e condição para a garantia dos demais direitos. Em seu artigo 26 , a Declaração especifica algumas características do direito à educação: §1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, baseada no mérito. §2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz. Nos anos seguintes, a DUDH e também vários pactos, acordos e convenções foram ampliando a abrangência de tais direitos e fortalecendo sua apropriação por meio dos Estados signatários, valendo ressaltar, dentre eles: IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 - Convenção relativa à Luta contra a Discriminação no Campo do Ensino (1960); - Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (1966); - Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (1966); - Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial (1966); - Convenção sobre a Eliminaçãode Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (1979); - Convenção sobre os Direitos da Criança (1989); - Convenção para proteção e promoção da diversidade de expressões culturais (2005). Recentemente, foi acrescida à noção de direitos humanos também uma terceira geração de direitos, que abrange o direito a um meio ambiente equilibrado e não poluído, uma qualidade de vida saudável, o direito à autodeterminação dos povos, direito ao progresso, direito à paz, bem como a outros direitos difusos e coletivos, não mais restritos a indivíduos ou a grupos específicos, mas a toda a coletividade. No início do século XXI, a noção contemporânea de direitos humanos com a qual se trabalha vem abarcar todas as gerações de direitos, consideradas igualmente fundamentais, sem hierarquizações, prevalecendo sua universalidade, IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 indivisibilidade e interdependência, a partir de uma postura ativa do Estado como garantidor desses direitos. A SOCIEDADE BRASILEIRA E OS DIREITOS HUMANOS No Brasil, a Constituição Federal de 1988 representa o principal marco jurídico do processo de transição democrática e de institucionalização dos direitos humanos. Ao instituir o Estado Democrático de Direito, define como seus fundamentos a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. Vale ainda ressaltar que a República Federativa no Brasil, regendo-se em suas relações nacionais e internacionais pelo respeito aos direitos humanos, traz como seus objetivos fundamentais, dentre outros, a erradicação da pobreza e da marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais. Indica, desse modo, sua consonância com a concepção contemporânea de direitos humanos, que abrange a garantia não apenas de direitos políticos e civis, mas também de direitos econômicos, sociais e culturais. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 Associados no regime militar à defesa dos direitos de presos políticos, diante da violência institucional praticada pelo Estado, os direitos humanos no Brasil se estenderam aos presos comuns e acabaram por ser identificados na sociedade como “direitos de bandidos”. Apesar de essa visão ainda predominar em alguns setores, inclusive como um legado histórico do autoritarismo que marca nossa sociedade, os trabalhos atuais de direitos humanos vêm enfatizando quão reduzida é esta perspectiva diante do que se entende hoje por direitos humanos. Essa é a concepção de direitos humanos presente, por exemplo, no Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH) aprovado pelo Governo Federal em 1996 e, especialmente, no Plano revisado em 2002. No entanto, apesar dos avanços nas declarações de direitos, na elaboração do PNDH e na ampliação do conceito de direitos humanos, ainda são necessários esforços no sentido de sua materialização na sociedade brasileira, promovendo o fortalecimento de uma cultura de direitos humanos no país nas várias esferas sociais. Um aspecto a ser enfrentado para que se alcance esse objetivo relaciona-se com o reconhecimento de todo cidadão brasileiro enquanto sujeito de direitos, capaz de participar das decisões do país. Para tanto, é fundamental que se passe de uma cidadania passiva – aquela que é outorgada pelo Estado, com a idéia moral da tutela e do favor – para uma cidadania ativa – aquela que institui o cidadão como portador de direitos e deveres, mas essencialmente criador de direitos para abrir espaços de participação e possibilitar a emergência de novos sujeitos políticos (cf. Benevides, 1998, p.150). Há que se atentar também em nosso país para a hierarquização entre tipos diferentes de cidadãos de acordo com a classe social à qual pertencem, sendo ainda comum a criminalização da pobreza e a associação generalizada das classes populares ao banditismo e à violência: “As classes populares são geralmente vistas como „classes perigosas‟, ameaçadoras pela feiúra da miséria, ameaçadoras pelo grande número, ameaçadoras pelo possível desespero de quem nada tem a perder, e, assim, consolida-se o „medo atávico das massas famintas‟. (...) IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 “Esta é uma maneira de circunscrever a violência, que existe em toda a sociedade, apenas aos „desclassificados‟, que, portanto, mereceriam todo o rigor da polícia, da suspeita permanente, da indiferença diante de seus legítimos anseios” (Benevides, 2004, p. 50). A construção e a consolidação de uma cultura em direitos humanos no Brasil implicam, desse modo, enfrentar essa série de desafios e contradições, ainda presente em nossa sociedade, que afeta todos os brasileiros em termos da sua qualidade de vida e das possibilidades de seu pleno desenvolvimento enquanto pessoa humana. A educação, nesse contexto, aparece como um espaço privilegiado para a promoção dessa cultura de direitos humanos, contribuindo para a difusão de atitudes, valores e práticas coerentes com esses princípios, seja por meio da educação escolar, no nível básico ou superior, seja pela educação não-formal, por meio da atuação de organizações da sociedade civil, pela mídia e os sistemas de justiça e segurança. A EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS A preocupação e o interesse com a promoção de uma educação orientada para os direitos humanos ganham maior projeção em meados dos anos 90 com a IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 definição, em 1995, da década da educação em direitos humanos, encerrada, em 2004, com a aprovação, no ano seguinte, do Programa Mundial de Educação em Direitos Humanos (PMEDH) e seu Plano de Ação. Esse debate repercute no Brasil no mesmo período, especialmente no âmbito das organizações da sociedade civil e, em 2003, ganha maior institucionalidade, com a criação do Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos e o início da elaboração de uma primeira versão do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH) no país, finalmente aprovado em sua forma final em 2006. Considera-se o PNEDH um instrumento orientador e fomentador das ações de educação em direitos humanos, especialmente por parte das políticas públicas nas áreas da educação básica, superior, educação não-formal, dos sistemas de justiça e segurança e da mídia. O Plano visa, sobretudo, promover e difundir uma cultura de direitos humanos no país. A educação, por sua vez, é entendida como um meio privilegiado para atuar nessa direção (cf. PNEDH, 2006). No entanto, o que significa educar em direitos humanos? É possível ensinar direitos humanos? De acordo com o PNEDH, a educação em direitos humanos deve ser promovida em três dimensões: “a) conhecimentos e habilidade: compreender os direitos humanos e os mecanismos existentes para a sua proteção, assim como incentivar o exercício de habilidades na vida cotidiana; b) valores, atitudes e comportamentos: desenvolver valores e fortalecer atitudes e comportamentos que respeitem os direitos humanos; c) ações: desencadear atividades para a promoção,defesa e reparação das violações aos direitos humanos” (2006, p. 23). Considera-se, segundo essa definição, a educação em direitos humanos como uma educação permanente e global, que não trabalha apenas com a dimensão da razão e da aprendizagem cognitiva, mas envolve também aspectos afetivos e valorativos que precisam ser sentidos, vivenciados. É preciso experimentar os direitos à liberdade, à igualdade, à justiça e à dignidade para entender o que significam e, principalmente, para que se consiga difundi-los (BENEVIDES, 2001). Desse modo, “de nada adiantará levar programas de direitos humanos para a escola se a própria escola não é democrática na sua relação de respeito com os alunos com os pais, com os professores, com os funcionários e com a comunidade que a cerca” (Benevides, 2001, p. 40). Por outro lado, a introdução IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 dessa discussão na escola pode servir para questionar suas próprias contradições e conflitos cotidianos, propiciando a busca de formas para enfrentá-los. A proposta é que a educação em direitos humanos seja um eixo central do trabalho desenvolvido nas escolas e permeie o currículo como um todo, a formação inicial e continuada dos profissionais da educação, o projeto político-pedagógico da instituição, os materiais didático-pedagógicos, o modelo de gestão e de avaliação e as metodologias e práticas desenvolvidas no conjunto do espaço escolar. Como observa Vera Candau (2003), é essencial enfatizar processos que utilizem metodologias participativas e de construção coletiva, superando estratégias pedagógicas meramente expositivas, e que empreguem uma pluralidade de linguagens e materiais de apoio, orientados para mudanças de mentalidade, atitudes e práticas individuais e coletivas. A educação em direitos humanos vai além de uma aprendizagem de conteúdos; inclui o desenvolvimento social e emocional de todos os envolvidos no processo de ensino aprendizagem. Seu objetivo é desenvolver uma cultura em direitos humanos, em que os direitos humanos são praticados e vividos na comunidade escolar e demais instituições públicas, em interação com a comunidade local. Para tanto, é essencial garantir que o ensino e a aprendizagem da educação em direitos humanos ocorram em um ambiente direcionado para os direitos humanos. É fundamental assegurar que os objetivos, práticas e organização das instituições sejam consistentes com os seus valores e princípios. Uma escola assim orientada caracteriza-se pelo entendimento mútuo, pelo respeito e pela responsabilidade; almeja a igualdade de oportunidades, o sentido de pertencimento, a autonomia, a dignidade e a autoestima de todos os membros da comunidade escolar (PMEDH, 2005). Considera-se, por fim, que a defesa, a proteção e a promoção da educação em direitos humanos, como práticas a serem difundidas pelas várias esferas da sociedade, exigem que as escolas e demais instituições públicas assumam um compromisso permanente com o fortalecimento de uma cultura de direitos humanos no país, consolidando o Estado Democrático de direito e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população brasileira. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 NOMENCLATURA DOS DIREITOS HUMANOS Encontramos na literatura diversas nomenclaturas para o conjunto de direitos essenciais ao ser humano: Direito das gentes, direitos humanos, liberdades públicas, direitos fundamentais etc.. O constituinte originário utilizou a denominação direitos fundamentais para aqueles que estão positivados em nossa Carta de 1988. “Em suma, a expressão direitos fundamentais é a mais precisa. Primeiro, pela sua abrangência. O vocábulo direito serve para indicar tanto a situação em que se pretende a defesa do cidadão perante o Estado como os interesses jurídicos de caráter social, político ou difuso protegidos pela Constituição. De outro lado, o termo fundamental destaca a imprescindibilidade desses direitos à condição humana.” “Direitos humanos é expressão preferida nos documentos internacionais. Contra ela, assim, contra a terminologia direitos do homem, objeta-se que não há direito que não seja humano ou do homem, afirmando-se que só o ser humano pode ser titular de direitos. Talvez já não mais assim, porque, aos poucos, se vai transformando um direito especial de proteção dos animais.” Grifos no original. “Direitos fundamentais do homem constitui a expressão mais adequada a este estudo, porque, além de referir-se a princípios que resumem a concepção do mundo e informam a ideologia política de cada ordenamento jurídico, é reservada para IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 designar, no nível do direito positivo, aquelas prerrogativas e instituições que ele concretiza em garantias de uma convivência digna, livre e igual de todas as pessoas.” OBS.: A Constituição utiliza a nomenclatura direitos fundamentais e os tratados internacionais utilizam a nomenclatura direitos humanos. É preciso enfatizar, que a dignidade da pessoa humana – alçada a princípio fundamental pela Constituição Brasileira (CF/88, art. 1º, III) é vetor para a identificação material dos direitos fundamentais – apenas estará assegurada quando for possível ao homem uma existência que permita a plena fruição de todos os direitos fundamentais. DIGNIDADE HUMANA A dignidade da pessoa humana não é vista pela maioria dos autores como um direito, pois ela não é conferida pelo ordenamento jurídico. Trata-se de um atributo que todo ser humano possui independentemente de qualquer requisito ou condição, seja ele de nacionalidade, sexo, religião, posição social etc. É considerada como o nosso valor constitucional supremo, o núcleo axiológico da constituição. Considerada o núcleo em torno do qual gravitam os direitos fundamentais. Para que possa ser protegida e concedida, a Dignidade da Pessoa Humana (DPH) é protegida pela CF/88 através dos direitos fundamentais, confere caráter sistêmico e unitário a esses direitos. Existem direitos fundamentais que estão mais próximos (derivações de primeiro grau: liberdade e igualdade) e outros que estão mais afastados (derivações de segundo grau). A dignidade da pessoa humana é uma qualidade intrínseca, inseparável de todo e qualquer ser humano, é característica que o define como tal. Concepção de que em razão, tão somente, de sua condição humana e independentemente de qualquer outra particularidade, o ser humano é titular de direitos que devem ser respeitados pelo Estado e por seus semelhantes. É, pois, um predicado tido como inerente a todos os seres humanos1 e configura-se como um valor próprio que o IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 identifica. Pode-se trazer à baila a visão antropológica de Leonardo Boff, quando do ultraje da dignidade: Nada mais violento que impedir o ser humano de se relacionar com a natureza, com seus semelhantes, com os mais próximos e queridos, consigo mesmo e com Deus. Significa reduzi-lo a um objeto inanimado e morto. Pela participação, ele se torna responsável pelo outro e con-cria continuamente o mundo, como um jogo de relações, como permanentedialogação. Carmem Lúcia Antunes Rocha, ao comentar o Art. 1º da Declaração dos Direitos Humanos, o festejado dispositivo que decreta a igualdade de todos os seres humanos em dignidade e direitos, faz as seguintes considerações: Gente é tudo igual. Tudo igual. Mesmo tendo cada um a sua diferença. Gente não muda. Muda o invólucro. O miolo, igual. Gente quer ser feliz, tem medos, esperanças e esperas. Que cada qual vive a seu modo. Lida com as agonias de um jeito único, só seu. Mas o sofrimento é sofrido igual. A alegria, sente-se igual. A ausência de dignidade possibilita a identificação do ser humano como instrumento, coisa – pois viola uma característica própria e delineadora da própria natureza humana. Todo ato que promova o aviltamento da dignidade atinge o cerne da condição humana, promove a desqualificação do ser humano e fere também o princípio da igualdade, posto que é inconcebível a existência de maior dignidade em uns do que em outros. Pode-se valer da explicação de José Afonso da Silva acerca do conceito de dignidade da pessoa humana, a fim de se entender o significado para além de qualquer conceituação jurídica, posto que a dignidade é, como dito, condição inerente ao ser humano, atributo que o caracteriza como tal: A dignidade da pessoa humana não é uma criação constitucional, pois ela é um desses conceitos a priori, um dado preexistente a toda experiência especulativa, tal como a própria pessoa humana. A explicação de José Afonso da Silva se adere ao entendimento de Ingo Wolfgang Sarlet ao informar sobre as dificuldades de uma definição precisa e satisfatória de dignidade da pessoa humana. E como relembra este autor, foi Kant quem definiu o entendimento de que o homem, por ser pessoa, constitui um fim em si mesmo e, então, não pode ser considerado como simples meio, de modo que a instrumentalização do ser humano é vedada. Tal definição tem inspirado os pensamentos filosófico e jurídico na modernidade. A dignidade não pode ser renunciada ou alienada, de tal sorte que não se pode falar na pretensão de uma IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 pessoa de que lhe seja concedida dignidade, posto que o atributo lhe é inerente dada a própria condição humana. FILOSOFIA GRECO-ROMANA: BASEADA NA SUA RACIONALIDADE HUMANA O conhecimento filosófico vai ser resultado do exercício e do processo de filosofar, buscando a verdade sem querer possuí-la. O ser humano busca um sentido para sua existência e um sentido mais amplo da realidade. A questão central da filosofia: quem é o ser humano e qual é o sentido da vida, da realidade. Preocupa-se em conhecer a si próprio e com o destino da humanidade. As conclusões filosóficas são sempre parciais e as respostas levam sempre a novas perguntas. O pensar Há diferença entre pensar e ter pensamentos. O pensar é uma atividade: “O pensamento é o passeio da alma”, diz um filósofo grego desconhecido. Pensar é um movimento, uma atividade, uma ação. É uma atividade pela qual a inteligência coloca algo diante de si para atentamente considerar, avaliar, pesar, equilibrar, entender. Por meio do pensamento manifestamos nossa capacidade de elaborar regras, normas, leis e princípios. Nós pensamos e sabemos que pensamos. Essa IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 capacidade de refletir sobre o nosso próprio pensamento nos permite encadear processos de abstração. São esses processos de abstração que nos levam a conhecer a realidade e atribuir significados a essa realidade. Isso é possível por que o homem é dotado de razão, da capacidade de raciocinar. O pensamento conta com seu mais poderoso invento: a palavra. É a palavra que confere ao homem essa capacidade de pensar. O pensamento nos familiariza com o mundo e nos leva a compreender o significado dos objetos, das pessoas e das relações entre uns e outros. Nem todos os pensamentos levam à verdade, ou seja, resultam de uma forma lógica correta. Para chegar ao conhecimento verdadeiro, o pensar deve ser movido pelo raciocínio, com uma lógica e argumentos válidos. O processo de pensar pode levar a uma realidade cada vez mais aprimorada. A abstração filosófica nos permite sair da aparência para a essência. Segundo diversas teorias, só é considerado livre o ser humano que é autônomo, capaz de pensar por si mesmo e dar respostas originais a si próprio e ao mundo. E acredita-se que isso é um aprendizado, ou seja, fruto de educação – é possível por meio de a educação oferecer as condições de aprimorar sua capacidade de pensar. O mundo é feito de ideias. As ideias são frutos do pensamento. Um pensar pobre não produz ideias, gera um mundo pobre. Perguntas que devemos fazer: _ Minhas crenças correspondem a um saber verdadeiro a um conhecimento? A minha fala é coerente? _ O que orienta minha atitude? Qual o sentido de minha ação? O pensamento, a linguagem e o conhecimento O pensamento é a fala internalizada, enquanto a linguagem é a expressão do pensamento. A linguagem permite a comunicação com o mundo, com os outros. O fazer humano deve ser resultado do conhecimento. E o conhecimento é resultado de um pensar correto. O fazer humano deve modificar a realidade exterior, formar os homens, aproximá-los entre si e enriquecer o mundo de valores. Existem várias formas de conhecer e interpretar a realidade, com diferentes enfoques e metodologias: IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 _ O mito – imagens, símbolos e significados. História e narrativa. _ O senso comum – herança, tradição, experiências _ A ciência – estrutura seu saber pelo método científico _ A Filosofia – reflexão rigorosa, sistemática _ A religião – fé, transcendência da vida humana _ A arte - intuição e sensibilidade Senso comum É o conhecimento recebido por tradição e que ajuda a nos situarmos no cotidiano, para compreendê-lo e agir sobre ele. É um conjunto de crenças, baseadas no conhecimento espontâneas e não-crítico, mas que revelam o esforço de buscar soluções para a nossa vida cotidiana. Essas noções podem esconder ideias falsas e preconceituosas. No entanto, não podemos desprezar o senso-comum, pois essa forma de conhecimento tão universal contém muita sabedoria essencial para o desenvolvimento e organização da humanidade (ex: a roda e o fogo). O que caracteriza o senso comum não é sua verdade ou falsidade, é a ausência de crítica, fundamentação e coerência dessas concepções. O senso comum é transmitido no cotidiano, por meio da cultura e hábitos, de pende de julgamento e de valores. Muitas vezes essas concepções do senso comum se transformam em ditados populares. O senso comum lida com opiniões e pré- conceitos, noções parciais e com julgamentos da realidade. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 Ciência A ciência produz um conhecimento sistemático e empiricamente fundamentado, a partir de um método racional. A partir da observação rigorosa, a ciência busca conhecer explicar a realidade forma objetiva, sem interferência de valores e julgamentos. A ciência trabalha com conceitos, quesão as noções elaboradas, testadas rigorosamente, comprovadas. Busca descobrir leis gerais que sejam válidas para várias situações particulares. Dogmatismo Dogmas são conhecimentos inquestionáveis, são noções estabelecidas sem contestação e crítica. O dogmatismo é a nossa crença de que o mundo existe e é exatamente igual ao que percebemos, por isso não é necessário criticar e refletir sobre a realidade. A atitude dogmática é a aceitação natural e espontânea diante das coisas do mundo: acreditamos e percebemos o mundo pronto e conhecido. É uma atitude conservadora, ou seja, queremos conservar o mundo e as coisas como já são naturalmente. Criamos idéias preconcebidas e rígidas em defesa desse mundo. A Atitude filosófica é o oposto da atitude dogmática - A atitude filosófica pressupõe a dúvida e a crítica, não aceitar como naturais as coisas, os fatos, as ideias os comportamentos, os valores da nossa vida cotidiana. É preciso desconfiar das opiniões e crenças estabelecidas pela sociedade e cultura, e, também, desconfiar das próprias opiniões e crenças. É a atitude que nos leva a analise, reflexão e critica. Ir além da aparência e buscar a essência das coisas, dos fatos, dos valores, opiniões. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 Procurar saber o que é (significado), como é (estrutura) e por que é (causa) de algo. ÉTICA – DEFINIÇÃO O termo ética deriva do grego ethos (caráter, modo de ser de uma pessoa). Ética é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade. A ética serve para que haja um equilíbrio e bom funcionamento social, possibilitando que ninguém saia prejudicado. Neste sentido, a ética, embora não possa ser confundida com as leis, está relacionada com o sentimento de justiça social. A ética é construída por uma sociedade com base nos valores históricos e culturais. Do ponto de vista da Filosofia, a Ética é uma ciência que estuda os valores e princípios morais de uma sociedade e seus grupos. Cada sociedade e cada grupo possuem seus próprios códigos de ética. Num país, por exemplo, sacrificar animais para pesquisa científica pode ser ético. Em outro país, esta atitude pode desrespeitar os princípios éticos estabelecidos. Aproveitando o exemplo, a ética na área de pesquisas biológicas é denominada bioética. Além dos princípios gerais que norteiam o bom funcionamento social, existe também a ética de determinados grupos ou locais específicos. Neste sentido, podemos citar: ética médica, ética de trabalho, ética empresarial, ética educacional, ética nos esportes, ética jornalística, ética na política, etc. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 Uma pessoa que não segue a ética da sociedade a qual pertence é chamado de antiético, assim como o ato praticado. A ética pode ser interpretada como um termo genérico que designa aquilo que é frequentemente descrito como a "ciência da moralidade", seu significado derivado do grego, quer dizer 'Casa da Alma', isto é, suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto. Em Filosofia, o comportamento ético é aquele que é considerado bom, e, sobre a bondade, os antigos diziam que: o que é bom para a leoa, não pode ser bom à gazela. E, o que é bom à gazela, fatalmente não será bom à leoa. Este é um dilema ético típico. Portanto, de investigação filosófica, e devidas subjetividades típicas em si, ao lado da metafísica e da lógica, não pode ser descrita de forma simplista. Desta forma, o objetivo de uma teoria da ética é determinar o que é bom, tanto para o indivíduo como para a sociedade como um todo. Os filósofos antigos adotaram diversas posições na definição do que é bom, sobre como lidar com as prioridades em conflito dos indivíduos versus o todo, sobre a universalidade dos princípios éticos versus a "ética de situação". Nesta, o que está certo depende das circunstâncias e não de qualquer lei geral. E sobre se a bondade é determinada pelos resultados da ação ou pelos meios pelos quais os resultados são alcançados. O homem vive em sociedade, convive com outros homens e, portanto, cabe- lhe pensar e responder à seguinte pergunta: “Como devo agir perante os outros?”. Trata-se de uma pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de ser respondida. Ora, esta é a questão central da Moral e da Ética. Enfim, a ética é julgamento do caráter moral de uma determinada pessoa. Como Doutrina Filosófica, a Ética é essencialmente especulativa e, a não ser quanto ao seu método analítico, jamais será normativa, característica esta, exclusiva do seu objeto de estudo, a Moral. Portanto, a Ética mostra o que era moralmente aceito na Grécia Antiga possibilitando uma comparação com o que é moralmente aceito hoje na Europa, por exemplo, indicando através da comparação, mudanças no comportamento humano e nas regras sociais e suas consequências, podendo daí, detectar problemas e/ou indicar caminhos. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 DOUTRINA Como Doutrina Filosófica, a Ética é essencialmente especulativa e, a não ser quanto ao seu método analítico, jamais será normativa, característica esta, exclusiva do seu objeto de estudo, a Moral. Portanto, a Ética mostra o que era moralmente aceito na Grécia Antiga possibilitando uma comparação com o que é moralmente aceito hoje na Europa, por exemplo, indicando através da comparação, mudanças no comportamento humano e nas regras sociais e suas consequências, podendo daí, detectar problemas e/ou indicar caminhos. Além de tudo ser Ético é fazer algo que te beneficie e, no mínimo, não prejudique o "outro". Eugênio Bucci, em seu livro Sobre Ética e Imprensa, descreve a ética como um saber escolher entre "o bem" e "o bem" (ou entre "o mal" e o mal"), levando em conta o interesse da maioria da sociedade. Ao contrário da moral, que delimita o que é bom e o que é ruim no comportamento dos indivíduos para uma convivência civilizada, a ética é o indicativo do que é mais justo ou menos injusto diante de possíveis escolhas que afetam terceiros. VISÃO A ética tem sido aplicada na economia, política e ciência política, conduzindo a muitos distintos e não-relacionados campos de ética aplicada, incluindo: ética nos negócios e Marxismo. Também tem sido aplicada à estrutura da família, à sexualidade, e como a sociedade vê o papel dos indivíduos, conduzindo a campos da ética muito distintos e IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 não-relacionados, como o feminismo e a guerra, por exemplo. A visão descritiva da ética é moderna e, de muitas maneiras, mais empírica sob a filosofia Grega clássica, especialmente Aristóteles. Inicialmente, é necessário definir uma sentença ética, também conhecido como uma afirmativa normativa. Trata-se de um juízo positivo ou negativo (em termos morais) de alguma coisa. Sentenças éticas são frases que usam palavras como bom, mau, certo, errado, moral, imoral, etc. Aqui vão alguns exemplos: • “Salomão é uma boa pessoa” • “As pessoas não devem roubar” • “A honestidade é uma virtude”Em contraste, uma frase não ética precisa ser uma sentença que não serve para uma avaliação moral. Alguns exemplos são: • “Salomão é uma pessoa alta” • “As pessoas se deslocam nas ruas” "João é o chefe". ÉTICA NAS CIÊNCIAS A principal lei ética na robótica é que: • Um robô jamais deve ser projetado para machucar pessoas ou lhes fazer mal na biologia: IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 • Um assunto que é bastante polemico é a clonagem: uma parte dos ativistas considera que, pela ética e bom senso, a clonagem só deve ser usada, com seu devido controle, em animais e plantas somente para estudos biológicos - nunca para clonar seres humanos. Podemos pensar sobre moral de três maneiras diferentes. Primeiro, podemos indagar se uma ação particular ou tipo de ação é certa ou errada. O aborto ou a eutanásia são certos ou errados? Mentir pode ser admissível? Esse tipo de pensamento é chamado ética prática, e todos que já defenderam ou condenaram alguma ação com base na moral adotaram algum tipo de ética prática. Como encontrar as respostas para perguntas desse tipo? A ética normativa, que determina o pensar sobre certo e errado ou bom e mau, desenvolve teorias gerais sobre o que é certo e o que é bom que podemos usar em casos práticos. Podemos tentar entender essas ideias considerando nossas próprias ações; ou examinando suas consequências; ou considerando o tipo de pessoas que podemos ser ou nos tornar. A terceira maneira de pensar crítica e reflexivamente sobre moral é a metaética (“meta” é uma palavra grega que significa “acima”, “além” ou “após”). A metaética é o estudo das próprias ideias de certo e errado, bom e mau – os conceitos que a ética presume. A ideia de que a moral se funda na natureza humana foi usada na ética normativa e na metaética. A moral diz respeito não só a situações práticas, mas a ideias sobre a natureza humana e sobre como “valores morais” se inserem em nossa concepção científica do mundo. ÉTICA DA VIRTUDE Veja a charge e reflita! Essa situação parece ser brincadeira, mas infelizmente acontece nas melhores cidades. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 Essa charge serve para pensarmos sobre o que é ser uma pessoa virtuosa. Uma pessoa virtuosa é alguém que tem traços de caráter moralmente bons. Podemos afirmar que uma ação é certa se for uma ação que uma pessoa virtuosa praticaria. Uma ação certa expressará, então traços de caráter moralmente bons e é isso que a torna certa. P. ex., dizer a verdade expressa sinceridade. O caráter envolve as propensões de uma pessoa ligada ao que, em diferentes circunstâncias, ela sente e pensa, ao modo como reage, aos tipos de escolhas que faz e ações que pratica. Assim, alguém é irascível se é propenso a se irritar rapidamente e com frequência, ou imoderado se fica bêbado muitas vezes e excessivamente. Uma virtude de caráter é um traço de caráter que nos dispõe a sentir desejos e emoções “bem”, e não “mal”. Nosso principal objetivo, portanto, deveria ser desenvolver as virtudes, pois então saberemos o que é certo fazer e desejaremos fazê-lo. Aristóteles afirma que virtudes são qualidades que nos ajudam a “viver bem”: uma conquista definida pela natureza humana. Seu termo para “viver bem”- eudaimonia - foi traduzido por “felicidade”, mas a ideia é mais próxima de “florescimento”. Temos uma ideia do que é “florescer” para uma planta ou animal, e podemos fazer uma análise de suas necessidades e julgar quando serão atendidas. Segunda a teoria da virtude, a filosofia moral deveria se ocupar de definir condições similares para o crescimento nas vidas dos seres humanos. Viver envolve, sobretudo, escolher e agir, mas também a natureza de nossas relações com outrem e o estado de nossa “alma”. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 Virtude e razão Por ser racional, para viver o bem o ser humano deve viver “em conformidade com a razão.” Se sentimos emoções e desejos, e fazemos escolhas “bem” (virtuosamente), sentimos e escolhemos “nos momentos certos, com referência aos objetos certos, com respeito às pessoas certas, com o motivo certa e da maneira certa”. A virtude da sabedoria prática nos ajuda a saber o que é “certo” em cada caso. Trata-se de conhecimento prático de como viver uma boa vida. Eu preciso ser capaz de compreender minha situação e como agir nela. Mas as circunstâncias sempre diferem e assim, afirma Aristóteles, a compreensão ética não é algo que possa ser ensinado, pois o que pode ser ensinado é geral, não particular. Regras e princípios raramente se aplicam de maneira clara a situações reais. O conhecimento moral só é adquirido através da experiência. O meio-termo Aristóteles defende a ideia de que uma resposta ou ação virtuosa é intermediária: assim como há um momento certo para se irritar (ou sentir qualquer emoção em particular), algumas pessoas podem se zangar demais, por causa de coisas demais, com pessoas demais etc. Outras podem não se zangar o suficiente, ou em relação a objetos e pessoas suficientes (talvez não percebam que outros estão se aproveitando delas). A virtude é o estado intermediário entre os dois vícios, “demais” e “de menos”. Essa doutrina do meio-termo não afirma que, quando nos zangamos, deveríamos ficar apenas moderadamente zangados; devemos ficar tão zangados quanto à situação exige. A doutrina do meio-termo não ajuda muito na prática. Primeiro “demais” e “de menos” não são quantidades numa única escala. Saber o “momento certo, o objeto certo, a pessoa certa, o motivo certo, a maneira certa” é bem complicado. Segundo, IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 utos ou por cobiça, as ações po rais são uma parte real do mu expressões de crenças que po o o mudo é – das propriedades não há uma noção independente de “intermediário” que nos indique com que frequência e em que grau devemos nos zangar. No entanto, a teoria da virtude não pretende fornecer um método exato para tomar decisões. A virtude prática não é um conjunto de regras, mas fornece algum tipo de orientação. Sugere que concebamos as situações em termos das virtudes. Em vez de perguntar “Poderiam todos fazer isto?”, como Kant sugere, ou “O que trará as melhores consequências?”, como o utilitarismo sugere, podemos fazer uma série de perguntas: “Essa ação seria bondosa/corajosa/leal...?” Se concebemos as ações como expressões de virtude, essa abordagem pode ser muito útil. A REALIDADE DA MORALIDADE O estudo de conceitos éticos – certo e errado, bom e mau – e de sentenças que usam esses conceitos é chamado metaética. Na metaética, os filósofos debatem se há verdades morais universais, ou se a moralidade é simplesmente uma expressão de emoções ou costumes culturais. O “realismo moral” afirma que bom e mau são propriedades de situações e pessoas, e certo e errado são propriedades de ações. Assim como podem ser altas ou velozes, as pessoaspodem ser boas ou más. Assim como podem ser praticadas em dez min dem ser certas ou erradas. Essas propriedades mo ndo. Declarações como “Assassinato é errado” são dem ser verdadeiras ou falsas, dependendo de com que uma ação, pessoa ou situação realmente têm. O realismo moral é, para muitos, a posição de “senso comum” em ética. Muitos acreditam que as coisas são realmente certas ou erradas; não são nossas ideias que as tornam assim. Nossa experiência da moralidade também sugere o IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 realismo moral. Primeiro, podemos cometer erros. As crianças fazem com frequência; precisamos ensinar-lhes o que é certo e errado. Se certo e errado na moral não envolvessem fatos, não seria possível cometer erros. Segundo, a moralidade parece uma exigência feita a partir de “fora”. Sentimo- nos responsáveis por um padrão de comportamento que independe do que queremos. A moralidade não é determinada pelo que pensamos a seu respeito. Terceiro, muitos acreditam em progresso moral. Mas como isso é possível, a menos que algumas ideias sobre moralidade sejam melhores que outras? E como isso é possível, a menos que haja fatos sobre a moralidade? Mais que um sentimento? Por outro lado, sabemos que há diferenças culturais em crenças morais, o que pode levar alguns a abandonar o realismo moral pelo relativismo. Mas a tolerância das diferenças culturais tende a ser muito limitada. P. ex., poucos parecem pensar que, pelo fato de o assassinato de membros de outras tribos ou a circuncisão feminina serem moralmente permissíveis em algumas sociedades, isto os tornam certos, até mesmo nessas sociedades. Mas sabemos que, diferentemente de outras crenças, a moralidade desperta fortes emoções e é difícil resolver disputas morais. Se tendermos a pensar que isso ocorre porque não há fatos morais, podemos ser levado ao emotivismo. Fatos e Valores Eis a questão: se há fatos sobre certo e errado, de que tipo são? Como pode um valor (um “fato” moral) ser algum tipo de fato? Valores relacionam-se com avaliações. Se ninguém avaliasse nada, haveria valores? Fatos são parte do mundo. O fato de que dinossauros vagaram pela Terra há milhões de anos seria verdade, mesmo se nunca tivéssemos descoberto isso. Mas é mais IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 difícil acreditar que valores “existam” independentemente de nós e de nosso discurso sobre eles. Essa comparação é injusta. Há muitos fatos – relativos p.ex. a estar enamorado, ou à música – que “dependem” de seres humanos e de suas atividades (não haveria amor se ninguém amasse). Mas continuam sendo fatos, porque independem de nossos juízos e são tornados fatos pelo modo como o mundo – nesse caso o mundo humano – é. Podemos nos enganar quanto a alguém estar apaixonado, ou quanto a uma música ser de estilo barroco ou clássico. A teoria da virtude propõe uma explicação possível para a relação entre fatos morais e fatos naturais. Afirma que julgar um ato como certo depende de ser ele algo que uma pessoa virtuosa faria. Uma pessoa virtuosa é alguém que tem virtudes: traços de caráter que lhe permitem viver uma boa vida. O que é uma boa vida depende da natureza humana, e esta é uma questão de fato objetiva. Assim, fatos morais sobre boa vida e sobre ações certas estão estreitamente relacionados com a natureza humana, nossos desejos universais, necessidades e capacidades de raciocinar. A moralidade é relativa? Como explicar que a moralidade varie de cultura para cultura? Poderíamos alegar que diferentes culturas, com suas diferentes práticas éticas, tentam todas chegar à verdade sobre a ética, tal como cientistas tentam encontrar a verdade sobre o mundo. Ou podemos dizer que práticas éticas são apenas parte do modo de vida de uma cultura. Isto é o que dirá o relativista. Segundo ele, duas culturas que discordem sobre uma prática moral estão de fato fazendo afirmações que são “verdadeiras para cada uma delas”. Não tendemos a dizer o mesmo sobre afirmações científicas (p.ex., segundo algumas culturas as estrelas eram alfinetadas no tecido do céus –mas elas estavam erradas). Por que não? Porque temos uma ideia diferente de como discordâncias científicas podem ser resolvidas. No caso da ciência, a melhor explicação é que as IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 teorias científicas acerca das quais concordamos representam como o mundo é ou seja, o mundo guia nossas investigações, e confirmamos ou refutamos hipóteses através de experimentos, até chegarmos a certo entendimento sobre como é o mundo. A ciência investiga o mundo físico. Examinando a história da cultura e o desenvolvimento das práticas áticas, é difícil ver como diferentes culturas poderiam descobrir “a verdade” sobre moralidade e conduta ética para um único mundo ético. Segundo relativismo, as práticas éticas se desenvolveram para ajudar as pessoas a se orientarem no mundo social. Mas há muitos mundos sociais e muitas culturas, e ao longo do tempo as pessoas desenvolveram diferentes maneiras de fazer as coisas. Assim, não há um único mundo social que possa guiar práticas éticas pra uma concordância geral. Isto não significa que todas as práticas sócias sejam aceitáveis – que nenhum indivíduo ou prática possa ser condenado moralmente. As pessoas erram o tempo todo, e o relativismo não o nega. Mas afirma que, para condenar uma ação ou prática, deveríamos usar recursos da cultura à qual ela pertence. Não podemos julgar uma prática de fora de suas culturas. OBJETO E OBJETIVO DA ÉTICA A Ética, enquanto ramo do conhecimento tem por objeto o comportamento humano do interior de cada sociedade. O estudo desse comportamento, com o fim de estabelecer os níveis aceitáveis que garantam a convivência pacífica dentro das sociedades e entre elas, constitui o objetivo da ética. Lisboa (1997, p.22) diz que, o objeto da ética é o comportamento humano no interior de cada sociedade e o estudo desse comportamento, com o fim de estabelecer os níveis aceitáveis que garantam a convivência pacifica dentro das sociedades e entre elas, constitui o objetivo da ética. Tudo o que está envolvido na IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 sociedade para uma boa convivência com referência às regras morais e ao comportamento humano, faz parte do objeto e objetivo da Ética. Para Srour (2000, p.29), os costumes das coletividades e as morais formam os objetos da ética. O objetivo é a melhor maneira de agir coletivamente, qualificando o bem e o mal, o permitido e o proibido, o certo e o errado, a virtude e o vício. Então, o que é realmente estudado pela Ética? As morais históricas, as relações e as condutas dos agentes sociais. E o que é a moral? Conjunto de regras consideradas válidas, de modo absoluto, para qualquer tempo ou lugar, grupo ou pessoa determinada; discursosque servem de trilhos para as relações sociais e aos comportamentos dos agentes. Segundo Stoner (1995, p.77), são os objetos da ética: os direitos e deveres das pessoas, as regras morais. E o objetivo é a melhor maneira de tomar decisões referentes ao convívio com as pessoas. FUNÇAO DA ETICA Em qualquer sociedade que se observe, será sempre notada a existência de dilemas morais em seu interior. Os dilemas morais são um reflexo das ações das pessoas, e surgem a partir do momento em que, diante de uma situação qualquer, a ação de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos, contraria aquilo que genericamente a sociedade estabeleceu como padrão de comportamento para aquela situação. O comportamento das pessoas, enquanto fruto dos valores nos quais cada um acredita, sofre alterações ao longo da história. Tal fato significa que aquilo que sempre foi considerado como um comportamento amoral pode, a partir de determinado momento, passar a ser visto como um comportamento adequado à luz da moral. Quando, por exemplo, um país se envolve em uma guerra, os habitantes IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 desse país (ou pelo menos grande parte deles) estão assumindo um comportamento que normalmente condenam em tempo de paz, qual seja, matar seus semelhantes. Os problemas relacionados com o comportamento do ser humano encontram- se inseridos no campo de preocupações da Ética. Ainda que não torne os indivíduos “moralmente perfeitos”, a Ética tem por função investigar e explicar o comportamento das pessoas ao longo das várias fases da história. Essa função apresenta-se como de grande relevância, tanto no sentido de se entender o passado, quanto de servir como parâmetro para fixação de comportamentos “padrões”, aceitos pela maioria, visando a diminuir o nível de conflitos de interesses dentro da sociedade. HISTÓRICO Historicamente, a ideia de Ética surgiu na antiga Grécia, por volta de 500 – 300 a.C, através das observações de Sócrates e seus Discípulos. Ética Grega A ética surge na Grécia, quando os filósofos de cultura ocidental apontam suas teorias aos “contemporâneos dos mistérios do universo e das forças cósmicas (cosmogonia), para a essência moral e o caráter dos indivíduos” (GALVÃO, 2002, p. 4), então o homem passa a ser objeto de pesquisa, iniciando a temática do discurso moral e político como forma de enquadramento social, e essa tendência movimenta o mundo das ideias, que, percorre em diversos períodos na visão de filósofos até os dias atuais. Sócrates (470-399 a.C.) considerou o problema ético individual como o problema filosófico central e a ética como sendo a disciplina em torno da qual deveriam girar todas as reflexões filosóficas. Para ele ninguém pratica voluntariamente o mal. Somente o ignorante não é virtuoso, ou seja, só age mal, quem desconhece o bem, pois todo homem quando fica sabendo o que é bem, reconhece-o racionalmente como tal e necessariamente passa a praticá-lo. Ao praticar o bem, o homem sente-se dono de si e consequentemente é feliz. A virtude IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 seria o conhecimento das causas e dos fins das ações fundadas em valores morais identificados pela inteligência e que impelem o homem a agir virtuosamente em direção ao bem. Platão (427-347 a.C.) ao examinar a ideia do Bem a luz da sua teoria das ideias, subordinou sua ética à metafísica. Sua metafísica era a do dualismo entre o mundo sensível e o mundo das ideias permanentes, eternas, perfeitas e imutáveis, que constituíam a verdadeira realidade e tendo como cume a ideia do Bem, divindade, artífice ou demiurgo do mundo. Aristóteles (384-322 a.C.), não só organizou a ética como disciplina filosófica, mas além disso, formulou a maior parte dos problemas que mais tarde iriam se ocupar os filósofos morais: relação entre as normas e os bens, entre a ética individual e a social, relações entre a vida teórica e prática, classificação das virtudes, etc. Sua concepção ética privilegia as virtudes (justiça, caridade e generosidade), tidas como propensas tanto a provocar um sentimento de realização pessoal àquele que age quanto simultaneamente beneficiar a sociedade em que vive. A ética aristotélica busca valorizar a harmonia entre a moralidade e a natureza humana, concebendo a humanidade como parte da ordem natural do mundo sendo, portanto uma ética conhecida como naturalista. Ética Medieval Na idade média, os valores éticos são marcados pela influência da religião católica e suas doutrinas. O cristianismo que se tornou a religião oficial de Roma a partir do século IV, sobreviveu ao fim do império e ganhou força sobre as ruínas da sociedade antiga imperou seu domínio por dez séculos. Neste período a igreja enriqueceu e manteve um forte domínio sobre o modo de pensar fazendo com que o teocentrismo passasse a definir as formas de ver e sentir, contribuindo para a formação ética medieval. Para a ética cristã medieval a igualdade só podia ser espiritual ou no futuro para um mundo sobrenatural e a mensagem cristã tinha um conteúdo moral, não havendo proposta por uma igualdade real dos seres humanos.Com isto, a ética cristã procura regular o comportamento dos humanos com vistas ao outro mundo, sendo o valor supremo encontrado em Deus. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 Teorias Éticas Fundamentais Santo Agostinho (354-430). Fundamentou a moral cristã, com elementos filosóficos da filosofia clássica. O objetivo da moral é ajudar os seres humanos a serem felizes, mas a felicidade suprema consiste num encontro amoroso do homem com Deus. Só através pela graça de Deus podemos ser verdadeiramente felizes. St. Tomás Aquino (1225-1274). No essencial concorda com Santo Agostinho, mas procura fundamentar a ética tendo em conta as questões colocadas na antiguidade clássica por Aristóteles. Ética Moderna (Séc. XV-XVII) A filosofia moderna reduz o homem à Razão. A ética doutrinante deste século é a ética moderna. Aqui neste período, a ética se caracteriza pelo contraste à ética Teocêntrica e Teológica da Idade Média. A ética moderna surge com a sociedade que sucede a sociedade feudal da Idade Média, moldada pelas consequências da Reforma Protestante que provoca um retorno aos princípios básicos da tradição cristã, porém o individuo passa a ter responsabilidades, tomadas como mais importantes que obediências aos ditames religiosos e a autoridades e costumes, assim, com essa transformação, em varias ordens, leva o surgimento da ética moderna. Neste período ocorrem mudanças na Ciência, na Política, na Economia, na Arte e principalmente na Religião, onde se transfere o centro de Deus para o homem que passa a adquirir um valor pessoal, que “[...] acabará por apresentar-se como o absoluto, ou como o criador ou legislador em diferentes domínios, incluindo nestes a moral” (VASQUEZ, 1978, p. 248). IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 Teorias éticas fundamentais da idade moderna Descartes (1596-1650). Este filósofo simboliza toda a fé que a IdadeModerna deposita na razão humana. Só ela nos permitiria construir um conhecimento absoluto. Em termos morais mostrou-se, todavia muito cauteloso. Neste caso reconheceu que seria impossível estabelecer princípios seguros para a ação humana. Limitou-se a recomendar uma moral provisória de tendência estóica: O seu único princípio ético consistia em seguir as normas e os costumes morais que visse a maioria seguir, evitando deste modo rupturas ou conflitos. John Locke (1632-1704). Este filósofo parte do princípio que todos os homens nascem com os mesmos direitos (Direito á Liberdade, à Propriedade, à Vida). A sociedade foi constituída, através de um contrato social, que visava garantir e reforçar estes mesmos direitos. Neste sentido, as relações entre os homens devem ser pautadas pelo seu escrupuloso respeito. David Hume (1711-1778). Defende que as nossas ações são em geral motivadas pelas paixões. Os dois princípios éticos fundamentais são a utilidade e a simpatia. Ética contemporânea (Séc. XIX-XX) O Utilitarismo ou Universalismo Ético. Este é formulado por Jeremy Bentham (1748-1832). A maior felicidade para o maior número de pessoas. Esta ética é chamada “moral do bem estar”, o bem é útil para o individuo e o coletivo. A ética contemporânea também surge numa época de progressos em varias ordens, e exercem seus influxos até os dias de hoje. “No plano filosófico, a ética contemporânea se apresenta em suas origens como uma reação contra o formalismo e o racionalismo abstrato kantiano” (VASQUEZ, 1978, p. 251), e também no racionalismo de Hegel. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 Éticas Fundamentais Contemporâneas Kant (1724-1804). Partindo de uma concepção universalista do homem, afirma que este só age moralmente quando, pela sua livre vontade, determina as suas ações com a intenção de respeitar os princípios que reconheceu como bons. O que o motiva, neste caso, é o puro dever de cumprir aquilo que racionalmente estabeleceu sem considerar as suas consequências. A moral assume assim, um conteúdo puramente formal, isto é, não nos diz o que devemos fazer (conteúdo da ação), mas apenas o princípio (forma) que devemos seguir para que a ação seja considerada boa. Sartre. A moral é uma criação do próprio homem que se faz a si próprio através das suas escolhas em cada situação. O relativismo é total. Mas este fato não o desculpa de nada. A sua responsabilidade é total dado que ele é livre de agir como bem entender. A escolha é sempre sua. Habermas (1929). Após a 2ª Guerra Mundial, Habermas surge a defender uma ética baseada no diálogo entre indivíduos em situação de equidade e igualdade. A validade das normas morais depende de acordos livremente discutidos e aceites entre todos os implicados na ação. Hans Jonas (1903-1993). Perante a barbárie quotidiana e a ameaça da destruição do planeta, Hans Jonas, defende uma moral baseada na responsabilidade que todos temos em preservar e transmitir às gerações futuras uma terra onde a vida possa ser vivida com autenticidade. Daí o seu princípio fundamental: "Age de tal modo que os efeitos da tua ação sejam compatíveis com a permanência da uma vida humana autêntica na terra". Crítica. Ao longo de todo o século XIX e XX sucederam-se as teorias que denunciaram o caráter repressivo da moral, estando muitas vezes ao serviço das classes dominantes (Karl Marx, 1818-1883) ou dos fracos (Nietzsche,1844- 1900).Outros demonstram a falta de sentido dos conceitos éticos, como "Dever", "Bom" e outros (Alfred J.Ayer), postulando o seu abandono por se revelarem pouco científicos. Sigmund Freud (1856-1939) demonstrou o caráter inconsciente de muitas das motivações morais. Um das correntes que maior expressão teve no século XX, foi a que procurou demonstrar que as raízes biológicas da moral, comparando o comportamento dos homens e de outros animais. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 Aquilo que denominamos por "ética" é apresentado como uma forma camuflada ou racionalizada de instintos básicos da nossa natureza animal idênticos a outros animais. Novas Problemáticas. As profundas transformações sociais, culturais e científicas das nossas sociedades colocaram novos problemas éticos, nomeadamente em domínios como a tecnociência (clonagem, manipulação genética, eutanásia, etc), ecologia, comunicação de massas, etc. IMPORTÂNCIA DA ÉTICA A importância da ética hoje se dá pela necessidade, por uma questão de sobrevivência; considerando que a humanidade passa por um momento de anseio por uma vida melhor e acima de tudo digna e feliz. Podemos dizer que o tema mais ecumênico que existe atualmente é o da dignidade humana, vida com qualidade e por fim, a felicidade. No entanto percebemos que o mundo se tornou um caos, e o homem como um todo se encontra perdido em meio a tanta confusão; é o verdadeiro “jogo dos interesses”. O comportamento ético não consiste exclusivamente em fazer o bem a outrem, mas em exemplificar em si mesmo o aprendizado recebido. É o exercício da paciência em todos os momentos da vida, a tolerância para com as faltas alheias, a obediência aos superiores em uma hierarquia, o silêncio ante uma ofensa recebida. CIDADANIA É muito importante entender bem o que é cidadania. Trata-se de uma palavra usada todos os dias, com vários sentidos. Mas hoje significa, em essência, o direito de viver decentemente. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 Cidadania é o direito de ter uma ideia e poder expressá-la. É poder votar em quem quiser sem constrangimento. É poder processar um médico que age de negligencia. É devolver um produto estragado e receber o dinheiro de volta. É o direito de ser negro, índio, homossexual, mulher sem ser descriminado. De praticar uma religião sem se perseguido. Há detalhes que parecem insignificantes, mas revelam estágios de cidadania: respeitar o sinal vermelho no transito, não jogar papel na rua, não destruir telefones públicos. Por trás desse comportamento está o respeito ao outro. Conceito: No sentido etimológico da palavra, cidadão deriva da palavra civita, que em latim significa cidade, e que tem seu correlato grego na palavra politikos – aquele que habita na cidade. Segundo o Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, “cidadania é a qualidade ou estado do cidadão”, entende-se por cidadão “o indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um estado, ou no desempenho de seus deveres para com este”. Cidadania é a pertença passiva e ativa de indivíduos em um estado - nação com certos direitos e obrigações universais em um específico nível de igualdade (JANOSKI, 1998). No sentido ateniense do termo, cidadania é o direito da pessoa em participar das decisões nos destinos da Cidade através da Ekklesia (reunião dos chamados de dentro para fora) na Ágora (praça pública, onde se agonizava para deliberar sobre decisões de comum acordo). Dentro desta concepção surge a democracia grega, onde somente 10% da população determinavam os destinos de toda a Cidade (eram excluídos os escravos, mulheres e artesãos). O que é ser cidadão?Ser cidadão é respeitar e participar das decisões da sociedade para melhorar suas vidas e a de outras pessoas. Ser cidadão é nunca se esquecer das pessoas que mais necessitam. A IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 cidadania deve ser divulgada através de instituições de ensino e meios de comunicação para o bem estar e desenvolvimento da nação. A cidadania consiste desde o gesto de não jogar papel na rua, não pichar os muros, respeitar os sinais e placas, respeitar os mais velhos (assim como todas às outras pessoas), não destruir telefones públicos, saber dizer obrigado, desculpe, por favor e bom dia quando necessário... até saber lidar com o abandono e a exclusão das pessoas necessitadas, o direito das crianças carentes e outros grandes problemas que enfrentamos em nosso mundo. DIREITOS E DEVERES DO CIDADÃO Na constituição brasileira os artigos referentes a esse assunto podem ser encontrados no Capítulo I, Artigo 5º que trata dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos. Cada um de nós tem o direito de viver, de ser livre, de ter sua casa, de ser respeitado como pessoa, de não ter medo, de não ser pisado por causa de seu sexo, de sua cor, de sua idade, de seu trabalho, da cidade de onde veio da situação em que está, ou por causa de qualquer outra coisa. Qualquer ser humano é nosso companheiro porque tem os mesmos direitos que nós temos. Esses direitos são sagrados e não podem ser tirados de nós; se forem desrespeitados, continuamos a ser gente e podemos e devemos lutar para que eles sejam reconhecidos. Às vezes cidadãos se veem privados de usufruírem de seus direitos por que vivem cercados de preconceito e racismo é incrível, mas ainda nos dias de hoje encontramos pessoas que se sentem no direito de impedir os outros de viverem uma vida normal só porque não pertencem a mesma classe social, raça ou religião que a sua. Nós cidadãos brasileiros temos direitos e devemos fazer valer o mesmo independente do que temos ou somos, ainda bem que a cada dia que passa muitas IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 pessoas estão se conscientizando e acabando com o preconceito e aquelas que acabam sofrendo por isso estão correndo atrás de seus direitos. Mas como cidadãos brasileiros não têm apenas direitos, mas deveres para com a nação, além de lutar pelos direitos iguais para todos, de defender a pátria, de preservar a natureza, de fazer cumprir as leis e muito mais. Ser cidadão é fazer valer seus direitos e deveres civis e políticos, é exercer a sua cidadania. Com o não cumprimento do dever o cidadão brasileiro pode ser processado juridicamente pelo país e até mesmo privado de sua liberdade. Seguem abaixo alguns trechos da declaração dos direitos humanos e do cidadão. Declaração dos direitos humanos e do cidadão (alguns artigos) I - Os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos; as distinções sociais não podem ser fundadas senão sobre a utilidade comum. II - O objetivo de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem; esses direitos são, à liberdade, à propriedade, à segurança e a resistência à opressão. III - O princípio de toda a soberania reside essencialmente na razão; nenhum corpo, nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela não emane diretamente. IV - A liberdade consiste em poder fazer tudo que não prejudique a outrem. Assim, o exercício dos direitos naturais do homem não tem limites senão aqueles que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo desses mesmos direitos; seus limites não podem ser determinados senão pela lei. V - A lei não tem o direito de impedir senão as ações nocivas à sociedade. Tudo o que não é negado pela lei não pode ser impedido e ninguém pode ser constrangido a fazer o que ela não ordenar. VI - A lei é a expressão da vontade geral; todos os cidadãos têm o direito de concorrer, pessoalmente ou por seus representantes, à sua formação; ela deve ser a mesma para todos, seja protegendo, seja punindo. Todos os cidadãos, sendo iguais a seus olhos, são igualmente IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 admissíveis a todas as dignidades, lugares e empregos públicos, segundo sua capacidade e sem outras distinções que as de suas virtudes e de seus talentos. VII - Nenhum homem pode ser acusado, detido ou preso, senão em caso determinado por lei, e segundo as formas por ela prescritas. Aqueles que solicitam, expedem ou fazem executar ordens arbitrárias, devem ser punidos; mas todo cidadão, chamado ou preso em virtude de lei, deve obedecer em seguida; torna-se culpado se resistir. VIII - A lei não deve estabelecer senão penas estritamente necessárias, e ninguém pode ser punido senão em virtude de uma lei estabelecida e promulgada ao delito e legalmente aplicada. IX - Todo homem é tido como inocente até o momento em que seja declarado culpado; se for julgado indispensável para a segurança de sua pessoa, deve ser severamente reprimido pela lei. X - Ninguém pode ser inquietado por suas opiniões, mesmo religiosas, contanto que suas manifestações não perturbem a ordem pública estabelecida em lei. XI - A livre comunicação dos pensamentos e opiniões é um dos direitos mais preciosos do homem; todo o cidadão pode, pois, falar, escrever e imprimir livremente; salvo a responsabilidade do abuso dessa liberdade nos casos determinados pela lei. XII - A garantia dos direitos do homem e do cidadão necessita de uma força pública; essa força é então instituída para vantagem de todos e não para a utilidade particular daqueles a quem ela for confiada. XIII - Para a manutenção da força pública e para as despesas de administração, uma contribuição comum é indispensável; ela deve ser igualmente repartida entre todos os cidadãos, em razão de suas faculdades. XIV - Os cidadãos têm o direito de constatar, por si mesmos ou por seus representantes, a necessidade da contribuição pública, de consenti-la livremente e de vigiar seu emprego, de determinar sua quota, lançamento, recuperação e duração. XV - A sociedade tem o direito de pedir contas de sua administração a todos os agentes do poder público. XVI - Toda a sociedade na qual a garantia dos direitos não é assegurada, nem a separação dos poderes determinada, não tem constituição. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 XVII - A propriedade, sendo um direito inviolável, e sagrado, ninguém pode ser dela privado senão quando a necessidade pública, legalmente constatada, o exija evidentemente, e sob a condição de uma justa e prévia indenização. AS INSTITUIÇÕES SOCIAIS O que você acha de obedecer regras, de cumprir ordens, de seguir caminhos que já foram preestabelecidos para você? É provável que você e muitos de seus colegas digam que não gostam de obedecer regras, e alguns cheguem mesmo a afirmar com uma pontinha de orgulho que só fazem aquilo que gostam ou que têm vontade... Pois saibam que não é bem assim que as coisas acontecem. Mesmo que você se considere um rebelde, você está muito mais dentro da ordem que imagina, principalmente se vocêé um aluno devidamente matriculado Neste curso, e está lendo este texto na universidade ou em sua casa. Por que estamos falando disso? Para dizer que vivemos numa sociedade totalmente institucionalizada, ou seja, vivemos “imersos” em instituições sociais, portanto, somos continuamente levados a realizar coisas que não escolhemos, e na maioria das vezes as realizamos “naturalmente”, sem questionar de onde e de quem partiu aquela ideia ou aquela ordem. Todo o nosso pensamento e nossa ação foram aprendidos e continuam constantemente sendo construídos no decorrer de nossa vida. Muito do que fazemos foi pensado e estabelecido por pessoas que nem existem mais. Desde o IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 momento de nosso nascimento até a nossa morte estamos sempre atendendo às várias expectativas dos vários grupos que participamos. Por isso, nosso objetivo com este estudo é colocá-lo em contato com algumas instituições sociais muito presentes e atuantes em nossa sociedade, mais especificamente três: a escola, a religião e a família. Colocar em contato quer dizer conhecer um pouco das origens históricas das instituições, ou como foram construídas pelas diversas sociedades ao longo do tempo; perceber as transformações que foram sofrendo e como se configuram hoje, conhecer as diversas possibilidades de leitura oferecidas pela Sociologia, e, principalmente, nos enxergarmos como parte integrante dessas instituições. Não como uma peça num tabuleiro de um jogo, mas como sujeitos atuantes e com capacidade de mudar as regras do jogo quando considerarmos necessário. Nossa intenção ao propor este tema de estudo vai muito além da simples informação de conteúdos da Sociologia, avalizados pelos grandes nomes dessa ciência. Pretendemos que você, com auxílio dos instrumentais teóricos da Sociologia, possa compreender a dinâmica da sociedade contemporânea, aprenda a questionar as “verdades” que lhe são colocadas, e possa inserir-se de forma crítica e criativa nas diversas instituições sociais que compõem o sistema social. Vamos pontuar alguns aspectos destas três instituições: família, escola e religião. Nascemos todos em algum lugar da sociedade: num bairro de periferia, num edifício no centro da cidade, numa favela, num condomínio fechado, e pertencemos quase sempre a algum tipo de família. É dentro da família que aprendemos os primeiros valores do grupo e da sociedade a que pertencemos. Os pais (ou aqueles que cumprem este papel), criam e provêm os filhos de condições para a subsistência e esperam desses respeito e obediência. A sociedade espera que os pais trabalhem e tenham uma vida honesta, às mães cabe o amor incondicional, capaz de fazê-las abrir mão da própria vida para ver a felicidade de seus filhos. Isso IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 pode parecer um pouco exagerado, mas, às vezes, a caricatura de uma situação nos permite enxergá-la melhor. Bem, crescemos ouvindo que a família é um lugar “sagrado”, que devemos respeitar nossos pais, que tanto sacrifícios fizeram por nós. Crescemos ouvindo que é o bem mais importante de um homem, e quando finalmente crescemos, “desejamos” formar outra família, porque é isto que esperam de nós. Mas se não agirmos dessa forma esperada, se não nos transformarmos no pai trabalhador, na “mãe santa”, no filho respeitoso? Se escolhermos outro caminho e outros valores? Aí sofreremos o que a Sociologia chama de coerção social – significa que seremos coagidos e pressionados pelo grupo familiar e pelas pessoas próximas desse, a retomar os valores preestabelecidos. É o grupo familiar que também vai nos indicar os caminhos escolares e profissionais. Para algumas famílias, percorrer toda a carreira escolar sem interrupção é algo indiscutível, e desviar-se deste caminho previsto pode ser traumático. Novamente não escolhemos, mas as escolhas já estão feitas. Quase sempre fazemos o que é esperado. Passemos agora para a escola. Essa instituição ensina-nos novos padrões de comportamento, ou reforça aqueles que já trazemos de nossa classe social e tenta nos fazer acreditar que somos todos iguais, porque podemos nos sentar igualmente nas carteiras escolares. Mas tão logo os alunos percebem que para haver igualdade é necessário mais do que um lugar na escola, começam as reações contrárias à ordem. São as chamadas questões disciplinares. A escola valoriza a ordem, a disciplina, o bom rendimento. Os adolescentes vêem neste momento de suas vidas a oportunidade de IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 rebelar-se contra os padrões de comportamento estabelecidos, de agredir tudo que representa autoridade, de desprezar o que não atende a seus interesses imediatos. Há uma outra instituição social com a qual você provavelmente também convive. Caso tenha sido batizado ou iniciado em alguma religião em sua infância, e tenha crescido seguindo os ensinamentos de sua igreja, você desenvolveu o que se chama de pensamento sagrado. Você explica fenômenos da vida e da morte de acordo com os preceitos de sua fé. Você conhece os rituais de sua igreja e respeita, ou ao menos sabe o significado das principais datas religiosas. Se, em algum momento de sua vida, você resolver se desligar de sua religião, esteja certo de que sofrerá forte pressão de seu grupo religioso, o qual muito o indagará a respeito de sua decisão, e mais do que isso, fará tudo para demovê-lo de sua decisão. Com esses exemplos é possível perceber o quanto as instituições direcionam nossas ações, às vezes de forma tão sutil que não percebemos que as situações vivenciadas cotidianamente são em sua maioria reproduções de antigas instituições sociais. Também será possível que um dia você chegue à conclusão de que uma ou todas as instituições não são assim tão importantes para a sua vida. Você verá sobre isto nos Folhas a seguir, que em diversos momentos da história, alguns grupos sociais e alguns indivíduos negaram a necessidade da autoridade, fosse esta política, familiar, religiosa, educacional ou qualquer outra. Acreditavam na capacidade de autogoverno do ser humano, na liberdade e na autonomia de pensamento. Aliás, hoje é possível encontrar em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil, pessoas que vivem em comunidades alternativas, que negam os valores do pensamento dominante, e constroem suas próprias regras, com base na visão que têm da sociedade e do planeta. Mas para chegar até isso, e quem sabe superar este modelo de sociedade e de instituições sociais a que estamos sujeitos hoje, é preciso muito estudo e a construção de projetos coletivos. E é isto que estamos lhe propondo nestes textos que se seguem. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 A INSTITUIÇÃO ESCOLAR A escola, tal como conhecemos hoje, intitulada pelos historiadores da educação como Escola Moderna, começou a se configurar em fins do século XVI e ao longo do século XVII. Antes disso, nas sociedades antigas e medievais, já havia a preocupação com a educação de seus jovens, os quais estudavam ouindividualmente, sob a orientação de um mestre, ou em pequenos grupos, independentes de idade ou seriação. Adultos e crianças frequentavam a mesma classe durante o tempo que desejassem ou precisassem, e isso não era considerado um problema. As teorias da psicologia da aprendizagem, que estabelecem etapas para o desenvolvimento humano, virão muitos anos depois. MAS A ESCOLA MODERNA ORGANIZA-SE INICIALMENTE COM CARACTERÍSTICAS QUE JÁ CONHECEMOS BEM: • a preocupação em separar os alunos em classes seriadas, de acordo com a faixa etária; • a divisão sistemática dos programas de acordo com cada série; • os níveis de estudos passam a ter um encadeamento: a escola elementar (ler, escrever e contar), com a escola média ou profissional e os estudos superiores; • o tempo para o estudo e para o cumprimento dos programas para ma determinada série também passam a ser preestabelecidos. Não será mais o ritmo de aprendizado do aluno que dirá de quanto tempo ele necessita para aprender, mas sim o ritmo imposto pela instituição. Outros elementos IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 muito comuns em nossa prática escolar também passaram a ser utilizados, como o registro das aulas, o controle de frequência (chamada), a elaboração de textos simplificados para cada disciplina (livros didáticos). Junto com isso teremos maior rigor disciplinar, com a criação de normas e regimentos de conduta. Enfim, são práticas que têm a função de organizar, disciplinar e controlar, e que hoje nos parecem naturais e quase imutáveis. Desnaturalizar a instituição escolar significa saber que ela foi pensada e construída por pessoas como professores, religiosos ou governantes que tinham interesses e necessidades próprias daquele momento histórico. E que, antes desse modelo escolar, existiram outras formas criadas pelas sociedades para transmitirem às suas crianças e jovens os saberes necessários para a vida social. Portanto, cabe a nós e às próximas gerações também pensarmos e construirmos escolas que estejam mais próximas de nossas necessidades e nossos sonhos! TEXTO PARA REFLETIR: Há um descompasso crescente entre os modelos tradicionais de ensino e as novas possibilidades que a sociedade já desenvolve informalmente e que as tecnologias atuais permitem. A maior parte do que se ensina não é percebido pelos alunos como significativo. Uma boa escola depende fundamentalmente de contar com gestores e educadores bem preparados, remunerados, motivados e que possuam comprovada competência intelectual, emocional, comunicacional e ética. Sem bons gestores e professores nenhum projeto pedagógico será interessante, inovador. Não há tecnologias avançadas que salvem maus profissionais. São poucos os educadores e gestores pró-ativos, inovadores, que gostam de aprender e que conseguem por em prática o que aprendem. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 Temos muitos profissionais que preferem repetir modelos, obedecer, seguir padrões, que demoram para avançar. São mais os que adotam uma postura dependente do que os autônomos, criativos, pró-ativos. Sem pessoas autônomas é mito difícil ter uma escola diferente, mais próxima dos alunos que já nasceram com a Internet e o celular. Uma boa escola precisa de professores mediadores de processos de aprendizagem vivos, criativos, experimentadores, presenciais-virtuais. De professores menos “falantes”, mais orientadores; de menos aulas informativas e mais atividades de pesquisa, experimentação, desafios projetos. Uma escola que fomente redes de aprendizagem, entre professores e entre alunos; que aprendam com os que estão perto e também longe, conectados, com os mais experientes ajudando aos que têm mais dificuldades. Uma escola com apoio de grandes bases de dados multimídia, de multi-textos de grande impacto (narrativas, jogos de grande poder de sensibilização), com acesso a muitas formas de pesquisa, de desenvolvimento de projetos. Uma escola que privilegie a relação com os alunos, a afetividade, a motivação, a aceitação, o reconhecimento das diferenças. Que dê suporte emocional para que os alunos acreditem em si, sejam autônomos, aprendam a analisar situações complexas e a fazer escolhas cada vez mais libertadoras. Uma escola que se articule efetivamente com os pais (associação de pais), com a comunidade, que incorpore os saberes dela, que preste melhores serviços. A escola pode estender-se fisicamente até os limites da cidade e virtualmente até os limites do mundo. A escola pode integrar os espaços significativos da cidade: museus, centros culturais, cinemas, teatros, parques, praças, ateliês, centros esportivos, centros comerciais, centros produtivos, entre outros. A escola pode trazer as manifestações culturais e artísticas próximas, fazendo dos alunos espectadores críticos e produtores de novos significados e produtos. Pode inserir atividades teóricas com as práticas, a ação com a reflexão. Trazer pessoas com diversas competências para mostrar novas possibilidades vocacionais para os alunos. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 A escola e a universidade precisam reaprender a aprender, a serem mais úteis, a prestar serviços mais relevantes à sociedade, a saírem do casulo em que se encontram. A maioria das escolas e universidades se distancia velozmente da sociedade, das demandas atuais. Sobrevivem porque são os espaços obrigatórios e legitimados pelo Estado. Os alunos freqüentam muitas aulas porque são obrigados, não porque sintam que vale a pena. As escolas deficientes e medíocres atrasam o desenvolvimento da sociedade, retardam as mudanças. A educação poderá tornar-se cada vez mais participativa, democrática, mediada por profissionais competentes. Teremos muitas instituições que optarão por uma postura mais conservadora, que manterão o sistema disciplinar, o foco no conteúdo; mas, mesmo nelas, o ensino-aprendizagem não se fará somente na sala de aula. Haverá maior flexibilidade de tempos, horários e metodologias do que há atualmente. Outras – e esperamos que muitas – caminharão para tornar-se ou continuar sendo organizações democráticas, centradas nos alunos; que desenvolvem situações ricas de aprendizagem, sem asfixiar os alunos, incentivando- os; que desenvolvem valores de colaboração, de cidadania em todos os participantes. Escolas não conectadas são escolas incompletas (mesmo quando didaticamente avançadas). Alunos sem acesso contínuo às redes digitais estão excluídos de uma parte importante da aprendizagem atual: do acesso à informação variada e disponível on-line, da pesquisa rápida em bases de dados, bibliotecas digitais, portais educacionais; da participação em comunidades de interesse, nos debates e publicações on-line, em fim, da variada oferta de serviços digitais. Quanto mais tecnologias avançadas, mais a educação precisa de pessoas humanas, evoluídas, competentes, éticas. A sociedade torna-se cada vez mais complexa, pluralista e exige pessoas abertas, criativas, inovadoras, confiáveis. O que faz a diferença no avanço dos países é a qualificação das pessoas. Encontraremos na educação novos caminhos de integração do humano e do tecnológico; doracional, sensorial, emocional e do ético; do presencial e do virtual; da escola, do trabalho e da vida em todas as suas dimensões. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 CONTEXTO HISTÓRICO DO NASCIMENTO DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR As revoluções burguesas, principalmente a inglesa (séc.XVIl) e a francesa (séc. XVIIl), vão encerrar definitivamente o feudalismo e inaugurar um novo modo de produção – o capitalismo. A burguesia, classe social em ascensão, irá conceber uma nova doutrina social ou uma nova ideologia para o capitalismo que se denominará liberalismo. Os princípios do liberalismo são: o individualismo, a propriedade, a liberdade, a igualdade e a democracia. Explicando os princípios: • A doutrina do individualismo coloca no esforço individual toda a responsabilidade para que as pessoas atinjam o sucesso ou o progresso, desconsiderando as condições econômicas e sociais nas quais estejam vivendo. Para o liberalismo, os indivíduos serão tão mais livres quanto menor for a ação do Estado, ou seja, o Estado não deve interferir e despender recursos para serviços públicos. • Quanto ao princípio da propriedade, significa que todos têm direito à propriedade desde que se esforcem e trabalhem para isso. • A igualdade, como é tratada no liberalismo, não se refere à igualdade social, mas sim à igualdade perante a lei. Já devem ter ouvido a frase: “Todos são iguais perante a lei”. Pois é, mas em relação às desigualdades sociais, a conversa é outra. Os liberais consideram natural que existam pobres e ricos, uma vez que nem todas as pessoas são talentosas ou esforçadas da mesma forma. • A democracia, defendida pelos liberais, resume-se à democracia representativa, isto é, o direito de todos escolherem seus representantes políticos. No entanto, democracia é mais do que isto, é o direito de usufruirmos igualmente os bens produzidos em nossa sociedade. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 Outro importante movimento que se desenvolve à partir do século XVII, foi a chamada “revolução científica”. A filosofia, e as ciências físicas, químicas e matemáticas sofrem um grande desenvolvimento e há uma supervalorização do pensamento racional e científico. O filósofo e matemático René Descartes (França,1596 – 1650) é considerado o fundador desta doutrina. Observe que não fica difícil estabelecer relações entre a doutrina liberal, o pensamento racionalista e o surgimento da escola moderna, tal como essa foi descrita anteriormente. Vocês viram até aqui uma breve história da instituição escolar, organizada de forma mais ou menos semelhante em grande parte das sociedades. PERSPECTIVAS ATUAIS DA EDUCAÇÃO Nas últimas duas décadas do século XX assistiu-se a grandes mudanças tanto no campo socioeconômico e político quanto no da cultura, da ciência e da tecnologia. Ocorreram grandes movimentos sociais, como aqueles no leste europeu, no final dos anos 80, culminando com a queda do Muro de Berlim. Ainda não se tem ideia clara do que deverá representar, para todos nós, a globalização capitalista da economia, das comunicações e da cultura. As transformações tecnológicas tornaram possível o surgimento da era da informação. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 É um tempo de expectativas, de perplexidade e da crise de concepções e paradigmas não apenas porque inicia-se um novo milênio – época de balanço e de reflexão, época em que o imaginário parece ter um peso maior. O ano 2000 exerceu um fascínio muito grande em muitas pessoas. Paulo Freire dizia que queria chegar ao ano 2000 (acabou falecendo três anos antes). É um momento novo e rico de possibilidades. Por isso, não se pode falar do futuro da educação sem certa dose de cautela. É com essa cautela que serão examinadas, neste artigo, algumas das perspectivas atuais da teoria e da prática da educação, apoiando-se naqueles educadores e filósofos que tentaram, em meio a essa perplexidade, apesar de tudo, apontar algum caminho para o futuro. A perplexidade e a crise de paradigmas não podem se constituir num álibi para o imobilismo. No início deste século, H. G. Wells dizia que “a História da Humanidade é cada vez mais a disputa de uma corrida entre a educação e a catástrofe”. A julgar pelas duas grandes guerras que marcaram a “História da Humanidade”, na primeira metade do século XX, a catástrofe venceu. No início dos anos 50, dizia-se que só havia uma alternativa: “socialismo ou barbárie” (Cornelius Castoriadis), mas chegou- se ao final do século com a derrocada do socialismo burocrático de tipo soviético e enfraquecimento da ética socialista. E mais: pela primeira vez na história da humanidade, não por efeito de armas nucleares, mas pelo descontrole da produção industrial, pode-se destruir toda a vida do planeta. Mais do que a solidariedade, estamos vendo crescer a competitividade. Venceu a barbárie, de novo? Qual o papel da educação neste novo contexto político? Qual é o papel da educação na era da informação? Que perspectivas podemos apontar para a educação nesse início do Terceiro Milênio? Para onde vamos? Para iniciar, verifica-se o significado da palavra “perspectiva”. A palavra “perspectiva” vem do latim tardio “perspectivus”, que deriva de dois verbos: perspecto, que significa “olhar até o fim, examinar atentamente”; e perspicio, IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 que significa “olhar através, ver bem, olhar atentamente, examinar com cuidado, reconhecer claramente” (Dicionário Escolar Latino-Português, de Ernesto Faria). A palavra “perspectiva” é rica de significações. Segundo o Dicionário de filosofia, do filósofo italiano Nicola Abbagnano, perspectiva seria “uma antecipação qualquer do futuro: projeto, esperança, ideal, ilusão, utopia. O termo exprime o mesmo conceito de possibilidade, mas de um ponto de vista mais genérico e que menos compromete, dado que podem aparecer como perspectivas coisas que não têm suficiente consistência para serem possibilidades autênticas”. Para o Dicionário Aurélio, muito conhecido entre nós, brasileiros, perspectiva é a “arte de representar os objetos sobre um plano tais como se apresentam à vista; pintura que representa paisagens e edifícios a distância; aspecto dos objetos vistos de uma certa distância; panorama; aparência, aspecto; aspecto sob o qual uma coisa se apresenta, ponto de vista; expectativa, esperança”. Perspectiva significa ao mesmo tempo enfoque, quando se fala, por exemplo, em perspectiva política, e possibilidade, crença em acontecimentos considerados prováveis e bons. Falar em perspectivas é falar de esperança no futuro. Hoje muitos educadores, perplexos diante das rápidas mudanças na sociedade, na tecnologia e na economia, perguntam-se sobre o futuro de sua profissão, alguns com medo de perdê-la sem saber o que devem fazer. Então, aparecem, no pensamento educacional, todas as palavras citadas por Abbagnanoe Aurélio: “projeto” político-pedagógico, pedagogia da “esperança”, “ideal” pedagógico, “ilusão” e “utopia” pedagógica, o futuro como “possibilidade”. Fala-se muito hoje em “cenários” possíveis para a educação, portanto, em “panoramas”, representação de “paisagens”. Para se desenhar uma perspectiva é preciso “distanciamento”. É sempre um “ponto de vista”. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 Todas essas palavras entre aspas indicam uma certa direção ou, pelo menos, um horizonte em direção ao qual se caminha ou se pode caminhar. Elas designam “expectativas” e anseios que podem ser captados, capturados, sistematizados e colocados em evidência. UM PASSADO SEMPRE PRESENTE A virada do milênio é razão oportuna para um balanço sobre práticas e teorias que atravessaram os tempos. Falar de “perspectivas atuais da educação” é também falar, discutir, identificar o “espírito” presente no campo das idéias, dos valores e das práticas educacionais que as perpassa, marcando o passado, caracterizando o presente e abrindo possibilidades para o futuro. Algumas perspectivas teóricas que orientaram muitas práticas poderão desaparecer, e outras permanecerão em sua essência. Quais teorias e práticas fixaram-se no ethos educacional, criaram raízes, atravessaram o milênio e estão presentes hoje? Para entender o futuro é preciso revisitar o passado. No cenário da educação atual, podem ser destacados alguns marcos, algumas pegadas, que persistem e poderão persistir na educação do futuro. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 EDUCAÇÃO TRADICIONAL Enraizada na sociedade de classes escravista da Idade Antiga, destinada a uma pequena minoria, a educação tradicional iniciou seu declínio já no movimento renascentista, mas ela sobrevive até hoje, apesar da extensão média da escolaridade trazida pela educação burguesa. A educação nova, que surge de forma mais clara a partir da obra de Rousseau, desenvolveu-se nesses últimos dois séculos e trouxe consigo numerosas conquistas, sobretudo no campo das ciências da educação e das metodologias de ensino. O conceito de “aprender fazendo” de John Dewey e as técnicas Freinet, por exemplo, são aquisições definitivas na história da pedagogia. Tanto a concepção tradicional de educação quanto a nova, amplamente consolidadas, terão um lugar garantido na educação do futuro. A educação tradicional e a nova têm em comum a concepção da educação como processo de desenvolvimento individual. Todavia, o traço mais original da educação desse século é o deslocamento de enfoque do individual para o social, para o político e para o ideológico. A pedagogia institucional é um exemplo disso. A experiência de mais de meio século de educação nos países socialistas também o testemunha. A educação, no século XX, tornou-se permanente e social. É verdade, existem ainda muitos desníveis entre regiões e países, entre o Norte e o Sul, entre países periféricos e hegemônicos, entre países globalizadores e globalizados. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 Entretanto, há idéias universalmente difundidas, entre elas a de que não há idade para se educar, de que a educação se estende pela vida e que ela não é neutra. EDUCAÇÃO INTERNACIONALIZADA No início da segunda metade deste século, educadores e políticos imaginaram uma educação internacionalizada, confiada a uma grande organização, a Unesco. Os países altamente desenvolvidos já haviam universalizado o ensino fundamental e eliminado o analfabetismo. Os sistemas nacionais de educação trouxeram um grande impulso, desde o século passado, possibilitando numerosos planos de educação, que diminuíram custos e elevaram os benefícios. A tese de uma educação internacional já existia deste 1899, quando foi fundado, em Bruxelas, o Bureau Internacional de Novas Escolas, por iniciativa do educador Adolphe Ferrière. Como resultado, tem-se hoje uma grande uniformidade nos sistemas de ensino. Pode-se dizer que hoje todos os sistemas educacionais contam com uma estrutura básica muito parecida. No final do século XX, o fenômeno da globalização deu novo impulso à idéia de uma educação igual para todos, agora não como princípio de justiça social, mas apenas como parâmetro curricular comum. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 NOVAS TECNOLOGIAS As conseqüências da evolução das novas tecnologias, centradas na comunicação de massa, na difusão do conhecimento, ainda não se fizeram sentir plenamente no ensino – como previra McLuhan já em 1969 –, pelo menos na maioria das nações, mas a aprendizagem a distância, sobretudo a baseada na Internet, parece ser a grande novidade educacional neste início de novo milênio. A educação opera com a linguagem escrita e a nossa cultura atual dominante vive impregnada por uma nova linguagem, a da televisão e a da informática, particularmente a linguagem da Internet. A cultura do papel representa talvez o maior obstáculo ao uso intensivo da Internet, em particular da educação a distância com base na Internet. Por isso, os jovens que ainda não internalizaram inteiramente essa cultura adaptam-se com mais facilidade do que os adultos ao uso do computador. Eles já estão nascendo com essa nova cultura, a cultura digital. Os sistemas educacionais ainda não conseguiram avaliar suficientemente o impacto da comunicação audiovisual e da informática, seja para informar, seja para bitolar ou controlar as mentes. Ainda trabalha-se muito com recursos tradicionais que não têm apelo para as crianças e jovens. Os que defendem a informatização da educação sustentam que é preciso mudar profundamente os métodos de ensino para reservar ao cérebro humano o que lhe é peculiar, a capacidade de pensar, em vez de desenvolver a memória. Para ele, a função da escola será, cada vez mais, a de ensinar a pensar IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 criticamente. Para isso é preciso dominar mais metodologias e linguagens, inclusive a linguagem eletrônica. EDUCAÇÃO POPULAR O paradigma da educação popular, inspirado originalmente no trabalho de Paulo Freire nos anos 60, encontrava na conscientização sua categoria fundamental. A prática e a reflexão sobre a prática levaram a incorporar outra categoria não menos importante: a da organização. Afinal, não basta estar consciente, é preciso organizar-se para poder transformar. Nos últimos anos, os educadores que permaneceram fiéis aos princípios da educação popular atuaram principalmente em duas direções: na educação pública popular – no espaço conquistado no interior do Estado –; e na educação popular comunitária e na educação ambiental ou sustentável, predominantemente não governamentais. Durante osregimes autoritários da América Latina, a educação popular manteve sua unidade, combatendo as ditaduras e apresentando projetos “alternativos”. Com as conquistas democráticas, ocorreu com a educação popular uma grande fragmentação em dois sentidos: de um lado ela ganhou uma nova vitalidade no interior do Estado, diluindo-se em suas políticas públicas; e, de outro, continuou como educação não-formal, dispersando-se em milhares de pequenas experiências. Perdeu em unidade, ganhou em diversidade e conseguiu atravessar numerosas fronteiras. Hoje ela incorporou-se ao pensamento pedagógico universal e orienta a atuação de muitos educadores espalhados pelo mundo, como o IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 testemunha o Fórum Paulo Freire, que se realiza de dois em dois anos, reunindo educadores de muitos países. As práticas de educação popular também constituem-se em mecanismos de democratização, em que se refletem os valores de solidariedade e de reciprocidade e novas formas alternativas de produção e de consumo, sobretudo as práticas de educação popular comunitária, muitas delas voluntárias. O Terceiro Setor está crescendo não apenas como alternativa entre o Estado burocrático e o mercado insolidário, mas também como espaço de novas vivências sociais e políticas hoje consolidadas com as organizações não-governamentais (ONGs) e as organizações de base comunitária (OBCs). Este está sendo hoje o campo mais fértil da educação popular. Diante desse quadro, a educação popular, como modelo teórico reconceituado, tem oferecido grandes alternativas. Dentre elas, está a reforma dos sistemas de escolarização pública. A vinculação da educação popular com o poder local e a economia popular abre, também, novas e inéditas possibilidades para a prática da educação. O modelo teórico da educação popular, elaborado na reflexão sobre a prática da educação durante várias décadas, tornou-se, sem dúvida, uma das grandes contribuições da América Latina à teoria e à prática educativa em âmbito internacional. A noção de aprender a partir do conhecimento do sujeito, a noção de ensinar a partir de palavras e temas geradores, a educação como ato de conhecimento e de transformação social e a politicidade da educação são apenas alguns dos legados da educação popular à pedagogia crítica universal. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 CARACTERÍSTICAS GERAIS DO SISTEMA EDUCACIONAL Níveis e modalidades de ensino De acordo com o art. 21 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n.º 9.394/96), a educação escolar compõe-se de: I. Educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II. Educação superior. A educação básica «tem por finalidade desenvolver o educando, assegurar- lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores» (art. 22). Ela pode ser oferecida no ensino regular e nas modalidades de educação de jovens e adultos, educação especial e educação profissional, sendo que esta última pode ser também uma modalidade da educação superior. «A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade» (art. 29). A educação infantil é oferecida em creches, para crianças de zero a três anos de idade, e pré-escolas, para crianças de quatro a seis anos. O ensino fundamental, cujo objetivo maior é a formação básica do cidadão, tem duração de oito anos e é obrigatório e gratuito na escola pública a partir dos sete anos de idade, com matrícula facultativa aos seis anos de idade. A oferta do IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 ensino fundamental deve ser gratuita também aos que a ele não tiveram acesso na idade própria. O ensino médio, etapa final da educação básica, objetiva a consolidação e aprofundamento dos objetivos adquiridos no ensino fundamental. Tem a duração mínima de três anos, com ingresso a partir dos quinze anos de idade. Embora atualmente a matrícula neste nível de ensino não seja obrigatória, a Constituição Federal de 1988 determina a progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade da sua oferta. A educação superior tem como algumas de suas finalidades: o estímulo à criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo; incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive. Ela abrange cursos seqüenciais nos diversos campos do saber, cursos de graduação, de pós-graduação e de extensão. O acesso à educação superior ocorre a partir dos 18 anos, e o número de anos de estudo varia de acordo com os cursos e sua complexidade. No que se refere às modalidades de ensino que permeiam os níveis anteriormente citados, tem-se: • Educação especial: oferecida, preferencialmente, na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais. • Educação de jovens e adultos: destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria. • Educação profissional: que, integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e à tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. É destinada ao aluno matriculado ou egresso do ensino fundamental, médio e superior, bem como ao trabalhador em geral, jovem ou adulto (art. 39). Além dos níveis e modalidades de ensino apresentados, no Brasil, devido à existência de comunidades indígenas em algumas regiões, há a oferta de educação escolar bilíngüe e intercultural aos povos indígenas. Esta tem por objetivos: «i – proporcionar aos índios, suas comunidades e povos, a recuperação de suas memórias históricas; a reafirmação de suas identidades étnicas; a valorização de suas línguas e ciências; ii – garantir aos índios, suas comunidades e povos, o IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 acesso às informações, conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e demais sociedades indígenas e não-índias» (art. 78). POLÍTICAS GERAIS De acordo com o Plano Nacional de Educação (Lei n.º 10.172/2001), uma das principais prioridades refere-se à garantia de acesso ao ensino fundamental obrigatório de oito séries a todas as crianças de 7 a 14 anos. Conforme a legislação educacional brasileira, cabe aos Estados e Municípios a responsabilidade pela oferta do ensino fundamental. No entanto, há que ressaltar o papel da União na assistência técnica e financeira às demais esferas governamentais, a fim de garantir a oferta da escolaridade obrigatória. A consecução desse objetivo tem sido associada a políticas e ações governamentais relacionadas, entre outras, à regularização do fluxo escolar, à formação de professores e à elaboração de diretrizes curriculares. No que se refere à regularização do fluxo escolar, as altas taxas de defasagemidade-série presentes nas estatísticas nacionais têm conduzido a formulação e implementação de políticas para correção e adequação das idades dos alunos à série escolar correspondente. Duas políticas são de grande relevância para a consecução desse objetivo: a) a implementação de programas de aceleração de aprendizagem que, com o suporte de materiais didático-pedagógicos específicos, a ênfase na elevação da auto-estima do aluno e a oferta de infra-estrutura adequada aos professores, possibilita o avanço progressivo do aluno às séries e períodos subseqüentes; b) a reorganização do tempo escolar através da implantação dos ciclos escolares, agrupando os alunos de acordo com as etapas de desenvolvimento do indivíduo. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 As políticas de regularização do fluxo escolar têm sido implementadas tanto pelo governo federal em parceria com outras instituições como através da iniciativa dos próprios Estados e Municípios. A reorganização do tempo escolar vem sendo amplamente discutida nessas esferas governamentais, de modo que a sua adesão tem sido crescente. No que diz respeito à formação de professores, ações têm sido direcionadas para garantir formação inicial e continuada dos professores, bem como infra- estrutura adequada para o desenvolvimento do seu trabalho, tais como remuneração adequada, tempo para estudo, atualização e tempo de carreira. Entre essas ações, destacam-se: • Garantia de formação mínima, ou seja, que todos os professores tenham o curso superior completo como formação mínima. • Programas de formação de professores a distância, com a utilização de recursos tecnológicos, como a TV Escola, com o objetivo de formar professores leigos, principalmente em localidades onde o número de professores nessa situação é maior. As políticas relativas à formação de professores são de responsabilidade de todas as esferas governamentais. Esforços têm sido empreendidos a fim de que sejam obtidas parcerias com instituições de ensino superior, organizações não- governamentais e agências de financiamento, de modo a tornar possível a formação mínima exigida pela legislação educacional, que, a partir de dezembro de 2007, será a licenciatura plena, obtida em cursos de nível superior. A definição de referenciais e diretrizes curriculares para os diversos níveis e modalidades de ensino também se encontra entre as prioridades das esferas governamentais. Cabe à União, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 e os Municípios, estabelecer as «competências e diretrizes para a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio, que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica comum» (LDBEN, art. 9º, inciso IV). A concretização de ações com esse direcionamento resultou na definição de: a) referenciais curriculares nacionais para a educação infantil; b) referenciais curriculares para a educação indígena; c) proposta curricular para a educação de jovens e adultos; d) parâmetros nacionais curriculares para o ensino fundamental (de 1ª a 4ª e de 5ª a 8ª série); e) adaptações curriculares para a educação de alunos com necessidades educacionais especiais; f) parâmetros curriculares para o ensino médio; e g) diretrizes curriculares para todos os níveis e modalidades de ensino. CULTURA E SOCIEDADE Todos nós adquirimos nossas características humanas em um contexto sociocultural. Essa condição básica da vida humana levou o filósofo espanhol Ortega e Gasset a dizer: “Eu sou eu e a minha circunstância”. Isso significa que cada um de nós constrói sua identidade a partir do seu ambiente. “Quem sou eu?” é a pergunta que mais cedo ou mais tarde todos nós fazemos. De maneira mais ou IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 menos consciente nos interrogamos sobre nossa identidade pessoal e percebemos quanto os valores e os comportamentos das pessoas que nos rodeiam e que conhecemos mais de perto influenciam nossas ações e ideias. Aprendemos muito do que nos torna seres humanos em um ambiente cultural, aquele em que nascemos e nos desenvolvemos. Poucas pessoas percebem como a vida, e mesmo a personalidade de cada um de nós, é influenciada pela sociedade da qual somos parte. Nascer no Brasil e crescer como membro da sociedade brasileira constitui uma experiência de vida muito diferente da de crescer e ser educado na França, no Japão ou na Índia, por exemplo. E isso tem consequências fundamentais e diversas para o resto de nossas vidas. O estudo das sociedades humanas é importante não só para melhor conhecermos a nós mesmos, mas, também, para melhor compreendermos as pessoas que vivem em outros contextos socioculturais. Nunca como hoje, tantos aspectos da vida humana mudam tão rapidamente e para tantas pessoas ao redor do planeta. E isso tem ocorrido em todas as áreas: nas artes, nas ciências, na religião, na moralidade, na educação, na política, na família e na economia. Todas são afetadas. Nessas circunstâncias, não é surpresa que tenha aumentado de maneira significativa o interesse pelo estudo das sociedades humanas, embora constituam um fenômeno dos mais complexos e as ciências sociais integrem um campo de pesquisa jovem em que predomina o debate e a controvérsia. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 A sociedade é uma forma de organização que se desenvolveu aos poucos, em correntes animais distintas e, em inúmeras vezes, independentemente uma das outras. A forma societal é encontrada não apenas entre os humanos, mas, também, entre muitas espécies de mamíferos, pássaros, peixes e mesmo entre insetos, facilitando, através da adaptação, a sobrevivência e a multiplicação. Estudos comparativos de sociedades animais desenvolvidos pela Biologia Evolutiva mostram que a individualidade tende a ser suprimida em sociedades de insetos, por exemplo, em que os mecanismos genéticos são responsáveis por regular a vida social do grupo (pense nas sociedades de abelhas e de formigas). O sociólogo Gerhard Lenski, em seu livro As Sociedades Humanas (em inglês, Human Societies) desenvolve uma análise que muito nos ajuda a compreender a importância da dimensão cultural para a nossa vida individual e a sobrevivência da espécie humana. Na perspectiva do processo de evolução das espécies animais, Lenski assinala que de forma contrastante com outras espécies, “a individualidade é marcante nas sociedades dos mamíferos o que, por sua vez, significa que a unidade social, tão importante para a sobrevivência das espécies, depende em grande parte de comportamentos a serem aprendidos”. Dessa forma, quanto mais a individualidade ganha realce em uma espécie, maior é a importância dos processos de aprendizagem para a realização e desenvolvimento de cada membro assim como da espécie como um todo. O fato de que todas as espécies de macacos e primatas vivem em grupos sociais sugeriu uma questão aos pesquisadores da área: por queIPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 isso ocorre? Os estudos sobre comportamento de primatas permitiram concluir que a razão principal reside no aumento de oportunidades de aprendizagem que a organização em sociedade oferece. Foi observado que “o grupo é o lugar de conhecimento e experiência que ultrapassa em muito o do membro como indivíduo”. É no grupo que as experiências tornam-se mais vantajosas e com benefício mútuo, recíproco. Entretanto, todos nós percebemos o quanto os humanos são diferentes na sua capacidade de aprendizagem. Sobre isto Lenski escreveu: “se comparamos os humanos, do ponto de vista físico, com outros antropóides, as diferenças são menores do que as que separam esses antropóides dos outros animais. Do ponto de vista comportamental, entretanto, ocorre o oposto. (...) O ser humano ultrapassou um ponto crítico no processo de evolução com apenas pequena mudança genética, abrindo o caminho para um extraordinário avanço comportamental. Esse curioso desenvolvimento está ligado à imensa capacidade para aprender que os humanos possuem. Isto tornou possível um modo original e próprio de adaptação ao ambiente que os cientistas sociais chamam de cultural. Essa é uma característica crucial da vida humana.” IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 O QUE É CULTURA? Uma pergunta retorna sempre e tem se mostrado de difícil resposta: o que constitui, então, a natureza humana? Gradualmente, observa Lenski, começamos a perceber de forma um pouco mais clara isso que chamamos de “natureza humana”. Com as descobertas relativamente recentes do DNA, RNA, do código genético e de todas as pesquisas biológicas atuais, é possível entender um pouco melhor o que influencia nossa maneira de ser e de agir. Dessa forma,“muitos cientistas sociais consideram que o termo natureza humana não se refere ao que é mais específico do comportamento humano – como as pessoas se vestem, como casam, o que comem, como enterram seus mortos, como praticam suas crenças. Esses são costumes socialmente determinados e que variam intensamente.” Consequentemente, o termo natureza humana tende a ser utilizado mais em relação a tendências básicas enraizadas em nossa herança genética comum e que, portanto, independem do que é específico de cada sociedade e dos comportamentos que as pessoas aprendem no ambiente social em que vivem. Nessa perspectiva, o termo “natureza humana” estaria referenciado às “necessidades biológicas básicas do ser humano, à sua motivação geneticamente programada para satisfazê-las, à sua dependência, geneticamente baseada, de sistemas socioculturais e, também, ao seu potencial, geneticamente estabelecido para a construção cultural”. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 Para acentuar a diferença que distingue os humanos do resto do mundo animal, os antropólogos buscaram vincular o termo cultura ao conceito de “símbolos”. Podemos garantir tudo que é fundamental em uma definição de cultura se a consideramos como “os sistemas de símbolos da humanidade e todos os aspectos da vida humana que deles dependem”. De um modo geral esse é o aspecto que mais nos distingue de todos os outros seres vivos. Mas o que são “símbolos” e “sistemas de símbolos”? Lenski esclarece que todos os mamíferos são capazes de comunicar com outros de sua espécie e o fazem através de “sinais”. Só os humanos, no entanto, usam “símbolos” tanto quanto “sinais”. Símbolos e sinais são veículos de transmissão de informação. Mas há uma fundamental diferença: o significado de um sinal é amplamente determinado de forma genética, é uma resposta geneticamente determinada por um estímulo específico. Um exemplo clássico de um sinal é o grito de dor emitido por um animal ferido. Outro membro do grupo responde instintivamente a esse som ou pode aprender através da observação e experiência a associá-lo com os humores e ações dos demais membros de seu grupo. E, com isso, ele pode ajustar o seu comportamento. Os sinais são extremamente úteis para ordenar as relações sociais entre os membros de um grupo. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 Os animais aprendem a associar experiências e por meio de sinais comunicam aos outros de sua espécie, informações essenciais – como uma ameaça de perigo – através de movimentos do corpo, secreções glandulares ou outros métodos e suas combinações. Em geral, no entanto, os sinais são muito limitados em seu poder de comunicação. Os símbolos, em contraste, como não são condicionados geneticamente, são flexíveis e podem ser modificados facilmente. Pense na história de qualquer linguagem. Símbolos linguísticos foram modificados ao longo dos tempos enquanto seus significados permaneceram os mesmos e vice- versa. Isso ocorre porque os significados dos símbolos são atribuídos pelos grupos sociais de maneira arbitrária, adotados pelos seus membros e, portanto, não estão submetidos a regras prèviamente definidas e podem modificar-se com o tempo e as circunstâncias. A invenção da escrita, por exemplo, significou uma revolução na história da humanidade porque possibilitou aos seres humanos acumular informação muito além das suas capacidades biológicas. E isso só foi possível através de um sistema de símbolos – as letras do alfabeto. Pela combinação e recombinação das letras somos capazes, indefinidamente, de formar palavras e frases, transmitindo informações de todos os tipos às gerações que se sucedem. E fazemos isso ultrapassando em muito nossa capacidade de memória individual e independentemente do contato pessoal. Considere, também, a grande transformação cultural que ocorre nos nossos dias com o uso ampliado da Internet. São criações humanas que ampliam e atribuem novas formas e características ao mundo em que vivemos. Podemos dizer, portanto, que os símbolos são veículos culturalmente determinados para a transmissão de informações de qualquer natureza. O antropólogo Clifford Geertz, em seu livro A Interpretação das Culturas, ao analisar a relação entre o desenvolvimento da cultura e a evolução da mente humana considera que foi no período pré-histórico da Era Glacial que foram forjadas quase todas as características da existência do ser humano que são mais impressivamente humanas. Em uma mesma época da IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 história evolutiva desenvolveram-se de forma combinada e interativa a totalidade do sistema nervoso do cérebro humano, a estrutura social baseada no tabu do incesto e a capacidade de criar e usar símbolos. “O fato de que essas características distintivas de humanidade”, escreveu Geertz, “emergiram juntas e em interação complexa uma com a outra (...) é de excepcional importância na interpretação da mentalidade humana, porque sugere que o sistema nervoso humano não apenastorna o homem capaz de adquirir cultura mas demanda positivamente que ele assim o faça para que possa funcionar.” Hoje, as pesquisas da neurociência tem comprovado a importância das atividades de natureza cultural que, associadas às atividades físicas, são a melhor maneira de avançar em idade de forma saudável e com lucidez. Nas sociedades tecnologicamente avançadas dos nossos dias, o volume de informação transmitido de geração para geração tornou-se tão grande que nenhum membro individual consegue dominá-lo. Assim, diz Lenski, “se os indivíduos são os portadores da cultura, a cultura em sua totalidade é a propriedade de uma sociedade. Nesse sentido podemos dizer que os sistemas de símbolos tem uma função do ponto de vista cultural, semelhante ao do sistema genético. Ambos são mecanismos que facilitam a adaptação de populações ao seu ambiente, através da aquisição, de acúmulo, da transmissão e uso de informações relevantes”. Através da criação de sistemas de símbolos os seres humanos foram capazes de modificar seus comportamentos de maneira significativa, tornando sua adaptação ao ambiente cada vez mais eficiente e isso sem qualquer transformação orgânica importante. O antropólogo Clifford Geertz, sob a influência do grande cientista social Max Weber, acredita que “o ser humano é um animal envolvido em teias de significados que ele próprio teceu”. Cultura, para Geertz, são essas redes e sua análise deve ser um estudo interpretativo de seus significados. Para analisar e conhecer uma cultura é preciso interpretar os sinais e símbolos que são utilizados nos processos de comunicação de um grupo social, de um povo ou de uma nação. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 O conceito de cultura está entre os mais usados na Sociologia e refere-se às formas de vida dos membros de uma sociedade ou de grupos dentro da sociedade, incluindo todas as formas de arte, com suas linguagens próprias (a literatura, a música, as artes plásticas, etc.), as várias formas de expressão que se manifestam no modo de vestir das pessoas, em seus costumes, em seus padrões de comportamento, os seus rituais religiosos, as suas ideias, crenças e princípios orientadores da vida (como as teorias científicas, as doutrinas religiosas e as ideologias). O mundo da cultura é constituído de uma trama complexa dos elementos que contribuem para a organização da vida cotidiana, como os estilos de vida familiar e as atividades de lazer que caracterizam nosso ambiente de convivência, e dos mecanismos sociais desenvolvidos para a resolução dos problemas da vida coletiva, como as formas de organização da vida escolar, da política ou da produção da vida material. A cultura é um vasto campo que abrange tanto as ideias abstratas que traduzem a vida da imaginação e do pensamento, com suas linguagens próprias, quanto os arranjos sociais e os instrumentos que permitem e favorecem a cooperação entre as pessoas nas formas das organizações sociais, possibilitando melhorar nossa habilidade em alcançar o que precisamos e desejamos para nós mesmos. Dessa forma a noção de cultura envolve tanto aspectos “intangíveis” - como valores, crenças, ideias, teorias e normas sociais- quanto aspectos “tangíveis” – como objetos, produtos do trabalho, das artes, da ciência e da tecnologia. Os valores e as normas sociais definem o que é considerado fundamental e desejável para a orientação da vida das pessoas em suas interações sociais. Os valores informam nossas crenças morais dando sentido e direção às nossas vidas, enquanto as normas são regras comportamentais que definem o que é esperado das ações individuais no contexto da convivência social. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 As normas dizem o que devemos fazer ou é proibido fazer em situações específicas. Em alguma medida as normas sociais, escritas ou não na forma de leis, refletem os valores predominantes de uma cultura em uma determinada sociedade. Todos esses elementos, tangíveis e intangíveis, são constitutivos da cultura e são compartilhados pelos membros da sociedade, formando um contexto comum para os seus integrantes e dando sentido às suas vidas, ações e atividades. AS DIVERSIDADES CULTURAIS É fácil percebermos, quando entramos em contato com aspectos da vida de outras sociedades, como seus ambientes culturais e os comportamentos de seus membros são diferentes dos nossos e, às vezes, de forma acentuada. Quando temos a oportunidade de conhecer e comparar diversas culturas, por leituras e estudos ou em viagens, adquirimos consciência da importância da dimensão cultural para as nossas vidas e para a vida coletiva em geral. Isso também ajuda a esclarecermos o conceito sociológico de cultura. Sociedades de tempos históricos diversos ou em espaços geográficos diferentes, desenvolveram modos de vida, valores e crenças que em muitos aspectos e, às vezes, de maneira bastante radical, diferem e divergem dos nossos. Ao comparar e comentar diferentes culturas deve-se prestar atenção para eventuais manifestações de “etnocentrismo”, a tendência que desenvolvemos em julgar elementos de outras culturas com base nos padrões da nossa cultura, o que torna difícil simpatizar com as ideias ou aceitar os comportamentos das pessoas de uma cultura diferente. Os problemas envolvidos nas comparações e avaliações IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 culturais levantam uma questão que tem se tornado fonte de grande debate, transformando-se em foco de tensão no mundo da política global, especialmente para os que lidam na esfera internacional dos direitos humanos. Trata-se do significado e abrangência do relativismo cultural no mundo contemporâneo. A questão é a seguinte: é possível avaliarmos os valores e normas de outra cultura? Baseados em que critérios podemos julgar outra forma de vida cultural como melhor ou inferior à nossa? Essa é uma questão polêmica que provoca grandes debates nas ciências sociais. O sociólogo Anthony Giddens pergunta: no Afeganistão, “as políticas do Talibã para as mulheres são aceitáveis no início do século XXI?” O relativismo cultural –“ou seja, suspender suas próprias crenças culturais profundamente sustentadas e examinar uma situação de acordo com os padrões de outra cultura – pode ser repleto de incerteza e desafio”.( ...) “ Questões preocupantes são levantadas. O relativismo cultural significa que todos os costumes e comportamentos são igualmente legítimos? Haveria padrões universais aos quais todos os humanos deveriam aderir?” Giddens acrescenta, “não há soluções simples para esse dilema e para dúzias de outros casos nos quais normas e valores culturais não coincidem.” ...E ensina uma lição básica para todo o estudante de Sociologia: “O papel do sociólogo é evitar “respostas automáticas” e examinar questões complexas cuidadosamente a partir de tantos ângulos diferentes quanto possível.” Essas inúmeras questões são um alerta e devem intensificar nossa disposição para conhecer os diversos sistemas socioculturais para melhor compreenderos mecanismos que facilitam assim como os que dificultam a convivência humana, necessariamente, de cunho social. De um lado a cooperação, IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 a convivência mais equilibrada e harmoniosa, de outro, os antagonismos, os conflitos e as guerras. Os processos da globalização econômica, da revolução na informática, da mídia, da superação das barreiras geográficas vem transformando o mundo em uma grande “aldeia global”. Em que medida esses fenômenos estão produzindo uma cultura universal, válida para todos os povos? Em que sentido podemos afirmar isso? Quais os possíveis danos para a vida das pessoas e para os diferentes grupos sociais com raízes histórico-culturais distintas? Como fenômeno humano as culturas dos povos são dinâmicas e sofrem mudanças. Os indivíduos agem e reagem às influências do ambiente em que vivem e às transformações de seu tempo. Os grupos sociais se mobilizam e movimentam-se no sentido de alterar as suas condições de vida. Continuidade e mudança são dimensões inerentes à vida das sociedades e das culturas. As mudanças podem ocorrer de forma mais lenta,como nos tempos mais antigos, como podem tornar-se rápidas e permanentes como tem ocorrido desde os tempos modernos. É importante observar que “as culturas ultrapassam seus criadores”, como diz Lenski. Cada um de nós nasce em uma sociedade com uma cultura estabelecida e é somente através do domínio dessa cultura que somos capazes de satisfazer nossas necessidades e aspirações. Mas, no processo de dominar a cultura, a cultura tende a nos controlar e fazer de nós suas criaturas. Em um sentido, ela define mesmo nossos objetivos na vida e dá forma aos padrões de nossos pensamentos. Por isso encontramos dificuldade em desaprender o que aprendemos no passado. E isso é especialmente marcante nas pessoas mais velhas. Por outro lado é sempre possível IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 uma adaptação consciente e deliberada a um novo ambiente ou a uma mudança cultural. Isso implica que processos de mudança cultural ocorrem e podem até ser controlados e mesmo planejados. Esse tema, o da mudança cultural, é especialmente importante na medida em que envolve o debate em torno das questões que dizem respeito às transformações da sociedade. Em geral, novos elementos culturais são acrescentados em uma base de continuidade. Em certos momentos ocorre o abandono de componentes culturais que são substituídos por outros novos. Se nós pensarmos nos vários instrumentos de comunicação utilizados através dos séculos nós teremos uma boa amostra das significativas mudanças culturais e das consequências dessas mudanças para a vida das pessoas. Mas muitas mudanças envolvem, ao mesmo tempo, continuidade, como é o caso do alfabeto que usamos há mais de três mil séculos, assim como o conceito de justiça que perdura desde tempos ainda mais antigos. SOCIALIZAÇÃO: UMA APRENDIZAGEM PERMANENTE O processo através do qual aprendemos a cultura da sociedade em que vivemos é o que chamamos de socialização. De um modo geral, os seres humanos são dotados de uma grande capacidade para aprender a agir de maneira socialmente responsável. A socialização é um processo sócio-psicológico bastante complexo que se inicia no momento do nascimento. O objetivo principal de tal IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 processo é adaptar o indivíduo aos costumes, comportamentos e modos da cultura do seu ambiente social para que possa aprender a sobreviver por si mesmo e ser capaz de, gradativamente, controlar seu comportamento de acordo com as exigências da vida em sociedade. Ao aprender o significado que a Sociologia atribui ao processo de socialização e as maneiras como este processo se desenvolve, podemos ampliar nossa visão e conhecimento sobre os mecanismos que operam nas sociedades e que dizem respeito à vida cultural. Isso possibilita uma melhor compreensão do modo e estilos de vida da sociedade em que nascemos e no qual nossas identidades, pessoal e de grupo, se desenvolvem. Através do processo de socialização nos tornamos, gradualmente, pessoas autoconscientes e capazes de lidar de forma competente com o mundo a nossa volta. O estudo dos processos de socialização pode contribuir para uma melhor compreensão de fatores que influenciam na construção das identidades pessoais (auto-identidade) e das identidades dos grupos sociais a que pertencemos como a família, o gênero, o grupo religioso, o grupo de convivência social, o profissional e outros. O processo de socialização é o principal mecanismo que uma sociedade possui para a transmissão da cultura através do tempo e das gerações. A socialização, além de estar diretamente relacionada com as identidades sociais, deve ser vista como um processo que dura a vida toda na medida em que as nossas ideias e o nosso comportamento são continuamente influenciados pelos relacionamentos sociais e pelo ambiente em que vivemos. É através da socialização que aprendemos e incorporamos os hábitos, os costumes, valores e normas da vida cultural de nossa sociedade. Desde o nascimento, através da infância e da adolescência e mesmo na vida adulta, estamos continuamente a aprender comportamentos e formas de interagir em diversos e novos ambientes a que somos expostos em nossa trajetória de vida. Nossa IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 identidade se modifica ao atingirmos diferentes estágios de desenvolvimento e ao assumirmos papéis sociais diversos que se alternam e multiplicam ao longo da vida. GLOBALIZAÇÃO A rapidez da internet parece uma ação meio mágica, além das relações que os indivíduos estabelecem no cotidiano. Veja que a internet imprime uma velocidade à vida cotidiana como se todos fossem ficar com mais tempo livre para o lazer. Será que realmente é assim, no cotidiano das pessoas que trabalham e necessariamente precisam da internet como instrumento de trabalho? Você conhece alguém que aumentou ou que diminuiu a sua jornada em função desta “mágica”? Com ela parece que o mundo ficou menor, ou mais Global? Por exemplo, já reparou na roupa e nos acessórios que os jovens de outros lugares do mundo usam? Não é da mesma marca que o seu tênis, o seu celular, a sua televisão? No cinema, as estréias são mundiais, o que significa que você e os habitantes de outras regiões do globo podem assistir ao filme em uma curta diferença de tempo. E o que tudo isto têm haver com você? Você consome produtos, utiliza a internet, vai ao cinema... parece que tem muito!. Mas para entendermos o quanto ela interfere na sua vida vamos entender porque é que ficamos com a impressão de que o mundo ficou menor ou mais global. Para isso vamos começar lendo os trechos das notícias que seguem: IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55(31) 3411-3143 Aumenta tensão às vésperas da cúpula do G-8 Gênova – Cerca de 20.000 policiais patrulhavam a cidade italiana de Gênova e seus arredores enquanto cerca de 50.000 pessoas realizavam nesta quinta-feira, às vésperas do início da cúpula do Grupo dos Oito (G-8), o primeiro de uma série de protestos contra a globalização e de maneira geral contra as políticas do Primeiro Mundo em relação aos países mais pobres. Foi um evento pacífico contra as restrições aos imigrantes. Em tom festivo, os participantes carregavam cartazes e gritavam palavras de ordem. Ambientalistas seguravam enormes balões verdes e uma banda tocava música. Mas a tensão aumentou no norte da Itália por causa de três falsas suspeitas de bomba, uma em Milão, outra em Florença e uma em Turim. A polícia italiana permanece em alerta máximo e mantém rígido controle nos 27 postos fronteiriços do país. (...) Grupos de imigrantes da África e da América Latina lideravam o cortejo, alguns carregando bandeiras de Colômbia, Argentina e Peru. Havia cartazes com as mais diversas reivindicações, como a de integrantes da comunidade curda na Europa, pedindo a libertação do líder rebelde Abdullah Ocalan e “paz no Curdistão”. Polícia bloqueia acesso a local de reuniões da OMC em Hong Kong Polícia e manifestantes contra a OMC (Organização Mundial do Comércio) voltaram a se enfrentar nas ruas de Hong Kong neste sábado, no dia dos confrontos mais violentos desde o início da reunião da organização, na terça-feira (13). As principais entradas do centro de convenções onde acontece a reunião foram trancadas e guardadas por grupos de policiais. Os grupos de manifestantes são formados principalmente por agricultores sulcoreanos e ativistas de países do sudeste asiático e europeus que se opõem à liberalização do comércio global. De acordo com a rede de TV local, cerca de 30 pessoas ficaram feridas. A polícia, no entanto, informou que o confronto deixou cinco feridos, incluindo um policial. Cerca de 10 mil ativistas antiglobalização estão em Hong Kong para protestar contra a reunião da organização, que tenta chegar a um acordo sobre a liberalização do comércio mundial. Dos manifestantes, 2.000 são fazendeiros sul-coreanos, considerados o grupo asiático que mais se opõe à abertura do comércio agrícola. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 (...) A manifestação começou de forma pacífica, com os manifestantes levando rosas e balões amarelos, nos quais se lia o slogan “Não, não OMC”. O aumento no número de ativistas, no entanto, levou alguns deles, mais próximos às barreiras, a empurrar alguns policiais. (...) Com a leitura dos trechos das notícias acima você pôde perceber que existem reuniões entre os representantes dos países ricos, em alguns lugares do mundo e que existem pessoas que são contra elas. Se você leu com atenção observou que essas pessoas se reúnem para protestar contra o G-8., FMI, OMC. São siglas que vão aparecer nos noticiários de jornais e são relativas à globalização. Globalização novamente! O que isto tem a ver com a sociedade em que vivemos? Bem, vivemos numa sociedade capitalista que está organizada a partir da valorização do capital, isto é, a riqueza que é propriedade do capitalista. Esta é empregada no processo produtivo – novas tecnologias, novas matérias-primas, novas fábricas – e possibilita que um novo acúmulo de riqueza/capital seja gerado. Este acúmulo ocorre a partir da extração da mais-valia que pode ser absoluta quando o trabalho se estende em jornadas longas ou além da jornada estipulada legalmente, ou relativa que é gerada pela produção de mais produtos via a utilização de novas tecnologias que intensificam a produção. LENDO E REFLETINDO A REALIDADE A globalização e a crise do social Haroldo Abreu O atual padrão mundial de acumulação e desenvolvimento, assentado no domínio das informações, do saber e das IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 novas tecnologias - reduz a oferta de empregos produtivos e reforça as tendências de exclusão de uma parcela cada vez maior de seres humanos das condições e dos frutos do desenvolvimento, agravando o desemprego, a miséria e as diversas formas de alienação. Ao valorizar a competição que favorece o mais poderoso e/ou mais apto (e nesse sentido revalorizando a desigualdade em detrimento da solidariedade, da justiça e da equidade), a reestruturação em curso vem estimulando novos e velhos preconceitos sociais, religiosos, nacionais, étnicos. O desenvolvimento capitalista - universalizador e diferenciador da humanidade - é hoje soberano e reina em todos os quadrantes do planeta praticamente sem concorrência. A globalização da sociedade humana se consuma sob a égide desse modo de produção e de seu estilo de vida social. O planeta configura-se hoje como um espaço social unificado e desigualmente dividido. A divisão do trabalho e da riqueza entre norte e sul articula-se com as profundas diferenças intra-regionais e nacionais. Os indicadores de miséria e exclusão social são assustadores na Ásia, na África e na América Latina. Mas também estão presentes, embora em outra escala, nas sociedades de capitalismo avançado, de consumo de massa e welfare state. Situação, aliás, que vem se agravando nas duas últimas décadas, marcadas por períodos de recessão, endividamento internacional, concentração da riqueza, reestruturação produtiva e liberalização indiscriminada dos mercados. O desemprego e o subemprego, estruturalmente críticos e endêmicos no chamado 'Terceiro Mundo', crescem em proporções ameaçadoras à estabilidade sócio-política nas nações capitalistas. A OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico) admite a existência de mais de 35 milhões de desempregados entre seus 24 países membros; outros tantos perderam emprego com a reestruturação forçada no antigo bloco soviético; enquanto mais da metade da população economicamente ativa na África, Ásia e América Latina situa-se fora do mercado formal de trabalho e, assim, do acesso aos meios de desenvolvimento e de exercício dos direitos de cidadania. No caso brasileiro, esta crise/esgotamento do modelo de regulação do Estado tornou-se ainda mais explícita com a exigência da sociedade civil e as reivindicações de diferentes categorias e movimentos sociais por direitos de cidadania. As instituições estatais-corporativas de controle e coerção perderam progressivamente a sua eficácia, deixando, assim, de serem funcionais à reprodução da ordem. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 Por tudo isso, parece razoável supor que a crise do Estado brasileiro se insere em uma crise dos Estados nacionais de suas formas objetivas de regulação. Esta crise torna-se mais ampla e complexa quando a associamos à desarticulação das entidades coletivas das classes subalternas, enquanto atores sociais e políticos, e à restruturação da economia mundial e das relações internacionais. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS Preâmbulo Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo; Considerando que o desconhecimentoe o desprezo dos direitos humanos conduziram a atos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração humanos; Considerando que é essencial a proteção dos direitos humanos através de um regime de direito, para que o homem não seja compelido, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão; Considerando que é essencial encorajar o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações; Considerando que, na Carta, os povos das Nações Unidas proclamam, de novo, a sua fé nos direitos fundamentais humanos, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres e se IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 declararam resolvidos a favorecer o progresso social e a instaurar melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla; Considerando que os Estados membros se comprometeram a promover, em cooperação com a Organização das Nações Unidas, o respeito universal e efetivo dos direitos humanos e das liberdades fundamentais; Considerando que uma concepção comum destes direitos e liberdades é da mais alta importância para dar plena satisfação a tal compromisso: A Assembléia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos humanos como ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim de que todos os indivíduos e todos os órgãos da sociedade, tendo-a constantemente no espírito, se esforcem, pelo ensino e pela educação, por desenvolver o respeito desses direitos e liberdades e por promover, por medidas progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhecimento e a sua aplicação universais e efetivos tanto entre as populações dos próprios Estados membros como entre as dos territórios colocados sob a sua jurisdição. Artigo 1° Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade. Artigo 2° Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autônomo ou sujeito a alguma limitação de soberania. Artigo 3° Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 Artigo 4° Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos. Artigo 5° Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. Artigo 6° Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento, em todos os lugares, da sua personalidade jurídica. Artigo 7° Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual proteção da lei. Todos têm direito a proteção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação. Artigo 8° Toda a pessoa tem direito a recurso efetivo para as jurisdições nacionais competentes contra os atos que violem os direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição ou pela lei. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 Artigo 9° Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado. Artigo 10° Toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa seja equitativa e publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial que decida dos seus direitos e obrigações ou das razões de qualquer acusação em matéria penal que contra ela seja deduzida. Artigo 11° 1. Toda a pessoa acusada de um ato delituoso presume-se inocente até que a sua culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas. 2. Ninguém será condenado por ações ou omissões que, no momento da sua prática, não constituíam ato delituoso à face do direito interno ou internacional. Do mesmo modo, não será infligida pena mais grave do que a que era aplicável no momento em que o ato delituoso foi cometido. Artigo 12° Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a proteção da lei. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 Artigo 13° 1. Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado. 2. Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de regressar ao seu país. Artigo 14° 1. Toda a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar de asilo em outros países. 2. Este direito não pode, porém, ser invocado no caso de processo realmente existente por crime de direito comum ou por atividades contrárias aos fins e aos princípios das Nações Unidas. Artigo 15° 1. Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade. 2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacionalidade nem do direito de mudar de nacionalidade. Artigo 16° 1. A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. Durante o casamento e na altura da sua dissolução, ambos têm direitos iguais. 2. O casamento não pode ser celebrado sem o livre e pleno consentimento dos futuros esposos. 3. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção desta e do Estado. Artigo 17° 1. Toda a pessoa, individual ou coletivamente, tem direito à propriedade. 2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua propriedade. Artigo 18° Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos. Artigo 19° Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão.Artigo 20° 1. Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas. 2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação. Artigo 21° 1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direção dos negócios, públicos do seu país, quer diretamente, quer por intermédio de representantes livremente escolhidos. 2. Toda a pessoa tem direito de acesso, em condições de igualdade, às funções públicas do seu país. 3. A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos: e deve exprimir-se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio universal e igual, com voto secreto ou segundo processo equivalente que salvaguarde a liberdade de voto. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 Artigo 22° Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país. Artigo 23° 1. Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à proteção contra o desemprego. 2. Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual. 3. Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de proteção social. 4. Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para defesa dos seus interesses. Artigo 24° Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres, especialmente, a uma limitação razoável da duração do trabalho e as férias periódicas pagas. Artigo 25° 1. Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade. 2. A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozam da mesma proteção social. Artigo 26° 1. Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional dever ser generalizado; o acesso aos IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito. 2. A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos humanos e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das atividades das Nações Unidas para a manutenção da paz. 3. Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o gênero de educação a dar aos filhos. Artigo 27° 1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam. 2. Todos têm direito à proteção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer produção científica, literária ou artística da sua autoria. Artigo 28° Toda a pessoa tem direito a que reine, no plano social e no plano internacional, uma ordem capaz de tornar plenamente efetivos os direitos e as liberdades enunciadas na presente Declaração. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 Artigo 29° 1. O indivíduo tem deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade. 2. No exercício destes direitos e no gozo destas liberdades ninguém está sujeito senão às limitações estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a promover o reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos outros e a fim de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar numa sociedade democrática. 3. Em caso algum estes direitos e liberdades poderão ser exercidos contrariamente aos fins e aos princípios das Nações Unidas. Artigo 30° Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma atividade ou de praticar algum ato destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados. IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 BIBLIOGRAFIA BENEVIDES, M. V. Educação em direitos humanos: de que se trata? Convenit BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Rio de Janeiro: Campus, 1992. BOFF, Leonardo et alli (Coord.), Tomo III - Direitos humanos, direito dos pobres. Série V - Desafios da vida na sociedade. 2 ed. São Paulo: Vozes, 1992. BOUCAULT, Carlos Eduardo de Abreu e outra (Org.). Os direitos humanos e o direito internacional. Rio de Janeiro: Renovar, 1999. BRITO FILHO, José Cláudio Monteiro de. 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