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CURSO: Licenciatura em Letras – Habilitação em Língua Portuguesa e suas Literaturas MÓDULO: I DISCIPLINA: INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA AUTORA: Profª. Drª.Wany Bernardete de Araújo Sampaio UAB – RO FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO CENTRO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E NOVAS TECNOLOGIAS UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL Dra. Wany Sampaio Apresentação do Componente Curricular INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA Caro (a) aluno (a), O curso de Letras-Português tem por objetivo primeiro a formação de professores de Língua Portuguesa e Literatura. No contexto de nosso curso, a Introdução à Linguística é um componente curricular de fundamental importância na nossa formação profissional, pois, em sendo a Linguística a ciência que estuda a linguagem humana articulada, ela nos dá as bases para o conhecimento científico das línguas do mundo. A estreita relação da Linguística com as mais diversas áreas do conhecimento (Antropologia, Filosofia, Pedagogia, Psicologia, Fonoaudiologia, Sociologia, Física, Informática, Literatura, Artes Cênicas, Música, etc.) nos possibilita um conhecimento geral e, ao mesmo tempo, específico das línguas e das culturas, especialmente quanto aos aspectos da diversidade linguística e cultural nas sociedades do mundo. Os conhecimentos oferecidos pela Linguística estão relacionados a todas as outras disciplinas do curso de Letras, a todos os tipos de textos em circulação na sociedade; é uma disciplina que, por sua grande aplicabilidade científica e social, poderia ser ministrada em todos os cursos acadêmicos. Vamos trabalhar juntos, interagindo através de diferentes tipos de textos, buscando construir nossa aprendizagem sobre os temas propostos por este componente curricular. Trabalharemos a disciplina de Introdução à Linguística em três UNIDADES, cada uma das quais estará subdividida em três SUBUNIDADES, de acordo com o seguinte mapa conceitual: METODOLOGIA DE TRABALHO Em cada uma das unidades, você encontrará um TEXTO-BASE, com discussões sobre o tema selecionado para estudo. No decorrer de sua leitura, você encontrará comentários e perguntas para reflexão sobre aspectos fundamentais na discussão. Sugerimos que você tenha um caderno de anotações para, no decorrer da leitura, anotar suas dúvidas, questionamentos e sugestões. Nas unidades, você encontrará também PROPOSTAS DE ATIVIDADES que servirão de ponto de partida para sua participação nos FÓRUNS de DISCUSSÂO. Em cada unidade haverá uma seção denominada de SABER MAIS, com o propósito de sugestões de novas leituras para o aprofundamento dos temas. AVALIAÇÃO A avaliação da disciplina será realizada levando-se em consideração: leitura dos textos sugeridos; desenvolvimento das atividades propostas no texto-base; anotações e questionamentos levantados no seu caderno de anotações. Além do texto-base e dos complementares, há indicações bibliográficas e webgráficas que o auxiliarão a ampliar seus conhecimentos dos temas enfocados nessa disciplina. Assim, seu percurso para o desenvolvimento desta disciplina consistirá em: • Leitura do texto-base. • Leitura dos textos complementares. • Produção de um caderno de anotações, com registro das reflexões desenvolvidas ao longo das leituras. • Resolução das atividades de avaliação propostas nas subunidades e ao final de cada uma das unidades. BIBLIOGRAFIA BÁSICA: BENVENISTE, E. Problemas de Linguística Geral II. Campinas: Pontes, 1989. BORBA, F. da S. Introdução aos Estudos Linguísticos. São Paulo: Pontes, 1998. CAMARA JÚNIOR. J. M. Dicionário de Linguística e Gramática. Petrópolis: Vozes, 1986. CRYSTAL, D. Dicionário de Linguística e Fonética. Rio de Janeiro: Zahar, 1985. LYONS, John. Linguagem e linguística: uma introdução. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987. LOPES, E. Fundamentos da Linguística Contemporânea. São Paulo: Cultrix, 1995. ORLANDI, E. P. O que é Linguística. São Paulo: Brasiliense, 1986. (Coleção Primeiros Passos). SAUSSURE, F. Curso de Linguística Geral. São Paulo: Cultrix, 1995. TRAVAGLIA, L.C. Gramática e Interação: uma proposta para o ensino de gramática no 1º e 2º graus. São Paulo: Cortez, 1996 VANOYE, F. Usos da Linguagem: problemas e técnicas na produção oral e escrita. São Paulo: Martins Fontes, 1987. BOAS LEITURAS e BOM TRABALHO! APRESENTAÇÃO UNIDADE I A Linguística Vamos estudar, na UNIDADE I, o conceito de Linguística, seu objeto de estudo e suas relações com outras disciplinas. Buscaremos, também, discutir as noções de linguagem, signo linguístico e mecanismos de comunicação humana, a fim de que possamos, ao final desta unidade, compreender com segurança o que é a Linguística, o que ela faz e como se relaciona com outros campos do conhecimento, reconhecendo a sua importância em nossa formação e no exercício profissional. Trabalharemos em processos de interação constante, mediatizados pela leitura de textos de diferentes tipos. Assim, é necessário que você se dedique bastante à leitura dos textos propostos, pois ela é fundamental nesse processo. A nossa avaliação consistirá das Propostas de Atividades apresentadas ao final de cada SUBUNIDADE. Tais atividades serão realizadas por você e compartilhadas com outros alunos de sua turma nos fóruns de discussão. Além disso, teremos uma atividade final desta UNIDADE I. Na UNIDADE I – A LINGUÍSTICA, teremos três SUBUNIDADES: SUBUNIDADE 1 – Conceito e Natureza da Linguística; SUBUNIDADE 2 - Objeto de Estudo da Linguística; SUBUNIDADE 3 – Conexão da Linguística com outras Disciplinas. Portanto, nesta UNIDADE I, você realizará três Propostas de Atividades (uma atividade em cada uma das SUBUNIDADES) mais a Atividade Final da UNIDADE I. UNIDADE I - SUBUNIDADE 1 Esperamos que a UNIDADE I possa auxiliar você a compreender os conceitos básicos necessários ao desenvolvimento do Componente Curricular INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA. Vamos ao trabalho! Conceito e Natureza da Linguística INTRODUÇÃO Você está iniciando o seu curso de Letras (Língua Portuguesa)! E também a UNIDADE I do Componente Curricular Introdução à Linguística. Você já parou para pensar sobre LINGUAGEM? Você sabia da existência de uma ciência que se dedica aos estudos da Linguagem humana articulada? Nós, profissionais das Letras, trabalhamos com a Linguagem, com a Língua, com a Fala e, consequentemente, com a Escrita (e a Leitura, é claro!). A linguagem humana se constitui de Signos. Mas não de qualquer signo! São os Signos Linguísticos, portanto, que nos interessam. Veja bem: refletir sobre a Linguagem humana parece difícil, porque a Linguagem é algo que usamos tão cotidianamente que nem prestamos atenção! É como andar! Você já parou para pensar no seu modo de andar? Geralmente, não atentamos para os nossos hábitos e usos do cotidiano. Mas os nossos estudos de Introdução à Linguística nos oportunizarão várias reflexões sobre a Linguagem humana. Vamos, então, mergulhar nesse mundo de estudos da Linguagem? Convido você a iniciar este mergulho, realizando os estudos propostos pela nossa SUBUNIDADE 1: CONCEITO E NATUREZA DA LINGUÍSTICA Bom trabalho!!! CONCEITO E NATUREZA DA LINGUÍSTICA No mundo, tudo tem uma história. Para compreendermos o que é a Linguística, o que ela faz, qual é a sua natureza, vamos começar esta unidade conhecendo um pouco da História da Linguística. Você sabia que a Linguística é uma ciência bem recente? A Linguística só se estabeleceu como ciência no primeiroquartel do século XX. Isto aconteceu com a publicação de uma obra que se tornou muito famosa: Cours de linguistique générale (Curso de linguística geral), em 1916. Esta obra foi produzida por Ferdinand de Saussure, que ficou conhecido como “o pai da Linguística Moderna”. É uma obra póstuma, pois Saussure já havia morrido em 1913. Quem organizou e editou a sua obra foram dois de seus discípulos: Charles Bally e Albert Sechehaye, com a colaboração de A. Riedlinger. Eles se basearam nas anotações que tomaram (eles e outros alunos) durante três cursos de Linguística Geral ministrados por Saussure, na Universidade de Genebra, entre os anos de 1907 a 1911. Borba (1998) diz que, para se constituir como ciência, a Linguística percorreu uma longa trajetória, especialmente porque, para o reconhecimento de uma ciência, é necessária a delimitação de seu objeto e a construção de uma metodologia própria. Na história dos estudos da Linguagem anteriores ao Século XX, não havia ainda uma delimitação do objeto de estudo da Linguística e tampouco a definição de uma metodologia própria. Veja um pequeno fragmento da obra de Saussure: VISÃO GERAL DA HISTÓRIA DA LINGUÍSTICA A ciência que se constituiu em torno dos fatos da língua passou por três fases sucessivas antes de reconhecer qual é o seu verdadeiro e único objeto. Começou-se por fazer o que se chamava de "Gramática". Esse estudo, inaugurado pelos gregos, e continuado principalmente pelos franceses, é baseado na lógica e está desprovido de qualquer visão científica e desinteressada da própria língua; visa unicamente a formular regras para distinguir as formas corretas das incorretas; é uma disciplina normativa, muito afastada da pura observação e cujo ponto de vista é forçosamente estreito. A seguir, apareceu a Filologia. Já em Alexandria havia uma escola "filológica", mas esse termo se vinculou sobretudo ao movimento criado por Friedrich August Wolf a partir de 1777 e que prossegue até nossos dias. A língua não é o único objeto da Filologia, que quer, antes de tudo, fixar, interpretar, comentar os textos; este primeiro estudo a leva a se ocupar também da história literária, dos costumes, das instituições, etc.; em toda parte, ela usa seu método próprio, que é a crítica. Se aborda questões linguísticas, fá-lo sobretudo para comparar textos de diferentes épocas, determinar a língua peculiar de cada autor, decifrar e explicar inscrições redigidas numa língua arcaica ou obscura. Sem dúvida, essas pesquisas prepararam a Linguística histórica: os trabalhos de Ritschl acerca de Flauto podem ser chamados linguísticos; mas nesse domínio a crítica filológica é falha num particular: apega-se muito servilmente à língua escrita e esquece a língua falada; aliás, a Antiguidade grega e latina a absorve quase completamente. O terceiro período começou quando se descobriu que as línguas podiam ser comparadas entre si. Tal foi a origem da Filologia comparativa ou "Gramática comparada". Em 1816, numa obra intitulada Sistema da Conjugação do Sânscrito, Franz Bopp estudou as relações que unem o sânscrito ao germânico, ao grego, ao latim, etc. Bopp não era o primeiro a assinalar tais afinidades e a admitir que todas essas línguas pertencem a uma única família; isso tinha sido feito antes dele, notadamente pelo orientalista inglês W. Jones (f 1794); algumas afirmações isoladas, porém, não provam que em 1816 já houvessem sido compreendidas, de modo geral, a significação e a importância dessa verdade. Bopp não tem, pois, o mérito da descoberta de que o sânscrito é parente de certos idiomas da Europa e da Ásia, mas foi ele quem compreendeu que as relações entre línguas afins podiam tornar-se matéria duma ciência autônoma. Esclarecer uma língua por meio de outra, explicar as formas duma pelas formas de outra, eis o que não fora ainda feito. SAUSSURE, F. Curso de Linguística Geral. 20 ed. São Paulo: Cultrix, 1995. p.7-8 Agora, que você já leu o que diz Saussure, aproveite e faça uma síntese em seu caderno de anotações e depois poste o conteúdo na Biblioteca. Como você leu no fragmento de Saussure, os estudos linguísticos passaram por três fases: a GRAMÁTICA, A FILOLOGIA e a GRAMÁTICA COMPARADA. Ora, Saussure diz que estas fases aconteceram antes de a LINGUÍSTICA estabelecer seu verdadeiro e único OBJETO, ou seja, não se havia ainda definido o Objeto de Estudo da Linguística. QUAL É, ENTÃO, ESTE OBJETO? QUAL FOI A GRANDE “SACADA” DE SAUSSURE? Vejamos o que diz o texto. A GRAMÁTICA se preocupava apenas com a formulação de regras: o que é certo e o que é errado na língua; não tinha fundamentação científica. A FILOLOGIA tinha como finalidade comparar textos; e isso foi muito importante para a Linguística Histórica. A GRAMÁTICA COMPARADA se preocupava com a comparação de línguas para classificá-las em Famílias Linguísticas. Como podemos observar, esses estudos não se voltavam para a Língua COMO ELA É, viva, ocorrendo aqui e agora, no meio social. Saussure propôs a visão científica da Língua, dizendo que A LÍNGUA É UM FATO SOCIAL e, portanto, deve ser analisada como tal. Não apenas uma visão histórica para classificação de línguas ou reconstrução de línguas, ou a busca de uma língua original da humanidade. Mas a língua olhada como fato social. Reconhecer a língua como um fato social, portanto, foi a grande “sacada” de Saussure. Por isso, para ele, a Linguística é a ciência que estuda os fatos da língua, situados no tempo e no espaço. Temos duas questões importantes, ainda, a discutir: 1. DE QUE SE OCUPA A LINGUÍSTICA? Segundo Saussure, É MATÉRIA DA LINGUÍSTICA: TODAS AS MANIFESTAÇÕES DA LINGUAGEM HUMANA ARTICULADA. Saussure fala de Linguagem Humana Articulada. Isto nos leva a refletir sobre as diferentes formas de linguagens verbais e não-verbais. Nós trataremos desse assunto na nossa próxima subunidade. Agora, precisamos compreender que a linguagem humana é diferente da linguagem dos outros animais e que o que vai interessar à Linguística é a linguagem produzida pelo ser humano através do aparelho vocal. Por isso falamos em linguagem humana articulada. Pense um pouco: Por que será que a linguagem humana é diferente da linguagem dos outros animais? Escreva em seu caderno de anotações! 2 QUAIS SÃO AS TAREFAS DA LINGUÍSTICA? Fazer a descrição e a história das línguas. Procurar as forças que estão em jogo, de modo permanente e universal em todas as línguas e deduzir as leis gerais às quais se possam referir todos os fenômenos peculiares da história. Definir-se a si própria. Segundo Saussure, SÃO TAREFAS DA LINGUÍSTICA: Como você pode ver, a Linguística se estabeleceu como ciência, assumindo três grandes tarefas. Para compreender melhor estas tarefas, bem como o conceito e a natureza da Linguística, convido você a ler, a seguir, um fragmento de um autor moderno, o lingüista brasileiro Francisco da Silva Borba. Borba (1998) assim discorre sobre o Conceito e a Natureza da Linguística: 1. A LINGUÍSTICA - CONCEITO E NATUREZA 1.1. Pelo que se viu até aqui talvez não seja difícil perceber que a linguística, ocupando-se da linguagem humana e das línguas naturais , para cumprir seu objetivo básico que ê determinar a natureza da linguagem e a estrutura e funcionamento das línguas, se ramifica em duas direções: 1) Procura desenvolver toda uma metodologia de trabalho que vai desde a delimitaçãodos conceitos operatórios até a discussão e montagem de modelos descritivos e/ou explicativos dos fenômenos linguísticos. Neste nível, a linguística é necessariamente teórica e geral porque não se ocupa de nenhuma língua em particular, mas dos fatos em geral e da maneira como abordá-los. É aí que aparecem as diversas correntes metodológicas e os vários níveis de discussão (ver p. 301). 2) Procura observar e descrever línguas testando métodos e técnicas tentando descobrir como é a estrutura linguística e como funcionam as línguas. Essa pesquisa é do tipo particularizante e, à falta de outro nome, digamos que é especial. Pode ocupar-se de cada língua em particular e, então, chamar-se-á linguística portuguesa, francesa, russa, japonesa etc. ou de várias línguas de um mesmo grupo e, neste caso, teremos linguística românica, germânica, eslava etc. Muitas vezes a descrição se faz pela técnica comparativa: comparam-se vários estados de uma mesma língua ou de línguas aparentadas geralmente para se conhecer a história da(s) língua(s) ou sua filiação ou, então, comparam-se duas línguas diferentes para descobrir em que elas se aproximam e em que se diferenciam, geralmente para fins pedagógicos. No primeiro caso, tem-se a linguística comparada (diacrônica) e, no segundo, a linguística contrastiva (sincrônica). 1.2. O estudo do maior número possível de línguas fornece material para, num nível mais abstrato, determinar-se a natureza e os traços que compõem a linguagem. Enquanto a linguística especial pretende construir gramáticas de línguas particulares, a linguística teórica geral procura montar uma gramática universal (G.U.), que conterá não só os traços básicos encontráveis em qualquer estrutura linguística, mas ainda as condições de funcionamento de toda língua natural. BORBA, F. S. Introdução aos estudos linguísticos. 12 ed. São Paulo: Pontes, 1998. p. 75-76. Reflita sobre o texto de BORBA. Você compreendeu qual é a natureza da Linguística? Anote em seu caderno os conceitos apresentados. Caro(a) aluno(a), Agora, depois que você já leu o texto-base da SUBUNIDADE 1, fez várias reflexões e anotações procure desenvolver as seguintes atividades, buscando avaliar-se em termos da compreensão que você teve do estudo realizado: a) releia o texto-base; b) reveja suas anotações; c) eu sei que muitas palavras novas surgiram para você; então, pense naquelas palavras que você não compreendeu no texto, especialmente as palavras mais técnicas; faça uma busca no dicionário. É bom que você consulte um dicionário de Linguística. Você também pode pesquisar na WEB. É bom que você busque se inteirar do vocabulário específico de Linguística para ter uma boa compreensão dos textos e, consequentemente, um bom aproveitamento em nossos estudos. Estou indicando dois dicionários para você. Eles serão úteis ao longo de todo o curso de Letras e ao longo de sua vida profissional: •DUBOIS, J.; GIACOMO, M.; GUESPIN, l. ET AL. Dicionário de Linguística. 10 ed. São Paulo: Cultrix, 1998. •CAMARA JR. J. M. Dicionário de Linguística e Gramática. 14 ed. Petrópolis: Vozes, 1977. d) agora que você tirou suas dúvidas, procure organizar suas anotações em um pequeno texto, sintetizando o conteúdo desta unidade. Aproveite para trocar e-mails com seu grupo de estudo. Isso ajudará muito você a fazer a avaliação desta SUBUNIDADE 1. CONCLUSÃO Chegamos ao final da SUBUNIDADE 1. Até aqui, falamos um pouco sobre a história da Linguística, seu conceito, natureza e tarefas. Reflita sobre tudo o que vimos e, antes de realizar a avaliação desta SUBUNIDADE1, aprofunde seus estudos lendo o material indicado no link SABER MAIS. Para você saber mais sobre o conteúdo apresentado, leia: ORLANDI, E. P. O que é linguística. São Paulo: Brasiliense, 1986. (Coleção Primeiros Passos). COSTA, S. B. B. A Linguística e os Estudos de Linguagem rumo ao Século XXI. Disponível em: http://www.prohpor.ufba.br/alinguis.html. Acesso em: 26 mar. 2007. Você leu o texto-base da SUBUNIDADE 1 e tomou anotações. Além disso, você leu os textos de Orlandi e Costa, indicados na seção SABER MAIS. Com base nesses textos (e em outros que você pode pesquisar, inclusive textos na internet), procure escrever um texto SEU, discorrendo sobre o conceito e a natureza da Linguística. Não precisa ser um texto muito longo. Pode ser em uma ou duas páginas apenas. Procure produzir e não copiar. Atente para a clareza, a coesão, a coerência do texto e também para a correção ortográfica. Não esqueça de citar as fontes que você consultar. Não esqueça de enviar esta atividade por e-mail para o tutor de sua turma, pois ela será objeto de avaliação. UNIDADE I - SUBUNIDADE 2 Objeto de Estudo da Linguística INTRODUÇÃO Na SUBUNIDADE 1, estudamos o conceito e a natureza da Linguística. Na SUBUNIDADE 2, vamos conhecer mais de perto o Objeto de Estudo da Linguística, ou seja, vamos aprofundar nosso conhecimento a respeito daquilo de que se ocupa a Linguística. Vimos que é matéria da Linguística: TODAS AS MANISFESTAÇÕES DA LINGUAGEM HUMANA ARTICULADA. Vamos refletir um pouco mais sobre isto? Bom trabalho!!! O OBJETO DE ESTUDO DA LINGUÍSTICA Vimos, na SUBUNIDADE 1, que é matéria da Linguística TODAS AS FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA LINGUAGEM HUMANA ARTICULADA. O que quer dizer isto? Para responder esta questão, precisamos refletir sobre o fato de que a comunicação humana é diferente da dos outros animais. É inegável que os outros animais possuem formas de comunicação. Por exemplo, podemos citar as sociedades de abelhas, formigas, gorilas, entre outras, profundamente organizadas e já estudadas por muitos pesquisadores no que se refere aos aspectos comunicativos. O homem, entretanto, comunica-se pela LINGUAGEM ARTICULADA, ou seja, pela emissão de sons significativos produzidos pelo aparelho vocal. Os homens se comunicam através de uma LÍNGUA. Assim, para a Linguística, interessa tudo o que faz parte da língua. Nos processos comunicativos humanos, são utilizadas a LINGUAGEM VERBAL e a LINGUAGEM NÃO-VERBAL. Por LINGUAGEM VERBAL, entendemos a linguagem articulada, a palavra (oral ou escrita). Por LINGUAGEM NÃO-VERBAL, podemos entender todas as outras formas comunicativas que não sejam a palavra: gestos, desenhos, pinturas, sinais, etc. Veja alguns exemplos de LINGUAGEM NÃO-VERBAL: Temos, também, possibilidades de combinação entre LINGUAGEM VERBAL e LINGUAGEM NÃO-VERBAL. Veja os exemplos: Esses símbolos e sinais são todos significativos socialmente e constituem formas de linguagem. Entretanto, à Linguística interessa apenas a LINGUAGEM VERBAL. Voltemos, então, à nossa questão inicial. A linguagem humana, produzida pelo aparelho vocal, é DUPLAMENTE ARTICULADA. Através de Quando fazemos este sinal, queremos dizer PAZ e AMOR. O relógio acima não possui números; sabemos a hora apenas pela posição dos ponteiros. Esta é uma placa de trânsito que adverte o motorista para não usar a buzina. Esta é uma placa indicativa de Aeroporto. BANHEIRO FEMININO FELIZ PÁSCOA!!! uma Língua (aqui entendida como idioma), os homens produzem sons significativos que se combinam em sílabas, formando as palavras: os signos linguísticos. O nível dos sons da língua é estudado, em Linguística, pela FONOLOGIA. O nível da formação e estruturação das palavras é estudado pela MORFOLOGIA. As palavras, em uma língua, se combinamformando sentenças e textos. Para o estudo das sentenças e textos, temos a SINTAXE. Para o estudo dos significados e sentidos que as palavras podem assumir, nos diferentes contextos de seu uso, temos a SEMÂNTICA. Durante o decorrer do curso de Letras, vamos estudar detalhadamente cada um desses aspectos da Linguística. Vamos pensar, agora, no processo de COMUNICAÇÃO HUMANA, para entender melhor o objeto de estudo da Linguística e qual o papel da LÍNGUA enquanto fato central dos estudos da linguagem. Imagine duas (ou mais) pessoas conversando ao telefone: Observe atentamente a ilustração acima. Você saberia descrever os elementos do PROCESSO DE COMUNICAÇÃO? Jana, você já fez o trabalho de Linguística? Ainda não, Isabel. Estou lendo os textos primeiro. VA M O S R E F L E T IR JU N TO S L ie a o s te x to s a se g u ir p a ra u m m e lh o r e m b a sa m e n to te ó rico ? O ato da COMUNICAÇÃO supõe pelo menos dois indivíduos, porque a linguagem tem um lado individual e um lado social; por isso, não podemos conceber um sem o outro. No jogo da comunicação há os INTERLOCUTORES (EMISSOR-RECEPTOR) que se comunicam através de uma MENSAGEM; essa mensagem é formulada por meio de um CÓDIGO e veiculada através de um CANAL. Isabel e Jana são as INTERLOCUTORAS no processo comunicativo acima ilustrado. Cada vez que uma delas assume o ato de fala, construindo a sua MENSAGEM, torna-se o EMISSOR e, quando recebe a MENSAGEM, assume o papel de RECEPTOR. Assim, no processo comunicativo, estamos sempre alternando o papel de EMISSOR e RECEPTOR. Nossa MENSAGEM é o conteúdo, aquilo que enunciamos. A mensagem é formulada através de um CÓDIGO: as palavras faladas. Ela é veiculada através de um CANAL: o canal auditivo. O MEIO utilizado por elas, para se comunicar, é o telefone. VEJA, ENTÃO, COMO A LINGUA(GEM) É IMPORTANTE PARA A LINGUÍSTICA ENQUANTO SEU OBJETO DE ESTUDO! Considerando esta importância, Benveniste (1989) diz o seguinte: A linguagem é para o homem um meio, na verdade, o único meio de atingir o outro homem, de lhe transmitir e receber dele uma mensagem. Consequentemente, a linguagem exige e pressupõe o outro. A partir desse momento, a sociedade é dada com a linguagem. Por sua vez, a sociedade só se sustenta pelo uso comum de signos de comunicação. Assim, cada uma dessas duas entidades, linguagem e sociedade, implica a outra. (BENVENISTE, E. Problemas de Linguística Geral II. Campinas: Pontes, 1989. p. 93). Orlandi (1986) assim se pronuncia: Os sinais que o homem produz, quando fala ou escreve, são chamados signos. Ao produzir signos os homens estão produzindo a própria vida: com eles o homem se comunica, representa seus pensamentos, exerce seu poder, elabora sua cultura e sua identidade, etc. [...] O signos da linguagem verbal têm uma importância tão grande para a humanidade que merecem uma ciência só para si: a Linguística. (ORLANDI, E. P. O que é Linguística. São Paulo: Brasiliense, 1986. p. 10-11). Considere o que dizem os autores acima. O que você pensa sobre o que eles dizem? Escreva um pequeno texto refletindo sobre a importância da Lingua(gem) para a Linguística e poste na Biblioteca do seu polo. Depois dessa reflexão, devemos considerar que o homem utiliza diferentes formas de linguagens para se comunicar: LINGUAGEM VERBAL e LINGUAGEM NÃO-VERBAL. A Linguística se ocupa da LINGUAGEM VERBAL, sob todos os aspectos. O SIGNO LINGUÍSTICO: CONCEITO E NATUREZA É necessário, aqui, tomar o conceito de SIGNO LINGUÍSTICO, pois é este tipo de signo que compõe a linguagem verbal. Nós vimos vários exemplos de linguagem não-verbal. Eles também constituem signos, mas a sua significação está fora deles. Nós podemos, a qualquer momento, mudar as convenções estabelecidas pelos sinais de trânsito ou estabelecer que a cor vermelha é símbolo de tristeza, etc. Nós precisamos sempre dos signos linguísticos para explicar os signos veiculados pela linguagem não-verbal. Por isso, compreender a natureza do SIGNO LINGUÍSTICO é fundamental para nós. Vejamos, então, o que é o signo linguístico. O signo linguístico une não uma coisa e uma palavra; ele apenas representa a coisa. Daí o seu caráter simbólico. Observe a ilustração A SEGUIR: SIGNIFICADO B A N A N A SIGNIFICANTE Segundo Saussure, o SIGNO LINGUÍSTICO se constitui da combinação de um conceito (SIGNIFICADO) a uma imagem acústica (SIGNIFICANTE). Como podemos observar na ilustração, a imagem acústica (som) representa, na nossa mente, um objeto do mundo. O signo linguístico é, então, uma UNIDADE INDISSOLÚVEL COMPOSTA DE SIGNIFICANTE + SIGNIFICADO. São características do signo linguístico: •arbitrariedade - o signo linguístico é arbitrário no sentido de que o significante não tem um laço natural, na realidade, com o significado. Por exemplo, poderíamos chamar banana de bola, mesa, etc. Tudo é uma convenção social. •linearidade: o significante, por sua natureza auditiva, desenvolve-se numa linha temporal. •mutabilidade e imutabilidade - os signos linguísticos podem alterar-se no decorrer do tempo, tanto na forma quanto no conteúdo; entretanto, o indivíduo não tem liberdade para alterar o signo, pois devemos considerar que: o signo é arbitrário; uma língua se constitui de uma imensidão de signos; um sistema linguístico é sempre muito complexo; há resistência da coletividade a toda renovação linguística. A continuidade do signo no tempo está relacionada a sua alteração no tempo. •totalidade - na língua só há diferenças, sem termos positivos; uma língua não comporta nem idéias nem sons preexistentes ao sistema linguístico; um sistema linguístico compreende uma série de diferenças de sons combinadas com uma série de diferenças de idéias (ex: bala # mala # cala; O menino comeu a bala; A menina comprou a bola); quando comparamos um signo com outro, entretanto, não falamos de diferença, mas de oposição. (ex: pai X mãe - cada um destes signos comporta um significante e um significado; eles não são diferentes; são somente distintos; entre eles existe oposição). Assim, todo o mecanismo da linguagem se fundamenta na oposição entre os signos e nas diferenças fônicas e conceituais que implicam. LINGUÍSTICA E LIBRAS Queremos chamar sua atenção para um fato da atualidade, que já está sendo estudado por um bom número de lingüistas interessados na área: é a conhecida Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS. A LIBRAS não é constituída de signos articulados vocalmente, mas eles se constituem através de sinais e gestos que são significativos para as pessoas que os utilizam (surdos e também ouvintes). Você estudará sobre isso no seu curso de Letras, através do Componente Curricular LIBRAS. Sugerimos que você leia o texto LIBRAS: A Língua de Sinais dos Surdos Brasileiros (RAMOS, C.R.), disponível em: http://www.editora-arara-azul.com.br/pdf/artigo2.pdf , a fim de conhecer um pouco mais sobre a Linguística e a LIBRAS. Caro(a) aluno(a), Agora, depois que você já leu o texto-base da SUBUNIDADE 2, fez várias reflexões e anotações, procure desenvolver as seguintes atividades, buscando avaliar-se em termos da compreensão que você teve do estudo realizado: a) releia o texto-base; b) revejasuas anotações; c) considere as palavras que você não compreendeu no texto, especialmente as palavras mais técnicas; faça uma busca no dicionário de Linguística; d) agora que você tirou suas dúvidas, procure organizar suas anotações em um pequeno texto, sintetizando o conteúdo desta unidade. Isto ajudará muito você a fazer a avaliação da SUBUNIDADE 2. CONCLUSÃO Chegamos ao final da SUBUNIDADE 2. Aqui discutimos sobre o objeto de estudo da Linguística, os conceitos de linguagem verbal e linguagem não- verbal, os elementos do processo de comunicação humana, o conceito de signo linguístico. Reflita sobre tudo o que vimos e, antes de realizar a avaliação desta SUBUNIDADE2, aprofunde seus estudos lendo o material indicado no link SABER MAIS. Para você saber mais sobre o conteúdo apresentado, leia: SAUSSURE, Ferdinand. O Objeto da Linguística. In: Curso de Linguística Geral. 20 ed. São Paulo: Cultrix, 1995. p.15 – 25. Link: www.eps.ufsc.br/disserta99/berger/cap2.html - 59k - Link: pt.wikipedia.org/wiki/Comunicação - 49k – Você leu o texto-base da SUBUNIDADE 2 e tomou anotações. Além disso, você leu os textos indicados na seção SABER MAIS. Com base nesses textos (e em outros que você pode pesquisar, inclusive textos na internet), procure redigir um texto a partir da seguinte questão: POR QUE A LINGUÍSTICA TOMA COMO SEU OBJETO DE ESTUDO TODAS AS FORMAS DE LINGUAGEM HUMANA ARTICULADA? Atente para a clareza, a coesão, a coerência do texto e também para a correção ortográfica. Não esqueça de citar as fontes que você consultar. Não esqueça de enviar esta atividade por e-mail para o tutor de sua turma, pois ela será objeto de avaliação. UNIDADE I - SUBUNIDADE 3 Conexão da Linguística com outras Disciplinas INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), Nas duas subunidades anteriores, estudamos o conceito e a natureza da Linguística, bem como o seu objeto de estudo. Agora, vamos conhecer um pouco sobre as relações que a Linguística tem com outras disciplinas. Conforme anunciamos na Introdução da nossa Unidade I, a linguagem é objeto de interesse de várias categorias de estudiosos. Por esse motivo, a Linguística se relaciona com várias outras áreas de estudo, dando e recebendo muitas contribuições. Podemos dizer, portanto, que a Linguística é uma ciência interdisciplinar. A Linguística é um ramo da SEMIOLOGIA. A Semiologia é a ciência que estuda os sinais, símbolos e signos, bem como as formas de empregá-los. Enquanto uma ramificação da SEMIOLOGIA, a Linguística se ocupa apenas do SIGNO LINGUÍSTICO veiculado através da Linguagem Verbal. Vamos ver, então, nesta SUBUNIDADE 3, como se dão as relações da nossa ciência da linguagem e qual sua importância para outras áreas de estudo. CONEXÃO DA LINGUÍSTICA COM OUTRAS DISCIPLINAS Nas duas subunidades anteriores, estudamos: o conceito e a natureza da Linguística, bem como o seu objeto de estudo. Agora, vamos conhecer um pouco sobre as relações que a Linguística tem com outras disciplinas. Vamos tomar aqui, como referência, para iniciar este estudo, um pequeno trecho da obra de LOPES, E. (1995): A LINGUÍSTICA COMO CIÊNCIA INTERDISCIPLINAR "La ciência no tiene frontera: Ias matérias y parcelas de investigación se superponem y nece"sitan mutuamente ( . . . ) La ciência es una ..." (MALBERG,1972, p. 28-29) A Linguística é uma ciência interdisciplinar. Ela toma emprestada a sua instrumentação metalinguística dos dados elaborados pela Estatística, pela Teoria da Informação, pela Lógica Matemática, etc., e, por outro lado, na sua qualidade de ciência-piloto, ela empresta os métodos e conceitos que elaborou à Psicanálise, à Musicologia, à Antropologia, à Teoria e Crítica Literária, etc.; enfim, ela se dá, como Linguística Aplicada, ao Ensino das Línguas e à Tradução Mecânica. Sem pretender ser exaustiva, a Figura adaptada de Peytard (1971, p.73), mostra o posto que lhe corresponde no interior do campo semiológico. A Figura a baixo mostra que seria contra-indicado pretender isolar a Linguística das demais ciências limítrofes, dentro do território coberto pela Semiologia. Mas essa figura mostra, também, que é possível — e do ponto de vista didático, desejável —, reivindicar a autonomia da Linguística, sempre que se compreenda que a autonomia de uma ciência não afasta nem minimiza o relacionamento interdisciplinar. Nem poderia ser diferente já que a Linguística se interessa "pela linguagem em ato, pela linguagem em evolução, pela linguagem em estado nascente, pela linguagem em dissolução” no dizer de Jakobson (1969, p.34; 1970, p.43). Linguística, filologia e gramática Se é relativamente fácil, para qualquer pessoa medianamente esclarecida, delimitar os territórios cobertos pela pintura, de um lado, e a literatura, de outro, nem sempre é fácil, ainda mesmo para pessoas afeitas ao trato dos fenômenos apresentados pelas línguas, estabelecer os limites entre ciências tão afins quanto a Linguística, a Filologia e a Gramática. Sob um certo prisma, é possível dizer que a Filologia constitui uma modalidade e uma etapa histórica da Linguística (Linguística Diacrônica). Mas, se ambas as disciplinas se interessam pelo mesmo "objeto material", a linguagem, cada uma delas se distingue da outra pela especificidade do seu "objeto formal", isto é, pelo seu particular ângulo de enfoque. O primeiro interesse do filólogo não coincide com o primeiro interesse do linguista. Aquele busca encontrar num texto antigo (um documento escrito) o seu significado, à luz dos conhecimentos daquela etapa cultural. Mas o linguista antepõe ao estudo da modalidade escrita de um idioma o estudo da sua modalidade oral e (embora julguemos mais do que discutível a legitimidade desse desideratum) pode antepor, igualmente, ao estudo do significado a investigação exclusiva da forma de expressão desse idioma. De modo análogo, o linguista não vê por que deva estudar, com a exclusividade do gramático, a norma culta de uma única língua. Fonte: LOPES. E. Fundamentos da Linguística Contemporânea. São Paulo: Cultrix, 1995. p. 24-26 Agora, que você leu o que diz LOPES, reflita sobre a posição central que a Linguística ocupa no campo da Semiologia! O que você pensa sobre isso? Como você leu no trecho de LOPES, a Linguística, no campo da Semiologia, ocupa uma posição central, relacionando-se com muitas disciplinas de diferentes maneiras: dando e recebendo informações que lhes enriquecem os conhecimentos científicos, os métodos e técnicas de análise. Ainda, com respeito à GRAMÁTICA e à FILOLOGIA, o autor também comenta que LINGUÍSTICA compartilha de grande afinidade. O que muda é apenas o enfoque do objeto de estudo. Falando do caráter interdisciplinar da Linguística, Borba (1998, p. 77-78) diz o seguinte: Já disse que a linguagem interessa a várias categorias de estudiosos. Por isso, a Linguística participa, de alguma forma, de outras áreas. Se, por um lado, os progressos no estudo da linguagem têm contribuído para sugestões metodológicas a outras ciências, por outro lado, o estudo do fenômeno linguístico sob o enfoque de outras disciplinas vem criando um campo de atuação e ação cujos resultados têm sido bastante proveitosos. Assim é que se estabeleceram, como áreas de pesquisa interdisciplinar, a Etnolinguistica, a Sociolinguística, a Psicolinguística, além de ampliar-se o alcance da Filosofia da Linguagem e servir-sea Linguística do instrumental das Ciências Matemáticas. Com base no que afirma BORBA, faça uma breve pesquisa sobre os conceitos e objetos de estudos da Etnolinguística, da Sociolinguística e da Psicolinguística e discuta sobre o assunto no Fórum SUGERIMOS que você releia o texto de ORLANDI, já indicado como leitura complementar em nossa SUBUNIDADE I, no link Saber Mais, pois, a autora, além de falar sobre Sociolinguística e Etnolinguística, fornece informações sobre a Pragmática, a Teoria da Enunciação e a Análise do Discurso; tais informações são muito importantes para os estudos linguísticos. Procure fazer uma síntese do que você compreender com esta releitura. AGORA VAMOS ABORDAR UMA IMPORTANTE QUESTÃO: A LINGUÍSTICA E SUA APLICAÇÃO PARA O ENSINO DE LÍNGUAS. Borba fala, ainda, da grande importância da Linguística para o Ensino de Línguas, dizendo que devemos considerar as contribuições da Linguística tanto para o ensino de língua materna, como para o ensino de línguas estrangeiras, porém ele observa que há distintas implicações pedagógicas para essas aplicações da Linguística. Como este tema é bastante relevante para a nossa formação em Letras, vamos ler, a seguir, um trecho do autor: LINGUÍSTICA E ENSINO DE LÍNGUAS Convém que este item seja dividido em duas partes: o ensino da língua materna com todas as suas implicações pedagógicas e o ensino de línguas estrangeiras. Todo programa de educação deve estar centrado na língua materna, fundamental veículo de qualquer programa pedagógico. O linguista consciente de sua função social deve dar prioridade à pesquisa dos. vários aspectos de sua língua, pois é esse material que fornecerá aos pedagogos. Ninguém pode ignorar que a linguística contribui com material básico para as atividades educacionais elementares como o ensino da leitura e da escrita, além das habilidades de uso oral e apreciação literária. Ninguém desconhece que o desenvolvimento nacional em termos de civilização se mede pelo grau de educação do povo e esta inclui, em grande parte, a habilidade no uso adequado das formas de expressão. Então o importante é formar professores que conheçam bem a natureza do sistema linguístico que manejam e cujas formas têm que ensinar, o que está bem longe da simples memorização ou adestramento no uso de um conjunto de regras gramaticais. O treinamento das aptidões básicas de comunicação (ler, escrever, falar e ouvir) só pode levar ao ajustamento global do aluno. Em vista disso, o desenvolvimento das habilidades linguísticas do educando pela escola deveria levar em conta aspectos como estes: 1) Reconhecimento de que a língua falada é a mais constante e, portanto, deve ter prioridade. Assim se orientará a educação da comunicação oral e se desenvolverá a leitura. 2) A familiaridade com a estrutura fonológica da língua ajudará na compreensão (e crítica) do sistema ortográfico, o que terá seus efeitos no ensino da leitura e da escrita. 3) A consciência de que a língua é uma entidade dinâmica, que varia no tempo e no espaço, fornecerá a base para o ensino gramatical. . 4) Conhecer a natureza e o jogo de significações da língua auxiliará na seleção do vocabulário a ser desenvolvido no educando bem como no ensino da compreensão e interpretação de textos. Além disso, o professor deverá atentar para as diferenças individuais no manejo da língua, bem como para seu papel em todo tipo de aprendizagem . Quando se fala no ensino de línguas estrangeiras, a primeira coisa a comentar é o objetivo desse ensino para que se possa decidir qual é a técnica mais adequada a ser aplicada e, por conseguinte, qual é a contribuição mais direta da linguística. Ligado aos objetivos está o problema de quem recebe esse ensino: pessoas pertencentes a comunidades desenvolvidas e que aprendem uma segunda língua por diletantismo ou para viajar como turistas e poder falar a língua nativa do país visitado ou uma língua de prestígio internacional que sirva de instrumento de comunicação em várias partes do mundo; pessoas pertencentes a comunidades subdesenvolvidas para quem a aprendizagem de uma língua determinada é condição indispensável para aprender técnicas de trabalho ou ampliar as condições gerais de desenvolvimento de sua própria nação; especialistas no estudo de línguas que precisam (ou querem) conhecer como funcionam outros sistemas linguísticos ou qual é o estado em que se encontra a pesquisa em outros países. Essas situações variam muito, e por isso varia também o grau de profundidade do ensino, seu alcance e o tipo de enfoque: ênfase na língua falada, treino de leitura em profundidade para apreender as manifestações literárias; simples apresentação de aspectos gramaticais etc. Em todos esses casos, não é difícil perceber que o conhecimento dos procedimentos básicos da linguística só pode ajudar nas técnicas de ensino. Aliás esse é mesmo um ramo da linguística a que se dá o nome de linguística aplicada e que tem se desenvolvido muito ultimamente principalmente nos Estados Unidos, onde essa atividade é estimulada até por motivos políticos (aprendizagem de línguas em tempo de guerra e de paz; corrida armamentista e outros) e religiosos (ação missionária junto às populações indígenas dos mais variados pontos do globo). O conhecimento das técnicas de análise linguística fornece a quem se dedica à linguística aplicada expedientes como: 1) Decisão sobre os registros a serem ensinados. 2) Decisão sobre a prioridade (ou não) a ser dada aos componentes da língua: o fonológico, o gramatical e o léxico, e sobre qual o tipo de tratamento que cada um desses níveis deve ter. 3) Levantamento das dificuldades e sua tipologia possivelmente ligada à maturidade do estudante, às diferenças individuais ou a seu estatuto social, à interferência da língua materna, à estrutura própria da língua que está sendo aprendida. Essa hierarquização sugere as etapas de aprendizagem, o preparo de exercícios etc. 4) Decisão sobre os objetivos e, tomando-se a língua como hábito, colocação do estudante na situação real de uso, isto é, contacto constante com a língua tal como ela é quer na sua forma oral quer na sua forma escrita. Fonte: BORBA, F. S. Introdução aos Estudos Linguísticos. São Paulo: Pontes, 1998. p. 77-78 Reflita sobre o texto de BORBA. Você concorda com o que ele diz? Por quê? Escreva sua opinião! E depois, marque um Chat com seu grupo de estudo para discussão do assunto. Caro(a) aluno(a), Agora, depois que você já leu o texto-base da SUBUNUIDADE 3, fez várias reflexões e anotações, procure desenvolver as seguintes atividades, buscando avaliar-se em termos da compreensão que você teve do estudo realizado: a) releia o texto-base; b) reveja suas anotações; c) busque, no dicionário de Linguística, as palavras que você não compreendeu; d) procure organizar suas anotações em um pequeno texto, sintetizando o conteúdo desta unidade. Isto ajudará muito você a fazer a avaliação da SUBUNIDADE 3. CONCLUSÃO Chegamos ao final da SUBUNIDADE 3. Falamos um pouco sobre a posição que a Linguística ocupa no campo da Semiologia, suas relações com a Filologia e a Gramática, bem como da importância dos estudos da linguagem para vários campos do saber. Reflita sobre tudo o que vimos e, antes de realizar a avaliação da SUBUNIDADE, aprofunde seus estudos lendo o material indicado no link SABER MAIS. Para você saber mais sobre o conteúdo apresentado, leia: BORBA, F. S. Introdução aos Estudos Linguísticos. São Paulo:Pontes, 1998, pág.77-78).A Linguagem Onipresente. In: Cadernos SBPC 2006. Semeando Interdisciplinaridade. Pág. 22-28. Disponível em: < http://www.sbpcnet.org.br/arquivos/arquivo_180.pdf >. Você leu o texto-base da SUBUNIDADE 3 e tomou anotações. Além disso, você leu os textos indicados na seção SABER MAIS e outros que você pesquisou. Com base nas suas leituras, escolha um dos temas abaixo para escrever o seu texto. a) a posição da Linguística no campo da Semiologia; b) linguística, Filologia e Gramática: afinidades e diferenças.; c) relações da Linguística com a Etnolinguística, a Sociolinguística e Psicolinguística; d) contribuições da Linguística para o ensino de língua materna; e) linguística e Interdisciplinaridade; Atente para a clareza, a coesão, a coerência do texto e também para a correção ortográfica. Não esqueça de citar as fontes que você consultar. Não esqueça de enviar esta atividade por e-mail para o tutor de sua turma, pois ela será objeto de avaliação. ATIVIDADE FINAL DA UNIDADE I – A LINGUÍSTICA Após o estudo da Unidade I, releia suas atividades anteriores e faça um esquema ou mapa conceitual, integrando os conceitos básicos que você estudou nas três subunidades da Unidade I. Bom trabalho! APRESENTAÇÃO UNIDADE II A Estrutura Linguística Vamos estudar, na UNIDADE II, alguns conceitos básicos para os estudos linguísticos, tais como: sistema, estrutura, forma e substância, sintagma e paradigma, categorias e gramática. Estes conceitos são fundamentais para entendermos como a lingua(gem) é compreendida em Linguística, para fins de análises propostas e diferentes concepções teóricas surgidas no século XX. Trabalharemos em processos de interação constante, mediatizados pela leitura de textos de diferentes tipos. Assim, é necessário que você se dedique bastante à leitura dos textos propostos, pois ela é fundamental nesse processo. A nossa avaliação consistirá das Propostas de Atividades apresentadas ao final de cada SUBUNIDADE. Tais atividades serão realizadas por você e compartilhadas com outros alunos de sua turma nos fóruns de discussão. Além disso, teremos uma atividade final para esta UNIDADE II. Na UNIDADE II – A ESTRUTURA LINGUÍSTICA, teremos três SUBUNIDADES: SUBUNIDADE 1 – Sistema e Estrutura – Forma e Substância SUBUNIDADE 2 - Sintagma e Paradigma SUBUNIDADE 3 – Categorias e Gramática. Portanto, nesta UNIDADE II, você realizará três Propostas de Atividades (uma atividade em cada uma das SUBUNIDADES) mais a Atividade Final da UNIDADE II. Esperamos que a UNIDADE II possa auxiliar você a compreender os conceitos básicos necessários ao desenvolvimento do Componente Curricular INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA. Vamos ao trabalho! UNIDADE II - SUBUNIDADE 1 Sistema e Estrutura / Forma e Substância INTRODUÇÃO Concluídos os nossos estudos da UNIDADE I do Componente Curricular Introdução à Linguística, estamos iniciando nosso trabalho com a UNIDADE II. Nesta SUBUNIDADE 1, falaremos sobre conceitos muito importantes para a Linguística Moderna: Sistema e Estrutura, Forma e Substância. Vamos, então, continuar nossos estudos sobre a Ciência da Linguagem? Bom trabalho!!! SISTEMA E ESTRUTURA / FORMA E SUBSTÂNCIA SISTEMA E ESTRUTURA Observe a figura abaixo. Ela representa o nosso antigo Sistema Solar. Todos os planetas giram à volta do Sol seguindo determinada órbita e em diferentes velocidades: quanto mais próximo do Sol estiver o planeta, maior será sua velocidade. Mercúrio é o mais próximo do Sol, seguido de Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Plutão. O conjunto formado pelo sol, planetas, satélites, asteroides, segue determinadas leis da mecânica celeste: os satélites giram em torno dos planetas; os planetas giram em torno do sol, planetas e satélites giram em torno de seu próprio eixo, etc. Tudo isso acontece de forma perfeitamente organizada, proporcionando o funcionamento de um todo coerente. Um conjunto de objetos se constitui em um SISTEMA quando esses objetos se aproximam por terem traços em comum e se organizam seguindo determinados princípios de tal modo que o resultado seja um todo coerente (BORBA,1998, p.29). A maneira através da qual os componentes de um Sistema se organizam, se arranjam, constitui a sua ESTRUTURA. Então, a Estrutura é a disposição dos elementos dentro do Sistema. A noção de ESTRUTURA implica: a) INTER-RELAÇÃO: os elementos que constituem um sistema possuem uma organização; b) SOLIDARIEDADE: os elementos possuem semelhanças que os aproximam entre si; c) OPOSIÇÃO: os elementos possuem diferenças entre si, pois cada um tem a sua identidade própria; d) INTERDEPENDÊNCIA: cada elemento possui um valor que depende de suas relações com os outros elementos da estrutura. Vimos, na Unidade I a que Linguística se estabeleceu como ciência no primeiro quartel do século XX, com Ferdinand de Saussure. A Linguística proposta por Saussure ficou conhecida como Estruturalismo (embora no Curso de Linguística Geral, Saussure não tenha usado a palavra Estrutura; usou a palavra Valor), pois ele considerou a Língua como um SISTEMA. Segundo Saussure, a Língua é um SISTEMA de signos, os quais se constituem de duas partes igualmente psíquicas (significante - imagem acústica + significado - conceito). Sendo a língua um sistema, ela possui uma estrutura. LEIA EM VOZ ALTA O SEGUINTE GRUPO DE SENTENÇAS: O homem serrou a madeira. José serrou vinte reais de seu padrinho. Ao ler as frases em voz alta, observe que você emite sons significativos (os fonemas) que se organizam em sílabas, que se organizam em palavras, que se organizam em sentenças. Observe, também, que esta organização segue uma determinada ordem e determinadas regras: em Português, por exemplo, não há sílabas sem vogais e nem podemos iniciar uma sílaba com RR. Também não podemos dizer “Padrinho seu José vinte serrou reais”! Veja, ainda, que o sentido da palavra “serrou”, nas duas sentenças, não é o mesmo. Reflita sobre o que falamos até agora. Você compreendeu bem as noções de SISTEMA E ESTRUTURA? Vejamos, no fragmento a seguir, o que diz LOPES (1995) A ESTRUTURA LINGÜÍSTICA "Estrutura", "estrutural", "estruturalismo", constituem palavras-chaves no léxico dos pensadores do século XX. Como sempre acontece com as palavras postas a circular intensamente, esses termos correm o risco de serem empregados acriticamente ou, pior ainda, de se transformarem em palavras-fetiche. A palavra "estruturalismo" designa algumas correntes da Linguística moderna que tomam impulso após o Cours de Linguistique Générale de Saussure e que surgiram entre as duas Grandes Guerras: a Escola de Genebra, o Círculo Linguístico de Praga, o Círculo Linguístico de Copenhague, na Europa, e a Escola Mecanicista de Leonard Bloomfield, na América do Norte. Tanto quanto é possível aproximar essas correntes todas, por cima de suas naturais divergências, elas se identificam no rechaço ao psicologismo lógico da Escola dos Neogramáticos e na concordância em descrever as línguas naturais como entidades autónomas, guiando-se tão-somente pela noção de estrutura (cf. Trnka, 1972b. 14-15). O termo "estrutura" se emprega pela primeira vez, em Linguística, no 1.° Congresso dos Filólogos Eslavos (Praga, 1928), numa das teses que têm como responsáveis os russos Jakobson, Karcevsky e Trubetzkoj (cf. Fages 1968.169 e Benveniste 1966.94). A noção de "estrutura" aparece estreitamente ligada à noção de relação no interior de um sistema (Benveniste 1966a. 94). Hjelmslev,que deu uma das melhores definições do conceito, advertia, contudo, que a estrutura é um modelo, ou seja uma construção mental que serve de hipótese de trabalho: "Compreende- se por Linguística Estrutural um conjunto de pesquisas que repousa sobre a hipótese de que é cientificamente legítimo descrever a linguagem como sendo essencialmente uma entidade autónoma de dependências internas, em uma palavra, uma estrutura ( . . . ) A análise dessa entidade permite constantemente isolar partes que se condicionam reciprocamente, cada uma delas dependendo de algumas outras, sendo inconcebível e indefinível sem essas outras partes" (Hjelmslev, 1971a. 28; tb. id. 109). [....] O mesmo Hjelmslev concebeu a noção de que uma estrutura não se compõe de "coisas" — compõe-se de relações. Essa noção reponta, no entanto, pela primeira vez no âmbito da Linguística contemporânea com o fundador da moderna teoria, F. de Saussure, com o nome de valor (Saussure não usa, no C.L.G., nem uma só vez o termo estrutura) : "... mesmo fora da língua, todos os valores parece serem regidos por esse princípio paradoxal. Eles são sempre constituídos: 1.° por uma coisa dissemelhante susceptível de ser trocada pela coisa cujo valor resta determinar; 2.° por coisas similares que se podem comparar com a coisa cujo valor está em causa." Eis o motivo pelo qual Lyons (1970.57) escreveu que "duas unidades não podem estar em oposição se não possuem uma equivalência distribucional pelo menos parcial". LOPES, E. Fundamentos da Lingüística Contemporânea. São Paulo: Cultrix, 1995. Pág. 24-26. Antes de continuar sua leitura, pare um pouco. Tente fazer um esquema do item anterior: “Sistema e Estrutura” e troque e-mails com seus colegas de estudo para fixar o conteúdo estudado. FORMA E SUBSTÂNCIA Você deve ter compreendido que a LÍNGUA, porque possui uma estrutura, que funciona como um SISTEMA harmônico. A Língua não é um amontoado de sons desorganizados e sem significação. Por isso dizemos que a língua é FORMA. Para a visão ESTRUTURALISTA, a FORMA é o princípio básico responsável pela organização dos sons (substância fônica) e significados (substância semântica) que compõem a Língua. Podemos dizer, então, que a FORMA é resultante de: Veja os vocábulos: PATO # BATO # MATO. Nós reconhecemos estas formas como palavras do Português. Por quê? Porque os sons se organizam assumindo uma forma significativa na nossa língua. Os sons P, B, M, nessas palavras, são reconhecidos e só funcionam significativamente para SUBSTÂNCIA FÔNICA (sons) + SUBSTÂNCIA SEMÂNTICA (significados) = FORMA PLANO DA EXPRESSÃO PLANO DO CONTEÚDO nós porque eles se opõem entre si e, se um ocupar a posição do outro no mesmo contexto, a palavra muda de significado. Assim, a forma é algo abstrato, porque ela é um princípio (lei, regra) de organização da língua. Cada língua tem o seu jeito próprio de se organizar. Os sons mais os significados constituem a matéria de que a língua se compõe, ou seja, a SUBSTÂNCIA. Para compreender melhor o que tratamos como SUBSTÂNCIA, observe: Veja, então, que, embora a língua seja FORMA e não SUBSTÂNCIA, esses dois princípios são interdependentes para que a língua se constitua enquanto um sistema harmônico. PLANO DO CONTEÚDO Constitui-se de tudo o que o homem tem na sua mente e que comunicar: o Conteúdo. SUBSTÂNCIA PLANO DA EXPRESSÃO Compõe-se da Substância Fônica (sons, palavras, sentenças, textos) que veicula o Conteúdo. Você compreendeu bem os conceitos de FORMA E SUBSTÂNCIA? Escreva suas impressões em seu caderno de anotações! Caro(a) aluno(a), Agora, depois que você já leu o texto-base da SUBUNIDADE 1, fez várias reflexões e anotações, procure desenvolver as seguintes atividades, buscando avaliar-se em termos da compreensão que você teve do estudo realizado: d)releia o texto-base; e)reveja suas anotações; f)consulte um dicionário de linguística para verificar palavras novas surgiram para você; g) agora que você tirou suas dúvidas, procure organizar suas anotações em um pequeno texto, sintetizando o conteúdo desta unidade. Marque um chat com seu grupo de estudo para discutir o assunto dessa subunidade. Isto ajudará muito você a fazer a avaliação desta SUBUNIDADE 1. CONCLUSÃO Chegamos ao final da SUBUNIDADE 1. Conhecemos quatro conceitos básicos para a Lingüística Moderna: Sistema e Estrutura / Forma e Substância. Reflita sobre tudo o que vimos e, antes de realizar a avaliação desta SUBUNIDADE1, aprofunde seus estudos lendo o material indicado no link SABER MAIS. Para você saber mais sobre o conteúdo apresentado, leia o seguinte texto de DUBOIS, J. et al. (1998): “A oposição entre substância e forma, na linguística moderna, encontra sua origem na fórmula de F. DE SAUSSURE: "A língua é uma forma e não uma substância." A oposição se tornará essencial em L. HJELMSLEV. A substância, então, se define de modo essencialmente negativo: substância é tudo o que não é forma, isto é, o que não entra no sistema de dependências que constituem a estrutura de todo o ob-jeto dado. A glossemática atribui-se como objeto caracterizar as relações entre forma e substância linguísticas. Forma e substância linguísticas concernem ao plano da expressão e ao plano do conteúdo. No plano da expressão, poderemos tomar como exemplos de formas os tipos de combinações fonológicas possíveis numa língua dada: as unidades são descritas por sua aptidão em contrastar no plano sintagmático e de se opor no plano paradigmático; a substância da expressão será, neste caso, a matéria tónica explorada, ao permitir a manifestação da forma linguística. A colocação em relacionamento da forma e da substância utiliza e transforma a matéria (fônica, no exemplo escolhido). No plano do conteúdo, poder-se-á tomar o exemplo dos termos da cor: a substância do vocabulário que designa as cores é um contínuo do comprimento das ondas luminosas; a forma introduzida pela consideração das oposições léxicas que denotam as diversas cores depende das línguas, que transformam o contínuo em discreto, estabelecendo as distinções, em número igual ou diferente de uma língua a outra, tanto no mesmo ponto do contínuo como em pontos diferentes; por exemplo, a palavra do inglês brown, como as palavras francesas brun e marron, corresponde a certa classe de vibrações (substância); mas a segmen tacão que ela opera na substância não é idêntica à que operam suas equivalentes francesas, como comprova a existência de dois termos no francês, intercambiáveis por um termo único do inglês. Em virtude destas considerações de L. HJELMSLEV, a relação estabelecida por F. DE SAUSSURE entre forma e substância foi modificada: a forma é independente da substância, mas a recíproca não é verdadeira: uma forma linguística pode não se manifestar por uma substância linguística (caso dos signos zero, ou em que a ordem das palavras é significante, etc., e que criaram tantos problemas insolúveis para F. DE SAUSSURE), mas uma substância linguística, em contrapartida, manifesta necessariamente uma formade língua. L. HJELMSLEV, cuja teoria resultou no mais rigoroso estruturalismo (primazia da forma sobre a substância, necessidade da anterioridade do estudo da forma) teve que aplicar corretivos a suas hipóteses: a necessidade metodológica da comutação exige o recurso de uma teoria, pelo menos implícita, da substância da língua. DUBOIS , J. et al. Substância. In:Dicionário de Linguística. São Paulo: Cultrix, 1998. p. 568-569. Você leu o texto-base da SUBUNIDADE 1 e tomou anotações. Além disso, você leu o texto indicado na seção SABER MAIS. Com base nesses textos (e em outros que você pode pesquisar, inclusive textos na internet), Elabore um texto abordando os conceitos estudados. Atente para a clareza, a coesão, a coerência do texto e também para a correção ortográfica. Não esqueça de citar as fontes que você consultar. Não esqueça de enviar esta atividade por e-mail para o tutor de sua turma, pois ela será objeto de avaliação. UNIDADE II - SUBUNIDADE 2 Sintagma e Paradigma INTRODUÇÃO Na SUBUNIDADE 1, estudamos os conceitos de SISTEMA e ESTRUTURA / FORMA e SUBSTÂNCIA. Vimos que a língua é uma FORMA que se constitui a partir de relações entre o Plano da Expressão e o Plano do Conteúdo. As relações entre as SUBSTÂNCIAS Fônica e Semântica são as que dão Forma à Língua. Na SUBUNIDADE 2, vamos conhecer mais de perto como se dão essas relações na cadeia da fala: as relações Sintagmáticas e Paradigmáticas. O estudo dessas relações é muito importante para a análise linguística. Vamos ao nosso estudo! Bom trabalho!!! RELAÇÕES SNTAGMÁTICAS E PARADIGMÁTICAS AS RELAÇÕES SINTAGMÁTICAS Na Língua, tudo se baseia em relações. As unidades do sistema linguístico podem se associar ou se excluir. Veja: Lata Pata Cata Os sons L, P e M se associam com os sons ATA, formando sequências significativas (ou palavras) do português. Porém, L, P e M se excluem mutuamente, pois um não pode ocorrer onde o outro ocorre, sem mudar o significado da palavra. As unidades do sistema linguístico se organizam em diferentes níveis: o nível fonológico (sons/fonemas) o nível morfológico (palavras) o nível sintático (sentenças e textos) e o nível semântico (significados). Vamos imaginar que a cadeia da fala é um eixo linear, em que os sons se organizam em sílabas, que se organizam em palavras, que se organizam em sentenças, que se organizam em textos, sucessivamente: Essas relações lineares na cadeia da fala, em que as unidades linguísticas se combinam, são as RELAÇÕES SINTAGMÁTICAS. AS CRIANÇAS BRINCAM NO PARQUE. As combinações formadas pelas unidades linguísticas em suas relações são chamadas de SINTAGMAS. Há diversos tipos de SINTAGMAS. Vamos ver alguns exemplos, considerando a sentença da ilustração anterior. Sintagma Oracional AS CRIANÇAS BRINCAM NO PARQUE Sintagma Nominal AS CRIANÇAS Sintagma Verbal BRINCAM NO PARQUE Sintagma Preposicionado NO PARQUE Observe atentamente o quadro acima. Você saberia definir os diferentes tipos de SINTAGMAS aqui exemplificados? MUITO BEM! VAMOS CONFERIR: •Sintagma Oracional – Constitui-se da oração ou sentença como um todo. •Sintagma Nominal – Constitui-se de um conjunto cuja palavra central (ou núcleo) é um nome. •Sintagma Verbal – Constitui-se de um conjunto cuja palavra central (ou núcleo) é um verbo. •Sintagma Preposicionado – é um conjunto introduzido por uma preposição, mas o seu núcleo é um nome. Você estudará melhor os diferentes tipos de SINTAGMA no Componente Curricular SINTAXE, durante o seu Curso de Letras. AS RELAÇÕES PARADIGMÁTICAS Você entendeu que as relações sintagmáticas acontecem em um eixo linear HORIZONTAL? Esse é o eixo das associações das unidades linguísticas em SINTAGMAS. Muito bem! Vamos ver, agora, que as relações PARADIGMÁTICAS acontecem num eixo VERTICAL, o eixo da substituição de uma unidade linguística por outra do mesmo nível; quando isso acontece, uma unidade exclui a outra, ou seja, elas não podem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo. Imagina que a nossa mente funciona como um computador, com vários arquivos muito bem organizados. Nós escolhemos o que vamos usar nas nossas construções linguísticas; para isso, recorremos aos nossos “arquivos”. Vejamos o seguinte exemplo no nível sintático (oracional): 1. O menino estava sentado na cadeira 2. Meu aluno ficou grudado 3. Aquelas crianças caíram deitadas 4. Um caderno foi esquecido Podemos usar inúmeras combinações no eixo horizontal, o eixo sintagmático, formando inúmeras sentenças. Para tanto, recorremos ao eixo vertical, o das RELAÇÕES PARADIGMÁTICAS, para substituir as unidades linguísticas que queremos utilizar. O Sintagma suscita a ideia de uma ordem de sucessão de um determinado número de elementos. O PARADIGMA sugere que há modelos para ocorrer uma substituição. As unidades se excluem mutuamente. Por isso, dizemos que duas unidades pertencem ao mesmo Paradigma quando uma puder ser substituída pela outra no mesmo ponto do paradigma. Isso significa que uma unidade só poderá substituir outra, no mesmo ponto do sintagma, se ela pertencer a mesma classe geral (determinantes, nomes, verbos, etc.) Vejamos mais um exemplo, agora no nível morfológico (palavra) considerando o Paradigma de verbos regulares, no presente do indicativo, de acordo com o Português do Brasil. Analise o quadro abaixo com atenção: PORTUGUÊS CULTO PORTUGUÊS COLOQUIAL RADICAIS DESINÊNCIAS PRONOMES RADICAIS DESINÊNCIAS CANT MAT CAT LAV PASS BORD O AS A AMOS AIS AM EU TU ELE NÓS VOCÊS ELES CANT MAT CAT LAV PASS BORD O A A A (ou AMO) A A VAMOS REFLETIR JUNTOS: O quadro demonstra que: a) no Português Culto, o Paradigma das desinências do presente do indicativo dos verbos regulares já indica a pessoa verbal. Podemos substituir os radicais, conservando sempre as desinências. Não temos necessidade de dizer, por exemplo, “nós lavamos”. Basta-nos usar a forma “lavamos”. b) no Português Coloquial, há uma mudança no Paradigma porque há uma redução das desinências. Daí que, no Português Coloquial, obrigatoriamente devemos usar os pronomes pessoais, porque são eles que serão substituídos no mesmo ponto do sintagma, já que as desinências não se distinguem ente si, excetuando-se a da primeira pessoa (EU). Isso acontece em línguas como o Inglês, por exemplo. Mais um exemplo, considerando, agora, o nível sintático-semântico. Observe: O MURO DE MINHA CASA ESTÁ VELHO PINTADO FELIZ INÁBIL Na oração ilustrada, podemos substituir VELHO por PINTADO, pois teremos uma relação significativa. Entretanto, não podemos substituir esta unidade por FELIZ ou por INÁBIL, pois essa relação não faz sentido para nós. Um muro não pode ser feliz ou inábil (a não ser que estejamos utilizando uma linguagem figurada) Assim, estamos diante de uma relação paradigmática de SENTIDO. Isto significa dizer que as relações substitutivas (paradigmáticas) devem fazer com que as relações associativas (sintagmáticas) produzam sentido. Como você deve ter notado, as relações sintagmáticas se organizam em estreita harmonia com as relações paradigmáticas. Todo e qualquer falante de uma língua, mesmo não-escolarizado, sabe os princípios de organização de sua língua. Considere o que conversamos até agora e escreva um pequeno texto refletindo sobre as relações sintagmáticas e paradigmáticas e poste na Biblioteca do seu polo. Caro(a) aluno(a), Agora, depois que você já leu o texto-base da SUBUNIDADE 2, fez várias reflexões e anotações, procure desenvolver as seguintes atividades, buscando avaliar-se em termos da compreensão que você teve do estudo realizado: a) releia o texto-base; b) reveja suas anotações; c) considere as palavras que você não compreendeu no texto, especialmente as palavrasmais técnicas; faça uma busca no dicionário de Linguística. d) agora que você tirou suas dúvidas, procure organizar suas anotações em um pequeno texto, sintetizando o conteúdo desta unidade. Isto ajudará muito você a fazer a avaliação da SUBUNIDADE 2. CONCLUSÃO Chegamos ao final da SUBUNIDADE 2. Estudamos os conceitos de Sintagma e Paradigma, bem como em que consistem as Relações Sintagmáticas e Paradigmáticas. Reflita sobre tudo o que vimos e, antes de realizar a avaliação desta SUBUNIDADE2, aprofunde seus estudos lendo o material indicado no link SABER MAIS. Para você saber mais sobre o conteúdo apresentado, NAVEGUE em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Paradigma Você leu o texto-base da SUBUNIDADE 2 e tomou anotações. Além disso, você leu os textos indicados na seção SABER MAIS. Com base nestes textos (e em outros que você pode pesquisar, inclusive textos na internet), resolva os seguintes exercícios: e)conceitue SINTAGMA e PARADIGMA. f)elabore um exemplo de relações sintagmáticas demonstrando os diferentes tipos de sintagmas. g)elabore um exemplo comparativo entre o português culto e o português coloquial, demonstrando e explicando o Paradigma dos verbos regulares da segunda conjugação, no futuro do presente do modo indicativo. Não esqueça de enviar esta atividade por e-mail para o tutor de sua turma, pois ela será objeto de avaliação. UNIDADE II - SUBUNIDADE 3 Categorias / Gramática INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), Nas duas subunidades anteriores, estudamos os conceitos de Sistema e Estrutura, Forma e Substância, Sintagma e Paradigma. Agora, nessa SUBUNIDADE 3, vamos discutir as noções de CATEGORIAS e GRAMÁTICA. Este estudo é muito importante! Leia com atenção o nosso texto-base, tome anotações, procure entender muito bem o conteúdo! Vamos ao trabalho! CATEGORIAS E GRAMÁTICA Você já compreendeu que as línguas do mundo se organizam segundo seus princípios e regras, através de relações associativas (sintagmáticas) e relações substitutivas (paradigmáticas) entre as unidades linguísticas. As relações associativas que acontecem no eixo linear horizontal (sintagmática) seguem os princípios da GRAMÁTICA de uma dada língua. As relações substitutivas que acontecem no eixo vertical (paradigmática), só são permitidas se a unidade linguística que substituir a outra em um mesmo ponto do sintagma pertencer ao mesmo nível, ou seja, à mesma CATEGORIA gramatical. Vamos estudar, então, estas duas importantes noções: Categorias e Gramática. CATEGORIAS Para se comunicar, o homem utiliza um processo de simbolização: ele observa e filtra a realidade objetiva para representá-la linguisticamente. Para tanto, a nossa mente organiza a nossa experiência conceitual em CATEGORIAS, ou seja, nós classificamos e organizamos as palavras de nossa língua em diferentes “arquivos” linguísticos mentais. O estudo da classificação de palavras, ou CATEGORIZAÇÃO de palavras, é muito antigo. Já na antiga Grécia, esse estudo despertou o interesse de grandes pensadores como Platão e Aristóteles. Platão, refletindo sobre o LOGUS (pensamento/palavra), preocupava-se com a significação da língua. Seu interesse era pela análise da oração e, para isso, ele propôs a distinção entre NOME e VERBO, o que lhe deu a base para distinguir Sujeito e Predicado em uma oração. Aristóteles, por sua vez, se preocupou com a classificação das coisas. Assim, ele propôs dez categorias do pensamento. As categorias propostas por Aristóteles são categorias lógicas, porque ele era um filósofo. Entretanto, nós podemos fazer uma associação entre as categorias lógicas do pensamento propostas por Aristóteles e as categorias de palavras. Observe: CATEGORIAS LÓGICAS CATEGORIAS DE PALAVRAS 1 Substância Substantivo 2 Qualidade Adjetivo 3 Quantidade Numeral 4 Relação Conectivo 5 Lugar Advérbio 6 Tempo Advérbio 7 Ação Verbo 8 Passividade Verbo 9 Modo ou atitude Verbo / Advérbio 10 Estado ou posição Verbo Aristóteles também propôs a categorização de ARTIGOS e PRONOMES. Outros pensadores contribuíram para com o tradicional processo de categorização das palavras. Vamos resumir estas contribuições em um pequeno quadro: Classificação Proposta Estóicos f)Classes Gramaticais Primárias: Nome, Verbo, Conectivos, Artigo e Pronome. g)Classes Gramaticais Secundárias: Gênero, Número e Caso. Alexandrinos (Dionísio da Trácia) • Nome, Verbo, Artigo, Conjugação, Preposição, Pronome, Advérbio, Particípio. Latinos (Varrão) 1. Palavras que têm caso: Nomes e Pronomes 2. Palavras que se conjugam: Verbos 3. Palavras que se declinam e se conjugam: Particípio 4. Palavras que não se declina, nem se conjugam: Partículas (Preposição, Conjunção) Gramática de Port-Royal (Arnaud e Lancelot) 5. Distingue os dois artigos (definido/indefinido) Como você vê, esta classificação de palavras que nós conhecemos hoje, através da escola, possui uma tradição muito antiga e forte. Por isso, essa forma de categorização é utilizada pela chamada GRAMÁTICA TRADICIONAL. A Linguística Moderna utiliza, em sua análise, outras formas de categorização. Vendryès propôs três classes para fins de análise: Classe Elementos incluídos na Classe 1 NOME Artigos, Substantivos, Adjetivos, Pronomes, Numerais e alguns Advérbios. 2 VERBO Verbos 3 INSTRUMENTOS GRAMATICAIS Preposições, Conjunções. No ano de 1948, aconteceu um Congresso Internacional de Linguistas. Nesse evento, vendo que desde a tradição grega, a classificação de palavras misturava critérios (semânticos, morfológicos e sintáticos) os linguistas propuseram que seria necessário estudar as classes de palavras de acordo com critérios morfossintáticos, ou seja, considerar a palavra aliada à sua função na sentença. O Francês George Galichet, então, propôs uma classificação morfossintática, dividindo as classes de palavras em grupos de classes. Observe a proposta de Galichet: Grupos de Classes Classes Função Classes principais Substantivo Sujeito Pronome-substantivo Verbo Predicado Classes Adjuntas Adjetivo Adjunto Adnominal Pronome-adjetivo Advérbio Adjunto Adverbial Classes Conectivas Preposição ConectivoConjunção Pronome relativo Marco de Classe Artigo Marcador da classe do SUBSTANTIVO. Toda palavra pode ser substantivada. É importante observar que, na nossa cultura ocidental, a categorização das palavras assumiu a nomenclatura proposta pela Gramática Tradicional. Mas as línguas nem sempre categorizam as palavras como nós categorizamos, pois isso depende muito da cultura. Por exemplo: se tomarmos a categoria de Gênero (que é uma categoria nominal secundária) vamos observar que, nas línguas europeias modernas predomina a classificação sexual que divide os nomes em duas sub-classes: masculinos e femininos; em línguas mais conservadoras, como o russo e o alemão, temos também a categoria de gênero neutro, que caracteriza os seres inertes, passivos ou inanimados; em suaili, uma língua africana, há seis gêneros distintos: pessoas, árvores, objetos cortantes, pedras, animais de pelos e regiões (BORBA, 1998). Em muitas línguas indígenas do Brasil, a distinção de gênero (masculino/feminino) só acontece para nomes de pessoas. Dessa forma, a categorização das unidades linguísticas acontece em todas as línguas do mundo, de acordo com as diferentes culturas, refletindo a maneira pela qual cada cultura representa simbolicamente a realidade, pois o homemnecessita dessa atividade para poder organizar os seus processos comunicativos na linguagem verbal. Antes de prosseguir nosso estudo, releia o texto e tome anotações. Você compreendeu bem o que signigica CATEGORIA? O que você pensa sobre isso? GRAMÁTICA Vamos começar com uma questão: O QUE É GRAMÁTICA? Tente responder! Quando falamos em GRAMÁTICA, a primeira coisa que vem a nossa mente é um livro chato, cheio de regras, dizendo o que está certo, o que está errado, não é? Pois bem! Isso também é gramática, mas nós vamos conhecer outros aspectos do que vem a ser GRAMÀTICA e como é que a Linguística a concebe. Nós vimos, na SUBUNIDADE 2, que as unidades linguísticas se relacionam, se associam, se combinam, formando sintagmas significativos. Essas relações não acontecem de forma aleatória, de qualquer jeito. O falante de uma língua, como dissemos, mesmo que não seja escolarizado e não saiba toda a nomenclatura da gramática ensinada pela escola, mesmo assim, ele sabe falar a sua língua, seguindo determinadas regras, internalizadas em sua mente. Por exemplo, um falante do português jamais aceita como uma sentença do português o seguinte bloco de palavras: “Maria bolo o comeu gato de”. Nós reconhecemos, nesse amontoado, palavras do português. Entretanto, essas palavras estão desorganizadas e não fazem sentido para nós. Por quê? Por que elas não seguem as regras de ordenação do português! Então esse amontoado de palavras é agramatical. Da mesma forma, não aceitamos como palavras do português: EMART, ATERR, ABOL, pois estas combinações não existem para nós. Mas reconhecemos: MARTE, TERRA, BOLA, como palavras significativas em nossa língua. As línguas do mundo possuem as mais variadas estruturas; por isso, as formas de combinações entre as unidades linguísticas também são diferentes em cada língua e ao mesmo tempo todas as línguas podem ter traços em comum. Então, a Linguística se preocupa em analisar e descrever as estruturas gramaticais das línguas do mundo, considerando o que elas têm em comum e também o que elas têm de específico, de particular. Para a Linguística, A GRAMÁTICA constitui-se em um número limitado de regras que permitem que os falantes de uma língua possam construir um número ilimitado de sentenças. Essas regras são internalizadas pelo falante a partir dos usos que ele faz da sua língua materna. De acordo com a proposta de descrição de uma língua, nós podemos utilizar diferentes teorias e métodos de análise e descrição gramatical. É importante, porém, que vejamos pelo menos três concepções de GRAMÁTICA: a) GRAMÁTICA PRESCRITIVA A GRAMÁTICA PRESCRITIVA, também conhecida como GRAMÁTICA NORMATIVA, segue a tradição gramatical grega; preocupa-se em estabelecer as regras que devem ser seguidas pelos falantes de uma dada língua; ela estabelece o que está certo e o que está errado. Toma por base a língua escrita, literária, culta; geralmente esta concepção de gramática é veiculada pelas gramáticas pedagógicas no contexto das escolas. b) GRAMÁTICA DESCRITIVA A GRAMÁTICA DESCRITIVA se preocupa em descrever as regras que são aeguidas pelos falantes de uma dada língua; não é papel do linguista que descreve uma língua preocupar-se com o que está certo ou errado. Apenas interessa descrever como os falantes usam a sua língua. Por exemplo, se tomamos as expresssões do português: (1) Os meninos jogam bola. (2) Os mininu joga bola. Vamos descrever que: - na sentença (1), o falante utiliza regras de concordância de gênero e número entre as unidades que compõem o sintagma nominal (Os meninos) e também utiliza regras de concordância de número e pessoa entre o sintagma nominal (Os meninos) e o sintagma verba (jogam bola) - na sentença (2), o falante marca a concordância de número apenas no determinante (o artigo OS). Quando isso acontece, compreende-se que toda a sentença está no plural. c) GRAMÁTICA INTERNALIZADA A GRAMÁTICA INTERNALIZADA é aquela que o falante usa ao se manifestar na sua língua. Quando observamos alguém falando (ou escrevendo), somos capazes de saber o que o falante conhece e utiliza em termos de gramática. A nossa gramática internalizada pode ir se alargando ao longo de nossas vidas, pois fazemos contatos com diferentes pessoas com quem interagimos e aprendemos novas formas de nos expressar. É por isso que podemos escolher como e o quê utilizar nas nossas expressões linguísticas. Como você está em processo de formação para ser um(a) professor(a) de Língua Portuguesa, é importante considerar que o professor deve assumir uma atitude que considere estas três concepções de Gramática. Caro(a) aluno(a), Agora, depois que você já leu o texto-base da SUBUNIDADE 3, fez várias reflexões e anotações, procure desenvolver as seguintes atividades, buscando avaliar-se em termos da compreensão que você teve do estudo realizado: a) releia o texto-base; b) reveja suas anotações; c) busque no dicionário de Linguística as palavras que você não compreendeu. d) procure organizar suas anotações em um pequeno texto, sintetizando o conteúdo desta unidade. Isto ajudará muito você a fazer a avaliação da SUBUNIDADE 3. CONCLUSÃO Chegamos ao final da SUBUNIDADE 3. Falamos sobre CATEGORIAS e GRAMÁTICA. Reflita sobre tudo o que vimos e, antes de realizar a avaliação da SUBUNIDADE, aprofunde seus estudos lendo o material indicado no link SABER MAIS. Para você saber mais sobre o conteúdo apresentado, leia: BORBA, F. S. Introdução aos Estudos Linguísticos. São Paulo: Pontes, 1998. p.37- 44. http://www.olavodecarvalho.org/apostilas/pensaris4_1.htm http://rle.ucpel.tche.br/php/edicoes/v7n2/vanda_vol7_n2.pdf http://www.cefetpr.br/deptos/dacex/paulo3.htm Você leu o texto-base da SUBUNIDADE 3 e tomou anotações. Além disso, você leu os textos indicados na seção SABER MAIS e outros que você certamente pesquisou. Com base nas suas leituras, escreva o seu texto, considerando as noções de Categorias e Gramática. Atente para a clareza, a coesão, a coerência do texto e também para a correção ortográfica. Não esqueça de citar as fontes que você consultar. Não esqueça de enviar esta atividade por e-mail para o tutor de sua turma, pois ela será objeto de avaliação. ATIVIDADE FINAL DA UNIDADE II – A ESTRUTURA LINGUÍSTICA Após o estudo da Unidade II, releia suas atividades anteriores e faça um resumo do conteúdo abordado nas três subunidades, atentando para os conceitos básicos estudados e marque um fórum com seus colegas para discussão dessa unidade estudada. BOM TRABALHO!!!! APRESENTAÇÃO UNIDADE III Os Usos Linguísticos Vamos estudar, na UNIDADE III, OS USOS LINGUÍSTICOS, ou seja, os usos que o falante faz de sua língua materna. Para tanto, vamos aprofundar aqui a nossa compreensão do que é LINGUAGEM, LÍNGUA, FALA, NORMA, para podermos discutir os processos de VARIAÇÃO E MUDANÇA LINGUÍSTICA. Estudaremos também AS PERSPECTIVAS DE ENFOQUE para os estudos de linguagem: a Sincronia e a Diacronia. Além disso, teremos algumas informações sobre as principais correntes da Linguística Moderna. Trabalharemos em processos de interação constante, mediatizados pela leitura de textos de diferentes tipos. Assim, é necessário que você se dedique bastante à leitura dos textos propostos, pois ela é fundamental nesse processo. A nossa avaliação consistirá das Propostas de Atividades apresentadas ao final de cada SUBUNIDADE. Tais Atividades serão realizadas por vocêe compartilhadas com outros alunos de sua turma nos fóruns de discussão. Além disso, teremos uma atividade final para esta UNIDADE III. A UNIDADE III está dividida em duas SUBUNIDADES: SUBUNIDADE 1 – LINGUAGEM, LÍNGUA, FALA e NORMA. SUBUNIDADE 2 - VARIAÇÃO E MUDANÇA LINGUÍSTICA. SUBUNIDADE 3 - PERSPECTIVAS DE ENFOQUE Portanto, nesta UNIDADE III, você realizará três Propostas de Atividades (uma atividade em cada uma das SUBUNIDADES) mais a Atividade Final da UNIDADE III. Esperamos que a UNIDADE III possa auxiliar você a compreender os conceitos básicos necessários ao desenvolvimento do Componente Curricular INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA. Vamos ao trabalho! UNIDADE III - SUBUNIDADE 1 Linguagem / Língua/ Fala / Norma INTRODUÇÃO Concluídos os nossos estudos da UNIDADE II do Componente Curricular Introdução à Linguística, estamos iniciando nosso trabalho com a UNIDADE III. Nesta SUBUNIDADE 1, aprofundaremos nossos estudos sobre as noções de LINGUAGEM, LÍNGUA, FALA e NORMA, pois estas noções são fundamentais para entendermos o conteúdo que será tratado na Subunidade 2 (Variação e Mudança Linguística). Vamos, então, continuar nossos estudos sobre a Ciência da Linguagem? Bom trabalho!!! A LINGUÍSTICA DA LÍNGUA E A LINGUÍSTICA DA FALA Na Unidade I deste curso, nós tomamos conhecimento do Objeto de Estudo da Linguística, discutimos os conceitos de linguagem verbal, linguagem não-verbal e de signo linguístico. Nós vimos que a Linguística se interessa pela linguagem humana articulada. É importante que você relembre o conteúdo estudado, pois, agora, vamos apresentar algumas dicotomias conceituais relevantes para a Linguística Moderna. A LINGUAGEM Para Ferdinand de Saussure, a LINGUAGEM humana é uma abstração, uma capacidade; ela consiste na capacidade que o homem tem de comunicar-se com os seus semelhantes através de signos verbais. A linguagem abrange, por isso, fatores físicos, fisiológicos e psíquicos (LOPES, 1995, p.76). Podemos entender a LINGUAGEM, então, como uma aptidão que o homem possui para associar uma cadeia sonora (sons emitidos pela voz, através do aparelho fonador) a um conteúdo significativo. O homem produz Signos Linguísticos! Estes signos são utilizados para a comunicação e interação social. A linguagem é, ainda, uma atividade cognitiva, pois através dela o homem transforma tudo em matéria de pensamento. A linguagem enquanto meio de comunicação De acordo com BORBA (1995), a Linguagem humana articulada, enquanto meio eficaz de comunicação, possui alguns traços característicos: São eles: a) SIMBOLIZAÇÃO – a linguagem é uma atividade simbólica, pois os signos linguísticos representam a realidade; eles não são a realidade. b) ARTICULAÇÃO – as unidades linguísticas se articulam, formando associações significativas, em diversos níveis: fonemas, sílabas, palavras, sentenças, textos. Todo ato de comunicação é analisável em diversos níveis, com graus variáveis de complexidade. c) REGULARIDADE – cada manifestação linguística tem uma significação permanente, pois a linguagem se manifesta por meio de sistemas linguísticos. Essas manifestações linguísticas podem variar no tempo e no espaço, mas não podem violar o princípio da regularidade. d) PRODUTIVIDADE - a capacidade da linguagem permite que qualquer falante, em qualquer tempo e lugar, possa produzir a mensagem que quiser independente de já tê-la ouvido ou não. Todo falante de uma língua é produtivo. A linguagem enquanto instrumento de interação social A Linguagem, enquanto instrumento de interação social, é também uma ATIVIDADE FUNCIONAL. Para interagirmos socialmente, utilizamos a Linguagem com uma determinada finalidade. Assim, atribuímos à LINGUAGEM algumas FUNÇÕES: a) FUNÇÃO REFERENCIAL - É também chamada DENOTATIVA; o falante se concentra apenas naquilo que quer comunicar, utilizando o conteúdo significativo, sem usar linguagem figurada. Ex: Eu caí da escada e quebrei a perna. A denotação remete imediatamente ao referente b) FUNÇÃO EMOTIVA – Também chamada CONOTATIVA ou EXPRESSIVA; o falante nem sempre consegue ser objetivo, seco; nos atos comunicativos, geralmente deixamos transparecer nossos sentimentos e emoções. Através da função emotiva, utilizamos a linguagem conferindo-lhe nossos valores subjetivos. Ex: As gotas de chuva são como lágrimas quentes escorrendo das nuvens. c) FUNÇÃO CONATIVA – Quando falamos com alguém, não apenas queremos passar informações ou nossos sentimentos, mas também queremos provocar uma reação no nosso interlocutor. Assim, usamos a linguagem na função conativa, focalizando nossa atenção no ouvinte, para que ele reaja. Esta função geralmente é expressa por imperativos e vocativos. Ex: Menino, desce daí! As três funções básicas da Linguagem entendida como instrumento de interação social, estão diretamente ligadas aos três elementos básicos da comunicação: a pessoa que fala (emissor), a pessoa com quem se fala (receptor) e o objeto do mundo sobre o qual se fala (referente). O Linguista ROMAN JACKOBSON, considerando os diferentes elementos envolvidos no processo de comunicação (emissor, receptor, referente, canal, código e mensagem), ampliou para seis as funções da linguagem: a) Função Expressiva – centrada no emissor ou destinador; b) Função Conativa - centrada no receptor ou destinatário; c) Função Referencial – centrada no referente; d) Função Fática – centrada no contato (físico ou psicológico); e) Função Metalinguística – centrada sobre o código; f) Função Poética – centrada na própria mensagem; esta função é predominante na poesia. Pare um pouco! Pesquise sobre as seis funções da linguagem propostas por Roman Jackobson. Dica para leitura: VANOYE, Francis. Usos da Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1987. Pág. 52 a 62. A linguagem enquanto atividade cognitiva Além de ser compreendida como instrumento de comunicação e interação social, a Linguagem é também uma ATIVIDADE COGNITIVA. Ela é resultante de uma operação abstrativa e conceitual; é uma atividade inteiramente psicológica. Devemos, entretanto, considerar que a linguagem tem um duplo aspecto: o aspecto mental (cognitivo) e o aspecto social (produto e necessidade da cultura). Assim, o homem se utiliza da linguagem, filtra a realidade que o cerca e a transforma em matéria de pensamento. Por isso há uma conexão muito próxima entre pensamento e linguagem. Assim, temos dois fatores vinculados ao processo psicológico da linguagem: COGNIÇÃO Aspecto Cognitivo Atividade Mental: o homem é capaz de construir sistema de símbolos que veiculam sentido. SOCIEDADE Aspecto Social Atividade Cultural: a linguagem humana é produto da cultura; através da linguagem, preservamos e transmitimos todo o conjunto de dados culturais; a linguagem, nesse sentido, está vinculada a uma tradição, a uma história. Vimos, então, três diferentes formas de compreender a Linguagem humana. Estas formas estão interligadas. A linguagem humana é um todo constituído. E é essa capacidade de produzir Linguagem que faz do homem um ser único e diferente dos outros animais. A LÍNGUA E A FALA Para estudar a Linguagem humana, devemos considerar dois aspectos distintos que se constituem em: a Língua e a Fala. Nas palavras de Saussure, temos que: O estudo da linguagem comporta, portanto,duas partes: uma, essencial, tem por objeto a língua, que é social em sua essência e independente do indivíduo; esse estudo é unicamente psíquico; outra, secundária, tem por objeto a parte individual da linguagem, vale dizer, a fala, inclusive a fonação, e é psico-física. (SAUSSURE, 1995, p.27). Para o estudo da linguagem, enquanto capacidade humana para a comunicação Saussure propôs a DICOTOMIA (distinção) LÍNGUA (langue) e FALA (parole). Esta distinção proposta pelo Pai da Linguística se tornou clássica e é empregada até hoje. Vejamos como Saussure coloca esta distinção e, ao mesmo tempo, realça a interdependência entre Língua e Fala: Sem dúvida, esses dois objetos estão estreitamente ligados e se implicam mutuamente; a língua é necessária para que a fala seja inteligível e produza todos os seus efeitos; mas esta é necessária para que a língua se estabeleça; historicamente, o fato da fala vem sempre antes. Como se imaginaria associar uma idéia a uma imagem verbal se não se surpreendesse de início esta associação num ato de fala? Por outro lado, é ou- vindo os outros que aprendemos a língua materna; ela se de- posita em nosso cérebro somente após inúmeras experiências. Enfim, é a fala que faz evoluir a língua: são as impressões re- cebidas ao ouvir os outros que modificam nossos hábitos lin- guísticos. Existe, pois, interdependência da língua e da fala; aquela é ao mesmo tempo o instrumento e o produto desta. Tudo isso, porém, não impede que sejam duas coisas absoluta- mente distintas. (SAUSSURE, 1995, p.27). A Língua Vamos ler, a seguir, um pequeno trecho de LOPES (1995) sobre o conceito de LÍNGUA: Segundo Saussure, a Língua é um SISTEMA de signos, os quais se constituem de duas partes igualmente psíquicas (significante - imagem acústica + significado - conceito). [....] Tendo, embora, existência na consciência de cada indivíduo, a língua constitui um sistema supra-individual, na medida em que ela é definida não por um indivíduo, mas pelo grupo social ao qual esse indivíduo pertence: a língua é um conceito social (Saussure, 1972.37). Daí que cada língua se distinga das demais, pêlos seus sons específicos e pela organização peculiar desses sons em formas funcionais: "-ing", por exemplo, é uma sequência de sons encontrada no português e no inglês — na forma escrita —, mas em inglês pode aparecer no final de palavras, posição em que não ocorre em português. Por ser um bem social, um contrato coletivo, a língua preexiste e subsiste a cada um de seus falantes individualmente considerados: cada um de nós já encontra, ao nascer, formada e em pleno funcionamento, a língua que deverá falar. A sociedade nos impõe a sua língua como um código do qual nos devemos servir obrigatoriamente se desejamos que as mensagens que emitimos sejam compreendidas. Por isso, Saussure compara a língua a um dicionário, cujos exemplares tivessem sido distribuídos entre todos os membros de uma sociedade. Desse dicionário (ao qual deveríamos acrescentar, para sermos mais precisos, uma gramática), que é a langue, cada indivíduo escolhe aquilo que serve aos seus propósitos imediatos de comunicação. Essa parcela concreta e individual da langue, posta em ação por um falante em cada uma de suas situações comunicativas concretas, chamou-a Saussure parole (em português “fala" ou "discurso"). Fonte: LOPES, E. Fundamentos da Linguística Contemporânea. São Paulo: Cultriz, 1995. p.. 77. Vemos, então, que, para Saussure, a LÍNGUA existe na coletividade, ela é um fato social e independe do indivíduo. O falante é tido como um DEPOSITÁRIO de sinais colocados em seu cérebro, independente da sua vontade. A língua é, portanto, exterior ao indivíduo. A Fala Como é, então, que a Fala existe no seio da coletividade? Para Saussure (1995, p.27-28), a FALA É A SOMA DO QUE AS PESSOAS DIZEM. E a fala compreende dois aspectos: Combinações individuais – essas combinações são feitas individualmente e dependem da vontade de cada individuo que fala; ele tem liberdade para recorrer e escolher no “dicionário” (ou gramática) do qual é fiel depositário. Atos de fonação – esses atos de utilização e emissão dos sons (através da voz) também são de escolha individual e voluntária, pois são necessários para a execução das combinações individuais. São por esses motivos que Saussure diz que nada há de coletivo na fala, pois suas manifestações são individuais e momentâneas. Estabelecendo a dicotomia entre a Língua e a Fala, Saussure diz que a Linguística propriamente dita tem como seu objeto a Língua, porém, para explicar a Língua, pode ser necessário recorrer-se a uma Linguística da Fala, mas não se devem transpor os limites que separam os dois domínios: o da Língua e o da Fala. Vamos prosseguir, lendo outro fragmento de LOPES (1995) sobre o conceito de FALA (parole): “Mattoso Câmara traduz parole — mensagem na base de um código social que é a langue — por discurso, distinguindo nele duas modalidades, de acordo com seus modos de manifestação: a fala (ou discurso realizado oralmente) e a escrita (ou discurso manifestado graficamente). A característica essencial da parole é a liberdade das combinações (Saussure, 1972. 192). A parole aparece aí como uma combinatória individual que atualiza elementos discriminados dentro do código: assim, a langue é a condição para a existência da parole, exatamente como a sociedade é a condição para a existência do indivíduo. Em resumo, para Saussure, a linguagem é a soma da língua e do discurso; a língua é a linguagem menos o discurso. E a parole se assimila à natureza do acontecimento (Riccoeur, 1967, 808-809). A dicotomia que Saussure batizou de langue/parole, Hjelmslev batizou de esquema/uso; Jakobson fala, para a mesma relação, com a terminologia da teoria da informação, em código /mensagem, noções essas que correspondem, aproximativamente, às dos termos empregados por Chomsky para competence (competência) /performance (atuação). A distinção saussuriana entre langue /parole revelou-se das mais fecundas para todo o desenvolvimento da Linguistica deste século.” Fonte: LOPES, E. Fundamentos da Linguística Contemporânea. São Paulo: Cultriz, 1995, p. 77-78. Reflita sobre a Dicotomia Língua / Fala. Podemos dizer que a fala, enquanto ato individual, é apenas a representação física (sonora) da língua? Discuta esse questionamento com seu grupo de estudo, no Fórum. VA M O S R E F L E T IR JU N TO S L ie a o s te x to s a se g u ir p a ra u m m e lh o r e m b a sa m e n to te ó rico ? Na visão de Saussure, a língua, por ser um fato social, é exterior ao indivíduo. A fala é a utilização individual da língua pelo falante. Essa é uma concepção que norteou o Estruturalismo. Entretanto, no Século XX, na década de 50, surgiu um outro pensamento que norteou uma nova Teoria Linguística: o Gerativismo (também conhecido como Gramática Gerativa Transformacional). Esta teoria foi proposta por Noam Chomsky. Na visão de Chomsky, a língua não é exterior ao indivíduo e nem é um fato social. A língua é INATA, ou seja, o indivíduo nasce biologicamente constituído para produzir linguagem. Entretanto, Chomsky conserva a dicotomia estabelecida por Saussure, mas atribui-lhe uma denominação diferente: Competência (Língua) e Performance ou Desempenho (Fala). Isto quer dizer que todos os indivíduos nascem com a capacidade da linguagem; esta capacidade não é adquirida somente pelas experiências com o meio. As experiências com o meioinfluenciam no Desempenho de cada indivíduo, mas todo indivíduo consegue dizer e transformar sentenças que nunca ouviu antes. Observando as crianças em fase de aquisição de linguagem, Chomsky viu que elas produzem analogias: por exemplo, uma criança diz “Eu fazi” (o que ela nunca ouviu nenhum adulto falar!) por analogia com “Eu comi, Eu desci”, etc. Ou ainda “Eu engordeci” por analogia com “Eu emagreci”. Então, Chomsky propõe que o indivíduo opera e transforma as regras gramaticais que ele internaliza. Assim, para Chomsky a Gramática de uma língua se constitui de um número finito de regras com as quais um indivíduo pode produzir um número ilimitado de sentenças. Compare as posições de Saussure e de Chomsky quanto à concepção de Língua. Em que ponto você acha que elas se opõem? Escreva em seu caderno de anotações. NORMA Considerando o conceito de NORMA, Borba assim se pronuncia: Quando se fala em norma linguística, logo se pensa em alguma coisa marcada por traços como correção, adequação ou elegância. Assim, a norma aparece como uso que se aconselha ou até se impõe em determinadas circunstâncias. Como forma seletiva de usar a língua, a norma forçosamente rejeitará aqueles modos de falar que forem considerados como incorretos, inade- quados, deselegantes. Frequentemente esses juízos de valor são feitos a partir de critérios não linguísticos e a norma, então, se fundamenta ou no falar das classes cultas, escolarizadas e bem educadas ou, se a época é de prestígio da língua escrita, no uso dos escritores tidos como bons manejadores das formas mais refinadas de escrever. Desta última perspectiva é que surgem as chamadas gramáticas normativas encarregadas de fixar e per- petuar o bom uso do idioma: elas prescrevem regras ou normas de bem falar e de bem escrever. É esse o tipo de gramática que tem aplicação pedagógica porque é esse o uso ligado a toda uma tradição cultural que a escola tenta preservar. (1998, p. 48) Nós vimos, nos itens anteriores desta Subnunidade, que Saussure estabeleceu uma divisão radical entre a Língua e a Fala; mas ele mesmo reconheceu que Língua e Fala estão estreitamente ligados. Por isso, outros linguistas propuseram visõoes diferenciadas. Vamos conhecer alguns. Hjelmslev propôs conceber a língua de três maneiras: L Í N G U A ESQUEMA Forma pura da língua; os elementos se distinguem por seu valor opositivo, relativo e negativo. USO Conjunto de hábitos que se concretiza em atos de fala. NORMA Forma material, tirada do uso que se faz da língua. Para Eugenio Coseriu, a NORMA exerce um papel intermediário entre a Língua e a Fala: A NORMA CONSTITUI-SE DE UM CONJUNTO DE REALIZAÇÕES CONSTANTES E REPETIDAS, DE CARÁTER SÓCIO-CULTURAL E DEPENDENTE DE VÁRIOS FATORES OPERANTES NA COMUNIDADE IDIOMÁTICA (BORBA, 1998). Assim, toda e qualquer comunidade de fala possui suas normas linguísticas; as normas só se concretizam de um grupo social. Vejamos um exemplo: para nós, brasileiros, é norma, no português, falado, utilizar expressões como: (1) Eu vi ele na praça. (Norma culta = Eu o vi na praça). (2) Me dá um copo d´água. (Norma culta = Dê-me um copo d´água). (3) Vou no mercado. (Norma culta = Vou ao mercado). Entretanto, ninguém diz o vaca, a boi, o abóbora, o dentisto. A NORMA é importante, pois ela limita e comprime as possibilidades do sistema linguístico, dentro de um marco fixado pelas realizações tradicionais. De certa forma, a NORMA contribui para a manutenção e preservação da unidade linguística, muito embora ela não bloqueie as possibilidades de variação e mudança na língua. Isto será assunto de nossa próxima Subunidade. LÍNGUA Sistema que retém as normas linguísticas indispensáveis, as oposições funcionais e elimina o que não é distintivo. FALA Compreende as diferentes formas de manifestações individuais da língua NORMA Compreende a fala menos as variantes ocasionais que nela podem ser encontradas Reflita sobre o que falamos até agora. Você compreendeu bem as noções de Linguagem, Língua, Fala e Norma? Procure fazer uma síntese em seu caderno de anotações! Caro(a) aluno(a), Agora, depois que você já leu o texto-base da SUBUNIDADE 1, fez várias reflexões e anotações, procure desenvolver as seguintes atividades, buscando avaliar-se em termos da compreensão que você teve do estudo realizado: •releia o texto-base; •reveja suas anotações; •consulte um dicionário de linguística para verificar palavras novas surgiram para você; •agora que você tirou suas dúvidas, procure organizar suas anotações em um pequeno texto, sintetizando o conteúdo desta unidade. Isto ajudará muito você a fazer a avaliação desta SUBUNIDADE 1. CONCLUSÃO Chegamos ao final da SUBUNIDADE 1. Aqui discutimos: A Linguagem, concepções de linguagem, funções da linguagem; Refletimos sobre a dicotomia Língua / Fala e vimos quão importante ela é para os estudos da linguagem. Refletimos, ainda, sobre o conceito de Norma. Reflita sobre tudo o que estudamos e, antes de realizar a avaliação desta SUBUNIDADE1, aprofunde seus estudos lendo o material indicado no link SABER MAIS. http://www.psicopedagogia.com.br/entrevistas/entrevista.asp?entrID=84 http://kplus.cosmo.com.br/materia.asp?co=83&rv=Literatura http://kplus.cosmo.com.br/materia.asp?co=199&rv=Literatura http://www.comciencia.br/reportagens/linguagem/ling14.htm http://www.comciencia.br/reportagens/linguagem/ling12.htm Você leu o texto-base da SUBUNIDADE 1 e tomou anotações. Além disso, você leu o material indicado na seção SABER MAIS. Com base nestes textos (e em outros que você pode pesquisar, inclusive textos na internet), Elabore um texto abordando os conceitos estudados. Atente para a clareza, a coesão, a coerência do texto e também para a correção ortográfica. Não esqueça de citar as fontes que você consultar. Não esqueça de enviar esta atividade por e-mail para o tutor de sua turma, pois ela será objeto de avaliação. UNIDADE III - SUBUNIDADE 2 Variação e Mudança Linguística INTRODUÇÃO Na SUBUNIDADE 1, estudamos as noções de Linguagem, Língua, Fala e Norma. Na SUBUNIDADE 2, vamos discutir as noções de VARIAÇÃO E MUDANÇA LINGUÍSTICA, bem como a sua importância para os estudos linguísticos. Nessa Subunidade falaremos também sobre o caráter oral da língua, bem como da diferença entre Língua Oral e Língua Escrita. Será necessário também que discutamos a noção de Registro. Vamos ao nosso estudo! Bom trabalho!!! VARIAÇÃO E MUDANÇA LINGUÍSTICA A essa altura de nossos estudos, você já se deve ter apropriado dos conceitos de: Linguagem Verbal, Linguagem Não-Verbal, Signo Linguístico, Linguagem, Língua, Fala, Norma, entre outros. Nós vimos que, entre as mais diferentes concepções de Língua (meio de comunicação, instrumento de interação social, atividade cognitiva), sempre se considera a dicotomia língua/fala, mesmo com diferentes nomenclaturas e abordagens teóricas. É muito importante que tenhamos entendido bem esta dicotomia (distinção) para o estudo do que chamamos Variação e Mudança Linguística. Nós também estudamos o conceito de NORMA, que compreende as regras contidas no sistema linguístico. A Norma serve para manter a unidade linguística, é verdade; mas, por outro lado, ela não impede que a língua, por seu caráter sócio-histórico-cultural, se transforme e se modifique com o passar do tempo,de acordo com o seu uso nos diferentes grupos sociais. Assim, a língua sofre Variações e Mudanças. A língua oral e a língua escrita constituem a linguagem verbal. Mas - embora a língua escrita tenha tanto privilégio nas sociedades letradas - sendo ela apenas a representação da língua oral através de códigos escritos, o objeto primeiro da linguística é a língua oral. Tanto na língua oral, quanto na língua escrita, podemos nos manifestar através de várias maneiras. Estas várias e diferentes maneiras de manifestação são chamadas VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS. Falaremos sobre este assunto no próximo tópico. VARIAÇÃO LINGUÍSTICA Todas as línguas do mundo podem apresentar um conjunto de variações. Vamos conhecer uma proposta de classificação das VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS. Basicamente, temos dois tipos de variação linguística: a variação dialetal e os registros (também chamados de estilos). VAMOS CONHECER ESTAS FORMAS DE VARIAÇÃO? A Variação Dialetal Os DIALETOS são variações linguísticas que ocorrem em função do EMISSOR, ou seja, da pessoa que faz uso da língua no momento em que fala (ou escreve). O Emissor tem a sua disposição um inventário linguístico, regido por normas específicas de sua comunidade linguística. A variação dialetal pode ser compreendida, pelo menos, sob seis dimensões: CLASSIFICAÇÃO DAS VARIAÇÕES DIALETAIS 01 Variação Regional (territorial ou geográfica) Variação que acontece entre pessoas de diferentes regiões em que se fala a mesma língua. (Ex: Português do Brasil X Portugal; falares: gaúcho, nordestino, carioca, caipira, etc.). Essas diferenças geralmente ocorrem na pronúncia e no vocabulário. 02 Variação Social Variações que acontecem de acordo com a classe social a que pertencem os usuários da língua. Ex: jargões profissionais, linguagens de grupos sociais definidos (linguagem dos artistas, professores, médicos, mecânicos, estivadores, marginais, classe social alta, classe social baixa, favelados, etc); gírias. 03 Variação de Faixa Etária Variações que acontecem dada a diferença de uso da língua por pessoas de idades diferentes (crianças, jovens, adultos, velhos). 04 Variação de Sexo Variações de acordo com o sexo da pessoa que fala. 05 Variação Histórica Representam estágios no desenvolvimento da língua. 06 Variação de Função Representam as variações decorrentes da função que o falante desempenha na sociedade. Veja algumas ilustrações exemplificando as variações dialetais: Pô, o dia hoje foi brabo. Tô no prego!!!! Querida telespectadora, você vai ver, agora, os mais lindos modelitos da atualidade. Vestidinhos, sainhas, blusinhas... Tudo para você ficar linda! E aí, gata? Vamo pegá uma fita? Te pego 9 hora. Querida, você gostaria de ir ao cinema hoje? Senhoras e senhores, é uma honra e um privilégio para nós, o fato de estarmos participando deste momento de confraternização de nossa alta administração ......... Você saberia identificar as variações linguísticas exemplificadas? Reflita sobre o que conversamos até agora! Faça anotações em seu caderno. Pesquise na Internet (procure vídeos) outros exemplos de Variações Linguísticas DIALETAIS! A Variação de REGISTRO Os REGISTROS são variações linguísticas que ocorrem em função do RECEPTOR, ou seja, da pessoa a quem se destina a mensagem no momento em que falamos (ou escrevemos). Os Registros podem ser classificados sob três aspectos: o grau de formalismo, o modo e a sintonia. Vamos conhecer cada um desses aspectos. a) Os graus de formalismo Travaglia (1996) diz que o grau de formalismo representa uma escala de formalidade, entendida como um maior cuidado e apuro (no sentido normativo e estético) no uso dos recursos da língua (recursos do nível fonológico, morfológico, sintático ou das construções, do léxico, usos estilísticos, etc.) e também como uma maior variedade de recursos utilizados, aproximando-se cada vez mais da língua padrão e culta em seus usos mais "sofisticados" (literários, obras científicas, etc.). Os graus de formalismo acontecem tanto na língua falada como na língua escrita, que são os diferentes modos de Registro. Nós vamos falar primeiro sobre estes modos e depois faremos uma correlação entre eles, considerando os diferentes graus de formalismo. b) Os diferentes modos de registro Por variação de modo entende-se a língua ORAL em contraposição à língua ESCRITA. A língua escrita e a língua oral são dois códigos distintos, cada qual com suas características, seus recursos expressivos, seu campo de ação. Ao utilizarmos qualquer uma das duas modalidades de língua (oral ou escrita) o sistema gramatical mantém-se o mesmo; entretanto, cada uma delas se utiliza de recursos diferentes em função das exigências interacionais e comunicativas próprias. A língua oral tem uma tradição diferente da língua escrita. Entretanto, nas sociedades letradas, há um grande prestígio da língua escrita em detrimento da língua oral. Isto porque a língua escrita toma como base especialmente os textos literários, aumentando ainda mais sua importância; há dicionários e gramáticas pedagógicas e é pelo livro que se ensina nas escolas. Outro fator que dá privilégio à escrita é o fato de que a palavra escrita impressiona mais, enquanto um objeto permanente e sólido; por isso, achamos que a escrita é mais adequada do que a língua oral para “constituir a unidade da língua através dos tempos”. Há também a questão da ortografia, regulamentada e difundida pela escola de forma tão rigorosa que muitas vezes esquecemos que aprendemos a falar antes de escrever. (SAUSURRE, 1995, p. 35). Vejamos algumas diferenças entre estas duas modalidades da língua: LÍNGUA ORAL LÍNGUA ESCRITA A expressividade da língua oral se apresenta por meio da acentuação, da entonação, das pausas, da fluência, da mímica, dos gestos. Na escrita, o emprego do discurso direto e a pontuação se sobressaem como traços de expressividade. A pontuação tem, também, função lógica: evita erros de interpretação. As condições da língua oral – a simultaneidade entre planejamento e produção do texto - deixam marcas na sintaxe: desvios, construções interrompidas, reorganização, intromissão de elementos extra- estruturais, alternância de vozes, presença intensa de marcadores conversacionais, exclamações, onomatopeias, omissão de termos, pouco rendimento de alguns tempos verbais. A língua escrita é mais específica no emprego do vocabulário. Em consequência, é mais precisa e menos alusiva do que a língua oral. Na língua oral, a falta de sintonia prejudica o diálogo. Na língua escrita, a falta de sintonia provoca textos inadequados e, até mesmo, incompreensíveis. (Por exemplo, em termos do vocabulário utilizado) Na língua oral é possível perceber as marcas da organização do texto falado, à medida que vai sendo construído, o que pode gerar fragmentação, do ponto de vista sintático. O texto escrito não se deixa mostrar no seu processo de organização: apresenta-se pronto, com suas frases acabadas, coesas e mais complexas, do ponto de vista sintático. Obs: este quadro foi composto a partir de informações disponíveis em: http://www.pead.letras.ufrj.br/tema03/comparando.html Leia o seguinte trecho de Travaglia (1996): A língua escrita e a oral apresentam cada uma um conjuntopróprio de variedades de grau de formalismo. As variedades de grau de formalismo da língua escrita apresentam uma tendência para maior regularidade e geralmente maior formalidade que as da língua falada, todavia importa lembrar que em cada caso existe uma mesma relação entre os níveis de grau de formalismo propostos para a língua falada e para a escrita. É necessário lembrar sempre que não é válida a distinção que frequentemente encontramos enunciada por professores de que ã língua falada seria informal e a escrita formal. Isso não é verdadeiro. Podemos ter textos altamente formais na língua falada e textos totalmente informais na língua escrita. Isso fica claro no paralelismo dos níveis de formalidade registrados no quadro I. Convém anotar que a língua escrita também pode apresentar variantes dialetais, embora estas sejam usualmente pouco numerosas e menos marcantes que na língua falada, porque no escrito desaparecem as diferenças fonéticas, prosódicas e outras. Fonte: TRAVAGLIA, L.C. Gramática e Interação: uma proposta para o ensino de gramática no 1º e 2º graus. São Paulo: Cortez, 1996. PARE UM POUCO!!! Você concorda com o que diz Travaglia no texto acima acerca diferentes graus de formalismo na língua oral e na língua escrita? Escreva sua opinião em seu caderno de anotações e depois poste na Biblioteca do polo! Bowen (apud Travaglia, 1996), propõe o seguinte quadro das variantes de modo e de grau de formalismo: VARIANTES DE MODO Língua Oral Língua Escrita G R A U S D E F O R M A L I S M O Oratório - elaborado,.intrincado, enfeitado, composto de períodos equilibrados e construções paralelas; usado quase exclusivamente por especialistas: advogados, sacerdotes e outros oradores religiosos, políticos, etc., para uma situação muito formal. Hiperformal - composição escrita para efeitos grandiosos ou sublimes. Ex: o soneto, um poema épico, romances de autores como Machado de Assis e José de Alencar. Formal (Deliberativo) - usado quando se fala a grupos ou médios grandes, em que se excluem as respostas informais. É preparado previamente e mantém a distância entre falantes e ouvintes. Caracteriza-se por sentenças mais rigorosamente definidas, por um vocabulário mais rico, evita repetições desnecessárias. Formal - apresenta uma forma de linguagem cuidada na variedade culta e padrão, mas dentro do estilo escrito. Ex: escrita dos bons jornais, revistas e correspondências oficiais Coloquial - aparece no diálogo entre duas pessoas; sem planejamento prévio, mas continuamente controlado, é caracterizado por construções gramaticais soltas, repetições frequentes, frases curtas e conectivos simples, palavras de uso mais frequente. Semiformal - encontra-se em cartas comerciais, de recomendação, declarações, reportagens escritas para posterior leitura pelos locutores nas rádios e televisões, relatórios e Coloquial Distenso - apresenta completa integração entre falante e ouvinte, uso frequente de gíria (indicador do relacionamento de um grupo fechado); caracterizado pela omissão de palavras e pouco cuidado em sua pronúncia. Ex: conversações descontraídas entre amigos, colegas de trabalho. Informal - correspondência entre membros de uma família ou amigos íntimos e caracteriza-se pelo uso de formas abreviadas, abreviações padronizadas, ortografia simplificada, construções simples, sentenças Familiar – íntimo, particular, pessoal, usado na vida familiar privada. Demonstra a intimidade da afeição. Apresenta muitos elementos da linguagem afétiva. Pessoal - notas para uso próprio. Ex.: um recado anotado ao telefone, um bilhete, uma lista de compras. Fonte: O quadro classificatório foi proposto por Bowen (apud Travaglia, 1996.); as definições foram acrescentadas a partir do texto de Travaglia. Pesquise na internet ou em livros, revistas e jornais, exemplos dos diferentes graus de formalismo na língua oral e na língua escrita. c) A variação de Sintonia Tanto na língua escrita quanto na língua oral, é preciso haver SINTONIA entre os participantes do processo comunicativo. A sintonia pressupõe adequação da linguagem usada pelo emissor (vocabulário, nível de formalidade, etc.) à do receptor e domínio de áreas de conhecimento semelhantes. Segundo Travaglia (1996), a SINTONIA é o ajustamento que o falante faz na estruturação de seus texto com base em informações específicas que tem sobre o ouvinte. Há pelo menos quatro dimensões distintas de sintonia: o status, a tecnicidade, a cortesia e a norma. Vamos, aqui, compor um quadro resumo das variantes de SINTONIA, de acordo com as informações contidas em Travaglia (id). Dimensões de Sintonia Características STATUS O status da pessoa a quem se dirige o falante apresenta grandes diferenças no uso das formas e recursos da língua. Ex: um aluno não fala com o diretor da escola, da faculdade da mesma maneira que falaria com um garçom na lanchonete ou com um colega. a linguagem que um homem usa para falar com o filho comparada à linguagem usada para falar com a esposa marcam uma diferença explicada pelo status, contrastando dois tipos de relação social. Geralmente se empregam formas ou pronúncias, tom de voz que denotam deferência quando devemos respeito especial à pessoa a quem nos dirigmos, a fim de que a posição relativa de cada um fique precisamente definida. TECNICIDADE Ocorre em função do volume de informações ou conhecimentos que o falante supõe ter o ouvinte sobre o assunto. Ex.: um professor usará numa conferência profissional para colegas termos e noções de sua área profissional que não usa ao falar sobre o mesmo assunto com os pais de seus alunos. CORTESIA Acontece devido à dignidade que o falante considera apropriada ao(s) seu(s) ouvinte(s) e/ou à ocasião. As variações de cortesia abrangem uma escala que oscila entre a blasfêmia e a obscenidade num extremo e o eufemismo no outro. NORMA Ocorre quando usamos uma determinada variedade linguística porque a julgamos apropriada para falar com nosso(s) ouvinte(s). Pode ser uma variedade social, geográfica, um registro mais ou menos formal, técnico, cortês, etc. Ex.: um jovem pode falar a mesma coisa de formas diferentes com um colega e com seu avô, usar um registro mais formal em uma carta pedindo emprego e um registro menos formal em uma carta para sua mãe. As variações de Registro, assim como as variações Dialetais, não acontecem isoladamente. Em todos os nossos atos comunicativos (orais e/ou escritos), sempre temos a oportunidade de fazer escolhas para elaborar os nossos textos, combinando as VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS que fazem parte de nosso conhecimento sócio-cultural. Vamos, agora, falar um pouco sobre Mudança Linguística? A MUDANÇA LINGUÍSTICA Quando nós falamos de Variações Dialetais, apontamos um tipo de variação: a Variação Histórica, que representa estágios no desenvolvimento da língua. Essas variações são visíveis através de documentos e textos escritos, pois elas raramente coexistem. Elas documentam a Mudança Linguística, pois a língua é viva e está sempre em processo de transformação. As línguas sofrem transformações tanto na forma quanto no significado das palavras, e até mesmo na organização gramatical, no decorrer do tempo. Para exemplificar mudança na forma das palavras ao longo de sua evolução, bem como de sua organização gramatical, podemos tomar a palavra VOCÊ. Antigamente, a forma da palavra era VOSSAMECÊ esua aplicação gramatical era Pronome de Tratamento, utilizado pelas pessoas de posição social elevada. No linguajar dos escravos, a palavra era utilizada com as seguintes variações: VOSSUNCÊ, SUNCÊ, SANCÊ. A palavra foi-se transformando: de VOSMECÊ (com a forma reduzida MECÊ) para VOCÊ. Atualmente, na fala popular, VOCÊ continua sofrendo transformações, coexistindo com as variantes OCÊ e CÊ. Além disso, a palavra VOCÊ não mais é um pronome de tratamento, mas funciona como um pronome pessoal reto de segunda pessoa do singular (utilizando o verbo na terceira pessoa do singular). VOCÊ SABERIA DAR OUTROS EXEMPLOS? Pesquise na internet ou em livros, revistas e jornais, PELO MENOS MAIS DOIS EXEMPLOS DE MUDANÇA LINGUÍSTICA NO PORTUGUÊS. Quanto a mudanças no significado e/ou sentido das palavras, e considerando as demais variações linguísticas, Sampaio (2000), fazendo uma reflexão acerca da mudança e da variação da língua no tempo e no espaço, diz o seguinte: "Há alguns anos, a palavra GATA, se dirigida a uma mulher, era uma grande ofensa. Hoje, chamar uma mulher de GATA é um grande elogio. No Rio de Janeiro, ninguém compra pão; compra-se bisnaga, bisnaguinha, bengala, baguete... No Rio Grande do Sul, menino é guri; no Amazonas, curumim... Em todo o Brasil, moça rica, arrumadinha, é patricinha; rapaz rico, arrumadinho, é mauricinho. Em Porto Velho, menina metida a rica e arrumadinha (porém vulgar) é tilanga; menino que fica muito é galinha. Tudo o que é legal é porreta, é pai - d'égua! Até gaúcho rondoniano fala: pai-d'égua, tchê! Rondoniense da gema deixou de falar travessa e adotou a tiara... Hoje, toda menina fica. Antigamente, ficar era pirangar; menina que só ficava era piranha. Namorar, era sério, pra casar. Hoje, namorar é fazer sexo com um parceiro definido, mas não pra casar. É... Tempo... Lugar... As pessoas, as coisas, os costumes... Ah! língua ! Tudo muda!..." (SAMPAIO, W. B. A. Variação e Mudança Lingüística. Não publicado) ANALISE o texto de Sampaio. Considerando os exemplos dados pela autora, tente encontrar outros exemplos a partir do conhecimento que você tem sobre mudanças de significados/sentidos de palavras ao longo do tempo. E discuta, no Fórum, com seus colegas de estudo sobre os exemplos encontrados. DICA: Pesquise junto às pessoas mais velhas de sua comunidade!!! Caro(a) aluno(a), Agora, depois que você já leu o texto-base da SUBUNIDADE 2, fez várias reflexões e anotações, procure desenvolver as seguintes atividades, buscando avaliar-se em termos da compreensão que você teve do estudo realizado: a) releia o texto-base; b) reveja suas anotações; c) considere as palavras que você não compreendeu no texto, especialmente as palavras mais técnicas; faça uma busca no dicionário de Linguística. d) agora que você tirou suas dúvidas, procure organizar suas anotações em um pequeno texto, sintetizando o conteúdo desta unidade. Isto ajudará muito você a fazer a avaliação da SUBUNIDADE 2. CONCLUSÃO Chegamos ao final da SUBUNIDADE 2. Estudamos os conceitos e as diferentes formas de Variação (Dialetais e de Registro) e Mudança Linguística; Reflita sobre tudo o que vimos e, antes de realizar a avaliação desta SUBUNIDADE2, aprofunde seus estudos lendo o material indicado no link SABER MAIS. Para você saber mais sobre o conteúdo apresentado, NAVEGUE em: <acd.ufrj.br/~pead/tema01/variacao.html> - 15k – calvados.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/psicologia/article/viewPDFInterstitial/4795/ 3678 - pt.wikipedia.org/wiki/Variação_(linguística) - 22k – Você leu o texto-base da SUBUNIDADE 2 e tomou anotações. Além disso, você leu os textos indicados na seção SABER MAIS. Com base nestes textos (e em outros que você pode pesquisar, inclusive textos na internet), resolva os seguintes exercícios: • conceitue VARIAÇÃO e MUDANÇA LINGUÍSTICA. • elabore DOIS MAPAS CONCEITUAIS (OU ESQUEMAS) demonstrando: a) As variações dialetais. B) As variações de Registro. OBS: Não precisa dar os conceitos e definições; apenas fazer os esquemas. • elabore um exemplo comparativo entre o português culto e o português coloquial, demonstrando e explicando a variação de SINTONIA, através da dimensão da NORMA. Não esqueça de enviar esta atividade por e-mail para o tutor de sua turma, pois ela será objeto de avaliação. UNIDADE III - SUBUNIDADE 3 Perspectivas de Enfoque nos Estudos da Linguagem INTRODUÇÃO Na SUBUNIDADE 1, estudamos as noções de Linguagem, Língua, Fala e Norma. Na SUBUNIDADE 2, discutimos as noções de VARIAÇÃO (Dialetal e de Registro) E MUDANÇA LINGUÍSTICA, bem como a sua importância para os estudos linguísticos; falamos também sobre o caráter oral da língua, bem como da diferença entre Língua Oral e Língua Escrita Na SUBUNIDADE 3, abordaremos AS PERSPECTIVAS DE ENFOQUE NOS ESTUDOS DA LINGUAGEM: SINCRONIA e DIACRONIA. Teceremos, também, alguns comentários sobre as principais correntes da Linguística Moderna. Com esta Subunidade estamos concluindo nossos estudos de INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA! Vamos ao nosso estudo! Bom trabalho!!! PERSPECTIVAS DE ENFOQUE NOS ESTUDOS DA LINGUAGEM Você já estudou, até agora, os conceitos e concepções básicas para a Linguística Moderna. Esperamos, realmente, que você tenha compreendido tudo muito bem! Nós vamos ver, agora, que os estudos da linguagem podem ser realizados sob diferentes enfoques. Considerando o tipo de descrição que faz dos fatos científicos, Ferdinand de Saussure distinguiu dois eixos sobre os quais se situam os fatos estudados pelas ciências: o eixo de simultaneidades e o eixo de sucessividades. Veja como Saussure representou esta distinção: O eixo horizontal (A-B) representa o EIXO DE SIMULTANEIDADES. O eixo vertical (C-D) representa o EIXO DE SUCESSIVIDADES. Para compreender o que diz Saussure, é necessário que nós imaginemos esses dois eixos relacionados ao tempo: a) Se estudamos um fato científico qualquer, considerando o eixo de simultaneidades, temos de fazer abstração de qualquer noção de tempo; o que nos interessa é estudar as relações entre os fatos que coexistem dentro de um sistema em um determinado momento e a(s) maneiras(s) pelas quais essas relações acontecem nesse momento (simultaneamente). Nesse caso, estaremos fazendo um estudo SINCRÔNICO. b) Se estudamos um fato científico qualquer, considerando o eixo de sucessividades, o foco de nosso estudo são as relações que um fenômeno qualquer, localizado ao longo de uma linha evolutiva de tempo, mantém para com os fenômenos que o precedem ou que o sucedem na linha da continuidade histórica (sucessivamente). Nesse caso, estaremo fazendo um estudo DIACRÔNICO. Saussure diz que esta distinção é fundamental para o Linguista, pois “a língua constitui um sistema de valores puros que nada determina fora do estado momentâneo de seus termos” (SAUSSURE, 1995, p. 95). Saussure dizia não ser possível estudar a multiplicidade de signos, ao mesmo tempo, nas suas relações no sistema e no tempo. Por isso ele propôs duas Linguísticas: • A Linguística Sincrônica (ou estática) – estuda e descreve os fatos e suas relações dentro do sistema linguístico em um dado momento, ou seja, descreve um estado da língua, considerando tudo o que é interno ao sistema (tudo o que faça variar o sistema num grau qualquer). A sincronia tem como única perspectiva a da pessoa que fala; tem por objetosomente o conjunto de fatos correspondentes a cada língua; em caso de necessidade, separam-se os dialetos e subdialetos para fins de estudo. • A Linguística Diacrônica (ou evolutiva) - estuda e descreve os estados sucessivos da língua, ligados a sua evolução (mudança linguística). A diacronia não nos permite perceber a língua, mas apenas uma série de acontecimentos que a modificam, por isso ela não tem um fim em si mesma; os termos que ela considera para seus estudos não pertencem a uma única língua, pois os estudos históricos trabalham com aproximações e reconstruções, visando explicar a formação e a evolução das línguas. Os estudos diacrônicos distinguem duas perspectivas: a) prospectiva (acompanha o curso de tempo - evolutiva) explicar a evolução das línguas b) retrospectiva (faz o percurso do tempo em sentido contrário) POR QUE ESTA DISTINÇÃO É IMPORTANTE PARA OS ESTUDOS DA LINGUAGEM? Porque ela nos permite separar os fatores internos de um sistema dos fatores externos, histórico-culturais, que condicionam esse sistema. Para explicar como funcionam esses fatores, Saussure utilizou como exemplo o jogo de xadrez: Uma comparação com o xadrez fará compreender melhor. Aqui, é relativamente fácil distinguir o que é interno do que é externo: o fato de que ele tenha passado da Pérsia para a Europa é de ordem externa; interno é tudo quanto concerne ao sistema e às suas regras. Se substituo umas peças de madeira por outras de marfim, a troca é indiferente para o sistema; mas, se diminuo ou aumento o número de peças, essa troca afeta profundamente a "gramática" do jogo (Saussure, 1972.p 43). Portanto, para Saussure o estudo dos acontecimentos diacrônicos (fatores externos, histórico-culturais) não nos farão conhecer os estados sincrônicos da língua (fatores internos de um sistema). Embora não descarte os estudos diacrônicos, ele dá maior importância aos estudos sincrônicos, pois para os falantes, é o fato sincrônico que constitui a verdadeira e única realidade. Mattoso Câmara (1973, p.46) afirma que a linguística evolutiva, ou diacrônica, e a descritiva, ou sincrônica, são autônomas, mas interdependentes. Borba (1998, p.67), considerando os diferentes enfoques sob os quais podemos estudar os fatos linguísticos, afirma que: Os fatos linguísticos podem ser encarados ou estudados sob três pontos de vista: quanto ao seu modo de ser geral, quanto ao seu funcionamento num determinado momento e lugar, quanto às suas transformações ou evolução. No primeiro caso são considerados em si mesmos independentemente de seu funcionamento real porque o interesse está no exame de suas possibilidades de funcionar; no segundo, observam-se fatos ou dados concretos em funcionamento e, no terceiro, procura-se detectar as alterações dos fatos com o decorrer do tempo. São três atitudes que colocam o eixo do tempo como ponto de partida para a análise. O primeiro enfoque é chamado acrônico porque faz abstração do tempo: descrevem-se ou explicam-se fatos quanto à sua natureza e função. O segundo enfoque chama-se sincrônico porque se preocupa em descrever o funcionamento concreto da língua em dado momento e lugar, isto é, procura conhecer um estado de língua. O terceiro enfoque é diacrônico porque observa as mudanças que a língua sofre com o decorrer do tempo. O estudo acrônico, atendo-se ao modo de ser dos fatos e sendo atemporal pode referir-se ao passado, ao presente ou mesmo prever (ou predizer) o que acontecerá. Diz-se, então, que este ponto de vista examina o mecanismo linguístico como potencial, como conjunto de possibilidades ou como uma máquina lógica. O quadro a seguir sintetiza as características das perspectivas de enfoque nos estudos linguísticos: S I N C R O N I A h)Enfoque: simultaneidade dos fatos observados prende-se a um estado de língua, isto é, a um determinado momento considerado em si mesmo, como se fosse um corte na evolução natural do sistema. i)linguística descritiva: apenas constata, não prescreve nem dita normas, diz como é e não como deve ser. j)a análise a partir da observação de relações coexistentes, procurando determinar a natureza do sistema e suas condições de funcionamento nos planos sintagmático e paradigmático. k)serve-se de textos escritos e de gravações feitas com informantes, falantes nativos escolhidos por meio de critérios como idade, sexo, procedência, grau de escolaridade, etc. l)A seleção quantitativa e qualitativa do material que constituirá o corpus depende dos objetivos da descrição e do estrato a ser descrito. D I A C R O N I A h)Enfoque: explicar estados anteriores para melhor compreender as relações do sistema atual. i)Descreve estados sucessivos, compara-os e verifica como a língua chegou a ser o que é e qual é a sua deriva ou traços básicos de sua evolução. j)A descrição de estados anteriores e estágios mais distantes no tempo sempre depende do grau de confiança que se tem na documentação disponível. k)A linguística histórica pode ser feita em duas direções: 1. partir do estudo dos fatos atuais e ir recuando no tempo até a reconstrução dos estados mais antigos (história retrospectiva); 2. começar pela observação de dados bem recuados no tempo e ir avançando e construindo os fatos até chegar aos estágios mais recentes (história prospectiva). Agora, que terminamos o nosso estudo sob as Perspectivas de Enfoque dos Estudos da Linguagem, tente relacioná-las com os nossos estudos da Subunidade 2: variação e mudança linguística. Faça anotações em seu caderno. Pesquise na Internet e/ou em livros sobre o conteúdo estudado e poste suas impressões na Biblioteca do polo. PRINCIPAIS CORRENTES DA LINGUÍSTICA MODERNA Neste tópico nós vamos conhecer um pouco sobre as principais correntes da Linguística Moderna. São apenas algumas informações básicas para complementar os nossos estudos de Introdução à Linguística. Você, certamente, nas pesquisas já realizadas, já leu um pouco sobre o que vamos falar aqui. Como você sabe, os movimentos científicos geralmente acontecem em reação a um movimento anterior. Isto significa dizer que aparecem novas teorias, novos pontos de vista sobre o objeto de estudo. Em nosso curso, vimos, basicamente, as concepções do Estruturalismo, pois a nossa disciplina é introdutória. Entretanto, vamos conhecer os principais movimentos e suas características de forma bastante resumida. A síntese que aqui apresentamos foi feita com base nos textos de Orlandi (1995) e Lyons (1987). São as seguintes as principais correntes da Linguística Moderna: RACIONALIDADE É considerado como um dos movimentos precursores do pensamento linguístico gerativista. Fruto do pensamento humanista do século XVII. Há uma gramática que é tida como modelo por grande número de gramáticos desse período: é a Gramática de Port Royal, também chamada Gramática Geral e Racional (ou Razoada), dos franceses Claude Lancelot e A. Arnaud. Pressupostos do Racionalismo: Os estudos da linguagem concentram-se na linguagem enquanto representação do pensamento e procuram mostrar que as línguas obedecem princípios racionais, lógicos. Os pensadores dessa época definem a linguagem em geral a partir desses princípios e tratam as diferentes línguas como casos particulares dela. Produzem, assim, as gramáticas gerais e racionais. O alvo que se quer atingir é a língua ideal – lógica, sem equívocos, semambiguidades, capaz de assegurar a unidade da comunicação entre todos os seres humanos através de uma língua universal. Não é difícil reconhecer já aí o sonho do homem moderno em ter o controle do mundo através das máquinas. Esse ideal, traduzido para a atualidade, é a língua metálica, a dos computadores, universal e sem “falhas”. Reação A contribuição mais importante do Racionalismo para os estudos linguísticos foi o estabelecimento de princípios que não se prendiam à descrição de uma língua particular, alvo de grande parte dos trabalhos mais remotos da tradição ocidental até então. As Gramáticas Gerais do século XVII objetivavam compreender a linguagem em sua generalidade, ou seja, buscava- se explicar a capacidade humana de produzir comunicação através das línguas naturais. HISTORICISMO É considerado como uma característica anterior de pensamento linguístico. Um de seus principais representantes é HERMAN PAUL, com a obra Princípios de História da Linguagem (1880) – considerada a bíblia da Neogramática. Importância: prepara o campo para o estruturalismo. Já no século XX, temos OTTO JESPERSEN (1922): “A característica distintiva da ciência da linguagem, tal como concebida hoje em dia, é o seu caráter histórico”. Pressupostos do historicismo O único tipo de explicação válido em linguística é sob o ponto de vista da história: as línguas são como são porque, no decorrer do tempo, estiveram sujeitas a uma variedade de forças causativas internas e externas. Reação O historicismo reage contra as ideias do iluminismo francês e seus precursores (uma longa tradição que remonta, em última instância, a Aristóteles, Platão e os estóicos) cuja finalidade era deduzir as propriedades universais da linguagem do que se conhecia como (ou do que se supunha serem) propriedades universais da mente humana. Uma linha que se fortaleceu no final do século XIX foi o Evolucionismo – o desenvolvimento histórico das línguas é direcional. (Otto Jespersen). Atualmente, salvo algumas exceções, a maioria dos linguistas rejeita a teoria evolucionista. ESTRUTURALISMO Tem com principal representante Ferdinand de Saussure, com a obra “Cours de linguistique générale”; 1916 (obra póstuma). Pressupostos do Estruturalismo Todas as formas e sentidos estão inter-relacionados num determinado sistema linguístico, em determinado ponto no tempo (diacronia X sincronia). Saussure não nega a validade da descrição diacrônica: os modos de explicação sincrônico e diacrônico se complementam e um depende do outro, do ponto de vista lógico. A descrição estrutural de uma língua nos diz de que maneira todos os componentes se encaixam. “O único objeto da linguística é o sistema linguístico (la langue) focalizado nele mesmo e por ele mesmo.”(Saussure) Pontos importantes no estruturalismo saussureano: a) distinção sincronia/diacronia; b) dicotomia langue (língua) /parole (fala); (sistema linguístico X comportamento lingüístico); c) língua é forma e não substância (forma X conteúdo); d) uma língua é uma estrutura (equivalente a sistema); e) uma língua é um sistema de relações sintagmáticas e paradigmáticas (ou substitutivas); f) os sistemas linguísticos são fatos sociais; são externos ao indivíduo e sujeitam-no à sua força restritiva; são sistemas de valores mantidos por convenção social; g) as línguas são sistemas semióticos (princípio da arbitrariedade do signo linguístico; signo linguístico = significado + significado); h) princípio da autonomia da linguística. Reação O estruturalismo reage contra os princípios de universalidade linguística (tese do relativismo linguístico – toda língua é uma lei em si mesma). O estruturalismo considera que apenas algumas propriedades semióticas tais como a arbitrariedade, a produtividade, a dualidade e a descontinuidade são propriedades universais de línguas humanas. FUNCIONALISMO Foi um movimento particular dentro do estruturalismo. Os representantes mais conhecidos são os membros da Escola de Praga (Círculo Linguístico de Praga – 1926; Roman Jakobson e Nikolaj Trubetzkoy) Pressupostos do Funcionalismo A estrutura fonológica, gramatical e semântica das línguas é determinada pelas funções que têm que exercer nas sociedades em que operam. Pontos importantes a) distinção entre fonética e fonologia; b) conceito de traços distintivos (função distintiva dos traços fonéticos; aliada a esta função, temos ainda as funções demarcadora e expressiva); c) multifuncionalidade da linguagem; d) perspectiva funcional da sentença: a estrutura dos enunciados é determinada pelo uso que lhes é dado e pelo contexto comunicativo em que ocorrem; e) enfatiza o caráter instrumental da linguagem. (interação social). Reação O funcionalismo tende a refutar o ponto de vista saussureano, principalmente no que se refere à distinção entre sincronia e diacronia e à homogeneidade do sistema linguístico. GERATIVISMO Teoria da linguagem desenvolvida por Noam Chomsky (final da década de 1950). Considerando a propriedade da recursividade linguística (o conjunto de enunciados potenciais em uma dada língua é potencialmente infinito) Chomsky chama atenção para o fato de que as crianças aprendem a sua língua nativa reproduzindo parcialmente ou por completo os enunciados dos falantes adultos. Pressupostos do Gerativismo “Uma lingua(gem) é um conjunto (finito ou infinito) de sentenças, cada uma finita em comprimento e construída a partir de um conjunto finito de elementos” (Chomsky,1957:13, apud Lyons, 1987:20) Pontos importantes: α) a linguagem é independente de estímulo; β) a linguagem é inata (teoria do inatismo); χ) o falante dispõe de criatividade linguística; δ) a criatividade, no entanto, é regida por regras; ε) os enunciados que produzimos têm uma certa estrutura gramatical e estão em conformidade com regras de boa formação identificáveis; φ) mentalismo (distinção entre corpo e mente) – a variabilidade da conduta humana deve-se à interferência de algum fator não físico; γ) o gerativismo preocupa-se com o que as línguas têm em comum (sob este aspecto, é um retorno à antiga tradição da gramática universal), mas que não pode ser explicado (por ser arbitrário); η) o gerativismo atribui maior importância às propriedades formais das línguas e à natureza das regras exigidas para a descrição das mesmas do que às relações entre a linguagem e o mundo; ι) distinção entre competência (conhecimento) e desempenho (comportamento); ϕ) autonomia da sintaxe. Reação O gerativismo reage contra as ideias do descritivismo pós-Bloomfieldiano (Leonard Bloomfield desenvolveu uma versão particular de estruturalismo. Seus seguidores pautaram-se em teorias comportamentalistas, especialmente no behaviorismo). Chomsky empenhou-se em demonstrar a esterilidade da teoria behaviorista da linguagem. Fonte: Resumo elaborado com base nas seguintes obras: ORLANDI, E. P. O que é Linguística? São Paulo: Brasiliense, 1995. LYONS, John. Linguagem e linguística: uma introdução. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987. pág. 201-217. CARO(a) ALUNO(a), Terminada esta leitura informativa, elabore um quadro, em seu caderno de anotações, apontando as semelhanças e diferenças entre as principais correntes da linguística moderna e ! Caro(a) aluno(a), Agora, depois que você já leu o texto-base da SUBUNIDADE 3, fez várias reflexões e anotações, procure desenvolver as seguintes atividades, buscando avaliar-se em termos da compreensãoque você teve do estudo realizado: a) releia o texto-base; b) reveja suas anotações; c) considere as palavras que você não compreendeu no texto, especialmente as palavras mais técnicas; faça uma busca no dicionário de Linguística. d) agora que você tirou suas dúvidas, procure organizar suas anotações em um pequeno texto, sintetizando o conteúdo desta unidade. Isto ajudará muito você a fazer a avaliação da SUBUNIDADE 3. CONCLUSÃO Chegamos ao final da SUBUNIDADE 3. Estudamos os conceitos e as diferentes perspectivas de enfoque dos estudos da linguagem: a Sincronia e a Diacronia; além disso, vimos algumas informações acerca das principais correntes da Linguística Moderna: o Racionalismo, o Historicismo, o Estruturalismo, o Funcionalismo e o Gerativismo. Reflita sobre tudo o que estudamos e, antes de realizar a avaliação desta SUBUNIDADE 3, aprofunde seus estudos lendo o material indicado no link SABER MAIS. Para você saber mais sobre o conteúdo apresentado, LEIA: http://www.estacio.br/rededeletras/numero14/minha_patria/default.asp http://www.estudantes.com.br/quadro/qua_res.asp?COD=3643&CUR=066 http://www.unb.br/il/liv/enilde/documentos/HAVANA98.pdf http://www.filologia.org.br/viisenefil/09.htm http://www.filologia.org.br/abf/vol5/num1-01.htm http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102- 44501999000100004 http://www.stellabortoni.com.br/entrevista.php?id=28 Você leu o texto-base da SUBUNIDADE 3 e tomou anotações. Além disso, você leu os textos indicados na seção SABER MAIS. Com base nestes textos (e em outros que você pode pesquisar, inclusive textos na internet), resolva os seguintes exercícios: a) elabore DOIS ESQUEMAS demonstrando as diferenças e/ou semelhanças entre: 1) As perspectivas de enfoque dos estudos da linguagem; 2) As principais correntes da Linguística Moderna. b) pesquise dois exemplos demonstrando: 1) um estudo sincrônico; 2) um estudo diacrônico. Comente os exemplos que você pesquisar. Não esqueça de enviar esta atividade por e-mail para o tutor de sua turma, pois ela será objeto de avaliação. ATIVIDADE FINAL DA UNIDADE III – OS USOS LINGUÍSTICOS Caro(a) aluno(a), Considerando as anotações e propostas de atividades que você realizou ao longo das Subunidades 1, 2 e 3 da Unidade III, faça uma síntese do conteúdo estudado nesta UNIDADE. Desejamos que você tenha obtido muito sucesso e um bom trabalho! FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO CENTRO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E NOVAS TECNOLOGIAS Tem com principal representante Ferdinand de Saussure, com a obra “Cours de linguistique générale”; 1916 (obra póstuma). Untitled