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CURSO: Licenciatura em Letras – Habilitação em Língua Portuguesa e 
suas Literaturas
MÓDULO: I
DISCIPLINA: INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA
 AUTORA: Profª. Drª.Wany Bernardete de Araújo Sampaio
UAB – RO 
FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE 
RONDÔNIA 
PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO
CENTRO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E NOVAS 
TECNOLOGIAS
UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
 
 Dra. Wany Sampaio
 Apresentação do Componente Curricular
INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA 
Caro (a) aluno (a),
O curso de Letras-Português tem por objetivo primeiro a formação de 
professores de Língua Portuguesa e Literatura. No contexto de nosso curso, a 
Introdução à Linguística é um componente curricular de fundamental 
importância na nossa formação profissional, pois, em sendo a Linguística a 
ciência que estuda a linguagem humana articulada, ela nos dá as bases para o 
conhecimento científico das línguas do mundo. 
A estreita relação da Linguística com as mais diversas áreas do 
conhecimento (Antropologia, Filosofia, Pedagogia, Psicologia, Fonoaudiologia, 
Sociologia, Física, Informática, Literatura, Artes Cênicas, Música, etc.) nos 
possibilita um conhecimento geral e, ao mesmo tempo, específico das línguas 
e das culturas, especialmente quanto aos aspectos da diversidade linguística e 
cultural nas sociedades do mundo. 
Os conhecimentos oferecidos pela Linguística estão relacionados a 
todas as outras disciplinas do curso de Letras, a todos os tipos de textos em 
circulação na sociedade; é uma disciplina que, por sua grande aplicabilidade 
científica e social, poderia ser ministrada em todos os cursos acadêmicos.
Vamos trabalhar juntos, interagindo através de diferentes tipos de textos, 
buscando construir nossa aprendizagem sobre os temas propostos por este 
componente curricular. 
Trabalharemos a disciplina de Introdução à Linguística em três 
UNIDADES, cada uma das quais estará subdividida em três SUBUNIDADES, 
de acordo com o seguinte mapa conceitual:
 
 METODOLOGIA DE TRABALHO
Em cada uma das unidades, você encontrará um TEXTO-BASE, com 
discussões sobre o tema selecionado para estudo. No decorrer de sua leitura, 
você encontrará comentários e perguntas para reflexão sobre aspectos 
fundamentais na discussão. Sugerimos que você tenha um caderno de 
anotações para, no decorrer da leitura, anotar suas dúvidas, questionamentos 
e sugestões. Nas unidades, você encontrará também PROPOSTAS DE 
ATIVIDADES que servirão de ponto de partida para sua participação nos 
FÓRUNS de DISCUSSÂO. Em cada unidade haverá uma seção denominada 
de SABER MAIS, com o propósito de sugestões de novas leituras para o 
aprofundamento dos temas.
AVALIAÇÃO
A avaliação da disciplina será realizada levando-se em consideração: leitura 
dos textos sugeridos; desenvolvimento das atividades propostas no texto-base; 
anotações e questionamentos levantados no seu caderno de anotações. Além 
do texto-base e dos complementares, há indicações bibliográficas e 
webgráficas que o auxiliarão a ampliar seus conhecimentos dos temas 
enfocados nessa disciplina. Assim, seu percurso para o desenvolvimento desta 
disciplina consistirá em:
• Leitura do texto-base.
• Leitura dos textos complementares.
• Produção de um caderno de anotações, com registro das reflexões 
desenvolvidas ao longo das leituras.
• Resolução das atividades de avaliação propostas nas subunidades e ao 
final de cada uma das unidades.
BIBLIOGRAFIA BÁSICA:
BENVENISTE, E. Problemas de Linguística Geral II. Campinas: Pontes, 1989. 
BORBA, F. da S. Introdução aos Estudos Linguísticos. São Paulo: Pontes, 1998.
CAMARA JÚNIOR. J. M. Dicionário de Linguística e Gramática. Petrópolis: Vozes, 
1986.
CRYSTAL, D. Dicionário de Linguística e Fonética. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.
LYONS, John. Linguagem e linguística: uma introdução. Rio de Janeiro: Guanabara, 
1987.
LOPES, E. Fundamentos da Linguística Contemporânea. São Paulo: Cultrix, 1995.
ORLANDI, E. P. O que é Linguística. São Paulo: Brasiliense, 1986. (Coleção 
Primeiros Passos).
SAUSSURE, F. Curso de Linguística Geral. São Paulo: Cultrix, 1995.
TRAVAGLIA, L.C. Gramática e Interação: uma proposta para o ensino de gramática no 
1º e 2º graus. São Paulo: Cortez, 1996
VANOYE, F. Usos da Linguagem: problemas e técnicas na produção oral e 
escrita. São Paulo: Martins Fontes, 1987.
BOAS LEITURAS e BOM TRABALHO!
APRESENTAÇÃO
UNIDADE I
 A Linguística
Vamos estudar, na UNIDADE I, o conceito de Linguística, seu objeto de 
estudo e suas relações com outras disciplinas. Buscaremos, também, discutir 
as noções de linguagem, signo linguístico e mecanismos de comunicação 
humana, a fim de que possamos, ao final desta unidade, compreender com 
segurança o que é a Linguística, o que ela faz e como se relaciona com outros 
campos do conhecimento, reconhecendo a sua importância em nossa 
formação e no exercício profissional.
Trabalharemos em processos de interação constante, mediatizados pela 
leitura de textos de diferentes tipos. Assim, é necessário que você se dedique 
bastante à leitura dos textos propostos, pois ela é fundamental nesse processo.
A nossa avaliação consistirá das Propostas de Atividades apresentadas 
ao final de cada SUBUNIDADE. Tais atividades serão realizadas por você e 
compartilhadas com outros alunos de sua turma nos fóruns de discussão. Além 
disso, teremos uma atividade final desta UNIDADE I. 
Na UNIDADE I – A LINGUÍSTICA, teremos três SUBUNIDADES:
SUBUNIDADE 1 – Conceito e Natureza da Linguística;
SUBUNIDADE 2 - Objeto de Estudo da Linguística;
SUBUNIDADE 3 – Conexão da Linguística com outras Disciplinas.
Portanto, nesta UNIDADE I, você realizará três Propostas de 
Atividades (uma atividade em cada uma das SUBUNIDADES) mais a 
Atividade Final da UNIDADE I.
UNIDADE I - SUBUNIDADE 1
Esperamos que a UNIDADE I possa auxiliar você a compreender os conceitos 
básicos necessários ao desenvolvimento do Componente Curricular
 INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA. 
Vamos ao trabalho!
 Conceito e Natureza da Linguística
INTRODUÇÃO
Você está iniciando o seu curso de Letras (Língua Portuguesa)! E 
também a UNIDADE I do Componente Curricular Introdução à Linguística. 
Você já parou para pensar sobre LINGUAGEM? Você sabia da existência de 
uma ciência que se dedica aos estudos da Linguagem humana articulada? 
Nós, profissionais das Letras, trabalhamos com a Linguagem, com a 
Língua, com a Fala e, consequentemente, com a Escrita (e a Leitura, é claro!). 
A linguagem humana se constitui de Signos. Mas não de qualquer signo! São 
os Signos Linguísticos, portanto, que nos interessam. 
Veja bem: refletir sobre a Linguagem humana parece difícil, porque a 
Linguagem é algo que usamos tão cotidianamente que nem prestamos 
atenção! É como andar! Você já parou para pensar no seu modo de andar? 
Geralmente, não atentamos para os nossos hábitos e usos do cotidiano. Mas 
os nossos estudos de Introdução à Linguística nos oportunizarão várias 
reflexões sobre a Linguagem humana.
Vamos, então, mergulhar nesse mundo de estudos da Linguagem?
Convido você a iniciar este mergulho, realizando os estudos propostos 
pela nossa SUBUNIDADE 1: CONCEITO E NATUREZA DA LINGUÍSTICA 
Bom trabalho!!!
CONCEITO E NATUREZA DA LINGUÍSTICA
No mundo, tudo tem uma história. Para compreendermos o que é a 
Linguística, o que ela faz, qual é a sua natureza, vamos começar esta unidade 
conhecendo um pouco da História da Linguística. 
Você sabia que a Linguística é uma ciência bem recente? A Linguística 
só se estabeleceu como ciência no primeiroquartel do século XX. Isto 
aconteceu com a publicação de uma obra que se tornou muito famosa: Cours 
de linguistique générale (Curso de linguística geral), em 1916. Esta obra foi 
produzida por Ferdinand de Saussure, que ficou conhecido como “o pai da 
Linguística Moderna”. É uma obra póstuma, pois Saussure já havia morrido em 
1913. Quem organizou e editou a sua obra foram dois de seus discípulos: 
Charles Bally e Albert Sechehaye, com a colaboração de A. Riedlinger. Eles se 
basearam nas anotações que tomaram (eles e outros alunos) durante três 
cursos de Linguística Geral ministrados por Saussure, na Universidade de 
Genebra, entre os anos de 1907 a 1911.
Borba (1998) diz que, para se constituir como ciência, a Linguística 
percorreu uma longa trajetória, especialmente porque, para o reconhecimento 
de uma ciência, é necessária a delimitação de seu objeto e a construção de 
uma metodologia própria. Na história dos estudos da Linguagem anteriores ao 
Século XX, não havia ainda uma delimitação do objeto de estudo da Linguística 
e tampouco a definição de uma metodologia própria. 
Veja um pequeno fragmento da obra de Saussure:
VISÃO GERAL DA HISTÓRIA DA LINGUÍSTICA
A ciência que se constituiu em torno dos fatos da língua passou por três fases 
sucessivas antes de reconhecer qual é o seu verdadeiro e único objeto.
Começou-se por fazer o que se chamava de "Gramática". Esse estudo, 
inaugurado pelos gregos, e continuado principalmente pelos franceses, é baseado na 
lógica e está desprovido de qualquer visão científica e desinteressada da própria 
língua; visa unicamente a formular regras para distinguir as formas corretas das 
incorretas; é uma disciplina normativa, muito afastada da pura observação e cujo 
ponto de vista é forçosamente estreito.
A seguir, apareceu a Filologia. Já em Alexandria havia uma escola "filológica", 
mas esse termo se vinculou sobretudo ao movimento criado por Friedrich August Wolf 
a partir de 1777 e que prossegue até nossos dias. A língua não é o único objeto da 
Filologia, que quer, antes de tudo, fixar, interpretar, comentar os textos; este primeiro 
estudo a leva a se ocupar também da história literária, dos costumes, das instituições, 
etc.; em toda parte, ela usa seu método próprio, que é a crítica. Se aborda questões 
linguísticas, fá-lo sobretudo para comparar textos de diferentes épocas, determinar a 
língua peculiar de cada autor, decifrar e explicar inscrições redigidas numa língua 
arcaica ou obscura. Sem dúvida, essas pesquisas prepararam a Linguística histórica: 
os trabalhos de Ritschl acerca de Flauto podem ser chamados linguísticos; mas nesse 
domínio a crítica filológica é falha num particular: apega-se muito servilmente à 
língua escrita e esquece a língua falada; aliás, a Antiguidade grega e latina a 
absorve quase completamente.
O terceiro período começou quando se descobriu que as línguas podiam ser 
comparadas entre si. Tal foi a origem da Filologia comparativa ou "Gramática 
comparada". Em 1816, numa obra intitulada Sistema da Conjugação do Sânscrito, 
Franz Bopp estudou as relações que unem o sânscrito ao germânico, ao grego, ao 
latim, etc. Bopp não era o primeiro a assinalar tais afinidades e a admitir que todas 
essas línguas pertencem a uma única família; isso tinha sido feito antes dele, 
notadamente pelo orientalista inglês W. Jones (f 1794); algumas afirmações isoladas, 
porém, não provam que em 1816 já houvessem sido compreendidas, de modo geral, a 
significação e a importância dessa verdade. Bopp não tem, pois, o mérito da 
descoberta de que o sânscrito é parente de certos idiomas da Europa e da Ásia, mas 
foi ele quem compreendeu que as relações entre línguas afins podiam tornar-se 
matéria duma ciência autônoma. Esclarecer uma língua por meio de outra, explicar 
as formas duma pelas formas de outra, eis o que não fora ainda feito.
SAUSSURE, F. Curso de Linguística Geral. 20 ed. São Paulo: Cultrix, 1995. p.7-8
 Agora, que você já leu o que diz Saussure, aproveite e 
faça uma síntese em seu caderno de anotações e depois poste o conteúdo na 
Biblioteca.
Como você leu no fragmento de Saussure, os estudos linguísticos 
passaram por três fases: a GRAMÁTICA, A FILOLOGIA e a GRAMÁTICA 
COMPARADA. 
Ora, Saussure diz que estas fases aconteceram antes de a 
LINGUÍSTICA estabelecer seu verdadeiro e único OBJETO, ou seja, não se 
havia ainda definido o Objeto de Estudo da Linguística. 
QUAL É, ENTÃO, ESTE OBJETO?
QUAL FOI A GRANDE “SACADA” DE SAUSSURE?
Vejamos o que diz o texto.
A GRAMÁTICA se preocupava apenas com a formulação de regras: o 
que é certo e o que é errado na língua; não tinha fundamentação científica. 
A FILOLOGIA tinha como finalidade comparar textos; e isso foi muito 
importante para a Linguística Histórica.
A GRAMÁTICA COMPARADA se preocupava com a comparação de 
línguas para classificá-las em Famílias Linguísticas.
Como podemos observar, esses estudos não se voltavam para a Língua 
COMO ELA É, viva, ocorrendo aqui e agora, no meio social.
Saussure propôs a visão científica da Língua, dizendo que A LÍNGUA É 
UM FATO SOCIAL e, portanto, deve ser analisada como tal. Não apenas uma 
visão histórica para classificação de línguas ou reconstrução de línguas, ou a 
busca de uma língua original da humanidade. Mas a língua olhada como fato 
social.
Reconhecer a língua como um fato social, portanto, foi a grande 
“sacada” de Saussure. Por isso, para ele, a Linguística é a ciência que 
estuda os fatos da língua, situados no tempo e no espaço.
Temos duas questões importantes, ainda, a discutir:
1. DE QUE SE OCUPA A LINGUÍSTICA?
 
 Segundo Saussure, 
É MATÉRIA DA LINGUÍSTICA: 
 TODAS AS MANIFESTAÇÕES 
 DA LINGUAGEM HUMANA ARTICULADA.
Saussure fala de Linguagem Humana Articulada. Isto nos leva a refletir 
sobre as diferentes formas de linguagens verbais e não-verbais. Nós 
trataremos desse assunto na nossa próxima subunidade. Agora, precisamos 
compreender que a linguagem humana é diferente da linguagem dos outros 
animais e que o que vai interessar à Linguística é a linguagem produzida pelo 
ser humano através do aparelho vocal. Por isso falamos em linguagem 
humana articulada.
Pense um pouco: Por que será que a linguagem 
humana é diferente da linguagem dos outros animais? Escreva em seu 
caderno de anotações!
2 QUAIS SÃO AS TAREFAS DA LINGUÍSTICA?
 
Fazer a descrição e a história 
das línguas.
Procurar as forças que estão 
em jogo, de modo permanente 
e universal em todas as 
línguas e deduzir as leis 
gerais às quais se possam 
referir todos os fenômenos 
peculiares da história.
Definir-se a si própria.
Segundo Saussure, 
SÃO TAREFAS DA 
LINGUÍSTICA: 
Como você pode ver, a Linguística se estabeleceu como ciência, 
assumindo três grandes tarefas. 
Para compreender melhor estas tarefas, bem como o conceito e a 
natureza da Linguística, convido você a ler, a seguir, um fragmento de um autor 
moderno, o lingüista brasileiro Francisco da Silva Borba.
Borba (1998) assim discorre sobre o Conceito e a Natureza da 
Linguística:
1. A LINGUÍSTICA - CONCEITO E NATUREZA
 
1.1. Pelo que se viu até aqui talvez não seja difícil perceber que a linguística, 
ocupando-se da linguagem humana e das línguas naturais , para cumprir seu objetivo 
básico que ê determinar a natureza da linguagem e a estrutura e funcionamento das 
línguas, se ramifica em duas direções:
1) Procura desenvolver toda uma metodologia de trabalho que vai desde a 
delimitaçãodos conceitos operatórios até a discussão e montagem de modelos 
descritivos e/ou explicativos dos fenômenos linguísticos. Neste nível, a linguística é 
necessariamente teórica e geral porque não se ocupa de nenhuma língua em particular, 
mas dos fatos em geral e da maneira como abordá-los. É aí que aparecem as diversas 
correntes metodológicas e os vários níveis de discussão (ver p. 301).
 2) Procura observar e descrever línguas testando métodos e técnicas tentando 
descobrir como é a estrutura linguística e como funcionam as línguas. Essa pesquisa 
é do tipo particularizante e, à falta de outro nome, digamos que é especial. Pode 
ocupar-se de cada língua em particular e, então, chamar-se-á linguística portuguesa, 
francesa, russa, japonesa etc. ou de várias línguas de um mesmo grupo e, neste caso, 
teremos linguística românica, germânica, eslava etc. Muitas vezes a descrição se faz 
pela técnica comparativa: comparam-se vários estados de uma mesma língua ou de 
línguas aparentadas geralmente para se conhecer a história da(s) língua(s) ou sua 
filiação ou, então, comparam-se duas línguas diferentes para descobrir em que elas se 
aproximam e em que se diferenciam, geralmente para fins pedagógicos. No primeiro 
caso, tem-se a linguística comparada (diacrônica) e, no segundo, a linguística contrastiva 
(sincrônica).
1.2. O estudo do maior número possível de línguas fornece material para, num 
nível mais abstrato, determinar-se a natureza e os traços que compõem a linguagem. 
Enquanto a linguística especial pretende construir gramáticas de línguas particulares, a 
linguística teórica geral procura montar uma gramática universal (G.U.), que conterá 
não só os traços básicos encontráveis em qualquer estrutura linguística, mas ainda 
as condições de funcionamento de toda língua natural.
BORBA, F. S. Introdução aos estudos linguísticos. 12 ed. São Paulo: Pontes, 1998.
p. 75-76.
 Reflita sobre o texto de BORBA. Você 
compreendeu qual é a natureza da Linguística? Anote em seu caderno os 
conceitos apresentados.
Caro(a) aluno(a),
Agora, depois que você já leu o texto-base da SUBUNIDADE 1, fez 
várias reflexões e anotações procure desenvolver as seguintes atividades, 
buscando avaliar-se em termos da compreensão que você teve do estudo 
realizado:
a) releia o texto-base;
b) reveja suas anotações;
c) eu sei que muitas palavras novas surgiram para você; então, pense 
naquelas palavras que você não compreendeu no texto, especialmente as 
palavras mais técnicas; faça uma busca no dicionário. É bom que você 
consulte um dicionário de Linguística. Você também pode pesquisar na 
WEB. É bom que você busque se inteirar do vocabulário específico de 
Linguística para ter uma boa compreensão dos textos e, 
consequentemente, um bom aproveitamento em nossos estudos. Estou 
indicando dois dicionários para você. Eles serão úteis ao longo de todo o 
curso de Letras e ao longo de sua vida profissional:
•DUBOIS, J.; GIACOMO, M.; GUESPIN, l. ET AL. Dicionário de 
Linguística. 10 ed. São Paulo: Cultrix, 1998.
•CAMARA JR. J. M. Dicionário de Linguística e Gramática. 14 ed. 
Petrópolis: Vozes, 1977. 
 d) agora que você tirou suas dúvidas, procure 
organizar suas anotações em um pequeno texto, sintetizando o conteúdo desta 
unidade. Aproveite para trocar e-mails com seu grupo de estudo. Isso ajudará 
muito você a fazer a avaliação desta SUBUNIDADE 1.
CONCLUSÃO 
Chegamos ao final da SUBUNIDADE 1. Até aqui, falamos um pouco 
sobre a história da Linguística, seu conceito, natureza e tarefas. Reflita sobre 
tudo o que vimos e, antes de realizar a avaliação desta SUBUNIDADE1, 
aprofunde seus estudos lendo o material indicado no link SABER MAIS.
Para você saber mais sobre o conteúdo apresentado, 
leia:
ORLANDI, E. P. O que é linguística. São Paulo: Brasiliense, 1986. (Coleção 
Primeiros Passos).
COSTA, S. B. B. A Linguística e os Estudos de Linguagem rumo ao Século 
XXI. Disponível em: http://www.prohpor.ufba.br/alinguis.html. Acesso em: 26 
mar. 2007.
Você leu o texto-base da SUBUNIDADE 1 e tomou anotações. Além 
disso, você leu os textos de Orlandi e Costa, indicados na seção SABER MAIS. 
Com base nesses textos (e em outros que você pode pesquisar, inclusive 
textos na internet), procure escrever um texto SEU, discorrendo sobre o 
conceito e a natureza da Linguística. Não precisa ser um texto muito longo. 
Pode ser em uma ou duas páginas apenas. Procure produzir e não copiar. 
Atente para a clareza, a coesão, a coerência do texto e também para a 
correção ortográfica. Não esqueça de citar as fontes que você consultar. 
 Não esqueça de enviar esta atividade por e-mail para 
o tutor de sua turma, pois ela será objeto de avaliação.
UNIDADE I - SUBUNIDADE 2
 
 Objeto de Estudo da Linguística
 INTRODUÇÃO
Na SUBUNIDADE 1, estudamos o conceito e a natureza da Linguística. 
Na SUBUNIDADE 2, vamos conhecer mais de perto o Objeto de Estudo 
da Linguística, ou seja, vamos aprofundar nosso conhecimento a respeito 
daquilo de que se ocupa a Linguística.
Vimos que é matéria da Linguística: TODAS AS MANISFESTAÇÕES DA 
LINGUAGEM HUMANA ARTICULADA. 
Vamos refletir um pouco mais sobre isto?
Bom trabalho!!!
 O OBJETO DE ESTUDO DA LINGUÍSTICA
Vimos, na SUBUNIDADE 1, que é matéria da Linguística TODAS AS 
FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA LINGUAGEM HUMANA ARTICULADA. O 
que quer dizer isto? 
Para responder esta questão, precisamos refletir sobre o fato de que a 
comunicação humana é diferente da dos outros animais. É inegável que os 
outros animais possuem formas de comunicação. Por exemplo, podemos citar 
as sociedades de abelhas, formigas, gorilas, entre outras, profundamente 
organizadas e já estudadas por muitos pesquisadores no que se refere aos 
aspectos comunicativos. O homem, entretanto, comunica-se pela LINGUAGEM 
ARTICULADA, ou seja, pela emissão de sons significativos produzidos pelo 
aparelho vocal. Os homens se comunicam através de uma LÍNGUA. Assim, 
para a Linguística, interessa tudo o que faz parte da língua. 
Nos processos comunicativos humanos, são utilizadas a LINGUAGEM 
VERBAL e a LINGUAGEM NÃO-VERBAL.
Por LINGUAGEM VERBAL, entendemos a linguagem articulada, a 
palavra (oral ou escrita). 
Por LINGUAGEM NÃO-VERBAL, podemos entender todas as outras 
formas comunicativas que não sejam a palavra: gestos, desenhos, pinturas, 
sinais, etc.
Veja alguns exemplos de LINGUAGEM NÃO-VERBAL:
Temos, também, possibilidades de combinação entre LINGUAGEM 
VERBAL e LINGUAGEM NÃO-VERBAL. Veja os exemplos:
Esses símbolos e sinais são todos significativos socialmente e 
constituem formas de linguagem. Entretanto, à Linguística interessa apenas a 
LINGUAGEM VERBAL.
Voltemos, então, à nossa questão inicial. A linguagem humana, 
produzida pelo aparelho vocal, é DUPLAMENTE ARTICULADA. Através de 
Quando fazemos este sinal, 
queremos dizer PAZ e AMOR.
O relógio acima não possui 
números; sabemos a hora apenas 
pela posição dos ponteiros.
Esta é uma placa de trânsito que 
adverte o motorista para não usar 
a buzina.
Esta é uma placa indicativa
 de Aeroporto.
BANHEIRO FEMININO FELIZ PÁSCOA!!!
uma Língua (aqui entendida como idioma), os homens produzem sons 
significativos que se combinam em sílabas, formando as palavras: os signos 
linguísticos. 
O nível dos sons da língua é estudado, em Linguística, pela 
FONOLOGIA. O nível da formação e estruturação das palavras é estudado 
pela MORFOLOGIA. As palavras, em uma língua, se combinamformando 
sentenças e textos. Para o estudo das sentenças e textos, temos a SINTAXE. 
Para o estudo dos significados e sentidos que as palavras podem assumir, nos 
diferentes contextos de seu uso, temos a SEMÂNTICA. Durante o decorrer do 
curso de Letras, vamos estudar detalhadamente cada um desses aspectos da 
Linguística.
Vamos pensar, agora, no processo de COMUNICAÇÃO HUMANA, para 
entender melhor o objeto de estudo da Linguística e qual o papel da LÍNGUA 
enquanto fato central dos estudos da linguagem. Imagine duas (ou mais) 
pessoas conversando ao telefone:
 
 
Observe atentamente a ilustração acima.
Você saberia descrever os elementos do 
PROCESSO DE COMUNICAÇÃO?
Jana, você já fez o 
trabalho de Linguística?
Ainda não, Isabel. Estou 
lendo os textos primeiro.
 VA M O S R E F L E T IR JU N TO S
L ie a o s te x to s a se g u ir p a ra u m 
 m e lh o r e m b a sa m e n to te ó rico
?
O ato da COMUNICAÇÃO supõe pelo menos dois indivíduos, porque a 
linguagem tem um lado individual e um lado social; por isso, não podemos 
conceber um sem o outro. No jogo da comunicação há os INTERLOCUTORES 
(EMISSOR-RECEPTOR) que se comunicam através de uma MENSAGEM; 
essa mensagem é formulada por meio de um CÓDIGO e veiculada através de 
um CANAL.
Isabel e Jana são as INTERLOCUTORAS no processo comunicativo 
acima ilustrado. Cada vez que uma delas assume o ato de fala, construindo a 
sua MENSAGEM, torna-se o EMISSOR e, quando recebe a MENSAGEM, 
assume o papel de RECEPTOR. Assim, no processo comunicativo, estamos 
sempre alternando o papel de EMISSOR e RECEPTOR. Nossa MENSAGEM é 
o conteúdo, aquilo que enunciamos. A mensagem é formulada através de um 
CÓDIGO: as palavras faladas. Ela é veiculada através de um CANAL: o canal 
auditivo. O MEIO utilizado por elas, para se comunicar, é o telefone.
VEJA, ENTÃO, COMO A LINGUA(GEM) É IMPORTANTE PARA A 
LINGUÍSTICA ENQUANTO SEU OBJETO DE ESTUDO!
Considerando esta importância, Benveniste (1989) diz o seguinte:
A linguagem é para o homem um meio, na verdade, o único meio de 
atingir o outro homem, de lhe transmitir e receber dele uma 
mensagem. Consequentemente, a linguagem exige e pressupõe o 
outro. A partir desse momento, a sociedade é dada com a linguagem. 
Por sua vez, a sociedade só se sustenta pelo uso comum de signos 
de comunicação. Assim, cada uma dessas duas entidades, linguagem 
e sociedade, implica a outra. (BENVENISTE, E. Problemas de 
Linguística Geral II. Campinas: Pontes, 1989. p. 93).
Orlandi (1986) assim se pronuncia:
Os sinais que o homem produz, quando fala ou escreve, são 
chamados signos. Ao produzir signos os homens estão produzindo a 
própria vida: com eles o homem se comunica, representa seus 
pensamentos, exerce seu poder, elabora sua cultura e sua identidade, 
etc. [...] O signos da linguagem verbal têm uma importância tão grande 
para a humanidade que merecem uma ciência só para si: a 
Linguística. (ORLANDI, E. P. O que é Linguística. São Paulo: 
Brasiliense, 1986. p. 10-11).
 Considere o que dizem os autores acima. O que você 
pensa sobre o que eles dizem? Escreva um pequeno texto refletindo sobre a 
importância da Lingua(gem) para a Linguística e poste na Biblioteca do seu 
polo.
 Depois dessa reflexão, devemos considerar que o 
homem utiliza diferentes formas de linguagens para se comunicar: 
LINGUAGEM VERBAL e LINGUAGEM NÃO-VERBAL. A Linguística se ocupa 
da LINGUAGEM VERBAL, sob todos os aspectos.
O SIGNO LINGUÍSTICO: CONCEITO E NATUREZA 
É necessário, aqui, tomar o conceito de SIGNO LINGUÍSTICO, pois é 
este tipo de signo que compõe a linguagem verbal. Nós vimos vários exemplos 
de linguagem não-verbal. Eles também constituem signos, mas a sua 
significação está fora deles. Nós podemos, a qualquer momento, mudar as 
convenções estabelecidas pelos sinais de trânsito ou estabelecer que a cor 
vermelha é símbolo de tristeza, etc. Nós precisamos sempre dos signos 
linguísticos para explicar os signos veiculados pela linguagem não-verbal. Por 
isso, compreender a natureza do SIGNO LINGUÍSTICO é fundamental para 
nós. Vejamos, então, o que é o signo linguístico.
O signo linguístico une não uma coisa e uma palavra; ele apenas 
representa a coisa. Daí o seu caráter simbólico.
Observe a ilustração A SEGUIR:
 
SIGNIFICADO
B A N A N A
SIGNIFICANTE
Segundo Saussure, o SIGNO LINGUÍSTICO se constitui 
da combinação de um conceito (SIGNIFICADO) 
a uma imagem acústica (SIGNIFICANTE).
Como podemos observar na ilustração, a imagem acústica (som) 
representa, na nossa mente, um objeto do mundo. O signo linguístico é, então, 
uma UNIDADE INDISSOLÚVEL COMPOSTA DE SIGNIFICANTE + 
SIGNIFICADO. 
São características do signo linguístico: 
•arbitrariedade - o signo linguístico é arbitrário no sentido de que o 
significante não tem um laço natural, na realidade, com o significado. Por 
exemplo, poderíamos chamar banana de bola, mesa, etc. Tudo é uma 
convenção social.
•linearidade: o significante, por sua natureza auditiva, desenvolve-se numa 
linha temporal.
•mutabilidade e imutabilidade - os signos linguísticos podem alterar-se no 
decorrer do tempo, tanto na forma quanto no conteúdo; entretanto, o 
indivíduo não tem liberdade para alterar o signo, pois devemos considerar 
que: o signo é arbitrário; uma língua se constitui de uma imensidão de 
signos; um sistema linguístico é sempre muito complexo; há resistência da 
coletividade a toda renovação linguística. A continuidade do signo no tempo 
está relacionada a sua alteração no tempo.
•totalidade - na língua só há diferenças, sem termos positivos; uma língua 
não comporta nem idéias nem sons preexistentes ao sistema linguístico; um 
sistema linguístico compreende uma série de diferenças de sons 
combinadas com uma série de diferenças de idéias (ex: bala # mala # cala; 
O menino comeu a bala; A menina comprou a bola); quando comparamos 
um signo com outro, entretanto, não falamos de diferença, mas de 
oposição. (ex: pai X mãe - cada um destes signos comporta um significante 
e um significado; eles não são diferentes; são somente distintos; entre eles 
existe oposição). Assim, todo o mecanismo da linguagem se fundamenta na 
oposição entre os signos e nas diferenças fônicas e conceituais que 
implicam.
LINGUÍSTICA E LIBRAS
Queremos chamar sua atenção para um fato da atualidade, que já está 
sendo estudado por um bom número de lingüistas interessados na área: é a 
conhecida Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS. A LIBRAS não é constituída 
de signos articulados vocalmente, mas eles se constituem através de sinais e 
gestos que são significativos para as pessoas que os utilizam (surdos e 
também ouvintes). Você estudará sobre isso no seu curso de Letras, através 
do Componente Curricular LIBRAS. Sugerimos que você leia o texto LIBRAS: A 
Língua de Sinais dos Surdos Brasileiros (RAMOS, C.R.), disponível em: 
http://www.editora-arara-azul.com.br/pdf/artigo2.pdf , a fim de conhecer um 
pouco mais sobre a Linguística e a LIBRAS.
Caro(a) aluno(a),
Agora, depois que você já leu o texto-base da SUBUNIDADE 2, fez várias 
reflexões e anotações, procure desenvolver as seguintes atividades, buscando 
avaliar-se em termos da compreensão que você teve do estudo realizado:
a) releia o texto-base;
b) revejasuas anotações;
c) considere as palavras que você não compreendeu no texto, 
especialmente as palavras mais técnicas; faça uma busca no dicionário de 
Linguística;
d) agora que você tirou suas dúvidas, procure organizar suas 
anotações em um pequeno texto, sintetizando o conteúdo desta unidade. 
Isto ajudará muito você a fazer a avaliação da SUBUNIDADE 2.
CONCLUSÃO
Chegamos ao final da SUBUNIDADE 2. Aqui discutimos sobre o objeto 
de estudo da Linguística, os conceitos de linguagem verbal e linguagem não-
verbal, os elementos do processo de comunicação humana, o conceito de 
signo linguístico. Reflita sobre tudo o que vimos e, antes de realizar a avaliação 
desta SUBUNIDADE2, aprofunde seus estudos lendo o material indicado no 
link SABER MAIS.
Para você saber mais sobre o conteúdo apresentado, leia:
SAUSSURE, Ferdinand. O Objeto da Linguística. In: Curso de Linguística 
Geral. 20 ed. São Paulo: Cultrix, 1995. p.15 – 25.
Link: www.eps.ufsc.br/disserta99/berger/cap2.html - 59k -
Link: pt.wikipedia.org/wiki/Comunicação - 49k –
Você leu o texto-base da SUBUNIDADE 2 e tomou anotações. Além 
disso, você leu os textos indicados na seção SABER MAIS. Com base nesses 
textos (e em outros que você pode pesquisar, inclusive textos na internet), 
procure redigir um texto a partir da seguinte questão: POR QUE A 
LINGUÍSTICA TOMA COMO SEU OBJETO DE ESTUDO TODAS AS 
FORMAS DE LINGUAGEM HUMANA ARTICULADA? Atente para a clareza, a 
coesão, a coerência do texto e também para a correção ortográfica. Não 
esqueça de citar as fontes que você consultar. 
 Não esqueça de enviar esta atividade por e-mail para 
o tutor de sua turma, pois ela será objeto de avaliação.
UNIDADE I - SUBUNIDADE 3
 Conexão da Linguística com outras Disciplinas
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a),
Nas duas subunidades anteriores, estudamos o conceito e a natureza da 
Linguística, bem como o seu objeto de estudo. Agora, vamos conhecer um 
pouco sobre as relações que a Linguística tem com outras disciplinas.
Conforme anunciamos na Introdução da nossa Unidade I, a linguagem é 
objeto de interesse de várias categorias de estudiosos. Por esse motivo, a 
Linguística se relaciona com várias outras áreas de estudo, dando e recebendo 
muitas contribuições. Podemos dizer, portanto, que a Linguística é uma ciência 
interdisciplinar. 
A Linguística é um ramo da SEMIOLOGIA. A Semiologia é a ciência que 
estuda os sinais, símbolos e signos, bem como as formas de empregá-los. 
Enquanto uma ramificação da SEMIOLOGIA, a Linguística se ocupa apenas do 
SIGNO LINGUÍSTICO veiculado através da Linguagem Verbal. 
Vamos ver, então, nesta SUBUNIDADE 3, como se dão as relações da 
nossa ciência da linguagem e qual sua importância para outras áreas de 
estudo.
CONEXÃO DA LINGUÍSTICA COM OUTRAS 
DISCIPLINAS
Nas duas subunidades anteriores, estudamos: o conceito e a natureza 
da Linguística, bem como o seu objeto de estudo. Agora, vamos conhecer um 
pouco sobre as relações que a Linguística tem com outras disciplinas. 
Vamos tomar aqui, como referência, para iniciar este estudo, um 
pequeno trecho da obra de LOPES, E. (1995):
A LINGUÍSTICA COMO CIÊNCIA INTERDISCIPLINAR
"La ciência no tiene frontera: Ias matérias y parcelas de investigación 
se superponem y nece"sitan mutuamente ( . . . ) La ciência es una ..."
(MALBERG,1972, p. 28-29)
A Linguística é uma ciência interdisciplinar. Ela toma emprestada a sua 
instrumentação metalinguística dos dados elaborados pela Estatística, pela 
Teoria da Informação, pela Lógica Matemática, etc., e, por outro lado, na sua 
qualidade de ciência-piloto, ela empresta os métodos e conceitos que elaborou 
à Psicanálise, à Musicologia, à Antropologia, à Teoria e Crítica Literária, etc.; 
enfim, ela se dá, como Linguística Aplicada, ao Ensino das Línguas e à 
Tradução Mecânica. Sem pretender ser exaustiva, a Figura adaptada de 
Peytard (1971, p.73), mostra o posto que lhe corresponde no interior do campo 
semiológico.
A Figura a baixo mostra que seria contra-indicado pretender isolar a 
Linguística das demais ciências limítrofes, dentro do território coberto pela 
Semiologia. Mas essa figura mostra, também, que é possível — e do ponto de 
vista didático, desejável —, reivindicar a autonomia da Linguística, sempre que 
se compreenda que a autonomia de uma ciência não afasta nem minimiza o 
relacionamento interdisciplinar. Nem poderia ser diferente já que a Linguística 
se interessa "pela linguagem em ato, pela linguagem em evolução, pela 
linguagem em estado nascente, pela linguagem em dissolução” no dizer de 
Jakobson (1969, p.34; 1970, p.43).
Linguística, filologia e gramática
Se é relativamente fácil, para qualquer pessoa medianamente 
esclarecida, delimitar os territórios cobertos pela pintura, de um lado, e a 
literatura, de outro, nem sempre é fácil, ainda mesmo para pessoas afeitas 
ao trato dos fenômenos apresentados pelas línguas, estabelecer os limites 
entre ciências tão afins quanto a Linguística, a Filologia e a Gramática. 
Sob um certo prisma, é possível dizer que a Filologia constitui uma 
modalidade e uma etapa histórica da Linguística (Linguística Diacrônica). 
Mas, se ambas as disciplinas se interessam pelo mesmo "objeto material", 
a linguagem, cada uma delas se distingue da outra pela especificidade do 
seu "objeto formal", isto é, pelo seu particular ângulo de enfoque.
O primeiro interesse do filólogo não coincide com o primeiro interesse 
do linguista. Aquele busca encontrar num texto antigo (um documento 
escrito) o seu significado, à luz dos conhecimentos daquela etapa cultural. 
Mas o linguista antepõe ao estudo da modalidade escrita de um idioma o 
estudo da sua modalidade oral e (embora julguemos mais do que discutível 
a legitimidade desse desideratum) pode antepor, igualmente, ao estudo do 
significado a investigação exclusiva da forma de expressão desse idioma.
De modo análogo, o linguista não vê por que deva estudar, com a 
exclusividade do gramático, a norma culta de uma única língua. 
Fonte: LOPES. E. Fundamentos da Linguística Contemporânea. São Paulo: 
Cultrix, 1995. p. 24-26
 Agora, que você leu o que diz LOPES, reflita sobre 
a posição central que a Linguística ocupa no campo da Semiologia! O que você 
pensa sobre isso?
Como você leu no trecho de LOPES, a Linguística, no campo da 
Semiologia, ocupa uma posição central, relacionando-se com muitas disciplinas 
de diferentes maneiras: dando e recebendo informações que lhes enriquecem 
os conhecimentos científicos, os métodos e técnicas de análise. 
Ainda, com respeito à GRAMÁTICA e à FILOLOGIA, o autor também 
comenta que LINGUÍSTICA compartilha de grande afinidade. O que muda é 
apenas o enfoque do objeto de estudo. 
Falando do caráter interdisciplinar da Linguística, Borba (1998, p. 77-78) 
diz o seguinte:
Já disse que a linguagem interessa a várias categorias de 
estudiosos. Por isso, a Linguística participa, de alguma forma, de outras 
áreas. Se, por um lado, os progressos no estudo da linguagem têm 
contribuído para sugestões metodológicas a outras ciências, por outro 
lado, o estudo do fenômeno linguístico sob o enfoque de outras disciplinas 
vem criando um campo de atuação e ação cujos resultados têm sido 
bastante proveitosos. Assim é que se estabeleceram, como áreas de 
pesquisa interdisciplinar, a Etnolinguistica, a Sociolinguística, a 
Psicolinguística, além de ampliar-se o alcance da Filosofia da Linguagem e 
servir-sea Linguística do instrumental das Ciências Matemáticas. 
 Com base no que afirma BORBA, faça uma breve 
pesquisa sobre os conceitos e objetos de estudos da Etnolinguística, da 
Sociolinguística e da Psicolinguística e discuta sobre o assunto no Fórum
SUGERIMOS que você releia o texto de ORLANDI, já 
indicado como leitura complementar em nossa SUBUNIDADE I, no link Saber 
Mais, pois, a autora, além de falar sobre Sociolinguística e Etnolinguística, 
fornece informações sobre a Pragmática, a Teoria da Enunciação e a Análise 
do Discurso; tais informações são muito importantes para os estudos 
linguísticos. Procure fazer uma síntese do que você compreender com esta 
releitura.
AGORA VAMOS ABORDAR UMA IMPORTANTE QUESTÃO: A 
LINGUÍSTICA E SUA APLICAÇÃO PARA O ENSINO DE LÍNGUAS.
Borba fala, ainda, da grande importância da Linguística para o Ensino 
de Línguas, dizendo que devemos considerar as contribuições da Linguística 
tanto para o ensino de língua materna, como para o ensino de línguas 
estrangeiras, porém ele observa que há distintas implicações pedagógicas para 
essas aplicações da Linguística. Como este tema é bastante relevante para a 
nossa formação em Letras, vamos ler, a seguir, um trecho do autor:
LINGUÍSTICA E ENSINO DE LÍNGUAS
Convém que este item seja dividido em duas partes: o ensino da língua materna 
com todas as suas implicações pedagógicas e o ensino de línguas estrangeiras.
Todo programa de educação deve estar centrado na língua materna, fundamental 
veículo de qualquer programa pedagógico. O linguista consciente de sua função social 
deve dar prioridade à pesquisa dos. vários aspectos de sua língua, pois é esse material 
que fornecerá aos pedagogos. Ninguém pode ignorar que a linguística contribui com 
material básico para as atividades educacionais elementares como o ensino da leitura e 
da escrita, além das habilidades de uso oral e apreciação literária. Ninguém 
desconhece que o desenvolvimento nacional em termos de civilização se mede pelo grau 
de educação do povo e esta inclui, em grande parte, a habilidade no uso adequado das 
formas de expressão. Então o importante é formar professores que conheçam bem a 
natureza do sistema linguístico que manejam e cujas formas têm que ensinar, o que está 
bem longe da simples memorização ou adestramento no uso de um conjunto de regras 
gramaticais.
O treinamento das aptidões básicas de comunicação (ler, escrever, falar e ouvir) 
só pode levar ao ajustamento global do aluno. Em vista disso, o desenvolvimento das 
habilidades linguísticas do educando pela escola deveria levar em conta aspectos 
como estes:
1) Reconhecimento de que a língua falada é a mais constante e, portanto, deve ter 
prioridade. Assim se orientará a educação da comunicação oral e se desenvolverá a 
leitura.
2) A familiaridade com a estrutura fonológica da língua ajudará na compreensão (e 
crítica) do sistema ortográfico, o que terá seus efeitos no ensino da leitura e da escrita.
3) A consciência de que a língua é uma entidade dinâmica, que varia no tempo e no 
espaço, fornecerá a base para o ensino gramatical. .
4) Conhecer a natureza e o jogo de significações da língua auxiliará na seleção do 
vocabulário a ser desenvolvido no educando bem como no ensino da compreensão e 
interpretação de textos.
Além disso, o professor deverá atentar para as diferenças individuais no manejo 
da língua, bem como para seu papel em todo tipo de aprendizagem .
Quando se fala no ensino de línguas estrangeiras, a primeira coisa a comentar é 
o objetivo desse ensino para que se possa decidir qual é a técnica mais adequada a 
ser aplicada e, por conseguinte, qual é a contribuição mais direta da linguística. Ligado 
aos objetivos está o problema de quem recebe esse ensino: pessoas pertencentes a 
comunidades desenvolvidas e que aprendem uma segunda língua por diletantismo ou 
para viajar como turistas e poder falar a língua nativa do país visitado ou uma língua 
de prestígio internacional que sirva de instrumento de comunicação em várias partes 
do mundo; pessoas pertencentes a comunidades subdesenvolvidas para quem a 
aprendizagem de uma língua determinada é condição indispensável para aprender 
técnicas de trabalho ou ampliar as condições gerais de desenvolvimento de sua 
própria nação; especialistas no estudo de línguas que precisam (ou querem) conhecer 
como funcionam outros sistemas linguísticos ou qual é o estado em que se encontra a 
pesquisa em outros países. Essas situações variam muito, e por isso varia também o 
grau de profundidade do ensino, seu alcance e o tipo de enfoque: ênfase na língua 
falada, treino de leitura em profundidade para apreender as manifestações literárias; 
simples apresentação de aspectos gramaticais etc.
Em todos esses casos, não é difícil perceber que o conhecimento dos 
procedimentos básicos da linguística só pode ajudar nas técnicas de ensino. Aliás esse 
é mesmo um ramo da linguística a que se dá o nome de linguística aplicada e que tem 
se desenvolvido muito ultimamente principalmente nos Estados Unidos, onde essa 
atividade é estimulada até por motivos políticos (aprendizagem de línguas em tempo 
de guerra e de paz; corrida armamentista e outros) e religiosos (ação missionária 
junto às populações indígenas dos mais variados pontos do globo). O conhecimento 
das técnicas de análise linguística fornece a quem se dedica à linguística aplicada 
expedientes como:
1) Decisão sobre os registros a serem ensinados.
2) Decisão sobre a prioridade (ou não) a ser dada aos componentes da língua: o 
fonológico, o gramatical e o léxico, e sobre qual o tipo de tratamento que cada um 
desses níveis deve ter.
3) Levantamento das dificuldades e sua tipologia possivelmente ligada à maturidade do 
estudante, às diferenças individuais ou a seu estatuto social, à interferência da língua 
materna, à estrutura própria da língua que está sendo aprendida. Essa hierarquização 
sugere as etapas de aprendizagem, o preparo de exercícios etc.
4) Decisão sobre os objetivos e, tomando-se a língua como hábito, colocação do 
estudante na situação real de uso, isto é, contacto constante com a língua tal 
como ela é quer na sua forma oral quer na sua forma escrita. 
Fonte: BORBA, F. S. Introdução aos Estudos Linguísticos. São Paulo: Pontes, 
1998. p. 77-78
 Reflita sobre o texto de BORBA. Você concorda 
com o que ele diz? Por quê? Escreva sua opinião! E depois, marque um Chat 
com seu grupo de estudo para discussão do assunto.
Caro(a) aluno(a),
Agora, depois que você já leu o texto-base da SUBUNUIDADE 3, fez várias 
reflexões e anotações, procure desenvolver as seguintes atividades, buscando 
avaliar-se em termos da compreensão que você teve do estudo realizado:
a) releia o texto-base;
b) reveja suas anotações;
c) busque, no dicionário de Linguística, as palavras que você não 
compreendeu; 
d) procure organizar suas anotações em um pequeno texto, sintetizando o 
conteúdo desta unidade. Isto ajudará muito você a fazer a avaliação da 
SUBUNIDADE 3.
CONCLUSÃO 
Chegamos ao final da SUBUNIDADE 3. Falamos um pouco sobre a 
posição que a Linguística ocupa no campo da Semiologia, suas relações com a 
Filologia e a Gramática, bem como da importância dos estudos da linguagem 
para vários campos do saber. Reflita sobre tudo o que vimos e, antes de 
realizar a avaliação da SUBUNIDADE, aprofunde seus estudos lendo o 
material indicado no link SABER MAIS.
Para você saber mais sobre o conteúdo apresentado, 
leia:
BORBA, F. S. Introdução aos Estudos Linguísticos. São Paulo:Pontes, 
1998, pág.77-78).A Linguagem Onipresente. In: Cadernos SBPC 2006. Semeando 
Interdisciplinaridade. Pág. 22-28. Disponível em:
< http://www.sbpcnet.org.br/arquivos/arquivo_180.pdf >. 
Você leu o texto-base da SUBUNIDADE 3 e tomou anotações. Além 
disso, você leu os textos indicados na seção SABER MAIS e outros que você 
pesquisou. Com base nas suas leituras, escolha um dos temas abaixo para 
escrever o seu texto.
a) a posição da Linguística no campo da Semiologia;
b) linguística, Filologia e Gramática: afinidades e diferenças.;
c) relações da Linguística com a Etnolinguística, a Sociolinguística e 
Psicolinguística;
d) contribuições da Linguística para o ensino de língua materna;
e) linguística e Interdisciplinaridade;
Atente para a clareza, a coesão, a coerência do texto e também para a 
correção ortográfica. Não esqueça de citar as fontes que você consultar. 
 Não esqueça de enviar esta atividade por e-mail para 
o tutor de sua turma, pois ela será objeto de avaliação.
 
ATIVIDADE FINAL DA UNIDADE I – A LINGUÍSTICA
Após o estudo da Unidade I, releia suas atividades anteriores e faça um 
esquema ou mapa conceitual, integrando os conceitos básicos que você 
estudou nas três subunidades da Unidade I.
Bom trabalho!
APRESENTAÇÃO
UNIDADE II
 A Estrutura Linguística
Vamos estudar, na UNIDADE II, alguns conceitos básicos para os 
estudos linguísticos, tais como: sistema, estrutura, forma e substância, 
sintagma e paradigma, categorias e gramática.
Estes conceitos são fundamentais para entendermos como a 
lingua(gem) é compreendida em Linguística, para fins de análises propostas e 
diferentes concepções teóricas surgidas no século XX. 
Trabalharemos em processos de interação constante, mediatizados pela 
leitura de textos de diferentes tipos. Assim, é necessário que você se dedique 
bastante à leitura dos textos propostos, pois ela é fundamental nesse processo.
A nossa avaliação consistirá das Propostas de Atividades apresentadas 
ao final de cada SUBUNIDADE. Tais atividades serão realizadas por você e 
compartilhadas com outros alunos de sua turma nos fóruns de discussão. Além 
disso, teremos uma atividade final para esta UNIDADE II. 
Na UNIDADE II – A ESTRUTURA LINGUÍSTICA, teremos três 
SUBUNIDADES:
SUBUNIDADE 1 – Sistema e Estrutura – Forma e Substância
SUBUNIDADE 2 - Sintagma e Paradigma
SUBUNIDADE 3 – Categorias e Gramática.
Portanto, nesta UNIDADE II, você realizará três Propostas de 
Atividades (uma atividade em cada uma das SUBUNIDADES) mais a 
Atividade Final da UNIDADE II.
Esperamos que a UNIDADE II possa auxiliar você a compreender os conceitos 
básicos necessários ao desenvolvimento do Componente Curricular
 INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA. 
Vamos ao trabalho!
UNIDADE II - SUBUNIDADE 1
 Sistema e Estrutura / Forma e Substância
INTRODUÇÃO
Concluídos os nossos estudos da UNIDADE I do Componente Curricular 
Introdução à Linguística, estamos iniciando nosso trabalho com a UNIDADE II. 
Nesta SUBUNIDADE 1, falaremos sobre conceitos muito importantes 
para a Linguística Moderna: Sistema e Estrutura, Forma e Substância.
Vamos, então, continuar nossos estudos sobre a Ciência da Linguagem?
Bom trabalho!!!
 SISTEMA E ESTRUTURA / FORMA E 
SUBSTÂNCIA
SISTEMA E ESTRUTURA
Observe a figura abaixo. Ela representa o nosso antigo Sistema Solar. 
Todos os planetas giram à volta do Sol seguindo determinada órbita e 
em diferentes velocidades: quanto mais próximo do Sol estiver o planeta, maior 
será sua velocidade. Mercúrio é o mais próximo do Sol, seguido de Vênus, 
Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Plutão. O conjunto formado pelo sol, planetas, 
satélites, asteroides, segue determinadas leis da mecânica celeste: os satélites 
giram em torno dos planetas; os planetas giram em torno do sol, planetas e 
satélites giram em torno de seu próprio eixo, etc. Tudo isso acontece de forma 
perfeitamente organizada, proporcionando o funcionamento de um todo 
coerente.
Um conjunto de objetos se constitui em um SISTEMA quando esses 
objetos se aproximam por terem traços em comum e se organizam seguindo 
determinados princípios de tal modo que o resultado seja um todo coerente 
(BORBA,1998, p.29).
A maneira através da qual os componentes de um Sistema se 
organizam, se arranjam, constitui a sua ESTRUTURA. Então, a Estrutura é a 
disposição dos elementos dentro do Sistema. A noção de ESTRUTURA 
implica:
a) INTER-RELAÇÃO: os elementos que constituem um sistema possuem uma 
organização;
b) SOLIDARIEDADE: os elementos possuem semelhanças que os aproximam 
entre si;
c) OPOSIÇÃO: os elementos possuem diferenças entre si, pois cada um tem a 
sua identidade própria; 
d) INTERDEPENDÊNCIA: cada elemento possui um valor que depende de 
suas relações com os outros elementos da estrutura.
Vimos, na Unidade I a que Linguística se estabeleceu como ciência no 
primeiro quartel do século XX, com Ferdinand de Saussure. A Linguística 
proposta por Saussure ficou conhecida como Estruturalismo (embora no Curso 
de Linguística Geral, Saussure não tenha usado a palavra Estrutura; usou a 
palavra Valor), pois ele considerou a Língua como um SISTEMA.
Segundo Saussure, a Língua é um SISTEMA de signos, os quais se 
constituem de duas partes igualmente psíquicas (significante - imagem 
acústica + significado - conceito). Sendo a língua um sistema, ela possui 
uma estrutura. 
LEIA EM VOZ ALTA O SEGUINTE GRUPO DE SENTENÇAS:
O homem serrou a madeira.
José serrou vinte reais de seu padrinho.
Ao ler as frases em voz alta, observe que você emite sons significativos 
(os fonemas) que se organizam em sílabas, que se organizam em palavras, 
que se organizam em sentenças. Observe, também, que esta organização 
segue uma determinada ordem e determinadas regras: em Português, por 
exemplo, não há sílabas sem vogais e nem podemos iniciar uma sílaba com 
RR. Também não podemos dizer “Padrinho seu José vinte serrou reais”! Veja, 
ainda, que o sentido da palavra “serrou”, nas duas sentenças, não é o mesmo.
Reflita sobre o que falamos até agora.
Você compreendeu bem as noções de 
SISTEMA E ESTRUTURA?
Vejamos, no fragmento a seguir, o que diz LOPES (1995)
A ESTRUTURA LINGÜÍSTICA
"Estrutura", "estrutural", "estruturalismo", constituem palavras-chaves no 
léxico dos pensadores do século XX. Como sempre acontece com as palavras 
postas a circular intensamente, esses termos correm o risco de serem empregados 
acriticamente ou, pior ainda, de se transformarem em palavras-fetiche. 
A palavra "estruturalismo" designa algumas correntes da Linguística 
moderna que tomam impulso após o Cours de Linguistique Générale de Saussure 
e que surgiram entre as duas Grandes Guerras: a Escola de Genebra, o Círculo 
Linguístico de Praga, o Círculo Linguístico de Copenhague, na Europa, e a 
Escola Mecanicista de Leonard Bloomfield, na América do Norte. Tanto quanto 
é possível aproximar essas correntes todas, por cima de suas naturais 
divergências, elas se identificam no rechaço ao psicologismo lógico da Escola 
dos Neogramáticos e na concordância em descrever as línguas naturais como 
entidades autónomas, guiando-se tão-somente pela noção de estrutura (cf. Trnka, 
1972b. 14-15).
O termo "estrutura" se emprega pela primeira vez, em Linguística, no 1.° 
Congresso dos Filólogos Eslavos (Praga, 1928), numa das teses que têm como 
responsáveis os russos Jakobson, Karcevsky e Trubetzkoj (cf. Fages 1968.169 e 
Benveniste 1966.94).
A noção de "estrutura" aparece estreitamente ligada à noção de relação no 
interior de um sistema (Benveniste 1966a. 94). Hjelmslev,que deu uma das 
melhores definições do conceito, advertia, contudo, que a estrutura é um modelo, 
ou seja uma construção mental que serve de hipótese de trabalho: "Compreende-
se por Linguística Estrutural um conjunto de pesquisas que repousa sobre a 
hipótese de que é cientificamente legítimo descrever a linguagem como sendo 
essencialmente uma entidade autónoma de dependências internas, em uma 
palavra, uma estrutura ( . . . ) A análise dessa entidade permite constantemente 
isolar partes que se condicionam reciprocamente, cada uma delas dependendo 
de algumas outras, sendo inconcebível e indefinível sem essas outras partes" 
(Hjelmslev, 1971a. 28; tb. id. 109). [....]
O mesmo Hjelmslev concebeu a noção de que uma estrutura não se compõe de 
"coisas" — compõe-se de relações. Essa noção reponta, no entanto, pela primeira 
vez no âmbito da Linguística contemporânea com o fundador da moderna teoria, 
F. de Saussure, com o nome de valor (Saussure não usa, no C.L.G., nem uma só 
vez o termo estrutura) : "... mesmo fora da língua, todos os valores parece serem 
regidos por esse princípio paradoxal. Eles são sempre constituídos:
1.° por uma coisa dissemelhante susceptível de ser trocada pela coisa cujo 
valor resta determinar;
2.° por coisas similares que se podem comparar com a coisa cujo valor está 
em causa." Eis o motivo pelo qual Lyons (1970.57) escreveu que "duas unidades 
não podem estar em oposição se não possuem uma equivalência distribucional 
pelo menos parcial".
LOPES, E. Fundamentos da Lingüística Contemporânea. São Paulo: Cultrix, 
1995. 
Pág. 24-26.
 Antes de continuar sua leitura, pare um pouco. Tente 
fazer um esquema do item anterior: “Sistema e Estrutura” e troque e-mails com 
seus colegas de estudo para fixar o conteúdo estudado.
FORMA E SUBSTÂNCIA
Você deve ter compreendido que a LÍNGUA, porque possui uma 
estrutura, que funciona como um SISTEMA harmônico. A Língua não é um 
amontoado de sons desorganizados e sem significação. Por isso dizemos que 
a língua é FORMA.
Para a visão ESTRUTURALISTA, a FORMA é o princípio básico 
responsável pela organização dos sons (substância fônica) e significados 
(substância semântica) que compõem a Língua. Podemos dizer, então, que 
a FORMA é resultante de:
 
Veja os vocábulos: PATO # BATO # MATO. Nós reconhecemos 
estas formas como palavras do Português. Por quê? Porque os sons se 
organizam assumindo uma forma significativa na nossa língua. Os sons P, B, 
M, nessas palavras, são reconhecidos e só funcionam significativamente para 
SUBSTÂNCIA FÔNICA (sons) + SUBSTÂNCIA SEMÂNTICA (significados) = FORMA
 
PLANO DA EXPRESSÃO PLANO DO CONTEÚDO
nós porque eles se opõem entre si e, se um ocupar a posição do outro no 
mesmo contexto, a palavra muda de significado. 
 Assim, a forma é algo abstrato, porque ela é um 
princípio (lei, regra) de organização da língua. Cada língua tem o seu jeito 
próprio de se organizar.
Os sons mais os significados constituem a matéria de que a língua se 
compõe, ou seja, a SUBSTÂNCIA. Para compreender melhor o que tratamos 
como SUBSTÂNCIA, observe:
Veja, então, que, embora a língua seja FORMA e não SUBSTÂNCIA, 
esses dois princípios são interdependentes para que a língua se constitua 
enquanto um sistema harmônico.
PLANO DO CONTEÚDO
Constitui-se de tudo o que o homem tem na 
sua mente e que comunicar: o Conteúdo.
SUBSTÂNCIA
PLANO DA EXPRESSÃO
Compõe-se da Substância Fônica (sons, 
palavras, sentenças, textos) que veicula o 
Conteúdo.
 Você compreendeu bem os conceitos de FORMA E 
SUBSTÂNCIA? Escreva suas impressões em seu caderno de anotações!
Caro(a) aluno(a),
Agora, depois que você já leu o texto-base da SUBUNIDADE 1, fez várias 
reflexões e anotações, procure desenvolver as seguintes atividades, buscando 
avaliar-se em termos da compreensão que você teve do estudo realizado:
d)releia o texto-base;
e)reveja suas anotações;
f)consulte um dicionário de linguística para verificar palavras novas surgiram 
para você; 
g) agora que você tirou suas dúvidas, procure 
organizar suas anotações em um pequeno texto, sintetizando o 
conteúdo desta unidade. Marque um chat com seu grupo de estudo para 
discutir o assunto dessa subunidade. Isto ajudará muito você a fazer a 
avaliação desta SUBUNIDADE 1.
CONCLUSÃO 
Chegamos ao final da SUBUNIDADE 1. Conhecemos quatro conceitos básicos 
para a Lingüística Moderna: Sistema e Estrutura / Forma e Substância. Reflita 
sobre tudo o que vimos e, antes de realizar a avaliação desta SUBUNIDADE1, 
aprofunde seus estudos lendo o material indicado no link SABER MAIS.
Para você saber mais sobre o conteúdo apresentado, leia o seguinte texto de 
DUBOIS, J. et al. (1998):
“A oposição entre substância e forma, na linguística moderna, encontra sua 
origem na fórmula de F. DE SAUSSURE: "A língua é uma forma e não uma substância." A 
oposição se tornará essencial em L. HJELMSLEV. A substância, então, se define de modo 
essencialmente negativo: substância é tudo o que não é forma, isto é, o que não entra no 
sistema de dependências que constituem a estrutura de todo o ob-jeto dado. A 
glossemática atribui-se como objeto caracterizar as relações entre forma e substância 
linguísticas. Forma e substância linguísticas concernem ao plano da expressão e ao 
plano do conteúdo.
No plano da expressão, poderemos tomar como exemplos de formas os tipos de 
combinações fonológicas possíveis numa língua dada: as unidades são descritas por sua 
aptidão em contrastar no plano sintagmático e de se opor no plano paradigmático; a 
substância da expressão será, neste caso, a matéria tónica explorada, ao permitir a 
manifestação da forma linguística. A colocação em relacionamento da forma e da 
substância utiliza e transforma a matéria (fônica, no exemplo escolhido).
No plano do conteúdo, poder-se-á tomar o exemplo dos termos da cor: a 
substância do vocabulário que designa as cores é um contínuo do comprimento das 
ondas luminosas; a forma introduzida pela consideração das oposições léxicas que 
denotam as diversas cores depende das línguas, que transformam o contínuo em 
discreto, estabelecendo as distinções, em número igual ou diferente de uma língua a 
outra, tanto no mesmo ponto do contínuo como em pontos diferentes; por exemplo, a 
palavra do inglês brown, como as palavras francesas brun e marron, corresponde a 
certa classe de vibrações (substância); mas a segmen tacão que ela opera na substância 
não é idêntica à que operam suas equivalentes francesas, como comprova a existência de 
dois termos no francês, intercambiáveis por um termo único do inglês.
Em virtude destas considerações de L. HJELMSLEV, a relação estabelecida por F. 
DE SAUSSURE entre forma e substância foi modificada: a forma é independente da 
substância, mas a recíproca não é verdadeira: uma forma linguística pode não se 
manifestar por uma substância linguística (caso dos signos zero, ou em que a ordem 
das palavras é significante, etc., e que criaram tantos problemas insolúveis para F. 
DE SAUSSURE), mas uma substância linguística, em contrapartida, manifesta 
necessariamente uma formade língua.
L. HJELMSLEV, cuja teoria resultou no mais rigoroso estruturalismo (primazia 
da forma sobre a substância, necessidade da anterioridade do estudo da forma) teve 
que aplicar corretivos a suas hipóteses: a necessidade metodológica da comutação 
exige o recurso de uma teoria, pelo menos implícita, da substância da língua.
DUBOIS , J. et al. Substância. In:Dicionário de Linguística. São Paulo: Cultrix, 
1998. p. 568-569.
Você leu o texto-base da SUBUNIDADE 1 e tomou anotações. Além 
disso, você leu o texto indicado na seção SABER MAIS. Com base nesses 
textos (e em outros que você pode pesquisar, inclusive textos na internet), 
Elabore um texto abordando os conceitos estudados. 
Atente para a clareza, a coesão, a coerência do texto e também para a 
correção ortográfica. Não esqueça de citar as fontes que você consultar. 
 Não esqueça de enviar esta atividade por e-mail 
para o tutor de sua turma, pois ela será objeto de avaliação.
UNIDADE II - SUBUNIDADE 2
 Sintagma e Paradigma
 INTRODUÇÃO
Na SUBUNIDADE 1, estudamos os conceitos de SISTEMA e 
ESTRUTURA / FORMA e SUBSTÂNCIA. Vimos que a língua é uma FORMA 
que se constitui a partir de relações entre o Plano da Expressão e o Plano do 
Conteúdo. As relações entre as SUBSTÂNCIAS Fônica e Semântica são as 
que dão Forma à Língua.
Na SUBUNIDADE 2, vamos conhecer mais de perto como se dão essas 
relações na cadeia da fala: as relações Sintagmáticas e Paradigmáticas. O 
estudo dessas relações é muito importante para a análise linguística.
Vamos ao nosso estudo!
Bom trabalho!!!
 RELAÇÕES SNTAGMÁTICAS E 
PARADIGMÁTICAS
AS RELAÇÕES SINTAGMÁTICAS
Na Língua, tudo se baseia em relações. As unidades do sistema 
linguístico podem se associar ou se excluir. Veja:
Lata Pata Cata 
Os sons L, P e M se associam com os sons ATA, formando sequências 
significativas (ou palavras) do português. Porém, L, P e M se excluem 
mutuamente, pois um não pode ocorrer onde o outro ocorre, sem mudar o 
significado da palavra.
As unidades do sistema linguístico se organizam em diferentes níveis: o 
nível fonológico (sons/fonemas) o nível morfológico (palavras) o nível sintático 
(sentenças e textos) e o nível semântico (significados).
Vamos imaginar que a cadeia da fala é um eixo linear, em que os sons 
se organizam em sílabas, que se organizam em palavras, que se organizam 
em sentenças, que se organizam em textos, sucessivamente:
Essas relações lineares na cadeia da fala, em que as 
unidades linguísticas se combinam, são as RELAÇÕES SINTAGMÁTICAS.
AS CRIANÇAS BRINCAM NO PARQUE.
As combinações formadas pelas unidades linguísticas em suas relações 
são chamadas de SINTAGMAS.
Há diversos tipos de SINTAGMAS. Vamos ver alguns exemplos, 
considerando a sentença da ilustração anterior.
Sintagma Oracional AS CRIANÇAS BRINCAM NO PARQUE
Sintagma Nominal AS CRIANÇAS
Sintagma Verbal BRINCAM NO PARQUE
Sintagma Preposicionado NO PARQUE
Observe atentamente o quadro acima.
Você saberia definir os diferentes tipos
de SINTAGMAS aqui exemplificados?
MUITO BEM! VAMOS CONFERIR:
•Sintagma Oracional – Constitui-se da oração ou sentença como um 
todo. 
•Sintagma Nominal – Constitui-se de um conjunto cuja palavra central 
(ou núcleo) é um nome.
•Sintagma Verbal – Constitui-se de um conjunto cuja palavra central 
(ou núcleo) é um verbo.
•Sintagma Preposicionado – é um conjunto introduzido por uma 
preposição, mas o seu núcleo é um nome.
Você estudará melhor os diferentes tipos de SINTAGMA no Componente 
Curricular SINTAXE, durante o seu Curso de Letras.
AS RELAÇÕES PARADIGMÁTICAS
Você entendeu que as relações sintagmáticas acontecem em um eixo 
linear HORIZONTAL? Esse é o eixo das associações das unidades linguísticas 
em SINTAGMAS. Muito bem! Vamos ver, agora, que as relações 
PARADIGMÁTICAS acontecem num eixo VERTICAL, o eixo da substituição de 
uma unidade linguística por outra do mesmo nível; quando isso acontece, uma 
unidade exclui a outra, ou seja, elas não podem ocupar o mesmo lugar ao 
mesmo tempo.
Imagina que a nossa mente funciona como um computador, com vários 
arquivos muito bem organizados. Nós escolhemos o que vamos usar nas 
nossas construções linguísticas; para isso, recorremos aos nossos “arquivos”.
Vejamos o seguinte exemplo no nível sintático (oracional):
1. O menino estava sentado
na cadeira
2. Meu aluno ficou grudado
3. Aquelas crianças caíram deitadas
4. Um caderno foi esquecido
Podemos usar inúmeras combinações no eixo horizontal, o eixo 
sintagmático, formando inúmeras sentenças. Para tanto, recorremos ao eixo 
vertical, o das RELAÇÕES PARADIGMÁTICAS, para substituir as unidades 
linguísticas que queremos utilizar. 
O Sintagma suscita a ideia de uma ordem de sucessão de um 
determinado número de elementos. 
O PARADIGMA sugere que há modelos para ocorrer uma substituição. 
As unidades se excluem mutuamente. Por isso, dizemos que duas unidades 
pertencem ao mesmo Paradigma quando uma puder ser substituída pela 
outra no mesmo ponto do paradigma. Isso significa que uma unidade só 
poderá substituir outra, no mesmo ponto do sintagma, se ela pertencer a 
mesma classe geral (determinantes, nomes, verbos, etc.)
Vejamos mais um exemplo, agora no nível morfológico (palavra) 
considerando o Paradigma de verbos regulares, no presente do indicativo, de 
acordo com o Português do Brasil. Analise o quadro abaixo com atenção:
PORTUGUÊS CULTO PORTUGUÊS COLOQUIAL
RADICAIS DESINÊNCIAS PRONOMES RADICAIS DESINÊNCIAS
CANT
MAT
CAT
LAV
PASS
BORD
O
AS
A
AMOS
AIS
AM
EU
TU
ELE
NÓS
VOCÊS
ELES
CANT
MAT
CAT
LAV
PASS
BORD
O
A
A
A (ou AMO)
A
A
VAMOS REFLETIR JUNTOS:
O quadro demonstra que:
a) no Português Culto, o Paradigma das desinências do presente do 
indicativo dos verbos regulares já indica a pessoa verbal. Podemos substituir 
os radicais, conservando sempre as desinências. Não temos necessidade de 
dizer, por exemplo, “nós lavamos”. Basta-nos usar a forma “lavamos”.
b) no Português Coloquial, há uma mudança no Paradigma porque há 
uma redução das desinências. Daí que, no Português Coloquial, 
obrigatoriamente devemos usar os pronomes pessoais, porque são eles que 
serão substituídos no mesmo ponto do sintagma, já que as desinências não se 
distinguem ente si, excetuando-se a da primeira pessoa (EU). Isso acontece 
em línguas como o Inglês, por exemplo.
Mais um exemplo, considerando, agora, o nível sintático-semântico. 
Observe:
O MURO DE MINHA CASA ESTÁ
VELHO
PINTADO
FELIZ
INÁBIL
Na oração ilustrada, podemos substituir VELHO por PINTADO, pois 
teremos uma relação significativa. Entretanto, não podemos substituir esta 
unidade por FELIZ ou por INÁBIL, pois essa relação não faz sentido para nós. 
Um muro não pode ser feliz ou inábil (a não ser que estejamos utilizando uma 
linguagem figurada) Assim, estamos diante de uma relação paradigmática de 
SENTIDO.
Isto significa dizer que as relações substitutivas (paradigmáticas) 
devem fazer com que as relações associativas (sintagmáticas) produzam 
sentido.
Como você deve ter notado, as relações sintagmáticas se organizam em 
estreita harmonia com as relações paradigmáticas. Todo e qualquer falante de 
uma língua, mesmo não-escolarizado, sabe os princípios de organização de 
sua língua.
 Considere o que conversamos até agora e escreva um 
pequeno texto refletindo sobre as relações sintagmáticas e paradigmáticas e 
poste na Biblioteca do seu polo.
Caro(a) aluno(a),
Agora, depois que você já leu o texto-base da SUBUNIDADE 2, fez várias 
reflexões e anotações, procure desenvolver as seguintes atividades, buscando 
avaliar-se em termos da compreensão que você teve do estudo realizado:
a) releia o texto-base;
b) reveja suas anotações;
c) considere as palavras que você não compreendeu no texto, 
especialmente as palavrasmais técnicas; faça uma busca no dicionário 
de Linguística. 
d) agora que você tirou suas dúvidas, procure organizar suas anotações 
em um pequeno texto, sintetizando o conteúdo desta unidade. Isto 
ajudará muito você a fazer a avaliação da SUBUNIDADE 2.
CONCLUSÃO 
Chegamos ao final da SUBUNIDADE 2. Estudamos os conceitos de Sintagma 
e Paradigma, bem como em que consistem as Relações Sintagmáticas e 
Paradigmáticas. Reflita sobre tudo o que vimos e, antes de realizar a avaliação 
desta SUBUNIDADE2, aprofunde seus estudos lendo o material indicado no 
link SABER MAIS.
Para você saber mais sobre o conteúdo apresentado, NAVEGUE em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Paradigma
Você leu o texto-base da SUBUNIDADE 2 e tomou anotações. Além 
disso, você leu os textos indicados na seção SABER MAIS. Com base nestes 
textos (e em outros que você pode pesquisar, inclusive textos na internet), 
resolva os seguintes exercícios:
e)conceitue SINTAGMA e PARADIGMA.
f)elabore um exemplo de relações sintagmáticas demonstrando os 
diferentes tipos de sintagmas.
g)elabore um exemplo comparativo entre o português culto e o 
português coloquial, demonstrando e explicando o Paradigma dos 
verbos regulares da segunda conjugação, no futuro do presente 
do modo indicativo.
 Não esqueça de enviar esta atividade por e-mail para 
o tutor de sua turma, pois ela será objeto de avaliação.
UNIDADE II - SUBUNIDADE 3
 Categorias / Gramática
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a),
Nas duas subunidades anteriores, estudamos os conceitos de Sistema e 
Estrutura, Forma e Substância, Sintagma e Paradigma. Agora, nessa 
SUBUNIDADE 3, vamos discutir as noções de CATEGORIAS e GRAMÁTICA. 
Este estudo é muito importante! Leia com atenção o nosso texto-base, 
tome anotações, procure entender muito bem o conteúdo!
Vamos ao trabalho!
CATEGORIAS E GRAMÁTICA
Você já compreendeu que as línguas do mundo se organizam segundo 
seus princípios e regras, através de relações associativas (sintagmáticas) e 
relações substitutivas (paradigmáticas) entre as unidades linguísticas. 
As relações associativas que acontecem no eixo linear horizontal 
(sintagmática) seguem os princípios da GRAMÁTICA de uma dada língua. 
As relações substitutivas que acontecem no eixo vertical 
(paradigmática), só são permitidas se a unidade linguística que substituir a 
outra em um mesmo ponto do sintagma pertencer ao mesmo nível, ou seja, à 
mesma CATEGORIA gramatical.
Vamos estudar, então, estas duas importantes noções: Categorias e 
Gramática.
CATEGORIAS
 Para se comunicar, o homem utiliza um processo de simbolização: ele 
observa e filtra a realidade objetiva para representá-la linguisticamente. Para 
tanto, a nossa mente organiza a nossa experiência conceitual em 
CATEGORIAS, ou seja, nós classificamos e organizamos as palavras de nossa 
língua em diferentes “arquivos” linguísticos mentais.
O estudo da classificação de palavras, ou CATEGORIZAÇÃO de 
palavras, é muito antigo. Já na antiga Grécia, esse estudo despertou o 
interesse de grandes pensadores como Platão e Aristóteles.
Platão, refletindo sobre o LOGUS (pensamento/palavra), preocupava-se 
com a significação da língua. Seu interesse era pela análise da oração e, para 
isso, ele propôs a distinção entre NOME e VERBO, o que lhe deu a base para 
distinguir Sujeito e Predicado em uma oração.
Aristóteles, por sua vez, se preocupou com a classificação das coisas. 
Assim, ele propôs dez categorias do pensamento. As categorias propostas por 
Aristóteles são categorias lógicas, porque ele era um filósofo. Entretanto, nós 
podemos fazer uma associação entre as categorias lógicas do pensamento 
propostas por Aristóteles e as categorias de palavras. Observe:
CATEGORIAS LÓGICAS CATEGORIAS DE PALAVRAS
1 Substância Substantivo
2 Qualidade Adjetivo
3 Quantidade Numeral
4 Relação Conectivo
5 Lugar Advérbio
6 Tempo Advérbio
7 Ação Verbo
8 Passividade Verbo
9 Modo ou atitude Verbo / Advérbio
10 Estado ou posição Verbo
Aristóteles também propôs a categorização de ARTIGOS e 
PRONOMES. Outros pensadores contribuíram para com o tradicional 
processo de categorização das palavras. Vamos resumir estas contribuições 
em um pequeno quadro:
Classificação Proposta
Estóicos f)Classes Gramaticais Primárias: Nome, Verbo, 
Conectivos, Artigo e Pronome. 
g)Classes Gramaticais Secundárias: Gênero, 
Número e Caso.
Alexandrinos 
(Dionísio da Trácia)
• Nome, Verbo, Artigo, Conjugação, Preposição, 
Pronome, Advérbio, Particípio.
Latinos
(Varrão)
1. Palavras que têm caso: Nomes e 
Pronomes
2. Palavras que se conjugam: 
Verbos
3. Palavras que se declinam e se 
conjugam: Particípio
4. Palavras que não se declina, nem 
se conjugam: Partículas (Preposição, 
Conjunção)
Gramática de Port-Royal 
(Arnaud e Lancelot)
5. Distingue os dois artigos 
(definido/indefinido)
Como você vê, esta classificação de palavras que nós conhecemos hoje, 
através da escola, possui uma tradição muito antiga e forte. Por isso, essa 
forma de categorização é utilizada pela chamada GRAMÁTICA TRADICIONAL. 
A Linguística Moderna utiliza, em sua análise, outras formas de 
categorização. Vendryès propôs três classes para fins de análise:
Classe Elementos incluídos na Classe
1 NOME Artigos, Substantivos, Adjetivos, Pronomes, 
Numerais e alguns Advérbios.
2 VERBO Verbos
3 INSTRUMENTOS 
GRAMATICAIS
Preposições, Conjunções.
No ano de 1948, aconteceu um Congresso Internacional de Linguistas. 
Nesse evento, vendo que desde a tradição grega, a classificação de palavras 
misturava critérios (semânticos, morfológicos e sintáticos) os linguistas 
propuseram que seria necessário estudar as classes de palavras de acordo 
com critérios morfossintáticos, ou seja, considerar a palavra aliada à sua 
função na sentença. O Francês George Galichet, então, propôs uma 
classificação morfossintática, dividindo as classes de palavras em grupos de 
classes. Observe a proposta de Galichet:
Grupos de Classes Classes Função
Classes principais
Substantivo Sujeito
Pronome-substantivo
Verbo Predicado
Classes Adjuntas
Adjetivo Adjunto Adnominal
Pronome-adjetivo
Advérbio Adjunto Adverbial
Classes Conectivas
Preposição 
ConectivoConjunção
Pronome relativo
Marco de Classe
Artigo Marcador da classe do 
SUBSTANTIVO.
Toda palavra pode ser 
substantivada.
 
É importante observar que, na nossa cultura ocidental, a categorização 
das palavras assumiu a nomenclatura proposta pela Gramática Tradicional. 
Mas as línguas nem sempre categorizam as palavras como nós categorizamos, 
pois isso depende muito da cultura. Por exemplo: se tomarmos a categoria de 
Gênero (que é uma categoria nominal secundária) vamos observar que, nas 
línguas europeias modernas predomina a classificação sexual que divide os 
nomes em duas sub-classes: masculinos e femininos; em línguas mais 
conservadoras, como o russo e o alemão, temos também a categoria de 
gênero neutro, que caracteriza os seres inertes, passivos ou inanimados; em 
suaili, uma língua africana, há seis gêneros distintos: pessoas, árvores, objetos 
cortantes, pedras, animais de pelos e regiões (BORBA, 1998). Em muitas 
línguas indígenas do Brasil, a distinção de gênero (masculino/feminino) só 
acontece para nomes de pessoas. 
 Dessa forma, a categorização das unidades linguísticas acontece em 
todas as línguas do mundo, de acordo com as diferentes culturas, refletindo a 
maneira pela qual cada cultura representa simbolicamente a realidade, pois o 
homemnecessita dessa atividade para poder organizar os seus processos 
comunicativos na linguagem verbal.
Antes de prosseguir nosso estudo, releia o texto
e tome anotações. Você compreendeu bem 
o que signigica CATEGORIA?
O que você pensa sobre isso?
GRAMÁTICA 
Vamos começar com uma questão:
O QUE É GRAMÁTICA?
Tente responder!
 
Quando falamos em GRAMÁTICA, a primeira coisa que vem a nossa 
mente é um livro chato, cheio de regras, dizendo o que está certo, o que está 
errado, não é? Pois bem! Isso também é gramática, mas nós vamos conhecer 
outros aspectos do que vem a ser GRAMÀTICA e como é que a Linguística a 
concebe.
Nós vimos, na SUBUNIDADE 2, que as unidades linguísticas se 
relacionam, se associam, se combinam, formando sintagmas significativos. 
Essas relações não acontecem de forma aleatória, de qualquer jeito. O falante 
de uma língua, como dissemos, mesmo que não seja escolarizado e não saiba 
toda a nomenclatura da gramática ensinada pela escola, mesmo assim, ele 
sabe falar a sua língua, seguindo determinadas regras, internalizadas em sua 
mente.
Por exemplo, um falante do português jamais aceita como uma sentença 
do português o seguinte bloco de palavras: “Maria bolo o comeu gato de”. Nós 
reconhecemos, nesse amontoado, palavras do português. Entretanto, essas 
palavras estão desorganizadas e não fazem sentido para nós. Por quê? Por 
que elas não seguem as regras de ordenação do português! Então esse 
amontoado de palavras é agramatical. 
Da mesma forma, não aceitamos como palavras do português: EMART, 
ATERR, ABOL, pois estas combinações não existem para nós. Mas 
reconhecemos: MARTE, TERRA, BOLA, como palavras significativas em nossa 
língua.
As línguas do mundo possuem as mais variadas estruturas; por isso, as 
formas de combinações entre as unidades linguísticas também são diferentes 
em cada língua e ao mesmo tempo todas as línguas podem ter traços em 
comum. Então, a Linguística se preocupa em analisar e descrever as estruturas 
gramaticais das línguas do mundo, considerando o que elas têm em comum e 
também o que elas têm de específico, de particular.
Para a Linguística, A GRAMÁTICA constitui-se em um número 
limitado de regras que permitem que os falantes de uma língua possam 
construir um número ilimitado de sentenças. Essas regras são 
internalizadas pelo falante a partir dos usos que ele faz da sua língua 
materna. 
De acordo com a proposta de descrição de uma língua, nós podemos 
utilizar diferentes teorias e métodos de análise e descrição gramatical. É 
importante, porém, que vejamos pelo menos três concepções de 
GRAMÁTICA:
a) GRAMÁTICA PRESCRITIVA 
A GRAMÁTICA PRESCRITIVA, também conhecida como GRAMÁTICA 
NORMATIVA, segue a tradição gramatical grega; preocupa-se em 
estabelecer as regras que devem ser seguidas pelos falantes de uma dada 
língua; ela estabelece o que está certo e o que está errado. Toma por base a 
língua escrita, literária, culta; geralmente esta concepção de gramática é 
veiculada pelas gramáticas pedagógicas no contexto das escolas. 
b) GRAMÁTICA DESCRITIVA 
A GRAMÁTICA DESCRITIVA se preocupa em descrever as regras que são 
aeguidas pelos falantes de uma dada língua; não é papel do linguista que 
descreve uma língua preocupar-se com o que está certo ou errado. Apenas 
interessa descrever como os falantes usam a sua língua. Por exemplo, se 
tomamos as expresssões do português:
(1) Os meninos jogam bola.
(2) Os mininu joga bola.
Vamos descrever que:
- na sentença (1), o falante utiliza regras de concordância de gênero e número 
entre as unidades que compõem o sintagma nominal (Os meninos) e também 
utiliza regras de concordância de número e pessoa entre o sintagma nominal 
(Os meninos) e o sintagma verba (jogam bola)
- na sentença (2), o falante marca a concordância de número apenas no 
determinante (o artigo OS). Quando isso acontece, compreende-se que toda a 
sentença está no plural. 
c) GRAMÁTICA INTERNALIZADA
A GRAMÁTICA INTERNALIZADA é aquela que o falante usa ao se manifestar 
na sua língua. Quando observamos alguém falando (ou escrevendo), somos 
capazes de saber o que o falante conhece e utiliza em termos de gramática. A 
nossa gramática internalizada pode ir se alargando ao longo de nossas vidas, 
pois fazemos contatos com diferentes pessoas com quem interagimos e 
aprendemos novas formas de nos expressar. É por isso que podemos escolher 
como e o quê utilizar nas nossas expressões linguísticas.
 Como você está em processo de formação para ser 
um(a) professor(a) de Língua Portuguesa, é importante considerar que o 
professor deve assumir uma atitude que considere estas três concepções de 
Gramática.
Caro(a) aluno(a),
Agora, depois que você já leu o texto-base da SUBUNIDADE 3, fez várias 
reflexões e anotações, procure desenvolver as seguintes atividades, buscando 
avaliar-se em termos da compreensão que você teve do estudo realizado:
a) releia o texto-base;
b) reveja suas anotações;
c) busque no dicionário de Linguística as palavras que você não 
compreendeu. 
d) procure organizar suas anotações em um pequeno texto, sintetizando o 
conteúdo desta unidade. Isto ajudará muito você a fazer a avaliação da 
SUBUNIDADE 3.
CONCLUSÃO 
Chegamos ao final da SUBUNIDADE 3. Falamos sobre CATEGORIAS e 
GRAMÁTICA. Reflita sobre tudo o que vimos e, antes de realizar a avaliação 
da SUBUNIDADE, aprofunde seus estudos lendo o material indicado no link 
SABER MAIS.
Para você saber mais sobre o conteúdo apresentado, leia:
BORBA, F. S. Introdução aos Estudos Linguísticos. São Paulo: Pontes, 
1998. p.37- 44.
http://www.olavodecarvalho.org/apostilas/pensaris4_1.htm
http://rle.ucpel.tche.br/php/edicoes/v7n2/vanda_vol7_n2.pdf
http://www.cefetpr.br/deptos/dacex/paulo3.htm
Você leu o texto-base da SUBUNIDADE 3 e tomou anotações. Além 
disso, você leu os textos indicados na seção SABER MAIS e outros que você 
certamente pesquisou. Com base nas suas leituras, escreva o seu texto, 
considerando as noções de Categorias e Gramática. Atente para a clareza, 
a coesão, a coerência do texto e também para a correção ortográfica. Não 
esqueça de citar as fontes que você consultar. 
 Não esqueça de enviar esta atividade por e-mail para 
o tutor de sua turma, pois ela será objeto de avaliação.
ATIVIDADE FINAL DA UNIDADE II – A ESTRUTURA LINGUÍSTICA
Após o estudo da Unidade II, releia suas atividades 
anteriores e faça um resumo do conteúdo abordado nas três subunidades, 
atentando para os conceitos básicos estudados e marque um fórum com seus 
colegas para discussão dessa unidade estudada.
BOM TRABALHO!!!!
APRESENTAÇÃO
UNIDADE III
 Os Usos Linguísticos
Vamos estudar, na UNIDADE III, OS USOS LINGUÍSTICOS, ou seja, os 
usos que o falante faz de sua língua materna. Para tanto, vamos aprofundar 
aqui a nossa compreensão do que é LINGUAGEM, LÍNGUA, FALA, NORMA, 
para podermos discutir os processos de VARIAÇÃO E MUDANÇA 
LINGUÍSTICA. Estudaremos também AS PERSPECTIVAS DE ENFOQUE para 
os estudos de linguagem: a Sincronia e a Diacronia. Além disso, teremos 
algumas informações sobre as principais correntes da Linguística Moderna.
Trabalharemos em processos de interação constante, mediatizados pela 
leitura de textos de diferentes tipos. Assim, é necessário que você se dedique 
bastante à leitura dos textos propostos, pois ela é fundamental nesse processo.
A nossa avaliação consistirá das Propostas de Atividades apresentadas 
ao final de cada SUBUNIDADE. Tais Atividades serão realizadas por vocêe 
compartilhadas com outros alunos de sua turma nos fóruns de discussão. Além 
disso, teremos uma atividade final para esta UNIDADE III. 
A UNIDADE III está dividida em duas SUBUNIDADES:
SUBUNIDADE 1 – LINGUAGEM, LÍNGUA, FALA e NORMA.
SUBUNIDADE 2 - VARIAÇÃO E MUDANÇA LINGUÍSTICA.
SUBUNIDADE 3 - PERSPECTIVAS DE ENFOQUE
Portanto, nesta UNIDADE III, você realizará três Propostas de 
Atividades (uma atividade em cada uma das SUBUNIDADES) mais a 
Atividade Final da UNIDADE III.
Esperamos que a UNIDADE III possa auxiliar você a compreender os conceitos 
básicos necessários ao desenvolvimento do Componente Curricular
 INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA. 
Vamos ao trabalho!
UNIDADE III - SUBUNIDADE 1
 Linguagem / Língua/ Fala / Norma
INTRODUÇÃO
Concluídos os nossos estudos da UNIDADE II do Componente 
Curricular Introdução à Linguística, estamos iniciando nosso trabalho com a 
UNIDADE III. 
Nesta SUBUNIDADE 1, aprofundaremos nossos estudos sobre as 
noções de LINGUAGEM, LÍNGUA, FALA e NORMA, pois estas noções são 
fundamentais para entendermos o conteúdo que será tratado na Subunidade 2 
(Variação e Mudança Linguística).
Vamos, então, continuar nossos estudos sobre a Ciência da Linguagem?
Bom trabalho!!!
A LINGUÍSTICA DA LÍNGUA E A LINGUÍSTICA 
DA FALA
Na Unidade I deste curso, nós tomamos conhecimento do Objeto de 
Estudo da Linguística, discutimos os conceitos de linguagem verbal, linguagem 
não-verbal e de signo linguístico. Nós vimos que a Linguística se interessa pela 
linguagem humana articulada. É importante que você relembre o conteúdo 
estudado, pois, agora, vamos apresentar algumas dicotomias conceituais 
relevantes para a Linguística Moderna.
A LINGUAGEM
Para Ferdinand de Saussure, a LINGUAGEM humana é uma 
abstração, uma capacidade; ela consiste na capacidade que o homem tem 
de comunicar-se com os seus semelhantes através de signos verbais. A 
linguagem abrange, por isso, fatores físicos, fisiológicos e psíquicos 
(LOPES, 1995, p.76).
Podemos entender a LINGUAGEM, então, como uma aptidão que o 
homem possui para associar uma cadeia sonora (sons emitidos pela voz, 
através do aparelho fonador) a um conteúdo significativo. O homem produz 
Signos Linguísticos! Estes signos são utilizados para a comunicação e 
interação social. A linguagem é, ainda, uma atividade cognitiva, pois através 
dela o homem transforma tudo em matéria de pensamento.
A linguagem enquanto meio de comunicação
De acordo com BORBA (1995), a Linguagem humana articulada, 
enquanto meio eficaz de comunicação, possui alguns traços 
característicos: São eles:
a) SIMBOLIZAÇÃO – a linguagem é uma atividade simbólica, pois os signos 
linguísticos representam a realidade; eles não são a realidade.
b) ARTICULAÇÃO – as unidades linguísticas se articulam, formando 
associações significativas, em diversos níveis: fonemas, sílabas, palavras, 
sentenças, textos. Todo ato de comunicação é analisável em diversos níveis, 
com graus variáveis de complexidade.
c) REGULARIDADE – cada manifestação linguística tem uma significação 
permanente, pois a linguagem se manifesta por meio de sistemas linguísticos. 
Essas manifestações linguísticas podem variar no tempo e no espaço, mas não 
podem violar o princípio da regularidade.
d) PRODUTIVIDADE - a capacidade da linguagem permite que qualquer 
falante, em qualquer tempo e lugar, possa produzir a mensagem que quiser 
independente de já tê-la ouvido ou não. Todo falante de uma língua é 
produtivo.
A linguagem enquanto instrumento de interação social
A Linguagem, enquanto instrumento de interação social, é também uma 
ATIVIDADE FUNCIONAL. Para interagirmos socialmente, utilizamos a 
Linguagem com uma determinada finalidade. Assim, atribuímos à LINGUAGEM 
algumas FUNÇÕES:
a) FUNÇÃO REFERENCIAL - É também chamada DENOTATIVA; o falante se 
concentra apenas naquilo que quer comunicar, utilizando o conteúdo 
significativo, sem usar linguagem figurada. Ex: Eu caí da escada e quebrei a 
perna. A denotação remete imediatamente ao referente
b) FUNÇÃO EMOTIVA – Também chamada CONOTATIVA ou EXPRESSIVA; 
o falante nem sempre consegue ser objetivo, seco; nos atos comunicativos, 
geralmente deixamos transparecer nossos sentimentos e emoções. Através da 
função emotiva, utilizamos a linguagem conferindo-lhe nossos valores 
subjetivos. Ex: As gotas de chuva são como lágrimas quentes escorrendo das 
nuvens.
c) FUNÇÃO CONATIVA – Quando falamos com alguém, não apenas 
queremos passar informações ou nossos sentimentos, mas também queremos 
provocar uma reação no nosso interlocutor. Assim, usamos a linguagem na 
função conativa, focalizando nossa atenção no ouvinte, para que ele reaja. 
Esta função geralmente é expressa por imperativos e vocativos. Ex: Menino, 
desce daí!
 As três funções básicas da Linguagem entendida 
como instrumento de interação social, estão diretamente ligadas aos três 
elementos básicos da comunicação: a pessoa que fala (emissor), a pessoa 
com quem se fala (receptor) e o objeto do mundo sobre o qual se fala 
(referente). 
O Linguista ROMAN JACKOBSON, considerando os diferentes 
elementos envolvidos no processo de comunicação (emissor, receptor, 
referente, canal, código e mensagem), ampliou para seis as funções da 
linguagem: 
a) Função Expressiva – centrada no emissor ou destinador;
b) Função Conativa - centrada no receptor ou destinatário;
c) Função Referencial – centrada no referente;
d) Função Fática – centrada no contato (físico ou psicológico);
e) Função Metalinguística – centrada sobre o código;
f) Função Poética – centrada na própria mensagem; esta função é 
predominante na poesia.
 Pare um pouco!
Pesquise sobre as seis funções da linguagem propostas por Roman 
Jackobson.
Dica para leitura:
VANOYE, Francis. Usos da Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1987. Pág. 
52 a 62.
 
 A linguagem enquanto atividade cognitiva
Além de ser compreendida como instrumento de comunicação e 
interação social, a Linguagem é também uma ATIVIDADE COGNITIVA. Ela é 
resultante de uma operação abstrativa e conceitual; é uma atividade 
inteiramente psicológica.
Devemos, entretanto, considerar que a linguagem tem um duplo 
aspecto: o aspecto mental (cognitivo) e o aspecto social (produto e 
necessidade da cultura). Assim, o homem se utiliza da linguagem, filtra a 
realidade que o cerca e a transforma em matéria de pensamento. Por isso há 
uma conexão muito próxima entre pensamento e linguagem.
Assim, temos dois fatores vinculados ao processo psicológico da 
linguagem:
COGNIÇÃO Aspecto 
Cognitivo
Atividade Mental: o homem é capaz de 
construir sistema de símbolos que 
veiculam sentido.
SOCIEDADE Aspecto Social Atividade Cultural: a linguagem humana 
é produto da cultura; através da 
linguagem, preservamos e transmitimos 
todo o conjunto de dados culturais; a 
linguagem, nesse sentido, está 
vinculada a uma tradição, a uma 
história.
Vimos, então, três diferentes formas de compreender a Linguagem 
humana. Estas formas estão interligadas. A linguagem humana é um todo 
constituído. E é essa capacidade de produzir Linguagem que faz do homem um 
ser único e diferente dos outros animais.
A LÍNGUA E A FALA
Para estudar a Linguagem humana, devemos considerar dois aspectos 
distintos que se constituem em: a Língua e a Fala.
Nas palavras de Saussure, temos que:
O estudo da linguagem comporta, portanto,duas partes: 
uma, essencial, tem por objeto a língua, que é social em sua 
essência e independente do indivíduo; esse estudo é 
unicamente psíquico; outra, secundária, tem por objeto a parte 
individual da linguagem, vale dizer, a fala, inclusive a fonação, 
e é psico-física. (SAUSSURE, 1995, p.27).
Para o estudo da linguagem, enquanto capacidade humana para a 
comunicação Saussure propôs a DICOTOMIA (distinção) LÍNGUA (langue) e 
FALA (parole). Esta distinção proposta pelo Pai da Linguística se tornou 
clássica e é empregada até hoje.
Vejamos como Saussure coloca esta distinção e, ao mesmo tempo, 
realça a interdependência entre Língua e Fala:
Sem dúvida, esses dois objetos estão estreitamente ligados 
e se implicam mutuamente; a língua é necessária para que a 
fala seja inteligível e produza todos os seus efeitos; mas esta é 
necessária para que a língua se estabeleça; historicamente, o 
fato da fala vem sempre antes. Como se imaginaria associar 
uma idéia a uma imagem verbal se não se surpreendesse de 
início esta associação num ato de fala? Por outro lado, é ou-
vindo os outros que aprendemos a língua materna; ela se de-
posita em nosso cérebro somente após inúmeras experiências. 
Enfim, é a fala que faz evoluir a língua: são as impressões re-
cebidas ao ouvir os outros que modificam nossos hábitos lin-
guísticos. Existe, pois, interdependência da língua e da fala; 
aquela é ao mesmo tempo o instrumento e o produto desta. 
Tudo isso, porém, não impede que sejam duas coisas absoluta-
mente distintas. (SAUSSURE, 1995, p.27).
A Língua
 Vamos ler, a seguir, um pequeno trecho de 
LOPES (1995) sobre o conceito de LÍNGUA:
 
Segundo Saussure, 
a Língua é um SISTEMA de signos, os quais se constituem de duas 
partes igualmente psíquicas (significante - imagem acústica + significado 
- conceito). 
[....] Tendo, embora, existência na consciência de cada indivíduo, a língua constitui um 
sistema supra-individual, na medida em que ela é definida não por um indivíduo, mas pelo 
grupo social ao qual esse indivíduo pertence: a língua é um conceito social (Saussure, 
1972.37). Daí que cada língua se distinga das demais, pêlos seus sons específicos e pela 
organização peculiar desses sons em formas funcionais: "-ing", por exemplo, é uma sequência 
de sons encontrada no português e no inglês — na forma escrita —, mas em inglês pode 
aparecer no final de palavras, posição em que não ocorre em português.
Por ser um bem social, um contrato coletivo, a língua preexiste e subsiste a cada um de 
seus falantes individualmente considerados: cada um de nós já encontra, ao nascer, formada e 
em pleno funcionamento, a língua que deverá falar. A sociedade nos impõe a sua língua como 
um código do qual nos devemos servir obrigatoriamente se desejamos que as mensagens que 
emitimos sejam compreendidas.
 Por isso, Saussure compara a língua a um dicionário, cujos exemplares tivessem sido 
distribuídos entre todos os membros de uma sociedade. Desse dicionário (ao qual deveríamos 
acrescentar, para sermos mais precisos, uma gramática), que é a langue, cada indivíduo 
escolhe aquilo que serve aos seus propósitos imediatos de comunicação. Essa parcela concreta 
e individual da langue, posta em ação por um falante em cada uma de suas situações 
comunicativas concretas, chamou-a Saussure parole (em português “fala" ou "discurso"). 
Fonte: LOPES, E. Fundamentos da Linguística Contemporânea. São Paulo: Cultriz, 1995. 
p.. 77.
Vemos, então, que, para Saussure, a LÍNGUA existe na coletividade, ela 
é um fato social e independe do indivíduo. O falante é tido como um 
DEPOSITÁRIO de sinais colocados em seu cérebro, independente da sua 
vontade. A língua é, portanto, exterior ao indivíduo. 
A Fala
Como é, então, que a Fala existe no seio da coletividade? Para 
Saussure (1995, p.27-28), a FALA É A SOMA DO QUE AS PESSOAS DIZEM. 
E a fala compreende dois aspectos:
Combinações individuais – essas combinações são feitas individualmente 
e dependem da vontade de cada individuo que fala; ele tem liberdade 
para recorrer e escolher no “dicionário” (ou gramática) do qual é fiel 
depositário.
Atos de fonação – esses atos de utilização e emissão dos sons (através da 
voz) também são de escolha individual e voluntária, pois são 
necessários para a execução das combinações individuais.
São por esses motivos que Saussure diz que nada há de coletivo na 
fala, pois suas manifestações são individuais e momentâneas.
Estabelecendo a dicotomia entre a Língua e a Fala, Saussure diz que 
a Linguística propriamente dita tem como seu objeto a Língua, porém, para 
explicar a Língua, pode ser necessário recorrer-se a uma Linguística da Fala, 
mas não se devem transpor os limites que separam os dois domínios: o da 
Língua e o da Fala.
Vamos prosseguir, lendo outro fragmento de LOPES (1995) sobre o 
conceito de FALA (parole):
“Mattoso Câmara traduz parole — mensagem na base de um código social que é 
a langue — por discurso, distinguindo nele duas modalidades, de acordo com seus 
modos de manifestação: a fala (ou discurso realizado oralmente) e a escrita (ou 
discurso manifestado graficamente).
A característica essencial da parole é a liberdade das combinações (Saussure, 
1972. 192). A parole aparece aí como uma combinatória individual que atualiza 
elementos discriminados dentro do código: assim, a langue é a condição para a 
existência da parole, exatamente como a sociedade é a condição para a existência do 
indivíduo. Em resumo, para Saussure, a linguagem é a soma da língua e do 
discurso; a língua é a linguagem menos o discurso. E a parole se assimila à 
natureza do acontecimento (Riccoeur, 1967, 808-809).
A dicotomia que Saussure batizou de langue/parole, Hjelmslev batizou de 
esquema/uso; Jakobson fala, para a mesma relação, com a terminologia da 
teoria da informação, em código /mensagem, noções essas que correspondem, 
aproximativamente, às dos termos empregados por Chomsky para competence 
(competência) /performance (atuação).
A distinção saussuriana entre langue /parole revelou-se das mais fecundas 
para todo o desenvolvimento da Linguistica deste século.” 
Fonte: LOPES, E. Fundamentos da Linguística Contemporânea. São Paulo: Cultriz, 
1995, p. 77-78.
 Reflita sobre a Dicotomia Língua / Fala. Podemos 
dizer que a fala, enquanto ato individual, é apenas a representação física 
(sonora) da língua? Discuta esse questionamento com seu grupo de estudo, 
no Fórum.
 VA M O S R E F L E T IR JU N TO S
L ie a o s te x to s a se g u ir p a ra u m 
 m e lh o r e m b a sa m e n to te ó rico
?
Na visão de Saussure, a língua, por ser um fato social, é exterior ao 
indivíduo. A fala é a utilização individual da língua pelo falante. Essa é uma 
concepção que norteou o Estruturalismo. Entretanto, no Século XX, na década 
de 50, surgiu um outro pensamento que norteou uma nova Teoria Linguística: o 
Gerativismo (também conhecido como Gramática Gerativa Transformacional). 
Esta teoria foi proposta por Noam Chomsky. 
Na visão de Chomsky, a língua não é exterior ao indivíduo e nem é um 
fato social. A língua é INATA, ou seja, o indivíduo nasce biologicamente 
constituído para produzir linguagem. Entretanto, Chomsky conserva a 
dicotomia estabelecida por Saussure, mas atribui-lhe uma denominação 
diferente: Competência (Língua) e Performance ou Desempenho (Fala). Isto 
quer dizer que todos os indivíduos nascem com a capacidade da linguagem; 
esta capacidade não é adquirida somente pelas experiências com o meio.
As experiências com o meioinfluenciam no Desempenho de cada 
indivíduo, mas todo indivíduo consegue dizer e transformar sentenças que 
nunca ouviu antes. Observando as crianças em fase de aquisição de 
linguagem, Chomsky viu que elas produzem analogias: por exemplo, uma 
criança diz “Eu fazi” (o que ela nunca ouviu nenhum adulto falar!) por analogia 
com “Eu comi, Eu desci”, etc. Ou ainda “Eu engordeci” por analogia com “Eu 
emagreci”. Então, Chomsky propõe que o indivíduo opera e transforma as 
regras gramaticais que ele internaliza. Assim, para Chomsky a Gramática de 
uma língua se constitui de um número finito de regras com as quais um 
indivíduo pode produzir um número ilimitado de sentenças. 
 Compare as posições de Saussure e de Chomsky 
quanto à concepção de Língua. Em que ponto você acha que elas se opõem? 
Escreva em seu caderno de anotações.
NORMA
Considerando o conceito de NORMA, Borba assim se pronuncia:
Quando se fala em norma linguística, logo se pensa em 
alguma coisa marcada por traços como correção, adequação ou 
elegância. Assim, a norma aparece como uso que se aconselha ou 
até se impõe em determinadas circunstâncias. Como forma 
seletiva de usar a língua, a norma forçosamente rejeitará aqueles 
modos de falar que forem considerados como incorretos, inade-
quados, deselegantes. Frequentemente esses juízos de valor são 
feitos a partir de critérios não linguísticos e a norma, então, se 
fundamenta ou no falar das classes cultas, escolarizadas e bem 
educadas ou, se a época é de prestígio da língua escrita, no uso 
dos escritores tidos como bons manejadores das formas mais 
refinadas de escrever. Desta última perspectiva é que surgem 
as chamadas gramáticas normativas encarregadas de fixar e per-
petuar o bom uso do idioma: elas prescrevem regras ou normas 
de bem falar e de bem escrever. É esse o tipo de gramática que 
tem aplicação pedagógica porque é esse o uso ligado a toda uma 
tradição cultural que a escola tenta preservar. (1998, p. 48) 
Nós vimos, nos itens anteriores desta Subnunidade, que Saussure 
estabeleceu uma divisão radical entre a Língua e a Fala; mas ele mesmo 
reconheceu que Língua e Fala estão estreitamente ligados. Por isso, outros 
linguistas propuseram visõoes diferenciadas. Vamos conhecer alguns.
Hjelmslev propôs conceber a língua de três maneiras:
L Í N G U A
ESQUEMA
Forma pura da língua; os elementos se 
distinguem por seu valor opositivo, relativo e 
negativo.
USO
Conjunto de hábitos que se 
concretiza em atos de fala.
NORMA
Forma material, tirada do uso 
que se faz da língua.
Para Eugenio Coseriu, a NORMA exerce um papel intermediário entre a 
Língua e a Fala:
A NORMA CONSTITUI-SE DE UM CONJUNTO DE REALIZAÇÕES 
CONSTANTES E REPETIDAS, DE CARÁTER SÓCIO-CULTURAL E 
DEPENDENTE DE VÁRIOS FATORES OPERANTES NA COMUNIDADE 
IDIOMÁTICA (BORBA, 1998).
Assim, toda e qualquer comunidade de fala possui suas normas 
linguísticas; as normas só se concretizam de um grupo social. Vejamos um 
exemplo: para nós, brasileiros, é norma, no português, falado, utilizar 
expressões como:
(1) Eu vi ele na praça. (Norma culta = Eu o vi na praça).
(2) Me dá um copo d´água. (Norma culta = Dê-me um copo d´água).
(3) Vou no mercado. (Norma culta = Vou ao mercado).
Entretanto, ninguém diz o vaca, a boi, o abóbora, o dentisto. 
A NORMA é importante, pois ela limita e comprime as possibilidades do 
sistema linguístico, dentro de um marco fixado pelas realizações tradicionais. 
De certa forma, a NORMA contribui para a manutenção e preservação 
da unidade linguística, muito embora ela não bloqueie as possibilidades de 
variação e mudança na língua. Isto será assunto de nossa próxima 
Subunidade.
 
LÍNGUA
Sistema que retém 
as normas 
linguísticas 
indispensáveis, as 
oposições 
funcionais e elimina 
o que não é 
distintivo.
FALA
Compreende as 
diferentes formas 
de manifestações 
individuais da 
língua
NORMA
Compreende a fala 
menos as 
variantes 
ocasionais que 
nela podem ser 
encontradas
 Reflita sobre o que falamos até agora. Você 
compreendeu bem as noções de Linguagem, Língua, Fala e Norma? Procure 
fazer uma síntese em seu caderno de anotações!
Caro(a) aluno(a),
Agora, depois que você já leu o texto-base da SUBUNIDADE 1, fez 
várias reflexões e anotações, procure desenvolver as seguintes atividades, 
buscando avaliar-se em termos da compreensão que você teve do estudo 
realizado:
•releia o texto-base;
•reveja suas anotações;
•consulte um dicionário de linguística para verificar palavras novas surgiram 
para você;
•agora que você tirou suas dúvidas, procure organizar suas anotações em 
um pequeno texto, sintetizando o conteúdo desta unidade. Isto ajudará 
muito você a fazer a avaliação desta SUBUNIDADE 1.
CONCLUSÃO 
Chegamos ao final da SUBUNIDADE 1. Aqui discutimos: A Linguagem, 
concepções de linguagem, funções da linguagem; Refletimos sobre a dicotomia 
Língua / Fala e vimos quão importante ela é para os estudos da linguagem. 
Refletimos, ainda, sobre o conceito de Norma. Reflita sobre tudo o que 
estudamos e, antes de realizar a avaliação desta SUBUNIDADE1, aprofunde 
seus estudos lendo o material indicado no link SABER MAIS.
http://www.psicopedagogia.com.br/entrevistas/entrevista.asp?entrID=84
http://kplus.cosmo.com.br/materia.asp?co=83&rv=Literatura
http://kplus.cosmo.com.br/materia.asp?co=199&rv=Literatura
http://www.comciencia.br/reportagens/linguagem/ling14.htm
http://www.comciencia.br/reportagens/linguagem/ling12.htm
Você leu o texto-base da SUBUNIDADE 1 e tomou anotações. Além 
disso, você leu o material indicado na seção SABER MAIS. Com base nestes 
textos (e em outros que você pode pesquisar, inclusive textos na internet), 
Elabore um texto abordando os conceitos estudados. 
Atente para a clareza, a coesão, a coerência do texto e também para a 
correção ortográfica. Não esqueça de citar as fontes que você consultar. 
 Não esqueça de enviar esta atividade por e-mail para 
o tutor de sua turma, pois ela será objeto de avaliação.
UNIDADE III - SUBUNIDADE 2
 Variação e Mudança Linguística
INTRODUÇÃO
Na SUBUNIDADE 1, estudamos as noções de Linguagem, Língua, Fala 
e Norma.
Na SUBUNIDADE 2, vamos discutir as noções de VARIAÇÃO E 
MUDANÇA LINGUÍSTICA, bem como a sua importância para os estudos 
linguísticos. Nessa Subunidade falaremos também sobre o caráter oral da 
língua, bem como da diferença entre Língua Oral e Língua Escrita. Será 
necessário também que discutamos a noção de Registro.
Vamos ao nosso estudo!
Bom trabalho!!!
 VARIAÇÃO E MUDANÇA LINGUÍSTICA
A essa altura de nossos estudos, você já se deve ter apropriado dos 
conceitos de: Linguagem Verbal, Linguagem Não-Verbal, Signo Linguístico, 
Linguagem, Língua, Fala, Norma, entre outros.
Nós vimos que, entre as mais diferentes concepções de Língua (meio de 
comunicação, instrumento de interação social, atividade cognitiva), sempre se 
considera a dicotomia língua/fala, mesmo com diferentes nomenclaturas e 
abordagens teóricas. É muito importante que tenhamos entendido bem esta 
dicotomia (distinção) para o estudo do que chamamos Variação e Mudança 
Linguística.
Nós também estudamos o conceito de NORMA, que compreende as 
regras contidas no sistema linguístico. A Norma serve para manter a unidade 
linguística, é verdade; mas, por outro lado, ela não impede que a língua, por 
seu caráter sócio-histórico-cultural, se transforme e se modifique com o passar 
do tempo,de acordo com o seu uso nos diferentes grupos sociais. Assim, a 
língua sofre Variações e Mudanças.
A língua oral e a língua escrita constituem a linguagem verbal. Mas - 
embora a língua escrita tenha tanto privilégio nas sociedades letradas - sendo 
ela apenas a representação da língua oral através de códigos escritos, o objeto 
primeiro da linguística é a língua oral.
Tanto na língua oral, quanto na língua escrita, podemos nos manifestar 
através de várias maneiras. Estas várias e diferentes maneiras de 
manifestação são chamadas VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS. Falaremos sobre 
este assunto no próximo tópico.
VARIAÇÃO LINGUÍSTICA
Todas as línguas do mundo podem apresentar um conjunto de 
variações. Vamos conhecer uma proposta de classificação das VARIAÇÕES 
LINGUÍSTICAS. Basicamente, temos dois tipos de variação linguística: a 
variação dialetal e os registros (também chamados de estilos).
VAMOS CONHECER ESTAS FORMAS DE VARIAÇÃO?
A Variação Dialetal
Os DIALETOS são variações linguísticas que ocorrem em função do 
EMISSOR, ou seja, da pessoa que faz uso da língua no momento em que fala 
(ou escreve). O Emissor tem a sua disposição um inventário linguístico, regido 
por normas específicas de sua comunidade linguística. A variação dialetal pode 
ser compreendida, pelo menos, sob seis dimensões:
CLASSIFICAÇÃO DAS VARIAÇÕES DIALETAIS
01 Variação
Regional 
(territorial ou 
geográfica)
Variação que acontece entre pessoas de 
diferentes regiões em que se fala a mesma língua.
(Ex: Português do Brasil X Portugal; falares: 
gaúcho, nordestino, carioca, caipira, etc.).
Essas diferenças geralmente ocorrem na 
pronúncia e no vocabulário.
02 Variação
Social
Variações que acontecem de acordo com a classe 
social a que pertencem os usuários da língua.
Ex: jargões profissionais, linguagens de grupos 
sociais definidos (linguagem dos artistas, 
professores, médicos, mecânicos, estivadores, 
marginais, classe social alta, classe social baixa, 
favelados, etc); gírias.
03 Variação de 
Faixa Etária
Variações que acontecem dada a diferença de uso 
da língua por pessoas de idades diferentes 
(crianças, jovens, adultos, velhos).
04 Variação de
Sexo
Variações de acordo com o sexo da pessoa que 
fala.
05 Variação 
Histórica
Representam estágios no desenvolvimento da língua.
06 Variação de
Função
Representam as variações decorrentes da função 
que o falante desempenha na sociedade.
Veja algumas ilustrações exemplificando as variações dialetais:
 
 
 
Pô, o dia 
hoje foi 
brabo. Tô 
no 
prego!!!!
Querida telespectadora, você vai ver, 
agora, os mais lindos modelitos da 
atualidade. Vestidinhos, sainhas, 
blusinhas... Tudo para você ficar linda!
E aí, gata? 
Vamo pegá 
uma fita? Te 
pego 9 hora.
Querida, você 
gostaria de ir ao 
cinema hoje?
Senhoras e senhores, é uma honra 
e um privilégio para nós, o fato de 
estarmos participando deste 
momento de confraternização de 
nossa alta administração ......... 
 Você saberia identificar as variações linguísticas 
exemplificadas? Reflita sobre o que conversamos até agora! Faça anotações 
em seu caderno. Pesquise na Internet (procure vídeos) outros exemplos de 
Variações Linguísticas DIALETAIS!
A Variação de REGISTRO
Os REGISTROS são variações linguísticas que ocorrem em função do 
RECEPTOR, ou seja, da pessoa a quem se destina a mensagem no momento 
em que falamos (ou escrevemos). Os Registros podem ser classificados sob 
três aspectos: o grau de formalismo, o modo e a sintonia. Vamos conhecer 
cada um desses aspectos.
a) Os graus de formalismo
Travaglia (1996) diz que o grau de formalismo representa uma escala de 
formalidade, entendida como um maior cuidado e apuro (no sentido normativo 
e estético) no uso dos recursos da língua (recursos do nível fonológico, 
morfológico, sintático ou das construções, do léxico, usos estilísticos, etc.) e 
também como uma maior variedade de recursos utilizados, aproximando-se cada 
vez mais da língua padrão e culta em seus usos mais "sofisticados" (literários, 
obras científicas, etc.).
 Os graus de formalismo acontecem tanto na língua 
falada como na língua escrita, que são os diferentes modos de Registro. Nós 
vamos falar primeiro sobre estes modos e depois faremos uma correlação entre 
eles, considerando os diferentes graus de formalismo.
b) Os diferentes modos de registro
Por variação de modo entende-se a língua ORAL em contraposição à 
língua ESCRITA. A língua escrita e a língua oral são dois códigos distintos, 
cada qual com suas características, seus recursos expressivos, seu campo de 
ação.
Ao utilizarmos qualquer uma das duas modalidades de língua (oral ou 
escrita) o sistema gramatical mantém-se o mesmo; entretanto, cada uma delas 
se utiliza de recursos diferentes em função das exigências interacionais e 
comunicativas próprias. 
A língua oral tem uma tradição diferente da língua escrita. Entretanto, 
nas sociedades letradas, há um grande prestígio da língua escrita em 
detrimento da língua oral. Isto porque a língua escrita toma como base 
especialmente os textos literários, aumentando ainda mais sua importância; há 
dicionários e gramáticas pedagógicas e é pelo livro que se ensina nas escolas.
Outro fator que dá privilégio à escrita é o fato de que a palavra escrita 
impressiona mais, enquanto um objeto permanente e sólido; por isso, achamos 
que a escrita é mais adequada do que a língua oral para “constituir a unidade 
da língua através dos tempos”. Há também a questão da ortografia, 
regulamentada e difundida pela escola de forma tão rigorosa que muitas vezes 
esquecemos que aprendemos a falar antes de escrever. (SAUSURRE, 1995, p. 
35). 
Vejamos algumas diferenças entre estas duas modalidades da língua:
LÍNGUA ORAL LÍNGUA ESCRITA
A expressividade da língua oral se 
apresenta por meio da acentuação, 
da entonação, das pausas, da 
fluência, da mímica, dos gestos.
Na escrita, o emprego do discurso 
direto e a pontuação se sobressaem 
como traços de expressividade. A 
pontuação tem, também, função lógica: 
evita erros de interpretação.
As condições da língua oral – a 
simultaneidade entre planejamento e 
produção do texto - deixam marcas 
na sintaxe: desvios, construções 
interrompidas, reorganização, 
intromissão de elementos extra-
estruturais, alternância de vozes, 
presença intensa de marcadores 
conversacionais, exclamações, 
onomatopeias, omissão de termos, 
pouco rendimento de alguns tempos 
verbais.
A língua escrita é mais específica no 
emprego do vocabulário. Em 
consequência, é mais precisa e menos 
alusiva do que a língua oral.
Na língua oral, a falta de sintonia 
prejudica o diálogo.
Na língua escrita, a falta de sintonia 
provoca textos inadequados e, até 
mesmo, incompreensíveis. (Por 
exemplo, em termos do vocabulário 
utilizado) 
Na língua oral é possível perceber as 
marcas da organização do texto 
falado, à medida que vai sendo 
construído, o que pode gerar 
fragmentação, do ponto de vista 
sintático.
O texto escrito não se deixa mostrar no 
seu processo de organização: 
apresenta-se pronto, com suas frases 
acabadas, coesas e mais complexas, 
do ponto de vista sintático.
Obs: este quadro foi composto a partir de informações disponíveis em:
http://www.pead.letras.ufrj.br/tema03/comparando.html
 Leia o seguinte trecho de Travaglia (1996): 
A língua escrita e a oral apresentam cada uma um conjuntopróprio de variedades 
de grau de formalismo. As variedades de grau de formalismo da língua escrita 
apresentam uma tendência para maior regularidade e geralmente maior 
formalidade que as da língua falada, todavia importa lembrar que em cada caso 
existe uma mesma relação entre os níveis de grau de formalismo propostos para 
a língua falada e para a escrita. É necessário lembrar sempre que não é válida a 
distinção que frequentemente encontramos enunciada por professores de que ã 
língua falada seria informal e a escrita formal. Isso não é verdadeiro. Podemos 
ter textos altamente formais na língua falada e textos totalmente informais na língua 
escrita. Isso fica claro no paralelismo dos níveis de formalidade registrados no quadro 
I. Convém anotar que a língua escrita também pode apresentar variantes dialetais, 
embora estas sejam usualmente pouco numerosas e menos marcantes que na 
língua falada, porque no escrito desaparecem as diferenças fonéticas, 
prosódicas e outras.
Fonte: TRAVAGLIA, L.C. Gramática e Interação: uma proposta para o ensino de gramática no 
1º e 2º graus. São Paulo: Cortez, 1996.
 PARE UM POUCO!!!
Você concorda com o que diz Travaglia no texto acima acerca diferentes graus de 
formalismo na língua oral e na língua escrita? Escreva sua opinião em seu caderno 
de anotações e depois poste na Biblioteca do polo! 
Bowen (apud Travaglia, 1996), propõe o seguinte quadro das variantes de 
modo e de grau de formalismo:
VARIANTES DE MODO
Língua Oral Língua Escrita
G
R
A
U
S
D
E 
F
O
R
M
A
L
I
S
M
O
Oratório - elaborado,.intrincado, enfeitado, 
composto de períodos equilibrados e 
construções paralelas; usado quase 
exclusivamente por especialistas: advogados, 
sacerdotes e outros oradores religiosos, 
políticos, etc., para uma situação muito formal. 
Hiperformal - composição 
escrita para efeitos grandiosos ou 
sublimes. Ex: o soneto, um 
poema épico, romances de 
autores como Machado de Assis e 
José de Alencar.
 Formal (Deliberativo) - usado quando se 
fala a grupos ou médios grandes, em que se 
excluem as respostas informais. É preparado 
previamente e mantém a distância entre falantes 
e ouvintes. Caracteriza-se por sentenças mais 
rigorosamente definidas, por um vocabulário 
mais rico, evita repetições desnecessárias.
Formal - apresenta uma forma 
de linguagem cuidada na 
variedade culta e padrão, mas 
dentro do estilo escrito. Ex: 
escrita dos bons jornais, revistas e 
correspondências oficiais 
Coloquial - aparece no diálogo entre duas 
pessoas; sem planejamento prévio, mas 
continuamente controlado, é caracterizado por 
construções gramaticais soltas, repetições 
frequentes, frases curtas e conectivos simples, 
palavras de uso mais frequente.
 Semiformal - encontra-se em 
cartas comerciais, de 
recomendação, declarações, 
reportagens escritas para 
posterior leitura pelos locutores 
nas rádios e televisões, relatórios e 
Coloquial Distenso - apresenta completa 
integração entre falante e ouvinte, uso 
frequente de gíria (indicador do relacionamento 
de um grupo fechado); caracterizado pela omissão 
de palavras e pouco cuidado em sua pronúncia. 
Ex: conversações descontraídas entre amigos, 
colegas de trabalho.
Informal - correspondência 
entre membros de uma família ou 
amigos íntimos e caracteriza-se pelo 
uso de formas abreviadas, 
abreviações padronizadas, 
ortografia simplificada, 
construções simples, sentenças 
Familiar – íntimo, particular, pessoal, usado 
na vida familiar privada. Demonstra a 
intimidade da afeição. Apresenta muitos 
elementos da linguagem afétiva.
Pessoal - notas para uso próprio. 
Ex.: um recado anotado ao telefone, 
um bilhete, uma lista de compras.
Fonte: O quadro classificatório foi proposto por Bowen (apud Travaglia, 1996.); as definições 
foram acrescentadas a partir do texto de Travaglia.
Pesquise na internet ou em livros, revistas e jornais, 
exemplos dos 
diferentes graus de formalismo na língua oral e na língua escrita.
c) A variação de Sintonia
Tanto na língua escrita quanto na língua oral, é preciso haver SINTONIA 
entre os participantes do processo comunicativo. A sintonia pressupõe 
adequação da linguagem usada pelo emissor (vocabulário, nível de 
formalidade, etc.) à do receptor e domínio de áreas de conhecimento 
semelhantes.
Segundo Travaglia (1996), a SINTONIA é o ajustamento que o falante faz 
na estruturação de seus texto com base em informações específicas que tem 
sobre o ouvinte. Há pelo menos quatro dimensões distintas de sintonia: o status, a 
tecnicidade, a cortesia e a norma.
Vamos, aqui, compor um quadro resumo das variantes de SINTONIA, de 
acordo com as informações contidas em Travaglia (id).
Dimensões de 
Sintonia
Características
STATUS
O status da pessoa a quem se dirige o falante apresenta 
grandes diferenças no uso das formas e recursos da língua. Ex: 
um aluno não fala com o diretor da escola, da faculdade da 
mesma maneira que falaria com um garçom na lanchonete ou com 
um colega. a linguagem que um homem usa para falar com o filho 
comparada à linguagem usada para falar com a esposa marcam 
uma diferença explicada pelo status, contrastando dois tipos de 
relação social. Geralmente se empregam formas ou pronúncias, 
tom de voz que denotam deferência quando devemos respeito 
especial à pessoa a quem nos dirigmos, a fim de que a posição 
relativa de cada um fique precisamente definida.
TECNICIDADE
 Ocorre em função do volume de informações ou conhecimentos 
que o falante supõe ter o ouvinte sobre o assunto. Ex.: um 
professor usará numa conferência profissional para colegas termos 
e noções de sua área profissional que não usa ao falar sobre o 
mesmo assunto com os pais de seus alunos. 
CORTESIA
 Acontece devido à dignidade que o falante considera 
apropriada ao(s) seu(s) ouvinte(s) e/ou à ocasião. As variações de 
cortesia abrangem uma escala que oscila entre a blasfêmia e a 
obscenidade num extremo e o eufemismo no outro.
NORMA
 Ocorre quando usamos uma determinada variedade linguística 
porque a julgamos apropriada para falar com nosso(s) ouvinte(s). 
Pode ser uma variedade social, geográfica, um registro mais ou 
menos formal, técnico, cortês, etc. Ex.: um jovem pode falar a 
mesma coisa de formas diferentes com um colega e com seu avô, 
usar um registro mais formal em uma carta pedindo emprego e um 
registro menos formal em uma carta para sua mãe.
As variações de Registro, assim como as variações Dialetais, não 
acontecem isoladamente. Em todos os nossos atos comunicativos (orais e/ou 
escritos), sempre temos a oportunidade de fazer escolhas para elaborar os 
nossos textos, combinando as VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS que fazem parte 
de nosso conhecimento sócio-cultural.
Vamos, agora, falar um pouco sobre Mudança Linguística?
A MUDANÇA LINGUÍSTICA
Quando nós falamos de Variações Dialetais, apontamos um tipo de variação: 
a Variação Histórica, que representa estágios no desenvolvimento da língua. Essas 
variações são visíveis através de documentos e textos escritos, pois elas raramente 
coexistem. Elas documentam a Mudança Linguística, pois a língua é viva e está 
sempre em processo de transformação. As línguas sofrem transformações tanto na 
forma quanto no significado das palavras, e até mesmo na organização gramatical, 
no decorrer do tempo. 
Para exemplificar mudança na forma das palavras ao longo de sua evolução, 
bem como de sua organização gramatical, podemos tomar a palavra VOCÊ. 
Antigamente, a forma da palavra era VOSSAMECÊ esua aplicação gramatical era 
Pronome de Tratamento, utilizado pelas pessoas de posição social elevada. No 
linguajar dos escravos, a palavra era utilizada com as seguintes variações: 
VOSSUNCÊ, SUNCÊ, SANCÊ. A palavra foi-se transformando: de VOSMECÊ 
(com a forma reduzida MECÊ) para VOCÊ. Atualmente, na fala popular, VOCÊ 
continua sofrendo transformações, coexistindo com as variantes OCÊ e CÊ. Além 
disso, a palavra VOCÊ não mais é um pronome de tratamento, mas funciona como 
um pronome pessoal reto de segunda pessoa do singular (utilizando o verbo na 
terceira pessoa do singular). 
VOCÊ SABERIA DAR OUTROS EXEMPLOS?
Pesquise na internet ou em livros, revistas e jornais, PELO MENOS MAIS 
DOIS EXEMPLOS DE MUDANÇA LINGUÍSTICA NO PORTUGUÊS.
Quanto a mudanças no significado e/ou sentido das palavras, e 
considerando as demais variações linguísticas, Sampaio (2000), fazendo uma 
reflexão acerca da mudança e da variação da língua no tempo e no espaço, diz o 
seguinte:
"Há alguns anos, a palavra GATA, se dirigida a uma mulher, 
era uma grande ofensa. Hoje, chamar uma mulher de GATA é 
um grande elogio. No Rio de Janeiro, ninguém compra pão; 
compra-se bisnaga, bisnaguinha, bengala, baguete... No Rio 
Grande do Sul, menino é guri; no Amazonas, curumim... Em 
todo o Brasil, moça rica, arrumadinha, é patricinha; rapaz rico, 
arrumadinho, é mauricinho. Em Porto Velho, menina metida a 
rica e arrumadinha (porém vulgar) é tilanga; menino que fica 
muito é galinha. Tudo o que é legal é porreta, é pai - d'égua! 
Até gaúcho rondoniano fala: pai-d'égua, tchê! Rondoniense da 
gema deixou de falar travessa e adotou a tiara... Hoje, toda 
menina fica. Antigamente, ficar era pirangar; menina que só 
ficava era piranha. Namorar, era sério, pra casar. Hoje, 
namorar é fazer sexo com um parceiro definido, mas não pra 
casar. É... Tempo... Lugar... As pessoas, as coisas, os 
costumes... Ah! língua ! Tudo muda!..." (SAMPAIO, W. B. A. 
Variação e Mudança Lingüística. Não publicado) 
 ANALISE o texto de Sampaio. Considerando os 
exemplos dados pela autora, tente encontrar outros exemplos a partir do 
conhecimento que você tem sobre mudanças de significados/sentidos de palavras 
ao longo do tempo. E discuta, no Fórum, com seus colegas de estudo sobre os 
exemplos encontrados.
DICA: Pesquise junto às pessoas mais velhas de sua comunidade!!! 
Caro(a) aluno(a),
Agora, depois que você já leu o texto-base da SUBUNIDADE 2, fez 
várias reflexões e anotações, procure desenvolver as seguintes atividades, 
buscando avaliar-se em termos da compreensão que você teve do estudo 
realizado:
a) releia o texto-base;
b) reveja suas anotações;
c) considere as palavras que você não compreendeu no texto, 
especialmente as palavras mais técnicas; faça uma busca no dicionário 
de Linguística. 
d) agora que você tirou suas dúvidas, procure organizar suas anotações 
em um pequeno texto, sintetizando o conteúdo desta unidade. Isto 
ajudará muito você a fazer a avaliação da SUBUNIDADE 2.
CONCLUSÃO 
Chegamos ao final da SUBUNIDADE 2. Estudamos os conceitos e as 
diferentes formas de Variação (Dialetais e de Registro) e Mudança Linguística; 
Reflita sobre tudo o que vimos e, antes de realizar a avaliação desta 
SUBUNIDADE2, aprofunde seus estudos lendo o material indicado no link 
SABER MAIS.
Para você saber mais sobre o conteúdo apresentado, NAVEGUE em:
<acd.ufrj.br/~pead/tema01/variacao.html> - 15k –
calvados.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/psicologia/article/viewPDFInterstitial/4795/
3678 -
pt.wikipedia.org/wiki/Variação_(linguística) - 22k –
Você leu o texto-base da SUBUNIDADE 2 e tomou anotações. Além 
disso, você leu os textos indicados na seção SABER MAIS. Com base nestes 
textos (e em outros que você pode pesquisar, inclusive textos na internet), 
resolva os seguintes exercícios:
• conceitue VARIAÇÃO e MUDANÇA 
LINGUÍSTICA.
• elabore DOIS MAPAS CONCEITUAIS (OU 
ESQUEMAS) demonstrando: a) As variações dialetais. B) As 
variações de Registro. OBS: Não precisa dar os conceitos e 
definições; apenas fazer os esquemas.
• elabore um exemplo comparativo entre o 
português culto e o português coloquial, demonstrando e explicando 
a variação de SINTONIA, através da dimensão da NORMA.
 Não esqueça de enviar esta atividade por e-mail para 
o tutor de sua turma, pois ela será objeto de avaliação.
UNIDADE III - SUBUNIDADE 3
 Perspectivas de Enfoque nos Estudos da Linguagem
INTRODUÇÃO
Na SUBUNIDADE 1, estudamos as noções de Linguagem, Língua, Fala 
e Norma.
Na SUBUNIDADE 2, discutimos as noções de VARIAÇÃO (Dialetal e de 
Registro) E MUDANÇA LINGUÍSTICA, bem como a sua importância para os 
estudos linguísticos; falamos também sobre o caráter oral da língua, bem como 
da diferença entre Língua Oral e Língua Escrita 
Na SUBUNIDADE 3, abordaremos AS PERSPECTIVAS DE ENFOQUE 
NOS ESTUDOS DA LINGUAGEM: SINCRONIA e DIACRONIA. Teceremos, 
também, alguns comentários sobre as principais correntes da Linguística 
Moderna.
Com esta Subunidade estamos concluindo nossos estudos de 
INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA!
Vamos ao nosso estudo!
Bom trabalho!!!
PERSPECTIVAS DE ENFOQUE NOS ESTUDOS 
DA LINGUAGEM
Você já estudou, até agora, os conceitos e concepções básicas para a 
Linguística Moderna. Esperamos, realmente, que você tenha compreendido 
tudo muito bem!
Nós vamos ver, agora, que os estudos da linguagem podem ser 
realizados sob diferentes enfoques.
Considerando o tipo de descrição que faz dos fatos científicos, 
Ferdinand de Saussure distinguiu dois eixos sobre os quais se situam os fatos 
estudados pelas ciências: o eixo de simultaneidades e o eixo de 
sucessividades. Veja como Saussure representou esta distinção:
O eixo horizontal (A-B) representa o EIXO DE SIMULTANEIDADES.
O eixo vertical (C-D) representa o EIXO DE SUCESSIVIDADES.
Para compreender o que diz Saussure, é necessário que nós imaginemos 
esses dois eixos relacionados ao tempo:
a) Se estudamos um fato científico qualquer, considerando o eixo de 
simultaneidades, temos de fazer abstração de qualquer noção de tempo; 
o que nos interessa é estudar as relações entre os fatos que 
coexistem dentro de um sistema em um determinado momento e 
a(s) maneiras(s) pelas quais essas relações acontecem nesse momento 
(simultaneamente). Nesse caso, estaremos fazendo um estudo 
SINCRÔNICO.
b) Se estudamos um fato científico qualquer, considerando o eixo de 
sucessividades, o foco de nosso estudo são as relações que um 
fenômeno qualquer, localizado ao longo de uma linha evolutiva de 
tempo, mantém para com os fenômenos que o precedem ou que o 
sucedem na linha da continuidade histórica (sucessivamente). 
Nesse caso, estaremo fazendo um estudo DIACRÔNICO.
Saussure diz que esta distinção é fundamental para o Linguista, pois “a 
língua constitui um sistema de valores puros que nada determina fora do 
estado momentâneo de seus termos” (SAUSSURE, 1995, p. 95). Saussure 
dizia não ser possível estudar a multiplicidade de signos, ao mesmo tempo, nas 
suas relações no sistema e no tempo. Por isso ele propôs duas Linguísticas: 
• A Linguística Sincrônica (ou estática) – estuda e descreve os fatos e 
suas relações dentro do sistema linguístico em um dado momento, ou seja, 
descreve um estado da língua, considerando tudo o que é interno ao 
sistema (tudo o que faça variar o sistema num grau qualquer). A sincronia 
tem como única perspectiva a da pessoa que fala; tem por objetosomente 
o conjunto de fatos correspondentes a cada língua; em caso de 
necessidade, separam-se os dialetos e subdialetos para fins de estudo.
• A Linguística Diacrônica (ou evolutiva) - estuda e descreve os 
estados sucessivos da língua, ligados a sua evolução (mudança linguística). 
A diacronia não nos permite perceber a língua, mas apenas uma série de 
acontecimentos que a modificam, por isso ela não tem um fim em si 
mesma; os termos que ela considera para seus estudos não pertencem a 
uma única língua, pois os estudos históricos trabalham com aproximações 
e reconstruções, visando explicar a formação e a evolução das línguas. 
Os estudos diacrônicos distinguem duas perspectivas: 
a) prospectiva (acompanha o curso de tempo - evolutiva) explicar a 
evolução das línguas
b) retrospectiva (faz o percurso do tempo em sentido contrário)
 POR QUE ESTA DISTINÇÃO É IMPORTANTE 
PARA OS ESTUDOS DA LINGUAGEM?
Porque ela nos permite separar os fatores internos de um sistema 
dos fatores externos, histórico-culturais, que condicionam esse 
sistema.
Para explicar como funcionam esses fatores, Saussure 
utilizou como exemplo o jogo de xadrez:
Uma comparação com o xadrez fará compreender 
melhor. Aqui, é relativamente fácil distinguir o que é interno do 
que é externo: o fato de que ele tenha passado da Pérsia para a 
Europa é de ordem externa; interno é tudo quanto concerne ao 
sistema e às suas regras. Se substituo umas peças de madeira 
por outras de marfim, a troca é indiferente para o sistema; mas, 
se diminuo ou aumento o número de peças, essa troca afeta 
profundamente a "gramática" do jogo (Saussure, 1972.p 43).
Portanto, para Saussure o estudo dos acontecimentos diacrônicos 
(fatores externos, histórico-culturais) não nos farão conhecer os estados 
sincrônicos da língua (fatores internos de um sistema). Embora não descarte 
os estudos diacrônicos, ele dá maior importância aos estudos sincrônicos, 
pois para os falantes, é o fato sincrônico que constitui a verdadeira e única 
realidade. 
Mattoso Câmara (1973, p.46) afirma que a linguística evolutiva, ou 
diacrônica, e a descritiva, ou sincrônica, são autônomas, mas 
interdependentes. 
Borba (1998, p.67), considerando os diferentes enfoques sob os quais 
podemos estudar os fatos linguísticos, afirma que:
Os fatos linguísticos podem ser encarados ou estudados sob 
três pontos de vista: quanto ao seu modo de ser geral, quanto 
ao seu funcionamento num determinado momento e lugar, quanto 
às suas transformações ou evolução. No primeiro caso são 
considerados em si mesmos independentemente de seu 
funcionamento real porque o interesse está no exame de suas 
possibilidades de funcionar; no segundo, observam-se fatos ou 
dados concretos em funcionamento e, no terceiro, procura-se 
detectar as alterações dos fatos com o decorrer do tempo. São 
três atitudes que colocam o eixo do tempo como ponto de partida 
para a análise. O primeiro enfoque é chamado acrônico porque 
faz abstração do tempo: descrevem-se ou explicam-se fatos 
quanto à sua natureza e função. O segundo enfoque chama-se 
sincrônico porque se preocupa em descrever o funcionamento 
concreto da língua em dado momento e lugar, isto é, procura 
conhecer um estado de língua. O terceiro enfoque é diacrônico 
porque observa as mudanças que a língua sofre com o decorrer 
do tempo. O estudo acrônico, atendo-se ao modo de ser dos 
fatos e sendo atemporal pode referir-se ao passado, ao presente 
ou mesmo prever (ou predizer) o que acontecerá. Diz-se, então, 
que este ponto de vista examina o mecanismo linguístico como 
potencial, como conjunto de possibilidades ou como uma máquina 
lógica. 
O quadro a seguir sintetiza as características das perspectivas de enfoque nos 
estudos linguísticos:
S
I
N
C
R
O
N
I
A
h)Enfoque: simultaneidade dos fatos observados prende-se a um 
estado de língua, isto é, a um determinado momento 
considerado em si mesmo, como se fosse um corte na 
evolução natural do sistema. 
i)linguística descritiva: apenas constata, não prescreve nem dita 
normas, diz como é e não como deve ser.
j)a análise a partir da observação de relações coexistentes, 
procurando determinar a natureza do sistema e suas 
condições de funcionamento nos planos sintagmático e 
paradigmático.
k)serve-se de textos escritos e de gravações feitas com 
informantes, falantes nativos escolhidos por meio de critérios 
como idade, sexo, procedência, grau de escolaridade, etc. 
l)A seleção quantitativa e qualitativa do material que constituirá o 
corpus depende dos objetivos da descrição e do estrato a ser 
descrito.
D
I
A
C
R
O
N
I
A
h)Enfoque: explicar estados anteriores para melhor compreender 
as relações do sistema atual. 
i)Descreve estados sucessivos, compara-os e verifica como a 
língua chegou a ser o que é e qual é a sua deriva ou traços 
básicos de sua evolução.
j)A descrição de estados anteriores e estágios mais distantes no 
tempo sempre depende do grau de confiança que se tem na 
documentação disponível. 
k)A linguística histórica pode ser feita em duas direções: 
1. partir do estudo dos fatos 
atuais e ir recuando no tempo até a reconstrução dos 
estados mais antigos (história retrospectiva); 
2. começar pela observação de 
dados bem recuados no tempo e ir avançando e 
construindo os fatos até chegar aos estágios mais 
recentes (história prospectiva). 
 
 Agora, que terminamos o nosso estudo sob as 
Perspectivas de Enfoque dos Estudos da Linguagem, tente relacioná-las com 
os nossos estudos da Subunidade 2: variação e mudança linguística. Faça 
anotações em seu caderno. Pesquise na Internet e/ou em livros sobre o 
conteúdo estudado e poste suas impressões na Biblioteca do polo.
PRINCIPAIS CORRENTES DA LINGUÍSTICA 
MODERNA
Neste tópico nós vamos conhecer um pouco sobre as principais 
correntes da Linguística Moderna. São apenas algumas informações básicas 
para complementar os nossos estudos de Introdução à Linguística. Você, 
certamente, nas pesquisas já realizadas, já leu um pouco sobre o que vamos 
falar aqui.
Como você sabe, os movimentos científicos geralmente acontecem em 
reação a um movimento anterior. Isto significa dizer que aparecem novas 
teorias, novos pontos de vista sobre o objeto de estudo. Em nosso curso, 
vimos, basicamente, as concepções do Estruturalismo, pois a nossa disciplina 
é introdutória. Entretanto, vamos conhecer os principais movimentos e suas 
características de forma bastante resumida. A síntese que aqui apresentamos 
foi feita com base nos textos de Orlandi (1995) e Lyons (1987). São as 
seguintes as principais correntes da Linguística Moderna:
RACIONALIDADE
É considerado como um dos movimentos precursores do pensamento 
linguístico gerativista. Fruto do pensamento humanista do século XVII. Há uma 
gramática que é tida como modelo por grande número de gramáticos desse 
período: é a Gramática de Port Royal, também chamada Gramática Geral e 
Racional (ou Razoada), dos franceses Claude Lancelot e A. Arnaud. 
Pressupostos do Racionalismo: 
Os estudos da linguagem concentram-se na linguagem enquanto 
representação do pensamento e procuram mostrar que as línguas obedecem 
princípios racionais, lógicos. Os pensadores dessa época definem a linguagem 
em geral a partir desses princípios e tratam as diferentes línguas como casos 
particulares dela. Produzem, assim, as gramáticas gerais e racionais. O alvo 
que se quer atingir é a língua ideal – lógica, sem equívocos, semambiguidades, capaz de assegurar a unidade da comunicação entre todos os 
seres humanos através de uma língua universal. Não é difícil reconhecer já aí o 
sonho do homem moderno em ter o controle do mundo através das máquinas. 
Esse ideal, traduzido para a atualidade, é a língua metálica, a dos 
computadores, universal e sem “falhas”.
Reação
A contribuição mais importante do Racionalismo para os estudos 
linguísticos foi o estabelecimento de princípios que não se prendiam à 
descrição de uma língua particular, alvo de grande parte dos trabalhos mais 
remotos da tradição ocidental até então. As Gramáticas Gerais do século XVII 
objetivavam compreender a linguagem em sua generalidade, ou seja, buscava-
se explicar a capacidade humana de produzir comunicação através das línguas 
naturais.
HISTORICISMO
É considerado como uma característica anterior de pensamento 
linguístico. Um de seus principais representantes é HERMAN PAUL, com a 
obra Princípios de História da Linguagem (1880) – considerada a bíblia da 
Neogramática. Importância: prepara o campo para o estruturalismo. Já no 
século XX, temos OTTO JESPERSEN (1922): “A característica distintiva da 
ciência da linguagem, tal como concebida hoje em dia, é o seu caráter 
histórico”. 
Pressupostos do historicismo
O único tipo de explicação válido em linguística é sob o ponto de vista da 
história: as línguas são como são porque, no decorrer do tempo, estiveram 
sujeitas a uma variedade de forças causativas internas e externas. 
Reação
O historicismo reage contra as ideias do iluminismo francês e seus 
precursores (uma longa tradição que remonta, em última instância, a 
Aristóteles, Platão e os estóicos) cuja finalidade era deduzir as propriedades 
universais da linguagem do que se conhecia como (ou do que se supunha 
serem) propriedades universais da mente humana.
Uma linha que se fortaleceu no final do século XIX foi o Evolucionismo – o 
desenvolvimento histórico das línguas é direcional. (Otto Jespersen). 
Atualmente, salvo algumas exceções, a maioria dos linguistas rejeita a teoria 
evolucionista.
ESTRUTURALISMO 
Tem com principal representante Ferdinand de Saussure, com 
a obra “Cours de linguistique générale”; 1916 (obra póstuma). 
Pressupostos do Estruturalismo
Todas as formas e sentidos estão inter-relacionados num determinado 
sistema linguístico, em determinado ponto no tempo (diacronia X sincronia). 
Saussure não nega a validade da descrição diacrônica: os modos de 
explicação sincrônico e diacrônico se complementam e um depende do outro, 
do ponto de vista lógico. A descrição estrutural de uma língua nos diz de que 
maneira todos os componentes se encaixam. 
“O único objeto da linguística é o sistema linguístico (la langue) focalizado nele 
mesmo e por ele mesmo.”(Saussure)
Pontos importantes no estruturalismo saussureano: 
a) distinção sincronia/diacronia;
b) dicotomia langue (língua) /parole (fala); (sistema linguístico X 
comportamento lingüístico);
c) língua é forma e não substância (forma X conteúdo);
d) uma língua é uma estrutura (equivalente a sistema);
e) uma língua é um sistema de relações sintagmáticas e paradigmáticas 
(ou substitutivas);
f) os sistemas linguísticos são fatos sociais; são externos ao indivíduo e 
sujeitam-no à sua força restritiva; são sistemas de valores mantidos por 
convenção social;
g) as línguas são sistemas semióticos (princípio da arbitrariedade do signo 
linguístico; signo linguístico = significado + significado);
h) princípio da autonomia da linguística.
Reação
O estruturalismo reage contra os princípios de universalidade linguística 
(tese do relativismo linguístico – toda língua é uma lei em si mesma). O 
estruturalismo considera que apenas algumas propriedades semióticas tais 
como a arbitrariedade, a produtividade, a dualidade e a descontinuidade são 
propriedades universais de línguas humanas.
FUNCIONALISMO
Foi um movimento particular dentro do estruturalismo. Os representantes 
mais conhecidos são os membros da Escola de Praga (Círculo Linguístico de 
Praga – 1926; Roman Jakobson e Nikolaj Trubetzkoy)
Pressupostos do Funcionalismo
A estrutura fonológica, gramatical e semântica das línguas é 
determinada pelas funções que têm que exercer nas sociedades em que 
operam.
Pontos importantes
a) distinção entre fonética e fonologia;
b) conceito de traços distintivos (função distintiva dos traços fonéticos; 
aliada a esta função, temos ainda as funções demarcadora e 
expressiva);
c) multifuncionalidade da linguagem;
d) perspectiva funcional da sentença: a estrutura dos enunciados é 
determinada pelo uso que lhes é dado e pelo contexto comunicativo em 
que ocorrem;
e) enfatiza o caráter instrumental da linguagem. (interação social).
Reação
O funcionalismo tende a refutar o ponto de vista saussureano, principalmente 
no que se refere à distinção entre sincronia e diacronia e à homogeneidade do 
sistema linguístico.
GERATIVISMO
Teoria da linguagem desenvolvida por Noam Chomsky (final da década de 
1950).
Considerando a propriedade da recursividade linguística (o conjunto de 
enunciados potenciais em uma dada língua é potencialmente infinito) Chomsky 
chama atenção para o fato de que as crianças aprendem a sua língua nativa 
reproduzindo parcialmente ou por completo os enunciados dos falantes 
adultos. 
Pressupostos do Gerativismo
 “Uma lingua(gem) é um conjunto (finito ou infinito) de sentenças, cada uma 
finita em comprimento e construída a partir de um conjunto finito de elementos” 
(Chomsky,1957:13, apud Lyons, 1987:20)
Pontos importantes:
α) a linguagem é independente de estímulo;
β) a linguagem é inata (teoria do inatismo);
χ) o falante dispõe de criatividade linguística;
δ) a criatividade, no entanto, é regida por regras;
ε) os enunciados que produzimos têm uma certa estrutura gramatical e 
estão em conformidade com regras de boa formação identificáveis;
φ) mentalismo (distinção entre corpo e mente) – a variabilidade da conduta 
humana deve-se à interferência de algum fator não físico;
γ) o gerativismo preocupa-se com o que as línguas têm em comum (sob 
este aspecto, é um retorno à antiga tradição da gramática universal), 
mas que não pode ser explicado (por ser arbitrário);
η) o gerativismo atribui maior importância às propriedades formais das 
línguas e à natureza das regras exigidas para a descrição das mesmas 
do que às relações entre a linguagem e o mundo;
ι) distinção entre competência (conhecimento) e desempenho 
(comportamento);
ϕ) autonomia da sintaxe.
Reação
O gerativismo reage contra as ideias do descritivismo pós-Bloomfieldiano 
(Leonard Bloomfield desenvolveu uma versão particular de estruturalismo. 
Seus seguidores pautaram-se em teorias comportamentalistas, especialmente 
no behaviorismo). Chomsky empenhou-se em demonstrar a esterilidade da 
teoria behaviorista da linguagem.
Fonte: Resumo elaborado com base nas seguintes obras: 
ORLANDI, E. P. O que é Linguística? São Paulo: Brasiliense, 1995.
LYONS, John. Linguagem e linguística: uma introdução. Rio de Janeiro: Guanabara, 
1987. pág. 201-217.
 CARO(a) ALUNO(a),
 Terminada esta leitura informativa, elabore um quadro, em seu caderno 
de anotações, apontando as semelhanças e diferenças entre as principais 
correntes da linguística moderna e !
Caro(a) aluno(a),
Agora, depois que você já leu o texto-base da SUBUNIDADE 3, fez 
várias reflexões e anotações, procure desenvolver as seguintes atividades, 
buscando avaliar-se em termos da compreensãoque você teve do estudo 
realizado:
a) releia o texto-base;
b) reveja suas anotações;
c) considere as palavras que você não compreendeu no texto, 
especialmente as palavras mais técnicas; faça uma busca no dicionário 
de Linguística. 
d) agora que você tirou suas dúvidas, procure organizar suas anotações 
em um pequeno texto, sintetizando o conteúdo desta unidade. Isto 
ajudará muito você a fazer a avaliação da SUBUNIDADE 3.
CONCLUSÃO 
Chegamos ao final da SUBUNIDADE 3. Estudamos os conceitos e as 
diferentes perspectivas de enfoque dos estudos da linguagem: a Sincronia e a 
Diacronia; além disso, vimos algumas informações acerca das principais 
correntes da Linguística Moderna: o Racionalismo, o Historicismo, o 
Estruturalismo, o Funcionalismo e o Gerativismo. Reflita sobre tudo o que 
estudamos e, antes de realizar a avaliação desta SUBUNIDADE 3, aprofunde 
seus estudos lendo o material indicado no link SABER MAIS.
Para você saber mais sobre o conteúdo apresentado, LEIA:
http://www.estacio.br/rededeletras/numero14/minha_patria/default.asp
http://www.estudantes.com.br/quadro/qua_res.asp?COD=3643&CUR=066
http://www.unb.br/il/liv/enilde/documentos/HAVANA98.pdf
http://www.filologia.org.br/viisenefil/09.htm
http://www.filologia.org.br/abf/vol5/num1-01.htm
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
44501999000100004
http://www.stellabortoni.com.br/entrevista.php?id=28
Você leu o texto-base da SUBUNIDADE 3 e tomou anotações. Além 
disso, você leu os textos indicados na seção SABER MAIS. Com base nestes 
textos (e em outros que você pode pesquisar, inclusive textos na internet), 
resolva os seguintes exercícios:
a) elabore DOIS ESQUEMAS demonstrando as diferenças e/ou 
semelhanças entre: 1) As perspectivas de enfoque dos estudos da 
linguagem; 2) As principais correntes da Linguística Moderna.
b) pesquise dois exemplos demonstrando: 1) um estudo sincrônico; 2) um 
estudo diacrônico. Comente os exemplos que você pesquisar.
 Não esqueça de enviar esta atividade por e-mail para 
o tutor de sua turma, pois ela será objeto de avaliação.
ATIVIDADE FINAL DA UNIDADE III – OS USOS LINGUÍSTICOS
Caro(a) aluno(a),
Considerando as anotações e propostas de atividades que você realizou 
ao longo das Subunidades 1, 2 e 3 da Unidade III, faça uma síntese do 
conteúdo estudado nesta UNIDADE. 
Desejamos que você tenha obtido muito sucesso e um bom trabalho!
	FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA 
	PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO
	CENTRO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E NOVAS TECNOLOGIAS
	Tem com principal representante Ferdinand de Saussure, com a obra “Cours de linguistique générale”; 1916 (obra póstuma). 
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