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MEMBRANA PLASMÁTICA, TRANSPORTE ATRAVÉS DA MEMBRANA E TRANSPORTE EM QUANTIDADE Profª. Sivia Dantas Cangussú Célula eucariota: compartimentalizada (riqueza em membranas) Células: unidades estruturais e funcionais dos seres vivos 700 µm² de membrana plasmática 7000 µm² de membranas internas Célula procariota: membrana plasmática (única membrana presente) Parede celularmembrana celular ribossommoscitoplasma Constituintes : -Citoplasma envolvido pela MP e se estende da MP ao núcleo -Núcleo: envolvido pelo envoltório nuclear Célula Eucariota Funções Gerais da Membrana Plasmática Separa e ao mesmo tempo comunica o meio intracelular com o meio extracelular. Controla a penetração e a saída de substâncias da célula (seletiva). Reconhece células ou substâncias estranhas (resposta imunitária). Composição Química da Membrana Plasmática •Lipídeos •Proteínas •Carboidratos 6 a 10 nm Em proporção e distribuição variáveis (assimetria) poder de resolução: Olho = 0,2 mm (200 µm) MO = 0,2 µm (200 nm) ME = 0,2 nm Lipídeos de membrana Moléculas longas organizadas em bicamada sem gasto de energia. Moléculas anfipáticas (extremidade hidrofílica e uma cadeia hidrofóbica). Barreira relativamente impermeável à moléculas solúveis em água. Cabeças hidrofílicas Caudas hidrofóbicas Classes de lipídeos fosfoglicerídeos esfingolipídeos colesterol Lipídeos de membrana fosfolipídeos glicolipídeos esteróis fo s fa ti d il c o li n a fo s fa ti d il e ta n o la m in a fo s fa ti d il in o s it o l fo s fa ti d il s e ri n a g li c o li p íd e o e s fi n g o m ie li n a c o le s te ro l Distribuição assimétrica Classes de lipídeos: estrutura e fluidez da membrana fosfatidilcolina Fosfatidilcolina e colesterol Esfingomielina e colesterol Movimento lateral Fosfoglicerídeo fosfatidiletanolamina Fosfoglicerídeo fosfatidilcolina assimetria Energeticamente desfavorável Energeticamente favorável Fluidez da membrana Movimento lateral (frequente) Flip-flop (raro) Movimento de rotação Movimento lateral Flip-flop água água Colesterol (↓) Proximidade das caudas (↓) Comprimento das caudas (↓) Glicolipídios esfingolipídeos (↓) Fatores que influenciam a fluidez Classes de lipídeos: estrutura e fluidez da membrana Fosfatidilcolina e colesterol esfingomielina e colesterol Fatores que influenciam a fluidez Classes de lipídeos: estrutura e fluidez da membrana Temperatura baixa (↓) Temperatura alta (↑) Lipídeos saturados (↓) Lipídeos insaturados (↑) Ácidos graxos saturados empacotados curvatura causada pela dupla ligação em um ácido graxo insaturado não permite empacotamento tão próximo Estrutura trilaminar devido à deposição de tetróxido de ósmio nas cabeças polares Unidade de Membrana 7 a 1 0 n m Membrana Plasmática Não visível em microscopia de luz MET: 2 unidades de membrana (aspecto trilaminar) separados por espaço intercelular Proteínas de membrana Principais responsáveis pelas funções das membranas Maiores que os lipídeos e menos numerosas Classificadas de acordo com a facilidade de extração: Integrais ou intrínsecas (transmembrana ou parciais) Periféricas ou extrínsecas Proteina integral transmembrana Proteina periférica Proteina integral parcial Proteina periférica Bicamada lipídica Proteínas de membrana INTEGRAL TRANSMEMBRANA = unipasso (1) e multipasso (2, 3) INTEGRAL PARCIAL (4) PERIFÉRICAS: LIGADA ATRAVÉS DE ÂNCORAS (5 e 6) OU ATRAVÉS DE PROTEÍNAS (7 e 8) 1 2 3 4 5 6 7 8 A membrana é constituída por uma bicamada lipídica fluida contendo um mosaico de proteínas que se movimentam (Singer et al., 1972) Modelo do Mosaico Fluido Assimetria da membrana: lipídeos, proteínas e carboidratos Proteínas integrais visualizadas: Criofratura Técnica para seccionar tecidos congelados a -20°C com lâmina de aço pré-resfriada (fratura entre os folhetos interno e externo). Deposição de metais pesados Face P = protoplasmática (maior parte das proteínas) e Face E = externa CRIOFRATURA (freeze- fracture) mostrando interior da membrana plasmática: face P com maior número de partículas intramembranosas do que a face E Glicocálice Carboidratos ligados à proteínas ou lipídeos (constituição básica), presentes na superfície externa da MP Glicoproteínas e proteoglicanas adsorvidas à MP após secreção (constituição variável) presentes na superfície externa da MP Componente dinâmico: composição varia de acordo com o tipo celular, região da membrana e atividade funcional da célula GLICOCÁLICE em célula absortiva intestinal. Mitocôndrias próximas às microvilosidades fornecendo energia para a absorção de substâncias GLICOCÁLICE lume do intestino Funções da membrana plasmática 1.Permeabilidade/Seletividade: controla entrada e saída de substâncias na célula. a) Impermeável a íons e moléculas carregadas. b) Permeável à componentes hidrofóbicos (ácidos graxos, esteróides, anestésicos). c) Permeável à pequenas moléculas polares sem carga (H2O, CO2). Substâncias hidrofílicas necessitam de canais de transporte (com ou sem gasto de energia). 2. Reconhecimento/Antigenicidade: glicocálice e proteínas integrais a) Células semelhantes se reconhecem e se aderem ou inibem mitoses (inibição por contato). b) Reconhecimento de células estranhas (resposta imunitária – rejeição a enxertos). Funções da membrana plasmática Células em cultura formando camada simples Células removidas Células removidas substituídas. A divisão para quando a camada celular é reparada Células cancerosas em cultura continuam a se dividir e formam o tumor Funções da membrana plasmática 3. Adesão Celular: Junções intercelulares, glicocálice (cimento intercelular flexível). Formação de camadas que separam compartimentos diferentes. Funções da membrana plasmática 4. Comunicação: a) Junções GAP (passam nucleotídeos, aminoácidos e íons entre células). b) Proteínas transmembrana e glicocálice (interação da célula com o meio externo). Funções da membrana plasmática 5. Movimentação celular: Moléculas de adesão Glicocálice e estruturas do citoesqueleto fixadas pela membrana plasmática. • Sem gasto de energia (de moléculas isoladas) - Difusão passiva - Difusão facilitada • Com gasto de energia - Transporte ativo primário (de moléculas isoladas) - Transporte ativo impulsionado por gradientes iônicos (de moléculas isoladas) - Transporte em quantidade Transporte a) Fagocitose b) Pinocitose (macro e micro) c) Endocitose mediada por receptores (micro) Endocitose Exocitose Transporte através da membrana Difusão passiva O soluto penetra na célula a favor de um gradiente de concentração (lipídeos, etanol, anestésicos, gases). Via bicamada lipídica Difusão passiva Princípios do transporte através das membranas: As bicamadas lipídicas são impermeáveis a solutos e íons! Gases Moléculas hidrofóbicas Pequenas moléculas polares Grandes moléculas polares Moléculas carregadas Via proteínas transportadoras de membrana Classes de proteínas transportadoras Proteínas Carreadoras Proteínas-Canal Partes móveis deslocam o soluto mudando a conformação da proteína Poros hidrofílicosimóveis para passagem de íons inorgânicos (canal iônico) Transporte com base no tamanho e carga elétrica Ligação específica do soluto ao sítio da proteína carreadora Transporte através da membrana fechado aberto Transporte através da membrana Difusão facilitada do soluto • À favor de gradiente de concentração • Velocidade maior que na difusão passiva (alguns aminoácidos, algumas vitaminas) • A substância se combina com uma molécula transportadora. Proteína Carreadora Proteína Canal Transporte através da membrana Transporte ativo primário do soluto • Contra gradiente de concentração (químico e/ou elétrico) • Ocorre por proteínas carreadoras (ATPásicas). Uniporte Proteína carreadora Sítio de ligação ao soluto soluto MP Gradiente de concentração Posição A Posição B Transporte através da membrana Transporte ativo impulsionado por gradientes iônicos A célula utiliza energia potencial de gradientes de íons para transportar moléculas e outros íons através da membrana (TRANSPORTE ACOPLADO – co-transporte) Simporte Antiporte Na+ (●) e H+ (●) Antiporte: o sódio entra, auxiliando o íon H+ a sair pela mesma proteína. Simporte: o sódio entra na célula, auxiliando a glicose a entrar contra seu gradiente. Na+ (●) e glicose (●) Transporte através da membrana Transporte ativo impulsionado por gradientes iônicos Transporte através da membrana Transporte ativo impulsionado por gradientes iônicos Antiporte: o sódio sai, auxiliando o K+ a entrar pela mesma proteína. Transporte Transporte em quantidade - ENDOCITOSE Internaliza grupos de macromoléculas Depende de alterações morfológicas da superfície celular para englobar o material (não é através da membrana) -Fagocitose Transporte Transporte em quantidade - ENDOCITOSE Endocitose mediada por receptores ou micropinocitose seletiva Pinocitose (pode ser macro ou micro): não seletiva Transporte Transporte em quantidade - FAGOCITOSE Internalização de partículas sólidas com diâmetro maior ou igual a 1 µm (visível ao MO)→ emissão de PSEUDÓPODES (processo seletivo ou não). Material englobado: FAGOSSOMO Alimentação (protozoários), defesa e remoção de corpos apoptóticos (metazoários) FAGOCITOSE ETAPAS 1. Emissão de pseudópodes 2. Internalização 3. Fusão com lisossomas 4. Digestão 5. Exocitose Transporte Leucócito emitindo pseudópodes para englobar corpo estranho. Fagocitose Transporte Transporte em quantidade - MACROPINOCITOSE Internalização de macromoléculas em solução (visível ao MO)→ emissão de LAMELIPÓDIOS (NÃO é um processo seletivo). Material englobado: MACROPINOSSOMO Restrita a raros tipos celulares (principalmente em cultura de células) Transporte Transporte em quantidade - MICROPINOCITOSE Internalização de moléculas em solução (não visível ao MO)→ invaginação da membrana (NÃO é um processo seletivo). Material englobado: MICROPINOSSOMO Micropinocitose e Macropinocitose Lume do capilar Lume do capilar Transporte Transporte em quantidade – ENDOCITOSE MEDIADA POR RECEPTOR (MICROPINOCITOSE SELETIVA) Internalização de moléculas em solução (não visível ao MO)→ invaginação da membrana (processo seletivo). Material englobado: vesícula coberta. ENDOCITOSE MEDIADA POR RECEPTOR PARA EXPLICAR A VIA ENDOCÍTICA Etapas do englobamento de transferrina na hemácia para síntese de hemoglobina ( setas) por processo de ENDOCITOSE MEDIADA POR RECEPTOR Fagocitose Macropinocitose Micropinocitose Endocitose mediada por receptor Seletividade Sim/não não Não Sim Diâmetro material > ou = 1µm 0,3 a 1 µm Até 0,2 µm Até 0,2 µm Visualização M.O. e M.E. M.O. e M.E. M.E. M.E. processo Emissão de pseudópo- des Emissão de lamelipódios Invaginação da membrana (cavéola) Invaginação da membrana (cavéola revestida por clatrina) Material englobado fagossomo pinossomo Vesícula Vesícula coberta por clatrina Exemplos: Hemocate- rese Cél. endotelial internalizando ferritina Troca de subst entre sangue e tecido Internalização do LDL destino Via endossômica (lisossoma) Via endossômica (lisossoma) Via endossômica (lisossoma) Via endossômica (lisossoma) Exocitose Expulsão do conteúdo de vesículas citoplasmáticas para fora da célula sem que haja ruptura da superfície celular ganho e perda de MEMBRANA PLASMÁTICA FLUXO DE MEMBRANA Face de formação do CG Face de maturação do CG Endocitose Exocitose Vesícula secretora Envoltório nuclear lisossomo