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HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ IINNTTRROODDUUÇÇÃÃOO ÀÀ HHIIGGIIEENNEE OOCCUUPPAACCIIOONNAALL CENTRO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL BEBÉ MATINS ITUIUTABA 2012 HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ Presidente da FIEMG Olavo Machado Júnior Gestor do SENAI Petrônio Machado Zica Diretor Regional do SENAI e Superintendente de Conhecimento e Tecnologia Alexandre Magno Leão dos Santos Gerente de Educação e Tecnologia Edmar Fernando de Alcântara HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ Apresentação ―Muda a forma de trabalhar, agir, sentir, pensar na chamada sociedade do conhecimento. ― Peter Drucker O ingresso na sociedade da informação exige mudanças profundas em todos os perfis profissionais, especialmente naqueles diretamente envolvidos na produção, coleta, disseminação e uso da informação. O SENAI, maior rede privada de educação profissional do país,sabe disso , e ,consciente do seu papel formativo , educa o trabalhador sob a égide do conceito da competência:” formar o profissional com responsabilidade no processo produtivo, com iniciativa na resolução de problemas, com conhecimentos técnicos aprofundados, flexibilidade e criatividade, empreendedorismo e consciência da necessidade de educação continuada.‖ Vivemos numa sociedade da informação. O conhecimento , na sua área tecnológica, amplia-se e se multiplica a cada dia. Uma constante atualização se faz necessária. Para o SENAI, cuidar do seu acervo bibliográfico, da sua infovia, da conexão de suas escolas à rede mundial de informações – internet- é tão importante quanto zelar pela produção de material didático. Isto porque, nos embates diários,instrutores e alunos , nas diversas oficinas e laboratórios do SENAI, fazem com que as informações, contidas nos materiais didáticos, tomem sentido e se concretizem em múltiplos conhecimentos. O SENAI deseja , por meio dos diversos materiais didáticos, aguçar a sua curiosidade, responder às suas demandas de informações e construir links entre os diversos conhecimentos, tão importantes para sua formação continuada ! Gerência de Educação e Tecnologia HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 1 SSuummáárriioo Apresentação INTRODUÇÃO A HIGIENE OCUPACIONAL ...................................................................... 2 RISCOS QUÍMICOS .......................................................................................................... 6 RISCOS FÍSICOS ............................................................................................................... 16 RISCOS BIOLÓGICOS ..................................................................................................... 35 RISCOS ERGONÔMICOS.................................................................................................. 35 RISCOS DE ACIDENTES ................................................................................................ 39 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................... 41 HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 2 HIGIENE OCUPACIONAL Introdução O desenvolvimento tecnológico da humanidade, além de trazer enormes benefícios e conforto para o homem do século XX, tem exposto o trabalhador a diversos agentes potencialmente nocivos e que, sob certas condições poderão provocar doenças ou desajustes no organismo das pessoas que desenvolvem suas atividades normais em variados locais de trabalho. A Higiene Ocupacional, estruturada como uma ciência prevencionista, vem sendo aperfeiçoada dia a dia e tem como objetivo fundamental atuar no ambiente de trabalho, a fim de detectar o tipo de agente prejudicial, quantificar sua intensidade ou concentração e tomar as medidas de controle necessárias para resguardar a saúde e o conforto dos trabalhadores durante toda sua vida de trabalho. Dentre as definições conhecidas e mais amplamente difundidas, podemos citar: A definição dada pela American Industrial Hygiene Association – AIHA, segundo a qual a higiene ocupacional é ―ciência que trata da antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos riscos originados nos locais de trabalho e que podem prejudicar a saúde e o bem-estar dos trabalhadores, tendo em vista também o possível impacto nas comunidades vizinhas e no meio ambiente‖. De acordo com o conceito preconizado por Olishifski, a higiene ocupacional é tida como ―aquela ciência e arte devotada à antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos fatores de risco ou estresses ambientais originados no, ou a partir, do local de trabalho, os quais podem causar doenças, prejudicar a saúde e o bem-estar, ou causar significante desconforto sobre os trabalhadores ou entre os cidadãos de uma comunidade‖. A definição da American Conference Of Governmental Industrial Hygienists – ACGIH: ―ciência e arte do reconhecimento, avaliação e controle de fatores ou tensões ambientais originados do, ou no, local de trabalho e que podem causar doenças, prejuízos para a saúde e bem-estar, desconforto e ineficiência significativos entre os trabalhadores ou entre os cidadão da comunidade.‖ O termo higiene ocupacional, que abrange a modalidade industrial, é considerado o mais amplo pelos órgãos especializados, incluindo a Fundacentro, razão pela qual sua utilização tem sido preferida. No entanto, a nosso ver, o termo higiene do trabalho poderá ser igualmente aplicado, pois contempla – além do trabalho subordinado (empregos) – os trabalhos autônomo, avulso, estatuário, etc. A higiene ocupacional é a ciência que atua no campo da saúde ocupacional, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos riscos físicos, químicos e biológicos originados nos locais de trabalho e passíveis de produzir danos à saúde dos trabalhadores, observando-se também o impacto ao meio ambiente. Os riscos físicos são: ruído, calor, vibração, radiação ionizante, radiação não ionizante, frio. Os agentes químicos são: gases, vapores, poeira, fumos, névoas, neblinas. Os agentes biológicos são: bactérias, fungos, vírus, protozoários, e parasitas. Classificação de riscos ambientais Boa parte dos processos de produção pelos quais o homem modifica os materiais extraídos da natureza, para transformá-los em produtos úteis, segundo as necessidades tecnológicas atuais, são capazes de dispersar no ambiente dos locais de trabalho substancias que, ao entrar em contato com o organismo dos trabalhadores podem acarretar moléstias ou danos à sua saúde. Estes processos poderão originar condições físicas de intensidade inadequada para o organismo humano, sendo que ambos os riscos (Físicos e Químicos) são geralmente de caráter acumulativo e chegam às vezes a produzir graves danos aos trabalhadores. O ser humano é composto por um organismo complexo e seu bem estar não esta ligado somente às condições físicas ambientais e ou presença de agentes agressivos, deve-se compreender aimportância da influencia da organização do trabalho sobre o trabalhador, sendo também um fator muitas vezes não facilmente quantificável, mas de grande importância. Para facilitar o estudo dos riscos ambientais podemos classificá-los em cinco grupos: Riscos Químicos Riscos Físicos Riscos Biológicos E também: Riscos ergonômicos e Riscos de acidentes ou mecânicos existentes nos locais de trabalho e que possam vir a causar danos à saúde dos trabalhadores. HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 3 Por sua vez, cada um destes grupos subdivide-se quer em função das formas em que se apresentam, ou devido às características físico-químicas dos agentes, de acordo com as conseqüências fisiológicas que estes podem provocar, segundo sua ação sobre o organismo, etc. Riscos Químicos As substâncias ou produtos químicos que podem contaminar um ambiente de trabalho classificam- se, segundo as suas características físico-químicas em: Aerodispersóides Gases e Vapores Ambos os grupos comportam-se de maneira diferente, tanto no que diz respeito ao período de permanência no ar, quanto as possibilidade de ingresso no organismo. Por sua vez, os aerodispersóides podem ser sólidos ou líquidos, atendendo ao seguinte esquema geral de classificação: Os aerodispersóides sólidos e líquidos são classificados em relação ao tamanho da partícula e à sua forma de origem. São poeiras e névoas os aerodispersóides originados por ruptura mecânica de sólidos e líquidos respectivamente, e fumos e neblinas aqueles formados por condensação ou oxidação de vapores, provenientes, respectivamente, de substâncias sólidas ou líquidas a temperatura e pressão normal (20º C e 1 atmosfera de pressão). Riscos Físicos Ordinariamente, os riscos físicos representam um intercâmbio brusco de energia entre o organismo e o ambiente, em quantidade maior de que o organismo é capaz de suportar, podendo acarretar uma doença profissional. Entre os mais importantes podemos citar: Temperaturas extremas: Calor Frio Ruído Vibrações Pressões anormais RISCOS QUIMICOS GASES E VAPORES AERODISPERSÓIDES SÓLIDOS POEIRAS FUMOS LÍQUIDOS NÉVOAS NEBLINAS HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 4 Radiações: Ionizantes Não ionizantes Riscos Biológicos Neste grupo, estão classificados os riscos que representam os organismos vivos, tais como: Vírus Bactérias Fungos Protozoários Parasitas Riscos Ergonômicos São os fatores que podem afetar a integridade física ou mental do trabalhador devido a sua interação com o seu ambiente de trabalho, podendo ocasionar desconforto ou doença. São considerados riscos ergonômicos: Esforço físico intenso Levantamento e transporte manual de peso Exigência de postura inadequada Controle rígido de produtividade Imposição de ritmos excessivos Trabalho em turno e noturno Fornadas de trabalho prolongadas Monotonia e repetitividade Outras situações causadoras de stress físico e/ou psíquico Riscos de Acidentes São todos os fatores que colocam em perigo o trabalhador ou afetam sua integridade física. São considerados como riscos geradores de acidentes: Arranjo físico inadequado Máquinas e equipamentos sem proteção Ferramentas inadequadas ou defeituosas Iluminação inadequada Eletricidade Probabilidade de incêndio ou explosão Animais peçonhentos Armazenamento inadequado Outras situações que poderão contribuir para a ocorrência de acidentes Caracterização dos riscos De tudo quanto se tem exposto, podemos concluir que a presença de poluentes e agentes agressivos nos locais de trabalho representam um risco, mas isto não quer dizer que todos os trabalhadores expostos venham a adquirir uma doença. Para que isto aconteça devem concorrer vários fatores, que são: Tempo de exposição Quanto maior o tempo de exposição, maiores as possibilidades de se produzir uma doença ocupacional. Concentração ou Intensidade dos agentes ambientais (―Quantidade‖) Quanto maior a concentração ou intensidade dos agentes agressivos presentes no ambiente de trabalho, tanto maior será a possibilidade de danos à saúde dos trabalhadores expostos. Características dos agentes ambientais (―Qualidade‖) As características específicas de cada agente também contribuem para a definição do seu potencial de agressividade. HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 5 O estudo do ambiente de trabalho visando a estabelecer qualquer relação entre esse ambiente e possíveis danos à saúde dos trabalhadores que devem efetuar seus serviços normais nesses locais, constitui o que chamamos, um levantamento de condições ambientais de trabalho. O levantamento pode se dividir em duas partes: Estudo Qualitativo Estudo Quantitativo O estudo qualitativo das condições de trabalho visa coletar o maior numero de informações e dados necessários, a fim de fixar as diretrizes a serem seguidas no levantamento quantitativo. O estudo quantitativo completará o reconhecimento preliminar dos ambientes de trabalho, através de medições adequadas, que no final nos dirão quais as possibilidades de os trabalhadores serem afetados pelos diferentes agentes agressivos presentes nos locais de trabalho. Levantamento qualitativo Normas gerais de procedimento Deve-se iniciar o reconhecimento qualitativo do ambiente de trabalho, preferencialmente, fazendo um estudo minucioso de uma planta baixa atualizada do assim como um fluxograma dos processos, a fim de estabelecer a forma correta de proceder o levantamento: saber o que fazer e como fazer, nos diferentes locais de trabalho. O estudo qualitativo deve dar informação detalhada de aspectos, tais como: Número de trabalhadores; Horários de trabalho; Matérias-primas usadas, incluindo nome comercial e nome científico de substâncias; Maquinarias e processos; Tipos de energia usada para a transformação de materiais; Produtos semi-elaborados; Produtos acabados; Substâncias complementares usadas nos processos; Existência ou não de equipamentos de controle, tais como: ventilação local, estado em que se encontram, etc.; Tipo de iluminação e estado das luminárias; Presença de poeiras, fumos, névoas e ponto de origem da dispersão; Uso de EPI por parte dos trabalhadores; Estas informações devem ser acrescidas de comentários por escrito, que permitam esclarecer a situação real do ambientes de trabalho. O Técnico em segurança deve estar familiarizado com os processos industriais, métodos de trabalho e demais atividades que são efetuadas normalmente no local, ou estar assessorado por profissional. que esteja, afim de obter dados fidedignos e esclarecer as dúvidas que possam surgir durante o levantamento. Para maior facilidade na coleta da informação podem ser utilizadas fichas padronizadas que tenham condições de reunir as informações mais importantes e necessárias. Não existe um modelo único para fichas deste tipo, o levantamento, nunca interferir negativamente em sua qualidade. Levantamento quantitativo Uma vez realizado o levantamento qualitativo, o profissional de segurança já reúne as condições necessárias para traçar os rumos a serem seguidos no levantamento quantitativo. Este, por sua vez, deve ser minucioso e completo para que represente as condições reais em que se encontra o ambiente de trabalho. Deve-se, portanto, verificar a intensidade ou concentração dos agentes físicos e químicos existentes no local analisado. Desta forma sãocolhidos subsídios para definir as medidas de controle necessárias. Os critérios de avaliação e controle de cada agente serão estudados dentro dos itens específicos. Susceptibilidade Individual A complexidade do organismo humano implica em que a resposta do organismo a um determinado agente pode variar de individuo para individuo. Todos estes fatores devem ser estudados, quando se apresenta um risco potencial de doença do trabalho e, na medida que este seja claramente estabelecido, poderemos planejar a implantação de medidas de controle que levarão à eliminação ou minimização do risco em estudo. O tempo real de exposição será determinado considerando-se a análise da tarefa desenvolvida pelo trabalhador. Essa análise deve incluir estudos, tais como: Tipo de serviço; HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 6 Movimentos do trabalhador ao efetuar o seu serviço; Períodos de trabalho e descanso, considerando todas as variações desses durante a jornada de trabalho. A concentração dos poluentes químicos ou a intensidade dos agentes físicos devem ser avaliadas mediante amostragem nos locais de trabalho, de tal maneira que essas amostragens sejam as mais representativas possíveis da exposição do trabalhador a esses agentes agressivos. Este estudo deve considerar também as características físico-químicas dos contaminantes e as características próprias que distinguem o tipo de risco físico. Junto a este estudo ambiental terá que ser feito o estudo médico do trabalhador exposto, a fim de determinar possíveis alterações no seu organismo provocadas pelos agentes agressivos ou que permitirão a instalação de danos mais importantes, se a exposição continuar. 1. Agentes Químicos Considerações Iniciais Agentes ou fatores químicos são as substancias químicas que estão presentes no ambiente, geralmente em mistura ou com impurezas que podem causar algum dano ou agravo a saúde quando entram em contato com um receptor. Neste sentido amplo, o agente químico pode estar presente no alimento, no ar ambiente, na água, no equipamento ou no instrumento manuseado. Há um sem – numero de substancias químicas no universo, e vê, sendo introduzidas muitas outras a cada ano. A ação do ser humano não se reduz à produção de novos compostos. Ele é o maior responsável pela disseminação dos produtos no ambiente, por meio da extração, do transporte ou do comércio. Segundo a natureza, os agentes químicos classificam-se em aerossol (poeiras, névoas, neblinas, fumos), gases e vapores, podendo penetrar no organismo por via respiratória, dérmica, digestiva ou parenteral. Gases e Vapores Definições Gases Denominação dada as substancias que, em condições normais de temperatura e pressão (25ºC e 760 mmHg), estão no estado gasoso. São fluidos amorfos que podem mudar de estado físico unicamente por uma combinação de pressão e temperatura. Exemplo: hidrogênio, oxigênio e nitrogênio. Vapores Fase gasosa de uma substancia que, a 25ºC e 760 mmHg, se torna líquida ou sólida. O vapor pode passar para o estado liquido ou sólido atuando-se sobre a pressão ou sobre sua temperatura. Exemplos: vapores de água, vapores de gasolina. Classificação Fisiológica dos Gases e Vapores Pelo ar inalam-se gases e vapores estranhos, muitos dos quais podem ser perigosos à saúde. Entretanto, esses efeitos variam segundo a substancia. As características físicas mais importantes para a determinação dos efeitos biológicos de um gás ou vapor são sua concentração no ar e sua solubilidade no sangue e tecidos, que determinará a sua absorção pelo organismo. Além disso, sua toxicidade e as vias e formas de penetração também influem nos efeitos à saúde. Os gases e vapores podem ser classificados, segundo a sua ação sobre o organismo humano, em três grupos: irritantes, anestésicos, asfixiantes. Se a substancia é enquadrada em um desses grupos, isso não implica que não possa também possuir características dos grupos. Essa classificação baseia-se no efeito mais importante, isto é, mais significativo sobre o organismo. Gases e Vapores Irritantes Existe uma grande variedade de gases e vapores classificados nesse grupo, os quais diferem suas propriedades físico-químicas, mas tem uma característica comum: produzem irritação nos tecidos com os quais entram em contato direto, tais como a pele, a conjuntiva ocular e as vias respiratórias. A intensidade da ação irritante depende da estrutura química da substancia, de sua concentração no ar e do tempo de exposição. A solubilidade é um fator importante a ser considerado, uma vez que determina o local de ação do tóxico no trato respiratório: Irritantes altamente solúveis em água – atuam nas vias respiratórias superiores, sendo que o nariz e a garganta são os que sofrem mais com a sua ação: ácidos clorídrico e fluorídrico, amoníaco, nevoas alcalinas, etc. Irritantes relativamente solúveis em água – atuam nas vias respiratórias superiores e pulmão: halogênios, ozônio, sulfatos de dietila e dimetila, etc. Irritantes pouco solúveis em água – atuam no pulmão: óxido de nitrogênio, cloreto de arsênico, etc. Assim, os gases mais perigosos são aqueles que possuem baixa solubilidade e não tem odor. Ao gases e vapores irritantes dividem-se em: HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 7 A) Irritantes primários São aqueles cuja ação sobre o organismo é somente de irritação sobre o local atingido, podendo subdividirem-se em: 1) Irritantes de ação sobre as vias respiratórias superiores Pertencem a esse grupo: - Ácidos fortes, tais como: ácido clorídrico ou muriático, ácido sulfúrico. - Álcalis fortes, tais como: amônia e soda cáustica. - Formaldeído. 2) Irritantes de ação sobre os brônquios Pertencem a esse grupo: - Anidrido sulfuroso e cloro. 3) Irritantes sobre os pulmões Pertencem a esse grupo: - Ozona, gases nitrosos (principalmente NO2 e sua forma dímera N2O4). Esses gases são produzidos no arco elétrico (solda elétrica), por combustão de nitratos, no uso de explosivos e no uso industrial de ácido nítrico. - Fosgênio. - Gás incolor, originado da decomposição térmica de tetracloreto de carbono e outros derivados halogenados. 4) Irritantes atípicos Pertencem a esse grupo - Acroleína ou aldeído acrílico (gás liberado pelos motores diesel), gases lacrimogêneos. B) Irritantes secundários Essas substâncias, além de possuírem efeito irritante sobre o local de ação, tem atuação generalizada sobre o organismo. Uma exposição aguda a esse tipo de tóxico produzira edema pulmonar; pertence a esse grupo o gás sulfídrico (H2S). Gases e Vapores Anestésicos Uma propriedade comum entre eles é o efeito narcótico ou depressivo sobre o sistema nervoso central, fundamentalmente o cérebro. É importante ressaltar que essas substâncias são introduzidas em nosso organismo pela via respiratória, alcançando o pulmão, onde são transferidas para o sangue, que as distribuirá para o resto do corpo. Muitas delas também podem penetrar através da pele intacta, alcançando a corrente sanguínea. De acordo com sua ação sobre o organismo, os anestésicos podem ser divididos em: A) Anestésicos primários Pertencem a esse grupo: hidrocarbonetos alifáticos (butano, propano, etano, etc.), ésteres, aldeídos, cetonas. B) Anestésicos de efeito sobre as vísceras (fígado e rins) O fígado e os rins desempenham papel importante nos fenômenos de desintoxicação, seja pela geração de enzimas adequadas, seja com a eliminação por meio da úrica. Uma intoxicação superior a que o fígado é capaz de assumir pode levar a deterioração desse órgão pela cirrose ou mesmonecrose. Da mesma forma, os rins quando afetados podem apresentar necrose epitelial. Pertencem a esse grupo os hidrocarbonetos clorados, tais como: tetracloreto de carbono, tetracloroetano, tricloroetileno, percloroetilino. C) Anestésicos de ação sobre o sistema formador do sangue As substancias classificadas nesse grupo atuam modificando a hemoglobina em metahemoglobina, no caso da anilina, nitrito e toluidina. Mas a ação mais profunda no sistema hematopoiético é causada pelo benzeno, que pode levar a uma anemia irreversível. Os homólogos, tolueno e xileno, têm efeitos anestésicos similares aos do benzeno, mas possuem efeitos tóxicos consideravelmente menores. Pos essa razão são recomendados para substituir o benzeno, diminuindo assim o risco a que estão expostos os trabalhadores. D) Anestésicos de ação sobre o sistema nervoso Nesse grupo encontram-se os álcoois (metílico e etílico), ésteres de ácidos orgânicos, dissulfeto de carbono. Em geral, os álcoois são altamente solúveis em água, fato que determina a sua eliminação de forma lenta. No caso do álcool etílico, alenta eliminação é contrastada com a rápida oxidação dentro do ciclo de combustão dos açucares e raramente são inaladas quantidades suficientes para produzir anestesia. Gases e Vapores Asfixiantes A principal característica de um tóxico é impedir de alguma forma que o oxigênio atinja os tecidos, podendo os asfixiantes ser classificados em simples ou químicos. HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 8 Os asfixiantes simples têm sua atuação fora do organismo, isto é, sua presença na atmosfera provoca o deslocamento do oxigênio, reduzindo a concentração desse gás no ambiente. Dentro dessa classe encontram-se o CO2, metano, propano, nitrogênio e butano. Por outro lado, os asfixiantes químicos impedem a entrada do oxigênio nos tecidos. O asfixiante químico mais conhecido é o monóxido de carbono, que tem uma afinidade química com a hemoglobina superior ao oxigênio, formando a carboxihemoglobina e impedindo o transporte de oxigênio. Além da classificação dos gases e vapores, segundo o seu efeito pela inalação, é importante que seja feita uma pequena exposição a respeito dos agentes químicos que tem a capacidade de penetrar a pele. Pertencem a esse grupo, principalmente, os solventes orgânicos, que, devido a sua larga utilização industrial, expõem inúmeros trabalhadores a seus efeitos, que incluem, dentre outros, a dermatite de contato por irritação. A ação de determinada substancia sobre a pele está diretamente relacionada com a sua solubilidade na água e gordura e na sua pressão de vapor, isto é, a sua habilidade em se dissolver na água ou em compostos orgânicos e em evaporar-se. Experimentos mostraram que solventes orgânicos são potencialmente irritantes químicos, induzindo ao aparecimento dermatite de contato por irritação quando em contato com a pele não protegida adequadamente. Alguns poucos solventes, tais como estireno e álcoois, podem induzir à dermatite de contato alérgica, que independe da concentração do agente. Aerodispersóides Definições De forma ampla, o material particulado contaminado é todo aquele aerossol que se encontra em suspensão no ar e que pode ser nocivo à saúde. De acordo com sua formação, os particulados podem ser classificados como sólidos ou líquidos. Como particulados líquidos temos as névoas e neblinas, e como particulados sólidos, as poeiras (fibras) e os fumos. Classificação quanto á formação A) Poeira São partículas sólidas produzidas por ruptura mecânica de um sólido, seja pelo simples manuseio (limpeza de bancadas), seja em conseqüência de uma operação mecânica (trituração, moagem, peneiramento, polimento, dentre outras). Exemplos:Poeira de sílica, asbesto e carvão. B) Fumos São partículas sólidas resultantes da condensação de vapores ou reação química, geralmente após volatilização de metais fundidos. Exemplos: Fumos de Pb – ponteamento de arames; Fumos de Zn – galvanoplastia C) Névoas e Neblinas Névoas e neblinas são partículas liquidas, produzidas por ruptura mecânica de liquido ou por condensação de vapores de substancias que são líquidas à temperatura ambiente. Exemplo: Névoa de tinta – resultante de pintura à pistola D) Fibras São partículas sólidas produzidas por ruptura mecânica de sólidos que se diferenciam das poeiras porque têm forma alongada, com um comprimento de 3 a 5 vezes superior a seu diâmetro. Exemplos: Animal – lã, seda, pêlo de cabra e camelo Vegetal – algodão, linho, cânhamo Mineral – asbesto, vidro e cerâmica Deve-se salientar que essa classificação é apenas para facilitara compreensão, pois, do ponto de vista da Higiene, não é muito significativa a maneira como as partículas são originadas para fins de avaliação e controle. Classificação quanto ao efeito no organismo A classificação quanto ao tipo de dano que a poeira pode produzir no nosso organismo é a seguinte: Pneumoconiótica: Aquela que pode provocar algum tipo de pneumoconiose. Ex.: Silicose, asbestose, antracose, bissinose. Tóxica: Pode causar enfermidade tanto por inalação quanto por ingestão. Ex.: metais como chumbo, mercúrio, arsênico, cádmio, manganês, cromo, etc. Alérgica: Aquela que pode causar algum tipo de processo alérgico. Ex.: poeira de resina epóxi e algumas poeiras de madeira. Inerte: Produz enfermidades leves e reversíveis, causando geralmente bronquite, resfriados, etc. Tipos de particulados, Efeitos e Ocorrência no Ambiente de Trabalho Sílica A sílica é encontrada na natureza em abundancia, pois constitui a maior parte da crosta terrestre. Sua formula química é constituída por um átomo de silício e dois de oxigênio (SiO2). Esses átomos, por sua vez, unem-se a outros formando diversas estruturas cristalizadas, resultando em diferentes classes de sílicas cristalizadas. Desse modo, a sílica cristalizada pode apresentar-se HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 9 em forma de quartzo, cristobalita, tridmita, amorfa. A nocividade das partículas de SiO2 é maior de acordo com a sua forma. A cristobalita e a tridmita possuem um maior potencial fibrogênico do que o quartzo. Já a sílica amorfa e a fundida são menos nocivas que as cristalizadas. De maneira geral, vários são sos fatores que influenciam na maior ou menor intensidade fibrogênica de determinado tipo de particulado, dentre os quais destacam-se: Concentração de poeira inalada; Sílica na poeira; Forma cristalizada das partículas; Tamanho das partículas; Duração da exposição. O dano direto provocado pelo particulado é diretamente proporcional a concentração de particulado inalado e duração de exposição. A sílica é a substancia causadora da enfermidade (silicose) e, evidentemente, quanto maior o percentual de sílica, maior será a nocividade da poeira. Outro fator importante na ocorrência da silicose é o tamanho das partículas. As partículas maiores são selecionadas pelo sistema respiratório, enquanto as menores podem chegar aos alvéolos pulmonares. Ocorrência A exposição ocupacional a poeira contendo sílica ocorre em diversos ambientes de trabalho e ramos de atividade, tais como: mineração de ouro, ferro, extração de calcário, dentre outras. Nessas industrias, tanto na extração como no beneficiamento, há presença de particulados que podem conter sílica. Outros ramos de atividade em que há presença de poeira sílica: construção civil, fundição, industrial de refratários, siderúrgicas. Asbestos Recentemente houve um aumento dos estudos sobre as fibras de asbesto. De acordo com as últimas teorias sobre os mecanismos de dano dessas fibras, foi indicado que a causa é o formato da partícula,dependendo do qual podem ser encontradas propriedades cancerígenas. As fibras se classificam em naturais ou artificiais. Os perigos para a saúde relacionados como os asbestos encontram-se, na maioria das vezes, circunscritos ao aspecto da atividade profissional. A inalação das fibras de asbesto por pessoas submetidas a exposição prolongada e a concentrações relativamente elevadas pode provocar insuficiência respiratória, causando, até, mesmo um câncer bronquial ou um mesotela. Ocorrência A exposição às fibras de asbestos ocorre principalmente nas industrias de fabricação de telhas, chapas, caixas d’água e de amianto; na fabricação de guarnições de freio e embreagem, lonas de freios; na confecção de roupas protetoras apara bombeiros e pilotos de carro de corrida. Nas industrias de papelão, o amianto é usado como isolante térmico. Algodão A exposição á poeira de algodão produz uma enfermidade denominada bissinose. Os sintomas dessa doença são: dor no peito, tosse, dificuldade respiratória, dispnéia. Alem disso, a exposição a esse agente pode produzir também diminuição da força respiratória, bronquite, febre, alem de sintomas respiratórios freqüentes. A bissinose também é produzida por outros tipos de fibra, como o linho ou o cânhamo. A causa principal dessa doença esta associada à quantidade de poeira inalada e ao tempo de exposição. Há também, outras causas que influem, como a poluição atmosférica, hábito do tabaco e as afecções respiratórias. A bissinose é uma enfermidade difícil de detectar, pois não apresenta alterações radiográficas ou patológicas especificas. Ocorrência A exposição ocupacional à poeira de algodão ocorre mais freqüentemente na fabricação de tecidos. Nos setores de abertura, cardas e fiação a exposição é maior do que na tecelagem, revisão e expedição. Em outros ramos de atividade também pode ocorrer exposição, como, por exemplo, na industria de confecção. Caulim Segundo a ACGIH (American Conference of Governanmental Industrial Hygienists), a inalação de quantidade excessiva de poeira de caulim pode causar dano à pele e às mucosas, além de pneumoconiose. Desse modo, reduziu-se o limite de exposição para 2 mg/m 3 . o NIOSH (National Institute for Occupational Safety and Health) não modificou o limite de tolerância para a poeira de caulim. Já a OSHA (Occupational Safety and Health Administration) pretende desenvolver no futuro um estudo mais aprofundado da toxicologia do caulim. Atualmente, esse órgão estabelece os limites de tolerância de 10 mg/m 3 para poeira total e 5 mg/m 3 para poeira respirável. Esses limites estão baseados nos danos causados à pele e mucosas. Deve-se salientar ainda que os limites de exposição estabelecidos para o caulim são validos para poeira em suspensão que não contenha sílica livre cristalizada e/ou asbestos. Ocorrência HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 10 A ocorrência de poeira de caulim acontece principalmente na mineração de caulim; tanto na extração quanto no beneficiamento. Madeira A poeira de madeira é definida como qualquer tipo de particulado em suspensão proveniente do manuseio da madeira. A madeira dura é derivada de espécies de árvores de folhas grossas, como, por exemplo, o carvalho e a faia. A exposição à poeira de madeira pode produzir diversos efeitos na saúde do ser humano, tais como dermatite, irritação, alergias respiratórias e câncer, segundo estudos baseados em evidencias epidemiológicas (ACGIH/1998). Ocorrência A exposição á poeira de madeira é mais acentuada na fabricação de móveis. As operações com serra circular, desengrosso, plaina, tupia e lixadeira são as fontes mais significantes. Nas industrias de reflorestamento e fabricação de celulose e na construção civil também pode ocorrer exposição a esse agente. Grãos (trigo, cevada) Os efeitos da inalação da poeira de grãos são conhecidos por vários séculos. Ramazzini, em 1713, descreveu os riscos respiratórios associados à exposição de cereais. Diversos estudos epidemiológicos feitos nas últimas décadas demonstraram que a exposição à poeira de grãos pode causar: ―febre do grão‖, chiado, dor no peito, tosse, bronquite, irritação nasal e nos olhos, além de sintomas de doenças respiratórias crônicas. Com relação aos limites de tolerância, estes são fixados pelos organismos internacionais, desde que a poeira em suspensão não contenha sílica livre cristalizada e/ou asbestos. Ocorrência A exposição à poeira de grãos ocorre na agricultura, portos e em outros locais onde há armazenamento desse produto. Ocorrência A presença desse tipo de particulado pode ocorrer em diversos ramos de atividade, tais como: fábrica de cimento, cal, industria de papel, dentre outros. Partículas metálicas Os efeitos da exposição a fumos ou poeiras metálicas estão condicionados ao tipo de substancia presente. Assim sendo, dependendo do processo e das matérias-primas utilizadas, pode ocorrer a exposição a ferro, manganês, zinco, chumbo, cromo, dentre outros. Essas substâncias podem produzir pneumoconioses, doenças como saturnismo (chumbo) e manganismo, irritação, dentre outras. A exposição a fumos metálicos pode produzir a ―febre dos fundidores‖. Essa doença resulta no aparecimento de tosse, dores nos músculos e nas juntas, febre e resfriados. Todavia é passageira, e a recuperação ocorre de um a dois dias após cessar a exposição. Ocorrência A exposição à poeira metálica pode ocorrer em: mineração, operações de rebarbação de peças metálicas, fabricação de baterias, etc. a exposição a fumos metálicos é mais freqüente nas operações de soldagem, fundições, aciarias, dentre outras. Nas operações de pintura à pistola, a névoa de tinta formada pode conter pigmentos metálicos, tais como: chumbo e cromo. Negro de Fumo A exposição à poeira de negro de fumo pode produzir efeitos sobre os pulmões. A ACGIH não considera este agente sob suspeita de ser carcinogênico para o ser humano, porém os dados existentes são insuficientes para se chegar a essa conclusão. Ocorrência A exposição a esse agente ocorre com maior freqüência na fabricação de borracha. Parâmetros utilizados nas avaliações de particulados A) Tamanho das partículas O tamanho das partículas é de fundamental importância na avaliação de poeiras, vez que, dele depende os efeitos na saúde, o tempo em que as partículas ficam em suspensão, entre outros. A ACGIH, há muitos anos, tem recomendado o limite de tolerância por seleção de partículas (respiráveis) para sílica cristalizada, pois há uma associação bem estabelecida entre a silicose e as concentrações de poeira respirável. A intenção da American Conference of Governmental Industrial Hygienists – ACGIH é de estabelecer todos os seus limites para fração respirável, inalável e torácica. Quanto ao tamanho das partículas, podem ser classificadas conforme o quadro a seguir: Tipo de Particulado Tamanho Aproximado (μm) Inalável 0 a 100 HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 11 B) Partícula respirável São as partículas que conseguem penetrar na região de troca de gases do pulmão. Esse tipo de particulado é o de maior risco, pois pode alcançar os alvéolos pulmonares. C) Partícula inalável São as partículas que ficam depositadas em qualquer lugar do trato respiratório. A ACGIH recomenda o limite de tolerância de 10mg/m 3 de partículas inaláveis. D) Particulado torácico São partículas que oferecem risco quando depositadas em qualquer lugar no interior das vias aéreas dos pulmões e da região de troca de gases. E) Particulado total É todo o material em suspensão no ar, independente do tamanho das partículas. A NR-15 estabelece olimite para sílica livre cristalizada e para particulados total e respirável. A ACGIH recomenda o limite de tolerância de poeira total, para vários tipos de poeira, embora haja uma tendência de fixar todos os limites para fração respirável, inalável ou torácica. Unidades de Medida Os limites de tolerância para exposição à poeira, exceto asbestos, são expressos em mg/m 3 , isto é, a massa retirada do filtro dividida pelo volume amostrado. Assim sendo, na avaliação quantitativa, temos de determinar esses parâmetros. 1) Volume amostrado (m 3 ) O volume amostrado é determinado pela seguinte fórmula: Va = Q x Ta Onde: Va = Volume amostrado Q = Vazão média durante a amostragem Ta = Tempo de amostragem em minutos Sendo a vazão da bomba em L/min e tempo de amostragem (Ta) em minutos, o volume obtido na fórmula será expresso em litros. Para transformar esse volume em m 3 , divide-se o resultado obtido por 1000. Assim, temos: Va = (Q x Ta)/1000 2) Concentração A concentração de poeira em mg/m3 é obtida pela seguinte fórmula: C = m/Va Onde: C= Concentração de poeira M = Massa de amostra em mg Va = Volume amostrado em m 3 , conforme explicado no item anterior. 3) PPM – Parte por milhão Esta unidade é muito utilizada, sendo o ppm a concentração expressa em volume / volume, conforme demonstrado a seguir: 4) Conversão das fórmulas (transformação de ppm para mg/m3) ppm = (24,45) x mg/m 3 ) / PM e mg/m 3 = (ppm x PM) / 24,45 1% = 10000 ppm 1 ppm = 0,0001% Torácicas 0 a 25 Respirável 0 a 10 1 m 1 m 1 m 1 cm3 1 m 3 de ar 1cm3 de ar contaminado ppm = 1 cm3 / 1 m3 = 1 cm3 / 1000000 = 1 ppm HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 12 Onde: PM = peso molecular da substância Ppm = parte por milhão Exemplos: 1) Transformar 10 ppm de Benzeno (C6H6) em mg/m 3 Dados: Peso atômico – C = 12 g/mol H = 1 g/mol PM = 12 x 6 + 6 x 1 = 78 g mg/m 3 = (10 x 78) / 24,45 = 31,9 mg/m 3 2) Transformar 130 mg/m 3 de CO2 para ppm Dados: C = 12 g/mol O = 16 g/mol PM = 12 + 2 x 16 = 44 g Ppm = (24,45 x 130) / 44 = 72,2 ppm 3) Transformar 39 ppm de CO em mg/m 3 Dados: Peso atômico – C = 12 g/mol O = 16 g/mol PM = 12 + 16 = 28 mg/m 3 = (28 x 39) / 24,45 = 44,7 mg/m 3 Brief & Scala A adoção dos limites de tolerância da ACGIH devem ser corrigidos através da fórmula Brief & Scala, vez que a jornada de trabalho no Brasil é de 8 (oito) horas diárias e 44 (quarenta e quatro) horas semanais, enquanto os limites da ACGIH são para jornada de 8 (oito) horas por dia e 40 (quarenta) horas semanais. O fator de redução do limite de tolerância Brief & Scala é o seguinte: FR = (40 / h) x [(168 – h) /128] Onde: FR = Fator de Redução h = Jornada de trabalho em horas Exemplo: O fator de redução do limite da jornada de trabalho de 40 (quarenta) horas semanais para 44 (quarenta e quatro) horas semanais é: FR = (40 / 44) x [(168 – 44) / 128] = 0,88 Assim sendo, o limite de tolerância, por exemplo, de 10 mg/m 3 recomendado pela ACGIH para poeira de cimento, deverá ser corrigido no Brasil com a seguinte redução: LTcorrigido = 0,88 x 10 mg/m 3 = 8,8 mg/m 3 Principais Instrumentos de Medição Para amostragem de particulados (Poeira mineral, algodão, fumos, gases e vapores), podem ser necessários os seguintes instrumentos: Bomba gravimétrica de poeira; Sistema filtrante (filtros, porta-filtro e suportes); Sistema separador de tamanho de partícula (ciclone); Elutriador vertical para poeira de algodão; Calibradores tipo bolha de sabão; Calibrador eletrônico; Tubos colorimétricos; Tubos de carvão ativado. Os meios de coleta são: Filtros; Tubo de sílica gel; Tubo de carvão ativado; Impinger, entre outros. HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 13 Bomba gravimétrica de poeira Esse equipamento é responsável pela aspiração de ar contaminado até o sistema de coleta. Atualmente, existem no mercado diversas marcas e modelos de bombas gravimétricas. Há modelos simples e modelos com tecnologia mais avançada, que possuem o sensor eletrônico de fluxo laminar, garantindo uma vazão constante, através da compensação da tensão da bateria, altitude, temperatura e quantidade de amostra retida no filtro. Elutriador vertical para poeira de algodão O Elutriador vertical é utilizado para avaliar a concentração de poeira de algodão. É constituído de uma bomba e um orifício crítico, que regula o fluxo de 7,4 l/min na entrada do elutriador. Com essa vazão de aspiração, são separadas as partículas menores que 15 μm, ou seja, somente as partículas deste tamanho irão impactar no filtro. Detector de gases / tubos reagentes ou colorimétricos Os detectores de gases podem ser de pistão ou fole, e são utilizados com os tubos reagentes ou colorimétricos. A medição com esse instrumento consiste na aspiração de volume conhecido de ar que passa pelo tubo reagente. O poluente contido no ar reage com substancia especifica do tubo e muda a cor, e a extensão dessa mancha permite realizar a leitura direta da concentração na escala o tubo. É importante ressaltar que os tubos são específicos para cada gás ou vapor. Medidor com sensor eletroquímico Estes instrumentos realizam medição direta e imediata dos contaminantes presentes, sendo constituídos de sensores, que, pelos diferentes princípios de detecção (elétrico, térmico, eletromagnético, etc), determinam a concentração do contaminante. Dosímetro passivo Os amostradores passivos constituem um procedimento para obter amostras ambientais sem a necessidade de forçar a passagem de ar por bombas, utilizando o fenômeno de difusão e adsorção, ou seja, podem fornecer leitura direta ou indireta através de análises laboratoriais. Limites de tolerância A Portaria Mtb n. 3214/78, NR-15, estabelece critérios para a caracterização de insalubridade e fixa limites de tolerância para alguns tipos de particulados. Outros tipos, também prejudiciais à saúde, foram relacionados no Anexo XIII da referida norma como avaliação qualitativa, ou seja, a possível insalubridade deverá ser verificada através de inspeção no local Convém ressaltar que, os limites adotados pela NR-15. 1) Chumbo O anexo XI da NR-15 estabelece o limite de tolerância de 0,1 mg/m3 para chumbo, independentemente da forma que ele encontra-se no ambiente (poeira ou fumos metálicos). 2) Manganês: 5,0 mg/m3: pra exposição à poeira de manganês e seus compostos, nas operações de extração, moagem, transporte de minério, entre outros. HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 14 1,0 mg/m3: para exposição a fumos de manganês e seus compostos, nas operações de fabricação de baterias de pilhas secas, vidros especiais e cerâmicas, fabricação uso de eletrodos de solda, tintas fertilizantes, entre outros. 3) Negro-de-fumo O anexo XI da NR-15 estabelece o limite de tolerância de 3,5 mg/m3 para negro-de-fumo em uma jornada de até 48 (quarenta e oito) horas semanais. Entende-se como ―Negro-de-fumo‖ as formas finamente divididas do carbono, produzidas pela combustão incompleta da decomposição térmica do gás natural ou do óleo de petróleo. Entende-se por exposição ao ―Negro-de-fumo‖ a exposição permanente no trabalho ao Negro-de- fumo em suspensão no ar, originado pelo manuseiodo mesmo. 4) Outros particulados O Anexo XIII da NR-15 estabelece como insalubre, pelo método de inspeção no local de trabalho, as atividades ou operações com arsênico, carvão mineral, cromo, silicatos, bagaço de cana, cimento, cal entre outros. Limites de tolerância recomendados pela ACGIH Conforme comentado anteriormente, a NR-15 não estabelece limites de tolerância para vários tipos de agentes químicos, omitindo importantes substancias do ponto de vista ocupacional, como por exemplo, algodão e madeira. De forma que preencha essa lacuna, a NR-9 da Portaria n.3.214 dispões: Medidas de Controle As medidas de controle da exposição aos particulados são: — medidas relativas ao ambiente; — medidas relativas ao homem. Medidas relativas ao ambiente 1) Substituição do produto tóxico ou nocivo Este procedimento técnico nem sempre é possível, em se tratando do pouco avanço tecnológico e científico em que se encontra o parque industrial brasileiro, mas, quando possível, é a maneira mais segura de se eliminar ou minimizar o risco da exposição. Podemos exemplificar citando, por exemplo, a substituição do chumbo por óxidos menos tóxicos, tais como óxido de titânio e zircônio. Na fabricação e manipulação de camadas vitrificadas e tintas, podemos substituir o chumbo pêlos sais de zinco. Outro exemplo importante é o da substituição da areia contendo sílica livre por granalha de aço, nas operações de jateamento de peças, visto que se reduz sensivelmente o risco de silicose (quando não se tratar de peças fundidas). 2) Mudanças ou alteração do processo ou operação Consiste na alteração do processo produtivo, como, por exemplo: — utilização de pintura por imersão ao invés de pintura utilizando pistola; — mecanização e automatização de processos — ensacamento de pós. 3) Encerramento ou enclausuramento da operação Consiste no confinamento da operação, objetivando-se, assim, a impedir a dispersão do contaminante para todo o ambiente de trabalho. O confinamento pode ou não incluir o trabalhador. Quando houver processos produtivos que gerem grandes quantidades de contaminantes, e o trabalhador estiver inserido no enclausuramento, a ele deverá ser obrigatoriamente fornecido equipamento adequado de proteção pessoal, independentemente de haver ou não sistema de exaustão. 4) Segregação da operação ou processo Consiste, basicamente, no isolamento da operação, limitando seu espaço físico fora da área de produção. Normalmente se utiliza este controle quando não se pode mudar o processo produtivo, e o agente agressivo atinge a outros trabalhadores, contaminando-os, sem que estes participem da operação. A adoção desse processo implica em diminuir o número de trabalhadores expostos aos riscos, sem, contudo, deixar de levar-se em conta que os trabalhadores expostos ao risco deverão necessariamente fazer uso de medidas de proteção individual. A segregação pode ser feita no ESPAÇO ou no TEMPO: segregação no espaço consiste em isolar o processo a distância; enquanto segregação no tempo significa executar uma tarefa fora do horário normal, reduzindo igualmente o número de trabalhadores expostos. HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 15 Como exemplo temos: jateamento de areia fora da área produtiva (segregação no espaço de serviços de manutenção); e reparo de alto risco realizado fora da jornada de trabalho convencional (segregação no tempo). 5) Umidificação É a medida mais antiga utilizada no controle da poeira. A eficiência da umidificação de poeira depende de dois fatores: do umedecimento da poeira e de sua adequada disposição depois de molhada. Como aplicações clássicas desse método, podemos citar a utilização de água nas operações de perfuração em minas e a aspersão de água sobre as mandíbulas de britadores, etc. 6) Ventilação geral diluidora A ventilação geral diluidora consiste na insuflação e exaustão de ar em um ambiente de trabalho, de forma que promovam a redução de concentrações de poluentes nocivos. Tal redução ocorre, uma vez que, ao se introduzir grandes volumes de ar puro em um ambiente contendo uma certa massa de determinado poluente, haverá dispersão ou diluição desta massa, reduzindo-se, assim, a concentração dos poluentes. 7) Ventilação local exaustora A ventilação local exaustora consiste na captação dos poluentes de uma fonte antes que estes se dispersem no ar do ambiente de trabalho e atinjam a zona de respiração do trabalhador. No que se refere ao controle da poluição do ar da comunidade, a ventilação local exaustora também tem papel importante. Tal tipo de ventilação possui várias vantagens em relação à geral diluidora, dentre elas: captura e controle completo do contaminante: vazões requeridas mais baixas; os contaminantes são recolhidos em um menor volume de ar capturado, reduzindo-se também os custos. 8) Ordem e limpeza A ordem e a limpeza constituem medidas eficazes no controle da exposição à poeira, pois os restos de materiais acumulados em máquina, bancada ou piso podem espalhar a poeira no ar. Uma boa ordem e limpeza significam limpeza dos pisos, das máquinas e de quaisquer superfícies horizontais; previsão de depósitos para materiais nocivos e de métodos adequados a seu transporte e emprego; disposição das operações de modo que limite o número de operários expostos ao risco, etc. Os métodos de limpeza também podem gerar poeira. Assim sendo, deve-se evitar o uso de vassoura, escova ou ar comprimido, pois estes processos provocam a emanação de poeira e, muitas vezes, são responsáveis exclusivos pela exposição do trabalhador a esse agente. Portanto, a limpeza por meio de umidificação ou por aspiração são os métodos recomendados. Medidas relativas ao homem 1) Limitação do tempo de exposição A redução dos períodos de trabalho é uma importante medida de controle, quando todas as outras medidas possíveis forem impraticáveis ou insuficientes no controle de um agente. Assim, a limitação da exposição ao risco, dentro de critérios técnicos bem definidos, pode tornar-se a solução mais efetiva e econômica. 2) Educação e treinamento A conscientização do trabalhador quanto aos riscos inerentes às operações, riscos ambientais e formas operacionais adequadas que garantam a efetividade das medidas de controle adotadas, além do treinamento em procedimentos de emergência e noções de primeiros socorros, deverão ter lugar sempre, independentemente da utilização de outras medidas de controle, servindo-lhes como importante complemento. 3) Equipamentos de proteção individual Os equipamentos de proteção individual devem ser sempre considerados como segunda linha de defesa, após criteriosas considerações sobre todas as possíveis medidas de controle relativas ao ambiente que possam ser tomadas e aplicadas prioritariamente. Entretanto, há situações especiais nas quais as medidas de controle ambientais são inaplicáveis parcial ou totalmente. Nestes casos, a única forma de proteger o trabalhador será dotá-lo de equipamentos de proteção individual. HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 16 Nas operações em que as concentrações de poluentes são superiores ao limite de tolerância, devem ser usados respiradores de filtro químico (gases e vapores) e mecânico (fumos, poeira, etc.). Nos locais onde há presença de gases e poeira, devem ser usados respiradores de filtro combinado. É importante esclarecer que os respiradores devem ser usados, obrigatoriamente, durante todo o tempo de exposição. A não-utilização do protetor em curto espaçode tempo diminui significativamente o seu fator de proteção. Outras informações a respeito dos respiradores estão no Capítulo IX, item VI — Programa de Proteção Respiratória — PPR. 4) Controle médico Os exames médicos pré-admissionais e periódicos devem ser feitos como forma de controle da saúde geral dos trabalhadores, de detecção de fatores predisponentes às doenças profissionais, assim como para avaliação da efetividade dos métodos de controle empregados. Glossário: Concentração no ar - É a relação entre o contaminante e o volume do ar amostrado no local de interesse; as unidades mais usuais são : mg/m 3 ou μg/m 3 (relação entre a massa da substância poluidora e o volume do ar amostrado). O ppm também é usado ( relação entre o volume do contaminante detectado na amostra e o volume do ar amostrado) ou seja, em ―partes por milhão‖. Valor Teto (VT) - A substância que tenha valor teto não poderá, em momento algum, formar concentração no ar acima do limite de tolerância , sem que medidas de controle sejam tomadas de imediato. Limite de Tolerância – É a maior concentração do agente químico, que um individuo sadio poderá ficar exposto, sem efeitos adversos a sua saúde. Nível de Ação – É o valor acima do qual devem ser iniciadas as ações preventivas de forma a minimizar a probabilidade de que as exposições a agentes ambientais ultrapassem os limite de exposição. Estes níveis de ação estão definidos na NR-09, do MTE. Limite de Tolerância – Média Ponderada – Na tabela limite de tolerância não tem a coluna valor teto assinalada, representa a concentração média existente durante a jornada de trabalho, podendo- se ter valores acima do limite fixado, desde que sejam compensados com valores abaixo deste, acarretando uma média ponderada igual ou inferior ao limite de tolerância. No entanto, estas oscilações para cima não podem ser indefinidas, devendo respeitar um valor máximo que não pode ser ultrapassado. Valor Máximo (VM) – É obtido através da equação VM = LT x FD, onde FD = fator de desvio (tabelado), de acordo com o limite de tolerância (LT). O valor máximo é calculado para as substâncias que não possuam valor teto. O valor máximo de concentração não poderá ser excedido em momento algum da jornada de trabalho; caso ocorra a situação será considerada de risco grave e iminente. Quadro nº 2 – Anexo 11 da Portaria 3214 L.T. (Limite de Tolerância em ppm ou mg/m 3 ) F.D. (Fator de Desvio) 0 a 1 3 1 a 10 2 10 a 100 1,5 100 a 1000 1,25 Acima de 1000 1,1 O anexo 13, da NR 15, que estabelece os limites de tolerância para cada uma das substâncias, de acordo com a gravidade dos efeitos que cada uma delas poderá causar no organismo humano. Além disso, define, as condições de riscos grave e iminente, sempre que os valores máximos sejam ultrapassados, permitindo a Delegacia Regional do Trabalho interditar o local de trabalho. Exercícios resolvidos 1)Ao se avaliar a concentração de amônia (LT=20 ppm) num local de trabalho, verificou-se que o trabalhador fica exposto: 3 horas a 10 ppm e 5 horas a 25 ppm. O limite de tolerância foi ultrapassado? Resolução : Concentração Média : valor da concentração x horas + ....... 8 horas de trabalho Concentração Média : 10x3 + 25x5 = 19,3 8 Amônia = 20 ppm (limite de tolerância) Valor Máximo = LT x FD HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 17 = 20 x 1,5 = 30 ppm A maior concentração obtida é de 25 ppm, inferior ao valor máximo. Como nem o limite fixado e nem o valor máximo foram ultrapassados, pode-se afirmar que o limite de tolerância foi respeitado. 2)Transformar 10 ppm de benzeno (C6 H6 ) em mg/m 3 Dados: peso atômico C = 12 g/mol H= 1 g/mol PM= 12x6 + 6x1 = 78 g mg/m 3 = 10 x 78 = 31,9 24,45 2. AGENTES FÍSICOS RUÍDO Conceitos e parâmetros básicos a) Som O som é qualquer vibração ou conjunto de vibração ou ondas mecânicas que podem ser ouvidas. Na higiene ocupacional, costuma-se denominar barulho como todo o som indesejável; o barulho e o ruído são interpretações subjetivas e desagradáveis de um som. Para a vibração ser ouvida, é necessário que a freqüência do som situe-se entre 16 a 20.000 Hz, e a variação de pressão sonora provocada pela vibração atinja o limiar de audibilidade (2 x IO -5 N/m 2 ). b) Ruído Do ponto de vista de Higiene do Trabalho: "O ruído é o fenômeno físico vibratório com características indefinidas de variações de pressão (no caso ar) em função da freqüência, isto é, para uma dada freqüência podem existir, em forma aleatória através do tempo, variações de diferentes pressões." Essa é uma situação real e freqüente, daí se utilizar a expressão ruído, "mas que não necessariamente significa sensação subjetiva do barulho". Ex.: choro da criança. c) Nível de pressão sonora — Decibel O nível de pressão sonora determina a intensidade do som e representa a relação do logaritmo entre a variação da pressão (P) provocada pela vibração e a pressão que atinge o limiar de audibilidade. Por meio de pesquisas realizadas com pessoas jovens, sem problemas auditivos, foi revelado que o limiar de audibilidade é de 2 x 10 -5 N/m 2 ou 0,00002 N/m 2 . Desse modo, convencionou-se este valor como sendo O (zero) dB, ou seja, o nível de pressão de referência utilizado pêlos fabricantes dos medidores de nível de pressão sonora. Quando a pressão sonora atinge o valor de 200 N/m 2 , a pessoa exposta começa a sentir dor no ouvido (limiar da dor), sendo este valor correspondente a 140 dB. A determinação do nível de pressão sonora é feita através de uma relação logarítmica, conforme a equação a seguir: NPS = 10 log P 2 / P0 2 Onde: P é a raiz média quadrática (rms) das variações dos valores instantâneos da pressão sonora. P0 = Pressão de referência que corresponde ao limiar de audibilidade (2 x 10 -5 N/m 2 ). Se for aplicada à fórmula o valor de 2 x 10 -3 N/m 2 (constante) ela poderá também ser expressa da seguinte maneira: nps= 20 log p + 94 d) Freqüência do som A freqüência do som corresponde ao número de vibrações na unidade de tempo. Assim, uma vibração completa ou ciclo sobre seu tempo de duração, por exemplo, de 0,01 segundo é igual a: F = 1 ciclo ou vibração completa = 100 ciclos ou Hertz 0,01 segundo segundo HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 18 e) Nível de intensidade sonora e nível de potência sonora Além do nível de pressão sonora, outros parâmetros como o nível de intensidade e potência sonora são utilizados em acústica para especificar o ruído de equipamentos, cálculos de isolamento, e estimativa de ruído que uma fonte produz a uma determinada distância. O nível de intensidade sonora, também expresso em dB, é igual a NIS =10 log l / In, onde l = a intensidade sonora em um ponto específico e a quantidade média de energia sonora transmitida através de uma unidade de área perpendicular à direção de propagação do som. O nível de intensidade sonora expresso em dB é igual a: IØ= Intensidade de referência igual a 10 -12 Watt/m 2 Já o nível de potência sonora, também expresso em dB, é igual a: NWS= 10 log W / WØ Onde: W = Potência sonora da fonte em watts e representa a quantidade de energia acústica produzida por uma fonte sonora por unidade de tempo. WØ = Potência sonora de referênciaigual a 10 -12 watts. f) Nível de decibel compensado ou ponderado O ouvido humano responde de forma diferente nas diversas freqüências, portanto, ouvir um som em 3000 Hz a sensação é diferente de ouvi-lo a 500 Hz. Desse modo, com base em estudos de nível de audibilidade, foram desenvolvidas as curvas de decibéis compensados ou ponderações nas freqüências A, B, C e D, de forma que simulem a resposta do ouvido. Estas curvas de compensação foram padronizadas internacionalmente e introduzidas nos circuitos elétricos dos medidores de nível de pressão sonora. A figura que se segue mostra as curvas de compensação: Pelo gráfico, observa-se que um som de 100 dB emitido numa freqüência de 50 Hz, quando compensado pelas curvas, fornecerá as seguintes leituras no medidor de nível de pressão sonora: Curva ―A‖ – 70 dB Curva ―B‖ – 82,0 dB Curva ―C‖ – 99 dB Curva ―D‖ – 86,0 dB HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 19 As normas internacionais e o Ministério do Trabalho adotaram a curva de compensação ―A‖ para medições de níveis de ruído contínuo e intermitente, devido à sua maior aproximação à resposta do ouvido humano. O circuito "A" aproxima-se das curvas de igual audibilidade para baixos Níveis de Pressão Sonora; o circuito "B" para médios Níveis de Pressão Sonora; e o circuito "C" para Níveis de Pressão Sonora mais altos. Hoje, entretanto, somente o circuito "A" é largamente usado, uma vez que os circuitos "B" e "C" não tiveram boa correlação em testes subjetivos. Uma curva especializada, a compensação "D", foi padronizada para medições em aeroporto. g) Incremento de duplicação da dose O incremento em decibéis é quando o acréscimo a um determinado nível implica a duplicação da dose de exposição ou redução pela metade do tempo máximo de exposição (NHO - 01 — Fundacentro). Exemplo: Na NR-15, Anexo l, o incremento de duplicação é igual a 5 (cinco). h) Dose equivalente de ruído ou efeitos combinados Quando a exposição ao ruído é composta de dois ou mais períodos de exposição de diferentes níveis, devem ser considerados seus efeitos combinados, ao invés dos efeitos individuais (NR-15, Anexo l, item c). Este efeito combinado ou dose equivalente é calculado através da soma das seguintes frações: C1 / T1 + C2 / T2 + C3 / T3 ... Cn / Tn Onde: Cn = Tempo total de exposição a um nível específico. Tn = É a duração total permitida a esse nível, conforme limites estabelecidos no Anexo l da NR-15. O resultado obtido não pode exceder a 1 (um). Os efeitos combinados podem ser obtidos com maior precisão utilizando-se o audiodosímetro, o qual indica a dose em percentual, assim, o limite será excedido quando esta for superior a 100%. A dose ou efeito combinado pode ser obtida também com o medidor de NPS. Entretanto, neste caso, o procedimento é bem trabalhoso, pois é necessário estimar ou cronometrar com exatidão os tempos de exposição a cada nível. i) Nível equivalente de ruído Com base na dose, obtém-se o nível equivalente de ruído. Este nível apresenta a exposição ocupacional do ruído durante o tempo de medição e representa a integração dos diversos níveis instantâneos de ruído ocorridos nesse período. A NR-15 considera o incremento de duplicação igual a 5 (q = 5), isto é, a cada incremento de 5 dB no nível equivalente, dobra a equivalência de energia e, conseqüentemente, o risco de dano auditivo. Assim, a equação que representa o critério adotado pela NR-15 é a seguinte: Leq = 100 + 16,61 x log D/T Onde: D = Dose equivalente em fração decimal, ou seja, o valor obtido no audiodosímetro deve ser dividido por 100. T = Tempo de medição. LEQ = Nível equivalente de ruído. Ruído contínuo e intermitente Segundo a NR-15 da Portaria n. 3.214 e a norma da Fundacentro, o ruído contínuo ou intermitente é aquele não classificado como impacto. Do ponto de vista técnico, ruído contínuo é aquele cujo NPS varia 3 dB durante um período longo (mais de 15 minutos) de observação. Exemplo: o ruído dentro de uma tecelagem. Já o ruído intermitente é aquele cujo NPS varia de até 3 dB em períodos curtos (menor que 15 minutos e superior a 0,2 segundos). Entretanto, as normas não diferenciam o ruído contínuo ou intermitente para fins de avaliação quantitativa desse agente. l) Ruído de impacto ou impulsivo A NR-15, Anexo II, da Portaria n. 3.214 define ruído de impacto como picos de energia acústica de duração inferior a 1 (um) segundo, a intervalos superiores a 1 (um) segundo. Quando se utiliza a instrumentação específica pela norma ANSI S1.4, S1.25 ou IEC 804, o ruído impulsivo ou de impacto é automaticamente incluído na medição. A única exigência é que a faixa de medição seja de 80 a 140 dB(A), e que a faixa de detecção de pulso seja de, no mínimo, 63 dB(A). HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 20 Não deve ser permitida nenhuma exposição para ouvidos desprotegidos a níveis de pico acima de 140 dB, medidos no circuito de compensação C. Se a instrumentação não permite a medição de pico no circuito C, uma medição linear com o nível de pico abaixo de 140 dB pode ser usada para implicar que o nível de pico ponderado no circuito C está abaixo de 140 dB. m) Espectro sonoro A faixa audível de freqüência situa-se entre 16 e 2000 Hz, sendo inúmeras as possibilidades de distribuição da energia sonora na referida faixa. Daí a necessidade de se avaliar as freqüências em certos tipos de avaliação de ruído. A análise desta distribuição de nível de pressão sonora na faixa de freqüência é muito importante para determinar a nocividade do ruído e os meios adequados de controle. Para realizar a análise de freqüência, a faixa audível pode ser dividida em bandas de oitava, terça de oitava e meia oitava, faixa de percentagem, faixa de largura constante, entre outras, sendo a banda de oitava a mais usada na higiene ocupacional. Efeitos do ruído sobre o organismo O ruído contribui para distúrbios gastrointestinais, distúrbios relacionados com o sistema nervoso (por exemplo: irritabilidade, nervosismo, vertigens, etc.). Um ruído intenso e súbito acelera o pulso, eleva a pressão arterial, contrai os vasos sanguíneos, contrai os músculos do estômago, dentre outras alterações. Há pessoas que se adaptam ao ruído, e aparentemente este não interfere na sua habilidade manual e mental. Outras há, porém, que são extremamente sensíveis a este agente, sofrendo alterações diversas em local muito ruidoso. O que ocorre normalmente com aqueles que são extremamente sensíveis é que, após uma fase inicial de adaptação ao ruído, durante a qual vários sintomas se fazem sentir, não sofrem mais alterações de ordem geral no organismo. Quanto ao ruído na comunidade, é altamente indesejável, principalmente em zonas residenciais, junto a escolas, clínicas, etc. Um dos aspectos é a sua interferência com o sono, pois um repouso tranquilo é necessário para o bem-estar físico e mental. Efeitos do ruído sobre o aparelho auditivo a) Ruptura do tímpano Pode ocorrer a ruptura do tímpano por deslocamento de ar muito forte, como o resultante de uma explosão, ou outros ruídos de impacto violento. A ruptura desta membrana que separa o ouvido externo do ouvido médio é por causa da variação brusca e relativamente acentuada de pressão. É geralmente reversível, pois o tímpano, na maioria dos casos, cicatriza-se normalmente. A situação pode tornar-se mais grave se houver complicações, como, por exemplo, infecção no ouvido médio. Quanto aos níveis que causam ruptura do tímpano, não existe um limiteexalo, pois a susceptibilidade individual é fator importante. Na maioria dos casos, níveis de 120 dB causam uma sensação de extremo desconforto; a 130 dB há sensação de prurido no ouvido com início de dor; e a 140 dB há distinta sensação de dor nos ouvidos. Daí em diante pode ocorrer ruptura do tímpano, muito provável a 150 ou 160 dB. Têm havido casos raros de deslocamento dos ossículos do ouvido médio como resultado de explosões violentas. b) Perda de audição por trauma sonoro A perda de audição, resultante de exposição a níveis elevados de ruído, ou seja, por trauma sonoro, pode ser temporária ou permanente. Quando a diminuição da capacidade auditiva ou hipoacusia for temporária, o indivíduo gradualmente recupera sua audição. O mecanismo da surdez temporária não é bem conhecido, é como uma fadiga auditiva. Um nível de ruído que causa alterações na capacidade auditiva deve ser considerado como uma possível ameaça de surdez profissional. A surdez permanente por trauma sonoro ocorre pela destruição das células sensoriais do órgão de corti, sendo, portanto, uma surdez de percepção. Essa perda de audição, que é irreversível, pode atingir proporções tais que incapacitem o indivíduo para a comunicação oral. Pode ocorrer que um trauma violento, como o resultado de uma explosão, cause destruição imediata das células ciliadas do órgão de corti o que, no entanto, é extremamente raro. O mais frequente é um processo gradativo. As perdas de audição por trauma sonoro caracterizam-se por HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 21 iniciarem na faixa de frequência entre 3000 cps e 6000 cps, mais frequentemente 4000 cps. O início de um processo de surdez profissional pode ser constatado por meio de um exame audiomé-trico; a perda de audição ao redor de 4000 cps aparece no audiogra-ma com um formato característico, por isso sua denominação de "gota acústica". Como, em casos de surdez profissional, as perdas começam em frequência acima daquelas indispensáveis para a voz humana, o indivíduo inicialmente não percebe problema algum. Depois começa uma dificuldade de ouvir sons agudos. Quando a perda começa a afetar as frequências indispensáveis para a conversação é que o indivíduo passa a sentir dificuldades, que se tornam cada vez mais sérias, até a surdez quase total, se não houver afastamento da exposição. Poderá haver sintomas colaterais como zumbido nos ouvidos, reprodução do ruído industrial após sua cessação, insónia e, raramente, dor. Instrumentos de medição a) Medidor de nível de pressão sonora A NR-15, Anexo l, estabelece que os níveis de ruído contínuo ou intermitente devem ser medidos em decibéis (dB), com o instrumento de nível de pressão sonora operando no circuito de compensação "A" e no circuito de resposta lenta. Já a ACGIH recomenda que o nível de pressão sonora deve ser determinado por um medidor de nível de pressão sonora ou dosímetro que atenda, no mínimo, às especificações para medidores de nível de som S1.4/1983, S2A ou para dosímetros individuais de ruído, ambos da American national Standards Institute (ANSI). O medidor do nível de pressão sonora determina o nível instantâneo de ruído; e os intrumentos mais modernos possuem analisador de freqüência integrado, conforme mostra a figura que se segue: b) Analisador de freqüência Este instrumento é útil para determinar-se as freqüências do ruído e, conseqüentemente, verificar se o NPS concentra-se nas freqüências onde a resposta subjetiva ao ruído é maior (2000 a 5000 Hz). Além disso, a análise de freqüências onde a resposta subjetiva permite especificar os isolamentos acústicos e calcular a atenuação dos protetores auriculares. c) Audiodosímetro (medidor integrado de uso pessoal) Quando há exposição diária a diferentes níveis de ruído, devem ser considerados os efeitos combinados, ao invés dos efeitos individuais de cada um deles. A determinação da dose ou efeito combinado e o nível equivalente de ruído deve ser feita, preferencialmente, por meio de medidores integrados de uso pessoal (dosímetros de ruído). Este equipamentos deve ser configurado de acordo com as exigências do critério estabelecido na NR-15, ou seja, jornada de trabalho 8 (oito) horas dose 100% ou 1 para 85 dB(A) e incremento igual a 5. Medidor de nível de pressão sonora integrado com analisador de freqüência. Audiodosímetro HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 22 d) Calibrador acústico Os instrumentos de medição devem ser calibrados antes e depois da medição. Parar tanto, utiliza- se uma fonte-padrão que emite som na freqüência de 1000Hz. Esse instrumento, ao ser ajustado no microfone do medidor, apresenta o nível de pressão sonora de 94 dB, 114 dB ou outro valor, de acordo com a marca do calibrador. Se o valor apresentado for diferente do padrão, o medidor poderá ser ajustado. A figura 3 lustra o calibrador acústico: Limite de tolerância O item 15.1.5, NR-15, da Portaria n.3.214 define com o limite de tolerância a concentração ou intensidade máxima oi mínima relacionada com a natureza e o tempo de exposição ao agente, que não causará dano à saúde do trabalhador durante sua vida laboral. Já a American Conference of Governmental Industrial Hygienists – ACGIH estabelece que o limite de tolerância visa a proteger a maioria da população, de forma que a perda auditiva média produzida pelo ruído nas freqüências de 500, 1000 e 3000 Hz, durante 40 (quarenta) anos de exposição, não exceda a 2 dB. Assim, os valores dos limites de tolerância são referenciais para um programa de conservação auditiva. Conseqüentemente, o limite de tolerância representa as condições sob as quais se acredita que a maioria dos trabalhadores expostos repetidamente não sofra efeitos adversos à sua capacidade de ouvir e entender uma conversação normal (ACGIH). A NR-15 definiu como ruído contínuo ou intermitente aquele eu não seja de impacto. Para o ruído contínuo ou intermitente, a NR-15, Anexo I, fixa para cada nível de pressão sonora o tempo diário máximo permitido. Os limites de tolerância e a metodologia de avaliação da NR-15 estão transcritos a seguir Limite de tolerância para ruídos continuo ou intermitente Nível de Ruído dB (A) Máxima Exposição Diária Permissível 85 8 horas 86 7 horas 87 6 horas 88 5 horas 89 4 horas e 30 min 90 4 horas 91 3 horas e 30 minutos 92 3 horas 93 2 horas e 40 minutos 94 2 horas e 15 minutos 95 2 horas 96 1 hora e 40 minutos 98 1 hora e 15 minutos 100 1 hora 102 45 minutos 104 35 minutos Calibrador acústico HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 23 105 30 minutos 106 25 minutos 108 20 minutos 110 15 minutos 112 10 minutos 114 8 minutos 115 7 minutos 1) Entende-se por ruído contínuo ou intermitente, para os fins de aplicação de limites de tolerância, o ruído que não seja ruído de impacto. 2) Os níveis de ruído contínuo ou intermitente devem ser medidos em decibéis (dB) com instrumento de nível de pressão sonora operando no circuito de compensação "A" e circuito de resposta lenta (slow). As leituras devem ser feitas próximas ao ouvido do trabalhador. 3) Os tempos de exposição aos níveis de ruído não devem exceder os limites de tolerância fixados no Quadro deste anexo. 4) Para os valores encontrados de nível de ruído intermediário, será consideradaa máxima exposição diária permissível relativa ao nível imediatamente mais elevado. 5) Não é permitida exposição a níveis de ruído acima de 115 dB(A) para indivíduos que não estejam adequadamente protegidos. 6) Se durante a jornada de trabalho ocorrerem dois ou mais períodos de exposição a ruído de diferentes níveis, devem ser considerados os seus efeitos combinados, de forma que, se a soma das seguintes frações. C1 / T1 + C2 / T2 + C3 / T3 ............ Cn / Tn Na equação acima, Cn indica o tempo total que o trabalhador fica exposto a um nível de ruído específico, e Tn indica a máxima exposição diária permissível a este nível, segundo o Quadro deste Anexo. 7) As atividades ou operações que exponham os trabalhadores a níveis de ruído, contínuo ou intermitente, superiores a 115 dB(A), sem proteção adequada, oferecerão risco grave e iminente. Avaliação do ruído A avaliação do ruído pode ser feita com os seguintes objetivos: a) Avaliação ocupacional Este tipo de avaliação visa constatar os possíveis riscos de dano auditivo e seu controle. O efeito do ruído depende: 1) NPS e distribuição de NPS por frequências (espectro sonoro). 2) Duração da exposição. 3) Número de vezes que a exposição se repete por dia. 4) Suscetibilidade individual. Portanto, nessa avaliação, o higienista deve conhecer esses parâmetros de maneira que definia a magnitude do risco e, conseqüentemente, adote as medidas de controle. A NR-09, NR-15 e ACGIH são normas a serem seguidas nessa avaliação. b) Avaliação do ruído para caracterização da insalubridade A perícia visando à possível caracterização da insalubridade tem como base legal a NR-15, Anexos 1 e 2, sendo, na maioria das vezes, realizada em perícias judiciais. c) Avaliação para fins de aposentadoria especial Esta avaliação é realizada para fins de comprovação perante o INSS da exposição a níveis de ruído prejudiciais à saúde. O critério utilizado são as normas da NR-15, ACGIH e da previdência social (Decreto n. 3.048/99). d) Avaliação para fins de conforto O critério utilizado nesta avaliação está regulamentado na NR-17 da Portaria 3.214/78 e normas da ABNT, em especial na NBR 10152, as quais serão mais detalhadas no Capítulo Vil — Ergonomia. e) Avaliação da perturbação do sossego público Nesta avaliação, a regulamentação encontra-se em legislação municipal, estadual ou federal, e normas técnicas pertinentes, em especial nas normas da NBR 10151 e NBR 10152 da ABNT, as quais sugerimos aos leitores a consulta. Medidas de controle HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 24 As medidas de controle do ruído podem ser consideradas basicamente de três maneiras distintas: na fonte, trajetória e no homem. As medidas na fonte e na trajetória deverão ser prioritárias, quando viáveis tecnicamente. Controle na fonte Dentre as medidas de controle na fonte, podemos destacar: — substituir o equipamento por outro mais silencioso; — balancear e equilibrar partes móveis; —lubrificar eficazmente rolamentos, mancais, etc. — reduzir impactos na medida do possível; —alterar o processo; — programar as operações, de forma que permaneça o menor número de máquinas funcionando simultaneamente; — aplicar material de modo que atenue as vibrações; — regular os motores; — reapertar as estruturas; — substituir engrenagens metálicas por outras de plásticos ou celeron. Controle no meio Não sendo possível o controle na fonte, o segundo passo é a verificação de possíveis medidas aplicadas no meio, as quais consistem em: — evitar a propagação, por meio de isolamento; — conseguir um máximo de perdas energéticas por absorção. O isolamento acústico pode ser feito das seguintes formas: 1) Evitando que o som propague-se a partir da fonte: 2) Evitando que o som chegue ao receptor: Isolar a fonte – Significa a construção de barreira que separe a causa do ruído do meio que o rodeia, para evitar que este som se propague. Isolar o receptor – Construção de barreiras que separem a causa e o meio do individuo exposto ao ruído. HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 25 Isolamento acústico das fontes ruidosas consiste na colocação de barreiras isolantes e absorventes de som. Melhores resultados serão obtidos se as barreiras forem revestidas internamente com material absorvente de som (cortiça, lã de vidro, etc.); e a face externa com material isolante de som (paredes de alvenaria), conforme desenho a seguir: Outra medida de controle na trajetória é procurar alcançar o máximo de perdas energéticas por absorção por meio de tratamento acústico das superfícies. Esta medida é feita revestindo-se o local com material absorvente de som, no sentido de se evitar reflexão deste. Controle no homem Não sendo possível o controle do ruído na fonte e na trajetória, deve-se, como último recurso, adotar medidas de controle no trabalhador. Estas podem ser adotadas como complemento às medidas anteriores, ou quando não forem suficientes para corrigir o problema. Como medida de controle no homem, sugere-se: a) Limitação do tempo de exposição Consiste em reduzir o tempo de exposição aos níveis de ruído superiores a 85 dB(A), tomando-se o cuidado para que o valor-limite para exposição a dois ou mais níveis de ruído diferentes não seja ultrapassado. b) Equipamentos de proteção individual — Protetores auriculares São protetores colocados no ouvido do trabalhador, devendo ser utilizados quando não for possível o controle para atenuação do ruído a níveis satisfatórios. Deve-se ressaltar que a simples utilização do EPI não implica eliminação do risco de o trabalhador vir a sofrer diminuição da capacidade auditiva. Os protetores auriculares, para serem eficazes, deverão ser usados de forma correta e obedecer aos requisitos mínimos de qualidade representada pela capacidade de atenuação, que deverá ser devidamente testada por órgão competente. O uso constante do protetor é importante para garantir a eficácia da proteção. Exemplificando: para um protetor que garanta uma atenuação igual a 20 dB(A), quando usado constantemente (100% do tempo), atenuará somente 5 dB(A) se o protetor for utilizado em 50% do tempo de exposição, conforme o quadro a seguir: VIBRAÇÃO Conceitos básicos/classificação A exposição ocupacional à vibração não é tão estudada quanto os outros agentes, todavia, sua ocorrência na indústria é bastante freqüente. Os efeitos deste agente na saúde humana é considerável, sendo, portanto, a avaliação e controle necessários. HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 26 A vibração é um movimento oscilatório de um corpo devido a forças desequilibradas de componentes rotativos e movimentos alternados de uma máquina ou equipamento. Se o corpo vibra, descreve um movimento oscilatório e periódico, envolvendo deslocamento num certo tempo. Teremos, então, envolvidas no movimento uma velocidade, aceleração e frequência (número de ciclos completos/minuto). a) Unidades Como a vibração é um movimento oscilatório, para sua quantificação pode-se utilizar os parâmetros deslocamento, velocidade e aceleração. Para efeito de higiene ocupacional, a avaliação da vibração será feita através de aceleração em m/s 2 ou em dB. Para aceleração de vibração, o decibel será obtido pela fórmulaabaixo: b) Aceleração Equivalente Quando a exposição à vibração é diferente em dois ou mais períodos da jornada, deve ser considerada a aceleração equivalente, de acordo com a fórmula a seguir: c) Classificação das vibrações 1) Vibração ocupacional de corpo inteiro — São vibrações transmitidas ao corpo como um todo, geralmente através da superfície de suporte, tais como pé, costas, nádegas de um homem sentado ou na área de suporte de um homem reclinado. 2) Vibração ocupacional mão e braço ou localizada — São vibrações que atingem certas partes do corpo, principalmente mãos, braços e outros. Como os sistemas corpo inteiro e braços/mãos são mecanicamente diferentes, deverão ser estudados separadamente. 3) Vibração para conforto— Determinada ocupação pode causar desconforto intolerável em uma situação e ser agradável ou desejada em outras. Logo, os valores de conforto dependem de vários fatores, alguns até subjetivos. Desse modo, a ISO 2631 não estabelece limite para o conforto, limitando-se apenas em indicar valores de acelerações onde as reações das pessoas são prováveis. 4) Vibração meio ambiente — São vibrações capazes de provocar desconforto e perturbação do sossego público, como, por exemplo, prédios, veículos, entre outros. 5) Vibração máquinas — São vibrações que podem indicar problemas de manutenção em máquinas e equipamentos. Logo, são medidas pêlos técnicos de manutenção preventiva e comparadas como valores das normas técnicas pertinentes. d) Aceleração ponderada Dependendo dos efeitos da exposição, as medições de corpo inteiro, mão e braço e conforto são ponderadas nas frequências conforme será explicado adiante. Critério Legal A legislação brasileira prevê, por intermédio da Norma Regulamentadora NR-15—Anexo VIII, com redação dada pela Portaria n. 12, de 1983, que as atividades e operações as quais exponham os trabalhadores sem proteção adequada às vibrações localizadas ou de corpo inteiro serão caracterizadas como insalubres, Vibração de corpo inteiro a) Direção da vibração As vibrações retilíneas transmitidas ao ser humano devem ser medidas nas direções correias de um sistema ortogonal de coordenadas que tenham sua origem na posição do coração, conforme o esquema a seguir: HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 27 b) Efeitos sobre a saúde A exposição à vibração de corpo inteiro pode causar danos físicos permanentes ou distúrbios no sistema nervoso. A exposição diária à vibração de corpo inteiro poderá resultar em danos na região espinhal, podendo também afetar o sistema circulatório e/ou urológico, além do sistema nervoso central. Sintomas de distúrbios freqüentemente aparecem durante ou logo após a exposição sob a forma de fadiga, insônia, dor de cabeça e tremor. No entanto, estes sintomas geralmente desapa- recem após um período de descanso. Os efeitos observados em grupos expostos a condições severas de vibração foram problemas na região dorsal e lombar, gastrointestinais, sistema reprodutivo, desordens no sistema visual, problemas nos discos intervertebrais e degeneração na coluna vertebral. Vibração localizada a) Direção da vibração As direções da vibração devem ser reportadas às direções de um sistema de coordenadas ortogonais, conforme sugerido abaixo: b) Os efeitos sobre a saúde Os principais efeitos por causa da exposição à vibração no sistema mão/braço podem ser de ordem vascular, neurológica, osteoarticular e muscular. A evolução da doença nos seus diversos estágios, em função da exposição diária, ao longo de meses, pode ser observada através da descrição realizada por Taylor e Pelmear, conforme resumo a seguir: — Formigamento ou adormecimento leve e intermitente, ou ambos, são frequentemente ignorados pelo paciente porque não interferem no trabalho ou em outras atividades. São os primeiros sintomas dasíndrome. O MTE estabelece que nas perícias visando à caracterização de insalubridade por vibração deve-se seguir as normas da ISO e suas substitutas sem, todavia, definir ou orientar os intérpretes sobre qual critério a ser adotado. Por outro lado, a NR-9 estabelece que os resultados da avaliação quantitativa devem ser comparados com os limites recomendados pela ACGIH, quando não houver limites definidos na NR-15. CALOR 1 — Conceitos básicos Quando o trabalhador está exposto a uma ou várias fontes de calor, ocorrem as seguintes trocas térmicas entre o ambiente e o organismo: — Condução/Convecção — C. — Radiação — R. —Evaporação—E. — Metabolismo — M. HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 28 a) Condução É o processo de transferência de calor que ocorre quando dois corpos sólidos ou fluido que não está em movimento, a diferentes temperaturas, são colocados em contato. O calor do corpo de maior temperatura transfere-se para o de menor até que haja um equilíbrio térmico, isto é, quando a temperatura dos corpos igualar-se. Ex.: aquecimento de uma barra de ferro. b) Convecção É o processo de transferência de calor idêntico ao anterior, mas, neste caso, a transferência de calor realiza-se através de fluido em movimento. Ex.: aquecimento de um becker com água. c) Radiação Quando há transferência de calor sem suporte material algum, o processo é denominado radiação. A energia radiante passa através do ar sem aquecê-lo apreciavelmente e aquecerá a superfície atingida. A energia radiante passa através do vácuo ou de outros meios a uma velocidade que depende do meio. Ex.: radiação emitida por um forno elétrico. d) Evaporação É o processo de transformação de um líquido, a determinada temperatura, para a fase gasosa, passando, portanto, para o meio ambiente. Não é necessário diferença de temperatura para desenvolvimento do processo. O calor transferido desta forma é chamado calor latente, diferenciando-se assim do que se transmite através de variação de temperatura, que é chamado calor sensível. No fenômeno de evaporação, o líquido retira calor do sólido para passar a vapor, podendo-se, portanto, afirmar que o sólido perderá calor para o meio ambiente por evaporação. Ex.; suor emanado após uma atividade física (jogar futebol). e) Metabolismo É o calor gerado pelo metabolismo basal resultante da atividade física do trabalhador. Quanto mais intensa for a atividade física, maior será o calor produzido pelo metabolismo. 2.1 — Fatores que influem nas trocas térmicas entre o ambiente e o organismo A complexidade do estudo do calor reside no fato de haver diversos fatores variáveis, que influenciam nas trocas térmicas entre o corpo humano e o meio ambiente, definindo, dessa forma, a severidade da exposição ao calor. Dentre os inúmeros fatores que influenciam nas trocas térmicas, cincos principais devem ser considerados na quantificação da sobrecarga térmica: — temperatura do ar; — umidade relativa do ar; —velocidade do ar; —calor radiante; —tipo de atividade; a) Temperatura do ar Como foi observado anteriormente, é necessário que haja um gradiente de temperatura para que possibilite os mecanismos de troca térmica: condução, convecção e radiação. Desse modo, o sentido de transmisão de calor dependerá de defasagem positiva ou negativa entre a temperatura do ar e a temperatura da pele. Se a temperatura do ar for maior que a da pele, o organismo ganhará calor por condução-convecção, e se a temperatura do ar for menor que a da pele, o organismo perderá valor por condução- convecção. A quantidade de calor ganha ou perdida é diretamente proporcionalà defasagem entre as temperaturas. b) Umidade relativa do ar Este parâmetro influi na troca térmica entre o organismo e o ambiente pelo mecanismo de evaporação. Desse modo, a perda de calor no organismo por evaporação dependerá de umidade relativa do ar, isto é, da quantidade de água presente numa determinada quantidade de ar. Sabe-se que o organismo humano perde em média 600 kcal/h pela evaporação do suor, isto se a umidade relativa for 0%. Quanto maior a umidade relativa (maior saturação de água no ar), menor será a perda de calor por evaporação. c) Velocidade do ar HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 29 A velocidade do ar no ambiente pode alterar as trocas, tanto na condução e convecção como na evaporação. Quando há aumento de velocidade do ar no ambiente, haverá aceleração da troca de camadas de ar mais próximas ao corpo, aumentando, desse modo, o fluxo de calor entre este e o ar. Se há maior velocidade do ar, haverá substituição mais rápida das camadas de ar mais saturadas com água e substituição por outras menos saturadas, favorecendo, então, a evaporação. É importante verificar o sentido de transmissão de calor, pois o aumento de velocidade do ar poderá favorecer ou desfavorecer o ganho de calor pelo organismo, dependendo se o gradiente de temperatura é positivo ou negativo. Assim, se a temperatura do ar for menor que a do corpo, o aumento da velocidade do ar favorecerá a perda de calor do corpo para o meio; caso contrário, o corpo ganhará mais calor com o aumento da velocidade do ar. No caso de evaporação, o aumento de velocidade do ar sempre a favorecerá. d) Calor radiante Quando um indivíduo encontra-se em presença de fontes apreciáveis de calor radiante, o organismo ganhará calor pelo mecanismo de radiação. Caso não haja fontes de calor radiante ou se estas forem controladas, o organismo humano poderá perder calor pelo mesmo mecanismo. e) Tipo de atividade Quanto mais intensa for a atividade física exercida pelo indivíduo, tanto maior será o calor produzido pelo metabolismo, constituindo, portanto, parte do calor total ganho pelo organismo. 3 — Efeitos do calor no organismo Quando o calor cedido pelo organismo ao meio ambiente é inferior ao recebido ou produzido pelo metabolismo total (metabolismo basal + metabolismo de trabalho), o organismo tende a aumentar sua temperatura, e para evitar esta hipertermia (aumento da temperatura interna do corpo) são colocados em ação alguns mecanismos de defesa, quais sejam: — Vasodilatação periférica: Com o aumento do calor ambiental, o organismo humano promove a vasodilatação periférica, no sentido de permitir maior troca de calor entre o organismo e o ambiente. — Ativação das glândulas sudoríparas: Há aumento do intercâmbio de calor por mudança do suor do estado líquido para vapor. Caso a vasodilatação periférica e a sudorese não sejam suficientes para manter a temperatura do corpo em torno de 37°C, há consequências para o organismo que podem manifestar-se das seguintes formas: — Exaustão do calor: Com a dilatação dos vasos sanguíneos em resposta ao calor, há uma insuficiência do suprimento de sangue do córtex cerebral, resultando numa baixa pressão arterial. — Desidratação: A desidratação provoca principalmente a redução do volume de sangue, promovendo a exaustão do calor. — Cãibras de calor: Na sudorese, há perda de água e sais minerais, principalmente o NaCI (cloreto de sódio). Com a redução desta substância no organismo, poderão ocorrer espasmos musculares e cãibras. — Choque térmico: Ocorre quando a temperatura do núcleo do corpo atinge determinado nível, que coloca em risco algum tecido vital que permanece em contínuo funcionamento. Limites de tolerância Ver: Anexo III, NR-15, da Portaria n. 3.214 Instrumentos de medição 1) Termômetro de globo (Tg): O termômetro de mercúrio deve ser fixado no interior do orifício da rolha e ambos inseridos no globo. A rolha deve ser fixada no globo com certa pressão, a fim de não se soltar durante o uso. A posição relativa entre termômetro e rolha deve ser tal que, após montado no globo, o bulbo do termômetro fique posicionado no centro da esfera. 2) Termômetro de bulbo úmido natural (Tbn): O termômetro de mercúrio deve ser montado na posição vertical revestido com uma camisa de algodão branca deverá envolver totalmente o bulbo de mercúrio. Na montagem, verificar que a distancia entre a extremidade do bulbo (revestido pela camisa) e a lâmina d’água destilada contida HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 30 no erlenmeyer deve ser de 25 mm ou de 2,5 cm. No momento da utilização do sistema, umedecer o pano totalmente com água destilada e encher o erlenmeyer até a extremidade com água destilada. 3) Termômetro de bulbo seco (Tbs): Estes termômetros devem ser montados em um tripé, devendo ficar no mesmo plano horizontal. 4) Medidor eletrônico de calor Atualmente o uso de medidor de calor eletrônico vem substituindo os termômetros convencionais. O principio de funcionamento é o mesmo, porém a precisão é maior. Além disso, esses equipamentos fornecem os valores tbn, tg e tbs, isoladamente, e o calculo do IBUTG. A figura abaixo ilustra um medidor eletrônico de calor: Medidas de controle O calor, como todo agente ambiental, deve ser controlado primeiramente na fonte ou na trajetória, constituindo medidas aplicáveis ao ambiente. Não sendo possível este tipo de controle, por razões de ordem técnica ou económica, devem ser adotadas medidas aplicáveis ao trabalhador. A finalidade das medidas de controle é, obviamente, procurar diminuir a quantidade de calor que o organismo produz ou recebe e a possibilidade de dissipá-lo. Medidas relativas ao ambiente É necessária uma avaliação precisa de todos os fatores que atuam na sobrecarga térmica para que se possa minimizar a quantidade de calor que o organismo produz ou recebe. Assim, as medidas devem visar, de preferência, ao fator que mais contribui para a sobrecarga térmica, conforme a equação do equilíbrio homeotérmico: 1) Metabolismo Muitas vezes é difícil influir sobre o calor produzido pelo metabolismo. A mecanização (automatização) da operação, a fim de minimizar o esforço físico do trabalhador, acarreta a diminuição da sobrecarga térmica. Em determinadas situações, a automatização completa das operações eliminará o problema. 2) Convecção A redução da temperatura do ar diminui este fenômeno, e isso é conseguido por meio de insuflação de ar fresco, com velocidade adequada e, em certos casos, com exaustão de ar quente. Se a insuflação de ar fresco é inviável, o aumento da velocidade do ar pode ser obtido pela simples circulação do ar feita por ventiladores, com velocidades apropriadas. Deve ser salientada a importância da localização adequada dos ventiladores, a fim de evitar que circule ar das zonas mais quentes para as zonas adjacentes mais frias. 3) Radiação A redução deste fator é de grande importância para a diminuição da sobrecarga térmica. Para reduzir o calor radiante, a medida mais eficiente é a utilização de barreiras que reflitam os raios infravermelhos. O alumínio polido é muito eficiente para esta finalidade. Nos casos em que é necessária a visão através da barreira, existem vidros especiais que refletem os raios infravermelhos, bem como filmes especiais que podem ser aplicados sobre o vidro comum com a mesma finalidade. A manutenção contínua das barreiras é de suma importância, pois a ação de produtos químicos agressivos faz com que elas percam a propriedade de reflexão. Quandoisso ocorre, elas passam a HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 31 absorver a radiação incidente, tornando-se fontes emissoras de calor radiante e, conseqüentemente, reduzindo sua eficácia como medida de controle. As barreiras devem ser localizadas entre o trabalhador e a fonte de calor, e nunca posicionadas atrás dele, mesmo que visem à proteção de outros indivíduos. Se o trabalhador permanecer entre a fonte de calor radiante e a barreira, a sobrecarga térmica a que está exposto pode, em certos casos, sofrer aumentos significativos. 4) Evaporação Devem ser criadas condições que favoreçam a evaporação do suor e também auxiliem na manutenção do equilíbrio térmico, aumentando a Emáx. (máxima capacidade evaporativa da pele). Existem limitações fisiológicas (no máximo 1 litro de suor/hora ao que corresponde a uma perda por evaporação de 2400 BTU/h ou 605 kcal/h. Redução da umidade relativa do ar— Nos casos de fontes localizadas de vapor d'água, recomenda- se ventilação local exaustora. Medidas relativas ao homem Na solução de um problema de higiene industrial, devem ser consideradas, em primeiro lugar, as medidas relativas ao ambiente, sendo complementadas, às vezes, pelas medidas relativas ao pessoal. Há uma série de medidas que podem ser aplicadas diretamente ao trabalhador, com o objetivo de minimizar a sobrecarga térmica. Dentre elas, destacam-se: 1) Aclimatização A aclimatização do calor constitui uma adaptação fisiológica do organismo a um ambiente quente. Esta medida é de fundamental importância na prevenção dos riscos decorrentes da exposição ao calor intenso. A aclimatização será total em, aproximadamente, duas semanas. É importante mencionar que a perda de cloreto de sódio pela sudorese será menor no indivíduo aclimatizado, ou seja, ocorre o equilíbrio dos sais numerais nas células do corpo. 2) Limitação do tempo de exposição Esta medida consiste em adotar um período de descanso, visando a reduzir a sobrecarga térmica a níveis compatíveis com o organismo humano. 3) Exames médicos Recomenda-se a realização de exames médicos pré-admissionais com a finalidade de detectar possíveis problemas de saúde que possam ser agravados com a exposição ao calor, tais como problemas cardiocirculatórios, deficiências glandulares (principalmente glândulas sudoríparas), problemas de pele, hipertensão, etc. Tais exames permitem selecionar um grupo adequado de profissionais que reúna condições para executar tarefas sob o calor intenso. Exames periódicos também devem ser realizados com a finalidade de promover um contínuo acompanhamento dos trabalhadores expostos ao calor, a fim de identificar-se estados patológicos em estágios iniciais. 4) Equipamentos de proteção individual Existe no mercado uma grande variedade de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) para os mais diversos usos e finalidades. Deve-se, portanto, fazer uma escolha adequada, objetivando-se ao maior grau de eficiência e conforto. As vestimentas dos trabalhadores devem ser confeccionadas com tecido leve e de cor clara. Para situações de exposições críticas, existem diversos tipos de vestimentas para o corpo inteiro, sendo que algumas possuem sistema de ventilação acoplado. 5) Educação e treinamento São de fundamental importância a educação e o treinamento dos trabalhadores expostos ao calor intenso. A orientação quanto à prática correta de suas tarefas pode, por exemplo, evitar esforços físicos desnecessários ou longo tempo de permanência próximos à fonte. Deve-se conscientizar o trabalhador sobre o risco que representa a exposição ao calor intenso, educando-o quanto ao uso correio dos equipamentos de proteção individual, alertando-o sobre a importância de asseio pessoal e promovendo a utilização e manutenção correia das medidas de proteção no ambiente. FRIO Equilíbrio homeotérmico HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 32 Conforme demonstrado anteriormente no item calor, as trocas térmicas entre o organismo e o ambiente dependem de: —temperatura do ar; — velocidade do ar; — variação do calor radiante. Esses fatores influenciam no equilíbrio homeotérmico do corpo, de acordo com a seguinte equação: M±C±R-E=S Onde: M = Calor produzido pelo metabolismo. C = Calor ganho/perdido por condução/convecção. R = Calor ganho/perdido por radiação. E = Calor perdido por evaporação. S = Calor no núcleo do organismo. O desequilíbrio térmico (exposição ao frio), segundo a equação anterior, apresentar-se-á quando o valor de S for inferior a zero, ou seja, o corpo estará perdendo calor para o ambiente, podendo ocorrer a hipotermia. O aspecto mais importante na hipotermia, e que poderá trazer a morte, é a queda da temperatura profunda do corpo. Deve-se proteger os trabalhadores do submetimento ao frio, de modo que a temperatura profunda do corpo não caia a menos de 36°C. Efeitos do frio no organismo O vasoconstrição periférico é a primeira resposta do organismo para tentar realizar uma regularização entre perda e ganho de calor, ou seja, o fluxo sanguíneo é reduzido na mesma proporção que o abaixamento da temperatura. Esse abaixamento acarretará, quando a temperatura corpórea chega a 35°C, numa diminuição gradual de todas as atividades fisiológicas, tais como frequência do pulso, pressão arterial e taxa metabólica. Em contrapartida, o corpo reage de forma que o indivíduo começa a tremer compulsivamente para produzir calor (aumento da atividade muscular). Se isto não for suficiente para produzir o calor necessário, o corpo continuará a perder calor e, por volta dos 29"C, o hipotálamo perde sua capacidade termorreguladora, e as células cerebrais deprimem-se, conseqüentemente o indivíduo pode entrar em sonolência e posterior coma, ou seja, o indivíduo adquire o quadro de hipotermia. Além da hipotermia, vários outros estados patológicos, conhecidos como lesões do frio, podem afetar o trabalhador. Dentre eles, destacam-se: — Enregalamento dos membros, que poderá levar à gangrena e amputação destes. — Pés de imersão: quando os trabalhadores permanecem com os pés umedecidos ou imersos em água fria por longos períodos, produzindo estagnação do sangue, paralisação dos pés e pernas. — Ulcerações do frio: feridas, bolhas, rachaduras e necrose, que poderão ocorrer devido à exposição ao frio intenso. Além disso, o frio interfere na eficiência do trabalho e incidência de acidentes, além de desencadear inúmeras doenças reumáticas e respiratórias. Limites de tolerância Pouco se conhece sobre a quantificação do frio, embora os mesmos fatores ambientais analisados no estudo do calor influam na intensidade da exposição ao frio. 1) Vestimentas de trabalho É necessário que o isolamento do corpo pela vestimenta de trabalho seja satisfatório e que a camada de ar compreendida entre a pele e a roupa elimine parcialmente a transpiração para que haja uma troca regular de temperatura. 2) Regime de trabalho Quando a exposição ao frio é intensa, o trabalhador deve ter em mente que será necessário intercalar períodos de descanso em local termicamente superior ao local frio, de forma que mantenha uma resposta termorreguladora satisfatória do corpo humano. 3) Exames médicos Na seleção de pessoal para execução de trabalhos em locais de frio intenso, deve-se realizar exames médicos pré-admissionais para se conhecer o histórico ocupacional do indivíduo e saber se HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________33 este é portador de diabetes, epilepsia, se é fumante, alcoólatra, se já sofreu lesões por exposição ao frio, se apresenta problema no sistema circulatório, etc. Tais trabalhadores, em hipótese alguma, deverão expor-se a trabalhos sob frio intenso. Rotineiramente, deverão ser realizados exames médicos periódicos para controle e verificação, com antecedência, de problemas da exposição ao frio. 4) Educação e treinamento Todo trabalhador que for executar atividades sob frio intenso deverá ser instruído sobre os riscos nesta condição, bem como ser treinados quanto ao uso de proteções adequadas (vestimentas, luvas, etc.) e rotinas de trabalho (tempo/local de trabalho x tempo/local de descanso). UMIDADE A umidade está presente em ambientes que possuem áreas alagadiças, águas represadas, águas correntes, etc. Perto ou no local das atividades. Antes da terminação do perigo que um ambiente pode apresentar é preciso efetuar as devidas medições para a comprovação do ambiente úmido. As atividades ou operações executadas em locais alagados ou encharcadas, com umidades excessivas, capazes de produzir danos à saúde dos trabalhadores, são situações insalubres e devem ter a atenção dos prevencionistas por meio de verificações realizadas nesses locais para estudar a implantação de medida de controle – NR 15 – anexo nº 9. A exposição do trabalhador à umidade pode acarretar doenças do aparelho respiratório, quedas, doenças de pele, doenças circulatórias, entre outras. A temperatura do corpo pode baixar quando um indivíduo se encontra em condições de umidade e provocar também a hipotermia e o amolecimento da pele. Para o controle da exposição do trabalhador à umidade podem ser tomadas medidas de proteção coletiva (como o estudo de modificações no processo do trabalho, colocação de estrados de madeira, ralos para escoamento) e medidas de proteção individual (como o fornecimento do EPI - luvas de borracha, botas de borracha cano longo, avental). RADIAÇÕES IONIZANTES E NÃO IONIZANTES Conceituação O espectro eletromagnético é um conjunto de todas as formas de energia radiante. Em sua forma mais simples, a radiação eletromagnética consiste em ondas elétricas vibratórias que se transladam no espaço acompanhadas por um campo magnético vibratório, com as características de um movimento ondulatório. As características das radiações eletromagnéticas são a frequência, comprimento de onda e energia. Efeitos no organismo a) Radiações ionizantes Os efeitos das radiações ionizantes podem ser somáticos (não se transmitem hereditariamente) ou genéticos (transmitem-se hereditaria-mente). A resposta dos diferentes órgãos e tecidos à radiação é variável, tanto com o tempo de aparecimento como na gravidade dos sintomas. Assim, poderão ocorrer alterações no sistema hematopoiético (perda de leucócitos, diminuição do número de plaquetas, anemia); no aparelho digestivo (inibição da proliferação celular, diminuição ou supressão de secreções); na peie (inflamação, eritema e descamação); no sistema reprodutor (redução da fertilidade ou esterilidade); nos olhos; no sistema cardiovascular (pericardites); no sistema urinário (fibrose renal); e no fígado (hepatite de radiação). b) Radiações não ionizantes 1) Radiação ultravioleta Quando incidente sobre o organismo, pode ser remetida, transmitida ou absorvida e produzir reações fotoquímicas e efeito biológico do tipo térmico. O grau de penetração da R-UV depende do comprimento de onda e do grau de pigmentação da pele; com relação aos olhos, são absorvidas pela córnea e cristalino. As radiações UV-B e C penetram unicamente na epiderme e as UV-A podem atingir a derme, podendo produzir lesões em terminações nervosas. Os efeitos das R-UV podem ser escurecimento da pele, eritemas, pigmentação retardada, interferência no crescimento celular, perda de elasticidade da pele, queratose actínica e até mesmo câncer de pele. A ação mais frequente das R-UV sobre os olhos é a fotoqueratose. HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 34 do tipo de laser e das características do entorno de trabalho. Os riscos da radiação /aserestão limitados aos olhos, variando os efeitos adversos produzidos em diferentes regiões espectrais; mesmo assim podem atingir de maneira pequena a pele. Ocorrências a) Radiações ionizantes As radiações ionizantes são largamente utilizadas na medicina para diagnósticos médico e odontológico e tratamento de doenças; e em atividades industriais, para medição de nível de silos, densidade de polpas, análises laboratoriais, radiografia industrial, entre outros. b) Radiações não ionizantes 1) Radiação ultravioleta A principal fonte natural é o sol e as artificiais são as lâmpadas de vapor de mercúrio, de hidrogénio e deutério, arcos de soldagem, lâmpadas incandescentes, fluorescentes e mistas. 2) Radiação visível Podem ser de origem natural (sol) e artificial (lâmpadas e corpos incandescentes e arcos de soldagem, tubos de néon, fluorescentes, entre outros). 3) Radiação infravermelha A principal fonte natural é o sol e dentre as artificiais podemos citar os corpos incandescentes e superfícies muito quentes, as chamas, as lâmpadas incandescentes, fluorescentes ou descargas de alta intensidade. Limites de tolerância a) Radiações ionizantes O Anexo V da NR-15, Portaria n. 3.214, estabelece que nas atividades ou operações em que os trabalhadores ficam expostos a radiacoes ionizantes, os limites de tolerância, os princípios, as obrigações e controle básicos para a proteção do homem e do meio ambiente, contra possíveis efeitos indevidos causados pela radiação ionizante, são os constantes da Norma CNEN-NE 3.01, de julho de 1988, aprovada, em caráter experimental, pela Resolução CNEN n. 12/88, ou daquela que venha a substituí-la. b) Radiações não ionizantes O Anexo Vil da NR-15, Portaria n. 3.214/78, não estabelece limites de tolerância para esse tipo de radiação, caracterizando a insalubridade pela avaliação qualitativa, conforme transcrição a seguir: Avaliação das radiações A radiação ionizante pode ser avaliada no ambiente utilizando-se o contador Geiger ou, individualmente, com os dosímetros de filmes de bolso. Já para radiação não ionizante, os medidores são específicos para cada tipo de radiação (microondas, laser e ultravioleta). Medidas de controle As medidas de controle das radiações, entre outras, são: 1) Radiação ionizante — controle da distância entre o trabalhador e a fonte; — blindagem; — limitação de tempo de exposição; — impedir que fontes radioativas atinjam vias de absorção do organismo; — sinalização; — controle médico; — uso de barreiras; — limpeza adequada do ambiente de trabalho. 2) Microondas — enclausuramento das fontes; — uso de barreiras; — sinalização; — exames médicos. 3) Radiação ultravioleta — uso de barreiras; — equipamentos de proteção individual, tais como óculos com lentes filtrantes, roupas apropriadas para proteção do braço, tórax, mão e outros; — exames médicos. 4) Laser HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 35 — EPI: protetores para os olhos, luvas protetoras, roupas, escudo; — sinalização; — blindagem; — treinamento. PRESSÕES ANORMAIS Pressões anormais são aquelas acima das existentes ao nível do mar, ou seja, são pertinentes às atividades de construção submarina, processos de mergulho, etc. Na construção de túneis e outros trabalhos executados sob o nível do mar pode-se prever a infiltração de água. Isto se dá porque as adaptações não são hermeticamente fechadas.EXISTEM DOIS TIPOS DE PRESSÕES ANORMAIS, CAUSADAS PELA VARIAÇÃO DA PRESSÃO ATMOSFÉRICA: •PRESSÃO HIPERBÁRICA •PRESSÃO HIPOBÁRICA. •Hipobárica: quando o homem está sujeito a pressões menores que a pressão atmosférica. Estas situações ocorrem a elevadas altitudes. (coceira na pele, dores musculares, vômitos, hemorragias pelo ouvido e ruptura do tímpano) •Hiperbárica: quando o homem fica sujeito a pressões maiores que a atmosférica. (mergulho e uso de ar comprimido). MODELO DE CÂMARA HIPERBÁRICA, QUE PERMITE EQUILIBRAR A ADEQUAÇÃO DO CORPO HUMANO À PRESSÃO Há uma série de atividades em que os trabalhadores ficam sujeitos a pressões ambientais acima ou abaixo das pressões normais, isto é, da pressão atmosférica a que normalmente estamos expostos. Baixas pressões: são as que se situam abaixo da pressão atmosférica normal e ocorrem com trabalhadores que realizam tarefas em grandes altitudes. No Brasil, são raros os trabalhadores expostos a este risco. Altas pressões: são as que se situam acima da pressão atmosférica normal. Ocorrem em trabalhos realizados em tubulações de ar comprimido, máquinas de perfuração, caixões pneumáticos e trabalhos executados por mergulhadores. Ex: caixões pneumáticos, compartimentos estanques instalados nos fundos dos mares, rios, e represas onde é injetado ar comprimido que expulsa a água do interior do caixão, possibilitando o trabalho. São usados na construção de pontes e barragens. A exposição a pressões anormais, pode causar a ruptura do tímpano quando o aumento de pressão for brusco e a liberação de nitrogênio nos tecidos e vasos sangüíneos e morte. Por ser uma atividade de alto risco, exige legislação específica (NR-15 – anexo nº 6) a ser obedecida. 3. AGENTES BIOLÓGICOS Agentes Biológicos são microrganismos que, em contato com o homem podem provocar inúmeras doenças. São considerados como agentes biológicos os bacilos, bactérias, fungos, protozoários, parasitas, vírus. Entram nesta classificação também os escorpiões, bem como as aranhas, insetos e ofídios peçonhentos. Muitas atividades profissionais favorecem o contato com tais agentes. É o caso das indústrias de alimentação, hospitais, limpeza pública (coleta de lixo), laboratórios etc. Entre as inúmeras doenças profissionais provocadas por microorganismos incluem se: TUBERCULOSE, BRUCELOSE, MALÁRIA, FEBRE AMARELA etc. Para que estas doenças possam ser consideradas DOENÇAS PROFISSIONAIS é necessário que haja exposição do funcionário a estes microorganismos. Classificação dos agentes biológicos de acordo com a NR 32 – Anexo I: - Grupo 1 - Os que apresentam baixa probabilidade de causar doenças ao homem; HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 36 - Grupo 2 – Os que podem causar doenças ao homem e constituir perigo aos trabalhadores, sendo diminuta a probabilidade de se propagar na coletividade e para as quais existem, geralmente, meios eficazes de profilaxia ou tratamento; - Grupo 3 – Os que podem causar doenças graves ao homem e constituir um sério perigo aos trabalhadores, com risco de se propagarem na coletividade e existindo, geralmente, profilaxia e tratamento eficaz; - Grupo 4 – Os que causam doenças graves ao homem e que constituem um sério perigo aos trabalhadores, com elevadas possibilidades de propagação na coletividade e, para as quais, não existem geralmente meios eficazes de profilaxia ou de tratamento. A NR 15 – anexo nº 14 – Agentes Biológicos, relaciona as atividades que envolvem agentes biológicos, cuja insalubridade é caracterizada pela avaliação qualitativa. Medidas preventivas: É necessário que sejam tomadas medidas preventivas para que as condições de higiene e segurança nos diversos setores de trabalho sejam adequadas. controle médico permanente; uso do E. P. I. (Equipamento de Proteção Individual); higiene rigorosa nos locais de trabalho; hábitos de higiene pessoal; uso de roupas adequadas; vacinação; treinamento. Adotar procedimentos de biossegurança e recomendações constantes na NR 32. Para que uma substância seja nociva ao homem é necessário que ela entre em contato com seu corpo. Existem diferentes vias de penetração no organismo humano com relação à ação dos agentes biológicos: cutânea (através da pele), digestiva (ingestão de alimentos) e respiratória (aspiração de ar contaminado). 4. RISCOS ERGONÔMICOS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DE TRABALHO A NR-17 estabelece que as condições ambientais de trabalho devem estar adequadas às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado. Nos locais onde são executadas atividades que exijam solicitação intelectual e atenção constantes, tais como salas de controle, laboratórios, escritórios, salas de desenvolvimento ou análise de projetos, entre outros, são recomendadas as seguintes condições de conforto: a) níveis de ruído de acordo com o estabelecido na NBR 10152, norma brasileira registrada no INMETRO; b) índice de temperatura efetiva entre 20°C (vinte graus centígrados) e 23°C (vinte e três graus centígrados); c) velocidade do ar não superior a 0,75 m/s; d) umidade relativa do ar não inferior a 40% (quarenta por cento). A seguir, serão analisados cada agente ambiental mencionado pela norma. Ruído Segundo a NR-17, para as atividades que exijam solicitação intelectual e atenção constantes, tais como salas de controle, laboratórios, escritórios, salas de desenvolvimento ou análise de projetos, entre outros, porém não apresentam equivalência com a NBR 10152, o nível de ruído aceitável para efeito de conforto será de 65 dB (A) e a curva de avaliação de ruído (NC) de valor não superior a 60 dB. A NBR 10152 da ABNT, norma brasileira registrada no INMETRO, estabelece níveis de ruído para conforto em ambientes diversos, conforme tabela que se segue: Notas: a) O valor inferior da faixa representa o nível sonoro para conforto, enquanto o valor superior significa o nível sonoro aceitável para a finalidade. b) Níveis superiores aos estabelecidos nesta tabela são considerados desconfortáveis sem, necessariamente, implicar em riscos de dano à saúde. Observa-se que os limites para conforto são estabelecidos por curvas de compensação A e NC. A curva de compensação A representa os níveis de ruído ponderado nas freqüências. A curva NC é HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 37 especifica para o conforto e exige a avaliação do nível de ruído nas freqüências em banda de oitava, conforme se segue: a) Psicrômetro Este instrumento consiste em 01 (nm) termômetro de bulbo úmido e outro de bulbo seco, montados paralelamente em um suporte giratório, conforme mostra a figura a seguir: c) Anemômetro Este instrumento é utilizado para medição da velocidade do ar com a utilização de um anemômetro ou termoanemômetro, conforme mostra a figura abaixo: Com os dados de temperatura de bulbo úmido (tbn), temperatura de bulbo seco (tbs) e velocidade do ar, obtém-se o índice de temperatura efetiva no ábaco que se segue: Exemplo: Numa avaliação de temperatura, foram obtidos os seguintes dados: Tbu = 25ºC Tbs = 30°C V = 0,5 m/s Entretanto, com estes dados, conforme marcado no ábaco, o índice de temperatura efetiva é igual a 26,5°C. 2) Velocidade e umidade do ar A velocidade do ar é obtida diretamente com anemômetro ou termoanemômetro. conforme mostrado anteriormente. De acordo com a NR-17, nos ambientes de trabalho a velocidade do ar não poderá ser superior a 0,75 m/s. Com relação à umidade do ar, pode ser obtidautilizando-se os mesmos parâmetros do índice de temperatura efetiva. Com os valores das temperaturas do bulbo úmido e bulbo seco, a umidade é obtida através da carta psicrométrica, conforme figura que se segue: Observa-se pela carta psicrométrica que, para temperatura de bulbo seco de 43,0ºC e temperatura de bulbo úmido de 23,9ºC, a umidade relativa do ar é igual a 21,0%. Iluminação Avaliação dos níveis de iluminamento 1) Níveis mínimos de iluminação O subitem 17.5.3.3 da NR-17 dispõe: Os níveis mínimos de iluminamento a serem observados nos locais de trabalho são os valores de iluminâncias estabelecidos na NBR 5413, norma brasileira registrada no INMETRO. HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 38 A NBR 5413 estabelece níveis mínimos de iluminação em lux para diversas atividades, tais como: BANCOS — Atendimento ao público.................... 500 lux — Salas de datilografia ....................... 500 lux — Sala de recepção............................. 150 lux BIBLIOTECAS — Sala de leitura.................................. 500 lux — Recinto das estantes ........................ 300 lux FUNDIÇÕES — Área de carregamento e enchimento .... 150 lux — Moldagem grosseira ........................... 200 lux — Limpeza e acabamento......................... 200 lux — Inspeção (material de precisão)............. 1000 lux USINAS DE AÇO — Forjas ................................................. 200 lux Portanto, os leitores devem consultar a referida norma, quando da avaliação de iluminamento. b) Aparelhos de medição/metodologia O iluminamento é medido por aparelhos comparadores, por fotômetros portáteis e, de modo mais prático, pêlos luxímetros que, embora não muito precisos, dão resultados satisfatórios. Estes aparelhos recorrem em geral ao efeito fotoelétrico característico de certos metais ou óxidos metálicos. Os tipos variam segundo o material sensível empregado. A figura abaixo ilustra um luxímetro: A medição dos níveis de iluminamento previstos no subitem 17.5.3.3 deve ser feita no campo de trabalho onde se realiza a tarefa visual, utilizando-se de luxímetro com fotocélula corrigida para a sensibilidade do olho humano e em função do ângulo de incidência (subitem 17.5.3.4). O campo de trabalho é toda região do espaço onde, para qualquer superfície nela situada, se exige condições de iluminamento apropriadas ao trabalho visual a ser realizado. Quando não puder ser definido o campo de trabalho previsto no subitem 17.5.3.4, este será um plano horizontal a 0,75 m (setenta e cinco centímetros) do piso (subitem 17.5.3.5). Medidas corretivas A iluminação adequada dos locais de trabalho é importante, pois proporciona maior velocidade na observação dos detalhes, menor cansaço visual, menor percentual de refugos, melhor conforto e eficiência na execução das tarefas. Assim, para obter-se uma boa iluminação é necessário observar o seguinte: 1) Quantidade de luminárias Deve ser instalado o número adequado de luminárias, a fim de atingir o nível de iluminamento necessário. A quantidade de luminárias necessárias é determinada através da elaboração de iluminação, levando-se em consideração todas as variáveis do ambiente que influem nesta. É HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 39 importante posicionar as luminárias de acordo com o layout, de forma que se aproveite ao máximo o fluxo luminoso. 2) Distribuição e localização das luminárias As luminárias devem ser dispostas no ambiente de forma que proporcionem uma iluminação homogénea, devendo ser adequada ao arranjo físico do local. As luminárias devem, ainda, ser localizadas de forma que não criem sombras ou contrastes nos locais onde se objetivar à iluminação. 3) Manutenção Periodicamente, deve ser feita a limpeza das luminárias, para evitar acúmulo de poeiras, aumentando desta forma o fluxo luminoso. A reforma das luminárias ou substituição de lâmpadas queimadas ou com defeito são indispensáveis para manutenção da boa iluminação. 4) Cores adequadas As cores das superfícies existentes nos locais de trabalho, tais como tetos, paredes, máquinas, mesas de trabalho, devem ser escolhidas de forma que possuam uma refletância adequada. Superfície Refletância Recomendada Teto 80% Paredes 60% Mesas e bancadas 35% Máquinas e equipamentos 25% a 30% Pisos 15% Definição de refletância: Define-se refletância de uma superfície como sendo a percentagem de luz refletida do total incidente sobre esta superfície. A seguir, quadro com refletância de determinadas cores de tetos e paredes: Refletância Teto Branco – 75% Parede Clara – 50% Parede Branca – 50% Parede Clara – 30% Parede Escura – 10% 5) Variação brusca do nível de iluminamento A diferença acentuada entre os níveis de iluminamento de dois locais de trabalho adjacentes pode ocasionar riscos de acidentes. 6) Idade do trabalhador Com o aumento da idade, o trabalhador vai perdendo a acuidade visual e a percepção de pequenos detalhes. Assim, quanto maior a idade do trabalhador maior será o nível de iluminamento exigido em seu posto de trabalho. 7) Incidência direta de luz As janelas, clarabóias ou cobertura iluminantes, horizontais ou dentes de serras, deverão ser dispostas de maneira que o sol não venha incidir diretamente sobre o local de trabalho, utilizando- se, quando necessário, recursos para evitar o isolamento excessivo, tais como toldos, venezianas, cortinas, devendo-se, no entanto, aproveitar ao máximo a iluminação natural. 8) Dimensionamento de um sistema de iluminação artificial O dimensionamento de um sistema de iluminação artificial pode ser feito pelo método por ponto ou método lumens. A seguir, vamos mostrar o dimensionamento utilizando-se o método lumens. a) Cálculo fluxo luminoso total — Ø Onde: S = Área do local em m 2 E = Nível mínimo de iluminamento exigido para o local, conforme NBR5413. H = coeficiente de utilização obtido através das tabelas. É função das dimensões do local, tipo de luminária, cores das paredes e teto e altura do foco luminoso. Esse valor deve ser obtido em tabelas dos fabricantes. HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 40 d = Fator de depreciação obtido em função do tipo de luminária, conforme tabelas dos fabricantes. b) Número de luminárias (N) Onde: Ø = Fluxo luminoso total. FL = Fluxo luminoso da lâmpada obtido de acordo com o tipo de lâmpada e sua potência (tabelas dos fabricantes). c) Distribuição Com o número de lâmpadas obtidas e o tipo de luminária escolhido, poderá ser feita a distribuição no local, levando-se em conta a altura, forma, layout, entre outros. Qualidade do ar em ambientes climatizados A ventilação é um meio de controle eficaz para o conforto térmico dos locais de trabalho. A ventilação natural é sempre prioritária, no entanto, quando ela não for suficiente, é necessário a utilização da ventilacão artificial. A climatização do ambiente é muito utilizada na obtenção do conforto, contudo, a qualidade do ar é fundamental, pois sua contaminação por poeiras, névoas, fumos, microorganismos, gases e vapores coloca em risco a saúde dos trabalhadores. Assim, para garantir a qualidade, a Portaria n. 3.523/98 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) estabelece a obrigatoriedade da implantação do Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC) nos ambientes climatizados de uso coletivo. Já a Resolução n. 176 da ANVISA,atualizada pela Resolução n. 9, de 16.1.2003 estabelece orientação técnica e os padrões de qualidade nos ambientes climatizados, conforme transcritos a seguir: 5. RISCOS DE ACIDENTES São arranjo físico inadequados ou deficiente, máquinas e equipamentos, ferramentas defeituosas, risco de explosão, transporte de materiais, edificações, armazenamento inadequado, etc. Essas deficiências podem abranger um ou mais dos seguintes aspectos: arranjo físico; edificações; sinalizações ligações elétricas; máquinas e equipamentos sem proteção, equipamento de proteção contra gahhhincêndio; ferramentas defeituosas ou inadequadas, EPI inadequado, armazenamento e transporte de materiais. Iumínação deficíente - fadiga, problemas visuais, acidentes do trabalho. Riscos à saúde Arranjo físico: quando inadequado ou deficiente, pode causar acidentes e provoca desgaste físico excessivo nos trabalhadores. Máquinas sem proteção: podem provocar acidentes graves. Instalações elétricas deficientes: trazem riscos de Curto circuito, choque elétrico, incêndio, queimaduras, acidentes fatais. Matéria prima sem especificação e inadequada: acidentes, doenças profissionais, queda da qualidade de produção. Ferramentas defeituosas ou inadequadas: acidentes, com repercussão principalmente nos membros superiores. Falta de EPI ou EPI inadequado ao risco: acidentes, doenças profissionais. Transporte de materiais, peças, equipamentos sem as devidas precauções: acidentes. Edificações com defeitos de construção: a exemplo de piso com desníveis, escadas fora de ausência de saídas de emergência, mezaninos sem proteção, passagens sem a atura necessária : quedas, acidentes. Falta de sinalização das saídas de emergência, da localização de escadas e caminhos de fuga, alarmes, de incêndios: ações desorganizadas nas emergências, acidentes. Armazenamento e manipulação inadequada de inflamáveis e gases, curto circuito, sobrecargas de redes elétricas: incêndios, explosões. Armazenamento e transporte de materiais: a obstrução de áreas traz fiscos de acidentes, de quedas, de incêndio, de explosão etc. Equipamento de proteção contra incêndios: quando deficiente ou insuficiente, traz efetivos riscos de incêndios. HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 41 Sinalização deficiente: falta de uma política de prevenção de acidentes, não identificação de equipamentos que oferecem fisco, não delimitação de áreas, informações de segurança insuficientes etc. comprometem a saúde ocupacional dos funcionários. HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 42 Referências Bibliográficas CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA E HIGIENE OCUPACIONAL – TUFFI MESSIAS SALIBA INTRODUÇÃO A HIGIENE OCUPACIONAL – FUNDACENTRO HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 43