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HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho 
____________________________________________________________ 
 
 
IINNTTRROODDUUÇÇÃÃOO 
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HHIIGGIIEENNEE 
OOCCUUPPAACCIIOONNAALL 
 
CENTRO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL BEBÉ MATINS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ITUIUTABA 
2012 
HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho 
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Presidente da FIEMG 
 
Olavo Machado Júnior 
 
Gestor do SENAI 
Petrônio Machado Zica 
 
Diretor Regional do SENAI e 
Superintendente de Conhecimento e Tecnologia 
Alexandre Magno Leão dos Santos 
 
Gerente de Educação e Tecnologia 
Edmar Fernando de Alcântara 
 
 
HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho 
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Apresentação 
 
 
 
―Muda a forma de trabalhar, agir, sentir, pensar na chamada sociedade do 
conhecimento. ― 
Peter Drucker 
 
 
 
O ingresso na sociedade da informação exige mudanças profundas em todos os 
perfis profissionais, especialmente naqueles diretamente envolvidos na produção, 
coleta, disseminação e uso da informação. 
 
O SENAI, maior rede privada de educação profissional do país,sabe disso , e 
,consciente do seu papel formativo , educa o trabalhador sob a égide do conceito 
da competência:” formar o profissional com responsabilidade no processo 
produtivo, com iniciativa na resolução de problemas, com conhecimentos 
técnicos aprofundados, flexibilidade e criatividade, empreendedorismo e 
consciência da necessidade de educação continuada.‖ 
 
Vivemos numa sociedade da informação. O conhecimento , na sua área 
tecnológica, amplia-se e se multiplica a cada dia. Uma constante atualização se 
faz necessária. Para o SENAI, cuidar do seu acervo bibliográfico, da sua infovia, 
da conexão de suas escolas à rede mundial de informações – internet- é tão 
importante quanto zelar pela produção de material didático. 
 
 
Isto porque, nos embates diários,instrutores e alunos , nas diversas oficinas e 
laboratórios do SENAI, fazem com que as informações, contidas nos materiais 
didáticos, tomem sentido e se concretizem em múltiplos conhecimentos. 
 
O SENAI deseja , por meio dos diversos materiais didáticos, aguçar a sua 
curiosidade, responder às suas demandas de informações e construir links entre 
os diversos conhecimentos, tão importantes para sua formação continuada ! 
 
Gerência de Educação e Tecnologia 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho 
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1 
SSuummáárriioo 
Apresentação 
INTRODUÇÃO A HIGIENE OCUPACIONAL ...................................................................... 2 
RISCOS QUÍMICOS .......................................................................................................... 6 
RISCOS FÍSICOS ............................................................................................................... 16 
RISCOS BIOLÓGICOS ..................................................................................................... 35 
RISCOS ERGONÔMICOS.................................................................................................. 35 
RISCOS DE ACIDENTES ................................................................................................ 39 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................... 41 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho 
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HIGIENE OCUPACIONAL 
Introdução 
O desenvolvimento tecnológico da humanidade, além de trazer enormes benefícios e conforto para 
o homem do século XX, tem exposto o trabalhador a diversos agentes potencialmente nocivos e 
que, sob certas condições poderão provocar doenças ou desajustes no organismo das pessoas que 
desenvolvem suas atividades normais em variados locais de trabalho. 
A Higiene Ocupacional, estruturada como uma ciência prevencionista, vem sendo aperfeiçoada dia 
a dia e tem como objetivo fundamental atuar no ambiente de trabalho, a fim de detectar o tipo de 
agente prejudicial, quantificar sua intensidade ou concentração e tomar as medidas de controle 
necessárias para resguardar a saúde e o conforto dos trabalhadores durante toda sua vida de 
trabalho. 
Dentre as definições conhecidas e mais amplamente difundidas, podemos citar: 
 A definição dada pela American Industrial Hygiene Association – AIHA, segundo a 
qual a higiene ocupacional é ―ciência que trata da antecipação, reconhecimento, avaliação e 
controle dos riscos originados nos locais de trabalho e que podem prejudicar a saúde e o 
bem-estar dos trabalhadores, tendo em vista também o possível impacto nas comunidades 
vizinhas e no meio ambiente‖. 
 De acordo com o conceito preconizado por Olishifski, a higiene ocupacional é tida 
como ―aquela ciência e arte devotada à antecipação, reconhecimento, avaliação e controle 
dos fatores de risco ou estresses ambientais originados no, ou a partir, do local de trabalho, 
os quais podem causar doenças, prejudicar a saúde e o bem-estar, ou causar significante 
desconforto sobre os trabalhadores ou entre os cidadãos de uma comunidade‖. 
 A definição da American Conference Of Governmental Industrial Hygienists – 
ACGIH: ―ciência e arte do reconhecimento, avaliação e controle de fatores ou tensões 
ambientais originados do, ou no, local de trabalho e que podem causar doenças, prejuízos 
para a saúde e bem-estar, desconforto e ineficiência significativos entre os trabalhadores ou 
entre os cidadão da comunidade.‖ 
O termo higiene ocupacional, que abrange a modalidade industrial, é considerado o mais amplo 
pelos órgãos especializados, incluindo a Fundacentro, razão pela qual sua utilização tem sido 
preferida. No entanto, a nosso ver, o termo higiene do trabalho poderá ser igualmente aplicado, pois 
contempla – além do trabalho subordinado (empregos) – os trabalhos autônomo, avulso, estatuário, 
etc. 
A higiene ocupacional é a ciência que atua no campo da saúde ocupacional, através da 
antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos riscos físicos, químicos e biológicos 
originados nos locais de trabalho e passíveis de produzir danos à saúde dos trabalhadores, 
observando-se também o impacto ao meio ambiente. Os riscos físicos são: ruído, calor, vibração, 
radiação ionizante, radiação não ionizante, frio. Os agentes químicos são: gases, vapores, poeira, 
fumos, névoas, neblinas. Os agentes biológicos são: bactérias, fungos, vírus, protozoários, e 
parasitas. 
 
Classificação de riscos ambientais 
 
Boa parte dos processos de produção pelos quais o homem modifica os materiais extraídos da 
natureza, para transformá-los em produtos úteis, segundo as necessidades tecnológicas atuais, são 
capazes de dispersar no ambiente dos locais de trabalho substancias que, ao entrar em contato 
com o organismo dos trabalhadores podem acarretar moléstias ou danos à sua saúde. Estes 
processos poderão originar condições físicas de intensidade inadequada para o organismo humano, 
sendo que ambos os riscos (Físicos e Químicos) são geralmente de caráter acumulativo e chegam 
às vezes a produzir graves danos aos trabalhadores. 
O ser humano é composto por um organismo complexo e seu bem estar não esta ligado somente às 
condições físicas ambientais e ou presença de agentes agressivos, deve-se compreender aimportância da influencia da organização do trabalho sobre o trabalhador, sendo também um fator 
muitas vezes não facilmente quantificável, mas de grande importância. 
Para facilitar o estudo dos riscos ambientais podemos classificá-los em cinco grupos: 
Riscos Químicos 
Riscos Físicos 
Riscos Biológicos 
E também: 
Riscos ergonômicos e Riscos de acidentes ou mecânicos existentes nos locais de trabalho e que 
possam vir a causar danos à saúde dos trabalhadores. 
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Por sua vez, cada um destes grupos subdivide-se quer em função das formas em que se 
apresentam, ou devido às características físico-químicas dos agentes, de acordo com as 
conseqüências fisiológicas que estes podem provocar, segundo sua ação sobre o organismo, etc. 
 
Riscos Químicos 
 
As substâncias ou produtos químicos que podem contaminar um ambiente de trabalho classificam-
se, segundo as suas características físico-químicas em: 
Aerodispersóides 
Gases e Vapores 
Ambos os grupos comportam-se de maneira diferente, tanto no que diz respeito ao período de 
permanência no ar, quanto as possibilidade de ingresso no organismo. 
Por sua vez, os aerodispersóides podem ser sólidos ou líquidos, atendendo ao seguinte esquema 
geral de classificação: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os aerodispersóides sólidos e líquidos são classificados em relação ao tamanho da partícula e à 
sua forma de origem. 
São poeiras e névoas os aerodispersóides originados por ruptura mecânica de sólidos e líquidos 
respectivamente, e fumos e neblinas aqueles formados por condensação ou oxidação de vapores, 
provenientes, respectivamente, de substâncias sólidas ou líquidas a temperatura e pressão normal 
(20º C e 1 atmosfera de pressão). 
 
Riscos Físicos 
 
Ordinariamente, os riscos físicos representam um intercâmbio brusco de energia entre o organismo 
e o ambiente, em quantidade maior de que o organismo é capaz de suportar, podendo acarretar 
uma doença profissional. 
Entre os mais importantes podemos citar: 
Temperaturas extremas: 
Calor 
Frio 
Ruído 
Vibrações 
Pressões anormais 
RISCOS QUIMICOS 
GASES E VAPORES AERODISPERSÓIDES 
SÓLIDOS 
POEIRAS 
FUMOS 
LÍQUIDOS 
NÉVOAS 
NEBLINAS 
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Radiações: 
Ionizantes 
Não ionizantes 
Riscos Biológicos 
Neste grupo, estão classificados os riscos que representam os organismos vivos, tais como: 
Vírus 
Bactérias 
Fungos 
Protozoários 
Parasitas 
 
Riscos Ergonômicos 
 
São os fatores que podem afetar a integridade física ou mental do trabalhador devido a sua 
interação com o seu ambiente de trabalho, podendo ocasionar desconforto ou doença. 
São considerados riscos ergonômicos: 
Esforço físico intenso 
Levantamento e transporte manual de peso 
Exigência de postura inadequada 
Controle rígido de produtividade 
Imposição de ritmos excessivos 
Trabalho em turno e noturno 
Fornadas de trabalho prolongadas 
Monotonia e repetitividade 
Outras situações causadoras de stress físico e/ou psíquico 
 
Riscos de Acidentes 
 
São todos os fatores que colocam em perigo o trabalhador ou afetam sua integridade física. São 
considerados como riscos geradores de acidentes: 
Arranjo físico inadequado 
Máquinas e equipamentos sem proteção 
Ferramentas inadequadas ou defeituosas 
Iluminação inadequada 
Eletricidade 
Probabilidade de incêndio ou explosão 
Animais peçonhentos 
Armazenamento inadequado 
Outras situações que poderão contribuir para a ocorrência de acidentes 
 
Caracterização dos riscos 
 
De tudo quanto se tem exposto, podemos concluir que a presença de poluentes e agentes 
agressivos nos locais de trabalho representam um risco, mas isto não quer dizer que todos os 
trabalhadores expostos venham a adquirir uma doença. 
Para que isto aconteça devem concorrer vários fatores, que são: 
 
Tempo de exposição 
 
Quanto maior o tempo de exposição, maiores as possibilidades de se produzir uma doença 
ocupacional. 
Concentração ou Intensidade dos agentes ambientais (―Quantidade‖) 
Quanto maior a concentração ou intensidade dos agentes agressivos presentes no ambiente de 
trabalho, tanto maior será a possibilidade de danos à saúde dos trabalhadores expostos. 
 
Características dos agentes ambientais (―Qualidade‖) 
 
As características específicas de cada agente também contribuem para a definição do seu potencial 
de agressividade. 
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O estudo do ambiente de trabalho visando a estabelecer qualquer relação entre esse ambiente e 
possíveis danos à saúde dos trabalhadores que devem efetuar seus serviços normais nesses 
locais, constitui o que chamamos, um levantamento de condições ambientais de trabalho. 
O levantamento pode se dividir em duas partes: 
Estudo Qualitativo 
Estudo Quantitativo 
O estudo qualitativo das condições de trabalho visa coletar o maior numero de informações e dados 
necessários, a fim de fixar as diretrizes a serem seguidas no levantamento quantitativo. 
O estudo quantitativo completará o reconhecimento preliminar dos ambientes de trabalho, através 
de medições adequadas, que no final nos dirão quais as possibilidades de os trabalhadores serem 
afetados pelos diferentes agentes agressivos presentes nos locais de trabalho. 
 
Levantamento qualitativo 
 
Normas gerais de procedimento 
Deve-se iniciar o reconhecimento qualitativo do ambiente de trabalho, preferencialmente, fazendo 
um estudo minucioso de uma planta baixa atualizada do assim como um fluxograma dos processos, 
a fim de estabelecer a forma correta de proceder o levantamento: saber o que fazer e como fazer, 
nos diferentes locais de trabalho. 
O estudo qualitativo deve dar informação detalhada de aspectos, tais como: 
Número de trabalhadores; 
Horários de trabalho; 
Matérias-primas usadas, incluindo nome comercial e nome científico de substâncias; 
Maquinarias e processos; 
Tipos de energia usada para a transformação de materiais; 
Produtos semi-elaborados; 
Produtos acabados; 
Substâncias complementares usadas nos processos; 
Existência ou não de equipamentos de controle, tais como: ventilação local, estado em que se 
encontram, etc.; 
Tipo de iluminação e estado das luminárias; 
Presença de poeiras, fumos, névoas e ponto de origem da dispersão; 
Uso de EPI por parte dos trabalhadores; 
Estas informações devem ser acrescidas de comentários por escrito, que permitam esclarecer a 
situação real do ambientes de trabalho. 
O Técnico em segurança deve estar familiarizado com os processos industriais, métodos de 
trabalho e demais atividades que são efetuadas normalmente no local, ou estar assessorado por 
profissional. que esteja, afim de obter dados fidedignos e esclarecer as dúvidas que possam surgir 
durante o levantamento. 
Para maior facilidade na coleta da informação podem ser utilizadas fichas padronizadas que tenham 
condições de reunir as informações mais importantes e necessárias. 
Não existe um modelo único para fichas deste tipo, o levantamento, nunca interferir negativamente 
em sua qualidade. 
Levantamento quantitativo 
Uma vez realizado o levantamento qualitativo, o profissional de segurança já reúne as condições 
necessárias para traçar os rumos a serem seguidos no levantamento quantitativo. Este, por sua vez, 
deve ser minucioso e completo para que represente as condições reais em que se encontra o 
ambiente de trabalho. 
Deve-se, portanto, verificar a intensidade ou concentração dos agentes físicos e químicos existentes 
no local analisado. Desta forma sãocolhidos subsídios para definir as medidas de controle 
necessárias. 
Os critérios de avaliação e controle de cada agente serão estudados dentro dos itens específicos. 
Susceptibilidade Individual 
A complexidade do organismo humano implica em que a resposta do organismo a um determinado 
agente pode variar de individuo para individuo. 
Todos estes fatores devem ser estudados, quando se apresenta um risco potencial de doença do 
trabalho e, na medida que este seja claramente estabelecido, poderemos planejar a implantação de 
medidas de controle que levarão à eliminação ou minimização do risco em estudo. 
O tempo real de exposição será determinado considerando-se a análise da tarefa desenvolvida pelo 
trabalhador. Essa análise deve incluir estudos, tais como: 
Tipo de serviço; 
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Movimentos do trabalhador ao efetuar o seu serviço; 
Períodos de trabalho e descanso, considerando todas as variações desses durante a jornada de 
trabalho. 
A concentração dos poluentes químicos ou a intensidade dos agentes físicos devem ser avaliadas 
mediante amostragem nos locais de trabalho, de tal maneira que essas amostragens sejam as mais 
representativas possíveis da exposição do trabalhador a esses agentes agressivos. 
Este estudo deve considerar também as características físico-químicas dos contaminantes e as 
características próprias que distinguem o tipo de risco físico. 
Junto a este estudo ambiental terá que ser feito o estudo médico do trabalhador exposto, a fim de 
determinar possíveis alterações no seu organismo provocadas pelos agentes agressivos ou que 
permitirão a instalação de danos mais importantes, se a exposição continuar. 
 
1. Agentes Químicos 
Considerações Iniciais 
Agentes ou fatores químicos são as substancias químicas que estão presentes no ambiente, 
geralmente em mistura ou com impurezas que podem causar algum dano ou agravo a saúde 
quando entram em contato com um receptor. Neste sentido amplo, o agente químico pode estar 
presente no alimento, no ar ambiente, na água, no equipamento ou no instrumento manuseado. Há 
um sem – numero de substancias químicas no universo, e vê, sendo introduzidas muitas outras a 
cada ano. A ação do ser humano não se reduz à produção de novos compostos. Ele é o maior 
responsável pela disseminação dos produtos no ambiente, por meio da extração, do transporte ou 
do comércio. 
Segundo a natureza, os agentes químicos classificam-se em aerossol (poeiras, névoas, neblinas, 
fumos), gases e vapores, podendo penetrar no organismo por via respiratória, dérmica, digestiva ou 
parenteral. 
Gases e Vapores 
Definições 
Gases Denominação dada as substancias que, em condições normais de temperatura e pressão 
(25ºC e 760 mmHg), estão no estado gasoso. São fluidos amorfos que podem mudar de estado 
físico unicamente por uma combinação de pressão e temperatura. Exemplo: hidrogênio, oxigênio e 
nitrogênio. 
Vapores 
Fase gasosa de uma substancia que, a 25ºC e 760 mmHg, se torna líquida ou sólida. O vapor pode 
passar para o estado liquido ou sólido atuando-se sobre a pressão ou sobre sua temperatura. 
Exemplos: vapores de água, vapores de gasolina. 
Classificação Fisiológica dos Gases e Vapores 
Pelo ar inalam-se gases e vapores estranhos, muitos dos quais podem ser perigosos à saúde. 
Entretanto, esses efeitos variam segundo a substancia. As características físicas mais importantes 
para a determinação dos efeitos biológicos de um gás ou vapor são sua concentração no ar e sua 
solubilidade no sangue e tecidos, que determinará a sua absorção pelo organismo. Além disso, sua 
toxicidade e as vias e formas de penetração também influem nos efeitos à saúde. 
Os gases e vapores podem ser classificados, segundo a sua ação sobre o organismo humano, em 
três grupos: irritantes, anestésicos, asfixiantes. Se a substancia é enquadrada em um desses 
grupos, isso não implica que não possa também possuir características dos grupos. Essa 
classificação baseia-se no efeito mais importante, isto é, mais significativo sobre o organismo. 
Gases e Vapores Irritantes 
Existe uma grande variedade de gases e vapores classificados nesse grupo, os quais diferem suas 
propriedades físico-químicas, mas tem uma característica comum: produzem irritação nos tecidos 
com os quais entram em contato direto, tais como a pele, a conjuntiva ocular e as vias respiratórias. 
A intensidade da ação irritante depende da estrutura química da substancia, de sua concentração 
no ar e do tempo de exposição. A solubilidade é um fator importante a ser considerado, uma vez 
que determina o local de ação do tóxico no trato respiratório: 
 Irritantes altamente solúveis em água – atuam nas vias respiratórias superiores, sendo que 
o nariz e a garganta são os que sofrem mais com a sua ação: ácidos clorídrico e fluorídrico, 
amoníaco, nevoas alcalinas, etc. 
 Irritantes relativamente solúveis em água – atuam nas vias respiratórias superiores e 
pulmão: halogênios, ozônio, sulfatos de dietila e dimetila, etc. 
 Irritantes pouco solúveis em água – atuam no pulmão: óxido de nitrogênio, cloreto de 
arsênico, etc. 
Assim, os gases mais perigosos são aqueles que possuem baixa solubilidade e não tem odor. 
Ao gases e vapores irritantes dividem-se em: 
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A) Irritantes primários 
São aqueles cuja ação sobre o organismo é somente de irritação sobre o local atingido, podendo 
subdividirem-se em: 
1) Irritantes de ação sobre as vias respiratórias superiores 
 Pertencem a esse grupo: 
 - Ácidos fortes, tais como: ácido clorídrico ou muriático, ácido sulfúrico. 
 - Álcalis fortes, tais como: amônia e soda cáustica. 
 - Formaldeído. 
2) Irritantes de ação sobre os brônquios 
 Pertencem a esse grupo: 
 - Anidrido sulfuroso e cloro. 
3) Irritantes sobre os pulmões 
Pertencem a esse grupo: 
 - Ozona, gases nitrosos (principalmente NO2 e sua forma dímera N2O4). 
Esses gases são produzidos no arco elétrico (solda elétrica), por combustão de nitratos, no uso de 
explosivos e no uso industrial de ácido nítrico. 
 - Fosgênio. 
 - Gás incolor, originado da decomposição térmica de tetracloreto de carbono e outros derivados 
halogenados. 
4) Irritantes atípicos 
Pertencem a esse grupo 
 - Acroleína ou aldeído acrílico (gás liberado pelos motores diesel), gases lacrimogêneos. 
B) Irritantes secundários 
Essas substâncias, além de possuírem efeito irritante sobre o local de ação, tem atuação 
generalizada sobre o organismo. Uma exposição aguda a esse tipo de tóxico produzira edema 
pulmonar; pertence a esse grupo o gás sulfídrico (H2S). 
Gases e Vapores Anestésicos 
Uma propriedade comum entre eles é o efeito narcótico ou depressivo sobre o sistema nervoso 
central, fundamentalmente o cérebro. 
É importante ressaltar que essas substâncias são introduzidas em nosso organismo pela via 
respiratória, alcançando o pulmão, onde são transferidas para o sangue, que as distribuirá para o 
resto do corpo. Muitas delas também podem penetrar através da pele intacta, alcançando a corrente 
sanguínea. 
De acordo com sua ação sobre o organismo, os anestésicos podem ser divididos em: 
A) Anestésicos primários 
Pertencem a esse grupo: hidrocarbonetos alifáticos (butano, propano, etano, etc.), ésteres, 
aldeídos, cetonas. 
B) Anestésicos de efeito sobre as vísceras (fígado e rins) 
O fígado e os rins desempenham papel importante nos fenômenos de desintoxicação, seja pela 
geração de enzimas adequadas, seja com a eliminação por meio da úrica. Uma intoxicação superior 
a que o fígado é capaz de assumir pode levar a deterioração desse órgão pela cirrose ou mesmonecrose. Da mesma forma, os rins quando afetados podem apresentar necrose epitelial. Pertencem 
a esse grupo os hidrocarbonetos clorados, tais como: tetracloreto de carbono, tetracloroetano, 
tricloroetileno, percloroetilino. 
C) Anestésicos de ação sobre o sistema formador do sangue 
As substancias classificadas nesse grupo atuam modificando a hemoglobina em metahemoglobina, 
no caso da anilina, nitrito e toluidina. Mas a ação mais profunda no sistema hematopoiético é 
causada pelo benzeno, que pode levar a uma anemia irreversível. Os homólogos, tolueno e xileno, 
têm efeitos anestésicos similares aos do benzeno, mas possuem efeitos tóxicos consideravelmente 
menores. Pos essa razão são recomendados para substituir o benzeno, diminuindo assim o risco a 
que estão expostos os trabalhadores. 
D) Anestésicos de ação sobre o sistema nervoso 
Nesse grupo encontram-se os álcoois (metílico e etílico), ésteres de ácidos orgânicos, dissulfeto de 
carbono. 
Em geral, os álcoois são altamente solúveis em água, fato que determina a sua eliminação de forma 
lenta. 
No caso do álcool etílico, alenta eliminação é contrastada com a rápida oxidação dentro do ciclo de 
combustão dos açucares e raramente são inaladas quantidades suficientes para produzir anestesia. 
Gases e Vapores Asfixiantes 
A principal característica de um tóxico é impedir de alguma forma que o oxigênio atinja os tecidos, 
podendo os asfixiantes ser classificados em simples ou químicos. 
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Os asfixiantes simples têm sua atuação fora do organismo, isto é, sua presença na atmosfera 
provoca o deslocamento do oxigênio, reduzindo a concentração desse gás no ambiente. Dentro 
dessa classe encontram-se o CO2, metano, propano, nitrogênio e butano. 
Por outro lado, os asfixiantes químicos impedem a entrada do oxigênio nos tecidos. O asfixiante 
químico mais conhecido é o monóxido de carbono, que tem uma afinidade química com a 
hemoglobina superior ao oxigênio, formando a carboxihemoglobina e impedindo o transporte de 
oxigênio. 
Além da classificação dos gases e vapores, segundo o seu efeito pela inalação, é importante que 
seja feita uma pequena exposição a respeito dos agentes químicos que tem a capacidade de 
penetrar a pele. Pertencem a esse grupo, principalmente, os solventes orgânicos, que, devido a sua 
larga utilização industrial, expõem inúmeros trabalhadores a seus efeitos, que incluem, dentre 
outros, a dermatite de contato por irritação. 
A ação de determinada substancia sobre a pele está diretamente relacionada com a sua 
solubilidade na água e gordura e na sua pressão de vapor, isto é, a sua habilidade em se dissolver 
na água ou em compostos orgânicos e em evaporar-se. 
Experimentos mostraram que solventes orgânicos são potencialmente irritantes químicos, induzindo 
ao aparecimento dermatite de contato por irritação quando em contato com a pele não protegida 
adequadamente. 
Alguns poucos solventes, tais como estireno e álcoois, podem induzir à dermatite de contato 
alérgica, que independe da concentração do agente. 
Aerodispersóides 
Definições De forma ampla, o material particulado contaminado é todo aquele aerossol que se 
encontra em suspensão no ar e que pode ser nocivo à saúde. De acordo com sua formação, os 
particulados podem ser classificados como sólidos ou líquidos. Como particulados líquidos temos as 
névoas e neblinas, e como particulados sólidos, as poeiras (fibras) e os fumos. 
Classificação quanto á formação 
A) Poeira São partículas sólidas produzidas por ruptura mecânica de um sólido, seja pelo 
simples manuseio (limpeza de bancadas), seja em conseqüência de uma operação 
mecânica (trituração, moagem, peneiramento, polimento, dentre outras). 
Exemplos:Poeira de sílica, asbesto e carvão. 
B) Fumos São partículas sólidas resultantes da condensação de vapores ou reação química, 
geralmente após volatilização de metais fundidos. 
Exemplos: Fumos de Pb – ponteamento de arames; Fumos de Zn – galvanoplastia 
C) Névoas e Neblinas Névoas e neblinas são partículas liquidas, produzidas por ruptura 
mecânica de liquido ou por condensação de vapores de substancias que são líquidas à 
temperatura ambiente. 
Exemplo: Névoa de tinta – resultante de pintura à pistola 
D) Fibras São partículas sólidas produzidas por ruptura mecânica de sólidos que se 
diferenciam das poeiras porque têm forma alongada, com um comprimento de 3 a 5 vezes 
superior a seu diâmetro. 
Exemplos: 
Animal – lã, seda, pêlo de cabra e camelo 
Vegetal – algodão, linho, cânhamo 
Mineral – asbesto, vidro e cerâmica 
Deve-se salientar que essa classificação é apenas para facilitara compreensão, pois, do ponto de 
vista da Higiene, não é muito significativa a maneira como as partículas são originadas para fins de 
avaliação e controle. 
Classificação quanto ao efeito no organismo 
A classificação quanto ao tipo de dano que a poeira pode produzir no nosso organismo é a seguinte: 
Pneumoconiótica: Aquela que pode provocar algum tipo de pneumoconiose. Ex.: Silicose, 
asbestose, antracose, bissinose. 
Tóxica: Pode causar enfermidade tanto por inalação quanto por ingestão. Ex.: metais como 
chumbo, mercúrio, arsênico, cádmio, manganês, cromo, etc. 
Alérgica: Aquela que pode causar algum tipo de processo alérgico. Ex.: poeira de resina epóxi e 
algumas poeiras de madeira. 
Inerte: Produz enfermidades leves e reversíveis, causando geralmente bronquite, resfriados, etc. 
Tipos de particulados, Efeitos e Ocorrência no Ambiente de Trabalho 
Sílica A sílica é encontrada na natureza em abundancia, pois constitui a maior parte da crosta 
terrestre. Sua formula química é constituída por um átomo de silício e dois de oxigênio (SiO2). 
Esses átomos, por sua vez, unem-se a outros formando diversas estruturas cristalizadas, resultando 
em diferentes classes de sílicas cristalizadas. Desse modo, a sílica cristalizada pode apresentar-se 
HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho 
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em forma de quartzo, cristobalita, tridmita, amorfa. A nocividade das partículas de SiO2 é maior de 
acordo com a sua forma. A cristobalita e a tridmita possuem um maior potencial fibrogênico do que 
o quartzo. Já a sílica amorfa e a fundida são menos nocivas que as cristalizadas. 
De maneira geral, vários são sos fatores que influenciam na maior ou menor intensidade 
fibrogênica de determinado tipo de particulado, dentre os quais destacam-se: 
 Concentração de poeira inalada; 
 Sílica na poeira; 
 Forma cristalizada das partículas; 
 Tamanho das partículas; 
 Duração da exposição. 
O dano direto provocado pelo particulado é diretamente proporcional a concentração de particulado 
inalado e duração de exposição. 
A sílica é a substancia causadora da enfermidade (silicose) e, evidentemente, quanto maior o 
percentual de sílica, maior será a nocividade da poeira. 
Outro fator importante na ocorrência da silicose é o tamanho das partículas. As partículas maiores 
são selecionadas pelo sistema respiratório, enquanto as menores podem chegar aos alvéolos 
pulmonares. 
Ocorrência 
A exposição ocupacional a poeira contendo sílica ocorre em diversos ambientes de trabalho e 
ramos de atividade, tais como: mineração de ouro, ferro, extração de calcário, dentre outras. Nessas 
industrias, tanto na extração como no beneficiamento, há presença de particulados que podem 
conter sílica. Outros ramos de atividade em que há presença de poeira sílica: construção civil, 
fundição, industrial de refratários, siderúrgicas. 
Asbestos Recentemente houve um aumento dos estudos sobre as fibras de asbesto. 
De acordo com as últimas teorias sobre os mecanismos de dano dessas fibras, foi indicado que a 
causa é o formato da partícula,dependendo do qual podem ser encontradas propriedades 
cancerígenas. As fibras se classificam em naturais ou artificiais. 
Os perigos para a saúde relacionados como os asbestos encontram-se, na maioria das vezes, 
circunscritos ao aspecto da atividade profissional. A inalação das fibras de asbesto por pessoas 
submetidas a exposição prolongada e a concentrações relativamente elevadas pode provocar 
insuficiência respiratória, causando, até, mesmo um câncer bronquial ou um mesotela. 
Ocorrência 
A exposição às fibras de asbestos ocorre principalmente nas industrias de fabricação de telhas, 
chapas, caixas d’água e de amianto; na fabricação de guarnições de freio e embreagem, lonas de 
freios; na confecção de roupas protetoras apara bombeiros e pilotos de carro de corrida. Nas 
industrias de papelão, o amianto é usado como isolante térmico. 
Algodão A exposição á poeira de algodão produz uma enfermidade denominada bissinose. Os 
sintomas dessa doença são: dor no peito, tosse, dificuldade respiratória, dispnéia. Alem disso, a 
exposição a esse agente pode produzir também diminuição da força respiratória, bronquite, febre, 
alem de sintomas respiratórios freqüentes. A bissinose também é produzida por outros tipos de 
fibra, como o linho ou o cânhamo. 
A causa principal dessa doença esta associada à quantidade de poeira inalada e ao tempo de 
exposição. Há também, outras causas que influem, como a poluição atmosférica, hábito do tabaco e 
as afecções respiratórias. 
A bissinose é uma enfermidade difícil de detectar, pois não apresenta alterações radiográficas ou 
patológicas especificas. 
Ocorrência A exposição ocupacional à poeira de algodão ocorre mais freqüentemente na 
fabricação de tecidos. Nos setores de abertura, cardas e fiação a exposição é maior do que na 
tecelagem, revisão e expedição. Em outros ramos de atividade também pode ocorrer exposição, 
como, por exemplo, na industria de confecção. 
Caulim Segundo a ACGIH (American Conference of Governanmental Industrial Hygienists), a 
inalação de quantidade excessiva de poeira de caulim pode causar dano à pele e às mucosas, além 
de pneumoconiose. Desse modo, reduziu-se o limite de exposição para 2 mg/m
3
. o NIOSH (National 
Institute for Occupational Safety and Health) não modificou o limite de tolerância para a poeira de 
caulim. Já a OSHA (Occupational Safety and Health Administration) pretende desenvolver no futuro 
um estudo mais aprofundado da toxicologia do caulim. Atualmente, esse órgão estabelece os limites 
de tolerância de 10 mg/m
3
 para poeira total e 5 mg/m
3
 para poeira respirável. Esses limites estão 
baseados nos danos causados à pele e mucosas. Deve-se salientar ainda que os limites de 
exposição estabelecidos para o caulim são validos para poeira em suspensão que não contenha 
sílica livre cristalizada e/ou asbestos. 
Ocorrência 
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10 
A ocorrência de poeira de caulim acontece principalmente na mineração de caulim; tanto na 
extração quanto no beneficiamento. 
Madeira 
 
A poeira de madeira é definida como qualquer tipo de particulado em suspensão proveniente do 
manuseio da madeira. A madeira dura é derivada de espécies de árvores de folhas grossas, como, 
por exemplo, o carvalho e a faia. A exposição à poeira de madeira pode produzir diversos efeitos na 
saúde do ser humano, tais como dermatite, irritação, alergias respiratórias e câncer, segundo 
estudos baseados em evidencias epidemiológicas (ACGIH/1998). 
Ocorrência 
A exposição á poeira de madeira é mais acentuada na fabricação de móveis. As operações com 
serra circular, desengrosso, plaina, tupia e lixadeira são as fontes mais significantes. Nas industrias 
de reflorestamento e fabricação de celulose e na construção civil também pode ocorrer exposição a 
esse agente. 
Grãos (trigo, cevada) 
Os efeitos da inalação da poeira de grãos são conhecidos por vários séculos. Ramazzini, em 1713, 
descreveu os riscos respiratórios associados à exposição de cereais. Diversos estudos 
epidemiológicos feitos nas últimas décadas demonstraram que a exposição à poeira de grãos pode 
causar: ―febre do grão‖, chiado, dor no peito, tosse, bronquite, irritação nasal e nos olhos, além de 
sintomas de doenças respiratórias crônicas. Com relação aos limites de tolerância, estes são 
fixados pelos organismos internacionais, desde que a poeira em suspensão não contenha sílica livre 
cristalizada e/ou asbestos. 
Ocorrência 
A exposição à poeira de grãos ocorre na agricultura, portos e em outros locais onde há 
armazenamento desse produto. 
Ocorrência 
A presença desse tipo de particulado pode ocorrer em diversos ramos de atividade, tais como: 
fábrica de cimento, cal, industria de papel, dentre outros. 
Partículas metálicas 
Os efeitos da exposição a fumos ou poeiras metálicas estão condicionados ao tipo de substancia 
presente. Assim sendo, dependendo do processo e das matérias-primas utilizadas, pode ocorrer a 
exposição a ferro, manganês, zinco, chumbo, cromo, dentre outros. Essas substâncias podem 
produzir pneumoconioses, doenças como saturnismo (chumbo) e manganismo, irritação, dentre 
outras. 
A exposição a fumos metálicos pode produzir a ―febre dos fundidores‖. Essa doença resulta no 
aparecimento de tosse, dores nos músculos e nas juntas, febre e resfriados. Todavia é passageira, 
e a recuperação ocorre de um a dois dias após cessar a exposição. 
Ocorrência 
A exposição à poeira metálica pode ocorrer em: mineração, operações de rebarbação de peças 
metálicas, fabricação de baterias, etc. a exposição a fumos metálicos é mais freqüente nas 
operações de soldagem, fundições, aciarias, dentre outras. Nas operações de pintura à pistola, a 
névoa de tinta formada pode conter pigmentos metálicos, tais como: chumbo e cromo. 
Negro de Fumo 
A exposição à poeira de negro de fumo pode produzir efeitos sobre os pulmões. A ACGIH não 
considera este agente sob suspeita de ser carcinogênico para o ser humano, porém os dados 
existentes são insuficientes para se chegar a essa conclusão. 
Ocorrência 
A exposição a esse agente ocorre com maior freqüência na fabricação de borracha. 
Parâmetros utilizados nas avaliações de particulados 
A) Tamanho das partículas 
O tamanho das partículas é de fundamental importância na avaliação de poeiras, vez que, dele 
depende os efeitos na saúde, o tempo em que as partículas ficam em suspensão, entre outros. A 
ACGIH, há muitos anos, tem recomendado o limite de tolerância por seleção de partículas 
(respiráveis) para sílica cristalizada, pois há uma associação bem estabelecida entre a silicose e as 
concentrações de poeira respirável. A intenção da American Conference of Governmental Industrial 
Hygienists – ACGIH é de estabelecer todos os seus limites para fração respirável, inalável e 
torácica. 
Quanto ao tamanho das partículas, podem ser classificadas conforme o quadro a seguir: 
Tipo de Particulado Tamanho Aproximado (μm) 
Inalável 0 a 100 
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11 
 
 
 
 
 
B) Partícula respirável 
São as partículas que conseguem penetrar na região de troca de gases do pulmão. Esse tipo de 
particulado é o de maior risco, pois pode alcançar os alvéolos pulmonares. 
C) Partícula inalável 
São as partículas que ficam depositadas em qualquer lugar do trato respiratório. A ACGIH 
recomenda o limite de tolerância de 10mg/m
3
 de partículas inaláveis. 
D) Particulado torácico 
São partículas que oferecem risco quando depositadas em qualquer lugar no interior das vias 
aéreas dos pulmões e da região de troca de gases. 
E) Particulado total 
É todo o material em suspensão no ar, independente do tamanho das partículas. A NR-15 
estabelece olimite para sílica livre cristalizada e para particulados total e respirável. A ACGIH 
recomenda o limite de tolerância de poeira total, para vários tipos de poeira, embora haja uma 
tendência de fixar todos os limites para fração respirável, inalável ou torácica. 
 
Unidades de Medida 
Os limites de tolerância para exposição à poeira, exceto asbestos, são expressos em mg/m
3
, isto é, 
a massa retirada do filtro dividida pelo volume amostrado. Assim sendo, na avaliação quantitativa, 
temos de determinar esses parâmetros. 
1) Volume amostrado (m
3
) 
O volume amostrado é determinado pela seguinte fórmula: 
Va = Q x Ta 
Onde: 
Va = Volume amostrado 
Q = Vazão média durante a amostragem 
Ta = Tempo de amostragem em minutos 
Sendo a vazão da bomba em L/min e tempo de amostragem (Ta) em minutos, o volume obtido na 
fórmula será expresso em litros. Para transformar esse volume em m
3
, divide-se o resultado obtido 
por 1000. 
Assim, temos: 
Va = (Q x Ta)/1000 
2) Concentração 
A concentração de poeira em mg/m3 é obtida pela seguinte fórmula: 
C = m/Va 
Onde: 
C= Concentração de poeira 
M = Massa de amostra em mg 
Va = Volume amostrado em m
3
, conforme explicado no item anterior. 
3) PPM – Parte por milhão 
Esta unidade é muito utilizada, sendo o ppm a concentração expressa em volume / volume, 
conforme demonstrado a seguir: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4) Conversão das fórmulas (transformação de ppm para mg/m3) 
ppm = (24,45) x mg/m
3
) / PM e mg/m
3
 = (ppm x PM) / 24,45 
1% = 10000 ppm 
1 ppm = 0,0001% 
Torácicas 0 a 25 
Respirável 0 a 10 
1 m 
1 m 
1 m 
1 cm3 1 m
3 de ar 
1cm3 de ar contaminado 
 
ppm = 1 cm3 / 1 m3 = 1 cm3 / 
1000000 = 1 ppm 
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12 
Onde: 
PM = peso molecular da substância 
Ppm = parte por milhão 
 
Exemplos: 
1) Transformar 10 ppm de Benzeno (C6H6) em mg/m
3
 
Dados: 
Peso atômico – C = 12 g/mol 
 H = 1 g/mol 
PM = 12 x 6 + 6 x 1 = 78 g 
mg/m
3
 = (10 x 78) / 24,45 = 31,9 mg/m
3
 
2) Transformar 130 mg/m
3
 de CO2 para ppm 
Dados: 
C = 12 g/mol 
O = 16 g/mol 
PM = 12 + 2 x 16 = 44 g 
Ppm = (24,45 x 130) / 44 = 72,2 ppm 
3) Transformar 39 ppm de CO em mg/m
3
 
Dados: 
Peso atômico – C = 12 g/mol 
 O = 16 g/mol 
PM = 12 + 16 = 28 
mg/m
3
 = (28 x 39) / 24,45 = 44,7 mg/m
3 
 
Brief & Scala 
A adoção dos limites de tolerância da ACGIH devem ser corrigidos através da fórmula Brief & Scala, 
vez que a jornada de trabalho no Brasil é de 8 (oito) horas diárias e 44 (quarenta e quatro) horas 
semanais, enquanto os limites da ACGIH são para jornada de 8 (oito) horas por dia e 40 (quarenta) 
horas semanais. 
O fator de redução do limite de tolerância Brief & Scala é o seguinte: 
FR = (40 / h) x [(168 – h) /128] 
Onde: FR = Fator de Redução 
 h = Jornada de trabalho em horas 
Exemplo: 
O fator de redução do limite da jornada de trabalho de 40 (quarenta) horas semanais para 44 
(quarenta e quatro) horas semanais é: 
FR = (40 / 44) x [(168 – 44) / 128] = 0,88 
Assim sendo, o limite de tolerância, por exemplo, de 10 mg/m
3
 recomendado pela ACGIH para 
poeira de cimento, deverá ser corrigido no Brasil com a seguinte redução: 
LTcorrigido = 0,88 x 10 mg/m
3
 = 8,8 mg/m
3
 
Principais Instrumentos de Medição 
Para amostragem de particulados (Poeira mineral, algodão, fumos, gases e vapores), podem ser 
necessários os seguintes instrumentos: 
 Bomba gravimétrica de poeira; 
 Sistema filtrante (filtros, porta-filtro e suportes); 
 Sistema separador de tamanho de partícula (ciclone); 
 Elutriador vertical para poeira de algodão; 
 Calibradores tipo bolha de sabão; 
 Calibrador eletrônico; 
 Tubos colorimétricos; 
 Tubos de carvão ativado. 
Os meios de coleta são: 
 Filtros; 
 Tubo de sílica gel; 
 Tubo de carvão ativado; 
 Impinger, entre outros. 
 
 
 
 
 
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Bomba gravimétrica de poeira 
Esse equipamento é responsável pela aspiração de ar contaminado até o sistema de coleta. 
Atualmente, existem no mercado diversas marcas e modelos de bombas gravimétricas. Há modelos 
simples e modelos com tecnologia mais avançada, que possuem o sensor eletrônico de fluxo 
laminar, garantindo uma vazão constante, através da compensação da tensão da bateria, altitude, 
temperatura e quantidade de amostra retida no filtro. 
Elutriador vertical para poeira de algodão 
O Elutriador vertical é utilizado para avaliar a concentração de poeira de algodão. É constituído de 
uma bomba e um orifício crítico, que regula o fluxo de 7,4 l/min na entrada do elutriador. Com essa 
vazão de aspiração, são separadas as partículas menores que 15 μm, ou seja, somente as 
partículas deste tamanho irão impactar no filtro. 
Detector de gases / tubos reagentes ou colorimétricos 
Os detectores de gases podem ser de pistão ou fole, e são utilizados com os tubos reagentes ou 
colorimétricos. A medição com esse instrumento consiste na aspiração de volume conhecido de ar 
que passa pelo tubo reagente. O poluente contido no ar reage com substancia especifica do tubo e 
muda a cor, e a extensão dessa mancha permite realizar a leitura direta da concentração na escala 
o tubo. É importante ressaltar que os tubos são específicos para cada gás ou vapor. 
 
 
 
Medidor com sensor eletroquímico 
Estes instrumentos realizam medição direta e imediata dos contaminantes presentes, sendo 
constituídos de sensores, que, pelos diferentes princípios de detecção (elétrico, térmico, 
eletromagnético, etc), determinam a concentração do contaminante. 
Dosímetro passivo 
Os amostradores passivos constituem um procedimento para obter amostras ambientais sem a 
necessidade de forçar a passagem de ar por bombas, utilizando o fenômeno de difusão e adsorção, 
ou seja, podem fornecer leitura direta ou indireta através de análises laboratoriais. 
Limites de tolerância 
A Portaria Mtb n. 3214/78, NR-15, estabelece critérios para a caracterização de insalubridade e fixa 
limites de tolerância para alguns tipos de particulados. Outros tipos, também prejudiciais à saúde, 
foram relacionados no Anexo XIII da referida norma como avaliação qualitativa, ou seja, a possível 
insalubridade deverá ser verificada através de inspeção no local 
Convém ressaltar que, os limites adotados pela NR-15. 
1) Chumbo 
O anexo XI da NR-15 estabelece o limite de tolerância de 0,1 mg/m3 para chumbo, 
independentemente da forma que ele encontra-se no ambiente (poeira ou fumos metálicos). 
2) Manganês: 
 5,0 mg/m3: pra exposição à poeira de manganês e seus compostos, nas operações 
de extração, moagem, transporte de minério, entre outros. 
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14 
 1,0 mg/m3: para exposição a fumos de manganês e seus compostos, nas 
operações de fabricação de baterias de pilhas secas, vidros especiais e cerâmicas, 
fabricação uso de eletrodos de solda, tintas fertilizantes, entre outros. 
3) Negro-de-fumo 
O anexo XI da NR-15 estabelece o limite de tolerância de 3,5 mg/m3 para negro-de-fumo em uma 
jornada de até 48 (quarenta e oito) horas semanais. 
 Entende-se como ―Negro-de-fumo‖ as formas finamente divididas do carbono, produzidas 
pela combustão incompleta da decomposição térmica do gás natural ou do óleo de petróleo. 
Entende-se por exposição ao ―Negro-de-fumo‖ a exposição permanente no trabalho ao Negro-de-
fumo em suspensão no ar, originado pelo manuseiodo mesmo. 
4) Outros particulados 
O Anexo XIII da NR-15 estabelece como insalubre, pelo método de inspeção no local de trabalho, 
as atividades ou operações com arsênico, carvão mineral, cromo, silicatos, bagaço de cana, 
cimento, cal entre outros. 
Limites de tolerância recomendados pela ACGIH 
Conforme comentado anteriormente, a NR-15 não estabelece limites de tolerância para vários tipos 
de agentes químicos, omitindo importantes substancias do ponto de vista ocupacional, como por 
exemplo, algodão e madeira. De forma que preencha essa lacuna, a NR-9 da Portaria n.3.214 
dispões: 
 
Medidas de Controle 
As medidas de controle da exposição aos particulados são: 
— medidas relativas ao ambiente; 
— medidas relativas ao homem. 
Medidas relativas ao ambiente 
 1) Substituição do produto tóxico ou nocivo 
Este procedimento técnico nem sempre é possível, em se tratando do pouco avanço tecnológico e 
científico em que se encontra o parque industrial brasileiro, mas, quando possível, é a maneira mais 
segura de se eliminar ou minimizar o risco da exposição. 
Podemos exemplificar citando, por exemplo, a substituição do chumbo por óxidos menos tóxicos, 
tais como óxido de titânio e zircônio. Na fabricação e manipulação de camadas vitrificadas e tintas, 
podemos substituir o chumbo pêlos sais de zinco. Outro exemplo importante é o da substituição da 
areia contendo sílica livre por granalha de aço, nas operações de jateamento de peças, visto que se 
reduz sensivelmente o risco de silicose (quando não se tratar de peças fundidas). 
 2) Mudanças ou alteração do processo ou operação 
Consiste na alteração do processo produtivo, como, por exemplo: 
— utilização de pintura por imersão ao invés de pintura utilizando pistola; 
— mecanização e automatização de processos — ensacamento de pós. 
 3) Encerramento ou enclausuramento da operação 
Consiste no confinamento da operação, objetivando-se, assim, a impedir a dispersão do 
contaminante para todo o ambiente de trabalho. O confinamento pode ou não incluir o trabalhador. 
Quando houver processos produtivos que gerem grandes quantidades de contaminantes, e o 
trabalhador estiver inserido no enclausuramento, a ele deverá ser obrigatoriamente fornecido 
equipamento adequado de proteção pessoal, independentemente de haver ou não sistema de 
exaustão. 
 4) Segregação da operação ou processo 
Consiste, basicamente, no isolamento da operação, limitando seu espaço físico fora da área de 
produção. Normalmente se utiliza este controle quando não se pode mudar o processo produtivo, e 
o agente agressivo atinge a outros trabalhadores, contaminando-os, sem que estes participem da 
operação. 
A adoção desse processo implica em diminuir o número de trabalhadores expostos aos riscos, sem, 
contudo, deixar de levar-se em conta que os trabalhadores expostos ao risco deverão 
necessariamente fazer uso de medidas de proteção individual. 
A segregação pode ser feita no ESPAÇO ou no TEMPO: segregação no espaço consiste em isolar 
o processo a distância; enquanto segregação no tempo significa executar uma tarefa fora do horário 
normal, reduzindo igualmente o número de trabalhadores expostos. 
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15 
Como exemplo temos: jateamento de areia fora da área produtiva (segregação no espaço de 
serviços de manutenção); e reparo de alto risco realizado fora da jornada de trabalho convencional 
(segregação no tempo). 
 5) Umidificação 
É a medida mais antiga utilizada no controle da poeira. A eficiência da umidificação de poeira 
depende de dois fatores: do umedecimento da poeira e de sua adequada disposição depois de 
molhada. 
Como aplicações clássicas desse método, podemos citar a utilização de água nas operações de 
perfuração em minas e a aspersão de água sobre as mandíbulas de britadores, etc. 
 6) Ventilação geral diluidora 
A ventilação geral diluidora consiste na insuflação e exaustão de ar em um ambiente de trabalho, de 
forma que promovam a redução de concentrações de poluentes nocivos. Tal redução ocorre, uma 
vez que, ao se introduzir grandes volumes de ar puro em um ambiente contendo uma certa massa 
de determinado poluente, haverá dispersão ou diluição desta massa, reduzindo-se, assim, a 
concentração dos poluentes. 
 7) Ventilação local exaustora 
A ventilação local exaustora consiste na captação dos poluentes de uma fonte antes que estes se 
dispersem no ar do ambiente de trabalho e atinjam a zona de respiração do trabalhador. 
No que se refere ao controle da poluição do ar da comunidade, a ventilação local exaustora também 
tem papel importante. 
Tal tipo de ventilação possui várias vantagens em relação à geral diluidora, dentre elas: captura e 
controle completo do contaminante: vazões requeridas mais baixas; os contaminantes são 
recolhidos em um menor volume de ar capturado, reduzindo-se também os custos. 
 8) Ordem e limpeza 
A ordem e a limpeza constituem medidas eficazes no controle da exposição à poeira, pois os restos 
de materiais acumulados em máquina, bancada ou piso podem espalhar a poeira no ar. 
Uma boa ordem e limpeza significam limpeza dos pisos, das máquinas e de quaisquer superfícies 
horizontais; previsão de depósitos para materiais nocivos e de métodos adequados a seu transporte 
e emprego; disposição das operações de modo que limite o número de operários expostos ao risco, 
etc. 
Os métodos de limpeza também podem gerar poeira. Assim sendo, deve-se evitar o uso de 
vassoura, escova ou ar comprimido, pois estes processos provocam a emanação de poeira e, 
muitas vezes, são responsáveis exclusivos pela exposição do trabalhador a esse agente. Portanto, 
a limpeza por meio de umidificação ou por aspiração são os métodos recomendados. 
Medidas relativas ao homem 
1) Limitação do tempo de exposição 
A redução dos períodos de trabalho é uma importante medida de controle, quando todas as outras 
medidas possíveis forem impraticáveis ou insuficientes no controle de um agente. Assim, a limitação 
da exposição ao risco, dentro de critérios técnicos bem definidos, pode tornar-se a solução mais 
efetiva e econômica. 
2) Educação e treinamento 
A conscientização do trabalhador quanto aos riscos inerentes às operações, riscos ambientais e 
formas operacionais adequadas que garantam a efetividade das medidas de controle adotadas, 
além do treinamento em procedimentos de emergência e noções de primeiros socorros, deverão ter 
lugar sempre, independentemente da utilização de outras medidas de controle, servindo-lhes como 
importante complemento. 
3) Equipamentos de proteção individual 
Os equipamentos de proteção individual devem ser sempre considerados como segunda linha de 
defesa, após criteriosas considerações sobre todas as possíveis medidas de controle relativas ao 
ambiente que possam ser tomadas e aplicadas prioritariamente. 
Entretanto, há situações especiais nas quais as medidas de controle ambientais são inaplicáveis 
parcial ou totalmente. Nestes casos, a única forma de proteger o trabalhador será dotá-lo de 
equipamentos de proteção individual. 
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Nas operações em que as concentrações de poluentes são superiores ao limite de tolerância, 
devem ser usados respiradores de filtro químico (gases e vapores) e mecânico (fumos, poeira, 
etc.). 
Nos locais onde há presença de gases e poeira, devem ser usados respiradores de filtro 
combinado. 
É importante esclarecer que os respiradores devem ser usados, obrigatoriamente, durante todo o 
tempo de exposição. A não-utilização do protetor em curto espaçode tempo diminui 
significativamente o seu fator de proteção. Outras informações a respeito dos respiradores estão no 
Capítulo IX, item VI — Programa de Proteção Respiratória — PPR. 
4) Controle médico 
Os exames médicos pré-admissionais e periódicos devem ser feitos como forma de controle da 
saúde geral dos trabalhadores, de detecção de fatores predisponentes às doenças profissionais, 
assim como para avaliação da efetividade dos métodos de controle empregados. 
Glossário: 
Concentração no ar - É a relação entre o contaminante e o volume do ar amostrado no local de 
interesse; as unidades mais usuais são : mg/m
3 
 ou μg/m
3 
 (relação entre a massa da substância 
poluidora e o volume do ar amostrado). O ppm também é usado ( relação entre o volume do 
contaminante detectado na amostra e o volume do ar amostrado) ou seja, em ―partes por milhão‖. 
Valor Teto (VT) - A substância que tenha valor teto não poderá, em momento algum, formar 
concentração no ar acima do limite de tolerância , sem que medidas de controle sejam tomadas de 
imediato. 
Limite de Tolerância – É a maior concentração do agente químico, que um individuo sadio poderá 
ficar exposto, sem efeitos adversos a sua saúde. 
Nível de Ação – É o valor acima do qual devem ser iniciadas as ações preventivas de forma a 
minimizar a probabilidade de que as exposições a agentes ambientais ultrapassem os limite de 
exposição. Estes níveis de ação estão definidos na NR-09, do MTE. 
Limite de Tolerância – Média Ponderada – Na tabela limite de tolerância não tem a coluna valor 
teto assinalada, representa a concentração média existente durante a jornada de trabalho, podendo-
se ter valores acima do limite fixado, desde que sejam compensados com valores abaixo deste, 
acarretando uma média ponderada igual ou inferior ao limite de tolerância. 
No entanto, estas oscilações para cima não podem ser indefinidas, devendo respeitar um valor 
máximo que não pode ser ultrapassado. 
Valor Máximo (VM) – É obtido através da equação VM = LT x FD, onde FD = fator de desvio 
(tabelado), de acordo com o limite de tolerância (LT). 
O valor máximo é calculado para as substâncias que não possuam valor teto. 
O valor máximo de concentração não poderá ser excedido em momento algum da jornada de 
trabalho; caso ocorra a situação será considerada de risco grave e iminente. 
 Quadro nº 2 – Anexo 11 da Portaria 3214 
L.T. (Limite de Tolerância em ppm ou mg/m
3
) F.D. (Fator de Desvio) 
0 a 1 3 
1 a 10 2 
10 a 100 1,5 
100 a 1000 1,25 
Acima de 1000 1,1 
O anexo 13, da NR 15, que estabelece os limites de tolerância para cada uma das substâncias, de 
acordo com a gravidade dos efeitos que cada uma delas poderá causar no organismo humano. 
Além disso, define, as condições de riscos grave e iminente, sempre que os valores máximos sejam 
ultrapassados, permitindo a Delegacia Regional do Trabalho interditar o local de trabalho. 
Exercícios resolvidos 
1)Ao se avaliar a concentração de amônia (LT=20 ppm) num local de trabalho, verificou-se que o 
trabalhador fica exposto: 3 horas a 10 ppm e 5 horas a 25 ppm. O limite de tolerância foi 
ultrapassado? 
Resolução : 
Concentração Média : valor da concentração x horas + ....... 
 8 horas de trabalho 
Concentração Média : 10x3 + 25x5 = 19,3 
 8 
Amônia = 20 ppm (limite de tolerância) 
Valor Máximo = LT x FD 
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17 
 = 20 x 1,5 = 30 ppm 
A maior concentração obtida é de 25 ppm, inferior ao valor máximo. 
Como nem o limite fixado e nem o valor máximo foram ultrapassados, pode-se afirmar que o limite 
de tolerância foi respeitado. 
2)Transformar 10 ppm de benzeno (C6 H6 ) em mg/m
3
 
Dados: peso atômico C = 12 g/mol 
 H= 1 g/mol 
PM= 12x6 + 6x1 = 78 g 
mg/m
3
 = 10 x 78 = 31,9 
 24,45 
2. AGENTES FÍSICOS 
 
RUÍDO 
Conceitos e parâmetros básicos 
a) Som 
O som é qualquer vibração ou conjunto de vibração ou ondas mecânicas que podem ser ouvidas. 
Na higiene ocupacional, costuma-se denominar barulho como todo o som indesejável; o barulho e o 
ruído são interpretações subjetivas e desagradáveis de um som. 
Para a vibração ser ouvida, é necessário que a freqüência do som situe-se entre 16 a 20.000 Hz, e 
a variação de pressão sonora provocada pela vibração atinja o limiar de audibilidade (2 x IO
-5
 N/m
2
). 
b) Ruído 
 
Do ponto de vista de Higiene do Trabalho: 
 
"O ruído é o fenômeno físico vibratório com características indefinidas de variações de pressão (no 
caso ar) em função da freqüência, isto é, para uma dada freqüência podem existir, em forma 
aleatória através do tempo, variações de diferentes pressões." 
 
Essa é uma situação real e freqüente, daí se utilizar a expressão ruído, "mas que não 
necessariamente significa sensação subjetiva do barulho". Ex.: choro da criança. 
c) Nível de pressão sonora — Decibel 
 
O nível de pressão sonora determina a intensidade do som e representa a relação do logaritmo 
entre a variação da pressão (P) provocada pela vibração e a pressão que atinge o limiar de 
audibilidade. Por meio de pesquisas realizadas com pessoas jovens, sem problemas auditivos, foi 
revelado que o limiar de audibilidade é de 2 x 10
-5
 N/m
2
 ou 0,00002 N/m
2
. Desse modo, 
convencionou-se este valor como sendo O (zero) dB, ou seja, o nível de pressão de referência 
utilizado pêlos fabricantes dos medidores de nível de pressão sonora. Quando a pressão sonora 
atinge o valor de 200 N/m
2
, a pessoa exposta começa a sentir dor no ouvido (limiar da dor), sendo 
este valor correspondente a 140 dB. 
A determinação do nível de pressão sonora é feita através de uma relação logarítmica, conforme a 
equação a seguir: 
NPS = 10 log P
2
 / P0
2
 
Onde: P é a raiz média quadrática (rms) das variações dos valores instantâneos da pressão sonora. 
P0 = Pressão de referência que corresponde ao limiar de audibilidade (2 x 10
-5
 N/m
2
). 
Se for aplicada à fórmula o valor de 2 x 10
-3
 N/m
2
 (constante) ela poderá também ser expressa da 
seguinte maneira: 
nps= 20 log p + 94 
d) Freqüência do som 
A freqüência do som corresponde ao número de vibrações na unidade de tempo. Assim, uma 
vibração completa ou ciclo sobre seu tempo de duração, por exemplo, de 0,01 segundo é igual a: 
F = 1 ciclo ou vibração completa = 100 ciclos ou Hertz 
 0,01 segundo segundo 
 
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18 
 
 
 
 
e) Nível de intensidade sonora e nível de potência sonora 
Além do nível de pressão sonora, outros parâmetros 
como o nível de intensidade e potência sonora são utilizados em acústica para especificar o ruído 
de equipamentos, cálculos de isolamento, e estimativa de ruído que uma fonte produz a uma 
determinada distância. 
O nível de intensidade sonora, também expresso em dB, é igual a NIS =10 log l / In, onde l = a 
intensidade sonora em um ponto específico e a quantidade média de energia sonora transmitida 
através de uma unidade de área perpendicular à direção de propagação do som. O nível de 
intensidade sonora expresso em dB é igual a: 
IØ= Intensidade de referência igual a 10
-12
 Watt/m
2
 
Já o nível de potência sonora, também expresso em dB, é igual a: 
NWS= 10 log W / WØ 
Onde: 
W = Potência sonora da fonte em watts e representa a quantidade de energia acústica produzida 
por uma fonte sonora por unidade de tempo. 
WØ = Potência sonora de referênciaigual a 10
-12
 watts. 
f) Nível de decibel compensado ou ponderado 
O ouvido humano responde de forma diferente nas diversas freqüências, portanto, ouvir um som em 
3000 Hz a sensação é diferente de ouvi-lo a 500 Hz. Desse modo, com base em estudos de nível 
de audibilidade, foram desenvolvidas as curvas de decibéis compensados ou ponderações nas 
freqüências A, B, C e D, de forma que simulem a resposta do ouvido. Estas curvas de compensação 
foram padronizadas internacionalmente e introduzidas nos circuitos elétricos dos medidores de nível 
de pressão sonora. A figura que se segue mostra as curvas de compensação: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pelo gráfico, observa-se que um som de 100 dB emitido numa freqüência de 50 Hz, quando 
compensado pelas curvas, fornecerá as seguintes leituras no medidor de nível de pressão sonora: 
Curva ―A‖ – 70 dB 
Curva ―B‖ – 82,0 dB 
Curva ―C‖ – 99 dB 
Curva ―D‖ – 86,0 dB 
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19 
As normas internacionais e o Ministério do Trabalho adotaram a curva de compensação ―A‖ para 
medições de níveis de ruído contínuo e intermitente, devido à sua maior aproximação à resposta do 
ouvido humano. 
O circuito "A" aproxima-se das curvas de igual audibilidade para baixos Níveis de Pressão Sonora; 
o circuito "B" para médios Níveis de Pressão Sonora; e o circuito "C" para Níveis de Pressão 
Sonora mais altos. Hoje, entretanto, somente o circuito "A" é largamente usado, uma vez que os 
circuitos "B" e "C" não tiveram boa correlação em testes subjetivos. Uma curva especializada, a 
compensação "D", foi padronizada para medições em aeroporto. 
g) Incremento de duplicação da dose 
O incremento em decibéis é quando o acréscimo a um determinado nível implica a duplicação da 
dose de exposição ou redução pela metade do tempo máximo de exposição (NHO - 01 — 
Fundacentro). Exemplo: Na NR-15, Anexo l, o incremento de duplicação é igual a 5 (cinco). 
h) Dose equivalente de ruído ou efeitos combinados 
Quando a exposição ao ruído é composta de dois ou mais períodos de exposição de diferentes 
níveis, devem ser considerados seus efeitos combinados, ao invés dos efeitos individuais (NR-15, 
Anexo l, item c). Este efeito combinado ou dose equivalente é calculado através da soma das 
seguintes frações: 
C1 / T1 + C2 / T2 + C3 / T3 ... Cn / Tn 
Onde: 
Cn = Tempo total de exposição a um nível específico. 
Tn = É a duração total permitida a esse nível, conforme limites estabelecidos no Anexo l da NR-15. 
O resultado obtido não pode exceder a 1 (um). 
Os efeitos combinados podem ser obtidos com maior precisão utilizando-se o audiodosímetro, o 
qual indica a dose em percentual, assim, o limite será excedido quando esta for superior a 100%. 
A dose ou efeito combinado pode ser obtida também com o medidor de NPS. Entretanto, neste 
caso, o procedimento é bem trabalhoso, pois é necessário estimar ou cronometrar com exatidão os 
tempos de exposição a cada nível. 
i) Nível equivalente de ruído 
Com base na dose, obtém-se o nível equivalente de ruído. Este nível apresenta a exposição 
ocupacional do ruído durante o tempo de medição e representa a integração dos diversos níveis 
instantâneos de ruído ocorridos nesse período. A NR-15 considera o incremento de duplicação igual 
a 5 (q = 5), isto é, a cada incremento de 5 dB no nível equivalente, dobra a equivalência de energia 
e, conseqüentemente, o risco de dano auditivo. Assim, a equação que representa o critério adotado 
pela NR-15 é a seguinte: 
Leq = 100 + 16,61 x log D/T 
Onde: 
D = Dose equivalente em fração decimal, ou seja, o valor obtido no audiodosímetro deve ser 
dividido por 100. 
T = Tempo de medição. 
LEQ = Nível equivalente de ruído. 
Ruído contínuo e intermitente 
Segundo a NR-15 da Portaria n. 3.214 e a norma da Fundacentro, o ruído contínuo ou intermitente é 
aquele não classificado como impacto. Do ponto de vista técnico, ruído contínuo é aquele cujo NPS 
varia 3 dB durante um período longo (mais de 15 minutos) de observação. Exemplo: 
o ruído dentro de uma tecelagem. Já o ruído intermitente é aquele cujo NPS varia de até 3 dB em 
períodos curtos (menor que 15 minutos e superior a 0,2 segundos). Entretanto, as normas não 
diferenciam o ruído contínuo ou intermitente para fins de avaliação quantitativa desse agente. 
l) Ruído de impacto ou impulsivo 
A NR-15, Anexo II, da Portaria n. 3.214 define ruído de impacto como picos de energia acústica de 
duração inferior a 1 (um) segundo, a intervalos superiores a 1 (um) segundo. 
Quando se utiliza a instrumentação específica pela norma ANSI S1.4, S1.25 ou IEC 804, o ruído 
impulsivo ou de impacto é automaticamente incluído na medição. A única exigência é que a faixa de 
medição seja de 80 a 140 dB(A), e que a faixa de detecção de pulso seja de, no mínimo, 63 dB(A). 
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20 
Não deve ser permitida nenhuma exposição para ouvidos desprotegidos a níveis de pico acima de 
140 dB, medidos no circuito de compensação C. Se a instrumentação não permite a medição de 
pico no circuito C, uma medição linear com o nível de pico abaixo de 140 dB pode ser usada para 
implicar que o nível de pico ponderado no circuito C está abaixo de 140 dB. 
m) Espectro sonoro 
A faixa audível de freqüência situa-se entre 16 e 2000 Hz, sendo inúmeras as possibilidades de 
distribuição da energia sonora na referida faixa. Daí a necessidade de se avaliar as freqüências em 
certos tipos de avaliação de ruído. A análise desta distribuição de nível de pressão sonora na faixa 
de freqüência é muito importante para determinar a nocividade do ruído e os meios adequados de 
controle. 
Para realizar a análise de freqüência, a faixa audível pode ser dividida em bandas de oitava, terça 
de oitava e meia oitava, faixa de percentagem, faixa de largura constante, entre outras, sendo a 
banda de oitava a mais usada na higiene ocupacional. 
Efeitos do ruído sobre o organismo 
O ruído contribui para distúrbios gastrointestinais, distúrbios relacionados com o sistema nervoso 
(por exemplo: irritabilidade, nervosismo, vertigens, etc.). Um ruído intenso e súbito acelera o pulso, 
eleva a pressão arterial, contrai os vasos sanguíneos, contrai os músculos do estômago, dentre 
outras alterações. 
Há pessoas que se adaptam ao ruído, e aparentemente este não interfere na sua habilidade manual 
e mental. Outras há, porém, que são extremamente sensíveis a este agente, sofrendo alterações 
diversas em local muito ruidoso. O que ocorre normalmente com aqueles que são extremamente 
sensíveis é que, após uma fase inicial de adaptação ao ruído, durante a qual vários sintomas se 
fazem sentir, não sofrem mais alterações de ordem geral no organismo. 
Quanto ao ruído na comunidade, é altamente indesejável, principalmente em zonas residenciais, 
junto a escolas, clínicas, etc. Um dos aspectos é a sua interferência com o sono, pois um repouso 
tranquilo é necessário para o bem-estar físico e mental. 
Efeitos do ruído sobre o aparelho auditivo 
a) Ruptura do tímpano 
Pode ocorrer a ruptura do tímpano por deslocamento de ar muito forte, como o resultante de uma 
explosão, ou outros ruídos de impacto violento. A ruptura desta membrana que separa o ouvido 
externo do ouvido médio é por causa da variação brusca e relativamente acentuada de pressão. É 
geralmente reversível, pois o tímpano, na maioria dos casos, cicatriza-se normalmente. A situação 
pode tornar-se mais grave se houver complicações, como, por exemplo, infecção no ouvido médio. 
Quanto aos níveis que causam ruptura do tímpano, não existe um limiteexalo, pois a 
susceptibilidade individual é fator importante. Na maioria dos casos, níveis de 120 dB causam uma 
sensação de extremo desconforto; a 130 dB há sensação de prurido no ouvido com início de dor; e 
a 140 dB há distinta sensação de dor nos ouvidos. Daí em diante pode ocorrer ruptura do tímpano, 
muito provável a 150 ou 160 dB. Têm havido casos raros de deslocamento dos ossículos do ouvido 
médio como resultado de explosões violentas. 
b) Perda de audição por trauma sonoro 
A perda de audição, resultante de exposição a níveis elevados de ruído, ou seja, por trauma sonoro, 
pode ser temporária ou permanente. 
Quando a diminuição da capacidade auditiva ou hipoacusia for temporária, o indivíduo 
gradualmente recupera sua audição. O mecanismo da surdez temporária não é bem conhecido, é 
como uma fadiga auditiva. Um nível de ruído que causa alterações na capacidade auditiva deve ser 
considerado como uma possível ameaça de surdez profissional. 
A surdez permanente por trauma sonoro ocorre pela destruição das células sensoriais do órgão de 
corti, sendo, portanto, uma surdez de percepção. 
Essa perda de audição, que é irreversível, pode atingir proporções tais que incapacitem o indivíduo 
para a comunicação oral. 
Pode ocorrer que um trauma violento, como o resultado de uma explosão, cause destruição 
imediata das células ciliadas do órgão de corti o que, no entanto, é extremamente raro. O mais 
frequente é um processo gradativo. As perdas de audição por trauma sonoro caracterizam-se por 
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21 
iniciarem na faixa de frequência entre 3000 cps e 6000 cps, mais frequentemente 4000 cps. O início 
de um processo de surdez profissional pode ser constatado por meio de um exame audiomé-trico; a 
perda de audição ao redor de 4000 cps aparece no audiogra-ma com um formato característico, por 
isso sua denominação de "gota acústica". 
Como, em casos de surdez profissional, as perdas começam em frequência acima daquelas 
indispensáveis para a voz humana, o indivíduo inicialmente não percebe problema algum. Depois 
começa uma dificuldade de ouvir sons agudos. Quando a perda começa a afetar as frequências 
indispensáveis para a conversação é que o indivíduo passa a sentir dificuldades, que se tornam 
cada vez mais sérias, até a surdez quase total, se não houver afastamento da exposição. Poderá 
haver sintomas colaterais como zumbido nos ouvidos, reprodução do ruído industrial após sua 
cessação, insónia e, raramente, dor. 
Instrumentos de medição 
a) Medidor de nível de pressão sonora 
A NR-15, Anexo l, estabelece que os níveis de ruído contínuo ou intermitente devem ser medidos 
em decibéis (dB), com o instrumento de nível de pressão sonora operando no circuito de 
compensação "A" e no circuito de resposta lenta. Já a ACGIH recomenda que o nível de pressão 
sonora deve ser determinado por um medidor de nível de pressão sonora ou dosímetro que atenda, 
no mínimo, às especificações para medidores de nível de som S1.4/1983, S2A ou para dosímetros 
individuais de ruído, ambos da American national Standards Institute (ANSI). O medidor do nível de 
pressão sonora determina o nível instantâneo de ruído; e os intrumentos mais modernos possuem 
analisador de freqüência integrado, conforme mostra a figura que se segue: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
b) Analisador de freqüência 
 
Este instrumento é útil para determinar-se as freqüências do ruído e, conseqüentemente, verificar se 
o NPS concentra-se nas freqüências onde a resposta subjetiva ao ruído é maior (2000 a 5000 Hz). 
Além disso, a análise de freqüências onde a resposta subjetiva permite especificar os isolamentos 
acústicos e calcular a atenuação dos protetores auriculares. 
c) Audiodosímetro (medidor integrado de uso pessoal) 
Quando há exposição diária a diferentes níveis de ruído, devem ser considerados os efeitos 
combinados, ao invés dos efeitos individuais de cada um deles. 
A determinação da dose ou efeito combinado e o nível equivalente de ruído deve ser feita, 
preferencialmente, por meio de medidores integrados de uso pessoal (dosímetros de ruído). Este 
equipamentos deve ser configurado de acordo com as exigências do critério estabelecido na NR-15, 
ou seja, jornada de trabalho 8 (oito) horas dose 100% ou 1 para 85 dB(A) e incremento igual a 5. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Medidor de nível de pressão 
sonora integrado com 
analisador de freqüência. 
Audiodosímetro 
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22 
 
 
 
 
d) Calibrador acústico 
Os instrumentos de medição devem ser calibrados antes e depois da medição. Parar tanto, utiliza-
se uma fonte-padrão que emite som na freqüência de 1000Hz. Esse instrumento, ao ser ajustado no 
microfone do medidor, apresenta o nível de pressão sonora de 94 dB, 114 dB ou outro valor, de 
acordo com a marca do calibrador. Se o valor apresentado for diferente do padrão, o medidor 
poderá ser ajustado. A figura 3 lustra o calibrador acústico: 
 
 
 
 
 
Limite de tolerância 
 
O item 15.1.5, NR-15, da Portaria n.3.214 define com o limite de tolerância a concentração ou 
intensidade máxima oi mínima relacionada com a natureza e o tempo de exposição ao agente, que 
não causará dano à saúde do trabalhador durante sua vida laboral. Já a American Conference of 
Governmental Industrial Hygienists – ACGIH estabelece que o limite de tolerância visa a proteger a 
maioria da população, de forma que a perda auditiva média produzida pelo ruído nas freqüências de 
500, 1000 e 3000 Hz, durante 40 (quarenta) anos de exposição, não exceda a 2 dB. Assim, os 
valores dos limites de tolerância são referenciais para um programa de conservação auditiva. 
Conseqüentemente, o limite de tolerância representa as condições sob as quais se acredita que a 
maioria dos trabalhadores expostos repetidamente não sofra efeitos adversos à sua capacidade de 
ouvir e entender uma conversação normal (ACGIH). 
A NR-15 definiu como ruído contínuo ou intermitente aquele eu não seja de impacto. Para o ruído 
contínuo ou intermitente, a NR-15, Anexo I, fixa para cada nível de pressão sonora o tempo diário 
máximo permitido. Os limites de tolerância e a metodologia de avaliação da NR-15 estão transcritos 
a seguir 
Limite de tolerância para ruídos continuo ou intermitente 
Nível de Ruído dB (A) Máxima Exposição Diária Permissível 
85 8 horas 
86 7 horas 
87 6 horas 
88 5 horas 
89 4 horas e 30 min 
90 4 horas 
91 3 horas e 30 minutos 
92 3 horas 
93 2 horas e 40 minutos 
94 2 horas e 15 minutos 
95 2 horas 
96 1 hora e 40 minutos 
98 1 hora e 15 minutos 
100 1 hora 
102 45 minutos 
104 35 minutos 
Calibrador acústico 
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23 
105 30 minutos 
106 25 minutos 
108 20 minutos 
110 15 minutos 
112 10 minutos 
114 8 minutos 
115 7 minutos 
1) Entende-se por ruído contínuo ou intermitente, para os fins de aplicação de limites de tolerância, 
o ruído que não seja ruído de impacto. 
2) Os níveis de ruído contínuo ou intermitente devem ser medidos em decibéis (dB) com 
instrumento de nível de pressão sonora operando no circuito de compensação "A" e circuito de 
resposta lenta (slow). As leituras devem ser feitas próximas ao ouvido do trabalhador. 
3) Os tempos de exposição aos níveis de ruído não devem exceder os limites de tolerância fixados 
no Quadro deste anexo. 
4) Para os valores encontrados de nível de ruído intermediário, será consideradaa máxima 
exposição diária permissível relativa ao nível imediatamente mais elevado. 
5) Não é permitida exposição a níveis de ruído acima de 115 dB(A) para indivíduos que não estejam 
adequadamente protegidos. 
6) Se durante a jornada de trabalho ocorrerem dois ou mais períodos de exposição a ruído de 
diferentes níveis, devem ser considerados os seus efeitos combinados, de forma que, se a soma 
das seguintes frações. 
C1 / T1 + C2 / T2 + C3 / T3 ............ Cn / Tn 
Na equação acima, Cn indica o tempo total que o trabalhador fica exposto a um nível de ruído 
específico, e Tn indica a máxima exposição diária permissível a este nível, segundo o Quadro deste 
Anexo. 
7) As atividades ou operações que exponham os trabalhadores a níveis de ruído, contínuo ou 
intermitente, superiores a 115 dB(A), sem proteção adequada, oferecerão risco grave e iminente. 
 
Avaliação do ruído 
A avaliação do ruído pode ser feita com os seguintes objetivos: 
a) Avaliação ocupacional 
Este tipo de avaliação visa constatar os possíveis riscos de dano auditivo e seu controle. O efeito do 
ruído depende: 
1) NPS e distribuição de NPS por frequências (espectro sonoro). 
2) Duração da exposição. 
3) Número de vezes que a exposição se repete por dia. 
4) Suscetibilidade individual. 
Portanto, nessa avaliação, o higienista deve conhecer esses parâmetros de maneira que definia a 
magnitude do risco e, conseqüentemente, adote as medidas de controle. A NR-09, NR-15 e ACGIH 
são normas a serem seguidas nessa avaliação. 
b) Avaliação do ruído para caracterização da insalubridade 
A perícia visando à possível caracterização da insalubridade tem como base legal a NR-15, Anexos 
1 e 2, sendo, na maioria das vezes, realizada em perícias judiciais. 
c) Avaliação para fins de aposentadoria especial 
Esta avaliação é realizada para fins de comprovação perante o INSS da exposição a níveis de ruído 
prejudiciais à saúde. O critério utilizado são as normas da NR-15, ACGIH e da previdência social 
(Decreto n. 3.048/99). 
d) Avaliação para fins de conforto 
O critério utilizado nesta avaliação está regulamentado na NR-17 da Portaria 3.214/78 e normas da 
ABNT, em especial na NBR 10152, as quais serão mais detalhadas no Capítulo Vil — Ergonomia. 
e) Avaliação da perturbação do sossego público 
Nesta avaliação, a regulamentação encontra-se em legislação municipal, estadual ou federal, e 
normas técnicas pertinentes, em especial nas normas da NBR 10151 e NBR 10152 da ABNT, as 
quais sugerimos aos leitores a consulta. 
Medidas de controle 
HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho 
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24 
As medidas de controle do ruído podem ser consideradas basicamente de três maneiras distintas: 
na fonte, trajetória e no homem. As medidas na fonte e na trajetória deverão ser prioritárias, quando 
viáveis tecnicamente. 
Controle na fonte 
Dentre as medidas de controle na fonte, podemos destacar: 
— substituir o equipamento por outro mais silencioso; 
— balancear e equilibrar partes móveis; 
—lubrificar eficazmente rolamentos, mancais, etc. 
— reduzir impactos na medida do possível; 
—alterar o processo; 
— programar as operações, de forma que permaneça o menor número de máquinas funcionando 
simultaneamente; 
— aplicar material de modo que atenue as vibrações; 
— regular os motores; 
— reapertar as estruturas; 
— substituir engrenagens metálicas por outras de plásticos ou celeron. 
Controle no meio 
Não sendo possível o controle na fonte, o segundo passo é a verificação de possíveis medidas 
aplicadas no meio, as quais consistem em: 
— evitar a propagação, por meio de isolamento; 
— conseguir um máximo de perdas energéticas por absorção. 
O isolamento acústico pode ser feito das seguintes formas: 
1) Evitando que o som propague-se a partir da fonte: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2) Evitando que o som chegue ao receptor: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Isolar a fonte – Significa a construção de barreira que separe a causa do ruído do meio que o 
rodeia, para evitar que este som se propague. 
Isolar o receptor – Construção de barreiras que separem a causa e o meio do individuo exposto ao 
ruído. 
HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho 
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25 
Isolamento acústico das fontes ruidosas consiste na colocação de barreiras isolantes e absorventes 
de som. Melhores resultados serão obtidos se as barreiras forem revestidas internamente com 
material absorvente de som (cortiça, lã de vidro, etc.); e a face externa com material isolante de 
som (paredes de alvenaria), conforme desenho a seguir: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Outra medida de controle na trajetória é procurar alcançar o máximo de perdas energéticas por 
absorção por meio de tratamento acústico das superfícies. Esta medida é feita revestindo-se o local 
com material absorvente de som, no sentido de se evitar reflexão deste. 
Controle no homem 
Não sendo possível o controle do ruído na fonte e na trajetória, deve-se, como último recurso, 
adotar medidas de controle no trabalhador. Estas podem ser adotadas como complemento às 
medidas anteriores, ou quando não forem suficientes para corrigir o problema. Como medida de 
controle no homem, sugere-se: 
a) Limitação do tempo de exposição 
Consiste em reduzir o tempo de exposição aos níveis de ruído superiores a 85 dB(A), tomando-se o 
cuidado para que o valor-limite para exposição a dois ou mais níveis de ruído diferentes não seja 
ultrapassado. 
b) Equipamentos de proteção individual — Protetores auriculares 
São protetores colocados no ouvido do trabalhador, devendo ser utilizados quando não for possível 
o controle para atenuação do ruído a níveis satisfatórios. 
Deve-se ressaltar que a simples utilização do EPI não implica eliminação do risco de o trabalhador 
vir a sofrer diminuição da capacidade auditiva. Os protetores auriculares, para serem eficazes, 
deverão ser usados de forma correta e obedecer aos requisitos mínimos de qualidade representada 
pela capacidade de atenuação, que deverá ser devidamente testada por órgão competente. O uso 
constante do protetor é importante para garantir a eficácia da proteção. Exemplificando: para um 
protetor que garanta uma atenuação igual a 20 dB(A), quando usado constantemente (100% do 
tempo), atenuará somente 5 dB(A) se o protetor for utilizado em 50% do tempo de exposição, 
conforme o quadro a seguir: 
 
VIBRAÇÃO 
 
Conceitos básicos/classificação 
A exposição ocupacional à vibração não é tão estudada quanto os outros agentes, todavia, sua 
ocorrência na indústria é bastante freqüente. Os efeitos deste agente na saúde humana é 
considerável, sendo, portanto, a avaliação e controle necessários. 
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26 
A vibração é um movimento oscilatório de um corpo devido a forças desequilibradas de 
componentes rotativos e movimentos alternados de uma máquina ou equipamento. Se o corpo 
vibra, descreve um movimento oscilatório e periódico, envolvendo deslocamento num certo tempo. 
Teremos, então, envolvidas no movimento uma velocidade, aceleração e frequência (número de 
ciclos completos/minuto). 
a) Unidades 
Como a vibração é um movimento oscilatório, para sua quantificação pode-se utilizar os parâmetros 
deslocamento, velocidade e aceleração. Para efeito de higiene ocupacional, a avaliação da 
vibração será feita através de aceleração em m/s
2
 ou em dB. Para aceleração de vibração, o 
decibel será obtido pela fórmulaabaixo: 
b) Aceleração Equivalente 
Quando a exposição à vibração é diferente em dois ou mais períodos da jornada, deve ser 
considerada a aceleração equivalente, de acordo com a fórmula a seguir: 
c) Classificação das vibrações 
1) Vibração ocupacional de corpo inteiro — São vibrações transmitidas ao corpo como um todo, 
geralmente através da superfície de suporte, tais como pé, costas, nádegas de um homem sentado 
ou na área de suporte de um homem reclinado. 
2) Vibração ocupacional mão e braço ou localizada — São vibrações que atingem certas partes do 
corpo, principalmente mãos, braços e outros. Como os sistemas corpo inteiro e braços/mãos são 
mecanicamente diferentes, deverão ser estudados separadamente. 
3) Vibração para conforto— Determinada ocupação pode causar desconforto intolerável em uma 
situação e ser agradável ou desejada em outras. Logo, os valores de conforto dependem de vários 
fatores, alguns até subjetivos. Desse modo, a ISO 2631 não estabelece limite para o conforto, 
limitando-se apenas em indicar valores de acelerações onde as reações das pessoas são 
prováveis. 
4) Vibração meio ambiente — São vibrações capazes de provocar desconforto e perturbação do 
sossego público, como, por exemplo, prédios, veículos, entre outros. 
5) Vibração máquinas — São vibrações que podem indicar problemas de manutenção em máquinas 
e equipamentos. Logo, são medidas pêlos técnicos de manutenção preventiva e comparadas como 
valores das normas técnicas pertinentes. 
d) Aceleração ponderada 
Dependendo dos efeitos da exposição, as medições de corpo inteiro, mão e braço e conforto são 
ponderadas nas frequências conforme será explicado adiante. 
Critério Legal 
A legislação brasileira prevê, por intermédio da Norma Regulamentadora NR-15—Anexo VIII, com 
redação dada pela Portaria n. 12, de 1983, que as atividades e operações as quais exponham os 
trabalhadores sem proteção adequada às vibrações localizadas ou de corpo inteiro serão 
caracterizadas como insalubres, 
Vibração de corpo inteiro 
a) Direção da vibração 
As vibrações retilíneas transmitidas ao ser humano devem ser medidas nas direções correias de um 
sistema ortogonal de coordenadas que tenham sua origem na posição do coração, conforme o 
esquema a seguir: 
 
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27 
 
 
b) Efeitos sobre a saúde 
A exposição à vibração de corpo inteiro pode causar danos físicos permanentes ou distúrbios no 
sistema nervoso. A exposição diária à vibração de corpo inteiro poderá resultar em danos na região 
espinhal, podendo também afetar o sistema circulatório e/ou urológico, além do sistema nervoso 
central. Sintomas de distúrbios freqüentemente aparecem durante ou logo após a exposição sob a 
forma de fadiga, insônia, dor de cabeça e tremor. No entanto, estes sintomas geralmente desapa-
recem após um período de descanso. 
Os efeitos observados em grupos expostos a condições severas de vibração foram problemas na 
região dorsal e lombar, gastrointestinais, sistema reprodutivo, desordens no sistema visual, 
problemas nos discos intervertebrais e degeneração na coluna vertebral. 
Vibração localizada 
a) Direção da vibração 
As direções da vibração devem ser reportadas às direções de um sistema de coordenadas 
ortogonais, conforme sugerido abaixo: 
b) Os efeitos sobre a saúde 
Os principais efeitos por causa da exposição à vibração no sistema mão/braço podem ser de ordem 
vascular, neurológica, osteoarticular e muscular. A evolução da doença nos seus diversos estágios, 
em função da exposição diária, ao longo de meses, pode ser observada através da descrição 
realizada por Taylor e Pelmear, conforme resumo a seguir: 
— Formigamento ou adormecimento leve e intermitente, ou ambos, são frequentemente ignorados 
pelo paciente porque não interferem no trabalho ou em outras atividades. São os primeiros sintomas 
dasíndrome. 
O MTE estabelece que nas perícias visando à caracterização de insalubridade por vibração deve-se 
seguir as normas da ISO e suas substitutas sem, todavia, definir ou orientar os intérpretes sobre 
qual critério a ser adotado. Por outro lado, a NR-9 estabelece que os resultados da avaliação 
quantitativa devem ser comparados com os limites recomendados pela ACGIH, quando não houver 
limites definidos na NR-15. 
 
CALOR 
 
1 — Conceitos básicos 
Quando o trabalhador está exposto a uma ou várias fontes de calor, ocorrem as seguintes trocas 
térmicas entre o ambiente e o organismo: 
— Condução/Convecção — C. 
— Radiação — R. 
—Evaporação—E. 
— Metabolismo — M. 
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28 
a) Condução 
É o processo de transferência de calor que ocorre quando dois corpos sólidos ou fluido que não 
está em movimento, a diferentes temperaturas, são colocados em contato. O calor do corpo de 
maior temperatura transfere-se para o de menor até que haja um equilíbrio térmico, isto é, quando a 
temperatura dos corpos igualar-se. Ex.: aquecimento de uma barra de ferro. 
b) Convecção 
É o processo de transferência de calor idêntico ao anterior, mas, neste caso, a transferência de 
calor realiza-se através de fluido em movimento. Ex.: aquecimento de um becker com água. 
c) Radiação 
Quando há transferência de calor sem suporte material algum, o processo é denominado radiação. 
A energia radiante passa através do ar sem aquecê-lo apreciavelmente e aquecerá a superfície 
atingida. A energia radiante passa através do vácuo ou de outros meios a uma velocidade que 
depende do meio. Ex.: radiação emitida por um forno elétrico. 
d) Evaporação 
É o processo de transformação de um líquido, a determinada temperatura, para a fase gasosa, 
passando, portanto, para o meio ambiente. Não é necessário diferença de temperatura para 
desenvolvimento do processo. O calor transferido desta forma é chamado calor latente, 
diferenciando-se assim do que se transmite através de variação de temperatura, que é chamado 
calor sensível. No fenômeno de evaporação, o líquido retira calor do sólido para passar a vapor, 
podendo-se, portanto, afirmar que o sólido perderá calor para o meio ambiente por evaporação. Ex.; 
suor emanado após uma atividade física (jogar futebol). 
e) Metabolismo 
É o calor gerado pelo metabolismo basal resultante da atividade física do trabalhador. Quanto mais 
intensa for a atividade física, maior será o calor produzido pelo metabolismo. 
 2.1 — Fatores que influem nas trocas térmicas entre o ambiente e o organismo 
A complexidade do estudo do calor reside no fato de haver diversos fatores variáveis, que 
influenciam nas trocas térmicas entre o corpo humano e o meio ambiente, definindo, dessa forma, a 
severidade da exposição ao calor. 
Dentre os inúmeros fatores que influenciam nas trocas térmicas, cincos principais devem ser 
considerados na quantificação da sobrecarga térmica: 
— temperatura do ar; 
— umidade relativa do ar; 
—velocidade do ar; 
—calor radiante; 
—tipo de atividade; 
a) Temperatura do ar 
Como foi observado anteriormente, é necessário que haja um gradiente de temperatura para que 
possibilite os mecanismos de troca térmica: 
condução, convecção e radiação. Desse modo, o sentido de transmisão de calor dependerá de 
defasagem positiva ou negativa entre a temperatura do ar e a temperatura da pele. Se a 
temperatura do ar for maior que a da pele, o organismo ganhará calor por condução-convecção, e 
se a temperatura do ar for menor que a da pele, o organismo perderá valor por condução-
convecção. A quantidade de calor ganha ou perdida é diretamente proporcionalà defasagem entre 
as temperaturas. 
b) Umidade relativa do ar 
Este parâmetro influi na troca térmica entre o organismo e o ambiente pelo mecanismo de 
evaporação. Desse modo, a perda de calor no organismo por evaporação dependerá de umidade 
relativa do ar, isto é, da quantidade de água presente numa determinada quantidade de ar. 
Sabe-se que o organismo humano perde em média 600 kcal/h pela evaporação do suor, isto se a 
umidade relativa for 0%. Quanto maior a umidade relativa (maior saturação de água no ar), menor 
será a perda de calor por evaporação. 
c) Velocidade do ar 
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29 
A velocidade do ar no ambiente pode alterar as trocas, tanto na condução e convecção como na 
evaporação. 
Quando há aumento de velocidade do ar no ambiente, haverá aceleração da troca de camadas de 
ar mais próximas ao corpo, aumentando, desse modo, o fluxo de calor entre este e o ar. Se há 
maior velocidade do ar, haverá substituição mais rápida das camadas de ar mais saturadas com 
água e substituição por outras menos saturadas, favorecendo, então, a evaporação. 
É importante verificar o sentido de transmissão de calor, pois o aumento de velocidade do ar 
poderá favorecer ou desfavorecer o ganho de calor pelo organismo, dependendo se o gradiente de 
temperatura é positivo ou negativo. Assim, se a temperatura do ar for menor que a do corpo, o 
aumento da velocidade do ar favorecerá a perda de calor do corpo para o meio; caso contrário, o 
corpo ganhará mais calor com o aumento da velocidade do ar. 
No caso de evaporação, o aumento de velocidade do ar sempre a favorecerá. 
d) Calor radiante 
Quando um indivíduo encontra-se em presença de fontes apreciáveis de calor radiante, o organismo 
ganhará calor pelo mecanismo de radiação. Caso não haja fontes de calor radiante ou se estas 
forem controladas, o organismo humano poderá perder calor pelo mesmo mecanismo. 
e) Tipo de atividade 
Quanto mais intensa for a atividade física exercida pelo indivíduo, tanto maior será o calor produzido 
pelo metabolismo, constituindo, portanto, parte do calor total ganho pelo organismo. 
3 — Efeitos do calor no organismo 
Quando o calor cedido pelo organismo ao meio ambiente é inferior ao recebido ou produzido pelo 
metabolismo total (metabolismo basal + metabolismo de trabalho), o organismo tende a aumentar 
sua temperatura, e para evitar esta hipertermia (aumento da temperatura interna do corpo) são 
colocados em ação alguns mecanismos de defesa, quais sejam: 
— Vasodilatação periférica: Com o aumento do calor ambiental, o organismo humano promove a 
vasodilatação periférica, no sentido de permitir maior troca de calor entre o organismo e o ambiente. 
— Ativação das glândulas sudoríparas: Há aumento do intercâmbio de calor por mudança do suor 
do estado líquido para vapor. 
Caso a vasodilatação periférica e a sudorese não sejam suficientes para manter a temperatura do 
corpo em torno de 37°C, há consequências para o organismo que podem manifestar-se das 
seguintes formas: 
— Exaustão do calor: Com a dilatação dos vasos sanguíneos em resposta ao calor, há uma 
insuficiência do suprimento de sangue do córtex cerebral, resultando numa baixa pressão arterial. 
— Desidratação: A desidratação provoca principalmente a redução do volume de sangue, 
promovendo a exaustão do calor. 
— Cãibras de calor: Na sudorese, há perda de água e sais minerais, principalmente o NaCI (cloreto 
de sódio). Com a redução desta substância no organismo, poderão ocorrer espasmos musculares e 
cãibras. 
— Choque térmico: Ocorre quando a temperatura do núcleo do corpo atinge determinado nível, que 
coloca em risco algum tecido vital que permanece em contínuo funcionamento. 
Limites de tolerância 
Ver: Anexo III, NR-15, da Portaria n. 3.214 
Instrumentos de medição 
1) Termômetro de globo (Tg): 
O termômetro de mercúrio deve ser fixado no interior do orifício da rolha e ambos inseridos no 
globo. A rolha deve ser fixada no globo com certa pressão, a fim de não se soltar durante o uso. A 
posição relativa entre termômetro e rolha deve ser tal que, após montado no globo, o bulbo do 
termômetro fique posicionado no centro da esfera. 
2) Termômetro de bulbo úmido natural (Tbn): 
O termômetro de mercúrio deve ser montado na posição vertical revestido com uma camisa de 
algodão branca deverá envolver totalmente o bulbo de mercúrio. Na montagem, verificar que a 
distancia entre a extremidade do bulbo (revestido pela camisa) e a lâmina d’água destilada contida 
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30 
no erlenmeyer deve ser de 25 mm ou de 2,5 cm. No momento da utilização do sistema, umedecer o 
pano totalmente com água destilada e encher o erlenmeyer até a extremidade com água destilada. 
3) Termômetro de bulbo seco (Tbs): 
Estes termômetros devem ser montados em um tripé, devendo ficar no mesmo plano horizontal. 
4) Medidor eletrônico de calor 
Atualmente o uso de medidor de calor eletrônico vem substituindo os termômetros convencionais. 
O principio de funcionamento é o mesmo, porém a precisão é maior. Além disso, esses 
equipamentos fornecem os valores tbn, tg e tbs, isoladamente, e o calculo do IBUTG. A figura 
abaixo ilustra um medidor eletrônico de calor: 
 
Medidas de controle 
O calor, como todo agente ambiental, deve ser controlado primeiramente na fonte ou na trajetória, 
constituindo medidas aplicáveis ao ambiente. Não sendo possível este tipo de controle, por razões 
de ordem técnica ou económica, devem ser adotadas medidas aplicáveis ao trabalhador. 
A finalidade das medidas de controle é, obviamente, procurar diminuir a quantidade de calor que o 
organismo produz ou recebe e a possibilidade de dissipá-lo. 
Medidas relativas ao ambiente 
É necessária uma avaliação precisa de todos os fatores que atuam na sobrecarga térmica para que 
se possa minimizar a quantidade de calor que o organismo produz ou recebe. 
Assim, as medidas devem visar, de preferência, ao fator que mais contribui para a sobrecarga 
térmica, conforme a equação do equilíbrio homeotérmico: 
1) Metabolismo 
Muitas vezes é difícil influir sobre o calor produzido pelo metabolismo. A mecanização 
(automatização) da operação, a fim de minimizar o esforço físico do trabalhador, acarreta a 
diminuição da sobrecarga térmica. 
Em determinadas situações, a automatização completa das operações eliminará o problema. 
2) Convecção 
A redução da temperatura do ar diminui este fenômeno, e isso é conseguido por meio de insuflação 
de ar fresco, com velocidade adequada e, em certos casos, com exaustão de ar quente. 
Se a insuflação de ar fresco é inviável, o aumento da velocidade do ar pode ser obtido pela simples 
circulação do ar feita por ventiladores, com velocidades apropriadas. 
Deve ser salientada a importância da localização adequada dos ventiladores, a fim de evitar que 
circule ar das zonas mais quentes para as zonas adjacentes mais frias. 
3) Radiação 
A redução deste fator é de grande importância para a diminuição da sobrecarga térmica. Para 
reduzir o calor radiante, a medida mais eficiente é a utilização de barreiras que reflitam os raios 
infravermelhos. O alumínio polido é muito eficiente para esta finalidade. Nos casos em que é 
necessária a visão através da barreira, existem vidros especiais que refletem os raios 
infravermelhos, bem como filmes especiais que podem ser aplicados sobre o vidro comum com a 
mesma finalidade. 
A manutenção contínua das barreiras é de suma importância, pois a ação de produtos químicos 
agressivos faz com que elas percam a propriedade de reflexão. Quandoisso ocorre, elas passam a 
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31 
absorver a radiação incidente, tornando-se fontes emissoras de calor radiante e, 
conseqüentemente, reduzindo sua eficácia como medida de controle. 
As barreiras devem ser localizadas entre o trabalhador e a fonte de calor, e nunca posicionadas 
atrás dele, mesmo que visem à proteção de outros indivíduos. 
Se o trabalhador permanecer entre a fonte de calor radiante e a barreira, a sobrecarga térmica a 
que está exposto pode, em certos casos, sofrer aumentos significativos. 
4) Evaporação 
Devem ser criadas condições que favoreçam a evaporação do suor e também auxiliem na 
manutenção do equilíbrio térmico, aumentando a Emáx. (máxima capacidade evaporativa da pele). 
Existem limitações fisiológicas (no máximo 1 litro de suor/hora ao que corresponde a uma perda por 
evaporação de 2400 BTU/h ou 605 kcal/h. 
Redução da umidade relativa do ar— Nos casos de fontes localizadas de vapor d'água, recomenda-
se ventilação local exaustora. 
Medidas relativas ao homem 
Na solução de um problema de higiene industrial, devem ser consideradas, em primeiro lugar, as 
medidas relativas ao ambiente, sendo complementadas, às vezes, pelas medidas relativas ao 
pessoal. 
Há uma série de medidas que podem ser aplicadas diretamente ao trabalhador, com o objetivo de 
minimizar a sobrecarga térmica. Dentre elas, destacam-se: 
1) Aclimatização 
A aclimatização do calor constitui uma adaptação fisiológica do organismo a um ambiente quente. 
Esta medida é de fundamental importância na prevenção dos riscos decorrentes da exposição ao 
calor intenso. A aclimatização será total em, aproximadamente, duas semanas. É importante 
mencionar que a perda de cloreto de sódio pela sudorese será menor no indivíduo aclimatizado, ou 
seja, ocorre o equilíbrio dos sais numerais nas células do corpo. 
2) Limitação do tempo de exposição 
Esta medida consiste em adotar um período de descanso, visando a reduzir a sobrecarga térmica a 
níveis compatíveis com o organismo humano. 
3) Exames médicos 
Recomenda-se a realização de exames médicos pré-admissionais com a finalidade de detectar 
possíveis problemas de saúde que possam ser agravados com a exposição ao calor, tais como 
problemas cardiocirculatórios, deficiências glandulares (principalmente glândulas sudoríparas), 
problemas de pele, hipertensão, etc. Tais exames permitem selecionar um grupo adequado de 
profissionais que reúna condições para executar tarefas sob o calor intenso. Exames periódicos 
também devem ser realizados com a finalidade de promover um contínuo acompanhamento dos 
trabalhadores expostos ao calor, a fim de identificar-se estados patológicos em estágios iniciais. 
4) Equipamentos de proteção individual 
Existe no mercado uma grande variedade de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) para os 
mais diversos usos e finalidades. Deve-se, portanto, fazer uma escolha adequada, objetivando-se 
ao maior grau de eficiência e conforto. 
As vestimentas dos trabalhadores devem ser confeccionadas com tecido leve e de cor clara. Para 
situações de exposições críticas, existem diversos tipos de vestimentas para o corpo inteiro, sendo 
que algumas possuem sistema de ventilação acoplado. 
5) Educação e treinamento 
São de fundamental importância a educação e o treinamento dos trabalhadores expostos ao calor 
intenso. A orientação quanto à prática correta de suas tarefas pode, por exemplo, evitar esforços 
físicos desnecessários ou longo tempo de permanência próximos à fonte. Deve-se conscientizar o 
trabalhador sobre o risco que representa a exposição ao calor intenso, educando-o quanto ao uso 
correio dos equipamentos de proteção individual, alertando-o sobre a importância de asseio pessoal 
e promovendo a utilização e manutenção correia das medidas de proteção no ambiente. 
 
FRIO 
 
Equilíbrio homeotérmico 
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32 
Conforme demonstrado anteriormente no item calor, as trocas térmicas entre o organismo e o 
ambiente dependem de: 
—temperatura do ar; 
— velocidade do ar; 
— variação do calor radiante. 
Esses fatores influenciam no equilíbrio homeotérmico do corpo, de acordo com a seguinte equação: 
M±C±R-E=S 
Onde: 
M = Calor produzido pelo metabolismo. 
C = Calor ganho/perdido por condução/convecção. 
R = Calor ganho/perdido por radiação. 
E = Calor perdido por evaporação. 
S = Calor no núcleo do organismo. 
O desequilíbrio térmico (exposição ao frio), segundo a equação anterior, apresentar-se-á quando o 
valor de S for inferior a zero, ou seja, o corpo estará perdendo calor para o ambiente, podendo 
ocorrer a hipotermia. 
O aspecto mais importante na hipotermia, e que poderá trazer a morte, é a queda da temperatura 
profunda do corpo. Deve-se proteger os trabalhadores do submetimento ao frio, de modo que a 
temperatura profunda do corpo não caia a menos de 36°C. 
Efeitos do frio no organismo 
O vasoconstrição periférico é a primeira resposta do organismo para tentar realizar uma 
regularização entre perda e ganho de calor, ou seja, o fluxo sanguíneo é reduzido na mesma 
proporção que o abaixamento da temperatura. 
Esse abaixamento acarretará, quando a temperatura corpórea chega a 35°C, numa diminuição 
gradual de todas as atividades fisiológicas, tais como frequência do pulso, pressão arterial e taxa 
metabólica. Em contrapartida, o corpo reage de forma que o indivíduo começa a tremer 
compulsivamente para produzir calor (aumento da atividade muscular). Se isto não for suficiente 
para produzir o calor necessário, o corpo continuará a perder calor e, por volta dos 29"C, o 
hipotálamo perde sua capacidade termorreguladora, e as células cerebrais deprimem-se, 
conseqüentemente o indivíduo pode entrar em sonolência e posterior coma, ou seja, o indivíduo 
adquire o quadro de hipotermia. 
Além da hipotermia, vários outros estados patológicos, conhecidos como lesões do frio, podem 
afetar o trabalhador. Dentre eles, destacam-se: 
— Enregalamento dos membros, que poderá levar à gangrena e amputação destes. 
— Pés de imersão: quando os trabalhadores permanecem com os pés umedecidos ou imersos em 
água fria por longos períodos, produzindo estagnação do sangue, paralisação dos pés e pernas. 
— Ulcerações do frio: feridas, bolhas, rachaduras e necrose, que poderão ocorrer devido à 
exposição ao frio intenso. 
Além disso, o frio interfere na eficiência do trabalho e incidência de acidentes, além de 
desencadear inúmeras doenças reumáticas e respiratórias. 
Limites de tolerância 
Pouco se conhece sobre a quantificação do frio, embora os mesmos fatores ambientais analisados 
no estudo do calor influam na intensidade da exposição ao frio. 
1) Vestimentas de trabalho 
É necessário que o isolamento do corpo pela vestimenta de trabalho seja satisfatório e que a 
camada de ar compreendida entre a pele e a roupa elimine parcialmente a transpiração para que 
haja uma troca regular de temperatura. 
2) Regime de trabalho 
Quando a exposição ao frio é intensa, o trabalhador deve ter em mente que será necessário 
intercalar períodos de descanso em local termicamente superior ao local frio, de forma que 
mantenha uma resposta termorreguladora satisfatória do corpo humano. 
3) Exames médicos 
Na seleção de pessoal para execução de trabalhos em locais de frio intenso, deve-se realizar 
exames médicos pré-admissionais para se conhecer o histórico ocupacional do indivíduo e saber se 
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este é portador de diabetes, epilepsia, se é fumante, alcoólatra, se já sofreu lesões por exposição 
ao frio, se apresenta problema no sistema circulatório, etc. Tais trabalhadores, em hipótese alguma, 
deverão expor-se a trabalhos sob frio intenso. 
Rotineiramente, deverão ser realizados exames médicos periódicos para controle e verificação, 
com antecedência, de problemas da exposição ao frio. 
4) Educação e treinamento 
Todo trabalhador que for executar atividades sob frio intenso deverá ser instruído sobre os riscos 
nesta condição, bem como ser treinados quanto ao uso de proteções adequadas (vestimentas, 
luvas, etc.) e rotinas de trabalho (tempo/local de trabalho x tempo/local de descanso). 
 
UMIDADE 
 
A umidade está presente em ambientes que possuem áreas alagadiças, águas represadas, águas 
correntes, etc. Perto ou no local das atividades. Antes da terminação do perigo que um ambiente 
pode apresentar é preciso efetuar as devidas medições para a comprovação do ambiente úmido. 
As atividades ou operações executadas em locais alagados ou encharcadas, com umidades 
excessivas, capazes de produzir danos à saúde dos trabalhadores, são situações insalubres e 
devem ter a atenção dos prevencionistas por meio de verificações realizadas nesses locais para 
estudar a implantação de medida de controle – NR 15 – anexo nº 9. 
A exposição do trabalhador à umidade pode acarretar doenças do aparelho respiratório, quedas, 
doenças de pele, doenças circulatórias, entre outras. A temperatura do corpo pode baixar quando 
um indivíduo se encontra em condições de umidade e provocar também a hipotermia e o 
amolecimento da pele. 
Para o controle da exposição do trabalhador à umidade podem ser tomadas medidas de proteção 
coletiva (como o estudo de modificações no processo do trabalho, colocação de estrados de 
madeira, ralos para escoamento) e medidas de proteção individual (como o fornecimento do EPI - 
luvas de borracha, botas de borracha cano longo, avental). 
RADIAÇÕES IONIZANTES E NÃO IONIZANTES 
Conceituação 
O espectro eletromagnético é um conjunto de todas as formas de energia radiante. Em sua forma 
mais simples, a radiação eletromagnética consiste em ondas elétricas vibratórias que se transladam 
no espaço acompanhadas por um campo magnético vibratório, com as características de um 
movimento ondulatório. As características das radiações eletromagnéticas são a frequência, 
comprimento de onda e energia. 
Efeitos no organismo 
a) Radiações ionizantes 
Os efeitos das radiações ionizantes podem ser somáticos (não se transmitem hereditariamente) ou 
genéticos (transmitem-se hereditaria-mente). A resposta dos diferentes órgãos e tecidos à radiação 
é variável, tanto com o tempo de aparecimento como na gravidade dos sintomas. Assim, poderão 
ocorrer alterações no sistema hematopoiético (perda de leucócitos, diminuição do número de 
plaquetas, anemia); no aparelho digestivo (inibição da proliferação celular, diminuição ou supressão 
de secreções); na peie (inflamação, eritema e descamação); no sistema reprodutor (redução da 
fertilidade ou esterilidade); nos olhos; no sistema cardiovascular (pericardites); no sistema urinário 
(fibrose renal); e no fígado (hepatite de radiação). 
b) Radiações não ionizantes 
1) Radiação ultravioleta 
Quando incidente sobre o organismo, pode ser remetida, transmitida ou absorvida e produzir 
reações fotoquímicas e efeito biológico do tipo térmico. O grau de penetração da R-UV depende do 
comprimento de onda e do grau de pigmentação da pele; com relação aos olhos, são absorvidas 
pela córnea e cristalino. As radiações UV-B e C penetram unicamente na epiderme e as UV-A 
podem atingir a derme, podendo produzir lesões em terminações nervosas. Os efeitos das R-UV 
podem ser escurecimento da pele, eritemas, pigmentação retardada, interferência no crescimento 
celular, perda de elasticidade da pele, queratose actínica e até mesmo câncer de pele. A ação mais 
frequente das R-UV sobre os olhos é a fotoqueratose. 
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34 
do tipo de laser e das características do entorno de trabalho. Os riscos da radiação /aserestão 
limitados aos olhos, variando os efeitos adversos produzidos em diferentes regiões espectrais; 
mesmo assim podem atingir de maneira pequena a pele. 
Ocorrências 
a) Radiações ionizantes 
As radiações ionizantes são largamente utilizadas na medicina para diagnósticos médico e 
odontológico e tratamento de doenças; e em atividades industriais, para medição de nível de silos, 
densidade de polpas, análises laboratoriais, radiografia industrial, entre outros. 
b) Radiações não ionizantes 
1) Radiação ultravioleta 
A principal fonte natural é o sol e as artificiais são as lâmpadas de vapor de mercúrio, de hidrogénio 
e deutério, arcos de soldagem, lâmpadas incandescentes, fluorescentes e mistas. 
2) Radiação visível 
Podem ser de origem natural (sol) e artificial (lâmpadas e corpos incandescentes e arcos de 
soldagem, tubos de néon, fluorescentes, entre outros). 
3) Radiação infravermelha 
A principal fonte natural é o sol e dentre as artificiais podemos citar os corpos incandescentes e 
superfícies muito quentes, as chamas, as lâmpadas incandescentes, fluorescentes ou descargas de 
alta intensidade. 
Limites de tolerância 
a) Radiações ionizantes 
O Anexo V da NR-15, Portaria n. 3.214, estabelece que nas atividades ou operações em que os 
trabalhadores ficam expostos a radiacoes ionizantes, os limites de tolerância, os princípios, as 
obrigações e controle básicos para a proteção do homem e do meio ambiente, contra possíveis 
efeitos indevidos causados pela radiação ionizante, são os constantes da Norma CNEN-NE 3.01, de 
julho de 1988, aprovada, em caráter experimental, pela Resolução CNEN n. 12/88, ou daquela que 
venha a substituí-la. 
b) Radiações não ionizantes 
O Anexo Vil da NR-15, Portaria n. 3.214/78, não estabelece limites de tolerância para esse tipo de 
radiação, caracterizando a insalubridade pela avaliação qualitativa, conforme transcrição a seguir: 
Avaliação das radiações 
A radiação ionizante pode ser avaliada no ambiente utilizando-se o contador Geiger ou, 
individualmente, com os dosímetros de filmes de bolso. Já para radiação não ionizante, os 
medidores são específicos para cada tipo de radiação (microondas, laser e ultravioleta). 
Medidas de controle 
As medidas de controle das radiações, entre outras, são: 
1) Radiação ionizante 
— controle da distância entre o trabalhador e a fonte; 
— blindagem; 
— limitação de tempo de exposição; 
— impedir que fontes radioativas atinjam vias de absorção do organismo; 
— sinalização; 
— controle médico; 
— uso de barreiras; 
— limpeza adequada do ambiente de trabalho. 
2) Microondas 
 — enclausuramento das fontes; 
 — uso de barreiras; 
— sinalização; 
— exames médicos. 
3) Radiação ultravioleta 
— uso de barreiras; 
— equipamentos de proteção individual, tais como óculos com lentes filtrantes, roupas apropriadas 
para proteção do braço, tórax, mão e outros; 
— exames médicos. 
4) Laser 
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— EPI: protetores para os olhos, luvas protetoras, roupas, escudo; 
— sinalização; 
— blindagem; 
— treinamento. 
PRESSÕES ANORMAIS 
Pressões anormais são aquelas acima das existentes ao nível do mar, ou seja, são pertinentes às 
atividades de construção submarina, processos de mergulho, etc. Na construção de túneis e outros 
trabalhos executados sob o nível do mar pode-se prever a infiltração de água. Isto se dá porque as 
adaptações não são hermeticamente fechadas.EXISTEM DOIS TIPOS DE PRESSÕES ANORMAIS, CAUSADAS PELA VARIAÇÃO DA 
PRESSÃO ATMOSFÉRICA: 
•PRESSÃO HIPERBÁRICA 
•PRESSÃO HIPOBÁRICA. 
•Hipobárica: quando o homem está sujeito a pressões menores que a pressão atmosférica. Estas 
situações ocorrem a elevadas altitudes. (coceira na pele, dores musculares, vômitos, hemorragias 
pelo ouvido e ruptura do tímpano) 
•Hiperbárica: quando o homem fica sujeito a pressões maiores que a atmosférica. (mergulho e uso 
de ar comprimido). 
 
MODELO DE CÂMARA HIPERBÁRICA, QUE PERMITE EQUILIBRAR A ADEQUAÇÃO DO 
CORPO HUMANO À PRESSÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Há uma série de atividades em que os trabalhadores ficam sujeitos a pressões ambientais acima ou 
abaixo das pressões normais, isto é, da pressão atmosférica a que normalmente estamos expostos. 
Baixas pressões: são as que se situam abaixo da pressão atmosférica normal e ocorrem com 
trabalhadores que realizam tarefas em grandes altitudes. No Brasil, são raros os trabalhadores 
expostos a este risco. 
Altas pressões: são as que se situam acima da pressão atmosférica normal. Ocorrem em trabalhos 
realizados em tubulações de ar comprimido, máquinas de perfuração, caixões pneumáticos e 
trabalhos executados por mergulhadores. Ex: caixões pneumáticos, compartimentos estanques 
instalados nos fundos dos mares, rios, e represas onde é injetado ar comprimido que expulsa a 
água do interior do caixão, possibilitando o trabalho. São usados na construção de pontes e 
barragens. 
A exposição a pressões anormais, pode causar a ruptura do tímpano quando o aumento de pressão 
for brusco e a liberação de nitrogênio nos tecidos e vasos sangüíneos e morte. 
Por ser uma atividade de alto risco, exige legislação específica (NR-15 – anexo nº 6) a ser 
obedecida. 
 
3. AGENTES BIOLÓGICOS 
 
Agentes Biológicos são microrganismos que, em contato com o homem podem provocar inúmeras 
doenças. São considerados como agentes biológicos os bacilos, bactérias, fungos, protozoários, 
parasitas, vírus. Entram nesta classificação também os escorpiões, bem como as aranhas, insetos e 
ofídios peçonhentos. Muitas atividades profissionais favorecem o contato com tais agentes. É o 
caso das indústrias de alimentação, hospitais, limpeza pública (coleta de lixo), laboratórios etc. 
Entre as inúmeras doenças profissionais provocadas por microorganismos incluem se: 
TUBERCULOSE, BRUCELOSE, MALÁRIA, FEBRE AMARELA etc. 
Para que estas doenças possam ser consideradas DOENÇAS PROFISSIONAIS é necessário que 
haja exposição do funcionário a estes microorganismos. 
Classificação dos agentes biológicos de acordo com a NR 32 – Anexo I: 
- Grupo 1 - Os que apresentam baixa probabilidade de causar doenças ao homem; 
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- Grupo 2 – Os que podem causar doenças ao homem e constituir perigo aos trabalhadores, sendo 
diminuta a probabilidade de se propagar na coletividade e para as quais existem, geralmente, 
meios eficazes de profilaxia ou tratamento; 
- Grupo 3 – Os que podem causar doenças graves ao homem e constituir um sério perigo aos 
trabalhadores, com risco de se propagarem na coletividade e existindo, geralmente, profilaxia e 
tratamento eficaz; 
- Grupo 4 – Os que causam doenças graves ao homem e que constituem um sério perigo aos 
trabalhadores, com elevadas possibilidades de propagação na coletividade e, para as quais, não 
existem geralmente meios eficazes de profilaxia ou de tratamento. 
A NR 15 – anexo nº 14 – Agentes Biológicos, relaciona as atividades que envolvem agentes 
biológicos, cuja insalubridade é caracterizada pela avaliação qualitativa. 
Medidas preventivas: 
É necessário que sejam tomadas medidas preventivas para que as condições de higiene e 
segurança nos diversos setores de trabalho sejam adequadas. 
 controle médico permanente; 
 uso do E. P. I. (Equipamento de Proteção Individual); 
 higiene rigorosa nos locais de trabalho; 
 hábitos de higiene pessoal; uso de roupas adequadas; 
 vacinação; 
 treinamento. 
 Adotar procedimentos de biossegurança e recomendações constantes na NR 32. 
Para que uma substância seja nociva ao homem é necessário que ela entre em contato com seu 
corpo. Existem diferentes vias de penetração no organismo humano com relação à ação dos 
agentes biológicos: cutânea (através da pele), digestiva (ingestão de alimentos) e respiratória 
(aspiração de ar contaminado). 
 
4. RISCOS ERGONÔMICOS 
 
CONDIÇÕES AMBIENTAIS DE TRABALHO 
A NR-17 estabelece que as condições ambientais de trabalho devem estar adequadas às 
características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado. Nos 
locais onde são executadas atividades que exijam solicitação intelectual e atenção constantes, tais 
como salas de controle, laboratórios, escritórios, salas de desenvolvimento ou análise de projetos, 
entre outros, são recomendadas as seguintes condições de conforto: 
a) níveis de ruído de acordo com o estabelecido na NBR 10152, norma brasileira registrada no 
INMETRO; 
b) índice de temperatura efetiva entre 20°C (vinte graus centígrados) e 23°C (vinte e três graus 
centígrados); 
c) velocidade do ar não superior a 0,75 m/s; 
d) umidade relativa do ar não inferior a 40% (quarenta por cento). 
A seguir, serão analisados cada agente ambiental mencionado pela norma. 
Ruído 
Segundo a NR-17, para as atividades que exijam solicitação intelectual e atenção constantes, tais 
como salas de controle, laboratórios, escritórios, salas de desenvolvimento ou análise de projetos, 
entre outros, porém não apresentam equivalência com a NBR 10152, o nível de ruído aceitável para 
efeito de conforto será de 65 dB (A) e a curva de avaliação de ruído (NC) de valor não superior a 60 
dB. 
A NBR 10152 da ABNT, norma brasileira registrada no INMETRO, estabelece níveis de ruído para 
conforto em ambientes diversos, conforme tabela que se segue: 
Notas: 
 
a) O valor inferior da faixa representa o nível sonoro para conforto, enquanto o valor superior 
significa o nível sonoro aceitável para a finalidade. 
b) Níveis superiores aos estabelecidos nesta tabela são considerados desconfortáveis sem, 
necessariamente, implicar em riscos de dano à saúde. 
Observa-se que os limites para conforto são estabelecidos por curvas de compensação A e NC. A 
curva de compensação A representa os níveis de ruído ponderado nas freqüências. A curva NC é 
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especifica para o conforto e exige a avaliação do nível de ruído nas freqüências em banda de 
oitava, conforme se segue: 
 
a) Psicrômetro 
 
Este instrumento consiste em 01 (nm) termômetro de bulbo úmido e outro de bulbo seco, montados 
paralelamente em um suporte giratório, conforme mostra a figura a seguir: 
 
 
 
 
c) Anemômetro 
Este instrumento é utilizado para medição da velocidade do ar com a utilização de um anemômetro 
ou termoanemômetro, conforme mostra a figura abaixo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Com os dados de temperatura de bulbo úmido (tbn), temperatura de bulbo seco (tbs) e velocidade 
do ar, obtém-se o índice de temperatura efetiva no ábaco que se segue: 
 
Exemplo: Numa avaliação de temperatura, foram obtidos os seguintes dados: 
Tbu = 25ºC 
Tbs = 30°C 
V = 0,5 m/s 
Entretanto, com estes dados, conforme marcado no ábaco, o índice de temperatura efetiva é igual a 
26,5°C. 
2) Velocidade e umidade do ar 
A velocidade do ar é obtida diretamente com anemômetro ou termoanemômetro. conforme 
mostrado anteriormente. De acordo com a NR-17, nos ambientes de trabalho a velocidade do ar 
não poderá ser superior a 0,75 m/s. 
Com relação à umidade do ar, pode ser obtidautilizando-se os mesmos parâmetros do índice de 
temperatura efetiva. Com os valores das temperaturas do bulbo úmido e bulbo seco, a umidade é 
obtida através da carta psicrométrica, conforme figura que se segue: 
Observa-se pela carta psicrométrica que, para temperatura de bulbo seco de 43,0ºC e temperatura 
de bulbo úmido de 23,9ºC, a umidade relativa do ar é igual a 21,0%. 
Iluminação 
Avaliação dos níveis de iluminamento 
1) Níveis mínimos de iluminação 
O subitem 17.5.3.3 da NR-17 dispõe: 
Os níveis mínimos de iluminamento a serem observados nos locais de trabalho são os valores de 
iluminâncias estabelecidos na NBR 5413, norma brasileira registrada no INMETRO. 
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A NBR 5413 estabelece níveis mínimos de iluminação em lux para diversas atividades, tais como: 
BANCOS 
 
— Atendimento ao público.................... 500 lux 
— Salas de datilografia ....................... 500 lux 
— Sala de recepção............................. 150 lux 
 
BIBLIOTECAS 
 
— Sala de leitura.................................. 500 lux 
— Recinto das estantes ........................ 300 lux 
 
FUNDIÇÕES 
— Área de carregamento e enchimento .... 150 lux 
— Moldagem grosseira ........................... 200 lux 
— Limpeza e acabamento......................... 200 lux 
— Inspeção (material de precisão)............. 1000 lux 
USINAS DE AÇO 
— Forjas ................................................. 200 lux 
 
Portanto, os leitores devem consultar a referida norma, quando da avaliação de iluminamento. 
b) Aparelhos de medição/metodologia 
O iluminamento é medido por aparelhos comparadores, por fotômetros portáteis e, de modo mais 
prático, pêlos luxímetros que, embora não muito precisos, dão resultados satisfatórios. Estes 
aparelhos recorrem em geral ao efeito fotoelétrico característico de certos metais ou óxidos 
metálicos. Os tipos variam segundo o material sensível empregado. A figura abaixo ilustra um 
luxímetro: 
 
 
 
A medição dos níveis de iluminamento previstos no subitem 17.5.3.3 deve ser feita no campo de 
trabalho onde se realiza a tarefa visual, utilizando-se de luxímetro com fotocélula corrigida para a 
sensibilidade do olho humano e em função do ângulo de incidência (subitem 17.5.3.4). 
O campo de trabalho é toda região do espaço onde, para qualquer superfície nela situada, se exige 
condições de iluminamento apropriadas ao trabalho visual a ser realizado. 
Quando não puder ser definido o campo de trabalho previsto no subitem 17.5.3.4, este será um 
plano horizontal a 0,75 m (setenta e cinco centímetros) do piso (subitem 17.5.3.5). 
Medidas corretivas 
A iluminação adequada dos locais de trabalho é importante, pois proporciona maior velocidade na 
observação dos detalhes, menor cansaço visual, menor percentual de refugos, melhor conforto e 
eficiência na execução das tarefas. Assim, para obter-se uma boa iluminação é necessário observar 
o seguinte: 
1) Quantidade de luminárias 
Deve ser instalado o número adequado de luminárias, a fim de atingir o nível de iluminamento 
necessário. A quantidade de luminárias necessárias é determinada através da elaboração de 
iluminação, levando-se em consideração todas as variáveis do ambiente que influem nesta. É 
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importante posicionar as luminárias de acordo com o layout, de forma que se aproveite ao máximo 
o fluxo luminoso. 
2) Distribuição e localização das luminárias 
As luminárias devem ser dispostas no ambiente de forma que proporcionem uma iluminação 
homogénea, devendo ser adequada ao arranjo físico do local. As luminárias devem, ainda, ser 
localizadas de forma que não criem sombras ou contrastes nos locais onde se objetivar à 
iluminação. 
3) Manutenção 
Periodicamente, deve ser feita a limpeza das luminárias, para evitar acúmulo de poeiras, 
aumentando desta forma o fluxo luminoso. A reforma das luminárias ou substituição de lâmpadas 
queimadas ou com defeito são indispensáveis para manutenção da boa iluminação. 
4) Cores adequadas 
As cores das superfícies existentes nos locais de trabalho, tais como tetos, paredes, máquinas, 
mesas de trabalho, devem ser escolhidas de forma que possuam uma refletância adequada. 
 
Superfície Refletância Recomendada 
Teto 80% 
Paredes 60% 
Mesas e bancadas 35% 
Máquinas e equipamentos 25% a 30% 
Pisos 15% 
 
Definição de refletância: 
Define-se refletância de uma superfície como sendo a percentagem de luz refletida do total 
incidente sobre esta superfície. A seguir, quadro com refletância de determinadas cores de tetos e 
paredes: 
 
Refletância 
Teto Branco – 75% 
Parede Clara – 50% 
Parede Branca – 50% 
Parede Clara – 30% 
Parede Escura – 10% 
5) Variação brusca do nível de iluminamento 
A diferença acentuada entre os níveis de iluminamento de dois locais de trabalho adjacentes pode 
ocasionar riscos de acidentes. 
6) Idade do trabalhador 
Com o aumento da idade, o trabalhador vai perdendo a acuidade visual e a percepção de pequenos 
detalhes. Assim, quanto maior a idade do trabalhador maior será o nível de iluminamento exigido 
em seu posto de trabalho. 
7) Incidência direta de luz 
As janelas, clarabóias ou cobertura iluminantes, horizontais ou dentes de serras, deverão ser 
dispostas de maneira que o sol não venha incidir diretamente sobre o local de trabalho, utilizando-
se, quando necessário, recursos para evitar o isolamento excessivo, tais como toldos, venezianas, 
cortinas, devendo-se, no entanto, aproveitar ao máximo a iluminação natural. 
8) Dimensionamento de um sistema de iluminação artificial 
 
O dimensionamento de um sistema de iluminação artificial pode ser feito pelo método por ponto ou 
método lumens. A seguir, vamos mostrar o dimensionamento utilizando-se o método lumens. 
a) Cálculo fluxo luminoso total — Ø 
Onde: 
S = Área do local em m
2
 
E = Nível mínimo de iluminamento exigido para o local, conforme NBR5413. 
H = coeficiente de utilização obtido através das tabelas. É função das dimensões do local, tipo de 
luminária, cores das paredes e teto e altura do foco luminoso. Esse valor deve ser obtido em tabelas 
dos fabricantes. 
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d = Fator de depreciação obtido em função do tipo de luminária, conforme tabelas dos fabricantes. 
b) Número de luminárias (N) 
Onde: 
Ø = Fluxo luminoso total. 
FL = Fluxo luminoso da lâmpada obtido de acordo com o tipo de lâmpada e sua potência 
(tabelas dos fabricantes). 
c) Distribuição 
Com o número de lâmpadas obtidas e o tipo de luminária escolhido, poderá ser feita a distribuição 
no local, levando-se em conta a altura, forma, layout, entre outros. 
Qualidade do ar em ambientes climatizados 
A ventilação é um meio de controle eficaz para o conforto térmico dos locais de trabalho. A 
ventilação natural é sempre prioritária, no entanto, quando ela não for suficiente, é necessário a 
utilização da ventilacão artificial. A climatização do ambiente é muito utilizada na obtenção do 
conforto, contudo, a qualidade do ar é fundamental, pois sua contaminação por poeiras, névoas, 
fumos, microorganismos, gases e vapores coloca em risco a saúde dos trabalhadores. Assim, para 
garantir a qualidade, a Portaria n. 3.523/98 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) 
estabelece a obrigatoriedade da implantação do Plano de Manutenção, Operação e Controle 
(PMOC) nos ambientes climatizados de uso coletivo. Já a Resolução n. 176 da ANVISA,atualizada 
pela Resolução n. 9, de 16.1.2003 estabelece orientação técnica e os padrões de qualidade nos 
ambientes climatizados, conforme transcritos a seguir: 
 
5. RISCOS DE ACIDENTES 
 
São arranjo físico inadequados ou deficiente, máquinas e equipamentos, ferramentas defeituosas, 
risco de explosão, transporte de materiais, edificações, armazenamento inadequado, etc. 
Essas deficiências podem abranger um ou mais dos seguintes aspectos: 
 arranjo físico; 
 edificações; 
 sinalizações 
 ligações elétricas; 
 máquinas e equipamentos sem proteção, 
 equipamento de proteção contra gahhhincêndio; 
 ferramentas defeituosas ou inadequadas, 
 EPI inadequado, 
 armazenamento e transporte de materiais. 
 Iumínação deficíente - fadiga, problemas visuais, acidentes do trabalho. 
Riscos à saúde 
 Arranjo físico: quando inadequado ou deficiente, pode causar acidentes e provoca desgaste físico 
excessivo nos trabalhadores. 
 Máquinas sem proteção: podem provocar acidentes graves. 
 Instalações elétricas deficientes: trazem riscos de Curto circuito, choque elétrico, incêndio, 
queimaduras, acidentes fatais. 
 Matéria prima sem especificação e inadequada: acidentes, doenças profissionais, queda da 
qualidade de produção. 
 Ferramentas defeituosas ou inadequadas: acidentes, com repercussão principalmente nos membros 
superiores. 
 Falta de EPI ou EPI inadequado ao risco: acidentes, doenças profissionais. 
 Transporte de materiais, peças, equipamentos sem as devidas precauções: acidentes. 
 Edificações com defeitos de construção: a exemplo de piso com desníveis, escadas fora de 
ausência de saídas de emergência, mezaninos sem proteção, passagens sem a atura necessária : 
quedas, acidentes. 
 Falta de sinalização das saídas de emergência, da localização de escadas e caminhos de fuga, 
alarmes, de incêndios: ações desorganizadas nas emergências, acidentes. 
 Armazenamento e manipulação inadequada de inflamáveis e gases, curto circuito, sobrecargas 
de redes elétricas: incêndios, explosões. 
 Armazenamento e transporte de materiais: a obstrução de áreas traz fiscos de acidentes, de 
quedas, de incêndio, de explosão etc. 
 Equipamento de proteção contra incêndios: quando deficiente ou insuficiente, traz efetivos riscos 
de incêndios. 
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 Sinalização deficiente: falta de uma política de prevenção de acidentes, não identificação de 
equipamentos que oferecem fisco, não delimitação de áreas, informações de segurança 
insuficientes etc. comprometem a saúde ocupacional dos funcionários. 
 
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Referências Bibliográficas 
 
 
 
CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA E HIGIENE OCUPACIONAL – TUFFI MESSIAS SALIBA 
 
INTRODUÇÃO A HIGIENE OCUPACIONAL – FUNDACENTRO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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