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SUMÁRIO RESUMO............................................................................................................ 1 1 INTRODUÇÃO................................................................................................ 2 2 CLASSIFICAÇÃO......................................................................................... 3 2.1 QUANTO AO TIPO DE AÇÃO.......................................................... 3 2.2 QUANTO AO CONSENTIMENTO DO PACIENTE........................... 3 2.3 EUTANÁSIA, DISTANÁSIA E ORTOTANÁSIA ................................ 4 3 ASPECTOS ÉTICOS, MORAIS, SOCIAIS E CULTURAIS........................... 5 3.1 PRÓS................................................................................................ 5 3.2 CONTRAS......................................................................................... 6 4 EUTANÁSIA NO ÂMBITO JURÍDICO........................................................... 7 4.1 Eutanásia na legislação brasileira.......................................... 7 4.1.1 A eutanásia no Código Penal vigente.................................. 7 4.1.2 A eutanásia nos projetos de lei............................................ 8 4.2 EUTANÁSIA NAS LEGISLAÇÕES ESTRANGEIRAS...................... 9 4.2.1 Países que permitem a eutanásia....................................... 9 4.2.2 Países que admitem a possibilidade da ortotanásia......... 10 4.2.3 A eutanásia na legislação portuguesa............................... 11 4.2.4 A eutanásia na Itália.......................................................... 12 5 CONCLUSÃO............................................................................................... 12 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................ 14 RESUMO A Eutanásia, palavra que significa "boa morte, morte suave, doce, fácil, sem sofrimento, sem dor", gera polêmica em todos os aspectos, sejam eles concernentes às questões legais, sociais, morais ou religiosas. A sua adoção ou não, bem como sua inclusão no atual projeto da Parte Especial do Código Penal, também são objetos de discussão, reunindo argumentos pró e contra. Mas afinal, o que torna o assunto tão polêmico? O histórico da eutanásia, aliado à experiência de outros países, faz com que opiniões se dividam, trazendo à tona temas como legislação em vigor, doenças graves e incuráveis, compaixão pelo doente, visão médica, criminalidade e aspectos penais, boa intenção, poder de decisão e vontade própria, direito sobre a própria vida e tantos outros que fazem parte deste interminável debate. Desta forma, através do presente trabalho será feita, inicialmente, uma abordagem geral de contextualização do assunto, para melhor analisarmos posteriormente os aspectos penais relacionados à eutanásia. 1 INTRODUÇÃO Morte liberadora ou libertadora, morte benéfica, "l'uccisione pietosa", "eihomicídio por altruismo o compasion", homicídio piedoso, homicídio-suicídio, foram e são variantes empregadas para definir o "homicídio eutanásico", gênero que, a nosso ver, compreende, na atualidade, as espécies eutanásia e ortotanásia. A palavra eutanásia deriva da expressão grega euthanatos, onde ‘eu’ significa bom e ‘thanatos’, morte. Numa definição puramente etimológica, é a morte boa, a morte calma, a morte piedosa e humanitária. Segundo um conceito generalizado, o homicídio eutanásico deve ser entendido como aquele que é praticado para abreviar piedosamente o irremediável sofrimento da vítima, e a pedido ou com o assentimento desta. EUTANÁSIA 2 CLASSIFICAÇÃO Historicamente, a palavra eutanásia admitiu vários significados. Atualmente a eutanásia pode ser classificada de várias formas, de acordo com o critério considerado (quanto ao tipo de ação e quanto ao consentimento do paciente). 2.1 Quanto ao tipo de ação: Eutanásia ativa: o ato deliberado de provocar a morte sem sofrimento do paciente, por fins misericordiosos. Eutanásia passiva ou indireta: a morte do paciente ocorre, dentro de uma situação de terminalidade, ou porque não se inicia uma ação médica ou pela interrupção de uma medida extraordinária, com o objetivo de minorar o sofrimento. Eutanásia de duplo efeito: quando a morte é acelerada como uma consequência indireta das ações médicas que são executadas visando o alívio do sofrimento de um paciente terminal. 2.2 Quanto ao consentimento do paciente: Eutanásia voluntária: quando a morte é provocada atendendo a uma vontade do paciente. Eutanásia involuntária: quando a morte é provocada contra a vontade do paciente. Eutanásia não voluntária: quando a morte é provocada sem que o paciente tivesse manifestado sua posição em relação a ela. Esta classificação, quanto ao consentimento, visa estabelecer, em última análise, a responsabilidade do agente, no caso o médico. Esta discussão foi proposta por Neukamp, em 1937. 2.3 Eutanásia, distanásia e ortotanásia Os termos a serem abordados trazem todos, na sua conceituação, o fator Morte, e fazem-se presentes no processo do morrer. Conforme descrito anteriormente, eutanásia é a morte provocada, normalmente em portadores de patologias graves e incuráveis e em estado terminal que passa por fortes sofrimentos, movida por compaixão ou piedade em relação ao doente. E constitui crime de homicídio ou o crime de auxílio, induzimento ou instigação ao suicídio, perante o atual Código Penal. Trata-se realmente na intervenção médica para tirar a vida do paciente, na eutanásia, é administrado medicamento para ocasionar a morte do paciente, é a intervenção direta, ou seja, se faz algo com o objetivo de causar a morte de alguém, diferente da ortotanásia ou eutanásia indireta, onde se deixa de fazer algo para prolongar a vida de maneira apenas paliativa. Ortotanásia é a morte pelo seu processo natural. Neste caso o paciente que já se encontra em processo natural da morte, é auxiliado para que este estado siga seu curso natural. Desta forma, não se prolonga artificialmente o processo de morte, se permite que a vida ou a morte desenvolva-se naturalmente. Sob a denominação de ortotanásia entende-se a morte natural, pois assim como a palavra eutanásia, deriva do grego, ‘orthos’ quer dizer normal e ‘thanatos’ quer dizer morte. Neste caso, o profissional da saúde, poderia, por exemplo, deixar de administrar medicamentos que estão apenas prolongando de forma paliativa a vida do paciente terminal. Somente o médico pode realizar a ortotanásia, e ainda, não está obrigado a prolongar a vida do paciente contra a vontade deste e muito menos aprazar sua dor. A ortotanásia é conduta atípica frente ao Código Penal, pois não é causa de morte da pessoa, uma vez que o processo de morte já está instalado. Já a distanásia, processo inverso da eutanásia, é na verdade o prolongamento da vida através de processo artificial, onde o paciente tem a esperança de curar-se da enfermidade, o que na verdade, na maioria das vezes, acaba por prolongar seu sofrimento. Trata-se do prolongamento exagerado da morte de um paciente terminal ou tratamento inútil. Não visa prolongar a vida, mas sim o processo de morte. 3 ASPECTOS ÉTICOS, MORAIS, SOCIAIS E CULTURAIS Os aspectos éticos, morais, sociais e culturais são extremamente ligados ao religioso, já que a uma primeira pergunta, o povo poderia até ser a favor da eutanásia, mas, com certeza, se perguntado da prática da mesma em algum familiar em estado terminal e com muito sofrimento dir-nos-ia que "preferiria esperar que chegasse o momento certo de morrer. Que só Deus sabe o momento". Dentro da sociedade encontramos posições confrontantes, em que algumas pessoas são contra, mas outras são a favor. Desta forma elencamos alguns argumentos das duas posições e agora passaremos a explaná-los. Da mesma forma que o aborto, que a pena de morte, a discussão sobre a eutanásia é sempre instigante e polêmica. As opiniões não só se dividem numericamente,mas também qualitativamente, pois se observa que mentes ilustres, doutrinadores respeitáveis, situam-se em polos apostos. São argumentos profundamente abalizados, tanto favoráveis quanto contrários. 3.1 Prós Para quem argumenta a favor da eutanásia, acredita-se que esta seja um caminho para evitar a dor e o sofrimento de pessoas em fase terminal ou sem qualidade de vida. Há experiências de doenças, de sofrimento intenso, quadros clínicos irreversíveis que eliminam o prazer e o sentido da vida para algumas pessoas. O direito a se manter vivo é, certamente, um dos direitos mais fundamentais que possuímos. Discorda-se, portanto é da intocabilidade que se sobrepõe sobre ela, pois se temos direito à vida também temos o direito de decidir sobre nossa própria morte. Viver bem não é viver muito, mas sim com qualidade de vida. Segundo especialistasa "eutanásia não é assassinato. Viver é sempre fazer escolhas, inclusive a escolha de decidir morrer”, assinalam ainda a existência de dois princípios éticos muito utilizados para deliberar sobre a própria morte, que são o princípio da dignidade, em que devemos nos questionar até que ponto podemos considerar vida digna a de uma pessoa que não consegue executar mais suas funções vitais sozinha, e que não tem consciência da sinergia que se estabelece ao seu redor. E o segundo é o princípio da autonomia, pois sendo a eutanásia compreendia como o exercício de um direito individual é uma garantia do cuidado a que as pessoas têm direitos, que inclui o direito de morrer. 3.2 Contras Neste mesmo contexto encontramos muitos argumentos “contra” a eutanásia, que vão desde os religiosos, éticos até os políticos e sociais. Do ponto de vista religioso, somente o Criador tem o direito de retirar a vida por ele mesmo dada. Sob a perspectiva médica, tendo em conta o juramento de Hipócrates, cabe ao médico assistir ao paciente fornecendo-lhe todo e qualquer meio para a sua subsistência e há ainda a preocupação dos médicos em relação ao possível comércio de órgãos humanos, em que os pacientes passarão a ser vistos como prateleiras ambulantes de órgãos. Não podemos esquecer que há o progressivo avanço da medicina, sendo que muitas doenças antes consideradas incuráveis, hoje já encontram tratamento. Outros argumentos contra, centra-se na parte legal, uma vez que o atual Código Penal não especifica o crime de eutanásia, condenando qualquer ato antinatural na extinção de uma vida. Sendo quer o homicídio voluntário, o auxilio ao suicídio ou o homicídio mesmo que a pedido da vitima ou por “compaixão”, punidos criminalmente. Dentro ainda do aspecto legal há a preocupação dos herdeiros pedirem a eutanásia para pacientes inconscientes, tendo em vista a herança do mesmo. É importante salientar que a sociedade de hoje vive num mundo capitalista, em que não podem gastar seu tempo cuidando de seus enfermos. 4 EUTANÁSIA NO ÂMBITO JURÍDICO 4.1 Eutanásia na legislação brasileira 4.1.1 A eutanásia no Código Penal vigente O Código Penal Brasileiro Atual não fala em eutanásia explicitamente, mas em "homicídio privilegiado". Os médicos dividem a prática da morte assistida em dois tipos: ativa (com o uso de medicamentos que induzam à morte) e passiva ou ortotanásia (a omissão ou a interrupção do tratamento). Atualmente, no caso de um médico realizar eutanásia, o profissional pode ser condenado por crime de homicídio - com pena de prisão de 12 a 30 anos - ou auxílio ao suicídio - prisão de dois a seis anos. Dentro da legislação penal infraconstitucional nacional, Código Penal Brasileiro foi um diploma promulgado nos anos 40, numa época em que não existia a atual previsão sobre este tema, pela constituição que era a sociedade brasileira. No ordenamento jurídico pátrio, a prática da eutanásia não está elencada, não de forma explícita e objetiva, no Código Penal. Entretanto, aplica-se a tipificação prevista no art. 121, ou seja, homicídio, simples ou qualificada, sendo considerado crime a sua prática em qualquer hipótese. Dependendo as circunstâncias, a conduta do agente pode configurar o crime de participação em suicídio (art. 122 do Código Penal). A Lei Penal prevê a figura do homicídio privilegiado, que se dá quando o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima (art. 121, §1°). O valor moral a que se refere o dispositivo diz respeito a interesses particulares do agente (compaixão, piedade, etc.). Pode ocorrer também que o agente induza, instigue ou auxilie ao suicídio, por exemplo, o portador de uma doença infectocontagiosa, cuja terapia ainda não esteja ao alcance da medicina. Neste caso, o agente estará incurso no art. 122 do Código Penal. A pena é de 2 a 6 anos. A pena é duplicada se o crime é praticado por motivo egoístico, ou se a vítima é menor ou tem diminuída por qualquer causa, a capacidade de resistência. Neste crime do art. 122, o bem protegido pelo legislador é a vida humana. A vida é bem indisponível, já que não existe o direito de morrer, de que falava o delito previsto no art. 122 do Código Penal pode ser praticado mediante três condutas. A primeira delas é a de induzir, que revela a iniciativa do agente, criando na mente do sujeito a ideia de tirar a própria vida. Instigaro segundo verbo empregado pela leitraduz a conduta de reforçar, estimular a ideia preexistente. Os meios utilizados por aquele que induz ou instiga alguém ao suicídio devem ser idôneos, capazes de influenciar moralmente a vítima. Caso contrário, não haverá nexo causal. O derradeiro verbo é auxiliar, que consiste em ajudar, favorecer, facilitar. Trata-se da ajuda material ou da assistência física. 4.1.2 A eutanásia nos projetos de lei O Projeto de Lei nº 125/96 foi o único projeto de lei sobre o assunto da legalização da Eutanásia no Brasil tramitando no Congresso Nacional, de iniciativa senador Gilvam Borges, sendo que jamais foi colocado em votação. Ele propõe que a eutanásia seja permitida, desde que uma junta de cinco médicos ateste a inutilidade do sofrimento físico ou psíquico do doente. O próprio paciente teria que requisitar a eutanásia. Se não estiver consciente, a decisão caberia a seus parentes próximos. O Senador Gilvam informou que "essa lei não tem nenhuma chance de ser aprovada". O deputado federal Marcos Rolim, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, disse que "ninguém quer discutir a eutanásia porque isso traz prejuízos eleitorais", e que em, dois anos em dirigindo esta comissão, o assunto em questão jamais havia sido debatido. O Anteprojeto do Código Penal altera dispositivos da Parte Especial do Código Penal também comina ao homicídio a pena de reclusão de 6 a 20 anos laborada pela Comissão de "Alto Nível" nomeada pelo Ministro Íris Rezende. O Ministro Luiz Vicente Cernicchiaro assinala que o Anteprojeto distingue dois tipos de eutanásia: a ativa e a passiva já apreciadas no presente estudo, e prevê o caso da Ortanásia. 4.2 A eutanásia nas legislações estrangeiras Nas Legislações estrangeiras, vemos países onde a Eutanásia é tolerada, outros com legislações ambíguas ou parciais, e ainda outros com legislações que repudiam, assim como a nossa, sua prática. 4.2.1 Países que permitem a eutanásia A Holanda é o país mais liberal quando o assunto é o direito de morrer. Lá, a eutanásia está amparada pela legislação desde 1993. A forma passiva, por sinal, não é considerada eutanásia, mas simples decisão médica, confundindo-se com a conduta restritiva de ortotanásia ou com a recusa terapêutica – e deste modo é mero fato atípico; quanto à forma ativa, é excludente de ilicitude, devendo observar três requisitos: que o doente seja mentalmente capaz (adolescentes de doze a dezesseis anos podem recorrer à eutanásia se houver concordância dos pais), que reitere expressa e voluntariamente seu desejo de morrer, seja acometido de doença incurável e suporte sofrimento agonizante, atestado por médico.O pedido é submetido a uma comissão multidisciplinar que, em caso de deferimento do pedido, o encaminha para ratificação e acompanhamento do Ministério Público. A Bélgica copiou a legislação holandesa em meados de 2002, inclusive quanto aos requisitos e procedimentos. Recentemente, autorizou-se a eutanásia em menores (sem restrição de idade) em estado terminal e sofrendo de dores físicas insuportáveis, desde que haja a aprovação explícita dos pais e de uma junta médica de pediatras e psiquiatras. A Suíça tem uma legislação que também tolera a eutanásia. A máxima instância judicial da Suíça, a Corte Federal, estabeleceu em 2006 que toda pessoa (maior) com capacidade de discernimento - independentemente de sofrer uma doença mental - tem direito a decidir como morrer. 4.2.2 Países que admitem a possibilidade da eutanásia passiva (ortotanásia) Os debates sobre eutanásia nos EUA são antigos e seu primeiro registro data de 1906. Como naquele país os estados têm competência para legislar sobre direito criminal, o resultado é a falta de uniformidade sobre a questão, muito embora seja evidente a predominância do conservadorismo puritano. O Estado da Califórnia reconhece o direito do paciente recusar o tratamento que o mantinha com vida desde 1976. Oregon, Massachussets e Conecticut também têm disposições neste sentido, mas todas elas não preveem o suicídio assistido ou a conduta ativa, mas tão somente a suspensão do suporte vital artificial, mediante manifestação prévia do paciente ou sua família (no caso deste não poder manifestar sua vontade). Na Grã-Bretanha permite-se a suspensão do tratamento a doentes incuráveis e terminais, mediante rigorosos requisitos e condições extremas, entre as quais a perícia técnica sobre a anamnese do paciente e a sua disposição legítima de vontade. A Constituição espanhola – que protege a dignidade da pessoa humana em seu artigo 10- assevera que, conquanto todos tenham direito à vida, em nenhum caso haverá submissão a torturas, penas ou tratamentos desumanos ou degradantes, o que tem permitido a interpretação de que é possível a abstenção consentida do tratamento nos casos em que se considere que há degradação na manutenção da vida. A conduta ativa terá pena reduzida em relação ao homicídio simples; o auxílio ao suicídio é penalizado em qualquer hipótese. A instigação ou auxílio ao suicídio não recebe tratamento penal na Alemanha, desde que o ato final que dá a causa da morte seja próprio do suicida, devendo ele ser pessoa capaz e estar no pleno gozo de suas capacidades mentais. A lei também submete a juízo individual a liberalidade de receber ou recusar tratamento ao paciente, a qualquer tempo. Trata-se de um direito individual cristalizado pelo ordenamento germânico. Na Dinamarca, a eutanásia é recriminada. Só se admitia a interrupção do tratamento mediante escritura pública feita pelo paciente, o que provocou uma corrida aos cartórios do país. O censo do governo local demonstra que foram registrados 70.000 testamentos apenas em 1992, quando a exigência virou lei. Só a partir de 1998 que a legislação dinamarquesa transferiu à família do doente a possibilidade de interromper o tratamento, no caso de incapacidade do mesmo. 4.2.3.A eutanásia na legislação portuguesa O Código Penal português de 1995 trata duas hipóteses de eutanásia: a que ocorre mediante vontade expressa e comprovada do doente e a aquela em que esta vontade é presumida diante das condições objetivas do paciente e da evolução de seu quadro médico. No primeiro caso, a pena correspondente ao crime é limitada a três anos de prisão (passíveis de suspensão condicional); no segundo, ela varia de um a cinco anos. Apenas para fins comparativos, o homicídio simples naquele ordenamento é apenado com prisão de oito a dezesseis anos. 4.2.4 A eutanásia na Itália Existe uma parcela relevante de países que se inclinam à opinião de que a eutanásia é apenas uma forma de homicídio e/ou instigação e auxílio ao suicídio e que deve ser tratada sob este prisma. Em que pese à piedade e o altruísmo valerem na dosimetria da pena quanto à análise subjetiva que o juiz faz, o tratamento legal e a pena em abstrato não observam qualquer privilégio. Neste rol estão Canadá, México, Japão, Itália, França, Dinamarca (quanto à eutanásia ativa) e a maioria dos estados dos Estados Unidos da América. A Itália talvez seja o país mais emblemático do extremismo conservador: nesse país, o médico está vedado de interromper o tratamento terapêutico, sob qualquer hipótese clínica e mesmo a despeito da recusa do paciente, embora o Código de Deontologia Médica contenha orientação no sentido de evitar procedimentos inúteis. Por ‘sediar’ o Vaticano, o governo da Itália sofre fortes represálias quanto ao assunto eutanásia por parte da Igreja Católica, que é totalmente contra a prática, e acaba sendo influenciado por ela. 5 CONCLUSÃO O tratamento que cada país oferece ao direito de morrer com dignidade revela as marcas impressas em seu povo pelo seu peculiar processo de desenvolvimento histórico e cultural. E nem poderia ser diferente. Encarando a realidade brasileira e a nossa jovem democracia, talvez seja o momento de tratar os assuntos que revolvem valores históricos e religiosos, profundamente arraigados, com o merecido debate público e uma deliberação mais democrática, de preferência sob a forma de plebiscito. Até porque é preciso chegar-se a um meio termo ético que fuja das convicções pessoais ou daquelas de determinados setores isolados da sociedade. O assunto merece uma maturação melhor antes de ser passado à letra da lei. As novas disposições sobre eutanásia, mesmo numa visão mais liberal, não podem ser simplistas como desejam os juristas pátrios a compor o anteprojeto do novo Código Penal, tendo em vista os perigos inerentes à prática, como, por exemplo, o uso da eutanásia a pretexto de descendentes aniquilarem ascendentes no afã de se apropriar de seus bens. Ou ainda, a temeridade de se abrir espaços para uma máfia de tráfico de órgãos atuante nos hospitais brasileiros. Não há espaço para a inocência. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DINIZ, Maria Helena. O estado atual do biodireito. São Paulo: Saraiva, 2001. p 21/101 VIEIRA, Tereza Rodrigues. Bioética e direito. São Paulo: Jurídica Brasileira, 1999. p 89. RODRIGUES, Paulo Daher. Eutanásia. Belo Horizonte: Livraria Del Rey. 1993. p 132. DINIZ, Débora. Porque Morrer? O Direito à morte digna. Fonte: Revista do Terceiro setor, 01.abr.2005. DINIZ, Debora. Despenalização da Eutanásia Passiva: O Caso Colombiano. In: COSTA, Sérgio; DINIZ, Débora. 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