Prévia do material em texto
PARTE 1 Gestão logística da cadeia de suprimentos A Parte 1 determina a importância estratégica da logística para alcançar o sucesso em‑ presarial ao criar valor ao longo das cadeias de suprimentos domésticas e globais. O capí‑ tulo inicial aborda a atenção que as empresas dedicam atualmente à gestão da cadeia de suprimentos, que fornece a estrutura dentro da qual as estratégias logísticas são desenvol‑ vidas e executadas. A logística, principal tópico deste livro, é apresentada no Capítulo 2. O conceito de logística integrada é desenvolvido por meio da discussão sobre o modo como tarefas específicas se conjugam para apoiar o atendimento ao cliente, a manufatura e o suprimento. O Capítulo 3 descreve a importância da gestão do relacionamento com os clientes para a logística bem ‑sucedida. O valor criado pela logística pode servir como um poderoso impulso para o sucesso do cliente. O Capítulo 4 apresenta os conceitos de supri‑ mento e manufatura. O Capítulo 5 apresenta uma visão geral da manufatura no século XXI. A combinação entre atendimento ao cliente, suprimento e manufatura representa as áreas operacionais da cadeia de suprimentos que são ligadas e apoiadas pela logística. O Capítulo 6 fornece uma visão geral da tecnologia da informação aplicável especifica‑ mente à logística da cadeia de suprimentos. Um dos principais desafios na gestão integrada da cadeia de suprimentos é o planejamento multifuncional e interempresarial e a imple‑ mentação operacional. 1 R7_Gestao Logistica_4ed.indd 1 10/31/13 10:35 AM Cadeias de suprimentos no século xxi R e s u m o d o c A P í t u l o A REvolução dA cAdEiA dE suPRimEnTos PoR quE A inTEgRAção gERA vAloR modElo gERAl dE cAdEiA dE suPRimEnTos FuncionAlidAdE do sisTEmA dE inFoRmAção módulos dE sisTEmAs dE inFoRmAção dA cAdEiA dE suPRimEnTos Integração e admInIstração operações da cadeIa de suprImentos planejamento e monItoramento tecnologIa de comunIcação conectIvIdade do consumIdor gEsTão inTEgRAdA E PRocEssos dA cAdEiA dE suPRimEnTos colaboração extensão empresarIal prestadores de servIço Integrados cAPAcidAdE dE REsPosTA modelo de negócIo de base antecIpatórIa (empurrado) modelo de negócIo baseado na resposta (puxado) postponement (postergação) barreIras à Implementação de sIstemas baseados na resposta (puxados) soFisTicAção FinAncEiRA conversão de caIxa mInImIzação do tempo de permanêncIa lIberação de caIxa globAlizAção REsumo quEsTõEs PARA REvisão dEsAFios Há pouco tempo, na década de 1990, o tempo médio necessário para uma empresa processar e entregar a um cliente um produto retirado do estoque de um depósito variava entre 15 a 30 dias, às vezes até mais. O processo típico desde o pedido até a entrega envolvia a criação e a transferência do pedido, que geralmente era feito por telefone, fax, intercâmbio eletrônico de dados (EDI – Electronic data interchange) ou correio; seguia ‑se o processamento do pedido, que envolvia o uso de sistemas manuais ou computadorizados, a autorização de crédito e a alocação a um depósito para processamento; e, por fim, a entrega do produto para o cliente. Quando tudo ocorria dentro do planejado, o tempo médio para o consumidor receber os produtos adquiridos era longo. Porém, quando algo dava errado, e isso acontecia com frequência – como falta do produto em estoque, uma ordem de serviço perdida ou errada, ou uma entrega para o destino errado –, o tempo total para atender os clientes aumentava ainda mais. CAPÍTULO 1 R7_Gestao Logistica_4ed.indd 2 10/31/13 10:35 AM Cadeias de suprimentos no século xxi capítulo 1 3 Para melhorar esse tempo longo e imprevisível de atendimento, tornou ‑se prática comum manter um nível alto de estoque. Por exemplo, estoques de produtos idênticos normalmente eram armazenados por varejistas, atacadistas e fabricantes. Apesar de um estoque tão extenso, a falta de produtos e os atrasos nas entregas eram comuns, devido, em parte, ao grande núme‑ ro de variações no produto. Essas práticas de negócios admitidas no século XX, bem como a estrutura de canais de distribuição usados para completar a entrega, evoluíram ao longo dos anos de experiência desde a Revolução Industrial. Tais práticas permaneceram ativas e inquestionáveis por muito tempo porque não existia uma alternativa claramente melhor. O processo de distribuição tradicional foi projetado para superar os desafios e alcançar benefícios que há muito deixaram de ser im‑ portantes. O mundo industrializado não é mais caracterizado pela escassez. A prosperidade do consumidor e seu desejo de uma ampla variedade de escolha de bens e serviços aumentam continuamente. Na verdade, os consumidores de hoje querem ter opções de bens e serviços que eles possam configurar de acordo com suas especificações individuais. Os desejos mudaram de uma aceitação passiva para um envolvimento ativo no projeto e na entrega de bens e serviços. A capacidade de transporte e o desempenho operacional se tornaram cada vez mais econômicos e confiáveis. Os transportes de hoje são apoiados por sistemas de informação sofisticados que faci‑ litam entregas previsíveis e precisas. A capacidade para acompanhar continuamente as cargas e receber notificações praticamente instantâneas dos atrasos nas entregas é uma prática comum. Enormes mudanças ocorreram como resultado da tecnologia da informação disponível. Durante a década de 1990, o mundo do comércio sofreu um impacto irreversível por conta do advento dos computadores, da Internet e de uma série de possibilidades acessíveis de transmis‑ são de informações. A informação caracterizada pela velocidade, acessibilidade, acurácia e, acima de tudo, relevância tornou ‑se a regra. A Internet transformou ‑se em um modo comum e econômico de realizar transações business ‑to ‑business (B2B). Cada vez mais consumidores es‑ tão diretamente ligados às empresas por meio da Internet. Impulsionada por essas forças fun‑ damentais, surgiu rapidamente uma economia global. O que começou durante a última década do século XX e continuará a se expandir no sé‑ culo XXI é o que os historiadores chamam cada vez mais de era da informação ou era digi- tal. Na era da informação, a realidade de conectividade de negócios continua a impulsionar uma nova ordem de relacionamentos denominada gestão da cadeia de suprimentos. Os administradores estão, cada vez mais, melhorando as práticas tradicionais de marketing, manu‑ fatura, compras e logística. Nessa nova ordem dos negócios, os produtos podem ser fabricados de acordo com especificações exatas e rapidamente entregues a consumidores em locais espa‑ lhados pelo mundo. Já existem sistemas logísticos com capacidade para entregar produtos em horários exatos. O tempo entre o pedido do cliente e a entrega de uma variedade de produtos pode ser de horas. A ocorrência frequente de falhas de serviço que caracterizavam o passado está cada vez mais sendo substituída por um crescente compromisso administrativo com zero defeito ou com o que comumente é chamado de desempenho seis sigma.1 Os pedidos per- feitos – entregar a variedade e a quantidade desejada de produtos no local certo pontualmen‑ te, sem danos e com fatura correta –, antes a exceção, agora estão se tornando a expectativa. Talvez o fato mais importante seja que esse desempenho de alto nível está sendo alcançado a um custo total mais baixo e com o comprometimento de menos recursos financeiros que no passado. Toda essa mudança fundamental na estrutura e na estratégia dos empreendimentos de negócios tem sido impulsionada principalmente pela tecnologia da informação. 1 O desempenho seis sigma reflete um nível de realização com uma taxa de erro de 3,4 defeitos por milhão (99,99966%). R7_Gestao Logistica_4ed.indd 3 10/31/13 10:35 AM PARTE 1 Gestão logística da cadeia de suprimentos4 Neste capítulo inicial, o modelode negócio e a proposta de valor da gestão da cadeia de suprimentos são apresentados como uma crescente postura estratégica das empresas contempo‑ râneas. O capítulo analisa o desenvolvimento da revolução da cadeia de suprimentos na práti‑ ca de negócios. Depois, o conceito é apresentado dentro de uma estrutura estratégica. A seção seguinte discute a importância da funcionalidade do sistema de informação e os módulos que apoiam as operações da cadeia de suprimentos. O capítulo então examina a gestão integrada, a capacidade de resposta, a sofisticação financeira, a globalização e as forças que impulsionam o surgimento da lógica da cadeia de suprimentos. O objetivo geral do Capítulo 1 é posicionar os desafios logísticos de apoiar uma estratégia de cadeia de suprimentos deste século. A cadeia de suprimentos é posicionada como a estrutura estratégica dentro da qual as necessidades logís‑ ticas são identificadas e as operações relacionadas são administradas. A REvolução dA cAdEiA dE suPRimEnTos DeciDimos Descrever o que os administradores estão vivenciando hoje como a revolução da cadeia de suprimentos e o consequente renascimento logístico. Essas duas mudanças gi‑ gantescas na expectativa e na prática relacionadas ao desempenho das operações empresariais estão altamente inter ‑relacionadas. No entanto, são aspectos significativamente diferentes do pensamento estratégico contemporâneo. A gestão da cadeia de suprimentos consiste na colaboração entre empresas para impul‑ sionar o posicionamento estratégico e melhorar a eficiência operacional. Para cada empresa envolvida, o relacionamento na cadeia de suprimentos reflete uma opção estratégica. Uma es‑ tratégia de cadeia de suprimentos é um arranjo organizacional de canais e de negócios baseado na dependência e na colaboração. As operações da cadeia de suprimentos exigem processos gerenciais que atravessam as áreas funcionais dentro de cada empresa e conectam fornecedo‑ res, parceiros comerciais e clientes através das fronteiras organizacionais. Dentro da gestão da cadeia de suprimentos de uma empresa, logística é a função neces‑ sária para transportar e posicionar geograficamente o estoque. Dessa forma, a logística é um subconjunto de atividades e ocorre dentro do quadro mais abrangente da cadeia. Ela é o processo que cria valor pela gestão e pelo posicionamento do estoque e combina o gerencia‑ mento de pedidos, do estoque, do transporte, do depósito, do manuseio de materiais e da embalagem, integrados por meio de uma rede de instalações. Já a logística integrada serve para vincular e sincronizar a cadeia de suprimentos como um processo contínuo e é essencial para a conectividade efetiva da cadeia. Embora o objetivo do trabalho logístico tenha perma‑ necido essencialmente o mesmo ao longo de décadas, o modo como o trabalho é realizado continua a mudar radicalmente. O foco fundamental deste livro é a gestão da logística integrada. No entanto, para estudá‑ ‑la, o leitor deve ter um conhecimento básico da gestão da cadeia de suprimentos, cuja estraté‑ gia estabelece a estrutura operacional dentro da qual a logística é realizada. Como analisaremos rapidamente, mudanças drásticas continuam a ocorrer na prática da cadeia de suprimentos. Dessa forma, as melhores práticas de logística, como descritas neste livro, são apresentadas como um trabalho em andamento, sujeito à mudança contínua com base na natureza evolutiva da estrutura e da estratégia da cadeia de suprimentos. O Capítulo 2, “Logística”, abrange o renascimento em ação nas melhores práticas de logística e estabelece o pano de fundo para todos os capítulos que se seguem. À primeira vista, a gestão da cadeia de suprimentos pode parecer um conceito vago. Muito já foi escrito sobre o assunto sem preocupação com as definições fundamentais, a es‑ R7_Gestao Logistica_4ed.indd 4 10/31/13 10:35 AM Cadeias de suprimentos no século xxi capítulo 1 5 trutura ou o vocabulário comum. Existe uma confusão acerca do escopo adequado em rela‑ ção ao que constitui uma cadeia de suprimentos, até que ponto envolve integração com outras empresas em contraste com a integração de operações internas, e como implementá ‑la melhor em termos de práticas competitivas e restrições legais. Para a maioria dos administra‑ dores, o conceito de cadeia de suprimentos tem um apelo intrínseco porque prevê novos ar‑ ranjos comerciais, gerando um potencial para melhorar a competitividade. O conceito também implica em uma rede altamente eficaz de relações comerciais que serve para melho‑ rar a eficiência ao eliminar o trabalho duplicado e improdutivo. Entender mais especifi‑ camente o que constitui a revolução dessa cadeia começa com uma revisão da prática tradicional dos canais de distribuição. Para superar os desafios do comércio, as empresas desenvolveram relacionamentos comerciais com outras empresas de bens e serviços para realizar atividades essenciais em conjunto. Essa dependência era necessária para obter os benefícios da especialização. Os administradores, após o início da Revolução Industrial, começaram a planejar estrategica‑ mente a competência essencial, a especialização e a economia de escala. O resultado foi a percepção de que trabalhar em conjunto com outras empresas era essencial para o sucesso duradouro. Esse entendimento de que nenhuma empresa pode ser totalmente autossufi‑ ciente contrastava com algumas noções anteriores de integração vertical.2 A dependência entre empresas criou o conceito do que ficou conhecido como canais de distribuição ou de marketing. Devido à alta visibilidade dos diferentes tipos de negócios, o estudo inicial para a organiza‑ ção de canais era caracterizado pela classificação com base nos papéis específicos desempenha‑ dos durante o processo de distribuição. Por exemplo, uma empresa pode ter sido criada para executar serviços com o valor agregado da venda por atacado. As empresas que fazem negócios com um atacadista têm expectativas em relação a quais serviços irão receber e quanto ao paga‑ mento que devem realizar. Estudos aprofundados de atividades específicas rapidamente identi‑ ficaram a necessidade de liderança, de um grau de compromisso com a cooperação entre todos os participantes dos canais e de meios para resolver os conflitos. Os estudiosos que realizavam pesquisas relacionadas à estrutura e à estratégia dos canais desenvolveram modelos para classi‑ ficar as práticas observáveis, que iam desde uma transação única até relacionamentos comer‑ ciais duradouros extremamente formalizados. O caráter colaborador da integração dos canais era um conceito um tanto vago de que todos os envolvidos receberiam benefícios como resultado da cooperação. No entanto, principalmente devido à falta de informações de alta qualidade, a estrutura geral dos ca‑ nais era erguida sobre uma fundação antagônica. Quando algo dava errado, cada empresa concentrava ‑se, em primeiro lugar e acima de tudo, em seus próprios objetivos. Assim, em última análise, a dinâmica dos canais era, na maioria das vezes, caracterizada por um am‑ biente competitivo feroz. Durante a última década do século XX, a estratégia e a estrutura dos canais começaram a mudar radicalmente. Arranjos tradicionais de canal de distribuição passaram a pensar mais na integração e na colaboração. Antes de rever o modelo de cadeia de suprimentos generalizado, é importante entender por que a integração gera valor. 2 Henry Ford, Today and Tomorrow (New York: Doubleday, Page, and Company, 1926). Reimpresso pela Productivity Press (Portland, OR, 1988). R7_Gestao Logistica_4ed.indd 5 10/31/13 10:35 AM PARTE 1 Gestão logística da cadeia de suprimentos6 inTEgRAção gERA vAloR Para exPlicar os benefícios e desafios básicos da gestão integrada, é importante observar que os clientes têm no mínimo três perspectivas de valor. A perspectiva de valor tradicional é o valoreconômico, que se aproveita da economia de escala como fonte de eficiência. Esta, por sua vez, busca utilizar completamente os ativos fixos para obter o menor custo total. O foco do valor econômico é a eficiência na criação de produ‑ tos/serviços; diz respeito a fazer as coisas da melhor maneira possível. O entendimento do cliente acerca do valor econômico é alta qualidade por um preço baixo. A segunda perspectiva de valor é o valor de mercado, que consiste na apresentação de uma variedade de produtos no momento e no lugar certos para atingir a eficácia, e concentra‑ ‑se em obter economia de escopo na apresentação dos produtos/serviços. A criação de shopping centers com diversas lojas, lojas com marketing de massa em grande escala e operações de co‑ mércio eletrônico com diversos fornecedores são iniciativas para obter valor de mercado. A visão do cliente em termos de valor de mercado é uma variedade conveniente de produtos/ serviços e opções. A consecução dos valores econômicos e de mercado é importante para os clientes. No entan‑ to, cada vez mais as empresas estão reconhecendo que o sucesso nos negócios também depende de uma terceira perspectiva de valor, conhecida como relevância. Ela envolve a customização de serviços de valor agregado, além de produtos e posicionamento, que trazem uma diferença real para os clientes. O valor de relevância significa os bens e serviços certos, como refletido pelo valor de mercado, a um preço justo, como demonstrado pelo valor econômico, modificados, sequencia‑ dos, sincronizados e posicionados de forma a criar uma diversidade valiosa. Para um consumidor, por exemplo, relevância significa transformar ingredientes em refeições prontas para comer. No varejo de produtos em geral, também significa transformar produtos em roupas da moda. Já na manufatura e na montagem, a relevância é alcançada pela integração de componentes específicos para criar produtos que aumentem a funcionalidade desejada por um cliente em particular. A visão do cliente em termos de relevância é um conjunto exclusivo de produtos/serviços. A combinação simultânea de valor econômico, valor de mercado e valor de relevância exige uma integração total dos processos gerais da empresa e é conhecida como proposição de valores da gestão integrada, como ilustra a Tabela 1.1. modElo gERAl dE cAdEiA dE suPRimEnTos o conceito geral De uma caDeia de suprimentos integrada costuma ser ilustrado por um dia‑ grama linear que liga as empresas participantes formando uma unidade competitiva coordena‑ da. A Figura 1.1 ilustra um modelo generalizado adaptado de disciplinas de gestão de cadeia de suprimentos da Michigan State University. Valor econômico Valor de mercado Valor de relevância • menor custo total • variedade atraente • customização • Eficiência de economia de escala • Eficácia de economia de escopo • diversidade segmental • criação de bens/ serviços • Apresentação de bens/serviços • Posicionamento de bens/serviços estratégia de suprimento/ manufatura estratégia de mercado/ distribuição estratégia da cadeia de suprimentos TAbeLA 1.1 Proposição de valores da gestão integrada. R7_Gestao Logistica_4ed.indd 6 10/31/13 10:35 AM Cadeias de suprimentos no século xxi capítulo 1 7 O contexto de uma cadeia de suprimentos integrada é a colaboração entre empresas dentro de uma estrutura de fluxos e restrições de recursos essenciais. Nesse contexto, a estrutura e a estratégia da cadeia de suprimentos resultam de esforços para alinhar operacionalmente uma empresa com os clientes, bem como com as redes de apoio de distribuidores e fornecedores para obter vantagem competitiva. As operações são, portanto, integradas desde a compra ini‑ cial de material até a entrega de bens e serviços aos clientes.3 O valor resulta da sinergia entre as empresas que compõem a cadeia de suprimentos como resultado de cinco fluxos críticos: de informação, de produto, de serviço, financeiro e de conhe‑ cimento (veja a seta bidirecional no topo da Figura 1.1). A logística é o condutor principal de bens e serviços dentro do arranjo da cadeia de suprimentos. Cada empresa inserida em uma cadeia de suprimentos está envolvida em realizar alguns aspectos da logística em geral. Atingir a integração e a eficiência logísticas é o foco deste livro. O arranjo geral da cadeia de suprimen‑ tos ilustrado na Figura 1.1 conecta, de modo lógico e logístico, uma empresa e sua rede de distribuidores e fornecedores aos seus clientes. A mensagem transmitida pela figura é que o processo integrado de criação de valor deve ser alinhado e administrado desde a compra de matéria ‑prima até a entrega do produto/serviço ao cliente final para garantir eficácia, eficiên‑ cia, relevância e sustentabilidade. A perspectiva da cadeia de suprimentos integrada muda os arranjos tradicionais dos ca‑ nais, que deixam de ser grupos com ligações frágeis entre empresas independentes que com‑ pram e vendem estoques entre si e passam a ser uma iniciativa administrativamente coordenada para aumentar o impacto no mercado, a eficiência geral, a melhoria contínua e a 3 Em uma cadeia de suprimentos, os clientes são definidos como pontos de destino. Eles consomem um produto ou utilizam ‑no como parte integral ou componente de um processo ou outro produto. O ponto fundamental é que o produto original perde sua configuração singular quando consumido. Empresas que compram produtos de fabricantes para revender – por exemplo, atacadistas e varejistas – são chamadas de clientes intermediários. gestão de relacionamentos logística m at er ia is c on su m id or es manufatura empresa integrada rede de distribuição para o mercado rede de fornecedores suprimento Atendimento ao cliente Fluxos de informação, produtos, serviços, recursos financeiros e conhecimento Restrições de capacidade, informação, competências essenciais, capital e recursos humanos FIGURA 1.1 Estrutura da cadeia de suprimentos integrada. R7_Gestao Logistica_4ed.indd 7 10/31/13 10:35 AM PARTE 1 Gestão logística da cadeia de suprimentos8 competitividade. Na prática, muitas complexidades servem para obscurecer a simplicidade de ilustrar as cadeias de suprimentos como diagramas lineares direcionais. Por exemplo, muitas empresas participam simultaneamente de diversas cadeias de suprimentos concorrentes. Visto que uma cadeia se torna a unidade básica da concorrência, empresas que participam de diver‑ sos arranjos podem enfrentar questões de lealdade relacionadas à confidencialidade e ao po‑ tencial conflito de interesses. Outro fator que acrescenta complexidade ao entendimento da estrutura da cadeia de supri‑ mentos é o alto nível de mobilidade e mudança observável em arranjos típicos. É interessante notar a fluidez das cadeias de suprimentos, já que as empresas entram e saem sem nenhuma perda aparente da conectividade essencial. Por exemplo, uma empresa e/ou prestador de servi‑ ços pode estar ativamente engajada em uma estrutura de cadeia de suprimentos durante alguns momentos, como na época de pico de vendas, mas não na época do balanço anual. Durante o Natal de 2010, a Toys R Us acrescentou nos Estados Unidos 600 lojas temporárias para aten‑ der a demanda. Estima‑se que 10 mil postos de trabalho foram necessários para operar essas lojas. No total, 45 mil funcionários foram contratados em todo o país para satisfazer as proje‑ ções de demanda do período natalino. FuncionAlidAdE do sisTEmA dE inFoRmAção um Dos asPectos que mais facilita a gestão da cadeia de suprimentos é a tecnologia da infor‑ mação. Os sistemas da cadeia de suprimentos iniciam atividades e rastreiam informações sobre processos, facilitam o compartilhamento de informações tanto dentro da empresa quanto entre parceiros da cadeia de suprimentos e auxiliam a tomada de decisãogerencial. Os sistemas abrangentes de informações são formados por uma combinação de subsistemas de transações, de apoio à decisão e de comunicação. Desde o início, a logística se concentrou no armazenamento e no fluxo de produtos ao longo da cadeia de suprimentos. O fluxo e a exatidão das informações normalmente eram menospre‑ zados porque não eram vistos como críticos para os clientes. Além disso, as taxas de transferência de informação eram limitadas pelos processos manuais. Existem quatro motivos pelos quais a informação oportuna e acurada se tornou mais crítica no projeto e nas operações de sistemas logísticos. Primeiro, os clientes percebem a informação sobre a situação do pedido, a disponibi‑ lidade de produtos, o rastreamento da entrega e o faturamento como dimensões necessárias do atendimento ao cliente. Os clientes exigem informações em tempo real. Segundo, com o objetivo de reduzir os ativos totais da cadeia de suprimentos, os gerentes perceberam que a informação pode ser usada para reduzir os requisitos de estoque e de recursos humanos. Em especial, o pla‑ nejamento das necessidades com base em informações atuais pode reduzir o estoque ao minimi‑ zar a incerteza da demanda. Terceiro, a informação aumenta a flexibilidade em relação a como, quando e onde os recursos podem ser utilizados para alcançar vantagens competitivas. E quarto, o aumento da transferência e da troca de informações por meio da Internet está facilitando a colaboração e redefinindo os relacionamentos na cadeia de suprimentos. Um exemplo atual de sistema de informação abrangente que leva a uma melhor utilização da cadeia de suprimentos pode ser encontrado no cenário internacional de transportes. É comum uma empresa redirecio‑ nar um contêiner no meio do caminho com base no feedback em tempo real dos mercados lo‑ cais. Essa mudança, viabilizada pela tecnologia da informação, resulta em níveis de serviço mais elevados e, simultaneamente, no aperfeiçoamento da utilização dos recursos. Os sistemas de informação da cadeia de suprimentos formam o laço que une as ativi‑ dades logísticas a um processo integrado. A integração baseia ‑se em quatro níveis de funciona‑ R7_Gestao Logistica_4ed.indd 8 10/31/13 10:35 AM Cadeias de suprimentos no século xxi capítulo 1 9 lidade: (1) sistemas de transações; (2) controle administrativo; (3) análise de decisões; e (4) planejamento estratégico. A Figura 1.2 ilustra as atividades e as decisões logísticas em cada ní‑ vel de funcionalidade da informação. Como sugere o formato de pirâmide, as melhorias em controle administrativo, análise de decisões e planejamento estratégico exigem uma base sólida no sistema de transações. Um sistema de transações se caracteriza por regras e procedimentos formalizados e co‑ municações padronizadas, alto volume de transações e foco operacional diário. A combinação de processos estruturados e grande volume de transações coloca muita ênfase na eficiência do sistema de informação. No nível mais básico, sistemas de transação iniciam e registram as atividades de logística e seus resultados individuais. A típica funcionalidade de transação inclui entrada de pedidos, desdobramento (deployment) do estoque, separação de pedidos, expedição, formação de preços, faturamento e questionamentos dos clientes. Por exemplo, a transação de entrada de pedidos do cliente registra no sistema de informação um pedido de produto feito por ele. A transação de entrada de pedidos inicia uma segunda transação quando o estoque é atribuído ao pedido. Uma terceira transação é gerada para orientar as operações do depósito para atender ao pedido. E uma quarta transação inicia o embarque do pedido para o cliente. A transação final gera a fatura e uma conta a receber correspondente. Ao longo do processo, a empresa e o cliente esperam informações em tempo real sobre o status do pedido; assim, o ciclo de atividades do pedido do cliente é completado por uma série de transações do sistema de informação. O segundo nível do sistema de informação da cadeia de suprimentos, o controle admi- nistrativo, se concentra na medição e no relatório de desempenho. Essa avaliação é neces‑ sária para fornecer feedback sobre o desempenho e a utilização de recursos da cadeia de suprimentos. Dimensões típicas do desempenho incluem medições de custo, serviço ao clien‑ planejamento estratégico • Formulação de alianças estratégicas • desenvolvimento e aperfeiçoamento de competências e oportunidades • Análise de serviço ao cliente • Programação de frota e roteirização • níveis e gerenciamento de estoque • localização e integração das instalações/rede análise de decisões • integração vertical versus terceirização controle administrativo monitoramento financeiro, de custos e de ativos: • medição do serviço ao cliente • medição da produtividade • medição da qualidade • gerenciamento de pedidos • separação de pedidos • Preços e faturamento • Alocação de estoque • Expedição • informações aos clientes sistemas de transações FIGURA 1.2 Funcionalidade do sistema de informação da cadeia de suprimentos. R7_Gestao Logistica_4ed.indd 9 10/31/13 10:35 AM PARTE 1 Gestão logística da cadeia de suprimentos10 te, produtividade, qualidade e gerenciamento de ativos. Como exemplo, medições específicas de desempenho incluem os custos de transporte e de armazenamento por tonelada, giro do estoque, taxa de atendimento por unidade, caixas por hora trabalhada e percepção do clien‑ te em relação ao serviço. Embora seja necessário que o sistema de informação da cadeia de suprimentos relate o histórico de desempenho do sistema, também é preciso identificar as exceções operacionais, pois suas informações são úteis para destacar problemas potenciais, operacionais ou com clien‑ tes. Por exemplo, o sistema de informação da cadeia de suprimentos proativo deve conseguir apontar faltas de estoque futuras com base nos requisitos previstos e no estoque planejado. O relatório de exceção também deve identificar restrições potenciais em termos de transporte, armazenamento ou mão de obra. Embora algumas medidas de controle, como o custo, sejam bem definidas, outras medidas, como serviço e qualidade, são menos específicas. Por exemplo, o serviço ao cliente pode ser medido internamente, pela perspectiva da empresa, ou externa‑ mente, pela perspectiva do cliente. Embora medidas internas sejam relativamente fáceis de monitorar, informações sobre medidas externas são mais difíceis de obter, já que envolvem o cliente ou outros parceiros externos. O terceiro nível do sistema de informação da cadeia de suprimentos, a análise de de- cisões, se concentra em ferramentas de soft ware para ajudar os administradores a identifi‑ car, avaliar e comparar alternativas estratégicas e táticas para melhorar a eficácia. Análises típicas incluem projeto da cadeia de suprimentos, gerenciamento de estoque, alocação de recursos, roteirização de transportes e rentabilidade por segmento. O ideal é que o sistema de informação da cadeia de suprimentos para análise de decisões inclua manutenção, mo‑ delagem, análise e relatório de banco de dados. Assim como o controle administrativo, a análise de decisões pode incluir considerações operacionais, como a roteirização de veículos e o planejamento de depósitos. A análise de decisões também está sendo usada para admi‑ nistrar os relacionamentos com os clientes ao determinar os trade‑offs associados a clientes satisfeitos e bem ‑sucedidos. características justificativas planejamento estratégico análise de decisões controle administrativo sistemas de transações Alto risco muitas opções Análise/Avaliação despesas e treinamento significativos para o usuário Foco em atividades voltadas para a eficácia sistemas de controle do desempenho Feedback para avaliaçãodo desempenho direcionamento proativo para os usuários Alto custo de sistemas de hardware e software Treinamento estruturado para uma grande quantidade de usuários Foco em atividades voltadas para a eficiência identificação e avaliação de alternativas competitivas vantagem competitiva medição da capacidade competitiva e acréscimo de áreas com potencial para melhoria qualificação competitiva FIGURA 1.3 Uso, características de decisão e justificativas do sistema de informação da cadeia de suprimentos. R7_Gestao Logistica_4ed.indd 10 10/31/13 10:35 AM Cadeias de suprimentos no século xxi capítulo 1 11 O planejamento estratégico, último nível do sistema de informação da cadeia de supri‑ mentos, organiza e sintetiza os conteúdos de transações em um banco de dados relacional que ajuda na avaliação de estratégias. Essencialmente, o planejamento estratégico se concentra em informações para avaliar e refinar a estratégia logística e a cadeia de suprimentos. Exemplos de planejamento estratégico incluem as alianças estratégicas, o desenvolvimento e o aperfeiçoa‑ mento da competência em manufatura e as oportunidades relacionadas à capacidade de res‑ posta aos clientes. O formato da Figura 1.3 ilustra as características e as justificativas para o desenvolvimento de um sistema de informação da cadeia de suprimentos. Os custos de desen‑ volvimento e manutenção incluem hardware, software, comunicação e recursos humanos. No passado, a maior parte dos sistemas desenvolvidos se concentrava em melhorar a eficiência do sistema de transações. Embora esses investimentos originalmente oferecessem retorno em ter‑ mos de velocidade e menor custo operacional, agora existem poucas oportunidades de melho‑ ria. A maior parte do desenvolvimento e da implementação de um sistema de informação da cadeia de suprimentos agora se concentra no aumento da integração do sistema da cadeia de suprimentos e em melhores tomadas de decisões. módulos dE sisTEmAs dE inFoRmAção dA cAdEiA dE suPRimEnTos um sistema De informação Da caDeia De suPrimentos abrangente inicia, monitora e auxilia a tomada de decisões, relatando as atividades necessárias à realização de operações e planejamento logísticos. Os principais módulos do sistema e suas interfaces, como ilustra a Figura 1.4, são: (1) Planejamento de Recursos Empresariais (ERP – Entreprise Resource Planning); (2) sistemas de comunicação; (3) sistemas de execução; e (4) sistemas de planejamento. A Figura 1.4 oferece uma perspectiva do sistema de informação da cadeia de suprimentos voltada para a aplicação. Essa perspectiva é usada para discutir as características e a funcionalidade específicas de cada módulo. Os sistemas ERP na Figura 1.4 são a base do sistema de informação logística da maioria das empresas, que mantém dados e processos atuais e históricos para iniciar e monitorar o de‑ sempenho. Durante a década de 1990, muitas empresas começaram a substituir módulos desenvolvidos internamente (chamados de “sistemas legados”) por sistemas ERP projetados como módulos e processos de transações integradas com um banco de dados em comum. O banco de dados inclui a capacidade de armazenamento de informações sobre as transações operacionais (isto é, baseadas em produtos e em atividades) e financeiras (isto é, com base monetária). Os sistemas ERP facilitam as operações e os relatórios integrados para iniciar, FIGURA 1.4 Estrutura do sistema de informação da cadeia de suprimentos voltada para aplicações. Planejamento de recursos empresariais (ERP) integração e administração Planejamento e monitoramento empresarial operações empresariais Relatórios financeiros e operacionais R7_Gestao Logistica_4ed.indd 11 10/31/13 10:35 AM PARTE 1 Gestão logística da cadeia de suprimentos12 monitorar e localizar atividades críticas, como atendimento a pedidos e reabastecimento. Os sistemas ERP também incorporam um banco de dados integrado no âmbito de toda a empre‑ sa, às vezes denominado data warehouse, junto a transações adequadas para facilitar o plane‑ jamento e as operações logísticas e a cadeia de suprimentos. As transações da cadeia de suprimentos facilitadas por sistemas ERP incluem entrada e gerenciamento de pedidos, aloca‑ ção de estoque e expedição. Além dessas aplicações na cadeia de suprimentos, os sistemas ERP normalmente incluem habilidades financeiras, contábeis e de recursos humanos. Aplicações de data mining, gestão do conhecimento e outras aplicações de integração empre‑ sarial operam usando a base de ERP para desenvolver e organizar o conhecimento referente a clientes, produtos e operações. Integração e admInIstração As aplicações de integração e administração são os módulos ERP que não são especificamente aplicações da cadeia de suprimentos, mas têm interações substanciais com ela. A Figura 1.5 ilustra os principais componentes de integração e administração. Os componentes específicos incluem: (1) administração geral; (2) contas a receber e a pagar; (3) contabilidade financeira do estoque; (4) contabilidade geral; e (5) recursos humanos. A administração geral inclui as diversas operações para estruturar a empresa e definir seus fluxos de processos. Operações da cadeia de suprimentos usam esses módulos para definir estruturas de relatórios, funcionais e organizacionais, bem como para definir os fluxos de processos, como atendimento a pedidos de clientes e de reabastecimento. Contas a receber e a pagar representam as funções de recebimento de faturas de clientes e paga‑ mento de faturas a fornecedores. Embora normalmente sejam reconhecidas como funções contábeis, há uma interação significativa com as operações da cadeia de suprimentos, já que as contas a pagar são influenciadas pela aquisição de materiais e serviços, e as contas a receber são influenciadas pela entrega e faturamento de pedidos completos. A contabili‑ dade financeira do estoque refere ‑se ao acompanhamento dos processos de valor agregado por toda a cadeia de suprimentos a fim de facilitar os relatórios de informações financeiras e fiscais. O timing e a localização dos processos de valor agregado da cadeia de suprimen‑ tos (por exemplo, produção, controle de estoque e embalagem) podem ter influência signi‑ ficativa sobre o que é comunicado ao departamento financeiro (para efeitos fiscais) e aos mercados financeiros (para fins de valorização das ações). A contabilidade geral se refere à estrutura das contas acuradas para monitorar e fazer relatórios de receitas e contas. Como a cadeia de suprimentos envolve uma interação substancial com os processos internos e externos da empresa, a estrutura da contabilidade geral influencia significativamente a capacidade da cadeia de suprimentos para medir, monitorar e registrar os custos relativos à entrega de produtos ou ao serviço aos clientes. O módulo de recursos humanos dos siste‑ integração e administração Administração geral contas a receber e a pagar contabilidade financeira do estoque contabilidade geral Recursos humanos FIGURA 1.5 Componentes de integração e administração. R7_Gestao Logistica_4ed.indd 12 10/31/13 10:35 AM Cadeias de suprimentos no século xxi capítulo 1 13 mas ERP acompanha perfis e níveis de atividade dos funcionários. Como a maioria das empresas tem uma grande quantidade de pessoas envolvidas nas operações da cadeia de suprimentos (por exemplo, manufatura, distribuição e compras), e muitas vezes em dife‑ rentes ambientes globais, a capacidade de acompanhar as tabelas salariais e os níveis de atividade é fundamental para tomar decisões eficazes quanto aos funcionários envolvidos na cadeia de suprimentos. operações da cadeIa de suprImentos As operações empresariais incluem os módulos do sistema de informação necessários para apoiar asoperações diárias da cadeia de suprimentos. A Figura 1.6 ilustra os módulos espe‑ cíficos, que incluem: (1) gestão do relacionamento com os clientes; (2) logística; (3) manufa‑ tura; (4) compras; e (5) desdobramento (deployment) do estoque. Os sistemas de operações empresariais trabalham em conjunto com o sistema ERP da empresa para oferecer funciona‑ lidades específicas para apoiar as operações da cadeia de suprimentos. Enquanto alguns sis‑ temas ERP apoiam as funcionalidades necessárias para a cadeia de suprimentos, outros não incluem algumas delas, como as que auxiliam as operações de depósito e transporte. Os sistemas de atendimento ao cliente, também conhecidos como gestão do relaciona- mento com os clientes (CRM – Customer Relationship Management), são aplicações relati‑ vamente novas, projetadas para facilitar o compartilhamento de informações entre os clientes, a força de vendas e as operações. O módulo de logística direciona e monitora as atividades lo‑ gísticas incluindo o gerenciamento de estoque de produtos acabados, dos depósitos, de trans‑ portes e o de pátio. O módulo de manufatura programa e aloca os recursos de produção e determina os requisitos de componentes. O módulo de compras inicia e monitora as atividades de aquisição, incluindo a abertura de pedidos de compra, os serviços expressos e o gerencia‑ componentes do sistema de operações empresariais gestão do relacionamento com os clientes logística manufatura compras desdobramento do estoque banco de dados de clientes Previsão de demanda gerenciamento de pedidos (oms) gerenciamento de estoque acabado Processamento de pedidos gerenciamento de depósitos (Wms) gerenciamento de transportes (Tms) gerenciamento de pátio (Yms) interface de contas a receber Planejamento de recursos de produção (mRP ii) Planejamento de necessidades de capacidade (cRP) Programa mestre de produção (mPs) Execução e controle da produção (chão de fábrica) gestão da qualidade (gq) Administração de pedidos de compra Planejamento de necessidades de material (mRP) gestão de relacionamento com fornecedores interface de contas a receber Planejamento integrado de estoque Planejamento e programação avançados FIGURA 1.6 Módulos de operações empresariais. R7_Gestao Logistica_4ed.indd 13 10/31/13 10:35 AM PARTE 1 Gestão logística da cadeia de suprimentos14 mento de fornecedores. O sistema de desdobramento (deployment) do estoque programa e monitora o fluxo do material para atender aos requisitos de produção e estoque. Na Figura 1.6 são apresentadas as aplicações mais comuns incluídas em cada módulo. Essas aplicações são discutidas ao longo de todo o livro, em conjunto com os respectivos tópicos operacionais. O método tradicional de disponibilização da tecnologia sempre foi a operação e manuten‑ ção de recursos computacionais privados. Computadores de grande porte são essenciais para operar os vários sistemas de tecnologia da informação necessários para orientar as operações da cadeia de suprimentos. Esse comprometimento com a computação interna mudou rapidamen‑ te no século XXI. Em um ritmo crescente as empresas estão adquirindo suporte de tecnologia da informação para a cadeia de suprimentos na forma de sistemas abrigados externamente. Existe uma ampla gama de sistemas, como gerenciamento de depósitos (WMS – warehouse management system), gerenciamento de transportes (TMS – transportation management system) e gerenciamento de pátio (YMS – yard management system), disponibilizada por empresas que desenvolvem e mantêm aplicações especializadas com tecnologia de ponta. Geralmente chamados de Software como Serviço (SaaS – Software as a Service), esses paco‑ tes específicos podem ser adquiridos para uso interno ou hospedados externamente. Quando são hospedados por empresas prestadoras de serviços especializados, que fornecem a aplicação utilizando a capacidade de grandes recursos computacionais, a aplicação é classificada como computação na nuvem (cloud computing). planejamento e monItoramento Planejamento e monitoramento são os processos e tecnologias que facilitam os sistemas de in‑ formações de planejamento e coordenação dentro da empresa e entre parceiros da cadeia de suprimentos. A Figura 1.7 ilustra os principais componentes de planejamento e monitoramento empresarial. Os módulos específicos incluem: (1) planejamento de vendas e operações; (2) visi‑ bilidade da cadeia de suprimentos e gestão de eventos; e (3) conformidade da cadeia de supri‑ mentos. Como muitas dessas atividades envolvem a interação com outros membros da cadeia de suprimentos, aplicações efetivas exigem uma padronização substancial com outras funções da empresa e com parceiros da cadeia de suprimentos. O planejamento de vendas e operações (S&OP – Sales and operation planning), que será discutido no Capítulo 6, define o processo usado para equilibrar os requisitos de demanda e a capacidade de fornecimento da empresa e de seus parceiros na cadeia de suprimentos. Apesar de o S&OP em si ser um processo que exige coordenação e integração funcional, ele requer tecnologia da informação para avaliar a demanda, a oferta e os trade‑offs de recursos. Essa Planejamento e monitoramento Planejamento de vendas e operações (s&oP) visibilidade da cadeia de suprimentos e gestão de eventos conformidade da cadeia de suprimentos FIGURA 1.7 Módulos de planejamento e monitoramento empresarial. R7_Gestao Logistica_4ed.indd 14 10/31/13 10:35 AM Cadeias de suprimentos no século xxi capítulo 1 15 tecnologia geralmente se caracteriza em aplicações de planejamento e programação. A visibili‑ dade da cadeia de suprimentos e o gestão de eventos monitoram as entregas enquanto estão em trânsito e, cada vez mais, conseguem proativamente sugerir mudanças nos fluxos da cadeia de suprimentos para minimizar o potencial de paralisações na manufatura ou falhas no serviço. Os sistemas de conformidade da cadeia de suprimentos monitoram as informações sobre o fluxo de componentes e produtos para assegurar que eles cumpram com os requisitos regulatórios relacionados a etiquetas, impostos e restrições de segurança. tecnologIa de comunIcação A tecnologia de comunicação é o hardware e o software técnico que facilitam a troca de in‑ formações entre os sistemas e a infraestrutura física dentro da empresa e entre os parceiros na cadeia de suprimentos. O intercâmbio de informações em tempo real entre funções e parceiros da cadeia de suprimentos facilita a coordenação de insumos, produção, estoque, pedidos e entregas aos clientes. Pela perspectiva da cadeia de suprimentos, a disponibilidade de informações comuns e consistentes sobre requisitos, atividades e desempenho entre os parceiros da cadeia de suprimentos aumenta a eficácia, a eficiência, a relevância e a susten‑ tabilidade operacionais. conectIvIdade do consumIdor O rápido desenvolvimento e disseminação da Internet acrescentaram uma nova dimensão à interface entre as empresas e seus clientes. Tanto os varejistas quanto os fabricantes estão cada vez mais em contato direto com os consumidores finais. Essa conectividade se desenvolveu ao longo de duas dimensões principais da comunicação – conectividade de pedido e conectividade de pós‑venda. Cada uma delas tem implicações na cadeia de suprimentos. Em termos de pedidos, a Internet oferece uma maneira para os consumidores estabelece‑ rem e manterem contato direto com os varejistas e fabricantes. Em essência, essa forma de conectividade bidirecional é uma expansão da tradicional compra por catálogo. Potencializadas pela velocidade e flexibilidade da conectividade via Internet, as comunicações interativas du‑ rante o pedido, a determinação da condição do estoque, do tempoe localização do processa‑ mento e dos detalhes da entrega do produto podem ser mais diversificadas e abrangentes. Por exemplo, o acompanhamento completo do pedido até a entrega é um recurso comum. Com a facilidade e a velocidade da conectividade via Internet, as informações pertinentes ao pedido total até a entrega domiciliar ou à coleta na loja podem ser monitoradas. Com relação às devoluções de produtos, ou ao que é chamada frequentemente de logística reversa, a Internet oferece uma maneira rápida e precisa para facilitar e monitorar o processo de reparo ou substituição do produto. Além disso, a existência da conectividade direta entre o consumidor final e o fabricante do produto facilita a resolução rápida dos problemas de aten‑ dimento ao cliente, relacionados ao uso e à garantia do produto. Além da tecnologia da informação, o rápido surgimento de novas relações na cadeia de suprimentos está sendo impulsionado por quatro forças relacionadas: (1) gestão integrada e processos da cadeia de suprimentos; (2) capacidade de resposta; (3) sofisticação financeira; e (4) globalização. Essas forças vão continuar a conduzir a estrutura e as iniciativas de estratégia da cadeia de suprimentos em muitos setores durante o futuro próximo. Uma breve discussão sobre cada uma dessas forças que conduzem a cadeia de suprimentos fornece uma base para compreender os desafios que a gestão da cadeia de suprimentos impõe sobre o exigente desem‑ penho da logística. R7_Gestao Logistica_4ed.indd 15 10/31/13 10:35 AM PARTE 1 Gestão logística da cadeia de suprimentos16 gEsTão inTEgRAdA E PRocEssos dA cAdEiA dE suPRimEnTos em toDos os asPectos das operações comerciais, a atenção concentra ‑se em alcançar a melho‑ ria da gestão integrada. O desafio de alcançar a gestão integrada resulta da antiga tradição de atuar e medir o trabalho de acordo com uma base funcional. Desde a Revolução Industrial, o objetivo de alcançar a melhor prática tem focado a atenção dos administradores na especializa‑ ção funcional.4 A crença predominante era que, quanto melhor o desempenho de uma função específica, maior a eficiência do processo em geral. Por mais de um século, esse compromisso fundamental com a eficiência funcional tem impulsionado a melhor prática na estrutura orga‑ nizacional, na avaliação do desempenho e na contabilidade. Em termos de gestão, as empresas tradicionalmente têm sido estruturadas em departamen‑ tos para facilitar o foco, o estabelecimento de rotinas, a padronização e o controle do trabalho. Práticas de contabilidade foram desenvolvidas para medir o desempenho departamental, e a maioria delas concentra ‑se em funções individuais. Dois exemplos de medidas funcionais co‑ muns são o custo por unidade fabricada e o custo por tonelada transportada. As medidas e alocações de recursos em diferentes funções normalmente eram limitadas aos custos comuns a todas as áreas funcionais do trabalho, como despesas gerais, mão de obra, serviços públicos, seguros, juros, e assim por diante. A excelência no desempenho da cadeia de suprimentos exige o cumprimento simultâneo de oito processos‑chave. A Tabela 1.2 identifica‑os e apresenta uma breve descrição de cada um. Embora esses processos integrados não sejam do domínio exclusivo da logística, alguns elemen‑ tos fundamentais do desempenho logístico são fundamentais para uma empresa alcançar um desempenho operacional de alto nível. Portanto, a estrutura e a estratégia da cadeia de supri‑ mentos e a execução operacional contínua têm de ser voltadas para a realização e a melhoria contínua desses oito processos essenciais, que, por sua vez, formam a essência para conquistar a integração operacional e a excelência no desempenho. 4 Frederick W. Taylor, Scientific Management (New York: W. W. Norton, 1967). TAbeLA 1.2 Oito processos integrados da cadeia de suprimentos. Processo Descrição capacidade de resposta do planejamento da demanda Avaliação da demanda e do projeto estratégico para alcançar o máximo de capacidade de resposta aos requisitos dos clientes. colaboração no relacionamento com clientes desenvolvimento e administração dos relacionamentos com os clientes para facilitar o compartilhamento de informações estratégicas, o planejamento conjunto e as operações integradas. Atendimento do pedido/ prestação de serviços capacidade de executar o desempenho superior e sustentável do pedido à entrega e os serviços essenciais relacionados. lançamento de novos bens/ serviços Participação no desenvolvimento de bens e serviços e no lançamento enxuto. customização da manufatura Apoio da estratégia de manufatura e a facilitação do postponement (postergação) em toda a cadeia de suprimentos. colaboração no relacionamento com fornecedores desenvolvimento e administração dos relacionamentos com os fornecedores para facilitar o compartilhamento de informações estratégicas, o planejamento conjunto e as operações integradas. Apoio ao ciclo de vida Reparos e apoio aos produtos durante seu ciclo de vida, incluindo garantia, manutenção e consertos. logística reversa devolução e disposição de produtos de modo seguro e economicamente viável. R7_Gestao Logistica_4ed.indd 16 10/31/13 10:35 AM Cadeias de suprimentos no século xxi capítulo 1 17 O desafio fundamental da gestão integrada é redirecionar a tradicional ênfase na funcionali‑ dade em um esforço para se concentrar na realização do processo. Ao longo das últimas décadas, tornou ‑se cada vez mais claro que as funções, mesmo quando desempenhadas de maneira otimi‑ zadas, não necessariamente se combinam ou se agregam para alcançar o menor custo total ou processos altamente eficazes. A gestão integrada de processos procura identificar e alcançar o menor custo total equilibrando os trade‑offs que existem entre funções. Para ilustrar usando um exemplo logístico, uma empresa pode conseguir reduzir o custo total para atender um cliente com um gasto maior em um transporte mais rápido e mais confiável porque o custo total do estoque associado ao processo pode ser reduzido em um valor maior do que o aumento do custo com um transporte mais rápido. O foco da gestão integrada é o menor custo total do processo, o que não necessariamente significa atingir o menor custo para cada função do processo. O conceito de trade‑off e o objetivo de menor custo total têm um sentido lógico. Embora enganosamente simples, os administradores continuam a considerar que a identificação, a medi‑ ção e a implementação de um processo para minimizar o custo total constituem uma tarefa difí‑ cil nas operações cotidianas. A indisponibilidade dos dados de desempenho do processo e das medições de custo capazes de quantificar os trade‑offs entre funções serviu para estimular o desenvolvimento de ferramentas integradas como a Análise de Custo Total, a Engenharia de Processos e o Custeio Baseado em Atividades (ABC – Activity‑Based Costing). Três importantes facetas da lógica da cadeia de suprimentos resultaram do aumento da atenção dedicada à gestão integrada: (1) colaboração; (2) extensão empresarial; e (3) prestadores de serviço integrados. colaboração Como discutimos anteriormente, a história das empresas tem sido dominada por um desejo de cooperar, porém sempre envolvido em uma estrutura competitiva. Embora a concorrência con‑ tinue sendo o modelo dominante a guiar as economias de livre mercado, o aumento da impor‑ tância da colaboração posicionou a cadeia de suprimentos como uma unidade fundamental de concorrência. Na economia global de hoje, os arranjos da cadeia de suprimentos concorrem uns com os outros pela fidelidade do cliente. As que são dominadas pela Sears, pela Target e pelo Walmart concorrem diretamente em muitos mercados. Alinhamentos semelhantes de cadeias de suprimentos podem ser observados em setores que vão desdeo entretenimento até alimentos, automóveis e produtos químicos. O alcance estratégico global da Limited Logistics Services é um exemplo da complexidade da moderna gestão de cadeia de suprimentos. Peças de roupas são fabricadas em todo o mundo e vendidas a consumidores de diversos lugares. O impulso geral para arranjos institucionalizados de trabalho colaborativo foi a aprovação da National Cooperative Research and Development Act (Lei da Cooperação Nacional em Pesquisa e Desenvolvimento) em 1984, que teve o escopo expandido pelas Production Amendments (Emendas de Produção) de 1993 e 2004.5 Essa legislação norte ‑americana e sua 5 Em 11 de outubro de 1984, o presidente Reagan aprovou o National Cooperative Research Act (Public Law 98 ‑462) [Lei Nacional de Pes‑ quisa Cooperativa de 1984] em um esforço “para promover a pesquisa e o desenvolvimento, encorajar a inovação, estimular a troca e fazer as modificações necessárias e adequadas na operação das leis antitruste”. Essa lei permite que as atividades de pesquisa e desenvolvimento sejam realizadas em conjunto até o ponto em que os protótipos são desenvolvidos. A lei determinou, também, que os litígios antitruste se baseariam na regra da razão, considerando todos os fatores que afetam a concorrência. Uma extensão dessa lei foi aprovada pelo presidente Clinton em 10 de junho de 1993. A extensão, National Cooperative Production Amendments (Emendas de Cooperação Macional em Produção), permite às joint ventures extrapolar a pesquisa para incluir a produção e os testes de um produto, processo ou serviço. Isso gerou uma nova lei, chama‑ da de National Cooperative Research and Production Act (Lei da Cooperação Nacional em Pesquisa e Desenvolvimento) para substituir a lei de 1984. Além disso, esta nova lei estabeleceu um procedimento para as empresas notificarem o Departamento de Justiça norte ‑americano e a Comissão Federal de Comércio (FTC – Federal Trade Commission) sobre seus acordos de cooperação de modo a se qualificarem para “limi‑ tação de dano único em responsabilidades civis antitruste”. Em 2004, o presidente Bush aprovou o Standards Development Organization Advancement Act (SDOAA, H. R. 1086) (Lei de Promoção das Organizações de Desenvolvimento de Padrões), que trazia emendas à lei de 1993 para incluir a imunidade às organizações que desenvolvem padrões e, dessa forma, validou ainda mais a doutrina colaborativa. R7_Gestao Logistica_4ed.indd 17 10/31/13 10:35 AM PARTE 1 Gestão logística da cadeia de suprimentos18 subsequente modificação assinalaram uma mudança fundamental na tradicional filosofia anti‑ truste do Departamento de Justiça norte ‑americano. A legislação básica, complementada por regulamentos administrativos, estimulou as empresas a desenvolver iniciativas colaborativas em um esforço para aumentar a competitividade global de empresas com sede nos Estados Unidos. A ampla percepção de que a cooperação é tanto permitida quanto encorajada serviu para esti‑ mular a formação de arranjos de cadeias de suprimentos. Embora todas as formas de combinação de preços permaneçam ilegais, a legislação colabo‑ rativa serviu para facilitar o compartilhamento de informações operacionais, tecnológicas e de riscos entre organizações como meio de aumentar a competitividade. A resposta foi uma ampla variedade de novos e inovadores arranjos operacionais. Um desses desenvolvimentos foi o cres‑ cimento da visão da extensão empresarial. extensão empresarIal O conceito central da extensão empresarial aumentou a influência e o controle gerencial para além das fronteiras da propriedade de uma única empresa para facilitar as operações e o planeja‑ mento associados com clientes e fornecedores. A crença fundamental é de que o comportamento colaborativo entre empresas que integram processos maximiza o impacto sobre o consumidor, reduz o risco geral e aumenta a eficiência. A extensão empresarial baseia ‑se em dois paradigmas fundamentais: compartilhamento de informações e especialização de processos. O paradigma do compartilhamento de informações é a crença amplamente difundida de que alcançar um alto grau de comportamento cooperativo exige que os participantes da cadeia de suprimentos voluntariamente compartilhem informações operacionais e planejem estratégias em conjunto. O objetivo da colaboração entre empresas deve abranger, além dos dados de vendas, os planos acurados de promoção, lançamento de novos produtos e operações cotidianas. É importante enfatizar que o compartilhamento de informações para apoiar a cola‑ boração não deve se limitar a dados de vendas antigos ou, até mesmo, atuais. O mais impor‑ tante é a disposição para compartilhar informações sobre iniciativas estratégicas futuras para facilitar as operações em conjunto. O princípio orientador é que o compartilhamento de infor‑ mações entre os participantes da cadeia de suprimentos é essencial para realizar coletivamente tudo o que os clientes exigem com mais rapidez e eficiência. O paradigma da especialização de processos é um compromisso de concentrar os ar‑ ranjos colaborativos no planejamento de operações conjuntas com o objetivo de eliminar a re‑ dundância improdutiva ou sem valor agregado nas empresas de uma cadeia de suprimentos. A ideia básica é planejar os processos gerais da cadeia de suprimentos identificando as competên‑ cias específicas de cada empresa, além da capacidade e responsabilidade para realizar cada função do trabalho essencial de forma a maximizar os resultados gerais. As empresas que participam de uma cadeia de suprimentos têm papéis específicos e com‑ partilham objetivos estratégicos. Compartilhar informações e planejar em conjunto pode reduzir o risco relacionado ao posicionamento do estoque. A colaboração pode eliminar o trabalho duplicado ou redundante, como a inspeção de qualidade repetitiva, ao designar e delegar poderes a um membro específico da cadeia de suprimentos para que ele se responsa‑ bilize totalmente. Essa integração empresarial estendida lança novos desafios em matéria de medição, compartilhamento de benefícios e riscos, confiança, liderança e solução de confli‑ tos. É claro que os desafios da colaboração e da extensão empresarial constituem novos ho‑ rizontes administrativos. A terceira força que contribui para o desenvolvimento da cadeia de suprimentos é a atitude gerencial em relação aos prestadores de serviço integrados, que tem mudado rapidamente. R7_Gestao Logistica_4ed.indd 18 10/31/13 10:35 AM Cadeias de suprimentos no século xxi capítulo 1 19 prestadores de servIço Integrados Como observamos anteriormente, as origens das empresas contemporâneas se fundamentaram na especialização funcional. Não é de surpreender que essas empresas tenham utilizado a prá‑ tica da terceirização do trabalho para outras empresas especialistas no desempenho de fun‑ ções específicas. Os dois prestadores de serviços logísticos tradicionais são os especialistas em transporte e depósito. O setor de transporte terceirizado consiste em milhares de transportadoras que se especia‑ lizam na movimentação de produtos entre localizações geográficas. Ao longo dos anos, muitas transportadoras surgiram, oferecendo aos embarcadores ampla variedade de serviços, utilizan‑ do todas as formas ou modos disponíveis de transporte e tecnologia relacionada. A proposta de valor do transporte terceirizado baseia ‑se na especialização, na eficiência e nas economias de escala. O valor é gerado pela capacidade de uma transportadora prestar serviços de trans‑ porte compartilhados por diversos embarcadores. As alternativas de transporte para as empre‑ sas são ou investir capital em equipamentos e operações de transporte ou utilizar os serviços de empresas de transporte terceirizado. Naturalmente, um grande número de empresas desenvol‑ ve soluções de transporte que combinam os benefícios dessas alternativas. Além do transporte,um grande número de empresas de serviço normalmente oferece ser‑ viços de depósito. Tradicionalmente denominadas de depósitos independentes, essas empre‑ sas oferecem depósitos complementados por outros serviços especializados. Dois benefícios significativos são obtidos quando as empresas usam depósitos independentes. O primeiro é a eliminação do investimento de capital na construção de depósitos. O segundo é a capacidade de consolidar pequenos volumes para a entrega combinada de produtos de outras empresas que usam o mesmo depósito. Essa consolidação de diversos embarcadores proporciona uma eficiên‑ cia do transporte que geralmente não ocorre quando as empresas enviam produtos de seus próprios depósitos. Muitas empresas combinam depósitos independentes e próprios em suas redes de suprimentos. Um exemplo de colaboração de um prestador de serviços integrados é o serviço de distribui‑ ção oferecido pela Kane Is Able Inc, que disponibiliza aos clientes do seu centro de distribuição um depósito compartilhado e também o serviço de entrega. Pequenas cargas de diferentes empresas de produção e processamento de alimentos que estejam sendo distribuídas para um único cliente são combinadas em uma entrega consolidada por meio de um processo de distri‑ buição compartilhado; isso resulta em menos caminhões, maior utilização, menos entregas e maior eficiência de manuseio. Em 1980, a situação dos serviços contratados nos Estados Unidos mudou drasticamente. Em poucos meses, a infraestrutura regulatória econômica e política dos transportes nos Estados Unidos mudou de uma regulamentação econômica para uma social como resultado da aprovação do Motor Carrier Regulatory Reform and Modernization Act (Lei da Reforma e Modernização Regulatórias das Empresas de Transporte Rodoviário) e do Staggers Rail Act (Lei Ferroviária Staggers).6 Essas mudanças nas leis serviram para dar início a uma ten‑ dência de um mercado aberto de transportes, que acabou resultando em menos regulamen‑ tação econômica do governo para todas as formas de transporte. Ao longo do tempo, essa tendência se estendeu por todo o mundo e desregulamentou o transporte na maioria das nações industrializadas de livre mercado. Diferentemente do que acontecia com o transporte, as empresas envolvidas no depósito independente não eram operacionalmente regulamentadas pelos governos federais ou esta‑ 6 Public Laws 96 ‑296 e 96 ‑488, respectivamente. R7_Gestao Logistica_4ed.indd 19 10/31/13 10:35 AM PARTE 1 Gestão logística da cadeia de suprimentos20 duais. A maioria das empresas de depósito não prestava serviços de transporte para evitar a regulamentação. No entanto, com a desregulamentação dos transportes, essa prática logo mudou. Da noite para o dia, as empresas de depósito começaram a oferecer serviços de transporte. Da mesma forma, muitas transportadoras começaram a oferecer serviços de de‑ pósito aos clientes. O que ocorreu no setor de serviços logísticos foi uma transformação radical, saindo de uma única função para a terceirização multifuncional. Os prestadores de serviços integra- dos (ISPs – Integrated service providers) começaram a prestar uma gama de serviços logísticos que incluíam todo o trabalho necessário para atender os clientes, abrangendo desde o recebi‑ mento do pedido até a entrega do produto. Em muitas situações, a base dos serviços de trans‑ porte e depósito aumentou com uma ampla gama de serviços especiais. Esses serviços customizados normalmente são descritos como serviços com valor agregado. Por exemplo, a United Parcel Service (UPS) estoca tênis e agasalhos da Nike em seu depósito em Louisville e processa os pedidos de hora em hora. Toda a comunicação relacionada e a administração fi‑ nanceira são realizadas por um call center da UPS. Portanto, a Nike efetivamente terceirizou a logística básica e o serviço com valor agregado relacionado para a UPS. Os termos comumente usados em todo o setor para descrever os prestadores de serviços integrados são operadores logísticos 3PL (third‑party logistics) e prestadores de serviços 4PL (fourth‑party logistics). De modo geral, os prestadores de serviços integrados costumam ser classificados com base em ativos ou sem base em ativos. A distinção entre eles é que as empresas baseadas em ativos possuem e operam equipamentos de transporte e instalações de depósito. Por outro lado, as empresas de serviços sem ativos são especializadas em for‑ necer serviços de informação abrangentes que facilitam os arranjos da cadeia de suprimen‑ tos. Os fornecedores 4PL organizam os serviços, normalmente integrando os operadores 3PL de ativos terceirizados em benefício de seus clientes. Em 2010, o mercado de logística terceirizada foi calculado em US$ 160 bilhões.7 O cresci‑ mento dos prestadores de serviços integrados facilitam tanto a formação quanto o término dos arranjos de cadeias de suprimentos. Assim, os participantes da cadeia de suprimentos têm a oportunidade de aderir às possibilidades do que acaba se tornando uma rede virtual de logísti‑ ca. Essa terceirização ajuda a facilitar a gestão integrada voltada para processos. Já discutimos como o surgimento da colaboração, da visão da extensão empresarial e o aumento da disponibilidade de prestadores de serviços integrados se combinaram para im‑ pulsionar soluções radicalmente novas para a cadeia de suprimentos. A noção de benefícios compartilhados e sinérgicos serviu para solidificar a importância dos relacionamentos entre as empresas que colaboram em uma cadeia de suprimentos. A lógica da extensão empresa‑ rial estimulou perspectivas de aumento da eficiência, da eficácia e da relevância como resul‑ tado do compartilhamento de informações, do planejamento e da especialização operacional entre os participantes da cadeia de suprimentos. A desregulamentação dos transportes ser‑ viu como catalisadora do desenvolvimento dos prestadores de serviços integrados, que rede‑ finiu e expandiu o escopo dos serviços especializados disponíveis para facilitar as operações da cadeia de suprimentos. Combinados, esses três aspectos ajudaram a criar a gestão inte‑ grada da cadeia de suprimentos. Também serviram para identificar e solidificar os benefí‑ cios estratégicos da gestão integrada, e sua combinação reforçou o valor da especialização em competências essenciais e lançou os desafios e oportunidades da criação de cadeias de suprimentos virtuais. 7 “U.S. 3PL/Contract Logistics Market,” Armstrong & Associates, Inc., 2009. R7_Gestao Logistica_4ed.indd 20 10/31/13 10:35 AM Cadeias de suprimentos no século xxi capítulo 1 21 cAPAcidAdE dE REsPosTA PoDe ‑se argumentar que os Desafios e benefícios da gestão integrada ofereceram motivos suficientes para a revolução da cadeia de suprimentos. No entanto, outros aspectos básicos tornam os arranjos da cadeia ainda mais atraente. Uma mudança de paradigmas fundamental no pensamento estratégico ocorreu com o impacto direto da tecnologia da informação. A conec‑ tividade das informações gerou o potencial para desenvolver modelos de negócios baseados na resposta (puxados). Para elaborar as extensas implicações desse importante desenvolvimento, é necessário contrastar a prática empresarial tradicional ou antecipatória (empurrada) com o emergente modelo de negócio baseado na resposta (puxado), também chamado de orien- tado pela demanda. modelo de negócIo de base antecIpatórIa (empurrado) Desde a Revolução Industrial, o modelo de negócio dominante requer a antecipação do que os clientes demandarão no futuro. Visto que as informações acerca do comportamento de compra não estavam prontamente disponíveis e as empresas, unidas por um vínculo fraco em um canal de distribuição, não se sentiam compelidas a compartilhar seus planos, as operações empresariais eram impulsionadas por previsões. O empresário típico fabricava produtos com base em uma previsãode mercado. Da mesma forma, os atacadistas, distribuidores e varejistas compravam es‑ toque com base em suas previsões e em seus planos promocionais individuais. Como os resultados das previsões, na maioria das vezes, davam errado, havia uma considerável descontinuidade entre o que as empresas planejavam realizar e o que, de fato, acabavam fazendo. Essa descontinuidade normalmente resultava em um estoque não planejado. Devido aos altos custos e riscos associados a conduzir os negócios de modo antecipatório, o relacionamento predominante entre os parceiros comerciais era antagônico; cada empresa tinha de proteger seus próprios interesses. A Figura 1.8 ilustra as etapas típicas do modelo de negócio de base antecipatória (empur‑ rado): prever, comprar materiais, fabricar, armazenar, vender e entregar. Em empresas não manufatureiras, as operações envolviam a compra antecipada de uma variedade de estoque para atender às vendas esperadas. O ponto principal é que quase todo o trabalho essencial era realizado em antecipação às necessidades futuras. A probabilidade de se estimarem er‑ roneamente as requisitos dos clientes tornava o modelo de negócio de base antecipatória (empurrado) altamente arriscado. Além disso, cada empresa no canal de distribuição dupli‑ cava o processo empurrado. modelo de negócIo baseado na resposta (puxado) A diferença fundamental entre os arranjos de cadeia de suprimentos puxado e empurrado é o cronograma. O modelo de negócio baseado na resposta (puxado) busca reduzir ou eliminar a a dependência das previsões por meio do planejamento conjunto e da troca rápida de informa‑ ções entre os participantes da cadeia de suprimentos. A disponibilidade de informação de baixo custo criou a concorrência baseada no tem- po. Os administradores cada vez mais compartilham informações para melhorar tanto a velocidade quanto a acurácia da logística da cadeia de suprimentos. Para ilustrar, os admi‑ nistradores podem compartilhar informações para melhorar a acurácia das previsões ou até eliminá ‑las em um esforço para reduzir o desdobramento antecipado do estoque. Essa trans‑ formação de negócios em empurrado e puxado é possível porque os administradores de hoje têm tecnologia para rapidamente obter e compartilhar informações acuradas de vendas e exercer melhor controle operacional. Quando todos os membros da cadeia de suprimentos R7_Gestao Logistica_4ed.indd 21 10/31/13 10:35 AM PARTE 1 Gestão logística da cadeia de suprimentos22 sincronizam suas operações, surgem as oportunidades para reduzir o estoque total e eliminar práticas duplicadas dispendiosas. O mais importante é os clientes receberem rapidamente os produtos que desejam. A Figura 1.9 ilustra um modelo de negócio baseado na resposta (puxado) que fabrica ou monta produtos de acordo com o pedido do cliente. A diferença fundamental nos modelos puxados é a sequência de eventos que impulsionam a prática empresarial. Também notá‑ vel, em comparação com a Figura 1.8, é a quantidade menor de etapas necessárias para realizar o processo puxado. Menos etapas normalmente significa custo menor e menos tempo desde o recebimento do pedido até a entrega do produto. A sequência puxada é iniciada por uma venda, vindo em seguida a compra de materiais, fabricação customizada e entrega direta ao cliente. Em muitas maneiras, o modelo de negócio baseado na resposta (puxado) é semelhante à tradicional produção sob pedido. As principais diferenças entre as operações puxadas modernas e a produção sob pedido tradicional são o tempo de execução e o grau de custo‑ mização potencial. Em termos do tempo de execução, o sistema puxado contemporâneo é substancialmente mais rápido que a tradicional produção sob pedido. Está se tornando uma prática comum abastecer diariamente os estoques de lojas com produtos de consumo. Automóveis customiza‑ dos têm entrega prometida para dez dias úteis, com o objetivo de reduzir ainda mais o ciclo do pedido até a entrega, que até então não era sequer imaginável há poucos anos. Talvez um atributo ainda mais atraente das cadeias de suprimentos puxadas seja seu po‑ tencial para fazer customizações únicas de produtos em pedidos menores do que era comum na fabricação tradicional de um lote sob pedido. A conectividade direta com os clientes por meio da Internet está acelerando a customização. Nos sistemas de distribuição empurrada mais tradicionais, o cliente é um participante passivo. Praticamente o único poder que ele tem no processo tradicional é a decisão de comprar ou não comprar. O envolvimento direto dos clientes em um processo puxado tem no mínimo três benefícios. Em primeiro lugar, o envol‑ vimento proporciona uma capacidade de busca abrangente que serve para expandir a gama de fontes e escolhas que um cliente pode considerar ao selecionar um produto ou serviço. Em segundo lugar, os clientes são mais bem informados sobre preços e, em algumas situações, conseguem obter vantagens em relação aos preços por meio de ofertas e/ou leilões. Por fim, sistemas puxados com muita informação geram inovações como o quadro de escolhas do cliente (customer choice‑board), de onde o cliente projeta ou customiza a configuração de seu próprio produto. Prever comprar componentes e materiais Fabricar Armazenar vender Entregar vender comprar componentes e materiais Fabricar Entregar FIGURA 1.8 Modelo de negócio de base antecipatória (empurrado). FIGURA 1.9 Modelo de negócio baseado na resposta (puxado). R7_Gestao Logistica_4ed.indd 22 10/31/13 10:35 AM Cadeias de suprimentos no século xxi capítulo 1 23 postponement (postergação) No âmago da concorrência baseada no tempo residem o timing do desempenho logístico e a capacidade de adiar a customização. O conceito de postponement tem sido discutido há mui‑ to tempo na literatura de negócios.8 No entanto, exemplos práticos que o envolvem estão direta‑ mente relacionados aos avanços da tecnologia da informação. As estratégias e práticas de postponement reduzem o risco dos sistemas empurrados para o desempenho da cadeia de su‑ primentos. Como observamos anteriormente, arranjos empurrados exigem que um estoque maior seja produzido e armazenado com base em previsões ou em requisitos planejados. Os arranjos de trabalho, que permitem o postponement de manufatura, a customização ou a dis‑ tribuição final de um produto até o recebimento de um pedido do cliente, reduzem a incidência de manufatura errada ou o desdobramento (deployment) incorreto do estoque. Dois tipos de postponement são comuns em operações de cadeia de suprimentos puxadas: (1) postponement de manufatura ou de forma; e (2) postponement geográfico ou logístico. postponement de manufatura O clima de competição global do século XXI está facilitando o desenvolvimento de novas téc‑ nicas de fabricação projetadas para aumentar a flexibilidade e a capacidade de resposta ao mesmo tempo que mantém o custo unitário e a qualidade. A prática tradicional concentra ‑se em alcançar a economia de escala por meio do planejamento de grandes lotes de produção. Por outro lado, a lógica da produção flexível e enxuta é impulsionada pelo desejo de aumentar a capacidade de resposta aos requisitos do consumidor. A visão do postponement de manufatura, ou de forma, consiste em fabricar os produtos de acordo com cada pedido, sem nenhum trabalho de preparação ou compra de componente até que as especificações exatas do cliente sejam totalmente conhecidas e a confirmação da compra seja recebida. Esse sonho de fabricar de acordo com a solicitação do cliente não é novo. O que é novo é a expectativa de que a produção flexível possa atingir tal capacidade de resposta sem sa‑ crificar a eficiência. Enquanto a tecnologia puder apoiar estratégias de produção flexíveis no ritmo do mercado, as empresas estarão livres de operações empurradasimpulsionadas por previsões. Na prática, a economia gerada pelo tamanho do lote não pode ser ignorada. O desafio é quantificar os trade‑offs entre os custos de suprimento, manufatura e logística. Neste momento, é suficiente entender que o trade‑off ocorre entre o custo e o risco, associados à manufatura empurrada e à perda da economia de escala resultante da introdução de procedimentos flexí‑ veis. A redução do tamanho do lote lida com um trade‑off entre a programação da linha de produção e os ajustes e os gastos com suprimentos, comparados com o custo e o risco associados ao depósito de produtos finalizados. No tradicional estilo funcional de administração, os crono‑ gramas de produção eram organizados para alcançar o menor custo unitário. Na perspectiva de gestão integrada, o objetivo é atingir a desejada satisfação do cliente pelo menor custo total. Isso pode exigir o postponement de manufatura com algum sacrifício do custo unitário para gerar eficiência total na cadeia de suprimentos. O objetivo operacional do postponement de manufatura é manter os produtos em estado neutro, ou não comprometido, pelo maior tempo possível. A aplicação ideal do postponement de manufatura consiste em fabricar um produto padrão ou básico em quantidades suficientes para gerar uma economia de escala ao mesmo tempo que se adia a finalização de característi‑ cas, como cor ou acessórios, até o recebimento do pedido certo do cliente. Em um cenário de produção impulsionada pelo postponement, a economia de escopo é inserida na equação logística 8 Wroe Alderson, Marketing Behavior and Executive Action (Homewood, IL: Richard D. Irwin, Inc., 1957), p. 426. R7_Gestao Logistica_4ed.indd 23 10/31/13 10:35 AM PARTE 1 Gestão logística da cadeia de suprimentos24 ao se fabricar um produto básico para satisfazer uma ampla gama de clientes diferentes. Um dos primeiros exemplos comercialmente viáveis do postponement de manufatura é a mistura de cores de tintas em lojas para atender as solicitações individuais dos clientes. Aperfeiçoar o processo de mistura nas lojas reduziu drasticamente a quantidade de unidades estocadas em lojas de tintas. Em vez de tentar manter estoques de tintas coloridas pré ‑misturadas, as lojas estocam cores básicas e customizam uma cor específica. Algumas pessoas acreditam que essa aplicação relativamente simples do postponement de manufatura na indústria de tintas foi um fator importante para facilitar o surgimento do setor de reformas direcionado ao consumidor. Da noite para o dia, as lojas de tintas passaram da excessiva falta de estoque para totalmente abastecidas. Além disso, enquanto os consumidores aguardam a composição personalizada da cor da tinta, eles ficam expostos a uma ampla variedade de acessórios de pintura do tipo faça‑ ‑você‑mesmo disponível para compra. Em outros setores, a prática de manufatura envolve processar e armazenar produtos em gran‑ des volumes, adiando a configuração final de embalagem até que os pedidos dos clientes sejam recebidos. Em algumas situações, os produtos são processados e embalados em latas e a etiqueta com a identificação da marca é colocada posteriormente, quando pedidos específicos dos clientes são recebidos. Outros exemplos de postponement de manufatura incluem o aumento da prática de instalar acessórios em lojas de automóveis, equipamentos e motocicletas, customizando, dessa forma, os produtos de acordo com a solicitação do cliente no momento da compra. Esses exemplos de postponement de manufatura têm um fator em comum: eles reduzem a quantidade de unidades mantidas no estoque logístico ao mesmo tempo que apoiam um amplo esforço de marketing e mantêm as economias de escala associadas à produção em massa. Até que o produto seja customizado, ele tem potencial para atender a muitos clientes diferentes. O impacto do postponement de manufatura é duplo. O primeiro é que a variedade de pro‑ dutos diferenciados transportados antes das vendas pode ser reduzida e, portanto, o risco de falha logística é menor. O segundo impacto, e talvez o mais importante, é o aumento do uso de insta‑ lações logísticas para realizar uma operações simples de produção e a montagem final. Visto que esta operação não exige capacidades específicas ou uma economia de escala altamente restritiva, a customização de produtos pode ser melhor quando delegada e realizada perto do mercado consumidor. Essa forma de postponement de manufatura é frequentemente denominada custo- mização tardia. A missão tradicional dos depósitos em alguns setores mudou significativamente para satisfazer o postponement de manufatura. Por exemplo, a Kohler Co. realiza um volume significativo de customizações em seus produto em centros de distribuição operados por ISPs. postponement geográfico De várias maneiras, o postponement logístico ou geográfico é o exato oposto do postpone‑ ment de manufatura. A noção básica do postponement geográfico é construir e manter um estoque de toda a linha em uma ou em poucas localizações estratégicas. O desdobramento tardio do estoque é adiado até que os pedidos dos clientes sejam recebidos. Uma vez que o processo logístico é iniciado, todos os esforços se voltam para acelerar a movimentação econô‑ mica dos produtos diretamente para os clientes. No conceito do postponement geográfico, o risco do desdobramento antecipado do estoque é parcialmente eliminado ao mesmo tempo que a economia de escala da produção é mantida. Muitas aplicações do postponement geográfico envolvem o fornecimento de peças. Peças críticas e de alto custo são mantidas em um estoque central para garantir a disponibilidade para todos os usuários potenciais. Quando ocorre a demanda, os pedidos são transmitidos eletroni‑ camente à central de serviços e os envios expressos são feitos diretamente pela central de servi‑ R7_Gestao Logistica_4ed.indd 24 10/31/13 10:35 AM Cadeias de suprimentos no século xxi capítulo 1 25 ços avançada, usando transportes rápidos e confiáveis. O resultado final é um serviço ao cliente altamente confiável, com redução do investimento geral em estoque. O potencial do postponement geográfico tem sido facilitado pelo aumento da capacidade dos sistemas logísticos para processar, transmitir e entregar pedidos exatos com alto grau de precisão e velocidade. O postponement geográfico substitui o envio antecipado de estoques a depósitos locais pela entrega rápida de produtos customizados. Diferentemente do postponement de manufatura, os sistemas que utilizam o postponement geográfico mantêm as economias de escala da produção ao mesmo tempo que atendem às solicitações de serviço ao cliente acelerando os embarques diretos. Combinados, o postponement de manufatura e o geográfico oferecem modos alternativos de evitar a distribuição antecipada, já que aguardam os pedidos dos clientes. Os fatores que favorecem uma ou outra forma de postponement dependem do volume, do valor, das iniciati‑ vas de concorrentes, das economias de escala e dos requisitos de velocidade e consistência da entrega ao consumidor. Em um número cada vez maior de cadeias de suprimentos, os dois ti‑ pos de postponement são combinados para gerar uma estratégia altamente flexível. barreIras à Implementação de sIstemas baseados na resposta (puxados) Na realidade, as melhores práticas de cadeias de suprimentos de hoje não se caracterizam por escolhas únicas de arranjos de base antecipatória (empurrados) ou baseados na resposta (puxa‑ dos). A maioria das empresas se mantém, de forma significativa, comprometida com arranjos empurrados. No entanto, as estratégias puxadas estão surgindo rapidamente. Talvez a maior barreira à adoção de arranjos baseados na resposta seja a necessidade que as empresas de capi‑ tal aberto têm de manter os lucros trimestrais planejados. Essa contabilidade gera expectativas relacionadas às vendas contínuas e aos resultadosfinanceiros. Tais expectativas muitas vezes impulsionam estratégias promocionais e de formação de preços que “sobrecarregam o canal” com estoques para gerar vendas oportunas. Por outro lado, nunca é oportuno fazer uma gran‑ de redução no estoque do canal. Os esforços para enxugar ou reduzir o estoque com o intuito de implementar uma postura operacional com mais capacidade de resposta exigem a capacidade de absorver uma redução ocasional de vendas entre parceiros da cadeia de suprimentos. Empresas novas têm o posicionamento ideal para implementar sistemas de atendimento basea‑ dos na resposta porque não enfrentam o desafio da redução de estoques. A segunda barreira à implementação de operações puxadas é a necessidade de estabelecer relações colaborativas. A maioria dos administradores de empresas simplesmente não tem trei‑ namento ou experiência no desenvolvimento de arranjos colaborativos feitos para compartilhar benefícios e riscos. Embora geralmente expressem uma alta de crença no potencial de longo prazo das alianças, os administradores normalmente enfrentam uma frustração considerável em relação a como implementar tais arranjos de cadeia de suprimentos. Em um futuro previsível, a maioria das empresas continuará a implementar estratégias que combinam os arranjos de base antecipatória (empurrados) ou baseados na resposta (puxados) de cadeias de suprimentos. A tendência de aumento do envolvimento em arranjos puxados com clientes e fornecedores específicos continuará a crescer conforme o retorno total de operações baseadas na Internet se materializa. soFisTicAção FinAncEiRA Poucos aDministraDores questionam os benefícios de se aplicarem as estratégias baseadas no tempo discutidas anteriormente às operações de cadeias de suprimentos. No entanto, uma pergunta válida é: que velocidade é suficiente? A velocidade pelo simples motivo de ser rápido R7_Gestao Logistica_4ed.indd 25 10/31/13 10:35 AM PARTE 1 Gestão logística da cadeia de suprimentos26 tem pouco valor permanente, se tiver algum.9 A resposta referente a quanta velocidade é dese‑ jável encontra ‑se no impacto financeiro. O processo de criar valor dita que modos mais rápidos, flexíveis e mais precisos de servir os clientes são justificáveis desde que possam ser fornecidos por preços competitivos. A terceira força que impulsiona uma estratégia competitiva de cadeia de suprimentos é a capacidade de administrar de modo mais apropriado para chegar a arranjos de trabalho financeiramente atraentes. Os benefícios financeiros da resposta oportuna são claros. A entrega rápida se traduz em menos estoque e menos necessidade de instalações de distribuição. Entrega rápida aos consu‑ midores significa ser necessário menos capital de giro para apoiar as operações da cadeia de suprimentos. Os três aspectos da sofisticação financeira são: conversão de caixa, minimização do tempo de permanência e liberação de caixa. conversão de caIxa O tempo necessário para converter matéria ‑prima ou estoque em receitas de vendas é denomi‑ nado conversão de caixa, que geralmente se relaciona ao giro de estoque: quanto maior o giro de estoque, mais rápida a conversão de caixa. Um dos objetivos do projeto da cadeia de supri‑ mentos é reduzir e controlar o tempo desde o recebimento do pedido até a entrega, de modo a acelerar os giros de estoque. Em arranjos comerciais tradicionais, os benefícios relacionados à conversão de caixa nor‑ malmente são conquistados à custa dos parceiros comerciais. Devido a práticas normais de desconto em compras e faturamento, em termos operacionais, as empresas podem vender o produto rapidamente e ainda conseguir dar descontos para pagamentos à vista. Para ilustrar, os termos de uma venda que oferece 2% de desconto líquido para pagamento em dez dias indi‑ cam que é dado um desconto para pagamento à vista se a fatura for paga dez dias depois da confirmação da entrega. Portanto, se a fatura é de $ 1 mil, um pagamento feito para dez dias receberá um desconto de $ 20. Se a empresa vende o produto com pagamento à vista e antes da data do pagamento da fatura, ela, na verdade, se livra do estoque e pode até receber juros se investir o dinheiro enquanto aguarda a data de pagamento. Em sistemas puxados, os benefícios da conversão de caixa podem ser compartilhados por meio da administração da velocidade do estoque em toda a cadeia de suprimentos. Essa capa‑ cidade de administrar a velocidade do estoque desde a origem até o destino final tem potencial para proporcionar maior eficiência geral do que uma única empresa é capaz de conseguir. Operações coordenadas podem exigir que determinada empresa na cadeia de suprimentos funcione como principal local de estoque de produtos. Tal prática significa que os riscos e os benefícios relacionados ao estoque têm de ser compartilhados pelas empresas participantes. Para facilitar tais arranjos, os membros da cadeia de suprimentos normalmente substituem os descontos pelo preço líquido, o que significa que todos os descontos e abatimentos estão em‑ butidos no preço de venda. Portanto, os incentivos pelo pagamento em dia são substituídos por compromissos de desempenho acurado por um preço líquido especificado. O pagamento da fatura, com base no preço líquido negociado, é completado após a verifi‑ cação do recebimento físico. Tal pagamento normalmente é feito por Transferência Eletrônica de Fundos (TEF), o que agiliza o fluxo de produtos físicos e de dinheiro entre os parceiros da cadeia de suprimentos. Administrar a logística da cadeia de suprimentos como um processo sincronizado contínuo também serve para reduzir o tempo de permanência. 9 George Stalk, Jr. and Alan M. Webber, “Japan’s Dark Side of Time,” Harvard Business Review (July/August 1993), pp. 93 ‑102. R7_Gestao Logistica_4ed.indd 26 10/31/13 10:35 AM Cadeias de suprimentos no século xxi capítulo 1 27 mInImIzação do tempo de permanêncIa Arranjos tradicionais de distribuição normalmente envolvem unidades de negócios indepen‑ dentes unidas por um vínculo fraco com base em transações individuais. As operações de negó‑ cios tradicionais são impulsionadas por uma série de transações independentes amortecidas pelo estoque de produtos. Por outro lado, uma cadeia de suprimentos tem potencial para fun‑ cionar como uma série sincronizada de unidades de negócios interdependentes. No âmago da alavancagem operacional da cadeia de suprimentos reside o desejo de trans‑ ferir estoques de acordo com as necessidades, extraindo vantagens do máximo de colaboração e informação possível. Estas podem se concentrar em manter contínuos o fluxo e a velocidade da movimentação do estoque por toda a cadeia de suprimentos. O potencial dessa sincroniza‑ ção é um dos principais benefícios da conectividade da cadeia de suprimentos. Uma medida significativa da produtividade da cadeia de suprimentos é o tempo de per- manência, ou seja, a proporção entre o tempo que um ativo fica ocioso e o tempo necessário para satisfazer sua missão designada na cadeia de suprimentos. Por exemplo, o tempo de per‑ manência seria a proporção entre o tempo que uma unidade de estoque fica armazenada e o tempo que passa sendo transportada ou contribuindo de alguma outra forma para atingir objetivos de vendas ou operacionais. Para reduzir o tempo de permanência, as empresas que colaboram em uma cadeia de su‑ primentos precisam estar dispostas a eliminar o trabalho duplicado e sem valor agregado. Por exemplo, se três empresas diferentes realizam processos idênticos conforme um produto passa pela cadeia de suprimentos, os tempos ociosos se acumulam. Indicar uma empresa específica para realizar e ser responsável pelo trabalho com valor agregado pode ajudar a reduzir o tempo de permanência total. Da mesma forma, a chegada no momento adequado e o fluxo de estoque contínuo entre parceiros da cadeia de suprimentos reduzemo tempo de permanência. Quando um produto sai de um fornecedor para um varejista por meio de um cross ‑docking sem parar ou sem desviar para o estoque nos depósitos, o tempo de permanência total é minimizado. Um benefício cola‑ teral de diminuir o tempo de permanência e o custo logístico associado é a capacidade de redu‑ zir o investimento em estoque e ativos relacionados. lIberação de caIxa Um termo popular para descrever os benefícios potenciais da redução de ativos em uma cadeia de suprimentos é liberação de caixa.10 A ideia é reduzir os ativos totais comprometidos com o desempenho da cadeia de abastecimento. Portanto, se um dólar de estoque ou de investimen‑ to em um depósito for eliminado por uma cadeia de suprimentos que passou por uma reenge‑ nharia, ele será redistribuído. Esse capital livre pode ser reinvestido em projetos que foram considerados arriscados demais em outras ocasiões. Naturalmente, a oportunidade de liberação de caixa não é exclusiva da cadeia de supri‑ mentos, mas aplica ‑se a todas as áreas de uma empresa. O que torna o potencial de libera‑ ção de caixa de uma cadeia de suprimentos tão atraente é a oportunidade de colaboração entre empresas. Os benefícios advindos da conversão de caixa, da redução do tempo de permanência e da liberação de caixa se unem para aumentar a atratividade financeira da colaboração eficaz. Outra importante força que impulsiona a expansão da gestão da cadeia de suprimentos é o crescente envolvimento de muitas empresas em operações internacionais. 10 Gene Tyndall et al., Supercharging Supply Chains (New York: John Wiley & Sons, 1988), p. 1. R7_Gestao Logistica_4ed.indd 27 10/31/13 10:35 AM PARTE 1 Gestão logística da cadeia de suprimentos28 globAlizAção uma estimativa conservaDora diz que 90% da demanda global não é totalmente atendida por fornecedores locais. A demanda atual, somada a uma população mundial com projeção de cres‑ cimento médio de mais de 200 mil pessoas por dia para a próxima década, resulta em oportuni‑ dades substanciais no mercado. A gama do potencial de crescimento de produtos/serviços varia muito entre economias industrializadas e emergentes. Nos setores industrializados da economia global, as oportunidades concentram ‑se em produtos de consumo de luxo. Essas economias mais avançadas oferecem oportunidades substanciais para a venda de produtos em conjunto com ser‑ viços de valor agregado. Embora seja verdade que os consumidores de países em desenvolvimen‑ to tenham menor poder de compra que aqueles em países industrializados, a demanda por produtos e as necessidades básicas em tais economias são enormes. Os consumidores de países em desenvolvimento estão mais interessados na qualidade de vida do que na moda ou na tecnologia. Por exemplo, as crescentes populações da Índia e da China oferecem gigantescas oportunidades de mercado em termos de produtos básicos, como alimentos e roupas, e bens de consumo durá‑ veis, como refrigeradores, máquinas de lavar e automóveis. Empresas com objetivos de crescimen‑ to agressivos não podem desprezar o comércio no mercado global. Além do potencial de vendas, o envolvimento nos negócios globais está sendo impulsionado por oportunidades significativas de aumentar a eficiência operacional. Tais eficiências opera‑ cionais são realizáveis em pelo menos três áreas. Em primeiro lugar, o mercado global oferece oportunidades importantes para a compra estratégica de matéria ‑prima e de componentes. Em segundo lugar, vantagens trabalhistas significativas podem ser obtidas para instalações de pro‑ dução e distribuição localizadas em países em desenvolvimento. Em terceiro lugar, a legislação tributária favorável pode fazer que o desempenho das operações que agregam valor seja alta‑ mente atraente em países específicos. A decisão de iniciar operações globais para aumentar a participação de mercado e obter eficiência operacional segue o caminho natural da expansão de empresas. Normalmente, as empresas entram no mercado global conduzindo operações de importação e exportação. Essas transações de importação e exportação constituem uma parte significativa dos negócios inter‑ nacionais globalizados. A segunda etapa da internacionalização envolve a presença local da empresa em países estrangeiros e em regiões de comércio internacional. Tal presença pode abranger desde a franquia e o licenciamento de empresas locais até as instalações de manufa‑ tura e a distribuição no exterior. A importante diferença entre o envolvimento com exportações e importações e o estabelecimento da presença local é o grau de investimento e envolvimento administrativo característico da segunda etapa. A terceira etapa da internacionalização é a condução integral de operações entre as fronteiras internacionais. Essa etapa mais avançada do envolvimento internacional normalmente é denominada globalização. A logística da internacionalização envolve quatro importantes diferenças em compara‑ ção a operações nacionais ou mesmo regionais. A primeira é que a distância das operações normais desde o pedido até a entrega é significativamente maior nos negócios internacionais em comparação com os nacionais. A segunda é que, para obedecer às leis e aos regulamentos de todos os órgãos governamentais, a documentação necessária para as transações comer‑ ciais é consideravelmente mais complexa. A terceira é que as operações logísticas internacio‑ nais devem ser projetadas para lidar com uma diversidade significativa nas práticas trabalhistas e no ambiente operacional local. A quarta é que a adaptação às variações cultu‑ rais em relação a como os consumidores demandam bens e serviços é essencial para opera‑ ções logísticas bem ‑sucedidas. R7_Gestao Logistica_4ed.indd 28 10/31/13 10:35 AM Cadeias de suprimentos no século xxi capítulo 1 29 Por fim, o comércio no século XXI é conduzido em meio a uma ameaça constante de ter‑ rorismo, o que exige maior segurança. A intensidade e a gravidade dessa questão envolvem tanto o embarque em si quanto a exposição ao uso da infraestrutura logística para transportar explosivos e produtos químicos. Os aspectos de segurança da logística global são discutidos no Capítulo 16. É importante entender que globalizar com sucesso a cadeia de suprimentos exige o domínio dos desafios logísticos associados. Embora os princípios logísticos e os ideais da integração da cadeia de suprimentos sejam essencialmente os mesmos em termos globais e locais, as características citadas tornam os am‑ bientes operacionais mais complexos e dispendiosos. O custo global da logística é estimado em mais de 9 trilhões de dólares ao ano.11 Tais despesas são justificadas em termos do potencial de expansão do mercado e de eficiência operacional. No entanto, a exposição ao risco relacionado à capitalização da gestão da cadeia de suprimentos internacional e seus componentes logísticos exige estratégias e táticas operacionais integradas. Resumo O desenvolvimento da capacidade de gestão integrada é fundamental para a melhoria contínua da produtividade. Essa gestão integrada deve se concentrar na melhoria da qualidade tanto em nível funcional quanto nos processos. Em termos das funções, o trabalho crítico deve ser realizado com o mais alto grau de eficiência. Processos que agregam valor ocor‑ rem tanto dentro de empresas quanto entre empresas unidas por cadeias de suprimentos cola‑ borativas. Cada tipo de processo deve ser continuamente melhorado. A ideia de que todas as empresas – ou a maioria delas – se unirão para criar iniciativas de cadeias de suprimentos altamente colaborativas a qualquer momento em um futuro previsível é um tanto improvável. A dinâmica do sistema de mercado de livre concorrência servirá para chegar a este estado final. No entanto, iniciativas voltadas para a integração interempresarial ao longo da cadeia de suprimentos estão surgindo cada vez maise, se forem implementadas com sucesso, oferecem modelos de negócios novos e interessantes para gerar vantagens compe‑ titivas. Uma vez alcançada, tal integração da cadeia de suprimentos é difícil de ser mantida e está sujeita à redefinição constante. O que funciona hoje pode não funcionar amanhã. Por outro lado, o que não funciona hoje pode funcionar amanhã. Portanto, as colaborações na cadeia de suprimentos devem ser vistas como altamente dinâ‑ micas. Tais colaborações são atraentes porque oferecem novos horizontes para conquistar po‑ sicionamento de mercado e eficiência operacional. As oportunidades da cadeia de suprimentos são desafios que os administradores de logística do século XXI devem analisar e explorar. No entanto, a integração da cadeia de suprimentos é um meio para aumentar a lucratividade e o crescimento, e não um fim em si. A partir da perspectiva da gestão da logística integrada, as estratégias de cadeia de supri‑ mentos definem a estrutura operacional relevante. O que deve ser realizado na logística é dire‑ tamente relacionado à estrutura e à estratégia da cadeia de suprimentos. Quando estrutura e estratégia estiverem posicionadas internacionalmente, o desempenho logístico deverá aceitar os desafios associados à globalização. Em resumo, a estratégia ou a falta de estratégia da cadeia de suprimentos e sua estrutura relacionada servem para moldar o quadro das necessidades logísti‑ cas. O Capítulo 2 apresenta a logística em mais detalhes. 11 Roger J. Calantone, “Estimation of Global Logistics Expenditures Using Neural Networks,” pesquisa não publicada, Michigan State University (2011). R7_Gestao Logistica_4ed.indd 29 10/31/13 10:35 AM PARTE 1 Gestão logística da cadeia de suprimentos30 Questões paRa Revisão 1 Compare o conceito de uma cadeia de suprimentos moderna com canais de distribuição mais tradicionais. Seja específico em relação a semelhanças e diferenças. 2 Que papel específico a logística desempenha nas operações da cadeia de suprimentos? 3 Descreva e exemplifique um prestador de serviços integrados. De que modo o conceito de prestador de serviços integrados difere do de provedores de serviços tradicionais, como transporte e depósito terceirizados? 4 Compare e contraste os modelos de negócios de base antecipatória (empurrados) e basea‑ dos na resposta (puxados). Por que a capacidade de resposta se tornou popular na estratégia e na colaboração da cadeia de suprimentos? 5 Compare e contraste o postponement geográfico e o de manufatura. 6 Defina e exemplifique conversão de caixa, minimização do tempo de permanência e libe‑ ração de caixa. De que modo a estratégia e a estrutura da cadeia de suprimentos influen‑ ciam cada um? Desafios 1 Quais são os desafios operacionais relacionados ao plano da Toys R Us para estabelecer 600 pontos de varejo temporários ou sazonais? Seja específico quanto aos desafios da rede de suprimentos antes, durante e depois da temporada de vendas natalina. 2 Em que os conceitos de SaaS e computação na nuvem diferem dos serviços oferecidos pelos centros tradicionais de serviço de processamento de dados? 3 Discuta como a logística reversa pode gerar valor. 4 Qual é a proposta de valor primária do serviço de distribuição colaborativa da Kane Is Able? Seja específico quanto aos aspectos em que esse serviço difere dos serviços tradicio‑ nais oferecidos pelos operadores logísticos. 30 parte 1 Gestão logística da cadeia de suprimentos R7_Gestao Logistica_4ed.indd 30 10/31/13 10:35 AM