Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Carlos Aguiar 
 
BBoottâânniiccaa 
para Ciências Agrárias e do Ambiente 
 
VVoolluummee IIIIII "�Sistemática 
 
 
 
 
Instituto Politécnico de Bragança 
2013 
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
Publicado	
  pelo	
  Instituto	
  Politécnico	
  de	
  Bragança	
  
Imagem	
  da	
  capa.	
  Butomus	
  umbellatus	
  (Butomaceae)	
  
Versão	
  de	
  13-­‐V-­‐2013	
  
©	
  Carlos	
  Aguiar	
   	
  
ISBN	
  978-­‐972-­‐745-­‐125-­‐8	
  
 
1	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Índice	
  
1.	
   Introdução	
  à	
  sistemática	
  de	
  plantas-­‐vasculares	
  ...............................................................	
  7	
  
1.1.	
   O	
  porquê	
  de	
  classificar	
  ..............................................................................................	
  7	
  
1.2.	
   Conceitos	
  e	
  objetivos	
  da	
  taxonomia	
  ..........................................................................	
  8	
  
1.3.	
   Evolução	
  dos	
  sistemas	
  de	
  classificação	
  botânica	
  ......................................................	
  9	
  
Sistemas	
  artificiais	
  ...............................................................................................	
  10	
  
Sistemas	
  naturais	
  e	
  sistemas	
  fenéticos	
  ...............................................................	
  11	
  
Sistemas	
  evolutivos	
  .............................................................................................	
  12	
  
Sistemas	
  cladísticos	
  .............................................................................................	
  15	
  
Sistemática	
  molecular	
  .........................................................................................	
  17	
  
1.4.	
   Nomenclatura	
  ..........................................................................................................	
  18	
  
Nomenclatura	
  biológica	
  clássica	
  .........................................................................	
  18	
  
Nomenclatura	
  de	
  plantas	
  cultivadas	
  ...................................................................	
  22	
  
Nomenclatura	
  filogenética	
  ..................................................................................	
  23	
  
2.	
   Sistemática	
  de	
  plantas-­‐com-­‐semente	
  .............................................................................	
  24	
  
2.1.	
   Introdução	
  ...............................................................................................................	
  24	
  
Taxa	
  supra-­‐ordinais	
  das	
  plantas-­‐terrestres	
  .........................................................	
  24	
  
‘Pteridófitas’	
  e	
  gimnospérmicas	
  ..........................................................................	
  25	
  
Angiospérmicas	
  ...................................................................................................	
  25	
  
2.2.	
   Famílias	
  de	
  plantas-­‐com-­‐semente	
  de	
  maior	
  interesse	
  ecológico	
  ou	
  económico	
  ....	
  27	
  
2.2.1.	
   Gimnospérmicas	
  ..............................................................................................	
  27	
  
2.2.1.1.	
   Cycadidae	
  .................................................................................................	
  28	
  
I.	
   Cycadaceae	
  s.str.	
  ...................................................................................	
  29	
  
2.2.1.2.	
   Ginkgoidae	
  ................................................................................................	
  30	
  
II.	
   Ginkgoaceae	
  ........................................................................................	
  30	
  
2.2.1.3.	
   Pinidae	
  ......................................................................................................	
  30	
  
III.	
   Pinaceae	
  .............................................................................................	
  31	
  
IV.	
   Cupressaceae	
  (inc.	
  Taxodiaceae)	
  ........................................................	
  31	
  
V.	
   Araucariaceae	
  ......................................................................................	
  32	
  
VI.	
   Taxaceae	
  .............................................................................................	
  32	
  
2.2.1.4.	
   Gnetidae	
  ...................................................................................................	
  33	
  
VII.	
   Ephedraceae	
  ......................................................................................	
  33	
  
2	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
2.2.2.	
   Magnoliidae	
  (angiospérmicas)	
  .........................................................................	
  33	
  
2.2.2.1.	
   ‘Angiospérmicas	
  basais’	
  ............................................................................	
  34	
  
Nymphaeales	
  ...................................................................................................	
  34	
  
VIII.	
   Nymphaeaceae	
  ................................................................................	
  34	
  
Austrobaileyales	
  ..............................................................................................	
  34	
  
IX.	
   Illiciaceae	
  ............................................................................................	
  34	
  
2.2.2.2.	
   Magnoliidas	
  ..............................................................................................	
  35	
  
Magnoliales	
  .....................................................................................................	
  35	
  
X.	
   Magnoliaceae	
  .......................................................................................	
  35	
  
XI.	
   Annonaceae	
  ........................................................................................	
  36	
  
Laurales	
  ...........................................................................................................	
  36	
  
XII.	
   Lauraceae	
  ..........................................................................................	
  36	
  
Piperales	
  ..........................................................................................................	
  37	
  
XIII.	
   Aristolochiaceae	
  ...............................................................................	
  37	
  
XIV.	
   Piperaceae	
  ........................................................................................	
  37	
  
2.2.2.3.	
   Monocotiledóneas	
  (Lilianae)	
  ....................................................................	
  37	
  
2.2.2.3.1.	
   ‘Monocotiledóneas	
  basais’	
  ..................................................................	
  38	
  
Alismatales	
  ......................................................................................................	
  38	
  
XV.	
   Cymodoceaceae	
  ................................................................................	
  38	
  
XVI.	
   Araceae	
  ............................................................................................	
  38	
  
2.2.2.3.2.	
   ‘Monocotiledóneaspetaloideas’	
  .........................................................	
  39	
  
Dioscoreales	
  ....................................................................................................	
  40	
  
XVII.	
   Dioscoreaceae	
  .................................................................................	
  40	
  
Liliales	
  ..............................................................................................................	
  40	
  
XVIII.	
   Smilacaceae	
  ...................................................................................	
  40	
  
XIX.	
   Liliaceae	
  ............................................................................................	
  40	
  
Asparagales	
  .....................................................................................................	
  41	
  
XX.	
   Orchidaceae	
  .......................................................................................	
  41	
  
XXI.	
   Xanthorrhoeaceae	
  ............................................................................	
  42	
  
XXII.	
   Amaryllidaceae	
  ................................................................................	
  43	
  
XXIII.	
   Agavaceae	
  ......................................................................................	
  44	
  
XXIV.	
   Asparagaceae	
  .................................................................................	
  44	
  
XXV.	
   Ruscaceae	
  ........................................................................................	
  45	
  
2.2.2.3.3.	
   Monocotiledóneas	
  commelinídeas	
  ......................................................	
  45	
  
3	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Arecales	
  ...........................................................................................................	
  46	
  
XXVI.	
   Arecaceae	
  (=	
  Palmae)	
  ....................................................................	
  46	
  
Poales	
  ..............................................................................................................	
  47	
  
XXVII.	
   Bromeliaceae	
  ................................................................................	
  47	
  
XXVIII.	
   Juncaceae	
  ....................................................................................	
  47	
  
XXIX.	
   Cyperaceae	
  .....................................................................................	
  49	
  
XXX.	
   Poaceae	
  (=	
  Gramineae)	
  ...................................................................	
  49	
  
Zingiberales	
  .....................................................................................................	
  53	
  
XXXI.	
   Musaceae	
  .......................................................................................	
  53	
  
XXXII.	
   Cannaceae	
  .....................................................................................	
  53	
  
XXXIII.	
   Zingiberaceae	
  ..............................................................................	
  53	
  
2.2.2.4.	
   Eudicotiledóneas	
  ......................................................................................	
  53	
  
2.2.2.4.1.	
   ‘Eudicotiledóneas	
  basais’	
  .....................................................................	
  53	
  
Ranunculales	
  ...................................................................................................	
  53	
  
XXXIV.	
   Papaveraceae	
  ...............................................................................	
  53	
  
XXXV.	
   Ranunculaceae	
  ..............................................................................	
  54	
  
Proteales	
  .........................................................................................................	
  54	
  
XXXVI.	
   Proteaceae	
  ...................................................................................	
  54	
  
XXXVII.	
   Platanaceae	
  ................................................................................	
  55	
  
Buxales	
  ............................................................................................................	
  55	
  
XXXVIII.	
   Buxaceae	
  ...................................................................................	
  55	
  
2.2.2.4.2.	
   Eudicotiledóneas	
  superiores	
  (core	
  eudicots)	
  .......................................	
  55	
  
Famílias	
  basais	
  de	
  eudicotiledóneas	
  superiores	
  .................................................	
  55	
  
Saxifragales	
  ......................................................................................................	
  55	
  
XXXIX.	
   Altingiaceae	
  .................................................................................	
  55	
  
Vitales	
  ..............................................................................................................	
  56	
  
XL.	
   Vitaceae	
  .............................................................................................	
  56	
  
Clado	
  das	
  rosidas	
  .................................................................................................	
  56	
  
Malpighiales	
  ....................................................................................................	
  57	
  
XLI.	
   Linaceae	
  ............................................................................................	
  57	
  
XLII.	
   Euphorbiaceae	
  ................................................................................	
  57	
  
XLIII.	
   Violaceae	
  ........................................................................................	
  57	
  
XLIV.	
   Salicaceae	
  .......................................................................................	
  58	
  
XLV.	
   Passifloraceae	
  ..................................................................................	
  58	
  
4	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
XLVI.	
   Hypericaceae	
  ..................................................................................	
  58	
  
Cucurbitales	
  .....................................................................................................	
  59	
  
XLVII.	
   Cucurbitaceae	
  ...............................................................................	
  59	
  
Fabales	
  ............................................................................................................	
  59	
  
XLVIII.	
   Fabaceae	
  ......................................................................................	
  59	
  
Fagales	
  .............................................................................................................	
  61	
  
XLIX.	
   Fagaceae	
  .........................................................................................	
  61	
  
L.	
   Myricaceae	
  ...........................................................................................	
  62	
  
LI.	
   Juglandaceae	
  ......................................................................................	
  62	
  
LII.	
   Betulaceae	
  .........................................................................................	
  62	
  
LIII.	
   Casuarinaceae	
  ..................................................................................	
  63	
  
Myrtales	
  ..........................................................................................................63	
  
LIV.	
   Lythraceae	
  ........................................................................................	
  63	
  
LV.	
   Myrtaceae	
  ..........................................................................................	
  64	
  
Celastrales	
  .......................................................................................................	
  64	
  
LVI.	
   Celastraceae	
  .....................................................................................	
  64	
  
Rosales	
  ............................................................................................................	
  64	
  
LVII.	
   Rosaceae	
  .........................................................................................	
  64	
  
LVIII.	
   Rhamnaceae	
  ..................................................................................	
  66	
  
LIX.	
   Ulmaceae	
  ..........................................................................................	
  66	
  
LX.	
   Cannabaceae	
  .....................................................................................	
  66	
  
LXI.	
   Moraceae	
  ..........................................................................................	
  67	
  
Sapindales	
  .......................................................................................................	
  67	
  
LXII.	
   Anacardiaceae	
  .................................................................................	
  67	
  
LXIII.	
   Sapindaceae	
  (inc.	
  Aceraceae	
  e	
  Hippocastanaceae)	
  .......................	
  68	
  
LXIV.	
   Simaroubaceae	
  ...............................................................................	
  68	
  
LXV.	
   Meliaceae	
  ........................................................................................	
  68	
  
LXVI.	
   Rutaceae	
  ........................................................................................	
  69	
  
Brassicales	
  .......................................................................................................	
  69	
  
LXVII.	
   Brassicaceae	
  ..................................................................................	
  69	
  
LXVIII.	
   Capparaceae	
  ................................................................................	
  70	
  
Malvales	
  ..........................................................................................................	
  70	
  
LXIX.	
   Thymelaeaceae	
  ..............................................................................	
  70	
  
LXX.	
   Cistaceae	
  .........................................................................................	
  71	
  
5	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
LXXI.	
   Malvaceae	
  (inc.	
  Tiliaceae,	
  Bombacaceae	
  e	
  Sterculiaceae)	
  .............	
  71	
  
Santalales	
  ........................................................................................................	
  72	
  
LXXII.	
   Santalaceae	
  ...................................................................................	
  72	
  
Caryophyllanae	
  ....................................................................................................	
  73	
  
Caryophyllales	
  .................................................................................................	
  73	
  
LXXIII.	
   Tamaricaceae	
  ...............................................................................	
  73	
  
LXXIV.	
   Plumbaginaceae	
  ...........................................................................	
  73	
  
LXXV.	
   Polygonaceae	
  ................................................................................	
  74	
  
LXXVI.	
   Caryophyllaceae	
  ...........................................................................	
  74	
  
LXXVII.	
   Amaranthaceae	
  (inc.	
  Chenopodiaceae)	
  ......................................	
  75	
  
LXXVIII.	
   Cactaceae	
  ..................................................................................	
  75	
  
Clado	
  das	
  asteridas	
  (Asteranae)	
  ..........................................................................	
  76	
  
Cornales	
  ...........................................................................................................	
  76	
  
LXXIX.	
   Cornaceae	
  ....................................................................................	
  76	
  
LXXX.	
   Hydrangeaceae	
  ..............................................................................	
  76	
  
Ericales	
  ............................................................................................................	
  76	
  
LXXXI.	
   Sapotaceae	
  ...................................................................................	
  76	
  
LXXXII.	
   Ebenaceae	
  ..................................................................................	
  77	
  
LXXXIII.	
   Theaceae	
  ...................................................................................	
  77	
  
LXXXIV.	
   Actinidiaceae	
  .............................................................................	
  77	
  
LXXXV.	
   Ericaceae	
  (inc.	
  Empetraceae)	
  ......................................................	
  77	
  
Incertae	
  sedis	
  ..................................................................................................	
  78	
  
LXXXVI.	
   Boraginaceae	
  .............................................................................	
  78	
  
Gentianales	
  .....................................................................................................	
  78	
  
LXXXVII.	
   Rubiaceae	
  .................................................................................	
  78	
  
LXXXVIII.	
   Apocynaceae	
  (inc.	
  Asclepiadaceae)	
  ........................................	
  79	
  
Lamiales	
  ...........................................................................................................	
  79	
  
LXXXIX.	
   Oleaceae	
  ....................................................................................	
  79	
  
XC.	
   Bignoniaceae	
  .....................................................................................	
  80	
  
XCI.	
   Lamiaceae	
  .........................................................................................	
  81	
  
XCII.	
   Orobanchaceae	
  ...............................................................................	
  81	
  
XCIII.	
   Scrophulariaceae	
  (inc.	
  Buddlejaceae	
  e	
  Myoporaceae)	
  ..................	
  81	
  
XCIV.	
   Verbenaceae	
  ..................................................................................	
  82	
  
Solanales	
  .........................................................................................................	
  82	
  
6	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
XCV.	
   Convolvulaceae	
  ...............................................................................	
  82	
  
XCVI.	
   Solanaceae	
  .....................................................................................	
  83	
  
Apiales	
  .............................................................................................................	
  83	
  
XCVII.	
   Araliaceae	
  .....................................................................................	
  83	
  
XCVIII.	
   Pittosporaceae	
  .............................................................................84	
  
XCIX.	
   Apiaceae	
  .........................................................................................	
  84	
  
Aquifoliales	
  ......................................................................................................	
  85	
  
C.	
   Aquifoliaceae	
  .......................................................................................	
  85	
  
Asterales	
  ..........................................................................................................	
  85	
  
CI.	
   Asteraceae	
  ..........................................................................................	
  85	
  
Dipsacales	
  ........................................................................................................	
  87	
  
CII.	
   Adoxaceae	
  .........................................................................................	
  87	
  
CIII.	
   Caprifoliaceae	
  s.str.	
  (excluídas	
  Dipsacaceae	
  e	
  Valerianaceae)	
  ........	
  87	
  
3.	
   Referências	
  ......................................................................................................................	
  88	
  
 
 	
  
7	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
1. Introdução	
  à	
  sistemática	
  de	
  plantas-­‐vasculares	
  
1.1. O	
  porquê	
  de	
  classificar	
  
	
  “Classificar	
   objetos	
   é	
   uma	
   prerrogativa	
   humana	
   baseada	
   na	
   capacidade	
   da	
   mente	
   de	
   conceptualizar	
   e	
  
reconhecer	
  a	
  presença	
  de	
  propriedades	
  similares	
  em	
  objetos	
  individuais.	
  Propriedades	
  e	
  classes	
  são	
  abstrações1	
  
relacionadas	
  entre	
  si:	
  quando	
  uma	
  propriedade	
  é	
  atribuída	
  a	
  um	
  objeto,	
  então	
  o	
  objeto	
  torna-­‐se	
  membro	
  de	
  uma	
  
classe	
   particular	
   definida	
   por	
   aquela	
   propriedade”,	
   explica	
  W.	
   V.	
   Quine	
   (Quine, 1987).	
   Classificar	
   organismos,	
  
ecossistemas,	
  sinais,	
  formas,	
  estruturas,	
  comportamentos	
  é,	
  então,	
  uma	
  capacidade	
  inata2	
  que	
  a	
  mente	
  humana	
  
realiza,	
  geralmente,	
  de	
   forma	
   involuntária	
  e	
   sem	
  esforço.	
  As	
  classes	
  caracterizam-­‐se	
  por	
  um	
  dado	
  conjunto	
  de	
  
propriedades;	
   a	
   presença	
   dessas	
   propriedades	
   agrega	
   objetos	
   a	
   classes.	
   Cada	
   classe	
   tem	
   a	
   si	
   associado	
   um	
  
conceito3	
  formalizado	
  pelas	
  suas	
  propriedades.	
  
Atribuir	
  um	
  nome	
  científico,	
  de	
  qualquer	
  categoria	
   (e.g.	
  espécie	
  e	
   família),	
  a	
  uma	
  planta,	
   i.e.	
  outorgar	
  uma	
  
planta	
   a	
   uma	
   dada	
   classe	
   –	
   a	
   um	
   dado	
   taxon	
   (vd.	
   Conceitos	
   e	
   objetivos	
   da	
   taxonomia)	
   –	
   envolve	
   o	
  
reconhecimento	
  da	
  presença	
  de	
  um	
   conjunto	
  de	
  propriedades.	
  O	
  mesmo	
  acontece	
  quando	
   se	
   aplicam	
  nomes	
  
vulgares.	
   Identificar	
  uma	
  planta	
  com	
  o	
  nome	
  Prunus	
  avium,	
  ou	
  «cerejeira»,	
  pressupõe	
  que	
  se	
   trata	
  de	
  uma	
  de	
  
árvore	
   de	
   tronco	
   acinzentado	
   que	
   se	
   destaca	
   por	
   tiras	
   horizontais,	
   com	
   folhas	
   serradas,	
   flores	
   completas	
   de	
  
pétalas	
  brancas	
  e	
  estames	
  indefinidos,	
  polinizada	
  por	
   insectos,	
  que	
  produz	
  frutos	
  comestíveis,	
  e	
  por	
  aí	
  adiante.	
  
Uma	
  planta	
   cabe	
  no	
   conceito	
  de	
  P.	
   avium	
   –	
   uma	
   classe	
  de	
  organismos	
   vegetais	
   com	
  a	
   categoria	
   de	
  espécie	
  –	
  
quando	
   nela	
   se	
   reconhecem	
   as	
   propriedades	
   de	
   ser	
   Prunus	
   avium.	
   Os	
   nomes	
   científicos	
   ou	
   vulgares	
   são	
   uma	
  
expressão	
  sintética	
  de	
  um	
  conjunto	
  de	
  propriedades	
  que	
  se	
  consubstanciam	
  num	
  conceito;	
  um	
  nome	
  por	
  si	
  só	
  de	
  
pouco	
  vale.	
  
A	
   mente	
   humana	
   organiza	
   com	
   mais	
   facilidade	
   objetos	
   complexos	
   em	
   grupos	
   homogéneos,	
   sejam	
   eles	
  
plantas,	
   paisagens	
   ou	
   instrumentos	
   de	
   trabalho,	
   do	
   que	
   soluciona,	
   por	
   exemplo,	
   equações	
   matemáticas	
  
elementares.	
  Pelo	
  contrário,	
  os	
  programas	
   informáticos	
  de	
  resolução	
  de	
  equações	
  matemáticas	
  complexas	
  são	
  
substancialmente	
   mais	
   simples,	
   e	
   eficientes,	
   do	
   que	
   os	
   programas	
   de	
   “reconhecimento	
   visual”	
   de	
   objetos.	
   A	
  
classificação	
   visual	
   assistida	
   por	
   computador	
   envolve	
   algoritmos	
   intrincados	
   de	
   inteligência	
   artificial,	
   que	
  
permitem	
  que	
  as	
  máquinas	
  aprendam	
  com	
  a	
  experiência.	
  O	
  hardware	
  da	
  mente	
  humana	
  foi	
  “desenhado”	
  pela	
  
evolução	
   para	
   desempenhar	
   tarefas	
   tão	
   complexas	
   como	
   a	
   envolvidas	
   a	
   identificação	
   e	
   a	
   classificação	
   de	
  
entidades4	
  biológicas,	
  porque	
  estas	
  tarefas	
  têm	
  um	
  enorme	
  valor	
  adaptativo:	
  aumentam	
  a	
  fitness	
  (vd.	
  volume	
  II)	
  
dos	
   seus	
   portadores.	
   Classificar	
   é	
   uma	
   atividade	
   indispensável	
   para	
   percepcionar	
   e	
   agir	
   sobre	
   de	
   realidade	
  
complexas,	
  como	
  é	
  a	
  diversidade	
  biológica.	
  Por	
  outras	
  palavras,	
  a	
  diversidade	
  seres	
  vivos	
  que	
  connosco	
  convivem	
  
é	
   incognoscível	
   sem	
   uma	
   taxonomia.	
  O	
   sucesso	
   reprodutivo	
   dos	
   indivíduos	
   da	
   nossa	
   espécies,	
   num	
   passado	
  
recente,	
  dependeu,	
  certamente,	
  mais	
  de	
  uma	
  correta	
  identificação	
  dos	
  hábitos	
  e	
  das	
  formas	
  dos	
  seres	
  vivos	
  do	
  
que	
  da	
  abstração	
  matemática.	
  A	
  componente	
  inata	
  do	
  ato	
  de	
  identificar	
  ou	
  classificar	
  plantas	
  também	
  explica	
  a	
  
precocidade	
  da	
  taxonomia	
  na	
  história	
  da	
  biologia.	
  
 
1	
   Resultam	
   de	
   um	
   processo	
   de	
   abstração,	
   i.e.	
   de	
   redução	
   de	
   uma	
   realidade	
   complexa	
   a	
   um	
   conjunto	
   de	
   propriedades	
  
consideradas	
  mais	
  importantes	
  do	
  que	
  as	
  propriedades	
  rejeitadas.	
  
2	
  Inata	
  porque	
  nasce	
  connosco,	
  não	
  é	
  aprendida.	
  
3	
  A	
  definição	
  de	
  “conceito”	
  é	
  muito	
  disputada	
  no	
  meio	
  filosófico.	
  Para	
  abreviar	
  o	
  tema	
  talvez	
  seja	
  melhor	
  definir	
  o	
  que	
  é	
  “ter	
  
um	
  conceito	
  de”.	
  Ter	
  um	
  conceito	
  de	
  um	
  objeto,	
  por	
  exemplo,	
  é	
  ser	
  capaz	
  de	
  reconhecer	
  e	
  de	
  pensar	
  sobre	
  esse	
  objeto,	
  de	
  
perceber	
   as	
   consequências	
   de	
   identificar	
   esse	
   objeto,	
   e	
   de	
   o	
   poder	
   agrupar	
   (classificar)	
   com	
   outros	
   objetos	
   similares	
  
(Blackburn, 1997).	
  
4	
  Uma	
  entidade	
  é	
  algo	
  dereal,	
  que	
  existe	
  por	
  si	
  próprio	
  (Blackburn, 1997).	
  
8	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
1.2. Conceitos	
  e	
  objetivos	
  da	
  taxonomia	
  
Num	
   sentido	
   lato,	
   a	
   taxonomia	
   biológica5	
   é	
   o	
   ramo	
   da	
   biologia	
   que	
   se	
   dedica	
   ao	
   estudo	
   e	
   descrição	
   da	
  
variação	
  [e.g.	
  variação	
  da	
  forma]	
  dos	
  organismos6;	
  à	
   investigação	
  das	
  causas	
  e	
  consequências	
  dessa	
  variação;	
  e	
  
ao	
  uso	
  da	
   informação	
  obtida	
   sobre	
  a	
  variação	
  dos	
  organismos	
  no	
  desenho	
  de	
  sistemas	
  de	
  classificação	
   (Stace, 
1992).	
  Num	
  sentido	
  estrito,	
  a	
  taxonomia	
  envolve	
  a	
  descoberta,	
  a	
  descrição,	
  a	
  designação	
  e	
  a	
  classificação	
  de	
  taxa	
  
(vd.	
   definição	
   mais	
   adiante).	
   A	
   taxonomia	
   inclui	
   três	
   importantes	
   atividades	
   subsidiárias:	
   a	
   classificação,	
   a	
  
atribuição	
  de	
  nomes	
  e	
  a	
  identificação,	
  definíveis	
  do	
  seguinte	
  modo	
  (Stace, 1992):	
  
� Classificação	
  –	
  estruturação	
  de	
  sistemas	
  lógicos	
  de	
  categorias	
  (sistemas	
  de	
  classificação)	
  que	
  agrupem	
  e	
  
categorizem,	
  geralmente	
  de	
  forma	
  hierárquica,	
  os	
  organismos	
  (vd.	
  Evolução	
  dos	
  sistemas	
  de	
  classificação	
  
de	
  plantas-­‐vasculares;	
  
� Nomenclatura	
  –	
  abrange	
  o	
  estudo	
  dos	
  sistemas	
  e	
  métodos	
  de	
  designação	
  dos	
  grupos	
  de	
  organismos,	
  e	
  a	
  
construção,	
   interpretação	
   e	
   aplicação	
   dos	
   regulamentos	
   que	
   governam	
   estes	
   sistemas	
   (vd.	
  
Nomenclatura);	
  
� Identificação	
   (=	
   determinação)	
   –	
   denominação	
   de	
   um	
   organismo	
   tendo	
   como	
   referência	
   uma	
  
classificação	
  já	
  existente.	
  	
  
Um	
   sistemata	
   (o	
   especialista	
   em	
   sistemática)	
  
classifica	
  quando	
  descreve	
  uma	
  espécie	
  nova	
  para	
  a	
  
ciência.	
   Nesse	
   ato	
   atribui	
   um	
   nome	
   científico	
   de	
  
acordo	
  com	
  as	
  regras	
  de	
  nomenclatura	
  em	
  vigor.	
  Um	
  
praticante	
   de	
   botânica	
   ao	
   reconhecer	
   essa	
   mesma	
  
espécie	
  no	
  campo	
  ou	
  no	
  herbário,	
  identifica.	
  
Um	
  taxon	
   (táxone;	
  no	
  plural	
  taxa	
  ou	
  táxones)	
  ou	
  
grupo	
  taxonómico	
  é	
  um	
  grupo	
  concreto	
  –	
  uma	
  classe	
  
–	
   de	
   organismos	
   ao	
   qual	
   é	
   atribuído	
   um	
   nome,	
   em	
  
botânica	
   de	
   acordo	
   com	
   o	
   Código	
   Internacional	
   de	
  
Nomenclatura	
   para	
   Algas,	
   Fungos	
   e	
   Plantas	
  
(International	
  Code	
  of	
  Nomenclature	
  for	
  Algae,	
  Fungi	
  
and	
   Plants,	
   ICN;	
   (McNeill, et al., 2012)	
   (vd.	
  
Nomenclatura).	
   O	
   conceito	
   de	
   taxon	
   refere-­‐se	
   a	
  
grupos	
   de	
   indivíduos,	
   não	
   devendo	
   ser	
   confundido	
  
com	
   o	
   conceito	
   de	
   categoria	
   taxonómica.	
   Os	
   taxa	
  
naturais7	
  ou	
  monofiléticos,	
   reúnem	
  os	
   indivíduos	
  de	
  
uma	
   espécie	
   ancestral,	
   atual	
   ou	
   extinta,	
   e	
   todos	
   os	
  
indivíduos	
  de	
  todas	
  as	
  espécies	
  dela	
  descendentes.	
  A	
  
sua	
  existência	
  é	
   independente	
  dos	
   sistemas	
  de	
   classificação	
   criados	
  pelo	
  homem:	
   são	
  entidades	
  objetivas8.	
  Os	
  
taxa	
   não	
   monofiléticos	
   dizem-­‐se	
   artificiais.	
   Não	
   sendo	
   monofiléticos	
   os	
   grupos	
   taxonómicos	
   podem	
   ser	
   (i)	
  
parafiléticos	
  quando	
  excluem	
  alguns	
  descendentes	
  de	
  um	
  ancestral	
  comum,	
  ou	
  (ii)	
  polifiléticos	
  se	
  reúnem	
  taxa	
  
de	
  dois	
  ou	
  mais	
  grupos	
  monofiléticos	
  sem	
  uma	
  ancestralidade	
  comum	
  (figura	
  1).	
  
 
5	
  Propõe-­‐se	
  uma	
  definição	
  lata	
  de	
  taxonomia	
  e	
  a	
  sua	
  sinonimização	
  com	
  a	
  sistemática.	
  Muitos	
  autores,	
  sobretudo	
  zoólogos,	
  
preferem	
   distinguir	
   sistemática	
   e	
   taxonomia.	
   A	
   primeira	
   teria	
   um	
   significado	
   alargado,	
   restringindo-­‐se	
   a	
   segunda	
   à	
  
descoberta,	
  descrição,	
  designação	
  e	
  classificação	
  de	
  taxa.	
  
6	
  Um	
  organismo	
  é	
  um	
   ser	
   vivo	
   individual,	
   cujas	
  partes	
   (organelos,	
   órgãos)	
   são	
  mutuamente	
  dependentes	
  e	
  desempenham	
  
funções	
   indispensáveis	
   para	
   a	
   sobrevivência	
   e/ou	
   reprodução	
   do	
   indivíduo.	
   Uma	
   bactéria,	
   uma	
   planta	
   ou	
   um	
   animal	
   são	
  
organismos.	
  
7	
  Muitos	
  autores,	
  atuais	
  e	
  pretéritos,	
  criticam	
  esta	
  definição	
  e	
  preferem	
  designar	
  por	
   taxon	
  natural	
  um	
  grupo	
  de	
  indivíduos	
  
mais	
  similares	
  entre	
  si	
  do	
  que	
  com	
  os	
  indivíduos	
  de	
  outros	
  grupos.	
  Outros	
  exigem	
  uma	
  ancestralidade	
  comum	
  mas	
  aceitam	
  
como	
  naturais	
  os	
  grupos	
  parafiléticos.	
  
8	
  Objetivas	
  porque	
  a	
  sua	
  existência	
  é	
  independente	
  da	
  mente	
  que	
  afirma	
  a	
  sua	
  existência.	
  Embora	
  de	
  uso	
  corrente,	
  o	
  conceito	
  
de	
  “entidade	
  objetiva”	
  é	
  redundante	
  porque	
  uma	
  entidade	
  é	
  necessariamente	
  objetiva.	
  
Figura	
  1. Monofilia,	
  parafilia	
  e	
  polifilia.	
  Neste	
  exemplo	
  os	
  
vertebrados	
  e	
  os	
  répteis	
  s.l.	
  (=	
  saurópsidos,	
  inc.	
  aves,	
  assinalado	
  a	
  
amarelo)	
   são	
   monofiléticos,	
   os	
   répteis	
   s.str.	
   (excl.	
   Aves)	
   são	
  
parafiléticos	
   e	
   os	
   animais	
   de	
   sangue-­‐quente	
   (a	
   vermelho,	
  
mamíferos	
  +	
  aves)	
  são	
  polifiléticos	
  (Wikipedia)	
  
9	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Os	
   taxonomistas	
   servem-­‐se	
  de	
  características	
  morfológicas,	
   fisiológicas	
  ou	
  moleculares	
  para	
  classificar	
  e/ou	
  
identificar	
   taxa.	
   Estas	
   características	
   são	
   genericamente	
   designadas	
   por	
   caracteres	
   taxonómicos.	
   Um	
   carácter	
  
pode	
  ter	
  vários	
  estados.	
  Por	
  exemplo,	
  o	
  carácter	
  posição	
  do	
  ovário	
  tem	
  três	
  estados-­‐de-­‐carácter:	
  ovário	
   ínfero,	
  
semi-­‐ínfero	
  e	
  súpero.	
  Frequentemente,	
  o	
  termo	
  “carácter	
  taxonómico”	
  é	
  utilizado	
  com	
  o	
  significado	
  de	
  “estado-­‐
de-­‐carácter”.	
  Os	
  caracteres	
  diagnóstico	
  são	
  utilizados	
  para	
  distinguir	
  os	
  taxa	
  de	
  outros	
  que	
  se	
  lhes	
  assemelhem.	
  
Os	
   caracteres	
   diagnóstico	
   determinam	
   a	
   circunscrição	
   dos	
   taxa,	
   i.e.	
   quais	
   os	
   indivíduos	
   que	
   a	
   eles	
   podem	
   ser	
  
atribuídos(Singh, 2010),	
  e,	
  implicitamente,	
  objetivam	
  o	
  seu	
  conceito.	
  
Os	
   termos	
   “primitivo”	
   e	
   “evoluído	
   ou	
   avançado”,	
   embora	
   de	
   uso	
   corrente,	
   exprimem	
   juízos	
   de	
   valor	
  
injustificáveis	
   à	
   luz	
   da	
   moderna	
   interpretação	
   dos	
   processos	
   evolutivos.	
   Os	
   carateres	
   ditos	
   primitivos	
   –	
   e.g.	
  
estames	
  semelhantes	
  às	
  pétalas	
  –	
  não	
  são,	
  necessariamente,	
  menos	
  vantajosos	
  para	
  os	
  seus	
  portadores	
  do	
  que	
  
os	
   caracteres	
   evoluídos	
   (=	
   avançados)	
   –	
   e.g.	
   estames	
   e	
   pétalas	
   bem	
  distintos.	
   Pela	
  mesma	
   razão	
   o	
  mesmo	
   se	
  
pode	
  dizer	
  de	
  um	
  taxon	
  primitivo	
  frente	
  a	
  um	
  taxon	
  evoluído.	
  Por	
  outro	
  lado,	
  um	
  carácter	
  considerado	
  primitivo	
  
num	
   determinado	
   grupo	
   pode	
   ser	
   evoluído	
   num	
   outro	
   porque,	
   sendo	
   as	
   plantas	
   evolutivamente	
   flexíveis,	
   as	
  
inversões	
   de	
   caracteres	
   e	
   os	
   fenómenos	
   de	
   convergência	
   evolutiva	
   são	
   sistemáticos	
   (vd.	
   Sistemas	
   evolutivos).	
  
Como	
  se	
  referiu	
  no	
  Volume	
  I,	
  muitas	
  das	
  Theaceae	
  atuais	
  têm	
  flores	
  acíclicas,	
  um	
  estado-­‐de-­‐carácter	
  associado	
  a	
  
plantas	
  primitivas.	
  Hoje	
  é	
   claro	
  que	
  num	
  antepassado	
  das	
  Theaceae	
   de	
  perianto	
  verticilado	
   terá	
  ocorrido	
  uma	
  
inversão	
  do	
  carácter	
  filotaxia	
  da	
  flor:	
  as	
  Theaceae	
  são	
  secundariamente	
  acíclicas	
  (Ronse De Craene, 2010).	
  Para	
  
evitar	
   equívocos,	
   pode-­‐se	
   substituir	
   o	
   adjetivo	
   “primitivo”	
   por	
   “ancestral”	
   ou	
   “basal”.	
   “Derivado”	
   é	
   uma	
  
alternativa	
  a	
  “evoluído”	
  ou	
  “avançado”	
  9.	
  	
  
Um	
  dado	
  estado-­‐de-­‐carácter	
  diz-­‐se	
  primitivo,	
  ancestral	
  ou	
  basal	
  quando	
  corresponde	
  à	
  condição	
  original	
  do	
  
carácter,	
   i.e.	
   ao	
   estado-­‐de-­‐carácter	
   presente	
   nas	
   formas	
   ancestrais	
   de	
   um	
   determinado	
   grupo.	
   Os	
   caracteres	
  
ancestrais	
   são	
   mais	
   antigos	
   e	
   os	
   caracteres	
   derivados	
   de	
   génese	
   mais	
   recente.	
   Geralmente,	
   os	
   taxa	
   basais	
  
distinguem-­‐se	
  dos	
  taxa	
  derivados	
  por	
  reterem	
  um	
  maior	
  número	
  de	
  caracteres	
  basais	
  e,	
  em	
  consequência	
  disso	
  
mesmo,	
   serem	
   mais	
   semelhantes	
   às	
   formas	
   originais	
   a	
   partir	
   das	
   quais	
   evoluíram.	
   A	
   retenção	
   de	
   caracteres	
  
basais	
   aproxima	
   os	
   organismos,	
   e	
   os	
   seus	
   grupos,	
   da	
   base	
   das	
   árvores	
   filogenéticas.	
   Aos	
   taxa	
   derivados	
  
correspondem	
  a	
  ramificações	
  chegadas	
  à	
  extremidade	
  das	
  árvores	
  filogenéticas	
  (vd.	
  Sistemas	
  cladísticos).	
  	
  
A	
   botânica	
   sistemática,	
   ou	
   taxonomia	
   botânica,	
   é	
   uma	
   ciência	
   antiga.	
   O	
   seu	
   desenvolvimento	
   precedeu	
   a	
  
genética,	
  a	
  fisiologia	
  ou	
  a	
  ecologia	
  vegetal.	
  Nos	
  seus	
  primórdios,	
  os	
  objetivos	
  da	
  botânica	
  sistemática	
  acabavam	
  
no	
   reconhecimento	
   de	
   taxa	
   e	
   na	
   sua	
   designação.	
   Na	
   sequência	
   da	
   definição	
   de	
   taxonomia	
   biológica	
  
anteriormente	
   formulada,	
  os	
  objetivos	
  da	
  botânica	
   sistemática	
   são	
  hoje	
   francamente	
  mais	
   vastos	
   (Jones Jr. & 
Luchsinger, 1987):	
  (i)	
  inventariar	
  a	
  flora	
  mundial;	
  (ii)	
  produzir	
  métodos	
  de	
  identificação	
  das	
  plantas;	
  (iii)	
  facilitar	
  a	
  
comunicação	
  nos	
  domínios	
  do	
  conhecimento	
  relacionados	
  com	
  as	
  plantas;	
   (iv)	
  produzir	
  um	
  sistema	
  coerente	
  e	
  
universal	
   de	
   classificação;	
   (v)	
   explorar	
   as	
   implicações	
   evolucionárias	
   da	
   diversidade	
   vegetal;	
   (vi)	
   explorar	
   as	
  
relações	
  filogenéticas	
  entre	
  taxa;	
  (vii)	
  fornecer	
  um	
  único	
  nome	
  latino	
  para	
  cada	
  taxa	
  de	
  plantas	
  atual	
  ou	
  extinto.	
  
1.3. Evolução	
  dos	
  sistemas	
  de	
  classificação	
  botânica	
  
Os	
   sistemas	
   de	
   classificação	
   biológica	
   são	
   sistemas	
   hierárquicos	
   de	
   categorias,	
   geralmente	
   construídos	
   de	
  
modo	
  a	
  permitirem	
  uma	
  fácil	
   referenciação	
  dos	
  seus	
  membros.	
  Dizem-­‐se	
  hierárquicos	
  porque	
  os	
   indivíduos	
  de	
  
qualquer	
  categoria	
  são	
  organizados	
  em	
  grupos	
  cada	
  vez	
  mais	
   inclusivos,	
  até	
  restar	
  apenas	
  um.	
  Reconhecem-­‐se	
  
cinco	
  grandes	
  tipos	
  de	
  sistemas	
  de	
  classificação	
  biológica:	
  artificiais,	
  naturais,	
  fenéticos,	
  evolutivos	
  e	
  cladísticos.	
  
As	
   ideias	
   dominantes	
   (=	
   paradigmas)	
   na	
   biologia	
   condicionaram	
   a	
   natureza	
   e	
   o	
   sucesso	
   dos	
   sistemas	
   de	
  
classificação	
  biológica.	
  Os	
  sistemas	
  de	
  classificação	
  artificiais	
  (e.g.	
  sistema	
  sexual	
  de	
  Carl	
  Linnaeus)	
  e	
  naturais	
  (e.g.	
  
sistema	
   de	
   de	
   Candolle)	
   são	
   essencialistas	
   porque	
   pressupõem	
   um	
  mundo	
   biológico	
   constituído	
   por	
   espécies	
  
 
9	
  Na	
  bibliografia	
  encontram-­‐se,	
  recorrentemente,	
  as	
  combinações	
  “estado-­‐de-­‐carácter	
  ancestral,	
  “estado-­‐de-­‐carácter	
  basal”,	
  
“estado-­‐de-­‐carácter	
  derivado”,	
  “taxon	
  basal”,	
  “taxon	
  ancestral”	
  e	
  “taxon	
  derivado”.	
  
10	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
imutáveis	
   (volume	
   II).	
   Os	
   sistemas	
   fenéticos	
   são	
   uma	
   versão	
   tecnicamente	
   refinada	
   dos	
   sistemas	
   naturais.	
  Os	
  
sistemas	
  de	
  classificação	
  evolutivos	
  e	
  cladísticos	
  integram	
  a	
  ideia	
  de	
  evolução.	
  
	
  
Sistemas	
  artificiais	
  
Carl	
   Linnaeus	
   [1707-­‐1778],	
   Carlos	
   Lineu	
   em	
   português,	
   foi	
   um	
   médico,	
   botânico,	
   zoólogo	
   e	
   mineralogista	
  
sueco10.	
  É	
  considerado	
  uma	
  das	
  personagens	
  mais	
  determinantes	
  da	
  história	
  da	
  biologia	
  pelos	
  historiadores	
  de	
  
ciência	
   (Mayr, 1989).	
   A	
   sistemática	
   botânica	
   e	
   zoológica	
   moderna	
   nasceu	
   em	
   duas	
   das	
   suas	
   publicações.	
   A	
  
primeira	
   edição	
   do	
   Species	
   Plantarum,	
   de	
   1773,	
   e	
   a	
   décima	
   edição	
   do	
   Systema	
   Naturae,	
   uma	
   obra	
   em	
   dois	
  
volumes	
  publicada	
  entre	
  1758	
  e	
  1759,	
  são	
  consideradas,	
  respectivamente,	
  o	
  ponto	
  de	
  partida	
  da	
  nomenclatura	
  
sistemática	
   botânica	
   (vd.	
   Nomenclatura	
   biológica	
   clássica)	
   ezoológica.	
   O	
   uso	
   da	
   nomenclatura	
   binomial	
   na	
  
taxonomia	
  biológica	
  generalizou-­‐se	
  após	
  a	
  publicação	
  da	
  primeira	
  edição	
  do	
  Species	
  Plantarum,	
  embora	
  Lineu,	
  
numa	
  fase	
  inicial	
  do	
  seu	
  trabalho	
  científico,	
  não	
  a	
  tenha	
  valorizado	
  e	
  aplicado	
  de	
  forma	
  sistemática	
  (Blunt, 2001).	
  
A	
   invenção	
  da	
  nomenclatura	
  binomial	
  é	
  anterior	
  a	
  Lineu,	
  deve-­‐se	
  a	
  Caspard	
  Bauhin	
   [1560-­‐1624),	
  um	
  médico	
  e	
  
botânico	
   suíço	
   de	
   origem	
   francesa.	
   Os	
   binomes	
   específicos	
   substituíram	
   a	
   nomenclatura	
   polinomial	
   que	
   se	
  
caracterizava	
   pelo	
   uso	
   de	
   um	
   nome	
   genérico,	
   sucedido	
   por	
   um	
   número	
   variável	
   de	
   palavras	
   a	
   descrever	
   a	
  
morfologia,	
  corologia	
  e/ou	
  a	
  autoria	
  da	
  descrição	
  original	
  das	
  espécies.	
  A	
  nomenclatura	
  binomial	
  tem	
  a	
  vantagem	
  
de	
  ser	
  mais	
  fácil	
  de	
  memorizar,	
  de	
  acelerar	
  as	
  trocas	
  de	
  informação,	
  e	
  de	
  ser	
  mais	
  estável	
  e	
  menos	
  sujeita	
  a	
  erros	
  
do	
   que	
   a	
   nomenclatura	
   polinomial.	
   Através	
   do	
   nome	
   genérico	
   expressa	
   e	
   resume	
   relações	
   evolutivas	
   e	
   de	
  
similaridade	
  morfológica	
  de	
  enorme	
  utilidade	
  prática.	
  
Lineu	
  estabeleceu	
  três	
  reinos	
  –	
  Regnum	
  Animale	
  (reino	
  animal),	
  Regnum	
  Vegetabile	
  (reino	
  vegetal)	
  e	
  Regnum	
  
Lapideum	
   (reino	
  mineral)	
  –	
  que	
  até	
  há	
  bem	
  pouco	
  tempo	
  eram	
  ensinados	
  nos	
  curricula	
  escolares	
  portugueses.	
  
Considerou	
   cinco	
   categorias	
   taxonómicas	
   fundamentais	
   que	
   permanecem	
   em	
   uso	
   na	
   nomenclatura	
   biológica	
  
moderna:	
   o	
   reino,	
   a	
   classe,	
   a	
   ordem,	
   a	
   família	
   e	
   o	
   género.	
   Lineu	
   defendeu	
   que	
   a	
   categoria	
   taxonómica	
  
fundamental	
   dos	
   sistemas	
   de	
   classificação	
   é	
   a	
   espécie	
   e,	
   muito	
   antes	
   emergência	
   da	
   moderna	
   biologia	
   da	
  
evolução,	
   que	
   a	
   coesão	
  morfológica	
   dos	
   indivíduos	
   coespecíficos	
   se	
   devia	
   ao	
   sexo.	
   A	
   importância	
   de	
   Lineu	
   na	
  
história	
   da	
   biologia	
   deve-­‐se	
   quer	
   às	
   suas	
   contribuições	
   científicas,	
   quer	
   à	
   doutrinação	
  de	
  um	
  núcleo	
   coeso	
  de	
  
discípulos	
  que	
  disseminaram	
  as	
  suas	
  ideias,	
  métodos	
  e	
  publicações.	
  Não	
  deixa	
  de	
  ser	
  significativo	
  que	
  o	
  Systema	
  
Naturae	
  esteja	
  exposto	
  numa	
  das	
  estantes	
  da	
  casa	
  que	
  Charles	
  Darwin	
  habitou	
  durante	
  grande	
  parte	
  da	
  sua	
  vida.	
  
O	
   sistema	
   de	
   classificação	
   sexual	
   lineano	
   está	
   descrito	
   logo	
   na	
   primeira	
   edição	
   do	
   Species	
   Plantarum	
   (vd.	
  
Figura	
   1A).	
   Lineu	
   reconheceu	
   24	
   classes	
   no	
   reino	
   das	
   plantas	
   com	
   base	
   na	
   presença	
   ou	
   ausência,	
   número,	
  
comprimento	
  e	
  concrescência	
  dos	
  estames,	
  e	
  ainda	
  na	
  sua	
  adnação	
  ao	
  pistilo.	
  O	
  sistema	
  lineano,	
  embora	
  tenha	
  
uma	
   inegável	
  utilidade	
  prática,	
  produz	
  grupos	
  de	
  plantas	
  dissimilares	
  de	
  baixo	
  valor	
  extrapolativo:	
  a	
  partir	
  das	
  
 
10	
  A	
  vida	
  e	
  obra	
  de	
  Carl	
  Linnaeus	
  pode	
  ser	
  explorada	
  em	
  http://www.linnaeus.uu.se/online/index-­‐en.html.	
  	
  
A	
   B	
   C	
  
Figura	
  2. Três	
   personagens	
   chave	
   da	
   história	
   da	
   sistemática:	
  A)	
   Carl	
   Linnaeus	
   [1707-­‐1778];	
   B)	
   Charles	
  Darwin	
  
[1809–1882];	
  C)	
  Willi	
  Hennig	
  [1913-­‐1976]	
  
A	
   B	
   C	
  
11	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
características	
  de	
  um	
  elemento	
  do	
  grupo,	
  não	
  é	
  possível,	
  a	
  priori,	
  antever	
  as	
  características	
  mais	
  marcantes	
  na	
  
forma	
  de	
  cada	
  um	
  dos	
  restantes	
  elementos	
  que	
  o	
  compõem.	
  Diz-­‐se	
  que	
  é	
  um	
  sistema	
  de	
  classificação	
  artificial	
  
porque	
  se	
  baseia	
  num	
  número	
  reduzido	
  e	
  arbitrário	
  de	
  características	
  de	
  fácil	
  observação	
  (vd.	
  Quadro	
  1).	
  
Sistemas	
  naturais	
  e	
  sistemas	
  fenéticos	
  
Os	
  sistemas	
  naturais	
  de	
  classificação	
   foram	
  uma	
  reação	
  à	
   incapacidade	
  do	
  sistema	
  sexual	
   lineano	
   revelar	
  a	
  
scala	
  naturae	
  aristotélica	
  (vd.	
  Volume	
  II).	
  Fundam-­‐se	
  no	
  princípio,	
  confirmado,	
  de	
  que	
  a	
  utilização	
  de	
  um	
  grande	
  
número	
  de	
  caracteres	
  origina	
  classificações	
  mais	
   intuitivas,	
  e	
  de	
  maior	
  valor	
  extrapolativo,	
  do	
  que	
  os	
   sistemas	
  
artificiais	
   (vd.	
   justificação	
  em	
  Sistemas	
  evolutivos).	
  Muitos	
  dos	
  defensores	
  destes	
  sistemas	
  consideravam	
  ainda	
  
que	
  os	
  caracteres	
  taxonómicos	
  não	
  devem	
  ser	
  pesados	
  (a	
  todos	
  deve	
  ser	
  dada	
  a	
  mesma	
  importância)	
  e	
  que	
  as	
  
plantas	
   devem	
   ser	
   organizadas	
   nas	
   Floras11	
   de	
   forma	
   natural,	
   conceito	
   que	
   na	
   altura	
   expressava	
   a	
   sua	
  
semelhança.	
  
Os	
   fundamentos	
   teóricos	
   dos	
   sistemas	
   naturais	
   de	
   classificação	
   foram	
   originalmente	
   estabelecidos	
   pelo	
  
botânico	
   francês	
   Michel	
   Adanson	
   [1727-­‐1806].	
   No	
   Genera	
   Plantarum,	
   A.-­‐L.	
   de	
   Jussieu	
   [1748-­‐1836]	
   fez	
   uma	
  
síntese	
   das	
   ideias	
   de	
   Adanson	
   com	
   o	
   sistema	
   de	
   nomenclatura	
   binomial	
   lineano.	
   Os	
   sistemas	
   naturais	
   de	
  
Augustin	
   de	
   Candolle	
   [1778-­‐1841]	
   e	
   de	
   G.	
   Bentham	
   [1800-­‐1884]	
   e	
   J.	
   D.	
   Hooker	
   [1817-­‐1911]	
   são	
   os	
   mais	
  
relevantes	
   para	
   a	
   história	
   da	
   botânica.	
   As	
   principais	
   características	
   dos	
   sistemas	
   artificiais	
   e	
   naturais	
   estão	
  
explicitados	
  no	
  quadro	
  1.	
  
Os	
  sistemas	
  de	
  classificação	
  fenéticos,	
  em	
  voga	
  nos	
  anos	
  60	
  e	
  70	
  do	
  séc.	
  XX,	
  são	
  um	
  refinamento	
  dos	
  sistemas	
  
de	
  classificação	
  naturais.	
  Caracterizam-­‐se	
  por	
  reunir	
  um	
  grande	
  número	
  de	
  caracteres,	
  geralmente	
  tratados	
  com	
  
o	
  mesmo	
  peso,	
  em	
  matrizes	
  de	
  grande	
  dimensão	
  que	
  posteriormente	
  são	
  corridas	
  em	
  programas	
  informáticos	
  de	
  
classificação.	
  Os	
  programas	
  de	
  classificação	
  fenética	
  geram	
  classificações	
  de	
  elevado	
  valorextrapolativo,	
  muitas	
  
vezes	
   próximas	
   das	
   produzidas	
   pelos	
   programas	
  de	
   classificação	
   cladística	
   (vd.	
   Sistemas	
   cladísticos).	
   A	
   escolha	
  
dos	
  algoritmos	
  de	
  classificação	
  determina	
  os	
  resultados	
  das	
  classificações	
  fenéticas.	
  Por	
  conseguinte,	
  os	
  sistemas	
  
fenéticos	
  não	
  envolvem	
  ganhos	
  significativos	
  de	
  objetividade	
  frente	
  aos	
  sistemas	
  naturais	
  e	
  evolutivos.	
  Por	
  outro	
  
lado	
   correm	
   o	
   risco	
   de	
   produzir	
   classificações	
   artificiais,	
   agregando	
   indivíduos	
   semelhantes	
   por	
   convergência	
  
evolutiva.	
  Os	
  métodos	
   automáticos	
   de	
   classificação	
   fenética	
   continuam	
  em	
  uso	
   nos	
   trabalhos	
   de	
   taxonomia	
   à	
  
 
11	
  O	
  termo	
  “Flora”,	
  em	
  maiúsculas,	
  refere-­‐se	
  aos	
   livros	
  de	
  botânica	
  que	
  descrevem	
  em	
  pormenor,	
  com	
  recurso	
  frequente	
  a	
  
chaves	
  dicotómicas,	
   as	
  plantas	
  de	
  um	
  dado	
   território;	
   e.g.	
   foram	
  publicadas	
  quatro	
   Floras	
  de	
  Portugal,	
   sendo	
  a	
  primeira	
   a	
  
Flora	
   Lusitanica,	
   datada	
   de	
   1804,	
   da	
   autoria	
   de	
   Félix	
   de	
   Avelar	
   Brotero	
   [1744-­‐1828].	
   Em	
  minúsculas	
   –	
   flora	
   –	
   designa	
   um	
  
conjunto	
  de	
  espécies,	
  e	
  de	
  categorias	
  subespecíficas,	
  de	
  um	
  território;	
  e.g.	
  a	
  flora	
  das	
  ilhas	
  Berlengas	
  compreende	
  com	
  4	
  taxa	
  
endémicos:	
   Armeria	
   berlengensis	
   (Plumbaginaceae),	
   Echium	
   rosulatum	
   subsp.	
   davaei	
   (Boraginaceae),	
   Herniaria	
   lusitanica	
  
subsp.	
  berlengiana	
  (Caryophyllaceae)	
  e	
  Pulicaria	
  microcephala	
  (Asteraceae).	
  
Figura	
  3. Capas	
  da	
  primeira	
  edição	
  do	
  Species	
  Plantarum	
  e	
  da	
  décima	
  edição	
  do	
  Sistema	
  Naturae	
   de	
  
Carl	
  Linnaeus	
  [1707-­‐1778].	
  Resumo	
  do	
  método	
  sexual	
  de	
  lineano	
  (desenho	
  de	
  G.D.	
  Ehret,	
  1736)	
  
12	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
escala	
  da	
  espécie	
  ou	
  de	
  categorias	
  infra-­‐específicas.	
  A	
  classificação	
  fenética	
  de	
  grupos	
  de	
  categoria	
  superior	
  caiu	
  
em	
  desuso.	
  
Sistemas	
  evolutivos	
  
A	
   incorporação	
   da	
   teoria	
   Darwiniana	
   da	
   evolução	
   alterou	
   radicalmente	
   o	
   propósito	
   dos	
   sistemas	
   de	
  
classificação.	
   Os	
   autores	
   dos	
   sistemas	
   naturais	
   procuravam	
   obter	
   grupos	
   morfologicamente	
   consistentes;	
   nos	
  
sistemas	
  de	
  classificação	
  evolutivos	
   (=	
  sistemas	
   filogenéticos12)	
  passou	
  a	
  ser	
  prioritário	
  que	
  os	
   taxa	
   refletissem	
  
relações	
  de	
  parentesco	
  (=	
  relações	
  filogenéticas),	
  i.e.	
  proximidade	
  evolutiva.	
  
O	
   fenótipo	
   dos	
   indivíduos	
   é	
   um	
   resíduo	
   histórico	
   de	
   um	
   processo	
   evolutivo.	
   Os	
   taxa	
   (e.g.	
   espécies)	
  
evolutivamente	
  próximos,	
  i.e.	
  de	
  divergência	
  recente,	
  têm	
  tendência	
  a	
  partilhar	
  mais	
  caracteres,	
  e	
  a	
  serem	
  mais	
  
semelhantes	
  entre	
  si,	
  do	
  que	
  os	
  taxa	
  pouco	
  aparentados.	
  “On	
  my	
  theory,	
  the	
  unity	
  of	
  type	
  is	
  explained	
  by	
  unity	
  of	
  
descent”,	
  escreveu	
  Darwin	
  na	
  Origem	
  das	
  Espécies	
  (Darwin, 1859).	
  A	
  similaridade	
  morfológica	
  reflete	
  ainda,	
  com	
  
frequência,	
   proximidade	
   genética.	
   Os	
   exemplos	
   de	
   correlação	
   positiva	
   da	
   similaridade	
   morfológica	
   com	
   o	
  
parentesco	
  e	
  a	
  proximidade	
  genética	
  abundam	
  na	
  natureza	
  porque	
  a	
  forma	
  tem	
  uma	
  elevada	
  inércia	
  evolutiva:	
  
as	
  mudanças	
  morfológicas	
  radicais,	
  ocorridas	
  em	
  espaços	
  de	
  tempo	
  muito	
  curtos,	
  são,	
  por	
  regra,	
  negativamente	
  
selecionadas.	
   Não	
   surpreende,	
   por	
   isso,	
   que	
   as	
   classificações	
   evolutivas,	
   sobretudo	
   a	
   nível	
   familiar	
   ou	
  
infrafamiliar,	
   não	
   difiram	
   significativamente	
   das	
   classificações	
   naturais.	
   Pela	
   mesma	
   razão,	
   convém	
   desde	
   já	
  
referir	
   que	
   os	
   taxonomistas	
   naturais	
   do	
   século	
   XIX,	
   secundados	
   pelos	
   taxonomistas	
   evolucionários	
   do	
   séc.	
   XX,	
  
sem	
   ou	
   com	
   conhecimentos	
   elementares	
   de	
   embriologia,	
   de	
   fitoquímica	
   e	
   de	
   taxonomia	
   molecular	
   foram	
  
capazes	
   de	
   antecipar	
   uma	
  parte	
  muito	
   significativa	
   dos	
   taxa	
   propostos	
   pela	
   sistemática	
   botânica	
   cladística	
   do	
  
final	
   do	
   séc.	
   XX,	
   início	
   do	
   séc.	
   XXI.	
   Com	
   Darwin	
   o	
   conceito	
   de	
   grupo	
   natural	
   sofre	
   uma	
   profunda	
   mudança,	
  
acabando	
  por	
  ser	
  sinonimizado	
  com	
  grupo	
  monofilético	
  pelos	
  cladistas.	
  	
  
Os	
   sistemas	
   naturais	
   e	
   evolutivos	
   são	
   herdeiros	
   diretos	
   de	
   uma	
   tradição	
   botânica	
   europeia,	
   por	
   razões	
  
geográficas	
  de	
   início	
  pouco	
   consolidada	
  nos	
   territórios	
   tropicais	
  de	
  maior	
  diversidade	
   taxonómica.	
   Enquanto	
  a	
  
flora	
  holártica13	
  foi	
  segmentada	
  num	
  elevado	
  número	
  de	
  géneros	
  e	
  famílias,	
  a	
  flora	
  tropical	
  foi	
  tratada	
  de	
  uma	
  
 
12	
  Esta	
  designação	
  é	
  dúbia	
  porque	
  alguns	
  autores	
  aplicam-­‐na	
  aos	
  sistemas	
  cladísticos.	
  
13	
  Regiões	
  de	
  clima	
  polar,	
  boreal,	
  temperado	
  e	
  mediterrânico	
  do	
  hemisfério	
  norte.	
  
Quadro	
  1.	
  Principais	
  características	
  dos	
  grandes	
  tipos	
  de	
  sistemas	
  de	
  artificiais	
  e	
  naturais	
  
Sistemas	
  de	
  classificação	
   Principais	
  características	
  
Sistemas	
  de	
  classificação	
  
artificiais	
  
� Reduzido	
  número	
  de	
  caracteres	
  de	
  fácil	
  observação;	
  
� Geralmente	
  agrupam	
  plantas	
  filogeneticamente	
  não	
  relacionadas,	
  
morfologicamente	
  dissemelhantes;	
  
� Baixo	
  valor	
  extrapolativo;	
  
� Grande	
  estabilidade;	
  
� Fácil	
  identificação	
  dos	
  grupos.	
  
Sistemas	
  de	
  classificação	
  
natural	
  (inc.	
  sistemas	
  
fenéticos)	
  
� Elevado	
  número	
  de	
  caracteres,	
  consequentemente	
  exigem	
  grandes	
  quantidades	
  
de	
  informação	
  morosa	
  de	
  obter;	
  
� Organização	
  das	
  plantas	
  em	
  grupos	
  morfologicamente	
  consistentes;	
  
� Frequentemente	
  agrupam	
  plantas	
  filogeneticamente	
  próximas;	
  
� Pelo	
  facto	
  de	
  valorizarem	
  de	
  igual	
  modo	
  homologias	
  e	
  analogias	
  podem	
  produzir	
  
grupos	
  artificiais	
  (de	
  taxanão	
  aparentados);	
  
� Elevado	
  valor	
  preditivo;	
  
� O	
  aumento	
  do	
  conhecimento	
  botânico	
  repercute-­‐se	
  na	
  organização	
  dos	
  grupos	
  
–	
  maior	
  instabilidade;	
  
� A	
  identificação	
  dos	
  grupos	
  pode	
  ser	
  difícil	
  na	
  prática	
  taxonómica.	
  
13	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
forma	
   francamente	
   mais	
   conservadora	
   por	
   estes	
   sistemas	
   de	
   classificação.	
   O	
   grande	
   número	
   de	
   géneros	
  
descritos,	
  e	
  ainda	
  aceites,	
  nas	
  Apiaceae	
  está	
  relacionado	
  com	
  a	
  sua	
  elevada	
  diversidade	
  no	
  hemisfério	
  norte.	
  Por	
  
outro	
   lado,	
   muitas	
   das	
   famílias	
   morfologicamente	
   bem	
   caracterizadas	
   e	
   fáceis	
   de	
   reconhecer	
   nos	
   territórios	
  
holárticos,	
   admitidas	
   pelos	
   sistemas	
   naturais	
   e	
   evolutivos,	
   entravam	
   em	
   conflito	
   nos	
   espaços	
   tropicais.	
   Assim	
  
aconteceu,	
   por	
   exemplo,	
   com	
  os	
   conceitos	
   tradicionais	
   de	
  Verbenaceae	
   e	
   de	
   Lamiaceae	
   ou	
   de	
  Apiaceae	
   e	
   de	
  
Araliaceae.	
  
Para	
   que	
  os	
   sistemas	
   de	
   classificação	
   evolutivos	
   e	
   cladísticos	
   (vd.	
   Sistemas	
   cladísticos)	
   resumam,	
   de	
   forma	
  
fidedigna,	
   relações	
   de	
   parentesco	
   entre	
   taxa	
   é	
   necessário	
   usar	
   caracteres	
   submetidos	
   a	
   um	
   estrito	
   controlo	
  
genético	
  e	
  avaliar	
  corretamente	
  a	
  sua	
  polaridade.	
  Ao	
  invés	
  dos	
  sistemas	
  naturais,	
  nestes	
  sistemas	
  classificação	
  a	
  
importância	
   dos	
   caracteres	
   taxonómicos	
   é	
   diferenciada:	
   valorizam-­‐se	
   os	
   caracteres	
   que	
   a	
   priori	
   se	
   supõe	
  
veicularem	
  informação	
  útil	
  para	
  estabelecer	
  relações	
  de	
  parentesco.	
  A	
  estimativa	
  da	
  polaridade	
  dos	
  caracteres,	
  
um	
  termo	
  introduzido	
  pela	
  cladística	
  moderna,	
  consiste	
  na	
  discriminação	
  dos	
  estados-­‐de-­‐carácter	
  ancestrais	
  dos	
  
estados-­‐de-­‐carácter	
  derivados.	
  Esta	
  etapa	
  é	
  essencial	
  para	
  identificar	
  eventuais	
  inversões	
  de	
  caracteres	
  (retornos	
  
a	
  estados-­‐de-­‐carácter	
  ancestrais)	
  e	
  fenómenos	
  de	
  convergência	
  evolutiva,	
  tão	
  frequentes	
  nas	
  plantas	
  terrestres.	
  
Neste	
   processo	
   ganhou	
   uma	
   particular	
   importância	
   a	
   investigação	
   do	
   registo	
   fóssil	
   e	
   o	
   estudo	
   morfológico	
  
comparado	
  das	
  plantas	
  atuais,	
  sobretudo	
  nas	
  regiões	
  de	
  clima	
  tropicais,	
  onde,	
  corretamente,	
  se	
  supunha	
  estar	
  
refugiada	
  uma	
  parte	
  significativa	
  das	
  plantas	
  atuais	
  mais	
  primitivas.	
  
Os	
   sistemas	
  de	
   classificação	
  evolutivos	
  baseiam-­‐se	
   em	
   caracteres	
  morfológicos	
   sopesados	
   e	
  polarizados	
  de	
  
forma	
  intuitiva.	
  Os	
  caracteres	
  moleculares	
  não	
  eram	
  conhecidos	
  ou	
  foram	
  desvalorizados.	
  Como	
  mais	
  adiante	
  se	
  
refere,	
   a	
   informação	
   molecular	
   transporta,	
   em	
   si,	
   imensa	
   informação	
   essencial	
   para	
   estabelecer	
   relações	
   de	
  
parentesco,	
   complementar	
   da	
   informação	
   morfológica.	
   Consequentemente,	
   a	
   distinção	
   entre	
   similaridades	
  
morfológicas	
  devidas	
  à	
  partilha	
  de	
  ancestrais	
  comuns	
  (homologias)	
  ou	
  à	
  convergência	
  evolutiva	
  (analogias)	
  nem	
  
sempre	
   foi	
   resolvida	
   de	
   forma	
   adequada.	
   Sendo	
   a	
   convergência	
   evolutiva	
   recorrente	
   nas	
   plantas	
   terrestre,	
   os	
  
sistemas	
  evolutivos	
  não	
  evitaram	
  a	
  definição	
  de	
  um	
  significativo	
  número	
  de	
   taxa	
  artificiais.	
  Embora	
  rejeitem	
  os	
  
grupos	
   polifiléticos,	
   a	
   monofilia	
   não	
   é	
   obrigatória	
   nos	
   sistemas	
   de	
   classificação	
   evolutivos,	
   sendo	
   tolerados	
  
grupos	
  parafiléticos	
  (vd.	
  Figura	
  1).	
  
Os	
  botânicos,	
  desde	
  Jussieu	
  até	
  à	
  emergência	
  dos	
  sistemas	
  cladísticos,	
  no	
  final	
  do	
  século	
  XX,	
  foram	
  incapazes	
  
de	
   alcançar	
  uma	
   classificação	
  natural	
   nas	
   categorias	
   suprafamiliares.	
  As	
   categorias	
   superiores	
  então	
  propostas	
  
não	
  eram	
  homogéneas	
  do	
  ponto	
  de	
  vista	
  morfológico	
  e/ou	
  envolviam	
  hipóteses	
  especulativas.	
  Por	
  exemplo,	
  no	
  
sistema	
   de	
   Adolf	
   Engler	
   [1844-­‐1930]	
   e	
   Karl	
   Prantl	
   [1849-­‐1893],	
   o	
   mais	
   completo	
   dos	
   primeiros	
   sistemas	
   de	
  
classificação	
  evolutiva	
  das	
  plantas,	
   foi	
   assumido,	
  no	
  âmbito	
  das	
  dicotiledóneas	
   (classe	
  Dicotyledoneae),	
   que	
  as	
  
plantas	
  de	
   flores	
  apétalas	
  eram	
  as	
  mais	
  antigas,	
  e	
  que	
  os	
  grupos	
  de	
  plantas	
  de	
   corola	
   livre	
   (dialipétalas)	
  eram	
  
anteriores	
  aos	
  de	
  pétalas	
  concrescentes.	
  Esta	
  interpretação	
  das	
  tendências	
  evolutivas	
  do	
  perianto	
  foi	
  formalizada	
  
ao	
  nível	
  da	
  subclasse	
  e	
  da	
  ordem.	
  Como	
  a	
  evolução	
  do	
  perianto	
  está	
  permeada	
  de	
  inversões	
  de	
  caracteres	
  e	
  de	
  
convergências	
   evolutivas,	
   muitos	
   dos	
   taxa	
   suprafamiliares	
   reconhecidos	
   por	
   Engler	
   &	
   Prantl	
   eram	
   artificiais.	
  
Como	
  se	
  veio	
  a	
  verificar	
  a	
  partir	
  dos	
  anos	
  1990,	
  a	
  morfologia	
  externa	
  é	
  insuficiente	
  para	
  resolver	
  a	
  filogenia	
  das	
  
plantas-­‐terrestres	
  e	
  a	
  similaridade	
  morfológica	
  falha	
  clamorosamente	
  este	
  objetivo	
  a	
  níveis	
  suprafamiliares.	
  
Os	
   sistemas	
   evolutivos	
   continuam	
   a	
   ser	
   usados	
   quando	
   se	
   pretende,	
  mais	
   do	
   expor	
   relações	
   filogenéticas,	
  
organizar	
   e	
   expressar	
   a	
   diversidade	
   biológica	
   de	
   uma	
   forma	
   estável,	
   fácil	
   de	
   memorizar.	
   Recorde-­‐se	
   que	
   a	
  
consistência	
  morfológica	
   dos	
   grupos	
   propostos	
   pelos	
   sistemas	
   evolutivos	
   é,	
   geralmente,	
   elevada.	
   A	
  maior	
   das	
  
Floras	
   manuseadas	
   pelos	
   botânicos	
   e	
   floristas	
   da	
   atualidade	
   arranjam	
   as	
   espécies	
   de	
   acordo	
   com	
   algum	
   dos	
  
seguintes	
   sistemas	
   de	
   classificação	
   evolutivos:	
   diferentes	
   versões	
   do	
   Sistema	
   de	
   Engler	
   e	
   Prantl,	
   e.g.	
   Flora	
  
Europaea	
   (Tutin, 1964-1980)	
   e	
  Nova	
  Flora	
  de	
  Portugal	
   (Franco, Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), 
1971 e 1984) (Franco & Rocha Afonso, Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), 1994 e 1998);	
  sistema	
  de	
  
G.L.	
   Stebbins,	
   e.g.	
   Flora	
   Iberica	
   (Castroviejo, 1986+);	
   ouSistema	
   de	
   A.	
   Cronquist,	
   e.g.	
   Flora	
   of	
   North	
   America	
  
(Flora of North America Editorial Committee, 1993+).	
  A	
  opção	
  pelos	
  sistemas	
  evolutivos	
  dependeu	
  sempre	
  mais	
  
14	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
do	
   reconhecimento	
   científico	
   dos	
   seus	
   autores,	
   i.e.	
   de	
   um	
   argumento	
   de	
   autoridade14,	
   do	
   que	
   de	
   razões	
  
objetivas.	
  
Subclasse	
   Características	
   Nº	
  de	
  
famílias	
  
Nº	
  aprox.	
  de	
  
espécies	
  
Magnoliidae	
  	
  
Plantas	
  arcaicas;	
  flores	
  frequentemente	
  acíclicas	
  
ou	
  hemicíclicas.	
  
39	
   >	
  12.000	
  
Hamameliidae15	
  
Plantas	
  arcaicas;	
  flores	
  muito	
  reduzidas	
  de	
  
geralmente	
  polinização	
  anemófila.	
  
25	
   >	
  3.400	
  
Caryophyllidae	
  
Herbáceas	
  com	
  betalaínas	
  (classe	
  de	
  pigmentos	
  
vermelhos	
  ou	
  amarelos	
  derivados	
  do	
  indol);	
  
placentação	
  central	
  livre	
  ou	
  tipos	
  derivados.	
  
14	
   >	
  11.000	
  
Dilleniidae	
  
Alguma	
  simpetalia;	
  apocarpia	
  rara;	
  placentação	
  
normalmente	
  parietal.	
  
77	
   >	
  25.000	
  
Rosidae	
  
Folhas	
  frequentemente	
  compostas	
  com	
  estípulas;	
  
polipetalia	
  frequente;	
  estames	
  numerosos.	
  
117	
   >	
  60.000	
  
Asteridae	
  
Geralmente	
  simpétalas,	
  com	
  estames	
  em	
  número	
  
igual	
  ou	
  inferior	
  ao	
  número	
  de	
  lóbulos	
  da	
  corola.	
  
49	
   >	
  60.000	
  
	
  
O	
  sistema	
  proposto	
  pelo	
  botânico	
  norte-­‐americano	
  Arthur	
  Cronquist	
  [1919-­‐1992]	
  foi,	
  talvez,	
  o	
  mais	
  influente	
  
sistema	
  de	
  classificação	
  evolutivo	
  das	
  plantas-­‐com-­‐flor	
  na	
  segunda	
  metade	
  do	
  século	
  XX.	
  O	
  não	
  menos	
  conhecido	
  
sistema	
   de	
   Armen	
   Takhtajan	
   [1910-­‐2009],	
   um	
   botânico	
   soviético/arménio,	
   é	
   muito	
   próximo	
   do	
   sistema	
   de	
  
Cronquist.	
   Cronquist	
   dividiu	
   a	
   plantas-­‐com-­‐flor	
   –	
   Divisão	
  Magnoliophyta	
   –	
   em	
   duas	
   classes:	
  Magnoliopsida	
   e	
  
Liliopsida16.	
   As	
  Magnoliopsida	
   foram	
   repartidas	
   por	
   seis	
   classes	
   (vd.	
   quadro	
   2)	
   e	
   as	
   Liliopsida	
   por	
   cinco	
   (vd.	
  
quadro	
  3).	
  	
  
A	
  subclasse	
  Hamameliidae,	
  um	
  grande	
  grupo	
  sistemático	
  de	
  plantas	
  com	
  flores	
  muito	
  modificadas,	
  adaptadas	
  
à	
   anemofilia,	
   é	
   uma	
  das	
  debilidades	
  mais	
   evidentes	
  do	
   sistema.	
   Para	
   a	
  polinização	
  pelo	
   vento	
   ser	
   eficiente	
  os	
  
grãos	
  de	
  pólen	
  têm	
  que	
  flutuar	
  no	
  ar,	
  e	
  o	
  movimento	
  dos	
  estigmas	
  e	
  dos	
  filetes	
  de	
  ar	
  em	
  torno	
  do	
  gineceu	
  deve	
  
facilitar	
  a	
  captura	
  do	
  pólen.	
  Por	
  exemplo,	
  a	
  produção	
  de	
  folhas	
  antes	
  da	
  polinização,	
  a	
  rigidez	
  dos	
  pedicelos	
  das	
  
flores	
   ou	
   dos	
   pedúnculos	
   das	
   inflorescências,	
   e	
   um	
   perianto	
   que	
   se	
   sobreponha	
   aos	
   estigmas	
   estorvam	
   este	
  
modo	
   de	
   polinização.	
   O	
   cardápio	
   de	
   soluções	
   adaptativas	
   à	
   anemofilia	
   é	
   escasso,	
   consequentemente	
   a	
  
convergência	
   evolutiva	
   dos	
   caracteres	
   das	
   inflorescências	
   e	
   flores	
   polinizadas	
   pelo	
   vento	
   é	
   muito	
   frequente.	
  
Cronquist	
   defendeu	
   a	
   proximidade	
   filogenética	
   de	
   grande	
   parte	
   das	
   espécies	
   anemófilas.	
   Só	
   recentemente	
   as	
  
técnicas	
  moleculares	
  demonstraram	
  a	
  extensão	
  dos	
  equívocos	
  taxonómicos	
  gerados	
  pela	
  convergência	
  evolutiva	
  
entre	
   as	
   diferentes	
   linhagens	
   que	
   compõem	
   as	
   Hamameliidae.	
   De	
   facto	
   estudos	
   de	
   filogenia	
   molecular	
  
demonstraram	
  que	
  2/3	
  das	
  ordens	
  e	
  1/3	
  das	
  famílias	
  definidas	
  por	
  A.	
  Cronquist	
  não	
  são	
  monofiléticas	
  (Stevens, 
2001+).	
  
	
  
 
14	
  Ou	
  argumento	
  de	
  apelo	
  à	
  autoridade	
  (lat.	
  argumentum	
  ad	
  verecundiam).	
  Sustentação	
  da	
  verdade	
  de	
  um	
  argumento	
  através	
  
do	
  apelo	
  a	
  uma	
  autoridade.	
  
15	
   As	
   grafias	
   Hamamelidae	
   ou	
   Hamamedidae,	
   tão	
   frequentes	
   na	
   bibliografia,	
   são	
   incorretas.	
   O	
   mesmo	
   acontece	
   com	
  
Dillenidae.	
  
16	
   Os	
   sistemas	
   mais	
   antigos	
   de	
   classificação	
   (e.g.	
   sistema	
   de	
   Engler	
   e	
   Prantl)	
   designam	
   as	
   monocotiledóneas	
   por	
  
Monocotyledones	
   ou	
   Monocotyledoneae	
   e	
   as	
   dicotiledóneas	
   por	
   Dicotyledones	
   ou	
   Dicotyledoneae.	
   Estes	
   termos	
   são	
  
correntemente	
  utilizados	
  sem	
  uma	
  referência	
  concreta	
  da	
  categoria	
  taxonómica.	
  
Quadro	
  2.	
  Resumo	
  das	
  características	
  das	
  subclasses	
  de	
  dicotiledóneas	
  (Magnoliopsida)	
  	
  
do	
  Sistema	
  de	
  Cronquist	
  (Cronquist, 1981)	
  
15	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Subclasse	
   Características	
   Nº	
  de	
  
famílias	
  
Nº	
  aprox.	
  de	
  
espécies	
  
Alismatidae	
   Plantas	
  herbáceas	
  aquáticas;	
  gineceu	
  apocárpico	
   16	
   >	
  500	
  
Arecidae	
  
Inflorescências	
  frequentemente	
  do	
  tipo	
  espádice	
  e	
  
envolvidas	
  por	
  uma	
  espata;	
  flores	
  geralmente	
  
pequenas	
  
5	
   >	
  5.600	
  
Commelinidae	
  
Flores	
  geralmente	
  sem	
  néctar;	
  flores	
  pequenas;	
  
famílias	
  basais	
  diploclamídeas	
  e	
  trímeras,	
  as	
  mais	
  
evoluídas	
  de	
  flores	
  nuas	
  e	
  adaptadas	
  à	
  polinização	
  
anemófila	
  
16	
   >	
  16.200	
  
Zingiberidae	
  
Flores	
  geralmente	
  com	
  néctar	
  e	
  polinizadas	
  por	
  
insectos	
  ou	
  outros	
  animais;	
  flores	
  por	
  regra	
  
epigínicas	
  e	
  diploclamídeas	
  
9	
   >	
  3.800	
  
Liliidae	
  
Flores	
  geralmente	
  com	
  néctar,	
  vistosas	
  e	
  
polinizadas	
  por	
  insectos	
  ou	
  outros	
  animais;	
  flores	
  
por	
  regra	
  monoclamídeas	
  
19	
   >	
  25.000	
  
 
Sistemas	
  cladísticos	
  
A	
   cladística	
   foi	
   originalmente	
   proposta	
   pelo	
   entomólogo	
   alemão	
   Willi	
   Hennig,	
   em	
   1950.	
   Trata-­‐se	
   de	
   um	
  
método	
   de	
   inferência	
   filogenética,	
   i.e.,	
   é	
   um	
  método	
   desenvolvido	
   para	
   gerar	
   hipóteses	
   sobre	
   as	
   relações	
   de	
  
parentesco	
  entre	
  organismos	
  ou	
  grupos	
  de	
  organismos.	
  Baseia-­‐se	
  num	
  pressuposto	
  fundamental:	
  os	
  grupos	
  de	
  
organismos	
  têm	
  de	
  reunir	
  todos,	
  e	
  apenas,	
  os	
  descendentes	
  de	
  um	
  ancestralcomum	
  (monofilia	
  obrigatória).	
  Em	
  
cladística	
   os	
   grupos	
   monofiléticos	
   e	
   parafiléticos	
   são,	
   respectivamente,	
   designados	
   por	
   clados	
   (ing.	
   clade)	
   e	
  
grados	
  (ing.	
  grade).	
  Os	
  clados	
  podem	
  ter,	
  ou	
  não,	
  uma	
  categorização	
  formal	
  (e.g.	
  ordem,	
  família	
  e	
  espécie),	
   i.e.	
  
serem	
   convertidos	
   em	
   taxa.	
   Embora	
   os	
   grupos	
   polifiléticos	
   sejam	
   rejeitados	
   dos	
   sistemas	
   de	
   classificação	
  
cladísticos,	
   os	
   grupos	
   parafiléticos	
   são	
   por	
   vezes	
   tolerados	
   por	
   razões	
   práticas,	
   ou	
   enquanto	
   as	
   relações	
   de	
  
parentesco	
   não	
   são	
   totalmente	
   esclarecidas).	
   Os	
   grados	
   geralmente	
   representam-­‐se	
   com	
   aspas	
   simples;	
   e.g.	
  
‘angiospérmicas	
  basais’.	
  
As	
  análises	
  cladísticas	
  produzem	
  cladogramas17,	
  diagramas	
  que	
  expressam	
  graficamente	
  uma	
  hipótese	
  sobre	
  
as	
   relações	
  de	
  parentesco	
  de	
  um	
  dado	
  conjunto	
  de	
  organismos	
  ou	
  grupos	
  de	
  organismos.	
  Os	
   cladograma	
  são,	
  
portanto,	
  um	
  resumo	
  da	
  sua	
  história	
  evolutiva	
  (vd.	
  Quadro	
  4).	
  Nos	
  cladogramas	
  cada	
  ramo	
  apenas	
  se	
  pode	
  cindir	
  
noutros	
  dois	
  ramos	
  (ramificação	
  dicotómicas);	
  os	
  nós	
  (pontos	
  onde	
  ocorrem	
  ramificações)	
  e	
  as	
  extremidades	
  dos	
  
ramos	
  representam,	
  respectivamente,	
  eventos	
  de	
  divergência	
  evolutiva	
  e	
  um	
  grupo	
  monofilético	
  de	
  organismos.	
  
Dois	
   clados	
   situados	
   lado	
   a	
   lado	
   num	
   cladograma	
   dizem-­‐se	
   irmãos	
   (grupos	
   irmãos,	
   ing.	
   sister	
   groups).	
   Um	
  
cladograma	
  pode	
  ser	
  cortado	
  em	
  qualquer	
  ponto,	
  o	
  ramo	
  resultante	
  –	
  o	
  clado	
  –	
  inclui	
  necessariamente	
  todos	
  os	
  
descendentes	
  de	
  um	
  dado	
  ancestral.	
  	
  
	
  	
  
	
  
 
17	
  Os	
  cladogramas	
  e	
  as	
  árvores	
  fitogenéticas	
  não	
  devem	
  ser	
  confundidos.	
  As	
  árvores	
  filogenéticas	
  incluem	
  mais	
  informação	
  do	
  
que	
  a	
  contida	
  numa	
  simples	
  matriz	
  de	
  caracteres,	
  como	
  acontece	
  nos	
  cadogramas.	
  Os	
  nós	
  representam	
  ancestrais	
  comuns	
  
(nos	
  cladogramas	
  divergências	
  evolutivas)	
  e	
  as	
  extremidades	
  dos	
  ramos	
  taxa.	
  
Quadro	
  3.	
  Resumo	
  das	
  características	
  das	
  subclasses	
  de	
  monocotiledóneas	
  (Liliopsida)	
  
do	
  Sistema	
  de	
  Cronquist	
  (Cronquist, 1981)	
  
16	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Conceito	
   Descrição	
  
Apomorfia	
   Estado-­‐de-­‐carácter	
  derivado	
  (vd.	
  Conceitos	
  e	
  objetivos	
  da	
  taxonomia);	
  e.g.	
  a	
  dupla	
  fecundação	
  é	
  
uma	
  apomorfia	
  das	
  angiospérmicas.	
  	
  
Autapomorfia	
   Apomorfia	
  exclusiva	
  de	
  um	
  grupo	
  de	
  organismos.	
  
Clado	
  	
   Grupo	
  monofilético	
  de	
  organismos:	
  inclui	
  o	
  ancestral	
  comum	
  e	
  todos	
  (e	
  apenas)	
  os	
  seus	
  
descendentes	
  	
  
Cladograma	
   Representação	
  diagramática	
  de	
  uma	
  hipótese	
  sobre	
  as	
  relações	
  evolutivas	
  (=	
  filogenéticas)	
  de	
  
um	
  dado	
  conjunto	
  de	
  organismos	
  vivos,	
  com	
  base	
  na	
  partilha	
  de	
  caracteres	
  de	
  evolução	
  recente	
  
(apomorfias)	
  
Espécie	
  ancestral	
   Espécie	
  que	
  deu	
  origem	
  a	
  pelo	
  menos	
  uma	
  espécie	
  filha	
  (ing.	
  daughter	
  species).	
  
Grado	
   Grupo	
  parafilético	
  
Grupo	
  irmão	
   Grupo	
  evolutivamente	
  próximo;	
  e.g.	
  uma	
  mesma	
  população	
  ancestral	
  especiou	
  e	
  deu	
  origem	
  à	
  
espécie	
  ancestral	
  de	
  todas	
  as	
  Ceratophyllaceae	
  e	
  à	
  espécie	
  ancestral	
  de	
  todas	
  as	
  
eudicotiledóneas	
  atuais,	
  por	
  conseguinte,	
  as	
  Ceratophyllaceae	
  são	
  o	
  grupo	
  irmão	
  de	
  todas	
  as	
  
eudicotiledóneas	
  atuais	
  (e	
  vice-­‐versa).	
  
Plesiomorfia	
   Estado-­‐de-­‐carácter	
  ancestral	
  (primitivo);	
  e.g.	
  a	
  semente	
  é	
  uma	
  autapomorfia	
  nas	
  espermatófitas	
  
mas	
  uma	
  plesiomorfia	
  ao	
  nível	
  das	
  angiospérmicas.	
  
Simplesiomorfia	
   Plesiomorfia	
  partilhada	
  por	
  mais	
  de	
  um	
  grupo	
  de	
  organismos.	
  
Sinapomorfia	
   Apomorfia	
  partilhada	
  por	
  dois	
  ou	
  mais	
  grupos	
  que	
  indica	
  uma	
  ascendência	
  comum.	
  
	
  
À	
   semelhança	
   da	
   fenética,	
   a	
   cladística	
   serve-­‐se	
   de	
   programas	
   computacionais	
   e	
   de	
  matrizes	
   de	
   caracteres	
  
morfológicos,	
   anatómicos	
   (e.g.	
   presença	
   ou	
   ausência	
   de	
   vasos	
   xilémicos),	
   fisiológicos	
   (e.g.	
   fotossíntese	
   C4),	
  
citogenéticos	
   (e.g.	
   inversões	
   cromossómicas)	
   e/ou	
   moleculares	
   (e.g.	
   presença	
   de	
   um	
   determinado	
   gene	
   ou	
  
rearranjo	
  genético).	
  No	
  entanto,	
  admite-­‐se	
  que	
  os	
  algoritmos	
  cladísticos	
  modelam	
  mais	
   corretamente	
  a	
   forma	
  
como	
   a	
   evolução	
   realmente	
   funciona.	
   Os	
   cladogramas	
   são	
   obtidos	
   a	
   partir	
   da	
   distribuição	
   de	
   caracteres	
  
derivados	
   partilhados,	
   i.e.	
   de	
   sinapomorfias	
   (vd.	
   Quadro	
   4).	
   Os	
   caracteres	
   ancestrais	
   (plesiomorfias)	
   são	
  
descartados	
  porque	
  não	
  contêm	
  informação	
  útil	
  para	
  estabelecer	
  relações	
  de	
  parentesco:	
  o	
  seu	
  uso	
  poderia	
  dar	
  
origem	
  a	
   grupos	
  parafiléticos	
  ou	
  polifiléticos.	
   Por	
   exemplo,	
   a	
  presença	
  de	
   gametófitos	
   femininos	
  ou	
  monoicos	
  
livres	
  é	
  uma	
  plesiomorfia	
  das	
  pteridófitas	
  e	
  briófitas;	
  um	
  grupo	
  assim	
  definido,	
  irmão	
  das	
  plantas-­‐com-­‐semente,	
  
seria	
   parafilético.	
   A	
   determinação	
   dos	
   estados-­‐de-­‐carácter	
   ancestrais	
   (plesiomorfias)	
   e	
   derivados	
   (apomorfias)	
  
envolve,	
   frequentemente,	
   decisões	
   subjetivas	
   sobre	
   a	
   polaridade	
   dos	
   caracteres.	
   Ainda	
   assim,	
   os	
   cladistas	
  
servem-­‐se	
  de	
  técnicas,	
  cujo	
  estudo	
  pormenorizado	
  excede	
  os	
  objetivos	
  deste	
  livro,	
  que	
  tornam	
  esta	
  etapa	
  mais	
  
objetiva	
  do	
  que	
  nos	
  sistemas	
  evolutivos.	
  
Como	
  se	
  referiu	
  anteriormente,	
  os	
  cladogramas	
  são	
  o	
  produto	
  final	
  de	
  uma	
  análise	
  cladística.	
  Quanto	
  maior	
  o	
  
número	
  de	
  caracteres	
  e	
  de	
  estados-­‐de-­‐carácter	
  envolvidos	
  numa	
  análise,	
  maior	
  o	
  número	
  de	
  soluções	
  possíveis.	
  
Por	
   outro	
   lado,	
   diferentes	
   algoritmos	
   produzem	
   diferentes	
   resultados,	
   o	
   mesmo	
   acontecendo	
   quando	
   seeliminam	
   ou	
   adicionam	
   caracteres	
   na	
   matriz	
   original.	
   Determinar	
   qual	
   o	
   melhor	
   cladograma,	
   i.e.	
   qual	
   o	
  
cladograma	
   que	
  melhor	
   retrata	
   a	
   história	
   evolutiva	
   de	
   um	
   dado	
   grupo	
   de	
   plantas,	
   é	
   uma	
   questão	
   chave	
   em	
  
cladística.	
  Dois	
  princípios	
  são	
  usados	
  para	
  a	
  resolver:	
  o	
  princípio	
  da	
  congruência	
  e	
  o	
  princípio	
  da	
  parcimónia.	
  O	
  
princípio	
  da	
  congruência	
  baseia-­‐se	
  numa	
  ideia	
  simples:	
  se	
  o	
  mesmo	
  resultado	
  –	
  o	
  mesmo	
  cladograma	
  –	
  é	
  obtido	
  
com	
  dois	
   ou	
  mais	
   conjuntos	
   de	
   caracteres,	
   então	
   a	
   probabilidade	
  da	
   filogenia	
   obtida	
   ser	
   verdadeira	
  cresce.	
  O	
  
cladograma	
  que	
  minimiza	
  o	
  número	
  de	
  transições	
  entre	
  estados-­‐de-­‐carácter	
  é	
  o	
  mais	
  parcimonioso.	
  O	
  princípio	
  
da	
  parcimónia	
  é	
   crítico	
  porque	
   sendo	
  um	
  princípio	
   filosófico	
   (epistemológico),	
   produzido	
  pela	
  mente	
  humana,	
  
nada	
   obriga	
   que	
   seja	
   seguido	
   nos	
   processos	
   evolucionários.	
   Por	
   outras	
   palavras,	
   a	
   natureza	
   não	
   é	
  
Quadro	
  4.	
  Conceitos	
  fundamentais	
  de	
  cladística	
  	
  
17	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
necessariamente	
  parcimoniosa,	
  embora	
  tendencialmente	
  o	
  seja.	
  As	
  homologias	
  e,	
   implicitamente,	
  as	
  analogias,	
  
são	
  determinadas	
  a	
  posteriori	
  pela	
  análise	
  da	
  partilha	
  de	
  caracteres	
  ao	
  longo	
  do	
  “melhor”	
  cladograma.	
  
Os	
  princípios	
  da	
  congruência	
  e	
  da	
  parcimónia	
  conjugam-­‐se	
  na	
  chamada	
  reamostragem	
  por	
  bootstrap	
  (ou	
  em	
  
métodos	
  similares,	
  e.g.	
   jackknife).	
  Este	
  processo	
   inicia-­‐se	
  com	
  a	
  construção	
  de	
  pseudoreplicações	
  (cladogramas	
  
parciais)	
  a	
  partir	
  de	
  uma	
  amostra	
  (parcial)	
  aleatória	
  de	
  caracteres	
  da	
  matriz	
  original	
  de	
  caracteres	
  (mantendo	
  a	
  
dimensão	
  da	
  matriz	
  original).	
  Em	
  cada	
  pseudoreplicação	
  é	
  selecionado	
  o	
  cladograma	
  mais	
  parcimonioso.	
  Depois	
  
de	
   repetir	
   o	
   processo	
   um	
   determinado	
   número	
   de	
   vezes	
   (e.g.	
   mil	
   repetições)	
   o	
   resultado	
   é	
   sumarizado	
   num	
  
cladograma	
   de	
   consenso	
   (árvore	
   de	
   consenso)	
   sendo	
   possível	
   aferir	
   a	
   incerteza	
   associada	
   a	
   cada	
   clado.	
   Uma	
  
percentagem	
   de	
   bootstrap	
   de	
   95%	
   significa	
   que	
   o	
   clado	
   em	
   causa	
   surgiu	
   em	
   95	
   de	
   100	
   pseudoreplicações	
  
(Kitching	
  et	
  al.,	
  1998).	
  
Embora	
   a	
   importância	
   dos	
   dados	
   moleculares	
   em	
   cladística	
   seja	
   inquestionável,	
   a	
   morfologia	
   externa,	
  
sobretudo	
   ao	
   nível	
   da	
   flor,	
   permanece	
   essencial,	
   talvez	
   ainda	
   mais	
   importante	
   do	
   que	
   no	
   passado,	
   no	
  
esclarecimento	
  das	
  afinidades	
  evolutivas	
  das	
  plantas (Ronse De Craene, 2010).	
  Por	
  duas	
   razões.	
  A	
  escassez	
  de	
  
caracteres	
   morfológicos	
   e	
   a	
   abundância	
   de	
   convergências	
   evolutivas	
   que	
   os	
   caracteriza	
   é	
   mais	
   do	
   que	
  
compensada	
   pela	
   informação	
   filogenética	
   útil	
   que	
   transportam.	
   Ao	
   contrário	
   do	
   que	
   ocorre	
   com	
   muitos	
  
caracteres	
  moleculares,	
   os	
   caracteres	
  morfológicos	
   são	
   funcionalmente	
   relevantes	
   tendo,	
   por	
   essa	
   razão,	
   sido	
  
moldados	
   pela	
   seleção	
   natural.	
   Como	
   se	
   referiu	
   no	
   volume	
   II	
   a	
   seleção	
   foi,	
   e	
   é,	
   o	
   principal	
   mecanismo	
   da	
  
evolução.	
  A	
  conjunção	
  da	
  informação	
  molecular	
  com	
  a	
  informação	
  morfológica	
  no	
  estabelecimento	
  de	
  filogenias	
  
choca,	
   porém,	
   com	
   a	
   falta	
   de	
   uma	
   terminologia	
   estandardizada	
   de	
   uso	
   comum,	
   de	
   um	
   método	
   comum	
  
estandardizado	
  de	
  descrição	
  morfológica,	
  e	
  de	
  um	
  conjunto	
  de	
  princípios	
  a	
  aplicar	
  na	
  delimitação	
  de	
  caracteres	
  
morfológicos	
  (Voght, Bartolomaeus, & Giribet, 2009).	
  
Os	
   sistemas	
   de	
   classificação	
   cladísticos	
   apresentam	
   três	
   grandes	
   vantagens	
   frente	
   aos	
   sistemas	
   de	
  
classificação	
   evolutivos	
   tradicionais:	
   (i)	
   robustez	
   –	
   à	
   medida	
   que	
   as	
   relações	
   filogenéticas	
   são	
   clarificadas	
   a	
  
circunscrição	
   e	
   a	
   nomenclatura	
   dos	
   taxa	
   tende	
   a	
   estabilizar;	
   (ii)	
   reprodutibilidade	
   –	
   diferentes	
   investigadores	
  
obtêm	
   os	
   mesmos	
   resultados	
   se	
   utilizarem	
   os	
   mesmos	
   dados	
   iniciais;	
   (iii)	
   objetividade	
   –	
   envolvem	
   menos	
  
assunções	
   intuitivas.	
   Os	
   sistemas	
   cladísticos	
   oferecem	
   ainda	
   hipóteses	
   explícitas	
   e	
   testáveis,	
   por	
   exemplo,	
   de	
  
relações	
  evolutivas,	
  biogeografia	
  e	
  ecologia.	
  A	
  escolha	
  dos	
  algoritmos	
  tem	
  menos	
  impacto	
  nos	
  resultados	
  finais	
  
em	
  cladística	
  do	
  que	
  nos	
  sistemas	
  fenéticos.	
  
A	
   cladística	
   é	
   o	
   método	
   standard	
   de	
   inferência	
   filogenética	
   em	
   biologia	
   evolutiva.	
   Consequentemente,	
   a	
  
substituição	
  dos	
  sistemas	
  classificação	
  evolutivos	
  pelos	
  sistemas	
  de	
  classificação	
  que	
  emergem	
  destas	
  a	
  análises	
  
é	
  inevitável.	
  As	
  classificações	
  cladísticas	
  têm,	
  porém,	
  uma	
  enorme	
  desvantagem	
  prática.	
  Ao	
  produzirem	
  a	
  melhor	
  
estimativa	
   das	
   relações	
   evolutivas	
   podem	
   dar	
   origem	
   a	
   grupos	
   morfologicamente	
   inconsistentes,	
   pouco	
  
intuitivos,	
  que	
  dificultam	
  a	
  sua	
  apreensão	
  pelos	
  não	
  especialistas.	
  
Um	
   cladograma	
   pode,	
   ou	
   não,	
   ser	
   vertido	
   numa	
   classificação	
   hierárquica	
   formal	
   (vd.	
   Nomenclatura	
  
filogenética).	
   Desde	
   que	
   se	
   obedeça	
   ao	
   princípio	
   da	
   monofilia,	
   é	
   indiferente	
   arrumar	
   as	
   angiospérmicas	
   ou	
  
qualquer	
  outro	
  taxa	
  superior	
  numa	
  divisão,	
  numa	
  classe	
  ou	
  numa	
  subclasse.	
  O	
  mesmo	
  se	
  pode	
  dizer	
  a	
  respeito,	
  
por	
   exemplo,	
   da	
   subfamília,	
   família	
   e	
   superfamília.	
   A	
   cladística	
   trouxe	
   objetividade	
   à	
   taxonomia,	
   porém	
   a	
  
categorização	
  dos	
  taxa	
  supra-­‐específicos	
  continua	
  a	
  residir	
  num	
  argumento	
  de	
  autoridade.	
  
Sistemática	
  molecular	
  
A	
   sistemática	
  molecular	
   éuma	
   extensão	
   da	
   cladística	
   porque	
   pressupõe	
  uma	
  monofilia	
   absoluta	
   dos	
   taxa.	
  
Envolve,	
   porém,	
   técnicas,	
   algoritmos	
   e	
   estatísticas	
   que	
   vão	
  muito	
  mais	
   além	
   das	
   descritas	
   no	
   ponto	
   anterior.	
  
Toma	
  como	
  informação	
  base	
  sequências	
  homólogas	
  (com	
  uma	
  ancestralidade	
  comum)	
  de	
  DNA.	
  Estas	
  sequências	
  
são	
  alinhadas	
  e	
  a	
  sucessão	
  de	
  nucleótidos	
  comparada	
  com	
  algoritmos	
  apropriados.	
  A	
  sistemática	
  molecular	
  é	
  um	
  
corolário	
   da	
   filogenia	
   molecular,	
   i.e.	
   do	
   estudo	
   das	
   relações	
   de	
   parentesco	
   com	
   base	
   em	
   informação	
   a	
   nível	
  
molecular.	
  
A	
  sistemática	
  molecular	
  sofre	
  dos	
  mesmos	
  constrangimentos	
  da	
  cladística	
  clássica.	
  Por	
  exemplo,	
  a	
  polarização	
  
dos	
  caracteres,	
  particularmente	
  difícil	
  com	
  dados	
  moleculares,	
  determina	
  a	
  estrutura	
  dos	
  cladogramas.	
  A	
  estes	
  
18	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
constrangimentos	
   somam-­‐se	
   problemas	
   específicos	
   como	
   sejam	
   a	
   necessidade	
   de	
   selecionar	
   caracteres	
  
moleculares	
   com	
  significado	
  evolutivo,	
  ou	
  a	
   “atração	
  de	
   ramos	
   longos”	
   (ing.	
   long	
  branch	
  attraction,	
   tendência	
  
dos	
   taxa	
   que	
  evoluem	
   rapidamente	
  a	
   serem	
   relegados	
  para	
  a	
  base	
  dos	
   cladogramas).	
  A	
   sistemática	
  molecular	
  
não	
  é,	
  salvo	
  raríssimas	
  exceções,	
  aplicável	
  ao	
  registo	
  fóssil,	
  uma	
  importante	
  fonte	
  de	
  informação	
  para	
  construir	
  
as	
  divergências	
  filogenéticas	
  mais	
  antigas.	
  
1.4. Nomenclatura	
  
Nomenclatura	
  biológica	
  clássica	
  
Os	
   taxa	
   são	
  designados	
  com	
  nomes	
  vernáculos	
   (=	
  nomes	
  vulgares)	
  ou	
  científicos,	
  dois	
   tipos	
  de	
  nomes	
  com	
  
distintas	
  propriedades.	
  Os	
  nomes	
  científicos	
  apresentam	
  vantagens	
  significativas	
   frente	
  aos	
  nomes	
  vulgares:	
   (i)	
  
universalidade	
   –	
   os	
   nomes	
   científicos	
   são	
   universalmente	
   aceites	
   porque	
   as	
   regras	
   definidas	
   pelo	
   ICN	
   são	
  
partilhadas	
  pela	
  comunidade	
  científica	
  botânica	
  internacional;	
  (ii)	
  mononimia	
  –	
  cada	
  taxon	
  tem	
  apenas	
  um	
  nome	
  
científico	
  correto	
  em	
  acordo	
  com	
  o	
  ICN;	
  (iii)	
  monossemia	
  –	
  a	
  cada	
  nome	
  científico	
  corresponde	
  um	
  único	
  taxon.	
  
A	
  combinação	
  de	
  caracteres	
  diagnóstico	
  de	
  um	
  taxon,	
  i.e.	
  o	
  conceito	
  associado	
  a	
  um	
  nome,	
  pode,	
  no	
  entanto,	
  
variar	
  de	
  autor	
  para	
  autor.	
  Por	
  exemplo,	
  o	
  nome	
  Rosa	
  canina	
  está	
  indelevelmente	
  ligado	
  a	
  um	
  grupo	
  concreto,	
  
mas	
   variável	
   consoante	
   os	
   autores,	
   de	
   organismos.	
   Num	
   sentido	
   estrito,	
   as	
   plantas	
   de	
   R.	
   canina	
   têm	
   folhas	
  
glabras	
   de	
   recorte	
   marginal	
   simples,	
   pedúnculos	
   sem	
   glândulas	
   pediculadas;	
   num	
   sentido	
   lato,	
   o	
   conceito	
   é	
  
alargado	
  a	
  plantas	
   com	
   folhas	
   com	
   indumento,	
  dentição	
  dupla	
  e	
  pedúnculos	
   glandulosos.	
   Importa	
   reter	
  que	
  a	
  
instabilidade	
  conceptual	
  dos	
  taxa,	
  tão	
  frequente	
  em	
  taxonomia,	
  não	
  põe	
  em	
  causa	
  a	
  monossemia	
  característica	
  
dos	
  nomes	
  científicos.	
  
O	
   uso	
   corrente	
   de	
   nomes	
   vulgares	
   levanta	
   sérios	
   problemas	
   práticos	
   (i)	
   Não	
   há	
   nomes	
   vulgares,	
   quer	
  
publicados	
  quer	
  na	
   tradição	
  oral,	
   suficientes	
  para	
  designar	
   todas	
  as	
  espécies;	
  este	
  problema	
  é	
  particularmente	
  
delicado	
  na	
   flora	
  de	
  Portugal	
  porque,	
  ao	
  contrário	
  do	
  que	
  acontece,	
  por	
  exemplo,	
  com	
  as	
  aves,	
  não	
  existe	
  um	
  
documento	
  de	
  referência	
  para	
  os	
  nomes	
  vulgares	
  das	
  plantas.	
  (ii)	
  Os	
  nomes	
  vulgares	
  têm,	
  frequentemente,	
  um	
  
uso	
   regional	
   muito	
   restrito	
   e	
   mais	
   de	
   um	
   significado	
   (o	
   mesmo	
   nome	
   é	
   aplicado	
   a	
   mais	
   de	
   uma	
   entidade	
  
taxonómica).	
  (iii)	
  Os	
  nomes	
  vulgares	
  não	
  revelam	
  eventuais	
  relações	
  taxonómicas,	
  como	
  acontece	
  com	
  o	
  nome	
  
genérico	
  que	
  compõe	
  os	
  nomes	
  específicos.	
  
A	
  nomenclatura	
  biológica	
  clássica	
  (=	
  nomenclatura	
  lineana)	
  arruma,	
  de	
  forma	
  hierárquica,	
  os	
  seres	
  vivos	
  em	
  
categorias	
  formais	
  designadas	
  por	
  categorias	
  taxonómicas.	
  O	
  ICN	
  reconhece	
  7	
  categorias	
  taxonómicas	
  principais	
  
(a	
  negrito	
  no	
  quadro	
  5),	
  com	
  sufixos	
  obrigatórios	
  entre	
  as	
  categorias	
  de	
  subtribo	
  e	
  de	
  ordem.	
  A	
   liberdade	
  com	
  
que	
  são	
  denominadas	
  as	
  categorias	
  supra-­‐ordinais	
  e	
  é	
  usado	
  o	
  sufixo	
  phyta	
  resulta	
  desta	
  não	
  obrigatoriedade.	
  
Os	
   nomes	
   específicos	
   são	
   constituídos	
   por	
   duas	
   palavras.	
   A	
   primeira,	
   um	
   substantivo	
   ou	
   um	
   adjetivo	
  
substantivado	
  (feito	
  substantivo),	
  corresponde	
  ao	
  género;	
  a	
  segunda,	
  um	
  adjetivo	
  ou	
  um	
  substantivo	
  declinado	
  
no	
  genitivo,	
  designa-­‐se	
  por	
  restritivo	
  ou	
  epíteto	
  específico18.	
  Os	
  nomes	
  genéricos	
  e	
  específicos	
  escrevem-­‐se	
  em	
  
itálico	
   ou	
   em	
   negrito	
   nas	
   publicações	
   impressas,	
   sendo	
   sublinhados	
   em	
   escrita	
   cursiva.	
   Os	
   nomes	
   genéricos	
  
principiam	
  com	
  uma	
  letra	
  maiúscula	
  podendo	
  ser	
  abreviados	
  caso	
  sejam	
  citados	
  mais	
  de	
  uma	
  vez	
  num	
  mesmo	
  
texto;	
   e.g.	
   “em	
  Portugal	
   ocorrem	
  duas	
   espécies	
   de	
   bordos,	
   o	
  Acer	
  monspessulanum	
  e	
  A.	
   pseudoplatanus”.	
  Os	
  
géneros19	
   são	
   masculinos	
   ou	
   femininos	
   e	
   não	
   se	
   declinam	
   no	
   plural;	
   e.g.	
   uma	
   Festuca,	
   duas	
   Festuca,	
   ou	
   um	
  
Quercus,	
  os	
  Quercus.	
  Nas	
  publicações	
  eruditas	
  existe	
  a	
  tendência	
  de	
  tratar	
  os	
  géneros	
  de	
  espécies	
  arbóreas	
  no	
  
feminino	
  porque	
  assim	
  acontecia	
  no	
   latim	
  clássico;	
  e.g.	
  uma	
  Acer	
  e	
  uma	
  Quercus.	
  As	
   categorias	
   subespecíficas	
  
mais	
   utilizadas	
   na	
   bibliografia	
   são	
   a	
   subespécie,	
   a	
   variedade	
   e	
   a	
   forma.	
   A	
   cada	
   subespécie	
   corresponde	
   um	
  
trinome	
   composto	
   pelo	
   restritivo	
   da	
   subespécie	
   ligado	
   ao	
   binome	
  daespécie	
   pela	
   partícula	
   “subsp.”;	
   e.g.	
   Ilex	
  
 
18	
  Ou,	
  ainda,	
  nome	
  trivial,	
  a	
  nomina	
  trivialia	
  de	
  Lineu	
  (Blunt, 2001).	
  “Nome	
  específico”	
  no	
  Código	
  de	
  Nomenclatura	
  Zoológica.	
  
19	
  A	
  título	
  de	
  curiosidade	
  refira-­‐se	
  que	
  X	
  Brassosophrolaeliocattleya,	
  um	
  género	
  híbrido	
  de	
  Orchidaceae,	
  é	
  o	
  nome	
  genérico	
  
mais	
  comprido	
  de	
  plantas-­‐vasculares,	
  e	
  que	
  Io	
  (Asteraceae)	
  e	
  Aa	
  (Orchidaceae)	
  são	
  os	
  mais	
  curtos.	
  
19	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
perado	
  subsp.	
  azorica.	
  As	
  variedades	
  podem	
  ser	
  trinomes	
  ou	
  tetranomes	
  consoante	
  sejam	
  aplicadas	
  a	
  espécies	
  
ou	
  subespécies.	
  
Categoria	
   Sufixo	
   Aportuguesamento	
  
do	
  sufixo	
  latino	
  
Exemplo	
  
Reino	
   	
   	
   Plantae	
  
Subreino	
   -­‐bionta	
   	
   Chlorobionta	
  
Divisão	
  (=	
  Phyllum20)	
   -­‐phyta	
   -­‐fitas	
   Streptophyta	
  
Subdivisão	
   -­‐phytina	
   -­‐fitinas	
   	
  
Classe	
   -­‐opsida	
   -­‐ópsidas	
   Equisetopsida	
  
Subclasse	
   -­‐idae	
   -­‐idas	
   Magnoliidae	
  
Ordem	
   -­‐ales	
   -­‐ales	
   Rosales	
  
Subordem	
   -­‐ineae	
   -­‐íneas	
   	
  
Família	
   -­‐aceae	
   -­‐áceas	
   Rosaceae	
  
Subfamília	
   -­‐oideae	
   -­‐oideas	
   Rosoideae	
  
Tribo	
   -­‐eae	
   -­‐eas	
   Roseae	
  
Subtribo	
   -­‐inae	
   -­‐inas	
   	
  
Género	
   	
   	
   Rosa	
  
Secção	
   	
   	
   Caninae	
  
Série	
   	
   	
   	
  
Espécie	
   	
   	
   Rosa	
  canina	
  
	
  
Todas	
  as	
  categorias	
  superiores	
  à	
  espécie	
  são	
  designadas	
  por	
  uma	
  única	
  palavra:	
  um	
  adjetivo	
  substantivado	
  no	
  
plural.	
  O	
  aportuguesamento	
  destes	
  termos	
  faz-­‐se,	
  necessariamente,	
  no	
  plural;	
  e.g.	
  Equisetopsida,	
  equisetópsidas,	
  
ou,	
   Asteraceae,	
   asteráceas.	
   Os	
   nomes	
   familiares	
   constroem-­‐se	
   a	
   partir	
   de	
   um	
   nome	
   genérico	
   substituindo	
   a	
  
declinação	
   original	
   pela	
   terminação	
   -­‐aceae.	
   O	
   ICN	
   autoriza	
   o	
   uso	
   de	
   nomes	
   tradicionais	
   familiares	
   em	
   oito	
  
famílias	
  de	
  plantas-­‐com-­‐flor,	
  a	
  saber:	
  Compositae	
  (Asteraceae),	
  Cruciferae	
  (Brassicaceae),	
  Gramineae	
  (Poaceae),	
  
Guttiferae	
   (Clusiaceae),	
   Labiatae	
   (Lamiaceae),	
   Leguminosae	
   (Fabaceae),	
   Palmae	
   (Arecaceae)	
   e	
   Umbelliferae	
  
(Apiaceae).	
  Estes	
  taxa	
  têm,	
  portanto,	
  nomenclatura	
  dupla.	
  O	
  nome	
  Leguminosae	
  refere-­‐se,	
  obrigatoriamente,	
  a	
  
um	
  conceito	
  alargado	
  de	
  Fabaceae	
  que	
  inclui	
  as	
  subfamílias	
  Caesalpinioideae,	
  Mimosoideae	
  e	
  Faboideae.	
  
Os	
   híbridos	
   entre	
   taxa	
   –	
   os	
   nototaxa	
   –	
   podem	
   ser	
   designados	
   fazendo	
   uma	
   referência	
   expressa	
   aos	
   seus	
  
progenitores.	
   Em	
   alternativa	
   o	
   ICN	
   permite	
   a	
   atribuição	
   de	
   nomes	
   aos	
   híbridos.	
   Os	
   híbridos	
   pertencentes	
   ao	
  
mesmo	
  género	
   levam	
  a	
  partícula	
  “x”	
  entre	
  o	
  nome	
  genérico	
  e	
  o	
  restritivo	
  específico;	
  e.g.	
  o	
  híbrido	
  de	
  Quercus	
  
robur	
   x	
   Q.	
   pyrenaica	
   também	
   é	
   conhecido	
   por	
   Q.	
   x	
   henriquesii.	
   Nos	
   híbridos	
   intergenéricos	
   a	
   partícula	
   “x”	
  
precede	
  um	
  nome	
  genérico	
  composto.	
  Por	
  exemplo,	
  o	
  x	
  Cupressocyparis	
  leylandii	
  é	
  um	
  híbrido,	
  muito	
  cultivado	
  
para	
   fazer	
   sebes	
   densas	
   e	
   impenetráveis,	
   de	
   Cupressus	
   macrocarpa	
   e	
   Chamaecyparis	
   nootkatensis;	
   alguns	
  
autores	
   reintegram	
  o	
  Chamaecyparis	
   nootkatensis	
   no	
   género	
  Cupressus,	
   passando	
   o	
   seu	
   famoso	
   híbrido	
   a	
   ser	
  
apelidado	
  de	
  Cupressus	
  x	
  leylandii.	
  	
  
 
20	
  Phylla	
  no	
  plural.	
  
Quadro	
  5.	
  Categorias	
  taxonómicas	
  
20	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Principio	
   Descrição	
  
Princípio	
  I	
   Cada	
  código	
  de	
  nomenclatura	
  é	
  independente	
  
Princípio	
  II	
   A	
  aplicação	
  dos	
  códigos	
  faz-­‐se	
  a	
  partir	
  de	
  tipos	
  nomenclaturais	
  
Princípio	
  III	
   A	
  nomenclatura	
  de	
  um	
  grupo	
  taxonómico	
  baseia-­‐se	
  na	
  prioridade	
  da	
  publicação	
  
Princípio	
  IV	
   Cada	
  grupo	
  taxonómico	
  só	
  tem	
  um	
  nome	
  correto:	
  o	
  mais	
  antigo	
  de	
  acordo	
  com	
  as	
  regras	
  do	
  
código	
  
Princípio	
  V	
   O	
  latim	
  é	
  a	
  língua	
  da	
  nomenclatura	
  biológica:	
  os	
  nomes	
  científicos	
  são	
  considerados	
  latinos	
  
Princípio	
  VI	
   As	
  regras	
  de	
  nomenclatura	
  são	
  retroativas	
  
	
  
A	
   construção	
   dos	
   nomes	
   científicos	
   e	
   a	
   seleção	
   do	
   nome	
   científico	
   correto	
   obedecem	
   a	
   um	
   conjunto	
   de	
  
princípios,	
   recomendações	
   e	
   regras	
   inscritos	
   no	
   ICN21.	
   Os	
   princípios	
   de	
   nomenclatura	
   regem	
   o	
   conteúdo	
   dos	
  
artigos	
  do	
  ICN	
  (quadro	
  7).	
  Os	
  nomes	
  que	
  não	
  cumprem	
  as	
  regras	
  são	
  rejeitados;	
  as	
  recomendações	
  não	
  têm	
  este	
  
carácter	
  vinculativo.	
  
	
  
Conceito	
   Descrição	
  
Basiónimo	
   Nome	
  original	
  de	
  um	
  taxon;	
  e.g.	
  Cistus	
  guttatus	
  L.	
  é	
  o	
  basiónimo	
  de	
  Tuberaria	
  guttata,	
  uma	
  planta	
  
anual	
  comum	
  em	
  clareira	
  de	
  matos	
  da	
  família	
  Cistaceae.	
  
Diagnose	
   Descrição	
  da	
  forma	
  como	
  uma	
  dado	
  táxone	
  se	
  distingue	
  dos	
  demais.	
  A	
  diagnose	
  expressa	
  a	
  
opinião	
  do	
  autor	
  do	
  táxone.	
  
Homónimo	
   Nome	
  de	
  um	
  dado	
  taxon	
  que	
  se	
  pronuncia	
  da	
  mesma	
  maneira	
  do	
  que	
  outro	
  taxon	
  da	
  mesma	
  
categoria	
  baseado	
  num	
  tipo	
  diferente	
  (com	
  um	
  conceito	
  distinto). 
Nome	
  
correcto	
  
Nome	
  de	
  um	
  taxon,	
  de	
  uma	
  dada	
  categoria	
  taxonómica,	
  que	
  se	
  sobrepõe	
  a	
  qualquer	
  outro	
  por	
  
cumprir	
  as	
  regras	
  definidas	
  pelo	
  ICN. 
Nototaxa	
   Taxon	
  de	
  origem	
  híbrida.	
  
Protólogo	
   Conjunto	
  de	
  elementos	
  expostos	
  na	
  publicação	
  original	
  de	
  um	
  nome	
  de	
  um	
  taxon;	
  estes	
  
elementos	
  podem,	
  por	
  exemplo,	
  incluir	
  ícones	
  (imagens),	
  diagnose,	
  localidade	
  onde	
  foi	
  colhido	
  (=	
  
indicação	
  locotípica	
  ou	
  locus	
  classicus)	
  e	
  distribuição.	
  O	
  protólogo	
  do	
  Cistus	
  guttatus	
  está	
  
publicadona	
  página	
  526	
  na	
  primeira	
  edição	
  do	
  Species	
  Plantarum	
  de	
  C.	
  Linnaeus	
  (1753).	
  
Tautónimo	
   Nomes	
  específicos	
  com	
  nome	
  genérico	
  e	
  restritivo	
  específico	
  iguais	
  ou	
  muito	
  similares.	
  Os	
  
tautónimos	
  são	
  ilegítimos.	
  
Tipo	
  
nomenclatural	
  
Objetos,	
  exemplares	
  de	
  herbário	
  ou	
  ícones,	
  aos	
  quais	
  o	
  nome	
  de	
  um	
  taxon	
  está	
  
permanentemente	
  ligado.	
  Os	
  tipos	
  servem	
  de	
  referência	
  ao	
  conceito	
  de	
  um	
  taxon.	
  
	
  
Os	
   códigos	
   de	
   nomenclatura	
   zoológica	
   (International	
   Code	
   of	
   Zoological	
   Nomenclature,	
   ICZN),	
   de	
   bactérias	
  
(Bacteriological	
   Code,	
   BC),	
   de	
   vírus	
   (International	
   Code	
   of	
   Virus	
   Classification	
   and	
   Nomenclature,	
   ICVCN)	
   e	
  
botânica	
  (ICN)	
  são	
  independentes	
  (Princípio	
  I,	
  quadro	
  6).	
  Duas	
  plantas	
  não	
  podem	
  ter	
  o	
  mesmo	
  nome	
  científico	
  
 
21	
  O	
  Código	
  Internacional	
  de	
  Nomenclatura	
  para	
  Algas,	
  Fungos	
  e	
  Plantas	
  era,	
  até	
  2011,	
  conhecido	
  por	
  Código	
  Internacional	
  de	
  
Nomenclatura	
  Botânica	
   (ICBN).	
  É	
  editado	
  pela	
  Associação	
   Internacional	
  de	
  Taxonomia	
  de	
  Plantas	
   (International	
  Association	
  
for	
  Plant	
  Taxonomy,	
  IAPT.	
  
Quadro	
  6.	
  Princípios	
  de	
  nomenclatura	
  inscritos	
  no	
  ICN	
  (McNeill, et al., 2012)	
  
Quadro	
  7.	
  Alguns	
  conceitos	
  fundamentais	
  de	
  nomenclatura	
  
21	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
(monossemia	
  dos	
  nomes	
  científicos).	
  Uma	
  planta	
  e	
  um	
  animal,	
  pelo	
  contrário,	
  podem	
  partilhar	
  o	
  mesmo	
  nome.	
  O	
  
nome	
  Prunella	
  designa	
  um	
  género	
  de	
  pequenas	
  aves	
  insectívoras,	
  com	
  duas	
  espécies	
  em	
  Portugal,	
  e	
  um	
  género	
  
de	
  lamiáceas	
  frequente	
  em	
  prados	
  e	
  taludes	
  terrosos.	
  O	
  nome	
  Pieris	
  refere-­‐se	
  ao	
  género	
  da	
  conhecida	
  borboleta-­‐
da-­‐couve	
  (Pieris	
  brassicae)	
  e	
  a	
  um	
  grupo	
  de	
  arbustos	
  da	
  família	
  das	
  ericáceas	
  de	
  grande	
  interesse	
  ornamental,	
  as	
  
«andrómedas».	
  
O	
   conceito	
   associado	
   a	
   um	
   determinado	
   taxon,	
   e.g.	
   o	
   conceito	
   da	
   espécie	
   Quercus	
   robur	
   ou	
   da	
   família	
  
Plantaginaceae,	
   embora	
   possa	
   variar	
   de	
   autor	
   para	
   autor,	
   está	
   sempre	
   ancorado	
   num	
   tipo	
   nomenclatural	
  
(Princípio	
  II,	
  quadro	
  6).	
  O	
  tipo	
  nomenclatural	
  de	
  uma	
  espécie,	
  e	
  das	
  categorias	
  infra-­‐específicas,	
  é	
  um	
  exemplar	
  
de	
   herbário	
   –	
   uma	
   ou	
   mais	
   plantas	
   secas,	
   geralmente	
   coladas	
   numa	
   prancha	
   de	
   cartolina	
   –	
   ou	
   um	
   ícone	
  
(desenho).	
  Por	
  exemplo,	
  a	
  maioria	
  dos	
  tipos	
  nomenclaturais	
  das	
  espécies	
  e	
  subespécies	
  descritas	
  pelo	
  Prof.	
  João	
  
do	
  Amaral	
  Franco	
  estão	
  depositados	
  no	
  herbário	
  do	
  Instituto	
  Superior	
  de	
  Agronomia	
  (de	
  acrónimo	
  LISA).	
  O	
  tipo	
  
de	
   um	
   género	
   é	
   uma	
   espécie	
   e	
   o	
   tipo	
   de	
   uma	
   família	
   um	
   género.	
   Só	
   se	
   definem	
   tipos	
   nomenclaturais	
   até	
   à	
  
categoria	
   de	
   família.	
   Um	
   tipo	
   uma	
   vez	
   definido	
   não	
   pode	
   ser	
   rejeitado.	
   Sempre	
   que	
   ocorram	
   alterações	
  
nomenclaturais	
   os	
   nomes	
   perseguem	
   os	
   tipos	
   nomenclaturais.	
   Por	
   exemplo,	
   a	
   aceitação	
   da	
   pulverização	
   das	
  
Fabaceae	
  s.l.	
  em	
  três	
  famílias	
  –	
  Caesalpiniaceae,	
  Mimosaceae	
  e	
  Fabaceae	
  s.str.	
  –	
  implica	
  que	
  o	
  nome	
  Fabaceae	
  
s.str.	
  seja	
  guardado	
  para	
  o	
  grupo	
  de	
  plantas	
  que	
  contenha	
  o	
  género	
  Faba,	
  o	
  tipo	
  nomenclatural	
  das	
  Fabaceae	
  s.l.;	
  
a	
  divisão	
  das	
  Fabaceae	
  em	
  três	
  famílias	
  implicou	
  a	
  criação	
  de	
  novos	
  nomes,	
  com	
  novos	
  tipos	
  nomenclaturais.	
  A	
  
tipificação	
  é	
  o	
  ato	
  de	
  designar	
  um	
  tipo.	
  
A	
  prioridade	
  da	
  publicação	
  é	
  essencial	
  para	
  estabilizar	
  os	
  nomes	
  científicos	
   (Princípio	
   III).	
  O	
  nome	
  científico	
  
correto	
  é	
  sempre	
  o	
  mais	
  antigo	
  que	
  cumpre	
  as	
  regras	
  impostas	
  pelo	
  código	
  (Princípio	
  IV).	
  Ainda	
  assim,	
  conforme	
  
se	
  refere	
  mais	
  adiante,	
  o	
  código	
  prevê	
  mecanismos	
  (nomina	
  conservanda)	
  para	
  que	
  nomes	
  de	
  uso	
  generalizado	
  
que	
  não	
  obedeçam	
  ao	
  Princípio	
  III	
  possam	
  ser	
  mantidos.	
  
Os	
   nomes	
   latinos	
   (vd.	
   Princípio	
   V),	
   sobretudo	
   os	
   nomes	
   específicos	
   e	
   subespecíficos,	
   podem	
   ser	
  
complementados	
  com	
  autorias.	
  Esta	
  prática	
  tem	
  por	
  objetivo	
  facilitar	
  a	
  localização	
  dos	
  protólogos	
  (vd.	
  quadro	
  7)	
  
e	
   resumir	
   o	
   percurso	
   nomenclatural	
   dos	
   nomes	
   e	
   respetivos	
   táxones.	
   Do	
   nome	
   Tuberaria	
   guttata	
   (L.)	
   Fourr.	
  
subentende-­‐se	
  que	
  foi	
  originalmente	
  descrito	
  por	
  Lineu	
  (vd.	
  quadro	
  7);	
  o	
  botânico	
  francês	
  Jules-­‐Pierre	
  Fourreau	
  
[1844-­‐	
  1871]	
  (de	
  abreviatura	
  Fourr.)	
  transferiu	
  o	
  táxone	
  causa	
  para	
  o	
  género	
  Tuberaria.	
  A	
  ortografia	
  dos	
  nomes	
  e	
  
a	
  forma	
  como	
  se	
  citam	
  as	
  autorias	
  são	
  cuidadosamente	
  reguladas	
  pela	
  ICN.	
  Nas	
  publicações	
  científicas	
  a	
  primeira	
  
citação	
   de	
   uma	
   dada	
   espécie	
   ou	
   táxone	
   infra-­‐específico	
   deve	
   ser	
   acompanhado	
   pelas	
   autorias.	
   Nas	
   citações	
  
seguintes	
   omitem-­‐se	
   os	
   autores.	
   Não	
   faz	
   muito	
   sentido	
   sobrecarregar	
   com	
   autorias	
   os	
   nomes	
   científicos	
   nas	
  
publicações	
  técnicas.	
  
Na	
  bibliografia,	
  geralmente,	
  está	
  disponível	
  mais	
  de	
  um	
  nome	
  para	
  cada	
  taxon.	
  Para	
  os	
  taxa	
  de	
  categoria	
  igual	
  
ou	
  inferior	
  à	
  família	
  apenas	
  um	
  nome	
  é	
  o	
  nome	
  correto.	
  Os	
  conceitos	
  e	
  os	
  artigos	
  do	
  ICN	
  mais	
  importantes	
  para	
  
filtrar	
  os	
  nomes	
  disponíveis	
  de	
  categoria	
  igual	
  ou	
  inferior	
  à	
  família	
  e	
  selecionar	
  o	
  nome	
  correto	
  estão	
  resumidos	
  
no	
   quadro	
   8.	
   Numa	
   primeira	
   etapa	
   avalia-­‐se	
   se	
   a	
   publicação	
   dos	
   nomes	
   é	
   efetiva.	
   Depois,	
   sequencialmente,	
  
verifica-­‐se	
  a	
  sua	
  validez	
  e	
  legitimidade.O	
  nome	
  correto	
  é	
  o	
  nome	
  legítimo	
  mais	
  antigo	
  para	
  a	
  categoria	
  em	
  causa;	
  
os	
  restantes	
  nomes	
  são	
  sinónimos.	
  Por	
  exemplo,	
  o	
  nome	
  Q.	
  rotundifolia	
  Lam.	
  data	
  de	
  1785,	
  sendo	
  a	
  mais	
  antiga	
  
designação	
   científica	
  da	
   vulgar	
   azinheira;	
  o	
  nome	
  Q.	
  ballota	
  Desf.	
   tem	
  que	
   ser	
   rejeitado	
  porque	
   foi	
  publicado,	
  
mais	
   tarde,	
  em	
  1791.	
  A	
  regra	
  da	
  prioridade	
   (Princípio	
   III)	
   só	
  se	
  aplica	
  ao	
  nível	
  da	
  categoria	
  em	
  que	
  o	
  nome	
  foi	
  
originalmente	
   publicado.	
   Ao	
   nível	
   de	
   subespécie,	
   o	
   nome	
   mais	
   antigo	
   disponível	
   para	
   a	
   azinheira	
   é	
   uma	
  
recombinação	
  de	
  Q.	
  ballota,	
  Q.	
  ilex	
  L.	
  subsp.	
  ballota	
  (Desf.)	
  Samp.;	
  a	
  combinação	
  Q.	
  ilex	
  subsp.	
  rotundifolia	
  (Lam.)	
  
Ta.	
  Morais	
   é	
   incorreta	
   embora	
   o	
   epíteto	
   rotundifolia	
   seja	
  mais	
   antigo.	
   As	
   recombinações	
   nomenclaturais	
   são	
  
automaticamente	
   rejeitadas	
   se	
  gerarem	
   tautónimos	
   (nome	
  genérico	
  e	
   restritivos	
   iguais	
  ou	
  muito	
   similares)	
  ou	
  
homónimos	
  posteriores	
  (nomes	
  já	
  usados	
  com	
  um	
  sentido	
  distinto).	
  
Embora	
  o	
  ICN	
  tenha	
  sido	
  criado	
  com	
  o	
  objetivo	
  de	
  estabilizar	
  a	
  nomenclatura	
  botânica	
  a	
  realidade	
  mostra	
  que	
  
essa	
  estabilidade	
  não	
  foi	
  ainda,	
  ou	
  talvez	
  nunca	
  seja,	
  conseguida,	
  sobretudo	
  nas	
  categorias	
  espécie	
  e	
  subespécie.	
  
São	
  várias	
  as	
  causas	
  para	
  a	
  instabilidade	
  dos	
  nomes	
  científicos.	
  Ao	
  nível	
  da	
  espécie	
  e	
  categorias	
  infra-­‐específicas	
  a	
  
instabilidade	
   dos	
   nomes	
   resulta,	
   em	
   grande	
   parte,	
   de	
   reinterpretações	
   taxonómicas	
   que	
   conduzem	
   a	
  
22	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
transferências	
   horizontais	
   (e.g.	
   transferências	
   de	
   género)	
   ou	
   verticais	
   (e.g.	
   promoção	
   de	
   uma	
   subespécie	
   a	
  
espécie,	
   e	
   vice-­‐versa),	
  ou	
  à	
  aglutinação	
  ou	
   fragmentação	
  de	
  espécies	
   já	
  descritas.	
  Um	
   importante	
   conjunto	
  de	
  
regras	
  do	
  ICN	
  regula	
  estas	
  alterações	
  nomenclaturais	
  que	
  não	
  cabe	
  aqui	
  desenvolver.	
  Para	
  conter	
  a	
  instabilidade	
  
nos	
  nomes	
  o	
  ICN	
  inclui	
  seis	
  anexos	
  de	
  nomes	
  conservados	
  e	
  rejeitados	
  (nomina	
  conservanda	
  et	
  rejicienda)	
  onde	
  
se	
   retêm	
   nomes	
   que	
   não	
   obedecem	
   às	
   regras	
   do	
   código.	
   É	
   o	
   caso	
   do	
   género	
  Tuberaria,	
   conservado	
   frente	
   a	
  
Xolantha	
  (o	
  nome	
  legítimo	
  mais	
  antigo),	
  um	
  grupo	
  de	
  Cistaceae	
  muito	
  frequente	
  em	
  Portugal.	
  
	
  
Conceitos	
   Artigos	
  
do	
  ICN	
  
Descrição	
  
Publicação	
  
efetiva	
  
29-­‐31	
   Pressupostos	
  mais	
  relevantes	
  para	
  a	
  publicação	
  efetiva:	
  distribuição	
  por	
  meios	
  apropriados	
  
de	
  documentação	
  impressa;	
  as	
  publicações	
  em	
  pdf	
  por	
  via	
  eletrónica	
  são	
  autorizadas	
  
desde	
  1-­‐1-­‐2012;	
  um	
  grupo	
  de	
  regras	
  mais	
  tolerantes	
  regula	
  a	
  publicação	
  efetiva	
  anterior	
  a	
  
1-­‐1-­‐1953	
  que	
  autoriza,	
  por	
  exemplo,	
  documentos	
  autógrafos	
  (escritos	
  à	
  mão).	
  
Nome	
  
válido	
  (e	
  
inválido)	
  
32	
  a	
  45	
   Pressupostos	
  mais	
  relevantes	
  para	
  a	
  validez	
  de	
  um	
  nome:	
  nome	
  publicado	
  em	
  datas	
  
posteriores	
  à	
  1ª	
  ed.	
  do	
  Species	
  Plantarum;	
  nome	
  acompanhado	
  uma	
  descrição	
  apropriada,	
  
não	
  provisória,	
  do	
  táxone	
  em	
  latim	
  (desde	
  1-­‐I-­‐1935)	
  ou	
  em	
  inglês	
  (desde	
  1-­‐I-­‐2012);	
  
definição	
  de	
  um	
  tipo	
  nomenclatural	
  (desde	
  1-­‐V-­‐1958);	
  desde	
  1-­‐I-­‐2007	
  o	
  tipo	
  nomenclatural	
  
tem,	
  obrigatoriamente,	
  que	
  ser	
  um	
  exemplar	
  de	
  herbário	
  referenciado	
  sem	
  equívocos;	
  o	
  
nome	
  genérico	
  e	
  o	
  restritivo	
  específico	
  distintos	
  (se	
  iguais	
  diz-­‐se	
  que	
  ocorre	
  um	
  tautónimo,	
  
vd.	
  quadro	
  7)	
  
Nome	
  
legítimo	
  (e	
  
ilegítimo)	
  	
  
52	
  e	
  53	
   Condições	
  para	
  a	
  ilegitimidade	
  de	
  um	
  nome:	
  nome	
  proposto	
  em	
  substituição	
  de	
  um	
  nome	
  
correto	
  anterior	
  (nome	
  supérfluo);	
  nome	
  já	
  anteriormente	
  publicado	
  para	
  designar	
  um	
  
táxone	
  distinto	
  (homonímia	
  posterior);	
  recombinação	
  nomenclatural	
  sem	
  uma	
  referência	
  
ao	
  basiónimo	
  (vd.	
  quadro	
  7);	
  tautónimos	
  (vd.	
  quadro	
  7)	
  
Nomenclatura	
  de	
  plantas	
  cultivadas	
  
O	
  nome	
  das	
  plantas	
  cultivadas	
  é	
  regulado	
  pelo	
  Código	
  Internacional	
  de	
  Nomenclatura	
  das	
  Plantas	
  Cultivadas	
  
(ICNCP)	
  (Brickell, et al., 2009).	
  O	
  ICNCP	
  é	
  uma	
  extensão	
  do	
  ICN.	
  A	
  cultivar	
  é	
  a	
  categoria	
  básica	
  da	
  classificação	
  das	
  
plantas	
  cultivadas.	
  O	
  ICNCP	
  define-­‐a	
  do	
  seguinte	
  modo	
  (art.	
  2.2):	
  “A	
  cultivar	
  é	
  um	
  conjunto	
  de	
  plantas:	
  a)	
  com	
  um	
  
carácter	
   ou	
   uma	
   combinação	
   de	
   caracteres	
   selecionados	
   [pelo	
   homem],	
   b)	
   que	
   se	
   revela	
   distinto,	
   uniforme	
   e	
  
estável	
  nesses	
  caracteres,	
  c)	
  e	
  quando	
  propagado	
  por	
  métodos	
  adequados	
  retém	
  esses	
  caracteres.”	
  	
  
Entre	
  as	
  regras	
  mais	
  relevantes	
  da	
  nomenclatura	
  das	
  cultivares	
  descritas	
  no	
  ICNCP	
  contam-­‐se:	
  (i)	
  as	
  cultivares	
  
são	
  designadas	
  com	
  o	
  auxílio	
  da	
  abreviatura	
  “cv.”	
  ou	
  de	
  aspas	
  simples	
  ‘	
  ’,	
  e.g.	
  alface	
  cv.	
  Orelha	
  de	
  Mula	
  ou	
  alface	
  
‘Orelha	
  de	
  Mula’;	
   (ii)	
  os	
  nomes	
  que	
  precedem	
  as	
  cultivares	
  podem	
  ser	
  científicos	
  ou	
  vernáculos;	
  e.g.	
  alface	
  cv.	
  
Orelha	
  de	
  Mula	
  ou	
  Lactuca	
  sativa	
  cv.	
  Orelha	
  de	
  Mula;	
  (iii)	
  os	
  nomes	
  das	
  cultivares	
  podem	
  ser	
  constituídos	
  por	
  1	
  a	
  
3	
   palavras	
   (incluindo	
   números);	
   (iv)	
   os	
   epítetos	
   das	
   cultivares	
   são	
   escritos	
   em	
  maiúsculas	
   sem	
   itálico;	
   (v)	
   está	
  
proibido	
  o	
  uso	
  de	
  epítetos	
  latinos;	
  (vi)	
  as	
  autorias	
  não	
  são	
  consideradas	
  na	
  designação	
  das	
  cultivares.	
  
Os	
  nomes	
  científicos	
  das	
  plantas	
  cultivadas	
  são,	
  necessariamente,	
  regulados	
  pelo	
  ICN	
  e	
  podem	
  descer	
  ao	
  nível	
  
da	
   espécie,	
   subespécie,	
   variedadeou	
   forma;	
   cada	
   uma	
  destas	
   categorias	
   taxonómicas	
   tem	
  os	
   seus	
   autores.	
  O	
  
conceito	
   de	
   variedade	
   (variedade	
   botânica)	
   regulado	
   pelo	
   ICN	
   não	
   pode	
   ser	
   confundido	
   com	
   o	
   termo	
   legal	
  
“variedade”,	
  de	
  significado	
  variável	
  de	
  país	
  para	
  país.	
  Em	
  Portugal	
  existe	
  a	
  tendência	
  para	
  usar	
  variedade	
  com	
  o	
  
significado	
  de	
  cultivar.	
  
Os	
   cultigenes	
   (ing.	
   cultigen)	
   são	
   táxones	
   exclusivamente	
   cultivados,	
   sem	
   representantes	
   selvagens22;	
   e.g.	
  
Triticum	
  aestivum	
  «trigo-­‐mole»,	
  Vicia	
  faba	
  «faveira»	
  e	
  Linum	
  usitatissimum	
  «linho».	
  Os	
  taxa	
  não	
  cultivados	
  são	
  
 
22	
  Preferiu-­‐se,	
  sem	
  nenhuma	
  razão	
  objetiva,	
  o	
  adjetivo	
  selvagem	
  a	
  bravio	
  para	
  qualificar	
  as	
  plantas	
  não	
  cultivadas.	
  	
  
Quadro	
  8.	
  Conceitos	
  fundamentais	
  que	
  norteiam	
  a	
  aplicação	
  do	
  ICN	
  aos	
  nomes	
  de	
  categoria	
  
igual	
  ou	
  inferior	
  à	
  família	
  (McNeill, et al., 2012)	
  
23	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
indigenes.	
  O	
  Grupo	
   (Grupo	
  de	
  cultivares	
  nas	
  versões	
  anteriores	
  a	
  2004	
  do	
   ICNCP)	
  é	
  uma	
  categoria	
  que	
  agrupa	
  
cultivares,	
  plantas	
   individuais	
  ou	
  conjuntos	
  de	
  plantas	
  que	
  partilham	
  similaridades.	
  Sobretudo	
  em	
  documentos	
  
oficiais,	
   ao	
   arrepio	
   do	
   ICNCP,	
   permanece	
   em	
   uso	
   o	
   conceito	
   de	
   convariedade	
   (convar.)	
   com	
   um	
   significado	
  
análogo	
  a	
  Grupo.	
  Por	
  exemplo,	
  a	
  designação	
  Brassica	
  oleracea	
  convar.	
  capitata,	
  que	
  inclui	
  as	
  couves-­‐lombarda,	
  
repolho	
   e	
   roxa,	
   é	
   incorreta:	
   deve	
   ser	
   substituída	
   por	
  Brassica	
   oleracea	
   Grupo	
   Capitata	
   (em	
   letras	
  maiúsculas,	
  
normais).	
  Os	
  Grupos,	
  ao	
  contrário	
  das	
  cultivares,	
  podem	
  ter	
  mais	
  de	
  um	
  nome	
  e	
  designações	
  em	
  latim.	
  
Nomenclatura	
  filogenética	
  
Um	
  grupo	
  alargado	
  de	
  botânicos	
  e	
   zoólogos	
  está	
  a	
  desenvolver	
  um	
  código	
  de	
  nomenclatura	
  alternativo	
  ao	
  
ICN:	
   o	
   Código	
   de	
   Nomenclatura	
   Filogenético	
   ou	
   PhyloCode23.	
   O	
   PhyloCode	
   tem	
   por	
   objetivo	
  maior	
   facilitar	
   a	
  
construção	
   de	
   uma	
   nomenclatura	
   estável	
   e	
   que	
   expresse	
   as	
   relações	
   filogenéticas	
   (=	
   de	
   parentesco)	
   entre	
   os	
  
organismos.	
   De	
   facto	
   as	
   regras	
   impostas	
   pelo	
   ICN	
   e	
   o	
   seu	
   carácter	
   intrinsecamente	
   hierárquico	
   dificultam	
   o	
  
desenvolvimento	
   de	
   uma	
   nomenclatura	
   cladística	
   (=	
   nomenclatura	
   filogenética)	
   (Cantino, et al., 2007).	
   Em	
  
primeiro	
   lugar	
   os	
   grandes	
   grupos	
   de	
   plantas	
   estão	
   aninhados	
   (ing.	
   nested)	
   num	
   cladograma	
   com	
   um	
   grande	
  
número	
   de	
   ramos	
   longos	
   sucessivos,	
   difícil	
   de	
   plasmar	
   numa	
   nomenclatura	
   hierarquizada	
   com	
   um	
   escasso	
  
número	
   de	
   categorias	
   (o	
   número	
   de	
   categoria	
   taxonómicas	
   aceites	
   pelo	
   ICN	
   é	
   insuficiente	
   para	
   expressar	
   a	
  
complexidade	
  das	
  suas	
  relações	
  filogenéticas).	
  A	
  pulverização	
  das	
  categorias	
  secundárias	
  (e.g.	
  em	
  supersubtribos	
  
ou	
  subcategorias	
  análogas)	
  não	
  é	
  uma	
  solução	
  para	
  resolver	
  esta	
  dificuldade	
  porque	
  rapidamente	
  se	
  tornariam	
  
impossíveis	
  de	
  percepcionar	
  e	
  memorizar.	
  Depois,	
  sob	
  a	
  égide	
  do	
  ICN	
  a	
  revisão	
  das	
  relações	
  filogenéticas	
  implica	
  
rearranjos	
  nomenclaturais	
  por	
  vezes	
  tão	
  extensos	
  e	
  reiterados	
  que	
  se	
  tornam	
  impossíveis	
  de	
  perseguir.	
  Por	
  fim,	
  
como	
  reiterada	
  se	
  referiu	
  neste	
  texto	
  (vd	
  Sistemas	
  evolutivos),	
  as	
  categorias	
  taxonómicas	
  supra-­‐específicas	
  são	
  
arbitrárias,	
  apenas	
  as	
  suas	
  relações	
  filogenéticas	
  são	
  objetiváveis.	
  As	
   famílias	
  de	
  plantas,	
  por	
  exemplo,	
  não	
  são	
  
entidades	
  comparáveis	
  entre	
  si,	
  a	
  sua	
  definição	
  baseia-­‐se,	
  em	
  grande	
  parte,	
  na	
  autoridade	
  dos	
  taxonomistas.	
  No	
  
entanto,	
  é	
  factual	
  que	
  as	
  Asteraceae	
  têm	
  um	
  ancestral	
  comum	
  e	
  que	
  este	
  grupo	
  natural	
  é	
  evolutivamente	
  mais	
  
próximo	
   das	
  Oleaceae	
   do	
   que	
   das	
  Magnoliaceae.	
   Dois	
   taxa	
   supra-­‐específicos	
   com	
   a	
   mesma	
   categoria	
   –	
   e.g.	
  
famílias	
  Rosaceae	
  e	
  Fabaceae	
  –	
  têm	
  em	
  comum	
  apenas	
  a	
  sua	
  monofilia!	
  
A	
  aderência	
  aos	
  princípios	
  de	
  sistemática	
  cladística	
  tem	
  implicações	
  na	
  forma	
  e	
  no	
  uso	
  dos	
  nomes	
  científicos.	
  
Por	
   exemplo,	
   o	
   conceito	
   clássico	
   de	
   Charophyta	
   é	
   parafilético	
   porque	
   não	
   inclui	
   as	
   plantas-­‐terrestres.	
   Algo	
  
semelhante	
   sucede	
   com	
   o	
   conceito	
   clássico	
   de	
   briófito,	
   por	
   excluir	
   as	
   plantas-­‐com-­‐semente.	
   Esta	
   abordagem	
  
nomenclatural	
   é	
   uma	
   fonte	
   permanente	
   de	
   equívocos.	
   Formalmente,	
   a	
   melhor	
   solução	
   terminológico-­‐
nomenclatural	
  será,	
  como	
  propõe	
  o	
  PhyloCode,	
  reservar	
  nomes	
  latinos	
  formais	
  para	
  os	
  clados	
  mais	
  relevantes,	
  e	
  
escrever	
   os	
   grados	
   em	
  minúsculas	
   cursivas	
   e	
   entre	
   aspas	
   simples	
   (e.g.	
   ‘carófitas’,	
   ‘briófitas’	
   e	
   ‘angiospérmicas	
  
basais’).	
  
Os	
   cladistas	
   aceitam	
   as	
   regras	
   do	
   ICN	
   ao	
   nível	
   da	
   espécie	
   e	
   categorias	
   inferiores.	
   Como	
   se	
   referiu	
  
anteriormente,	
  o	
  número	
  de	
  clados	
  gerados	
  pelos	
  estudos	
  de	
  cladística	
  de	
  plantas-­‐com-­‐semente	
  é	
  tão	
  elevado	
  
que	
   maioria	
   não	
   tem,	
   nem	
   poderá	
   ter,	
   uma	
   designação	
   formal.	
   Ainda	
   assim,	
   os	
   cladistas	
   usam,	
   com	
   grande	
  
vantagem,	
   os	
   nomes	
   lineanos	
   supra-­‐específicos,	
   geralmente	
   até	
   à	
   ordem.	
   Estes	
   nomes	
   são	
   usados	
   como	
  
mnemónicas	
   e	
   pelo	
   seu	
   interesse	
   didático,	
   nada	
   mais	
   do	
   que	
   isso.	
   Para	
   não	
   romper	
   com	
   as	
   tradições	
  
nomenclaturais	
   sedimentadas	
   por	
   mais	
   de	
   100	
   anos	
   de	
   regras	
   de	
   nomenclatura	
   internacionais	
   o	
   PhyloCode	
  
serve-­‐se	
  do	
   ICN,	
   e	
   de	
   códigoscongéneres,	
   para	
   selecionar	
  nomes	
   supra-­‐específico	
  pré-­‐existentes.	
   Esta	
   atitude	
  
evita	
  que	
  nomes	
  bem	
  estabelecidos	
  de	
  taxa	
  monofiléticos	
  como	
  Asteraceae	
  ou	
  Apiaceae	
  sejam	
  substituídos.	
  Os	
  
cladistas,	
  porém,	
  rejeitam	
  nomes	
  tradicionalmente	
  aplicados	
  a	
  taxa	
  não	
  monofiléticos.	
  Os	
  répteis	
  são	
  o	
  exemplo	
  
mais	
   frequente	
   porque	
   não	
   incluem	
   a	
   classe	
   das	
   Aves;	
   as	
   aves	
   descendem	
   diretamente	
   de	
   um	
   grupo	
   de	
  
dinossauros	
  ornitisquianos.	
  
Não	
  cabe	
  neste	
  texto	
  desenvolver	
  mais	
  alongadamente	
  nomenclatura	
  cladística	
  tema	
  porque	
  esta	
  está	
  longe	
  
de	
  ser	
  aceite	
  pela	
  comunidade	
  botânica	
  internacional.	
  Alguns	
  autores	
  defendem	
  que	
  o	
  atual	
  ICN	
  não	
  necessita	
  de	
  
modificações	
  profundas	
  para	
  se	
  acomodar	
  os	
  princípios	
  da	
  moderna	
  cladística	
  (Barkley, DePriest, Funk, Kiger, 
 
23	
  Versão	
  draft	
  em	
  www.phylocode.org	
  
24	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Kress, & Moore, 2004).	
  A	
  formalização	
  sistemática	
  do	
  APG	
  III	
  publicada	
  por	
  Chase	
  &	
  Reveal	
  (Chase & Reveal, A 
phylogenetic classification of the land plants to accompany APG III, 2009)	
  é	
  uma	
  prova	
  disso	
  mesmo.	
  
2. Sistemática	
  de	
  plantas-­‐com-­‐semente	
  
2.1. Introdução	
  
Taxa	
  supra-­‐ordinais	
  das	
  plantas-­‐terrestres	
  
A	
  nomenclatura	
  e	
  a	
  taxonomia25	
  dos	
  taxa	
  de	
  plantas-­‐terrestres	
  de	
  categoria	
  superior	
  à	
  ordem	
  não	
  estão,	
  por	
  
enquanto,	
  estabilizadas.	
  Por	
  três	
  razões.	
  Muitas	
  relações	
  filogenéticas	
  demoram	
  a	
  encerrar.	
  No	
  segundo	
  volume	
  
alertou-­‐se,	
   para	
   o	
   facto,	
   de	
   continuarem	
   por	
   clarificar	
   as	
   relações	
   de	
   parentesco	
   entre	
   os	
   grandes	
   clados	
   das	
  
plantas-­‐com-­‐semente.	
   Por	
   outro	
   lado,	
   a	
   aceitação	
   da	
   sistemática	
   cladística	
   não	
   é	
   universal:	
   os	
   sistemas	
  
evolutivos	
  de	
  classificação	
  continuam	
  em	
  uso	
  na	
  bibliografia	
  botânica,	
  assim	
  como	
  vários	
  grupos	
  polifiléticos	
  e	
  
parafiléticos.	
   Por	
   fim,	
   como	
   se	
   referiu	
   a	
   respeito	
   da	
   sistemática	
   cladística,	
   a	
   categorização	
   dos	
   taxa	
   supra-­‐
específicos	
   em	
   grande	
   medida	
   reside,	
   e	
   provavelmente	
   sempre	
   residirá,	
   num	
   argumento	
   de	
   autoridade	
   (vd.	
  
Sistemas	
  cladísticos):	
  é	
  pouco	
  provável	
  que	
  algum	
  dia	
  se	
  venha	
  a	
  alcançar	
  um	
  sistema	
  de	
  classificação	
  universal	
  
das	
  plantas-­‐terrestres.	
  
 
24	
   Como	
   se	
   referiu	
   na	
   1ª	
   parte,	
   o	
   uso	
   do	
   sufixo	
   “fita”,	
   ou	
   do	
   seu	
   correspondente	
   de	
   língua	
   inglesa	
   “phytes”,	
   não	
   está	
  
obrigatoriamente	
  ligado	
  à	
  categoria	
  taxonómica	
  divisão.	
  
25	
  Estabilidade	
  nomenclatural	
  e	
  taxonómica	
  não	
  são	
  conceitos	
  sinónimos,	
  referem-­‐se,	
  respectivamente,	
  à	
  fixação	
  dos	
  nomes	
  e	
  
dos	
  conceitos	
  eles	
  associados.	
  
Classe	
  Equisetopsida	
  [plantas-­‐terrestres,	
  embriófitas24]	
  
	
   Subclasse	
  Marchantiidae	
  [hepáticas]	
  
	
   Subclasse	
  Bryidae	
  [musgos]	
  
	
   Subclasse	
  Anthocerotidae	
  [antóceras]	
  
	
   Subclasse	
  Lycopodiidae	
  [licopodiidas,	
  licófitas,	
  licopódios]	
  
	
   	
   [monilófitas,	
  fetos]	
  
	
   Subclasse	
  Ophioglossidae	
  [ophioglossidas,	
  fetos-­‐ophioglossidos]	
  
	
   Subclasse	
  Equisetidae	
  [equisetidas,	
  fetos-­‐equisetidos,	
  equisetófitas,	
  equisetas]	
  
	
   Subclasse	
  Marattiidae	
  [marattiidas,	
  marattiófitas,	
  fetos-­‐marattiidos]	
  
	
   Subclasse	
  Polypodiidae	
  [polipodiidas,	
  polipodiófitas,	
  fetos-­‐verdadeiros,	
  fetos-­‐leptoesporangiados]	
  
	
   	
   [gimnospérmicas,	
  pinófitas]	
  
	
   Subclasse	
  Cycadidae	
  [cicadidas,	
  cicadófitas,	
  cicas]	
  
	
   Subclasse	
  Ginkgoidae	
  [ginkgoídas,	
  ginkgófitas,	
  ginkgos]	
  
	
   Subclasse	
  Pinidae	
  [pinidas,	
  coníferas]	
  
	
   Subclasse	
  Gnetidae	
  [gnetidas,	
  gnetófitas]	
  
	
   	
   [angiospérmicas,	
  plantas-­‐com-­‐flor,	
  magnoliófitas]	
  
	
   Subclasse	
  Magnoliidae	
  
Quadro	
  9.	
  Os	
  grandes	
  grupos	
  de	
  plantas-­‐terrestres	
  
25	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Neste	
   livro	
   optou-­‐se	
   por	
   seguir	
   a	
   sistematização	
   taxonómica	
   e	
   nomenclatural	
   das	
   categorias	
   superiores	
   à	
  
ordem	
  proposta	
  Chase	
  &	
  Reveal	
  (Chase & Reveal, A phylogenetic classification of the land plants to accompany 
APG III, 2009),	
  completada	
  por	
  Christenhusz	
  et	
  al.	
  (Christenhusz, Reveal, Martin, Robert, & Chase, 2011).	
  Este	
  
sistema	
   tem	
   a	
   grande	
   vantagem	
   de	
   considerar	
   as	
   angiospérmicas,	
   e	
   os	
   outros	
   grandes	
   grupos	
   de	
   plantas-­‐
terrestres,	
  com	
  a	
  categoria	
  de	
  subclasse	
  evitando,	
  assim,	
  que	
  os	
  clados	
  mais	
  antigos,	
  sobretudo	
  de	
  algas,	
  tenham	
  
de	
  ascender	
  à	
  categoria	
  do	
  Reino,	
  ou	
  a	
  categorias	
  imediatamente	
  inferiores	
  (vd.	
  volume	
  I)	
  (quadro	
  9).	
  
Desde	
   a	
   publicação	
   do	
  Genera	
   Plantarum	
   de	
   Antoine	
   de	
   Jussieu,	
   no	
   final	
   do	
   séc.	
   XVIII,	
   que	
   a	
   família	
   é	
   a	
  
categoria	
   taxonómica	
   superior	
   ao	
   género	
  mais	
  utilizada	
  na	
  organização	
  do	
  mundo	
  vegetal.	
  A	
   generalização	
  do	
  
uso	
  de	
  designações	
  ao	
  nível	
  da	
  família	
  deveu-­‐se,	
  por	
  um	
  lado,	
  à	
  necessidade	
  de	
  reunir	
  a	
  enorme	
  diversidade	
  das	
  
plantas	
  num	
  número	
  mais	
  pequeno	
  de	
  entidades	
  taxonómicas	
  (taxa)	
  de	
  fácil	
  memorização	
  e,	
  por	
  outro,	
  ao	
  facto	
  
de	
  muitas	
   famílias	
   serem	
  de	
   fácil	
   reconhecimento	
  com	
  conhecimentos	
   rudimentares	
  de	
  morfologia	
  externa	
  de	
  
plantas.	
   Apesar	
   da	
   atribuição	
   da	
   categoria	
   familiar	
   a	
   um	
   determinado	
   grupo	
   taxonómico	
   ser	
   eminentemente	
  
arbitrária	
   (Nomenclatura	
   filogenética),	
   o	
   conhecimento	
   da	
   diversidade	
   das	
   plantas	
   organiza-­‐se	
   em	
   torno	
   da	
  
categoria	
   da	
   família	
   (Stevens, 2001+).	
   A	
   importância	
   da	
   categoria	
   ordem	
   é	
   recente,	
   deve-­‐se	
   implantação	
   dos	
  
sistemas	
  de	
  classificação	
  cladísticos.‘Pteridófitas’	
  e	
  gimnospérmicas	
  
A	
  sistemática	
  das	
   ‘pteridófitas’	
  e	
  das	
  gimnospérmicas	
  à	
  escala	
  da	
  ordem	
  e	
  da	
   família	
  parece	
  estar	
  a	
  evoluir	
  
para	
   um	
   consenso.	
   Os	
   grupos	
   extintos	
   inscritos	
   no	
   vasto	
   registo	
   fóssil	
   de	
   ‘pteridófitas’	
   e	
   gimnospérmicas	
   –	
  
francamente	
  maior	
  do	
  que	
  o	
  das	
  angiospérmicas	
  –	
  permanecem,	
  no	
  entanto,	
  críticos.	
  As	
   ‘pteridófitas’	
  não	
  são	
  
aprofundadas	
  neste	
  documento	
   (no	
   segundo	
  volume	
  estão	
  descritas,	
  numa	
  perspetiva	
  evolutiva,	
  as	
   subclasses	
  
das	
   ‘pteridófitas’).	
   Na	
   conceptualização	
   das	
   famílias	
   de	
   gimnospérmicas	
   mais	
   adiante	
   apresentada	
  
(Gimnospérmicas)	
   seguiram-­‐se	
   os	
   critérios	
   de	
   (Anderson, Anderson, & Cleal, 2007)	
   complementados	
   com	
   as	
  
atualizações	
  de	
  (Christenhusz, Reveal, Martin, Robert, & Chase, 2011).	
  
Angiospérmicas	
  
A	
   circunscrição	
   dos	
   taxa	
   de	
   plantas-­‐com-­‐flor	
   entre	
   a	
  
subfamília	
   e	
   a	
   ordem	
   mudou	
   radicalmente,	
   nos	
   últimos	
  
anos,	
   com	
   a	
   vulgarização	
   dos	
   métodos	
   de	
   biologia	
  
molecular	
  e	
  a	
  aceitação	
  da	
  cladística.	
  Sem	
  surpresa	
  foram,	
  
por	
   exemplo,	
   reinterpretadas	
   várias	
   famílias	
  
morfologicamente	
  heterogéneas	
  e	
  mal	
  caracterizadas	
  nos	
  
sistemas	
  evolutivos.	
  As	
  Scrophulariaceae	
  e	
  as	
  Primulaceae	
  
são	
   dois	
   exemplos	
   dramáticos.	
   Mudaram	
   recentemente	
  
de	
   família	
   24	
   dos	
   26	
   géneros	
   de	
   Scrophulariaceae	
  
reconhecidos	
   em	
   Portugal	
   continental	
   pela	
   “Nova	
   Flora	
  
de	
  Portugal”	
  (Franco, Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), 1971 e 1984)	
  (Oxelman, Kornhall, Olmstead, 
& Bremer, 2005).	
   Quatro	
   géneros	
   da	
   flora	
   Portuguesa	
   tradicionalmente	
   colocados	
   nas	
   Primulaceae	
   foram	
  
transferidos	
  para	
  duas	
  obscuras	
  famílias	
  de	
  óptimo	
  tropical:	
  Anagallis,	
  Glaux	
  e	
  Asterolinon	
  para	
  as	
  Myrsinaceae,	
  e	
  
Samolus	
  para	
  as	
  Theophrastaceae	
  (Stevens, 2001+).	
  
A	
   circunscrição	
   das	
   famílias	
   de	
   angiospérmicas	
   adotada	
   neste	
   documento	
   segue	
   o	
   sistema	
   APG,	
  
concretamente	
   na	
   sua	
   última	
   versão	
   –	
   o	
   APG	
   III	
   (Angiosperm Phylogeny Group, 2009)	
   –	
   vertido	
   numa	
  
nomenclatura	
   lineana	
  por	
  Chase	
  &	
  Reveal	
   (Chase & Reveal, A phylogenetic classification of the land plants to 
accompany APG III, 2009)	
  26	
  (quadro	
  10).	
  
O	
   sistema	
   APG	
   resulta	
   da	
   colaboração	
   de	
   um	
   alargado	
   grupo	
   multinacional	
   de	
   autores	
   e	
   instituições	
   de	
  
referência.	
   Desde	
   a	
   publicação	
   da	
   sua	
   primeira	
   versão	
   –	
   o	
   APG	
   I	
   –	
   em	
  1998,	
   tem	
   vindo	
   a	
   ser	
   elegido	
   por	
   um	
  
 
26	
  As	
  relações	
  das	
  Boraginaceae	
  com	
  as	
  demais	
  euasteridas	
   I	
  continua	
  por	
  clarificar,	
  incertae	
  sedis	
   (de	
  posição	
   incerta)	
   tem	
  
esse	
  significado.	
  
	
  
Figura	
  1.	
  Sistema	
  APG	
  III.	
  Cabeçalho	
  do	
  paper	
  original.	
  
26	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
número	
  crescente	
  de	
  autores	
  e	
  publicações.	
  Oferece-­‐se	
  como	
  exemplo	
  duas	
  importantes	
  obras	
  de	
  taxonomia,	
  o	
  
Seed	
   Plants	
   of	
   Southern	
  Africa:	
   Families	
   and	
  Genera	
   (Leistner, 2005)	
   e	
   o	
  Mabberley's	
   Plant-­‐book	
   (Mabberlley, 
2008).	
  O	
  sistema	
  APG	
  converteu-­‐se	
  no	
  standard	
  da	
  moderna	
  taxonomia	
  de	
  plantas-­‐com-­‐flor	
  sendo	
  o	
  seu	
  ensino	
  a	
  
nível	
  universitário	
  e	
  não	
  universitário	
  urgente	
  em	
  Portugal.	
  
	
  
Subclas.	
  Magnoliidae	
  [angiospérmicas]	
  
Superord.	
  Amborellanae	
  
Superord.	
  Nymphaeanae	
  
Ord.	
  Nymphaeales	
  
Superord.	
  Magnolianae	
  
Ord.	
  Canellales	
  
Ord.	
  Laurales	
  
Ord.	
  Magnoliales	
  
Ord.	
  Piperales	
  
Superord.	
  Lilianae	
  [monocotiledóneas]	
  
Ord.	
  Acorales	
  
Ord.	
  Alismatales	
  
Ord.	
  Asparagales	
  
Ord.	
  Dioscoreales	
  
Ord.	
  Liliales	
  
[commelinidas]	
  
Ord.	
  Arecales	
  
Ord.	
  Commelinales	
  
Ord.	
  Poales	
  
Ord.	
  Zingiberales	
  
Superord.	
  Ceratophyllanae	
  
Ord.	
  Ceratophyllales	
  
[eudicotiledóneas]	
  
Superord.	
  Buxanae	
  
Ord.	
  Buxales	
  
Superord.	
  Proteanae	
  
Ord.	
  Proteales	
  
Superord.	
  Ranunculanae	
  
Ord.	
  Ranunculales	
  
[eudicot.	
  superiores]	
  
Superord.	
  Rosanae	
  	
  
Ord.	
  Vitales	
  
[fabidas:	
  eurosidas	
  I]	
  
Ord.	
  Celastrales	
  
Ord.	
  Cucurbitales	
  
Ord.	
  Fabales	
  
Ord.	
  Fagales	
  
Ord.	
  Oxalidales	
  
Ord.	
  Rosales	
  
Ord.	
  Zygophyllales	
  
[malvidas:	
  eurosidas	
  II]	
  
Ord.	
  Brassicales	
  
Ord.	
  Geraniales	
  
Ord.	
  Malvales	
  
Ord.	
  Myrtales	
  
Ord.	
  Sapindales	
  
Superord.	
  Caryophyllanae	
  
Ord.	
  Caryophyllales	
  
Superord.	
  Asteranae	
  
Ord.	
  Ericales	
  
[lamiidas:	
  euasteridas	
  I]	
  
incertae	
  sedis	
  (Boraginaceae)	
  
Ord.	
  Gentianales	
  
Ord.	
  Lamiales	
  
Ord.	
  Solanales	
  	
  
[campanulidas:	
  euasteridas	
  II]	
  
Ord.	
  Apiales	
  
Ord.	
  Aquifoliales	
  
Ord.	
  Asterales	
  
	
  
	
  
O	
  APG	
  é	
  um	
  sistema	
  cladístico	
  de	
  base	
  molecular,	
  por	
  conseguinte,	
  apresenta	
  sérias	
  discrepâncias	
  formais	
  e	
  
taxonómicas	
   frente	
   aos	
   sistemas	
   de	
   classificação	
   evolutivos	
   (e.g.	
   Sistema	
   de	
   Cronquist).	
   Estas	
   diferenças	
   não	
  
serão	
  exploradas	
  em	
  pormenor,	
  na	
  descrição	
  Famílias	
  de	
  plantas-­‐com-­‐semente	
  de	
  maior	
  interesse	
  ecológico	
  ou	
  
económico	
   que	
   se	
   segue.	
   Ainda	
   assim,	
   para	
   evitar	
   uma	
   ruptura	
   demasiado	
   brusca	
   com	
   o	
   passado	
   foram,	
  
pontualmente,	
  adicionados	
  alguns	
  comentários	
  sobre	
  a	
  interpretação	
  tradicional	
  dos	
  taxa	
  em	
  estudo.	
  Recorde-­‐se	
  
que	
   o	
   sistema	
   de	
   Engler	
   perdurou	
   durante	
   quase	
   um	
   século,	
   com	
   pequenas	
   modificações,	
   nas	
   Floras	
   de	
  
referência	
  Sistemas	
  evolutivos).	
  
A	
   fim	
   de	
   evitar	
   uma	
   proliferação	
   excessiva	
   de	
   pontos	
   e	
   subpontos,	
   as	
   famílias	
   de	
   angiospérmicas	
   foram	
  
repartidas	
   no	
   texto	
   que	
   se	
   segue	
   por	
   quatro	
   grandes	
   grupos:	
   angiospérmicas	
   basais,	
   magnoliidas,	
  
monocotiledónease	
  eudicotiledóneas;	
  as	
  superordens	
  foram	
  omitidas.	
  As	
  magnoliidas,	
  as	
  monocotiledóneas	
  e	
  as	
  
Quadro	
  10.	
  Transcrição	
  do	
  sistema	
  APG	
  III	
  numa	
  nomenclatura	
  lineana	
  	
  
27	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
eudicotiledóneas	
   são	
   monofiléticas;	
   as	
   angiospérmicas	
   basais	
   são	
   parafiléticas.	
   Para	
   facilitar	
   a	
   exposição	
  
admitiram-­‐se	
  vários	
  grados	
   (grupos	
  parafiléticos)	
  –	
  devidamente	
  assinalados	
  com	
  aspas	
  simples	
   (‘	
   ‘)	
  –	
  em	
  cada	
  
um	
  destes	
  grandes	
  grupos	
  (e.g.	
  ‘angiospérmicas	
  basais’).	
  	
  
A	
  descrição	
  das	
  famílias	
  botânicas	
  que	
  se	
  segue	
  foi,	
  em	
  grande	
  parte,	
  adaptada	
  do	
  Guia	
  de	
  Árvores	
  e	
  Arbustos	
  
de	
  Portugal	
  Continental	
  de	
  (Bingre, Aguiar, Espírito-Santo, Arsénio, & Monteiro-Henriques, 2007),	
  que	
  por	
  sua	
  
vez	
   foi	
   beber	
   da	
   informação	
   veiculada	
   por	
   (Judd, Campbell, Kellog, Stevens, & Donoghue, 2007),	
   (Heywood, 
1993),	
  (Spichiger, Savoilainen, Figeat, & Jeanmonod, 2004),	
  (Stevens, 2001+)	
  e	
  (Watson & Dallwitz, 1992+).	
  Para	
  
facilitar	
   a	
  percepção	
  da	
  morfologia	
  das	
   famílias,	
   de	
  uma	
   forma	
  muito	
   concisa,	
   é	
  oferecida	
   informação	
   sobre	
  o	
  
número	
  de	
  espécies	
  à	
  escala	
  global	
  ou	
  presentes	
  em	
  Portugal	
  continental	
  e	
  um	
  apontamento	
  sobre	
  as	
  plantas	
  de	
  
maior	
   interesse	
   económico.	
   Os	
   exemplos	
   incluídos	
   nos	
   dois	
   primeiros	
   volumes	
   e	
   nas	
   descrições	
   das	
   famílias,	
  
salvo	
  indicação	
  em	
  contrário,	
  referem-­‐se	
  à	
  flora	
  de	
  Portugal	
  (inc.	
  arquipélagos	
  atlânticos)	
  ou	
  a	
  plantas	
  cultivadas.	
  
A	
   descrição	
   das	
   famílias	
   foi,	
   em	
   grande	
   parte,	
   reduzida	
   aos	
   caracteres	
   necessários	
   para	
   uma	
   identificação	
  
positiva.	
   A	
   sublinhado	
   indicaram-­‐se	
   os	
   caracteres	
   morfológicos	
   exclusivos	
   ou	
   com	
  maior	
   valor	
   diagnóstico	
   na	
  
diferenciação	
  das	
  famílias.	
  	
  
Nas	
  descrições,	
  por	
  omissão,	
  admitem-­‐se:	
  
� Folhas	
  constituídas	
  por	
  pecíolo	
  e	
  limbo,	
  sem	
  estípulas;	
  
� Flores	
  de	
  média	
  dimensão,	
  cíclicas	
  (peças	
  florais	
  do	
  mesmo	
  tipo	
  inseridas	
  no	
  mesmo	
  nó),	
  hermafroditas	
  
(flores	
  com	
  estames	
  e	
  carpelos),	
  heteroclamídeas	
  (flores	
  com	
  sépalas	
  e	
  pétalas),	
  sem	
  hipanto	
  (estrutura	
  
em	
  forma	
  de	
  disco,	
  taça	
  ou	
  copo	
  que	
  envolve	
  o	
  ovário	
  e	
  onde	
  se	
  inserem	
  sépalas,	
  pétalas	
  e	
  estames);	
  
� Estames	
  livres	
  (filetes	
  ou	
  anteras	
  não	
  soldados	
  entre	
  si)	
  inseridos	
  pelo	
  filete	
  no	
  recetáculo	
  (não	
  soldados	
  
à	
  corola);	
  
� No	
  caso	
  de	
  existir	
  mais	
  que	
  1	
  carpelo,	
  carpelos	
  soldados	
  num	
  único	
  ovário	
  (gineceu	
  sincárpico);	
  
� Ovário	
   com	
  mais	
   de	
   um	
   primórdio	
   seminal,	
   placentação	
   axilar	
   (primórdios	
   seminais	
   inseridos	
   no	
   eixo	
  
central	
  de	
  um	
  ovário	
  com	
  mais	
  de	
  2	
  carpelos)	
  ou	
  irrelevante	
  para	
  a	
  identificação	
  da	
  família.	
  
As	
   peças	
   (semelhantes	
   entre	
   si)	
   que	
   envolvem	
   os	
   estames	
   e	
   os	
   carpelos	
   nas	
   flores	
   haploclamídeas	
   ou	
  
homoclamídeas	
  foram	
  designadas	
  por	
  tépalas.	
  No	
  entanto,	
  mantiveram-­‐se	
  os	
  conceitos	
  de	
  pétala	
  e	
  de	
  sépala	
  nos	
  
casos	
   de	
   perda	
   evolutiva,	
   inequívoca,	
   de	
   um	
   dos	
   verticilos	
   do	
   perianto.	
   A	
   descrição	
   da	
   nervação	
   e	
   outras	
  
características	
   foliares	
   nas	
   folhas	
   compostas	
   refere-­‐se	
   aos	
   folíolos.	
  Os	
   desenhos	
   foram	
   retirados	
   de	
  Watson	
  &	
  
Dallwitz	
  (Watson & Dallwitz, 1992+).	
  
2.2. Famílias	
   de	
   plantas-­‐com-­‐semente	
   de	
   maior	
   interesse	
   ecológico	
   ou	
  
económico	
  	
  
2.2.1. Gimnospérmicas	
  
	
  
Fisionomia.	
   Árvores,	
   com	
   menos	
   frequência	
   arbustos,	
   com	
   um	
   eixo	
   (tronco)	
   bem	
   definido,	
   regra	
   geral	
  
monoicas.	
  	
  
Anatomia.	
  Xilema	
  com	
  traqueídos	
  –	
  sem	
  vasos	
  lenhosos	
  (excepto	
  em	
  Gnetopsida)	
  nem	
  fibras	
  xilémicas	
  –	
  com	
  
uma	
  dupla	
  função	
  de	
  suporte	
  e	
  transporte	
  de	
  solutos.	
  	
  
Folha.	
  Inteiras,	
  muito	
  estreitas	
  ou	
  em	
  forma	
  de	
  escama	
  (excepto	
  Ginkgo	
  biloba	
  e	
  Cycadidae).	
  	
  
28	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Chave	
  dicotómica	
  1. Famílias	
  de	
  gimnospérmicas	
  indígenas	
  ou	
  de	
  maior	
  interesse	
  económico	
  em	
  Portugal	
  	
  
1.	
   Folhas	
   em	
   forma	
   de	
   leque	
   (flabeliformes),	
   verde-­‐claras,	
   com	
   pecíolos	
   longos	
   e	
   caducas;	
   frutificação	
   drupácea;	
   plantas	
   dioicas	
  
	
  ......................................................................................................................................................................................	
  Ginkgoaceae	
  	
  
-­‐	
  Plantas	
  sem	
  esta	
  combinação	
  de	
  caracteres	
  .................................................................................................................................	
  2	
  
2.	
  Ramos	
  articulados;	
  folhas	
  escamiformes,	
  geralmente	
  acastanhadas	
  e	
  não	
  assimiladoras;	
  frutificações	
  carnudas;	
  plantas	
  arbustivas	
  
dioicas	
  ................................................................................................................................................................................................	
  	
  
	
  	
  .....................................................................................................................................................................................	
  Ephedraceae	
  	
  
-­‐	
  Ramos	
  não	
  articulados;	
   folhas	
  verdes,	
  escamiformes	
  ou	
  aciculares;	
   frutificações	
  secas	
  ou	
  carnudas;	
  árvores	
  monoicas	
  ou	
  dioicas,	
  
raramente	
  arbustos	
  .........................................................................................................................................................................	
  3	
  
3.	
   Pequenas	
   árvores	
   similares	
   a	
   palmeiras	
   de	
   tronco	
   raramente	
   ramificado;	
   folhas	
   grandes	
   penaticompostas	
   agrupadas	
   na	
  
extremidade	
  do	
  tronco	
  .............................................................................................................................................	
  Cycadaceae	
  s.l.	
  
-­‐	
  Árvores	
  ou	
  arbustos	
  profusamenteramificados;	
  folhas	
  mais	
  pequenas	
  ......................................................................................	
  4	
  
4.	
   Folhas	
   opostas	
   ou	
   verticiladas,	
   geralmente	
   aplicadas,	
   escamiformes,	
   raramente	
   aciculares;	
   estróbilos	
   de	
   escamas	
   opostas	
   ou	
  
verticiladas	
  	
  .......................................................................................................................................................	
  Cupressaceae	
  s.str.	
  	
  
-­‐	
  Folhas	
  não	
  aplicadas,	
  alternas	
  espiraladas,	
  às	
  vezes	
  subdísticas	
  (dispostas	
  em	
  2	
  fiadas	
  ao	
  longo	
  dos	
  raminhos)	
  por	
  torção,	
  raramente	
  
opostas	
  e	
  então	
  grandes	
  e	
  largas;	
  estróbilos	
  com	
  as	
  escamas	
  em	
  espiral	
  ou	
  então	
  sementes	
  solitárias	
  .......................................	
  5	
  
5.	
  Sementes	
  solitárias,	
  rodeadas	
  de	
  um	
  invólucro	
  carnudo	
  (arilo);	
  plantas	
  dioicas	
  não	
  resinosas	
  	
  ...................................	
  Taxaceae	
  	
  
-­‐	
  Sementes	
  nunca	
  solitárias	
  e	
  rodeadas	
  de	
  um	
  invólucro	
  carnudo;	
  monoicas	
  ou	
  dioicas;	
  resinosas	
  ou	
  não	
  	
  ................................	
  6	
  
6.	
  Folhas	
  geralmente	
   largas,	
  às	
  vezes	
  estreitas	
  e	
  aciculares;	
  escama	
  fértil	
  e	
  escama	
  tectriz	
  concrescentes;	
  1	
  primórdio	
  seminal	
  por	
  
escama	
  seminífera	
  .....................................................................................................................................................	
  Araucariaceae	
  
-­‐	
  Folhas	
  estreitas,	
  lineares,	
  aciculares	
  ou	
  escamiformes;	
  escama	
  tectriz	
  livre	
  ou	
  concrescente;	
  2	
  a	
  15	
  primórdios	
  seminais	
  por	
  escama	
  
seminífera	
  ........................................................................................................................................................................................	
  7	
  
7.	
  2	
  primórdios	
  seminais	
  por	
  escama	
  fértil;	
  escamas	
  tectriz	
  e	
  seminífera	
  livres;	
  sementes	
  com	
  asa	
  terminal,	
  raramente	
  ápteras;	
  folhas	
  
dispostas	
  espiraladamente	
  ao	
  longo	
  dos	
  ramos	
  ou	
  fasciculadas	
  .......................................................................................	
  Pinaceae	
  	
  
-­‐	
  2	
  a	
  15	
  primórdios	
   seminais	
  por	
  escama	
   fértil;	
   escamas	
   tectriz	
  e	
   seminífera	
   intimamente	
  unidas;	
   folhas	
  normalmente	
   subdísticas	
  
(excepto	
  Sequoiadendron	
  e	
  Cryptomeria	
  )	
  .....................................	
  Taxodiaceae	
  (família	
  atualmente	
  incluída	
  em	
  Cupressaceae)	
  	
  
	
  
Estruturas	
   reprodutivas.	
   Sem	
   flores.	
   Esporângios	
   ♂ –	
   sacos	
   polínicos	
   –	
   inseridos	
   em	
   escamas	
   polínicas	
  
(microsporofilos)	
   por	
   sua	
   vez	
   organizadas	
   em	
   estróbilos	
  ♂. Esporângios	
  ♀ –	
   primórdios	
   seminais	
   –	
   solitários	
  
(Taxus),	
  aos	
  pares	
  (Ginkgo),	
  na	
  margem	
  de	
  megasporofilos	
  solitários	
  (Cycas),	
  ou	
  produzidos	
  em	
  escamas	
  férteis	
  
(megasporofilos)	
   agrupadas	
   em	
   estróbilos	
   ♀	
   (condição	
   mais	
   frequente).	
   Estróbilos	
   ♀	
   constituídos	
   por	
   uma	
  
escama	
  fértil	
  (ou	
  seminífera),	
  sobre	
  a	
  qual	
  se	
  dispõem	
  os	
  primórdios	
  seminais,	
  inserida	
  na	
  axila	
  de	
  uma	
  escama	
  
Figura	
  2.	
  Estróbilos	
  ♂	
  e	
  ♀. A)	
  Estróbilos	
  ♂	
  de	
  Cedrus	
  atlantica	
  (Pinaceae).	
  B)	
  Estróbilo	
  ♀	
  de	
  
Pseudotsuga	
  menziesii	
  (Pinaceae)	
  com	
  escamas	
  estéreis	
  tricuspidadas	
  a	
  axilar	
  escamas	
  férteis.	
  
A) 	
  B) 	
  
29	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
estéril	
   (ou	
   tectriz).	
   Primórdios	
   seminais	
   com	
   um	
   tegumento,	
   providos	
   de	
   uma	
   câmara	
   polínica,	
   em	
   contacto	
  
direto	
  com	
  o	
  exterior	
  (não	
  protegidos	
  no	
  interior	
  de	
  um	
  carpelo	
  como	
  nas	
  angiospérmicas).	
  Gametófito	
  menos	
  
reduzido	
  do	
  que	
  nas	
  angiospérmicas.	
  As	
  Cycadidae,	
  Ginkgoidae	
  e	
  as	
  Gnetidae	
  são	
  dioicas;	
  as	
  Pinidae	
  só	
  são,	
  salvo	
  
raras	
  excepções,	
  monoicas.	
  
Biologia	
  da	
  reprodução.	
  Pólen	
  geralmente	
  transportado	
  pelo	
  vento	
  (Gnetum,	
  Ephedra,	
  Welwitschia	
  e	
  Zamia	
  
são	
  maioritariamente	
  entomófilas)	
   e	
  diretamente	
   capturado	
  pelos	
  primórdios	
   seminais	
   (germinação	
  micropilar	
  
do	
  pólen).	
  Período	
  que	
  decorre	
  entre	
  a	
  polinização	
  e	
  a	
  fecundação	
  normalmente	
  superior	
  a	
  1	
  ano.	
  Inexistência	
  de	
  
dupla	
  fecundação	
  (exceto	
  em	
  Gnetopsida)	
  e	
  endosperma	
  sempre	
  haploide.	
  	
  
Frutificações	
   e	
   sementes.	
   Sem	
   frutos:	
   estruturas	
   reprodutivas	
   ♀	
   maduras	
   designadas	
   por	
   frutificações.	
  
Sementes	
  com	
  endosperma	
  primário	
  haploide,	
  formado	
  antes	
  da	
  fecundação.	
  Regra	
  geral	
  as	
  sementes	
  são	
  secas	
  
de	
  dispersão	
  barocórica	
  ou	
  anemocórica	
  nas	
  espécies	
  monoicas,	
  e	
  carnudas	
  de	
  dispersão	
  zoocórica	
  nas	
  espécies	
  
dioicas.	
  
Observações	
   taxonómicas.	
   As	
   relações	
   evolutivas	
   entre	
   as	
   linhagens	
   atuais	
   das	
   plantas-­‐com-­‐semente	
  
continuam	
   por	
   resolver	
   (Mathews, 2009).	
   Também	
   permanece	
   em	
   aberto	
   qual	
   dos	
   grandes	
   grupos	
   de	
  
gimnospérmicas	
  atuais	
  é	
  filogeneticamente	
  mais	
  próximo	
  das	
  plantas-­‐com-­‐flor	
  (vd.	
  Volume	
  II).	
  
2.2.1.1. Cycadidae	
  
Fisionomia.	
   Pequenas	
   árvores	
   ou	
   arbustos	
   dioicos,	
   semelhantes	
   a	
   pequenas	
   palmeiras	
   ou	
   fetos	
  
arborescentes,	
   com	
   escasso	
   crescimento	
   secundário.	
   Estabelecem	
   simbioses	
   nas	
   raízes	
   com	
   bactérias	
   azuis-­‐
esverdeadas	
  fixadoras	
  de	
  azoto	
  dos	
  gén.	
  Nostoc	
  e	
  Anabaena.	
  
Folha.	
  Folhas	
  compostas,	
  por	
  vezes	
  circinadas.	
  Produção	
  anual	
  de	
  um	
  verticilo	
  de	
  folhas,	
  de	
  fácil	
  identificação.	
  
Estruturas	
   reprodutivas.	
   Megasporofilos	
   grandes	
   e	
   livres	
   com	
   primórdios	
   seminais	
   marginais	
   na	
   família	
  
Cycadaceae,	
   mais	
   reduzidos	
   e	
   organizados	
   em	
   estróbilos	
   ♀ nas	
   famílias	
   mais	
   evoluídas	
   (e.g.	
   Zamiaceae).	
  
Gametas	
   ♂	
   flagelados	
   (anterozoides)	
   libertados	
   por	
   um	
   tubo	
   polínico	
   na	
   proximidade	
   dos	
   gâmetas	
   ♀	
  
(sifonogamia	
  imperfeita).	
  Com	
  frequência	
  mais	
  de	
  6	
  meses	
  medeiam	
  a	
  polinização	
  e	
  fecundação.	
  
Observações	
   taxonómicas.	
   Atualmente,	
   existe	
   a	
   tendência	
   de	
   reconhecer	
   noâmbito	
   das	
   Cycadidae	
   duas	
  
(Cycadaceae	
  s.str.	
  e	
  Zamiaceae)	
  ou	
  quatro	
  famílias	
  (Boweniaceae,	
  Cycadaceae	
  s.str.,	
  Stangeriaceae	
  e	
  Zamiaceae)	
  
porém,	
  na	
  bibliografia,	
  é	
  ainda	
  frequente	
  surgirem	
  reunidas	
  numa	
  fam.	
  Cycadaceae	
  s.l.	
  É	
  consensual	
  que	
  as	
  cicas	
  
se	
  situam	
  na	
  base	
  da	
  árvore	
  filogenética	
  das	
  gimnospérmicas.	
  Ca.	
  de	
  300	
  espécies.	
  
I. Cycadaceae	
  s.str.	
  
Estruturas	
  reprodutivas.	
  Megasporofilos	
  livres,	
  foliáceos,	
  penatipartidos	
  ou	
  inteiros,	
  organizados	
  numa	
  coroa	
  
no	
   extremo	
   do	
   caule,	
   com	
   os	
   primórdios	
   seminais	
   inseridos	
   nas	
   margens.	
   Primórdios	
   seminais	
   de	
   grandes	
  
dimensões	
  (até	
  7	
  cm).	
  	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Territórios	
   temperados	
   quentes	
   ou	
   tropicais;	
   maior	
   parte	
   das	
   espécies	
  
concentradas	
  no	
  Hemisfério	
  Sul.	
  	
  
Botânica	
   económica.	
   Interesse	
   maioritariamente	
   ornamental.	
   As	
   folhas	
   e	
   a	
   medula	
   dos	
   troncos	
   das	
  
Cycadaceae	
  são	
  geralmente	
  muito	
  tóxicas.	
  
	
  
30	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
2.2.1.2. Ginkgoidae	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Subclasse	
  com	
  um	
  único	
  representante	
  na	
  flora	
  atual:	
  Ginkgo	
  biloba	
  [ginkgo].	
  As	
  
ginkgoídas	
   eram	
   frequentes	
   nas	
   florestas	
   do	
   hemisfério	
   norte	
   durante	
   o	
  Terciário,	
   há	
  mais	
   de	
   1,8	
  milhões	
   de	
  
anos.	
  
II. Ginkgoaceae	
  
Fisionomia.	
   Árvores	
   dioicas.	
   Ramos	
   de	
   dois	
   tipos:	
   ramos	
   compridos	
   (macroblastos),	
   nos	
   quais	
   se	
   inserem	
  
ramos	
  curtos	
  (braquiblastos)	
  com	
  uma	
  pequena	
  roseta	
  de	
  folhas	
  terminal.	
  	
  
Folha.	
  Folhas	
  caducas,	
  em	
  forma	
  de	
  leque	
  (flabeladas),	
  nervação	
  aberta	
  dicotómica,	
  com	
  ou	
  sem	
  um	
  pequeno	
  
entalhe	
  a	
  meio.	
  	
  
Estruturas	
   reprodutivas	
  e	
   sementes.	
  Estróbilos	
  ♂ amentiformes.	
  Primórdios	
   seminais	
   aos	
  pares	
   (por	
   vezes	
  
em	
  grupos	
  de	
  3)	
  na	
  extremidade	
  de	
  um	
  pedúnculo.	
  Gametas	
  ♂	
  flagelados	
  (anterozoides)	
  libertados	
  por	
  um	
  tubo	
  
polínico	
   na	
   proximidade	
   dos	
   gâmetas	
   ♀	
   (sifonogamia	
   imperfeita).	
   Sementes	
   carnudas	
   de	
   dispersão	
  
endozoocórica,	
  de	
  odor	
  desagradável,	
  razão	
  pela	
  qual	
  apenas	
  se	
  plantam	
  como	
  ornamentais	
  indivíduos	
  ♂.	
  	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Uma	
  espécie	
  –	
  Ginkgo	
  biloba	
  –	
  originária	
  da	
  China.	
  	
  
Botânica	
   económica.	
   Com	
   importância	
   medicinal	
   (insuficiência	
   circulatória	
   e	
   melhoria	
   da	
   memória)	
   e	
  
ornamental.	
  
2.2.1.3. Pinidae	
  
Fisionomia.	
  Maioritariamente	
  árvores	
  monoicas	
  (dioicas	
  em	
  Juniperus),	
  de	
  alongamento	
  monopodial	
  e	
  caules	
  
pseudoverticilados	
   (a	
   idade	
   dos	
   indivíduos	
   jovens	
   pode	
   ser	
   indiretamente	
   avaliada	
   pelo	
   número	
   de	
   verticilos	
  
[andares]).	
  	
  
A) 	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  B) 	
  
Figura	
  3.	
  Cycadaceae.	
  A)	
  Megasporofilos	
  laciniados	
  com	
  primórdios	
  seminais	
  inseridos	
  nas	
  margens	
  de	
  
Cycas	
  revoluta.	
  B)	
  Aspeto	
  de	
  uma	
  C.	
  revoluta	
  cultivada.	
  
31	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Folha.	
   Normalmente	
   persistentes,	
   aciculares,	
  
escamiformes	
  ou	
  linear-­‐lanceoladas.	
  	
  
Estruturas	
   reprodutivas.	
   Grãos	
   de	
   pólen	
  
frequentemente	
   com	
   sacos	
   aéreos.	
   Primórdios	
   seminais	
  
normalmente	
  em	
  estróbilos	
   (excepto	
  Taxus).	
  Estróbilos	
  ♀ 
constituídos	
  por	
  escamas;	
  as	
  escamas	
  ditas	
  seminíferas	
  (=	
  
escamas	
  férteis)	
  situam-­‐se	
  na	
  axila	
  de	
  uma	
  escama	
  tectriz	
  
(=	
  escama	
  estéril)	
  e	
  acomodam	
  na	
  sua	
  superfície	
  1	
  ou	
  mais	
  
primórdios	
   seminais	
   em	
   contacto	
   direto	
   com	
   o	
   exterior.	
  
Nas	
  Pinaceae	
  a	
  escama	
  tectriz	
  é	
   livre;	
  nas	
  Cupressaceae	
  e	
  
nas	
  Araucariaceae	
   está	
  ±	
   soldada	
   com	
  a	
  escama	
   seminal.	
  
Embrião	
  com	
  8	
  a	
  12	
  cotilédones.	
  	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Entre	
   700	
   e	
   900	
   espécies,	
  
distribuídas	
   por	
   ca.	
   de	
   70	
   géneros.	
   Representada	
   em	
   Lu	
  
por	
   3	
   famílias:	
   Pinaceae,	
   Taxaceae	
   e	
   Cupressaceae.	
  
Máximos	
  de	
  diversidade	
  na	
  América	
  do	
  N	
  e	
  no	
  E	
  da	
  Ásia.	
  	
  
Observações	
   taxonómicas.	
   Os	
   estudos	
   filogenéticos	
  
mais	
   recentes	
   indiciam	
   que	
   as	
   Pinaceae	
   são	
   basais	
   na	
  
subclasse.	
  	
  
III. Pinaceae	
  	
  
Fisionomia.	
  Árvores	
  resinosas,	
  raramente	
  arbustos.	
  
Folha.	
  Folhas	
  persistentes,	
  raramente	
  caducas	
  (em	
  Larix	
  e	
  Pseudolarix).	
  
Alguns	
   géneros	
   (e.g.	
   Pinus,	
   Larix	
   e	
   Cedrus)	
   com	
   ramos	
   longos	
  
(macroblastos)	
  e	
  ramos	
  curtos	
  (braquiblastos)	
  onde	
  se	
  inserem	
  todas	
  ou	
  a	
  
maioria	
  das	
  folhas.	
  Outros	
  somente	
  com	
  macroblastos	
  (e.g.	
  Abies	
  e	
  Picea).	
  
Folhas	
  lineares	
  ou	
  aciculares,	
  no	
  género	
  Pinus	
  agrupadas	
  em	
  braquiblastos	
  
muitos	
  curtos	
  por	
  sua	
  vez	
   inseridos	
  na	
  axila	
  de	
  folhas	
  escamiformes,	
  sem	
  
clorofila,	
  que	
  revestem	
  os	
  macroblastos.	
  
Estruturas	
   reprodutivas.	
   Estróbilos	
   ♀	
   (pinhas)	
   caducos	
   quando	
  
maduros	
   (persistentes	
   em	
   Pinus	
   halepensis),	
   com	
   escamas	
   seminíferas	
   e	
  
tectrizes	
   normalmente	
   bem	
   diferenciadas.	
   Duas	
   sementes	
   por	
   escama	
  
seminífera	
  com	
  uma	
  asa	
  geralmente	
  longa.	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Família	
   mais	
   diversa	
   das	
   gimnospérmicas	
  
(210	
   sp.).	
   Restringida	
   ao	
   hemisfério	
   norte.	
   Duas	
   espécies	
   de	
   Pinus	
  
indígenas	
   de	
   Lu:	
   Pinus	
   pinaster	
   «pinheiro-­‐bravo»	
   e	
   P.	
   pinea	
   «pinheiro-­‐
manso».	
  O	
  P.	
  sylvestris	
  «pinheiro-­‐silvestre»	
  está	
  provavelmente	
  extinto	
  no	
  
país.	
  
Botânica	
   económica.	
   Família	
   de	
   excecional	
   importância	
   ecológica	
   e	
  
económica:	
   domina	
   grande	
  parte	
  das	
   florestas	
  boreais	
   e	
  de	
  montanha	
  do	
  hemisfério	
  norte;	
   inclui	
   um	
  elevado	
  
número	
   de	
   espécies	
   cominteresse	
   florestal	
   (e.g.	
   Pinus	
   sp.pl.,	
   Picea	
   abies),	
   ornamental	
   (e.g.	
   Cedrus	
   sp.pl),	
  
alimentar	
   (P.	
   pinea,	
   pinheiro-­‐manso),	
   farmacêutico	
   e	
   químico	
   (e.g.	
   Pinus	
   pinaster).	
   A	
   árvore	
   mais	
   velha	
   do	
  
mundo,	
   com	
   mais	
   de	
   4770	
   anos,	
   é	
   um	
   exemplar	
   californiano	
   de	
   Pinus	
   longaeva.	
   Muito	
   recentemente,	
   foi	
  
descoberto	
  um	
  exemplar	
  de	
  Picea	
  abies	
  no	
  norte	
  da	
  Suécia	
  em	
  cujo	
  sistema	
  radicular	
  foram	
  destetados	
  tecidos	
  
com	
  mais	
  de	
  9550	
  anos	
  (o	
  tronco	
  da	
  árvore	
  é	
  muito	
  mais	
  recente).	
  
IV. Cupressaceae	
  (inc.	
  Taxodiaceae)	
  	
  
Fisionomia.	
  Árvores	
  ou	
  arbustos	
  resinosos.	
  	
  
	
  
Figura	
  4.	
  Relações	
  evolutivas	
  entre	
  as	
  pinidas	
  
www.mobot.org/MOBOT/research/APweb/	
  
	
  
Figura	
  5.	
  Pinaceae.	
  Macroblastos	
  com	
  
braquiblastos	
  de	
  Cedrus	
  deodara	
  
32	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Folha.	
   Folhas	
   persistentes	
   (caducas	
   em	
   Taxodium	
   e	
   Metasequoia),	
   em	
   forma	
   de	
   escama	
   (folhas	
  
escamiformes)	
  ou	
  estreitas	
  e	
  alongadas	
   (folhas	
   lineares	
  ou	
  aciculares).	
   Folhas	
  geralmente	
  escamiformes	
  muito	
  
pequenas	
   e	
   oposto-­‐cruzadas	
   (2	
   por	
   nó	
   em	
   cruz	
   com	
   as	
   do	
   nó	
   seguinte).	
   Nas	
   espécies	
   com	
   folhas	
   lineares	
   ou	
  
aciculares	
   estas	
   podem	
   apresentar-­‐se	
   verticiladas	
   (em	
   Juniperus),	
   opostas	
   (em	
   Metasequoia)	
   ou	
   alternas,	
  
arranjadas	
  em	
  espiral	
  ou	
  em	
  duas	
  fiadas,	
  num	
  único	
  plano,	
  por	
  torção	
  na	
  base.	
  
Estruturas	
   reprodutivas.	
   Estróbilos	
   ♀ globosos	
   ou	
   ovoides,	
   persistentes,	
   lenhosos	
   ou	
   carnudos	
   (em	
  
Juniperus);	
  escamas	
  tectrizes	
  impercetíveis;	
  escamas	
  seminíferas	
  frequentemente	
  em	
  forma	
  de	
  cabeça	
  de	
  prego,	
  
sempre	
  inseridas	
  num	
  eixo	
  muito	
  curto,	
  com	
  1	
  a	
  20	
  primórdios	
  seminais.	
  
Observações	
  taxonómicas.	
  Os	
  gén.	
  Sequoia	
  e	
  Cryptomeria,	
  entre	
  outros,	
  tradicionalmente	
  eram	
  incluídos	
  na	
  
fam.	
  Taxodiaceae.	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Segunda	
   família	
   mais	
   diversa	
   de	
   gimnospérmicas	
   (133	
   sp.).	
   Distribuição	
  
cosmopolita.	
   4	
   sp.	
   em	
   Lu	
   (J.	
   communis	
   subsp.	
   pl.,	
   J.	
  oxycedrus,	
   J.	
   navicularis,	
   J.	
   turbinata	
   subsp.	
   turbinata),	
   2	
  
espécies	
  na	
  Ma	
  (Juniperus	
  cedrus	
  e	
  J.	
  turbinata	
  subsp.	
  canariensis)	
  e	
  uma	
  outra	
  nos	
  Az	
  (J.	
  brevifolia).	
  
Botânica	
   económica.	
   Elevado	
   número	
   de	
   plantas	
   com	
   interesse	
   ornamental	
   (e.g.	
   Juniperus	
   sp.pl.,	
  
Chamaecyparis	
   sp.pl.,	
  Cupressus	
   sp.pl.	
   e	
   x	
   Cupressocyparis	
   leylandii)	
   ou	
   na	
   produção	
   de	
   lenho	
   (e.g.	
  Cupressus	
  
sp.pl.,	
  Cryptomeria	
  japonica).	
  A	
  Cryptomeria	
  japonica	
  é	
  a	
  mais	
  importante	
  essência	
  florestal	
  cultivada	
  em	
  Az.	
  São	
  
cupressáceas	
   as	
   árvores	
   mais	
   alta	
   (Sequoia	
   sempervirens,	
   111,2	
   m)	
   e	
   com	
   o	
   tronco	
   de	
   maior	
   diâmetro	
  
(Sequoiadendron	
  giganteum,	
  12,4	
  m).	
  
V. Araucariaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores	
  de	
  grande	
  dimensão,	
  com	
  ramos	
  dispostos	
  em	
  andares	
  (verticilados).	
  
Folha.	
  Folhas	
  persistentes,	
  alternas	
  ou	
  opostas,	
  aciculares	
  ou	
  largas	
  e	
  espalmadas.	
  
Estruturas	
  reprodutivas.	
  Escama	
  seminífera	
  dos	
  estróbilos	
  ♀ fundida	
  com	
  a	
  escama	
  tectriz	
  e	
  com	
  1	
  primórdio	
  
seminal.	
   Pinhas	
   eretas,	
   grandes,	
   desfazendo-­‐se	
   na	
   maturação	
   (característica	
   compartilhada	
   com	
   algumas	
  
Pinaceae,	
  e.g.	
  Cedrus	
  e	
  Abies).	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  pequena	
  (33	
  sp.)	
  com	
  apenas	
  3	
  géneros.	
  Restringida	
  ao	
  hemisfério	
  sul,	
  um	
  
terço	
  das	
  espécies	
  concentradas	
  na	
  Ilha	
  da	
  Nova	
  Caledónia.	
  
Botânica	
   económica.	
   Interesse	
  maioritariamente	
   ornamental,	
   sobretudo	
  A.	
   heterophylla	
   e	
  A.	
   araucana.	
   As	
  
sementes	
   de	
   A.	
   angustifolia	
   «pinheiro-­‐do-­‐pará»	
   são	
   comestíveis	
   e	
   semelhantes	
   às	
   da	
   Pinus	
   pinea	
   «pinheiro-­‐
manso».	
  
VI. Taxaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores	
  ou	
  arbustos	
  dioicos	
  (com	
  indivíduos	
  ♂	
  e	
  ♀)	
  não	
  resinosos.	
  
A) B) C) 	
  
Figura	
  6.	
  Cupressaceae	
  e	
  Taxaceae.	
  A)	
  Frutificações	
  e	
  ramos	
  tridimensionais	
  revestidos	
  de	
  folhas	
  escamiformes	
  em	
  Cupressus	
  
lusitanica	
  «cipreste-­‐do-­‐buçaco».	
  B)	
  Gálbulos	
  carnudas	
  e	
  folhas	
  aciculares	
  (verticiladas	
  com	
  3	
  folhas	
  por	
  nó)	
  de	
  Juniperus	
  
oxycedrus	
  .	
  C)	
  Taxus	
  baccata	
  «teixo»;	
  n.b.	
  sementes	
  nuas	
  e	
  solitárias,	
  com	
  um	
  arilo	
  vermelho,	
  inseridas	
  na	
  axila	
  das	
  folhas;	
  
folhas	
  lineares	
  de	
  inserção	
  espiralada,	
  disticadas	
  por	
  torção	
  do	
  pecíolo.	
  
33	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Folha.	
  Folhas	
  persistentes,	
  alternas	
  (ainda	
  que	
  dispostas	
  em	
  duas	
  filas,	
  num	
  único	
  plano,	
  por	
  torção	
  na	
  base),	
  
planas,	
  lineares	
  e	
  com	
  uma	
  nervura	
  média	
  evidente.	
  
Estruturas	
  reprodutivas.	
  Primórdios	
  seminais	
  solitários	
  na	
  axila	
  das	
  folhas,	
  na	
  maturação	
  envolvidos	
  por	
  uma	
  
estrutura	
  carnosa	
  colorida	
  (arilo).	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  pequena	
  (30	
  sp.).	
  Concentrada	
  no	
  hemisfério	
  norte.	
  1	
  espécie	
   indígena	
  de	
  
Portugal	
  (Lu,	
  Az	
  e	
  Ma):	
  Taxus	
  baccata.	
  
Botânica	
  económica.	
  A	
  T.	
  baccata	
  «teixo»	
  é	
  muito	
  cultivada	
  como	
  ornamental	
  embora	
  as	
   suas	
  sementes	
  e	
  
folhas	
   sejam	
  muito	
   tóxicas;	
   o	
   arilo	
   é	
   doce	
   e	
   comestível;	
   da	
   madeira	
   localizada	
   no	
   encontro	
   do	
   cerne	
   com	
   o	
  
alburno	
   faziam-­‐se	
  os	
  melhores	
  arcos	
  medievais.	
  Algumas	
  espécies	
  com	
   interesse	
  medicinal	
   (Taxus)	
  ou	
   florestal	
  
(Torreya).	
  
2.2.1.4. Gnetidae	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Ca.	
   de	
   65	
   sp.	
   de	
   distribuição,	
   maioritariamente,	
   temperada	
   ou	
   mediterrânica.	
  
Quatro	
  géneros	
  de	
  morfologia	
  díspar:	
  Gnetum,	
  Ephedra,Vinkiella	
  e	
  Welwitschia.	
  
VII. Ephedraceae	
  
Fisionomia.	
  Arbustos,	
   raramente	
   árvores,	
   dioicos,	
   não	
   resinosos.	
   Ao	
   contrário	
   das	
   demais	
   gimnospérmicas	
  
atuais	
  têm	
  vasos	
  lenhosos.	
  Caules	
  verticilados	
  com	
  entrenós	
  muito	
  longos,	
  verdes,	
  estriados	
  e	
  articulados.	
  	
  
Folha.	
  Folhas	
  pequenas,	
  opostas	
  ou	
  verticiladas,	
  escamiformes,	
  soldadas	
  entre	
  si.	
  
Estruturas	
   reprodutivas.	
   Primórdios	
   seminais	
   envolvidos	
   por	
   uma	
   estrutura	
   semelhante	
   a	
   um	
   tegumento.	
  
Estróbilos	
  ♀ com	
  escamas	
  opostas	
  ou	
  verticiladas	
  e	
  1-­‐2	
  sementes.	
  Polinização	
  realizada	
  por	
  moscas.	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Uma	
  espécie	
  indígena	
  em	
  Portugal	
  com	
  duas	
  subespécies:	
  Ephedra	
  fragilis	
  subsp.	
  
fragilis,	
  em	
  Lu,	
  e	
  E.	
  fragilis	
  subsp.	
  dissoluta,	
  em	
  Ma.	
  
Botânica	
   económica.	
   Das	
   Ephedra	
   «éfedras»	
   extrai-­‐se	
   a	
   efedrina,	
   um	
   estimulante,	
   supressor	
   do	
   apetite.	
  
Atualmente	
  é	
  sintetizado	
  quimicamente.	
  
2.2.2. Magnoliidae	
  (angiospérmicas)	
  
	
  
Fisionomia.	
   Árvores,	
   arbustos,	
   trepadeiras	
   ou	
   plantas	
   herbáceas,	
   com	
   caules	
   e	
   folhas	
   de	
  morfologia	
  muito	
  
variável.	
  
Fisionomia.	
   Sistema	
   vascular	
   mais	
   evoluído	
   do	
   que	
   o	
   das	
   gimnospérmicas:	
   elementos	
   de	
   tubo	
   crivoso	
   e	
  
células	
  companheiras	
  mais	
  eficientes;	
  presença,	
  simultânea,	
  de	
  traqueídos	
  e	
  de	
  vasos	
  lenhosos	
  (com	
  exceções).	
  	
  
Flor.	
  Diâmetro	
  das	
  flores	
  de	
  menos	
  de	
  1	
  mm	
  (fam.	
  Lemnaceae)	
  a	
  ca.	
  de	
  1	
  m	
  [Rafflesia	
  (Rafflesiaceae)].	
  Flores	
  
de	
   estrutura	
   muito	
   diversa,	
   as	
   mais	
   complexas	
   constituídas,	
   da	
   base	
   para	
   o	
   ápice,	
   pelo	
   cálice	
   (conjunto	
   das	
  
sépalas),	
  corola	
  (conjunto	
  das	
  pétalas),	
  androceu	
  (conjunto	
  dos	
  estames)	
  e	
  gineceu	
  (conjunto	
  dos	
  pistilos).	
  Pólen	
  
com	
   tectum	
   (vd.	
   volume	
   II).	
   Primórdios	
   seminais	
   encerrados	
   num	
   pistilo	
   formado	
   por	
   uma	
   ou	
   mais	
   folhas	
  
modificadas	
   (carpelos)	
  soldadas	
  entre	
  si.	
  Gametófito	
  muito	
  reduzido.	
  Pistilos	
  constituídos	
  por	
  um	
  ovário	
   (parte	
  
basal	
   alargada	
   onde	
   se	
   encontram	
   os	
   primórdios	
   seminais),	
   um	
   estilete	
   (porção	
  mais	
   estreita	
   do	
   pistilo,	
   nem	
  
sempre	
  presente)	
  e	
  um	
  estigma	
  (órgão	
  especializado	
  na	
  captura	
  de	
  grãos	
  de	
  pólen).	
  	
  
Biologia	
   da	
   reprodução.	
   Sistemas	
   de	
   polinização	
   muito	
   variados	
   (pelo	
   vento,	
   água,	
   insectos,	
   etc.).	
  
Germinação	
  estigmática	
  do	
  pólen.	
  Polinização	
  e	
  fecundação	
  quase	
  simultâneas.	
  Presença	
  de	
  dupla	
  fecundação.	
  
Sementes	
  com	
  endosperma	
  triploide	
  (com	
  exceções).	
  Após	
  a	
  fecundação	
  dos	
  primórdios	
  seminais	
  e	
  um	
  período	
  
de	
   maturação	
   relativamente	
   curto,	
   os	
   ovários	
   dão	
   origem	
   aos	
   frutos	
   que	
   contêm	
   no	
   seu	
   interior	
   1	
   ou	
   mais	
  
sementes.	
  	
  
34	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Fruto	
  e	
  semente.	
  Muito	
  variados:	
  secos	
  ou	
  carnudos	
  (com	
  uma	
  polpa	
  rica	
  em	
  água),	
  simples	
  (derivados	
  de	
  um	
  
gineceu	
  com	
  1	
  pistilo)	
  ou	
  múltiplos	
  (oriundos	
  de	
  um	
  gineceu	
  com	
  carpelos	
  livres),	
  por	
  vezes	
  incorporando	
  tecidos	
  
do	
  receptáculo	
  (pseudofrutos),	
  etc.	
  Mecanismos	
  de	
  dispersão	
  muito	
  diversos.	
  	
  
 
2.2.2.1. ‘Angiospérmicas	
  basais’	
  
Morfologia.	
  Flores	
  acíclicas	
  (peças	
  dispostas	
  em	
  espiral)	
  e	
  homoclamídeas.	
  Margem	
  dos	
  carpelos	
  fechada	
  por	
  
secreções;	
   nas	
   demais	
   angiospérmicas	
   os	
   carpelos	
   são	
   suturados	
   por	
   células	
   epidérmicas.	
   As	
   famílias	
  
Amborellaceae	
   e	
   Nymphaeaceae	
   não	
   possuem	
   vasos	
   lenhosos.	
   Algumas	
   Nymphaeaceae	
   têm	
   apenas	
   um	
  
cotilédone	
  e	
  feixes	
  vasculares	
  dispersos	
  no	
  caule.	
  Neste	
  grupo	
  de	
  plantas	
  prevalece	
  a	
  polinização	
  por	
  moscas	
  ou	
  
por	
   coleópteros	
   que	
   recebem	
   uma	
   recompensa	
   alimentar	
   sob	
   a	
   forma	
   de	
   pólen;	
   a	
   polinização	
   por	
   engano	
   é	
  
também	
  frequente.	
  
Observações	
  taxonómicas.	
  Grupo	
  parafilético.	
  
Nymphaeales 
VIII. Nymphaeaceae	
  
Fisionomia.	
  Herbáceas	
  aquáticas	
  rizomatosas.	
  
Folha.	
  Folhas	
  frequentemente	
  grandes,	
  cordadas	
  
ou	
   peltadas,	
   com	
   um	
   pecíolo	
   longo	
   e	
   limbo	
  
submerso,	
  flutuante	
  e/ou	
  emergente.	
  
Inflorescência.	
  Flores	
  solitárias.	
  
Flor.	
   Flores	
   grandes,	
   homo	
   ou	
   heteroclamídeas,	
  
actinomórficas,	
  hermafroditas,	
  providas	
  de	
  um	
  longo	
  
pedicelo.	
   4-­‐12	
   tépalas,	
   espiraladas	
   (flores	
   acíclicas),	
  
livres	
  ou	
  concrescentes,	
  frequentemente	
  petaloideas	
  
e	
  gradualmente	
  transformadas	
  em	
  estames.	
  Estames	
  
3	
  a	
  ∞,	
  lamelares,	
  por	
  vezes	
  reduzidos	
  a	
  estaminódios	
  
petaloideos.	
  Gineceu	
  ínfero	
  ou	
  súpero	
  de	
  carpelos	
  3	
  
a	
  ∞,	
   livres	
  ou	
  soldados,	
  e	
  estigmas	
   frequentemente	
  
alongados.	
  	
  
Fruto.	
  Múltiplo,	
  seco	
  ou	
  carnudo.	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Fam.	
   de	
   pequena	
  
dimensão	
   (ca.	
   70	
   espécies).	
   Cosmopolita.	
   Dois	
  
géneros	
  em	
  Lu:	
  Nymphaea	
  e	
  Nuphar.	
  
Botânica	
   económica.	
   Interesse	
   ornamental:	
   gén.	
   Nymphaea	
   «nenúfares-­‐brancos»	
   e	
   Nuphar	
   «nenúfares-­‐
amarelos».	
  As	
  folhas,	
  os	
  botões	
  florais	
  e	
  as	
  sementes	
  das	
  Nymphaea	
  são	
  comestíveis.	
  Nos	
  remansos	
  dos	
  rios	
  da	
  
bacia	
  do	
  Amazonas	
  vive	
  a	
  Victoria	
  regia,	
  a	
  planta	
  com	
  a	
  maior	
  folha	
  do	
  mundo.	
  	
  
Austrobaileyales 
IX. Illiciaceae	
  
Botânica	
  económica.	
  O	
  Illicium	
  verum	
  «anis-­‐estrelado»	
  é	
  utilizado	
  em	
  tisanas	
  e	
  dele	
  se	
  extraem	
  precursores	
  
de	
  moléculas	
  antivíricas.	
  
	
  
Figura	
  7.	
  Nymphaeaceae.	
  N.b.	
  em	
  Nuphar	
  luteum	
  «golfão-­‐
amarelo»:	
  inserção	
  helicoidal	
  de	
  5	
  tépalas	
  (flor	
  acíclica),	
  um	
  
grande	
  número	
  de	
  estaminódios	
  petaloideos	
  e	
  ∞	
  estames	
  
(vd.	
  diagrama	
  floral);	
  estames	
  pouco	
  diferenciados,	
  laminares.	
  
35Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
2.2.2.2. Magnoliidas	
  	
  
Morfologia.	
  Árvores,	
  arbustos,	
  trepadeiras	
  ou	
  plantas	
  herbáceas.	
  Presença	
  de	
  glândulas	
  de	
  óleos	
  essenciais	
  e	
  
de	
  grande	
  diversidade	
  de	
  alcaloides.	
  Folhas	
  com	
  ou	
  sem	
  estípulas,	
  peninérveas.	
  Muitas	
  famílias	
  possuem	
  apenas	
  
um	
  prófilo	
   (e.g.	
  Aristolochiaceae	
   e	
  Magnoliaceae).	
   Flores	
   acíclicas	
   (peças	
  dispostas	
  em	
  espiral)	
   ou	
   cíclicas	
   com	
  
verticilos	
  de	
  3	
  peças	
   (trímeros);	
  normalmente	
  homoclamídeas	
   (perianto	
  não	
  diferenciado	
  em	
  cálice	
  e	
  corola)	
  e	
  
hermafroditas.	
   Elevado	
  número	
  de	
  estames	
   frequentemente	
   imperfeitos	
   (filete	
  pouco	
  diferenciado	
  da	
  antera),	
  
com	
  sistemas	
   invulgares	
  de	
  abertura	
  das	
  anteras,	
  um	
  conectivo	
  muito	
  desenvolvido,	
  acessíveis	
  a	
  polinizadores	
  
pouco	
   especializados.	
   Pólen	
   normalmente	
   pouco	
   evoluído	
   (monocolpado	
   e	
   tipos	
   derivados).	
   Gineceu	
  
monocarpelar	
  ou	
  pluricarpelar	
  apocárpico,	
  súpero.	
  Primórdios	
  seminais	
  crassinucelados	
  (de	
  nucela	
  espessa)	
  com	
  
dois	
  tegumentos.	
  Sementes	
  de	
  cotilédones	
  frequentemente	
  impercetíveis.	
  
Observações	
   taxonómicas.	
   Grupo	
  monofilético.	
   Alguns	
   autores	
   designam	
   este	
   grupo	
   como	
   dicotiledóneas	
  
arcaicas	
  ou	
  complexo	
  magnolioide.	
  
Magnoliales 
X. Magnoliaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores	
  ou	
  arbustos.	
  
Folha.	
  Grandes,	
  alternas,	
  simples,	
  inteiras	
  (lobadas	
  em	
  Liriodendron),	
  caducas	
  ou	
  persistentes,	
  com	
  estípulas	
  
grandes	
  e	
  caducas.	
  
Flor.	
   Flores	
   solitárias,	
   grandes,	
   homoclamídeas	
   (sépalas	
   e	
   pétalas	
   não	
   ou	
   pouco	
   diferenciadas),	
  
actinomórficas.	
  6	
   tépalas,	
  grandes,	
  arranjadas	
  em	
  espiral	
  ao	
   longo	
  de	
  um	
  eixo	
  alargado	
   (receptáculo).	
  Estames	
  
numerosos	
   (indefinidos),	
   em	
   espiral,	
   com	
   filete	
   pouco	
   diferenciado	
   da	
   antera.	
   Carpelos	
   numerosos,	
   livres	
  
(gineceu	
  apocárpico),	
  espiralados;	
  ovários	
  súperos	
  normalmente	
  com	
  2	
  óvulos.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  seco	
  semelhante	
  a	
  uma	
  pinha	
  (múltiplo	
  de	
  folículos)	
  ou	
  carnudo	
  (múltiplo	
  de	
  bagas).	
  Sementes	
  
grandes,	
  normalmente	
  carnudas	
  e	
  avermelhadas.	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  de	
  pequena	
  dimensão	
  (ca.	
  227	
  sp.).	
  2	
  centros	
  de	
  diversidade	
  localizados	
  no	
  
SW	
  asiático	
  e	
  nas	
  Américas;	
  extinta	
  na	
  Europa	
  desde	
  o	
  final	
  do	
  Terciário	
  (há	
  mais	
  1,8	
  milhões	
  de	
  anos).	
  
Botânica	
  económica.	
  Com	
  interesse	
  maioritariamente	
  ornamental,	
  e.g.	
  Magnolia	
  «magnólias».	
  
A) B) C) 	
  
Figura	
  8.	
  Magnoliaceae	
  e	
  Annonaceae.	
  A)	
  Folhas	
  e	
  flor	
  de	
  Magnolia	
  grandiflora	
  (Magnoliaceae).	
  B)	
  Eixo	
  (receptáculo)	
  de	
  uma	
  
flor	
  de	
  M.	
  grandiflora;	
  n.b.	
  (debaixo	
  para	
  cima)	
  cicatrizes	
  das	
  tépalas	
  e	
  dos	
  estames	
  e	
  um	
  fruto	
  múltiplo	
  de	
  folículos	
  ainda	
  
imaturos.	
  C)	
  Annona	
  cherimola	
  x	
  A.	
  squamosa	
  (Annonaceae)	
  (Terceira,	
  Açores);	
  n.b.	
  flor	
  com	
  1	
  único	
  verticilo	
  de	
  3	
  tépalas	
  e	
  
um	
  pequeno	
  fruto	
  em	
  diferenciação	
  
36	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
XI. Annonaceae	
  
Botânica	
  económica.	
  Várias	
  espécies	
  de	
  Annona	
  «anoneiras»	
  são	
  cultivadas	
  pelos	
  seus	
  frutos.	
  Nos	
  mercados	
  
portugueses,	
   por	
   vezes	
   provenientes	
   das	
   Ilhas	
   ou	
   do	
   Algarve,	
   são	
   frequentes	
   a	
   A.	
   cherimola	
   e	
   o	
   híbrido	
   A.	
  
cherimola	
   x	
   A.	
   squamosa.	
   Da	
   Cananga	
   odorata	
   extrai-­‐se	
   um	
   óleo	
   essencial,	
   o	
   ylang-­‐ylang,	
   usado	
   em	
  
aromaterapia	
  e	
  perfumaria.	
  
Laurales 
XII. Lauraceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores.	
  
Folha.	
   Folhas	
   aromáticas,	
   simples,	
   inteiras	
  
(raramente	
   lobadas),	
  alternas,	
  peninérveas	
   (par	
  
de	
   nervuras	
   inferior	
   frequentemente	
   mais	
  
proeminente	
  e	
   arqueado	
  em	
  direção	
  ao	
  ápice),	
  
persistentes,	
   frequentemente	
   com	
   pontuações	
  
claras	
   no	
   limbo	
   (glândulas	
   de	
   óleos	
   essenciais).	
  
Folhas	
   senescentes	
   frequentemente	
   com	
   uma	
  
cor	
  avermelhada	
  característica.	
  
Flor.	
   Flores	
   pequenas	
   e	
   pouco	
   vistosas	
  
(descoloridas),	
   homoclamídeas	
   (sépalas	
   e	
  
pétalas	
   não	
   ou	
   pouco	
   diferenciadas),	
  
actinomórficas,	
   receptáculo	
   côncavo,	
  
hermafroditas	
   ou	
   unissexuais.	
   6	
   tépalas	
  
organizadas	
  em	
  2	
  nós	
  de	
  3	
  peças	
  (de	
  2	
  peças	
  em	
  
Laurus).	
   Estames	
   até	
   12,	
   com	
   2	
   nectários	
   na	
  
base	
   do	
   filete,	
   deiscentes	
   por	
   valvas.	
   Ovário	
  
súpero	
  de	
  1	
  carpelo	
  com	
  1	
  primórdio	
  seminal	
  de	
  
placentação	
  apical.	
  Polinização	
  entomófila.	
  
Fruto	
   e	
   semente.	
   Fruto	
   uma	
   drupa.	
   Sementes	
   sem	
   endosperma,	
   com	
   um	
   embrião	
   grande	
   e	
   cotilédones	
  
volumosos,	
  normalmente	
  dispersas	
  por	
  aves.	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Fam.	
   grande	
   (2500	
   sp.).	
   De	
   máxima	
   expressão	
   nos	
   territórios	
   tropicais	
   e	
  
subtropicais.	
  1	
  espécie	
   indígena	
  de	
  Lu	
   (Laurus	
  nobilis),	
  4	
  da	
  Ma	
   (Apollonias	
  barbujana,	
  Laurus	
  novocanariensis,	
  
Ocotea	
  foetens	
  e	
  Persea	
  indica)	
  e	
  1	
  dos	
  Az	
  (Laurus	
  azorica).	
  
Botânica	
  económica.	
  Grande	
   importância	
  ecológica	
  na	
  vegetação	
  arbórea	
  madeirense	
  e	
  açoriana.	
  A	
  Persea	
  
americana	
   tem	
   interesse	
  alimentar	
   (abacateiro).	
  Muitas	
   lauráceas	
   têm	
  um	
  uso	
   condimentar	
  ou	
  medicinal,	
   e.g.	
  
Cinnamomum	
  verum	
  «árvore-­‐da-­‐canela»,	
  Cinnamomum	
  camphora	
  «cânfora»,	
  Laurus	
  nobilis	
  «loureiro»,	
  etc.	
  
	
  
Figura	
  9.	
  Lauraceae.	
  N.b.	
  em	
  Laurus	
  nobilis	
  4	
  tépalas,	
  estames	
  
com	
  dois	
  nectários	
  na	
  base	
  deiscentes	
  por	
  valvas,	
  ovário	
  com	
  um	
  
primórdio	
  seminal	
  pêndulo.	
  
37	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Piperales 
XIII. Aristolochiaceae	
  
Fisionomia.	
  Herbáceas	
  ou	
  trepadeiras.	
  
Folha.	
  Folhasalternas,	
  simples,	
  inteiras	
  e	
  de	
  nervação	
  palmada.	
  
Flor.	
  Flores	
  grandes,	
  hermafroditas,	
  zigomórficas,	
  solitárias	
  na	
  axila	
  das	
  
folhas.	
   3	
   sépalas	
   soldadas	
   num	
   tubo	
   comprido	
   em	
   forma	
  de	
   “S”.	
   Pétalas	
  
vestigiais.	
  
Fruto.	
  Seco	
  (cápsula	
  septicida),	
  com	
  frequência	
  pendente	
  e	
  de	
  grande	
  
dimensão.	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Fam.	
   de	
   média	
   dimensão	
   (ca.	
   480	
   sp.).	
  
Dispersa	
   por	
   áreas	
   temperadas	
   e	
   tropicais.	
   Espécies	
   europeias	
   todas	
  
pertencentes	
  ao	
  género	
  Aristolochia.	
  3	
  espécies	
  indígenas	
  em	
  Lu.	
  
Botânica	
  económica.	
  Algumas	
  Aristolochia	
  têm	
  interesse	
  ornamental.	
  
XIV. Piperaceae	
  	
  
Botânica	
  económica.	
  Dos	
  frutos	
  da	
  Piper	
  nigrum	
  «pimenteira»	
  obtêm-­‐
se	
  o	
  mais	
  importante	
  condimento	
  do	
  mundo:	
  a	
  pimenta.	
  
2.2.2.3. Monocotiledóneas	
  (Lilianae)	
  
Fisionomia.	
   Plantas	
   geralmente	
   herbáceas.	
   Nas	
   plantas	
   adultas	
   todas	
   as	
   raízes	
   adventícias,	
   ±	
   da	
   mesma	
  
espessura	
  e	
  inseridas	
  na	
  base	
  do	
  caule	
  (raízes	
  fasciculadas).	
  Caules	
  simpodiais,	
  constituídos	
  pela	
  justaposição	
  de	
  
curtas	
   unidade	
   simpodiais,	
   mais	
   frequentes	
   do	
   que	
   os	
   caules	
   monopodiais	
   (carácter	
   de	
   fácil	
   observação	
   em	
  
rizomas	
  e	
  estolhos).	
  Crescimento	
  secundário	
  raro.	
  
Anatomia.	
   Feixes	
   vasculares	
   fechados	
   (sem	
   câmbio)	
   distribuídos	
   irregularmente	
   ou	
   formando	
   2	
   ou	
   mais	
  
círculos	
  concêntricos.	
  	
  
Folha.	
   Folhas	
   simples	
   (pseudocompostas	
   na	
   fam.	
   Arecaceae),	
   sésseis	
   (sem	
   pecíolo)	
   ou	
   completas	
   (com	
  
bainha,	
   pecíolo	
   e	
   limbo),	
   sem	
   estípulas	
   (presentes	
   nas	
   Smilacaceae),	
   paralelinérveas	
   ou	
   curvilíneo-­‐
A) 	
  B) 	
  
Figura	
  10.	
  Lauraceae.	
  A)	
  Persea	
  indica	
  «vinhático»	
  (Madeira).	
  B)	
  Laurus	
  nobilis;	
  N.b.	
  flor	
  ♂,	
  4	
  tépalas,	
  estames	
  
providos	
  com	
  2	
  nectários	
  na	
  base.	
  
	
  
Figura	
  11.	
  Piper	
  nigrum	
  «pimenteira»	
  
http://www.biologie.uni-­‐
hamburg.de/b-­‐online/e49/piper.htm	
  
38	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
paralelinérveas;	
  várias	
  exceções,	
  e.g.	
  folhas	
  palminérveas	
  nas	
  Arecaceae,	
  peninérveas	
  nas	
  Arecaceae	
  e	
  na	
  maioria	
  
das	
  espécies	
  de	
  Dioscoreales	
  e	
  Zingiberales	
  (e.g.	
  famílias	
  Zingiberaceae,	
  Musaceae	
  e	
  Cannaceae).	
  
Flor.	
   Flores	
   cíclicas	
   com	
   verticilos	
   de	
   3	
   peças;	
   nuas,	
   homoclamídeas	
   ou	
   heteroclamídeas.	
   Pólen	
   com	
   uma	
  
abertura.	
  Sementes	
  com	
  1	
  cotilédone	
  ou	
  de	
  cotilédone	
  não	
  diferenciado.	
  	
  
Observações	
   taxonómicas.	
   Grupo	
   monofilético.	
   Três	
   grandes	
   grupos	
   de	
   ordens	
   (vd.	
   figura	
   15):	
  
monocotiledóneas	
   basais	
   (alismatidas),	
   monocotiledóneas	
   petaloideas	
   e	
   monocotiledóneas	
   commelinidas.	
  
Somente	
  as	
  monocotiledóneas	
  commelinidas	
  são	
  monofiléticas,	
  os	
  outros	
  dois	
  grupos	
  são	
  parafiléticos.	
  
2.2.2.3.1. ‘Monocotiledóneas	
  basais’	
  
Morfologia.	
   Frequentemente	
   adaptadas	
   a	
   habitats	
   aquáticos.	
   Nestas	
   espécies	
   ocorre	
   uma	
   acentuada	
  
simplificação	
  do	
  cormo	
  e	
  da	
  flor.	
  
Observações	
  taxonómicas.	
  Grupo	
  parafilético.	
  
Alismatales 
XV. Cymodoceaceae	
  
Botânica	
   económica.	
   Pertencem	
   a	
   esta	
   família	
   as	
   3	
   angiospérmicas	
  
marinhas	
  da	
  flora	
  portuguesa:	
  Cymodocea	
  nodosa,	
  Zostera	
  marina	
  e	
  Z.	
  noltii.	
  
Estas	
  espécies	
  têm	
  grande	
  importância	
  ecológica	
  porque	
  servem	
  de	
  alimento	
  
a	
  muitas	
  aves	
  aquáticas	
  ou	
  limícolas	
  e	
  as	
  suas	
  comunidades	
  são	
  fundamentais	
  
no	
  ciclo	
  de	
  vida	
  de	
  várias	
  espécies	
  de	
  peixes.	
  
XVI. Araceae	
  
Fisionomia.	
   Herbáceas	
   terrestres,	
   epífitas,	
   lianas	
   ou	
   pequenas	
   plantas	
  
aquáticas	
   flutuantes	
   (e.g.	
  Lemna	
   e	
  Pistia),	
   também	
  epífitas,	
   frequentemente	
  
rizomatosas	
  ou	
  bolbosas.	
  	
  
Folha.	
  Folhas	
   frequentemente	
   completas	
   com	
   limbo	
  e	
  bainha	
  de	
   grande	
  
dimensão,	
   sagitadas	
   ou	
   largamente	
   elípticas,	
   alternas	
   espiraladas	
   ou	
  
disticadas,	
  frequentemente	
  basais,	
  de	
  recorte	
  e	
  nervação	
  variável.	
  Reduzidas	
  
nas	
  plantas	
  aquáticas.	
  
Inflorescência.	
   Indeterminadas,	
   terminais,	
   ebracteadas	
   (sem	
  brácteas),	
   do	
  
A) 	
  	
  B) 	
  
Figura	
  12.	
  A)	
  Contextualização	
  filogenética	
  das	
  monocotiledóneas.	
  B)	
  Filogenia	
  das	
  ordens	
  de	
  monocotiledóneas	
  (Judd, 
Campbell, Kellog, Stevens, & Donoghue, 2007)	
  
	
  
Figura	
  13.	
  Cymodocea	
  nodosa	
  
(Cymodoceaceae)	
  (Albufeira,	
  
Algarve).	
  N.b.	
  rizoma	
  e	
  folhas	
  
lineares.	
  
39	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
tipo	
  espádice,	
  envolvidas	
  por	
  uma	
  espata.	
  	
  
Flor.	
   Sésseis,	
   pequenas,	
   haploclamídeas	
   ou	
   nuas	
   (aclamídeas),	
   hermafroditas	
   ou	
   unissexuais.	
   Estames	
  
frequentemente	
  sinantéricos.	
  Ovário	
  sincárpico.	
  Primórdios	
  seminais	
  1	
  a	
  ∞.	
  Polinização	
  por	
  coleópteros,	
  moscas	
  
e	
  himenópteros.	
  
Fruto.	
  Normalmente	
  uma	
  baga;	
  utrículo	
  em	
  Lemna	
  e	
  géneros	
  afins.	
  Dispersão	
  por	
  aves,	
  mamíferos	
  ou	
  pela	
  
água.	
  
Observações	
   taxonómicas.	
  As	
  plantas	
  aquáticas	
  não	
  enraizadas	
  de	
  pequena	
  dimensão	
  dos	
  géneros	
  Lemna,	
  
Wolffia	
  e	
  outros,	
  são	
  colocados	
  por	
  muitos	
  autores	
  na	
  família	
  Lemnaceae.	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  A	
  Wolffia	
  arrhiza	
   (fam.	
   Lemnaceae)	
   é	
  a	
  planta	
  mais	
  pequena	
  do	
  mundo,	
   sendo	
  
frequente	
  em	
  águas	
  paradas	
  do	
  centro	
  e	
  sul	
  do	
  país.	
  
Botânica	
   económica.	
   Numerosas	
   espécies	
   ornamentais:	
   Anthurium	
   sp.pl.	
   «antúrios»,	
   Monstera	
   deliciosa	
  
«costela-­‐de-­‐adão»,	
   Philodendron	
   sp.pl.,	
   Zantedeschia	
   aethiopica	
   «jarro».	
   Os	
   inhames	
   são	
   importantes	
   plantas	
  
alimentares	
  tropicais	
  e	
  subtropicais:	
  Colocasia	
  esculenta	
  «inhame»	
  (cultivada	
  nos	
  Az	
  e	
  Ma),	
  Alocasia	
  macrorhiza	
  
«inhame-­‐gigante»	
   e	
   Xanthosoma	
   sp.pl.	
   A	
   Pistia	
   stratiotes	
   é	
   umaplanta	
   aquática	
   pontualmente	
   cultivada	
   e,	
  
potencialmente,	
  uma	
  perigosa	
  invasora	
  em	
  Portugal	
  continental.	
  
2.2.2.3.2. ‘Monocotiledóneas	
  petaloideas’	
  
Morfologia.	
  Tépalas	
  conspícuas.	
  Endosperma	
  sem	
  amido.	
  
Observações	
  taxonómicas.	
  Grupo	
  parafilético.	
  Representado	
  em	
  Portugal	
  por	
  3	
  ordens:	
  
� Ord.	
   Dioscoreales	
   –	
   numerosas	
   espécies	
   lianoides;	
   folhas	
   de	
   nervação	
   geralmente	
   reticulada	
   ou	
  
curvilíneo-­‐paralelinérveas;	
   presença	
   frequente	
   de	
   tubérculos.	
   Grupo	
   maioritariamente	
   tropical;	
   uma	
  
única	
  família	
  (Dioscoriaceae)	
  em	
  Portugal,	
  com	
  uma	
  única	
  espécie	
  (Tamus	
  communis);	
  
Figura	
  14.	
  Araceae.	
  A)	
  Arum	
  italicum.	
  N.b.	
  espata	
  de	
  grandes	
  dimensões;	
  espádice	
  (da	
  extremidade	
  proximal	
  para	
  a	
  distal)	
  
com	
  flores	
  ♀	
  férteis,	
  flores	
  ♀	
  estéreis	
  e	
  flores	
  ♂.	
  B)	
  Inflorescência	
  de	
  A.	
  italicum;	
  o	
  espádice	
  desta	
  espécie	
  exala	
  um	
  forte	
  e	
  
desagradável	
  odor	
  a	
  estrume	
  de	
  porco.	
  
A) 	
  	
  B) 	
  
40	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
� Ord.	
  Liliales	
  –	
  plantas	
  herbáceas	
  com	
  órgãos	
  de	
  reserva	
  subterrâneos	
  (geófitos);	
  inflorescência	
  terminal;	
  
tépalas	
   maculadas	
   (com	
   manchas);	
   nectários	
   localizados	
   nas	
   tépalas	
   (ausência	
   de	
   nectários	
   septais);	
  
anteras	
   extrorsas	
   (viradas	
   para	
   o	
   exterior);	
   epiderme	
   externa	
   da	
   testa	
   das	
   sementes	
   com	
   estrutura	
  
celular	
  (com	
  células	
  evidentes);	
  sementes	
  normalmente	
  sem	
  endosperma	
  e	
  sem	
  fitomelano;	
  
� Ord.	
  Asparagales	
  –	
  plantas	
  herbáceas	
  (com	
  ou	
  sem	
  órgãos	
  subterrâneos	
  de	
  reserva)	
  ou	
  plantas	
  lenhosas	
  
com	
   crescimento	
   secundário;	
   folhas	
   por	
   norma	
   densamente	
   agrupadas	
   na	
   base	
   das	
   plantas,	
   ou	
   na	
  
extremidade	
   de	
   um	
   caule	
   curto	
   e	
   volumoso,	
   na	
   axila	
   das	
   quais	
   eventualmente	
   se	
   insere	
   uma	
  
inflorescência	
  longamente	
  pedunculada;	
  tépalas	
  não	
  maculadas;	
  nectários	
  septais	
  (localizados	
  na	
  parede	
  
externa	
   do	
   pistilo	
   ao	
   longo	
   da	
   sutura	
   carpelar);	
   epiderme	
   externa	
   da	
   testa	
   das	
   sementes	
   obliterada	
  
(células	
   colapsadas)	
   ou	
   se	
   com	
   estrutura	
   celular	
   com	
   fitomelano	
   (cobertura	
   negra	
   com	
   a	
   textura	
   do	
  
papel);	
  endosperma	
  abundante.	
  
Dioscoreales 
XVII. Dioscoreaceae	
  
Fisionomia.	
  Trepadeiras	
  rizomatosas,	
  normalmente	
  dioicas.	
  
Folha.	
   Folhas	
   alternas,	
   sem	
   bainha,	
   simples,	
   palminérveas.	
   Nervuras	
   primárias	
   curvas	
   e	
   convergentes	
   em	
  
direção	
  ao	
  ápice.	
  
Flor.	
  Flores	
  normalmente	
  unissexuais	
  e	
  homoclamídeas.	
  6	
  tépalas.	
  Gineceu	
  ínfero	
  de	
  3	
  carpelos;	
  2	
  primórdios	
  
seminais	
  por	
  carpelo.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  normalmente	
  triangular	
  e	
  com	
  três	
  asas.	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Fam.	
   de	
   média	
   dimensão	
   (ca.	
   870	
   sp.).	
   Pantropical	
   com	
   algumas	
   espécies	
  
temperadas.	
  2	
  sp.	
  indígenas	
  de	
  Portugal:	
  Tamus	
  communis	
  (Lu)	
  e	
  T.	
  edulis	
  (Ma).	
  
Botânica	
   económica.	
   6	
   espécies	
   de	
   Dioscorea,	
   um	
   género	
   com	
   mais	
   de	
   600	
   espécies	
   genericamente	
  
designadas	
  por	
  inhames,	
  são	
  cultivadas	
  nos	
  trópicos	
  pelos	
  seus	
  tubérculos,	
  aéreos	
  e	
  subterrâneos,	
  amiláceos.	
  As	
  
espécies	
   mais	
   cultivadas	
   no	
   Brasil	
   e	
   em	
   Angola	
   são	
   a	
  D.	
   alata	
   «cará	
   ou	
   inhame-­‐da-­‐costa»,	
   a	
   D.	
   cayennensis	
  
«inhame-­‐de-­‐são-­‐tomé»	
  e	
  a	
  D.	
  bulbifera	
  «inhame-­‐de-­‐angola».	
  
Liliales 
XVIII. Smilacaceae	
  
Fisionomia.	
  Trepadeiras	
  dioicas	
  de	
  caules	
  volúveis.	
  
Folha.	
  Folhas	
  alternas	
  disticadas,	
  sem	
  bainha,	
  simples,	
  com	
  um	
  par	
  de	
  estípulas	
  na	
  base	
  de	
  um	
  longo	
  pecíolo,	
  
transformadas	
  em	
  gavinhas	
  em	
  Smilax.	
  Nervação	
  palmada;	
  nervuras	
  primárias	
  curvas	
  e	
  convergentes	
  em	
  direção	
  
ao	
  ápice.	
  
Flor.	
  Flores	
  pequenas,	
  pouco	
  vistosas,	
  unissexuais	
  (em	
  plantas	
  distintas),	
  homoclamídeas	
  e	
  actinomórficas.	
  6	
  
tépalas.	
  6	
  estames.	
  Ovário	
  súpero	
  de	
  3	
  carpelos.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  carnudo	
  e	
  colorido	
  do	
  tipo	
  baga.	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Fam.	
   de	
   média	
   dimensão	
   (um	
   género	
   com	
   ca.	
   300	
   sp.).	
   Cosmopolita.	
   3	
   sp.	
  
indígenas	
  de	
  Portugal:	
  Smilax	
  aspera	
   (Lu	
  e	
  Ma),	
  S.	
  canariensis	
   (endemismo	
  canarino	
  e	
  madeirense)	
  e	
  S.	
  azorica	
  
(Az).	
  
XIX. Liliaceae	
  
Fisionomia.	
  Herbáceas	
  frequentemente	
  bulbosas.	
  
Folha.	
  Folhas	
  simples,	
  alternas,	
  verticiladas	
  ou	
  todas	
  basais,	
  paralelinérveas.	
  
Inflorescência.	
  Terminal,	
  frequentemente	
  determinada	
  (=	
  cimosa),	
  por	
  vezes	
  solitária.	
  
41	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Flor.	
   Flores	
   conspícuas,	
   homoclamídeas,	
   trímeras,	
  
actinomórficas	
   e	
   hermafroditas.	
   6	
   tépalas	
   petaloideas,	
  
geralmente	
   adornada	
   com	
   manchas	
   e	
   linhas.	
   Ovário	
   súpero	
   de	
  
placentação	
   axilar.	
   Primórdios	
   seminais	
   numerosos.	
   Néctar	
  
produzido	
   na	
   base	
   dos	
   filetes.	
   Polinização	
   entomófila;	
  
recompensa	
  de	
  pólen	
  ou	
  néctar.	
  
Fruto.	
  Cápsula	
  loculicida	
  ou	
  baga.	
  
Observações	
  taxonómicas.	
  Nas	
  Floras	
  de	
  referência	
  o	
  conceito	
  
de	
  Liliaceae	
  inclui	
  taxa	
  hoje	
  dispersos,	
  entre	
  outras,	
  pelas	
  famílias	
  
Colchicaceae	
   e	
   Smilacaceae	
   da	
   ordem	
   dos	
   Liliales,	
   e	
   Ruscaceae,	
  
Asparagaceae,	
   Alliaceae,	
   Hyacinthaceae	
   e	
   Asphodelaceae	
   da	
  
ordem	
  dos	
  Asparagales.	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Ca.	
   15	
   gén.	
   e	
   500	
   esp.	
  
Cosmopolita,	
   mais	
   abundante	
   nas	
   regiões	
   subtropicais	
   e	
  
temperadas.	
  
Botânica	
   económica.	
   Algumas	
   espécies	
   de	
   interesse	
  
ornamental	
  nos	
  géneros	
  Fritillaria,	
  Tulipa	
  e	
  Lilium.	
  
Asparagales 
XX. Orchidaceae	
  
Fisionomia.	
   Plantas	
   herbáceas	
   hemicriptofíticas	
   ou	
   epífitas	
  
(trepadeiras	
   em	
  Vanilla),micorrízicas,	
   raramente	
   saprófitas	
   sem	
  
clorofila	
   (e.g.	
   Neottia	
   nidus-­‐avis).	
   As	
   espécies	
   de	
   climas	
  
temperados	
   e	
   mediterrânicos	
   são	
   terrestres:	
   todos	
   os	
   anos,	
   na	
  
Primavera,	
  renovam	
  a	
  parte	
  área	
  a	
  partir	
  de	
  raízes	
  tuberosas;	
  no	
  
final	
   da	
   estação	
   de	
   crescimento	
   entram	
   em	
   dormência.	
   As	
  
espécies	
  tropicais	
  são,	
  maioritariamente,	
  epífitas	
  e	
  possuem	
  uma	
  
parte	
  aérea	
  perene;	
  os	
   caules	
   surgem	
  engrossados	
  nos	
  entrenós	
  
(pseudobolbos)	
   e	
   as	
   raízes	
   aéreas	
  desenvolvem	
  um	
  velame	
  para	
  
maximizar	
  a	
  captura	
  de	
  água	
  e	
  de	
  nutrientes.	
  
Relações	
   simbióticas.	
  As	
  espécies	
   sem	
  clorofila,	
   e,	
  de	
  acordo	
  
com	
   alguns	
   autores,	
   em	
   maior	
   ou	
   menor	
   grau	
   as	
   restantes	
  
orquídeas	
   terrestres	
   clorofiladas,	
   são	
  mico-­‐heterotróficas.	
   Neste	
  
tipo	
   de	
   relação	
   planta-­‐fungo,	
   a	
   orquídea	
   recebe	
   nutrientes	
  
provenientes	
  da	
  decomposição	
  da	
  matéria	
  orgânica	
  efetuada	
  pelo	
  
fungo	
   e	
   nutrientes	
   retirados	
   por	
   este	
   de	
   outras	
   plantas	
   com	
   as	
  
quais	
   estabelece	
   simbioses	
   radiculares.	
   Não	
   está	
   clara	
   qual	
   a	
  
contribuição	
   da	
   planta	
   para	
   o	
   fungo,	
   se	
   é	
   que	
   existe	
   alguma.	
  
Aparentemente,	
   as	
   orquídeas	
   ditas	
   saprófitas	
   parasitam	
   os	
   fungos	
   que	
   as	
   alimentam.	
   A	
   germinação	
   das	
  
sementes	
   das	
   orquídeas	
   depende,	
   em	
   absoluto,	
   da	
   presença	
   de	
   fungos	
   micorrízicos	
   porque	
   não	
   dispõem	
   de	
  
tecidos	
  de	
  reserva.	
  
Folha.	
   Inteiras,	
   espessas,	
   simples,	
   alternas,	
   espiraladas	
   ou	
   disticadas,	
   de	
   base	
   embainhante	
   e	
   nervação	
  
paralelinérvea;	
  por	
  vezes	
  muito	
  reduzidas.	
  
Inflorescência.	
  Inflorescências	
  indefinidas	
  tipo	
  espiga,	
  cacho	
  ou	
  panícula;	
  por	
  vezes	
  flores	
  solitárias.	
  
Flor.	
  Flores	
  muito	
  complexas	
  e	
  conspícuas.	
  Trímeras,	
  zigomórficas	
  ou	
  assimétricas,	
  e	
  hermafroditas.	
  Perigónio	
  
petaloideo	
  com	
  2	
  verticilos	
  de	
  3	
  tépalas.	
  A	
  maior	
  parte	
  dos	
  autores,	
  porém,	
  designa	
  as	
  peças	
  do	
  verticilo	
  inferior	
  
A) 	
  
B) 	
  
Figura	
  15.	
  Liliaceae.	
  A)	
  N.b.	
  flores	
  
homoclamídeas;	
  dois	
  verticilos	
  de	
  3	
  estames;	
  
ovário	
  súpero	
  tricarpelar;	
  fruto	
  uma	
  cápsula.	
  
B)	
  Tulipa	
  australis,	
  uma	
  belíssima	
  flor	
  
indígena	
  de	
  Lu	
  (Bragança)	
  .	
  
42	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
por	
   sépalas	
  e	
   as	
  do	
   superior	
  por	
  pétalas.	
  3	
   sépalas	
   semelhantes	
  entre	
   si:	
   1	
   sépala	
  dorsal	
   (=sépala	
   central)	
   e	
  2	
  
laterais.	
  Pétala	
  superior	
   (por	
   rotação	
  do	
  ovário	
  aparentemente	
   inferior)	
  do	
  verticilo	
   interno	
   transformada	
  num	
  
labelo,	
  frequentemente	
  prolongado	
  na	
  base	
  num	
  esporão;	
  as	
  2	
  pétalas	
  restantes	
  (pétalas	
   laterais)	
  semelhantes	
  
ou	
  não	
  às	
  sépalas.	
  1	
  estame	
  (raramente	
  2	
  ou	
  3	
  em	
  espécies	
  não	
   ibéricas);	
  pólen	
  normalmente	
  agrupado	
  em	
  2	
  
polinídias,	
   cada	
   uma	
   com	
   uma	
  massa	
   de	
   pólen,	
   geralmente,	
   suportada	
   por	
   um	
   pequeno	
   pé,	
   com	
   uma	
  massa	
  
viscosa	
  na	
  base	
   (o	
   retináculo	
  ou	
   viscídio)	
  oculto	
  numa	
  pequena	
  bolsa	
   (bursícula).	
   Filete	
  das	
   anteras,	
   estilete	
  e	
  
estigmas	
  soldados	
  numa	
  coluna	
  (ginostemo)	
  localizada	
  no	
  centro	
  da	
  flor,	
  onde	
  se	
  distingue	
  uma	
  antera	
  reduzida	
  
a	
  2	
  polinídias,	
  o	
  rostelo	
  (nem	
  sempre	
  evidente)	
  e	
  uma	
  superfície	
  estigmática.	
  O	
  rostelo	
  corresponde	
  a	
  um	
  dos	
  3	
  
estigmas,	
   tem	
   geralmente	
   a	
   forma	
   de	
   bico	
   e	
   separa	
   o	
   estame	
   da	
   superfície	
   estigmática,	
   prevenindo	
   a	
  
autopolinização.	
  Ovário	
   tricarpelar,	
   sincárpico,	
   resupinado	
   (torcido	
   com	
  uma	
   rotação	
  de	
  180°),	
   de	
  placentação	
  
parietal	
  e	
  primórdios	
  seminais	
  numerosos.	
  Néctar,	
  se	
  presente,	
  produzido	
  num	
  esporão	
  ou	
  em	
  nectários	
  septais.	
  
Polinização	
  entomófila	
  especializada	
  efetuada	
  por	
  um	
  elevado	
  número	
  de	
  espécies	
  generalistas	
  ou	
  especializadas	
  
(dípteros	
  ou	
  himenópteros)	
  tendo	
  como	
  recompensa	
  pólen	
  ou	
  néctar.	
  Cerca	
  de	
  1/3	
  das	
  espécies	
  apresentam	
  um	
  
mecanismo	
  evoluído	
  de	
  polinização	
  por	
  engano	
  sexual	
  com	
  pseudocópula.	
  No	
  género	
  Ophrys,	
  entre	
  outros,	
  estão	
  
descritos	
  mecanismos	
  de	
  autopolinização	
  caso	
  a	
  polinização	
  entomófila	
  não	
  se	
  verifique.	
  
	
  
Fruto	
  e	
  semente.	
  Uma	
  cápsula.	
  Sementes	
  numerosas,	
  muito	
  pequenas	
  e	
  reduzidas	
  a	
  um	
  embrião	
  minúsculo	
  e	
  
um	
   tegumento	
   (sem	
   tecidos	
   de	
   reserva).	
   Germinação	
   das	
   sementes	
   dependente	
   da	
   presença	
   de	
   fungos	
  
micorrízicos.	
  Dispersão	
  anemocórica.	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Possivelmente	
  a	
  maior	
   família	
  de	
  plantas	
  com	
  flor	
   (ca.	
  18.500	
  sp.).	
  Cosmopolita	
  
particularmente	
  diversa	
  nos	
  trópicos.	
  As	
  espécies	
  portuguesas	
  são	
  todas	
  terrestres	
  e	
  particularmente	
  frequentes	
  
em	
  afloramentos	
  calcários	
  com	
  um	
  coberto	
  vegetal	
  herbáceo.	
  
A) 	
  B) 	
  
Figura	
  16.	
  Orchidaceae.	
  A)	
  Morfologia	
  da	
  flor	
  de	
  Ophrys	
  apifera	
  .	
  N.b.	
  3	
  tépalas	
  externas	
  (na	
  figura	
  designadas	
  por	
  
sépalas)	
  e	
  outras	
  3	
  internas,	
  uma	
  delas	
  transformada	
  num	
  labelo;	
  ginostemo	
  onde	
  se	
  reconhece	
  duas	
  polinídias.	
  B)	
  
Flor	
  e	
  outras	
  estruturas.	
  N.b.	
  duas	
  raízes	
  tuberosas;	
  polinídias	
  com	
  um	
  retináculo	
  na	
  base;	
  cápsula	
  já	
  aberta,	
  
deiscente	
  por	
  3	
  valvas.	
  
43	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Botânica	
  económica.	
  Inúmeras	
  plantas	
  ornamentais	
  (e.g.	
  Cymbidium,	
  Cattleya,	
  Dendrobium,	
  Paphiopedilum,	
  
Phalaenopsis	
  e	
  Oncidium),	
  entre	
  as	
  quais	
  se	
  contam	
  vários	
  híbridos	
  interespecíficos	
  e	
  intergenéricos.	
  Da	
  Vanilla	
  
planifolia	
  «baunilha»	
  extrai-­‐seuma	
  importante	
  essência	
  de	
  uso	
  alimentar.	
  
XXI. Xanthorrhoeaceae	
  
Descrição	
  referente	
  à	
  subfamília	
  Asphodeloideae,	
  das	
  três	
  subfamílias	
  de	
  Xanthorrhoeaceae	
  a	
  única	
  presente	
  
em	
  Portugal.	
  
Fisionomia.	
  Herbáceas,	
  arbustos	
  ou	
  árvores	
  rizomatosas,	
  frequentemente	
  com	
  raízes	
  engrossadas	
  (tuberosas)	
  
e	
  com	
  rosetas	
  de	
  folhas	
  basais	
  ou	
  na	
  extremidade	
  dos	
  ramos.	
  
Folha.	
  Folhas	
  alternas,	
  espiraladas	
  ou	
  num	
  único	
  plano	
  (dísticas),	
  com	
  bainha,	
  sésseis,	
  por	
  vezes	
  carnudas	
  e	
  
com	
  uma	
  zona	
  central	
  gelatinosa	
  (em	
  espécies	
  não	
  europeias,	
  e.g.	
  Aloe),	
  não	
  fibrosas,	
  paralelinérveas.	
  	
  
Inflorescência.	
  Inflorescências	
  terminais.	
  
Flor.	
  Flores	
  homoclamídeas	
  e	
  actinomórficas.	
  6	
  tépalas	
  de	
  cor	
  uniforme.	
  Ovário	
  súpero	
  de	
  3	
  carpelos.	
  	
  
Fruto.	
  Fruto	
  seco	
  (cápsula	
  loculicida).	
  Sementes	
  com	
  uma	
  cobertura	
  parcial,	
  seca,	
  ±	
  colorida	
  (arilo).	
  
Observações	
  taxonómicas.	
  Inclui	
  Asphodelaceae,	
  família	
  que	
  o	
  APG	
  II	
  aceitava	
  como	
  autónoma.	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Fam.	
   de	
   média	
   dimensão	
   (ca.	
   785	
   sp.).	
   Dispersa	
   pelas	
   áreas	
   temperadas	
   e	
  
tropicais	
  do	
  Velho	
  Mundo.	
  1	
  gén.	
  indígena	
  de	
  Portugal:	
  Asphodelus.	
  O	
  género	
  Aloe	
  tem	
  um	
  centro	
  de	
  diversidade	
  
nos	
  planaltos	
  angolanos.	
  
Botânica	
   económica.	
   Várias	
   espécies	
   com	
   interesse	
   ornamental	
   (e.g.	
   Aloe	
   arborescens),	
   cosmético	
   ou	
  
medicinal	
  (e.g.	
  Aloe	
  vera).	
  
XXII. Amaryllidaceae	
  
Fisionomia.	
  Plantas	
  herbáceas,	
  rizomatosas	
  (Agapanthoideae)	
  
ou	
  bulbosas	
   (Amaryllidoideae	
  ou	
  Allioideae),	
  as	
  Lillioideae	
   com	
  o	
  
forte	
   odor	
   a	
   alho.	
   Raízes	
   contrácteis	
   nas	
   Amaryllidoideae	
   e	
   nas	
  
Allioideae.	
  
Folha.	
   Folhas	
   carnudas,	
   basais,	
   alternas,	
   lineares	
   (alargadas	
  
por	
   exemplo	
   em	
   Allium	
   ursinum	
   e	
   A.	
   victoriale),	
   por	
   vezes	
  
tubulosas	
  (em	
  alguns	
  Allium),	
  paralelinérveas.	
  
Inflorescência.	
   Escaposas,	
   cimosas	
   embora	
   contraídas	
   numa	
  
inflorescência	
   umbeliforme,	
   geralmente	
   com	
   duas	
   espatas	
  
escariosas.	
  
Flor.	
   Flores	
   homoclamídeas,	
   actinomórficas	
   a	
   ligeiramente	
  
zigomórficas,	
   e	
   hermafroditas.	
   6	
   tépalas	
  petaloideas	
  organizadas	
  
em	
  2	
  verticilos,	
  livres	
  ou	
  concrescentes	
  na	
  base,	
  sem	
  manchas.	
  Em	
  
Narcissus	
   e	
  outras	
  Amaryllidoideae	
  o	
   tubo	
  da	
  corola	
  prolonga-­‐se	
  
numa	
  coroa.	
  Estames	
  geralmente	
  6,	
  livres	
  ou	
  soldados	
  na	
  base,	
  por	
  
vezes	
   epipétalos;	
   presença	
   frequente	
   de	
   apêndices	
   nos	
   filetes	
   em	
   Allium.	
   Ovário	
   súpero	
   (Agapanthoideae	
   e	
  
Allioideae)	
  ou	
  ínfero	
  (Amaryllidoideae),	
  tricarpelar	
  e	
  trilocular.	
  Nectários	
  septais.	
  Polinização	
  entomófila.	
  
Fruto.	
  Geralmente	
  uma	
  cápsula.	
  Dispersão	
  anemocórica.	
  
Observações	
   taxonómicas.	
   O	
   APG	
   III	
   alargou	
   substancialmente	
   o	
   conceito	
   original	
   Amaryllidaceae,	
  
agregando-­‐lhe	
  Alliaceae	
  e	
  Agapanthaceae.	
  Estes	
  taxa	
  são	
  tratados	
  nível	
  infrafamiliar:	
  Amaryllidoideae,	
  Allioideae	
  
e	
  Agapanthoideae.	
  Muitos	
  autores	
  ainda	
  incluem	
  todos	
  estes	
  grupos	
  na	
  fam.	
  Liliaceae.	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  de	
  média	
  dimensão	
  (ca.	
  1600	
  sp.,	
  mais	
  de	
  500	
  no	
  gén.	
  Allium).	
  	
  
	
  
Figura	
  17.	
  Amaryllidaceae	
  Allioideae.	
  N.b.	
  
apêndices	
  na	
  base	
  dos	
  estames	
  e	
  ovário	
  súpero.	
  
44	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Botânica	
  económica.	
  Várias	
  espécies	
  de	
  interesse	
  alimentar;	
  e.g.	
  Allium	
  sativum	
  «alho»,	
  A.	
  cepa	
  «cebola»,	
  A.	
  
porrum	
  «alho-­‐francês,	
  allho-­‐porro»	
  e	
  A.	
  schoenoprasum	
  «cebolinho».	
  Muitas	
  espécies	
  de	
  interesse	
  ornamental;	
  
e.g.	
  Agapanthus	
  umbellatus	
  «agapanto»,	
  Narcissus	
  sp.pl.	
  «junquilhos»	
  e	
  Amaryllis	
  belladonna	
  «amarílis».	
  
XXIII. Agavaceae	
  
Fisionomia.	
   Plantas	
   perenes,	
   lenhosas	
   com	
   grandes	
   rosetas	
   de	
   folhas	
   basais	
   (rentes	
   ao	
   solo)	
   ou	
   na	
  
extremidade	
   dos	
   ramos.	
   Muitas	
   espécies	
   produzem	
   uma	
   única	
   vez	
   flores	
   e	
   frutos	
   morrendo	
   em	
   seguida	
  
(monocarpia).	
  
Folha.	
  Folhas	
  grandes,	
  alternas	
  e	
  dispostas	
  em	
  espiral,	
  inteiras,	
  com	
  bainha,	
  sésseis,	
  carnudas,	
  fibrosas,	
  com	
  
um	
  espinho	
  lenhoso	
  na	
  ponta	
  (espinescentes)	
  e	
  paralelinérveas	
  de	
  nervuras	
  nem	
  sempre	
  evidentes.	
  	
  
Inflorescência.	
  Inflorescências	
  grandes	
  que	
  nascem	
  do	
  centro	
  das	
  rosetas	
  de	
  folhas.	
  
Flor.	
  Flores	
  homoclamídeas	
  e	
  actinomórficas.	
  6	
  tépalas	
  grandes	
  e	
  de	
  cor	
  uniforme.	
  Ovário	
  súpero	
  ou	
  ínfero	
  de	
  
3	
  carpelos.	
  	
  
Fruto.	
  Fruto	
  seco	
  (cápsula).	
  Sementes	
  negras	
  e	
  brilhantes.	
  
Observações	
  taxonómicas.	
  Fam.	
  de	
  circunscrição	
  conflituosa.	
  O	
  APG	
  III	
  (Angiosperm Phylogeny Group, 2009)	
  
inclui	
   nesta	
   família	
   de	
   vários	
   géneros	
   paleotropicais	
   e	
   holárticos	
   aglomerados	
   nas	
   Liliaceae	
   pelas	
   Floras	
  
tradicionais	
   (e.g.	
   gén.	
  Anthericum,	
   representado	
   em	
   Lu	
   pelo	
  A.	
   liliago).	
   Chase	
  et	
   al.	
   (Chase, Reveal, & Fay, A 
subfamilial classification for the expanded asparagalean families Amaryllidaceae, Asparagaceae and 
Xanthorrhoeaceae, 2009)	
  propõem	
  a	
  sua	
  integração	
  nas	
  Asparagaceae	
  (vd.	
  Asparagaceae).	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Fam.	
   de	
   média	
   dimensão	
   (ca.	
   600	
   sp.).	
   Particularmente	
   abundante	
   no	
   Novo	
  
Mundo.	
  Várias	
  espécies	
  naturalizadas	
  nas	
  áreas	
  mais	
  secas	
  e	
  quentes	
  de	
  Lu,	
  Ma	
  e	
  Ilha	
  de	
  Stª	
  Maria	
  (Az).	
  
Botânica	
  económica.	
  Diversas	
  Yucca	
  e	
  Agave	
   têm	
  interesse	
  ornamental;	
  da	
  Agave	
  sisalana	
  extrai-­‐se	
  o	
  sisal;	
  
de	
  outras	
  espécies	
  do	
  mesmo	
  género	
   fazem-­‐se	
  o	
  pulque,	
  o	
  mescal	
   e	
   a	
   tequila	
  mexicanos.	
  A	
  Agave	
  americana	
  
além	
  de	
  ornamental	
  é	
  uma	
  importante	
  invasora	
  nas	
  áreas	
  mais	
  secas	
  e	
  quentes	
  do	
  país.	
  
XXIV. Asparagaceae	
  
Fisionomia.Arbustos	
  ou	
  trepadeiras	
  rizomatosas	
  e	
  espinhosas.	
  
Folha.	
  Folhas	
  reduzidas	
  a	
  pequenas	
  escamas,	
  por	
  vezes	
  com	
  um	
  espinho	
  rígido	
  na	
  base	
  (em	
  Asparagus	
  albus).	
  
Da	
   axila	
   das	
   folhas	
   escamiformes	
   emergem	
   ramos	
   curtos	
   (filocládios),	
   solitários	
   ou	
   agrupados	
   em	
   feixes,	
  
espinhosos	
  em	
  muitas	
  das	
  espécies.	
  
Flor.	
  Flores	
   pequenas,	
   homoclamídeas,	
   actinomórficas,	
   esbranquiçadas,	
   solitárias	
   ou	
   agrupadas	
   na	
   axila	
   de	
  
folhas.	
  2	
  verticilos	
  de	
  3	
  tépalas.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  carnudo	
  (baga),	
  negro	
  ou	
  vermelho.	
  Sementes	
  negras.	
  
Observações	
   taxonómicas.	
   A	
   descrição	
   apresentada	
   refere-­‐se	
   às	
   Asparagaceae	
   s.str.	
   Chase	
   et	
   al.	
   (Chase, 
Reveal, & Fay, A subfamilial classification for the expanded asparagalean families Amaryllidaceae, Asparagaceae 
and Xanthorrhoeaceae, 2009)	
  propõem	
  um	
  alargamento	
  significativo	
  do	
  conceito	
  de	
  Asparagaceae,	
  ao	
  admitirem	
  
nesta	
   família	
   7	
   subfamílias	
   tradicionalmente	
   tratadas	
   a	
   nível	
   familiar.	
   Entre	
   estas	
   estão	
   presentes	
   em	
   Lu,	
   na	
  
condição	
  de	
  cultivadas,	
  indígenas	
  ou	
  naturalizadas:	
  Agavoideae	
  (=Agavaceae;,	
  vd.	
  Agavaceae),	
  Aphyllanthoideae	
  
(=Aphyllanthaceae;	
  uma	
  espécie	
  indígena,	
  a	
  Aphyllanthes	
  monspeliensis),	
  Asparagoideae	
  (=Asparagaceae	
  s.str.),	
  
Lomandroideae	
   (=Laxmanniaceae;	
   são	
  cultivadas	
  com	
  frequência	
  duas	
  Cordyline),	
  Nolinoideae	
   (=Ruscaceae;	
  vd.	
  
Ruscaceae)	
  e	
  Scilloideae	
  (=Hyacinthaceae;	
  várias	
  espécies	
  indígenas	
  de	
  Hyacinthoides	
  e	
  Scilla).	
  Assim	
  entendida	
  a	
  
família	
  Asparagaceae	
  é	
  impossível	
  de	
  caracterizar	
  morfologicamente	
  (Stevens, 2001+).	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Fam.	
   de	
   pequena	
   dimensão	
   (ca.	
   200	
   sp.).	
   Diversidade	
   máxima	
   nas	
   áreas	
  
mediterrânicas	
  ou	
  tropicais,	
  pouco	
  chuvosas,	
  da	
  Europa,	
  África	
  e	
  Austrália.	
  3	
  sp.	
  indígenas	
  de	
  Lu	
  e	
  outras	
  3	
  da	
  Ma	
  
e	
  das	
  Selvagens,	
  todas	
  pertencentes	
  ao	
  género	
  Asparagus.	
  
45	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Botânica	
   económica.	
   Vários	
   Asparagus	
   têm	
   interesse	
   ornamental.	
   Os	
   turiões	
   (rebentos	
   tenros	
   do	
   ano	
  
emitidos	
  a	
  partir	
  de	
  um	
  rizoma	
  horizontal)	
  das	
  espécies	
  indígenas	
  de	
  Asparagus	
  «espargos-­‐bravos»	
  são	
  colhidos	
  e	
  
consumidos	
  da	
  mesma	
  forma	
  que	
  os	
  espargos	
  cultivados	
  (A.	
  officinalis).	
  
XXV. Ruscaceae	
  
Fisionomia.	
   Herbáceas,	
   arbustos,	
  
trepadeiras	
  ou	
  árvores.	
  
Folha.	
   Folhas	
   com	
   bainha,	
   normalmente	
  
sésseis,	
   paralelinérveas.	
   Nos	
   géneros	
   Ruscus	
   e	
  
Semele	
   folhas	
   reduzidas	
   a	
   pequenas	
   escamas	
  
inseridas	
   no	
   centro	
   de	
   caules	
   espalmados	
   em	
  
forma	
  de	
  folha	
  (filocládios),	
  na	
  axila	
  das	
  quais	
  de	
  
se	
  desenvolvem	
  as	
  flores.	
  
Flor.	
   Flores	
   pequenas,	
   diploclamídeas	
   ou	
  
homoclamídeas.	
   6	
   tépalas	
   petaloideas.	
   6	
  
estames.	
   Ovário	
   súpero,	
   de	
   3	
   carpelos,	
   com	
  
nectários	
  na	
  base.	
  
Fruto.	
   Fruto	
   carnudo	
   (baga)	
   geralmente	
  
vermelho.	
  Sementes	
  não	
  negras.	
  
Observações	
  taxonómicas.	
  A	
  segregação	
  das	
  
Ruscaceae	
   das	
   Liliaceae	
   é	
   relativamente	
  
recente.	
   A	
   taxonomia	
   deste	
   grupo	
   de	
  
monocotiledóneas	
   não	
   é	
   ainda	
   consensual;	
   e.g.	
   as	
   Dracaena	
   são	
   colocadas	
   por	
   alguns	
   autores	
   numa	
   família	
  
autónoma	
   (Dracaenaceae).	
   Chase	
   et	
   al.	
   (Chase, Reveal, & Fay, A subfamilial classification for the expanded 
asparagalean families Amaryllidaceae, Asparagaceae and Xanthorrhoeaceae, 2009)	
  propõem	
  a	
  sua	
  integração	
  nas	
  
Asparagaceae	
  (vd.	
  Asparagaceae).	
  	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  de	
  média	
  dimensão	
  (ca.	
  475	
  sp.).	
  Dispersa	
  pelo	
  hemisfério	
  norte	
  e	
  norte	
  da	
  
Austrália.	
  4	
  géneros	
  indígenas	
  de	
  Portugal,	
  3	
  dos	
  quais	
  lenhosos,	
  com	
  um	
  total	
  de	
  4	
  sp.:	
  Ruscus	
  aculeatus	
  (Lu),	
  R.	
  
streptophyllus	
  (Ma),	
  Semele	
  androgyna	
  (Ma)	
  e	
  Dracaena	
  draco	
  (o	
  dragoeiro	
  dos	
  Az	
  e	
  Ma).	
  
Botânica	
  económica.	
  Algumas	
  espécies	
  de	
  interesse	
  ornamental,	
  e.g.	
  Ruscus	
  hypophyllus.	
  
2.2.2.3.3. Monocotiledóneas	
  commelinídeas	
  
Morfologia.	
  Morfologia	
  muito	
  variável.	
  Endosperma	
  amiláceo.	
  
Observações	
  taxonómicas.	
  Grupo	
  monofilético.	
  Ordens	
  mais	
  relevantes,	
  todas	
  elas	
  monofiléticas:	
  
� Ord.	
   Arecales	
   –	
   árvores	
   ou	
   arbustos,	
   folhas	
   completas,	
   normalmente	
   organizadas	
   numa	
   coroa	
   na	
  
extremidade	
  de	
  um	
  espique;	
  uma	
  família	
  (Arecaceae);	
  
� Ord.	
  Poales	
  –	
  plantas	
  geralmente	
  graminoides;	
  flores	
  nuas	
  ou	
  inconspícuas,	
  com	
  brácteas	
  desenvolvidas	
  e	
  
polinização	
  anemófila;	
  ausência	
  de	
  nectários	
  septais;	
  presença	
  de	
  corpos	
  silícios	
  na	
  epiderme.	
  A	
  família	
  
Bromeliaceae	
   situa-­‐se	
  na	
  base	
  da	
  árvore	
   filogenética	
  dos	
  Poales	
  e,	
  por	
   isso,	
  não	
  partilha	
  muitos	
  destes	
  
caracteres;	
  
� Ord.	
  Commelinales	
  –	
  cimeiras	
  helicoides	
  com	
  numerosas	
  flores	
  vistosas	
  de	
  pequena	
  a	
  média	
  dimensão;	
  
não	
  representada	
  com	
  espécies	
  indígenas	
  em	
  Portugal;	
  
� Ord.	
   Zingiberales	
   –	
   plantas	
   herbáceas	
   rizomatosas	
   de	
   grandes	
   dimensões;	
   folhas	
   diferenciadas	
   em	
  
pecíolo	
   e	
   limbo,	
   de	
   nervação	
   peninérvea;	
   limbo	
   enrolado	
   num	
   tubo	
   no	
   interior	
   dos	
   gomos;	
   flores	
  
A) 	
  B) 	
  
Figura	
  18.	
  Ruscaceae.	
  A)	
  Um	
  dos	
  3	
  indivíduos	
  indígenas	
  de	
  
Dracaena	
  draco	
  da	
  Ilha	
  da	
  Madeira.	
  B)	
  Ruscus	
  aculeatus.	
  N.b.	
  
filocládios	
  e	
  fruto	
  carnudo	
  tipo	
  baga	
  .	
  
46	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
zigomórficas	
   ou	
   assimétricas,	
   bracteadas;	
   gineceu	
   ínfero;	
   sementes	
   com	
   arilo	
   e	
   perisperma;	
   não	
  
representada	
  com	
  espécies	
  indígenas	
  em	
  Portugal.	
  
Arecales 
XXVI. Arecaceae	
  (=	
  Palmae)	
  
Fisionomia.	
   Árvores	
   ou	
   arbustos,	
   genericamente	
   designados	
   porpalmeiras.	
   Caules	
   (espique)	
   raramente	
  
ramificados,	
  revestidos	
  com	
  a	
  base	
  embainhante	
  das	
  folhas	
  (por	
  vezes	
  reduzida	
  a	
  fibras)	
  ou	
  lisos	
  com	
  cicatrizes	
  
evidentes	
  (superfícies	
  onde	
  se	
  inseriam	
  as	
  folhas).	
  
Folha.	
  Folhas	
  perenes,	
  grandes,	
   completas	
   (com	
  bainha,	
  pecíolo	
  e	
   limbo),	
  alternas	
  em	
  espiral,	
   reunidas	
  em	
  
roseta	
   na	
   extremidade	
   do	
   espique,	
   peninérveas	
   ou	
   palminérveas,	
   simples,	
   inteiras	
   que	
   rápido	
   se	
   rompem	
  em	
  
folhas	
  sectas,	
  com	
  segmentos	
  plicados	
  e	
  algo	
  articulados	
  na	
  base	
  (folhas	
  pseudocompostas).	
  
Inflorescência.	
   Inflorescências	
  de	
  grande	
  dimensão,	
  axilares	
  ou	
  terminais,	
  envolvidas,	
  pelo	
  menos	
  de	
   início,	
  
por	
  uma	
  grande	
  bráctea	
  (espata).	
  
Flor.	
   Flores	
   muito	
   pequenas,	
   trímeras,	
   heteroclamídeas,	
   actinomórficas,	
   concrescentes	
   ou	
   livres,	
   sésseis,	
  
unissexuais	
  ou	
  hermafroditas.	
  Estames	
  3-­‐6-­‐∞.	
  Ovário	
  súpero	
  de	
  3	
  carpelos.	
  Polinização	
  por	
  insectos;	
  néctar	
  como	
  
recompensa.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  carnudo	
   tipo	
  drupa,	
   raramente	
  uma	
  baga,	
  por	
  vezes	
  de	
  grande	
   tamanho	
   (e.g.	
  Cocus	
  nucifera).	
  
Tecidos	
  do	
  mesocarpo	
  fibrosos	
  (e.g.	
  Cocus	
  nucifera)	
  ou	
  carnudos	
  e	
  ricos	
  em	
  óleos	
  (Elaeis	
  guineensis	
  «palmeira-­‐
dendém»)	
   ou	
   açúcares	
   (e.g.	
  Phoenix	
  dactylifera).	
   Endosperma	
   sólido,	
   carnudo	
   ou	
   líquido	
   e	
   oleoso	
   (e.g.	
   Cocus	
  
nucifera).	
  Dispersos	
  por	
  mamíferos,	
  aves	
  ou	
  pela	
  água	
  do	
  mar	
  (e.g.	
  Cocos	
  nucifera).	
  
Observações	
  taxonómicas.	
  As	
  palmeiras	
  são	
  difíceis	
  de	
  identificar	
  e	
  têm	
  uma	
  taxonomia	
  complexa	
  ao	
  nível	
  da	
  
espécie.	
  A	
  identificação	
  das	
  palmeiras	
  inicia-­‐se	
  com	
  a	
  observação	
  da	
  forma	
  do	
  tronco,	
  da	
  nervação	
  das	
  folhas	
  e	
  
da	
  presença	
  ou	
  não	
  de	
  capitel.	
  Cinco	
   tipos	
  de	
   tronco:	
   troncos	
   solitários	
   (e.g.	
  Trachycarpus	
   fortunei);	
  palmeiras	
  
cespitosas,	
   de	
   troncos	
   agrupados	
   com	
   origem	
   em	
   poulas	
   de	
   toiça	
   ou	
   radiculares	
   (e.g.	
   Phoenix	
   dactylifera);	
  
troncos	
   ramificados,	
   de	
   forma	
   dicotómica	
   na	
   parte	
   aérea	
   (e.g.	
   género	
   Hyphaene);	
   palmeiras	
   de	
   troncos	
   de	
  
ramificação	
   subterrânea	
   (e.g.	
  Nypa	
   fruticans);	
   palmeiras	
   trepadeiras,	
   a	
  mais	
   conhecidas	
   pertencentes	
   ao	
   gén.	
  
Calamus	
   «palmeiras-­‐rattan».	
   As	
   folhas	
   podem	
   ser:	
   inteiras	
   (várias	
   Chamaedorea),	
   penaticompostas	
   (e.g.	
  
Phoenix),	
   palmaticompostas	
   (e.g.	
   Chamaerops	
   humilis)	
   ou	
   2-­‐penaticompostas	
   (e.g.	
   Caryota).	
   O	
   capitel	
   é	
   um	
  
pseudocaule	
  constituído	
  por	
  bainhas	
   justapostas	
  de	
   folhas,	
   com	
  a	
   função	
  de	
  proteger	
  meristema	
  caulinar	
   (e.g.	
  
Roystonea	
  regia).	
  
A) 	
  	
  B) 	
  
Figura	
  19.	
  Arecaceae.	
  A)	
  Semente	
  de	
  Lodoicea	
  maldivica	
  (Kew	
  Gardens,	
  Reino	
  Unido).	
  B)	
  plantas	
  de	
  Chamaerops	
  humilis	
  
(Algarve)	
  .	
  
47	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
  Fam.	
   grande	
   (ca.	
   2.500	
  
sp.)	
  de	
  taxonomia	
  complexa	
  ao	
  nível	
  da	
  espécie.	
  Muito	
  
diversa	
  nas	
  zonas	
  tropicais,	
  sobretudo	
  no	
  Novo	
  Mundo.	
  
2	
   sp.	
   indígenas	
   da	
   Europa,	
   uma	
   das	
   quais	
   em	
   Lu	
  
(Chamaerops	
  humilis)	
  e	
  outra	
  da	
  Ilha	
  de	
  Creta	
  (Phoenix	
  
theophrasti).	
  
Botânica	
   económica.	
   Inúmeras	
   espécies,	
  
geralmente	
   tropicais,	
   com	
   interesse	
   económico:	
  
ornamental,	
  e.g.	
  Chamaerops	
  humilis,	
  Roystonea	
  regia,	
  
Washingtonia	
   filifera,	
   W.	
   robusta,	
   Trachycarpus	
  
fortunei,	
  Phoenix	
  canariensis;	
  medicinal;	
  alimentar,	
  e.g.	
  
Phoenix	
   dactylifera	
   «tamareira»,	
   Cocus	
   nucifera	
  
«coqueiro»,	
   Euterpe	
   oleracea	
   «açaizeiro»,	
   Elaeis	
  
guineensis	
   «palmeira-­‐dendém»,	
   Orbignya	
   phalerata	
  
«babaçu»;	
   na	
   produção	
   de	
   ceras,	
   e.g.	
   Copernicia	
  
prunifera	
  «carnaúba»;	
  e	
  fibras	
  Raphia	
  farinifera	
  «ráfia».	
  
A	
   Lodoicea	
   maldivica	
   «coco-­‐do-­‐mar»	
   produz	
   a	
   maior	
  
semente	
  do	
  mundo.	
  
Poales 
XXVII. Bromeliaceae	
  
Folha.	
  Folhas	
  com	
  acúleos	
  na	
  margem	
  organizadas	
  em	
  rosetas	
  basais.	
  
Flor.	
  Flores	
  com	
  cálice	
  e	
  corola,	
  polinizadas	
  por	
  insectos	
  ou	
  aves.	
  Nectários	
  septais	
  presentes.	
  
Botânica	
  económica.	
  Ananas	
  commosum	
  «ananás».	
  
XXVIII. Juncaceae	
  
Fisionomia.	
  Herbáceas	
  frequentemente	
  rizomatosas	
  de	
  caules	
  arredondados	
  e	
  sólidos.	
  
Folha.	
   Folhas	
   basais,	
   com	
   bainhas	
   e	
   limbo	
   ou	
   reduzidas	
   a	
   uma	
   bainha;	
   sem	
   lígula,	
   bainhas	
   abertas;	
   limbo	
  
linear,	
  plano	
  ou	
  cilíndrico.	
  
Inflorescência.	
  Compostas	
  ramificadas.	
  
Flor.	
   Inconspícuas,	
  homoclamídeas,	
   trímeras,	
  normalmente	
  actinomórficas	
  e	
  hermafroditas.	
  6	
   tépalas	
   livres	
  
de	
  cores	
  mortiças.	
  Ovário	
  súpero	
  de	
  3	
  carpelos.	
  Primórdios	
  seminais	
  numerosos	
  de	
  placentação	
  axilar	
  ou	
  parietal.	
  
Polinização	
  anemófila.	
  
Fruto.	
  Cápsula	
  loculicida.	
  
Fruto.	
  Aquénio,	
  constituindo	
  um	
  utrículo	
  se	
  envolvido	
  por	
  uma	
  bractéola	
  (Carex).	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  de	
  grande	
  dimensão	
  (104	
  gén.	
  e	
  4500	
  sp.).	
  Cosmopolita,	
  frequente	
  em	
  áreas	
  
húmidas.	
  
Botânica	
  económica.	
  Dos	
  caules	
  do	
  Cyperus	
  papyrus	
  «papiro»	
  faz-­‐se	
  o	
  papiro.	
  O	
  C.	
  esculentus	
  «junça»	
  é	
  uma	
  
das	
  infestantes	
  que	
  mais	
  estragos	
  causa	
  à	
  escala	
  mundial.	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Família	
  média	
  (6	
  gén.	
  e	
  ca.	
  de	
  400	
  sp.).	
  Cosmopolita,	
  frequente	
  em	
  áreas	
  húmidas.	
  
Representada	
  em	
  Lu	
  pelos	
  gén.	
  Juncus	
  «juncos»	
  e	
  Luzula.	
  
	
  
Figura	
  20.	
  Arecaceae.	
  Chamaerops	
  humilis.	
  N.b.	
  espata	
  
a	
  envolver	
  a	
  inflorescência;	
  flores	
  unissexuais	
  de	
  
estrutura	
  muito	
  simples;	
  a	
  Ch.	
  humilis	
  é	
  a	
  única	
  
palmeira	
  indígena	
  de	
  Portugal.	
  
48	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  CiênciasAgrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Botânica	
  económica.	
  Infestantes	
  em	
  pastagens	
  húmidas.	
  As	
  folhas	
  de	
  Juncus	
  são	
  popularmente	
  usadas	
  como	
  
atilhos	
  para	
  sacos	
  ou	
  na	
  empa	
  da	
  videira.	
  
	
  
A) 	
  B) 	
  
Figura	
  21.	
  Juncaceae.	
  A)	
  N.b.	
  flores	
  de	
  estrutura	
  muito	
  simples	
  com	
  2	
  verticilos	
  de	
  3	
  tépalas	
  livres,	
  6	
  estames	
  e	
  ovário	
  
súpero	
  tricarpelar	
  sincárpico	
  de	
  placentação	
  axilar	
  (comparar	
  gravuras	
  de	
  flores	
  com	
  diagramas	
  florais).	
  B)	
  Juncus	
  effusus	
  
(Trás-­‐os-­‐Montes)	
  
A) B) 	
  
Figura	
  22.	
  Cyperaceae.	
  A)	
  N.b.	
  inflorescências	
  ♀	
  (as	
  3	
  inflorescências	
  da	
  base)	
  e	
  ♂	
  (as	
  3	
  inflorescências	
  do	
  topo)	
  (canto	
  
superior	
  esquerdo);	
  rizomas	
  (canto	
  inferior	
  esquerdo);	
  flor	
  hermafrodita	
  com	
  3	
  estames	
  e	
  ovário	
  com	
  3	
  estigmas	
  na	
  axila	
  
de	
  uma	
  bráctea	
  (canto	
  inferior	
  direito);	
  flores	
  unissexuais	
  (canto	
  superior	
  direito).	
  B)	
  Carex	
  elata	
  na	
  margem	
  de	
  um	
  rio	
  de	
  
águas	
  bravas	
  (Bragança)	
  
49	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
XXIX. Cyperaceae	
  
Fisionomia.	
  Herbáceas,	
   geralmente	
   rizomatosas	
   e/ou	
   estolhosas,	
   adaptadas	
   a	
   habitats	
   húmidos.	
   Caules	
   de	
  
secção	
  transversal	
  triangular	
  (cilíndricos	
  em	
  Eleocharis	
  e	
  Scirpoides),	
  sólidos	
  e	
  sem	
  nós	
  evidente.	
  
Folha.	
  Folhas	
  basais,	
  alternas,	
  inteiras,	
  em	
  3	
  fiadas	
  quando	
  observadas	
  de	
  topo	
  (3	
  ortósticos),	
  bainha	
  fechada,	
  
limbo	
   linear	
   (folhas	
   reduzidas	
   às	
   bainhas	
   em	
   Eleocharis),	
   paralelinérveas,	
   de	
   secção	
   plana	
   ou	
   em	
   “M”	
   e	
   sem	
  
lígula.	
  
Inflorescência.	
  Compostas	
   de	
   espiguetas.	
   Espiguetas	
  muito	
   variáveis	
   quanto	
   ao	
   número	
   e	
   sexualidade	
   das	
  
flores,	
  axiladas	
  por	
  uma	
  bráctea.	
  
Flor.	
   Inconspícuas,	
   nuas	
   ou	
   com	
   tépalas	
   reduzidas	
   a	
   escamas	
   ou	
   pelos	
   (flores	
   aclamídeas),	
   unissexuais	
   ou	
  
hermafroditas,	
  axiladas	
  por	
  uma	
  bráctea	
  (gluma);	
  em	
  Carex	
  as	
  flores	
  ♀	
  são	
  envolvidas	
  numa	
  bractéola	
  fechadas	
  
com	
  um	
  pequeno	
  orifício	
  por	
  onde	
  emergem	
  os	
  estigmas.	
  Flores	
  ♀	
  com	
  3	
  estames.	
  Flores	
  ♂	
  de	
  ovário	
  súpero,	
  
com	
  2-­‐3	
  estigmas,	
  2-­‐3	
  carpelos	
  e	
  1	
  lóculo	
  com	
  1	
  primórdio	
  basal.	
  Polinização	
  anemófila.	
  
XXX. Poaceae	
  (=	
  Gramineae)	
  
Fisionomia.	
  Plantas	
  herbáceas,	
  anuais	
  ou	
  perenes	
  rizomatosas,	
  por	
  norma	
  cespitosas,	
  raramente	
  ±	
  lenhosas	
  
ou	
   arborescentes	
   (bambus).	
   Sem	
   crescimento	
   secundário.	
   Frequentemente	
   com	
   meristemas	
   intercalares	
   nos	
  
entrenós	
  basais	
  que	
  conferem,	
  em	
  muitas	
  espécies,	
  tolerância	
  à	
  herbivoria	
  e	
  ao	
   fogo.	
  Caules	
  de	
  secção	
  circular	
  
(elíptica	
  em	
  Dactylis),	
  ocos	
  (e.g.	
  Pooideae)	
  ou	
  maciços	
  (e.g.	
  Panicoideae	
  e	
  Chloridoideae).	
  
Folha.	
  Folhas	
  alternas,	
   lineares	
  e	
  paralelinérveas.	
   Inserção	
  das	
  folhas	
  dística,	
  raramente	
  em	
  espiral	
  e	
   jamais	
  
em	
   3	
   fiadas	
   (como	
   na	
   fam.	
   Cyperaceae).	
   Geralmente	
   sésseis	
   (com	
   um	
   pseudopecíolo	
   nos	
   bambus),	
   de	
   limbo	
  
linear	
  e	
  bainha	
  conspícua,	
  aderente	
  ao	
  caule	
  e	
  raramente	
  fechada.	
  Na	
  união	
  entre	
  o	
  limbo	
  e	
  a	
  bainha	
  geralmente	
  
presente	
  uma	
  lígula	
  membranosa	
  ou	
  reduzida	
  a	
  um	
  conjunto	
  de	
  pelos.	
  
Inflorescência.	
  Inflorescência	
  elementar	
  uma	
  espigueta	
  com	
  1-­‐muitas	
  flores	
  alternando,	
  no	
  mesmo	
  plano,	
  em	
  
2	
   fiadas,	
   ao	
   longo	
   de	
   um	
   eixo	
   em	
   zig-­‐zag	
   (ráquila).	
   As	
   espiguetas	
   podem	
   ser	
   sésseis	
   ou	
   posicionarem-­‐se	
   na	
  
extremidade	
   de	
   um	
   caule	
   filiforme,	
   incorrectamente	
   apelidado	
   por	
   pedicelo.	
   Em	
   geral,	
   cada	
   espigueta	
   é	
  
delimitada	
  inferiormente	
  por	
  duas	
  glumas	
  –	
  gluma	
  inferior	
  e	
  gluma	
  superior.	
  Secundariamente,	
  pode	
  existir	
  uma	
  
única	
   gluma,	
   e.g.	
  Lolium	
   «azevéns».	
  As	
   glumas	
   têm	
  uma	
  origem	
  bracteolar	
   e	
  uma	
  disposição	
  alterna	
  disticada	
  
(uma	
   por	
   nó	
   e	
   dispostas	
   no	
   mesmo	
   plano).	
   Geralmente	
   são	
   escariosas,	
   i.e.	
   secas,	
   membranáceas,	
   um	
   tanto	
  
firmes,	
   de	
   cores	
  mortiças	
   e	
   algo	
   translúcidas.	
   As	
   glumas,	
   e	
   as	
   restantes	
   peças	
   da	
   espigueta,	
   inserem-­‐se	
   num	
  
pequeno	
  eixo	
  caulinar:	
  a	
   ráquila.	
  O	
  número	
  de	
   flores	
  por	
  espigueta	
  é	
  muito	
  variável,	
  e.g.	
  1	
  em	
  Agrostis,	
   2	
  em	
  
Holcus	
   e	
   muitas	
   em	
   Bromus.	
   As	
   flores	
   apresentam,	
   também,	
   uma	
   disposição	
   alterna	
   disticada	
   na	
   espigueta.	
  
Consequentemente,	
  nas	
  espiguetas	
  multifloras	
  a	
  primeira	
  flor	
  localiza-­‐se	
  acima	
  da	
  gluma	
  inferior,	
  a	
  segunda	
  flor	
  
da	
  gluma	
  superior,	
  a	
  terceira	
  flor,	
  por	
  sua	
  vez,	
  situa-­‐se	
  imediatamente	
  acima	
  da	
  primeira	
  flor,	
  e	
  assim	
  por	
  diante.	
  
Muitos	
  géneros	
  de	
  gramíneas	
   têm	
  1	
   (e.g.	
  Panicum)	
  ou	
  mais	
   (e.g.	
  2	
  em	
  Anthoxanthum)	
   flores	
  estéreis.	
  Noutros	
  
géneros	
   coexistem	
  espiguetas	
   estéreis	
   e	
   férteis	
   (e.g.	
   Cynosurus),	
   as	
   primeiras	
   geralmente	
   com	
  uma	
   função	
   de	
  
protecção.	
   Em	
   Setaria	
   e	
   Pennisetum	
   as	
   espiguetas	
   estão	
   rodeadas	
   por	
   pedicelos	
   estéreis	
   (sem	
   espiguetas)	
  
também	
  com	
  uma	
  função	
  de	
  protecção.	
  
Nas	
  gramíneas	
  não	
  domesticadas	
  as	
  espiguetas	
  desarticulam-­‐se	
  acima	
  ou	
  abaixo	
  das	
  glumas	
  na	
  maturação.	
  
Caso	
  as	
  espiguetas	
   se	
  desarticulem	
  acima	
  das	
  glumas,	
  estas	
  permanecem	
  na	
  planta	
  suspensas	
  na	
  extremidade	
  
dos	
  pedicelos.	
  Nas	
  espécies	
  com	
  espiguetas	
  multifloras	
  desarticuladas	
  acima	
  das	
  glumas,	
  as	
  sementes	
  tombam	
  
no	
  solo	
  protegidas	
  pelas	
  glumelas,	
  individualizadas	
  ou	
  agrupadas.	
  
As	
  espiguetas	
  agrupam-­‐se	
  em	
   inflorescências	
  de	
  ordem	
  superior	
  de	
  estrutura	
  muito	
  variada,	
  por	
  norma	
  de	
  
posição	
  terminal,	
  i.e.	
  situadas	
  no	
  ápicedos	
  colmos	
  (as	
  espigas	
  femininas	
  do	
  milho-­‐graúdo	
  são	
  uma	
  excepção).	
  A	
  
panícula	
   de	
   espiguetas	
   (e.g.	
  Avena	
   «aveias»),	
   a	
   espiga	
   de	
   espiguetas	
   (e.g.	
  Hordeum	
   vulgare	
   «cevada»,	
   Secale	
  
cereale	
  «centeio»,	
  Triticum	
  «trigos»	
  e	
  Zea	
  mays	
  «milho-­‐graúdo»)	
  e	
  o	
  cacho	
  de	
  espigas	
  de	
  espiguetas	
  (e.g.	
  várias	
  
espécies	
   dos	
   géneros	
   pratenses	
   tropicais	
   Panicum	
   e	
   Brachiaria)	
   contam-­‐se	
   entre	
   as	
   sinflorescências	
   mais	
  
frequentes	
  na	
  família	
  das	
  gramíneas.	
  As	
  ramificações	
  das	
  inflorescências	
  das	
  gramíneas	
  são	
  sempre	
  alternas.	
  Nas	
  
50	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
panículas	
   de	
  Avena,	
   e	
   de	
  muitos	
   outros	
   géneros,	
   entrenós	
   longos	
   alternam	
   com	
  entrenós	
   curtos	
   formando-­‐se	
  
pseudoverticilos	
  de	
  ramificações,	
  por	
  torção	
  dos	
  entrenós	
  por	
  vezes	
  orientadas	
  para	
  o	
  mesmo	
  lado.	
  Os	
  eixos	
  das	
  
panículas,	
   i.e.	
   o	
   ráquis	
   (eixo	
   principal)	
   e	
   os	
   ramos	
   (eixos	
   secundários)	
   da	
   sinflorescência,	
   são,	
   geralmente,	
  
filiformes.	
  Em	
  Z.	
  mays	
  as	
  cariopses	
  surgem	
  embebidas	
  num	
  eixo	
  engrossado:	
  o	
  carolo.	
  
Flor.	
  As	
   flores	
   inconspícuas,	
  anemófilas,	
  hermafroditas	
  ou	
  por	
  vezes	
  unissexuais.	
  Cada	
   flor	
  de	
  Poaceae	
  está	
  
envolvida	
   por	
   duas	
   glumelas.	
   As	
   glumelas	
   são	
   peças	
   bracteolares27,	
   escariosas,	
   de	
   inserção	
   alterna	
   disticada,	
  
dispostas	
   no	
   mesmo	
   plano	
   das	
   glumas.	
   Na	
   maior	
   parte	
   das	
   gramíneas	
   (excepto	
   bambus	
   e	
   Ehrhartoideae)	
   a	
  
glumela	
  inferior	
  –	
  a	
  lema	
  –	
  é	
  maior	
  e	
  envolve	
  a	
  glumela	
  superior	
  –	
  a	
  pálea,	
  formando-­‐se	
  uma	
  cavidade	
  fechada	
  
que	
  encerra	
  a	
  flor.	
  Na	
  extremidade	
  ou	
  no	
  dorso,	
  quer	
  das	
  glumas	
  quer	
  das	
  glumelas,	
  observa-­‐se	
  frequentemente	
  
uma	
  estrutura	
  delgada	
  ou	
  setiforme,	
  mais	
  ou	
  menos	
  longa	
  e	
  rígida,	
  conhecida	
  por	
  arista	
  (=	
  pragana	
  ou	
  saruga).	
  A	
  
vibração	
   induzida	
  nas	
  aristas	
  das	
  glumelas	
  pelo	
  vento	
  auxilia	
  o	
  enterramento	
  das	
   sementes.	
  Nas	
  espécies	
   com	
  
aristas	
   geniculadas	
   (com	
   um	
   pequeno	
   “cotovelo”)	
   –	
   e.g.	
  Avena	
   «aveias»	
   –	
   as	
   espiguetas	
   ou	
   as	
   flores,	
   com	
   as	
  
sementes	
   inclusas,	
   retidas	
  em	
  pequenas	
   irregularidades	
  dos	
   solos,	
   são	
  empurradas	
  para	
  o	
   interior	
  do	
   solo	
  por	
  
movimentos	
  higroscópicos28	
  da	
  arista.	
  O	
  calo	
  da	
  semente	
  –	
  um	
  tufo	
  de	
  pelos	
  localizado	
  na	
  base	
  das	
  glumelas	
  –	
  
funciona	
   de	
   forma	
   análoga	
   a	
   um	
   anzol	
   dificultando	
   o	
   arranque	
   da	
   semente	
   do	
   solo.	
   A	
   arista	
   poderá	
   ainda	
  
precaver	
   a	
   herbivoria	
   (e.g.	
   as	
   aristas	
   dificultam	
   o	
   corte,	
   o	
   arranque	
   e	
   a	
   deglutição	
   das	
   plantas),	
   auxiliar	
   a	
  
dispersão	
   (e.g.	
   sementes	
   suspensas	
  no	
  pelo	
  dos	
  mamíferos	
  –	
  dispersão	
  ectozoocórica)	
   e,	
   já	
  no	
   solo,	
   facilitar	
   a	
  
queda	
  das	
  glumelas	
  e	
  a	
  germinação	
  da	
  semente.	
  
As	
  Poaceae	
  têm	
  flores	
  nuas:	
  o	
  perianto	
  está	
  reduzido	
  a	
  2	
  (com	
  frequência	
  3	
  nas	
  Bambusoideae	
  e	
  em	
  alguns	
  
grupos	
   de	
   Ehrhartoideae)	
   escamas	
   muito	
   pequenas	
   (lodículas),	
   situadas	
   entre	
   as	
   glumelas	
   e	
   o	
   verticilo	
   dos	
  
estames,	
  que	
  incham	
  e	
  forçam	
  a	
  abertura	
  das	
  espiguetas	
  na	
  ântese.	
  As	
  lodículas	
  correspondem,	
  possivelmente,	
  
às	
  peças	
  do	
  verticilo	
  superior	
  de	
  um	
  perigónio	
  primitivo.	
  Acima	
  das	
  lodículas	
  encontram-­‐se	
  3	
  estames,	
  raramente	
  
6	
  (e.g.	
  bambus	
  e	
  Oryza),	
  2	
  (e.g.	
  Anthoxanthum)	
  ou	
  1	
  (e.g.	
  Festuca),	
  com	
  anteras	
  basifixas	
  sagitadas.	
  O	
  ovário	
  de	
  3	
  
carpelos	
  (frequentemente	
  parecendo	
  2),	
  sincárpico,	
  com	
  1	
  primórdio	
  seminal	
  e	
  2	
  estigmas	
  sésseis	
  e	
  plumosos.	
  
As	
   gramíneas	
   são	
   autogâmicas	
   (e.g.	
   Secale	
   cereale	
   «centeio»)	
   ou,	
   mais	
   frequentemente,	
   alogâmicas	
   de	
  
polinização	
  estritamente	
  anemófila.	
  Nestas	
  espécies	
  o	
  vento	
  faz	
  vibrar	
  as	
  anteras	
  e	
  transporta	
  o	
  pólen.	
  Os	
  colmos	
  
e	
  as	
  inflorescências	
  impulsionados	
  pelas	
  mesmas	
  forças	
  vibram	
  e	
  oscilam	
  facilitando	
  a	
  suspensão	
  do	
  pólen	
  no	
  ar	
  
ou	
  a	
  sua	
  captura.	
  Os	
  indivíduos	
  coespecíficos	
  (da	
  mesma	
  espécie),	
  com	
  frequência,	
  florescem	
  subitamente	
  e	
  em	
  
simultâneo.	
  Admite-­‐se	
  que	
  desta	
  forma	
  a	
  polinização	
  seja	
  facilitada	
  e	
  os	
  riscos	
  de	
  herbivoria	
  diminuídos.	
  
Fruto	
  e	
  semente.	
  Indeiscente,	
  seco	
  (rara	
  vez	
  carnudo),	
  com	
  um	
  pericarpo	
  intimamente	
  soldado	
  às	
  paredes	
  do	
  
ovário,	
   geralmente	
   encerrado	
   por	
   uma	
   lema	
   e	
   uma	
   pálea	
   persistentes,	
   designado	
   por	
   cariopse.	
   Semente	
  
endospérmicas	
  com	
  um	
  cotilédone	
  muito	
  modificado	
  (escutelo).	
  Endosperma	
  constituído	
  por	
  um	
  grande	
  número	
  
de	
   células.	
   Embrião	
   numa	
   posição	
   lateral	
   com	
   meristemas	
   caulinar	
   e	
   radicular,	
   radícula	
   e	
   folhas	
   bem	
  
diferenciadas.	
  
Observações	
   taxonómicas.	
   As	
   gramíneas	
   são	
   atualmente	
   divididas	
   em	
   12	
   subfamílias	
   (GPWG (Grass 
Phylogeny Working Group), 2001) (GPWG II (Grass Phylogeny Working Group II), 2012)	
  estando	
  representadas	
  
em	
  Portugal	
  12	
  subfamílias,	
  indígenas	
  ou	
  naturalizadas:	
  	
  
� Subfam.	
  Bambusoideae	
  –	
  plantas	
  geralmente	
  lenhosas,	
  de	
  folhas	
  pseudopecioladas,	
  com	
  3	
  lodículas	
  e	
  
mais	
   de	
   3	
   estames,	
   de	
   distribuição	
   maioritariamente	
   tropical	
   ou	
   subtropical	
   (bambus);	
   e.g.	
  
Phyllostachys	
  aurea	
  «bambu-­‐do-­‐japão»	
  aparece	
  escapada	
  de	
  cultura	
  nas	
  Ilhas	
  e	
  no	
  NW	
  de	
  Portugal;	
  
� Subfam.	
   Ehrhartoideae	
   –	
   plantas	
   anuais	
   ou	
   perenes,	
   herbáceas	
   a	
   lenhosas	
   na	
   base;	
   espiguetas	
  
assimétricas	
  com	
  glumas	
  vestigiais	
  a	
  muito	
  pequenas;	
  estames	
  geralmente	
  mais	
  de	
  3;	
  grande	
  número27	
  A	
  glumela	
  inferior	
  (=	
  lema)	
  é	
  uma	
  bráctea	
  porque	
  axila	
  o	
  pequeno	
  eixo	
  onde	
  se	
  insere	
  a	
  flor.	
  A	
  glumela	
  superior	
  (=	
  pálea)	
  
corresponde	
  à	
  primeira	
  folha	
  (=	
  profilo)	
  muito	
  modificada	
  desse	
  eixo	
  sendo,	
  por	
  isso,	
  interpretada	
  como	
  uma	
  bractéola	
  (Bell, 
2008).	
  
28	
  Movimentos	
  higroscópicos	
  –	
  movimentos	
  originados	
  por	
  ciclos	
  de	
  embebição	
  e	
  secagem.	
  
51	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
de	
  espécies	
  aquáticas,	
  mais	
   frequente	
  no	
  hemisfério	
  sul;	
  e.g.	
  Oryza	
  sativa	
  «arroz-­‐asiático»	
  e	
  Zizania	
  
aquatica	
  «arroz-­‐selvagem»;	
  
� Subfam.	
   Arundinoideae	
   –	
   subfamília	
   imperfeitamente	
   circunscrita	
   muito	
   próxima	
   das	
   Pooideae;	
  
plantas	
   C3,	
   perenes,	
   herbáceas	
   a	
   algo	
   lenhosas;	
   caules	
   geralmente	
   fistulosos;	
   e.g.	
   Arundo	
   donax	
  
«cana»	
  e	
  Phragmites	
  communis	
  «caniço»;	
  
� Subfam.	
   Pooideae	
   –	
   plantas	
   C3,	
   anuais	
   ou	
   perenes,	
   herbáceas;	
   caules	
   fistulosos;	
   identificáveis	
   no	
  
campo	
   pelos	
   seus	
   nós	
   engrossados	
   e	
   salientes;	
   florescem	
   geralmente	
   antes	
   das	
   plantas	
   C4;	
  
distribuição	
   maioritariamente	
   temperada	
   e	
   mediterrânica;	
   maioria	
   dos	
   cereais	
   e	
   das	
   gramíneas	
  
indígenas	
  de	
  Portugal;	
  
� Subfam.	
  Chloridoideae	
  –	
  plantas	
  C4,	
  anuais	
  ou	
  perenes,	
  herbáceas;	
  caules	
  sólidos	
  ou	
  fistulosos;	
  mais	
  
frequentes	
  em	
  solos	
  secos	
  nas	
  regiões	
  tropicais;	
  e.g.	
  gén.	
  Cynodon,	
  Eleusine,	
  Eragrostis	
  e	
  Spartina;	
  
� Subfam.	
   Panicoideae	
   –	
   plantas	
   C4,	
   anuais	
   ou	
   perenes,	
   geralmente	
   herbáceas	
   de	
   caules	
   sólidos;	
  
espiguetas	
  dorsalmente	
  comprimidas;	
  mais	
  abundantes	
  nos	
  trópicos;	
  inclui	
  muitas	
  plantas	
  cultivadas	
  
–	
   e.g.	
   dos	
   géneros	
  Sorghum,	
  Panicum	
   e	
  Zea	
  mays	
  –	
  e	
   infestantes	
  –	
   e.g.	
   nos	
   géneros	
  Echinochloa	
  e	
  
Paspalum;	
  
� Subfam.	
  Danthonioideae	
  –	
  subfamília	
  pouco	
  representada	
  em	
  Portugal;	
  e.g.	
  Danthonia	
  decumbens	
  e	
  
Cortaderia	
  selloana	
  «cortaderia».	
  
Chave	
  dicotómica	
  2. Subfamílias	
  mais	
  importantes	
  de	
  Poaceae	
  presentes	
  em	
  Portugal	
  
1.	
  Folhas,	
  geralmente,	
  com	
  um	
  pseudopecíolo;	
  presença	
  de	
  células	
  fusiformes	
  (células	
  de	
  grande	
  dimensão	
  no	
  centro	
  do	
  mesofilo)	
  e	
  
de	
  células	
  armadas	
  (células	
  lobuladas,	
  ing.	
  arm	
  cells)	
  no	
  mesofilo	
  foliar;	
  floração	
  normalmente	
  em	
  ciclos	
  supra-­‐anuais	
  (até	
  120	
  anos);	
  
(2)3	
  estigmas	
  ............................................................................................................................................................	
  Bambusoideae	
  
-­‐	
  Folhas	
  não	
  pecioladas	
  com	
  ou	
  sem	
  células	
  fusiformes;	
  floração	
  geralmente	
  anual;	
  2	
  estigmas	
  ..................................................	
  2	
  
2.	
  Presença	
  de	
  células	
  armadas;	
  espiguetas	
  comprimidas	
  lateralmente	
  e	
  notoriamente	
  assimétricas;	
  glumas	
  vestigiais	
  ou	
  pequenas;	
  1	
  
flor	
   fértil	
  acompanhada	
  por	
   (0)1-­‐2	
   flores	
  estéreis	
   representadas	
  por	
  uma	
  glumela	
   (fácil	
  de	
  confundir	
  com	
  uma	
  gluma);	
  pálea	
  bem	
  
desenvolvida;	
  geralmente	
  mais	
  de	
  3	
  estames	
  ..........................................................................................................	
  Ehrhartoideae	
  
-­‐	
  Sem	
  células	
  armadas;	
  glumas	
  geralmente	
  evidentes;	
  1-­‐muitas	
  flores	
  férteis;	
  (1,	
  2)	
  3	
  estames	
  ...................................................	
  3	
  
3.	
  Caules	
  geralmente	
  sólidos;	
  espiguetas	
  panicoides,	
  i.e.	
  dorsalmente	
  comprimidas,	
  com	
  1	
  flor	
  fértil,	
  geralmente	
  acompanhada	
  por	
  1	
  
flor	
  ♂	
  proximal	
  (na	
  base),	
  tombando	
  inteiras	
  (com	
  flores	
  e	
  glumas)	
  na	
  maturação;	
  espiguetas	
  frequentemente	
  agrupadas	
  aos	
  pares
	
  .......................................................................................................................................................................................	
  Panicoideae	
  	
  
-­‐	
  Caules	
   sólidos	
   ou	
   fistulosos;	
   espiguetas	
   não	
   ou	
   lateralmente	
   comprimidas,	
   frequentemente	
   >	
   1	
   flor	
   fértil,	
   desarticulando-­‐se	
   na	
  
maturação	
  acima	
  das	
  glumas	
  (glumas	
  persistentes	
  na	
  inflorescência);	
  flores	
  estéreis,	
  se	
  presentes,	
  em	
  posição	
  distal	
  (acima	
  das	
  flores	
  
férteis)	
  	
  ............................................................................................................................................................................................	
  4	
  
4.	
  Nervuras	
  foliares	
  separadas	
  por	
  2-­‐4	
  células;	
  bainhas	
  células	
  em	
  torno	
  dos	
  feixes	
  vasculares	
  com	
  numerosos	
  cloroplastos	
  (anatomia	
  
C4);	
  presença	
  invariável	
  de	
  pêlos	
  foliares	
  curtos	
  e	
  bicelulares;	
  lígulas	
  geralmente	
  reduzidas	
  a	
  pêlos	
  ..............................................	
  	
  
	
  	
  .........................................................................................................................................................................	
  Chloridoideae	
  	
  
-­‐	
   Nervuras	
   foliares	
   separadas	
   por	
   mais	
   de	
   4	
   células;	
   bainhas	
   células	
   em	
   torno	
   dos	
   feixes	
   vasculares	
   com	
   poucos	
   cloroplastos	
  
(anatomia	
  C3);	
  com	
  ou	
  sem	
  pêlos	
  foliares	
  curtos	
  e	
  bicelulares;	
  lígulas	
  membranosas	
  ou	
  reduzidas	
  a	
  pêlos	
  .................................	
  5	
  
5.	
   Pêlos	
   curtos	
   bicelulares	
   ausentes;	
   células	
   subsidiárias	
   (células	
   que	
   envolvem	
   as	
   células	
   estomáticas)	
   paralelas;	
   plantas	
  
normalmente	
  com	
  <	
  1m;	
  lígulas	
  sempre	
  membranosas	
  ....................................................................................................	
  Pooideae	
  	
  
-­‐	
  Pêlos	
  curtos	
  bicelulares	
  presentes;	
  células	
  subsidiárias	
  de	
  margem	
  +	
  arredondada;	
  plantas	
  perenes,	
  cespitosas,	
  normalmente	
  com	
  >	
  
1m;	
  lígulas	
  membranosas	
  ou	
  reduzidas	
  a	
  pêlos	
  	
  .......................................................................................................	
  Arundinoideae	
  	
  
	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  enorme	
  (ca.	
  10.000	
  sp.	
  e	
  700	
  gén.),	
  cosmopolita.	
  Ca.	
  1/5	
  do	
  coberto	
  vegetal	
  
mundial	
  é	
  dominado	
  por	
  gramíneas.	
  
Botânicaeconómica.	
   Família	
   de	
   enorme	
   importância	
   económica.	
   70%	
   da	
   superfície	
   agrícola	
   mundial	
   é	
  
cultivada	
   com	
   gramíneas	
   e	
   50%	
   das	
   calorias	
   consumidas	
   pela	
   humanidade	
   provêm	
   de	
   espécies	
   cultivadas	
   de	
  
gramíneas.	
  Entre	
  as	
  Poaceae	
  cultivadas	
  para	
  fins	
  alimentares	
  contam-­‐se:	
  os	
  trigos	
  –	
  e.g.	
  Triticum	
  aestivum	
  «trigo-­‐
mole»,	
   T.	
   durum	
   «trigo-­‐duro»	
   e	
   T.	
   spelta	
   «trigo-­‐spelta»;	
   as	
   cevadas	
   –	
   Hordeum	
   vulgare	
   «cevada-­‐exástica	
   ou	
  
cevada-­‐dística,	
  consoante	
  o	
  número	
  de	
  espiguetas	
  férteis	
  por	
  nó»;	
  as	
  aveias	
  –	
  e.g.	
  A.	
  sativa	
  «aveia»,	
  A.	
  byzantina	
  
52	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
«aveião»	
   e	
   A.	
   strigosa	
   «aveira-­‐preta»;	
   os	
   sorgos	
   –	
   Sorghum	
   bicolor	
   subsp.	
   bicolor	
   (=	
   S.	
   vulgare)	
   «sorgo,	
  
massambala,	
  milho-­‐zaburro»,	
  S.	
  bicolor	
  subsp.	
  drummondii	
   (=	
  S.	
   sudanense)	
  «erva-­‐do	
  sudão»	
  e	
  S.	
  halepense;	
  e	
  
ainda	
   Secale	
   cereale	
   «centeio»,	
   Zea	
   mays	
   «milho-­‐graúdo»,	
   Oryza	
   sativa	
   «arroz-­‐asiático»,	
   Oryza	
   glaberrima	
  
«arroz-­‐africano»,	
   Zizania	
  aquatica	
   «arroz-­‐selvagem»,	
   Phalaris	
   canariensis	
   «alpista»,	
   Eleusine	
   coracana	
   «pé-­‐de-­‐
galo»,	
  Panicum	
  miliaceum	
  «milho-­‐miúdo»,	
  Setaria	
  italica	
  «milho-­‐paínço»	
  e	
  Pennisetum	
  glaucum	
  «massango-­‐liso,	
  
quicuio».	
  A	
  Saccharum	
  officinarum	
  «cana-­‐do-­‐açúcar»	
  é	
  a	
  mais	
   importante	
  planta	
  açucareira	
  e	
  uma	
   importante	
  
planta	
  energética.	
  Bebem-­‐se	
   infusões	
  de	
  Cymbopogon	
  nardus	
  «erva-­‐príncipe»	
  e	
   fazem-­‐se	
  móveis	
  com	
  diversas	
  
espécies	
   de	
   bambus	
   «Bambusoideae».	
   O	
   Arundo	
   donax	
   «cana»	
   tem	
   o	
   mesmo	
   uso	
   e	
   é	
   importante	
   na	
  
compartimentação	
   de	
   terras	
   agrícolas.	
   Inúmeras	
   gramíneas	
   têm	
   interesse	
   na	
   alimentação	
   animal	
   tanto	
   nas	
  
regiões	
   temperadas	
   ou	
  mediterrânicas	
   (e.g.	
   gén.	
   Festuca,	
   Bromus,	
   Cynodon,	
   Dactylis,	
   etc.)	
   como	
   nas	
   tropicais	
  
(e.g.	
  gén.	
  Brachiaria	
  e	
  Paspalum).	
  Algumas	
  das	
  infestantes	
  mais	
  graves	
  em	
  Portugal	
  são	
  gramíneas,	
  e.g.	
  Cynodon	
  
dactylon	
  «grama»	
  e	
  várias	
  espécies	
  dos	
  gén.	
  Digitaria,	
  Echinochloa	
  e	
  Panicum.	
  A	
  Cortaderia	
  selloana	
  «erva-­‐das-­‐
pampas»	
  é,	
  na	
  atualidade,	
  a	
  mais	
  perigosa	
  invasora	
  das	
  áreas	
  de	
  clima	
  oceânico	
  de	
  Portugal.	
  
	
  
Figura	
  23.	
  Estruturas	
  reprodutivas	
  das	
  gramíneas.	
  A)	
  Panícula,	
  espigueta	
  e	
  flor	
  de	
  Avena	
  sp.;	
  n.b.	
  na	
  espigueta	
  de	
  
Avena	
  não	
  são	
  visíveis	
  as	
  páleas	
  porque	
  estão	
  ocultas	
  por	
  dentro	
  das	
  lemas;	
  n.b.	
  na	
  flor	
  de	
  Avena	
  foi	
  retirada	
  a	
  lema	
  
para	
  facilitar	
  a	
  observação	
  das	
  lodículas,	
  estames	
  e	
  ovário;	
  (adaptado	
  de	
  
http://appliedweeds.coafes.umn.edu/app/herbarium/images/Hrb-­‐AVEFA-­‐014.jpg).	
  B)	
  Espigueta	
  (em	
  baixo)	
  e	
  flor	
  (em	
  
cima)	
  de	
  Avena	
  barbata	
  subsp.	
  lusitanica;	
  n.b.	
  pelos	
  abundantes	
  e	
  arista	
  inseridos	
  no	
  dorso	
  da	
  lema.	
  
53	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Zingiberales 
XXXI. Musaceae	
  	
  
Botânica	
  económica.	
  Musa	
  x	
  paradisiaca	
  «bananeira»	
  
XXXII. Cannaceae	
  	
  
	
  Botânica	
  económica.	
  Canna	
  indica	
  «cana».	
  
XXXIII. Zingiberaceae	
  
Botânica	
  económica.	
  Zingiber	
  officinale	
  «gengibre»;	
  Hedychium	
  gardnerianum	
  «roca-­‐de-­‐velha».	
  
2.2.2.4. Eudicotiledóneas	
  
Morfologia.	
  Plantas	
  herbáceas	
  a	
  arbóreas.	
  Presença	
  de	
  uma	
  raiz	
  primária	
  de	
  maior	
  dimensão	
  e	
  espessura	
  que	
  
as	
  restantes	
  (raiz	
  aprumada).	
  Folhas	
  com	
  ou	
  sem	
  estípulas,	
  raramente	
  com	
  bainha,	
  peninérveas	
  ou	
  palminérveas	
  
(pontualmente	
  paralelinérveas,	
  e.g.	
  Plantago).	
  Flores	
  geralmente	
  cíclicas,	
  heteroclamídeas	
  com	
  verticilos	
  de	
  4	
  ou	
  
5	
  peças.	
   Estames	
   com	
   filete	
  e	
  antera	
  bem	
  diferenciados.	
  Ovário	
   súpero	
  ou	
   ínfero.	
   Sementes	
  de	
  2	
   cotilédones,	
  
frequentemente	
  conspícuos.	
  
2.2.2.4.1. ‘Eudicotiledóneas	
  basais’	
  
Morfologia.	
  Numerosos	
  caracteres	
  primitivos,	
  e.g.	
  são	
  frequentes	
  flores	
  acíclicas	
  homoclamídeas,	
  trímeras	
  e	
  
de	
  gineceu	
  apocárpico.	
  
Observações	
  taxonómicas.	
  Grupo	
  parafilético.	
  	
  
Ranunculales 
XXXIV. Papaveraceae	
  
Fisionomia.	
  Herbáceas	
  anuais	
  ou	
  perenes,	
  mais	
  
raramente	
   arbustos.	
   Presença	
   frequente	
   de	
   látex	
  
amarelo	
   (e.g.	
  em	
  Chelidonium	
  majus),	
  branco	
  (e.g.	
  
em	
  Papaver)	
  ou	
   translúcido.	
  Muitas	
  Papaveraceae	
  
são	
  venenosas.	
  
Folha.	
  Alternas,	
  pelo	
  menos	
  na	
  base	
  dos	
  caules,	
  
sem	
   estípulas,	
   de	
   recorte	
   variável,	
   geralmente	
  
abraçando	
  o	
  caule	
  na	
  base	
  (folhas	
  amplexicaules).	
  	
  
Flor.	
   Por	
   vezes	
   de	
   grande	
   tamanho,	
   cíclicas,	
  
heteroclamídeas,	
   dialipétalas,	
   actinomórficas	
   (por	
  
vezes	
   zigomórficas,	
   e.g.	
  Fumaria)	
   e	
  hermafroditas.	
  
2	
   sépalas	
   caducas	
   envolvendo	
   a	
   flor	
   em	
   botão.	
  
Geralmente	
   4	
   pétalas	
   enrodilhadas	
   nos	
   botões	
  
florais.	
   Estames	
   geralmente	
   indefinidos	
   e	
   de	
  
filamentos	
   por	
   vezes	
   petaloideos.	
   Carpelos	
   2	
   a	
  
indefinidos.	
   Ovário	
   sincárpico,	
   súpero	
   e	
   de	
  
placentação	
  parietal.	
  Polinização	
  entomófila.	
  
Fruto.	
  Uma	
  cápsula	
  (e.g.	
  Papaver),	
  um	
  aquénio	
  
(e.g.	
   Fumaria)	
   ou	
   uma	
   silíqua	
   (e.g.	
   Chelidonium).	
  
	
  
Figura	
  24.	
  Papaveraceae.	
  N.b.	
  2	
  sépalas,	
  4	
  pétalas,	
  estames	
  
indefinidos,	
  ovário	
  pluricarpelar	
  com	
  estigma	
  séssil.	
  
A	
   B	
  
54	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Sementes	
  frequentemente	
  dispersas	
  por	
  formigas.	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  de	
  média	
  dimensão	
  (ca.	
  800	
  sp.).	
  Mais	
  frequente	
  em	
  territórios	
  temperados.	
  
Botânica	
   económica.	
   Várias	
   espécies	
   com	
   interesse	
   ornamental	
   e	
   medicinal.	
   A	
   Eschscholzia	
   californica«papoila-­‐da-­‐califórnia»	
  é	
  muito	
  cultivada	
  em	
   jardim	
  e	
  para	
  guarnecer	
   taludes;	
  está	
  naturalizada	
  um	
  pouco	
  por	
  
todo	
  o	
  país.	
  A	
  morfina	
  (analgésico),	
  a	
  codeína	
  (medicamentos	
  para	
  a	
  tosse	
  e	
  dores	
  de	
  garganta)	
  e	
  a	
  heroína	
  são	
  
produzidas	
  a	
  partir	
  do	
  látex	
  (depois	
  de	
  seco	
  designado	
  por	
  ópio)	
  da	
  Papaver	
  somniferum	
  «papoila-­‐do-­‐ópio»;	
  esta	
  
espécie	
   é	
   ainda	
   usada	
   como	
   ornamental	
   e	
   as	
   suas	
   sementes	
   são	
   muito	
   apreciadas	
   em	
   pastelaria;	
   fácil	
   de	
  
encontrar	
  escapa	
  de	
  cultura,	
  sobretudo	
  em	
  entulhos	
  em	
  zonas	
  urbanas	
  das	
  regiões	
  calcárias	
  do	
  centro	
  e	
  sul	
  do	
  
país.	
  A	
  Papaver	
  somniferum	
  subsp.	
  setigerum	
  é	
  indígena	
  dos	
  sistemas	
  dunares	
  do	
  centro	
  e	
  sul.	
  
XXXV. Ranunculaceae	
  
Fisionomia.	
  Herbáceas,	
  com	
  menos	
  frequência	
  trepadeiras	
  ou	
  arbustos.	
  
Folha.	
  Alternas,	
  simples,	
  por	
  vezes	
  profundamente	
  recortadas,	
  peninérveas	
  ou	
  palminérveas.	
  
Flor.	
   Flores	
   homoclamídeas	
   ou	
   heteroclamídeas,	
   normalmente	
   actinomórficas,	
   com	
   peças	
   inseridas	
   num	
  
receptáculo	
  bem	
  desenvolvido.	
  4-­‐5	
  ou	
  muitas	
   tépalas	
  ou	
  4-­‐5	
   sépalas	
  e	
  4-­‐5	
  pétalas.	
  1	
  nectário	
  na	
  base	
  da	
   face	
  
interna	
  das	
  pétalas	
  ou	
  das	
   tépalas	
   internas.	
  Estames	
  numerosos.	
  Gineceu	
  súpero	
  com	
  5	
  a	
  numerosos	
  carpelos	
  
livres.	
  Polinização	
  anemófila	
  ou	
  entomófila.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  múltiplo	
  de	
  folículos	
  (eg.	
  Aquilegia)	
  ou	
  aquénios	
  (e.g.	
  Ranunculus).	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  de	
  média	
  dimensão	
  (mais	
  de	
  2500	
  sp.).	
  Cosmopolita,	
  de	
  grande	
  expressão	
  
no	
  hemisfério	
  norte.	
  Ca.	
  45	
  espécies	
  em	
  Lu.	
  
Botânica	
  económica.	
  Várias	
  espécies	
   com	
   interesse	
  ornamental,	
  e.g.	
  gén.	
  Aquilegia,	
  Delphinium,	
  Consolida,	
  
etc.	
  
Proteales 
XXXVI. Proteaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores	
  ou	
  arbustos.	
  
Folha.	
   Folhas	
   alternas,	
   coriáceas,	
   simples	
   ou	
   penaticompostas,	
   inteiras	
   ou	
   profundamente	
   recortadas	
   (e.g.	
  
Grevillea),	
  de	
  forma	
  muito	
  variável	
  (e.g.	
  aciculares	
  em	
  Hakea).	
  
A) B) 	
  
Figura	
  25.	
  Ranunculaceae.	
  A)	
  N.b.	
  estames	
  indefinidos,	
  gineceu	
  apocárpico,	
  fruto	
  múltiplo	
  de	
  aquénios,	
  nectários	
  na	
  base	
  das	
  
pétalas.	
  B)	
  Ranunculus	
  olyssiponensis,	
  n.b.	
  fruto	
  múltiplo	
  de	
  aquénios	
  (Bragança)	
  
55	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Flor.	
  Flores	
   grandes,	
   actinomórficas	
  ou	
   zigomórficas.	
   4	
   tépalas	
   petaloideas,	
   livres	
  ou	
   soldadas	
  num	
   tubo.	
  4	
  
estames	
  opostos	
  às	
  tépalas,	
  soldados	
  a	
  estas	
  pelos	
  filetes,	
  por	
  vezes	
  apenas	
  a	
  antera	
  visível.	
  Ovário	
  súpero	
  de	
  1	
  
carpelo	
  e	
  estilete,	
  frequentemente,	
  longo	
  e	
  anguloso.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  seco	
  do	
  tipo	
  folículo,	
  com	
  menos	
  frequência	
  um	
  aquénio,	
  uma	
  noz	
  ou	
  um	
  fruto	
  carnudo	
  (drupa).	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  de	
  média	
  dimensão	
  (ca.	
  1.000	
  sp.).	
  Pantropical,	
  dois	
  centros	
  de	
  diversidade	
  
na	
  Austrália	
  e	
  África	
  do	
  Sul.	
  Ausente	
  de	
  Portugal.	
  
Botânica	
  económica.	
  Interesse	
  maioritariamente	
  ornamental	
  (e.g.	
  Grevillea	
  robusta).	
  A	
  Hakea	
  sericea	
  é	
  uma	
  
perigosa	
  invasora	
  em	
  Lu.	
  
XXXVII. Platanaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores	
  com	
  casca	
  destacando-­‐se	
  em	
  placas.	
  
Folha.	
  Folhas	
  alternas,	
  palminérveas,	
  palmatilobadas,	
  estípulas	
  encapsulando	
  1	
  gomo	
  axilar.	
  
Inflorescência.	
  Inflorescências	
  globosas	
  e	
  compactas	
  (capitadas).	
  	
  
Flor.	
  Flores	
  unissexuais,	
  pequenas.	
  Ovário	
  súpero	
  com	
  1	
  primórdio	
  seminal.	
  
Fruto.	
  Frutos	
  secos	
  (aquénios)	
  agrupados	
  em	
  infrutescências	
  globosas.	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
  Fam.	
  muito	
   pequena	
   (10	
   sp.).	
   América	
   do	
   Norte	
   e	
   Central,	
   SE	
   da	
   Europa,	
   Ásia	
  
Menor	
  e	
  SW	
  Asiático.	
  
Botânica	
   económica.	
   A	
   Platanus	
   orientalis	
   var.	
   acerifolia	
   (=	
   Platanus	
   hibrida)	
   é	
   uma	
   importante	
   árvore	
  
ornamental,	
  com	
  madeira	
  de	
  boa	
  qualidade,	
  localizadamente	
  escapada	
  de	
  cultura	
  em	
  Lu	
  na	
  margem	
  de	
  rios	
  de	
  
caudal	
  permanente.	
  
Buxales 
XXXVIII. Buxaceae	
  
Fisionomia.	
  Pequenas	
  árvores	
  ou	
  arbustos	
  monoicos.	
  
Folha.	
  Folhas	
  persistentes,	
  simples,	
  normalmente	
  opostas.	
  
Flor.	
  Flores	
  pequenas,	
  discretas,	
  unissexuais,	
  homoclamídeas,	
  actinomórficas.	
  4-­‐6	
  tépalas	
  de	
  cores	
  mortas.	
  4-­‐
6	
  ou	
  muitos	
  estames,	
  opostos	
  às	
  tépalas.	
  Ovário	
  súpero,	
  de	
  3	
  carpelos	
  e	
  3	
  estiletes	
  livres	
  e	
  salientes.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  seco,	
  uma	
  cápsula	
  com	
  poucas	
  sementes.	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  pequena	
  (ca.	
  30	
  sp.).	
  Grande	
  área	
  de	
  distribuição,	
  ausente	
  da	
  Austrália	
  e	
  das	
  
áreas	
  mais	
   frias	
  do	
  hemisfério	
  norte.	
   1	
   espécie	
   indígena	
  de	
   Lu	
  –	
  Buxus	
   sempervirens	
   «buxo»	
  –	
   restringida	
   aos	
  
vales	
  dos	
  grandes	
  rios	
  de	
  Trás-­‐os-­‐Montes,	
  muito	
  cultivada	
  em	
  jardins	
  e	
  sebes.	
  
2.2.2.4.2. Eudicotiledóneas	
  superiores	
  (core	
  eudicots)	
  
Famílias	
  basais	
  de	
  eudicotiledóneas	
  superiores	
  
Grupo	
  parafilético	
  morfologicamente	
  heterogéneo.	
  
Saxifragales 
XXXIX. Altingiaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores	
  ou	
  arbustos	
  monoicos,	
  frequentemente	
  resinosos	
  e	
  aromáticos.	
  
Folha.	
   Folhas	
   caducas,	
   alternas,	
   simples,	
   com	
   frequência	
   profundamente	
   recortadas,	
   palminérveas	
  
(Liquidambar)	
  ou	
  peninérveas;	
  estípulas	
  inseridas	
  na	
  base	
  do	
  pecíolo.	
  
56	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Inflorescência.	
  Flores	
  ♀ em	
  inflorescências	
  globosas,	
  as	
  ♂	
  em	
  cachos.	
  
Flor.	
  Flores	
  unissexuais	
  e	
  muito	
  pequenas.	
  Tépalas	
  (só	
  nas	
  flores	
  ♀)	
  e	
  estames	
  numerosos	
  (flores	
  ♂).	
  Ovário	
  
semi-­‐ínfero.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  seco	
  tipo	
  cápsula.	
  Cápsulas	
  agregadas	
  em	
  grande	
  número	
  numa	
  infrutescênciaglobosa.	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  pequena	
   (13	
  sp.).	
  Ásia	
  menor,	
  SW	
  da	
  Ásia	
  e	
  Américas	
  Central	
  e	
  do	
  Norte.	
  
Ausente	
  de	
  Portugal.	
  
Botânica	
  económica.	
  Interesse	
  maioritariamente	
  ornamental	
  (Liquidambar).	
  
Vitales 
XL. Vitaceae	
  
Fisionomia.	
   Trepadeiras.	
   Caules	
  
simpodiais,	
   flexíveis	
   e	
   de	
   entre-­‐nós	
   longos,	
  
geralmente,	
   com	
  uma	
   folha	
  e	
  uma	
  gavinha	
  
ou	
  uma	
  folha	
  e	
  uma	
  inflorescência	
  por	
  nó.	
  
Folha.	
   Folhas	
   caducas,	
   simples	
   ou	
  
compostas,	
   palminérveas	
   (raramente	
  
peninérveas)	
  e	
  estípulas	
  caducas.	
  
Flor.	
   Flores	
   pequenas	
   e	
   actinomórficas.	
  
4-­‐5	
   sépalas	
   muito	
   pequenas.	
   4-­‐5	
   pétalas,	
  
caducas	
   na	
   floração,	
   aparentemente	
  
soldadas	
   na	
   extremidade	
   numa	
   estrutura	
  
em	
   forma	
  de	
   capuz	
  –	
  a	
   caliptra	
  –	
  em	
  Vitis.	
  
4-­‐5	
   estames	
  opostos	
   às	
   pétalas.	
   2	
   carpelos	
  
num	
   ovário	
   súpero	
   com	
   4	
   primórdios	
  
seminais	
  (2	
  por	
  lóculo).	
  
Fruto.	
   Fruto	
   carnudo	
   (baga)	
   até	
   4	
  
sementes.	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  de	
  média	
  dimensão	
  (ca.	
  850	
  sp.).	
  Cosmopolita,	
  escassa	
  na	
  Eurásia.	
  1	
  espécie	
  
indígena,	
  ou	
  assilvestrada	
  de	
  longa	
  data,	
  em	
  Lu:	
  Vitis	
  vinifera	
  «videira».	
  
Botânica	
   económica.	
  A	
  Vitis	
   vinifera	
   «videira»,	
   que	
   tem	
   grande	
   importância	
   económica.	
   O	
   Parthenocissus	
  
quinquefolia	
  e	
  P.	
  tricuspidata	
  são	
  duas	
  trepadeiras	
  ornamentais	
  muito	
  frequentes.	
  
Clado	
  das	
  rosidas	
  
Morfologia.	
  Flores	
  cíclicas,	
  heteroclamídeas,	
  4-­‐5	
  meras,	
  normalmente	
  dialipétalas.	
  Androceu	
  frequentemente	
  
com	
  2	
  ou	
  mais	
  verticilos.	
  Gineceu	
  muito	
  variável,	
  geralmente	
  de	
  placentação	
  axilar	
  e	
  com	
  um	
  grande	
  número	
  de	
  
primórdios	
  seminais.	
  Primórdios	
  seminais	
  bitegumentados	
  (2	
  tegumentos)	
  e	
  crassinucelados	
  (de	
  nucela	
  espessa).	
  
A	
  capacidade	
  de	
  fixar	
  azoto	
  com	
  actinomicetas	
  do	
  género	
  Frankia	
  e	
  alfa-­‐proteobactérias	
  (e.g.	
  géneros	
  Rhizobium	
  
e	
  Bradyrhizobium)	
  é	
  quase	
  exclusiva	
  (excepto	
  Gunneraceae)	
  das	
  famílias	
  deste	
  clado.	
  
Observações	
  taxonómicas.	
  Grupo	
  possivelmente	
  monofilético.	
  As	
  famílias	
  mais	
  adiantes	
  descritas	
  distribuem-­‐
se	
  por	
  10	
  ordens	
  (Angiosperm Phylogeny Group, 2009):	
  Malpighiales	
  (fam.	
  Euphorbiaceae,	
  Linaceae,	
  Salicaceae,	
  
Hypericaceae,	
  Passifloraceae	
   e	
  Violaceae),	
  Cucurbitales	
   (fam.	
  Cucurbitaceae),	
  Fabales	
   (fam.	
  Fabaceae),	
  Fagales	
  
(fam.	
   Fagaceae,	
   Myricaceae,	
   Juglandaceae,	
   Betulaceae	
   e	
   Casuarinaceae),	
   Myrtales	
   (fam.	
   Lythraceae	
   e	
  
Myrtaceae),	
   Celastrales	
   (fam.	
   Celastraceae),	
   Rosales	
   (fam.	
   Rosaceae,	
   Rhamnaceae,	
  Ulmaceae,	
   Cannabaceae	
   e	
  
Moraceae),	
   Sapindales	
   (fam.	
  Anacardiaceae,	
   Sapindaceae,	
   Simaroubaceae,	
  Meliaceae	
   e	
  Rutaceae),	
  Brassicales	
  
(fam.	
  Brassicaceae)	
  e	
  Malvales	
  (fam.	
  Thymelaeaceae,	
  Cistaceae	
  e	
  Malvaceae	
  s.l.).	
  
	
  
Figura	
  26.	
  Vitaceae.	
  N.b.	
  Pétalas	
  soldadas	
  numa	
  calíptra	
  cada	
  na	
  
floração;	
  ovário	
  com	
  2	
  lóculos	
  e	
  4	
  primórdios	
  seminais.	
  
57	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Malpighiales 
XLI. Linaceae	
  
Botânica	
  económica.	
  Das	
  fibras	
  liberianas	
  do	
  
Linum	
   usitatissimum	
   obtém-­‐se	
   o	
   linho,	
   das	
  
sementes	
   o	
   óleo	
   de	
   linhaça.	
   O	
   ancestral	
   deste	
  
cultigen,	
  o	
  L.	
  bienne,	
  é	
  indígena	
  em	
  Lu.	
  
XLII. Euphorbiaceae	
  
Fisionomia.	
   Herbáceas,	
   trepadeiras,	
  
arbustos	
   ou	
   árvores	
   tropicais,	
   ou,	
  monoicos	
   ou	
  
dioicos,	
   frequentemente	
   produtoras	
   de	
   látex	
  
(látex	
   branco	
   e	
   abundante,	
   por	
   exemplo,	
   em	
  
Euphorbia).	
  
Folha.	
   Folhas	
   alternas	
   (opostas	
   em	
  
Chamaesyce	
  e	
  Mercurialis	
  e	
  oposto-­‐cruzadas	
  em	
  
algumas	
   Euphorbia),	
   simples,	
   geralmente	
  
inteiras	
  (profundamente	
  recortadas	
  em	
  Ricinus),	
  
peninérveas	
   (palminérveas	
  em	
  Ricinus),	
  com	
  ou	
  
sem	
   estípulas,	
   com	
   frequência	
   variando	
   de	
  
forma	
  e	
  tamanho	
  ao	
  longo	
  dos	
  ramos.	
  
Inflorescência.	
   Inflorescência	
   muito	
  
característica	
   em	
   Chamaesyce	
   e	
   Euphorbia	
   –	
   um	
   ciato	
   –	
   constituída	
   por	
   1	
   invólucro	
   em	
   forma	
   de	
   taça,	
  
normalmente	
  culminado	
  por	
  4-­‐5	
  glândulas	
  nectaríferas,	
  no	
   interior	
  do	
  qual	
  se	
  encontra	
  na	
  extremidade	
  de	
  um	
  
pedicelo	
  uma	
  flor	
  ♀	
  nua	
  de	
  ovário	
  tricarpelar,	
  rodeada	
  por	
  5	
  grupos	
  de	
  flores	
  ♂	
  também	
  nuas	
  e	
  com	
  1	
  estame	
  
articulado.	
  
Flor.	
   Flores	
   pequenas,	
   actinomórficas,	
   unissexuais,	
   normalmente	
   nuas.	
   Ovário	
   súpero,	
   3	
   carpelos	
   (2	
   em	
  
Mercurialis),	
   estigma	
   proeminente	
   e	
   1-­‐	
   primórdio	
   seminal	
   por	
   carpelo.	
   Polinização	
   normalmente	
   entomófila	
  
(anemófila	
  em	
  Ricinus)	
  
Fruto	
   e	
   semente.	
   Fruto	
   seco,	
   com	
   uma	
   forma	
   muito	
   características,	
   normalmente	
   com	
   3	
   lóbulos	
   e	
   3	
  
sementes,	
   esquizocárpico	
   e	
   explosivo.	
   Sementes	
   ornamentadas	
   ou	
   não,	
   geralmente,	
   com	
   uma	
   carúncula	
  
consumida	
  pelos	
  animais	
  vetores	
  de	
  dispersão	
  (recompensa	
  alimentar).	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  muito	
  grande	
  (ca.	
  7.500	
  sp.,	
  metade	
  das	
  quais	
  do	
  género	
  Euphorbia),	
  muito	
  
diversa	
  nas	
  áreas	
  tropicais.	
  
Botânica	
   económica.	
   Do	
   látex	
   da	
   Hevea	
   brasiliense	
   «seringueira»	
   faz-­‐se	
   a	
   borracha	
   natural;	
   a	
   Manihot	
  
esculenta	
   «mandioca»	
   é	
   a	
   mais	
   importante	
   fonte	
   de	
   hidratos	
   de	
   carbono	
   nos	
   trópicos;	
   do	
   Ricinus	
   communis	
  
«rícino»	
  e	
  da	
   Jatropha	
  curcas	
  «purgueira»	
  extraem-­‐se	
  óleos	
  de	
  múltiplos	
  usos;	
  algumas	
  espécies	
  têm	
  interesse	
  
ornamental	
  (e.g.	
  Euphorbia	
  pulcherrima,	
  Phyllanthus	
  sp.pl.).	
  O	
  látex	
  de	
  algumas	
  Euphorbia	
  indígenas	
  de	
  Portugal	
  
é	
  muito	
  tóxico	
  (e.g.	
  E.	
  oxyphylla).	
  
XLIII. Violaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores	
  tropicais,	
  arbustosou	
  plantas	
  herbáceas.	
  
Folha.	
  Folhas	
  alternas,	
  por	
  vezes	
  numa	
  roseta	
  basal,	
  com	
  estípulas.	
  
Flor.	
   Flores	
   zigomórficas.	
   5	
   sépalas	
   livres.	
   5	
   pétalas	
   livres,	
   uma	
   das	
   quais	
   geralmente	
   com	
   um	
   esporão	
   na	
  
base.	
  5	
  estames	
  de	
  filetes	
  curtos	
  e	
  aparentemente	
  soldados	
  pelas	
  anteras	
  em	
  torno	
  do	
  ovário,	
  com	
  um	
  conectivo	
  
muito	
  alongado.	
  Ovário	
  súpero	
  de	
  3	
  carpelos	
  e	
  numerosos	
  primórdios	
  seminais	
  inseridos	
  nas	
  paredes	
  do	
  ovário	
  
(placentação	
  parietal).	
  
	
  
Figura	
  27.	
  Euphorbiaceae.	
  N.b.	
  ciato	
  com	
  uma	
  flor	
  ♀	
  rodeada	
  por	
  
flores	
  ♂;	
  ovário	
  com	
  3	
  lóculos	
  e	
  1	
  primórdio	
  por	
  lóculo;	
  carúncula,	
  
i.e.	
  pequena	
  excrescência	
  na	
  extremidade	
  da	
  semente	
  (vd.	
  figura	
  
da	
  semente	
  de	
  Euphorbia	
  lathyris).	
  
58	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Fruto.	
  Fruto	
  seco	
  (cápsula	
  loculicida).	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  de	
  média	
  dimensão	
  (ca.	
  800	
  sp.).	
  Um	
  género	
  comum	
  a	
  Lu,	
  Az	
  e	
  Ma:	
  Viola.	
  
Cosmopolita	
  de	
  óptimo	
  temperado.	
  
Botânica	
  económica.	
  Da	
  Viola	
  odorata	
  extrai-­‐se	
  a	
  essência	
  de	
  violeta;	
  a	
  V.	
  x	
  wittrockiana	
  «amor-­‐perfeito»	
  é	
  
muito	
  frequente	
  em	
  jardins	
  de	
  mão-­‐de-­‐obra	
  intensiva.	
  
XLIV. Salicaceae	
  
Fisionomia.	
   Árvores	
   ou	
   arbustos,	
  
geralmente	
  dioicos,	
  de	
  ramos	
  flexíveis.	
  
Folha.	
   Folhas	
   caducas,	
   alternas	
  
(raramente	
   opostas,	
   e.g.	
   Salix	
   purpurea),	
  
simples,	
   peninérveas,	
   dentadas,	
   com	
  
estípulas	
  caducas	
  e	
  muito	
  visíveis.	
  
Flor.	
   Flores	
   em	
   amentos	
   ♂	
   ou	
   ♀,	
  
pendentes	
   e	
   flexuosos	
   (em	
   Populus)	
   ou	
   ±	
  
rígidos	
   e	
   erguidos	
   (em	
   Salix),	
   que	
   emergem	
  
na	
  Primavera	
  antes	
  ou	
  ao	
  mesmo	
  tempo	
  que	
  
as	
   folhas.	
   Todas	
   as	
   espécies	
   europeias	
   com	
  
flores	
   unissexuais,	
   nuas,	
   na	
   axila	
   1	
   pequena	
  
bráctea	
   (folha	
   muito	
   modificada)	
   repleta	
   de	
  
pêlos.	
  2	
  a	
  muitos	
  estames	
  nas	
  flores	
  ♂.	
  Flores	
  
♀ de ovário	
  súpero	
  e	
  2	
  carpelos.	
  
Fruto.	
   Fruto	
   seco	
   (cápsula).	
   Sementes	
  
numerosas,	
   revestidas	
   de	
   pêlos	
   compridos,	
  
anemocóricas.	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Fam.	
   de	
  
média	
  dimensão	
  (ca.	
  1.000	
  sp.).	
  Cosmopolita.	
  10	
  sp.	
  indígenas	
  ou	
  naturalizadas	
  em	
  Lu,	
  distribuídas	
  por	
  2	
  géneros:	
  
Salix	
  «salgueiros»	
  e	
  Populus	
  «choupos».	
  
Botânica	
  económica.	
  Várias	
  espécies	
  utilizadas	
  como	
  ornamentais	
   (e.g.	
  Salix	
  x	
  spulcralis),	
  em	
  cestaria	
   (Salix	
  
sp.pl.),	
  na	
  produção	
  de	
  madeira	
  (Populus	
  sp.pl.)	
  e	
  na	
  restauração	
  de	
  cursos	
  de	
  água	
  (Salix	
  sp.pl.).	
  
XLV. Passifloraceae	
  
Botânica	
  económica.	
  A	
  Passiflora	
  edulis	
  «maracujazeiro»	
  é	
  uma	
  trepadeira	
  tropical	
  cultivada	
  pelos	
  seus	
  frutos	
  
aromáticos.	
  
XLVI. Hypericaceae	
  
Fisionomia.	
  Arbustos	
  ou	
  herbáceas.	
  
Folha.	
   Folhas	
   opostas	
   ou	
   verticiladas,	
   simples,	
   inteiras,	
   peninérveas,	
   frequentemente	
   com	
   glândulas	
  
translúcidas	
  ou	
  negras,	
  sem	
  estípulas.	
  
Flor.	
   Flores	
   médias	
   a	
   grandes,	
   actinomórficas.	
   5	
   sépalas	
   e	
   5	
   pétalas,	
   livres.	
   Estames	
   numerosos,	
  
frequentemente	
   agrupados	
   em	
   vários	
   feixes	
   soldados	
   pela	
   base	
   do	
   filete.	
   Ovário	
   súpero	
   de	
   3-­‐5	
   carpelos	
   e	
  
numerosos	
  primórdios	
  seminais,	
  raramente	
  1.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  seco	
  (cápsula)	
  ou	
  carnudo	
  (drupa	
  ou	
  baga).	
  Sementes	
  pequenas.	
  
Observações	
  taxonómicas.	
  Tradicionalmente	
  incluída	
  na	
  fam.	
  Guttiferae.	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  de	
  média	
  dimensão	
  (ca.	
  550	
  sp.).	
  Cosmopolita.	
  1	
  género	
  em	
  Lu	
  –	
  Hypericum	
  
–	
  com	
  13	
  sp.	
  indígenas	
  ou	
  naturalizadas.	
  
	
  
Figura	
  28.	
  Salicaceae.	
  N.b.	
  amentos	
  com	
  flores	
  unissexuais,	
  flores	
  
unissexuais	
  e	
  apétalas,	
  fruto	
  capsular	
  com	
  dois	
  carpelos.	
  
59	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Botânica	
   económica.	
   Vários	
   Hypericum	
   têm	
   uso	
   medicinal	
   (e.g.	
   H.	
   androsaemum,	
   H.	
   perforatum)	
   ou	
  
ornamental	
  (e.g.	
  H.	
  calycinum).	
  
Cucurbitales 
XLVII. Cucurbitaceae	
  
Fisionomia.	
  Plantas	
  herbáceas,	
  geralmente	
  
dioicas	
   ou	
   monoicas,	
   anuais	
   ou	
   perenes,	
  
prostradas	
  ou	
  trepadoras,	
  de	
  caules	
  angulosos,	
  
com	
  gavinhas	
  caulinares	
  (por	
  vezes	
  reduzidas	
  a	
  
espinhos)	
   inseridas	
   perpendicularmente	
   ao	
  
plano	
  do	
  pecíolo	
  da	
  folha.	
  
Folha.	
   Folhas	
   alternas,	
   palminérveas,	
  
profundamente	
   recortadas,	
   simples	
   ou	
  
compostas,	
  sem	
  estípulas.	
  	
  
Inflorescência.	
   Inflorescências	
   com	
  poucas	
  
flores	
  e	
  de	
  difícil	
  interpretação.	
  
Flor.	
   Flores	
   grandes,	
   pentâmeras,	
  
heteroclamídeas,	
   corola	
   simpétala	
   branca	
   ou	
  
amarela,	
   actinomórficas,	
   com	
   hipanto	
  
evidente,	
   geralmente	
   unissexuais.	
   Androceu	
  
geralmente	
   de	
   5	
   estames,	
   unidos	
   ao	
   hipanto,	
  
com	
   um	
   grau	
   variável	
   de	
   fusão	
   ou	
   redução.	
  
Gineceu	
   ínfero,	
   paracárpico,	
   com	
   (2)3(-­‐5)	
  
carpelos	
  e	
  placentação	
  parietal.	
  
Fruto.	
  Um	
  pepónio.	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
  Fam.	
   de	
  média	
   dimensão	
   (ca.	
   800	
   ap.)	
   eminentemente	
   tropical.	
   Duas	
   espécies	
  
indígenas	
  de	
  Lu:	
  Bryonia	
  dioica	
  «norça-­‐branca»	
  e	
  Ecballium	
  elaterium	
  «pepino-­‐de-­‐são-­‐gregório».	
  
Botânica	
   económica.	
   Numerosas	
   espécies	
   com	
   interesse	
   económico,	
   e.g.	
   Citrullus	
   lanatus	
   «melancia»,	
  
Cucumis	
   melo	
   «melão»,	
   C.	
   sativus	
   «pepino»,	
   Cucurbita	
   ficiifolia	
   «abóbora-­‐chila»,	
   C.	
   maxima	
   «abóbora-­‐
porqueira»,	
  C.	
  moschata	
  «abóbora-­‐almiscarada»,	
  C.	
  pepo	
  «abóbora-­‐menina»,	
  Lagenaria	
  ciceraria	
  «cabaça»,	
  Luffa	
  
aegyptica	
  «esponja-­‐vegetal»	
  e	
  Sechium	
  edule	
  «chu-­‐chu».	
  
Fabales 
XLVIII. Fabaceae	
  
Fisionomia.	
   Árvores,	
   arbustos,trepadeiras	
   ou	
   herbáceas,	
   espinhosos	
   ou	
   inermes.	
   Presença	
   frequente	
   de	
  
pequenos	
  nódulos	
  nas	
  raízes	
  onde	
  se	
  alojam	
  bactérias	
  fixadoras	
  de	
  azoto.	
  
Folha.	
  Folhas	
  alternas	
  e	
  estipuladas,	
  geralmente	
  compostas;	
  folhas	
  ou	
  folíolos	
  normalmente	
  inteiros.	
  	
  
Inflorescência.	
  Flores	
   solitárias	
  ou	
  em	
   inflorescência	
   tipo	
  cacho	
   (condição	
  mais	
   frequente)	
  ou	
  capítulo	
   (e.g.	
  
Trifolium	
  e	
  Acacia	
  sp.pl.).	
  Flores	
  com	
  abertura	
  simultânea	
  nas	
  inflorescências	
  da	
  subfam.	
  Mimosoideae.	
  
Flor.	
  Flores	
  apétalas	
  ou	
  diploclamídeas,	
  pentâmeras,	
  frequentemente	
  com	
  um	
  hipanto	
  curto.	
  Ovário	
  súpero	
  
de	
  1	
  carpelo	
  com	
  1	
  a	
  numerosos	
  primórdios	
  seminais.	
  Polinização	
  entomófila.	
  As	
   três	
  subfamílias	
  de	
  Fabaceae	
  
apresentam	
  combinações	
  particulares	
  de	
  caracteres	
  ao	
  nível	
  da	
  flor.	
  
	
  
Figura	
  29.	
  Cucurbitaceae.	
  N.b.	
  flores	
  unissexuais	
  de	
  ovário	
  
ínfero.	
  
60	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Fruto.	
  Fruto	
  seco	
  geralmente	
  tipo	
  vagem	
  (um	
  aquénio	
  nas	
  espécies	
  monospérmicas,	
  e.g.	
  Trifolium),	
  deiscente	
  
ou	
  indeiscente	
  (e.g.	
  Trifolium	
  e	
  muitas	
  Caesalpinioideae),	
  por	
  vezes	
  um	
  lomento	
  (fruto	
  seco	
  esquizocárpico,	
  e.g.	
  
Ornithopus).	
  
Observações	
  taxonómicas.	
  Três	
  subfamílias,	
  por	
  muitos	
  autores	
  elevadas	
  à	
  categoria	
  de	
  família:	
  
� Subfam.	
  Caesalpinioideae	
  –	
  simples,	
  compostas	
  unifolioladas	
  (gén.	
  Bauhinia	
  e	
  Cercis	
  siliquastrum	
  «olaia»)	
  
ou	
   compostas	
   multifolioladas	
   (e.g.	
   Ceratonia	
   siliqua	
   «alfarrobeira»).	
   Pétala	
   superior	
   envolvida	
   pelas	
  
laterais	
  no	
  botão	
  (prefloração	
  carenal);	
  sépalas	
  geralmente	
  livres;	
  corola	
  (ausente	
  e.g.	
  em	
  Brachystegia	
  e	
  
Ceratonia)	
  zigomórfica,	
  vistosa,	
  com	
  as	
  5	
  pétalas	
  livres;	
  10	
  ou	
  menos	
  estames	
  geralmente	
  livres;	
  
� Subfam.	
   Mimosoideae	
   –	
   normalmente	
   recompostas	
   (e.g.	
   Acacia29	
   sp.pl.);	
   em	
   algumas	
   Acacia	
   folhas	
  
reduzidas	
   a	
   um	
   filódio	
   (e.g.	
   A.	
   retinoides).	
   Prefloração	
   valvar;	
   sépalas	
   livres;	
   corola	
   pequena,	
  
actinomórfica	
  com	
  as	
  5	
  pétalas	
   soldadas	
  num	
  tubo	
   (corola	
   simpétala);	
  estames	
  mais	
  de	
  10	
  geralmente	
  
com	
  filetes	
  muito	
  vistosos;	
  
� Subfam.	
   Faboideae	
   –	
   compostas	
   unifolioladas,	
   bifolioladas	
   (e.g.	
   Lathyrus	
   sp.pl.),	
   trifolioladas	
   (e.g.	
  
Trifolium	
   «trevos»)	
   ou	
   multifolioladas	
   (e.g.	
   Cicer	
   arietinum	
   «grão-­‐de-­‐bico»),	
   por	
   vezes	
   com	
   folíolos	
  
totalmente	
  transformados	
  em	
  gavinhas	
  (e.g.	
  Lathyrus	
  sp.pl.);	
  em	
  algumas	
  espécies	
  (e.g.	
  Lotus)	
  os	
  folíolos	
  
da	
  base	
  inserem-­‐se	
  muito	
  próximo	
  dos	
  nós	
  e	
  confundem-­‐se	
  com	
  as	
  estípulas.	
  Pétala	
  superior	
  envolvendo	
  
as	
   laterais	
   no	
   botão	
   (pré-­‐floração	
   vexilar);	
   sépalas	
   concrescentes;	
   corola	
   papilionácea,	
   grande,	
  
zigomórfica	
  com	
  3	
  pétalas	
   livres	
   (1	
  estandarte	
  e	
  2	
  asas)	
  e	
  2	
  pétalas	
   soldadas	
  numa	
  quilha;	
  10	
  estames	
  
concrescentes	
  num	
  tubo	
  pelo	
  filete	
  (estames	
  monadelfos,	
  condição	
  mais	
  frequente)	
  ou	
  1	
  estame	
  livre	
  e	
  
os	
  restantes	
  9	
  concrescentes	
  entre	
  si	
  (estames	
  diadelfos),	
  raramente	
  todos	
  livres.	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  muito	
  grande	
  (ca.	
  14.000	
  sp.).	
  Cosmopolita.	
  Com	
  numerosos	
  representantes	
  
herbáceos	
   e	
   arbustivos	
   na	
   flora	
   de	
   Lu	
   e	
   Ma.	
   Menos	
   diversa	
   em	
   Az.	
   Na	
   flora	
   indígena	
   Portugal	
   não	
   ocorrem	
  
mimosoideas	
  e	
  apenas	
  uma	
  caesalpinioidea,	
  a	
  Ceratonia	
  siliqua	
  «alfarrobeira»,	
  a	
  única	
  árvore	
  da	
  família	
  presente	
  
no	
  país.	
  
Botânica	
  económica.	
  Família	
  de	
  transcendente	
  importância	
  ecológica	
  e	
  económica.	
  As	
  leguminosas	
  dominam	
  
muitos	
  ecossistemas	
  florestais	
  tropicais,	
  sobretudo	
  em	
  África:	
  e.g.	
  floresta-­‐de-­‐miombo	
  angolanas	
  dominadas	
  por	
  
Brachystegia	
  «miombo»	
  e	
  Julbernardia.	
  Várias	
  Acacia	
  são	
  invasoras	
  perigosas,	
  e.g.	
  A.	
  dealbata	
  «acácia-­‐mimosa»	
  
e	
  A.	
  melanoxylon	
  «acácia-­‐austrália».	
  Os	
  usos	
  económicos	
  das	
  leguminosas	
  são	
  muito	
  diversos:	
  
� Leguminosas	
   para	
   consumo	
   em	
   grão	
   –	
   e.g.	
   Arachis	
   hypogaea	
   [amendoim],	
   Cicer	
   arietinum	
   «grão-­‐de-­‐
bico»,	
   Glycine	
   max	
   «soja»,	
   Lathyrus	
   sativus	
   «chícharo»,	
   Lens	
   esculenta	
   «lentilhas»,	
   Lupinus	
   albus	
  
«tremoceiro»,	
   Phaseolus	
   vulgaris	
   «feijoeiro»,	
   Phaseolus	
   coccineus	
   «feijoca,	
   feijoeiro-­‐escarlate»,	
   Pisum	
  
sativum	
  «ervilheira»,	
  Vicia	
  faba	
  «faveira»	
  e	
  Vigna	
  unguiculata	
  «feijão-­‐frade,	
  chícharo»;	
  
� Outros	
  usos	
  alimentares	
  humanos	
  –	
  e.g.	
  Ceratonia	
  siliqua	
  «alfarrobeira»;	
  a	
  vagem	
  desta	
  espécie	
  pode	
  ser	
  
consumida	
  diretamente	
  ou	
  usada	
  para	
  produzir	
  chocolate,	
  na	
  alimentação	
  animal,	
  em	
  pastelaria,	
  como	
  
espessante	
  ou	
  na	
  indústria	
  cosmética;	
  
� Alimentação	
  animal	
  –	
  e.g.	
  nas	
  latitudes	
  temperadas	
  Hedysarum	
  coronarium	
  «sula»,	
  Lotus	
  sp.pl.,	
  Lupinus	
  
albus	
   «tremoceiro»,	
   Medicago	
   sp.pl.	
   «luzerna»,	
   Onobrichis	
   vicioides	
   «sanfeno»,	
   Ornithopus	
   sp.pl.	
  
«serradelas»,	
   Trifolium	
   sp.pl.	
   «trevos»,	
   Vicia	
   sp.pl.	
   «ervilhacas»;	
   a	
   Prosopis	
   juliana	
   «algaroba»	
   é	
   um	
  
arbusto	
  forrageiro	
  muito	
  cultivado	
  em	
  regiões	
  áridas	
  e	
  semiáridas	
  (e.g.	
  no	
  bioma	
  Caatinga,	
  no	
  Brasil);	
  a	
  
Leucaena	
   leucocephala	
  e	
  a	
  Gliricidia	
   sepium	
   são	
  duas	
  árvores	
   forrageiras	
   fundamentais	
  na	
  alimentação	
  
animal	
  nos	
  trópicos	
  sub-­‐húmidos	
  a	
  húmidos;	
  
 
29	
  O	
  conceito	
  tradicional	
  de	
  Acacia	
  é	
  polifilético	
  (não	
  natural)	
  e	
  tem	
  de	
  ser	
  rejeitado.	
  No	
  Congresso	
  Internacional	
  de	
  Botânica	
  
de	
  Viena	
  de	
  2005,	
  numa	
  decisão	
  polémica	
  contestada	
  pelos	
  especialistas	
  em	
   flora	
  africana,	
   foi	
  aprovada	
  a	
   retipificação	
  do	
  
género	
  Acacia,	
  i.e.,	
  foi	
  definido	
  um	
  novotipo	
  nomenclatural	
  (a	
  Acacia	
  penninervis,	
  de	
  origem	
  australiana),	
  em	
  detrimento	
  de	
  
um	
   tipo	
   anterior	
   (a	
   A.	
   scorpioides,	
   proveniente	
   de	
   África).	
   Consequentemente,	
   as	
   espécies	
   africanas	
   e	
   sul-­‐americanas	
   de	
  
Acacia	
   foram	
   redistribuídas	
   por	
   quatro	
   novos	
   géneros	
   –	
   Acaciella,	
  Mariosousa,	
   Senegalia	
   e	
   Vachellia	
   –	
   mantendo-­‐se	
   as	
  
espécies	
  australianas	
  em	
  Acacia.	
  
61	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
� Produção	
  de	
  óleo	
  –	
  e.g.	
  Arachis	
  hypogea	
  «amendoim»	
  e	
  Glycine	
  max	
  «soja»;	
  
� Sideração	
   (enterramento	
   no	
   solo	
   para	
   melhorar	
   a	
   produtividade	
   do	
   solo)	
   –	
   e.g.	
   Lupinus	
   albus	
  
«tremoceiro»	
  e	
  L.	
  luteus	
  «tremocilha»;	
  
� Madeiras	
  nobres	
  –	
  e.g.	
  Caesalpinia	
  echinata	
  «pau-­‐brasil»	
  e	
  Pterocarpus	
  erinaceus	
  «pau-­‐de-­‐sangue»;	
  
� Produção	
  de	
  gomas	
  e	
  corantes	
  –	
  e.g.	
  goma	
  arábica	
  de	
  Acacia	
  sp.pl.;	
  
� Plantas	
  ornamentais	
  –	
  e.g.	
  Cercis	
  siliquastrum	
  «olaia»	
  e	
  Delonix	
  regia	
  «acácia-­‐rubra»;	
  
� Medicinal	
  –	
  e.g.	
  Senna	
  alexandrina	
  «sena».	
  
Fagales 
XLIX. Fagaceae	
  
Fisionomia.	
  Arbustos	
  (e.g.	
  em	
  Lu	
  Quercus	
  lusitanica	
  e	
  Q.	
  coccifera)	
  ou	
  árvores	
  (restantes	
  Quercus	
  indígenas	
  da	
  
flora	
  de	
  Lu)	
  monoicos,	
  perenifólios	
  (e.g.	
  Quercus	
  rotundifolia,	
  Q.	
  suber,	
  Q.	
  coccifera	
  e	
  Q.	
  rivas-­‐martinezii),	
  semi-­‐
caducifólios	
  (e.g.	
  Q.	
  lusitanica,	
  Q.	
  faginea	
  subsp.	
  faginea	
  e	
  Q.	
  faginea	
  subsp.	
  broteroi)	
  ou	
  caducifólios	
  (Q.	
  robur,	
  
Q.	
  pyrenaica,	
  Fagus	
  e	
  Castanea).	
  
Folha.	
  Folhas	
  alternas	
  e	
  simples;	
  inteiras	
  (e.g.	
  Fagus),	
  dentadas	
  (e.g.	
  Q.	
  coccifera),	
   lobadas	
  (e.g.	
  Q.	
  robur)	
  ou	
  
fendidas	
  (e.g.	
  Q.	
  pyrenaica);	
  peninérveas;	
  estipuladas.	
  
Inflorescência.	
   Flores	
  ♂	
   em	
   amentos.	
   Flores	
  ♀	
   na	
   base	
   de	
   amentos	
   com	
   um	
   grande	
   número	
   de	
   flores	
  ♂	
  
(amentos	
  androgínicos)	
   (Castanea)	
   ou	
  em	
   inflorescências	
  exclusivamente	
  ♀	
   (pequenas	
  espigas	
  em	
  Quercus	
   ou	
  
pequenos	
  capítulos	
  em	
  Fagus).	
  Flores	
  ♀ solitárias	
  (Quercus),	
  aos	
  pares	
  (Fagus)	
  ou	
  em	
  grupos	
  3	
  flores	
  (Castanea),	
  
sempre	
  rodeadas	
  por	
  um	
  invólucro	
  revestido	
  por	
  pequenas	
  escamas	
  ou	
  espinhos.	
  	
  
Flor.	
  Flores	
  muito	
  pequenas,	
  por	
  vezes	
  vestigiais,	
  haploclamídeas,	
  unissexuais,	
  com	
  6	
  tépalas	
  diminutas,	
  livres	
  
ou	
  concrescentes.	
  Gineceu	
   ínfero	
  de	
  3	
  carpelos.	
  2	
  primórdios	
  seminais	
  em	
  cada	
   lóculo	
  mas	
  apenas	
  1	
   funcional	
  
A) B) 	
  
Figura	
  30.	
  Fabaceae,	
  subfam.	
  Faboideae	
  (figuras	
  do	
  lado	
  esquerdo)	
  e	
  subfam.	
  Mimosoideae	
  (figuras	
  do	
  lado	
  
direito,	
  géneros	
  Mimosa,	
  Acacia	
  e	
  Albizia).	
  N.b.	
  em	
  A)	
  flores	
  papilionáceas,	
  cálice	
  sinsépalo	
  e	
  corola	
  dialipétala;	
  
em	
  B)	
  flores	
  actinomórficas	
  de	
  estames	
  indefinidos.	
  
62	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
(cada	
   flor	
   dá	
   origem	
   a	
   um	
   fruto	
   com	
   ma	
   semente).	
   Polinização	
   anemófila,	
   secundariamente	
   entomófila	
  
(Castanea).	
  
Fruto.	
  Fruto	
  seco	
  encerrado	
  ou	
  envolvido	
  na	
  base	
  por	
  uma	
  cúpula	
  resultante	
  da	
  maturação	
  de	
  um	
  invólucro	
  
de	
   origem	
   caulinar	
   (vd.	
   inflorescência):	
   em	
   Castanea	
   e	
   Fagus	
   um	
   ouriço	
   com	
   4	
   valvas	
   (formando-­‐se	
   uma	
  
infrutescência	
  tipo	
  ouriço);	
  em	
  Quercus	
  com	
  a	
  forma	
  de	
  taça,	
  rija	
  e	
  coberta	
  por	
  numerosas	
  brácteas	
  imbricadas	
  e	
  
inferiormente	
   concrescentes.	
   Semente	
   protegida	
   por	
   uma	
   camada	
   densa	
   de	
   pêlos.	
   Dispersão	
   autocórica	
   (por	
  
gravidade)	
  ou	
  ectozoocórica	
  (por	
  aves	
  ou	
  mamíferos).	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  de	
  média	
  dimensão	
  (ca.	
  670	
  sp.).	
  Disseminada	
  por	
  todo	
  o	
  hemisfério	
  norte.	
  1	
  
género	
   (Quercus)	
   com	
  9	
  espécies	
   indígenas	
  em	
  Lu;	
   a	
  Fagus	
   sylvatica	
   «faia»	
  e	
   a	
  Castanea	
   sativa	
  «castanheiro»	
  
estão	
  naturalizados	
  em	
  Lu.	
  
Botânica	
  económica.	
  Os	
  Quercus	
   arbóreos	
  dominaram	
  a	
  paisagem	
  vegetal	
  pristina	
  de	
  Lu	
  pelo	
  menos	
  até	
  à	
  
Idade	
  do	
  Ferro.	
  Muitas	
  fagáceas	
  têm	
  interesse	
  ornamental	
  e	
  são	
  fontes	
  importantes	
  de	
  lenhas	
  e	
  madeiras.	
  Do	
  Q.	
  
suber	
  «sobreiro»	
  extrai-­‐se	
  a	
  cortiça.	
  As	
  bolotas	
  desta	
  espécie	
  e	
  de	
  Q.	
  rotundifolia	
  «azinheira»	
  são	
  importantes	
  em	
  
silvopastorícia.	
  Os	
  frutos	
  de	
  Castanea	
  sativa,	
  as	
  castanhas,	
  têm	
  grande	
  valor	
  comercial.	
  
L. Myricaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores	
   ou	
   arbustos	
   com	
   pequenas	
   glândulas	
   aromáticas.	
   Raízes	
   com	
   nódulos	
   onde	
   se	
   alojam	
  
bactérias	
  fixadoras	
  de	
  azoto	
  do	
  género	
  Frankia	
  (Actinobacteria).	
  
Folha.	
  Folhas	
  alternas,	
  frequentemente	
  serradas	
  no	
  terço	
  ou	
  metade	
  posterior,	
  peninérveas.	
  
Flor.	
  Flores	
  agregadas	
  em	
  espigas	
  ou	
  amentos	
  densos,	
  unissexuais.	
  Flores	
  muito	
  pequenas,	
  unissexuais,	
  nuas,	
  
na	
  axila	
  de	
  folhas	
  modificadas	
  (brácteas).	
  
Fruto.	
  Fruto	
  carnudo	
  (drupa).	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  pequena	
  (57	
  sp.).	
  Grande	
  área	
  de	
  distribuição,	
  ausente	
  de	
  grande	
  parte	
  da	
  
Eurásia.	
   2	
  espécies	
   indígenas	
  de	
   Lu:	
  Myrica	
   faya	
   e	
  M.	
  gale.	
  A	
  M.	
   faya	
   é	
  uma	
  espécie	
   importante	
   indígena	
  das	
  
laurissilvas	
  açoreana	
  e	
  madeirense	
  e	
  dos	
  sistemas	
  dunares	
  do	
  Centro-­‐Oeste	
  de	
  Portugal	
  Continental.	
  
LI. Juglandaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores	
  monoicas,	
  aromáticas,	
  com	
  glândulas	
  nas	
  folhas	
  e	
  nos	
  caules	
  novos.	
  
Folha.	
  Folhas	
  caducas,	
  alternas,	
  penaticompostas,	
  sem	
  estípulas,	
  de	
  folíolos	
  inteiros	
  ou	
  serrados.	
  
Flor.	
  Flores	
  pequenas,	
   unissexuais,	
   nuas	
  ou	
  haploclamídeas,	
   as	
  ♂	
   em	
  amentos,	
   as	
  ♀ em	
  pequenas	
   espigas	
  
eretas.	
  Gineceu	
  ínfero,	
  de	
  2	
  carpelos	
  e	
  apenas	
  1	
  primórdioseminal.	
  
Fruto	
  e	
  semente.	
  Fruto	
  carnudo	
  (pseudodrupa).	
  Sementes	
  com	
  formas	
  intrincadas	
  (e.g.	
  miolo	
  de	
  noz).	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Fam.	
   pequena	
   (50	
   sp.).	
   Grande	
   área	
   de	
   distribuição,	
   ausente	
   de	
   África	
   e	
   da	
  
Austrália.	
  
Botânica	
  económica.	
  A	
   Juglans	
   regia	
  «nogueira»	
  é	
  cultivada	
  como	
  planta	
  alimentar	
  ou	
  para	
  a	
  produção	
  de	
  
lenho,	
  Está	
  assilvestrada	
  em	
  solos	
  profundos	
  na	
  vizinhança	
  de	
  cursos	
  de	
  água	
  em	
  Lu.	
  
LII. Betulaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores	
  ou	
  arbustos	
  monoicos.	
  Simbioses	
  radiculares	
  com	
  bactérias	
  fixadoras	
  de	
  azoto	
  do	
  género	
  
Frankia	
  (Actinobacteria)	
  em	
  Alnus.	
  
Folha.	
  Folhas	
  caducas,	
  alternas	
  espiraladas	
  ou	
  disticadas,	
  simples,	
  peninérveas,	
  duplamente	
  serradas	
  (dentes	
  
de	
  dois	
  tipos),	
  peninérveas	
  e	
  com	
  estípulas	
  prontamente	
  caducas.	
  
Inflorescência.	
   Flores	
   unissexuais	
   geralmente	
   em	
   pequenos	
   grupos	
   de	
   2	
   ou	
   3	
   flores,	
   axiladas	
   por	
   várias	
  
brácteas,	
   de	
   concrescência	
   variável,	
   por	
   vezes	
   lenhosas	
   (em	
   Alnus).	
   As	
   flores	
   ♂	
   organizadas	
   em	
   amentos	
  
pêndulos	
   e	
   flexíveis;	
   as	
  ♀	
   em	
   glomérulos	
   (em	
   Corylus	
   e	
   Alnus)	
   ou	
   em	
   amentos	
   com	
   eixos	
   mais	
   rígidos	
   (em	
  
Betula).	
  
63	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Flor.	
   Flores	
   unissexuais,	
   muito	
  
pequenas,	
  actinomórficas,	
  nuas	
  ou	
  com	
  1-­‐
4	
   tépalas	
   muito	
   reduzidas.	
   Estames	
  
geralmente	
   4.	
   Gineceu	
   ínfero,	
   de	
   2	
  
carpelos	
   e	
   1	
   primórdio	
   seminal	
   funcional.	
  
Polinização	
  anemófila.	
  
Fruto.	
   Frutos	
   secos,	
   espalmados	
   e	
  
alados	
   (sâmara)	
   (e.g.	
  Betula)	
   ou	
   uma	
   noz	
  
envolvida	
   por	
   brácteas	
   foliáceas	
   (e.g.	
  
Corylus).	
   Dispersão	
   pelo	
   vento	
   ou	
   água	
  
(e.g.	
  Betula	
  e	
  Alnus)	
  ou	
  por	
  roedores	
  (e.g.	
  
Corylus).	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Fam.	
  
pequena	
   (ca.	
   110	
   sp.).	
   Dispersa	
   pelo	
  
hemisfério	
   norte	
   (gén.	
   Alnus	
   desce	
   pelos	
  
Andes	
   ao	
   hemisfério	
   Sul).	
   3	
   espécies	
  
indígenas	
   de	
   Lu:	
   Alnus	
   glutinosa	
  
«amieiro»,	
   Corylus	
   avellana	
   «aveleira»	
   e	
  
Betula	
  celtiberica	
  «bidoeiro».	
  
Botânica	
   económica.	
   A	
   C.	
   avellana	
  
«aveleira»	
  é	
  cultivada	
  para	
  a	
  produção	
  de	
  
fruto;	
  algumas	
  espécies	
  de	
  Alnus	
  e	
  Betula	
  
têm	
   interesse	
   ornamental	
   ou	
   em	
  
restauração	
  ecológica.	
  
LIII. Casuarinaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores	
  ou	
  arbustos.	
  Simbioses	
  radiculares	
  com	
  bactérias	
   fixadoras	
  de	
  azoto	
  do	
  género	
  Frankia	
  
(Actinobacteria).	
  Raminhos	
  verdes,	
  sulcados	
  e	
  articulados	
  (destacáveis	
  pelos	
  nós).	
  
Folha.	
  Folhas	
  diminutas,	
  escamiformes,	
  mais	
  de	
  4	
  por	
  nó.	
  
Inflorescência.	
  Flores	
  ♀ em	
  inflorescências	
  quando	
  maduras	
  semelhantes	
  a	
  pequenas	
  pinhas.	
  
Flor.	
  Unissexuais	
  e	
  muito	
  pequenas.	
  
Fruto.	
  Frutos	
  secos	
  alados	
  (sâmaras).	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Fam.	
   de	
   pequena	
   dimensão	
   (95	
   sp.).	
   Indígena	
   de	
   Madagáscar,	
   SW	
   asiático	
   e	
  
Austrália.	
  
Botânica	
   económica.	
   Diversas	
   Casuarina	
   «casuarinas»	
   são	
   cultivadas	
   como	
   ornamentais	
   (frequentes	
   em	
  
jardins	
  à	
  beira-­‐mar)	
  ou	
  utilizadas	
  na	
  restauração	
  ecológica	
  de	
  zonas	
  áridas.	
  
Myrtales 
LIV. Lythraceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores,	
  arbustos	
  ou	
  herbáceas	
  (todas	
  as	
  espécies	
  portuguesas).	
  
Folha.	
  Folhas	
  alternas,	
  opostas	
  ou	
  verticiladas,	
  simples,	
  inteiras	
  e	
  peninérveas.	
  
Flor.	
  Flores	
  actinomórficas,	
  de	
  hipanto	
  bem	
  desenvolvido,	
  frequentemente	
  com	
  epicálice.	
  4-­‐8	
  sépalas	
  livres.	
  
4-­‐8	
   pétalas	
   livres	
   e	
   encarquilhadas	
   no	
   botão.	
   10	
   ou	
   mais	
   estames	
   normalmente	
   de	
   diferentes	
   tamanhos,	
  
inseridos	
  na	
  parede	
  do	
  hipanto.	
  Ovário	
   súpero	
   (ínfero	
  em	
  Punica)	
   com	
  vários	
   carpelos	
  e	
  2	
  ou	
  mais	
  primórdios	
  
seminais.	
  
	
  
Figura	
  31.	
  Betulaceae.	
  N.b.	
  flores	
  unissexuais	
  apétalas	
  na	
  axila	
  de	
  
brácteas	
  e	
  frutos	
  alados.	
  
64	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Fruto.	
  Fruto	
  seco	
  (cápsula).	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
  Fam.	
   de	
  média	
   dimensão	
   (620	
   sp.).	
   Cosmopolita.	
   3	
   gén.	
   e	
   9	
   esp.	
   indígenas	
   ou	
  
naturalizados	
  em	
  Lu.	
  Espécies	
  portuguesas	
  adaptadas	
  a	
  solos	
  temporariamente	
  ou	
  permanentemente	
  húmidos.	
  
Botânica	
   económica.	
   Algumas	
   plantas	
   apreciadas	
   em	
   aquariofilia	
   (Ammannia	
   sp.pl.	
   e	
   Rotala	
   sp.pl.);	
   a	
  
Lagerstroemia	
   indica	
  está	
  em	
  expansão	
  como	
  planta	
  ornamental;	
  a	
  Punica	
  granatum	
  «romã»	
  é	
  apreciada	
  pela	
  
sarcotesta	
  doce	
  e	
  vermelha	
  das	
  sementes.	
  
LV. Myrtaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores	
  ou	
  arbustos,	
  aromáticos,	
  frequentemente	
  com	
  a	
  casca	
  destacando-­‐se	
  em	
  tiras.	
  
Folha.	
   Folhas	
  opostas	
  ou	
  alternas,	
   inteiras,	
  peninérveas,	
   com	
  pontuações	
   translúcidas.	
  Estípulas	
  minúsculas	
  
ou	
  ausentes.	
  
Flor.	
  Flores	
   actinomórficas,	
  muitas	
   vezes	
   de	
   hipanto	
   bem	
  desenvolvido.	
   4-­‐5	
   sépalas	
   livres	
   ou	
   soldadas.	
   4-­‐5	
  
pétalas	
   livres	
   e	
   prontamente	
   caducas.	
   Em	
   muitos	
   géneros	
   (e.g.	
   Eucalyptus	
   e	
   Melaleuca)	
   pétalas	
   e	
   sépalas	
  
soldadas	
   numa	
   estrutura	
   ±	
   lenhosa	
   (caliptra)	
   que	
   ao	
   desprender-­‐se	
   expõe	
   os	
   estames.	
   Estames	
   muito	
  
numerosos,	
   livres	
   ou	
   soldados	
   em	
   4	
   ou	
   5	
   grupos.	
   Gineceu	
   ínfero	
   ou	
   semi-­‐ínfero,	
   por	
   vezes	
   anguloso,	
   de	
   2-­‐5-­‐	
  
carpelos.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  carnudo	
  tipo	
  baga	
  (e.g.	
  Myrtus)	
  ou	
  seco	
  tipo	
  cápsula	
  (e.g.	
  Eucalyptus).	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  muito	
  grande	
  (mais	
  de	
  5.000	
  sp.).	
  Ótimo	
  tropical,	
  particularmente	
  diversa	
  na	
  
Austrália	
   e	
   no	
   Cerrado	
   brasileiro.	
   Uma	
   espécieindígena	
   de	
   Lu	
   e	
   da	
   Ilha	
   de	
   Stª	
  Maria	
   (Az):	
  Myrtus	
   communis	
  
«murta».	
  
Botânica	
   económica.	
   Várias	
   mirtáceas	
   são	
   cultivadas:	
   como	
   ornamentais,	
   e.g.	
   Callistemon	
   sp.pl.	
   «escova-­‐
garrafas»,	
  Eucalyptus	
   sp.pl.,	
  Leptospermum	
  scoparium	
  «urze-­‐de-­‐jardim»	
  e	
  Metrosideros	
  excelsa	
  «metrosidero»;	
  
plantas	
  alimentares,	
  e.g.	
  Psidium	
  guajava	
  «goiabeira»;	
  para	
  a	
  produção	
  de	
  pasta	
  de	
  papel	
  e	
  madeiras,	
  Eucalyptus	
  
sp.pl.;	
   como	
   plantas	
   medicinais,	
   e.g.	
   Eucalyptus	
   sp.pl.	
   O	
   Eucalyptus	
   globulus	
   está	
   naturalizado	
   em	
   Lu;	
   o	
  
Metrosideros	
  excelsa	
  é	
  uma	
  perigosa	
  invasora	
  em	
  Az.	
  
Celastrales 
LVI. Celastraceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores,	
  arbustos	
  ou	
  trepadeiras.	
  
Folha.	
  Folhas	
  simples,	
  com	
  ou	
  sem	
  estípulas,	
  normalmente	
  serradas,	
  opostas	
  e	
  caducas.	
  
Flor.	
   Flores	
   discretas,	
   esverdeadas	
   ou	
   esbranquiçadas,	
   actinomórficas.	
   4-­‐5	
   sépalas	
   pequenas.	
   4-­‐5	
   pétalas	
  
livres.	
  Estames	
  em	
  igual	
  número	
  e	
  alternando	
  com	
  as	
  pétalas.	
  Ovário	
  súpero	
  ou	
  semi-­‐ínfero,	
  de	
  vários	
  carpelos,	
  
emerso	
  num	
  disco	
  nectarífero	
  carnudo	
  e	
  com	
  1	
  estilete	
  curto.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  uma	
  cápsula	
  ou	
  uma	
  baga,	
  usualmente	
  angulosa.	
  Sementes	
  frequentemente	
  com	
  uma	
  cobertura	
  
colorida	
  e	
  carnuda	
  (arilo).	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Fam.	
   grande	
   (ca.	
   1300	
   sp.).	
   Cosmopolita,	
   eminentemente	
   tropical.	
   1	
   espécie	
  
indígena	
  de	
  Lu	
  (Euonymus	
  europaeus)	
  e	
  outra	
  de	
  Ma	
  (Maytenus	
  umbellata).	
  
Rosales 
LVII. Rosaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores,	
  arbustos,	
  trepadeiras	
  ou	
  herbáceas.	
  Espécies	
  lenhosas	
  frequentemente	
  espinhosas.	
  
Folha.	
   Folhas	
   alternas,	
   simples	
   ou	
   compostas,	
   estipuladas	
   (sem	
   estípulas	
   em	
   Spiraea),	
   peninérveas	
   ou	
  
palminérveas.	
  
65	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Flor.	
   Flores	
   normalmente	
   vistosas	
   e	
   actinomórficas.	
   Presença	
   frequentemente	
   de	
   hipanto,	
   soldado	
   (flores	
  
epigínicas)	
  ou	
  não	
  ao	
  ovário	
  (flores	
  perigínicas),	
  onde	
  se	
   inserem	
  pétalas,	
  sépalas	
  e	
  estames.	
  5	
  sépalas	
   livres.	
  5	
  
pétalas	
   livres.	
  Estames	
  muito	
  numerosos	
   (indefinidos).	
  Estrutura	
  do	
  gineceu	
  correlacionada	
  com	
  a	
  classificação	
  
subfamiliar.	
  
Fruto.	
   Estrutura	
   do	
   gineceu	
   correlacionada	
   com	
   a	
   classificação	
   subfamiliar.	
   Polinização	
   entomófila.	
  
Mecanismos	
  de	
  dispersão	
  variáveis.	
  
Observações	
  taxonómicas.	
  A	
  estrutura	
  das	
  flores	
  e	
  dos	
  frutos	
  permite	
  segregar	
  4	
  subfamílias:	
  
� Subfam.	
  Prunoideae	
  (=	
  Amygdaloideae,	
  e.g.	
  gén.	
  Prunus)	
  –	
  ovário	
  súpero	
  de	
  1	
  carpelo;	
  1	
  primórdio	
  por	
  
carpelo;	
  fruto	
  carnudo	
  com	
  1	
  semente	
  (drupa,	
  e.g.	
  pêssego);	
  
� Subfam.	
   Maloideae	
   (=	
   Pyroideae,	
   e.g.	
   gén.	
   Malus,	
   Pyrus	
   e	
   Sorbus)	
   –	
   ovário	
   ínfero	
   de	
   2-­‐5	
   carpelos;	
  
normalmente	
  1-­‐2	
  primórdios	
  por	
  carpelo;	
  pseudofruto	
  até	
  10	
  sementes	
  (pomo,	
  e.g.	
  maçã);	
  
� Subfam.	
   Rosoideae	
   (e.g.	
   gén.	
   Rosa	
   e	
   Rubus)	
   –	
   ovário	
   súpero	
   com	
   numerosos	
   carpelos	
   livres	
   (gineceu	
  
apocárpico);	
  1	
  primórdio	
  seminal	
  por	
  carpelo;	
  fruto	
  múltiplo	
  de	
  drupas	
  (e.g.	
  amoras)	
  ou	
  de	
  aquénios	
  (e.g.	
  
fruto	
  das	
  roseiras	
  e	
  morangueiros);	
  
� Subfam.	
  Spiraeoideae	
   (e.g.	
   gén.	
  Spiraea)	
   –	
  ovário	
   súpero	
  de	
  1-­‐5	
   carpelos	
   livres;	
   numerosos	
  primórdios	
  
por	
  carpelo;	
  fruto	
  múltiplo	
  de	
  folículos.	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  grande	
  (2800	
  sp.).	
  Cosmopolita,	
  diversidade	
  máxima	
  nas	
  áreas	
  temperadas	
  
do	
  hemisfério	
  norte.	
  
Botânica	
   económica.	
   Inúmeras	
   espécies	
   com	
   interesse:	
   alimentar,	
   e.g.	
   Cydonia	
   oblonga	
   «marmeleiro»,	
  
Eryobotria	
  japonica	
  «nespereira»,	
  Malus	
  domestica	
  «macieira»,	
  Prunus	
  armeniaca	
  «damasqueiro»,	
  P.	
  domestica	
  
«ameixeira-­‐europeia»,	
  P.	
  persica	
  «pessegueiro»,	
  P.	
  salicina	
  «ameixeira-­‐japonesa»,	
  P.	
  cerasus	
  «gingeira»,	
  P.	
  dulcis	
  
«amendoeira»	
   e	
   Fragaria	
   x	
   ananassa	
   «morangueiro»;	
   ornamental,	
   e.g.	
   dos	
   géneros	
   Cotoneaster	
  
A) B) 	
  
Figura	
  32.	
  Rosaceae,	
  subfam.	
  Maloideae	
  (figuras	
  do	
  lado	
  esquerdo)	
  e	
  subfam.	
  Prunoideae	
  (figura	
  do	
  lado	
  direito).	
  N.b.	
  
em	
  A)	
  ovário	
  ínfero	
  e	
  fruto	
  tipo	
  pomo;	
  em	
  B)	
  fruto	
  tipo	
  drupa	
  e	
  flor	
  com	
  hipanto,	
  estames	
  indefinidos	
  e	
  ovário	
  súpero.	
  
66	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
«cotoneasteres»,	
   Pyrancantha	
   «piracantas»,	
   Rosa	
   «roseiras»,	
   Spiraea	
   «grinaldas-­‐de-­‐noiva»;	
   e	
   na	
   produção	
   de	
  
madeira,	
  e.g.	
  Prunus	
  avium	
  «cerejeira-­‐brava».	
  
LVIII. Rhamnaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores	
  ou	
  arbustos,	
  por	
  vezes	
  espinhosos.	
  
Folha.	
   Folhas	
   alternas,	
   simples,	
   inteiras	
   ou	
   serradas,	
   peninérveas	
   (por	
   vezes	
   palminérveas	
   na	
   base)	
   com	
  
nervuras	
  secundárias	
  (paralelas	
  e	
  por	
  vezes	
  em	
  alto	
  ou	
  baixo	
  relevo)	
  e	
  terciárias	
  muito	
  nítidas,	
  estipuladas.	
  
Flor.	
  Flores	
  pequenas,	
  actinomórficas,	
  com	
  hipanto.	
  4-­‐5	
  sépalas	
  com	
  nervura	
  média	
  saliente	
  por	
  dentro.	
  4-­‐5	
  
pétalas	
  livres,	
  com	
  frequência	
  mais	
  pequenas	
  que	
  as	
  sépalas	
  e/ou	
  recurvadas	
  sobre	
  (e	
  alojando)	
  os	
  estames.	
  4-­‐5	
  
estames,	
  opostos	
  às	
  pétalas.	
  Ovário	
  súpero.	
  
Fruto.	
  Fruto	
   carnudo	
   (e.g.	
   drupa	
   em	
  Rhamnus	
   ou	
   nuculânio	
   em	
  Frangula)	
   frequentemente	
   com	
  1	
   ou	
  mais	
  
depressões	
  na	
  extremidade.	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  de	
  média	
  dimensão	
  (ca.	
  925	
  sp.).	
  Cosmopolita.	
  2	
  géneros	
   indígenas	
  de	
  Lu:	
  
Rhamnus	
  e	
  Frangula.	
  
Botânica	
  económica.	
  Interesse	
  ornamental.	
  Diz-­‐se	
  que	
  a	
  coroa	
  de	
  espinhos	
  de	
  Cristo	
  foi	
  feita	
  com	
  ramos	
  de	
  
Paliurus	
  spina-­‐christi.	
  
LIX. Ulmaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores	
  comramos	
  frequentemente	
  
em	
  zig-­‐zag.	
  
Folha.	
   Folhas	
   alternas	
   disticadas	
   (dispostas	
   num	
  
plano),	
   simples,	
   serradas,	
   estipuladas,	
   assimétricas	
  
na	
  base	
  (i.e.	
  uma	
  das	
  duas	
  abas	
  do	
  limbo	
  mais	
  longa	
  
na	
   base	
   do	
   que	
   a	
   outra)	
   e	
   peninérveas.	
   Nervuras	
  
secundárias	
  terminando	
  num	
  dente.	
  
Flor.	
   Flores	
   muito	
   pequenas,	
   haploclamídeas,	
  
unissexuais	
   ou	
   hermafroditas.	
   4-­‐9	
   tépalas.	
   4-­‐9	
  
estames	
   opostos	
   às	
   tépalas.	
   Ovário	
   súpero	
   de	
   2	
  
carpelos	
  e	
  1	
  primórdio	
  seminal.	
  
Fruto.	
   Fruto	
   normalmente	
   seco	
   com	
   um	
   asa	
  
envolvendo	
  uma	
  semente	
  espalmada.	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  muito	
  pequena	
  
(ca.	
   30	
   sp.).	
   Diversidade	
   máxima	
   no	
   hemisfério	
  
norte,	
   ausente	
   da	
   América	
   do	
   Sul,	
   Austrália	
   e	
   de	
  
grande	
   parte	
   de	
  África.	
   2	
   espécies	
   indígenas	
   de	
   Lu:	
  
Ulmus	
  minor	
  e	
  U.	
  glabra.	
  
Botânica	
   económica.	
   Interesse	
   ornamental	
  
(Ulmus	
   e	
   Zelkova)	
   e	
   na	
   produção	
   de	
   madeira	
  
(Ulmus).	
  
LX. Cannabaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores,	
  trepadeiras	
  de	
  caules	
  volúveis	
  ou	
  plantas	
  herbáceas,	
  monoicas	
  ou	
  dioicas.	
  
Folha.	
   Folhas	
   alternas	
   (e.g.	
   Celtis)	
   ou	
   opostas	
   (e.g.	
   Humulus),	
   disticadas	
   (dispostas	
   num	
   plano),	
   simples	
  
(palmaticompostas	
   em	
   Cannabis),	
   inteiras	
   ou	
   profundamente	
   recortadas,	
   estipuladas,	
   peninérveas	
   ou	
  
palminérveas	
   na	
   base	
   e	
   peninérveas	
   no	
   resto	
   do	
   limbo;	
   nervuras	
   secundárias	
   não	
   terminando	
   num	
   dente	
  
(excepto	
  Humulus	
  e	
  Cannabis),	
  frequentemente	
  curvas	
  em	
  direção	
  ao	
  ápice	
  (excepto	
  Cannabis).	
  
	
  
Figura	
  33.	
  Ulmaceae.	
  N.b.	
  flores	
  de	
  perianto	
  pouco	
  
evidente	
  e	
  fruto	
  tipo	
  sâmara	
  em	
  Umus	
  campestris	
  
«ulmeiro-­‐campestre»	
  «ing.	
  elm».	
  Cannabaceae.	
  N.b.	
  flores	
  
pequenas	
  e	
  haploclamídeas	
  em	
  Celtis	
  e	
  Solenostigma	
  
67	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Flor.	
  Flores	
  muito	
  pequenas,	
  haploclamídeas,	
  unissexuais	
   (geralmente	
  hermafroditas	
  em	
  Celtis).	
  4-­‐5	
   tépalas	
  
livres	
   ou	
   soldadas.	
   4-­‐5	
   estames	
   opostos	
   às	
   tépalas.	
   Ovário	
   súpero,	
   de	
   2	
   carpelos,	
   estigmas	
   divergentes	
   e	
   1	
  
primórdio	
  seminal.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  carnudo	
  (drupa,	
  e.g.	
  em	
  Celtis)	
  ou	
  fruto	
  seco	
  (aquénio,	
  em	
  Humulus	
  e	
  Cannabis).	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  pequena	
  (170	
  sp.).	
  Cosmopolita.	
  2	
  espécies	
  indígenas	
  de	
  Lu:	
  Celtis	
  australis	
  e	
  
Humulus	
  lupulus.	
  
Botânica	
   económica.	
   A	
   C.	
   australis	
   «lódão-­‐bastardo»	
   é	
   uma	
   importante	
   árvore	
   ornamental;	
   as	
   resinas	
  
extraídas	
   das	
   inflorescências	
   ♀ de	
   Humulus	
   lupulus	
   «lúpulo»	
   são	
   indispensáveis	
   no	
   fabrico	
   da	
   cerveja;	
   da	
  
Cannabis	
  sativa	
  subsp.	
  sativa	
  produz-­‐se	
  o	
  cânhamo	
  (fibra	
  do	
  fio-­‐do-­‐norte)	
  enquanto	
  o	
  haxixe	
  e	
  a	
  liamba	
  provêm	
  
de	
  variedades	
  selecionadas	
  das	
  subsp.	
  indica	
  e	
  subsp.	
  sativa.	
  
LXI. Moraceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores,	
  arbustos	
  ou	
  trepadeiras,	
  produtoras	
  de	
  látex.	
  
Folha.	
  Folhas	
  alternas,	
  simples,	
  inteiras	
  a	
  profundamente	
  recortadas,	
  peninérveas	
  ou	
  palminérveas.	
  Cicatrizes	
  
foliares	
  circulares,	
  muito	
  nítidas,	
  nos	
  caules	
  após	
  a	
  queda	
  das	
  folhas.	
  
Inflorescência.	
   Flores	
   encerradas	
   no	
   interior	
   de	
   um	
   recetáculo	
   carnudo	
   (em	
   Ficus)	
   ou	
   agregadas	
   em	
  
inflorescências	
  tipo	
  cacho,	
  muito	
  densas	
  e	
  de	
  eixo	
  carnudo	
  (e.g.	
  Artocarpus,	
  Maclura	
  e	
  Morus).	
  
Flor.	
   Flores	
   muito	
   pequenas,	
   unissexuais,	
   actinomórficas,	
   nuas	
   ou	
   haploclamídeas.	
   Ovário	
   súpero	
   de	
   2	
  
carpelos	
  e	
  1	
  primórdio	
  seminal.	
  Sistemas	
  de	
  polinização	
  por	
  vezes	
  de	
  grande	
  complexidade,	
  e.g.	
  Ficus.	
  
Fruto.	
   Fruto	
   uma	
   drupa	
   ou	
   um	
   aquénio.	
   Em	
   Ficus	
   frutos	
   agregados	
   numa	
   infrutescência	
   com	
   frequência	
  
comestível	
   (sícono).	
   Em	
   Morus	
   pequenas	
   drupas	
   agregadas	
   numa	
   infrutescência	
   densa	
   e	
   de	
   eixo	
   carnudo	
  
(sorose).	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  de	
  média	
  dimensão	
  (ca.	
  1100	
  sp.).	
  Cosmopolita.	
  2	
  espécies	
  naturalizadas	
  de	
  
longa	
  data	
  em	
  Lu:	
  Ficus	
  carica	
  «figueira»	
  e	
  Morus	
  alba	
  «amoreira-­‐branca».	
  
Botânica	
  económica.	
  Os	
   frutos	
  de	
  F.	
  carica	
  –	
  os	
   figos	
  –	
  são	
  muito	
  apreciados;	
  vários	
  Ficus	
   são	
   importantes	
  
ornamentais	
  (e.g.	
  F.	
  pumila	
  e	
  F.	
  elastica);	
  o	
  bicho-­‐da-­‐seda	
  alimenta-­‐se	
  das	
  folhas	
  de	
  M.	
  alba;	
  os	
  frutos	
  de	
  M.	
  alba	
  
e	
   M.	
   nigra	
   «amoreira-­‐negra»	
   são	
   localmente	
   consumidos;	
   o	
   Artocarpus	
   altilis	
   «fruta-­‐pão»	
   tem	
   bastante	
  
importância	
  alimentar	
  nos	
  trópicos.	
  
Sapindales 
LXII. Anacardiaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores	
  ou	
  arbustos,	
  dioicos,	
  que	
  
exsudam	
   (por	
   corte	
   do	
   caule	
   ou	
   arranque	
   das	
  
folhas)	
   um	
   líquido	
   negro	
   (espécies	
   não	
  
europeias),	
   branco	
   (e.g.	
   Rhus	
   coriaria)	
   ou	
  
translúcido	
   (e.g.	
   Pistacia),	
   por	
   vezes	
   de	
   odor	
  
resinoso.	
  
Folha.	
  Folhas	
  alternas,	
  pecíolo	
  engrossado	
  na	
  
base,	
   penaticompostas,	
   sem	
   estípulas,	
   nervuras	
  
normalmente	
   amarelo-­‐claras	
   sobressaindo	
   num	
  
limbo	
  verde.	
  
Flor.	
   Flores	
   pequenas,	
   unissexuais	
   e	
  
actinomórficas.	
  5	
  sépalas	
  e	
  5	
  pétalas	
  ligeiramente	
  
soldadas	
   na	
   base.	
   Ovário	
   súpero	
   de	
   3	
   carpelos,	
  
normalmente	
   com	
   apenas	
   1	
   carpelo	
   fértil,	
   e	
   1	
  
	
  
Figura	
  34.	
  Anacardiaceae.	
  N.b.	
  flores	
  pentâmeras	
  de	
  pequena	
  
dimensão.	
  
68	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
primórdio	
  seminal.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  carnudo	
  (drupa)	
  assimétrico.	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Fam.	
   de	
   média	
   dimensão	
   (985	
   sp.).Pantropical	
   com	
   algumas	
   espécies	
  
temperadas.	
  2	
  sp.	
  indígenas	
  de	
  Lu:	
  Pistacia	
  lentiscus	
  «aroeira»	
  e	
  P.	
  therebinthus	
  «cornalheira».	
  
Botânica	
   económica.	
   São	
   anacardiáceas	
   a	
   Mangifera	
   indica	
   «mangueira»,	
   o	
   Anacardium	
   occidentale	
  
«cajueiro»	
  e	
  a	
  Pistacia	
   vera	
   «pistacheiro».	
  O	
  Rhus	
   coriaria	
   «sumagre»	
   foi,	
  no	
  passado,	
   cultivado	
  para	
  produzir	
  
taninos	
  sendo	
  fácil	
  de	
  encontrar	
  assilvestrado	
  nas	
  regiões	
  onde	
  tradicionalmente	
  se	
  produziam	
  curtumes.	
  
LXIII. Sapindaceae	
  (inc.	
  Aceraceae	
  e	
  Hippocastanaceae)	
  
Fisionomia.	
  Árvores	
  ou	
  arbustos.	
  
Folha.	
   Folhas	
   alternas	
   (opostas	
   em	
   Acer),	
   organizadas	
   em	
   grupos	
   evidentes	
   na	
   extremidade	
   dos	
   ramos;	
  
pecíolos	
   alargados	
   na	
   base;	
   penaticompostas	
   (de	
   folíolos	
   imperfeitamente	
   opostos,	
   e.g.	
   Acer	
   negundum),	
  
palmaticompostas	
  (e.g.	
  Aesculus)	
  ou	
  simples	
  e	
  palminérveas	
  (em	
  muitos	
  Acer).	
  
Flor.	
  Flores	
  pequenas	
  (grandes	
  em	
  Aesculus),	
  normalmente	
  unissexuais,	
  actinomórficas	
  ou	
  zigomórficas.	
  4-­‐5	
  
sépalas,	
   livres	
  ou	
   ligeiramente	
  soldadas.	
   4-­‐5	
  pétalas	
   livres,	
  por	
  vezes	
  ausentes,	
   frequentemente	
  com	
  pequenos	
  
apêndices	
  internos.	
  Disco	
  nectarífero	
  presente	
  entre	
  as	
  pétalas	
  e	
  os	
  estames	
  (alargado	
  e	
  envolvendo	
  a	
  inserção	
  
dos	
   estames	
   em	
   alguns	
   Acer).	
   8	
   estames,	
   comummente	
   pubescentes.	
   Ovário	
   súpero	
   de	
   2	
   (em	
   Acer)	
   ou	
   3	
  
carpelos.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  usualmente	
  seco	
  com	
  duas	
  asas	
  e	
  duas	
  sementes	
  (e.g.	
  dissâmara	
  de	
  Acer)	
  ou	
  uma	
  cápsula	
  (e.g.	
  
Aesculus).	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
  Fam.	
   de	
  média	
   dimensão	
   (ca.	
   1600	
   sp.).	
   Cosmopolita.	
  Duas	
   espécies,	
   arbóreas,	
  
indígenas	
  de	
  Lu:	
  Acer	
  monspessulanum	
  e	
  A.	
  pseudoplatanus.	
  
Botânica	
   económica.	
   Numerosas	
   madeiras	
   tropicais	
   (e.g.	
   gén.	
   Cupania);	
   alguns	
   frutos	
   edíveis,	
   e.g.	
   Litchi	
  
sinensis	
   «líchia»	
   e	
   plantas	
   medicinais,	
   e.g.	
   Paullinia	
   cupana	
   «guaraná»;	
   também	
   importantes	
   árvores	
  
ornamentais,	
  e.g.	
  géneros	
  Acer	
  «áceres	
  ou	
  bordos»,	
  Aesculus	
  «castanheiros-­‐da-­‐índia»	
  e	
  Koelreuteria.	
  
LXIV. Simaroubaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores	
  ou	
  arbustos	
  de	
  ramos	
  sulcados.	
  
Folha.	
  Folhas	
  alternas,	
  normalmente	
  imparifolioladas,	
  inserção	
  do	
  pecíolo	
  no	
  caule	
  marcada	
  por	
  uma	
  sutura	
  e	
  
um	
  sulco	
  ±	
  profundo.	
  
Flor.	
   Flores	
   pequenas,	
   hermafroditas	
   ou	
   unissexuais	
   (e.g.	
   Ailanthus),	
   actinomórficas.	
   5	
   sépalas	
   livres	
   ou	
  
ligeiramente	
  concrescentes.	
  5	
  pétalas	
  livres	
  (por	
  vezes	
  ausentes).	
  Estames	
  10,	
  estéreis	
  (estaminódios)	
  nas	
  flores	
  
♀.	
   Disco	
   nectarífero	
   entre	
   os	
   estames	
   (ou	
   estaminódios)	
   e	
   os	
   carpelos.	
   Gineceu	
   súpero	
   de	
   5	
   carpelos	
   unidos	
  
apenas	
  pelos	
  estiletes,	
  cada	
  um	
  com	
  1	
  primórdio	
  seminal.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  múltiplo	
   seco,	
   cada	
   frutículo	
   com	
  uma	
   asa	
   alargada	
   envolvendo	
   a	
   semente	
   (fruto	
  múltiplo	
   de	
  
sâmaras	
  ou	
  plurissâmara).	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  muito	
  pequena	
  (95	
  sp.).	
  Pantropical,	
  com	
  penetrações	
  temperadas	
  no	
  W	
  da	
  
Ásia.	
  Ausente	
  de	
  Portugal.	
  
Botânica	
  económica.	
  O	
  Ailanthus	
  altissima	
  «ailanto»	
  é	
  uma	
  perigosa	
  invasora	
  pontualmente	
  cultivada	
  como	
  
ornamental.	
  
LXV. Meliaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores	
  ou	
  arbustos.	
  
Folha.	
  Folhas	
  alternas,	
  penaticompostas,	
  em	
  grupos	
  na	
  extremidade	
  dos	
  ramos.	
  
69	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Flor.	
  Flores	
  normalmente	
  unissexuais,	
  as	
  ♀ por	
  regra	
  com	
  estames	
  estéreis	
  (estaminódios).	
  4-­‐5	
  sépalas,	
  livres	
  
ou	
  soldadas.	
  4-­‐5	
  pétalas,	
  livres	
  ou	
  ligeiramente	
  soldadas	
  na	
  base.	
  4-­‐10	
  estames	
  total,	
  ou	
  parcialmente,	
  soldados	
  
pelo	
   filete	
   num	
   tubo,	
   com	
   ou	
   sem	
   apêndices	
   no	
   ápice.	
   Disco	
   nectarífero	
   presente,	
   entre	
   os	
   estames	
   (ou	
  
estaminódios)	
  e	
  o	
  ovário	
  (se	
  presente).	
  Ovário	
  súpero	
  de	
  2-­‐5	
  carpelos.	
  
Fruto	
  e	
  semente.	
  Fruto	
  seco	
  (cápsula).	
  Sementes	
  
aladas	
  (com	
  uma	
  asa).	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Fam.	
   de	
   média	
  
dimensão	
   (ca.	
   620	
   sp.).	
   Pantropical.	
   Ausente	
   de	
  
Portugal.	
  
Botânica	
   económica.	
   Numerosas	
   espécies	
   de	
  
madeiras	
  nobres,	
  entre	
  as	
  quais	
  o	
  mogno	
  (3	
  espécies	
  
sul-­‐americanas	
   de	
   Swietenia);	
   a	
  Melia	
   azedarach	
   é	
  
muito	
  cultivada	
  como	
  ornamental.	
  
LXVI. Rutaceae	
  
Fisionomia.	
   Árvores	
   ou	
   pequenos	
   arbustos	
  
aromáticos.	
  
Folha.	
   Folhas	
   alternas,	
   penaticompostas,	
  
trifolioladas	
   ou	
   unifolioladas,	
   com	
   pontuações	
  
translúcidas.	
  
Flor.	
   Flores	
   hermafroditas	
   ou	
   unissexuais,	
  
actinomórficas.	
   4	
   ou	
  5	
   sépalas	
   e	
   pétalas.	
   8	
   ou	
  mais	
  
estames,	
   com	
   filetes	
   de	
   base	
   alargada,	
   por	
   vezes	
  
soldados	
   pela	
   base	
   num	
   anel.	
   Disco	
   nectarífero	
  
evidente	
   entre	
   os	
   estames	
   e	
   o	
   ovário.	
   Gineceu	
  
súpero	
   de	
   4	
   ou	
   5	
   carpelos,	
   com	
   frequência	
  
incompletamente	
   concrescentes,	
   e	
   estigma	
  
alargado.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  normalmente	
  seco	
  tipo	
  cápsula	
  ou	
  um	
  hesperídio	
  (e.g.	
  laranja).	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Fam.	
   de	
   média	
   dimensão	
   (1800	
   sp.).	
   Cosmopolita,	
   diversidade	
   máxima	
   nos	
  
trópicos.	
  Representada	
  em	
  Lu	
  por	
  3	
  espécies	
  de	
  Ruta,	
  por	
  vezes	
  transplantadas	
  em	
  jardins	
  como	
  plantas	
  mágicas.	
  
Botânica	
  económica.	
  Os	
  citrinos	
  (gén.	
  Citrus,	
  e.g.	
  limoeiro	
  e	
  laranjeira-­‐doce)	
  são	
  cultivados	
  como	
  árvores	
  de	
  
fruto	
   ou	
   ornamentais;	
   e.g.	
   C.	
   aurantium	
   «laranjeira-­‐amarga,	
   laranjeira-­‐azeda»,	
   C.	
   sinensis	
   «laranjeira-­‐da-­‐baía,	
  
laranjeira-­‐doce»,	
  C.	
  limon	
  «limoeiro»,	
  C.	
  x	
  paradisi	
  «toranjeira»,	
  C.	
  reticulata	
  «tangerineira»,	
  C.	
  limetta«limeira-­‐
de-­‐umbigo»,	
  C.	
  aurantiifolia	
  «limeira,	
  limeira-­‐ácida»,	
  C.	
  maxima	
  (=C.	
  grandis)	
  «pomelo».	
  
Brassicales 
LXVII. Brassicaceae	
  
Fisionomia.	
   Plantas	
   herbáceas	
   anuais	
   a	
   perenes,	
   raramente	
   arbustos	
   (Alyssum	
   serpyllifolium	
   subsp.	
  
lusitanicum	
  em	
  Lu	
  e	
  vários	
  Sinapidendron	
  em	
  Ma).	
  
Folha.	
   Folhas	
   alternas,	
   simples,	
   com	
   frequência	
   profunda	
   e	
   irregularmente	
   recortadas,	
   peninérveas	
  
(pontualmente	
  palminérveas),	
  sem	
  estípulas.	
  
Inflorescência.	
  Geralmente	
  tipo	
  cacho,	
  sempre	
  sem	
  brácteas.	
  
Flor.	
   Flores	
   bissimétricas	
   (zigomórficas	
   em	
   Iberis).	
   4	
   sépalas	
   livres.	
   4	
   pétalas	
   livres,	
   dispostas	
   em	
   cruz.	
   6	
  
estames,	
  por	
  norma	
  os	
  4	
  internos	
  longos	
  e	
  os	
  2	
  externos	
  mais	
  curtos	
  (estames	
  tetradinâmicos).	
  Gineceu	
  súpero	
  
	
  
Figura	
  35.	
  Rutaceae.	
  N.b.	
  folhas	
  unifolioladas	
  de	
  Citrus	
  
aurantium	
  «laranjeira-­‐amarga»;	
  estames	
  livres	
  ou	
  
concrescentes	
  pelo	
  filete;	
  disco	
  nectarífero	
  e	
  hesperídio.	
  
70	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
de	
  2	
  carpelos	
  separados	
  por	
  um	
  falso	
  septo	
  (diferenciando-­‐se	
  2	
  lóculos),	
  com	
  1	
  a	
  numerosos	
  primórdios	
  seminais	
  
geralmente	
   dispostos	
   em	
   4	
   fiadas	
   (2	
   por	
   lóculo	
   na	
   margem	
   das	
   suturas	
   carpelares,	
   sementes	
   bisseriadas).	
  
Polinização	
  entomófila.	
  
Fruto.	
   Fruto	
   seco	
   capsular	
   (silíqua	
   ou	
   silícula)	
  
geralmente	
  deiscente	
  (indeiscente	
  e.g.	
  em	
  Cakile).	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  muito	
  grande	
  (ca.	
  
3700	
   sp.),	
   cosmopolita;	
   muito	
   diversa	
   na	
   Bacia	
  
Mediterrânica.	
  
Botânica	
   económica.	
   Grande	
   número	
   de	
   plantas	
  
de	
   interesse	
   económico:	
   plantas	
   alimentares,	
   e.g.	
  
Brassica	
  juncea	
  var.	
  pl.	
  «mostarda-­‐castanha»,	
  Brassica	
  
nigra	
   «mostarda-­‐negra»,	
   B.	
   oleracea	
   «couves»,	
   B.	
  
rapa	
  var.	
  rapa	
  «nabo	
  e	
  nabiça»,	
  B.	
  rapa	
  var.	
  chinensis	
  
«pakchoi»,	
   B.	
   napus	
   var.	
   napobrassica	
   «rutabaga,	
  
nabo-­‐amarelo	
  ou	
  raba»,	
  B.	
  napus	
  var.	
  napus	
  «colza	
  e	
  
nabiça»,	
   Lepidium	
   sativum	
   «mastruço»,	
   Raphanus	
  
sativus	
   var.	
   sativus	
   «rabanete»,	
   Rorippa	
   nasturtium-­‐
aquaticum	
  «agrião»,	
  Sinapis	
  alba	
  «mostarda-­‐branca»;	
  
ornamental,	
  e.g.	
  Erysimum	
  cheiri	
  «goiveiro»	
  e	
  Lunaria	
  
annua	
  «moedas-­‐do-­‐papa».	
  
LXVIII. Capparaceae	
  
Fisionomia.	
   Árvores	
   (tropicais),	
   arbustos,	
  
trepadeiras	
  ou	
  plantas	
  herbáceas.	
  
Folha.	
   Folhas	
   alternas,	
   simples	
   (raramente	
  
compostas,	
   subfam.	
   Cleomoideae),	
   com	
   frequência	
  
profunda	
   e	
   irregularmente	
   recortadas,	
   peninérveas	
  
(pontualmente	
   palminérveas),	
   estípulas	
   por	
   vezes	
  
presentes	
  (subfam.	
  Capparoideae).	
  
Flor.	
  As	
  plantas	
  da	
  subfam.	
  Capparoideae	
  (e.g.	
  Capparis	
  spinosa)	
  distinguem-­‐se	
  pelas	
  flores	
  normalmente	
  algo	
  
zigomórficas,	
   4	
   a	
   muitos	
   estames	
   longos	
   e	
   do	
   mesmo	
   comprimento	
   e	
   por	
   um	
   receptáculo	
   alongado	
   entre	
   o	
  
verticilo	
  dos	
  estames	
  e	
  o	
  pistilo	
   (ginóforo).	
  As	
  plantas	
  da	
  subfam.	
  Cleomoideae	
   têm	
  folhas	
  palmaticompostas	
  e	
  
flores	
  fortemente	
  zigomórficas.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  com	
  frequência	
  carnudo	
  na	
  subfam.	
  Capparoideae.	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Cosmopolita	
  de	
  ótimo	
  tropical.	
  
Botânica	
  económica.	
  Consomem-­‐se	
  os	
  gomos	
  da	
  Capparis	
  spinosa	
  «alcaparras».	
  
Malvales 
LXIX. Thymelaeaceae	
  
Fisionomia.	
  Pequenos	
  a	
  grandes	
  arbustos.	
  Cicatrizes	
  foliares	
  salientes	
  após	
  a	
  queda	
  das	
  folhas.	
  
Folha.	
  Folhas	
  alternas,	
  inteiras,	
  de	
  nervação	
  por	
  vezes	
  quase	
  paralelinérvea.	
  
Flor.	
  Flores	
  actinomórficas,	
  de	
  amplo	
  hipanto,	
   frequentemente	
  colorido.	
  4-­‐5	
   sépalas	
   semelhantes	
  a	
  pétalas	
  
que	
   surgem	
   como	
  uma	
   extensão	
   do	
   hipanto.	
   Pétalas	
   ausentes	
   ou	
   impercetíveis.	
   2	
   a	
   10	
   estames,	
   inseridos	
   no	
  
bordo	
  do	
  hipanto.	
  Gineceu	
  súpero	
  de	
  1-­‐2	
  carpelos.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  variável.	
  
	
  
Figura	
  36.	
  Brassicaceae.	
  N.b.	
  floras	
  tetrâmeras,	
  6	
  estames	
  
(4	
  maiores	
  e	
  2	
  mais	
  pequenos),	
  fruto	
  uma	
  silícula.	
  
71	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  de	
  média	
  dimensão	
  (ca.	
  500	
  sp.).	
  Cosmopolita.	
  Dois	
  géneros	
  indígenas	
  de	
  Lu:	
  
Daphne	
  e	
  Thymelaea.	
  Um	
  pequeno	
  número	
  de	
  espécies	
  ornamentais;	
  a	
  Daphne	
  gnidium	
  é	
  ilegalmente	
  utilizada	
  
para	
  atordoar	
  e	
  capturar	
  peixes	
  de	
  água	
  doce.	
  
LXX. Cistaceae	
  
Fisionomia.	
   Arbustos	
   ou	
   plantas	
   herbáceas,	
  
frequentemente	
  aromáticos.	
  
Folha.	
  Folhas	
  opostas	
  ou	
  decussadas	
  (alternas	
  em	
  
Fumana,	
   com	
   uma	
   roseta	
   basal	
   em	
   Tuberaria),	
  
simples,	
   inteiras,	
   muitas	
   vezes	
   com	
   as	
   margens	
  
parcialmente	
   enroladas	
   para	
   baixo	
   (revolutas),	
   de	
  
pecíolos	
   alargados	
   na	
   base,	
   com	
   ou	
   sem	
   estípulas,	
  
peninérveas.	
  
Inflorescência.	
   Flores	
   em	
   inflorescências	
  
racemosas.	
  
Flor.	
  Flores	
  grandes	
  e	
  actinomórficas.	
  3	
  (Halimium	
  
e	
   Cistus	
   laurifolius)	
   ou	
   5	
   sépalas,	
   neste	
   último	
   caso	
  
dispostas	
  em	
  2	
  verticilos	
  sendo	
  as	
  2	
  sépalas	
  externas	
  
mais	
   pequenas	
   que	
   as	
   3	
   internas.	
   5	
   pétalas	
   livres,	
  
caducas	
   poucas	
   horas	
   após	
   a	
   abertura	
   das	
   flores.	
  
Estames	
   indefinidos	
   geralmente	
   inseridos	
   sobre	
   um	
  
disco	
  nectarífero,	
  por	
  vezes	
  sensíveis	
  ao	
  toque	
  (e.g.	
  C.	
  
ladanifer).	
   Gineceu	
   súpero	
   de	
   3-­‐5	
   (até	
   12	
   em	
   alguns	
  
Cistus)	
  carpelos	
  com	
  numerosos	
  primórdios	
  seminais.	
  
Polinização	
  entomófila.	
  
Fruto.	
   Fruto	
   seco	
   tipo	
   cápsula	
   com	
   sementes	
  
pequenas	
  anemocóricas.	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  pequena	
  (ca.	
  175	
  
sp.).	
  Eurásia	
  ocidental,	
  Ásia	
  Menor,	
  Norte	
  de	
  Áfricae	
  
América	
  do	
  Norte	
  e	
  Central.	
  
Botânica	
   económica.	
   Grande	
   importância	
  
ecológica	
  na	
  Bacia	
  Mediterrânica	
  Ocidental,	
   e.g.	
   gén.	
  
Cistus	
   «estevas»	
   e	
   Halimium	
   «sargaços»;	
   interesse	
  
ornamental	
   moderado,	
   e.g.	
   Cistus	
   albidus	
   «esteva-­‐
álbida».	
  
LXXI. Malvaceae	
   (inc.	
   Tiliaceae,	
  
Bombacaceae	
  e	
  Sterculiaceae)	
  
Fisionomia.	
   Árvores,	
   arbustos,	
   trepadeiras	
   ou	
  
herbáceas.	
  Nas	
  Bombacoideae	
   com	
   trocos	
  adaptados	
  
ao	
  armazenamento	
  de	
  grandes	
  quantidades	
  de	
  água.	
  
Folha.	
   Folhas	
   alternas,	
   simples	
   (compostas	
  
digitadas	
  na	
  subfam.	
  Bombacoideae,	
  e.g.	
  Adansonia	
  e	
  
Chorisia),	
   serradas,	
   por	
   vezes	
   lobadas	
   ou	
   fendidas,	
  
estipuladas	
   (estípulas	
   pouco	
   visíveis	
   e	
   caducas	
   em	
  
Bombacoideae),	
   total	
   ou	
   parcialmente	
   (na	
   base,	
   e.g.	
  
Tilia)	
   palminérveas	
   (peninérveas	
   em	
   alguns	
  
	
  
Figura	
  37.	
  Cistaceae.	
  N.b.	
  corola	
  dialipétala	
  e	
  estigma	
  séssil;	
  
estames	
  indefinidos.	
  
	
  
Figura	
  38.	
  Malvaceae	
  subfam.	
  Malvoideae.	
  N.b.	
  folhas	
  
palmadas,	
  corola	
  dialipétala,	
  estames	
  monadelfos	
  fruto	
  
esquizocárpico.	
  
72	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Brachychiton).	
  Pecíolos	
  com	
  frequência	
  alargados	
  nas	
  duas	
  extremidades.	
  
Flor.	
  Flores	
  actinomórficas,	
  geralmente	
  pentâmeras,	
  corola	
  (quando	
  presente)	
  de	
  estivação	
  contorta,	
  estames	
  
indefinidos	
   frequentemente	
  concrescentes	
  pelo	
   filete,	
  gineceu	
  súpero	
  pluricarpelar.	
  Nas	
  espécies	
  com	
  estames	
  
epipétalos	
  a	
  corola	
  e	
  o	
  androceu	
  desprendem-­‐se	
  solidários.	
  Estrutura	
  variável	
  consoante	
  as	
  subfamílias.	
  
� Sterculioideae	
  –	
  flores	
  unissexuais;	
  flores	
  haploclamídeas	
  (por	
  perda	
  da	
  corola);	
  sem	
  epicálice;	
  cálice	
  
petaloideo	
   dialissépalo	
   ou	
   sinsépalo;	
   estames	
   agrupados	
   em	
   feixes	
   (poliadelfos)	
   ligeiramente	
  
soldados	
  pela	
  base	
  do	
  filete,	
  epipétalos	
  ou	
  não;	
  carpelos	
  livres	
  ou	
  soldados	
  pelos	
  estiletes;	
  
� Tilioideae	
  –	
  flores	
  heteroclamídeas;	
  com	
  ou	
  sem	
  epicálice;	
  sépalas	
  livres;	
  pétalas	
  livres	
  a	
  levemente	
  
concrescentes	
  na	
  base,	
  geralmente	
  glandulosas	
  na	
  página	
  adaxial;	
  estames	
  livres;	
  gineceu	
  sincárpico;	
  
� Malvoideae	
  –	
  flores	
  heteroclamídeas;	
  com	
  epicálice;	
  sépalas	
  livres	
  ou	
  concrescentes;	
  pétalas	
  livres	
  a	
  
levemente	
   concrescentes	
   na	
   base	
   em	
   consequência	
   da	
   epipetalia;	
   com	
   epicálice;	
   estames	
  
concrescescentes	
  pelo	
   filete	
  num	
   tubo	
   (monadelfos)	
  que	
  envolve	
  o	
  ovário	
  e	
  o	
  estilete,	
   epipétalos;	
  
gineceu	
  sincárpico;	
  
� Bombacoideae	
   –	
   flores	
   geralmente	
   heteroclamídeas;	
   com	
   ou	
   sem	
   epicálice;	
   sépalas	
   livres	
   ou	
  
concrescentes,	
  com	
  pêlos	
  glandulosos	
  na	
  base;	
  pétalas	
  livres	
  a	
  levemente	
  concrescentes	
  na	
  base	
  em	
  
consequência	
   da	
   epipetalia;	
   estames	
   geralmente	
   monadelfos	
   ou	
   poliadelfos,	
   epipétalos;	
   gineceu	
  
sincárpico.	
  
Fruto.	
   Fruto	
   variável:	
   esquizocarpo	
   (e.g.	
  Malva),	
   cápsula	
   (e.g.	
  Hibiscus,	
   Tilia	
   e	
   Bombacoideae),	
  múltiplo	
   de	
  
folículos	
  (Sterculioideae,	
  e.g.	
  Brachychiton).	
  
Observações	
   taxonómicas.	
   Família	
   dividida	
   em	
   9	
   subfamílias.	
   A	
   maior	
   parte	
   das	
   Floras	
   trata	
   a	
   família	
  
Malvaceae	
  num	
  sentido	
  estrito	
  ao	
  admitir	
  como	
  autónomas	
  as	
  famílias	
  Tiliaceae,	
  Sterculiaceae	
  e	
  Bombacaceae.	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  muito	
  grande	
  (ca.	
  4200	
  sp.).	
  Cosmopolita.	
  As	
  espécies	
   indígenas	
  de	
  Lu	
  são	
  
todas	
  herbáceas	
  e	
  ruderais	
  e	
  pertencentes	
  à	
  subfam.	
  Malvoideae.	
  Três	
  subfamílias	
  cultivadas	
  como	
  ornamentais	
  
em	
   Portugal:	
   Tilioideae,	
   Sterculioideae	
   e	
   Bombacoideae.	
   As	
   Bombacoideae	
   têm	
   uma	
   grande	
   importância	
   nas	
  
formações	
  arbóreas	
  das	
  florestas	
  tropicais	
  com	
  estação	
  seca.	
  
Botânica	
   económica.	
   Algumas	
   plantas	
   alimentares,	
   e.g.	
   Hibiscus	
   esculentus	
   «quiabo»	
   e	
   Theobroma	
   cacao	
  
«cacaueiro»;	
   dos	
   pêlos	
   que	
   revestem	
  as	
   sementes	
   de	
  Gossypium	
   sp.pl.	
   faz-­‐se	
   a	
   fibra	
   de	
   algodão;	
  muitas	
  Tilia,	
  
Chorisia	
  e	
  Hibiscus	
  são	
  ornamentais;	
  várias	
  espécies	
  medicinais	
  nos	
  géneros	
  Tilia,	
  Malva	
  e	
  Althaea;	
  a	
  madeira	
  de	
  
Ochroma	
   pyramidale	
   «balsa»	
   é	
   uma	
   das	
  menos	
   densas	
   que	
   se	
   conhece	
   (ca.	
   160kg/m2);	
   a	
  Adansonia	
   digitata	
  
«embondeiro»	
  tem	
  inúmeras	
  utilidades	
  e	
  é	
  uma	
  das	
  mais	
  emblemáticas	
  árvores	
  africanas.	
  
Santalales 
LXXII. Santalaceae	
  
Fisionomia.	
   Árvores,	
   arbustos	
   ou	
   herbáceas,	
   hemiparasitas	
   (extraem	
   parte	
   da	
   água	
   e	
   dos	
   nutrientes	
   que	
  
necessitam	
  de	
  plantas	
  hospedeiras).	
  
Folha.	
  Folhas	
  alternas,	
  simples	
  e	
  inteiras.	
  
Flor.	
   Flores	
   pequenas,	
   pouco	
   vistosas,	
   haploclamídeas.	
   3-­‐6	
   tépalas	
   num	
   único	
   verticilo	
   (flores	
  
haploclamídeas),	
  soldadas	
  num	
  pequeno	
  tubo.	
  3-­‐6	
  estames	
  opostos,	
  epipétalos.	
  Gineceu	
  ínfero	
  ou	
  semi-­‐ínfero	
  de	
  
3	
  carpelos.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  seco	
  (tipo	
  noz)	
  ou	
  carnudo	
  (tipo	
  drupa).	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  de	
  média	
  dimensão	
  (ca.	
  1.000	
  sp.).	
  Cosmopolita.	
  2	
  gén.	
  e	
  5	
  esp.	
  em	
  Lu.	
  
Botânica	
  económica.	
  A	
  madeira	
  de	
  Santalum	
  album	
  «sândalo»	
  –	
  espécie	
  com	
  origem	
  em	
  Timor	
  –	
  é	
  usada	
  no	
  
fabrico	
   de	
   mobiliário,	
   como	
   incenso	
   ou	
   na	
   extração	
   de	
   óleos	
   aromáticos.	
   Outras	
   espécies	
   do	
   género,	
   de	
  
proveniências	
  paleotropicais	
  diversas,	
  têm	
  menor	
  qualidade.	
  
73	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Caryophyllanae	
  
Morfologia.	
  Grupo	
  heterogéneo	
  sem	
  características	
  morfológicas	
  comuns.	
  Muitas	
  cariofilanas	
  são	
  herbáceas,	
  
e	
   apresentam	
   perfurações	
   simples	
   nos	
   elementos	
   dos	
   vasos,	
   placentação	
   basal	
   ou	
   central	
   livre	
   esementes	
  
perispérmicas.	
   Neste	
   grupo	
   são	
   frequentes	
   grupos	
   de	
   plantas	
   carnudas	
   (e.g.	
   Cactaceae	
   e	
   algumas	
  
Amaranthaceae)	
  e	
  carnívoras	
  (e.g.	
  Droseraceae,	
  Drosophyllaceae	
  e	
  Nepenthaceae).	
  
Caryophyllales 
LXXIII. Tamaricaceae	
  
Fisionomia.	
  Pequenas	
  árvores	
  ou	
  grandes	
  arbustos.	
  
Folha.	
  Folhas	
  pequenas,	
  escamiformes	
  e	
  alternas.	
  
Flor.	
   Flores	
   pequenas,	
   vistosas,	
   actinomórficas,	
  
solitárias	
   ou	
   em	
   espigas	
   densas	
   (e.g.	
   Tamarix).	
   4-­‐5	
  
sépalas	
  e	
  4-­‐5	
  pétalas,	
  livres.	
  5-­‐10	
  estames	
  inseridos	
  num	
  
disco	
  nectarífero	
  carnudo.	
  Ovário	
  súpero	
  de	
  2-­‐5	
  carpelos.	
  
Fruto	
   e	
   semente.	
   Fruto	
   seco	
   (cápsula).	
   Sementes	
  
revestidas	
  de	
  pêlos.	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  pequena	
  (ca.	
  90	
  sp.).	
  
Dispersa	
   pela	
   África	
   e	
   Eurásia.	
   Interesse	
  
maioritariamente	
   ornamental,	
   e.g.	
   Tamarix	
   parviflora.	
  
Grande	
   número	
   de	
   espécies	
   halófilas	
   e	
   de	
   espécies	
  
adaptadas	
  a	
  zonas	
  áridas	
  e	
  desérticas.	
  
Botânica	
  económica.	
  As	
  excreções	
  açucaradas	
  de	
  uma	
  cochonilha	
  parasita	
  da	
  Tamarix	
  mannifera	
  são	
  o	
  maná	
  
do	
   deserto	
   do	
  Antigo	
   Testamento.	
   A	
  T.	
   africana	
   é	
   usada	
   como	
   árvore	
   ornamental	
   e	
   na	
   revegetação	
   de	
   zonas	
  
costeiras.	
  A	
  T.	
  gallica	
  abunda	
  nos	
  jardins	
  portugueses.	
  	
  
LXXIV. Plumbaginaceae	
  
Fisionomia.	
  Arbustos	
  ou	
  plantas	
  herbáceas.	
  
Folha.	
  Folhas	
  simples,	
  inteiras,	
  alternas,	
  de	
  pecíolo	
  curto	
  e	
  alargado	
  na	
  base	
  (na	
  inserção	
  do	
  caule).	
  
Inflorescência.	
  Flores	
  agrupadas	
  em	
  inflorescências	
  alargadas	
  (em	
  Limonium	
  e	
  Limoniastrum)	
  ou	
  densas	
  (em	
  
Armeria).	
  
Flor.	
  Flores	
  actinomórficas.	
  5	
  sépalas,	
  por	
  vezes	
  coloridas,	
  soldadas	
  num	
  tubo	
  longo,	
  lóbulos	
  frequentemente	
  
de	
  extremidades	
  membranosas.	
  5	
  pétalas,	
  soldadas	
  na	
  base	
  ou	
  num	
  tubo	
  longo.	
  5	
  estames	
  livres	
  ou	
  soldados,	
  na	
  
base,	
   às	
   pétalas.	
  Ovário	
   súpero,	
   de	
   5	
   carpelos	
   e	
   1	
   primórdio	
   seminal	
   inserido	
   na	
   base	
   do	
   ovário	
   (placentação	
  
basal).	
  
Fruto.	
  Fruto	
  seco	
  (aquénio).	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  de	
  média	
  dimensão	
  (ca.	
  850	
  sp.).	
  Cosmopolita.	
  Uma	
  parte	
  significativa	
  das	
  
plantas	
  com	
  flor	
  endémicas	
  (exclusivas)	
  de	
  Lu	
  pertencem	
  aos	
  géneros	
  Armeria	
  e	
  Limonium.	
  
Botânica	
  económica.	
  Várias	
  Armeria,	
  Limonium	
  e	
  Plumbago	
  são	
  cultivados	
  como	
  ornamentais.	
  
	
  
Figura	
  39.	
  Tamarix	
  africana.	
  N.b.	
  ramos	
  revestidos	
  de	
  
folhas	
  escamiformes;	
  flores	
  pequenas	
  organizadas	
  em	
  
cachos	
  (Porto)	
  
74	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
LXXV. Polygonaceae	
  
Fisionomia.	
   Herbáceas	
   ou	
   trepadeiras,	
  
raramente	
  arbustos,	
  de	
  nós	
  intumescidos.	
  
Folha.	
   Folhas	
   alternas,	
   simples,	
   inteiras	
   e	
  
peninérveas.	
   Estípulas	
   soldadas	
   num	
   tubo	
   que	
  
evolve	
  e	
  adere	
  aos	
  caules	
  por	
  cima	
  da	
  inserção	
  da	
  
folha	
  (ócrea).	
  
Flor.	
   Flores	
   hermafroditas	
   ou	
   unissexuais,	
  
normalmente	
   pequenas,	
   haploclamídeas	
   (e.g.	
  
Fagopyrum,	
   Polygonum),	
   homoclamídeas	
   (e.g.	
  
Rheum	
   sp.pl.)	
   ou	
   heteroclamídeas	
   (e.g.	
   Rumex).	
  
(2)	
   5	
   ou	
   6	
   tépalas	
   sepaloides	
   ou	
   petaloideas,	
  
muitas	
  vezes	
  persistentes	
  e	
  acrescentes	
  aquando	
  
da	
   maturação	
   do	
   fruto.	
   Ovário	
   súpero	
   com	
   1	
  
primórdio	
  seminal.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  seco,	
  anguloso,	
  do	
  tipo	
  aquénio,	
  
por	
   vezes	
   alado,	
   frequentemente	
   associado	
   a	
  
tépalas	
  membranosas	
  ou	
  carnudas.	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Fam.	
   de	
   média	
  
dimensão	
   (ca.	
   1100	
   sp.).	
   Cosmopolita	
   com	
   um	
  
máximo	
   de	
   diversidade	
   no	
   hemisfério	
   norte.	
   Ca.	
  
de	
  30	
  espécies	
  indígenas	
  ou	
  naturalizadas	
  em	
  Lu,	
  
maioritariamente	
  herbáceas.	
  
Botânica	
   económica.	
   Muitas	
   Polygonaceae	
  
(e.g.	
   Rumex	
   e	
   Polygonum)	
   são	
   infestantes	
   ou	
  
plantas	
   ruderais.	
  Faz-­‐se	
   farinha	
  das	
  sementes	
  de	
  
Fagopyrum	
   esculentum	
   «trigo-­‐sarraceno»;	
  
consomem-­‐se	
   os	
   pecíolos	
   do	
   Rheum	
   x	
   hybridum	
  
«ruibarbo».	
  
LXXVI. Caryophyllaceae	
  
Fisionomia.	
   Plantas	
   herbáceas	
   anuais	
   ou	
  
perenes,	
   raramente	
   lenhosas	
   na	
   base,	
   de	
   caules	
  
intumescidos	
  nos	
  nós.	
  
Folha.	
   Folhas	
   oposto-­‐cruzadas,	
   simples	
   e	
  
inteiras.	
   Estípulas	
   presentes	
   (subfam.	
  
Paronychioideae)	
   ou	
   ausentes	
   (subfam.	
  
Silenoideae	
  e	
  Alsinoideae).	
  
Inflorescência.	
   Inflorescências	
   cimosas	
   tipo	
  
monocásio	
   ou	
   dicásio	
   de	
   complexidade	
   variável,	
  
com	
  ou	
  sem	
  brácteas,	
  raramente	
  flores	
  solitárias.	
  
Flor.	
   Flores	
   geralmente	
   pequenas,	
  
pentâmeras	
   ou	
   tetrâmeras,	
   heteroclamídeas	
  
(apétalas	
   em	
   Scleranthus),	
   dialipétalas,	
  
actinomórficas	
  e	
  hermafroditas.	
  Sépalas	
   livres	
  ou	
  
quase	
   (subfam.	
   Alsinoideae	
   e	
   Paronychioideae)	
   ou	
   soldadas	
   num	
   tubo	
   (subfam.	
   Silenoideae).	
   Por	
   regra	
   8-­‐10	
  
estames	
  em	
  dois	
  verticilos.	
  Ovário	
  súpero	
  de	
  placentação	
  axilar	
  ou	
  central-­‐livre.	
  
	
  
Figura	
  40.	
  Polygonaceae.	
  N.b.	
  perianto	
  de	
  estrutura	
  muito	
  simples	
  
com	
  um	
  número	
  variável	
  de	
  peças	
  e	
  frutos	
  alados	
  de	
  Rumex.	
  
	
  
Figura	
  41.	
  Caryophyllaceae.	
  N.b.	
  4	
  pétalas	
  fendidas	
  e	
  fruto	
  
tipo	
  cápsula.	
  
75	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Fruto.	
  Tipo	
  cápsula	
  (um	
  aquénio	
  em	
  Paronychia	
  e	
  uma	
  baga	
  em	
  Cucubalus).	
  Semente	
  sem	
  endosperma	
  e	
  com	
  
perisperma.	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Fam.	
   grande	
   (ca.	
   2500	
   sp.).	
   Cosmopolita,	
   particularmente	
   diversa	
   na	
   região	
  
mediterrânica.	
  
Botânica	
  económica.	
  Escassas	
  plantas	
  de	
  interesse	
  económico;	
  e.g.	
  Dianthus	
  caryophyllus	
  «craveiro».	
  
LXXVII. Amaranthaceae	
  (inc.	
  Chenopodiaceae)Fisionomia.	
   Plantas	
   herbáceas	
   ou	
   arbustos	
  
lenhosos	
   ou	
   suculentos,	
   raramente	
   de	
   grande	
  
dimensão	
   (e.g.	
   Atriplex).	
   Nós	
   dos	
   caules	
   com	
  
frequência	
   intumescidos.	
   Presença	
   frequente	
   de	
  
adaptações	
  fisiológicas	
  a	
  solos	
  com	
  elevados	
  teores	
  de	
  
sais.	
  
Folha.	
   Folhas	
   alternas	
   ou	
   opostas,	
   espiraladas,	
  
simples,	
   normalmente	
   inteiras,	
   por	
   vezes	
   suculentas,	
  
peninérveas	
  (nervuras	
  pouco	
  visíveis)	
  e	
  sem	
  estípulas.	
  	
  
Inflorescência.	
   Inflorescências	
   muito	
   densas,	
  
terminais	
  ou	
  axilares.	
  
Flor.	
   Flores	
   muito	
   pequenas,	
   haploclamídeas,	
  
actinomórficas,	
   envolvidas	
   por	
   pequenas	
   folhas	
  
modificadas	
  (brácteas).	
  3	
  a	
  5	
  tépalas	
  de	
  cores	
  mortas,	
  
frequentemente	
   secas	
   e	
   quebradiças.	
   Ovário	
   súpero.	
  
Primórdios	
   seminais	
   inseridos	
   na	
   base	
   do	
   ovário	
  
(placentação	
  basal).	
  
Fruto.	
  Fruto	
  seco,	
  envolvido	
  por	
  tépalas	
  e	
  brácteas	
  
±	
  suculentas,	
  de	
  abertura	
  transversal	
   (pixídio)	
  ou	
  não	
  
deiscente	
  (aquénio	
  ou	
  utrículo).	
  	
  
Observações	
   taxonómicas.	
   Os	
   géneros	
   Atriplex,	
  
Chenopodium,	
  Salicornia,	
  Sarcocornia	
  e	
  Salsola,	
  entre	
  
outros,	
   eram	
   tradicionalmente	
   incluídos	
   na	
   família	
  
Chenopodiaceae.	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  grande	
  (2050-­‐2500	
  sp.).	
  Cosmopolita.	
  Ca.	
  70	
  sp.	
  indígenas	
  ou	
  naturalizadas	
  
em	
   Lu,	
  muitas	
   delas	
   frequentes	
   como	
   infestantes	
   de	
   Primavera-­‐Verão	
   (e.g.	
  Chenopodium	
   sp.pl.	
   e	
  Amaranthus	
  
sp.pl.)	
   ou	
   na	
   vegetação	
   de	
   áreas	
   litorais	
   com	
   solos	
   enriquecidos	
   em	
   cloreto	
   de	
   sódio	
   (e.g.	
   gén.	
   Salicornia,	
  
Sarcocornia	
  e	
  Salsola).	
  
Botânica	
   económica.	
   A	
   Beta	
   vulgaris	
   «beterraba»	
   e	
   a	
   Spinacea	
   oleracea	
   «espinafre»	
   têm	
   um	
   enorme	
  
interesse	
  alimentar	
  e	
  o	
  Amaranthus	
  caudatus	
  «crista-­‐de-­‐galo»	
  ornamental.	
  
LXXVIII. Cactaceae	
  
Fisionomia.	
  Arbustos	
  ou	
  herbáceas,	
  espinhosos.	
  Caules	
  suculentos,	
  verdes	
  (regra	
  geral),	
  de	
  forma	
  cilíndrica,	
  
cónica,	
  globosa	
  ou	
  espalmada	
  (cladódios).	
  Folhas	
  geralmente	
  reduzidas	
  a	
  espinhos	
  (bem	
  desenvolvidas	
  na	
  tribo	
  
Pereskieae).	
  Grupos	
  de	
  espinhos	
  e/ou	
  pêlos	
  inseridos	
  em	
  pequenas	
  estruturas	
  em	
  forma	
  de	
  almofada	
  –	
  aréolas	
  –	
  
dispersas	
  pelos	
  caules.	
  
Flor.	
  Flores	
  geralmente	
  grandes.	
  Tépalas	
  muito	
  numerosas,	
  dispostas	
  em	
  espiral.	
  Estames	
  muito	
  numerosos.	
  
Gineceu	
  ínfero	
  com	
  um	
  número	
  variável	
  de	
  carpelos.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  carnudo	
  e	
  espinhoso	
  do	
  tipo	
  baga.	
  
	
  
Figura	
  42.	
  Amaranthaceae.	
  N.b.	
  inflorescência	
  densa	
  
terminal	
  e	
  primórdios	
  seminais	
  inseridos	
  na	
  base	
  do	
  ovário;	
  
cápsula	
  circuncisa	
  (=pixídio)	
  (canto	
  inferior	
  direito)	
  
76	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  de	
  média	
  dimensão	
  (ca.	
  1500	
  sp.).	
  Todas	
  as	
  Américas;	
  1	
  gén.	
  em	
  África	
  e	
  no	
  
Ceilão.	
  
Botânica	
  económica.	
  Várias	
  Opuntia	
  estão	
  naturalizadas	
  nas	
  áreas	
  mais	
  quentes	
  e	
  secas	
  de	
  Lu	
  e	
  Ma.	
  Família	
  
de	
  grande	
  interesse	
  ornamental.	
  Os	
  frutos	
  de	
  algumas	
  Opuntia	
  são	
  comestíveis.	
  
Clado	
  das	
  asteridas	
  (Asteranae)	
  
Morfologia.	
   Flores	
   cíclicas,	
   heteroclamídeas	
   e	
   simpétalas.	
   Primórdios	
   seminais	
   unitegumentados	
   e	
  
tenuinucelados.	
  	
  
Observações	
  taxonómicas.	
  Grupo	
  monofilético.	
  As	
  famílias	
  tratadas	
  neste	
  texto	
  repartem-­‐se	
  pelas	
  seguintes	
  
ordens	
   (Angiosperm Phylogeny Group, 2009):	
   Cornales	
   (fam.	
   Cornaceae,	
   Hydrangeaceae);	
   Ericales	
   (fam.	
  
Actinidiaceae,	
  Ericaceae,	
  Theaceae);	
   incertae	
  sedis30	
  Boraginaceae;	
  Gentianales	
   (fam.	
  Apocynaceae,	
  Rubiaceae);	
  
Lamiales	
   (fam.	
  Bignoniaceae,	
  Lamiaceae,	
  Oleaceae,	
  Orobanchaceae,	
  Scrophulariaceae,	
  Verbenaceae);	
  Solanales	
  
(fam.	
   Convolvulaceae,	
   Solanaceae);	
   Apiales	
   (fam.	
   Apiaceae,	
   Araliaceae,	
   Pittosporaceae);	
   Aquifoliales	
   (fam.	
  
Aquifoliaceae);	
  Asterales	
  (fam.	
  Asteraceae);	
  Dipsacales	
  (fam.	
  Adoxaceae,	
  Caprifoliaceae).	
  
Cornales 
LXXIX. Cornaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores	
  ou	
  arbustos.	
  
Folha.	
  Folhas	
  opostas,	
  simples,	
  inteiras	
  e	
  com	
  nervuras	
  curvadas	
  em	
  direção	
  à	
  extremidade	
  da	
  folha.	
  
Inflorescência.	
   Inflorescências	
   frequentemente	
   envolvidas	
   por	
   brácteas	
   semelhantes	
   a	
   pétalas	
   (brácteas	
  
petaloideas).	
  
Flor.	
  Flores	
  pequenas	
  com	
  4	
  (5)	
  pétalas	
  livres,	
  alternadas	
  com	
  as	
  sépalas	
  e	
  estames.	
  Gineceu	
  ínfero	
  coroado	
  
por	
  um	
  nectário	
  em	
  forma	
  de	
  disco.	
  
Fruto.	
  Frutos	
  carnudos	
  (pseudodrupa)	
  por	
  vezes	
  compactados	
  em	
  grandes	
  infrutescências.	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  pequena	
   (ca.	
  85	
  sp.).	
  Grande	
  área	
  de	
  distribuição,	
  ausente	
  da	
  América	
  do	
  
Sul.	
  Representada	
  na	
  flora	
  de	
  Lu	
  por	
  Cornus	
  sanguinea.	
  
Botânica	
  económica.	
  Várias	
  espécies	
  de	
  Cornus	
  são	
  cultivadas	
  como	
  arbustos	
  ornamentais.	
  
LXXX. Hydrangeaceae	
  
Botânica	
  económica.	
  São	
  muito	
  cultivadas	
  como	
  ornamentais	
  o	
  Phyladelphus	
  coronarius	
  e	
  várias	
  Hydrangia	
  
«hidrângeas	
   ou	
   hortênsias».	
   Neste	
   último	
   género	
   é	
   muito	
   popular	
   a	
   H.	
   macrophylla,	
   uma	
   planta	
   perene	
  
caducifólia,	
   de	
   origem	
   asiática	
   (Península	
   da	
   Coreia	
   e	
   Sul	
   do	
   Japão),	
   facilmente	
   propagada	
   por	
   estaca	
   que	
   se	
  
revelou	
  uma	
  invasora	
  agressiva	
  em	
  Az	
  (sobretudo	
  na	
  Ilha	
  das	
  Flores).	
  
Ericales 
LXXXI. Sapotaceae	
  
Botânica	
  económica.	
  Alguns	
   frutos	
  de	
   interesse	
   local;	
  e.g.	
  Manilkara	
  zapota	
  «sapota».	
  Antes	
  de	
  se	
  usarem	
  
borrachas	
   sintéticas	
   nas	
   pastilhas-­‐elásticas	
   mascava-­‐se	
   látex	
   de	
  Manilkara	
   chicle	
   «chicle».	
   A	
   Argania	
   spinosa	
  
«argânia»	
   têm	
   inúmeros	
   usos	
   nas	
   zonas	
   semidesérticas	
   a	
   norte	
   do	
   Sahara;	
   e.g.	
   extração	
   de	
   óleo	
   dos	
   frutos,	
  
consumodas	
  folhas	
  pelos	
  animais	
  domésticos	
  e	
  lenhas.	
  O	
  Syderoxylon	
  marmulano,	
  uma	
  árvore	
  indígena	
  de	
  Ma	
  e	
  
Canárias,	
  é	
  a	
  única	
  espécie	
  indígena	
  da	
  família	
  na	
  Europa.	
  	
  
 
30	
   Incertae	
   sedis	
   termo	
   latino	
  que	
   significa	
   “de	
   localização	
   incerta”,	
  utilizado	
  para	
  designar	
   taxa	
   com	
   relações	
   filogenéticas	
  
demasiado	
  obscuras	
  para	
  permitir	
  uma	
  colocação	
  precisa	
  no	
  sistema	
  taxonómico.	
  No	
  caso	
  das	
  Boraginaceae	
  é	
  claro	
  que	
  se	
  
trata	
  de	
  uma	
  asterida	
  mas	
  as	
  suas	
  relações	
  com	
  outras	
  famílias	
  do	
  clado	
  não	
  estão	
  clarificadas.	
  	
  
77	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
LXXXII. Ebenaceae	
  
Botânica	
  económica.	
  Diospyrus	
  kaki	
  «diospireiro».	
  O	
  ébano	
  é	
  uma	
  madeira	
  nobre,	
  pesada	
  e	
  negra,	
  de	
  grande	
  
procura,	
  extraída	
  de	
  várias	
  espécies	
  africanas,	
  indianas	
  e	
  indonésias	
  de	
  Diospyrus.	
  
LXXXIII. Theaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores	
  ou	
  arbustos	
  de	
  folhas	
  persistentes.	
  
Folha.	
  Folhas	
  alternas,	
  muitas	
  vezes	
  dispostas	
  no	
  mesmo	
  plano,	
  simples,	
  dentadas,	
  peninérveas	
  e	
  coriáceas.	
  
Flor.	
   Flores	
   médias	
   a	
   grandes	
   e	
   actinomórficas.	
   Presença	
   frequente	
   de	
   pequenas	
   folhas	
   modificadas	
  
(bractéolas)	
   imediatamente	
  abaixo	
  do	
  cálice.	
  Com	
  frequência,	
  bractéolas,	
  sépalas	
  e	
  pétalas	
  de	
   inserção	
  alterna	
  
em	
  espiral,	
  sem	
  descontinuidades	
  morfológicas	
  claras.	
  5	
  sépalas	
  e	
  5	
  pétalas,	
   livres	
  ou	
   ligeiramente	
  soldadas	
  na	
  
base.	
   Estames	
   numerosos,	
   livres	
   ou	
   monadelfos,	
   por	
   vezes	
   epipétalos.	
   Ovário	
   súpero	
   de	
   3-­‐5	
   carpelos	
   e	
   1	
   a	
  
poucos	
  primórdios	
  seminais	
  por	
  lóculo.	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
  Fam.	
   de	
   pequena	
   dimensão	
   (ca.	
   200	
   sp.).	
   Américas	
   e	
   SW	
  Asiático.	
   Ausente	
   de	
  
Portugal.	
  A	
  Visnea	
  mocanera	
  é	
  uma	
  espécie	
  (e	
  género)	
  endémica	
  de	
  Ma	
  e	
  Canárias,	
  pertencente	
  a	
  uma	
  pequena	
  
família	
  muito	
  próxima	
  das	
  Theaceae,	
  as	
  Ternstroemiaceae.	
  
Botânica	
   económica.	
   Pertencem	
   ao	
   género	
   Camellia	
   as	
   cameleiras	
   (C.	
   japonica)	
   e	
   a	
   planta-­‐do-­‐chá	
   (C.	
  
chinensis).	
  
LXXXIV. Actinidiaceae	
  
Botânica	
  económica.	
  A	
  Actinidia	
  sinensis	
  «kiwi»	
  
é	
  uma	
  trepadeira	
  perene	
  dioica	
  originária	
  da	
  China,	
  
muito	
  cultivada	
  pelos	
  seus	
  frutos	
  (pseudobaga).	
  
LXXXV. Ericaceae	
  (inc.	
  Empetraceae)	
  
Fisionomia.	
   Pequenos	
   a	
   grandes	
   arbustos,	
  
árvores	
   ou	
   plantas	
   herbáceas,	
   raramente	
  
caducifólios	
  (Vaccinium	
  myrtillus).	
  
Folha.	
   Folhas	
   alternas,	
   opostas	
   (Calluna)	
   ou	
  
verticiladas	
  (3-­‐6	
  por	
  nó,	
  e.g.	
  Erica),	
  simples,	
  inteiras	
  
ou	
   serradas,	
   por	
   vezes	
   de	
   margens	
   ciliadas	
   (e.g.	
  
Erica	
  tetralix	
  e	
  E.	
  ciliaris),	
  largas	
  (e.g.	
  Rhododendron	
  
e	
  Arbutus)	
  ou	
  muito	
  estreitas	
  de	
  margens	
  enroladas	
  
para	
   a	
   página	
   inferior	
   (folhas	
   ericoides	
   em	
   Erica,	
  
Calluna	
  e	
  Corema).	
  
Inflorescências.	
   Flores	
   solitárias,	
   em	
   pequenos	
  
fascículos,	
  cachos,	
  panículas,	
  ou	
  umbelas.	
  
Flor.	
   Flores	
   hermafroditas,	
   actinomórficas	
   a	
  
ligeiramente	
   zigomórficas,	
   heteroclamídeas	
   (com	
  
cálice	
   e	
   corola)	
   e	
   frequentemente	
   pêndulas.	
   4-­‐5	
  
sépalas	
  livres	
  (muito	
  reduzidas	
  em	
  Rhododendron)	
  a	
  
ligeiramente	
   concrescentes	
   na	
   base.	
   4-­‐5	
   pétalas	
  
(e.g.	
   4	
   em	
   Erica	
   e	
   5	
   em	
   Rhododendron),	
   soldadas	
  
num	
   tubo	
   muito	
   maior	
   do	
   que	
   os	
   segmentos	
   da	
  
corola	
   (excepto	
   Rhododendron	
   e	
   Calluna),	
  
campanulado,	
   cilíndrico	
   ou	
   contraído	
   no	
   ápice	
  
(corola	
   gomilosa).	
   Estames	
   em	
   número	
   duplo	
   das	
  
pétalas,	
   livres	
  ou	
  ocasionalmente	
  soldados	
  à	
  corola	
  
	
  
Figura	
  43.	
  Ericaceae.	
  N.b.	
  flores	
  pêndulas	
  de	
  Erica	
  cinerea,	
  
apêndices	
  na	
  base	
  das	
  anteras	
  e	
  corola	
  simpétala	
  gomilosa	
  
de	
  Vaccinium	
  myrtillus.	
  
78	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
(epipétalos),	
  com	
  presença	
  habitual	
  de	
  dois	
  apêndices	
  na	
  base	
  das	
  anteras.	
  Em	
  Corema	
  as	
  flores	
  são	
  unissexuais	
  
com	
  3	
  sépalas,	
  3	
  pétalas	
   (muito	
  reduzidas	
  nas	
  flores	
  masculinas)	
  e	
  3	
  estames.	
  Por	
  norma	
  ovário	
  súpero	
  (ínfero	
  
em	
  Vaccinium)	
  de	
  4-­‐5	
  carpelos.	
  Polinização	
  entomófila	
  (anemófila	
  em	
  Corema).	
  
Fruto.	
   Fruto	
   seco	
   tipo	
   cápsula,	
   ou	
   carnudo	
   tipo	
   drupa	
   (e.g.	
   Corema	
   album),	
   baga	
   (e.g.	
  Arbutus	
   unedo)	
   ou	
  
pseudobaga	
  (Vaccinium).	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Fam.	
   muito	
   grande	
   (ca.	
   2700	
   sp.).	
   Cosmopolita	
   com	
   picos	
   de	
   diversidade	
   nos	
  
Himalaias,	
  Nova-­‐Guiné,	
  Andes	
  e	
  África	
  do	
  Sul.	
  Grande	
  importância	
  ecológica	
  nas	
  áreas	
  mais	
  chuvosas	
  de	
  Lu.	
  Dois	
  
endemismos	
  nos	
  Az,	
  a	
  Corema	
  azorica	
  e	
  a	
  Erica	
  azorica;	
  outros	
  dois	
  na	
  Ma,	
  E.	
  maderensis	
  e	
  E.	
  platycodon	
  subsp.	
  
maderincola.	
  
Botânica	
  económica.	
  Os	
  frutos	
  do	
  Vaccinium	
  myrtillus	
  «mirtilo»,	
  da	
  Corema	
  album	
  «camarinha»	
  e	
  do	
  Arbutus	
  
unedo	
  «medronheiro»	
  são	
  edíveis;	
  muitas	
  plantas	
  de	
  valia	
  ornamental,	
  e.g.	
  espécies	
  e	
  híbridos	
  de	
  Rhododendron	
  
«azálias	
   e	
   rododendros»	
   himalaianos	
   e	
   Erica	
   «urzes»	
   sul-­‐africanas.	
   Várias	
   Erica	
   e	
   a	
   Calluna	
   vulgaris	
   são	
  
dominantes	
  na	
  vegetação	
  arbustiva	
  baixa	
  nas	
  áreas	
  mais	
  húmidas	
  e/ou	
  de	
  maior	
  altitude	
  de	
  Lu.	
  Também	
  em	
  Lu,	
  
o	
  A.	
  unedo	
  enxameia	
  os	
  bosques	
  secundarizados	
  de	
  sobreiro	
  e	
  os	
  matagais	
  que	
  os	
  substituem.	
  
Incertae sedis 
LXXXVI. Boraginaceae	
  
Fisionomia.	
  Plantas	
  herbáceas,	
  lianas,	
  arbustos	
  a	
  arbóreas,	
  frequentemente	
  revestidas	
  por	
  um	
  indumento	
  de	
  
pelos	
  rígidos;	
  caules	
  de	
  secçãocircular.	
  
Inflorescência.	
  Inflorescências	
  definidas,	
  geralmente	
  bracteadas	
  e	
  escorpioides.	
  
Folha.	
  Folhas	
  alternas,	
  sem	
  estípulas.	
  
Flor.	
   Flores	
   simpétalas,	
   actinomórficas	
   ou	
   zigomórficas,	
   tubulosas	
   ou	
   rodadas,	
   frequentemente	
   azuis,	
  
lilacíneas	
   ou	
   purpúreas,	
   com	
  a	
   fauce	
   (entrada	
   do	
   tubo)	
   frequentemente	
   preenchida	
   com	
  5	
   escamas	
   ou	
   pêlos.	
  
Estames	
   5,	
   epipétalos,	
   alternos	
   com	
   as	
   pétalas	
   (alternipétalos).	
   Ovário	
   súpero,	
   de	
   2	
   carpelos,	
   profundamente	
  
dividido	
  em	
  4	
  lóbulos	
  cada	
  um	
  com	
  1	
  primórdio	
  seminal,	
  estilete	
  ginobásico.	
  Polinização	
  entomófila.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  seco,	
  esquizocárpico	
  com	
  4	
  frutículos.	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  de	
  grande	
  dimensão	
  (ca.	
  2800	
  sp.).	
  Cosmopolita.	
  
Botânica	
  económica.	
  Escasso	
  interesse	
  económico.	
  O	
  género	
  Echium	
  inclui	
  algumas	
  infestantes	
  importantes	
  –	
  
e.g.	
  E.	
  plantagineum	
  «soagem»	
  –	
  e	
  um	
  número	
  assinalável	
  de	
  espécies	
  endémicas	
  nos	
  arquipélagos	
  oceânicos	
  de	
  
Cabo	
  Verde,	
  Canárias	
  e	
  Ma.	
  O	
  endemismo	
  madeirense	
  Echium	
  candicans	
   é	
  usado	
  como	
  ornamental	
  nas	
   zonas	
  
mais	
   oceânicas	
   de	
   Portugal	
   continental.	
   O	
   Borago	
   officinalis	
   «borragem»	
   é	
   uma	
   planta	
   medicinal	
   muito	
  
apreciada.	
  
Gentianales 
LXXXVII. Rubiaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores	
  e	
  arbustos	
  tropicais,	
  trepadeiras	
  e	
  herbáceas.	
  
Folha.	
   Folhas	
   opostas	
   ou	
   verticiladas,	
   inteiras,	
   peninérveas;	
   estípulas	
   presentes,	
   grandes	
   (semelhantes	
   às	
  
folhas	
  em	
  Rubia	
  e	
  Galium).	
  
Flor.	
  Flores	
  actinomórficas.	
  Cálice	
  pequeno	
  ou	
  nulo.	
  4	
  ou	
  5	
  pétalas	
  concrescentes	
  num	
  tubo;	
  corola	
  em	
  forma	
  
de	
   salva	
   ou	
   afunilada.	
   4-­‐5	
   estames	
   epipétalos,	
   alternos	
   com	
   as	
   pétalas.	
   Gineceu	
   ínfero	
   de	
   2	
   carpelos	
   e	
   2	
  
primórdios	
  seminais	
  (1	
  por	
  lóculo).	
  
Fruto.	
  Fruto	
  muito	
  variável.	
  
79	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Fam.	
   muito	
   grande	
  
(mais	
  de	
  11100	
  sp.).	
  Cosmopolita,	
  muito	
  diversa	
  e	
  de	
  
grande	
  dificuldade	
  taxonómica	
  nos	
  trópicos.	
  
Botânica	
   económica.	
   São	
   rubiáceas	
   a	
   Coffea	
  
arabica	
   «cafezeiro-­‐arábica»,	
   a	
   C.	
   canephora	
  
«cafezeiro-­‐robusta»	
  e	
  as	
  Gardenia	
  «gardénias».	
  
LXXXVIII. Apocynaceae	
   (inc.	
  
Asclepiadaceae)	
  
Fisionomia.	
   Árvores,	
   arbustos,	
   lianas	
   e	
  
herbáceas,	
  frequentemente	
  produtoras	
  de	
  látex.	
  
Folha.	
   Folhas	
   opostas	
   raramente	
   alternas	
   ou	
  
verticiladas	
   (e.g.	
   em	
   Nerium),	
   inteiras,	
   peninérveas	
  
(nervação	
  pouco	
   evidente),	
   estípulas	
  minúsculas	
   ou	
  
ausentes.	
  
Flor.	
   Flores	
   actinomórficas,	
   por	
   vezes	
   de	
  
estrutura	
   muito	
   sofisticada.	
   5	
   sépalas	
   soldadas.	
   5	
  
pétalas	
   soldadas	
   num	
   tubo;	
   corola	
   em	
   forma	
   de	
  
salva,	
   sino,	
   funil	
   ou	
   tubulosa;	
   presença	
   habitual	
   de	
  
apêndices	
   inseridos	
  no	
   interior	
  do	
  tubo	
  da	
  corola.	
  5	
  
estames	
   epipétalos,	
   alternos	
   com	
   as	
   pétalas;	
  muito	
  
modificados,	
  muitas	
  vezes	
  soldados	
  pelas	
  anteras	
  ou	
  
anteras	
   soldadas	
   ao	
   estilete	
   (formando	
   uma	
   coroa	
  
estaminal).	
   Gineceu	
   súpero	
   ou	
   semi-­‐ínfero	
   de	
   2	
   carpelos	
   apenas	
   unidos	
   pelo	
   estilete	
   e	
   estigma,	
   com	
  menos	
  
frequência	
  vários	
  carpelos	
  concrescentes.	
  
Fruto.	
  Fruto	
  seco	
  constituído	
  por	
  1	
  (e.g.	
  Araujia	
  sericifera)	
  ou	
  2	
  folículos	
  longos	
  (e.g.	
  Nerium	
  oleander),	
  menos	
  
comum	
  um	
  fruto	
  carnudo	
  (baga).	
  
Observações	
  taxonómicas.	
  As	
  Floras	
  clássicas	
  segregam	
  Asclepiadaceae	
  de	
  Apocynaceae.	
  
Distribuição	
  e	
  diversidade.	
  Fam.	
  muito	
  grande	
  (ca.	
  3700	
  sp.).	
  Pantropical	
  com	
  representantes	
  temperados	
  e	
  
mediterrânicos.	
  12	
  sp.	
  naturalizadas	
  ou	
  indígenas	
  em	
  Lu.	
  
Botânica	
  económica.	
  Numerosas	
  espécies	
   cultivadas	
   como	
  ornamentais,	
  e.g.	
  Trachelospermum	
   jasminoides	
  
«falso-­‐jasmim»	
  e	
  Nerium	
  oleander	
  «loendro»;	
  ou	
  com	
  interesse	
  medicinal,	
  e.g.	
  Catharanthus	
  roseus	
  «pervinca-­‐
de-­‐madagáscar».	
  
Lamiales 
LXXXIX. Oleaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores,	
  arbustos	
  ou	
  trepadeiras.	
  Caules	
  com	
  2	
  ou	
  mais	
  gomos	
  sobrepostos.	
  
Folha.	
   Folhas	
   opostas,	
   simples,	
   penaticompostas	
   (e.g.	
   Fraxinus)	
   ou	
   trifolioladas	
   (em	
   alguns	
   Jasminum);	
  
inteiras	
  ou	
  serradas;	
  peninérveas.	
  
Flor.	
  Flores	
  actinomórficas.	
  4	
  sépalas	
  pequenas	
  e	
  concrescentes.	
  4	
  pétalas	
  (5	
  em	
  alguns	
  Jasminum)	
  soldadas	
  
num	
   tubo	
   (livres	
  ou	
  ausentes	
  em	
  Fraxinus).	
   2	
  estames	
  epipétalos.	
  Ovário	
   súpero	
  de	
  2	
   carpelos	
  e	
  4	
  primórdios	
  
seminais	
  (2	
  por	
  lóculo).	
  
Fruto.	
  Fruto	
  seco	
  tipo	
  cápsula	
  (e.g.	
  Syringa)	
  ou	
  sâmara	
  (e.g.	
  Fraxinus),	
  ou	
  carnudo	
  tipo	
  baga	
  (e.g.	
  Ligustrum)	
  
ou	
  drupa	
  (e.g.	
  Olea).	
  
	
  
Figura	
  44.	
  Rubiaceae.	
  N.b.	
  folhas	
  verticiladas	
  de	
  Galium;	
  
ovário	
  ínfero	
  em	
  Galium	
  e	
  Rubia.	
  
80	
   Escola	
  Superior	
  Agrária	
  de	
  Bragança	
  -­‐	
  Botânica	
  para	
  Ciências	
  Agrárias	
  e	
  do	
  Ambiente	
  
Distribuição	
   e	
   diversidade.	
   Fam.	
   de	
   média	
   dimensão	
   (ca.	
   600	
   sp.).	
   Cosmopolita.	
   6	
   sp.	
   indígenas	
   de	
   Lu;	
   1	
  
espécie	
  endémica	
  nos	
  Az	
  (Picconia	
  azorica)	
  e	
  2	
  na	
  Ma	
  (Olea	
  maderensis	
  e	
  Jasminum	
  azoricum);	
  a	
  Picconia	
  excelsa	
  
e	
  o	
  J.	
  odoratissimum	
  são	
  exclusivos	
  da	
  Ma	
  e	
  Canárias.	
  
Botânica	
  económica.	
  Várias	
  espécies	
  de	
  interesse:	
  alimentar	
  e.g.	
  Olea	
  europaea	
  var.	
  europaea	
  «oliveira»;	
  na	
  
produção	
   de	
   madeira	
   e.g.	
   Fraxinus	
   angustifolia	
   «freixo»;	
   produção	
   de	
   perfumes	
   e.g.	
   Jasminum	
   sp.pl.;	
  
ornamentais	
  e.g.	
  Syringa	
  vulgaris	
  «lilazeiro»,	
  Ligustrum	
  sp.pl.	
  «ligustros»	
  e	
  Forsteria	
  sp.pl.	
  
XC. Bignoniaceae	
  
Fisionomia.	
  Árvores,	
  arbusto	
  ou	
  plantas	
  herbáceas.

Mais conteúdos dessa disciplina