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Tecnólogo em
Gestão Ambiental
Organizadora
Waverli M. M. Neuberger
Ferramentas para a gestão 
ambiental: conhecendo, 
medindo e prevendo os 
impactos ambientais e 
educando para a 
sustentabilidade
2a edição – 2013
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
(Biblioteca Central da Universidade Metodista de São Paulo)
Coordenação – Tecnólogo em Gestão 
Ambiental - EAD 
Waverli M. M. Neuberger 
 
Organizadora 
Waverli M. M. Neuberger 
 
Professores Autores 
Denise Antônia de Freitas Neves 
Lígia Rodrigues Morales 
Luiz Rogério Mantelli 
Márcia Barbosa Velasques
Michele Fernando da Silva
Nestor Kenji Yoshikawa 
Sílvio César de Osti
Assessoria Pedagógica 
Adriana Barroso de Azevedo
Celeste Yanela Millaray Panik Castro
Eliana Vieira dos Santos
Thaís Helena Santinelli
Produção de Materiais 
Didático-Pedagógicos EAD
Bruno Tonhetti Galasse 
Editoração Eletrônica 
Editora Metodista 
 
Projeto gráfico 
Cristiano Leão
 
Revisão 
Eliane Viza Bastos Barreto
Cristina Paixão Lopes
Victor Hugo Lima Alves
Data desta edição - 2o semestre de 2013
Universidade Metodista de São Paulo
 Ferramentas para a gestão ambiental : conhecendo, medindo e prevendo os impactos 
ambientais e educando para a sustentabilidade / Universidade Metodista de São Paulo. 2. ed. 
Organização de Waverli M. M. Neuberger. São Bernardo do Campo : Ed. do Autor, 2013.
 200 p. (Cadernos didáticos Metodista - Campus EAD)
 Bibliografia
 ISBN 978-85-7814-191-2 
 1. Desenvolvimento sustentável 2. Gestão ambiental 3. Impacto ambiental I. Título.
 CDD 301.31
Diretor Geral
Wilson Roberto Zuccherato
Conselho Diretor
Stanley da Silva Moraes (Presidente), Nelson Custódio Fér (Vice-Presidente), Osvaldo Elias de 
Almeida (Secretário). Vogais: Aires Ademir Leal Clavel, Augusto Campos de Rezende, Aureo 
Lidio Moreira Ribeiro, Jonas Adolfo Sala, Kátia de Mello Santos, Marcos Vinicius Sptizer, Oscar 
Francisco Alves Júnior. Suplentes: Regina Magna Araujo, Valdecir Barreros
Reitor: Marcio de Moraes
Pró-Reitora de Graduação: Vera Lúcia Gouvêa Stivaletti
Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa: Fábio Botelho Josgrilberg
Direção da Faculdade de Saúde: Rogerio Gentil Bellot
Coordenação do NEAD: Adriana Barroso de Azevedo
Universidade Metodista de São Paulo
É permitido copiar, distribuir, exibir e executar a obra para uso não comercial, desde que dado 
crédito ao autor original e à Universidade Metodista de São Paulo. É vedada a criação de obras 
derivadas. Para cada novo uso ou distribuição, você deve deixar claro para outros os termos 
da licença desta obra. 
UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO 
Rua do Sacramento, 230 - Rudge Ramos 
09640-000 São Bernardo do Campo - SP 
Tel.: 0800 889 2222 - www.metodista.br/ead
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Tecnólogo em
Gestão Ambiental
Ferramentas para a gestão 
ambiental: conhecendo, 
medindo e prevendo os 
impactos ambientais e 
educando para a 
sustentabilidade
Organizadora
Waverli M. M. Neuberger
2a edição – 2013
UMESP
Universidade Metodista de São Paulo
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Palavra do Reitor
Caro(a) aluno(a) do Campus EAD Metodista,
É com muita alegria que acolhemos você na Universidade Metodista de São Paulo!
O Guia de Estudos que está recebendo faz parte da nossa preocupação com a democratização 
do acesso à educação superior de qualidade. Este material foi elaborado pelos professores do seu 
curso e será utilizado durante o semestre nas suas atividades de estudos. Nosso desejo é que você 
aproveite ao máximo o conteúdo aqui disponibilizado, explorando todas as possibilidades para 
aprofundamento dos temas tratados.
O Guia faz parte dos esforços em busca constante da qualidade que tem marcado as atividades 
do Campus EAD Metodista, que completa neste 2º semestre de 2013 sete anos de existência. Desde 
o oferecimento dos primeiros cursos superiores, em 2006, temos assumido alguns compromissos 
dos quais não abrimos mão: a interação professor-aluno, a formação continuada da equipe de do-
centes e técnicos que atuam na modalidade, a qualidade das atividades propostas e o estímulo para 
a construção de conhecimentos. Tudo isso para você se sentir parte de uma instituição que prima 
em primeiro lugar pela qualidade em seus processos formativos.
Com alegria já observamos os resultados de todo o trabalho da equipe Metodista. Atualmente, 
o Campus EAD possui cerca de 14 mil alunos em 37 polos, presentes em todas as regiões do Brasil. 
Temos certeza de que ainda há muito por fazer no processo de aperfeiçoamento das diferentes es-
tratégias de ensino e aprendizagem na modalidade EAD, mas o caminho trilhado sinaliza que temos 
acertado. E o melhor de tudo isso é saber que você está conosco e, como nós, acredita no Campus 
EAD Metodista.
Bons estudos e um ótimo semestre!
Prof. Dr. Marcio de Moraes
Reitor
Universidade Metodista de São Paulo
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Módulo: Prevenção de impactos ambientais
Avaliação de impactos ambientais (AIA): conceitos
Avaliação de impactos ambientais: histórico
Avaliação de impactos ambientais: etapas do processo
O processo de identificação de impactos
Metodologia de avaliação de impactos
Conceito de risco
Avaliação de risco
Riscos e avaliação de impactos ambientais
Técnica para avaliação de riscos I
Técnica para avaliação de riscos II
Gerenciamento de riscos I
Gerenciamento de riscos II
Módulo: Medição de parâmetros ambientais
Conceitos básicos
Coleta e preservação de amostras
Características físicas e químicas da água
Parâmetros físico-químicos: pH, condutividade elétrica, 
dureza, cor e turbidez
Parâmetros: oxigênio dissolvido, demanda química de 
oxigênio e demanda bioquímica de oxigênio
Parâmetros químicos
Módulo: Modelagem Ambiental
Introdução ao sensoriamento remoto
Bases físicas do sensoriamento remoto
Comportamento espectral de alvos
Níveis de aquisição de dados
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Gestão Ambiental
Sistemas sensores e produtos
Aplicações do sensoriamento remoto
Características técnicas das imagens
Princípios de fotointerpretação
Fotointerpretação aplicada ao meio ambiente 
Sistemas de informações geográficas
Gerenciamento dos dados no SIG
Módulo: Ética e Cidadania
Por um habitar sustentável
Módulo: Educação ambiental
Introdução à educação ambiental
O novo paradigma para a visão de mundo
Encontros, conferências e a visão legal sobre educação ambiental
Mobilizar para transformar: o ponto de partida
Como elaborar projetos de educação ambiental
Como sistematizar um projeto socioambiental
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Módulo
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Avaliação de impactos 
ambientais (AIA): conceitos
Prevenção de impactos ambientais
Profa. Lígia Rodrigues Morales
Objetivos: 
Conhecer e saber aplicar os 
principais conceitos em um processo 
de avaliação de impactos ambientais.
Palavras-chave: 
Impacto ambiental; avaliação de 
impacto ambiental – AIA; poluição.
Universidade Metodista de São Paulo
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Todos os seres vivos se utilizam dos recursos naturais para sua sobrevivência, como água, mine-
rais, ar, luz e matéria orgânica proveniente do corpo de outros organismos. Porém o homem, por 
sua característica de mamífero bípede, que usa as mãos para realizar desde atividades minuciosas e 
delicadas até com o uso de intensa força, com sua grandecapacidade de raciocínio, usa essas habi-
lidades para utilizar e transformar os recursos naturais de acordo com as suas necessidades.
Nos últimos 100 anos, especialmente após a Revolução Industrial que se expandiu para todo 
mundo em meados do século XIX, as tecnologias e suas aplicações ampliaram seus horizontes. A 
população passou a viver mais devido a melhorias na qualidade de vida, como: acesso à água potável; 
saneamento básico; desenvolvimento de novos medicamentos, vacinas, exames diagnósticos e curas 
de doenças; acesso a alimentos enriquecidos e em abundância; entre outros. Com o aumento da 
expectativa de vida, ocorreu uma aceleração da velocidade de crescimento da população, fazendo 
com que aumentasse também a utilização dos recursos naturais a fim de manter e sustentar toda 
essa gente. 
Inerente à utilização dos recursos naturais está a transformação dos ecossistemas naturais e a 
geração de resíduos.
Chegou um momento em que a interferência antrópica nos recursos naturais começou a trazer 
prejuízos às espécies, inclusive à própria espécie humana: atmosfera e corpos d’água poluídos; dis-
seminação de doenças; solos contaminados; doenças causadas pelo uso de substâncias sintetizadas; 
mortandade de aves, peixes e outros seres vivos por motivos diversos, levando muitos à extinção.
Surgiu, então, a necessidade de se fazer um controle das interferências humanas na natureza, 
visando uma melhor qualidade ambiental para as futuras e atuais gerações. Foi nesta busca de con-
trole das ações antrópicas que se desenvolveu as metodologias de Avaliação de Impactos Ambientais 
(AIA) e os Estudos de Impactos Ambientais (EIA).
Para estudar melhor o processo de Avaliação de Impactos Ambientais, faz-se necessário discutirmos 
e apresentarmos alguns conceitos e definições. O primeiro deles é o conceito de Meio Ambiente.
No campo do planejamento e da gestão ambiental, o conceito de Ambiente é muito flexível, amplo 
e possui muitas faces. Isso porque o ambiente pode incluir tanto a natureza como também a sociedade 
e pode ser compreendido sob diferentes perspectivas, ou seja, o termo ambiente pode ser ampliado 
ou reduzido de acordo com os interesses ou necessidades dos envolvidos e dos analistas.
Em muitas jurisdições, os Estudos de Impacto Ambiental não são, na prática, limitados às repercus-
sões físicas e ecológicas dos projetos de desenvolvimento, mas incluem também as conseqüências nos 
planos econômico, social e cultural (SÁNCHEZ, 2006). Neste caso, temos como exemplo a definição 
de meio ambiente apresentado na Política Nacional do Meio Ambiente – Lei Federal 6938 de 1981, 
em seu artigo 3º, inciso I: “meio ambiente, o conjunto de condições, leis, influências e interações de 
ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.
Logo, o meio ambiente ou sistema ambiental pode ser dividido em três segmentos: meio físico, 
meio biótico e o meio antrópico ou socioeconômico.
O Meio Físico é considerado como os materiais inorgânicos presentes na natureza, sob o qual 
todos os organismos vivos interagem. Ou seja, é a base de sustentação de todas as atividades bio-
lógicas. O meio físico pode ser subdividido da seguinte forma:
• Sistemas Climáticos: as variações de temperatura, o clima, as condições meteorológicas, a 
qualidade do ar;
• Sistemas Terrestres: aspectos geomorfológicos, aspectos geológicos, caracterização e tipifi-
cação dos solos, qualidade dos solos;
• Sistemas Hidrológicos: recursos hídricos superficiais e subterrâneos, índices pluviométricos, 
regimes fluviais, qualidade das águas.
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O Meio Biótico é constituído basi-
camente pelos organismos vivos, bem 
como o papel exercido por estes seres 
vivos sobre o meio físico. Neste meio 
estão inclusos todos os tipos de seres 
vivos pertencentes a todos os reinos: 
bactérias, protozoários, animais, vege-
tais e fungos. Numa visão mais ampla, 
podemos inserir no meio biótico os 
mais diversos ecossistemas e biomas 
aquáticos, terrestres e de transição: 
florestas, campos, desertos, estuários, 
recifes de corais, etc.
O Meio Antrópico indica especi-
ficamente a influência da espécie humana nos meios biótico e físico. Aqui podemos incluir a dinâ-
mica populacional, o uso e ocupação do solo, o nível de vida, a estrutura produtiva e de serviços, a 
organização social, as atividades culturais.
A Resolução CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) 001 de 1986, apresenta em seu 
artigo 6º, inciso I, o que deve ser desenvolvido no estudo de impacto ambiental com relação ao 
diagnóstico ambiental da área de influência de um projeto. Nela há a descrição dos meios físico, 
biótico e antrópico, este último chamado de meio socioeconômico. Vejamos a sua redação:
“a) o meio físico – o subsolo, as águas, o ar e o clima, destacando-se os recursos minerais, a 
topografia, os tipos e aptidões do solo, os corpos d’água, o regime hidrológico, as correntes 
marinhas, as correntes atmosféricas;
b) o meio biológico e os ecossistemas naturais – a fauna e a flora, destacando-se as espécies 
indicadoras da qualidade ambiental, de valor científico e econômico, raras e ameaçadas 
de extinção e as áreas de preservação permanente;
c) o meio sócio-econômico – o uso e a ocupação do solo, os usos da água e a sócio-economia, 
destacando-se os sítios e monumentos arqueológicos, históricos e culturais da comunidade, 
as relações de dependência entre a sociedade local, os recursos ambientais e a potencial 
utilização futura desses recursos.”
Outro conceito muito importante na AIA é o de Recurso Ambiental, que corresponde à capacida-
de da natureza de fornecer recursos físicos, e o mais importante, de prover serviços e desempenhar 
funções de suporte à vida. Retiramos da natureza recursos essenciais à sobrevivência e os recursos 
necessários ao desenvolvimento sócio-econômico.
A Lei 6938 de 1981 dá exemplos de recursos ambientais em seu artigo 3º, inciso V: “recursos am-
bientais: a atmosfera, as águas interiores, superficiais e subterrâneas, os estuários, o mar territorial, 
o solo, o subsolo, os elementos da biosfera, a fauna e a flora.”
Os recursos naturais podem ser classificados como renováveis e não-renováveis. Os recursos re-
nováveis são aqueles que, depois de utilizados, são disponibilizados novamente devido à ciclagem 
natural, como: água, ar, biomassa, energia eólica. Já os recursos não-renováveis são aqueles que não 
podem ser reaproveitados depois do uso, como: combustíveis fósseis, urânio, fósforo, cálcio.
Uma outra definição importante numa avaliação de impacto ambiental é Poluição. Poluir significa 
manchar, sujar, fazer mau uso. Logo, a poluição tem sempre conotação negativa. 
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Universidade Metodista de São Paulo
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Na Política Nacional do Meio Ambiente, em seu artigo 3º, inciso III, há a definição de poluição: “po-
luição: a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente:
a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas;
c) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente;
d) lancem matéria ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos.”
Muitos Estados possuem legislação ambiental própria. Apesar de existir algumas diferenças entre 
as definições de poluição das legislações estaduais e federal, em todas elas a poluição é entendida 
como uma condição que pode ser danosa aos seres vivos e determinada por atividades humanas. 
Existe também uma associação entre po-
luição e emissões ou presença de energia e 
matéria. Logo, poluição pode correlaciona-se 
a grandezas físicas, parâmetros químicos ou 
físico-químicos, os quais podem ser medidos ( 
kg/L, mg/kg, ppm, dB) e estabelecidos através 
de padrões ambientais. Estabelecer padrões 
ambientais permite que sejamdefinidos com 
clareza os direitos e responsabilidades do 
poluidor e do fiscal (órgãos públicos), assim 
como os das populações. São exemplos de 
poluentes: metais, material particulado, ga-
ses, ruído, vibrações e radiações ionizantes, 
efluentes líquidos, calor, organismos patóge-
nos, etc.
 
Outro termo de conotação negativa é a Degradação Ambiental, que é um processo que altera 
adversamente as características do meio ambiente, conforme a Lei Federal 6938 de 1981, art.3º, in-
ciso II. Logo, a degradação ambiental se caracteriza por qualquer alteração adversa dos processos, 
componentes ou funções ambientais que deteriora a qualidade ambiental.
Portanto, a poluição se manifesta a partir de um certo grau de degradação. Dependendo da in-
tensidade da degradação, um ambiente pode se recuperar espontaneamente ou pode tornar-se tão 
perturbado que a recuperação espontânea é impossível, sendo necessária uma ação corretiva.
A capacidade de um ambiente em absorver mudanças, de se recuperar de uma perturbação após 
a ação de um agente externo, é denominada Resiliência.
As atividades antrópicas promovem modificações do ambiente, levando à degradação e até à 
poluição. Mas nem sempre as modificações no ambiente promovidas pelo homem têm conotação 
negativa. Surge aqui o conceito de Impacto Ambiental.
Segundo a Resolução CONAMA 01 de 1986, em seu artigo 1º, Impacto Ambiental é: “... qualquer 
alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer for-
ma de matéria ou energia resultante das atividades humanas, que direta ou indiretamente afetam:
I – a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
II – as atividades sociais e econômicas;
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III – as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente;
IV – a qualidade dos recursos ambientais.”
Dentre tantas definições de Impacto Ambiental, temos: 
“Qualquer alteração no meio ambiente, em um ou mais de seus componentes, provocada 
por uma ação humana.” (MOREIRA, 1992)
“A mudança em um parâmetro ambiental, num determinado período e numa determi-
nada área, que resulta de uma dada atividade, comparada com a situação que ocorreria 
se essa atividade não tivesse sido iniciada.” (WATHERN, 1988)
“Impacto Ambiental é a alteração da qualidade ambiental que resulta da modificação de 
processos naturais ou sociais provocados por ação humana.” (SÁNCHEZ, 1998)
“Qualquer modificação do meio ambiente, adversa ou benéfica, que resulte, no todo 
ou em parte, das atividades, produtor ou serviços de uma organização.” (ISO 14001 
de 1996)
Podemos dizer, então, que um impacto ambiental pode ser causado por uma ação humana que 
implique:
1. inserção de certos elementos no ambiente, a exemplo de:
• introdução de espécies exóticas;
• introdução de componentes construídos.
2. Introdução de sobrecarga, ou seja, de estresse além da capacidade de suporte do meio, gerando 
desequilíbrio, como:
• poluentes;
• espécies exóticas ;
• redução de habitat ou da disponibilidade de recursos pra uma dada espécie;
• aumento da demanda por bens e serviços.
3. Supressão de certos elementos do ambiente, a exemplo de:
• supressão de componentes do ecossistema;
• destruição completa de habitats;
• destruição de componentes físicos da paisagem;
• supressão de elementos significativos do ambiente destruído;
• supressão de referências físicas à memória;
• supressão de elementos ou componentes valorizados do ambiente.
Universidade Metodista de São Paulo
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Vejamos alguns exemplos de impactos ambientais:
• perda da qualidade do ar;
• destruição do patrimônio espeleológico;
• morte de animais por afogamento;
• aumento da demanda dos serviços de saúde;
• geração de empregos;
• soterramento da fauna bentônica;
• aumento da arrecadação tributária;
• submersão de vestígios arqueológicos;
• redução da exposição da população a doenças e óbitos;
• perda de terras agricultáveis;
• risco à saúde humana;
• destruição de fragmento florestal;
• desaparecimento de locais de encontro da comunidade local;
• aumento da oferta de água para abastecimento.
Pode-se verificar, portanto, que impacto ambiental é diferente de poluição. Enquanto poluição 
tem apenas conotação negativa, impacto ambiental pode ser benéfico ou adverso, ou seja, de caráter 
positivo ou negativo. A poluição é uma das causas de impacto ambiental, mas os impactos podem 
ser ocasionados por outras ações além do ato de poluir.
Quando falamos em impacto ambiental, podemos caracterizá-lo, dependendo da situação, como 
Passivo Ambiental. O passivo ambiental representa os danos causados ao meio ambiente, repre-
sentando, assim, a obrigação e a responsabilidade social da empresa com aspectos ambientais. Em 
termos contábeis, passivo ambiental vem a ser as obrigações das empresas com terceiros, sendo que 
tais obrigações, mesmo sem uma cobrança formal ou legal, devem ser reconhecidas.
Podemos encontrar um passivo ambiental em quatro situações:
1. quando não foi feito estudo prévio de impacto ambiental;
2. quando o estudo de impacto ambiental foi mal elaborado;
3. quando o estudo de impacto ambiental foi bem elaborado, mas não foram aplicadas as me-
didas mitigadoras, por falta de fiscalização;
4. ou quando o estudo de impacto ambiental foi bem elaborado e as medidas mitigadoras foram 
aplicadas inadequadamente por falta de fiscalização.
Nessa proposta, no balanço patrimonial de uma empresa é incluído, através de cálculos estimati-
vos, o passivo ambiental (danos ambientais gerados), e o ativo (bens e direitos), onde são incluídos 
as aplicações de recursos que objetivem a recuperação do ambiente, bem como investimentos em 
tecnologia de processos de contenção ou eliminação de poluição.
Considerando os conceitos e definições discutidos – meio ambiente, recurso ambiental, poluição, 
degradação ambiental, resiliência, impacto ambiental, passivo ambiental – podemos então apresentar 
a avaliação de impacto ambiental.
A Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) designa diferentes metodologias, procedimentos ou 
ferramentas empregadas por agentes públicos e privados no campo de planejamento e gestão am-
biental. É utilizada para descrever os impactos ambientais decorrentes de projetos de engenharia, de 
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www.metodista.br/ead
obras ou atividades humanas quaisquer, incluindo tanto impactos causados por processos produtivos 
quanto pelos produtos dessa atividade. 
A AIA também é empregada para descrever os impactos que podem advir de um empreendi-
mento a ser implantado, designar o estudo de impactos que ocorreram no passado ou então que 
estão ocorrendo no presente, em conseqüência de determinado empreendimento ou conjunto de 
ações humanas.
Quatro denominações diferentes para a AIA podem ser descritas:
previsão de impactos potenciais que um projeto poderá vir causar, caso seja implantado 
(futuro);
estudo de alterações ambientais ocorridas por atividades humanas passadas ou presentes. 
Neste caso a AIA é chamada de avaliação do passivo ambiental ou avaliação de dano 
ambiental, e preocupa-se com impactos negativos;
identificação e interpretação de “efeitos e impactos ambientais” decorrentes de ativi-
dades de uma organização;
análise de impactos ambientais decorrentes do processo de produção, utilização e descarte 
de um produto. Neste caso chamamos de análise de ciclo de vida.
 Um fator muito importante para um profissional é a necessidade da comunicação que, prin-
cipalmente na área ambiental que envolve especialistas de diversas formações, faz-se obrigatória para 
que ela ocorra de forma eficaz entre autor e leitor. Daí a relevância de se terminar uma terminologia, 
fazendo com que todos usem a mesma linguagem.
 
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Referências 
BRAGA, B. et al. Introdução à Engenharia Ambiental – o desafio do desenvolvimento sus-
tentável. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. 
MOREIRA, I. V. D. Vocabulário básico de meio ambiente. Rio de Janeiro: Feema/Petrobrás, 
1992
SÁNCHEZ, L. E. Avaliação de Impacto Ambiental: conceitos e métodos. São Paulo: Oficina 
de Textos, 2006
SÁNCHEZ, L. E. A diversidade dos conceitos de impacto ambiental e avaliação de impacto am-
biental segundo diferentes grupos profissionais. In: VII ENCONTRO ANUAL DA SEÇÃO BRASILEI-
RA DA IAIA-INTERNATIONAL ASSOCIATION FOR IMPACT ASSESSMENT. Rio de Janeiro, 1998
WATHERN, P. An Introductory guide to EIA. In: WATHERN P. (Org.). Environmental impact as-
sessment: theory and practice. London: Unwin Hyman, 1988. p. 3-30
Lei Federal 6938/81
Disponível em
<http://www.mma.gov.br/estruturas/171/_legislacao/171_legislacao10122008124022.pdf > 
acesso em: 10 abr. 2009.
Resoluções CONAMA 001/86
Disponível em<http://www.mma.gov.br/port/conama/legiano.cfm?codlegitipo=3> Acesso 
em: 19 abr. 2009.
Módulo
www.metodista.br/ead
 Avaliação de impactos 
ambientais: histórico
Objetivos: 
Conhecer e compreender os principais 
eventos que desencadearam a aplicação da 
Avaliação de Impactos Ambientais no Brasil e 
no mundo.
Palavras-chave: 
National Environmental Policy Act – NEPA; 
Resolução Conama 01/86; Lei Federal 6.938/81; 
Histórico da Avaliação de Impactos Ambientais.
Profa. Lígia Rodrigues Morales
Prevenção de impactos ambientais
Universidade Metodista de São Paulo
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A Avaliação de Impactos Ambientais (AIA) é um instrumento de política ambiental reconhecida 
em tratados internacionais, considerada eficiente na prevenção de danos ambientais e que promove 
o desenvolvimento ambiental. Por isso é adotada por jurisdições de muitos países, estados e muni-
cípios, por organizações internacionais e entidades privadas.
A lei de política nacional do meio ambiente dos Estados Unidos, a National Environmental Policy 
Act (NEPA), foi a pioneira na criação do instrumento de AIA dentro do planejamento ambiental. O 
Congresso americano aprovou essa lei em 1969 e em 1º de janeiro de 1970 ela entrou em vigor. 
Em 1973 foram publicadas as diretrizes para a elaboração e apresentação dos Estudos de Impacto 
Ambiental (EIA) – Environmental Impact Statements (EIS) – pelo conselho de qualidade ambiental 
instituído pela NEPA. Em 1978 foi publicado um regulamento substituindo parte destas diretrizes 
consideradas insatisfatórias.
A NEPA exige que seja feita uma declaração com detalhes sobre os possíveis impactos ambientais 
de qualquer atividade do governo americano, o que serviu como modelo para aplicação da AIA em 
todo o mundo.
Dentre os primeiros países que também adotaram a AIA estão: Canadá – 1973, Nova Zelândia – 
1974, Austrália – 1974 e França – 1976.
Na Europa, a França foi o único país que legislou sobre a AIA com um sistema de licenciamento 
antes da publicação de uma resolução de aplicação compulsória pelos países que eram membros 
da antiga Comunidade Econômica Européia (atual União Européia), em 1985. Nessa resolução, os 
países eram obrigados a adotar procedimentos formais de AIA para decidir sobre empreendimentos 
com capacidade significativa de degradação ambiental.
Pelo fato do desenvolvimento dos países ocorrer de forma semelhante, inclusive no aspecto da 
interferência ambiental, foi que a AIA se difundiu internacionalmente.
A atuação de agências de fomento e bancos de desenvolvimento teve importante papel na 
adoção do instrumento da AIA, como: a americana Agency for International Development; Organi-
zação para o Desenvolvimento Econômico (OCDE); o Banco Mundial e o Banco Interamericano de 
Desenvolvimento.
Entre alguns países considerados em desenvolvimento, a AIA foi introduzida em: 1974 na Co-
lômbia; 1978 nas Filipinas; 1979 na China; 1982 no México; 1986 no Brasil; 1992 na Bolívia; 1999 no 
Equador.
A AIA também foi incluída em diversos tratados internacionais. Um exemplo é a Conferência das 
Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD) – a Rio-92 ou Eco-92 –, em 
seus documentos resultantes propõe a AIA:
• na Declaração do Rio – citação no princípio 17;
• na Agenda 21 – citações nos capítulos 7, 9,11, 15, 18, 20 e 38.
• Convenção sobre a Diversidade Biológica – citação no artigo 14;
• Convenção sobre a Mudança do Clima – citação no artigo 4. 
No Brasil, a implantação da AIA ocorreu pela exigência de instituições multilaterais de financia-
mento, como o Banco Mundial (BIRD) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e não 
por educação, politização, esclarecimento e conscientização da sociedade, como ocorreu nos Estados 
Unidos. A exemplos destes primeiros estudos de AIA no Brasil, estão os feitos para a construção das 
barragens de Sobradinho, no rio São Francisco em 1972 e de Tucuruí, no rio Tocantins em 1977.
A aplicação da AIA no Brasil também ocorreu em conseqüência da Conferência de Estocolmo, 
em 1972, que recomendou o uso desta metodologia aos países e sua introdução nos processos de 
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Banco de Imagem
planejamento e decisão de planos, programas e projetos de desenvolvimento. Apesar de que os 
representantes do Brasil nesta conferência declararam que se a poluição era o preço a ser pago para 
o desenvolvimento, então o país estaria de braços abertos recebendo as indústrias poluidoras. Ou 
seja, a importância do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável ainda não era reconhecido 
por nossos representantes.
Algumas jurisdições importantes sobre meio ambiente no Brasil surgiram na década de 30 e 
visavam apenas racionalizar o uso e a explotação dos recursos naturais, regulamentando através 
dos Códigos o acesso e a apropriação de recursos, como os hídricos, os florestais, os minerais e os 
pesqueiros. Na década de 60, com a implantação do regime militar em 1964, vários códigos foram 
revistos e reformulados, acrescentando-se a Lei de Proteção à Fauna. Já na década de 70, a política 
ambiental brasileira começou a legislar sobre a poluição, sendo essencialmente de cunho corretivo. 
O início da atuação preventiva aconteceu junto com o surgimento dos primeiros planos de usos do 
solo, com a Lei 6766/79 (Lei de Lehman), que dispõe sobre o parcelamento do solo urbano e a Lei 
6803/80, que estabelece diretrizes para o zoneamento industrial nas áreas críticas de poluição.
Com a aprovação pelo Congresso em junho de 1981 da Política Nacional do Meio Ambiente, 
instituiu-se diversos instrumentos e inovações. A aprovação desta lei foi confirmada e fortalecida 
com o artigo 225 da Constituição Federal de 1988, que em seu parágrafo 1º, inciso IV, faz referência 
ao estudo prévio de impactos ambientais.
O plano institucional da Lei 6938 de 1981, inovou ao criar o CONAMA – Conselho Nacional do Meio 
Ambiente, composto por representantes de diferentes órgãos federais, estaduais e por representantes 
da sociedade civil, incluindo o setor empresarial, sindical e organizações não governamentais.
Este Conselho foi incumbidode diversas tarefas, como regulamentar a Lei 6938 e formular dire-
trizes de política ambiental. Foi cumprindo esta última tarefa que a resolução CONAMA 001 de 1986 
foi estabelecida. Dentre outras diretrizes, nela está estabelecido:
• as atividades sujeitas à AIA como condição para o licenciamento ambiental;
• as diretrizes gerais para a preparação de um estudo de impacto ambiental;
• o conteúdo mínimo do estudo de impacto ambiental, assim como de seu respectivo relatório 
de impacto ambiental;
• que as despesas ocorrerão por conta do empreendedor, o qual contratará uma equipe mul-
tidisciplinar para preparar o estudo de impactos ambiental.
Universidade Metodista de São Paulo
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Em 1997, foi estabelecida a Resolução CONAMA 237, que rege sobre os critérios de competência 
do licenciamento ambiental, sendo este de competência primariamente estadual. Isso fez com que os 
Estados criassem estruturas administrativas para receber e analisar os pedidos. Ao IBAMA (Instituto 
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) cabe o licenciamento de obras ou 
atividades de competência da União, conforme artigo 4º, parágrafo 1º desta resolução.
Mas para qualquer atividade modificadora ou utilizadora dos recursos naturais e que necessita 
de licença ambiental é exigido um dos diversos modelos de estudo de impacto ambiental . A Cons-
tituição Federal de 1988 e a Resolução CONAMA 001/86 estabelecem que apenas as atividades com 
potencial de causar significativa degradação ambiental e que possam causar impacto significativo, 
respectivamente, devem preparar um EIA, que é o modelo de estudo ambiental mais detalhado.
As resoluções e outras jurisdições que foram instituídas a partir da Resolução CONAMA 001/86 
sobre a AIA e seus respectivos EIAs aparecem apenas para complementar ou modificar alguns de-
talhes das jurisdições já vigentes.
A aplicação da AIA em diversos países representa um avanço importante na questão do plane-
jamento ambiental. Ela contribui para que a degradação ambiental seja cada vez menor e que seja 
compatível com o desenvolvimento socioeconômico, caminhando em direção ao desenvolvimento 
sustentável.
Referências 
BRAGA, B. et al. Introdução à Engenharia Ambiental – o desafio do desenvolvimento sus-
tentável. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. 
SÁNCHEZ, L.E. Avaliação de Impacto Ambiental: conceitos e métodos. São Paulo: Oficina 
de Textos, 2006
LEI 6938/81
Disponível em
<http://www.mma.gov.br/estruturas/171/_legislacao/171_legislacao10122008124022.pdf > 
acesso em: 10 abr. 2009.
RESOLUÇõES CONAMA 01/86 E 237/97
Disponível em<http://www.mma.gov.br/port/conama/legiano.cfm?codlegitipo=3>. Acesso 
em: 19 abr. 2009.
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988
Disponível em
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm> Acesso em: 15 
abr. 2009.
Módulo
www.metodista.br/ead
Objetivos: 
Conhecer as principais etapas 
de um processo de Avaliação de 
Impactos Ambientais e compreender 
a importância de cada uma delas.
Palavras-chave: 
Processo de avaliação de impactos 
ambientais; impacto significativo; 
estudo de impacto ambiental – EIA; 
Resolução Conama 001/86.
Avaliação de
impactos ambientais:
etapas do processo
Profa. Lígia Rodrigues Morales
Prevenção de impactos ambientais
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Banco de Imagem
O processo de Avaliação de Impactos Ambientais é entendido 
como uma seqüência de atividades necessárias para que os impactos 
ambientais decorrentes de um empreendimento sejam usados como 
critério de decisão, visando a menor degradação ambiental.
Os procedimentos da avaliação de impacto ambiental são re-
gulamentados por diferentes jurisdições, onde estão descritas as 
principais ações a serem executadas. Na avaliação de impactos 
ambientais há o envolvimento de vários participantes: autoridade 
responsável, público afetado, o empreendedor (proponente), e outros 
grupos de interesse.
 Segundo Sánchez (2006), o processo de avaliação de impacto ambiental pode ser dividido 
em três etapas: 
1. A etapa inicial;
2. A etapa de análise detalhada e
3. A etapa pós-aprovação.
Estas etapas são constituídas por outras etapas a serem discriminadas ao longo deste texto.
O processo de avaliação de impacto ambiental tem início com a apresentação de um projeto, pro-
grama ou política (PPP) a uma estância decisória, no que chamamos de etapa inicial. Esta estância 
decisória pode ser um órgão ambiental, uma agência de desenvolvimento, um organismo financeiro 
ou uma empresa privada.
A etapa inicial é realizada visando determinar a necessidade ou não de uma avaliação detalhada, 
ou seja, de uma avaliação com a elaboração de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA). Se um 
EIA for necessário, nesta mesma etapa inicial define-se a profundidade dos estudos necessários. Esta 
fase é chamada de triagem. 
Muitas das ações humanas têm baixo potencial de causar impacto ambiental e muitas outras 
são capazes de causar profundas e duradouras modificações, as quais podemos chamar de impacto 
significativo.
O Impacto Significativo seria, então, os impactos mais importantes e relevantes com potencial 
de ocorrer nas diferentes etapas do desenvolvimento de um empreendimento. Mas o termo signi-
ficativo é muito subjetivo, pois depende da percepção, que pode variar para cada indivíduo. Daí a 
importância da participação de uma equipe multidisciplinar no processo de avaliação de impacto 
ambiental e elaboração do EIA, pois cada profissional das diversas especialidades pode apresentar 
a sua percepção.
O potencial de um impacto em desencadear modificações ambientais depende da solicitação 
imposta ao meio e da vulnerabilidade deste meio. A solicitação imposta ao meio representa quanto 
o empreendimento utilizará dos recursos naturais e quanto de elementos ele acrescentará a este 
meio (resíduos, emissões, energia, poluentes). 
A vulnerabilidade do meio, também chamada de capacidade suporte ou resiliência, representa 
quanto este meio ambiente suportará as alterações promovidas pela presença do empreendimento 
considerado, o que pode depende do seu estado de conservação.
A interação entre vulnerabilidade do meio e a solicitação do empreendimento definirá o potencial 
impactante.
Uma análise detalhada é exigida quando o empreendimento a ser avaliado tem potencial de 
causar impactos significativos.
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Banco de Imagem
A Resolução CONAMA 237/97, em seu anexo 1, traz uma lista de atividades ou empreendimentos 
sujeitos ao licenciamento ambiental, quando é exigido algum dos diversos modelos de estudo de 
impacto ambiental. Mas as Resoluções CONAMA 01/86, 11/86 e 05/07 relacionam empreendimentos 
que necessitam da elaboração de um EIA, que é o modelo de estudo ambiental mais detalhado.
Além da observação à legislação vigente, outros critérios são utilizados para determinar a ela-
boração de um EIA: porte do empreendimento, listas de exclusão (quando os impactos são pouco 
significativos ou os negativos podem ser mitigados), localização do empreendimento e recursos 
ambientais a seres afetados.
Ainda na etapa inicial, caso seja confirmada a necessidade de elaboração de um EIA, define-se a 
abrangência e a profundidade dos estudos a serem feitos. Apesar de haver um conteúdo proposto 
pela Resolução CONAMA 01/86, os empreendimentos têm suas particularidades, havendo necessidade 
de adequá-las à regulamentação. O documento obtido nesta fase contém as diretrizes dos estudos 
a serem executados, conhecido como Termo de Referência (TR) ou Instruções Técnicas.
Na etapa de análise detalhada ocorre a elaboração do EIA. É a fase mais extensa e dispendiosa 
do processo de avaliação de impacto ambiental e é onde ocorre a obtenção dos dados que servirão 
de base para a análise de viabilidade ambiental do empreendimento.Uma equipe de profissionais multidisciplinares determinará a intensidade e a extensão dos im-
pactos ambientais potencialmente ocorrentes do empreendimento e poderão propor modificações 
no projeto, visando sempre minimizar ou eliminar os impactos negativos e potencializar os impactos 
positivos.
Os EIAs preparados nesta fase são documentos com uma linguagem muito técnica, sendo ne-
cessária a apresentação de um documento com uma linguagem mais acessível e mais comunicativa 
que é o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), conforme artigo 2º e 9º da Resolução CONAMA 
01/86, onde há a citação e caracterização do RIMA, respectivamente.
O EIA e seu respectivo RIMA, depois de prontos, são levados para análise da equipe técnica 
da estância decisória (normalmente o órgão ambiental competente), que é multidisciplinar e que 
também pode ser interinstitucional. Nesta fase de análise, a equipe técnica busca verificar a confor-
midade do termo de referência à regulamentação e outros procedimentos aplicáveis, além do grau 
de detalhamento do diagnóstico ambiental, dos métodos utilizados na previsão da magnitude de 
impactos e medidas mitigadores.
O EIA-RIMA também pode ser analisado por públicos interessados. Normalmente é neste momento 
que ocorre uma consulta pública. Nesta ocasião, os grupos de pessoas interessadas em geral podem 
expressar seu ponto de vista, colocar em questão os valores da comunidade ou outros elementos 
que deveriam ser considerados no processo decisório. A aceitação pública pode ser decisiva para a 
aceitação do projeto.
A equipe técnica incumbida da avaliação do EIA pode exigir que as manifestações expressas na con-
sulta pública sejam consideradas e eventualmente incorporadas para fins de análise dos estudos.
A consulta pública pode ser feita em vários momentos durante o processo de avaliação de impacto 
ambiental, mas é mais comum que ocorra após a apresentação do EIA-RIMA em forma de audiência 
pública. Porém ela também pode ocorrer através de panfletos informativos, exposições, seminários 
e coleta de opiniões e manifestações por escrito.
Após a análise do estudo ambiental, a equipe técnica manifesta 
sua decisão pela aprovação ou reprovação do projeto apresentado, 
ou ainda decide pela aprovação sob condições ou exige o retorno 
a etapas anteriores para que sejam feitas modificações e/ou com-
plementações dos estudos apresentados.
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Chega, então, a etapa de pós-aprovação, que compreende as fases de acompanhamento e mo-
nitoramento. Nesta fase ocorre o acompanhamento da implantação do empreendimento, onde se 
verifica a aplicação das ações previstas. Isso também ocorre nas fases de funcionamento e possível 
desativação ou fechamento do empreendimento.
O programa de monitoramento permite confirmar a aplicação das medidas propostas no EIA, 
podendo ser feita também auditorias periódicas.
O processo de avaliação de impacto ambiental é muito complexo e exige a preparação de uma 
série de documentos, principalmente se houver a necessidade de elaboração de um EIA. Daí a im-
portância de ser bem elaborado, em especial a identificação dos impactos, e de ser analisado por 
equipe competente. Praticamente todo o processo de avaliação de impacto ambiental está descrito 
na Resolução CONAMA 01/86. Mas os órgãos ambientais estaduais, como principais operadores do 
processo de licenciamento, definem procedimentos, critérios e normas voltadas para as peculiari-
dades de cada caso.
Infelizmente, pelos riscos de custos de investimentos e de perdas financeiras provocados pela 
burocracia do processo de avaliação de impactos ambientais, o setor privado quase sempre encara 
o licenciamento com elaboração de EIA como algo a ser evitado. Mas devemos lembrar que o li-
cenciamento e a elaboração do EIA-RIMA são uma ferramenta muito importante para assegurar a 
qualidade ambiental, assim como para o desenvolvimento socioeconômico e para o aperfeiçoamento 
institucional do país.
Referências 
BRAGA, B. et al. Introdução à Engenharia Ambiental – o desafio do desenvolvimento sus-
tentável. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. 
IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente dos Recursos Naturais Renováveis). Avaliação 
de Impacto Ambiental: agentes sociais, procedimentos e ferramentas. Brasília, 1995.
SÁNCHEZ, L. E. A diversidade dos conceitos de impacto ambiental e avaliação de impacto 
ambiental segundo diferentes grupos profissionais. In: VII ENCONTRO ANUAL DA SEÇÃO 
BRASILEIRA DA IAIA-INTERNATIONAL ASSOCIATION FOR IMPACT ASSESSMENT. Rio de Janeiro, 
1998.
SÁNCHEZ, L. E. Avaliação de Impacto Ambiental: conceitos e métodos. São Paulo: Oficina 
de Textos, 2006.
RESOLUÇõES CONAMA
Disponível em<http://www.mma.gov.br/port/conama/legiano.cfm?codlegitipo=3> Acesso 
em: 19 abr. 2009.
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Figura 1: As etapas da avaliação de impactos ambientais.
Fonte: Modificado de Sánchez (2006)
Solicitação de licença ambiental ou apresentação da proposta a uma instância decisória
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O processo de 
identificação 
de impactos
Objetivo: 
Compreender a importância da 
identificação de impactos ambietais 
no processo da Avaliação de 
Impacto Ambiental (AIA).
Palavras-chave: 
Impactos ambientais; métodos de 
avaliação de impactos ambientais; 
impacto direto; impacto indireto;impacto significativo.
Prevenção de impactos ambientais
Profa. Lígia Rodrigues Morales
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Para que um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) seja bem estruturado, organizado e fundamen-
tado é necessário que se faça uma boa identificação dos prováveis impactos.
Deve-se ter um cuidado grande na identificação dos impactos de modo a cobrir todas as possíveis 
alterações ambientais decorrentes da atividade ou empreendimento considerado.
Logo, para se descrever todas as ações decorrentes de uma atividade é preciso conhecê-la mi-
nuciosamente. E para prever os impactos, faz-se necessário conhecer também as características do 
ambiente a ser possivelmente impactado, como uma relação de causa e efeito:
 
Porém, cada ação poderá desencadear um impacto diferente dependendo do ambiente receptor.
Antes da identificação dos impactos, é necessário que se faça uma pesquisa bibliográfica sobre 
o tipo de atividade, que se realize consultas a trabalhos similares, visitas a empreendimentos seme-
lhantes, estudo das características físicas, antrópicas e bióticas do ambiente, além de uma visita de 
campo para reconhecimento do local do futuro empreendimento e seu entorno, consultar mapas, 
cartas temáticas, fotos aéreas e imagens de satélite, tudo para contextualizar melhor o local do pro-
jeto, as ações a serem desenvolvidas e identificar, então, os impactos.
Também é preciso conhecer as etapas básicas consideradas para o empreendimento, pois em cada 
uma delas podem ser desencadeados impactos diversos, como etapa de planejamento, implantação, 
operação, desativação e fechamento. Ainda é preciso considerar possíveis modificações, correções, 
melhorias e ampliação do empreendimento durante a etapa de operação e prever os impactos em 
todas essas possíveis situações.
Ainda é importante conhecer muito bem a atividade a ser desenvolvida, informações como as 
emissões, matérias-primas, resíduos gerados, insumos, energia, mão-de-obra necessária, método de 
construção e dentre outros detalhes.
 A descrição do empreendimento deve ser clara de tal forma que permita uma perfeita compre-
ensão pelos analistas e possíveis leitores do EIA.
O quadro 1 abaixo representa o exemplo de uma lista de ações de um empreendimento de linha 
de transmissão de energia.
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Quadro 1. Principais atividades componentes de uma linha de transmissão de energia elétrica
Fase do Empreendimento Principais Ações/Atividades
Planejamento 	Estudos de viabilidade técnico-econômica e de alterna-
tivas de traçado
Implantação – Atividades Preparatórias 	Serviços de topografia
	Abertura de estradas de acesso e de serviço, abertura de 
helipontos
	Investigação geológico-geotécnicas dos locais de cons-
trução das torres
	Contratação de serviços
	Contratação de mão-de-obra
	Aquisição de equipamentos e materiais
	Remoção da vegetação na faixa de servidão
	Abertura de praças para montagem das estruturas e lan-
çamento dos cabos
Implantação – Construção 	Transporte das torres, cabos e demais componentes
	Execução das fundações
	Execução de obras de estabilização de taludes e drena-
gem
	Montagem das estruturas metálicas
	Lançamento dos cabos e instalação dos componentes
Operação 	Transmissão de energia
	Inspeções periódicas (terrestres e aéreas)
	Manutenção preventiva das torres e fundações
	Manutenção da faixa de servidão
	Manutenção corretiva
Desativação 	Retirada dos cabos
	Desmontagem das torres
	Remoção dos resíduos
	Reabilitação das áreas degradadas
Fonte: Modificado de Sánchez (2006).
A descrição dos impactos deve ser sucinta e precisa, explicativa e descritiva, para que seja clara e 
não haja ambigüidades de interpretação, evitando-se as descrições obscuras como “impacto sobre 
a fauna”, “impacto sobre o solo”. O quadro 2 apresenta uma lista dos principais impactos decorrentes 
da dragagem do Canal de Piaçaguera, na cidade de Santos – SP, objetivando a melhoria das condições 
de navegação das embarcações na região portuária.
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Quadro 2. Principais Impactos Ambientais decorrentes da implantação e operação da dragagem do 
Canal de Piaçaguera na cidade de Santos - SP
Impactos Ambientais passíveis de ocorrência na fase de implantação
	alteração da qualidade dos sedimentos no estuário
	alteração da qualidade das águas no estuário
	eliminação de habitats e morte de organismos aquáticos bentônicos
	exposição dos organismos aquáticos aos contaminantes dos sedimentos dispostos
	afastamento da avifauna
	redução das áreas de alimentação de aves aquáticas
	risco de contaminação das áreas de alimentação da fauna
	alteração da qualidade do ar
	alteração dos níveis de ruído
	risco de ruptura dos taludes de escavação e margens do Canal Piaçagüera
	risco de rupturas do material de preenchimento durante o recobrimento das cavas
	interferência com o tráfego marítimo no Canal de Piaçagüera e Canal de Santos e com a ativi-
dade dos terminais
	interferência com patrimônio arqueológico lindeiro ao Canal de Piaçagüera
	redução temporária da atividade pesqueira 
	proliferação de criadores de vetores
Impactos Ambientais passíveis de ocorrência na fase de operação
	redução do estoque de contaminantes no estuário
	redução do aporte de sedimento contaminados para o estuário
	redução da exposição de organismos aquáticos aos contaminantes
	redução da ressuspensão de sedimentos
	redução dos incidentes com embarcações
	controle da sedimentação nos locais de aporte concentrado de sedimentos
	erosão da cobertura das cavas submersas
	manutenção das atividades econômicas e de empregos
	manutenção e aumento da arrecadação municipal, estadual e federal
	melhoria da capacidade portuária da Baixada Santista
Fonte: Relatório de Impacto Ambiental (RIMA): Dragagem da Bacia de Evolução e do Canal de Piaçagüera, incluindo Ge-
renciamento dos Passivos Ambientais na própria Área da COSIPA (2005).
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A caracterização dos impactos como relevantes é dada posteriormente, após esta primeira iden-
tificação, pois nem todos os impactos são significativos e não merecem estudos mais aprofundados 
de suas conseqüências para o meio ambiente. 
Os impactos primários, impactos diretos ou de 1ª ordem, são aqueles provenientes diretamente 
de uma ação. Já os impactos secundários, impactos indiretos ou de 2ª ordem, são aquele que são 
desencadeados pelos impactos diretos. Os impactos indiretos ainda podem classificados como de 
3ª, 4ª ou 5ª ordem, sucessivamente, dependendo da seqüência em cadeia. Por exemplo: a emissão 
de gases (ação) por uma indústria de fertilizantes pode causar um impacto de perda da qualidade 
do ar (impacto direto ou de 1ª ordem), que por sua vez pode desencadear problemas de saúde 
da população do entorno (impacto indireto ou de 2ª ordem) ou a formação de precipitações 
ácidas (impacto indireto ou de 2ª ordem), que por sua vez pode promover a acidificação de 
corpos d’água (impacto indireto ou de 3ª ordem).
Outro grupo de impactos a serem destacados são os impactos cumulativos e sinérgicos. Os im-
pactos cumulativos são aqueles que se acumulam no tempo ou no espaço. Uma série de impactos 
insignificantes, quando somados, podem resultar num impacto e degradação significativos. Exemplo: 
a retirada de 2 m de mata ciliar pode ser um impacto pouco significativo para o equilíbrio de um rio; 
já a retirada de muitas porções de mata de 2 m cada uma, somado-se mais de 10 km de devastação, 
com certeza é considerado um impacto significativo para este corpo d’água.
Já os impactos sinérgicos são aqueles que se multiplicam, ou seja, quando combinados com 
vários outros impactos, determinam um impacto muito maior do que a soma dos efeitos de cada 
um deles separadamente.
Existem diversosinstrumentos que auxiliam uma equipe a identificar os impactos de um empre-
endimento. Essas ferramentas são modelos que podem ser adaptados ou modificados conforme o 
tipo de empreendimento, as necessidades e informações que se possui.
Alguns destes instrumentos, chamados também de métodos, são:
• Metodologias Espontâneas (Ad Hoc);
• Listagens (Check List);
• Matriz de Interação;
• Redes de Interação (Networks);
• Mapas de Superposição (Overlays).
Referências 
SÁNCHEZ, L.E. Avaliação de Impacto Ambiental: conceitos e métodos. São Paulo: Oficina de 
Textos, 2006
TOMMASI, L.R. Estudo de Impacto Ambiental. São Paulo: Companhia de Tecnologia de Sa-
neamento Ambiental (CETESB): Terragraph Arte e Informática , 1993.
BRAGA, B. et al. Introdução à Engenharia Ambiental – o desafio do desenvolvimento sus-
tentável. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005
IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente dos Recursos Naturais Renováveis). Avaliação 
de Impacto Ambiental: agentes sociais, procedimentos e ferramentas. Brasília, 1995.
Relatório de Impacto Ambiental – RIMA. Dragagem da Bacia de Evolução e do Canal de Pia-
çagüera, incluindo Gerenciamento dos Passivos Ambientais na própria Área da COSIPA. 
Companhia Siderúrgica Paulista – COSIPA e Consultoria Paulista. Cubatão, 2005.
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Metodologia de avaliação 
de impactos ambientais
Objetivo: 
Conhecer os principais 
métodos de identificação de 
impactos e saber aplicá-los da 
melhor forma diante de diversas 
situações.
Palavras-chave: 
 Impactos ambientais; Ad 
hoc; check list (listagem); matriz 
de interação; redes de interação; 
overlays (superposição de 
mapas).
Prevenção de impactos ambientais
Profa. Lígia Rodrigues Morales
Universidade Metodista de São Paulo
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Banco de imagem
Existem diversas ferramentas utilizadas na identificação e 
avaliação de impactos ambientais, dentre elas métodos espon-
tâneos, metodologias quantitativas, modelos matemáticos ou de 
simulação, listagens, métodos interativos e métodos gráficos.
Neste texto apresentaremos a descrição de alguns destes 
métodos: Metodologia Espontânea (Ad Hoc), Listagens (Check 
List), Matriz de Interação, Redes de Interação (Networks) e Mapas 
de Superposição (Overlays).
Ad Hoc
Este método consiste em reuniões de um grupo de especialis-
tas, com formações variadas e conhecimentos teóricos e práticos, 
escolhidos de acordo com o tipo de projeto a ser analisado, 
como: biólogos, geólogos, químicos, engenheiros, advogados, 
antropólogos, sociólogos, médicos, arquitetos, dentre outros. 
Os especialistas nas diversas áreas de interesse do meio ambiente, através da sua experiência, 
podem identificar e até mesmo quantificar, cada um com sua técnica, os impactos ambientais de-
correntes de ações do homem gerados pela execução de um empreendimento. 
A avaliação é realizada, numa abordagem inicial, sobre os principais impactos do empreendimento. 
Pode ser considerado como um método indicado para a análise prévia dos impactos prováveis de 
um projeto.
Estas reuniões permitem uma visão integrada da questão ambiental, mas podem ter um alto grau 
de subjetividade, com risco de ser tendenciosa, principalmente na escolha dos participantes.
A vantagem deste método é por ocorrer uma rapidez na identificação dos impactos e verificação 
da viabilidade de aplicação do projeto, mesmo com escassez de informações.
Listagens (check list) 
A listagem serve de guia para o levantamento de dados e informações necessárias à realização de 
um estudo ambiental. Elas apresentam uma relação dos impactos de um empreendimento. Além dos 
impactos, pode-se listar as ações previstas ou os componentes ambientais potencialmente afetáveis 
por estas ações.
A simplicidade de aplicação e exigência reduzida de informações necessárias para elaboração 
da listagem é uma vantagem deste método. É comum encontrarmos listas prontas sobre certos 
empreendimentos. Porém, sempre é necessário fazer correções ou adaptações às peculiaridades do 
projeto em questão.
As listagens podem ser apresentadas também sob a forma de um questionário, podendo ser feitas 
anotações descritivas ou apenas com respostas objetivas afirmativas ou negativas (sim ou não).
Uma desvantagem deste método é que não permitem previsões ou identificações de impactos 
de 2ª ordem.
Redes ou Diagramas de Interações (Networks), 
Esta metodologia procura estabelecer a seqüência de impactos ambientais a partir de uma deter-
minada intervenção, utilizando método gráfico. São utilizados diagramas, gráficos ou fluxogramas, 
mostrando a cadeia de modificações que ocorrem, ou seja, os impactos diretos e indiretos que podem 
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Banco de imagem
resultar de um empreendimento. A 
Figura 1 apresenta um diagrama de 
ações, efeitos e impactos de uma 
indústria de fertilizantes.
Uma vantagem é que as redes 
permitem chegar a um bom en-
tendimento das relações entre as 
ações e os impactos resultantes, 
sejam eles diretos ou indiretos, 
enquanto a maioria das matrizes 
divide o meio ambiente em com-
partimentos estanques, dificultando 
o entendimento da relação entre as 
partes. Os diagramas de interação 
também possibilitam evidenciar 
impactos indiretos de segunda e 
terceira ordem e assim sucessivamente, sem limite.
Matrizes de InteraçõesAs matrizes de impactos permitem associar as ações de um empreendimento às características 
ambientais de sua área de influência, através de uma listagem bidimensional. Ou seja, permite uma 
visualização das relações entre indicadores relativos ao meio natural e indicadores relativos ao meio 
antrópico.
Em um dos eixos, são relacionadas as características do ambiente e no outro as ações do projeto, 
em suas diversas fases. Na quadrícula de intersecção dos dois eixos, são assinalados os impactos 
ambientais que devem ocorrer, de acordo com o tipo (positivo, negativo), duração (permanente, 
temporário), intensidade (forte, fraco, médio), etc. A ponderação e relevância destes critérios são 
difíceis de serem fixados, tornando as matrizes vulneráveis ao subjetivismo.
Dependendo da quantidade de informações que se trabalha na matriz, ela pode apresentar-se 
simples ou complexa. A Figura 2 representa uma matriz de interação entre ações e componentes 
ambientais.
Uma limitação da matriz é que ela não permite a visualização e representação de efeitos de cadeia 
(impactos indiretos).
A Matriz de Leopold é uma das mais utilizadas nos EIA-RIMAs e ela é resultante do trabalho de 
Leopold e colaboradores do Serviço Geológico dos Estados Unidos. Esta matriz original apresenta 
8800 interações entre 88 componentes ambientais e 100 ações humanas, sendo que em cada qua-
drícula são indicados valores da magnitude e importância, que variam de 1 a 10 e o sinal de positivo 
(+) e negativo (-) indicam se o impacto é benéfico ou adverso, respectivamente.
Mapas de Superposição (overlays mapping)
Este método, também conhecido por cartografia ambiental, consiste na elaboração de vários 
mapas de uma mesma área, cada um destacando um aspecto ambiental. Através da superposição 
dos mapas, pode-se identificar os impactos mais significativos. Alguns dados que podem ser consi-
derados relevantes sobre os fatores ambientais são: clima, geologia, fisiografia, hidrologia, pedologia, 
vegetação, vida silvestre, uso do solo, etc. Estes dados são previamente analisados e ordenados de 
acordo com seu valor para o desenvolvimento das atividades previstas. Esta técnica exige uma pre-
paração de grande quantidade de mapas.
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Figura 1: Diagrama de Interação representando ação, efeito e impactos diretos e indiretos decorrentes de uma indústria 
de fertilizantes.
A superposição de cartas tem sido utilizada no planejamento territorial, na realização de diag-
nósticos ambientais e na definição de locais adequados para a implantação de determinados em-
preendimentos, principalmente na escolha do melhor traçado de projetos lineares, como rodovias, 
ferrovias, dutos e linhas de transmissão. 
Este tipo de atividade está se tornando mais fácil pela utilização de ferramentas informáticas do 
tipo SIG (Sistemas de Informações Geográficas), possibilitando maior flexibilidade e rapidez na análise 
dos cenários alternativos.
Como se pôde ver na descrição dos métodos de identificação de impactos, cada um possui as suas 
vantagens e desvantagens. Cabe à equipe técnica decidir que o melhor método a ser utilizado em cada 
caso, havendo a possibilidade de ser aplicado apenas um método, dois ou mais, ou ainda, combinados. 
Tudo depende das características do projeto considerado e das informações disponível sobre ele.
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Figura 2: Matriz de Interação representando os impactos (quadrículas destacadas) determinados pelas 
ações sobre os elementos do meio ambiente decorrentes de uma Usina de Açúcar e Álcool.
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Referências 
BRAGA, B. et al. Introdução à Engenharia Ambiental – o desafio do desenvolvimento sus-
tentável. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005
Estudo de Impacto Ambiental – EIA. Usina Fartura Ltda., por continuação da Usina de 
Santa Isabel Ltda, Mendonça-SP. Usina de Santa Isabel e Ciclo Ambiental Técnica em Meio 
Ambiente. Catanduva, 2003.
IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente dos Recursos Naturais Renováveis). Avaliação 
de Impacto Ambiental: agentes sociais, procedimentos e ferramentas. Brasília, 1995.
SÁNCHEZ, L. E. Avaliação de Impacto Ambiental: conceitos e métodos. São Paulo: Oficina 
de Textos, 2006
TOMMASI, L. R. Estudo de Impacto Ambiental. São Paulo: Companhia de Tecnologia de Sa-
neamento Ambiental (CETESB): Terragraph Arte e Informática , 1993.
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Conceito de risco
Objetivos:
Conhecer as ideias básicas
sobre risco;
Introduzir o conceito de riscos 
ambientais
Avaliar o risco.
Palavras-chave:
Risco; risco ambiental; 
probabilidade. 
Prof. Dr. Nestor Kenji Yoshikawa 
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Evento
Um acontecimento... Pode ser uma festa, uma reunião,um 
congresso, um acidente, desastre, uma catástrofe, etc..
Probabilidade
Uma experiência cujo resultado envolve o acaso pode ser 
chamada de um acontecimento aleatório. Ex: Qual a proba-
bilidade de ser premiado na Loteria Federal correspondente 
ao primeiro premio, ou qual a probabilidade de sofrer a perda 
de um veículo numa enchente no ano de 2009.
Perigo (Hazard)
Algo que pode se manifestar sob determinadas condições 
provocando um dano material ou dano pessoal. Ex. um tan-
que de combustível inflamável que sob algumas condições 
pode explodir ou queimar. A explosão ou a queima em si já é um dano, sendo que este dano poderá 
multiplicar-se atingindo bens e pessoas.
Risco
É a probabilidade de ocorrer um evento que tem como característica principal um resultado que 
provoca um prejuízo ou um mal. Portanto, nos exemplos acima citados para a probabilidade, vamos 
considerar somente o caso da perda de um bem (veículo) na enchente.
Percepção ao risco
É como percebemos o risco e como a sensibilidade humana reage frente a uma situação de perigo, 
permitindo desta forma uma avaliação pessoal sobre esta situação.
O conceito de risco
Sua origem vem do latim riscum que significa algo inesperado e desfavorável ao indivíduo. O 
risco sempre estará associado uma possibilidade de ocorrência de efeitos adversos. Pode também 
ser relacionado à probabilidade de ocorrência de um acidente multiplicado pelo dano decorrente 
deste acidente, em unidades operacionais, monetárias ou humanas.
Os autores, JACKSON e CARTER realçam o fato de que o conceito de risco está associado com a 
falha de um sistema, sendo a possibilidade de um sistema falhar usualmente entendida em termos 
de probabilidades. No entanto defendem o princípio na qual as falhas podem ser corrigidas ou 
controladas. Na visão probabilística somente consideramos a ocorrência diante de um evento numa 
determinada população.
Portanto, podemos ter duas situações bem claras da situação do risco:
O risco representa a probabilidade de ocorrência de um evento indesejável e pode ser 
quantificado através de medidas estatísticas.
O risco depende de uma avaliação individual sobre a situação, sendo portanto, com alto 
grau de dificuldade para ser quantificado relacionado à possibilidade de ocorrência e 
um evento não desejado. Podemos incluir o erro humano como uma das variáveis nesta 
categoria de risco.
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Riscos ambientais
O risco ambiental pode ser definido como um indicador da vulnerabilidade do equilíbrio de um 
ambiente decorrente das relações entre os sistemas naturais e o sistema produtivo variando em 
função do tempo e do espaço. 
O termo risco ambiental é utilizado amplamente para se referir a um dano que possa ocorrer em 
ambiente qualquer. O ambiente construído pode ser afetado de muitas maneiras, e quando o evento 
traduz se me condições do ar, temperatura, umidade, vibração e ruído como elementos prejudiciais 
ao homem, remete-se aos riscos ambientais desde o desconforto ambiental até a segurança, saúde 
e higiene laboral
Já, os riscos ambientais podem estar relacionados como os danos provocados pelo sistemas 
produtivos ou não, aos ecossistemas. Desta forma, considera-se que os danos esperados afetam os 
bens a proteger, listados na lei Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6938 de 1981).
Portanto, conceito de risco ambiental pode ser entendido como resultante das três categorias 
básicas:
a) Risco natural
Relativo ao comportamento dinâmico dos sistemas naturais, considerando o seu grau instabilida-
de que se expressa em sua vulnerabilidade a eventos críticos, de curta ou longa duração, tais como 
inundações, escorregamentos de solo e rocha e agravamento de processos erosivos; etc.
b) Risco tecnológico
Avaliação do potencial de ocorrência de eventos danosos, a curto, médio e longo prazo, decor-
rentes de ações do homem visando alterações no sistema produtivo, tais como explosões, vazamentos 
ou derramamentos de produtos tóxicos, e também uma avaliação da poluição a longo prazo dos 
sistemas naturais, por processos cumulativos.
c) Risco social
Vários tipos de eventos podem acarretar na integridade do ser humano, degradando as condições 
de vida e levando à morte.
As condições de habitação, ligadas aos riscos de natureza física como acidentes e questões ligadas 
a saneamento podem ameaçar a condição de vida.
Um acidente tecnológico, ou uma catástrofe natural pode afetar populações no entorno.
A favelização é considerada como uma condição potencial para um alto risco social.
Avaliação do risco
A avaliação do risco é um conjunto de informações a serem coletadas e analisadas tendo em vista, 
o tipo de ameaça presente, como ela pode se manifestar e quem ou o que, ela pode atingir.
Neste etapa de estudo são necessários o completo entendimento do problema estabelecendo-se 
os atores e cenários que comporão a situação potencial de risco, e a quantificação ou a qualificação 
de cada elemento componente para uma ponderação de modo a estabelecer o nível de risco as-
sociado.
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Referência
JACKSON, Norman, CARTER, Pippa. The perception of risk. In: ANSELL, Jake, WHARTON, Frank. 
Risk: analysis assessment and management. England: John Wiley & Sons, Ltd., 1992. 220 p. 
ISBN 0-471-93464-X.
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Avaliação de riscos
Prof. Dr. Nestor Kenji Yoshikawa 
Objetivos:
Diferenciar os conceitos de
risco e perigo.
Conhecer o conceito de 
cenários.
Conhecer os conceitos de 
análise de risco, avaliação de risco 
e percepção dos riscos.
Conhecer o conceito de 
gerenciamento de riscos.
Palavras-chave:
Risco; cenários; perigo; análise 
de risco; avaliação de risco; 
percepção; gerenciamento.
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1 Perigo e Risco
Como vimos o risco pode ser uma proba-
bilidade de ocorrer um evento indesejável. 
Mas para ocorrer um evento, sempre teremos 
uma relação causal entre o fato gerador e 
os efeitos provocados ou conseqüências. 
Portanto, para que um mal ocorra neces-
sitamos identificar a origem ou a causa. A 
causa ou situação que pode provocar danos 
como lesão, morte, dano à propriedade, meio 
ambiente, no ambiente de trabalho ou uma 
combinação delas, pode-se definir como 
Perigo (hazard).
Ex: Uma rodovia mal iluminada e mal sina-
lizada, pode provocar uma colisão, portanto 
o perigo é a rua mal sinalizada e mal ilumi-
nada, e o risco é a colisão, atropelamento ou 
abalroamento.
2. Cenários
Em toda situação de risco necessitamos identificar o perigo e as conseqüências que podem ser 
geradas. As conseqüências ocorrem devido a manifestação do perigo a um receptor. Para que isso 
ocorra termos uma série de fatores que podem influir aumentando, diminuindo, retardando ou ace-
lerando tal manifestação do perigo e influindo diretamente na conseqüência.
Ex. Derramamento de combustível numa estrada – Contaminação do solo e do ar.
Cenário: Rodovia asfaltada com irregularidades no pavimento, bem iluminada, sem acostamento, 
com fluxo contínuo de veículos leves e pesados. Presença de um rio que corta a estrada, com vege-
tação primária, e com cultura familiar junto à beira da estrada. 
O conjunto destas características constituem o cenário na qual poderá ocorrer um evento da-
noso. Cada elemento influi no aumento ou diminuição das chances de ocorrer um acidente, com o 
respectivo aumento ou diminuição da gravidade e magnitude do acidente.
O controle de cada uma destas características definirá, portanto, o grau de risco associado a um 
evento. Ex: Um caminhão de produtos perigosos que utiliza a estrada como rota regular para transpor-
te. Caso sofra um tombamento, por imperícia ou por uma quebra poderá acarretar um dano pessoal, 
podendo envolver terceiros, bem como danos ambientais caso o produto sofra um derramamento ou 
explosão. Estabelecendo-se os cenários possíveis com as combinações das características anotadas, 
pode-se avaliar o risco potencial.
3. Análise de risco.
Analisar o risco pode ser entendida como uma avaliação metódica, quantitativa ou qualitativa, 
com a determinação da probabilidade dessa atividade produzir danos, conjugada com a severidade 
e magnitude desses danos (conseqüência). Considera-se como análise de risco, a determinação do 
risco propriamente dito, isto é, o perigo se manifestando num determinado indivíduo ou nos bens 
a proteger, podendo-se efetuar uma análise direta aplicando uma fórmula de cálculo.
O risco pode ser traduzido por uma equação matemática, sendo definida como o produto da 
probabilidade de ocorrer o acidente (ou a frequência da ocorrência) versus suas consequências pre-
vistas (número de vítimas, por exemplo) (Equação 1). 
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R = P x c (Equação 1)
R = risco
P = probabilidade de um perigo se manifestar
c = conseqüência (danos, prejuízos)
3.1. Avaliação de risco
A definição de avaliação de risco possui diferentes conotações, muitas vezes utilizada como si-
nônimo para análise. Neste texto, a avaliação de risco será considerada por este autor, como uma 
denominação para um estudo mais amplo do que a análise de riscos, sendo este último, uma etapa da 
avaliação. O conceito de cenários e suas variáveis deverão compor o estudo da avaliação de riscos.
Percepção aos riscos 
Um dos componentes para na avaliação dos riscos é o grau de aceitação individual e coletiva 
dos riscos, o que varia de acordo com as condições objetivas e subjetivas, em que os benefícios 
provenientes da aceitação de certa dose de risco depende de fatores econômicos, sociais, culturais 
e, mesmo, éticos.
4. Gerenciamento de riscos.
O Gerenciamento de riscos refere-
se a um conjunto de etapas a serem 
desenvolvidas, após ter sido efetuada 
uma avaliação de riscos. São considera-
dos os cenários com as características 
(variáveis) anotadas, o estudo da influ-
ência de cada variável no controle dos 
riscos, o monitoramento, e ações para 
prevenção e previsão para remediação 
pós acidente (manifestação do perigo 
causando o evento).
Segundo modelo norte americano 
da USEPA, o gerenciamento de riscos, 
considera o ciclo das etapas, a partir da 
identificação de perigos até a fase de previsão de remediação de acidentes.
Referências
SUSSKIND, L.; FIELD, P. Dealing with an angry public: the mutual gains approach to resolving 
disputes. New York: The Free Press, 1996.
MOLAK, V. Fundamentals of Risk Analysis and Risk Management. CRC Press Inc, 1997.
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Riscos e avaliação de 
impactos ambientais
Prof. Nestor Kenji Yoshikawa
Objetivos:
Classificar os riscos ambientais.
Avaliar os impactos e o riscos.
Compreender a importância 
da gestão de riscos no processo 
de gestão ambiental.
Palavras-chave:
Impactos ambientais; gestão 
e riscos; riscos naturais e riscos 
tecnológicos.
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1. Classificação dos riscos ambientais
Conforme foi visto anteriormente os riscos ambientais possuem uma abrangência quando se 
refere ao sentidoamplo (sentido lato). Qualquer componente de um ecossistema afetado ou de um 
bem a proteger, independente da causa poderá ser definido como risco ambiental. No entanto estes 
riscos podem ser classificados por causas que a priori fogem ao controle do ser humano, e, num 
outro aspecto ações humanas que afetam igualmente os componentes ambientais.
1.1. Riscos Naturais
Os Riscos Naturais estão asso-
ciada a uma possível ocorrência de 
Desastres Naturais podendo ser 
subdivididos em:
- Origem sideral: impacto de 
meteoritos;
- Geodinâmica terrestre externa: 
os de causa eólica, os relacionados 
com temperaturas externas, com 
o incremento ou com a intensa 
redução das precipitações hídricas;
- Geodinâmica terrestre interna: 
abalos sísmicos, maremotos e tsu-
namis, erupções vulcânicas, movimentos gravitacionais de massas (escorregamento, rastejos, corridas 
de massas, quedas, tombamentos e rolamentos de rochas) e processos de transportes de massas 
(erosão laminar, erosão linear, subsidência do solo, erosão fluvial, erosão marinha), e soterramento 
por dunas; e
- Desequilíbrio de biocenose: pragas animais e vegetais.
1.2. Riscos Tecnológicos
Os Riscos Tecnológicos associados a ação do homem ou antropogênicos podem ser:
Riscos associados a acidentes e desastres associados às atividades de transporte, cons-
trução civil, com incêndios em instalações industriais e em edificações, com produtos 
perigosos, etc. Podem possuir especificidades ligadas aos problemas de ordem social 
como destruição da flora e da fauna, desmatamento,. rejeitos ou resíduos da indústria.
Uma segunda categoria é associada a ações do homem como fato gerador de ordem 
social que geram riscos são as convulsões sociais (desemprego, tais como a guerra, 
terrorismo, etc) e ligadas a questão de falta de saneamento em ocupações de grandes 
proporções que geram doenças, provocando epidemias e pandemias
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2 Avaliação de impactos 
e o risco
Conforme a classificação acima 
pode se vislumbrar que, pratica-
mente todos os riscos ambientais 
estão associados a uma possível 
manifestação de um perigo que 
poderá culminar num evento 
gerador de uma modificação nos 
componentes ambientais. Essas 
modificações são consideradas 
impactos ambientais, de acordo 
com a conceituação vista em ca-
pítulos anteriores sobre avaliação 
de impactos ambientais, porém com as seguintes características:
- são impactos sempre negativos;
- são impactos sempre significativos; e
- medidas mitigadoras devem ser previstas sob o enfoque de acidentes.
Na avaliação de impactos ambientais, os riscos associados podem ser classificados em ações que 
geram dois tipos de efeitos na escala temporal:
Riscos Agudo (associado a desastres súbitos ou de evolução aguda): escorregamen-
tos de terra, desmoronamentos, enxurradas, vendavais, incêndios e explosões em 
instalações industriais e em edificações com grandes quantidades de usuários, abalos 
sísmicos, erupções vulcânicas e outros. 
Risco Crônico ou graduais (associado a desastres de evolução gradual a médio e longo 
prazo): lançamento de poluentes, vazamentos de produtos perigosos, seca, erosão, 
perda de solo agricultável, desertificação, salinização do solo e outros.
 
Portanto, no estudo de AIA, necessita-se identificar os impactos que estão associados a estes dois 
grupos que possuem potencial de trazer danos significativos de ampla magnitude para agregar um 
estudo de risco.
3. Gestão ambiental e riscos
Na gestão ambiental de um empreendimento, portanto, a inclusão de uma gestão de riscos ambi-
entais no sentido amplo se torna fundamental quanto são identificados os impactos devido a ações 
antrópicas que podem gerar danos consideráveis de forma a afetar os componentes ambientais. Já 
na gestão ambiental territorial, tal como a gestão de uma área de proteção ambiental deve-se igual-
mente se preocupar e mitigar riscos principalmente do grupo de riscos crônicos, ou seja, impactos 
graduais e cumulativos, que provocam danos a médio e longo prazo.
Na elaboração da gestão ambiental, portanto, de determinados empreendimentos há a necessidade 
de se incluir o estudo do risco presente. No Brasil, o órgão ambiental exige de algumas empresas em 
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determinados setores, que sabidamente podem provocar danos consideráveis ao meio ambiente, a 
inclusão do gerenciamento de riscos no planejamento de gestão ambiental na fase de licenciamento 
ambiental. O exemplo mais conhecido é o setor de derivados de petróleo.
Nas empresas com atividades ligadas a produtos perigosos, na adoção de boas práticas, a inclusão 
do gerenciamento de riscos é muito importante, e em alguns caso se torna obrigatório para obtenção 
de uma certificação de qualidade ambiental.
3.1 - EIA-RIMA e riscos ambientais
 Para elaboração dos documentos ambientais visando a obtenção de licença ambiental, durante 
a fase de avaliação dos impactos, se faz necessário considerar os danos potenciais graves agregando o 
estudo de riscos. Conforme o gerenciamento de riscos propostos, considerando a viabilidade técnica 
e econômica, a análise dos riscos pode ser considerada como fator preponderante para tomada de 
decisões, sobre a aprovação ou não do empreendimento para obter a licença ambiental.
Referências
VEYRET, Y.; MESCHINET DE RICHEMOND, N. O risco, os riscos. In: VEYRET, Y. (Org.) Os riscos: o 
homem como agressor e vítima do meio ambiente. São Paulo: Contexto, 2007. p. 23-79.
SANCHEZ, L.E. Avaliação de Impacto Ambiental. 1. ed. São Paulo: Oficina De Textos, 2008.
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Técnica para 
avaliação de riscos I
Prof. Nestor Kenji Yoshikawa 
Objetivos:
Conhecer os métodos ou 
técnicas de análise de riscos.
Compreender como ocorre 
a avaliação preliminar de 
riscos.
Palavras-chave:
APR; Hazop; análise de 
risco; análise de perigo.
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1. Métodos ou técnicas de análise de risco
Os riscos associados aos processos produtivos com potencial para grandes desastres industriais, 
inicialmente restritos a um cenário restrito, tais como o patrimônio e os trabalhadores, atualmente 
são projetados muito além destes atores, envolvendo questões como, a degradação de áreas e os 
problemas de saúde das populações do entorno aos sítios industriais. Desta forma remete-se um 
conceito, em que os chamados riscos de origem antropogênicos ou riscos tecnológicos possam ser 
considerados riscos ambientais. As novas tecnologias química, petroquímica e radioativas representam 
uma gama de novos perigos que foram acrescidos no mundo moderno.
Com o desenvolvimento tecnológico, principalmente na indústria, foram observados um avançono desenvolvimento de ferramentas visando a prevenção e controle de riscos, visando evitar os 
desastres. Estas ferramentas consistem em métodos ou técnicas para identificar os perigos para 
possibilitar a qualificação e quantificação dos riscos, prevendo-se a magnitude e gravidade de um 
possível evento danoso. São denominados técnicas ou métodos de análise de riscos. Como vimos 
em aulas anteriores, o Risco é um cálculo possível a partir de um cenário estabelecido, sendo viável 
a sua minimização a partir da manipulação de suas variáveis.
Veremos na sequência, dois métodos ou técnicas de análise de risco com características dife-
rentes. O primeiro trata-se de um modelo genérico de fácil implementação e útil para se ter uma 
primeira idéia do risco a partir dos perigos existentes no sistema, e um segundo método, com maior 
detalhamento na sua avaliação, utilizado para o entendimento de problemas que podem surgir nos 
processos de um indústria.
2. Avaliação preliminar de riscos (APR)
Está técnica também é conhecida como Avaliação Preliminar de Perigos (APP), portanto trataremos 
aqui o APR como sendo uma mesma técnica com o APP.
2.1 Objetivo
A Análise Preliminar de Riscos (APR) é uma metodologia indutiva para identificar os potenciais 
perigos decorrentes da instalação de novas unidades e sistemas, procurando examinar os perigos 
identificados, as suas causas, os métodos de detecção disponíveis e os efeitos sobre os trabalhado-
res, a população circunvizinha e sobre o meio ambiente. É feita neste levantamento uma primeira 
sugestão de mitigação do risco para cada perigo identificado.
A análise abrange os eventos perigosos com origem na instalação analisada, incluindo as falhas 
de componentes ou sistemas, erros operacionais ou de manutenção. O grau de risco é determinado 
por uma matriz de risco gerada por uma equipe profissionais da unidade 
2.2 Aplicação
Esta técnica pode ser utilizada para fase inicial dos sistemas em desenvolvimento ou na fase inicial 
do projeto, quando apenas os elementos básicos do sistema e os materiais estão definidos. Pode 
também ser usada como revisão geral de segurança de sistemas/ instalações já em operação.
O APR poderá ser útil também para escolher as áreas da instalação nas quais outras técnicas mais 
detalhadas de análise de riscos devem ser usadas posteriormente. 
2.3 Apresentação da Técnica de APR
A metodologia de APR compreende a execução das seguintes etapas:
- Definição dos objetivos e do escopo da análise;
53
www.metodista.br/ead
Banco de imagem
AVALIAÇÃO PRELIMINAR DE PERIGOS – APP (AVALIAÇÃO PRELIMINAR DE RISCOS)
Subsistema ou Processo Equipe: Data
PERIGO CAUSAS CONSEQUENCIAS FREQUENCIA SEVERIDADE RISCO RECOMEND. No.
Evento ou Causa Efeitos dos Conforme Conforme Conforme Modos de Sequência
processo que responsável acidentes o quadro 1 o quadro 2 figura 1 e mitigação dos 
possa causar pelo perigo, e danos quadro 3 ou prevenção perigos
dano tais como possíveis identificados
 falhas no 
 equipamento 
Quadro 1: Categorias de frequência
Categoria Denominação Freqüência (f) Descrição
A Extrema-mente 
remota
f< 10-4 Teoricamente possível,mas extremamente 
improvável de ocorrer durante a vida útil do 
processo/ instalação. 
B Remota 10-4<f<10-3 Não esperado ocorrer durante a vida útil do 
processo/ instalação
C Improvável 10-3<f<10-2 Pouco provável de ocorrer durante a vida útil 
do processo/ instalação
D Provável 10-2<f<10-1 Esperado ocorrer até uma vez durante a vida 
útil do processo/ instalação.
E Frequente f>10-1 Esperado de ocorrer várias vezes durante a 
vida útil do processo/ instalação 
- Definição das fronteiras do pro-
cesso/ instalação analisada;
- Coleta de informações sobre 
a região, a instalação e os perigos 
envolvidos;
- Execução da APR com o preen-
chimento da planilha;
- Determinação dos cenários 
identificados por Categorias de Risco 
(freqüência e severidade); e
- Análise dos resultados e prepa-
ração do relatório.
A realização da análise propriamente dita é feita através do preenchimento de uma planilha de 
APR para cada módulo. A planilha adotada para a realização da APR, mostrada no Quadro 3, contém 
7 colunas, as quais devem ser preenchidas conforme a descrição respectiva a cada campo
Universidade Metodista de São Paulo
54
Quadro 2: Categoria de severidade
Severidade Frequência Risco
I A Extremamente remota 1 desprezÍvel
II B Remota 2 Baixo
III C. Improvável 3 Médio
IV D Provável 4 Alto
E Frequente 5 Muito Alto
Quadro 3: Matriz de risco Quadro 4: Descrição do risco conforme a matriz de risco
Categoria Denominação Descrição
I Desprezível Sem danos ou danos insignificantes aos equipamentos, à proprie-
dade e/ ou ao meio ambiente.
Não ocorrem lesões/ mortes de funcionários, de terceiros (não fun-
cionários) e/ ou pessoas (indústrias e comunidade); o máximo que 
pode ocorrer são casos de primeiros socorros ou tratamento médico 
menor.
II Marginal Danos leves aos equipamentos, à propriedade e/ ou ao meio am-
biente (os danos materiais são controláveis e/ ou de baixo custo de 
reparo).
Lesões leves em empregados, prestadores de serviço ou em mem-
bros da comunidade.
III Crítica Danos severos aos equipamentos, à propriedade e/ ou ao meio am-
biente.
Lesões de gravidade moderada em empregados, prestadores de 
serviço ou em membros da comunidade (probabilidade remota de 
morte).
Exige ações corretivas imediatas para evitar seu desdobramento em 
catástrofe.
IV Catastrófica Danos irreparáveis aos equipamentos, à propriedade e/ ou ao meio 
ambiente (reparação lenta ou impossível).
- Provoca mortes ou lesões graves em várias pessoas (empregados, 
prestadores de serviços ou em membros da comunidade).
Os cenários de acidente são classificados em categorias de freqüência, as quais fornecem uma 
indicação qualitativa da freqüência de ocorrência para cada um dos cenários identificados. O Quadro 
1 mostra as categorias de freqüências em uso atualmente para a realização de APR. Os cenários 
de acidente também são classificados em categorias de severidade, que fornecem uma indicação 
qualitativa da severidade. O Quadro 2 mostra as categorias de severidade em uso atualmente para 
a realização de APR. O relatório da análise realizada é efetuada com as mitigações ou ações para 
eliminação do risco.
Referências
DE CICCO, Francesco M. G. A. F. & FANTAZZINI, Mário Luiz. Introdução a engenharia de se-
gurança de sistemas. São Paulo: FUNDACENTRO, 1988.
MOLAK, V. Fundamentals of Risk Analysis and Risk Management. CRC Press Inc, 1997.
Módulo
www.metodista.br/ead
Técnica para avaliação
de riscos II
Prof. Nestor Kenji Yoshikawa 
Objetivos:
Conhecer os principais 
métodos de avaliação de 
riscos, dentre eles o método 
Hazop.
Palavras-chave:
Hazop; análise de risco; 
análise de perigo.
Prevenção de impactos ambientais
Universidade Metodista de São Paulo
56
1. Hazop estudo de perigo e operabilidade 
1.1 Objetivo
A técnica foi desenvolvida para identificar os problemas de Operabilidade de uma instalação de 
processo (Hazard and operability), revisando metodicamente o projeto da unidade industrial. Esta 
metodologia é baseada em um procedimento que gera perguntas de maneira estruturada e sistemática 
através do uso de palavras guias aplicadas a pontos críticos do sistema em estudo. 
O estudo visa descobrir os possíveis desvios das condições normais de operação, identificando 
as causas e as respectivas conseqüências. Após esta etapa são buscadas as medidas para eliminar 
ou controlar o perigo ou para sanar o problema 
1.2 Aplicação
A técnica de HAZOP, como é uma metodologia estruturada para identificar desvios operacionais, 
pode ser usada nafase de projeto de novos sistemas/unidades de processo ou na revisão geral de 
segurança de unidades de processos.
1.3 Pessoal Necessário e suas Atribuições
O HAZOP necessita de grupo de pessoas da área técnicas com diferentes experiências trabalhando 
em equipe. Portanto exige uma equipe multidisciplinar de especialistas, com conhecimentos e ex-
periências na sua área de atuação.
1.4 Natureza dos Resultados
Os resultados fornecidos pelo HAZOP são a identificação de todos os desvios que possam con-
duzir a eventos perigosos ou a problemas operacionais e a avaliação das conseqüências (efeitos) 
destes desvios sobre o processo.
Os resultados obtidos são puramente qualitativos, não fornecendo estimativas numéricas nem 
qualquer tipo de classificação em categorias.
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www.metodista.br/ead
1.5 Técnica HAZOP
As perguntas são feitas por uma lista de palavras-guia, surgem através da interação entre os mem-
bros da equipe. A identificação de perigos consiste, em uma busca das causas de possíveis desvios 
em variáveis de processo, tais como, temperatura, pressão,vazão e composição, em diferentes pon-
tos (denominados nós) do sistema, durante a sua operação A busca dos desvios é feita através da 
aplicação sistemática de uma lista de “palavras-guias” para cada modo do processo. Esta lista segue 
um raciocínio lógico visando detectar todas as anormalidades possíveis do processo. Uma lista de 
“palavras-guia” juntamente com os tipos de desvios considerados, são mostrados no Quadro 1. O 
procedimento para execução do HAZOP pode ser sintetizado nos seguintes passos:
Escolha do ponto de um dos subsistemas a ser analisado, chamado nó; e
Aplicação das “palavras-guias”, verificando quais os desvios que são possíveis de 
ocorra naquele nó. Para cada desvio, investigar as causas possíveis de provocá-lo, 
procurando levantar todas as causas. Para cada uma das causas, verificar quais são 
os meios disponíveis na unidade/sistema para deteção desta causa e quais seriam as 
suas possíveis conseqüências. Em seguida, procura-se verificar se não existe alguma 
coisa que possa ser feita para eliminar a causa do desvio ou para minimizar as suas 
consequências.
O Quadro 2 apresenta as variáveis de processo com as palavras guia e o desvio de projeto. Na 
Figura é mostrada a planilha com as colunas cuja descrição é seguinte:
Nós-de-estudo: são os pontos do processo, localizados através dos fuxogramas da planta, que 
serão analisados nos casos em que ocorram desvios.
Desvios: os desvios são afastamentos das intenções de operação, que são evidenciados pela 
aplicação sistemática das palavras-guia aos nós-de-estudo (p. ex., mais fluxo), ou seja, são problemas 
que ocorrem no equilíbrio do sistema.
Causas: são os motivos pelos quais os desvios ocorrem.. As causas dos desvios podem ser geradas 
por falhas do sistema, erro humano, um estado de operação do processo irregular (p. ex., mudança 
de composição de uma mistura), distúrbios externos (p. ex., parada devido à queda de energia elé-
trica), etc.
Conseqüências: as conseqüências são os resultados decorrentes de um desvio da função original 
de operação em um determinado nó-de-estudo (p. ex., liberação de material tóxico para o ambiente 
de trabalho).
Parâmetros de processo: são os fatores ou componentes da intenção de operação, ou seja, são 
as variáveis físicas do processo (p. ex., vazão, fluxo, temperatura) e os procedimentos operacionais 
(p. ex., operação, transferência). Quadro 2.
Palavras-guia ou Palavras-chave: são palavras simples utilizadas para qualificar os desvios da 
intenção de operação As palavras-guia são aplicadas aos parâmetros de processo que permanecem 
dentro dos padrões estabelecidos pela intenção de operação. Aplicando as palavras-guia aos parâ-
metros de processo, em cada nó-de estudo da planta em análise, procura-se descobrir os desvios 
passíveis de ocorrência na intenção de operação do sistema. Assim, as palavras-guia são servem 
para iniciar a discussão: “Qual seria o resultado se houvesse mais...?” ou “Qual a conseqüência se 
não ocorresse o fluxo ?”.
Universidade Metodista de São Paulo
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Quadro 1 – Tipos de Desvios Associados com as “Palavras –Guias”
Palavras Guia Desvios Considerados
NÃO, NENHUM Negação do propósito do projeto. (ex.: nenhum fluxo)
MENOS Decréscimo quantitativo. (ex.: menos temperatura)
MAIS, MAIOR Acréscimo quantitativo. (ex.: mais pressão)
TAMBÉM, BEM COMO Acréscimo qualitativo. (ex.: também)
PARTE DE Decréscimo qualitativo. (ex.: parte de concentração)
REVERSO Oposição lógica do propósito do projeto. (ex.: fluxo)
OUTRO QUE, SENÃO Substituição completa. (ex.: outro que )
Quadro 2 – Lista alguns Desvios para HAZOP de Processos Contínuos
Parâmetro Palavra-Guia Desvio
Fluxo Nenhum
Menos
Mais
Reverso
Também
Nenhum fluxo
Menos fluxo
Mais Fluxo
Fluxo reverso
Contaminação
Pressão Menos
Mais
Pressão baixa
Pressão alta
Temperatura Menos
Mais
Temperatura baixa
Temperatura alta
Nível Menos
Mais
Nível baixo
Nível alto
Viscosidade Menos
Mais
Viscosidade baixa
Viscosidade alta
59
www.metodista.br/ead
Análise de Perigos e Operabilidade
Unidade:
Sistema: Equipe: Data:
Localização do Nó: Página:
Parâmetro: Fluxo Nó: 
Página:
Item Palavra Guia Desvio Causas Detecção Conseqüências Providencias
01 nenhum Fluxo
Vazamento no 
tubo alimenta-
dor
visual
Parada no processo e 
risco de contaminação 
do ar
Melhorar a manutenção 
, instalar tubos auxilia-
res. Instalar sistema de 
alarme
Figura 1 – Planilha para elaboração do Hazop
1.6 Vantagens da Técnica HAZOP
Possui uma abrangência para identificação de perigos e problemas operacionais e padronização 
do grau de conhecimento e gerando informações para Avaliações Quantitativas de Riscos (AQR) do 
processo, instrumentação, química, segurança e manutenção.
2. Outras técnicas ou métodos
Todos os métodos conhecidos e utilizados foram desenvolvidosem função do histórico de ocorrên-
cia de acidentes no ambiente industrial e visando a prevenção de acidentes químicos ampliados.
São tratados como métodos gerais além do APR e o Hazop, vistos anteriormente, os seguintes 
métodos:
• Análise “What if?”: Utilizada nas fases iniciais de estudo de um sistema. Trata-se de um 
método especulativo onde uma equipe busca responder a partir de um exaustivo questio-
namento de causas e conseqüências, na tentativa de listar o que poderia acontecer com 
a ocorrência de determinadas falhas;
• Checklists: Serve para identificar fontes de riscos e seus desdobramentos em processos e 
instalações já existentes, através de listas de especificações técnicas e operacionais dos pro-
cessos, equipamentos e procedimentos;
• Matriz de riscos: Elabora-se uma matriz onde se estuda os efeitos da combinação de duas 
variáveis. Um claro exemplo é a simulação de reações químicas, analisando-se os efeitos da 
mistura acidental de duas substâncias utilizadas em algum processo;
Universidade Metodista de São Paulo
60
• Análise de modos de falhas e efeitos: Igualmente ao Hazop, avalia-se de modo detalhado, 
como as falhas de componentes específicos de um equipamento ou parte do sistema se dis-
tribuem ao longo do sistema, considerando como um arranjo ordenado cujas relações são 
possíveis de serem interpretadas. Pode ser incorporado um estudo quantitativo com o auxilio 
do cálculo de probabilidades;
• Análise de árvore de falhas: O propósito do método é determinar a probabilidade dos 
eventos finais. Busca-se construir a malha de falhas anteriores que culminam no evento final 
de modo dedutivo, atribuindo-se uma taxa de falha a cada item anterior que compõe a ár-
vore, chegando-se então à probabilidade final, através da lógica tipo e/ou do uso da álgebra 
booleana; 
• Análise de árvore de eventos: Semelhante ao método de árvore de falhas, de modo indutivo, 
pois parte de falhas iniciais buscando identificar as possíveis implicações nos estágios mais 
avançados do processo; e
• Análise de causa e efeito: Trata-se de um método intermediário ao método de falhas e 
eventos, pois tenta-se estabelecer uma relação de conjuntos de eventos anteriores (causas) 
e posteriores (efeitos).
Existem outros tantos métodos ou técnicas que não serão citados neste texto, porém ressalta-se 
que tais métodos são muito úteis para se evitar acidentes no ambiente interno de um empreendi-
mento ou no meio ambiente, cujo objetivo principal é evitar prejuízos financeiros e num segundo 
momento proteger a integridade física dos trabalhadores (que também são encarados como pre-
juízo ao empreendedor). A proteção a terceiros e aos componentes do ecossistema ocorrem como 
conseqüência desta prevenção a ser implementada a partir do estudo de risco. Sob esta ótica nos 
últimos anos, tais análises de risco tem sido referidas também como procedimentos para proteção 
do individuo, dos bens patrimoniais e do meio ambiente.
Referências 
DE CICCO, Francesco M. G. A. F. & FANTAZZINI, Mário Luiz. Introdução a engenharia de se-
gurança de sistemas. São Paulo: Fundacentro, 1988.
MOLAK, V. Fundamentals of Risk Analysis and Risk Management. CRC Press Inc, 1997.
Módulo
www.metodista.br/ead
Gerenciamento 
de riscos I
Prof. Nestor Kenji Yoshikawa 
Objetivos:
Refletir sobre as etapas 
do gerenciamento de risco 
e avaliação de risco – Fepam.
Palavras-chave:
gerenciamento do risco; riscos 
industriais; avaliação de risco.
Prevenção de impactos ambientais
Universidade Metodista de São Paulo
62
1. Etapas do gerenciamento de riscos
A gestão ou gerenciamento de riscos normalmente compõe-se de etapas básicas nas quais são 
necessárias ações para o entendimento buscando um diagnóstico que permita uma avaliação do 
risco. Posteriormente, são planejadas ações para interferir nas variáveis e nos cenários possíveis de 
modo a prevenir e mitigar os efeitos. As etapas básicas consistem na avaliação do risco propriamente 
dito e nas ações que precedem a materialização do risco na forma de evento. O esquema abaixo 
mostra as etapas básicas.
Figura 1: Fluxograma básico de ações para a gestão ou gerenciamento do risco
Nos capítulos seguintes são mostrados como alguns órgãos ambientais tratam a preocupação 
quanto a acidentes em indústrias, principalmente no tocante a substâncias perigosas. São procedi-
mentos para obtenção de licenças ambientais.
2. Manual de análise de riscos ambientais 
Neste capítulo será mostrada a sistemática de referência para os procedimentos internos da Fe-
pam (Fundação Estadual de Proteção ao Meio Ambiente – RS) para o licenciamento de atividades 
em pontos externos às instalações, dentro de um contexto de análise de riscos industriais. Todas as 
informações que se seguem são baseadas em Fepam (2001).
A análise do risco em decorrência de liberações acidentais de substâncias perigosas e/ou energia, 
baseia-se em conceitos para aceitação ou não dos riscos. O conceito Alara (“As Low as Reasonably 
Achievable” – tão baixo quanto razoavelmente atingível) significa que os riscos devem ser reduzidos 
sempre que o custo das medidas necessárias para redução forem razoáveis quando comparadas aos 
benefícios obtidos em termos de redução de riscos. Outro conceito similar, muitas vezes tratado da 
mesma forma,é o Alarp (“As Low as Reasonably Possible” – tão baixo quanto razoavelmente).
O procedimento sugerido pela Fepam consiste em estabelecer o nível de risco à integridade 
humana em função do mecanismo pelo qual um produto perigoso pode atingir o ser humano. As 
63
www.metodista.br/ead
variáveis consideradas são: o nível de proteção de um local, no qual a população ou indivíduo se 
encontra (vulnerabilidade), a distância entre a fonte e o receptor e a periculosidade da substância 
liberada. É considerada também a sobrepressão exercida pela ocorrência de explosões.
São considerados também parâmetros para representar quantitativamente as concentrações e 
doses para classificar o risco. A máxima concentração no ar permitida segue o IDLH (do inglês “Imme-
diately Dangerous to Life and Health” – Imediatamente perigoso para a vida e a saúde), estabelecido 
pelo NIOSH (National Institute for Occupational Safety and Health - USA). Outros parâmetros são 
mostrados no Quadro 1: 
Quadro 1: Parâmetros considerados critérios para concentração/dose na análise de riscos
LC50 Concentração da substância no ar, para a qual 50% dos mamíferos mais sensíveis 
 morrem em testes de inalação, para um tempo de exposição menor ou igual a 8 horas.
LD50 Dose de substância para a qual 50% dos mamíferos mais sensíveis morrem em testes 
 de absorção cutânea ou por ingestão oral. 
LCLOA mais baixa concentração da substância, no ar, para a qual foi observada morte 
 entre os mamíferos mais sensíveis em testes de inalação.
LDLOA mais baixa dose da substância, para a qual foi observada morte entre os mamíferos 
 mais sensíveis, em testes de absorção ou ingestão oral de acordo com as 
 especificações constantes dos planos, programas e MR.
MLA Massa liberada acidentalmente. É a maior quantidade de material perigoso capaz 
 de participar de uma liberação acidental de substância perigosa. Na ausência de 
 informações mais precisas, a MLA deve ser considerada igual a 20% (vinte por cento) 
 da massa de material estocado ou em processo. 
MR A massa de referência é definida para cada uma das substâncias perigosas conforme 
 apresentado no Apêndice 1. Esta massa pode ser entendida como a menor quantidade 
 da substância capaz de causar danos a certa distância do ponto de liberação. 
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Universidade Metodista de São Paulo
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2.1 Definições de acordo com o Manual Fepam
Risco individual é a frequência anual esperada de morte em virtude de a acidentes 
com origem em uma instalação para uma pessoa situada em um determinado ponto 
nas suas proximidades.
Risco social está associado a uma instalação ou atividade e ao número de mortes espe-
radas por ano.
Substâncias tóxicas: são consideradas substâncias de ação tóxica, isto é, com risco grave 
para a saúde, após exposição, as substâncias que tenham:
- LC50 – 2000 mg/m3, para um tempo de exposição de 4 horas (LC50 = concentração 
da substância no ar, com a qual 50% dos mamíferos mais sensíveis morrem em testes 
de inalação); LD50 – Cutânea – 400 mg/kg de massa corpórea (LD50 – Cutânea = dose 
com a qual 50% dos mamíferos mais sensíveis morrem em testes de absorção cutânea); 
LD50 – Oral -200 mg/kg de massa corpórea (LD50 – Oral = dose com a qual 50% dos 
mamíferos mais sensíveis morrem em testes de absorção por via oral).
No caso de não serem disponíveis os dados de LC50 ou LD50, para determinada substância, 
Substâncias combustíveis e inflamáveis: substâncias combustíveis são aquelas que 
podem reagir exotermicamente e de modo autossustentado com um agente oxidante, 
usualmente o oxigênio do ar, com emissão de luz e calor. São classificadas como substân-
cias inflamáveis as substâncias combustíveis cujo ponto de fulgor é inferior a 55o C.
Substâncias explosivas: substâncias explosivas são aquelas capazes de causar uma súbita 
liberação de gases e calor, gerando rápido aumento de pressão, quando submetidas a 
choque, pressão ou alta temperatura; e
Substância perigosa: substância que se enquadre em qualquer uma das definições de 
substância tóxica e/ou combustível e inflamável e/ou explosiva. 
2.2 Classificação das Instalações
As exigências ou isenções, relativas à análise de riscos, para obtenção de cada uma das licenças 
necessárias junto à Fepam serão feitas com base em uma classificação das instalações (ou atividades) 
definida a partir de um índice de risco.
O risco industrial está diretamente ligado à intensidade de perigo e inversamente a quantidade 
de salvaguarda, sendo que perigo pode ser representado pela quantidade de material perigoso 
capaz de ser liberado acidentalmente para o meio e salvaguardas são combinações de fatores que 
tendem a minimizar os efeitos danosos de liberações acidentais. O principal fator de salvaguarda 
que deverá ser considerado para fins de classificação são distância entre o ponto de liberação do 
material perigoso e a população.
65
www.metodista.br/ead
Assim, tem-se
Risco = Salvaguarda/Perigo
e
FD = distância/50
Já o fator perigo é definido pela relação, FP = MLA/MR, sendo IR o índice de risco a relação entre 
o Fator perigo (FP) e o Fator distância(FD).
A classificação das instalações ou atividades com base no índice IR são as seguintes (Quadro 2):
Quadro 2: Categorias de risco de acordo como índice IR
Índice de risco Categoria Descrição
IR = 1 1 Corresponde àquelas instalações/atividades que 
 podem ser consideradas como de risco desprezível 
 por terem quantidades muito pequenas (ou não terem)
 de substâncias perigosas em processo ou 
 armazenagem.
1<IR=2 2 Corresponde àquelas instalações/atividades que podem
 causar danos significativos em distâncias de até 100 m 
 do local.
2<IR=4 3 Corresponde àquelas instalações/atividades que 
 podem causar danos significativos em distâncias entre 
 100 m e 500 m do local.
4<IR 4 Corresponde àquelas instalações/atividades que podem
 causar danos significativos em distâncias superiores 
 a 500 m do local.
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Universidade Metodista de São Paulo
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As exigências para obtenção da Licença Previa (LP) quanto ao risco são mostradas no Quadro 3. 
Quadro 3: Requisitos do estudo de risco a serem desenvolvidos para diferentes categorias de risco
Empreendimentos na Instalação ou atividades ficam isentas de exigências no que diz
categoria de risco 1 respeito a riscos industriais.
Empreendimentos na O estudo de análise de risco deverá conter pelo menos uma Análise
categoria de risco 2: Preliminar de Riscos (APR), com indicação de todos os sistemas de 
 proteção e procedimentos de segurança existentes nas instalações 
 analisadas. Caso algum dos cenários de acidente seja classificado 
 na categoria de severidade “catastrófica”, o empreendimento deverá 
 ser considerado de categoria de risco 3, ficando sujeito às exigências 
 indicadas abaixo.
Empreendimentos na O relatório da análise de riscos deverá conter, além dos tópicos indicados
categoria de risco 3 para os empreendimentos de categoria de risco 2, também uma Análise 
 de Vulnerabilidade. Os resultados da Análise de Vulnerabilidade deverão 
 ser apresentados sob a forma de mapas da região abrangendo os 
 seguintes níveis de efeitos físicos: 
 • para nuvens tóxicas: concentração igual ao IDLH da substância; 
 • para nuvens de substâncias inflamáveis: concentração igual ao limite 
 inferior de inflamabilidade da substância;
 • para incêndios em poça ou tocha ( jato de fogo), deverá ser indicada a 
 curva representativa do nível de fluxo térmico igual a 5 kW/m2;
 • para explosões de qualquer deverão ser indicadas as curvas 
 representativas dos seguintes níveis de sobrepressão: 13 kPa (1% de 
 probabilidade de ruptura de tímpanos) e 7 kPa (danos estruturais em 
 residências). Caso as curvas de vulnerabilidade de qualquer um desses 
 efeitos ultrapasse a distância de 500 metros, o empreendimento deverá 
 ser considerado de categoria de risco 4, ficando sujeito às exigências 
 indicadas baixo.
Empreendimentos na Deverá ser realizada uma Análise Quantitativa de Risco completa,
categoria de risco 4: cujo escopo encontra-se detalhado no Termo de Referência para 
 Elaboração de Análise Quantitativa de Risco.
 Os procedimentos para análise quantitativa dos riscos, bem como o programa de gerencia-
mento de riscos para a categoria de risco 4, podem ser vistos nos apêndices 2 e 3, respectivamente 
do referido Manual.
Referências 
FUNDAÇÃO ESTADUAL DE PROTEÇÃO AMBIENTAL HENRIQUE ROESSLER – FEPAM. Projeto de 
manual de análise de riscos industriais, n. 01/01 mar/2001, 39 p.
CETESB. Manual de orientação para a elaboração de estudos de análise de riscos. Norma 
Cetesb P4.261; 1990 (Ver. 1994).
Módulo
www.metodista.br/ead
Objetivos:
Refletir sobre a avaliação de 
riscos – Cetesb.
Palavras-chave:
Gerenciamento do risco; riscos 
industriais; avaliação de risco.
Gerenciamento 
de riscos II
Prof. Nestor Kenji Yoshikawa 
Prevenção de impactos ambientais
Universidade Metodista de São Paulo
68
1. Critérios de risco cetesb 
O primeiro texto − Manual de orientação para a elaboração de estudos de análise de riscos − foi 
editado pela Cetesb em 1990 e consistia num termo de referência; sofreu uma revisão em 1994. Em 
13/08/2003,o Manual foi homologado pela diretoria da empresa como norma Cetesb P4.261, a qual 
foi publicada no Diário Oficial do Estado em 21/08/2003. Todas as informações que se seguem são 
baseadas nesta bibliografia (CETESB, 1994).
1.1 Conteúdo da Norma P4.261 
Parte I 
Critério para classificação de instalações industriais quanto à periculosidade. Orienta a tomada 
de decisão quanto à necessidade ou não da realização de um estudo de análise de riscos para os 
empreendimentos industriais durante o processo de licenciamento ambiental.
Parte II
Termo de referência para a elaboração de Estudos de Análise de Risco. Fornece as orientações 
básicas para a elaboração de estudos de análise de riscos e apresenta a visão da Cetesb quanto à 
interpretação e avaliação dos resultados.
O Estudos de Avaliação de Risco (EAR) tem o objetivo identificar, avaliar e reduzir os impactos de 
acidentes a limites aceitáveis, eliminando impactos às comunidades que vivem ao redor do empreen-
dimento e minimizando os riscos ambientais e financeiros relacionados à ocorrência do acidente. 
1.2 Etapas
As etapas do Estudo de Avaliação de Risco (EAR) são as seguintes: 
• caracterização do empreendimento e da região; 
• identificação de perigos; 
• estimativa dos efeitos físicos e análise de vulnerabilidade; 
• avaliação quantitativa ou estimativa de frequência; 
• estimativa e avaliação de risco; e 
• gerenciamento de risco (Programa de Gerenciamento de Riscos [PGR] e Plano de Ação de 
Emergência [PAE]). 
• 
1.2.1 Caracterização do empreendimento e da região
Nesta etapa são obtidos os dados relativos às características do empreendimento, incluindo os 
aspectos construtivos e operacionais.
1.2.2 Identificação de perigos
Identificação dos possíveis eventos indesejáveis que podem levar à materialização de um perigo, 
por meio da definição de hipóteses acidentais que poderão acarretar consequências significativas. 
Para isso são utilizadas as seguintes metodologias: 
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Lista de Verificação (Checklist); 
Análise “E se...” (What If); 
Análise Preliminar de Perigos (APP) ou Análise Preliminar de Riscos (APR); 
Análise de Modos de Falhas e Efeitos (AMFE); 
Estudo de Perigos e Operabilidade (HAZOP- Hazard and Operability Study).
1.3 Estimativas dos efeitos físicos e análise de vulnerabilidades
Para a avaliação dos riscos é importante o estabelecimento correto das variáveis presentes e os 
componentes dos cenários possíveis. Dependendo dos cenários e das variáveis consideradas, teremos 
efeitos e danos diferentes, associados à variação da vulnerabilidade. Desta forma, pode-se garantir 
que o desenvolvimento do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e do Plano de Ação de 
Emergência seja corretamente dimensionado no âmbito do planejamento estratégico. 
A quantificação dos efeitos será realizada utilizando-se modelos de cálculo internacionalmente 
aceitos e capazes de simular situações como:
• jato de fogo;
• incêndio; 
• incêndio em nuvem; 
• bola de fogo (fire ball); 
• sobrepressões de explosões; 
• concentrações tóxicas de emissões de gases e vapores.
1.4 Avaliação quantitativa de riscos ou estimativa de frequência
A elaboração de estudos quantitativos de análise de riscos requer a estimativa das frequências 
de ocorrência de falhas relacionadas com as instalações ou processos em análise. Da mesma forma, 
a estimativa de probabilidades de erros do homem deve, muitas vezes, ser quantificada no cálculo 
do risco.
As frequências de ocorrência dos cenários acidentais identificados devem ser calculadas quando 
os efeitos físicos provenientes dos eventos simulados extrapolarem os limites do empreendimento e 
possam afetar pessoas. Para o cálculo das frequências de ocorrência dos cenários acidentais podem 
ser utilizadas as seguintes técnicas:
Análise por Árvores de Falhas (AAF); e 
Análise por Árvores de Eventos (AAE). 
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70
1.5 Estimativa e avaliação de risco
O risco é uma função que relaciona frequências de ocorrências de cenários acidentais e suas con-
sequências, com base nos resultados quantitativos obtidos nas etapas anteriores do estudo. Segundo 
a norma Cetesb P.4261, o risco pode ser classificado como social e individual.
Risco social: refere-se ao risco aplicado a um determinado número ou grupo de pes-
soas expostas aos danos decorrentes de um ou mais cenários acidentais. Essa forma 
de expressão do risco foi originalmente desenvolvida para a indústria nuclear.
A apresentação do risco social deverá ser feita por meio da curva F-N (frequência 
acumulada versus número de vítimas fatais). A Figura 1 abaixo, retirada do site da Cetesb, 
apresenta um exemplo de curva F-N.
Figura 2: Relação Número de fatalidades e Frequência 
Risco individual: é definido como o risco para uma pessoa presente na vizinhança 
de um perigo, considerando a natureza do dano e o período de tempo em que este 
pode acontecer. A apresentação do risco individual será por meio de curvas de iso-
-risco, sendo possível visualizar a distribuição geográfica do risco em diferentes regiões. 
71
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1.6 Gerenciamento de risco
Internacionalmente, o termo gerenciamento de riscos é utilizado para caracterizar o processo de 
identificação, avaliação e controle de riscos. 
Ele pode ser definido como a elaboração e implantação de procedimentos técnicos e administrati-
vos com o objetivo de manter os riscos dentro dos limites aceitáveis e garantir a operação adequada 
dos processos, respeitando padrões de segurança considerados e criando rotinas de otimização de 
processos.
1.6.1 Redução do risco 
Considerando que o risco é uma função da frequência de ocorrência dos possíveis acidentes 
e dos danos (consequências) gerados por esses eventos indesejados, a redução dos riscos numa 
instalação pode ser conseguida por meio de medidas para reduzir as frequências de ocorrência dos 
acidentes (ações preventivas), ou minimizar as consequências (contingência e emergência), conforme 
apresentado na Figura 2 (Cetesb, 2008).
Figura 2: Na avaliação do risco são considerada a influência de medidas antes ou depois de 
um evento acontecer
1.6.2 Programa de gerenciamento de risco
Além das medidas para a redução dos riscos, o gerenciamento de riscos de uma instalação deve 
contemplar também ações que visem mantê-la operando, ao longo do tempo, dentro de padrões 
de segurança considerados aceitáveis ou toleráveis. 
O conjunto dessas ações é compilado num Programa de Gerenciamento de Risco (PGR), com o 
objetivo de estabelecer procedimentos de orientações gerais de gestão, com vistas à prevenção de 
acidentes. A Cetesb classifica em dois programas, um para pequenas empresas e outro para médias 
e grandes empresas.
 Segundo a norma Cetesb P4.261, o PGR I para médias e grandes empresas deverá conter:
informações de segurança de processo; 
revisão dos riscos de processos; 
gerenciamento de modificações; 
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72
manutenção e garantia da integridade de sistemas críticos; 
procedimentos operacionais; 
capacitação de recursos humanos; 
investigação de incidentes; 
plano de ação de emergência (PAE); e 
plano de auditorias. 
O PGR II para pequenas empresas deve incluir:
• informações de segurança de processo; 
• manutenção e garantia da integridade de sistemas críticos; 
• Procedimentos operacionais; 
• Capacitação de recursos humanos; e
• Plano de ação de emergência (PAE). 
1.6.3 Plano de Ação de Emergência (PAE)
O Plano de Ação de Emergência é um documento que deverá conter todas as informações 
necessárias para atuar, no caso da ocorrência de um acidente. Ele deverá apresentar as seguintes 
informações:
descrição das instalações envolvidas; 
cenários acidentais considerados; 
área de abrangência e limitaçõesdo plano; 
estrutura organizacional, contemplando as atribuições e responsabilidades 
dos envolvidos; 
fluxograma de acionamento; 
73
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ações de resposta às situações emergenciais compatíveis com os cenários acidentais 
considerados, de acordo com os impactos esperados e avaliados no estudo de análise 
de riscos, considerando procedimentos de avaliação, controle emergencial (combate a 
incêndios, isolamento, evacuação, controle de vazamentos etc.) e ações de recuperação; 
recursos humanos e materiais; 
divulgação, implantação, integração com outras instituições e manutenção do plano; 
tipos e cronogramas de exercícios teóricos e práticos, de acordo com os diferentes cená-
rios acidentais estimados; 
documentos anexos: plantas de localização da instalação e layout, incluindo a vizinhança 
sob risco, listas de acionamento (internas e externas), listas de equipamentos, sistemas 
de comunicação e alternativos de energia elétrica, relatórios etc. 
Referências 
FUNDAÇÃO ESTADUAL DE PROTEÇÃO AMBIENTAL HENRIQUE ROESSLER – FEPAM. Projeto de 
manual de análise de riscos industriais, n. 01/01 mar/2001, 39 p.
CETESB. Manual de orientação para a elaboração de estudos de análise de riscos. Norma 
Cetesb P4.261; 1990 (Ver. 1994).
ENVIRONMENTAL PROTECTION AGENCY (EPA). General Guidance for Risk Management 
Programs (40 CFR Part 68). Chemical Emergency Preparedness and Prevention Office. Jul, 
1998. (EPA 550B-98-003).
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Módulo
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 Conceitos básicos
Prof. Dr. Sílvio César de Osti
Profa. Ms. Denise A. F. Neves
Objetivos:
Conhecer os princípios 
utilizados nas determinações de 
parâmetros ambientais.
Reconhecer a importância 
das medições de parâmetros 
ambientais na tecnologia 
ambiental.
Palavras-chave:
Amostras; métodos analíticos; 
concentrações.
Medição de parâmetros ambientais
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Para caracterizarmos um determinado ambiente, necessitamos conhecer uma série de variáveis 
ou propriedades que juntas determinam seu comportamento. Damos a essas variáveis o nome de 
parâmetros ambientais e esses atributos podem ser determinados por uma série de técnicas que 
serão estudadas neste módulo, pois auxiliam na interpretação dos diversos procedimentos e me-
todologias utilizados.
Os parâmetros físicos envolvem as propriedades fundamentais da matéria, como massa, volu-
me, temperatura, densidade e radiatividade. Os parâmetros químicos envolvem fenômenos onde 
ocorrem reações químicas, isto é, formação de novas estruturas químicas após a sua ocorrência. Nas 
ciências ambientais, entretanto, os processos químicos, físicos e biológicos estão intrinsecamente 
relacionados pela interferência que podem causar uns aos outros por processos de trocas energé-
ticas. O conjunto de parâmetros a serem determinados na caracterização das propriedades físicas e 
químicas de uma amostra ambiental é definido como parâmetros físico-químicos.
Dependendo do tipo de amostra, é necessário se identificar uma ou mais técnica analítica mais 
adequada para as determinações requeridas. Ou seja, qual(ais) o(s) procedimento(s) ou método(s) 
analítico(s), e qual(ais) a(s) técnica(s) analítica(s), mais eficiente, a serem adotadas ?
As análises químicas utilizadas nas medições de parâmetros físico-químicos estão baseadas nas 
técnicas estudadas pela Química Analítica, que permitem conhecer os constituintes (qualitativa) e 
suas concentrações (quantitativa). Esses métodos utilizam-se das propriedades físicas ou químicas 
dos constituintes que se deseja determinar e os principais métodos utilizados são:
Volumetria
Trata-se de análise quantitativa por métodos de volumes, também conhecida como análise titri-
métrica (titration = titulação), que consiste em se determinar o volume desconhecido de uma solução 
de concentração conhecida (solução padrão) que deverá reagir quantitativamente com o volume 
conhecido de uma solução desconhecida (amostra). 
A técnica utilizada para a análise volumétrica é a TITULAÇÃO e as reações químicas empre-
gadas são:
• de NEUTRALIZAÇÃO: baseia-se na reação entre íons H+ (hidrogênio) + OH- (hidroxila) 
• de PRECIPITAÇÃO: baseia-se na formação de um composto pouco solúvel.
• de ÓXIDO REDUÇÃO: baseia-se nas reações de óxido redução (reações que se processam 
com transferência de elétrons)
• de COMPLEXAÇÃO (formação de complexos) : baseia-se na combinação de cátions e ânions 
ou moléculas neutras para formar complexos.
Na titulação chama-se de TITULANTE a solução de concentração conhecida (solução padrão) e 
TITULADO a solução de concentração desconhecida (amostra). Naprática o titulante é adicionado 
ao titulado através de uma bureta a fim de que seja controlada a sua adição e seja possível a sua 
interrupção quando toda a reação se completar. Esse ponto é chamado de ponto de equivalência ou 
ponto estequiométrico da reação. Usualmente utiliza-se uma solução adicional ao titulado chamada 
de INDICADOR a qual mudará de cor quando o ponto de equivalência for atingido, nesse momento 
indica-se que a titulação chegou ao final (ponto final teórico).
Solução padrão (Titulante)
Deve ser preparada com reagente de alto grau de pureza para não interferir no cálculo da con-
centração. Quando isso não for possível, as soluções deverão ser padronizadas pela titulação com 
uma solução de concentração conhecida.
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Padrão Primário: trata-se de um composto com pureza suficiente para permitir o preparo da 
solução padrão mediante a pesagem direta em balança analítica devidamente calibrada. Para ser 
considerado padrão primário algumas condições devem ser respeitadas.
1. Não deve-se alterar na presença do ar; também deve-se manter constante no momento da 
pesagem
2. Deve ser de fácil obtenção e seu estado puro deve ser fácil de preservar
3. Seu processo de purificação não deve ser complexo, nem tão pouco a secagem de seus 
cristais.
4. Para se evitar erros de pesagem, o peso molecular deve ser elevado
Exemplos de padrões primários: Na2CO3, Na2B4O7, KH(C8H4O4), AgNO3 ...
Padrão secundário: é a substância padrão que teve seu teor determinado em uma titulação 
utilizando-se do padrão primário, e não através de pesagem direta.
O método de volumetria é simples e de custo baixo. A figura 1 apresenta os materiais básicos 
para realização de uma análise volumétrica.
Figura 1: Foto de Luiz Felipe da C. Chacon e Allan Celeghin Benedecti
 
Potenciometria
Trata-se de método eletroanalítico, que fundamenta-se na medida do potencial de um eletrodo 
em equilíbrio com um íon a ser determinado. 
Quando um metal é imerso numa solução que contém os seus próprios íons estabelece-se um 
potencial de eletrodo, o qual pode ser medido combinando-se esse eletrodo com um eletrodo de 
referência e medindo a força eletromotriz da pilha resultante.
Os eletrodos são 
conjuntos formados 
por um condutor 
metálico imerso numa 
solução eletrolítica e 
nele passam as cargas 
elétricas transferidas 
pelas transformações 
químicas.
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Método de fácil utilização e de grande precisão, porém deve-se estar familiarizado com as técnicas 
de calibração dos aparelhos. 
O aparelho utilizado para essa técnica é o potenciômetro (figura 2), o qual também é co-
nhecido como pHmetro, quando as medidas aferidas por ele forem as concentrações de íons 
hidrogênio (H+).
 Figura 2: Foto de Luiz Felipe da C. Chacon e Allan Celeghin Benedecti
Condutometria
 Medida da condutância de uma solução eletrolítica (com íons dissolvidos), mede-se neste caso a 
condutância de uma coluna de eletrólito que contém um mol de soluto e está compreendida entre 
dois eletrodos planos e paralelos, separados por uma distância de um centímetro.
Cromatografia
Trata-se de um método físico químico de separação de misturas de dois ou mais componentes. A 
técnica foi descrita pela primeira vez em 1903 pelo biólogo Mikhail Tswett quando separou os pig-
mentos vegetais de um extrato de folhas, porém o termo “cromatografia” data de 1906 e relaciona 
a separação da mistura, muitas vezes por frações coloridas (Chroma = cor e graphein = escrever).
No início da utilização da cromatografia os materiais não eram sofisticados, mas com o avanço 
tecnológico essa técnica tornou-se de grande utilidade para: 
• Identificar compostos - utilizando padrões pré existentes.
• Purificação de compostos - separando-se as substâncias indesejáveis
• Separação dos componentes da mistura 
A análise é realizada fazendo-se passar uma solução líquida ou gasosa através de uma fase 
estacionária (sólida ou líquida) onde ocorre a separação. A medida que a solução passa pela fase 
estacionária, os solutos (fase móvel) vão sendo adsorvidos em escalas diferentes de acordo com 
sua características específicas. Os solutos com menor afinidade pela fase estacionária passam mais 
rapidamente pela coluna enquanto os de maior afinidade passam mais lentamente, ocorrendo deste 
modo a separação. A técnica é muito versátil e de extensa aplicação.
As técnicas utilizadas para a cromatografia podem ser divididas em planar e de coluna. 
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Os tipos de cromatografia que representam a técnica planar são: cromatografia em papel e cro-
matografia de camada delgada.
A cromatografia em coluna pode ser dividida em líquida (clássica e CLAE) e gasosa (gasosa e 
HPLC)
Colorimetria e Espectrofotometria:
A Colorimetria e a Espectrofotometria podem ser conceituadas como um procedimento analítico 
através do qual se determina a concentração de espécies químicas mediante a absorção de energia 
radiante (luz). A luz pode ser entendida como uma forma de energia, de natureza ondulatória, 
caracterizada pelos diversos comprimentos de onda (λ, expressos em µm ou nm) e que apresenta 
a propriedade de interagir com a matéria, sendo que parte de sua energia é absorvida por elétrons 
da eletrosfera dos átomos constituintes das moléculas.
Uma solução quando iluminada por luz branca, apresenta uma côr que é resultante da absorção 
relativa dos vários comprimentos de onda que a compõem. Esta absorção, em cada comprimento 
de onda, depende da natureza da substância, de usa concentração e da espessura da mesma que 
é atravessada pela luz.
A Lei de Lambert-Beer: a absorbância é proporcional à concentração da espécie química ab-
sorvente, sendo constante o comprimento de onda, a espessura atravessada pelo feixe luminoso e 
demais fatores. Verifica-se uma relação linear entre absorbância ou densidade ótica e concentração, 
e de uma relação logarítmica entre transmitância e concentração.
O limite superior dos métodos colorimétricos é, em geral, a determinação dos constituintes que 
estão presentes em quantidades inferiores a miligramas por litro. O desenvolvimento de colorímetros 
fotoelétricos de baixo custo colocou ao alcance de qualquer instituição de ensino pequena este ramo 
da análise química instrumental. 
Esquema de um espectrofotometro
As fotos a seguir apresentam alguns modelos de espectrofotometros.
 Fotos de Luiz Felipe da C. Chacon e Allan Celeghin Benedecti
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Nas análises ambientais, os colorímetros e os espectrofotômetros têm sido cada vez mais utilizados 
em função da sua versatilidade e na rapidez com que se realizam as análises.
A escolha do método analítico
Dependendo do tipo de amostra, é necessário se identificar uma ou mais técnica analítica mais 
adequada para as determinações requerida. Ou seja, qual o procedimento ou método analítico e 
qual a técnica analítica mais eficiente a serem adotados ?
O analista deve estar familiarizado com as diversas técnicas analíticas bem como os procedimen-
tos a fim de tomar a decisão acertada e resolver o problema analítico. Algumas questões devem ser 
levadas em consideração no momento da escolha:
• Tipo de análise que se quer: Mono ou Multielementar;
• Problemas decorrentes da natureza do material (amostra);
• Possíveis interferências;
• Faixa de concentração;
• Exatidão e Precisão requeridas
• Número de amostra e análises;
• Tempo necessário para se realizar a análise;
• Natureza da amostra;
• Disponibilidade financeira;
• Treinamento dos analistas;
Referências
BAIRD, Colin. Química Ambiental. Porto Alegre: Bookman Companhia Editora, 624 p. 2002. 
SKOOG,D.A.; HOLLER,J.F.; NIEMAN,T. Princípios de Análise Instrumental SãoPaulo : Bookman 
Cia. Ed. 2002.
Módulo
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Coleta e preservação 
de amostras
Prof. Dr. Sílvio César de Osti
Objetivos:
Conhecer a importância da 
amostragem para os resultados 
das medições ambientais.
Conhecer os fundamentos das 
principais técnicas de coleta e 
preservação de amostras.
Palavras-chave:
Amostragem; conservação.
Medição de parâmetros ambientais
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Amostragem
 Uma porção coletada de um sistema a ser estudado é chamada amostra. A coleta, para fins de 
análise ou medição de uma fração representativa (amostra) de uma região da atmosfera ou da água 
ou do solo é denominada amostragem. Para que haja confiabilidade analítica, a amostragem deve 
ser considerada como complemento analítico e sua dificuldade encarada com seriedade e estudo, 
pois se a amostra estiver errada, o resultado não tem validade, não importando se a análise é feita 
pelos melhores analistas com os melhores equipamentos. Os estudos estatísticos nas amostragens 
são realizados com ferramentas que tentam sintetizar as informações de uma amostra com o objetivo 
de tirar conclusões que possam ser generalizadas para a população (inferência).
 Várias normas nacionais e internacionais procuram padronizar as técnicas de amostragem 
para garantir a qualidade da análise.
 
Validação
Para garantir a confiabilidade e a qualidade das informações obtidas durante a amostragem. 
Deve-se realizar a Validação de Processo, gerando um protocolo com os critérios para aprovação do 
processo. Alguns critérios que devem ser considerados:
CUIDADOS NA COLETA E PRESERVAÇÃO DE UMA AMOSTRA
• Quanto coletar
• Onde e como coletar
• Química dos materiais
• Proteção de intempéries
• Quantidade suficiente
• Higiene e segurança
• Temperatura
• Inflamabilidade
• Toxicidade elevada
Garantir que não haja perda da amostra
Verificar estanqueidade
Equipamentos de medida e vazão calibrados
Amostrar com mesma velocidade de fluxo do sistema onde ocorre amostragem 
(isocineticidade)
Verificar se o ponto amostrado está na região onde se deseja o resultado.
Verificar se o sistema antes da coleta esteja em equilíbrio de operação.
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Banco de imagem
Amostragem de líquidos
 É talvez a amostragem mais executada, porém uma série de descuidos faz com que a análise 
não tenha resultados exatos e precisos. A amostragem de água, por exemplo, apresenta uma série 
de detalhes demonstrados abaixo.
Água
A coleta de amostras de água pode parecer uma tarefa simples, entretanto, significa mais do que 
encher um frasco com água proveniente da rede pública de abastecimento. Para que essa amostra 
seja representativa, as condições de manipulação devem ser controladas, de modo a não interferir 
no resultado.
 Aspectos Gerais das Técnicas de Coleta
A técnica a ser adotada para a coleta das amostras depende do tipo de água a ser coletada (água 
tratada, água bruta, água residuária etc.) e do tipo de análise a ser solicitada (análises fisico-químicas, 
microbiológicas ou radiológicas).
Em qualquer situação, devem-se observar os seguintes aspectos:
• as amostras não devem incluir partículas grandes, detritos, folhas, ou outro tipo de material 
acidental, salvo quando se tratar de amostra de sedimento;
• quando tratar-se de água corrente, a amostra deve ser coletada com a boca do frasco de coleta 
contra a corrente, de modo a minimizar o risco de contaminação da amostra.
• deve-se coletar volume suficiente de amostra para eventual necessidade de se repetir alguma 
análise no laboratório;
• realizar todas as determinações de campo (ex: pH, cloro, temperatura) em alíquotas de 
amostra separadas daquelas que serão enviadas ao laboratório, evitando-se assim o risco de 
contaminação;
• empregar somente os frascos e acondicionamento adequados para cada tipo de determina-
ção, verificando se todos os materiais para conservação estão adequados para uso. Em caso 
de dúvida, substituí-los. Verificar também a limpeza dos frascos e demais materiais de coleta 
(baldes, garrafas, pipetas, isopor etc.). amostras com a mesma característica.
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84
Ficha de coleta de campo:
Deve conter as seguintes informações:
1. Número de identificação da amostra.
2. Identificação do ponto de amostragem e sua localização.
3. Data e hora da coleta.
4. Procedência da água (rede pública, mina, poço etc.).
5. Medidas de campo (temperatura ar/água, pH ,cloro etc.).
6. Eventuais observações de campo.
7. Condições meteorológicas nas últimas 24 horas que possam interferir na qualidade da 
água.
8. Indicação dos parâmetros a serem analisados no laboratório.
9. Nome do responsável pela coleta.
Técnicas de coleta de amostras para análises bacteriológicas e fisíco-
químicas
A coleta de amostra para análise bacteriológica deve ser realizada sempre antes da coleta para 
qualquer outro tipo de análise, a fim de evitar o risco de contaminação do local de amostragem com 
frascos ou amostradores não estéreis.
Para coletar água proveniente da rede pública para análise bacteriológica deve se observar os 
seguintes passos:
Verificar se o ponto de coleta recebe água diretamente da rede pública, evitando-se 
coletar água de caixa ou reservatórios domiciliares.
Verificar se a torneira de onde está sendo retirada a água não apresenta vazamentos.
Abrir a torneira e deixar escoar água durante dois a três minutos ou o tempo suficiente 
para eliminar impurezas e água
Voltar a torneira à meia secção, para que o fluxo seja pequeno e não haja respingos, 
deixando-se a água escoar por dois a três minutos.
Remover a tampa do frasco conjuntamente com o papel protetor com todos os cui-
dados de assepsia, tomando precauções para evitar a contaminação da amostra pelos 
dedos, luvas ou outro material. Segurar o frasco verticalmente, próximo a base, e efetuar 
o enchimento, deixando um espaço vazio de 2,5 a 5,0 cm do topo, possibilitando a 
homogeneização correta da amostra antes do início da análise. Fechar o frasco imedia-
tamente após a coleta, identificando a amostra no frasco e na ficha de coleta. Caso a 
coleta seja realizada em sacos plásticos, observar os mesmos cuidados, resguardando a 
assepsia do procedimento.
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Métodos de Conservação e Armazenamento das Amostras
Devido ao intervalo de tempo que geralmente existe entre a coleta das amostras e realização das 
análises, é preciso adotar métodos específicos para conservação e armazenamento de amostras, 
com a finalidade de resguardar as condições similares do ponto amostrado e evitar contaminação 
ou perda dos constituintes a serem examinados. Os técnicos do laboratório devem orientar o coletor 
nesse aspecto, participando ativamente do treinamento.
As alterações químicas que podem ocorrer na estrutura dos constituintes acontecem em função 
das condições fisico-químicas da amostra. Assim, metais podem precipitar-se como hidróxidos dos 
ou formar complexos com outros constituintes; os cátions e ánions podem mudar o estado de oxi-
dação; outros constituintes podem dissolver-se ou volatilizar-se com o tempo e há possibilidade de 
adsorção de íons pela superfície do frasco de coleta.
Conservação das Amostras
Os métodos de conservação, relativamente limitados, têm por objetivo retardar a ação biológica 
e a hidrólise dos compostos químicos e complexos, reduzir a volatilidade dos constituintes e os 
efeitos de absorção e preservar organismos, evitando ou minimizando alterações morfológicas e 
fisiológicas.
Os métodos de conservação de amostras mais empregadas são os seguintes:
· Adição Química
Uma substância conservadora é adicionada prévia ou imediatamente após a tomada da amostra, 
provocando a estabilização dos constituintes de interesse por períodos mais longosde tempo. 
· Congelamento
Trata-se de um método em que o agente conservador é a temperatura. Contudo, componentes 
como resíduos sólidos (filtráveis e não filtráveis) alteram-se com o congelamento e posterior retorno 
à temperatura ambiente. 
· Refrigeração
Utilizada para conservação de vários parâmetros, constitui-se num método comum em trabalhos 
de campo. Embora a refrigeração não mantenha a completa integridade para todos os parâme-
tros, interfere de modo insignificante na maioria das determinações laboratoriais. A refrigeração é 
sempre utilizada na preservação de amostras microbiológicas e algumas determinações químicas e 
biológicas.
 
Armazenamento das Amostras
Os principais materiais utilizados para armazenamento da água são os seguintes:
·Vidros e plásticos
Os principais tipos de frascos utilizados são os de plástico e vidro. Esses dois tipos de material 
apresentam vantagens e desvantagens. Os frascos de vidro, (pirex ou borossilicato) são inertes à 
maioria dos constituintes. Recomenda-se o plástico polietileno devido ao custo mais baixo em relação 
ao vidro e à menor adsorção de íons de metais porventura presentes na amostra. 
 Frascos âmbar de um litro são utilizados para análises de biocidas presentes na água. São frascos 
onde geralmente se acondicionam solventes orgânicos hidrocarbonetos, hexano, éter de petróleo, 
isoctano etc., facilitando as operações de lavagem e reduzindo consideravelmente os riscos de con-
taminação das amostras. Estes frascos frequentemente vêm acompanhados com batoques de teflon, 
os mais indicados para reduzir a presença de interferentes.
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Recipientes descartáveis
São recomendados quando o custo da limpeza é alto. Os recipientes mais comumente usados 
para esta finalidade são moldados em polietileno e devem ser limpos e estéreis. Com formato cúbico 
e os lados flexíveis, é praticamente impossível realizar uma limpeza completa, devendo ser utilizados 
uma única vez. A limpeza de frascos e tampas é de suma importância para impedir a introdução de 
contaminantes nas amostras. São necessários cuidados especiais para evitar a utilização de materiais 
de limpeza cuja fórmula contenha as substâncias que se quer determinar na amostra de água.
Referência 
OSTI, Sílvio César de; NEVES, Denise A. Freitas Manual de Medições Ambientais. Apostila. 
Universidade Metodista de São Paulo. 2006
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Módulo
www.metodista.br/ead
Características físicas 
e químicas da água
Profa. Ms. Denise A. F. Neves
Objetivo: 
Conhecer as principais 
características físicas da água.
Reconhecer algumas características 
químicas da água
Palavra-chave: 
propriedades físicas da água, 
características químicas da água
Medição de parâmetros ambientais
Universidade Metodista de São Paulo
88
Estado Físico - A água é uma substância que se destaca das demais por apresentar-
se nos três estados físicos (sólido, líquido e de vapor), entretanto, nas condições 
normais de temperatura e pressão encontra-se água no estado líquido. O que 
acontece com poucas substâncias inorgânicas. Devido às características do estado 
líquido (moléculas com parcial mobilidade) pode-se atribuir à água propriedades 
importantes, as quais serão estudadas a seguir.
Densidade – é a propriedade específica da matéria que relaciona a massa e o 
volume de um corpo. A densidade da água (0,997044 g/cm³ a 25°C) varia com a 
temperatura, com a concentração de sais dissolvidos e com a pressão.
• Quanto maior a temperatura, menor a densidade.
• Quanto maior a quantidade de sais dissolvidos, maior a densidade.
• Quanto maior a pressão, maior a densidade.
Viscosidade – define-se com sendo a capacidade de fluidez de um material. A 
viscosidade da água diminui com o aumento da temperatura e, portanto, diminui 
a força de atrito entre a água e o objeto em contato com ela.
Turbidez – está relacionada à intensidade com a qual a luz consegue atravessar 
um corpo. No caso da água, sólidos em suspensão (areia, matéria orgânica, algas, 
microrganismos) podem impedir a passagem da luz, reduzindo sua intensidade. 
Ambientalmente, a penetração da luz no meio aquático é importante devido ao 
processo de fotossíntese. A luz ao penetrar a água é absorvida e convertida em 
calor e essa absorção é diminuída devido à profundidade.
A turbidez tem implicações estéticas com relação aos corpos d’água ou ainda pode 
tornar os processos de tratamento, para fins de abastecimento, mais caros.
Cor – também está relacionada à redução da intensidade da luz ao atravessar um 
corpo, entretanto a cor da água é constituída pela luz refletida no meio aquáti-
co. Os sólidos dissolvidos como colóides orgânicos (devido à decomposição de 
matéria orgânica) ou inorgânicos (devido aos efluentes industriais) ou ainda, sais 
inorgânicos podem ser responsáveis pela cor em um corpo d’água.
Cor real - está associada a substâncias dissolvidas na água e pode afetar a pene-
tração da luz.
Cor aparente - está associada a reflexos originados pela paisagem ao redor do 
corpo de água e à cor do fundo, se este for visível da superfície.
89
www.metodista.br/ead
Temperatura da Água – a grandeza física temperatura, mede o grau de intensidade 
da agitação entre as moléculas de um corpo. A medição da temperatura da água 
se dá através da intensidade de calor. É uma característica física importante, pois 
influencia uma série de outras propriedades poderão impactar o meio aquático. Por 
exemplo, vários gases podem ser dissolvidos em água e poderão ficar retidos ou 
não na mesma dependendo da temperatura, isto é, quanto maior a temperatura de 
um corpo d’água menor será a possibilidade de retenção dos gases dissolvidos.
Tensão Superficial – trata-se de uma força de atração entre moléculas que estão 
na superfície de um líquido. Com relação à água, devido sua polaridade a força 
de atração é intensa, determinando a formação de uma “película” de moléculas 
de água. 
Características químicas
1. Solubilidade - pode ser entendida como a capacidade que as substâncias têm em se dissolver 
em outras substâncias. Ex. o cloreto de sódio (sal de cozinha) é considerado solúvel em água, 
isto é em 100 mL de água, são dissolvidos aproximadamente 36g do sal a 25°C. A água é 
considerada o solvente universal, pois é capaz de dissolver um número bastante significativo 
desubstâncias orgânicas ou inorgânicas que se apresentam tanto no estado sólido como nos 
estados líquido e gasoso. Essa característica tem uma influência ambiental importante, uma 
vez que os gases oxigênio ou dióxido de carbono (gás carbônico) são solúveis em água, a 
sobrevivência de organismos aquáticos (animais ou vegetais) está garantida. Por outro lado, 
a dissolução de alguns sais em um corpo d’água pode refletir na manutenção de cadeias ali-
mentares importantes, uma vez que esses sais representam os nutrientes para os organismos 
autótrofos. Deve-se monitorar a presença de alguns sais como os de fósforo e nitrogênio 
a fim de evitar a eutrofização (proliferação exagerada de algas), fenômeno indesejado nos 
meios aquáticos. 
2. Potencial hidrogeniônico (pH) – trata-se da medida de íons hidrogênio de uma solução. 
Pode ser considerado como a medida da acidez ou alcalinidade relativa de uma solução. Existe 
uma escala que determina valores de pH a 25°C, os quais irão representar o carácter iônico da 
água. A escala de pH varia de 0 a 14 (25°C), sendo que de 0 a 6 representa-se o caráter ácido, 
de 8 a 14 o caráter básico ou alcalino e 7 será o caráter neutro da água pura. A faixa de pH 
para sistemas biológicos sensíveis a esse parâmetro está entre 6,5 e 8,5, portanto havendo 
uma alteração nesses valores devido a uma deposição inadequada de substâncias ácidas ou 
alcalinas oriundas de despejos industriais, haverá um desequilíbrio no meio podendo levar 
ao extermínio de várias espécies.
Referências
BRAGA, B. et al. Introdução à Engenharia Ambiental. São Paulo: Prentice Hall, 305p. 2002.
DERÍSIO, J. C. Introdução ao controle de poluição ambiental. 2. ed. São Paulo: Signus Edi-
tora, 2000.
PIVELLI, R. P. Apostila do curso de especialização em controle ambiental. NISAM. Faculdade 
de Saúde Pública USP, SP 1996.
Universidade Metodista de São Paulo
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Módulo
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Parâmetros físico-
químicos: pH, 
condutividade elétrica, 
dureza, cor e turbidez
Objetivos:
Conhecer a importância 
ambiental dos parâmetros 
pH, condutividade elétrica, 
dureza da água, turbidez. 
Apresentar as técnicas utilizadas 
na determinação desses 
parâmetros. 
Palavras-chave:
pH; alcalinidade; acidez; dureza; 
cor; turbidez.
Prof. Dr. Sílvio César de Osti
Profa. Ms. Denise A. F. Neves
Medição de parâmetros ambientais
Universidade Metodista de São Paulo
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1. Potencial hidrogeniônico (pH)
 Como já visto anteriormente, pH é a medida da atividade dos íons H+ e OH- em solução e 
indica a acidez ou basicidade do meio. É calculado como o logaritmo negativo de base 10 da con-
centração molar de íons H+.
Importância Ambiental
Ambientalmente, é uma grandeza que tem grande impacto em processos químicos e bioquímicos 
que ocorrem em solução. Uma alteração no pH pode ser indicativo de sistemas poluídos ou que 
tenham sofrido eutrofização, e a influência pode ser direta quando efeitos na fisiologia de algumas 
espécies são notados ou ainda, poderá existir uma influência indireta quando da precipitação de 
algumas substâncias químicas tóxicas como metais pesados por exemplo. No continente o pH varia 
de 4.0 (turfa) a 8.0 (solos calcáreos). Na água do mar é alcalino e mais estável, variando entre 8.1 e 
8.3 na superfície e raramente chegando a valores inferiores a 7.5. Na água doce pode variar de 4.5 
a 10.0 podendo ocorrer casos mais extremos.
Determinação
O pH pode ser determinado por indicadores químicos, que são substâncias que mudam de 
coloração de acordo com a concentração de íons H+ na solução e com o auxílio de comparadores 
colorimétricos. Pode-se utilizar também o método potenciométrico por meio da medida realizada 
por um pHmetro (figura 1). Esse último é mais preciso, portanto mais recomendável para análises 
laboratoriais.
pH = - log [H+]
Figura 1: Foto de Luiz Felipe da C. Chacon e Allan Celeghin Benedecti
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2. Condutividade elétrica
 A condutividade é uma expressão numérica da capacidade de uma água conduzir a corrente 
elétrica. Depende das concentrações iônicas e da temperatura e indica a quantidade de sais existentes 
na coluna d’água, e, portanto, representa uma medida indireta da concentração de poluentes. Em 
geral, níveis superiores a 100 µS/cm indicam ambientes impactados.
Importância Ambiental
A condutividade também fornece uma boa indicação das modificações na composição de um 
corpo d’água, especialmente na sua concentração mineral, mas não fornece nenhuma indicação das 
quantidades relativas dos vários componentes. À medida que mais sólidos dissolvidos são adicionados, 
a condutividade da água aumenta. Altos valores podem indicar características corrosivas da água.
Determinação
A condutividade é determinada com o auxílio de um condutivímetro, que realiza uma medida direta 
dessa grandeza. Pode-se observar um condutivímetro na figura 2 ao lado de um colorímetro.
Figura 2: Foto de Luiz Felipe da C. Chacon e Allan Celeghin Benedecti
3. Dureza da água
Característica conferida a água, pela presença de sais alcalino-terrosos (cálcio, magnésio e ou-
tros) e de alguns metais, em menor intensidade. Quando a dureza é devida aos sais bicarbonatos e 
carbonatos (de cálcio, magnésio, e outros), denomina-se temporária, pois pode ser eliminada quase 
totalmente pela fervura; quando é devida a outros sais, denomina-se permanente. 
Adureza total de uma amostra de água é a concentração total de cátions bivalentes, principal-
mente de cálcio e magnésio, expressa em termos de CaCO3. Exprime a dureza da água obtida pela 
soma das durezas de carbonatos (dureza temporária) e de não-carbonatos (dureza permanente).
condutivímetro colorímetro
Universidade Metodista de São Paulo
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A principal fonte de dureza das águas é a dissolução de rochas calcáreas provocada pelo gás 
carbônico da água, por isso deve-se encontrar valores menores de dureza em água superficiais do 
que água profundas.
Importância Ambiental
As águas duras devido as condições desfavoráveis de equilíbrio químico, podem incrustar nas 
tubulações ocasionando entupimentos, levando a sérios riscos em processos que envolvam caldeiras 
por exemplo, podem também dificultar a formação de espumas com o sabão devido a alta concen-
tração de cálcio ou magnésio.
Determinação
A dureza da água é determinada por volumetria de complexação, utilizando solução padrão de 
EDTA como titulante em meio alcalino e indicadores metalocrômicos. Figura 3
Escala de dureza total (mg CaCO L-1) 
0 a 70 - Muito mole 
70 a 140 - Mole 
 140 a 210 -Média 
210 a320 - Meio dura 
320 a 530 - Dura 
Acima de 530 -Muito dura
Figura 3: Foto de Luiz Felipe da C. Chacon 
e Allan Celeghin Benedecti
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4. Cor
Como já visto anteriormente, a cor de uma amostra de água está associada ao grau de redução de 
intensidade que a luz sofre ao atravessá-la (e esta redução dá-se por absorção de parte da radiação 
eletromagnética), devido à presença de íons, moléculas e principalmente material em estado coloidal 
orgânico e inorgânico dissolvidos. Também os esgotos sanitários se caracterizam por apresentarem 
predominantemente matéria em estado coloidal, além de diversos efluentes industriais contendo 
taninos (efluentes de curtumes, por exemplo), anilinas (efluentes de indústrias têxteis, indústrias de 
pigmentos, etc.), lignina e celulose (efluentes de indústrias de celulose e papel, da madeira,etc.). Os 
compostos inorgânicos capazes de possuir as propriedades e provocar os efeitos de matéria em 
estado coloidal. Os principais são os óxidos de ferro e manganês, que são abundantes em diversos 
tipos de solo. Alguns outros metais presentes em efluentes industriais conferem-lhes cor mas, em 
geral, íons dissolvidos pouco ou quase nada interferem na passagem da luz. 
 
Importância Ambiental
O problema maior de coloração na água, em geral, é o estético já que causa um efeito repulsivo 
aos consumidores.
Determinação
Pode ser feita visualmente com comparadores colorimétricos ou por colorímetros (figura 2) .
5. Turbidez
A turbidez de uma amostra de água é o grau de atenuação de intensidade que um feixe de luz 
sofre ao atravessá-la (e esta redução se dá por absorção e espalhamento, uma vez que as partículas 
que provocam turbidez nas águas são maiores que o comprimento de onda da luz branca), devido 
à presença de sólidos em suspensão, tais como partículas inorgânicas (areia, silte, argila) e de detri-
tos orgânicos, algas e bactérias, plâncton em geral, etc. A erosão das margens dos rios em estações 
chuvosas é um exemplo de fenômeno que resulta em aumento da turbidez das águas e que exigem 
manobras operacionais, como alterações nas dosagens de coagulantes e auxiliares, nas estações de 
tratamento de águas. A erosão pode decorrer do mau uso do solo em que se impede a fixação da 
vegetação. Este exemplo, mostra também o caráter sistêmico da poluição, ocorrendo inter-relações 
ou transferência de problemas de um ambiente para outro.
Os esgotos sanitários e diversos efluentes industriais também provocam elevações na turbidez 
das águas. Um exemplo típico deste fato ocorre em conseqüência das atividades de mineração, onde 
os aumentos excessivos de turbidez têm provocado formação de grandes bancos de lodo em rios e 
alterações no ecossistema aquático.
Importância Ambiental
Alta turbidez reduz a fotossíntese de vegetação enraizada submersa e algas. Esse desenvolvimento 
reduzido de plantas pode, por sua vez, suprimir a produtividade de peixes. Logo, a turbidez pode 
influenciar nas comunidades biológicas aquáticas. Além disso, afeta adversamente os usos doméstico, 
industrial e recreacional de uma água.
Determinação
A turbidez pode ser determinada por método visual com disco de Secchi (figura 4) ou por meio 
de instrumentos turbidimétricos.
Universidade Metodista de São Paulo
96
Figura 4 – disco de Secchi: Foto de Luiz Felipe da C. Chacon e Allan Celeghin Benedecti
 
Referência
BRAGA, B.; HESPANHOL, I.;CONEJO, J. G. L.; BARROS, M. T. L.; SPENCER, M.; PORTO, M.; NUCCI, 
N.; JULIANO, N.e EIGER,S. Introdução à engenharia ambiental. São Paulo: Prenctice Hall. 
305p. 2002.
Módulo
www.metodista.br/ead
Parâmetros: oxigênio 
dissolvido, demanda 
química de oxigênio 
e demanda bioquímica 
de oxigênio
Prof. Dr. Sílvio César de Osti
Objetivos:
Conhecer os parâmetros de 
oxigênio dissolvido, demanda 
química de oxigênio e demanda 
bioquímica de oxigênio.
 Apresentar as técnicas utili-
zadas na determinação destes 
parâmetros.
Palavras-chave:
Oxigênio dissolvido;
dbo e dqo.
Medição de parâmetros ambientais
Universidade Metodista de São Paulo
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Banco de Imagem
1. Oxigênio Dissolvido (OD)
É a quantidade, em mg L-1 , de oxigênio dissolvido na água. 
O índice OD é um dos mais importantes para se avaliar a ca-
pacidade de um corpo hídrico em suportar atividade biológica 
de organismos aquáticos. Nas águas naturais de superfície o 
índice OD varia de 0 a 19 mg L-1, mas um teor de 5 a 6 mg L-1 já 
é o suficiente para suportar uma população variada de peixes. 
Em águas subterrâneas a quantidade de oxigênio dissolvido é 
muito baixa pelo fato de estar fora do alcance da atmosfera. 
Normalmente a quantidade de oxigênio dissolvido na água é 
dada como porcentagem da quantidade máxima de oxigênio 
possível de ser dissolvido. Essa quantidade máxima é chama-
da de nível de saturação, varia com a temperatura da água e 
pode ser medida em laboratório, sendo de 11,5 mg L-1 a 10 
°C; 9 mg L-1 a 20 °C e 7,5 mg L-1 a 33 °C. O oxigênio dissolvido 
na água origina-se de duas fontes: do oxigênio da atmosfera 
dissolvido diretamente e no oxigênio proveniente da fotossín-
tese de plantas aquáticas e este fator pode ser influenciado por 
temperatura, altitude, velocidade e tipo de fluxo da água e profundidade, entre outros.
Determinação
A concentração de oxigênio dissolvido pode ser obtido por meio de volumetria de oxirredução 
(método de Winkler) e por determinação direta com oxímetros potenciométricos.
2. Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO)
É definida como a quantidade de oxigênio necessária para oxidar a matéria orgânica biodegradável 
sob condições aeróbicas, isto é, avalia a quantidade de oxigênio dissolvido, em mg L-1 , que será 
consumida pelos organismos aeróbios ao degradarem a matéria orgânica. Um período de tempo de 
5 dias numa temperatura de incubação de 20oC é freqüentemente usado e referido como DBO5,20.
Os maiores aumentos em termos de DBO, num corpo d’água, são provocados por despejos de 
origem predominantemente orgânica. A presença de um alto teor de matéria orgânica pode induzir 
à completa extinção do oxigênio na água, provocando o desaparecimento de peixes e outras formas 
de vida aquática. Um elevado valor da DBO pode indicar um incremento da micro-flora presente e 
interferir no equilíbrio da vida aquática, além de produzir sabores e odores desagradáveis e ainda, 
pode obstruir os filtros de areia utilizados nas estações de tratamento de água.
Um elevado valor da DBO5,20 pode indicar um incremento da microflora presente e interferir no 
equilíbrio da vida aquática, além de produzir sabores e odores desagradáveis e, ainda, pode obstruir 
os filtros deareia utilizados nas estações de tratamento de água.
No campo do tratamento de esgotos, a DBO5,20 é um parâmetro importante no controle das 
eficiências das estações, tanto de tratamentos biológicos aeróbios e anaeróbios, bem como físico-
químicos (embora de fato ocorra demanda de oxigênio apenas nos processos aeróbios, a demanda 
“potencial” pode ser medida à entrada e à saída de qualquer tipo de tratamento). Na legislação do 
Estado de São Paulo, o Decreto Estadual n.º 8468, a DBO5,20 de cinco dias é padrão de emissão de 
esgotos diretamente nos corpos d’água, sendo exigidos ou uma DBO5,20 máxima de 60 mg/L ou uma 
eficiência global mínima do processo de tratamento na remoção de DBO5,20 igual a 80%. Este último 
critério favorece aos efluentes industriais concentrados, que podem ser lançados com valores de 
DBO5,20 ainda altos, mesmo removida acima de 80%.
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Referências 
BRAILE, Pedro Marcio; CAVALCANTI, Jose Eduardo W. A. Manual de tratamento de águas 
residuarias industriais. São Paulo: CETESB, 1993. 764 p.
Standard Methods for the examination of water and weastwater. Ed. American Public 
Heath Association, 18. ed. 1992.
Banco de imagem
Determinação
A metodologia utilizada nas determina-
ções de DBO são fundamentadas em normas 
oficiais do Standart Methods of Analysis of 
Water and Wastewater (1992). 
3. Demanda Química de Oxigênio 
(DQO)
É a quantidade de oxigênio necessária para 
oxidar a matéria orgânica através de um agen-
te químico. Os valores da DQO normalmente 
são maiores que os da DBO, sendo o teste 
realizado num prazo menor e em primeiro 
lugar, orientando o teste da DBO. A análise da 
DQO é útil para detectar a presença de subs-
tâncias resistentes a degradação biológica. O 
aumento da concentração da DQO num corpo d’água se deve principalmente a despejos de origem 
industrial.
 A DQO é muito útil quando utilizada conjuntamente com a DBO5,20 para observar a biodegrada-
bilidade de despejos. Sabe-se que o poder de oxidação do dicromato de potássio é maior do que o 
que resulta mediante a ação de microrganismos, exceto raríssimos casos como hidrocarbonetos aro-
máticos e piridina. Desta forma os resultados da DQO de uma amostra são superiores aos de DBO5,20. 
Como na DBO5,20 mede-se apenas a fração biodegradável, quanto mais este valor se aproximar da 
DQO significa que mais facilmente biodegradável será o efluente. É comum aplicar-se tratamentos 
biológicos para efluentes com relações DQO/DBO5,20 de 3/1, por exemplo. Mas valores muito eleva-
dos desta relação indicam grandes possibilidades de insucesso, uma vez que a fração biodegradável 
torna-se pequena, tendo-se ainda o tratamento biológico prejudicado pelo efeito tóxico sobre os 
microrganismos exercido pela fração não biodegradável.
 
Determinação
A metodologia utilizada nas determinações de DBO são fundamentadas em normas oficiais do 
Standart Methods of Analysis of Water and Wastewater (1992). 
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Módulo
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Parâmetros químicos
Prof. Dr. Sílvio César de Osti
Objetivos:
Conhecer os parâmetros 
químicos comumente 
determinados em medições 
ambientais.
 Apresentar as técnicas 
utilizadas na determinação 
destes parâmetros. 
Palavras-chave:
Nutrientes; metais; 
espectrofotometria.
Medição de parâmetros ambientais
Universidade Metodista de São Paulo
102
Compostos nitrogenados - (amônia, nitrato, nitrito e nitrogênio orgânico)
São diversas as fontes de nitrogênio nas águas naturais. Os esgotos sanitários constituem em 
geral a principal fonte, lançando nas águas nitrogênio orgânico devido à presença de proteínas e 
nitrogênio amoniacal, devido à hidrólise sofrida pela uréia na água. Alguns efluentes industriais 
também concorrem para as descargas de nitrogênio orgânico e amoniacal nas águas, como algumas 
indústrias químicas, petroquímicas, siderúrgicas, farmacêuticas, de conservas alimentícias, matadou-
ros, frigoríficos e curtumes. A atmosfera é outra fonte importante devido a diversos mecanismos: 
fixação biológica desempenhada por bactérias e algas, que incorporam o nitrogênio atmosférico 
em seus tecidos, contribuindo para a presença de nitrogênio orgânico nas águas, a fixação química, 
reação que depende da presença de luz, concorre para as presenças de amônia e nitratos nas águas, 
as lavagens da atmosfera poluída pelas águas pluviais concorrem para as presenças de partículas 
contendo nitrogênio orgânico bem como para a dissolução de amônia e nitratos. Nas áreas agríco-
las, o escoamento das águas pluviais pelos solos fertilizados também contribui para a presença de 
diversas formas de nitrogênio. Também nas áreas urbanas, as drenagens de águas pluviais associadas 
às deficiências do sistema de limpeza pública, constituem fonte difusa de difícil caracterização.
Como visto, o nitrogênio pode ser encontrado nas águas nas formas de nitrogênio orgânico, 
amoniacal, nitrito e nitrato. As duas primeiras chamam-se formas reduzidas e as duas últimas, formas 
oxidadas. Pode-se associar a idade da poluição com a relação entre as formas de nitrogênio. Ou seja, 
se for coletada uma amostra de água de um rio poluído e as análises demonstrarem predominância 
das formas reduzidas significa que o foco de poluição se encontra próximo. Se prevalecer nitrito 
e nitrato, ao contrário, significa que as descargas de esgotos seencontram distantes. Nas zonas 
de autodepuração natural em rios, distinguem-se as presenças de nitrogênio orgânico na zona de 
degradação, amoniacal na zona de decomposição ativa, nitrito na zona de recuperação e nitrato na 
zona de águas limpas.
Os compostos de nitrogênio são nutrientes para processos biológicos. São tidos como macro-
nutrientes, pois depois do carbono, o nitrogênio é o elemento exigido em maior quantidade pelas 
células vivas. Quando descarregados nas águas naturais conjuntamente com o fósforo e outros 
nutrientes presentes nos despejos, provocam o enriquecimento do meio tornando-o mais fértil e 
possibilitam o crescimento em maior extensão dos seres vivos que os utilizam, especialmente as 
algas, o que é chamado de eutrofização. Quando as descargas de nutrientes são muito fortes, dá-se 
o florescimento muito intenso de gêneros que predominam em cada situação em particular. Estas 
grandes concentrações de algas podem trazer prejuízos aos usos que se possam fazer dessas águas, 
prejudicando seriamente o abastecimento público ou causando poluição por morte e decomposi-
ção. O controle da eutrofização, através da redução do aporte de nitrogênio é comprometido pela 
multiplicidade de fontes, algumas muito difíceis de serem controladas como a fixação do nitrogênio 
atmosférico, por parte de alguns gêneros de algas. Por isso, deve-se investir preferencialmente no 
controle das fontes de fósforo.
Os nitratos são tóxicos, e causam uma doença chamada metahemoglobinemia infantil, que é letal 
para crianças (o nitrato se reduz a nitrito na corrente sangüínea, competindo com o oxigênio livre, 
tornando o sangue azul). 
Determinação 
Esses parâmetros podem ser determinados por técnicas espectrofotométricas e cromatografia de 
íons. O nitrogênio total é determinado pelo método Kjeldahl.
2. Fósforo Total 
O fósforo aparece em águas naturais, devido principalmente às descargas de esgotos sanitários. 
Nesses, os detergentes superfosfatados empregados em larga escala domesticamente constituem a 
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Banco de imagem
principal fonte, além da própria matéria fecal, que é rica em proteínas. Alguns efluentes industriais, 
como os de indústrias de fertilizantes, pesticidas, químicas em geral, conservas alimentícias, abate-
douros, frigoríficos e laticínios, apresentam fósforo em quantidades excessivas. As águas drenadas 
em áreas agrícolas e urbanas também podem provocar a presença excessiva de fósforo em águas 
naturais.
O fósforo pode se apresentar nas águas sob três formas diferentes. Os fosfatos orgânicos são 
a forma em que o fósforo compõe moléculas orgânicas, como a de um detergente, por exemplo. 
Os ortofosfatos, por outro lado, são representados pelos radicais, que se combinam com cátions 
formando sais inorgânicos nas águas. Os polifosfatos ou fosfatos condensados são polímeros de 
ortofosfatos. No entanto, esta terceira forma não é muito importante nos estudos de controle de 
qualidade das águas, porque os polifosfatos sofrem hidrólise se convertendo rapidamente em or-
tofosfatos nas águas naturais.
Assim como o nitrogênio, o fósforo constitui-se em um dos principais nutrientes para os proces-
sos biológicos, ou seja, é um dos chamados macro-nutrientes, por ser exigido também em grandes 
quantidades pelas células. 
Determinação
Podem ser empregados métodos colorimétricos após abertura da amostra por radiação de mi-
croondas.
3. Potássio
O potássio é encontrado em concentrações baixas nas águas naturais já que rochas 
que contenham potássio são relativamente resistentes à ações do tempo. Entretanto, 
sais de potássio são largamente usados na indústria e em fertilizantes para agricultu-
ra e entra nas águas doces com descargas industriais e lixiviação das terras agrícolas. 
Potássio é usualmente encontrado na forma iônica e os sais são altamente solúveis. Ele é pronto 
para ser incorporado em estruturas minerais e acumulado pela biota aquática pois é um elemento 
nutricional essencial. Concentrações em águas naturais são usualmente menores que 10 mg/L. Con-
centrações elevadas, da ordem de grandeza de 100 e 25.000 mg/L, podem indicar a ocorrência de 
fontes quentes e salmouras, respectivamente.
Universidade Metodista de São Paulo
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Referências
BRAILE, Pedro Marcio; CAVALCANTI, José Eduardo W. A. Manual de tratamento de águas 
residuarias industriais. São Paulo: CETESB, 1993. 764 p.
Standard Methods for the examination of water and weastwater. Ed. American Public 
Heath Association, 18. ed. 1992.
Determinação
O potássio é comumente determinado por potenciometria, utilizando eletrodo indicador 
específico.
4. Metais
São considerados metais pesados, os elementos que apresentam densidade maior que 5 g/cm³ 
e peso molecular maior que 20. Exemplos: Al, V, Cr, Mn, Fe, Co, Ni, Cu, Zn, As, Mo, Ag, Cd, Hg e Pb
A análise de metais toma importância em medições ambientais por vários fatores. Embora sejam 
considerados micronutrientes, alguns metais participam de reações químicas alterando a coloração 
da água, como o ferro, o zinco e o manganês e em concentrações elevadas podem ser prejudiciais 
à biota. Outros apresentam toxicidade elevada e indicam contaminação do ambiente por descargas 
industriais ou de garimpos, como o mercúrio e o cádmio. 
A legislação em geral limita a quantidade de metais que devem estar presentes em amostras 
ambientais a concentrações na ordem de parte por milhão.
Determinação
 De acordo com as características de cada elemento e a forma como se encontra na amostra, 
os metais são geralmente analisador por métodos espectrofotométricos, potenciométricos ou por 
volumetria de oxidorredução.
Módulo
www.metodista.br/ead
Introdução ao 
sensoriamento 
remoto
Modelagem ambiental
Prof. Ms. Luiz Rogério Mantelli
Objetivos:
Conhecer a origem e evolução 
do sensoriamento remoto.
Tomar conhecimento ou conhecer as 
diferentes plataformas orbitais.
Palavras-chave: 
fotografia aérea; sensoriamento remoto; 
sensores orbitais.
Universidade Metodista de São Paulo
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Para dar início à disciplina de Sensoriamento Remoto, precisamos, antes, tomar conhecimento 
do que significa exatamente esse termo. Sensoriamento remoto é a ciência (para alguns, a arte) de 
adquirir informações sobre a superfície terrestre sem necessariamente estar em contato com ela. Isso 
é feito pela medição da energia refletida ou emitida por essa superfície. Esses dados são processados, 
analisados e aplicados por meio das ferramentas de geoprocessamento e sistemas de informações 
geográficas. 
Histórico
Em toda a história da humanidade, o homem sempre teve curiosidade em explorar o meio am-
biente do qual faz parte, o planeta onde vive. Ele procurava registrar, da melhor maneira possível, 
os animais, as plantas, suas descobertas e até mesmo seus sentimentos. Na idade das cavernas, por 
exemplo, esse registro era feito de forma bastante rudimentar, porém de forma tão consolidada que 
permaneceu preservado até os dias atuais.
No entanto, o homem não se contentava em observar aquilo que acontecia ao seu redor. Ele 
queria saber o que acontecia em sua comunidade e, com isso, passou a buscar lugares mais altos, 
que permitissem retratar um número maior de elementos na paisagem. 
Com o passar do tempo, surgiu a escrita e aprimorou-se a forma de desenhar. O desejo e a 
curiosidade do homem fizeram com que ele descobrisse novas técnicas para registrar as paisagens. 
Dessa forma, em 1826, o francês M. Joseph Nicephore produziu a primeira fotografia. Por meio de 
um tratamento químico específico em um placa metálica, ele retratou a vista que tinha da janela de 
seu apartamento. Essa técnica foi modificada e aprimorada pelos ingleses e, em 1858, outro francês, 
Gaspar Felix Tournachon, obteve a primeira fotografia aérea, em um sobrevoo realizado em Paris, a 
bordo de um balão.
A obsessãodo ser humano por fotografias aéreas tornou-se tão grande que, em 1903, Julius 
Neubronner patenteou uma “câmera de peito”, que era instalada em nada mais, nada menos que 
pombos-correio. Depois disso, a “tecnologia fotográfica” não parou de evoluir, sendo alavancada 
ainda mais com o surgimento da aviação nos anos seguintes.
O sucesso era tanto que os registros fotográficos passaram a ser utilizados como ferramentas 
para a organização e gestão das cidades em expansão na época. Obviamente, eles também foram 
utilizados para outras finalidades menos nobres.
A nova técnica foi um elemento crucial de estratégia e planejamento das tropas que lutaram na 
Primeira e Segunda Guerras Mundiais Vários registros aéreos eram feitos para localizar as tropas 
inimigas e planejar ataques com maior eficiência.
Infelizmente, o maior desenvolvimento das técnicas para obtenção de imagem por meio de câmeras 
aerotransportadas foi devido a interesses bélicos. Em dezembro de 1954 o governo americano lançou 
o programa U-2 de monitoramento do terreno soviético. Em uma aeronave pintada de preto estava 
posicionada estrategicamente uma câmera, que durante quatro anos obteve diversas imagens do 
“terreno inimigo”. O trabalho corria muito bem até que, em 1960, um míssil atingiu a U-2. O piloto 
sobreviveu à queda e ficou preso sob regime soviético durante 10 anos. Mesmo assim, depois desse 
incidente, novas imagens continuaram a ser obtidas naquela região.
Desde 1975 até os dias atuais, diversas empresas mundiais desenvolveram conjuntamente a 
tecnologia stealth e passaram a produzir aeronaves especiais que dificilmente são localizadas por 
radares. Essa tecnologia foi extremamente utilizada na década de 1990, na Guerra do Golfo.
Como pôde ser observado, a necessidade de se obter imagens aéreas de regiões específicas 
tornou-se cada vez maior. Isso fez com que, em 24 de outubro de 1957, fosse lançado o primeiro 
satélite, o Sputnik 1. Ele ficou em órbita até 18 de agosto de 1960, quando foi resgatado antes de cair 
em algum lugar do globo. A missão foi um sucesso. Em apenas três anos, o Sputnik-1 retratou mais 
imagens do terreno soviético do que em todo o programa U-2. Começava a nova era espacial.
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www.metodista.br/ead
Atualmente, diversos programas espaciais e de diferentes países estão disponíveis. Existe muitos 
tipos de imagens sendo geradas e cada uma é utilizada de maneira específica por profissionais em 
todo o mundo.
Alguns programas mais famosos podem ser citados como marcos para a ciência. Um exemplo 
são os satélites da série Landsat. A primeira plataforma foi lançada em 1972 e a última, em 1999, 
sendo que o satélite de maior destaque foi o Landsat 5, lançado em 1984 e que durou mais de 20 
anos, sendo desativado em 2007, superando as expectativas de vida útil, que giram em torno de 8 
anos para esses equipamentos.
Nos dias de hoje já podem ser encontradas plataformas ainda melhores, com resoluções ainda 
mais refinadas. É o caso dos satélites Ikonos e Quickbird, também muito famosos pela alta qualidade 
de seus produtos. Outro satélite com imagens bastante utilizadas no Brasil é o CBERS, plataforma 
sino-brasileira que fornece imagens gratuitas de todo o País e América Latina. O último instrumento 
dessa série foi lançado no final de 2007 e conta, inclusive, com sensores capazes de obter imagens 
de alta resolução, semelhantes às Ikonos e QuickBird.
Referências 
JENSEN, J. R. Remote sensing of environment: an earth resource perspective. 2. ed. Upper 
Saddle River: Prentice Hall, 2007. 592 p.
MOREIRA, M. A. Fundamentos do sensoriamento remoto e metodologia de aplicação. 3. 
ed. Viçosa: UFV, 2005. 320 p. 
NOVO, E. M. L. de M. Sensoriamento remoto, princípios e aplicações. 3. ed. São Paulo: Edgard 
Blucher, 2008. 308 p.
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Bases físicas do 
sensoriamento 
remoto
Modelagem ambiental
Prof. Dr. Luiz Rogério Mantelli
Objetivo: 
Entender o que é radiação eletromagnética 
e qual a sua importância para o 
sensoriamento remoto.
Palavras-chave: 
radiação eletromagnética; 
comprimento de onda; luz.
Universidade Metodista de São Paulo
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Antes de iniciarmos nossa discussão acerca do sensoriamento remoto, precisamos tomar co-
nhecimento sobre quais processos físicos estão envolvidos em todo o processo de formação das 
imagens de qualquer sensor remoto. Para isso, será feita uma introdução sobre o que é a radiação 
eletromagnética e como ela interage com cada alvo terrestre (quepara sensoriamento considerare-
mos basicamente três: vegetação, solo e água), permitindo a sua detecção posterior pelos sensores.
1 Radiação eletromagnética 
Para que possa ser realizado o sensoriamento remoto dos alvos terrestres é preciso necessariamente 
de uma fonte energia, capaz de iluminá-los (nesse momento está sendo desconsiderado que os 
corpos também podem emitir radiação). Essa fonte de energia, para nós, está na forma de radiação 
eletromagnética (REM).
Toda REM tem características e comportamentos que variam de acordo com a teoria física de ondas 
e suas propagações no espaço. Ela é constituída por um campo elétrico, que varia em magnitude, 
numa direção perpendicular a um campo magnético. Esses dois campos propagam-se sempre juntos 
a uma velocidade igual a da luz.
Para o sensoriamento remoto, duas características desses campos são particularmente impor-
tantes: comprimento de onda e frequência. O comprimento de onda é medido pela distância entre 
dois ciclos de onda (FIG), medida sucessivamente pela distância entre duas cristas de ondas. Essa 
medida é usualmente representada pela letra grega lambda (λ) e pode ser medida em metros (m) ou 
medidas bem menores de acordo com o comprimento das ondas, como, por exemplo, nanômetros 
(nm, 10-9 m) ou micrômetros (µm, 10-6 m). 
A frequência representa o número de vezes que o 1 ciclo de onda se repete por unidade de 
tempo, considerando um ponto fixo de passagem. Ela normalmente é medida em hertz (Hz), que é 
equivalente ao número de ciclos que ocorrem por segundo. 
No entanto, é preciso ter em mente que comprimento de onda e frequência são medidas inversas, 
ou seja, quanto maior o comprimento de onda, menor a frequência, e quanto menor esse compri-
mento, maior será a frequência com que os ciclos se repetem no espaço.
Para entender isso com maior clareza, imagine que você e um colega estão segurando duas 
extremidades de uma corda comprida, de forma que ela fique não muito esticada. Agora, imagine 
que você começa a movimentar a corda para cima e para baixo bem rapidamente. Várias ondas se 
formarão nessa corda e, se você aumentar ou diminuir a velocidade com que faz o movimento para 
cima e para baixo, perceberá que as ondas podem ficar maiores (porém ocorrerão menos ondas) 
ou menores (verifique que mais ondas ocorrerão). Agora tente aplicar isso para a REM, porém leve 
em consideração que a frequência e o comprimento das ondas são controlados pela fonte que está 
emitindo a radiação.
Certamente, você deve estar se perguntando de onde vem essa tal radiação eletromagnética. 
Qualquer corpo que tenha uma temperatura acima de zero absoluto (-273 ºC) é capaz de irradiar 
energia. Para ficar mais fácil de entender, uma lâmpada ou um telefone sem fio emitem REM. Para o 
sensoriamento remoto, obviamente, a principal fonte de energia é o Sol.
A figura 1 a seguir ilustra a variação de energia no espectro eletromagnético e como essa energia 
pode ser utilizada. Notem que diferentes comprimentos de onda caracterizam diferentes tipos de 
radiação, que possuem aplicações diferentes em nossas vidas.
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FIGURA 1 - Variação da radiação no espectro eletromagnético
Fonte: Wikipedia
 
Como pode ser observado, existe uma pequena fração do espectro eletromagnético que pode 
ser enxergada pelo olho humano. É o que conhecemos e denominamos como luz visível. Essa luz 
compreende a região do espectro entre 390nm e 700nm aproximadamente. Cada cor está relacio-
nada com outra faixa, mais específica ainda. Por exemplo, o verde compreende o intervalo entre 
492nm e 577nm. 
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Nesse momento uma nova pergunta deve estar sem sua mente: Onde está o sensoriamento remoto 
nessa história? Bem, para responder isso, precisamos ter em mente dois pontos muito importantes. 
O primeiro está relacionado à maneira como cada alvo terrestre interage com a REM. Porém esse é 
o assunto do próximo capítulo.
O segundo está relacionado à faixa do espectro que pode ser utilizada para o sensoriamento 
remoto, que compreende um intervalo entre 300nm e 1m, ou seja, desde a região do visível até às 
faixas de micro-ondas. Tenha em mente que estamos falando de sensores eletrônicos, muito mais 
sensíveis do que os nossos olhos. O ser humano é capaz apenas de enxergar uma pequena faixa 
do espectro, como comentado anteriormente, transformando a radiação captada em imagem. No 
entanto, sensores eletrônicos podem captar a energia proveniente de outros comprimentos de onda, 
“enxergando” os alvos terrestres de uma maneira diferente.
Referências 
JENSEN, J. R. Remote Sensing of Environment: an Earth resource perspective. 2 ed. Upper 
Saddle River: Prentice Hall, 2007. 592 p.
MORAES, E. C. Fundamentos de sensoriamento remoto. In: RUDORFF, B. F. T.; MORAES, E. C.; 
PONZONI, F. J.; CAMARGO JÚNIOR, H.; CONFORTE, J. C.; MOREIRA, J. C.; EPIPHANIO, J. C. N.; 
MOREIRA, M. A.; KAMPEL, M.; ALBUQUERQUE, P. C. G.; MARTINI, P. R.; FERREIRA, S. H.; TAVARES 
JÚNIOR, S. S.; SANTOS, V. M. N. (Ed.). Curso de uso de sensoriamento remoto no estudo do 
meio ambiente. São José dos Campos: INPE, 2002. p. 22. Capítulo 1. 
NOVO, EML de M. Sensoriamento Remoto, princípios e aplicações. 3 ed. São Paulo: Ed. 
Edgard Blucher Ltda, 2008. 308 p.
Módulo
www.metodista.br/ead
Modelagem ambiental
Comportamento 
espectral de alvos
Prof. Dr. Luiz Rogério Matelli
Objetivos: 
Entender como a radiação eletromagnética 
interage com os alvos terrestres; compreender 
o que é comportamento espectral de alvos; 
reconhecer os comportamentos espectrais da 
água, vegetação e solo. 
Palavras-chave: 
comportamento espectral; alvos terrestres; 
vegetação; água; solo.
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Como foi comentado no capítulo anterior, para entender de forma adequada como o sensoriamen-
to remoto está relacionado a radiação eletromagnética é preciso conhecer, além das características 
inerentes à cada região do espectro eletromagnético, a maneira como essa radiação interage com os 
alvos terrestres. Nesse capítulo abordaremos aspectos sobre o comportamento espectraldos alvos.
1 Interação entre a radiação e os alvos terrestres
Para dar início a essa discussão, pense no seguinte, por que é que nós enxergamos a vegetação em 
tons esverdeados e o oceano azul e não o contrário, a vegetação azul e o oceano verde? O que será 
que existe na vegetação que a torna verde para os nossos olhos. Essa é uma pergunta relativamente 
simples de se responder. A presença da clorofila, de forma geral, dá o aspecto esverdeado à vegetação.
No entanto, reformule a pergunta inicial: Por que é que a clorofila dá uma aparência esverdeada 
para as folhas de uma árvore?
Como pode perceber, agora não ficou tão fácil de responder. Na realidade, enxergamos a cor 
verde, quando todas as outras cores, ou todos os outros comprimentos de onda relacionados às 
demais cores, estão sendo absorvidos pelo objeto que estamos observando, seja ele uma folha, o 
oceano, um carro ou uma blusa.
No caso da folha, a clorofila possui compostos químicos organizados de tal maneira que todas as 
cores sejam absorvidas e utilizadas na fotossíntese, com exceção do verde, é claro.
Caso você não esteja convencido, é possível provar essa teoria com experimentos. Tente iluminar 
a muda de uma planta somente com uma lâmpada verde e verá que todo o metabolismo desse 
vegetal será alterado. Provavelmente, a planta apresentará distúrbios no seu crescimento.
A mesma teoria descrita para a vegetação pode ser extrapolada para outros alvos, como um carro, 
ou uma blusa azul. O pigmento utilizado nesses casos faz o papel da clorofila. A cor azul é vista dessa 
maneira, pois foi pintada com uma mistura química, de modo que somente o comprimento de onda 
relacionado ao azul fosse refletido quando a radiação incidisse sobre esses objetos.
Para o sensoriamento remoto, é extremamente importante conhecer a maneira como cada alvo 
de interesse se comporta perante a incidência de radiação. Observe a figura 1 a seguir, que descreve 
o comportamento espectral de uma vegetação sadia, da água limpa e de um solo exposto.
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www.metodista.br/ead
FIGURA 1 – Comportamento espectral de uma vegetação sadia, da água limpa e de um solo exposto. 
Notar a reflectância de cada alvo em cada região distinta do espectro eletromagnético.
Fonte: Wikipedia
Através dos sensores remotos é possível diferenciar esses alvos, pois eles refletem de forma bas-
tante distinta cada comprimento de onda analisado. Caso os comportamentos fossem semelhantes, 
seria mais difícil distingui-los através das imagens de satélite.
Para fazer esse tipo de análise é muito importante levar em consideração as limitações de resolução 
dos sistemas sensores, que serão discutidas nos próximos capítulos. Tenha sempre em mente que 
estamos falando de sistemas que estão a bordo de aviões ou em plataformas orbitais, a aproxima-
damente 700km de altitude, podendo chegar a até 30.000km em casos específicos.
No entanto, considere também que os sensores podem “enxergar” muito além do que o olho 
humano é capaz de fazer, como já comentado anteriormente. Para isso observe atentamente a re-
flectância da vegetação, por exemplo, na figura 1, apresentada anteriormente.
Veja que a maior fração de energia refletida pela vegetação ocorre no infravermelho próximo. 
Ou seja, se as plataformas orbitais possuírem sensores posicionados especificamente para captar a 
energia proveniente dessas regiões do espectro, suas imagens certamente serão de bastante utili-
dade para estudos em áreas de vegetação, como mapeamentos para inventário, monitoramento de 
queimadas, desflorestamentos e, até mesmo, na agricultura, para previsão de safras.
Tendo em vista o que foi discutido anteriormente, o comportamento espectral de um alvo pode 
ser considerado como o conjunto de medidas de radiância de um objeto, efetuadas sob condições 
conhecidas ou controladas, em que cada medida corresponde ao valor médio em diferentes intervalos 
de comprimento de onda (SLATER, 1980).
Existe ainda outro conceito bastante importante, que é a assinatura espectral. Esse é o conjunto 
dos valores espectrais sucessivos de uma grandeza radiométrica e pode ser utilizado na construção de 
gráficos que relacionam a amplitude espectral dessa grandeza com o correspondente comprimento 
de onda, sendo estes gráficos denominados espectros da grandeza e constituintes importantes das 
descrições das propriedades radiométricas dos objetos.
Para se obter as assinaturas e comportamentos espectrais dos objetos é necessário um estudo 
radiométrico detalhado, em campo ou em laboratório, no qual um técnico ou pessoa capacitada 
efetua medições com um equipamento denominado radiômetro. 
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Esses dados são processados e armazenados em bibliotecas espectrais, que são muito importantes 
para o sensoriamento remoto, uma vez que a partir de uma assinatura coletada previamente em 
laboratório é possível realizar uma varredura nas imagens, identificando todos os elementos com 
comportamento igual ou semelhante ao utilizado como base para processamento.
Referências 
JENSEN, J. R. Remote Sensing of Environment: an Earth resource perspective. 2 ed. Upper 
Saddle River: Prentice Hall, 2007. 592 p.
NOVO, EML de M. Sensoriamento Remoto, princípios e aplicações. 3 ed. São Paulo: Ed. 
Edgard Blucher Ltda, 2008. 308 p.
MENESES P. R.; NETTO, J. S. M. Sensoriamento remoto: reflectância dos alvos naturais. Brasília: 
Editora UNB, 2001. 262 p.
SLATER, P. N. Remote Sensing: optics and optical systems. Reading, MA Addison-Wesley, 
1980. 575p.
Módulo
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Modelagem ambiental
Níveis de aquisição 
de dados
Prof. Dr. Luiz Rogério Matelli
Objetivos: 
Conhecer os diferentes níveis de aquisição 
de dados; conhecer os diferentes produtos de 
sensoriamento remoto; entender o que são 
plataformas orbitais e quais os tipos de 
produtos por elas fornecidos.
Palavras-chave: 
aquisição de dados; 
plataformas orbitais; 
Landsat; CBERS
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Tendo em vista a evolução dos sistemas de imageamento e do sensoriamento remoto como um 
todo, diversos tipos de plataformas vêm sendo utilizadas e, como comentado no capítulo anterior, 
estão sendo realizadas, também, medições em laboratórios especiais e em campo, com objetivo 
de dar suporte ao processamento dos dados coletados por sensores imageadores. Atualmente, 
considera-se quatro níveis de aquisição de dados: laboratório, campo, aéreo e orbital. A descrição 
de cada um será feita nasequência.
1. Aquisição de dados em laboratório
A coleta de dados em laboratório é uma etapa muito importante e que exige uma série de cuida-
dos especiais. A sala onde estão instalados os radiômetros, por exemplo, deve ser, preferencialmente, 
pintada de preto, para evitar que qualquer tipo de radiação oriunda de outras fontes emissoras, que 
não a do próprio aparelho, provoque alterações nas medições. Isso ocorre pois os sensores instalados 
nos equipamentos de medição são extremamente sensíveis à qualquer tipo de radiação. 
Da mesma maneira que a pintura da sala, também é muito importante que o operador que estiver 
coletando os dados esteja vestido com roupas escuras.
Em regiões em que a rede elétrica é instável, aconselha-se a utilização de sistemas estabilizadores 
e filtros de ruídos. Se houver picos de eletricidade, haverá variação nas lâmpadas dos equipamentos 
e essas variações serão, certamente, registradas pelos sensores como sendo respostas dos alvos que 
estão sendo medidos.
Nesse sentido, também é muito importante manter a fonte de radiação (lâmpada, no caso) sempre 
na mesma posição, ou seja, fixa através de um tripé.
Antes de realizar a coleta de informações, o aparelho é calibrado com uma placa de referência, em 
que se considera que toda a energia que está sendo emitida sobre ela também está sendo refletida 
para o sensor.
Nesse nível de aquisição de dados, as informações representadas na forma de gráficos de re-
flectância dos alvos são utilizadas para alimentar bibliotecas espectrais e para calibrar os sensores a 
bordo de plataformas aéreas e orbitais. 
2. Aquisição de dados em campo
 Quando se trabalha em campo, também é aconselhável utilizar roupas escuras, porém 
essa não é uma técnica adotada por muitos pesquisadores. Nesse caso também não é possível 
ter controle total das outras variáveis de interesse, principalmente com relação às fontes de 
iluminação. A aquisição de dados em campo depende de condições climáticas ótimas, como 
dia ensolarado e céu sem cobertura por nuvens ou de maneira que não haja nenhum tipo de 
sombra ao redor das áreas estudas.
 Com relação aos radiômetros que são utilizados, esses podem ser carregados numa mochila 
especial pelo operador ou, em caso específicos, ser posicionado em barcos, plataformas elevadas ou 
mastros de sustentação.
 Nessa fase também é necessário realizar a calibração com a placa de referência e os produtos 
também são obtidos na forma de gráficos de reflectância dos alvos.
3. Aquisição de dados aéreos
 A aquisição de dados através de sensores posicionados a bordo de aeronaves ainda é uma 
técnica pouco utilizada no Brasil devido aos custos elevados deste tipo de mapeamento, que deve 
ser encomendado a uma empresa capacitada para tal tarefa.
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Esse tipo de levantamento só é utilizado em casos muito específicos, quando se deseja realizar 
estudos detalhados, como mapeamento preciso da qualidade de água de um reservatório, em que 
se possa reconhecer diferentes tipos de poluentes através de sensores remotos, ou ainda, para ma-
peamento pedológico para investigação de prospecção de certos tipos de minérios.
Diversos tipos de sensores podem ser adotados nessa fase de aquisição de dados, como, por 
exemplo, os espectroradiômetros ou aqueles que utilizam uma espécie de filme fotográfico.
Com relação aos dados obtidos, esses podem ser fornecidos na forma de gráficos, de forma bas-
tante semelhante à aquisição em laboratório ou campo, ou ainda, na forma de imagens. Um produto 
bastante conhecido e de maior utilização no Brasil são as famosas videografias, exemplificadas na 
figura 1 a seguir.
FIGURA 1 – Exemplos de dados obtidos por videografia aérea
Fonte: Wikipedia
4. Aquisição de dados orbitais
Esse é o método de aquisição mais difundido mundialmente. Nele estão inclusas as plataformas 
orbitais, mais conhecidas como satélite. Essas são lançadas na órbita da Terra, a uma altitude de 
700km, aproximadamente, em sua maioria, podendo chegar a até 30.000km, em casos específicos, 
como já comentados anteriormente.
Os satélites podem ficar orbitando ou serem geoestacionários. Usualmente, os satélites que pro-
duzem dados com os quais podem ser geradas imagens de média e alta resolução espacial são os 
que permanecem orbitando, ou seja, movimentam-se em relação a Terra. Como exemplos podem 
ser citados os satélites da série Landsat, Cbers, Spot, Ikonos e Quickbird. No caso dos geoestacioná-
rios, normalmente são plataformas utilizadas para fins metereológicos, em que há necessidade de 
Universidade Metodista de São Paulo
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Referências
JENSEN, J.R. Remote Sensing of Environment: an Earth resource perspective. 2 ed. Upper 
Saddle River: Prentice Hall, 2007. 592 p.
MOREIRA, M. A. Fundamentos do sensoriamento remoto e metodologia de aplicação. 3 
ed. Viçosa: Ed. UFV, 2005. 320 p. 
NOVO, EML de M. Sensoriamento Remoto, princípios e aplicações. 3 ed. São Paulo: Ed. 
Edgard Blucher Ltda, 2008. 308 p.
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monitorar regiões específicas do Globo de forma constante e, por isso, movimentam-se de forma 
a acompanhar a rotação da Terra. Para isso, estão sempre em órbitas mais elevadas e suas imagens 
possuem baixa resolução espacial. Um exemplo desse tipo de plataforma são os satélites do pro-
grama americano GOES.
Módulo
www.metodista.br/ead
Modelagem ambiental
Sistemas 
sensores 
e produtos
Prof. Dr. Luiz Rogério Matelli
Objetivos:
Compreender a diferença entre sensores 
ativos e passivos; reconhecer os diferentes 
produtos por eles produzidos.
Palavras-chave: 
sensores ativos; sensores passivos; 
RADAR; sensores ópticos.
Universidade Metodista de São Paulo
122
Quando se trata de dados de sensoriamento remoto é preciso ter em mente dois tipos básicos 
de sistemas sensores: os ativos e os passivos. Resumidamente, os ativos são aqueles que produzem 
sua própria radiação eletromagnética e os passivos dependem, necessariamente, da energia que é 
emitida pelos alvos (energia termal) ou, mais comumente, da energia irradiada pelo Sol. Na realidade, 
é preciso ter em mente que os dois sistemas dependem da energia solar, porém, no caso dos ativos, 
somente para captá-la através de painéis solares e transformá-la em eletricidade, que carregará as 
baterias da plataforma e permitirá o funcionamento de todo o sistema. Esse capítulo explicará como 
funcionam cada um desses sensores e os diferentes tipos de produtos que eles são capazes de produzir.1. Sensores passivos
Atualmente, a maioria dos sistemas sensores utilizados são instrumentos passivos, que dependem 
necessariamente de condições específicas para que o mapeamento da superfície terrestre possa ser 
efetuado.
Para entender o seu funcionamento, é preciso retomar o capítulo 2, no qual foi discutido sobre 
a radiação eletromagnética. Lembre-se sobre os comprimentos de onda dessa radiação e sobre as 
faixas que podem sensibilizar o olho humano, fazendo-nos enxergar. 
No caso do sensoriamento remoto passivo, a energia utilizada é aquela que compreende os 
comprimentos de onda desde a região visível até a faixa do infravermelho, ou seja, que são emitidas 
pelo Sol, fazendo parte do espectro solar. Essas radiações, por não possuírem comprimentos de onda 
longos, não possuem grande poder de penetração nos alvos. Sendo assim, é preciso que o céu esteja 
limpo, sem presença de nuvens ou qualquer tipo de fumaça, para que os sensores possam captar a 
radiação que está sendo refletida pela superfície terrestre. 
2. Sensores Ativos
Os sensores ativos, mais conhecidos como RADARES, utilizam a radiação de ondas longas, que 
eles próprios irradiam em direção à superfície da Terra. Essa radiação compreende a faixa de micro-
-ondas do espectro eletromagnético e possui um poder maior de penetração que as ondas curtas, 
utilizadas no sensoriamento remoto passivo.
Dessa maneira, é possível que ocorra mapeamentos noturnos, em dias nublados, sob queimadas 
e até mesmo em dias chuvosos. Cabe ressaltar que isso somente é possível desde que os painéis 
solares da plataforma sejam expostos à luz solar por períodos suficientes para carregar as baterias do 
sistema. Entenda que, mesmo estando à noite em uma determinada região estudada, pela altitude e 
órbita em que o satélite se encontra, é possível, ainda assim, que seus painéis solares estejam sendo 
irradiados pelo Sol.
Apesar dessas vantagens, os produtos originados por sensores ativos possuem um ruído especí-
fico, que deixa o dado com uma aparência granulada, que já não ocorre no sensoriamento remoto 
passivo. Além disso, são mais utilizados, atualmente, em estudos em que haja a necessidade de 
destacar detalhadamente o relevo e as feições geomorfológicas.
Nesse caso as plataformas são equipadas com antenas capazes de captar a radiação de ondas 
longas refletida pelos alvos terrestres e não com sistema ópticos, constituídos por lentes e espelhos, 
como no sensoriamento passivo.
3. Método de aquisição de dados
Convencionou-se dois grandes métodos de aquisição de dados através de plataformas orbitais: 
por varredura mecânica ou por escaneamento.
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www.metodista.br/ead
No primeiro caso, o satélite possui um sistema mecânico de espelhos, que se movimentam de 
modo como se estivessem varrendo a superfície imageada, indo e vindo. Algumas plataformas apre-
sentam falhas nos espelhos integrantes desse sistema.
No segundo caso, o satélite se comporta como um escâner, que realiza a captura de dados de 
forma contínua, numa única faixa.
Em ambos os casos é possível realizar apontamento lateral da plataforma ou do sistema de len-
tes e espelhos. Essa característica é importante para visualizar eventos extraordinários, que estejam 
ocorrendo numa órbita diferente daquela que o satélite se encontra. Nesses casos, um técnico, em 
laboratório terrestre, faz a programação necessária para o apontamento. Um exemplo dessa apli-
cação foi o ocorrido na época do tsunami. Para pesquisadores no mundo inteiro era crucial saber 
como tinha ficado a região após esse evento. Dessa maneira, diversos satélites foram programados, 
de acordo com a disponibilidade de órbita, para visualizar o fenômeno ocorrido.
Referências 
EPIPHANIO, J. C. N. Satélites de sensoriamento remoto. In: RUDORFF, B. F. T.; MORAES, E. C.; 
PONZONI, F. J.; CAMARGO JÚNIOR, H.; CONFORTE, J. C.; MOREIRA, J. C.; EPIPHANIO, J. C. N.; 
MOREIRA, M. A.; KAMPEL, M.; ALBUQUERQUE, P. C. G.; MARTINI, P. R.; FERREIRA, S. H.; TAVARES 
JÚNIOR, S. S.; SANTOS, V. M. N. (Ed.). Curso de uso de sensoriamento remoto no estudo do 
meio ambiente. São José dos Campos: INPE, 2002. p. 37. Capítulo 2.
JENSEN, J. R. Remote Sensing of Environment: an Earth resource perspective. 2 ed. Upper 
Saddle River: Prentice Hall, 2007. 592 p.
MOREIRA, M. A. Fundamentos do sensoriamento remoto e metodologia de aplicação. 3 
ed. Viçosa: Ed. UFV, 2005. 320 p. 
NOVO, EML de M. Sensoriamento Remoto, princípios e aplicações. 3 ed. São Paulo: Ed. 
Edgard Blucher Ltda, 2008. 308 p.
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Modelagem ambiental
Aplicaçõesdo 
sensoriamento 
remoto
Prof. Dr. Luiz Rogério Matelli
Objetivos: 
Conhecer as diferentes áreas de aplicação 
dos produtos de sensoriamento remoto; 
reconhecer a importância e aplicabilidade 
desses produtos.
Palavras-chave: 
aplicações; meteorologia; geografia; estudos 
ambientais; agricultura; geologia; cartografia.
Universidade Metodista de São Paulo
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Depois de estudarmos sobre a história e os princípios físicos do sensoriamento remoto, sobre 
o comportamento espectral dos alvos terrestre e sobre os diferentes tipos de sensores e níveis de 
aquisição de dados, você certamente deve estar se perguntando para que serve tudo isso, como 
se trabalha efetivamente com o sensoriamento remoto. Esse capítulo responderá algumas de suas 
perguntas, dando uma perspectiva sobre os diferentes tipos de aplicação.
1. Sensoriamento remoto na Cartografia 
A área de Cartografia utiliza os dados obtidos por sensores remotos para a elaboração de mapas 
e cartas topográficas, principalmente para a atualização dos produtos cartográficos mais antigos, 
obtidos por metodologias convencionais.
2. Sensoriamento remoto na Geografia
As principais aplicações de sensoriamento remoto na geografia concentram-se na utilização de 
informações para determinação e monitoramento do uso e ocupação do solo, além de monitora-
mento de processos geomorfológicos.
3. Sensoriamento remoto na Geologia
Nessa área, o objetivo do sensoriamento remoto é a coleta de informações relevantes sobre todos 
os fenômenos terrestres e o estudo de suas propriedades registradas por aeronaves ou satélites. 
As aplicações na Geologia podem ser classificadas em dois grupos, um voltado ao mapeamento 
geológico básico e o outro voltado à pesquisa visando à extração mineral.
4. Sensoriamento remoto na meteorologia
Uma das maiores aplicações das imagens e outros produtos obtidos por sensores remotos se dá 
na meteorologia. Países desenvolvidos, de primeiro mundo, como os Estado Unidos, por exemplo, 
possuem programas espaciais inteiros voltados para fins meteorológicos, como é o caso do progra-
ma GOES e NOAA.
As imagens obtidas por essas plataformas são utilizadas para realizar previsões climáticas e 
acompanhar o deslocamento das massas de ar no oceano e no continente, podendo auxiliar na 
identificação de novos furacões e ciclones extratropicais, além de permitir um acompanhamento 
detalhado daqueles que já se formaram, sendo assim, uma ferramenta extraordinária na prevenção 
de catástrofes em áreas litorâneas e rurais, onde normalmente ocorrem esses fenômenos.
Outra aplicação bastante interessante são os estudos em áreas urbanas, visando à determinação 
da presença de ilhas de calor. Esse é um fenômeno cada vez mais comum em grandes centros urba-
nos, em que a temperatura chega a ser até 5ºC mais elevadas em relação às áreas adjacentes, onde 
ainda existem fragmentos florestais. Estudos desse tipo são de grande importância para a gestão 
integrada de cidades.
5. Sensoriamento remoto na agricultura
Na área de agricultura, as aplicações do sensoriamento remoto podem relacionar-se às atividades 
de agrometeorologia, monitoramento do uso, detecção de desmatamentos e queimadas, previsão 
de safra, mapeamento da infraestrutura rural, caracterização dos solos ou de identificação e mape-
amento de culturas, etc. (MOREIRA, 2005).
A previsão de safras em países europeus e nos Estados Unidos é feita, fundamentalmente, por 
sensoriamento remoto, o que não acontece no Brasil. Aqui ela é feita pelo Instituto Brasileiro de 
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Geografia e Estatística (IBGE) e pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) baseada em 
métodos tradicionais de estatística. De acordo com o chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento 
da Embrapa Monitoramento por Satélite, Evaristo Eduardo de Miranda, “Apesar de existir, no país, 
tecnologia para isso, profissionais competentes e métodos para fazê-lo o país ainda não foi capaz 
de organizar essa iniciativa a ponto de gerar uma boa previsão de safra” (MOREIRA, 2005).
6. Sensoriamento remoto e estudos ambientais
Talvez essa seja, atualmente, a maior aplicação dos produtos obtidos por sensoriamento remoto. 
Imagens produzidas por satélites têm contribuído substancialmente para levantamentos de vege-
tação e monitoramento de florestas, sobretudo em áreas amazônicas, onde o acesso por terra é 
extremamente dificultado, devido à densidade dessa floresta. 
Nesse sentido, muitos programas vêm sendo desenvolvidos para monitorar o desmatamento e as 
queimadas nessas regiões. Como exemplos podem ser citados o PRODES e o DETER, dois programas 
desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
Também há uma grande aplicação no estudo e monitoramento dos recursos hídricos. É possível, 
através de imagens de satélite, por exemplo, reconhecer certos tipos de poluentes específicos nos 
corpos d’água, podendo-se, inclusive, determinar suas concentrações e, consequentemente, aplicar 
esses valores em equações para estimar o estado trófico de reservatórios. Essa é uma ferramenta de 
gestão extremamente poderosa, pois permite planejar de forma mais adequada a ocupação urbana 
em áreas mananciais, relacionando a qualidade de água com o tipo de ocupação de entorno desses 
ambientes (NOVO, 2008). 
7. Aplicações dos subprodutos de sensoriamento remoto
Com base nos subprodutos gerados a partir das aplicações mostradas anteriormente, é 
possível realizar diversos estudos secundários, muito importantes, sobretudo, para a gestão 
integrada de cidades.
Através do processamento das imagens primárias e combinação, por exemplo, com dados de 
campo e mapas de uso e ocupação do solo, é possível utilizar o sensoriamento remoto para a segu-
rança e a saúde pública, além de planejamento viário, cálculos de IPTU, marketing, etc.
Referências 
MOREIRA, M. A. Fundamentos do sensoriamento remoto e metodologia de aplicação. 3 
ed. Viçosa: Ed. UFV, 2005. 320 p. 
NOVO, EML de M. Sensoriamento Remoto, princípios e aplicações. 3 ed. São Paulo: Ed. 
Edgard Blucher Ltda, 2008. 308 p.
FLORENZANO, T.G.. Imagens de Satélite para Estudos Ambientais. São Paulo: Oficina de 
Textos, 2002. 92 p.
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Modelagem ambiental
Características 
técnicas das imagens 
Prof. Dr. Luiz Rogério Mantelli
Objetivos: 
Conhecer os diferentes tipos de resoluções 
das imagens de satélite. 
Entender como essas resoluções são importante na escolha 
de diferentes tipos de imagens para diferentes aplicações.
Palavras-chave: 
resolução espacial; resolução temporal; 
resolução espectral; resolução radiométrica.
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Existem quatro características que permitem diferenciar imagens geradas pelos diferentes sensores 
remotos. São estas: resolução espacial, resolução temporal, resolução espectral e resolução radio-
métrica. As resoluções dependem das características técnicas dos sensores e da órbita do satélite, e 
são normalmente utilizadas para caracterizar uma imagem.
1. Resolução Espacial 
A resolução espacial significa, na prática, o nível de detalhamento que pode ser observado pelo 
olho humano em uma determinada imagem. Sistemas de alta resolução são capazes de gerar imagens 
em que pode ser observado grande nível de detalhes dos objetos. Esses, por sua vez, não podem ser 
observados nas imagens geradas por sensores de média e baixa resolução. Mesmo para os melhores 
sensores existe uma limitação de resolução espacial. 
Uma pessoa que usa óculos pode experimentar o efeito da redução de resolução simplesmente 
tirando-os. Sem óculos a pessoa vê os objetos borrados, sem boa definição de forma e detalhes. 
Então, a habilidade de discriminar pequenos detalhes é uma forma de descrever o que é chamado 
de resolução espacial. Quanto menor o objeto possível de ser visto com boa acuidade na imagem, 
melhor é a resolução espacial do sensor (FONSECA, 2000).
A resolução espacial de uma imagem é extremamente importante, pois está diretamente relacio-
nada a sua utilização. Isso acontece em função da escala de trabalho e/ou do grau de detalhamento 
desejado da superfície terrestre. Dessa maneira, há de se imaginar que o uso de diferentes imagens 
produzirá diferentes representações da superfície terrestre, com maior ou menor detalhamento de 
feições de interesse, como áreas urbanas, agrícolas ou até mesmo relevo. Sendo assim, escolher uma 
imagem para trabalhar dependerá da escala desejada e do nível de detalhamento desejado. 
Para entender melhor o que é a resolução espacial, a figura 1 ilustra a mesma cena observada em 
diferentes resoluções espaciais.
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FIGURA 1 - Mesma imagem observada em diferentes resoluções espaciais: (a) imagem original; (b) 
256x256; (c) 128x128; (d) 64x64 elementos de imagem.
Fonte: Acervo próprio
2. Resolução Espectral
A resolução espectral está relacionada às regiões do espectro nas quais um sensor é capaz de 
captar a energia refletida pelos alvos terrestres, gerando assim, diferentes imagens em níveis de cinza, 
denominadas bandas espectrais. Cada uma dessas representa a energia que foi registrada pelos sen-
sores numa determinada região do espectro eletromagnético. Assim, quanto maior a quantidade de 
bandas ou imagens geradas e menor a largura da faixa do espectro captada, melhor será a resolução 
espectral sensor (MOREIRA, 2005).
Lembre-se que a reflexão dos comprimentos de onda acontece em quantidades diferentes para 
cada tipo de material ou objeto, o que permite estabelecer uma caracterização espectral de cada 
um deles.
Este fato viabiliza a identificação de diferentes coberturas sobre a superfície terrestre, através de 
uma análise multiespectral realizada com imagens de diferentes regiões do espectro.
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3. Resolução Temporal 
A resolução temporal se refere ao intervalo de tempo, em dias ou horas, que o sistema demora 
em obter duas imagens consecutivas da mesma região sobre a Terra. É também conhecida como 
tempo de revisita e depende das características da órbita do satélite. Porém, sensores com capaci-
dade de imageamento com visada lateral ou off-nadir, podem diminuir o tempo de revisita, como 
visto anteriormente. 
A resolução temporal é de fundamental importância quando se pretende monitorar processos 
dinâmicos como, por exemplo: a ocorrência de incêndios ou queimadas em reservas florestais, der-
ramamento de óleo no oceano, mudanças fenológicas de culturas e o crescimento de uma cidade. 
4. Resolução Radiométrica 
As imagens adquiridas por sensores remotos a bordo de satélites têm geralmente formatos di-
gitais. Já as fotografias aéreas são tradicionalmente imagens analógicas. Uma imagem digital é a 
composição de um conjunto de elementos denominados pixels (picture elements), que são as menores 
unidades gráficas de cada imagem. Para visualizar um pixel, basta aplicar um zoom exagerado sobre 
qualquer imagem (FONSECA, 2000).
Em uma imagem, cada elemento é organizado em forma de uma matriz (figura 7.2) e associado a 
um valor de intensidade denominado número digital (DN) que representa a quantidade de energia 
radiação refletida pelos alvos terrestres que foi detectada pelos sensores (FONSECA, 2000). 
FIGURA 2 – Organização dos pixels de uma imagem em forma de matriz
Fonte: Acervo próprio
O número digital é armazenado com uma quantidade finita de bits, ou seja, números compostos 
de valores 0 e 1. Por exemplo, o número 10010110 é um número binário de 8 bits por ter 8 dígitos 
com valores 0 ou 1. 
4.1 Resolução Radiométrica de uma Imagem Digital 
A resolução radiométrica de uma imagem é definida pelo número de bits empregados para ar-
mazenar os níveis digitais (níveis de cinza) utilizados na aquisição dos dados, indicando a quantidade 
máxima desses que pode ser utilizado para representar uma imagem (FONSECA, 2000). 
Para entender como isso funciona, tomemos como exemplo uma imagem de 8 bits (comuns em 
sensoriamento remoto). O total de níveis de cinza para representar essa imagem será 256 (28 = 256). 
Desta forma, a imagem será identificada como tendo uma resolução radiométrica de 8 bits, na qual 
o valor zero é associado à cor preta e o valor 255 àcor branca (FONSECA, 2000).
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Referências 
CRÓSTA, A. P. Processamento Digital de Imagens de Sensoriamento Remoto. Campinas: 
Unicamp, 1993.
FONSECA, L. M. G. Processamento digital de imagens. São José dos Campos: INPE, 2000.
IMAGEM – SOLUÇõES DE INTELIGÊNCIA GEOGRÁFICA. Conceitos de Imagens de Satélite e 
Sensoriamento Remoto. São José dos Campos. 2011.
LILLESAND, T. M.; KIEFER, R. W. Remote Sensing and Image Interpretation. John Wiley & 
Sons, 2000.
MOREIRA, M. A. Fundamentos do sensoriamento remoto e metodologia de aplicação. 3 
ed. Viçosa: Ed. UFV, 2005. 320 p. 
 A figura 3 ilustra uma mesma imagem observada em diferentes resoluções radiométricas.
FIGURA 3 - Mesma imagem observada em diferentes resoluções radiométricas: (a) 256; (b) 8; (c) 4; 
(d) 2 níveis de digitais.
Fonte: Acervo próprio
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Modelagem ambiental
Princípios de 
fotointerpretação 
Prof. Dr. Luiz Rogério Mantelli
Objetivos: 
Estudar os princípios da fotointerpretação e entender 
os elementos necessários para análise de uma imagem 
e reconhecimentos de padrões e feições; entender as etapas 
e tecnologias disponíveis para fotointerpretação.
Palavras chave: 
 
Universidade Metodista de São Paulo
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O termo fotointerpretação refere-se ao conjunto de todos os processos envolvendo a análise 
visual de imagens fotográficas, sejam elas obtidas por fotografia aérea, por sensores orbitais ou 
qualquer outro tipo de imagem. De acordo com o manual de interpretação da Sociedade Americana 
de Fotogrametria, a interpretação fotográfica é o ato de examinar imagens fotográficas com intuito 
de identificar objetos e os seus significados. 
Interpretar imagens de satélite ou fotos aéreas pode parecer uma tarefa bastante simples. No 
entanto, para quem trabalha com sensoriamento remoto e precisa extrair informações bastante 
específicas desses dados, essa pode se tornar uma atividade demorada e bastante complexa, so-
bretudo quando os alvos de interesse possuem respostas espectrais semelhantes, como ocorre em 
áreas agrícolas, por exemplo. Nesses casos, é extremamente importante conhecer as características 
do que se quer encontrar na imagem além de dominar os elementos de interpretação, que serão 
apresentados nesse capítulo.
1. Etapas da fotointerpretação
A fotointerpretação é um processo que envolve pelo menos duas etapas básicas de execução, que 
são a observação e interpretação. Há na literatura quem divida esse procedimento em três partes: a 
fotoleitura, a fotoanálise e a fotointerpretação.
De acordo com Johansson (2002), há diferenças entre a leitura numa simples fotografia aérea e a 
fotointerpretação estereoscópica da mesma. A leitura fotográfica é um assunto para determinações 
gerais, tais como escala, orientação geográfica, estação do ano, identificação das linhas corresponden-
tes ao perímetro, estradas de rodagem, estradas de ferro, importantes cursos d’água e classificação 
das principais formas topográficas. A fotointerpretação é um assunto que diz respeito à fotoanálise 
de curso d’água, de áreas cultivadas, da cobertura vegetal, de florestas para obtenção de madeira 
de lei, de formações geológicas, dos solos, de construções e trabalhos gerais feitos pelo homem. Na 
interpretação geológica e na de solos, precisamos rebuscar e gravar todas as informações a respeito 
do tipo de solo, dos lençóis de água, da erosão, das falhas geológicas, etc..
2. A chave da fotointerpretação
Como comentado anteriormente, em áreas agrícolas é bastante difícil reconhecer com sucesso e 
discriminar alguns tipos de culturas. Sendo assim, a chave da fotointerpretação está na utilização de 
guias que possuem características específicas de cada alvo pelo qual se está procurando na imagem, 
que, no caso, poderia ser um talhão de cana ou soja, que possuem respostas espectrais semelhantes. 
Poderia ser, também, em outro contexto, a separação de uma cidade em zonas residenciais e industriais.
Normalmente, o processo de fotointerpretação é lento e deve ser feito de forma meticulosa, par-
tindo de características gerais para as específicas. Quando se quer determinar qual o tipo de chave 
e método de apreciação que serão utilizados, deve-se ter em mente o seguinte:
o número de objetos e as condições para o reconhecimento; 
a variabilidade normalmente encontrada dentro de cada classificação.
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De uma maneira geral, as chaves são mais facilmente construídas quando as características da 
superfície terrestre foram idealizadas pelo homem (exemplo: casas residenciais, edifícios, estradas, 
pontes, etc.). São de difíceis confecções quando se deve estudar as características para vegetação 
natural e as formas da Terra. Para a interpretação das características naturais, é essencial treinamen-
to e trabalho de campo para a obtenção da experiência necessária, podendo o profissional assim, 
produzir trabalhos consistentes (JOHANSSON, 2002). 
No entanto, a fotointerpretação é considerada um processo no qual o intérprete utiliza um ra-
ciocínio lógico, dedutivo e indutivo para compreender e explicar o comportamento de cada objeto 
contido nos dados que estão sendo analisados. Em outras palavras, não adianta de nada seguir guias 
e chaves de identificação sem realizar o procedimento de maneira intuitiva e coerente com oque 
está sendo estudado. A prática também é um fator que ajuda muito nesses trabalhos, principalmente 
quando surgem situações de dúvidas que possam induzir o intérprete ao erro.
3. Fotointerpretação assistida por computador
O refinamento da qualidade visual dos dados utilizados na fotointerpretação conseguido me-
diante a aplicação de diversas técnicas de processamento digital, bem como a utilização de recursos 
próprios de um Sistema de Informações Geográficas, facilitam a identificação e a digitalização exata 
de grande parte das classes de feições nos processos fotointerpretativos. Além disso, aumentam a 
quantidade de informação extraída das imagens, quando comparados com trabalhos feitos a partir 
de dados originais. 
Entretanto, o processo não dispensa as fontes de dados complementares que, de qualquer modo, 
são, mesmo, inerentes ao processo de fotointerpretação. 
Referências 
PHILIPSON, W. R. Manual of Photographic Interpretation. 2 ed. American Society for Pho-
togrammetry and Remote Sensing, 1997. 700 p.
JOHANSSON JR., A. O. Disciplina Aerofoto e Fotointerpretação - Notas de aulas. 2000. Dis-
ponível em <http://www.cartografia.eng.br/artigos/naero09.asp>. 
MOREIRA, M. A. Fundamentos do sensoriamento remoto e metodologia de aplicação. 3 
ed. Viçosa: Ed. UFV, 2005. 320 p. 
VERGARA, O. R.; KURKDJIAN, M. L. N. O. Fotointerpretação assistida por computador para atuali-
zação de cartas topográficas na escala 1:50.000. In: SIMPOSIO BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO 
REMOTO, 9., 1998, Santos. Anais... São José dos Campos: INPE, 1998. p. 713-718. CD-ROM. 
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Módulo
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Fotointerpretação 
aplicada ao 
meio ambiente 
Prof. Dr. Luiz Rogério Mantelli
Objetivos: 
Compreender os principais elementos para 
interpretação de imagens de sensores remotos, 
relacionando os aspectos físicos, caracterizados 
em uma imagem, com os aspectos biológicos; 
Reconhecer a importância da prática de 
interpretação e sua aplicação no dia a dia do 
gestor ambiental.
Palavras-chave: 
interpretação de imagem; fotointerpretação; 
elementos de interpretação. 
Universidade Metodista de São Paulo
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A fotointerpretação propriamente dita é realizada com base em uma série de características que 
devem ser observadas, denominadas elementos de fotointerpretação. São eles: o padrão, a tonalida-
de e cor, a forma e o tamanho, a textura e a sombra. Essas características devem ser observadas de 
acordo com a necessidade do intérprete, ou seja, de acordo com o trabalho que ele estiver realizando. 
Interpretar imagens de áreas urbanas ou florestas, por exemplo, são processos semelhantes, porém 
que exigem critério e prática na escolha das principais características a serem observadas.
1. Padrão
Para entender como o padrão é importante na interpretação, tomemos o seguinte exemplo como 
base: Imagine que você está analisando dados de uma área vegetada. Nesse caso, o padrão refere-se 
à distribuição espacial de algumas feições de determinadas vegetações, que podem variar de uma 
região para outra. No caso, considere a presença de carreadores no meio de sua área de estudo. 
Esses servirão para diferenciar áreas plantadas com cana de açúcar das áreas de pastagem, onde 
não são verificados carreadores com a mesma frequência.
No entanto, o padrão não é o único elemento que deve ser observado, uma vez que áreas de 
reflorestamento também possuem essas estruturas e, com isso, você estaria fazendo uma interpreta-
ção. Nesse caso, também seria fundamental observar a variação de textura e o tamanho dos talhões 
de cada área. Dependendo da pastagem, a cor e tonalidade também poderiam auxiliar no processo.
Outro tipo de padrão mais comumente observado são os padrões de drenagem, bastante carac-
terísticos em dados de sensoriamento remoto, principalmente aqueles obtidos por sensores ativos 
que visam gerar modelos de elevação digital do terreno. Nesse caso podem ser extraídas facilmente 
as redes de drenagem, consequentemente os padrões tão utilizados em estudos geomorfológicos, 
como dendríticos, paralelos, treliçados, retangulares e radiais. Para os geomorfólogos, através dos 
estudos dos padrões e anomalias de drenagem é possível traçar planos de evolução das áreas es-
tudadas no tempo.
2. Tonalidade e Cor
Esses elementos são bastante utilizados e “funcionam” de forma mais intuitiva para o intérprete 
leigo no assunto. A tonalidade está mais relacionada aos níveis de cinza na imagem. Alvos com maior 
reflectância apresentam tonalidades mais claras e alvos que absorvem mais a radiação em determi-
nada faixa refletem menos energia e, por isso, possuem tonalidades mais escuras.
No entanto, é preciso ter em vista que muito alvos possuem reflectância bastante semelhantes em 
alguns comprimentos de onda mais utilizados. Nesse caso, convém utilizar composições de imagem 
coloridas para visualizar e tentar discriminar os alvos estudados.
Na fotointerpretação, a cor é utilizada para tentar discriminar diferentes tipos de vegetação ou, até 
mesmo, o estado de desenvolvimento de uma espécie específica. Em fotografias aéreas normais, a 
coloração verde escura representa vegetação mais densa e o verde claro áreas com menos vegetação, 
que podem ser campos abertos ou pastagens. Áreas com vegetação muito rala ou sem cobertura 
vegetal apresentam uma coloração com tons de magenta. Isso ocorredevido à mistura da radiação 
refletida pela vegetação e pelo solo.
3. Forma e tamanho
Conhecer a forma e tamanho dos objetos no mundo real é uma atividade que requer muito treino 
e prática, mas que, no entanto, é muito importante no processo interpretativo, sobretudo quando 
se quer analisar imagens com grande diversidade de alvos, como ocorre em áreas urbanas/rurais, 
com presença de remanescentes florestais e corpos d’água, como é a região metropolitana de São 
Paulo, por exemplo.
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Além disso, é muito comum utilizar forma e tamanho para reconhecer malhas viárias de forma 
geral, aeroportos, canalizações, etc.
Em áreas agrícolas é possível, ainda, relacionar a forma e o tamanho do talhão com o tipo de 
cultura normalmente utilizado com tais características. É o caso de plantações em formas circulares, 
que ocorrem devido a presença de um pivô central para irrigação.
4. Textura
A textura nas imagens pode ser entendida como o padrão obtido por meio do arranjo espacial 
de vários objetos no terreno (elementos texturais) que sozinhos não poderiam ser detectados pelos 
sensores remotos.
A maior aplicação da textura como elemento de interpretação se dá para a discriminação entre 
áreas vegetadas. Uma aplicação secundária é a análise de corpos d’água. Quanto maior a agitação 
da água na superfície, mais rugosa será a textura visualizada.
5. Sombra
A sombra verificada em imagens de sensoriamento remoto pode ser associada à presença de 
nuvens, à topografia ou a outros elementos na paisagem, como diferenças no dossel da vegetação, 
presença de construções, etc.
Dessa maneira, a sombra é de grande serventia para estudos que envolvam caracterização do 
relevo, por exemplo.
Referências 
PHILIPSON, W. R. Manual of Photographic Interpretation. 2 ed. American Society for Pho-
togrammetry and Remote Sensing, 1997. 700 p.
FLORENZANO, T. G. Imagens de Satélite para Estudos Ambientais. São Paulo: Oficina de 
Textos, 2002. 92 p.
MOREIRA, M. A. Fundamentos do sensoriamento remoto e metodologia de aplicação. 3 
ed. Viçosa: Ed. UFV, 2005. 320 p. 
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Módulo
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Sistemas de 
informações 
geográficas
Modelagem ambiental
Prof. Dr. Luiz Rogério Mantelli
Objetivos: 
Entender o que são sistemas de informações 
geográficas; reconhecer a estrutura de um SIG; 
entender a utilização desse tipo de ferramenta.
Palavras-chave: 
Sistemas de informações geográficas;
 geoprocessamento; bancos de dados.
Universidade Metodista de São Paulo
144
Inserir e integrar, numa única base de dados, informações espaciais provenientes de 
dados cartográficos, dados censitários e cadastro urbano e rural, imagens de satélite, 
redes e modelos numéricos de terreno;
Oferecer mecanismos para combinar as várias informações, através de algoritmos de 
manipulação e análise, bem como para consultar, recuperar, visualizar e plotar o con-
teúdo da base de dados georreferenciados.
Os sistemas de informações geográficas, ou SIG’s, são conhecidos atualmente como sistemas 
computacionais (hardware e software) que armazenam organizadamente dados sobre o mundo real 
e permitem que esses sejam processados, de forma que possam ser utilizados como informações. 
Dessa maneira, os SIG’s tornaram-se uma poderosa ferramenta de gestão, permitindo a combinação 
de imagens, vetores, pontos e até mesmo informações cadastrais sobre o meio físico.
1. Visão Geral de um SIG
O termo Sistemas de Informação Geográfica (SIG) é aplicado para sistemas que realizam o tra-
tamento computacional de dados geográficos. Um SIG armazena a geometria e os atributos dos 
dados que estão georreferenciados, isto é, localizados na superfície terrestre e representados numa 
projeção cartográfica. Os dados tratados em geoprocessamento têm como principal característica a 
diversidade de fontes geradoras e de formatos apresentados (CÂMARA; DAVIS; MONTEIRO, 2001).
A principal diferença de um SIG para um sistema de informação convencional é justamente sua 
capacidade de armazenar tanto os atributos descritivos como as geometrias dos diferentes tipos de 
dados geográficos. 
Um exemplo disso seria o cadastro das quadras e respectivos lotes urbanos. As informações 
armazenadas em um SIG vão além das descritivas contendo dados do proprietário e valores refe-
rentes ao IPTU. Também são consideradas informações espaciais e geométricas deste lote, como as 
coordenadas e o seu limite dentro da quadra onde está localizado.
O requisito de armazenar a geometria dos objetos geográficos e de seus atributos representa essa 
dualidade básica para SIGs. Para cada objeto geográfico, o SIG necessita armazenar seus atributos e as 
várias representações gráficas associadas. Devido a sua ampla gama de aplicações, que inclui temas 
como agricultura, floresta, cartografia, cadastro urbano e redes de concessionárias (água, energia e 
telefonia), há pelo menos três grandes maneiras de utilizar um SIG (CASANOVA et al., 2005):
• como ferramenta para produção de mapas;
• como suporte para análise espacial de fenômenos;
• como um banco de dados geográficos, com funções de armazenamento e recuperação de 
informação espacial.
Estas três visões do SIG são antes convergentes que conflitantes e refletem a importância relativa do 
tratamento da informação geográfica dentro de uma instituição (CÂMARA; DAVIS; MONTEIRO,2001). 
Atualmente, existem diversas definições de SIG que refletem, cada uma à sua maneira, a multipli-
cidade de usos e visões possíveis desta tecnologia e apontam para uma perspectiva interdisciplinar 
de sua utilização. A partir destes conceitos, é possível indicar as principais características de SIGs 
(CÂMARA; DAVIS; MONTEIRO, 2001):
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www.metodista.br/ead
Você está realizando um trabalho sobre a distribuição de renda na cidade de São 
Paulo e possui para isso, um banco de dados do IBGE com informações do último 
censo realizado na região, distribuídas em quadras, ou seja, informações sobre a 
média dos dados avaliados por quadras (quarteirões). Em posse desses dados, você 
pergunta ao sistema “onde estão localizadas as famílias com renda de até 2 salários 
mínimos”. A resposta será dada graficamente ou na forma de tabelas. Todas as qua-
dras que possuem renda familiar média de até 2 salários mínimos serão demarcadas 
pelo sistema. Dessa forma você poderá analisar a distribuição de renda na cidade 
estudada, fazendo a mesma pergunta diversas vezes, porém variando a faixa salarial 
(MEDEIROS; CÂMARA, 1998).
Referências 
CASANOVA, M. A.; CÂMARA, G.; DAVIS, C.; VINHAS, L.; QUEIROZ, G. R. Bancos de dados geo-
gráficos. Curitiba: Editora MundoGeo, 2005. 506 p.
MEDEIROS, J. S.; CÂMARA, G. Geoprocessamento para projetos ambientais. São José dos 
Campos: INPE, 1998.
CÂMARA, G.; DAVIS, C.; MONTEIRO, A. M. V. Introdução à ciência da geoinformação. São 
José dos Campos: INPE, 2001. 344 p.
2. Estrutura de um SIG
 Numa visão abrangente, pode-se indicar que um SIG tem os seguintes componentes:
• Interface com usuário;
• Entrada e integração de dados;
• Funções de processamento gráfico e de imagens;
• Visualização e plotagem;
• Armazenamento e recuperação de dados (organizados sob a forma de um banco de 
dados geográficos).
Estes componentes se relacionam de forma hierárquica. No nível mais próximo ao usuário, a 
interface homem-máquina define como o sistema é operado e controlado. No nível intermediário, 
um SIG deve ter mecanismos de processamento de dados espaciais (entrada, edição, análise, 
visualização e saída). No nível mais interno do sistema, um sistema de gerência de bancos de 
dados geográficos oferece armazenamento e recuperação dos dados espaciais e seus atributos 
(MEDEIROS; CÂMARA, 1998).
De uma forma geral, as funções de processamento de um SIG operam sobre dados em uma 
área de trabalho em memória principal. A ligação entre os dados geográficos e as funções de pro-
cessamento do SIG é feita por mecanismos de seleção e consulta que definem restrições sobre o 
conjunto de dados. Para facilitar o entendimento sobre o funcionamento desses operadores, imagine 
a seguinte situação:
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Modelagem ambiental
Gerenciamento dos 
dados no SIG 
Prof. Dr. Luiz Rogério Matelli
Objetivos:
Estudar a estrutura de organização dos dados em bancos de 
dados geográficos; Compreender a maneira como os atributos 
espaciais e não espaciais são gerenciados e qual a importância 
da estruturação dos bancos de dados nos SIG’s.
Palavras-chave: 
Bancos de dados; dados geográficos; 
linhas; grades; pontos.
Universidade Metodista de São Paulo
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Para entender melhor o funcionamento dos SIG’s e como é possível processar e recuperar as 
informações armazenadas no sistema, esse capítulo apresentará a maneira como os dados são or-
ganizados através dos bancos de dados geográficos, mostrando suas definições e as suas principais 
características. Trata-se de uma adaptação dos conteúdos desenvolvidos por GAZOLA e FURTADO 
(2007) e CASANOVA et al., (2005).
1. Dados geográficos
Dados geográficos são aqueles que possuem uma dimensão espacial, ou uma localização, direta-
mente ligada ao mundo geográfico real, como as imagens de satélites de sensoriamento remoto, os 
dados de inventários cadastrais, os dados ambientais coletados em campo e os modelos numéricos 
de terreno. Bancos de dados geográficos (BDG) são coleções de dados georreferenciados, manipu-
lados por Sistemas de Informação Geográficas (SIG). Os SIG são sistemas computacionais capazes 
de capturar, modelar, armazenar, recuperar, manipular, analisar e apresentar dados geográficos 
(CASANOVA et al., 2005).
Considerando-se modelos formais para representação de dados geográficos, distinguem-se dois 
tipos principais de representação: o modelo de geocampos e o modelo de geo-objetos. O modelo 
de geocampos enxerga o espaço geográfico como uma superfície contínua, sobre a qual variam os 
fenômenos a serem observados (CASANOVA et al., 2005). 
Como exemplo, podem ser citados os mapas de vegetação e temperatura de uma determinada 
região geográfica. O modelo de geo-objetos, por sua vez, representa o espaço geográfico como uma 
coleção de entidades individualizadas distintas, em que cada entidade é definida por uma fronteira 
fechada (CASANOVA et al., 2005). 
Geocampos e geo-objetos são mapeados para estruturas de dados de duas naturezas: vetorial 
e matricial (ou raster). 
Os SIGs, frequentemente, se especializam quanto ao tratamento de uma ou de outra forma de 
representação possível. Mesmo assim, existem alguns SIG híbridos, que são sistemas capazes de 
tratar dados representados tanto sob a forma matricial quanto sob a forma vetorial. 
2. Bancos de dados geográficosOs chamados bancos de dados geográficos são sistemas não convencionais em que cada dado 
tratado possui atributos descritivos e uma representação geométrica no espaço geográfico. Os da-
dos disponíveis no banco podem ser manipulados por métodos de processamento de imagens e de 
análise geográfica (MOREIRA, 2002). 
Sendo assim, os bancos de dados geográficos utilizados pelo SIG possuem dados usualmente 
agrupados em duas componentes: a componente espacial (geográfica) e a componente convencional. 
A componente espacial refere-se ao valor de um atributo espacial de um objeto, ou seja, está direta-
mente relacionada à natureza geográfica do mesmo, podendo ser do tipo geo-objeto ou geocampo, 
conforme explicado anteriormente. A componente convencional, ou descritiva, refere-se aos valores 
alfanuméricos tradicionalmente manipulados pelos Sistemas de Gerenciamento de Bancos de dados 
(SGBDs) relacionais comuns (CASANOVA et al., 2005). 
A componente espacial de um SIG representada sob a forma de geo-objetos normalmente se 
especializa nos seguintes tipos elementares da geometria plana: ponto, linha e polígono (GAZOLA; 
FURTADO, 2007).
A componente espacial de um SIG representada sob a forma de geocampos são usualmente 
classificadas nos seguintes tipos, conforme descrito por GAZOLA e FURTADO (2007): 
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www.metodista.br/ead
• grades regulares (ou raster): o geo-campo é representado por um conjunto de células 
retangulares onde um único valor é atribuído a cada célula, representando o valor do 
geocampo na extensão da célula; 
• pontos amostrais: o geo-campo é representado apenas em localizações pontuais co-
nhecidas; 
• isolinhas: o geo-campo é representado por linhas ao longo das quais o valor do geo-
-campo é constante; 
• subdivisões planares: o geo-campo é normalmente representado por um conjunto de 
áreas que não se interceptam e que recobrem todo o domínio do geo-campo;
• malhas triangulares (ou TINs): representam o geo-campo por um conjunto de triângulos 
que não se sobrepõem e cobrem totalmente a área do geocampo. 
 Existem basicamente duas principais formas de integração entre os SIGs e os SGBDs, que são 
chamadas de arquitetura dual e arquitetura integrada, exibidas na Figura 1.
FIGURA 1 – Integração entre SIGs e SGBDs: (a) Arquitetura Dual e (b) Arquitetura Integrada.
Fonte: própria.
A arquitetura dual armazena as componentes espaciais separadamente. A componente conven-
cional é armazenada em um SGBD relacional e a componente espacial é armazenada em arquivos 
com formato proprietário. Essa arquitetura apresenta alguns problemas (GAZOLA, FURTADO, 2007): 
• Dificuldade para manipulação das componentes espaciais, principalmente em manter a 
integridade entre a componente espacial e a componente convencional; 
• Dificuldade de interoperabilidade, pois cada sistema trabalha com arquivos com formato 
proprietário. Alguns formatos proprietários largamente utilizados no mercado incluem 
o Shapefile, o GeoTIFF e o GeoMedia. O problema da interoperabilidade de dados geo-
gráficos é discutido na próxima seção. 
Universidade Metodista de São Paulo
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Referências 
CASANOVA, M. A.; CÂMARA, G.; DAVIS, C.; VINHAS, L.; QUEIROZ, G. R. Bancos de dados ge-
ográficos. Curitiba: Editora MundoGeo, 2005. 506 p.
GAZOLA, A.; FURTADO, A. L. Bancos de Dados Geográficos Inteligentes. 2007. 21f. Monografias 
em Ciência da Computação, Pontífica Universidade Católica, Rio de Janeiro, 2007.
MOREIRA, J. C. Geoprocessamento. In: RUDORFF, Bernardo Friedrich Theodor; MORAES, Eli-
sabete Caria; PONZONI, Flávio Jorge; CAMARGO JÚNIOR, Hélio; CONFORTE, Jorge Conrado; 
MOREIRA, José Carlos; EPIPHANIO, José Carlos Neves; MOREIRA, Maurício Alves; KAMPEL, 
Milton; ALBUQUERQUE, Paulo Cesar Gurgel de; MARTINI, Paulo Roberto; FERREIRA, Sérgio 
Henrique; TAVARES JÚNIOR, Stélio Soares; SANTOS, Vânia Maria Nunes dos (Ed.). Curso de 
uso de sensoriamento remoto no estudo do meio ambiente. São José dos Campos: INPE, 
2002. p. 14. Capítulo 11. 
Na arquitetura integrada, todos os dados são armazenados em um SGBD, tanto a componente 
espacial quanto a componente convencional. A principal vantagem dessa abordagem é a utilização 
dos recursos dos SGBDs, os quais já estão bem amadurecidos. Entre esses recursos podem ser ci-
tados a gerência de transações, o controle de integridade, a concorrência e as linguagens próprias 
de consulta. 
Módulo
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Por um habitar 
sustentável
Ética e cidadania
Objetivos: 
Mostrar a importância da temática da ética e 
da cidadania e trazer para o debate da susten-
tabilidade a contribuição que vem da filosofia, 
a reflexão sobre nossa participação e responsa-
bilidade para com o lugar onde habitamos.
Palavras-chave:
Ética; cidadania; sustentabilidade; filosofia.
Profa. Ms. Márcia Velasques
Universidade Metodista de São Paulo
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Apreender a ética e a cidadania
Você lerá agora um texto que pretende mostrar a importância da temática da ética e da cida-
dania em nossa vida cotidiana. O intuito de tal leitura é trazer para o debate da sustentabilidade a 
contribuição que vem da filosofia, a reflexão sobre nossa participação e responsabilidade para com 
o lugar onde habitamos.
Com a popularização da internet, dos telefones celulares e com a grande quantidade de noticiários 
nos canais de TV, é possível sabermos o que está acontecendo no outro lado do planeta em tempo 
real. Isso nos dá a sensação de que os dias atuais estão cheios de tragédias e nos fazem reforçar 
a necessidade de discutir a presença do ser humano no mundo. A discussão é sobre a causa dos 
problemas, mas devemos lembrar que as agências de notícias vão além de seu objetivo inicial, que 
é o de informar. Hoje, para se manter no competitivo mercado das comunicações, é preciso ter bons 
patrocinadores, que são obtidos quando os índices de audiência são altos. O resultado dessa equação 
é um aumento dos programas sensacionalistas que competem para manter a população ligada em 
sua programação. A consequência direta em nossas vidas é a existência de um sentimento coletivo 
de conflito entre o desejo de mudança e o contraditório sentimento de conformismo; de que o ser 
humano é assim mesmo e que, ante o lucro, a vida não tem tanta importância.
Diante de tal realidade, o estudo da ética e cidadania é extremamente importante. O tema visa 
apontar uma saída para a sensação de impotência diante de tantos problemas. A ética faz a refle-
xão sobre a vida cotidiana e oferece alternativas para a resolução de conflitos. Procura interpretar 
as ações humanas e ressaltar os princípios que devem reger a vida, acima de tudo. Já a cidadania 
chama a todos para uma prática em sociedade por meio da participação nos processos decisórios 
que afetam a vida de todos. A cidadania é a “práxis” que visa à mudança efetiva das relações sociais. 
Estudar ética e cidadania é refletir sobre a existência e buscar novas formas de viver coletivamente. 
Neste sentido, nosso texto caminha para a importância da prática da sustentabilidade que visa refletir 
sobre a presença do ser humano na natureza e sua relação com o lugar em que habita. Mais adiante, 
veremos como estes temas se aliam e sua importância como um dos temas que, na educação, são 
chamados de transversais, perpassando todas as disciplinas.
É fato que há uma preocupação mundial com 
as ações dos seres humanos no planeta. Esta pre-
ocupação nos leva a questionar sobre o futuro da 
humanidade. Somos parte de uma geração que 
tem acesso aos confortos disponíveis no mercado. 
Uma geração que consome compulsivamente sem 
se importar com o impacto de suas ações sobre 
sua morada, o planeta Terra. As consequências do 
comportamento predador em relação aos recursos 
naturais – água, ar, minérios, petróleo, animais, 
plantas – são, em sua maioria, negativas para a 
humanidade. Até o ano de 2005 aprendia-se, nasaulas de geografia, que era impossível ocorrer 
ciclones no Brasil. Tragédias climáticas só eram 
mencionadas no Nordeste, quando das grandes 
secas que quebram a terra e despedaçam a es-
perança das pessoas que dela dependem. Vemos 
nos noticiários que os estados do Rio Grande do 
Sul, Santa Catarina e Paraná têm sido devastados 
por ventos acima de 100 km/h. Casas destelhadas, 
cidades inundadas, montanhas que desabam so-
bre a população.
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Algo inusitado hoje faz parte dos noticiários: a seca de rios na Amazônia. Rios que eram conside-
rados perenes agora secam como se fossem temporários. No litoral brasileiro, faixas de terra somem 
com a diminuição da orla marítima. São feitas denúncias sobre a qualidade da água, do ar e dos 
alimentos que estão contaminados ou sob suspeita de contaminação, pelo uso dos agrotóxicos e das 
plantações de transgênicos. Há uma falta de compromisso e de respeito das corporações para com 
as populações dos países onde se instalam. O que deixaremos às futuras gerações? É aí que muitos 
poderiam dizer que os temas da filosofia, da ética e da cidadania não se ligam à nossa discussão. 
Enganam-se aqueles que pensam assim. Hoje, mais do que nunca, é preciso buscar o sentido da 
existência humana na Terra. É preciso buscar novas relações do ser humano com seu semelhante e 
com o lugar em que habitam, bem como a compreensão do significado da ética, suas origens e sua 
contextualização com o tempo em que vivemos.
Até há pouco tempo atrás, a preocupação com as mudanças climáticas no planeta centrava-
se na discussão sobre o aumento da emissão de gases que elevam a temperatura do planeta e a 
consequente elevação do nível dos oceanos que ameaça os chamados Países Baixos na Europa. 
Desmatamento, queimadas, poluição dos rios! Não poderíamos imaginar que num movimento tão 
rápido quanto a evolução tecnológica do século XX a natureza desse seu recado. E, aos países situa-
dos abaixo da linha do Equador, o que nos afeta diretamente, o resultado é a exploração de nossos 
recursos naturais de forma desenfreada e a poluição do ambiente em que vivemos. Isto sem falar 
da consequente mudança climática que nos trouxe ciclones, vendavais, ressacas das marés nunca 
vistas no hemisfério sul. 
O leitor é convidado a seguir os argumentos para que, ao final da leitura, a compreensão do que 
seja ética e cidadania passe a fazer parte de sua atitude diária quando assistir aos noticiários. Elas 
farão sentido em sua vida se colocá-las em prática. A proposta ao final do texto é a do exercício 
diário dos conceitos aqui desenvolvidos.
Só sei que nada sei
Vivemos numa sociedade cujo pensamento está calcado e tem origem na civilização grega. A 
herança de nosso pensamento vem dos gregos. Essas origens influenciaram nosso pensamento e são 
a base de nossa formação. Por outro lado, é importante que entendamos o pensamento antigo para 
recuperarmos seus conceitos mais importantes a fim de aplicá-los numa sociedade que se esquece 
de valores e que perde suas referências na busca desenfreada pelo lucro. 
O conhecimento de nossa história nos faz crescer como civilização, pois podemos aproveitar o que 
já foi descoberto a fim de aprofundar as ideias e, o mais importante, não repetir os erros de nossa 
civilização. O entendimento de onde vem o conceito de ética nos ajudará a colocá-la em prática. 
A ética é uma das áreas de reflexão da filosofia que foi organizada e sistematizada pela civilização 
grega. É o que a história chama de Antiguidade Clássica (greco-romana). Eles encontraram formas 
de explicar o pensamento humano, de entender seu comportamento e trataram de dar as bases, 
por meio da reflexão filosófica, das relações em sociedade. Para quem quiser se aprofundar nesses 
temas é importante conhecer os escritos da filosofia grega, como os de Platão e Aristóteles. 
Sócrates andava pela cidade de Atenas fazendo perguntas para provocar a reflexão das pessoas 
sobre seu cotidiano. Sua atitude crítica e reflexiva incomodava alguns cidadãos que passaram a 
persegui-lo, o julgaram e o sentenciaram à morte para calá-lo. Sócrates teve a oportunidade de se 
retratar perante a sociedade grega, mas ele dizia que se o fizesse estaria admitindo uma culpa que 
não tinha. Entendia que o mais importante era deixar a mensagem de que não se pode calar: a busca 
da verdade, mesmo que para isso fosse necessário seu sacrifício. Sócrates foi imortalizado na obra 
de Platão, que registrou seus ensinamentos para as futuras gerações.
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Sócrates embaraçava os atenienses porque os forçava a indagar qual a ori-
gem e a essência das virtudes (valores e obrigações) que julgavam praticar 
ao seguir os costumes de Atenas. Como e por que sabiam que uma conduta 
era boa ou má, virtuosa ou viciosa? Por que, por exemplo, a coragem era 
considerada virtude e a covardia, vício? Por que valorizavam positivamente 
a justiça e desvalorizavam a injustiça, combatendo-a? Numa palavra: o que 
eram e o que valiam realmente os costumes que lhes haviam sido ensinados? 
(CHAUÍ, 2000, p. 437).
Que paradoxo com a sociedade atual! No contexto da busca pelo lucro, custe o que custar, a 
princípio nos parece impensável que alguém se disponha a morrer por aquilo em que acredita. Mas, 
sem a reflexão sobre as ações humanas, não poderíamos caminhar na história. Ainda hoje é preciso 
informar os mais incrédulos na raça humana de que existem pessoas comprometidas com seus va-
lores e que buscam a ética em suas relações diárias.
O que temos nas perguntas de Sócrates é a busca de significado para a vida em sociedade. Quem 
somos, o que fazemos, por que razão, para quem, de que forma?… O que é verdadeiro, o que é 
falso, o que é a ilusão, o que é o certo e o que é o errado? Alguém poderia argumentar que estas 
perguntas nos distanciam do que de fato acontece na sociedade; que não são concretas e não têm 
relação com o cotidiano. O filósofo dirá que elas são fundamentais para provocar a reflexão e, com 
isto, levar à mudança.
Em todas as sociedades existem costumes. Eles dizem como as pessoas devem se comportar 
em sociedade. Seu desenvolvimento ocorre de acordo com as coisas que são importantes para a 
comunidade. São considerados uma identidade e têm uma importância muito grande na cultura de 
um povo. Por outro lado, alguns costumes não acrescentam aprendizado à população. Há modos 
de pensar que excluem, que inibem, que não permitem a expressão da liberdade e da autonomia. 
Estes costumes são aqueles que devem ser questionados, pois ao invés de trazerem a autonomia, a 
liberdade e a justiça, trazem preconceito, discriminação e intolerância.
Os costumes, porque são anteriores ao nosso nascimento e formam o tecido 
da sociedade em que vivemos, são considerados inquestionáveis e quase 
sagrados (as religiões tendem a mostrá-los como tendo sido ordenados 
pelos deuses, na origem dos tempos). Ora, a palavra costume se diz, em 
grego, ethos – donde, ética – e, em latim, mores – donde, moral. Em outras 
palavras, ética e moral referem-se ao conjunto de costumes tradicionais de 
uma sociedade e que, como tais, são considerados valores e obrigações para 
a conduta de seus membros. (CHAUÍ, 2000, p. 437).
Na busca do “que é a ética”, não há compreensão mais clara do que dizer que ela “visa à verdadeira 
vida com e para com o outro nas instituições justas”(RICOEUR, 1991, p. 211). Vimos que Sócrates 
buscava a verdade por trás das palavras, dos costumes e das ideias das pessoas que habitavam na 
cidade de Atenas. Tinha como desejo levantar possibilidades de reflexão e, com isso, levantar novas 
formas de se viver. Ele não se conformava com o que estava posto por aquela sociedade. O filósofo 
procura entender a sociedade em que vive a fim de transformá-la.
Não nascemos éticos. Aprendemos a sê-lo na convivência em sociedade. A ética, assim como a 
moral, é um comportamento desenvolvido pelo ser humano. A ética, de acordo com Ricoeur (1991), 
é anterior à moral por entender que ela está na esfera do desejo de ser e do esforço para existir. Para 
que haja ética é preciso haver o pressuposto da liberdade e da justiça. Não há ética sem liberdade. 
A ética também pressupõe a justiça e sua beleza está no exercício da liberdade e na autonomia do 
ser. Autonomia, de acordo com a origem das palavra, ou seja, sua etimologia, é o poder sobre o si 
mesmo. Só há liberdade para aqueles que sabem de si mesmos, suas capacidades e limitações, um 
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autoconhecimento que Sócrates humildemente buscava enquanto assumia a postura de saber que 
nada sabia. A liberdade e a justiça só ocorrem na vida de uma pessoa ou de um grupo social na 
medida em que a autonomia é exercida. Este é o caminho para o desenvolvimento da ética. Assim, 
Almeida (2002) afirma que a ética é a “odisseia da liberdade”, pela qual cada um de nós se “atualiza” 
num processo aberto e sem fim de conquista da liberdade. Podemos resumir que a liberdade requer 
responsabilidades que a ética irá propor.
Pelo estudo da etimologia da palavra ética, é possível chegar a dois significados diferentes que 
abrem dois caminhos de interpretação e, ao mesmo tempo, se completam. De acordo com Chauí, 
no livro Convite à filosofia:
Ethos (que se pronuncia êthos, com acento circunflexo sobre a letra “e”) é escrito em 
grego com a letra η (eta). Trata do costume: são os valores éticos e morais da cole-
tividade transmitidos de geração a geração. São a morada e a casa do homem. É o 
espaço que possibilita ao ser humano viver num grupo social. (CHAUÍ, 2000, p. 437).
Ethos (que se pronuncia éthos, com acento agudo na letra “e”) na língua grega é gra-
fado com a letra ε (épsilon). Refere-se ao caráter, à índole natural, ao temperamento 
do indivíduo, aos comportamentos, às atitudes, às condutas individuais. São as ca-
racterísticas pessoais de cada um que determinam os vícios e as virtudes que cada 
indivíduo é capaz de praticar na vida em sociedade. São o senso moral e a consciência 
ética individual. (CHAUÍ, 2000, p. 437).
A importância de se compreender o ethos – no sentido êthos e éthos do grego –, está em perceber 
que há duas perspectivas, duas dimensões: individual e coletiva. A língua portuguesa tem uma redução 
em seu significado, não permite fazer a divisão que estamos propondo. É preciso entender a origem 
grega da palavra para chegar ao entendimento de que ética é a repercussão de aspectos individuais 
no espaço coletivo. Para a análise da ação do ser humano em sociedade, mais especificamente nas 
questões ambientais, é preciso articular o ethos nesta dupla dimensão de origem grega: considerar 
a ética como êthos – a morada do ser humano – como a virtude e o bem comum; considerar a ética 
como éthos – ação individual – caráter ou índole. É a ação humana, com seu caráter ou sua índole, 
sobre o local onde vive, no espaço coletivo.
Ser ético é buscar a liberdade e a justiça. É respeitar a autonomia, é ter responsabilidade pela 
coletividade, que é a morada, a casa de todos nós. Desta maneira, podemos falar sobre o planeta. 
No lugar onde vivemos, não há vida solitária. Neste sentido, citamos uma frase do poeta inglês John 
Donne que diz “homem algum é uma ilha”.
Da solidão para a cidadania
Após a compreensão de que a ética envolve os aspectos individuais e coletivos e de que para 
se pensar o futuro é preciso resgatar os valores individuais que repercutem na vida em sociedade, 
é preciso entender o conceito de cidadania, que é: o espaço de expressão da ética no meio social. 
A palavra cidadania tem sido uma presença constante na mídia. Tem uma importância estratégica 
como um tópico do processo educativo. Já se sabe que a participação em sociedade é algo que 
vem sendo estimulado nas reflexões escolares. A cidadania é o pano de fundo de várias formações 
profissionais.
A palavra cidadania vem do latim civitas, que significa cidade. Já a cidade na língua grega é chama-
da de polis. A cidade é local de morada do ser humano. Vejam que no conceito de ética há o espaço 
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de ação na “morada do ser humano”. A cidade é o espaço onde se dão as relações sociais, onde o 
indivíduo vive, trabalha, estuda, pratica sua religião… A cidade é o espaço da realização do êthos.
A cidadania, de acordo com Chauí, “é o exercício de liberdades e obrigações políticas, sociais e 
econômicas em que cidadãos e cidadãs estão sujeitos em relação à sociedade”. Já o historiador e 
pesquisador Pinsky dirá que ser cidadão é:
ter direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade perante a lei: é, em 
resumo, ter direitos civis. É também participar no destino da sociedade, votar, 
ser votado, ter direitos políticos. Os direitos civis e políticos não asseguram 
a democracia sem os direitos sociais, aqueles que garantem a participação 
do indivíduo na riqueza coletiva: o direito à educação, ao trabalho, ao salário 
justo, à saúde, a uma velhice tranquila. Exercer a cidadania plena é ter direitos 
civis, políticos e sociais. (PINSKY, 2003, p. 9).
A citação amplia a dimensão da palavra e ressalta a importância de seu exercício. Para o autor, ser 
cidadão é um ato individual no ambiente da coletividade. Mas, para que a cidadania ocorra, é preciso 
que se tenha informações sobre seus direitos, sobre seus deveres para com a sociedade, e que se 
entenda que o bem comum está acima de todas as questões individuais. No Brasil, a Constituição 
Brasileira de 1988, democraticamente redigida por pessoas de todo o Brasil, eleitas para tal emprei-
tada, é chamada de “A Constituição Cidadã” por contemplar os diversos aspectos do direito: saúde, 
educação, moradia, cultura, lazer, esporte, trabalho, transporte, e um deles é o direito à informação. 
Por outro lado, percebe-se na população uma tendência paraa ficar esperando que os outros tomem 
a iniciativa para as mudanças. Este comportamento é citado por Gallo da seguinte maneira:
Quando os indivíduos se recusam a participar das decisões sociais, estão 
se recusando a decidir sobre suas próprias vidas. Estão aceitando que os 
problemas que dizem respeito a suas vidas sejam pensados e resolvidos 
por outras pessoas. Estamos, então, cara a cara com uma sociedade servil. 
(GALLO, 2003, p.).
Muitos de nós, ao assistirmos aos noticiários, acabamos por ter uma visão pessimista da sociedade 
que permite que injustiças ocorram todos os dias. Ficamos revoltados com a política, com a violência, 
com a miséria e pensamos que o governo deveria tomar conta de seu povo. Isto é, em parte, uma 
verdade. Por outro lado, esquecemo-nos de que o governo é composto por pessoas comuns que 
um dia resolveram se aliar a algum grupo para defenderem seus interesses. Se entre essas pessoas 
estão aqueles que não consideram o bem comum acima das questões individuais, que querem tirar 
proveito da estrutura social para se beneficiar e se reúnem para chegar até lá, deveremos então nos 
questionar sobre o que estamos fazendo para impedir que eles consigam o que querem. 
O cidadão não espera que o outro lhe dê as condições necessárias para 
participar, pois essas condições brotam de si mesmo. É a autodeterminação. 
O cidadão sabe que é preciso buscar; é preciso conquistar. É uma ação que 
não se acaba. O cidadão é, sobretudo, participante.(GALLO, 2003, p.).
Ser cidadão de papel, de acordo com Gilberto Dimenstein (2002), é a condição daquele que tem 
seu título de eleitor, paga seus impostos, mas não faz uso da cidadania para interferir no destino 
de seu país. O cidadão de papel tem medo de se expressar. Sente-se roubado diariamente e não se 
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posiciona. Existem grupos que se reúnem para defender suas necessidades básicas, como a saúde, 
a educação, o trabalho, o alimento, a água, o lazer, o transporte, o direito à terra. Eles são chamados 
de movimentos sociais. Fazer parte de um grupo que se posicione diante das injustiças é uma forma 
de exercer a cidadania.
Por outro lado, a mídia, quando fala dos movimentos sociais, tende a enfatizá-los negativamente. 
Vamos analisar um exemplo: quando o sindicato dos motoristas de transportes coletivos faz uma greve 
por melhores condições de trabalho, a cidade pára e o que pensamos em seguida é no quanto isto 
irá nos prejudicar. Por outro lado, quando os motoristas se envolvem em acidentes por trabalharem 
demais, por estarem cansados, em virtude dos turnos intermináveis e por estarem pressionados por 
empresários que não querem contratar novos funcionários – por medida de economia –, ficamos 
revoltados e pedimos justiça. É claro que a justiça tem de ser feita, mas onde estava a população 
quando eles precisaram de apoio para seu movimento? Ações coletivas podem ter uma ação pre-
ventiva sobre os problemas sociais.
E considerando, ainda,que a cidadania é o exercício da autonomia, da liberdade, da reflexão, ela 
pressupõe o comprometimento dos valores individuais diante do espaço coletivo, na perspectiva do 
bem comum. A cidadania proporciona a oportunidade de ação humana comprometida com suas 
ideias num ambiente que é de todos. Esta dimensão é o que chamamos de bem comum.
Nossa reflexão ressalta a importância dos dois sentidos de ethos para uma vida melhor para todos. 
Para que tenhamos uma sociedade justa precisamos exercitar a participação nas decisões. Muitos 
movimentos começam pequenos; com o tempo, muitos se juntam a ele e assim a preocupação que 
era de uns passa a ser de muitos. Com o tempo, pode ser de todos.
A cidadania pela sustentabilidade
O conceito de sustentabilidade nasce a partir da década de 1950 e vai se tornando cada vez mais 
presente nas discussões que vão ocorrer no final do século, mais especificamente quando grandes 
desastres ambientais acontecem por descuido ou má intenção humana. O vasamento de pesticidas, 
ocorrido por economia em itens de segurança, na fábrica de pesticidas da Union Carbide na cidade 
de Bhopal na Índia, na década de 1980, matou milhares de pessoas e incapacitou outros milhares. 
As vítimas nunca foram indenizadas. A explosão na usina nuclear de Chernobil, em 1986, também 
aconteceu por testes para novas medidas de economia. Também matou milhares e muitas pessoas 
não foram reconhecidas como vítimas da radiação que foi soprada pelo vento por toda a Europa.
No Brasil, um trabalhador da cidade de Goiânia, que vendia ferro velho, resolveu abrir uma cápsula 
que encontrou entre seus pertences. Era material radioativo que contaminou toda a redondeza e 
matou várias pessoas que moravam ao redor.
Um navio petroleiro chamado Exxon Valdez encalhou no litoral do Alasca e derramou petróleo na 
costa, matando centenas de milhares de animais marinhos e exterminando várias espécies de peixes 
que alimentavam a população local.
Estes são apenas alguns acontecimentos que fizeram com que a população começasse a desen-
volver o conceito de sustentabilidade de maneira que as gerações futuras pudessem contar com 
alguma herança que não fosse a morte e a destruição.
Um relatório chamado “Nosso futuro comum”, publicado em 30 idiomas, propôs que a natureza 
tem um limite e que nossa geração a estava explorando de maneira a esgotá-la para as gerações 
futuras. O conceito de sustentabilidade passou então a ser amplamente discutido e ensinado e o 
desenvolvimento sustentável passou a fazer parte da agenda da maioria dos países do mundo, com a 
finalidade de proporcionar mudança de atitudes. Desenvolvimento sustentável “é aquele que atende 
às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem 
às suas próprias necessidades” (IBGE, 2002).
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Surge, então, uma nova forma de mudar o mundo, de maneira que o ser humano possa se ver 
como parte integrante da natureza e não como um predador que quer tudo para si. Esta prática 
tem sido possível por meio das ações de várias ONGs e movimentos sociais que têm questionado as 
decisões que são tomadas segundo a velha fórmula de pegar o que quiser e o quanto puder. E têm 
apresentado um modo de viver que dê conta das futuras gerações e que possa garantir a igualdade 
e a equidade para as populações do mundo.
Uma ética para a vida no nosso planeta
O objetivo de argumentar exaustivamente sobre a ética, a moral, a cidade, a cidadania, é o de mos-
trar como a vida em sociedade é imbricada. Dito de outra maneira, a vida social é como a trama de 
um tecido. O tecido tem uma função e nele não há fios mais importantes ou menos importantes. 
Resgatando as ideias até aqui mencionadas, retomamos o princípio de que não é possível viver 
só. Mesmo que as pessoas morem sozinhas, elas não estão sós na sociedade. Em algum momento 
de suas vidas precisarão falar com alguém e terão deveres para com a sociedade. O que é preciso 
pensar é que para ser integrante de uma sociedade há uma responsabilidade partilhada por todos. 
A construção, manutenção e reforma deste lugar em que habitamos têm de ser compreendidas e 
partilhadas por seus integrantes. Se alguém infringe as regras de participação no grupo social, afeta 
a todos os que nela estão envolvidos. As consequências, boas ou ruins, são parte desta relação.
É possível, desenvolvermos uma ética para a vida no planeta?
Sim. Em primeiro lugar vem a construção de princípios e valores sólidos para as novas gerações. 
A partir destes princípios, é preciso partir para a educação daqueles que já estão formados naquele 
antigo esquema de pensar sua relação com o planeta. É preciso informar e denunciar os aconteci-
mentos ruins. É preciso dar voz àqueles movimentos sociais que têm algo a dizer. É preciso respeitar 
o que está sendo dito pelos outros e tentar chegar a um acordo sobre quais são as prioridades em 
sociedade. É preciso vencer o medo de se expressar e o medo de mudar. Temos na história vários 
exemplos de pessoas que foram até as últimas consequências em seus princípios e valores: Ghandi, 
Martin Luther King, Malcom X, Chico Mendes, Zilda Arns.
Muitos grupos têm lutado por um planeta sustentável. Temos denúncias diárias sobre fatos que 
ocorrem em todo o mundo. Hoje temos a internet que nos mantém informados de fatos que afetam 
o mundo todo. Esta compreensão não era possível há alguns anos. O que mudou? A consciência 
das pessoas sobre a importância de preservar, de prevenir, de viver numa sociedade em que o bem 
comum impere. Alguns sonhadores buscaram a utopia. Muitos não viram que um dia o discurso 
da sustentabilidade seria incorporado no dia-a-dia de todos nós, mas se permitiram buscar, sonhar, 
acreditar que isto seria possível no futuro.
Lembremos todos os dias que vivemos numa sociedade em que a prioridade é o lucro. Nesta pers-
pectiva, o bem comum é sempre deixado em segundo plano. Cabe a nós, no exercício da cidadania 
e na busca de uma relação ética, fazer valer nossos valores, nossos princípios, exercer a autonomia, 
a liberdade e buscar a justiça para todos.
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Referências 
ALMEIDA, Danilo Di Manno. Uma ética para o corpo. Cidadania e educação transformadora. 
In: ALMEIDA, Danilo Di Manno (Org.). Corpo em ética: perspectivas de uma educação cidadã. 
São Bernardo do Campo: Umesp, 2002.
CHAUÍ, Marilena.Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2000. Disponível em: <http://www.cfh.
ufsc.br/~wfil/convite.pdf>. Acesso em:
DIMENSTEIN, Gilberto. Cidadão de papel: a infância, a adolescência e os direitos humanos no 
Brasil. São Paulo: Ática, 2002. 
GALLO, Silvio (Coord.). Ética e cidadania: caminhos da filosofia. 11. ed. Campinas: Papirus, 
2003.
PINSKY, Jaime; PINSKY, Carla Bassanezi (Orgs.). História da cidadania. São Paulo: Contexto, 
2003.
RICOEUR, Paul. O si-mesmo como um outro. Campinas: Papirus, 1991.
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Módulo
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Introdução à 
educação 
ambiental
Módulo: Educação Ambiental 
Objetivos: 
Introduzir o módulo de 
Educação Ambiental no curso 
de Gestão Ambiental.
Sensibilizar os participantes 
a se envolverem com o tema.
Palavras-chave:
Educação ambiental; 
sensibilização.
Profa. Ms. Denise Antônia de Freitas Neves
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Banco de imagem
Pense: para você viver, 
o que realmente é 
necessário?
As questões ambientais estão sendo 
cada vez mais tratadas sob aspectos 
diferenciados e principalmente diver-
sificados. E notório que abordar uma 
problemática ambiental através de um 
único foco levará a uma resolução par-
cial e temporária. Não é mais possível 
pensar que os problemas com o clima, 
vegetação, escassez de recursos naturais 
... sejam base de estudo para os ecólogos 
somente. Profissionais da economia, di-
reito, ciências físicas e químicas, saúde, 
cultura, sociologia entre tantas outras 
áreas, devem se reunir em uma força 
tarefa para encontrarem uma solução 
que seja bem abrangente. 
Outro aspecto a considerar é que qualquer de seja a dimensão do problema abordado, questões 
climáticas, por exemplo, ou depósito inadequado de resíduo domiciliar, os principais envolvidos são 
os seres humanos. Vistas como causadoras ou vítimas dos impactos ambientais, as pessoas têm um 
comprometimento íntimo com esses impactos.
 Sendo assim, é imprescindível envolver também, a educação, na resolução da problemática am-
biental. Mudar o comportamento das pessoas, com relação ao uso e consumo dos recursos naturais 
caracteriza-se em um dos maiores desafios da 
atualidade. Desafio porque, séculos da cha-
mada evolução se passaram e o Homem criou 
valores a despeito do uso irracional desses 
recursos , que hoje são questionados. 
Valorar o ter e não o ser trouxe ao Homem 
uma visão distorcida das suas próprias neces-
sidades.
Pense: Para você viver, o que realmente é 
necessário?
Você pensou em 50 itens ou mais? Pensou 
em 20? 10? 3? Esse número estará associado à 
sua visão de mundo. Estará associado ao que 
você atribui como importante para sua sobrevivência. Por isso, não será tarefa fácil obter dos envolvidos 
numa resolução de uma questão ambiental um consenso e uma mudança de postura imediata.
A de se considerar alguns aspectos:
a) Qual a visão de mundo que as pessoas têm?
b) O quanto elas se sentem responsáveis pelo problema em questão?
c) O quanto elas se sentem comprometidas com o processo de mudança?
Outros aspectos poderiam complementar esse questionamento.
Neste módulo do curso irá se discutir alguns desses aspectos além de se fornecer subsídios para 
que se possam elaborar projetos para se trabalhar a educação ambiental.
Módulo
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O novo paradigma para 
a visão de mundo
Profa. Ms. Denise Antônia de Freitas Neves
Objetivos: 
Apresentar os pilares da visão de 
mundo dominante até o século XX.
Reconhecer a nova visão de 
mundo que se firma a partir do 
século XX e que se baseia na teoria 
dos sistemas.
Palavras-chave:
Reducionismo; visão sistêmica; 
interdisciplinaridade.
Educação ambiental
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Banco de Imagem
Vários autores concordam que os desman-
dos com relação ao uso e abuso dos recursos 
naturais estão ligados à visão de mundo que 
se perpetua até os dias de hoje. Tomando por 
base os séculos XVII e XVIII e os filósofos que 
teorizaram o pensamento científico (Galileu 
Galilei, FrancisBacon, René Descartes, Isaac 
Newton e outros seguidores) pode-se perceber 
que a Ciência Moderna se apóia em uma base 
de instrumentos teórico-metodológicos para 
produzir conhecimento, os quais fragmentam 
e decompõem a realidade a fim de explicá-la.
René Descartes, por exemplo, que foi um 
dos principais fundadores do pensamento 
científico, tenta explicar os fenômenos através 
de quantidades e expressões matemáticas defi-
nidas. A visão de ciência e de mundo para Descartes se encerra no “reducionismo”, pois caracteriza 
que todos os fatos naturais, orgânicos ou inorgânicos podem ser reduzidos à mecânica das partículas 
que constituem os objetos envolvidos.
Reduzir, separar em partes, foi por muito tempo e ainda o é, o pensamento que orienta a ciência 
na hora que de se explicar um fenômeno natural ou não.
Dessa forma, o homem passou a ver a Natureza através de uma visão antropocêntrica que aos 
poucos levou a uma desconexão: humano X natural. 
O ser humano entendeu que com a divisão em partes poder-se-ia prever e com a previsão obter-
se-ia o controle e, portanto o domínio da Natureza.
Os acontecimentos naturais passaram a ser compreendidos através da perspectiva da casualidade, 
isto é, todo acontecimento é resultado de uma causa que será base de seu efeito.
Por fim, com essa visão de mundo, por alguns séculos o homem perdeu a oportunidade de estar 
vivenciando experiências ao invés de estar observando-as, perdeu também a chance de se alcançar 
um desenvolvimento pleno, em todos os aspectos que se compõem uma sociedade.
Sendo assim, uma forma de re-conexão se fez necessária. A partir do século XX a visão reducionista 
de mundo passou a ser fortemente questionada uma vez que não impediu ou até mesmo incentivou 
a degradação dos recursos da Natureza, vitais à sobrevivência humana.
Iniciam-se vários estudos sobre uma nova visão que integra partes: A Teoria dos Sistemas Vivos. 
Essa forma de pensar o mundo suscita-nos alguns conceitos chave que deverão ser considerados 
nos estudos que envolvam Meio Ambiente ou qualquer outro tema de interesse para a sociedade.
Capra (2005) discute esses conceitos, como sendo “os reconhecidos por meio da observação de 
centenas de ecossistemas”. São eles: rede, sistemas aninhados, interdependência, diversidade, ciclos, 
fluxos, desenvolvimento e equilíbrio dinâmico.
Rede – entender o sistema como uma rede traz uma certeza de que existe uma interligação en-
tre os seres componentes desse sistema. Faz também pensar que para solucionar um problema de 
forma efetiva é necessário convocar pessoas, que lidam com as diferentes partes do problema e que 
se houver a falta de uma dessas pessoas, a “rede” poderá ser mantida.
Sistemas aninhados – em todo sistema vivo encontram-se ouros sistemas vivos aninhados que 
se forem impactados poderão impactar toda uma cadeia de sistemas da rede. 
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Interdependência – esse conceito envolve outros, como, parceria e cooperação, isto é, nenhum ser 
individual pode existir isoladamente, sem que haja um envolvimento de outros da comunidade. 
Diversidade – é um conceito necessário quando se pensa em rápida recuperação. Se as estruturas 
que compõem uma rede forem complexas e diversas, mais rapidamente poderão se restabelecer 
quando sofrerem um impacto. Segundo Capra (2006): “diversidade significa muitas diferentes relações 
e muitas diferentes abordagens ao mesmo problema”. 
Ciclos – não considerar a linearidade dos processos industriais e sim os ciclos da natureza possi-
bilitará um maior entendimento do funcionamento de um sistema vivo.
Fluxos – sendo os sistemas vivos abertos, a troca de energia ou mesmo a conversão de um tipo 
de energia em outro se processa com fluidez. Este conceito deve levar a um pensamento crítico com 
relação ao uso de ineficiente de energia principalmente as não-renováveis.
Desenvolvimento – Durante o desenvolvimento de um sistema vivo, várias etapas devem ser 
cumpridas e nesse caminhar o aprendizado se faz presente estabelecendo-se uma adaptação ge-
rando ciclos.
Equilíbrio dinâmico – aqui o entendimento é de que não se deve maximizar qualquer variável 
que compõe um sistema, mas sim otimizar para que o sistema não entre em colapso.
Ainda em Capra (2006), encontra-se que o pensamento sistêmico ou contextual envolve mudanças 
de pontos de vista com relação ao velho paradigma o qual escolhe a redução para o entendimento.
• das partes para o todo: as propriedades de um sistema vivo convergem para uma totalidade.
• dos objetos para as relações: um sistema vivo não é somente uma união de objetos, mas o que 
realmente vale, são as relações estabelecidas entre os seres componentes desse sistema. 
• do conhecimento objetivo para o conhecimento contextual: da mesma forma deve-se privilegiar 
o pensamento através do contexto e não o pensamento analítico o qual irá focar as partes.
• da quantidade para a qualidade: não se deve valorizar somente o que pode ser mensurável 
ou o que se pode quantificar, uma vez que as relações e os contextos por muitas vezes não 
podem ser colocados em uma escala de medidas. 
• da estrutura para o processo: considerando que os sistemas vivos evoluem, não de deve prender-
se às estruturas somente, mas ao processo de transformação dessas estruturas.
• dos conteúdos para os padrões: em todo sistema vivo existem padrões que irão estabelecer a 
forma de conduta. Estudar os padrões evitará a pergunta “do que é feito?” mas valorizará a 
pergunta “qual é a forma?”. 
Talvez não seja tarefa fácil nos disponibilizarmos a entender ou aceitar essa visão de mundo que 
cada vez mais se consolida nos dias de hoje. Ela requer mudanças íntimas de nossos pensamentos, 
crenças, enfim de comportamento, nos propondo a sair, de uma zona se não confortável, pelo menos 
que já está estabelecida há muito tempo, para enfrentarmos situações novas e que irão requerer o 
máximo de respeito ao outro ser que também é parte do sistema.
 
Referências
CAPRA, F. Falando a linguagem da natureza: princípios da sustentabilidade. Un: STONE, M. K.; 
BARLOW Z (Orgs.). Alfabetização ecológica: a educação das crianças para um mundo sus-
tentável. São Paulo: Cultrix, 2006
CUNHA, S. B.; GUERRA, A. J. T. orgs. A questão ambiental: diferentes abordagens. Rio de 
Janeiro: Bertrand Brasil, 2005 
LEFF, E. Epistemologia ambiental. São Paulo: Cortez, 2001.
Universidade Metodista de São Paulo
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Encontros, conferências 
e a visão legal sobre 
educação ambiental
Profa. Ms. Denise Antônia de Freitas Neves
Objetivos: 
Conhecer momentos 
importantes na história da 
educação ambiental no 
mundo e no Brasil.
Conhecer a visão legal de 
educação ambiental.
Palavras-chave:
Mudança de paradigma; 
conferências sobre educação 
ambiental; Lei 9.795/99 – lei 
de educação ambiental.
Educação ambiental
Universidade Metodista de São Paulo
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Banco de imagem
Historicamente, as questões ambientais já foram no-
tadas, desde há muitos séculos atrás. Quando o homem 
deixou de ser nômade e fixou sua habitação, tornando-se 
sedentário, a fim de produzir seu próprio alimento através 
de práticas agrícolas, alguns episódios de impacto am-
biental já começaram a ser percebidos. Entretanto, eram 
insipientes com relação à concentração da população 
existente no planeta.
Segundo vários autores, com o passar do tempo e, 
sobretudo, após um período histórico da evolução da 
humanidade, chamado Revolução Industrial (século XVII), 
a exploração dos recursos naturais foi acontecendo de 
forma degradatória e irreversível. Naquela época o mun-
do se deparou com uma mudança de paradigma. Antes 
da Revolução Industrial a força de trabalho era o pró-
prio homem e os animais que o auxiliavam nas práticas 
agrícolas ou de caça e também no trabalho artesanal. O 
combustível dessa força de trabalho era o alimento e o 
resíduo gerado era o excremento ou restos de matéria 
orgânica facilmente biodegradados.
Com o advento das máquinas substituindo o homem e os animais como força de trabalho, o 
combustível deixa de ser a matéria orgânica representada pelo alimento e passa a ser o fóssil repre-
sentado pelo petróleo e carvão. Sendo assim o resíduo gerado no processo produtivo também deixa 
de ser facilmente biodegradado e inicia-se o lançamento de gases tóxicos e fumaça na atmosfera, 
assim como resíduos tóxicos líquidos e sólidos nos corpos d’água e solo. 
O que antes pertencia ao próprio ciclo de vida do planeta, crescimento da matéria orgânica, sua 
utilização para auxiliar o processo produtivo e a decomposição dessa matéria voltando ao início do 
ciclo, agora para que a produção possa ser satisfatória degrada-se a natureza através da exploração 
de minas e poços de petróleo e laçam na biosfera, resíduos que a própria natureza não dá conta de 
reintroduzir no ciclo.
Não indiferentes a essa situação, vários movimentos foram criando força durante o decorrer das 
décadas, motivados pela degradação ambiental, pelas questões de saúde e pelos impactos gerados. 
Através de reuniões, encontros e conferências, esses movimentos envolvem até hoje, vários setores 
da sociedade e, em especial, a educação.
Momentos importantes de discussão sobre Educação Ambiental
Destacando algumas dessas reuniões, encontra-se na década de 60, época também considerada 
marco para as discussões com relação às questões ambientais, a fundação do Clube de Roma (1968) 
que posteriormente, em 1972 publicaria um relatório que tratava de assuntos relacionados ao meio 
ambiente, saúde, energia, poluição, saneamento entre outros e que concluía através de modelos 
matemáticos, a não resistência do planeta ao crescimento populacional ainda que, considerando os 
avanços tecnológicos. Esse relatório foi intitulado “Os Limites do Crescimento”.
Ainda em 1972, aconteceria em Estocolmo (Suécia) a Conferência das Nações Unidas sobre o Am-
biente Humano, na qual se discutiu: desenvolvimento e ambiente, conceito de Ecodesenvolvimento 
e através da Recomendação 96 a Conferência sugere a Educação Ambiental.
A partir daí vários países começam a se movimentar no sentido de instituir práticas de Educação 
Ambiental, e em 1975 acontece em Belgrado (Iugoslávia) um Congresso tendo como resultado a 
“Carta de Belgrado” que estabelece metas e princípios da Educação Ambiental, além de criar o PIEA 
– Programa Internacional de Educação Ambiental.
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A década de 70 foi rica em discussões sobre o tema, em 1977 a Conferência Intergovernamen-
tal em Educação Ambiental (Tbilisi – URSS) através de uma série de recomendações estabelece os 
princípios orientadores de como fazer Educação Ambiental e reafirma seu caráter interdisciplinar, 
ético e transformador.
Dez anos depois (!987), em Moscou acontece o Congresso Internacional em Educação e Formação 
Ambiental, onde foram avaliadas as ações voltadas ao tema desde Tbilisi e discutidas estratégias in-
ternacionais de ação para a década de 90. Antes disso, em abril, é divulgado o relatório da Comissão 
Mundial ou Comissão Brundtland, intitulado “Nosso Futuro Comum”, o qual trata das preocupações 
com a busca pelo desenvolvimento sustentável entre outros temas.
Para nós, brasileiros, a década de 90 tem uma importância singular, pois em 1992, na cidade 
do Rio de Janeiro reuniram-se chefes de várias nações em uma conferência que mais tarde ficou 
conhecida como RIO – 92 ou ECO – 92. A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e 
Desenvolvimento foi palco para várias reuniões que resultaram na elaboração da Agenda 21, Carta 
Brasileira para a Educação Ambiental e o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Susten-
táveis e Responsabilidade Global.
Em 2002, conhecida como Rio + 10 a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável acon-
teceu em Joanesburgo (África do Sul). Esse encontro também teve o objetivo de avaliar a mudança 
global desde da Rio 92. 
Como já foi mencionado, desde a década de 60, o mundo não parou de se reunir em nome das 
questões ambientais e da educação ambiental, até agora foram destacados alguns dos encontros, 
mas muitos outros de menor porte aconteceram e de alguma forma contribuíram para as discussões 
que tentaram minimizar os impactos causados pela degradação do meio ambiente.
A Visão Legal de Educação Ambiental no Brasil
Na história do Brasil, encontram-se datas e eventos importantes com relação a uma preocupação 
ambiental. Desde 1800 algumas leis foram sancionadas a fim de impedirem a exploração de nossas 
matas, assim como foram criados parques nacionais para resguardar as nossas florestas. Entretanto, 
percebe-se que tais ações não conseguiram evitar a devastação da Mata Atlântica por exemplo, nem 
a extinção de vários animais silvestres, nem tão pouco, a morte de alguns rios que servem grandes 
centros urbanos. Há de se dizer que as questões ambientais nacionais aparecem na visão legal com 
destaque. Desde a Constituição Brasileira, até o conjunto de legislação presente no âmbito municipal 
encontram-se textos preocupados com a exploração ambiental. 
No que se refere à Educação Ambiental, o Brasil também se destaca desde 1999 quando se ins-
tituiu a Política Nacional de Educação Ambiental através da Lei 9795/99.
No entanto, como já exposto anteriormente,questiona-se a eficácia desse conjunto de leis que 
historicamente está presente no desenvolvimento do país mas que não garante que as ações de-
gradatórias sejam inibidas ou mesmo minimizadas.
Referências 
DIAS, G. F. Educação ambiental: princípios e práticas. São Paulo: Gaia, 2000
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9795.htm
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Mobilizar para 
transformar: o ponto 
de partida
Profa. Esp. Michele Fernando da Silva
Objetivos:
Apresentar os passos iniciais 
para a mobilização social;
Mostrar a importância da participação na pro-
moção da Educação Ambiental;
Incentivar a construção coletiva como parte dos 
métodos para a Educação Ambiental. 
Palavras-chave: 
Mobilização Social; Educação Ambiental; 
participação; construção coletiva.
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Imagine a seguinte situação: você vive ou tem contato com uma comunidade onde a realidade 
social e ambiental não condiz com o ideal para a qualidade de vida das pessoas e para a seguridade 
do ambiente. Como Tecnólogo em Gestão Ambiental, certamente você não está satisfeito. Então 
você pensa: “Como mudar essa realidade? Por onde começar?”. Neste momento, sem que você 
perceba, a mudança já começou!
É que o processo para a mudança socioambiental sempre parte de uma realidade a ser transfor-
mada e da vontade de fazê-lo. Então, qual seria o próximo passo?
A resposta a esta pergunta é simples: ninguém consegue nada sozinho! Então, segue-se a busca 
por pessoas que tenham em comum a vontade de transformação dessa realidade. Neste momento 
está surgindo o processo de mobilização social, que é fundamental para a promoção da Educação 
Ambiental. Segundo Toro e Werneck (2007), “a mobilização social ocorre quando um grupo de 
pessoas, uma comunidade ou uma sociedade decide e age com um objetivo comum, buscando, 
cotidianamente, resultados decididos e desejados por todos”. E da mesma forma que não se conse-
gue nada sozinho, também não se consegue atingir os objetivos propostos se as pessoas que fazem 
parte desse grupo não detiverem a liberdade de decisão. Em outras palavras, a participação nesse 
processo deve basear-se na escolha individual, na vontade própria. Esta última, por sua vez, surge 
dos sentimentos de corresponsabilidade pela realidade em questão e da vontade de transformá-la.
Assim, neste processo, subimos mais um degrau: 
o da participação social. Esta se apresenta tanto 
como uma ferramenta da mobilização social para 
que se atenda ao que foi proposto como meta ou 
objetivo a ser alcançado em busca do bem comum 
como também pode ser considerada, por si só, um 
objetivo da mobilização social, já que ela pode 
proporcionar o entendimento de que é necessário, 
fundamentalmente, que se “faça parte” para que se 
obtenha a melhoria desejada. O sentimento de per-
tencer é o que faz com que as pessoas entendam 
que se são capazes de fazer mudanças modestas, 
por que não seriam capazes de transformar uma 
realidade? 
Dessa maneira, em um processo de Educação 
Ambiental baseado na mobilização e na partici-
pação social não se atende apenas ao objetivo 
proposto, que pode ser a melhoria da qualidade 
ambiental, por exemplo. Você pode, com toda 
certeza, proporcionar a autoconfiança e autonomia 
aos participantes, tornando-os cidadãos ativos e 
capazes de desenvolver senso crítico para fazer 
melhores escolhas para o seu cotidiano. As pessoas 
podem deixar a passividade que a transferência da 
culpa pelo problema em questão as impõe e passar 
a cuidar do que é de todos com o mesmo cuidado 
que cuidam do que é seu. Mas, para isso, devem-
-se escolher as metodologias mais adequadas e 
condizentes com a realidade a qual serão aplicadas.
O processo de mobilização é uma via de duas 
mãos. Ele tanto deve seguir pelo caminho do des-
pertar para a problemática vivenciada por todos e, 
portanto, que traz consigo o sentimento de que as 
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Referências 
STONE, Michael K. “Ele mudou tudo o que pensávamos que éramos capazes de fazer”: o projeto 
STRAW. In: STONE, Michael; BARLOW, Zenobia (Orgs). Alfabetização Ecológica: a educação 
das crianças para um mundo sustentável. São Paulo: Cultrix, 2006.
TORO, José Bernardo; WERNECK, Nisia Maria Duarte. Mobilização Social: um modo de construir 
a democracia e a participação. 1º reimpr. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.
coisas precisam melhorar, como também deve, concomitantemente, seguir pelo caminho da prática, 
da ação que parte deste sentimento despertado (TORO; WERNECK, 2007). Segundo essesmesmos 
autores, no momento do despertar, deve-se levar em consideração uma série de fatores, já que este 
é um período crítico no processo. Dentre eles, está o tipo de informação passada para as pessoas 
que vão participar, sendo que esta deve ser emancipatória e não limitadora. Isso quer dizer que a 
informação deve chegar aos participantes na forma de conhecimento acerca da situação a ser trans-
formada, e não o seu viés, o seu olhar. É importante não influenciar as pessoas com o seu imaginário 
sobre o assunto, já que em um processo de participação, cada um deve “traçar” o seu desejo.
Também é importante ressaltar que um desejo de transformação e a tomada de consciência de 
que as mudanças podem e devem ser feitas é sempre individual, parte de cada um de nós, entretan-
to, a “mão na massa”, a ação, é coletiva. Dessa forma, as pessoas conseguem sentirem-se potentes 
e capazes de promover a mudança necessária para o alcance do imaginário coletivo vislumbrado. 
Tendo isso em mente, você, que está articulando esse processo mobilizador, tem o papel preponde-
rante de fornecer subsídios de ações e decisões, “que transformem o incômodo que as informações 
despertaram em contribuição efetiva para os objetivos propostos” (TORO; WERNECK, 2007).
A mobilização que deu certo
Michael K. Stone (2006) traz um relato interessante sobre um processo de mobilização que iniciou 
dentro da escola. Conta que Laurette Rogers, professora da 4ª série da escola Brookside School (São 
Francisco, Califórnia, EUA), ao passar um vídeo que chocou as crianças por se tratar de desmatamento 
de florestas tropicais, se deparou com o seguinte questionamento de uma delas: “E o que a gente 
pode fazer?”. Ela conta que ficou sem palavras e não conseguiu responder. Então, propôs aos estu-
dantes que delimitassem um projeto, no qual as lições passadas cotidianamente seriam organizadas.
A partir desse profundo desejo de mudança que surgia, ações foram adotadas para que, de fato, 
se fizesse algo em prol da conservação do ambiente onde estavam inseridos e, sobretudo, a con-
servação de uma espécie endêmica de camarão. Com a mobilização que se iniciava e o sentimento 
de “fazer parte” despertado em todos, articulações foram feitas e muitas pessoas se envolveram em 
prol desse imaginário coletivo. Os resultados? Foram muitos! Dentre eles, a rede STRAW, formada 
por dezenas de professores em mais de trinta escolas diferentes, estudantes, pais, fazendeiros em-
presários, agências governamentais, organizações não governamentais e fundações (STONE, 2006).
Este é apenas um exemplo de que a mobilização pode surgir em qualquer situação, num am-
biente escolar ou não, com pessoas de qualquer idade e formação. Não se iluda achando que é um 
processo rápido e fácil, porém, não se detenha na inação: as longas caminhadas se iniciam com o 
primeiro passo.
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Objetivos: 
Aprender a elaborar um projeto de 
educação ambiental.
Reconhecer as possibilidades e 
dificuldades de cada fase do projeto.
Palavras-chave:
Planejamento; processo; produto.
Como elaborar um projeto 
de educação ambiental
Profa. Ms. Denise Antônia de Freitas Neves
Educação ambiental
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Elaborar um projeto em qual-
quer área não é tarefa fácil. Tanto 
nas etapas iniciais de elaboração, 
como nas que se seguem: exe-
cução e conclusão das ativida-
des, existem momentos muito 
próprios que irão demandar 
tempo e disposição, além de um 
conhecimento específico da área 
a ser abordada.
Quando tratar-se da elabora-
ção de um projeto de Educação 
Ambiental há de se considerar 
mais um aspecto muito impor-
tante: mudança de comporta-
mento. Qualquer que seja o tema 
escolhido para a abordagem da 
Educação Ambiental, ou mesmo 
qualquer que seja o público alvo 
ou setor da sociedade espera-se 
alcançar como objetivo funda-
mental a mudança de compor-
tamento dos envolvidos. Por isso, 
o método a ser utilizado para a elaboração e aplicação de tal projeto deve contemplar uma questão 
primordial: a motivação de pessoas que serão envolvidas na minimização da problemática ambiental. 
O método que se utilizará neste módulo é o PPP (Planejamento, Processo e Produto) que foi 
modificado por Suzana Pádua (1994,1997) mas foi baseado na metodologia de Susan Jacob (1991). 
Esse método se apóia na avaliação contínua de todas as etapas da implantação de um programa de 
Educação Ambiental, a fim de se verificar seus resultados ainda no processo e já propor alterações 
antes do segmento da próxima etapa.
Na fase Planejamento que incluem várias etapas deve-se ter noção do programa de forma in-
tegral. Seguem algumas:
• Levantamento do tema, problema ou questão – de forma participativa, todos os envolvidos no 
programa deverão selecionar um tema ou problema que será o objeto de estudo.
• Identificação dos potenciais locais – nessa etapa deve-se investigar e levantar o maior número 
de “riquezas socioambientais” da localidade onde o programa será implantado, utilizando-se 
de instrumento de pesquisa como questionários, entrevistas às pessoas de destaque local, 
visitas monitoradas, consultas a documentos administrativos entre outros.
• Clarificacão dos objetivos – A partir da identificação do problema local por parte dos envolvidos 
no programa, o objetivo a que se quer atingirpode ser determinado nessa primeira fase.
• Identificação do público alvo – a determinação do público alvo estará ligada ao problema 
escolhido a partir da etapa do levantamento dos temas.
• Levantamento dos recursos disponíveis – a fim de se buscar parcerias e recursos para viabi-
lização do programa, uma lista do que realmente é necessário irá contribuir para a escolha 
desses futuros parceiros.
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• Instrumento de Avaliação – no programa 
deverão ser planejadas várias etapas de ava-
liação. Logo no início mesmo antes da implan-
tação das fases, uma avaliação deve ser feita 
utilizando-se de recursos como fotografias 
do local, questionários, anotações periódicas, 
observações a fim de se ter parâmetro de 
comparação com os resultados das avaliações 
que se seguirão.
A fase do Processo – segunda fase do progra-
ma, tende a ser mais motivadora, pois está ligada à 
implantação das ações elaboradas anteriormente. 
Realiza-se pelas etapas:
• Criação de atividades e estratégias – é impor-
tante nessa etapa que a elaboração das ativi-
dades a serem executadas para se alcançar o 
objetivo seja feita de forma conjunta. Deve-se 
valorizar o trabalho participativo para que o 
engajamento seja alcançado de forma plena.
• Levantamento do que já existe – para minimizar gasto de material e usar o tempo de forma 
adequada deve-se levantar quais são os recursos, humanos inclusive, já disponíveis que po-
deriam ser aproveitados.
• Elaboração de um cronograma – é importante que se elabore um cronograma de implantação 
as ações a fim de se ter uma visão de todas as etapas a serem cumpridas relacionadas ao seu 
tempo de execução.
• Capacitação de equipe – a equipe que irá trabalhar na implantação do programa deverá estar 
coesa com relação ao conhecimento envolvido, por isso deve-se capacitar aqueles que necessi-
tam de maiores esclarecimentos utilizando-se de palestras, cursos, livros ou outros recursos.
A fase Produto está ligada aos resultados obtidos após a aplicação das ações. Será que os obje-
tivos foram atingidos? É hora de saber. 
• Avaliação do processo – (Avaliação formativa) como já mencionado, a avaliação é um recur-
so muito importante para o sucesso do programa. Quando as ações são avaliadas durante 
suas aplicações haverá mais chances de correção caso necessário e mesmo assim quando se 
perceber que os resultados esperados não foram atingidos será através da avaliação que se 
poderá detectar os possíveis erros cometidos.
• Avaliação dos resultados gerais – (Avaliação somativa ou do produto) – aqui serão utilizadas 
as avaliações prévias, as que ocorrerão durante o processo e as pós-avaliações, isto é aquelas 
que serão feitas ao final do programa implantado. Comparando-se resultados através de 
fotografias antes e depois, anotações das observações do antes e depois, assim como pré e 
pós-testes poder-se-á mensurar a eficácia das ações implantadas.
• Análise dos resultados inesperados – é possível que durante o processo ou outra fase do pro-
grama alguns resultados não esperados possam surgir. É necessário fazer uma análise desses 
resultados a fim de fortalecer o próprio programa.
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• Busca de apoio – os resultados da avaliação irão auxiliar à busca de apoio para a continuidade 
do programa.
• Disseminação dos resultados – é muito importante para o próprio público alvo, para os envol-
vidos no programa, para a comunidade circunvizinha e para outros educadores ambientais 
conhecerem os resultados obtidos com o programa de Educação Ambiental. Havendo erros 
ou acertos deve-se divulgar os resultados a fim de que outros possam deles se utilizar como 
ponto de partida para outros programas.
Referencia
CD-ROM – Metodologia em Educação Ambiental – ABCDE AMBIENTE BRASIL, FUNARBE, 
FIEMG,CIEMG,SESI,SENAI,IEL – MINAS GERAIS.
Módulo
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Como sistematizar um 
projeto socioambiental
Profa. Esp. Michele Fernando da Silva
Objetivos:
Subsidiar a estruturação de um projeto 
socioambiental escrito;
Apresentar as seções e seus conteúdos 
pertinentes ao projeto.
Palavras-chave: 
Projetos socioambientais; sistematização; 
Educação Ambiental.
Universidade Metodista de São Paulo
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No capítulo anterior, você viu que a mobilização é o primeiro passo para a promoção da Educação 
Ambiental. Mas, tão importante quanto arrebanhar corações que anseiam por mudança, também 
é o momento de colocar as ideias no papel. Dessa maneira, um projeto bem estruturado, claro e 
consistente pode ajudar no alcance dos resultados esperados.
Para que se resolva qualquer problema, é preciso que o conheçamos a fundo. É necessário que 
se tenha um panorama geral da situação, incluindo potencialidades, fragilidades e entraves que se 
apresentem durante o processo. Isso só é possível realizando-se o diagnóstico, ou seja, um levanta-
mento detalhado acerca do local em que se deseja trabalhar, das pessoas envolvidas e dos problemas 
existentes. Esse diagnóstico é imprescindível, mesmo que alguns problemas já sejam conhecidos, 
pois novas informações e até mesmo ideias para a metodologia de trabalho surgem daí. 
Feito o diagnóstico, é a hora de sistematizar as informações, ou seja, escrever de forma orde-
nada e completa todos os dados coletados e a proposta de trabalho. Dessa forma, apresenta-se a 
Introdução do projeto, que é o capítulo inicial, no qual se descreve detalhadamente o cenário de 
trabalho e os problemas existentes que devem ser superados. Em outras palavras, é um panorama 
geral do local de trabalho e da população ali existente. A objetividade é bem-vinda, mas não deve 
comprometer a descrição necessária.
Em seguida, apresenta-se a Justificativa, que é o item que descreve por que é necessário atuar 
no local e com as pessoas que descreveu anteriormente. Cuidado para não ser redundante com o 
que já foi apresentado! É preciso deixar claro todos os pontos positivos de se aplicar esse projeto e 
os possíveis resultados favoráveis que ele trará. 
Segue-se, então, com o item Objetivo, que é a descrição do que se pretende fazer e alcançar. 
Essa descrição define de forma clara e direta as suas intenções, a partir dos problemas que descre-
veu na introdução. Pode subdividir-seem “Objetivos Gerais”, que são mais genéricos e vislumbram 
resultados de médio e longo prazo, e “Objetivos Específicos”, que tratam das intenções imediatas e 
mais “palpáveis”, que se podem aferir ao final do ciclo de aplicação do projeto. É importante ressaltar 
que os objetivos são sempre descritos em tópicos.
O próximo item do projeto é o Público-Alvo, que define quem serão as pessoas diretamente 
beneficiadas. A partir dessa definição, é possível escolher as metodologias mais eficazes para atender 
ao que foi proposto nos objetivos. Este item deve ser bem direto, porém, detalhado, especificando 
claramente o número de pessoas, faixa etária e situação socioambiental em que se encontram, além 
de outras informações que se julgarem relevantes para a caracterização do grupo de pessoas que 
participarão do projeto.
Após toda essa descrição e proposições, segue-se um dos itens mais relevantes do projeto: a 
Metodologia. Nele descrevem-se, com riqueza de detalhes, todos os métodos e técnicas que serão 
utilizados para alcançar os objetivos propostos, esclarecendo, inclusive, como serão empregados. É 
imprescindível que seja coerente com os objetivos, caso contrário, torna-se grande a probabilidade 
de o projeto não dar certo ou mesmo não atender à sua proposta original. Vale ressaltar que um 
projeto socioambiental não pode ser minimalista, dada a complexidade dos problemas a serem solu-
cionados, bem como não pode ser pontual, já que um processo educativo leva tempo e persistência 
dos educadores para ser bem sucedido.
Tão importante quanto escolher as metodologias adequadas ao propósito do projeto é o pro-
cesso de Avaliação, que é o item da sistematização do projeto que vai descrever como aferir se a 
metodologia atendeu aos objetivos. É o momento de avaliar duas partes importantes do projeto: a) 
o processo, ou seja, como o projeto foi conduzido e aplicado e a viabilidade da metodologia propos-
ta; b) o impacto: a sensibilização e as transformações, tanto de conduta das pessoas (público-alvo), 
quanto do local onde estão inseridas. Esta última, por sua vez, é difícil de ser mensurada, pois envolve 
a adoção de novos comportamentos e mudança de valores das pessoas envolvidas. Dessa forma, o 
processo avaliativo deve ser constante e rigoroso, observando-se cada elemento apresentado.
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Para facilitar essa avaliação, adotam-se indicadores, que tanto podem ser adaptados (indicado-
res já existentes, mas readequados ao seu projeto e a realidade local), quanto podem ser criados 
pela equipe de trabalho a partir do diagnóstico. Eles facilitam a verificação dos resultados de ma-
neira quantitativa (mais pragmática, resultados numéricos) e qualitativa (mais subjetivos, mas que 
podem ser percebidos pelos aplicadores do projeto que tenham real conhecimento do processo 
como um todo). 
Após a apresentação da Avaliação, aborda-se a Comunicação do Projeto, que nada mais é do 
que a maneira como aquela comunidade será informada sobre as ações que estão sendo adotadas. 
Essa etapa também é fundamental para a mobilização do público e pode ser utilizada como parte 
da metodologia. Assim, descrevem-se quais estratégias de comunicação serão adotadas, se serão 
produzidos materiais impressos ou audiovisuais, palestras e visitas, etc.
O Orçamento do Projeto também deve ser descrito, pois indicará quais e quantos materiais serão 
necessários para todo o processo de aplicação do projeto, os valores dos serviços dos profissionais 
e tudo mais que se relaciona a recursos. 
O item seguinte é o Cronograma, que descreve detalhadamente tudo o que será feito e em 
quanto tempo. Nele se estabelecem prazos e o período total de duração do projeto, mas pode ser 
revisitado e readequado ao longo da sua aplicação. Contudo, o ideal é que seja bem dimensionado 
desde o início para evitar contratempos. 
Finalmente, descreve-se qual será a Equipe de Trabalho, que são os profissionais envolvidos, 
tanto na elaboração, quanto na aplicação do projeto. Recomenda-se a busca por uma equipe mul-
tidisciplinar, que contribua amplamente com as mudanças propostas, e que se aproveitem pessoas 
do próprio local de aplicação do projeto, já que estas podem ter um conhecimento mais profundo 
da realidade em questão.
É importante também que se apresentem as Referências que foram utilizadas para a descrição, 
sobretudo, do cenário a ser trabalhado e da metodologia escolhida, pois além de atribuir os devidos 
créditos às fontes de pesquisa, traz maior credibilidade ao projeto. 
Existem várias maneiras de fazer a sistematização de projetos: umas mais complexas e mais de-
talhadas, outras mais objetivas e enxutas. A que se apresentou aqui foi adaptada da sugestão da 
Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo (2005), que visa a apresentação de um projeto 
para a captação de recursos ou financiamentos públicos. Ela pode ser utilizada também para a apre-
sentação de proposta de trabalho para empresas interessadas em patrocinar projetos socioambientais.
Referência
SÃO PAULO (Estado). Secretaria do Meio Ambiente. Coordenadoria de Planejamento Ambiental 
Estratégico e Educação Ambiental. Manual para Elaboração, Avaliação e Administração de 
Projetos Socioambientais. São Paulo: SMA/ CPLEA, 2005.
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