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E-BOOK GESTÃO AMBIENTAL I Problemas ambientais no Brasil e no mundo APRESENTAÇÃO Atualmente presenciamos uma grande crise ambiental mundial, fomentada pela má gestão dos recursos naturais por décadas, principalmente após a revolução industrial. Um desses efeitos diz respeito às alterações climáticas, mais especificamente ao aquecimento global. Neste aspecto, entenda que o aquecimento global é natural, perante a escala do tempo geológico, no entanto, devido à intensa emissão de gases do efeito estufa (como CO2, CH4 e N2O), esse processo tem sido acelerado, e tem causado diversos efeitos, como o acelerado desgelo das calotas polares ou mesmo o aumento na intensidade de eventos climáticos, como, por exemplo, furacões. O aquecimento global é um aspecto relacionado diretamente à exploração do petróleo e à inserção de seus resíduos na atmosfera, mas podemos também relatar problemas com a poluição da água pelo esgoto sanitário, problema básico mas que perpetua-se desde as mais antigas civilizações humanas, e relacionado diretamente à saúde pública, ou mesmo à poluição do solo, que, por sua vez, reflete-se na qualidade do alimento que ingerimos. Esses são apenas alguns dos desafios ambientais que a humanidade terá que enfrentar e resolver. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprofundar o estudo acerca dos problemas ambientais, suas causas e também as ações necessárias para a sua solução. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Descrever as questões ambientais no Brasil e no mundo.• Identificar as causas dos problemas ambientais no Brasil e no mundo.• Relacionar ações para evitar e minimizar impactos ambientais negativos.• DESAFIO A preocupação com os efeitos ou impactos ambientais, decorrentes da ação do homem no ambiente natural, passou a merecer maior atenção a partir da década de 1950. Essa preocupação foi motivada pela queda da qualidade de vida em algumas regiões do planeta. Surgiram movimentos ambientalistas e foram criadas entidades não governamentais sem fins lucrativos, alem de agências governamentais voltadas para a proteção ambiental. Sendo assim, é sabido que o ramo da construção civil é o que mais gera resíduos sólidos. Quais atitudes poderiam ser tomadas por você – um engenheiro - para minimizar a geração de resíduos e sua reutilização nas obras? INFOGRÁFICO Nos primórdios da civilização humana, os impactos ao meio ambiente eram facilmente absorvidos pelo meio, no entanto, após a revolução industrial, os impactos superaram a capacidade de autodepuração do sistema, causando, assim, grandes alterações negativas na qualidade dos aspectos ambientais. Acompanhe no Infográfico mais informações acerca das principais questões ambientais que assolam o Brasil e o mundo. CONTEÚDO DO LIVRO As principais questões ambientais estão associadas à degradação do ambiente e, consequentemente, da vida, inclusive, do ser humano, caso este esteja vivendo nesse meio. Imagine-se respirando um ar contaminado, ou mesmo ingerindo água e alimentos contaminados. Pois é, hoje essa realidade não está distante e a crise ambiental só aumenta em todos os lugares do mundo. A causa: décadas e mais décadas de descaso, sendo os resíduos perigosos dispostos diretamente nos solos, nas águas e no ar, que são os mesmos recursos que necessitamos para viver. Além de detectar as causas e consequências dos inúmeros problemas ambientais, a procura por suas soluções deve ser priorizada, tendo em vista o manejo correto dos recursos e a perpetuação destes para as próximas gerações. Acompanhe, no capítulo Principais questões ambientais no Brasil e no mundo, da obra Gestão de recursos ambientais, algumas das ações e programas que podem ser realizados para minimizar os problemas ambientais. Boa leitura. GESTÃO DE RECURSOS AMBIENTAIS Agnes Reis Principais questões ambientais no Brasil e no mundo Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Descrever as questões ambientais no Brasil e no mundo. � Identificar as causas dos problemas ambientais no Brasil e no mundo. � Relacionar ações para evitar e minimizar impactos ambientais negativos. Introdução Hoje, vivenciamos uma grande crise ambiental mundial, em consequência da má gestão de recursos naturais com o passar das décadas, princi- palmente após a revolução industrial. Um desses efeitos diz respeito às alterações climáticas, especificamente, ao aquecimento global. Nesse aspecto, é preciso ter em mente que o aquecimento global é natural, den- tro da escala do tempo geológico. No entanto, devido à intensa emissão de gases do efeito estufa, como CO 2 , o CH 4 e o N 2 O, esse processo tem sido mais rápido, causando diversos efeitos, como o acelerado desgelo das calotas polares, ou mesmo o aumento na intensidade de eventos climáticos, como, por exemplo, furacões. Esse é um aspecto relacionado diretamente à exploração do petróleo e à emissão de seus resíduos para a atmosfera, mas podemos também relatar outros problemas, como a poluição da água pelo esgoto sanitário, um problema básico, mas que se perpetua desde as mais antigas civilizações humanas; relacionado diretamente à saúde pública, ou mesmo à poluição do solo que, por sua vez, reflete na qualidade do alimento que ingerimos. Esses são apenas alguns dos desafios ambientais que a humanidade terá que enfrentar e resolver para o futuro. Neste capítulo, vamos aprofundar nosso estudo acerca dos problemas ambientais, suas causas e as ações necessárias para sua solução. Questões ambientais no Brasil e no mundo Nosso planeta é, atualmente, alvo de uma grande quantidade de problemas ambientais, decorrentes de fatores diversos, independentes e interligados, que podem se diferenciar em relação à localização e às especificidades locais. Os efeitos podem ser visualizados de forma isolada ou cumulativa, sendo um consequência do outro. Os impactos podem ter diversas causas, assim como uma única ação pode desencadear muitos impactos. Podemos citar, como os principais problemas no mundo: � poluição do ar; � desmatamento; � extinção de espécies; � degradação do solo; � superpopulação ou crescimento demográfico; � aquecimento climático, devido ao efeito estufa. A questão é que, na prática, colocar apenas uma causa em primeiro lugar torna-se uma tarefa árdua, devido à correlação e à interdependência entre causas. Muitas vezes, há dificuldade em simplesmente definir uma escala de prioridade. Uma coisa é certa: existe relação entre a pobreza e a degradação ambien- tal. Conforme pesquisa feita a cada dois anos pelas universidades de Yale e Columbia, 178 países foram classificados com base em 20 indicadores, dis- tribuídos por nove categorias, como saúde ambiental, poluição do ar, recursos hídricos, biodiversidade e habitat. Os países de extrema pobreza possuem altos níveis de degradação de recursos naturais, possivelmente relacionado ao fato de que, por serem países pobres, não há dinheiro para tratamento de resíduos e efluentes. Como já mencionado anteriormente, uma única ação pode desencadear muitas consequências; por isso, vamos analisar apenas a deposição de resíduos sem prévio tratamento e sua correta disposição. Essa única ação pode causar contaminação do solo, da água, configurando sérios problemas de saúde pública, por serem vetores de doenças. Em 2013, o relatório sobre o índice de desenvolvimento humano (IDH), feito pelo programa das Nações Unidas para o desenvolvimento (PNUD), mostrou Principais questões ambientais no Brasil e no mundo42 que é preciso enfrentar os problemas ambientais, pois se não os enfrentarmos, os avanços do desenvolvimento humano poderão regredir drasticamente. As regiões mais pobres do globo deverão ser as mais afetadas, com uma redução no IDH de 22% no sul da Ásia e de 24% na África Subsaariana. Existemalguns fenômenos naturais que causam modificações no meio am- biente, chamados distúrbios naturais. Um bom exemplo disso são os incêndios florestais espontâneos que ocorrem no bioma do cerrado brasileiro. Portanto, cabe lembrar que os desastres naturais são divididos em duas categorias de origem: climatológica e geológica. Mesmo com a ocorrência desses fenômenos naturais, algumas atividades do homem que causam alterações no meio ambiente podem interferir no agravamento desses desastres, como desmatamento e assentamento de pessoas em zonas de risco. No Brasil, os desastres mais frequentes são: deslizamento, enchentes, erosões, seca, incêndio florestal e chuva de granizo. Apesar disso, os desastres que mais causam impactos econômicos são os de origem geológica, como terremotos, vulcões e tsunamis. Em muitos casos, a origem do desastre pode não ser esclarecida, por ter se iniciador de tal forma e desencadeado outro tipo de desastre. Em relação aos tipos de desastre, os maiores causadores de mortes de pessoas no mundo são os furacões e os terremotos; em terceiro lugar, estão as inundações, e em seguida, as tempestades elétricas e os tornados. Figura 1. Grande cidade com níveis extremamente altos de poluição no ar, uma das principais causas dos problemas am- bientais no mundo. Fonte: nEwyyy/Shutterstock.com. 43Principais questões ambientais no Brasil e no mundo Principais causas da problemática ambiental Com o passar dos anos, verificou-se uma baixa capacidade de autodepuração do ar em relação ao grau e quantidade de emissão que a atmosfera recebe. São dados reais que, em países em desenvolvimento ou países emergentes — países que possuem padrão de vida entre baixo e médio, base industrial em desenvolvimento e IDH variando entre médio e elevado —, de 500 mil a um milhão de pessoas morrem anualmente, devido à poluição atmosférica. Ligada à agricultura mundial, a prática de queimadas é aplicada com o objetivo de “limpar” áreas a ser utilizadas para o cultivo de determinadas plantas, inclusive para a criação de gado e outras espécies que alimentam a indústria. � A poluição do ar tem como principal vilã as atividades antrópicas, impactando a saúde e o meio ambiente. A emissão gerada por determi- nadas atividades, como o processo industrial, que apenas atendem aos padrões consumistas da sociedade, pode variar por questões culturais e tecnológicas. � O desmatamento é a remoção completa ou parcial de vegetação, atu- almente tendo como causa principal a ação do homem. � Sendo a maioria dos problemas ambientais relacionados à ação antrópica, seria equivalente colocar a superpopulação no ranking de causas dos problemas ambientais. O desmatamento afeta diretamente a qualidade de vida do homem, que é totalmente dependente deste recurso. � A extinção de espécies é consequência de outras ações, com grandes complicações para a fauna a partir de pequenas alterações no meio ambiente. � A degradação do solo pode ser causada por diversos fatores, sendo um deles a erosão (um fenômeno natural, facilmente intensificado pela ação do homem). Outros fatores que causam a degradação do solo são a salinização e a compactação, entre outros. � A superpopulação (ou o crescimento demográfico) diz respeito ao número excessivo de pessoas habitando determinado local. Esta causa acaba se agravando principalmente em função da carência em políticas públicas e em planejamento urbano com definições de zonas. Principais questões ambientais no Brasil e no mundo44 � O aquecimento climático, decorrente do efeito estufa, nada mais é do que o aquecimento da temperatura média do oceano e da atmosfera terrestre, causado pelas emissões de gases, que intensificam o efeito estufa. Figura 2. Processo de destruição do meio ambiente pelo desmatamento. Fonte: Marten_House/Shutterstock.com. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou, recentemente, que uma em cada nove mortes ocorridas em 2012 estava relacionada a doenças causadas por agentes cancerígenos e outros poluentes presentes no ar. Algumas soluções possíveis seriam substituir os combustíveis fósseis por energia renovável; o reflorestamento; reduzir as emissões originadas pela agricultura ou alterar processos industriais (DEUTSCHE WELLE, 2016). 45Principais questões ambientais no Brasil e no mundo De acordo com relatório publicado pela revista científica The Lancet, a poluição do ar causou a morte de 101.739 pessoas no Brasil em 2015, o que equivale a 7,49% do total de mortes no país durante o período. De acordo com o estudo, a poluição do ar foi a grande vilã responsável pela maioria dos óbitos (70.685) (SILVER, 2017). Ações para minimizar e evitar impactos ambientais negativos Os impactos negativos normalmente estão associados a atividades do homem, estando ainda relacionados à falta de planejamento e a medidas preventivas. Visto que o conceito de impacto concerne às consequências que deter- minadas ações podem trazer para o meio ambiente, é preciso buscar, através de estudos, alternativas para minimizar esses riscos, sendo necessário, pri- meiramente, identificá-las de acordo com a atividade que estamos avaliando. Minimizar significa reduzir os impactos ao meio ambiente no caso, aqueles inevitáveis. Um bom exemplo de minimização de impactos é a construção de uma cortina vegetal para conter as emissões de partículas para uma co- munidade vizinha. Um das ferramentas mais importantes e eficazes para minimizar impactos é o planejamento ambiental, pois, neste processo, aprofundamos conceitos, entendimentos e análises, proporcionando a projeção e a avaliação desses impactos, e, como consequência, a definição de melhores alternativas. Para alcançarmos resultados, é necessário seguir alguns passos dentro do planejamento: � planejar a realidade, com base em um conhecimento aprofundado, tendo como objetivo maior eficiência no processo e nas metas traçadas; � elaborar estratégias para o alcance de metas; � planejar detalhadamente, avaliando todos os riscos possíveis, desde os mais comuns aos menos prováveis. Principais questões ambientais no Brasil e no mundo46 Para o planejamento, é importante que tenhamos profissionais qualificados, realmente preocupados e conscientes das necessidades reais de se manter um bom trabalho, pois este é fundamental, o alicerce para o sucesso e para a garantia de melhores condições para o meio ambiente. Figura 3. Paisagem com impactos negativos associados. Fonte: Roman Mikhailiuk/Shutterstock.com. De acordo com pesquisas (BARBOSA, 2016), a Somália possui a 178º posição no ranking geral de qualidade ambiental. Com uma população de 10,2 milhões de habitantes, apresenta as seguintes classificações: � saúde: 18,55/166º; � qualidade do ar: 66,89/ 58º; � água e saneamento: 1,29/178º; � recursos hídricos: 3,96 /108º; � agricultura: 56/126º; � recursos pesqueiros: 0/ 8º; � biodiversidade e habitat: 1,75/172º. 47Principais questões ambientais no Brasil e no mundo BARBOSA, V. Os 20 países do mundo com pior desempenho ambiental em 2014. Exame, 13 se. 2016. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/mundo/os-20-paises- -com-pior-desempenho-ambiental-em-2014/>. Acesso em: 10 jan. 2018. DEUTSCHE WELLE. Os cinco maiores problemas ambientais do mundo e suas soluções. Terra, 13 out. 2016. Disponível em: <https://www.terra.com.br/noticias/os-cinco- -maiores-problemas-ambientais-do-mundo-e-suas-solucoes,cf455538bbcf16f47b9 bae6cd2694d81jc6rr5as.html>. Acesso em: 10 jan. 2018. PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO. Índice de Desenvol- vimento Humano Municipal Brasileiro. Brasília: PNUD, 2013. Disponível em: <file:///C:/ Users/10086049/Downloads/Livro_O%20%C3%8Dndice%20de%20Desenvolvi- mento%20Humano%20Municipal%20Brasileiro.pdf>. Acesso em: 10 jan. 2018. SILVER, K. Poluição mata mais de 100 mil pessoas por ano no Brasil, diz relatório. BBC, 20 out. 2017. Disponível em: <http://www.bbc.com/portuguese/geral-41692503>.Acesso em: 10 jan. 2018. 49Principais questões ambientais no Brasil e no mundo Leituras recomendadas ECYCLE. O que é a degradação dos solos? Entenda suas causas e alternativas. [S.l.]: eCycle, 2013. Disponível em: <https://www.ecycle.com.br/component/content/ article/63-meio-ambiente/4152-degradacao-dos-solos-causas-alternativas-desma- tamento-acao-humana-vegetacao-erosao-lixiviacao-vocorocas-assoreamento- -deslizamento-desertificacao-salinizacao-compactacao-contaminacao-poluicao- -quimica-reflorestamento-conservacao-preservacao.html>. Acesso em: 10 jan. 2018. NOGUEIRA-NETO, P. Os grandes problemas ambientais do mundo contemporâneo. São Paulo: IEA/USP, 2013. Disponível em: <http://www.iea.usp.br/publicacoes/textos/ nogueira_netoambientais.pdf>. Acesso em: 10 jan. 2018. Principais questões ambientais no Brasil e no mundo50 DICA DO PROFESSOR Quando tratamos das principais questões ambientais relacionadas à civilização humana, não podemos deixar de analisar melhor um dos primeiros problemas relacionados às aglomerações humanas, ou seja, as primeiras cidades, o tratamento dos resíduos cloacais, ou seja, o esgoto. Ocorre que esse continua sendo um dos principais problemas, não apenas do Brasil, mas mundialmente, relacionados com os países subdesenvolvidos. Acompanhe na Dica do Professor mais informações acerca do tema. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) (FGV-SP) Nos jornais em todo o mundo, cotidianamente a palavra crise está presente e associada à economia. Várias reuniões de lideranças mundiais são realizadas para discutir a crise econômica e, nelas, a questão ambiental é geralmente tratada com menor profundidade com que se discutem os problemas econômicos. Um dos grandes desafios para diminuir o peso da crise ambiental é: A) Difundir, em escala global, os hábitos de consumo que estão presentes nos países tradicionalmente desenvolvidos. B) Controlar a natalidade nos países mais pobres e emergentes de modo a retardar a chegada dos 8 bilhões de habitantes previstos para 2015. C) Expandir modelos econômicos neoliberais que concretizem ações voltadas à educação ambiental nos países pobres. D) Promover a desconcentração espacial das populações que vivem nos vales fluviais onde há forte pressão sobre os recursos naturais. E) Desenvolver pesquisas de novas tecnologias para incentivar o uso de recursos naturais menos susceptíveis ao esgotamento. 2) A partir da revolução industrial e da utilização de grandes quantidades de combustíveis fósseis, que acabaram sendo incorporados à atmosfera, teve início um dos principais problemas ambientais do planeta, e que hoje é responsável pelo acelerado desgelo das calotas polares. De qual questão estamos falando? A) Aquecimento global. B) Extinção. C) Desmatamento. D) Poluição do ar. E) Degradação do solo. 3) A degradação do solo é a alteração física, química ou biológica desse meio, e pode ser causada por diversos fatores, como: I - Agricultura II - Erosão III - Assoreamento Marque a alternativa que indica corretamente a causa ou causas da degradação do solo. A) Apenas I. B) Apenas II. C) Apenas III. D) Apenas I e II. E) Apenas I e III. 4) As questões ambientais estão associadas à utilização e ao gerenciamento inadequado dos recursos naturais, causando impactos no meio ambiente e provocando, então, a crise ambiental que hoje presenciamos. Nossos rios estão alterados, nossos solos contaminados, nosso ar poluído. Com relação aos impactos ao recurso água e às doenças de veiculação hídrica, podemos afirmar que: A) As doenças de veiculação hídrica estão associadas, principalmente, com a falta de saneamento básico. B) As doenças de veiculação hídrica são causadas por metais pesados contidos nos efluentes domésticos. C) As doenças de veiculação hídrica são causadas por microrganismos biológicos contidos nos efluentes industriais. D) A poluição das águas superficiais não impacta os seres vivos diretamente. E) As doenças de veiculação hídrica são causadas, principalmente, pela agricultura e pecuária. 5) Existem técnicas e métodos específicos para minimizar os problemas ambientais, mas tratando-se da utilização dos recursos naturais, o planejamento é a melhor maneira para utilizá-los racionalmente e impactar o mínimo possível no meio ambiente. Nesse sentido, é CORRETO afirmar que: A) Através da análise de impactos ou mesmo riscos ambientais, é possível anteceder as interferências positivas de uma determinada atividade. B) A indicação de ações para evitar ou minimizar cada um dos impactos negativos de uma determinada atividade antecede a identificação dos respectivos riscos e impactos. C) Através da análise de impactos ou mesmo de riscos ambientais, é possível indicar métodos gerais para evitar ou minimizar cada um dos impactos negativos. D) A identificação dos impactos e dos riscos compreende exatamente a indicação das ações necessárias para minimizar os impactos negativos. E) A identificação prévia de impactos e de riscos permite agir exatamente nos aspectos negativos das atividades, evitando e minimizando-os. NA PRÁTICA A Amazônia, bioma que transcende as fronteiras do Brasil, é um bem natural e que tem importância fundamental na manutenção das condições globais de temperatura do planeta, bem como resguarda a maior fonte de água doce do mundo, e que compreende toda a extensão e tributários do rio Amazonas. Além disso, é um ambiente altamente rico em biodiversidade, inclusive, estima-se que grande parte ainda permanece desconhecida, principalmente quando se trata de insetos. No entanto, o desmatamento é um grande risco à preservação desse ecossistema. Acompanhe a seguir um relato que ilustra um pouco dessa realidade. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Questões ambientais globais e relações internacionais: um chamado por ação As relações internacionais serão essenciais nas soluções das principais questões ambientais mundiais. Nessa perspectiva, nas últimas décadas houve uma crescente abordagem dos temas ambientais nas Relações Internacionais. Acompanhe o artigo a seguir, que possui como objetivo discutir o tema ambiental associado às relações internacionais. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Objetivos de Desenvolvimento Sustentável Desmatamento, poluição, desigualdade e doenças são apenas alguns dos maiores problemas associados às questões ambientais no Brasil e no mundo. Acompanhe uma publicação da Organização das Nações Unidas, com sede no Brasil, que apresenta os problemas ambientais e as suas possíveis ações tendo em vista o desenvolvimento sustentável. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Consumo, um dos dilemas da sustentabilidade O atual sistema da civilização humana, principalmente baseado no consumo, vai na contramão das demandas ambientais. Essa reflexão foi foco do artigo recentemente publicado, que coloca o atual padrão de consumo que vivenciamos como produto de um longo e lento processo histórico de construção social de uma cultura, sustentada por valores, normas e padrões que se reproduzem. Acesse o artigo na íntegra e perceba o grande desafio que temos diante da busca pela sustentabilidade. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Gestão ambiental organizacional APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem, vamos estudar a Gestão Ambiental Organizacional, ou seja, aquela que se desenvolve nas empresas. Veremos, também, os empreendimentos privados em geral. A base desta gestão é a ISO 14001, que também será analisada nesta unidade. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer as características principais da Norma ISO 14001.• Definir as vantagens de utilização de um sistemade gestão ambiental reconhecido internacionalmente. • Identificar os objetivos e princípios gerais que regem um sistema de gestão ambiental.• DESAFIO Você administra uma pequena empresa de produção artesanal de doces, por exemplo. Neste caso, você recebe a matéria-prima (frutas) de diversos lugares, conforme o tipo. Você tem dez funcionários, além de equipamentos para fabricação e embalagem dos doces. Numa visita de um especialista, você soube que, se implantasse um SGA simples, poderia economizar até 10% de gastos. A partir dessa situação, seu desafio será elaborar uma proposta que responda às seguinte questões: - O que você faria para implantar esse sistema? - Que aspectos você poderia incluir nele? - Como envolver todos os funcionários neste SGA? INFOGRÁFICO A figura representa graficamente a ISO 14001 como um sistema de gestão ambiental. Cada elemento pode ser considerado como um subsistema independente que, na sequência, leve à melhoria contínua do próprio sistema. CONTEÚDO DO LIVRO Nesta Unidade de Aprendizagem, vamos trabalhar a Norma Internacional ISO 14001. Os conteúdos vinculados a esta unidade encontram-se nas páginas selecionadas no livro Ambiente: tecnologias. Boa leitura! AM BIEN TE CIB ELE SCHWANKE TEC NO LO GIA S ORGANIZADORA A M B IE N T E Catalogação na publicação: Ana Paula M. Magnus – CRB10/2052 A492 Ambiente [recurso eletrônico] : tecnologias / Organizadora, Cibele Schwanke. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Bookman, 2013. Editado também como livro impresso em 2013. ISBN 978-85-8260-012-2 1. Meio ambiente. 2. Conservação e proteção. I. Schwanke, Cibele. CDU 502.1 232 A m b ie n te : te c n o lo g ia s O zoneamento urbano certamente é o mais difundido instrumento. Na definição de áreas destinadas à expansão urbana, é muito importante determinar o plano diretor que cada município irá adotar, de modo a articular os interesses de to- dos os agentes envolvidos no processo. Como instrumento de gestão territorial urbana, o plano diretor também é um instrumento de gestão ambiental urbana, talvez o principal deles, sobretudo, pelo fato de não haver uma tradição de política ambiental em nível municipal no Brasil. O documento do Ministério do Meio Ambiente para formulação e implementação de políticas públicas compatíveis com os princípios do desenvolvimento susten- tável definidos na Agenda 21 (CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO, 1992), intitulado Cidades sustentáveis, estabe- lece quatro estratégias de sustentabilidade urbana identificadas como priori- tárias para o desenvolvimento sustentável das cidades brasileiras, duas das quais remetem diretamente ao plano diretor: 1. Aperfeiçoar a regulação de uso e ocupação do solo urbano e promover o or- denamento do território, contribuindo para a melhoria das condições de vida da população, considerando a promoção da equidade, da eficiência e da qua- lidade ambiental. 2. Promover o desenvolvimento institucional e o fortalecimento da capacidade de planejamento e gestão democrática da cidade, incorporando no processo a dimensão ambiental urbana e assegurando a efetiva participação da sociedade. Contudo, existe uma diferença muito grande entre os ideais existentes para a im- plantação de um plano diretor e o que é observado na prática. Na maioria dos ca- sos, esses desvios são induzidos pelo processo de especulação imobiliária e pelas mudanças de governo, o que induz a uma série de problemas ambientais de difícil resolução, sem o uso de alternativas mais drásticas de intervenção. Gestão ambiental organizacional O panorama atual de mercados em unificação e a globalização da competição, facilitada pela queda de barreiras alfandegárias, forçam as empresas a adotar uma nova visão quanto à amplitude de competidores em seu mercado. A atua- ção das empresas pode ser restrita, mas a competição é globalizada, porque, po- tencialmente, qualquer competidor é capaz de atender ao mercado em que uma ou outra empresa atua. Juntamente com esse panorama, a preocupação com os aspectos ambientais da produção, por parte dos governos e pela sociedade civil organizada, gerou uma nova demanda às empresas. Nesse contexto, o objetivo para a emissão de uma norma internacional para o gerenciamento ambiental visa a possibilitar que ela possa ser utilizada como ponto de referência, por meio do qual as empresas possam ser comparadas. Essas normas possuem também o potencial de estender e difundir as boas práticas am- bientais ao longo das fronteiras. 233 c a p ít u lo 1 2 G e st ã o a m b ie n ta l A série de normas ISO 14000 vem ao encontro das necessidades das empresas de adotarem práticas gerenciais adequadas às exigências de mercado, universalizando os princípios e os procedimentos que permitirão uma expressão consistente de qua- lidade ambiental. Essa série de normas possui duas abordagens de avaliação: avalia- ção da organização e avaliação do produto, conforme apresentado na Figura 12.1. Normas da série NBR ISO 14.000 Avaliação da organização Sistema de gestão ambiental (ISO 14001 e 14004) Avaliação do produto Auditoriais ambientais (ISO 14010 e 1412) Avaliação de desempenho ambientais (ISO 14031) Rotulagem ambiental (ISO 14020 e 14025) Análise do ciclo de vida (ISO 14040 a 14049) Figura 12.1 Normas ISO 14000. A série de normas ISO 14000 é uma contribuição da International Organization for Standardization (ISO) ao campo do gerenciamento ambiental. Uma organização poderá decidir sobre a adoção dos requisitos ISO 14001 para sua gestão interna, bem como para a certificação ambiental, obtida a partir de auditorias de organis- mos de certificação, externos à empresa. Entre as vantagens de utilização de um sistema de gestão ambiental (SGA) norma- lizado e adotado internacionalmente, podemos destacar: • Diferencial competitivo: melhora da imagem, aumento de produtividade e con- quista de novos mercados. • Melhoria organizacional: gestão ambiental sistematizada, integração da qualida- de ambiental à gestão dos negócios da empresa, conscientização ambiental dos funcionários e relacionamento de parceria com a comunidade. • Minimização de custos: eliminação de desperdícios, conquista da conformidade ao menor custo e racionalização dos recursos humanos, físicos e financeiros. • Minimização dos riscos: segurança legal, segurança das informações, minimiza- ção dos acidentes e passivos ambientais, minimização dos riscos dos produtos e identificação de vulnerabilidade. Entre os principais objetivos de um SGA, podemos citar: • Fornecer ferramentas necessárias para alcançar metas ambientais e melhoria contínua do desempenho de uma empresa. 234 A m b ie n te : te c n o lo g ia s • Buscar a qualidade ambiental. • Avaliar a estratégia da empresa (fator de diferenciação no mercado). • Adotar medidas de prevenção da poluição. O sistema de gestão ambiental está fundamentado na adoção de medidas preven- tivas à ocorrência de impactos adversos ao meio ambiente e se baseia em cinco princípios: • Conhecer o que deve ser feito. Assegure o comprometimento da empresa e defi- na sua política de meio ambiente. • Elaborar o plano de ação para atender aos requisitos de sua política ambiental. • Assegurar condições para o cumprimento dos objetivos e das metas ambientais e implementar as ferramentas de sustentação necessárias. • Realizar avaliações qualitativas e quantitativas do desempenho ambiental da empresa. • Revisar e aperfeiçoar a política, os objetivos e as metas ambientais e as ações implementadas para assegurar a melhoria contínua do desempenho ambiental da empresa. Norma internacional ISO 14001 A ISO 14001 no Brasil é editada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), tendo sua última versão sido publicada em 31/12/2004 (2ª edição), com validade a partir de 31/01/2005. Essanorma especifica os requisitos relativos a um SGA, permitindo a uma organização formular política e objetivos que levem em conta os requisitos legais e as informações referentes aos impactos ambientais significativos. A finalidade da ISO 14001 é equilibrar a proteção ambiental e a prevenção de po- luição com as necessidades socioeconômicas. Sua adoção não garante, por si só, resultados ambientais ótimos. Ela não aborda e não inclui requisitos relativos a aspectos de gestão de saúde ocupacional e de segurança do trabalho. A norma contém requisitos de sistema de gestão baseados no processo dinâmico e cíclico de planejar, executar, verificar e agir, o chamado PDCA: plan (planejar), do (executar), check (verificar), action (agir). O PDCA pode ser resumido conforme sugere a Figura 12.2: ASSISTA AO FILME Assista ao vídeo Vida Reciclada ISO 14001, disponível no ambiente de aprendizagem 235 c a p ít u lo 1 2 G e st ã o a m b ie n ta l Análise pela administração Verificação Implementação e operação Política ambiental Melhoria contínua Planejamento Figura 12.2 Subsistemas da norma NBR ISO 14001. Fonte: NBR ISO 14004 (2004b). A etapa de planejamento inclui identificação e classificação dos aspectos am- bientais, levantamento dos requisitos legais aplicáveis e definição de objetivos e metas ambientais. Os empresários precisam fazer as perguntas fundamentais re- lativas aos seus negócios: “Onde estamos e para onde queremos ir?”. Responder a essas perguntas envolve três passos. • Fazer avaliação ambiental inicial: compreender a posição ambiental atual da empresa, as exigências legais impostas, os aspectos ambientais relevantes, suas práticas e posturas; identificar os pontos fortes e fracos. • Obter uma visão clara do futuro próximo: compreender os prováveis aspectos e impactos ambientais futuros e suas implicações no futuro da empresa, a fim de identificar os riscos e as oportunidades ambientais. • Estabelecer uma política ambiental: definir como a empresa irá reagir às ques- tões ambientais atuais e futuras, antecipando-se a elas. A etapa de implantação e operação implica definição de estruturas e responsa- bilidades, treinamentos, comunicação, elaboração da documentação do sistema (incluindo a criação de procedimentos de controle operacional e atendimento das situações de emergência). Os colaboradores encarregados da implementação das ações devem definir responsabilidades e procedimentos, que devem ser aprova- dos pela alta direção. Nessa etapa, o levantamento das atividades, sua descrição, incluindo sua interação com o meio ambiente, é a parte principal. A partir daí é que as outras atividades dessa etapa se desenvolvem. Na etapa de verificação são executadas ações de monitoramento e medição, conforme padrões ou requisitos legais, sendo levantadas as não conformidades e gerados seus registros. Nessa etapa, geralmente faz-se uma auditoria do sistema para avaliação da eficácia da sua implantação. Esses resultados são analisados jun- to à direção da empresa, que promove uma análise crítica e determina mudanças de rumo quando necessário. 236 A m b ie n te : te c n o lo g ia s A empresa deve possuir instrumentos para responder à pergunta “Como estamos indo?”. Esses instrumentos de controle e monitoramento geralmente incluem re- latórios sobre desempenho ambiental e geração de resíduos (sólidos, líquidos e gasosos). Eles também incluem ações corretivas e preventivas. O objetivo dessa etapa é avaliar a real condição ambiental da empresa em relação às suas políticas definidas, bem como aos objetivos e às metas presentes no plano de ação. As etapas de análise pela administração e melhoria contínua se caracterizam por etapas de aperfeiçoamento do SGA. Deficiências ou imprevistos são identifica- dos e corrigidos. O plano de ação deve ser revisado e adaptado, e os procedimen- tos são melhorados ou reorientados, conforme a necessidade e a orientação da empresa. O emprego desse método propicia que a direção da organização iden- tifique as mudanças que podem ou devem ser feitas no SGA e se devem retornar à fase de planejamento para introduzir tais alterações na política ambiental e no plano de ação. O sucesso do sistema depende do comprometimento de todos os níveis e funções, especialmente da alta administração. São elementos básicos do sistema de gestão ambiental (SGA): • política ambiental; • programa de gestão ambiental, considerando a avaliação ambiental inicial; • estrutura organizacional; • integração da gestão ambiental nas várias atividades de negócios da organização; • monitoramento, medição e registros; • ações corretivas e preventivas. • auditorias; • análises críticas; • treinamento; • comunicação interna/externa. Basicamente, uma política ambiental é a expressão do compromisso da direção da empresa de introduzir a gestão ambiental em suas rotinas. A política ambiental é uma declaração pública das intenções e dos princípios de ação da empresa. É justamente essa política que deve orientar a definição dos objetivos gerais que a organização quer alcançar em termos de relação com o meio ambiente. Um programa de gestão ambiental (ou plano de ação) pode se caracterizar como um conjunto de medidas que a empresa tomará na vigência do SGA. O pro- grama ambiental traduz a política ambiental da organização em objetivos e metas 237 e identifica as ações para atingi-los. Nesse sentido, define as responsabilidades dos colaboradores internos e aloca os recursos humanos e financeiros necessários para a sua implementação. Além disso, o programa deve levar em consideração os aspectos ambientais da organização, uma visão geral das exigências legais e outros requisitos aplicáveis. Um sistema de gestão ambiental deve determinar a estrutura organizacional, estabelecendo tarefas, delegando autoridades e definindo responsabilidades para implementar as ações. A integração do sistema de gestão ambiental com as operações comerciais inclui procedimentos para incorporar as medidas ambientais em outros aspectos das ope- rações da empresa, tais como saúde e segurança operacional, compras, desenvol- vimento de produtos, associações e aquisições, marketing, finanças, entre outras. Inclui também o desenvolvimento de procedimentos ambientais especiais, geral- mente especificados em manuais e outras instruções de trabalho, descrevendo me- didas e atitudes a serem tomadas na implementação do programa ambiental. Nesse sentido, devemos entender por procedimentos para monitoramento, medi- ção e manutenção de registros a atitude de documentar e monitorar os resultados de ações e programas específicos, assim como os efeitos globais das melhorias ambientais. Já as ações corretivas e preventivas têm por objetivo principal a eli- minação das causas reais ou potenciais de não cumprimento de objetivos, metas, critérios e especificações integrantes do programa ambiental. As auditorias para verificar a adequação, a eficiência e a implementação do siste- ma de gestão ambiental têm suas metodologias amplamente explicitadas na série de normas ISO 14000. A organização deve assegurar que as auditorias internas do sistema de gestão ambiental sejam conduzidas em intervalos planejados. Os objetivos da auditoria interna são: • Determinar se o sistema de gestão ambiental está em conformidade com os ar- ranjos planejados para a gestão, incluindo-se os requisitos da norma. • Avaliar se o sistema de gestão ambiental foi adequadamente implementado e se é mantido. • Fornecer informações à administração sobre os resultados das auditorias. Os procedimentos de auditoria devem ser estabelecidos, implementados e manti- dos a fim de tratar das responsabilidades e dos requisitos para planejar e conduzir as auditorias, relatar os resultados, manter registros associados, bem como para determinar os critérios de auditoria, escopo, frequência e métodos.A seleção de auditores e a condução das auditorias devem assegurar a objetivi- dade e a imparcialidade do processo. O auditor interno deve ser independente da área auditada. Também deve ser definida a periodicidade dos processos. Os DEFINIÇÃO Auditoria interna é uma atividade geralmente desempenhada pelo departamento de uma entidade, incumbido pela direção de efetuar verificações e de avaliar os sistemas e os procedimentos da entidade, com vistas a minimizar as probabilidades de fraudes, erros ou práticas ineficazes. A auditoria interna deve ser independente no seio da organização e se reportar diretamente à direção. DEFINIÇÃO DICA Leia o Capítulo 4 do livro Fundamentos da gestão ambiental, de Shigunov Neto, Campos e Shigunov (2009), e verifique como ocorre a integração dos sistemas de gestão. 238 auditores devem possuir qualificação, normalmente estabelecida pela própria organização. Ao término da auditoria deve ser elaborado um relatório. Análises críticas são realizadas periodicamente pela alta direção da organização, visando à adequação do sistema de gestão ambiental à luz das mudanças e circunstâncias, sejam elas organizacionais ou ambientais. Um importante elemento do sistema de gestão ambiental é o estabelecimento de rotinas de comunicação – entendi- do como o estabelecimento de um fluxo comunicacional das partes interessadas, internas e externas à organização. No nível externo, relações com a comunidade para comunicar a política e as metas ambientais da organização; no nível interno, todos os níveis hierárquicos devem ter acesso às informações de gerenciamento ambiental que lhes interessem. PARA SABER MAIS Consulte o site do INMETRO e verifique o histórico de certificações concedidas pelos Estados e as organi- zações credenciadas pelo INMETRO para certificação da norma NBR ISO 14001. PPARA SAB O estabelecimento de treinamentos é altamente necessário para assegurar que todos os colaboradores entendam onde estão inseridos no contexto do SGA e em relação a suas atividades de trabalho, além da conscientização a respeito das questões ambientais relevantes, da política ambiental, dos objetivos, das metas e do papel de cada colaborador no sistema de gestão ambiental da empresa. JUNTANDO TUDO! Realize uma busca na internet sobre a Conferência de Estocolmo em 1972. Essa pesquisa auxiliará você a entender o cenário mundial na década de 70 em relação ao controle da poluição industrial a partir dos sistemas de tratamento de poluentes, conhecido como end of pipe (fim de tubo). Além disso, ela poderá auxiliá-lo a compreender o processo de licenciamento ambiental, essencial para autorização dos projetos, construções/ampliações ou operação de processos produtivos industriais. Após pesquisar, pense sobre como é possível relacionar este processo com a gestão ambiental adotada pelas empresas atualmente? JJUNTAND 239 c a p ít u lo 1 2 G e st ã o a m b ie n ta l REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ISO 14000: sistemas de gestão ambiental: diretrizes gerais, prin- cípios sistemas e técnicas. 2. ed. Rio de Janeiro: ANBT, 2004a. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ISO 14004: sistemas de gestão ambiental: diretrizes gerais, prin- cípios sistemas e técnicas de apoio. Rio de Janeiro: ANBT, 2004b. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil (1988). Diário Oficial da União, 5 out. 1988. Seção 1, n. 191-A, p. 1. BRASIL. Lei nº 6.803, de 2 de julho de 1980. Diário Oficial da União, 3 jul. 1980. Seção 1, n. 123, p. 585. BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Diário Oficial da União, 2 set. 1981. Seção 1, n. 167, p. 16509. CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO, 2., 1992, Rio de Janeiro. Agenda 21. Rio de Janeiro: [s.n.], 1992. CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE O MEIO AMBIENTE, 1., 1972, Estocolmo. Anais... Estocolmo: [s.n.], 1972. INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, QUALIDADE E TECNOLOGIA. Empresas certificadas ISO 14001. Rio de Ja- neiro: INMETRO, 2012. Disponível em: �http://www.inmetro.gov.br/gestao14001�. Acesso em: 22 nov. 2012. REIS, M. J. L. ISO 14000 gerenciamento ambiental: um novo desafio para a sua competitividade. São Paulo: Quali- tymark, 1996. SEIFFERT, M. E. B. Gestão ambiental: instrumentos, esferas de ação e educação ambiental. São Paulo: Atlas, 2010. SHIGUNOV NETO, A.; CAMPOS, L. M. S.; SHIGUNOV, T. Fundamentos da gestão ambiental. Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2009. OBJETIVOS Após o estudo deste capítulo, você deverá ser capaz de: Reconhecer a estrutura das relações organizacionais na sociedade. Explicar a importância da administração na gestão de organizações. Identificar as diferentes etapas envolvidas nos processos gerenciais (ou administrativos). Reconhecer as competências profissionais necessárias para funções de liderança nas organizações. Caracterizar as ferramentas necessárias para planejar as atividades em organizações, destacando a importância do planejamento estratégico. Explicar as influências atuais da questão socioambiental nos processos de gestão das organizações, em especial das empresas. Gestão de organizações e sustentabilidade capítulo 13 Cláudio V. S. Farias Falar sobre gestão de organizações é uma tarefa bastante complexa, pois as organizações, por definição, possuem um comportamento complexo. Este capítulo lança alguns elementos iniciais necessários para a compreensão dos princípios básicos sobre como gerenciar organizações, sejam elas públicas, privadas, lucrativas, sem fins lucrativos, religiosas, etc. Como ponto de partida, abordaremos o papel dos indivíduos em uma sociedade que é cada vez mais regida pelas organizações. Em geral, as organizações servem para melhorar a vida dos seres humanos, mas isso é efetivamente constatado em todas as organizações da sociedade. As organizações possuem características, gerais e particulares, e em cada uma delas existem funções (gerais e específicas) atribuídas aos seus gestores. Desde sempre, mas de forma mais acentuada nesse momento, as organizações são governadas por princípios de racionalidade. Vamos aqui discutir até que ponto tais princípios são verdadeiros, apresentando quais as funções básicas da gestão e como se expressam nos diversos tipos de organização, introduzindo uma discussão-recente acerca da sustentabilidade como fator-chave nas organizações. 242 Até que ponto estamos cercados por organizações Joana acorda pela manhã e, após realizar sua higiene matinal, toma café com sua família. Em seguida, vai à escola, ação que realiza todos os dias pela manhã. Nas terças e quintas à tarde, realiza trabalhos voluntários em uma organização não governamental (ONG) na área de educação ambiental. Nos sábados integra o grupo de escoteiros e, aos domingos, vai com sua avó ao culto de sua igreja, próxima à sua casa. Talvez a semana de Joana seja muito semelhante a sua, não no que se refere às ati- vidades em si, mas na presença marcante de organizações. Família, escola e igreja são exemplos de como as organizações estão presentes em nosso cotidiano. Mas afinal, o que vem a ser uma organização? Assim, uma organização é um conjunto de pessoas e recursos, que tem por fina- lidade atingir um objetivo comum, inatingível pelo esforço de uma única pessoa. PARA REFLETIR As organizações fazem parte de seu cotidiano? PPARA REF Organizações e sociedade Uma frase dita pelo filósofo francês Jean Jacques Rousseau (1712-1778) serve para compreendermos a relação do homem com as organizações: “o homem nasce li- vre, mas está sempre acorrentado.” Essa frase aparece em seu livro O contrato so- cial, publicado em 1762, e se referia às amarras institucionais (em especial aquelas baseadas nas imposições religiosas e sociais) que oprimiam a maioria dos euro- peus no período que antecedeu a Revolução Francesa. PENSAMENTO CRÍTICO Você acredita, assimcomo Rousseau, que estamos “amarrados” às organizações? Pense sobre a atuali- dade da frase. PPENSAME DEFINIÇÃO As organizações são entendidas como uma combinação de esforços individuais que têm por finalidade realizar objetivos coletivos. Além de seus integrantes (as pessoas), as organizações empregam diversos outros recursos, tais como máquinas e equipamentos, dinheiro, tempo, espaço e conhecimentos. 243 Na atualidade, nossas vinculações com as organizações modelam nossas vidas: nascemos em uma organização (hospital) e, quando morremos, somos enterrados ou cremados em outra organização (cemitério). E não nos deparamos com as organizações apenas no início e no fim de nossas vidas: passamos por escolas, universidades; trabalhamos em empresas; nos filia- mos a partidos políticos; nos associamos a clubes de lazer; temos nossos times de futebol de preferência; frequentamos festas, cinemas, restaurantes; frequentamos organizações que tratam de nossa espiritualidade (igrejas, sinagogas, mesquitas, entre outras). Todas essas organizações possuem pontos em comum: influenciam e são influen- ciadas pelas pessoas, além de possuirem rotinas e regras que orientam seus traba- lhos e objetivos. Ao longo da história do homem, as organizações foram evoluin- do, em forma e complexidade. Um tipo específico de organização são as empresas. Uma empresa é uma organização, privada ou pública, que tem por objetivo su- prir as pessoas com bens ou serviços necessários ou desejados. Essas empresas surgiram, nos moldes como conhecemos hoje, a partir da Revolução Industrial, em meados do século XVIII. O crescimento das empresas impôs o surgimento de técnicas e formas específicas de controlar a obtenção dos seus objetivos. Nascia, assim, oficialmente a gestão ou a administração, entendida como um pro- cesso de comunicação, coordenação e execução de ações visando à obtenção de objetivos comuns à empresa. A gestão, por sua vez, envolve atividades de articu- lação entre as ações internas de uma empresa, bem como sua relação externa. O gestor, para além de um profissional técnico, é também um especialista em articu- lar relações sociais, tanto entre si e com os outros como entre pessoas e processos organizacionais aos quais estão sujeitos. CURIOSIDADE A palavra “administrador” aparece pela primeira vez na obra de Shakespeare Sonho de uma noite de verão, escrita em meados de 1590. O autor aponta para um personagem como o “administrador do riso”. No entanto, para administrar o riso é necessário compreender as piadas, as quais são histórias bem humora- das, em geral muito contextualizadas. Essa ideia de contextualização é bastante atual e importante para compreender o papel desempenhado pelos gestores nos dias atuais. Assim, administrar (ou gerenciar) é estar à frente de algo, sendo responsável pelo fluxo de processos, adotando uma sistemática racional. Mas, afinal, o que isso sig- nifica? Significa que, ao adotar uma gestão racional, o administrador se ocupa de aplicar sistematicamente várias técnicas para alcançar uma determinada meta ou um objetivo. 244 Portanto, os administradores sempre atuam como indivíduos que interpretam (ou seja, compreendem) clientes, fornecedores, funcionários, governo, etc. Além disso, os administradores devem fazer interpretações em ambientes com rápidas mu- danças, tais como os desejos dos consumidores, a tecnologia, o comportamento dos concorrentes, etc. É importante destacar que o trabalho do gestor requer compreensão, interpreta- ção, comunicação, persuasão, liderança, negociação, motivação, entre outras. Com isso, não se está dizendo que os administradores são os únicos que pensam nas empresas. O que se está dizendo é que as exigências sobre um administrador reca- em sobre habilidades cada vez mais compreensivas e analíticas, e menos manuais. Essas características ficarão mais claras ao longo da leitura deste capítulo. A administração pode ser considerada um processo? As pessoas acessam produtos e serviços porque existem organizações que se ocu- pam em fornecê-los, tais como serviços de saúde, de água e energia, alimentação, diversão, educação, entre outros. Também, é por meio das organizações que as pessoas obtêm seus meios de subsistência, tais como salários, abonos, lucros e outras formas de remuneração que lhes possibilitam adquirir bens e serviços de que necessitam ou desejam. Assim, ao vender produtos e pagar salários, por exemplo, as empresas movem as economias locais, regionais e nacionais. Para ter um bom desempenho de acordo com todas essas expectativas, as organizações precisam ser bem administradas. Essa visão de que as atividades de gestão assumem um formato “circular” diz res- peito ao entendimento que se tem da administração como um processo complexo com início, meio e fim. Além de uma atividade de feedback constante e múltiplas variáveis, por exemplo, tecnologia, meio ambiente, relações sociais, etc. A partir desse entendimento, vários pesquisadores de organizações, entre eles ad- ministradores, economistas, sociólogos, introduziram o conceito de “organizações complexas” para descrever o comportamento destas, bem como de seus mem- bros, inseridos em um mundo cada vez mais diverso e multifacetado. O que caracteriza uma organização complexa? Diversos estudos vêm sendo de- senvolvidos, em especial a partir da década de 1960, tentando explicar e caracte- ASSISTA AO FILME Assista ao vídeo Organização do trabalho, produzido pela equipe técnica do SENAI de São Paulo e veja a importância da divisão do trabalho nas organizações. Disponível no ambiente virtual de aprendizagem: www. bookman.com.br/tekne. Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. DICA DO PROFESSOR O vídeo a seguir apresenta os elementos fundamentais desenvolvidos nesta unidade, tais como o sistema conceitual básico relacionado à ISO 14001. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Analise os itens a seguir: I. Sistema de Gestão Ambiental (ISO 14001 e 1400 II. Rotulagem ambiental (ISO 14020 e 1402 III. Análise do ciclo de vida (ISO 14040 e 14049) IV. Auditorias ambientais (ISO 14010 e 1401 V. Avaliação de desempenho (ISO 14031) Desses grupos de normas ISO 1400, dois não pertencem à avaliação da organização, e sim à avaliação do produto. Assinale a alternativa que indica APENAS esses dois grupos: A) I e II. B) II e III. C) I e III. D) III e IV. E) IV e V. 2) A série de normas ISO 14000 vem ao encontro das necessidades das empresas de adotarem práticas gerenciais adequadas às exigências de mercado, universalizando os princípios e os procedimentos que permitirão uma expressão consistente de qualidade ambiental. Essa série de normas possui duas abordagens de avaliação: a avaliação da organização e a avaliação do produto. Com base nessas avaliações, pode-se dizer CORRETAMENTE que: A) As normas ISO 14000 entram em contradição com as necessidades das empresas de adotarem práticas adequadas às exigências do mercado. B) A avaliação do produto não está relacionada à organização do empreendimento. C) As normas ISO 14000 caracterizam-se por terem uma abordagem avaliativa dos lucros das empresas. D) Uma adequada implementação das normas ISO 14000 deve levar em consideração tanto a avaliação da organização quanto a avaliação do produto. E) Se for feita a avaliação da organização, não será necessária a avaliação do produto. 3) Assinale os itens a seguir: I. Fornecer ferramentas necessárias para alcançar metas ambientais e melhoria contínua do desempenho de uma empresa. II. Buscar a qualidade ambiental. III. Aumentar os lucros da empresa. IV. Adotar medidas de prevenção da poluição. V. Buscar estabilidade da força de trabalho na empresa. Entre os itens mencionados,quais representam os objetivos de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA)? A) I, II e III. B) II, III e IV. C) III, IV e V. D) II, IV e V. E) I, II e IV. 4) Segundo o site Mundo Ambiente Engenharia, um Sistema de Gestão Ambiental está fundamentado na adoção de medidas preventivas à ocorrência de impactos adversos ao Meio Ambiente. A partir dessa observação, analise os itens a seguir: I. Conhecer o que deve ser feito. Assegurar o comprometimento da empresa e definir sua política de Meio Ambiente. II. Buscar a qualidade ambiental. III. Adotar medidas de prevenção da poluição. IV. Realizar avaliações quantitativas e qualitativas do desempenho ambiental da empresa. V. Elaborar o plano de ação para atender os requisitos da política ambiental. Entre os itens supracitados, quais representam alguns princípios do SGA? A) I, II e III. B) II, III e IV. C) I, IV e V. D) I, II e V. E) I, III e V. 5) Avalie os itens a seguir: I. Redução da poluição. II. Estabilização da força de trabalho. III. Planejamento. IV. Implementação e operação. V. Verificação. Entre os itens mencionados, quais representam etapas ou subsistemas do Sistema de Gestão Ambiental ISO 14001? A) I, II e III. B) I, III e IV. C) II, III e IV. D) II, IV e V. E) III, IV e V. NA PRÁTICA Atualmente, os grandes empreendimentos são praticamente obrigados a obter a ISO 14001. Isso não é uma exigência nacional, mas uma necessidade para entrar no Mercado Internacional, pois muitos países só aceitam produtos que tenham o selo ISO 14001. Veja o exemplo a seguir. Veja outro exemplo de resultados a partir da implantação da ISO 14001. Veja aqui SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Meio ambiente e sustentabilidade ROSA, André H.; FRACETO, Leonardo F. ; MOSCHINI-CARLOS, Viviane (Org.). Meio ambiente e sustentabilidade. Porto Alegre : Bookman, 2012. p. 392-398. https://www.fiat.com.br/sustentabilidade/meio-ambiente/iso-14001.html EIA - Estudo de impacto ambiental APRESENTAÇÃO O Relatório de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) foi instituído no Brasil pela Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), através da Lei n.o 6938/81, sendo regulamentado pela Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) n.o 001/1986. Dessa forma, a instalação de empreendimentos com impactos ambientais significativos exige a realização de estudos de impactos ambientais, bem como do Relatório de Impacto de Meio Ambiente (EIA/RIMA). O EIA engloba várias etapas, com o principal objetivo de identificar os impactos ambientais (principalmente negativos) nas diferentes esferas (social, econômica e ambiental) que um empreendimento pode ocasionar. Nesta Unidade de Aprendizagem, você verá os conceitos que regem os estudos de impactos ambientais, bem como as atividades/empreendimento que necessitam apresentar o EIA. Além disso, serão apresentadas as principais etapas e metodologias envolvidas nesse tipo de estudo ambiental. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir EIA e apresentar obras/atividades sujeitas a esse estudo.• Identificar quais as etapas envolvidas para a elaboração do EIA.• Reconhecer algumas metodologias para a identificação de impactos ambientais.• DESAFIO A apresentação de EIA/RIMA deve ser feita apenas nos casos de atividades potencialmente causadoras de significativa degradação do meio ambiente. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Dessa forma, seu desafio consiste em responder se a construção do aeroporto necessita ou não da elaboração de um Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA). Justifique sua resposta, indicando a legislação que você usou para se basear. Quais são os impactos ambientais negativos que um aeroporto poderia ocasionar (cite pelo menos três)? Lembre-se que a construção do aeroporto é para pequenas aeronaves, principalmente agrícolas, e alguns voos esporádicos de passageiros. INFOGRÁFICO Dependendo do porte e dos impactos ambientais que determinado empreendimento/atividade pode ocasionar, o EIA poderá levar bastante tempo, podendo chegar até mesmo a 1 ano. É necessário analisar os impactos na fauna migratória, como, por exemplo, em hidrelétricas, onde necessita-se saber ao certo se a atividade irá interferir na piracema (período em que os peixes sobem os rios para reprodução). Porém, para a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental, bem como do Relatório de Impacto de Meio Ambiente, é necessária a realização de várias etapas, visando realizar o correto levantamento de todos os dados e estudos necessários. No Infográfico a seguir você visualizará cada uma delas. CONTEÚDO DO LIVRO Em relação ao meio ambiente e ao licenciamento ambiental, não pode-se deixar de abordar um dos instrumentos de controle preventivo de danos ambientais mais importante. Trata-se do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), que é obrigatório, de acordo com Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) n.º 001/1986, para a atividade ou empreendimento causador de significativo impacto ambiental. Esse estudo consiste em um controle preventivo de danos ambientais para a atividade onde for constatado um grande perigo ao meio ambiente e ao constatá-lo são avaliados os meios para evitar ou minimizar os prejuízos causados. Para entender mais a respeito das etapas e das diferentes metodologias aplicadas ao EIA, leia o capítulo Estudo de Impacto Ambiental, parte do livro Licenciamento Ambiental, base teórica desta Unidade de Aprendizagem. Boa leitura. LICENCIAMENTO AMBIENTAL Ronei Stein Revisão técnica: Vanessa de Souza Machado Bióloga Mestre e Doutora em Ciências Biológicas Professora de Curso de Tecnologia em Gestão Ambiental Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147 S818l Stein, Ronei Tiago. Licenciamento ambiental / Ronei Tiago Stein ; [revisão técnica: Vanessa de Souza Machado]. – Porto Alegre: SAGAH, 2017. 265 p. : il ; 22,5 cm. ISBN 978-85-9502-277-5 1. Ciências Biológicas. 2. Licenças ambientais. I. Título. CDU 502.13 Estudo de Impacto Ambiental Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Defi nir Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e apresentar obras/ativi- dades sujeitas a ele. Verifi car quais são as etapas envolvidas para elaboração do EIA. Reconhecer algumas metodologias para identifi cação de impactos ambientais. Introdução O Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) foram instituídos no Brasil pela Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), por meio da Lei nº. 6.938, de 31 de agosto de 1981, e regulamentado pela Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) nº. 001, de 23 de janeiro de 1986. Dessa forma, a instalação de empreendimentos com impactos ambientais significativos exige a realização de estudos de impactos ambientais, bem como a criação de um relatório de impacto de meio ambiente (EIA/RIMA). O EIA engloba várias etapas e tem como objetivo principal identificar os impactos ambientais (principalmente negativos) que um empre- endimento pode ocasionar nas diferentes esferas (social, econômica e ambiental). Neste capítulo, serão definidos conceitos que regem o estudo de impactos ambientais e quais são as atividades/empreendimentos que necessitam apresentar o EIA. Além disso, serão apresentadas as principais etapas e metodologias envolvidas nesse tipo de estudo ambiental. U N I D A D E 3 Definição de Estudo de Impacto Ambiental O EIA é um procedimento administrativo que, apoiado em uma avaliação de impacto sobre as incidências ambientais de determinado projeto e em um processo de participação pública sobre tais incidências, subsidia o órgão ambiental, em termos de aprovação, modifi cação ou recusa de um projeto. Deacordo com o art. 22 da Resolução CONAMA nº. 001/86, “dependerá de elaboração de estudo de impacto ambiental e respectivo relatório de impacto ambiental — RIMA, a serem submetidos à aprovação do órgão estadual competente, e do IBAMA em caráter supletivo, o licenciamento de atividades modifi cadoras do meio ambiente” (BRASIL, 1986). O EIA/RIMA deve ser realizado por uma equipe técnica multidisciplinar, que contará com profissionais das mais diferentes áreas, como geólogos, físicos, biólogos, psicólogos, sociólogos, advogados, engenheiros (de diferentes setores), arqueólogos, entre outros, os quais avaliarão os impactos ambientais positivos e negativos do empreendimento pretendido. Objetiva-se com isso a elaboração de um estudo completo e profundo a respeito da pretensa atividade, conforme ressalta Fiorillo (2014). A maior parcela das bibliografias apresenta o conceito de EIA e RIMA de forma interligada. Portanto, EIA/RIMA consiste em um estudo prévio que serve de instrumento de planejamento e subsídio à tomada de decisões sobre um projeto a ser estabelecido em determinada área ou meio. O EIA/RIMA tem como objetivo antecipar e apoiar a decisão, fornecendo aos decisores (órgão público) informações sobre as implantações ambientais significativas de determinadas ações propostas, sugerindo modificações da ação visando à eliminação dos potenciais impactos adversos e potenciação dos impactos positivos e, ainda, propondo os meios de minimização dos potenciais impactos inevitáveis. O RIMA reflete as conclusões do EIA, conforme definido no art. 9º da Resolução CONAMA nº. 001/1986. O relatório deve apresentar uma linguagem simples e objetiva, tornando-o formal perante o Poder Público e a sociedade (BRASIL, 1986). Estudo de Impacto Ambiental146 Neste capítulo, estudaremos apenas o EIA, o qual compreende levanta- mento da literatura científica e legal pertinente, trabalhos de campo, análises de laboratório, bem como a redação do relatório. O EIA deverá contemplar a proposição de medidas mitigadoras e de controle ambiental, garantindo o uso sustentável dos recursos naturais. Desse modo, o EIA deve seguir um roteiro que contenha (aborde) pelo menos as etapas a seguir, conforme Ministério do Meio Ambiente (BRASIL, 2009). Diagnóstico ambiental da área de influência do projeto: a primeira atividade em um estudo de impacto ambiental é o diagnóstico ambiental da área a ser estudada, que é uma atividade extremamente importante, pois serve de base para as atividades posteriores. O diagnóstico deve conter a descrição dos recursos ambientais e suas interações, caracteri- zando as condições ambientais antes da implantação do projeto, assim como contemplar os meios físico, biótico e socioeconômico. Um problema encontrado nessa etapa é a falta de disponibilidade de dados como informações cartográficas atualizadas e em escalas adequadas, dados referentes aos componentes físicos e biológicos do meio ambiente, dados econômicos e sociais da população local, etc. Nem sempre existem todos os dados necessários para o diagnóstico da área, o que exige, na maioria das vezes, trabalho de campo para sua complementação. Avaliação de Impacto Ambiental (AIA): análise dos impactos am- bientais do projeto e das suas alternativas, por meio de identificação, previsão da magnitude e interpretação da importância dos prováveis impactos relevantes (diretos e indiretos, imediatos e a médio e longo prazos, temporários e permanentes; seu grau de reversibilidade; a dis- tribuição dos ônus; e benefícios sociais). Essa etapa, de maneira geral, é mais complexa devido à variedade de impactos que podem ocorrer sobre os sistemas ambientais na área de estudo. Medidas mitigadoras: são aquelas destinadas a corrigir impactos negativos ou a reduzir sua magnitude. Identificados os impactos, deve-se pesquisar quais são os mecanismos capazes de reduzi-los ou anulá-los. 147Estudo de Impacto Ambiental Programa de monitoramento dos impactos: estabelecidos no EIA, plano que permite comparar, durante a implantação e operação da atividade, os impactos previstos com os que efetivamente ocorreram. O programa deve permitir o acompanhamento da implantação e da operação de todas as medidas mitigadoras e compensatórias previstas, dentro do cronograma proposto, ficando automaticamente vinculado à licença prévia (LP), de forma que a continuidade do processo de licenciamento permita a verificação da efetiva implementação das medidas propostas. Struchel (2016) comenta que, quando o processo de licenciamento ambiental tiver por pressuposto o EIA, esse estudo é elaborado e apresentando anterior- mente à emissão da LP. Trata-se de um procedimento administrativo prévio à implantação do empreendimento e ao início da atividade, que faz parte do requerimento de licença ambiental e sujeita-se a três condicionantes básicas: transparência administrativa, pois todas informações devem ser públi- cas, salvo o sigilo industrial; consulta aos interessados, pois a comunidade tem o direito e o dever de participar; motivação da decisão ambiental, pois as metodologias de investigação dos impactos ambientais (negativos e positivos) devem ser claramente apresentadas. Atividades/empreendimentos sujeitos ao Estudo de Impacto Ambiental O art. 225 da Constituição Federal, de 05 de outubro de 1988, exige a apresen- tação de EIA/RIMA apenas nos casos de “atividades potencialmente causadora de signifi cativa degradação do meio ambiente” (BRASIL, 1988). Por essa razão, Machado (2012) ressalta que não é qualquer atividade capaz de lesar o meio ambiente que deve ser precedida do EIA/RIMA, apenas aquelas que agravem substancialmente o risco de dano a esse bem jurídico constitucional. Entre elas, podemos citar: estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamentos; ferrovias; portos e terminais de minério, petróleo e produtos químicos; aeroportos; Estudo de Impacto Ambiental148 oleodutos, gasodutos, minerodutos, troncos coletores e emissários de esgotos sanitários; linhas de transmissão de energia elétrica, acima de 230 kV; obras hidráulicas para exploração de recursos hídricos (hidrelétricas); extração de combustível fóssil; extração de minério, inclusive os de classe II; aterros sanitários e de processamento e destino final de resíduos tóxicos ou perigosos; usinas de geração de eletricidade, qualquer que seja a fonte de energia primária, acima de 10MV. Apesar de a Resolução CONAMA nº 001/86, em seu art. 2º, listar os casos de empreendi- mentos ou atividades sujeitas ao EIA e ao RIMA, caberá ao órgão ambiental competente identificar as atividades e os empreendimentos causadores de impactos significativos. Etapas do Estudo de Impacto Ambiental/ Relatório de Impacto Ambiental O EIA e o seu respectivo RIMA devem ser previamente defi nidos junto ao órgão ambiental, por meio do termo de referência (TR). O TR é o instrumento orientador para a elaboração de qualquer tipo de estudo ambiental e tem por objetivo estabelecer as diretrizes orientadoras, o conteúdo e a abrangência do estudo exigido do empreendedor, em etapa antecedente à implantação da atividade modifi cadora do meio ambiente. O TR é elaborado pelo órgão ambiental a partir das informações prestadas pelo empreendedor na fase de pedido de licenciamento ambiental. Em alguns casos, o órgão ambiental solicita que o empreendedor elabore o TR, reservando-se ao papel de julgá-lo e aprová-lo. 149Estudo de Impacto Ambiental Após definido o TR, o próximo passo é contratar uma equipe multidisci- plinar para realizar o trabalho/levantamento, de acordo com a caraterização do empreendimento e os seus possíveis impactos ambientais (positivos e negativos) no meio físico, biológico e socioeconômico. É imprescindível que toda a equipe entenda a atividade proposta, pois deve ser considerada para a avaliação dos impactos específicos sobre os distintos meios diagnosticados.Além disso, é importante analisar os currículos de todos membros, verificando se possuem experiência na área. Todos devem assinar o trabalho e indicar o seu número de inscrição nos respectivos conselhos profissionais (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia, Conselho Regional de Química, Con- selho Regional de Biologia). Os impactos no meio físico, biológico e socioeconômico diferem quando tratamos das atividades de geração de energia hidrelétrica ou mesmo eólica. No primeiro caso, temos um manancial (recurso hídrico) diretamente inserido na área de operação da atividade, impactando mais especificamente a fauna aquática e terrestre, bem como na vegetação ciliar. Já no segundo caso, de geração eólica, os impactos são mais perceptíveis nos animais alados que voam, em aves ou mesmo mamíferos (morcegos). É durante a caracterização do empreendimento que se abordam todos os aspectos ligados à nova atividade. Informações básicas do empreendimento, como Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), razão social, endereço, atividade principal, infraestrutura, área total da empresa e da sua operação, matéria-prima, processo e resíduos gerados, devem ser previamente apresen- tadas. A partir da definição e caracterização da empresa, e levando em consi- deração o potencial de impactos da atividade, o próximo passo é caracterizar as áreas de influência do empreendimento, que, de forma geral, são definidas com base na área aferrada pelo empreendimento, no conhecimento da equipe técnica ou mesmo em impactos específicos em algum dos meios diagnosti- cados. Existem várias denominações para designar as áreas de influência, mas as mais utilizadas e ilustradas nos EIA/RIMAs estão elencadas a seguir. Área Diretamente Afetada (ADA): diz respeito à área que sofrerá os impactos diretos, ou seja, a área que será diretamente alterada pela implantação do empreendimento. Estudo de Impacto Ambiental150 Área de Influência Direta (AID): compreende a área indiretamente afetada pela implantação da obra, integrando as regiões do entorno e também as vias de acesso ao empreendimento. Área de Influência Indireta (AII): refere-se à área maior, mais abran- gente, que pode ser afetada pelo empreendimento. Pode ser definida, por exemplo, com base na área de uma bacia hidrográfica, quando existir o risco de os efeitos do empreendimento atingirem tais proporções. Definido o TR, realizada a contratação da equipe técnica e a caracterização do empreendimento, o passo seguinte é realizar o diagnóstico ambiental da área. Os meios a serem diagnosticados, nas três áreas de influência definidas, são o físico, o biológico e o socioeconômico. Dados primários e secundários devem embasar os levantamentos e diagnósticos das áreas de influência do empreendimento. Concluída a fase de diagnóstico, ou seja, da compreensão da situação atual da área, a próxima etapa é a análise de impactos. Essa é uma parte um tanto subjetiva, pois imagina-se como será o efeito da implantação do empreendimento sobre os distintos meios diagnosticados, tanto positivo como negativo. Nesse sentido, existem metodologias de levantamento de impactos, das mais simples às mais complexas, que utilizam métodos qualitativos ou quantitativos, mas com foco na identificação dos principais impactos (em especial os negativos) gerados pela atividade. Após o diagnóstico e a AIA, o estágio seguinte consiste nas medidas mitigadoras, as quais visam achar soluções que possam remediar/minimizar os impactos ambientais (principalmente os negativos). Podemos citar como exemplos de medidas mitigadoras realizar o plantio de mudas de árvores, construir taludes para conter a erosão, regar o solo para evitar a emissão de material particulado, capturar e transferir os animais silvestres que podem ser afetados, e edificar novos núcleos habitacionais. A seguir são elencados alguns tipos de medidas mitigadoras. Medidas mitigadoras preventivas: têm como objetivo minimizar ou eliminar potenciais eventos adversos que se apresentam para causar prejuízos aos itens ambientais do meio natural (físico, biótico e antró- pico). Busca anteceder o impacto negativo. Medidas mitigadoras corretivas: visam restabelecer a situação anterior à ocorrência de um evento adverso sobre o item ambiental destacado nos meios físico, biótico e antrópico, por meio de ações de controle ou de eliminação/controle do fator provocador do impacto. 151Estudo de Impacto Ambiental Medidas mitigadoras compensatórias: procuram repor bens socio- ambientais perdidos em decorrência de ações diretas ou indiretas do empreendimento. Medidas potencializadoras: buscam otimizar e maximizar o efeito de um impacto positivo decorrente direta ou indiretamente da implantação do empreendimento. É fundamental que haja um planejamento do EIA e organização dos trabalhos que serão realizados. Um diagnóstico incorreto ou mesmo omisso pode gerar enormes conflitos de terra, os quais são realidade nos dias atuais. Além disso, um estudo mal elaborado pode ocasionar enormes prejuízos ambientais, principalmente para a fauna e a flora. Portanto, dependendo da atividade/empreendimento, a conclusão do EIA poderá levar até um ano, pois é necessário, por exemplo, a análise da presença de animais migratórios. Metodologias para o Estudo de Impacto Ambiental Antes de defi nir quais são as metodologias empregadas nos estudos de impacto ambiental, é preciso comentar sobre as informações que devem constar no EIA/RIMA. Veja o quadro abaixo. Informações no EIA/RIMA Informações gerais Identifica, localiza, informa e sintetiza o empreendimento. Caracterização do empreendimento Refere-se ao planejamento, à implantação, à operação e à desativação da obra. Área de influência Limita sua área geográfica, representando-a em mapas. Diagnóstico ambiental Caracteriza o ambiente da área antes da implantação do empreendimento. Quadro 1. Informações que devem constar no EIA/RIMA. (Continua) Estudo de Impacto Ambiental152 De forma geral, os estudos de impacto ambiental devem atentar para quatro pontos principais, a saber: a identificação causa-efeito, a previsão ou cálculo dos efeitos e magnitudes dos impactos, a interpretação dos impactos e efeitos ambientais e a prevenção dos efeitos. Existem diferentes métodos que podem ser aplicados no Estudo de Impacto Am- biental, os quais não são estabelecidos pela legislação. Podem e devem, portanto, ser modificados de acordo com o tipo de projeto que será desenvolvido. Além disso, os impactos devem ser considerados durante todas as fases do empreendimento: fase preliminar (LP), fase de instalação (licença de instalação [LI]), fase de operação (licença de operação [LO]) e fase de desativação (se for o caso). (Continuação) Fonte: Autor. Informações no EIA/RIMA Qualidade ambiental Expõe as interações e descreve as inter- relações dos componentes bióticos, abióticos e antrópicos do sistema, apresentando-os em um quadro sintético. Fatores ambientais São responsáveis pela pormenorização do meio físico, meio biótico, meio antrópico, em função das características da área onde se desenvolverá o projeto. AIA Identifica e interpreta os prováveis impactos ocorridos nas diferentes fases do projeto. Leva-se em conta a repercussão do empreendimento sobre o meio. Medidas mitigadoras São medidas que visam minimizar os impactos adversos, especificando sua natureza, época em que deverão ser adotadas, prazo de duração, fator ambiental específico a que se destinam e responsabilidade pela sua implantação. Quadro 1. Informações que devem constar no EIA/RIMA. 153Estudo de Impacto Ambiental De acordo com a Resolução CONAMA nº. 001/1986, a AIA deve considerar alguns atributos: natureza — os impactos são benéficos ou adversos, positivos ou negativos? duração — os impactos são temporários ou permanentes? incidência — os impactos são diretos (ocorrem na área onde o empreen- dimentoserá implantado) ou são indiretos (podem afetar outras regiões)? reversibilidade — os impactos são reversíveis ou irreversíveis? sinergia — os impactos são cumulativos ou sinérgicos (acumulativos)? (BRASIL, 1986). Os métodos de AIA objetivam comparar, organizar e analisar informações sobre impactos ambientais de uma determinada atividade, incluindo formas de apresentação escrita e visual desses dados. Quanto aos métodos de avaliação de impactos e ponderação de atributos, os mais utilizados em EIAs/RIMAs estão descritos a seguir. Listagens de controle (checklist): apresenta uma relação dos impactos mais relevantes, associando-os ou não ao respectivo aspecto (a causa do impacto) ou mesmo ao meio afetado (físico, biológico, socioeconômico). Além disso, o método permite avaliar os impactos por meio da atribuição de qualifi cações ou quantifi cação de atributos como magnitude e natureza. Seu emprego também permite a elaboração e aplicação de questionários. Como vantagem, essa ferramenta pode ser considerada simples e de fácil visualização, no entanto, não permite caracterizar e discutir cada impacto de forma mais minuciosa. Matrizes de interação (matriz de Leopold): aponta os impactos em uma matriz bidimensional. Em um eixo são relacionadas as características do ambiente e, no outro, as ações (aspectos) do projeto. Na quadrícula de intera- ção entre os dois eixos, é possível identifi car e avaliar o impacto quanto aos atributos avaliadores propostos no método. Entre as vantagens do método, está a facilidade de observação dos impactos além da avaliação e interação dos atributos. Por outro lado, a quantidade de atributos avaliadores é menor que na aplicação de outras ferramentas, como o checklist, por exemplo. Após a identificação e a valoração dos impactos ambientais, é preciso indicar as medidas mitigadoras e compensatórias para cada impacto detectado no estudo. As medidas mitigadoras podem ser classificadas quanto a natureza (preventiva ou corretiva), fase (construção, operação e/ou desativação), duração (curto, médio ou longo), e responsabilidade (empreendedor ou poder público). Estudo de Impacto Ambiental154 A Quadro 2 apresenta alguns critérios que devem ser avaliados na instalação e na operação do empreendimento e alguns planos de monitoramento. Fonte: Do autor. Etapa do empreendimento Itens a serem avaliados Instalação Redução das interferências e transtornos à população, no que se refere às emissões atmosféricas, ruídos tráfego de máquinas. Controle dos impactos resultantes das obras de terraplanagem (erosão e instabilidade do solo). Mitigação da retirada de cobertura vegetal. Proteção de nascentes, cursos d’água e lagoas existentes na área. Proteção do patrimônio histórico e paisagístico. Mitigação do incremento da impermeabilização do solo; Mitigação dos efeitos do lançamento das águas pluviais. Destinação final adequada para efluentes sanitários e resíduos sólidos gerados no canteiro de obras e demais instalações de apoio administrativo. Operação Garantia de segurança à população do entorno. Garantia de atendimento de transporte coletivo ao empreendimento. Tratamento e disposição final de efluentes sanitários do empreendimento. Coleta e destino final de resíduos sólidos. Arborização do sistema viário e espaços de uso comum. Recuperação e revegetação das áreas degradas. Planos de monitoramento O monitoramento proposto deverá abordar, no mínimo: plano de avaliação das obras destinadas à contenção de encostas e drenagem pluvial; plano de acompanhamento do desenvolvimento da arborização; plano de monitoramento do sistema de abastecimento e da qualidade da água; plano de monitoramento do sistema de tratamento de efluentes líquidos. Quadro 2. Itens que devem ser avaliados ao londo do EIA para que sejam encontradas medidas mitigadoras. 155Estudo de Impacto Ambiental O EIA/RIMA é obrigado por lei, mas o método de avaliação dos impactos dependerá da equipe técnica que desenvolverá o estudo. Qualquer que seja o método escolhido para utilização, o mais importante é descrever detalhada- mente cada impacto detectado, bem como as formas de mitigar ou compensar cada um desses impactos. 1. Existem diferentes metodologias usadas nos EIA, para o meio físico, o biológico e o socioeconômico. Entre as alternativas a seguir, qual está correta em relação a essas metodologias? a) No checklist, os impactos são demostrados na forma de matriz. b) A metodologia baseada em redes de interação baseia-se na construção de redes de interação e fluxogramas para a indicação dos impactos ambientais causados somente na construção do empreendimento. c) A sobreposição de cartas é uma metodologia que permite uma boa compreensão de relações espaciais. Sua adoção é indicada nos projetos de desenvolvimento regional e com configuração linear. d) O método de matriz consiste na construção de redes de interação e fluxogramas para a indicação dos impactos ambientais. e) No método quantitativo há a qualificação dos impactos, que permite obter índices de qualidade ambiental. 2. Com relação aos conceitos que regem o EIA/RIMA, assinale a alternativa correta. a) Os EIA/RIMA são elaborados pelo empreendedor, sendo que o órgão ambiental competente deverá arcar com os custos. b) No RIMA, são apresentados os resultados obtidos no EIA em uma linguagem acessível à população. c) Os EIA/RIMA são exigidos para todos os empreendimentos que possam causar algum tipo de impacto ambiental negativo. d) Os EIA/RIMA são elaborados pelo empreendedor por meio da contratação de profissionais somente da área ambiental. e) O EIA deve ser realizado pelo órgão ambiental e pelo empreendedor. 3. Assinale a alternativa que se refere corretamente ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e ao Relatório de Impacto Ambiental (RIMA). a) O RIMA possui conteúdo específico e de difícil entendimento para leigos. b) O RIMA precede o EIA. c) O EIA-RIMA é um estudo complexo elaborado por diversos especialistas. d) O órgão ambiental definirá se deverá ser desenvolvido um EIA ou um RIMA para cada Estudo de Impacto Ambiental156 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Caderno de licenciamento ambiental. Brasília: MMA, 2009. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988. BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº. 001, de 23 de janeiro de 1986. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res86/res0186. html>. Acesso em: 22 nov. 2017. FIORILLO, C. A. P. Curso de Direito Ambiental. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. MACHADO, A. Q. Licenciamento ambiental: atuação preventiva do Estado à luz da Cons- tituição da República Federativa do Brasil. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2012. STRUCHEL, A. C. O. Licenciamento ambiental municipal. São Paulo: Oficina de Textos, 2016. empreendimento específico. e) É o EIA que serve de base para a apresentação do estudo de impactos à comunidade durante a audiência pública. 4. Existem algumas atividades/ empreendimentos que necessitam apresentar o EIA/RIMA. Entre as alternativas a seguir, qual é um exemplo de empreendimento cuja apresentação desse tipo de estudo ambiental é obrigatória? a) Supressão de vegetação acima de dois hectares. b) Construção de empreendimentos acima de 300 m². c) Projetos de aquacultura. d) Linha de transmissão de energia com 500 KV. e) Estradas com uma faixa de rodagem. 5. Entre as alternativas a seguir, qual está correta em relação as etapas que envolvem o EIA? a) Diagnóstico ambiental, AIA, medidas mitigadoras e elaboração de programas. b) Identificação dos processos e estabelecimento de indicadores, mensuração qualitativa e quantitativa, viabilização ambiental e plano de ação ambiental. c) Elaboração do Plano de Mobilização Social, realização dodiagnóstico, apresentação do prognóstico e concepção de programas, projetos e ações necessárias para atingir as metas. d) Diagnóstico ambiental, AIA, medidas mitigadoras, elaboração de programas e mobilização social. e) Diagnóstico ambiental, prognóstico ambiental, medidas mitigadoras e plano de ação ambiental. 157Estudo de Impacto Ambiental Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Os métodos de avaliação de impacto ambiental servem de referência nos estudos ambientais para se determinar, de forma mais precisa, a significância de uma alteração ambiental. Também são usados para padronizar e facilitar a abordagem do meio físico que, em geral, leva em consideração vários aspectos. Quaisquer metodologias de abordagem podem ser utilizadas, desde que em acordo com a literatura nacional e/ou internacional sobre o assunto. Porém, deve- se tomar cuidado, pois a maioria dos métodos apresenta caráter subjetivo na abordagem do meio físico. Portanto, devem ser utilizados critérios bem definidos para a escolha do método a ser usado, ou seja, cada método tem uma aplicação definida, sendo utilizado conforme o caso. Para saber mais a respeito das principais metodologias utilizadas no Estudo de Impacto Ambiental, assista ao vídeo a seguir. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Existem diferentes metodologias usadas nos Estudos de Impactos Ambientais (EIA), tanto para o meio físico, biológico como socioeconômico. Entre as alternativas a seguir, qual está CORRETA em relação a essas metodologias? A) No checklist, os impactos são demostrados na forma de matriz. B) A metodologia baseada em redes de interação baseia-se na construção de redes de interação e fluxogramas para a indicação dos impactos ambientais causados somente na construção do empreendimento. C) A sobreposição de cartas é uma metodologia que permite uma boa compreensão de relações espaciais. Sua adoção é indicada nos projetos de desenvolvimento regional e com configuração linear. D) O método de matriz consiste na construção de redes de interação e fluxogramas para a indicação dos impactos ambientais. E) No método quantitativo há a qualificação dos impactos, obtendo-se índices de qualidade ambiental. 2) Em relação aos conceitos que regem o EIA/RIMA, assinale a alternativa CORRETA. A) Os EIA/RIMA são elaborados pelo empreendedor, sendo que o órgão ambiental competente deverá arcar com os custos. B) No RIMA são apresentados os resultados obtidos no EIA em uma linguagem acessível à população. C) Os EIA/RIMA são exigidos para todos os empreendimentos que possam causar algum tipo de impacto ambiental negativo. D) Os EIA/RIMA são elaborados pelo empreendedor por meio da contratação de profissionais somente da área ambiental. E) O EIA deve ser realizado pelo órgão ambiental e pelo empreendedor. 3) Assinale a alternativa que se refere corretamente ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA). A) O RIMA possui conteúdo específico e de difícil entendimento para leigos. B) O RIMA precede o EIA. C) O EIA/RIMA é um estudo complexo elaborado por diversos especialistas. D) O órgão ambiental definirá se deverá ser desenvolvido um EIA ou um RIMA para cada empreendimento específico. E) É o EIA que serve de base para a apresentação do estudo de impactos à comunidade durante a audiência pública. 4) Existem algumas atividades/empreendimentos que necessitam apresentar EIA/RIMA. Entre as alternativas a seguir, qual é um exemplo de empreendimento que necessita apresentar esse tipo de estudo ambiental? A) Supressão de vegetação acima de 2 hectares. B) Construção de empreendimentos acima de 300 m2. C) Projetos de aquacultura. D) Linha de transmissão de energia com 500 KV. E) Estradas com 1 faixa de rodagem. 5) O Estudo de Impacto Ambiental deverá ser realizado por equipe multidisciplinar envolvendo ações técnicas e científicas, destinadas a analisar e prever os impactos que a implantação de um projeto trará ao meio ambiente. O Estudo de Impacto Ambiental desenvolverá, no mínimo, as seguintes atividades técnicas: I. Diagnóstico ambiental da área de influência do projeto. II. Análise dos impactos ambientais do projeto e de suas alternativas. III. Definição das medidas mitigadoras dos impactos negativos. IV. Elaboração do programa de acompanhamento e monitoramento. V. Elaboração de relatório de avaliação ambiental. É correto o que se afirma APENAS em: A) I, II, III e IV. B) I e II. C) I, II e III. D) III, IV e V. E) II, III, IV e V. NA PRÁTICA Acabar com a seca do nordeste é mais do que um sonho, é um projeto com a maior infraestrutura hídrica que o Brasil jamais viu antes. Estamos falando da transposição do rio São Francisco, obra de infraestrutura do Governo Federal que tem o objetivo de levar água para 12 milhões de pessoas de 390 municípios de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Entretanto, desde que entrou em cena, o projeto tem gerado muita polêmica. Em relação ao Estudo de Impacto Ambiental, este foi um grande desafio, devido à extensão do empreendimento e pelos mais diversos impactos ambientais negativos que a obra poderá ocasionar, principalmente para o meio ambiente. Acompanhe a seguir quais são os principais impactos ambientais negativos desta obra. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Avaliação de impacto ambiental: metodologias aplicadas no Brasil Leia, no artigo a seguir, um estudo sobre as diferentes metodologias utilizadas/implantadas no Estudo de Impacto Ambiental no Brasil. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Estudo de impacto ambiental nas APAs Muitas vezes as atividades/empreendimentos ocasionam em impactos ambientais em áreas de preservação permanente (APP). Confira no vídeo a seguir como ocorre o EIA nesse tipo de local. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Situação de Impacto Ambiental: um estudo em uma Indústria de Extração Mineral O presente trabalho tem como objetivo diagnosticar a situação da Gestão Ambiental da ALFA, com base na metodologia proposta pelo CEBDES Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Metodologias de Estudos e Impactos Ambientais (EIA - RIMA) APRESENTAÇÃO A instalação de empreendimentos com impactos ambientais significativos exige a realização de estudos de impactos ambientais e de relatório de impacto de meio ambiente (EIA/RIMA). O estudo de impacto ambiental engloba várias etapas com o objetivo de identificar quais os impactos, nas esferas social, econômica e ambiental, um empreendimento pode causar na sua área de influência. Nesta Unidade de Aprendizagem você ira identificar quais as etapas que envolvem a elaboração de um estudo de impacto ambiental, bem como a forma que a população pode manifestar-se no processo de decisão sobre a instalação de empreendimentos. Bons estudos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar a base legal de Estudos de Impacto Ambiental/Relatório de Meio Ambiente.• Verificar quais as etapas envolvidas para elaboração de Estudo de Impacto Ambiental.• Reconhecer algumas metodologias para identificação de impactos ambientais.• DESAFIO Em geral, para a instalação de empreendimentos com atividades poluidoras ou potencialmente poluidoras, é necessária a autorização do órgão ambiental competente para que sejam implantados. Assim, a resolução Conama n. 001, de 23 de janeiro de 1986, estabelece as definições, as responsabilidades, os critérios básicos e as diretrizes gerais para uso e implementação da Avaliação de Impacto Ambientalcomo um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. Você sabia que os múltiplos aspectos ambientais que envolvem a implantação de um empreendimento podem ser relacionados com vários impactos ambientais? Com base no exposto, relacione alguns aspectos ambientais com os seus respectivos impactos ambientais para a implantação de uma indústria. INFOGRÁFICO Para a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto de Meio Ambiente é necessária a realização de várias etapas. No infográfico você visualizará cada uma delas. CONTEÚDO DO LIVRO O Estudo do Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto de Meio Ambiente (RIMA) são definidos pela resolução Conama n. 001 (BRASIL, 1986). No capítulo Metodologias de Estudos e Impactos Ambientais (EIA - RIMA), da obra Avaliação de impactos ambientais você pode conhecer mais sobre as etapas que envolvem a elaboração de um estudo de impacto ambiental, bem como a forma que a população pode se manifestar no processo de decisão sobre a instalação de empreendimentos. Boa leitura. AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS Vanessa Machado Metodologias de Estudos e Impactos Ambientais (EIA/RIMA) Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar a base legal de estudos de impacto ambiental/relatório de meio ambiente. Verificar quais as etapas envolvidas para a elaboração de estudos de impacto ambiental. Reconhecer algumas metodologias para identificação de impactos ambientais. Introdução A instalação de empreendimentos com impactos ambientais significativos exige a realização de estudos de impactos ambientais e de relatórios de impactos sobre o meio ambiente (EIA/RIMA). O estudo de impacto ambiental engloba várias etapas com o objetivo de identificar quais os impactos, nas esferas social, econômica e ambiental, um empreendimento pode causar na sua área de influência. Neste capítulo, você irá identificar quais as etapas que envolvem a elaboração de um estudo de impacto ambiental, bem como a forma que a população pode se manifestar no processo de decisão sobre a instalação de empreendimentos. Base legal – EIA/RIMA A poluição generalizada aliada à ocorrência dos grandes desastres ambientais registrados na história favoreceram o desenvolvimento de questionamentos quanto à qualidade ambiental e até mesmo de saúde pública. Tais refl exões, que cresceram principalmente nas últimas décadas, alavancaram a formulação de diretrizes ambientais, primeiramente em países desenvolvidos, como nos EUA ou até mesmo na França. A proposta desses países embasou a legislação brasileira, e, portanto, indicam a aplicação de metodologia específi ca para a avaliação dos impactos ambientais e indicação de ações de minimização e compensação dos considerados efeitos negativos ao meio ambiente e à fauna, além de subsidiar estudos prévios de diagnósticos das áreas onde serão im- plantados novos empreendimentos. No Brasil, a implementação de políticas ambientais de estudo de impactos está associada principalmente a uma pressão do Banco Mundial, que, na década de 70 e 80, estava fi nanciando grandes empreendimentos energéticos no norte do Brasil. Foi, então, em 1981, com a publicação da primeira versão da Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), Lei nº 6.938/81 e seu respectivo Decreto nº 88.351/83, que fi cou consolidada a Avaliação de Impactos Ambientais (AIA) como instrumento da PNMA. Entretanto, somente cinco anos após, com a Resolução CONAMA nº 0001/86 do CONAMA, estabeleceram-se as defi nições, as responsabili- dades, os critérios básicos e as diretrizes gerais para uso e implementação da Avaliação de Impacto Ambiental como um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente no território brasileiro. No art. 2 dessa Resolução fi ca determinado claramente a obrigatoriedade da elaboração do Estudo de Impacto Ambiental e respectivo Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (EIA/RIMA) como determinante para a aprovação de empreendimentos e atividades modifi cadoras do meio ambiente. Tais relatórios passam, ainda, a fazer parte do processo de licenciamento ambiental, também instituído como um instrumento da PNMA em 1981. O processo de licenciamento se trata de um procedimento administrativo junto ao órgão ambiental para autorizar, ou seja, licenciar, a instalação, ampliação e operação de atividades que utilizem recursos naturais ou até mesmo que possam ser potencialmente poluidoras. Durante esse processo, três licenças ambientais devem ser requeridas: a Licença Prévia, a Licença de Instalação e a Licença de Operação. Especifi camente, o EIA-RIMA é solicitado na fase da Licença Prévia. (BRASIL, 1983) Quanto às atividades sujeitas ao EIA/RIMA, a Resolução CONAMA nº 0001/86 apresentou uma listagem delas, inserindo, dentre outras atividades, a implantação de estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento; ferrovias; portos e terminais de minério, petróleo e produtos químicos; aero- portos, oleodutos, gasodutos, minerodutos, troncos coletores e emissários de esgotos sanitários; linhas de transmissão de energia elétrica acima de 230KV; obras hidráulicas para exploração de recursos hídricos, tais como: barragem para fins hidrelétricos, acima de 10MW, de saneamento ou de irrigação, abertura de canais para navegação, drenagem e irrigação, retificação de cursos d’água, Metodologias de Estudos e Impactos Ambientais (EIA/RIMA)142 abertura de barras e embocaduras, transposição de bacias, diques; extração de combustível fóssil (petróleo, xisto, carvão); extração de minério; aterros sani- tários, processamento e destino final de resíduos tóxicos ou perigosos; usinas de geração de eletricidade, qualquer que seja a fonte de energia primária, acima de 10MW; complexo e unidades industriais e agroindustriais (petroquímicos, siderúrgicos, cloroquímicos, destilarias de álcool, hulha, extração e cultivo de recursos hídricos); e distritos industriais e zonas estritamente industriais — ZEI. Uma revisão das atividades foi posteriormente apresentada em resolução especí- fica sobre as diretrizes do licenciamento, a Resolução nº 237/97 do CONAMA. O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) possui uma particularidade importante quando consideramos a preservação do meio ambiente: a sua aplicação prévia, ou seja, anterior à implantação do empreendimento em questão. Nesse sentido, o EIA/RIMA pode ser considerado um instrumento de planejamento inserido no âmbito das políticas públicas. O EIA compreende um documento técnico que tem por finalidade diagnosticar o ambiente onde será implantado o empreendimento, identificar, prever e interpretar os efeitos que essa implantação terá no meio ambiente, além de propor ações de minimização e controle dos efeitos negativos produzidos pela alteração que será feita. Esse estudo prévio irá, então, embasar a tomada de decisão por parte do órgão ambiental em conceder ou não a licença prévia (LP). Outra particularidade diz respeito ao Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente, o RIMA, que deve ser elaborado com o mesmo conteúdo do EIA, mas de forma mais simplificada, para que possa ser lido e compreendido por leigos no assunto. Esse relatório é assim disponibilizado para a comunidade do entorno do empreendimento e a todos os interessados (ONGs, instituições de ensino, etc.) para que, no momento da Audiência Pública — fase essencial do processo de licenciamento prévio, que é uma espécie de reunião pública onde se apresentam os resultados do EIA —, possa ser discutido com toda a comunidade a implantação do empreendimento. Essa etapa também subsidia a tomada de decisão por parte do órgão ambiental em conceder ou não a licença prévia (LP). EIA/RIMA, um estudo multidisciplinar A elaboração do EIA/RIMA é de caráter multidisciplinar, ou seja, ele engloba várias áreas de estudo (Figura 1). Aspectos físicos, biológicos e socioeconô- micos devem ser levantados, ou seja,diagnosticados. Devem ser elaborados mapas e cartas para mostrar e exemplifi car cada aspecto diagnosticado. Nesse sentido, vários profi ssionais — como biólogos, geólogos, agrônomos, sociólo- gos, engenheiros, entre outros — são fundamentais e irão compor a equipe de elaboração desse estudo. Além disso, uma coordenação dessa equipe também 143Metodologias de Estudos e Impactos Ambientais (EIA/RIMA) é de fundamental importância para a correta interdisciplinaridade que esse estudo exige. Reuniões constantes são necessárias para delimitação das ati- vidades e posteriormente para a análise de impactos e devidas indicações de minimização dos efeitos negativos. Figura 1. Os três meios diagnosticados durante a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental e o respectivo Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA). Fonte: (a) Ruslan Gusev/Shutterstock.com; (b) Ondrej Prosicky/Shutterstock.com; (c) Polamaii/Shutterstock.com; O Estudo de Impacto Ambiental e respectivo Relatório de Impacto Ambiental (EIA/ RIMA) são instrumentos de planejamento e, portanto, subsidiam a tomada de decisão por parte do órgão ambiental em conceder ou não a licença prévia (LP) durante o processo de Licenciamento Ambiental. Metodologias de Estudos e Impactos Ambientais (EIA/RIMA)144 Etapas do EIA/RIMA O Estudo de Impacto Ambiental e o respectivo Relatório de Impacto Ambien- tal (EIA/RIMA) devem ser previamente defi nidos junto ao órgão ambiental por meio do Termo de Referência (TR). O órgão ambiental já disponibiliza TRs para a elaboração de EIA/RIMAs para diversas atividades, tendo em vista que alguns aspectos são distintos e dependem, portanto, da atividade em questão. Os TRs são documentos nos quais constam todos os estudos que devem ser realizados durante o EIA/RIMA. Por exemplo, é no TR que será estabelecido a sazonalidade das amostragens de fauna, ou seja, se o diagnóstico irá abordar o levantamento da fauna nas 4 estações do ano ou apenas em duas estações. Para atividades novas, pode ser proposto o TR para aprovação do órgão ambiental. A defi nição do TR é a primeira etapa para uma correta elaboração dos estudos vinculados ao EIA/RIMA. Após a defi nição do TR, é importante defi nir a equipe de trabalho, desde o gestor do projeto até os distintos técnicos que participarão do levantamento e estudo de impactos do respectivo estudo. A etapa seguinte à de definição do TR e equipe multidisciplinar de trabalho é a caraterização do empreendimento. É imprescindível que toda a equipe entenda a atividade proposta, uma vez que essa deve ser consi- derada para a avaliação dos impactos específicos sobre os distintos meios diagnosticados. Por exemplo, os impactos sobre o meio físico, biológico e socioeconômico diferem quando tratamos das atividades de geração de energia hidroelétrica ou até mesmo eólica. No primeiro caso, temos um manancial diretamente inserido na área de operação da atividade, impactando mais especificamente a fauna aquática e terrestre, enquanto no segundo caso, de geração eólica, os impactos são mais perceptíveis nos animais alados, que voam, em aves ou até mesmo mamíferos (morcegos). É durante a caracterização do empreendimento que se abordam todos os aspectos ligados à nova atividade. Informações básicas do empreendimento — como CNPJ, razão social, endereço, atividade principal, infraestrutura, área total da empresa e de sua operação, matéria-prima, processo e resíduos gerados — devem ser previamente apresentadas. A partir da definição e caracterização da empresa, e levando-se em consideração o potencial de impactos da atividade, o próximo passo é caracterizar as áreas de influência do empreendimento, que, de forma geral, são definidas com base na área aferrada pelo empreendimento, no conhecimento da equipe técnica ou até mesmo em impactos específicos em algum dos meios diagnosticados. 145Metodologias de Estudos e Impactos Ambientais (EIA/RIMA) Existem várias denominações para designar as áreas de influência, mas as mais utilizadas e ilustradas nos EIA/RIMAs são: Área Diretamente Afetada (ADA): diz respeito à área que sofrerá os impactos diretos, ou seja, a área que será diretamente alterada pela implantação do empreendimento. Área de Influência Direta (AID): compreende a área indiretamente afetada pela implantação do empreendimento, integrando as áreas do entorno e também as vias de acesso ao empreendimento. Área de Influência Indireta (AII): refere-se à área maior, mais abrangente, que pode ser afetada pelo empreendimento. Essa pode ser definida, por exemplo, com base na área de uma Bacia Hidrográ- fica, quando existir o risco dos efeitos do empreendimento atingir tais proporções. Um exemplo recente é o desastre de Mariana (MG), que chegou até o oceano. O diagnóstico é o passo seguinte na elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA). Os meios que devem ser diagnosticados, nas três áreas de influência definidas, devem ser o físico, o biológico e o socioeconômico (Figura 1). Dados primários e secundários devem embasar os levantamentos e diagnósticos das áreas de influência do empreendimento. Concluída a fase de diagnóstico, ou seja, da compreensão da situação atual da área, o passo seguinte é a análise de impactos. Essa é uma parte um tanto subjetiva, pois imagina-se como será o efeito da implantação do empreendimento sobre os distintos meios diagnosticados, tanto positivos como negativos. Nesse sentido, existem distintas metodologias de levantamento de impactos, das mais simples às mais complexas, utilizando métodos qualitativos ou até mesmo quantitativos, mas com foco principalmente na identificação dos principais impactos gerados pela atividade. Para finalizar o EIA/RIMA e chegar, portanto, ao objetivo primordial da aplicação da análise de im- pactos, é proposto um capítulo distinto listando os Projetos e Programas que irão integrar o monitoramento dos impactos durante distintas fases do empreendimento, fase de instalação, operação, e atualmente também a fase de desativação, da atividade proposta. É importante salientar que o EIA deve ser elaborado de forma minuciosa e técnica. No entanto, a equipe ainda precisa transformar essas informações para uma abordagem mais simplificada e disponível para leitura do público em geral, ou seja, elaborar o RIMA. Dessa forma, a construção do RIMA deve ser Metodologias de Estudos e Impactos Ambientais (EIA/RIMA)146 feita da mesma forma que a do EIA, com os mesmos conteúdos e etapas, mas escrito com uma linguagem mais acessível, ou seja, o mais simples possível. Esse documento, o EIA/RIMA, é, então, protocolado para o requerimento da Licença Prévia (LP) durante o processo de licenciamento. O EIA é analisado pelo órgão ambiental, o RIMA deve ser disponibilizado para a comunidade e discutido na ocasião da Audiência Pública, e o resultado dessas análises deverá subsidiar, assim, a decisão do órgão ambiental no deferimento ou não da LP para o empreendimento. Para finalizar, cabe salientar que o planejamento é fundamental para a correta elaboração de qualquer trabalho, assim como o do EIA/RIMA. Além disso, porém, a ética é um campo fundamental de entendimento para uma abordagem correta da utilização do solo em qualquer que seja a área utilizada. Um diagnóstico incorreto ou até mesmo omisso pode gerar enormes confli- tos de terra, e esses compreendem realidades dos dias atuais. Fainguelernt (2016), ao apresentar uma retrospectiva acerca do licenciamento ambiental da área da Usina Hidroelétrica de Belo Monte, a qual apresenta conflito com distintos povos indígenas, coloca em cheque a ausência de tais informações no respectivo EIA/RIMA apresentado ao IBAMA, órgão ambiental federal responsável pelo licenciamento da UHE de Belo Monte. Figura 2. Sequência de elaboração do EIA. Fonte: (a) Africa Studio/Shutterstock.com; (b) Vacancylizm/Shutterstock.com; (c) Vacancylizm/Shut- terstock.com; (d) ESB Professional/Shutterstock.com. (e) ESB Professional/Shutterstock.com;(f) Africa Studio/Shutterstock.com. a) TR Caracterização do Empreendimento b) Áreas de Influência c) Diagnóstico Ambiental d) Análise dos Impactos Ambientais e) Programas de Monitoramento e Minimização de Impactos f ) a) TR Caracterização do Empreendimento b) Áreas de Influência c) Diagnóstico Ambiental d) Análise dos Impactos Ambientais e) Programas de Monitoramento e Minimização de Impactos f )f ) 147Metodologias de Estudos e Impactos Ambientais (EIA/RIMA) Acompanhe uma análise crítica acerca da transposição do Rio São Francisco para saber mais sobre a abordagem prática do EIA/RIMA — nesse caso, da má elaboração e aplicação do EIA/RIMA (HENKES, 2014). Metodologias para o Estudo de Impactos Ambientais De forma geral, os estudos de impactos ambientais devem atentar para quatro pontos principais: a identifi cação causa-efeito, a previsão ou cálculo dos efeitos e magnitudes dos impactos, a interpretação dos impactos e efeitos ambientais e a prevenção deles. Existem distintos métodos que podem ser aplicados para o Estudo dos Impactos Ambientais. Esses métodos não são estabelecidos pela legislação e, dessa forma, podem e devem ser modificados de acordo com o tipo de projeto que será desenvolvido. Vale relembrar que impacto ambiental é qualquer modificação da condição natural de uma determinada área, seja de caráter negativo ou até mesmo positivo, sobre os três meios diagnosticados: meio físico, biológico e socioeconômico (Figura 1). Além disso, os impactos devem ser considerados durante todas as fases do empreendimento: fase preliminar (LP), fase de instalação (LI), fase de operação (LO) e fase de desativação. Os métodos de análise de impactos ambientais objetivam comparar, orga- nizar e analisar informações sobre impactos ambientais de uma determinada atividade, incluindo formas de apresentação escrita e visual desses dados. A análise dos impactos deve ser realizada a partir da ponderação ou valoração de atributos. A Resolução CONAMA nº 0001/86 postula que a análise de impactos deve considerar os seguintes atributos: Impactos benéficos ou adversos; positivo ou negativo (natureza). Impactos temporários ou permanentes (duração). Impactos diretos ou indiretos (incidência). Impactos reversíveis ou irreversíveis (reversibilidade). Impactos cumulativos ou sinérgicos (sinergia). Outros atributos também podem ser utilizados, como relevância, magni- tura e abrangência, por exemplo. Metodologias de Estudos e Impactos Ambientais (EIA/RIMA)148 Quanto aos métodos de avaliação de impactos e ponderação de atributos, os mais utilizados em EIA/RIMAs são: 1. Listagens de controle (checklists): apresentam uma relação dos impactos mais relevantes, associando-os ou não ao respectivo aspecto (a causa do impacto) ou até mesmo ao meio afetado (físico, biológico, socioeconômico). Além disso, o método permite avaliar os impactos pela atribuição de qualificações ou quantificação de atributos como magnitude, natureza, dentre outros. A aplicação desse método também permite a elaboração e aplicação de questionários. Como vantagem, esse método pode ser considerado simples e de fácil visualização, mas não permite caracterizar e discutir de forma mais minuciosa cada impacto. 2. Matrizes de interação (matriz de Leopold): método que apresenta os impactos em uma matriz bidimensional. Em um eixo são relacionadas as características do ambiente e, no outro, as ações (aspectos) do projeto. Na quadrícula de interação entre os dois eixos, é possível identificar e avaliar o impacto quanto aos atributos avaliadores propostos no método. Dentre as vantagens do método está a facilidade de observação dos impactos além da avaliação e interação dos atributos, mas, por outro lado, a quantidade de atributos avaliadores é menor do que na aplicação de outros métodos, como o checklist por exemplo. Além do checklist e da matriz de interação, existem outros métodos menos utilizados em EIA/RIMAs, como: Métodos ad hoc: consistem na reunião de especialistas de distintas áreas, os quais irão realizar uma avaliação preliminar dos impactos, e definição da melhor estratégia de trabalho a ser adotada. Dessa forma, o método não é incluído em EIA/RIMAs, mas sim em fases prelimina- res de tomada de decisão quanto à elaboração do estudo de impactos, principalmente para aquelas em que há escassez de dados. Possui a vantagem de realizar uma avaliação simples, objetiva e dissertativa, mas não avalia ou pondera atributos aos impactos identificados. Redes de interação (diagramas de sistema; networks): método que expressa os impactos na forma de uma sequência de eventos por dia- gramas, gráficos ou até mesmo fluxogramas. Apesar de fornecer uma abordagem mais integrada de causas e efeitos (impactos), esse método não permite a avaliação e valoração de atributos. 149Metodologias de Estudos e Impactos Ambientais (EIA/RIMA) Superposição de cartas (overlays): este método é baseado na elabora- ção de vários mapas e cartas da mesma área, mas destacando aspectos ambientais distintos, como relevo, declividade etc. Pela superposição desses mapas, identificam-se as áreas com maior ocorrência de impactos ou que esses serão mais significativos. A facilidade de observação dos impactos é uma vantagem do método, mas, como desvantagem, não há a identificação da importância relativa de cada impacto. Modelos de simulação: modelos específicos que simulam um de- terminado sistema ambiental como autodepuração ou até mesmo dispersão de poluentes atmosféricos. A vantagem está na consideração da dinâmica do sistema e na interação dos fatores e impactos, mas é um método de alto custo e, além disso, os modelos podem não condizer com a realidade. Após a identificação e valoração dos impactos ambientais, é preciso in- dicar as medidas mitigadoras para cada impacto detectado no estudo. Tais medidas visam amenizar ou mitigar os efeitos deletérios sobre o ambiente e seus componentes. As medidas mitigadoras podem ser classificadas quanto à: Natureza: preventiva ou corretiva. Fase: construção, operação e/ou desativação. Duração: curta, média ou longa. Responsabilidade: empreendedor ou poder público. Alguns impactos negativos não podem ser mitigados, e essa observação deve estar clara no EIA/RIMA. Além de programas de mitigação, devem ainda ser indicados programas de monitoramento, que são programas de acompa- nhamento das características físicas e biológicas da área durante a construção ou operação do empreendimento, que visam, assim, minimizar ou até mesmo compensar os impactos da atividade. Os impactos positivos na natureza podem e devem estar relacionados a programas e projetos que maximizem seus efeitos ao longo do processo de instalação ou operação da atividade. Para finalizar, cabe salientar que existe a obrigatoriedade da elaboração do EIA/RIMA, mas o método de avaliação dos impactos vai de acordo com a equipe técnica que desenvolverá o estudo. Qualquer que seja o método escolhido para utilização, o mais importante é descrever detalhadamente cada impacto detectado, bem como as formas de mitigar ou compensar cada um desses impactos. Metodologias de Estudos e Impactos Ambientais (EIA/RIMA)150 Para você ver um exemplo da avaliação de impactos, acesse o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) elaborado para um Projeto de Irrigação do Assentamento Santa Mônica, em Terenos, MS, e submetido ao IBAMA (FIBRACON, 2016). 1. Sobre as metodologias para a determinação de impactos ambientais, assinale a sentença correta: a) No método quantitativo há a qualificação dos impactos, obtendo-se índices de qualidade ambiental. b) O método de matriz consiste na construção de redes de interação e fluxogramas para a indicação dos impactos ambientais. c) A sobreposição de cartas é uma metodologia que permite uma boa compreensão de relações espaciais. Sua adoção é indicada nos projetos de desenvolvimento regional e com configuraçãolinear. d) A metodologia baseada em redes de interação baseia-se na construção de redes de interação e fluxogramas para a indicação dos impactos ambientais causados somente na construção do empreendimento. e) No checklist, os impactos são demostrados na forma de matriz. 2. Sobre o conceito de impacto ambiental é correto afirmar que: a) Impacto ambiental é qualquer alteração que cause impacto negativo sobre as propriedades do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas. b) Impacto ambiental é qualquer alteração das propriedades físicas, químicas, biológicas do meio ambiente, causada pelas atividades antrópicas e que afetem diretamente: a saúde, a segurança e o bem-estar da população e a qualidade dos recursos ambientais. c) Impacto ambiental é qualquer alteração das propriedades químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que afetem diretamente a saúde, a segurança, e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias ambientais; a qualidade dos recursos ambientais. 151Metodologias de Estudos e Impactos Ambientais (EIA/RIMA) d) Impacto ambiental é qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que afetem diretamente ou indiretamente a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota e as condições estéticas e sanitárias ambientais. e) Impacto ambiental é qualquer alteração das propriedades físicas, químicas, biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que afetem diretamente ou indiretamente a saúde, a segurança, e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias ambientais; a qualidade dos recursos ambientais. 3. Quais as etapas de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA)? a) Diagnóstico ambiental, análise dos impactos ambientais, medidas mitigadoras e elaboração de programas. b) Identificação dos processos e estabelecimento de indicadores, mensuração qualitativa e quantitativa, viabilização ambiental e plano de ação ambiental. c) Elaboração do Plano de Mobilização Social, realização do diagnóstico, apresentação do prognóstico e concepção de programas, projetos e ações necessárias para atingir as metas. d) Diagnóstico ambiental, análise dos impactos ambientais, medidas mitigadoras, elaboração de programas e mobilização social. e) Diagnóstico ambiental, prognóstico ambiental, medidas mitigadoras e plano de ação ambiental. 4. Sobre o EIA/RIMA é correto afirmar que: a) A sigla EIA significa Estudo Prévio de Impacto Ambiental e deve ser realizado pelo órgão ambiental e pelo empreendedor. b) Os EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Meio Ambiente) são elaborados pelo empreendedor por meio da contratação de profissionais somente da área ambiental. c) Os EIA/RIMA (Elaboração de Estudo de Impacto Ambiental/ Relatório de Impacto Ambiental) são elaborados para empreendimentos potencialmente causadores de impactos e degradação ambiental. d) No RIMA (Relatório de Meio Ambiente) são apresentados os resultados obtidos no EIA (Estudo de Impacto Ambiental) em uma linguagem acessível à população. e) Os EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Meio Ambiente) são elaborados pelo empreendedor, sendo que os custos dos estudos serão a cargo do poder público. 5. Assinale a alternativa que se refere corretamente ao Estudo de Metodologias de Estudos e Impactos Ambientais (EIA/RIMA)152 Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA). a) O RIMA possui conteúdo específico e de difícil entendimento para leigos. b) O RIMA precede o EIA. c) O EIA-RIMA é um estudo complexo elaborado por diversos especialistas. d) O órgão ambiental definirá se deverá ser desenvolvido um EIA ou um RIMA para cada empreendimento específico. e) É o EIA que serve de base para a apresentação do estudo de impactos a comunidade durante a Audiência Pública. BRASIL. Decreto nº 88.351, de 1º de Junho de 1983. Regulamenta a Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, e a Lei n° 6.902, de 27 de abril de 1981, que dispõem, respectiva- mente, sobre a Política Nacional do Meio Ambiente e sobre a criação de Estações Ecológicas e Áreas de Proteção Ambiental, e dá outras providências. Brasília: Presi- dência da República, 1983. Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/legin/fed/ decret/1980-1987/decreto-88351-1-junho-1983-438446-publicacaooriginal-1-pe. html>. Acesso em: 19 jun. 2017. BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 1981. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/leis/L6938.htm>. Acesso em: 15 jun. 2017. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Reso- lução CONAMA nº 0001, de 23 de janeiro de 1986. Brasília: CONAMA, 1986. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res86/res0186.html>. Acesso em: 15 jun. 2017. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 237, de 19 de dezembro de 1997. Brasília: CONAMA, 1997. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res97/res23797.html>. Acesso em: 15 jun. 2017. FAINGUELERNT, M. B. A trajetória histórica do processo de licenciamento ambiental da usina hidrelétrica de Belo Monte. Ambiente & Sociedade, São Paulo, v. 19, n. 2, p. 247-266, abr./jun. 2016. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414- -753X2016000200245&script=sci_arttext&tlng=pt>. Acesso em: 15 jun. 2017. FIBRACON. Relatório de impacto ambiental: RIMA. Terenos: FIBRAcon, 2016. Disponível em: <http://www.imasul.ms.gov.br/wp-content/uploads/sites/74/2015/06/RIMA- -Irriga%C3%A7%C3%A3o-Terenos.pdf>. Acesso em: 15 jun. 2017. 153Metodologias de Estudos e Impactos Ambientais (EIA/RIMA) HENKES, S. L. A política, o direito e o desenvolvimento: um estudo sobre a transpo- sição do Rio São Francisco. Revista Direito GV, São Paulo, v. 10, n. 2, p. 497-536, jul./ dez. 2014. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi d=S1808-24322014000200497>. Acesso em: 15 jun. 2017. Leituras recomendadas BASSO, L. A.; VERDUM, R. Avaliação de Impacto Ambiental: Eia e Rima como instru- mentos técnicos e de gestão ambiental. In: VERDUM, R.; MEDEIROS, R. M. V. (Org.). Re- latório de impacto ambiental: legislação, elaboração e resultados. Porto Alegre: UFRGS, 2006. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/pgdr/publicacoes/producaotextual/ roberto-verdum/basso-luis-alberto-verdum-r-avaliacao-de-impacto-ambiental-eia- -e-rima-como-instrumentos-tecnicos-e-de-gestao-ambiental-in-roberto-verdum- -rosa-maria-vieira-medeiros-org-rima-relatorio-de-impacto-ambiental-legislacao- -elaboracao-e-resultados-5a-ed-porto>. Acesso em: 15 jun. 2017. ROCHA, J. C.; ROSA, A. H.; CARDOSO, A. A. Introdução à química ambiental. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. ROSA, A. H.; FRACETO, L. F.; MOSCHINI-CARLOS, V. Meio ambiente e sustentabilidade. Porto Alegre: Bookman, 2012. SCHWANKE, C. Ambiente: tecnologias. Porto Alegre: Bookman, 2013. (Série Tekne). Metodologias de Estudos e Impactos Ambientais (EIA/RIMA)154 DICA DO PROFESSOR O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto de Meio Ambiente (RIMA) são instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Assista ao vídeo e conheça mais sobre o assunto. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Sobre as metodologiaspara a determinação de impactos ambientais, assinale a sentença correta. A) No método quantitativo há a qualificação dos impactos, obtendo-se índices de qualidade ambiental. B) O método de matriz consiste na construção de redes de interação e fluxogramas para a indicação dos impactos ambientais. C) A sobreposição de cartas é uma metodologia que permite uma boa compreensão de relações espaciais. Sua adoção é indicada nos projetos de desenvolvimento regional e com configuração linear. D) A metodologia baseada em redes de interação baseia-se na construção de redes de interação e fluxogramas para a indicação dos impactos ambientais causados somente na construção do empreendimento. E) No checklist, os impactos são demostrados na forma de matriz. 2) Sobre o conceito de impacto ambiental é CORRETO afirmar que: A) Impacto ambiental é qualquer alteração que cause impacto negativo sobre as propriedades do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas. B) Impacto ambiental é qualquer alteração das propriedades físicas, químicas, biológicas do meio ambiente, causada pelas atividades antrópicas e que afetem diretamente: a saúde, a segurança e o bem-estar da população e a qualidade dos recursos ambientais. C) Impacto ambiental é qualquer alteração das propriedades químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que afetem diretamente a saúde, a segurança, e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias ambientais; a qualidade dos recursos ambientais. D) Impacto ambiental é qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que afetem diretamente ou indiretamente a segurança e o bem- -estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota e as condições estéticas e sanitárias ambientais. E) Impacto ambiental é qualquer alteração das propriedades físicas, químicas, biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que afetem diretamente ou indiretamente a saúde, a segurança, e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias ambientais; a qualidade dos recursos ambientais. 3) Quais as etapas de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA)? A) Diagnóstico ambiental, análise dos impactos ambientais, medidas mitigadoras e elaboração de programas. B) Identificação dos processos e estabelecimento de indicadores, mensuração qualitativa e quantitativa, viabilização ambiental e plano de ação ambiental. C) Elaboração do Plano de Mobilização Social, realização do diagnóstico, apresentação do prognóstico e concepção de programas, projetos e ações necessárias para atingir as metas. D) Diagnóstico ambiental, análise dos impactos ambientais, medidas mitigadoras, elaboração de programas e mobilização social. E) Diagnóstico ambiental, prognóstico ambiental, medidas mitigadoras e plano de ação ambiental. 4) Sobre o EIA/RIMA é CORRETO afirmar que: A) A sigla EIA significa Estudo Prévio de Impacto Ambiental e deve ser realizado pelo órgão ambiental e pelo empreendedor. B) Os EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental) são elaborados pelo empreendedor por meio da contratação de profissionais somente da área ambiental. C) Os EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental) são elaborados para empreendimentos potencialmente causadores de impactos e degradação ambiental. D) No RIMA (Relatório de Impacto Ambiental) são apresentados os resultados obtidos no EIA (Estudo de Impacto Ambiental) em uma linguagem técnica, assim como no EIA. E) Os EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental) são elaborados pelo empreendedor, sendo que os custos dos estudos serão a cargo do poder público. 5) Assinale a alternativa que se refere corretamente ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA). A) O RIMA possui conteúdo específico e de difícil entendimento para leigos. B) O RIMA precede o EIA. C) O EIA-RIMA é um estudo complexo elaborado por diversos especialistas. D) O órgão ambiental definirá se deverá ser desenvolvido um EIA ou um RIMA para cada empreendimento específico. E) É o EIA que serve de base para a apresentação do estudo de impactos a comunidade durante a Audiência Pública. NA PRÁTICA O Estudo de Impacto Ambiental visa apontar os impactos ambiental, social e econômico da instalação de empreendimentos, permitindo o desenvolvimento sustentável da área onde um empreendimento pode ser instalado. Para a análise da viabilidade de implantação do Parque Hotel Marina Ponta do Coral, em Florianópolis, Santa Catarina, foi realizado um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e seu respectivo Relatório de Meio Ambiente (RIMA). No RIMA, que pode ser acessado por todos nós, podemos identificar os impactos causados pelo empreendimento, bem como as medidas e os programas ambientais a serem adotados para minimizar tais impactos. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Resolução Conama nº 1, de 23 de janeiro de 1986 Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EIA‐RIMA – Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental - LINHA 17 – OURO – Ligação do Aeroporto de Congonhas à rede metroferroviária Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Avaliação de impacto ambiental: metodologias aplicadas no Brasil Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Estudo de Impacto Ambiental nas APAs Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Impactos ambientais causados por construção de hidrelétricas Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! As principais leis ambientais APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem você vai identificar as principais legislações que versam sobre a questão ambiental e que podem contribuir para a formação em Engenharia. Além disso, refletir sobre a importância dessas leis para o planejamento e gestão ambiental. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Analisar as principais leis ambientais em vigor no país.• Discutir sobre a importância da aplicação da legislação para o planejamento ambiental.• Reconhecer os princípios nos quais se baseiam nossa legislação ambiental.• DESAFIO A Política Nacional do Meio Ambiente foi instituída pela Lei n. 6.938 (BRASIL, 1981), tendo por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no país, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana. Com base no exposto, elenque os princípios da Politica Nacional de Meio Ambiente e os relacione com os instrumentos da referida lei. INFOGRÁFICO A implementação de princípios legais promove a melhoria da qualidade ambiental. Acompanhe no infográfico os princípios que regem a legislação ambiental. CONTEÚDO DO LIVRO A implementação da Política nacional de meio ambiente é realizada por meio de seus instrumentos. Para conhecer mais sobre os instrumentos, leia o item 5, "Instrumentos da Política Nacional de Meio Ambiente", que consta no artigo "Aspectos gerais da política nacional do meio ambiente – comentários sobre a Lei no 6.938/81", elaborado por T. Q. Farias. Leia mais DICA DO PROFESSOR Os princípios do direito ambiental é que fundamentam a nossa legislação! Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) http://www.egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/anexos/26875-26877-1-PB.pdf A definição dos espaços territoriaisespecialmente protegidos é fundamental para a manutenção dos processos ecológicos. Sobre o instituto da Reserva Legal, de acordo com o Novo Código Florestal (Lei n. 12.651/2012), assinale a afirmativa correta. A) Pode ser instituído em área rural ou urbana, desde que necessário à reabilitação dos processos ecológicos. B) Incide apenas sobre imóveis rurais, e sua área deve ser mantida sem prejuízo da aplicação das normas sobre as Áreas de Preservação Permanente. C) Foi restringida, de acordo com a Lei n. 12.651/2012, às propriedades abrangidas por Unidades de Conservação. D) Incide apenas sobre imóveis públicos, consistindo em área protegida para a preservação da estabilidade geológica e da biodiversidade. E) A reserva legal das florestas, bem como de outros espaços protegidos, são meras limitações administrativas que não integram o direito de propriedade, sendo que seu ingresso no Registro e Imóveis cumpre apenas função de publicidade. 2) A Política Nacional do Meio Ambiente é um conjunto de instrumentos legais, científicos, técnicos, políticos e econômicos destinados à promoção do desenvolvimento sustentável. Todos os princípios abaixo estão relacionados com a Política nacional do meio ambiente, EXCETO: A) Estabelecimento de critérios e padrões de qualidade ambiental e de normas relativas ao uso e manejo de recursos ambientais. B) Recuperação de áreas degradadas e proteção de áreas ameaçadas de degradação. C) Racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar. D) Planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais. E) Controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras. 3) De acordo com a Política Nacional de Saneamento Básico, estabelecida pela lei n°11.445 (BRASIL, 2007), assinale a alternativa que corresponde ao disposto nessa lei. A) Fica definido que os planos de saneamento deverão identificar as possibilidades de implantação de soluções consorciadas ou compartilhadas com outros municípios. B) Os serviços de limpeza pública são de competência municipal e não podem ser delegados ou dados em concessão. C) Nos serviços públicos de saneamento básico em que mais de um prestador execute atividade interdependente com outra, a relação entre elas deverá ser regulada por contrato e haverá entidade única encarregada das funções de regulação e de fiscalização. D) O serviço público de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos urbanos é composto pelos serviços de varrição, capina e poda de árvores em vias e logradouros públicos e outros eventuais serviços pertinentes à limpeza pública urbana. E) O abastecimento de água, o esgotamento sanitário, a limpeza urbana, o manejo dos resíduos sólidos e os recursos hídricos são integrantes dos serviços públicos de saneamento. 4) A Lei dos Crimes Ambientais (BRASIL, 1998) dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Nos crimes contra a fauna, em virtude de agravamento de atividade ou conduta, as penas poderão ser aumentadas em até o triplo se essas atividades: A) Forem contra espécie rara ou considerada ameaçada de extinção. B) Se o crime decorre do exercício de caça profissional. C) Forem realizadas em período noturno. D) Em período proibido à caça. E) Realizadas com abuso de licença. 5) Com relação à evolução da legislação ambiental brasileira, assinale a alternativa CORRETA. A) Atualmente, a legislação brasileira não possui norma específica de crimes ambientais. B) As Ordenações Manuelinas foram editadas em 1521 contendo dispositivos de caráter ambiental. C) No primeiro Código Criminal, datado de 1830, o corte ilegal de madeira não era caracterizado como crime. D) Os resíduos sólidos não têm legislação específica no Brasil. E) A legislação brasileira não possui norma específica de proteção ambiental. NA PRÁTICA Acompanhe quatro histórias que explicam exatamente de que forma pode originar-se um crime ambiental e conheça a lei que enquadra esses tipos de crimes. As quatro histórias exemplificam casos que se enquadram dentro da Lei de Crimes Ambientais n. 9.605/1998. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Os princípios do direito ambiental: uma alternativa na busca pelo desenvolvimento sustentável No presente estudo aborda-se a importância dos princípios no sistema jurídico brasileiro, examinando-se, ainda, alguns dos mais importantes princípios do direito ambiental. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Via Justiça - Lei de Crimes Ambientais Para falar sobre o assunto, foram convidados a juíza Maria Isabel Fleck, da 1a Vara Criminal de Belo Horizonte, e o coordenador das Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, Carlos Eduardo Ferreira Pinto para o canal Via justiça. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Fiscalização Ambiental Esta publicação disponibilizada pelo Ministério Público do Ceará incorpora diversos conhecimentos e inúmeras experiências bem sucedidas de instituições que atuam na conservação ambiental por todo país. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Conhecendo as legislações ambientais específicas APRESENTAÇÃO Os problemas ambientais podem ser causados devido a fatores naturais ou pela interferência humana. Aqueles que provêm de causa natural, nem sempre podem ser previstos e, mesmo quando são, não são fáceis de se controlar, mas quando sua origem é devido à interferência humana, há uma grande previsibilidade e, hoje em dia, são arduamente tratados para que sejam evitados. Nesta Unidade de Aprendizagem, você conhecerá as legislações ambientais que auxiliam no conhecimento dos instrumentos para a prevenção e controle de tais problemas. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Compreender a função da legislação ambiental.• Reconhecer a importância da legislação ambiental.• Elencar formas de prevenções ambientais através da legislação ambiental.• DESAFIO Em uma área na região metropolitana verifica-se uma ocupação populacional irregular. Por se tratar de uma área não planejada, não há o fornecimento de serviços de saneamento básico (água, esgoto, coleta de lixo), ocasionando a contaminação do solo e das nascentes, que são formadoras do rio que atravessa o perímetro urbano. Outro fator agravante é a destruição da mata ciliar, pois mais moradias estão sendo construídas na área. A área é considerada ambientalmente frágil, por estudos desenvolvidos na região, sendo importante salientar que não suportará por mais tempo esse povoamento descontrolado e sem infraestrutura. Qual é a solução mais adequada para esse caso? INFOGRÁFICO Um dos dilemas que afligem o espaço urbano é o lixo, tanto pela sua quantidade quanto pelo tipo produzido. Isso vem ocorrendo devido ao crescimento populacional e ao grande consumo de produtos (alimentos, vestimentas, equipamentos eletrônicos, etc.). No momento de seu descarte ou durante a sua produção, faz com que enormes quantidades de resíduos sejam acumuladas em vastas áreas, trazendo inúmeras complicações ambientais. Veja no Infográfico como outros países enfrentam o problema. CONTEÚDO DO LIVRO Para compreender como as legislações são importantes para o desenvolvimento saudável do espaço urbano, e para que seus habitantes tenham qualidade de vida, realize a leitura do capítulo Legislações ambientais específicas, da obra Legislação urbana e prática profissional, base teórica para esta Unidade de Aprendizagem. Boa leitura. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL Vanessa Ramires Legislações ambientais específicas Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Compreender a função da legislação ambiental. � Reconhecer a importância da legislação ambiental. � Elencar as formasde prevenção ambiental por meio da legislação ambiental. Introdução Existem dois tipos de problemas ambientais: os de causas naturais e os de interferências humanas. Os problemas de causas naturais nem sempre podem ser previstos e, mesmo quando o são, é difícil controlá-los. Já os causados por interferências humanas são facilmente previstos e, hoje em dia, arduamente tratados. Neste capítulo, você irá ler sobre as legislações ambientais que auxi- liam no conhecimento dos instrumentos para a prevenção e o controle de tais problemas. Função da legislação ambiental Os problemas que afetam o meio ambiente surgem, a princípio, em aglo- merações humanas, portanto, dentro dos municípios. Por isso, devem partir dos municípios as primeiras preocupações com o meio ambiente, focando, inicialmente, na conscientização da população. É importante que a população que utiliza os espaços urbanos saiba das consequências da falta de preservação ambiental, para que as mudanças necessárias tenham a participação da popu- U N I D A D E 3 lação e do poder público, gerando o desenvolvimento adequado e aplicável dos planos de gestão do meio ambiente. As cidades são orientadas a criar um conselho municipal que discuta os assuntos vinculados ao meio ambiente. Para atender à Constituição Federal, que, em seu art. 225, estabelece que todos têm direito de usufruir de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, é importante a criação desse conselho (BRASIL, 1988). O Conselho Municipal do Meio Ambiente trabalha em conjunto com a população, o poder público, os setores empresariais e os políticos, buscando crescimento e desenvolvimento econômico sustentável, que desenvolva soluções para o uso dos recursos naturais e para recuperar os danos ambientais já existentes. A sustentabilidade ambiental, pela importância que tem, não deve ser tratada como um dogma, correndo o risco de deixar o desenvolvimento de uma região inteira estagnado, para preservar o meio ambiente. O Conselho Municipal de Meio Ambiente, apesar de não ter poder político ou a função de criar leis (o que está sob responsabilidade do poder legislativo municipal), é um importante instrumento do exercício de democracia, de educação para a cidadania e para o convívio entre os diversos setores da sociedade com interesses distintos quando traz a população para discutir problemas ambientais e suas soluções ou mesmo formas de preservação. Portanto, tem como função dar assessorias às prefeituras, às secretarias e ao órgão ambiental municipal. Além do art. 225 da Constituição Federal, citado anteriormente, é neces- sário frisar também a importância do art. 23, que fala sobre a proteção do meio ambiente e o combate à poluição, e do art. 24, que trata sobre assuntos pertinentes à floresta, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e de recursos naturais, proteção ao meio ambiente e ao controle da poluição, além das responsabilidades daqueles que causarem danos ao meio ambiente (BRASIL, 1988). Apesar de ter que partir dos municípios as primeiras preocupações com o meio ambiente, por se tratar do local de início dos danos ambientais, a Cons- tituição Federal ressalta que é dever da União e dos Estados a criação de leis que sirvam para o controle e a fiscalização de todos os problemas causados ao meio ambiente. Podemos citar ainda a Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981 (BRASIL, 1981), que aborda a política nacional do meio ambiente, seus fins, mecanismos de formulações e aplicações. Por meio dessa lei, foi criado o Sistema Nacional Legislações ambientais específicas60 do Meio Ambiente, responsável pela melhoria da qualidade ambiental. Ela traz inúmeros princípios e diretrizes, além de estabelecer responsabilidades que devem ser atendidas pelo possível poluidor. A Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, por sua vez, aborda os crimes considerados como ambientais e estabelece as infrações e penas aplicáveis. Existe uma imensidão de leis no Brasil que tratam sobre o meio ambiente, além das já mencionadas. Entre elas, podemos citar: � a Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999, que aborda a política nacional de educação ambiental; � a Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, que aborda a política nacional dos recursos hídricos; � a Lei nº 4.471, de 15 de setembro de 1965, alterada pela Medida Provisória nº 1956-50, de 26 de maio de 2000, chamada de Código Florestal; � a Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC); � a Portaria Normativa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) nº 348, de 14 de março de 1990, sobre a qualidade do ar; � as Resoluções do Conselho Nacional do meio Ambiente (Conama) nº 01, de 23 de janeiro de 1986, e nº 237, de 19 de dezembro de 1997, sobre o licenciamento de obras. Esse é um breve levantamento das leis que abordam o meio ambiente, as quais devem se relacionar às leis já citadas e ser analisadas em conjunto. Importância da legislação ambiental A legislação ambiental brasileira tem como finalidade a preservação ambiental, orientada por leis e normas jurídicas. Por meio de leis e normas, foram esta- belecidos os direitos e deveres da população, os instrumentos de conservação do meio ambiente e as normas de uso dos diferentes ecossistemas, visando o uso sustentável do meio ambiente, bem como conservando e recuperando as reservas naturais. A Figura 1 ilustra um esquema de desenvolvimento econômico sustentável. 61Legislações ambientais específicas Figura 1. Desenvolvimento econômico sustentável. Fonte: ArtRoseStudio/Shutterstock.com. É necessário também estabelecer um desenvolvimento adequado para as empresas, sem que elas prejudiquem o meio ambiente. Por isso, são importantes a criação e a aplicação de uma legislação ambiental. Por meio delas, as empresas conseguem identificar os efeitos que podem gerar para o meio ambiente e como é possível gerenciá-los, de forma preventiva e controlada. A legislação ambiental brasileira é considerada uma das mais avançadas do mundo. Apesar de o Brasil apresentar um meio ambiente bastante vasto e diverso, ele precisa ser preservado. Muito da preocupação do País hoje em relação à preservação do meio ambiente devemos à Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (ECO-92), desenvolvida pela Organização das Nações Unidas (ONU), para debater sobre o meio am- biente, da qual o Brasil foi sede em 1990. Antes disso, na década de 1970, já existia uma preocupação com a pre- servação do meio ambiente, com naturalistas inserindo temas ambientais no ensino e na ciência. É necessário que a população tenha acesso fácil e claro à situação ambiental da sua cidade, para que se sinta responsável pela sua preservação e manutenção. Isso faz parte da uma educação ambiental que construa conhecimento, criando na população uma mentalidade mais ambiental. A educação ambiental é uma fonte de informação que deve ser distribu- ída de forma justa e democrática socialmente, para atender ao art. 225 da Constituição Federal, possibilitando a todos o direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Legislações ambientais específicas62 A educação ambiental é algo que influencia diretamente nosso dia a dia. Exemplos claros disso são o lixo urbano e a coleta seletiva. É importante mencionarmos que a coleta domiciliar de lixo é desigual. As regiões mais carentes são as menos atendidas e normalmente as menos informadas sobre a separação do lixo para a coleta seletiva, quando esta é fornecida pelo poder público municipal. O lixo urbano está entre os mais poluentes e que levam mais tempo para se deteriorar. Por conta disso, os lixões a céu aberto se espalham pelo território e, em outros casos, são deixados em lugares inapropriados, acumulando-se em rios, banhados, florestas e oceanos, afetando mais do que a saúde do ser humano,ou seja, prejudica todo o ecossistema (fauna, flora e meio ambiente). Ao tratarmos do tema desenvolvimento versus meio ambiente no âmbito energético, encontramos uma barreira difícil de transpor no Brasil. Grande parte da energia elétrica produzida no Brasil é gerada por meio de usinas hidrelétricas, como a de Itaipu, mostrada na Figura 2. Figura 2. Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional. Fonte: Deni Williams/Shuttersotck.com. É necessário um profundo estudo ambiental para a implantação de uma usina hidrelétrica, pois é possível destruir um bioma por completo, com a área inundada, para a implantação da usina. Temos, nesse caso, uma balança que 63Legislações ambientais específicas deve estar equilibrada. Os danos ambientais não podem ser maiores do que os benefícios sociais e econômicos que uma usina hidrelétrica possa proporcionar à região a ser implantada. A usina hidrelétrica de Belo Monte está sendo cons- truída na bacia do rio Xingu, no estado do Pará. Trata- -se de um projeto bastante polêmico, em especial pela questão ambiental. Se quiser saber mais sobre a usina, acesse o link ou o código a seguir. https://goo.gl/jV0Ad9 Quando falamos sobre abastecimento de energia ou de água nas cidades, a educação ambiental é um tema extremamente importante. Desde que o Brasil identificou a necessidade de um período de raciona- mento de água e energia elétrica, a população passou a pensar melhor sobre os antigos costumes, como lavar carros e calçadas com água jorrando pelas mangueiras ou deixar aparelhos de ar-condicionado 24 horas por dia ligados. Hoje há maior consciência de utilização desses recursos. As mesmas leis relacionadas ao meio ambiente e utilizadas na implantação de uma usina hidrelétrica precisam ser consultadas na implantação de novas indústrias. O território nacional brasileiro é muito grande, diferentemente de um país como a China, e menos industrial. Mesmo assim, sofremos com o aqueci- mento global. Como consequência da poluição do ar, o buraco na camada de ozônio aumenta cada vez mais. A Figura 3 apresenta outro efeito que pode ser observado em alguns pontos da China, principalmente em áreas urbanas, onde o sistema respiratório da população já é afetado. Legislações ambientais específicas64 Figura 3. Poluição na China. Fonte: Testing/Shutterstock.com. É por meio da legislação ambiental que o Brasil vem buscando diminuir os impactos ambientais. O poder público, junto com a população e os em- presários, deseja que o crescimento e o desenvolvimento econômico possam afetar o mínimo possível o meio ambiente, por meio da fiscalização eficiente e da conscientização. Formas de prevenção ambiental A legislação ambiental segue dois sentidos: a preservação ambiental e o reparo de danos ambientais. A preservação é um instrumento de proteção que pode ser dividido em: � licenciamento ambiental; � estudo de impacto ambiental; � zoneamento ambiental. O licenciamento ambiental é um procedimento administrativo em que as empresas encaminham aos órgãos ambientais competentes um projeto buscando 65Legislações ambientais específicas o licenciamento de uma empresa, indústria ou loteamento a ser instalado em uma localização específica. O órgão responsável por esse licenciamento irá analisar se a documentação está completa e se a localização para a instalação não se trata de uma área de preservação ambiental. A Figura 4 ilustra a análise ambiental. Figura 4. Análise ambiental. Fonte: Goodluz/Shutterstock.com. Entre os instrumentos de proteção, é muito importante o desenvolvimento de estudos e relatórios sobre o impacto ambiental que a instalação dessa empresa, indústria ou loteamento pode ocasionar na área de sua implantação. Esse estudo deve ser apresentado aos órgãos competentes, comprovando a viabilidade ambiental do empreendimento. O zoneamento ambiental servirá como parâmetro para o zoneamento urbano. É por meio desse zoneamento que as cidades devem delimitar quais áreas podem e quais não podem receber indústrias ou moradias, por exemplo, e para onde o perímetro urbano da cidade pode crescer sem fragilizar o meio ambiente. As legislações ambientais devem delimitar o maior dano que uma atividade pode causar. São essas legislações que devem impor parâmetros para medir a pureza do ar ou da água e a fragilidade ambiental de uma zona, estabele- cendo se esta suporta ou não uma alta densidade populacional, por exemplo. Legislações ambientais específicas66 Algumas indústrias podem produzir uma quantidade absurda de poluentes, os quais devem ser tratados antes de entrar em contato com o meio ambiente. Mesmo com toda a documentação adequada e com comprovação de que o empreendimento não irá afetar a área de implantação, sempre existe a pos- sibilidade de um acidente que resulte em um dano ambiental. É claro que danos ambientais são investigados e julgados. Caso não sejam encontradas atitudes irregulares que tenham culminado no acidente, não é pos- sível culpar alguém pelo dano ambiental causado. Porém, independentemente de o dano ser considerado culposo ou não, é necessário haver um responsável civil ambiental. Portanto, a empresa causadora deverá se responsabilizar pelo dano e reparo, mesmo que não seja considerada culpada. As formas de reparação do dano causado podem ser in natura (que se trata de uma reposição), uma indenização financeira ou uma compensação. Quando falamos sobre o sistema ambiental, é difícil mensurar formas de reposição e indenização. Como repor uma árvore centenária ou uma espécie que foi extinta, por exemplo, ou como podemos estabelecer o valor do ar puro e da água potável? Por isso, o mais comum nesses casos é a compensação, na qual as empresas podem contribuir com a manutenção ou preservação de parques ecológicos, desenvolver projetos de educação ambiental, entre outras ações. A Figura 5 retrata a Barragem de Fundão, em Mariana, um dos últimos desastres ambientas que ocorreram no Brasil, que pode ser considerado um dos piores e com mais impactos ambientais na história do País. Figura 5. Barragem de Fundão. Fonte: Gustavo Basso/Shutterstock.com. 67Legislações ambientais específicas Acessando o link ou o código a seguir, você pode assistir ao vídeo Os segredos da lama – documentário Mariana e aprender mais sobre o desastre ambiental na Barragem de Fundão, em Minas Gerais. https://goo.gl/nffpVh O rompimento da Barragem de Fundão lançou no ecossistema da cidade de Mariana e da região uma grande quantidade de rejeitos de mineração. O rejeito de mineração é composto, nesse caso, de lama, água e óxido de ferro. Essa mistura, atingindo o solo, cria uma cobertura que levará anos para secar, o que impossibilita a execução de novas construções, impedindo também o desenvolvimento de vegetação, já que o rejeito é deficiente em matéria orgânica e muda o pH do solo por onde passa, tornando esse solo infértil. Além do impacto no solo, o impacto hídrico também foi muito comentado, já que o rejeito atingiu rios, destruiu mata ciliar, soterrou nascentes e alterou cursos d’água. A poluição com o rejeito matou os peixes e as algas, atingiu rios e seus afluentes até chegar ao oceano, afetando a vida marinha. Esse é um exemplo emblemático de como o impacto ambiental pode afetar nossas vidas e a economia de uma região. O rompimento da Barragem de Fundão hoje impossibilita a moradia pelos riscos à saúde, que ainda não podem ser calculados, e impede o plantio e a pesca, já que os rios e o solo estão poluídos, tudo devido a apenas um desastre ambiental. Legislações ambientais específicas68 1. Segundo a Constituição Federal, quem tem o dever de criar leis que sirvam para o controle e a fiscalização de todos os problemas causados ao meio ambiente? a) Municípios. b) Conselho Municipal do Meio Ambiente. c) Poder Legislativo Municipal. d) Exclusivamente a União. e) União e os Estados. 2. Qual a função do Conselho Municipal do Meio Ambiente?a) Trabalhar em conjunto com a população, o poder público, os setores empresariais e os políticos, buscando crescimento e desenvolvimento econômico sustentável, que desenvolva soluções para o uso dos recursos naturais e para recuperação dos danos ambientais já existentes. b) Criar leis que busquem a preservação do meio ambiente. c) Aprovar alterações ambientais no plano diretor, na lei de uso e ocupação solo e no código de obras. d) Fiscalizar alterações ambientais do município. e) Receber as denúncias, sobre atentados ambientais, é sua única função. 3. Em que ano os temas ambientais foram inseridos no ensino e na ciência no Brasil? a) Em 1990. b) Durante a ECO-92. c) Na década de 1970. d) Em 1988. e) Durante a ECO-92 na década de 1970. 4. Qual o artigo da Constituição Federal afirma que todos têm o direito de usufruir de um meio ambiente ecologicamente equilibrado? a) Art. 30. b) Art. 225. c) Art. 227. d) Art. 23. e) Art. 196. 5. Quais as formas de reparo para um dano ambiental comprovado, independentemente se o responsável civil for considerado culpado ou não? a) Reposição, indenização financeira ou compensação. b) Reposição e compensação. c) Trabalhos de conscientização ambiental. d) Somente indenização financeira. e) Indenização financeira e compensação. 69Legislações ambientais específicas BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providên- cias. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6938.htm>. Acesso em: 24 nov. 2017. HARADA, C. Os segredos da lama: documentário Mariana. 2016. Disponível em: <https:// www.youtube.com/watch?v=LveHtdeWS1Q >. Acesso em: 24 nov. 2017. PENA, R. F. A. Usina de Belo Monte. [201-?]. Disponível em: <http://mundoeducacao. bol.uol.com.br/geografia/usina-belo-monte.htm>. Acesso em: 24 nov. 2017. Leituras recomendadas BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Conselho Municipal de Meio Ambiente. Conselho Municipal de Meio Ambiente – CMMA O que é? [200-?]. Disponível em: <http://www. mma.gov.br/port/conama/conselhos/conselhos.cfm>. Acesso 14 set. 2017. CICLO ASSESSORIA E SERVIÇOS. Importância da legislação ambiental. 2010. Disponível em: <http://cicloambiental.net/site/postagem-nova/>. Acesso em: 24 nov. 2017. ELETRONUCLEAR. Legislação ambiental. [200-?]. Disponível em: <Mhttp://www.ele- tronuclear.gov.br/hotsites/eia/v01_05_legislacao.html>. Acesso em: 24 nov. 2017. RUSCHEL, C. V. Prevenção e reparação de danos ambientais. 2012. Disponível em: <https:// www.youtube.com/watch?v=CgoXJBC8-6k>. Acesso em: 24 nov. 2017. RUSCHEINSKY, A. (Org.). Educação ambiental: abordagens múltiplas. 2. ed. Porto Alegre: Penso, 2012. SANTOS, V. S. dos. Acidente em Mariana (MG) e seus impactos ambientais. [2016]. Dis- ponível em: <http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biologia/acidente-mariana- -mg-seus-impactos-ambientais.htm>. Acesso em: 24 nov. 2017. TRATREZ. Legislação ambiental. 2009. Disponível em: <https://pt.slideshare.net/tratrez/ legislao-ambiental>. Acesso em: 24 nov. 2017. Legislações ambientais específicas70 Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Acompanhe e compreenda, na Dica do professor, as legislações ambientais específicas, como surgiu a preocupação com o meio ambiente, quais as suas finalidades e como protegem o meio ambiente. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Segundo a Constituição federal, quem tem o dever de criar leis que sirvam para o controle e a fiscalização de todos os problemas causados ao meio ambiente? A) Os municípios. B) O Conselho municipal do meio ambiente. C) O Poder Legislativo Municipal. D) É exclusivamente a União. E) A União e os Estados. 2) Qual é a função do Conselho Municipal do Meio Ambiente? A) Trabalhar em conjunto com a população, o poder público, os setores empresariais e os políticos, buscando um crescimento e um desenvolvimento econômico sustentável, que desenvolva soluções para o uso dos recursos naturais, e para recuperar os danos ambientais já existentes. B) Criar leis que visem à preservação do meio ambiente. C) Aprovar alterações ambientais no Plano Diretor, Lei de uso e ocupação solo e código de obras. D) Fiscalizar alterações ambientais do município. E) O Conselho Municipal do Meio Ambiente tem como sua única função receber as denúncias sobre atentados ambientais. 3) Em relação às áreas de preservação permanente “APPs”, assinale a opção correta: A) São áreas protegidas, previstas no chamado novo Código Florestal, cobertas ou não por vegetação nativa, cuja função ambiental inclui a preservação dos recursos hídricos e da paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade e a proteção do solo. B) São unidades de conservação criadas segundo tipologia prevista no novo Código Florestal que se diferenciam da reserva legal pela restrição total da supressão e do manejo de vegetação. C) São áreas localizadas por ato administrativo em grandes propriedades, para cumprimento da função socioambiental, que, na região sudeste, deve corresponder no mínimo a 20% (vinte por cento) da área total do imóvel. D) São unidades de conservação de proteção integral, criadas pelo novo Código Florestal, incluindo topos de morro, faixas marginais de rios e áreas de restingas. E) São áreas previstas no novo Código Florestal cuja vegetação só pode ser alterada nos casos de utilidade pública relevante. Qual é o artigo da Constituição federal que afirma que todos têm direito de usufruir 4) de um meio ambiente ecologicamente equilibrado? A) Art. 30. B) Art. 225. C) Art. 227. D) Art. 23. E) Art. 196. 5) Quais são as formas de reparo para um dano ambiental comprovado, indiferente se o responsável civil for considerado culpado ou não? A) Reposição, indenização financeira ou compensação. B) Reposição e compensação. C) Trabalhos de conscientização ambiental. D) Somente indenização financeira. E) Indenização financeira e compensação. NA PRÁTICA A construção civil, no Brasil, passou por um momento de superaquecimento nos últimos anos, tendo uma queda ocasionada pelo cenário econômico atual. Com esse aquecimento, os resíduos de construção aumentaram na mesma proporção. Esses resíduos variam desde madeiras de caixarias e formas de vigas, pilares e lajes, até tijolos quebrados e latas de tintas. Assim, ao falarmos em legislação ambiental, aliada ao crescimento sustentável e ao destino correto de resíduos e sua a separação, vimos que há muitas formas de reaproveitar esses materiais. Portanto, o profissional de arquitetura que é consciente de sua responsabilidade, que não foca somente na qualidade do projeto, mas também como se conduz a construção, deve-se preocupar com os rejeitos resultantes e seu impacto no ambiente. Para a redução tanto dos resíduos quanto a extração de matéria-prima para a produção de materiais destinados à construção civil, o aproveitamento pode e deve ocorrer! Veja quais são os materiais e de que forma podem ser aproveitados. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: As sete principais leis ambientais brasileiras Para se compreender melhor o tema, é necessário uma leitura sobre aquelas que são consideradas as principais leis sobre meio ambiente no Brasil. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! As 17 leis ambientais do Brasil Essas leis tornam a legislação brasileira uma das mais completas existentes, sendo seu principal objtetivo a preservação do patrimônio ambiental.Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Os Segredos da Lama O documentário Os Segredos da Lama relata o desastre ambiental ocorrido em decorrência do rompimento da barragem de Fundão em Mariana/MG. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Direito e Legislação Ambiental APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem você vai identificar as principais legislações que versam sobre a questão ambiental e refletir sobre a importância da implementação dessas leis para o planejamento ambiental. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Analisar as principais leis ambientais em vigor no país.• Discutir sobre a importância da aplicação da legislação para o planejamento ambiental.• Reconhecer os princípios nos quais se baseiam nossa legislação ambiental.• DESAFIO A Política Nacional do Meio Ambiente foi instituída pela Lei n. 6.938 (BRASIL, 1981), tendo por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no país, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana. Com base no exposto, elenque os princípios da Politica Nacional de Meio Ambiente e os relacione com os instrumentos da referida lei. INFOGRÁFICO A implementação de princípios legais promove a melhoria da qualidade ambiental. Acompanhe no infográfico os princípios que regem a legislação ambiental. CONTEÚDO DO LIVRO A implementação da Política nacional de meio ambiente é realizada por meio de seus instrumentos. Para conhecer mais sobre os instrumentos, leia o capítulo Direito e Legislação Ambiental, da obra Gestão de recursos ambientais. Boa leitura. GESTÃO DE RECURSOS AMBIENTAIS Roger Santos Camargo Direito e legislação ambiental Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Analisar as principais leis ambientais em vigor no país. � Discutir sobre a importância da aplicação da legislação para o pla- nejamento ambiental. � Reconhecer os princípios nos quais se baseiam nossa legislação ambiental. Introdução A legislação ambiental foi concebida ao longo das necessidades huma- nas mais aparentes e das prioridades econômicas, principalmente no Brasil. Nas últimas décadas, com muitos impactos ambientais sentidos pela sociedade, leis completas e com foco no interesse da coletividade ganharam força e peso. Neste capítulo, você será apresentado às principais leis ambientais, à sua relevância e aos princípios jurídicos nas quais foram embasadas. É esperado que, após a leitura do material, você entenda a grande res- ponsabilidade que é realizar a gestão dos recursos naturais, tendo em vista a legislação e a sustentabilidade, mas que, com certeza, é meritosa. Principais leis ambientais e sua relevância O Brasil possui uma forte legislação ambiental, considerada uma das mais completas e complexas do mundo. O Direito Ambiental é uma especialização de fundo teórico, área que tem crescido gradativamente, mas todos os profis- sionais que lidam com questões ambientais precisam conhecer as principais leis da área. As regulamentações sobre o meio ambiente estão disponíveis e podem ser consultadas na Internet, pois seria maçante e improdutivo todas serem abordadas neste capítulo. A melhor forma de estudo da legislação ambiental é consultar o próprio documento on-line, visto que é atualizado com frequência. O país nasceu com uma legislação vinda de Portugal. No Quadro 1 você confere a cronologia do direito ambiental brasileiro. Legislação Ano de origem Pontos principais Ordenações Afonsinas 1446 Proibiu o corte de árvores frutíferas Ordenações Manuelinas 1521 Acrescentou, na legislação, a proibição de caça que cause sofrimento a lebres, coelhos e perdizes Carta Régia 1541 Proibiu o desperdício de Pau- brasil e regulamenta o corte Ordenações Filipinas 1603 Adicionou, à legislação, pena para quem jogar materiais para matar peixes Regimento sobre o Pau-brasil 1605 Estabeleceu pena de morte para quem cortasse o Pau-brasil sem autorização da Coroa Código Criminal do Império 1830 Penas de multa e prisão para corte ilegal de árvores Código Penal de 1890 1890 Multa para o responsável por incêndio em áreas verdes Quadro 1. Histórico das primeiras legislações brasileiras. Como você pode notar, a evolução da legislação foi lenta e atrelada, muitas vezes, aos interesses de Portugal, que via o Brasil apenas como fonte de riquezas para exploração. Esse modo de crescimento afetou a natureza nacional e ainda é presente no país. Com o Brasil independente e republicano, inúmeras leis surgiram e alteraram, de forma definitiva, a relação da sociedade com o meio ambiente. A seguir, serão apresentadas importantes leis vigentes que poderão ser consultadas, na íntegra, no site do Senado Brasileiro. Direito e legislação ambiental122 Constituição Federal de 1988 A Constituição de 1988 foi um marco ambiental para o Brasil por considerar que o ecossistema equilibrado é direito de todos. Grandes desastres ambien- tais sem precedentes, como o de Chernobyl (1979), o da indústria química Seveso (1976) e os graves problemas de saúde causados pelos poluentes em Cubatão (SP), impulsionaram a consolidação de regulamentação federal para o monitoramento dos impactos ambientais. Entre os artigos que foram inovadores, destaca-se o Art. 225º. Confira alguns trechos (BRASIL, 1988): Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. § 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao poder público: I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fis- calizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981 Essa lei estabeleceu a Política Nacional do Meio Ambiente, considerada a mais relevante das leis ambientais. Criou e implementou os Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), documentos necessários para analisar e aprovar a instalação de um empreendimento. Também definiu, conceitualmente, vários termos e a obrigatoriedade da edu- cação ambiental em todos os níveis. Analise os incisos do Art. 2º a seguir, que descrevem os princípios da Política Nacional do Meio Ambiente: I - ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando o meio ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo; II - racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar; Ill - planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais; IV - proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas representativas; V - controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras; VI - incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional e a proteção dos recursos ambientais; 123Direito e legislação ambiental VII - acompanhamento do estado da qualidade ambiental; VIII - recuperação de áreas degradadas (Regulamento); IX - proteção de áreas ameaçadas de degradação; X - educação ambiental a todos os níveis de ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente (BRASIL, 1981). Você sabe dizer qual a diferença entre EIA e RIMA? Para empreendimentos que se utilizarão de recursos naturais, os dois relatórios são necessários para liberação. O EIA mostrará os dados da área e os estudos dos impactos ao ambiente que foram pesquisados pelos especialistas, bem comoas ações para reduzir o prejuízo. O RIMA trará as conclusões sobre o EIA apresentado e pode ser aceito ou indeferido, sendo de domínio público. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 É conhecida como a Lei de Crimes Ambientais ou Lei da Vida. A lei tipifica os crimes ambientais e as respectivas penas atribuídas. Muitas vezes classificada por determinados peritos como contraditória, é a referência para identificar e punir o delito ambiental. A lei é bastante discutida e há projetos no Senado para alterações referentes às punições. Examine os trechos do Art. 29º: Art. 29. Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida: Pena - detenção de seis meses a um ano, e multa. § 1º Incorre nas mesmas penas: I - quem impede a procriação da fauna, sem licença, autorização ou em de- sacordo com a obtida; II - quem modifica, danifica ou destrói ninho, abrigo ou criadouro natural. § 2º No caso de guarda doméstica de espécie silvestre não considerada ame- açada de extinção, pode o juiz, considerando as circunstâncias, deixar de aplicar a pena. § 3° São espécimes da fauna silvestre todos aqueles pertencentes às espécies nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que tenham Direito e legislação ambiental124 todo ou parte de seu ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites do território brasileiro, ou águas jurisdicionais brasileiras. § 4º A pena é aumentada de metade, se o crime é praticado: I - contra espécie rara ou considerada ameaçada de extinção, ainda que so- mente no local da infração; II - em período proibido à caça. § 5º A pena é aumentada até o triplo, se o crime decorre do exercício de caça profissional (BRASIL, 1998). Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Conhecido como Código Florestal, regulamenta todas as medidas de proteção que envolvem as áreas com cobertura vegetal ou que foram devastadas. A lei define os parâmetros de classificação dos locais protegidos e os níveis de exploração permitidos e também caracteriza as contravenções penais. O Código Florestal teve sua última alteração no ano de 2012, com muitas polêmicas. Muitos ambientalistas acreditam que houve retrocesso sob alguns aspectos, como no Art. 67º: Nos imóveis rurais que detinham, em 22 de julho de 2008, área de até 4 (quatro) módulos fiscais e que possuam remanescente de vegetação nativa em percentuais inferiores ao previsto no art. 12, a Reserva Legal será constituída com a área ocupada com a vegetação nativa existente em 22 de julho de 2008, vedadas novas conversões para uso alternativo do solo (BRASIL, 2012). Coincidentemente ou não, o Brasil aumentou o desmatamento nos anos posteriores ao novo Código Florestal. O Código Florestal é um instrumento de conhecimento e também de análise crítica para os profissionais preocupados com a gestão ambiental. Ler o Código Florestal, bem como tentar compreender por que alguns artigos foram intensamente debatidos e outros vetados pela então Presidenta Dilma Rousseff, é acompanhar o jogo de interesses envolvidos na preservação dos habitats. Para ajudá-lo a entender a dimensão dessa lei e as futuras consequências, você pode ler o artigo Reflexos do novo Código Florestal nas Áreas de Preservação Permanente – APPs – urbanas (AZEVEDO; OLIVEIRA, 2014), no link: https://goo.gl/FsBVBL 125Direito e legislação ambiental Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007 A Lei do Saneamento define os direitos da população e outras diretrizes referentes ao saneamento básico. Como saneamento básico, a lei entende o acesso ao abastecimento de água potável, o acesso à rede de esgoto, a limpeza urbana e o adequado destino dos resíduos sólidos e também a drenagem das águas pluviais do município. Leia um trecho do Art. 12º: Nos serviços públicos de saneamento básico em que mais de um prestador execute atividade interdependente com outra, a relação entre elas deverá ser regulada por contrato e haverá entidade única encarregada das funções de regulação e de fiscalização. § 1o A entidade de regulação definirá, pelo menos: I - as normas técnicas relativas à qualidade, quantidade e regularidade dos serviços prestados aos usuários e entre os diferentes prestadores envolvidos; II - as normas econômicas e financeiras relativas às tarifas, aos subsídios e aos pagamentos por serviços prestados aos usuários e entre os diferentes prestadores envolvidos; III - a garantia de pagamento de serviços prestados entre os diferentes pres- tadores dos serviços; IV - os mecanismos de pagamento de diferenças relativas a inadimplemento dos usuários, perdas comerciais e físicas e outros créditos devidos, quando for o caso; V - o sistema contábil específico para os prestadores que atuem em mais de um Município (BRASIL, 2007). O direito do cidadão ao saneamento, conforme lido no Art. 12º, não ne- cessita ser realizado por um serviço público, ou seja, é de responsabilidade do governo municipal ou de um consórcio entre as cidades, que pode terceirizar o serviço, desde que mantenha o controle sobre o serviço ofertado e fiscalize. Juntamente com a Lei do Saneamento, outra lei imprescindível e relacionada com a água é a Política dos Recursos Hídricos, sancionada pela Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997. A política esclarece pontos importantes para a gestão dos recursos hídricos, tais como a classificação dos corpos de água e os aspectos de direito e cobrança no uso do recurso hídrico. Para saber mais, acesse o link: https://goo.gl/0q4Ou Direito e legislação ambiental126 Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010 A Política Nacional dos Resíduos Sólidos reúne diretrizes, objetivos, metas e ações para o manejo e a gestão adequada desse tipo de resíduo, tanto para os poderes públicos, como para os empreendimentos particulares. A intenção é cobrar de todos os setores o planejamento responsável dos resíduos sólidos. Um dos grandes avanços da lei é o fomento da logística reversa e a responsa- bilidade compartilhada. No Art. 3º temos o entendimento dessas estratégias: XII - logística reversa: instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada. XVII - responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos: conjun- to de atribuições individualizadas e encadeadas dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, para minimizar o volume de resíduos sólidos e rejeitos gerados, bem como para reduzir os impactos causados à saúde humana e à qualidade ambiental decorrentes do ciclo de vida dos produtos, nos termos desta Lei (BRASIL, 2010). Importância das leis para o planejamento ambiental Regras sociais ou na Constituição asseguram que o modo de vida da maior parte da sociedade seja viável. As leis foram criadas para que todos possam se beneficiar com a convivência em conjunto, mas sem que haja prejuízo a alguém por isso. E claro, se há algum dano, as consequências podem ser grandes e o responsável sofrer penalizações. As mudanças do estilo de vida, da mentalidade e, por conseguinte, de maior consciência ambiental formaram e ainda fazem mudar a legislação do meio ambiente. Com muitos impactos ambientais irreversíveis, como a extinção da arara azul pequena (Anodorhynchus glaucus), o planejamento ambiental é de in- teresse coletivo, além de auxiliar o empreendimento a seguir a legislação pertinente. Mas você sabe o que é planejamento ambiental? 127Direito e legislação ambiental Integrante da gestão ambiental, o planejamento ambiental busca,por meio de estratégias e métodos, a forma mais sustentável de utilizar recursos naturais. O foco é a proteção e o respeito à natureza. O país não é reconhecido por es- pecialistas da área ambiental como sendo de grande atuação no planejamento ambiental. Tal fato revela que há muito a ser feito, estudado e implementado e que o domínio da legislação ambiental é uma ferramenta imprescindível para tal. O planejamento ambiental, aliado às leis, deve sempre buscar: � Evitar problemas socioambientais. � Mitigar ao máximo os impactos socioambientais. � Priorizar o crescimento das vantagens socioambientais. � Traçar metas ambientais ambiciosas. Agora que você compreendeu a magnitude do estudo da robusta legislação ambiental brasileira, serão mostrados os pormenores de cada lei quanto à sua aplicação no planejamento ambiental e na busca pela sustentabilidade. Importância do Art. 225º O Art. 225º relacionou a qualidade de vida ao aspecto ambiental e garantiu, por lei, que todos têm o direito de usufruir de um meio ambiente saudável (BRASIL, 1988). Ainda, é interessante notar a responsabilidade assumida pelo poder público com a pesquisa, o patrimônio genético e com a proteção e a criação dos habitats naturais. Você pode perceber também que há preocupação com as necessidades das próximas gerações, o que implica em todos terem papéis atuantes na preservação do meio ambiente. Importância da Lei nº 6.938/81 Esta determinou os tipos de documentos necessários para as organizações estarem em dia com a legislação ambiental e os valores dos serviços prestados, como vistorias, licenças e autorizações. A Lei nº 6.938/81 também delimitou o papel do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) como órgão que estabelece as normas e os critérios para as licenças ambientais, item obriga- tório desde a promulgação da lei. Outros trâmites burocráticos referentes aos licenciamentos também foram descritos na legislação. Direito e legislação ambiental128 Importância da Lei de Crimes Ambientais A lei estipula não só o crime, mas as circunstâncias que podem pesar para o aumento da pena, bem como para a redução ou a anulação. Outros pontos relevantes são a criminalização da pessoa jurídica e as penas de sanções restritivas de direito, como prestação de serviços comunitários, suspensão total ou parcial da atividade, perda de licenças e outras. Na Figura 1, temos um exemplo de crime ambiental. Figura 1. O crime para caça e/ou reclusão de animais silvestres, sem permissão, é de reclusão de até 1 ano e multa. Fonte: icosha/Shutterstock.com. Importância do Código Florestal A lei reforçou a responsabilidade do Brasil com a preservação da sua riqueza florestal, sua biodiversidade e seu ecossistema. Além disso, incluiu a partici- pação e o compromisso ambiental de grandes e pequenos ruralistas e colocou o poder público, independentemente do nível, em conjunto com a sociedade, como protagonistas para conservar a vegetação nativa. 129Direito e legislação ambiental Importância da Lei do Saneamento A Lei do Saneamento legitima o acesso universal à água como direito, for- nece proteção ao meio ambiente por meio da preservação das fontes de água, possibilita a articulação política para a aquisição do saneamento das cidades, o controle social e o incentivo à sustentabilidade. O saneamento básico ainda não é realidade em boa parte do Brasil, por isso, a cobrança da aplicação da lei é um direito da população. Importância da Política de Resíduos Sólidos Essa política possibilitou um acordo entre as esferas públicas e os empre- endimentos para que houvesse destinação sustentável dos resíduos, vetou a continuidade dos aterros a céu aberto (os famosos lixões), estabeleceu a logística reversa como estratégia ambiental na legislação e incluiu os catadores de lixo cooperativados como protagonistas no processo. Apesar disso, mesmo com a lei, os “lixões” não deixaram de existir. Infe- lizmente, mais da metade das cidades brasileiras não cumprem a legislação, o que deixa claro o quanto ainda se tem para planejar sobre os resíduos. Princípios ambientais da legislação Os princípios ambientais são significativos, não apenas na área jurídica, mas para o gestor ambiental estar ciente das regras e das interpretações da legislação. Com base nos princípios, é possível analisar a maneira como a preservação da natureza acontece e é entendida pela sociedade. O número de princípios varia conforme o autor, portanto, aqui, serão destacados os mais prevalentes. Princípio da dignidade do ser humano Tendo os homens como foco principal quando se pensa no desenvolvimento sustentável, o meio ambiente equilibrado é prioridade para que os indivíduos possam gozar de saúde, qualidade de vida e bem-estar social. Não só as so- Direito e legislação ambiental130 ciedades se organizaram de forma dependente dos recursos naturais para seu desenvolvimento, como elas também necessitam da natureza saudável para atingir o mínimo de dignidade humana. Princípio do desenvolvimento sustentável A única maneira de desenvolver a sociedade de forma sustentável é com a aplicação de tecnologias pensadas para tal e com a diminuição dos problemas sociais. Há relação estreita entre danos ambientais e pobreza, pois, em geral, a questão ambiental em regiões carentes acaba por não ser prioridade. Por isso, para que haja manutenção e para que o incentivo ao meio ambiente seja respeitado, o desenvolvimento sustentável precisa fazer parte da agenda das lideranças governamentais e dos demais setores. Princípio da precaução Todas as atividades que envolvem o meio ambiente deixam impactos, sejam eles positivos ou negativos. Estabelecer os riscos da intervenção e avaliar os prejuízos e o planejamento para contenção é uma questão ética. Na dúvida de possíveis danos e restrições, até mesmo o impedimento da ação acaba por ser o mais seguro. De maneira sucinta, o princípio rege a cautela para qualquer atividade no meio ambiente. Princípio da responsabilidade Concomitante ao Art. 225º da Constituição, o princípio da responsabilidade preconiza que os causadores de prejuízos ambientais sofrerão as devidas penas (BRASIL, 1988). Estas podem ser sanções penais, cíveis ou administrativas. Tanto os custos da reparação ou da compensação também são arcados pelos culpados, que podem ser pessoas físicas ou jurídicas, e até mesmo o erro de prevenção ou de precaução são cabíveis de penalização. A Figura 2 representa um caso hipotético que envolve a disposição de rejeitos de forma inadequada. 131Direito e legislação ambiental Figura 2. Apesar de serem proibidos por lei, os “lixões” ainda são comuns no Brasil. Fonte: kaband/Shutterstock.com. Imagine que houve uma denúncia, por parte de uma ONG (Organização Não Gover- namental) ambiental, relatando que uma fábrica de calçados de determinada cidade está despejando os resíduos da produção de maneira irregular no antigo “lixão”. A autoridade ambiental verificou o aterro e identificou uma grande quantidade de couros, panos, sapatos e plástico, inclusive com a marca do empreendimento estampado, o que não deixou mais dúvidas. A indústria, em consonância com o Princípio da Responsabilidade e a Política Nacional dos Resíduos Sólidos, recebeu a seguinte pena: incinerar os produtos tóxicos, proibição da produção até apresentar o plano de destino dos resíduos e multa. Direito e legislação ambiental132 Princípio do poluidor pagador O princípio é entendido como a contribuição da instituição por utilizar os recursos naturais, que são considerados como bens comuns. Dessa forma, o estabelecimento deve contabilizar todos os custos necessários para evitar desperdício e manter a sustentabilidade em pauta, além de tomar todas as devidas providências para não causar maiores impactos ambientais. O custo é entendido como uma forma da organização não se apropriar ao seu bel-prazer dos recursos da natureza. Princípio do equilíbrio Antes de implementar uma ação sobreo meio ambiente, o responsável precisa contrabalancear todos os prós e os contras. Caso a iniciativa pese negativamente para o meio ambiente, há desequilíbrio e necessidade de adaptação. Todas as possíveis consequências da operação devem ser rastreadas e a escolha da continuidade da intervenção decidida pelos benefícios que trará, sob os aspectos econômicos, ambientais e sociais. Princípio da prevenção O princípio indica que os riscos e os danos ambientais de conhecimento notório devem ser devidamente prevenidos. Com base em prejuízos consolidados na literatura científica ou os apontados pelo Estudo de Impacto Ambiental, estes necessitam ser estudados e trabalhados com cautela para que as lesões ao meio ambiente sejam prevenidas. 133Direito e legislação ambiental AZAVEDO, R. E. S.; OLIVEIRA, V. P. V. Reflexos do novo Código Florestal nas áreas de preservação permanente – APPs – urbanas. Desenvolvimento e Meio Ambiente, v. 29, p. 71-91, abr. 2014. Disponível em: <http://revistas.ufpr.br/made/article/ viewFile/32381/22438>. Acesso em: 22 fev. 2018. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Presidência da República, 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ constituicao.htm>. Acesso em: 22 fev. 2018. 134Direito e legislação ambiental BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Brasília: Presidência da República, 1981. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6938.htm>. Acesso em: 09 fev. 2018. BRASIL. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Brasília: Presidência da República, 1998. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/CCivil_03/leis/L9605.htm>. Acesso em: 09 fev. 2018. BRASIL. Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Brasília: Presidência da República, 2007. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11445. htm>. Acesso em: 09 fev. 2018. BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Brasília: Presidência da República, 2010. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305. htm>. Acesso em: 09 fev. 2018. BRASIL. Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012. Brasília: Presidência da República, 2012. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12651. htm>. Acesso em: 09 fev. 2018. Leituras Recomendadas ALVIM, M. Novo Código Florestal: cinco anos depois. O Globo, 04 jun. 2017. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/meio-ambiente/novo-codigo- -florestal-cinco-anos-depois-21432468>. Acesso em: 09 fev. 2018. SILVA, F. L. P.; FELÍCIA, M. J. Os princípios gerais do direito ambiental. Colloquium Socialis, Presidente Prudente, v. 1, n. esp., p. 632-640, jan./abr. 2017. Disponível em: <http://www.unoeste.br/site/enepe/2016/suplementos/area/Socialis/Direito/OS%20 PRINC%C3%8DPIOS%20GERAIS%20DO%20DIREITO%20AMBIENTAL.pdf>. Acesso em: 09 fev. 2018. SILVA, G. C. L. Os princípios do direito ambiental. [S.l.]: E-Gov, 2012. Disponível em: <http:// www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/os-princ%C3%ADpios-do-direito-ambiental>. Acesso em: 09 fev. 2018. e legislação ambiental135 Direito DICA DO PROFESSOR Os princípios do direito ambiental é que fundamentam a nossa legislação. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Assinale a opção INCORRETA com relação aos princípios do direito ambiental. A) O Princípio da Precaução estabelece a vedação de intervenções no meio ambiente, exceto se houver a certeza de que as alterações não causaram reações adversas. B) O Princípio do Poluidor-pagador estabelece que as pessoas físicas ou jurídicas devem pagar os custos das medidas que sejam necessárias para eliminar ou reduzir a contaminação ao limite fixado pelos padrões ou medidas equivalentes que assegurem a qualidade de vida. C) O Princípio da Prevenção se aplica aos casos em que os impactos ambientais já são conhecidos, restando certo a obrigatoriedade do licenciamento ambiental e do Estudo de Impacto Ambiental (EIA). D) O Princípio do Equilíbrio é aquele no qual devem ser pesadas todas as implicações de uma intervenção no meio ambiente, buscando-se adotar a solução que melhor concilie um resultado globalmente positivo. E) Pelo Princípio da Responsabilidade, fica definido que o poluidor, pessoa física ou jurídica, responde por suas ações ou omissões em prejuízo do meio ambiente, ficando sujeito a pagamento de multa. A Política Nacional do Meio Ambiente é um conjunto de instrumentos legais, 2) científicos, técnicos, políticos e econômicos destinados à promoção do desenvolvimento sustentável. Todos os princípios abaixo estão relacionados com a Política nacional do meio ambiente, EXCETO: A) Estabelecimento de critérios e padrões de qualidade ambiental e de normas relativas ao uso e manejo de recursos ambientais. B) Recuperação de áreas degradadas e proteção de áreas ameaçadas de degradação. C) Racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar. D) Planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais. E) Controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras. 3) De acordo com a Política Nacional de Saneamento Básico, estabelecida pela lei n°11.445 (BRASIL, 2007), assinale a alternativa que corresponde ao disposto nessa lei. A) Fica definido que os planos de saneamento deverão identificar as possibilidades de implantação de soluções consorciadas ou compartilhadas com outros municípios. B) Os serviços de limpeza pública são de competência municipal e não podem ser delegados ou dados em concessão. C) Nos serviços públicos de saneamento básico em que mais de um prestador execute atividade interdependente com outra, a relação entre elas deverá ser regulada por contrato e haverá entidade única encarregada das funções de regulação e de fiscalização. O serviço público de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos urbanos é composto pelos serviços de varrição, capina e poda de árvores em vias e logradouros públicos e D) outros eventuais serviços pertinentes à limpeza pública urbana. E) O abastecimento de água, o esgotamento sanitário, a limpeza urbana, o manejo dos resíduos sólidos e os recursos hídricos são integrantes dos serviços públicos de saneamento. 4) A Lei dos Crimes Ambientais (BRASIL, 1998) dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Nos crimes contra a fauna, em virtude de agravamento de atividade ou conduta, as penas poderão ser aumentadas em até o triplo se essas atividades: A) Forem contra espécie rara ou considerada ameaçada de extinção. B) Se o crime decorre do exercício de caça profissional. C) Forem realizadas em período noturno. D) Em período proibido à caça. E) Realizadas com abuso de licença. 5) Com relação à evolução da legislação ambiental brasileira, assinale a alternativa CORRETA. A) Atualmente, a legislação brasileira não possui norma específica de crimes ambientais. B) As Ordenações Manuelinas foram editadas em 1521 contendo dispositivos de caráter ambiental. No primeiro Código Criminal, datado de 1830, o corte ilegal de madeira não era C) caracterizado como crime. D) Os resíduos sólidos não têm legislação específica no Brasil. E) A legislação brasileira não possui norma específica de proteção ambiental. NA PRÁTICA Acompanhe quatro histórias que explicam exatamente de que forma pode originar-se um crime ambiental e conheça a lei que enquadra esses tipos de crimes. As quatro histórias exemplificam casos que se enquadram dentro da Lei de Crimes Ambientais n. 9.605/1998. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Os princípios do direito ambiental: uma alternativa na busca pelo desenvolvimento sustentável Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Instrumentos de políticas públicas e seus impactos para a sustentabilidadeConteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Via Justiça - Lei de Crimes ambientais Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Fiscalização ambiental Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Princípios da responsabilidade socioambiental APRESENTAÇÃO Para entender a responsabilidade socioambiental, é preciso conhecer como a sociedade e suas atividades diárias influenciam o meio ambiente, ou seja, no seu próprio meio. Nesta Unidade Aprendizagem, você vai conhecer os principais conceitos da responsabilidade social, seu papel e importância como conceito e prática norteadora de condutas mais sustentáveis. Você vai ver ações que irão orientar e auxiliar na redução de impactos negativos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar o conceito de responsabilidade socioambiental e relacioná-lo com os pilares do desenvolvimento sustentável e com as relações de consumo. • Verificar o conceito de capital natural relacionando-o com recursos naturais e impactos socioambientais. • Analisar nossa atual conjuntura de saúde e meio ambiente, apontando medidas e mecanismos para atingir condições de responsabilidade socioambiental. • DESAFIO Uma concessionária representante da montadora Toyota elabora um projeto com intenção de incorporar o conceito de melhoria contínua. Além disso, precisam se candidatar e fixar campo em um grande parque tecnológico, em que um dos requisitos é ter pelo menos 60% das suas unidades de produção certificadas. Dentro de diversos requisitos, essa unidade precisa passar por auditorias e conquistar certificação, assegurando-lhes qualidade nos processos, comprometimento e responsabilidade social e ambiental. Você, como consultor, iria propor que tipo de certificação? Como lhes orientaria? Quais seriam suas propostas e metas para atingir essa política? INFOGRÁFICO Nesse infográfico, você vai conhecer os principais conceitos sobre a responsabilidade socioambiental, seu papel e importância como conceito e práticas mais éticas e sustentáveis. CONTEÚDO DO LIVRO No capítulo Responsabilidade Socioambiental, da obra Responsabilidade Socioambiental, você vai conhecer os principais conceitos da responsabilidade social, seu papel e importância como conceito e prática norteadora de condutas mais sustentáveis. Você vai conhecer ainda as ações que irão orientar e auxiliar na redução de impactos negativos. Para entender a responsabilidade socioambiental, é preciso conhecer como a sociedade e suas atividades diárias influenciam o meio ambiente, ou seja, seu próprio meio. Boa leitura. RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL Thais Miranda Responsabilidade Socioambiental Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identifi car o conceito de responsabilidade socioambiental e relacioná- -lo com os pilares do desenvolvimento sustentável e relações de consumo. Verifi car o conceito de Capital Natural relacionando com recursos naturais e impactos socioambientais. Analisar a nossa atual conjuntura de saúde e meio ambiente, apon- tando medidas e mecanismos para atingir condições de responsa- bilidade socioambiental. Introdução Neste texto, você vai conhecer os principais conceitos da responsabilidade social, seu papel e sua importância como conceito e prática norteadora de condutas mais sustentáveis. Iremos ver ações que irão orientar e auxiliar na redução de impactos negativos. Para entender a responsabilidade socioambiental, é preciso conhecer como a sociedade e suas atividades diárias influenciam o meio ambiente, ou seja, no seu próprio meio. Responsabilidade socioambiental e os pilares do desenvolvimento sustentável A responsabilidade socioambiental é um termo atual, que fi cou muito eviden- ciado no âmbito empresarial, como uma forma de conciliar produtividade, qualidade, ética e bem estar social e ambiental. Voltando sua atenção para condições laborais mais salubres e justas, estendendo-se também para con- dições mais dignas às famílias dos trabalhadores e comunidade de entorno. É preciso considerar que problemas e adversidades locais/pontuais im- pactam e refletem de alguma forma e em algum momento no bem estar de todos. Para alguns autores pode representar um olhar, mecanicista e um tanto tendencioso a interesses corporativos de produção, mas de qualquer forma, é um ponto de partida, um movimento que se inicia de tempos onde “social e ambiental” estavam sempre dissociados entre eles e em segundo plano – sempre inferiores comparados à conjuntura produtiva e econômica. Para melhor compreender o conceito socioambiental é importante conhecer três aspectos conhecidos como, “pilares” da sustentabilidade. Além disso, esses aspectos podem ser as engrenagens mais lógicas e mo- trizes das interações humanas e da vida. De acordo com a imagem a seguir, podemos visualizar os três aspectos: Figura 1. Homem, dinheiro e natureza. Social EconômicoAmbiental Observando a imagem, você pode ver que esses aspectos (social, ambiental e econômico) são mecanismos que não funcionam de forma independente, eles são como um sistema de produção. As maquinas dependem de alguém que as opere, esse suposto operador precisa de ferramentas e materiais para operar, e dessa forma produzindo, então, um subproduto. A última etapa não existe sem as anteriores, e as estas não precisariam existir se não houvesse a última etapa. Responsabilidade socioambiental120 Os círculos azul e verde (social e econômico) são extremamente dependentes entre si e do círculo vermelho (ambiental). É possível notar três fatores: a economia não precisaria existir se não houvesse pessoas ou se não existissem produtos para trocar; a sociedade não existiria sem a economia (dinheiro, produtos e troca), muito menos sem a natureza (água, ar e alimento), e; ironicamente, a única esfera que coexiste independentemente das outras é a ambiental, pois esta não precisa de pessoas e nem de moeda para se manter. As relações de consumo e meio ambiente são claras, pois, a maioria dos produtos exige matéria–prima na produção, na qual provém de recursos na- turais (extraídos da natureza), portanto, quanto maior o consumo, maior são os danos causados ao ambiente de onde os retiramos. O aumento do nosso consumo causa não apenas impactos ambientais, mas também sociais, como poluição da água, ar e contaminações do solo. Na Figura 2, você pode ver o homem interagindo com o ambiente e causando impactos negativos. Figura 2. Prática de extração das castanheiras. Fonte: Século Diário (2014). É importante discutir causas e efeitos da problemática socioambiental. Pois estes estão vinculadas a distintas questões econômicas e geopolíticas, por exemplo, de quesitos que são cruciais a sobrevivência de espécies. Abraham Maslow foi um grande pesquisador que tentou entender a interação do ser humano com suas necessidades. Com isso em mente, ele dividiu as necessidades humanas em níveis hierárquicos, colocando como prioridade as 121Responsabilidade Socioambiental necessidades de baixo nível, e assim que estas fossem realizadas seguiria até chegar as de nível mais alto, visando à autorrealização. Esta hierarquia ficou conhecida por pirâmide de Maslow. Você pode ver a pirâmide de Maslow e suas hierarquias na Figura 3: Figura 3. Hierarquia das necessidades na pirâmide de Maslow. Autorrealização Estima Sociais Segurança Fisiológicas Teoria das necessidades Pirâmide de Maslow A pirâmide define um conjunto de cinco necessidades: Necessidades fisiológicas (básicas), tais como: a fome, a sede, sono abrigo, etc. Necessidades de segurança, tais como: sentir-se seguro em casa, ter emprego estável, ter condições de cuidar da saúde (plano de saúde), etc. Necessidades sociais ou de amor, afeto, afeição e sentimentos, tais como: pertencer a um grupo, fazer parte deum clube, etc. Necessidades de estima, as quais passam por dois caminhos: o reconhe- cimento da capacidade pessoal e o reconhecimento dos outros mediante a nossa capacidade de adequação às funções que desempenhamos. Necessidades de autorrealização, nas quais o indivíduo procura tornar-se aquilo que ele pode ser. Responsabilidade socioambiental122 Agora pare e reflita sobre a pirâmide de Maslow e sua relação com o capitalismo e com o consumo. Você notará que o ser humano sempre almeja mais em função do meio ao qual ele acessa. Quanto maior a satisfação de suas necessidades “básicas” (fisiológicas, de segurança e sociais), maior é a procura por novas necessidades, alimentadas pelo consumismo e pelo status. Logicamente, diante do sistema econômico vigente (capitalismo), o consumo é a base para a geração de renda, pois ele gera produção, a qual gera empregos. Estes, por sua vez, geram renda e, consequentemente, aumentam o consumo. Capital Natural Você sabe o que é capital natural? A expressão “Capital Natural” é utilizada para englobar todos os recursos naturais, como solo, água, ar, os serviços ecossistêmicos associados a eles e tudo o que torna possível a existência hu- mana. Muitas vezes, essas matérias-primas são vistas apenas como meios de produção e nem sempre é dado o devido valor sobre a possibilidade de serem fontes renováveis ou não. Esse uso rotineiro dos recursos naturais acaba sendo feito de forma insustentável. Compreender a importância desses recursos nos ajuda, também, a entender a base de nossa economia, ou seja, é no Capital Natural que estão os elementos que garantem a existência de vida na terra. A somatória de todos os benefícios que os ecossistemas equilibrados for- necem ao homem representa a ideia central de Capital Natural. Tais benefícios podem ser desde o uso de água potável, até conceitos ligados a valores culturais, por exemplo. A compreensão da importância do Capital Natural foi um dos pontos positivos resultantes da Rio +20. Veja na Figura 4, o infográfico com as principais abordagens vinculadas ao meio ambiente: 123Responsabilidade Socioambiental As atividades humanas produzem impactos no meio ambiente. Muitas vezes, achamos que esses impactos sempre são negativos e, realmente, estes são os mais preocupantes. Os impactos estão diretamente relacionados com o aumento crescente das áreas urbanas, multiplicação de veículos automoti- vos, uso irresponsável dos recursos, consumo exagerado de bens materiais, produção constante de lixo e o consumo de produtos e serviços. No entanto, também produzimos impactos positivos, como a recuperação de uma área degradada, a geração de emprego em um novo empreendimento, etc. Relembrando que, segundo a resolução Conama Nº001 de janeiro de 1986, o impacto ambiental é definido como [...] qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam a saúde, a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; e a qualidade dos recursos ambientais. Você pode perceberá, portanto, que não apenas as grandes empresas afetam o meio, nós, provocamos impactos ambientais diariamente. Na Figura 5, você pode ver dois exemplos de impactos ambientais. Figura 4. Abordagens vinculadas ao meio ambiente. Principais abordagens vinculadas ao meio ambiente Desenvolvimento sustentável Agenda 21 Capitalismo naturalEducação ambiental Responsabilidade socioambiental124 Positivo: manejo do solo – reconstituição de área degradada. Negativo: descartes de resíduos Figura 5. Aspectos positivos e negativos. Muitas empresas têm uma grande parcela de culpa em relação aos impactos negativos, por exemplo, emitem poluentes diretamente em corpos hídricos, impactam na qualidade da água e na possibilidade de ganhos que acontecem nas comunidades ribeirinhas. As construções de hidroelétricas são outro exemplo de grande impacto ao ambiente e as comunidades locais, pois propiciam alagamentos, que destroem ambientes e fauna e reduzem as possibilidades econômicas locais. Você pode analisar os impactos ambientais qualificando e quantificando estas alterações, avaliando a qualidade ambiental com e sem determinada ação ou empreendimento. 125Responsabilidade Socioambiental Você também pode ajudar a diminuir o impacto ambiental negativo. Veja a seguir algumas dicas: Economize água; Evite o consumo exagerado de energia; Separe os lixos orgânicos e recicláveis; Diminua o uso de automóveis; Consuma apenas o necessário e evite compras compulsivas; Utilize produtos ecológicos e biodegradáveis; Não jogue lixos nas ruas; Não jogue fora objetos e roupas que não usa mais. Opte por fazer doações. Relações existentes entre saúde e meio ambiente É preciso ampliar as discussões entre saúde pública e ambiente. Somos seres consideravelmente vulneráveis, logo “bem estar e saúde” são pautas delicadas e que tem relações diversas com diferentes áreas, visto que, em países que ainda estão em desenvolvimento, um dos grandes problemas da área da saúde é relacionado às condições de saneamento – oferta de água, solo, alimentos em quantidades e qualidades signifi cativas e assistência médica, sempre foram alguns dos obstáculos quando tratado desse assunto, assim como condições e serviços disponíveis ao alcance de todos. Saúde e meio ambiente são um conjunto de aspectos e condições físicas, químicas e biológicas estreitamente ligadas à qualidade de vida. Tais aspectos recebem influencia direta das condições e fatores de um meio ambiente em condições saudáveis, com níveis aceitáveis em qualidade de ar, água e solo. Você precisa entender que “meio ambiente” é todo espaço que cerca a sociedade, ou seja, nossa casa, trabalho, ruas, campo e cidades onde vivemos. Nesse sentido, surge à necessidade de olhar com maior preocupação para a poluição sonora e visual, o trânsito e a falta de mobilidade urbana, além do saneamento básico, as relações pessoais, a água, o ar, enfim, tudo o que possa levar à degradação local e global do ambiente. Responsabilidade socioambiental126 Nossa problemática em relação as interferências do homem no meio am- biente é antiga. Na perseguição por avanços tecnológicos e das metrópoles, o homem foi criando outros problemas mais perigosos, muitas intervenções físico-químicas foram feitas e catástrofes como acidentes nucleares, incêndios, vazamentos de gases, entre outros, que cada vez mais fazem parte do nosso entorno e contato físico. Muitos problemas na saúde das pessoas são causados pelo meio em que vivem, assim, quanto mais urbanizado e industrializado o país se torna, mais o meio ambiente sofre alterações e, consequentemente a população é afetada. Os altos índices de gastroenterites ou doenças parasitárias em comunidades onde há falta de saneamento básico indicam essa influência. Nas Figuras 6 e 7, você pode observar alguns problemas de impacto na: Figura 6. Impactos na saúde. Fonte: Parasitologia (2010). 127Responsabilidade Socioambiental Na Figura 8, você pode observar um infográfico que apresenta os fatores mais importantes do meio ambiente e que interferem na saúde humana. Observe que se trata de fatores físicos, químicos e sociais, ou seja, que pertencem ao meio ambiente no seu sentido mais amplo. Figura 7. Problemas no saneamento. Fonte: Obvious (2013). Responsabilidade socioambiental128 O meio ambiente deve ser visto como um sistema complexo em que in- teratuam tanto os componentes físicos e biológicos quanto os econômicos e sociais. Estas interações podem interferir na saúde humana, principalmente quando não existe uma consciência clara desta relação ou quando medidas preventivas não são tomadas, apenas as corretivas. Figura 8. Fatores que interferem na saúde humana. Águapara consumo humano Solo Desastres naturais Fatores físicos Ar Contaminantes ambientais e substâncias químicas Acidentes com produtos perigosos Ambiente de trabalho Fatores determinantes e condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde humana 129Responsabilidade Socioambiental Em um cenário em que a população mundial e consequentemente a demanda por alimentos é crescente, vários estudos têm demonstrado que em torno de 40% dos solos do mundo estão poluídos e degradados. Tudo isso é preocupante se levarmos em consideração que a natureza leva em torno de 400 anos para formar apenas uma camada de 1 cm de solo. Você precisa saber por meio dos livros de história, várias civilizações importantes tiveram seu declínio intimamente associado à falência de seus sistemas agrícolas, principalmente devido ao esgotamento da saúde de seus solos. O interesse mundial pelo tema qualidade/saúde do solo e água é cres- cente e evidencia a preocupação da sociedade com esse recurso natural. A determinação da qualidade do solo e água não é uma tarefa fácil devido a multiplicidade de fatores químicos, físicos e biológicos que resultam no seu “funcionamento” e suas variações, em função do tempo e espaço. De alguma forma, todos os tipos de componentes que utilizamos e que podem se tornar poluentes entram em contato de alguma forma com o ar, Uma das interações que podem interferir na saúde humana é o aumento do número de indivíduos infectados pela dengue: a) O individuo pode ainda não estar cientes que não se pode deixar água parada em garrafas, pneus, etc. Se essa prática fosse inibida, a aparição dessa doença na população poderia diminuir e até mesmo ser erradicada. b) O estado maior e os representantes da população devem seguir implantando programas preventivos, tais como campanhas de conscientização, recolhimento de lixo e entulhos, limpeza de terrenos desocupados e outros, com objetivo de evitar o surgimento desta doença em épocas de chuvas. Problemas de saneamento. Dengue. Responsabilidade socioambiental130 terra e água; principalmente se dispomos ou descartamos de qualquer forma no ambiente, como próximos de um leito aquático. Lâmpadas fluorescentes e baterias, por exemplo, possuem diversos poluentes e metais pesados, que com contato frequente com o corpo humano e em longo prazo ocasionam em dores, tumores e diversos outros sintomas. Em setembro de 1987, um dos mais graves casos de exposição à radiação do mundo ocorreu em Goiânia (GO), por meio da contaminação pelo material radioativo Césio 137. Na ocasião, dois catadores de lixo arrobaram um aparelho radiológico nos escombros de um antigo hospital e encontraram um pó branco que emitia luminosidade azul. Os catadores levaram o material radioativo a outros pontos da cidade, contaminando pessoas, água, solo e ar. Pelo menos quatro morreram devido à exposição, e centenas de outras desenvolveram doenças. Medidas e mecanismos para alcançar condições de Responsabilidade Socioambiental Para uma mudança de paradigma é preciso envolver o setor econômico e pri- vado para possibilitar avanços socioambientais. Portanto, a responsabilidade socioambiental corporativa é um conjunto de Políticas e Práticas de condução do negócio, que considera o diálogo entre a empresa e seu entorno (comunidades, empresas, governo, movimento social, ONGs, etc.). Esta área de temática se dedica a parcerias intersetoriais, na busca da melhoria da qualidade de vida das populações no entorno desses grandes empreendimentos, por meio de: a) Efetiva aplicação dos conceitos de Responsabilidade Social e Ambiental, priorizando o diálogo entre corporações e comunidades de seu entorno; b) Desenvolvimento de metodologias de pesquisa-ação que criem siste- mas de monitoramento, baseados em indicadores socioeconômicos e ambientais, capazes de mensurar a melhoria de qualidade de vida e o impacto das atividades empresariais; 131Responsabilidade Socioambiental c) Por meio da pesquisa-ação facilitar a reflexão das comunidades sobre a realidade local e de seu entorno, internalizando os aprendizados em planos de desenvolvimento local e/ou politicagens práticas empresarias; d) Incorporação das temáticas de Gênero nas estratégias de desenvolvi- mento comunitário e nas políticas e práticas empresariais (a gênese das desigualdades e insustentabilidade); e) Implementação de ações para evitar a perda da sociobiodiversidade e para enfrentar as mudanças climáticas. Destaca-se também o princípio da atuação responsável o “Responsible Care”, este foi criado em 1984 no Canadá, pelas indústrias químicas, com o apoio da Chemical Manufactures Association (CMA). No Brasil, é difundido pela ABIQUIM desde 1992. A partir de 1998 a adesão dos sócios da ABIQUIM a este modelo é obrigatória. O programa enfoca saúde, segurança e meio ambiente, conhecidos internacionalmente pela sigla SHE (Safety, Health and Environmental). Atualmente é cada vez mais difundido nas empresas o princípio básico da gestão sustentável da cadeia de suprimentos (supply chain management). É assegurar maior visibilidade aos custos e outros eventos relacionados com a produção para satisfação da demanda, com o objetivo de minimizar os gastos do conjunto das operações produtivas e da logística entre as empresas (FERNANDES; BERTON, 2005). O planejamento e controle da produção não apenas cuidam da parte de maximizar lucros e atender as demandas de materiais dos clientes internos, mas deve cuidar para evitar que a geração de estoques represente um gasto ambiental desnecessário. O The Natural Step, ainda é um passo relativamente complexo por parte das empresas, e vem sendo proposto por uma organização independente que apresenta uma metodologia para atingir sustentabilidade empresarial. Considerando a concentração das substâncias extraídas da crosta terrestre, concentração das substâncias produzidas pela sociedade, degradação do meio físico e do meio biológico e necessidades humanas (BARBIERI, 2004). Responsabilidade socioambiental132 A responsabilidade socioambiental (RSA) como estratégia organizacional vislumbra as questões sociais e ambientais que dizem respeito às preocupações com os impactos resultantes das operações organizacionais e seus efeitos. Isto ultrapassa fronteiras nacionais atingindo o mercado global que sofre pressões em torno da conservação ambiental. Neste contexto é crescente o número de organizações que procuram conformidades e normalizações da RSA reconhecidas em escala global, sob pena de perderem competitividade. Tais conformidades e normatizações são assegurados aos órgãos fiscalizadores e parceiros de trabalho como selos, rótulos e certificações de qualidade. Hoje são inúmeras estas certificações e empresas que fazem este tipo de auditoria. Para adquirir certificações, exemplo: Normas Brasileiras, é importante implementar um sistema de gestão (ambiental ou qualidade); Estas incluem respeito, ética e com- prometimento com a qualidade de vida – afirmando a sua política. 133Responsabilidade Socioambiental Tecnologias sustentáveis, mais limpas e recursos renováveis O termo tecnologia sustentável, tem uma ligação obrigatória com a palavra “respon- sabilidade”, pois esta é uma das principais premissas desta tecnologia. Todas as ações que são tomadas por nós, positivas ou negativas, possuem consequências que refletem diretamente no ambiente em que vivemos. Estas podem ser também adaptações de tecnologias já existentes, assim como as futuras tecnologias, dando-lhes cada vez mais eficiência, de modo que os impactos ambientais sejam menores. Pode-se dizer que a combinação perfeita para companhias e produções seria uma união entre tecnologias sustentáveis e recursos renováveis. Veja a seguir as diferenças entre recursos renováveis e não renováveis: Um recurso renovável é aquele que, normalmente, não se esgota facilmente devido à rápida velocidade de renovação e capacidade de manutenção. Estesrecursos surgem da natureza e são matérias-primas essenciais para a fabricação de produtos que atendem as necessidades das pessoas. A Energia Solar, por exemplo, é um recurso natural renovável, assim como a biomassa e a energia geotérmica. Um recurso não renovável é um recurso natural que não pode ser regenerado ou reutilizado a uma escala que possa sustentar o seu consumo. Esses recursos existem muitas vezes em quantidades fixas, ou são consumidos mais rapidamente do que a natureza pode produzi-los. Os combustíveis fósseis como o petróleo são exemplos de recursos não renováveis, enquanto que recursos como madeira (quando colhida de forma sustentável) ou metais (que podem ser reciclados) são considerados recursos renováveis. No entanto, estas definições não levam em consideração o aumento do consumo: para que a madeira seja um recurso renovável, é necessário aumentar a sua produção de acordo com as necessidades da sociedade; por outro lado, os metais existentes na crosta terrestre são finitos, e a sua reciclagem pode diminuir as consequências do aumento normal do consumo apenas em parte. Responsabilidade socioambiental134 Produção mais limpa (P+L) Visa conservação de matérias-primas, água e energia, eliminação de matérias-primas tóxicas e redução, na fonte, da quantidade e toxicidade das emissões e dos resíduos gerados; aos produtos, pela redução dos seus impactos negativos ao longo de seu ciclo de vida, desde a extração de matérias-primas até a sua disposição final; aos serviços, pela incorporação das questões ambientais em suas fases de planejamento e execução. Neutralização de Carbono São ações que buscam neutralizar a emissão de carbono gerada por suas atividades. Esta postura visa diminuir o impacto de gases como o dióxido de carbono (CO 2 ), que são emitidos na natureza, gerando o efeito estufa e as mudanças climáticas que já são um problema atual no Planeta. A elevação do nível dos oceanos, os incêndios mais frequentes em áreas florestais e as alterações nas correntes marítimas são alguns dos resultados já aparentes. Ecodesign Concepção para produtos e embalagens que sejam mais respeitosos e compatibilizados com o meio ambiente, ou seja, que causem o menor impacto ambiental negativo possível. O objetivo é a concepção de produtos que produzam impactos positivos e reduzam impactos ambientais. O Ecodesign também tem o papel de contribuir como coletivo educador, suprindo a falta de informações e preparo do público em geral a respeito de procedimentos ambientalmente mais corretos. Não somente procura minimizar os impactos dos produtos na fase de sua elaboração, mas se preocupa também na sua utilização e na gestão de seus resíduos, na medida em que prevê que o elemento antrópico (ação humana), colabore para a redução dos impactos também nas fases sujeitas ao comportamento humano. 135Responsabilidade Socioambiental Responsabilidade socioambiental136 BARBIERI, J. C. Gestão ambiental organizacional: conceitos, modelos e instrumentos. São Paulo: Saraiva, 2004. BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução CONAMA n.001, de 23 de janeiro de 1986. Brasília, DF, 1986. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/ conama/res/res86/res0186.html>. Acesso em: 21 dez. 2016. FERNANADES, B. H. R.; BERTON, l. H. Administração estratégica: da competência empre- endedora à avaliação de desempenho. São Paulo: Saraiva, 2005. OBVIOUS. 2003. Disponível em: <http://obviousmag.org/>. Acesso em: 21 dez. 2016. PARASITOLOGIA. 2014. Disponível em: <http://anacliceat2010.blogspot.com.br/>. Acesso em: 21 dez. 2016. RIOS, T. de M. Educação e gestão socioambiental: a experiência do programa Catavida de Novo Hamburgo – RS. 95 fls. 2015. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, 2015. RIOS, T. M. (Org.). Responsabilidade socioambiental. Porto Alegre: SAGAH, 2016. SÉCULO DIÁRIO. 2014. Disponível em: <http://seculodiario.com.br/>. Acesso em: 21 dez. 2016. DICA DO PROFESSOR A Dica do professor para esta unidade sobre responsabilidade socioambiental é a aplicabilidade da teoria do pensamento sistêmico para ajudar a refletir sobre problemáticas ambientais e sociais. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) O homem ocasiona alterações no meio ambiente em geral, seja nos componentes físicos, biológicos ou sociais. Sua atividade provoca situações que afetaram a saúde humana. Analise os itens a seguir: I. Acidentes nucleares II. Tsunamis III. Epidemias, como a peste negra IV. Incêndios e vazamentos de gases em grandes indústrias V. Terremotos Tendo em vista os itens acima, assinale a alternativa que indica três problemas de responsabilidade humana que afetam o meio ambiente e provocam problemas de saúde: A) I, II e III. B) I, III e IV. C) I, IV e V. D) II, III e IV. E) II, III e V. 2) O que podemos chamar de impactos ambientais? A) Conjunto de componentes físicos, químicos, biológicos e sociais capazes de causar efeitos diretos ou indiretos no ambiente ou na sociedade. B) Extração de matéria-prima. C) Condições relacionadas a mudanças climáticas e efeito estufa. D) Impactos sociais, principalmente em países em desenvolvimento. E) Alteração ou efeito ambiental considerado significativo quando são detectados somente por meio da avaliação de projeto de um determinado empreendimento, podendo ser negativo ou positivo. 3) A responsabilidade socioambiental procura aliar produtividade, qualidade, ética e bem-estar social e ambiental, e assim está baseada em três pilares, os mesmos pilares da sustentabilidade. Marque a alternativa que indica corretamente quais são esses “pilares”. A) Social, Econômico e Mundial. B) Econômico, Ambiental e Jurídico. C) Social, Ambiental e Econômico. D) Ambiental, Jurídico e Mundial. E) Econômico, Social e Político. 4) "A floresta virgem é o produto de muitos milhões de anos que passaram desde a origem do nosso planeta. Se for abatida, pode crescer uma nova floresta, mas a continuidade é interrompida. A ruptura nos ciclos de vida natural de plantas e animais significa que a floresta nunca será aquilo que seria se as árvores não tivessem sido cortadas. A partir do momento em que a floresta é abatida ou inundada, a ligação com o passado perde-se para sempre. Trata-se de um custo que será suportado por todas as gerações que nos sucederem no planeta. É por isso que os ambientalistas têm razão quando se referem ao meio natural como um "legado mundial". Mas, e as futuras gerações? Estarão elas preocupadas com essas questões amanhã? As crianças e os jovens, como indivíduos principais das futuras gerações, têm sido, cada vez mais, estimulados a apreciar ambientes fechados, onde podem relacionar-se com jogos de computadores, celulares e outros equipamentos interativos virtuais, desviando sua atenção de questões ambientais e do impacto disso em vidas no futuro, apesar dos esforços em contrário realizados por alguns setores. Observe- se que, se perguntarmos a uma criança ou a um jovem se eles desejam ficar dentro dos seus quartos, com computadores e jogos eletrônicos, ou passear em uma praça, não é improvável que escolham a primeira opção. Essas posições de jovens e crianças preocupam tanto quanto o descaso com o desmatamento de florestas hoje e seus efeitos amanhã." SINGER, P. Ética Prática. 2 ed. Lisboa: Gradiva, 2002, p. 292 (adaptado). Assinale a alternativa que melhor reflete a realidade do texto: A) Engajamento de crianças e jovens na preservação do legado natural: uma necessidade imediata. B) Redução de investimentos no setor de comércio eletrônico: proteção das gerações futuras. C) Preferências atuais de lazer de jovens e crianças: preocupação dos ambientalistas. D) Computador: o legado mundial para as gerações futuras. E) A falta de Socialização dos jovens Influenciando o contexto socioambiental. 5) Como opçõesde tecnologias sustentáveis podemos citar: A) Eco design e motores carburantes. B) Motores a reação e energia eólica. C) Combustíveis fósseis e energia solar. D) Ecodesign e neutralização de carbono. E) Recursos renováveis e combustível à base de carvão. NA PRÁTICA As oficinas mecânicas autorizadas da Volkswagen que oferecem serviços, como troca de peças, acessórios, serviços mecânicos e elétricos são consideradas (legislação e política ambiental estadual e federal) empreendimentos de pequeno porte, portanto, não é compulsória a licença ambiental, ou seja, a realização de estudo de impacto ambiental para começar a funcionar. Essa prestação de serviço irá precisar apenas de alvará de funcionamento para comprovar que está adequada às normas de segurança, mas, sem dúvidas, provoca alguns impactos (físico, biológico e social). Esses impactos são de baixa magnitude e podem ser positivos e negativos. Para reduzir esses impactos e manter sua proposta de responsabilidade, essas autorizadas devem seguir passos rigorosos como: - Ao fim de vida útil, as peças e os filtros não podem ser simplesmente descartados, devem ser reenviados ao produtor (logística reversa). - Todos os resíduos devem ser separados para não comprometer resíduos que poderão ser reutilizados. - Em unidades como da cidade de Novo Hamburgo, resíduos de qualidade são destinados a cooperativas que os vendem. Essas unidades possuem recirculação de água e filtros, para não entregá-la contaminada ao ambiente e comunidade de entorno; além de recirculação, possuem coifas e exaustores que reduzem a emissão de gases externamente e reduzem impactos da saúde laboral. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Consumo sustentável - Manual de Educação Abrimos com este Manual uma possibilidade de diálogo do governo com a sociedade. Um convite à ação individual e coletiva dos cidadãos organizados. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Responsabilidade socioambiental e gestão ambiental na esfera privada Assista o vídeo do Canal UNIVESP para saber mais sobre responsabilidade socioambiental e gestão ambiental na esfera privada Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Licenciamento Ambiental APRESENTAÇÃO Seja bem-vindo a esta Unidade de Aprendizagem onde será possível identificar as principais etapas envolvidas no processo de licenciamento ambiental. Além disso, você vai entender como o sistema de licenciamento ambiental pode contribuir para a implementação de políticas de desenvolvimento sustentável nas cidades e nas empresas. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Distinguir as etapas que compõem o processo de licenciamento ambiental.• Identificar as vantagens obtidas com a implementação de ações relacionadas ao processo de licenciamento ambiental. • Reconhecer a base legal envolvida no licenciamento ambiental.• DESAFIO Você sabia que atualmente a questão ambiental é um tema discutido em todos os setores de uma empresa? A implementação das ações de melhoria da qualidade ambiental pode ser um investimento e um diferencial de mercado da empresa. Assim, qual órgão ambiental será responsável pelo acompanhamento do processo, quais as etapas a serem realizadas, quais os tipos de licenças necessárias para a instalação e operação desta unidade de fabricação e seus respectivos prazos de emissão, bem como as validades de cada uma das licenças? INFOGRÁFICO As etapas e responsabilidades no processo de licenciamento ambiental podem ser visualizadas no infográfico. CONTEÚDO DO LIVRO O processo de licenciamento ambiental é constituído pela emissão de diferentes licenças, correspondentes a cada etapa de implementação e operação de um empreendimento. Para conhecer mais sobre as principais etapas envolvidas no processo de licenciamento ambiental e entender como o sistema de licenciamento ambiental pode contribuir para a implementação de políticas de desenvolvimento sustentável nas cidades e nas empresas, leia o capítulo Licenciamento Ambiental, da obra Avaliação de impactos ambientais. Boa leitura. Ronei Tiago Stein MEIO AMBIENTE Revisão técnica: Vanessa de Souza Machado Mestre e Doutora em Ciências Graduada em Ciências Biológicas Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB – 10/2147 M499 Meio ambiente [recurso eletrônico] / Ronei Tiago Stein ... [et al.]; [revisão técnica : Vanessa de Souza Machado]. – Porto Alegre : SAGAH, 2018. ISBN 978-85-9502-573-8 Engenharia de produção. 2. Meio ambiente. I. Stein, Ronei Tiago. CDU 502 Licenciamento ambiental Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Distinguir os tipos e as etapas que compõem o processo de licen- ciamento ambiental. � Identificar as vantagens obtidas com a implementação de ações relacionadas ao processo de licenciamento ambiental. � Reconhecer a base legal envolvida no licenciamento ambiental. Introdução Neste capítulo, será possível identificar as principais etapas envolvidas no processo de licenciamento ambiental. Além disso, você vai entender como o sistema de licenciamento ambiental pode contribuir para a implementação de políticas de desenvolvimento sustentável nas cidades e nas empresas. Principais tipos de licenças ambientais Em território nacional, existem três esferas do governo (União, Estados e Municípios) que têm legislações específicas. A União fixa diretrizes gerais e estabelece as responsabilidades próprias. As outras duas esferas fixam normas complementares. Porém, é fundamental comentar que elas apenas devem restringir a legislação, jamais podendo ser menos rigorosas que o órgão ambiental federal. Além das constituições federal e estaduais e das leis orgânicas municipais, outros diplomas legais tratam dos aspectos ambientais, como, por exemplo, os decretos. É fundamental entender as competências de cada órgão (federal, estadual e municipal). Com a publicação da Lei nº 11.284/2006 e da Lei Complementar (LC)140/2011, a União teve seu papel reformulado no que se refere à gestão dos recursos florestais, cabendo a ela a gestão de empreendimentos e atividades (BRASIL, 2006; 2011): � Localizados ou desenvolvidos conjuntamente no Brasil e em país limítrofe. � Localizados ou desenvolvidos no mar territorial, na plataforma conti- nental ou na zona econômica exclusiva. � Localizados ou desenvolvidos em terras indígenas. � Localizados ou desenvolvidos em unidades de conservação instituídas pela União, exceto em Áreas de Proteção Ambiental (APAs). � Localizados ou desenvolvidos em 2 (dois) ou mais Estados. Nesse sentido, ficaram os Estados e Municípios incumbidos de gerir os temas que dizem respeito a: � Licenciamento ambiental de propriedades rurais. � Licenciamento de desmatamento. � Licenciamento do manejo florestal para produção de madeira ou pro- dutos não madeireiros. � Licenciamento para plantio e corte (reflorestamentos). � Controle do fluxo da madeira e de produtos florestais não madeireiros. � Reposição florestal. � Monitoramento e fiscalização. � Fomento, assistência técnica e incentivos à produção florestal. � Compensação ambiental. O processo de licenciamento ambiental é constituído basicamente por três tipos de licenças, sendo que cada uma é exigida em uma etapa específica do licenciamento. Dessa forma, tem-se: � Licença Prévia: conferida na fase inicial, atesta a viabilidade ambiental do empreendimento ou atividade e estabelece requisitos básicos a serem atendidos nas fases de instalação e operação, observando os planos municipais, estaduais ou federais ambientais e de uso do solo, neles incluídas as diretrizes do plano diretor. � Licença de Instalação: expressa o consentimento para o início da implementação do empreendimento ou atividade, de acordo com as especificaçõesdo Projeto Executivo aprovado, conforme conteúdo do inciso II do artigo 8º da Resolução CONAMA nº 237/1997. � Licença de Operação: possibilita o início da ocupação dos empreen- dimentos ou início das atividades após a verificação do efetivo cum- primento das licenças anteriores, nos moldes do inciso III do artigo 8º da Resolução CONAMA nº 237/1997. Licenciamento ambiental84 Uma equipe multidisciplinar pode estar envolvida em um projeto de licenciamento ambiental, dependendo do porte, da magnitude e do grau poluidor da obra/atividade. Para cada projeto ambiental encaminhado (LP, LI e LO), os profissionais envolvidos devem entregar a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) no órgão ambiental. A ART é um instrumento de defesa da sociedade, garantido que as obras e os serviços serão prestados por profissionais habilitados; além disso, proporciona segurança jurídica para o contratante, caso haja problemas com a obra/estudo. Principais etapas do licenciamento ambiental No que se refere às etapas que compõem o licenciamento ambiental, é im- portante ressaltar que cada estado e município poderá exigir documentos e estudos separadamente, da mesma forma que os trâmites legais para protocolar o projeto. O procedimento para obter o licenciamento ambiental descrito neste capítulo tem a intenção de servir como um molde, ou seja, não poderá ser usado para todos os tipos de órgãos ambientais. É indicado antes de iniciar um projeto ambiental, consultar o órgão ambiental competente para saber exatamente quais são os documentos e estudos que devem ser providenciados, a fim de evitar surpresas no andamento do processo. As solicitações de documentos licenciatórios, como licenças, declarações, autoriza- ções, certificados, entre outros, somente serão protocolados com a apresentação da documentação necessária e completa. Para facilitar o entendimento de como deverá ocorrer o encaminhamento do licenciamento ambiental (LP, LI e LO) em relação ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA), bem como a análise do projeto pelo órgão ambiental, o TCU (2004) apresenta 14 (quatorze) procedimentos básicos, sendo estes: � Procedimento 1: o empreendedor protocoliza, no órgão ambiental, o seu pedido de licença prévia, acompanhado do esboço do projeto de seu empreendimento. 85Licenciamento ambiental � Procedimento 2: o órgão ambiental avalia os projetos, realiza vistoria no local e, com base nisso, elabora os termos de referências dos estudos ambientais e efetua o registro do empreendimento em cadastro próprio. � Procedimento 3: o empreendedor entrega ao órgão ambiental cópia dos estudos ambientais, realizados de acordo com os termos de referência elaborados pelo próprio órgão de meio ambiente. � Procedimento 4: o órgão ambiental verifica se os estudos foram realizados de forma satisfatória. Em caso negativo, são devolvidos para complementação. O prazo total para a análise é de um ano (CONAMA, 1997). � Procedimento 5: o órgão ambiental emite parecer favorável ou não à implementação do empreendimento, fixando o valor da compensa- ção ambiental. Emite a licença prévia, estabelecendo condicionantes que, se cumpridas, habilitam o empreendedor a adquirir a licença de instalação. � Procedimento 6: o empreendedor retira, no órgão ambiental, a licença prévia, à qual dá publicidade. Obtida a licença, elabora o projeto básico do empreendimento. � Procedimento 7: o empreendedor detalha os programas ambientais e os apresenta ao órgão ambiental com o pedido de licença de instalação. � Procedimento 8: o órgão ambiental avalia se houve o cumprimento das condicionantes da licença prévia. Em caso positivo, emite a licença de instalação com condicionantes que, se implementadas, habilitam o empreendedor a obter a licença de operação. � Procedimento 9: o empreendedor retira, no órgão ambiental, a licença de instalação, à qual dá publicidade. � Procedimento 10: o órgão ambiental monitora, durante a vigência da LI, a implementação das condicionantes da licença de instalação e, constatando que está satisfatória, a pedido do empreendedor, emite a licença de operação. � Procedimento 11: o empreendedor retira, no órgão ambiental, a licença de operação, à qual dá publicidade. � Procedimento 12: o órgão ambiental realiza o monitoramento das condicionantes e dos impactos ambientais do empreendimento durante o tempo em que existir a atividade ou o empreendimento licenciado. � Procedimento 13: o empreendedor apresenta requerimento solicitando a renovação da licença de operação, acompanhado da documentação exigida, com antecedência mínima de 120 dias da expiração do prazo de validade da licença anterior. Licenciamento ambiental86 � Procedimento 14: o órgão ambiental, com base nas informações geradas pelo monitoramento das condicionantes, pronuncia-se sobre a renovação da licença no prazo de 120 dias, sob pena de a LO ser prorrogada por decurso de prazo. Vantagens do licenciamento ambiental O licenciamento ambiental é um procedimento técnico-administrativo pelo qual o órgão ambiental competente avalia empreendimentos potencialmente causa- dores de impacto ambiental, autorizando, ou não, sua instalação e operação. A avaliação envolve o estudo da localização do empreendimento, do seu porte e dos processos construtivos e produtivos utilizados, a fim de verificar se suas características podem provocar interferências negativas no meio ambiente, tais como a poluição do ar, a geração de resíduos, a intervenção em cursos d’água e a supressão de vegetação nativa. Sendo assim, o processo de licenciamento estabelece regras, condições, restrições e medidas de controle ambiental que devem ser cumpridas, tanto na fase de instalação do empreendimento quanto na sua fase de operação. Dessa forma, o licenciamento é uma exigência legal, mas quais são exata- mente as vantagens ou benefícios do licenciamento ambiental? Não é apenas o meio ambiente que sai ganhando com o licenciamento de determinada atividade, mas toda a sociedade. Entre alguns dos principais benefícios do licenciamento ambiental para o meio ambiente, pode-se citar: � proteger o meio ambiente para as futuras gerações; � proteger os ecossistemas, com a preservação de áreas representativas; � planejar e fiscalizar o uso dos recursos ambientais; � garantir a qualidade dos recursos renováveis; � racionalizar o uso do solo, do subsolo, da água e do ar; � proteger áreas ameaçadas de degradação. No que se refere às vantagens do licenciamento ambiental para empresas/ corporações, além da redução de possibilidade de multas e da poluição am- biental, podemos destacar: � Benefícios estratégicos: diferenciação no mercado; demonstração do compromisso da empresa com o meio ambiente e com o futuro; confiança oferecida às partes interessadas; melhoria na imagem perante órgãos 87Licenciamento ambiental regulamentadores; facilidade na obtenção de licenças e autorizações; simpatia de clientes e usuários; facilidade no acesso ao mercado in- ternacional; atração de parceiros; antecipação à tendência de caráter mandatário e às exigências dos clientes, entre outros. � Benefícios operacionais: melhoria na gestão de riscos ambientais atuais e futuros; melhoria dos procedimentos operacionais; melhoria da produtividade; melhoria nas condições de saúde e segurança no trabalho; redução de acidentes que impliquem responsabilidade civil; estabele- cimento de rotina para análise das áreas do negócio que possam afetar o meio ambiente; estímulo ao desenvolvimento e compartilhamento de soluções ambientais; facilidade na transferência de tecnologia; melhoria no desempenho dos funcionários e dos equipamentos, entre outros. � Benefícios financeiros: diminuição dos riscos de incorrer em infrações legais e regulamentares; redução potencial nas despesas, com seguros, produtos e serviços adquiridos, além do comportamento global no mercado; possibilidade de redução de custos; possibilidade de economia de despesas no consumode água, energia e matéria-prima. No entanto, não são apenas as indústrias que necessitam de licenciamento am- biental, as propriedades rurais que precisarem realizar alguma atividade que possa ocasionar passivos ambientais também devem requer o licenciamento ambiental. Assim, o licenciamento para áreas rurais proporciona os seguintes benefícios: � planejamento do imóvel rural; � comprovação de regularidade ambiental (após validação pelo órgão ambiental competente); � acesso/continuidade do acesso ao crédito (financiamentos); � acesso ao Programa de Regularização Ambiental (PRA). Uma das exigências do licenciamento ambiental é saber a quantidade e destinação dos resíduos sólidos de um determinado empreendimento. Desta forma, uma das exigências da licença de operação é a apresentação do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS). Essa exigência do PGRS apresenta algumas vantagens, como, por exemplo: minimização da geração de resíduos; destinação correta dos resíduos; diminuição dos impactos ambientais e visuais; preservação dos recursos naturais renováveis e não renováveis; receita na venda de materiais recicláveis; redução com os gastos de disposição; diminuição da quantidade de resíduos destinados aos aterros sanitários; marketing positivo, em virtude da imagem de responsabilidade social e ecológica da empresa adepta Licenciamento ambiental88 de tais práticas; satisfação da sociedade; cumprimento da Legislação em vigor; melhoria da qualidade de vida tanto das pessoas quanto dos seres vivos. Vantagens do licenciamento ambiental para a sociedade O licenciamento ambiental apresenta vantagens para o órgão ambiental, para o empreendimento e para a sociedade de um modo geral. Provavelmente você esteja se perguntando como a sociedade irá obter algum benefício com o licenciamento ambiental de uma indústria, por exemplo. A sociedade sai ganhando quando as atividades/empreendimentos estão conforme as legislações ambientais estabelecem, como, por exemplo: � As propriedades rurais respeitam as áreas de preservação permanente e as reservas legais. � O desmatamento ocorre de uma forma controlada. � As indústrias realizam o correto gerenciamento de seus resíduos. � O despejo de efluentes líquidos indústrias é baseado em parâmetros de qualidade. � Os recursos hídricos são respeitados. Com isso, toda a sociedade acaba se beneficiando direta ou indiretamente, pois o meio ambiente é um bem de todos. Além disso, quanto maiores os cuidados com a preservação ambiental, menores os índices de patogenias e gastos desnecessários com os quais a sociedade irá arcar (principalmente por meio do aumento de impostos). Assim, em vez de realizar a limpeza e tratamento de recursos hídricos, solos, ar, entre outros, esse dinheiro poderá ser gasto em outras áreas, como saúde, educação, segurança, entre outras áreas que atualmente estão carentes em território nacional. Base legal do licenciamento ambiental Em território nacional, as primeiras tentativas de aplicação de metodologias para avaliação de impactos ambientais foram decorrentes de exigências de órgãos financeiros internacionais para aprovação de empréstimos a projetos governamentais. Com a crescente conscientização da sociedade, principal- mente internacional, tornou-se cada vez mais necessária a adoção de práticas adequadas de gerenciamento ambiental em quaisquer atividades modificadoras do meio ambiente (BRASIL, 2009). 89Licenciamento ambiental Dessa forma, em 1988, surgiu a Constituição Federal, a qual estabeleceu diversos serviços comuns a todas as esferas da federação, entre os quais a preservação do meio ambiente. (BRASIL, 1988). O Ministério do Meio Ambiente (BRASIL, 2009) ressalta que esses serviços remetem à cooperação entre os responsáveis e à gestão compartilhada, fortalecendo a ação municipal e a ação cooperada entre os entes federados. A Constituição Federal previu, em seu artigo 225, que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletivi- dade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.” (BRASIL, 1988). Com isso, o meio ambiente tornou-se direito fundamental do cidadão, cabendo tanto ao governo quanto a cada indivíduo o dever de resguardá-lo (TRIBUNAL..., 2007). A previsão do licenciamento na legislação ordinária surgiu com a edição da Lei 6.938/81, que, em seu artigo 10, estabelece: a construção, instalação, ampliação e o funcionamento de estabelecimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, considerados efetiva ou potencialmente poluidores, bem como os capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental, dependerão de prévio licenciamento por órgão estadual competente, integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), em caráter supletivo, sem prejuízo de outras licenças exigíveis. Segundo a Resolução Conselho Nacional do Meio Ambiente nº 237, de 1997, a localização, construção, instalação, ampliação, modificação e operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais conside- rados efetiva ou potencialmente poluidores, bem como os empreendimentos capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental, dependerão de prévio licenciamento do órgão ambiental competente (CONAMA, 1997). O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) apresenta importância fundamental em relação ao licenciamento ambiente. Dentre as várias resoluções estabelecidas pelo CONAMA, destacam-se duas: � Resolução CONAMA 01 de 1986: dispõe sobre critérios básicos e diretrizes gerais para a avaliação de impacto ambiental. � Resolução CONAMA 237/1997: regulamenta os aspectos de licenciamento ambiental estabelecidos na Política Nacional do Meio Ambiente. Licenciamento ambiental90 Reforçando a Política Nacional do Meio Ambiente, surgiu, em 12 de fe- vereiro de 1998, a Lei nº 9.605, que dispõe sobre as sanções penais e ad- ministrativas lesivas ao meio ambiente, em seu artigo 60, estabelecendo a obrigatoriedade do licenciamento ambiental das atividades degradadoras da qualidade ambiental, contendo, inclusive, as penalidades a serem aplicadas ao infrator. Essa mesma legislação, em seus artigos 66 e 67, descreve também como crime ambiental quando um funcionário público afirma falsa ou enga- nosamente, omite a verdade ou sonega informações, podendo pegar uma pena de reclusão de um a três anos e multa. Além disso, quando um funcionário público concede licença, autorização ou permissão em desacordo com as normas ambientais, poderá sofrer uma pena de detenção de um a três anos, além de sanções. (BRASIL, 1998). Quando da solicitação de licença prévia, o órgão ambiental especifica os estudos ambientais que devem ser apresentados como condição para a concessão do licenciamento do empreendimento. Dessa forma, entende-se por estudos ambientais os que avaliam os aspectos ambientais relacionados à localização, instalação, operação e ampliação de uma atividade ou empre- endimento apresentados como subsídio para a análise da licença requerida. Os principais documentos solicitados em um processo de licenciamento ambiental são: � Requerimento: documento destinado à formalização do requerimento para todas as modalidades de licenciamento de atividades poluidoras, degradantes e/ ou modificadoras do meio ambiente. � Roteiro de caracterização do empreendimento (RCE): principal documento técnico apresentado pelo interessado ao requerer a licença ou autorização ambiental, contendo estudos que devem ser elaborados por profissional que detenha habilitação legal para a sua execução, sendo necessário o registro da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) ou similar (de acordo com o Conselho Profissional). � Estudos ambientais: existem diversos estudos que podem ser exigidos pelo órgão ambiental,como o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), o Relatório Ambiental Simplificado (RAS), o Estudo Am- biental Simplificado (EAS), o Plano de Controle Ambiental (PCA), o Relatório de Controle Ambiental (RCA), o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), entre diversos outros. � Projeto Básico Ambiental (PBA): deve apresentar programas de monitoramento, medidas mitigatórias e compensatórias, bem como programa de educação am- biental (se for o caso). 91Licenciamento ambiental É de suma importância compreender a diferença entre licenciamento am- biental e licença ambiental, que se caracteriza da seguinte forma: � Licenciamento ambiental: procedimento (processo) administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras dos recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras. Ou, então, o licenciamento busca analisar atividades/empreendimentos que possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso (BRASIL, 2009). � Licença ambiental: consiste na autorização emitida pelo órgão público competente. É fornecida ao empreendedor para exercer seu direito à livre iniciativa, desde que atendidas as precauções requeridas, vi- sando resguardar o direito coletivo ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Devido à sua natureza autorizativa, a licença ambiental apresenta um caráter precário. Ou seja, a licença pode ser caçada caso as condições estabelecidas pelo órgão ambiental não sejam cumpridas. Outra legislação de grande importância no licenciamento ambiental é a Lei 12.305/2010, que trata sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos brasileira. A elaboração de Planos de Resíduos Sólidos deve ser feita pelo setor público a nível federal, estadual e municipal e por empresas públicas ou privadas. (BRASIL, 2010). Os Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) são documentos com valor jurídico que comprovam a capacidade de uma empresa de gerir todos os resíduos que eventualmente venham a ser gerados. A intenção de ter um documento como esse é ter segurança de que os processos produtivos em uma determinada cidade ou país sejam controlados para evitar grandes poluições ambientais e as devidas consequências para a saúde pública e o desequilíbrio da fauna e da flora. É importante que o PGRS descreva os tipos de resíduos gerados no empre- endimento; assim, os profissionais necessitam saber identificar e classificar os resíduos de forma correta (Figura 1). Segundo a Norma Brasileira ABNT NBR 10.004/2004, os resíduos sólidos são os resíduos nos estados sólido e semissólido que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nessa definição os lodos pro- venientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água ou que exijam, para isso, soluções técnicas e economicamente inviáveis em face de melhorar a tecnologia disponível (ASSOCIAÇÃO..., 2004). Licenciamento ambiental92 Figura 1. Os empreendimentos precisam identificar, classificar e dar o destino correto dos seus resíduos. Fonte: Peter Gudella/Shutterstock.com. Seria impossível abordar toda a legislação a respeito do licenciamento ambiental devido à sua vasta lista. Porém, é importante comentar que cada estado e seus municípios podem apresentar legislações próprias, que poderão ser mais restritivas que as legislações federais, mas que jamais podem passar sobre as legislações impostas pela União. 1. Os processos de licenciamento ambiental de uma atividade com impacto nacional, localizada em três estados brasileiros, compete a que órgão ambiental: a) Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). b) Fundação estadual de meio ambiente (FEAM). c) Instituto brasileiro do meio ambiente e dos recursos naturais renováveis (Ibama). d) Sistema nacional de meio ambiente (Sisnama). e) Ministério do Meio Ambiente (MMA). 2. Sobre o licenciamento ambiental, assinale a sentença 93Licenciamento ambiental que NÃO está correta: a) Ao licenciamento ambiente deve se dar publicidade. b) Considerando o exposto na Lei Federal nº 6.938 (BRASIL, 1981) e respeitadas as peculiaridades, o licenciamento ambiental é de competência do órgão ambiental estadual. c) O licenciamento ambiental é um dos instrumentos da Lei Federal nº 6.938 (BRASIL, 1981). d) A resolução Conama n. 237 (BRASIL, 1997) apresenta as atividades que estão sujeitas ao processo de licenciamento ambiental. e) Mesmo sendo obras de importância social e econômica, estações de tratamento de água, antes de serem construídas e operadas, devem ser licenciadas. 3. Vamos considerar que uma empresa mecânica de fabricação de peças com tratamento térmico e impacto ambiental local deseje se instalar no município de Porto Alegre. Sobre o seu licenciamento ambiental é CORRETO afirmar que: a) O licenciamento será conduzido pelo Ibama (Instituto brasileiro do meio ambiente e dos recursos naturais renováveis), pois essa atividade consta no Anexo 1 da Resolução Conama nº 237 (BRASIL, 1997). b) O licenciamento tramitará na FEPAM (órgão ambiental estadual), visto que Porto Alegre é a capital estadual. c) A licença prévia será emitida pelo órgão ambiental municipal competente, sendo que o prazo de emissão, segundo a resolução Conama nº 237 (BRASIL, 1997), é de 12 meses. d) O licenciamento ambiental será conduzido pelo órgão ambiental municipal competente, seguindo os critérios estabelecidos na Resolução Conama nº 237 (BRASIL, 1997). e) O licenciamento tramitará no Ibama, pois, mesmo sendo de impacto local, Porto Alegre é a capital de estado federado. 4. Segundo a Resolução Conama nº 237 (CONAMA, 1997), o processo de licenciamento resulta na emissão de três licenças: prévia, de instalação e de operação. Sobre essas licenças, assinale a sentença INCORRETA. a) O prazo de validade da licença de operação (LO) é de no mínimo dois anos, devendo sua renovação ser requerida com no mínimo 120 dias antes de expirar sua validade. b) No processo de licenciamento ambiental, a sequência de emissão das licenças é: prévia, de instalação e de operação. c) O prazo de validade da licença prévia não pode exceder cinco anos. d) A licença prévia e a licença de instalação poderão ter os prazos de validade prorrogados. e) A licença de operação poderá ter seu prazo de validade após a avaliação de seu desempenho ambiental no período de vigência anterior. 5. No que se refere às licenças ambientais, é CORRETO afirmar que: a) A licença de operação tem prazo de validade indeterminado, sendo que não necessita de revisão ao longo do Licenciamento ambiental94 período de funcionamento do empreendimento. b) O empreendedor que obtiver sua licença de operação não precisará comunicar ao órgão ambiental alterações no processo produtivo, bem como ampliação da área de influência. c) Se a licença ambiental for requerida a qualquer tempo antes da expiração do seu prazo de validade, este será automaticamente prorrogado até a manifestação definitiva do órgão competente. d) A emissão da licença ambiental libera o empreendedor licenciado de seu dever de reparar danos ambientais. e) A licença de operação apresenta restrições e condições para o funcionamento de um empreendimento com o objetivo de atender aos padrões de qualidade ambiental. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRAS DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10004/2004. Resíduos sólidos – classificação. São Paulo: ABNT, 2004. BRASIL. Constituição (1988). Constituiçãoda República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. 292 p. BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Brasília, DF, 1981. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6938. htm>. Acesso em: 13 dez. 2017. BRASIL. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais e admi- nistrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências. Brasília, DF, 1998. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/L9605.htm>. Acesso em: 13 dez. 2017. BRASIL. Lei nº 11.284, de 2 de março de 2006. Dispõe sobre a gestão de florestas públicas para a produção sustentável; institui, na estrutura do Ministério do Meio Ambiente, o Serviço Florestal Brasileiro - SFB; cria o Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal - FNDF; altera as Leis nº 10.683, de 28 de maio de 2003, 5.868, de 12 de dezembro de 1972, 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, 4.771, de 15 de setembro de 1965, 6.938, de 31 de agosto de 1981, e 6.015, de 31 de dezembro de 1973; e dá outras providências. Brasília, DF, 2006. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/legiabre. cfm?codlegi=485>. Acesso em: 13 dez. 2017. 95Licenciamento ambiental BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Brasília, DF, 2010. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 13 dez. 2017. BRASIL. Lei Complementar nº 140, de 8 de dezembro de 2011. Brasília, DF, 2011. Disponível e: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp140.htm>. Acesso em: 13 dez. 2017. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Caderno de licenciamento ambiental. Brasília, DF: Ministério do Meio Ambiente, 2009. CONAMA. Resolução CONAMA nº 001, de 23 de janeiro de 1986. Brasília, DF: Ministério do Meio Ambiente, 1986. Disponível em: < http://www.mma.gov.br/port/conama/ res/res86/res0186.html>. Acesso em: 13 dez. 2017. CONAMA. Resolução nº 237, de 19 de dezembro de 1997. Brasília, DF: Ministério do Meio Ambiente, 1986. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res97/ res23797.html>. Acesso em: 13 dez. 2017. TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Cartilha de licenciamento ambiental. 2.ed. Brasília: TCU, 2007. Leituras recomendadas MACHADO, A. Q. Licenciamento ambiental: atuação preventiva do Estado à luz da Cons- tituição da República Federativa do Brasil. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2012. SÁNCHEZ, L. E. Avaliação de impacto ambiental: conceitos e métodos. São Paulo: Oficina de Textos, 2008. TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Cartilha de licenciamento ambiental. Brasília, DF: TCU, 2004. 57p. Disponível em: <http://www.ambiente.gov.br/estruturas/sqa_pnla/_ar- quivos/cart_tcu.PDF>. Acesso em: 30 nov. 2017. Licenciamento ambiental96 Conteúdo: DICA DO PROFESSOR O licenciamento ambiental é um processo que se constitui em um dos instrumentos da Política Nacional de Meio Ambiente (lei federal n. 6.938, de 31 de agosto de 1981). Assista ao vídeo e confira mais sobre o assunto. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Os processos de licenciamento ambiental de uma atividade com impacto nacional, localizada em três estados brasileiros, compete a que órgão ambiental: A) Conselho nacional de meio ambiente – Conama. B) Fundação estadual de meio ambiente - FEAM. C) Instituto brasileiro do meio ambiente e dos recursos naturais renováveis – Ibama. D) Sistema nacional de meio ambiente - Sisnama. E) Ministério do meio ambiente - MMA. 2) Sobre o licenciamento ambiental, assinale a sentença que NÃO está correta: A) Ao licenciamento ambiente deve se dar publicidade. B) Considerando o exposto na Lei federal n. 6.938 (BRASIL, 1981) e respeitadas as peculiaridades, o licenciamento ambiental é de competência do órgão ambiental estadual. C) O licenciamento ambiental é um dos instrumentos da Lei federal n. 6.938 (BRASIL, 1981). D) A resolução Conama n. 237 (BRASIL, 1997) apresenta as atividades que estão sujeitas ao processo de licenciamento ambiental. E) Mesmo sendo obras de importância social e econômica, estações de tratamento de água, antes de serem construídas e operadas, devem ser licenciadas. 3) Vamos considerar que uma empresa mecânica de fabricação de peças com tratamento térmico e impacto ambiental local deseje se instalar no município de Porto Alegre. Sobre o seu licenciamento ambiental é CORRETO afirmar que: A) O licenciamento será conduzido pelo Ibama (Instituto brasileiro do meio ambiente e dos recursos naturais renováveis), pois essa atividade consta no Anexo 1 da resolução Conama n. 237 (BRASIL, 1997). B) O licenciamento tramitará na FEPAM (órgão ambiental estadual), visto que Porto Alegre é a capital estadual. C) A licença prévia será emitida pelo órgão ambiental municipal competente, sendo que o prazo de emissão, segundo a resolução Conama n. 237 (BRASIL, 1997), é de 12 meses. D) O licenciamento ambiental será conduzido pelo órgão ambiental municipal competente, seguindo os critérios estabelecidos na resolução Conama n. 237 (BRASIL, 1997). E) O licenciamento tramitará no Ibama, pois, mesmo sendo de impacto local, Porto Alegre é a capital de estado federado. Segundo a resolução Conama n. 237 (BRASIL, 1997), o processo de licenciamento resulta na emissão de três licenças: prévia, de instalação e de operação. Sobre essas 4) licenças, assinale a sentença INCORRETA. A) O prazo de validade da licença de operação (LO) é de no mínimo 2 anos, devendo sua renovação ser requerida com no mínimo 120 dias antes de expirar sua validade. B) No processo de licenciamento ambiental, a sequência de emissão das licenças é: prévia, de instalação e de operação. C) O prazo de validade da licença prévia não pode exceder 5 anos. D) A licença prévia e a licença de instalação poderão ter os prazos de validade prorrogados. E) A licença de operação poderá ter seu prazo de validade após a avaliação de seu desempenho ambiental no período de vigência anterior. 5) No que se refere às licenças ambientais, é CORRETO afirmar que: A) A licença de operação tem prazo de validade indeterminado, sendo que não necessita de revisão ao longo do período de funcionamento do empreendimento. B) O empreendedor que obtiver sua licença de operação não precisará comunicar ao órgão ambiental alterações no processo produtivo, bem como ampliação da área de influência. C) Se a licença ambiental for requerida a qualquer tempo antes da expiração do seu prazo de validade, este será automaticamente prorrogado até a manifestação definitiva do órgão competente. D) A emissão da licença ambiental libera o empreendedor licenciado de seu dever de reparar danos ambientais. E) A licença de operação apresenta restrições e condições para o funcionamento de um empreendimento com o objetivo de atender aos padrões de qualidade ambiental. NA PRÁTICA A busca pela melhoria da qualidade ambiental é um desafio individual e coletivo. Nesse sentido, a adequação ambiental de grandes empreendimentos, por meio do processo de licenciamento ambiental, é uma forma de minimizar os impactos negativos dessas obras necessárias para a sociedade, assegurando a qualidade ambiental e o desenvolvimento econômico. A construção de Complexos Hidrelétricos é um exemplo de grande empreendimento que afeta o nosso cotidiano. Quer saber como? Complexos Hidrelétricos são considerados empreendimentos que podem causar grandes alterações ambientais e, por isso, seu licenciamento envolve a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto de Meio Ambiente (EIA/RIMA). Esse documento tem como objetivo central avaliar as modificações na paisagem e identificar os impactosambientais. A partir do estudo de EIA/RIMA, são propostas medidas e ações para maximizar os impactos positivos e minimizar os negativos, viabilizando assim o empreendimento. Essas medidas e ações serão aplicadas durante as fases de instalação e operação do novo empreendimento, garantindo um desenvolvimento mais sustentável. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Mudam regras de licenciamento para rodovias, portos, petróleo e energia - 28/10/2011 Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Meio Ambiente por Inteiro - Licença ambiental (28/02/15) Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Guia de Procedimentos do Licenciamento Ambiental Federal Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Resolução nº 237 , de 19 de dezembro de 1997 Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Licenciamento ambiental: propostas para aperfeiçoamento Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Tratamento de emissões gasosas APRESENTAÇÃO Nessa Unidade de Aprendizagem você vai analisar alguns dos aspectos que contribuem para a poluição atmosférica, que causa danos ao meio ambiente e à saúde do homem. Também vai conhecer os principais gases causadores da poluição e do efeito estufa. Como não poderia faltar, serão apresentados os principais equipamentos para o tratamento das emissões atmosféricas. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer os principais poluentes atmosféricos.• Relacionar as fontes e as causas da poluição atmosférica.• Identificar as principais tecnologias para tratamento da poluição atmosférica.• DESAFIO Uma empresa solicitou a você a análise técnica de sistemas de tratamento de emissões atmosféricas para remoção de material particulado. Sabendo que há vários sistemas, compare as principais tecnologias considerando suas vantagens. INFOGRÁFICO O infográfico mostra que a poluição atmosférica pode ser proveniente de distintas fontes de poluição e de diversos poluentes. CONTEÚDO DO LIVRO A poluição atmosférica é resultado da ação antrópica sobre o meio. Entenda essa relação no livro Meio Ambiente e sustentabilidade, começando sua leitura no tópico Introdução até finalizar o item Material particulado". Leia também o título Mudança de paradigma na área de saúde e meio ambiente até o final deste tópico. M514 Meio ambiente e sustentabilidade [recurso eletrônico] / Organizadores, André Henrique Rosa, Leonardo Fernandes Fraceto, Viviane Moschini-Carlos. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Bookman, 2012. Editado também como livro impresso em 2012. ISBN 978-85-407-0197-7 1. Meio ambiente. 2. Sustentabilidade. I. Rosa, André Henrique. II. Fraceto, Leonardo Fernandes. III. Moschini- Carlos, Viviane. CDU 502-022.316 Catalogação na publicação: Natascha Helena Franz Hoppen CRB10/2150 13 Tratamento de emissões gasosas LEANDRO CARDOSO DE MORAIS, VALQUÍRIA DE CAMPOS, JO DWECK, MANUEL ENRIQUE GAMERO GUANDIQUE e PEDRO MAURÍCIO BÜCHLER para geração de energia nos setores indus- trial, elétrico e de transportes de grande parte das economias do mundo. Com o desenvolvimento industrial e urbano, houve, em todo o mundo, um au- mento da emissão de poluentes atmosféri- cos. O acréscimo das concentrações atmos- féricas dessas substâncias, e sua deposição no solo, nas plantas e nos materiais é respon- sável por danos à saúde, prejuízos em plan- tações, danos florestais, degradação no solo, causando desequilíbrio em ecossistemas. A poluição do ar em centros urbanos está relacionada a problemas respiratórios, INTRODUÇÃO A poluição do ar ocorre principalmente de- vido às atividades antrópicas. Com a revo- lução industrial, que teve seu início no sé- culo XVIII, a poluição atmosférica teve um aumento significativo. Naquele tempo, se usava o carvão mineral, que em sua queima despejava na atmosfera das cidades indus- trializadas milhares de quilos de poluentes. Hoje em dia, a poluição é resultado principal da queima de combustíveis fósseis como o carvão mineral e os derivados do petróleo. Esses combustíveis são utilizados Objetivos do capítulo Com o aumento de processos industriais em todo o mundo, ocorreu o aumento de emissões gasosas. Essas emissões são causadoras de inúmeros problemas no meio ambiente, provocando o desequilíbrio em ecossistemas terrestres e aquáticos, tendo também grande influência na saúde da população mundial, quando inaladas, direta ou indiretamente. Como esses gases são gerados a partir de processos in- dustriais, são na sua maioria altamente tóxicos, ou, quando combinados com outros gases do processo de fabricação ou mesmo da atmosfera, se tornam tóxicos. O grande problema destes, quando lançados na atmosfera, é que se misturam com outros gases existentes, inclusive o ar que respiramos, e assim são carreados para nosso organismo. Sendo assim, há a necessidade de se ter um rigoroso controle das emissões gasosas. Alguns métodos de controle de emissões industriais estão descritos neste capítulo, porém, é importante dizer que existem outras metodolo- gias que podem ser utilizadas para o controle e tratamento dos gases gerados nas indústrias. Os equipamentos para controle de emissões dependem do tipo de mis- tura gasosa, tamanho de partículas e temperatura de saída do fluxo gasoso. 302 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.) como alergias, rinites alérgicas, bronquite, podendo causar também dor de cabeça, ir- ritação nos olhos e garganta, doenças carci- nogênicas, entre outras. É prejudicial às construções, monumentos e ecossistemas, pois leva à formação da chamada chuva ácida, que degrada as construções por oxi- dação química e danifica ecossistemas, po- dendo causar a morte destes. A poluição do ar afeta também o clima. O fenômeno conhecido como efeito estufa, que aumenta a temperatura do pla- neta, cresce a cada dia. O efeito estufa é de- corrente dos gases poluentes que formam uma camada de poluição na atmosfera, blo- queando a dissipação do calor. Desta forma, o calor fica concentrado na atmosfera, pro- vocando mudanças climáticas. Essas mu- danças podem afetar a humanidade, pois por causa de fortes chuvas, tufões, maremo- tos e aumento do nível dos oceanos, catás- trofes poderão ocorrer. PRINCIPAIS POLUENTES Dióxido de Enxofre (SO2): esse poluente se apresenta na baixa atmosfera. O dióxido de enxofre natural é proveniente de erupções vulcânicas e da decomposição vegetal e ani- mal, no solo, pântanos e oceanos. Já o dió- xido de enxofre de fonte artificial é prove- niente da queima de combustíveis fósseis, como o petróleo e seus derivados. A hulha (FeS2) contém de 1 a 3% de enxofre, que, por meio de queima, produz o dióxido de enxofre, visto na reação a seguir. Os óleos pesados da destilação de petróleo contêm de 1 a 2% de enxofre, em alguns pa- íses esse teor chega a 5%. Uma quantidade de 0,1 a 0,2 ppm (partes por milhão) já é prejudicial à saúde humana. 4FeS2(s) + 11O2 → 2Fe2O3 + SO2 R(1) Alguns fatores podem influenciar as reações de dióxido de enxofre, como a tem- peratura, intensidade de luz, umidade, transporte atmosférico e características de materiais particulados. Esse poluente sofre reações químicas formando partículas. A maior parte do SO2 presente na atmosfera é oxidada a ácido sulfúrico e sulfatos, parti- cularmente sulfato de amônio e sulfato de hidrogênio amônio. Sobre a saúde humana, o principal efei to é causado no aparelho respiratório. O dióxido de enxofre, quando conver- tido em ácido sulfúrico, provoca a chuva ácida que pode destruir as plantas. Reações que ocorrem na atmosfera são: SO2(g) + 2O2(g) → 2SO2(g) R(2) SO3(g) + H2O(g) → H2SO4(g) R(3) Uma maneira de reduzir a presença desse gás na atmosfera é a remoção do en- xofre do carvão e do óleo antes da com- bustão através da injeção de calcário pul- verizado nas fornalhas.A decomposição do calcário produz cal e gás carbônico, o óxido de cálcio reage com o dióxido de en- xofre formando sulfito de cálcio, conforme reação R(4): CaO + SO2 → CaSO3 R(4) As partículas de CaSO3 sólidas e uma parte de SO2 são removidas do gás de com- bustão por uma suspensão aquosa de cal. Óxidos de nitrogênio (NOx) Os óxidos mais encontrados na atmosfera são: o óxido nitroso, óxido nítrico e o dióxi- do de nitrogênio. Cerca de 60% das emissões de óxido nitroso são provenientes de fontes naturais, de emanações de solos, principalmente os tropicais, e aparecem em grande quantidade nos oceanos. O monóxido de nitrogênio (NO) e o dióxido de nitrogênio (NO2) são poluentes provenientes do escape de veículos Meio ambiente e sustentabilidade 303 motorizados, aviões, fábricas de fertilizantes, explosivos, termoelétricas e queimadas. Como o ar utilizado para combustão dentro de motores dos automóveis possui oxigênio e nitrogênio, com a elevação da tem peratura no sistema, para ocorrer a com- bustão acontece a reação entre esses gases, produzindo o monóxido de nitrogênio. N2(g) + O2(g) → 2NO(g) R(5) E esse gás é oxidado formando dióxi- do de nitrogênio: 2NO(g) + O2(g) → 2NO2(g) R(6) O NO2 reage com a água formando ácido nítrico (causador da chuva ácida) e o monóxido nitroso. 3NO2(g) + 3H2O(L) → 2H3O+ (aq) + 2NO3 - (aq) + NO(g) R(7) Os óxidos de nitrogênio sofrem trans- formações fotoquímicas no meio ambiente o que leva à formação de ozônio. Monóxido de carbono (CO) O monóxido de carbono é um gás incolor, inodoro e tóxico, sendo um dos principais poluentes da atmosfera. Esse gás é emitido pelo escamento dos automóveis – por meio de combustão incompleta ocorrida no motor dos carros –, por material que con- tém carbono, derivado de combustíveis fós- seis e está presente na reação de oxidação do metano. O monóxido de carbono é um gás inerte, não causando grandes problemas à vegetação e aos materiais expostos à atmos- fera, mas, se aspirado em determinadas con- centrações, pode levar à morte. Como a combustão incompleta é a fonte primária de emissões do monóxido de carbono, medidas, como a utilização de catalisadores, são bastante úteis para auxi- liar na oxidação do monóxido de carbono em dióxido de carbono que é processado pelas plantas. Material particulado As partículas presentes na atmosfera podem ser sólidas ou gotículas de líquido. O mate- rial particulado, como os aerossóis atmos- féricos, são partículas sólidas ou líquidas com diâmetro inferior a 100µ. As partículas com tamanho entre 0,001 e 10µ se encon- tram normalmente em suspensão no ar em regiões próximas às fontes de poluição, como áreas industriais e urbanas, rodovias e usinas elétricas. Partículas sólidas muito pequenas in- cluem o iodeto de prata, negro de fumo, núcleos de combustão e de sal marinho. As partículas maiores incluem poeira de solo, poeira de cimento, poeira de fundições, entre outros. O material particulado líqui- do inclui gotas de chuva, névoa e neblina de ácido sulfúrico. As partículas de sal marinho são for- madas pelas bolhas que explodem na água do mar formando pequenas partículas de aerossol. A evaporação da água dessas par- tículas forma partículas sólidas de núcleos de sal marinho. Algumas são de origem biológica como bactérias, fungos, vírus e pólen. Os efeitos dos materiais particulados em forma isolada ou combinada com po- luentes gasosos podem ser prejudiciais à saúde humana. MEDIDAS DA POLUIÇÂO ATMOSFÉRICA Quando um combustível é queimado, ocor- re a liberação de partículas sólidas e gases. Quando esse material é suficientemente leve, ele sobe para a atmosfera. Meio ambiente e sustentabilidade 163 de determinadas populações, na realização de avaliações do impacto de mudanças am- bientais produzidas por projetos econômi- cos e sociais, no próprio ecossistema local e na saúde das populações humanas para a tomada de decisão sobre o desenvolvimen- to de projetos. Essas avaliações têm como fi- nalidade oferecer informações sobre os pro- váveis impactos e as possíveis medidas para reduzir e ou prevenir essas situações de risco. MUDANÇA DE PARADIGMA NA ÁREA DE SAÚDE E MEIO AMBIENTE As últimas décadas registraram vários even- tos na área tanto de meio ambiente como da saúde, documentando a mudança de uma série de paradigmas nessas áreas. A mudança de valores se reflete na atualização do conceito de saúde que reconhece que, para enfatizar o viés profilático, deve ser re- conhecida a relevância da interferência di- reta ou indireta dos fatores ambientais na prevenção de doenças e agravos à saúde hu- mana. A Declaração da Conferência sobre cuidados Primários de Saúde da OMS- -UNICEF, que ocorreu em 1978 em Alma- -Ata, no Cazaquistão, enfatiza a saúde como um direito humano fundamental. Permitiu que a saúde, como um bem público, se in- corporasse à legislação nacional e interna- cional como instrumento de ações que ob- jetivassem a redução das desigualdades do estado de saúde dos povos, principalmente entre os de países desenvolvidos e em de- senvolvimento. Portanto, a saúde não mais se explica exclusivamente pela ausência de doença, apoiada principalmente em intervenções clínico-cirúrgicas ou em medidas preventi- vas tradicionais, mas sim como resultado de ações de caráter intersetorial, que a conside- rem um produto e, ao mesmo tempo, um insumo do desenvolvimento. Em 1986, ocorreu no Canadá a Primeira Conferência Internacional sobre a Promoção da Saúde, na qual foi promulgada, pela Organização Mundial da Saúde, a “Carta de Ottawa para promoção da Saúde” atendendo à demanda de uma nova concepção de saúde pública. Nesse contexto, delineou-se um cenário no qual a importância da qualidade do meio ambiente era redimensionada para um espa- ço ecossocial. Definiram-se linhas de ação no sentido de se criarem ambientes favorá- veis à saúde, os chamados ambientes saudá- veis. Inúmeras conferências internacionais sobre o tema se sucederam e vêm influen- ciando políticas de saúde coletiva dos mais diversos países. O texto da Constituição Federal Brasi- leira, promulgada em 1988, já reflete essa concepção de relação intrínseca entre meio ambiente e saúde. Em seu Artigo 196, a saúde é definida como direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políti- cas sociais e econômicas que visem à redu- ção do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e re- cuperação. Já em seu Art. 225, prevê que todos têm direito ao meio ambiente ecologica- mente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletivi- dade o dever de defendê-lo, preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Em 1990 a Organização Mundial da Saúde cria uma Comissão de Saúde e Meio Ambiente. Durante essa mesma década, o Brasil deu início à elaboração da Política Nacional de Saúde Ambiental, possibilitan- do posteriormente a implantação do Siste- ma de Vigilância em Saúde Ambiental com o objetivo de compreender as relações entre os elementos ambientais e de saúde sobre os quais cabe à saúde pública intervir. 164 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.) De acordo com o documento “Subsí- dios para construção da Política Nacional de Saúde Ambiental”, divulgado em 2007 pelo Ministério da Saúde, o campo da Saúde Am- biental compreende a área da saúde pública afeita ao conhecimento científico e à for- mulação de políticas públicas e as corres- pondentes intervenções (ação) relacionadas à interação entre a saúde humana e os fato- res do meio ambiente natural e antrópico que a determinam, condicionam e influen- ciam, com vistas a melhorar a qualidade de vida do ser humano sob o ponto de vista da sustentabilidade. Nesse sentido, a articulação e a visão de indissociabilidade entre as áreas de meio ambiente e saúde aponta para a necessidade de açõespreventivas, tanto relacionadas à proteção do meio ambiente como à promo- ção de saúde. No caso particular da vigilân- cia em saúde, a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) estruturou o Sistema Na- cional de Vigilância Ambiental em Saúde (SINVAS). Sua regulamentação através da Instrução Normativa No 1 do Ministério da Saúde, de 25 de setembro de 2001, definiu competências no âmbito federal dos Esta- dos, do Distrito Federal e dos Municípios e, para esses fins, apontou também como prioridades para intervenção os fatores bio- lógicos representados pelos vetores, hospe- deiros, reservatórios e animais peçonhen- tos; e os fatores não biológicos, que incluem a qualidade da água para consumo huma- no, ar, solo, contaminantes ambientais, de- sastres naturais e acidentes com produtos perigosos. A Vigilância Ambiental em Saúde é definida pela Fundação Nacional da Saúde como um conjunto de ações que proporciona o conhecimento e a detecção de qualquer mu- dança nos fatores determinantes e condicio- nantes do meio ambiente que interferem na saúde humana, com a finalidade de identifi- car as medidas de prevenção e controle dos fa- tores de risco ambientais relacionados às do- enças ou outros agravos à saúde. Compete ao sistema produzir, integrar, processar e in- terpretar informações que sirvam de ins- trumentos para que o Sistema Unificado de Saúde possa planejar e executar ações relati- vas à promoção de saúde e de prevenção e controle de doenças relacionadas ao am- biente. A Vigilância em Saúde Ambiental foi estruturada por meio do Subsistema Nacio- nal de Vigilância em Saúde Ambiental, re- gulamentado pela Instrução Normativa MS/SVS Nº 1, de 7 de março de 2005. O Subsistema Nacional de Vigilância em Saúde Ambiental – SINVSA compreende o conjunto de ações e serviços prestados por órgãos e entidades públicas e privadas, rela- tivos à vigilância em saúde ambiental, vi- sando ao conhecimento e à detecção ou pre- venção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde humana, com a finalidade de recomendar e adotar medidas de promoção da saúde ambiental, prevenção e controle dos fatores de risco re- lacionados às doenças e outros agravos à saúde, em especial: I. água para consumo humano; II. ar; III. solo; IV. contaminantes ambientais e substân- cias químicas; V. desastres naturais; VI. acidentes com produtos perigosos; VII. fatores físicos; e VIII. ambiente de trabalho. Parágrafo Único – Os procedimentos de vi- gilância epidemiológica das doenças e agra- vos à saúde humana associados a contami- nantes ambientais, especialmente os rela- cionados com a exposição a agrotóxicos, amianto, mercúrio, benzeno e chumbo serão de responsabilidade da Coordenação Geral de Vigilância Ambiental em Saúde – CGVAM. O conceito ampliado de exposição, tratado não como um atributo da pessoa, Meio ambiente e sustentabilidade 165 mas como conjunto de relações complexas entre a sociedade e o ambiente, é central para a definição de indicadores e para a orientação da prática de vigilância ambien- tal. Entre as dificuldades encontradas para sua efetivação no Sistema Único de Saúde no Brasil, estão a necessidade de reestrutu- ração das ações de vigilância em saúde e a formação de equipes multidisciplinares, com capacidade de diálogo com outros se- tores, além da construção de sistemas de in- formação capazes de auxiliar a análise de si- tuações de saúde e a tomada de decisões. Por exemplo, a Figura 7.5 mostra o poten- Figura 7.5 Mapa da distribuição espacial do Risco Relativo da incidência de tuberculose em Rio Claro, São Paulo, Brasil. 166 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.) cial do uso de indicadores de risco para ges- tão e planejamento em vigilância ambiental que, muitas vezes, não são incorporados aos métodos de análise. Como tentativa de articular as esferas governamentais e demais atores envolvidos nesse processo e consolidar a Política Na- cional de Saúde Ambiental, o Ministério de Meio Ambiente programou para dezembro de 2009, em Brasília, a I Conferência Nacio- nal de Saúde Ambiental. INTEGRAÇÃO DAS AÇÕES DE PROMOÇÃO DE SAÚDE E PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE Ações de integração dos vários setores en- volvidos são sempre bem-vindas e necessá- rias. A complexidade das questões socioam- bientais exige cada vez mais preparo para seu enfrentamento, pois muitas vezes a apa- rente resolução de um problema pode agra- var outro. O equacionamento dessas situa- ções é um grande desafio. Geralmente, a promoção à saúde e a proteção ao meio am- biente são vistas como valores que intera- gem sempre em harmonia. No entanto, em- bora a interface e a interdependência dessas duas questões seja inquestionável, as ações voltadas para promoção da saúde, se conce- bidas de forma desarticulada da proteção ao meio ambiente, podem gerar um cenário muito negativo. Por exemplo, a produção de alimento em larga escala, como ação de combate à fome, normalmente representa a ocupação de extensas áreas de vegetação natural substituídas pelas culturas utiliza- das como alimentos. Isso tem representado desmatamento, destruição de hábitats natu- rais e também pode significar a introdução local de inúmeros contaminantes no ar, na água e no solo com a justificativa de manter a produtividade e combater as pragas, o que Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. DICA DO PROFESSOR Para minimizar os efeitos dos distintos poluentes atmosféricos, é necessário empregar tecnologias para seu tratamento. Acompanhe a videoaula. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Os poluentes atmosféricos podem ser provenientes de fontes fixas e móveis. Também a poluição pode ser classificada como de fontes naturais ou artificiais. Assinale a alternativa que NÃO retrata um causador da poluição atmosférica. A) Indústria petroquímica. B) Queimadas em campos. C) Gases de emissões vulcânicas. D) Oxigênio. E) Veículos automotores. 2) As crescentes emissões de alguns gases têm causado sérios problemas ambientais, como, por exemplo, a intensificação do efeito estufa. Os principais gases do efeito estufa ou gases estufa são: dióxido de carbono (CO2), gás metano (CH4), óxido nitroso (N2O), perfluorcarbonetos, hexafluoreto de enxofre (SF6) e hidrofluorcarbonetos (HFCs). Indique a ação que NÃO contribui para a redução do efeito estufa. A) Não adotar estratégias para a redução da geração de resíduos sólidos. B) Aumentar a produção agropecuária em bases sustentáveis. C) Fazer revisões periódicas nos automóveis e calibrar os pneus. D) Aumento da cobertura vegetal. E) Tirar os aparelhos eletrônicos da tomada. 3) A destruição da camada de ozônio, a intensificação do efeito estufa e as chuvas ácidas são três consequências da poluição atmosférica. Os principais gases envolvidos são, respectivamente: A) Clorofluorcarbono, dióxido de enxofre e dióxido de carbono. B) Dióxido de enxofre, dióxido de carbono e clorofluorcarbono. C) Dióxido de carbono, clorofluorcarbono e dióxido de enxofre. D) Clorofluorcarbono, dióxido de carbono e dióxido de enxofre. E) Dióxido de carbono, dióxido de enxofre e clorofluorcarbono. 4) Dentre as principais causas de doenças relacionadas à poluição do ar, podemos destacar os acidentes vasculares cerebrais, câncer, doenças cardíacas e doenças respiratórias. Além de irritação das mucosas, da garganta e bronquite. Assim, um importante poluente atmosférico tem a propriedade de se combinar com a hemoglobina do sangue, anulando-a para o transporte de gás oxigênio. Assinale esse poluente. A) Ozônio. B) Metano. C) Dióxido de carbono. D) Dióxido de enxofre. E) Monóxido de carbono. 5) Entre os principais poluentes atmosféricos podemos citar os materiais particulados que são constituídos por poeiras, fumaças e outros materiaissuspensos na atmosfera. Quanto menor o diâmetro das partículas que compõem os materiais particulados, maiores são os impactos ambientais provocados sobre a saúde. Dentre as tecnologias para tratamento de poluição atmosférica que podem ser utilizadas para remoção de materiais particulados, podemos citar uma em que o fluxo gasoso é forçado a passar por um material esponjoso onde o material particulado fica retido. Essa técnica chama-se: A) Ciclone B) Filtro de manga C) Coletor Gravitacional D) Lavador de Gás E) Precipitador Eletrostático NA PRÁTICA Estudos científicos comprovam que o aumento da temperatura no planeta está associado à emissão de poluentes na atmosfera. A questão é: o que cada um de nós pode fazer para contribuir com a redução da emissão desses gases? No diálogo de João e Maria eles discutem sobre o tema. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Novo relatório do IPCC sobre aquecimento de 1,5°C pede mais esforços para ação climática Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) - Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) - Qualidade do ar Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) - Qualidade do ar da região Metropolitana de São Paulo Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Gerenciamento de Resíduos Sólidos APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem você vai analisar conceitos, tecnologias e desafios no gerenciamento de resíduos sólidos. Os resíduos sólidos são gerados por todos nós, que somos responsáveis pela sua separação e pela participação na coleta seletiva. Você vai estudar, além da coleta seletiva, que é um dos instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos, outros princípios importantes para a gestão dos resíduos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Classificar os resíduos sólidos.• Refletir sobre a atual forma de gestão dos resíduos sólidos urbanos.• Identificar possíveis formas de tratamento de resíduos sólidos.• DESAFIO Você foi contratado pelo poder público municipal para auxiliar na organização do sistema de gestão dos resíduos sólidos, de forma a atender aos critérios técnicos que constam em normas e legislações. Para tanto, o trabalho inicial é elencar as principais tipologias de resíduos sólidos quanto à sua origem e aos responsáveis pelo seu manejo, lembrando que deve haver um embasamento legal para que o trabalho de fato seja posto em prática. INFOGRÁFICO A reciclagem dos resíduos sólidos é fundamental para a sua gestão. CONTEÚDO DO LIVRO Para saber o conceito de resíduo, sua origem e classificação, as principais formas de gestão, as técnicas de tratamento e a legislação correspondente ao tema, leia o capítulo a seguir e apronfunde seus estudos. Boa Leitura! SANEAMENTO Magnum Eltz Gerenciamento de resíduos sólidos Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Classificar os resíduos sólidos. � Refletir a atual forma de gestão dos resíduos sólidos urbanos. � Identificar possíveis formas de tratamento de resíduos sólidos. Introdução Neste texto, você vai analisar conceitos, tecnologias e desafios no geren- ciamento de resíduos sólidos. Os resíduos sólidos são gerados por todos nós, que somos responsáveis pela sua separação e pela participação na coleta seletiva. Você vai estudar, além da coleta seletiva, que é um dos instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos, outros princípios importantes para a gestão dos resíduos. Resíduos sólidos — definições gerais Os materiais sempre fizeram parte da história da humanidade, e a relação dos povos com eles muitas vezes foi determinante. O desenvolvimento da área de pesquisa de materiais acompanhou as novas necessidades da população, cujo dia a dia ficou mais complexo. A maioria da população está concentrada em aglomerados urbanos e precisa ter suprida sua necessidade de água, alimentos e uma infinidade de outros produtos e serviços. Além disso, há a necessidade de atender uma população mundial estimada em 7,5 bilhões de pessoas, o que significa que temos de explorar cada vez mais o planeta para garantirmos a própria sobrevivência (ROSA; FRACETO; MOSCHINI-CARLOS, 2012). Antes de iniciarmos a discussão a respeito de resíduos sólidos urbanos (RSU), é importante diferenciar as expressões “lixo” e “resíduos”. Segundo Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (2012) estabelecem as seguintes definições: � Lixo é todo e qualquer produto ou material que não tenha serventia; assim, o lixo deve ser disposto. � Resíduo é todo e qualquer produto ou material, proveniente de um processo, que ainda pode ter serventia, podendo ser reaproveitado por meio de reutilização ou reciclagem. � Resíduo sólido é o resíduo cuja composição não permite o escoamento livre. A quantidade de resíduos gerados é enorme, ocasionando a poluição das águas (superficiais e subterrâneas), do solo e do ar, já que, em muitos casos, esses materiais não são dispostos de forma ambientalmente correta. Veja na Figura 1 um aterro, que exemplifica a quantidade de resíduos sólidos gerada nas cidades. Figura 1. Exemplo da quantidade de resíduos sólidos urbanos gerados. Fonte: vchal/Shutterstock.com. Gerenciamento de resíduos sólidos2 Entre os fatores que influenciam na geração de resíduos sólidos urbanos, pode-se mencionar a economia do país (boom econômico e recessão); o número de habitantes da região; a área relativa de produção; as variações sazonais e condições climáticas; os hábitos e costumes da população; o nível educacional e poder aquisitivo; o tipo de equipamento e frequência de coleta; a segregação na origem; as leis e regulamentação específicas; e a tecnologia. Classificação de resíduos sólidos Os resíduos podem ser classificados quanto ao seu estado físico em resíduos gasosos, líquidos ou sólidos. Os resíduos gasosos são gerados pela queima de combustíveis ou materiais diversos, ou pelos processos produtivos. Os resíduos líquidos, por sua vez, são divididos da seguinte maneira: � Efluentes domésticos: efluente líquido gerado na atividade urbana, com carga poluidora essencialmente orgânica (como por exemplo os esgotos). � Efluentes industrias: gerados pela atividade industrial. Podem ser orgânicos ou inorgânicos. Os resíduos sólidos compõem o maior grupo de resíduos e são classificados conforme listado abaixo. � Resíduos sólidos industrias: gerados pela atividade industrial. Podem ser orgânicos, como os resíduos sólidos gerados em indústrias alimen- tícias, ou inorgânicos, gerados em indústrias que produzam metais, plásticos, entre outros. � Resíduos urbanos: incluem o resíduo domiciliar gerado nas residências; o resíduo comercial, produzido em escritórios, lojas, hotéis, supermer- cados, restaurantes e em outros estabelecimentos afins; os resíduos de serviços, oriundos da limpeza pública urbana; além dos resíduos de varrição das vias públicas, limpezas de galerias, terrenos, córregos, praias, feiras, podas, capinação. 3Gerenciamento de resíduos sólidos De acordo com o Senado Federal (BRASIL, 2018), os cerca de 7 bilhões de seres humanos espalhados pelo mundo produzem anualmente 1,4 bilhão de toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU), o que gera em média de 1,2 kg por dia per capita. Quase a metade desse total é gerada por menos de 30 países, os mais desenvolvidos do mundo. Se o número parece assustador, um cenário ainda mais sombrio é traçado por estudos da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Banco Mundial: daqui a 10 anos, serão 2,2 bilhões de toneladas anuais. Na metade deste século, se o ritmo atual for mantido, teremos 9 bilhões de habitantes e 4 bilhões de toneladas de lixo urbano por ano. � Resíduos de serviços de saúde:são os resíduos produzidos em hos- pitais, clínicas médicas e veterinárias, laboratórios de análises clíni- cas, farmácias, centros de saúde, consultórios odontológicos e outros estabelecimentos afins. Esses resíduos podem ser agrupados em dois níveis distintos: ■ resíduos comuns: compreendem os restos de alimentos, papéis, in- vólucros, etc.; ■ resíduos sépticos: constituídos de restos de salas de cirurgia, áreas de isolamento, centros de hemodiálise, etc. O seu manuseio (acon- dicionamento, coleta, transporte, tratamento e destinação final) exige atenção especial, devido ao potencial risco à saúde pública que podem oferecer. � Resíduos de portos, aeroportos, terminais rodoviários e ferroviá- rios: constituem os resíduos sépticos, que podem conter organismos patogênicos e veicular doenças de outras cidades, estados e países, como materiais de higiene e de asseio pessoal, restos de alimentos, etc. � Resíduos agrícolas: correspondem aos resíduos das atividades da agricultura e da pecuária, como embalagens de adubos, defensivos agrícolas, ração, restos de colheita, esterco animal. A maior preocupação, no momento, está voltada para as embalagens de agroquímicos, pelo alto grau de toxicidade que apresentam, sendo alvo de legislação específica. � Resíduos da construção civil: resíduos de demolições, restos de obras, solos de escavações, entre outros. � Resíduos radioativos (lixo atômico): são resíduos provenientes dos combustíveis nucleares. Seu gerenciamento é de competência exclusiva da CNEN — Comissão Nacional de Energia Nuclear. Gerenciamento de resíduos sólidos4 Segundo a ABNT (NBR 10.004/2004), os resíduos sólidos são resíduos nos estados sólidos e semissólidos que resultam de atividades da comunidade. Essas atividades são de origem industrial, doméstica, de serviços de saúde, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Consideram-se também resíduos sólidos os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos, cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpo d’água, ou exijam, para isso, soluções técnicas e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004). Gestão dos resíduos sólidos urbanos O Brasil tem uma série de problemas associados aos resíduos sólidos urbanos (RSU). A sua geração tem crescido de forma acentuada em função da urbani- zação crescente nas últimas décadas, o aumento da renda e do consumo e de mudanças nos hábitos de vida da população. Os problemas são os mais diversos, como a falta de coleta seletiva em determinadas localidades e, principalmente, a destinação inadequada dos resíduos sólidos na maior parte do território nacional. Uma parcela significativa dos resíduos gerados é disposta de forma inadequada em “lixões” ou aterros controlados, gerando diversos problemas ambientais, além de problemas sociais e de saúde para as famílias que vivem nesses ambientes (TONETO JÚNIOR; DOURADO; SAIANI, 2014). Em consonância às crescentes preocupações ambientais relacionadas à preservação dos recursos naturais e aos impactos e sociais ocasionados pelo crescimento econômico e pela geração de resíduos, foi sancionada, em 2 de agosto de 2010, a Lei nº. 12.305, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Essa legislação contém instrumentos importantes para per- mitir o avanço necessário ao País no enfrentamento dos principais problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos. Entre os principais objetivos da gestão de resíduos sólidos urbanos, estão: � diminuir a quantidade de resíduos sólidos gerados; � diminuir a quantidade de material aterrado. 5Gerenciamento de resíduos sólidos Mas como esses dois objetivos podem ser atingidos? Basicamente, eles podem ser atingidos coma redução da geração de resíduos sólidos, promovendo o reaproveitamento por meio da reciclagem e da reutilização de materiais (com artesanato, por exemplo). Temos com isso uma série de benefícios, que incluem: � conscientização sobre a não renovação de recursos naturais e a neces- sidade de proteção ambiental; � menor exploração de recursos naturais; � economia de importação de matérias-primas; � geração de emprego e renda; � menor consumo de energia e água na fabricação; � custos de produção mais baixos na produção; � diminuição da poluição do ar, das águas e dos solos; � menor quantidade de resíduos aterrados e aumento da vida útil de aterros; � menor ocorrência de problemas ambientais. A Lei nº. 12.305/2010 estabelece a prevenção e redução da geração de resíduos pro- pondo a prática de hábitos de consumo sustentável e um conjunto de instrumentos para propiciar o aumento da reciclagem e da reutilização dos resíduos sólidos (aquilo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reaproveitado) e a destinação am- bientalmente adequada dos rejeitos (aquilo que não pode ser reciclado ou reutilizado). Ela institui a responsabilidade compartilhada dos geradores de resíduos: fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, cidadãos e titulares de serviços de manejo dos resíduos sólidos urbanos na logística reversa dos resíduos e embalagens pré- -consumo e pós-consumo (BRASIL, 2010). A Lei nº. 12.305/2010, em seu artigo 10, incumbe ao Distrito Federal e aos municípios a gestão integrada dos resíduos sólidos gerados nos respectivos territórios, sem prejuízo das competências de controle e fiscalização dos órgãos federais e estaduais do Sisnama (Sistema Nacional do Meio Ambiente), do SNVS (Sistema Nacional de Vigilância Sanitária) e do Suasa (Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária). Também incumbe ao ge- rador do resíduo sólido a responsabilidade pelo gerenciamento de resíduos (BRASIL, 2010). Gerenciamento de resíduos sólidos6 Coleta seletiva A coleta seletiva é a forma de gestão dos RSU mais utilizada no Brasil. Ela consiste em um mecanismo de recolha dos resíduos, os quais são classificados de acordo com sua origem e depositados em contentores indicados por cores. Dessa forma, os materiais que podem ser reciclados são separados do lixo orgânico (restos de carne, frutas, verduras e outros alimentos). O lixo orgâ- nico é descartado em aterros sanitários ou usado para a fabricação de adubos orgânicos (BARBOSA, 2014), conforme veremos mais adiante neste capítulo. A Resolução CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) nº. 275, de 25 de abril de 2001, estabeleceu um código de cores para diferentes tipos de resíduos na coleta seletiva. No padrão das cores dos contentores, os materiais que cada um deles recebe são (BRASIL, 2001): � azul: papéis e papelões; � verde: vidros; � vermelho: plásticos; � amarelo: metais; � marrom: resíduos orgânicos; � preto: madeiras; � cinza: materiais não reciclados; � branco: lixos hospitalares; � laranja: resíduos perigosos; � roxo: resíduos radioativos. A coleta seletiva representa a maneira ecológica mais adequada para o descarte de lixo. Associada à educação ambiental e ao desenvolvimento sus- tentável, a coleta seletiva evita a poluição do solo e das águas. O princípio que rege a coleta seletiva são os três Rs — reduzir, reutilizar e reciclar. Esse princípio ficou mundialmente conhecido pela sua aparição na Agenda 21, um documento elaborado por 179 países durante a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), conforme menciona Barbosa (2014). � reduzir: mudança de hábitos de consumo, reduzindo assim a prolife- ração de lixo; � reutilizar: reutilização de materiais, como sacolas de supermercado, potes de vidro e plástico, entre outros; 7Gerenciamento de resíduos sólidos � reciclar: com processos artesanais ou industriais, transformam-se ma- teriais usados em novos produtos. A Figura 2 apresenta a base de uma boagestão de resíduos. Figura 2. Base de prioridades para uma boa gestão de resíduos. Redução da geração de resíduos Reutilização dos resíduos Reciclagem dos resíduos Destino Final correto De modo geral, a reciclagem tem por objetivo o reaproveitamento de um material beneficiado como matéria-prima para um novo produto. Entre as vantagens dessa prática, tem-se a diminuição do uso de recursos naturais (água e energia) que seriam consumidos na nova produção desses materiais, o aumento da vida útil dos aterros, a diminuição gastos públicos e a geração de renda para os catadores de material reciclável. Reciclagem Como os materiais são reciclados? Veja, a seguir, uma pequena descrição dos principais tipos de materiais que compõem os RSU, conforme menciona Barbosa (2014). � Vidro: este material pode ser reciclado ilimitadamente. Inicialmente, recebe uma lavagem para retirada das sujidades e, em seguida, passa por um processo de trituração. Os cacos são então aquecidos e fundidos a uma temperatura acima de 1.300°C. Após esse processo, garrafas, copos, entre outros, podem ser moldados e utilizados novamente. � Plástico: após a coleta, o plástico é lavado e enviado a um processo de descontaminação, permitindo a sua granulação. Os processos de seleção, moagem, lavagem e descontaminação seguem padrões específicos. Gerenciamento de resíduos sólidos8 � Metais: normalmente são 100% recicláveis, e o alumínio é o principal exemplo. O processo de seu reaproveitamento consiste na retirada de impurezas, como areia, terra e metais ferrosos, remoção das tintas e vernizes e, por fim, fundição do metal. Em um forno específico, ele fica em estado líquido, para depois se tornar laminado. São essas chapas que são transformadas em novas latas/produtos. � Papelão/papel: os papéis recicláveis são separados por tipo e vendidos para os “aparistas”, que transformam os papéis em aparas que são enfardadas e vendidas para as indústrias, onde o papel é cortado em tiras, colocado em um tanque de água quente e mexido até que forme uma pasta de celulose. Posteriormente, drena-se a água e retiram-se as impurezas. Em seguida, ele é despejado sobre uma tela de arame, a água passa e restam as fibras. O material é seco, prensado por pesados cilindros a vapor, alisado por rolos de ferro e enrolado em bobinas, passando então a ser papel novamente. � Pneus: ocorre inicialmente a separação da borracha vulcanizada de outros componentes, como metais e tecidos. Os pneus são cortados em lascas e purificados por um sistema de peneiras. As lascas são moídas e depois submetidas à digestão em vapor d’água e produtos químicos, como álcalis e óleos minerais, para desvulcanizá-las. O produto obtido pode ser então refinado em moinhos até́ a obtenção de uma manta uniforme ou extrudado para a obtenção de grânulos de borracha. O plástico é o resíduo mais abundante de todos, provoca diversos impactos ambientais e leva séculos para se de- compor. Existem inúmeras pesquisas que buscam encon- trar maneiras de acelerar a decomposição desse material; em uma pesquisa promissora, cientistas já determinaram a estrutura de uma enzima bacteriana que pode produzir plásticos biodegradáveis. Se quiser entender mais esse estudo, acesse e leia o artigo disponível no link a seguir. https://goo.gl/D9Mxkp 9Gerenciamento de resíduos sólidos Tratamento dos resíduos sólidos urbanos De acordo com Jardim, Yoshida e Machado Filho (2012), o manejo dos resíduos sólidos depende de vários fatores, entre os quais devem ser ressaltados a forma de geração, o acondicionamento na fonte geradora, a coleta, o transporte, o processamento, a recuperação e a disposição final. Portanto, deve-se criar um sistema dirigido pelos princípios de engenharia e técnicas de projetos, que possibilite a construção de dispositivos capazes de propiciar a segurança sanitária às comunidades contra os efeitos adversos dos resíduos. Veja a seguir os tipos de tratamento mais usuais dos resíduos sólidos urbanos que não podem ser reciclados. Aterros sanitários: consistem na forma de disposição final de resíduos sólidos urbanos, construídos dentro de critérios de engenharia e normas operacionais específicas, proporcionando confinamento seguro dos resíduos. A degradação da matéria orgânica ocorre de forma anaeróbica (sem presença de oxigênio). As etapas de construção e funcionamento de uma aterro sanitário são estas: � o lixo (material sem serventia) é lançado sobre o terreno e recoberto com solo do próprio local, de forma a isolá-lo do ambiente, formando câmaras/células; � pela própria movimentação das máquinas de terraplanagem na execução do aterro, o lixo é compactado e seu volume substancialmente reduzido; � nas câmeras ou células, a degradação tem início com a fase aeróbia. A biodegradação aeróbia cessa com o esgotamento do pouco oxigênio existente; � processa-se então a biodegradação anaeróbia, com a liberação de gás e uma substância escura, constituída pelos resíduos orgânicos apenas parcialmente biodegradados, denomina chorume; � o chorume se acumula no fundo das câmaras e tende a se infiltrar-se no solo, podendo alcançar o lençol freático, o que pode ocasionar sua contaminação. Assim, é fundamental realizar o revestimento adequado das câmaras; � a decomposição da matéria orgânica gera gás metano, que se acumula nas porções superiores das câmaras. Logo, deve-se instalar tubulações responsáveis pela drenagem e posterior queima ou beneficiamento e utilização do gás. Gerenciamento de resíduos sólidos10 Para a construção de aterros sanitários, existem normas específicas que tratam da captação e tratamento de gases e chorume. A Figura 3 ilustra o funcionamento um aterro sanitário. Figura 3. Exemplo de um aterro sanitário. Após os resíduos passarem por uma triagem, os resíduos não recicláveis são colocados em células/ câmeras (a) e o chorume (líquido proveniente da decomposição dos resíduos) é drenado para outros células, passando por tratamento (b). Fonte: Arquivo pessoal do autor (2018). (a) (b) 11Gerenciamento de resíduos sólidos Devido ao enorme volume de resíduos gerados no Brasil, atrelados aos altos custos financeiros para a implantação de um aterro sanitário, é muito comum o uso de aterros controlados como forma de disposição final dos resíduos sólidos. Conforme a NBR 8849, de 30 de abril de 1985, da ABNT, a qual acabou sendo cancelada em 15 de junho de 2015, aterro controlado é uma técnica de disposição de resíduos sólidos urbanos no solo, sem causar danos ou riscos à saúde pública e à segurança, minimizando os impactos ambientais. Esse método utiliza princípios de engenharia para confinar os resíduos sólidos, cobrindo-os com uma camada de material inerte na conclusão de cada jornada de trabalho (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1985). Com essa técnica de disposição é produzida, em geral, poluição localizada, não havendo impermeabilização de base (comprometendo a qualidade do solo e das águas subterrâneas), nem sistema de tratamento de percolado (chorume mais água de infiltração) ou de extração e queima controlada dos gases gerados. O aterro controlado é preferível ao lixão, mas apresenta qualidade bastante inferior ao aterro sanitário. Compostagem: é mais uma técnica idealizada para se obter mais rapidamente e em melhores condições a desejada estabilização da matéria orgânica (KIEHL, 1985). De acordo com Fernandes e Silva (2006), a compostagem pode ser definida como uma bioxidação aeróbia exotérmica de um substrato orgânico heterogêneo, no estado sólido, caracterizado pela produção de CO2, água, liberação de substâncias minerais e formação de matéria orgânica estável. Portanto, é um processo biológico e, para que se realize de maneira satisfa- tória, é necessário que alguns parâmetros físico-químicos sejam respeitados, permitindo que os microrganismos encontrem condições favoráveis para transformarem a matéria orgânica. A Figura 4 apresenta uma ilustraçãodas células de um sistema de compostagem. Gerenciamento de resíduos sólidos12 Figura 4. Exemplo de um sistema de compostagem. Os resíduos orgânicos ficam em células para serem decompostos (a); o chorume (líquido proveniente da decomposição dos resíduos) é drenado para outras células, passando por posterior tratamento (b); os resíduos, após determinado período, resultam em adubo (a). Fonte: (a) e (b) Arquivo pessoal do autor (2018) e (c) MR. KHATAWUT/Shut- terstock.com. (a) (b) (c) 13Gerenciamento de resíduos sólidos Levando-se em conta que mais da metade dos resíduos sólidos urbanos gerados no Brasil são orgânicos, a compostagem apresenta diversas vantagens, como, por exemplo, a economia do aterro sanitário, o aproveitamento agrícola da matéria orgânica, a reciclagem de nutrientes para o solo e a eliminação de agentes patogênicos. Além disso, é considerado um processo ambientalmente seguro. Existem dois métodos de compostagem: � método natural: o material é disposto em pilhas e a aeração é realizada por revol- vimentos periódicos; o tempo de compostagem varia entre 4 a 6 meses; � método acelerado: a aeração é forçada por tubulações perfuradas ou em reatores rotatórios; o tempo de compostagem varia de 2 a 3 meses. Incineração: os resíduos são reduzidos a cinzas e gases decorrentes de sua combustão (queima). Por meio de instrumentação e controle, a combustão pode ser otimizada, de modo a diminuir a quantidade de matéria parcialmente oxidada, reduzindo os inconvenientes da disposição dos resíduos sólidos restantes, das emissões gasosas e da fuligem. É muito importante conhecer a carga que alimentará o sistema e cuidar as emissões atmosféricas. O vídeo disponível no link a seguir apresenta um caso de incineração como forma de tratamento de RSU, confira: https://goo.gl/oq9MK1 1. No que tange aos resíduos sólidos, analise as alternativas e marque o item correto. a) Os resíduos são caracterizados como tudo aquilo que não tem mais utilidade e não apresenta nenhum valor. b) A maior parte dos resíduos produzidos pela população de alta renda é de origem orgânica. Gerenciamento de resíduos sólidos14 c) A crescente produção de resíduos não é prejudicial ao meio ambiente, visto que ocorre a coleta desse material. d) O resíduo recebe classificação de acordo com sua fonte geradora e composição do material, havendo a necessidade de tratamento específico para cada tipologia. e) A população não deve se preocupar em reduzir a produção de resíduos, visto que esse material é reciclado. 2. No artigo 33 da Política Nacional dos Resíduos Sólidos, fica obrigatória a logística reversa para agrotóxicos, pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes, lâmpadas fluorescentes e eletroeletrônicos. Considerando as informações acima e o contexto da situação dos produtos após o uso pelo consumidor, a logística reversa recomenda, em relação a esses produtos, que se faça o: a) envio para aterros sanitários sem a atuação do poder público. b) envio para aterros sanitários sem a participação dos fabricantes e comerciantes. c) envio para o serviço público de limpeza urbana. d) encaminhamento para aterro de resíduos perigosos. e) envio por parte dos consumidores para os comerciantes ou distribuidores, os quais deverão efetuar a devolução aos fabricantes ou aos importadores dos produtos e das embalagens. 3. A maioria das cidades brasileiras não adota soluções apropriadas para a destinação final dos resíduos sólidos, o que causa muitos problemas para a saúde da população e para o meio ambiente. Com relação aos diferentes métodos de tratamento de resíduos sólidos urbanos, é correto afirmar: a) os aterros sanitários podem ser um abrigo de transmissores de doenças, como ratos e moscas. b) a incineração tem como vantagem o baixo investimento. c) a grande vantagem de um aterro sanitário é que o lixiviado percola no solo, evitando contaminação das águas. d) a decomposição aeróbia da matéria orgânica no aterro sanitário resulta em elevada produção de metano. e) a biodigestão anaeróbia é o processo de decomposição de matéria orgânica por bactérias em meio onde há ausência de oxigênio. 4. Assinale a alternativa que NÃO condiz com os tipos de coleta. a) Coleta seletiva é o termo utilizado para a coleta dos materiais que podem ser reciclados. b) A coleta convencional deve coletar apenas os rejeitos e o material orgânico. c) É necessária a segregação dos resíduos na origem. d) O rejeito deve ser encaminhado juntamente com a coleta seletiva. e) A coleta seletiva é um dos instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos. 5. A Política Nacional de Resíduos Sólidos apresenta a classificação dos resíduos sólidos. Aponte a categoria de resíduos que está INCORRETA. 15Gerenciamento de resíduos sólidos a) Resíduos domiciliares são originários das residências urbanas. b) Resíduos de limpeza urbana são aqueles originados da varrição de ruas. c) Resíduos sólidos urbanos engloba os resíduos domiciliares, de serviços de limpeza urbana e os gerados em estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços. d) Resíduos de serviços de saúde são aqueles gerados em estabelecimentos prestadores de serviços de saúde. e) Resíduos de construção civil incluem os gerados em reformas e demolições. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 8849: apresentação de projetos de aterros controlados de resíduos sólidos urbanos: procedimento. São Paulo: ABNT, 1985. Cancelada em 15 jun. 2015. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 10004: classificação de resíduos. São Paulo: ABNT, 2004. BARBOSA, R. P. Resíduos sólidos: impactos, manejo e gestão ambiental. São Paulo: Érica, 2014. BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução CONAMA nº. 275, de 25 de abril de 2001. Estabelece o código de cores para os diferentes tipos de resíduos, a ser adotado na identificação de coletores e transportadores, bem como nas campanhas informativas para a coleta seletiva. DOU, Brasília, DF, 117-E, seção 1, p. 80, 19 jun. 2001. BRASIL. Lei nº. 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Brasília, DF, 2010. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 06 jun. 2018. BRASIL. Senado Federal. Aumento da produção de lixo tem custo ambiental. Em discussão, Brasília, DF, n. 22, set. 2014. Disponível em: <https://www12.senado.leg.br/ emdiscussao/edicoes/residuos-solidos/mundo-rumo-a-4-bilhoes-de-toneladas-por- ano>. Acesso em: 27 maio 2018. FERNANDES, F.; SILVA, S. M. C. P. Manual prático para a compostagem de biossólidos. Londrina, PR: UEL, 2006. Disponível em: <https://www.finep.gov.br/images/apoio-e- financiamento/historico-de-programas/prosab/Livro_Compostagem.pdf>. Acesso em: 06 jun. 2018. JARDIM, A.; YOSHIDA, C.; MACHADO FILHO, J. V. Política nacional, gestão e gerenciamento de resíduos sólidos. Barueri, SP: Manole, 2012. Gerenciamento de resíduos sólidos16 KIEHL, E. J. Fertilizantes orgânicos. Piracicaba, SP: Agronômica Ceres, 1985. ROSA, A. H.; FRACETO, L. F.; MOSCHINI-CARLOS, V. (Org.). Meio ambiente e sustentabi- lidade. Porto Alegre: Bookman, 2012. TONETO JÚNIOR, R.; DOURADO, J.; SAIANI, C. C. S. (Org.). Resíduos sólidos no Brasil: oportunidades e desafios da Lei Federal n 12.305 (Lei de Resíduos Sólidos). Barueri, SP: Minha Editora, 2014. Leituras recomendadas IBRAHIN, F. I. D. Análise ambiental: gerenciamento de resíduos e tratamento de efluen- tes. São Paulo: Érica, 2015. NASCIMENTO NETO, P. Resíduos sólidos urbanos: perspectivas de gestão intermunicipal em regiões metropolitanas. São Paulo: Atlas, 2013. 17Gerenciamento de resíduos sólidos Conteúdo: DICA DO PROFESSOR A PolíticaNacional de Resíduos Sólidos indica as diretrizes e metas a serem adotadas para a gestão integrada dos resíduos sólidos Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) No que tange aos resíduos sólidos, analise as alternativas e marque o item CORRETO. A) Os resíduos são caracterizados como tudo aquilo que não tem mais utilidade e não apresenta nenhum valor. B) A maior parte dos resíduos produzidos pela população de alta renda é de origem orgânica. C) A crescente produção de resíduos não é prejudicial ao meio ambiente, visto que ocorre a coleta desse material. D) O resíduo recebe classificação de acordo com sua fonte geradora e composição do material, havendo a necessidade de tratamento específico para cada tipologia. E) A população não deve se preocupar em reduzir a produção de resíduos, visto que esse material é reciclado. No artigo 33 da Política Nacional dos Resíduos Sólidos, fica obrigatória a logística reversa para agrotóxicos, pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes, lâmpadas fluorescentes e eletroeletrônicos. Considerando as informações acima e o contexto da 2) situação dos produtos após o uso pelo consumidor, a logística reversa recomenda, em relação a esses produtos, que se faça o: A) Envio para aterros sanitários sem a atuação do poder público. B) Envio para aterros sanitários sem a participação dos fabricantes e comerciantes. C) Envio para o serviço público de limpeza urbana. D) Encaminhamento para aterro de resíduos perigosos. E) Envio por parte dos consumidores para os comerciantes ou distribuidores, os quais deverão efetuar a devolução aos fabricantes ou aos importadores dos produtos e das embalagens. 3) A maioria das cidades brasileiras não adota soluções apropriadas para a destinação final dos resíduos sólidos, o que causa muitos problemas para a saúde da população e para o meio ambiente. Com relação aos diferentes métodos de tratamento de resíduos sólidos urbanos, é CORRETO afirmar: A) Os aterros sanitários podem ser um abrigo de transmissores de doenças, como ratos e moscas. B) A incineração tem como vantagens o baixo investimento. C) A grande vantagem de um aterro sanitário é que o lixiviado percola no solo, evitando contaminação das águas. D) A decomposição aeróbia da matéria orgânica no aterro sanitário resulta em elevada produção de metano. E) A biodigestão anaeróbia é o processo de decomposição de matéria orgânica por bactérias em meio onde há ausência de oxigênio. 4) Assinale a alternativa que não condiz com os tipos de coleta. A) Coleta seletiva é o termo utilizado para a coleta dos materiais que são possíveis de serem reciclados. B) A coleta convencional deve coletar apenas os rejeitos e o material orgânico. C) É necessária a segregação dos resíduos na origem. D) O rejeito deve ser encaminhado juntamente com a coleta seletiva. E) A coleta seletiva é um dos instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos. 5) A Política Nacional de Resíduos Sólidos classifica o resíduo sólido de acordo com sua origem e o tipo de material. Aponte a categoria de resíduos que está INCORRETA. A) Resíduos sólidos industriais podem ser orgânicos ou inorgânicos. B) Resíduos de limpeza pública urbana são aqueles originados da varrição de ruas. C) Resíduos sólidos urbanos engloba apenas os resíduos domiciliares e de serviços de limpeza urbana. D) Resíduos de serviços de saúde são aqueles gerados em estabelecimentos prestadores de serviços de saúde. E) Resíduos de construção civil incluem os gerados em reformas e demolições. NA PRÁTICA O Brasil, através da Política Nacional dos Resíduos Sólidos, nos trouxe muitos desafios. Entre esses está a logística reversa que se refere a um conjunto de ações com objetivo de viabilizar o retorno dos resíduos sólidos ao ciclo produtivo. As estratégias para a implementação da logística reversa ocorrem através de acordos setoriais. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: O maior aterro sanitário da América do Sul Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! O que é coleta seletiva? Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Gerenciamento e Tratamento de Resíduos Sólidos Industriais APRESENTAÇÃO Os resíduos industriais são gerados nos processos de produção de bens de consumo, sendo que seu gerenciamento, tratamento e destinação final são um dos desafios que empresários e técnicos enfrentam em suas rotinas diárias. Nesta unidade você vai verificar quais as normas usualmente utilizadas para a classificação dos resíduos industriais. Conhecendo as classes de resíduos, é possível definir os princípios de gerenciamento e o tratamento que se aplica a eles. Você vai ainda analisar os aspectos de classificação, gerenciamento e tratamento de resíduos industriais. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer as normas relacionadas à classificação de resíduos gerados em indústrias.• Identificar as etapas para a elaboração de um plano de gerenciamento de resíduos industriais. • Analisar as vantagens da implementação de sistemas de gerenciamento ambiental em indústria. • DESAFIO Você foi contratado por uma empresa para ser o responsável técnico pelo setor de meio ambiente. Entre os novos desafios da sua função está o de implementar um plano de gerenciamento de resíduos sólidos desta empresa. Sendo assim, seu diretor solicita que você elabore e apresente quais as etapas que devem constar no plano e o objetivo de cada uma delas. INFOGRÁFICO A escala de prioridade do gerenciamento de resíduos deve ser considerada na elaboração do plano de gerenciamento. Acompanhe no infográfico a ordem de prioridade. CONTEÚDO DO LIVRO Em virtude das características dos resíduos industriais, diferentes tecnologias podem ser empregadas para seu tratamento. Leia o capítulo Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais da obra Saneamento e aprofunde seus conhecimentos. Boa leitura. GESTÃO AMBIENTAL Ronei Tiago Stein Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Reconhecer as normas relacionadas à classificação de resíduos gerados na indústria. � Identificar as etapas para a elaboração de um plano de gerenciamento de resíduos industriais. � Analisar as vantagens da implementação de sistemas de gerencia- mento ambiental na indústria. Introdução Os resíduos industriais são gerados nos processos de produção de bens de consumo, e seu gerenciamento, tratamento e destinação final são um dos desafios que empresários e técnicos enfrentam em suas rotinas diárias. Neste capítulo, você vai verificar quais as normas usualmente utilizadas para a classificação dos resíduos industriais. Conhecendo as classes de resíduos, é possível definir os princípios de gerenciamento e o tratamento que se aplica a eles. Você vai ainda analisar os aspectos de classificação, gerenciamento e tratamento de resíduos industriais. Classificação dos resíduos gerados na indústria As atividades industriais geram diferentes tipos de resíduos, originados dos mais diversos ramos, como metalurgia, celulose e papel, setor alimentício, mineração, entre outros (JARDIM; YOSHIDA; MACHADO FILHO, 2012). O artigo 13, da Lei nº. 12.305, de 2 de agosto de 2010, Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), define resíduos industriais como aqueles gerados nos processos produtivos e instalações industriais. Entre os resíduos industriais, inclui-se também grande quantidade de material perigoso, que necessita de tratamento especial devido ao seu alto potencial de impacto ambiental e à saúde. De acordo com ABNT NBR 10.004, de 30 de novembro de 2004, os resíduos sólidos são classificados da seguinte maneira (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMASTÉCNICAS, 2004): Classe I — Resíduos perigosos: são aqueles que apresentam periculosidade. A periculosidade de um resíduo se encontra em suas propriedades físicas, químicas ou infectocontagiosas, que apresentam riscos à saúde pública (pro- vocando mortalidade, incidência de doenças ou acentuando seus índices) e ao meio ambiente (quando o resíduo for gerenciado de forma inadequada). Esses resíduos exigem tratamento e disposição especiais em função de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade. A periculosidade dos resíduos em geral depende dos seguintes fatores: natureza (inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade, sendo es- sas definidas pela ABNT NBR 10.004:2004); concentração; mobilidade; persistência e bioacumulação; degradação (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004). A NBR 10.004/2004 ressalta ainda que os resíduos perigosos podem ser classificados assim (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNI- CAS, 2004): � Inflamabilidade: um resíduo é classificado como inflamável quando: ■ é líquido e tem ponto de fulgor inferior a 60°C, determinado con- forme ABNT NBR 14598, de 4 de dezembro de 2012, ou equivalente, excetuando-se as soluções aquosas com menos de 24% de álcool em volume; ■ não é líquido e é capaz de, sob condições de temperatura e pressão de 25°C e 0,1 MPa (1 atm), produzir fogo por fricção, absorção de umidade ou por alterações químicas espontâneas; quando inflamada, Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais2 tem queima vigorosa e persistentemente, dificultando a extinção do fogo; ■ é um oxidante definido como substância que pode liberar oxigênio e, como resultado, estimular a combustão e aumentar a intensidade do fogo em outro material; ■ é um gás comprimido inflamável, conforme a Legislação Federal sobre transporte de produtos perigosos (Portaria nº. 204, de 20 de maio de 1997, do Ministério dos Transportes). � Corrosividade: um resíduo é classificado como corrosivo se: ■ for aquoso e apresentar pH inferior ou igual a 2, ou superior ou igual a 12,5, ou se sua mistura com água, na proporção de 1:1 em peso, produzir uma solução que apresente pH inferior a 2 ou superior ou igual a 12,5; ■ for líquida ou, quando misturada em peso equivalente de água, pro- duzir um líquido e corroer o aço (COPANT 1020) a uma razão maior que 6,35 mm ao ano, a uma temperatura de 55°C, de acordo com USEPA SW 846 ou equivalente. � Reatividade: um resíduo é classificado como reativo se apresentar as seguintes propriedades: ■ ser normalmente instável e reagir de forma violenta e imediata, sem detonar; ■ reagir violentamente com a água; ■ formar misturas potencialmente explosivas com a água; ■ gerar gases, vapores e fumos tóxicos em quantidades suficientes para provocar danos à saúde pública ou ao meio ambiente, quando misturados com a água; ■ possuir em sua constituição os íons CN− ou S2− em concentrações que ultrapassem os limites de 250 mg de HCN liberável por quilograma de resíduo ou 500 mg de H 2 S liberável por quilograma de resíduo, de acordo com ensaio estabelecido no USEPA — SW 846; ■ ser capaz de produzir reação explosiva ou detonante sob a ação de forte estímulo, ação catalítica ou temperatura em ambientes confinados; ■ ser capaz de produzir, prontamente, reação ou decomposição deto- nante ou explosiva a 25°C e 0,1 MPa (1 atm); ■ ser explosivo, definido como uma substância fabricada para produzir um resultado prático, por meio de explosão ou efeito pirotécnico, esteja ou não esta substância contida em dispositivo preparado para esse fim. 3Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais � Toxicidade: um resíduo é classificado como tóxico se apresentar estas propriedades: ■ quando o extrato obtido da amostra, segundo a ABNT NBR 10.005, de 30 de janeiro de 2004, contiver qualquer um dos contaminantes em concentrações superiores aos valores constantes no anexo F; ■ quando possuir uma ou mais substâncias constantes no anexo C da NBR 10.004/2004 e apresentar toxicidade. � Patogenicidade: o resíduo será patogênico se houver suspeita de conter micro-organismos patogênicos, proteínas virais, ácido desoxirribonu- cleico (ADN) ou ácido ribonucleico (ARN) recombinantes, organismos geneticamente modificados, plasmídeos, cloroplastos, mitocôndrias ou toxinas capazes de produzir doenças em homens, animais ou vegetais. Classe II — Resíduos não perigosos: os resíduos não perigosos, por sua vez, dividem-se em duas subclasses: � II A — Não Inertes: apresentam como propriedades principais a biode- gradabilidade e a combustibilidade ou solubilidade em água. � II B — Inertes: tipo de resíduo que, devido as suas características e composição físico-química, não sofre transformações físicas, químicas ou biológicas de relevo, mantendo-se inalterados por um longo período de tempo. De acordo com a legislação, os resíduos inertes estão aptos a ser depositados em aterros sanitários. Toda movimentação de resíduos de um empreendimento ou empresa deve ser do- cumentada. Uma planilha de movimentação de resíduos atua como meio de registro de toda a remessa de resíduos que está sendo destinada. É importante que as empresas disponibilizem lixeiras devidamente iden- tificadas para cada tipo de resíduo. A resolução CONAMA nº. 275, de 24 de abril de 2001, dispõe do código de cores para os diferentes tipos de resíduos a ser adotado na identificação de coletores e transportadores (BRASIL, 2001). Os recipientes utilizados no acondicionamento deverão estar etiquetados, seguindo o código de cores: Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais4 � azul: papel/papelão; � vermelho: plástico; � verde: vidro; � preto: madeira; � amarelo: metal; � laranja: resíduos perigosos; � roxo: resíduos radioativos; � marrom: resíduos orgânicos; � cinza: resíduo geral não reciclável, ou misturado, ou contaminado, não passível de separação. Exemplos: papel (embolado, etiquetas e toalhas), embalagens (chicletes, balas e alimentos), clipes e grampos, caneta e pincel atômico, luvas, borracha. O armazenamento dos resíduos sólidos Classe I (perigosos) deve ser con- forme a norma ABNT NBR 12.235/1992. Essa norma dispõe que o armazena- mento deve ser feito de modo a não alterar a quantidade/qualidade do resíduo. O resíduo deve ser acondicionado até reciclagem, recuperação, tratamento e/ou disposição final, em contêineres, tambores, tanques e/ou a granel. A norma exige que seja feita uma análise das propriedades físicas e químicas do resíduo antes de ele ser armazenado (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1992). O local utilizado para o armazenamento de resíduos sólidos deve ser proje- tado de modo que o perigo de contaminação ambiental seja minimizado; que sejam respeitadas as distâncias indicadas pela legislação vigente no que se refere a mananciais hídricos, lençol freático, núcleos habitacionais, logradouros públicos, rede viária, atividades industriais que poderão gerar faíscas, vapores reativos, umidade excessiva, etc.; que sejam evitados os riscos potenciais de fenômenos naturais como chuva, ventanias, inundações, marés altas, queda de barreiras, deslizamentos de terra, afundamento do terreno, erosão, etc. O local também deve ser isolado de forma que impeça o acesso de pessoas estranhas e sinalizado de forma que indique o risco presente no local. Veja alguns exemplos de sinalização de risco na Figura 1. 5Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais Figura 1. Algumas sinalizações utilizadas para indicar risco. Fonte: Cool Vector Maker/Shutterstock.com. Risco de incêndio Risco de choque elétrico Cuidado, risco de radiação Cuidado, risco de corrosão Cuidado, risco de exposição a produtos tóxicos Cuidado, risco de explosão A norma aplicável ao armazenamento de resíduos Classe II (não perigosos) é a NBR 11.174/1990. Essa norma dispõe que o armazenamentodeve ser feito de maneira que minimize o risco de contaminação ambiental. O local deve ser aprovado pelo órgão ambiental do estado e atender a legislação específica. Os resíduos de Classe II não devem ser armazenados com resíduos de Classe I. O armazenamento pode ser realizado em contêineres e/ou tambores, em tanques e a granel (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1990). Etapas para a elaboração de um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) Segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos — PNRS (Lei nº. 12.305, de 2 de agosto de 2010), regulamentada pelo Decreto nº. 7.404, de 23 de dezembro de 2010, os geradores de resíduos sólidos que não sejam qualificados como de limpeza urbana são obrigados a elaborarem seus devidos Planos de Geren- ciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) para demonstrar a sua capacidade de dar uma destinação final ambientalmente adequada aos seus resíduos (BRASIL, 2010). Na grande maioria dos casos, o PGRS é exigido pelo órgão ambiental competente quando o empreendimento solicita a licença ambiental. Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais6 O gerador do resíduo, o tipo de atividade, a quantidade gerada de cada resíduo, a qualidade ou o tipo de resíduo que é gerado e a localidade da ge- ração dos resíduos sólidos são condições de contorno para a sua elaboração (JARDIM; YOSHIDA; MACHADO FILHO, 2012). O relatório de movimen- tação de resíduos e de registro de armazenamento pode seguir os modelos das Tabelas 2 e 3 do anexo referente à ABNT NBR12.235, de 30 de maio de 1992, (Armazenamento de Resíduos Perigosos) e do Anexo A e B referente à ABNT NBR 11.174, de 30 de agosto de 1990, (Armazenamento de Resíduos Classe II). O relatório deve conter as seguintes informações: � Descrição do empreendimento e da atividade: devem ser informados o nome da empresa, CNPJ e quais atividades/serviços são exercidos pela empresa. � Diagnóstico dos resíduos sólidos gerados ou administrados: devem ser descritos a origem dos resíduos, o volume e a caracterização dos resíduos, incluindo os passivos ambientais a eles relacionados. Observadas as normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama (Sistema Na- cional do Meio Ambiente), do SNVS (Sistema Nacional de Vigilância Sanitária) e do Suasa (Sistema Único de Atenção a Sanidade Agropecuária) e, se houver, o plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos, deve-se incluir: � explicitação dos responsáveis por cada etapa do gerenciamento de resíduos sólidos; � definição dos procedimentos operacionais relativos às etapas do geren- ciamento de resíduos sólidos sob responsabilidade do gerador; � identificação das soluções consorciadas ou compartilhadas com outros geradores; � ações preventivas e corretivas a serem executadas em situações de gerenciamento incorreto ou acidentes; � metas e procedimentos relacionados à minimização da geração de resíduos sólidos e, observadas as normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do SNVS e do Suasa, à reutilização e reciclagem; � se couber, ações relativas à responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, na forma do art. 31 da Lei nº. 12.305/2010; � medidas saneadoras dos passivos ambientais relacionados aos resíduos sólidos; � periodicidade de sua revisão, observado, se couber, o prazo de vigência da respectiva licença de operação a cargo dos órgãos do Sisnama. 7Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais Dessa forma, os PGRS devem estabelecer os tipos e as quantidades de resíduos gerados em determinado empreendimento. Também devem apontar e descrever as ações relativas ao manejo de resíduos sólidos, que corresponde às etapas de segregação, acondicionamento, armazenamento provisório, transporte e destinação final dos resíduos gerados na operação da empresa. O PGRS deve especificar medidas alternativas para o controle e a mini- mização de danos causados ao meio ambiente e ao patrimônio quando da ocorrência de situações anormais envolvendo quaisquer das etapas do geren- ciamento do resíduo. Assim, além dos itens citados anteriormente, o PGRS industrial deve apresentar um plano de contingência, no qual deverão constar a forma de acionamento (telefone, e-mail, pager, etc.), os recursos humanos e materiais envolvidos para o controle dos riscos, a definição das competências, responsabilidades e obrigações das equipes de trabalho, e as providências a serem adotadas em caso de acidente ou emergência. Normalmente, o PGRS será apresentado mediante o preenchimento de três tabelas, I, II e II, anexas ao termo de referência. Será acompanhado de texto descritivo do plano de gerenciamento e será devidamente assinado pelo responsável técnico, o qual deverá apresentar a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). Na Tabela I deve ser apresentada a identificação do gerador, com os seguin- tes itens: razão social; número do CNPJ; nome fantasia (se houver); endereço completo; telefone; e-mail; área total; número total de funcionários (próprios e terceirizados); responsável legal; responsável técnico pelo PGRS; tipo de ativi- dade. Veja no Quadro 1 um exemplo de planilha de identificação do gerador. Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais8 Tabela I — Identificação do gerador Razão social: Padaria do João CNPJ: XXXXXXXX/XXXX-XX Nome fantasia: não possui nome fantasia Endereço: Rua XX, nº. XX, Município: XXXXXXXXXXX UF: XX CEP: XXXXX-XXX Telefone: XX XXXXXXXXX Fax: XX XXXXXXXXX E-mail: XXX@XXX.com ÁREA TOTAL: 450,00 m2 NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS: 05 PRÓPRIOS: 05 TERCEIRIZADOS: 0 RESPONSÁVEL PELO PGRS: Eng. Ambiental XXX RESPONSÁVEL LEGAL: João DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: Padaria e Confeitaria Quadro 1. Exemplo de planilha de identificação do gerador A Tabela II refere-se aos resíduos gerados; nela devem ser apresentados o resíduo (plástico, vidro, metal....); a classe; a unidade e equipamento gerador; o acondicionamento/armazenagem; o tratamento adotado; a frequência de geração; o estoque. Quadro 2 apresenta um exemplo de como essas informa- ções devem ser apresentadas em um PGRS. É importante definir essas tabelas com o número de folha, caso elas ocupam mais de uma página, dependendo da quantidade de resíduos gerados por uma determinada empresa/indústria. Por fim, na Tabela III deve-se apresentar o plano de movimentação de resíduos, contando com as seguintes informações: tipo de resíduo; data de entrada; quantidade; local de estocagem temporária; data prevista para saída; quantidade; transporte a ser utilizado; destinação final. O Quadro 3 apresenta um exemplo desse tipo de tabela. 9Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais T a b e la I I — R e sí d u o s tr ia d o s N O M E D A E M P R E SA : P ad ar ia d o J o ão FO LH A n °: 0 1 Ite m Re sí d u o C la ss e U n id ad e g er ad o ra A co n d ic io n am en to / A rm az en am en to Tr at am en to ad o ta d o Fr eq u ên ci a d e g er aç ão Es to q u e In te rn o Ex te rn o 01 Pl ás ti co s II– B Pr o ce ss o p ro d u ti vo Sa co p lá st ic o Re co lh id o p el a em p re sa X D iá ria In te rn o 02 Re sí d u o s o rg ân ic o s II– B Pr o ce ss o p ro d u ti vo Re ci p ie n te s p lá st ic o s C o m p o st ag em D iá ria Ex te rn o 03 Ó le o d e co zi n h a I Pr o ce ss o p ro d u ti vo Re ci p ie n te s p lá st ic o s Re co lh id o p el a em p re sa X D iá ria Ex te rn o R E S P O N SÁ V E L P E LO E M P R E E N D IM E N TO : J o ão A SS IN A T U R A : Q u ad ro 2 . E xe m p lo d e p la n ilh a co m o s p rin ci p ai s re sí d u o s g er ad o s p o r u m a em p re sa Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais10 T a b e la I II — P la n o d e m o v im e n ta çã o d e r e sí d u o s N O M E D A E MP R E SA : P ad ar ia d o J o ão FO LH A n °: 0 1 Ite m Re sí d u o C la ss e Es to ca g em te m p o rá ria D es ti n aç ão fi n al O b se rv aç õ es D at a d a en tr ad a Q u an t. Lo ca l D at a d a sa íd a Q u an t. D es ti n o fi n al N °. d a lic en ça am b ie n ta l 01 Pa p el / p ap el ão II– B D iá ria 1 Kg Sa co s M en sa l 10 K g N o m e e C N PJ d a em p re sa re sp o n sá ve l p el a co le ta . N º. d a lic en ça am b ie n ta l d a em p re sa re sp o n sá ve l p el a co le ta 02 Pl ás ti co s II– B D iá ria 1 Kg Sa co s Se m es tr al 10 K g N o m e e C N PJ d a em p re sa re sp o n sá ve l p el a co le ta . N º. d a lic en ça am b ie n ta l d a em p re sa re sp o n sá ve l p el a co le ta 03 Ó le o d e co zi n h a I D iá ria 1 L Bo m b o n as M en sa l 20 L N o m e e C N PJ d a em p re sa re sp o n sá ve l p el a co le ta . N º. d a lic en ça am b ie n ta l d a em p re sa re sp o n sá ve l p el a co le ta R E S P O N SÁ V E L P E LO P G R S: E n g . A m b ie n ta l X X A SS IN A T U R A : Fi g u ra 8 .1 R ep re se n ta çã o e sq u em át ic a d o c ic lo c el u la r.Q u ad ro 3 . E xe m p lo d e p la n ilh a co m o p la n o d e m o vi m en ta çã o d e re sí d u o s 11Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais Existem algumas abreviações que podem ser utilizados no preenchimento da Tabela II e da Tabela II, como, por exemplo: CATE = catalisador exaurido; U = unidade; BB = “big-bags”; Tb = tambores; Sc = sacos; AG = a granel; Bb = bombonas; PRN = pátio de resíduos enquadrado na NBR 12.235/1987; PR = pátio de resíduos não enquadrado na NBR 12.235/1987; ACA = a céu aberto; GP = galpão de produtos/matérias primas, B = baias; entre outros. Relação entre PGRS e licenciamento ambiental O licenciamento ambiental é um procedimento técnico-administrativo pelo qual o órgão ambiental competente avalia os empreendimentos potencialmente causadores de impacto ambiental, autorizando, ou não, sua instalação e opera- ção. A avaliação envolve o estudo da localização do empreendimento, do seu porte e dos processos construtivo e produtivo utilizados, a fim de verificar se suas características podem provocar interferências negativas no meio ambiente, como poluição do ar, geração de resíduos, intervenção em cursos d’água e supressão de vegetação nativa. Sendo assim, o processo de licenciamento estabelece regras, condições, restrições e medidas de controle ambiental que devem ser cumpridas tanto na fase de instalação do empreendimento quanto na sua fase de operação. A Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº. 6.938, de 31 de agosto de 1981), em seu art. 10, estabelece que [...] a construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, considerados efetiva ou potencialmente poluidores, bem como os capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental, dependerão de prévio licenciamento por órgão estadual competente, integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente — SISNAMA, e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis — IBAMA, em caráter supletivo, sem prejuízo de outras licenças exigíveis (BRASIL, 1981, documento on-line). Existem diferentes tipos de licenciamento ambiental, e eles são expedidos pelo poder executivo. A Resolução Conama nº. 237, de 22 de dezembro de 1997, art. 8º, precedida pelo Decreto nº. 99.274, de 6 de junho de 1990, art. 19, desdobra as licenças em três subespécies: Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais12 � Licença ambiental prévia (LP): concedida na fase preliminar do planejamento da atividade ou empreendimento, aprovando a sua loca- lização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de implementação (FIORILLO, 2014). � Licença ambiental de instalação (LI): de acordo com Fiorillo (2014), obrigatoriamente é procedida pela licença prévia, sendo definida como a licença que autoriza a instalação do empreendimento ou atividade de acordo com as especificações dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condi- cionantes. Nesta etapa, o órgão ambiental competente poderá solicitar o PGRS, referente à geração e ao destino dos resíduos de construção civil. � Licença ambiental de operação (LO): sucede a licença de insta- lação, tendo como finalidade autorizar a “operação da atividade ou empreendimento, após a verificação do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e condicionantes determinadas para a operação”, conforme dispõe o art. 8º, III, da Resolução Conama nº. 237/1997 (BRASIL, 1997). O PGRS é exigido pelo órgão ambiental tanto na licença de instalação (LI) como na licença de operação (LO). Na LI, o órgão ambiental pode solicitar o PGRS dos resíduos da construção do empreendimento, descrevendo o que será feito com os resíduos e quem (empresa devidamente licenciada) será o responsável pelo recolhimento dos mesmos. Já durante a LO, deve-se apresentar o PGRS descrevendo quais serão os resíduos gerados no processo produtivo e qual a destinação e quantidade dos mesmos. Além disso, o órgão ambiental pode solicitar que, de tempos em tempos, sejam apresentados recibos de destinação desses resíduos. A elaboração de planos de resíduos sólidos deve ser feita pelo setor público em nível federal, estadual e municipal e por empresas públicas ou privadas. Além disso, o PGRS é um documento com valor jurídico, que comprova a capacidade de uma empresa de gerir todos os resíduos que eventualmente venha a gerar. O objetivo central desse documento é garantir que haja segurança nos processos produtivos, e que eles sejam controlados para evitar grandes 13Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais poluições ambientais e consequências para a saúde pública e o desequilíbrio da fauna e da flora. Conforme o art. 20º, da Lei Federal nº. 12.305/2010, as empresas que estão sujeitas à elaboração do PGRS são aquelas que, em suas atividades, geram resíduos perigosos ou resíduos não perigosos que, por sua natureza, composição ou volume, não sejam equiparados aos resíduos domiciliares pelo poder público municipal (BRASIL, 2010). Vantagens do gerenciamento ambiental em indústrias O principal objetivo do licenciamento ambiental é promover o desenvolvi- mento (da sociedade e da economia) sem impactar de forma negativa no meio ambiente, para que tanto as gerações do presente como as futuras desfrutem de um ambiente equilibrado. Nesse contexto, todas as atividades que, de uma forma ou outra, estão sujeitas a impactos ambientais deverão estar munidas do licenciamento ambiental. O licenciamento é uma exigência legal. Mas quais são exatamente as van- tagens/benefícios do licenciamento ambiental? Não é apenas o meio ambiente que sai ganhando com o licenciamento de determinada atividade, mas também toda a sociedade. Entre alguns dos principais benefícios do licenciamento ambiental para o meio ambiente, pode-se citar: � proteger o meio ambiente para as futuras gerações; � proteger os ecossistemas, com a preservação de áreas representativas; � planejar e fiscalizar o uso dos recursos ambientais; � garantir a qualidade dos recursos renováveis; � racionalizar o uso do solo, do subsolo, da água e do ar; � proteger áreas ameaçadas de degradação. Em se tratando das vantagens que empresas/corporações poderão obter com a implantação de um PGRS, pode-se citar: � Benefícios estratégicos: diferenciação no mercado; demonstração do compromisso da empresa como meio ambiente e com o futuro; confiança oferecida às partes interessadas; melhoria na imagem perante órgãos regulamentadores; facilidade na obtenção de licenças e autorizações; Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais14 simpatia de clientes e usuários; facilidade no acesso ao mercado in- ternacional; atração de parceiros; antecipação à tendência de caráter mandatário e às exigências dos clientes, entre outros. � Benefícios operacionais: melhoria na gestão de riscos ambientais atuais e futuros; melhoria dos procedimentos operacionais; melhoria da produtividade; melhoria nas condições de saúde e segurança no trabalho; redução de acidentes que impliquem responsabilidade civil; estabele- cimento de rotina para análise das áreas do negócio que possam afetar o meio ambiente; estímulo ao desenvolvimento e compartilhamento de soluções ambientais; facilidade na transferência de tecnologia; melhoria no desempenho dos funcionários e dos equipamentos, entre outros. � Benefícios financeiros: diminuição dos riscos de incorrer em infrações legais e regulamentares; redução potencial nas despesas com seguros, produtos e serviços adquiridos, além do comportamento global no mercado; possibilidade de redução de custos; possibilidade de economia de despesas no consumo de água, energia e matéria-prima. Os principais objetivos do PGRS são a minimização da geração de resíduos; a destinação correta dos resíduos; a diminuição dos impactos ambientais e visuais; a preservação dos recursos naturais renováveis e não renováveis; a receita na venda de materiais recicláveis; a redução dos gastos de disposição; a diminuição da quantidade de resíduos destinados aos aterros sanitários; o marketing positivo, em virtude da imagem de responsabilidade social e ecológica da empresa adepta de tais práticas; a satisfação da sociedade; o cumprimento da Legislação em vigor; a melhoria da qualidade de vida, tanto das pessoas como dos seres vivos. Em relação às vantagens que empresas poderão obter com práticas de gerenciamento ambiental, a norma ISO 14.001 (sistema de gestão ambiental) descreve que, além de responder às exigências da comunidade mundial e do consumidor-cidadão, elas também oferecem às organizações vantagens com- petitivas matematicamente mensuráveis, como (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004): � maior satisfação dos clientes, pois o consumidor esclarecido hoje valoriza muito mais as empresas e produtos que demonstrem bom desempenho ambiental; � melhoria da imagem da empresa junto a clientes, governo, comunidade, vizinhos, ONGs e mídia; 15Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais � conquista de novos mercados, pois a preocupação ambiental é um fator de competitividade, facilitando a expansão em novos mercados, e a empresa que souber explorar bem esse aspecto conseguirá cativar novos clientes; � redução de custos pela eliminação de desperdícios, obtida com uma análise cuidadosa do uso de água e energia e da geração de resíduos, pelo menor risco de ter de arcar com multas ou ações legais por descum- primento da legislação e pelo menor passivo ambiental, com menores riscos para administradores e acionistas; � conscientização ambiental de toda a empresa, do pessoal da produção, do setor ambiental, de todos os seus diretores, gerentes, projetistas e operários, que perpetuam isso pela comunidade em que habitam; � maior permanência no mercado, por não ocorrerem reações negativas dos consumidores; � maior facilidade na obtenção de financiamentos, pois uma empresa com um bom desempenho ambiental tem mais facilidade de conseguir financiamento junto a bancos e órgãos ambientais, além de desfrutar de uma melhor imagem; � maior interesse da empresa em demonstrar à sociedade que ela tem um sistema de gestão ambiental estruturado e que as ações preventivas têm prioridade sobre as corretivas, ou seja, que a empresa adota todas as medidas necessárias para evitar impactos ambientais, qualquer que seja sua relevância. A gestão ambiental em organizações, de acordo com Jabbour (2013), quando implantada, pode gerar vários benefícios. Quanto mais evoluída a gestão ambiental de uma organização, mais intensos e mais diversificados poderão ser os benefícios auferidos. Geralmente, essas vantagens estão associadas a dois tipos de benefícios: � Benefícios internos: estão relacionados a melhorias observadas nas diversas dimensões do desempenho organizacional, como o desempenho operacional, o desempenho em inovação e o desempenho de mercado. � Benefícios externos: podem ser entendidos como contribuições que se estendem à sociedade de forma mais ampla, como a influência sobre as regulamentações ambientais, as contribuições para o desenvolvimento sustentável e as parcerias com outras organizações. Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais16 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR ISO 14001: sistemas da gestão ambiental: requisitos com orientações para uso. São Paulo: ABNT, 2004. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 11174: armazenamento de resíduos classes II — não inertes e III — inertes. Rio de Janeiro: ABNT, 1990. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12235: armazenamento de resíduos perigosos. Rio de Janeiro: ABNT, 1992. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10004: classificação de resíduos. São Paulo: ABNT, 2004. BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução CONAMA nº. 275, de 25 de abril de 2001. Estabelece o código de cores para os diferentes tipos de resíduos, a ser adotado na identificação de coletores e transportadores, bem como nas campanhas informativas para a coleta seletiva. DOU, Brasília, DF, 117-E, seção 1, p. 80, 19 jun. 2001. BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº. 237, de 19 de dezembro de 1997. Brasília, DF, 1997. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/ res/res97/res23797.html>. Acesso em: 07 jun. 2018. BRASIL. Decreto nº. 7.404, de 23 de dezembro de 2010. Regulamenta a Lei no 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, cria o Comitê Interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Comitê Orientador para a Implantação dos Sistemas de Logística Reversa, e dá outras providências. Brasília, DF, 2010. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/ decreto/d7404.htm>. Acesso em: 07 jun. 2018. BRASIL. Decreto nº. 99.274, de 6 de junho de 1990. Regulamenta a Lei nº. 6.902, de 27 de abril de 1981, e a Lei nº. 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõem, respecti- vamente sobre a criação de Estações Ecológicas e Áreas de Proteção Ambiental e sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, e dá outras providências. Brasília, DF, 1990. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/antigos/d99274. htm>. Acesso em: 07 jun. 2018. BRASIL. Lei nº. 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Brasília, DF, 1981. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6938. htm>. Acesso em: 07 jun. 2018. 17Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais BRASIL. Lei nº. 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Brasília, DF, 2010. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 06 jun. 2018. FIORILLO, C. A. P. Curso de direito ambiental. 15. Ed. São Paulo: Saraiva, 2014. JABBOUR, A. B. L S. Gestão ambiental nas organizações: fundamentos e tendências. São Paulo: Atlas, 2013. JARDIM, A.; YOSHIDA, C.; MACHADO FILHO, J. V. Política nacional, gestão e gerenciamento de resíduos sólidos. Barueri, SP: Manole, 2012. Leituras recomendadas IBRAHIN, F. I. D. Análise ambiental: gerenciamento de resíduos e tratamentode efluen- tes. São Paulo: Érica, 2015. NASCIMENTO NETO, P. Resíduos sólidos urbanos: perspectivas de gestão intermunicipal em regiões metropolitanas. São Paulo: Atlas, 2013. Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais18 DICA DO PROFESSOR O gerenciamento de resíduos industriais engloba aspectos relacionados à sua classificação, bem como o planejamento de seu manejo. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Resíduos perigosos, de acordo com a NBR 10.004 (ABNT, 2004), são aqueles resíduos que possuem as seguintes características: A) Combustibilidade, corrosividade e reatividade. B) Corrosividade, reatividade e solubilidade em água. C) Inflamabilidade, toxicidade e patogenicidade. D) Inerte, patogenicidade e toxicidade. E) Biodegradabilidade, reatividade e toxicidade. 2) Considerando o artigo 9 da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que trata da escala de prioridade da gestão de resíduos sólidos, podemos afirmar que: A) A disposição final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos é prioritária na escala de gerenciamento. B) A reutilização não pode ser considerada como uma estratégia prioritária no gerenciamento de resíduos sólidos, visto que esses não têm mais utilidade em um processo industrial. C) Reduzir, reutilizar e reciclar são três conceitos que não podem ser aplicados ao meio industrial, visto que são necessárias matérias-primas virgens na maioria dos processos. D) A não geração é a etapa mais difícil de ser alcançada na escala de prioridades de gerenciamento de resíduos industriais, portanto é difícil de ser atingida. E) Conciliar os princípios de não geração, redução, reutilização, reciclagem é um desafio às empresas, mas trazem uma série de vantagens à empresa. 3) Sobre as etapas para elaboração de um plano de gerenciamento de resíduos industriais, indique a sentença ERRADA. A) O plano de gerenciamento deve ser elaborado considerando somente a realidade da empresa, e não as diretrizes municipais. B) No plano de gerenciamento de resíduos industriais devem ser apresentadas as metas de minimização da geração de resíduos sólidos. C) O diagnóstico do manejo de resíduos sólidos na empresa é etapa fundamental para a indicação das melhorias em seu gerenciamento. D) Algumas empresas possuem passivos ambientais, sendo que esses devem ser descritos no plano, bem como as medidas saneadoras que serão adotadas. E) As ações preventivas e corretivas relacionadas a acidentes ou manejo inadequado dos resíduos sólidos devem estar descritas no plano de gerenciamento. 4) Qual das afirmações NÃO caracteriza uma vantagem da adoção de um sistema de gerenciamento de resíduos industriais? A) Contribui para a diminuição de danos ambientais. B) Atende aos critérios de legislação ambiental em vigor. C) Diminui as possibilidade de reciclagem de resíduos sólidos. D) Reduz desperdícios do processo industrial. E) Contribui para a melhoria da imagem da empresa. 5) O aterro de resíduos industriais é uma das tecnologias para o tratamento e disposição final ambientalmente adequada. A construção e a operação desse sistema devem atender aos critérios definidos em normas (NBR 10.157 – para aterros de resíduos perigosos). Indique a sentença que apresenta uma condição de operação do aterro INADEQUADA: A) Implantação, operação e monitoramento de sistema de tratamento de gases. B) Monitoramento das águas subterrâneas durante o período de operação do aterro industrial. C) Impermeabilização com camadas de argila e material polimérico de alta densidade. D) Adoção de sistema de tratamento de líquido percolado. E) Implantação de sistema de drenagem. NA PRÁTICA Em cada cena da história fica evidente o quão importante é gerenciar e tratar resíduos sólidos. Com atitudes como essa, ganha o meio ambiente, ganha o consumidor e ganha o empresário que, ao pensar na sustentabilidade, agrega valor à sua marca e gera economias para a empresa. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Fundamentos de projeto de edificações sustentáveis Elaboração de plano de gerenciamento de resíduos sólidos de empresas de fundição de ferro fundido de pequeno porte Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! A indústria química no contexto da ecologia industrial Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Projeto Série 100% Seguro | Gerenciamento de resíduos (Versão Completa) – SESI Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Coprocessamento de resíduos da Fundação Proamb - Transformação de resíduos industriais em energia Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Tratamento de Efluentes APRESENTAÇÃO Em virtude das atividades do homem em suas rotinas diárias (nas suas residências e em seu ambiente de trabalho) há a produção de efluentes, os quais na sua composição possuem poluentes. Para que o lançamento desses efluentes não altere a qualidade da água dos recursos hídricos é necessária a implantação de sistemas de tratamento. Nesta Unidade de Aprendizagem você irá identificar os principais sistemas de tratamento de efluentes e a legislação aplicável a essa temática. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Distinguir os tipos de tratamento que podem ser adotados para a remoção da carga poluidora de efluentes. • Analisar a legislação aplicável ao tratamento de efluentes.• Identificar as possíveis tecnologias para tratamento de lodo formado no sistema de tratamento de efluentes. • DESAFIO A indústria é uma das principais atividades que produzem efluentes com elevada carga poluidora. A composição da água residual pode variar conforme as características dos insumos dos processos de fabricação. Sendo assim, as configurações das estações de tratamento podem variar. INFOGRÁFICO As possíveis formas de tratamento de efluentes foram hierarquizadas no infográfico. CONTEÚDO DO LIVRO O tratamento pode variar conforme as características de cada tipo de efluentes. Além disso, o objetivo da implantação de sistemas de tratamento é a remoção da carga poluidora, de forma a atender aos padrões de qualidade estabelecidos pela legislação.Esses aspectos são abordados no capítulo 14 do livro Meio ambiente e sustentabilidade nos itens “Indicadores aplicados a efluentes” e “Legislação aplicada”. Leia esses dois itens para entender melhor sobre legislação e padrões de qualidade de efluentes. Boa Leitura! M514 Meio ambiente e sustentabilidade [recurso eletrônico] / Organizadores, André Henrique Rosa, Leonardo Fernandes Fraceto, Viviane Moschini-Carlos. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Bookman, 2012. Editado também como livro impresso em 2012. ISBN 978-85-407-0197-7 1. Meio ambiente. 2. Sustentabilidade. I. Rosa, André Henrique. II. Fraceto, Leonardo Fernandes. III. Moschini- Carlos, Viviane. CDU 502-022.316 Catalogação na publicação: Natascha Helena Franz Hoppen CRB10/2150 334 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.) que assegurem que os efluentes tratados não provocarão impactos ambientais graves no curso d’água receptor. Indicadores aplicados a efluentes Apesar do grande avanço da química analí- tica na identificação e análise de compostos, a realização dessa tarefa para todas as subs- tâncias presentes no efluente é um trabalho praticamente impossível, devido à enorme demanda de tempo e um custo muito eleva- do. Por consequência, são utilizados indica- dores de poluição, como, por exemplo, a DBO, DQO e COT para matéria orgânica (apresentados no item 2.2), teor de óleos de graxas para a quantificação de compostos orgânicos hidrofóbicos e a toxicidade para avaliação do potencial tóxico do efluente. Devido à facilidade na determina- ção da DQO, esse parâmetro é largamen- te utilizado para a caracterização de efluentes. A razão entre a DBOe a DQO fornece indicações sobre a biodegradabili- dade de um efluente, ou seja, sobre a capa- cidade do efluente ser estabilizado por processos bioquímicos, intermediado por microrganismos. O teor de óleos e graxas é um indica- dor representativo de uma ampla classe de substâncias que podem ser solubilizadas e extraídas por solventes orgânicos. Com esse parâmetro, é possível quantificar os po- luentes hidrofóbicos, os quais são capazes de interagir com as membranas biológicas, resultando em efeitos tóxicos. A toxicidade é um importante parâ- metro de controle da qualidade dos efluen- tes. É determinada em bioensaios, sendo observada a resposta de uma dada popula- ção de organismos quando submetidos a diferentes concentrações do efluente. Para a realização dos testes, são utilizados organis- mos como bactérias, algas, microcrustáceos e peixes. Legislação aplicada O lançamento de efluentes nos corpos re- ceptores está regido pela Resolução Cona- ma no 357 (2005). Dessa forma, os efluentes de qualquer fonte poluidora somente pode- rão ser lançados, direta ou indiretamente, nos corpos d’água, após o devido tratamen- to e desde que obedeçam às condições, pa- drões e exigências dispostos nessa Resolu- ção e, eventualmente, em outras normas aplicáveis. Mediante fundamentação técnica, o órgão ambiental competente poderá, a qualquer momento, acrescentar outras con- dições e padrões, ou torná-los mais restriti- vos, tendo em vista as condições locais, e exigir a melhor tecnologia disponível para o tratamento dos efluentes, compatível com as condições do respectivo curso d’água su- perficial. É vedado o lançamento e a autori- zação de lançamento de efluentes em desa- cordo com as condições e padrões estabele- cidos na Resolução Conama no 357 (2005). O órgão ambiental competente po- derá, excepcionalmente, autorizar o lança- mento de efluente acima das condições e padrões estabelecidos no art. 34, da Reso- lução Conama no 357 (2005), desde que observados os seguintes requisitos: com- provação de relevante interesse público, devidamente motivado; atendimento ao enqua dramento e às metas intermediárias e finais, progressivas e obrigatórias; reali- zação de Estudo de Impacto Ambiental – EIA, às expensas do empreendedor res- ponsável pelo lançamento; estabelecimen- to de tratamento e exigências para esse lançamento; e fixação de prazo máximo para o lançamento excepcional. As condições de lançamento de efluentes são: pH entre 5 a 9; temperatura: inferior a 40 ºC, sendo que a variação de temperatura do corpo receptor não deverá exceder a 3 ºC na zona de mistura; materiais sedimentáveis: até 1 mL/L em teste de 1 hora em cone Imhoff. Para o lançamento Meio ambiente e sustentabilidade 335 em lagos e lagoas, cuja velocidade de circu- lação seja praticamente nula, os materiais sedimentáveis deverão estar praticamente ausentes; regime de lançamento com vazão máxima de até 1,5 vezes a vazão média do período de atividade diária do agente polui- dor, exceto nos casos permitidos pela auto- ridade competente; óleos e graxas – óleos minerais: até 20 mg/L, óleos vegetais e gor- duras animais: até 50 mg/L; e ausência de materiais flutuantes. No Brasil, para o lan- çamento de efluentes, a avaliação do cum- primento aos padrões da legislação é, na maioria dos estados, baseada na DBO, sendo a DQO utilizada apenas em poucas localidades. Segundo a Resolução Conama no 357 (2005), quando a vazão do corpo de água estiver abaixo da vazão de referência, o órgão ambiental competente poderá esta- belecer restrições e medidas adicionais, de caráter excepcional e temporário, aos lança- mentos de efluentes que possam acarretar efeitos tóxicos agudos em organismos aquá- ticos ou inviabilizar o abastecimento das populações. Os efluentes provenientes de serviços de saúde e estabelecimentos nos quais haja despejos infectados com micror- ganismos patogênicos só poderão ser lança- dos após tratamento especial. Cabe ressaltar ainda que é proibido o lançamento de qualquer tipo de efluente em águas classificadas como Especiais. Para as outras classes de água doce, descritas no item 2.4, existem alguns valores dos indica- dores de qualidade da água que devem ser obedecidos no lançamento de efluentes em corpos d’água. Técnicas de tratamento Para o tratamento de efluentes, normal- mente são empregados métodos físicos, nos quais predomina a aplicação de forças físi- cas como o gradeamento, floculação, sedi- mentação, flotação e filtração; métodos químicos, nos quais a remoção ou conver- são dos contaminantes ocorre pela adição de produtos químicos ou devido às reações químicas (precipitação química, adsorção, desinfecção); e/ou biológicos, nos quais a remoção de contaminantes ocorre por meio de atividade biológica (processos aeróbios e anaeróbios). Um efluente pode conter poluentes orgânicos e inorgânicos, os quais podem estar solubilizados na fase aquosa ou em suspensão na forma de partículas. O mate- rial em suspensão pode ser removido por métodos físico-químicos, cuja escolha de- pende das características do material (ta- manho, densidade, entre outras), enquanto a remoção do material solúvel é mais difícil, podendo ser empregadas técnicas físico-quí- micas e/ou biológicas. As técnicas de trata- mento baseadas em processos de coagula- ção, seguidos por flotação ou sedimentação, apresentam uma elevada eficiência na re- moção de material particulado. Entretanto, para remoção de compostos coloridos e compostos orgânicos dissolvidos são defi- cientes, enquanto os processos de adsorção em carvão ativado são significativamente mais eficazes. Os processos de tratamento visam à adequação dos efluentes aos padrões de lançamento de despejos, de forma que, se o efluente de uma unidade de tratamento pri- mário estiver de acordo com a legislação, o mesmo pode ser lançado diretamente no corpo receptor. Caso contrário, esse efluen- te deve ser conduzido para uma unidade de tratamento subsequente de modo a torná- -lo adequado para ser lançado no curso d’água. Antes de se iniciar a concepção do sis- tema de tratamento e o tratamento propria- mente dito, deve-se ter claro qual o objetivo a ser alcançado, ou seja, qual o nível de qua- lidade do efluente tratado que se deseja, uma vez que existem fatores limitantes, como o custo envolvido para o tratamento. Salienta-se que os requisitos a serem atingi- Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. DICA DO PROFESSOR Vários são os tipos de sistemas de tratamento de efluentes. Assista ao vídeo para conhecê-los! Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Assinale a alternativa que se refere a tipos de tratamento biológicos. A) Lagoas aeróbias e gradeamento. B) Filtros biológicos e caixa de areia. C) Desarenador e floculador. D) Lodos ativados e lagoa anaeróbia. E) Lodos ativados e sedimentador. O funcionamento de uma Estação de tratamento de efluente (ETE) compreende basicamente as seguintes etapas: I - Tratamento preliminar é constituído por processos físicos, onde é feita a remoção dos materiais em suspensão. II - Tratamento primário é constituído por processos físico-químicos. Nesta etapa procede-se a equalização e neutralização da carga do efluente a partir de um tanque de equalização e adição de produtos químicos e a posterior separação de partículas por meio de processos de floculação e sedimentação. III - Tratamento secundário é a etapa na qual ocorre a remoção da matéria orgânica, por meio de reações bioquímicas, podendo os processos serem aeróbios ou anaeróbios. IV - Tratamento terciário é empregado com a finalidade de se conseguir remoções adicionais de poluentes em águas residuárias. Os processos de tratamento terciário são idênticos 2) para cada tipo de efluente. Com base nos conceitos apresentados, assinale a alternativaCORRETA. A) Todas estão certas. B) Apenas a IV está errada. C) Apenas a I está correta. D) Todas estão erradas. E) Somente a II e a IV estão corretas. 3) No comparativo entre as variáveis DBO e DQO para efluentes domésticos, observa-se que: A) A DQO é sempre menor que a DBO. B) Normalmente a DQO é menor que a DBO. C) A DQO é sempre igual a DBO. D) A razão entre a DBO e a DQO fornece indicações entre a biodegradabilidade do efluente. E) Não há como compará-los, pois a DBO estima apenas a matéria inorgânica. 4) Sobre o reator UASB, assinale a alternativa CORRETA. A) O reator UASB possui elevada produção de lodo biológico. B) O reator UASB é bastante aplicado para tratar despejos com elevado teor de sólidos voláteis e produz um efluente de boa qualidade. C) O reator UASB trata águas residuárias por meio do processo biológico anaeróbio da matéria orgânica. D) A parte inferior do reator UASB possui um separador trifásico, que permite a saída do efluente clarificado, a coleta do biogás gerado no processo e a retenção dos sólidos dentro do sistema. E) O lodo retirado periodicamente do sistema ainda deverá passar por tratamento específico. 5) Indique a alternativa CORRETA sobre lodos ativados para tratamento de efluentes. A) O processo de lodos ativados consiste em se provocar o desenvolvimento de uma cultura microbiológica na forma de flocos em um tanque de aeração. B) O processo de lodos ativados apresenta reduzida eficiência na remoção de DBO. C) O processo de tratamento por lodos ativados é físico-químico e biológico. D) O sistema de tratamento por lodos ativados possui elevada capacidade de remoção de coliformes. E) Os fungos e as algas são desejáveis no tratamento por lodos ativados. NA PRÁTICA Todos os anos o Instituto Trata Brasil divulga o Ranking do Saneamento no país. No estudo são avaliadas as condições do serviço de esgoto, no qual inclui a infraestrutura para coleta e tratamento. O estudo é realizado a partir dos dados que constam no Sistema Nacional de Informações de Saneamento e é um indicativo do que ainda precisamos melhorar para a universalização dos serviços de esgotamento sanitário. Uma maior cobertura desse serviço melhora as condições de vida da população e do meio ambiente. O Ranking do Saneamento apresenta a posição em que cada uma das 100 maiores cidade do Brasil encontra-se com relação aos serviços de coleta de esgoto. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Resolução n. 430 de 13 de maio de 2011 Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Resolução n. 357 de 17 de março de 2005 Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Projeto do Senai ajuda empresas no tratamento de efluentes industriais Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Estação de tratamento de efluentes Natura Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Análise de projeto e operação de estação de tratamento de esgoto em Cravinhos (SP), Brasil Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Produção mais limpa APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem, conheceremos o conceito de Produção Mais Limpa (P+L) e distinguiremos os principais benefícios econômicos e ambientais da adoção desse tipo de programa. Além disso, identificaremos algumas etapas para a implantação de métodos de produção mais limpa que podem ser um diferencial nos processos produtivos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer a aplicação do programa P+L na prevenção e minimização da geração de resíduos, assim como na valorização dos resíduos ainda descartados nesses processos e em outros relacionados à indústria em geral. • Identificar as etapas para implementação da P+L.• Analisar as vantagens da implementação de programas P+L.• DESAFIO Uma empresa moveleira vem monitorando seu processo produtivo. Ao longo desse período, os gestores ambientais verificaram que a quantidade de resíduos estava aumentando, assim como outras matérias-primas e insumos. Para otimizar o processo, sugeriram a adoção de técnicas de P+L. Para esclarecer à diretoria as modificações a serem realizadas, indique ações para cada nível de intervenção. INFOGRÁFICO Acompanhe no infográfico as diversas ações que podem ser realizadas para a implantação da P+L. CONTEÚDO DO LIVRO A P+L envolve novos conceitos de produção. A definição e os princípios podem ser encontrados no livro Meio ambiente e sustentabilidade. Leia todo o item Produção mais limpa. M514 Meio ambiente e sustentabilidade [recurso eletrônico] / Organizadores, André Henrique Rosa, Leonardo Fernandes Fraceto, Viviane Moschini-Carlos. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Bookman, 2012. Editado também como livro impresso em 2012. ISBN 978-85-407-0197-7 1. Meio ambiente. 2. Sustentabilidade. I. Rosa, André Henrique. II. Fraceto, Leonardo Fernandes. III. Moschini- Carlos, Viviane. CDU 502-022.316 Catalogação na publicação: Natascha Helena Franz Hoppen CRB10/2150 398 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.) cursos naturais e resíduos; o que leva à re- dução dos impactos ambientais dos empre- endimentos e melhora o seu desempenho ambiental e econômico, os quais serão apre- sentados neste capítulo. Produção mais limpa A definição do conceito de Produção Mais Limpa (P+L) foi elaborada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), no início da década de 1990. Se- gundo esse órgão, o P+L corresponde a aplicação contínua de uma estratégia am- biental preventiva integrada aos processos, produtos e serviços para aumentar a ecoefi- ciência e reduzir os riscos ao homem e ao meio ambiente (UNIDO, 2011). Desde 1994, o PNUMA, em parceria com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI), vem desenvolvendo esse modelo de produ- ção, quando se estabeleceu o programa Centro Nacional de Produção mais Limpa (CNPML). Tal programa visa incentivar a criação de centros de P+L, especialmente nos países em desenvolvimento, sendo que o ONUDI atua como agência executiva, ad- ministrando os recursos financeiros e pro- vendo orientação técnica nos processos in- dustriais abordados pelos centros e o PNUMA se responsabiliza pela dissemina- ção de conceitos, desenvolvimento de estra- tégias, ferramentas, políticas e disponibili- zação de materiais sobre P+L. No Brasil, o Centro Nacional de Tecno- logias Limpas foi fundado em 1995 e se en- contra na unidade local do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), vin- culado à Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS). Entre as ativida- des do centro, destaca-se a disseminação da informação; a implementação de progra- mas de Produção mais Limpa nos setores produtivos; a capacitação de profissionais e a atuação em políticas ambientais (CNTL/ SENAI-RS, 2011). Os principais benefícios econômicos e ambientais da adoção de programas de P+L incluem: eliminação dos desperdícios, mi- nimização ou eliminação de matérias-pri- mas que causem impactos ambientais nega- tivos, redução de resíduos e emissões, redu- ção dos custos de gerenciamento dos resíduos, minimização dos passivos am- bientais, incremento na saúde e segurança no trabalho (SEBRAE/CNTL/SENAI-RS, 2005). A produção mais limpa apresenta os três níveis de intervenção, em ordem de- crescente, segundo classificação de CNTL/ SENAI-RS (2011). Assim, o nível 1 é o que mais se destaca e corresponde a evitar a ge- ração de resíduos e emissões. Para aqueles resíduos que não podem ser reduzidos ou evitados, eles devem ser reintroduzidos no processo produtivo, por meio da reciclagem interna (nível 2). O nível 3 se refere a resí- duos que devem ser enviados para uma re- ciclagem externa à empresa, pela impossibi- lidade de aproveitamento no processo de produção. Ecoeficiência O termo ecoeficiência foi introduzidoem 1992 pelo Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável – World Business Council for Sustainable De- velopment (WBCSD), que apresenta a se- guinte definição (WBCSD, 1997): “Ecoefi- ciência é atingida pela distribuição de produtos e serviços a preço competitivo que satisfaçam as necessidades humanas e garantam a qualidade de vida, ao mesmo tempo que, progressivamente, reduzam os impactos ambientais e a demanda por re- cursos naturais ao longo do seu ciclo de vida, a um nível no mínimo igual à capaci- dade de suporte da terra”. Segundo essa Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. DICA DO PROFESSOR A P+L é uma estratégia que contribui para o processo produtivo e para a melhoria das condições ambientais. Assista ao vídeo! Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) P+L significa a aplicação contínua de uma estratégia econômica, ambiental e tecnológica integrada aos processos e produtos, a fim de aumentar a eficiência no uso de matérias-primas, água e energia por meio da não geração, minimização ou reciclagem de resíduos gerados em um processo produtivo. A partir disso, é INCORRETO afirmar que: A) A P+L proporciona ganhos financeiros por meio da melhoria da utilização de matérias- primas, água, energia e da não geração de resíduos. B) A P+L pode aumentar a competitividade por meio da redução de custos de produção e melhorar o bem-estar da comunidade. C) A P+L encaixa-se em qualquer ramo ou atividade, considerando a variável ambiental em todos os níveis da organização, envolvendo as questões ambientais com ganhos econômicos para a empresa. D) Para a P+L, todo resíduo deve ser considerado um produto de valor econômico positivo. E) A implementação da P+L como prática de ecoeficiência é, sobretudo, um exemplo de responsabilidade social corporativa e de sustentabilidade. 2) Sobre a P+L, é INCORRETO afirmar que: A) Relaciona a compra de matérias-primas, a engenharia de produto, o design, o pós-venda e as questões ambientais com ganhos econômicos para a empresa. B) Refere-se a ações que, implementadas dentro da empresa, têm o objetivo de tornar o processo mais eficiente no emprego de seus insumos, gerando mais produtos e menos resíduos. C) Por meio da implantação de um programa de P+L, a atividade produtiva identifica as tecnologias limpas menos adequadas para o seu processo produtivo. D) Envolve a prevenção da geração de resíduos e efluentes, bem como emissões na fonte, o que evita processos e materiais potencialmente tóxicos. E) Uma das vantagens da P+L é que os riscos são reduzidos e a transparência é aumentada. 3) Aponte a alternativa que NÃO está de acordo com os benefícios da P+L: A) A P+L procura eliminar o lançamento de resíduos no meio ambiente, bem como reduzi-lo substancialmente. B) Processos produtivos ideais, de acordo com o conceito de P+L, ocorrem em um circuito fechado, sem contaminar o meio ambiente e utilizando os recursos naturais com a máxima eficiência possível. C) A P+L requer os mais altos níveis de eficiência energética na produção de bens e serviços. D) O produto final não precisa ser ambientalmente correto, desde que o processo produtivo envolva prevenção da poluição. E) A embalagem do produto deve ser eliminada ou minimizada sempre que possível e, quando necessário, deve gerar o menor impacto ambiental possível. 4) A P+L apresenta três níveis de intervenção de acordo com a classificação do Centro Nacional de Tecnologias Limpas (CNTL/SENAI-RS) (2011). Assinale a alternativa CORRETA. A) Nível 1: corresponde a evitar a geração de resíduos e emissões. Nível 2: são os resíduos que não podem ser reduzidos ou evitados, devendo ser reintroduzidos no processo produtivo por meio da reciclagem interna. Nível 3: são os resíduos que devem ser enviados para uma reciclagem externa à empresa, pela impossibilidade de aproveitamento no processo de produção. B) Nível 1: são os resíduos que não podem ser reduzidos ou evitados, devendo ser reintroduzidos no processo produtivo por meio da reciclagem interna. Nível 2: corresponde a evitar a geração de resíduos e emissões. Nível 3: são os resíduos que devem ser enviados para uma reciclagem externa à empresa pela impossibilidade de aproveitamento no processo de produção. C) Nível 1: são os resíduos que devem ser enviados para uma reciclagem externa à empresa, pela impossibilidade de aproveitamento no processo de produção. Nível 2: corresponde a evitar a geração de resíduos e emissões. Nível 3: são os resíduos que não podem ser reduzidos ou evitados, devendo ser reintroduzidos no processo produtivo por meio da reciclagem interna. D) Nível 1: corresponde a evitar a geração de resíduos e emissões. Nível 2: são os resíduos que devem ser enviados para uma reciclagem externa à empresa, pela impossibilidade de aproveitamento no processo de produção. Nível 3: são os resíduos que não podem ser reduzidos ou evitados, devendo ser reintroduzidos no processo produtivo por meio da reciclagem interna. E) Nível 1: resíduos que não podem ser reduzidos ou evitados, devendo ser reintroduzidos no processo produtivo por meio da reciclagem interna. Nível 2: são os resíduos que devem ser enviados para uma reciclagem externa à empresa pela impossibilidade de aproveitamento no processo de produção. Nível 3: corresponde a evitar a geração de resíduos e emissões. 5) Considerando os principais benefícios da adoção de programas de P+L, assinale a alternativa INCORRETA. A) Eliminação dos desperdícios. B) Minimização ou eliminação de matérias-primas que causem impactos ambientais negativos. C) Maximização dos passivos ambientais. D) Redução dos custos de gerenciamento dos resíduos. E) Incremento na saúde e segurança no trabalho. NA PRÁTICA A adoção de técnicas de P+L pode ser um diferencial para as empresas, melhorando o aproveitamento de recursos e contribuindo para a sua imagem. A AGCO, empresa fabricante de equipamentos para produtores rurais, implantou o Programa de Produção Mais Limpa, que está inserido no seu sistema de gestão ambiental. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Produção Mais Limpa Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! A Produção Mais Limpa na micro e pequena empresa Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Guia da Produção Mais Limpa – Faça você mesmo Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! A produção mais limpa como geradora de inovação e competitividade Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Metodologias de Produção Mais Limpa: um estudo de caso no pólo metal-mecânico da serra gaúcha. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Sistemas de Gestão Ambiental – ISO 14.000 APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem você vai conhecer os princípios de um sistema de gestão ambiental (SGA). Entre os tópicos que serão abordados está a série de normas ISO 14.000, que fornece diretrizes técnicas para o SGA; você estudará seus objetivos e sua importância. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar as etapas do sistema de gestão ambiental (SGA).• Conhecer as principais vantagens do sistema de gestão ambiental (SGA).• Listar as principais normas da série ISO 14.000.• DESAFIO O ciclo PDCA de melhoria é uma ferramenta da qualidade utilizada no controle do processo para a solução de problemas. A sigla PDCA apresenta quatro fases e vem dos termos em inglês: Plan (Planejar), Do (Executar), Check (Verificar) e Action (Agir corretivamente). Assim, podemos afirmar que o ciclo PDCA consiste em uma sequência de procedimentos lógicos que objetiva localizar a causa fundamental de um problema para posteriormente eliminá-