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Analise e produção Textual

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www.esab.edu.br
Análise e Produção
Textual
CURSO DE PEDAGOGIA
Análise e Produção 
Textual
Vila Velha (ES)
2013
Escola Superior Aberta do Brasil
Diretor Acadêmico
Beatriz Christo Gobbi
Coordenadora do Núcleo de Educação a Distância
Beatriz Christo Gobbi
Coordenadora do Curso de Administração EAD 
Rosemary Riguetti
Coordenador do Curso de Pedagogia EAD
Claudio David Cari
Coordenador do Curso de Sistemas de Informação EAD
David Gomes Barboza
Produção do Material Didático-Pedagógico
Delinea Tecnologia Educacional / Escola Superior Aberta do Brasil
Diretoria Executiva
Charlie Anderson Olsen
Larissa Kleis Pereira
Margarete Lazzaris Kleis
Thiago Kleis Pereira
Conteudista
Eduard Marquardt
Coordenação de Projeto
Andreza Lopes
Patrícia Battisti
Supervisão de Design Educacional
Barbara da Silveira Vieira
Supervisão de Design Gráfico
Laura Martins Rodrigues
Design Educacional
Simone Regina Dias
Revisão Gramatical
Elaine Monteiro Seidler
Érica da Silva Martins Valduga
Hellen Melo Pereira
Paulo de Tarso Vieira
Design Gráfico
Neri Gonçalves Ribeiro 
Diagramação
Fernando Andrade
Equipe Acadêmica da ESAB
Coordenadores dos Cursos
Docentes dos Cursos
Copyright © Todos os direitos desta obra são da Escola Superior Aberta do Brasil.
www.esab.edu.br
Av. Santa Leopoldina, nº 840
Coqueiral de Itaparica - Vila Velha, ES
CEP 29102-040
Diretor Geral 
Nildo Ferreira
Supervisão de Revisão Gramatic al
Andrea Minsky
Apresentação
Caro estudante,
Seja bem vindo à ESAB. A Escola Superior Aberta do Brasil, funda-se no princípio 
básico de atuar com educação a distância, utilizando como meio, tão somente, 
a internet. Em 2004,foi especialmente credenciada para ofertar cursos de pós-
graduação a distância, via e-learning, utilizando-se de software próprio denominado 
Campus Online.
Em 2009 foi credenciada com Instituição de Ensino Superior – IES, através da 
portaria MEC nº 1242/2009, de 30 de dezembro de 2009, ocasião em que também foi 
autorizada a ofertar o curso de pedagogia – licenciatura, na modalidade presencial, 
conforme portaria MEC nº 14/2010, de 9 de janeiro de 2010.
Em outubro de 2012 recebeu o Prêmio Top Educação 2012, da Editora Segmento, 
sendo reconhecida como a Melhor Instituição de Ensino EAD para Docentes.
Em 2013 é aprovada para a oferta dos cursos de: Administração (Bacharelado); 
Pedagogia (Licenciatura) e Sistemas de Informação (Bacharelado), todos na 
modalidade EAD, com avaliação máxima das comissões avaliadoras.
Sabemos que cada curso tem suas demandas específicas: Administração, Pedagogia 
ou Sistemas de Informação são cursos bastante particulares, mas em qualquer área 
são várias as teorias e os teóricos; os vieses e as perspectivas; os tipos de texto e suas 
finalidades. Entretanto, em qualquer um deles você precisará lidar com leituras, 
fichamentos, resumos, resenhas e desenvolver interpretações. 
Disso, portanto, é que trata este material de Análise e Produção Textual. Nele constam 
indicações, recomendações e exercícios para você aperfeiçoar a sua escrita e a sua 
percepção de leitura. Este material foi concebido baseado nas referências Fiorin e 
Savioli (2006), Faraco e Tezza (2008), Medeiros (2008) e Discini (2005). 
A elaboração desta disciplina foi feita especialmente para você, tendo como base 
uma compilação de livros de autores renomados, contendo conceitos, teorias, fórum, 
estudos complementares, entre outros, todos com o intuito de ajudá-lo em sua 
formação. Você verá que, por vezes, o texto será bastante pontual e objetivo; em 
outras, no entanto, será necessário um esforço interpretativo e um olhar crítico sobre 
suas próprias experiências de leitura e escrita para alcançarmos o propósito. 
Bom estudo!
Equipe Acadêmica da ESAB
Objetivo
O nosso objetivo é auxiliar na análise e produção de textos, por meio do estudo de 
procedimentos e conceitos. 
Competências e habilidades
•	 Perceber as diferentes formas da linguagem em sua peculiaridade, necessárias à 
produção textual.
•	 Reconhecer os diferentes instrumentos e procedimentos para a organização e 
produção de texto.
•	 Produzir textos com senso crítico e qualidade.
•	 Elaborar o pensamento por escrito, considerando as possíveis leituras 
interpretativas.
Ementa
A leitura e a produção textual. A estrutura do texto. Textualidade e argumentação 
na produção do texto. Linguagem. Gêneros textuais: tipos de textos. Estrutura de 
texto. Aspectos gramaticais.
Sumário
1. Escrever bem: dom ou técnica? .......................................................................................7
2. O que é texto? ...............................................................................................................12
3. A nova ortografia da Língua Portuguesa .......................................................................17
4. O falado e o escrito ........................................................................................................21
5. Polissemia, metalinguagem, intertextualidade e recombinação...................................25
6. O esquema da comunicação e as funções da linguagem ...............................................32
7. O que define um bom texto ..........................................................................................38
8. Os diferentes tipos de texto ...........................................................................................41
9. Texto descritivo .............................................................................................................47
10. Texto de informação......................................................................................................52
11. Texto de opinião ............................................................................................................56
12. Texto crítico ...................................................................................................................61
13. A narrativa ....................................................................................................................68
14. Texto temático e texto figurativo ..................................................................................73
15. Texto argumentativo .....................................................................................................79
16. Texto explicativo ...........................................................................................................86
17. Texto dissertativo ..........................................................................................................92
18. Texto dissertativo-argumentativo .................................................................................97
19. Como definir um título ................................................................................................103
20. Redação institucional/comercial .................................................................................107
21. O curriculum vitae .......................................................................................................111
22. Parágrafos ...................................................................................................................116
23. Pontuação ...................................................................................................................121
24. Frase, oração, período .................................................................................................127
25. Coesão ........................................................................................................................133
26. Coerência ....................................................................................................................138
27. Estilo ...........................................................................................................................14228. Denotação/conotação .................................................................................................146
29. Tropos de linguagem...................................................................................................150
30. O clichê .......................................................................................................................155
31. Usos da crase ...............................................................................................................161
32. Usos dos porquês ........................................................................................................167
33. O dito “cujo” .................................................................................................................170
34. Usos do gerúndio ........................................................................................................174
35. Concordância ..............................................................................................................177
36. Usos do adjetivo ..........................................................................................................184
37. Estrangeirismos ..........................................................................................................191
38. Ênclise, próclise, mesóclise ..........................................................................................195
39. Dúvidas frequentes .....................................................................................................200
40. Tautologias .................................................................................................................205
41. Pressuposto.................................................................................................................210
42. Pesquisa: como proceder .............................................................................................215
43. Paráfrase .....................................................................................................................221
44. Fichamento e resumo ..................................................................................................226
45. Interpretação textual ..................................................................................................235
46. Comunicação e expressão ...........................................................................................241
47. As multimídias e a produção textual ...........................................................................247
48. Afinal, o que é um bom texto? ....................................................................................250
Glossário ............................................................................................................................256
Referências ........................................................................................................................268
www.esab.edu.br 7
1 Escrever bem: dom ou técnica?
Objetivo
Vislumbrar a escrita como técnica vinculada ao exercício constante da 
leitura e construção de argumentos.
É comum ouvirmos que alguém, um amigo seu, um familiar, enfim, 
“tem facilidade para escrever”, não? Mas por que será? O que você pensa: 
algumas pessoas nascem com essa disposição e tudo o que fazem ao 
longo de sua vida estudantil não é mais que reforçá-la ou escrever bem 
se trata de algo que qualquer um de nós pode alcançar, com disciplina e 
dedicação?
No estudo da língua portuguesa, é comum o questionamento “Como 
escrever bem?”. É preciso estudar gramática? Sim, certamente. É preciso 
ler? Sem dúvida. É preciso ler sites de notícias, jornais impressos? Com 
certeza. Mas e as revistas de entretenimento servem também? Sim, 
também servem. E assistir a filmes ou documentários, tem algo a ver com 
a escrita? Absolutamente. Mas por quê?
Porque escrever bem significa, entre tantos fatores, defender bem um 
argumento, expor um ponto de vista, expressar sentimentos, manifestar-
se com propriedade. Escolher a linguagem, montar um cenário, levantar 
um problema, ponderar as alternativas, os vieses, tudo o que está em 
jogo, e chegar a uma conclusão, ainda que provisória. Toda a informação 
que você consome e processa criticamente faz diferença. Vejamos um 
exemplo, às avessas.
Digamos que você não saiba dirigir ou nadar e esteja interessado em 
aprender ou que esteja a fim de melhorar a sua saúde, manter a sua boa 
aparência e queira se matricular em uma academia de ginástica. Pois 
então: você já viu alguém aprender a nadar em teoria, do lado de fora 
da piscina? Não, não é? E se você quiser desenvolver os seus músculos, 
certamente terá de encarar os aparelhos da academia e realizar as séries 
www.esab.edu.br 8
periódicas de 8, 10, 12 repetições. Mas ainda não será o bastante: o nosso 
organismo se habitua com os exercícios, de modo que, gradualmente, 
será preciso que você exija mais de si mesmo para chegar a um 
determinado resultado, adquirindo perfeição naquilo que está fazendo e, 
ao mesmo tempo, resistência para a tarefa. 
Mas, por outro lado, é possível, sim, aperfeiçoar o seu nado a partir da 
teoria: você pode muito bem estudar como deve ser a sua respiração; você 
pode ler um artigo, uma revista ou um livro que demonstre graficamente 
como deve ser o movimento da braçada, que você deve esticar os braços 
completamente, que, enquanto um está realizando a braçada, o outro 
deve estar posicionado de modo a não oferecer resistência ou que os pés 
devem reproduzir o movimento de um chute, e não simplesmente um 
movimento qualquer, para que você possa aproveitar todo o impulso 
e a sua própria energia. E, se você estiver tomando aulas na autoescola 
para tirar a carteira de motorista, certamente a teoria irá auxiliá-lo tanto 
no conhecimento do veículo como nos procedimentos que você deve 
desempenhar para dirigir com segurança. 
Assim, para escrever bem, é preciso também se arriscar e “entrar na 
piscina” ou “assumir o volante”. Não há como você desenvolver uma 
técnica sem se submeter ao exercício diário e constante, adquirindo 
consciência daquilo que está fazendo.
São detalhes que fazem muita diferença: habitue-se a acessar diariamente 
um site de notícias de qualidade. Certamente você, pouco a pouco, 
saberá que uma notícia se pauta, essencialmente, em relatar os fatos sem 
problematizar a linguagem, ou seja, com objetividade e sem especulação. 
Pois, se há especulação, já não estamos no terreno da notícia, e sim 
da análise. Ao assistir a um filme estrangeiro, prefira assisti-lo com as 
legendas. Você, pouco a pouco, encontrará o ajuste e dará conta de ver os 
personagens, ouvir e ler, no seu idioma, aquilo que estão dizendo. Mas 
se ainda você gosta de uma boa revista de entretenimento, sem muita 
profundidade, será válido, pois você também saberá quando se utilizar de 
uma linguagem mais leve e atrativa para cativar o seu leitor. 
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Figura 1 – Para aprimorar a sua escrita, você precisa de variedade de leitura.
Fonte: <www.shutterstock.com>.
Resumindo, você precisa de variedade de leitura. Habitue-se aos livros 
de ficção, às biografias e autobiografias, aos relatos de história e estudos 
de geografia, e o que mais for. Você encontrará frases, orações e períodos 
mais complexamente articulados, de modo a ampliar o seu vocabulário, 
acostumá-lo a raciocínios mais longos e ampliar a sua experiência com 
o relato alheio. Você aprenderá gramática sem sequer perceber. E outra 
coisa: tenha muito cuidado com a linguagem abreviada ou adaptada que 
utilizamos para a comunicação on-line, quando tudo vale ou é permitido. 
Nada pior que ler um texto em que se utiliza “mais” no lugar de “mas”…
Um dos problemas, no entanto, que todos temos de enfrentar é a 
ansiedade. Muitas vezes queremos algo prontamente. Queremosperceber 
o benefício imediatamente. É um pouco a lógica do consumo: compro, 
uso, quero ver o resultado. Na escrita, como em qualquer outra técnica, 
as coisas não são bem assim. 
Digamos que você esteja nadando. Você já desenvolve a modalidade 
crawl com certa naturalidade e precisão e seu instrutor quer agora que 
você exercite o nado golfinho. A sua reação imediata é de resistência, pois 
você sabe da sua dificuldade em concatenar os movimentos de pés, braços 
e tronco, mas começa a prática do exercício. Você tenta apreender o 
movimento, mas ainda não consegue desenvolvê-lo corretamente. A aula 
acaba e você sai da piscina com certo descontentamento e mais cansado 
www.esab.edu.br 10
que o habitual, pois do crawl você já dava conta. Passam-se dois dias, ou 
na aula da semana seguinte, você se aquece, entra na água, começa em 
modo crawl e logo passa à modalidade golfinho. Surpreendentemente, 
você nota que, embora os movimentos ainda não estejam perfeitos, você 
já os desenvolve com certa habilidade ou menos esforço.
Pois, é assim mesmo. Foi necessário que você se expusesse a algo que 
ainda desconhecia ou não dominava, que tentasse desenvolver essa 
tarefa conscientemente, e que também precisasse lidar com a impressão 
momentânea de fracasso. É parte do processo, e não vale a pena pular a 
etapa. Não tem como.
Mas vamos ao que de fato nos interessa: na sua disciplina de Sociologia 
das Organizações, Introdução à Computação ou Psicologia da Educação, 
o professor lhe solicita escrever uma resenha sobre um capítulo específico. 
Você realizou a leitura, destacou no texto as informações que julgava 
fundamentais e passou à confecção do seu trabalho. Ao fim, você 
ainda não se sente satisfeito com o resultado. Pode ser impressão, pode 
ser a leitura ainda superficial de determinada passagem ou que a sua 
interpretação ainda esteja apressada, sem ir fundo nos conceitos. Pois 
bem, dê um tempo para você mesmo. Reserve o texto, faça outra leitura, 
consulte outro autor ou vá fazer outra coisa. No dia seguinte – o tempo 
é relativo –, retome aquilo que você escreveu e leia criticamente. Você 
encontrará períodos que ficaram pouco claros, verá que certa informação 
não é tão importante assim, que determinada conclusão está apressada; 
perceberá um ou outro deslize na pontuação, e assim por diante. Em 
suma, é preciso lidar com a ansiedade da conclusão e dar tempo para que 
você mesmo mude, para que você se reprograme ou se reorganize; para 
que você se distancie daquilo que estava tão perto dos seus olhos mas que 
não conseguia enxergar com precisão.
Em um curso superior, também é comum termos contato com textos 
mais complexos, que exigem muito mais que uma leitura superficial, pois 
estão longe da nossa experiência cotidiana. São textos que demandam 
uma ampliação de nossa escopia, isto é, do modo como vemos o 
mundo e interpretamos as suas implicações. Então aproveite, pois este 
é justamente o momento para você se expor a leituras e problemas que 
põem à prova os seus conceitos. 
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Para encerrar esta unidade, acompanhe algumas dicas de Stephen 
Kanitz, articulista da revista Veja, consultor de empresas e conferencista. 
Resumidamente, Kanitz (2012) anota:
•	 por mais relativo que isto seja, escreva sempre considerando qual é o 
seu público-alvo;
•	 deixe a vaidade de lado, escreva para narrar uma experiência ou 
expor uma ideia;
•	 inicie pelo rascunho, deixe as ideias amadurecerem e revise ou 
reescreva;
•	 não gaste tempo com ideias intransigentes ou pesadamente 
ideológicas;
•	 repita de formas diferentes as ideias fundamentais do seu texto;
•	 seja conciso, direto e objetivo. 
Estudo complementar
Vimos nesta unidade que para escrever bem 
é preciso munir-se de um cardápio variado 
de informações, dedicação e disciplina. Para 
complementar o estudo, leia o texto completo 
de Stephen Kanitz a que fizemos referência, 
clicando aqui.
www.esab.edu.br 12
2 O que é texto?
Objetivo
Desenvolver e explorar o conceito de texto, analisando suas 
perspectivas de formação de sentido no processo de criação e 
organização.
Depois de nossas considerações acerca do processo de escrita, vamos 
abordar o significado do texto. 
“Redija um texto”, “leia o texto a seguir”, “o texto está ilegível” – com 
certeza, você já teve contato com esses enunciados e acatou o que estava 
sendo solicitado ou informado. Todos realizamos a tarefa porque, bem 
ou mal, entendemos o que significa. Mas e se você tivesse de conceituar, 
como faria? São várias as possibilidades.
2.1 Compreendendo o conceito de texto
Hoje, dispomos de leituras mais abertas quanto ao conceito de texto, 
mas sua origem remonta ao vocábulo latino textu, que significa tecido, 
ou seja, a uma peça cuja consistência depende do bom entrelaçamento 
de vários fios. Medeiros (2008, p. 137) diz que “[...] a imagem de tecido 
contribui para esclarecer que não se trata de feixe de fios (frases soltas), 
mas de fios entrelaçados (frases que se inter-relacionam)”.
Por consequência dessa definição, entendemos texto como o campo da 
página escrita – por exemplo – cujos fios (as palavras) estão dispostos em 
uma ordem coerente, e que independe da sua extensão. Vejamos como 
isso funciona na prática.
Talvez você more em um apartamento, que fica dentro de um 
condomínio. Todos os dias, ao se aproximar do portão, você vê a placa 
onde está escrito “não buzine”. Trata-se de um texto? Sim. Por se tratar 
de um lugar onde residem várias pessoas e que exige certas normas de 
www.esab.edu.br 13
conduta social, entendemos que a placa solicita bom senso a quem 
se aproxima, para que produza o menor ruído possível. A unidade de 
sentido, portanto, está concretizada. Mas e se em vez da frase escrita 
estivesse apenas a figura de uma buzina com a tarja de proibido 
sobreposta, seria um texto? Sim, pois o signo na placa, tal como as letras, 
indica-nos algo cujo sentido é compreensível.
Por outro lado, digamos que você esteja caminhando pelo centro da 
cidade e vê a mesma palavra, buzina, pichada num muro, ou mesmo o 
desenho de uma buzina. Trata-se de um texto? Pergunte-se: a relação de 
sentido se mantém?
Como não estamos mais no ambiente condomínio, que evoca os 
cuidados a que nos referimos antes (residência, família, silêncio), e trata-
se apenas de um muro, o sentido não se efetiva. Não podemos captar a 
intenção comunicacional do autor da pichação nem por ela mesma nem 
pelo contexto que a cerca. Talvez na cabeça do autor aquilo faça muito 
sentido, mas seria apenas especulação de nossa parte. Não há interação 
comunicativa específica, que é o segundo movimento a que Medeiros 
(2008) faz referência.
Podemos, a partir desses breves exemplos, concluir que o significado não 
é autônomo. Para que ele se efetive, é preciso considerar o contexto onde 
ele se insere. 
Assim, podemos apreender que o significado das partes que compõem 
um texto está atrelado às correlações que elas mantêm entre si e, além 
disso, que o contexto concerne a uma unidade linguística maior, em que 
se encaixa uma unidade linguística menor, o texto. 
Outro caso bastante analisado para estudar os conceitos de texto e 
contexto refere-se a uma crônica de Ricardo Ramos, intitulada “Circuito 
fechado”, constante no livro de mesmo título, publicado pela primeira 
vez em 1972. Vejamos:
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Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, 
creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água 
quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, 
sapatos, telefone, agenda, copo com lápis, caneta, blocos de notas, espátula, pastas, 
caixa de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, 
xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios,cartas, notas, vales, 
cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, 
cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetos 
de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, 
pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo. 
Xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e 
poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone interno, 
gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço, relógio, maço de 
cigarros, caixa de fósforos. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, 
guardanapos. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, 
papéis, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta, cigarro, 
fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, 
jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, 
gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos, 
guardanapos. Xícaras, cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, 
poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama, 
espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.
E agora? É apenas uma lista de palavras ou há conexão entre elas?
Como você deve ter notado, a sequência de substantivos mostra a rotina 
de um homem ao longo de um dia, desde o momento em que sai da 
cama, vai ao banheiro, toma café, começa o seu trabalho, paga contas, vai 
ao banheiro, lê o jornal, descansa, volta ao trabalho, dirige, olha quadros, 
janta, volta, assiste à tevê, toma banho e se deita. Temos então um texto 
cujo contexto desvendamos por interpretação. De certo modo, é parecido 
com um poema bastante famoso de Augusto de Campos, poeta brasileiro 
do movimento concretista, em que a palavra lixo, grande, está escrita 
com a palavra luxo, repetidamente, e em formato menor.
www.esab.edu.br 15
Figura 2 – Luxo, poema de Augusto de Campos, 1966.
Fonte: <www.cibercultura.org.br>.
Também via interpretação, trata-se de um texto que questiona valores, 
que demanda outro texto – ou seja, quer que estabeleçamos uma relação 
entre um e outro vocábulo. É um texto que expõe a relação entre ambos 
os termos e comunica algo como “quanto mais luxo, mais lixo”, e faz 
com que pensemos criticamente, por exemplo, na sociedade em que 
vivemos. Assim, escreve-se um texto para participar de um contexto 
maior, ao qual se faz referência. 
Texto é uma unidade concreta que percebemos pela visão, pela audição 
e até mesmo pelo tato (considere o sistema de Libras), e implica uma 
situação de comunicação de uma mensagem cuja extensão é variável, 
podendo formar-se por apenas uma palavra ou pela articulação de várias. 
Em termos genéricos, contexto é uma coisa grande em que cabe uma 
coisa pequena!
Fiorin e Savioli (2006) explicam que, em um texto, o significado de uma 
parte não é autônomo, no sentido de que depende das outras com que 
se relaciona. Assim, o significado global não é simplesmente resultado 
da soma de suas partes, mas de certa combinação geradora de sentidos. 
E daí percebermos o conceito implícito de contexto. Ou seja, devemos 
sempre levar em conta o contexto em que está inserida a passagem do 
texto a ser lida, entendendo-o como uma unidade linguística maior em 
que se encaixa uma unidade menor. 
www.esab.edu.br 16
Saiba mais
Expusemos aqui de modo bastante sintético os 
conceitos de texto e contexto e suas implicações. 
Para saber um pouco mais, clique aqui e assista ao 
programa Palavra Puxa Palavra, produzido pela 
Educopédia MultiRio, que tematiza os conceitos de 
texto, contexto e intertexto. 
www.esab.edu.br 17
3 A nova ortografia da Língua Portuguesa
Objetivo
Observar as principais alterações propostas pelo Novo Acordo 
Ortográfico da Língua Portuguesa.
3.1 Reforma ortográfica
Em 2008, foi proposta uma reforma ortográfica com o objetivo de 
uniformizar a grafia nos países que têm o português como língua oficial: 
Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São 
Tomé e Príncipe e Timor Leste.
O benefício da reforma é facilitar a aproximação desses países e fortalecer o 
idioma, mas fica a critério de cada país como e quando a colocará em vigor.
No Brasil, termina em 2012 o período de transição para que as novas 
regras passem a ser oficiais. Até lá, temos de aprender a usá-las. O 
Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira 
de Letras, com 381.000 verbetes, é o vocabulário oficial da nossa língua 
e sua versão mais recente, de 2009, atualizada com a nova ortografia, é a 
base para dicionários e livros em geral.
Já são vários os manuais impressos e online para saber a grafia correta dos 
termos, mas ainda há muitas dúvidas e discussões.
Saiba mais
Para conhecer o decreto da Reforma Ortográfica 
da Língua Portuguesa, clique aqui.
www.esab.edu.br 18
Acompanhe a seguir um resumo das principais mudanças, a partir de 
Silva (2009).
3.1.1 Uso do hífen
Usa-se o hífen: 
•	 em palavras compostas que ganham um significado diferente, mas 
com sentido de composição (exemplo: tio-avô);
•	 em espécies botânicas e zoológicas (exemplo: bem-te-vi);
•	 palavras com uso já consagrado (exemplo: cor-de-rosa);
•	 em encadeamentos de vocábulos (exemplo: Rio-Niterói);
•	 em nomes próprios iniciados por grã, grão, verbo ou com termos 
ligados por artigos (exemplo: Grã-Bretanha);
•	 em ênclise e mesóclise (exemplo: deixá-lo);
•	 com o segundo termo iniciado por h (exceto sub) (exemplo: anti-
higiênico);
•	 com os prefixos além, aquém, recém, sem, ex, vice, pós, pré e pró 
(exemplo: pré-natal);
•	 com o primeiro termo terminado em vogal e o segundo iniciado pela 
mesma vogal (exceto co) (exemplo: contra-ataque);
•	 em derivados de Tupi-Guarani (exemplo Mogi-Mirim);
•	 com os prefixos circum e pan com o próximo termo iniciado por 
vogal, m ou n. (exemplo: pan-americano);
•	 com o prefixo mal com o próximo termo iniciado por vogal ou h 
(exemplo: mal-humor);
•	 em termos repetidos (exemplo: blá-blá-blá);
•	 com o prefixo bem com o próximo termo iniciado por vogal ou 
consoante (exemplo: bem-estar);
Observação
O hífen sumiu no caso de aglutinações do prefixo bem com o próximo 
elemento, mas apenas em duas famílias de palavras. A palavra bem-feito 
vira benfeito por força de ajustá-la a benfeitor, benfeitoria; o verbo bem-
querer vira benquerer por analogia a benquisto, benquerença. O detalhe 
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é que, ao mesmo tempo, a forma consagrada bem-querer permanece 
ativa. Não há menção no Novo Acordo a quaisquer outros casos.
Não se usa o hífen:
•	 em palavras que perdem a noção de composição ganhando novo 
significado (exemplo: paraquedas);
•	 em locuções substantivas, adjetivas, pronominais ou adverbiais sem o 
uso do hífen consagrado (exemplo: fim de semana);
•	 com os prefixos co, re, pro, pre (exemplo: cooperação);
•	 com não e quase (as palavras não se unem) (exemplo: não fumante);
•	 com prefixo terminado em consoante e o próximo termo iniciado 
por consoante diferente ou vogal (exemplo: subsíndico);
•	 com prefixo terminado em vogal e o próximo termo iniciado 
por vogal diferente ou consoante diferente de r ou s (exemplo: 
autoestrada);
•	 com prefixo terminado em vogal e o próximo termo iniciado por r 
ou s (r e s duplicam) (exemplo: ultrassom);
•	 com o prefixo sub com o próximo termo iniciado por letra diferente 
de r (exemplo: subitem);
•	 com o prefixo mal com o próximo termo iniciado por consoante, em 
alguns casos (exemplo: malcriado);
•	 nas expressões latinas não aportuguesadas (exemplo: carpe diem).
Saiba maisAcesse o site UOL Notícias e assista a um bate-
papo com o professor Pasquale Cipro Neto a 
respeito da reforma ortográfica clicando aqui.
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3.1.2 Outras mudanças importantes
O Novo Acordo Ortográfico, conforme Silva (2009), trouxe mais 
algumas importantes mudanças. Vejamos:
•	 mudança no alfabeto: as letras k, w e y foram incluídas oficialmente;
•	 abolição do trema. O único caso de uso permitido é nas palavras 
estrangeiras e suas derivadas (exemplo: Müller, mülleriano);
•	 não se usa mais o acento diferencial (exceto em pôr e nos verbos 
têm, vêm e derivados na terceira pessoa do plural. Em fôrma é 
facultativo);
•	 não se usa acento em éi e ói em paroxítonas (exemplo: ideia, paranoia);
•	 não se usa acento em i e u tônicos após ditongo em paroxítonas 
(exemplo: feiura);
•	 não se usa acento nos hiatos êem e ôo(s) (exemplo: voo);
•	 não se usa acento no u tônico do presente do indicativo dos verbos 
arguir e redarguir (exemplo: eles arguem);
•	 uso facultativo do acento nos verbos aguar, apaniguar, apaziguar, 
apropinquar, averiguar, desaguar, enxaguar, obliquar e delinquir, de 
acordo com a pronúncia (exemplo: enxágua ou enxagua). 
Espera-se que este breve resumo tenha auxiliado você. Quando surgir 
uma dúvida, retorne e consulte. Se não for o bastante, consulte o 
Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), no site da 
Academia Brasileira de Letras.
Fórum
Dirija-se ao Ambiente Virtual de Aprendizagem 
(AVA) e participe do nosso primeiro fórum. Esta 
atividade permite a interação entre você, seu tutor 
e colegas de curso, contribuindo significativamente 
para a construção do seu conhecimento.
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4 O falado e o escrito
Objetivo
Discutir a linguagem sob o viés de diferentes lugares de enunciação, 
analisando as mudanças que devem ser levadas em consideração.
Utilizamos várias maneiras para nos comunicar, certo? Temos um modo 
para tratar com nossa família, outra com o pessoal do trabalho, outra 
em situações mais formais. E você também já deve ter reparado que em 
diferentes regiões do Brasil existem modificações na maneira de falar 
e também no vocabulário utilizado. Essas variações são chamadas de 
variedades linguísticas e fazem parte da diversidade cultural do nosso 
país. Podem ser variedades geográficas, de gênero, socioeconômicas, entre 
outras.
As variedades geográficas são os regionalismos, que correspondem ao 
modo de falar do paulista, do baiano, do mineiro, do catarinense etc. 
Mas qual será a razão de nos jornais da tevê a linguagem utilizada não 
se parecer com a de nenhuma região? Se você pensou “porque é uma 
linguagem padrão”, é isso mesmo.
A língua padrão é uma tentativa de unificar as características da língua 
portuguesa. Mas, diante disso, podemos afirmar que exista uma língua 
“mais correta”? 
A língua não é uma coisa inerte; pelo contrário, trata-se de algo vivo e 
dinâmico, usado pelos falantes de uma comunidade para a expressão de 
necessidades, sentimentos e ideias. Justamente por isso, trata-se de um 
código sujeito a constantes transformações e adaptações conforme as 
necessidades comunicativas dos falantes (FARACO; TEZZA, 2008).
Mas atenção! Você recorda da letra de “Inútil”, música do Ultraje a 
Rigor, banda brasileira dos anos 1980? Acompanhe:
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A gente não sabemos
Escolher presidente
A gente não sabemos
Tomar conta da gente
A gente não sabemos
Nem escovar os dente
Tem gringo pensando
Que nóis é indigente...
Inútil
A gente somos inútil
Inútil
A gente somos inútil
O refrão “A gente somos inútil” da música do compositor brasileiro 
Roger Moreira está correto apenas na música, pois a linguagem poética 
(estudaremos este assunto em detalhe na unidade 6) admite determinadas 
transgressões à norma gramatical. Na letra em questão, houve clara 
intenção em transgredir essa norma para atingir o efeito desejado. O 
autor, no caso, tem liberdade de usar a língua do jeito que acha mais 
adequado para transmitir o sentido que deseja, independentemente do 
emprego da norma culta. 
Assim, percebe-se em vários casos, músicas, poesias e mesmo obras de 
ficção que se valem dessa liberdade para alcançar o efeito desejado na 
leitura ou na musicalidade da obra. Já conforme a norma culta – que 
define o que é ou não correto gramaticalmente –, a concordância do 
verbo e do predicativo em relação a seu sujeito, nesse verso, não está 
correta. No caso, deveríamos escrever “nós somos inúteis”.
Trata-se de um uso muito semelhante ao funcionamento da gíria. Ao 
contrário do que muitas pessoas pensam, a gíria não constitui um 
“estrago” da linguagem. Quem, um dia, não usou alguma expressão 
como “cara”, “beleza”, “parada”, “ninja”, “balada”? 
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O mal da gíria está em adotá-la como forma permanente de 
comunicação, desencadeando um processo não só de esquecimento, 
mas de desprezo ao vocabulário oficial. Mas se for usada no 
momento adequado, a gíria é um elemento de linguagem que denota 
expressividade, espontaneidade e criatividade, desde que, naturalmente, 
adequada à mensagem, ao meio e ao receptor (estudaremos esses 
conceitos mais adiante). 
Observe, porém, que estamos falando em gíria, e não das expressões 
conhecidas sob a categoria “baixo calão”. Uma palavra de baixo calão, 
popularmente conhecida como “palavrão”, é um vocábulo que pertence 
à categoria “gíria”, mas que, dentro dessa, apresenta-se chulo, impróprio, 
rude, obsceno, agressivo ou imoral sob determinados ângulos culturais. 
O problema da gíria é que ela só é admitida na língua falada ou em 
meios alternativos. Você pode utilizá-la numa conversa eletrônica 
com pessoas que você conhece, mas deve saber que em um trabalho 
acadêmico ou em situações mais formais, ela não convém – exceção 
para casos especiais de documentação de um fato em que descrever a 
linguagem seja parte essencial para a identificação de um personagem, 
por exemplo.
Em termos gerais, você deve ter a consciência de que na fala você 
pode usar de certa descontração, no sentido de não aplicar as devidas 
concordâncias entre os termos, ou de usar gírias, mas somente quando 
você já pode se manifestar à vontade. Para situações formais, como a 
apresentação de um seminário, uma entrevista de trabalho, enfim, é 
preciso que você saiba regular a linguagem – pois o que está em questão 
nessas ocasiões é justamente manter-se “na linha”, mostrando sua 
capacidade de expressar ideias de forma clara e polida. 
Em suma, estudamos a língua para ampliar as relações de sentido. Se 
você tem um vocabulário curto, esse vocabulário não necessariamente 
determina suas associações mentais, mas com certeza limitará a expressão 
das suas ideias. Como vimos na unidade 1, é preciso tratar o domínio do 
idioma como uma técnica que aprendemos pela prática contínua.
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Para sua reflexão
Vimos que “fala” e “escrita” são diferentes 
modalidades que apontam para usos distintos 
da língua. Agora que você já passou pela leitura 
da unidade, reflita: como se deve conduzir a 
linguagem para uma apresentação, uma situação 
formal em que você está sendo analisado por 
outras pessoas? 
As respostas a essas reflexões formam parte de sua 
aprendizagem e são individuais, não precisando 
ser comunicadas ou enviadas aos tutores.
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5 Polissemia, metalinguagem, intertextualidade e recombinação
Objetivo
Vislumbrar a pluralidade de significados das palavras, sua 
metalinguagem, bem como os conceitos da relação intertextual e da 
recombinação como procedimentos básicos para a escrita.
Prezado acadêmico, agora que já vimos a importância do emprego 
correto da língua, inclusive percebendo as nuances entre o texto falado 
e o texto escrito, trataremos a seguir de alguns conceitos bastante 
frequentes no universo do estudo da Língua Portuguesa no ambienteacadêmico. São conceitos independentes, mas que guardam, como você 
verá, intensa relação entre si. Será uma exposição bastante breve, porém 
suficiente para você operacionalizar os termos.
5.1 Polissemia
Para começar, observe a raiz grega do termo polissemia: poli, muitos; 
sema, significado. Refere-se à pluralidade lexical das palavras. Ou seja, 
além do significado imediato que temos a respeito de uma palavra, ela 
pode assumir diferentes sentidos conforme o contexto (PERINI, 2009). 
O texto de humor, por exemplo, vale-se muito da polissemia das 
palavras. Trata-se de um texto de ampla circulação, principalmente em 
programas de televisão, charges e histórias em quadrinhos. A publicidade, 
inclusive, utiliza muito da polissemia, partindo de uma escolha bastante 
específica dos termos a serem empregados para que causem a devida 
reação no leitor/ouvinte.
Como contraste, um texto de caráter científico partirá do contrário: ele 
evita a ambiguidade de um termo para justamente anular a possibilidade 
de um sentido distinto daquele que se deseja; deste “defeito” é que o 
texto humorístico se vale. O humor diz uma coisa, permitindo que 
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outra – ou mais – seja compreendida. É uma espécie de “negociação” do 
sentido que o texto estabelece (FARACO; TEZZA, 2008). 
Veja a figura 3 e comprove a tese.
Figura 3 – Capa da revista Cascas, exemplo de polissemia no texto humorístico.
Fonte: <www.hortifruti.com.br>.
5.2 Metalinguagem
Esse conceito trata da propriedade que a língua tem de voltar-se para 
si mesma. O termo vem do grego, metá, e significa “depois, além de”. 
Então, podemos entender a metalinguagem como aquilo que está além 
da mera comunicação, quando problematizamos a linguagem utilizando 
dela própria para fazer isso. É a forma de expressão dos dicionários e das 
gramáticas, ou seja, de linguagens dedicadas ao estudo da linguagem 
(PERINI, 2009). 
Hoje em dia, no entanto, a compreensão do termo é mais ampla, e 
o mesmo pode ser detectado em vários campos quando se realiza um 
movimento espiralado de pensamento. 
Vamos a um exemplo? Tomemos por base a introdução do romance 
“Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, que 
assim escreve: “Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias 
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pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu 
nascimento ou a minha morte”. Ou seja: o escritor discorre sobre o 
modo como escreveu o próprio livro. 
Atualmente, a metalinguagem faz parte de muitas das ficções com que 
tomamos contato. São frequentes os filmes que se desdobram sobre o 
próprio processo de representação (do filme que narra a confecção de um 
filme ou dos documentários a respeito de filmes ou seriados). 
Para você vislumbrar a ideia, considere que o programa Vídeo Show, 
da Rede Globo, desdobra uma metalinguagem sobre os programas 
realizados pela própria emissora. Por outro viés, a função primeira da 
linguagem é comunicar uma mensagem a um receptor, de forma a 
alcançar um determinado objetivo. Mas quando utilizamos a linguagem 
para esclarecer algo já exposto, aí estamos no campo da metalinguagem.
5.3 Intertextualidade
Temos aqui, talvez, o mais rico dos conceitos. Suas formas habituais são 
a paródia e o pastiche (retornaremos a este conceito quando estudarmos 
a paráfrase, mais adiante). Trata do diálogo entre os vários textos de uma 
língua (MEDEIROS, 2008). 
Considere que um bom texto é bom à medida que se mostra capaz de 
estabelecer relações com o universo de ideias em que ele se situa. Quem 
não consegue estabelecer relações dificilmente desenvolve o senso crítico, 
a capacidade de análise; permanece sempre no sentido literal, não capta 
as entrelinhas, os pressupostos, ou seja, aquilo que está além, e que 
necessita do nosso conhecimento extra e de nossa interpretação. 
Daí se conclui a importância da variedade e constância da leitura. À 
medida que você constrói um repertório amplo de referências, amplia 
também o raio de associações que consegue estabelecer. Você se torna um 
construtor hábil de sentidos. 
Como exemplos rápidos, imagine que o álbum “Admirável chip novo”, 
da cantora Pitty, faz referência ao clássico romance de Aldous Huxley, 
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“Admirável mundo novo”; ou que a reportagem “Yes, nós temos urânio!”, 
da Revista Superinteressante, referencia a famosa frase “Yes, nós temos 
banana!”, da cantora Carmen Miranda. A leitura já começa por aí.
A literatura inteira é construída de livros que dialogam uns com os 
outros. O cinema se alimenta do próprio cinema, e faz referência (ou 
não!). Uma forma bem didática de visualizar isso é assistir ao filme 
de Bernardo Bertolucci, “Os sonhadores” (The Dreamers, 2003), em 
que o diretor retoma uma série de imagens da Nouvelle Vague, mais 
especificamente de um filme de Jean-Luc Godard, chamado “Bande à 
part”, um dos principais trabalhos da escola francesa, realizado em 1964. 
Em “Os sonhadores”, Bertolucci narra a história de Matthew, um garoto 
americano que, em 1968, vai a Paris estudar. Lá, conhece dois irmãos, 
Isabelle e Theo, e os três se tornam grandes amigos. São aficionados por 
cinema, e relacionam tudo às cenas dos filmes a que assistem. A cena 
mais emblemática é quando Isabelle lança a Matthew um desafio, o de 
acompanhá-la junto com Theo num passeio pelo Museu do Louvre, 
tal como na cena do filme “Bande à part”, em que os três personagens, 
Arthur, Odile e Franz, resolvem quebrar o recorde de um americano 
que conseguiu visitar o Louvre em 9 minutos e 45 segundos – e que 
acabam conseguindo, com 2 segundos a menos. A cena seguinte de 
“Os sonhadores”, portanto, é Matthew, Isabelle e Theo realizando o 
mesmo passeio de Arthur, Odile e Franz, antes realizado pelo americano, 
quebrando o recorde original em 17 segundos. E só para você saber mais 
um pouco sobre “Bande à part”, a cena original, de 1964, era, desde 
aquela época, a maneira de o diretor criticar e ridicularizar as hordas 
apressadas de turistas que circulavam pelo museu, preocupando-se apenas 
em ver os quadros mais conhecidos.
Nesse caso, temos, então, uma pluralidade de conceitos. Há a relação 
intertextual entre os filmes e há também a metalinguagem de um filme 
que faz referência a outro. Durante a cena, aliás, Bertolucci intercala a 
filmagem feita por Godard com a sua, originando uma espiral de cinema 
sobre cinema, de linguagem sobre linguagem, de citações.
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5.4 Recombinação
Por último, temos o conceito de recombinação. Habitualmente, não se 
trata de um conceito estudado em Língua Portuguesa. Trata-se de um 
viés mais vanguardista, e refere-se à ideia de que a produção criativa e 
intelectual nunca é original, está sempre pautando-se pelo já feito, dando 
novos sentidos àquilo cuja leitura estava estática. 
Por exemplo, considere que um determinado texto clássico já esteja 
carregado por uma determinada interpretação. A recombinação é uma 
forma de revitalizar o sentido, estabelecendo conexões que antes não 
existiam. 
Podemos dizer, portanto, que para conseguir decodificar uma série de 
mensagens, uma vez que a língua é um sistema de códigos, precisamos 
recombinar os termos, associá-los a outros. Ou seja, temos de construir o 
sentido! 
A recombinação é mais facilmente visualizada nas artes, e o maior 
expoente da recombinação talvez seja Marcel Duchamp, que criou a 
nomenclatura ready-made. Traduzindo o termo, ready-made significa 
“feito pronto” – ou seja, os trabalhos não eram mais uma reprodução 
do real por meio da técnica (como pintar uma paisagem “tal qual”, por 
exemplo), mas o próprio real. Para ele, o que interessava era o ruído que 
o objeto artístico gerava no campo das ideias. Nesse caminho, podemos 
ler por exemplo o seu trabalho intitulado “A fonte”, de 1917, que 
consiste em um urinol, assinado com o pseudônimo R. Mutt.www.esab.edu.br 30
Figura 4 – A fonte, de Marcel Duchamp (1917).
Fonte: <commons.wikimedia.org>.
Em outras palavras, não interessava mais o objeto – ele poderia ser 
qualquer coisa –, mas sim os sentidos que ele passava a produzir na 
rede discursiva do campo artístico. Mas como eram constituídos esses 
trabalhos? Pela recombinação de elementos. Os objetos eram retirados de 
sua condição de uso, e reposicionados como objetos de contemplação, de 
discurso, de pensamento. 
Mas de que isso nos serve no estudo dos textos?
Isso significa que os sentidos não estão simplesmente dados. Todo 
sentido é um processo de elaboração, de negociação (FARACO; TEZZA, 
2008). Quando lemos, estamos nos colocando no texto. São os nossos 
conhecimentos e nossa capacidade de interpretação que estão em jogo. 
Por isso, quanto mais amplas forem as suas referências, maior será a sua 
compreensão do mundo e de seus discursos. Ter noção desses conceitos 
ajudará você a aperfeiçoar os seus procedimentos de escrita e refinar o seu 
senso crítico. Mãos à obra!
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Saiba mais
Para ampliar o seu conhecimento a respeito do 
termo recombinação, leia o texto “Plágio utópico, 
hipertextualidade e produção cultural eletrônica” 
do grupo Critical Art Ensemble. O texto pode ser 
acessado clicando aqui.
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6 O esquema da comunicação e as funções da linguagem
Objetivo
Apresentar os fatores básicos que envolvem a comunicação, 
estudando as seis funções da linguagem.
Após abordar a pluralidade de significados das palavras, sua 
metalinguagem, entendendo os conceitos da relação intertextual e da 
recombinação como procedimentos básicos para a escrita, vamos nos 
deter no processo de comunicação.
Emissor, receptor, interlocutor – são termos usados com frequência 
no estudo da Língua Portuguesa, mas que fazem parte da teoria da 
comunicação, que estuda as origens, os efeitos e o funcionamento do 
nosso processo de interação via linguagens. Vamos explicitar alguns 
desses termos para que você saiba do que se trata. 
6.1 Esquema da comunicação
De saída, saiba que todo ato comunicativo (a fala, a escrita, um gesto) 
tem por premissa a transmissão de uma mensagem, constituída por um 
número fechado de elementos, como você pode visualizar na figura 5.
Contexto
Canal
Código
Emissor ReceptorMensagem
Figura 5 – Esquema da comunicação.
Fonte: Elaborada pelo autor (2012).
www.esab.edu.br 33
Detalhando os elementos, o emissor é quem emite a mensagem. É a 
fonte da comunicação. Pode ser tanto uma pessoa como um grupo (uma 
organização, por exemplo). 
Receptor, ou destinatário, é quem recebe a mensagem transmitida pelo 
emissor. Pode também ser um indivíduo ou grupo (ou mesmo uma 
máquina ou um animal). A comunicação só acontece se a mensagem 
gerar alguma reação no receptor.
Continuando, a mensagem é a informação transmitida e/ou recebida. 
Trata-se do objeto da comunicação, constituído pelo conteúdo.
Canal, por sua vez, é a via de circulação das mensagens, seu meio físico, 
permitindo o contato entre os envolvidos no processo. Conforme o 
canal, as mensagens podem ser caracterizadas como visuais (imagem, 
símbolo), sonoras (palavras, músicas, sons de modo geral), táteis 
(pressões, choques), olfativas (odores em geral), gustativas (um tempero, 
por exemplo). Um choque elétrico, um sinal com as mãos, um perfume 
só constituem mensagens se veicularem, por vontade do emissor, uma ou 
várias informações dirigidas ao receptor.
Código é o conjunto de sinais ou signos com os quais, seguindo certas 
regras, as mensagens são transmitidas. O emissor faz uso do código 
(codificação); o receptor identifica o sistema e, caso tenha condições, 
decodifica a mensagem. 
Por fim, a imagem sinaliza o contexto, constituído pelo ambiente que 
envolve a situação comunicacional, as circunstâncias de espaço e tempo.
6.2 Funções de linguagem
Nas primeiras décadas do século XX, a linguagem passou a ser 
estudada cientificamente. Roman Jakobson, linguista russo, observou 
neste processo seis funções essenciais, amplamente utilizadas, as quais 
correspondem a cada um dos fatores da comunicação que vimos há 
pouco.
www.esab.edu.br 34
Saiba que a primeira é a função emotiva (ou referencial) presente nos 
textos que privilegiam o emissor da mensagem. Prevalece a primeira 
pessoa do discurso – eu –, interjeições e exclamações. É a linguagem 
das biografias, memórias, monólogos, poesias líricas e cartas íntimas. 
Exprime, portanto, a atitude do emissor em relação ao conteúdo de sua 
mensagem e situação, sua subjetividade, normalmente moldada por 
sentimentos e emoções. Observe:
Decidi contar o que aconteceu comigo quando resolvi virar punk. Nem sabia direito 
o que era punk e acho que ainda nem sei e por isso nem sei bem o que vou contar. 
Talvez seja porque nem sei direito o que me aconteceu. Mas vou contar, sinto que 
preciso contar, acho que me daria prazer. E vou contar. Também não sei muito bem 
por que resolvi escrever sobre tudo isso. Se me tivessem perguntado antes acho que 
teria respondido que gostaria de fazer um filme ou vídeo. Mas de repente a única 
coisa que pintou mesmo foi um maço de papel que peguei do escritório e é isso que 
vou usar. (COELHO, 1984, p. 7)
A segunda função da linguagem é a conativa (ou apelativa). Está 
orientada para o receptor (ou destinatário), e caracteriza, por exemplo, 
os textos publicitários, que usam frequentemente verbos no modo 
imperativo (“Faz um 21!”, “Experimenta!”). A linguagem publicitária, 
por enfatizar sempre o receptor, emprega expressões próximas ou 
similares às do público-alvo, justificando o coloquialismo habitualmente 
adotado nesse tipo de discurso.
A terceira função é a referencial (ou denotativa). Centrada no 
contexto, é aquela que privilegia a informação, fazendo-se presente nos 
textos científicos ou notícias. Em outros termos, é quando o emissor 
procura oferecer informações da realidade, prevalecendo a terceira 
pessoa do singular. Exemplo: “Marco Carola sai em nova tour e fará 
três apresentações no Brasil”, ou “o som é a propagação de uma frente 
de compressão mecânica ou onda mecânica; essa onda propaga-se de 
forma circuncêntrica, apenas em meios materiais – que têm massa e 
elasticidade, como os sólidos, líquidos ou gasosos”.
A quarta função da linguagem proposta por Jakobson é a função fática. 
Está centrada no canal de comunicação. Nela interessa manter a situação 
comunicacional, e não o conteúdo a ser transmitido. É a linguagem das 
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falas telefônicas, saudações e similares (“alô”, “você está me ouvindo?”, 
“um momento, por favor”, “vou desligar”). Há uma canção de Paulinho 
da Viola, “Sinal fechado”, gravada por Chico Buarque, que emprega a 
função fática:
– Olá! Como vai?
– Eu vou indo. E você, tudo bem?
– Tudo bem! Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro… E você?
– Tudo bem! Eu vou indo, em busca de um sono tranquilo… Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é, quanto tempo!
– Me perdoe a pressa, é a alma dos nossos negócios!
– Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!
– Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí!
– Pra semana, prometo, talvez nos vejamos… Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é… Quanto tempo!
Continuando, temos a função metalinguística, que, como já foi dito, é 
a função de usar a língua para explicar a si mesma, por exemplo. Vendo 
por outro viés, é também tudo o que, na mensagem, serve para dar 
explicações ou explicitar o código utilizado pelo emissor. Pode, assim, 
referir-se tanto a um verbete de dicionário ou enciclopédia quanto a um 
diálogo: 
– Levei bomba!
– Como assim, “levei bomba”?
– Fui mal na prova.
No caso, há a necessidade de esclarecimento por parte do emissor daquilo 
que ele quer dizer.
Por último, a função poética, centrada na própria mensagem, coloca em 
evidênciao próprio signo. Está presente nos textos em que se organiza 
de maneira especial a mensagem, com recursos de estilo. É comum na 
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linguagem poética o jogo linguístico, a escolha de tons, a musicalidade. 
Acompanhe o poema a seguir, de W. B. Yeats, e atente para o modo 
como cada palavra é cuidadosamente escolhida:
se eu me vestisse como os anjos
do sol e azuis da noite os tons
das estrelas do céu os arranjos
eu colocaria o mundo a seus pés
mas sou pobre e tendo só meus sonhos
quero colocá-los a seus pés
pise com cuidado, são meus sonhos (YEATS, 1995, p. 25)
Observe a ausência de pontuação, o uso proposital das minúsculas, o 
cavalgamento dos versos, um mesmo fonema que se repete. Em qualquer 
outra situação de linguagem, soaria bastante estranho, não?
Para encerrar, saiba que as seis funções da linguagem não se excluem; 
pelo contrário, é raro encontrar numa mensagem apenas uma dessas seis 
funções. Elas se sobrepõem umas às outras. Mas podemos, sim, dizer que 
uma dada mensagem tem uma função dominante.
Assim, terminamos essa breve noção do estudo das funções da linguagem 
e do esquema comunicacional.
www.esab.edu.br 37
Resumo
Já fizemos um bom trabalho até aqui. Como você pôde perceber, escrever 
bem é algo que se pode alcançar com dedicação, disciplina e muito senso 
crítico. É um processo longo, mas quanto antes você começar, mais 
rápido será o retorno. 
Vimos também como é amplo o conceito de texto e suas implicações 
com o contexto. Tivemos uma breve noção das alterações fundamentais 
do Novo Acordo Ortográfico, ponderamos as diferenças entre a língua 
falada e a escrita, mostrando que você precisa saber utilizar diferentes 
linguagens conforme a situação (mais ou menos formal). 
Estudamos, ainda, conceitos importantes da produção textual 
(polissemia, metalinguagem, intertextualidade e recombinação) e, 
por fim, vimos os fatores básicos da comunicação, relacionados às seis 
funções básicas da linguagem propostas pelo linguista Roman Jakobson. 
Vamos em frente!
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7 O que define um bom texto
Objetivo
Estabelecer aspectos que permeiam a construção de texto com 
qualidade.
Vamos começar com uma digressão. Na unidade 1, tratamos de como 
escrever pode se converter em uma técnica. Quando nos referimos à 
técnica, no entanto, entendemos por isso o resultado de, a princípio, 
uma dedicação à leitura e ao exercício cotidiano de apresentar 
argumentos bem formulados – ou seja, bem elaborados textualmente e 
estrategicamente armados. Se você está tentando aprimorar a sua escrita 
e o seu pensamento, o processo pode ser, no começo, algo que mereça 
certo esforço e, por isso, dedicação. Com tempo, isso se tornará (se você 
se dispuser) um hábito, de modo que o esforço empreendido se dilui.
Retomamos esse assunto porque há um certo olhar pejorativo sobre a 
denominação da escrita como técnica, pois, de saída, o termo remete 
apenas a dominar um sistema de sinais. E saber ler e escrever não é só 
isso. Trata-se de “[...] agir sobre o mundo e defender-se dele, sempre em 
situações específicas e concretas, intencionalmente construídas e com 
objetivos claros” (FARACO; TEZZA, 2005, p. 128). 
Essa conotação negativa de técnica a que nos referimos está atrelada à 
modalidade de texto que você provavelmente desenvolveu na escola, 
denominado “redação escolar”, e que acabou se transformando em uma 
reunião de macetes a serem executados para se atingir uma boa nota. 
O primeiro desafio para quem pretende dominar a língua padrão escrita 
consiste em sair do universo viciado da redação escolar, universo sem 
referências concretas, “[...] em que um eu abstrato repete opiniões 
fragmentadas, edificantes e moralizantes sobre um Homem e um Mundo 
igualmente abstratos, para um universo concreto no qual a linguagem 
escrita age sobre o mundo” (FARACO; TEZZA, 2005, p. 128).
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Essa ação da linguagem sobre o mundo – porque, afinal de contas, é 
para isso que se escreve, destacam os autores (2005) – está presente tanto 
no bilhete mais simples de alguém semialfabetizado quanto no mais 
sofisticado texto científico. 
Mas, dando uma volta de parafuso a mais, o que seria o mundo, afinal, 
além de linguagem, quando mesmo para expressar o que sentimos (não 
só que pensamos) é preciso falar ou escrever? 
Dizemos comumente que um gesto substitui mil palavras. Mas tenha em 
vista que o gesto só funciona se, na linguagem, ele remeter a um sentido 
que encontra um referente na experiência alheia, produzindo-se assim o 
entendimento da mensagem. Ou seja: assim como as palavras, os gestos 
indicam para determinadas imagens mentais, sejam elas visuais ou acústicas 
(trata-se da composição do signo linguístico, para Saussure). Fim de digressão.
Mas qual o bom texto, afinal?
O bom texto é aquele que responde à proposta, considerando a 
solicitação e a intenção. É o resultado de habilidades construídas 
ao longo do tempo, por várias experiências, tais como aperfeiçoar o 
vocabulário, usar conscientemente a gramática de modo amplo, ter vasto 
referencial linguístico e extratextual.
Como isso é bastante subjetivo, e pode implicar uma longa discussão, 
vamos identificar alguns elementos a seguir que na verdade atrapalham o 
bom desenvolvimento da escrita. 
7.1 Pedantismo
Comunicar bem por escrito, muitas vezes, pode ser confundido com 
certo apego à linguagem prolixa, à vigilância gramatical extrema ou ao 
emprego de um vocabulário requintado. E não é bem assim. 
Por alguma finalidade prática (a seleção do vestibular, por exemplo), 
a produção textual nas escolas passou a ser estudada por fórmulas (ou 
receitas) e macetes. Isso dava a ilusão de que o bom texto poderia ser 
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metrificado justamente pelos fatores que listamos no parágrafo anterior. 
Conhecer um vocabulário amplo e saber gramática são fatores que auxiliam, 
sem dúvida, mas não substituem o que é de fato essencial: organizar bem as 
ideias, de forma clara e coerente, e defender bons argumentos.
7.2 Juridiquês
Trata-se de um neologismo relativamente recente, bastante em voga, 
que indica o uso desnecessário e excessivo do jargão jurídico e de termos 
técnicos de Direito. 
Embora estejamos focalizando o Direito, vale dizer que qualquer área do 
conhecimento possui uma linguagem técnica, um vocabulário que lhe é 
peculiar. A questão é que, se utilizada com exagero, essa linguagem prejudica 
o alcance da leitura do texto, limitando-se apenas a profissionais da área.
O “juridiquês”, entretanto, vai mais além. O termo surgiu em função 
do excesso de formalismo na área jurídica, caracterizada até hoje pelos 
pronomes de tratamento. 
Para aproveitar pedagogicamente este fenômeno, mantenha o olho bem 
aberto (e o senso crítico aguçado) para as frases muito longas, que podem 
perder o referente; para o floreio excessivo da língua com vocabulário 
complicado; para as metáforas jocosas, que podem conotar sentidos que 
você, a princípio, não se deu conta.
7.3 Lugar comum
Conhecido também como clichê, trata do uso de frases feitas da 
sabedoria popular e universal no texto. Expressões que você já deve 
ter ouvido, como “Devagar se vai ao longe”, “A pressa é inimiga da 
perfeição”, “A esperança é a última que morre”, ou frases como “O 
que estraga o Brasil são os políticos”, “Hoje em dia, as mulheres estão 
entrando no mercado de trabalho”, “Segundo pesquisadores americanos”, 
“Os jovens de hoje em dia”, todas estão esgotadas, referem-se apenas 
a generalidades e atuam como formas de não pensar. Além disso, 
normalmente estão carregadas de cunho ideológico. Cuidado! 
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8 Os diferentes tipos de texto
Objetivo
Apresentar noções básicas que permitam reconhecer os diferentes 
tipos de texto no contexto acadêmico.
Delimitar a tipologia textual é matéria polêmica, pois isso implicaum 
certo olhar, um viés, que pode variar conforme o autor consultado. 
Correremos o risco e, para uma amostragem simples, explicitaremos 
aqui aqueles que você encontra no contexto acadêmico. Será uma 
demonstração rápida, a fim de ressaltar as diferenças fundamentais. 
Mesmo porque, nas unidades subsequentes, teremos a oportunidade de 
aprofundar alguns desses casos.
Basicamente, existem seis tipos de texto: narração, descrição, 
dissertação, exposição, informação e injunção. Outros textos, tais 
como relato, entrevista, diálogo são considerados gêneros textuais, e não 
tipos. Do mesmo modo, poesia e prosa são formas literárias, e texto 
épico, dramático e lírico correspondem a gêneros literários. É possível 
divergir dessa conceituação, mas, para fins demonstrativos, é a que 
utilizaremos aqui, baseados em Fiorin e Savioli (2006), Faraco e Tezza 
(2005) e Medeiros (2008).
8.1 Narração
A narração é um tipo de texto cuja peculiaridade reside em contar um 
fato, ficcional ou não, que aconteceu (ou acontece) em tempo e lugar 
específico, envolvendo personagens que desempenham ações. Assim, 
“[...] o que define o componente narrativo é a mudança de situação, a 
transformação” (FIORIN; SAVIOLI, 2006, p. 227). 
Dentro do conceito de narração – é importante que você saiba – fala-se 
em foco narrativo, que pode ser em primeira pessoa, constituindo um 
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narrador-personagem, e em terceira, que indica um narrador-observador. 
Observe o texto a seguir:
Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira. Certa 
manhã, ao deixar o metrô por engano numa estação azul igual a dela, com um nome 
semelhante à estação da casa dela, telefonei da rua e disse: aí estou chegando quase. 
Desconfiei na mesma hora que tinha falado besteira, porque a professora me pediu para 
repetir a sentença. Aí estou chegando quase… havia provavelmente algum problema 
com a palavra quase. Só que, em vez de apontar o erro, ela me fez repeti-lo, repeti-lo, 
repeti-lo, depois caiu numa gargalhada que me levou a bater o fone. Ao me ver à sua 
porta teve novo acesso, e quanto mais prendia o riso na boca, mais se sacudia de rir 
com o corpo inteiro. Disse enfim ter entendido que eu chegaria pouco a pouco, primeiro 
o nariz, depois uma orelha, depois um joelho, e a piada nem tinha essa graça toda. 
Tanto é verdade que em seguida Kriska ficou meio triste e, sem saber pedir desculpas, 
roçou com a ponta dos dedos meus lábios trêmulos. Hoje porém posso dizer que falo o 
húngaro com perfeição, ou quase.
Note que a narração parte da primeira pessoa do discurso. Trata-se do 
início do romance “Budapeste”, de Chico Buarque (2003 p. 5), em que o 
protagonista da história, José Costa, é quem narra os fatos, mostrando o 
seu ponto de vista e como neles se envolve. 
Observe agora este fragmento o livro “O senhor embaixador”, de Érico 
Veríssimo, utilizado por Fiorin e Savioli (2006, p. 225):
Foi na terceira semana de abril que o Embaixador de Sacramento tomou posse de sua 
cadeira no Conselho da Organização dos Estados Americanos. Ao entrar no edifício da 
União Pan-Americana foi logo atraído por vozes estrídulas que despertaram o menino 
que dormia dentro dele. Afastou-se dos assessores que o acompanhavam e precipitou-
se para o Pátio Tropical, onde duas araras de cores tão rútilas que pareciam recender 
ainda a tinta – escarlate, verde, azul, amarelo – gingavam e gritavam, assanhadas nos 
seus poleiros [...].
Percebeu a diferença? Agora há alguém narrando os fatos de fora da história, 
observando tudo, sem dela participar. 
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8.2 Descrição
A descrição, por sua vez, é um texto que utilizamos frequentemente em 
nosso dia a dia. Sua característica é a de caracterizar pessoas, objetos e/ou 
lugares, com ênfase naquilo que se quer fazer ver em detalhe. É como se 
fosse uma imagem verbal. 
Pode ser denotativa, caracterizada pela objetividade, ou conotativa, de 
abordagem subjetiva. Acompanhe esta descrição elaborada por Bernardo 
Guimarães, utilizada por Fiorin e Savioli (2006, p. 239):
Acha-se ali sozinha e sentada ao piano uma bela e nobre figura de moça. As linhas 
do perfil desenham-se distintamente entre o ébano da caixa do piano, e as bastas 
madeixas ainda mais negras do que ele. São tão puras e suaves essas linhas, que 
fascinam os olhos, enlevam a mente, e paralisam toda análise. A tez é como o marfim 
do teclado, alva que não deslumbra, embaçada por uma nuança delicada, que não 
sabereis dizer se é leve palidez ou cor-de-rosa desmaiada. O colo donoso e do mais puro 
lavor sustenta com graça inefável o busto maravilhoso. Os cabelos soltos e fortemente 
ondulados se despenham caracolando pelos ombros em espessos e luzidios rolos, e 
como franjas negras escondiam quase completamente o dorso da cadeira, a que se 
achava recostada. Na fronte calma e lisa como mármore polido, a luz do ocaso esbatia 
um róseo e suave reflexo; di-la-íeis misteriosa lâmpada de alabastro guardando no seio 
diáfano o fogo celeste da inspiração. Tinha a face voltada para as janelas, e o olhar vago 
pairava-lhe pelo espaço.
Guarde as suas impressões, pois na unidade 9 estudaremos o texto 
descritivo detalhadamente.
8.3 Dissertação
Já a dissertação “[...] é o tipo de texto que analisa, interpreta, explica e 
avalia os dados da realidade” (FIORIN; SAVIOLI, 2006, p. 252).
Trata-se de um texto de caráter científico. Não há a preocupação de 
convencer o leitor sobre o ponto de vista em questão; ele é simplesmente 
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transmitido. Observe este caso retirado de “Viagens de Gulliver”, de 
Jonathan Swift, utilizado por Fiorin e Savioli (2006, p. 251):
Há três métodos pelos quais pode um homem chegar a ser primeiro-ministro. O 
primeiro é saber, com prudência, como servir-se de uma pessoa, de uma filha ou de 
uma irmã; o segundo, como trair ou solapar os predecessores; e o terceiro, como clamar, 
com zelo furioso, contra a corrupção na corte. Mas um príncipe discreto prefere nomear 
os que se valem do último desses métodos, pois os tais fanáticos sempre se revelam os 
mais obsequiosos e subservientes à vontade e às paixões do amo.
Por outro lado, há também o texto dissertativo-argumentativo, cuja 
intenção é convencer o interlocutor a mudar o seu comportamento. 
Mas veremos esta nuance do texto dissertativo detalhadamente em uma 
unidade posterior.
8.4 Exposição
A exposição consiste em apresentar informações a respeito de um 
assunto, explicando, avaliando e analisando. Pode conter instruções, 
descrições, definições, enumerações, comparações e contrastes. 
Para fazer uma Análise SWOT, é necessário fazer previamente uma análise do mercado e 
da empresa. O termo SWOT é uma sigla oriunda do inglês, traduzindo: Forças (Strengths), 
Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats).
Esta análise divide-se em 4 quadrantes: ameaças, oportunidades, pontos fracos 
(fraquezas) e pontos fortes (forças). As ameaças e as oportunidades estão ligadas ao 
mercado enquanto os pontos fracos e pontos fortes estão ligados à empresa. (COMO 
FAZER, 2012, p. 1)
Guarde as suas impressões, pois na unidade 16 estudaremos o texto 
explicativo, como também é conhecido, detalhadamente.
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8.5 Informação
Dando continuidade, a informação se limita a deixar o leitor a par 
de um fato, sem expor ideias ou defender argumentos. Predomina a 
linguagem clara e objetiva, a partir da terceira pessoa do discurso. É o 
caso da notícia, como mostraremos no exemplo a seguir.
Depois de 11 dias de proibição, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) 
anunciou hoje a liberação da venda de novas linhas de celulares e internet das 
operadoras TIM, Claro e Oi a partir de amanhã.
As vendas foram proibidas pela Anatel no dia 23 de julho, como forma de punição 
pela má qualidade dos serviços prestados. Como exigência para aliberação, as 
operadoras tiveram que apresentar planos de investimentos na qualidade da rede e no 
atendimento aos clientes. (CRAIDE, 2012, p. 1)
Guarde as suas impressões, pois na unidade 10 estudaremos o texto 
informativo detalhadamente.
8.6 Injunção
Por fim, saiba que a injunção corresponde ao texto que indica o modo 
como uma ação deve ser realizada. Em sua confecção, prevalecem os 
termos no imperativo, com uso eventual do infinitivo e futuro do presente 
do modo indicativo. Receitas, previsões do tempo, manuais, leis, questões 
de prova, instruções de jogos são exemplos do texto injuntivo. Observe:
Instruções para uso de lentes de contato
Lavar e enxugar as mãos sempre antes de manusear as lentes. Não usar as lentes se a 
embalagem não estiver vedada. Não se deve compartilhar lentes de contato.
Colocação das lentes:
1. Para cada olho, certifique-se de que a lente não está invertida. Coloque-a sobre o 
dedo indicador para verificar a forma.
2. Usando o dedo indicador e o médio da outra mão, puxe a pálpebra superior para cima 
e a inferior para baixo. Coloque a lente no olho. Repita o procedimento para o outro olho. 
Fonte: <http://www.coopervision.com.br/cuidado_instrucoes.php>
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Nas unidades seguintes, teremos uma exposição mais longa sobre alguns 
dos tipos de texto que apresentamos aqui. Contudo, o que você viu até 
agora é o bastante para saber diferenciar e fazer uso de cada um deles.
Estudo complementar
Para aprofundar o que estudamos rapidamente 
nesta unidade, clique aqui e acesse o site Brasil 
Escola, do Ministério da Educação, e no campo 
de busca digita os termos ‘narração’, ‘descrição’ e 
‘dissertação’. Confronte as informações que você 
encontrar com as que você leu aqui.
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9 Texto descritivo
Objetivo
Apresentar os aspectos que caracterizam o texto descritivo.
Na unidade anterior, abordamos rapidamente a descrição como sendo 
um dos tipos de texto. Trata-se de uma modalidade bastante usual 
no dia a dia, pois estamos, a todo momento, em nossas conversações, 
dizendo como as pessoas e as coisas são, do que se constituem, qual a 
sua condição, com que ou com quem se parecem etc. E, assim, também 
quando escrevemos, quer se trate de textos formais ou informais, de 
modo objetivo ou subjetivo. 
Vamos agora ver em detalhe esse tipo de texto, partindo de um esquema 
baseado nos autores Fiorin e Savioli (2006). Acompanhe.
9.1 Conceito de texto descritivo
Descrição é o tipo de texto em que se expõem características dos seres 
concretos, consideradas fora da relação de anterioridade e posterioridade.
O que isso quer dizer? Veja o exemplo.
Eis São Paulo às sete da noite. O trânsito caminha lento e nervoso. Nas ruas, pedestres 
apressados se atropelam. Nos bares, bocas cansadas conversam, mastigam e bebem 
em volta das mesas. Luzes de tons pálidos incidem sobre o cinza dos prédios. (FIORIN; 
SAVIOLI, 2007, p. 297)
Significa que o texto descritivo mostra uma cena, coisas ou pessoas em um 
momento específico do tempo. É como a coisa é ou como a pessoa está. Daí 
que o texto desconsidere o antes (anterioridade) e o depois (posteridade). 
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Figura 5 – São Paulo, 19h.
Fonte: <www.sxc.hu>.
9.2 Detalhando os aspectos do texto descritivo
A seguir, fazemos a exposição de alguns detalhes relativos ao texto 
descritivo. 
A descrição pauta-se pela figuratividade do texto.
Fornece-se uma imagem clara, como se fosse uma figura. Você 
pode perceber na leitura que os adjetivos desempenham um papel 
fundamental para que a figuratividade se concretize. Veja este exemplo, 
retirado da peça teatral “O jardim das cerejeiras”, de Tchecov. Trata-se do 
início do segundo ato da peça, em que o autor descreve o cenário no qual 
toda a ação transcorrerá, incluindo os personagens que dela participam. 
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Campo. Um velho santuário abandonado há muito tempo, tombado pra direita. Perto 
de um poço, enormes pedras que devem ter sido lápides tumulares. Um velho banco. 
Vê-se o caminho que leva à casa de Gaiév. De um lado muitos álamos, árvores escuras; é 
nesse ponto que começa o cerejal. À distância vê-se uma enfiada de postes telegráficos 
e longe, bem longe no horizonte, a silhueta esfumada de uma grande cidade que só 
será visível em dias bem claros. É quase pôr do sol. Carlota, Iacha e Damiacha estão 
sentados no banco. Epikodov está em pé, perto, tocando alguma coisa sombria numa 
guitarra. Todos em atitude pensativa. Carlota usa um boné velho; tira uma espingarda 
do ombro e aperta a fivela da correia. (TCHECOV, 1983, p. 31)
Não relata propriamente mudanças de situação, mas propriedades 
dos aspectos simultâneos dos elementos descritos, considerados em uma 
única situação.
Retome o exemplo que citamos na seção 9.1, a descrição da cidade 
São Paulo às sete da noite. Veja que todos os elementos estão dispostos 
de uma vez, e que não há nenhuma transformação de estado. Há 
movimento na cena, por certo, mas teríamos aqui de desvencilhar o 
conceito de movimento do de tempo. Não há tempo na descrição, pelo 
contrário, trata-se de uma imagem estática – “às sete da noite” – em que 
o movimento é um detalhe da condição presente, em sua simultaneidade.
O que se descreve é um todo simultâneo, não existe relação de 
anterioridade e posterioridade inclusive entre os enunciados.
Perceba, ainda na descrição da cidade de São Paulo às sete da noite, que 
podemos trocar a ordem dos enunciados sem prejuízo semântico. Veja: 
Luzes de tons pálidos incidem sobre o cinza dos prédios. Nos bares, bocas cansadas 
conversam, mastigam e bebem em volta das mesas. O trânsito caminha lento e nervoso. 
Nas ruas, pedestres apressados se atropelam. Eis São Paulo às sete da noite.
Os tempos verbais utilizados são o presente ou o pretérito imperfeito 
(ou ambos), pois o primeiro expressa concomitância em relação ao 
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momento da fala, e o segundo, em relação ao momento temporal pretérito 
instalado no enunciado.
Observe os verbos utilizados: incidem; conversam; mastigam; caminha; 
atropelam. Caso a situação já tivesse acontecido, via passado imperfeito, 
seria:
São Paulo às sete da noite. O trânsito caminhava lento e nervoso. Nas ruas, pedestres 
apressados se atropelavam. Nos bares, bocas cansadas conversavam, mastigavam e 
bebiam em volta das mesas. Luzes de tons pálidos incidiam sobre o cinza dos prédios.
Essas são as condições básicas de organização do texto descritivo. 
Podemos, entretanto, ainda considerar que em função de a descrição 
não se pautar por progressão temporal – tal como na narrativa –, sua 
organização é espacial. Para converter uma descrição em narração, basta 
introduzir um enunciado que indique a passagem de um estado anterior 
ao posterior.
São Paulo às sete da noite. O trânsito caminha lento e nervoso. Nas ruas, pedestres 
apressados se atropelam. Às nove, nos bares, bocas cansadas conversam, mastigam e 
bebem em volta das mesas. Luzes de tons pálidos incidem sobre o cinza dos prédios.
Como você pôde notar, a simples inserção de “às nove” interfere no 
resultado: dividimos o que antes era uma cena estática em duas, e pode-
se presumir que as “bocas cansadas que conversam no bar” são, de 
certo modo, produto do cenário caótico anterior. Há um processo de 
transformação e já não podemos inverter a ordem dos enunciados sem 
prejuízo semântico.
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Tarefa dissertativa
Caro estudante, convidamos você a acessar o 
Ambiente Virtual de Aprendizagem e realizar a 
tarefa dissertativa.
Concluímos esta unidade destacando que a descrição é, portanto, um 
recurso da narração. Ela, a descrição, apresenta personagens, lugares, 
estados, cuja mudança será tarefa da narração. 
Aprendemos que a descrição é o tipo de texto em que se expõem 
características dos seres concretos, consideradas fora da relaçãode 
anterioridade e posterioridade. Isso significa, em síntese, que o texto 
descritivo mostra uma cena, coisas ou pessoas em um momento 
específico do tempo.
Atividade
Chegou a hora de você testar seus conhecimentos 
em relação às unidade 1 a 9. Para isso, dirija-se 
ao Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e 
responda às questões. Além de revisar o conteúdo, 
você estará se preparando para a prova. Bom 
trabalho!
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10 Texto de informação
Objetivo
Apresentar os aspectos que caracterizam o texto informativo.
Depois de verificarmos as peculiaridades da descrição, vamos estudar o 
texto informativo. 
O mundo é linguagem e precisa organizar-se cientificamente – a prova, 
o fato, a objetividade – para alcançar credibilidade. Essa é a função do 
texto informativo. É o tipo de texto mais frequente no cotidiano da 
vida urbana em seus vários meios de comunicação: a internet, a tevê, os 
jornais, as revistas, os folhetos que recebemos no semáforo, os outdoors, 
os livros, as aulas, entre outros.
10.1 Conceito de texto de informação
Informação não se restringe à escrita. Em nossa conversação diária, 
somos todos consumidores e transmissores de informações sobre tudo o 
que nos cerca ou nos interessa. 
Por essa distribuição massiva em nossa vida, pode-se afirmar que o texto 
de informação se tornou o referente mais adequado à sistematização 
normativa da linguagem escrita. Isso parece óbvio, mas se pensarmos que 
durante a maior parte do século XX os gramáticos tomaram por referência 
a linguagem dos escritores de literatura não parece tão lógico assim.
Perceba que o objetivo do texto de informação é bastante simples: 
fornecer dados legítimos a respeito de algo para alguém. 
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10.2 Analisando
Vamos analisar um caso, baseando-nos no conteúdo do site <gripe.org.br>.
Como o próprio nome do site explicita, o foco é o vírus Influenza, 
comumente conhecido por gripe. 
A apresentação do site é bastante simples: nele consta um menu 
subdividido em abas (A gripe; Transmissão; Sintomas; Prevenção; 
Perguntas). Vejamos em detalhe o conteúdo da primeira aba. Acompanhe.
O que é gripe
A gripe (influenza) é uma das doenças respiratórias que mais acometem o homem.
Trata-se de uma infecção do sistema respiratório cuja principal complicação são as 
pneumonias, que são responsáveis por um grande número de internações hospitalares 
no país.
Apesar de frequentemente apresentar a imagem de uma doença benigna, a gripe é 
uma doença potencialmente grave, que mata milhares de pessoas todos os anos.
A gripe é causada por um vírus específico, chamado vírus influenza: Myxovirus 
influenzae. Este vírus possui a capacidade de mudar constantemente suas 
características, o que possibilita que um mesmo indivíduo tenha vários episódios de 
gripe durante a vida.
Por causa das mutações e da rápida disseminação da doença, as epidemias e pandemias 
são uma característica importante da gripe.
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Saiba mais: O vírus influenza
Desconhece-se a data do aparecimento do vírus influenza, embora a gripe seja 
considerada uma das mais antigas doenças da humanidade. Em 412 a.C. foi descrita 
uma epidemia de tosse seguida por pneumonia na Grécia – podendo ser o influenza 
um dos prováveis causadores. Duzentos anos depois, houve uma doença infecciosa que 
atingiu o exército romano.
Desde então, várias epidemias envolvendo o aparelho respiratório foram registradas, 
mas somente a partir do século XVIII é que o número de infectados passou a ser 
contabilizado.
Vamos por partes. Quanto à linguagem, você ficou em dúvida quanto a 
algum termo em específico? Provavelmente não, pois o texto informativo, 
mesmo que utilize de termos incomuns, em algum momento ele 
esclarece o conceito (“O vírus da gripe aviária, por exemplo, é do tipo 
A, subtipo H5N1, sendo que o ‘H’ significa hemaglutinina e o ‘N’, 
neuraminidase. Trata-se de duas proteínas existentes na superfície do 
vírus. A primeira se liga às células humanas, permitindo a entrada do 
vírus para multiplicação, e a segunda permite a liberação dos novos vírus 
para infectar outras células”). 
A linguagem é clara e objetiva, para que qualquer cidadão alfabetizado 
bem disposto apreenda o seu conteúdo.
Todas as afirmações estão baseadas em dados pesquisados e experimentados. 
Apresentam-se os dados e deles são tecidas considerações, muitas vezes 
recorrendo-se a autoridades que deem legitimação ao que se está dizendo 
(“Conforme a Sociedade Brasileira de Medicina Tropical…”). 
Perceba, ainda, que não há emissão de opinião direta. 
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Para sua reflexão
A partir do que vimos até aqui sobre o texto 
informativo, reflita: você concorda com a ideia de 
que o texto de informação não expõe um ponto de 
vista, ou seja, que ele é “neutro”? Ou, por outra: as 
informações são repassadas de modo imparcial? 
As respostas a essas reflexões formam parte de sua 
aprendizagem e são individuais, não precisando 
ser comunicadas ou enviadas aos tutores.
Por último, o texto de informação guarda, na maior parte das vezes, um 
forte vínculo com a atualidade. 
A gripe é uma questão de saúde coletiva, daí a importância de se saber 
como lidar com esse mal. É um exemplo menos ordinário, uma vez que 
a gripe ultrapassa as gerações e continua gerando discussão. Mas imagine 
uma revista de entretenimento: a informação que nela consta está sempre 
pautada pelo que está acontecendo: a novela, o futebol, a bolsa de 
valores, o cenário político. 
Faraco e Tezza (2005) observam que toda e qualquer palavra está 
carregada de opinião, de um viés conceitual. A escolha de uma palavra 
em específico e não de outra já implica em uma ideia a respeito do que 
se está informando. Pense, por exemplo, no telejornal: por mais que 
se afirme que o jornalismo se quer neutro, a simples escolha de quais 
notícias irão ao ar já implica num olhar sobre o que acontece no país.
Mas ainda assim podemos destacar: uma coisa é expor quais são os 
personagens da novela e mostrar suas relações ou dizer qual foi o 
resultado do jogo da última quarta-feira e relatar os gols, as faltas etc.; 
outra coisa é dizer “esta novela é muito interessante” ou “o time X não 
está jogando nada”, pois aí já temos uma opinião direta e um juízo de 
valor. Trata-se, no caso, do texto de opinião, como veremos na próxima 
unidade. 
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11 Texto de opinião
Objetivo
Apresentar os aspectos que caracterizam o texto opinativo.
Agora que já entendemos as peculiaridades de um texto informativo, 
vamos nos deter nas características do texto de opinião. O texto de 
opinião pode ser entendido em duas palavras: informar e influenciar. 
Assim como o texto de informação, deve ser claro e breve na 
interpretação dos fatos, que deve estar devidamente fundamentada, pois 
do contrário o texto resvala na ética. 
11.1 Conceito de texto de opinião
O “desejo” do texto opinativo é fazer com que o leitor, ao fim, partilhe 
do ponto de vista exposto. Sua particularidade reside, além de apresentar 
os fatos dentro de um determinado contexto, em lê-los sob um 
determinado viés, emitindo juízos de valor (vimos isso rapidamente no 
final da unidade 10).
Portanto, o autor do texto opinativo não se preocupa em se manter 
neutro ou distante da matéria analisada. Pelo contrário, é essa insinuação 
do autor sobre a matéria que dá o caráter desse tipo de texto. 
No texto de opinião, existe um sujeito que se revela deliberadamente.
11.2 Analisando
Vamos começar com um exemplo?
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A voz de Getúlio Vargas
O Brasil carrega em seu DNA institucional várias pequenas heranças de origem fascista. 
Elas incluem a força despropositada das corporações profissionais, a estrutura sindical 
baseada em contratos coletivos de trabalho e contribuições compulsórias.
Nenhuma, porém,se iguala ao programa radiofônico A Voz do Brasil, que todas as 
emissoras do país estão obrigadas a transmitir, de segunda a sexta-feira, sempre às 19h, 
ritual decrépito que se repete com poucas interrupções desde 22 de julho de 1935.
A iniciativa se inspira em ideologia das mais totalitárias. O indivíduo não existiria fora 
do Estado, única instituição capaz de oferecer-lhe os valores de que necessita. O núcleo 
do poder político se encarregaria de produzir diariamente noticiário de uma hora, com 
difusão obrigatória. O cidadão até poderia desligar o rádio, mas, se quisesse ouvir algo, 
não poderia fugir do oficialismo edificante.
A cartilha fascista se reproduz até na divisão do programa, que é meticulosamente 
repartido entre os Poderes da República: o Executivo tem 25 minutos; o Judiciário, cinco; 
senadores dispõem de dez minutos; deputados federais contam com 20.
Num detalhe que resume a essência do corporativismo mussoliniano – o Estado pode 
resolver todos os conflitos integrando diferentes grupos num modelo colaborativo –, às 
quartas-feiras o Tribunal de Contas da União ganha o seu minuto, cedido às vezes pelo 
Executivo, às vezes pela Câmara.
É incrível que um arcaísmo dessa magnitude sobreviva em pleno século XXI. Além de 
negar a liberdade de escolha a milhões de cidadãos brasileiros, A Voz do Brasil presta 
um desserviço público, ao monopolizar as ondas de rádio no exato momento em que 
elas são uma valiosa fonte de informações para o cidadão – por exemplo, sobre o 
trânsito que assola tantas cidades do país.
É, portanto, uma boa notícia a de que a Câmara deverá colocar em votação um projeto 
de lei que flexibiliza os horários de exibição de A Voz do Brasil. Melhor ainda seria se 
o Congresso acabasse de vez com a obrigatoriedade e, por que não, com o próprio 
programa, que custa caro aos cofres públicos.
Mas isso talvez seja pedir demais dos parlamentares, que se contam entre as 
pouquíssimas pessoas beneficiadas por esse resquício dos tempos de Getúlio Vargas. 
(FOLHA DE S. PAULO, 2012)
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Pergunte-se agora: o texto se limita a informar que A Voz do Brasil é um 
programa radiofônico transmitido por todas as emissoras de rádio do 
país, sempre às 19h ou ele faz algo além disso?
Se ele se limitasse a informar, seria um texto informativo. Mas, pelo 
contrário, o texto está crivado de termos carregados de juízos de valor. 
De início, já temos a afirmação de que “O Brasil carrega em seu DNA 
institucional várias pequenas heranças de origem fascista”. Seguindo, 
fala-se da obrigatoridade de transmissão do programa radiofônico A Voz 
do Brasil, um “ritual decrépito que se repete com poucas interrupções 
desde 22 de julho de 1935”. 
Na sequência, o programa é visto como um indício da disposição estatal 
que entende o próprio Estado como única instituição capaz de oferecer 
os valores de que o indivíduo necessita para a sua formação cidadã um 
oficialismo edificante. E como se não bastasse, o texto ainda mostra 
que “A cartilha fascista se reproduz até na divisão do programa”, 
meticulosamente dividido entre os poderes da República. 
Percebeu que não há um momento de alívio sequer? A interpretação 
fundamenta-se nos regimes fascistas de Getúlio Vargas e Mussolini, para, 
ao final, comemorar a disposição da Câmara em votar um projeto de lei 
que flexibiliza os horários de exibição do programa. “Melhor ainda seria 
se o Congresso acabasse de vez com a obrigatoriedade e, por que não, 
com o próprio programa, que custa caro aos cofres públicos.”
Esse texto que vimos é um editorial da Folha de S. Paulo. Não é assinado 
por um autor, mas responde pela organização como um todo. É o 
ponto de vista do jornal a respeito de um acontecimento marcante da 
atualidade. E esse aspecto, a atualidade, também é fundamental para 
o texto de opinião, pois, para que se produza a polêmica, o texto terá 
sempre de estar atrelado a algo que faz parte da preocupação coletiva 
naquele momento específico.
Mas sob o rótulo “texto de opinião” também podemos entender o 
comentário do leitor, por exemplo, estando muitas vezes redigido 
na primeira pessoa. O que prevalecerá, sempre, é a tentativa de 
convencimento do emissor sobre o destinatário por meio de descrições 
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detalhadas, apelo emotivo, acusações, sátira, ironia e fontes de 
informações precisas. 
Sobre o mesmo tema do texto anterior, acompanhe esta exposição do 
leitor Paulo Renato Pulz, de Porto Alegre, para a revista Época:
A Voz do Brasil é um programa de grande valia para sociedade brasileira, e deve 
permanecer no ar nos horários das 19h, consagrado nestes 75 anos de audiência. Eu sou 
ouvinte desde 1969 [...] Não vejo nenhuma razão para flexibilizar o horário, a pressão 
vem das empresas de comunicações, pelas transmissões do futebol. Isto é problema do 
futebol, que inventou diversos campeonatos, cujo único objetivo é arrecadar dinheiro, 
dinheiro... Não estão nem aí para os interesses dos cidadãos, quanto menos letrado 
melhor, assim não há questionamentos. O interessante é que todas matérias editadas 
por A Voz do Brasil no dia seguinte estão estampadas nos jornais diários de grande 
tiragem e matérias de rádios. O lobby no congresso é grande pelo fim do horário. A 
Presidenta Dilma deve resistir a esta intervenção dos empresários de comunicações. [...] 
Falta coragem, ou medo de responder à legislação das concessões? (ÉPOCA, 2012)
Perceba, então, o uso da primeira pessoa (“Eu sou ouvinte desde 1969, 
acompanhava meu pai na audiência, sentado no sofá de três lugares, 
observando seus gestos de indignação diante de certas restrições de 
liberdades”) e os motivos que justificam o ponto de vista (“a pressão 
vem das empresas de comunicações, pelas transmissões do futebol. [...] 
Não estão nem aí para os interesses dos cidadãos, quanto menos letrado 
melhor, assim não há questionamentos. O interessante é que todas as 
matérias editadas por A Voz do Brasil no dia seguinte estão estampadas 
nos jornais diários de grande tiragem e matérias de rádios”).
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Para sua reflexão
A partir da leitura feita até aqui, reflita: você é 
uma pessoa que manifesta abertamente os seus 
pontos de vista ou que evita a discussão? Quando 
você emite uma opinião, ela está embasada em 
impressões ou você se ampara em informações 
com que tomou contato previamente? Pense!
As respostas a essas reflexões formam parte de sua 
aprendizagem e são individuais, não precisando 
ser comunicadas ou enviadas aos tutores.
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12 Texto crítico
Objetivo
Apresentar os aspectos que caracterizam o texto crítico.
Há uma certa confusão em torno da palavra crítica. É comum ouvirmos, 
por exemplo, “X criticou Y”, no sentido de que X teria “falado mal” de Y. 
Mas não é isso. Não há no termo crítica uma relação direta com o “falar 
mal a respeito de”. 
Essa confusão advém do emprego do vocábulo em sentido figurado 
misturado ao sentido filosófico. O sentido figurado da palavra crítica 
estaria relacionado ao significado de um juízo desfavorável, desabonador 
ou negativo, como dissemos antes. 
12.1 Você sabe o que é crítica?
De certo modo, como vimos na unidade anterior, a opinião seria uma 
espécie de crítica, “o seu veículo”, por assim dizer. Quando alguém 
esboça a sua opinião, seja ela desfavorável ou não, está também 
formulando uma crítica. Mas o primeiro “porém” reside em que, nas 
linguagens filosófica e científica, que lidam com lógica e a comprovação, 
a opinião reflete uma avaliação não especializada. 
No ambiente científico, por exemplo, a opinião não tem valor de 
verdade, pois nele a regra que vale é a da comprovação, enquanto na 
filosofia são aceitas teorias sobre o funcionamento das coisas, muitas 
vezes de forma dedutiva. A verdade pode ser relativa no campo filosófico, 
porém na ciência é a comprovação por meio de experimentosque 
transforma uma teoria em verdade.
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O segundo “porém” é que o texto crítico vai além do texto opinativo. 
Para o texto crítico, são necessários conhecimentos mais aprofundados 
sobre o objeto de análise e sobre área onde esse objeto se contextualiza. 
Digamos que você leu um livro da área de Administração e deseja 
escrever uma crítica a respeito. Você necessita, além da leitura do livro, 
saber mais informações sobre o autor, qual a sua formação, se ele escreveu 
outros livros além desse que você leu e qual o lugar teórico de onde esse 
autor se pronuncia. Mais que isso, você precisa conhecer a área, dentro 
do estudo da Administração, em que esse livro se insere, e quais os 
autores que corroboram ou discordam do modo como o autor do livro 
que você está analisando arma os argumentos. Em outras palavras, o 
texto crítico implica pesquisa e método, sem subjetivismo. 
A crítica, portanto, está além do “bom” ou “ruim”; e analisar criticamente 
significa, assim, colocar em tensão, produzir atrito com o objeto, e 
persuadir (FIORIN; SAVIOLI, 2006).
12.2 Atributos
Assim como para qualquer outro texto de qualidade, o texto crítico não 
pode prescindir de alguns atributos. Vamos estipulá-los:
•	 clareza e precisão: ser transparente, fazer uma boa exposição de 
ideias, o que implica em usar bem a gramática;
•	 coerência: amarrar bem as ideias, com uma ordem crescente entre os 
argumentos;
•	 objetividade: não se deixar influenciar pelos sentimentos ou 
preferências; manter-se racional.
Estes, porém, são fatores genéricos que devem nortear o texto em 
geral, porque o leitor crítico é aquele capaz de atravessar os limites 
do texto em si para o universo concreto dos outros textos, das outras 
linguagens, capazes de criar quadros mais complexos de referência. E esta 
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multiplicidade de pontos de vista está presente em qualquer gênero da 
linguagem (FARACO; TEZZA, 2005).
A identidade do texto crítico reside no fato de que ele analisa alguma 
coisa em específico (um livro, como vimos antes, um filme, uma teoria). 
Enfim: o texto crítico analisa algum produto da cultura. 
Mas onde e como esta modalidade textual se vincula? 
A palavra crítica popularizou-se com o surgimento dos jornais, no início 
do século XX. Saiu, assim, do contexto acadêmico e passou a habitar as 
colunas que analisavam espetáculos artísticos, filmes e livros. Isso fez com 
que muitos críticos se tornassem famosos por seu modo de analisar ou 
escrever, sendo capazes de arruinar ou consagrar trabalhos com apenas 
algumas linhas.
Hoje em dia, encontramos o texto crítico em jornais e na internet, 
fundamentalmente. Sua forma habitual é a resenha.
12.3 A resenha
A resenha é um texto crítico, como vimos, muito comum em 
jornais, revistas e sites. Caracteriza-se por “[...] um relato minucioso 
das propriedades de um objeto, ou de suas partes constitutivas” 
(MEDEIROS, 2008, p. 158). 
Trata-se de uma avaliação de determinado produto cultural, tal como 
um livro, um disco, um filme. Seu autor fornece os dados do objeto 
ou produto (se um livro, por exemplo, constam autor, título, local de 
publicação, editora, preço), comenta o conteúdo, avalia, mas deve deixar 
o leitor curioso!
Faraco e Tezza (2005) observam que hoje em dia a resenha constitui um 
gênero bastante variável, que pode ser tanto um parágrafo informando 
sobre o que é o filme que a emissora X exibe no horário das 22h, como 
um bonequinho sorrindo ou um sinal de positivo sinalizando que o 
resenhista aprova e indica o objeto (lembre-se, aqui, da abrangência do 
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conceito de texto que estudamos na unidade 2). Mas também pode ser 
um longo texto, apresentando e criticando o conteúdo em uma revista, 
jornal ou site.
Ao fim das contas, a resenha possui dois elementos fundamentais: 
1) a informação, que são os dados que enumeramos há pouco, e 2) 
o princípio de que o leitor não conhece o objeto em questão. Se for 
um livro, a resenha indica o assunto, a editora, o número de páginas, 
preço; se um filme, diz quem é o diretor, o elenco, a produtora, a 
síntese da história; se um disco, quais são as faixas, os compositores, os 
instrumentistas, as condições de gravação (ao vivo, em estúdio). Mas, 
além da informação, a resenha também inclui a opinião (perceba como 
não conseguimos, ao falar de crítica, prescindir da opinião, por mais 
controverso que isso seja, como vimos no início). Trata-se de um parecer 
direto sobre o objeto/produto. O leitor quer saber se o livro (filme, peça, 
disco etc.) é bom e por quê (FARACO; TEZZA, 2005). 
Acompanhe este exemplo:
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O livro de ouro da liderança segundo o Instituto Empreender Endeavor
O Livro de ouro da liderança é o mais recente lançamento do americano John C. 
Maxwell, profissional apontado pela Leadership Gurus International como o mais 
influente especialista sobre o tema do mundo. Autor de mais de 50 títulos sobre o 
assunto e com 12 milhões de livros vendidos, Maxwell é fundador das organizações de 
sociedade civil Injoy Stewardship e EQUIP, que têm como meta treinar mais de 1 milhão 
de líderes em todo o mundo.
Editado pela Thomas Nelson Brasil, o lançamento traz no audiolivro as 21 irrefutáveis 
leis da liderança, com toques exclusivos do guru. Nas 269 páginas da publicação, 
Maxwell defende a ideia de que a liderança não se constrói de uma hora para outra e, 
sim, durante a vida toda. Ao final de cada capítulo, os leitores encontram uma seção 
com sugestões para colocar seus ensinamentos em prática, além de dicas que podem 
ajudar no desenvolvimento da liderança em sua carreira.
O autor ainda desmistifica a tese de que o líder não pode se envolver pessoalmente com 
a sua equipe. ‘Nenhum líder é bem-sucedido se não contar com a ajuda de alguém’, 
diz. ‘Se a motivação for limitada a avançar na profissão, corre-se o risco de se tornar 
aquele tipo de líder carreirista, que finge ser o rei da cocada preta diante dos colegas e 
funcionários’, explica. (PASSOS, 2008)
Note como o texto cumpre os requisitos propostos pelo formato. Porém, 
dado o espaço restrito fornecido pela revista ou pela necessidade de um 
texto que seja lido rapidamente, ainda é raso no quesito crítica. Porque 
para tensionar sentidos possíveis, o texto precisa, necessariamente, de 
tempo e espaço.
Finalizamos esta unidade destacando que, de modo geral, estudar nos 
transforma em pessoas mais críticas. Ao longo da vida, o estudo faz de 
pessoas comuns, pessoas mais conscientes sobre o seu papel no mundo. 
Adquirir consciência crítica é o motor principal da educação. Ao 
conquistar este nível de conscientização, você se compara a um filósofo 
ou cientista, pois o trabalho diário deste grupo de pessoas é o de analisar 
e criticar o seu meio. Neste aspecto, a crítica é a base para a busca de 
conhecimentos.
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Saiba mais
Para verificar as considerações desta unidade, faça 
uma pesquisa em jornais, revistas ou na internet 
e busque por resenhas. Pesquise, por exemplo, o 
site Resenha Brasil, disponível clicando aqui. Mãos 
à obra!
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Resumo
Aprofundamos um pouco mais o nosso estudo. Vimos agora que saber 
ler e escrever é agir sobre o mundo e defender-se dele, sempre em 
situações específicas e concretas, intencionalmente construídas e com 
objetivos claros. Nesse sentido, o bom texto é aquele que responde 
à proposta, considerando a solicitação e a intenção, e que foge do 
pedantismo gramatical, da linguagem prolixa e dos lugares comuns. 
Além disso, vimos quais são os diferentes tipos de texto (narração, 
descrição, dissertação, exposição, informação e injunção), estudando 
alguns deles detidamente. 
Por fim, salientamos certa confusão que reina em torno do conceito de 
crítica, explicitando sua forma mais habitual nos meios de comunicaçãoatuais: a resenha. Atributos como clareza, precisão, coerência e 
objetividade são qualidades pelas quais todo texto deve primar. E lembre-
se: estudar nos transforma em pessoas mais críticas!
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13 A narrativa
Objetivo
Apresentar os aspectos que caracterizam o texto de ficção dentro da 
produção textual e problematizar esse conceito.
Na unidade 8, vimos que narração é um tipo de texto cuja peculiaridade 
reside em contar um fato, ficcional ou não, que aconteceu (ou acontece) 
em tempo e lugar específico, envolvendo personagens que desempenham 
ações (FIORIN; SAVIOLI, 2006). Vamos descobrir mais sobre sua 
caracterização? 
13.1 Conceito de narrativa
A narrativa é um tipo de texto que, como observam os autores Fiorin e 
Savioli (2006), contém:
a. transformação de situações concretas (fatos se desdobram e 
demandam outros);
b. figuratividade (apresentação e descrição de cenários);
c. relações de posteridade, concomitância e anterioridade entre os 
episódios relatados (ou seja, um antes, um durante e um depois); e
d. utilização preferencial do subsistema temporal do passado (de modo 
geral, as narrativas são caracterizadas por fatos que ocorreram no 
passado). 
Acompanhe um trecho desta famosa letra de música – “Eduardo e 
Mônica”, do grupo Legião Urbana: 
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Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram...
Enquanto Mônica tomava um conhaque, noutro canto da cidade, como eles disseram.
Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer, e conversaram muito mesmo pra 
tentar se conhecer. 
Foi um carinha do cursinho do Eduardo que disse:
– Tem uma festa legal e a gente quer se divertir.
Perceba que este breve texto contém todos os elementos da nossa 
definição: conta-se uma sequência de fatos, em distintos lugares, até que 
ambos os personagens, Eduardo e Mônica, encontram-se por acaso. 
Dica
Sugerimos que você pesquise e leia a letra toda. 
Veja aqui.
Observe: não temos a data do acontecimento, mas sabemos que foi 
no passado – sabemos, aliás, que esse passado tem vários níveis, em 
função dos verbos utilizados. E como a narração implica anterioridade e 
posteridade, perceba que há uma ordem cronológica dos fatos, o início, o 
meio e o fim. 
13.2 Conceitos atrelados
Vimos também, na unidade 8, que dentro do conceito de narração se fala 
em foco narrativo, que pode ser em primeira pessoa, constituindo um 
narrador-personagem, e em terceira, que indica um narrador-observador.
Comprovamos isso analisando o primeiro parágrafo de um romance 
de Chico Buarque, Budapeste, em primeira pessoa, e O Senhor 
Embaixador, de Érico Veríssimo, em terceira. No entanto, essa divisão 
pode ser ainda mais pormenorizada. 
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Antes disso, porém, saiba que ao conjunto de ações, descrições e 
diálogos, que constituem a narrativa, chamamos diegese. É um conceito 
importante porque ele é a base de uma série de outros: trata-se da 
realidade própria da narrativa, à parte da realidade externa de quem lê. 
Vamos lá.
No que tange à participação do narrador na história, ele pode ser:
•	 heterodiegético: não pertence nem participa da história narrada. 
Retome a letra da canção que lemos antes:
•	
Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram...
Enquanto Mônica tomava um conhaque, noutro canto da cidade, como eles disseram.
Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer, e conversaram muito mesmo pra 
tentar se conhecer. 
Foi um carinha do cursinho do Eduardo que disse:
– Tem uma festa legal e a gente quer se divertir.
homodiegético: participa como personagem secundário ou mero 
figurante. É o caso das famosas narrativas do detetive Sherlock 
Holmes, realizadas por seu colega, o médico Watson:
•	
Passando os olhos na série um tanto incoerente de casos com que procurei ilustrar 
algumas das peculiaridades mentais de meu amigo Sherlock Holmes, impressionou-me 
a dificuldade que tive em escolher exemplos que atendessem a meu propósito sob todos 
os aspectos. Pois naqueles casos em que Holmes realizou algum raciocínio analítico e 
demonstrou o valor de seus métodos peculiares de investigação, os próprios fatos foram 
muitas vezes tão insignificantes ou banais que não pude me sentir justificado em expô-
los perante o público. (DOYLE, 2003, p. 252)
autodiegético: é ao mesmo tempo personagem e narrador da 
história. Trata-se do protagonista, ou seja, o personagem principal.
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Recebi esta tarde a notícia do teu nascimento. Quis tanto ver-te. Fui até o aroporto mas 
não tive coragem. Vais crescer sem saber quem sou. Talvez um dia venhas a ler isto [...]. 
(CARVALHO, 1995, p. 69)
Um nível acima dessa divisão que acabamos de ver, podemos ainda 
colocar outra referente a níveis: quando o narrador integra a história, 
fala-se em intradiegético. Quando o narrador não participa, fala-se 
em extradiegético. Não se trata de casos à parte, apenas de variação de 
nomenclatura.
Há ainda muitos outros conceitos integrantes da narrativa. Por exemplo, 
podemos falar em narrativa aberta e narrativa fechada. A narrativa 
fechada se dá quando todos os conflitos da diegese foram solucionados. 
Por conseguinte, denomina-se narrativa aberta aquela cujos conflitos 
permanecem sem solução.
Com relação à sequência narrativa e sua articulação, fala-se em 
encadeamento quando tudo acontece em ordem linear e cronológica; por 
encaixe denominam-se sequências que são englobadas por uma sequência 
maior, e alternância se refere a quando duas ou mais histórias são contadas 
de forma intercalada. É o caso da narrativa não linear, como neste trecho 
do romance Acqua Toffana, da premiada escritora brasileira Patrícia Melo:
Não tem ninguém em casa, preciso parar com isso. Medo do quê? Quem pode estar 
aqui? Não tem ninguém em casa, bobagem, está tudo trancado.
Abro a porta do quarto. Tudo em ordem. Vou andando pelo corredor, pés descalços. Tudo 
em ordem. Não há ninguém pela casa.
Dou meia-volta, o banheiro, tudo em ordem. Entro no quarto, tranco a porta. 
Islands in the stream, 0h45. Deve acabar às 3h00. 1977, 110 minutos. Direção: Franklin 
Schaffer. Claire Bloom, David Hemmings etcétera. O pesadelo aconteceu em dez 
minutos, no intervalo, eu estava vendo a chamada de um filme policial, Charles Bronson 
com o pé na garganta de um infeliz: “Diga adeus”. (MELO, 1995, p. 5)
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Perceba como a narrativa funde duas camadas, sonho e realidade. 
Esta vem à tona pela informação do filme a que a personagem estava 
assistindo.
Saiba, por fim, que estes e outros conceitos são parte de um estudo 
mais aprofundado da narrativa, para quem se especializa no assunto. O 
interessante para você – e que você precisa saber – é que diferentemente 
dos outros tipos de texto, a narração se sustenta pela sucessão de 
acontecimentos, e que esse tipo de texto se vale de outros como se fossem 
recursos seus, tais como a descrição e a dissertação.
Para sua reflexão
Para finalizar, observe que no objetivo desta 
unidade nos restringimos aos “aspectos que 
caracterizam o texto de ficção dentro da produção 
textual”. Devemos, por isso, entender que toda 
narrativa é ficcional? 
Você já deve ter notado que há uma série de 
narrativas cuja peculiaridade apresenta o rótulo 
“esta história é baseada em fatos reais”. Será que 
há alguma diferença? Como identificar? Pense a 
respeito disso, considerando o termo ficção como 
um componente de toda e qualquer narrativa, 
porque todas elas são articulações de linguagem e 
produto do pensamento. 
As respostas a essas reflexões formam parte de sua 
aprendizagem e são individuais, não precisando 
ser comunicadas ou enviadas aos tutores.
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14 Texto temático e texto figurativo
Objetivo
Analisar a produção textual sob os vieses concretoe abstrato.
Podemos afirmar que todo texto possui dois planos: o plano da 
expressão (o idioma, as palavras, as frases, por exemplo) e o plano do 
conteúdo (o sentido). Utilizando dos conceitos que já estudamos até 
aqui, podemos dizer que o conteúdo constitui a mensagem, e que a 
expressão implica no modo como a mensagem é elaborada. 
E dando uma volta a mais, podemos dizer que para um mesmo 
conteúdo, o plano de expressão pode variar. Quando um texto apresenta 
aspectos do mundo concreto, dizemos que o texto é figurativo. Quando 
apresenta conceitos abstratos, dizemos que o texto é temático.
Reconhecer essas diferenças é bastante importante, pois saber a natureza 
do texto que se quer produzir dá maior controle daquilo que se afirma, 
bem como do modo como se elabora o argumento (DISCINI, 2005).
14.1 Definições
Concreto é todo termo que remete a algo presente no mundo natural.
Abstrato concerne a toda palavra que não indica algo presente no 
mundo natural, mas uma categoria que ordena o que está nele manifesto 
(FIORIN; SAVIOLI, 2006).
Fiorin e Savioli (2006), entretanto, estabelecem algumas ressalvas sobre 
essas definições. Dizem eles que a primeira advertência a respeito dessa 
definição é que concreto e abstrato não são categorias da realidade, mas 
da linguagem. Assim, a expressão “mundo natural” não é somente a 
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realidade exterior, visível, sensível, mas as realidades criadas pelo discurso. 
Nesse sentido, não há o menor propósito em perguntar se Deus, fada 
ou saci são concretos ou não, e em responder que isso depende da 
crença que se tenha neles. São concretos, sim, porque Deus é um ser 
efetivamente presente no universo criado pelo discurso religioso, fada 
existe na realidade gerada pelo conto maravilhoso, saci recebe o estatuto 
de ser nas narrativas folclóricas (FIORIN; SAVIOLI, 2006).
A consequência dessa definição de termo concreto e abstrato é que não 
só os substantivos se dividem de acordo com essa categoria, mas todas 
as palavras. Assim, temos substantivos, adjetivos e verbos concretos e 
abstratos: sol remete a algo efetivamente existente num dos mundos 
naturais, enquanto raiva não (o que é concreto e ordenado por esse 
substantivo abstrato é, por exemplo, gritar, ficar vermelho etc.; esses 
atos concretos são englobados na categoria raiva); branco é um adjetivo 
concreto, pois expressa uma qualidade imediatamente perceptível do 
mundo natural, enquanto inteligente é abstrato, pois é o termo que 
designa uma série de elementos concretos (aprender rapidamente, 
compreender tudo o que é explicado etc.); plantar é um verbo concreto, 
enquanto envergonhar-se é abstrato, pois o que é concreto são as 
manifestações da vergonha, como, por exemplo, corar. 
Na verdade, em vez de pensar que concreto e abstrato são dois polos, 
deveríamos refletir sobre a relação entre concreto e abstrato como um 
contínuo que vai do mais abstrato ao mais concreto, passando pelo 
mais ou menos abstrato, um pouco mais concreto, e assim por diante 
(FIORIN; SAVIOLI, 2006).
Diante disso, e retomando o conceito apresentado na introdução 
da unidade, há duas formas básicas de discursos: aqueles que são 
predominantemente concretos (e que, portanto, são figurativos, ou 
seja, que constituem figuras) e os preponderantemente abstratos, 
considerados temáticos, uma vez que, construídos com termos abstratos, 
pautam-se por palavras abstratas. Ou seja, dos discursos temáticos não 
conseguimos extrair coisas, objetos do mundo; mas extraímos assuntos.
Mas tenha em vista que um texto dificilmente será completamente 
figurativo ou completamente temático. O que podemos definir, 
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conforme a linha de raciocínio anterior, é que há textos (ou discursos) 
predominantemente figurativos ou preponderantemente abstratos.
Os textos figurativos geram um efeito de realidade, têm a função 
de representar o mundo, mimetizando-o a partir do que nele há de 
concreto. Já os textos temáticos têm por função explicar o mundo e suas 
relações, classificações, ordenações, e fazem isso porque trabalham a 
partir de conceitos.
14.2 Casos
Vejamos dois exemplos de textos figurativos. O primeiro é uma clássica 
fábula de La Fontaine. O segundo é um conto chinês do Soushenchi, 
datado do século IV. Acompanhe.
A raposa e as uvas
Uma raposa faminta entrou num terreno onde havia uma parreira, cheia de uvas 
maduras, cujos cachos se penduravam, muito alto, em cima de sua cabeça.
A raposa não podia resistir à tentação de chupar aquelas uvas mas, por mais que 
pulasse, não conseguia abocanhá-las.
Cansada de pular, olhou mais uma vez os apetitosos cachos e disse:
– Estão verdes…
É fácil desdenhar daquilo que não se alcança.
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O homem que vendia fantasmas
Quando Sung Tingpo, de Nanyang, era ainda rapaz, estava passeando certa noite 
quando se encontrou com um fantasma. Perguntou à aparição quem era e ela 
respondeu que era um fantasma. – ‘Quem é você?’ perguntou por sua vez o fantasma. 
Tingpo mentiu e respondeu – ‘Eu também sou um fantasma.’ O fantasma então quis 
saber para onde ele ia e Tingpo informou – ‘Estou a caminho para a cidade de Wanshih.’ 
– ‘Também vou para lá’, afirmou a aparição. Assim puseram-se a caminhar juntos. Após 
uma milha, se tanto, o fantasma disse que era estupidez estarem andando ambos 
quando um podia carregar o outro, por turnos. – ‘ótima ideia’, achou Tingpo. O fantasma 
pôs Tingpo às costas e depois de ter andado uma milha disse – ‘Você é pesado demais 
para um fantasma. Tem certeza de que é um fantasma mesmo? ’ Tingpo explicou que 
ainda era um fantasma novo e que, por conseguinte, ainda pesava um pouco. Tingpo, 
por sua vez, pôs-se a carregar o fantasma, mas esse era tão leve que tinha a impressão 
de não estar carregando nada. Assim foram caminhando, revezando-se, até que Tingpo 
perguntou ao companheiro qual era a coisa que metia mais medo aos fantasmas. – 
‘Os fantasmas têm um medo horrível da saliva humana’, afirmou o fantasma. Assim 
foram andando, andando até que chegaram a um rio. Tingpo deixou que o fantasma 
fosse adiante e observou que ele não fazia barulho algum ao nadar, mas quando ele 
entrou n’água, o fantasma ouviu o estalar na água e pediu-lhe uma explicação. Tingpo 
explicou novamente – ‘Não se surpreenda, pois ainda sou muito novo e não estou 
ainda acostumado a atravessar a correnteza.’ No momento em que se aproximavam da 
cidade, Tingpo começou a carregar o fantasma nas costas apertando-o fortemente. O 
fantasma pôs-se a gritar e a chorar lutando para apear-se, porém Tingpo o apertou com 
mais força ainda. Ao chegar às ruas da cidade, soltou-o e o fantasma se transformou 
num bode. Tingpo cuspiu no animal a fim de que não pudesse transformar-se outra vez, 
vendeu-o por mil e quinhentos dinheiros e foi para casa. Eis a razão do ditado de Shih 
Tsung: ‘Tingpo vendeu um fantasma por mil e quinhentos dinheiros’.
Perceba que, embora ambos contenham uma base moral que fica 
implícita na história (declarada, no caso de La Fontaine; subjacente 
no caso do conto chinês), os dois textos são construídos com termos 
concretos. O termo ‘fantasma’ utilizado no conto chinês pode nos pegar 
desprevenidos e, em um primeiro momento, ser julgado como abstrato. 
Mas como vimos há pouco, assim como ‘Deus’ ou ‘saci’, o fantasma é um 
ser efetivamente presente na esfera das histórias fantásticas. 
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É completamente diferente do texto a seguir, uma resposta do filósofo 
Emmanuel Kant à pergunta “O que é o esclarecimento?”.
A preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma tão grande parte dos homens, 
depois que a natureza de há muito os libertou de uma direção estranha (naturaliter 
maiorennes), continuem, no entanto de bom grado menores durante toda a vida. São 
também as causas que explicam por que é tão fácil que os outros se constituam em 
tutores deles. Étão cômodo ser menor. Se tenho um livro que faz as vezes de meu 
entendimento, um diretor espiritual que por mim tem consciência, um médico que 
por mim decide a respeito de minha dieta etc., então não preciso esforçar-me eu 
mesmo. Não tenho necessidade de pensar, quando posso simplesmente pagar; outros 
se encarregarão em meu lugar dos negócios desagradáveis. A imensa maioria da 
humanidade (inclusive todo o belo sexo) considera a passagem à maioridade difícil e 
além do mais perigosa, porque aqueles tutores de bom grado tomaram a seu cargo a 
supervisão dela. Depois de terem primeiramente embrutecido seu gado doméstico e 
preservado cuidadosamente essas tranquilas criaturas a fim de não ousarem dar um 
passo fora do carrinho para aprender a andar, no qual as encerraram, mostram-lhes, 
em seguida, o perigo que as ameaça se tentarem andar sozinhas. Ora, esse perigo na 
verdade não é tão grande, pois aprenderiam muito bem a andar finalmente, depois 
de algumas quedas. Basta um exemplo deste tipo para tornar tímido o indivíduo e 
atemorizá-lo em geral para não fazer outras tentativas no futuro.
É difícil, portanto, para um homem em particular desvencilhar-se da menoridade que 
para ele se tornou quase uma natureza. (KANT, 2012, p. 1)
Finalizamos esta unidade destacando a importância dos termos preguiça 
e covardia, por serem abstratos e fundamentais para argumentação, 
pois constituem a temática do texto, embora se perceba também o 
uso de termos concretos (homem, por exemplo), o que predomina na 
argumentação é uma temática, não uma figuratividade.
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Estudo complementar
Para ampliar as noções a respeito de abstrato e 
concreto, faça uma pesquisa online com os termos 
‘arte abstrata’ e ‘arte figurativa’ e confronte os 
resultados com o que estudamos nesta unidade. 
Sugestão: acesse a Enciclopédia de Artes Visuais 
clicando aqui.
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15 Texto argumentativo
Objetivo
Analisar casos de textos argumentativos.
Sempre se escreve com alguma intenção. Uma coisa é saber/entender 
daquilo sobre o que se escreve; outra é saber como fazer isso. 
Conforme a intenção, a estrutura do texto deve variar, desde o 
vocabulário, da organização dos parágrafos, até a complexidade de 
construção das frases, orações e períodos.
Diante disso, questionamos: qual a intenção do texto argumentativo? 
Convencer o leitor do ponto de vista em questão. Persuadi-lo. 
Fiorin e Savioli (2006) mostram que a origem do termo vem do latim 
argumentum, cujo sentido é “fazer brilhar”, “iluminar”. Pela origem 
desse termo, podemos dizer que argumento é tudo aquilo que faz 
brilhar, cintilar uma ideia. Desse modo, consideramos argumento todo 
procedimento linguístico que visa a persuadir, a fazer o receptor aceitar 
o que lhe foi comunicado, a levá-lo a acreditar no que foi dito e a fazer o 
que foi proposto.
E para isso, saiba que há alguns procedimentos a serem levados em conta. 
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15.1 Tipos de argumento
Argumento de autoridade
Comprovar os argumentos que você elabora é fundamental. Tal qual 
uma casa, a ideia que você defende deve estar amparada por uma 
estrutura bem feita. No caso de um texto, essa estrutura concerne à 
amostragem de argumentos de outros autores autorizados no assunto. 
O uso de citações, por um lado, cria a imagem de que o falante conhece 
bem o assunto que está discutindo, haja vista as leituras feitas sobre o 
eles pensaram de outros autores; e por outro lado, torna os autores 
citados fiadores da veracidade de determinado ponto de vista 
(FIORIN; SAVIOLI, 2006). 
Portanto, a recomendação é: cite. O seu texto ganha respaldo ao fazer 
referência a outros. Experimente: construa a introdução, problematize, 
e elabore parágrafos que estejam pautados por conectivos tais como 
“Conforme X, …”; “Já segundo Y, …”; “De um lado, W afirma que…”; 
“Por outro, Y pondera dizendo…”. Citar, em última análise, é reconhecer 
o trabalho de outro.
Argumento baseado no consenso
 Apesar de a comprovação ser um aspecto fundamental da boa 
argumentação, nem toda afirmação carece dela. Isso porque há certas 
proposições cujo caráter é evidente, sendo universalmente aceitas. 
Fiorin e Savioli (2006, p. 286) exemplificam: “A educação é a base 
do desenvolvimento”. Ora, todos concordamos que esta afirmação é 
verdadeira e que não é preciso citar alguém para comprová-la. Por isso, 
trata-se de algo consensual. 
Os mesmos autores, no entanto, chamam a atenção para que não se 
confunda consenso com lugar comum. Afirmar que “o brasileiro é 
preguiçoso”, “a AIDS é um castigo de Deus”, “só o amor constrói” será 
sempre discutível. 
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Argumentos baseados em provas concretas
A opinião que você emite expressa uma apreciação ou um julgamento, 
que indicam aprovação ou desaprovação. Para que o seu ponto de vista 
ganhe respaldo, ele precisa estar baseado em fatos.
Se afirmarmos que a polícia é corrupta, isso é apenas uma generalidade. 
Mas se essa afirmação estiver acompanhada do fato de que vários policiais 
do Distrito X foram surpreendidos facilitando o tráfico de drogas, por 
exemplo, no local Y, para os indivíduos W e Z, conforme notícia do 
jornal XX, a afirmação fica respaldada. 
Por outro viés, as afirmações que você realiza devem vir acompanhadas de 
uma justificativa amparada em fatos apontados por fontes seguras (livros 
de especialistas, jornais reconhecidos, sites de respaldo).
Argumentos baseados no raciocínio lógico
Você deve apontar causas e efeitos das afirmações que faz. Isso implica 
em coerência: para chegarmos a determinada conclusão, é preciso, antes, 
apresentarmos os dados, lê-los (interpretá-los), para que a conclusão seja, 
assim, uma consequência. 
Por isso, não tenha pressa! Da sua habilidade de escolher e apresentar os 
dados que deseja depende do arremate do seu pensamento e, portanto, 
do seu texto.
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Além de ser mais chique, do ponto de vista ideológico, o seminário é mais cômodo para 
ambos os lados: nem o professor prepara a aula, nem o aluno estuda, e ambos entram 
com sua cota de ‘participação crítica’. 
O mais grave é que onde esse processo se instalou não há como revertê-lo, pois as 
facilidades se transformam em direito adquirido. (...)
Já que o mundo passa por uma histeria de volta ao passado, ao menos em relação ao 
que parecia “futuro” nos anos 1960, talvez fizéssemos bem em rever grande parte das 
mudanças do ensino neste 30 anos.
Porque os resultados, mesmo nas boas escolas, não parecem encorajadores. A ideologia 
do ensino crítico está produzindo gerações de tontos. A lassidão, o vale-tudo, a falta de 
autoridade professoral desestimula a própria rebeldia do estudante. (FIORIN; SAVOLI, 
2006, p. 290)
Uma forma de apresentação lógica de argumentos seria esta:
•	 proposição: não deve conter nenhum argumento, trata-se apenas de 
uma afirmação;
•	 análise: defesa da proposição, esclarecendo-se o seu sentido ou 
ponto de vista adotado para evitar mal-entendidos;
•	 formulação de argumentos: fatos, exemplos, dados estatísticos, 
testemunhos etc.
•	 conclusão. 
Lembre-se de que na conclusão é interessante que você retome o que 
havia proposto na introdução. “Nada é pior para convencer do que um 
texto sem coerência lógica, que diz e desdiz-se, que apresenta afirmações 
que não se implicam umas às outras, que está eivado de contradições.” 
(FIORIN; SAVIOLI, 2006, p. 291).
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15.2 Aspectos para elaborar textos argumentativos
O texto que você escreve deve ter um só objeto, uma só matéria. Isso é 
importante para evitar que o texto se perca em si mesmo. Pergunte-se: 
como você faz para começar a escrever um texto? 
Se apenas tentamos escrever ao léu, sem uma ideia definida, corremos o 
risco de escrever para descobrir o que pensamos. Embora esse processo 
possa ser interessantee bastante revelador, pode também tornar o texto 
dispersivo. O que você precisa é estar no comando da situação.
Assim, para produzir um texto argumentativo, é importante, como 
primeiro passo, elaborar uma espécie de mapa da sua ideia, levantar os 
pontos atrelados, os autores e/ou depoimentos/dados que você pode 
utilizar para a fundamentação.
Você não deve perder de vista o objetivo central do seu texto. E não 
confunda unidade com repetição ou redundância. Embora o texto deva 
conter variedade, essa variedade deve estar formada da mesma matéria. 
Deve-se começar, continuar e acabar dentro do mesmo tema.
Outro aspecto importante é que não devemos fazer de conta que não 
existem pontos de vista divergentes dos nossos. Pelo contrário, devemos 
mencioná-los estrategicamente, usando-os a nosso favor. 
Por fim, deve-se utilizar a norma padrão, culta, da língua. O ideal é que 
você mantenha a impessoalidade. Deixe que seu texto seja questionado 
pelas ideias e não pelo modo como você as desenvolve. 
O texto a seguir é um exemplo de texto argumentativo, em que 
se questiona o documentário “Quebrando o tabu”, a respeito da 
descriminalização do uso da maconha no Brasil.
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FHC, o âncora do longa-metragem, viaja pelo mundo (leia-se Europa e Estados Unidos) 
para conversar com usuários, médicos e ex-presidentes a respeito de diferentes 
experiências na legislação de drogas. Ora o próprio FHC dá entrevistas enquanto 
sociólogo, ora aparece como entrevistador, coletando depoimentos.
De 2008 para cá o ex-presidente brasileiro vem pautando a questão e posicionando-se 
publicamente favorável à descriminalização da maconha e a políticas de redução de 
danos para usuários. Durante seus anos de presidência (1994-2001), no entanto, não só 
não tocou no tema como esteve alinhadíssimo com o modelo estadunidense de guerra 
às drogas, com forte repressão aos usuários e vendedores e crescente encarceramento. 
“Eu não sabia muita coisa”, se defende, “minha experiência pessoal sobre a questão de 
drogas é nula. Eu aprendi ao fazer o filme, não sabia. Quando eu era presidente, menos 
ainda. E também o Brasil vivia outro momento, não era um tema tão candente”.
Apesar de presidir a Comissão Global de Política Sobre Drogas, FHC afirma que se fosse 
presidente da República hoje não garante que descriminalizaria a maconha: “Não sei 
qual seria minha relação no congresso, não sei quais seriam os outros temas candentes, 
não posso afirmar nada”. 
Em “Quebrando o tabu”, não é só FHC que admite o fracasso da guerra às drogas: Bill 
Clinton, presidente dos Estados Unidos de 1993 a 2001, também assume o “erro” da 
política de drogas baseada na repressão. “Obviamente é mais fácil, uma pessoa que é 
ex-presidente se sente mais a vontade para falar sobre uma série de temas”, comentou 
Fernando Henrique. (MONCAU, 2011)
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Estudo complementar
Complemente a leitura do texto “Quebrando 
o tabu ou apenas deslocando-o de lugar?”, 
de Gabriela Moncau, disponível aqui. Focalize 
no modo de apresentação dos dados, que são 
paulatinamente questionados pela autora. Veja 
também que a discussão se mantém em torno 
do mesmo assunto, do início ao fim do texto, 
utilizando exemplos reais como comprovação da 
ideia. Note como cada ponto conduz à conclusão, 
que volta, indiretamente, a remeter ao título.
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16 Texto explicativo
Objetivo
Analisar casos de textos explicativos.
Após estudarmos as peculiaridades do texto argumentativo, vamos 
agora nos debruçar sobre o texto explicativo. Ele transmite dados 
hierarquizados, com a finalidade de fazer compreender fenômenos 
específicos. Vamos saber mais sobre o assunto?
16.1 Conceito
Talvez você não tenha se dado conta, mas é exatamente o que fizemos até 
aqui: cada unidade parte de uma proposição ampla (“Os diferentes tipos 
de texto?”, por exemplo) e a ela atrelamos dados secundários (narração, 
descrição, dissertação, exposição, informação e injunção), tentando 
esclarecê-los um a um.
Na unidade 8, estudamos o texto explicativo como exposição, que 
consiste em apresentar informações a respeito de um assunto, explicando, 
avaliando e analisando. Pode conter instruções, descrições, definições, 
enumerações, comparações e contrastes. Como exemplo, vimos naquela 
unidade o fragmento de uma exposição a respeito de como fazer uma 
Análise SWOT, tema recorrente para os estudos de Administração.
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Para fazer uma Análise SWOT, é necessário fazer previamente uma análise do mercado e 
da empresa. O termo SWOT é uma sigla oriunda do inglês, traduzindo: Forças (Strengths), 
Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats).
Esta análise divide-se em 4 quadrantes: Ameaças, oportunidades, pontos fracos 
(fraquezas) e pontos fortes (forças). As ameaças e as oportunidades estão ligadas ao 
mercado enquanto os pontos fracos e pontos fortes estão ligados à empresa. [...]
A análise SWOT é de extrema importância, pois temos de conhecer mais 
aprofundadamente os vários aspectos internos e externos da empresa para dar 
resposta a eventuais problemas detectados ou atacar os concorrentes nas fragilidades 
encontradas. Depois de analisados, todos esses fatores têm a sua análise concluída e 
depois é só tirar as suas conclusões. Não se esqueça que as ameaças dos outros podem 
ser oportunidades para si e as suas ameaças são oportunidades para os concorrentes. 
(Como fazer uma análise SWOT, 2012, p. 1)
Podemos perceber que tudo parte de uma afirmação categórica, “Para 
fazer uma Análise SWOT, é necessário fazer previamente uma análise 
do mercado e da empresa”. O que vem em seguida são desdobramentos 
dessa afirmação, buscando desenvolvê-la e justificá-la, incluindo um 
detalhamento sobre cada um dos pontos, discernindo o que se refere a 
quem. Ao final, reitera-se a importância do procedimento, desdobrando-
se a sua utilidade e benefícios.
Note que o texto explicativo, portanto, implica explanar em detalhe um 
assunto, teoria, coisa, situação ou acontecimento. Esse detalhamento, por 
sua vez, constitui-se pela explicitação do tempo, espaço, da importância 
ou das circunstâncias daquilo que está em questão. 
O objetivo do texto explicativo pode, assim, ser definido por verbos 
como informar, definir, aclarar, provar, recomendar. 
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16.2 Organização
Para que você alcance sucesso na montagem do texto explicativo, deve 
organizá-lo coerentemente. Nesse sentido, é imprescindível:
•	 escolher o tema: a escolha do tema estará pautada por uma 
demanda anterior (o professor solicitou a você o desenvolvimento 
de um seminário, por exemplo). Devemos ser simples, objetivos e 
breves; 
•	 definir o propósito: pensemos em áreas, digamos que você deseja 
explicar como se dá a aquisição de linguagem pela criança, ou 
como funciona a Análise SWOT, ou ainda como funciona o 
software Excel. Como você já tem o tema definido, exponha seus 
objetivos gerais e específicos. A formatação desses objetivos implica 
no uso de verbos no infinitivo, porque você ainda irá desenvolver a 
tarefa; 
•	 conhecer a recepção: qual o seu público? Ele conhece o assunto 
ou nunca ouviu falar dele? São seus colegas de classe? Trata-se de 
uma banca de análise formada por especialistas no assunto a quem 
você deve mostrar profundidade de conhecimento? Perceba que, 
conforme a recepção, o tom e a profundidade da sua explicação 
variam, cabendo a você definir se deve apenas limitar-se ao óbvio ou 
se deve, ao mesmo tempo, discutir o processo;
•	 pesquisar: a pesquisa é parte da elaboração de qualquer texto. 
Implica em estudo on-line (sites, tutoriais, por exemplo) e off-line 
(livros, mapas, documentos etc.). É importante que a pesquisa seja 
vasta e não se limite ao que você irá utilizar. Informações secundárias 
podem auxiliá-lo a esclarecer um ponto devista ou elaborar uma 
didática;
•	 selecionar: como a pesquisa é ampla e nela surgem dados de 
natureza diversa, você deve saber selecionar aquilo que interessa. 
Não perca o foco nem sobrecarregue determinado aspecto da sua 
explicação;
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•	 roteirizar: elabore um roteiro, qual o ponto de partida e de chegada; 
•	 fornecer suporte: ao final, você pode elencar outras referências sobre 
o tema, caso o público deseje aprofundar o assunto em outras fontes.
16.3 Tipologia
Quanto a sua natureza, o texto explicativo pode ser:
•	 explicativo-informativo: tem por função transmitir informação 
referente a dados concretos (relembre a definição de concreto que 
estudamos na unidade 14). Como exemplo, retome o texto do início 
desta unidade, “Como fazer uma Análise SWOT”;
Para fazer uma Análise SWOT, é necessário fazer previamente uma análise do mercado e 
da empresa. O termo SWOT é uma sigla oriunda do inglês, traduzindo: Forças (Strengths), 
Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats).
Esta análise divide-se em 4 quadrantes: Ameaças, oportunidades, pontos fracos 
(fraquezas) e pontos fortes (forças). As ameaças e as oportunidades estão ligadas ao 
mercado enquanto os pontos fracos e pontos fortes estão ligados à empresa. [...]
A análise SWOT é de extrema importância, pois temos de conhecer mais 
aprofundadamente os vários aspectos internos e externos da empresa para dar 
resposta a eventuais problemas detectados ou atacar os concorrentes nas fragilidades 
encontradas. Depois de analisados, todos esses fatores têm a sua análise concluída e 
depois é só tirar as suas conclusões. Não se esqueça que as ameaças dos outros podem 
ser oportunidades para si e as suas ameaças são oportunidades para os concorrentes. 
(Como fazer uma análise SWOT, 2012, p. 1)
Note como não há nenhum tipo de informação subjetiva ou análise 
baseada em julgamento de valor.
•	 explicativo-argumentativo: busca defender uma tese, a partir de 
dados e observações verificáveis. Acompanhe:
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Bullying é um termo da língua inglesa (bully = “valentão”) que se refere a todas as 
formas de atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e repetitivas, que ocorrem 
sem motivação evidente e são exercidas por um ou mais indivíduos, causando dor e 
angústia, com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa sem ter a possibilidade 
ou capacidade de se defender, sendo realizadas dentro de uma relação desigual de 
forças ou poder.
O bullying se divide em [...].
O bullying é um problema mundial [...]
No Brasil, uma pesquisa realizada em 2010 [...]
Os atos de bullying ferem princípios constitucionais – respeito à dignidade da pessoa 
humana – e ferem o Código Civil, que determina que todo ato ilícito que cause dano a 
outrem gera o dever de indenizar. O responsável pelo ato de bullying pode também ser 
enquadrado no Código de Defesa do Consumidor, tendo em vista que as escolas prestam 
serviço aos consumidores e são responsáveis por atos de bullying que ocorram dentro do 
estabelecimento de ensino/trabalho. (O que é bullying, 2012)
O parágrafo final (“Os atos de bullying...”), no caso do nosso exemplo, é 
decisivo para o texto explicativo-argumentativo, pois nele consta, além da 
explicação, a explicitação de argumentos que buscam o convencimento 
do leitor por motivos específicos (também, no caso, pela prática, ferir 
princípios constitucionais, entre outros aspectos).
16.4 Características linguísticas
Quanto à formatação da linguagem do texto explicativo, devemos 
observar:
•	 uso dos verbos no presente do indicativo. Trata-se de explanar sobre 
fatos cuja veracidade independe do tempo em que são enunciados 
(“Bullying é...”);
•	 impessoalidade (ou seja, não flexionar os verbos na primeira pessoa 
do discurso);
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•	 vocabulário técnico específico. Utilizamos as nomenclaturas cabíveis, 
que condensam as afirmações e garantem a progressão do texto;
•	 não utilizar adjetivos nem emitir julgamentos de valor.
Em suma, o segredo do texto explicativo está na armação lógica, baseada 
em pesquisa ampla, seleção astuta do material e linguagem objetiva.
Tarefa dissertativa
Caro estudante, convidamos você a acessar o 
Ambiente Virtual de Aprendizagem e realizar a 
tarefa dissertativa.
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17 Texto dissertativo
Objetivo
Analisar casos de textos dissertativos.
Na unidade 8, também fizemos uma rápida abordagem do conceito de 
texto dissertativo: trata-se do tipo de texto que analisa, interpreta, explica 
e avalia os dados da realidade (FIORIN; SAVIOLI, 2006). 
Aproveitando também o que estudamos na unidade 14, esse tipo de texto 
analisa e interpreta dados da realidade por meio de conceitos abstratos. 
Você se lembra a que isso se refere? 
Na dissertação, referimo-nos ao mundo por meio de conceitos amplos, 
de modelos genéricos, muitas vezes desvinculados de tempo e espaço 
específicos. Nesse sentido, os discursos dissertativos mais comuns são os 
discursos da ciência e da filosofia, cujas referências ao mundo concreto se 
dão para ilustrar leis e teorias genéricas.
Vejamos como isso funciona na prática.
17.1 Caso
Acompanhe o texto a seguir, uma típica dissertação produzida para o 
vestibular.
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Livros desprezados
Grave problema presente no Brasil é o baixo nível cultural da população devido à falta 
de leitura de boa qualidade. Segundo o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de 
Alunos), que verifica a capacidade de leitura do jovem, dentre os 32 países envolvidos 
na pesquisa de 2001, o nosso ficou com a última colocação.
Um dos fatores que provocam a falta de domínio da leitura na avaliação brasileira é a 
escassez de livrarias: apenas uma para cada 84,4 mil habitantes. Porém, essa não é a 
única razão: o brasileiro prefere ler futilidades que pouco ou nada acrescentam ao seu 
intelecto a se dedicar aos grandes nomes da literatura.
Os políticos tentam suavizar a situação do semianalfabetismo gerada pela falta de 
leitura com o discurso de que é perfeitamente normal que algumas pessoas alcancem o 
final do ensino médio sem saber expressar suas ideias por meio da escrita. Obviamente, 
é ‘perfeitamente normal’, visto que o sistema de repetência foi indevidamente abolido 
nas escolas públicas.
É imprescindível que a leitura no Brasil seja estimulada desde a infância e que o sistema 
de ensino sofra uma revisão. Nossa nação não pode aspirar ao desenvolvimento tendo 
tão deficiente capital humano.
Desconsidere o tema, poderia ser qualquer outro. Você pôde perceber, 
no entanto, que o texto contém: a) explanação de ideias; b) interpretação 
dos dados da realidade por conceitos abstratos, genéricos. Seu defeito, 
entretanto, reside no uso de lugares comuns: “o brasileiro prefere”, “os 
políticos tentam”.
A rigor, o texto dissertativo-objetivo deve debater sem solicitar ao leitor 
que partilhe da ideia. Deve apenas discutir, de modo neutro. Quando 
essa solicitação de mudança de comportamento existe, adentramos 
a área do texto dissertativo-expositivo (em que se expressa o que se 
pensa, como no exemplo anterior) ou dissertativo-argumentativo 
(que prova, via terceiros, o que se está a afirmar). Há, ainda, o tipo 
dissertativo-subjetivo, que é quando, além da inteligência, se solicitam 
os sentimentos do leitor (complacência, raiva etc.). 
www.esab.edu.br 94
No entanto, como já vimos em momentos anteriores, não há texto puro. 
As modalidades se misturam, porque o que interessa é a comunicação. 
Mas conforme a solicitação quando da produção de texto (em um 
concurso vestibular, por exemplo), a não observância de critérios pode 
levar a uma desvalorização do seu texto. 
17.2 Estrutura da dissertação
A estrutura clássica do texto dissertativo é simples e você certamente 
conhece. Vejamos.
IntroduçãoDeve ser breve. Serve para anunciar ao leitor o tema a ser discutido no 
texto. Pode ser uma afirmação genérica que será desdobrada no texto, 
como se pode partir de uma citação: “’Precisamos ser persistentes.’ Essas 
foram as palavras…”. Tudo depende da sua ideia e habilidade em armar a 
argumentação para o efeito que deseja alcançar. Visualize a introdução do 
texto citado anteriormente: 
Grave problema presente no Brasil é o baixo nível cultural da população devido à falta 
de leitura de boa qualidade. Segundo o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de 
Alunos), que verifica a capacidade de leitura do jovem, dentre os 32 países envolvidos 
na pesquisa de 2001, o nosso ficou com a última colocação.
Desenvolvimento
É o que sustenta o texto. Como o nome explicita, trata-se de desenvolver 
a ideia proposta na introdução. Você deve explicar, ponderar, criticar, 
fundamentar – conforme a proposta. São os argumentos em si que 
poderão ser desdobrados em um ou mais parágrafos. Normalmente, é 
necessário mais de um parágrafo para elaborar um bom desenvolvimento. 
Para fins esquemáticos, vamos adotar esta “fórmula”:
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A = I + F
em que: 
•	 A = argumento
•	 I = ideia
•	 F = fundamentação.
Portanto, um argumento é uma ideia fundamentada. Para visualizar, 
retorne ao dois parágrafos centrais do texto citado anteriormente, “Livros 
desprezados”.
Um dos fatores que provocam a falta de domínio da leitura na avaliação brasileira é a 
escassez de livrarias: apenas uma para cada 84,4 mil habitantes. Porém, essa não é a 
única razão: o brasileiro prefere ler futilidades que pouco ou nada acrescentam ao seu 
intelecto a se dedicar aos grandes nomes da literatura.
Os políticos tentam suavizar a situação do semianalfabetismo gerada pela falta de 
leitura com o discurso de que é perfeitamente normal que algumas pessoas alcancem o 
final do ensino médio sem saber expressar suas ideias por meio da escrita. Obviamente, 
é ‘perfeitamente normal’, visto que o sistema de repetência foi indevidamente abolido 
nas escolas públicas.
Conclusão
É a finalização. Agora não é mais o momento para ideias novas ou 
exemplos. Arremate o que você armou no desenvolvimento; dê a sua 
cartada. Você pode realizar uma síntese do que expôs, como também 
pode propor uma solução para o problema, caso caiba. Evite – isso é 
importante – o recurso fácil de começar com “Para concluir…”. Retome 
a conclusão do texto que vimos antes:
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É imprescindível que a leitura no Brasil seja estimulada desde a infância e que o sistema 
de ensino sofra uma revisão. Nossa nação não pode aspirar ao desenvolvimento tendo 
tão deficiente capital humano.
Quando lhe for solicitada esta modalidade de texto, mantenha esta 
estrutura clássica: introdução, desenvolvimento e conclusão. Não se trata 
de um texto para inovações!
Estudo complementar
Clique aqui e realize as atividades relacionadas à 
produção de texto dissertativo. 
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18 Texto dissertativo-argumentativo
Objetivo
Analisar casos de textos dissertativos-argumentativos.
Vimos na unidade anterior que o texto dissertativo contém:
a. explanação de ideias;
b. interpretação dos dados da realidade por conceitos abstratos e 
genéricos.
No entanto, quando essas ideias representam um ponto de vista 
particular a respeito de um tema, passível de ser provado, o texto é 
opinativo e, portanto, argumentativo. Caberá ao redator, nesse caso, 
organizar as ideias secundárias de tal modo que validem a ideia central.
Atente para estes aspectos: se o texto for apenas expositivo, na introdução 
será feita a apresentação do assunto em linhas gerais. Na sequência, 
o desenvolvimento dará conta das ideias secundárias, bem como das 
subdivisões do assunto e suas minúcias. Por fim, a conclusão fechará 
a apresentação, mostrando que foram pontuados todos os aspectos 
lançados. Mas se o texto for argumentativo, a introdução, além de 
apresentar o tema, mostrará também o ponto de vista pelo qual 
este será discutido. O desenvolvimento, por sua vez, organizará os 
argumentos. A conclusão, por fim, retomará a introdução e comprovará 
a afirmação antes feita, a partir dos argumentos que você construiu no 
desenvolvimento.
Em outras palavras, o texto dissertativo-argumentativo apresenta, já 
na introdução, uma tese, que você terá de defender. Tese, para que 
você saiba, é uma proposição (no caso, é a afirmação que você fez 
mais o ponto de vista). Para que essa tese seja sólida, os parágrafos de 
www.esab.edu.br 98
desenvolvimento deverão argumentá-la. Trata-se, como você pôde notar, 
de um texto que busca a persuasão do leitor.
Saiba mais
Sugerimos que você assista ao programa Plantão 
ENEM, produzido pela TV Minas, disponível 
clicando aqui. O vídeo tematiza especificamente o 
texto dissertativo-argumentativo.
18.1 Caso
O texto a seguir nos auxiliará a perceber as peculiaridades dessa tipologia.
Como dirimir o trabalho infanto-juvenil no Brasil
O Brasil encontra-se no século XXI, com mais da metade da população localizada 
abaixo da linha de pobreza. Em consequência a tal fato, crianças e adolescentes entram 
prematuramente no mercado de trabalho para complementarem a renda familiar.
A constituição brasileira determina claramente que é inconstitucional o trabalho infantil 
de menores de 16 anos de idade. Mas não serão somente palavras que irão salvar as 
crianças de levarem uma vida severa no labor das casas de farinha, nas lavouras, no 
corte de cana. Muitas são expostas ao manejo de ferramentas cortantes e a longas 
jornadas de trabalho que as tiram toda a força, deixando-as sem tempo para estudar.
A inserção prematura de crianças e adolescentes no mercado de trabalho violenta suas 
possibilidades de desenvolvimento. Uma vez que seja esse desenvolvimento impróprio, 
isso lhes prejudicará a saúde e a formação física e mental. É importante assegurar aos 
menores o direito à liberdade e o respeito aos seus direitos.
Assim, o trabalho infanto-juvenil deve ser combatido, pois com o tempo, haverá um 
imenso contingente de adultos sem uma formação profissional qualificada. E isso 
acarretará um montante de trabalhadores desempregados futuramente. É preciso 
prevenir esse problema com a criação de programas que combatam mais severamente 
esse mal que assola nossos jovens e crianças.
Fonte: Silva (2010).
www.esab.edu.br 99
Vamos analisar o texto. Qual a ideia principal? 
O texto trata do trabalho infantil. A ideia principal versa que, mesmo 
no século XXI, mais da metade da população brasileira está abaixo da 
linha da pobreza e que isso obriga crianças e adolescentes a adentrarem o 
mercado de trabalho como forma de complementação da renda familiar.
Feita essa afirmação, é necessário comprová-la. No início do 
desenvolvimento, portanto, parte-se do princípio que a Constituição 
veta o trabalho para menores de 16 anos. Mas também se estabelece um 
porém: não basta a lei, é preciso ação.
O próximo parágrafo ainda mostra que o trabalho na infância prejudica 
o desenvolvimento físico e mental, e que é preciso preservar a liberdade e 
a manutenção de seus direitos. 
Por fim, apresenta-se como solução para dirimir o trabalho infantil a 
criação de programas sociais que ajam mais pontualmente sobre este mal.
É um texto de afirmações genéricas. Nada há de muito específico, porém 
a sua estrutura está moldada pelo viés dissertativo argumentativo.
Portanto, ao ser solicitada a produção de um texto dissertativo-
argumentativo, lembre que a estrutura é a mesma da dissertação, com a 
diferença de que, nessa modalidade, você deve apresentar uma tese. Em 
seguida, o seu ponto de vista e comprovação, para assim mostrar que a 
tese funciona.
18.2 Revisando: argumentação
Fiorin e Savioli (2006, p. 294-295) discutem a armação de argumentos 
a partir do exemplo deum dos sermões do Pe. Antônio Vieira. Leia este 
fragmento, utilizado pelos autores, e veja como ele é sugestivo (veja, 
inclusive, como ele retoma pontos que estudamos na unidade 16):
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Sermão da Sexagésima
O sermão há de ser duma só cor, há de ter um só objeto, um só assunto, uma só matéria. 
Há de tomar o pregador uma só matéria, há de defini-la, para que se conheça, há de 
dividi-la, para que se distinga, há de prová-la com a Escritura, há de declará-la com 
a razão, há de confirmá-la com o exemplo, há de amplificá-la com as causas, com os 
efeitos, com as circunstâncias, com as conveniências que se hão de seguir, com os 
inconvenientes que se devem evitar, há de responder às dúvidas, há de satisfazer às 
dificuldades, há de impugnar e refutar com toda a força da eloquência os argumentos 
contrários, e depois disto há de colher, há de apertar, há de concluir, há de persuadir, há 
de acabar. Isto é sermão, isto é pregar, e o que não é isto, é falar de mais alto. Não nego 
nem quero dizer que o sermão não haja de ter variedade de discursos, mas esses hão de 
nascer todos da mesma matéria, e continuar e acabar nela.
Vamos lá. Deixemos de lado o teor religioso do texto. Atente para os 
aspectos que se referem à construção da argumentação e perceba que: 
•	 para um ponto de vista ser bem armado, ele não deve se perder em 
possibilidades. Mantenha o foco em uma única linha de raciocínio;
•	 para ganhar respaldo, prove a sua afirmação com outros autores que 
pensaram a respeito do assunto e com dados respaldados (pesquisas 
de instituições de confiança, por exemplo);
•	 na sequência, analise esses dados logicamente. Mostre quais são as 
suas causas, relações e consequências; 
•	 só a partir dos dados é que armamos a conclusão. Se você concluir 
sem estar amparado em dados, não é conclusão. É uma nova tese 
que, por sua vez, demandará nova comprovação;
•	 e como já vimos na unidade 15, não tenha receio de mostrar pontos 
de vista contrários ao seu. Utilize-os a seu favor, como contraponto.
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Atividade
Chegou a hora de você testar seus conhecimentos 
em relação às unidade 10 a 18. Para isso, dirija-se 
ao Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e 
responda às questões. Além de revisar o conteúdo, 
você estará se preparando para a prova. Bom 
trabalho!
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Resumo
Este bloco de seis unidades detalhou alguns tipos de texto que 
vislumbramos brevemente no anterior. Vimos aqui que a narrativa é o 
tipo de texto em que se conta uma história, com personagens e cenários, 
e cuja particularidade é a temporalidade: antes, durante, depois. Na 
continuação, desvencilhamos os textos temáticos dos textos figurativos, 
atribuindo a estes relações concretas de sentido e, àqueles, relações 
abstratas. Por conseguinte, exploramos o conceito de texto argumentativo 
como aquele em que se deseja convencer o receptor de um determinado 
ponto de vista. Já o texto explicativo procura apresentar dados 
hierarquizados, a fim de tornar compreensível um fenômeno específico. 
Por fim, exploramos o conceito de texto dissertativo como aquele em que 
se explanam ideias a partir de uma abordagem essencialmente abstrata, 
porém de forma neutra, o que não acontece no texto dissertativo-
argumentativo, em que se mostra a ideia central de um ponto de vista 
que se quer convencer o interlocutor a respeito da abordagem.
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19 Como definir um título
Objetivo
Definir estratégias para aperfeiçoar a elaboração de títulos que 
encaminham adequadamente a leitura do texto produzido.
Até agora, vimos uma série de especificidades a respeito da produção de 
textos conforme a sua natureza (texto narrativo, texto descritivo, texto 
dissertativo, texto explicativo etc.). Assim, aprendemos que cada uma 
dessas tipologias textuais implica em procedimentos que singularizam a 
sua confecção, a fim de conduzir a leitura e alcançar o efeito desejado no 
receptor ou leitor.
Pensando dessa forma, podemos perguntar: por onde começa a leitura? 
Você tem uma resposta?
19.1 Por onde começa a leitura?
Para ler um texto, seja qual for a área do conhecimento em que ele 
esteja inserido, é preciso ter um repertório de referências que permita 
interpretar as informações apresentadas no texto. No processo de 
interpretação, no entanto, não é apenas o leitor que aciona o seu 
conhecimento. Quando o produtor do texto é astuto, ele consegue 
conduzir o leitor para um determinado ponto de vista ou conclusão, e 
o início desse processo está na redação do título, seja em uma notícia de 
jornal, em uma reportagem, em um artigo científico, uma dissertação ou 
um livro.
O título é um portal de entrada para a leitura, e conforme ele for 
redigido, a perspectiva do texto também muda. Em se tratando do 
primeiro dado de leitura, é pelo título que você terá a oportunidade de 
fisgar o leitor e fazer com que ele leia o seu texto, quem sabe, até o final. 
Assim, vejamos alguns aspectos da construção de um título.
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19.2 Escrevendo on-line
Apenas para você saber a diferença, quando escrevemos para a internet 
(em um blog, por exemplo), podemos nos comunicar mais naturalmente, 
sem muita formalidade. E como a internet é um território vasto, a 
demanda por “fisgar o leitor” é muito maior. 
Assim, um título deve ser redigido com verbos que sugiram ações e 
indiquem imagens impactantes (por exemplo, “12 passos para você 
conquistar o seu amor” – é apelativo e constitui uma promessa que 
deverá ser cumprida. Se você não souber como fazer isso, não prometa).
No texto on-line, você também deve usar da pontuação a seu favor, 
considerando o aspecto gráfico do título. Seja ousado: “Eu. Você. E uma 
pizza”. Saiba que, nesse tipo de texto, mais informal, pode-se abusar do 
“você”, que abre um canal direto com o leitor. 
O título também pode lançar um desafio, o que chama bastante a 
atenção: “Desista! Ler este livro é impossível”. E, por fim, elabore títulos 
que saiam do senso comum, do óbvio. 
19.3 Escrevendo no ambiente acadêmico
Um defeito recorrente de quem escreve sem elaborar uma estratégia é 
redigir títulos muito amplos ou genéricos. Esses títulos, normalmente, 
beiram algo como “A educação”, “Os jovens de hoje”, “A pedagogia”, “A 
administração de empresas”, “Os sistemas de informação” etc.
O defeito desses títulos, pontualmente falando, está no fato de que eles 
prometem falar tudo a respeito do assunto, e é bem pouco provável que 
isso aconteça! É muito raro que alguém, hoje em dia, consiga produzir 
um estudo relevante intitulado “A fotografia”, “A matemática” etc., a não 
ser que se trate de algo absolutamente inédito – o que é bem difícil!
www.esab.edu.br 105
Assim, uma boa dica para facilitar o seu trabalho, sem cair na armadilha 
do “falar tudo”, é pensar o tema paralelamente a outro, a partir de uma 
combinação do tipo “A e B”. Como funciona? Vejamos.
Em vez de propor um título como “A educação”, proponha “A 
educação e o computador”. Pensando assim você já tem um campo 
de ação delimitado. Não se trata de toda a educação, mas da educação 
relacionada ao uso do computador. Outro exemplo: “A administração e 
os novos sistemas de informação”, “A pedagogia e as gerações X, Y, Z” – 
todos eles, como você vê, delimitam o campo específico de discussão.
Pense que é necessário contextualizar, que é preciso “gerar atrito”, e que 
para isso ocorrer são sempre necessários dois corpos, dois termos, duas 
ideias. Em vez de, por exemplo, escrever sobre “A cultura digital”, escreva 
sobre “Cultura digital e educação” (já é muita coisa, não?).
Agora, dando um passo a mais no processo, acrescente, se possível, 
um subtítulo ao seu trabalho: “Cultura digital e educação: o notebook 
substituindo o caderno na sala de aula” ou “Cultura digital e educação: 
como aproveitar melhor a tecnologia nasala de aula”, e assim por 
diante. Usando dessa técnica, você fará associações de ideias mais 
consistentes, produzirá interpretações e construirá significados a partir de 
combinações. 
Por último, imagine que você está produzindo uma resenha ou artigo 
para uma das disciplinas do curso que você está realizando. O artigo 
trata sobre a recreação na escola e a base teórica são os estudos de 
Lev Vygotsky. Seu título pode ser “Recreação na escola: a prática de 
brincadeiras e jogos no ensino fundamental sob a ótica de Vygotsky”.
•	 Qual o ponto geral do texto? Recreação na escola.
•	 Qual o objeto? A prática de brincadeiras e jogos no Ensino 
Fundamental.
•	 Qual a abordagem teórica? Os estudos desenvolvidos por Vygotsky.
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É isso! Pratique a escrita tendo em mente títulos que parte de 
combinações do tipo “A e B” ou “A em B” e comprove como você 
produzirá com maior facilidade.
Fórum
Dirija-se ao Ambiente Virtual de Aprendizagem 
(AVA) e participe do nosso fórum. Essa atividade 
permite a interação entre você, seu tutor e colegas 
de curso, contribuindo significativamente para a 
construção do seu conhecimento.
www.esab.edu.br 107
20 Redação institucional/comercial
Objetivo
Apresentar os cuidados essenciais que envolvem a redação de textos 
institucionais.
Ao final da primeira unidade, afirmamos que sempre haverá lugar no 
mercado para quem sabe ouvir e defender bem um argumento, você 
lembra? Pois então, para alcançar e manter um posto de trabalho, 
certamente você precisará se manifestar, defender posições e escrever. 
Vimos também que, conforme o local em que nos encontramos, 
conforme o grupo social em que nos inserimos ou conforme a ocasião, é 
preciso saber modular a linguagem de acordo com a necessidade. Nesse 
sentido, o ambiente institucional é um desses lugares que exigem certa 
formalidade e muita clareza e objetividade. 
Para comentar a especificidade dessa linguagem, portanto, partiremos 
essencialmente dos pressupostos de Luizari (2010). A autora destaca 
que, no mundo corporativo, a produção escrita desempenha uma função 
básica: obter a resposta certa. Essa relação entre produtor e receptor (ou 
destinatário) tem, por sua vez, um objetivo bem delineado, que não passa 
pelo viés de produção de conhecimento. Trata-se de fazer negócios. E 
para que os negócios tenham sucesso o processo comunicativo se dá por 
alguns passos essenciais. Vejamos.
20.1 Objetivo
Como vimos, de modo amplo, em unidades anteriores, ser conciso e 
utilizar linguagem simples (não coloquial) é uma virtude. O sucesso 
da comunicação corporativa passa por desenvolver a mensagem com 
definição, sem desvios (ou digressões) e exageros. 
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20.2 Vocabulário
É importante saber usar as palavras certas para desenvolver uma boa 
argumentação, sem repetição de ideias e termos.
20.3 Gramática
Deve-se usar a norma culta da língua e evitar as gírias e estrangeirismos, 
pleonasmos e expressões antiquadas. Deve-se tomar cuidado com a 
ambiguidade que pode surgir em alguns momentos. Lembre-se de que, 
muitas vezes, estamos dizendo muito mais do que imaginamos. Tente se 
colocar no lugar do outro.
20.4 Canal
O que você está escrevendo é uma carta, um e-mail, uma circular, um 
memorando? Atente para isso, pois há diferenças. Uma coisa é escrever 
para alguém específico. Quando escrevemos para um grupo, o cuidado 
deve ser redobrado. Perceba, no entanto, que esses cuidados não 
invalidam a sua criatividade. Seja espontâneo, mas com cautela. 
20.5 Paragrafação
Um dos aspectos que também devem ser observados é a paragrafação 
(estudaremos esse tema, detalhadamente, na unidade 22). Luizari (2010) 
destaca que os parágrafos garantem coesão sequencial. É necessário que 
o texto seja contínuo e lógico, e isso implica em ser coerente. Nesse 
quesito, a paragrafação desempenha um papel fundamental, já que por 
meio dela organizamos o nosso pensamento em blocos de sentido. 
Luizari (2010) salienta que não há um “parágrafo-padrão”, mas sim 
relações lógicas que realizam a interligação. Não se trata, portanto, de 
extensão, mas de pensar bem, separar ideias e parágrafos conforme os 
tópicos em questão. Na dúvida, utilize a forma clássica:
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•	 tópico frasal: é a frase principal, que resume o pensamento 
desenvolvido no parágrafo;
•	 desenvolvimento: é o momento em que você esclarece a afirmação 
contida na introdução;
•	 conclusão: retome a ideia central e conclua o seu pensamento. 
Observe o exemplo a seguir:
Modelo de carta institucional
São Paulo, ___ de ___ de 2012.
À
Coordenação do Curso de Especialização Administração em Empresas
Assunto: Carta de Compromisso Institucional
Venho cordialmente apresentar-lhe o (a) profissional 
______________________, RG. nº____________, integrante da equipe 
de gestão desta instituição, com o objetivo de reforçar a indicação às exigências do 
processo de seleção para o Curso de Especialização em Administração de Empresas.
O referido colaborador desempenha atividades relacionadas com o desenvolvimento de 
ações voltadas para a área de gestão com ênfase em empreendimentos imobiliários.
Ciente de seu perfil profissional, apoiamos a recomendação de sua integração ao 
referido Curso de Especialização e comprometemo-nos, como equipe de trabalho, a 
colaborar com diárias, passagens e liberação para a realização do referido Curso em 
Fortaleza, como também realização de atividades não presenciais que serão exigidas 
no decorrer do processo, certos de que a temática abordada pelo curso será relevante 
também para as atividades desta instituição.
Colocamo-nos à disposição para futuros esclarecimentos, declarando que as 
informações aqui apresentadas são verdadeiras e aptas à comprovação, se necessário. 
Atenciosamente,
(Assinatura do responsável)
www.esab.edu.br 110
Perceba como cada parágrafo está elaborado conforme a estrutura tópico 
frasal – desenvolvimento – conclusão. Utilizando essa metodologia, 
você certamente deixará o seu texto coeso e bem redigido. Perceba ainda 
que o vocabulário, apesar de polido, não apresenta nenhum termo de 
difícil compreensão. Trata-se de comunicar e ser claro e objetivo nessa 
tarefa. 
Vejamos agora alguns tipos de redação institucional.
20.6 Tipos
Entre os tipos de correspondências mais frequentes na redação 
institucional, atente para as seguintes:
•	 circular: tem por objetivo informar a respeito de um assunto 
de interesse geral, que pode ser de caráter interno da empresa 
(funcionários) ou externo (clientes). A confecção do texto é leve e 
sua finalidade, como vimos, é imediata. Luizari (2010) destaca que, 
no caso de uma circular externa, o texto deve ser redigido para que 
o receptor tenha a impressão de que a mensagem é diretamente para 
ele; 
•	 memorando: trata-se de um comunicado interno (CI). Devem 
constar: de/para, assunto, data, mensagem, fechamento, assinatura. 
A linguagem empregada pode ser informal, pois o assunto em 
questão é de rotina da empresa;
•	 ordem de serviço: como o próprio nome explicita, trata-se de uma 
comunicação que determina a execução de uma (ou várias) tarefa(s). 
Usa-se linguagem direta e clara.
Saiba mais
Para complementar o que você estudou nesta 
unidade, sugerimos que você clique aqui e leia as 
dicas relacionadas à redação empresarial.
www.esab.edu.br 111
21 O curriculum vitae
Objetivo
Fornecer dicas para a elaboração de um bom currículo pessoal.
O currículo é um documento muito utilizado no ambiente das 
organizações. Mas você sabe o que exatamente este termo – curriculum 
vitae – significa? E, mais que isso, sabe como elaborá-lo?
O termo advém de uma expressão latina, cujo significado é “curso de 
vida”. Nesse sentido, trata-se de um documento que detalha informações 
relacionadas às atividades escolarese profissionais, essencialmente, 
desenvolvidas por uma pessoa ao longo de sua trajetória. 
Mesmo quando lemos um livro, nossa leitura já se pauta pelo currículo 
do autor, que normalmente figura na quarta capa ou orelha. A partir 
dessas informações, sabemos se estamos diante de um novato ou de 
alguém muito experiente, e nosso olhar já é influenciado por isso 
(MEDEIROS, 2008, p. 53). 
O currículo (utilizaremos essa grafia daqui em diante) constitui o 
principal documento quando almejamos um emprego ou quando nos 
matriculamos em processos seletivos. Dada essa importância, precisamos 
ter uma série de cuidados ao elaborá-lo. Desde já, tenha em vista que a 
finalidade do currículo pode variar. Por isso, é interessante construir um 
documento que reúna todas as informações que você deseja, e, conforme 
a ocasião, editá-lo para dar foco àquilo que você deseja.
www.esab.edu.br 112
21.1 O que não pode faltar
Dados pessoais: figuram na página principal ou primeira página. Deve 
constar: nome completo (com destaque), endereço completo, telefone, 
e-mail, nacionalidade, idade e estado civil. Caso você inclua um telefone 
para recados, indique qual a pessoa responsável para recebê-los. 
Objetivo: escreva uma frase que ilustre as atividades que você deseja 
desenvolver na empresa, ou a que cargo está se candidatando. Por 
exemplo: Atuar na área de editoração. (Observe que o verbo deve 
aparecer no infinitivo.)
Formação acadêmica: aqui você deve descrever sua trajetória de estudos. 
Privilegie o seu último grau de instrução (ensino superior, caso você já 
tenha concluído ou esteja em curso), os cursos de formação profissional 
e ensino médio. Coloque o nome do curso e da instituição, ano de 
início e conclusão, se está cursando ou se está incompleto, caso tenha 
parado. Não precisa constar o ensino fundamental. Lembre-se: ordem 
cronológica inversa, ou seja, do mais atual ao mais antigo.
Experiência profissional: descreva as atividades que você já desenvolveu. 
Caso possuir experiência, mencione até os três últimos locais em que 
trabalhou, quais as funções e os cargos ocupados, além do período em 
que desempenhou tais atividades. Igual ao item anterior, comece pela 
experiência mais recente. Mantenha a objetividade.
Cursos complementares: caso tenha realizado curso(s) 
complementar(es), indique o nome do curso, a data e a instituição 
onde foi realizado. Não exagere; privilegie aqueles que interessam para a 
função a que está se candidatando. 
Idiomas: caso conheça algum idioma estrangeiro, indique o seu grau 
de domínio (leitura, conversação e escrita). Se você desconhece outro 
idioma, não coloque esse item no currículo.
www.esab.edu.br 113
Informática: relacione todos os aplicativos e softwares que você domina. 
Exemplo: domínio dos sistemas Windows, Mac, Linux, e dos programas 
e aplicativos Microsoft Office, Plataforma Moodle, entre outros.
21.2 Recomendações
O fator preponderante ao elaborar o currículo é que os dados 
nele expressos devem ser objetivos, ou seja, sem comentários ou 
demonstrações intelectuais, julgamentos de valor e assim por diante. Não 
se trata de um espaço para dissertar. É simples amostragem de dados. O 
modo como você dispõe os dados já fornece informações a seu respeito: 
quem realiza o processo seletivo verá se você é organizado e detalhista ou 
displicente e desajeitado. 
Um primeiro passo é organizar o currículo cronologicamente, do mais 
para o menos atual, mas com uma certa hierarquia. Separe, por exemplo, 
a sua formação principal dos cursos complementares. O que vem 
primeiro, sem dúvida, é a sua formação.
Assim, tudo deve ser conciso. Além da formação superior (doutorado, 
mestrado, graduação, caso você possua), mencione a formação escolar 
média (geralmente, apenas a sua formação superior já é suficiente). Além 
dos cursos complementares, anote possíveis prêmios que você tenha 
recebido. Na sequência, anote os eventos a que você esteve presente e que 
dispõem de comprovação documentada (um certificado, por exemplo).
Aqui, já é necessário que você atente para não abreviar o nome das 
instituições. Escreva por extenso e, caso queira, coloque a sigla entre 
parênteses, no final.
Além disso, seja cuidadoso na formatação do documento: margens, 
espacejamento duplo para uma fácil leitura, tratamento padronizado para 
título e subtítulos e norma culta da língua. Um ponto essencial dessa 
parte do processo é a utilização de um tipo de letra (fonte) comum. Nada 
de formas muito modernas… use fonte Arial ou Times New Roman. O 
documento deve chamar a atenção pelos dados, e não pela forma. 
www.esab.edu.br 114
Em um patamar mais avançado, apresentar o currículo em outros 
idiomas (inglês, espanhol) é interessante, mas somente em casos especiais, 
conforme a exigência.
Pode anteceder aos dados uma carta de apresentação, em que você 
explicita qual o seu objetivo, suas competências e habilidades, incluindo 
também o motivo do envio do currículo. 
Dica
Você sabia que o governo brasileiro desenvolveu 
um banco de dados denominado Plataforma 
Lattes, que se tornou um padrão nacional no 
registro da vida pregressa e atual dos estudantes 
e pesquisadores do país, e é hoje adotado pela 
maioria das instituições de fomento, universidades 
e institutos de pesquisa do país? Por sua riqueza 
de informações e sua crescente confiabilidade e 
abrangência, se tornou elemento indispensável 
e compulsório à análise de mérito e competência 
dos pleitos de financiamentos na área de ciência e 
tecnologia. Confira clicando aqui.
Outro ponto muito importante: não invente para impressionar. Seja 
honesto. É mais interessante a sua disponibilidade em aprender do que 
a arrogância vazia. Muitas vezes, pode ser solicitada a comprovação das 
informações e, caso alguma delas não possa ser atestada, você acaba se 
colocando em uma situação desagradável, perdendo crédito.
21.3 Revisando, reforçando e mais alguns detalhes
•	 Não coloque filiação, números ou cópias de documentos.
•	 Não abuse de recursos gráficos nem de colorações. Folha branca, 
caso se trate de um documento impresso.
•	 Linguagem clara. Nada de descrições longas.
www.esab.edu.br 115
•	 Não coloque fotografia, salvo se solicitado.
•	 Não assine.
•	 Não coloque pretensão salarial, salvo se solicitado.
•	 Não faça uso de termos técnicos. Antes de alguém da área em que 
você deseja atuar, os currículos normalmente passam por alguém do 
setor de Recursos Humanos (RH).
•	 Não coloque quais são os seus hobbies. É desnecessário e pode 
atrapalhar mais do que ajudar.
•	 Quanto ao histórico escolar, não é necessário mencionar Ensino 
Fundamental. Prefira o seu último grau de instrução.
•	 Caso você tenha referências pessoais, não as coloque. Informe que, 
caso necessário, estarão à disposição.
•	 Ao final, solicite a alguém mais experiente que leia e teça 
comentários sobre o seu currículo.
•	 Observação: não faça fotocópias do seu currículo. Envie sempre 
uma impressão única, fazendo entender que aquela empresa ou 
instituição se trata de um caso especial. Não atire para todos os 
lados, a esmo! 
•	 Hoje em dia, como a comunicação se dá de forma digital, 
fundamentalmente, e até por uma questão ecológica, o mais habitual 
é enviar o currículo por e-mail.
•	 Por último, saiba que os currículos que vão direto ao ponto têm 
maior índice de leitura. 
Saiba mais
Assista a esta reportagem do jornal Hoje (2009), 
em que um consultor de Recursos Humanos 
dá dicas de como elaborar um bom currículo. 
Disponível aqui.
www.esab.edu.br 116
22 Parágrafos
Objetivo
Perceber como se dá a construção dos parágrafos dentro da produção 
textual.
Certamente, você já sabe o que são parágrafos. Mas sabe também utilizá-
los estrategicamente?
Os parágrafos são as quebras que estabelecemos ao longo do texto, 
sinalizadaspor um recuo à margem esquerda, à primeira linha de cada 
período (em tempos de internet, vale dizer, desde já, que esse recuo à 
esquerda tem sido abolido, mas para textos de caráter acadêmico, ele 
prevalece). 
Os parágrafos se dão por três razões básicas: 
•	 estética: imagine um bloco de palavras, tal qual um muro, sem 
frestas. Contrários a essa imagem, os parágrafos servem para suavizar, 
para dar movimento à aparência do texto em sua disposição gráfica;
•	 separação: os parágrafos habitualmente marcam momentos 
distintos do pensamento estampado na página, quando as ideias 
se desdobram, quando estabelecemos um “a mais” ou uma ressalva 
àquilo que estávamos desenvolvendo;
•	 ênfase: os parágrafos servem para dar destaque a determinadas 
informações.
www.esab.edu.br 117
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Figura 6 – O texto em bloco e o texto “arejado” pela paragrafação.
Fonte: Adaptado de Faraco e Tezza (2008).
De modo mais conceitual, Medeiros (2008, p. 271) define parágrafo 
como:
[...] uma unidade do discurso que tem em vista atingir um objetivo. Essa unidade 
apresenta inicialmente uma frase genérica, básica, denominada tópico frasal. A 
ela são associadas, pelo sentido, outras secundárias. Portanto, um parágrafo não 
comporta uma ideia-núcleo somente. Ideias diferentes, no entanto, cabem em 
parágrafos diferentes. 
Em outros termos, entenda discurso como o texto em sua totalidade, 
de modo que cada parágrafo representa uma parte disso. Cada uma 
das partes contém uma afirmação-chave e outras a ela relacionadas. O 
que não estiver relacionado (a “ideia diferente”) deve figurar em um 
novo parágrafo, pois se trata de um novo viés ou de um novo tópico do 
discurso.
Faraco e Tezza (2008), entretanto, destacam que não há uma 
padronização para a construção dos parágrafos, no sentido de uma 
fórmula que possa ser aplicada a qualquer tipo de texto. A paragrafação 
varia conforme a intenção e o efeito que se quer alcançar. Podemos 
entendê-la como uma técnica, desde que nessa técnica esteja implicada 
uma boa percepção hierárquica entre ideias e fatos do produtor para com 
o receptor.
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Os mesmos autores destacam, ainda, que boa parte dos manuais escolares 
define parágrafo como um conjunto de orações, constituindo um 
“pensamento completo”. Porém, a definição não é precisa, pois não há 
problema algum em abrir um parágrafo para nele colocar apenas uma 
palavra ou uma frase, como acontece muitas vezes no texto publicitário:
A JOLI é uma das maiores empresas químicas do mundo. Possuindo propução própria 
em quase 40 países e mais de 100 empresas espalhadas pelos cinco continentes.
Desde 1911, está no Brasil. Crescendo, abrindo mercados e valorizando a qualidade de 
vida de todos nós.
[...]
E o que representa tudo isso?
Melhores condições de trabalho, otimização de recursos e espaço, comunicação mais 
eficiente, agilidade nas decisões, e, principalmente, maior concentração de esforços 
para melhor atendimento ao cliente. (FARACO, TEZZA, 2008, p. 213)
Faraco e Tezza (2008) afirmam, nesse sentido, que se trata muito mais de 
um ajuste às reações previstas do ouvinte ou do leitor. Quanto mais frágil 
for esse ajuste, menos organizado será o discurso no que diz respeito à 
construção dos parágrafos.
Entre os demais problemas, Faraco e Tezza (2008) apontam que na 
redação escolar verifica-se, por um lado, a ausência completa de 
paragrafação, que, como vimos na figura anterior, converte o texto em 
um bloco maciço de informações que não permite descanso aos olhos 
do leitor, nem pausas à sua respiração. Por outro, tem-se também a 
presença total, em que cada oração constitui um parágrafo, sem que essa 
subdivisão seja estrategicamente armada. Seria, nesse caso, muito mais 
uma urgência por preencher espaço do que armar um bom texto.
Por isso, saiba que conforme o tipo de texto, o modo de estabelecer os 
parágrafos irá variar. Vejamos.
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22.1 Caso
Vejamos um exemplo trabalhado por Faraco e Tezza (2008, p. 170):
Pouco maior do que um par de ameixas secas, com formato semelhante ao de uma 
gravata-borboleta e pesando entre 15 g e 25 g, ela comanda algumas das mais 
importantes funções do corpo humano. Exemplos? A capacidade de respirar, de 
mover as pernas, regular a temperatura corporal, manter o coração batendo no ritmo 
certo, o raciocínio pronto para qualquer desafio... É preciso mais? Claro que não. Está 
comprovadíssima a nobreza da pecinha de que estamos falando. E para não espichar 
o assunto, vamos logo à ficha da moça. Trata-se da glândula tiroide (ou tireoide), 
domiciliada à frente da traqueia, bem abaixo do pomo de adão, ou gogó, para os 
íntimos.
O primeiro médico a descrevê-la foi o belga Vesalius, pai da anatomia moderna, em 
1543. Ele observou que a pequena estrutura se movimenta para cima e para baixo 
durante o ato de engolir, mas não chegou a descobrir as tarefas desempenhadas por 
ela no organismo. Séculos depois, os cientistas perceberiam que, além de dançar no 
pescoço, a glândula fabrica dois hormônios fundamentais: o T3 (triiodotironina) e o 
T4 (tiroxina). Lançadas na corrente sanguínea, essas substâncias atingem, uma por 
uma, todas as células do corpo, estimulando-as a produzir energia. Isso mesmo. O T3 
e o T4 atuam como a gotinha mágica que induz o metabolismo celular a transformar 
nutrientes em combustível vital. Assim, o organismo encontra forças para desempenhar 
todas as suas funções – de piscar o olho a correr a mais disputada das maratonas.
O fragmento que você acabou de ler é uma reportagem da revista Época. 
Perceba que há uma hierarquia bem definida entre as informações. Nos 
dois parágrafos que compõem o fragmento, temos:
a. uma descrição sobre a glândula cujo nome só saberemos depois (até 
para manter o mistério e despertar o interesse no leitor);
b. após revelado o objeto, outras informações se desdobram (quem 
descobriu a glândula, quais as suas funções, o que ela produz e qual a 
sua importância no corpo humano).
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Todavia, tenha em vista que a disposição dos parágrafos pode mudar 
conforme o tipo de texto. Em um texto publicitário, por exemplo, nada 
impede que se faça um parágrafo de uma única palavra. Trata-se de dar 
ênfase. Já nos textos literários, pode ocorrer o oposto. José Saramago, 
escritor português, faz uso em vários de seus romances de longos 
períodos, que atravessam páginas e mais páginas. No entanto, aí se trata 
claramente de um recurso de estilo, cuja intenção pode ser manter a 
intensidade da descrição, da complexidade do pensamento ou de ilustrar 
graficamente o peso da ação em si. Porém, como dissemos, aí se trata de 
linguagem literária, poética, em que as licenças são bem-vindas e também 
constituem uma estratégia. No texto acadêmico – não esqueça disso – 
você deve sempre ter em vista a objetividade e a clareza, considerando o 
conforto do seu interlocutor.
Dominar a prática dos parágrafos implica ter uma boa noção do efeito 
que você deseja incutir ao texto. E, para refinar o uso, passe a observar 
com bastante atenção os textos que você lê. Olhe para a estrutura, veja 
qual a informação em destaque em cada um dos blocos. Você notará que 
um texto confuso certamente o é também em função de uma subdivisão 
inadequada dos parágrafos.
Estudo complementar
Sugerimos que você acesse o site Mundo Vestibular 
clicando aqui. Você terá mais detalhes sobre a 
elaboração do parágrafo.
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23 Pontuação
Objetivo
Revisar questões básicasrelacionadas ao uso adequado da 
pontuação.
Os sinais de pontuação [ . , : ; ? ! – … ( ) ] constituem recursos gráficos 
cuja função é representar na escrita as entonações da linguagem oral. 
Uma simples mudança de entonação indica se a frase é uma pergunta 
(Você vai?), uma afirmação (Você vai.), uma ordem (Você vai!), uma 
dúvida (Você vai…) ou demonstra, por exemplo, espanto (Você vai?!). 
Para estudarmos alguns casos específicos, teremos por base as 
considerações de Faraco e Tezza (2008). Acompanhe.
23.1 Vírgula: sujeito e predicado
Uma regra fundamental de pontuação é que não se usa vírgula entre 
sujeito e predicado, independentemente da extensão do sujeito 
(FARACO; TEZZA, 2008).
Para entender, pense que, em uma oração, sujeito e predicado são 
termos relacionados a um verbo (que pode ser um verbo de ação ou um 
verbo de ligação). 
Procure visualizar isto:
•	 sujeito: indica quem pratica a ação ou de quem se informa um 
determinado estado ou condição. Cuidado: o sujeito pode vir oculto;
•	 verbo: indica a ação em si, realizada pelo sujeito ou estado/condição 
deste;
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•	 predicado: articula-se ao sujeito por um verbo. Tradicionalmente, 
entende-se como aquilo que se diz do sujeito. Modernamente, 
entretanto, entende-se predicado apenas como uma instância 
sintática com que se estabelece a concordância entre os termos. É 
um termo essencial da oração, pois, sem o predicado, a oração não 
existe. Outro aspecto importante é que predicado é apenas uma 
nomenclatura genérica. Para explicitá-lo, é preciso definir o tipo (se 
predicado nominal, verbal ou verbo-nominal). Veja o exemplo:
As taxas de juros (sujeito) permanecem baixas (predicado nominal).
Como você pode notar, essas instâncias sintáticas não necessitam de 
pausa, e por isso não há necessidade de marcar com a vírgula. Durante a 
fala, podemos eventualmente marcar essa pausa, pois a linguagem oral é 
flexível; mas na escrita, não. 
23.2 Vírgula: orações restritivas e explicativas
Faraco e Tezza (2008, p. 209) ponderam, entretanto, que há casos em 
que a pontuação padrão aceita separar o sujeito do predicado caso o 
sujeito possua oração restritiva. Acompanhe o exemplo utilizado pelos 
autores:
Cada uma das orações que compõem esse trecho traduz segmentos congelados da 
linguagem. 
Cada uma das orações que compõem esse trecho, traduz segmentos congelados da 
linguagem.
A pontuação padrão aceita os dois casos porque nos exemplos o sujeito 
não é apenas cada uma das orações, mas cada uma das orações que 
compõem esse trecho. A parte final – que compõem esse trecho – é 
oração restritiva, e nesse caso a exceção se aplica. Mas atente: não é 
necessário colocar a vírgula ali!
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Já quando se trata de oração explicativa não há dificuldade. Veja:
O maior estilista do país, que vinha exercendo seu talento para um rol reduzido e 
milionário de clientes fiéis, resolveu mostrar-se ao vivo.
Como explicitam Faraco e Tezza (2008), no exemplo anterior o sujeito 
é o maior estilista do país, e o predicado, resolveu mostrar-se ao vivo. A 
oração entre vírgulas (que poderia também estar entre travessões), que 
vinha exercendo seu talento para um rol reduzido e milionário de clientes 
fiéis, é apenas explicativa, podendo ser suprimida sem prejuízo sintático. 
Vejamos um desdobramento desse tipo de oração no tópico seguinte.
23.3 Vírgula: informação básica e informação 
complementar
Outra regra de ouro da pontuação é que uma informação complementar 
da oração será sempre separada por vírgula. Vejamos o exemplo tratado 
por Faraco e Tezza (2008, p. 236):
Sem comércio e sem dinheiro, voltados para a arte e para a natureza, os moradores de 
Yuba vivem uma vida primitiva, negando as conquistas da civilização, mais ou menos de 
acordo com os ensinamentos do polêmico filósofo Rousseau.
Os autores destacam cinco blocos de informações contidas no caso 
separadas por vírgulas. A informação básica do período é a que estão 
sujeito e predicado; portanto, é a parte que possui autonomia sintática. 
Acompanhe a argumentação dos autores:
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Os moradores de Yuba vivem uma vida primitiva.
Não é uma frase perfeitamente estruturada? Agora compare:
Voltados para a arte e para a natureza. 
Sem comércio e sem dinheiro. 
Mais ou menos de acordo com os ensinamentos do polêmico filósofo 
Rousseau.
Negando as conquistas da civilização.
É fácil perceber que informações desse tipo são complementares, e em geral não 
aparecem na escrita como orações avulsas. (FARACO; TEZZA, 2008, p. 237)
A lógica, aqui, portanto, é que as informações básicas, como dissemos 
anteriormente, têm autonomia, permanecem com sentido quando isoladas. 
Já as informações complementares, não; seu sentido fica incompleto 
quando retirada a informação básica, que contém sujeito e predicado. 
A palavra de ordem, portanto, é que toda informação complementar virá 
separada da informação básica por vírgula.
23.4 Ponto-final
Via de regra, usa-se o ponto-final para separar sentenças sintaticamente 
independentes. Geralmente, em um período, o ponto final deve ser 
usado sempre que um novo sujeito aparecer, seguido de uma informação 
a seu respeito. 
O México venceu o Senegal por 4 a 2 neste sábado, em Londres, e garantiu a vaga 
na semifinal do torneio masculino de futebol da Olimpíada. Enriquez e Aquino 
marcaram os gols mexicanos no tempo regulamentar. De cabeça, Konate e Balde, após 
cruzamentos de Suare, conseguiram levar a partida para a prorrogação.
A função do ponto-final é dar ao leitor tempo para respirar e continuar 
a leitura. Um macete para o uso do ponto-final é tentar substituí-lo 
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por uma vírgula. A pausa gerada pelo ponto é maior que a gerada pela 
vírgula, e, portanto, ela não funciona como um bom substituto.
23.5 Ponto e vírgula
O ponto e vírgula é pouco usado, justamente em função de não possuir 
um emprego imprescindível, e já veremos o motivo. 
Mas, de qualquer modo, é comum ouvir que esse sinal de pontuação 
representa uma pausa “menor que a do ponto-final” e “maior que a da 
vírgula”. Embora não explique, é isso mesmo. Vejamos primeiro o seu 
uso mais elementar: enumerar.
As qualidades da equipe são:
a) disposição;
b) solidariedade;
c) coleguismo;
d) astúcia. 
Não há segredo nesse primeiro exemplo. No entanto, uma enumeração 
pode também ser contínua: 
As qualidades da equipe são: disposição; solidariedade; coleguismo e astúcia. 
Observe apenas que, nesse caso, o último ponto e vírgula deve ser 
substituído por um e. O que você deve atentar mesmo é para o uso desse 
recurso gráfico no meio de uma sentença.
O problema não é exatamente o creme dental; o problema é a marca.
Se substituíssemos o ponto e vírgula por uma vírgula simples, a 
impressão é de que a pausa não é suficiente. No entanto, perceba que ele 
pode ser facilmente substituído por um ponto-final. 
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O problema não é exatamente o creme dental. O problema é a marca.
Note, assim, como é possível prescindir do seu uso. Quando você já se 
julgar um produtor de textos experiente, certamente irá usá-lo com mais 
frequência. Mas, persistindo a dúvida, use este macete: posso substituir 
por ponto final? Se a resposta for sim, você terá o ponto e vírgula como 
opção.
Para sua reflexão
Agora, é hora de refletir: você pretende apenas 
escrever corretamente ou tem o desejo de 
aprimorar o texto para armar pensamentos mais 
sofisticados?
As respostas a essas reflexões formam parte de sua 
aprendizagem e são individuais, não precisando 
ser comunicadas ou enviadas aos tutores.
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24 Frase, oração, período
Objetivo
Revisar as diferenças básicas entre os conceitos de frase, oração e 
período.
Depois de verificarmos as questões básicas relacionadas ao uso adequado dapontuação, passamos a outro tópico também importante: a construção das 
frases, das orações e dos períodos. Você já sabe diferenciá-los?
Os conceitos que estudaremos nesta unidade têm por base a visão de 
Perini (2009) em sua obra “Gramática descritiva”.
24.1 Frase
De modo sucinto, frase é um enunciado linguístico que transmite uma 
ideia completa. É, portanto, uma palavra ou um conjunto de palavras 
com sentido completo. Perini (2009) acrescenta que, na escrita, a frase 
é delimitada pelo uso de uma letra maiúscula no início e também por 
certos sinais de pontuação (. ! ? …) no final.
Desse modo, podemos reconhecer como frases os seguintes enunciados:
Meu notebook tem 8 Gb de memória RAM.
Quantos membros estão na sua equipe?
Vá até a faculdade e solicite o seu histórico.
Você pode ir até a faculdade?
Que frio!
Quanto espaço você precisa?
Mas que sala grande!
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É importante salientar que uma frase não depende de termos sintáticos 
específicos (como veremos a seguir, no caso da oração). Ou seja, para 
que uma frase caracterize-se como tal, ela não depende da existência de 
sujeito, verbo, predicado.
Para entender isso, imagine uma placa de sinalização que diz “Perigo!”. 
É uma frase! Basta olhar a placa e já temos noção de que no lugar 
onde ela se encontra devemos manter cautela, de modo que o contexto 
espacial nos explicitará com o que teremos de cuidar. Imagine uma cerca 
elétrica e essa placa que mencionamos. No caso, trata-se de uma placa 
sinalizando alta voltagem.
Figura 7 – Uma única palavra pode constituir uma frase.
Fonte: <www.sxc.hu>.
Quanto à classificação, a gramática tradicional tipifica as frases em quatro 
tipos.
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•	 Frases interrogativas: o emissor da mensagem elabora uma 
pergunta: Vamos sair hoje?
•	 Frases imperativas: o emissor da mensagem dá uma ordem ou faz 
um pedido: Ajude-me aqui. Vá embora!
•	 Frases exclamativas: o emissor esboça um estado afetivo: Que 
dureza!
•	 Frases declarativas: o emissor constata um fato: O diretor acabou 
de chegar.
Além dessa tipificação, as frases também podem ser classificadas em 
outros dois tipos.
•	 Nominais: Que dia fantástico!
•	 Verbais: Ajeitou o sapato.
A frase construída com verbo ou locução verbal é frase verbal (ou oração, 
como veremos a seguir). Quando não apresenta verbo, denomina-se frase 
nominal.
24.2 Oração
Perini (2009, p. 61) define oração como “[...] uma frase que apresenta 
determinado tipo de estrutura interna, incluindo sempre um predicado 
e frequentemente um sujeito”. Seria melhor, no entanto, estabelecermos 
oração como um conjunto linguístico estruturado em função de um 
verbo, que por sua vez demanda os outros termos sintáticos (sujeito e 
predicado – ou complemento). Veja o exemplo:
Aline sujou o vestido.
Como você pode notar, temos: Aline (sujeito) sujou (verbo) o vestido (e 
o complemento). 
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Saiba mais
Há vários tipos de orações (imperativas, 
interrogativas, exclamativas, declarativas e 
optativas). Clique aqui e veja mais exemplos de 
cada uma delas.
24.3 Período
Quanto ao período, Perini (2009, p. 62) observa que a definição se 
refere às “[...] orações que constituem uma frase”. Trata-se, portanto, 
de um todo, com sentido completo. Pode ser classificado em período 
simples e período composto.
O período simples é constituído por uma única oração (ou oração 
absoluta): O helicóptero sobrevoou a cidade.
O período composto, por sua vez, é formado por mais de uma oração: 
Parece que a colheita vai ser ruim nesta temporada!
Observações: 
•	 um detalhe importante é que se houver na frase apenas um verbo, 
tratar-se-á de uma oração e constituirá um período simples. Por 
consequência, havendo mais de uma oração (mais de um verbo), 
tratar-se-á de um período composto (Preciso que você me empreste 
o seu carro);
•	 no período composto, caso as orações tenham sentido sintático 
e semanticamente completos, formarão orações coordenadas 
(Olharam-se nos olhos e saíram do recinto);
•	 se num período composto de, pelo menos, duas orações, uma delas 
for sintática e semanticamente completa, será denominada oração 
principal (Ele pretendia sair, assim que acabasse o serviço);
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•	 se num período composto de duas orações existir uma oração 
principal (sintática e semanticamente completa, contendo sujeito, 
verbo e complemento), a segunda será definida como uma oração 
subordinada (Ele pretendia sair, assim que acabasse o serviço).
Você notou a diferença entre os elementos expostos pelo autor? Caso 
tenha dúvidas, retorne às unidades anteriores e releia. Vamos continuar 
aprofundando nossos estudos nos capítulos seguintes. Até lá!
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Resumo
Nestas últimas seis unidades, seguimos estudando a escrita no contexto 
acadêmico. Esboçamos alguns parâmetros para a redação de títulos que 
conduzam melhor (e seduzam mais) o leitor. Mais que isso, um título 
bem pensado orienta a escrita e a definição do tema. 
Vimos ainda como são estruturados bons parágrafos (resumidamente, 
para cada nova ideia, um novo parágrafo). Estudamos alguns casos 
de pontuação fundamentais, revisamos os conceitos de frase, oração 
e período, e também mudamos um pouco de ambiente: estudamos 
brevemente a comunicação escrita no contexto empresarial e vimos 
aspectos que estruturam a montagem de um bom currículo pessoal. 
Vamos em frente!
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25 Coesão
Objetivo
Estudar a coesão como princípio fundamental para a construção de 
um bom texto.
Quando estudamos o conceito de texto na unidade 2, trabalhamos com 
a ideia de que este se caracteriza não por um amontoado de frases, mas 
pelas relações de sentido estabelecidas. 
Um texto – uma dissertação, por exemplo – trabalha um assunto, porém 
com desdobramentos ao longo da argumentação. 
Temos um pressuposto, e a partir dele fazemos inferências. Ou seja, 
fazemos uma afirmação, e a partir dela produzimos relações, ponderamos 
a ideia, seus prós e seus contras, por exemplo. No entanto, para que o 
texto fique bem escrito, sem repetição de termos, usamos outros que os 
substituam. E, para este processo, há um nome. Veja: “[...] a ligação, a 
relação, a conexão entre as palavras, expressões ou frases do texto chama-
se coesão textual. Ela é manifestada por elementos formais, que assinalam 
o vínculo entre os componentes do texto” (FIORIN; SAVIOLI, 2006, p. 
370). 
Como você pode visualizar no conceito esboçado pelos autores, a coesão 
textual refere-se a certos elementos formais utilizados para interligar 
as ideias com que construímos a nossa argumentação. Tais termos são 
chamados conectores (ou conectivos).
Para iniciar o seu estudo, vamos acompanhar o raciocínio dos autores 
Fiorin e Savioli (2006). Segundo eles, há dois tipos fundamentais de 
coesão. Vejamos.
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25.1 Coesão por retomada ou por antecipação
O estudo desta modalidade de coesão textual se dá por dois tipos de 
conectivos: os anafóricos (termos que servem para retomar outros 
termos esboçados no texto) e os catafóricos (termos que antecipam 
outros que serão mencionados na sequência textual). 
São exemplos de anafóricos/catafóricos os pronomes demonstrativos (este, esse, 
aquele), os pronomes relativos (que, o qual, cujo, onde), certos advérbios e locuções 
adverbiais (nesse momento, então, lá etc.) e os verbos ser e fazer, o artigo definido, o 
pronome pessoal de 3a pessoa (ele/ela; o/a/; lhe). (FIORIN; SAVIOLI, 2006, p. 371)
Acompanhe o exemplo utilizado pelos autores (2006, p. 371):
Qualquer que tivesse sido seu trabalho anterior, ele o abandonara, mudara de profissão 
e passara pesadamente a ensinar no curso primário: era tudo o que sabíamos dele.
O professor era grande, gordo e silencioso, de ombros contraídos.
No caso, o pronome possessivoseu e o pronome de 3a pessoa ele 
antecipam a expressão o professor. A essas funções de antecipação, 
são chamados catafóricos. Já o pronome pessoal oblíquo o retoma a 
expressão seu trabalho anterior, e por isso chamamos anafórico. 
Saiba que, nessas categorias, estão as famosas duplas este/esse, isto/isso. 
Vejamos mais alguns exemplos: Ele disse isto: “Sumam daqui!”. O termo 
isto antecipa a expressão sumam daqui. É um catafórico.
Outro exemplo: Alfredo e Cíntia gostam de assistir às Olimpíadas pela 
televisão. Esta prefere o atletismo; aquele, a natação. Esta, no caso, 
refere-se a Cíntia; aquele, refere-se a Alfredo. Ambos retomam os termos 
e por isso são anafóricos.
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Saiba mais
Também é possível fazer a retomada de termos 
do texto por meio de outros substantivos, verbos 
ou adjetivos. É o caso quando utilizamos um 
sinônimo, um hiperônimo ou um hipônimo. Para 
aprofundar o estudo da coesão, sugerimos a 
leitura do artigo disponível clicando aqui. Confira!
Vejamos agora a segunda modalidade de coesão textual estipulada por 
Fiorin e Savioli (2006).
25.2 Coesão por encadeamento de segmentos textuais
Aqui, há duas possibilidades: conexão e justaposição. 
Na primeira, conexão, a coesão se dá pelo uso dos conectores, também 
chamados operadores discursivos. Podemos dizer que se trata do processo 
de coesão mais fácil de visualizar, pois se refere a palavras cuja finalidade 
é justamente a concatenação de ideais e criação de relações. 
São exemplos: então, portanto, já que, com efeito, porque, ora, mas assim, 
daí, dessa forma, isto é.
Cada um desses termos carrega consigo uma relação semântica, ou seja, 
de sentido, indicando causa, finalidade, conclusão, contradição, entre 
outros, e por isso, ao escrever, é necessário utilizar o conector adequado 
conforme a relação desejada. Acompanhe o exemplo: Os times não 
jogaram bem, mas a condição do gramado não era ruim.
O período está correto, pois o conectivo mas tem o valor de estabelecer 
uma ressalva. Ou seja, se os times não jogaram bem, foi por algum outro 
motivo que não a condição do gramado. 
No caso, o mas faz parte dos conectores que contrapõem enunciados de 
orientação argumentativa contrária. Perceba, inclusive, que ele poderia 
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ser substituído por outros de mesmo valor, sem prejuízo de sentido: 
porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto, embora, ainda que, 
mesmo que, apesar de que.
A partir deste ponto, faremos um resumo dos tipos de conectores e suas 
respectivas relações de sentido.
a. Gradação: até, mesmo, até mesmo, inclusive, ao menos, pelo 
menos, no mínimo, no máximo, quando muito. Exemplo: Adélia é 
proibida de cantar e, até mesmo, de falar.
b. Ligação de argumentos em favor de uma mesma conclusão: e, 
também, ainda, nem, não só... mas também, tanto... como, além de, 
além disso, a par de. Exemplo: Medalhistas brasileiros não pagam 
impostos, mas também não ganham prêmios do governo.
c. Introdução de argumentos que levam a conclusões opostas: ou, 
ou então, quer... quer, seja... seja, caso contrário. Exemplo: Eu levei 
na brincadeira, caso contrário teria me levantado e saído.
d. Conclusão: portanto, logo, por conseguinte, pois. Exemplo: Não se 
aplica, portanto, aos fatos ocorridos antes da sua vigência.
e. Comparação de superioridade, inferioridade ou igualdade: 
tanto... quanto, tão... quanto, mais... (do) que, menos... (do) que. 
Exemplo: Sedentarismo mata tanto quanto cigarro, diz estudo.
f. Explicação ou justificativa com relação ao enunciado anterior: 
porque, já que, pois. Exemplo: A alegria de posse do presidente já 
acabou, porque os problemas já começaram a aparecer.
g. Argumentação decisiva, com acréscimo: aliás, além de tudo, além 
disso, ademais. Exemplo: Este governo está mesmo ajudando os 
descamisados: permitiu a elevação abusiva dos preços, diminuiu 
investimentos na área social. Além do mais, achatou os salários.
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h. Generalização ou amplificação do que foi dito: de fato, realmente, 
aliás, também, é verdade que. Exemplo: Mal tomou posse, o 
presidente já tem problemas para resolver. Aliás, todos já sabíamos 
que seria assim.
i. Especificação ou exemplificação: por exemplo, como. Exemplo: O 
Natal, por exemplo, é um dos melhores feriados do ano. 
j. Correção, esclarecimento, desenvolvimento ou redefinição 
do primeiro enunciado: ou melhor, de fato, pelo contrário, ao 
contrário, isto é, quer dizer, ou seja, em outras palavras. Exemplo: 
Este governo está contradizendo o programa apresentado na 
campanha, isto é, não está cumprindo as promessas feitas.
k. Explicitação, confirmação ou ilustração do que foi dito: assim, 
desse modo, dessa maneira. Exemplo: A palavra drama vem do grego 
e significa ação. Desse modo, o texto dramatúrgico é aquele escrito 
especificamente para representar a ação.
l. Sequenciação: pode-se dividir este item em três:
•	 sequência temporal: depois, meses depois, uma semana antes, 
um pouco mais cedo;
•	 ordenação: primeiramente, em seguida, a seguir, finalmente;
•	 introdução de novo tema ou assunto: a propósito, por falar 
nisso, mas voltando ao assunto, fazendo um parêntese.
Perceba que fizemos aqui apenas um esquema para que você pudesse 
visualizar a abrangência do uso dos conectores. Ao escrever um texto, 
pense na relação de sentido que você está construindo e utilize o termo 
adequado. Tenha muito cuidado nessa tarefa, pois o uso equivocado do 
conector pode sinalizar uma contradição na formulação do argumento.
E agora vamos estudar outro assunto importante quando se trata da 
escrita de um texto: a coerência.
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26 Coerência
Objetivo
Analisar os fatores que interferem no bom encadeamento 
argumentativo da produção textual.
Na unidade anterior, estudamos a coesão textual como um fator de 
encadeamento das unidades linguísticas presentes no texto. Em outras 
palavras, a coesão se dá pelo viés sintático do texto, no modo como 
construímos e entrelaçamos as frases e orações, e, portanto, no modo 
como construímos os períodos que estruturam os parágrafos. 
Perceba que estamos utilizando boa parte dos conceitos já trabalhados 
até agora: frase, oração, período, parágrafo. É bem importante que você 
operacionalize esses conceitos.
Partindo dessa noção a respeito da coesão textual, podemos afirmar 
que a coerência, por sua vez, opera no viés semântico do texto, ou seja, 
concerne às relações de sentido. 
Deste modo, quando se fala em coerência, referimo-nos a um sentido 
unitário que deve percorrer o texto como um todo, de modo que os 
sentidos construídos não se contradigam. Está relacionada, portanto, à 
organização subjacente do texto, como anotam Fiorin e Savioli (2006). 
Mas o que seria isso?
Em um texto, uma ideia ajuda a compreender outra, criando um sentido 
global. Cada uma das partes do texto deve estar relacionada a essa 
unidade semântica. 
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Lembre-se: semântico = sentido; sintático = disposição das palavras nas frases, e 
das frases dentro do discurso.
Portanto, o texto deve ser um todo harmônico, no qual tudo se encaixa 
de modo complementar, sem que nada destoe, seja ilógico, contradiga ou 
fique solto. 
A partir dessas considerações, a incoerência seria “[...] a violação das 
articulações de conteúdo de cada um dos níveis de organização do texto” 
(FIORIN; SAVIOLI, 2006, p. 396). Vejamos alguns tipos de coerência.
26.1 Coerência narrativa
Como você já estudou na unidade 13, o conceito de narrativa implica em 
uma disposição temporal dos fatos, ou seja, o que é posterior depende do 
que é anterior. Para entender isso, imagine um personagem que executa 
uma ação. Para que ele consiga desempenhá-la com sucesso – para que 
ele desempenhe uma performance –, é preciso que ele tenha capacidade 
para tanto – que ele tenha competênciapara isso. Veja o exemplo 
trabalhado por Fiorin e Savioli (2006, p. 397):
Lá dentro havia uma fumaça espessa que não deixava que víssemos ninguém. Meu 
colega foi à cozinha, deixando-me sozinho. Fiquei encostado na parede da sala, 
observando as pessoas que lá estavam. Na festa, havia pessoas de todos os tipos: 
ruivas, brancas, pretas, amarelas, altas, baixas etc.
Há uma incoerência nesse relato, não? Se havia tanta fumaça no 
ambiente, a ponto de não se enxergar nada, como o personagem pôde 
em seguida discernir pessoas de todos os tipos?
Ou seja, a narrativa não deu ao personagem competência para realizar a 
performance.
Do mesmo modo, comentam os autores, é incoerente informar que certo 
personagem foi a um jogo de futebol já completamente desmotivado 
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com o time, e saiu decepcionado. Pois a decepção implica na expectativa 
de que algo aconteça e na frustração dessa expectativa. Se o personagem 
já sabia que o jogo seria ruim, não faz sentido mostrar a sua decepção.
26.2 Coerência argumentativa
Possivelmente, este seja o caso ao qual você deve dar atenção especial, 
pois trata principalmente do texto dissertativo, que é o tipo de texto mais 
praticado nesta etapa da sua formação educacional.
Como vimos no início da unidade anterior, sobre coesão, um texto 
– uma dissertação, por exemplo – trabalha um assunto, porém com 
desdobramentos ao longo da argumentação. Temos um pressuposto, e a 
partir dele fazemos inferências (já estudamos esses conceitos também!). 
Ou seja, fazemos uma afirmação, e a partir desta produzimos relações, 
ponderamos a ideia, seus prós, seus contras, por exemplo, e concluímos.
Se no texto as conclusões não estão amparadas por dados lançados 
previamente, comete-se a incoerência de nível argumentativo.
Por exemplo: o texto parte do pressuposto de que o descontrole 
orçamentário é a causa da inflação e que essa inflação é o problema mais 
grave do país; é incoerente afirmar em seguida ou concluir que o governo 
deve aumentar os gastos públicos para reaquecer a economia. A primeira 
afirmação não suporta a segunda, que fica solta.
26.3 Coerência figurativa
Este tipo de coerência se refere a como montamos um cenário no texto. 
Fiorin e Savioli (2006, p. 398) exemplificam: suponhamos que a ideia 
seja figurativizar o tema do requinte e da sofisticação para caracterizar 
determinado personagem. Para ser coerente, é preciso que todas as figuras 
encaminhem para o tema do requinte. Pode-se citar, ao descrever sua 
casa, a lareira, o tapete persa, os cristais da Boêmia, a porcelana de Sévres, 
o dobermann (raça de cão oriunda da Alemanha) ressonando no tapete, 
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um quadro de Portinari e outras figuras do mesmo campo de significado. 
Nesse cenário, constitui incoerência figurativa Agnaldo Timóteo 
cantando na vitrola um bolero sentimental. Essa ruptura só se justifica se 
a intenção é humorística, mostrando que o requinte é apenas superficial. 
Será preciso desenvolver o texto até chegar a este ponto.
Imagine também que você está narrando fatos que se desenvolvem 
em uma ilha perdida, com pessoas. Nesse ambiente, é coerente falar a 
respeito do mar, da solidão, do abandono; de caça, de cabanas feitas com 
vime. Mas é incoerente colocarmos um personagem lendo uma revista de 
fofocas. Para que essa ação se justifique, assim como no exemplo anterior, 
é necessário desenvolver o texto até chegar a este ponto: é preciso falar 
que as pessoas que ali estão são, por exemplo, sobreviventes de um 
acidente aéreo, e que muitos dos vestígios da vida urbana que ali se 
encontram também vieram com o desastre. São partes dos destroços. 
Essas são as variáveis fundamentais da coerência textual. Diferente do 
processo de coesão – que se refere à sintaxe do texto –, a coerência se 
refere à semântica, ou seja, ao modo como construímos o sentido de 
nosso discurso. Como destacamos antes, mantenha atenção redobrada 
quando estiver produzindo o texto dissertativo, pois é esse tipo de texto 
que você mais desempenhará nesta etapa da vida estudantil.
Estudo complementar
As três modalidades fundamentais da coerência 
textual que vimos aqui (narrativa, figurativa, 
argumentativa) podem ser desdobradas em mais 
três variações, a elas relacionadas: coerência 
temporal, coerência espacial e coerência no nível 
de linguagem. Como estudo complementar, 
sugerimos a leitura da seguinte resenha que 
aborda o assunto clicando aqui.
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27 Estilo
Objetivo
Refletir a respeito dos elementos que conformam e auxiliam no 
desenvolvimento de uma escrita própria.
Após trabalharmos os aspectos relativos à coesão e coerência, pergunto a 
você: o que é um estilo?
O termo é empregado nas mais diversas áreas. Na escrita, trata-se uma 
maneira particular de escrever, de exprimir o pensamento. 
Em várias das unidades anteriores, reforçamos uma série de 
procedimentos que orientam formas de escrever e que caracterizam tipos 
distintos de texto. Mas será que isso constitui fórmulas que devemos 
seguir?
Sim e não. Sim, mas não sem arriscar. Vamos pensar sobre isso.
É necessário que você saiba utilizar o tipo de texto adequado conforme a 
solicitação. Se for solicitada a você uma dissertação, é fundamental saber 
distinguir que, diferente do texto narrativo, na dissertação não cabem 
personagens, por exemplo. Ou que, ao lhe pedirem uma descrição, 
você também saiba que esse tipo de texto não comporta mudanças de 
situação; trata-se da caracterização de uma pessoa, lugar ou objeto em 
um momento específico de tempo.
Esses são procedimentos básicos, mas que não colocam a escrita em uma 
camisa de força, sem que você possa arriscar ser criativo. Por exemplo: 
você leu, ao longo do nosso estudo, que a introdução deve conter uma 
afirmação genérica, mostrando o seu ponto de vista sobre determinado 
tema. Corroborando isso, viu também que um bom parágrafo inicia por 
um tópico frasal que, por sua vez, constitui essa afirmação genérica, à 
qual todas as demais, naquele parágrafo, estarão relacionadas.
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Pois bem, isso não impede que você inicie o texto citando as palavras de 
alguém. Para visualizar isso, acompanhe a forma deste parágrafo extraído 
de Faraco e Tezza (2005, p. 239):
Sobre o perigo de entender a leitura crítica como um privilégio de uma ou de outra 
linguagem – da literária, por exemplo – veja-se a citação seguinte: “A leitura encarada 
dessa forma nos faz pressupor que as nossas cabeças são blocos compartimentados, 
isto é, como se nelas existissem gavetas específicas para cada tipo de manifestação 
discursiva […].” (CASTRO, 1989, s/p)
Perceba que há uma ordem linear de exposição: 
a. tópico frasal: “Sobre o perigo de entender a leitura crítica como um 
privilégio de uma ou de outra linguagem […]”;
b. as demais afirmações relacionadas – “[…] da literária, por exemplo”, 
“veja-se a seguinte citação” e, em seguida, a própria citação como 
confirmação do tópico frasal.
Isso não precisa ser assim, necessariamente. Você pode fazer de outras 
formas:
Hos, nem tus, cus consull abent.
Apeciachil ublin te hus consci pondeni.
Hos, nem tus, cus consull abent.
Apeciachil ublin te hus consci pondeni.
Hos, nem tus, cus consull abent.
Apeciachil ublin te hus consci pondeni.
Hos, nem tus, cus consull abent.
Apeciachil ublin te hus consci pondeni.
Hos, nem tus, cus consull abent.
Apeciachil ublin te hus consci pondeni.
Hos, nem tus, cus consull abent.
Apeciachil ublin te hus consci pondeni.
Hos, nem tus, cus consull abent.
Apeciachil ublin te hus consci pondeni.
Hos, nem tus, cus consull abent.
Apeciachil ublin te hus consci pondeni.
Castro (1989) destaca que entender a leitura crítica como um privilégio de uma ou 
de outra linguagem – da literária, por exemplo – pode representar um perigo. Isso, 
segundo o autor, pressupõe nossas cabeças comoblocos compartimentados, e que neles 
existissem gavetas específicas para cada manifestação discursiva.
Pressupor que as nossas cabeças são blocos compartimentados, isto é, como se nelas 
existissem gavetas específicas para cada tipo de manifestação discursiva é uma forma 
perigosa de se entender a leitura crítica, afirma Castro (1989).
Note que, embora diferentes da primeira, as duas variações também 
possuem tópicos frasais (“Castro (1989) destaca que entender” ou 
“Pressupor que as nossas cabeças são blocos compartimentados”), que 
constituem a informação principal a que as demais se vinculam.
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O que muda é a informação – ou ação – que se quer destacar, e isso é 
uma questão pessoal. Você, com habilidade, é quem irá decidir. É uma 
questão de estilo.
27.1 No ambiente acadêmico
No ambiente acadêmico, convém observarmos com especial atenção o 
tipo de texto que lhe for solicitado. Além disso, esse ambiente estipula 
uma série de cuidados, tais como linguagem objetiva, mas que esteja 
devidamente fundamentada. 
Não é a ocasião para se fazer uso da primeira pessoa, uma vez que não 
se trata de declarar a sua opinião em primeiro plano. Faça o seguinte: 
posicione-se como um mediador das leituras que você fez. Mostre os 
pontos de vista e confronte-os. Adquirindo habilidade, será possível 
encontrar a forma e uma posição no discurso que mostre o modo como 
você pensa.
Lembre-se: para a academia, existem regras e procedimentos, e que parte da 
sua aprovação depende de você mostrar que as conhece e sabe utilizá-los. 
27.2 De modo informal
Agora, se você tem um site ou blog, ou utiliza as redes sociais para 
divulgar os textos que produz, aí de fato convém que se utilize de uma 
linguagem mais dialógica, que abra um canal direto com o leitor.
Não há problema em se utilizar a primeira pessoa. Na maior parte dos 
casos, aliás, você deve fazer isso, pois se trata de seduzir o leitor com seu 
discurso desde as primeiras linhas.
Em suma: o modo como se escolhem as palavras (se mais comuns ou 
mais sofisticadas), o modo como se constroem as frases, as orações 
e os períodos (períodos simples, de uma única oração, ou períodos 
compostos por várias orações), a sequência que estipula para narrar os 
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fatos ou elencar os argumentos são aspectos que, quando dominados, 
caracterizam o seu estilo. 
Observando bem o ambiente em que se encontra, você saberá se pode 
se manifestar mais à vontade ou se há códigos específicos que deve 
observar. Saiba que seguir os códigos, na maior parte das vezes, mostra 
um raciocínio amadurecido, e não necessita de um jargão específico de 
linguagem para se manifestar.
Atividade
Chegou a hora de você testar seus conhecimentos 
em relação às unidades 19 a 27. Para isso, dirija-
se ao Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e 
responda às questões. Além de revisar o conteúdo, 
você estará se preparando para a prova. Bom 
trabalho!
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28 Denotação/conotação
Objetivo
Estudar a linguagem discernindo os fatores denotativos e conotativos 
na produção textual.
Outro assunto igualmente relevante quando tratamos da produção 
textual é a linguagem denotativa e conotativa. Mas o que isso quer dizer?
Quando usamos um termo em seu sentido comum, aquele que aparece 
no dicionário, trata-se de um uso denotativo. Quando um termo é 
utilizado no sentido figurado, trata-se de um uso conotativo (muito 
comum na literatura ou na publicidade, por exemplo).
Vamos a um exemplo bem básico? Considere um grupo de meninos 
no colégio. De repente, surgem duas meninas, e um dos meninos diz: 
“Que gatas!”. Ora, ninguém tem dúvida de que o sentido aqui é de que 
as meninas são, de fato, muito bonitas, não? Pois então, o termo “gatas” 
pega emprestado o sentido do termo “bonitas”. Isso é conotação.
São termos, muitas vezes, cujos sentidos laterais já estão naturalizados 
na língua. Porém, conceitualmente, a relação de conotação permanece. 
Vejamos como isso funciona.
28.1 Particularidades
Devemos, no entanto, atentar para algumas particularidades.
Há palavras que possuem um lastro conceitual mais abrangente que 
outras. Por exemplo, a palavra linha pode ser entendida de diversas 
formas:
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•	 material para costurar;
•	 trilho do trem ou itinerário de um ônibus;
•	 conduta, postura.
O detalhe reside em que nos três casos anteriores não há conotação. 
Trata-se de polissemia, como vimos na unidade 5. Ou seja, um 
significante que possui mais de um plano de conteúdo.
Talvez você agora esteja se perguntando: mas o que é um significante e o 
que significa plano de conteúdo?
Saiba que todo signo linguístico se divide em duas partes: o significante, 
que é a parte perceptível, constituída pelos sons, representados por letras; 
e o significado, que é a parte inteligível, e forma um conceito.
Usando outros termos, ainda podemos afirmar que o significante 
relaciona-se ao plano da expressão, e que o significado remete ao plano 
do conteúdo. 
Para tratar dessas nomenclaturas, voltemos ao caso da palavra linha. 
Podemos dizer que essa palavra possui, para um mesmo plano de 
expressão, vários planos de conteúdo. Ou seja, um mesmo significante 
(linha) relaciona-se a vários significados (material de costura, linha de 
trem, conduta de caráter ou postura e outros mais).
Mas como saber, no caso da palavra linha, qual dos planos de conteúdo 
está em questão? Ora, o contexto sempre esclarecerá qual o uso. 
Exemplos: 
•	 Clodoaldo, de tão nervoso, não conseguia acertar a linha na agulha 
(= material de costura).
•	 Clodoaldo tomou a linha sentido Centro (= itinerário).
•	 Clodoaldo, embora nervoso, não perdeu a linha enquanto lecionava 
(= postura).
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28.2 Como funciona a conotação
Agora que você já conhece a polissemia e a significação contextual, 
podemos partir para a conotação.
Embora não pareça, entender como funciona o mecanismo da conotação 
é bastante simples. 
Observe estas duas palavras:
magro
adj (lat macru) 1 Que tem falta de tecido 
adiposo, que tem poucas carnes, em que há 
pouca ou nenhuma gordura ou sebo. 
palito
sm (cast palito) 1 Hastezinha pontiaguda, 
em geral de madeira, para esgaravatar os 
dentes.
Quadro 1 – Consultando o dicionário.
Fonte: Dicionário Michaelis Online (2012).
Cada uma das palavras (magro, palito) tem a sua significação própria, 
distinta uma da outra. 
•	 Paulo é muito magro.
•	 Paulo pediu palitos de dente ao garçom.
Nesse sentido, as sentenças acima são perfeitamente normais. Mas 
observe o exemplo a seguir:
•	 Paulo é um palito!
O que está em questão? A relação denotativa com o significado da 
palavra ‘palito’ não funciona, pois não se quer dizer que Paulo seja uma 
“hastezinha pontiaguda, em geral de madeira, para esgaravatar os dentes”. 
A intenção é indicar a magreza de Paulo, só que para isso usou-se de uma 
comparação implícita com a palavra palito, em setido figurado. 
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No caso do nosso exemplo, o signo ‘palito’ utiliza não o seu significado, 
mas o de outro significante: ‘magro’. Em outros termos, conotar consiste 
em retirar uma palavra de seu contexto convencional e transportá-la 
para um novo campo de significação por meio de uma comparação 
implícita, de uma similaridade existente entre as duas.
Saiba, por fim, que as relações conotativas de uma palavra podem 
variar de uma cultura para outra, e que essas relações estão sempre se 
renovando. Um exemplo? Pense quando dizemos “É bom, mas não é 
uma Brastemp”. Brastemp, a marca de eletrodomésticos, valeu-se de uma 
conotação que remete a ótimo, superior. O produto é bom, mas não é 
tão bom quanto um da Brastemp… E assim vai.
Para finalizarmos, observe este esquema:
DENOTAÇÃO CONOTAÇÃO
Palavra com significação restrita Palavra com significaçãoampla
Palavra com sentido dicionarizado Palavra com sentido figurado, fora do comum
Palavra de uso automático Palavra com uso criativo
Quadro 2 – Denotação e conotação.
Fonte: Elaborado pelo autor (2012).
Vimos, então, que a denotação indica as palavras com sentido 
dicionarizado, enquanto a conotação remete à linguagem figurada, muito 
comum na esfera literária.
Tarefa dissertativa
Caro estudante, convidamos você a acessar o 
Ambiente Virtual de Aprendizagem e realizar a 
tarefa dissertativa.
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29 Tropos de linguagem
Objetivo
Abordar brevemente as figuras de linguagem mais comuns utilizadas 
na produção textual.
Como vimos na unidade anterior, todos somos capazes de reconhecer 
um uso dito “normal”, e um uso “criativo”, ou “alterado”, das palavras 
e frases que elaboramos e ouvimos em nosso dia a dia – ou, para usar 
os termos técnicos, um uso denotativo (regular) e um uso conotativo 
(criativo). Por vezes, esse uso “criativo” é bastante evidente; em outras, só 
percebemos sua “anormalidade” se paramos para pensar. 
Então, saiba que o que chamamos figuras de linguagem diz respeito a 
esse uso criativo de nossa língua. São mecanismos que temos à disposição 
para alterar o significado das palavras e dar um toque especial ao texto. 
O nome tropos vem do verbo grego trépos, que significa ‘desviar’. Daí 
a ideia de que, mediante o uso das figuras de linguagem, desviamos o 
sentido para um uso fora do comum. 
São várias as figuras de linguagem, e, dada a sua variedade, vamos estudar 
aqui as mais comuns. Vamos lá!
29.1 Metáfora
De modo sucinto, a metáfora é uma figura de linguagem que estabelece 
uma analogia dos significados entre duas palavras, ou expressões, 
empregando uma no lugar da outra. Segundo Fiorin e Savioli (2006), 
a alteração no sentido se dá quando, entre o sentido de base e o 
acrescentado, há uma relação de semelhança, de intersecção, ou seja, 
quando apresentam traços semânticos comuns.
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Vejamos a seguinte frase: “A urbanização está acontecendo de modo 
inconsequente, pois está destruindo todos os pulmões da cidade.”
O que quer dizer o termo “pulmões” do modo como está empregado? 
Sabemos que os pulmões são o órgão do corpo humano responsável 
pela respiração e oxigenação. Se entendermos a cidade também 
como um organismo, o termo “pulmões” conota as árvores que são 
progressivamente cortadas para ceder espaço para as construções. Assim, 
entre pulmões e árvores há uma relação de semelhança, dada a função 
que estas desempenham na produção de oxigênio. O mesmo acontece 
quando dizemos: “Amazônia, pulmão do mundo”.
Acompanhe outros exemplos de metáforas:
•	 Este rapaz é forte como um leão.
•	 Mariana é esperta como uma raposa.
Temos aqui comparações, que são formas de metáfora. “Leão” é um 
exemplo de força; “raposa” é um exemplo de esperteza. Poderíamos, no 
entanto, apenas dizer que:
•	 Este rapaz é um leão.
•	 Mariana é uma raposa.
Nestes últimos casos, perceba que fica a cargo do leitor atribuir o sentido 
à associação, e que essa atribuição dependerá da sensibilidade de cada 
um, podendo ser compreendida de modo distinto, mas em um mesmo 
campo de significação.
Cabe ressaltar que as gírias são formadas basicamente por relações 
metafóricas, e variam conforme a cultura e o momento. Veja:
•	 Que irado este seu corte de cabelo!
No exemplo bastante contemporâneo, o termo “irado” é utilizado no 
lugar de legal, surpreendente e até de moderno.
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Saiba, entretanto, que a metáfora pode caracterizar a leitura de 
um texto como um todo. Em um episódio do seriado de televisão 
“Lost”, intitulado “A metáfora da mariposa”, vemos dois personagens 
fundamentais da trama logo na primeira temporada da série. São John 
Locke e Charlie. Charlie tem um sério problema com consumo de 
drogas, cometendo vários impropérios em função disso. Locke, por 
sua vez, percebe o consumo de Charlie e esconde a droga. Charlie tem 
crises de abstinência e pede de volta o pacote, pois ele “precisa” daquilo. 
Locke então conta uma história, construindo uma alegoria: é a história 
da mariposa, que, até nascer, fica dentro de um casulo, aguardando o 
momento certo para tornar-se forte o bastante e conquistar o mundo.
Sem explicar o que isso significa, Locke está dizendo a Charlie, por 
meio da história, que ele precisa se tornar forte o bastante para encarar o 
mundo sozinho, sem depender do uso da droga.
29.2 Metonímia
A metonímia é uma figura de linguagem baseada no uso de um nome 
no lugar de outro, pelo emprego da parte pelo todo, do efeito pela 
causa, do autor pela obra, do continente pelo conteúdo, entre outras 
possibilidades. 
Conforme a definição de Fiorin e Savioli (2006, p. 160), trata-se da “[...] 
alteração do sentido de uma palavra ou de uma expressão pelo acréscimo 
de um significado primeiro, quando entre ambos existe uma relação 
de contiguidade, de inclusão, de implicação, de interdependência, de 
coexistência”.
Vejamos:
•	 As chaminés deveriam ir para fora da cidade.
Neste caso, há uma relação de contiguidade entre chaminés e fábricas. 
•	 Comerás o pão com o suor do teu rosto.
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Temos aqui o pão como alimento, e suor como trabalho. 
Vejamos outros casos mais pontuais: 
•	 marca pelo produto: João usa Sorriso. (= João usa o creme dental 
da marca Sorriso.);
•	 autor pela obra: Rodrigo gosta de ler Rubem Fonseca. (= Gosta de 
ler a obra literária de Rubem Fonseca.);
•	 continente pelo conteúdo: Bebeu o copo todo. (= Bebeu todo o 
líquido que estava no copo.);
•	 instrumento pela pessoa que utiliza: Os microfones foram atrás das 
celebridades. (= Os repórteres foram atrás das celebridades.);
•	 gênero pela espécie: Os mortais habitam este mundo. (= Os 
homens habitam este mundo.);
•	 inventor pelo invento: Edson ilumina a cidade. (= As lâmpadas 
iluminam a cidade.);
•	 símbolo pelo objeto simbolizado: Não te distancies da cruz. (= Não 
te distancies da religião.);
•	 causa pelo efeito: Moro na fazenda e como do meu trabalho. (= 
Moro na fazenda e como o alimento que produzo.);
•	 efeito pela causa: Sócrates bebeu a morte. (= Sócrates tomou 
cicuta.);
•	 parte pelo todo: Várias pernas passavam correndo. (= Várias pessoas 
passavam correndo.);
•	 singular pelo plural: O trabalhador foi convocado para ir às ruas na 
luta por seus direitos. (= Os trabalhadores foram convocados, não 
só um.);
•	 espécie pelo indivíduo: O homem tenta ir a Marte. (= Alguns 
astronautas tentam ir a Marte.).
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29.3 Ironia
A ironia é outra figura de linguagem bastante utilizada e que consiste em 
dizer o contrário daquilo que se está afirmando.
•	 Parabéns pela sua grande ideia: conseguiu arruinar todo o meu 
trabalho!
•	 Quem foi o esperto que utilizou o computador e apagou tudo o que 
estava gravado?
•	 Moça linda, bem tratada, burra como uma porta: um amor!
Todavia, tome cuidado, pois o uso da ironia em excesso pode mostrar 
muito do seu mau humor ou do seu gênio ruim!
Estudo complementar
Para aprofundar o que vimos brevemente nesta 
unidade, você pode assistir ao episódio “Decifra-
me ou te devoro” da série Palavra Puxa Palavra, 
produzida pela MultiRio (Secretaria Municipal de 
Educação do Rio de Janeiro), disponível clicando 
aqui.
www.esab.edu.br 155
30 O clichê
Objetivo
Estudar a presença de lugares comuns na produção textual para saber 
como evitá-los.
Um dos problemas da produção textual é o de que não podemos intervir 
para solicitar esclarecimentos imediatos ao autor. Por isso é que se faz 
necessário montar a argumentação com muita clareza e a partir de dados 
precisos. Isso define a credibilidade que o leitor atribuirá àquilo que se 
está afirmando ou ao modo como se está apresentando determinado 
tema.
Nesse sentido,vimos rapidamente, na unidade 7, que o uso de frases 
feitas, pertencentes à sabedoria popular e universal, na maior parte das 
vezes atrapalha o desenvolvimento da argumentação. Expressões como 
“Devagar se vai ao longe”, “A pressa é inimiga da perfeição”, “A esperança 
é a última que morre”, ou frases como “O que estraga o Brasil são os 
políticos”, “Hoje em dia, as mulheres estão entrando no mercado de 
trabalho”, “Segundo pesquisadores americanos”, “Os jovens de hoje em 
dia”, todas estão esgotadas, referem-se apenas a generalidades e atuam 
como formas de ‘não pensar’. Além disso, normalmente estão carregadas 
de cunho ideológico. Por isso, cuidado!
Veja como essas expressões podem preencher um texto e, ao mesmo 
tempo, não dizerem nada:
Devagar se vai ao longe, porque a pressa é inimiga da perfeição e a esperança é a 
última que morre. É fato que o brasileiro é preguiçoso por natureza, mas graças a 
Deus aqui não há preconceito racial – somos um povo que tem horror à violência; 
nossa índole pacífica é proverbial no mundo inteiro. Se o homem tomasse consciência 
do valor da paz, não haveria mais guerras no mundo – bastava que cada um parasse 
para pensar na beleza do sorriso de uma criança e descobrisse que mais vale um 
pássaro na mão do que dois voando. A paciência é a mãe das virtudes, mas só com 
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determinação e coragem haveremos de resolver nossos problemas. O que estraga o 
Brasil são os políticos; sem eles estaríamos bem melhor, cada um fazendo a sua parte. 
Hoje em dia, felizmente, as mulheres estão entrando no mercado de trabalho porque, 
segundo pesquisadores americanos, elas são muito mais caprichosas que os homens. 
Já os homens, conforme uma conclusão do conceituado Instituto de Psicologia de 
Filadélfia, são muito mais desconfiados e estão sempre querendo mais. As pesquisas 
eleitorais nunca acertam porque são todas compradas. Mas a verdade é que o amor, 
quando autêntico, resolve tudo. O que não se pode esquecer jamais é que a esperança 
existe – e sempre existirá! (FARACO; TEZZA, 2005, p. 211)
Percebeu o problema? Segundo os autores, o lugar-comum – ou chavão, 
e, como chamamos aqui, clichê – consiste na pior praga dos textos 
argumentativos: pela sua natureza indiscutível, todo o conhecimento 
permanece acomodado em uma sabedoria que não nos pertence, 
que já está pronta, passando de geração em geração e evitando o 
questionamento. Trata-se de uma afirmação tão batida e repetida que não 
se pode fazer mais nada com ela além de repeti-la. No âmbito da redação 
escolar ela funcionava: era possível encerrar o texto afirmando que “não 
há nada mais belo que o sorriso de uma criança” ou “as guerras acabarão 
quando todos perceberem que só o amor constrói” e alcançar uma boa 
nota (pois era para isso que as redações eram construídas, não para um 
leitor!). Mas agora, em outro patamar da vida estudantil, não se pode 
mais encerrar os argumentos dessa forma (FARACO; TEZZA, 2005).
O lugar-comum encerra uma espécie de ordem ao leitor, pois em vez de 
chamar a atenção deste e convidá-lo a refletir, o clichê apenas comunica 
uma verdade incontestável e encerra uma possível discussão. Não raro, o 
lugar-comum pauta-se pelo imperativo: faça isso, desse modo; devemos 
fazer isso, devemos fazer aquilo, sem que haja uma justificativa para tal 
mandato (FARACO; TEZZA, 2005). 
Assim, para saber como lidar com o pensamento clichê, é bom que você 
saiba como evitá-lo.
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1) Evite as noções de totalidade indeterminada
O jovem...
O homem...
O mundo...
Os políticos...
As mulheres...
Por trás dessas denominações está uma noção genérica, sem 
fundamentos, que entende a sociedade como se ela estivesse constituída 
por blocos absolutamente homogêneos, que pensam e se comportam 
da mesma maneira. São afrontas analíticas a uma reflexão mais bem 
cuidada. Veja agora algumas frases:
Nada pode destruir o bem.
O homem bom é mais feliz.
O Homem é um ser egoísta por natureza.
O brasileiro não gosta de trabalhar.
A sociedade é uma máquina que não pode parar.
O amor só é amor quando é autêntico.
Faraco e Tezza (2005) destacam que frases dessa natureza vêm 
desacompanhadas de qualquer explicação a respeito do que seja ‘o 
bem’, ‘o Homem’, ‘o brasileiro’, ‘a sociedade’, ‘os políticos’. Ora, para 
definir cada um destes termos ou destas porções da sociedade, é preciso 
um ponto de vista sociológico, analisando geração, faixas etária, classe 
social, circunstância histórica. Do contrário, o que temos não é mais que 
provérbio de calendário ou frase de parachoque de caminhão!
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Figura 8 – A sabedoria incontestável do lugar-comum.
Fonte: <parachoquedecaminhao.com.br>.
2) Caráter amplo e vago de definição
Observe estas frases:
•	 O problema dos sem-terra e sua luta não tem sentido, pois perturba 
a ordem estabelecida.
•	 Deve-se respeitar o professor, pois na escola ele é uma autoridade.
O que essas duas afirmações dizem?
No primeiro caso, a afirmação pressupõe que se devam fazer protestos 
que não perturbem o estado atual das coisas. Isso é possível?
Ora, todo protesto se pauta justamente pelo questionamento ou 
inconformismo. Retirar isso do ato de protestar é torná-lo inócuo, sem 
sentido!
No segundo caso, entende-se que apenas em determinado lugar é preciso 
conceder respeito a um cidadão. Isso é certo?
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Uma coisa é o que queremos dizer; outra pode ser o que de fato dizemos, 
sem perceber. Repare que as afirmações citadas são fruto de noções 
apressadas, descuidadas, e que possibilitam um contra-argumento 
imediato. São um defeito grave no texto.
A dificuldade em se evitar o lugar-comum está no conforto de se escrever 
automaticamente, sem um processo de reflexão. Por isso, saiba que 
precisamos desafiar a nós mesmos o tempo todo. Esteja sempre lendo 
e analisando os pontos de vista, suas diferenças, o modo como são 
construídos. 
Você saberá quando uma argumentação é vazia, preconceituosa, mas 
também verá como uma argumentação bem elaborada faz com que você 
reveja coisas que já dava por certas. Por isso, sempre que puder, abandone 
a sua “zona de conforto”! 
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Resumo
Vimos como a coesão e a coerência são fatores essenciais da produção 
textual. A primeira se trata de um fator de encadeamento das unidades 
linguísticas presentes no texto. Em outras palavras, a coesão se dá pelo 
viés sintático do texto, no modo como construímos e entrelaçamos as 
frases e orações, e, portanto, no modo como construímos os períodos 
que estruturam os parágrafos. Partindo daí, a coerência opera no viés 
semântico do texto, ou seja, concerne às relações de sentido. 
Vimos também que, apesar de muitas vezes ser necessário seguir 
determinadas regras ou adotar certos procedimentos, você, com 
tempo, conquistará um estilo próprio de apresentar seus argumentos. 
Dando um passo a mais, vimos relações denotativas e conotativas. As 
primeiras se referem ao uso “normal” das palavras; as segundas referem-
se ao uso criativo das palavras, muitas vezes pelo uso de figuras de 
linguagem, como a metáfora e a metonímia. Por fim, aprofundamos 
nosso estudo sobre o clichê – o lugar-comum ou jargão –, ressaltando o 
cuidado necessário para montar argumentos sem o uso de “totalidades 
indeterminadas” e “definições de caráter amplo e vago”. Vamos em frente!
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31 Usos da crase
Objetivo
Revisar os principais usos da crase.
O uso da crase é um dos principais pontos de dúvida para quem está 
tentando escrever corretamente. Segundo Faraco e Tezza (2005, p. 142), 
trata-se de “[...] uma unanimidade nacional: ninguém sabe usá-la!”
A expressão “crase” é derivada do vocábulo grego krâsis, que indica a 
mistura de elementos combinados em um todo, como uma fusão de 
sons.
Na língua portuguesa, o sinal gráfico que indica acrase é o acento grave 
(`). O detalhe é que não se trata apenas de um sinal como tantos outros 
que vão sobre a letra A. 
Conforme a definição da gramática tradicional, a crase é um fenômeno 
fonético resultante da fusão entre a preposição a com o artigo definido 
feminino singular ou plural a ou as, podendo, ainda, fundir-se com o a 
inicial de pronomes demonstrativos, tais como aquele, aquilo, aquela 
(àquele, àquilo, àquela). Em suma, a crase indica a fusão de vogais 
idênticas, mas com função sintática distinta. Vamos estudar isso em 
detalhe.
31.1 Casos de uso da crase
A crase aparece somente em frases que contemplem duas situações. 
Estará sempre ao lado de uma palavra feminina ou quando o verbo, 
adjetivo ou advérbio solicitar a preposição a. Faraco e Tezza (2005, p. 
184) resumem: “[...] o emprego ou não do acento gráfico indicativo da 
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crase é apenas uma questão de regência. Perguntas: o antecedente exige a 
preposição a? O artigo também está presente?”.
Assim, a frase “Daniel dirigiu-se à empresa” replica que Daniel dirigiu-se 
a (preposição) + a (artigo) empresa. Acompanhe mais alguns exemplos 
típicos:
Jane dedica-se à família todo o tempo.
(Jane dedica-se a+a família todo o tempo.)
 
Meu avô era fiel à conduta militar.
(Meu avô era fiel a+a conduta militar.)
 
Todos estamos sujeitos às leis.
(Todos estamos sujeitos a+as leis.)
 
O rei ficava indiferente às súplicas do povo.
(O rei ficava indiferente a+as súplicas do povo.)
 
Você deve obedecer às normas do colégio.
(Você deve obedecer a+as normas do colégio.)
Pormenorizando, usa-se obrigatoriamente a crase:
•	 em locuções adverbiais: à noite, à tarde, à esquerda, à toa, às 
pressas, às vezes etc.;
•	 em locuções prepositivas: à vista de, à espera de, à guisa de, à roda 
de, à semelhança de, à custa de, à frente de, à razão de, à beira 
de, à cata de etc.;
•	 em locuções conjuntivas: à proporção que, à medida que etc.;
•	 diante de pronomes demonstrativos – aquele(s), aquela(s), aquilo 
– sempre que forem antecedidos por verbos que regem a preposição 
a (Como escapar àquele olhar?);
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•	 quando estiverem subentendidas as expressões à moda de, à 
maneira de (arroz à grega, trajes à esportiva);
•	 diante de numerais, apenas quando houver referência a horas (A 
aula começa às nove e dez);
•	 diante de nomes de lugares que admitem o artigo (Estou pronto para 
ir à Bahia).
Dica
Observe o macete: se vou a e volto da, crase há. Se 
vou a e volto de, crase pra quê?
Em outras palavras, se o termo regente for 
um verbo, substitua-o por uma das formas do 
verbo voltar – volto, voltarei etc. Ocorrendo 
a contração da ou das depois do verbo voltar, é 
necessário colocar a crase no a que antecede a 
palavra feminina.
José viajou a Bahia. > José voltou da Bahia.
Logo: José foi à Bahia. (com crase)
Otávio viajou a Florianópolis. > Otávio voltou de 
Florianópolis.
Logo: Otávio foi a Florianópolis. (sem crase)
Não se usa crase:
•	 diante de verbos (Ex.: Estão todos a errar o procedimento.);
•	 diante de palavras masculinas (Ex.: Ela foi ao cinema.);
•	 diante de artigo indefinido, mesmo que feminino (Ex.: A crise do 
casal levou a uma situação chata.);
•	 diante de pronomes que não aceitam o artigo (Ex.: A quem se 
dirigem as instruções? O presidente não se referiu a ninguém.)
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Detalhe: há pronomes que admitem artigo, ocorrendo a crase:
•	
Exemplo: Eduardo faz companhia à senhora. 
Júlia fez alusão à mesma professora.
diante da palavra casa quando indicar residência própria (Ex.: 
Matilde volta a casa todos os dias.). Detalhe: quando a palavra casa 
estiver especificada, ocorrerá a crase (Estavam dormindo quando 
cheguei à casa da madame);
•	 diante da palavra terra, como antônimo de bordo (Ex.: Estávamos 
em alto mar e voltamos a terra bastante cansados). Detalhe: como 
no caso anterior, quando a palavra terra vier especificada, ocorre a 
crase (Ex.: Elisa voltou à terra dos seus avós);
•	 em locuções formadas por palavras repetidas: frente a frente, gota a 
gota, dia a dia etc.;
•	 diante de substantivos próprios que não aceitam artigo (Ex.: Carlo 
foi a Bogotá).
A crase é opcional ou facultativa:
a. Diante de pronomes possessivos femininos no singular. Exemplos:
•	 Lourival estava à minha procura.
•	 Taíse mentiu a minha mãe.
b. Diante de substantivos próprios femininos. Exemplos:
•	 Ex.: À Rosalva deixo meu agradecimento.
•	 Nada do que faço agrada a Isabela.
c. Depois da preposição até. Exemplos:
•	 Ex.: Com medo, foi até a portaria.
•	 Aline ficará aqui até à meia-noite.
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Dica
Um macete simples para identificar a necessidade 
de crase é substituir a palavra feminina por uma 
masculina. Essa alteração desvendará a fusão 
a+a: se o resultado da palavra masculina apontar 
a preposição ao (derivada de a+o). Nesta frase 
ocorre a crase:
Ex.: Pedro dirigiu-se ao clube. 
Pedro dirigiu-se à praça.
Muitas vezes, a crase funciona como um fator de esclarecimento, pois a 
sua correta leitura facilita a interpretação do leitor. Em muitos casos (não 
em todos), a ambiguidade de uma frase se dissolve com a aplicação da 
crase.
Um exemplo clássico é o seguinte:
Vendo a vista. 
Vendo à vista.
Essa frase pode mostrar que o sujeito está apreciando a paisagem 
(‘vendo a vista’), mas também pode significar que se está a vender um 
objeto, porém mediante pagamento à vista (‘vendo à vista’). Veja outros 
exemplos:
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A moça cheira a rosa. (aspira)
A moça cheira à rosa. (exala)
 
Ricardo correu as cortinas. (percorreu)
Ricardo correu às cortinas. (seguiu em direção a)
 
Aderbal pinta a máquina. (usa pincel nela)
Aderbal pinta à máquina. (usa uma máquina para pintar)
 
Referia-se a outra mulher. (conversava com ela)
Referia-se à outra mulher, (falava dela)
Consulte essas observações a respeito do uso da crase sempre que você 
estiver em dúvida. E sempre que estiver lendo um texto cuja autoria é 
confiável, observe o modo como a crase é utilizada. É a melhor forma de 
você aprender.
Fórum
Dirija-se ao Ambiente Virtual de Aprendizagem 
(AVA) e participe do nosso fórum. Essa atividade 
permite a interação entre você, seu tutor e colegas 
de curso, contribuindo significativamente para a 
construção do seu conhecimento.
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32 Usos dos porquês
Objetivo
Revisar os principais usos dos porquês.
Esta unidade será bem esquemática e breve, para que você visualize o uso 
diferenciado na língua portuguesa destes termos: quê, por quê, por que, 
porquê e porque. Vamos lá!
32.1 Quê
O quê leva acento gráfico circunflexo sempre que for utilizado nas 
seguintes situações:
•	 Quando referir-se ao nome da letra q: Este quê está ilegível. Corrija, 
por favor.
•	 Monossílabo tônico, usado como pronome interrogativo ou relativo, 
em fim de frase: O professor estava se referindo a quê? Eu gostaria 
de consumir, mas não tinha com quê.
•	 Substantivo ou partícula substantiva: O comportamento de 
Genivaldo tinha um quê de timidez.
•	 Interjeição de protesto ou espanto: Quê! Assim não dá! Quê! Vamos 
parar com isso…
32.2 Por quê
Utilizamos por quê, separado e com acento gráfico circunflexo, quando 
for pronome interrogativo ou relativo, em fim de frase ou quando estiver 
isolado por vírgula, ponto-e-vírgula e ponto final:
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Não foi à festa, por quê?
Orlando foi excluído do grupo sem saber por quê.
32.3 Por que
Utilizamos por que, separado e sem acento gráfico, também quando 
for pronome interrogativo, mas apenas quando não estiver em fim de 
frase:
Por que não foi à festa?
Por que Orlando foi excluído do grupo?
Orlando não sabe por que foi excluído do grupo.
32.4 Porquê
Utilizamos porquê, junto e com acento gráfico circunflexo, quandose 
trata de substantivo com sentido de causa, motivo ou razão:
Carlos não entendeu o porquê daquele valor tão alto.
Aos nossos porquês, dá-se uma boa resposta.
É um homem cheio de porquês.
32.5. Porque
Utilizamos porque, junto e sem acento gráfico, quando se trata de 
conjunção:
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Ele não fez a leitura porque estava cansado. (conjunção causal)
Ele foi muito bem na prova porque estudou muito. (conjunção explicativa, equivalente 
a pois)
Bem, esses são os usos dos porquês (note que, nessa frase, o porquê é um 
substantivo!). Assim como no estudo da crase, retorne a esta unidade 
sempre que estiver em dúvida.
Estudo complementar
No site do Brasil Escola você encontra exercícios 
para testar o que aprendeu. Clique aqui e confira!
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33 O dito “cujo”
Objetivo
Revisar o uso adequado do pronome relativo cujo.
O uso do pronome cujo, igual a tantos outros assuntos ligados à 
gramática, está submetido a regras específicas. Em se tratando da 
oralidade, como vimos na unidade 4, há de se convir que ele não é 
um pronome, assim, tão recorrente; mas quanto à escrita, o seu uso é 
notório. Veja o exemplo de Faraco e Tezza (2005, p. 285):
Madre Paulina, que o nome de batismo era... 
Madre Paulina, que o nome dela era...
Os autores destacam que
[...] essas são formas coloquiais cujo emprego praticamente não se encontra no nosso 
padrão escrito. Além disso, são formas ‘estigmatizadas’, isto é, representam aquela 
diversidade que ‘pega mal’ na escrita, embora todo mundo fale assim. (FARACO; 
TEZZA, 2005, p. 285)
Por isso, é bom você estar ciente das suas particularidades, e assim exercer 
sua competência linguística de forma efetiva.
Partindo desse princípio, e conscientes de que se trata de um pronome 
relativo de caráter variável – ou seja, que exige sempre concordância –, 
analisaremos tais particularidades, estando elas demarcadas por alguns 
aspectos. Vejamos.
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33.1 Indicação de posse
A base do pronome relativo cujo é indicar posse (algo de alguém). É 
fundamental observar que os pronomes cujo(s) e cuja(s) concordam 
em gênero e número com o substantivo que substituem, podendo estar 
precedidos de preposição.
Para visualizar o processo, acompanhe a transformação destas orações:
Não gostei do filme. O diretor é seu amigo.
Não gostei do filme cujo diretor é seu amigo.
Não se usa artigo definido entre o pronome (cujo) e o substantivo que o 
segue. Portanto, jamais faça isto:
Não gostei do filme cujo o diretor é seu amigo.
É importante observar que o pronome virá antecedido de preposição 
sempre que a regência dos termos seguintes exigir. Veja o exemplo:
Este é Fernando, diretor de cujo filme todos gostam.
Se analisarmos a regência do verbo ‘gostar’, veremos que ele é classificado 
como transitivo indireto, que é uma classe de verbos que exige 
preposição (assim como consistir, responder, obedecer, simpatizar, 
dentre outros, pois quem responde, responde a alguém, quem simpatiza, 
simpatiza com algo e assim por diante). Veja mais alguns exemplos:
Este é o candidato em cuja disposição todos acreditam.
Eis o senhor com cujas atitudes não concordo. 
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Pode até soar esquisito, mas gramaticalmente falando, é assim mesmo!
Saiba mais
Consulte o site clicando aqui e aprimore o seu 
conhecimento a respeito dos verbos e sua relação 
com as preposições.
Por fim, um bom modo de saber usar o cujo e suas variações é substituir 
pelos equivalentes de que, do qual, da qual, dos quais, das quais, de 
quem. 
O homem, cujo casaco estava sujo, é que pegou o táxi. (de quem o, do qual o)
A fábrica, cujas paredes desabaram, foi construída no século passado. (da qual as, de 
que as)
33.2 Desuso
Mas qual será o motivo pelo qual o pronome cujo está em desuso?
Desuso, no caso, refere-se a formas do idioma, palavras que ‘caem 
de moda’ ou que simplesmente não vingam na fala e acabam sendo 
esquecidas.
Pense, por exemplo, em ‘vós’ e ‘doravante’: são quase de uso 
exclusivamente acadêmico, e mesmo nesse ambiente, elas têm sido 
evitadas, salvo nos cursos de Direito. 
O fato é que esse desuso se dá principalmente pelo motivo que 
apontamos no início desta unidade: ele não é usado na fala. Parte 
desse sumiço talvez possa ser explicado porque algumas funções que o 
pronome desempenhou em momentos anteriores da língua se perderam, 
como a de pronome interrogativo. 
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Imagine uma frase como “Cuja é esta cadeira?”, que equivale, 
atualmente, a “De quem é esta cadeira?”. Estranhíssimo, não? 
Em suma: pode-se usar o cujo à vontade. Você não estará sendo elitista 
nem cafona, basta usar de forma correta e saber dosar.
Saiba mais
Aprimore o que você estudou nesta unidade. 
Consulte o site Brasil Escola e amplie os seus 
conhecimentos sobre os pronomes relativos. 
Clique aqui.
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34 Usos do gerúndio
Objetivo
Revisar o uso adequado do gerúndio para evitar o gerundismo.
O gerúndio é uma das formas nominais do verbo, assim como o 
infinitivo e o particípio. Faz parte da língua desde a sua formação. 
Conceitualmente, é o tempo verbal preferido nas expressões cuja ideia é 
mostrar uma ação continuada – ou seja, o gerúndio exprime uma ação 
em curso, a ação progressiva, tal como ‘lendo’, ‘fazendo’, ‘escrevendo’, 
‘ouvindo’, ‘tocando’. Perini (2009) destaca que o gerúndio marca sempre 
uma oração subordinada.
Quando combinado com outro verbo auxiliar, o gerúndio pode marcar 
uma ação durativa: ‘estou falando com você’ ou ‘os abacates estão 
amadurecendo’. É importante, nesse caso, notar que, para marcar a 
ação, o gerúndio é necessariamente acompanhado do verbo estar: ‘estão 
amadurecendo’.
A questão que nos interessa a respeito dessa forma verbal é, na verdade, 
o seu mau uso: uma espécie de ‘hábito nacional de enrolar’. Ao mau uso 
do gerúndio, convencionou-se chamar de gerundismo, uma estrutura 
paralela, malvista, que empobrece a linguagem. Logicamente, trata-se de 
algo a ser evitado, assim como os demais vícios de linguagem.
34.1 O problema
Concebendo então o gerúndio como a forma verbal que exprime 
uma ação em curso, ou durativa, como identificar a sua distorção, o 
gerundismo?
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O gerundismo se constitui de uma estrutura verbal mais longa, só 
que vazia. Observe essas inadequações:
Vou estar comunicando a sua mensagem.
Não vou poder estar falando com você agora.
Você poderá estar comprando on-line.
Vou estar lhe retornando a ligação.
Em todos os casos, como você pode notar, há excesso de verbos. É, 
pois, esse acúmulo desnecessário de verbos que constitui a fórmula do 
gerundismo. Veja agora as versões adequadas:
Comunicarei a sua mensagem.
Não posso falar com você agora.
Você poderá comprar on-line.
Retornarei a sua ligação.
O gerúndio é a forma apropriada para as expressões em que se pede o 
conceito de ação continuada. O gerundismo – adicionar mais verbos à 
estrutura sem necessidade alguma –, no entanto, pode ocasionar dúvidas, 
ambiguidades, pouca clareza e enrolação.
Saiba, ainda, que o gerúndio é apenas uma das três formas nominais 
dos verbos da língua portuguesa. As outras são o infinitivo (pessoal e 
impessoal) e o particípio. 
No caso do verbo escrever, por exemplo, tem-se:
•	 infinitivo pessoal (escrever, escreveres…);
•	 infinitivo impessoal (escrever);
•	 gerúndio (escrevendo);
•	 particípio (escrito).
www.esab.edu.br 176
É bom lembrar que os verbos também podem ser flexionados por modos 
(indicativo, subjuntivo e imperativo) e por tempos (passado, presente e 
futuro). 
Saiba mais
Revise o seu conhecimento a respeito do 
gerundismo. Consulte o endereço clicando 
aqui e veja como utilizar os verbos no gerúndio 
corretamente.
www.esab.edu.br 177
35 Concordância
Objetivo
Revisaros princípios básicos da concordância verbal e nominal.
Ajustar os termos da oração para que concordem em gênero e número 
com o substantivo é a função da concordância nominal. Para chegar a 
uma frase correta, é preciso manter o artigo, o adjetivo, o numeral e o 
pronome sempre de acordo com o substantivo escolhido. Para isso, é 
preciso compreender a regra principal e se habituar às exceções. 
Já a concordância verbal trata das alterações que devemos fazer no verbo, 
a fim de deixá-lo em perfeita sincronia com o sujeito. Faraco e Tezza 
(2005) sublinham que a maior parte dos erros de concordância padrão 
dos estudantes ocorre em frases em que o sujeito aparece depois do 
verbo. Trata-se de uma estrutura que na linguagem oral não representa 
problema, mas na escrita se caracteriza como erro grave, chamando 
muito a atenção. A regra geral solicita que o verbo concorde com o 
seu sujeito em pessoa e número, mas também existem casos especiais. 
Acompanhe.
35.1 Concordância nominal
Regra geral
A concordância nominal é a adaptação entre nomes, com harmonização 
das flexões entre as palavras. A regra geral é simples: O artigo, o 
pronome, o adjetivo e o numeral concordam em gênero (masculino 
ou feminino) e número (singular ou plural) com o substantivo a que se 
refere. Acompanhe:
www.esab.edu.br 178
O denso (adjetivo) mar (substantivo) cobre-se de raios iluminados (adjetivo).
A menina (substantivo) que vi era muito elegante (adjetivo) e educada (adjetivo).
Múltiplos substantivos, um só adjetivo
Conforme a oração, entretanto, a concordância pode ser dificultada pela 
variedade de elementos ou pela sofisticação da língua, que muitas vezes 
apresenta uma série de casos que fogem à regra. É o que acontece quando 
a frase possui mais de um substantivo. Assim, quando os substantivos são 
do mesmo gênero, há duas concordâncias possíveis:
a. assumir o gênero do substantivo e passar para o plural:
•	 Vimos um rapaz e um menino assustados (adjetivo).
•	 Obs.: o adjetivo assumiu o gênero masculino, indo para o plural.
b. concordar apenas com o último substantivo em gênero e número:
•	 Francisco tem irmão e filho pequeno (adjetivo).
•	 Obs.: o adjetivo assumiu o gênero masculino, concordando 
apenas com o último substantivo.
Também é possível encontrar substantivos do mesmo gênero. Nesse 
caso, as duas concordâncias podem ser utilizadas, embora a primeira 
seja mais adequada por mostrar que a característica é atribuída aos 
dois substantivos. Mas caso o último substantivo esteja no plural, a 
concordância pode ficar apenas no plural.
Mateus tem apartamento e carro financiado / financiados (adjetivo).
Primo e amigos especiais (adjetivo) visitaram nossa casa neste fim de semana.
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Substantivos de gêneros diferentes
Há também duas possibilidades quando os substantivos pertencem a 
gêneros distintos:
a. adotar o masculino plural:
•	 Atenção e zelo mais que fraternos (adjetivo);
b. concordar somente com o substantivo mais próximo: perceba que 
temos dois substantivos e podemos fazer a concordância do adjetivo 
com o último substantivo, ou seja, o que está mais próximo do 
adjetivo. No caso a seguir, é com o termo “comunidade” (feminino, 
singular) que o adjetivo (alerta) está concordando;
•	 A polícia e a comunidade estavam alerta (adjetivo).
Obs.: caso o adjetivo tenha a função de predicativo, no caso de 
substantivos de gêneros distintos, o adjetivo deve permanecer no 
masculino plural. Confira o exemplo abaixo:
A cantora mais bela e o tenor da orquestra foram (verbo de ligação) convocados 
(predicativo).
 Um só substantivo, vários adjetivos
Para um substantivo com mais de um adjetivo, são duas as concordâncias 
possíveis:
a. quando o substantivo estiver no plural, não se usa o artigo antes dos 
adjetivos:
•	 Lia os idiomas mandarim (adjetivo) e guarani (adjetivo).
b. caso o substantivo esteja no singular, o uso do artigo será obrigatório 
a partir do segundo adjetivo:
•	 Estudo a língua japonesa, a italiana e a alemã.
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As exceções
Frequentemente, na língua portuguesa, alguns exemplos escapam à regra 
geral:
a. ‘É bom’, ‘é necessário’ e ‘é proibido’ são expressões que concordam 
obrigatoriamente com o substantivo a que se referem, mas só 
quando for precedido de artigo. Caso contrário, são invariáveis.
•	 Cenoura é bom para a saúde. 
•	 É necessária muita paciência. 
b. No caso de ‘um e outro’ e ‘num e noutro’, o substantivo fica no 
singular e o adjetivo vai para o plural.
•	 Num e noutro quesito mais complexos, ele se confundia.
c. Os adjetivos ‘anexo’, ‘incluso’, ‘apenso’, ‘próprio’ e ‘obrigado’ 
concordam sempre com o substantivo a que se referem.
•	 Seguem anexos os documentos.
•	 Os papéis estão inclusos no processo.
•	 Obrigada, disse a moça.
•	 Elas próprias costuraram as camisetas.
Obs.: a expressão ‘em anexo’ é invariável.
•	 Em anexo, segue a procuração.
•	 Em anexo, segue o despacho.
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35.2 Concordância verbal
Sujeito composto (dois ou mais) antes do verbo
A regra geral solicita que o verbo concorde sempre com o sujeito em 
pessoa e número.
As mulheres (sujeito – 3ª pessoa do plural) beberam  (verbo – 3ª pessoa do plural) 
muito suco de laranja.
Quando o sujeito é formado de palavras de mesmo gênero, o verbo pode 
ir para o plural ou concordar com o núcleo mais próximo.
Tristeza (sujeito 1) e solidão (sujeito 2) marcou/marcaram a sua vida.
Isso também ocorre quando o sujeito é formado de palavras em gradação 
ou enumeração (ou seja, o verbo vai para o plural ou concorda com o 
núcleo mais próximo).
Um mês, um ano, uma década de namoro não diminui/diminuíram a paixão.
Sujeito composto (dois ou mais) depois do verbo
A regra geral diz: verbo no plural ou concordando com o núcleo mais 
próximo.
Pesaram-lhe (verbo) à consciência a mentira (sujeito 1) e o descaramento (sujeito 2).
Pesou-lhe (verbo) à consciência a mentira e o descaramento.
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Sujeitos especiais
Quando o sujeito é ligado por meio da palavra ‘com’, no sentido de 
‘e’, atribuindo-se a ação verbal a todos os elementos, o verbo deve 
permanecer no plural.
O instrutor com os alunos definiram que aspectos julgar no concurso.
Quando o sujeito é ligado pela palavra ‘com’, no sentido de ‘em 
companhia de’, realçando-se, por meio do verbo, a ação do antecedente, 
o verbo concorda com o antecedente. Atente-se que o segmento 
introduzido por ‘com’ deve vir entre vírgulas.
O chefe, com todos os empregados, resolveu alterar o cronograma.
Quando o sujeito é ligado por ‘nem’, a concordância solicita verbo no 
plural.
Nem Maria nem Francisco apreciam camarão.
Em caso de sujeitos ligados por ‘não só… mas também’, ‘tanto… quanto’ 
e ‘não só… como’, o verbo deve ir para o plural ou concordar com o 
núcleo mais próximo.
Tanto Alfredo como Gabriele reivindicaram / reivindicou férias.
Quando os sujeitos estiverem ligados por ‘como’, ‘assim como’ e ‘bem 
como’, o verbo deve aparecer no plural e o segmento introduzido por 
‘como’ fica, em geral, entre vírgulas, como um aposto.
www.esab.edu.br 183
A fé, assim como a perspicácia, fizeram dela a candidata ideal.
Por fim, saiba que esses foram apenas alguns aspectos relacionados à 
concordância nominal e verbal. Há muitos outros casos aos quais você 
deve dar atenção. Para refinar o uso, consulte as gramáticas e também, 
quando estiver lendo, repare no modo como a concordância é realizada.
Tarefa dissertativa
Caro estudante, convidamos você a acessar o 
Ambiente Virtual de Aprendizagem e realizar a 
tarefa dissertativa.
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36 Usos do adjetivo
Objetivo
Revisar o estudo dos adjetivos para usá-los na medida certa ao 
escrever um texto.
Vamos começar com um esclarecimento. Perini (2009, p. 321) destaca 
que há limites bem pouco precisosentre classes gramaticais como 
substantivos e adjetivos. 
A velha foi tropeçando até o mercado. 
Uma mesa velha.
Qual a diferença do termo velha em ambas as frases?
Na primeira, velha é empregado como senhora de idade avançada. É 
um substantivo. Já na segunda, o termo velha é aplicado em relação a 
um substantivo anterior, mesa, modificando-o. Saiba, portanto, que o 
adjetivo é um modificador/qualificador do substantivo.
É comum também certa confusão entre adjetivo e predicado. Mas por 
quê?
Ambos são qualificadores. Só que enquanto o adjetivo atua como 
a palavra, variável, que modifica a compreensão do substantivo, 
expressando uma qualidade, um estado, um modo de ser, um aspecto ou 
aparência, o predicado expressa aquilo que se diz a respeito do sujeito.
A menina falante. (adjetivo)
A menina fala muito. (predicado verbal)
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Dito isso, atente para outro aspecto. Pense em um caso como ‘menino 
alegre’: sabemos que ‘alegre’ é o termo que modifica o substantivo, 
atribuindo-lhe uma característica. Porém, se tivéssemos a palavra ‘alegre’ 
separada do ser, ela se transforma em um substantivo abstrato.
36.1 Classificação dos adjetivos
•	 Primitivo: dá origem a outras palavras, ou seja, é o tipo de adjetivo 
que dá origem ao adjetivo derivado. Acompanhe:
Adjetivo primitivo Adjetivo derivado Substantivo Verbo
bom bondoso Bondade - 
rico enriquecido Riqueza enriquecer
•	 Derivado: formado a partir de outro adjetivo, substantivo ou por 
um verbo.
Adjetivo derivado Palavra primitiva
enriquecido rico (adjetivo)
barulhento barulho (substantivo)
falante falar (verbo)
•	 Simples: formado por um só elemento (esperto, surdo, rápido, 
grande etc.).
•	 Composto: formado por dois elementos (surdo-mudo, luso-
brasileiro, alviverde etc.).
•	 Pátrio: são os adjetivos que indicam nacionalidade, pátria, lugar, 
procedência dos seres em geral (africano, alemão, brasileiro, acreano, 
curitibano, paulista, paulistano etc.).
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36.2 Colocação do adjetivo
Há adjetivos cuja significação muda conforme a posição em que 
aparecem. Acompanhe:
velho amigo amigo de muito tempo
amigo velho amigo de idade avançada, idoso
má aluna aluna que não estuda 
aluna má aluna que faz maldades
Dada essa particularidade, tenha bastante atenção: você pode querer expressar uma 
coisa e dizer/escrever outra!
36.3 Locuções adjetivas
As locuções adjetivas têm o mesmo sentido e valor de um adjetivo, mas 
são formadas por mais de uma palavra.
Locução adjetiva Adjetivo
amor de pai amor paterno
união de irmão união fraternal
reunião de professores reunião docente
do inferno infernal
sem temor destemido
de homem humano, viril
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36.4 Flexão do adjetivo
Os adjetivos podem ser flexionados em gênero, número e grau.
Gênero: podem ser uniformes (que apresentam forma única: garoto/
garota inteligente, por exemplo) ou biformes (que apresentam masculino 
e feminino: garoto esperto/garota esperta).
Número: quanto ao número, os adjetivos apresentam as formas singular 
e plural, de acordo com o substantivo a que se referem.
Grau: o adjetivo apresenta dois graus, o comparativo e o superlativo. 
O grau comparativo serve para estabelecer relações de superioridade 
(mais que/mais do que), inferioridade (menos que/menos do que) ou 
igualdade (tão/quanto, tão/como, tanto/quanto, tanto como) entre duas 
coisas ou seres.
Sua calça é mais velha que a minha. (superioridade)
Seu livro é menos pesado que o meu. (inferioridade)
Sua viagem foi tão interessante quanto a minha. (igualdade)
Pode-se reforçar a comparação de superioridade ou inferioridade com os 
advérbios muito e bem:
Sua calça é muito mais velha que a minha.
Seu livro é bem menos pesado que o meu.
Quanto ao grau superlativo, podemos dividi-lo em absoluto e relativo. 
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No superlativo absoluto, considera-se a característica sem compará-la à 
de qualquer outro ser: 
Jacinto é extremamente feliz.
Uma mulher belíssima entrou no cinema.
Já no superlativo relativo, considera-se a qualidade em relação à de 
outro ser:
Poderemos, enfim, assistir em full hd às mais novas versões de Jornada nas Estrelas.
Estes filmes foram os menos interessantes que já vimos.
36.5 O que você não deve fazer
Agora que você já revisou os aspectos gramaticais do adjetivo, atente para 
o seguinte: ao escrever, escolha bem as palavras para alcançar aquilo que 
você, de fato, deseja comunicar. Evite adjetivos que denotem juízos de 
valor (bonito/feio, verdadeiro/falso, certo/errado etc.). Utilize adjetivos 
que tornem mais preciso o sentido dos substantivos (amarelo/preto, 
redondo/quadrado, tradicional/inovador etc.). 
Em um texto informativo, ou resenha, por exemplo, em vez de algo 
como “O livro é muito grosso”, escreva “O livro tem 350 páginas”, 
procurando especificar a dimensão exata ou aproximada. Em textos 
mais opinativos, é mais flexível o uso dos adjetivos, mas com cautela 
e sobriedade. O uso excessivo pode mascarar a pouca fundamentação; 
sustente a sua opinião em fatos. Em suma: adjetivos? Use com 
moderação!
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Atividade
Chegou a hora de você testar seus conhecimentos 
em relação às unidade 28 a 36. Para isso, dirija-se 
ao Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e 
responda às questões. Além de revisar o conteúdo, 
você estará se preparando para a prova. Bom 
trabalho!
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Resumo
Caro estudante, fizemos uma boa revisão de aspectos gramaticais. 
Revisamos os usos da crase, distinguimos os usos dos porquês, 
aprofundamos o estudo do pronome relativo ‘cujo’ e os cuidados 
necessários para não cometer nenhuma gafe! Vimos também um erro 
comum na comunicação oral que é o gerundismo, caracterizado pelo 
excesso de verbos em uma mesma frase. Dando continuidade, estudamos 
alguns casos de concordância nominal e verbal e, por fim, estudamos 
os adjetivos, enfatizando o cuidado de não utilizá-los em excesso na 
produção textual.
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37 Estrangeirismos
Objetivo
Saber lidar com as palavras estrangeiras no texto.
Estrangeirismo é o uso de palavra ou expressão em idioma estrangeiro 
em vez da correspondente em nosso idioma. Na gramática tradicional, 
os estrangeirismos são tratados dentro dos vícios de linguagem, os quais 
correspondem a expressões que, embora muitas vezes corretas, deixam o 
sentido ambíguo ou constituem deselegâncias linguísticas. 
Dentro dessa categorização, o estrangeirismo corresponde ao emprego 
no texto de palavras e expressões de outros idiomas, mas que possuem 
correspondentes na língua portuguesa. 
Nesse viés da gramática tradicional, saiba que os estrangeirismos recebem 
a seguinte classificação:
•	 anglicismo: quando a palavra utilizada é de origem inglesa;
•	 galicismo: quando a palavra é de origem francesa;
•	 germanismo: quando a palavra é de origem alemã. 
Se você estudar a fundo, ficará surpreso com a quantidade de adaptações 
que temos na língua portuguesa. Termos que julgamos comuns e têm 
origem estrangeira. Veja alguns casos:
•	 buquê = ramalhete
•	 chance = oportunidade
•	 chofer = motorista
•	 comitê = comissão
•	 enquete = pesquisa
•	 gafe = disparate
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•	 marcante = notável
•	 menu = cardápio
Percebeu? Embora sejam palavras de uso comum em nosso idioma, 
elas constituem estrangeirismos, uma vez que dispomos de termos no 
português que cobrem o significado desejado.
O quadro a seguir apresenta uma série de termos, destacando-se a 
origem, categoria, adaptação e significado. Acompanhe: 
PALAVRA ORIGEM CATEGORIA ADAPTAÇÃO EQUIVALENTE
abat-jour francês abajur quebra-luz
Affair inglês caso amoroso
Aftershave inglês loção de barbear
Airbag inglês automóvel almofada de ar
baby-sitter inglês babá
back-up inglês informáticacópia de segurança
Barbecue inglês churrasco
Barman inglês empregado de bar
best-seller inglês êxito de vendas
Blackout inglês eletricidade; 
militar
blecaute corte de energia
Bricolage francês bricolagem trabalhos manuais
Browser inglês informática navegador
Buffet francês bufê
Carnet francês carnê
check-in inglês registro de embarque; 
registro de entrada
check-up inglês exame geral
Checkout inglês registro de saída
cheeseburger inglês hambúrguer de queijo
Complot francês complô trama; conspiração
Confetti italiano confete
Delivery inglês entrega
Design inglês desenho industrial
Display inglês expositor
Drink inglês drinque bebida
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e-book inglês informática livro eletrônico
e-mail inglês informática correio eletrônico
Expert inglês especialista
Feedback inglês retorno
Feeling inglês percepção; sensação
Gaffe francês gafe deslize; descuido
Input inglês entrada
Insight inglês intuição
Karate japonês esporte caratê
Knockout inglês nocaute
Layout inglês leiaute esboço
Network inglês rede; cadeia
Outdoor inglês cartaz
Password inglês senha
Ranking inglês classificação
Ticket inglês bilhete
Underwear inglês roupa de baixo
Volley inglês esporte vôlei
Quadro 3 – Estrangeirismos.
Fonte: <portaldalinguaportuguesa.org>.
37.1 Como proceder
Ao escrever um texto, certos estrangeirismos podem tornar difícil a 
compreensão do assunto ou soar de maneira pedante. 
É claro que chamar ‘intervalo para o café’ de coffee break é uma bobagem completa; 
não é apenas uma má escolha de vocabulário, mas sinal de uma atitude que 
atribui a palavras estrangeiras, em geral de origem inglesa, uma superioridade 
intrínseca. É exatamente a mesma atitude que leva as empresas a escolher 
sistematicamente nomes ingleses para seus produtos, de cigarros a chocolates, de 
carros a brinquedos (embora os donos de motéis preferiram dar nomes franceses para 
seus estabelecimentos…) – e essa é uma questão universal, não apenas brasileira. 
(FARACO; TEZZA, 2008, p. 35-36)
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Por isso, aja com bom senso: prefira as expressões em português, quando 
houver. Palavras e expressões estrangeiras são usadas quando não existe 
equivalente em nosso idioma, ou quando o uso corrente consagrou seu 
uso (tais como blitz, lobby, on-line, pop, rock, show, réveillon, status etc.). 
Afinal, é muito mais tranquilo referir-se a um ‘abajur’ do que a um 
‘quebra-luz’, não?
Quando for um termo muito específico, e que não tem tradução, 
você deve redigi-lo seguido de explicação: spread, taxa de risco nos 
empréstimos internacionais. Caso o seu texto faça referência ao termo 
várias vezes, explique apenas na primeira vez.
Graficamente, utiliza-se o itálico para a grafia dos nomes estrangeiros. No 
entanto, nomes de companhias estrangeiras (Levi’s, Boeing, Sears, por 
exemplo) não necessitam deste recurso; já nomes de órgãos e entidades 
devem ser traduzidos. Mas caso a tradução não esclareça o que o órgão 
faz ou desempenha, deve-se mencionar a sigla acompanhada de um 
equivalente brasileiro: FBI (Birô Federal de Investigações, a polícia 
federal norte-americana).
São esses os procedimentos no que diz respeito aos estrangeirismos na 
produção textual. Exercite!
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38 Ênclise, próclise, mesóclise
Objetivo
Revisar as principais regras de colocação pronominal.
A norma padrão da língua portuguesa estabelece que os pronomes 
oblíquos átonos (me, te, se, o, os, a, as, lhe, lhes, nos e vos) podem 
aparecer em três posições dentro da oração (FARACO; TEZZA, 2008): 
•	 antes do verbo (próclise); 
•	 depois do verbo (ênclise); 
•	 no meio do verbo (mesóclise). 
De modo sucinto, utiliza-se a próclise quando a oração apresenta 
palavras com sentido negativo, advérbios, pronomes relativos, indefinidos 
e demonstrativos, preposição seguida de gerúndio ou ainda conjunção 
subordinativa. 
A ênclise é utilizada nos casos em que o verbo aparece no início da 
oração, após vírgula, ou flexionado no imperativo afirmativo, no 
infinitivo impessoal ou ainda no gerúndio. 
A mesóclise, por fim, acontece quando o verbo está empregado no 
futuro do presente ou no futuro do pretérito. 
Vejamos agora isso em detalhe, por meio de exemplos. A base do que 
veremos são as considerações de Faraco e Tezza (2008, p. 291-294).
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38.1 Próclise
Posição: o pronome oblíquo átono aparece antes do verbo.
Emprego
a. Oração negativa, sem pausa entre o verbo e as palavras de 
negação:
•	 Ninguém se pronuncia a respeito do roubo.
•	 Nada me foi dito.
Obs.: caso a palavra negativa preceder o verbo em modo infinitivo sem 
flexão, é possível empregar a ênclise:
•	 Não contei tudo para não entristecê-la.
b. Frases exclamativas e optativas (indicando desejo):
•	 Quanta água se desperdiçou!
•	 Que o diabo te carregue!
c. Advérbio (não seguido de vírgula):
•	 Lá se vê muita discórdia.
Obs.: caso o advérbio esteja seguido de vírgula, usa-se a ênclise:
•	 Lá, vê-se muita discórdia.
d. Pronome relativo, indefinido e demonstrativo:
•	 Alguém me diga como se instala isso.
•	 Isso te diz respeito.
•	 Ela que se diz advogada não sabe nem escrever.
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e. Conjunção subordinativa:
•	 Preciso de que me empreste a mochila.
•	 Quando se tem fé, tudo dá certo. 
f. Pronome ou palavras interrogativas:
•	 Quem me disse isso?
•	 Gostaria de saber o porquê de te assustares assim.
g. O numeral ‘ambos’:
•	 Ambos se libertaram das drogas.
Uso facultativo
a. Quando o sujeito estiver posicionado logo antes do verbo, a próclise 
será facultativa:
•	 Alberto se machucou.
•	 Alberto machucou-se.
b. Se o verbo estiver no infinitivo pessoal e for regido pela preposição 
‘para’, a colocação do pronome oblíquo poderá ser antes ou depois 
do verbo, mesmo na presença do advérbio ‘não’.
•	 Calei para não irritá-lo.
•	 Calei para não o irritar.
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38.2 Ênclise
Posição: o pronome oblíquo átono aparece depois do verbo.
Emprego
a. Início da frase ou após sinal de pontuação:
•	 Dê-me um lápis, empreste-me o caderno.
b. Orações imperativas:
•	 Busque seus filhos e divirtam-se.
c. Quando o verbo permanecer no infinitivo, sem flexão, e for 
precedido da preposição a, em se tratando dos pronomes o/a, os/as:
•	 Eles correram a escutá-lo com vontade.
•	 Josefina prestou-se a questioná-la.
•	 Espero não tornar a vê-las.
d. Infinitivo: 
•	 Viver é arriscar-se.
e. Gerúndio:
•	 Falando-se em química, é necessário observar a tabela periódica. 
Obs.: Caso o gerúndio venha precedido da preposição ‘em’ ou de advérbio 
que o modifique diretamente, sem pausa, a próclise é obrigatória:
•	 Em se tratando de química, é necessário observar a tabela 
periódica.
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f. Verbo auxiliar + gerúndio:
Os pronomes podem, neste caso, vir em próclise ou ênclise:
•	 Vou-me debatendo.
•	 Vou me debatendo.
38.3 Mesóclise
Posição: o pronome oblíquo átono aparece no meio do verbo.
Emprego: deve-se observar as regras da próclise. A ressalva é que quando 
o verbo estiver nos tempos futuros do indicativo, então a mesóclise é 
empregada.
•	 Convocar-te-ia à palestra.
•	 Convocar-te-ei à palestra
•	 Dar-te-ia um beliscão.
•	 Dar-te-ei um beliscão.
Estudo complementar
Complemente o estudo da colocação pronominal 
do site Brasil Escola, disponível clicando aqui.
Finalizamos esta unidade destacando a importância de estar atento a esses 
casos e empregar corretamente o local em que os pronomes oblíquos 
átonos aparecem dentro da oração.
www.esab.edu.br 200
39 Dúvidas frequentes
Objetivo
Revisar a aplicação de elementos como onde/aonde, através/por 
meio de, ao invés de/em vez de, à medida que/na medida em que, 
este/esse, isto/isso, entre outros.Prezado estudante: é comum fazer confusão na hora de utilizar vários 
termos da língua portuguesa. “Este” e “esse”, “isto” e “isso”, “através de”, 
“por meio de”, “ao invés de”, “em vez de”, todas essas expressões são 
utilizadas com frequência, e muitas vezes de maneira equivocada. 
Acompanhe os exemplos a seguir e veja como aplicá-las do modo certo.
39.1 Onde/aonde
A palavra onde indica permanência, o lugar em que se está ou em que 
se passa algum fato (FARACO; TEZZA, 2008). Complementa verbos 
que exprimem estado ou permanência e que normalmente pedem a 
preposição em.
Durante a semana, Marta chegou a telefonar para a presidente do Diretório Zonal do PT 
em Pirituba, Sônia Maria Barbosa e Silva, onde teria agenda no sábado, e questionou 
sobre o apoio à sua candidatura.
O vocábulo aonde, por sua vez, conta com a preposição a, que indica 
movimento, destino. Por isso, só pode ser utilizado quando a frase 
exprimir alguma ideia de destino.
A pequena candidata ao posto de miss sabia exatamente aonde queria chegar.
Faz três dias que abandonou o cargo no posto de saúde, aonde deverá retornar 
brevemente para efetivar a exoneração.
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39.2 Através de/por meio de
A diferença entre através de e por meio de é bem simples de entender.
Imagine: “O ladrão assalta a casa através da janela ou por meio dela?”
Através de possui significado ligado ao movimento físico (da mesma 
forma que aonde), indicando a ideia de atravessar. Portanto: 
O ladrão fugiu da casa através da janela.
Já por meio de relaciona-se à ideia de instrumento, utilizado na execução 
de determinada ação. 
Consegui localizar meu amigo de adolescência por meio do Facebook.
39.3 Ao invés de/em vez de
Ao invés de tem o sentido de “ao contrário de”, “em oposição a”, 
“avesso”, “inverso”.
Ao invés de festa, fizeram um velório.
Ele disse que comprou a prazo ao invés de à vista.
Faça sua parte, ao invés de fazer a minha!
Em vez de, diferentemente, apresenta o sentido de “no lugar de” ou “em 
lugar de”. Mas pode ainda assumir o significado de ao invés de, sem 
problemas.
Em vez de ficar contando histórias, fale o que está pensando!
Faça sua parte, em vez de ficar me cobrando que faça a minha! 
Em vez de dividir, ele acredita que a melhor saída para desenvolver o estado é 
reivindicar da União maior repasse de recursos.
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39.4 À medida que/na medida em que
As expressões à medida que e na medida em que são locuções 
conjuntivas, ou seja, possuem valor de conjunção. Sua função é ligar duas 
orações. Mas há diferenças importantes no uso.
À medida que é uma locução conjuntiva proporcional: expressa a ideia 
de proporção. Em função disso, poderá sempre ser substituída por à 
proporção que. Uma oração que contenha à medida que é subordinada 
à principal e mantém uma comparação com a mesma de igualdade, 
aumento ou diminuição.
Já na medida em que é uma locução conjuntiva causal: seu objetivo 
é oferecer às orações noções de causa/consequência ou efeito. 
Diferentemente de à medida que, ela pode ser substituída pelas 
equivalentes uma vez que, porque, visto que, já que e tendo em vista 
que.
Agora, preste bastante atenção:
À medida que convivemos com os animais, somos mais felizes e menos estressados.
Na medida em que convivemos com os animais, somos mais felizes e menos 
estressados.
Gramaticalmente, as duas orações estão corretas. O sentido de cada uma 
delas, porém, muda conforme a expressão escolhida.
À medida que convivemos com os animais, somos mais felizes e menos estressados.
Significado: Tornamo-nos mais felizes e menos estressados à proporção 
que convivemos com os animais.
Na medida em que convivemos com os animais, somos mais felizes e menos 
estressados.
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Significado: Tornamo-nos mais felizes e menos estressados porque 
convivemos com os animais.
Lembre-se, em caso de dúvida, basta substituir as locuções por suas 
formas equivalentes e observar se a oração não perdeu o sentido que você 
pretendia oferecer a ela. 
39.5 Este/esse, isto/isso
Na língua portuguesa há três pronomes demonstrativos, cujas formas 
variam em gênero e número. Esses pronomes assinalam a posição do 
objeto em relação às pessoas do discurso (falante ou ouvinte) e ao assunto 
deste discurso (o ser de que se fala).
•	 1ª pessoa: meu -> este/esta/isto
•	 2ª pessoa: teu -> esse/essa/isso
•	 3ª pessoa: seu -> aquele/aquela/aquilo
Acompanhe a lógica do emprego correto dos pronomes demonstrativos:
Em relação ao lugar
a. O lugar onde estou: este/isto
b. O lugar onde você está: esse/isso
c. E caso o lugar esteja distante do falante e do ouvinte: aquele
•	 Nesta unidade apresentamos a utilização correta de alguns 
pronomes.
•	 Traga-me essas apostilas que estão com você.
•	 Eu te devo isto.
Em relação ao tempo
a. Presente: este/isto
b. Passado ou futuro próximo: esse/isso
www.esab.edu.br 204
c. Passado distante: aquele
•	 Não há ocorrência de acidentes na rodovia nesta data [hoje].
•	 Mamãe vai estar aqui em casa por esses dias...
Em relação ao discurso
a. O que será mencionado: este/isto
b. O que foi mencionado: esse/isso
•	 É isto que eu digo sempre: ler é fundamental para saber escrever.
•	 É possível aprender à distância? Disso tratam os autores no artigo 
deste mês [o mês atual].
Em relação ao discurso, entre dois ou três fatos citados
a. O primeiro que foi citado: aquele
b. O do meio: esse/isso
c. O último citado: este/isto
•	 Houve uma guerra no Brasil entre a esquerda e a Ditadura 
Militar instaurada: estes [os militares] venceram aqueles [os 
representantes da esquerda política].
Para sua reflexão
Fizemos uma boa revisão gramatical até este 
ponto do nosso estudo. A partir de tudo o que 
vimos até aqui, reflita: a gramática auxilia a 
escrever melhor? Por quê? Mas e quanto a um 
apego muito forte à gramática, pode atrapalhar a 
escrita?
As respostas a essas reflexões formam parte de sua 
aprendizagem e são individuais, não precisando 
ser comunicadas ou enviadas aos tutores.
www.esab.edu.br 205
40 Tautologias
Objetivo
Estudar os principais vícios de linguagem para saber como evitá-los.
Vimos na unidade 4 que a língua não é uma coisa inerte; pelo 
contrário, trata-se de algo vivo e dinâmico, usado pelos falantes de 
uma comunidade para a expressão de necessidades, sentimentos e 
ideias. Justamente por isso, trata-se de um código sujeito a constantes 
transformações e adaptações conforme as necessidades comunicativas dos 
usuários (FARACO; TEZZA, 2008).
Evidentemente, ninguém fala do mesmo modo como escreve. Sabemos 
que a linguagem oral é mais flexível e nos permite estar mais à vontade 
em nosso modo de expressão (FARACO; TEZZA, 2008).
Dada essa diferença, precisamos, ao escrever, estar de olhos bem 
abertos para alguns detalhes que podem desmerecer o nosso esforço. 
Entre os aspectos a que devemos dar atenção é saber evitar os ‘vícios de 
linguagem’. Mas o que vem a ser isso?
Chama-se tautologia o vício ou figura retórica que consiste em repetir a 
mesma ideia com termos diferentes. A origem da palavra vem do grego 
tautó, que significa ‘o mesmo’, mais logos, ‘assunto’. 
A tautologia pode ser considerada um vício discreto – sua percepção 
depende de uma interpretação de texto clara e amadurecida. 
Nesta unidade, portanto, veremos alguns modos para identificar as 
tautologias e assim evitá-las, a fim de aprimorar a sua capacidade de 
expressão escrita e falada.
www.esab.edu.br 206
40.1 Casos
Observe:
•	 amanhecer o dia
•	 certeza absoluta
•	 detalhes minuciosos
•	 elo de ligação
•	 fato real
•	 há anos atrás
•	 relações bilaterais entre dois países
•	 surpresa inesperada
•	 vereador da cidade
•	 vítima fatal
Você consegue identificar um vício comum em todos esses termos? 
Vamos verificar um a um.
•	 Amanhecero dia: só o dia amanhece.
•	 Certeza absoluta: não pode haver certeza relativa.
•	 Detalhes minuciosos: detalhes e minúcias significam a mesma 
coisa.
•	 Elo de ligação: um elo é feito para ligar.
•	 Fato real: fatos são reais, o contrário é fantasia.
•	 Há anos atrás: ‘há’, nesse caso, já indica passado.
•	 Relações bilaterais entre dois países: o prefixo ‘bi’ já quer dizer 
dois.
•	 Surpresa inesperada: se fosse esperada, não seria surpresa.
•	 Vereador da cidade: não existe vereador estadual ou federal; 
vereador é o cargo atribuído ao integrante de uma câmara legislativa 
municipal.
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40.2 Relações
Nudez pública é imoral porque é uma ofensa evidente.
Este é um caso comum em questões conhecidas como ‘pegadinha’. 
Analisando essa frase, podemos dizer que a tautologia é “irmã gêmea 
da redundância e prima da falácia”, uma vez que pode ser usada para 
provar uma ideia com a mesma declaração, sem adicionar informação 
nova. 
Note, no exemplo, que a frase possui duas afirmativas: uma das premissas 
é dada como verdadeira (‘Nudez pública é imoral’), mas não se explica 
a sua conclusão (‘porque é uma ofensa evidente’). Ou seja, as duas 
afirmações dizem a mesma coisa. Para você visualizar melhor, separe as 
duas orações:
Nudez pública é imoral. 
Nudez pública é uma ofensa evidente.
São duas afirmações com mesmo teor significativo, e ambas necessitam 
de uma justificativa. Uma não pode justificar a outra. 
40.3 Pleonasmo
Se você buscar em alguma gramática a definição de pleonasmo, 
encontrará algo muito semelhante ao que chamamos aqui de tautologia: 
consiste na repetição desnecessária de uma ideia. Mas qual será a 
diferença?
O pleonasmo é subdividido em duas categorias: o pleonasmo de estilo, 
que se refere à figura de linguagem, cujo uso não deve ser reprimido, por 
um simples motivo: não se trata de uma deselegância. “Vi com meus 
próprios olhos”, “A mim me parece” são construções habituais e não 
www.esab.edu.br 208
constituem uma redundância agressiva. É possível detectar muitos casos 
de pleonasmo na literatura:
‘E rir meu riso’ (Vinícius de Moraes)
‘Ó mar salgado’ (Fernando Pessoa)
Já o que vimos aqui como tautologia se refere ao que comumente se 
denomina por pleonasmo vicioso. Não se trata, neste caso, de enfeitar 
a linguagem, mas sim de repetir desnecessariamente uma ideia já 
suficientemente explicitada (vide todos os exemplos anteriores).
40.4 Evitando tautologias
Para finalizarmos, acompanhe a lista a seguir. Você mesmo – note 
como o pleonasmo de estilo faz parte da linguagem: você é sempre você 
mesmo! – poderá definir as redundâncias em questão:
•	 a razão é porque
•	 a seu critério pessoal
•	 a última versão definitiva
•	 abertura inaugural
•	 acabamento final
•	 anexo junto à carta
•	 comparecer em pessoa
•	 continua a permanecer
•	 conviver junto
•	 criação nova
•	 demasiadamente excessivo
•	 empréstimo temporário
•	 encarar de frente 
•	 escolha opcional
•	 expressamente proibido
•	 gritar bem alto
•	 juntamente com
•	 multidão de pessoas
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•	 planejar antecipadamente
•	 possivelmente poderá ocorrer
•	 propriedade característica
•	 retornar de novo
•	 superávit positivo
•	 todos foram unânimes
Mas há como evitar as tautologias? Sim.
Existe uma fórmula? Não. 
Como tantos outros aspectos que já estudamos até aqui, a melhor forma 
de evitar as tautologias é prestar muita atenção e ser um crítico do 
próprio texto. 
Saiba mais
Para revisar esta unidade e se divertir um pouco, 
clique aqui e assista à esquete “Tautologias” da 
dupla Leandro Hassum e Marcius Melhem.
www.esab.edu.br 210
41 Pressuposto
Objetivo
Estudar os níveis de leitura do texto.
Comecemos com a leitura deste texto:
Festejada por ter sido a segunda mulher a ser nomeada ministra no 
Brasil, em 1989, Dorothéa Werneck voltará ao cargo, aos 45 anos, no 
Ministério da Indústria e do Comércio. Ela abriu caminho para cinco 
sucessoras – na área econômica, por exemplo, ninguém mais se chocou 
quando Zélia Cardoso de Mello ou Yeda Crusius foram escolhidas. Zélia 
dividiu opiniões. Yeda foi logo esquecida. Dorothéa manteve-se presente 
no noticiário, mesmo nos curtos períodos em que ficou sem cargo no 
governo e partiu para a iniciativa privada. [...]
Mesmo com cuidado e seriedade no trato com a ministra, empresários 
e sindicalistas – dos quais ela se aproximou em busca de um pacto anti-
inflacionário – nunca esqueceram que ela era uma mulher. Seu sexo 
foi lembrado sempre, como defeito ou qualidade. Mário Amato, então 
presidente da Fiesp, tentou traduzir esse sentimento e foi muito infeliz. 
Declarou, na frente dos jornalistas: “Ela é muito inteligente apesar de 
ser mulher”. O empresário, com isso, ganhou a antipatia da população 
feminina e de um Brasil que se rendia ao carisma de Doró (PINHEIRO 
apud FIORIN; SAVIOLI, 2006, p. 305).
Perceba que destacamos o comentário de Mário Amato a respeito de 
Dorothéa Werneck, “Ela é muito inteligente apesar de ser mulher”. 
Vamos por partes.
Está explícito nessa frase que a ministra é muito inteligente, não temos 
dúvida disso. Porém, há algo a mais. 
www.esab.edu.br 211
Está implícito que, de modo geral, as mulheres não são inteligentes, e 
que a ministra Dorothéa Werneck é uma exceção.
Como o próprio texto destaca, trata-se de um comentário infeliz e 
preconceituoso. Mas deixando isso de lado, o caráter implícito desse 
comentário nos mostra que um texto pode dizer coisas além daquilo que 
está escrito. Além das informações explicitamente ditas, há outras que 
ficam pressupostas ou subentendidas. 
Ou seja: para que você seja um leitor eficaz, precisa saber ler nas 
entrelinhas e captar aquilo que está subjacente no texto.
Se você é um leitor distraído, que não percebe as minúcias do discurso, 
pode acabar concordando com afirmações que, com um pouco mais de 
atenção, certamente rejeitaria.
Como autor, você pode fazer uso desta ‘camada secundária’ do texto de 
forma astuta. Vejamos isso em detalhe.
41.1 Pressupostos
“Pressupostos são ideias não expressas de maneira explícita, que decorrem 
logicamente do sentido de certas palavras ou expressões contidas na frase” 
(FIORIN; SAVIOLI, 2006, p. 307).
A partir dessa definição, observe a seguinte frase:
O céu continua nublado.
A informação explícita é de que o céu, no momento da afirmação, está 
nublado. Mas, além disso, o verbo continuar veicula a informação 
implícita de que antes ele já estava nublado. O mesmo pode ser 
verificado nesta outra frase:
Maria tornou-se uma estudante relapsa.
www.esab.edu.br 212
A informação explícita é a de que Maria é uma estudante relapsa, 
desatenta. Porém, do verbo tornar-se se extrai a ideia de que em algum 
momento antes ela não era assim. Pois se ela já fosse relapsa antes, não 
caberia o verbo que foi utilizado.
É muito importante prestar atenção nos pressupostos porque, ao utilizá-
los, o autor solicita ao leitor cumplicidade nos argumentos, pois a 
informação implícita não é colocada em discussão, e sim apresentada 
como fato – ‘líquido e certo’, como diz o ditado.
Vejamos mais um exemplo tratado por Fiorin e Savioli (2006, p. 307-308):
Para que o Brasil se torne um país do primeiro mundo será preciso privatizar as 
empresas estatais, abrir a economia ao ingresso de produtos estrangeiros e terminar 
com os direitos trabalhistas que oneram a folha de pagamento e a previdência Social.
Segundo os autores, o conteúdo explícito dessa frase é:
•	 o ingresso do Brasil no primeiro mundo exigirá a privatização das 
empresas estatais;
•	 o ingresso do Brasil no primeiro mundo exigirá a abertura da 
economia aos produtos estrangeiros;
•	 o ingresso do Brasil no primeiro mundo exigirá o término dos 
direitos trabalhistas.
Já quanto aos conteúdos implícitos:
•	 o Brasil ingressaráno grupo de países do primeiro mundo, se 
preencher essas condições;
•	 no Brasil as empresas e o Estado são onerados pelos direitos 
trabalhistas.
Os pressupostos se confirmam se desenvolvermos os seguintes 
argumentos:
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•	 existem países do primeiro mundo que se desenvolvem com base 
num setor estatal muito forte, que ainda é mantido;
•	 há países do primeiro mundo, como o Japão, que mantêm uma 
economia muito protegida da concorrência externa;
•	 na maioria dos países do primeiro mundo, os trabalhadores têm mais 
direitos que no Brasil, e as empresas e o Estado, mais encargos com 
os trabalhadores.
Como contraponto, estaremos destruindo tais ideias, dadas como 
verdadeiras, se dissermos:
•	 Brasil não ingressará no primeiro mundo, mesmo que privatize o 
setor estatal, abra a economia e acabe com os direitos trabalhistas, 
porque isso depende de outros fatores;
•	 encargos trabalhistas não são ônus, mas meio de manter a mão de 
obra viva.
Fiorin e Savioli (2006) destacam ainda que a aceitação do pressuposto 
estabelecido faz com que o debate siga adiante; já a recusa do que 
está pressuposto no discurso compromete o diálogo, pois a base 
argumentativa fica comprometida, de modo que nenhuma proposição 
tem mais importância ou razão de ser. 
Por exemplo: no texto que vimos, a base da argumentação de que é 
preciso privatizar, abrir a economia, encerrar os direitos trabalhistas, está 
no pressuposto de que o Brasil irá se tornar um país de primeiro mundo. 
Negando isso, tudo perde o sentido.
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41.2 Principais marcadores de pressuposição
Há uma série de termos que funcionam para marcar um pressuposto. Vejamos.
a. Determinados advérbios
•	 O professor ainda não divulgou as notas.
•	 Pressuposto: O professor já deveria ter divulgado as notas ou O 
professor divulgará as notas mais tarde.
b. Determinados verbos
•	 O desvio de dinheiro tornou-se público.
•	 Pressuposto: O desvio de dinheiro não era público antes.
c. Orações adjetivas
•	 Os vendedores, que só pensam no lucro, não se preocupam com 
os consumidores.
•	 Pressuposto: Todos os vendedores só pensam no lucro e não se 
preocupam com os consumidores.
Trata-se de uma oração adjetiva explicativa. Mas se suprimirmos as 
vírgulas, o sentido muda:
•	 Os vendedores que só pensam no lucro não se preocupam com os 
consumidores.
Temos agora uma oração adjetiva restritiva: não se trata mais de todos 
os vendedores, mas só daqueles que só pensam no lucro.
d. Os adjetivos
•	 Os políticos mal-intencionados são a praga do Brasil.
•	 Pressuposto: Existem políticos mal-intencionados no Brasil.
Assim encerramos esta unidade. Preste muita atenção naquilo que você lê 
e analise tudo o que pode estar sendo dito, sem ser escrito. Olho!
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42 Pesquisa: como proceder
Objetivo
Estudar os principais passos que envolvem a pesquisa bibliográfica e 
eletrônica para a elaboração de texto.
Saiba que pesquisar, basicamente, é buscar informações a respeito de 
algo, investigar.
Seria ótimo se, em uma pesquisa, bastasse informar o termo/assunto que 
precisamos e tudo aparecesse pronto, bastando apenas escolher, isso sim, 
isso não...
Mas não é bem assim. Por quê? Porque ao iniciar uma pesquisa temos 
uma ideia ainda vaga ou pouco fundamentada sobre aquilo do que 
queremos aprofundar nosso conhecimento. Conforme vamos estudando, 
o assunto se desdobra, e aquilo que antes parecia simples e certo se 
amplia e se complica.
Além do mais, nós próprios estamos envolvidos na matéria que 
estudamos, pois a todo o momento estamos acionando aquilo que 
sabemos de antemão naquilo que ainda estamos tentando entender. 
A informação nos transforma, e se não tomarmos alguns cuidados, 
podemos perder o foco, perder o interesse e tornar a pesquisa um quebra-
cabeça de difícil resolução.
Para lidar com isso é que existe algo chamado metodologia de pesquisa 
(e você já sabe dessa importância porque está estudando seu significado 
em Metodologia do Trabalho Científico). Ela nos mantém atentos ao que 
estamos buscando, de forma a selecionar e ordenar adequadamente os 
dados que surgem.
www.esab.edu.br 216
42.1 Pesquisa bibliográfica
A pesquisa bibliográfica é a forma mais tradicional e convencional 
de pesquisa. Quando desenvolvemos uma pesquisa bibliográfica, 
trabalhamos a partir de fontes escritas.
Medeiros (2008, p. 48) destaca quatro etapas para esta modalidade de 
pesquisa:
•	 identificação: levantamento sobre o que existe já publicado a 
respeito do assunto em questão;
•	 localização: é o passo seguinte, saber onde estão as obras específicas 
e fundamentais ao trabalho;
•	 compilação: é a fase de obtenção e reunião do material desejado;
•	 fichamento: transcrição dos dados em fichas, eletrônicas ou não, 
para posterior consulta dos elementos essenciais ao trabalho.
De certo modo, todas as demais modalidades de pesquisa, em 
algum momento, tornam-se pesquisas bibliográficas e se servem da 
biblioteca (o espaço consagrado à pesquisa bibliográfica), em busca de 
livros, enciclopédias, dicionários, artigos, revistas, teses, dissertações, 
monografias, documentos e iconografias que fundamentem ou auxiliem 
aquilo que estamos afirmando.
Hoje, no entanto, a pesquisa bibliográfica não se limita ao material 
impresso. Nela podemos incluir as fontes digitais, de modo que toda e 
qualquer pesquisa on-line, via internet, também se converte em pesquisa 
bibliográfica.
Uma das melhores fontes de pesquisa bibliográfica são os artigos de 
periódicos especializados, tais como revistas e jornais. A maior parte 
dos programas de pós-graduação das universidades e faculdades tem 
a sua própria revista, a fim de dar vazão à produção de seus alunos e 
professores. A princípio, essas publicações eram impressas, mas também 
em função da expansão da internet, do alto custo de impressão e das 
www.esab.edu.br 217
dificuldades de distribuição, a maior parte hoje existe principalmente – 
senão apenas – em versão eletrônica.
O problema dos artigos, contudo, sempre esteve na catalogação. As 
bibliotecas catalogavam, quando muito, apenas o jornal ou revista em 
si. Hoje, em contrapartida, são vários os bancos de dados on-line que 
registram a maior parte dos artigos publicados, nas mais diversas áreas. 
Há muitíssimo material para a sua pesquisa bibliográfica. Como dissemos 
antes, basta saber procurar, fazer combinações de pesquisa e selecionar os 
resultados.
Saiba mais
Clique aqui e conheça um dos principais banco de 
dados acadêmico para pesquisa bibliográfica.
42.2 Cuidados
Um trabalho de pesquisa nunca deve ser absoluto, ou seja, não se deve 
estudar um assunto de modo a querer esgotar a discussão, pois ninguém 
é capaz disso. A linguagem é mutante, as ideias trabalham, e tudo o que 
fazemos é fruto da interpretação. 
Uma leitura é sempre parcial, e isso é bom, pois assim sempre poderemos 
aprender mais sobre algo e modificar as ideias que talvez julgássemos 
finalizadas. É uma espécie de ética para com o saber e com a verdade: a 
verdade nunca é definitiva. E a história mostra que sempre que se julgou 
ser dono de uma verdade, muitas injustiças foram cometidas (basta 
pensar na série de guerras protagonizadas no século XX). Portanto, tome 
cuidado com aquilo que você julga líquido e certo! Certamente, se você 
pensar um pouco mais, pesquisar um pouco mais, verá que há mais 
pontos de vista a considerar.
Uma dica para facilitar o seu trabalho, sem cair na armadilha do “falar 
tudo” sobre um assunto, é pensá-lo paralelamente a outro assunto, 
www.esab.edu.br 218
numa combinação do tipo “A e B”. Vimos isso na unidade 19. Vamos 
recapitular.
É muito raro hoje alguém fazer um estudo relevante intitulado “A 
psicologia”, “A fotografia”, “A matemática”, “O homem”, “A arte” etc., a 
não ser quese trate de algo absolutamente inédito – o que é bem difícil!
É preciso contextualizar, é preciso “gerar atrito”, e para isso são sempre 
necessários dois corpos, dois termos, duas ideias. Em vez, por exemplo, 
de escrever sobre “A cultura digital”, escreva sobre “Cultura digital e 
educação” (já é muita coisa, não?), e se possível acrescente um subtítulo 
ao seu trabalho: “Cultura digital e educação: o laptop substituindo o 
caderno na sala de aula”, ou “Cultura digital e educação: como tirar 
o melhor proveito da tecnologia na sala de aula”, e assim por diante. 
Você com certeza terá mais facilidade para associar as ideias, fazer 
interpretações e construir significados utilizando combinações.
Estudo complementar
Você sabe pesquisar on-line com eficiência? Qual 
o seu procedimento padrão? Será que ele pode ser 
aperfeiçoado? Clique aqui e leia o artigo “Aprenda 
o básico sobre o Google”. Nesse documento, você 
encontra uma série de combinações e macetes que 
ajudarão a refinar a sua pesquisa e fazer com que 
você chegue nos sites certos.
42.3 Colocando a pesquisa em ação
Digamos que você queira realizar uma pesquisa sobre um assunto 
específico e já encontrou os dados com os quais quer começar a escrever. 
Como fazer isso?
Bem, para começar a escrever, primeiro você precisa conhecer o 
material que você reuniu. Faça fichamentos, destaque o que você julga 
fundamental, grife com caneta marca texto. Faça um mapa conceitual, do 
www.esab.edu.br 219
tipo “quero partir deste ponto, que se divide em tais e tais aspectos, que 
por sua vez estão implicados nos fatores X e Y, para enfim chegar aqui”. 
Medeiros (2008, p. 52) destaca que “[...] após o estabelecimento do 
tema, que é o assunto devidamente delimitado, passa-se à fase de leitura 
e fichamento”. Em seguida, o autor menciona algo muito interessante: 
“[...] com o transcorrer da pesquisa, o tema pode ser alterado”. Ou seja: 
podemos começar o trabalho com um certo olhar e não necessariamente 
terminaremos o trabalho com esse mesmo ponto de vista. E isso é bom: a 
pesquisa fez com que ajustássemos o foco para aquilo que realmente valia 
a pena.
Mas tenha em vista também que, para concluir algo, é preciso antes 
apresentar os dados e problematizá-los. Caso contrário, qualquer 
um pode perguntar: “Como você pôde afirmar isso? Não está 
fundamentado!”
Não esqueça também que, como todo e qualquer texto, a pesquisa é uma 
narrativa, com começo, meio e fim. Tente ter claros esses momentos 
da produção. Algumas coisas só podem ser ditas se antes tomarmos a 
precaução de explicar outras.
E não esqueça: cite sempre as fontes! É um compromisso ético para com 
o trabalho dos outros, e isso só dá respaldo à sua pesquisa.
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Resumo
Nestas últimas seis unidades, ampliamos a revisão de aspectos 
gramaticais. Estudamos alguns estrangeirismos, bem como o tratamento 
que devemos dar a estes termos no texto. Vimos os principais empregos 
dos pronomes oblíquos átonos e seu posicionamento (antes, no meio e 
depois do verbo). 
Buscamos esclarecer dúvidas recorrentes quanto a termos como em vez 
de/ao invés de, isso/isto, onde/aonde. Entendemos, ainda, as tautologias 
como vícios de linguagem que devem ser evitados: constituem um 
pedantismo ou deselegância linguística. Estudamos os pressupostos, que 
mostram significados não explícitos no texto, mostrando-nos camadas 
de leitura que dependem de nossa astúcia para serem interpretadas. Por 
fim, estipulamos algumas dicas sobre como conduzir um processo de 
pesquisa. Vamos adiante, estamos quase lá!
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43 Paráfrase
Objetivo
Estudar a constituição da paráfrase para saber como fazê-la 
adequadamente.
Na unidade 5, estudamos um conceito bastante rico, o de 
intertextualidade. Vimos, naquele momento, que esse conceito trata do 
diálogo entre os vários textos de uma língua (MEDEIROS, 2008), que 
suas formas habituais são a paródia e o pastiche, e prometemos retornar 
a esses conceitos quando estudássemos a paráfrase. Pois bem, chegou a 
hora!
Considere que um texto é bom à medida que se mostra capaz de 
estabelecer relações com o universo de ideias no qual ele se situa. Quem 
não consegue estabelecer relações dificilmente desenvolve o senso crítico, 
a capacidade de análise; permanece sempre no sentido literal, não capta 
as entrelinhas, os pressupostos, ou seja, aquilo que está além do escrito, e 
que necessita do nosso conhecimento extra e de nossa interpretação.
Frisamos, assim, a importância da variedade e constância da leitura. À 
medida que você constrói um repertório amplo de referências, amplia 
também o raio de associações que consegue estabelecer. Você se torna um 
construtor hábil de sentidos.
43.1 Paráfrase
Em termos objetivos, parafrasear é reafirmar, em palavras distintas, 
o sentido de um texto. Daí o seu vínculo com o conceito de 
intertextualidade. Medeiros (2008) define que a paráfrase pode ser 
ideológica ou estrutural. Vejamos.
www.esab.edu.br 222
No caso de paráfrase ideológica, as ideias permanecem as mesmas, o 
que varia é a sintaxe. Em se tratando desse viés, o que interessa é manter 
o modo como determinado autor, em um texto específico, pensa a 
respeito de algo, registrando-se “[...] o menor desvio possível em relação 
ao texto original.” (MEDEIROS, 2008, p. 139). Para visualizar isso, 
vamos analisar uma passagem do mesmo autor que estamos utilizando, 
Medeiros (2008), em outro capítulo de seu livro:
Antes de tudo, é preciso ter motivação para o estudo. Indivíduos desmotivados para 
aprender, por exemplo, uma língua qualquer, dificilmente chegarão a falar e escrever 
nessa língua. E a motivação parece estar ligada a interesses internos ao indivíduo, 
independendo de estímulos externos. (MEDEIROS, 2008, p. 18, grifo do autor)
Essa é a citação literal que fizemos do autor. Por isso mesmo, 
estabelecemos um recuo e demos um tratamento diferenciado à 
disposição do texto, indicando inclusive a obra e a página onde a citação 
se encontra. No entanto, poderíamos “diluir” o conteúdo dentro do 
nosso texto, mantendo as ideias fundamentais:
Medeiros (2008) afirma que a motivação é fundamental para o estudo. Quem não 
dispõe de motivação para aprender um novo idioma, por exemplo, dificilmente 
conseguirá uma boa performance na fala ou na escrita. E como alcançar a motivação? 
Trata-se de um processo interno e particular, que depende do interesse e esforço de 
cada um.
Já no caso da paráfrase estrutural, segundo Medeiros (2008), ocorre 
uma recriação do texto e do contexto. Mesmo sem saber de modo 
formal, estamos bastante habituados a essa forma de paráfrase, pois a ela 
dizem respeito o comentário crítico, avaliativo, apreciativo, o resumo e a 
resenha, que são formas parafrásticas estruturais de um texto.
Para visualizar isso, vamos visitar o site de uma livraria on-line e procurar 
pelo comentário ao livro de Medeiros, “Redação científica”, que estamos 
utilizando para conceituar esta unidade. Vejamos.
www.esab.edu.br 223
Todo profissional ou estudante precisa, nos dias atuais, saber comunicar-se com clareza. 
A capacidade para redigir textos de qualquer extensão é característica distintiva quer 
na faculdade, quer no ambiente de trabalho. Este livro ocupa-se de pré-requisitos para 
a redação científica. Apresenta técnicas para tornar o estudo e a aprendizagem mais 
eficazes, orienta a pesquisa científica, detendo-se em suas etapas, esclarece sobre as 
qualidades das fontes de pesquisa, bem como informa sobre estratégias de leitura.
Ao ingressar em um curso superior, frequentemente o aluno revela desconhecimento 
de algumas normas de elaboração de trabalhos de grau, bem como despreparo para a 
leitura de texto de várias modalidades.
Professores de todas as disciplinas salientam as dificuldades do alunado na elaboração 
de fichamentos, resumos, resenhas. Todosesses tipos de trabalho são examinados neste 
livro, que objetiva levar ao conhecimento do leitor informações que vão favorecê-lo 
no estudo, tornar sua leitura eficaz, indicar-lhe caminhos para a pesquisa e a redação 
de trabalhos com embasamento científico, elaborados segundo técnicas de pesquisa 
bibliográfica.
A obra preocupa-se com os primeiros passos do estudante em uma faculdade. Ensina a 
fazer fichamentos de textos; apresenta estratégias para o aprimoramento do estudo e 
da prática da leitura; mostra os procedimentos adequados para a realização de resumos 
e resenhas e discorre sobre a pesquisa bibliográfica, que constitui a base de todos os 
trabalhos científicos. (SARAIVA, 2012, p. 1)
Perceba agora que o comentário da loja on-line apresenta uma visão geral 
da obra, utilizando as ideias do próprio autor. Pontua-se a necessidade, 
para qualquer profissional, de se redigir textos com clareza, e como este 
livro desenvolve tais habilidades. Trata-se de um comentário apreciativo, 
cujo objetivo é convencer o leitor a comprar a obra, e que para isso 
parafraseia alguns de seus trechos. Assim,
Parafrasear é, pois, traduzir as palavras de um texto por outras de sentido 
equivalente, mantendo, porém, as ideias originais. A paráfrase inclui o 
desenvolvimento de um texto, o comentário, a explicitação [...]. (MEDEIROS, 2008, 
p. 182)
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43.2 Outros procedimentos intertextuais
Diferente da paráfrase, portanto, que retoma um texto utilizando suas 
palavras ou ideias, a paródia e o pastiche têm outras funções.
A paródia faz referência a um texto anterior, mas com uma intenção 
ridicularizadora (MEDEIROS, 2008). Um bom exemplo seria a famosa 
“Canção do exílio”, do poeta romântico Gonçalves Dias, que foi 
insistentemente parodiada por diversos autores, entre eles, o modernista 
Oswald de Andrade.
Canção do exílio (texto original)
Gonçalves Dias
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá,
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.
Canto de regresso à pátria (paródia)
Oswald de Andrade
Minha terra tem palmares
onde gorjeia o mar
os passarinhos daqui
não cantam como os de lá.
Já o pastiche se caracteriza como uma “imitação de estilo”. Medeiros (2008, 
p. 184) comenta negativamente o seu uso, pois, a seu ver, esse procedimento 
contribui muito pouco para o esclarecimento das ideias apresentadas. 
Trata-se apenas de reiterar o que o autor disse, com palavras diferentes, sem 
acrescentar nenhum tipo de raciocínio a respeito. Mera reprodução.
Se posso prever tudo o que uma pessoa 
vai me dizer, a mensagem é totalmente 
redundante e eu posso abster-me de a 
ouvir ou ela de o dizer; ao contrário, se 
nada posso prever do que ela vai me dizer 
– caso alguém que se dirigisse a mim numa 
língua que desconheço completamente – a 
comunicação também é impossível. Em 
ambos os casos não há possibilidade de 
intercâmbio de informação. (PIGNATARI 
apud MEDEIROS, 2008, p. 183-184)
Quando se pode prever tudo aquilo que 
uma pessoa vai falar, o conteúdo de sua 
exposição é inteiramente redundante e eu 
posso deixar de prestar-lhe atenção ou ela 
de o dizer; diferentemente, se não posso 
conjecturar nada do que ela vai falar-me – 
caso alguma pessoa se dirigisse a mim num 
idioma que não conheço totalmente – a 
comunicação também não é possível. Nos 
dois casos, é impossível o intercâmbio de 
informação. (MEDEIROS, 2008, p. 184)
www.esab.edu.br 225
É muito importante que você conheça esses conceitos e saiba utilizar 
bem os procedimentos, pois saber usar a paráfrase adequadamente, 
mantendo a referência às fontes, evita que você cometa o plágio, que é 
a apropriação indevida do texto de outra pessoa, e constitui crime. No 
Brasil, a principal referência ao plágio é a Lei n° 9.610, voltada para a 
proteção de obras de caráter comercial.
Por isso, tenha este cuidado: utilize os autores de que você necessitar, mas 
cite a fonte!
Para sua reflexão
O conceito de intertextualidade indica que todo 
texto estabelece relações com outros textos. 
A propósito dessa ideia, podemos afirmar que 
a paráfrase também se constitui como um 
procedimento intertextual?
A resposta a essa reflexão forma parte de sua 
aprendizagem e é individual, não precisando ser 
comunicada ou enviada aos tutores.
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44 Fichamento e resumo
Objetivo
Estudar as características do fichamento e resumo de texto.
Na unidade 42, estudamos procedimentos genéricos a respeito do 
processo de pesquisa. Para aprimorar esses procedimentos, vamos 
agora ver em detalhe a confecção de dois mecanismos de pesquisa: o 
fichamento e o resumo.
Quando se realiza uma pesquisa de maior fôlego, em que há farta 
bibliografia a respeito do tema, o primeiro quesito é a organização. 
Em se tratando de um assunto a que vários autores já se dedicaram, é 
imprescindível distinguir o ponto de vista de cada um.
44.1 Fichamento
A função do fichamento varia conforme a intenção do pesquisador. 
Sua premissa é destacar informações básicas que serão utilizadas no 
desenvolvimento do trabalho.
Trata-se, assim, de uma fase anterior à escrita do trabalho, pois caso você 
deseje iniciar a escrita sem um fichamento, seu trabalho já começará 
errante, pois você realizará a empreitada sem saber aonde irá chegar.
Medeiros (2008) destaca:
Todo o trabalho de fichamento é precedido por uma leitura atenta do texto. Leitura 
que se afasta da categoria emocional (subjetiva) e alcança o nível da racionalidade, e 
compreende: capacidade de analisar o texto, separar suas partes e examinar como se 
inter-relacionam e como o texto se relaciona com outros, e competência para resumir 
as ideias do texto. (MEDEIROS, 2008, p. 115)
www.esab.edu.br 227
O autor ainda anota que o primeiro nível dessa leitura é o denotativo, 
parafrástico. Já estudamos ambos os conceitos em unidades anteriores: 
denotativo se refere ao sentido literal; parafrástico vem de paráfrase, 
ou seja, diz respeito ao pensamento do autor em questão. Esse nível de 
leitura também implica em vocabulário atento, apurado, informações a 
respeito do autor e seu objetivo.
No segundo nível, deve-se anotar o modo como o autor trabalha os 
“significados não transparentes” (MEDEIROS, 2008, p. 116), ou seja, a 
pergunta é “O que o autor quer demonstrar?”.
No nível seguinte, deve-se apresentar a sua crítica a respeito do texto 
lido. Crítica, como vimos na unidade 12, não se trata de algo subjetivo, 
do tipo “gosto/não gosto”. É levantar pontos como “O autor atingiu os 
objetivos a que se propôs?”; “É coerente?”; “O texto apresenta alguma 
contribuição significativa para a área? Qual?”.
O passo final diz respeito à problematização, “[...] em que se indaga 
sobre as possibilidades de aplicação do texto a outras situações, sobre sua 
contribuição para nova leitura do mundo.” (MEDEIROS, 2008, p. 116).
Em função desses aspectos, portanto, o fichamento é o início da 
pesquisa. Vamos a alguns dados básicos.
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44.2 Dados básicos
Ao realizar um trabalho de pesquisa, não deixe para reunir os dados 
bibliográficos no final, pois isso dá muito mais trabalho!
Escrito manualmente ou digitado no computador, o seu fichamento deve 
primeiro conter a referência bibliográfica da obra ou artigo a que faz 
referência.
Em se tratando de um fichamento da obra toda, no cabeçalho do seu 
fichamento deve constar:
MEDEIROS, J. B. Redação científica: a prática de fichamentos, resumos, resenhas. 
10. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
Em se tratando de um capítulo específico:
MEDEIROS, J. B. Fichamento. Redação científica: a prática de fichamentos, resumos, 
resenhas. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2008, p. 114-136.
Conforme a necessidade e abrangência da pesquisa, após as notas 
indicadas no item anterior (leitura denotativa, leitura crítica, 
problematização), anote também o local ondea obra se encontra (se 
numa biblioteca, anote “Biblioteca Municipal”, por exemplo); caso se 
trate de um documento on-line, já estará especificado o endereço na 
referência, ficando a seu critério destacar novamente essa informação.
Veja um modelo de fichamento:
www.esab.edu.br 229
MEDEIROS, J. B. Capítulo 7 – Prática da leitura. Redação científica: a prática de 
fichamentos, resumos, resenhas. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2008, p. 67-74.
Notas:
– O autor é Licenciado em Filosofia, Mestre em Letras pela USP e Pós-graduado em 
Literatura Brasileira pela USP.
– A linguagem não pode ser estudada separadamente da sociedade que a produz. Não 
pode ser considerada um produto (p. 67).
– Todo texto tem um caráter de incompletude, dada a sua relação com outros textos e sua 
capacidade de produzir novos sentidos (p. 68).
– A leitura é seletiva e há vários modos de realizá-la: a) o ponto de vista do autor; b) a 
relação do texto com outros textos; c) relação do texto com o seu referente; d) relação do 
texto com o leitor (p. 68).
– Para a compreensão de um texto, é fundamental reconhecer a sua ideologia (p. 69).
– Há diversos fatores que constituem as condições de produção da leitura (pressupostos, 
subentendidos) (p. 70).
– Pressupostos são...
– Subentendidos são...
– etc.
Crítica: Bom parâmetro para sistematizar estratégias de leitura analítica. 
Problematização: Pode ser relacionado com o livro de Barthes, Da obra ao texto (2003).
Local onde se encontra a obra: Biblioteca ESAB.
Quadro 4 – Modelo de fichamento.
Fonte: Elaborado pelo autor (2012).
www.esab.edu.br 230
Em suma, quem define o que deve conter no seu fichamento é você. 
Medeiros (2008), entretanto, destaca a necessidade de:
•	 indicações bibliográficas precisas;
•	 informações sobre o autor;
•	 resumo (ou de conteúdo);
•	 citações diretas (transcrições);
•	 comentários apreciativos (ou analítica).
Se o seu fichamento contém esses dados, o seu trabalho certamente estará 
bem encaminhado. O assunto contemplado aqui também foi estudado 
na unidade 9 de Metodologia do Trabalho Científico, que complementa 
esta abordagem.
44.3 Resumo
Na unidade 2, estudamos o conceito de texto como “[...] um tecido 
verbal estruturado de tal forma que as ideias formam um todo coeso, uno 
coerente.” (MEDEIROS, 2008, p. 137). Em outros termos, por mais 
que um texto trabalhe diferentes ideias, estas devem estar conectadas em 
função de um mesmo direcionamento.
Na mesma unidade, vimos o conceito de contexto, que encerra as 
condições sócio-históricas referentes à confecção do texto, as quais 
orientam a sua linguagem e o seu conteúdo.
Caberia, portanto, acrescentar a esses conceitos o de intertexto, que 
entende que “[...] um texto pode ser produto de relações com outros 
textos.” (MEDEIROS, 2008, p. 139). Como você pode notar, trata-se do 
que estudamos como intertextualidade.
Mas por que estamos retomando esses conceitos? Porque um bom 
resumo deve conter esses elementos.
Resumo, conforme a NBR 6028:1990, da Associação Brasileira de 
Normas Técnicas, é a “[...] apresentação concisa dos pontos relevantes 
de um texto”. Medeiros (2008), referindo-se a essa definição, sublinha 
www.esab.edu.br 231
que ela pode ser melhorada. Diz, então, que “[...] o resumo é uma 
apresentação sintética e seletiva das ideias de um texto, ressaltando a 
progressão e a articulação delas.” (MEDEIROS, 2008, p. 142).
Sendo assim, um resumo deve conter:
a) assunto do texto;
b) objetivo do texto;
c) a articulação das ideias;
d) as conclusões a que o autor chega.
Medeiros (2008) acrescenta que o redator do resumo deve dar atenção 
para alguns procedimentos:
•	 redigir em linguagem objetiva;
•	 evitar a repetição de frases inteiras do original;
•	 respeitar a ordem em que as ideias ou fatos foram apresentados pelo 
autor.
Deve, ainda:
•	 não apresentar juízo de valor ou apreciação crítica (estes são fatores 
pertencentes à resenha);
•	 ser compreensível por si mesmo, isto é, dispensar a consulta ao 
original (MEDEIROS, 2008, p. 143).
Mas atenção: dispensar a consulta para se ter noção da completude do 
trabalho. Porque o resumo é um instrumento confeccionado para o leitor 
em geral. A partir da leitura do resumo é o que o leitor decidirá se o 
trabalho será lido na íntegra, em parte, ou se não será lido.
Em suma, resumo é:
[...] uma apresentação concisa de elementos relevantes de um texto; um 
procedimento de reduzir um texto sem destruir-lhe o conteúdo. Constitui-se em 
forma prática de estudo que participa ativamente da aprendizagem, uma vez que 
favorece a retenção de informações básicas. (MEDEIROS, 2008, p. 145)
www.esab.edu.br 232
Finalizamos esta unidade com dois exemplos de resumo. Observe:
Resumo indicativo
ROCCO, M. T. F. Crise na linguagem: a redação no vestibular. São Paulo: Mestre Jou, 
1981. 184 p.
Estudo realizado sobre redações de vestibulandos da FUVEST. Examina os textos com 
base nas novas tendências dos estudos da linguagem, que buscam erigir uma gramática 
do texto, uma teoria do texto. São objetos de seu estudo a coesão, o clichê, a frase feita, 
o “não-texto” e o discurso indefinido. Parte de conjecturas e indagações, apresenta os 
critérios para a análise, o candidato, o texto e farta exemplificação.
Quadro 5 – Exemplo de resumo indicativo.
Fonte: Elaborado pelo autor (2012).
Esse resumo é definido como resumo indicativo, modalidade de resumo 
que elimina dados qualitativos e quantitativos, mas não abre mão da 
leitura do original.
www.esab.edu.br 233
Resumo informativo
ROCCO, M. T. F. Crise na linguagem: a redação no vestibular. São Paulo: Mestre Jou, 
1981. 184 p.
Examina 1500 redações de candidatos a vestibulares (1978), obtidas da FUVEST. O livro 
resultou de uma tese de doutoramento apresentada à USP em maio de 1981. Objetiva 
caracterizar a linguagem escrita dos vestibulandos e a existência de uma crise na 
linguagem escrita, particularmente desses indivíduos. Escolheu redações de vestibulandos 
pela oportunidade de obtenção de um corpus homogêneo. Sua hipótese inicial é a da 
existência de uma possível crise na linguagem e, através do estudo, estabelece relações 
entre os textos e o nível de estruturação mental de seus produtores. Entre os problemas, 
ressaltam-se a carência de nexos, de continuidade e quantidade de informações, ausência 
de originalidade. Também foram objeto de análise condições externas como família, 
escola, cultura, fatores sociais e econômicos. Um dos critérios utilizados para a análise 
é a utilização do conceito de coesão. A autora preocupa-se ainda com a progressão 
discursiva, com o discurso tautológico, as contradições lógicas evidentes, o nonsense, os 
clichês, as frases feitas. Chegou à conclusão de que 34,85 dos vestibulandos demonstram 
incapacidade de domínio dos termos relacionais: 16,95 apresentam problemas de 
contradições lógicas evidentes. A redundância ocorreu em 15,25 dos textos. O uso 
excessivo de clichês e frases feitas aparece em 69,05 dos textos. Somente em 40 textos 
verificou-se a presença de linguagem criativa. Às vezes o discurso estrutura-se com frases 
bombásticas, pretensamente de efeito. Recomenda a autora que uma das formas de 
combater a crise estaria em se ensinar a refazer o discurso falho e a buscar a originalidade, 
valorizando o devaneio.
Quadro 6 – Exemplo de resumo informativo.
Fonte: Elaborado pelo autor (2012).
Esse segundo exemplo é definido como resumo informativo. Relata o 
objetivo da obra, os métodos e técnicas empregados, o resultado e as 
conclusões. Sendo assim, dispensa a leitura do original.
Atente para o que lhe for solicitado, basta usar o modelo que melhor se 
adapte.
www.esab.edu.br 234
Saiba mais
Sugerimos que você clique aqui. Trata-se de um 
objeto educacional proposto pelo MEC, dedicado 
a estabelecer as diferenças entreresumo, 
fichamento e resenha. Para complementar o que 
vimos nesta unidade, abra o objeto educacional e 
faça os exercícios.
www.esab.edu.br 235
45 Interpretação textual
Objetivo
Destacar procedimentos de leitura interpretativa. Como produzir 
sentido?
Esta unidade sintetiza boa parte dos argumentos que apresentamos em 
diversas unidades anteriores.
Vamos começar com uma reflexão: quando lê, você apenas recebe a 
mensagem do autor/emissor do texto? O conteúdo dessa mensagem será 
idêntico para qualquer leitor/receptor?
Deixaremos essas questões de lado, momentaneamente. Retornaremos a 
elas ao fim da unidade. Por ora, saiba que existem alguns passos básicos 
para a leitura, interpretação e análise de um texto. Vamos defini-los.
45.1 Captando a informação
Vocabulário
O primeiro passo para interpretar um texto é saber captar a informação. 
É uma etapa bastante importante, pois se trata do primeiro contato com 
o conteúdo. Para que isso se dê de modo eficaz, você precisa ter amplo 
vocabulário.
Vocabulário se refere, no caso, ao seu desempenho de compreensão do 
significado das palavras.
Como falantes de um idioma, em geral conseguimos decodificar as 
mensagens de um texto mesmo sem saber o significado exato de todas 
as palavras que estão sendo enunciadas, pois nos atemos ao contexto do 
www.esab.edu.br 236
qual o texto faz parte ou ao qual a mensagem se vincula. Medeiros (2008, 
p. 91) destaca que esse tipo de leitura se dá por meio das palavras-chaves: 
“A seleção de palavras-chaves deve ser feita em todos os parágrafos. Elas 
possibilitam a elaboração de um resumo do texto.”
Mas certamente fica a dúvida: o que significa este ou aquele termo?
Por isso, saiba que quanto mais amplo for o seu vocabulário, mais eficaz 
será a sua leitura.
Provavelmente, você já tentou estudar algum idioma estrangeiro. Se 
você mantém esse idioma em atividade, praticando-o, você desenvolve a 
habilidade em falar ou lê-lo. Mas se você não o pratica, essa habilidade 
não se desenvolve. Nosso cérebro precisa estar em constante estímulo 
para aprender algo.
Na unidade 1, trabalhamos um exemplo bastante elementar: você quer 
aprender a nadar. Existe algum modo de fazê-lo do lado de fora da 
piscina?
Por isso, a melhor forma de ampliar o vocabulário é estar sempre lendo, 
todos os dias, em algum momento. Ao mesmo tempo, é preciso consultar 
um dicionário para aquelas palavras que você não compreende.
Saiba mais
Há vários dicionários on-line de acesso gratuito. 
Experimente acessá-los:
Michaelis
Priberam
Ou simplesmente digite a palavra “dicionário” 
no seu buscador preferido e escolha o que achar 
melhor.
www.esab.edu.br 237
Tópico frasal
Além do vocabulário, você precisa lidar com a sintaxe. A sintaxe, como 
também já vimos em unidades anteriores, refere-se à estrutura das frases. 
Por isso, você deve atentar para o que se chama tópico frasal.
Tópico frasal é uma frase núcleo, que encabeça todo o pensamento 
desenvolvido no corpo do parágrafo. Em outras palavras, do tópico frasal 
dependem todas as demais frases presentes no parágrafo em questão, de 
modo que para cada parágrafo haverá um novo tópico frasal. Acompanhe 
este exemplo:
Uma das causas da má qualidade de ensino é o despreparo de professores. Como 
sabemos, os professores também são vítimas dos problemas sociais por que passamos, 
como, por exemplo, o desestímulo financeiro, que, como consequência, faz com 
que muitos parem de exercer a sua profissão e procurem por trabalhos mais bem 
remunerados para que possam sobreviver. Esse fato acaba por refletir na qualidade 
de ensino, em que pessoas despreparadas tomam o lugar daqueles que não foram 
reconhecidos pelo Sistema e arriscam-se a dar aulas. Assim sendo, o Governo deveria 
investir mais no ensino, ou seja, oferecer melhores salários, condições de trabalho, com 
o objetivo de amenizar essa defasagem de ensino no Brasil. (ALMEIDA apud LUIZARI, 
2010, p. 161)
Qual seria o tópico frasal?
“Uma das causas da má qualidade de ensino é o despreparo de 
professores.”
Perceba que dessa frase dependem todas as demais, que a ela estão direta 
ou indiretamente relacionadas e que constituem o desenvolvimento 
da ideia. Assim, portanto, o tópico frasal encabeça e resume o que se 
quer dizer no parágrafo em questão. E se por acaso você não conseguir 
localizar no parágrafo este componente, trata-se de um texto mal escrito!
Se você compreende as palavras que estão no texto, sabe buscar pelas que 
não entende de imediato (que muitas vezes se referem a termos técnicos) 
www.esab.edu.br 238
e, além disso, consegue localizar o tópico frasal de cada parágrafo, você 
está apto a captar a informação e ir para a etapa seguinte.
45.2 Interpretando
Segundo Medeiros (2008, p. 105), interpretação “[...] é processo, num 
primeiro momento, de dizer o que o autor disse, parafraseando o texto, 
resumindo-o; é reproduzir as ideias do texto.”
Por isso, agora entra em questão lidar com o que vimos na unidade 41, 
a respeito dos pressupostos. Vamos relembrar: “[...] pressupostos são 
ideias não expressas de maneira explícita, que decorrem logicamente do 
sentido de certas palavras ou expressões contidas na frase.” (FIORIN; 
SAVIOLI, 2006, p. 307).
O que isso quer dizer? Que captar os sentidos de um texto vai além do 
que está escrito. Reveja o exemplo tratado por Fiorin e Savioli (2006):
Para que o Brasil se torne um país do primeiro mundo será preciso privatizar as 
empresas estatais, abrir a economia ao ingresso de produtos estrangeiros e terminar 
com os direitos trabalhistas que oneram a folha de pagamento e a Previdência Social. 
(FIORIN, SAVIOLI, 2006, p. 307-308)
Nesse parágrafo está implícito que:
•	 o Brasil ingressará no grupo de países do primeiro mundo se 
preencher as condições estipuladas;
•	 no Brasil, as empresas e o Estado são onerados pelos direitos 
trabalhistas.
Apreender esses significados implícitos, portanto, é parte fundamental 
do processo de interpretação textual. Para Medeiros (2008, p. 103), este 
processo integra a compreensão do texto, que se caracteriza como “[...] 
capacidade de entendimento literal da mensagem. O leitor preocupa-se 
em ver o texto segundo a ótica do autor e busca responder às perguntas: 
que tese o autor do texto defende? De que trata o texto?”
www.esab.edu.br 239
45.3 Analisando
Vejamos o que nos diz Medeiros (2008):
Análise é o fundamento para a elaboração de reflexões que mostrem a organização 
dos elementos identificados no texto e seu aproveitamento reflexivo e argumentativo. 
A leitura é um processo de incorporação do texto à vida, de aceitação ou negação 
dele, estabelecendo um diálogo pelo qual o leitor se constitui em sujeito da leitura, 
um ato criativo e não reprodutor. (MEDEIROS, 2008, p. 105)
Essa concepção nos remete às perguntas que lançamos no início: quando 
lê, você apenas recebe a mensagem do autor/emissor do texto? O 
conteúdo dessa mensagem será idêntico para qualquer leitor/receptor?
Diferente do processo de captação da informação (em que você lida com 
o vocabulário e a sintaxe do texto) e de interpretação (em que você lida 
com a semântica, ou seja, a rede de produção de sentidos), a análise se 
constitui como o espaço do leitor.
Depois da leitura, quem decide se o texto informa e produz significado é 
o leitor. O autor lança ideias, conceitos, definições, mas sem o leitor nada 
disso faz sentido.
Como falantes de um mesmo idioma, de modo geral todos 
compartilhamos uma rede comum de significados e interpretantes. 
Porém, as relações de sentido variam conforme a habilidade e experiência 
de cada leitor. Quando lemos, estamos colocando a nós próprios no 
texto, nossas experiências de vida e de leituras anteriores (lembre-se, 
aqui, dos conceitos de polissemia e intertextualidade que estudamos na 
unidade 5: as palavrastêm significado conforme o contexto, e todo texto 
tem relação com outros textos).
Retomando, podemos compartilhar pontos de vista, mas o que 
caracterizará a sua diferença, o que ressaltará você como sujeito pensante 
produtor de conhecimento é o seu manejo de referências e capacidade de 
raciocínios lógicos e sofisticados.
www.esab.edu.br 240
No processo de análise do texto está o espaço para você se manifestar, 
ponderar, discutir, avaliar e questionar. É o espaço da crítica (que pode 
ser positiva ou não).
Assim, como você viu, o processo de interpretação textual se constitui de 
três momentos básicos: captação de informações, interpretação das ideias 
lançadas pelo autor e análise crítica do conteúdo. Exercite, pois é esse 
processo que faz de você um sujeito pensante, único e crítico.
Tarefa dissertativa
Caro estudante, convidamos você a acessar o 
Ambiente Virtual de Aprendizagem e realizar a 
tarefa dissertativa.
www.esab.edu.br 241
46 Comunicação e expressão
Objetivo
Revisar técnicas que conduzem à boa apresentação de trabalhos.
Estamos praticamente no fim de nossa disciplina, e enfatizamos até aqui, 
repetidamente, uma série de cuidados que orientam a confecção do bom 
texto, entre os quais estão clareza, objetividade, apresentação de dados, 
mediação de informações, análise crítica e conclusão.
Mas em algumas situações, o texto é apenas parte do processo. Por 
exemplo, a apresentação de trabalhos é uma atividade que faz parte 
da rotina acadêmica. Mesmo em se tratando de um curso a distância, 
pode ser solicitada a apresentação de um artigo ou a explanação de um 
trabalho em equipe durante os encontros presenciais. Porém, mais que a 
realização de uma tarefa para obtenção de pontos na média final, trata-se 
de um exercício que conduz nossa postura para a vida profissional.
Sabemos que algumas pessoas têm certa espontaneidade que ajuda 
bastante em uma apresentação; mas espontaneidade não é tudo. Não 
adianta você ter uma boa exposição e não observar outros fatores que 
também constituem a apresentação.
Para ajudá-lo nesse processo, vamos elencar 10 pontos que você deve 
levar em conta sempre que necessário. Acompanhe.
46.1 Pontualidade
O primeiro item a ser observado é o horário. Se você tem uma 
apresentação agendada para as 19h, esteja certo de estar no local, à 
disposição, ao menos meia hora antes. Imprevistos acontecem a todo 
momento, é normal, mas é muito chato ter de resolver problemas com 
www.esab.edu.br 242
questões técnicas na frente das pessoas que estão ali para assistir ou 
avaliar a sua apresentação.
Em se tratando de uma apresentação on-line, a regra é a mesma: esteja 
pronto e à disposição para que tudo comece no horário. Se alguém tiver 
de esperar, que seja você, não o público ou seus interlocutores.
46.2 Equipamentos
Hoje em dia dispomos de uma série de recursos para uma apresentação, 
desde o quadro com giz até a lousa mágica, o projetor e recursos 
audiovisuais em geral. Sendo assim, prepare a sua apresentação tendo 
em vista os recursos que você terá à disposição. Não é necessário utilizar 
todos; são recursos, e não o objeto do seu trabalho.
Para que tudo ocorra conforme o planejado, certifique-se de que o local 
oferece os equipamentos. Mais que isso, informe-se sobre quais são 
estes equipamentos e softwares. Coisas simples podem atrapalhar o seu 
desempenho: um documento que não abre em função de diferentes 
versões do software; um adaptador para a saída de vídeo do seu notebook; 
caixas de som, no caso de você necessitar de áudio; rede de acesso à 
internet etc.
46.3 Conexão
Se a sua apresentação depende de rede de acesso à internet, certifique-se 
de que ela esteja funcionando, de que você detém a senha de acesso e de 
que o sinal é confiável. Por segurança, tenha todas as mídias que você 
pretende utilizar em modo off-line.
Digamos que há um vídeo do Youtube que é fundamental para a sua 
exposição. Sabendo disso, você preparou todo o equipamento. No 
entanto, você havia testado antes do momento de pico do uso da rede e, 
no momento em que você necessita exibir, o vídeo não carrega ou trava. 
Isso é muito chato!
www.esab.edu.br 243
Daí a importância de você ter tudo o que necessita em modo off-line, 
gravado no seu computador ou pen drive.
46.4 Linguagem
Como já frisado em diversas unidades anteriores, a fala difere da escrita. 
Na fala, podemos nos colocar mais à vontade; porém, a apresentação de 
um trabalho é uma ocasião formal. Utilize a linguagem adequada (tendo 
em vista a clareza e objetividade), e se for necessário utilizar termos 
técnicos, explique do que se trata, quando necessário.
Antes, porém, apresente-se. Diga seu nome, ou o nome dos membros da 
equipe, a instituição a que você pertence, o título do seu trabalho e deixe 
claras questões como abordagem, metodologia e técnicas utilizadas.
Em certas apresentações admite-se a leitura do artigo ou paper. É 
uma estratégia arriscada, pois tende-se a perder a atenção do público. 
Considere o seguinte: você fez o trabalho e, portanto, está a par da 
matéria. Prefira ter uma folha com os tópicos anotados e fale a respeito 
deles. Proceda do mesmo modo quando você utilizar o projetor e slides 
no programa Powerpoint (ou equivalente). Os slides não devem ser lidos 
por você; eles apenas orientam o espectador sobre aquilo que você está 
comunicando. Por isso, os slides não devem conter todo o texto, e sim 
apenas os tópicos da sua exposição. Utilize-os também para imagens, 
tabelas, quadros e gráficos cuja interpretação você fará verbalmente.
Por último, atente para o tom de voz: fale pausadamente, para ser 
entendido, e um pouco mais alto que o seu tom habitual. Mantenha a 
dialogicidade: converse com as pessoas que estão ali para lhe ouvir.
www.esab.edu.br 244
46.5 Equipe
Em se tratando de um trabalho de equipe, todos os pontos anteriores são 
igualmente válidos.
O sucesso de uma equipe se dá pela coesão de seus membros e pelo 
uso adequado da aptidão de cada pessoa do grupo. Em uma equipe, os 
componentes têm funções diferentes. Se cada membro fizer bem a sua 
parte, tudo sairá bem.
Um detalhe fundamental: não queira se sobressair sobre os seus colegas. 
Isso não mostra que você sabe mais; mostra apenas que você tem 
dificuldade em trabalhar em conjunto e ceder espaço ao outro.
Em um trabalho de equipe, o que se avalia é o grupo, e não os membros 
isoladamente.
46.6 Ansiedade
Você sabe de alguma situação em que a ansiedade ajuda? Não, não 
é mesmo? Portanto, se você realizou o trabalho, conhece a matéria, 
verificou a infraestrutura, não há motivo para nervosismo. É normal a 
adrenalina se manifestar nesse tipo de ocasião. Respire fundo, mantenha 
a calma e pronto. Mas não queira improvisar! Você está iniciando a 
sua carreira e precisa ter cautela. Na hora você pode até deixar de lado 
o roteiro da apresentação, mas ele deve estar ali, à disposição, para ser 
consultado sempre que necessário.
Se você dispõe de, digamos, 30 minutos para a exposição, planeje e 
distribua o tempo. Cinco minutos a mais ou a menos não representam 
um problema, mas 15 a mais ou a menos, sim! Não invada o espaço das 
demais apresentações nem acelere o cronograma.
Por isso, ensaie a sua apresentação, cronometre o tempo e veja se está ok.
www.esab.edu.br 245
46.7 Conclusão
Assim como em um texto, conclua tendo em vista os dados pesquisados. 
Novos dados requerem nova análise.
46.8 Perguntas
Defina as regras no início do jogo. Informe que ao final da apresentação 
haverá espaço para perguntas, ou que o público poderá fazê-las ao longo 
da exposição. A segunda opção é mais arriscada, pois você pode perder o 
controle do debate.
No caso de alguma pergunta que você não possa responder, agradeça pela 
colaboração e seja sincero. Diga: “Interessante! Não havia pensado nisso. 
Considerareieste aspecto na próxima etapa do trabalho.”
46.9 Vestuário
Em uma apresentação, você já está em foco. Não queira parecer diferente 
do seu habitual. Vista-se sobriamente, evite estampas ou tecidos 
muito chamativos. Não se apresenta um trabalho vestindo bermuda 
ou minissaia. Não desvie a atenção do público. Não deixe brechas que 
possam atrapalhar na avaliação do seu trabalho. Não use chapéu ou boné 
e não abuse no perfume!
46.10 Finalizando
Não esqueça de agradecer pela atenção de todos.
Levando essas indicações à risca, você certamente apresentará um bom 
trabalho. Boa sorte!
www.esab.edu.br 246
Para sua reflexão
Agora, pare e reflita: de que modo a apresentação 
de trabalhos e o exercício de interpretação 
e análise textual preparam você para a vida 
profissional?
As respostas a essas reflexões formam parte de sua 
aprendizagem e são individuais, não precisando 
ser comunicadas ou enviadas aos tutores.
www.esab.edu.br 247
47 As multimídias e a produção textual
Objetivo
Discutir o modo como elementos – imagens, vídeos, áudios, gráficos 
e infográficos – influenciam na elaboração dos textos.
A sociedade em que vivemos transformou as bases da produção, da 
circulação e da recepção do conhecimento. Ela tem muitos nomes: 
“sociedade da informação”, “sociedade em rede”, “época das coletividades 
inteligentes”, “pós-modernidade” – enfim, nossa época é rica em 
designações sobre si mesma.
O fato é que a internet alterou de maneira significativa a forma como 
realizamos nosso trabalho diário, afetando, principalmente, o modo 
como as informações são produzidas e consumidas.
A informação tem um papel fundamental na atualidade, pois é ela 
que pode alterar o modo como o destinatário enxerga algo, exercendo 
impacto sobre seu julgamento e comportamento. Informação, em suma, 
gera conhecimento, pois é a unidade básica de qualquer processo de 
aprendizagem.
Produzir informação é “dar forma” àquilo que desejamos repassar. 
Esse processo implica cumprir uma meta: o emissor (já estudamos esse 
conceito na unidade 6) lança a mensagem que contém a informação, mas 
é o receptor quem decide se a mensagem recebida realmente constitui 
algo do seu interesse.
Para gerar o conhecimento, no entanto, o processo é mais complexo, 
pois o simples fluxo de informações não garante a consolidação do 
conhecimento. O ciclo de realização do conhecimento exige um período 
maior de tempo para validar a defesa dos pontos de vista, ou para 
tabular números que corroborem afirmações textuais. A credibilidade 
www.esab.edu.br 248
que o conhecimento transmite ou gera vem exatamente das fontes que 
utilizamos e de nossas pesquisas.
Nesse sentido, a cultura digital deixou nossa vida mais rica e complexa, 
pois há uma infinidade de posições e de propostas que precisam ser 
revistas ou revisitadas constantemente. Não se deve pensar a cultura 
digital como um advento meramente tecnológico; ela produz muitas 
alterações no comportamento do consumidor, principalmente no público 
jovem, que vive amparado por uma série de ferramentas que auxiliam nas 
mais diferentes formas de mediação e apreensão de conteúdo.
Importa entender, assim, que a cultura digital se dá pela tecnologia e por 
suas ferramentas, mas são as pessoas que a promovem em seu dia a dia, 
usando bancos via web, jogando em sua rede favorita, baixando filmes e 
músicas ou discutindo seus assuntos favoritos nas redes sociais.
Nesse cenário, é inegável o uso da rede como fonte de pesquisas. Para um 
grupo mais acostumado ao trabalho pela rede, seria impossível hoje em 
dia pesquisar sem usar os sites, blogs, vídeos, imagens, enfim, sem fazer 
uso dos conteúdos digitais. O fluxo de informações pela rede é quase 
irresistível para a maior parte das pessoas.
Do mesmo modo, qualquer trabalho escolar, hoje, para atrair atenção, 
necessita de dispositivos eletrônicos que auxiliem no processo de 
aprendizagem. Trabalhar com o computador se tornou uma questão 
básica, mas é necessário saber lidar com isso de forma dosada e com 
método e critérios.
Temos à disposição uma série de recursos que podem atuar em nosso 
favor quando desenvolvemos um trabalho. Podemos usar vídeos de uma 
plataforma como Youtube ou Vimeo, podemos fazer de nossos telefones 
celulares gravadores, câmeras fotográficas ou filmadoras para registrar 
um depoimento, uma entrevista ou um acontecimento. Dispomos de 
uma série de programas para simular gráficos e animações, de modo a 
transformar essas captações em objetos de aprendizagem.
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O detalhe é que, ao utilizarmos algum recurso audiovisual, por exemplo, 
não se trata de apenas um adereço em nosso texto; ele se torna um 
componente do nosso discurso. Tanto pode servir para ilustrar uma 
ideia exposta textualmente, como pode ser o ponto de partida ou parte 
fundamental de uma argumentação.
Notadamente, o texto que melhor se adapta à utilização de recursos 
multimídia é o texto on-line, que conta com plataformas já preparadas 
para isso (basta pensar em programas como o Wordpress, o Blogspot 
ou as plataformas LMS). Como se trata de algo relativamente recente, 
basta usar a criatividade para estabelecer relações entre imagens, vídeos e 
produções de áudio.
O cuidado que você deve tomar é que nenhum componente eletrônico 
substitui um texto bem escrito. Por mais recursos tecnológicos que 
você utilize, é a sua argumentação e o modo como você introduz esses 
recursos que fazem a diferença. Se você deseja usar uma imagem, por 
exemplo, você precisa indicar o que se deve ver nessa imagem. Não basta 
simplesmente colocá-la. Uma imagem precisa de uma “legenda”, de uma 
explicação para que seja parte integrante do texto armado. O mesmo 
serve para vídeos, áudios ou animações.
Portanto, use e abuse dos recursos, mas não perca de vista a clareza e 
objetividade.
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48 Afinal, o que é um bom texto?
Objetivo
Revisar o conteúdo abordado ao longo do caderno.
Bem, chegamos ao final. Você está devidamente instrumentalizado para 
produzir textos com qualidade e consciência do que está fazendo.
No início do nosso estudo, lançamos uma questão: escrever bem se 
trata de um dom ou de uma técnica? Pode ser ambas as coisas: você 
pode simplesmente ter facilidade nessa tarefa como outras pessoas têm 
para o cálculo ou para o desenho, por exemplo. O fato é que todos 
nós precisamos expressar nossas ideias e pontos de vista com clareza, 
oralmente ou por escrito, e, como já dissemos, sempre haverá lugar no 
mercado para quem faz isso adequadamente.
Porém, não esqueça de que a sua fluência na tarefa de escrever depende 
da prática constante. Nosso cérebro precisa ser constantemente 
estimulado e desafiado, caso contrário, a tarefa torna-se árdua demais!
Vamos, agora, rever em tópicos, por ordem de unidades, uma síntese dos 
principais pontos abordados na disciplina:
•	 o conceito de texto está atrelado à ideia de tecido, no sentido de fios 
entrelaçados, como frases que se inter-relacionam. Não é, portanto, 
um simples amontoado de frases ou palavras. O texto expressa 
sentidos;
•	 em 2013, acaba o período de adaptação para a nova ortografia da 
língua portuguesa;
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•	 fala e escrita constituem diferentes modalidades de uso da 
linguagem. Na fala, principalmente, manifestam-se os regionalismos, 
e hoje dispomos de concepção de linguagem que não parte da noção 
de certo ou errado;
•	 o significado das palavras varia conforme o contexto: trata-se do 
conceito de polissemia. Todo texto se relaciona com outros textos 
(intertextualidade). Metalinguagem é a linguagem que estuda a 
própria linguagem. Recombinação é um procedimento que atualiza 
o sentido das interpretações;
•	 o esquema da comunicação está pautado por seis elementos: emissor, 
receptor, mensagem, canal, código e contexto. Esse esquema estáatrelado ao estudo das funções da linguagem (emotiva, conativa, 
denotativa, fática, metalinguística e poética);
•	 o bom texto evita o pedantismo e o uso de expressões clichês 
(também conhecidas como “lugares-comuns”);
•	 os diferentes tipos de texto são: narração (trabalha com cenários 
e personagens e tem por base a passagem de tempo), descrição 
(mostra um objeto ou pessoa em um momento específico, sem 
alteração de tempo), dissertação (em que predomina a utilização de 
termos abstratos, a fim de se expor determinado assunto), exposição 
(que transmite dados hierarquizados, a fim de fazer compreender 
fenômenos específicos), informação (que busca fornecer dados 
legítimos a respeito de algo para alguém) e injunção (que indica o 
modo como uma ação deve ser realizada);
•	 ao redigir um título, utilize a fórmula A + B (Cultura digital e 
educação, por exemplo), pois isso facilita a definição do foco;
•	 a redação institucional caracteriza-se pela linguagem simples 
e objetiva. Ao redigir o seu currículo pessoal, seja honesto no 
fornecimento de dados a respeito da sua experiência profissional;
•	 parágrafos são subunidades de sentido do texto caracterizadas pelo 
que chamamos tópico frasal, que constitui a informação básica à 
qual todas as demais se vinculam;
•	 muita atenção no uso da pontuação correta;
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•	 frase é uma unidade de sentido, que pode conter um única palavra; 
para que uma oração se constitua, é preciso que nela apareça 
um verbo; quando temos mais de um verbo, trata-se de período 
composto;
•	 a coesão é um dos principais aspectos do bom texto, e se refere ao 
uso adequado dos conectivos (ou relatores);
•	 a coerência está atrelada à coesão. Um texto coerente encaminha 
a uma boa conclusão. Para concluir, é preciso antes apresentar os 
dados – essa é uma relação de coerência textual;
•	 o estilo caracteriza um modo pessoal de escrever e expor argumentos;
•	 denotação se refere ao sentido imediato de cada palavra; conotação é 
o sentido figurado, criativo;
•	 figuras de linguagem são recursos de estilo. Entre as mais utilizadas 
estão a metáfora e a metonímia;
•	 a crase é um dos pontos de maior dúvida entre os estudantes. Saber 
utilizá-la adequadamente valoriza muito a sua escrita e define a 
clareza da mensagem que você deseja transmitir;
•	 há diferenças sutis no uso dos porquês. É bastante importante que 
você saiba fazer as distinções;
•	 evite o gerundismo (nada de “vou estar falando com o senhor”, 
por exemplo), e saiba que, embora em desuso, o pronome relativo 
“cujo”, se empregado corretamente, deixa o seu texto mais elegante;
•	 a concordância é outro dos pontos de equívoco entre a maior parte 
dos estudantes. Ajustar os termos da oração para que concordem em 
gênero, número e grau com o substantivo é função da concordância 
nominal; já a concordância verbal trata das alterações no verbo para 
deixá-lo em perfeita sincronia com o sujeito;
•	 não utilize adjetivos em excesso;
•	 estrangeirismos são palavras de outro idioma que passam a integrar a 
rotina do nosso e devem ser grafados com destaque;
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•	 saiba colocar adequadamente os pronomes átonos: próclise (antes do 
verbo), ênclise (depois do verbo) e mesóclise (no meio do verbo);
•	 cuidado com as tautologias, os famosos vícios de linguagem;
•	 pressupostos são conteúdos não expressos de forma explícita. 
Carecem de leitura atenta para serem interpretados;
•	 a pesquisa é a base de todo texto;
•	 parafrasear é um dos recursos disponíveis para relatar as ideias de um 
autor;
•	 o fichamento constitui uma etapa fundamental da leitura de um 
texto e atua como uma ótima forma de organização. O resumo 
deve ser claro e objetivo, podendo prescindir ou não da leitura do 
original;
•	 a interpretação textual possui etapas (captação de informações, 
interpretação da mensagem e análise);
•	 comunicar e expressar-se bem na apresentação de trabalhos exige 
uma série de cuidados, tais como pontualidade, clareza, utilização 
adequada de recursos, postura;
•	 as multimídias desempenham um papel fundamental no 
desenvolvimento da argumentação, não devem ser um adereço, mas 
parte do discurso.
Esses são os principais aspectos que estudamos ao longo desta disciplina. 
Como já dissemos em vários momentos, o bom texto é aquele que 
responde à proposta, considerando a solicitação e a intenção. Resulta de 
um trabalho particular constante de aperfeiçoamento de vocabulário e de 
construção e expressão do pensamento por meio de linguagem objetiva e 
clara. Ler e escrever – esse é o exercício que você deve praticar sempre.
Boa sorte e sucesso!
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Atividade
Chegou a hora de você testar seus conhecimentos 
em relação às unidade 37 a 48. Para isso, dirija-se 
ao Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e 
responda às questões. Além de revisar o conteúdo, 
você estará se preparando para a prova. Bom 
trabalho!
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Resumo
Chegamos ao fim! Nesta última etapa da disciplina estudamos a 
paráfrase, que é um modo de se referir às palavras do autor sem fazer uso 
da citação direta. Trata-se de um recurso que você deve utilizar, tanto 
como exercício de assimilação do conteúdo, como para evitar que o seu 
texto se torne um emaranhado de citações.
Na sequência, estudamos as funções do fichamento e do resumo para a 
pesquisa. O fichamento constitui etapa fundamental da leitura; o resumo 
atua como um indicativo para outros pesquisadores decidirem se devem 
ou não ler a obra no seu todo.
Vimos ainda que a interpretação de texto é pautada por três momentos 
(captação, interpretação e análise), e que para comunicar e apresentar 
trabalhos de forma eficaz são necessários diversos cuidados.
Ao final, destacamos os recursos audiovisuais multimídia como 
dispositivos de auxílio à argumentação, podendo funcionar como objetos 
de aprendizagem, aguçando o interesse do espectador pelo material.
Para encerrar, finalmente, fizemos um balanço do que estudamos, e 
mencionamos em tópicos os principais pontos que conduzem à produção 
de texto com qualidade.
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Glossário
Academia Brasileira de Letras
Instituição fundada no Rio de Janeiro em 20 de julho de 1897 por 
escritores como Machado de Assis, Lúcio de Mendonça, Inglês de Souza, 
Olavo Bilac, Afonso Celso, Graça Aranha, Joaquim Nabuco, Visconde 
de Taunay e Rui Barbosa. É composta por quarenta membros efetivos 
e perpétuos e por vinte sócios estrangeiros; tem, por fim, o cultivo do 
português brasileiro e da literatura brasileira. R
Alegoria
Expressão de uma ideia através de uma imagem, um quadro, um ser vivo 
etc. R
Ambiguidade (de ambíguo)
Que não tem sentido definido, que possibilita dupla interpretação. R
Analogia
Relação, semelhança de uma coisa com outra: analogia de formas, de 
gostos. R
Anterioridade
Prioridade de tempo, de data; precedência: a anterioridade de um 
pedido, de uma descoberta. R
Astuto
Esperto, perspicaz. R
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Blogspot
Aplicativo de sistema de gerenciamento de conteúdo para web (http://
www.blogspot.com). R
Cavalgamento
Recurso de estilo frequente na confecção de poemas, quando um verso 
tem a sua complementação sintática pela junção com o verso seguinte. R
Coloquial
Informal, cotidiano. R
Competência
Ter um poder ou um saber para realizar aquilo que se deve. R
Concomitância
Coexistência, simultaneidade de dois ou de diversos fatos. R
Contemporâneo
Que é da época atual; do tempo em que se fala. R
Contiguidade (de contíguo)
Que toca em uma coisa: quarto contíguo a outro. Próximo, junto. R
Corpus
Conjunto de documentos que servem de base para a descrição ou o 
estudo de um fenômeno. R
Corroborar
Confirmar; apresentar argumento ou informação que acompanha ou dá 
força a determinadaafirmação ou ideia.  R
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Crônica
Relato de um ou mais acontecimentos em um determinado espaço de 
tempo. A quantidade de personagens é reduzida, podendo inclusive 
não haver personagens. É a narração de um fato do cotidiano, algo que 
naturalmente acontece com muitas pessoas. R
Cumplicidade
Apoiar o outro em suas decisões, sem tentar interferir em suas ideias. R
Destoar
Sair do tom, da uniformidade. Discordar. R
Desuso
O que não está mais em uso. R
Dialógica
Que pretende provocar discussão, debate, diálogo. R
Dialogicidade (de dialógico)
Relativo a diálogo; dialogado. R
Diegese
Conjunto de ações, descrições e diálogos, que constituem a narrativa. R
Digressão
Efeito de romper a continuidade de um discurso com uma mudança de 
tema intencionada. R
Dirimir 
Anular, extinguir. R
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Distorção (de distorcer)
Mudar o sentido de algo. R
Eivado
Que tem eiva; manchado. Contaminado, viciado. R
Embasamento (de embasar)
No caso, refere-se a suporte argumentativo, teórico. R
Emmanuel Kant (1724–1804)
Filósofo prussiano, considerado como o último grande filósofo dos 
princípios da era moderna. R
Escopia
Trata-se de um vocábulo da psicanálise, aqui empregado como “o modo 
como enxergamos o mundo”. R
Estado
Quando grafado com maiúscula, personifica a entidade de direito 
público administrativo ou o conceito filosófico de poder. R
Estratégia
Ação ou caminho mais adequado a ser executado para alcançar um 
objetivo ou meta. R
Explícito
Que se deixa transparecer diretamente. R
Ferdinand de Saussure (1857-1913)
Linguista e filósofo suíço, cujas elaborações teóricas propiciaram o 
desenvolvimento do estudo da linguagem como ciência autônoma, a 
linguística. R
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Figurativizar
Refere-se à figurativização, quando se associa outros significados ao 
sentido próprio (ou literal) da palavra. R
Fonema
A menor unidade sonora de uma língua. R
Gonçalves Dias (1823-1864)
Poeta, advogado, jornalista, etnógrafo e teatrólogo brasileiro. R
Hobby
Passatempo. Aquilo a que uma pessoa dedica seu tempo sem fins 
profissionais. R
Ideológico (de ideologia)
Ciência que trata da formação das ideias. Conjunto de ideias próprias 
de um grupo, de uma época, e que traduzem uma situação histórica: a 
ideologia socialista, por exemplo. R
Implícito
Que está subentendido, ao invés de explicitamente expresso. R
Inferência
Operação mental pela qual obtemos de uma ou mais proposições outra 
ou outras que nela(s) estava(m) já implicitamente contida(s). R
Infinitivo
Refere-se ao modo em que o verbo não aparece conjugado. R
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Interjeição
Palavra invariável que exprime emoções, sensações, estados de espírito, 
ou que procura agir sobre o interlocutor, levando-o a adotar certo 
comportamento sem que, para isso, seja necessário fazer uso de estruturas 
linguísticas mais elaboradas. R
Interpretante
Aquilo que o próprio signo, ao ser percebido por alguém, cria na mente 
deste alguém. R
Intransigente
Intolerante. R
Jean de La Fontaine (1621–1795)
Poeta e fabulista francês. R
Jocosas (de jocoso)
Que provoca riso; alegre, gracioso. R
José Saramago
(1922-1910) escritor português com ampla bibliografia publicada. 
Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998, e ganhou, em 
1995, o Prêmio Camões, o mais importante prêmio literário da Língua 
Portuguesa. R
Lastro
Base, fundamento: lastro cultural. R
Lev Vygotsky
(1896-1934) pensador russo, pioneiro na noção de que o 
desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das interações 
sociais e condições de vida. R
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Lexical (de léxico)
O acervo de palavras de um determinado idioma; todo o universo de 
palavras que as pessoas de uma determinada língua têm à disposição para 
expressar-se, oralmente ou por escrito. R
LMS (Learning Management Systems)
Em português, Sistema de Gestão da Aprendizagem (SGA); são softwares 
desenvolvidos sob uma metodologia pedagógica para auxiliar a promoção 
de ensino e aprendizagem virtual ou semipresencial. R
Lobby
Atividade de pressão de grupos, ostensiva ou velada, com o objetivo 
de interferir diretamente nas decisões do Poder Público em favor de 
interesses privados. R
Menoridade
Estado da pessoa que ainda não atingiu a idade que a lei considera 
suficiente para essa pessoa se reger a si própria e administrar os seus 
bens (18 anos). Tal como está utilizado no texto, o termo, em sentido 
figurado, refere-se a uma etapa da vida em que o homem ainda não 
passou a uma etapa mais avançada do desenvolvimento do caráter. R
Miméticas (de mimetizar)
Adotar gestos e formas físicas do outro. R
Movimento concretista
Trata-se de uma das mais importantes correntes de vanguarda de nossa 
literatura que influenciou poetas, artistas plásticos e músicos. O grupo 
concretista de São Paulo, na década de 1950, era liderado pelos irmãos 
Augusto de Campos e Haroldo de Campos, Décio Pignatari e José Lino 
Grunewaldt. R
www.esab.edu.br 263
Mussoliniano (de Mussolini)
Referente a Mussolini, político italiano que liderou o Partido Nacional 
Fascista e é creditado como uma das figuras-chave na criação do 
Fascismo. R
Mutante
Que se transforma. R
Nouvelle Vague
Movimento estético que, além de Jean-Luc Godard, contava com os 
cineastas François Truffaut, Alain Resnais e Claude Chabrol. Satirizava 
a própria linguagem cinematográfica, mostrando na psicologia dos 
personagens suas impressões cotidianas e banais, quase sem moral, em 
diálogos inesperados. R
Oração subordinada
Oração que exerce função sintática em relação a outra oração, sendo dela 
dependente. R
Oswald de Andrade (1890-1954)
Escritor modernista brasileiro. R
Paper
Artigo científico. R
Paródia
Transformação de um texto conhecido pelo público em geral, consagrado, 
em um novo texto, de cunho humorístico ou contestatário. R
Pastiche
Trabalho intelectual ou artístico forjado com tal perícia imitativa que 
pode ser confundido com o original. Trata-se, também, de uma imitação 
do estilo de determinado artista. R
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Pe. Antônio Vieira
Nascido em Lisboa (1608-1697). Foi um religioso, escritor e orador 
português da Companhia de Jesus. R
Performance
Quando de fato se realiza uma ação; o desempenho da ação. R
Pleonasmo
Uso de expressões redundantes com a finalidade de reforçar uma ideia. R
Ponderar
Estudar, considerar. R
Posteridade
Referente àquilo que está no futuro; gerações futuras. R
Predicativo
Termo ou expressão que complementa o objeto direto ou o objeto 
indireto, conferindo-lhes um atributo. R
Preposição
Palavra invariável que estabelece uma relação entre dois ou mais termos 
da oração. Essa relação é do tipo subordinativa, ou seja, entre os 
elementos ligados pela preposição não há sentido dissociado, separado, 
individualizado; ao contrário, o sentido da expressão é dependente da 
união de todos os elementos que a preposição vincula. R
Pressuposto
Que se pressupõe; que se supõe antecipadamente. Conjetura. R
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Prolixo
Demasiadamente longo, extenso ou demorado; enfadonho, fastidioso, 
que usa palavras e frases além do necessário. R
Pronome relativo
Classe de pronomes que substituem um termo da oração anterior e 
estabelecem relação entre duas orações. R
Punk
Movimento cultural de atitude agressiva, surgido no fim da década de 
1970, e marcado pelo tédio cultural e pelo apontamento da decadência 
social do século XX. R
Referente
Que se refere, relativo a, que diz respeito a. R
Repertório de referências
Utiliza-se a expressão no sentido de que o aluno precisa conhecer diversas 
fontes de leitura, com pontos de vista diferentes, por exemplo. R
Semântico (de semântica)Estudo do sentido das palavras de uma língua. R
Signo
Resultante da relação entre um conceito e uma imagem sonora. Por 
exemplo, a palavra “árvore” e sua imagem mental. R
Sintático
Relativo à sintaxe: regras sintáticas. Sistema de leis que permite estudar 
uma linguagem puramente sob o seu aspecto formal, sem referência à 
significação ou ao uso que dela se faz. R
www.esab.edu.br 266
Subjacente 
Que está ou jaz por baixo. R
Superlativo
Grau de significação do adjetivo, que traduz uma qualidade elevada à sua 
maior intensidade. R
Teoria da comunicação
São estudos acadêmicos que pesquisam os efeitos, as origens e o 
funcionamento do fenômeno da comunicação social em seus aspectos 
tecnológicos, sociais, econômicos, políticos e cognitivos. R
Vanguardista (de vanguarda)
No vocabulário militar, trata-se do pelotão que primeiro avança na 
batalha. O termo tem sido utilizado como sinônimo de inovação para 
fenômenos estéticos e/ou artísticos. R
Verbo de ligação
Verbo que não indica ação, geralmente tendo o significado de 
permanência (como nos verbos ser, estar, continuar, permanecer, ficar, 
fazer). Realiza a conexão entre dois termos na Língua Portuguesa, o 
sujeito e o predicativo do sujeito. R
Viés
Comporta a ideia de obliquidade, indiretamente. É importante perceber 
que, conforme a perspectiva com que olhamos para algo, o sentido pode 
variar ou apresentar dados antes não vistos. R
Vimeo
Site de compartilhamento de vídeos, no qual os usuários podem fazer 
upload, partilhar e ver vídeos (http://www.vimeo.com). R
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Wordpress
Aplicativo de sistema de gerenciamento de conteúdo para web (http://
www.wordpress.com). R
www.esab.edu.br 268
Referências
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